DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 4.999 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 02 de agosto de 2006.
|
|
Futebol brasileiro tenta nova etapa marcada pela disciplina
Recuperar o prestígio do futebol brasileiro é a tarefa do gaúcho Dunga
Carlos Caetano Bledorn Verri, 42 anos, nascido no município gaúcho de Ijuí, formado nas categorias de base do Internacional, é o novo treinador da seleção brasileira. Com ele a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pretende começar nova etapa, depois do fracasso no Mundial da Alemanha. Como atleta, Dunga foi sempre questionado. Considerado jogador tosco, ele deu resposta a seus críticos erguendo – como capitão – a Copa do Mundo de 1994, quando o treinador era o mesmo Carlos Alberto Parreira. Sem ser muito habilidoso, marcou uma esplêndida carreira pela disciplina, coração e caráter e, por 96 vezes, defendeu a seleção brasileira, com 66 vitórias, 21 empates e nove derrotas.
Dentro da teoria pendular – indo de um extremo a outro – a CBF quer começar um novo período, recuperando o brilho perdido na Alemanha. Carlos Alberto Parreira foi o principal responsável pelo fracasso. Luiz Felipe Scolari, sempre contestado pela mídia do centro do país, que não aceitou a exclusão do indisciplinado Romário, conseguiu o Mundial de 2004, desligando-se em seguida. Parreira assumiu a seleção ao longo de quatro anos e manteve o mesmo esquema. Ele apenas escalava jogadores, confiando em suas habilidades pessoais. No Mundial da Alemanha ficou evidente sua incompetência técnica e, sobretudo, sua falta de comando. O grupo de veteranos assumiu o comando, dentro e fora de campo. Diante da televisão, desfilaram jogadores fora de forma, amantes da noite e auto-suficientes. Perder é do futebol. Porém, algumas seleções perderam, mas caíram de pé. O Brasil caiu de cócoras. Parreira não foi o único culpado. Grande parte da responsabilidade cabe a Ricardo Teixeira, eterno presidente da CBF e que usa o cargo em proveito próprio.
A Itália, campeã do mundo, deu um exemplo, mostrando que futebol também se rege por leis. A poderosa Juventus perdeu o título da última temporada e foi amargar a segunda divisão e com isso teve que desmantelar sua, quase, invencível esquadra.
Como nas demais atividades, o futebol precisa de ética, organização e responsabilidade. No Brasil são comuns os casos de corrupção e a justiça desportiva, sistematicamente, protege os grandes e castiga os pequenos. Temos o direito de sonhar que a Era Dunga signifique nova postura do futebol brasileiro, dentro e fora das quatro linhas.
Casa reforça assistência a crianças
Projetos da FAS cuidam de jovens que tiveram seus direitos violados
Proteger as crianças e os adolescentes que tiveram seus direitos violados. Esse é o principal objetivo dos investimentos que a Fundação de Assistência Social (FAS) está fazendo na Casa Família Murialdo e na Casa Família Recanto Amigo. Paralelamente, há outras instituições públicas municipais que assistem crianças e jovens na cidade.
A presidente da FAS, Maria de Lourdes Fontana Grison, diz que os projetos objetivam atender de forma integral as crianças, com vistas à construção de sua cidadania, visando a integração social e comunitária, ressaltando conceitos de moradia, organização, higiene, educação e disciplina. "O grupo a ser assistido é formado por crianças e adolescentes em situação de abandono, violência, maus-tratos e com vínculos familiares rompidos ou fragilizados", explica Maria de Lourdes ao Correio Riograndense.
Para atingir as metas, a FAS, órgão ligado à Prefeitura de Caxias do Sul, firmou parceria com o Ilem (Instituto Leonardo Murialdo) – Centro Técnico Social e com a Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados (Lefan) – Associação Literária São Boaventura. A Casa Murialdo vai privilegiar grupos de irmãos, que foram retirados de suas famílias pelos motivos expostos acima. Além de profissionais capacitados, a Prefeitura vai disponibilizar R$ 9.761,00 mensais.
Já a Casa Recanto Amigo vai atender jovens e adolescentes dos 10 aos 18 anos, somente do sexo masculino. A grande diferença, neste caso, é que esse grupo contará com um pai e uma mãe social. "Eles vão figurar o pai e a mãe de uma família. Será um casal educador", revela a presidente da Fundação de Assistência Social. Serão investidos R$ 6.844,28, além da mão-de-obra especializada de 11 pessoas.
A titular da FAS acredita que a "reestruturação" das crianças passa pela defesa de seus direitos e pela espiritualidade, que gera fé, esperança e auto-estima. Para ela, a Lefan e o Ilem têm credibilidade e experiência no trato com jovens.
Secretaria dinamiza o setor agrícola
A Prefeitura de Caxias do Sul adquiriu cinco tratores e 16 implementos agrícolas. O maquinário dinamizará o atendimento ao produtor rural. De acordo com o secretário da Agricultura, Nestor Pistorello, todos os distritos serão beneficiados com a compra. "Com as novas máquinas, o município oferece serviços mais eficientes aos agricultores, com redução de custos de manutenção", diz o secretário.
No domingo 30, aconteceu a entrega dos equipamentos (trator, subsolador para remover terra, arado e grade) em Santa Lúcia do Piaí (foto). Na quinta-feira 3, será a vez de Criúva. Durante solenidade marcada para 11h, na praça local, a comunidade vai receber dois tratores, dois subsoladores, arado, carreta, batedor de cereais, distribuidor de esterco, distribuidor de calcário e pá traseira.
O maquinário será distribuído de acordo com estudos técnicos das demandas existentes no município. "O investimento total foi de cerca de R$ 410 mil, oriundos da Secretaria da Agricultura e do Fundo Municipal do Desenvolvimento Rural", informa Pistorello ao CR.
Cheques – No Dia do Agricultor e do Motorista, 25 de julho, o prefeito José Ivo Sartori entregou cheques no valor total de R$ 108 mil referentes a financiamentos do Fundo Municipal de Desenvolvimento Rural, beneficiando 11 famílias de agricultores.
Tragédia do navio Sírio completa 100 anos
Embarcação italiana naufraga, matando 500 imigrantes que vinham para América
Viagens de imigrantes eram sempre um jogo no escuro: tudo podia correr bem, mais ou menos, ou mal. Mortes de pessoas, na travessia, eram comuns. Naufrágios, também, não raro aconteciam. De qualquer forma, os "Quaranta sei giorni di macchina e vapore" constituíam uma angústia e um medo só.
Há 100 anos, em 6 de agosto de 1906, o navio italiano "Sírio", em viagem de Gênova para o Brasil e Repúblicas do Prata, naufragou nas costas da Espanha, próximo às Ilhas Formiga, junto ao Cabo Palos. A embarcação transportava 1.700 passageiros, entre os quais 700 imigrantes que se destinavam ao Brasil, Argentina e Uruguai. O navio soçobrou, afundando em poucos minutos.
Dos 700 imigrantes italianos, 300 morreram no ato e 200 ficaram desaparecidos. Os que conseguiram salvar-se, perdendo todos os seus pertences, foram abrigados pelas populações do Cabo Palos, de Cartagena e de Alicante.
A nave espanhola Jovem Miguel recolheu cerca de 300 náufragos, mas teve de afastar-se, deixando ainda centenas de pessoas sobre as ondas, pois a explosão das caldeiras do Sírio e o seu afundamento total colocaram em perigo a referida embarcação. Já o navio francês "Marie Louise", que estava longe, quando chegou ao local da tragédia, já não mais havia senão alguns destroços.
Entre os passageiros morreram monsenhor José Camargo de Barros, bispo de São Paulo, o prior da Ordem dos Beneditinos de Londres, oito missionários que vinham para o Brasil e o Cônsul da Áustria no Rio de Janeiro, Leopoldo Poltzer, que trazia na carteira 22 mil francos. Salvou-se o arcebispo do Pará, Homem de Melo.
O comandante do Sírio foi preso em Cartagena, acusado de culpado pelo sinistro, pois, para ganhar mais, costumava fazer embarcar imigrantes clandestinos nas costas da Espanha, tendo se aproximado demasiadamente dos arrecifes, justamente para pegar mais passageiros. Testemunhas afirmaram que a morte de dom José Camargo de Barros foi devida à agressão que sofreu, na hora da confusão, da parte de um imigrante que lhe tirou o salva-vidas, quando ele abençoava aqueles que iam se atirando nas águas.
São, pois, mais de 500 imigrantes, muitos destinados ao Brasil, que morreram antes de chegar ao seu destino. A este drama da viagem, recordem-se epidemias nos navios, que obrigavam à quarentena na Ilha das Flores antes de entrarem no país, a morte de crianças e adultos durante a viagem, no próprio navio, sendo compulsoriamente sepultados nas águas do oceano. Assim foi a epopéia e tragédia da imigração em massa, iniciada no Brasil em 1875.
Naufrágio ocorreu em mar tranqüilo
O Sírio partiu de Gênova com 620 passageiros, fez escala em Barcelona, para o embarque de mais 75 pessoas, e desceu pela costa mediterrânea espanhola até Alcira, onde recolheu um número indeterminado de imigrantes ilegais. Em 4 de agosto de 1906, o Sírio navegava em mar completamente calmo, a 5,5 quilômetros (três milhas) do Cabo Palos.
O convés do Sírio estava abarrotado de passageiros da 3ª classe, que descansavam sobre a lona que a tripulação tinha providenciado para protegê-los do forte sol do verão. O barco navegava a toda velocidade, rumo ao Porto das Águas, mas fazia uma trajetória incomum, bem próximo da costa. O objetivo era ganhar tempo para compensar as inúmeras paradas – na época havia acirrada competição entre os navios, para que cumprissem as rotas no menor tempo possível.
Às 16 horas daquele dia, o capitão José Piconne estava descansando e o comando da embarcação estava sob responsabilidade do terceiro oficial. De repente, um ruído ensurdecedor e um grande impacto fez o navio inteiro sacudir. A 31,5 quilômetros por hora (17 nós) o Sírio choca-se contra um obstáculo que ascendia desde os 70 metros de profundidade até apenas três metros abaixo da superficie marinha, na região do Bajo de Fuera. Em pouco tempo, o navio começou a afundar.
O naufrágio foi presenciado por outros navios mercantes, pois tratava-se de uma região de intenso tráfego marítimo. Alguns apenas observaram com medo de também serem tragados pelas águas ao se aproximarem, outros enviaram botes para socorrer as pessoas.
Essa perigosa zona de mar baixo, o Bajo de Fuera, transformou-se em obstáculo invisível e mortal para a navegação. Prova disso são os numerosos naufrágios ocorridos na região, com navios de diferentes épocas, entre eles o Nova América, o Minerva e o Sírio, todos italianos. Hoje, a região é um cemitério de embarcações.
Barco podia levar 1.300 passageiros
O Sírio foi construído em 1883, em Glasgow, Escócia. Era um moderno transatlântico para sua época, com 129 metros de comprimento e 4.141 toneladas. Podia alcançar 18 nós, o que corresponde a 33,3 quilômetros por hora, com seu motor a vapor de 5.323 cavalos. A primeira viagem do Sírio foi em 15 de junho de 1883.
O navio tinha capacidade para transportar 1.300 passageiros, sendo 80 na primeira classe, 40 na segunda e o restante na terceira classe. Na data do naufrágio, somavam-se aos passageiros oficiais um número indefinido de imigrantes clandestinos, mais os 127 membros da tripulação.
A rota do Sírio era quase sempre a mesma: Gênova, de onde partiu pela última vez em 2 de agosto daquele fatídico ano, Barcelona, Cadiz, Ilhas Canárias, Cabo Verde, Rio de Janeiro, Santos e, finalmente, Buenos Aires.
Comandante agiu de maneira negligente
José Piccone, capitão da Companhia Italiana de Navegação, tinha 68 anos na época da tragédia do Sírio. Contava com 46 anos de experiência na profissão. Era homem de poucas palavras, apreciado mais por sua posição do que por sua personalidade.
