
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.997 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 19 de julho de 2006.
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Não basta combater o crime, é preciso procurar as causas
Na raiz de tudo está a falta de oportunidades e de educação, ao lado de uma Justiça injusta
Parodiando o famoso filme, pode-se afirmar que São Paulo está em chamas. O Primeiro Comando da Capital (PCC) partiu para uma queda de braço com os poderes constituídos e nada indica que o episódio chegue, rapidamente, ao fim. As medidas que estão sendo tomadas serão inócuas ou apenas paliativos. Não será com o aumento do policiamento ostensivo, com a construção de mais presídios, transferências de presos e outras medidas do gênero que a crise será superada. Mesmo porque não é a única. A situação do Rio de Janeiro é mais ou menos parecida, embora passe por momentos de calmaria.
O tráfico de drogas é a origem determinante desta crise. É o narcotráfico que canaliza somas gigantescas, a partir das quais os criminosos desafiam o Estado. E neste ponto caminham juntas o drama irreversível do viciado e o lucro dos traficantes. Eles erigiram um estado paralelo, com leis e exército próprios, com armas e estratégias avançadas e um rígido esquema disciplinar. Alia-se a isto a corrupção policial e dos agentes penitenciários. E isto num sistema carcerário que não reintegra na sociedade, mas degrada completamente o indivíduo.
O episódio de São Paulo precisa levar a sociedade como um todo a um profundo exame de consciência. O menino de rua só passa a preocupar quando se torna um perigoso assaltante, nesta altura praticamente irrecuperável. Ele escolheu a rua por falta de uma família estruturada, falta de escola, falta de oportunidade para ganhar a vida de forma decente.
A estas mazelas sociais junta-se o espetáculo degradante de nossas elites políticas, elas também envolvidas em lucrativos crimes, os famosos crimes do colarinho branco, tendo garantias de impunidade. E uma sociedade toda que está em crise. Fala-se muito de ética e de cidadania, mas pouco se faz neste sentido. Para combater as conseqüências é preciso buscar e corrigir – com urgência – as causas.
Estação férrea será revitalizada
Objetivo é transformar o local num complexo turístico e cultural
A revitalização da gare central da Estação Férrea de Caxias do Sul, no bairro São Pelegrino, vai iniciar em dois meses. A afirmação é do secretário municipal da Cultura, Antônio Feldmann. Nesta primeira fase do projeto, serão recuperadas a antiga estação de passageiros e o depósito de cimento. O município vai disponibilizar R$ 240 mil para as obras, R$ 100 mil estavam previstos no orçamento deste ano, o restante vem de uma suplementação orçamentária já assinada pelo prefeito José Ivo Sartori.
O projeto, da arquiteta Sandra Barella, prevê a recuperação da estrutura física e das redes elétrica e hidráulica. A intenção é preservar as características da construção. A antiga estação de passageiros vai abrigar a Secretaria Municipal da Cultura. O depósito de cimento terá salas para ensaios da Orquestra de Sopros, Coral Municipal, Companhia de Dança e grupos de teatro. As obras devem ser concluídas até o final do ano.
Feldmann explica que esta é apenas a primeira fase do projeto. "O objetivo é transformar toda a gare central num complexo turístico-cultural", afirma. Na próxima etapa, a antiga oficina seria transformada num teatro e a casa do administrador seria ocupada pela Secretaria da Cultura, possibilitando a transferência da Secretaria de Turismo para o prédio principal. O projeto final ainda prevê a revitalização das estações de Forqueta e Desvio Rizzo. "Estamos na fase da captação de recursos para executar a segunda etapa do projeto. Ainda não há previsão de início dessas obras", conclui Feldmann.
Festa do Vinho Novo atrai mais de 40 mil visitantes
Muita emoção e alegria. Esses sentimentos marcaram a Festa do Vinho Novo 2006, realizada em Forqueta, Caxias do Sul, nos três finais de semana de julho. Segundo o presidente do evento, Miguel Riboldi, mais de 40 mil pessoas participaram da 4ª edição da festa forquetense, assistindo os três desfiles e visitando os pavilhões, onde, além da farta gastronomia, dos vinhos e sucos e dos shows artístico-culturais, também se destacou a feira agroindustrial, com a presença de mais de 50 empresas.
Satisfeito com a repercussão positiva da Festa do Vinho Novo, Riboldi salienta que o evento passa a integrar o calendário das grandes festas do período de inverno da Serra gaúcha. Para Riboldi, a festa ganha destaque por valorizar e mostrar os costumes, as lides e a vida do interior e por ser fruto do trabalho das comunidades, que organizam e participam dos desfiles, das olimpíadas coloniais, de shows etc. Alanna Slomp, rainha da festa, revela que o evento foi só elogios, especialmente o desfile temático, que mostrou tão bem a "trajetória dos nossos bravos antepassados até os dias de hoje".
Sistema prisional brasileiro beira o caos
Superlotação vira rotina em prisões. Das celas, crime organizado apavora São Paulo
Dois meses depois dos ataques criminosos que aterrorizaram São Paulo, o Estado volta a sofrer com uma nova onda de atentados da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), numa ação articulada, mais uma vez, de dentro da penitenciária. Os ataques atingiram alvos policiais, prédios do Legislativo, estabelecimentos comerciais e ônibus. Até a segunda 17, oito pessoas haviam morrido: um policial militar, sua irmã, um agente penitenciário, o filho de um investigador de polícia, três vigias particulares e um guarda municipal.
Os ataques começaram na noite da terça 11 e seguiram com intensidade até a quinta 13, perdendo força no final de semana, após a transferência de cinco supostos chefes do PCC para a penitenciária Presidente Bernardes. O secretário de segurança pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, atribuiu as ações à publicação de uma lista de 40 presos que seriam transferidos para o presídio federal de Catanduvas (PR).
Em meio ao caos, a Comissão de Direitos Humanos e Minoria da Câmara dos Deputados divulgou um relatório sobre a situação do sistema prisional brasileiro. O documento, elaborado juntamente com a Pastoral Carcerária e entregue ao Comitê Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, traz um diagnóstico de 17 Estados. O relatório aponta a tortura contra presos como uma prática comum, com o objetivo de obter confissões ou castigar, em pelo menos nove Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Amazonas, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Segundo o diagnóstico, os detentos são espancados com chicotes e feridos com balas de borracha ou chumbinho.
A superlotação, principal problema em São Paulo, com 125.804 presos para 92.865 vagas, também é evidente em outros 11 dos 17 Estados pesquisados. No Mato Grosso do Sul, o déficit de vagas é de 4.153, em Minas Gerais, de 10.497.
Gaúchos – No Rio Grande do Sul, há 23.667 detentos para 16.037 vagas. O número de foragidos da justiça chega a 6.000. A situação mais crítica de superlotação é a do Presídio Central de Porto Alegre, que tem, segundo o relatório, 3.965 presos, enquanto a capacidade é de 1.542 vagas. Falta de medicamentos, médicos e leitos do Sistema Único de Saúde também são relatados, assim como carência de psicólogas e assistentes sociais. Outros problemas são a demora na concessão de benefícios, agentes insuficientes, maus tratos por ocasião de recaptura e falta de trabalho.
A estrutura precária dos prédios e a falta de higiene também são citadas no levantamento. No Espírito Santo, segundo o documento, há presídios com esgoto a céu aberto e entupido. No Amazonas e no Rio Grande do Norte, não há fornecimento de camas e colchões. A má qualidade da água e da comida e a falta do banho de sol é problema no Acre. São Paulo, Bahia, Mato Grosso e Paraná são os quatro Estados com mais dificuldade em manter a ordem e os direitos humanos nos presídios de todo país.
Apenas 28% dos detentos trabalham
O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minoria da Câmara dos Deputados, Luiz Eduardo Greenhalgh, condenou o sentimento revanchista da sociedade. Ele afirmou que muitos vêem como castigo merecido a situação precária dos detentos, mas, segundo ele, é preciso educação e trabalho para que o infrator volte às ruas longe de uma organização criminosa.
O diretor do Departamento de Presídios Nacional, Maurício Kuehne, ressaltou que só 28% dos presos trabalham na cadeia. Ele foi enfático ao dizer que não existem soluções a curto e médio prazos, já que o principal problema brasileiro é a construção de novos presídios. Segundo Kuehne, é preciso criar uma força-tarefa para assegurar aos presos os direitos legais, como progressão de regime e liberdade condicional.
No Brasil, dos 361 mil presos, apenas 18% participam de alguma atividade educativa durante o cumprimento da pena, apesar de a Lei de Execução Penal garantir ao preso o direito à educação. Do total da população carcerária, 10% são analfabetos e 70% não terminaram o ensino básico, segundo informações do Ministério da Justiça. Um projeto de lei prevê a redução de pena dos detentos em troca da continuidade dos estudos dentro dos presídios. Conforme o projeto, a cada 18 horas de estudo, os presos terão redução de um dia na pena a ser cumprida.
