LEITORES 

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Edição 4.994 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 28 de junho de 2006.

EDITORIAL

Maioridade penal: os dois lados da questão

Maioria dos brasileiros quer responsabilidade criminal aos 16 anos. Será esta a solução?

 

Reduzir a maioridade penal, de 18 anos, ou manter a lei atual intacta? Esta pergunta transita há anos por debates em todas as camadas sociais brasileiras. E não encontrou ainda uma resposta que atenda as necessidades de justiça e segurança do país.

Pesquisas revelam que a maioria da população defende a diminuição da responsabilidade criminal para 16 anos. São muitas as razões que sustentam essa posição, desde a convicção de que é preciso conter o avanço do crime organizado que utiliza menores para acobertar suas ações até exemplos de países que adotam leis mais severas ao adolescente infrator – em alguns casos, até a criança infratora.

São consistentes também os argumentos dos que se opõem a mudanças na legislação. Eles passam pelas falhas do Estado, que não garante aos adolescentes condições mínimas de alimentação, educação e emprego, e pela necessidade de proteger os menores em fase de formação.

Condenar um menor à prisão, hoje, equivale a matriculá-lo na escola do crime. O sistema penitenciário brasileiro já é deficiente e perverso para os criminosos adultos. Tende a ser muito mais para um menino de 16 anos. Mas é preciso respeitar também estudos que sinalizam ínfimas possibilidades de reabilitação para menores propensos à prática de delitos e crimes.

Uma alternativa que pode se tornar atraente é a exposta pelo psiquiatra paulista Arthur Kaufman, citado na página central desta edição: os menores portadores de graves problemas de personalidade que cometem crimes qualificados com requinte de crueldade devem ser submetidos, inicialmente, a medidas socioeducativas, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Se não houver reeducação, ao atingirem a maioridade responderão criminalmente.

O leque de opções, no entanto, é tão grande quanto o de incertezas. Enquanto não se constrói o melhor caminho para todos, paira sobre a sociedade em geral uma pergunta: o que cada um está fazendo agora para tornar menos sofrida a luta pela sobrevivência de milhões de crianças e adolescentes? A resposta pode ser o começo do fim da polêmica sobre a maioridade penal.

 

CAXIAS DO SUL

Convênios liberam dinheiro europeu

Recursos, parados desde 2004, beneficiam Caxias, Bento e Flores da Cunha

 

Quase dois anos depois de chegarem ao Brasil, os recursos da Comissão Européia para a execução do projeto Valorização do Turismo Integrado à Identidade Cultural dos Territórios (Victur) começam a ser utilizados. Esse tempo foi consumido com a superação de ajustes e correções em irregularidades constatadas nos contratos firmados entre a Prefeitura de Caxias do Sul, coordenadora do processo, e os europeus.

Dos cerca de R$ 1,5 milhão depositados em uma conta do Banco do Brasil desde outubro de 2004, a Associação de Turismo Estrada do Imigrante (Assotur), de 3ª Légua, interior caxiense, firmou convênios com o Município que libera R$ 639 mil. Esse dinheiro está sendo aplicado na Escola de Agriturismo Sul. Segundo o diretor da escola, Luiz Brambatti, o primeiro curso inicia no dia 6 de julho próximo e vai durar três dias. "Estamos oferecendo 30 vagas para Turismo Rural – Organização e gestão de empreendimentos turísticos em meio rural," descreve Brambatti, informando que outros cursos serão realizados ao longo de um ano para cumprir a meta de formar 600 pessoas.

Região – A Prefeitura de Caxias firmou convênios ainda com Flores da Cunha e Bento Gonçalves para o repasse de recursos da Comissão Européia. O valor destinado a Flores da Cunha é de 157.900,00 euros (R$ 464.950,76), sendo 101.500,00 euros provenientes da União Européia e o restante como contrapartida do município. Com a verba, Flores da Cunha deve implantar o Banco de Imagens da Imigração e a Escola de Cinema.

A principal ação em Bento Gonçalves é a implantação do Centro de Empreendedorismo, com formação e capacitação em arte e artesanato em cerâmica, madeira, ferro e vidro. O valor do convênio é de 186.150,00 euros (R$ 548.135,43), dos quais 116.275,00 euros são subsidiados pelos europeus.

Esses recursos fazem parte da primeira fase do projeto. A segunda, conforme o secretário municipal da Cultura, Antônio Feldmann, vai contemplar várias ações da Prefeitura de Caxias, entre elas o inventário do patrimônio histórico rural em quatro roteiros turísticos e a implantação de um museu virtual. "Mas todos os projetos ainda estão sendo planejados, não há data e nem valores definidos", afirma Feldmann.

 

Feira do Livro define data e patrono

 

A 22ª Feira do Livro de Caxias do Sul será realizada de 6 a 22 de outubro. Secretaria da Cultura também definiu que o patrono desta edição será o professor Flávio Loureiro Chaves e o homenageado, o escritor Delmino Gritti.

Flávio Loureiro Chaves é doutor em Letras pela USP e professor convidado na Universidade de Rennes/França. Tem textos publicados em jornais e revistas do país e vários livros publicado, entre eles Ficção Latino Americana (1973) e Simões Lopes Neto (2001). Delmino Gritti é licenciado em Filosofia pela UCS e trabalha com livro desde 1965. Participou do livro "Matrícula" junto com José Clemente Pozenato, Oscar Bertholdo, Jaime Paviani e Ari Nicodemos Trentin.

 

Hospital Geral

 

Após seis anos de espera, o Hospital Geral de Caxias obteve credenciamento do Ministério da Saúde para executar cardiologia hemodinâmica e cirurgia cardiovascular. Esses serviços, resultados de parceria entre a Fundação Universidade de Caxias, setor público e sociedade, já são oferecidos aos pacientes da região atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

REPORTAGEM

A COPA ENVOLVE A TODOS

Torcedor ou não, é quase impossível não ser afetado pelo clima do Mundial de futebol

 

Enquanto os importadores de produtos populares, principalmente das quinquilharias chinesas, comemoram o aumento nas vendas de acessórios usados por torcedores, a Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping calcula em até 70% a redução do movimento durante os dias de jogos da seleção de Parreira. Nos supermercados do país, a queda beira os 50%.

Os dados acima mostram que, direta ou indiretamente, a Copa do Mundo mexe com todos – a maioria por assumir a condição de torcedor, que significa interromper atividades nos dias de jogo; os demais, pelo efeito que essa mudança de comportamento provoca em todas as áreas, com destaque para a econômica.

Essa transformação não é exclusividade brasileira. Com maior ou menor evidência, está presente em praticamente todo o planeta, inclusive em países sem representantes na Alemanha. E dela brotam ações absurdamente extremadas. Na última quinta-feira, logo após sua seleção ser eliminada pelo Brasil por 4 X 1, o torcedor japonês de 60 anos Yoshio Takanashi suicidou-se. Na China, as mortes de cinco torcedores fanáticos foram relacionadas a bebidas ou apenas à emoção acima do normal por ver a Copa do Mundo.

Não há exagero em classificar de overdose de futebol os 30 dias de Copa. Mas a Fifa, órgão máximo desse esporte no mundo, sabe que existe público e interesses para essa maratona. E se vale da atração que os ídolos exercem para acionar uma gigantesca engrenagem, azeitada por bilhões de euros.

Laboratório – A Copa funciona como um laboratório para testar produtos (chuteiras, bolas, camisetas...) das mais consagradas grifes esportivas. Com a vantagem de que essas verdadeiras jóias que vestem os melhores jogadores do planeta – a chuteira que o ala brasileiro Cafu usa custa R$ 1,3 mil – são vistas por até 1 bilhão de pessoas ao mesmo tempo. E para resguardar interesses de pesadíssimos investimentos diante desse inigualável potencial de consumo, existe um rígido sistema de controle: torcedores holandeses foram obrigados a assistir ao jogo do seu país contra a Costa do Marfim de cuecas porque funcionários da Fifa determinaram que tirassem as calças de couro que vestiam por conterem patrocínio de uma cervejaria concorrente da que patrocina o Mundial.

Do fantástico público da Copa fazem parte principalmente os privilegiados que lotam modernos e confortáveis estádios e os que acompanham pela TV. Esse clima arrasta de anciões a crianças – muitas delas debutantes no palco das emoções do esporte. E quem não pode ter acesso às imagens, luta das mais estapafúrdias formas para integrar esse clube. Dois homens condenados à prisão perpétua na Bulgária costuraram a boca e se recusaram a comer enquanto não fossem instaladas TVs para assistir aos jogos. Outra mostra do fanatismo: dois uzbeques, de 58 anos, pedalaram 6.500 quilômetros para conseguir um autógrafo do goleiro reserva da Alemanha Oliver Kahn.

O fascínio da Copa pode ser medido pela reação de torcedores de Bangladesh que, inconformados por repetidas interrupções no fornecimento de energia elétrica na cidade de Gopalganj, atacaram o escritório da empresa responsável pelo serviço. Ou ainda pelas três mortes em Gana, nas comemorações pela inédita passagem às oitavas-de-final – adversária do Brasil nesta terça 27 – e pela morte de um jovem de 20 anos e por mais 30 feridos na festa de classificação do Equador – eliminado, posteriormente, pela Alemanha.

A Copa desperta críticas, desprezo, euforia... mas quase ninguém fica imune a ela. Econômica ou emocionalmente, todos são envolvidos. E com ela o futebol se transforma num exemplo de globalização que deu certo.

 

Alemanha bate o recorde de cartões

 

Até domingo 26, após 52 partidas disputadas e restando ainda 12 para o fim do torneio, haviam sido mostrados 23 cartões vermelhos, seis a mais do que em todo o campeonato de 2002. O recorde de 22 distribuídos na França em 1998 foi quebrado na partida em que Portugal venceu a Holanda por 1 x 0, quando o árbitro russo Valentin Ivanov distribuiu quatro cartões vermelhos (e oito amarelos). Pela primeira vez na história da Copa houve quatro expulsões. Por esse parâmetro, foi o jogo mais violento desde o primeiro Mundial, em 1930.

Para a Fifa, porém, há menos violência e comportamento antidesportivo. A entidade argumenta que os jogadores estão muito mais cientes de seus limites justamente porque os árbitros estão mostrando mais cartões vermelhos. Mas algumas punições se aproximam do ridículo. O árbitro inglês Graham Poll despertou a ira do presidente da Fifa, Joseph Blatter, por dar três cartões amarelos e um vermelho para o mesmo jogador em uma partida. Blatter também deu "cartão amarelo" ao russo Ivanov – aquele das quatro expulsões. O certo é que a Copa do Mundo nunca mais será como a de 1970, na qual nenhum jogador foi expulso.

