
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.996 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 12 de julho de 2006.
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Excesso de candidatos prejudica debate amplo
Para conhecer as propostas, eleitor terá de acompanhar a propaganda no rádio e na TV
A União não dispõe de recursos financeiros para resolver nem os problemas mais prementes; os Estados, em sua maioria, estão com os cofres raspados – alguns com receita inferior às despesas. O número de candidatos inscritos para as eleições de 1º de outubro, no entanto, surpreende. São dez no Rio Grande do Sul, oito em Santa Catarina... sete disputam a Presidência da República.
O mesmo fenômeno se observa na corrida às vagas para Assembléias Legislativas e Câmara Federal. No caso gaúcho, as candidaturas registradas representam aumento de 34% e de 109%, respectivamente sobre a última eleição.
De um lado, sempre ressaltando a legitimidade do direito de todo cidadão almejar ocupar um cargo no Executivo ou no Legislativo, pode-se concluir que com mais concorrentes crescem também as chances de surgirem idéias novas, criativas e – fundamental – exeqüíveis. De outro, porém, não é possível afastar totalmente a relação com o oportunismo.
O excesso de candidatos gera outros problemas: impossibilita um debate amplo com os pretendentes a vagas no Legislativo e dificulta bastante uma discussão aprofundada entre os candidatos aos governos estaduais e a presidente do país. Para o eleitor conhecer todas as propostas terá de acompanhar a propaganda eleitoral no rádio e na TV, o que é limitante e perigoso – os brasileiros conhecem bem, sem lembranças agradáveis, o que muito dinheiro e uma boa estratégia de marketing podem produzir.
A eleição é o momento que cada partido político tem para externar seu programa na tentativa de atrair eleitores. Siglas que hoje são grandes já foram pequenas e evoluíram com a conquista de votos. Seria injusto, portanto, impedir a participação de todos. A solução passa pela redução do número de partidos, hoje superior a três dezenas. E isso depende de uma reforma que o interesse específico de muitos políticos tranca há anos.
Não há como mudar as regras nesse pleito. Mas é importante que também se comece a questionar pretendentes a cargos sobre a necessidade de um encolhimento – eliminando as suspeitas sobre siglas de aluguel e fortalecendo e identificando bem claramente no campo ideológico os partidos que permanecerem.
Prefeitura inicia as obras de conclusão da Perimetral Sul
Pavimentação de 400 metros da via fica pronta em sete meses
O prefeito José Ivo Sartori assinou no sábado 8 o início das obras de conclusão da Perimetral Sul (Av. Bruno Segalla), no trecho entre a rua Filippo Brustolin e a BR-116, e a construção da rotatória no entroncamento da Perimetral Sul com a BR-116. Segundo o secretário dos Transportes e Mobilidade Urbana, Jorge Spinelli Dutra, serão pavimentados 400 metros de pista dupla, com canteiro central, além de rotatória com 60 metros de diâmetro no entroncamento.
"O investimento total será de cerca de R$ 2 milhões, sendo R$ 852 mil de recursos próprios da Secretaria e o restante proveniente de financiamento do BNDES", informou o secretário. A assinatura ocorreu no terreno próximo à rodovia federal. Sartori destacou a importância da obra que deverá solucionar "os sérios problemas de congestionamento especialmente durante os horários de pico". Salientou que a perimetral vai beneficiar milhares de usuários que terão na via o principal acesso sul à cidade. A obra de conclusão da Perimetral Sul deverá ficar pronta em sete meses, através da empresa Terpac.
Cresce número de turistas no inverno
A Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria do Turismo, revela um significativo número de turistas que visitam a cidade no inverno. Esse crescimento foi constatado nos seis pontos de informações turísticas distribuídos na rodoviária, aeroporto, praça Dante Alighieri, Shopping Iguatemi, Centro da Pronta Entrega e Igreja São Pelegrino.
Nos últimos 30 dias foram registrados 29.647 atendimentos pelos funcionários da STUR, sendo que só na Igreja São Pelegrino passaram 9.654 pessoas. Conforme informou o secretário Daniel Guerra, através da assessoria de comunicação, um dos motivos do aumento de visitantes é a divulgação que o município tem feito intensivamente junto a lideranças do setor, em especial em feiras de expressão nacional. Apesar de os quase 30 mil atendimentos serem expressivos, o secretário, no entanto, não cita parâmetros que permitiriam apurar o percentual de crescimento.
Arquivo Histórico é adotado pela CEF
O Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami está entre as 31 entidades do país selecionadas pelo programa Adoção de Entidades Culturais da Caixa Econômica Federal (CEF). A Secretaria da Cultura, por meio da ONG Associação Amigos da Memória e Patrimônio, inscreveu-se no programa com um projeto de informatização de todo o arquivo de Caxias do Sul e vai receber R$ 114 mil. "Será feita a indexação eletrônica dos documentos, ou seja, milhões de informações do Arquivo serão integradas, facilitando a pesquisa", explica a diretora do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural da Secretaria, Liliana Henrichs.
O programa foi criado para valorizar, preservar e divulgar o patrimônio cultural brasileiro, estendendo a atuação das instituições além dos seus próprios espaços culturais.
ACPMen promove a XX Ciranda da Canção
A Associação Centro de Promoção do Menor Santa Fé (ACPMen), de Caxias do Sul, realiza no dia 15 de julho a XX Ciranda da Canção. As apresentações iniciam às 14h30, no salão de eventos da instituição. Este ano, as canções, criadas pelos jovens atendidos pela associação, seguem o tema da Campanha da Fraternidade, "Levanta-te, vem para o meio". Objetivo é valorizar jovens talentos. A ACPMen assiste hoje cerca de 550 crianças e adolescentes com programas de educação infantil e oficinas de música, dança, canto, artesanato, corte e costura, informática, esporte, padaria e confeitaria.
ONU mostra relativo avanço mundial no acesso à água
Taxa de pessoas sem água potável caiu 33%. Mas situação ainda é crítica em muitas regiões
Pela primeira vez desde que começou a acompanhar de perto o problema, a Organização das Nações Unidas (ONU) constata maior acesso à água potável no mundo. Relatório divulgado no início do mês revela que o número de pessoas que não recebem água potável caiu de 30%, em 1990, para 20%, em 2004. O índice de redução equivale a impressionantes 33%.
Este é um dos principais avanços detectados pela avaliação dos esforços realizados pelos 191 países membros da ONU, entre eles o Brasil, no cumprimento das oito metas do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidas para serem concretizadas até 2015. Baseada no resultado positivo da pesquisa, a organização concluiu que a meta de diminuir pela metade o contingente de pessoas que não podem consumir água tratada, ou seja, de 30% para 15%, tem condições de ser atingida nos próximos 10 anos.
Embora a queda seja significativa, é preciso ressaltar que 20% da população do planeta não bebem água potável. Esse percentual representa 1,1 bilhão de pessoas.
Realidade – Mesmo considerando essa melhoria, a ONU alerta que regiões como a África subsaariana não cumprirão com o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio. Apenas 12% das nações de todo o mundo conseguiram cumprir com os prazos para a introdução, até 2005, de uma estratégia hídrica efetiva. Isso explica, pelo menos em parte, porque em 2002, segundo a OMS, morreram 3,1 milhões de pessoas (90% das quais eram crianças) devido a doenças diarréicas associadas à água consumida.
As alterações climáticas globais estão gerando forte impacto. O relatório revela que os níveis aqüíferos de rios e lençóis de água em muitas regiões estavam em declínio devido à redução das chuvas e a índices mais elevados de evaporação.
Continentes – De certa forma, o relatório da ONU mantém a projeção de desigualdade no encaminhamento de soluções. A escassez de água permanece mais acentuada em países asiáticos e africanos. A Ásia, que detém 36% das reservas hídricas do planeta, sofre mais porque abriga 60% dos habitantes da Terra. Regiões da China e da Índia são afetadas drasticamente pela escassez do líquido. Na África a desproporção é menor (11% das reservas para 13% da população), mas na área subsaariana a falta de água é dramática – não é incomum pessoas terem de beber a própria urina para não morrer de sede.
A Europa também tem uma grande defasagem (observe tabela abaixo). Só que os europeus controlam mais o desperdício e dispõem de recursos para a reutilização da água.
Pela relação água-população, a América do Sul deveria estar tranqüila. Desequilíbrios internos, porém, desfazem a idéia de suposta fartura. O Brasil é exemplar: o Nordeste, com 29% dos brasileiros, conta com apenas 3% dos mananciais de água do país; o Norte, com 7% dos habitantes, tem 68% dos recursos. E mesmo na Amazônia, pela precária infra-estrutura, é grande o número de pessoas não atendidas pelas redes de distribuição. A questão, muitas vezes, não se resume à existência de água, mas às condições de acesso a um bem que deveria ser universal.
Desperdício – No caso brasileiro, o maior inimigo da água chama-se desperdício. Vazamentos na rede de abastecimento deixam escoar de 40% a 60% de água tratada. Nas residências, o desperdício chegaria a 70%, segundo o pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Aldo Rebouças, especialista em recursos hídricos e em meio ambiente. Outro profundo conhecedor da área, o professor Paulo Canedo, diz que a água desperdiçada no Brasil é suficiente para abastecer França, Bélgica, Suíça e ainda parte da Itália – isso equivale a mais de 100 milhões de pessoas.
Falta esgoto para 50% da população
O relatório da ONU revela ainda que está comprometida a meta de reduzir pela metade a percentagem dos que não têm acesso a melhores condições de saneamento básico. O compromisso até 2015 é de diminuir a taxa do segmento em 33%, o que vai exigir maior aceleração de investimentos e de políticas públicas. Hoje, metade do mundo sofre com problemas de saneamento básico. Em 1990, a taxa era de 65% da população sem saneamento.
De acordo com o Ministério das Cidades, 51% dos municípios brasileiros já possuem coleta de esgoto – mas apenas 15% recebem tratamento. O ministério estima em R$ 180 bilhões os investimentos necessários para promover a cobertura integral dos serviços de saneamento até 2020.
Combate à pobreza na AL segue lento
O combate à extrema pobreza continua lento na América Latina e estagnado em 44% na África Subsaariana. Essas constatações também integram o relatório da ONU sobre o Desenvolvimento do Milênio, que tem como principal objetivo a erradicação da pobreza extrema.