Só 18% participam de ações educativas
Apenas 18% dos presos brasileiros têm acesso a alguma atividade educativa. "Precisamos tanto estimular os Estados a ampliar o número de vagas em todos os níveis de ensino, como buscar também a qualidade e oferecer uma educação que é pertinente, que diz respeito às demandas e aos interesses dos próprios presos", defendeu o diretor do Departamento de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC), Timothy Ireland, em entrevista à Agência Brasil. O diretor ressaltou ainda a importância da educação para a reinserção social dos presos. "Acreditamos que a educação, de um lado, é um direito do cidadão, de outro lado, permite que a pessoa tenha mais escolhas, inclusive na questão do acesso ao mercado de trabalho", destacou.
Para Ireland, a falta de espaço físico para o ensino nos presídios mais antigos tem sido uma das principais dificuldades enfrentadas pelos professores. "Não há espaço adequado para salas de aula, de leitura ou bibliotecas", declarou. Segundo ele, atualmente, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, só aprova planos para a construção de presídios se a planta destinar espaço para a instalação de salas de aula.
Professor não é apto ao ensino prisional
Na avaliação do coordenador da área de educação da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Elionaldo Fernandes Julião, entre os problemas que precisam ser superados para melhorar a educação no sistema prisional estão o despreparo dos professores e o método pedagógico usado.
"Muitas vezes as ações são infantilizadas, porque são professores que não foram preparados para atuar dentro do sistema penitenciário", declara o secretário à Agência Brasil. Por isso, de acordo com Julião, a formação dos educadores e a reformulação dos currículos são passos fundamentais para melhorar o ensino nas penitenciárias.
O programa Educando para a Liberdade, dos ministérios da Justiça e da Educação em parceria com os Estados, desenvolve ações voltadas à formação de professores e à revisão de aspectos pedagógicos para a educação prisional. Como experiência piloto, o projeto é desenvolvido no Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins, Goiás, Rio de Janeiro e Ceará. A partir de agosto, a iniciativa deve ser implementada em mais seis Estados: Acre, Pará, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão e Mato Grosso do Sul.
Calor antecipado ameaça produtividade da uva
Falta de frio e calor fora de época comprometem as frutíferas da Serra
O calor fora de época, nos últimos dois invernos, não somente antecipou a primavera, mas vem comprometendo a produtividade das frutíferas de clima temperado, como é o caso das videiras, macieiras e as frutas de caroço. Variedades de uvas mais precoces já brotaram em algumas microrregiões. "O ideal seria que continuassem hibernando e guardando suas reservas para brotarem no final de agosto", observa o pesquisador da área de fisiologia vegetal da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), Henrique Pessoa dos Santos.
De acordo com o fisiologista, a mudança meteorológica poderá comprometer o potencial da produção da safra 2007. As parreiras, por exemplo, precisam em média de 300 horas de frio constante, em torno de 7°C, para ocorrer a quebra de dormência das gemas, a brotação e a produção de frutos. "Já a situação das macieiras é pior. Algumas necessitam de 800 horas de frios com 7ºC", explica Pessoa ao CR.
A falta de frio constante e o calor antecipado deste inverno fizeram com que as parreiras precoces, que precisam em geral de menos horas de frio, brotassem antecipadamente. Os brotos, que nasceram, estão sendo danificados pelo frio que voltou a fazer recentemente e, possivelmente, não irão produzir uvas. "A situação pode se agravar se novas geadas incidirem na brotação", alerta. Segundo Pessoa, nesse sentido, não há nada que o produtor possa fazer para impedir a brotação antecipada e a conseqüente perda de uvas.
Parece que o clima vai mesmo tirar o sossego dos fruticultores gaúchos. Meteorologistas prevêem pouco frio de agora em diante e, além disso, chuvas em abundância somente para o final de agosto. Outra notícia desagradável para o setor agrícola é o possível retorno do fenômeno El Niño até o fim do ano (leia ao lado).
Orientações – As orientações dos pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho é para que o viticultor atrase a poda este ano, especialmente das variedades precoces, como a niágara (comum) e a própria chardonnay (fina).
Outra idéia é a mudança no cultivo de variedades, de precoces para outras mais tardias. Na avaliação do fisiologista Henrique Pessoa dos Santos, essa alternativa regularia a brotação das videiras.
Na pior das hipóteses, o agricultor deve mudar o tipo de cultura. Nesse caso, porém, a sugestão carece de mais estudos e de opiniões de outras instituições de pesquisa e do próprio produtor, além da avalição e tendência dos mercados.
El Niño pode voltar no fim deste ano
Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta para a possibilidade do El Niño reaparecer no fim do ano, um fenômeno climatológico imprevisível que em 1997 e 1998 espalhou prejuízos. O organismo da Organização das Nações Unidas advertiu que há condições atmosféricas similares à formação do fenômeno no Pacífico. O El Niño é capaz de provocar tanto seca quanto inundações.
Enquanto com o fenômeno El Niño a temperatura da superfície do mar na parte central e leste do Pacífico tropical costuma ser muito superior à normal, com o La Niña tende a ser inferior. Essas variações de temperatura podem provocar grandes oscilações do clima no mundo inteiro. As oscilações vão desde fortes inundações e surtos epidêmicos na África ou secas na América Latina.
Os fenômenos El Niño e La Niña, batizados assim pelos pescadores peruanos que detectaram um aumento da pesca nas vésperas do Natal, costumam ocorrer ciclicamente a cada quatro ou cinco anos e foram registrados pela última vez em 2002/2003, embora não tenham sido tão intensos como nos anos de 1997 e 1998.
Santa Clara investe para exportar
Cooperativa prevê faturar R$ 300 milhões, investir R$ 7 milhões em 2006 e buscar mercado externo
A Cooperativa Santa Clara, com sede em Carlos Barbosa (RS), está buscando o mercado externo. Prevendo faturar R$ 300 milhões este ano, 20% a mais do que em 2005, a empresa já está habilitada a exportar pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), segundo o diretor administrativo e financeiro, Alexandre Guerra.
A meta neste ano é investir R$ 7 milhões, divididos entre a construção de um centro de distribuição em Canoas, ampliação da área em Carlos Barbosa e lançamento de 10 produtos (dois tipos de queijos, embutidos, doce de leite). "A central de Canoas terá 2.000 m² de área construída e vai atender a Região Metropolitana de Porto Alegre e o Litoral gaúcho. Já a sede vai ganhar 4.500 m², para instalação de pavilhões e câmaras frias.
Pioneirismo – Fundada em 1912, hoje conta com 740 funcionários. São 3.000 cooperados, distribuídos em 67 municípios do Estado. A unidade de laticínios tem capacidade para industrializar até 500 mil litros de leite por dia, sendo 400 mil destinados ao tipo longa vida. "Pioneira no RS, produz 12 tipos de queijos", informa o diretor industrial, Darci Garcia da Silva. Oferece um mix de 255 produtos lácteos e suinícolas e suas derivações.
A Cooperativa Santa Clara foi a primeira a pagar seus produtores pela qualidade do leite fornecido e a receber a certificação ISO 9000, no Rio Grande do Sul. Atualmente, é responsável por 8% da produção gaúcha de leite. "Dez mil pessoas vivem diretamente da Santa Clara", revela ao CR Alexandre Guerra.
Suínos – Além da fábrica de rações (com 19 tipos e 17 mil toneladas anuais) e a cozinha industrial (servindo 1.900 refeições/dia), a Santa Clara mantém uma unidade com 8.000 leitões. "São abatidos 4.500 suínos por mês, com a produção de 340 toneladas mensais de carnes e embutidos", diz o diretor industrial do frigorífico, Glademir Mecca.
Orgânicos ganham identificação especial
Os exportadores de produtos orgânicos contarão a partir de agora com um campo específico para identificar sua mercadoria na hora de realizar o registro de exportação. A Câmara de Comércio Exterior criou uma classificação especial para esses produtos dentro do Sistema Integrado de Comércio Exterior.
De acordo com Jean Pierre Medaets, assessor técnico do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a identificação do produto na saída do país permitirá averiguar a quantidade exportada e o valor em toneladas. O preenchimento do campo no registro de exportação é voluntário e não representa qualquer despesa ou burocracia extra para o exportador.
Além de permitir que o mercado seja mensurado, a resolução do MDA também visa saber quem são os compradores e os principais produtos que saem do país, entre outros itens.
Frangosul vai abater 1 milhão de aves/dia
O Grupo Doux está retomando o abate de 1 milhão de aves por dia pela Frangosul no Rio Grande do Sul. A empresa havia reduzido o número habitual para 700 mil aves/dia, desde março, quando começaram a surgir casos de gripe aviária em alguns países. Três mil e quinhentas famílias de criadores abastecem a Frangosul no Estado.
Engº. Agrº. José Zugno
Conhecimentos básicos sobre orquídeas
Tenho muitas mudas de orquídea. Ganho dos filhos e amigos, sempre com lindas flores, mas secam. Mantenho as plantinhas numa casinha com tela e terra de mato. Como devo agir para que floresçam? Preciso comprar algum produto? As orquídeas ajudam a embelezar o mundo. Muito grata se me derem informações.
