
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.991 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 7 de junho de 2006.
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A sociedade fica cada vez mais refém dos criminosos
Falta de vagas nos presídios abranda penas e aumenta a força dos criminosos
A impunidade está na origem de muitos crimes e escândalos com os quais os brasileiros sofrem. E a julgar por uma das conclusões do Fórum Multilateral da Segurança Pública, realizado na semana passada em Porto Alegre, o problema vai se agravar. Debatedores presentes concordaram que a carência no setor prisional é uma das razões de impunidade de culpados por delitos. Na avaliação deles, havendo a certeza da falta de vagas nas cadeias, as penas tendem a ser mais brandas ou até nem aplicadas.
A realidade no Rio Grande do Sul dá bem a dimensão da gravidade do quadro. Atualmente, o Estado possui 23.599 presos e capacidade para 16.037. O déficit, portanto, é de 7.562 vagas.
O que chama atenção é que em 1998, de acordo com dados da Superintendência dos Serviços Penitenciários, havia 11.356 vagas para 12.500 presos – uma diferença inexpressiva pelos padrões brasileiros. Em apenas oito anos criou-se esse abismo entre o número de detentos e o de celas.
É no mínimo intrigante o descuido – ou a omissão – dos governantes com um tema que deveria ser prioridade permanente. Mas mais preocupante ainda é a incerteza sobre a adoção de medidas para diminuir esse déficit. Sob a alegação da inexistência de recursos financeiros, raros são os projetos que vêm sendo executados nessa área.
A recente onda de ataques ocorrida em São Paulo demonstra a facilidade de mobilização de facções criminosas lideradas de dentro dos presídios. Autoridades admitem publicamente a força desses grupos que criaram uma espécie de Estado atrás das grades – legislando conforme regras próprias, julgando e executando.
Essas verdadeiras organizações não são fruto apenas das condições subumanas dos cárceres. Elas brotam e crescem justamente no vácuo deixado pela ausência de uma verdadeira e eficiente política correcional. E enquanto esta política não existir a sociedade será refém duplamente: pelo abrandamento de penas que deixa culpados sem punição e, por outro lado, pelo poder ameaçador dos criminosos que as precárias cadeias alojam.
Prefeitura decide construir represa
Estudo preliminar é para gerar mais 950 litros de água por segundo
A capacidade atual de abastecimento de água para os caxienses se esgota em cinco anos. Este é o principal motivo para a decisão anunciada na semana passada pelo prefeito José Ivo Sartori: Caxias vai construir uma nova represa.
O momento atípico, gerado por uma estiagem que obrigou o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Samae) a adotar medidas de racionalização no consumo, tem influência porque revela um estágio muito próximo da exaustão. Mas o município não realiza grandes investimentos nesta área desde que o Sistema Faxinal foi construído, há mais de 20 anos.
"Por enquanto, estamos apenas realizando estudos. Não acredito que a obra possa iniciar antes de 2008", afirmou ao Correio Riograndense o diretor geral do Samae, Marcus Vinícius Caberlon. A autarquia tem licença da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) apenas para fazer estudos preliminares. Necessitará de licença prévia para contratar estudos definitivos, de uma outra para a implantação da obra e de uma terceira para a operação.
Pelo projeto preliminar, a intenção é construir uma represa com a capacidade do Faxinal, hoje o responsável pelo fornecimento de água a 64% da população. A barragem teria 49 metros de altura por 280 a 300 metros de comprimento e o reservatório comportaria 32,2 milhões de metros cúbicos de água. "Mas poderemos ampliar para até 47 milhões de metros cúbicos. Dependerá da conveniência no momento da liberação da licença para a obra", ressalta Caberlon.
A intenção é utilizar a água do Arroio Marrecas, no distrito de Vila Seca, distante 23 quilômetros do centro da cidade. Diferente dos sistemas atuais, o Samae quer instalar a estação de tratamento no distrito, enviando por adutoras a água já tratada. O reservatório de 32,2 milhões de metros cúbicos poderá gerar de 950 a 1.000 litros de água por segundo. Hoje o Faxinal bombeia 850 l/s, mas pode atingir 1.100 l/s. A segunda opção é o rio Piaí, com maior vasão. O custo estimado para a obra é R$ 150 milhões. A Prefeitura tem parte desses recursos, mas precisa buscar financiamentos para completar a soma necessária.
Níveis – Os níveis das represas caxienses continuam caindo, apesar da campanha de conscientização. Situação da sexta 2: Faxinal estava 5,02 metros abaixo do normal, a Maestra, 8,19 metros e o Dal Bó, 3,88. Não está descartada a adoção de rodízio no abastecimento nesta semana.
FSG anuncia vestibular com 660 vagas em dez cursos
Estão abertas as inscrições para o vestibular de inverno da Faculdade da Serra Gaúcha (FSG). O concurso oferece 660 vagas em dez cursos: análise de sistemas, comércio internacional, marketing, recursos humanos, ciências contábeis, educação física, fisioterapia, normal superior, pedagogia e psicologia. A prova será realizada no dia 11 de julho. A faculdade espera cerca de 800 candidatos.
As inscrições podem ser feitas até 10 de julho na própria faculdade e nos postos da FSG; Mutirão de Caxias, Bento Gonçalves, São Marcos e Farroupilha, na FTEC Brasil e na Iland/Data Brasil. Pela Internet (www.fsg.br), o prazo encerra em 6 de julho. A taxa é de R$ 60.
Desde fevereiro, a FSG atende em sede própria, onde funcionava a antiga Sociedade Vinícola Riograndense, no centro de Caxias. A área tem cerca de 14.000 m². Dois pavimentos já foram totalmente reformados para atender às atividades educacionais. As obras no terceiro prédio devem ser concluídas até o fim ano. O diretor da FSG, João Dal Bello, destaca que a reforma do local está sendo feita com supervisão da Secretaria Municipal de Cultura, pois visa respeitar o projeto arquitetônico original da histórica edificação.
Brasil faz ataque preventivo à biopirataria
Governo divulga lista com 6.700 nomes comuns e científicos da biodiversidade do país
Depois do susto ao ver o cupuaçu produzido na Amazônia registrado como uma marca japonesa no Japão, Estados Unidos e na União Européia, o governo brasileiro decidiu montar uma lista de espécies da flora brasileira para evitar o registro indevido e o uso comercial desses produtos no exterior. A medida é inédita em todo o mundo e deve auxiliar o trabalho dos examinadores internacionais, assim como proteger futuros registros de marcas (produtos) com essas denominações.
Denominada Lista Não-Exaustiva de Nomes Associados à Biodiversidade de Uso Costumeiro no Brasil, o documento contempla aproximadamente 3.000 nomes científicos associados à biodiversidade de origem vegetal, desdobrando-se em cerca de 5.000 nomes comuns e suas variantes (ex.: aipim; macaxeira; mandioca), os quais, combinados entre si, formam mais de 6.700 pares de nomes científicos e comuns. "É uma prevenção. Estamos tentando evitar que espécies da nossa biodiversidade sejam monopolizadas, causando danos econômicos, morais e culturais", avaliou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
De acordo com a ministra, a lista serve também como elemento de defesa, inclusive em processos judiciais. "Desta forma, pedidos indevidos podem ser negados e registros já feitos, serem cancelados ou anulados", explicou a ministra ao divulgar o documento na segunda 22, Dia Mundial da Biodiversidade Biológica.
Diversidade biológica é a variedade de vida no planeta. Esse conceito compreende a variedade nos ecossistemas terrestres, marinhos e demais ecossistemas aquáticos, entre outros, além dos complexos ecológicos de que fazem parte. Também inclui a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.
A lista foi elaborada pelo Grupo Interministerial de Propriedade Intelectual e será divulgada a organismos internacionais, escritórios estrangeiros de registro de marcas e patentes e também à Organização Mundial do Comércio.
Assim como conseguiu anular o registro do cupuaçu (diz ao CR o sociólogo da Rede GTA, José Arnaldo de Oliveira), o governo pretende utilizar a lista em defesa do açaí, da mandioca, do agrião, da acerola, do maracujá, entre outros produtos da biodiversidade brasileira, para que não haja registro de direitos exclusivos sobre eles no exterior.
Com o documento, o governo brasileiro visa subsidiar de forma preventiva os examinadores estrangeiros e até cancelar registros eventualmente concedidos. Alguns itens da lista, que poderá ser atualizada ao longo do tempo, estão reproduzidos também em inglês, para facilitar o trabalho de exame dos produtos.
País perde R$ 1 bilhão com a biopirataria
Os exportadores brasileiros de rapadura, que vendem o produto com esse nome para a Alemanha e os Estados Unidos (EUA), são obrigados a pagar royalties – uma espécie de taxa para usar uma invenção ou produto que já foi registrado. É o que ocorreu com a rapadura, um produto tipicamente brasileiro e ícone da cultura e da resistência nordestina.
Em 1989, a empresa de alimentos orgânicos alemã Rapunzel registrou a rapadura como marca de seu açúcar orgânico, na Alemanha. Sete anos depois, fez o mesmo nos EUA. O Brasil descobriu apenas em 2005, depois de um comunicado anônimo chegar à Divisão de Propriedade Intelectual do Itamaraty. Imagina se o brasileiro resolve patentear o chucrute....
Outro exemplo recente dos problemas que o Brasil enfrenta nesta área é a disputa pela propriedade do açaí. Desde janeiro, quem tenta vender qualquer produto relacionado com o nome do fruto no Japão tem que pagar royalties. Outros produtos como a andiroba, carqueja, quiabo, pinhão, umbu, cajá, maracujá e copaíba aumentam a lista de espécies genuinamente brasileiras que hoje pertencem a estrangeiros.
Made in – Levantamento do Ibama mostra que o Brasil poderia receber R$ 1 bilhão por ano, se não fosse a biopirataria. O presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, Roberto Jaguaribe, elogiou a lista do governo. "A relação made in Brasil será divulgada e enviada a escritórios estrangeiros de registros de marcas, o que irá evitar novos problemas ao país", disse. "Eles não poderão alegar que não sabiam que esses nomes pertencem à nossa biodiversidade", completou a ministra Marina Silva.
Transporte de madeira mobiliza RS
Lideranças pedem tempo e mudanças na Resolução 188 que atinge 180 cidades
Os transportadores querem a prorrogação do prazo para vigência da Resolução 188/06, que fixa requisitos de segurança para o transporte de toras de madeira por veículos rodoviários de carga. A Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo do Legislativo (Capc) está encaminhando a solicitação ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
A resolução foi publicada em 8 de fevereiro passado e tem prazo legal de 180 dias para vigorar. Atinge cerca de 180 municípios gaúchos. Pela proposta da Capc, os condutores de cargas teriam até fevereiro de 2007 para apresentarem sugestões à nova legislação e/ou adaptarem-se às novas regras. O que ocorre é que muitas vezes o próprio agricultor é quem faz o transporte da lenha. E o mesmo caminhão usado para transportar a lenha costuma ser utilizado para o transporte de insumos agrícolas e outros produtos.
Entre as resoluções, o Contran determina que as toras deverão ser transportadas no sentido longitudinal ou transversal sobre a carroceria, com painéis dianteiro e traseiro, e escoras laterais metálicas, além de cabos de aço ou cinta.
Restrição – Os transportadores reclamam que as alterações nos veículos seriam muito caras. "As adaptações da carroceria custam R$ 15 mil. Além disso, restringem a atividade do profissional uma vez que, adaptado, o caminhão serve para transportar somente madeira", explica ao CR o presidente do STR de Maratá, Celso Kirstin.
As empresas de reflorestamento, representadas pela Associação Gaúcha de Reflorestadores; o Daer e a Secretaria Estadual de Transportes propõem outras adaptações de engenharia nas carrocerias dos caminhões para acomodar as cargas. Pedem ainda ao Contran a modificação do artigo da resolução que trata do tamanho das toras, para que seja considerada madeira bruta aquela acima de 2,5 metros.
Mais de 150 vinhos disputam premiação
A 5ª edição do Concurso os Melhores Vinhos de Flores da Cunha recebeu a inscrição de 152 amostras, divididas em sete categorias, de 24 vinícolas do município. Espumantes participam pela primeira vez do concurso. A avaliação está sendo realizada na Escola de Gastronomia até o dia 8 de junho.
Outra novidade do concurso é o troféu Baco de Flores que será entregue à amostra com a maior nota em cada categoria. Ela tem que ser obrigatoriamente superior à estipulada pela organização do concurso para a concessão da distinção. O jantar e a premiação ocorrem dia 1º de julho, no Clube Independente.
Bento – Já abriram as inscrições para participar da XIV Avaliação Nacional de Vinhos, de Bento Gonçalves. Encerram no final do mês de junho. A avaliação reunirá cerca de 700 pessoas no dia 23 de setembro de 2006. Os interessados deverão acessar o site www.enologia.org.br ou entrar em contato com a Associação Brasileira de Enologia (ABE) pelo telefone (54) 3452.6289.
