LEITORES 

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Edição 4.998 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 26 de julho de 2006.

EDITORIAL

Gastos abusivos em campanha política são ofensa ao eleitor

Com o voto consciente, eleitor poderá dar o troco aos excessos de candidatos

 

O objetivo de um partido político é chegar ao poder e para isso é natural que utilize todos os recursos lícitos possíveis. A democracia tem um elevado custo que vale a pena ser bancado para mantê-la. Uma campanha política precisa atingir todos os eleitores para que eles possam estar munidos do maior número de informações na hora de decidir em quem votar. Nada, no entanto, justifica a montanha de dinheiro que os candidatos às próximas eleições projetam gastar.

A desproporção entre as estimativas de despesas dos 18.859 inscritos até a semana passada, de quase R$ 20 bilhões, e a realidade brasileira pode ser medida pelo volume de verbas destinadas a setores vitais da vida do país. Os recursos declarados pelos concorrentes equivalem a tudo o que o governo federal aplica no sistema de saúde em meio ano.

Uma outra comparação chama atenção. O custo do voto de cada eleitor, estabelecendo-se a relação entre os gastos e o total de eleitores, é de R$ 157,17. Esse valor representa 22 vezes mais do que os R$ 7,00 previstos na proposta de financiamento público de campanha.

É estarrecedor, para usar a definição do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, que dois candidatos estimem gastar R$ 500 milhões cada um para conquistar uma vaga na Assembléia Legislativa do Amazonas. Esse anúncio soa ofensivamente aos ouvidos de milhões de brasileiros, que adquirem, diante de um disparate dessa dimensão, pelo menos o direito de questionar: com que interesses um concorrente se dispõe a desembolsar para se eleger 200, 300 ou até 500 vezes mais do que receberá como remuneração em quatro anos de mandato?

Há sinais evidentes de que esta eleição conterá abusos econômicos e, mais perigoso ainda, continuará vulnerável à possibilidade de escândalos como o do caixa 2, apurado por investigações no ano passado mas não devidamente punido. Caberá ao eleitor detectar os excessos para dar o troco com a mais valiosa moeda que possui: o voto consciente.

 

CAXIAS DO SUL

Agricultura de olho na qualidade

Programa inédito aplica conceitos de qualidade total

 

Um método de trabalho que revolucionou empresas japonesas por meio da mudança na mentalidade e no comportamento das pessoas – e que foi utilizado por grandes indústrias em várias partes do mundo – está a disposição do agricultor caxiense. Desde a semana passada, com a assinatura de termo de cooperação entre Prefeitura, Sebrae/RS e Senar, o Município passou a aderir ao Programa De Olho na Qualidade. Idealizado pelo Sebrae como caminho mais seguro para que se apliquem alguns conceitos de Qualidade Total nas empresas rurais, o programa se baseia no consagrado método japonês dos 5S. No Brasil, os termos foram adaptados para "descarte, organização, limpeza, higiene e ordem mantida".

A iniciativa, pioneira, visa qualificar o agricultor caxiense, com a intenção de transformá-lo em empresário rural. "O agricultor caxiense já é muito preparado, mas pode avançar mais", afirmou o prefeito José Ivo Sartori na cerimônia de assinatura do convênio.

O secretário Nestor Pistorello, da agricultura, incluiu entre as vantagens do método no meio rural "motivação para trabalhar com mais alegria, combate à poluição e à contaminação, criação de clima de equipe a valorização do trabalho individual". Segundo ele, além disso, "gasta-se menos para produzir mais; otimiza-se a utilização dos equipamentos; diminuem-se os riscos de acidentes, e conseqüentemente, produz-se com mais qualidade".

Focos – O De Olho na Qualidade amplia as ações implantadas pela Secretaria da Agricultura, focada na qualificação e na gestão da propriedade. Numa das frentes, uma equipe da Secretaria foi preparada para atender o produtor rural na área técnica e também gerencial. Ao mesmo tempo, estão ocorrendo 30 cursos, que até o final do ano formarão mais de 400 agricultores.

O convênio com o Sebrae-Senar volta-se para a qualidade. Para este ano, serão atendidos oito grupos de produtores rurais, com 15 a 18 pessoas cada. Eles terão 30h30 de treinamento, 4h30 na propriedade. O custo, de R$ 7,6 mil por grupo, está sendo coberto por Prefeitura, Sebrae e Senar (30% cada). Cada grupo pagará apenas 10% do total (de R$ 42 a R$ 50 por integrante). "Esperamos dobrar o número de grupos no ano que vem", projeta Pistorello. Interessados em participar devem procurar a Secretaria da Agricultura (fone é 3223 7155).

 

Tradicionalismo ganha espaço nobre

 

Depois de nove anos, a Casa do Gaúcho foi concluída pela 25ª Região Tradicionalista, com auxílio da Prefeitura, que somente neste ano investiu R$ 365 mil para conclusão do espaço. De 1997 a 2004, a Prefeitura repassou R$ 212 mil à obra. Segundo o coordenador da 25ª RT, Jó Arse, a construção está avaliada em R$ 900 mil. Parte dos recursos veio do auxílio da própria comunidade tradicionalista, que organizou rifas e eventos para arrecadar dinheiro.

O prédio, localizado na rua Teixeira de Freitas, 1.461, bairro Sagrada Família, possui três pavimentos, divididos em uma área total de cerca de 2.000 m². Possui salão de eventos equipado com cozinha e churrasqueira, auditório com capacidade para 226 pessoas sentadas, museu, biblioteca, sanitários, instalações que passarão a abrigar a sede da 25ª RT e espaço para Clube de Mães. A inauguração ocorre no sábado 29, às 14 horas, com show do cantor Joca Martins – ingresso gratuito. Solenidade integra programação da 70ª Convenção Tradicionalista, que ocorre dias 28 e 29 no Campus 8 da UCS.

 

Campanha promove a doação de sangue

 

A 5ª Semana do Calor Humano – Doe Sangue, Doe-se pela Vida segue até 31 de julho com o objetivo de aumentar o número de doações voluntárias de sangue no Hemocentro Regional de Caxias do Sul (Hemocs). A campanha busca ainda mobilizar voluntários para ajudar a sensibilizar a população sobre a importância da doação de sangue. Durante esta semana, integrantes do Léo Clube São Pelegrino vão percorrer entidades divulgando a ação. Quem procurar o Hemocentro para doar sangue durante a campanha vai ganhar um brinde.

O Hemocs abastece 19 hospitais da região, numa rede de atendimento que abrange 45 municípios. Nos primeiros seis meses deste ano, o Hemocs forneceu 11,5 mil bolsas de sangue (de 300 a 470 ml) à rede de assistência. Em contrapartida, os hospitais da região repuseram apenas 4 mil bolsas. "Essa diferença é suprida em grande parte pelas doações voluntárias, por isso elas são tão importantes para manter os estoques do Hemocentro", explica o secretário municipal da Saúde José Luiz Bertoluci. A campanha é uma parceria entre a prefeitura, o Léo Clube São Pelegrino e Lions Clube.

 

REPORTAGEM

Pesquisa rompe limites para melhorar a vida

Biotecnologia tira da natureza ingredientes para desenvolver a agricultura e a saúde

 

Depois da ovelha Dolly, o mundo descobriu a agricultura e a pecuária. Se estivesse viva, a ovelha mais famosa do planeta estaria completando dez anos, agora em julho, sob o signo da polêmica. Dolly foi o primeiro mamífero criado por meio da clonagem e revolucionou a pesquisa da agropecuária mundial.

Na atualidade, parece não haver limites para a biotecnologia. Consolidou-se no Brasil e no mundo como alternativa para a produção de alimentos em escala e em condições adversas e até para a produção de fármacos e vacinas em vegetais (grãos, folhas, frutos ou raízes) ou no leite de animais (leia ao lado). As novidades do campo estarão no prato do consumidor ou irão participar da saúde da família.

A cada dia, a biotecnologia torna-se mais presente. Um exemplo é na fabricação de vacinas. Cientistas dos cinco continentes vêm desenvolvendo antivírus transgênicos que prometem prevenir e tratar diferentes doenças. Entre estas novidades estão anticorpos fabricados por tabacos geneticamente modificados (GMs), capazes de auxiliar no tratamento de câncer e hepatite; tomates transgênicos que vacinam contra a peste negra e bubônica, por via oral; e bactérias GMs habilitadas para induzir uma boa resposta imune contra o tétano e o antrax.

Vacinas – Outra novidade é a pesquisa de cientistas do Centro para Ecologia e Hidrologia do Reino Unido, que visa combater doenças parasitárias. As cobaias sujeitas a vacinas derivadas de uma proteína existente em carrapatos ficaram imunes a um vírus mortal.

A alternativa poderia ser aplicada a várias doenças. Essa vacina trabalha promovendo reação imunológica no camundongo que impede os carrapatos de grudarem na pele e se alimentarem.

A biotecnologia tem sido ferramenta importante no desenvolvimento de alimentos. Pesquisadores de 10 instituições trabalham no desenvolvimento de variedades de sorgo com qualidades nutricionais superiores. O objetivo é desenvolver variedades transgênicas que possam suprir deficiências nutricionais, pelo teor de vitaminas, dos aminoácidos e pela melhora da biodisponibilidade de ferro e zinco.

 

Tomateiro enxertado é grande novidade

 

Levar as novas tecnologias aos produtores. Esse é o objetivo de feiras e eventos agropecuários realizados em todo o país. Um dos maiores é a Hortitec, feira que exibe as novidades em hortaliças e flores. Na viagem técnica de agricultores de Caxias do Sul e Garibaldi, em junho, cores e sabores de hortigranjeiros se mesclavam às novas máquinas e equipamentos.

Entre as novidades da feira, que irão compor os novos plantios e que estarão na mesa dos brasileiros, estão as berinjelas rajadas (tradicionalmente são roxas) e tomates cultivados em forma de penca. "A curiosidade é que o tomate é vendido em penca e não mais por unidade", descreve o produtor caxiense Rudimar Menegotto. Já as berinjelas são para chamar a atenção da dona de casa, pois contêm as mesmas propriedades alimentícias que a tradicional.

No campo tecnológico, a plasticultura aparece com destaque. Com esse recurso, o agricultor pode produzir na entressafra e com mais qualidade e menos custos. Equipamentos para irrigação são outros atrativos. "Gotejador com regulagem de vazão e válvulas que eliminam o ar e a sujeira das mangueiras para irrigação facilitam a vida dos produtores", diz Menegotto ao CR.

Resistência – Mas o que mais atraiu a atenção dos agricultores da Serra foi o tomateiro enxertado (foto). O produtor semeia variedades resistentes aos vírus. Mais tarde leva para as estufas, onde realiza a enxertia. Somente depois dessas operações é que a planta vai a campo. O objetivo é fazer frente a pragas que infestam o tomate e até inviabilizam a cultura.

 

Noruega terá a arca de Noé das sementes

 

O governo norueguês está construindo um banco para manter em segurança as sementes de todas plantas do mundo. As sementes serão guardadas congeladas num cofre de alta segurança medindo 45 m por 24 m, para que estejam conservadas no futuro. No dia 19 de junho o primeiro ministro norueguês, Jens Stoltenberg, determinou o início da construção do banco, batizado de Arca de Noé ou cofre do juízo final.

O banco será construído perto de Longyearbyen e manterá seguras mais de 3 milhões de espécies. O projeto será concluído em 2007. Mais de 100 países endossaram coletivamente a construção, entre eles, o Brasil. A arca de Noé das sementes é a cópia de segurança fundamental na eventualidade de uma catástrofe planetária, para que a humanidade não precise começar de zero novamente.

 

Figo antes do trigo

 

Arqueólogos israelenses descobriram que a figueira foi a primeira planta domesticada pelo homem, há 11,4 mil anos. O figo tira o posto do trigo e da cevada, domesticados há 10,5 mil anos na Turquia e na Síria e que até hoje eram considerados as espécies vegetais cultivadas há mais tempo. Ou seja, a agricultura surgiu pelo menos mil anos mais cedo.

 

Plantas vacinadas

 

Genes de resistência a viroses foram introduzidos em cultivares comerciais de feijão e batata, possibilitando a produção de plantas vacinadas. Em fase inicial de testes de campo, as novas plantas transgênicas poderão evitar perdas de até 95% na produção de batata e de 40% a 100% na produção de feijão.

 

Genes contra seca

 

Embrapa e universidades estão estudando o genoma da soja, feijão, amendoim e caupi (feijão-de-corda). O trabalho tem como objetivo principal encontrar os genes que conferem resistência à seca a essas leguminosas.