ZÉLIA BREDA CENCI
União da Serra–RS
As orquídeas, de fato, embelezam o mundo. São jóias muito preciosas da natureza. Encantam pela riqueza de formas originais e combinações surpreendentes de figuras coloridas. Enfeitam as solenidades e constituem um presente apropriado muito bem aceito a qualquer pessoa que se queira homenagear.
Não é de admirar, pois, que existam tantos apaixonados pelas orquídeas e dedicados ao seu cultivo, que acabam se envolvendo com sua complicada nomenclatura científica das espécies.
A família das orquídeas (Orchidáceas) tem caracteres gerais – caules, folhas, raízes, flores e frutos bem definidos. São, porém, extremamente variáveis em seus detalhes, razão pela qual são tão numerosos os gêneros (muitas centenas), as espécies e variedades, mais de 30.000. E desses gêneros são obtidos artificialmente, por cruzamentos, novos tipos de orquídeas, que são os híbridos. No Brasil, ocorrem mais de 3.000 espécies.
O cultivo das orquídeas parece fácil para os que bem as conhecem, mas não para os principiantes, pois elas são exigentes, têm preferência própria de local, necessidade de água, temperatura, luminosidade, adubação etc, que diferem muito uma das outras.
Com respeito ao local em que vivem as orquídeas, estas se dividem em dois grupos importantes: as "epífitas" e as "terrestres".
As "epífitas" são as que se desenvolvem sobre os troncos ou galhos de árvores, cujas raízes aéreas fixam-se nas reentrâncias das cascas das árvores absorvendo a água. Não são parasitas, porque não vivem à custa da seiva da planta onde se instalam, e suas folhas verdes exercem a fotossíntese, produzindo o próprio alimento a partir do hidrogênio da água que as raízes acumulam com o gás carbônico do ar atmosférico. Constituem a maioria das espécies.
As "terrestres" são as que crescem sobre o solo, onde suas raízes carnosas fixam-se absorvendo os nutrientes necessários.
Outras orquídeas, raras, vivem nas frestas das rochas (Rupículas) e outras muito mais raras, desprovidas de clorofila, alimentam-se de matéria orgânica em decomposição (Saprofitas).
No seu caso particular, todas as orquídeas foram colocadas com as raízes em terra de mato, provavelmente úmida, ambiente que elas não preferem. O problema é este: identificar as orquídeas para dar-lhes o ambiente adequado, tarefa que deve caber a um cultivador experimentado que talvez exista em seu município.
Se a prezada leitora estiver realmente interessada em tornar-se cultivadora de orquídeas, deve adquirir os conhecimentos básicos que o cultivo exige, a começar pelo contato com cultivadores já estabelecidos; adquirir publicações especializadas no assunto, que se encontra nas boas revistarias e, se possível, freqüentar algum curso prático, mesmo que seja por correspondência. E, principalmente, procure adquirir alguma obra didática sobre orquídeas que seja um verdadeiro guia para o principiante, desde o conhecimento das partes fundamentais da planta, as exigências das espécies mais comumente cultivadas, plantio e cuidados básicos da planta, as condições favoráveis do cultivo: água, luz, temperatura, adubação, a multiplicação das mudas até a construção prática de um orquidário.
A Editora Europa, que publica a revista "Natureza", a melhor publicação em Jardinagem e Paisagismo, dispõem de obras especializadas em orquídeas e anuncia vídeo-curso dessas flores. O endereço é: Rua M.M.D.C, nº 121, Butantã, CEP:05510-900 – São Paulo-SP – Fone: (11) 3038-5850 – Fax: (11) 3097-8583 site: www.revistanatureza.com.br
Estudo identifica mutação genética relacionada ao câncer de próstata
Metade dos homens com mais de 70 anos apresenta esse tipo de tumor
Pesquisadores anunciam a descoberta de uma alteração genética associada ao câncer de próstata, doença que atinge cerca de 50 mil brasileiros por ano. Desde os anos 90, já foram identificadas sete mutações relacionadas a esse tipo de tumor. Porém, a alteração recém-descoberta foi encontrada em homens de países e etnias diferentes, ao contrário das anteriores, identificadas apenas em pessoas da mesma população.
O estudo, publicado pela revista Nature Genetics, avaliou amostras de DNA de cerca de 1.300 islandeses com diagnóstico confirmado de câncer de próstata. Com os resultados, cientistas americanos e suecos acessaram bancos de dados de seus países e constataram que a presença dessa alteração genética era comum a vários pacientes portadores do tumor. Cruzando os dados, eles concluíram que os homens com tal alteração genética têm 60% mais risco de desenvolver câncer de próstata. Segundo os especialistas, a descoberta pode ajudar na identificação precoce das pessoas predispostas ao câncer e também na escolha de tratamentos mais agressivos para determinados pacientes.
O local exato das mutações no organismo ainda não foi definido, mas sabe-se que elas ocorrem no cromossomo 8. Essa indefinição inviabiliza o desenvolvimento de um teste comercial. A estimativa é de que um exame desse tipo só estará disponível em laboratórios em dois anos. O estudo também dá pistas sobre o motivo de o câncer de próstata ser mais freqüente em homens negros, pois a mutação no cromossomo 8 é duas vezes mais comum entre eles.
Uma das principais causas da formação de tumores na região da próstata é a exposição contínua à testosterona, o hormônio sexual masculino, que estimula a multiplicação das células. Como a próstata de homens mais velhos está há mais tempo sob exposição do hormônio, existe maior incidência desse tipo de câncer em homens na terceira idade. Cerca de 50% dos homens com mais de 70 anos e quase todos com mais de 90 apresentam tumores na região.
A descoberta de novos marcadores genéticos é importante porque ajuda a identificar pacientes que manifestam tumores mais perigosos e, por isso, podem se beneficiar de terapias mais contundentes. O tratamento do câncer de próstata pode ser feito por meio de cirurgia de retirada da glândula, radioterapia, quimioterapia ou medicamentos que impedem a ação da testosterona. Para indicar qual o melhor tratamento, o médico leva em consideração o estágio do tumor, o grau de agressividade e a idade do homem.
Hereditariedade causa 10% dos tumores
O câncer é uma doença de origem genética. Isso significa que é resultante de defeitos no DNA das células, que fazem com que elas se proliferem desordenadamente. Esses defeitos podem ser passados de uma geração a outra ou causados por fatores ambientais, como obesidade, tabagismo. As desordens genéticas herdadas causam 10% de todos os tipos de tumor. O percentual pode parecer baixo, mas equivale a uma quantidade significativa de pessoas que continuam sob risco maior de desenvolver a doença, mesmo adotando hábitos saudáveis de vida.
O resultado positivo em um exame genético eleva as chances de detecção precoce de tumores, e conseqüentemente de cura. Por esse motivo, a identificação de alterações que predispõem ao câncer, como a recém-descoberta em relação ao tumor de próstata, é uma das correntes de pesquisa mais importantes dessa área da medicina.
Rumo à V Conferência
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Episcopado da América Latina propõe como prisma para a V Conferência o discipulado cristão. No fundo, é o mesmo que dizer que não podemos ajudar a solucionar os problemas sociais e econômicos do continente onde vivemos se não temos aguda consciência de quem somos
A Igreja da América Latina se prepara para a V Conferência do Episcopado Latino-americano em Aparecida, São Paulo, em 2007. O documento de participação já chegou às comunidades, ajudando a que todo o povo de Deus possa participar e preparar-se para esse grande momento de comunhão eclesiástica que reunirá todo o continente.
Sua Santidade, o Papa Bento XVI, virá abrir a Conferência. Dará assim um cunho de universalidade de suma importância a um acontecimento eclesial como este, que não ocorria desde 1992, em Santo Domingo.
Após o Concílio Vaticano II, a Igreja latino-americana empenhou-se em fazer sua leitura e assimilação própria dos novos tempos que o Concílio trazia. Sentia como urgente que sua teologia e sua pastoral não fossem mais apenas reflexo da eclesialidade européia, mas refletissem o específico, os problemas e situações latino-americanas. É assim que, em 1968, em Medellín, Colômbia, aconteceu a reunião de todo o episcopado, cujas conclusões apontam três linhas-força para a Igreja do continente: a luta pela justiça inseparável do trabalho de evangelizar e anunciar a Boa Nova; um novo modo de fazer teologia, a partir da situação dos pobres e dos problemas sociais; a articulação das bases comunitárias que, reunidas em torno do Evangelho, inventavam um novo modo de ser Igreja.
Onze anos depois, em 1979, em Puebla de los Angeles, México, aconteceu outra conferência do episcopado do continente. Puebla recolhia a vivência pós-Medellin, e reforçava e consolidava os três marcos principais assumidos por todo o episcopado em 1968. A prioridade da luta pela justiça, entendida como inseparável da evangelização, era um fato e uma opção de toda a Igreja latino-americana. Em Puebla, consagrou-se a terminologia que já circulava pelos meios eclesiais: opção preferencial pelos pobres.
