DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 5.000 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 09 de agosto de 2006.
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Cinco mil semanas de um jornal diferente e credível
Os princípios de seu primeiro editorial, em fevereiro de 1909, continuam em vigor, quase cem anos depois
Em sua primeira edição, numa manhã de sábado, 13 de fevereiro de 1909, o jornal, "em poucas palavras" traçava seu programa. Nascia católico, apostólico e romano, "no estrito sentido da palavra". Dom Cármine Fasulo, seu fundador, não tinha grandes ilusões e até admitia a possibilidade de desaparecer. Ele poderia fechar, mas não faria concessões. "Se tiver de morrer, morrerá católico, apostólico e romano", uma alfinetada contra as fortes correntes de anticlericalismo.
O tempo foi passando, o jornal foi transferido para Garibaldi e, depois, retornou a Caxias do Sul. Mudou de nome, mas nunca mudou sua filosofia. Os mais antigos lembram do Staffetta Riograndense e os atuais assinantes sabem que se trata do mesmo Correio Riograndense, robusto, saudável, cheio de planos, aos 97 anos.
Naquele fevereiro de 1909, a Igreja era governada pelo Papa Pio X em sua santa obstinação de "restaurar todas as coisas em Cristo". Depois dele, a Igreja foi governada por mais oito Papas. O Brasil era governado por Afonso Pena e, na terminologia da época, Carlos Barbosa era o Presidente da Província do Rio Grande do Sul. Caxias do Sul, com uma centena de casas, dormitava à sombra de pinheiros seculares.
Muitas coisas – algumas surpreendentes – aconteceram no mundo depois disto: duas guerras mundiais, a bomba atômica, o desembarque na Lua, o Vaticano II, a ascensão e queda do comunismo... E o Correio Riograndense acompanhou essas tormentas da história, iluminando-as com a luz do Evangelho. Porque situado na história, algumas vezes, teve dificuldades de ler a realidade, mas sempre soube retificar-se diante dos equívocos. Reside aí seu maior título, a credibilidade.
Desde o começo o jornal quis ser diferente. Hoje se diria alternativo. Não aceitou as tentações da moda. Preferiu manter sua identidade. Sempre foi o jornal do Povo de Deus e da cidadania. Foi cartilha e bíblia para muitas gerações. Ajudou sempre ler os sinais dos tempos e a distinguir o joio do trigo, anunciou o Evangelho e denunciou os sinais de morte. Foi porta-voz e consciência da comunidade.
Hoje, na edição 5.000, não considera sua missão cumprida. Com tranqüilidade de quem tem o passado como prova, com a ousadia de sua centenária juventude, encaminha-se para outras cinco mil – ou mais – edições.
Iniciam obras na Perimetral Norte
Duplicação de trecho no bairro São José é reivindicação antiga
Já estão em andamento as obras de duplicação da Avenida Rubem Bento Alves, a Perimetral Norte, no trecho compreendido entre as ruas Moreira César e Roque Callege, no bairro São José. A obra é uma antiga reivindicação da comunidade, que enfrenta constantes problemas por causa do tráfego intenso registrado no local. Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana (SMTMU), passam pelo trecho, em média, 1,1 mil veículos por hora.
O projeto prevê a implantação de 630 metros de pista dupla na Perimetral e execução de 554 metros de rede de drenagem, com 11,3 mil metros quadrados de pavimentação. A obra também é considerada fundamental para a instalação do sistema troncalizado de transporte coletivo urbano, projetado pelo município desde 2002 (ao lado). O secretário da SMTMU Jorge Dutra disse, em entrevista coletiva à imprensa, que a obra, além de agilizar o trânsito, cria estrutura para que a malha viária receba o sistema de transporte coletivo que deve ser instalado até 2013.
O arroio Dal Bó, localizado à margem do trecho que será reformado, ficará entre as duas faixas. Uma ponte será construída sobre o arroio, ligando as ruas Idaly Schio e Alfredo Peteffi. Os trabalhos serão executados pela Codeca num prazo de seis meses. O trânsito não será interrompido durante os trabalhos. Enquanto a via já existente for reformada, o tráfego de veículos fluirá pela nova pista.
O valor investido na obra é de cerca de R$ 3,2 milhões. Desse total, R$ 2 milhões são referentes às indenizações pagas aos proprietários dos terrenos e construções ao longo da perimetral. Os trabalhos custarão cerca de R$ 1,2 milhão, sendo aproximadamente R$ 920 mil provenientes de um financiamento da CaixaRS e o restante são recursos do município. Para a duplicação total da Perimetral Norte, faltará apenas o trecho entre a rua Atílio Andreazza e a BR-116, que depende de desapropriações.
Transporte coletivo terá novo modelo
O sistema troncalizado de transporte coletivo urbano, que deve ser instalado em Caxias do Sul até 2013, utilizará o anel viário formado pelas perimetrais sul, leste e oeste; a BR 116 e dois eixos (norte-sul, leste-oeste) formados por ruas centrais da cidade. O objetivo é que os ônibus que vêm dos bairros não ultrapassem o anel viário formado pelas perimetrais.
Neste novo anel viário, serão instaladas estações de transbordo, onde os usuários, com a mesma passagem, deverão tomar outros ônibus, chamados de coletores, para seguir até a região central da cidade. A medida visa desafogar o trânsito, aumentar o número de ônibus nos bairros e a freqüên-cia dos coletores. Conforme o projeto, os passageiros não devem esperar mais que quatro minutos para tomar outro ônibus em direção ao centro ou às perimetrais.
Programa combate desperdício de água
Um programa permanente de combate ao desperdício de água está sendo elaborado pela equipe técnica do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae). O objetivo é evitar que a cidade passe novamente por dificuldades de abastecimento. O documento deve ser concluído em 15 dias. Depois, será entregue ao executivo, que se encarrega de encaminhar o projeto à Câmara de Vereadores, para ser aprovado.
Segundo o Samae, o programa deve incluir incentivos e apoio técnico aos moradores que desejarem adotar medidas de economia em suas residências, como o reaproveitamento da água da chuva. Também terá normas técnicas que deverão ser observadas na construção de edificações novas.
Decreto – Depois de 75 dias, o decreto que racionalizava a água em Caxias do Sul foi revogado. Neste período, a população economizou o equivalente ao que 1,6 milhão de pessoas consomem. Isso representa redução de 3,5% no consumo total do município, o equivalente a 4 milhões de litros diários. Devido à economia e as últimas chuvas que atingiram a região, os níveis das represas voltaram ao normal. A única que ainda não está cheia é a Maestra (3 metros abaixo do nível normal, na segunda 7).
Com o fim da racionalização, atividades como lavar carros, calçadas e regar jardins não estão mais proibidas. Porém, a divulgação da campanha para evitar o desperdício continua até o final do mês. Marcus Vinicius Caberlon, diretor geral do Samae, afirma que o objetivo é conscientizar as pessoas da necessidade de economizar água, mesmo que ela não esteja em falta. De 22 de maio a 4 de agosto, o Samae recebeu 1.739 denúncias de uso inadequado da água, a maioria acusando lavagem de carros e calçadas. Dezoito pessoas flagradas desperdiçando foram multadas em R$ 95,00 cada.
Calor fora de época e geada causam quebra nas frutas
Geadas atingiram as variedades precoces, especialmente as frutíferas de caroço
Cerca de 15 dias de calor, em julho, foram suficientes para despertar as plantas. O verão fora de época provocou a floração das frutíferas, especialmente as de caroço, e até a formação de frutos nas variedades do cedo. A virada repentina do tempo, com a formação de geadas, espalhou perdas, na região Sul do país, ainda não contabilizadas pelo setor.
Agostinho Demori, 52 anos, de São Luiz da 6ª Légua, interior de Caxias do Sul, é um dos produtores de pêssegos da região. No pomar de um hectare, cultiva quatro variedades da fruta. No ano passado, colheu mais de 12 mil quilos de pêssegos. Neste, a geada atingiu a chimarrita (variedade precoce). "Hoje, não saberia calcular as perdas. Daqui a uns 15 dias, será possível avaliar melhor os estragos", destaca ao CR.
O assistente técnico em fruticultura e engenheiro agrônomo da Emater Regional da Serra, Enio Ângelo Todeschini, garante que é muito cedo para contabilizar prejuízos por causa do clima nas frutíferas. "As mais afetadas sãos as variedades precoces de pêssego, nectarina e ameixa", diz Todeschini em entrevista ao CR.
Segundo o especialista da Emater, as maçãs do cedo, como eva e condessa, também foram atingidas pelo gelo. Já as variedades fuji e gala, as mais cultivadas nas serras gaúcha e catarinense, por serem tardias, passam longe do problema. Aliás, a colheita poderá até atrasar, caso o frio se prolongue durante a primavera, retardando o florescimento.
Videiras – As videiras não sofreram tanto com as geadas fortes dos dias 30 e 31 de julho e 1º de agosto. Pois são poucas as comunidades em que os parreirais exibem frondosa brotação. Essa realidade pode ser constatada em áreas mais baixas, onde tradicionalmente a geada forte não chega. É o caso dos vales dos rios das Antas, Taquari e Caí.
O presidente da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha e Nova Pádua, Olir Schiavenin, garante que o frio recente foi benéfico às videiras. "O ideal é que o frio se prolongue até setembro, mas com dias de temperaturas com índices médios, sem oscilações, variando de um extremo a outro", afirma.
Norte – Para a região Norte do Estado, os produtores estimam perdas elevadas na cultura do pêssego. "De 30% a 50% dos pomares com variedades precoces e até semi-precoces da região foram atingidos pelas geadas", conta o técnico da Emater de Erechim, Paulo Afonso Tessaro. Perdas também foram registradas nos hortis.
A produção de frutas tem um crescimento significativo na região. E por ser um local mais ameno, as frutíferas brotam antes, este ano antecipadas por causa do verão fora de época. "Estamos reduzindo a área com frutas precoces para evitar esse tipo de problema", revela Tessaro ao CR.
Especialistas recomendam retardar a poda de frutíferas
"Quem tem possibilidade deve retardar a poda nas frutíferas ao máximo." A orientação é do engenheiro agrônomo Enio Todeschini, da Emater. O conselho do técnico é endossado pelo pesquisador da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária, Paulo Simonetto, e pelo presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, também produtor de uvas em Flores da Cunha.
Essa parece ser a saída para a fruticultura, diante de um comportamento climático instável, intercalado por temperaturas elevadas e frios intensos em pleno inverno. O agricultor costuma dizer que "el temp le meso mat" (o clima está louco). E tem motivos de sobra para fazer essa afirmativa.
A região Sul do Brasil, salvo algumas microrregiões, está enfrentando duas estiagens consecutivas. As perdas na agropecuária são tão elevadas que o setor se perdeu nos números e até desistiu de fazer as contas. O governo, por sua vez, entre sobressaltos, faz e desfaz planos para atender as reivindicações que ecoam em Brasília. Enquanto isso, o interior vive mais olhando para o alto, de onde vem a chuva, do que para o chão, onde brota a semente.
Sul terá chuvas abaixo da média e temperaturas baixas no trimestre
Os próximos três meses serão com chuvas abaixo da média histórica ou variando para normal na região Sul. Para o restante do país, a tendência é de chuvas normais ou acima da média histórica. Já as temperaturas devem ser próximas às médias com grande variabilidade no Centro-Sul, isto é, períodos mais frios intercalados por períodos mais quentes. Nas demais regiões, a previsão é de temperaturas variando em torno das normais climatológicas.
Os prognósticos do Instituto Nacional de Meteorologia (8º Dismet/Inmet) são positivos para a agricultura sulina, depois das chuvas que caíram no Sul do país em julho. "No entanto, não são garantia de reservas de água para o verão, já que a região vem enfrentando carências hídricas há dois anos consecutivos", explica o meteorologista Gil Russo, do 8º Dismet/Inmet.
De acordo com as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia, na maior parte da região Sul, a média histórica de chuva para agosto, setembro e outubro varia entre 300 mm e 700 mm, associadas, principalmente, à passagem de frentes frias. "Neste trimestre, as temperaturas mínimas ainda permanecem baixas, com valores médios de 8ºC e 12ºC, principalmente nas regiões serranas", adianta Russo ao CR.
Os prognósticos do Dismet/Inmet para o final do inverno e início da primavera agradaram os fruticultores. "Para a videira, esse clima parece ser o ideal", diz o presidente do STR de Flores da Cunha, Olir Schiavenin.