O documento, no entanto, registra sinais que a recente melhora no desempenho econômico dessas regiões, em parceria com a redução da dívida externa e com a ajuda de doadores, podem favorecer o progresso sustentado. Além de comprovadas ações de combate à pobreza no sul e leste da Ásia, no ano passado a ajuda pública ao desenvolvimento ultrapassou a soma de US$ 100 bilhões pela primeira vez, atingindo o nível de um terço do 1% do rendimento conjunto dos países doadores.
Disputa por mananciais gera tensões
Existem hoje no mundo cerca de 200 sistemas fluviais que cruzam a fronteira de dois ou mais países, além de 13 grandes rios que banham quatro ou mais países, compartilhados por 100 diferentes nações. São grandes as chances de conflito na gestão de tais recursos. Muitos desses sistemas são utilizados até a sua exaustão. O aumento do consumo dos rios Amarelo (China), o Ganges (Índia), o Nilo (África), e o São Francisco (Brasil) pode exauri-los em 10 anos. A projeção é do professor de História da UFRJ Francisco Teixeira, em artigo da Agência Carta Maior.
Segundo ele, a escassez de água tem gerado tensões em várias regiões do planeta. No norte da África, por exemplo, envolvem Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia; no Oriente Médio, a Turquia ameaça o controle das fontes do Eufrates, colocando a Síria e o Iraque em situação de dependência e alto risco. Na América do Norte, o uso do Rio Bravo, na fronteira dos EUA com o México, é uma fonte permanente de atritos; na Ásia Central, o controle do Tibet/Pamir, de onde provêm as fontes dos rios que correm para a China, Paquistão e Índia acentuam os conflitos na Cachemira, Nepal e Tibet.
Os mais claros sinais de crise estão no uso múltiplo das águas do Nilo; no acesso ao Eufrates; no controle dos mananciais na Ásia Central; no controle das terras altas chuvosas em Ruanda e na Somália; no controle das terras chuvosas no Quênia e Zimbábue; e no controle de lagos e oásis no Sahel.
Afetados se obrigam a importar alimentos
A escassez da água rompe fronteiras por meio do comércio internacional de alimentos. O mercado importador de grãos com maior crescimento no mundo é o da África do Norte e Oriente Médio, área que inclui Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito e Oriente Médio até o Irã. Além da escassez de água, praticamente todos os países dessa região sofrem simultaneamente o crescimento populacional acelerado – o que exige sempre mais alimentos.
À medida que aumenta a demanda de água pelas cidades e indústrias da região, ela é atendida pelo desvio da água de irrigação. A importação de grãos compensa a perda da capacidade de produção de alimentos. É a forma mais eficiente de comprar água, uma vez que uma tonelada de grãos representa mil toneladas do líquido.
Cresce produção de feijão, mas consumo cai
Mesmo assim, o Brasil gasta US$ 20 milhões/ano com importação do grão
A mudança de hábitos alimentares e a oferta de proteína animal estão causando a redução no consumo do feijão, alimento tradicional na dieta do brasileiro. A queda registrada é de 12% nos últimos anos, passando de 18,5 kg/hab/ano para 16,3 kg/hab/ano. A constatação preocupa os especialistas da cadeia produtiva e afeta o agricultor.
A produção brasileira de feijão em grão aumentou de 2,3 milhões de toneladas para 3,1 milhões de toneladas (+33,8%) no período 1975-2004, graças ao aumento da produtividade média de 550,5 kg/ha para 757,2 kg/ha (+37,5%). Este aumento permitiu atender a demanda interna e ainda liberou 112 mil hectares para outras atividades.
Internacionalmente houve crescimento moderado da área colhida (+11,5%), aumento maior do rendimento (+26,7%) e, conseqüentemente, um salto ainda maior da produção (+41,3%) de feijão neste mesmo período.
Desafios – Apesar da diminuição do consumo e do aumento da produção, o Brasil ainda importa quantidades consideráveis de feijão. Segundo a Embrapa Arroz e Feijão o país compra lá fora, preferencialmente, o grão tipo preto. "Em valores, estas importações líquidas têm ultrapassado a margem dos US$ 20 milhões anuais", diz o socioeconomista da instituição, Alcido Elenor Wander.
Para a Embrapa, o setor está sendo desafiado a encontrar oportunidades de mercado para o produto. "Internamente, por exemplo, poderíamos reforçar o valor alimentar do grão, através de campanhas de conscientização junto aos consumidores, para estimular o consumo", sugere Wander.
Outra opção é o mercado externo. Para que o Brasil possa exportar, no entanto, precisa desenvolver produtos (melhoramento genético) que atendam às preferências dos consumidores de outros países (ler abaixo).
Pesquisa lança cultivares para região Sul
Para o plantio da próxima safra chegam ao mercado as novas cultivares de feijão da Embrapa Clima Temperado, BRS valente e BRS campeiro, próprias para a região Sul. Nas características agronômicas, as cultivares apresentam coloração de grão preto, ciclo médio de 85 dias e alto potencial produtivo, podendo chegar a 55 sacos por hectare.
Também na safra 2007, o produtor terá acesso à primeira cultivar brasileira de feijão branco, a IPR garça, desenvolvida pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Atualmente, o país importa as sementes de feijão branco da Argentina. "A IPR garça é produtiva, de excelentes qualidades culinárias, ideal para saladas, sopas e pratos requintados", diz a pesquisadora do Iapar, Vania Cirino.
Variedade de ciclo precoce (65/70 dias), o IPR garça tem boa adaptação e é mais precoce. O potencial máximo de produção é de 2.500 quilos/hectare, ante o máximo de 3.500 quilos/ ha de outras variedades.
Manejo – Os pesquisadores alertam para as tecnologias de manejo do feijoeiro. Entre elas, indicam a prática de semeadura com uso de rompedores de solo (tipo facão), que permite o aprofundamento do fertilizante favorecendo o desenvolvimento de raízes mesmo em solos com problema de adensamento. "A técnica é estratégia para contornar períodos de estiagem", ensina Paulo Kurtz, da Embrapa Trigo.
Outra dica trata dos cuidados com a pós-colheita. A principal é o controle de pragas na armazenagem, o que garante a sanidade dos grãos destinados à alimentação humana e à produção de sementes.
Agroshow exibe tecnologia ao produtor rural
Evento diferenciado e focado nas atividades da agricultura familiar. Assim é o Agroshow, feira de dinâmicas, negócios e tecnologias, que ocorre de 12 a 16 de julho, em Nova Petrópolis (RS), promovida pela Emater e parceiros. Está confirmada a participação de 105 expositores. Haverá painéis e palestras sobre cooperativismo e acidentes com agrotóxicos. Juntamente, ocorre o Fórum Estadual do Círculo de Máquinas e o 2º Encontro dos Técnicos Agrícolas do RS.
Novidades – Durante os cinco dias, o público poderá conferir a evolução da fruticultura, bovinocultura de leite a pasto, piscicultura, saneamento, suinocultura e olericultura. "O objetivo é valorizar a agricultura familiar e possibilitar que os produtores visualizem práticas e tecnologias importantes, que possam ser utilizadas nas propriedades", ressalta o agrônomo da Emater, Dulphe Pinheiro Machado Neto.
Entre as novidades desta edição está o espaço "Relembrando a história de um povo", que vai contar com 10 cenários onde serão apresentados equipamentos, ferramentas, indumentárias, moradias, cultivos e a venda, representando a saga dos primeiros imigrantes que colonizaram a região.
O público também poderá conhecer a cadeia produtiva do leite, desde o trabalho feito na propriedade até o produto pronto para o consumo, além de receber atendimento e orientações na área da saúde, conhecer cisterna de captação e armazenamento de água e o processo de produção do biodiesel. Haverá ainda espaço destinado ao turismo rural, às agroindústrias e ao artesanato.
Newcastle impacta a avicultura
A maior preocupação do setor é com as perdas comerciais
Depois da descoberta do foco de newcastle em Vale Real, a 90 km de Porto Alegre (ver mapa), o setor avícola nacional entrou em alerta. Santa Catarina fechou as suas fronteiras. O Paraná reforçou a vigilância sanitária e pelo menos três países, até a segunda-feira 10, tinham suspendido as importações dos produtos avícolas gaúchos.
Embora a indústria, criadores e autoridades acreditem que o caso seja isolado e esteja controlado, o clima é de precaução. "Finalizamos a coleta de todo o material hoje (segunda 10). Mas o vírus já foi identificado pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), em Campinas (SP)", esclarece a veterinária do Ministério da Agricultura no RS (Mapa), Adriana Reckviegel. "Ainda não sabemos como o vírus da newcastle chegou ao município. Teremos essa resposta em 60 dias", adianta Adriana ao CR.
Segundo Éder Bardon, diretor técnico da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o Rio Grande do Sul está bem preparado na questão de vigilância, "mas falta maior atenção do governo federal na área de diagnósticos." Já Ariel Antonio Mendes, vice-presidente técnico-científico da União Brasileira de Avicultura, acredita que este fato não deverá ter maior repercussão, como já ocorreu em 2001, em Nova Roma (GO), onde galinhas caipiras foram contaminadas.
Atualmente, os certificados sanitários ligados à avicultura, conforme as regras da OIE, explicam que ao surgimento de um foco de doença, como a de newcastle, o local pode ser liberado depois de 21 dias, após o sacrifício da última ave.
Histórico – Segundo Asgav, há aproximadamente 60 dias apareceu uma suspeita de newcastle numa galinha caipira no RS. Amostras foram colhidas e encaminhadas para o laboratório Lanagro, ligado ao Mapa. Inicialmente a sorologia deu negativo, mas depois de mais três testes (que foram feitos devido a problemas de procedimento, entre eles, contaminação bacteriana de amostras) o resultado foi positivo.
O Estado não registrava a doença há 22 anos. Também conhecida como pneumoencefalite aviária, a doença se caracteriza por infecção aguda, altamente contagiosa. Causa desordem nervosa e respiratória nas aves. Outras espécies de aves também são acometidas pela newcastle (ler abaixo).
Granjas comerciais são mais afetadas
As autoridades sanitárias do Rio Grande do Sul já sacrificaram as aves da propriedade considerada foco em Vale Real e adotaram medidas de restrição do trânsito de aves no raio de dez quilômetros da propriedade foco, conforme prevê a OIE. Também levaram pintos, as chamadas sentinelas, para verificar a inexistência da doença.
Dentre as exigências, as aves de um dia e os ovos provenientes de certos estabelecimentos deverão ter Guia de Trânsito Animal emitida por médico veterinário oficial ou credenciado, após realização de amostragem sorológica negativa para a doença de newcastle.
