LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

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Edição 4.995 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 5 de julho de 2006.

EDITORIAL

Semelhanças e lições que o futebol fornece

Os recordes individuais da seleção lembram os interesses particulares de políticos

 

Foi na derrota para a França, e a conseqüente eliminação da Copa da Alemanha, que a seleção brasileira de futebol mais se pareceu com o país que representa. E não se trata de comparações entre uma nação em desenvolvimento e a grande potência européia. A relação está na atitude, no desempenho e no resultado.

A seleção tem talentos admirados em todo o planeta, alguns deles considerados os melhores. Mas mostrou desentrosamento, apatia e, em determinados momentos do jogo decisivo, um desleixo revoltante. O Brasil possui um território continental e riquezas invejadas inclusive por muitos países ricos; um povo de boa índole e igual capacidade de trabalho. Porém, a ineficácia em administrá-lo empurra-o para o fosso da permanente crise econômica, política e social.

O time que pisou na Alemanha como maior favorito à conquista da Copa foi vitorioso na quebra de recordes individuais, mas fracassou na produção conjunta e, por decorrência, na tentativa de alcançar a meta de ser hexacampeão. O país, principalmente na política, convive há séculos com a predominância de interesses particulares de obter privilégios, origem de freqüentes escândalos que contribuem para afastar as decisões e ações do rumo do bem comum.

O comportamento de jogadores em campo mostrou-se indiferente aos anseios de uma torcida formada por 180 milhões de pessoas, permitindo a triste conclusão de conduta egocêntrica, possivelmente derivada da confortável situação financeira da maioria – alicerçada em robustas fortunas. O mesmo ocorre com governantes e parlamentares que administram e legislam com o foco voltado às vantagens de grupos e ignoram o clamor de multidões por justiça e igualdade social.

O desfile de semelhanças é longo. Mas há, é claro, também diferenças. Uma delas é que o torcedor brasileiro tem a vocação para superar a frustração no futebol, realimentar o sonho e transportá-lo para 2010, na África do Sul. Já para o eleitor brasileiro está cada vez mais difícil olhar o futuro com otimismo. Outra é que o torcedor não pode influir diretamente na escolha do treinador e dos atletas convocados. O eleitor tem em seu voto o poder de pelo menos dar uma direção a seu destino.

 

CAXIAS DO SUL

CIC comemora 105 anos de atuação

Entidade caxiense tem a força de mais de 27 mil empresas

 

A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) completa, no sábado 8, 105 anos de atividades. Surgida pela iniciativa de lideranças como Associação dos Comerciantes de Caxias e com o objetivo de buscar "a união em torno dos ideais comuns", a entidade acompanhou e ajudou a promover o desenvolvimento empresarial do município. Hoje, congrega 19 sindicatos patronais, que representam mais de 27 mil empresas, as quais empregam formalmente em torno de 127 mil trabalhadores e são responsáveis por 85% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, estimado para 2006 em 7 bilhões de dólares.

Em mais de um século de atuação, a CIC participou ativamente de várias mobilizações voltadas para o atendimento a necessidades da comunidade caxiense e regional. Uma das destacadas conquistas foi a construção da BR-116, inaugurada em 1941. Mais de 60 anos após, a entidade luta para a conclusão da Rota do Sol.

O envolvimento comunitário caminha paralelamente à defesa de interesses específicos dos associados. A CIC se mantém como fórum onde a classe empresarial se manifesta e divide impressões sobre o momento político, econômico e social. E se oferece como palco para que especialistas nas mais diversas áreas traduzam a realidade e sinalizem tendências.

"Nossa preocupação é cada vez mais marcar posição na luta por interesses da classe empresarial e da comunidade como um todo", afirma o presidente da CIC, João Francisco Müller. "Buscamos ampliar a oferta de cursos e assessoria para que o associado tire proveito da entidade, se qualificando e evoluindo para superar dificuldades e levar a nossos produtos a mercados cada vez mais distantes", acrescenta.

 

Palestras de Dilma e Rigotto em julho

 

No decorrer de julho, três reuniões-almoço com palestrantes de peso no cenário político e econômico vão marcar os 105 anos da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul. No dia 10, a CIC recebe a ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff. Na segunda-feira seguinte, 17, que será o Dia da Qualidade, estará na entidade o presidente da Federação das Indústrias do RS, Paulo Tigre. O palestrante confirmado para o dia 24 é o governador gaúcho Germano Rigotto.

 

Desfile faz viagem ao coração imigrante

 

Alegria, simplicidade, música e gastronomia típica italiana marcaram o primeiro final de semana da Festa do Vinho Novo, realizada em Forqueta, Caxias do Sul, de 1º a 16 de julho, de sextas a domingos. E o público correspondeu ao convite da festa, de fazer "uma viagem ao coração imigrante". Conforme Miguel Riboldi, presidente do evento, mais de 18 mil pessoas assistiram ao desfile temático, no domingo, e passaram pelos pavilhões de exposições.

O evento foi aberto na sexta-feira 30, pelo prefeito José Ivo Sartori (governador Germano Rigotto não pode participar). A Festa do Vinho Novo, em sua 4ª. edição, conta com a participação das 14 comunidades que compõem a paróquia. São elas as responsáveis em levar para o desfile a história, as tradições e a cultura coloniais – estão previstos mais dois, dias 8 e 15, às 14h45. O ingresso para as exposições custa R$ 3,00.

 

Concurso de vinhos homenageia enólogo

 

O Concurso Melhores Vinhos Safra 2006, lançado na semana passada pela Prefeitura de Caxias do Sul, traz como novidade o "Enólogo Destaque" – homenagem ao profissional responsável pelo vinho que obtiver a melhor nota.

Segundo o secretário da Agricultura, Nestor Pistorello, a 9ª edição do concurso quer salientar a qualidade do vinho, mas também a importância e a influência desse produto no meio rural. Neste ano, 65 vinícolas participam em cinco categorias: vinho tinto de mesa, branco de mesa, rosado de mesa, branco vinífera e tinto vinífera. Entre 17 e 21 deste mês ocorre a análise sensorial. O resultado, com a premiação de 30% das amostras inscritas, será conhecido dia 9 de agosto, em evento no Parque de Exposições da Festa da Uva.

 

REPORTAGEM

França de Zidane adia o sonho do hexa

Brasil é eliminado da Copa sem mostrar a propagada magia. Faltou aliar vontade ao talento

 

De um lado, a seleção brasileira apática, burocrática, lenta e confusa; de outro, os franceses bem dispostos em campo, cobrindo espaços vazios, com deslocamentos rápidos e avançando perigosamente contra o gol adversário. O resultado: o Brasil está fora da Copa da Alemanha e adia o sonho do hexa pelo menos até 2010, na África do Sul.

O jogo decisivo, que para alguns ganhou o contorno de revanche da derrota sofrida na final da Copa de 1998, foi o pior do time de Carlos Alberto Parreira. E as quatro partidas anteriores não tinham mostrado nem o brilho e nem a magia que se esperava de uma seleção com talentos individuais inigualáveis. Só que, como falou o tricampeão mundial Gerson, "para ser campeão do mundo não basta ter talento. É preciso ter vontade".

Desde que pisou na Alemanha, a seleção brasileira foi apontada como favorita ao título. Nunca correspondeu a essa expectativa e nem convenceu de que poderia chegar lá. Os discursos, no entanto, fortaleciam a velha máxima de que na hora H tudo seria resolvido pela genialidade de nossos craques. Só que os gênios não apareceram. Pelo contrário. Ronaldinho Gaúcho, duas vezes eleito o melhor jogador do mundo, foi a maior decepção desta Copa. Os laterais Cafu e Roberto Carlos revelaram-se inferiores aos reservas. Kaká sumiu, Ronaldo esteve preso ao seu peso e Robinho, bem, esse ficou a maior parte do tempo no banco de reservas.

De forma surpreendente, os melhores desempenhos foram de Dida, dos zagueiros Lúcio e Juan e do meio-campo Zé Roberto. O ataque "fantástico" não funcionou. O quadrado mágico também não. Curiosamente, o jogador que mais (51 vezes) e melhor passou a bola na partida contra a França foi o zagueiro Juan, prova de uma das deficiências que mais irritaram os torcedores: a falta de opções para a saída de bola. Outra prova da inoperância dos atacantes de Parreira: em 92 minutos de jogo, o Brasil chutou apenas duas vezes na direção do gol. O que aconteceu? Houve arrogância de alguns, que contaminou a outros. Deitados sobre a imagem de pentacampeão, de líder do ranking da Fifa, de Campeão da América... O Brasil esqueceu de que numa Copa do Mundo é preciso organização, dedicação, sacrifício, com liderança dentro e fora do campo, para chegar à final.

A França fez caminho inverso. Eliminada na primeira fase em 2002, assimilou a lição. E sob a maestria de Zidane, que havia sido o carrasco brasileiro em 1998, venceu por 1 x 0, placar que deveria ser mais elástico para refletir justiça. Foi de Zidane o cruzamento, de bola parada, para o gol de Tierry Henry, que chutou livre – Roberto Carlos, que deveria marcá-lo, ajeitava a meia. O pior de tudo é que o Brasil não apenas perdeu. Parreira respondia aos seus críticos de que "show é ganhar". Foi derrotado sem dar show, sem jogar.

Classificação – Embora tenha sido a maior frustração desta Copa, a seleção brasileira termina na quinta posição. Ficou à frente da Argentina – eliminada pela Alemanha, nos pênaltis, após um 1 x 1 no tempo regulamentar e prorrogação –, da Inglaterra – derrotada por Portugal, também nos pênaltis – e da Ucrânia – eliminada pela Itália, por 3 x 0. Esse desempenho aumenta para oito as edições em que o Brasil, único a participar das 18 Copas, ficou fora das quatro primeira posições (1930, 1934, 1954, 1966, 1982, 1986, 1990 e 2006). A pior seleção da Copa é Sérvia e Montenegro. A melhor será conhecida no domingo 9.

 

VITÓRIAS PESSOAIS

 

Ronaldo, apesar de fora de forma, deixou a Alemanha como o maior goleador de todas as Copas. Atingiu 15 gols, superando o alemão Gerard Müller, que tinha 14. Cafu é o jogador brasileiro com mais vitórias em Copas (16) e mais jogos pelo Brasil (19). Lúcio é o zagueiro com mais tempo sem cometer faltas; a seleção brasileira tem o maior número de vitórias seguidas em Copas (11). No plano individual, o Brasil foi bem, o que reforça a idéia de que muitos jogadores foram à Alemanha pensando só na sua carreira – e patrocinadores. Já no coletivo...

 

DECISÃO EUROPÉIA

 

Pela primeira vez desde 1982, os quatro finalistas da Copa são todos da Europa. Alemanha e Itália disputam uma vaga (na terça 4) e Portugal e França a outra (quarta 5). Portugal repete feito de 1966, desta vez sob o comando de Luiz Felipe Scolari, técnico do penta, o único brasileiro apontado como vencedor nesta Copa.