Vila Maria debate a suinocultura regional
A palestra "Suinocultura e meio ambiente", com o engenheiro agrônomo Henrique Bartels, da Emater central, é a principal atração do 15º Encontro de Suinocultores, que ocorre dia 29 de junho em Vila Maria (RS). O encontro reúne produtores de toda região.
A abertura está a cargo do prefeito Cleci Ângelo Endrigo e do presidente da Associação de Criadores de Suínos do RS, Valdeci Folador. A programação segue com almoço à base de carne suína e sorteio de brindes. A promoção é da Emater, da Prefeitura e da Associação de Suinocultores de Vila Maria (Assuvima).
Engº. Agrº. José Zugno
Insetos atacam ingazeiros
Aqui seguem várias amostras de ingás com esquisita doença nos ramos. A primeira amostra é o ingá mais comum, plantado ou nascido naturalmente ao redor de casa ou no quintal. Na época da floração e frutificação é um espetáculo que chama a atenção dos que passam e pedem frutos e sementes, mas quase sempre não conseguem obter mudas. No verão ou dias mais quentes observo a presença de besouros de pintas e listras transversais amarelas, acasalam-se nos ramos altos e alimentam-se das brotações. Suspeito que as fêmeas desses besouros depositam seus ovos nas brotações e ramos jovens e estes desenvolvem esses nódulos horrendos, que parecem alojar e alimentar os besourinhos que nascem.
A segunda amostra de vagem grossa cilíndrica com sementes envolvidas por grossa polpa branca aveludada. Nos ramos contaminados encontrei lagarta bem peluda amarela comendo as folhas, e o casulo da mesma, também amarelo.
A terceira amostra são folhas e um pequeno ramo de ingá de grosso tronco de casca bem lisa, de vagens achatadas de sementes também achatadas e de polpa menos doce que a variedade comum. Foi nessa planta frondosa que começaram aparecer essas estranhas formas que se assemelham a figuras de bichos horripilantes. As vagens que conseguem produzir ou amadurecer já eram repletas de "brocas", bichinhos duros que danificam as sementes. Também nesta variedade observei nas rebrotas rente ao chão a presença de besouros pretos com pintas amarelas comendo as folhas. O que fazer sem eliminar as plantas?
ROSÂNGELA MIOSSO
Caçador – SC
As amostras enviadas têm folhas alternadas compostas paripenadas (nº par de folíolos), folíolos lanceolados com nervuras salientes, diferem apenas em detalhes, nº de folíolos 2,3,4,5, jugos, tamanho delas, lisas ou com penugem etc.
Apenas pelo exame das folhas não é possível identificar a espécie, pois o gênero Ingá da família das Leguminosas Mimosáceas compreende muitas dezenas de espécies brasileiras e americanas.
Ainda existe certa confusão nos critérios de identificação e classificação das espécies. Freqüentemente uma espécie é confundida com outra.
O eminente botânico Raulino Reitz e sua equipe descreveram resumidamente quatro principais espécies de ingá que crescem nas zonas da mata Atlântica de Santa Catarina: ingá feijão = Ingá marginata; ingá cipó = Ingá stricta, ingá macaco ou ferradura = Ingá sessilis; ingá-de-quatro-quinas = Ingá lushnathiana -, que ocorre exclusivamente em SC. Existem outras espécies, mais raras no Estado: Ingá affins, edulis, lentiscifolia, uruguensis, virescens, velutina e sellowiana.
O ingá do seu quintal (amostra nº 1) é provavelmente o ingá-feijão, mais comum no Brasil, desde o Ceará até o RS (Ingá marginata). O ingá-feijão é árvore mediana, 8 a 15 m de altura, de tronco relativamente fino, de ramificação quase horizontal, formando copa arredondada e densa, folhas compostas por 2 a 3 pares de folíolos lanceolados de 3 a 15 cm de comprimento e 1 a 4 cm de largura. Ocorre ao longo dos rios e lagos, mas também em terra firme de solo profundo e úmido. Produz todos os anos intensa floração de outubro a fevereiro e frutificação de março a maio. As flores são brancas, reunidas em espigas, vistosas, perfumadas, melíferas. Os frutos são vagens lisas, roliças, segmentadas, sementes com polpa branca adocicada. É planta ornamental. Na época de floração e frutificação é um espetáculo que chama a atenção de todos os que passam.
Reprodução por sementes – Estas devem ser semeadas imediatamente após a retirada da polpa que as envolve, em recipientes individuais. Germinação em 15 dias.
A amostra nº 2 talvez seja o ingá-macaco ou ferradura, Ingá sessilis. Árvore de porte médio, copa densa, tronco curto de até 60 cm de diâmetro, folíolos pubescentes, vagem em forma de ferradura também aveludada.
A amostra nº 3 assemelha-se ao ingá-cipó ou de quatro– quinas = Ingá stricta. Árvore frondosa, de crescimento rápido, com folhas grandes com 5 pares ou mais de folíolos, 10 a 18 cm de comprimento, de 3,5 a 7cm de largura, vagens achatadas, inclusive as sementes, com polpa menos doce que as comuns. (ver próxima edição)
Níveis tecnológicos garantem opções no trigo
Escolha da cultivar determina tipo e custos de produção do plantio
Está começando o plantio de trigo no Sul do país, região que concentra 90% da produção brasileira, em meio a um momento de escassez de recursos e tendência de poucos investimentos na lavoura. "O cenário projeta redução de 18% na área plantada com o grão no RS. Os agricultores buscam compensar os custos de produção", avalia o assistente técnico estadual da Emater, Taídes Jacobsen.
O cereal exige nível mínimo de tecnologia para ser produzido. Por isso, a Embrapa Trigo desenvolveu estudo relacionando os sistemas de manejo com os custos de produção, por meio do qual o produtor poderá visualizar a alternativa mais viável para a sua realidade, com base no uso de insumos para a lavoura de inverno.
Somente em Passo Fundo, a Embrapa identificou cinco tipos de sistema de cultivo de trigo, com diferenças quanto à quantidade de semente utilizada, uso ou não de tratamento da semente, volume de adubo de base, adubo de cobertura e de aplicações de fungicida.
As produtividades médias destes sistemas variam de 1.200 kg/ha (20 sc de 60 kg) até 2.700 kg/ha. A área de cultivo varia de dois a 300 ha, sendo grande o percentual de propriedades que cultivam trigo na faixa de 30 a 70 ha. "As flutuações de área têm relação com o preço do produto, resultados da safra do ano anterior e o desempenho da safra de verão", observa a pesquisadora Cláudia De Mori.
Com base nos preços de abril, o custo variável na lavoura está estimado em R$ 438,50/ha (média tecnologia) a R$ 703,30/ha (alta tecnologia), considerando gastos com sementes, insumos, combustível e reparos no maquinário. "A escolha da cultivar define o pacote de insumos. Algumas demandam mais adubo e fungicidas. Por isso, não existe pacote único. É preciso avaliar cada caso", diz o pesquisador João Leonardo Pires.
Para o pesquisador Eduardo Caierão, produtividade nem sempre significa lucro. "Às vezes vale mais produzir 50 sc/ha e obter lucro líquido de 20 sc/ha, do que produzir 70 sc/ha e atingir um lucro de 5 sc/ha", diz. É preciso direcionar a lavoura conforme as oscilações do mercado, considerando cada variável de produção no momento da semeadura. E, ainda, vislumbrar o cenário futuro na hora de comercializar a safra. "O bom acompanhamento das inclinações do mercado e o gerenciamento financeiro permitem maior segurança ao triticultor", conclui Caierão.
Guamirim – O trigo BRS guamirim apresenta o porte mais baixo (70 cm), contando com alto potencial de perfilhamento e média de rendimentos de 3.400 kg/ha. O ciclo vegetativo é precoce (média de 125 dias). É moderadamente resistente à ferrugem da folha, ao oídio, à giberela e às manchas foliares e à debulha natural.
Lançadas sete cultivares de trigo e centeio
Durante as reuniões das comissões Sul-Brasileira e Centro-Sul de Pesquisa de Trigo e Triticale foram lançadas seis cultivares de trigo: BRS guamirim (da Embrapa Trigo, indicado para o RS, PR e SP); Fundacep cristalino (RS, SC, PR e MS); Fundacep raízes (RS e SC); IPR 129 (Iapar para SC, PR, MS e SP); IPR 128 (Iapar para PR, MS e SP); e CD 116 (Coodetec para o PR).
Além disso, foi apresentada cultivar de centeio BRS serrano, indicado para os Estados do RS, SC, PR, MS e SP. Na comissão de melhoramento genético, o destaque foi a extensão da recomendação de cultivo dos trigo BRS 208 para o RS, cultivar que já apresentava bons resultados no Paraná.
Uma das inovações foi o zoneamento agrícola para o cultivo de trigo de duplo-propósito no RS (grãos e forragem), e a definição de indicações básicas de manejo na integração lavoura-pecuária.
Panambi vai sediar fórum nacional em 2007
Panambi, no noroeste gaúcho, será a sede da terceira edição do Fórum Nacional do Trigo, que ocorrerá em 26 de abril de 2007. A decisão foi anunciada pela Emater, Embrapa Trigo, Cotrijal e Cotripal Agropecuária Cooperativa, que será a anfitriã do evento. "O fórum tem caráter itinerante", explica o assistente técnico estadual da Emater, Ataídes Jacobsen.
O objetivo do fórum é discutir questões econômicas, políticas e técnicas que envolvem a cultura do trigo. O fórum de 2007 terá ainda um caráter comemorativo, já que se insere nas comemorações dos 50 anos da Cotripal.
A cooperativa Cotripal possui 3.000 sócios e uma carteira diversificada de negócios que inclui o setor de grãos, com a manutenção de dois terminais de exportação no Porto de Rio Grande em parceria com a CCGL, de quem também é parceira na construção de uma unidade com capacidade para processar um milhão de litros de leite ao dia em Cruz Alta.
A Cotripal administra frigoríficos, fábricas de ração, supermercados, lojas de serviço automotivo e um campus experimental agronômico de pesquisas, em Panambi.
Pesquisa indica os grãos de duplo-propósito no inverno
Historicamente, a região Sul do país utiliza 80% da área produtiva no verão e apenas 20% no inverno. A prática acaba refletindo no rendimento das culturas de verão, que necessitam dos nutrientes e da palhada deixados pelas gramíneas para a viabilização do sistema plantio direto.
Por isso, a pesquisa passou a indicar o uso de cereais de inverno com duplo-propósito, isto é, grãos que possam ser usados tanto para pastagem quanto na indústria de alimentos. E transformou aveia branca, trigo, cevada e triticale em cereais de duplo-propósito (pastagem e grãos) como prática comum em propriedades rurais de pequeno porte da região.
Além disso, a produção de cevada destina-se, basicamente, para fins cervejeiros. Está concentrada em regiões espalhadas pelos três Estados do Sul. O triticale é um cereal de inverno obtido pelo cruzamento artificial de trigo com centeio. A produção destina-se principalmente à alimentação animal. Quanto ao centeio, o RS é o Estado com a maior área de cultivo no Brasil, bem como de aveia, voltada à alimentação humana e animal.
Frio aumenta a sensação de dor
Ossos, articulações e músculos são as áreas mais afetadas
Além de elevar a incidência de gripes, resfriados e infecções respiratórias, as baixas temperaturas, características do inverno no Sul do país, também costumam agravar os problemas relacionados aos ossos, articulações e músculos. A ciência ainda não sabe explicar exatamente por que as dores desse tipo tornam-se mais agudas com o frio e a umidade, mas as pessoas seguem reclamando do "frio de doer".
"O ser humano é mais sensível ao frio, ele baixa a resistência do corpo. Nessa época do ano, as queixas de dor são freqüentes no consultório, percebe-se que há uma relação com o inverno", afirma o reumatologista João Cavalheiro, de Caxias do Sul. Há poucos estudos sobre o impacto do frio no organismo e suas conseqüências fisiológicas. Sabe-se que as temperaturas baixas causam constrição vascular, prejudicando a circulação do sangue.
"A má circulação é apontada como uma das causas de maior sensibilidade à dor em dias frios", explica o médico. Além disso, a musculatura, na tentativa de aquecer-se, tende a se contrair, o que aumenta a pressão e o atrito ósseo entre as superfícies em contato, provocando agravamento dos sintomas das doenças ósseo-articulares, principalmente a dor. A postura encolhida, especialmente observada na coluna dorsal e cervical, também é responsável pela maior incidência de torcicolos.
O paciente reumático pode ser um bom meteorologista. De acordo com os especialistas, ele pode sentir no corpo quando o frio se aproxima. A artrose, um processo de desgaste das articulações, é grande vilã nessa época do ano. "Quem tem artrose queixa-se mais de dor com o frio e a umidade. Tenho pacientes que chegam a mudar-se de Caxias do Sul no inverno, vão para lugares mais quentes em busca de alívio", afirma Cavalheiro.