 

AGRONEGÓCIO

RS importa 100 mil toneladas de laranja/ano

Gaúchos precisam plantar mais 2.000 ha com frutas cítricas para atingir auto-suficiência

 

O Rio Grande do Sul colhe mais de 400 mil toneladas de bergamota, laranja e limão, cultivados em uma área estimada em 30 mil hectares. De acordo com o último levantamento do IBGE, o Estado é o segundo maior produtor de bergamotas no Brasil, perdendo apenas para São Paulo, que é o maior produtor de todas as categorias de citros. No caso do limão, ocupa o quarto lugar no ranking e da laranja fica em sexto.

Apesar dos números favoráveis, o Rio Grande do Sul importa 100 mil toneladas de laranjas por ano. "O nosso problema não é de produtividade e nem de sanidade. Temos solo, clima, área e mão-de-obra", considera o diretor da Emater/RS, o agrônomo Luiz Ângelo Poletto. "É necessário organização para que se forme pólo, visando a melhor comercialização", enfatiza ao CR.

O assistente técnico da Emater em fruticultura, Paulo Lipp, concorda. "Um dos principais problemas do setor de citros no Estado é a ausência de organização que coordene a obtenção de recursos destinados ao fomento da citricultura, além de equilibrar diferentes interesses da cadeia produtiva", reforça. "É deficiência da área de citros a falta de uma instituição estadual que defenda o setor. Há apenas associações regionais", emenda Lipp.

De mesa – O Rio Grande do Sul precisa plantar mais 2.000 hectares de citros para chegar à auto-suficiência. O técnico Luiz Ângelo Poletto aconselha o incremento do cultivo com variedades precoces e tardias, para ofertar a fruta o ano todo. "Com associativismo e uma política direcionada para o setor, o Estado pode até exportar, já que produz os melhores citros do país", observa.

Quanto às variedades de citros de mesa, o agrônomo e professor da Universidade Federal do RS Sérgio Francisco Schwarz destaca a laranja folha murcha, que tem alta resistência ao cancro cítrico, e a bergamota montenegrina rainha, que dá menos frutos por árvore, mas em tamanho maior.

Com a redução de cerca de 150 mil hectares da área plantada com citros em São Paulo, a tendência é boa para a citricultura gaúcha, em especial para a laranja. "Os paulistas estão optando pela cana-de-açúcar, porque rende mais. A redução vai auxiliar a expansão e a melhoria de mercado para a citricultura gaúcha", aposta Poletto.

Com a implantação do programa Pró-Fruta, foram acrescentados à área de citros, nos últimos três anos, 3.600 hectares com laranjeiras e 247 hectares com bergamoteiras. A expansão é maior nas regiões Norte e Alto Uruguai. Somente em 2006, serão 2.000 ha, sendo 70% de laranjas.

 

Citros são testados em áreas irrigadas

 

Frutas cítricas podem se tornar o novo negócio no Vale do São Francisco. Estudos da Embrapa apontam condições de clima e solo adequadas à produção de laranjas, pomelos, tangerinas e limões na região. Segundo o pesquisador Natoniel Franklin de Melo, há demanda por alternativas de cultivo em áreas irrigadas.

Aproximadamente 40 materiais de espécies variadas de citros estão sendo testadas para avaliação do comportamento agronômico e produtivo nas condições irrigadas do semi-árido. "Diante da saturação de mercado e de preços, é contraproducente expandir para as culturas de manga e uva", afirma o pesquisador da Embrapa.

Bergamotas – Boa coloração, tamanho, sabor e ausência de sementes são atributos necessários ao consumo de tangerinas in natura. Estas qualidades são encontradas nas duas novas variedades de bergamotas, nova e clemenules, que vêm sendo avaliadas pela Embrapa e pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), de São Paulo.

Segundo a pesquisadora Rose Mary Pio do IAC, as variedades estão em fase adiantada de validação, com áreas em produção comercial. Mais informações: (19) 3231.5422.

 

RS pesquisa variedades sem sementes

 

A abertura de mercados é um dos grandes desafios da cadeia citrícola gaúcha. E uma das alternativas é o cultivo de variedades sem sementes. Na Europa, esse tipo de fruta é cultivado há 30 anos e tomou conta do mercado. O produto gaúcho pode suprir a demanda que esses países possuem, principalmente porque a produção local é na época de entressafra no Hemisfério Norte.

O assistente técnico em fruticultura da Emater/RS, Paulo Lipp, explica que as variedades sem semente têm maior apelo para os consumidores e se constituem em um produto diferenciado. "O clima gaúcho é favorável a esse tipo de cultura", destaca Lipp.

A Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, pesquisa e mantém matrizeiro dessas variedades. "O manejo possui peculiaridades, mas não é muito diferente das variedades de citros com sementes", explica assistente técnico para fruticultura.

Os citros sem sementes já são cultivados no Estado. Os primeiros cultivos foram realizados por produtores da Fronteira Oeste, com mudas originárias do Uruguai e da Espanha. Hoje, há pomares no Vale do Caí, com variedades diferentes.

 

Serra vende mirtilo para Inglaterra

Esta é a primeira negociação da fruta com o exterior

 

Produtores de mirtilo da Serra gaúcha fecharam contrato para a comercialização de sua primeira safra, estimada em 15 mil quilos, para a Inglaterra. "As frutas serão embarcadas em dezembro. É nossa primeira negociação internacional", diz o coordenador comercial da Associação dos Produtores de Mirtilo da Serra, André Medeiros da Silva. Presidida por Nestor Soga, a entidade engloba produtores de oito municípios.

A venda exigirá um investimento de R$ 40 mil por hectare ampliado nas propriedades. Outros R$ 35 mil serão necessários para a construção de uma sala para embalagem das frutas. "Até o final do ano, deveremos nos enquadrar nas normas, entre elas o rastreamento, exigidas pelos importadores", adianta Silva, que é produtor em Vila Seca, Caxias do Sul.

A expectativa do grupo é alcançar os 50 hectares cultivados nos próximos três anos, 50% a mais do que os 21 produtores ocupam atualmente, para as demandas apresentadas pelo mercado externo. "Daqui a dois anos, com as plantas adultas, os fruticultores estarão produzindo 100 mil quilos de mirtilo", prevê o coordenador da associação.

Pesquisa – O crescimento da produção de mirtilos está amparado pela pesquisa. O engenheiro agrônomo Alverides Machado dos Santos, que estuda a fruta há mais de 20 anos, é o responsável técnico pela implantação do primeiro pomar de mirtilo na região, na propriedade de Nestor Soga, em Forqueta, graças ao empreendedorismo de padre Darci Bortolini. "No rastro do mirtilo vem o plantio de outras pequenas frutas, como o morango e a amora, adianta Soga ao CR.

Juntos – O mirtilo é uma pequena fruta, também chamada de "blueberry", muito consumida nos Estados Unidos e na Europa. "Além de ser saborosa, é conhecida por ter propriedades medicinais ligadas ao rejuvenescimento e à redução dos radicais livres, o que incentiva a procura pelo produto", explica a consultora do Sebrae, Mirian Amaro.

 

STR reúne produtora rural da Serra

 

"Mulher agricultura construindo a qualidade de vida". É o slogan do VI Encontro Municipal de Trabalhadoras Rurais. Promoção do Sindicato de Trabalhadores Rurais e apoio da Regional Sindical de Caxias do Sul, o evento ocorre dia 11 de julho, no bloco J, da Universidade de Caxias do Sul. "Estão sendo aguardadas 500 agricultoras de diversos municípios da Serra", adianta a coordenadora do Projeto Renascer do STR, Ana Maria Rech.

O evento está sendo divulgado em reuniões no interior, com apoio da nutricionista Kelen Cristina Bortolotto Citton.

O destaque do encontro é a palestra "Relacionamentos humanos", com a psicóloga Janete Rossi, às 10h. Logo após, acontece momento de reflexão com o frei Jaime Bettega; almoço, recreação com apresentação de valores culturais da região. À tarde, painel com médicos da Unimed (urologista e ginecologista) irá abordar prevenção a várias doenças.

Durante todo dia, estarão à disposição café, biscoitos e água. "Pedimos que as participantes tragam almoço de casa", avisa Ana Maria. A entrada é franca. Mais informações (54) 3223 7676.

 

Lula assina decreto sobre fitoterápicos

 

O acesso seguro e o uso correto de plantas medicinais e fitoterápicos pela população. São duas das vantagens do decreto que estabelece a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quinta-feira 22. Participaram do evento os ministros do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel; da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, Roberto Rodrigues, e da Saúde, Agenor Álvares.

A medida vai garantir também o manejo sustentável da biodiversidade brasileira e o desenvolvimento da indústria nacional. O decreto beneficia a pequena produção familiar.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 40% dos medicamentos atualmente disponíveis foram desenvolvidos direta ou indiretamente a partir de fontes naturais. Estatísticas apontam o crescimento do consumo de plantas medicinais ou medicamentos à base de plantas em todas as classes sociais no Brasil e no mundo. Esse mercado cresce em torno de 15% ao ano.

 

Santa Maria exibe economia solidária

 

O maior evento do cooperativismo e da economia solidária do Brasil realiza-se de 7 a 9 de julho, em Santa Maria, na região Centro do RS. O Terminal de Comercialização Direta do Projeto Esperança/Cooesperança vai sediar a 2ª Feira de Economia Solidária do Mercosul, a 5ª Feira Nacional da Economia Popular Solidária, 13ª Feira Estadual do Cooperativismo e a 5ª Mostra da Biodiversidade.

Os eventos são uma promoção da Diocese de Santa Maria, Cáritas Brasileira e Projeto Esperança/Cooesperança, Instituto Marista de Solidariedade, Saema, Banco da Esperança, Prefeitura de Santa Maria e Cooperativa Solidária, com o apoio conjunto de órgãos estaduais e federais.