A Teologia da Libertação já tinha então vários anos de caminhada, de reflexão, com muitos adeptos e muitas obras publicadas que, traduzidas em várias línguas, circulavam no mundo inteiro. Puebla declarou em seu documento de conclusões que essa teologia encontrara cidadania na Igreja do continente e se mostrava adequada para pensar a fé cristã na situação da América Latina. Bem depois de Puebla, esse modo de fazer teologia continua merecendo atenção de especialistas e pesquisadores em várias grandes universidades do mundo ocidental.
As Comunidades Eclesiais de Base (CEB) eram o rosto concreto da articulação das bases comunitárias que Medellín detectara e apontara. Comunidades reunidas em torno do Evangelho e da Palavra de Deus que, confrontadas com a vida, ofereciam pistas e orientações para o agir transformador da realidade. As CEBs mostravam um novo modo de ser Igreja, mais flexível, menos estruturado e com muitas comunidades espalhadas pelo continente.
De Puebla a Santo Domingo foram treze anos. Era o ano do quinto centenário da chegada dos colonizadores ao Novo Mundo. A Igreja se reunia então ali onde Colombo aportara. O momento eclesial já era outro. O documento de conclusões mostrou uma linha diferente das duas conferências anteriores, assinalando uma prioridade pastoral que viria a ser de extrema importância para os anos seguintes: o protagonismo dos leigos, sem o qual "não haveria nova evangelização".
Quinze anos depois, em 2007, a Igreja se prepara novamente para estar reunida pensando sua missão no aqui e agora do continente latino-americano. São tempos diferentes. O mundo muda em grande velocidade. Os países latino-americanos que gemiam sob ditaduras sangrentas nos anos 70 e 80, agora têm regimes democráticos. A teologia alargou seu olhar para além do sócio-político-econômico, enxergando como prioritárias questões como ecologia, gênero, mística, espiritualidade, raça, etnia.
O episcopado propõe como prisma para a reunião aquilo que é o coração do Evangelho: o discipulado cristão. No fundo, é o mesmo que dizer que não podemos ajudar a solucionar os problemas sociais e econômicos do continente onde vivemos se não temos aguda consciência de quem somos. E somos discípulos de Jesus Cristo, eternos aprendizes que procuram seguir o Mestre para descobrir o caminho para viver e conduzir os outros à vida em plenitude.
Frei Betto
Ainda não se consegue descartar a morte, mas já é possível abraçá-la com um corpo sarado. A morte, inevitável, é tanto mais temida quanto menos sentido imprimimos à existência. Ela assinala que nenhum de nós é insubstituível, exceto nossa presunção
Outrora, criança era toda pessoa de zero a 11 anos; adolescente, de 11 a 18; jovem, de 18 a 30; adulto, de 30 a 50. E velho – sem pudor do termo – de 50 até a morte.
Hoje, há criança de zero a 20 anos – vive em casa na dependência dos pais, entope a cabeça de ilusões, faz manha ao menor contratempo. Há adolescente de 20 a 30 anos: sempre inseguro, namora e desnamora, mostra-se vacilante frente ao futuro e, embora se julgue dono da verdade, muda de ofício e princípios como se trocasse de camisa. E são jovens todos com mais de 30 anos, ainda que tenham completado 70, 80 ou 90...
Ficar velho tornou-se uma enfermidade letal cujo nome não deve ser pronunciado e, embora não tenha cura, combate-se com um coquetel de posologias, que vão de exercícios físicos a cirurgias plásticas. Como o termo foi extirpado do vocabulário, adotam-se eufemismos: terceira idade, melhor idade, dignidade... Ora, já que estou velho e no gozo de todos os direitos do Estatuto do Idoso, prefiro ser realista – eterna idade, pois eis que se me aproxima, implacável, a foice da Senhora Morte.
Há 5.000 anos o ser humano, de xamãs a médicos, busca a cura da calvície e o elixir da eterna juventude. A primeira continua a desafiar a ciência, arrancando os cabelos dos pesquisadores. Bem diz Ricardo Kotscho, fosse importante, cabelo nasceria para dentro...
Quanto ao segundo desafio, não há que duvidar da vitória. Agora o elixir da eterna juventude pode ser comprado em qualquer farmácia, obtido na academia de malhação da esquina, ingerido pela variedade de dietas, inoculado na mente pela literatura de auto-ajuda ou conquistado graças aos exercícios aeróbicos, como caminhar ou praticar Tai Chi Chuan. Assim, retarda-se o envelhecimento. Para evitá-lo, ou melhor, disfarçá-lo, só mesmo recorrendo à cirurgia plástica e, de preferência, usar luvas e cachecol para encobrir a rugosidade do tecido das mãos e do pescoço. Assim, morre-se jovem e esbelto, sem uma celulite! Sim, porque ainda não se consegue descartar a morte, mas já é possível abraçá-la com um corpo sarado...
Fortunas são gastas diariamente com essa síndrome da eterna juventude. Nada contra. Afinal, nosso ritmo de vida difere muito do de nossos avós, cujos dicionários ignoravam termos como colesterol e obesidade. Hoje, levamos vida sedentária e somos atraídos por uma exigência de felicidade mais sofisticada. Não bastam uma vida familiar saudável, o trabalho digno e a devoção religiosa para ser feliz. Queremos mais, muito mais. Almejamos os píncaros: riqueza, fama e beleza.
Ora, quanto mais alto o salto, maior o tombo. Nosso índice de frustração é proporcional ao de pretensão. Daí o socorro psicanalítico, os comprimidos para dormir, as terapias alternativas, o apelo à religiosidade esotérica. Somos profundamente infelizes ao atrelar a nossa felicidade, não na choupana ao nosso alcance, mas no castelo de quimeras alicerçadas em invejas e ambições desmedidas. Felicidade não é uma questão de prazeres, e sim de sabedoria.
A morte, inevitável, é tanto mais temida quanto menos sentido imprimimos à existência. É como se ela não tivesse o direito de vir hoje, porque todos os meus projetos são para amanhã. Quem abraça a vida como quem chupa manga deixando o caldo escorrer pelo peito encara a morte como o descanso do guerreiro... A morte assinala que nenhum de nós é insubstituível, exceto a nossa presunção.
A felicidade é um estado de espírito. Consiste em algo muito simples de dizer, difícil de viver: amor. Está dito e redito por todas as tradições religiosas. Felicidade não implica estar isento de problemas e sofrimentos. Quantos sofrem por dar importância ao que não tem importância! Felicidade é livrar o coração e a mente do peso da inveja, do rancor, da ira, da mágoa e do ódio. É desdobrar o ego. É tratar o corpo com moderação, sem entregá-lo aos excessos. É nutrir a mente de cultura e o espírito de profundências.
Viver é fácil. Nós é que complicamos. A vida não se tece em intenções, e sim em ações. O que importa nela são os bens infinitos e não os finitos. Mas essa sabedoria só é alcançada por quem não se espelha no olho alheio. Espelha-se no terceiro olho, o divino. Sabedoria que, como diz o apóstolo Paulo, é loucura para os homens. Daí a nossa resistência Àquele que é mais intimo a nós do que nós a nós mesmos.
A FORÇA DA MUDANÇA
A evolução na propriedade rural deve-se à união de fatores. A força da mulher é um deles. Os movimentos sociais atuantes, que incluem a agricultora, têm contribuído para igualdade e qualidade de vida no campo
O mundo agrícola mudou. Muito dessa mudança deve-se às mulheres que, junto com os homens, construíram movimentos sociais atuantes. Esses têm dado contribuição decisiva para a mobilização da sociedade em prol de maior eqüidade no campo. O avanço tecnológico, a globalização, a abertura dos mercados e a competitividade são termos do cotidiano das trabalhadoras rurais.
Na luta contra o modelo agrícola concentrador de riqueza, contra as desigualdades sociais e pela superação da pobreza, lá estão as mulheres. O apoio e o fortalecimento dos pequenos produtores rurais são políticas relevantes do movimento sindical, mas não menos importantes para essas trabalhadoras. "Estou na luta há mais de 27 anos", conta a agricultora Rita Helena Rech Tessaro, 58, moradora de São Martinho da 2ª Légua, interior de Caxias do Sul.
Juntamente com o marido Geraldo Tessaro, 60, e o filho Tiago, 19, dedica-se ao cultivo de hortigranjeiros e de uvas finas. Numa área de 25 hectares, três são ocupados com a variedade merlot, conduzida em forma de espaldeira e o sistema "Y", o que indica modernidade na condução das videiras. A propriedade mescla o antigo e o belo às novidades introduzidas para viabilizar a atividade agrícola.
A participação da mulher rural na luta de classe está transformando as propriedades e, por conseqüência, as famílias. "Sem mobilização, não há reconhecimento da sociedade", afirma Rita Helena. "A participação do casal faz com que haja multiplicidade de idéias e opiniões, fortalecendo o conjunto de ações", acrescenta o esposo, que já presidiu o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul. "O trabalho da mulher está atingindo o marido e os filhos", concorda a educadora Zilba Bortolotto Signori.