Relatos contam que Piccone agiu de forma negligente no comando do Sírio. Primeiro permitiu o embarque de imigrantes ilegais. Também não advertiu que a rota era perigosa. Depois do choque, não soube controlar o pânico nem organizar a evacuação. Segundo testemunhas, foi um dos primeiros a abandonar o barco.
Logo após o desastre, ele foi preso em Cartagena, mas as autoridades, na versão oficial para o fato, atribuíram toda a responsabilidade ao restante da tripulação. Não se sabe se o capitão foi condenado ao voltar para a Itália.
Mediterrâneo abriga cemitério de navios
Atualmente, Cabo Palos, onde o Sírio naufragou, é um dos melhores lugares para mergulho do Mediterrâneo ocidental, pela quantidade de vida e pelo estado de conservação de suas águas. A região também é um dos maiores cemitérios de barcos do mundo. Hoje, os destroços do Sírio encontram-se espalhados pelo Bajo de Fuera. A popa do navio está a 47 metros de profundidade. A proa encontra-se a 70 metros, juntamente com pedaços de outras embarcações. A região foi transformada em reserva natural, em 1995. Desde então, só é permitida a pesca artesanal na região. Antes disso, o cemitério de embarcações podia ser visitado livremente; agora, só é possível mergulhar no local com autorização do órgão ambiental.
Lei institucionaliza a agricultura familiar
Nova lei garante políticas públicas específicas para esse segmento no país
Agora a agricultura familiar brasileira tem identidade. O presidente Lula sancionou a Lei da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Com isso, regulamenta-se tanto a atividade como categoria produtiva quanto se estabelecem os parâmetros que identificarão os clientes das políticas públicas para o setor.
Segundo a lei, estão incluídos no setor pequenos agricultores que usam mão-de-obra predominantemente familiar, assim como silvicultores, aqüicultores, extrativistas e pescadores artesanais que atuam em pequena escala. Para estes trabalhadores, a Política Nacional da Agricultura Familiar deve planejar e executar políticas de crédito, infra-estrutura, serviços, assistência técnica e extensão rural, pesquisa, comercialização, seguro, habitação e legislação sanitária, previdenciária, comercial e tributária.
Importância – Para o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel, a importância da lei é que ela vem regulamentar as várias políticas públicas que foram conquistadas pelas mobilizações sociais e implementadas pelo governo federal nos últimos anos. "Ela possibilita que os governos estaduais e municipais e demais ministérios tenham critérios claros sobre os clientes, para a aplicação de políticas e programas para a agricultura familiar", destacou.
Por outro lado, disse Cassel, a "oficialização" do setor deve facilitar também a negociação de regras diferenciadas para a agricultura familiar nos acordos internacionais que o Brasil venha a adotar.
Para o secretário de Agricultura Familiar do MDA, Valter Bianchini, a lei passa a ser o marco legal para a agricultura familiar e para os agricultores familiares. "A lei fornece critérios e define essa categoria. Justifica a necessidade de criação de políticas diferenciadas para o setor", observa.
Segundo o diretor do Departamento de Financiamento e Proteção da Produção do MDA, Adoniram Sanches Peraci, a nova lei permitirá fazer, de fato, a diferenciação entre o pequeno e o grande produtor rural. Sancionada no dia 24 de julho último, a lei reconhece e classifica legalmente a agricultura familiar e o trabalhador da agricultura familiar.
"Com a lei, a agricultura familiar passa a existir como categoria, superando o conceito de pequeno agricultor", acrescenta João Luiz Guadagnin, coordenador-geral de Financiamento à Produção Rural do MDA. "A nova lei vai contribuir com a criação de uma legislação previdenciária, tributária e ambiental que leve em conta as características da agricultura familiar", conclui João Luiz Guadagnin.
Setor reúne 4,2 milhões de propriedades
A agricultura familiar, no Brasil, é responsável por mais de 40% do valor bruto de toda produção agropecuária. "Suas cadeias produtivas correspondem a 10% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país", disse o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel.
De acordo com o IBGE, o segmento reúne 4,2 milhões de estabelecimentos familiares, representa 84% dos estabelecimentos rurais e emprega 70% da mão-de-obra do campo. Além disso, é responsável pela maioria dos alimentos na mesa dos brasileiros: 84% da mandioca, 67% do feijão, 58% dos suínos, 54% da bovinocultura do leite, 49% do milho, 40% das aves e ovos, 32% da soja, entre outros.
Aprovação foi bem recebida pelos movimentos sociais
A Lei da Agricultura Familiar foi bem recebida pelos movimentos sociais. O diretor de política agrícola da Contag, Antônio Rovaris, acredita que a lei será extremamente importante para transformar as ações do governo em políticas públicas permanentes para os milhares de pequenos agricultores que vivem da agricultura familiar.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS, Ezídio Pinheiro, considerou bastante positiva a sanção da lei que institui a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais, conhecida como Lei da Agricultura Familiar. "Vamos garantir recursos com antecedência e estabelecer padrões para o enquadramento na categoria, facilitando o acesso a financiamentos e à aposentadoria", declara Pinheiro.
Segundo a coordenadora do MST em Brasília, Marina dos Santos, a lei oficializou os conceitos de agricultura familiar contidos no Pronaf, que até então era uma referência legal dos critérios que definem o setor. Demais entidades representativas do setor, como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) também manifestaram apoio à nova lei.
História – O Projeto de Lei nº 32/2006, que esclarece as regras e que define quem é o agricultor familiar no Brasil, é de autoria do deputado Assis do Couto (PT/PR). No Senado, a relatoria ficou com a senadora Ana Júlia Carepa (PT/PA), e na Câmara Federal com Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura. "É um feito que ajudará a pavimentar no país uma política mais abrangente", diz Turra.
Safra tem 275 cultivares de milho
Características dos novos grãos serão apresentadas em congresso nacional
Para a safra 2006/2007, a pesquisa coloca à disposição dos agricultores 275 cultivares de milho. Dessas, 32 são da Embrapa. O pesquisador José Carlos Cruz, da Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas (MG), classifica como excepcional a grande quantidade de cultivares que estão sendo colocadas no mercado, "apesar da crise enfrentada nas duas últimas safras."
"O setor tem apostado na evolução da cultura e o produtor conhece a relação entre o uso de sementes de qualidade e o aumento da produtividade", analisa. Das cultivares disponíveis, 43 são lançamentos. "Destas, 31 são híbridos simples, o que demonstra que cada vez mais se investe em tecnologia, explorando a capacidade produtiva das áreas", explica Cruz ao CR. Nesta categoria, a Embrapa contribui com três novos materiais: BRS 1015, BRS 1031 e BRS 1035.
Em outra vertente, no mercado das variedades, onde se investe em menos tecnologia, característica das propriedades que utilizam mão-de-obra familiar, dos 31 materiais disponíveis 14 são da Embrapa. "A empresa está em sintonia com as tendências de mercado, atendendo tanto grandes produtores quanto quem possui menos recursos para investimentos na produção", diz José Carlos. Neste contexto, o BR 106 é uma das variedades mais plantadas no Brasil. Lançado em 1985, vem sendo geneticamente melhorado a cada ano.
Outra análise feita pelo pesquisador é a estabilidade na oferta de híbridos triplos e duplos disponíveis nas últimas safras. "Estes materiais atendem a produtores que utilizam sistemas de produção adequados às suas próprias necessidades, como agricultores da base agroecológica", afirma José Carlos Cruz.
No mercado das 275 cultivares disponíveis para a safra 2006/2007, 11 são de milhos especiais, sendo sete de cultivares de milho pipoca, duas de milho doce e duas cultivares para a indústria de amido. As características dos novos híbridos da Embrapa serão apresentados de 27 a 31 de agosto durante o XXVI Congresso Nacional de Milho e Sorgo, que será realizado em Belo Horizonte (MG).
Luiz Carlos Lazzari é Produtor do Ano
O viticultor Luiz Carlos Lazzari, de São Jorge, é o Produtor Rural do Ano, de Garibaldi. O segundo lugar ficou com Valdecir Contini, de Linha Camargo, e o terceiro com Darci Baú, de Linha Baú. A promoção é da Prefeitura, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Emater/RS.
Luiz Carlos Lazzari, 62, é casado com Lourdes Lazzari. Tem três filhos: Leandro, Mateus e Carla. A área da propriedade é 13,5 ha. A família cultiva parreiras (variedades viníferas), sendo esta a principal atividade, que ocupa 4,5 ha da propriedade. "Também trabalhamos com viveiro de mudas", diz Lourdes ao CR. A família mantém criação de ovelhas, gado, porco e peixes e cultiva pêssego e caqui.
Sibrater credencia assistência técnica
A Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores Rurais e Urbanos Vinculados ao Projeto Esperança (Cooesperança), do RS e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/SC) são as duas primeiras entidades de atuação no âmbito do novo Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural (Sibrater), credenciadas pela Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário. A Cooesperança foi criada em 1989 e a Epagri surgiu em 1991.
Engº. Agrº. José Zugno
Receitas de sabão de abacate
Certa feita retirei do jornal Correio Riograndense uma receita de sabão feito com abacate. No entanto, com o passar do tempo, acabei perdendo-a. Gostaria de saber se vocês teriam como me enviar ou publicar a receita de novo. Obrigada
Nelson Faganello
Vila Flores – RS
Sobre esse assunto já tratei algumas vezes em Vida Agrícola a pedido de assinantes e leitores. O abacate, entre as frutas, é um dos que têm maior gordura, de 8% a mais de 25%, de acordo com a variedade. As fórmulas de sabões com abacate variam em certos detalhes, mas todas contêm os ingredientes essenciais (gordura e soda). Outras podem dispensar alguns produtos secundários (perfume, breu e outros).
Uma dentre as diversas receitas foi testada e aprovada pela Universidade de Ponta Grossa (PR). Ingredientes: 4,5 quilos de massa de abacate maduro; 500 gramas de soda pura em escamas; 2,5 kg de sebo derretido.
Modo de fazer: Recolhe-se a polpa das frutas, que é passada em uma peneira para uniformizar. Acrescenta-se à massa os demais ingredientes (soda e sebo) e mistura-se tudo muito bem. Leva-se, num tacho, ao fogo, mexendo sem parar por 30 minutos. Depois, tira-se do fogo. Deixa-se descansar um pouco e coloca-se numa fôrma, que pode ser uma caixa de madeira forrada com plástico. Ir despejando a massa na caixa até o nível desejado.
No dia seguinte, ou no próximo, retira-se a massa que já deve, então, estar solidificada e corta-se em pedaços. Esses devem ser colocados num tabuleiro seco e arejado, deixando-se uma distância mínima entre uma barra e outra de sabão – e outra para evitar que grudem uma na outra, caso estejam úmidas. As barras devem ser guardadas em local fresco e seco e onde bate o sol.
À receita acima pode-se acrescentar algumas gotas de perfume para deixar o sabão com cheiro agradável. Também o breu pode ser utilizado à razão de 50 gramas na receita, que melhora o aspecto do sabão de abacate.
Outra receita – Outra fórmula é fornecida pelo produtor Antonio de Paula Barros, do município mineiro de Leopoldina, o qual afirma que vem obtendo bons resultados. Ingredientes: 10 quilos de massa de abacate; 1 quilo de sebo derretido; 1 quilo de soda cáustica e 250 gramas de breu bem triturado.
Modo de fazer: Os ingredientes devem ser bem misturados até constituírem massa homogênea, a frio, sem adicionar água. Após, a mistura deve ser colocada na fôrma, onde descansa por oito dias. Findos esses, o sabão pode ser cortado no tamanho desejado.
Colesterol alto atinge 40% dos brasileiros
8 de agosto é dia nacional de controle da substância, que eleva risco de enfarto
Cerca de 500 mil brasileiros, ou 40% da população, apresentam taxas altas de colesterol, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 17 milhões de pessoas morrem a cada ano em conseqüência de doença cardiovascular e que o colesterol elevado é um dos principais fatores de risco associados.