 

PORTA DOS FUNDOS

 

Jogadores e comissão técnica da seleção brasileira deixaram a Alemanha sob o protesto de torcedores, que gritavam "vergonha", "vendidos", "mercenários". Não foi diferente ao chegarem ao Brasil. No Rio de Janeiro, Parreira fugiu das vaias e das explicações saindo do aeroporto, junto com Zagallo, por uma porta alternativa.

 

ENTERRO DIGNO

 

Na Alemanha, antes de embarcar, Parreira pediu que a eliminação do Brasil fosse digerida com naturalidade. "Vamos enterrar o defunto com dignidade e retornar das cinzas mais fortes do que nunca", afirmou. "Não é hora de caça às bruxas. Não dá para acusar os atletas, a comissão técnica". Em outras palavras, para ele não há culpados.

 

A RENOVAÇÃO

 

A maioria dos jogadores que fracassaram na Alemanha está fora da Copa de 2010. Um processo natural de renovação excluirá Ronaldo (terá 33 anos), Roberto Carlos (terá 37), Cafu (terá 40), Dida (terá 35), Juninho (terá 35), Gilberto Silba (terá 33), Émerson (terá 34). A base deverá ter Ronaldinho (terá 30), Kaká (terá 28), Fred (terá 26), Cicinho (terá 30) e Robinho (terá 26).

 

COPA DOS 0 X 0

 

Faltando quatro jogos para encerrar, a Copa da Alemanha já passa para a história como a que teve mais jogos sem gols – igualando-se à de 1982, na Espanha. Sete jogos terminaram em 0 X 0 em estádios alemães até as quartas-de-final.

 

AGRONEGÓCIO

Suinocultura busca mercado interno

Aumentar o consumo no país é saída para tirar a suinocultura da crise

 

Está sobrando carne suína. O excesso de oferta tira a rentabilidade do produtor. Por isso, o setor está se voltando para o mercado interno. Balanço da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Suína mostra que a receita obtida com a exportação registrou queda de 25,24% nos primeiros cinco meses de 2006 em comparação com o mesmo período do ano passado.

De janeiro a maio, a receita acumulada foi de US$ 332 milhões frente aos US$ 444 milhões em 2005. O volume embarcado de carne suína teve uma retração similar. Foram exportadas 174.698 toneladas nos primeiros cinco meses deste ano, contra 234.410 toneladas no ano passado. O Brasil exportou 800 mil toneladas de diversos tipos de carne em 2005 para a Rússia.

O embargo da Rússia às carnes brasileiras permanece como o principal motivo para a queda no desempenho comercial do setor. No mês de maio, houve ligeira recuperação por conta do fim do veto da exportação à carne suína gaúcha. Os resultados, no entanto, ainda permanecem abaixo da capacidade da produção. "O Estado vende 60% da carne suína aos russos", diz o presidente da Associação dos Criadores de Suínos do RS (Acsurs), Valdecir Folador.

Já a suinocultura catarinense vai entrar em colapso se não recuperar o mercado russo. "As indústrias serão forçadas a paralisar os abates e demitir trabalhadores. Os criadores terão que reter a produção e a inadimplência vai explodir em todas as áreas da economia", prevê o coordenador da Frente Nacional em Defesa da Suinocultura, deputado catarinense Odacir Zonta.

Dependência – Na opinião do presidente da Acsurs, o problema da dependência do mercado russo pode ser resolvido com o aumento do consumo no mercado interno, hoje em 12/kg per capita/ano. "Precisamos planejar para ampliar o consumo interno, pois o aumento da produção está atrelado à exportação", declara Folador ao CR. Parcerias entre agroindústrias e criadores para fomentar a compra de carne suína são alinhavadas pelo setor.

O Brasil precisa também corrigir as distorções de preço. Os produtores reclamam do desequilíbrio da cadeia produtiva no mercado interno. Enquanto o produtor vende o animal vivo a R$ 1,50 o quilo, o consumidor paga R$ 10 pela carne processada. "Oferecer carne in natura, com diferentes opções de corte, é alternativa que pode elevar o consumo", aposta.

O ingresso de suínos vivos vindos de Santa Catarina (leia abaixo), achata o preço do suíno vivo no RS. O criador gaúcho recebe, em média, R$ 1,55 por quilo, para um custo calculado em R$ 1,60/kg/suíno/vivo. "No geral, o produtor está perdendo ou empatando", conclui Folador. Os preços estão abaixo do custo de produção também em SC e no PR.

 

Carne enfrenta embargo em 58 países

 

Oito meses após a confirmação do primeiro foco de febre aftosa no rebanho de Mato Grosso do Sul, o Ministério da Agricultura ainda negocia a reabertura de importantes mercados para a carne, material genético, máquinas e animais vivos exportados pelo Brasil. No total, 58 países mantêm algum tipo de restrição comercial para os produtos nacionais por causa do problema sanitário.

Os primeiros casos da doença foram descobertos em MS, mas os focos alastraram-se para o Paraná. No total, foram registrados 41 casos da doença. Segundo a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, o número de países que estabeleceram algum tipo de barreira subiu este ano. No fim do ano passado, 57 compradores recusavam-se a comprar esses itens do Brasil.

 

Criadores pedem fiscalização nas fronteiras 24 horas

 

Só há um meio de evitar que suínos catarinenses entrem no Rio Grande do Sul de forma irregular: garantindo que os postos de fiscalização na fronteira entre os dois Estados funcionem durante 24 horas. Os criadores gaúchos pediram providências urgentes ao secretário estadual de Agricultura, Quintiliano Vieira.

Segundo a Associação dos Criadores de Suínos do RS (Acsurs), estão sendo registrados casos de denúncias de notas frias ou alteradas e de guias irregulares para o transporte dos suínos. Além de problemas sanitários, os suínos vindos de fora estão inchando o mercado gaúcho e derrubando o preço ao produtor.

O pedido foi encaminhado pelo presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa, deputado Elvino Bohn Gass, acompanhado de deputados e do presidente da Acsurs, Valdecir Folador. Quintiliano Vieira informou que faltam funcionários e dinheiro."Nomeamos 130 veterinários e 370 técnicos agrícolas, mas isto ainda é insuficiente", explicou o secretário.

 

Agroecologia será ensinada na escola

 

Incluir a agroecologia no sistema de ensino e desenvolver ações para produção agrícola sem o uso de agrotóxicos são os objetivos do acordo assinado entre os ministérios da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Social, Educação e Meio Ambiente para promover no país o cultivo limpo.

Para o ministro da educação, Fernando Haddad, essa é a oportunidade de potencializar o ensino voltado para a produção orgânica. "Se usarmos a educação para que as famílias do campo conheçam essa forma de agricultura e possam desenvolver projetos aliando viabilidade econômica com produção de alimentos sem agrotóxicos, vamos oferecer uma alternativa que nem sempre está disponível por falta de conhecimento mais apurado em torno da questão", avalia Haddad.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o mercado de produtos orgânicos tem potencial de crescimento muito grande. "Na medida em que você tem mais assistência técnica e tecnologia apropriada, os produtores vão cada vez mais melhorando suas práticas agrícolas", diz a ministra.

 

Congresso vai discutir cultivos sem venenos

 

Vai até o dia 14 de agosto o prazo de inscrições de trabalhos em formação agroecológica, para serem apresentados durante os seminários Estadual e Internacional sobre Agroecologia, que serão realizados de 21 a 23 de novembro próximo, em Porto Alegre.

A seleção de experiências na área de formação agroecológica, nas categorias educação formal e não formal, é a novidade do congresso deste ano.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do site da Emater-Ascar/RS www.emater.tche.br, clicando no box "eventos" ou no menu "área técnica/agroecologia/seminários e congressos".

 

Novo ministro, mas a mesma agenda

Guedes Pinto assume Agricultura e segue as diretrizes de Rodrigues

 

O engenheiro agrônomo Luiz Carlos Guedes Pinto é o novo ministro da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa). Ele substitui a Roberto Rodrigues, que pediu demissão após pressão dos ruralistas. Rodrigues entregou o cargo ao presidente Lula, na quarta 28, pela quinta vez desde que assumiu o comando do Mapa. A posse do novo ministro foi na segunda-feira 3.

Desgastado depois de administrar uma forte crise na agricultura, que se intensificou principalmente nos dois últimos anos, sem apoio da área econômica do governo, Rodrigues garantiu que sua decisão não foi motivada por razões políticas e negou que estivesse saindo do governo por problemas pessoais. "Considero minha missão cumprida no Ministério da Agricultura", disse.

A indicação de Guedes Pinto, que ocupava a Secretaria Executiva do Ministério desde dezembro de 2004, por indicação do próprio Rodrigues, agradou o setor. "O governo acertou no nome para comandar a agricultura", resumiu o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS, Ezídio Pinheiro. O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, acredita que Guedes facilitará o andamento da discussão de pontos ainda em aberto.

O novo ministro afirmou que dará continuidade à política de Rodrigues e manterá um "relacionamento estreito" com todos os segmentos agrícolas. "Estamos convencidos que o Ministério da Agricultura está trilhando o caminho correto e nos caberia, nada mais e nada menos, dar seqüência", destacou Guedes. Na ocasião, anunciou a liberação de um reforço de R$ 42,6 milhões para o seguro agrícola.

Trajetória – Nascido em Vera Cruz, interior paulista, Luiz Carlos Guedes Pinto é professor da Unicamp. Já foi presidente da Companhia Nacional de Abastecimento, secretário da Agricultura de São Paulo e diretor da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo.

No governo Federal, o novo ministro também participou do processo de implantação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da qual foi assessor e chefe do gabinete da presidência.

 

Flores da Cunha escolhe melhores vinhos

 

O concurso "Os Melhores Vinhos de Flores da Cunha" premiou 48 das 152 amostras inscritas neste ano, divididas em sete categorias. Vinte quatro vinhos ganharam medalhas de ouro, 23 receberam medalhas de prata e apenas um levou medalha de bronze.

Cinco vinhos com ouro (ver tabela) também foram premiados com o Troféu Bacco di Flores, entregue à amostra com a maior nota em cada categoria. E 93 amostras receberam menção honrosa. "Das 24 vinícolas participantes, 22 abocanharam prêmios ou menções honrosas", diz ao CR Lino Luiz Baggiotto, da comissão organizadora.

Foram inscritos 48 vinhos tintos finos, 31 brancos finos, 23 brancos de mesa, oito rosados de mesa e 27 tintos de mesa. Espumantes participam pela primeira vez do concurso, com 15 amostras (9 moscatel e 6 espumantes).

O jantar e a premiação da quinta edição do concurso ocorreram dia 1º de julho, no Clube Independente.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Mudas de néspera européia

Ando à procura de néspera européia. Por aqui, em São Paulo, só encontro a néspera japonesa de frutos amarelos. Gostaria de saber se ali, na região de colonização italiana, há algum viveirista ou fruticultor que produza ou venda a nespereira européia que procuro. Sou grato pela informação.