Para Zilba Signori, que atua no movimento sindical há mais de 45 anos, a mulher do interior evoluiu em todos os pontos, inclusive na maneira de se portar e até no vestuário. "Uma vez, a mulher não tinha opinião própria. Hoje, ela decide e sabe o que quer. Cresceu muito junto com a organização, com a convivência", observa a educadora sindical.
Estrutura – Junto aos familiares, as mulheres comandam cerca de 41 mil propriedades rurais na Serra gaúcha (ver tabela ao lado), de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por ironia da história, muitas são descendentes daqueles agricultores pobres da Europa que emigraram para cá, em meados do século 19 e início do século 20.
Os olhos azuis, a pele clara, os sobrenomes de origem italiana, alemã e polonesa não deixam dúvidas. São, de fato, as netas e as bisnetas daqueles que o antigo continente excluiu, no século passado, e que lutam contra uma nova exclusão, neste século; só que, hoje, no Brasil.
Brasil acelerou o êxodo do campo
O cenário rural brasileiro sempre foi dominado pela grande propriedade, ficando a pequena relegada à subalternidade e, por vezes, ao esquecimento, na formulação das políticas públicas. A monocultura e a mecanização foram estimuladas por sucessivos governos, como modelo de agricultura moderna e racional. O resultado foi a expulsão maciça de pequenos proprietários e trabalhadores rurais para as cidades.
Os números desse processo abrupto de urbanização são eloqüentes: em 1940, a população brasileira era de 41 milhões de habitantes, 70% vivendo na área rural e 30%, nas áreas urbanas. Em 1980, a população havia triplicado, chegando a 121 milhões, dos quais 68% (82 milhões de pessoas) residentes nas cidades. Em apenas cinco décadas, a proporção inverteu-se drasticamente: hoje, o Brasil tem mais de 170 milhões de habitantes, 80% nas áreas urbanas e 20%, nas áreas rurais.
Pequeno detém 85% das propriedades
O Brasil tem 8.547.403 km² de extensão territorial. É o quarto maior país do mundo em terras contínuas. É um país que possui quase todos os tipos de relevo, solo e clima.
Nos estabelecimentos rurais registrados pelo IBGE, a área agricultável é de 350 milhões de hectares. O Brasil possui mais de 4,8 milhões de estabelecimentos rurais. Destes, 4,2 milhões de propriedades (85% do total) são da agricultura familiar.
A agricultura familiar é responsável por mais de 40% do valor bruto da produção agropecuária e suas cadeias produtivas correspondem a 10% de todo o PIB. Emprega 70% da mão-de-obra do campo. Além disso, é responsável pela maioria dos alimentos na mesa dos brasileiros: 84% da mandioca, 67% do feijão, 58% dos suínos, 54% da bovinocultura do leite, 49% do milho, 40% das aves e ovos, 32% da soja, entre outros.
Agricultoras vivem um dia de trocas
Muitas saíram de madrugada; outras deixaram parte dos afazeres com os maridos, algumas delegaram tarefas aos filhos e até fizeram recomendações aos vizinhos. O certo é que cerca de 500 agricultoras lotaram o auditório do bloco J da Universidade de Caxias do Sul (UCS), na terça 11, para trocar experiências, receitas e, principalmente, informações, como a lembrança da sindicalista Margarida Alves (ler acima). Era o VI Encontro Municipal das Trabalhadoras Rurais.
Olhares atentos se espalhavam pelo auditório, para, mais tarde, compartilhar as novidades com a família. A palestra com a psicóloga Janete Rossi e a reflexão com frei Jaime Bettega envolveram as mentes e os corações das participantes. Já a apresentação de valores culturais da região e a recreação serviram para alegrar os rostos de centenas de mulheres rurais.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, Raimundo Bampi, confirmou a realização do VII Encontro Municipal das Trabalhadoras Rurais para o próximo ano.
O encontro deste ano contou com o apoio da Regional Sindical da Serra e teve a colaboração do Samae, Sicredi Pioneira e UCS.
Camponesas realizam mobilizações mundiais em 2007
Cerca de 20% das terras do mundo inteiro pertencem a mulheres. Em contrapartida, 50% dos alimentos produzidos são provenientes desse grupo, o que demonstra o papel central das mulheres no meio rural. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Para que desigualdades sociais como essas sejam enfrentadas é necessário formular reflexões sobre os avanços e definir ações com o intuito de avançar na autonomia social, cultural e especialmente econômica.
É com esse objetivo que a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) promove a Marcha das Margaridas. Coordenada por Carmen Helena Foro, a marcha é a maior ação da massa organizada de agricultoras, que tem como meta reunir 50 mil mulheres de todo o país em Brasília, em 12 agosto de 2007. "No RS, o evento será lançado no próximo dia 10 de agosto", adianta ao CR a diretora de políticas sociais da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul, Elisete Hintz.
Durante o encontro, na capital federal, serão levantados alguns pontos que precisam de um olhar especial dos governos. "Nós estamos lutando porque acreditamos que dá para viver da terra e em quem nela trabalha", ressalta a agricultora Josefina Brustolin, de São Luiz da 3ª Légua, Caxias do Sul, que participou do Encontro Municipal das Trabalhadoras Rurais.
Marchas – Em 2007 serão realizadas marchas de mulheres por todo mundo. Já no Brasil, 12 de agosto é o Dia de Luta contra a Violência no Campo e por Reforma Agrária. A data marca o assassinato de Margarida Alves, que foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Grande, na Paraíba. Morta a mando de fazendeiros, em 1983, seus assassinos continuam impunes até hoje.
Jesuíta é novo porta-voz do Vaticano
Federico Lombardi ocupa lugar do espanhol Joaquín Navarro-Valls
A Sala de Imprensa da Santa Sé tem, desde a semana passada, um novo diretor. O Papa Bento XVI aceitou a renúncia apresentada pelo espanhol Joaquín Navarro-Valls, porta-voz do Vaticano durante 22 anos, e nomeou para desempenhar a função o padre jesuíta Federico Lombardi, que continuará sendo diretor-geral da rádio Vaticano e diretor do Centro Televisivo Vaticano.
A mudança faria parte das reformas que Bento XVI vem realizando na Cúria Romana. Em junho, nomeou Tarcisio Bertone novo secretário de Estado da Santa Sé, cargo que ocupará a partir de setembro e que hoje é desempenhado pelo cardeal Angelo Sodano. Num comunicado, Navarro-Valls agradeceu ao Papa por ter aceitado seu pedido, "manifestado em várias ocasiões, de deixar o cargo de diretor da sala de imprensa, depois de muitos anos".
Empenho – Junto ao comunicado de Navarro-Valls, o Vaticano também fez pública uma carta de Federico Lombardi na qual pede a benevolência dos colegas de imprensa que atuam em Roma, "para que essa parte do nosso caminho seja mais frutuosa". O novo porta-voz destacou ainda que trabalha "há muito tempo para que a atividade do Santo Padre e a realidade da Igreja sejam conhecidas e compreendidas de forma objetiva e adequada".
O jesuíta destacou o trabalho realizado por seu antecessor, sublinhando que o fez com "capacidade, inteligência e dedicação excepcionais". Lombardi disse que não pode pretender imitá-lo, mas que a imprensa poderá contar com o "empenho que colocarei, com meus limites, mas com todas minhas forças disponíveis, em servir ao Papa e ao vosso bom trabalho".
Federico Lombardi nasceu em 1942 na cidade de Saluz-zo, província de Cuneo, Itália. Foi ordenado sacerdote jesuíta em 1972. Foi provincial da Companhia de Jesus na província da Itália de 1984 a 1990, atuou na revista Civiltà Cattolica (a publicação mais antiga entre as italianas em atividade) como redator e mais tarde subdiretor. De 1991 a 2005 foi diretor de programas na Rádio Vaticano. Desde 2001 é diretor do Centro Televisivo Vaticano e desde 2005, diretor-geral da Rádio Vaticano.
Navarro-Valls ocupou cargo por 22 anos
O jornalista Joaquín Navarro-Valls, 69 anos, ocupou o cargo de diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé durante quase 22 anos. Originário de Cartagena, Murcia, Espanha, onde nasceu em 1936, Navarro-Valls é membro da Opus Dei e antes de ser jornalista era médico e psiquiatra. Foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Itália, fundador e subdiretor da revista Diagonal, correspondente de Nosso Tempo e do diário espanhol ABC na Itália e no Mediterrâneo Oriental.
Foi nomeado porta-voz do Vaticano por João Paulo II no dia 4 de novembro de 1984. Sua dedicação profissional lhe rendeu numerosos prêmios nesses 22 anos e, enquanto ocupou o cargo, foi considerado o leigo com mais poder dentro do Vaticano. Acompanhou João Paulo II em todas as suas viagens pelo mundo e a Bento XVI, nas que o atual Papa fez até agora, como a Valência, na primeira semana de julho.