As fraturas, recentes ou antigas, também costuma ficar mais doloridas com a mudança da estação. Essas dores ósseas podem estar relacionadas à constrição vascular. Os ortopedistas explicam que o processo de cicatrização de uma fratura é semelhante ao que ocorre na pele. A região que está em recuperação é hipervascularizada, então, se a circulação diminui, o paciente sente.
Para amenizar essas dores, uma das recomendações básicas é não se expor às baixas temperaturas sem o devido agasalho. A boa e velha bolsa de água quente, principalmente à noite, também diminui o desconforto do frio e ajuda a impedir a contração muscular. Alongamento e atividade física também são indispensáveis.
Inicia vacinação contra a paralisia
Todas as crianças menores de cinco anos devem ser vacinadas no próximo dia 10 de junho contra a poliomielite. Nesta data, realiza-se a primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a doença, também chamada de paralisia infantil. A meta do Ministério da Saúde é imunizar 17 milhões de crianças nos 117 mil postos de vacinação espalhados por todo o Brasil.
A poliomielite é causada pelo poliovírus, que geralmente ataca as crianças. A transmissão acontece quando as fezes infectadas entram em contato com a boca. O vírus se desenvolve na garganta ou no intestino e é disseminado pela corrente sangüínea. Ao atingir o sistema nervoso central, ataca os neurônios e provoca a paralisia dos membros inferiores e superiores.
Os bebês precisam tomar as primeiras doses da vacina aos 2, 4 e 6 meses, com um reforço aos 15 meses. Mesmo já tendo tomado essas doses, recomenda-se que as crianças sejam vacinadas novamente durante a campanha. É importante levar o cartão de vacinação da criança.
O último caso de pólio no Brasil foi registrado em 1989. Porém, a doença ainda existe em alguns países. Por isso, mesmo com o certificado de erradicação do poliovírus selvagem em todo o continente americano, as campanhas devem continuar no Brasil, como medida de segurança para a saúde mundial. A segunda etapa da campanha será em 26 de agosto.
BCG – O Sistema Único de Saúde (SUS) não vai mais aplicar a segunda dose da vacina BCG em crianças entre 6 e 10 anos de idade. A decisão foi tomada após estudos nacionais e internacionais terem indicado baixa efetividade da segunda dose na proteção contra as formas graves de tuberculose, sendo suficiente uma única dose. Mantém-se a recomendação para a aplicação da primeira dose da BCG nas primeiras horas de vida da criança, ainda na maternidade.
Sobre códigos, inspiração e verdade
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Um escritor medíocre soube aproveitar-se, e bem, da síndrome que toma conta de boa parte das pessoas: não conseguir acreditar nas coisas sérias e ao mesmo tempo estar pronto para acreditar na primeira bobagem que é apresentada
Ao mesmo tempo em que o filme "O código da Vinci" lota os cinemas e bate recordes de bilheteria, na esteira do fabuloso sucesso do livro que o precedeu, a discussão que provoca começa a atingir um certo ponto de saturação. Vai ficando cansativa a mirabolante e milionária receita que combina investigação policial, religião, Bíblia e outras coisas mais, que enriqueceu o escritor Dan Brown.
Certamente, se não tivesse descoberto esta galinha dos ovos de ouro, Dan Brown seria ainda um medíocre e obscuro escritor norte-americano buscando seu lugar ao sol. No entanto, soube aproveitar-se, e bem, da síndrome que toma conta hoje em dia de boa parte das pessoas: não conseguir acreditar nas coisas sérias e ao mesmo tempo estar pronto para acreditar na primeira bobagem que é apresentada.
Creio que o Código da Vinci se enquadra perfeitamente nesta última categoria. Em seu livro e no filme nele inspirado é apresentada ao leitor e ao espectador uma série de afirmações e situações fantasiosas com pretensão de revolucionar a concepção que se tem sobre o Cristianismo, a vida de Jesus, de Maria Madalena, a instituição Igreja, e alguns movimentos católicos, sobretudo o Opus Dei.
O livro de Dan Brown é uma obra literária, certamente de gosto duvidoso. Longe de ser boa literatura, pode ser classificada como ficção. Não tendo a literatura compromisso com a verdade, mas sim com a verossimilhança, está o autor, portanto, em seu direito de escrever e descrever as situações e fatos que deseja e como o deseja, misturando personagens e narrativas, desde que lhes dê um fio condutor de plausibilidade.
Embora não se negando a Dan Brown este direito, deve-se, no entanto, negar-lhe outro direito: o de pretender que o que escreve é verdadeiro e constitui uma contribuição fundamentada e séria sobre as fontes do Cristianismo, a pessoa de Jesus de Nazaré e seu grupo de seguidores e o dinamismo da vida da Igreja, em sua organização interna e sua tradição.
Ao longo de mais de 2.000 anos, a Igreja procurou sempre transmitir o mais fielmente possível às novas gerações a revelação da qual se entende como depositária, ao mesmo tempo em que buscou zelosamente preservar esse depósito de deturpações e distorções diversas que inevitavelmente apareceram em seu caminho.
É assim que os quatro primeiros séculos da história do Cristianismo foram marcados pelo aparecimento de várias heresias, ou concepções distorcidas na maneira de compreender certas verdades de fé, como a Santíssima Trindade, a maternidade divina de Maria, a natureza humano-divina de Jesus. Tais concepções, que muitas vezes ganhavam corpo e conseguiam inúmeros adeptos mesmo entre os cristãos, foram enfrentadas pelos teólogos cristãos que, ancorados na verdade revelada e na experiência da fé, formularam então corretamente as verdades que a heresia distorcia.
Assim, por este caminho mais do que acidentado, e ao longo de mais de vinte séculos, o Cristianismo tem conseguido superar obstáculos e percalços a fim de continuar afirmando e proclamando aquilo que constitui o conteúdo da revelação e da fé que anima a vida da Igreja.
Para fundamentar seus ensinamentos, a Igreja conta com textos escritos, sim. As assim chamadas Sagradas Escrituras, ou Bíblia, são escritos de vários gêneros literários (profético, hínico, narrativo, prescritivo), que primeiramente foram objeto de tradição oral e posteriormente postos por escrito. Embora os escritores bíblicos ou hagiógrafos sejam pessoas humanas, inseridas num tempo e num espaço e sujeitos, portanto, a várias limitações, são reconhecidos pela Igreja como inspirados, ou seja, como movidos pelo Espírito de Deus a escrever o que Deus queria e apenas o que Ele queria.
Assim é que, se bem os livros da Bíblia possam conter imprecisões científicas, históricas e geográficas, próprias de uma era pré-técnica, neles se pode encontrar a verdade. Essa verdade é o fundo mais profundo da mensagem que a Bíblia deseja transmitir: a revelação de Deus, seu desejo de vida, sua aliança com a humanidade, sua vontade salvífica, seu amor infinito.
Se quisermos, portanto, conhecer a verdade sobre o Cristianismo e o Deus que ele revela, podemos recorrer à leitura da Bíblia. Certamente não poderemos encontrá-la no livro de Dan Brown e no filme por ele inspirado. Ali se poderá encontrar um romance policial, algumas narrativas rocambolescas que poderão agradar alguns e servir de passatempo a outros. Mas não a verdade. Dan Brown pode até ter sensibilidade marqueteira e tino editorial. Falta-lhe, porém inspiração, no sentido mais teológico do termo. Caberá a seus leitores julgar se também lhe falta talento.
Frei Betto
Não deixarei que meu voto seja tragado pelo pessimismo, pela desmotivação política, pelo desalento que desafoga a emoção e encurrala a razão... Hei de valorizar homens e mulheres sensíveis à exigência de promover reformas na estrutura social brasileira
Como hei de dar meu voto a quem negocia com bandidos e deixa uma metrópole inteira, 11 milhões de habitantes, dois dias refém do crime? Alguém poderia imaginar que o impossível aconteceria e homens encarcerados haveriam de acuar milhões de cidadãos livres, refugiados em casa pelo medo? Como posso escolher que me governe quem esconde a identidade dos mortos pela polícia e permite que jovens, por serem pobres e estarem na rua, sejam alvos da sanha assassina de policiais irresponsáveis?
Como posso dar meu voto para ocupar o poder a quem abusa dos meus impostos e permite que um avião comprado com recursos públicos transporte advogados mancomunados com o crime até o cárcere onde os prisioneiros decidem o destino de uma cidade? Onde estão os serviços de inteligência da polícia, as ações preventivas, os cuidados para a recuperação dos que infringem a lei? E quem me convence que os mortos sem antecedentes criminais de fato atacaram dependências policiais antes de serem alvejados?
Como dar meu voto a quem trata movimentos populares com repressão e criminaliza os que defendem a reforma agrária? E a quem considera justo o caixa dois e negocia funções públicas em troca de alianças políticas espúrias?
Não posso votar em quem qualifica de populistas os ventos democráticos populares que sopram na América do Sul, bafejando os países da região de soberania e independência. Nem a quem torce o nariz preconceituoso diante de operários e indígenas eleitos democraticamente presidentes pela vontade do povo.
Como dar meu voto a quem se alia aos remanescentes da ditadura militar que escutaram silentes os gritos ressoados das câmaras de torturas e o choro incontido das famílias de mortos e desaparecidos? Não posso votar em sorrisos falsos, em partidos cujos candidatos são decididos por meia dúzia de caciques reunidos em torno de vinhos caros, em coligações que se armaram para evitar o estatuto do desarmamento. Nem naqueles que promoveram a privatização do patrimônio público e repassaram recursos acumulados por nossos tributos para empresas estrangeiras comprarem o que pertencia à nação.
Não hei de dar meu voto a deputados que faltaram com a ética, o decoro público, financiados por dinheiro escuso ou envolvidos em máfias de sanguessugas. Nem aos que jamais foram vistos entre os pobres, participando de movimentos populares e apoiando a defesa intransigente dos direitos humanos.
Também não hei de atirar meu voto na lata de lixo, no esgoto das amarguras cívicas, na latrina das decepções ideológicas, subtraindo-o da soma de votos atraídos por discursos demagógicos e sofisticadas campanhas destinadas a eleger e reeleger corruptos, alpinistas eleitorais, nepotistas e oportunistas. Hei de valorizar essa ferramenta democrática capaz de alçar ao poder público homens e mulheres sensíveis à exigência histórica de promover reformas na estrutura social brasileira, em especial na fundiária e na tributária.
Não deixarei que meu voto seja tragado pelo pessimismo, pela desmotivação política, pelo desalento que desafoga a emoção e encurrala a razão, cegando-a frente ao futuro. E não farei de meu voto um mero jogo digital de quem escolhe uma possibilidade de vitória. Pesquisarei cada um dos candidatos, levantarei sua vida pregressa, exigirei compromissos daqueles que de mim se acercarem. Darei passos para cobrir a ponte que separa a democracia representativa da democracia participativa.
Bem dizia Montesquieu: "Para que não se possa abusar do poder é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder." E o único poder capaz de frear o poder do Estado é esse que brota da sociedade civil organizada e mobilizada, do voto consciente e conseqüente, da cidadania que valoriza as eleições e a escolhas que elas implicam.
Hei de dar meu voto ao fim da desigualdade social, à reforma de nossas estruturas fundiárias, à redução dos juros, à melhoria da educação e da saúde, à política de segurança pública e combate ao desemprego, à integração da América Latina e à globalização da solidariedade.
Só brasileiro vê país como potência
Otimismo local contrasta com a opinião em outros países
Um terço dos brasileiros acredita que o país será uma grande potência mundial no futuro. Esse otimismo, porém, não é compartilhado por entrevistados de outros países. Esses dados estão no relatório final da pesquisa "Potências mundiais no século 21, realizada pela fundação alemã Bertelsmann. O trabalho mostra a opinião de pessoas em nove países (Estados Unidos, China, Japão, Índia, Grã-Bretanha, França, Alemanha África do Sul e Brasil) sobre que nações serão potências mundiais no ano 2020.
O estudo, que ouviu mais de mil pessoas em cada um dos países abrangidos, revela que 81% do entrevistados acham que os Estados Unidos são atualmente o centro do poder mundial. No Brasil, 71% têm essa opinião. No entanto, só 57% acham que os EUA continuarão sendo uma potência em 2020. No Brasil, só 39% acreditam nisso.
A opinião geral é que a China vai ter cada vez mais poder no futuro.A influência de Japão e Europa permanece relativamente estável, porém menor que a dos Estados Unidos e da China.
Cenário – No Brasil, 15% dos entrevistados acham que seu próprio país é atualmente uma potência mundial e 32% estão convencidos de que o Brasil será uma potência em 2020. Entre os entrevistados dos outros países, porém, só 5% vêem o Brasil como um centro de poder hoje, e 10% em 2020. Alemanha (13%), França e Grã-Bretanha (ambos 10%) são os que mais crêem em uma maior influência brasileira em 2020.