De acordo com pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária em parceria com o Ministério do Trabalho, no RS existem 634 empreendimentos em 270 municípios. Os números comprovam que o Estado gaúcho é o que possui mais empreendimentos de economia solidária no país. Concentrados na agricultura e pecuária, os projetos movimentam R$ 227 milhões por mês em todo o Brasil.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Uma planta chamada sansão do campo

Solicito informações sobre uma planta do Nordeste conhecida como sansão do campo. Recebemos de uma firma nordestina a oferta de sementes e mudas fazendo grande propaganda da mesma, utilizada com grande sucesso para a formação de cerca viva com característica defensiva por fechamento de médias e grandes propriedades. Dá instruções de plantio e manuseio. Remeto-lhe a propaganda com algumas gravuras coloridas. Gostaria de saber se ela se adapta em nossa região.

RENO JOÃO ZATTI

Clube Reno – Caxias do Sul

 

A sansão do campo, também conhecida como "sabiá", é planta característica da região semi-árida do Nordeste brasileiro (zona da caatinga), cientificamente denominada Mimosa caesalpiniaefolia da família das leguminosas mimosáceas (mesma das acácias).

Aqui, no Rio Grande do Sul, temos um planta do mesmo gênero, a maricá (Mimosa mucronata), que também se presta para cerca viva .

A sansão do campo não é arbusto como se poderia pensar, mas uma pequena árvore de 5 a 8m de altura, de caule um pouco espinhoso, com 20 a 30cm de diâmetro, de casca grossa, pardacenta, fendida longitudinalmente, folhas compostas por um certo número de folíolos ovais ou elípticos, relativamente grandes (3 a 8cm de comprimento). Flores brancas, pequenas, reunidas em capítulos. O fruto é um pequeno legume (vagem) que contém 5 a 6 sementes miúdas e leves. As sementes semeadas logo em canteiros, devidamente preparados, germinam facilmente dentro de 1 a 3 semanas. As plantinhas com 3 a 5cm são enviveiradas ou cultivadas em vasinhos de plástico individuais. O crescimento é rápido e dentro de poucos meses (3 a 4), poderão ser levadas ao local definitivo. Se forem plantadas em linha, em terreno profundo e irrigado, espaçadas 10cm uma das outras, o desenvolvimento é muito rápido. Dentro de pouco tempo, os troncos se aproximam formando uma barreira intransponível aos animais e às pessoas.

As mudas podem ser plantadas isoladamente ou em reflorestamento. Por seu rápido crescimento, tolerante à luz direta do sol, serve para produzir madeira, lenha ou carvão. A madeira é pesada, dura e resistente, apropriada para postes, moirões, barretes, dormentes etc. As flores são melíferas, florescem nos meses de novembro a março. As folhas, maduras ou secas, ricas em proteína, constituem forrageira muito apreciada pelos animais bovinos e caprinos. A frutificação ocorre de setembro a novembro, ocasião para retirar as sementes que serão destinadas à reprodução.

A sansão do campo ocorre naturalmente do Maranhão a toda região semi-árida da caatinga do Nordeste. Noutras regiões, pode vegetar artificialmente, cresce rápido, mas é muito sensível às temperaturas mais baixas e não resiste às geadas. As plantas morrem e não brotam mais. Aqui, em Caxias, estimuladas pelos vendedores de semente, foi experimentada no Estádio do Juventude. As mudas vieram, cresceram rapidamente, a cerca viva chegou atingir quase 2 metros de altura, mas morreu completamente na primeira geada do ano. Até em São Paulo, onde o clima não é tão rigoroso como aqui no Rio Grande do Sul, a planta do sansão do campo fracassou. De maneira que é totalmente desaconselhado o cultivo nesta região.

 

SAÚDE

Brasil é o 8º país em incidência de asma

80% dos asmáticos também sofrem de rinite alérgica

 

Na chegada do inverno, temperaturas baixas fazem com que as pessoas permaneçam constantemente em ambientes fechados. Nestes locais, a concentração de ácaros, poeira, mofo e demais substâncias alérgenas é maior, desencadeando crises de asma e outras alergias respiratórias. No Brasil, de acordo com o Sistema Único de Saúde, a asma é a terceira causa de hospitalização, provocando cerca 370 mil internações ao ano.

O Brasil é o 8º país no mundo em prevalência de asma. Cerca de 20% dos brasileiros têm ou já tiveram alguma manifestação da doença, sendo que 25% apresentam a forma moderada ou grave. Morrem, em média, seis pacientes diariamente em decorrência da falta de diagnóstico e/ou tratamento adequados.

A rinite alérgica também é comum nesta época do ano. Atinge cerca de 30% da população brasileira. Não costuma chamar atenção porque não oferece risco de morte ao paciente, apesar de prejudicar sua qualidade de vida. Porém, o que poucos sabem é que rinite e asma andam juntas.

Segundo os especialistas, a rinite alérgica é fator de risco para a asma. Estudos indicam que 80% dos asmáticos sofrem de rinite e quem tem rinite alérgica apresenta três vezes mais chances de desenvolver asma.

Os pesquisadores definem asma e rinite alérgica como uma doença da via aérea única. O tratamento simultâneo dessas enfermidades tem sido defendido como estratégia ideal para prevenir as inflamações que atingem nariz, faringe, laringe, traquéia e brônquios.

"Os pacientes que sofrem de rinite alérgica podem não apresentar os sintomas da asma, mas quando são feitos os testes específicos a doença é detectada. E o inverso também ocorre", explica o médico João Ferreira Mello Júnior, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Conforme os médicos, a diferença entre as doenças está nos sintomas, porque os mecanismos de surgimento delas são os mesmos.

 

Tratamento visa prevenir as crises

 

Por ser uma doença crônica, que não tem cura, a asma exige um tratamento preventivo e prolongado, para melhorar a qualidade de vida do paciente. O tratamento é individual e deve ser prescrito pelo especialista. Independentemente da gravidade, a asma precisa sempre ser tratada, não só os casos graves. Mesmo a asma leve traz limitações, como o mau desempenho em atividades físicas e prejuízo do sono.

Outros problemas trazidos pela falta de tratamento são as privações a que o paciente acaba se rendendo com receio de entrar em nova crise. As crianças, por exemplo, deixam de participar de determinadas brincadeiras. Com o tempo, elas podem ficar retraídas, frágeis e sedentárias. Por outro lado, uma criança que recebe o tratamento adequado para o seu problema pode levar uma vida normal, praticando exercícios com tranqüilidade.

Como não tem cura, o tratamento da asma visa alcançar e manter o controle dos sintomas, prevenir as crises, eliminar ou minimizar as visitas de emergência ao médico ou ao hospital, manter níveis normais de atividade e exercícios físicos, além de preservar a função pulmonar normal ou muito próxima da normalidade.

 

Asma tende a sumir na adolescência

 

A asma pode aparecer em qualquer fase da vida, sendo freqüente até os 12 anos. Em compensação, quase 70% destes casos tendem a desaparecer na adolescência. É uma doença pulmonar caracterizada pela inflamação crônica das vias aéreas, que se estreitam e oferecem dificuldade respiratória. Os principais sintomas são tosse, chiado no peito e falta de ar.

As vias respiratórias do asmático têm uma resposta exagerada quando em contato com determinada substância, denominada alérgeno. Em sua presença, os brônquios se fecham, reduzindo a passagem de ar. As repetições desta reação provocam inflamação, que faz com que as vias aéreas fiquem ainda mais sensíveis. Uma vez inflamadas, as crises de asma podem ocorrer por diversos fatores ambientais, como alterações climáticas, ou quando em contato com poeira, mofo, pólen, cheiros fortes, pêlos de animais, gripes ou resfriados, fumaça, ingestão de alguns alimentos ou medicamentos.

 

Prevalência de rinite aumenta com idade

 

Estima-se que 33% da população brasileira tenha rinite. Cerca de 20% das crianças entre seis e sete anos desenvolvem a doença. Dos 13 aos 14 anos, o índice sobe para 30%. Com o crescimento, pode atingir 35%.

A rinite é uma doença inflamatória da mucosa de revestimento da cavidade nasal. Pode ser infecciosa, quando é causada por vírus, ou não infecciosa, ou seja, alérgica. Os principais sintomas da rinite são coriza, obstrução das fossas nasais (nariz entupido) e prurido nasal.

 

Herança de família

 

Pesquisas indicam que quem hoje tem rinite nasce pré-disposto e desenvolve o que médicos chamam de "marcha atópica". Tudo começaria com uma dermatite atópica, detectada em recém-nascidos e crianças entre 2 e 3 anos. Dos 6 aos 7, cairia a freqüência da dermatite e aumentaria a da asma. Com o crescimento, a criança daria abertura à prevalência da rinite.

 

Verduras reduzem a arteriosclerose

 

Estudo realizado em animais confirmou que o consumo de verduras reduz consideravelmente o endurecimento das artérias. A diminuição da arteriosclerose em ratos alimentados com vegetais foi de 38% em relação aos roedores que receberam uma dieta sem verduras ou frutas, afirmaram cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte (EUA).

"Embora todo mundo saiba que é bom comer vegetais, ninguém tinha demonstrado até agora que, realmente, eles podem inibir o desenvolvimento da arteriosclerose", afirmou o pesquisador Michael Adams. Ele acrescentou que os resultados da pesquisa sugerem que uma dieta rica em verduras pode ajudar a prevenir os ataques cardíacos. Também foi registrada uma pequena redução no peso corporal e nos níveis de colesterol.

 

Música ameniza as dores crônicas

 

Estudo do Cleveland Clinic Foundation (EUA) comprova que ouvir música pode ter efeitos benéficos para dores crônicas. Cientistas testaram o uso de música em 60 voluntários, que há mais de seis anos sofriam com osteoartrite, problemas de disco e artrite, e constataram uma redução dos níveis de dor em 21%. O índice dos que sentiam depressão em conseqüência da dor crônica diminuiu 25%. Pesquisa anterior havia revelado que ouvir música suave por 45 minutos antes de dormir pode aumentar o sono em até um terço.

 

OPINIÃO

Corpus Christi: o corpo profanado

Maria Clara Lucchetti Bingemer

A Bíblia revela que a violência presente no mundo, Deus não a evita, mas a assume sobre si mesmo. E que a fé em Deus implica fazer o mesmo que Ele: dispor-se a tudo suportar, tudo sofrer, para poder persistir amando

 

A festa de Corpus Christi que celebramos na penúltima quinta-feira é uma ocasião adequada e prenhe de significado para refletir sobre acontecimentos recentes que em nosso país profanaram corpos humanos com uma onda irrefreável de violência. Venerar e proclamar a fé no Corpo de Cristo presente na Eucaristia nos remete necessariamente a pensar sobre o lugar do corpo na revelação cristã.