Os maiores índices de colesterol no Brasil estão na cidade de Porto Alegre, devido ao hábito cultural do consumo do churrasco e das carnes gordurosas, e em Salvador, pela ingestão de frutos do mar e azeite-de-dendê. 8 de agosto é Dia Nacional de Controle do Colesterol, instituído em 2002 pelo governo federal com o objetivo de alertar a população para os riscos e a prevenção a esta doença.
O colesterol é uma substância gordurosa importante para vários processos orgânicos, entre eles a formação das células e a produção de hormônios, de vitamina D e de ácidos que ajudam a digerir as gorduras. O problema é que o corpo necessita apenas de uma pequena quantidade de colesterol no sangue, que é produzida quase que totalmente pelo fígado. O excedente acaba se acumulando nas paredes das artérias, obstruindo-as parcial ou totalmente, aumentando o risco de problemas cardiovasculares como infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral, popularmente conhecido por derrame.
Segundo o médico Bráulio Luna Filho, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), a predisposição à alta concentração de colesterol no sangue é transmitida geneticamente. Por este motivo, pacientes com parentes diretos que tenham sofrido problemas cardiovasculares devem estar mais atentos e realizar exames preventivos periodicamente. "Mesmo mantendo hábitos saudáveis, muitas vezes a medicação é necessária, mas isso não é desculpa para as pessoas descuidarem da saúde. Uma alimentação balanceada é sempre importante e pode ser suficiente para controlar os níveis de colesterol em determinados casos, adiar o início da medicação ou mesmo reduzir as doses de medicamento", explica.
Prevenção exige mudança de hábitos
O colesterol alto, em geral, não apresenta sintomas, o que explica a necessidade de realizar exames periódicos. Freqüentemente, a primeira manifestação já é um evento cardíaco (angina) ou cerebrovascular agudo, resultante de muitos anos de colesterol alto não tratado.
Existem remédios para controlar o colesterol alto, mas a aterosclerose só melhora com uma mudança significativa no estilo de vida. Reduzir o estresse, praticar exercícios físicos, adotar uma dieta saudável, manter a pressão arterial estável e o peso sob controle são fundamentais. Quem tem diabetes deve ficar mais atento, pois diabéticos apresentam risco de manifestação da aterosclerose de três a quatro vezes maior que os não-diabéticos.
Os exames preventivos devem iniciar aos 20 anos, com intervalos de cinco anos, para indivíduos sem outros fatores de risco. Se há histórico de colesterol ou doença cardiovascular na família antes dos 55 anos de idade, a avaliação deve começar na infância. Tabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse e hipertensão são outros fatores de risco relevantes.
Gordura vegetal estimula versão saudável do colesterol
Nem todo colesterol é prejudicial. O LDL é chamado colesterol ruim, pois causa problemas de saúde quando em excesso no sangue. Já o HDL, ou colesterol bom, em quantidades adequadas, representa fator de proteção das artérias, dificultando a entrada do LDL.
Quando o organismo tem altos índices de LDL, ele migra para dentro das paredes das artérias de qualquer parte do corpo, constituindo a placa ateroesclerótica. Segundo os médicos, essa placa, com o tempo, aumenta de volume, podendo obstruir parcial (angina) ou totalmente a artéria (infarto), ou ainda torná-la mais suscetível a um rompimento.
A versão saudável do colesterol (HDL) é estimulada pelo consumo moderado de vinho, principalmente o tinto, suco de uva e gorduras insaturadas, provenientes de alimentos vegetais, como azeite de oliva, nozes, abacate. Porém, o aumento do bom colesterol não ocorre apenas pela ingestão dos alimentos recomendados. De acordo com os especialistas, a melhor forma de elevar seus níveis é por meio da prática de atividade física regular.
Dieta e exercícios devem ser aliados
O colesterol está presente em alimentos de origem animal, como carnes, leite e seus derivados, frutos do mar, gema de ovo, pele de frango ou embutidos, como salame, mortadela.
As gorduras saturadas, que são as frituras, também provocam o aumento do colesterol. As gorduras trans, ou gordura vegetal hidrogenada, são igualmente prejudiciais, elas são encontradas em alimentos industrializados, como bolos, biscoitos recheados, chocolates, sorvetes.
É importante salientar que nenhum alimento deve ser consumido exageradamente com o intuito de reduzir as taxas de colesterol. "Apesar de alguns alimentos ajudarem a controlar o colesterol, não existem alimentos que por si só diminuem os níveis de colesterol, ainda que ingeridos em grande quantidade. O importante é a combinação de dieta balanceada, prática de atividade física regular e consultas periódicas para exames preventivos e orientação individualizada", alerta o médico Bráulio Luna Filho.
Proteína de soja não influencia gorduras
Em fevereiro de 2006, em sua mais recente publicação, a Sociedade Americana de Cardiologia, por meio de seu Comitê de Nutrição, fez uma análise dos últimos 10 anos de pesquisa sobre os efeitos da proteína de soja e das isoflavonas no combate ao colesterol. Resultado: elas não conferem nenhum benefício no perfil de gorduras, no colesterol e na pressão arterial, não sendo recomendada a sua utilização em suplementos alimentares ou pílulas para este fim. Por outro lado, muitos alimentos derivados de soja podem ser benéficos à saúde cardiovascular, devido ao seu alto teor de gorduras insaturadas, fibras, vitaminas e minerais e ao seu baixo conteúdo de gordura saturada.
Fitosteróis ajudam no combate ao LDL
Atenta às necessidades dos consumidores, a indústria alimentícia tem desenvolvido produtos que ajudam a controlar as taxas de colesterol. As margarinas são um exemplo. Um apanhado de 14 estudos científicos foi publicado pelo American Journal of Cardiology, revelando que a inclusão de margarinas que contêm os chamados fitosteróis na dieta dos pacientes foi capaz de diminuir os níveis de colesterol de 9% a 14%. O benefício foi conseguido com 3 gramas de fitosteróis por dia, o equivalente a 20 gramas de margarina enriquecida (1 colher de sopa cheia), distribuídos nas refeições.
Discípulos de Jesus hoje
Maria Clara Lucchetti Bingemer
A V Conferência do Episcopado Latino-americano exorta a todos os cristãos que sejam verdadeiros discípulos, a fim de que possam erguer o povo em direção à esperança
O discipulado cristão – tema de fundo da V Conferência do episcopado latino-americano, a realizar-se em 2007 em Aparecida (SP) – é algo que está nas raízes da identidade do povo de Deus. O Cristianismo apenas retomará e fará nova leitura desse tema dentro da novidade que o Evangelho traz.
Desde muito cedo, o povo de Israel compreende a si mesmo a partir da escuta do que Deus lhe diz. Escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática permitiu a Israel, amada com loucura por Yahvé, seguir adiante na dinâmica da Aliança. Apesar de suas muitas infidelidades, Israel foi uma e outra vez chamada e desposada, convidada a entrar de novo no caminho do amor, respondendo à eleição e à chamada de Deus com todo seu coração, seu entendimento, suas forças.
A Aliança é a chave pela qual o povo de Deus se autocompreende, experimenta e compreende o amor de seu Deus. Ao longo de toda a história de Israel, a Aliança de amor feita por Deus com o povo é alimentada por três fontes principalmente: a Torah, a Lei de um povo livre, pedagoga da vivência do amor; os profetas, responsáveis por fazer que o povo não se afaste da Aliança e volte sempre para os braços de seu Deus; a sabedoria, que ensina como ser fiel à Aliança em todas as situações vitais, inclusive aquelas que tocam os limites da condição humana.
Os profetas, porta-vozes de Deus e do povo, compreenderam este mistério e o viveram, muitas vezes com dor e dilaceramento interior. Entenderam sua vocação como um discipulado, no qual eram constante e pacientemente ensinados por Deus. Chamados a escutar Sua Palavra e possuídos por Seu Espírito, levavam essa Palavra que lhes queimava a boca e as vísceras, e a transmitiam ao povo, para que voltasse ao amor de seu Deus.
O livro de Isaías a partir do capítulo 40 profetiza em uma situação de sofrimento e dor. No exílio da Babilônia, o povo se sente infeliz e desesperançado. Parece que todos os caminhos se fecharam. Semelhante à situação do povo latino-americano, os israelitas exilados sofrem a opressão, a injustiça, a nostalgia da terra que foi deles e se perguntam se Deus os abandonou. O profeta apresenta em seus cantos a figura do servo que sabe escutar com atenção o plano de Deus, suporta os sofrimentos inerentes à missão e confia no amparo e auxílio do Senhor. Sua atitude de confiança inquebrantável contrasta com a do povo, que se encontra a ponto de submergir na dor e na desesperança.
Isaías apresenta nos capítulos 50 a 53 de seu livro seu estilo de discipulado, inseparável de seu ministério da Palavra. Introduz diante de nossos olhos o que é e no que implica a identidade, a vocação e a missão do servo, que é acima de tudo um discípulo que escuta amorosamente e se deixa moldar e enviar pela Palavra de Deus. Nesse muito belo e inspirador texto vemos toda a aventura e o destino do discípulo que é eleito em favor de um povo que sofre. É alguém que escuta, que obedece, que é enviado e que dá frutos.
Nesse texto onde o profeta fala ao mesmo tempo de si mesmo e do resto fiel e crente dos exilados na Babilônia, podemos sentir toda a profunda e misteriosa vocação do discípulo: O Senhor me deu uma língua de discípulo para que saiba sustentar com minha palavra ao cansado. Cada manhã desperta meu ouvido para que escute como os discípulos. O Senhor me abriu o ouvido, e eu não resisti nem recuei. (Is 50, 4).
O profeta continua expondo qual será o destino desse servo que se dispõe a ser discípulo com toda a sua pessoa. E nos oferece uma prefiguração do que será mais tarde o discipulado cristão: Ofereci minhas costas aos que me golpeavam, minha face aos que arrancavam minha barba; não ocultei o rosto ante os insultos e cusparadas. O Senhor me ajuda, por isso suportava as ofensas, por isso endureci meu rosto como uma pedra, sabendo que não ficaria defraudado. Meu defensor está perto, quem me denunciará? (Is 50, 6-8).
O discípulo pode transmitir a palavra e consolar, porque ele mesmo escuta a cada manhã e tem o ouvido aberto. Ou seja, está sempre em comunhão com o Deus que lhe fala amorosamente e o envia. Para sustentar ao que está cansado e devolver esperança ao que está abatido, terá de ser ensinado por Deus. E o discípulo de que fala Isaías é pessoa de oração e dócil ao Espírito de Deus. Os sofrimentos que lhe chegarão por cumprir o que ouviu, ele os suportará e deles não fugirá. Enfrentará os conflitos e não tentará escapar deles. Porque confia plenamente naquele que lhe desperta o ouvido e a língua e o consola para que seja por sua vez o consolador de um povo que está a ponto de perder a esperança e a confiança.
Assim, a preparação para a V Conferência do episcopado latino-americano exorta a todos os cristãos que sejam verdadeiros discípulos, permanentemente à escuta de Deus que lhes fala e consola, a fim de que possam erguer o povo em direção à esperança.
Frei Betto
Queijo suíço, nossas prisões estão repletas de buracos por onde entram dinheiro e armas, celulares e drogas. O detendo é guardado, não reeducado; punido, não recuperado. O preço da penitência é a exclusão social
De quatro anos na prisão, a ditadura obrigou-me a viver dois entre prisioneiros comuns. Trinta e cinco anos depois, o sistema prisional só não continua o mesmo porque piorou. A questão não merece prioridade do governo e o extorsivo pagamento dos juros da dívida pública mingua os recursos de que dispõe a União. Investe-se apenas na construção de novos presídios.