 

Solos enriquecidos

 

Pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, desenvolveram uma variedade transgênica da planta Arabidopsis thaliana, parente próxima da mostarda, capaz de tolerar baixos níveis de boro no solo. O boro é um micronutriente cuja escassez aumenta a suscetibilidade das plantas a doenças, além de provocar um declínio na qualidade dos cultivares.

 

Laranja antiviral

 

Começaram os testes, em estufas, com 120 mudas de laranjeiras transgênicas resistentes a doenças cítricas. O trabalho está sendo conduzido pelo Instituto Agronômico de São Paulo, em parceria com a Esalq/USP, a Unicamp e o Instituto Biológico. As plantas foram inoculadas com a bactéria Agrobacterium tumefaciens, modificadas geneticamente para carregar bactericidas e antivirais em sua estrutura. A expectativa dos cientistas é colher amostras imunes ao cancro cítrico, à clorose variegada e à leprose, doenças que tomam até 50% das economias dos produtores.

 

Grãos com enzima

 

Cientistas modificaram geneticamente trigo e cevada, cujas sementes mantêm a enzima fitase, importante nutricionalmente após o cozimento. A enzima ajuda as pessoas a absorverem o zinco e o ferro. A deficiência nutricional desses minerais afetam de dois a três bilhões de pessoas no mundo.

 

AGRONEGÓCIO

Pragas espalham medo e prejuízos

Besouro asiático foi interceptado em SC. Inseto ataca muitas famílias de plantas

 

O que o Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa) mais temia, aconteceu. Fiscais federais interceptaram, no porto de Itajaí, em Santa Catarina, um macho da espécie Anoplophora Glabripennis, que chegou em carga procedente da China.

O besouro asiático é polífago, isto é, ataca muitas famílias de plantas. Ataca os citros, café, florestas e outras espécies. Por isso representa grande ameaça para o Brasil. "Basta lembrar que, atualmente, o país produz quatro de cada cinco copos de suco de laranja consumidos no mundo todo", diz o engº agrº Carlos Alonso, da Defesa Agropecuária de São Paulo.

Hoje, o besouro asiático está atacando diversas plantações de citros nos Estados Unidos – somente no ano de 2004, o país gastou US$ 138 milhões no combate – e no Sudeste Asiático. Caso se espalhe pelo Brasil, pode desempregar milhares de pessoas nas lavouras e no comércio de produtos e subprodutos de origem vegetal.

Mosca – Uma das últimas pragas a chegar ao país entrou pelo Amapá, vinda do Suriname. Chama-se mosca-da-carambola. Apesar da restrição do nome, o inseto ataca 30 tipos de frutos. Até o momento, a mosca está restrita às lavouras amapaenses. No entanto, especialistas prevêem que, em pouco tempo, ela chegará ao Nordeste, podendo causar prejuízos de até US$ 30 milhões, e a outras regiões.

Segundo o coordenador de proteção de plantas do Mapa, José Geraldo Ribeiro, a mosca-da-carambola, por enquanto, está sob controle. "Estamos fazendo armadilhas e capturando os machos. Assim, as fêmeas não se reproduzirão", explica. Com essa armadilha simples, o governo pretende erradicar a mosca do solo brasileiro.

O maior exemplo do estrago que um inseto pode causar na agricultura vem do cultivo de algodão. Por conta de um invertebrado conhecido como bicudo do algodoeiro, o Brasil deixou de produzir e exportar esse produto durante 20 anos. Outro é o que ocorreu com a venda de laranja para a comunidade européia. Um fungo que ataca frutas cítricas, conhecido como pinta-preta-do-citrus, fez com que a Espanha deixasse de comprar a fruta, de novembro de 2003 a março deste ano. O prejuízo chegou a US$ 23 milhões ao ano.

A laranja produzida no Brasil também vem sendo atacada por uma praga nova, introduzida no país em 2004, conhecida como bactéria do grenning. A fruta já padecia de outra praga, chamada morte súbita, que devastou três milhões de árvores em 2003, causando prejuízos na ordem de US$ 60 milhões.

Catálogo – O Mapa tem mais de 30 pragas catalogadas, sendo que 18 delas são consideradas quarentenais presentes – significa que elas representam grandes problemas por terem entrado no país recentemente. Pelo menos 20 estão sob controle, mas nem por isso deixam de dar dor de cabeça aos técnicos e agricultores. A ameaça maior está na exportação de frutas, que a cada ano cresce, em média, 14%.

 

Pesquisa nacional mapeia espécies exóticas invasoras

 

O Ministério do Meio Ambiente e a Embrapa estão trabalhando no mapeamento de pragas exóticas e potenciais – que ainda não entraram no país. Mas que podem comprometer os sistemas de produção da agricultura, pecuária e silvicultura. As espécies exóticas invasoras englobam invertebrados (ácaros e insetos) e microorganismos (bactérias, fungos, vírus, viróides, prions e nematóides).

As informações darão subsídios na tomada de decisões quanto a medidas de prevenção e controle. As informações abrangerão também todos os tipos de grupos biológicos que afetam o ambiente marinho, águas continentais, terrestres e a saúde humana.

Os estudos já indicaram 155 espécies invasoras exóticas atuais e potenciais, divididas em 92 pragas agrícolas 30 relacionadas à silvicultura, 11 de forrageiras, 15 de caprinos e ovinos e sete de suínos e aves. Segundo a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos, Olinda Maria Martins, o documento será lançado em setembro próximo.

Marrakech – Com o ingresso do Brasil na Organização Mundial do Comercio, ocorrido em dezembro de 1994, passaram a vigorar as regras estipuladas pelos acordos que regem as relações comerciais entre os membros. Os chamados "Acordos de Marrakech", resultaram no incremento extraordinário no trânsito de mercadorias entre os territórios dos países.

 

País gasta R$ 20 milhões por ano no controle

 

O governo federal gasta por ano cerca de R$ 20 milhões no controle às pragas que atacam plantações. No total, há mais de 20 programas nacionais para erradicação de insetos, lagartas e fungos de plantações. "Há casos em que não há barreira sanitária que impeça a entrada em território nacional de pragas, como fungos, germes e bactérias, que chegam de outros países pelo ar, ou larvas de insetos que entram incubadas em frutos importados", diz o pesquisador da Embrapa Soja, Flávio Moscardi.

Algumas pragas chegam ao país em correntes de ar e escondidas em carregamentos. O governo brasileiro suspeita ainda que algumas pragas que dizimam plantações foram introduzidas criminosamente por plantadores de outros países. "Essa prática é conhecida como bioterrorismo", explica Moscardi ao CR. A ferrugem da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyhizi, apareceu misteriosamente em 2001, no Paraná. De lá se alastrou, causando prejuízos superiores a US$ 7 bilhões ao país.

Tão logo é identificada uma praga nova no Brasil, o Ministério da Agricultura tem de elaborar um projeto de erradicação. Em muitos casos, a plantação inteira que está infestada tem de ser dizimada pelo governo. ‘‘Essa tarefa não é fácil, porque muitas vezes o dono da lavoura não aceita. Principalmente, quando a plantação tem valor emocional’’, declara a pesquisadora da Embrapa, Fernanda Vilarinho.

 

MP mantém aposentadoria rural

Previdência já beneficia mais de 7 milhões de trabalhadores rurais

 

Os trabalhadores assalariados rurais e aqueles que têm atividades de curta duração (diaristas e temporários) já podem respirar aliviados. Entrou em vigor, nesta terça 25, a Medida Provisória que prorroga o benefício, por mais dois anos, no regime geral da previdência. A MP foi editada pelo presidente Lula e substitui o Projeto de Lei da Previdência 6852/06, que foi enviado ao Congresso Nacional, em março, e aguardava votação na Câmara dos Deputados.

"Com a MP, mulheres com mais de 55 anos e os homens com mais de 60 anos que vivem no campo, podem se aposentar comprovando apenas o trabalho no meio rural", explica a diretora de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alessandra Lunas.

O PL 6852/06 também regulamenta questões ligadas aos segurados especiais (produtor, meeiro, arrendatário rural, pescador artesanal, comandatário, posseiro, assentado e extrativista). Tamanho das terras, tipo de atividade e documentações necessárias para requerer a aposentadoria são alguns dos itens do projeto. Essa outra parte deve ser regulamentada por uma segunda medida provisória ainda sem data para ser editada.

A previdência social paga benefícios a mais de 7 milhões de trabalhadores rurais. Isso representa em torno de R$ 2,5 bilhões mensais que movimentam a economia e comércio local de pequenos e médios municípios em todo país. De acordo com IBGE, cada benefício previdenciário favorece, em média, 2,5 pessoas que vivem próximas ao aposentado.

 

Nova lei favorece agricultor familiar

 

A lei 11.322, que trata da renegociação de dívidas dos agricultores familiares e assentados da reforma agrária, recebeu sanção presidencial. A nova lei favorece esse segmento produtivo no tocante à individualização e repactuação das operações de crédito e ao pagamento do Seguro da Agricultura Familiar.

Logo que a regulamentação estiver publicada, os agricultores familiares e assentados que realizaram operações de crédito rural com a utilização de contratos coletivos e/ou com o uso do aval solidário (nos quais o contratante do empréstimo não tinha como arcar sozinho com as garantias exigidas e contava com auxílio de terceiros) poderão pleitear a individualização das operações. O CMN definirá como as operações serão individualizadas, assim como os prazos de pagamento e demais condições para novas operações.

A lei 11.322 define que o governo federal poderá conceder subvenções econômicas na forma de rebates (descontos específicos para alguns tipos de culturas prejudicadas no ano-safra), bônus de adimplência, garantia de preços de produtos agropecuários ou outros benefícios, no âmbito do Pronaf, a produtores que contratarem empréstimos nas instituições financeiras do Sistema Nacional de Financiamento Rural.

Exclusivamente para a safra 2004/2005, haverá cobertura de perdas pelo Proagro e Proagro Mais aos produtores rurais que não tenham protocolado o pedido em tempo hábil. Ou, ainda, aos que tenham plantado cultivares não contemplados no zoneamento.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Caquizeiros altos dificultam colheita

O caquizeiro, ao natural, cresce bastante e os galhos ficam muito altos, dificultando a colheita. Existe alguma maneira de reduzir a planta deixando-a mais baixa?

IOLANE MARCHIORI

Otávio Rocha – RS

 

O hábito de crescimento do caquizeiro – Diospyros kaki – difere conforme as variedades, que são muitas. "Algumas têm porte ereto (para cima), com ramos fortes e vigorosos e folhagem densa; outras têm porte esparramado, com ramos finos, flexíveis e folhagem esguia. Entre esses dois tipos extremos, existe toda uma nuança de formas intermediárias", escreve o engenheiro agrônomo Orlando Rigitano, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, e autor do livro Cultura do Caqui.

Os caquizeiros atingem de 3 a 15m de altura, conforme as variedades. Árvores antigas, com troncos de 2 ou mais metros de altura, podem ser aproveitadas para madeira de boa qualidade. Aliás, do mesmo gênero Diospyros, da mesma família Ebenaceas, algumas espécies fornecem a célebre "madeira de ébano", bem escura, pesada e resistente.

Mas, os caquizeiros que conhecemos são estimados pela qualidade de seus frutos, cujo nome científico significa "manjar-dos-deuses".

Para a obtenção de plantas mais baixas que facilitam os tratos culturais, e, principalmente, a colheita dos frutos, deve-se recorrer às podas.

A principal, porque é a mais importante, é a poda de formação que se inicia sobre a muda recém-plantada, haste única, sem folha, no período hibernal e prossegue durante os três primeiros anos, com a finalidade de formar uma copada com ramos bem distribuídos, capaz de sustentar as produções futuras.

A primeira poda é efetuada na muda inicial, à altura de 50 a 80cm. Dela surgem os primeiros ramos, dos quais deixam-se 3 a 4, melhor situados (pernadas), que, no ano seguinte, durante os meses de inverno, sofrerão poda a cerca de 30 a 50cm de comprimento, conforme o vigor da variedade. Da brotação que resulta, conservam-se 2 ramos (braços), situados um de cada lado, duplicando, assim, o número de ramos. No terceiro ano, novamente no inverno, efetua-se a última poda de formação, encurtando os braços a 40cm o mais rigoroso e a 60cm o mais fraco. Da brotação, deixam-se apenas 2 novos ramos melhor situados de cada braço, e eliminam-se os demais

Ao encerrar-se a poda de formação, a planta está completa com 12 a 14 ramos bem distribuídos em todos os sentidos, dos quais surgem os brotos frutíferos.