A experiência e a reflexão teológica no cristianismo são experiência e reflexão teológica sobre um Deus encarnado. Fora deste dado central e absolutamente necessário não há cristianismo. Não havendo encarnação, não há a possibilidade de Deus assumir todas as coisas por dentro e viver a história passo a passo, por assim dizer "na contramão" de sua eternidade. Não havendo encarnação, não há cruz, não há redenção, não há salvação. Não há, portanto, aliança entre a carne e o Espírito.

Nada, portanto, do que é humano é estranho ao cristianismo e toda nova descoberta e toda nova ênfase em termos de humanidade vêm não ameaçar a experiência cristã, mas, pelo contrário, alimentá-la, nutri-la, fazê-la mais de acordo ao sonho de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, que a tudo e a todos deseja cristificar e plenificar por sua práxis santificadora que preside a história e trabalha por dentro a carne do mundo.

Toda tentativa de escapar disto é tentação que descaracteriza o cristianismo, em sua pessoalidade, em sua configuração trinitária, em sua dinâmica histórica e encarnatória.

Confessar com a boca e o coração que o Verbo se fez carne e o Espírito foi derramado sobre toda carne implica buscar a experiência e a união com Deus que assim determina comunicar-se com a humanidade através desta carne na qual é possível experimentá-Lo. Desde aí somente é possível começar a reflexão sobre a corporeidade humana e pensar igualmente sua conflitiva interlocução com a violência.

O corpo humano está no centro da revelação cristã, do momento em que se trata de algo que foi assumido pelo próprio Deus na Encarnação de seu Filho Jesus Cristo. A Encarnação do Verbo, que toma corpo humano e habita entre nós, embora carregue consigo uma forte dimensão de despojamento e humilhação, pois Deus se esvazia de suas prerrogativas ao assumir a carne humana, por outro lado eleva e engrandece a corporeidade humana, resgatando-a de uma vez para sempre, pois a divindade a abraça por dentro.

Através das Escrituras cristãs podemos ver que a presença da violência se encontra no meio do mistério da Encarnação. A corporeidade humana assumida pelo Filho de Deus está desde o início exposta ao flagelo da violência que sempre assolou a humanidade. Assim como Deus não se revela impondo-se, mas expondo-se, entregando-se amorosa e indefesamente, assim também a violência não é por ele driblada ou desviada, mas sim assumida em seu próprio corpo semelhante ao nosso. A corporeidade redentora e redimida passa pela vulnerabilidade e a exposição à violência.

O mistério da Encarnação coloca o próprio Filho de Deus e a corporeidade humana por ele assumida em meio à violência e ao pecado presentes no mundo. Neste sentido, Jesus em sua vida e em seu caminho histórico não se encontra preservado nem invulnerável às ambigüidades que implica viver num mundo onde a paz ainda não é uma realidade plena.

Jesus, além disso, entra na história sempre recomeçada de um povo ingrato e indócil, de má-fé, que não quer dar a Deus o que deve. Assume em sua carne e em sua vida a visão e a experiência dos profetas, rejeitados, perseguidos. É uma lei da história que os homens queiram se desembaraçar, sumária e injustamente, dos enviados de Deus. E Jesus lê nessas histórias de sangue e violência o destino que o espera.

A Bíblia, e especialmente o Novo Testamento, revela que a violência presente no mundo, Deus não a evita, mas a assume sobre si mesmo. E que a fé nesse Deus implica fazer o mesmo que Ele: dispor-se a tudo suportar, tudo sofrer, para poder persistir amando. Para isso, decidir-se a tudo perdoar, preferindo antes sofrer injustiças e perseguições do que preservar-se, deixando o câncer da violência seguir seu curso. O Mestre dá o exemplo supremo com a maneira pela qual vive e sofre o processo que o levará à paixão e à morte. Seu Espírito derramado após Sua Ressurreição indicará que este é o caminho e a vocação da corporeidade humana à luz da fé cristã. A festa de Corpus Christi nos ensina que esse corpo entregue é alimento para uma vida pautada no amor e não na violência.

 

Futebol, devoção brasileira

Frei Betto

O futebol é a nossa alma e exprime nossa criatividade, que transcende a razão. A Copa é copo, é taça na qual todos sorvemos alento e esperança, numa comunhão que sacramenta a união de 180 milhões de brasileiros

 

Futebol é jogo, e jogo é irmão gêmeo da arte. Se a arte nos faz transcender – pois todo artista é clone de Deus –, e traduz a busca de imortalidade de quem a cria, o jogo é bola no chão: condensa a vida.

Não há um jogo igual ao outro. Cada partida é única, singular, regida pelo princípio quântico da indeterminação. Ao ver a bola, impossível prever com segurança o movimento que fará. Se está em movimento, como num passe entre Roberto Carlos e Ronaldinho Gaúcho, nada impede ser interceptada por uma cabeçada do jogador adversário ou pelo gesto do bandeirinha marcando impedimento.

A vida é jogo. Ao nascer, entramos em campo, com a diferença de que não sabemos quando termina a partida. Sabemos, por experiência, que ela é imprevisível. Porque não somos o que pensamos. Somos o que fazemos. E nem sempre agimos segundo os princípios que abraçamos. Nosso agir é interagir. Ao "eu sou eu e minhas circunstâncias", de Ortega y Gasset, podemos acrescentar: "eu somos nós", coletividade. Nós de relações com os semelhantes e a natureza.

Ninguém jamais está com a bola toda. Nosso existir depende de passes alheios, uns certeiros, outros desastrosos; e da capacidade de driblar situações complicadas; de cabeçadas imprevistas, faltas, contusões, chutes para escanteio e jogadas certeiras. Ainda que façamos gol – na vida familiar e profissional -, a bola sempre retorna ao campo e o jogo recomeça, incessante peleja de Sísifo.

Jamais saberemos o placar final. E a sabedoria consiste em jogar sem blefar (ética), atento às regras, embora seja freqüente a tentação de burlá-las. Quantos campeões, hoje, deixaram o campo cobertos de derrotas? Sócrates, Jesus, Joana D’Arc, Tiradentes, Van Gogh... A recíproca é verdadeira. Campeões de ontem ergueram a taça da vitória sem imaginar que o tempo os faria beber o fel da ignomínia: Nero, Hitler, Stálin, Médici...

Essa associação que ocorre no nosso inconsciente entre vida e jogo induz-nos a torcer com entusiasmo. Joga-se no campo a estima de uma nação, dos adeptos de um time, do torcedor como indivíduo. O esporte catalizador, dionisíaco, varia de país a país. Na Grécia antiga, a maratona; nos EUA, o beisebol; na Rússia a nação pára atenta a um tabuleiro de xadrez; no Brasil, o futebol.

O futebol é a nossa alma e exprime a nossa criatividade, que transcende a razão. Como no teatro grego, no estádio ritualiza-se a catarse de um povo. Tudo gira em torno de uma bola, objeto esférico, a mais perfeita forma espacial, símbolo do Universo, do globo terrestre, do firmamento, da totalidade de todos os opostos que se anulam entre si. Figura geométrica dinâmica, como a nossa índole. A bola expressa, como todo círculo, a volta a si mesmo, e significa unidade e perfeição.

O campo, com seu gramado impecável, é o nosso Jardim do Éden, encerrado num estádio que, em geral, tem a forma esférica. Ali se decide o nosso destino. Convém lembrar que ‘gol’ deriva do inglês goal, que significa ‘objetivo’. Há que alcançá-lo, ainda que pelos meandros labirínticos do jogo; importa estar simbolizado na disputa. E todo o jogo se dá graças à cooperação, ao entrosamento, à confiança entre jogadores. E implica a derrota do adversário, embora sem anulá-lo, reconhecendo-lhe sempre o direito de uma nova chance de buscar a vitória. No fim, predomina a compaixão.

Como os jogos de Olímpia, na Grécia antiga, o futebol é tragédia e comédia, derrota e vitória, tristeza e alegria. Bola nos pés, emoção no coração, é a nossa mais evidente expressão religiosa pagã, multirreligiosa. Acendemos velas, fazemos promessas, alimentamos orixás, mobilizamos figas e amuletos.

Os heróis do panteão brasileiro, imortalizados na memória nacional, são Didi, Garrincha, Pelé, Tostão, Zico e tantos outros jogadores de futebol. Somos fiéis devotos dos times pelos quais torcemos. Ainda que perca ou seja rebaixado, não admitimos rejeitá-lo nem arrancar do coração o anel (bola) de nossa imorredoura fidelidade. Pois temos fé de que, no futuro, nos dará grandes alegrias e vitórias.

A Copa é copo, é taça na qual todos sorvemos alento e esperança, numa comunhão que sacramenta a união de 180 milhões de brasileiros. Tamanha a sua importância para o povo brasileiro, o futebol deveria ser tombado como patrimônio nacional.

 

NACIONAL

Partidos definem candidatos ao Planalto

Campanha inicia com novas promessas e troca de farpas

 

Geraldo Alckmin (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Heloísa Helena (PSol), Cristovam Buarque (PDT), José Maria Eymael (PSDC). Essas candidaturas já foram oficializadas por seus respectivos partidos para a disputa à presidência da República. O prazo para definições das chapas, conforme o Tribunal Superior Eleitoral, vai até 30 de junho.

Depois da indicação de Alckmin, com o senador José Jorge (PFL-PE) como vice, no último final de semana o PT confirmou as candidaturas de Lula e do atual vice José Alencar (PRB) à reeleição. Lula troca, por motivos óbvios, o slogan ético usado em 2002 "Brasil decente" por "força do povo", uma ligação com os mais pobres. O atual presidente aposta em imagem popular nessa nova disputa e promete aprofundar mudanças em benefício dos mais pobres.

A polarização revelada por pesquisas entre Lula e Alckmin (Lula lidera em todos os levantamentos) serve de pano de fundo para trocas de acusações. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chamou Lula de corrupto. "A esperança foi corroída pelo cupim da corrupção, dos escândalos e da afronta à democracia", afirmou FHC. Lula demonstrou que sua estratégia será a de comparar realizações. "Uma de nossas armas é a comparação dos que eles fizeram em oito anos e o que estamos nós fazendo em três anos e meio", declarou o candidato do PT, que falou sobre escândalos e apontou uma reforma política como saída para esse problema.