A guerrilha carcerária, desencadeada no fim de semana de 13 e 14 de maio, expõe a precariedade do sistema prisional brasileiro. Se grades e muros seguram fisicamente os presos, os avanços eletrônicos e a negligência das autoridades permitem que, de dentro para fora, comandem ações criminosas. Celulares ingressam no bojo da corrupção favorecida por baixos salários pagos a policiais e carcereiros desqualificados. Outros fazem vista grossa sob ameaças a seus familiares, alvos de comparsas dos detentos. As facções criminosas, outrora restritas ao interior das prisões, hoje possuem ramificações na rua e são comandadas para o que antes parecia inverossímil: o crime organizado ataca a polícia!
São Paulo viveu o seu fim de semana de Iraque, com a polícia acuada por táticas de guerrilha: ataques de surpresa, escaramuças etc. E as reações das autoridades não fogem dos velhos jargões: imitar os EUA na construção de presídios (supostamente) indevassáveis; legalizar a pena de morte; aumentar o efetivo policial militar. Nada que enfoque as causas da criminalidade e a ineficiência de nosso sistema prisional.
Entre Rio e São Paulo há cerca de 2,3 milhões de jovens, entre 14 e 24 anos, que não terminaram o ensino fundamental. Nesse contingente encontram-se 80% dos assassinos e dos assassinados. Em suma, não se reduzirá a criminalidade sem educação de qualidade, com a criança na escola 8 horas por dia, e combate ao desemprego. A violência não decorre da miséria, e sim da falta de educação. E de uma cultura belicista, como a dos EUA, o país mais violento do mundo, apesar de mais rico. Seus cárceres guardam mais de 2 milhões de pessoas.
Nosso regime peninteciário não difere muito do adotado no tempo da escravatura. Amontoam-se presos em masmorras exíguas; misturam-se autores de delitos distintos; condenam-se todos à mais explosiva ociosidade. Não há cursos profissionalizantes, nem redução da pena de acordo com a progressão escolar. Nem há atividades culturais, como teatro, pintura e música, ou equipamentos e espaços adequados à prática de esportes.
Queijo suíço, nossas prisões estão repletas de buracos por onde entram dinheiro e armas, celulares e drogas. O detento é guardado, não reeducado; punido, não recuperado. E o alto preço da penitência – donde penitenciária – jamais é a absolvição, e sim a exclusão social. O preso cumpre a pena sem que o sistema o prepare à reinserção social, e sem que a sociedade se disponha a acolhê-lo. Daí o alto índice de reincidência.
A causa maior da criminalidade é a desigualdade social, que vem sendo reduzida no Brasil desde 2001. A violência intrínseca às estruturas sociais, como a fundiária, substancialmente arcaica, provoca nos excluídos a reação de revolta. Busca-se a ferro e fogo o "lugar ao sol" tão enfatizado, indiscriminadamente, pela propaganda televisiva. Ela socializa o direito de todos à felicidade abastada, atrelada aos bens de consumo. Não há por que esperar de um jovem empobrecido atitude abnegada frente à sua carência e sofrimento. A droga é o recurso mais à mão para evadir-se dessa realidade, seja pelo "encantamento" que proporciona, seja pelo dinheiro fácil que atrai. E por que obedecer às leis se políticos corruptos e criminosos de colarinho branco permanecem em liberdade? Se a morte é certa e a vida carece de sentido, por que temer a lei do talião? O grave é quando a sociedade e a polícia decidem adotá-la, como se a eliminação de bandidos significasse a erradicação do crime.
É preciso desalgemar os recursos públicos aprisionados pelo excessivo ajuste fiscal e multiplicar o investimento em educação e na reforma prisional. Caso contrário, em breve a própria polícia estará impregnada deste pavor que acomete a população de nossas grandes cidades: o medo de sair às ruas.
Dunga promete uma seleção vibrante
Técnico quer equipe com força, motivação e vontade de vencer
A partir desta semana, a seleção brasileira de futebol começa a ganhar um novo perfil e se depender de seu novo técnico, não faltarão garra, esforço e determinação. Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, ex-jogador de futebol, famoso por suas qualidades como líder em campo. Execrado na Copa de 1990, quando se tornou o principal símbolo da fracassada seleção de Sebastião Lazzaroni e seu nome passou a denominar esse período de "Era Dunga". Campeão no Mundial de 1994, vice em 1998.
Esse é o perfil do sucessor de Carlos Alberto Parreira no comando da seleção, escolhido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A indicação do gaúcho Dunga acabou causando surpresa não tanto por seus méritos como atleta e líder, mas por causa da falta de experiência como técnico. O ex-jogador, que encerrou a carreira em 1999, nunca atuou como treinador.
Nesta terça-feira 1º, Dunga anunciaria a primeira relação de convocados (o fechamento desta edição ocorreu na segunda-feira) para o amistoso do dia 16 de agosto, contra a Noruega, em Oslo, como novo treinador do Brasil. Na semana passada, Dunga havia destacado que seriam relacionados apenas jogadores que atuam no Brasil.
Ironicamente, Dunga pode representar uma nova era na seleção brasileira, que vem de uma campanha desastrosa no Mundial da Alemanha. O preferido para substituir Parreira era o gaúcho Luiz Felipe Scolari, pentacampeão em 2002, mas ele renovou com a seleção portuguesa por mais dois anos. Para seu lugar, a CBF indicou outro gaúcho, que tem diversas qualidades em comum com Felipão, como garra, determinação, vibração e energia.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, salienta que Dunga tem o perfil ideal para implantar uma grande renovação na seleção brasileira. "A escolha de Dunga vai atingir em cheio o anseio dos torcedores brasileiros que querem na seleção um treinador vibrante", afirma Teixeira. Segundo a CBF, Dunga deverá fazer um trabalho de longo prazo na seleção e sua escolha tem como objetivo disputar a Copa do Mundo de 2010, na África no Sul.
Carreira – Dunga nasceu há 42 anos em Ijuí. Iniciou sua carreira como atleta aos 15 anos no Internacional. No clube gaúcho conquistou o tricampeonato de 1982 a 1984 e foi convocado pela primeira vez para a seleção em 1984, quando foi medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles. Depois, atuou no Corinthians, no Santos e no Vasco até ser transferido para o futebol italiano.
Contratado pela Fiorentina, acabou emprestado ao modesto Pisa. Tornou-se ídolo na Fiorentina, onde atuou durante três anos (1989-1992). Foi nesse período que virou ícone de uma geração fracassada, conhecida como Era Dunga depois da atuação medíocre na Copa de 1990. Deu a volta por cima em 1994, como o capitão do tetra, nos Estados Unidos, e como vice, em 1998, na França. Antes de encerrar a carreira no Inter, em 1999, também atuou no Stuttgart, da Alemanha, e no Jubilo Iwata, no Japão.
Itália abranda, mas mantém punições às equipes envolvidas em escândalos
Grande vencedora da Copa da Alemanha, a Itália deu um exemplo de como a ética deve reger também o mundo do futebol. A Justiça Desportiva da Itália atendeu parte dos recursos impetrados pelos clubes envolvidos no escândalo de manipulação de resultados no futebol do país tetracampeão, mas manteve punições que são suficientemente severas.
Fiorentina e Lazio, que tinham sido rebaixadas para a segunda divisão, vão seguir na Série A, mas começarão com 19 e 11 pontos negativos, respectivamente.
A punição maior atinge a Juventus, rebaixada para a segunda divisão e que começará com 17 pontos negativos. Em primeira instância, além de rebaixada, começaria com 30 pontos negativos. A poderosa Juventus também perdeu os títulos de campeã da Itália de 2005 e 2006, que passaram para a Inter de Milão. O Milan fica na séria A, mas ao invés de começar o próximo campeonato com 15 pontos negativos, inicia com 8.
No Mundial da Alemanha, dos 23 jogadores convocados, 13 defendiam Juventus, Lazio, Fiorentina ou Milan. Com as punições impostas às quatro equipes, alguns jogadores estão emigrando para outros clubes, inclusive estrangeiros. É o caso do zagueiro e capitão da seleção italiana, Fabio Cannavaro, e do volante Émerson, da seleção brasileira, ambos da Juventus, que se transferiram para o Real Madrid, da Espanha.
Se forem mantidas as punições, a Juventus deve voltar à elite do futebol italiano somente em 2008/2009, além de ficar fora da Copa dos Campeões até pelo menos 2009/2010, além da perda de milhões de euros em contratos e patrocínios. Apesar do abrandamento das penas, alguns dirigentes dos clubes envolvidos ameaçam recorrer à Justiça comum, prática condenada pela Fifa.
Treinadores deixam comando após Copa
Parreira não foi o único técnico que deixou a seleção depois da Copa de 2006. Dos 32 países que participaram do Mundial na Alemanha, até a semana passada 18 tinham deixado o comando, inclusive o técnico campeão mundial da Itália, Marcello Lippi. Seu substituto, Roberto Donadoni, está preocupado com possível êxodo de jogadores depois do escândalo no futebol italiano e das punições a alguns clubes (matéria acima). No Mundial da Alemanha, os 23 jogadores da seleção campeã atuavam na Itália.
Flamengo conquista Copa do Brasil 2006
O Flamengo conquistou na quarta-feira 26 o título da Copa do Brasil de 2006, ao derrotar o Vasco da Gama por 1 a 0. O Fla já tinha vencido o primeiro jogo da final por 2 a 0. Foi a segunda vez que o clube carioca venceu a competição. A outra foi em 1990. Com a conquista, o Flamengo garantiu sua participação na Libertadores de 2007. Pela primeira vez, duas equipes cariocas foram para a final da Copa do Brasil que tem Grêmio e Cruzeiro como os clubes com mais títulos na competição – quatro cada.
SACRAMENTOS
SINAIS DA GRAÇA DE DEUS
Frei Vanildo Zugno, responsável pelo 3º módulo do Curso de Teologia a Distância, que inicia no dia 23 de agosto, faz uma introdução ao tema – os sacramentos
Frei Vanildo Luiz Zugno
Capuchinho, Professor da Estef*
A religião, qualquer que seja, é sempre uma tentativa humana de se colocar em relação com o divino. A religião é uma relação entre a pessoa humana e algo que é percebido por ela como o absolutamente-outro. A experiência religiosa consiste em sentir-se dependente, por parte do ser humano, em relação a essa força superior, normalmente chamada de Deus. O ser humano sente que por sua própria força não pode atingir o sagrado e nem a salvação. Precisa de alguém que o salve.
Para garantir a relação com a divindade, o ser humano estabelece símbolos e ritos. Estes servem para garantir a intervenção divina no mundo e na vida das pessoas. Cada religião, dependendo do ambiente cultural em que surge e o modo como se desenvolve na história, cria maneiras específicas pelas quais consegue estabelecer a relação com o ser superior: lugares sagrados, templos, rituais, pessoas, objetos, palavras...
O específico da fé cristã, herança da tradição judaica, é ter a Deus como absolutamente transcendente. Ele não pode nem ser visto nem ser tocado. No entanto, ele está sempre muito próximo de seu povo. Tão próximo que não precisa de intermediários. É na vida das pessoas, na vida do Povo de Deus – Israel no AT (Antigo Testamento), todos os povos a partir de Jesus Cristo – que podemos sentir a presença ou a ausência de Deus.
Ação – O AT é uma tentativa do povo de Israel de descrever como ele sentia essa presença ou ausência de Deus nos grandes acontecimentos de sua vida bem como no dia-a-dia das pessoas. No NT (Novo Testamento), essa presença é vista, primeiramente e de forma definitiva, em Jesus Cristo e, de maneira derivada, como prosseguimento da ação messiânica de Jesus Cristo, na vida da comunidade de fé, a Igreja. Por isso dizemos que Jesus Cristo e a Igreja são os grandes sacramentos de Deus no mundo, ou seja, sinais visíveis da ação de sua graça salvadora entre nós.
Sacramento de Deus – A sabedoria popular e a própria Bíblia dizem que Deus está presente em todas as coisas. E é verdade, pois todas as coisas foram criadas por Deus e nelas nós podemos encontrar a marca do Criador. Em todas as coisas é possível encontrar Deus e com ele estabelecer uma relação. Por isso todas as realidades deste mundo podem ser sacramentais, isto é, sinais da presença de Deus.