Chineses e indianos também tendem a supervalorizar a posição futura de seus países no cenário mundial. Enquanto 55% do total de entrevistados vêem a China como potência mundial em 2020, 71% dos chineses pensam o mesmo. A diferença é ainda maior em relação à Índia: 24% do total vêem o país como potência do futuro, já entre os indianos, 76% pensam assim.
Para os brasileiros, as maiores ameaças do futuro são a destruição do meio ambiente e a pobreza, enquanto países altamente industrializados como Estados Unidos, França e Alemanha vêem o terrorismo como o perigo maior.
IGREJA: AMADA E QUESTIONADA
Responsável pelo segundo módulo do Curso de Teologia a Distância, que inicia na próxima edição, frei Wilson Dallagnol fornece uma visão da Eclesiologia, cuja tarefa é distinguir e discernir a estrutura essencial da Igreja e sua figura concreta
"Quão questionável és, Igreja; no entanto, quanto te amo!" (Carlos Carretto).
A Igreja católica tem a marca profunda da iniciativa divina. No entanto, carrega as marcas da sua história. Foi e, algumas vezes, é motivo de escândalo. Alguns a desejam ver destruída. Outros a difamam. Querem se ver livres dela. Questionam-na com todas as forças de suas entranhas. Notam-se alguns "momentos" obscuros na sua história, de falsidade e hipocrisia.
Ao olhar a Igreja a partir de dentro e à luz da fé é preciso reconhecer que ela é pecadora. No entanto, o cristão a ama como se ama a própria mãe. Necessita da sua presença misericordiosa. Vê que é santa, pois é iniciativa da graça de Deus e por Ele é sustentada. Nela se encontra o puro, o belo, o generoso, o amoroso. Ela tem continuamente seus braços abertos para acolher, como o "filho pródigo" que volta à casa ou como a chegada da barca ao porto seguro. É uma companhia ao navegante e todos os que professam o nome de Jesus nela estão incluídos.
Não há possibilidade de fugir dessa Igreja, pois construir outra é negar a iniciativa, o fundamento, a obra de Jesus Cristo. Seria fazer uma Igreja "à minha imagem" – com certeza pior do que aquela que existe hoje. Ainda bem que a credibilidade da Igreja não depende tanto de nós, mas de Deus (Pai – Filho – Espírito Santo). Daí que a Igreja possui a sua origem no infinito amor de Deus.
Eclesiologia – A Igreja é um fato (evento, acontecimento, realidade), seja da iniciativa da graça divina, seja como concretização histórica. Antes de mais nada, existe uma experiência viva e concreta, onde os que crêem em Jesus Cristo dão uma resposta de fé e seguimento ao seu Mestre, inserindo-se numa comunidade eclesial, também chamada comunidade de fé.
A Eclesiologia vem num segundo momento. Ela não é mera reflexão de uma "coisa" abstrata ou puramente teórica. A Eclesiologia é uma descrição organizada, uma reflexão sistemática da vida e do agir da Igreja, ou seja, daquilo que é vivido nas comunidades eclesiais, nas paróquias, nas dioceses e na Igreja universal, incluindo aí toda a própria história da Igreja.
O termo "Eclesiologia" vem de Ekklesía (convocação, congregação, assembléia, o reunir-se, a comunidade reunida, a assembléia universal de pessoas). O evento Igreja é um fato histórico e concreto que antecede a Eclesiologia. A origem da Igreja é determinada pelo fato salvífico de Deus, em Jesus Cristo. Esta marca divina da Igreja condiciona toda a sua história.
A tarefa da Eclesiologia é distinguir e discernir a estrutura essencial da Igreja e sua figura concreta. A eclesiologia estuda a comunidade-Igreja como "objeto de fé" e como "sujeito da fé". No primeiro caso, trata-se do fato de crer na Igreja, sendo ela iniciativa divina e sacramento (sinal e instrumento) de Deus para a salvação do mundo e construção do Reino. Na medida em que se crê na Igreja, ela também se torna sujeito da fé, pois tem a missão de evangelizar, isto é, levar a todos a Boa Notícia do Evangelho. Ela é então agente concreto que leva outras pessoas e povos a crerem em Deus e, conseqüentemente, integrar-se ao Povo de Deus, que é a Igreja.
Jesus é fundador e origem
A Igreja é de origem divina, iniciativa de Deus. Ela é o efeito da graça divina doada por Deus, em seu Espírito. Mas é também resposta de fé das pessoas que acolhem o anúncio do Evangelho de Jesus. É neste sentido que Jesus é o fundador da Igreja, é sua origem.
A preocupação fundamental de Jesus é o Reino de Deus. O começo da Igreja deve ser buscado no grupo dos discípulos (entre eles os Apóstolos) como tendo sido fundado e organizado por Jesus. Isto é o que caracteriza a irrupção da Igreja de Jesus Cristo.
Assim, a Igreja é uma realidade pós-pascal. A experiência da ressurreição de Jesus é, no fundo, o grande acontecimento que desencadeia a Igreja. Para se chegar à origem da Igreja e tudo o que ela representa para nós hoje, no desejo de dizer o que ela é e como devem ser as relações internas, é indispensável conhecer e ter sempre presente a globalidade do "movimento de Jesus", cuja centralidade vem marcada pelo advento do Reino de Deus, inserido no contexto da Antiga Aliança e em continuidade com o Povo de Israel.
A novidade do movimento de Jesus, expressa nos evangelhos, está na singularidade e proximidade da experiência de Deus, na pessoa de Jesus de Nazaré, e na forma de fazer e formar os discípulos, especialmente expresso no programa das Bem-aventuranças (cf. Mt 5, 1-10). A vivência comunitária da fé é que será a marca fundamental do jeito cristão de ser e agir. Assim, a comunidade eclesial será a grande proposta do cristianismo de imprimir uma nova diferença em relação a todas as demais religiões.
O grupo de discípulos de Jesus, disperso pelo escândalo de sua morte, se reúne em virtude de um novo tipo de experiência. Esta "nova" experiência, também chamada pós-pascal, dá todo um novo sentido ao existir e ser dos discípulos de Jesus. A vida nova dos discípulos começa uma nova experiência de vida, numa nova perspectiva e sob o influxo do Espírito Santo, derramado no Pentecostes, pelo Ressuscitado (At 2, 22s; 3, 13-15). Dá-se um salto qualitativo na forma de experimentar Jesus, bem como na forma de viver como grupo, assim que não se pode falar da origem da Igreja sem ter presente a referência viva e marcante da fé pascal dos discípulos de Jesus e da presença do Espírito Santo.
Instrumento e sinal de Deus
A referência primeira e última que a Igreja possui é Jesus de Nazaré. É n’Ele que a Igreja se inspira, pois é a partir de sua ação, de seus gestos e de suas palavras que ele encontra o seu modo de ser e agir. No modo de Jesus agir está o modo de agir de Deus. As intervenções de Jesus em favor dos doentes, marginalizados e pobres têm como objetivo reconduzir o Povo de Deus ao Reino de Deus.
A Igreja vê na ação de Jesus o modelo de sua própria ação. Ela é o Povo de Deus que encontra em Jesus Cristo a esperança da libertação total e recebe do Espírito Santo a força e a coragem para lutar por esta libertação. Em Jesus de Nazaré temos o profeta e o sábio com a missão de anunciar o Reino e que fala deste em parábolas inspiradas na experiência humana. Dessa maneira, dá continuidade e, ao mesmo tempo, ultrapassa a obra dos predecessores. O projeto de Jesus é o Reino de Deus.
O mesmo projeto de Jesus foi confiado à Igreja e esta o leva adiante como uma missão perpétua. A missão da Igreja é continuar a missão de Jesus, até que Ele venha a segunda e última vez. É aqui que se inclui o próprio objetivo da Igreja: ela é uma instituição divina, por isso motivo de fé e também instrumento e sinal de Deus que leva as pessoas a crerem no Evangelho de Jesus.
Creio – Quando professamos o "creio", nas diversas celebrações, dizemos "creio na santa Igreja católica" (credo Ecclesiam). Santo Agostinho diz que a fé com que cremos em Deus é uma adesão incondicional, que implica uma entrega total da própria vida e de todo o coração. Por seu lado, a fé com que cremos na Igreja nos remete a que se aceite a mesma como objeto de fé, na medida em que o ato de fé se remete inteiramente ao destinatário supremo, ou seja, o Deus vivo, que se revelou na história, tal como o narra o símbolo da fé. A Igreja, por sua condição, nos remete sempre a Deus (Pai, Filho, Espírito Santo) e é exatamente aqui que está a credibilidade da Igreja, como objeto de fé. É por isso que cremos nela.
Una, santa, católica e apostólica
No Concílio de Constantinopla (381), se definiu que a Igreja é una, santa, católica e apostólica. Pode-se dizer que são quatro dimensões, características, adjetivos, qualidades... Elas mostram de forma mais concreta aquilo que é o seu mistério. Assim, a Igreja é una porque sua unidade procede da Trindade e se empenha para construir a unidade de fé, de sacramentos e de vida. Ela é também santa, pois Deus, que a criou é santo. A santidade da Igreja, mesmo necessitada de purificação e renovação, remete-se a Deus, à comunhão dos santos.
A Igreja é católica porque está voltada à universalidade, a todos os povos. Sua missão é anunciar a Boa Nova do Evangelho a todos os povos e reunir todos os que crêem em Cristo. Por fim, é apostólica porque tem sua origem nos Apóstolos que Jesus escolheu. A apostolicidade da Igreja nos mostra que existe uma herança recebida de Jesus e que a mesma precisa continuar sendo anunciada a todas as gentes.
Na pessoa do bispo, a Igreja mantém sua continuidade com a Tradição recebida dos Apóstolos. Em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo torna-se aquele que zela para que toda a herança apostólica continue a chegar a todos os povos. A comunhão ao redor de nossos pastores nos permite estar em perfeita comunhão com toda a herança recebida de Jesus, pelos Apóstolos.
A Igreja precisa espelhar a Trindade
A origem da Igreja é a Trindade (Ecclesia de Trinitate). É por isso que ela precisa espelhar (ícone – espelho) no mundo aquilo que é a Trindade: acima de tudo a comunhão. Ela vem da Trindade, estrutura-se à imagem da Trindade e vai para o cumprimento trinitário da história. A Trindade é a origem, a forma e a pátria da unidade eclesial, a fonte da qual esta nasce, o ícone no qual se inspira e a meta para a qual vai no caminho do tempo.
A Igreja é do Pai, do Filho, no Espírito Santo. Por isso que a missão do Filho culmina no envio do Espírito. Este torna possível, por Cristo, o acesso ao Pai. O movimento de descida consente um de subida, num circuito de unidade, cuja fase eterna é a Trindade, e cuja fase temporal é a Igreja. A Igreja, querida pelo Pai, é, portanto, criatura do Filho, sempre vivificada pelo Espírito Santo. Como a pessoa foi feita à imagem de Deus e reflete a divina atividade no seu conhecimento e no seu amor, assim a Igreja que representa Jesus Cristo deve ser a manifestação, no tempo, da vida trinitária.
Sendo a Igreja um modelo que deve espelhar a Trindade, ela é o Povo de Deus, o corpo de Cristo e o templo do Espírito. Enquanto Povo de Deus, a Igreja é a reunião de todos os batizados, que está aberta a todos os povos, lembrando a vocação do Povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento. É o corpo de Cristo porque, em Jesus, Deus revelou plenamente sua vontade e quer que todos nós estejamos unidos, formando uma comunhão perfeita. Ao mesmo tempo, é um templo vivo do Espírito Santo, pois a Igreja está possuída por aquela força que vem do próprio Deus e onde os que acolhem seu chamado tornam-se pedras vivas na construção da verdadeira família de Deus.
Desafio – O Vaticano II mostrou que a Igreja é Povo de Deus. Ela é uma realidade formada por todos os que professam o nome de Jesus, como seu Senhor. Por isso cresceu, nestes últimos 40 anos, a concepção de que "nós somos Igreja". Todos (leigos, presbíteros e bispos) estamos na busca comum da verdade. A primeira missão do ministério ordenado consiste em restabelecer o diálogo e a comunicação entre todos na Igreja e com aqueles que estão rompidos com a Igreja. A proclamação "somos o Povo de Deus" ("nós somos Igreja") evoca o desejo de participação e comunhão. E mostra o desejo de todos os cristãos na construção de um mundo fraterno e igualitário. O desafio hoje é construir a comunhão na participação.
O Espírito Santo torna possível e dá sustentação à comunidade eclesial
Antes de qualquer função, ministério ou serviço, na Igreja aparece aquilo que é a "comunidade de todos os fiéis crentes", subentendendo-se nisso a implicância de uma igualdade fundamental de todos. No entanto, por vocação e constituição em Jesus Cristo, a missão da Igreja (sua intuição inicial) foi confiada a um grupo (os Doze). Este, por constituição vocacional e sacramental, tem a missão (múnus) de manter a unidade do Povo de Deus e conduzi-lo no sentido da construção do Reino de Deus.