Os estabelecimentos definidos pelo documento do Ministério da Agricultura são granjas de seleção genética de reprodutoras primárias e de bisavós, importadoras, exportadoras, produtoras de ovos férteis e aves de um dia para a produção de avós e bisavós, granjas de matrizes, usadas na produção de aves comerciais, matrizes recriadas de até 24 semanas.
Doença é viral e não atinge o ser humano
Classificada como doença viral, aguda e altamente contagiosa, a newcastle atinge espécies aviárias, provocando tosse, espirro, estertores, seguidos de manifestações nervosas, diarréia e edema da cabeça.
De acordo com a veterinária Adriana Reckviegel, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a doença afeta apenas as aves, "não havendo qualquer hipótese de transmissão para o ser humano."
Engº. Agrº. José Zugno
Canarinho parou de cantar
Tenho um canarinho de dois anos de idade. Sempre cantou, animando nossa casa. Há dois meses, começou a perder as penas e parou de cantar, o que nos entristeceu. Gostaria de saber: é normal perder as penas e isso tem ligação com o fato do pássaro parar de cantar? O que devo fazer?
VERA PEREIRA
Caxias do Sul – RS
Após ter recebido sua carta encontrei-me com o amigo Paulo Kantorski, criador de canários e outras aves, em Santa Maria, na região central do Estado, que me disse ser normal a mudança de comportamento da ave, quando ocorre a troca das penas.
Disse ele, que a muda de penas nada mais é que a substituição das penas velhas, desgastadas, por novas, processo relacionado com a alimentação e a luminosidade. Na mudança ocorre uma grande necessidade de energia e substâncias protéicas. Os alimentos então não podem ser deficientes. A luminosidade também é importante, pois a falta de luz nesta fase favorece a muda, causa diminuição de hormônios que influem nas funções orgânicas do pássaro".
Em Caxias do Sul, a firma Comércio de Alimentos Rouxinol, dirigida pelo senhor Marcos José Calgaro – Rua 20 de Setembro 2530, telefone (54) 3220 4599 –, lida com todo tipo de pássaros de gaiola e produtos relacionados à criação. O proprietário informa que é normal a troca periódica das penas dos canários e que nesse período (30 a 90 dias) deixa de cantar. A Rouxinol fornece alimento adequado (ração equilibrada) para a ocasião da mudança de penas.
Também em Caxias existem outras casas especializadas em pássaros, onde a prezada leitora poderá obter as informações que deseja. Inclusive a Sociedade Ornitológica Caxiense, telefone (54) 3214 5362, está à disposição dos interessados.
Café diminui o risco de cirrose
A bebida também protege o fígado contra tumores
Um estudo americano fez aumentar a lista dos benefícios do café à saúde. Segundo a pesquisa, publicada pela revista médica Archives of Internal Medicine, o risco de cirrose alcoólica diminui a cada xícara de café bebida por dia.
O trabalho, coordenado por pesquisadores do Kaiser Permanente, um instituto de saúde sem fins lucrativos, na Califórnia, foi feito com mais de 125 mil homens e mulheres ao longo de sete anos. Eles colheram informações acerca dos hábitos de vida, do consumo de café e de manifestações de doenças hepáticas dessas pessoas e cruzaram os dados. A conclusão é que o efeito protetor varia de acordo com a dose ingerida, ou seja, quanto maior o consumo de café, maior também a proteção oferecida pela bebida.
Tomar menos de uma xícara de café por dia reduz o risco de cirrose alcoólica em 30%; de uma a três xícaras, em 40%; e quatro ou mais xícaras, em 80%. Houve também uma redução não-significativa no aparecimento de outros tipos de cirrose – não associadas com álcool – em pacientes que bebiam café.
Porém, o cardiologista Arthur Klatsky, que liderou o estudo, alerta que os indícios de que o café protege o fígado não autorizam o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. "Mesmo que o café funcione como proteção, a primeira medida para a redução da cirrose alcoólica é evitar beber álcool em grandes quantidades", declarou.
Os pesquisadores ainda não têm certeza de que a cafeína é responsável pelo resultado, já que o risco de cirrose entre os consumidores de chá, que também contém essa substância, não diminuiu. Ao contrário do que muitos imaginam, o café não é composto apenas por cafeína. Apesar de esta ser a substância mais associada à bebida, ela é responsável por apenas 2,5% do cafezinho, deixando espaço para diversas outras, como potássio, magnésio, cálcio, sódio, ferro, manganês, rubídio, zinco, cobre e mais 36 elementos.
Além da ação contra a cirrose, há evidências de que o café protege o fígado de tumores, como demonstrou um trabalho publicado no ano passado pelo Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos. Segundo esta pesquisa, cinco xícaras ao dia são suficientes para reduzir pela metade o risco de câncer hepático – mas são cinco xícaras de café americano, ou seja, bem fraco.
Outros estudos científicos sugerem que o consumo diário de café é benéfico à memória e à concentração e pode prevenir o surgimento do diabetes tipo 2. Por conter antioxidantes que melhoram o sistema cardiovascular, também é apontado como um protetor do coração.
Consumo moderado garante benefícios
Apesar de todos os benefícios que o café pode oferecer à saúde, não deve ser ingerido em excesso. Também existem estudos que associam o alto consumo desta bebida com a osteoporose. Pessoas que têm gastrite, são hipertensas, sofrem de arritmia ou insônia também precisam controlar as xícaras de café.
Embora os efeitos do café sobre o organismo sejam objeto de estudo há muitos anos, ainda existem muitos pontos não esclarecidos a respeito da relação entre seu consumo e a saúde. A função de cada uma das substâncias presentes no café ainda não foi identificada com precisão. Na dúvida, melhor não exagerar. Os médicos recomendam de dois a três cafezinhos por dia.
Receitas de cafés famosos
À moda russa: 4 ovos, 1 laranja, ½ limão, 2 maçãs, 3 bananas, 1 copo e meio de café, ½ taça de açúcar e uma dose de rum. Durante um minuto, bater no liquidificador (em velocidade média) os ovos, as frutas e o café. No final, adicionar o açúcar e o rum. Servir.
Árabe: café açucarado, feito com água fervida, canela e cardamomo (semente aromática da Índia).
De Milão: colocar em uma coqueteleira uma taça de café muito forte, 3 colheres (sopa) de leite condensado, 1 gema de ovo, 2 copos de vermute, 1 rodela de limão, um pouco de canela e gelo picado. Agitar por cerca de 4 ou 5 minutos e servir.
Catalão: café misturado com um pouco de licor de creme catalão. Também pode ser acrescentado um pouco de leite.
Brown owl: colocar em uma coqueteleira uma taça de café forte, 1 ovo inteiro, 1 colher (sopa) de creme de leite fresco, um pouco de mel ou açúcar e um pouco de gelo picado. Agitar durante 4 ou 5 minutos e servir.
Chateau: partes iguais de café e licor de cereja, coberto com chantilly.
Escocês: café misturado com açúcar, licor de creme de café, whisky escocês e creme de leite, decorado com nata batida e pistaches picados.
Irlandês: café quente, açúcar, whisky e nata.
Fariseu: misturar cacau, café, rum e nata.
Moscovita: café com açúcar e vodka.
Turco: colocar pó de café, de preferência bem fino, misturado com açúcar, em um bule. Adicionar a água e ferver. Deixar repousar e beber sem filtrar.
Royal: pão de açúcar no fundo da taça e café quente até a metade. Umedecer com conhaque, flambar e cobrir com nata. No lugar do pão de açúcar, pode ser utilizado o açúcar branco.
Coquetel de café: colocar em uma coqueteleira uma taça de café muito forte, 4 colheres (sopa) de leite condensado, ½ copo de água e um pouco de gelo picado, acrescentando, se desejar, um pouco de baunilha em pó. Agitar por cerca de 4 ou 5 minutos e servir.
Justiça ou impunidade?
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Enquanto um pobre que furta para comer vai facilmente preso, pessoas envolvidas em escândalos fazem passagem meteórica pelas prisões. Escorados na liberdade que lhes concede a situação financeira ou a classe social, os ladrões de classe média alta praticam violências em todas as direções
A menina rica de cabelos louros vai voltar para a cadeia. Após negar o habeas corpus a Suzanne Richthofen, acusada de comandar o assassinato dos pais, em São Paulo, executado pelo namorado e o irmão deste em 2002, o Superior Tribunal de Justiça cassou a liminar que havia concedido temporariamente à jovem o benefício da prisão domiciliar. Ela será levada ao Centro de Ressocialização de Rio Claro onde deverá ficar até o julgamento, em julho.
Com isso, o STJ pretende evitar uma possível fuga da jovem do país, assim como proteger seu irmão Andréas, que é testemunha de acusação e de quem Suzanne reivindica a posse da herança dos pais.
Enquanto isso no Pará, o fazendeiro e empresário Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da Irmã Dorothy Stang, religiosa de 74 anos da Congregação das Irmãs de Notre Dame, volta livre para casa, beneficiando-se de habeas corpus dado pelo STJ. Irmã Dorothy estava à frente de vários projetos de desenvolvimento sustentável com mais de mil agricultores da região. Estes disputavam terras com alguns fazendeiros, entre os quais Regivaldo.
Assassinada com seis tiros em fevereiro de 2005, quando voltava de uma reunião de círculo bíblico com os agricultores, Irmã Dorothy Stang, norte-americana que optara por viver no Brasil e trabalhar com os mais pobres, tornou-se um símbolo da luta pelos direitos humanos na região. Seus assassinos diretos, dois pistoleiros a soldo, estão presos.
Muito provavelmente o habeas corpus de Regivaldo beneficiará Vitalmiro Barros de Souza, outro acusado da morte da religiosa. Ele poderá também ser libertado e voltar para casa. Se isso acontecer, é bem possível que ambos jamais apareçam para o julgamento. Ou então é possível que aconteça no Pará o que se está evitando que aconteça em São Paulo. Assim como Suzanne voltou para a prisão para não ter possibilidade de intimidar seu irmão, Regivaldo e Vitalmiro, uma vez soltos, podem tentar intimidar e ameaçar as testemunhas de acusação, prejudicando todo o processo.
Ao criticar a medida que liberta o fazendeiro, a OAB alertou para o perigo da impunidade, que é a maior estimuladora da violência. De fato, é estarrecedor ver como em nosso país a justiça costuma ser seletiva e, em geral, é aplicada em direta proporção com o saldo bancário e a renda média das pessoas.
Enquanto um pobre chefe de família desempregado que furta para comer vai facilmente preso, pessoas notoriamente envolvidas em escândalos ou crimes são deixadas ilesas ou fazem passagem meteórica pelas prisões conseguindo condições especiais ou mesmo a liberdade provisória.