Papa convida a orar pelo Oriente Médio
Bento XVI, no seu primeiro encontro público do domingo 16, desde que entrou de férias na semana passada, convidou as igrejas do mundo inteiro para que orem pela paz na Terra Santa. O Papa acompanha diariamente a violência cada vez mais crescente entre Israel e Líbano e que pode desencadear uma nova guerra no Oriente Médio. "As notícias da Terra Santa são motivo de graves preocupações, em especial pela expansão de ações bélicas também no Líbano, e pelas numerosas vítimas entre a população civil", disse o Papa.
O Pontífice salientou que não se justificam nem os atos terroristas do movimento armado xiita libanês do Hezbollah nem as retaliações israelenses com bombas e mísseis. O Papa falou para mais de cinco mil pessoas que foram vê-lo na casa de Introd, no Vale de Aosta.
Padre Zezinho
Não nascemos por acaso. Alguém nos quis aqui
Há coisas que eu nunca entendi e nunca vou entender na natureza, como há coisas dentro de mim que nunca entenderei. O que eu sei é que o Deus que nos criou cuida de nós, como cuida daquela folha, colocando nela o orvalho, que a alimenta e mata a sua sede. Ele tem classe, tem arte e tem ternura. Os detalhes são impressionantes. Detalhes microscópicos e macroscópicos. Há detalhes no mar, no girar do planeta, nas estações e no tempo de cada vida. Há detalhes de cor e de leveza. A flor que fotografei cheia de mil pontinhos coloridos vicejou apenas quatro dias. Duvido que alguém conseguiria fazer uma obra de arte como aquela.
Não sou botânico, não sei explicar o ciclo das plantas, mas sei que elas têm o seu tempo de vida. Um pequeníssimo detalhe determina se alguém pode se alimentar delas. Sei que elas morrem, mas ajudam a gerar novas vidas. Não entendo o mistério da semente, que esconde dentro do seu ser pequenino, grandes árvores, mas sei que há um projeto. Aquele que criou o DNA de tudo tinha, certamente, uma razão para fazer o que fez e do jeito que fez. Todas as manhãs, quando tenho chance e vejo as aranhas construindo suas teias, os pássaros cantando e a buscar o seu alimento e todo o processo da Criação seguindo o seu curso, eu olho pra mim mesmo, para o lado, para o céu da Terra. Imagino como será o Céu de Deus e penso nele. Então eu pergunto: Por que será que Ele fez assim e não de outro jeito? O que será que Ele quer?
Não me passa nunca pela cabeça a idéia do acaso. Não pode ser acaso que a terra gire com precisão de segundos, que mude 5 a 6 vezes de posição para receber a luz do sol em cima, em baixo, nos lados, frente e verso. Alguém queria que ela recebesse a luz do Sol de maneira a não torrar. Alguém queria a vida neste planeta do jeito que a vida é. Fatalmente vem outra pergunta: O que será que Ele quer de mim? Por que me pôs aqui, agora, neste tempo, nesta era e nesta hora? Às vezes eu não tenho respostas, mas não é por isso que deixarei de perguntar. Eu não nasci por acaso. Alguém me quis aqui.
Religiosas celebram 50 anos de Brasil
Pias Discípulas do Divino Mestre surgiram na Itália em 1924
Em 1956 chegavam ao Brasil as irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, terceira congregação da Família Paulina, fundada pelo bem-aventurado Pe. Tiago Alberione em Alba, na Itália, no dia 10 de fevereiro de 1924. Completados 32 anos da fundação, no dia 26 de julho de 1956 chegavam ao Brasil as primeiras sete irmãs discípulas: Paulina de Luca, Madre M. Salvatoris, Modesta Grotto, Venerina Vaccarisi, Giancarla Barale, Pasquina Romano e Fabiana Lúcido.
Estabeleceram uma casa em São Paulo onde, um ano depois, ingressavam as primeiras jovens brasileiras. A primeira delas foi uma jovem de origem japonesa, irmã Teruko Aoki, que recebeu o nome de Escolástica – é costume, na congregação, dar à primeira irmã de uma nação esse nome, que significa "discípula", da mesma forma que Pe. Alberione fez com Orsola Rivata, a primeira das oito jovens italianas que iniciaram a congregação das Discípulas em Alba. Irmã Teruko faleceu em 25 de março de 2004.
Hoje, no Brasil, a congregação é formada por 88 irmãs (quatro atuam em outros países) e 14 jovens em formação nas 13 comunidades estabelecidas em oito Estados do país. As Pias Discípulas, seguindo as três dimensões do carisma traçado por Alberione (eucaristia, sacerdócio e liturgia), atuam na animação e formação litúrgica e na elaboração de subsídios litúrgicos; colaboram nas casas dos irmãos paulinos; trabalham com arte sacra e produção de materiais necessários às celebrações.
Em Caxias do Sul, as Pias Discípulas chegaram no dia 27 de julho de 1960. A congregação mantém uma casa de formação e uma loja do apostolado litúrgico na BR 116, km 145, nº 1847, no bairro São Ciro (fone (54) 3229.2907). A loja dispõe de uma variada linha de materiais litúrgicos, destinados a valorizar e renovar cada vez mais a liturgia. Em Caxias do Sul, o jubileu de presença a serviço da Igreja no Brasil será comemorado no dia 30 de julho, com uma missa na catedral Santa Teresa, às 19 horas.
Dom Ângelo Domingos Salvador celebra jubileu episcopal
Atual bispo de Uruguaiana (RS), dom Ângelo Domingos Salvador está celebrando, em 2006, 25 anos de episcopado. Capuchinho da província do Rio Grande do Sul, dom Ângelo foi nomeado bispo para a arquidiocese de Salvador (BA), em março de 1981. Ordenado bispo em Vacaria no dia 14 de junho, tomou posse em Salvador no dia 29 de junho de 1981.
No dia 6 de agosto de 1986 foi transferido para a diocese de Coxim (MS), sucedendo outro capuchinho gaúcho – dom Clóvis Frainer. No dia 17 de julho de 1991 foi nomeado para a diocese de Cachoeira do Sul (RS), criada no mesmo dia. Em maio de 1999, João Paulo II o nomeou bispo titular da diocese de Uruguaiana (RS).
Dom Ângelo está celebrando seu jubileu episcopal em diversas comunidades gaúchas – no dia 12 de junho, na catedral Sant’Ana, em Uruguaiana; no dia 2 de julho, na paróquia de Segredo (Ipê-RS), sua terra natal, junto com a 78ª festa de São Pedro, padroeiro da matriz. Na ocasião, foi homenageado pela paróquia, familiares e fraternidade capuchinha, através dos frades e do provincial, frei Álvaro Morés, além do irmão no espiscopado, dom Orlando Dotti, bispo emérito de Vacaria.
De 15 a 17 de julho, dom Ângelo esteve em Cachoeira do Sul, para a celebração dos 15 anos da diocese, da qual foi seu primeiro bispo. Em Cachoeira, também celebrou seus 74 anos de vida – ele nasceu aos 17 de julho de 1932, filho de Augusto e Verginia Vazzatta Salvador.
Aldo Colombo
A vida pode ser definida como a arte de negociar. Tudo pode ser melhorado com uma boa negociação
Depois de trabalhar duro por 25 anos, seu sonho começava a tornar-se realidade: um pequeno sítio não longe da cidade. Apenas quatro hectares, árvores frutíferas, um pequeno riacho e um açude com gansos, pássaros, silêncio e uma velha e sólida moradia. Seria seu lazer nos fins de semana em companhia de filhos e netos, uma versão modesta do jardim terreal.
O senhor é o novo proprietário deste sítio? A pergunta partiu do motorista de uma vistosa caminhonete Ranger. Diante da afirmativa do novo e feliz proprietário, ele complementou: lamento informá-lo que, com o sítio, o senhor comprou uma questão judicial: sua cerca está dois metros dentro de minha propriedade. Sem perder a tranqüilidade, o novo proprietário afirmou: para mim ter um bom vizinho é mais importante que dois metros de terra. E diante do incrédulo interlocutor, esclareceu: tomarei logo as providências para que a cerca volte ao seu lugar. Dessa vez o silêncio veio do outro interlocutor. Ainda um pouco constrangido, esclareceu: para mim também um bom vizinho é mais importante que dois metros de terra. Desceu do carro, abraçou o novo vizinho e decidiu: a cerca fica onde está.
Dois adágios populares ilustram a cena e suas alternativas: "dois bicudos não se beijam" e "quando um não quer, dois não brigam". A vida também pode ser definida como a arte de negociar. Não há nada que não possa ser melhorado com uma boa negociação. No mundo das empresas e finanças costuma-se afirmar: um negócio bom é aquele que é bom para os dois lados.