Poda de frutificação: é menos importante que a poda de formação, pois pode ser dispensável na maioria das variáveis. O caquizeiro emite anualmente, após o inverno, ramagens em que surgem gemas frutíferas. A frutificação ocorre sempre nos ramos novos, de tal maneira que esses ramos não devem receber poda de encurtamento. Somente pratica-se o desbaste dos ramos que deram frutos no ano anterior. A época de fazer esse tipo de poda é o inverno quando a planta encontra-se despida de folhas. Na mesma época efetua-se a "poda de limpeza", eliminando-se os ramos mal situados, ladrões eretos que não frutificam (secos e doentes).

As árvores antigas, que crescem ao natural e que nunca sofreram poda, para executar a redução da copada, precisam de um estudo particular de cada uma, pois, como foi dito, têm hábitos de crescimento diferentes. Neste caso, a poda não é só técnica, mas particularmente "arte", porque depende da habilidade do operador que deverá reduzir drasticamente o fuste vertical (se tiver) e os braços laterais, conservando os melhor situados. O caquizeiro, provavelmente, não produzirá no primeiro ano, mas ficará rebaixado, com o interior aberto para as frutificações futuras.

 

SAÚDE

Pasta de dentes ajuda manter a saúde bucal

Produtos deixaram de ser meros agentes de limpeza para atuar na prevenção

 

Comprar pasta de dentes já não é mais uma tarefa tão simples. Hoje, a pasta tradicional, anticárie, divide espaço com produtos antitártaro, branqueadores, para dentes ou gengivas sensíveis etc. Os chamados dentifrícios deixaram de ser simples agentes de limpeza, tornaram-se produtos que auxiliam na prevenção e manutenção da saúde bucal.

Com tantas opções no mercado, o consumidor deve se perguntar: qual o melhor creme dental? Depende da pessoa e de seu objetivo. O dentista Reni Spiandorello, de Caxias do Sul, diz que em geral a pasta de dentes comum, com flúor, é suficiente para manter uma boa higiene oral. "O creme dental é um auxiliar da higiene bucal. O mais importante é a boa escovação e o uso do fio dental", afirma. Segundo ele, os cremes dentais mais sofisticados são indicados a pacientes que têm predisposição a outros problemas. "Para quem tem tártaro com freqüência, por exemplo, usar um creme dental específico certamente ajudará na prevenção, mas uma vez instalado, é preciso ir ao dentista, já que nenhum dentifrício consegue removê-lo", explica.

Segundo Spiandorello, apesar das diversas alternativas disponíveis, a principal função da pasta de dentes é ajudar na prevenção das cáries, graças ao flúor que contém. Este foi o primeiro princípio ativo adicionado pela indústria aos cremes dentais. Para serem eficientes, eles devem ter no mínimo 600 ppm (partes por milhão) de flúor. O índice máximo determinado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 1.500 ppm. A maioria dos cremes dentais disponíveis no mercado tem cerca de 1.000 ppm de flúor. Segundo pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as pastas que contêm, além de flúor, extratos herbais são ainda mais eficazes contra o Streptococcus mutans, principal microorganismo causador da cárie.

Muitos dentifrícios também possuem substâncias anti-sépticas que atacam os microorganismos formadores da placa bacteriana, evitando cáries e doenças na gengiva. Pesquisas na área indicam que os cremes dentais que possuem a associação de duas substâncias, o triclosan e o gantrez, são mais eficazes para esse fim.

A categoria das pastas branqueadoras é uma das que mais tem se multiplicado no mercado. Porém, a quantidade de substâncias clareadoras que se pode colocar nesse tipo de produto de venda livre é pequena. "Esses cremes dentais são úteis aos fumantes, por exemplo, porque ajudam a amenizar o amarelado dos dentes, mas o efeito não é o mesmo do clareamento indicado pelos dentistas", afirma Reni Spiandorello.

Além do hálito fresco proporcionado temporariamente por pastas de sabores como hortelã e menta, as substâncias antiplaca de alguns produtos ajudam a combater os microorganismos que causam mau hálito, caso o problema esteja realmente relacionado à cavidade bucal. Porém, se a origem for gastro-intestinal, não adianta. De acordo com os dentistas, a medida mais eficaz para evitar o mau hálito é escovar a língua, onde há grande acúmulo de bactérias causadoras do problema.

O sabor e a cor do creme dental servem apenas para tornar o produto mais atraente, mas não interferem na sua eficácia. Os aromas usados nesses produtos são os mesmos da indústria alimentícia, ou seja, atóxicos. Efeitos colaterais podem ocorrer apenas se a pessoa for alérgica a alguma das substâncias.

 

Pesquisas avaliam a função do cálcio

 

Ultimamente, alguns cremes dentais vêm com cálcio em sua formulação. A promessa desses produtos é fortalecer o esmalte dos dentes, que contêm esse mineral. Além disso, o cálcio ajudaria na absorção do flúor. Porém, a saliva já contém cálcio e não se sabe com certeza se a adição de mais cálcio é importante. Existem muitos estudos em andamento, avaliando a associação de cálcio e flúor, mas ainda não há nada conclusivo.

Para que serve o bicarbonato da pasta de dentes? Além de agir como abrasivo, esta substância neutraliza o PH da placa dental, ajudando a prevenir cáries. Quando a pessoa ingere muito açúcar, o PH da placa diminui e o dente perde mineral. Nesse caso, o bicarbonato entra em ação para evitar que o PH caia tanto.

Várias pastas de dentes também contêm ingredientes herbais na fórmula. Alguns deles, como própolis e juá, têm realmente ação bactericida, cicatrizante, antiinflamatória e adstringente, o que poderia torná-los indicados para gengivas inflamadas. No entanto, não é possível precisar a eficácia dessas substâncias na concentração em que se encontram nos dentifrícios.

 

Ingestão de flúor prejudica crianças

 

Para as crianças, a recomendação da melhor pasta de dentes varia com a idade. Segundo os especialistas, tudo depende da capacidade de controlar a ingestão do produto. Até os dois anos, a criança engole tudo, então é melhor usar um creme dental sem flúor ou fazer uma boa escovação sem nenhum produto. Alguns dentistas indicam pasta sem flúor até os seis anos, outros recomendam usar uma com baixa concentração dessa substância (500 ppm) entre os dois e os seis anos.

"Os pais devem supervisionar a escovação dos filhos até que eles consigam fazer isso de forma adequada, por volta dos sete anos", destaca o dentista Reni Spiandorello. Caso os adultos optem por usar dentifrícios comuns nos pequenos, devem controlar a quantidade. Em geral, os dentistas recomendam o equivalente ao tamanho de uma ervilha ou lentilha.

O problema do uso de pasta de dentes por crianças é que o flúor, se ingerido em excesso, pode fazer mal, causando fluorose. A doença causa manchas brancas nos dentes e, em casos mais graves, de cor marrom, mas o problema é basicamente estético. O problema é mais comum em regiões com água fluoretada.

 

Produtos específicos tratam sensibilidade

 

No mercado, há diversas alternativas de cremes dentais indicados para dentes hipersensíveis, problema comum a muitas pessoas. Mas esses produtos realmente funcionam?

De acordo com os especialistas, esses produtos têm princípios ativos que melhoram os sintomas da hipersensibilidade. Eles são uma opção simples, rápida e mais barata para o tratamento da hipersensibilidade suave. Porém, em casos mais graves, nem sempre são suficientes como único tratamento e pode ser necessária a intervenção do dentista. Ainda é preciso tomar cuidado para não tratar apenas os sintomas, esquecendo de investigar o fator causador da hipersensibilidade.

Sobre a quantidade de creme dental que deve ser usada pelos adultos a cada escovação, os dentistas esclarecem que não há uma medida exata. "Em geral, a população coloca mais do que o necessário. As pessoas têm a impressão errada de que é preciso muita espuma para limpar os dentes", observa Reni Spiandorello. "A quantidade é uma decisão individual. Algumas pessoas sentem náuseas ao usar bastante pasta de dentes. O importante é que a pessoa sinta-se bem", conclui.

 

Cigarro matará um bilhão neste século

 

O tabagismo vai matar um bilhão de pessoas no século XXI se a tendência se mantiver, informou a Sociedade Americana do Câncer em duas obras sobre o câncer e o tabaco publicadas recentemente nos Estados Unidos. O tabagismo matou 100 milhões de fumantes durante o século XX, enquanto hoje um bilhão de homens (a metade em países em desenvolvimento) e 250 milhões de mulheres fumam.

Segundo a instituição, se o consumo de cigarros se reduzisse à metade, seria possível evitar a morte de 300 milhões de fumantes nos próximos 50 anos. O tabaco é o único produto de consumo que mata mais da metade de seus usuários regulares.

Apesar das medidas de proibição do cigarro em locais públicos e da publicidade em muitos países, o número de fumantes e de mortos por causa do tabagismo continua aumentando, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento.

 

No Brasil, famintos somam 14 milhões

 

De acordo com o relatório de 2005 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 17% dos habitantes dos países em desenvolvimento sofrem de má nutrição. Os números preocupam porque a baixa no número da população atingida, cerca de 3% entre 1992 e 2002, foi anulada pelo aumento natural da população neste período. A redução da média de vítimas de fome para 2015 ainda é um objetivo ilusório nessas nações. No Brasil, segundo a pesquisa, os famintos somam 14 milhões.

No mundo, 851 milhões de pessoas, ou 13,7% da humanidade, sofrem de fome, sendo que 95,6% desses moram em países em desenvolvimento. A África subsaariana é a região mais atingida pela fome do planeta, onde 33% da população sofrem de má nutrição. Lá, a duração média da escolaridade é de três anos e meio.

 

A privada é o local mais limpo da casa

 

Às vezes, por falta de tempo, comemos um lanche na mesa do escritório, sem problemas. Porém, comer sentado na privada é falta de higiene, certo? Segundo pesquisa da Universidade de Arizona, a mesa do escritório tem até 50 vezes mais bactérias do que o assento sanitário.

Segundo Charles Gerba, responsável pelo estudo, o lugar mais cheio de bactérias, dentro de casa, é a cozinha, com a esponja de lavar a louça em primeiro lugar, seguida da pia. O menor número de bactérias, entre os 15 lugares examinados, foi registrado justamente no assento sanitário.

 

OPINIÃO

Minha liberdade acaba onde começa a tua?

Leonardo Boff

A frase correta deve ser: a minha liberdade somente começa quando começa também a tua. Minha liberdade cresce na medida em que cresce também a tua

 

Muitas vezes escutamos esta frase, tida quase como um princípio. Nunca vi alguém questioná-la. Mas pensando nos pressupostos subjacentes e nas possíveis conseqüências, devemos questioná-la seriamente. É a típica liberdade propugnada pelo liberalismo como filosofia política.

Com a derrocada do socialismo realmente existente se perderam algumas virtudes que ele, bem ou mal, havia suscitado como o sentido do internacionalismo, a importância da solidariedade e a prevalência do social sobre o individual. Com a ascensão ao poder de Thatcher e de Reagan voltaram furiosamente os ideais liberais e a cultura capitalista: a exaltação do indivíduo, a supremacia da propriedade privada, a democracia delegatícia, por isso reduzida, e a liberdade dos mercados. As conseqüências são visíveis: atualmente há muito menos solidariedade internacional e preocupação com as mudanças em prol dos pobres do mundo do que antes.

É neste pano de fundo que deve ser entendida a frase "a minha liberdade acaba onde começa a tua". Trata-se de uma compreensão individualista, do eu sozinho, separado da sociedade. É a liberdade do outro e não com o outro. Para que a tua liberdade comece, a minha tem que acabar. Ou para que tu comeces a ser livre, eu devo deixar de sê-lo. Conseqüentemente, se a liberdade do outro não começa, por qualquer razão que seja, significa então que a minha liberdade não conhece limites, se expande como quiser porque não encontra a liberdade do outro. Ocupa todos os espaços e inaugura o império do egoísmo. A liberdade do outro se transforma em liberdade contra o outro.

Essa compreensão subjaz ao conceito vigente de soberania territorial dos estados nacionais. Até os limites do outro estado, ela é absoluta. Para além desses limites, é inexistente. A conseqüência é que a solidariedade não tem mais lugar. Não se promove o diálogo, a negociação, buscando convergências e o bem comum supranacional. Por ocasião da crise do gás entre o Brasil e a Bolívia assistimos a vigência deste conceito de liberdade neoliberal e de soberania individualista, manifestada por muitos. Normalmente, quando esse paradigma entra em função, se instaura o conflito para cuja solução se apela à força. A soberania de um esmaga a soberania do outro, sacrificando a liberdade. Foi sabedoria do presidente Lula não se pautar por esta lógica e não ter desistido, para irritação de gente do velho paradigma da força e do troco, de incansavelmente dialogar e de buscar convergências com o presidente Evo Morales. No que efetivamente foi bem-sucedido, mostrando que a política do ganha-ganha é possível e preferível à do ganha-perde.