É assim que, escorados na impunidade que lhes concede a situação financeira ou a classe social, os ladrões de casaca ou os criminosos de classe média alta continuam praticando violência em todas as direções. No fundo, têm certeza de que nada lhes acontecerá ou pelo menos de que as chances de saírem livres são grandes.
A volta à prisão de Suzanne Richthofen e a volta para casa de Regivaldo Pereira Galvão nos mostram um triste retrato de como a Justiça é importante e urgente por um lado; e como ainda é indigente pelo outro.
O tribunal de São Paulo vê Suzanne como aquilo que no momento ela é: suspeita de um grave e hediondo crime. Portanto, uma pessoa potencialmente perigosa para a segurança pública, que tem que ser mantida sob vigilância em prol da segurança da população e muito concretamente do irmão. Quem matou os pais pode perfeitamente planejar o assassinato do irmão.
No Norte do país, reina a insegurança. Os suspeitos de planejar e mandar executar a Irmã Dorothy Stang estão voltando à liberdade. Tudo indica que o processo será arquivado ou pelo menos prejudicado. O advogado de Regivaldo atribui a um desejo de vingança a prisão do cliente. Não parece se tratar de uma pessoa sob acusação criminal. Circula livre pelas ruas e recuperou o direito de ir e vir.
Quantas missionárias, quantos indigenistas, quantos sertanistas, quantos abnegados servidores dos pobres deverão morrer ainda para que a impunidade não se instale e a justiça realmente se faça?
Frei Betto
A sociedade se faz nova quando nos fazemos novos. Uma coisa depende e está ligada à outra. Nossos valores devem estar enraizados no coração. Isso exige um aprofundamento de nossa subjetividade. Nossa esperança não é só política. É também espiritual
Diante da realidade em que vivemos, não podemos nem devemos ficar de braços cruzados. Há que alimentar, na fé e na mística, a nossa esperança, e buscar alternativas ao neoliberalismo. Elas não caem do céu. Surgem da prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, grupos de pressão da sociedade civil, partidos políticos etc.
Para forjar essas alternativas, exigem-se:
1. Visão crítica do neoliberalismo. Aprofundar o conhecimento do neoliberalismo como caráter globalizado do capitalismo nesse mundo unipolar. Agora, a especulação predomina sobre a produção; os conglomerados transnacionais se sobrepõem aos Estados; o mercado centraliza a economia mundial; o desemprego e a exclusão social são tidos como meros fenômenos resultantes do desenvolvimento tecnológico e da concentração do capital.
O neoliberalismo aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possam pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das populações pobres rumo às nações ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo.
2. Organizar a esperança. Não basta esperar uma nova sociedade se não se trabalha para que ela se construa. Colhe-se no futuro o que se planta no presente. Encontrar alternativas é um esforço coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente disso que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham em lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente. É preciso organizar a esperança na terra, no movimento sindical, na Igreja, na arte, no grupo de mulheres etc.
3. Resgatar a utopia. O neoliberalismo prega o "fim da história", das grandes místicas que dão sentido à vida, das ideologias, das utopias. Agora, tudo é "aqui e agora", a cultura vira mero entretenimento, as grandes narrativas despedaçam-se em fragmentos, a história restringe-se à vida privada e a detalhes.
Sem utopias não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor.
4. Elaborar projetos alternativos. As utopias devem ser traduzidas em projetos que sinalizem a nova sociedade e, nela, o homem e a mulher novos. Não convém confundir projetos com programas. Há partidos que têm programas, mas não têm projetos. Devemos ter um projeto no qual estejam espelhados o nosso sonho de futuro e os valores que defendemos.
5. Estabelecer um programa de trabalho. O projeto é a síntese do programa. Este deve precisar os objetivos, as prioridades, os recursos, as etapas, o modo de atuar nas diferentes áreas e com os diferentes setores da população.
6. Estratégia de luta. Definidos o projeto e o programa à luz da utopia de uma sociedade alternativa ao neoliberalismo, a organização da esperança supõe assinalar a estratégia de como atingir os objetivos propostos. Devemos ter claras as prioridades de trabalho, os objetivos, os recursos, as bandeiras de luta.
7. Aprofundar a mística e construir o homem e a mulher novos. É a mística que nos motiva e imprime sentido à nossa vida individual e ao nosso esforço comunitário ou coletivo. A mística de natureza religiosa se nutre nas fontes da oração, na meditação da Bíblia, no exemplo de Jesus e dos grandes mestres espirituais; enquanto de natureza laica, no exemplo dos grandes militantes da utopia como Gandhi, Luther King, Che, Zumbi, Chico Mendes etc.
A mística faz com que abracemos os novos valores – solidariedade, participação, partilha etc. – que forjam em nós o homem e a mulher novos. A sociedade se faz nova quando nos fazemos novos. E ao nos fazer novos, transformamos a velha sociedade em nova. Uma coisa depende e está ligada a outra.
Nossos valores devem estar enraizados no coração. Isso exige um aprofundamento de nossa subjetividade. Nossa esperança não é só política. É também espiritual. Os novos valores devem ser vividos nas relações interpessoais, de gênero, família e companheirismo, sem o risco de se transformar em militonto, aquele que participa de tudo mas, na vida pessoal, contradiz o que prega e defende, pois jamais reserva tempo à oração, à família, ao estudo, ao lazer, tornando-se suscetível de perder o equilíbrio mental e a saúde física e espiritual.
Sete candidatos buscam voto do brasileiro
Concorrentes ao Planalto começam a por em prática estratégias de campanha
Embora ainda timidamente, efeito em especial das novas regras que proíbem outdoors, showmícios e distribuição de brindes – entre outros recursos tradicionalmente utilizados em pleitos anteriores -, a campanha eleitoral para presidente da República, governadores, deputados estaduais e federal e um terço do Senado ganhou as ruas na quinta 6. Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até 28 de setembro – três dias antes do primeiro turno – estão liberados a propaganda eleitoral e os comícios.
O brasileiro tem sete opções para escolher o futuro presidente. O registro dos candidatos já fornece informações importantes para o eleitor começar a fazer avaliações.
Campanhas – Diante do desafio de apresentar, em pouco menos de três meses, para todo o país, as propostas de governo, os partidos buscam alternativas para arrecadar fundos, utilizar o tempo no horário eleitoral gratuito de TV e rádio e, o mais importante, conquistar a preferência dos 125.913.479 eleitores.
Segundo Rubem Fonseca Filho, da coordenação de campanha de Cristovam Buarque (PDT), a estratégia do partido será apresentar regionalmente o candidato. O carro-chefe da campanha será a defesa de projetos na área de educação.
Durante a campanha, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB-PFL) pretende percorrer todo o país e "estadualizar" seu discurso. "Ele será preciso do ponto de vista do nosso projeto para cada uma daquelas áreas que serão visitadas", explica o coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).
Jorge Luis Martins, da campanha de Heloísa Helena (P-Sol-PSTU-PCB), diz que a candidata priorizará os Estados com maior número de eleitores, mas deverá ir a cada Estado brasileiro pelo menos uma vez.
O candidato José Maria Eymael pretende viajar o Brasil inteiro, pois o PSDC concorre com candidatos próprios ao governo nos 26 Estados e no DF.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT/ PRB/ PcdoB) iniciará campanha em 13 de julho, em São Bernardo (SP). O presidente do partido e coordenador político da campanha de Lula, Ricardo Berzoini, afirma que terá destaque o papel da educação fundamental como elemento de desenvolvimento econômico e social do país.
O PCO, de Rui Pimenta, pretende fazer atos públicos com a presença dele para lançamento de todos os candidatos do partido aos governos estaduais. (Agência Brasil)
Patrimônio: diferença de até 266 vezes
O patrimônio declarado pelos candidatos à Presidência da República chega a ter uma diferença de até 266 vezes. Enquanto Luciano Bivar, do PSL, declarou ter R$ 8,77 milhões em seu nome, o candidato do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou que seus bens, somados, não passam de R$ 33 mil. Bivar possui cotas em empresas e fundos de participações, além de 50 imóveis, Rui Costa declarou que é dono de um terço de um apartamento em São Paulo.
O segundo lugar em patrimônio é de José Maria Eymael, do PSDC, que registrou R$ 985,8 mil em quatro veículos e oito imóveis. Em terceiro, aparece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com patrimônio declarado de R$ 839 mil. Lula afirmou que possui cinco imóveis, uma caminhonete S10 e diversas aplicações financeiras, incluindo ações da Petrobrás, Vale do Rio Doce e Banco do Brasil.
O quarto candidato em patrimônio é Cristovam Buarque, do PDT, que declarou bens no valor de R$ 769.198,70. Entre estes estão 10 imóveis, em sociedade ou no todo, dois veículos e obras de artes e livros no valor de R$ 180 mil.
Geraldo Alckmin, da coligação PSDB-PFL, declarou possuir patrimônio de R$ 691.698,99. O ex-governador paulista informou que possui seis imóveis, em sociedade ou no todo, um veículo, aplicações financeiras e vinte bezerros. A candidata Heloísa Helena (P-Sol-PSTU-PCB) declarou patrimônio de R$ 89,7 mil – a sexta parte de um apartamento, dois veículos e uma caderneta de poupança de R$ 51,05.
O patrimônio declarado pelo presidente Lula gerou polêmica pelo aumento em quatro anos. Em 2002, Lula informou ao TSE que possuía patrimônio de R$ 422 mil. Agora, registrou R$ 839 mil, ou 98% a mais. O patrimônio de Geraldo Alckmin também cresceu: de R$ 554 mil em 2002 para R$ 691 mil – 24,7%.
Dez concorrem ao governo gaúcho
Sete milhões e setecentos mil eleitores vão escolher entre dez candidatos o futuro governador do Rio Grande do Sul. Pelos registros feitos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), os concorrentes majoritários prevêem gasto total nas campanhas de R$ 42,5 milhões. Os candidatos do PT, PMDB e PSDB lideram a lista, com R$ 7 milhões cada, seguidos do concorrente do PDT – R$ 5 milhões. A menor previsão de gastos é do PCO: apenas R$ 15 mil.