O filósofo grego Aristóteles, há milhares de anos lembrava que o homem é um animal social. Isso significa que a vida é feita de relacionamentos e relacionamento supõe diálogo. Minha liberdade deve levar em conta a liberdade do outro. Meu agir ou minha omissão vão pesar no conjunto da comunidade. Muitas vezes, as cercas da irracionalidade comprometem a vida das comunidades. Por vezes, a cerca é estendida até no interior das próprias famílias, dividindo marido e mulher, pais e filhos, irmãos e cunhados. E, porque ninguém toma a iniciativa, elas se perpetuam. Assim começam as guerras. Um gesto amistoso pode significar a paz.
São tradicionais as pequenas crises entre os casais. Há o silêncio dolorido e agressivo. Os dois gostariam que terminasse, mas ninguém toma a iniciativa. Eu não vou ceder, pensa o primeiro, porque sempre eu tenho de tomar a iniciativa, pensa o outro. E a crise se prolonga e cresce. Quem sempre toma a iniciativa é o mais maduro. E o resultado é excelente para os dois.
Queremos reformar o mundo, mas esse santo desejo deve começar por nós. Uma andorinha anuncia a primavera, um sorriso de criança enternece o coração, uma iniciativa tranqüila derruba – ou pelo menos torna inúteis – as cercas. E isso nada mais é do que o mandamento divino do amor, receita de felicidade para todos. Deus continua tendo razão.
Missões reanimam Saudade do Iguaçu
Capuchinhos gaúchos pregaram missões na paróquia durante 14 dias
Mais de duas mil pessoas participaram da missa de encerramento das missões populares, pregadas pelos capuchinhos gaúchos na paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja de Saudade do Iguaçu (PR). Durante 14 dias, as 12 comunidades católicas e a sede da paróquia viveram momentos de reanimação, entusiasmo e fortalecimento da fé.
Na celebração de encerramento as comunidades levaram cartazes e faixas com o nome da capela e cada pessoa tinha a bandeira branca da paz. Os missionários estiveram presentes junto com o pároco, padre Jef Caekelbergh, Missionário do Sagrado Coração, que atua na paróquia desde 1998, e padre Deocir Poletti, diretor do seminário menor da diocese de Palmas e Francisco Beltrão, que representou o bispo diocesano, dom José Antônio Peruzzo.
Na avaliação final das missões destacou-se o bom número de lideranças existentes nas comunidades. As missões em Saudade do Iguaçu foram realizadas de 24 de junho a 8 de julho. De 16 a 21 de julho, os missionários participam do retiro anual em Garibaldi (RS). As próximas paróquias a serem missionadas são as de Papanduva (SC), de 29 de julho a 27 de agosto; de Mostardas (RS), de 2 a 24 de setembro; e Ipê (RS), de 7 a 22 de outubro.
Falece padre Luiz Franceschet, pároco de Abdon Batista
Segundo dos 11 filhos de Dionísio José e Severina Somacal Franceschet, padre Luiz Franceschet (foto) nasceu no dia 17 de abril de 1951, na comunidade do Sagrado Coração de Jesus, Rio Sapato, Herval D’Oeste (SC), e faleceu no dia 16 de junho de 2006, aos 55 anos.
Padre Luiz cursou filosofia e teologia no Itesc (Florianópolis) e foi ordenado sacerdote no dia 15 de julho de 1978, em Herval D’Oeste, pela imposição das mãos de Dom Onorato Piazera, bispo de Lajes, dom Henrique Muller, bispo de Joaçaba, e dom João Oneres Marchiori, bispo de Caçador (SC).
Desempenhou seu ministério sacerdotal na catedral de Lages, em São José do Cerrito e Bom Retiro. Auxiliou a diocese de Joaçaba, trabalhando em Catanduvas. Por motivo de saúde, permaneceu seis meses na sede da diocese. Já se sentindo bem, apesar dos permanentes tratamentos, assumiu a paróquia de Abdon Batista em setembro de 2002.
Passou seus últimos dias junto aos familiares, falecendo serenamente na presença da família e de seu bispo, dom Walmir Alberto Valle, de Joaçaba. A missa de corpo presente foi celebrada na catedral de Joaçaba, presidida pelo bispo diocesano e dom João Oneres, 26 sacerdotes e numerosa presença de familiares e amigos. Está sepultado no cemitério da sua comunidade natal.
Wilson João
Quem consegue dominar-se e decide escolher somente o que precisa para viver bem, vive muito mais feliz
Mundo sem propaganda. Esse é meu sonho. Nosso sonho. Cidades limpas. Muros limpos. Estradas sem comerciais que distraem. Bilhões de reais endereçados para a alimentação, para a saúde e a educação, para a habitação e produção de alimentos, em vez de serem gastos em imposições comerciais. Há países que não usam propagandas. Países livres da ditadura do mercado e dos grupos que criam necessidades e escravizam as pessoas.
AS PROPAGANDAS SÃO MALDOSAS. Mentirosas. Impositivas. São criadoras de necessidades. De desejos. Os comerciais não sugerem as necessidades. É difícil ver uma propaganda de feijão e arroz. Eles fazem parte da necessidade humana. Assim como muitos alimentos, vestes e outros artigos que fazem parte da necessidade da vida. Porém, a propaganda cria necessidades e desejos, e as pessoas insatisfeitas cedem às imposições e se desgastam para poder tê-las.
O PRECISAR É POUCO. Quem consegue dominar-se e decide escolher somente o que precisa para viver bem, vive muito mais feliz. Em geral, quem se deixa levar pelos comerciais e pelas novidades, se revela uma pessoa insatisfeita e infeliz. Nunca está contente com o que tem porque não está satisfeita consigo mesma. Revela ser uma pessoa ansiosa, insegura e não contente com o que é. Busca-se sempre mais porque se é muito pobre como pessoa. Na verdade, o precisar é pouco. Quem se contenta com o necessário vive muito mais feliz.
O QUERER É INSACIÁVEL. Os comerciais despertam o querer, o desejo, a vontade de ter e possuir, mesmo sem precisar. A criança que acompanha o pai e a mãe ao supermercado não vai fazer um pedido de compra dizendo: "eu preciso", mas "eu quero". A educação em família e na escola deve trabalhar muito o "querer" e o "precisar".
A PESSOA LIVRE VIVE O PRECISAR. A pessoa escrava se deixa levar pelo querer, pelo desejo. Na realidade, vive-se em nossa sociedade um aglomerado de pessoas que vivem em função da imposição de comerciais, que grupos de interesse impõem sem pedir licença. A pessoa livre é aquela que tem em mãos próprias a capacidade de dizer: "Eu não preciso e não adquiro". Imagino uma sociedade de pessoas livres e com capacidade de escolha somente do necessário: desapareceriam muitíssimas lojas de cosméticos, de roupas de marca, de lojas de inutilidades. Desapareceriam os "templos do consumo inútil" que são os shoppings, que prendem os olhos, o coração e o bolso desde o pobre até o rico.
EDUCAR-SE PARA O PRECISAR. Esse é o caminho para um povo livre e contente. Pessoas que se contentam com um carro e não com o melhor carro. Com um televisor e não com o melhor televisor. Com a roupa necessária e não com a moda. Com a comida saudável e não com alimentos impostos. A educação começa no abandono da chupeta para o nenê, que é uma inutilidade e uma imposição, até a escolha do caixão, que é mais um consumo inútil, quando quatro tábuas bastariam.
O italiano que está em mim
Antônio Dalpicol
Professor, Porto Alegre-RS
"Bisneto de italianos, nasci aos 7 meses de gestação. Mamãe Leonora, agora no céu, minha intercessora, recolhia pasto para as vaquinhas de leite. "Santo Dio, na giralaca!". De repente, uma jararaca na sua frente. Devido ao susto e ao estágio da gravidez, começou a sentir-se mal. O parto prematuro foi realizado em casa, pela parteira Cecília, trazida por papai, em lombo de burro. Ajudado por Paolim Matté, nosso vizinho e, depois, meu padrinho, papai construiu uma estufa, onde fiquei até completar 9 meses, só retirado para mamar e ser trocado. Alguém pode rir, mas os sessentões recordam que, em 1945, no Vale de São Brás, interior de Galópolis, município de Caxias do Sul, éramos ainda enfaixados como múmias!?
Tendo eu sobrevivido, precisava "fazer pela vida". Sempre franzino, com um ano contraí pneumonia, doença espantosa para a época! Como não levava jeito para trabalhar na roça, erguer parreirais, segurar porco em dia de castração, ou touro para serrar a ponta das guampas e apenas conseguia espalhar quirera pras galinhas, levar merenda na roça, buscar água na fontanela..., o melhor era "mandar esse filho no seminário". Para algo aquele scorza devia prestar.
Em janeiro de 1958, papai e eu saímos cedo, entre lágrimas, sobretudo de mamãe, com destino ao Seminário Josefino de Murialdo, em Fazenda Souza, distrito de Caxias do Sul, onde já estudavam o primo Caetano e o amigo Eusébio. "Toni prete!" Quem diria?