Cadastro traça o mapa das sementes crioulas
Brasil vai descobrir o potencial genético que vem sendo preservado pelo produtor familiar
Pelo menos 1,4 bilhão de trabalhadores rurais em todo o mundo depende de suas próprias sementes. No Brasil, por exemplo, 87% do feijão produzido vem dos agricultores que reproduzem, conservam e guardam a semente para a próxima safra. Assim, e com as trocas entre vizinhos, inicia o processo de melhoramento genético. "As sementes crioulas são importantes para o agricultor familiar e até para o tradicional", diz o técnico agrícola do Centro Ecológico, em Ipê (RS), César Volpato.
O Brasil despertou para esse potencial e vai cadastrar as sementes crioulas ou nativas. As entidades que desenvolvem trabalho de resgate, manejo e/ou conservação de cultivares locais, tradicionais ou crioulas podem, até o dia 30 de agosto, enviar solicitação para o cadastramento nacional que começa a ser feito pela Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Esse cadastramento tem a finalidade de identificar os municípios e as culturas nos quais são utilizadas sementes crioulas. Servirá como um mapeamento da ocorrência dessas iniciativas. O credenciamento é resultado de um acordo do grupo de trabalho Biodiversidade da Articulação Nacional de Agroecologia, composto por entidades ligadas ao movimento agroecológico.
A entidade interessada deverá encaminhar a solicitação de cadastramento por meio de formulário próprio emitido pelo portal da SAF (http://seaf.mda.gov.br/SeafMon). Para ser cadastrada, a entidade deverá ter dois anos de existência legal e descrever no formulário pelo menos duas atividades de resgate, manejo e/ou conservação de cultivares locais, tradicionais e/ou crioulas.
Canguçu – Canguçu, no sul do RS, com 12.500 propriedades familiares, o que torna o município recordista brasileiro em termos de pequenos estabelecimentos rurais, recebeu 20 mil pessoas, de 4 a 6, na Feira Estadual de Sementes Crioulas e Tecnologias Populares.
Em diversas regiões do Sul do país ocorrem feiras e encontros para troca de experiência e de sementes nativas.
1º Encontro Estadual do Caqui incentiva pesquisa da fruta no RS
Com uma área em torno de 2.000 hectares, o Rio Grande do Sul se destaca na produção de caqui. A área plantada cresceu 132% nas últimas duas décadas. São mais de 22 mil toneladas da fruta por ano. A Serra, com 1.600 ha, é a maior produtora do Estado. Apesar do potencial, a fruta carece de pesquisas e de assistência técnica.
Para incentivar o produtor e difundir conhecimentos sobre a cultura, a Emater, Fepagro, o Profruta/RS, a Prefeitura de Bento Gonçalves, entre outros, realizam o 1º Encontro Estadual do Caqui, dia 10, no salão comunitário da Linha Quarenta, em Pinto Bandeira, distrito bento-gonçalvense.
O evento se destaca pelas palestras. "A situação da cultura do caqui no RS" será abordada pelo agrônomo Antonio Conte e pelo técnico Thompson Didonet, da Emater. Já o tema "Mercado, valorização, classificação e embalagem de caqui" será tratado pelo engenheiro agrônomo Gabriel Bitencourt, da Ceagesp.
O encontro vai tratar ainda de "Controle de pragas, doenças e distúrbios fisiológicos e adubação", com o agrônomo Renato Alves Pereira, do Cati. A doutora Eliane Benato, do Ital, irá falar a respeito das "Boas práticas na colheita e pós-colheita do caqui".
Tarde de campo – A tarde de campo será na propriedade de Roberto Rubbo. Na ocasião serão tratados assuntos como a poda (Renato Pereira); variedades de caqui (engº agrº Paulo Simonetto e engº agrº João Fioravanço) e pós-colheita (engenheira agrônoma Lucimara Antoniolli, da Embrapa).
Inspeção integrada entra em vigor
Regulamentação do Suasa beneficiará a agricultura familiar
Vigora no Brasil o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa). Criado no início do ano, o sistema foi regulamentado através de Instrução Normativa. A medida beneficia diretamente a agricultura e agroindústria familiar, já que a inspeção se torna integrada. Ao invés de cada serviço municipal, estadual e federal atuarem isoladamente, passam agora a fazer parte de um único sistema.
O Suasa racionaliza os critérios sanitários para os produtos agropecuários. "Além disso, abre o mercado interno para os alimentos provenientes da agricultura familiar, gerando mais emprego e renda no meio rural", avalia o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel. A criação do sistema possibilitará a harmonização e a padronização dos procedimentos de inspeção nas diferentes esferas governamentais.
Antes da implantação do Suasa, o produto inspecionado por um serviço municipal ou estadual só poderia ser comercializado ou consumido nestas instâncias. "Ao aderir ao Suasa, o mel produzido em Chapecó (SC), por exemplo, mesmo sendo fiscalizado por um órgão de inspeção municipal ou estadual, poderá ser comercializado e consumido em todo o Brasil", esclarece o consultor do Programa de Agroindústria do MDA, Leomar Luiz Prezotto.
Critérios – Os critérios para adesão ao Suasa foram estabelecidos pela Instrução Normativa (IN) nº 19 do Mapa. De acordo com a IN, para aderir aos sistemas brasileiros de inspeção, as unidades da federação deverão adequar seus procedimentos de inspeção e fiscalização, ficando obrigadas a seguir a legislação federal, ou dispor de regulamentos equivalentes, reconhecidos pelo Mapa.
Conforme a IN, para aderir aos sistemas brasileiros de inspeção, os Estados, o Distrito Federal e os municípios devem comprovar que possuem estrutura administrativa que permita executar as ações de acordo com a legislação.
Penasul investe R$ 8 milhões no RS
A Penasul Alimentos, presente em 19 municípios do Rio Grande do Sul e com sede em Garibaldi, vai investir R$ 8 milhões na ampliação das unidades de Caxias do Sul e de Roca Sales. Segundo o diretor-geral, Roberto Sary Moreira, serão investidos R$ 4 milhões em cada unidade, que devem ter suas melhorias inauguradas no mês de setembro.
A Penasul emprega diretamente 2.590 funcionários nas fábricas de Caxias do Sul, Roca Sales e Garibaldi. Integra 420 famílias de produtores. É a terceira maior empresa exportadora do Estado e a quarta maior em abate de aves no Rio Grande do Sul. "Ao longo dos últimos quatro anos, a Penasul Alimentos investiu mais de R$ 30 milhões nas suas unidades, e aumentamos a produção em, aproximadamente, 60%", destacou Roberto Moreira.
A Penasul Ltda comercializa produtos nas linhas de frango e industrializados no mercado interno com a marca Pena Branca (direito de uso exclusivo da marca nos Estados do RS, SC e PR) e marca Penasul nos outros Estados do país. Mantém centro de distribuição em Canoas, Caxias do Sul, Santa Maria, Pelotas e Roca Sales.
Santa Catarina cria o Conselho do Leite
O Conselho Paritário produtor/indústria de Santa Catarina (Conseleite) vai mudar a realidade do setor leiteiro do Estado. O colegiado está sendo constituído pela Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc) e pelo Sindicato das Indústrias de Laticínios (Sindileite).
Santa Catarina é o sexto produtor nacional de leite, com 1,2 bilhão de litros/ano. A produção está concentrada em 68% no oeste, onde cerca de 70 mil estabelecimentos rurais produzem mais de 790 milhões de litros de leite por ano.
Engº. Agrº. José Zugno
CR em festa: 5.000 edições
O Correio Riograndense festeja as 5.000 edições semanárias, ininterruptas, nos seus 97 anos de existência.
A coluna Vida Agrícola participa desse regozijo, pois como cachorrinho fiel a seu dono acompanha o Correio Riograndense desde 29 de abril de 1953 quando o jornal completava 43 anos de existência. Das 5.000 edições do CR, Vida Agrícola se encontra em pouco mais de 2.730, completando 53 anos dos 97 do jornal.
As obras humanas, destinadas a tornarem-se grandes nascem modestamente. O CR nasceu pequeno, cresceu e tornou-se um dos principais semanários da imprensa brasileira, mercê da atuação inteligente dos seus diretores, da eficiente dedicação dos redatores, colaboradores e dos numerosos agentes das comunidades, da fidelidade aos objetivos originais e do apoio e perseverança dos seus assinantes e leitores. O próspero e influente semanário de hoje nasceu modestamente, um pouco mais que um boletim paroquial, em fevereiro de 1909, com o nome de "La Libertá", em Caxias do Sul, destinado aos imigrantes italianos que vieram povoar esta região do Rio Grande do Sul. Estes imigrantes, na maioria, praticavam a tradicional fé católica, mas vieram também alguns com idéias revolucionárias, carbonárias, anticlericais. Figurando, com as sementes boas de trigo veio a semente ruim do joio.
Diante deste fato, padre Cármine Fasulo criou "La Libertá" para esclarecer os fiéis e confirmá-los na fé cristã com objetivos claros, bem definidos: "nosso jornal será semanário e de índole essencialmente católico, apostólico e romano", (...) "nasce católico e será sempre católico".
Os objetivos originais também diziam que o jornal não seria exclusivamente de assuntos religiosos, seria noticioso dos acontecimentos mundiais e regionais, veicularia assuntos e conhecimentos de interesse e valorização dos seres humanos especialmente dos imigrantes: noções de higiene, medicina natural, alimentação, práticas e defesa da agricultura, conservação do vinho etc.
Na história do jornal houve mudanças de local, de nomes, de roupagem, mas não de objetivos e do alvo preferencial: os colonos agricultores da pequena propriedade. Em 1910, foi levado para Garibaldi e mudou de nome para "Il Colono Italiano". Em 1917, foi assumido pelos capuchinhos, então sediados em Garibaldi, mudando o nome para "Staffetta Riograndense". Continuou a ser redigido em italiano vêneto até 1941 quando passou a ser editado em português e a chamar-se Correio Riograndense que persiste até hoje. Em 1952 retornou a Caxias do Sul.
O aspecto interessante da história do jornal foi o de acompanhar os movimentos migratórios. Inicialmente destinava-se aos imigrantes provenientes da Itália, depois passou a destinar-se aos filhos e descendentes que saíam da casa paterna para povoar o norte do Rio Grande do Sul (Erechim, Getúlio Vargas, Marcelino Ramos etc) e anos mais tarde ocupar terras da antiga zona missioneira: Ijuí, Santa Rosa, Santo Cristo etc. Mais tarde os descendentes passaram a colonizar o centro-oeste de Santa Catarina, começando pelo Vale do Rio de Peixe (Joaçaba, Luzerna, Videira, Caçador etc), depois seguiram para o oeste (Chapecó, Xanxerê, São Miguel do Oeste etc), em seguida para o sudoeste do Paraná (Pato Branco, Francisco Beltrão, Matelândia, Céu Azul, Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu e outros). Depois ainda Mato Grosso do Sul, Centro-Oeste do país e mais recentemente Rondônia.
Onde foram os gaúchos seguiu com eles o Correio Riograndense.
Vida Agrícola surgiu logo após o retorno do jornal a Caxias do Sul. O novo diretor, Frei Armindo, constatou que não era suficiente o apoio ao agricultor, a exaltação de seu trabalho abnegado, a defesa da sua produção agrícola, como o jornal vinha fazendo desde o início, mas que os colonos deviam adotar novas técnicas, novos métodos de trabalho para obterem resultados melhores. Fez uma apresentação generosa ao responsável pela redação de V.A., recomendando aos agricultores que aceitassem as orientações técnicas que não visavam outra coisa senão contribuir para o aprimoramento da agricultura e a valorização dos agricultores.
V.A. passou a atuar como professor que quer bem aos seus alunos, os agricultores, acredita no seu trabalho e capacidade. V.A. não resolve os problemas que lhe são apresentados, mas dá pistas para que o agricultor encontre a solução. Os resultados são positivos pelo depoimento dos próprios agricultores que tiraram proveito dos ensinamentos, obtendo boa renda.
V.A. deseja que os agricultores prosperem e obtenham boa remuneração dos seus produtos. Mas o que mais deseja é que sintam orgulho de seu trabalho de produzir alimentos para as populações urbanas, que não deixem a propriedade e continuem como produtores.
V.A. cumprimenta, nesta ocasião comemorativa das 5.000 mil edições, os diretores da gráfica e do jornal, a editoria, os redatores e todos os que constroem o Correio Riograndense, que marcha vigoroso rumo ao centenário de vida, em 2009.