É também o candidato do PCO, Luiz Guilherme Giordano, que ocupa a última posição no ranking de posses entre todos os pretendentes ao Palácio Piratini. Ao registrar a sua candidatura no TRE, informou que não tem bens a declarar. O mais alto valor declarado é do candidato Francisco Turra (PP): R$ 804,5 mil. Na seqüência vêm Yeda Crusius (PSDB), com R$ 674,4 mil; Germano Rigotto (PMDB): R$ 646,3 mil; Edison Pereira (PV): R$ 525 mil; Olívio Dutra (PT): R$ 399,2 mil; Pedro Couto (PSDC): R$ 301,1 mil; Alceu Collares (PDT): R$ 57,1 mil; Beto Grill (PSB): R$ 6,2 mil; e Roberto Robaina (P-Sol): R$ 5 mil.
SC: oito disputam 4,1 milhões de eleitores
Com 4.168.495 eleitores em condições de votar, distribuídos pelos 293 municípios do Estado, a eleição para o governo de Santa Catarina tem oito candidatos, entre eles o governador Luiz Henrique, que passou o cargo na quarta 5 ao vice Eduardo Pinho Moreira , que comandará SC por 179 dias.
A seguir, os candidatos a governador, suas respectivas coligações e a previsão de gastos nesta campanha: Antônio Carlos Sontag (PTB, PSB), R$ 3 milhões; César Alvarenga (PSDC), R$ 600 mil; Elpídio Ribeiro Neves (PTC), R$ 10 mil; Esperidião Amin Helou Filho (PP, PMN, PV, Prona), R$ 2,7 milhões; João Fachini (P-Sol, PSTU, PCB), R$ 200 mil; José Fritsch (PT, PRB, PCdoB, PL), R$ 3,48 milhões; Luiz henrique da Silveira (PMDB, PFL, PSDB, PPS, PRTB, PTdoB, PAN, PHS), R$ 15 milhões; e Manoel Dias (PDT), R$ 2 milhões.
Nordeste tem quatro na corrida ao Planalto
O Nordeste é a região de origem da maioria dos candidatos à presidência da República. Dos sete candidatos registrados, quatro são nordestinos, dois do Sudeste e um do Sul. Em Pernambuco, nasceram três dos sete candidatos à Presidência da República: Cristovam Buarque (PDT), Luciano Bivar (PSL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PRB-PCdoB). Alagoas é representado pela senadora Heloísa Helena (Psol-PSTU-PCB). São Paulo tem dois candidatos: Geraldo Alckmin (PSDB-PFL) e Rui Pimenta (PCO). Do Rio Grande do Sul, vem José Maria Eymael (PSDC).
Propaganda eleitoral inicia em 15 de agosto
A próxima data importante no calendário eleitoral é 23 de julho, último dia para que os títulos dos eleitores que fizeram a inscrição ou pediram transferência estejam prontos. No dia 15 de agosto inicia a propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV.
A partir de 26 de setembro, e até o pleito, nenhum eleitor poderá ser preso, salvo em flagrante delito. No dia 28 de setembro encerra a propaganda no rádio e na TV, o prazo para comícios e reuniões públicas e para debates. 30 de setembro é o último dia para propaganda com alto-falantes, carreatas e distribuição de material de propaganda política. A eleição ocorre dia 1º de outubro, das 8 às 17 horas.
Segundo turno: propaganda no rádio e na TV vai de 16 a 27 de outubro, prazo final também para debates. Os comícios e reuniões públicas serão permitidos apenas até o dia 26 e propaganda com alto-falantes, carreatas e distribuição de material. Dia 29: segundo turno das eleições.
ITÁLIA TETRA
"Azzurra" conquista o quarto título mundial ao derrotar a França, nos pênaltis, em decisão com lance polêmico e campanha em circunstâncias semelhantes à do tricampeonato, em 1982, na Espanha
Doze anos após ter perdido nos pênaltis para o Brasil, nos EUA, a Itália volta a ser campeã mundial. Na segunda vez na história em que uma Copa é decidida nos pênaltis, a "azzurra" derrotou a França e conquistou o quarto título (1934, 1938, 1982 e 2006), o que a coloca atrás apenas do pentacampeão Brasil no ranking do futebol.
Depois de empatar em 1 x 1 no tempo regulamentar a na prorrogação de 30 minutos, a Itália superou os franceses em Berlim nos pênaltis, por 5x3 (David Trezeguet acertou o travessão de Buffon). Inferior ao adversário na maior parte do jogo, a Itália saiu perdendo logo aos sete minutos – pênalti convertido por Zidane. Aos 19 da etapa inicial, de cabeça, na cobrança de escanteio, o zagueiro Materazzi empatou. Houve equilíbrio nesta fase, mas na segunda a França voltou a ser mais objetiva, criando situações de gol e envolvendo o time comandado por Marcelo Lippi. A superioridade francesa também foi flagrante no tempo extra, mesmo jogando com um homem a menos.
Lance – O lance mais polêmico da decisão ocorreu aos três minutos do segundo tempo da prorrogação. O zagueiro italiano Materazzi teria ofendido Zidane, o maestro da equipe francesa, que atingiu o adversário com uma cabeçada no peito, jogando-o ao chão. A televisão flagrou, mas o árbitro argentino Horácio Elizondo não viu. Socorreu-se do auxiliar e expulsou o jogador francês. A polêmica surgiu porque o auxiliar também não teria visto o lance – o quarto árbitro é quem pode ter denunciado Zidane, com base em imagens da TV, o que foi negado pela Fifa.
Coincidências – A campanha da Itália em 1982, comandada pelo técnico Enzo Bearzot, guarda uma série de semelhanças com a trajetória do time que derrotou a França no domingo 9. Antes de ser o artilheiro da Copa da Espanha, Paolo Rossi cumpriu dois anos de suspensão. O atacante participou ativamente da Totonero, uma rede de apostas clandestinas que abalou o futebol italiano na época. No final das investigações, a Justiça determinou a prisão de 48 pessoas, entre elas 36 jogadores. Beneficiado por uma decisão judicial, Rossi voltou a tempo de amenizar o escândalo com o título mundial.
Em maio deste ano, a descoberta de conversas telefônicas provando a existência de uma complexa rede de relacionamentos no futebol italiano ameaça deixar a Totonero em segundo plano. Como o novo escândalo envolveria figuras como o goleiro Gianluigi Buffon e o técnico Marcelo Lippi, a delegação embarcou para a Alemanha cercada pela desconfiança. Enquanto as investigações prosseguem na Itália, a seleção conquistou um bom trunfo para aplacar a crise, desta vez com o tetracampeonato.
Esta não é a única semelhança entre os dois mundiais. Assim como em 1982, a seleção italiana não convenceu durante o estágio de grupos na Alemanha. Os rivais também foram parecidos. Na Espanha, enfrentou um time do leste europeu e uma equipe africana, Polônia e Camarões. Desta vez, o cenário se repetiu, com República Checa e Gana. Em ambas as ocasiões, a Itália começou a mostrar futebol de campeão apenas nas fases decisivas. A última coincidência: nas duas conquistas, a Itália encontrou a seleção alemã pelo caminho – em 1982, venceu na final; agora, eliminou-a na semifinal.
Copa burocrática e sem inovação tática
Qual a grande equipe da Copa da Alemanha? A resposta, claro, é Itália. Mas nem a campeã apresentou o que diferenciou muitos torneios anteriores. O Mundial 2006 vai para a história sem registrar novidades táticas e nem ter um jogador que obtivesse unanimidade como destaque. Foi uma disputa em que se sobressaíram sistemas defensivos, em especial os goleiros, e naufragaram atacantes tidos como talentosos.
A Copa da Alemanha mostrou, ainda, a predominância do futebol burocrático e não teve grandes surpresas positivas – a mais negativa foi o Brasil. Prova disso é que o lance que vai marcar esta Copa foi a cabeçada de Zidane.
Organização impecável não impede a violência
A Alemanha deu um verdadeiro show em organização. Estádios modernos e confortáveis e a mais avançada tecnologia fizeram desta a maior de todas as Copas. Sem espaço para abrigar todos nos locais de jogos, telões espalhados pelas mais importantes cidades do país atraíram sempre multidões. As falhas mais perceptíveis ocorreram na venda de ingresso, com os famosos cambistas – muitas vezes auxiliados por integrantes de delegações – cobrando até 10 vezes mais que o valor normal.
A segurança intimidou presumíveis atos terroristas, mas não impediu a violência. Durante a Copa foram registrados sete mil crimes e 875 feridos – números não tão relevantes na opinião das autoridades. Foram feitas nove mil prisões, em sua grande maioria preventivas e por apenas algumas horas. Apenas 38% dos crimes foram violentos – o resto correspondeu a roubos. Dos 875 feridos, foram 350 arruaceiros, 200 policiais e, os demais, pessoas alheias aos incidentes.
Brasil divide Far Play com Espanha
Maior decepção da Copa da Alemanha – para os torcedores locais e do resto do mundo –, a seleção brasileira ganhou o prêmio Fair Play da Fifa. A distinção é dada às equipes que mostraram bom comportamento e bom futebol dentro e fora de campo. O Brasil dividiu o prêmio com a Espanha.
As duas equipes vão receber medalhas, um diploma e US$ 50 mil para compra de material esportivo. De acordo com o sistema de pontuação criado pela Fifa, Brasil e Espanha somaram 886 dos mil pontos possíveis. A avaliação é feita de acordo com os seguintes critérios: número de cartões, jogo ofensivo, respeito ao adversário e ao árbitro, comportamento da comissão técnica e da torcida.
Foi a terceira vez que o Brasil levantou o troféu. As outras oportunidades foram em 1986 e 1994. O destaque no quesito Fair Play do Brasil foi o zagueiro Lúcio, que passou quatro jogos sem cometer faltas.
Agressão não tira o título de Zidane
A Fifa deixou para o dia seguinte da decisão da Copa a escolha do melhor jogador. Queria evitar o constrangimento ocorrido em 2002, quando o goleiro alemão Oliver Kahn foi eleito e na partida final falhou em um dos gols que deu o pentacampeonato ao Brasil. A expulsão de Zidane no jogo contra a Itália provou que a Fifa estava certa. Mas a imprensa credenciada para o Mundial separou as situações. Mesmo com a agressão que cometeu, Zidane foi escolhido o melhor da Copa da Alemanha. Zidane, que anunciou sua aposentadoria, após ser expulso foi para o vestiário e não viu sua equipe ser derrotada.
A lista de dez candidatos, apresentada pelo grupo de estudos técnicos da Fifa, incluía outros dois jogadores franceses, Vieira e Thierry Henry, e mais quatro italianos: Buffon, Zambrotta, Canavarro e Pirlo. Os alemães Ballack e Klose e o português Maniche completavam a relação dos melhores.