ANTONIO DURANTE

Salgado Filho – PR

 

Os imigrantes italianos, de fato, trouxeram a nespereira européia e a cultivaram em suas novas terras e a chamavam popularmente como "néspola" ou "néspolo". Praticamente, nos primeiros tempos da imigração, todo colono tinha uma ou mais plantas dessa nespereira plantada nas proximidades da casa, do parreiral ou ao longo de algum curso d’água.

Com os anos as plantas mais antigas foram desaparecendo e, por falta de interesse ou incentivo oficial, poucas plantas foram renovadas, de maneira que atualmente é reduzido o número de nespereira européia na região. Vieram a ser substituídas por nespereira japonesa, muito comum, embora não cultivada tecnicamente, produzindo em geral, árvores altas com muitos galhos e muitos cachos de ameixas amarelas pequenas, consumidas na propriedade por pessoas e animais sem preocupação de venda, a não ser por alguns nas feiras do agricultor ou à beira de estradas principais.

Conforme o nome, "européia", a nespereira é originaria da Europa Central e tem sua preferência pelas regiões de clima temperado. Vai bem nos planaltos do Sul do país, como deve ser o do seu município, cerca de 620m de altitude.

Descrição da nespereira européia – Nome científico: Mespilus germanica, da família das rosáceas, a mesma das pêras, maçãs, pêssegos, ameixa, marmelo etc. Trata-se de um arbusto ou pequena árvore de 3 a 5m de altura; o tronco acinzentado não ultrapassa os 30 cm de diâmetro. As folhas são inteiras, alternas de pecíolo curto, de forma elíptica-oblonga, ou lanceolada, lisa na face superior e pubescente na inferior. As flores são brancas, vistosas, semelhantes às do marmelo, de cálice com 5 sépalas verdes, corola com 5 pétalas brancas, estames castanhos numerosos, ovário ínfero, contendo 5 óvulos. O fruto é um pequeno pomo, arredondado, de cor parda, com 3 a 6 cm de diâmetro, achatado na extremidade superior (olho), coroado pelas 5 sépalas persistentes. A polpa é verdosa-esbranquiçada, adstringente e contém 5 caroços dentro dos quais uma semente.

A colheita é efetuada quando as nésperas estão completamente formadas com a polpa branca, ainda firme e adstringente. São colocadas em camadas sobre palha por algum tempo, tornam-se brandas e a polpa marrom agridoce é muito saborosa. Uma nespereira pode produzir 50 quilos de nésperas.

Sobre a nespereira européia já escrevi diversas vezes, a respeito do seu cultivo e multiplicação, em atenção aos pedidos de leitores e assinantes do Correio Riograndense. Cópia de algumas delas estão à disposição do amigo.

A néspera (ou nêspera) européia submetida ao processo de seleção e melhoramento genético, visando obter maior tamanho do fruto e espessura da polpa, como foi submetida a nespereira japonesa (Eriobotrya japonica, também das rosáceas), resultaria fruta comestível, de interesse comercial e mais uma fonte de renda para o pequeno produtor.

Produção e venda de mudas – Apesar da pouca procura, alguns viveiristas dispõem-se a produzir mudas de nespereiras européias, e algumas fruticulturas as vendem. Em Caxias do Sul, a Ruzzarin Produtos Agropecuários – rua Bento Gonçalves, nº 2221 – telefone (54) 3223 4144, oferece mudas enxertadas dessa espécie com cerca de um metro de altura e as raízes protegidas com uns 5 quilos de substrato.

Em Farroupilha, onde existem diversos viveiros de frutíferas, destaca-se o de Alberto Maioli – Estrada RS 122 – km 55, telefone: (54) 3261 3136.

 

Homenagem e lançamento nos 75 anos Aliança

Meta da cooperativa caxiense é se tornar referência no setor

 

A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul realizou sessão solene na quinta 29 em homenagem aos 75 da Cooperativa Vitivinícola Aliança. Com plenário lotado e a presença de dezenas de seus 198 associados ativos – distribuídos por sete municípios da região -, o vereador Marcos Daneluz, proponente da solenidade, destacou a história da cooperativa criada em 4 de janeiro de 1931 por um grupo de 45 imigrantes italianos e descendentes residentes no Travessão Aliança, 3ª Légua, interior caxiense.

A Aliança está localizada desde a sua fundação no bairro São Pelegrino. Sua sede atual tem 10 mil metros quadrados, onde a maior parte de sua produção é vinificada, engarrafada e expedida. A cooperativa tem área produtiva de 400 ha, capacidade de vinificar 7 milhões de litros (6 milhões em Caxias e 1 milhão em Livramento) e recebeu neste ano 4,876 milhões de kg de uva (170 mil kg de européias).

Em 2000, a Aliança ampliou e diversificou suas áreas de cultivo, através da formação de um condomínio entre seus associados para a produção de uvas em vinhedos em Encruzilhada do Sul, no sudeste gaúcho. Essa diversificação foi ampliada com a aquisição, em 2005, dos ativos da Livramento Vinícola, em Santana do Livramento, empresa que pertencia à japonesa Hombo. Lá a Aliança possui 450 hectares, dos quais 65 ocupados por vinhedos, além de um complexo com capacidade para produzir 1 milhão de litros de vinho.

Planos para o futuro? As metas são ambiciosas, como anuncia o diretor-presidente, Alceu Dalle Molle: "Trabalhar para que em cinco anos a organização se torne a melhor cooperativa vinícola da Serra gaúcha e uma importante referência no setor vitivinícola e cooperativista."

 

Vinícola apresenta linha de varietais

 

No mesmo dia em que foi homenageada pelo Legislativo caxiense, a Cooperativa Vitivinícola Aliança apresentou, durante coquetel na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, a sua nova linha de vinhos finos. Elaborados na unidade de Santana do Livramento e sob a marca Santa Colina, chegam ao mercado com uma boa relação custo-benefício, podendo ser encontrados por até R$ 7,50 a garrafa. Os varietais lançados pela Aliança são cabernet sauvignon, tannat, pinot noir, merlot, chardonnay, gewustraminer e riesling renano.

 

OPINIÃO

Na pele dos jogadores

Leonardo Boff

Uma coisa é a pessoa, com a consciência de seus limites e com a percepção de sua humana fragilidade e até miserabilidade. Outra é a imagem de "rei do futebol", "fenômeno"... Infeliz do jogador que acreditar e se identificar com tais títulos

 

Somente quem passou por situações análogas aos nossos jogadores de futebol pode fazer uma idéia da terrível pressão psicológica pela qual estão passando. De repente são o foco de todas as atenções nacionais e internacionais, caçados pelos jornalistas e perseguidos pelos fotógrafos. Há sempre o risco de que a notoriedade seja internalizada na forma de cobrança. Os jogadores sentem-se na obrigação de provar que a imagem que o público fez deles corresponde à realidade.

O filósofo F. Nietzsche se perguntou se poderia haver algum burro trágico e respondeu: sim, trágico é o burro que caiu sob o peso de sua carga e que, por causa dela, não consegue mais se levantar. Longe de mim considerar nossos jogadores de burros (burro seria eu), mas vejo que sua situação é semelhante ao burro de Nietzsche. Daí se entendem os temores e as indisposições sem causa aparente funcionando como verdadeiros super-egos castradores de sua espontaneidade e de sua criatividade.

Mas o pior que pode acontecer é a identificação entre a pessoa e a imagem. Uma coisa é a pessoa, com a consciência de seus limites e, no fundo, com a percepção de sua humana fragilidade e até miserabilidade, como se tem visto em algumas celebridades futebolísticas. Outra coisa é a imagem do "rei do futebol", do "fenômeno" ou do "maior jogador do mundo". Quem pode garantir a verdade destas afirmações? Só Deus mesmo, pois nossas apreciações são humanas e, por isso, subjetivas e muitas vezes discutíveis.

Sábio é o treinador que lhes recordar estas verdades para garantir a saúde psicológica de seus jogadores. Infeliz do jogador que acreditar e se identificar com tais títulos. Este está condenado a continuamente ter que representar. Sabemos que pessoa e imagem nunca se cobrem totalmente. Se o jogador não é autocrítico, trava-se dentro dele uma luta entre a imagem pessoal interior e a imagem exaltada que fazem dele. A imagem interior, por ser verdadeira, fala mais alto e quer ser ouvida. Se não for escutada, o jogador será castigado com inseguranças e com tremores.

Então vêm à tona as cobranças internalizadas que podem desestruturá-lo: ai do Ronaldo se não conseguir ser em cada partida o melhor do mundo. Logo se inventam mil e uma explicações. Ai do Ronaldinho Gaúcho se não mostrar seu jogo alegre e endiabrado. Infeliz do Robinho se não conseguir dar os famosos dribles e não se mostrar como um diabinho incontrolável em campo. E assim por diante.

Como sair deste impasse? Não sei. Mas vejo um caminho: a coragem do jogador de ser ele mesmo e de se assumir assim como é. Para isso tem que ter autonomia interior e forte diálogo com o seu eu profundo. Essa atitude libera as energias que o fazem um excelente e até um genial jogador. Há ainda uma chave secreta que ouvi de uma jovem e excepcional atriz de TV e de cinema, sensível ao mundo espiritual. Dizia: "Estudo meu papel e me preparo o mais que posso; mas quando entro em cena vou como quem vai representar para Deus e o faço por amor a Ele. Esqueço as expectativas humanas. Em troca ganho uma indescritível liberdade interior". Talvez os jogadores não tenham semelhante intimidade com Deus, embora sempre se persignem. Mas dedicam o melhor do que fazem aos representantes simbólicos de Deus que são a esposa, a mãe, o pai, os irmãos.

A Igreja antiga chamava a Deus de ludens, um grande jogador que criou o universo para a sua própria diversão e nos criou para participar dela. Uma das formas não seria o futebol?

 

Valores do mercado

Frei Betto

Tudo se compra, tudo se vende: alfinetes e afetos; televisores e valores; deputados e pastores. Para o mercado, honra é uma questão de preço. E em que mercado comprar as nossas mais profundas aspirações: amor e comunhão, felicidade e paz?

 

Na sociedade neoliberal cresce a produção de bens supérfluos, oferecidos como mercadorias indispensáveis. O consumidor, massacrado pela publicidade, acaba se convencendo de que a saúde de seu cabelo depende de uma determinada marca de xampu. Melhor cortar a cabeça do que viver sem o tal produto...

Para o neoliberalismo, o que importa não é o progresso, mas o mercado; não é a qualidade do produto, mas seu alcance publicitário; não é o valor de uso de uma mercadoria, mas o fetiche que a reveste.

Compra-se um produto pela aura que o envolve. A grife da mercadoria promove o status do usuário. Exemplo: se chego de ônibus na casa de um estranho e você desembarca de um BMW, acredita que seremos encarados do mesmo modo?