Os ministérios (ordenados e não ordenados) existem para o serviço da comunhão eclesial. Quem preside (o ministério ordenado, sacerdócio ministerial) tem a missão de manter a comunhão e a unidade na Igreja. Os estados carismáticos especiais são para a organização da comunidade. Estes são os carismas que representam um estado duradouro na comunidade. Aqui estão os Apóstolos, os profetas, os evangelistas e os pastores.
Intuição e instituição – O Espírito Santo sustenta a comunidade eclesial. Ele é a verdadeira autoridade e torna possível a existência da comunidade. Os carismas voltam-se à edificação da comunidade. Os dons e os carismas devem servir ao bem comum da Igreja e animar a vida da comunidade eclesial. Existe, portanto a intuição de Jesus (de Deus) que provém do Espírito Santo e a instituição, como um todo, que deve servir e estar ordenada a esta intuição.
Edição 2006 tem 2.310 inscritos
A edição 2006 do Curso de Teologia a Distância, que está encerrando as 10 lições do módulo Bíblia: Novo Testamento (os próximos são Igreja e Sacramentos), possui 2.310 inscritos. Levantamento de frei Bruno Glaab, coordenador de Extensão da Estef, revela que, entre eles, é grande a presença de professores (muitos de ensino superior), religiosos, agricultores e profissionais liberais. A predominância é de pessoas do interior, onde há carência de oportunidades de formação.
A faixa etária predominante vai dos 30 aos 50 anos, embora seja expressiva a participação de jovens. Na maioria são gaúchos, catarinenses e paranaenses, onde se concentra a circulação do Correio Riograndense, mas há alunos de pelo menos mais nove Estados (MS, MT, SP, BA, PB, CE, MG, RJ e AM). Outro dado apurado: cerca de 60% dos inscritos fizeram a versão 2005.
Datas fixadas para a entrega das lições
O aluno do Curso de Teologia a Distância deve estar atento a essas datas. Elas fixam o prazo limite para o envio das respostas das lições à Estef (pelo e-mail extensao@estef.edu.br, pelo fax (51) 3217-4567 ou pelos correios, para rua Tomaz Edson, 212, 90640-100, Porto Alegre-RS).
As 10 lições do primeiro módulo (Bíblia: Novo Testamento) devem ser encaminhadas à Estef até o fim de julho; as de Igreja (inicia na próxima edição), podem ser enviadas até final de setembro; e as de Sacramentos, até 15 de dezembro.
É importante que o aluno identifique as lições (1ª, 2ª...) e também coloque seu nome de inscrição e e-mail, fax ou endereço para contato.
Tapetes reverenciam Corpus Christi
Serra gaúcha manifesta fé e compromisso com o Cristo Eucarístico
Diversas cidades gaúchas e também de outros Estados do país preparam-se para uma das mais belas manifestações de adoração, fé e amor a Jesus Eucarístico – a celebração da festa de Corpus Christi, especialmente através das procissões sobre tapetes coloridos. Na Serra gaúcha, a tradição de grandes tapetes enfeitando as ruas está presente em diversas cidades, entre as quais Flores da Cunha, São Marcos, Garibaldi e Carlos Barbosa.
Para o dia 15 de junho, festa de Corpus Christi, em São Marcos várias entidades vão confeccionar um tapete ao redor da praça Dante Marcucci, com 48 quadros coloridos, num total de 2.208 metros quadrados. Para divulgação do evento, um tapete de 15 m2 ficará exposto na Assembléia Legislativa, na parte destinada aos municípios do Rio Grande do Sul. No dia 15, a procissão com o Santíssimo será realizada às 15 horas.
Em Flores da Cunha, imensos tapetes, feitos de serragem, folhas e outros materiais vão cobrir as escadarias da igreja e as ruas em torno da Praça da Bandeira. Quadros representarão a paz, a Campanha da Fraternidade, símbolos eucarísticos e litúrgicos, a Santíssima Trindade, frei Salvador (matéria abaixo), Nossa Senhora Aparecida e de Caravaggio e até a Copa do Mundo. Tapetes para a divulgação da festa foram montados no Shopping Iguatemi Caxias e na igreja dos Capuchinhos, em Caxias do Sul, e no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Tanto em Flores da Cunha como em São Marcos os tapetes decorados ficarão expostos até o dia 18 de junho.
A programação da festa de Corpus Christi em Flores da Cunha será precedida de tríduo, de 12 a 14 de junho. No dia 15 haverá missa solene às 9h30, seguida de procissão eucarística pelas ruas enfeitadas com os tapetes, bênção solene do Santísimo e homenagem ao Cristo Eucarístico. Ao meio-dia, almoço partilhado no salão paroquial para os que trouxerem alimentação e à tarde, a romaria ao Frei Salvador.
Caxias do Sul – O evento também recebe destaque no distrito turístico de Vale Vêneto, em São João do Polêsine, no centro do Estado. No local, está construída a única igreja do Rio Grande do Sul consagrada a Corpus Christi. Em Caxias do Sul, mesmo não contando com a tradição dos tapetes, a festa de Corpus Christi reúne milhares de fiéis na praça Dante Alighieri.
Neste ano, a programação, que normalmente incluía procissões saindo de diversos pontos da cidade em direção ao centro, sofreu uma pequena mudança. Haverá missa, diante da catedral, às 15 horas, seguida de uma única procissão com o Cristo Eucarístico em direção à igreja de São Pelegrino, onde o bispo diocesano dom Paulo Moretto dará a bênção com o Santíssimo.
A festa de Corpus Christi, ou do Corpo e do Sangue do Senhor, recorda a presença do Cristo na Eucaristia. Esta devoção surgiu em Liége, na Bélgica, em 1246 e, no ano de 1264, passou a fazer parte da liturgia de toda a Igreja.
Romaria ao Frei Salvador atrai devotos
Em Flores da Cunha, além da procissão de Corpus Christi, o dia 15 de junho será marcado pela realização da 18ª Romaria ao Frei Salvador, evento que a cada ano reúne milhares de devotos. A programação deste ano prevê a realização da caminhada a partir das 13h30, saindo ao lado da matriz até o eremitério, cerca de 2,5 km fora da cidade, onde será celebrada missa às 15 horas, com bênção da saúde, das mudas, hortaliças, ervas medicinais e sementes e dos pães, que serão partilhados.
No local, está sendo construída uma igreja. O templo está praticamente concluído, faltando apenas o foro e o piso. O pároco de Flores da Cunha, frei Darci Vazatta, destaca que foi melhorada a infra-estrutura no local para acolher bem os romeiros, com reformas na escadaria, novos calçamentos etc. Frei Darci salienta que a nova igreja será inaugurada no dia 7 de junho de 2007, quando o eremitério onde frei Salvador passava horas em oração, estará completando 50 anos.
Padre Zezinho
Nem toda gula é pecaminosa. Às vezes, é dor imensa
Deu pena ver aquela mulher e a sofreguidão com que ela devorou as três ou quatro travessas de comida. Inquieta, olhava a comida no seu prato e para a comida que devoraria. Não parava um momento de pôr comida na boca e engolir. Não mastigava. Os que viram tiveram mais pena do que acesso de riso. Não é coisa para riso. É doença. Doença grave.
Precisar tanto, sentir necessidade de comida a esse ponto é uma espécie de auto-destruição. Alguma coisa detonou aquele processo. Não é humano. Ela não come porque é gulosa. Come porque não consegue parar. É insaciável. É mais do que fome: é disfunção.
Isso nos leva à reflexão que muitos pregadores já fazem nas suas igrejas. Há uma gula pecaminosa que consiste em comer conscientemente mais do que o corpo precisa. A pessoa tem controle, mas não quer ter naquele momento. Entregou-se ao prazer do excesso. Há outra que não pode ser taxada de pecaminosa, pela mesma razão que não se pode chamar de pecado o que faz uma pessoa fora de seu sentido gritar palavrões na rua. Está fora de si. Precisa de tratamento, porque naquela hora perde o controle.
Não chame seu familiar de guloso nem fale em pecado sem antes ouvir um psicólogo, um sacerdote experimentado ou um reverendo sereno. Outros talvez até digam que é o demônio da gula que manda nele. Não escute esses pregadores. Estão simplificando e ao mesmo tempo complicando. Nem toda gula é pecaminosa. Às vezes, é dor imensa. Não tem nada a ver com prazer. É desequilíbrio.
Evento debate diálogo de gerações
Congresso concretiza projeto "Novas Gerações e Vida Religiosa"
A Conferência dos Religiosos do Brasil realiza de 15 a 18 de junho, em São Paulo, o congresso nacional, evento que pretende ser um momento forte de todo o processo desencadeado na concretização do projeto "Novas Gerações e Vida Religiosa", criado pela CRB Nacional no final de 2004. Esse projeto dinamiza uma das prioridades da Conferência e vem fortalecendo a responsabilidade comum das diferentes gerações na configuração de um novo rosto para a vida religiosa consagrada.
O congresso será realizado no Colégio Salesiano Santa Terezinha, no Bairro Santa Terezinha de Santana, em São Paulo. "A CRB precisou mudar o local do encontro, que inicialmente seria no Centro Universitário São Camilo, também em São Paulo, por causa do grande número de inscritos", salienta irmã Carmem Bertosso, assessora regional da CRB-RS e responsável pelo projeto "Novas Gerações" no Estado. Participam do encontro mais de mil religiosos de todo o país.
O objetivo principal do congresso é proporcionar espaço de participação e reflexão à vida religiosa consagrada, tornando visível a sua vitalidade e o processo de diálogo entre as gerações, visando uma vida religiosa mística e profética que responda evangelicamente aos apelos e desafios do mundo contemporâneo.
Conferências, debates e painéis fazem parte da programação, que conta, entre os conferencistas e painelistas, com dom frei Luiz Cappio, bispo de Barra (BA), padre José Oscar Beozzo, irmã Cleusa Andreatta, padre Ângelo Perin, frei Luiz Carlos Susin e irmã Delir Bruneli.
É o primeiro congresso desse projeto. Dele participam representantes dos grupos Novas Gerações, superiores e superioras das congregações, formadores, lideranças e religiosos interessados. Segundo irmã Carmem, o projeto surgiu para ter a duração de dois anos e durante o congresso deverá ser definido se vai continuar ou não. O Rio Grande do Sul é o Estado que mais formou grupos – nove. No país, são 64. Os grupos, integrados por 12 pessoas, em média, devem reunir metade dos seus membros com menos de 30 anos e metade com mais. Nos encontros dos grupos foram realizadas reflexões, orações, trocas de experiência entre as congregações e o aprofundamento de um tema, enviado à CRB Nacional para estudo e reflexão.
Festa em Chapecó
A comunidade São José Operário de Passo dos Fortes, paróquia Santo Antônio de Chapecó (SC), promoveu festa ao padroeiro no dia 7 de maio. O evento foi precedido de tríduo e visita com a imagem do padroeiro às empresas do bairro e às famílias. No dia 7 houve procissão, bênção dos carros, solene missa, churrasco e muita animação. (Angelina Beraldin da Silva, agente)
Aldo Colombo
Dialogar supõe a possibilidade de qualquer um mudar de opinião. É questão de bom senso
O mosteiro vivia no silêncio e na paz. Duas dezenas de religiosos dividiam seu tempo entre a oração e o trabalho. Num certo dia, um cachorro abandonado apareceu na porta do convento. Magro, sujo, faminto e carente. Um monge teve pena dele e começou a dar-lhe restos de comida. Dentro de alguns dias seu visual mudou. Feliz, sacudia o rabo para todos e retribuía o carinho recebido. Passaram mais alguns dias e o pequeno animal foi acolhido no pátio interno. Tudo estaria bem, se não fosse o fato do animal latir durante quase toda a noite. Isso atrapalhava a oração e o sono do mosteiro.
O superior decidiu que o cachorro não poderia continuar. Mas um dos monges observou que os problemas deviam ser resolvidos na assembléia da comunidade. O superior organizou e abriu a assembléia dizendo: hoje vamos discutir sobre o cachorro do convento, mas uma coisa quero deixar bem clara: de maneira nenhuma o cachorro continuará no convento...
Uma fábula antiga fala da parceria feita entre o leão, um lobo e dois cachorros. Juntos teriam mais facilidade em conseguir presas. Depois dividiriam em partes iguais.
Abatido o primeiro animal, o leão dividiu em quatro partes e explicou aos companheiros: a primeira parte é minha porque me chamo leão; também ficarei com a segunda parte porque sou o rei dos animais, a terceira parte me compete pelo meu esforço na caçada. E continuou: resta apenas a última parte. Para evitar que vocês briguem na partilha, ficarei com ela.