No entanto, para o cristão, Jesus Cristo é a presença por excelência de Deus no mundo. Jesus é o Verbo de Deus que se fez carne e veio habitar no meio de nós. Por isso dizemos que Ele é o sacramento fundador de todos os sacramentos. É pela presença do Filho de Deus entre nós que temos a certeza de que Deus está conosco e quer a nossa salvação.
E mais Jesus Cristo não somente é o sacramento fundador de todos os sacramentos. Ele também é o modelo de todos os sacramentos. Em que consiste esse sacramento modelar que é Jesus Cristo?
A fé sempre viu e acreditou que em Jesus de Nazaré, Deus e a humanidade se encontram numa unidade profunda, sem divisão e sem confusão. Na pessoa humana de Jesus de Nazaré, Deus chegou até a humanidade. E, através dessa mesma pessoa humana, a humanidade encontrou de novo o caminho para Deus. Através das ações do homem Jesus, a salvação de Deus se fez presente no mundo. Jesus é a Encarnação de Deus. A partir de Jesus, nós humanos, temos assim um caminho para conhecer a Deus. Se queremos conhecer a Deus, olhamos a pessoa de Jesus. Se queremos encontrar a Deus, façamos o que Ele fez: a unidade do humano e do divino, o encontro das coisas do mundo com a graça de Deus.
Sacramento de Cristo – A ação de Jesus Cristo, mesmo sendo a mais concreta e humana presença de Deus no meio de nós, não esgota o agir divino no mundo. Para continuar a obra de Jesus, o Pai envia o Espírito Santo. Diferentemente porém, da presença de Deus em Jesus, a presença do Espírito de Deus não se dá apenas numa pessoa, num lugar e num tempo determinado. A presença de Deus Espírito é contínua e universal. Ele está sempre presente. Esta presença se dá em toda a humanidade e em toda criação.
Para que esta presença seja perceptível e eficaz no meio da humanidade, Deus não dispensa o humano. Pelo contrário, dá-lhe uma forma humana. Para isso, o Espírito suscita a Igreja, comunidade dos que são chamados, respondem e se colocam no caminho de Jesus Cristo. A Igreja é sinal e testemunha da presença de Deus no mundo. É por isso que nós dizemos que a Igreja é sacramento de Deus: do Pai que sempre chama a seguir Jesus Cristo na força do Espírito.
A Igreja em sua totalidade, comunidade de fiéis com seu credo, com sua liturgia, com seu direito canônico, com seus costumes e tradições, com seus santos e mártires foi chamada sempre de Grande Sacramento da graça e da salvação no mundo. Nela se mantém sempre viva, pela força do Espírito, a memória viva de Jesus Cristo, de sua vida, morte e ressurreição e do significado definitivo que possui para o destino de todos os homens.
Para expressar esta salvação de Deus da qual é sinal e instrumento, a Igreja estabeleceu sinais específicos. São os sacramentos da Igreja. Estes sinais têm por finalidade comunicar aos fiéis a salvação de Deus testemunhada em Igreja. Por isso dizemos que os sacramentos expressam seu pleno sentido quando vividos a partir da comunidade de fé. Fora da comunidade eclesial, tornam-se ritos vazios.
No entanto, é sempre bom lembrar que a Igreja não existe para si mesma. Ela existe para ser sinal e instrumento da salvação de Deus para o mundo. Assim, se é verdade que os sacramentos encontram seu pleno sentido na vivência eclesial, eles também sempre são um desafio para que o cristão leve esse sinal da salvação de Deus para toda a humanidade e toda a criação.
Jesus Cristo torna Deus presente na vida das pessoas
A Igreja afirma que os sacramentos têm sua origem em Jesus. Muitos buscam passagens dos evangelhos que mostrariam Jesus instituindo cada um dos sete sacramentos. Para alguns, como a Eucaristia, é fácil encontrar passagens dos Evangelhos que mostrem Jesus instituindo esse sacramento. Esta confrontação dos sacramentos com a Bíblia nos ajuda a compreender melhor o significado deles. Mas, muitas vezes, pode levar a uma utilização fundamentalista da Bíblia e também a uma redução do significado dos próprios sacramentos. Sendo Jesus o sacramento de Deus, melhor do que buscar um texto isolado, podemos buscar no todo da sua vida a significação de cada um dos sacramentos.
Jesus Cristo é o autor dos sacramentos não no sentido em que ele teria inventado os sacramentos tais quais nós os conhecemos hoje. É assim como quando dizemos que tal prefeito fez tal obra, mesmo sabendo que ele nunca pôs as mãos num tijolo. Dizemos que ele fez porque sabemos que foi dele a intenção e a decisão de fazer tal obra.
Assim também dizemos que Jesus Cristo é o autor dos sacramentos porque, nos momentos fundamentais de sua vida ou na vida das pessoas com as quais ele se relacionou – nascimento, entrada na vida adulta, alimentação, casamento, doença, experiência de culpa, serviço à comunidade – ele tornou presente a realidade divina, fez nestes momentos gestos onde transpareceu a graça de Deus.
Os sacramentos podem ser considerados como tendo sua origem em Cristo – instituídos por Cristo – na medida em que ele viveu e resolveu de uma maneira exemplar, paradigmática, os conflitos da existência humana pessoal, comunitária e social, colocando o humano na presença de Deus e Deus presente na vida das pessoas.
A forma concreta como são realizados os sacramentos é uma questão histórica que não influi na validade ou não destes. Esta depende de uma tradição que se modificou no decorrer do tempo e pode ainda ser modificada. O estudo da história dos sacramentos nos mostra como a forma de celebrá-los foi sendo modificada. Isso não lhes tira a validade, pelo contrário, torna-os compreensíveis nos novos contextos históricos e culturais em que o cristianismo vai se fazendo presente.
A resposta do homem à proposta divina
Dizer que os sacramentos agem ex opere operato, que a eficácia do sacramento não depende da vontade daquele que o celebra ou daquele que o recebe, é afirmar a proposta de salvação sempre presente de Deus. Ela não se deixa vencer pela recusa humana. Ela continua permanentemente como oferecimento pleno e definitivo à humanidade.
Mas o sacramento não é constituído apenas pela iniciativa de Deus. É também resposta do homem à proposta divina. Somente na acolhida humilde do fiel o sacramento se realiza plenamente e frutifica na terra humana empapada da graça divina. O sacramento emerge, fundamentalmente, como encontro do Deus que descende ao homem e do homem que ascende para Deus. Sem esse encontro entre a vontade divina sempre presente e a resposta humana ativa, o sacramento permanece obra imperfeita.
Por isso, não basta ressaltar o ex opere operato. Urge lembrar a necessidade da abertura humana, o non ponentibus obicem ( não colocar-lhe resistência) do Concílio de Trento. Este Concílio reafirmou fortemente ambos os aspectos: a certeza indestrutível da simpatia divina que jamais se nega, apesar da recusa humana, e a urgência da conversão e da remoção de todos os obstáculos para que o encontro divino-humano aconteça e se realize plenamente o sacramento. A graça do sacramento, ensinavam os Padres Conciliares, é conferida àquele que não lhe opõe resistência. Caso contrário, a graça é visibilizada, faz-se o gesto indicador da presença do Senhor em nosso meio, e Ele não é acolhido, encontra portas fechadas e se repete o drama do Natal: veio para o que era seu, e os seus não o receberam... porque não havia para Ele lugar na estalagem (Jo l,11; Lc 2,7).
Daí a necessidade de preparação para receber os sacramentos. Como João Batista que veio aplainar os caminhos para que Jesus, o sacramento de Deus, pudesse ser acolhido pela humanidade, também nós necessitamos preparar nossos corações, nossa comunidade, para que Deus seja bem recebido e possa realizar-se em nós a sua graça. O sacramento, para ser autêntico, implica mudança na vida de quem o recebe, é compromisso, engajamento.
Os sete eixos sacramentais da vida
Na nossa vida convivemos com muitos símbolos. Todas as realidades podem, dependendo da maneira como as olharmos, tornarem-se simbólicas. Assim sendo, tudo pode remeter-nos a Deus, tornar-se um caminho para nosso encontro com Ele. Tudo pode ser sacramental.
Na história da Igreja, houve momentos em que a lista dos sacramentos era muito extensa. No início, a Igreja não se preocupava em estabelecer uma lista exaustiva dos sacramentos. Simplesmente se vivia a realidade sacramental, ou seja, a presença concreta de Deus através de sinais visíveis na comunidade de fé. Foi só a partir do ano mil que começou a preocupação de definir quais seriam exatamente os sacramentos. São Bernardo (1090-1153), por exemplo, afirmava que o "lava-pés" é um sacramento. Hugo de São Vítor (m. 1141) dizia que eram seis os sacramentos, sendo o Batismo e a Eucaristia indispensáveis à Salvação. Pedro Lombardo (1095-1160), apoiado e secundado por Tomás de Aquino (m. 1274), designou o sétimo sacramento como o da Ordem. O Concílio de Ferrara (1439) oficializou aquilo que já se tomara tradição dentro da Igreja: que os sacramentos são sete. O Concílio de Trento (1547) definiu "que os sacramentos da nova lei são sete, nem mais nem menos, a saber: o Batismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Extrema-unção, a Ordem e o Matrimônio" (Sessão VII, cânon 1).
Nesse percurso de discernimento, a Igreja foi se fixando sobre aqueles momentos centrais da existência humana onde a presença de Deus é sentida de maneira especial. Podemos assim estabelecer uma relação dos sacramentos com momentos importantes da vida:
– nascimento: Batismo;
– a entrada na vida adulta: a confirmação;
– alimento: a Eucaristia;
– a união do homem e da mulher: o Matrimônio;
– a doença e a morte: a Unção dos Enfermos;
– a experiência da culpa: o perdão dos pecados;
– serviço à comunidade: o sacramento da ordem.
O importante é não esquecer, por um lado, que todos os momentos da vida humana, pessoal, comunitária e social, são próprios para a presença de Deus. Com a Encarnação, nada do que é humano é alheio a Deus. Se escolhemos alguns momentos da vida, não é para excluir os outros, mas para que nos lembremos com mais intensidade que Deus está presente em todos os momentos.
Por outro lado, não podemos esquecer que a fonte de todos os Sacramentos é uma só: a graça salvadora de Deus. Se acolhemos a salvação de Deus na forma de um dos sacramentos, não podemos nos recusar a acolhê-la sob as outras formas sacramentais e também nas não sacramentais.
Comunidade cria espaço para o cristão viver seus dons
A tradição da fé sempre defendeu que a graça divina está infalivelmente presente na realização do sacramento. Isso se dá porque a presença da graça divina não depende da santidade, seja daquele que administra o sacramento, seja daquele que o recebe. Isso nos lembra que a causa da graça não é o homem e seus méritos, mas unicamente Deus. Daí dizer-se: o sacramento age ex opere operato, quer dizer, uma vez realizado o rito sacramental, colocados os sagrados símbolos na intenção de fazer o que a Igreja com eles quer significar, Deus age.
Isso não significa que o rito vale por ele mesmo. Os sacramentos não são uma coisa mágica. Os ritos apenas simbolizam a graça de Deus. Deus está presente porque ele mesmo prometeu de nunca abandonar a humanidade.
Dito de outro modo, de modo negativo, isso quer dizer: a graça sacramental não é causada em virtude de alguma ação ou de algum poder, seja do ministro do sacramento ou daquele que o recebe. A graça é dom de Deus. É Deus quem batiza, quem perdoa e quem consagra. O ministro empresta-lhe os lábios indignos, empresta-lhe o braço que pode perpetrar obras más e empresta-lhe o corpo que pode ser instrumento de maldade. A graça acontece no mundo sempre vitoriosa, independentemente da situação dos homens que administram os sacramentos.