Por isso, esta deve ser a frase correta: a minha liberdade somente começa quando começa também a tua. É o perene legado deixado por Paulo Freire: jamais seremos livres sozinhos; só seremos livres juntos. Minha liberdade cresce na medida em que cresce também a tua e conjuntamente gestamos uma sociedade de cidadãos livres e solidários.

Por detrás desta compreensão da liberdade solidária se encontra o princípio humanista: "Faze aos demais o que queres que te façam a ti". Ninguém é uma ilha. Somos seres de convivência. Todos somos pontes que nos ligam uns aos outros. Por isso ninguém é sem os outros e livre dos outros. Todos são chamados a serem livres com os outros e para os outros. Como bem deixou escrito Che Guevara em seu Diário: "Somente serei verdadeiramente livre quando o último homem tiver conquistado também a sua liberdade".

 

Mandamentos do consumismo

Frei Betto

Expostos à má qualidade dessa mídia eletrônica, perdemos a capacidade de sonhar sem ganhar em troca senão o vazio, a perplexidade, a perda da identidade

 

A publicidade cerca-nos de todos os lados – na TV, nas ruas, nas revistas e jornais – e força-nos a ser mais consumidores que cidadãos. Hoje, tudo se reduz a uma questão de marketing. Uma empresa de alimentos geneticamente modificados pode comprometer a saúde de milhões de pessoas. Não tem a menor importância se uma boa máquina publicitária for capaz de tornar a sua marca bem aceita entre os consumidores.

Isso vale também para o refrigerante que descalcifica os ossos, corrói os dentes, engorda e cria dependência. Ao bebê-lo, um bando de jovens exultantes sugere que, no líquido borbulhante, encontra-se o elixir da suprema felicidade.

A sociedade de consumo é religiosa às avessas. Quase não há clipe publicitário que deixe de valorizar um dos sete pecados capitais: soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria. ‘Capital’ significa ‘cabeça’. Ensina meu confrade Tomás de Aquino (1225-1274) que são capitais os pecados que nos fazem perder a cabeça e dos quais derivam inúmeros males.

A soberba faz-se presente na publicidade que exalta o ego, como o feliz proprietário de um carro de linhas arrojadas ou o portador de um cartão de crédito que funciona como a chave capaz de abrir todas as portas do desejo. A inveja faz crianças disputarem qual de suas famílias tem o melhor veículo.

A ira caracteriza o nipônico quebrando o televisor por não ter adquirido algo de melhor qualidade. A preguiça está a um passo dessas sandálias que convidam a um passeio de lancha ou abrem as portas da fama com direito a uma confortável casa com piscina.

A avareza reina em todas as poupanças e no estímulo aos prêmios de carnês. A gula, nos produtos alimentícios e nas lanchonetes que oferecem muito colesterol em sanduíches piramidais.

A luxúria, na associação entre a mercadoria e as fantasias eróticas: a cerveja espumante identificada com mulheres que exibem seus corpos em reduzidos biquínis.

Os cinco mandamentos da era do consumo são: 1º) Adorar o mercado sobre todas as coisas. Tudo se vende ou se troca: objetos, cargos públicos, influências, idéias etc. Em economias arcaicas, ainda presentes em regiões da América Latina, a partilha dos bens materiais e simbólicos assegurava a sobrevivência humana. Agora, ao valor de uso se sobrepõe o valor de troca. É preferível deixar apodrecer alimentos cujos preços exigidos pelos produtores deixam de oferecer a mesma margem de lucro. Segundo o mercado, tombam os seres humanos, mas seguram-se os preços.

2º) Não profanar a moeda, desestabilizando-a. Dizem que outrora povos indígenas sacrificavam vidas humanas para aplacar a ira dos deuses. Abominável? Nem tanto. O ritual prossegue; mudaram-se apenas os métodos.

Em 1985, o Nacional, um dos maiores bancos brasileiros, começou a naufragar. Durante dez anos, graças a operações fraudulentas, o Nacional conseguiu sacar bilhões de dólares do Banco Central. Em outubro de 1995, o governo FHC criou, por decreto, o Proer – um programa de socorro a bancos em dificuldades. Na ocasião, um único banco foi favorecido: o Nacional, com o equivalente a US$ 6 bilhões.

3º) Não pecar contra a globalização. Graças às novas tecnologias de comunicação, o mundo se transformou numa pequena aldeia. De fato, o planeta ficou pequeno frente às imensuráveis ambições das corporações transnacionais. Por que investir na proteção do meio ambiente se isso não aumenta o valor das ações na Bolsa?

4º) Cobiçar os bens estatais e públicos em defesa da privatização. Se não é o bem comum o valor prioritário, e sim o lucro, privatize-se tudo: saúde, educação, rodovias, praias, florestas etc. Privatizar é afunilar a pirâmide da desigualdade social. Os lucros são apropriados por uma minoria, e os prejuízos – o desemprego e a miséria -, socializados. Menos serviços públicos, maior a parcela da população excluída do acesso aos serviços pagos.

Antes do leilão da Usiminas, uma das maiores siderúrgicas brasileiras, a Nippon subscrevera 14% do capital da empresa. Quando houve aumento do capital da Usiminas, a Nippon não se interessou, o que reduziu sua participação acionária para 4,8%. Iniciado o processo de privatização, as ações da Usiminas valorizaram e a empresa japonesa obteve o privilégio de resgatar sua participação originária pagando US$ 39,79 por cada lote de 1.000 ações – quando, na Bolsa, a cotação já atingira US$ 523,90. A Nippon obteve lucro de 1.340%.

O patrimônio da Usiminas valia US$ 12 bilhões. Foi vendida por US$ 1,65 bilhão. E ninguém foi parar na cadeia por este assalto ao patrimônio nacional. Do que se arrecadou com o leilão da Usiminas, 73,3% foram pagos com "moedas podres" e 26,4% em Certificados de Privatização. Papéis coloridos. Em dinheiro sonante entraram apenas R$ 4,69 mil, metade do preço de um carro "popular", sem ágio.

5º) Prestar culto aos sagrados objetos de consumo. Percorremos aceleradamente o trajeto que conduz da esbeltez física à ostentação pública de celulares, da casa de veraneio ao carro importado, fazendo de conta que nada temos a ver com a dívida social.

Expostos à má qualidade dessa mídia eletrônica que nos oferta felicidade em frascos de perfume e refrigerante, alegria em maços de cigarro e enlatados, já não há espaço para a poesia nem tempo para curtir a infância. Perdemos a capacidade de sonhar sem ganhar em troca senão o vazio, a perplexidade, a perda de identidade.

Só há esperança para quem acredita que o dilúvio neoliberal não é capaz de inundar todos os sonhos e ousa navegar, ainda que soprem fraco os ventos, nas asas da solidariedade aos excluídos, da luta por justiça, do cultivo da ética, da defesa dos direitos humanos e da busca incansável de um mundo sem fronteiras também entre abastados e oprimidos. Mas isso é outra história, que exige muita fé e certa dose de coragem.

A propósito: o contrário da soberba é a humildade; da inveja, o despojamento; da ira, a tolerância; da preguiça, o compromisso; da avareza, a partilha; da gula, a sobriedade; da luxúria, o amor.

 

NACIONAL

Previsão de gastos dos candidatos faz custo do voto superar R$ 157

Campanhas deste ano consumirão R$ 19,8 bi, calcula o TSE

 

Os gastos com as campanhas eleitorais dos 18.859 candidatos registrados em todo o país podem chegar a R$ 19,79 bilhões. O valor foi calculado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir das estimativas de despesas máximas de cada candidato. Como o total de eleitores aptos a votar neste ano é de 125.913.479, cada voto custará R$ 157,17. Se for considerado outro critério, pelo qual R$ 3,1 bilhões declarados estão fora dos padrões e o volume de gastos atinge R$ 16,6 bilhões, o custo de cada voto fica em R$ 132. Em qualquer dos casos, o valor é muito superior aos R$ 7,00 previstos na proposta de financiamento público de campanha.

Em seis Estados a soma dos limites de gastos de todos os concorrentes ultrapassa R$ 1 bilhão: São Paulo (R$ 4,7 bi), Rio de Janeiro (R$ 2,7 bi), Amazonas (R$ 1,226 bi), Minas Gerais (R$ 1,1 bi), Mato Grosso (R$ 1,1 bi) e Paraná (R$ 1,047 bi). Em três Estados esse total é inferior a R$ 100 milhões: Acre, Amapá e Sergipe, todos na faixa dos R$ 70 milhões. No Rio Grande do Sul, só as campanhas para governador custarão R$ 34,5 milhões.

Para presidente da República, os oito candidatos registrados pelo TSE devem gastar nas campanhas juntos R$ 279,1 milhões. Quem deve gastar mais é Ana Maria Rangel (PRP): R$ 150 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende gastar R$ 89 milhões e Geraldo Alckmin (PSDB), R$ 85 milhões. Quem deve gastar menos é o candidato Rui Pimenta (PCO): R$ 100 mil.

Para governador, todos os candidatos reunidos vão gastar R$ 942,554 milhões. Os concorrentes que mais gastarão são os que disputam vagas a deputado estadual: R$ 10,71 bilhões – seguidos dos candidatos à Câmara Federal: R$ 6,96 bilhões (observe quadro).

A maior previsão de gastos de campanha individual, no valor de R$ 800 milhões, foi feita por Kelson Jorge Abrão, que concorre a uma vaga de deputado estadual em Mato Grosso. Dois candidatos do Amazonas, Joel Cavalcante de Oliveira e Francisco Lucieldo Marinho de Lima, estimaram gasto de R$ 500 milhões cada um na campanha.

Esses valores são parciais e ainda podem sofrer alterações. Se confirmados, representam o que o governo federal aplica em todo o sistema de saúde durante seis meses. "Estarrecedora". Esta foi a palavra usada pelo presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, para definir a cifra calculada, que é superior às de outras eleições.

 

Lista de suspeitos de envolvimento em fraude tem 57 parlamentares

 

Um senador e 56 deputados federais – entre eles o gaúcho Edir Oliveira (PTB) – são suspeitos de envolvimento em esquema de fraude na compra de ambulâncias por prefeituras. Essa relação não é definitiva e tende a crescer com o avanço das investigações pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas, presidida pelo deputado Antônio Carlos Biscaia e que tem como relator o senador Amir Lando. Os últimos 42 foram notificados na terça 18.

A Polícia Federal apurou a existência de uma quadrilha chefiada pelo empresário Darci José Vedoin, dono da empresa Planan (MT), que fazia contatos com prefeitos interessados em adquirir ambulâncias e, em seguida, acionava assessores de parlamentares que preparavam emendas a serem apresentadas. O texto era aprovado, as verbas liberadas pelo Ministério da Saúde – onde a assessora Maria da Pinha Lino facilitava – e a Planan superfaturava as ambulâncias em até 110%. A quadrilha teria movimentado R$ 110 milhões desde 2001.

 

ESPECIAL

JUVENTUDE NO CORAÇÃO DA IGREJA

Bispos do Brasil convidam jovens a colocar seus talentos e sua criatividade a serviço de Jesus Cristo e da Igreja

 

Hoje, a juventude é o público-alvo da indústria cultural. As músicas, a moda e o entretenimento têm uma finalidade clara: atrair a energia da juventude para o mercado de consumo. "A lógica é distrair a juventude com ilusões que não ajudem na mudança de pensamento e de ação", salienta padre Adelar Dalsoto, assessor da Pastoral da Juventude da diocese de Passo Fundo.

Conhecendo essa realidade, a Igreja pretende dar mais ênfase e apoio aos jovens, para que eles possam desenvolver novas atividades produtivas, sejam protagonistas das mudanças sociais que se fazem necessárias para uma sociedade mais justa, defendam seu espaço, seu habitat. Nesse sentido, o momento é propício para a evangelização da juventude, carregada de dinamismo e sonho de vida digna.

A Igreja se propõe a assumir esse desafio, não só pelo seu grande número na sociedade brasileira -segundo o IBGE o país tem 48 milhões de habitantes entre 15 e 29 anos e 34 milhões (20% da população), com idade entre 15 e 24 anos -, mas por ser um contigente de renovação eclesial e social.