Os dois fatos retratam certo tipo de comportamento muito comum. Trata-se do suposto direito do mais forte. Até em determinados contratos surgem cláusulas leoninas, naturalmente favorecendo o poderoso. E quase sempre é dada certa aparência de legalidade e democracia nas decisões. Até se fala no diálogo havido.
Dialogar supõe algumas condições. Não se trata apenas de falar, mas também de escutar. Dialogar supõe a possibilidade de qualquer um mudar sua opinião. Não se trata de fazer prevalecer a opinião de um ou outro, mas consagrar a melhor solução, aquela que é boa para todos. É questão de bom senso. Foi o caso acontecido com dois irmãos que pretendiam dividir uma herança em partes iguais. Como não se acertassem, alguém sugeriu: um de vocês divida a herança em partes iguais e o outro escolherá por primeiro.
O diálogo pode ser difícil, mas muitas vezes é o único caminho. Deve funcionar na família, no grupo, na empresa, no partido político. Trata-se de aceitar a diferença e admitir que há muitas maneiras de solucionar um problema. O diálogo objetiva escolher não a minha, mas a melhor das soluções.
Cerimônia de beatificação mobiliza a capital mineira
Padre Eustáquio será beatificado no dia 15 de junho
O cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, virá ao Brasil para beatificar padre Eustáquio. A cerimônia será realizada no dia 15 de junho, às 16 horas, no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG). O milagre que permite a beatificação de padre Eustáquio foi reconhecido pelo Vaticano no dia 19 de dezembro de 2005.
Milagre atribuído à intercessão do servo de Deus ocorreu em 1962, em favor do padre Gonçalo Belém, curado de um câncer na laringe às vésperas de realizar uma delicada cirurgia no Hospital de Clínicas da capital mineira. Padre Gonçalo, 81 anos, hoje exerce o ministério pastoral como pároco emérito de Belo Horizonte.
Padre Eustáquio van Lies-hout, da congregação dos Sagrados Corações, nasceu em 1890 na cidade de Aarle-Rixtel, Holanda. Ordenado sacerdote em 1919, no dia 12 de maio de 1925 veio com outros dois companheiros ao Brasil, iniciando a presença da congregação no país. A congregação foi fundada na França em 1800 por José Maria Pierre Coudrin.
No Brasil, padre Eustáquio foi pároco em Poá (SP) e nas cidades mineiras de Romaria, Ibiá e Belo Horizonte, onde morreu aos 30 de agosto de 1943. Está sepultado na igreja dos Sagrados Corações, em Belo Horizonte.
Destacou-se no atendimento aos doentes e às pessoas necessitadas. A notícia de que realizava milagres passou a atrair multidões que o procuravam para falar, confessar-se, ouvir seus conselhos e pedir suas bênçãos. É considerado o missionário da saúde e da paz. Sua memória é celebrada no dia 30 de agosto.
Bento XVI nomeia um bispo capuchinho
Acolhendo solicitação de dom Luiz Vilela, o Papa nomeou no dia 31 de maio frei Mário Marquez bispo auxiliar na arquidiocese de Vitória (ES). Frei Mário é capuchinho e atualmente desempenha o cargo de capelão do 6º Comando Aéreo Regional e pároco da Catedral do Ordinariado Militar do Brasil, em Brasília (DF).
Frei Mário nasceu aos 23 de novembro de 1952 em Vila Kennedy, Luzerna (SC), filho de Waldomiro e Bona Júlia Antônia Marquez. Ingressou na província dos capuchinhos do Paraná-Santa Catarina e foi ordenado sacerdote no dia 22 de novembro de 1980, em Joaçaba (SC).
Entre as inúmeras atividades exercidas no Paraná, foi pároco das paróquias de Uraí e Rancho Alegre, vigário paroquial em Curitiba e São José dos Pinhais, e capelão civil e militar em Curitiba. Também foi chefe da Capelania do Comar II e pároco da paróquia da Igreja Divino Espírito Santo e Nossa Senhora de Loreto em Recife (PE). Desde 1996 está em Brasília.
Ir. Selvino celebra 60 anos de vida marista
Irmão Selvino Tolotti celebrou no domingo, 4 de junho, 60 anos de vida religiosa. Ir. Selvino nasceu em Vila Flores aos 30 de maio de 1927. Atualmente trabalha na comunidade do Recanto Marista Medianeira, em Veranópolis. Jubileu foi comemorado com missa de ação de graças na igreja matriz de Veranópolis, seguida de almoço festivo.
Sérgio Tonet é ordenado em Faria Lemos
O diácono Sérgio Tonet foi ordenado sacerdote diocesano no dia 4 de junho, na paróquia Nossa Senhora do Rosário, de Faria Lemos, Bento Gonçalves, sua terra natal. Filho de João e Inês Tonet, Sérgio estudou a 6ª e a 7ª séries no Colégio Marista Aparecida. Escolheu como lema de sua ordenação uma frase proferida por Bento XVI ao ser eleito Papa no ano passado: "Um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor".
Em seu testemunho vocacional, Sérgio salienta que sentiu-se chamado para ser padre numa das aulas de ensino religioso dadas pelo irmão Selvino Tolotti (matéria ao lado), quando passou slides sobre a vida de são Maximiliano Maria Kolbe, franciscano conventual. Escreveu um bilhete com esse desejo a irmão Silvino, que o encaminhou ao seminário diocesano. A ordenação foi precedida de uma intensa programação vocacional em Bento Gonçalves e em São Francisco de Paula, onde Sérgio irá atuar como padre.
Wilson João
O bem é sempre recompensado pela alegria e pelo prazer de viver. O amor é sempre vencedor
Para cada boa ação humana há uma recompensa. Para cada mal feito há um castigo. A sabedoria popular diz: "Aqui se faz e aqui se paga". Nem Deus e nem as pessoas recompensam ou castigam. Cada um se recompensa e se castiga, através da natureza humana, através das leis que regem o corpo, a mente, as emoções, o mundo espiritual e toda a realidade do existir humano.
A RECOMPENSA DO BEM FEITO. Quem ajuda recebe ajuda. Pode o tempo passar, pode-se esquecer o bem feito, mas recompensa não falha. Quem ama é amado. Os caminhos da retribuição pelo amor dedicado podem ter muitas facetas. A história da humanidade constata que o amor é sempre vencedor. É certo que há um sofrimento na entrega e dedicação. Há um conflito em cada ação de desprendimento e doação. Mas há uma alegria que vem pelo mesmo caminho. Há uma satisfação interior por ter feito o bem. O bem é sempre recompensado pela alegria e pelo prazer de viver. O tempo não conta. A recompensa pode chegar, apenas, no momento da morte. E a recompensa sempre se traduz em mais vida e amor, em mais paz e alegria. Céu é recompensa. Felicidade e vida plena são recompensas. Vale o sofrimento por se fazer o bem.
A RECOMPENSA DO MAL FEITO. Aqui se faz e aqui se paga. É o que se fala em relação ao mal. A vida ensina que essa verdade se concretiza em cada pessoa. Quem destrói será destruído. Quem não ama será odiado. Quem não se dedica e não vive a solidariedade acaba na solidão. Quem não ama a vida não terá vida eterna. Há pessoas que têm como lema: vamos viver, comer e beber, festar e amontoar dinheiro, vamos viajar e sentir todo o tipo de prazer e os outros que se danem. Chega o momento das mãos vazias. Tudo o que se escolheu para encher a vida esvaziou-se com o tempo. Para nada mais servem o comer e o beber, o festar e o viajar, e mesmo que as contas bancárias sejam grandes, apenas são papel para os outros. O destruidor, o criminoso, o desprezador dos outros terá como recompensa a solidão, a destruição e o abandono de tudo e de todos. Como um Herodes que destruiu a vida em Jesus, e suas vísceras foram espalhadas pelo chão, assim o destruidor terá como recompensa a destruição de si mesmo. A história ensina e é mestra.
FAÇO MEU CÉU E MEU INFERNO. Todas as pessoas, em maior ou menor intensidade, em momentos diferentes da vida, passam por situações de inferno e de céu. As duas realidades se misturam. O céu e o inferno, que começam aqui e agora, não são recompensas do depois da morte. Já são recompensas das minhas escolhas de bem que se traduzem em vida, alegria, paz, felicidade, harmonia, gosto de viver e boas relações. Ou são recompensas de minhas escolhas de mal, que se traduzem em solidão, angústia, destruição, infelicidade e morte. A vida é a recompensa do bem. A morte é a recompensa do mal. São os caminhos e os destinos de todas as criaturas humanas. Em cada ato humano acontece uma escolha e uma recompensa.
HOMENAGEM DE CAXIAS A FREI TURRA
Capuchinho, que atuou no município durante 21 anos, recebe da Câmara de Vereadores em sessão solene, nesta quinta-feira 8, o título de Cidadão Caxiense
O capuchinho Luiz Sebastião Turra, nascido em março de 1945 em Marau (RS), recebe nesta quinta 8 o título de Cidadão Caxiense. A homenagem, proposta pelos vereadores Felipe Gremelmaier (PMDB) e Getúlio Demori (PP), será prestada a partir das 19h30, em sessão solene, no plenário da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul.
Frei Luiz Turra, que por duas vezes foi provincial dos capuchinhos no Rio Grande do Sul, atua desde setembro do ano passado na paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Santa Maria. Mas por 21 anos participou, na maioria das vezes como idealizador e líder, de todas as atividades pastorais da Paróquia Imaculada Conceição, também conhecida como Igreja dos Capuchinhos, no bairro Rio Branco, em Caxias do Sul.
O título é um reconhecimento pelo trabalho de promoção humana que frei Turra desenvolveu, beneficiando comunidades de sua paróquia diretamente e, de forma geral, a todos os caxienses. Um exemplo das iniciativas que carregam o estigma do homenageado é a Pastoral do Pão, que com a ajuda de cerca de 300 voluntários faz chegar mensalmente cestas básicas a mais de 500 famílias. Outro é a Missa Maranatha, considerada o ponto alto das celebrações da padroeira Imaculada Conceição e já famosa em boa parte do país.
É também nacional a dimensão que atingiu a sensibilidade e a criatividade musicais deste capuchinho. Entre as mais de mil músicas que compôs, muitas são cantadas em celebrações realizadas em igrejas de todo o Brasil – e de outros países (leia ao lado).
Frei Turra é, ainda, o condutor do processo que ampliou a abrangência da Província dos Capuchinhos no RS, que já vem atuando no Mato Grosso e em Rondônia, para República Dominicana e Haiti. Uma nova realidade, com desafios do tamanho das necessidades desses países que ocupam lugar de destaque no ranking dos mais pobres do mundo.
Apesar do vasto leque de realizações, frei Turra quer ser lembrado pelos caxienses, como responde no texto a baixo, pelo Evangelho que pregou, pelas palavras de ânimo e conforto ditas nas horas de sofrimento e perdas... "A simplicidade de frei Turra é um dos fatores que influenciaram essa homenagem. Seu trabalho comunitário é de grande importância para a sociedade de Caxias do Sul. O título de Cidadão Caxiense é um agradecimento", afirma o vereador Gremelmaier. "Estamos reconhecendo o extraordinário trabalho de frei Turra não só dentro da Igreja, mas também na educação, nas ações sociais que promoveu. A cidade que ajudou a promover tem um carinho especial por ele", declarou o vereador Demori.
"Frei Luiz Turra é uma pessoa incansável. São 24 horas de serviço, 24 horas de atenção, 24 horas de frade". A descrição é do provincial dos capuchinhos no RS, frei Álvaro Morés. "O título é um reconhecimento à personificação do carisma franciscano, ao dinamismo pastoral, à atenção às pessoas, à organização, características marcantes de frei Turra", acrescenta, destacando ainda a grande capacidade intelectual e criativa exposta através da música, da oratória e de textos por ele produzidos.
Referência nacional do canto litúrgico
Uma fonte inesgotável de criatividade. Ou há outra forma para descrever quem já compôs cerca de mil músicas, todas com partituras? Os 21 anos em que atuou em Caxias do Sul foram os mais favoráveis para a produção musical de frei Luiz Turra. Nesse período, com o Coral Imaculada Conceição, gravou 11 CDs pelas Edições Paulinas, hoje conhecidos e utilizados em todo o Brasil. O conjunto de sua obra musical tornou-o referência nacional, principalmente através do canto litúrgico pastoral – frei Turra é autor também de hinos de municípios, como de Ipê, e hinos a santos padroeiros.
"Com suas letras e melodias, ele consegue transmitir amor às pessoas, fé e esperança num mundo melhor", define Geni Onzi Isoppo, integrante do coral há mais de 20 anos. "Sensível, carismático, acolhedor, capaz, humilde... frei Turra é um iluminado", prossegue Geni. O talento de frei Turra vai além, como destaca ela ao lembrar a Missa Maranatha, uma opereta religiosa cujo roteiro e encenações atuais foram criados por ele.