Para o neoliberalismo, não é o ser humano que imprime valor à mercadoria; ao contrário, a grife da roupa "promove" socialmente o seu usuário, assim como um carro de luxo serve de nicho à exaltação de seu dono. Passa a ser visto pelos bens que envolvem a sua pessoa.

Em si, a pessoa parece não ter nenhum valor à luz da ótica neoliberal. Por isso, quem não possui bens é desprezado e excluído. Quem os possui é invejado, cortejado e festejado. A pessoa passa a ser vista (e valorizada) pelos bens que ostenta.

O mercado é como Deus: invisível, onipotente, onisciente e, agora, com o fim do bloco soviético, onipresente. Dele depende a nossa salvação. Damos mais ouvidos aos profetas do mercado – os indicadores financeiros – que à palavra das Escrituras.

Idolatrias à parte, o mercado é seletivo. Não é uma feira-livre cujos produtos carecem de controle de qualidade e garantia. É como shopping center, onde só entra quem tem (ou aparenta ter) poder aquisitivo.

O mercado é global. Abarca os milhardários de Boston e os zulus da África, os vinhos da mesa do papa e as peles de ovelhas que agasalham os monges do Tibete. Tudo se compra, tudo se vende: alfinetes e afetos; televisores e valores; deputados e pastores. Para o mercado, honra é uma questão de preço.

Fora do mercado não há salvação – é o dogma do neoliberalismo. Ai de quem não acreditar e ousar pensar diferente! No mercado, ninguém tem valor por ser alguém. O valor é proporcional à posição no mercado. Quem vende ocupa maior hierarquia do que quem compra. E quem comanda o mercado controla os dois.

Mercado vem do verbo latino mercari, "trocar por algo", que deu também origem a mercê, "o que se dá em troca de algo", donde mercearia e mercenário. Comércio vem de "com mercê", com troca. Portanto, é dando que se recebe. Quem não tem capital, produtos ou saber para oferecer no mercado, só entra ofertando a força de trabalho, o corpo ou a imbecilidade (vide TV aos domingos).

O mercado tem suas sofisticações. Não fica bem dizer "tudo é uma questão de mercado". Melhor o anglicismo marketing, que significa "ciência do comércio". É uma questão de marketing o tema da telenovela, o sorriso do apresentador de TV, o visual do candidato e até o anúncio do suculento produto que prepara o colesterol para as olimpíadas do infarto. Vende-se até a imagem primeiromundista de um país atulhado de indigentes perambulando pelos sertões à cata de terra para plantar.

Nem todos merecem o mesmo status no mercado. Freguês, quitandeiro ou barraqueiro é quem trabalha no mercado de alimentos. Executivo ou investidor, quem opera no mercado financeiro. Marchand, quem atua no mercado de arte. Corretor, quem agencia no mercado imobiliário. Sujeito de sorte, quem hoje se encontra no mercado de trabalho, ainda que condenado ao salário-mínimo. E quem opera no mercado de capitais? Especulador. Mas quem ousa apresentar-se com tal marketing?

É no mínimo preocupante constatar como, hoje, se enche a boca para falar de livre mercado e competitividade, e se esvazia o coração de solidariedade. A continuar assim, só restarão os valores da Bolsa. E em que mercado comprar as nossas mais profundas aspirações: amor e comunhão, felicidade e paz?

O mercado desempenha, pois, função religiosa. Ergue-se como novo sujeito absoluto, legitimado por sua perversa lógica de expansão das mercadorias, concentração da riqueza e exclusão dos desfavorecidos. Já reparou como os comentaristas da TV se referem ao mercado? "Hoje o mercado reagiu às últimas declarações do líder da oposição". Ou: "O mercado retraiu-se diante da greve dos trabalhadores".

Parece que o mercado é um elegante e poderoso senhor que habita o alto de um castelo e, de lá, observa o que acontece aqui embaixo. Quando se irrita, pega o celular e liga para o Banco Central. Seu mau humor faz baixar os índices da Bolsa de Valores ou subir a cotação do dólar. Quando está de bom humor, faz subir os índices de valorização das aplicações financeiras.

Para Jesus, "ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro" (Mateus 6, 24). Mas quem se interessa em servir a Deus se ele é invocado pelo fundamentalismo de Bush e Bin Laden? Enquanto os senhores da guerra tomarem o Seu Santo Nome em vão, estaremos distante da tão almejada paz.

 

COMPORTAMENTO

Adolescentes brasileiros estão mais gordos

Excesso de peso já atinge 6 milhões na faixa de 10 a 19 anos

 

Além dos 40 milhões de adultos com excesso de peso, o problema agora já afeta 6 milhões de adolescentes. Há três décadas, o peso extra atingia 3,9% dos homens e 7,5% das mulheres de 10 a 19 anos. Hoje, o percentual subiu para 18% e 15,4%, respectivamente. Por outro lado, a desnutrição infantil diminuiu nos últimos 30 anos. Esse índice caiu de 16,6% para 4,6% entre os menores de cinco anos. Com exceção da região Norte, a prevalência constatada é baixa, considerando o parâmetro estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que voltou a concluir: o Brasil está mais gordo que desnutrido. O estudo "Antropometria e Análise do Estado Nutricional de Crianças e Adolescentes no Brasil" apresentou 3,7% de adolescentes desnutridos contra 16,7% que sofrem com o excesso de peso. O levantamento, realizado ao longo de um ano, faz parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003, divulgada em 2004. Na época, o instituto apresentou os índices da população com mais de 20 anos e já havia constatado que o excesso de peso atingia mais pessoas que a desnutrição.

"Temos um problema nutricional no país, mas não é por falta de alimentos, e sim por má alimentação. Algo precisa ser feito já", alertou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes. Ele ressaltou que o estabelecimento de uma nova prioridade não quer dizer que tenhamos que deixar de lado as antigas – o principal programa do governo Lula, o Fome Zero, ainda trata a desnutrição como o maior mal do país.

O levantamento, divulgado recentemente, mostra ainda que o brasileiro está alcançando os padrões desejados de altura, embora ainda existam déficits em algumas regiões. Nos últimos 30 anos, os ganhos com altura foram significativos, chegando a até 10 centímetros na faixa dos 14 anos. Os déficits aparecem sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, pois o crescimento está diretamente associado com a renda familiar.

 

Pesquisa revela os hábitos alimentares da população

 

O prato principal dos brasileiros não mudou nas últimas décadas. Apesar da urbanização, da rotina agitada e da maior oferta de alimentos industrializados, a combinação do dia-a-dia continua sendo arroz, feijão, carne e salada em todas as regiões do país e em todas as classes sociais. Os pratos regionais só vão à mesa no café-da-manhã e nos fins de semana.

Essas são as conclusões de um dos maiores levantamentos já feitos sobre os hábitos alimentares da população. A pesquisa foi realizada pelo instituto Toledo & Associados em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing e ouviu 2.100 pessoas em dez capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Brasília. O estudo constatou ainda que, apesar das insistentes recomendações médicas, ainda é pequena a adesão à dieta saudável, ou seja, com pouca gordura e bastante verduras, legumes e grãos integrais.

Os pratos congelados ou semi-prontos também não são freqüentes na alimentação diária. Segundo os pesquisadores, apesar da correria das metrópoles, as famílias ainda preferem cozinhar suas refeições. Para a maioria dos brasileiros, a comida ideal é a caseira, feita com ingredientes frescos. Menos de 15% dos entrevistados afirmaram consumir produtos rotulados de diet ou light.

Alguns hábitos do cotidiano mudaram significativamente nas últimas décadas. O almoço em família, por exemplo, quase desapareceu. Refeições assim só ocorrem aos domingos. Mesmo assim, a maioria dos brasileiros considera o jantar como um momento em que a família se reúne, mas em torno da televisão e não necessariamente da mesa. Sete em cada dez brasileiros jantam em frente da televisão.

Há quatro décadas, fazia-se seis refeições diárias (café da manhã, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia), hoje são apenas três. Os brasileiros também estão cozinhando só uma vez por dia. Se preparam o almoço, aquecem o que sobrou no jantar e vice-versa. Há 60 anos, cozinhava-se duas vezes por dia.

Até os anos 50, o café da tarde fazia parte da rotina doméstica. Café com leite, pães, bolos e doces iam à mesa. Hoje, no máximo se tem um lanche com fast food. Os itens mais comuns no lanche da tarde são pizza, sanduíche, esfiha e hambúrguer.

 

Instrução feminina influencia na dieta

 

A escolaridade da mulher influencia no padrão de consumo alimentar das famílias brasileiras. Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, uma pesquisa mostrou que quanto maior é o nível de instrução da mulher, menor é o consumo de alimentos que demandam maior tempo para o preparo. Segundo a pesquisadora Madalena Maria Schlindwein, há um consumo maior de alimentos como iogurtes e pães.

Se a mulher possui uma qualificação e opta por trabalhar, há uma diminuição na ingestão de alimentos que demandam maior tempo de preparo (arroz, feijão, batata, mandioca, carnes e farinha de trigo). Se ela opta por ficar em casa, a tendência é que o consumo destes alimentos aumente. O mesmo ocorre quando a mulher chefia a família ou quando ela é jovem.

Outro dado curioso revelado pelo estudo diz respeito à influência da composição familiar no consumo de alimentos fora de casa. A presença de crianças com até seis anos e de idosos na família reduz a probabilidade de aquisição destes alimentos. Para as outras faixas etárias, a alimentação fora de casa tende a aumentar quando há um maior número de pessoas na família.

 

SAÚDE

OSTEOPOROSE

Adesão ao tratamento é desafio

Pesquisa indica que 80% das pacientes desistem antes do primeiro ano

 

Uma doença que afeta 10 milhões de brasileiros e mata cerca de 40 mil anualmente cresce no mundo em decorrência do aumento da expectativa de vida da população. A osteoporose é a principal doença metabólica óssea, já considerada problema de saúde pública, tanto que o período de 2000 a 2010 foi eleito pela Organização Mundial de Saúde como a Década do Osso e da Articulação.

Relatório inédito da IOF (International Osteoporosis Foundation) afirma que um terço das mulheres e um quinto dos homens terão alguma fratura relacionada à doença ao longo da vida. A osteoporose hospitaliza por mais tempo as mulheres de 45 anos ou mais do que o diabetes, o infarto e o câncer de mama. Segundo a pesquisa, a partir dos 50 anos de idade, as mulheres caucasianas (brancas) apresentam 40% de risco de fraturar a coluna, o colo do fêmur ou o antebraço em conseqüência de osteoporose. A fratura vertebral é observada em 16% dos casos, a do fêmur em 17,5% e a fratura do pulso está presente em 16% das pacientes, sendo que em 39,7% delas é possível observar um dos três tipos.

Além do trio exercícios físicos, alimentação rica em cálcio e exposição moderada ao sol, o tratamento da osteoporose é feito à base de remédios. Porém, a reumatologista Rosângela Dahmer, de Caxias do Sul, afirma que a adesão a este tratamento é um dos principais desafios enfrentados pelos médicos. Segundo ela, muitos pacientes não consideram a doença grave, já que não apresenta sintomas – quando as fraturas ocorrem é porque já está em fase avançada.