O novo paradigma: a guerra infinita
Leonardo Boff
A violência é fruto de um mundo baseado na exploração da Terra, na produção e no consumo ilimitados, na falta de diálogo, tolerância e respeito pelas diferenças
O sociólogo francês Alain Tourraine que muito ama o Brasil e que adotou a América Latina como a pátria de seu coração sustenta em seu recente livro "Um novo paradigma: para entender o mundo de hoje" (Vozes 2006) uma tese intrigante que nos permite entender, de certa forma, a violência, na verdade, a guerra terrorista que está ocorrendo entre palestinos e israelenses no Líbano. A tese que propõe é que depois da queda do muro de Berlim e dos atentados de 11 de setembro de 2001 começou rapidamente uma desintegração das sociedades, dominadas pelo medo e impotentes diante do terrorismo. Estaríamos assistindo a passagem da lógica da sociedade para a lógica da guerra. A potência hegemônica, os EUA, decidiu resolver os problemas não mais por via diplomática e pelo diálogo, mas pela intervenção e pela guerra levada, se preciso for, a qualquer parte do mundo.
Essa estratégia possui sua lógica. Inscreve-se dentro da atual dinâmica da globalização econômico-financeira. Esta não quer saber de qualquer controle ou regulação social e política. Exige campo aberto para fazer a guerra dos mercados. Separou totalmente economia de sociedade, vê os estados-nações como entraves, procura reduzir o estado, difamar a classe política e passar por cima de organismos de representação mundial como a ONU. Esta dissolução das fronteiras acarretou a fragmentação daquilo que constitui a sociedade. Pior ainda, invalidou a base política e ética para o sonho de uma sociedade mundial, tão querida pelos altermundialistas, que cuidasse dos interesses coletivos da humanidade como um todo e que tivesse um mínimo de poder central para intervir nos conflitos e dinamizar os mecanismos da convivência, da paz e da preservação da vida.
Esta dessocialização é conseqüên-cia da globalização econômico-financeira que encarna o capitalismo mais extremado com a cultura que o acompanha. Esta implica a segmentação da realidade, com a perda da visão do todo, a exacerbação da competitividade em detrimento da cooperação necessária, o império das grandes corporações privadas com pouquíssimo senso de responsabilidade sócio-ambiental e a exaltação do indivíduo alheio ao bem comum.
O mundo está em franco retrocesso. A atual sociedade não se explica mais, como queria a sociologia clássica, por fatores sociais, mas por forças impessoais e não sociais como o medo coletivo, o fundamentalismo, o terrorismo, a balcanização de vastas regiões da Terra e as guerras cada vez mais terroristas por vitimarem populações civis.
Este cenário mundial dramático explica por que nenhuma instância política mundial tem capacidade reconhecida e força moral suficiente para pôr fim ao conflito palestino-israelense que está transformando o Líbano numa ruína. Assistimos impotentes a tribulação da desolação do sem-número de vítimas inocentes, de milhares de refugiados e da irracional destruição de toda a infra-estrutura de um país que acaba de se reconstruir da guerra anterior. Isso é terrorismo.
Se, impotentes, não sabemos o que fazer, procuremos pelo menos entender a lógica desta violência. Ela é fruto de um tipo de mundo que nas últimas décadas decidimos construir baseados na pura exploração dos recursos da Terra, na produção e no consumo ilimitados, na falta de diálogo, tolerância e respeito pelas diferenças. Um mundo assim só pode nos levar à dessocialização e à guerra sem fim.
Frei Betto
Cuba é o único país da América Latina que logrou universalizar a justiça social. Só suporta viver na Ilha quem tem consciência solidária
Houvesse uma fábrica de produtos lúdicos destinados ao mercado político, talvez "Onde está Wally?" ganhasse a versão "Onde está a esquerda?" Uma parcela da esquerda sente-se vexada porque não é tão ética quanto propala; outra, porque o socialismo faliu, exceto em Cuba. Na Coréia do Norte predomina um regime totalitário e, na China, o capitalismo de Estado.
As carpideiras da falência do socialismo não se perguntam por suas causas nem denunciam o fracasso do capitalismo para os 2/3 da humanidade que, segundo a ONU, vivem abaixo da linha da pobreza. Assim, abraçam o neoliberalismo sem culpa. E o adornam com o eufemismo de "democracia", embora ele acentue a desigualdade mundial e negue valores e direitos humanos cultuando a idolatria do dinheiro e das armas.
O que é ser de esquerda? Todos os conceitos acadêmicos – ideológicos, partidários e doutrinários – são palavras ocas frente à definição de que ser de esquerda é defender o direito dos pobres, ainda que aparentemente eles não tenham razão. Por isso causa arrepio ver quem se diz de esquerda aliar-se à direita.
Fidel é um homem de esquerda. Não fez, entre 1956 e 1959, uma revolução para implantar o socialismo. Motivou-o livrar Cuba da ditadura de Batista, resgatar a independência do país e libertar o povo da miséria. Em visita aos EUA logo após a tomada do poder, foi ovacionado nas avenidas de Nova York.
A elite cubana resistiu a ceder os anéis para que toda a população tivesse dedos. Apoiada pela Casa Branca, instaurou o terror, empenhada em deter as reformas agrária e urbana e a campanha nacional de alfabetização. Kennedy, festejado como baluarte da democracia, enviou 10 mil mercenários para invadir Cuba pela Baía dos Porcos, em 1961. Foram derrotados. E a Revolução, para se defender, não teve alternativa senão aliar-se à União Soviética.
Cuba é o único país da América Latina que logrou universalizar a justiça social. Toda a população de 11 milhões de habitantes goza dos direitos de acesso gratuito à saúde e à educação, o que mereceu elogios do papa João Paulo II em sua viagem à Ilha, em 1998.
Seria o paraíso? Para quem vive na miséria em nossos países – e são tantos – a cidadania dos cubanos é invejável. Para quem é classe média, Cuba é o purgatório; para quem é rico, o inferno. Só suporta viver na Ilha quem tem consciência solidária e sabe pensar em si pela ótica dos direitos coletivos. Ou alguém conhece um cubano que deu as costas à Revolução para, em outra parte do mundo, defender os pobres?
No trajeto do aeroporto de Havana ao centro da cidade há um outdoor com o retrato de uma criança sorrindo e a frase: "Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana." Algum outro país do Continente merece semelhante cartaz à porta de entrada?
A simples menção da palavra Cuba provoca arrepios nos espíritos reacionários. Cobram da Ilha democracia, como se isso que predomina em nossos países – corrupção, nepotismo, malversação – fosse modelo de alguma coisa. Ora, por que não exigem que, primeiro, o governo dos EUA deixe de profanar o Direito internacional e suspenda o bloqueio e feche seu campo de concentração em Guantánamo?
Protesta-se contra os fuzilamentos da Revolução, e faço coro, pois sou contrário à pena de morte. Mas cadê os protestos contra a pena de morte nos EUA e o fuzilamento sumário praticado no Brasil por policiais militares?
Cuba é, hoje, o país com maior número de médicos e bailarinos de balé clássico por habitante. E desenvolve um programa para atender, nos próximos 10 anos, 6 milhões de latino-americanos com deficiência visual – gratuitamente.
Fidel está recolhido ao hospital. O que acontecerá quando morrer, ele que sobrevive a uma dezena de presidentes dos EUA e a 47 anos de esforços terroristas da CIA para eliminá-lo? O bom humor dos cubanos tem a resposta na ponta da língua: "Como pessoas civilizadas, primeiro trataremos de enterrar o Comandante." Mas será que o socialismo descerá à tumba com o seu caixão?
Tudo indica que Cuba prepara-se para o período pós-Fidel. O que não significa que, como esperam os cubanos de Miami, isso ocorrerá em breve. Em novembro, na Universidade de Havana, o líder revolucionário advertiu que a Revolução pode ser vítima de seus próprios erros e deixou no ar uma indagação: "Quando os veteranos desaparecerem, o que fazer e como fazer?"
Às vésperas de seu aniversário, a 13 de agosto, Fidel já começa a expressar seu testamento político. A maioria dos membros do Birô Político do Partido Comunista tem de 40 a 50 anos, e cada vez mais jovens são chamados a ocupar funções estratégicas. Como 70% da população nasceu no período revolucionário, não há indícios de anseio popular pela volta ao capitalismo. Cuba não quer como futuro o presente de tantas nações latino-americanas, onde a opulência convive com o narcotráfico, a miséria, o desemprego e o sucateamento da saúde e da educação.
Feliz idade e pronta recuperação, Comandante.
CINCO MIL SEMANAS DE INFORMAÇÃO E FIDELIDADE
O Correio Riograndense chega à edição 5.000. No saudável confronto histórico entre números e fatos, mostra uma base sólida e plena disposição para enfrentar os desafios do futuro
Lembrar o caminho percorrido por um jornal semanário que chega à edição 5.000 conduz, inevitavelmente, a um sadio confronto entre números e fatos. De um lado, estão as cinco mil semanas, quase 100 anos; cerca de 100 mil páginas formato tablóide impressas; o envolvimento direto na elaboração de centenas de pessoas; o papel determinante de milhares de agentes para a circulação desse veículo em três Estados; as centenas de milhares de assinantes – e como o Correio Riograndense sempre foi lido em família, chegaremos facilmente a milhões de leitores.
A grandiosidade dos números, no entanto, se torna inexpressiva diante da importância dos fatos. A primeira edição, no longínquo 13 de fevereiro de 1909, e a deste 9 de agosto de 2006 são separadas por realidades bem distintas, perceptíveis tanto no crescimento demográfico quanto nos hábitos e costumes alterados e/ou adequados por seguidas gerações.
Há uma seqüência permanente de substituições – da mata pela lavoura, que sustentou o surgimento de vilas, embriões de grandes cidades que se consolidaram como pólos econômicos pelo dinamismo de novas atividades. No caso da Serra gaúcha, sede do Correio Riograndense, a história se repete com algumas nuanças: a terra inóspita que recebeu o trabalho braçal do imigrante italiano no final do século XIX, menos de cem anos depois dispunha de uma estrutura industrial e comercial que atraiu – porque dela dependia – mão-de-obra de quase todo o Estado e ainda de municípios catarinenses.
As cinco mil edições do Correio Riograndense revelam que em muitas outras áreas a história se repete: nos intermináveis conflitos raciais e religiosos; na inconseqüência do fanatismo; nas crises que sepultaram sonhos e vidas; nas tragédias provocadas por fenômenos naturais ou pela mão humana; na luta diária pela sobrevivência ou para alcançar a meta mais comum entre os homens: a felicidade.
Mas o rio do tempo, que caminha na direção do infinito, também carrega mudanças fantásticas que o CR acompanhou. Como a do produtor rural, que saltou da plantação de subsistência para a diversificação, e conseqüente comercialização, e se transformou em grande fornecedor do mercado mundial de grãos (ver artigo especial na página central). A evolução tecnológica está num outro barco, mais veloz, despejando novidades a cada porto. A velocidade é a mesma, infelizmente, com que corre o desrespeito ao meio ambiente, com que se avolumam as desigualdades sociais e com que o comportamento humano é influenciado pelo conceito da aparência, subvertendo valores e princípios.
Nesse mundo de transfigurações, o Correio Riograndense chega a 5.000 edições sempre permeável a inovações que contribuam para levar a seus leitores a informação com conteúdo, a mensagem cristã, a pluralidade de opiniões, a sinalização de caminhos. Isso inclui recursos técnicos, gráficos e editoriais. Mas sem jamais se afastar da filosofia do projeto de imprensa idealizado por frei Bruno de Gillonnay, pioneiro da missão capuchinha em solo gaúcho, e defendida pelo padre Cármine Fasulo, fundador deste jornal, que está alicerçada na "cultura como modo global de ser, viver, fazer e crer", como bem define frei Rovílio Costa em artigo na página 13.
Manter essa mesma fidelidade com o seu leitor tem sido uma preocupação constante do CR. Primeira leitura de milhares de pessoas, este jornal, a cada edição, levou informação, mas também ensinamento; promoveu e preservou a cultura, destinando espaço até hoje para o talian, meio de transmitir e conservar entre os descendentes a língua dos imigrantes; incentivou a diversificação agrícola, sem omitir os cuidados necessários para lidar, por exemplo, com os perigosos agrotóxicos; disseminou novas técnicas no manejo da terra e formas de organizar a propriedade rural; pregou o esforço individual, mas ao mesmo tempo estimulou, de forma pioneira e decisiva, o cooperativismo; contribuiu para a evangelização e formação de gerações; e cumpriu o compromisso de ser o elemento de ligação entre os que deixaram a região em busca de terras e de oportunidades e aqueles que permaneceram.