A obra musical de frei Turra está presente em todo o país e também no México, onde o CD "Vida agora e sempre", traduzido, faz sucesso há anos. Em breve o compositor capuchinho deve se tornar também referência latino-americana: a gravadora das Edições Paulinas lançará o CD "Mantras para uma espiritualidade da Comunhão" em cinco países do continente.
É possível um caminho de conversão e fraternidade"
O que sente, pensa e ensina frei Luiz Turra sobre a homenagem, o seu trabalho em Caxias e a melhor forma de ajudar os necessitados.
"Por ter passado um terço de minha vida em Caxias do Sul, reconheço que a vivência e a convivência deste tempo criou em mim um profundo vínculo familiar. Por este vínculo espiritual com a comunidade foi crescendo em minha vida um compromisso de solidariedade e de partilha. A distância fez-me avaliar a riqueza da graça de ter vivido e trabalhado com a comunidade caxiense. Se algo de mim deixei por lá muito mais carrego comigo do que aprendi com a ajuda e a bondade de muitos. Acolho com gosto o título de Cidadão Caxiense, porque é bem assim que eu me sinto. Não encaro o título como uma honra pessoal, mas como uma confirmação de que é possível fazer juntos um caminho de conversão e fraternidade. Ali todos temos como dar de nós e receber dos outros. Desejo que esta homenagem seja também partilhada com todos os que fizeram parte no caminho dos 21 anos em Caxias do Sul."
INQUIETO – "Nos 35 anos de sacerdócio aprendi a ter paciência, mas não deixei de ser inquieto. A causa que abracei não me permite ficar acomodado – exige dedicação, tempo, empenho e criatividade. Precisamos fazer parcerias com todas forças vivas das comunidades em favor da vida para não sermos esmagados pela cultura da morte."
LEMBRADO – "No silêncio do coração dos caxienses gostaria de ser lembrado por tudo o que de Evangelho lá preguei, pelas palavras de ânimo e conforto ditas nas horas de sofrimentos e perdas, pela presença solidária na superação das dificuldades, pelas melodias religiosas que aprendemos juntos, pelas celebrações Eucarísticas cotidianas e festivas, pela amizade, pela certeza de que alguém ama profundamente a Igreja e o povo de Caxias".
PROMOÇÃO DA VIDA – "O melhor caminho para ajudar as comunidades carentes é a organização da caridade. Sem criar paternalismos e dependências, envolver a comunidade na solidariedade, situando as reais necessidades. Ao mesmo tempo, chamando os necessitados à participação. Estou convencido de que a Igreja organizada em comunidades autênticas é o caminho mais cristão para a inclusão e a promoção da vida. Aqui lembro bem a caminhada da Pastoral do Pão da Paróquia Imaculada Conceição. Com seus objetivos claros e suas práticas solidárias é um verdadeiro sinal de credibilidade neste caminho tão complexo dentro do cenário de empobrecimento."
ESPERANÇA – "Outro mundo é possível! Não vivemos num mundo onde as esperanças estão perdidas, mas onde o Cristo Ressuscitado já inaugurou as relações redimidas. Por Ele, com Ele e n’Ele tudo pode se transformar, desde que a liberdade humana dê sua adesão ao projeto do Reino. O fechamento para a ação de Deus é a raiz de todas as desgraças. Hoje colhemos muitos frutos amargos por falta de raízes profundas e verdadeiras. É um absurdo querer vencer o mal pelo mal. A humanidade poderá ser feliz na medida de nossa adesão ao Evangelho da vida e do amor."
Sacerdote há quase 35 anos
Filho de Abel Turra e Maria Valiati Turra, frei Luiz Turra ingressou no seminário, em Vila Flores, em 1957, aos 12 anos. Formou-se em Filosofia na Unijuí e em Teologia na Estef. Em novembro de 1971 foi ordenado sacerdote, na igreja Cristo Rei, em Marau.
De 1965 a meados de 1984, frei Turra atuou como vigário e pároco na Paróquia Cristo Rei. De 1984 a 1990, eleito definidor provincial, passa a atuar na Cúria Provincial, sediada em Caxias do Sul. De 1990 a meados de 1999 alternou funções de auxiliar na pastoral, pároco e guardião na paróquia, convento e fraternidade Imaculada Conceição, em Caxias. Em 1999 foi eleito ministro provincial dos capuchinhos no RS. Três anos após foi reeleito. Hoje é pároco e guardião da fraternidade Santa Maria-RS.
O italiano que está em você
Isabel Catarina Ferron
Nova Bassano – RS
A contadora Isabel define assim sua histórica italianidade:
"Meu bisavô, Domenico Ferron, veio ao Brasil em 1891, com 50 anos, casado com Maria Luigia Bragalda, e com o filho Rodolfo, de 9 anos, meu avô, originários de Montemezzo de Sovizzo, próximo a Montecchio Maggiore, província de Vicenza. Na Itália, ele era carroceiro, e meu avô Rodolfo acompanhava os turistas que iam conhecer os castelos de Romeu e Julieta, em Verona.
Não conheci o bisavô nem o avô. Mas ouvia as histórias deles que meu pai Armando sempre recordava. No Brasil, eles passaram por vários lugares até chegarem em Nova Bassano. Receberam terras para trabalhar. Em 1899, Rodolfo foi a Veranópolis aprender a fazer sapatos e botas. Em 1901, estabeleceu-se na vila de Nova Bassano com sapataria e, mais tarde, com selaria também. Tinha cinco empregados. Em 1934, achou que Nova Bassano deveria ter luz elétrica. Convidou Ângelo Tedesco e João Pauletto para serem sócios na usina elétrica que inauguraram a 23/12/1934, na propriedade de João Pauletto, na Linha Silva Jardim. A usina funcionou até janeiro de 1954, quando chegou luz de Saltinho.
Nossos antepassados nos deixaram exemplos de trabalho, luta, fé e honestidade. Era sonho do meu pai conhecer a Itália, porque, dizia, "a Itália é nossa pátria". Mas faleceu em 2000, sem realizar esse sonho. Tenho somente um irmão, Francisco, que na época estudava na França. Hoje mora em Milão, casado com a italiana Bárbara. Tivemos a ventura de conhecer a Itália, eu e minha mãe, Zelia, em dezembro de 2004, quando fomos ao seu casamento.
Não tenho palavras para descrever o que senti quando cheguei à Itália. Parecia estar na minha casa. Fomos direto a Milão. O italiano é um povo simpático, que nos recebeu muito bem.
Fomos conhecer a cidade onde nasceu o meu avô. Em Montemezzo de Sovizzo, visitamos a igreja onde o avô foi batizado. Senti uma emoção muito grande quando chegamos aos castelos de Romeu e Julieta, em Verona, pois estávamos num local aonde meus avô e bisavô tinham pisado e trabalhado.
Conhecemos também Bassano del Grappa, cuja cidade é parecida com Nova Bassano. O vêneto falado lá é parecido ao talian falado em nossa família e em Nova Bassano.
Ainda não tenho cidadania italiana – o processo tramita no Consulado de Porto Alegre -, mas considero que tenho duas pátrias, o Brasil (Rio Grande do Sul), esta terra maravilhosa que nos acolheu, e a Itália, aonde viveram nossos antepassados, e lá vive agora parte da nossa família. Aprendi a cultivar o amor à Itália e à cultura italiana, através de meu pai, pelas histórias que ele contava dos avós e bisavós.
Minha avó, Isabel Vanti, nasceu no Brasil, mas morou na Itália, pois por um tempo o pai dela resolveu retornar. Ela contava as histórias de sacrifícios para sobreviverem na Itália. Trabalhava na filanda, era fiandeira, e dizia que a vida era muito difícil.
Gosto muito do lugar onde vivemos, mas tenho uma vontade enorme de retornar à Itália, para passeio, pois lá me senti à vontade, em casa." (e-mail: isabel@velloz.com.br)
Isabel não recorda apenas, está apaixonada pela Itália, mas sua paixão por Nova Bassano é definitiva. Itália, para passear, e Nova Bassano, para viver. Feliz escolha! (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (363)
l maledeto bis-da-pié brusà ntela fiama del feral
Luiz Bavaresco
Nova Prata – RS
Zera el fine de febraro. El sol brusava come na bronsa. Le piove le zera ciare e daromai el mìlio el zera drio patir. Sentà soto el sinamon, Nanetto el zera drio ciuciar cane, daromai gavea fato un mùcio da ciucioti che’l parea essar stato el laoro de un tòrcio. Co la pansa piena de guarapa l’era lì coi so pensieri, dela vita che’l menea, intanto che’l vedea la vaca Tubiana infondo del potrero che la pasturia insieme col so vedel. In fanti, el ga pensà che se’l fusse in Itàlia a sti giorni saria soto la neve in te la caseta de so popà, insieme con so fradei sentai ntela banca tacada al fogon, che par non ver legna i brusava buasse seche che le deventava bronse e i se scaldava. Con quela neve no’l podaria gnanca metar el muso fora de casa che’l naso vegnaria rosso come un pevaron.
– Ze meio star in te sto paese, qua ghe ze de tuto – manane, pignuni, pomi dali, nèspoli, ingùrie, guaiave e tanti altri fruti. In te ste tere nove se pianta e se tol su de tuto, fin i bis-de-pié.
La note passada, la ga passà tuta drio spissar el deon del pié drito. Ma l’era na spissa che più che’l spissava più spissa vegnea. Ghe vegnea su fin i pel-de-oca. Ma che maladeta spissa. Ghe ga tocà levar su, impiar el feral, catar la gùcia che l’era picada su par el calendàrio del Sacro Cor de Gesù. Na volta in man sto stromento, el varda ben darente che’l fùlmine de un bis-de-pié, el ghe dise:
– Gnanca che me toche taiar via el deon, ma che te vè via de lì, te vè.
Prima ghe ga tocà taiar con la navàlia Solingen, made in Germany, un pochetin dela pele che querdea el mostrìcio e, dopo che lo ga visto, el ghe ga impiantà la gùcia de na banda e del altra, fin che’l ga movesto la casera, e con la ponta dela gùcia la ga tirada fora. L’era na bocheta pìcola e dala che la parea na semensa de ravanei. La ga menà ntela ponta dela gùcia fin el feral e, in te un colpo, la ga brusada ntela fiama.
– Te sì ndà via, maladeto! El ga dito. Va farghe spissa ai diàoli nel inferno.
Dopo el ze ndà fin el fogolaro, e el ga tolto su un pochetin de sendre, ancora calda, e el ga impienio el buseto che ze restà ndove ghe gera la caseta del bis-de-pié, par via che non ghe vegnesse el tètano.
Ben, fenio de ciuciar la cana, el ga tolto su i ciucioti, e li buta tel potrero par la vacheta Tubiana magnarli.
Come tuti i altri giorni, el ze ndà usar la sapa te la mola, parché la taiesse ben el erba-dura, quela maladeta, che l’era in meso el mìlio, infondo la colònia, tea rossa nova che’l gavea brusà insieme a Àndolo e Matia. Là el ga sapà fin che’l ga visto la stela marte che quela note l’era darente la luna. Sentà in te un sasso, el vardava la luna che ghe parea che la gavea due oci e l’era drio védarlo. Ghe ze vegnesto na maladeta voia de vedar la Gelina. L’è passà tel rieto, lavà le gambe fin el denòcio, passà aqua tel muso, e el ze ndà casa de Àndolo. I ga catai drio senar polenta, codeghin e pissacan coti col lardo. Co na fame de can, no’l ga gnanca spetà che lo ciamasse par senar . El se ga sentà rente la Gelina, bevesto un got de vin che l’era pena vegnesto dea cantina, tirà fora dea bordalesa e, sensa parlar, el ga senà con na voia che l’era fin bel de védarlo. Dopo sena, el ghe ga dito che l’era massa stufo e che no’l spetaria per pregar el rosàrio e le tànie e tuti i altri pater-nostri e ave-marie e el ze ndà con la Gelina tel ària, davanti la casa, meda scureta, la ga basada e strucada, medi sconti, par via che’l gavea paura de Àndolo e so fameia. El ze stà te na situassion con la Gelina, tuta gelosa, che no’l ghe ga contà gnanca la stòria del bis-de-pié, el ghe dise de stopeton:
– Bona note, Gelina!
El ze ndà via meso gobo, come che ghe fusse qualche cosa che lo tegnesse così.
Rivà casa, el ga pregà al àngelo custode e, pena butà, el se ga indormensà fin vegnar su el sol rento per la finestra.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
El siqueris par strada
Giudith Binotto
Santa Maria – RS
A Protásio Alves, la pal 1915, ghe gera de star ela sola na dona, cognossesta come la nona Ginoefa. Nantri tosatei poco o gnente saveino de la so vita. Sol se savea che la gera rivada del Itàlia insieme i primi migranti e la parlea solche talian. Tuti, in Protásio Alves, i savea che la gera na bona veceta, rispetà da tuti par via dele so bone òpere de mamana e infirmiera ndando de casa in casa, ndove i la ciamea. No se sa parché che no la se ga maridà, pal visto nò parché no la volesse, ma, sicuramente, parché no la gavarà catà un omo che la volesse.