Mesmo com todos os riscos que a doença representa, o relatório da IOF, que ouviu 502 mulheres com osteoporose na pós-menopausa, constata que cerca de 80% das pacientes abandonam o tratamento antes do primeiro ano. As principais causas apontadas para o abandono são a inconveniência do tratamento, ou seja, a necessidade de tomar o medicamento em jejum e manter-se ereto por 30 minutos após a ingestão (40%); os efeitos colaterais, que são principalmente gastrointestinais (20%); e o esquecimento (12%).

Os especialistas apostam em novos medicamentos, que chegaram recentemente ao mercado, para aumentar a adesão ao tratamento. Os remédios disponíveis até então eram de periodicidade diária ou semanal, os mais modernos podem ser tomados uma vez por mês. Segundo a pesquisa da IOF, as próprias pacientes sugerem que efeitos colaterais reduzidos e tomar medicamento com menos freqüência são fatores que poderiam melhorar a aderência ao tratamento.

 

Novas drogas facilitam rotina do paciente

 

Um medicamento para osteoporose recentemente aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já disponível no mercado brasileiro, cujo princípio ativo se chama ibandronato de sódio, é de administração mensal, ou seja, a paciente toma apenas um comprimido por mês. "O principal benefício é a possibilidade de maior aderência ao tratamento, já que a paciente não precisa tomar o remédio com tanta freqüência", observa a médica Rosângela Dahmer. "O tratamento para a osteoporose é à longo prazo, usa-se o medicamento por muitos anos e o paciente não percebe a diferença, ela não é visível. Só o exame (desintometria) detecta os resultados, por isso é difícil convencer o paciente da importância de seguir as recomendações por tanto tempo", completa.

Outro medicamento, o ranelato de estrôncio, promete atuar em duas frentes: além de diminuir a reabsorção (perda) do osso, mecanismo de ação da maioria dos remédios, aumenta a formação de massa óssea. Até então, havia produtos que atuavam apenas por um ou outro mecanismo.

Por enquanto, nenhum dos dois remédios está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Eles são vendidos na mesma faixa de preço dos outros medicamentos, de R$ 150,00 a R$ 200,00 por mês. Um remédio de administração anual, já usado para o tratamento da doença de Paget (outra doença metabólica óssea) está em fase de pesquisa para uso contra a osteoporose.

 

Exercício de impacto é melhor

 

A prática de exercícios físicos é considerada fundamental para a prevenção e o tratamento da osteoporose. Eles melhoram a força muscular, a agilidade e o equilíbrio. Segundo a médica Rosângela Dahmer, as atividades mais indicadas são as de impacto, como vôlei, musculação, corrida. "Também pode ser uma caminhada, mas se o terreno tiver lombas, o resultado é melhor", afirma ela. Natação e hidroginástica, muito procuradas pelas mulheres, não são as melhores para a osteoporose.

A prevenção deve começar cedo. Nas crianças, adolescentes e adultos jovens, os exercícios estimulam a aquisição de massa óssea. Recomendam-se atividades que envolvam correr e pular, como futebol, basquete, vôlei, subir escadas e pular corda, no mínimo três vezes por semana. Após a fase de crescimento, por volta dos 16 ou 17 anos, indica-se musculação, para melhorar a condição óssea.

A partir dos 30 anos, a prática regular de exercícios físicos ajuda a conservar a massa óssea. Nessa fase, alternar atividades que envolvam pular, como basquete e vôlei, e as atividades com carga, no mínimo três vezes por semana.

Quem já tem osteoporose também deve fazer exercícios. Eles ajudam a reduzir a perda óssea, melhoram o equilíbrio e o padrão da caminhada, além de promover o ganho de força muscular, o que contribui para a prevenção de quedas e diminuição do risco de fraturas. Recomenda-se caminhada e musculação bem orientada, de três a quatro vezes por semana. Deve-se iniciar a atividade devagar e ir aumentando progressivamente. Não se deve praticar exercício com dor, pois pode ser um sinal de microfratura.

Como a osteoporose deixa a coluna curvada para frente, exercícios devem ser realizados apenas de forma que o corpo não dobre nessa direção. Movimentos que exigem extensão do tronco devem ser estimulados. "Quando além de osteoporose a paciente tem outro problema que impossibilita ela de se exercitar, como artrose, aconselha-se que faça reforço muscular com auxílio de um fisioterapeuta", alerta Rosângela Dahmer.

 

Para pesquisador, colágeno é o segredo da prevenção

 

O ginecologista Odilon Iannetta, professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, afirma que a osteoporose é uma ex-enfermidade silenciosa. O médico garante que é possível detectar a propensão à doença, e preveni-la, a partir dos quatro anos de idade, pela medição do colágeno dos ossos, e não da densidade óssea. Suas idéias, que se contrapõem à de muitos especialistas, estão no livro que ele publicou recentemente, "Osteoporose: uma ex-enfermidade silenciosa".

O médico explica que, em 1984, trabalhos científicos mostraram que o cálcio só se fixava bem quando o colágeno do osso era adequado. A densitometria, que só mede a quantidade do osso, avalia apenas um de seus componentes. Para o pesquisador, é fundamental analisar o colágeno, ou seja, a qualidade óssea.

Segundo Iannetta, um aparelho avalia pelos ossos dos dedos a quantidade e a qualidade do osso e detecta a propensão à osteoporose até 40 anos antes de ela se manifestar. Conforme o médico, 20 centros estudam essa metodologia no mundo. A doença deixaria de ser silenciosa, já que o colágeno marcaria o início do processo.

"Ainda é preciso muito estudo sobre essa afirmação. O que se sabe até hoje é que a prevenção mais segura e que comprovadamente funciona é a ingestão adequada de cálcio, desde a gestação, aliada aos exercícios físicos e à exposição solar, e o afastamento dos fatores de risco", argumenta a reumatologista Rosângela Dahmer.

 

Esclareça dúvidas sobre a doença

 

A osteoporose é uma doença que provoca a diminuição da massa óssea e uma micro alteração na arquitetura do tecido ósseo, ou seja, a densidade e a qualidade do osso são reduzidas. Conseqüentemente, aumenta o risco de fraturas. Em entrevista ao Correio Riograndense, a reumatologista Rosângela Dahmer, de Caxias do Sul, esclareceu as principais dúvidas sobre a doença.

 

1. O que é osteopenia?

É o processo anterior à osteoporose, em que já há uma diminuição do tecido ósseo. Se não tratada, pode virar osteoporose. Porém, também existe a osteopenia fisiológica. Por exemplo: uma mulher de 70 anos pode apresentar osteopenia e isso ser considerado normal em função de sua idade e do processo natural de envelhecimento do organismo.

 

2. A osteoporose é uma doença de mulheres?

É uma doença de ambos os sexos, mas com predomínio entre as mulheres. A proporção é de três homens para cada cinco mulheres. Neles o problema costuma aparecer mais tarde. A diferença é que devido à falta do hormônio estrogênio, cuja produção diminui na menopausa, a mulher começa a perder massa óssea mais cedo e por mais tempo que o homem. Quando a osteoporose ocorre em homens, principalmente antes dos 65 anos, deve-se investigar as causas, pois pode ser proveniente de outras doenças, como hipertireoidismo, artrite reumatóide etc.

 

3. Quais as causas?

Na verdade existem fatores de risco. A hereditariedade é muito importante, ou seja, quem tem parentes que apresentaram o problema tem mais chances de desenvolver a doença. Outros fatores são: sexo feminino, menopausa precoce, uso excessivo de álcool e café, tabagismo e sedentarismo. O uso de determinados medicamentos também pode levar à osteoporose, como os anticonvulsivos, glicocorticóides, heparina, anticoagulantes orais, etc.

 

4. E a obesidade, é fator de risco?

Ao contrário do que muitos pensam, a obesidade não é fator de risco para a osteoporose. As pessoas mais propensas a apresentar o problema são as magras e de baixa estatura.

 

5. Quais os sintomas?

A doença pode manifestar sintomas quando já ocorreu uma fratura ou microfratura. Se ainda não há essas lesões ósseas, os sintomas não aparecem, por isso, é chamada de doença silenciosa.

 

6. É possível prevenir a doença?

Sim, mas deve-se começar cedo, já na infância. O período em que o organismo mais adquire massa óssea é da adolescência até os 30 anos. Nessa fase é fundamental ingerir alimentos ricos em cálcio, praticar atividade física, tomar sol moderadamente. Após os 30 anos, a massa óssea não aumenta, fica estocada até o envelhecimento, quando o organismo pode começar a perdê-la. Na fase adulta, a dieta adequada, o sol e a atividade física regular continuam sendo importantes para manter o osso que foi formado.

 

7. Qual o tempo indicado de exposição solar?

Cerca de 10 a 15 minutos diários de exposição ao sol, com roupas leves, já é suficiente. É importante que 25% da área do corpo fique exposta à radiação.

 

8. Quanto cálcio é preciso ingerir?

O cálcio é considerado o elemento mais importante para a formação dos ossos. Para ter uma massa óssea de qualidade, é fundamental ingeri-lo em quantidade adequada. Em geral, precisamos de 1.200 miligramas de cálcio por dia, tanto na adolescência quanto na fase adulta. A fonte natural mais abundante em cálcio é o leite e seus derivados. Recomenda-se tomar quatro copos (300 ml) de leite por dia.

 

9. Existe exame para detectar a osteoporose?

Sim, a densitometria óssea, tanto na coluna quanto no fêmur. Deve ser feita, em geral, a partir dos 55 anos, a cada um ano e meio, mas há exceções. Se a mulher teve menopausa precoce aos 40 anos, por exemplo, se faz o exame aos 42 anos.

 

10. Quando é preciso tomar remédios?

Quando a pessoa não é tão idosa e já apresenta algum grau de osteopenia, detectada na densitometria, já recomenda-se suplementos de cálcio e vitamina D. Quando a osteoporose já está estabelecida, recomenda-se também outros tipos de remédio, que evitam a perda de massa óssea.

 

IGREJA

Cresce presença católica na África

Fiéis passaram de 55 milhões para 149 milhões em 26 anos

 

Para quem observou com atenção a entrada em campo da seleção de Gana na partida disputada contra o Brasil durante a Copa do Mundo da Alemanha, não deve ter passado despercebido o gesto de fazer o sinal da cruz de diversos jogadores. Gana, um pequeno país do oeste da África, menor que o Rio Grande do Sul, tem mais de 55% dos seus 22 milhões de habitantes que professam o cristianismo.

Gana é apenas um exemplo da presença cristã no continente africano que, de 1978 a 2004, registrou o maior aumento do número de católicos do mundo. Outras religiões cristãs, especialmente evangélicas, também crescem na África. Nesses 24 anos, o número dos que professam a religião católica no continente negro passou de 55 milhões para 149 milhões.