No final de semana ainda foi lançada a candidatura da senadora Heloísa Helena, que tem o economista César Benjamim como vice. "Vamos à luta, dizer aos representantes do parasitismo político que ousam pensar que são donos do Brasil que podem vir quentes que nós estamos fervendo", discursou a senadora do PSol por Alagoas. Na segunda 19 o PDT, em uma convenção dividida e tensa, homologou o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque como candidato ao Planalto. "Meu medo é que ele queira um terceiro mandato através de uma reforma da Constituição, como (Hugo) Chavez (presidente da Venezuela)", disse o atual senador dirigindo-se a Lula.

 

Convenções deflagram campanha para o governo gaúcho

 

Foi um final de semana também de definições para o quadro de concorrentes ao Palácio Piratini. Na sexta, o governador Germano Rigotto (PMDB) confirmou sua candidatura à reeleição. "O pedido de meu partido foi muito forte e eu não tinha como recusar", justificou Rigotto, que durante meses disse que não concorreria. Segundo pesquisa do Ibope, ele e o candidato pelo PT, Olívio Dutra – oficializado no início do mês, tendo como vice Jussara Cony, do PC do B -, lideram a preferência do eleitor gaúcho com 26%.

No sábado e domingo passados, depois de intensas negociações políticas, mais cinco partidos oficializaram candidaturas ao governo do Rio Grande do Sul. Yeda Crucius (PSDB), Alceu Collares (PDT) e Nelson Proença (PPS) foram lançados no domingo. Beto Grill (PSB) e Pedro Couto (PSDC), no sábado. Também concorre Edison Pereira de Souza (PV).

O quadro sucessório gaúcho ainda pode sofrer ajustes até a data limite para o encerramento do período de convenções – 30 de junho. Francisco Turra está em campanha pelo PP, mas há negociações em curso do partido com outras siglas. O PSB também estava em tratativas com PPS e PP. E é bom lembrar que o PP integra a base aliada do governo Rigotto, embora Turra venha afirmando que o partido terá candidato e só fará alianças em um eventual segundo turno.

 

ESPECIAL

BRASIL COLOCA EM JULGAMENTO A MAIORIDADE PENAL

A sociedade discute se o menor infrator deve ser punido como adulto. A questão básica é: mudar a lei ou melhorar a educação?

 

Na terça-feira 20, Darren Samuel, 17 anos, integrante de uma gangue, foi condenado pela justiça norte-americana por matar um adolescente de 15 anos para roubar um iPod. A pena pode chegar a 25 anos de prisão. Se o mesmo crime tivesse ocorrido no Brasil, o desfecho seria outro. A grande diferença para o tipo de punição é que a maioridade penal – critério para definição legal de adulto – nos Estados Unidos é 7 anos (isso mesmo, 7 anos) e no Brasil, 18 anos.

As realidades brasileiras e da nação mais rica do mundo são incomparáveis, a começar pela área social. A juventude norte-americana tem garantidas condições de saúde, alimentação e educação, enquanto que no Brasil esses direitos são assegurados apenas no papel. Se a sociedade oferece o mínimo necessário, adquire o direito de responsabilizar individualmente os que transgridem a lei. Ao contrário de ser definitivo, porém, esse argumento vem se somar a tantos outros que cercam o debate em torno do tema.

Infratores – Dos cerca de 376 mil brasileiros privados da liberdade pela prática de crimes em 2004, 39.578 eram menores infratores, segundo o levantamento mais atualizado disponível, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Internados em estabelecimentos de correção ou cumprindo medidas em regime de liberdade assistida representavam 0,2% do total da população brasileira entre 12 e 18 anos de idade.

São Paulo responde por metade do contingente de jovens brasileiros que cumprem as mais graves sanções previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). São quase 20 mil em 77 unidades da Fundação Estadual de Bem-Estar do Menor (Febem). Mas o Distrito Federal é a unidade da Federação com maior proporção de menores infratores: 0,5% da população na faixa etária, mais que o dobro de São Paulo.

Ainda que socialmente inaceitável, a proporção de um menor para cada dez encarcerados parece ser demograficamente correta. Afinal, dos crimes e delitos registrados a cada ano no Brasil, 10% são praticados por adolescentes. Desses, mais de 70% cometem delitos contra o patrimônio.

São os jovens os alvos preferenciais de recrutamento do crime organizado, servindo como mão-de-obra barata, descartável e relativamente inimputável para traficantes de drogas e de armas nas grandes cidades brasileiras. O resultado disso é que a opinião pública vê uma certa complacência do Estado no tratamento aos menores infratores. Não por acaso, quase todas as pesquisas demonstram o desejo da maioria de ver reduzida a chamada maioridade penal.

 

Crime organizado e sistema penitenciário alimentam polêmica

 

Um dos fortes argumentos de parlamentares a favor da redução da idade penal é que um jovem infrator de 17 anos já tem consciência dos atos que comete, já que a diferença de idade do criminoso adulto pelo Código Penal pode ser inferior a um ano. Outro: a medida já é adotada por vários países. Há ainda o de que os menores são utilizados pelo crime organizado para acobertar as suas ações.

"Isso equivale a jogar no mundo do crime jovens cada vez menores. Se o critério adotado for 16 anos, os traficantes recrutarão os de 15; reduz-se para 11 e eles aliciam os de 10", defende Túlio Kahan, coordenador de pesquisa do Instituto Latino Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e o Tratamento do Delinqüente (Ilanud). "A redução só pioraria o problema. As medidas do ECA são bem mais eficientes do que reduzir a idade penal de 18 anos e o conseqüente ingresso do adolescente no precário sistema penitenciário brasileiro", opina Zilda Arns, coordenadora nacional da Pastoral da Criança.

Vítimas – O que a opinião pública não parece considerar com maior cuidado é que a esmagadora maioria dos infratores recorre ao crime por causa das escassas oportunidades de educação e emprego. Rendidos ao crime, os adolescentes são encaminhados a um sistema de correção e reeducação que hoje, no Brasil, tem problemas de superlotação, estrutura deficiente, maus-tratos e ameaça permanente de rebelião. As instituições para menores infratores constituem-se, quase sempre, em escolas de crime, tanto quanto presídios de adultos. "Nas unidades do tipo Febem, muitas vezes, os jovens são punidos mais severamente do que os adultos", resume o advogado João Pedro Pereira Brandão, do Ilanud.

 

Maioria da população quer responsabilidade criminal aos 16 anos

 

Em 2003, o Instituto Sensus (MG) concluiu que 88% dos entrevistados apoiariam uma reforma nas leis que reduzisse para 16 anos a responsabilidade criminal no Brasil. O Site do Professor também realizou um levantamento informal sobre o assunto e 75% dos internautas que decidiram participar espontaneamente se manifestaram pela maioridade penal aos 16. A própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cuja posição oficial é contrária à modificação, elaborou consulta pública em 2004 com resultados idênticos.

Nos países desenvolvidos, como Inglaterra e Estados Unidos, pode fazer algum sentido argumentar que a maioria dos jovens teve acesso a condições satisfatórias para se ajustar à sociedade e, com base nesse pressuposto, os infratores devem ser responsabilizados o mais cedo possível perante a lei. No Brasil, onde apenas quatro em cada cem adolescentes que cumprem medida sócio-educativa concluíram o ensino fundamental, não parece correto sequer considerar a questão sob o mesmo prisma.

"Não se argumente que o problema da delinqüência juvenil aqui é mais grave que alhures e que por isso a punição deve ser mais rigorosa. Tomando 55 países da pesquisa da ONU como base, na média os jovens representam 11,6% do total de infratores, enquanto no Brasil está em torno de 10%, portanto, dentro dos padrões internacionais e abaixo mesmo do que se deveria esperar, em virtude das carências generalizadas dos jovens brasileiros", argumenta o doutor em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), Túlio Kahn, coordenador de pesquisa Ilanud.

 

Poucos países adotam idade abaixo de 18

 

Alguns países, como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, consideram a gravidade do delito mais importante do que a idade do autor. Depois da tragédia de Columbine, em 1999, quando alunos de uma escola no Estado de Colorado mataram vários colegas e depois cometeram suicídio, a justiça norte-americana não vem se furtando até mesmo a aplicar a pena de morte a crianças. Lá, em muitos Estados, a maioridade penal agora se dá aos sete anos.

Essa idade, porém, é uma exceção, ainda que seguida relativamente de perto por países como a Inglaterra (10), França (13), Itália e Japão (14), Egito (15), Portugal, Israel e Cuba (16). A maioria dos países da Europa e das Américas adota legislação especial para os cidadãos menores de 18 anos. Alemanha e Espanha elevaram recentemente para 18 a idade penal e os espanhóis criaram ainda um sistema especial para julgar os jovens na faixa de 18 a 21 anos.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que realiza a cada quatro anos a pesquisa Crime Trends (Tendências do Crime), revelam que são minoria os países que definem o adulto como pessoa menor de 18. Das 57 legislações analisadas, apenas 17% adotam idade menor do que 18 anos como critério para a definição legal de adulto. Neste grupo, com exceção de Estados Unidos e Inglaterra, todos os demais são considerados pela ONU como países de médio ou baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o que torna a punição de jovens infratores ainda mais problemática.

 

Punições previstas pela lei brasileira

 

De acordo com a legislação brasileira, apenas as crianças até 12 anos são inimputáveis – isto é, não podem ser julgadas ou punidas pelo Estado. Se cometerem crime, nada sofrerão. De 12 a 18 anos, o jovem infrator é levado a julgamento numa vara da infância e da juventude e está sujeito a várias punições: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, inserção em regime de semiliberdade e internação em estabelecimento educacional.

A internação é a opção mais comum. Na prática, os estabelecimentos educacionais que a lei menciona são instituições como a Febem, concebidas antes do início da vigência do ECA, em 1990. A freqüência à escola propriamente dita é obrigatória para os jovens que cumprem as penas em regime de liberdade assistida ou semiliberdade. O primeiro é aquele em que o adolescente não é internado em instituição alguma, mas deve se apresentar diariamente a um adulto designado para acompanhar seu comportamento. Em semiliberdade, o jovem infrator passa apenas um período do dia recolhido a uma instituição.

 

Retrato da deficiência

 

A organização internacional Human Rights Watch (HRW) fez duas séries de visitas aos cinco centros de internação juvenil do Rio de Janeiro – entre julho e agosto de 2003 e em maio de 2005. "Encontramos um sistema decrépito, imundo e perigosamente superlotado", descreve o relatório. Para a entidade, espancamentos e outros maus-tratos, que seriam uma rotina, resultam da falta de monitoramento independente e eficaz dessas instituições. O retrato do Rio é o mesmo, em maior ou menor escala, no restante do país.