Quel che mi vui contarve l’è che mi, me fradei e me cusini, sete oto tosatei sbirbi come diaoleti, gavemo combinà de darghe un spauron. Prima de contarve sto dispeto, par capir ben la stòria, bisogna che ve conte nantro tocheto dela vita dela nona Ginoefa.
Quando a Protásio Alves, i ga fato el ospedal ghe ze vegnesto un dotore e na infermiera studiada, lora la nona Ginoefa no la podea pi far la mamana e la infermiera. I la ga posentà. Ma ela no la savea star ferma, lora la ga continuà visitar i parenti e le fameie amice, che le gera tante. Maginàrsela, quante persone, romai maridae, fursi none, che le gera vegneste al mondo par le man dela nona, sensa smentergarse de quele malade che la ga rincurà dele malatie.
Ben, adesso ndemo al dispeto. Sempre che la nona Ginoefa la ndea via par le strade, sia in tel tempo che la fea la mamana e la infirmiera, sia quando la ndea a spasso par trovar i parenti e i amici, la disea su con ose forte el Siqueris miraculis. Quei che i sa latin i me ga dito che el giusto saria, Si queris miracula, ma nantri capìino Siqueris miraculis e anca no saveino cosa che volea dir. Na bela doménega, rente sera, quando ritornaino a casa, gavemo visto la nona Ginoefa que la vegnea caminando piampianeto verso noantri e pregando el so Si queris. Lora ne ga saltà la idea de darghe un spauron quando la passesse sora el pontesel e così rabaltarla rento el rieto. Tuti d’acordo e ben chieti se ghemo postai sconti drio un par de capoere che ghe gera de na banda del pontesel, e giusto quando la ze in medo al pontesel, ghemo fato un osamento da can, ela la se ga spaurà, ma no la ze cascà do pal rieto, come voleino.
Ela, con tuta la passiensa, la ne ga fato na bela predicheta, la ne ga dito che quel che gaveino fato l’era un bruto dispeto. Nantri semo restai invergognai, ghe gavemo domandà scusa e semo ndai casa. Rivai casa, el pupà e la mama i se ga nicorto che gèrimo medi strànii, lora i ne ga dimandà se gaveino fato qualche malegràssia. In te quel momento no dava par sconder e contarghe na bùsia. Semo stai fianchi e ghe gavemo dito cosa che gheino fato. Ghemo ciapa nantra prédica. E, par conclusion, i ne ga dito de, el giorno drio, quando ndeino a scola, ndar casa sua domandarghe scusa. L’era par imparar de no far dispeti e far giudìssio.
Un bel tempo dopo, mi go savesto che la nona Ginoefa, da zovenota, la disea su el Si queris par catarse el moroso, parché i ghe gavea dito che Santantoni l’era el santo che giutea catar le robe perse e par maridarse. Lora i ghe ga dito che, da vero, Santantoni el gera Santo dele robe perse e de maridar la gente, ma el Si queris l’era par catar robe perse, e ela no la gavea perso el moroso, parché no la ghinà mai bio. Par catar el moroso, le orassion le gera altre. Ben, la ga dito, go pregà la orassion sbagliada, par quela che son restà scàpola. In fati, se no go fato fioi, ma ghinò giutà a tanti vegner al mondo. E anca sèguito dir el Si queris quando camino par strada, parché me go costumà e adesso me par che, sensa dir su el Si queris, no son bona de caminar (Testo racolto par Silvino Santin nel corso de Talian dela Associasson Italiana de Santa Maria).
Os olhos do mundo se voltam para a Alemanha
Copa 2006 inicia no dia 9. Durante um mês, o planeta respira futebol
Daqui dois dias os olhos do mundo se voltam para a Alemanha. Na sexta-feira 9 de junho, depois da abertura oficial da Copa do Mundo de 2006, que os alemães prometem ser um grande espetáculo de tecnologia, Alemanha e Costa Rica farão, no estádio Allianz Arena, em Munique, a primeira partida da Copa. Até 9 de julho, final da competição, o assunto mais comentado no planeta será o Mundial de futebol.
A Alemanha se preparou com esmero para sediar sua segunda Copa do Mundo – a primeira foi em 1974, quando o país conquistou o bicampeonato. E não é apenas em termos de organização que a Alemanha está preparada. Tricampeã do mundo, a seleção anfitriã quer o tetra. Mas terá que superar outras seleções candidatas ao título, entre as quais a do Brasil (pentacampeã), considerada a grande favorita (matéria abaixo), a da Itália (também em busca do tetra), a da Argentina e a da Inglaterra.
E não dá para ignorar outras forças emergentes, caso do México, Portugal, França, Holanda, República Tcheca, Espanha e até seleções estreantes em Copas do Mundo como Angola e Costa do Marfim. Experiência não falta a esses países. Dos 23 jogadores que integram a Costa do Marfim, há décadas entre as melhores seleções da África, 22 atuam na Europa.
Expectativa – A seleção do Brasil, depois de golear a Nova Zelândia por 4 a 0 no domingo 4, no último amistoso antes da estréia no Mundial contra a Croácia, dia 13, deixou Weggis, na Suíça, para concentrar-se na cidade alemã de Königstein, onde vai permanecer durante a primeira fase da Copa. Pentacampeão do mundo, o Brasil é o único país que participou de todos os 17 Mundiais já realizados.
A preparação do Brasil, apontado como o grande favorito da Copa 2006, segue sem sobressaltos. Nem o corte, na semana passada, do volante Edmilson, abalou a tranqüilidade da seleção. Uma lesão no joelho do jogador obrigou Parreira a chamar, no dia 31 de maio, o volante Mineiro, do São Paulo. Natural de Porto Alegre (RS), Carlos Luciano da Silva, o Mineiro, 30 anos, foi convocado apenas quatro vezes para a seleção.
Na Alemanha, todas as atenções se voltarão para o Brasil e para seus grandes craques, especialmente para um deles – Ronaldinho Gaúcho, 26 anos (matéria abaixo) – o melhor jogador do mundo. Ele é a grande estrela entre os 736 jogadores inscritos para a Copa, evento que hoje não gera apenas alegrias para os apaixonados por futebol, mas faz girar a economia do planeta. A agência italiana Ansa estima que em torno da Copa gire um consumo equivalente a 19 bilhões de euros nos países que participam do Mundial.
Pesquisa confirma o Brasil como favorito
O Brasil é apontado como o grande favorito para a conquista da Copa na Alemanha. Pesquisa, feita pela Global Mar-ket Insite (GMI), fornecedora de soluções globais integradas para pesquisas de mercado na internet, com sede em Seattle, EUA, e com operação em 200 países, mostra que a seleção brasileira é apontada como candidata ao hexacampeonato por torcedores de diversos países.
No Brasil, 93% dos entrevistados acreditam que a seleção de Parreira ganhará o título. No computo geral, incluídas as opiniões de torcedores de 12 países, o Brasil contabiliza 48% das menções dos entrevistados, seguido da Alemanha, com 12%. A exceção desse favoritismo é registrada na Argentina, onde 60% acreditam na vitória da sua seleção na Copa e apenas 27% apostam no Brasil. Já para os brasileiros, a hipótese de os argentinos serem campeões não chega a 1% das opiniões.
Ainda conforme estudo da GMI, 71% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos da seleção no local de trabalho, embora 92% dos entrevistados prefiram ver a Copa em casa e outros 41% em bares e restaurantes. E quanto à audiência, 97% dos brasileiros fazem questão de acompanhar os jogos transmitidos pela televisão.
Uma competição de números superlativos
A Copa do Mundo é um evento de dimensões mundiais. Calcula-se que, em todo planeta, 500 milhões de pessoas, em média, assistirão cada uma das 64 partidas do Mundial. As imagens serão geradas por 300 emissoras de televisão de 213 países. A Copa também é um evento de valores milionários. Cinco novos estádios foram construídos e sete reformados, a um custo total de R$ 4,5 bilhões. Neles, os jogos serão assistidos por três milhões de torcedores e para os que não conseguiram ingressos, foram instalados grandes telões nas praças das principais cidades. Calcula-se que os turistas gastarão 2,5 bilhões de reais na Alemanha.
Ronaldinho Gaúcho esquece show e só pensa em ganhar o hexa
Duas vezes eleito o melhor do mundo pela FIFA, estrela do Barcelona e da seleção, Ronaldinho Gaúcho diz que seu objetivo na Alemanha é ajudar o grupo a conquistar o hexa. A seguir uma síntese da entrevista distribuída pela Local Comunicação:
Ronaldinho é o jogador mais bem pago do mundo (R$ 60 milhões em 2005) e o maior garoto-propagada do Brasil
CR – O grande desafio da seleção brasileira é ser campeã na Copa do Mundo na condição de superfavorita?
Ronaldinho – Disputar o mundial nesta condição é um grande desafio e também uma motivação a mais que a gente tem, mas realizar o sonho é o que mais me motiva.
CR – A expectativa criada de que você será o melhor jogador da Copa o incomoda?
Ronaldinho – De verdade, eu nem penso nisso. Penso apenas em conquistar a Copa do Mundo. Não penso em ser o melhor, dar show. Quero apenas ir lá e fazer o melhor para ajudar o Brasil ser campeão.
CR – Você tem mais prazer ao dar um drible ou ao fazer um gol?
Ronaldinho – Tenho mais prazer em dar assistência. Passe para o gol é o que mais gosto de fazer. Se tiver a possibilidade de no mesmo jogo dar passe para gol, fazer gol e dar drible é o jogo perfeito.
CR – Concorda com os que afirmam que você joga melhor no Barcelona do que na seleção?
Ronaldinho – São estilos e formas diferentes de jogar. Exerço funções diferentes em cada equipe. Meus dois treinadores estão felizes com meu rendimento e procuro fazer o que eles pedem.
CR – O que falta para você conquistar na sua carreira?
Ronaldinho – Muitas coisas. Conquistar os títulos que ainda não ganhei. Voltar a ganhar títulos importantes que já conquistei. Porque é muito bom vencer e se tornar um jogador vitorioso.
CR – Quais os sonhos profissional e pessoal ainda não realizados?
Ronaldinho – Quero entrar para a história do futebol. Conquistar títulos e competições importantes. Quero ter uma família saudável. Uma casa cheia de familiares, de filhos.
CR – Você pretende voltar a jogar um dia no Brasil? E por qual clube?
Ronaldinho – Hoje não me imagino em outro lugar que não seja Barcelona. Só me imagino aqui no Barcelona durante muitos anos.
CR – Como surgiu a idéia de comemorar gols homenageando os deficientes auditivos?
Ronaldinho – Uma guriazinha veio me visitar num dia de treino e me pediu para que quando fizesse gol comemorasse dessa forma, que seria uma homenagem para pessoas do mundo todo. Me lembrei na hora do gol e desde este dia está sendo superlegal e a cada dia venho fazendo mais amizades.
CR – Como você consegue lidar com o assédio?
Ronaldinho – Sou discreto e tenho uma vida bem simples. Não tenho qualquer problema e nem me preocupo com isso. Procuro viver de forma tranqüila e discreta.
CR – É fácil para uma pessoa como você ter amigos e evitar o assédio de pessoas interesseiras?
Ronaldinho – Meus amigos são de muitos anos. Não que eu me feche para o mundo, mas os amigos que confio são os que tenho desde pequeno e me acompanham até hoje. Eles jogavam comigo e tenho sorte de que alguns estão jogando aqui na Europa e sempre temos contato. Tenho sorte também de conhecer muita gente legal que não tem este tipo de interesse. Posso dizer que sempre tive sorte a respeito disso.
Garibaldi prepara Fenachamp
Nova diretoria dá início às festividades de 2007
A Festa Nacional do Champanha (Fenachamp) deverá ocorrer em outubro do próximo ano, mas os preparativos já iniciaram com a escolha da diretoria. Presidida por Gilberto Pedrucci, a festa tem como vice-presidente o empresário Ênio Martinazzo. Em julho, realiza-se a exposição "25 anos da Fenachamp", homenagem aos ex-presidentes, diretorias e soberanas da festa.
Uma das novidades do evento é a criação do Conselho da Fenachamp. "Será composto pelos ex-presidentes (Valdomiro Brandelli, Ambrósio Chesini, Ademar Petry, Albino Fabiano Giongo, Luiz Carrer, Antenor Fellini e Adolfo Lona) e representantes da Aviga (Ricardo Chesini) e Rota dos Espumantes (Adolfo Lona)", diz Pedrucci.
Secretaria – Ênio Martinazzo assumiu na segunda-feira 5 a recém-criada Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e do Planejamento.