Evolução – O número de católicos a cada 100 habitantes cresceu de 12,4 para quase 17. Os dados constam do Anuário Estatístico da Igreja/2004, divulgado há pouco pela Santa Sé. Em todo o mundo, também houve crescimento, de 757 milhões em 1978, para 1,098 bilhão no final de 2004. O aumento, porém, segundo a Santa Sé, não acompanhou a evolução da população mundial que, no mesmo período, passou de 4,2 para mais de 6 bilhões.

Em termos relativos, o percentual de católicos para cada 100 habitantes caiu de 17,99% para 17,19%. Na Europa, em 2004 havia 280 milhões de batizados, cerca de 12 milhões a mais que em 1978, com uma pequena queda de 40,5 para 39,5 a cada 100 habitantes. Na América, houve estabilidade no período, com 62% da população professando a religião católica e na Ásia, os católicos passaram de 2,5% para quase 3% da população, entre 1978 e 2004. Na Oceania, cerca de 26% dos habitantes são católicos.

Em relação ao total de católicos, o crescimento registrado na África fez com que o continente passasse a deter 13,5% dos católicos do mundo em 2004, contra 7% em 1978, enquanto a representação da Europa, onde se verifica a maior queda de católicos do planeta, a representação caiu de 35% para 25,4%.

Entre os fatores apontados para esse crescimento está a presença de missionários e missionárias de outros continentes. O próprio Brasil mantém centenas de missionários atuando em Moçambique, Angola e outros países africanos. Graças a esse incremento missionário, as próprias vocações religiosas e sacerdotais cresceram muitos nesses 26 anos (matéria abaixo) ao ponto de alguns países africanos "exportarem" missionários para outras nações do continente e até para a Europa, Oceania e América Latina.

 

Continente depende das Igrejas cristãs

 

Na África, especialmente no norte, o cristianismo está presente desde os primórdios da Igreja. Grandes santos como Agostinho, Cirilo, Tertuliano, Cipriano, Antão, Mônica e Clara são africanos. Porém, com a invasão dos vândalos e a dominação muçulmana, no século VII, essa Igreja florescente praticamente desapareceu.

Houve novo incremento nos séculos XV e XVI, com a exploração européia, mas essa fase também acabou, retornando somente no século XIX, com a dedicação de renomados missionários e apóstolos como São Daniel Comboni e o cardeal Massaia. Hoje, a África é grande terra de missões, em especial porque atravessa um período de miséria, abandono, guerras e pobreza.

Com uma rica variedade cultural e étnica, a África está organizada em 53 países e os mais de 830,5 milhões de habitantes falam 2.011 línguas. Para muitos países não apenas a religião, mas também a educação e a saúde dependem do empenho das Igrejas cristãs (há uma atuação muito grande também das Igrejas de confissão luterana e outras). No campo da saúde, por exemplo, as instituições católicas representam mais de 17% das estruturas sanitárias do continente.

 

Expansão motiva dinamismo sacerdotal

 

A expansão católica na África se reflete também no crescimento do número de sacerdotes, religiosos e seminaristas. De 1978 a 2004, segundo o Anuário Estatístico da Igreja, enquanto o continente europeu viu o número de padres cair de 250 mil para menos de 200 mil e a América permanecer com seus cerca de 120 mil sacerdotes, na África e na Ásia a tendência foi inversa.

Entre os africanos, o número de sacerdotes (diocesanos e religiosos) passou de 16.926 a 31.259 e na Ásia, de 27.700 a 48.222. O número de seminaristas também é expressivo nesse período, saltando de 5.636 a 22.791 na África (crescimento de 304,3%), e de 11.536 a 29.220 na Ásia (+153,6%). Na América, passou de 22.011 a 26.681 e na Europa permaneceu em torno de 24 mil.

 

Se as Igrejas se calarem

Padre Zezinho

Não há como calar diante de tanta injustiça e desarmonia

 

Trabalhadores com fome, pais de família sem trabalho. Se as Igrejas se calarem, as Igrejas pecarão. Menores abandonados, crianças cheirando cola. Se as Igrejas não falarem, as Igrejas pecarão.

Erotismo contra a infância, violência na TV. Nudismo por toda parte, nas praias e nas novelas. Tortura, roubo e seqüestro, corrupção nos governos. Gente sem terra e sem teto, crianças fora da escola. Hospitais desativados, doentes não atendidos. Chacinas e genocídios, guerras por causa de terra. Fanatismo religioso, uma religião ferindo a outra. Se as Igrejas se calarem, as Igrejas pecarão.

Revistas de erotismo na mão de nossos meninos. Trabalho escravo no campo, salário quase de fome. Aposentados com fome, impostos altos demais. Juros pela estratosfera, neoliberalismo em alta.

Se as Igrejas se calarem, as Igrejas pecarão.

Adolescentes que matam, adultos que vendem droga. Aborto legalizado, colonos assassinados. A ordem desrespeitada, invasões por toda parte. Se as Igrejas se calarem, as Igrejas pecarão.

No passado muitos padres se calaram quando judeus eram agredidos, índios e negros escravizados. E houve até quem achasse textos bíblicos para justificar invasão de terras e países e massacres de infiéis. Hoje temos que pedir desculpas pelo que nossos antecessores fizeram e jurar que nós não o faremos.

Sei que muitos católicos preferem que o padre não fale desses assuntos e só fale de louvores, milagres e salvação. Mas como calar diante de tanta injustiça, de tanta desarmonia, de tanto pecado!

 

Temas religiosos chegam aos cristãos também pela internet

Rede é fonte de informações sobre qualquer assunto

 

A internet é uma gigantesca rede mundial de computadores interligados entre si por linhas telefônicas, satélites ou cabos. O número de equipamentos continua em franca ascensão, porque é cada vez maior o interesse por esse meio de acesso aos serviços oferecidos pela informática. A nova tecnologia surgiu nos EUA em 1969 e durante duas décadas o sistema ficou restrito ao uso de laboratórios e de universidades. Só foi liberado para uso comercial a partir da década de 1990.

Hoje, a internet é uma rede livre de computadores, na qual, respeitando normas de intercomunicação, qualquer pessoa ou instituição pode colocar informações de seu interesse para acesso a todos. No Brasil, foi liberada em 1995 e hoje, segundo o Ibope, mais de 14 milhões de brasileiros utilizam a internet em suas casas. Ainda segundo o Ibope, entre julho e setembro de 2005 os acessos chegaram a 32,1 milhões.

Sob o ponto de vista prático, a internet é uma fonte de pesquisas que pode fornecer informações sobre qualquer assunto. O importante é escolher uma fonte confiável. A própria Igreja vai se dando conta do potencial que a internet tem como meio de evangelização.

Para conhecimento dos leitores, relacionamos alguns sites que tratam de assuntos religiosos (antes de cada site antepor o www.): cnbb.org.br, vatican.va, zenit.org, celam.org, ofmcap.org, catolicanet.com.br, capuchinhos.org.br, capuchinhosrs.org.br, estef.edu.br, google.com.br, franciscanos.org.br, paulinas.org.br, agencia.ecclesia.pt, ibase.org.br, editoravozes.com.br, fontecolombo.org.br, caravaggio.org.br, correioriograndense.com.br. (Contribuição de frei Osébio Borghetti)

 

Portugal cria rádio com emissão on line

 

No final de maio, conforme informações da agência Ecclesia, da Conferência Episcopal de Portugal, começaram as transmissões regulares da Net Rádio Católica (NRC), uma rádio temática, com emissão exclusiva na internet. A programação emite música e conteúdos católicos, religiosos e de inspiração cristã. O projeto nasceu na diocese de Setúbal (Portugal).

Segundo Carlos Marques, um dos responsáveis pelo projeto, "a internet é um meio que pode potencializar muito o anúncio do Evangelho". Marques salientou que, depois de um período de emissões experimentais, a NRC passou a transmitir seus conteúdos regulares para todo o mundo. Em Portugal, a Igreja mantém outros projetos do gênero via internet, mas na transmissão de conteúdos em formato áudio, a partir dos quais a NRC baseou sua iniciativa. "Esses foram um alento para não desanimarmos e mais um estímulo à perseverança na fé para que déssemos os primeiros passos na aventura de evangelizar também através da internet", destaca Marques. O site de acesso à Net Rádio é www.netradiocatolica.com.

 

Fórum dá visibilidade às atividades eclesiais

 

Com o objetivo de visibilizar, partilhar e celebrar a vida de cada organismo da Igreja Católica no Rio Grande do Sul; discernir os desafios atuais do projeto de Jesus para a missão da Igreja no RS; e fazer a memória de um povo, formado de tantas raças e culturas, será realizado de 20 a 23 de setembro de 2007, pela PUC/RS, o Fórum da Igreja Católica.

O evento também visa preparar a celebração do centenário da Província Eclesiástica do RS, com a criação da arquidiocese de Porto Alegre e das dioceses de Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria, e dos 50 anos da Conferência dos Religiosos do Brasil no Estado. Está aberto até o dia 31 de julho de 2006 o prazo de entrega do logotipo, do hino e do cartaz do Fórum. Informações pelo telefone (51) 3225.8483 ou e-mail cnbbs3@portoweb.com.br.

 

Outro olhar diferente

Aldo Colombo

"Um mosteiro sempre será um testemunho vivo da fé e da espiritualidade católica para a humanidade"

 

O Olhar Diferente já completou 30 anos. Começou na Rádio São Francisco, de Caxias do Sul, depois passou para o Correio Riograndense. Em seguida, alguns dos textos foram editados: são sete livros. A filosofia foi sempre a mesma: tentar ver a realidade a partir de ângulos diferentes. E por isso fico feliz quando o leitor também descobre um "olhar diferente". Luiz Francisco Zanchet, assinante do CR, residente em Frederico Westphalen (RS), envia sua visão. Pensar diferente é um direito:

"Tenho 28 anos. Gosto muito de ler a sua coluna, pois o amigo, se é que posso chamá-lo assim, escreve muito bem. Além de ser inteligente e oportuno, sua técnica é muito interessante e dá vitalidade e harmonia para os seus temas, aliás sempre atuais e alicerçados no evangelho e na doutrina da Igreja.

Esta técnica (me corrija se eu estiver errado) consiste em apresentar o tema do artigo introduzindo na coluna um fato real ou fictício, para fazer uma analogia baseada na vivência e assim desenvolver o tema até chegar à conclusão. Isso posto, quero manifestar aqui uma opinião muito pessoal: penso que o amigo foi infeliz na escolha de um fato relatado na coluna intitulada "Leis do Diálogo" (edição de 07/6). Cita a coluna a história de um cachorro vira-latas acolhido por um mosteiro.