O Correio Riograndense interpretou e difundiu em cinco mil edições os fatos que mais marcaram quase um século de história. Foi mais do que testemunho coadjuvante; foi protagonista. Essa trajetória fornece base suficientemente sólida para enfrentar os desafios do futuro.
COMO ERA O MUNDO QUANDO SURGIU O CORREIO RIOGRANDENSE
Caxias do Sul tinha 32 mil habitantes, mais de 80% deles na zona rural. O Brasil tentava sanear as suas finanças e a humanidade aguardava com curiosidade e temor o Halley
O Correio Riograndense foi fundado em 13 de fevereiro de 1909, em Caxias do Sul, pelo padre Cármine Fasulo, vigário da paróquia, com o nome de La Libertá. Embora a cidade tivesse outros jornais – naquele ano surgiram mais dois, todos de vida curta -, a primeira edição foi a notícia mais comentada daquele sábado.
Caxias era ainda acanhada, com 32 mil habitantes, mais de 80% deles vivendo na zona rural. A atividade econômica destacada era a vitivinicultura, embora também fossem expressivas as colheitas de trigo (90 mil sacos em 1908), milho (180 mil sacos), feijão, alfafa, batata, cevada, linho e frutas. Apesar da predominância da atividade agrícola, o município tinha mais de 300 estabelecimentos comerciais (segundo o livro O Rio Grande do Sul, de Ernesto Lassance Cunha – Imprensa Nacional). Possuía ainda 71 moinhos, 38 serrarias, 150 alambiques, 173 oficinas e já dava passos importantes na metalurgia, setor que o distinguiria nacionalmente no futuro, com duas grandes empresas: Abramo Eberle, com 80 funcionários, e Amadeo Rossi, com 60.
Em 1908, Caxias vendera para fora, principalmente para Porto Alegre, o equivalente a 7.000:000$ e "importara" mercadorias no valor de 3.000:000$. Esse saldo favorável, em maior ou menor proporção, tem se repetido até hoje.
O transporte, ainda conforme a obra de Lassance Cunha, era feito por carroças puxadas por bois e por tropas de cargueiros. Caxias, no entanto, já vivia a expectativa da chegada do trem, o que ocorreria em 1910, data também em que passa a ser cidade. Os trilhos colocaram Caxias no rumo do crescimento e aceleraram a velocidade. O Correio Riograndense participou deste momento histórico.
Contexto – Enquanto os caxienses acolhiam o novo jornal, a humanidade vivia uma mescla de curiosidade e pânico. Do espaço, a 35.000 km/h, o cometa Halley dirigia-se para a Terra. Seria o fim do mundo? Ele se aproximou (em 1910) e partiu. Retornaria em 1985... Do céu vinha outra recente novidade: depois de 13 tentativas sem sucesso, o brasileiro Alberto Santos Dumont fazia, em 1906, com seu 14-Bis, o primeiro vôo mecânico. Em 1909, o Demoiselle atingia a impressionante velocidade de 96 km/h.
Em solo, outra barreira era superada naquele ano: o homem (o norte-americano Robert Peary) pisava pela primeira vez no Pólo Norte. A novidade doméstica era a torradeira elétrica apresentada pela GE e na área de cosméticos, a tintura para cabelos inofensiva, lançada pelos franceses.
Em 1909, a Igreja era comandada por Pio X, que passou para a história como "o papa santo", "o papa da Eucaristia", "o papa inimigo do modernismo" – leia mais na página 11. Famoso por condenar as teses exegéticas, por dar impulso ao Catecismo, pela reforma na cúria romana, pela atividade missionária e pela codificação do Direito Canônico, em seu pontificado (1903-1914) se consumou na França a separação entre Igreja e Estado.
O Brasil, que tinha pouco mais de 20 milhões de habitantes (seriam 23.151.669 em 1910), 67% deles vivendo no campo, era governado por Affonso Penna – faleceu em 14 de junho de 1909 e o cargo foi ocupado pelo seu vice, Nilo Peçanha, sucedido por Hermes da Fonseca (1910-1914). Carlos Barbosa Gonçalves era o governador gaúcho (1908-1913), sucessor de Antônio Augusto Borges de Medeiros, que o sucederia. O país ainda vivia os efeitos da proclamação da República, através de um golpe militar sem grande respaldo popular, e os primeiros presidentes usavam o poder de uma forma pessoal.
Além de um esforço de saneamento financeiro, liderado por Campos Salles, o período é marcado por um processo de modernização das cidades, pela ampliação da malha ferroviária e da oferta de energia elétrica. A imprensa começa a expandir seu poder e a difundir idéias liberais. O novo fenômeno social é a ascensão do operário, que conquista direitos – menor carga horária, melhor salário, direito de associação e de greve.
No campo da saúde, Oswaldo Cruz, apesar de resistências à vacina obrigatória, consegue erradicar a febre amarela; e o cientista Carlos Chagas identifica o tripanossoma cruzi. A cultura nacional recebia estímulo com a inauguração do luxuoso Teatro Municipal do Rio de Janeiro e o futebol ganhava dois novos clubes: Sporte Club Internacional, no RS, e Coritiba Foot Ball Club, no PR.
O Brasil lia Machado de Assis, Euclides da Cunha e Artur Azevedo, e ainda se orgulhava de ter o primeiro cardeal da América Latina, dom Joaquim Arcoverde (recebera o barrete cardinalício em 1905, de Pio X).
Foi nesse contexto que o Correio Riograndense surgiu. A partir da primeira edição, passou a acompanhar e a contribuir para promover o desenvolvimento do Sul do país.
UMA TRAJETÓRIA DE VÁRIOS TÍTULOS, MAS DE UM ÚNICO IDEAL
La Libertá, Il Colono Italiano e La Staffetta Riograndense antecederam o nome Correio Riograndense. Dos 97 anos de circulação do jornal, por 42 ele teve como sede Garibaldi
Um velho prédio da rua Visconde de Pelotas, no centro de Caxias do Sul. Este foi o primeiro endereço do Correio Riograndense, então com o nome La Libertá. A direção ficava em outro ponto, na Piazza Dante (atual praça Dante Alighieri), 28, então a única praça da vila. O jornal, fundado pelo padre italiano Cármine Fasulo (1865-1935), pároco da igreja Santa Teresa – fora o primeiro cura de Caravaggio e o primeiro pároco de Antônio Prado.
La Libertá, editado em italiano, circulou com este nome somente até 5 de março de 1910. Mas desde a edição de 15 de janeiro daquele ano tinha como sede Garibaldi e passou a ser dirigido pelo padre Giovanni Fronchetti, que adquirira o título e a tipografia. Em 12 de março de 1910, o jornal passa a chamar-se "Il Colono Italiano", uma forma de enquadrar a maioria da população da região.
A ida do jornal para Garibaldi aproxima-o dos capuchinhos. Liderados por frei Bruno de Gillonnay, os capuchinhos chegaram ao Rio Grande do Sul em 1896 e instalaram o primeiro convento em Garibaldi. Frei Bruno sempre incluiu a imprensa em seus projetos, porque entendia que era "necessária à evangelização eficaz".
Os capuchinhos começaram a participar, indiretamente, do jornal, substituindo padre Fronchetti em suas atividades pastorais. Passaram a colaborar com o semanário adquirindo cotas. Em 5 de julho de 1917, em meio a uma crise que ameaçou o seu fechamento, motivada por conflitos relacionados à primeira Guerra Mundial e suas conseqüências junto à colônia italiana, a solução sugerida por frei Caetano Angheben (1885-1967) foi trocar o nome e não citar no cabeçalho quem era o dono. Em 5 de julho de 1917 o jornal circulava com o nome "La Staffetta Riograndense" e sob a responsabilidade dos capuchinhos – que em 1921 concluíram a compra das cotas de outros sócios e, através da Sociedade Literária São Boaventura (hoje Associação Literária São Boaventura), passaram a ser os únicos proprietários.
Em 1927, os capuchinhos adquirem o "Corriere d’Italia", que circulava em Bento Gonçalves e pertencia à congregação carlista. Por nove edições (6 de julho a 31 de agosto) o jornal trazia impresso na capa os nomes "La Staffetta Riograndense" e "Corriere d’Italia".
Desde a primeira edição, o jornal sempre fora editado em italiano e em talian (então dialeto, hoje língua). Somente algumas seções eram em português. Nos anos 30, porém, o italiano foi perdendo espaço. Em 10 de setembro de 1941, atendendo despacho do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo Getúlio Vargas, que tornara "obrigatória a nacionalização da imprensa no país", o jornal muda pela última vez o nome e passa a circular como Correio Riograndense.
Por problemas de distribuição, que dependia apenas do trem, e de mercado, uma vez que o jornal adquirira linotipos e desenvolvera a tipografia como fonte de renda, em 1950, sob a administração de frei Silvio Armiliato, foi decidido mudar novamente a sede e o jornal retornou para Caxias do Sul. Em 4 de junho de 1952 foi impressa a primeira edição nas novas instalações, no bairro Rio Branco, onde permaneceu até 1998, quando passou a funcionar no atual prédio – Av. Alexandre Rizzo, 534, bairro Desvio Rizzo, Caxias do Sul-RS. Em 1952 ainda, para facilitar a importação de papel, a tipografia do Correio Riograndense foi registrada como Editora São Miguel.
Em 5.000 edições, este jornal teve vários nomes e endereços, mas nunca se afastou do desejo de seu fundador: ser um veículo essencialmente católico, mas não exclusivamente religioso, e de servir e fazer o bem.
HISTÓRIA DO CR INICIA COM PIO X E ACOMPANHA NOVE PAPAS
O jornal nasceu sob a resistência de Pio X ao Modernismo, passou por duas guerras mundiais e testemunhou a revolução na missão da Igreja que o Concílio Vaticano II provocou
Naquele sábado de 13 de fevereiro de 1909, quando circulou a primeira edição do Correio Riograndense, o Papa "gloriosamente reinante", na expressão da época, era Pio X. A inspiração tridentina, que já durava 400 anos na Igreja, mostrava sinais de esgotamento. Existiam coisas novas no ar. Era o fenômeno do Modernismo. Algumas de suas teses floresceriam, mais tarde, no Vaticano II e na Teologia da Libertação. E foi contra o Modernismo a grande luta da Igreja de Pio X. Naquele distante 1909, o Rio Grande do Sul contava com uma única diocese, com sede em Porto Alegre, e nesta diocese um novo bispo: dom João Becker, que substituiu dom Cláudio Gonçalves Ponce de Leão.
Pio X morreu a 20 de agosto de 1914 e seu sucessor, Bento XV, teve a difícil missão de conduzir a Igreja nos tormentosos dias da primeira Grande Guerra. Pouco valeram os esforços deste Papa durante e depois da guerra.
Com a morte de Bento XV, em 1922, foi eleito Papa o cardeal Achiles Ratti, que assumiu o nome de Pio XI. Pelo Tratado de Latrão, assinado em 1929, o novo pontífice consolidou a liberdade do Estado do Vaticano, frente ao governo italiano. Nos horizontes europeus formavam-se novas e pesadas nuvens, representadas pelo Nazismo de Hitler e o Fascismo de Mussolini. Já em 1931, Pio XI pedia distância destes regimes com o documento "Non abbiamo bisogno", reforçado, mais tarde, com a "mit brennender Sorge". Na antevéspera da II Grande Guerra, o cardeal Eugênio Paccelli inicia seu pontificado com o nome de Pio XII. Governou a Igreja até 1958. Pode-se dizer que foi o último papa tridentino. Mas foi o primeiro pontífice a usar a "doutrina da infalibilidade", em 1950, com o Dogma da Assunção de Maria ao céu. Realizou um pontificado fecundo e difícil, com a humanidade e a Igreja fustigadas pelas chamas da Segunda Grande Guerra. Acusado de omissão, Pio XII fez tudo o que podia para defender a Igreja e salvar vidas. Nunca a Igreja parecera tão una, católica, apostólica e romana.
No dia 28 de outubro de 1958, com alguma perplexidade, o mundo ficou conhecendo o sucessor de Pio XII. Tratava-se do Patriarca de Veneza, cardeal Ângelo Roncalli, filho de camponeses de Sotto Il Monte – Bérgamo. Contava com 78 anos e escolheu o nome de João XXIII. Para a opinião pública, tratava-se de um papa de transição. Governou a Igreja pouco mais de cinco anos. Nesse tempo, desencadeou a maior guinada da Igreja nos últimos 500 anos, com o Concílio Vaticano II. Morreu a 3 de junho de 1963, sem ter concluído o Concílio, tarefa que coube ao seu sucessor, Giovanni Montini, Paulo VI. Eleito a 21 de junho de 1963, morreu a 6 de agosto de 1978.