Permaneci 9 anos no Seminário. Muito estudei, muito aprendi; forjei meu caráter na disciplina, no trabalho, na fé. Tive alegrias e tristezas, vitórias e derrotas. E a 2 de novembro de 1965, me saíram do seminário. Completei o Colegial Clássico no Colégio Cristóvão de Mendonça, em Caxias, e trabalhei de frentista num posto de gasolina de um primo meu.
Em março de 1967, com "a cara e a coragem", iniciei o Curso de Letras na UFRGS, completando-o em 1970. Tornei-me professor de Língua Portuguesa e de Literatura Brasileira. Licenciei-me também em Língua e Literatura Italiana, habilitação que, por falta de oportunidade, nunca exerci. Lecionei em escolas da capital e do interior. Hoje estou na PUCRS. Em toda parte mantive contatos com descendentes de italianos. Em família e com os vizinhos falávamos o talian. A maioria dos colegas de seminário, padres e seminaristas, eram filhos de imigrantes. Como aluno da UFRGS, morei na Casa do Estudante (CEUACA), na Rua Riachuelo, em Porto Alegre, onde havia muitos gringos.
Em 2004, ao andar nas ruas de Treviso (Itália), parecia-me estar andando nas ruas de Caxias. Letreiros de lojas e fábricas lembravam sobrenomes nossos. Nas pequenas comunidades do interior, aposentados jogando cartas e tomando vinho, nos recordavam os gringos das nossas capelas, nas tardes de domingo.
Recordo quando, com o Bruno Bergamin, na casa de Franco Taffarel, um produtor de vinhos de Oderzo, sentados à mesa, comendo ossacol e queijo, e tomando vinho, começamos a cantar Quel mazzolin di fiori.... os olhos "dei brasiliani come dei taliani" se encheram de lágrimas. Emoção do encontro de irmãos de sangue, após 130 anos de saudades!
Entre os aspectos que confirmam minha italianidade, destaco a boa mesa, o amor ao trabalho, o jogo de cartas, que pouco sei jogar, mas viajo 120 km para passar uma noite jogando quatrilho com meus irmãos e amigos em São Brás da IV Légua. Tomar vinho, comer pinhão assado na chapa do fogão, amendoim torrado, xingar o parceiro que jogou carta errada ou justificar uma jogada infeliz, é a magia do jogo e do convívio. Fazer isto uma vez por mês, dispensa psicólogo e antidepressivos" (editor@suliani.com.br).
Professor Antônio, por sua alegria de viver, é o melhor antidepressivo. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (369)
Nanetto in Maròstega, pìcola cità del tempo dei romani
RAFAEL BALDISSERA
Professor, Curitiba–PR
Dopo medodì, rivai là basso tea pianura, deromai in sità, Edilson el torna el volante a Piero. El varda indrio e el ne dise:
– Adesso ndemo a Maròstega.
– Ma, Edilson, maròstega de cossa? Maròstega de cana o de cossa? Dimanda Nanetto. Ronald Fabian el ghe domanda a Nanetto se el cognosse altra maròstega, e lu ghe risponde:
– Ma si, ghe ze, par esémpio, la maròstega de cana. Te spiego: Quando ti te masteghi un toco de cana, ti te spui fora la maròstega, sioè, el toco de cana mastegà. Capissi? O ti te pari do tuto? Lora mi vui saver parché Edilson el ne mena veder na maròstega, mastegada e spuada fora par no se sa chi? Capissi?!
– Scóltame, Nanetto, contìnua Edilson. Maròs-tega, come i dise i Véneti, la ze na pìcola cità, fortificada con alte muràlie e tore. La ze del tempo dei romani. In 1311, la ze passada soto el domìnio dea Fameia Della Scala. In quea època i ze stà costruidi i due sèlebri Casteli: el Castel Superiore, o Dessora, costruido su el monte, e el Castel Inferiore, o Debasso, parché l’è costruido tel piano. La stòria la conta che due nòbili siori, Rinaldo d’Angarano e Vieri da Vallorana, i morosea la bela Lionora, fiola de Taddeo Parìsio, cas-telan dea cità. Par dessider con chi restaria la Lionora, i ga combinà sfidarse in duelo. Ma la Repùblica Serenìssima de Venèssia la gavea proibio tuta sorta de duelo. Lora Taddeo Parìsio el ga dessidio che la question la fusse risolvesta co na partida de scachi. El vinsitor el restaria coa bela Lionora e el perditore el deventaria so parente, ricevendo come sposa Oldrada, la sorela pi dóvena. Vieri di Vallorana el ga guadagnà e el ga ricevesto come sposa Lionora. Rinaldo d’Angarano l’è restà con la Oldrada. De sta maniera, la question la ze stà risolvesta in passe e a contento de tuti. Cossita, a ogni due ani, el pòpolo de Maròstega el festégia sto fato te un palco o scachier pintà in tera, tel cortio del Castel Debasso, ntel qual le pesse le ze persone e cavai vivi, ricamente vestidi, che i se movimenta davanti na assistensa numerosa.
– Ma che cavai inteligenti, che i giuga fin scachi, sclama Nanetto!
– Ma el caval el ga el cavalier insima. El cavalier el guida el caval dove el vol, spiega Edilson.
Nanetto e tuto el grupo bate le man a Edilson!
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Par rìder
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba–PR
Un metro de caciassa
Un ciuco el riva te un bar e el domanda:
– Dame un metro de caciassa para negar i disgusti de sta vita.
El balconista, furbo, el spaia sora el balcon el echivalente a na stension de un metro de caciassa e, co’n soriso, el domanda:
– Altra cosa, signor?
Lora el ciuco el risponde:
– Adesso impacota, che mi vui menar in viaio.
El ragno tel piato
Tel ristorante, el fregheis el ciama el garson:
– Ciò, garson, ghe ze un ragno tel me piato!
– No sta preocuparte, el ze sol un desegno de un ragno tel fondo del piato!
– Ma el ze drio móverse!...
– Parché el ze desegno animà!
El balbo e i difeti
Un balbo el ze ques-tionà par via del so difeto. Lu el se difende cossita:
– Ma-ma tu-tuti i ga qua-qualche pi-pìcolo difeto. A-adesso ti-ti, pa-par esèmpio, co-con qual ma-man te-te ne-neti el cu-cul?
– Sempre co la drita.
– Be-ben, ghe-gheto visto? Tu-tuti lo-lo fà co-con ca-carta igiènica!
El papagal spessial
El fregheis l’è ndà rento tea venda de bestiolete e el dise al vendedor:
– Mi vui un papagal che’l sia spessial.
– Ma varda, te si rivà te l’ora giusta. Gavemo qua un bilìngoe! Se ti te ghe alsi la sata drita, lu el parla in inglese; se te ghe alsi la sata sanca, lu el parla in francese.
– E se mi ghe also le due sate?
Lora el papagal, scontento co sto spropòsito, el ghe osa:
– Lora mi casco, inseminìo!
La vìsita dela sòssera
La sòssera la va visitar la fiola e el género. La sona el campanel. El género el verde la porta e el dise, tuto contento:
– Sosserina!!! Da quanto tempo vu no capité! Quanto tempo vu resteré co noantri sta volta?
Volendo esser gentile, la sòssera la ghe risponde:
– Fin che valtri reste stufi de mi!
Lora el género el dise:
– Vero? Ma vu no volé gnanca bever un cafè?
Festa mobiliza Garibaldi
Evento valoriza a produção agrícola
A comunidade de São José de Costa Real, de Garibaldi, sedia a Festa do Agricultor e a entrega do prêmio Produtor Rural, no dia 25 de julho. A promoção é da Prefeitura, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Emater/RS. O objetivo é valorizar o trabalho do agricultor.
A programação inicia com a encenação da chegada dos imigrantes, missa, almoço típico colonial, premiação e sorteio de brindes. O produtor do ano recebe premiação de R$ 1 mil; o segundo lugar R$ 600 e o terceiro colocado, R$ 400.
Fenachamp – Encerram em 30 de agosto as inscrições para o concurso de rainha e princesas da Festa Nacional do Champanha. A escolha está marcada para o dia 1° de dezembro deste ano. A Fenachamp realiza-se de 19 de setembro a 7 de outubro de 2007.
Festival do Folclore destaca as danças
As danças alemãs e gaúchas darão a tônica ao Festival de Folclore de Nova Petrópolis, que ocorre nos dias 29 e 30 de julho, 5, 6, 12 e 13 de agosto, no Centro de Eventos. Neste ano, estão confirmados grupos de danças da Argentina e da África. O evento também conta com artesanato, música, bailes, desfile, demonstrações de gineteadas (prova campeira gaúcha) e festival de bandas.
O festival é uma promoção da Prefeitura de Nova Petrópolis e da Associação dos Grupos de Danças Folclóricas Alemãs.
Canela promove os produtos da colônia
A comunidade de Canela, na região das Hortênsias, realiza de 21 de julho a 6 de agosto a Festa da Colônia. As famílias rurais participam da organização. A festa contará com cinco tendas de lanches, três restaurantes, espaço para o café da colônia, além de três casas temáticas coordenadas por alunos da rede municipal de ensino, artesãos e os próprios colonos.