 

Agressividade detectada na infância

 

O princípio básico adotado pela legislação brasileira – o de que pessoas até 18 anos estão em fase de formação e por isso devem ser objeto de mecanismos de proteção – é o centro da polêmica em torno da maioridade penal. A filosofia contida no Estatuto da Criança e do Adolescente é a de que, ao agir, os menores de 18 anos não têm o mesmo grau de consciência que os adultos. Já os que querem a redução da maioridade asseguram que um jovem de 16 anos sabe bem o que faz.

A psiquiatria define com bastante clareza a eventual propensão à prática de delitos e comportamentos criminosos. Um dos quadros mais graves na infância e na adolescência é o chamado transtorno de conduta (TC), caracterizado por um padrão repetitivo e persistente de conduta anti-social, agressiva ou desafiadora, por no mínimo seis meses.

Quanto mais intenso o comportamento agressivo na infância, maior a probabilidade de ocorrer comportamento delinqüente ou criminoso na fase adulta. A presença de sintomas de TC na infância é um mau sinal, pois prevê delinqüência na vida adulta. "Para os portadores de problemas graves de personalidade, como sociopatia e psicopatia, um período de internação de três anos não tem efeito sequer paliativo. Para a perversidade inata, não há tratamento médico, não existe reeducação possível em três anos, e talvez nem em 30", ensina o professor e doutor em Psiquiatria Arthur Kaufman, da Faculdade de Medicina da USP.

Na visão de Kaufman, o menor que disponha de consciência, entendimento, discernimento, intenção, compreensão, ao praticar crime qualificado com requintes de crueldade, deve ser julgado imputável e responder em um primeiro momento dentro do ECA, recebendo assim sanção socioeducativa e, a partir do momento que atingir a maioridade, deve responder criminalmente. (Com informações do Jornal do Senado).

 

IGREJA

Rússia é o próximo passo do Vaticano

Bento XVI pretende concretizar um sonho de João Paulo II

 

Depois da visita à Polônia, em maio passado e daquela prevista a Istambul, na Turquia, em novembro, o Papa Bento XVI sonha com a possibilidade de entrar na catedral ortodoxa de São Basílio, na Praça Vermelha, em Moscou, capital da Rússia. Para concretizar essa possibilidade, o Papa tem uma importante carta na manga – a proposta de uma declaração conjunta com o patriarca ortodoxo de Moscou Alexis II em defesa das raízes cristãs do continente europeu.

Um dos primeiros passos foi o encontro ecumênico, em Varsóvia, com o arcebispo Jeremiasz, guia de cerca de 500 mil cristãos ortodoxos que vivem na Polônia. As atenções de Bento XVI a Jeremiasz não passaram indiferentes aos ortodoxos. No final da oração comum numa igreja luterana, Jeremiasz quebrou o protocolo ao dar ao Papa seu terço pessoal, sinal de reconciliação.

Uma das frustrações de João Paulo II, antecessor de Bento XVI, foi não conseguir oficializar uma viagem a Moscou. Entre os maiores obstáculos estava a origem (polonesa) de João Paulo II e a questão do proselitismo. Os ortodoxos russos acusam a Igreja católica de ser muito ativa na Rússia. E os católicos russos se sentem marginalizados pela Igreja nacional ortodoxa e ressentidos com o regime comunista que não restitui bens confiscados da Igreja há décadas.

Marcha – Nos próximos meses são previstas três novas etapas na difícil marcha de aproximação de Roma com Moscou. De 2 a 4 de julho, um grupo de seis cardeais vai a Moscou, entre os quais Walter Kasper, o principal articulador do diálogo com os ortodoxos, e Paul Poupard, presidente do Pontifício Conselho da Cultura e do Diálogo Interreligioso. Na agenda, está o encontro com o patriarca Alexis II.

Um outro passo está previsto entre 18 e 25 de setembro, em Belgrado, por ocasião da reunião da Comissão para o diálogo teológico oficial entre católicos e Igrejas ortodoxas. A terceira etapa ocorre no dia 30 de novembro, quando Bento XVI terá um encontro com o patriarca ecumênico Bartolomeu I, em Istambul, durante sua visita à Turquia.

Há mais de dez séculos ortodoxos russos e católicos não se entendem. Entre as questões mais agudas para essa divisão estão a autoridade e o primado do Papa, o recíproco reconhecimento dos sacramentos e o problema do uniatismo (as Igrejas ortodoxas que se uniram a Roma).

 

Uma comunidade católica em crescimento

 

No dia 13 de abril de 1991, João Paulo II firmou um documento por meio do qual se restabelecia a estrutura da Igreja católica na Rússia, depois do esfacelamento da União Soviética. Desde então, muitas mudanças ocorreram. O arcebispo de Moscou, dom Tadeusz Kondrusiewicz, em entrevista à agência católica Zenit, salienta que, passados 15 anos, na Federação Russa já existe uma Conferência Episcopal.

Ela ainda é pequena. Tem apenas três bispos, quatro arquidioceses (Moscou, Saratov, Novosibirsk e Irkutsk), cerca de 225 paróquias, 270 sacerdotes e 250 religiosas, em ambos os casos estrangeiros, provenientes de 22 países. Das 225 paróquias, cerca de 25% não têm seu próprio templo. Quanto ao número de católicos há aproximadamente 600 mil na Rússia. Em 1999, segundo dom Tadeusz, foi ordenado o primeiro sacerdote russo, depois de 80 anos. Em São Petersburgo há um seminário com mais de 50 estudantes.

 

Bento XVI nomeia novo secretário de Estado do Vaticano

 

O cardeal Tarcísio Bertone, arcebispo de Gênova, Itália, foi nomeado pelo Papa Bento XVI secretário de Estado do Vaticano, em substituição ao cardeal Angelo Sodano, que havia apresentado seu pedido de renúncia por motivos de idade. A pedido de Bento XVI, Sodano permanece no cargo até 15 de setembro de 2006.

Dom Tarcísio Bertone, de 71 anos, é piemontês, como o cardeal Sodano. Nasceu em Romano Canavese, Turim. Pertence à congregação salesiana. Foi secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. É cardeal desde 2003. Angelo Sodano, 79 anos, é o decano do Colégio Cardinalício. É secretário de Estado desde 29 de junho de 1991. De 1977 a 1988 foi núncio apostólico do Chile, contribuindo de maneira decisiva na mediação pontifícia entre esse país e a Argentina para solucionar uma controvérsia territorial que por pouco não acabou em guerra entre os dois países.

A Santa Sé informou que no dia 15 de setembro também assume o novo presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano e presidente do Governo, o arcebispo Giovanni Lajolo, 71 anos, italiano de Novara. Ele substitui o cardeal norte-americano Edmund Szoka, de 78 anos, que também apresentou sua renúncia por motivo de idade.

 

Calúnias que derrubam

Padre Zezinho

Existe um tipo de imprensa que pouco se importa com a verdade

 

Tom Cruise, ator famoso que encanta as mulheres do mundo inteiro, foi caluniado por Chad Slater, também ator, mas de cinema pornográfico. Para ganhar notoriedade, o ator de filmes pornô espalhou que tivera uma relação homossexual com Tom Cruise. Este foi ao tribunal e provou sua inocência. A calúnia afetou seriamente o casamento de Tom Cruise, que acabou se separando. O juiz deu ganho de causa ao caluniado e condenou o caluniador a pagar 10 milhões de dólares ao queixoso.

O fato não vem isolado. Infelizmente, um certo tipo de mídia repercute e espalha tais notícias sem checar a sua veracidade. Alguém acaba crucificado e destruído porque um desequilibrado ou mal intencionado espalhou a mentira visando auferir dela alguma publicidade ou lucro. As leis existem, mas, quando são, demoram a ser aplicadas contra os jornais, as revistas ou as pessoas que as veicularam.

A maioria das religiões condena a calúnia de maneira veemente. O caluniador é visto como maldito. No oitavo mandamento, os cristãos herdaram do judaísmo a firmeza contra tal pecado (Dt 5,28): o falso testemunho. Em Dt 19,18 a decisão é duríssima: que os juízes façam contra o caluniador a mesma coisa que ele esperava que fosse feito contra o caluniado. Para condenar Jesus, falsas testemunhas disseram que ele garantira que iria destruir o templo (Mc 14,57).

Tom Cruise tem dinheiro e usou-o para provar sua inocência. Milhões não podem. Morrem sem poder provar sua honradez. Há um tipo de mídia que não está nem aí para o que lhes acontece...

 

Missões reanimam paróquias do PR

Capuchinhos pregam missões em comunidades do oeste paranaense

 

Com o lema "Em comunidade reavivamos a fé, o amor e a caridade", os missionários capuchinhos do Rio Grande do Sul pregaram missões na paróquia São Joaquim, de Verê (PR). Durante 20 dias, os missionários realizaram pregações nas 28 comunidades da paróquia, que tem à frente os padres Nori José Broch (pároco) e Milton Munaro (vigário paroquial).

A paróquia de Verê pertence à diocese de Palmas e Francisco Beltrão. Foi criada no dia 16 de abril de 1967 e no mesmo ano teve suas primeiras missões, pregadas pelos passionistas. Em 1971, a paróquia foi entregue aos padres xaverianos e no ano seguinte houve missões, pregadas pelos capuchinhos. Em 1984, Verê passou aos cuidados dos padres palotinos e em 1988 houve novamente missões, com os saletinos.

Verê, com suas terras férteis, é essencialmente agrícola. A região passou a ser povoada a partir de 1930 e hoje o município tem cerca de nove mil habitantes. As missões foram pregadas pelos capuchinhos de 27 de maio a 17 de junho. Na missa de encerramento, cerca de três mil pessoas, de todas as comunidades, se fizeram presentes, inclusive irmãos das igrejas luteranas. Destacou-se o colorido das bandeiras da paz, o verde-amarelo do Brasil, o clima de emoção, entusiasmo e alegria, especialmente no momento em que a imagem de Nossa Senhora de Fátima passou entre a multidão.

Até o dia 8 de julho, os missionários gaúchos estarão na paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja, de Saudade do Iguaçu (PR). "Nossas comunidades esperam das missões uma reanimação e fortalecimento da fé, um conhecimento e aprofundamento litúrgicos", salienta o pároco, Jef Caekelbergh, padre belga que atua na paróquia desde 1998.