O Vaticano II, realizado em três etapas, iniciou a 11 de outubro de 1962 e foi concluído a 8 de dezembro de 1965. Com quatro grandes constituições e mais 13 documentos, realizou uma revolução na missão da Igreja e sua relação com o mundo. O esquema tridentino privilegiava a verdade. Sem abdicar da verdade, o Vaticano II deu ênfase à eficácia pastoral. João XXIII, Paulo VI – e depois João Paulo II – recolocaram a Igreja no centro das decisões da humanidade inteira. O Vaticano II foi ainda um acerto de contas com a modernidade. Ao caracterizar a Igreja como "Povo de Deus", deu ênfase ao sacramento do Batismo, ao papel do leigo e à opinião pública na própria Igreja. Foi também este Concílio que declarou que as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias do mundo eram também as alegrias, esperanças, angústias e tristezas da Igreja.
Num caixão pobre, com o amarelo das cores papais, Paulo VI foi sepultado com os aplausos da multidão. Iniciava-se assim a tradição do funeral com palmas, nem sempre merecidas. O pontificado seguinte durou apenas um mês: de 26 de agosto a 26 de setembro de 1978. João Paulo I – Cardeal Albino Luciani – deixou ao mundo a herança de seu sorriso.
O conclave que se reuniu em seguida, após oito votações, indicou o primeiro papa não italiano nos últimos 455 anos: Karol Wojtyla, polonês, que assumiu o nome de João Paulo II e teve o terceiro mais longo pontificado da história: 26 anos. Foi o papa peregrino e missionário. Rígido em questões doutrinárias, foi a maior personalidade do nosso tempo. O Correio Riograndense noticiou, com destaque, suas três visitas ao Brasil. João Paulo II teve destacada atuação no esfacelamento da Cortina de Ferro. Seus funerais, possivelmente, tenham sido os maiores da história. E no dia 19 de abril – no segundo escrutínio – o conclave indicou o Cardeal Joseph Ratzinger como o 264º sucessor de Pedro. Assumiu o nome de Bento XVI o 9º pontificado destas 5.000 edições.
Em seus 97 anos, semana após semana, o Correio Riograndense privilegiou notícias religiosas, tentando sempre situá-las em seu real contexto. Isto ficou evidente já no seu primeiro editorial, que afirmava que o jornal nascia católico e romano e assim continuaria e, se um dia devesse morrer, morreria católico.
O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA EM 97 ANOS
O Brasil era um país eminentemente rural, mas de produção limitada. Hoje tem uma agricultura diversificada, com recordes mundiais e integrada ao conceito mais amplo de agronegócio
Elisio Contini
Chefe da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento.
Como era a agricultura no início do século XX, mais precisamente em 1909, ano da fundação do Correio Riograndense? Como evoluiu, nestes 97 anos, sua gente na conquista do território brasileiro? É um desafio escrever a saga da agricultura nestes quase 100 anos de história!
Estima-se que o Brasil possuía, em 1909, ao redor de 23 milhões de habitantes. Considerando-se a população atual do Brasil de 186 milhões, o aumento foi de 8 vezes. Sem dúvida, o Brasil era um país eminentemente rural, acima dos 80% da população vivendo na roça.
No início do século XX, a produção agrícola dividia-se em dois setores: a) alimentos para o abastecimento das fazendas e da reduzida população citadina; e, b) produtos típicos para a exportação, como o café, o açúcar, o cacau e a borracha na Amazônia. Produtos industriais eram adquiridos de outros países, com as divisas obtidas por estes produtos de exportação.
A comida para os brasileiros das cidades era transportada por carretas. Assim, não podiam ser deslocadas a longas distâncias. A maioria dos agricultores cultivava vários produtos de subsistência, guardavam para o consumo da família e vendiam o excedente para comprar roupa, sal e utensílios para a casa e para a roça. A carne ou era consumida logo após o abate dos animais ou guardada na forma de charque ou carne de sol seca. Uma vida bucólica, sem pressa, mas de recursos limitados e de poucas perspectivas de crescimento.
A escravidão acabara legalmente em 1888 e muitos imigrantes haviam chegado para substituir a mão-de-obra escrava, particularmente na cultura do café. Mas o aventureiro que chegara pobre tinha um grande espírito empreendedor. Não viera para ser escravo livre! Esperou que os barões do café enfrentassem uma grave crise em 1929 para iniciar a compra de terras férteis em São Paulo. Grandes usinas de açúcar e álcool hoje são fruto desta transformação.
Durante a história de existência do Correio Riograndense, a população brasileira transfere-se progressivamente para as cidades. O processo de urbanização se intensifica com a decisão estratégica da industrialização do Brasil, a partir de 1950-60. Com remuneração mais elevada, o setor industrial atrai mão-de-obra do campo. Em 1960, a população urbana era de 46% da total.
Mais gente nas cidades exigia mais alimentos no comércio. A agricultura se expande no espaço: na década de 40-50 para o Oeste de Santa Catarina e Paraná e posteriormente para o Mato Grosso do Sul.
Na década de 1970, a ciência desenvolve variedades de alimentos mais produtivos, permitindo abastecer os mercados urbanos, sem elevação de preços. Novas tecnologias permitem incorporar os improdutivos cerrados ao processo produtivo. Terras aráveis e baratas atraem milhares de agricultores ao Centro-Oeste em busca de amplas áreas, principalmente vindos do Sul do país. A soja é tropicalizada, em grande esforço da Embrapa, tornando-se a cultura motora do desenvolvimento moderno da agricultura.
Ano de 2006. O Brasil possui uma agricultura diversificada, integrada num conceito mais amplo de agronegócio, o que inclui, além da produção agrícola, setores de insumos, máquinas e processamento e transporte de produtos de origem agropecuária. O Brasil torna-se o primeiro produtor de café, de suco de laranja, de açúcar e de álcool. Ocupa o segundo lugar na produção mundial de soja e de carne bovina e de aves. De 2000 a 2005, conquista importantes mercados externos, sendo o 1º exportador do complexo soja, de carne bovina e de frango. Em 2005, o valor total das exportações do agronegócio brasileiro atingiu US$ 43,6 bilhões.
Crises – Este crescimento acelerado, nos últimos anos, não foi sem crises e sem sofrimentos por parte de nossos agricultores, destacando-se a falta de infra-estrutura adequada para transporte e armazenamento, problemas sanitários e preços não remunerados. Além da forte crise de 1929, atingindo principalmente o café, duas mais recentes merecem menção. A estabilização econômica do Plano Real em 1994 reduziu a rentabilidade dos produtores rurais, exigindo renegociação de dívidas para com os bancos e um programa de socorro por parte do governo, chamado de Securitização das Dívidas. Fortes estiagens nas regiões produtoras de grãos no Sul do país e valorização do real nas safras de 2004/05 e 2005/06 impingiram novas perdas aos produtores de grãos, exigindo novo socorro do governo e renegociação das dívidas. Mas, o agricultor brasileiro é forte e vencerá mais esta batalha.
O Brasil tem vocação para o desenvolvimento, sendo o agronegócio um instrumento impulsionador deste processo. Recursos naturais abundantes, como terra agricultável e água garante ao Brasil liderança no abastecimento futuro de mercados, tanto nacionais quanto internacionais. A China e a Índia, com 2,5 bilhões de habitantes, demandarão alimentos e outros produtos agrícolas, que nossos produtores rurais poderão fornecer. Esta é a visão dos principais institutos que projetam o mercado mundial do futuro.
Com políticas públicas coerentes, a superação dos gargalos de infra-estrutura e dos problemas sanitários, a agricultura brasileira contribuirá ainda mais para o desenvolvimento do país. E poderemos celebrar daqui a três anos, o centenário do Correio Riograndense com uma agricultura mais forte e diversificada.
PROMOTOR PERMANENTE DA EVANGELIZAÇÃO E DA CULTURA
O Correio Riograndense chega à edição 5.000 mantendo-se fiel aos objetivos traçados por frei Bruno de Gillonnay, fundador da Missão dos Capuchinhos Franceses no Rio Grande do Sul
Capuchinho, professor e editor
Frei Bruno de Gillonnay, fundador da Missão dos Capuchinhos Franceses no Rio Grande do Sul (1896), em 1904 apresentou a Dom João Batista Scalabrini, bispo dos imigrantes, em visita ao Estado, seu projeto de imprensa católica: "Queremos, no centro da Colônia Italiana, não uma imprensa como a européia, política, de novidades, de lutas apaixonadas, mas uma imprensa que levará às famílias, em sua língua materna, uma página do Santo Evangelho, uma história edificante, ensinamentos de agricultura e obras úteis aos colonos."
A cultura como global modo de ser, viver, fazer e crer é o alicerce da imprensa idealizada por frei Bruno. Padre Cármine Fasulo (1908), pároco de Caxias do Sul, conclamava todos párocos a apoiar a fundação do semanário católico La Libertá, dando corpo às idéias de frei Bruno.
Padre Cármine era pastor e intelectual – catequizava pensando, e pensava catequizando. A partir do imigrante, empunhando a enxada e o terço, definiu seu jornal:
– "Nosso jornal, essencialmente católico, não tratará só de assuntos religiosos, mas de todos os conhecimentos que interessam também no campo material, como agricultura, indústria, higiene e medicina prática, coisas úteis e necessárias ao desenvolvimento da vida social."
Depois de alguns meses de circulação, o jornal La Libertá foi adquirido pelo pároco de Garibaldi, padre João Fronchetti, cujos auxiliares, no jornal e na paróquia, eram os capuchinhos. Frei Bruno via realizados seus ideais de imprensa, para:
– 1º: Levar religião e cultura em língua materna. Os frades franceses apostaram no uso da língua familiar na evangelização, colocando no centro o evangelizado com sua história e cultura, razão porque, no jornal, mesclaram o italiano, o talian e o português, e trouxeram missionários próprios para os poloneses. Nanetto Pipetta (1924) é o personagem lingüístico-cultural, ícone do talian, silenciado durante a Campanha de Nacionalização do Estado Novo, voltando depois com Stòria de Ninno e, nas últimas décadas, com o seriado Vita, Stòria e Fròtole e com o Ritorno de Nanetto Pipetta.
– 2º: Levar ao colono uma página do Evangelho, porque italianos, poloneses e luso-brasileiros tinham na religião e no trabalho o motivo maior de esperar contra toda a esperança e a certeza de construir a sonhada América.
– 3º: Com histórias edificantes, conselhos de agricultura e obras de interesse do colono, frei Bruno definia uma imprensa formativa e prática, porque sabia que o jornal seria para a maioria o único recurso de catequese, ensino e formação.
O Correio Riograndense chega ao número 5.000 fiel aos objetivos de Gillonnay, iniciados por Fasulo, acolhidos por Fronchetti e levados até o presente pelos frades. Padre Cármine enfrentou a incompreensão do clero; padre Fronchetti, os interesses nacionalistas de austríacos e italianos, que levou frei Bruno a trocar o nome do jornal de Il colono Italiano por Staffetta Riograndense (1917); a defesa da escola particular levou o jornal ao banco dos réus (1951), de que saiu fortalecido e vitorioso, jamais abdicando da defesa dos direitos dos cidadãos. Criadores, mentores, colaboradores, agentes, assinantes e funcionários do jornal proclamam, há 5.000 semanas, a liberdade de ser, pensar, agir e crer.
Caxias promove Romaria Vocacional
Evento ocorre dia 27 de agosto no santuário diocesano de Caravaggio
Todos ao santuário de Caravaggio. Esse é o convite que o Serviço de Animação Vocacional (SAV) da diocese de Caxias do Sul, juntamente com a comunidade do santuário de Caravaggio, Farrroupilha, faz a todos os cristãos para que participem no dia 27 de agosto da Romaria Vocacional. Agosto é o mês das vocações e o evento tem o objetivo de motivar as pessoas a rezar e a refletir mais intensamente sobre o chamado de Deus a cada um.
A programação prevê acolhida aos participantes e caminhada ao santuário às 8h30; celebração eucarística às 11 horas, presidida pelo bispo diocesano dom Paulo Moretto; almoço partilhado ao meio-dia pelos que levarem um prato de alimento; e das 13 às 15 horas, show vocacional. Para quem não levar comida, há restaurantes à disposição perto do santuário. Participam do show padre Osmar Coppi; a comunidade Oásis, de Caxias do Sul; e crianças da Escola Santa Maria Goretti, do bairro 1º de Maio, de Caxias do Sul.