Os outros premiados foram o alemão Oliver Kahn (2002), os brasileiros Ronaldo (1998) e Romário (1994), o italiano Schillaci (1990), o argentino Diego Maradona (1986), Paolo Rossi (1982).
Torcedor festeja empenho das equipes
As seleções melhores classificadas obtiveram o reconhecimento de suas torcidas. Portugal, o quarto, foi saudado por mais de 20 mil pessoas – até o presidente Cavaco Silva pediu para Felipão continuar como treinador. A Alemanha, terceira, reuniu 500 mil pessoas no portão de Brandemburgo, em Berlim, que agradeceram o empenho da equipe comandada por Klinsmann. Os vice-campões também tiveram calorosa recepção em Paris. E Roma parou para receber os campeões.
Até seleções com classificações inferiores, mas que tiveram garra, caso da Argentina, foram festejadas. O Brasil ficou fora desse clube – muitos jogadores não retornaram ao país, dirigentes fugiram por portas laterais em aeroportos...
Reconhecidos mais mártires espanhóis
Vaticano promulga martírio de 149 vítimas da guerra espanhola
Na história da Igreja, os mártires do século XX foram mais numerosos do que em qualquer outro século. "Não se sabe ao certo quantos, mas são milhões", afirma Robert Royal, que há poucos meses publicou nos Estados Unidos um livro sobre os "Mártires do Século XX", ainda sem tradução em português.
De Hitler a Stalin, passando pela revolução mexicana e pela guerra civil espanhola, milhões de pessoas deram sua vida na defesa de sua fé. E como reconhecimento a esses cristãos, Bento XVI acaba de reconhecer mais 148 religiosos, religiosas e uma leiga, assassinados brutalmente durante a guerra civil da Espanha entre 1936 e 1937, em plena perseguição religiosa.
Perseguição – O Papa autorizou no final de junho a promulgação dos decretos que reconhecem o martírio desses futuros santos, entre os quais Celestino Alonso Villar (1862-1936) e nove companheiros da Ordem dos Freis Pregadores, assassinados em 1936; de Enrique Sáiz Aparício (1889-1936) e 62 companheiros, da Sociedade Salesiana de São João Bosco, mortos entre 1936 e 1937; e de Angel María Prat Hostench, espanhol (1896-1936) e 16 companheiros da Ordem dos Freis da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, trucidados em 1936.
Dom Antonio Montero, arcebispo emérito de Mérida-Badajoz, publicou em 1961, pela Biblioteca de Autores Cristãos, a "História da perseguição religiosa na Espanha, 1936 a 1939", a primeira grande obra sobre os mártires da guerra civil espanhola. Segundo o autor, os representantes da Igreja assassinados nessa perseguição somaram 6.832, dos quais 4.184 eram sacerdotes diocesanos, entre eles 11 bispos; 2.365 religiosos e 283 religiosas.
E no dia 26 de junho passado, a e-ditora espanhola Edibesa publicou o livro "O hábito e a cruz", no qual Gregório Rodríguez Fernández, seu autor, estabelece, a partir de pesquisas recentes, que no total foram assassinadas 296 religiosas de 62 diferentes congregações. Delas, 80 já foram beatificadas entre março de 1987 e outubro de 2005.
Beatificações valorizam vida religiosa
Centenas de padres, religiosos, religiosas e leigos católicos, vítimas da perseguição contra a Igreja deflagrada durante a guerra civil espanhola, já foram beatificados ou canonizados. Somente João Paulo II beatificou 471 mártires espanhóis, entre sacerdotes diocesanos, seminaristas e membros de dezenas de congregações.
No dia 11 de março de 2001, beatificou de uma só vez 233 mártires, na maior beatificação conjunta da história da Igreja. Na ocasião, foram beatificados 19 freis da Congregação dos Religiosos Terciários Capuchinhos de Nossa Senhora das Dores, também conhecidos como amigonianos (ilustração acima). Bento XVI está dando continuidade ao processo de reconhecimento do martírio de religiosos e leigos espanhóis e já promulgou diversos bem-aventurados.
Conflito fez mais de um milhão de mortos
A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) fez mais de um milhão de vítimas. Opôs espanhóis leais ao governo socialista "republicano" aos rebeldes de direita, chefiados pelo general Francisco Franco. A ambas as facções se juntaram voluntários estrangeiros. A então União Soviética apoiou os republicanos; Hitler e Mussolini, o general Franco. As maiores atrocidades ocorreram do lado republicano, que juntou anarquistas e comunistas, sequiosos de destruir a Igreja na Espanha.
Franco venceu a guerra e instalou uma longa ditadura na Espanha, que durou até sua morte, em 1975. Durante a guerra milhares de igrejas foram destruídas (fala-se em mais de 20 mil). Antes da guerra havia 20 mil religiosos, 60 mil freiras e 35 mil padres na Espanha – 12% dos religiosos e 13% dos sacerdotes foram mortos.
Padre Zezinho
Quando Deus tem o tamanho que lhe queremos dar, em geral o tornamos menor do que nós
Lá longe, num desses paises onde quase tudo é permitido na televisão, a moça que se especializou em ficar quase nua o tempo todo num programa de televisão e isso, diante de adolescentes que, como prêmio por acertar uma resposta, podiam vê-la rebolando as nádegas diante de seus narizes, dizia, num desabafo na Casa dos Artistas: – Você tem que se respeitar para ser respeitada.
Lá longe, num país onde vale tudo para conseguir pontos no Ibope, a moça de 20 anos, entrevistada num programa de rádio, dizia que seu sonho era comprar um apartamento para sua mãe. Como não conseguiria isso trabalhando, tinha se inscrito para um desses programas ousados de televisão. Se desse sorte, seria notada, posaria para uma revista masculina e com sua nudez financiaria aquele apartamento. A mãe, presente à entrevista disse orar todos os dias para que a filha conseguisse isso... Se a menina era bonita, porque não fazer dinheiro com o corpo?
Lá fora, porque no Brasil vai tudo bem e não há pecado do lado debaixo do Equador, há em curso uma relativização da moral, que consiste no seguinte: "As regras, a gente faz. Se eu digo que não é errado e sinto que não é errado, então não é errado! Eu decido o que é certo ou errado para mim. Não dou a mínima para a opinião dos outros. Se eu quiser ficar nua em público, fico. Ninguém tem nada com isso. O corpo é meu e faço com ele o que eu quero". Errado! É tão dela que uma pequena inflamação na unha ou um pequeno aneurisma pode levá-la para a eternidade. Não tendo o controle nem sobre um centímetro dele, certamente não tem sobre o corpo inteiro!
A Bíblia diz que o primeiro pecado foi exatamente esse. Apossar-se do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e dispensar as normas de Deus, criando cada qual a sua moral. Queriam ser como Deus. Queriam o direito de decidir, eles mesmos, o que era certo e errado. Por isso, o primeiro homem terreno, Adam, e a primeira guardadora da vida, Eva, foram punidos. Hitler e Stalin mataram milhões e acharam isso normal, porque tinham sua própria moral. Hitler achou que estava certo. Relativizaram Deus. Depois disso, tudo é permitido. Quando Deus tem o tamanho que lhe queremos dar, em geral o tornamos menor do que nós. E aí acontece o que ouvimos: a mãe que ora para que a nudez da filha renda o suficiente para ambas comprarem o sonhado apartamento! Negociam com algo que não lhes pertence!
Congresso reúne juventude rural
Situação dos jovens do meio rural brasileiro preocupa a CNBB
Os desafios para a juventude rural do Brasil, juventude e militância cristãs, análise da realidade brasileira (conjuntura juvenil e agrária) e um projeto popular para o Brasil são os temas que serão abordados pelo 2º Congresso Nacional da Pastoral da Juventude Rural, que será realizado de 23 a 25 de julho em Brasília. O encontro será motivado pelo tema "Juventude camponesa na construção do projeto popular para o Brasil". Participam do congresso jovens rurais de todo o país.
Promovido pelas Pastorais da Juventude do Brasil, o congresso pretende ser um espaço de formação, mística, celebração, partilha, fortalecimento das lutas, mobilização e organização da juventude rural para que, em seus locais de origem, assumam iniciativas comunitárias de desenvolvimento, formação e produção agroecológica. E também para que os jovens recuperem sua identidade pessoal e cultural e construam um futuro na roça.
Atualmente, dos 34 milhões de jovens brasileiros que têm entre 15 e 24 anos, 5,9 milhões moram no meio rural, dos quais 1,8 milhão em situação de extrema pobreza. E conforme o Censo 2000, do IBGE, 650 mil jovens trocaram o campo pela cidade nos últimos anos e apenas 1,56% dos universitários do país eram jovens do campo.
"É urgente empreendermos iniciativas que garantam as condições para a permanência dos jovens no campo, de forma digna e com seus direitos assegurados", salienta dom José Mauro Pereira Bastos, responsável pelas Pastorais da Juventude do Brasil. O bispo destaca que hoje são inúmeros os desafios enfrentados pelos agricultores – concentração da terra e da renda, supervalorização do agronegócio em detrimento da agricultura camponesa, a ausência de políticas públicas específicas para os jovens camponeses, entre outros.
Por isso, a Pastoral da Juventude Rural tem assumido uma profunda reflexão sobre a situação do mundo rural, ajudando os jovens a se organizarem, a lutarem por seus direitos e por mais justiça, a resgatarem as manifestações culturais, o cultivo agroecológico, as sementes crioulas, a serem protagonistas das mudanças sociais.
Julho é mês do dízimo na diocese de Caxias do Sul
Na diocese de Caxias do Sul, julho é o mês do dízimo. Neste ano, para criar uma nova consciência referente ao dízimo, foi adotado como lema "Amo minha Igreja. Sou dizimista!". Dízimo é sinal de fé e amor a Igreja; faz parte da vida cristã e é uma expressão de gratidão a Deus por tudo o que recebemos. Durante o mês de julho, em todas as paróquias os dizimistas estão sendo motivados através de cartazes, chamadas e outras iniciativas para participar desse gesto de amor em favor da Igreja.
O dízimo não deve ser visto como uma taxa semelhante a tantas outras que os cidadãos são obrigados a pagar. Participar do dízimo na comunidade não é uma obrigação, mas um sinal de amor e de fé a Deus e à Igreja. De fato, a Igreja necessita de algumas coisas materiais para continuar sua obra de evangelização. A evangelização necessita de recursos financeiros e, dessa forma, o dízimo contribui para que Jesus seja anunciado e conhecido por todos, através das diferentes pastorais.