Nesse contexto, quero comentar algumas realidades monásticas que talvez foram esquecidas na hora da redação da coluna citada. Em primeiro lugar, um mosteiro é uma instituição bastante focada nos seus propósitos: oração e trabalho. Todas as pessoas que aspiram viver num mosteiro sabem perfeitamente que aspiram a uma vida contemplativa, afastada dos labores e entretenimentos do mundo. E essas pessoas sabem que, ao professarem votos solenes, entre eles estão o de silêncio e o de obediência. Ora, sendo assim, se o acolhimento de um cachorro no interior do mosteiro perturba o ambiente de oração e o sono indispensável, é oportuno que o superior, que prestará contas da sua responsabilidade a Deus no dia do juízo, no alto da sua autoridade, decida que o cachorro não pode continuar no mesmo. Daí vem a conclusão: mas então o assunto está resolvido e não há porquê dialogar. Respeitosamente discordo: não necessariamente! Vejamos algumas possibilidades para solucionar a "questão canina":

- Matar o cachorro (puxa vida, quanta crueldade, mas resolveria o problema); – enxotar o cachorro; – construir uma casinha no lado de fora do mosteiro, onde um dos irmãos continuaria a tratar dele com os restos de comida; – levá-lo até a vila mais próxima e doá-lo para quem quisesse acolhê-lo.

Caríssimo amigo, como você pode perceber, a atitude do superior foi bastante sensata. Um mosteiro não é um asilo veterinário. E todos os assuntos que devem ser dialogados dentro de um mosteiro, o são sob a autoridade do superior. Não podemos confundir autoridade com autoritarismo.

Espero profundamente que o amigo não se ofenda com minha carta, pois não quero passar a impressão do perfeccionista chato que ignora 10 acertos para exagerar um errinho de nada, mas creio que os mosteiros sempre serão um testemunho vivo da fé e da espiritualidade católica para a humanidade, sem desmerecer nem diminuir a importância e a indispensabilidade de todas as outras formas de evangelização, inclusive a sua, que se utiliza dos meios de comunicação e da mídia.

Fraternalmente, Luís Francisco Zanchet".

 

Josefinos traçam metas da congregação

Capítulo Geral foi realizado em Fazenda Souza no mês de junho

 

Durante 20 dias, 39 delegados de 15 nações estiveram avaliando, debatendo e, sobretudo, programando os próximos seis anos de atividades da Congregação de São José – Josefinos de Murialdo. O XXI Capítulo Geral foi realizado em Fazenda Souza, Caxias do Sul, em junho. Pela primeira vez na história, ocorreu fora da Itália, país de origem da congregação.

Padre Geraldo Boniatti, provincial dos josefinos no Rio Grande do Sul, salienta que foi proposta a cada um dos participantes a pergunta: como você sonha a congregação para o futuro, para os próximos seis anos? Depois de muita oração, reflexão e trabalho em grupos surgiu o sonho-desafio: "Com os olhos fixos em Jesus, caminhamos alegremente como irmãos numa comunhão de vocações, rica de misericórdia e ternura, aberta profeticamente aos desafios culturais do meio ambiente".

Fazem parte do programa josefino para os próximos anos viver uma espiritualidade alegre e encarnada no nosso tempo e ambiente; a ação pastoral centrada na educação das crianças, adolescentes e jovens empobrecidos; a formação dos confrades pautada no caminho da fé, da fraternidade e da solidariedade.

Pela primeira vez na congregação, foi eleito um conselho provincial tendo presente a internacionalidade de seus membros. O superior geral, padre Mario Aldegani, é italiano. O vice-geral, padre Celmo Laz-zari, é brasileiro de Garibaldi (RS). Padre Aldo Pacini, ecônomo geral, é italiano; padre Alejandro Bazán, argentino, e padre Marco Villalba, do Equador, são conselheiros.

 

Falece padre João Leonir Dall'Alba

 

Durante a realização do Capítulo Geral, os josefinos foram surpreendidos com a morte do padre João Leonir Dall'Alba, ocorrida no dia 12 de junho em Ana Rech, Caxias do Sul, aos 64 anos, vítima de parada cardiovascular. A missa de encomendação e sepultamento contou com a presença de todos os capitulares, representantes de 15 nações, além de religiosos, familiares e comunidade geral.

Padre João Leonir nasceu em Caxias do Sul aos 2 de fevereiro de 1938, filho de Carino e Lúcia Ballardin Dall'Alba. Conheceu os josefinos através do irmão, padre Honorino, já falecido. Ordenado padre em 1966, atuou em Orleans (SC) na educação e no apostolado, de 1967 a 1980. Foi fundador e organizador do "Museu ao Ar Livre" local. Também trabalhou em Araranguá (SC) e, de 1987 a 1999, no Equador.

Ao retornar, esteve em Belém do Pará e finalmente em Ana Rech. Escritor, poeta e escultor, publicou 17 livros e deixou inúmeras esculturas. Alegre e humilde, sempre mostrou uma espiritualidade simples, mas profunda. Em Deus encontrava seu apoio e confiança. Seu jeito amigo atraia as crianças, adolescentes e jovens.

 

Morre frei que foi capelão da Aeronáutica

 

Vítima de falência múltipla de órgãos, faleceu no Hospital da Aeronáutica de Canoas, no dia 13 de junho de 2006, Attílio Saule Bianchi. Filho de João Batista e Clementina Farina Bianchi, nasceu em Sananduva (RS) aos 8 de dezembro de 1932. Contava com 73 anos. No dia 13 de julho, na paróquia Nossa Senhora do Líbano, em Porto Alegre, será rezada missa de 30º dia às 18h30.

Ingressou no seminário dos capuchinhos em 1945 e 11 anos depois, em Marau, emitiu os votos perpétuos, com o nome de frei Abel. Foi ordenado sacerdote por dom Vicente Scherer no dia 12 de dezembro de 1959. Desempenhou seu apostolado em Soledade, Marau e Porto Alegre, onde foi capelão do Sanatório São José.

Em fins de 1970 foi nomeado capelão da Base Aérea de Salvador (BA). Retornou ao Rio Grande do Sul em 1987, como capelão da Aeronáutica no 5º Comar, de Canoas. Quatro anos depois aposentou-se como tenente coronel da Aeronáutica. Em 2004 recebeu dispensa do ministério sacerdotal. Attílio foi exímio orador sacro e declamador, dedicado a seus compromissos, leal e idealista.

 

A alegria de ser

Wilson João

Quando a pessoa perde a dimensão e a sabedoria de sentir-se "quem é", facilmente perde-se como coisa e nas coisas

 

É bom colocar-se numa situação de morte. Toda pessoa rica, gananciosa, orgulhosa e auto-suficiente deve colocar-se seguidamente perante o fato da morte, que é fatal. Diante do fato da morte perguntar-se: quem sou eu, despido de minhas ganâncias e posses? Quem sou eu sem a casa e o carro, sem a conta bancária e a família, sem o trabalho e a saúde? Perante o fato da morte nada valem saúde e capital, poder e orgulho. Cada ser humano é aquilo que é dentro de si. Aquilo que é em sua espiritualidade. Esse exercício é saudável para quem deseja ter a "alegria de ser". A alegria de sentir-se mais do que um instrumento de produção e consumo.

NINGUÉM NASCEU PARA SER COISA. É muito comum tratar-se como coisa e tratar as outras pessoas como coisas. Quando a pessoa perde a dimensão e a sabedoria de sentir-se "quem é", de sentir-se um ser lindo e divino, de sentir-se criatura dependente e ligada ao Criador, de sentir-se criatura-filha de um Pai gerador de toda a vida, facilmente perde-se como coisa e nas coisas. Vai substituindo o ser-pessoa por coisas que tem, pelo poder que exerce, pela posição social, pelo que faz e não pelo que é, pelo poder econômico, pela profissão que ocupa. Quando essa pessoa é perguntada "quem é", vai descrevendo-se como coisa. Vai contando o que tem, o que faz, o que fez, vai contando uma história fora de si mesmo. Esquece de contar seus sonhos, suas emoções, seu destino, seus desejos profundos, suas relações, sua alegria de ter nascido, de pertencer a esta humanidade e de desejar viver eternamente.

TODAS AS PESSOAS NASCERAM PARA SEREM VIDA. Não apenas para possuírem uma vida. Somos vida. Não somos uma vida que se encarna ou desencarna. Se isso acontecesse, estaríamos sendo manipulados ao sabor das coisas. Há em cada ser humano uma vida única. Ninguém perde ou ganha a vida. Ninguém "perde a vida num acidente". Somos a vida antes, durante e depois de um acidente. Antes, durante e depois da morte.

SOMOS CONDUZIDOS POR DESEJOS E MEDOS. Esse conjunto de sentimentos e situações faz com que se limite o sentir-se vida única e intransferível. Os desejos criam em nós necessidades de crescimento, de acrescentar algo mais à vida. Ao mesmo tempo esses desejos deixam a pessoa numa contínua insatisfação, que a faz sofrer. Na verdade, os desejos são uma fonte de infelicidade. Deixam a pessoa numa contínua busca e, geralmente, numa busca material. E os medos amarram as pessoas diante do perigo de perder coisas ou de perderem-se. O medo de perder saúde, pessoas amadas, situações conquistadas, bens adquiridos, posições sociais. Os medos criam em nós sentimentos de ser menos, de regredir, de perder. A alegria de ser e de existir passa por esses caminhos, e ao mesmo tempo ultrapassa a todos. Essa é a razão da alegria de ser.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano, figlio di nessuno, que está em mim

Homero Farias Eschiletti

Pediatra, Porto Alegre – RS

Dr. Homero, artista das letras e da vida, se descobre filho de um segredo de amor e de fé:

 

"Nunca entendi o porquê de alguém, colocado numa roda de expostos, ter-se conformado com esta situação, e nenhum dos oito filhos buscar esclarecer o fato.

Coube-me, em uma família numerosa, esclarecer este segredo e quebrar mitos. Em duas viagens a Vicenza, Itália, com a ajuda de terceiros, consegui documentos que nos deram o direito à cidadania italiana.

Mais importante que a dupla cidadania foi identificar as condições iniciais de meu avô. Desde então, tivemos uma família com origem, embora muito triste. Descobri, não o brasão, mas a simples origem de um sobrenome inventado – Eschiletti. Contrariando todas as expectativas, o estranho E inicial foi confirmado. Descobri as condições de seu batismo, como e por quem foi colocado na roda dos expostos. Quem o cuidou como ama de leite, e quem o adotou foram documentos que, um a um, caíram em minhas mãos. Juntar, associar e armazenar tudo só na memória, seria temeridade. Fatos importantes seriam perdidos. Daí a ousadia de relatar esta odisséia no livro: Figlio di Nessuno – Filho de Ninguém.

Restaram perguntas que, um dia, serão elucidadas. O segredo de estado mantido até hoje sobre o nome da mãe biológica é um desafio que os parentes estão me cobrando. Seu nome, continuo curioso em saber. Gostaria que, por coincidência, um dos descendentes dela entrasse em contato. Certamente este fato é, até hoje, um segredo familiar, a exemplo do segredo de estado.