Os sacramentos têm sua eficácia – ex opere operato – porque são a graça de Deus presente na comunidade. Esta cria o espaço para que a pessoa possa viver essa graça. Dizer que o sacramento não se realiza por si mesmo seria limitar a graça de Deus à vontade do homem, seria dar ao homem mais poder que a Deus, seria cair numa visão mágica dos sacramentos.
Domingo, Páscoa semanal dos cristãos
Mas celebração dos sábados à tarde substitui a missa dominical
Na instituição da Eucaristia, na Última Ceia, Jesus pediu: fazei isto em memória de mim. O pedido se reveste da sacralidade de um testamento. E os discípulos, após a Ressurreição, começaram a reunir-se nas casas para celebrar o gesto redentor. Não se tratava do cumprimento do sábado judaico, mas de uma celebração "no primeiro dia da semana", o dia da Ressurreição. O primeiro dia da semana tornou-se o "Dies Domini", Dia do Senhor, o nosso Domingo, substituindo o sábado do Velho Testamento.
Na ampla reorganização assumida pelo Concílio de Trento surgiram os chamados Mandamentos da Igreja, entre eles a obrigação de "assistir missa inteira nos domingos e dias santos". Também era prescrita a confissão e comunhão, "pelo menos uma vez por ano na Páscoa". E as celebrações aconteciam na parte da manhã. Jejum absoluto, a partir da meia noite, era também condição necessária para comungar. A partir do Vaticano II aconteceram as modificações no setor. O espaço do jejum foi reduzido, inicialmente, para três horas e, depois, para uma hora.
A partir daí começou a surgir certa identificação entre a missa e vida cristã. Bom cristão era aquele que participava da missa aos domingos. Nem sempre era levada em consideração a vida diária.
A paróquia e a missa aos domingos surgiram a partir de uma realidade rural, com espaço geográfico delimitado. Era a semana de seis dias, onde no sábado todos trabalhavam, a maioria no campo. Com a crescente urbanização e, de alguma maneira, dessacralização, começaram a surgir novas necessidades, entre elas a ampliação do tempo celebrativo.
Semanal – A mudança aconteceu com o Papa Paulo VI, com a publicação do documento Mistério da Eucaristia no dia 25 de maio de 1967. A partir daí os fiéis podem participar da "missa dominical" a partir do sábado ao meio-dia. As orações e leituras são as do domingo seguinte.
Com o avanço da dimensão do lazer, em muitos lugares começou a surgir o pedido da "missa semanal". Uma das experiências pioneiras foi introduzida na diocese gaúcha de Novo Hamburgo, onde dom Boaventura Klopenburg – hoje bispo emérito – autorizou a missa semanal, em dias pré-fixados, com valor dominical. Diante de algumas críticas, o bispo argumenta: é melhor participar de uma missa durante a semana do que não participar.
Dia do Senhor é o mais importante da semana
Conforme as escrituras, Jesus ressuscitou no "primeiro dia da semana" que, no calendário judeu, era o que vinha logo após o sábado. Para os cristãos, tornou-se um dia memorável, inesquecível, o mais importante da semana, tanto que ele passou a ser chamado "dia do Senhor".
Na cristandade primitiva não havia necessidade de tornar obrigatória a participação da missa, mas, mais tarde, com o crescimento das comunidades cristãs, a Igreja observou que não atingia o mínimo da prática cristã aquele que não participasse da missa pelo menos uma vez por semana e nada melhor do que definir o domingo como esse dia.
As mudanças do Vaticano foram benéficas aos cristãos, que assumem o compromisso vida e fé – o que é celebrado no domingo deve ser vivido ao longo da semana.
Padre Zezinho
Há fiéis que preferem orar sobre entulhos achando que são sagrados
No seu livro História da Civilização, vol. VI, o respeitado historiador Will Durant fala dos mágicos e do abandono do saber. Diz ele: "Devemos lembrar-nos de que os estudos racionais tinham de lutar por espaço e ar em uma selva de superstição. Homens e mulheres buscavam nas forças ocultas algum poder mágico para dominar os acontecimentos, alguma fuga mística de uma realidade cruel; e a vida da razão caminhava precariamente em um meio de feitiçaria, bruxaria, necromancia, quiromancia, frenologia, adivinhação, prodígios, profecias, interpretações de sonhos, conjunções astrais do destino, transmutações químicas, curas milagrosas, poderes ocultos nos animais, minerais e plantas...
Os homens acreditavam que os astros eram guiados por anjos e que o ar estava congestionado de espíritos invisíveis, alguns vindos do céu, outros do inferno. Os demônios escondiam-se por toda a parte, principalmente na cama das pessoas... A qualquer momento o crédulo poderia sair do mundo dos sentidos para um reino de seres e poderes mágicos. Cada objeto natural tinha qualidades sobrenaturais. Os livros de magia eram os "best sellers" do dia..."
Sem tirar nem por, é esse o quadro de hoje em dia. O que acontecia entre os anos 1300 e 1500 voltou com toda a intensidade, agora com o poderio do rádio e da televisão. O que era feito entre as paredes dos templos e das casas agora é escancarado pela televisão e pela internet a qualquer um, sem nenhum critério. Rende milhões o comércio de pedras, cristais, metais, objetos, livros, revistas, filmes e consultas esotéricas, tudo, enfim, que aciona o mistério. Há Igrejas indo atrás do filão, já que qualquer comerciante pode, sem licença alguma, imprimir, fabricar e vender tais objetos.
Ninguém consegue definir de maneira concreta o que é bruxaria, sortilégio ou charlatanismo. Embora haja leis quanto ao abuso da liberdade de culto, o Estado não pune. Superstição vem de super-sistere. O que insiste em ficar ali. A melhor versão da palavra seria "entulhos da fé". A sujeira que sobra. Imagine um belíssimo e majestoso templo que, anos após a sua construção, continua com os entulhos ao seu redor, com grupos de fiéis preferindo orar em cima deles e garantindo que são sagrados. Parece ridículo, mas é essa a diferença entre a fé e a superstição. Infelizmente entramos nesse retrocesso! Ligue o rádio e veja a televisão e verá que não é exagero!
Dioceses refletem sobre a família
De 13 a 19 de agosto, comunidades de todo país promovem a família
Será celebrada em todas as dioceses do Brasil, de 13 a 19 de agosto, a Semana Nacional da Família, que neste ano tem como tema de reflexão "Diálogo familiar e com Deus: fonte de conhecimento e da conquista da liberdade" e como lema "Família, fonte de vida e construtora da paz".
O objetivo da Semana é a mobilização da sociedade brasileira para levar à redescoberta dos verdadeiros valores humanos e cristãos da família, através da reflexão à luz da Palavra de Deus. Com essa mobilização, a Pastoral Familiar, organismo da CNBB, pretende promover, vivenciar e aprofundar os valores da partilha, do perdão, da amizade, da acolhida.
No Rio Grande do Sul, o Regional Sul 3 da CNBB adotou o lema "Bendita a família acolhedora da vida" para as celebrações nas 17 dioceses do Estado. Em Santa Catarina, entre os eventos que marcam a Semana da Família, ocorre nesta sexta-feira 4, no plenário da Assembléia Legislativa do Estado, sessão solene em homenagem às famílias catarinenses, e no dia 5, no mesmo plenário, fórum de debates sobre Políticas Públicas e Familiares. Em Porto Alegre, destaque para a Caminhada da Família, no dia 12, da igreja Santo Antônio do Pão dos Pobres até a catedral.
Para a Igreja, a família tem valor insubstituível. O Papa João Paulo II afirmava: "A família é uma comunidade íntima de amor, querida por Deus; um dos bens mais preciosos da humanidade, fundamento da própria sociedade; primeira escola das virtudes sociais. O futuro da humanidade passa pela família".
Caxias – Em Caxias do Sul o evento inicia dia 12, com bênção às famílias, às 11h45, que pode ser acompanhada pelas rádios da região. Dia 13, abertura da Semana com a missa do dia dos país, durante as celebrações realizadas em cada comunidade. Dia 17, missa da família às 19 horas na paróquia Sagrada Família, seguida de palestra sobre qualidade nos relacionamentos familiares.
Souto Neto vive festa familiar com bispo e 16 padres
Um grande testemunho em favor do sacramento do matrimônio, da família e das vocações. Esse foi o sentimento que marcou a celebração dos 50 anos de casamento de Rosalino e Selvina Zappani, realizado recentemente em Souto Neto, Jacutinga (RS). A celebração de bodas de ouro do casal foi presidida pelo filho, padre João Zappani, e concelebrada pelo bispo diocesano, dom Girônimo Zanandréa e mais 15 padres, entre eles padre Guerino Parizotto, 80 anos, que em novembro celebrará seu jubileu de ouro sacerdotal.
Rosalino nasceu há 69 anos em Tapejara e aos 12 anos passou a residir perto de Ponte Preta (RS), onde nasceu Selvina, também há 69 anos. Sua mãe, Maria Balsanello, com quase 90 anos, participou da celebração festiva. Rosalino e Selvina têm cinco filhos. Na homilia, o filho padre ressaltou que "a fé sustenta e mantém viva a esperança. Ambas impulsionam para a caridade. Na caridade, se promove a vida, se vence qualquer dificuldade, especialmente na família". Recordou valores cultivados e passados pelos pais como o trabalho, a amizade, a acolhida, a participação comunitária, o amor à Igreja, que hoje estão presentes na vida dos filhos.
Aldo Colombo
As descobertas fizeram a humanidade avançar, mas não necessariamente a tornaram melhor e mais feliz
Organizado por John Brockman, foi editado o livro As Maiores Invenções dos Últimos 2.000 Anos. Grandes cientistas, filósofos e artistas apontam as mais importantes criações da era cristã. De certa maneira, todas as respostas estão corretas. Todas as coisas são vistas a partir de um ponto de vista. E a história humana foi construída, não por uma, mas por milhares, milhões de pessoas. Cada uma delas colocou mais uma pedra naquilo que chamamos civilização. O solitário inventor da roda tem muito a ver com o gênio que tornou possível a internet ou decodificou o DNA.
Nada menos de 110 pessoas foram interrogadas e as respostas quase nunca coincidiram. Para Colin Tudge, o maior invento foi o arado, enquanto para Patrick Bateson foi a eletricidade. Philiph Compbell aponta Gutenberg e a imprensa, mas Susan Blackmore prefere a pílula anticoncepcional. Independente de valores, Marney Morris indica a bomba atômica. O norte-americano Ramachandran surpreende quando aponta o zero como a grande invenção, assinalando o nascimento da matemática moderna. Houve ainda quem assinalou a pólvora, a penicilina, a garrafa térmica, o ponto de interrogação, a revolução verde, a anestesia, o avião, a televisão... O computador, significativamente, é indicado por quatro dos entrevistados.
Outras respostas surpreendem. Para Gino Segre, os óculos se constituem na maior de todas as invenções, enquanto Tor Norretranders aponta o papel desempenhado pelo espelho. Fazendo uma ponte entre eles, Stanislas Dehaene privilegia a educação.
Fazendo uma análise desses inventos podemos avaliar sua importância ética. Na realidade todos os inventos são neutros, a ética surge da maneira como são usados pelo homem. Isto vale para a imprensa, para a faca, para o código genético, para o computador, para a escada rolante, para a borracha de apagar, indicada por Douglas Rushkoff.
Mais do que com as maiores invenções, a humanidade deve preocupar-se com o uso que faz dessas invenções. Toda a caminhada da humanidade visa a felicidade, embora nem sempre se leve em conta a dimensão individual e coletiva. Mais do que a subjetividade, o homem precisa preocupar-se com a alteridade. Conhecer a si mesmo é a mais difícil das artes, já dizia Santo Agostinho e nesse sentido o espelho é importante. Mas também é importante a lente para ver o outro e a janela para ver o mundo.