O dízimo faz parte da história do povo de Deus, tem seu fundamento na Bíblia. Os hebreus faziam suas ofertas a Javé como reconhecimento de que tudo pertence a Deus. Hoje o dízimo ainda mantém esse sentido, mas vai mais além quando forma a comunidade através da justa partilha com os mais necessitados. São Paulo, na carta aos coríntios, destaca que "aquele que semeia pouco, pouco ceifará, mas aquele que semeia com profusão, em profusão ceifará. Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza, nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria" (2Cor, 9,6-7).
Portanto, o dízimo deve ser visto não como um donativo, uma oferta, um ato de caridade, mas como a devolução gratuita de algo que pertence a Deus, que Deus concede a cada um todos os dias. E quem participa ativamente de uma comunidade sabe onde o dízimo é aplicado.
Capitel dedicado a Santa Paulina comemora um ano com festa
Missa celebrada pelo pároco, padre Pedro Lucatelli, e churrasco para mais de 300 pessoas marcaram o primeiro ano de inauguração do capitel Santa Paulina, da capela São Marcos, Linha 3, em Paim Filho (RS). O capitel, construído na propriedade de João Camicia, foi inaugurado em julho de 2005, como promessa por uma graça alcançada por Soleni Camicia Arcaro.
As festividades foram realizadas no dia 8 de julho e contaram com a presença do prefeito de Paim Filho, Paulo Henrique Baggio, e de caravanas de outras cidades da região e do Rio Grande do Sul. O churrasco foi servido sob tendas armadas pela família Camicia no local. O capitel Santa Paulina da capela São Marcos é um dos primeiros no país dedicados à santa brasileira. Apesar de contar com apenas um ano, o local já é muito visitado por devotos não apenas do lugar, mas também de outras localidades e até de fora do Estado.
Aldo Colombo
A lixeira do tempo está cheia de heróis momentâneos, que passam rapidamente da glória para o esquecimento
Faltavam apenas alguns minutos para o encerramento da Copa do Mundo 2006. Independente do resultado, que viria nas penalidades máximas, o Mundial já tinha seu herói: Zinedine Zidane, o argelino-francês que se despedia da seleção. Seu talento futebolístico e sua elegância o faziam admirado em todo o mundo. Mas toda esta biografia se desmanchou em 10 segundos. Zidane, em lance fora da jogada, com toda premeditação, deu uma cabeçada no jogador italiano Materazzi. Houve um espanto generalizado entre os 22 jogadores, entre os 72 mil torcedores do Estádio Olímpico de Berlim e entre mais de um bilhão de telespectadores de 200 países do mundo. O juiz mostrou-lhe o cartão vermelho e Zidane deixou o palco iluminado da Copa pela porta dos fundos da expulsão. Pouco depois, sua equipe, abalada, perdia o Mundial.
O antigo ritual da coroação do Papa pede que um feixe de palha seja queimado, enquanto é proferida a frase latina: sic transit gloria mundi – assim passa a glória do mundo. Não longe da Basílica de São Pedro, ergue-se o Capitólio, local dos triunfos romanos e perto do Capitólio a rocha Tarpéia, de onde eram atirados os criminosos, especialmente os traidores. O triunfo e a derrota estão perto, a glória pode se reduzir a palha em chamas.
O julgamento da história, muitas vezes, é imprevisível. A lixeira do tempo está cheia de heróis momentâneos, que passam rapidamente da glória para o esquecimento. Que o diga outro francês, Napoleão, imperador da Europa, que conheceu sua derrota definitiva em Waterloo. Os Beatles se autoproclamaram mais populares que Jesus Cristo. Hoje, as gerações jovens sabem que se trata de um conjunto musical que fez algum sucesso no passado. O nome do todo poderoso Stalin foi retirado até das placas de ruas.
Mas a mesma história surpreende quando proclama heróis seculares que não tiveram – ou não quiseram – as luzes dos palcos globais. Santo Agostinho trocou o luxo e o prestígio do palácio imperial romano pela solidão e o celibato. Francisco de Assis morreu pobre sobre a terra nua, Charles de Foucauld morreu no deserto sem ter nenhum discípulo, Teresa de Calcutá dedicou-se aos mais miseráveis dos pobres da Índia. Podemos lembrar também os nomes de Mahatma Gandhi, Luther King e João XXIII.
A história guardou esses nomes porque viveram causas maiores que suas vidas e colocaram o amor como sua marca. Não um amor qualquer, um amor açucarado dos Romeus e Julietas, mas um amor capaz de plenificar e dar sentido a toda uma vida, um amor mais forte que a morte. Foi esse amor que Jesus de Nazaré viveu e revelou, um amor voltado para o Pai e para os irmãos. É o mandamento novo de que fala o apóstolo João: "Deus é amor, aquele que ama permanece em Deus e Deus nele" (1 Jo, 4,16).
Definidor dos capuchinhos é nomeado bispo de Caicó
Frei Manoel Delson está no governo geral da Ordem desde 2002
Membro da província da Bahia e Sergipe e atual Definidor Geral da Ordem dos Capuchinhos para a área da América Latina, frei Manoel Delson Pedreira da Cruz foi nomeado pelo Papa Bento XVI bispo de Caicó (RN). O anúncio foi feito pelo Vaticano no dia 5 de julho.
Frei Manoel Delson nasceu aos 10 de julho de 1954, em Biritinga (BA). Ingressou no seminário dos capuchinhos de Feira de Santana (BA) em 1967, emitiu os votos perpétuos em 1978 e foi ordenado sacerdote no dia 5 de julho de 1980, depois de concluir filosofia e teologia em Nova Veneza (SP). É mestre em Ciência da Comunicação Social, pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma.
Após sua ordenação sacerdotal, atuou na formação de aspirantes, foi mestre de pós-noviços, vigário paroquial e guardião em Feira de Santana e Salvador. Foi eleito quatro vezes ministro provincial da Bahia (em 1986, 1989, 1998 e 2001). Em janeiro de 2002 foi nomeado Definidor Geral.
A diocese de Caicó, criada em 1939 por Pio XII, abrange uma superfície de 9,2 mil km2 e uma população de cerca de 270 mil habitantes. É formada por 26 paróquias e 23 municípios.
De 28 de agosto a 17 de setembro de 2006, os capuchinhos realizam o 83º Capítulo Geral da Ordem, ocasião em que deverá ser eleito o novo governo da Ordem, inclusive o substituto de frei Manoel Delson; realizados estudos sobre diversos temas como as constituições e estatutos gerais.
Missionário capuchinho será ordenado diácono
Dom Orlando Dotti preside a ordenação diaconal de frei Volmir Luís Warken, capuchinho que integra a equipe missionária gaúcha. Cerimônia será realizada dia 23 de julho, na igreja de Fátima, em Vacaria. Volmir escolheu como lema da ordenação "Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz" (Is 52,7). Volmir nasceu aos 30 de janeiro de 1969, em Rolante (RS), filho de Cristino Hilário e Erna Bach Warken (falecida). Ingressou na Ordem dos capuchinhos no ano de 1987, em Santa Maria. Desde 2004 integra a equipe missionária. Será ordenado sacerdote no dia 10 de fevereiro de 2007, em São José do Norte (RS), cidade onde atuou de 1999 a 2003.
Wilson João
Escutar o coração é ouvir os pedidos da vida e do amor, da paz e da alegria, do bem e da ternura
Rádios ligados, televisores funcionando, carros nas ruas anunciando comerciais, buzinaços, foguetes, indústrias barulhentas, gritarias nas escolas, roncos de carros, motos dando show, sons nas lojas... é o mundo do barulho. Muito mais do que os barulhos externos são os barulhos no interior das pessoas que atrapalham e cansam: conflitos e brigas, preocupações e ansiedades, relacionamentos rompidos, insatisfação e nervosismo, cansaço e depressão. A guerra interior estraçalha e impede o crescimento da vida.
A DIFICULDADE DE ESCUTAR-SE. Tanto os barulhos externos quanto os internos impedem as pessoas de escutar-se. Escutar a vida. Escutar o passado. A história construída. As frustrações e conquistas. O bem realizado e o que deixou de ser feito. Escutar o presente. O momento-agora que solicita novas idéias e decisões. Solicita a busca de mais vida e vida melhor. A escuta da solicitação por mudança de hábitos e tradições que prendem a vida. Escutar o futuro. Há sonhos que são enterrados ao nascerem. Há sonhos que, quando não escutados, levam ao poço da infelicidade.
ESCUTAR O CORAÇÃO. É a fonte de maior informação. Muito mais do que livros e jornais, do que palestrantes e mestres. Há um coração que, quando escutado, fornece todos os dados para uma vida realizada e feliz. Escutar o coração é ligar o ouvido da vida à necessidade do amar e ser amado, à necessidade de compreender e ser compreendido, ao convite do bom relacionamento com todas as pessoas, com o universo e com Deus, senhor do universo. Escutar o coração é escutar os pedidos da vida e do amor, da paz e da alegria, do bem e da ternura, da harmonia e da felicidade.
ESCUTAR EXIGE SILÊNCIO. O profeta Elias, num dado momento de sua vida, foi passar uma noite em oração numa gruta. Estando nesse local aconteceu uma tempestade. Elias viu que Deus não estava na tempestade. Aconteceu um terremoto. Elias não viu Deus no terremoto. Aconteceu um grande incêndio. Elias não percebeu Deus no incêndio. Em seguida soprou uma brisa suave. Elias sentiu a presença de Deus na brisa suave. A brisa suave representa o silêncio de Deus. Deus não se manifesta nas religiões e Igrejas barulhentas, nem nas baladas ensurdecedoras, nem nas bandas e músicas violentas, nem nas pessoas que buscam Deus aos gritos e exigências de milagres. Deus se manifesta no silêncio do coração e da vida. Deus é o grande silêncio. E como Deus é amor e vida, a vida e o amor somente são gerados, crescidos e amadurecidos num clima de silêncio. É preciso escutar o coração, e só há uma maneira: o silêncio.
O italiano que está em você
Nadir Tonús
Contador, filósofo, radialista, cineasta e teatrólogo
Caxias do Sul - RS
Nadir Tonús, de Caxias do Sul, esbanja italianidade:
"Comecei a falar assim: "Mama, man" – Mãe, quero mamá! "Mama, papa" – Mãe, quero comida!
Os avós maternos, Andrea Meneghini e Angela dal Chiavon, e os avós paternos, Angelo Tonús (vècio Tortan) e Regina Spesotto chegaram em 1892. Conheci-os todos, falavam talian.