"Os jovens estão no coração da Igreja; assim disseram os nossos bispos na 44ª Assembléia Geral da CNBB, realizada em maio passado, que teve como tema central Evangelização da Juventude", salienta padre Vital Corbellini, da diocese de Caxias do Sul, que também atua com os jovens (veja entrevista na página ao lado). No final da assembléia foi aprovado um documento para orientar a ação com os jovens em todo o país. A meta da Igreja é abrir espaço e ouvir mais os jovens com suas angústias e necessidades. Na mensagem para a juventude brasileira, os bispos renovam sua opção pelos jovens e os convidam a dar à Igreja um rosto jovial, dinâmico e profético.

A Igreja continua a obra de Cristo no mundo e ela existe para evangelizar. Ela percebe que os jovens são seus filhos amados, capazes de entender com alegria a boa nova do Reino de Deus, o projeto de Jesus Cristo. "Para isso a ação evangelizadora não só deve voltar-se para aqueles que possuem uma participação na comunidade e nos grupos, mas também para aqueles que não têm uma atuação na sociedade. Para isso é preciso formação para a juventude, escolha de assessores adultos e jovens adultos, capazes de dinamizar os jovens", salienta padre Vital.

Protagonismo – A juventude sempre constituiu uma preocupação na Igreja tanto no presente como no passado. A Igreja é uma das instituições que mais fez pelos jovens brasileiros; é só perceber as pastorais ligadas à juventude que surgiram nas décadas de 1980-1990, os Institutos da Pastoral da Juventude, a criação de um curso de pós-graduação sobre a juventude.

Em nível latino-americano, aconteceram as Conferências Episcopais onde se ressaltaram os jovens. Medellin disse que a juventude é uma grande força de pressão. Puebla fala que a Igreja confia nos jovens e por isso fez a opção pelas pobres e pelos jovens. Santo Domingo reafirmou a opção preferencial pelos jovens de Puebla não só de modo afetivo, mas efetivo.

"O episcopado brasileiro afirma que os jovens são os protagonistas da evangelização e artífices da renovação social. Ora, hoje trata-se de evangelizar a geração atual tendo presente os desafios e esperanças que ela carrega, o seu idealismo e generosidade quanto à da geração passada", conclui padre Vital.

 

Acolhida e compreensão para superar descrenças

 

O perfil do jovem brasileiro não é unívoco, porque diversas são as oscilações, vulnerabilidades e potencialidades. No entanto, é na juventude que concentram-se os maiores problemas como também a energia, a criatividade, o engajamento. Segundo os dados do recenseamento de 2000, os jovens são um grande potencial, uma população de 34 milhões (dos 15 aos 24 anos).

A grande maioria desses jovens enfrenta problemas sérios de exclusão social, fragilidade no sistema educacional, disparidade de renda, desemprego, gravidez na adolescência, violência na cidade e no campo, desintegração familiar, drogas...

O perfil religioso é semelhante com o da população brasileira; os jovens católicos somam 73,6%. No entanto cresce o número dos jovens que se dizem sem religião (9,3%), enquanto entre a população em geral a porcentagem dos que não têm nenhuma crença é de 7,4%. Muitos jovens acorrem a manifestações artísticas, shows religiosos, outros participam de novas comunidades, pastorais da juventude e outros ainda assumem o caminho da vida sacerdotal, religiosa, propostas vocacionais na contemplação e na ação, movimentos e organizações sociais em vista de uma sociedade justa e solidária.

Os jovens estão abertos a ações evangelizadoras que respondam aos seus anseios, angústias e esperanças. A Igreja precisa optar pelos jovens não só de modo afetivo, mas efetivo, em busca de uma vida digna para eles, e na construção do Reino de Deus. "Temos que acolher os jovens, ouvir seus clamores, porque Deus fala em nome da juventude. O jovem é uma realidade teológica que precisamos ler, desvelar e agir", explica padre Vital Corbellini.

 

Evangelização amplia o trabalho das pastorais

 

Para uma efetiva e eficaz ação evangelizadora, os bispos do Brasil pretendem ampliar o trabalho das pastorais já existentes ligadas à juventude. O Setor da Juventude não parte do nada. Ele vai intensificar seja em nível local, diocesano e nacional, as ações que já existem através das pastorais, novas comunidades, bem como dos movimentos e congregações religiosas.

"O desafio apresentado para essa nova organização não é a uniformidade, mas a unidade, a superação dos ‘guetos’, das críticas entre as pastorais e movimentos", destaca padre Vital. Ele terá presente a formação, os encontros diocesanos, o Dia Nacional da Juventude e as Jornadas Mundiais da Juventude. Respeitando as diferenças, é preciso a aproximação de uns para com os outros para que a juventude seja a maior beneficiada na evangelização.

O processo da evangelização não deve ser só pelo verniz, isto é, superficial, como dizia Paulo VI, mas profundo, pelo conhecimento de Jesus Cristo que encante os jovens em suas vidas. Deverá frisar a espiritualidade com os jovens, através da oração e engajamento; o testemunho de vida de seus assessores será outro fator para que a evangelização seja acreditada e assumida por todos.

 

Compromisso com o projeto da Igreja

 

Segundo os bispos do Brasil, a ação evangelizadora deve levar os jovens a um compromisso com o projeto de Jesus, participação na comunidade, luta pela justiça, sua opção vocacional. Para isso, o documento elaborado pela CNBB apresenta algumas linhas de ação, que padre Vital Corbellini resume em oito itens.

A primeira comporta a formação integral do discípulo através das dimensões psico-afetiva, social, mística, política e técnica. A segunda diz respeito à espiritualidade, contato com Deus através da oração pessoal e em grupo, sagrada escritura, sacramentos e retiros. A terceira fala da pedagogia da formação: a prioridade da experiência sobre a teoria. O método ver-julgar-agir-celebrar pode ser uma ferramenta importante no trabalho de formação da juventude.

A quarta refere-se ao discipulado em vista da missão. A ação evangelizadora volta-se para jovens que ainda não participam da comunidade e na construção de uma sociedade justa e solidária. A quinta tem presente as estruturas de acompanhamento. Realça-se a criação do Setor da Juventude na paróquia, diocese, regional e nacional englobando todas as forças que trabalham com os jovens, como as pastorais da juventude, movimentos, novas comunidades e congregações religiosas. A sexta fala dos ministérios da Assessoria. A necessidade é de capacitar assessores adultos e jovens adultos na evangelização bem como padres e religiosos estarem mais próximos da juventude.

Referência – Outro item tem presente o diálogo e razão, cuja referência é o jovem universitário e aqueles ligados à ciência e tecnologia. Muitos deles permanecem abertos à dimensão espiritual, mas desligados da Igreja institucional. E a oitava fala do direito à vida: os direitos dos jovens devem ser considerados diante de uma sociedade de profundas desigualdades sociais. É preciso levar o jovem à valorização de sua vida e a de seus semelhantes.

 

Jesus como resposta às angústias e sonhos dos jovens

 

O conhecimento dos jovens é condição básica para sua evangelização. E se faz por aquilo que a cultura atual apresenta para a juventude. Se a modernidade abriu as portas à razão, reforçando os valores da liberdade, igualdade e fraternidade, nas últimas décadas fala-se de pós-modernidade com a rapidez das informações, novos códigos e transformações.

Dessa forma os jovens sofrem os impactos das culturas da atualidade, apresentando os seus valores como a subjetividade, tendência presente em todos e também nos jovens; a mudança do ideal coletivo dos anos 80-90 pela preocupação das necessidades pessoais, instintos, o próprio corpo, a auto-estima. Surgem novas expressões do sagrado: diversas são as manifestações religiosas e místicas como a nova era, o esoterismo, horóscopos.

Essa abertura ao transcendente não significa, no entanto, adesão às religiões organizadas. Muitos jovens procuram as razões para viver sem envolver-se com uma Igreja: é uma espiritualidade centrada na pessoa, não na instituição. A mudança da razão para a emoção; a religião torna-se veículo de ascensão social ou promessa de felicidade plena. Essa tendência da emoção tem uma forte aceitação no mundo da juventude questionando nossa metodologia pastoral.

Por isso, a ação evangelizadora tem uma oportunidade única de apresentar Jesus Cristo ao jovem como modelo de suas vidas, como resposta às suas angústias e aspirações mais profundas.

 

Jovem evangeliza outros jovens

Padre Vital Corbellini atua na paróquia São José, do bairro São José, em Caxias do Sul. Doutor em Teologia e Ciências Patrísticas, professor de História Antiga e de Patrologia na Faculdade de Teologia da PUCRS, também trabalha com a juventude. Além de contribuir com o texto da página central, padre Vital concedeu a seguinte entrevista:

 

Correio Riograndense: Como falar de Deus para a juventude?

Padre Vital: O jovem necessita que se fale de um Deus que é real dentro de seu mundo jovem de ser, de se manifestar, o Deus revelado em Jesus Cristo, que conhecia as pessoas, sobretudo os pecadores, caminhava com eles, acolhia a todos e a todas. É preciso mostrar aos jovens a beleza da juventude, o dinamismo que ela comporta, a alegria da vida, mas também levar em conta a ameaça do pecado, do ter, do poder e do prazer.

 

CR: De quem a Igreja vai valer-se para chegar diretamente aos jovens?

Pe. Vital: A Igreja vai valer-se primeiramente do próprio jovem para que ele esteja aberto em acolher a evangelização, o projeto de Jesus Cristo, a sua própria formação, opção vocacional e atuação comunitária e social. Nesse sentido é essencial a atuação dos religiosos e religiosas, presbíteros e bispos no acompanhamento dos jovens. Se estes percebem que alguém lhes quer bem, os visita no trabalho, na escola, na família, eles também vão dar uma resposta positiva diante de anseios e esperanças depositados. A evangelização acontece também pelo cultivo de relações.

 

CR: Para que fim deve levar a ação evangelizadora?

Pe. Vital: Ela deve conduzir ao encantamento do projeto de Jesus Cristo. Quando isso acontece, o jovem evangeliza outros jovens. Nesse sentido, a ação evangelizadora aponta também para o social: quer levar os jovens a construir uma sociedade justa e solidária. A evangelização da juventude não deve priorizar só as relações mais próximas como a família deles, o grupo de jovens, a relação interna na Igreja, mas ao envolvimento nas grandes questões como a economia, a política, a superação das injustiças. Por isso, o jovem deve ser como o samaritano, que se preocupa com sua comunidade, mas vai também ao encontro dos outros jovens, socorrendo os mais necessitados que ele, perdoando e sendo misericordioso.

 

CR: De que maneira entender a juventude como lugar teológico?

Pe. Vital: Este é um ponto fundamental no texto dos bispos. Na cultura juvenil, há uma teologia, um discurso de Deus sobre ele. Assim Deus nos fala por meio da juventude, de modo que o seu clamor deve ser ouvido. Tal consideração não significa que o jovem não erre, ou se torne sagrado, mas trata-se de ver a presença de Deus que se manifesta na realidade da juventude.

 

CR: O que a Igreja pode fazer por tantos jovens que tiveram boa formação cristã, boa catequese, mas aos poucos vão se desligando da Igreja institucional?

Pe. Vital: Devemos primar pela catequese. Esse é um outro grande desafio na atualidade. Precisamos encontrar caminhos para uma boa formação de todos, dos pais, dos catequistas, mas sobretudo dos catequizandos, para que ao saírem da Crisma, por exemplo, continuem ligados não só à comunidade e à Igreja, mas também tenham uma atuação social.

 

IGREJA

Balanço da Santa Sé registra superávit

Finanças do Vaticano dependem de donativos e administração patrimonial

 

Pelo segundo ano consecutivo, as finanças da Santa Sé fecharam com resultado positivo. O balanço econômico, relativo ao ano 2005, foi anunciado neste mês pelo presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé, cardeal Sergio Sebastiani. O resultado positivo é de 9,7 milhões de euros (cerca de R$ 27,5 milhões), o valor mais significativo dos últimos oito anos.

"Com relação ao exercício anterior, o resultado representa uma melhora de cerca de 6,6 milhões de euros (R$ 18,8 milhões)", acrescentou o purpurado, que apresentou os dados relativos ao exercício de 2005. Na apresentação dos números da Santa Sé, Sebastiani recordou que eles correspondem à Administração do Patrimônio da Sede Apostólica (todas as operações administrativas da Cúria Romana), da Congregação vaticana para a Evangelização dos Povos, da Câmara Apostólica, da Rádio Vaticano, do Centro Televisivo Vaticano, do jornal L’Osservatore Romano, da Tipografia Vaticana e da Livraria Editora Vaticana.

Sebastiani salientou que, em separado, os setores de atividades da Santa Sé apresentam resultados bem diferentes. Na área das atividades institucionais, cujos organismos (todos os dicastérios, Sínodo dos Bispos, representações pontifícias, tribunais e outros escritórios), "assistem de perto ao Papa em sua missão de Pastor universal", em geral não há entradas. Em 2005, esse setor fechou com déficit de 36,9 milhões de euros – no ano anterior tinha sido de 23,2 milhões de euros.