O evento é aberto a todos, mas é direcionado de maneira especial aos animadores vocacionais, zeladoras das capelinhas, catequistas, catequizandos, famílias, religiosos e religiosas, sacerdotes, vocacionados e vocacionadas. O vocacionado, a família, os serviços e as pastorais, participando da romaria, irão animar-se a fim de viverem mais e melhor o dom do chamado.
Padre Constante Pasa, coordenador do SAV da diocese de Caxias, salienta que o objetivo da romaria é despertar para o chamado vocacional. A vocação é o chamado que Deus faz a cada ser humano para que cuide da vida e, como conseqüência, se sinta realizado e feliz.
"Todos são nossos convidados. Por isso gostaríamos que os romeiros se organizassem em grupos e caravanas e, motivados pela alegria, pela harmonia e pelo espírito de paz, fossem ao santuário de Caravaggio, convocados pelo lema da romaria "Com alegria a serviço da vida", salienta padre Constante.
Encontro reúne famílias em Derrubadas
Motivadas pelo mês vocacional, as paróquias da área pastoral de Três Passos (RS), da diocese de Frederico Westphalen, realizam o IX Encontrão de Famílias. O evento será realizado dia 27 de agosto na cidade de Derrubadas. Participam famílias das paróquias Nossa Senhora Aparecida de Tenente Portela, Nossa Senhora de Fátima de Derrubadas, Santa Inês de Três Passos, Bom Jesus de Miraguaí e Nossa Senhora das Graças de Tiradentes do Sul.
"A programação prevê acolhida às famílias no salão paroquial; palestras sobre deficiências – recordando o tema da CF-2006 -, às 9 horas e sobre saúde alimentar, às 10h15; partilha dos alimentos trazidos pelas famílias, ao meio-dia; momento cultural, com apresentações das paróquias; e às 15 horas, solene missa, presidida pelo bispo diocesano, dom Zeno Hastenteufel", revela padre Edejalmo Rubert, pároco de Derrubadas.
A cada ano o evento atrai mais famílias, que fazem desse dia um grande encontro de fé, alegria, reflexão e confraternização. Padre Rubert salienta que a expectativa é reunir cerca de 2.500 pessoas.
Curso Vespertino de Teologia na Estef
Estão abertas inscrições para cadeiras do Curso Vespertino de Teologia da Estef, de Porto Alegre, com aulas às terças, quartas e quintas-feiras, à noite. Podem participar pessoas com segundo grau completo ou já graduadas. De 29 de agosto a 31 de outubro, sempre às terças-feiras, frei Bruno Glaab ministra a disciplina Profetismo na Bíblia; de 30 de agosto a 8 de novembro (às quartas), Santíssima Trindade, com frei Luiz Carlos Susin; e de 31 de agosto a 23 de novembro (quintas), a cadeira Família e Sexualidade, coordenada por frei Hildo Conte. Contatos pelo fone (51) 3217.4567, e-mail: estef@estef.edu.br
Padre Zezinho
Deus toma as suas decisões, independente de nossas sentenças ou julgamentos
"Deus está vendo" é uma expressão que usamos sem, às vezes, pararmos para pensar. "Deus viu, Deus quer, Deus está vendo". Claro que Deus vê tudo, mas acontece que às vezes nós usamos esta expressão com o intuito de assustar os outros e exercer domínio sobre eles. Aí, não! O Deus que vê o lado ruim, também vê o lado bom. É uma expressão bonita que devemos usar mais conosco do que com os outros.
Deus está vendo a atenção que um pai tem pelo filho, o ódio que alguém tem no coração, a malícia, o carinho, a pureza que alguém tem. Deus está vendo a inocência, a ira e tudo o que se passa neste mundo. Mais do que isso: o Deus que vê sabe o que fazer com o que vê. Mas daí a dizer que Deus está vendo e vai castigar, já é pretensão nossa. Como sabemos que atitude Ele vai tomar? Os desígnios de Deus são insondáveis diz a Bíblia (Rm 11,33; Jó, 5,9 ). E diz que Ele também é pronto para a misericórdia (Tg 5,11). Se ficamos apenas com a idéia da justiça que pune, perderemos as outras noções de Deus. O Deus que vê, toma as decisões por Ele mesmo, porque Ele faz como o vento que sopra onde quer, como quer e em quem quer (Jo 3,8).
O Deus que tudo vê sabe qual é a dimensão da raiva, a origem do ódio, do desequilíbrio. Deus sabe qual é a dimensão daquele amor, a sua origem. Deus conhece a ternura do casal. Sabe quem está precisando de atenção e quem não está. Não faz sentido o pregador garantir, no púlpito, que Deus vai punir porque está escrito na Bíblia. Lá também está escrito que Ele perdoou gente que jamais seria perdoada pelo mundo. Devemos concluir, sim, que Ele está vendo, mas o que Ele vai fazer só a Ele compete decidir. Muita gente faz o diagnóstico e conclui errado. É certo dizer que Deus vê, mas o que Ele vai fazer é assunto só Dele. Como é que eu posso concluir o que Deus vai fazer, se eu não sei coisas que Deus sabe?
O Deus que tudo vê e tudo sabe julga os corações que conhece. Deus é quem sabe qual é o sentimento que está naquela alma, na hora do ódio, da raiva e de vingança, do crime, do pecado, do castigo, ou naquela hora de pureza, de carinho, de ternura. Só Ele é que pode julgar o que está vendo e que conclusão vai tirar. Eu não posso.
Deus toma as suas decisões, independente de nossas sentenças, ou de nossos julgamentos. O juiz é Ele e não nós. Cuidemos com as nossas expressões e oremos para entender o Deus que tudo vê.
Paróquia de Soledade recorda 70 anos de presença e atuação dos capuchinhos
Freis colaboraram no crescimento espiritual, social e econômico
A presença religiosa na região de Soledade, nas cabeceiras do Rio Pardo, data de 1633, quando o padre jesuíta João Suárez de Toledo fundou a Redução de São Joaquim. Os missionários foram os primeiros brancos a entrar em contato com os índios. Quatro anos depois, porém, a redução deixou de existir por causa dos ataques dos bandeirantes, que obrigaram jesuítas e índios a voltar à província argentina de Missiones.
Mas a presença de brancos na região foi se intensificando e dois séculos depois, em 1837, foi construída a primeira capela. Em 1846 foi criado o curato de Soledade, que em 1857 foi elevado à condição de paróquia, denominada Nossa Senhora da Soledade. Diversos sacerdotes atenderam a paróquia, inclusive padre Tomás de Souza Ramos, assassinado pela Revolução Federalista em 1894.
Assistência – Até 1936, vários sacerdotes se sucederam na direção da paróquia. Em 21 de maio daquele ano, dom Antônio Reis, bispo de Santa Maria, diocese à qual Soledade estava ligada, escreveu aos capuchinhos solicitando que assumissem a paróquia "tão necessitada de assistência espiritual". Em julho, dom Antônio recebia resposta afirmativa dos freis e no dia 30 de agosto de 1936 era empossado o primeira pároco capuchinho, frei Valentim Dalle Grave, e como vigário paroquial, frei Clemente Spinello.
Meses depois frei Valentim deixou a paróquia, por problemas de saúde, e frei Clemente assumiu como pároco, tornando-se o grande líder religioso que Soledade necessitava. Homem de visão apostólica e administrativa, restaurou a igreja matriz e construiu a casa canônica. Vendo que a cidade precisava de um hospital, frei Clemente empenhou-se também nessa obra e em 1942 era inaugurado o Hospital Santa Gema Galgani, atendido pelas Irmãs de Notre Dame. Faltava também um ginásio e graças ao empenho de frei Clemente, foi construído o Ginásio São José. Em 1951, foi inaugurada a Rádio Cristal AM e em 1981, a Rádio Cristal FM.
Diversos capuchinhos se sucederam depois de frei Clemente, como párocos e vigários paroquiais. Atualmente, a paróquia é coordenada por frei Protásio Ferronato, auxiliado pelos frei Gilmar de Azevedo, Névio Tonatto, também superintendente da Cristal, e Pedro Bianchi. A paróquia tem 34 comunidades, além da sede, e uma população de cerca de 35 mil habitantes. Frei Protásio destaca que uma comissão está organizando os eventos comemorativos.
Aldo Colombo
O bom senso dos antigos recomenda: antes de tomar uma atitude, durma uma noite em cima do problema
O presidente de uma empresa gritou com um dos seus diretores, porque estava com raiva e os números do trimestre não eram bons. O diretor, chegando em casa e vendo um farto almoço, gritou com a esposa, acusando-a de estar gastando muito. A mulher gritou com a filha, lembrando que suas notas escolares estavam abaixo da crítica. Esta descarregou sua raiva contra o irmão menor, pois curtia um som muito alto. O recurso deste foi chutar o cachorrinho. O cachorro saiu correndo e mordeu uma vizinha que ia passando. Entrando na farmácia, a senhora reclamou da demora e da injeção, que foi doída. O farmacêutico, ao chegar em casa, ainda com raiva, teve palavras duras com a mãe porque o almoço não estava pronto...
A reação em cadeia poderia continuar. Mas alguém colocou um ponto final. A mãe, sem se alterar, afagou o cabelo do filho e prometeu: amanhã faço o seu doce predileto. Você trabalhou muito e está cansado, descanse um pouco, vou lhe servir um suco. Retornando à farmácia, o filho saudou a todos com alegria e sua alegria contagiou os funcionários e passou aos clientes.
Na realidade, existiram duas cadeias opostas. A primeira foi marcada pela irritação e pela intolerância. A segunda, pelo perdão, pela alegria e pelo amor. O que fazemos é contagioso. O mau humor de um pai passa para os filhos. O mau humor de um gerente toma conta de todo um departamento. Vale o contrário. O bom humor de uma única pessoa perpassa pelos demais. Isso vale para uma família, para uma loja, para uma comunidade. Vale para o trânsito, para o futebol, vale para a política.
Há dias de sol e dias de chuva. Isso também no campo psicológico. Há pessoas que, permanentemente, anunciam mau tempo e trovoadas. Há pessoas que lembram tranqüilos raios de sol, numa manhã primaveril. O mau e o bom tempo estão dentro da gente e se espalham ao redor de cada um de nós. Há – quase sempre – uma reação em cadeia. Isso até que alguém resolva desarmar a bomba.
Somos seres sociáveis e a atitude de cada um tem um peso no grupo. Isto em relação aos dois opostos. Podemos ser foguistas, jogando gasolina no incêndio ou podemos ser bombeiros, jogando a água da compreensão e do diálogo. Os antigos nos ensinavam a contar até 100, antes de tomar uma atitude. Ou quando irritados, devemos contar até mil. Certas palavras são como setas: elas, uma vez disparadas, não retornam mais. É ainda o bom senso dos antigos que recomenda: antes de tomar uma atitude, durma uma noite em cima do problema.
Nem sempre é possível remediar uma situação. É muito mais inteligente prevenir. A experiência de cada um confirma o acerto da tranqüilidade. Muitas vezes nos arrependemos daquilo que dizemos e fazemos, especialmente nas horas de tensão. É muito melhor – antes de agir – contar até cem ou até mil. Ou mesmo esperar pelo dia seguinte. E também nesse ângulo devemos inspirar-nos em Deus. Ele tem paciências infinitas.
Capuchinhos lançam projeto vocacional
Objetivo é motivar pessoas a descobrir um novo jeito de viver
Um novo mundo é possível? A partir desse questionamento, a Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul lançou o projeto "Atreva-se", um convite para que todos juntos possam descobrir que é realmente possível um novo jeito de viver. O projeto foi lançado oficialmente na sexta-feira 4, na sede social da Associação dos Funcionários dos Capuchinhos (Afucap), em Caxias do Sul.
Coordenado por frei Jaime Bettega, secretário provincial, e pelos membros do Serviço de Animação Vocacional (SAV) da província, o programa foi apresentado a mais de 120 convidados, entre professores de ensino religioso, líderes da pastoral vocacional, representantes da 4ª Coordenadoria Municipal de Educação, freis, seminaristas, religiosos e membros da pastoral vocacional de Caxias do Sul.
Recordando que agosto é o mês das vocações, frei Jaime destacou que essa bandeira assumida pela província pretende buscar uma resposta num mundo que tem tantos convites, que apresenta tantas direções; uma resposta nova para um tempo novo. "Com esse projeto ‘atrevido’ queremos fazer com que as pessoas reflitam sobre as várias formas de vocação".