 

Marista comemora 50 anos de vida religiosa

 

A comunidade marista de Canudos, Novo Hamburgo (RS), comemorou o jubileu de ouro de vida religiosa do irmão Eligius Kemper. Dois momentos marcaram a festa: a celebração eucarística na capela São Paulo, presidida pelo padre Sérgio Simon, e o almoço de confraternização. O provincial ir. Lauro Hochscheidt prestigiou o evento. Irmão Elígius atua em Canudos desde 1999. É natural de Arroio do Meio (RS), mas cresceu na cidade de Itapiranga (SC). O jubileu foi comemorado no dia 11 de junho.

 

Sementes e searas

Aldo Colombo

Quem um dia foi evangelizado deve evangelizar. É um tesouro que não pode ficar apenas para nós

 

Sentindo o inexorável passar dos anos, os cabelos cada vez mais brancos, um rei procurou saber qual dos seus três filhos tinha as melhores condições de sucedê-lo e fazer feliz seu povo. Convocou os filhos e informou que faria uma longa viagem e entregou a cada um deles certa quantidade de sementes de trigo. No regresso, gostaria de receber as sementes de volta.

Em seu retorno, cada um dos filhos apressou-se em devolver as sementes. O primeiro deles entregou ao pai as sementes, exatamente as mesmas sementes. Ele as trancara num cofre. Infelizmente estas sementes estão vencidas, não mais têm poder de germinar, observou o rei. O segundo filho também devolveu as sementes, com uma explicação: ele havia vendido as sementes, guardado o dinheiro e agora comprara sementes da mesma espécie. Não são as mesmas sementes, disse o rei. Por fim, chegou o terceiro filho. Ele nada trazia consigo. Chamando o pai, abriu a janela e mostrou uma grande seara, ondulada pelo vento, ostentando espigas amadurecendo. A explicação era desnecessária: ele plantara as sementes.

Cada um de nós, ao longo da vida, recebe sementes. Alguns escondem as sementes no cofre da omissão e tornam-se estéreis e inúteis. Outros trocam as sementes no mercado do comodismo e do mais fácil. Não são as mesmas sementes. Há, porém, aqueles que abrem as mãos e as sementes se transformam em searas. Esses são os verdadeiramente inteligentes e percebem a lógica do Reino.

Quem um dia foi evangelizado, deve evangelizar. É um tesouro que não pode ficar apenas para nós. Também não temos o direito de trocar as sementes originais por outras, mais ou menos parecidas. E o mercado religioso, hoje, oferece todo o tipo de sementes, colhidas no quintal. E com as sementes, um tipo de atitude: procure apenas o que é mais fácil, procure o que está na moda, evite tudo o que exige atitudes coerentes, evite andar na contramão que é a vida cristã.

Muitas vezes aparece uma tentativa de justificação: Deus é um só. Certamente Deus é um só, mas são muitas as imagens que nós fazemos de Deus. Assim como fomos criados à imagem e semelhança de Deus, acabamos criando um deus à nossa imagem e semelhança. O cristianismo acolhe o Deus da revelação, que enviou seu filho Jesus, que assumiu a natureza humana. E sua continuidade está na comunidade cristã, por Ele fundada e confiada a Pedro e seus sucessores, que têm a tarefa de confirmar os irmãos na fé.

O Reino não tem pressa e cresce sem barulho, à semelhança da semente. Contrariamente às sementes híbridas, a semente deixada por Jesus tem alto poder germinativo, dois mil anos depois. "As portas do inferno jamais prevalecerão contra ela" (Mt 16, 18). É um Reino eternamente em construção. E um pouco deste Reino depende de nós. É o milagre do dia-a-dia, que transforma a semente em seara.

 

Seminário paulino celebra 50 anos

Educandário, localizado em Caxias do Sul, atende diversas congregações

 

No dia 26 de agosto de 2006, a Pia Sociedade de São Paulo (Paulinos), fundada na Itália por Tiago Alberione em 1914, comemora 75 anos de chegada ao Brasil. Em Caxias do Sul, os Paulinos estão presentes desde 1949. Ao chegar à diocese, estabeleceram um seminário em São Pedro da Terceira Légua, mas no dia 30 de junho de 1956, a congregação instalava seu seminário menor no bairro São Ciro, em Caxias do Sul, cedendo as dependências da Terceira Légua aos frades menores conventuais.

Dedicado inicialmente à formação de vocacionados próprios, no final da década de 1980 o seminário tornou-se escola intercongregacional, abrindo as portas para estudantes do seminário diocesano, dos cônegos lateranenses, dos josefinos e também a jovens vocacionadas de algumas congregações femininas. Atualmente, a Escola de Ensino Médio Paulus conta com 75 alunos, 19 dos quais paulinos.

Desde a chegada a São Ciro, os paulinos direcionaram suas atividades segundo o próprio carisma – evangelizar com os meios de comunicação. Por isso, dispõem de uma pequena gráfica e, no centro, a Livraria Paulus, explica padre José Carlos Frutuoso, superior da casa. Atualmente, cinco paulinos residem em São Ciro (dois padres, dois irmãos e um diácono), entre os quais frei Pascoal Dal Bosco, um dos pioneiros. Desde que foi criada, em 1974, a paróquia São Ciro está sob os cuidados dos paulinos. O jubileu do seminário foi comemorado no dia 25 de junho, com uma missa de ação de graças e confraternização.

 

Escola de formação tem mais uma etapa

 

Com o tema "Trabalho, renda e desenvolvimento sustentável", será realizada dias 15 e 16 de julho, no Centro Diocesano de Formação Pastoral de Caxias do Sul, a 5ª etapa da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho. Encontro terá como assessores os professores Vera Regina Schmitz, da Unisinos, e Sandro Rogério dos Santos, da Universidade de Caxias do Sul.

Catequese – E no dia 29 de julho, também no Centro de Formação Pastoral, ocorre a 5ª etapa da Escola Bíblico-catequética da diocese de Caxias do Sul. José Edmilson Schinelo assessora o encontro que trata do tema "Atos dos Apóstolos, comunidades cristãs e sua organização".

 

Ir. Justina Zancanaro morre aos 93 anos

 

Religiosa da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, irmã Justina Maria Zancanaro morreu no dia 29 de maio passado, em Bom Retiro do Sul (RS). Contava com 93 anos. Natural de Marau (RS), emitiu os primeiros votos religiosos em 1951 e professou definitivamente em 1954.

Irmã Justina atuou em várias Betânias (casas) da congregação nos Estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul onde, com outras duas irmãs da congregação, fundou a Betânia missionária na cidade de Costa Rica e lá atuou quatro anos na pastoral paroquial. Foi colaboradora também na formação inicial, como responsável por crianças, jovens e estudantes pensionistas nas cidades gaúchas de Porto Alegre, Soledade e Osório.

Distinguiu-se, entre as irmãs, por sua vida de oração em favor da vida religiosa e do povo de Deus; por seu testemunho de simplicidade franciscana-aparecida, pela generosidade e alegre fidelidade à consagração religiosa e pela constante animação da vida consagrada.

 

Eu me levo

Wilson João

Nosso caminho está voltado para dentro. Somente nós temos a chave da porta que oferece a solução de nossos problemas

 

O caminho mais perto de mim mesmo está em mim, e ao mesmo tempo, o caminho mais distante, difícil e desconhecido está em mim. Nosso comodismo e preguiça nos levam a buscar soluções e respostas fora de nós: nas pessoas, nos astros e nos números, nos demônios e nos anjos, nos espíritos e entidades superiores, em deuses de todos os tipos. Esquecemos que o caminho único está para dentro de nós. Somente nós temos a chave da porta que oferece a solução de nossos problemas.

PARA ONDE VOU LEVO MEU MUNDO. Levo minhas qualidades e defeitos, meus sonhos e frustrações, meus medos e realizações. Não há como deixar-me em casa. Não há como ser dois. Vou inteiro para qualquer lugar. Como seria desejável levar comigo somente aquilo que me interessa! Ir para o trabalho sem a briga que fiz com meu vizinho. Mas não é possível. Vou com toda a bagagem. Estou indo e vindo com toda a mudança. Comigo vão a leveza de meus sonhos e o peso dos meus problemas.

SOU CARREGADOR DO MEU INFERNO. É inútil tentar mudar de lugar, de residência, de cidade e até de país, para tentar libertar-me dos problemas. É inútil tentar libertar-me de pessoas que atrapalham a vida, que são um problema para o dia-a-dia. Há tentativas que podem ser solução, mas no comum das situações, estamos arranjando uma fuga de nós mesmos. É a tentativa de fugir dos nossos problemas, mas como escravos de nossas criações, tudo levamos na bagagem de nossa viagem.

SOU CARREGADOR DE MEU CÉU. Sou criador do meu céu, quer dizer, do ambiente e do clima de vida sadia e harmoniosa que levo dentro de mim. Levo comigo meu sorriso e minha gargalhada. Levo comigo meu otimismo e minha solidariedade, minhas palavras de ânimo e de paz. Levo comigo meus sonhos e realizações, meu canto e minha esperança. Mesmo que o destino me jogue num lugar que chamam inferno, num lugar de desarmonia e derrota, ninguém poderá impedir que eu entoe meu canto de liberdade e de amor pela vida. Podemos ser pintassilgos que cantam e voam livremente por cima de banhados apodrecendo e de animais afundados no barro do pessimismo, da intriga e do ódio.

SOU O ÚNICO RESPONSÁVEL POR MIM. Nem Deus responde por mim. Deixou-me livre para escolher: ou vida ou morte. Nem pessoas respondem por mim. Podem me ajudar, mas a decisão é minha. A viagem é pessoal, como a morte é muito pessoal. Sou eu que escolho a maneira de viver e de morrer. Tudo levo comigo. Tudo depende do que vou carregando na bagagem do dia-a-dia, peso ou leveza. Peso de problemas arranjados ou leveza de sonhos conquistados. E olhando para frente, no horizonte do tempo, o final da viagem já se encontra aqui.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em mim

Ana Maria Feraboli

Professora, Farroupilha-RS

 

Filha de Antonio Feraboli e Constantina Barp, Ana Maria declara:

 

"Meu grande sonho sempre foi resgatar a história da minha família, o que estou fazendo junto a Clacir José Feraboli. Meu bisavô, Giuseppe Feraboli, nasceu a 13/1/1852, em Bonemerse-CR, filho de João Feraboli e Izabel Migliori. Com a esposa Maria e os filhos Izabel, Estela e Giovanni (meu avô), mais muita fé e coragem, transpôs o mar e se estabeleceu na Linha Fernandes Lima, em Monte Belo do Sul, seguindo depois para Anta Gorda e Relvado, onde comprou terras para os filhos. Faleceu em Ilópolis a 13 de abril de 1919. Aposentada, faço o sublime serviço de cuidar da minha mãe.