As descobertas fizeram a humanidade avançar, mas não necessariamente a tornaram melhor e mais feliz. Francisco de Assis, Teresa de Calcutá e João XXIII nada inventaram. Eles escolheram viver com intensidade o mandamento do amor, deixado por Jesus. Amanhã ou depois serão esquecidos os nomes dos grandes inventores, mas estes continuarão no coração da humanidade. Eles apostaram no velho e novo mandamento do amor.
Veranópolis teve 1ª missa há 120 anos
Comunidade também recorda 100 anos da morte de seu primeiro pároco
A cidade de Veranópolis recorda, em 2006, dois fatos marcantes de sua história religiosa – os 120 anos de celebração da primeira missa na região e os 100 anos de falecimento de seu primeiro cura (pároco), padre Mateus Pasquali (1825-1906). Natural de Durlo, Vicenza, Itália, padre Mateus foi ordenado em 1849 e, em 1882, atendendo convite de parentes e conterrâneos, partiu para o Rio Grande do Sul.
Ele chegou ao Estado no início de 1883 e dom Sebastião Dias Laranjeira destinou-o à Colônia de Caxias. Foi pároco de Vila Rica, atual Júlio de Castilhos (1885-1886); trabalhou em Caravaggio e, no dia 16 de julho de 1886 tomou posse e rezou a primeira missa no Barracão dos Imigrantes, como primeiro pároco (cura) da Colônia Alfredo Chaves, atual Veranópolis. Na época, a paróquia compreendia a área que hoje é ocupada por 12 municípios. A partir de 1896, com a chegada dos carlistas em Nova Bassano, o vasto território foi compartilhado com eles.
Sentindo as limitações da idade, padre Mateus convidou os capuchinhos a se estabelecerem em Alfredo Chaves. Em 1901, frei Bruno de Gillonnay enviava os quatro primeiros frades, que fundaram o convento e a escola seráfica e auxiliavam na pastoral. Três anos depois assumiram definitivamente a paróquia, que tinha como patrono São Luis Gonzaga, escolhido por padre Mateus, porque apostava na juventude. A juventude, dizia, se alimenta do testemunho dos mais velhos, por isso atendia com carinho os anciãos e doentes, quase profetizando Veranópolis como terra da longevidade.
Morreu no dia 29 de julho de 1906, acompanhado pelos capuchinhos, após 20 anos de ministério em Alfredo Chaves. Está sepultado na cripta da atual matriz.
Padres realizam curso de autoconhecimento
Os sacerdotes da diocese de Erechim (RS), junto com o bispo diocesano, dom Girônimo Zanandrea, realizaram curso anual, assessorados pelo parapsicólogo Henrique Pagnoncelli, 48 anos, natural de Pato Branco (PR). Durante três dias, reunidos no seminário de Fátima, os participantes do encontro aprofundaram o ser humano e a estrutura de sua personalidade.
Pagnoncelli ressaltou a necessidade de cada pessoa conhecer a si mesma, seguindo o princípio do filósofo grego Sócrates que recomendava "conheça-te a ti mesmo". Como o escultor tira da massa bruta a imagem que tem em sua mente, a pessoa constrói sua história de acordo com a imagem que faz de si mesma. "Para o padre, esse conhecimento é fundamental para seu ministério", informa padre Antonio Valentini Neto, pároco da catedral de Erechim, participante do encontro. Na área da diocese, que tem 27 paróquias e dois santuários, atuam mais de 50 sacerdotes.
Morre padre josefino Armando Pietrobelli
Padre Armando Ettore Pietrobelli, da congregação de São José – Josefinos de Murialdo, faleceu em Caxias do Sul, vítima de enfarto cardiorrespiratório, dois dias depois de completar 79 anos de idade. Filho de Virgilio e Adelina Pietrobelli, nasceu aos 8 de julho de 1927 em Conceição da Linha Feijó, interior de Caxias do Sul.
Ingressou no seminário dos josefinos de Ana Rech aos 8 anos. Ordenado sacerdote em 1953, trabalhou especialmente como educador e diretor nas casas de formação da congregação. Atuou no internato de Ana Rech, no antigo Abrigo de Menores São José, hoje Centro Técnico Social, em Araranguá (SC) e no seminário de Fazenda Souza. Também foi pároco de Ana Rech de 1980 a 1983.
Além das suas virtudes como padre, religioso e educador, destacou-se como exímio professor de português, como declamador de poesias e por sua paixão ao tradicionalismo gaúcho, sendo comum vê-lo com o lenço vermelho no pescoço sobre a batina preta. Desenvolveu seus dons em múltiplas direções. "Foi um bom padre, organizado, trabalhador, sempre que a saúde o permitiu", salienta o provincial dos josefinos, padre Geraldo Boniatti.
Homem de vasta cultura, humilde, bondoso, defensor da família e capaz de orientar as pessoas com carinho e segurança, foi por diversos anos capelão da comunidade das irmãs murialdinas de Fazenda Souza, "deixando um testemunho de coerência, fé, amor ao sacerdócio e à vida religiosa", revela irmã Enedina Smiderle. Faleceu repentinamente na tarde do dia 10 de julho em Fazenda Souza.
Wilson João
É preciso sacudir a indolência e inventar a vacina do inconformismo e da reação
Toda palavra traz dentro de si um significado. São muito mais que uma palavra. Muito mais que soma de letras. Veio-me a curiosidade diante da palavra "indolência". Escuto uma palestra, leio uma revista, e meus olhos e ouvidos batem diversas vezes com essa palavra. Pesquiso e percebo o que significa: apatia, insensibilidade, desleixo, ociosidade, inércia, preguiça. Desperta-me fazer uma análise. Percebo que nós, povo brasileiro, estamos nesta situação social, política e econômica por causa da indolência da maioria da população. De fato, somos marcados pela indolência. E não podemos aceitá-la. Há uma necessidade de sacudir as mentes e os corações. Há necessidade de mais indignação e inconformismo.
SOMOS MARCADOS PELA INDOLÊNCIA POLÍTICA. Também da política partidária e do voto. Porém, o problema é mais amplo. Entra na questão a política da participação e da transformação. A política do engajamento em causas sociais. Vota-se e não se cobra nada do eleito. Esquece-se em quem se votou. Vota-se como obrigação e não como participação num processo de escolha e decisão. Acontecem as corrupções, mentiras e injustiças e nos contentamos em ser simples espectadores sentados num sofá. Poucas organizações se mexem, e quando se mexem, e chegam nas portas dos palácios, nossa indolência põe a salvo os políticos e condena os atos de "suposta violência", que nada mais são do que defesa de violências bem maiores que vieram da parte de cima. A indolência política ou o analfabetismo político é a fonte do atraso de um povo.
SOMOS MARCADOS PELA INDOLÊNCIA RELIGIOSA. É o conformismo. A indiferença perante Deus. Se Ele existe ou não, não faz parte de minha preocupação. Ou ainda, Deus deve resolver as questões em nosso lugar. É a resignação. É o "Deus quis assim". Busca-se um Deus para si. Um Deus tapa-buracos, médico, solução de nossas misérias. E ficamos no suposto conformismo de "fazer a vontade de Deus". Isso não é religião. É cachaça, droga, calmante. Religião é fator de transformação. É ser companheiro e sócio de Deus para tornar essa Terra sempre mais habitável e um lugar onde todos possam viver dignamente. Ser religioso e, muito mais, ser cristão, é ser um transformador, um revolucionário do jeito de Jesus. É promover justiça e paz, fraternidade e vida.
SOMOS MARCADOS PELA INDOLÊNCIA ESCOLAR. Estuda-se o necessário e por obrigação. Passou o tempo do estudo por paixão. Do aprender como realização da sabedoria. Estuda-se para cumprir um currículo e porque a sociedade e o governo, ou o conselho tutelar, exigem. A indolência escolar e intelectual produz uma sociedade da facilidade, da imagem pronta, da resposta dada e da vida sem empenho.
SOMOS MARCADOS PELA INDOLÊNCIA SOCIAL, que deixa as coisas correrem para ver no que vai dar. Pela indolência pessoal, que faz das pessoas máquinas de consumo, sentadas no sofá da vida, vendo as novelas dos outros, sem produzir a própria novela, a própria história e a invenção de si mesmo, como protagonista do próprio destino. É preciso sacudir a indolência e inventar a vacina do inconformismo e da reação.
DOMINÓ diverte e estimula o cérebro
Que tal exercitar a mente brincando, ou melhor, jogando? Astolfo Corrêa, especialista e estudioso em jogos de raciocínio lógico, garante que dominó, dama, xadrez, gamão etc são excelentes porque mantêm o cérebro ativo e provocam o pensamento. Segundo ele, esses jogos servem de exercício para que as crianças aprendam a tomar decisões.
Xadrez e gamão têm regras mais complicadas, mas o dominó é simples e pode fazer parte das brincadeiras da infância. Mas qual a origem desse jogo?
O termo dominó vem da expressão em latim "domino gratias", que significa graças à Deus. Isso porque as peças tradicionais, pretas com pontos brancos, fazem lembrar as vestes dos sacerdotes católicos, geralmente túnicas pretas com golas brancas. Muitas versões tentam decifrar de onde veio o jogo. A maioria dos pesquisadores acredita que ele surgiu na China, inventado por um soldado chamado Hung Ming, que teria vivido de 243 a 181 a.C.
A chegada do dominó ao Ocidente coincide com as viagens de exploradores como Marco Pólo para o outro lado do mundo. Os primeiros indícios da presença do dominó na Europa são de meados do século XVIII, quando era jogado nas cortes de Veneza e Nápoles. As peças eram feitas de ébano, com pontos de marfim representando os números. No Brasil, o jogo foi introduzido pelos colonizadores portugueses, também no século XVIII, e se tornou uma forma de entretenimento tanto nos lares quanto nos espaços públicos.
O antigo dominó chinês traz todas as 21 combinações que podem ser obtidas ao lançar dois dados, sugerindo que um jogo possa ter se originado de outro. Na Europa, há sete peças a mais, combinando esses números também com o zero. Alguns estudiosos sustentam que, por ser extremamente simples, o dominó pode ter aparecido simultaneamente em várias partes do mundo, assim como o jogo da velha (matéria abaixo).
Atualmente, o dominó é jogado em quase todos os países do mundo, mas é mais popular na América Latina. Também existem competições artísticas, em que milhares de dominós posicionados em seqüência são derrubados com um toque. Essas competições são registradas pelo livro dos recordes (Guinness) e justificam a expressão "efeito dominó".
Qual a origem do jogo da velha?
A referência mais antiga que se tem desse passatempo surgiu em escavações no templo de Kurna, do século XIV antes de Cristo, no Egito. Achados arqueológicos, porém, mostram que ele foi desenvolvido independentemente em diferentes regiões do planeta, como a China antiga e a América pré-colombiana. Sabe-se também que faz parte dos jogos conhecidos como "família do moinho" ou "trilha", nos quais o objetivo é posicionar as peças de modo que formem uma linha reta. Há também versões em que variam os números de linhas e colunas, geralmente três. Conhecido praticamente em todo o mundo, o jogo muda de nome conforme a região do planeta. Nos países de língua inglesa, por exemplo, chama-se tic-tac-toe.
Curiosidades do dominó
1872 – É publicado o "Tratado do Jogo de Dominó", contendo regras, combinações e preceitos para ser um bom jogador.
1908 – Nasce Alf Hill, que viria a ser o mais velho jogador de dominó que integra equipes inscritas em competições oficiais.
1925 – Juana Martins, uma senhora cubana aficionada por dominó, morre durante uma partida. No momento em que ela iria vencer a disputa, o adversário atrapalhou sua estratégia e a levou a uma parada cardíaca.
1989 – As peças de dominó deixam de ser confeccionadas com marfim por causa das pressões da comunidade internacional na briga contra o extermínio de elefantes.