No balanço geral, esse déficit foi compensado pelas entradas do setor de atividades financeiras, que fechou com superávit de 43,3 milhões. O setor imobiliário obteve resultado positivo de 22,2 milhões de euros, um pouco inferior ao registrado em 2004 (24,9 milhões de euros). Já o setor de comunicação da Santa Sé registrou resultado negativo de 11,8 milhões de euros, puxado especialmente pelo déficit da Rádio Vaticano (cerca de 23,5 milhões de euros) e do L’Osservatore Romano.

Além do balanço consolidado da Santa Sé, o cardeal Sebastiani também revelou o balanço definitivo do Estado da Cidade do Vaticano que, em 2005, fechou com superávit de 29,6 milhões de euros. Parte desse lucro foi destinada a cobrir o déficit da Rádio Vaticano.

 

Óbolo contribui com caridade Pontifícia

 

O Óbolo de São Pedro é uma coleta feita nas dioceses do mundo inteiro que, remetidas ao Papa, são diretamente destinadas por ele a obras de caridade. Essa "esmola" (óbolo) remonta ao século VIII, quando os anglo-saxões se converteram ao cristianismo e, como sinal de união com o bispo de Roma, decidiram enviar de maneira estável uma contribuição ao Santo Padre.

Essa contribuição não entra no orçamento da Santa Sé. Segundo dados do Vaticano, em 2004, as doações ao Papa somaram US$ 51,7 milhões, que foram destinados pelo Pontífice em favor das comunidades eclesiais do terceiro mundo e na ajuda a populações flageladas por guerras ou catástrofes naturais.

Esse donativo, que uma vez era coletado na festa de São Pedro e São Paulo, hoje pode ser enviado diretamente ao Papa, pela caixa postal 00120, Cidade do Vaticano. Para saber mais, e-mail: óbolo.sp@segstat.va ou no site www.vatican.va.

 

Capuchinho será ordenado bispo em agosto

 

Frei Mário Márquez (foto), que no dia 31 de maio foi nomeado pelo Papa Bento XVI bispo auxiliar da arquidiocese de Vitória (ES), será ordenado bispo no dia 6 de agosto, às 9 horas, no santuário Nossa Senhora de Fátima, dos capuchinhos, em Brasília (DF). A sagração episcopal será pelas mãos de dom Luiz Mancilha Vilela, arcebispo de Vitória.

Frei Mário nasceu em Luzerna, diocese de Lajes (SC), aos 23 de novembro de 1952. Ele é capuchinho da província do Paraná e Santa Catarina e, atualmente, atuava como capelão do VI Comando Aéreo Regional e pároco da catedral Rainha da Paz, do Ordinariado Militar do Brasil, em Brasília.

Ordenado sacerdote aos 22 de novembro de 1980, atuou como pároco nas paróquias de Rancho Alegre e Aparecida, em Uraí; das paróquias Nossa Senhora das Mercês e Nossa Senhora da Luz, em Curitiba; além de capelão da Força Aérea em Curitiba e Recife.

 

Papa aceita renúncia de cardeal bielo-russo

 

Bento XVI aceitou a renúncia ao governo pastoral da arquidiocese de Minsk-Mohilev, na Bielo-Rússia, apresentada pelo cardeal Kazimierz Swiatek, que em outubro completará 92 anos de idade, dez deles vividos nos gulags (campos de trabalhos forçados) soviéticos. Considerado "mártir" em vida, dom Swiatek viveu os horrores da 2ª Guerra Mundial, sob o domínio nazista e, depois, nos gulags soviéticos na Sibéria e no Ártico, por mostrar-se resistente ao frio. "Só foi possível resistir com a fé e não me fuzilaram, como disseram, porque não queriam gastar uma bala comigo", revelou o cardeal.

 

Civilização de morte

Padre Zezinho

A promoção do banal e do vulgar acaba levando ao sem sentido em tudo

 

Num mundo de tantas banalizações, era inevitável que também se banalizasse o crime e a morte. Banalizar é tornar algo excessivamente comum. Quando todo mundo faz, de qualquer jeito e sem praticamente nenhum sentido nem reflexão, uma coisa que, antes, poucos faziam, banalizou-se. Diferente de popularização, que é levar algo positivo a todo o povo e a qualquer segmento do povo, a vulgarização de um costume, uma arte, um jeito de dançar, é quase sempre uma atitude negativa, conduzida por pessoas sem ética e sem preocupação social. A vulgarização acaba em banalização e vulgaridade. Dão ao povo o que o povo não quer, insistindo que o povo quis.

Danças, canções, trajes sumários, expressões corporais que até poderiam fazer sentido em determinados lugares perdem seu significado e se destituem de sentido, quando feitos em lugar errado, por qualquer pessoa e fora de contexto. Assim, certas danças, a nudez, o beijo, certas roupas, certas canções, inclusive religiosas, certas piadas, certas cenas de televisão e certas imagens resvalam para o banal e o vulgar quando, sem nenhum critério, se faz aqui e de novo, e em qualquer lugar porque deu certo lá, feito por aquele astro...

Se não se divulgasse tanto a violência em filmes, ou o sem sentido de tantas vidas, se não se mostrasse apenas por mostrar, tenho certeza que teríamos uma sociedade mais criteriosa. Como está, a promoção do banal, do grosseiro e do vulgar acaba levando ao sem sentido em tudo, inclusive na violência. De tanto vê-la colorida e com detalhes e closes, muitas mentes desequilibradas acabam achando que matar é bonito. E é o que fazem. Há quem trate a morte violenta de um ser humano como se fosse um espetáculo. É como se fosse mais uma lagartixa ou mais um rato que morreu. Acabamos achando isso natural. Quando uma comunidade não fica indignada e não reage de maneira forte, mas civilizada, estamos no que a Igreja Católica chama de civilização de morte. O Brasil está perto disso!

 

Paróquia maronita completa 45 anos

Comunidade de rito Oriental foi criada na capital gaúcha em 1961

 

Para muitos, a Igreja Católica se reduz ao rito latino do Ocidente. Entretanto, existe 21 ritos orientais que, ao menos em parte, são católicos, unidos à Sé de Pedro. Além disso, existe a Igreja Maronita, com seu rito próprio, que sempre permaneceu fiel a Roma. Com a imigração do Oriente Médio para o Brasil, vieram para o país católicos de diferentes ritos orientais – maronitas, coptos, melquitas, ucranianos etc.

Os maronitas vieram em maior número do Líbano e da Síria. O nome vem do mosteiro de São Maron, eremita falecido em 410. No Brasil, instalaram-se principalmente em São Paulo, onde está a sede de sua diocese (eparquia), que tem como eparca (bispo), dom Joseph Mahfouz. Mas famílias maronitas também vieram para o Sul e no dia 8 de agosto de 1961, dom Jaime de Barros Câmara, então arcebispo do Rio de Janeiro e Ordinário dos Católicos Orientais no Brasil, criou a paróquia de Porto Alegre "para os fiéis do rito maronita no Rio Grande do Sul".

O primeiro pároco foi padre Antonio Joubeir, mais tarde bispo de Trípoli, no Líbano. De 1966 a 1980, atuou padre Rosendo Atik, responsável pela construção da igreja maronita dedicada a Nossa Senhora do Líbano, na rua Jerônimo de Ornelas, 60. Padre Rosendo foi substituído pelo mons. Celestino Ruben Neis.

Em 1982, dom Cláudio Colling designou mons. Urbano Zilles como capelão da paróquia e mais tarde dom Mahfouz nomeou-o pároco, tendo como auxiliares freis Rovílio Costa e Arlindo Battistel, ambos capuchinhos. Hoje há centenas de famílias católicas maronitas na capital gaúcha, mas a maioria está integrada nas comunidades de rito latino e a missa celebrada em rito maronita, nos sábados às 18h30, é freqüentada principalmente por católicos latinos.

 

Capuchinho recorda 50 anos de sacerdócio

 

Frei Maurílio Parisotto, capuchinho gaúcho que atua como vigário paroquial de Tangará da Serra (MT), está comemorando, em 2006, jubileu de ouro de vida sacerdotal. Filho de Ângelo e Maria Roncen Parisotto, frei Maurílio nasceu aos 16 de março de 1931, em Ipê.

Ordenado sacerdote no dia 8 de abril de 1956, em Porto Alegre, dedicou-se à educação, como professor em Bom Jesus e na faculdade de Ijuí e, principalmente, ao apostolado paroquial. No Rio Grande do Sul, trabalhou em Ijuí, Bagé, Veranópolis, Lagoa Vermelha, Jaguarão e Tramandaí. Em Rondônia, na cidade de Juruena e, no Mato Grosso, em Campo Novo do Parecis, Sapezal, Primavera do Leste e, atualmente, em Tangará da Serra. Em 2003 publicou o livro "Santíssima Trindade e você: homem e mulher".

 

Tramandaí promove a 2ª Semana Social

 

A paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, de Tramandaí e Imbé (RS), sob a direção dos capuchinhos, promove, de 1º a 5 de agosto, a 2ª Semana Social, com o tema "União pela Inclusão Social". O evento, realizado no salão Navegantes, em Tramandaí, conta com diversas atividades sociais, culturais e religiosas. No dia 1º, destaque para a palestra "Ecologia: consciência e prática", às 9 horas.

No dia 2, HIV/Aids em debate, com representantes da Fonte Colombo e Hepatoche. Dia 3, celebração dos 21 anos da Pastoral da Criança. Dia 4, palestra sobre cooperativismo e associativismo, com Dr. Vergílio Périus; e estudo da Doutrina Social da Igreja, com frei Vanildo Zugno. Dia 5, celebração e bênção das bicicletas e carrocinhas, às 11h30, e missa de ação de graças às 18 horas (levar um quilo de alimento).

 

Outro olhar diferente (2)

Aldo Colombo

"Não posso deixar de dialogar com aqueles que discordam do meu pensamento e do meu modo de agir"

 

O escritor francês Voltaire dirigiu-se, um dia, a um adversário dizendo: nunca concordarei com sua opinião, mas lutarei até à morte pelo seu direito de manifestá-la. O pensamento único nunca foi bom para a humanidade. Criou o fundamentalismo religioso, ditaduras e desavenças insanáveis na comunidade. Diversidade é riqueza. Um "olhar diferente" (Leis do diálogo) suscitou um interessante artigo de Luiz Francisco Zanchet. Agora é a vez de um conhecido médico caxiense opinar sobre o mesmo assunto. Há muitos pontos de vista legítimos.

"Prezado frei Aldo, parabéns pela "resposta", quando o senhor colocou em sua coluna "Outro olhar diferente" (05/07/06), uma carta na íntegra de um leitor, mostrando que isso é o verdadeiro diálogo, o que não foi entendido em "Leis do diálogo" (07/06/06). Como tenho 61 anos, entendo o nosso jovem de 28, pois como disse John Lennon em uma de suas canções: "Vida é aquilo que acontece quando estamos preocupados com outros planos".

Vamos supor que o nosso jovem constitua família num lar alegre e feliz. Após receber a graça de ter dois filhos inteligentes e lindos, nasça um terceiro com uma doença neurológica chamada Síndrome do choro do gato, caracterizada pelo afastamento dos olhos, cabeça pequena, deficiência mental severa e um choro característico como se fosse um gato. Este sinal desaparece aos dois anos de idade. Aproximadamente dez por cento dos pacientes sofrem de cardiopatia congênita e morrem na infância. Entretanto, noventa por cento seguem uma vida quase normal, os chamados portadores de necessidades especiais.

Seguindo o raciocínio da sua parábola é necessário convocar uma "assembléia" para decidir o que fazer diante de tamanha tragédia, e o chefe da família age como o "sensato" superior do mosteiro: vamos dialogar, mas já vou avisando que esta criança não permanecerá em nossa casa. A doença poderia ser alcoolismo, Aids, drogadição, esquizofrenia etc. Sabe-se hoje em dia que essas doenças têm controle, devido ao avanço da medicina. E se um dos filhos sadios tivesse um acidente de carro e ficasse paraplégico? Ninguém está livre de deparar-se com casos sinistros como os acima citados.

Quando o nosso jovem cita algumas possibilidades para solucionar a "questão canina" ele não está dialogando, pois já vem com as cartas na manga. Uma pergunta devemos fazer a nós mesmos: o que Jesus faria no lugar do superior do mosteiro? Para isso é necessário sabedoria, humildade, fraternidade e acolhimento da decisão tomada pela maioria.