Denominado apropriadamente de "Atreva-se", por sua ousadia, o projeto é uma criação da Quanta Propaganda e da Vídeo Top Produtora, ambas de Caxias do Sul. Com isso, os capuchinhos não pretendem apenas motivar as pessoas a conhecer melhor a vida dos filhos de São Francisco de Assis, mas querem "contribuir para que mais pessoas encontrem um sentido à vida e, conseqüentemente, descubram a felicidade", salienta frei Jaime.
O projeto "Atreva-se" está ancorado em vídeo, site na internet (www.atrevase.org.br), orkut, folhetos, adesivos etc -, que estão a disposição de escolas, equipes de catequese, secretarias de educação, veículos de comunicação e outras entidades interessadas. Contatos com frei Djair Galvan (Caixa Postal 663, Cep 95001-970 Caxias do Sul – RS, telefone (54) 3224.4739, e-mail: sav@capuchinhosrs.org.br) ou com frei Genésio Fracasso (Caixa Postal 27, Cep 95001-970 Caxias do Sul – RS, telefone (54) 3228.2266, e-mail: genésio@capuchinhosrs.org.br).
Montenegro valoriza a Semana da Família
A Pastoral Familiar da paróquia São João Batista de Montenegro (RS) e a Escola de Pais promovem a Semana da Família com vários eventos. Dia 12, às 10 horas, caminhada pela família; dia 15, às 20 horas, missa pelas famílias na matriz. Dia 17, palestra sobre "Relacionamento pais e filhos", com Jane e Telmo Ambrozini; e dia 18, "Casais em 2ª união e outras realidades", com Fernando Araújo e Cristina Fabichak, ambas na matriz, às 20 horas.
Ordenação mobiliza paróquia Santa Fé
O teólogo Ezequiel Dal Pozzo será ordenado diácono no dia 20 de agosto, na igreja da comunidade Santa Rita de Cássia, paróquia Santa Fé, em Caxias do Sul. A cerimônia será realizada às 15h30. Ezequiel nasceu no dia 13 de maio de 1979 em Paraí (RS), filho de João e Maria Rosin Dal Pozzo.
Ingressou no Curso Propedêutico, em Caravaggio, Farroupilha, no ano de 1997. Estudou filosofia e teologia, estagiou como ajudante na formação, no seminário diocesano Nossa Senhora Aparecida e, após a conclusão da teologia, passou a atual na paróquia Santa Fé. Escolheu com lema de ordenação diaconal "Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, assim façais também vós".
Wilson João
Fazer política é um dever e quem não a faz perde o direito de reclamar de injustiças, violência e corrupção
Todos somos seres políticos. Pessoas políticas. Fazedores de política. Quem se dispensa dessa tarefa está sendo um colaborador para a derrocada da sociedade. Está ajudando a apodrecer a sociedade. Fazer política é mais do que os nossos olhos vêem em noticiários de televisão, ou daquilo que acontece obrigatoriamente de dois em dois anos em nossa sociedade quando, com pouca vontade, desengavetamos o título eleitoral para cumprir mais um dever patriótico. Diante da necessidade de cada pessoa assumir sua missão política sugiro:
TODOS OS CONSELHOS COMUNITÁRIOS DEVEM FAZER POLÍTICA. Não a política do partido ou do voto, mas a política de reunir pessoas em torno de questões da comunidade, e depois de debatido suficientemente o assunto, chegarem a uma decisão da maioria, e dessa decisão fazer surgir uma ação concreta em benefício da mesma comunidade.
TODAS AS CATEQUISTAS DEVEM FAZER POLÍTICA. Não a política partidária ou do voto, mas a da participação. A política da igualdade e do aprender juntos, onde ninguém é mais do que ninguém. Onde catequistas e catequizandos aprendem a conviver e a se respeitarem como cidadãos e cidadãs de uma mesma sociedade. Onde, conversando da vida e da religião, vão se transformando em pequena comunidade de mudança. Nas mãos das catequistas está a possibilidade de um povo mais feliz, a não ser que façam do encontro de catequese uma alienação na fé, sem compromisso social e comunitário.
TODOS OS MINISTROS DEVEM FAZER POLÍTICA. Não a política partidária ou do voto, mas a política da participação, do exemplo em dedicar tempo e energia em benefício da comunidade. Ministros que se tornam instrumentos de acolhida e entendimento. Instrumentos de conscientização e tomada de posição perante os problemas sociais, utilizando a força transformadora da Palavra de Deus.
TODOS OS AGENTES DE SAÚDE DEVEM FAZER POLÍTICA. Não para esse ou aquele partido ou pessoa, mas a política do direito à saúde que toda pessoa tem. A política acontece na visita pessoal ou na reunião de pessoas interessadas em encontrar caminhos para uma saúde pública.
TODOS OS SINDICATOS, COOPERATIVAS, organizações, movimentos devem fazer política. A política da convivência saudável, da partilha das ações e das iniciativas em busca de mais vida, da solidariedade com o povo mais necessitado da vizinhança, do bairro, da comunidade, do grupo.
A POLÍTICA ACONTECE NO PEQUENO. Sem acontecer ali onde a gente vive, jamais haverá soluções políticas em nível municipal e, muito menos, em nível nacional. Participando das pequenas decisões locais, e fazendo-as acontecer, é que vamos nos treinar a fazer acontecer em âmbito maior. Por isso, fazer política é um dever de todos, e quem não a fizer não poderá reclamar de injustiças, violências e corrupção. Não poderá acusar ninguém, a não ser a si mesmo, pela sua omissão.
Noite Italiana promove as tradições e comidas típicas
Antônio Prado deve receber cerca de sete mil pessoas para a festa
O município mais italiano do Brasil, Antônio Prado, recebeu mais de três mil pessoas que foram prestigiar a gastronomia típica e se divertir com as tradições italianas exibidas no primeiro final de semana da 26ª Noite Italiana. "O evento encerra com a presença do governador do Estado, Germano Rigotto, no dia 12 de agosto, no Centro Municipal de Eventos", diz Maila Couto, da CDL.
As soberanas Gabriela Chilanti, Natália Cecatto Visentin e Daiane Masiero estiveram na redação do CR divulgando a festa, o turismo e as potencialidades do município. A corte estava acompanhada do presidente da Noite Italiana, Celestino Anghinoni. "O lucro da Noite Italiana será destinado à construção da sede própria da CDL", adianta Anghinoni.
O ingresso, que dá direito à comida, bebida e a participar de todos os shows, custa R$ 32,00 e R$ 30,00, se for comprado antecipadamente.
Mostra – Antônio Prado também promove a 8ª Mostra Del Paese. O evento ocorre de 15 a 17, de 22 a 24 e de 29 de setembro a 1º de outubro, no Centro Municipal de Eventos.
História das Festas é tema da Fenachamp
"História das Festas" é o tema central da Festa Nacional do Champanha (Fenachamp), evento que ocorre de 19 de setembro a 7 de outubro de 2007, em Garibaldi. Segundo o presidente do evento, Gilberto Pedrucci, a idéia é resgatar os 25 anos de história da festa.
A diretoria também está projetando o layout para a Fenachamp 2007. Outra novidade é a realização de duas feiras, que serão organizadas pela CIC e Apeme. "O objetivo é proporcionar mais atrativos aos visitantes", diz o presidente da Festa do Champanha.
Mostra Guaporé exibe agricultura e recebe 10 mil no 1º final de semana
Pela primeira vez o setor primário estará participando da Mostra Guaporé, que no primeiro final de semana recebeu 10 mil visitantes. Na sua quinta edição, a mostra, voltada principalmente para os segmentos de jóias e lingeries, reúne cerca de 100 expositores, no autódromo internacional Dr. Nelson Luiz Barro – mais de 20 integram a 1ª Feira Agroindustrial.
As soberanas Karine Possami (rainha), Milena Zorzi e Graziela Dai Prai, em visita ao CR, informam que a mostra se caracteriza por shows e desfiles, com as modelos usando óculos, lingerie, malhas para ginástica, jóias e semi-jóias. "A mostra deve receber cerca de 30 mil pessoas", diz o secretário de Turismo, Fabiano Bresolin.
Guaporé é o segundo pólo nacional na produção de jóias (mais de 100 indústrias) e o primeiro pólo gaúcho na fabricação de lingerie. O setor de malhas para ginástica está crescendo no município. O evento se estende até o próximo final de semana (de 11 a 13).
O italiano que está em você
Ignez Cobalchini Sandrin
Chapecó – SC
Ignez Cobalchini Sandrin, nascida em Bento Gonçalves (RS), relata:
"Sou filha de Bernardo Cobalchini e de Rosa Coser, de famílias originárias de Maróstica (Vicenza) e de Romagnano (Trento), respectivamente. Penúltima de 12 filhos, quase a raspa do tacho, não tive a sorte de conhecer os avós. Sempre me senti italiana. O sotaque, a culinária, o gosto pelo trabalho, festas, filós e cantos fazem a herança recebida de meus pais. Nossa casa simples, na encosta do rio Burati, interior de Bento Gonçalves, região montanhosa e de extrema beleza, tinha um porão de pedras, onde estavam as pipas de vinho e as ferramentas; no primeiro andar, ficavam a cozinha, a sala e os quartos; o sótão guardava de tudo. O lindo parreiral, firmado nos plátanos, plantados pelo avô Bernardo, as taipas e os pinheiros enfileirados desde a entrada na propriedade até a casa completavam a paisagem. Além da uva, cultivávamos trigo, milho, feijão, batatinha..., todo o necessário ao consumo.
Cursei a Escola Rural de São Valentim com a professora Dosolina de Carli. Como meus pais, eu ia à escola descalça, para não sujar nem gastar os chinelos. Antes de entrar na escola limpava os pés e colocava os chinelos. Terminada a seleta, a professora me convidou a continuar os estudos em Bento Gonçalves, onde ela morava. Mas papai, de tão apegado a mim, não permitiu, porque, dizia, eu era a sua picinina.
Com 10 anos, eu e minha irmã Maria, íamos à vila dos oficiais em São Roque, Bento Gonçalves, vender frutas e queijos, para comprar o que faltava em casa. Durante a II Guerra, saíamos pouco de casa, com medo de sermos surpreendidos falando talian, que era proibido. Mesmo assim, os irmãos mais velhos foram presos.
À noite, os pais, após a janta, nos reuniam para rezar o terço, depois do qual, nas noites bonitas, mamãe nos convidava a cantar músicas italianas sob o céu estrelado. Que saudades das canções – Mèrica, Mèrica, Mèrica; Quel massolin de fiori; Italia Bella!...
Na adolescência, morei com alguns de meus irmãos. Eu era como o porquinho de Santo Antônio, ajudando a quem precisasse, nas atividades da casa, no preparo das refeições, na costura, no armazém... Em 1948, consultando o dentista, conheci meu futuro esposo, Hildo Sandrin, também de Bento Gonçalves, mas da cidade, falecido em 2001. Casamos em 1951, na igreja Santo Antônio, onde também casaram meus pais e sogros. Tivemos os filhos: Carlos, Flávio e Luciano, aos quais demos educação e bons princípios.
Em 1960, fincamos raízes em Chapecó (SC), terra que aprendi a amar, e que nos deu oito queridos netos – Rodrigo, Luíza, Marco Antonio, Nájila, Bruno, Flávia, Daví e Estela Sandrin.
Na década de 1960, fui uma das primeiras mulheres de Chapecó a dirigir automóvel. Pensava-se, então, que dirigir era atividade para homem e muitos viam esta atitude como uma afronta aos bons costumes. O neto Rodrigo, ao escrever um livro sobre nossa família, me levou a encontrar minha história e conhecer fotos que eu julgava perdidas. Os irmãos Hilário, Josephina, Ângelo, Oreste, João, Rinaldo e Maria são falecidos; Rosina, Angelina, Adele e Urbano Cobalchini estão vivos.
Com 75 anos, estou feliz e com saúde. Adoro reunir a família para conversar e sentar à mesa para uma macarronada, gnochi, tortei, polenta, schmier, conservas, doces... como aprendi de minha mãe. Agradeço a Deus a saúde, a fé, o trabalho e minha bela família!". E-mail: ignezcobalchinisandrin@yahoo.com.br; dr_sandrin@yahoo.com.br
Ignez é uma legítima mamma, afetuosa, dedicada, piedosa e delicada! Deus a conserve!
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (372)
Nanetto fa sucesso come contastòrie e anca busiaro
EDUARDO GRIGOLO
Professor, Jundiaí – SP
In Pato Bianco, tea casa de Vìcio, Nanetto se ga fermà per 40 giorni e 40 note. La Pierina la ze stà tratada come na principessa. La ga magnà del bon e del meio. La ga ingordà sete chili. Co’l ze stà par inselarla, Nanetto el ga stranià che la so pansa no la stea in tel buso del barighero de vanti. Alora el ghe crida:
– Bruta bèstia! Adesso bisogna caminar in dópio par ritornar al vècio stampo. La bona vita se ga finio. Fin qua son stà mi che go laorà, adesso ze la to parte.