O italiano que está em mim
Paulo Possamai
Professor, Natal – RN
Paulo Possamai é autor de "Dall’Italia siamo partiti: questão da identidade entre os imigrantes italianos e seus descendentes no Rio Grande do Sul: 1875-1945" – pesquisa desenvolvida dentro do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, sob a orientação do Prof. Martin Norberto Dreher, e de "O quotidiano da guerra: a vida na Colônia do Sacramento, 1715-1735" – tese de doutoramento, sob a orientação da Profa. Laura de Mello e Souza, da Universidade de São Paulo, obra que será lançada em Portugal pela Editora Livros do Brasil.
Em Dall’Italia siamo partiti... analisa, em profundidade, a identidade italiana a partir da Unificação Italiana e da reação da Igreja; da emigração em massa; da construção da identidade italiana no Brasil e no Rio Grande do Sul, analisando o processo de romanização da Igreja que atinge o apogeu com Dom João Becker (1912-1945). No capítulo – Integração versus italianidade – aborda: a) as guerras na África e a I Guerra Mundial; b) Nanetto Pipetta e a criação da identidade do colono; c) o fascismo e o apogeu da italianidade; d) o Estado Novo e a Campanha de Nacionalização.
Ao se referir à identidade pessoal, Paulo arremata:
"Para responder à pergunta sobre O italiano que há em mim, tenho que recorrer às mais antigas lembranças.
A identidade se faz pela diferença. E as diferenças, eu as sentia como criança que cresceu em Esteio-RS, uma cidade da grande Porto Alegre, filho de pais que migraram da região serrana, região da então divisa entre os municípios de Estrela e Garibaldi. As diferenças se achavam no sotaque, na culinária, no apego ao catolicismo e à valorização do trabalho. Era estranho ouvir, todo dia, que éramos italianos e que os outros eram brasileiros, alemães ou polacos, e na Copa do Mundo ter que torcer pelo Brasil!
Levei tempo para entender como funcionam as identidades sobrepostas. Mais do que a afirmação, havia a negação: a troça de que era alvo, por parte dos amigos, cada vez que voltava das férias, da casa da nona, falando com sotaque de gringo ou, então, o contrário, quando lá chegava falando com sotaque de brasileiro. Era, e ainda é, duro escapar da identidade inventada que busca homogeneizar as pessoas.
Quantas repreensões ouvi por me comportar como brasileiro, por ter pouca vontade de trabalhar, e menos ainda de ir à missa aos domingos... Com o passar dos anos, novas identidades foram se justapondo. Morando em São Paulo, já não era mais gringo, mas somente gaúcho, com toda a carga de estereótipos que os gaúchos carregam. Agora, morando em Natal-RN, não sou somente gaúcho, mas um sulista que convive em meio à outra forte identidade regional.
Quando fui à Europa, saí do Brasil com passaporte brasileiro, e desembarquei com o passaporte italiano, mas freqüentemente não era identificado nem como italiano nem como brasileiro. Estranho, mas todo mundo pensava que eu fosse espanhol. Até mesmo em Portugal!
Brasileiro, italiano, gaúcho, sulista? Muitas outras identidades se justapõem: colorado, historiador, para citar algumas.
O resultado sou eu: Paulo César Possamai, um estranho estrangeiro, como diria Caio Fernando Abreu" e-mail: paulopossamai@oi.com.br
A experiência de Paulo é, hoje, a experiência de numerosos descendentes que buscam Fazer a América de seus sonhos. Sem apegos, os descendentes perseguem o lugar ideal para trabalhar e viver, intercambiando sua história e cultura. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (371)
Nanetto conta stòrie! Lu no'l ga pape in tea léngoa
EDUARDO GRIGOLO
Professor, Jundiaí – SP
(Retomada do texto de Eduardo Grigolo, interrompido na edição de 1º de fevereiro de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).
De di o de note, la piassa la se impienia de gente de tute l’età e de tuti i colori, gente infatiotada e anca coi pié in tera, sensa scarpe, par scoltar Nanetto. E lu, brao come un omo versà, el ghe dea atension a tuti, dai pi cei ai dotori e anca le done. Lu no’l vea pape in tea léngoa, se bisognea, el disea poche e bone, sensa inportarse con chi zera drio parlar. Na note el vea finio de contar na storieta, de tante che’l vea in suca, e tuti che gera là, i ghe ga dato na salva de batiman, manco uno, che’l gera postà ben darente la porta. Alora, Nanetto el ghe domanda:
– Signore, la me stòria no la ve ga piasesto?
– Nò!
– Parché nò?
– Parché nò, e pronto!
– Va bene! Come i dise i romani: "De gustibus et coloribus non est disputandum", vero?
– Se magno grùstoli coloridi?
– Me par che te sì medo sordo!
– Come? Se magno sordo? Nò! Quei li asso ai can e ai gati!
– Va ben! Alora parlen de altra roba. Cossa feo in questa vita?
– Incasso morti! Fao cassoni par butar rento quei che i ga imbotonà la giacheta!
– Fa tempo?
– 48 ani. Go redità de me pare, che’l vea redità de me nono, che’l vea redità de me bisnono, che vea ...
– Fermeve, fermeve! Da qua on poco rivaré a Adon e Eva.
– Come savé! I me tatatataranoni i se ciamava Adon e Eva!
– Porca mastela! "Son drio parlar con on soniator!" Ga dito soto voce Nanetto.
– Che veo dita?
– Gnente, gnente! Stè calmo!
– Se sò dir un Salmo?
– Scominsiar nantra volta! Nò!
– Ledo la Bìbia tuti i giorni. De matina quando me levo su e vanti ndar in leto!
– Bona maniera de vìvere!
– Setu, Nanetto, no son mai ndà a scola, ma i me genitori i me ga insegnà leder e a far conte, par no esser imbroià per i tananai. I me ga insegnà rispetar i più veci, le done e no bestemar. I me ga insegnà pregar el Pater Noster, la Ave Maria e el Glòria Patri, dir su la corona e a leder la Bìbia sempre. Anca i me ga insegnà, tute le volte che finisso un casson, a pregar per l’ànima de chi lo va doperar. Te me capissi?
– Brao! Te sì un omo brao! Come i dise i me amici i frati Rovìlio e Battistel, te sì un de quei che te fa par meritar el celo, dopo che, anca ti, te imbotonarà la to giacheta.
– Sò anca mi che Dio el ga fato tante casete in Paradiso, par ospitar le bone ànime de questo mondo. Sò, ancora, che i tananai e tuti quanti i fa mal ai altri, i va scaldar el dadrio in te un fogo che no’l se smorsa maipì. Tuto questo ze scrito in tea Bìbia, setu, Nanetto?
– Si! Si! Me mama, in Itàlia e la nona Giùlia, la Maria e la Nega, le me ga insegnà a pregar e a creder in tuto, lo stesso che te me dise. Ancora no sò el vostro nome.
– Tuti quati me ciama e i me cognosse per Becamorte.
– Bacamarte?
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Ciòche e poiati
Luiz Agostinho Radaelli
Radialista, Lajeado – RS
Ciòche se le trovea in tuti i canton: rento cestoni e cestele de strope, belche rote e trate via; tei gnari de paie soto el punaro o in stala dove se metea el magnar dele bèstie; rente el forno dove la mama cosinea el pan; in meso le scapoere, e se lo savea solo quando le tornea casa coi poiati atorno. Che bel veder na ciòca con dódese, quatòrdose, sedese poiati atorno, par ver la protession contra i can, i lagarti, i sorzi, le poiane che le vegnea par ària, atente par veder se qualche poiatin stea distante de so mama, e ciaparlo con le sate o col beco e portàrselo via. Tante olte le poiane le ga bio sucesso, ma altre la s-ciopa del paron le ga trate per tera, par contentessa dei can!
No zera bon capir parché le ciòche le diventea rabiose quando se rivea darente, soratuto quando el cagneto Baìto ndea insieme. Le rognea, le alsea le piùme par becar chi rivesse darente, e a noantri picoleti le ne fea paura che mai! Se stea distante, perché le corea drio, le bechea o le saltea dòs!
Co zera ceo no capia come la mama e la nona le savea quele galine che le zera bone par diventar ciòche, in meso a tante che se le tegnea par far ovi, e altre galine e gai le finia in pignata, dopo raquanti di de caponera par curarse e farse pi gorde! No capia perché la mama la doperea sempre i ovi pi bèi, o la li scambiea co le so comare, vanti méterli soto na ciòca, o manco oncora quando la disea che dopo 21 giorni i poiati i spachea la scorsa par vegner fora.
Ciòche e poiati se li gavea tanti. Par darghe da magnar, se spachea el mìlio te na machineta, fin diventar scoasi farina, e se lo trea in tera, parché col beco i lo binessa su e i lo magnesse. Altre olte, dopo passar el formento tel crivel, se spartia do tre quarte de quel dei grani pìcoli e se lo tegnea par dàrghelo ai poiati. Ghenera sempre un sécio con acqua, perchè, disea la mama, che i poiati i dovea ver el magnar e el bever sempre insieme. Dopo magnar, le ciòche le se incuciea, e i poiati i ndea scónderse soto le ale par scaldarse e protègerse.
Par via dele ciòche e poiati, vegnea fora tante barufe, quando le ndea sfrassar le vanese dei fiori, o dela salata e radici tel orto. Su le vanese dei fiori se metea rami de spinari o rissi de pin, e l’orto se lo serea con steche de tacoare spartie in meso, ma le cioche e i poiati i catea sempre un buseto par ndar rento e far dispeti. Parché no le fesse dispeti, dele volte la mama la lighea le ciòche par na sata con un toco de spago, ligà nte un cavìcio o na piantela.
No son bon de smentegarme dei schiti de ciòche! Pi de na olta, parché no se gavea sinele ne scarpe, se ndea pié per tera, go pestà su sti afari e son restà co na spussa de spaventar fin i pedòci. Tochea spegassar i pié tea tera o tel erba, e dopo ciapar el saon e ndar lavarse tel rioto, con paura de sbrissiar.
Che rimpianto del tempo dea colònia, pien de belessa, fratelansa e originalità. Ncoi tuto ga cambià! Se parlo ai fioi de ste cose, no i crede, perché le galine se le compra tel mercà, sensa le piume e infagotade te na borsa plàstica. La modernità la ze piena de comodità, ma la fa smentegar tante cose del passà, che par noantri le zera piene de segreti.
Pronaf prorroga os empréstimos
Decisão atinge produtorde grãos e de leite
Os agricultores que contraíram empréstimos de investimento para o cultivo de arroz, milho, feijão, soja, trigo e mandioca ou criação de gado leiteiro pelo Pronaf, e estão com as prestações do financiamento vencidas (até 31 de julho) têm o prazo prorrogado automaticamente para o final do contrato. Isso vale também para os assentados da reforma agrária. As culturas beneficiadas apresentaram problemas, como a queda de preço.
"O governo decidiu que é automático. O agricultor nem precisa se apresentar ao banco. As prestações dos financiamentos têm suas prestações alongadas para o fim do contrato", anunciou o gerente-geral de financiamento à produção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João Luiz Guadagnin.
Para essas culturas o bônus de adimplência para empréstimos de custeio, como a compra de insumos e sementes, varia de acordo com o produto. Para o arroz, o bônus é de 30%. Já para o leite, que tem o menor desconto, o bônus é de 12%. Isso só vale para quem pagar no prazo.
Doutor Ricardo dá exemplo
Apenas um estudante fuma no município
Existem no mundo em torno de 1,2 bilhão de fumantes, cerca de um terço da população mundial com mais de 15 anos de idade. Apenas no Brasil existem 2,8 milhões de fumantes com idade de 5 a 19 anos. Em Doutor Ricardo, no Vale do Taquari (RS), a realidade é bem diferente.
Conforme pesquisa, realizada com os alunos e coordenada pelo vereador Renato Pedro Tremea, apenas um dos 500 estudantes, de até 19 anos de idade, fuma. "Esse resultado deve ser conseqüência da conscientização e do trabalho de lideranças, familiares e professores", explica Tremea ao CR.
A iniciativa do vereador virou lei, informando a população sobre os malefícios do tabaco, álcool e outras drogas ilícitas.