Ainda me lembro de suas palavras, frei Aldo: ser cristão não é ficar abraçado ao seu Deus, esquecendo-se dos seus irmãos. É difícil? É muito difícil, mas não é impossível, seguir os passos do Mestre.

Como sou leitor assíduo da sua coluna no Correio Riograndense, fonte onde eu bebo água cristalina e pura, não podia deixar de dialogar com aqueles que discordam do meu pensamento e do meu modo de agir.

Um grande abraço.

José Antônio Veronese Mascia, jamascia@via-rs.net, Caxias do Sul – RS".

 

Há 25 anos, as clarissas capuchinhas se estabeleciam em Flores da Cunha

Mosteiro gaúcho foi o primeiro da Ordem construído no Brasil

 

No dia 13 de agosto de 1981, as cinco primeiras religiosas da Ordem das Clarissas Capuchinhas a pisar em solo gaúcho ingressavam no mosteiro Nossa Senhora do Brasil, em Flores da Cunha. A casa estava ainda em obras e seria inaugurada no dia 8 de dezembro daquele ano, com missa campal, concelebrada pelos bispos dom Benedito Zorzi e dom Paulo Moretto, e pelo então provincial, frei Carlos Zagonel, e com maciça participação religiosa e popular.

As clarissas capuchinhas vivem o carisma franciscano através da estrita pobreza, simplicidade fraterna, rigorosa clausura e intensa vida de oração e contemplação. Elas dependem da ajuda de benfeitores e vivem do próprio trabalho e do artesanato que fazem nos intervalos entre um horário e outro de oração.

A Ordem se estabeleceu no Brasil depois que o ministro geral dos capuchinhos, frei Pascoal Rywalski, observou que faltava na região da província gaúcha a presença de capuchinhas contemplativas. Em 1979 chegaram a Caxias do Sul as irmãs italianas Maria Giacinta Grigoletto, Benvenuta Gandini, Maria Luisa Verzin, Maria Bernarda e Maria Giuseppina.

Hoje, o mosteiro de Flores da Cunha conta com 11 irmãs brasileiras, oito delas com votos perpétuos. Das fundadoras, três voltaram à Itália, uma está com as clarissas da Paraíba e irmã Maria Bernarda, com outras três religiosas que estavam em Flores da Cunha, partiu para o Amapá em 2003 para a fundação de um novo mosteiro. (Com colaboração de frei Rovílio Costa)

 

Festa de Santa Clara abre comemorações

 

Com o início da novena e festa de Santa Clara, de 2 a 13 de agosto, as clarissas capuchinhas de Flores da Cunha abrem as comemorações do ano jubilar do Mosteiro Nossa Senhora do Brasil, que culminarão no dia 8 de dezembro. As celebrações da novena serão realizadas na capela do mosteiro, sempre às 19h30.

Cada noite contará com a presença de pregadores convidados, entre os quais frei Darci Vazzatta, pároco de Flores da Cunha; frei Aldo Colombo, diretor do Correio Riograndense; e padre Paulo Gasparet, assessor de comunicação da diocese de Caxias, e com animação de grupos e movimentos da paróquia de Flores da Cunha. No dia 11, festa de Santa Clara, frei Álvaro Morés, provincial dos Capuchinhos, preside solene celebração no mosteiro, com animação das irmãs clarissas, bênção e distribuição do pão de Santa Clara.

 

Lar da Velhice São Francisco de Assis reelege diretoria

 

Durante Assembléia Geral Ordinária, o Lar da Velhice São Francisco de Assis, de Caxias do Sul, foi reeleita a atual diretoria para continuar à frente da entidade no próximo triênio. A diretoria é constituída por Léa Zita Fernandes Signori (presidente), Lourdes Sperafico (vice), Gelsa Regina Prestes (secretária), Honorino Lorencetti (tesoureiro) e Jaime Tessari (vice-tesoureiro). João Carlos Lusa, Juarez Copat e Maria Milani integram o Conselho Fiscal.

Participaram da assembléia, realizada no final de junho, 70 representantes associados das fraternidades Imaculada Conceição, Santa Catarina e Lourdes, todas da Ordem Franciscana Secular de Caxias do Sul. Na oportunidade, acompanharam o relatório de atividades e aprovaram as contas do triênio. Atualmente, o Lar da Velhice abriga 70 idosos. Um dos projetos para o próximo triênio é ampliar as instalações da casa, para atender à crescente demanda de pessoas que necessitam esse tipo de atendimento.

 

Ai de vocês

Wilson João

A história mostra que os pequenos e livres sempre vencerão e eliminarão os dominadores

 

A vida é feita de "ai de vocês..." e "felizes de vocês". Nem Jesus Cristo escapou desses momentos de indignação. Ao lado do apoio que dava a todos os que faziam o bem e os chamava de "felizes", "bem-aventurados", usava a palavra "ai" para condenar e excluir as pessoas que na sociedade eram instrumentos de dominação e exploração do próximo. Com veemência vai dizendo: "Ai de vocês fariseus mentirosos... ai de vocês especialistas nas leis... ai de vocês que querem a honra... ai de vocês que exploram os pobres... ai de vocês, túmulos de podridão, apenas belos por fora... ai de vocês doutores das leis..." E voltando-se para as pessoas sofridas e injustiçadas falou com carinho: "Felizes vocês que são pobres em espírito, mansos, puros, injustiçados, pacificadores, misericordiosos, e até perseguidos por causa da verdade. Vocês terão uma recompensa por causa de tudo isso." E hoje com mais indignação Jesus condena:

AI DE VOCÊS DONOS E ARTICULISTAS das revistas Veja, IstoÉ e similares, de jornais que sempre defendem as classes dominantes e os privilegiados e condenam os que lutam para ter seu lugar na sociedade e no mundo do trabalho, na educação e na habitação e no direito à terra. Cuidado! Vocês não terão sossego em suas mansões e privilégios!

AI DE VOCÊS POLÍTICOS e membros do governo que favorecem aqueles que são protegidos pelo capital e pela especulação financeira, e esmagam os que vivem do simples salário e da mísera aposentadoria. Cuidado! Vocês serão derrubados dos tronos e do poder!

AI DE VOCÊS TELESPECTADORES INDOLENTES, que em seu sofá confortável condenam os que lutam por terra, casa, trabalho, justiça e direito a uma vida digna. Cuidado! Vocês serão assaltados em suas casas!

AI DE VOCÊS DOUTORES DA LEI, juízes e advogados, que em nome da lei injusta condenam o inocente e as lutas por mais vida. Cuidado! Vocês serão condenados pela mesma lei que defendem!

AI DE VOCÊS DONOS DO TRÁFICO de drogas e de pessoas, que usam até de jogadores de futebol e de organizações para a lavagem de dinheiro. Cuidado! Vocês serão lavados de todos os privilégios!

AI DE VOCÊS DONOS DA OPINIÃO e grupos conservadores, que não permitem governos diferentes, como uma Bolívia, Venezuela, Cuba e outros, que fogem ao domínio dos governos e bancos internacionais. Cuidado! A história mostra que os pequenos e livres sempre vencerão e eliminarão os dominadores!

AI DE VOCÊS "OS BONS" que ficam somente lamentando e deixam os maus ocuparem seu lugar na política, na economia e na organização social. Cuidado! Vocês serão tirados do modismo, à força, por aqueles que estão ocupando o lugar dos "bons" que foram omissos e indolentes.

Lembro um Jesus do "ai..." e fico escutando hoje a mesma voz em mim e no silêncio de muitas pessoas que clamam por um mundo mais justo.

 

CORREIO SABE-TUDO

FORMIGA SABE CONTAR

O inseto conta seus próprios passos para calcular distâncias

 

Todos já sabem que as formigas trabalham muito. A novidade agora é que elas contam os passos para medir distâncias. Pesquisadores suíços e alemães concluíram que as formigas do deserto do Saara usam uma espécie de pedômetro (contador de passos) interno para calcular distâncias exatas.

Para saber como as formigas se relacionavam com as distâncias no terreno arenoso e plano do deserto, os cientistas fizeram-nas caminhar por um túnel até alcançar a comida. Para o trajeto de volta, eles mudaram o comprimento das pernas das cobaias. Parte do grupo teve suas pernas parcialmente amputadas, o outro grupo teve as pernas alongadas.

Durante a experiência, as formigas com pernas mais longas caminharam uma distância maior para voltar para casa; já os insetos com pernas curtas encerraram o trajeto antes de chegar ao ponto de origem. Sendo assim, os cientistas concluíram que elas contam os passos da ida para medir a distância na volta. Tanto que os insetos que caminharam a ida e a volta com o mesmo comprimento de pernas, conseguiram identificar com precisão a distância entre o ninho e a comida. "Se as formigas precisam de mil passos para chegar ao alimento, certamente partirão do princípio de que precisam de outros mil para retornar ao formigueiro", explicou o pesquisador Harald Wolf.

Elas dormem? Assim como todos os insetos, as formigas não dormem. Algumas, como as jardineiras, estão sempre trabalhando. Outras, como as operárias, têm uma redução das atividades durante o dia, mas isso não pode ser caracterizado como sono. Para isso, seria preciso a supressão das atividades perceptivas e motoras.

Para proteger-se da chuva, elas utilizam métodos bem semelhantes aos nossos na construção de suas casas. Os formigueiros são compostos por túneis que funcionam como as calhas das casas, absorvendo a água da chuva e impedindo que os outros túneis sejam inundados. Existem ainda alguns tipos de formigas que constroem um morro central coberto com terra bastante dura, que escoa a água, como ocorre nos telhados.

 

Como os pintinhos quebram os ovos?

 

Assim como as demais aves, os pintinhos nascem com um único dente especial para partir a casca do ovo. Quando deixam a antiga "moradia", os pequeninos perdem o dente, após dois dias de vida.

O que determina a cor do ovo? É a raça da galinha. Branco puro, bege claro ou bege escuro são determinados por um pigmento na parte externa da casca, mas a cor não interfere no sabor nem no valor nutricional do alimento.

 

Insetos na dieta

 

Os astronautas chineses poderão ter uma dieta de bicho-da-seda no espaço. Pesquisadores descobriram que cinco ou seis bichinhos contêm a quantidade de proteínas de um ovo e que nos casulos há aminoácidos vitais ao ser humano. Por serem fáceis de criar, crescerem depressa e não produzirem excrementos, os bichos devem ser a refeição dos taikonautas, como são conhecidos os astronautas chineses.

 

Mosquitos zumbem em dueto

 

Pesquisadores determinaram que os mosquitos reagem ao zumbido uns dos outros, e mosquitos de sexos opostos realizam complexos duetos pré-acasalamento. A descoberta é dos cientistas Gabriella Gibson e Ian Russell.

Eles concluíram que pares de mosquitos da espécie Toxorhynchites brevipalpis reagem ao som um do outro durante o vôo, de forma que cada um altera o seu som em resposta ao som do outro. A interação continua até que as "canções" convergem, no caso de o par ser formado por sexos opostos, ou divergem, no caso de insetos do mesmo sexo.

Essa comunicação via zumbido funciona atraindo mosquitos de sexo oposto um para o outro. Além disso, pode ajudar a entender como mosquitos distinguem os membros de espécies muito próximas, mas ainda assim diferentes.

 

Os roedores também sonham

 

É o que dizem os cientistas do Massachusetts Institute of Technology, afirmando que os ratos não apenas têm sensações durante o sono como também usam experiências reais como conteúdo para suas aventuras no mundo dos sonhos. A comprovação foi feita após estudos nos padrões de atividade cerebral dos roedores. Os pesquisadores fizeram com que os bichos encontrassem um pedaço de chocolate dentro de um labirinto, repetindo a experiência várias vezes durante o dia. Ao monitorarem o cérebro dos animais durante o sono, eles perceberam a mesma atividade cerebral da hora da obtenção do doce, ou seja, os ratos sonhavam com seu prêmio. Ainda foram encontrados outros padrões cerebrais, o que sugere que os ratos estavam tendo outros sonhos.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Maria Clementina Scherer

Professora, São Pedro do Butiá-RS

 

A gaúcha Clementina Meneghetti Scherer, residente em São Pedro do Butiá-RS, está levando a Toledo-PR, onde trabalha, a italianidade sul-rio-grandense.

 

"Amo minhas raízes e sou grata a meus antepassados. Nasci em Restinga Seca, município de Santo Ângelo-RS, em meio aos Tutti buona gente. Filha de Vitélio Meneghetti, agente do Correio Riograndense (1960-1970), e de Malvina Copetti, acostumei-me a ler histórias do Nanetto Pipetta, mas indo estudar em Cerro Largo, terra de alemães, fiquei temporariamente desligada da cultura italiana. Depois, no Curso Superior, na FIDENE, em Ijuí, fiz monografia sobre a Imigração Italiana. Durante a pesquisa, muitas vezes parei para chorar, pois a emoção e as lágrimas tomavam conta de mim. Pude imaginar e sentir a coragem dos antepassados em todos os revezes. Sua fé, esclarecida e forte, foi a base das vitórias nas dificuldades de todas as ordens.