Disputávamos, entre irmãos, o colo do nono Ângelo Tonús, que, após a janta, sentado em cadeira de palha, nos contava as histórias de Dois compadres – um bom e outro ruim; do Balàs – um bobo, órfão de pai, que entendia tudo errado. Para fugir dos assassinos, sua mãe lhe disse:
– Balàs, ndemo, che me toca scampar, vanti che rive i sassini, tira indrio la porta! (Balàs, escapemos antes que cheguem os assassinos, e feche a porta!) Ele, ao invés de fechar, arrancou a porta e a carregou nas costas. Ao visitar o nono Andrea Meneghini, nos divertíamos, sentados no assoalho, escutando-o a ler o Nanetto Pipetta: história das urtigas, da árvore de salames, dos bugres... Com oito anos, de pés no chão, caminhava três quilômetros, com meus irmãos, para chegar na escola. No início ia chorando, mas logo me acostumei. Não gostava quando estavam arrumando a estrada, porque tínhamos que passar no meio dos trabalhadores, e sempre alguém nos assustava, com o surpreendente:
– Haa! sto pìcolo qua lo ciapemo! No stè dassar el pìcolo passar! (Ah! peguemos este pequeno! Não deixem o pequeno passar!). Eu me cagava de medo!
Na escola Osvaldo Cruz, o professor Eugênio Roman nos ensinava primeiro a falar, depois a ler o português, que para nós era língua estrangeira. No final do primeiro ano, vieram o delegado de educação, o prefeito, o subprefeito e os pais para a prova final, churrasco e entrega dos boletins. Fui um dos últimos chamados. Levantei, e ouvi a sentença:
– Nadir Tonús, reprovado, por não saber falar português. Levei um choque, mas no ano seguinte, mostrei que não era bobo, e consegui o 3º lugar. Um domingo fui à missa. Encontrei-me com meu primo Sérgio Tonús, que me convidou a ir ao pré-seminário de Nova Prata, onde ele estava. Gostei, e pedi licença ao pai, que me disse:
- Se quiser, pode ir! Se não quiser, aqui em casa sempre terá um prato de feijão! Fiquei três anos no pré-seminário, depois sete no seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias do Sul, onde concluí ginásio e científico. Segui ao Seminário Imaculada Conceição de Viamão, mas, depois de um ano, junto com João Vianey Tonus, Vilson Zanotto e José Ivo Sartori, desistimos e formamos, em Caxias do Sul, a Republica dos "Quatro bei giovinoti, sensa impiego e sensa soldi." (República dos quatro jovens sem emprego e sem dinheiro) Procurávamos trabalho, escutávamos rádio de válvula (tipo caixa de abelha) e cursávamos Filosofia.
Anos depois, os ex-colegas de seminário, Pedro Parenti e Arcângelo Zorzi, me convidaram para formar o Grupo de Teatro Miseri Coloni. Decidimos fazer teatro em talian, para mostrar que, embora italianos, não somos bobos. Compomos e apresentamos a primeiro peça – "Quatro sinque stòrie dei nostri imigranti" –, depois "Nanetto Pipetta", assistido em Guaporé por 1.200 pessoas. Surpreso, na primeira fila, estava meu primeiro professor, Engênio Roman (Gênio). Não me contive, fui abraçá-lo e lasquei:
– No 1º ano de aula, o senhor me reprovou porque eu não sabia falar português; hoje, o senhor me aplaude porque falo talian! – Novos tempos, renovados valores! E-mail tonus@tonuscontabilidade.com.br
Nadir não apenas preserva a cultura da imigração italiana. Ele também a promove. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (368)
Asiago, la bela cità dei dessendenti dei simbri
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba – PR
Co Edilson el dise: Oncó ndemo veder Asiago, Nanetto el se infiama:
– Òstrega, con un di cossì bel te me parli in aziago?! In Brasile i me ga insegnà che aziago vol dir un cativo pressaio, na sventura, fursi na disgràssià, un infausto, na infelicità... Varda quante brute parole!
– Nanetto, ti te sì drio far na gran confusion. Asiago, scrito con s la ze na bela cità dea Provìnsia de Vicenza, che adesso ndemo visitar. Aziago, scrito con z el ze tuto quel che te ghè dito: cativo pressaio, sventurà, disgràssia, infelicità... che no vui gnanca ricordar. Te vedarè che Asiago el ze tanto bel e bon come sto bel e bon giorno che gavemo oncó!
– Ben, ti te sì el nostro guida e professor e noantri, come to aluni, te credemo. Magister dixit.
Antònio Fávaro el ghe domanda a Nanetto dove el ga imparà sta spression. E lu, coi dei infilai te le tiraghe e col peto sgionfo:
– Tei giornai, tei libri e soratuto del nono, che’l me la ga insegnà. – E sempre coi dei infilai te le tirache e de peto sgionfo, el ghe risponde a la Lisete Fàvero, che la volea saver el significato:
– El professor el ga dito, lora no se discute!
– Brao, Nanetto, cumplimenti, i dise tuti!
– Asiago, contìnua Edilson, ze na cità a 1.000 metri sora el livelo del mar. La riva in su la ze ben ìngreme. La strada la va in zighe-zaghe, ma la ofre na vision panoràmica tanto bela. La produssion de Asiago ze serese e formaio. El pòpolo l’è un poco imutà. El so dialeto ze el simbro, parché i dessende dai Sìmbri. Ma i parla anca el Véneto, parché Asiago el fa parte dea Provìnsia de Vicenza. I Sìmbri i difende la natura.
Rivai in cità, Nanetto el se ga metesto a ciacolar co na persona entro un Cafè. Dopo el ga savesto che quea persona la gera el prefeto dea sità. Ghemo visità el Sacràrio Militar, che ze na costrussion piena de coridoi, in omenaio ai soldai morti tea guera. I ze 30.000 italiani e 16.000 austrìachi. Tel sentro la ga na capela. Asiago la ze famosa par le so pisse. Alora, al medodì semo ndai magnar pissa con un goto de vin. La temperatura de Asiago la ze come quea de Curitiba; lora, ala sera, ga tocà meter su un polover. Al ritornar, Edilson invense de guida el se mete far de autista, e tuti co na paura mata de sto novo autista. E Nanetto el se racomanda:
– Òcio, Edilson, se te ne copi, San Piero no’l te verde la porta, là su!
– Brao, Nanetto, dise la Catharina Ferrarini, così el ndarà pimpian riva indó!
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
La nona
Elvino João Sartori
Professor e poeta, Ivoti – RS
Ghe ze na dona a sto mondo
che col laoro fecondo
tuto intorno fa urtar.
In qualche posto che staga,
no ghè mia soldi che paga
tuto el ben che fa sentir
da l’alba fin el scurir.
Chi ga sto estro potente
l’è na regina valente,
pontel de la migrassion.
Ma, a volte, in fondo l’oto,
pòvera vive ntel casoto,
trista, sola, lagrimosa,
dei fioi ingrati premosa.
Come la neve, la lasta,
ntel mondo tuto se guasta,
parché l’è la lege de Dio.
Sia tardi, sia bonora,
par tuti ghe ze la so ora:
son maridà pròpio el di
in che me nona i ga sepelì.
Disemo su na corona
al nono anca a la nona,
ai vinti e sei de luio.
Gràssie ai noni che n’a
stradà, o in colònia o in sità.
Se, al di d’incó, ghe ze revolta:
manca la nona de na volta...
Par mesurar el stómago
Setembrino Rubbo
Construtor, Pinto Bandeira – RS
Ghe zera un omo con fama de segnador. La so specialità zera tirar su el stómago con un spago. El misurava per veder quanto el zera sbassà. Tanti i ghe credea. Un giorno ze ndà farse mesurar na bela dona. El scomìnsia, el mesura insù, el mesura indó, e via palpando fin che la se ga inacorto. Sensa dir gnente, la ghe ga dato na sberla tel muso, e la ze ndata via contarghe a tuti come che’l fea. Con questa, el ga perso el crèdito par sempre.
Trucar par so sorela
Darente casa nostra, ghe zera la fameia dei Giron, che i gavea due fiolasse bone da maridar – la Nina, la pi vècia, e la Màlgari, la seconda. Un scapoloto el se ga inamorà dela Màlgari, fin che i ze rivadi par maridarse. Un bel giorno el ghe dimanda ai so genitori per maridarse. Ma i so genitori i ga risposto:
– Prima volemo maridar la Nina, che la ze pi vècia, lora ve domandemo se no volé mia trucar?
Come el gavea pròpio voia de maridarse, el ga acetà. El se ga maridà con la Nina. E i ga vivesto ben, sempre insieme e contenti fino al fine dea vita! Se vede che’l ga trucà giusto!
Martin el ga perso la capa
Na volta, là zo a la Lìnea Giacinta i zugava le boce, a truco de soldi, fin che Martin Canelo el ga perso tuti i schei che’l gavea in scarsela. Come no i ghe ga mia bastà, el ga dugà fora la capa de piova che’l doperea par ndar a caval. Dopo de questo, solo se’l dughesse le braghe!
Feira movimenta Flores da Cunha
Novidades em vestuário, vinhos e móveis já atraíram mais de 25 mil pessoas
Mais de 25 mil pessoas passaram pelos pavilhões da Feira de Inverno de Flores da Cunha aproveitando o clima de boas compras, as atrações culturais e a gastronomia típica da Serra. Os corredores ficam lotados de visitantes em busca por artigos de inverno. O setor de malhas e confecções é o mais procurado, devido aos bons preços e qualidade dos produtos.
A feira exibe outros atrativos, como o Espaço Casa Nossa, que reúne 15 empresas do setor moveleiro. A idéia reforça a importância do município como pólo moveleiro do Estado. O setor de vinhos também faz a diferença. Na Alameda do Vinho, o espaço das vinícolas e a degustação da bebida são muito procurados.
Já a Noite do Vinho, nova atração da feira, que ocorre sempre aos sábados à noite, no restaurante da Vindima, tem muita animação, acompanhada pela gastronomia, shows e os vinhos de Flores da Cunha. Completam o evento o Festival da Polenta, Formaio e Vin, que serve refeições, com shows e exibe tendas para venda de produtos colonias.
Os vinhos premiados no Concurso Os Melhores Vinhos estarão expostos no estande da Prefeitura. As atrações musicais para os dias 15 e 16 são o Grupo Ricordi, As Meninas, Aran e Banda e Pala Velho e show da Rádio Mais Nova FM. Dias 22 e 23, estão previstos shows. A Feira de Inverno segue até o dia 23 de julho sempre aos sábados e domingos.