E così i se ga instradà nantra volta.
El pòpolo tuto darente la strada ghe dea saluti de bon viaio e sguelto ritorno. I se vea costumà scoltar le so stòrie. Ghen gera anca chi piandea de malinconia per el fin de quela bela società: Nanetto e i so fedeli scoltanti. L’ùltima stòria ze stà questa:
"Carìssimi fratelli! Doman vao via. Ma vanti ndar via vui assarve na relìchia. Questa stòria la ze verìdica, podé créderme! Prima vui dirve che no son indivinador, gnanca un fagoton, ma questo nùmero el ga parte con me vita, con la stòria de me vita. Ze el nùmero
Scumìnsio a dirve che son de una fameia de 11 e che ghenè 6, vanti mi. Alora, mi son el sètimo. Co son vegnes-to al Brasil, la finestra de la Nave che me ga tocà spacarla, ghe go dato bastonade co la satadebeco. Dopo, la altessa che go saltà al mare, gera de
metri. Par rifarme de na gamba rota, son restà curà dopo 7 giorni. El jundiazon che me ga salvà del naufraio el gavea 7 metri de longhessa. Anca el capelet che me ga servio de scudela, intanto che’l pesson de salvessa el me menava via, anca lu el gavea 7 volte de rebordo. La codada che me ga butà fora del rio Dea Zanta, la me ga parà distante 7 metri. Co’l Rovìlio e Arlindo i me ga catà squasi morto, ghe go messo 7 giorni par desmissiarme. Gavea fato un taio in tea testa, che par serarlo, el dotor ghe ga fato 7 punti. E altre tante cose che podé mainar. Nantro fato che no’l dise rispeto al nùmero 7, ma par stension si, l’è el nùmero 34 (3+4=7). Na volta gera drio sbrindolar in tea cità de Santos, in San Paolo, e un compagno de nome Paolo el me ga invità par far na sfida in te na casa de carera de cavai e ègue anca. Come no savea come far, lu el me ga insegnà. I nomi dei cavai i gera molto interessante. Ghe zera un che’l se ciamava Slik e so nùmero 3. Altro, nùmero 4, de nome Alitak. Alora, go zugà un fiorin in tea dópia 34. D’acordo col regolamento, se i due i rivasse davanti de tuti i altri, independente de la órdine, io guadag-nava. In tea casa se scoltea la carera par ràdio, parché la cansa de carera gera in tea cità de San Paolo e nantri se gera in Santos, distante 50 chilòmetri. El locutor del ràdio el parlea solche i due nome, Slik e Alitak. I altri, sempre dadrio. Con un fiorin sfidà, go guadagnà 26 fiorini. Ne ga dato per magnar pissa de tute le qualità, fin restar sgionfi."
Quei che i gera postai più distante i ga scuminsià brontolar.
– Sarà tuto vero, pròpio?
– No credo in metà de tuto questo!
– Quel fiol de na mussa el pensa che nantri tuti semo baùchi!
– Balotoni!
Ma vea altri che no i se strachea de saludarlo e a gritarghe, coi polmoni pieni:
– Bravo, Nanetto!
– Te sè fantàstico! Disea altro.
E, dopo sgorloni, spissigade e sberlete in tea schena, tuti quanti i ze ndai per so case e i ga assà Nanetto in pace.
"Che giorno! Ufa!" El ga brontolà Nanetto.
Gustavo el ghe dise de pronto:
– Parché no te resta qua par sempre? Tuti i te vol ben!
– Caro, el mio piacere l’è far el pòpolo rider co le me stòrie. Saria molto difìcile per mi ndar via solche dopo verli strachi e stufi de scoltarme. Te me capisse?
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
I due can dei Parmagnani
Ir. Jacob Parmagnani
Lassalista, Porto Alegre – RS
Noantri gaveino due can: el Totò, grandoto e bianco, e el Radeski, basseto, bianco e negro. Radeski el ze un maressialo austrìaco che’l ga fato tanto patir i Lombardi durante la dominassion.
Là in torno la casa ghe gera bosco, scapoeron, montagne con caverne, volpe, can e gati de mato, furoni, lusartoni, anca poiane e falcheti. I due can i tendea parché quele bèstie no le portasse via ochete, anarete, puldini e colombiti.
Un di el Radeski, davanti la casa, el se mete girar, vardar in su e sbaiar. El vardea el gran falcone che fea giri circolari sempre più streti e più bassi. Se’l vedea qualche cosa de bon, ndea do drito e con le sgrife se lo portava via.
Me fradel, Benigno Luiz, al ghe ga sparà na s-ciopetada, el falcone el ga fato un stremessimento e l’è ndà cas-car tel potrero de Ricardo Possebon, nostro visin.
Naltra volta el Totò e el Radeski i ga molà na sbaiada e i se ga messi a córere. I gavea sentisto el gato de mato. Quando sto gato se ga messo a scampar, te un salto el ga batesto te un fil de fero de spini e l’è cascà indrio. El Totó lo ga sgorlà con forsa de qua e de là tantìssime olte. Quando el se ga stufà, el ga proà méterlo in tera, ma el gato el se movea ancora un poco, alora, sto can lo ga sgorlà de novo fin coparlo.
El Radeski ghe ga dato dele forte sgagnade par garantir que l’ era morto. Così, con questi due can, ghemo podesto slevar su: galine, ànere, oche e colombe. Però, là de noantri, i can, fora de casa! Ma el Radeski quando no ghera nessuno che vedea, el fea i so bisogni anca soto la tola.
La zia Rafaela, la ga insegnà un remèdio: ciapar el can par el col e russarghe el naso e la boca su la sporcaria e, co na bachetina, darghe dele sbachetade de drio, medo palmo soto la coa. Così el Radeski non l’è più ndà rento in sala.
Filastroche par la conta
(Contribuission de Claudio Ganassin, Veneza, Itália)
Orbesin te meno en piassa
A comprar la salata,
La salata no la ghè,
Compraremo quel che ghè.
Bogona, bogonela,
Tira fora i corni
Se nò te meto en padela
Ti e to sorela.
Din don campanon
Le campane de San Simon
Le sonava tanto forte,
Le butava zo le porte,
Le butava zo el portón,
Bim, bum, bom!
Piero pipeta
Sensa caneta,
Sensa tabaco,
Piero macaco
Piero Pipeta el pianta i pai
Monze la vaca e la fa el formai,
Monze la vaca e la fa el boter,
Piero Pipeta bersaglier.
La stòria de San Vincenso
La dura tanto tempo
Che mai no la se destriga...
Vuto che te la conta
O vuto che te la diga?
AMIGO LÁPIS
Nem sempre ele foi igual ao que se usa hoje
Lápis, eterno companheiro da sala de aula e dos que gostam de desenhar! Ele é tão comum na vida dos estudantes que passa despercebido em meio à rotina dos livros e cadernos. De onde vem o lápis? Quando foi criado? Como é feito? E as cores?
Tudo começa com o plantio de uma sementinha, que cresce e transforma-se numa árvore. Ela demora até 18 anos para ficar pronta para virar madeira de lápis, quando então vai para a fábrica (veja o processo abaixo). Mas nem sempre existiu lápis para escrever e desenhar, pelo menos não igual ao que se usa hoje; prático, leve.
No tempo do Império Romano, as pessoas usavam barras redondas de chumbo; nem um pouco práticas. O lápis só apareceu no século XII, mas ainda era bem diferente dos atuais. Era feito de dois metais; prata e estanho. Esse tipo foi muito usado por artistas famosos, como Leonardo da Vinci.
Já o grafite surgiu por volta de 1400. Inicialmente, as barras de grafite eram embrulhadas em pele de ovelha. Mais tarde, ele passou a ser encaixado e colado em ripas de madeira, quando começou a ficar parecido com o lápis que se usa hoje.
O lápis é um dos objetos mais usados no mundo. O Brasil é o maior produtor, com 1,6 bilhão de lápis feitos ao ano. Os maiores consumidores são os americanos, com 2,5 bilhões de lápis por ano.
Processo de fabricação
– Planta-se as sementes em um viveiro. Elas são adubadas, regadas e tratadas. Em 10 ou 15 dias vão germinar, ou seja, virar pequenas folhinhas.
– Quatro meses depois, com cerca de 25 cm, as mudas são plantadas nos parques florestais da fábrica.
– Com três anos, as árvores têm quatro metros de altura. Para facilitar o crescimento, os galhos mais baixos são podados e deixados no solo para adubo.
– Periodicamente, faz-se uma colheita parcial das árvores, para não deixar o solo totalmente exposto. Em geral, retiram-se as árvores mais fracas e tortas.
– A colheita final é realizada entre 15 e 18 anos, quando outras mudas são plantadas no lugar das árvores derrubadas.
– As toras com mais de 14 cm de diâmetro vão para a fábrica; as mais finas são usadas para produzir energia nas fábricas, em forma de vapor.
– Para virar lápis, primeiro, a madeira é cortada em pequenas tábuas e recebe um tratamento de secagem e tingimento. O objetivo é torná-la mais macia.
– Depois, as tábuas ficam armazenadas por 60 dias, descançando.
– Uma máquina abre caneletas nas tabuinhas, onde são coladas as minas de grafite ou de cor.
– Cola-se outra tabuinha com caneletas por cima, formando um "sanduíche", que é prensado numa máquina.
– O "sanduíche" é processado no formato do lápis. Então, eles são pintados, apontados, distribuídos em caixas e levados às lojas.
Bons hábitos começam na infância
Crianças seguem o exemplo dos pais no modo de se alimentar
Para desespero dos pais, as crianças geralmente dão pouca importância aos horários de comer e a alimentos saudáveis. Muitas entregam-se a balas, biscoitos, salgadinhos, refrigerantes e dispensam os nutrientes na hora das refeições. Porém, a participação e o incentivo dos pais pode modificar os hábitos alimentares, ajudando a desenvolver um estilo de vida mais saudável para toda a família, o que vai garantir saúde ao longo do crescimento e evitar problemas futuros, como a obesidade infantil.
Os especialistas alertam que melhorar a dieta das crianças requer o envolvimento de toda a família. Não adianta tornar um prato de verduras atraente se os pais ou irmãos comportam-se de forma desregrada em relação à alimentação, ou seja, mais vale o exemplo do que a palavra. Quem faz as compras são os pais, então, é preciso garantir a diversidade de alimentos saudáveis, tornar o conteúdo da geladeira atraente.
Também recomenda-se não ter estoque de guloseimas em casa. Às vezes, a criança come por descontrole, e não por fome, atraída pela facilidade de pegar o pacote de biscoitos no armário. Sendo assim, a fruteira deve estar sempre acessível. A comida não deve ser vista como castigo ou prêmio, então, evitar propostas do tipo "se você comer bem, vai ganhar um presente".
Atenção ao rótulo
Já está em vigor a nova legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a rotulagem de produtos alimentícios. Entre as exigências, as empresas do setor devem, obrigatoriamente, informar nos novos rótulos a quantidade de gordura trans, além de gordura saturada, gorduras totais, valor energético, carboidratos, proteínas, fibra alimentar e sódio para alimentos de qualquer origem, embalados longe da vista do cliente e prontos para serem oferecidos aos consumidores.
Segundo a Anvisa, as gorduras trans, principal novidade da rotulagem, são um tipo específico de gordura insaturada que transforma-se em saturada no processo de industrialização. Também é chamada de gordura vegetal hidrogenada. O consumo excessivo de gordura trans pode causar aumento do colesterol ruim e redução do colesterol bom. Ela está presente em sorvetes, batatas fritas, salgadinhos de pacote, pastéis, bolos, biscoitos, entre outros produtos.
SC assume licenciamento
Acordo facilita licenças à propriedade familiar
As prefeituras de Santa Catarina assumiram a municipalização dos serviços de licenciamento e fiscalização ambiental para as atividades de pequeno e médio impacto. O acordo foi homologado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). "O licenciamento fica mais rápido e o técnico pode orientar as ações de forma mais qualificada", defende o diretor de Meio Ambiente, Jean Paolo Marquezini.
Em 2004, o Consema começou a desenvolver políticas no sentido de descentralizar as ações ambientais. O objetivo é repassar essas atribuições para as prefeituras. As principais exigências são a existência de um órgão ambiental estruturado e de um conselho municipal de meio ambiente paritário e deliberativo.