Nessa época, voltei a cultivar minha italianidade através de obras da EST Edições e do Correio Riograndense, que em nosso município tem agente e numerosos assinantes e leitores. Tive a graça e a felicidade de conhecer os nonos paternos: Inocente Meneghetti e Clementina Casarin, e os maternos: João Tessele Copetti e Tereza Zancan. Tenho muitas e boas lembranças de minha infância e juventude. Meu pai era maravilhoso. Fazia questão de reunir seus onze filhos ao redor da mesa após o jantar. E que jantar? Imagine com quê? – Com polenta, radici consai o coti col lardo, formaio, fortaia e un bon vin. Aliás, com o bon vin é que os nonos abriam a torneira da pipa da cultura, quando contavam histórias e estórias da Itália, recordando guerras, viagens, invernos e nevadas, bem como as homéricas dificuldades iniciais no Brasil, transformadas em aventuras e sonhos do Catar la cucagna. Que sonhos, nas noites de verão, ao luar, reunidos nos gramados, em frente às casas, cantando: La Bella polenta, La Mèrica, La bella Violeta, In meso al mare, El Merlo, Me compare Giacometto...

As visitas em nossa casa eram muitas, sempre recebidas com alegria, rodando logo a jarra de vinho tirado diretamente da pipa, depois vinha o café, o pinhão, a batata, os cróstoli (frìtole), conforme o caso. Meu pai fazia bom vinho nero e rosso, sem esquecer a graspa que servia para tudo: no calor para refrescar a garganta; no frio, para esquentá-la; no café, sempre indispensável para dar aquele gosto de festa e alegria. Na colheita da uva, toda a comunidade vinha ajudar e, quando o vinho estava bom, o pai oferecia um churrasco a todos que tinham ajudado na colheita, quando se comia, tomava vinho e se cantava até o amanhecer.

Casada com alemão, e morando entre alemães, quase esqueci o talian, mas doutorei meus quatro filhos no gosto pela polenta, pão, salame e queijo..., bem como a cantar, e as netinhas se divertem com Manina bella e Mani, mani morta.

Nossa família, que cresce em sobrinhos, mas diminui em irmãos, pois dois já partiram para a definitiva América, se reúne, todos os anos, em Santo Ângelo, no Reveillon, para confraternizar, brincar, cantar e reviver, unindo passado e presente em vibrante italianidade. Por isto, posso dizer-me sempre mais italiana, e os netinhos podem usufruir de minhas histórias de nona italiana, e do nono alemão, meu marido, que, falando línguas diferentes, percorremos o mesmo caminho de luta, fé, trabalho e amor."

 

Clementina nasceu italiana entre italianos, viveu entre alemães e conquistou um deles, para apaixoná-lo de si e da cultura italiana. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (370)

Nanetto e i so compagni i va a Bassano del Grappa

RAFAEL BALDISSERA

Professor, Curitiba – PR

 

– Adesso, contìnua Edílson, ndemo visitar Bassano del Grappa, na cità medieval, con alte muràlie atorno, traversada par el Rio Brenta. Durante la II Guera Mondiale, Bassano la ga resistio ai austrìachi con imboscade. Par questo, quando i tedeschi i ze ndai rento ntea sità, i se ga vendicà, inforcando te le piante dea strada un italiano par di.

– Fioi de can de tedeschi, lamenta Nanetto, se mi gera qua, i picava par le gambe, coa testa indó!

– Nanetto, no podemo pagar cola stessa moneda, dise Edilson, continuando: Sta via la ga ricevesto el nome de Via dei Màrtiri. E na toleta col nome del morto la ze stà picada in ogni pianta.

– Lora, dise Nanetto, i ga trasformà la strada in simitero?

D’acordo, Nanetto, dise Edilson e dopo de farne veder la Via dei Màrtiri, el spiega:

– Bassano ze la famosa cità dea grapa, che ndemo tastarla tea fàbrica, tea riva del Brenta.

– Ma, se restemo ciuchi, cosa femo? Dise Nanetto.

– A te metemo tel portabagàlio, te metemo!

La ze stà na ridada generale, e tuti i ga ricevesto del paron el so biceroto de grapa de quea pura e anca de quea con le erbe aromàtiche. E Edilson, spiegando l’edifìssio danvanti la fàbrica, el dise:

– Vardè, quei busi tea parede i ze stai fati par la fusilaria tedesca durante la ùltima Guera Mondiale. E quea ponte de legno, longa e cuerta, lì rente la fàbrica, con arquanti soldai alpini la se ciama Ponte Vecchio o Ponte dei Alpini.

Intanto se ciacolava, Nanetto el va in Libreria e el compra el libro Modi de dire de Vicenza, el se mete a leder e rider e el ga fato rider tuti quanti.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Fròtole del Baracón

Silvino Santin

Santa Maria – RS

 

Par scomissiar, e par chi no lo sà, bisogna dir due parole sora el Fròtole del Baracón. Fursi se pol pensar che’l saria la stòria sora qualche baracon, tra tanti altri baraconi. Ma nò, Frotole del Baracón l’è un belìssimo grupo talian de teatro de Nova Palma. Questo ano i riva a 15 ani che i ze in giro. Romai i se gà presentà in tanti posti del Rio Grande, de Santa Catarina, del Paraná e anca in Argentina. El importante a dir l’è che luri stessi i scrive i so teatri. L’è na belessa véderli su’l palco. I fa rider fin le careghe. El so propòsito l’è mantegner viva la cultura dei migranti, lora i rapresenta la vita dele persone, dele fameie, o costumi de ndar a morose, maniere de laorar, de viver e de pregar. In soma un poco de tuta la stòria dei migranti. Par no farla massa longa ve contarò el ùltimo teatro que go assis-tio, durante la IX Setimana de Cultura Italiana, promossion del grupo de cantori Ricordi d’Itàlia de Camobi, Santa Maria.

Marieta vai à luta, eco el tìtolo del teatro. L’è parlà medo talian medo brisilian. Cossita tuti i capisse. La Marieta la ze na dona che la vol far na revolussion in fameia. No la vol pi èsser la serva del so omo. Par quel la se proclama lìbera e parona del so naso. La obediensa a Gígio, el so omo, la gera finia. Lora la va in cità e la se compra na branca de afari, par ela, el primo passo par diventar na dona moderna.

Vedemo le pi importante. I bòtoli i saria posentai. Gìgio se’l volesse el podea dopararli. Ela, intanto, la se ga comprà un rolo de papel igiénico de quaranta metri. Par ela, un metro al giorno, el duraria pi de un mese. Le braghete larghe, par starghe rento una pansa con gemei, e el bustin número 44, li ga trucai par un bustin e le braghete sol el sufissiente par sconder el rispeto. Par rangiarse i cavei, la se ga comprà na machineta de nrisarli. E, no podea mancarghe un selular. Pròpio quando la gera drio mostrarne el selular, i la ciama. Lera un invito par èsser candidata a deputada stadual. Rivava giusto a ora par mostrar la sua independensa. Tuta contenta la scomìssia balar e saltar. In te sto momento riva so mama che la fà fadiga capir cossa che la fiola la gavea.La ga fin proà trarghe su aqua benedia. Quando riva Gìgio, la stòria la ze stà ncora pedo. Al saver che la volea èsser candidata a deputada, el ga alsà la ose par proibirla. E ela la ghe risponde che adesso la gera lìbera, e la fea quel che la volea.

E no ghe ze stà santi e argumenti par convìnserla de cambiar de idea. La ga messo na so comare par comandar la campagna e i comissi. In poco tempo romai la gavea na bela trupeta par compagnarla. Fin el vigàrio l’è ndà d’acordo. E cosí, par finir el teatro, i ga fato el primo comìssio, sicuro, anca el prete insieme. Bisognea presentar suito el programa del suo laoro come deputada. E Gìgio ghe gà tocà pararla do sensa vin e sensa aqua.

Vedemo i punti pi importanti. Le ze, come sempre, promesse. Prima de tuto, con ela deputada, el mondo el cambiarà par via dela revolussion fata par le sue trè grande proposte. Prima, da quà avanti cincoanta per cento de tute le strade de colònia o de cità le gavarà el nome de done; seconda, mandarò costruir na fàbrica de masenar scorse de ovi par far farina, come el mèio remèdio par la osteoporose; e, par ùltimo, la più revolucionària, dopo tanti studii, noantri del partido FDB (Fròtole del Baracón) semo rivai a la conclusion che la salvassion econòmica de la Quarta Colònia, in posto del riso, bisogna scomissiar piantar radici irrigai. E viva la Marieta, e tuta la brava gente del Fròtole del Baracón.

 

GERAL

Arroio do Sal festeja pescador

Evento vai até dia 30 e espera 50 mil pessoas

 

Inicia nesta quarta 26 e vai até o domingo 30, em Arroio do Sal (RS), a 5ª edição da Festa Estadual do Pescador e do Papa-terra. Expectativa é de reunir em torno de 50 mil pessoas nas praças da Emancipação e Eugênio Malinski, preparadas para receber shows artísticos (entre eles Tchê Garotos, Comunidade Nin-Jitsu e Rui Biriva) e outras atrações. O evento visa desenvolver o turismo fora de época no litoral e destacar o pescador. Entre as atrações estão tenda gastronômica, reuniões e palestras para capacitar pescadores, o 47º Encontro de Vereadores/RS, reunião de prefeitos e secretários de Educação e Turismo da região e o Dia da Cidadania, coordenado pela primeira-dama, Solange Beatriz da Rocha, que vai prestar serviços e orientações na área de saúde à comunidade.

 

Noite Italiana promove cidade de Antônio Prado

Festa será realizada dias 5 e 12 de agosto

 

A gastronomia típica e as tradições italianas serão as principais atrações da 26ª Noite Italiana, que ocorre nos dias 5 e 12 de agosto no Centro Municipal de Eventos de Antônio Prado. O prefeito Marcos Scopel entregou o convite oficial ao governador Germano Rigotto, que confirmou a presença na abertura da festa.

A Noite Italiana ganha importância, pois divulga o município e suas potencialidades. "Com certeza, esta festa atrairá turistas de todo o Estado e incentivará ainda mais o comércio", destacou o governador. As soberanas Gabriela Chilanti, Natália Visentin Cecatto e Daiane Masiero estão divulgando a promoção na região.

Feira de Inverno – Flores da Cunha se despede da Feira de Inverno 2006. "Os números agradaram os expositores", diz Ricardo Vignatti, responsável pela divulgação. Mais de 50 mil prestigiaram a feira. Foram servidas 2.500 refeições no Festival da Polenta e 400 participaram na 1ª Noite do Vinho.

 

Festival do Folclore de Nova Prata

 

Em sua 9ª edição, o Festival do Folclore movimenta Nova Prata. O evento, que firma o município como pólo cultural de dança na região, ocorre de 4 a 13 de agosto. O governador Germano Rigotto confirmou sua presença ao prefeito em exercício, Valdir Fochesatto.

Segundo a comissão organizadora, o festival reunirá mais de 1.500 artistas e envolverá um público participante estimado em 40 mil pessoas. Além de apresentações artísticas, o evento terá ainda feiras de artesanato, exposições, e espetáculos culturais.

 

Kronenthal Fest

 

Colonizado por imigrantes italianos e alemães, Vale Real mistura a cultura e tradições das duas etnias na Kronenthal Fest (festa do vale). A festa se destaca pela gastronomia alemã e italiana e shows. Dia 28, a atração é a comunidade Nin-Jitsu; 29, coro Anima D’Italia, Banda Estrelar e Inês Rizzardo; dia 30, Papas da Língua.

O chope de vinho será uma das atrações. "A Kronenthal objetiva divulgar o município e integrar as etnias", afirma Celso Kaspary, que esteve na redação do Correio Riograndense divulgando o evento com a corte, formada pela rainha Caroline Brandt e as princesas, Silvana Müller e Aline Staudt.

 

Festa dello Imigrante

 

A população de São José do Mauá, em Porto Mauá (RS), realiza a Festa dello Imigrante Italiano, com jantar-baile, dia 29 de julho. "O evento se caracteriza pela gastronomia e diversão", contam o presidente da festa, Pedro Pizoni, e o coordenador da comunidade, Noli Perin. Informações e reservas (55) 96039121ou 96039545.