Nasci na Linha Borges de Medeiros-Carijo Grande (Anta Gorda). Lugar alto e bonito, com muito vento. Porque a mãe tinha medo do vento, meu pai comprou terras em Itapuca (Anta Gorda), onde não tinha vento, mas tinha morros, e longe de tudo. "Ghè monti e sassi, ma no ghè vento", dizia a mama.

Eu e minha irmã Severina fazíamos 4 km a pé, às vezes a cavalo, para ir à escola, onde aprendi o português, pois em casa se falava o Talian de minha mãe, não o difícil cremonês do meu pai. Em vez de si, ele dizia sè e em vez de così, dizia cossè, mas lia bem o Nanetto Pipetta, o Togno Brusafrati, a Stòria Sacra e sabia fazer contas. Por não falar português, durante a II Guerra ficava em casa, com medo de ser preso. Ele contava que o avô materno Benvenuto Barp e seu filho Albino foram presos duas horas no porão de uma casa, por falarem Talian.

A repressão foi tal que só vim saber que o nome de meu avô era Giovanni, e não João, ao requerer a certidão de casamento. Ao ouvir a canção – Che vuoto che c’è – parece-me ouvir a voz do meu pai. Cursei o ginásio em Encantado, com as Irmãs do Imaculado Coração de Maria. A estação rodoviária mais próxima de Itapuca estava em Ilópolis, longe 17 quilômetros. Quando não conseguia carona, ou lugar em um dos dois carros da Vila, recorria ao cavalo. Invejava a colega Ana Maria dos Santos, que dizia que o sobrenome dela era bonito, e que o meu não significava nada. Sem sucesso, procurei em dicionários o significado do meu sobrenome. Mais tarde, num encontro com Dom Benedito Zorzi, ele me perguntou de que família eu era. Pedi-lhe, então, se sabia o significado do meu sobrenome, e ele me respondeu: boli significa selo, e ferra significa colar. Talvez algum antepassado fora agente de correio.

Ao cursar história na Universidade de Caxias, uma professora disse que a Itália despachou para a América os indesejados, abrindo as portas das prisões. Com medo que meu bisavô fosse um deles, não quis saber mais nada a seu respeito. Mas, após a morte do meu pai, em 1997, decidi resgatar a história da família. Em As colônias italianas Conde d’Eu e Dona Isabel, de Frei Rovílio, encontrei os dados básicos familiares, no verbete Teraboli, em vez de Feraboli. Em 9 de maio de 2004, no I encontro da Família Feraboli, conheci Clacir José Feraboli, que tinha o mesmo sonho meu. A partir de então, iniciamos a busca de documentos e informações, e estamos resgatando não só a história, mas também os valores da Família Feraboli. Sinto-me feliz por ter estudado e trabalhado em Caxias do Sul, o referencial maior da imigração italiana. Saúdo e abraço aos meus ex-alunos, ex-colegas e amigos de Caxias. Aguardo informações, pelo e-mail – anaferr2004@yahoo.com.br; fone (54) 2591399 ."

Cuidar da mãe é o sublime serviço de Ana Maria, e a prova de que incorporou os sublimes valores cristãos de sua família. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (366)

Nanetto torna a Venèssia, la so tera de orìgine

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba-PR

 

(Retomada do texto de Rafael Baldissera, interrompido na edição de 21 de dezembro de 2005, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).

 

Quando semo rivai a Venèssia, ghemo visto Nanetto sugar le làcrime. La Lisete Fàvaro la ghe ga domandà el motivo, e lu el ga risposto:

– No te savea che mi son originàrio de Venèssia? Che mi, quando pìcolo, son scampà via de casa, par ndar in Mèrica e go ciapà un bastimento in Génova, tuto de scondion? Me son sconto tel compartimento dee casse, valìdie, bagali, ma dopo i marinari i me ga catà e i me ga strassinà ala presensa del Capitan. E come mi no gavea el bilieto e gnanca el passaporto, el volea trarme tel mar, ma dopo el me ga metesto in prision fin la fin del viaio. E quando el bastimento l’è rivà tel Porto de Rio Grande, mi go spacà la claraboia e son saltà tel mar. Son ndà fora noando e son scampà via tel mato, coi marinari adrio, ma no i me ga ciapà.

I compagni de viaio no i savea gnente de sta stòria. La Cèlia Guerzé la ghe ga domandà: – Nanetto, parché te sì vegnesto via, lassando na cità cossì bela?

– Mi volea far la Mèrica, catar la cucagna.

– Venèssia, contìnua Edilson, la se ga originà nte un archipèlago de 116 ìsole. La ze distante 4 chilòmetri dea tera ferma. Se riva par na ponte de 4 chilòmetri. Nel tempo dele invasion bàrbare, i fugitivi, vegnesti de Spina, Àdria, Altino e Pàdova, i se gavea sconto te le ìsole. I ga costruio le so case sora palafite, che dopo le se ga petrificà. El legno de serno el vegnea de Belluno, do pal Rio Piave. La se ga formà, cossì, na cità che no ghe ze compagna in tuto el mondo. La gran parte dei canai i ze stà stropai. El pi grando el se ciama Canal Grando, che l’è navegàbile, el ga 3.800 metri. L’è stà dragà par fassilitar l’ingresso dei grandi bastimenti. Ma, con questo, el ga iutà l’assesso dee marè, che, dele volte, le invade la cità. Venèssia la ga 350 ponte, che, antigamente, le gera de legno. Le strade pi strete le se ciama calle. Antigamente, la cità la gera governada par un Doge. El sentro de Venèssia el ze qualche cosa de fassinante, soratuto la Basìlica de San Marco, la Piassa del stesso nome, el Palasso Ducal e altri palassi.

Par ndar dal continente a la ìsola, se va de vaporeto, pìcolo bastimento, un poco pi grando che un ónibus. In cità se va a pié o de góndola. No ghe ze auti. Ben, stimana che vien visitaremo la Basìlica de San Marco e altri posti.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La sorela del diaol

Moacir Sylvio Dal Castel

Contador, Monte Belo do Sul-RS

Na volta ghe zera na dona mesa stufa de veder che tute le note el so omo el rivea casa ciuco.

Un giorno la ga pensà cossì:

– Bisogna che fao qualche cosa par farlo fermarse de bever!

Lu el rivea casa sempre un poco vanti s-ciarir el dì, ciuco fa un can. De note la ze ndada dormir, e la ga pensà:

– Sta note ghe dao un spauron che mai!

I gai i zera belche drio cantar e lu l’era drio rivar casa ciuco.

La so dona, svelta, la ze levada su del leto, la se ga messo un nissiol su la testa, la ze ndada sora la tàola e, quando el ga verto la porta, la ga scomissià far bruti sesti come un fantasma.

El ciuco, meso sconfià, el ze ndà rente la tàola, el ghe ga dito:

– Porco cane, chi sito ti?

E ela la ghe risponde:

– Mi son el diaoleto, vegno torte sta sera.

Ela la fea un bruto bordel. El ciuco riva più rente la tàola, e el ghe dise:

– Vero che te sì el diaol?

– Si che ze vero!

E lora el ciuco ghe risponde:

– Férmete, parla bassotin, sinò te desmìssii la to sorela. Doman mi parlo con ti, perché ze squasi drio s-ciarir al dì, e vao dormir vanti che la to sorela la se desmìssia.

 

Due scheletri

 

Due scheletri decidono di fare un giro in moto:

– Aspettami che prendo il cappotto!

– Ma che cosa ci fai con il cappotto?

Non puoi sentire freddo sei morto!!!

– Hai ragione... allora prendo il casco!

– Ma allora sei scemo! Sei già morto, anche se cadi non puoi farti male!

Allora il primo scheletro corre nella tomba e, poco dopo, esce con la lapide sotto braccio.

– Ma cosa diavolo ci fai con la lapide?

– Il cappotto non me lo hai fatto prendere, il casco nemmeno, almeno fammi portare i documenti... (Texto enviado por Sérgio Rigo, Veranópolis-RS)

 

La orassion del beco

 

inviada da Claudio Ganassin

Venezia, Itália

Signor, fa che no sia beco;

E se lo fusse, fa che no vegna a saverlo;

E se vegnisse a saverlo, fa che no ghe bada;

E se dovesse badarghe, fa che no me inrabia;

E se dovesse inrabiarme, fa che no fassa matessi;

E se proprio dovesse far un matesso,

Fa che ciapasse la bala.

 

GERAL

Sociedade define futuro das águas na Bacia do Rio Caí

Plano será concluído no começo de 2008 e vai consumir R$ 913 mil

 

O futuro das águas da Bacia Hidrográfica do Rio Caí será decidido pela população. O projeto foi lançado oficialmente em São Sebastião do Caí, na quarta 21. "Cada habitante ou representante das diferentes entidades terá a oportunidade de dizer quais os usos que deseja fazer das águas", diz o presidente do Comitê de Gerenciamento, Sebastião Teixeira Corrêa. Serão investidos R$ 913 mil, provenientes do Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

O plano da bacia será realizado em duas etapas. A primeira trata do diagnóstico e prognóstico dos recursos hídricos. A segunda envolve a identificação de cenários para a gestão da água do rio Caí e o enquadramento das águas superficiais. A empresa Profill Engenharia e Ambiente foi contratada para execução técnica dos serviços.

Hoje, a água da bacia destina-se ao abastecimento público, irrigação, diluição de esgotos, geração de energia, navegação, pesca, aqüicultura etc. "Quando o plano estiver concluído, em janeiro de 2008, fornecerá diretrizes para licenciamentos ambientais, outorga e cobrança pelo uso da água", explica Corrêa ao CR.

Localizada no Nordeste gaúcho, a Bacia do Rio Caí ocupa uma área de aproximadamente 5.000 km², atingindo 41 municípios. Abrange parte da Serra e da região metropolitana de Porto Alegre. Faz divisa com as bacias do Rio Taquari-Antas, do Baixo Rio Jacuí e do Rio dos Sinos. Estima-se que mais de 750 mil habitantes vivem na bacia.