Anacleto Tiburzio ou Tiburziano nasceu em Torrebelvicino, a 4 de julho de 1865 e foi colocado na roda de expostos de Vicenza no dia 5, por Antonio Costa, quando recebeu o sobrenome Eschiletti. Quebrou-se, assim, o vínculo com a família biológica. Sobre Lúcia Mascarello e Sebastião Zani, seus pais adotivos, moradores de Vicenza, nunca tivemos notícias.

Confesso minha admiração em constatar a eficiência do sistema de arquivo italiano. Tanto em igrejas como no Arquivo Histórico e na Biblioteca de Vicenza, em minutos, consegui o que há anos procurava. Conservar documentos de Instituição que albergava crianças excluídas prova responsabilidade e respeito com a história.

Descobri que a roda dos expostos foi inventada pela Igreja para salvar a vida dos que poderiam ser mortos, porque tidos como filhos da culpa. Senti-me orgulhoso de ser católico. Todos os problemas, que sabemos ocorreram nessas instituições, ficaram em segundo plano. Entre a vida e a morte, temos que optar pela vida.

A quebra do segredo foi a chave para a minha realização pessoal, e de uma inteira família, que se multiplicava, mas carregava a pesada marca: não sabemos nossa origem. Isso prova o poder de um segredo, que perpassa gerações, mas um dia alguém sai à sua procura, muitas vezes desacreditado, recebendo ora adjetivos pejorativos, ora incentivos.

A visita a Torrebelvicino foi emocionante. O único senão foi não poder abraçar alguém da família de minha bisavó biológica. A bisavó de madeira, a roda dos expostos, a conheci, fotografei, sem a poder tocar. O vidro que a protege impediu-a de sentir o calor de um descendente de um de seus filhos adotivos, um colocado em seus braços. Agora posso, com orgulho, dizer: Somos italianos com origem comprovada e documentada" (e-mail: eschiletti@cpovo.net).

Ler Figlio di Nessuno nos remete aos destinos da vida, confiada por Deus ao arbítrio do homem. Sobreviver como filho de ninguém é ser filho de todos (!) (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (367)

Nanetto serca la casa paterna, ma cata poco e gnente

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba – PR

 

– La Basìlica de San Marco, dise Edilson, ze la pi granda de Venèssia. La ga scominsià come capela ducal, a fianco del Palasso Ducal. In sta Basìlica el Doge el ricevea la so achiamassion. La Basìlica la ze cossì granda che’l so frontispìssio el ga sinque grande porte e la ga sinque cùpole. El frontispìssio l’è de marmo. Le piture le ze in mosaico, contando la vita de San Marco. I ossi de San Marco i ze metesti via in sta Basìlica. La Piassa la se divide in due: la grande, davanti la Basìlica, e la pìcola, davanti el Palasso Ducale. Diariamente la ze piena de turis-ti e de miliaia de colombe, come vedé. El sìmbolo de San Marco ze un leon con le ale, co na sata sora el Vangelo. El rapresenta la pace. Vardè lì la Ponte dei Sospiri. La liga el càlsere al Tribunal. La se ciama cossì parché, antigamente, quando i prisionieri i gera menai dal càlsere al Tribunal, passando par la ponte, i suspirea, parché i prevedea la so condana. La Ponte del Rialto la ze na òpera de arte del sècolo XVI. El progeto l’è de Antònio dela Ponte, che’l ga vinto la concorensa con Michelàngelo, Sansovino e Palladio. El Palasso Ducal anca ze na òpera de arte. El ze stà costruio tel sècolo IX, con due piani e colone finide in arco, con richìssime piture interne. El piano l’è de mosaichi. Tel sofito ghe ze la frase: "Nunquam derelicta Reipublicae fundamentum", che Edilson, sfidà par Nanetto, la traduse: – No se pol mai smentegar i fondamenti dea Repùblica!

Vinta la sfida de Nanetto, Edilson el ne mena ala Fàbrica de Cristali de Murano, con la sposission dei prodoti, dei quali nessun ghenà comperà, par via del presso. Con alcune ore de tempo lìbero, Edilson el dise a Nanetto:

– Te pol visitar i toi, che da tanto tempo te li ghè assai!

– Gràssie! Fursi no cate pi nissuni. Ma al manco la casa vui veder. La ze distanteto, ma mi vegnea sempre qua in piassa schersar con le colombe! El pupà el barufea con mi, parché mi vegnea con le scarsele piene de granturco pai colombi.

A la ora de ciapar el vaporeto par el albergo in Cittadella, Edilson el vede Nanetto caminando de testa bassa, pensieroso e el ghe domanda:

– Nanetto, gheto catà i toi?!

– A go catà sol alcuni cusini, e pi gnente!

– Nanetto, dise Edilson, meténdoghe le man su le spale, coraio, la vita la ze cossì: l’omo el nasse, el vive e el more. Ze la leie dea natura. Al manco ti te ghè boni ricordi, te me disei che te ricordei tante cose che’l nono te ga insegnà. Desso ti te porti la vita e la stòria dea fameia in Mèrica e via pal mondo!

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

El talian che son mi

Romano Prando

Lacerdópolis – SC

 

Mi son nassesto in San Luigi ai 21 de genaro de 1940. Go fato el primàrio te la Scola Munissipale de San Luigi. Tea nostra fameia gavemo bio sempre el giornale Correio Riograndense. Co go imparà lèdere, me piasea leder le stòrie taliane sul giornale. Dopo go comprà el libro de Nanetto Pipetta e go imparà anca scrìver in talian. Go scrito un paro de poemi, belche publicai tel giornale.

Desso ve scrive come zera la vita sti ani. Se ndea scola a la matina co la brina bianca, pié par tera, e la maestra la gavea na bacheta de codognaro. Cari da Dio, se no se fea polito, la bacheta la cantea!

Dopo mesdì, tuti in colònia. Se piantea formento, mìlio, fasui, riso e tuto quel che se ghea de bisogno. El formento se lo taiea col segheto e dopo seco se lo lighea co le strope e se lo menea casa te la careta tirada pai boi; el riso se lo pestea col pilon a man; la ua se la pestea coi pié par far el vin; se torcea la cana par far el melado e el sùcaro. I boi che tirava el tòrcio i restea storni de tanto ndar intorno. Tel inverno se fea la foghera de San Gioani, se passea sora le bronse pié par tera.

Tel 1950, ghemo comprà un ràdio a bateria, ze stà na gran novità. A la doménega vegnea tanta gente par scoltar sta ràdio. Par cargar la bateria se ndea a caval distante diese chilòmetri con due sachi de stopa e la bateria. Se gavea arquanti cassuni de ave, lora se gavea miel el ano intiero. Par far punari, staloti e casote par i racolti se ndea tel mato, taiar un pin, segar le tole e i caibri co la sega a man.

Oncó vui ringrassiar ai imigranti che i ga portà del Itàlia bei esémpii de laoro, amicìssia e fede. Che Dio li tegna in bona tel paradiso.

 

Ricordar, viver e continuar la stòria

 

Come ga scrito polito sul giornal del 30 de marso del 2005, Paulo Suliani, gióvane avocato de Porto Alegre! Ze bel sentir un gióvane parlar dea stòria dei nostri imigranti, che i partia del Itália, disendo: "Ndemo in Mèrica catar la cucagna." Ma, con voia e tanto laoro, i ga fato la Europa qua in Mèrica. I ga messo su agroindùstrie che le manda prodoti via pal mondo. E noantri bisogna portar vanti, e mantegner la so cultura, esémpii e tradission.

I ga fato la Mèrica come i volea. Parché ghe piasea tanto el vin, suito i ga piantà vigne, tirà su vignai e fato su cantine par meter el bon vin. I ga portà tante maniere de far, de viver e, soratuto, de magnar, come la polenta ténera, la polenta dura, taiada a fete, e la polenta brustolada coi radici consai col lardo; el formaio messo in màsera tei fondi del vin, par ciapar color e conservarse meio par dopo gratarlo e méterlo te la minestra, tei bìgoli, tel brodo...; salami e ossocoi, lora, gnanca parlar; pissacan lessi e consai con la panseta de porco, par magnar con la polenta ténera o brustolada, con un bel bicer de vin. Bisogna portar vanti el filò, i dughi del trissete, brìscola, scopa, quatrìlio... Ricordar i nostri migranti e rivìver la so alegria al rivar a Rio Grande dopo quaranta giorni de viaio, par ndar scomissiar la vita in Alfredo Chaves e altre colònie, prima e anca dopo del mila e novessento.

Se ogniuno el ricorda e el matien la so stòria, tuti insieme la mantegnemo tuta.

 

GERAL

Corede-Serra prioriza educação e saúde

Participação dobrou e população pede ainda mais segurança

 

A população dos 33 municípios da região de abrangência do Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede-Serra) decidiu que o hospital Tacchini, de Bento Gonçalves, terá R$ 1,9 milhão em 2007 para comprar o equipamento de radioterapia. "Com isso, irá prestar atendimento a todos os municípios da Serra", diz o secretário-executivo do Corede, José Antônio Adamoli. O Hospital Geral, de Caxias do Sul, e o Tacchini disputavam a aquisição do mesmo equipamento de radioterapia.

Contudo, novamente a educação, visando a compra de equipamentos para as escolas, liderou a preferência da população, com 6l mil votos. Em seguida, veio a saúde, com 45 mil e a segurança, com 43 mil.

Trinta e dois projetos, divididos em nove áreas temáticas, foram submetidos à Consulta Popular, no dia 28 de junho. Cerca de 80 mil votos foram depositados nas urnas da região. "O crescimento no número de participantes dobrou em relação à maior votação já registrada", diz Adamoli ao CR.

O governo do Estado colocou à disposição do Corede Serra, R$ 9.135.617,71 e mais R$ 2 milhões para os municípios que são atendidos pela Corsan. As áreas que disputam os maiores investimentos são saúde, com propostas que totalizam R$ 5 milhões; educação, com R$ 4,5 milhões, seguidos de ciências, com propostas que somam R$ 2,2 milhões; segurança e justiça, com R$ 1,9 milhão, meio ambiente, R$ 1,4 milhão; turismo, R$ 1,1 milhão, e desenvolvimento, R$ 1 milhão.

 

Municípios recebem R$ 55,3 milhões

 

Vinte e oito municípios gaúchos assinaram convênios por meio da CaixaRS e irão receber R$ 55,3 milhões. Na Serra, Serafina Corrêa estará recebendo R$ 1 milhão para adquirir uma restroescavadeira, pá carregadeira e dois caminhões. O município também será beneficiado com R$ 500 mil que, somados à contrapartida da Prefeitura de R$ 167 mil, serão utilizados para a pavimentação de mais de 14 mil m² de ruas com pedras regulares, microdrenagem de vias, conclusão de um posto de saúde e a construção de uma rede de água com extensão de 1.695 metros.

Já o município de Cotiporã vai receber R$ 600 mil para a aquisição de um rolo compactador e duas retroescavadeiras.