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Edição 5.001 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 16 de agosto de 2006.

EDITORIAL

Partidos e eleitores podem melhorar o cenário político

Partidos devem ser mais rigorosos com candidaturas, muitas delas interessadas só na imunidade parlamentar

 

Ao divulgar o relatório parcial da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas, sugerindo a cassação de 72 parlamentares, o Congresso Nacional dá uma forte demonstração de que está disposto a cortar na própria carne. A real intenção de punir os integrantes da máfia das ambulâncias, no entanto, só se conhecerá com o andamento dos processos. Burocracia, lentidão e corporativismo têm sido a marca de atuação em muitos casos semelhantes. Ainda está bem viva – ou deveria estar – na memória do brasileiro a forma como 12 deputados flagrados recebendo dinheiro, no escândalo do mensalão, foram absolvidos em plenário.

O trabalho da CPI dos Sanguessugas é importante porque a exposição dos nomes dos suspeitos e o preço de cada um dão ao eleitor a possibilidade de cassar nas urnas deputados e senadores que incorreram, segundo o relator, senador Amir Lando (PMDB-RO), em seis crimes previstos no Código Penal. Ao mesmo tempo, expõe um quadro escandaloso: apenas uma investigação sobre irregularidades em concorrências públicas para compra de ambulâncias superfaturadas para prefeituras, através de emendas ao Orçamento da União, envolveu 13,4% dos deputados federais e 3,7% dos senadores. E é preciso ainda apurar com maior eficácia a participação de membros do Executivo, aonde pelo menos uma ramificação do esquema, no Ministério da Saúde, já foi comprovada.

O discurso mais saliente entre lideranças políticas do país nos últimos dias tem dirigido as atenções para a necessidade de uma profunda reforma política. Trata-se de um passo importante. Mas as dúvidas sobre as mudanças e seus efeitos começam a emergir quando se pensa em quem fará essa reforma.

Há providências mais simples e objetivas que poderiam ser adotadas. Uma delas é o maior rigor dos partidos ao definir candidaturas, muitas delas interessadas exclusivamente na busca da imunidade parlamentar. Associada ao cuidado também do eleitor, essa postura já retiraria do cenário político um bom número de oportunistas e corruptos.

 

CAXIAS DO SUL

Randon anuncia plano de expansão

Empresa pretende investir R$ 800 milhões em cinco anos

 

Aumentar a capacidade de produção anual dos atuais 20.000 para 36.000 reboques e semi-reboques; elevar o faturamento bruto de R$ 2,842 bilhões (2005) para R$ 4,468 bilhões; criar 2.146 empregos; implantar uma fundição e uma linha de desbobinamento; e construir um campo de testes (em Farroupilha). Estas são as principais metas do Plano Plurianual de Investimentos da caxiense Randon S.A. – Implementos e Participações, holding das empresas Randon. Para executar o conjunto de projetos de modernização e ampliação, serão investidos R$ 800 milhões até 2009.

Desse volume de recursos, 50% oriundos de capital próprio, a Randon já investiu R$ 163 milhões. Deve aplicar mais R$ 87 milhões neste ano e os restantes R$ 550 milhões entre 2007 e 2009. "O plano de avanço é progressivo", afirmou Astor Schmitt, diretor de Relações com Investidores da Randon, durante a oficialização dos investimentos, na terça 8, no Palácio Piratini.

"Quando voltei da Europa, nos anos 70, e disse que iríamos produzir mil unidades por mês, 12 mil por ano, perguntaram: para quem vai vender? Pois agora vamos produzir 36 mil por ano e podemos aumentar ainda mais no futuro", afirmou o presidente das Empresas Randon, Raul Randon, dirigindo-se ao governador gaúcho Germano Rigotto – o Estado participa, através do Fundopem, com o financiamento de R$ 65 milhões (há mais R$ 200 milhões do BNDES, R$ 60 milhões do IFC (Banco Mundial) e R$ 75 milhões do Finep).

Mercado, realmente, existe. Tanto que, como enfatizou Schmitt, embora a Randon seja líder neste segmento no país, possui apenas 2,5% do mercado global de implementos para o transporte.

Os investimentos serão realizados gradativamente, em várias áreas e contemplam, além da Randon, Fras-le, Master, Jost e Suspensys, empresas do grupo. Além da linha de desbobinamento e corte de aço, que reduz custos da matéria-prima, a Randon investirá R$ 100 milhões para implantar uma fundição, no complexo caxiense do bairro Interlagos, que fornecerá inicialmente 30 mil toneladas/ano de peças fundidas em aço. "Quando a fundição funcionar (em dois anos), estaremos consumindo de 90 mil a 100 mil toneladas dessas peças por ano. Vamos reduzir compras de fora do Estado", afirmou ao CR o vice-presidente Alexandre Randon.

Se todas as etapas do Plano forem cumpridas – e a empresa salienta que isso depende de "persistirem as condições econômicas-financeiras favoráveis para o país" -, a Randon vai gerar R$ 216,7 milhões em impostos até 2009. "Mais importante é a criação de mais de 2.000 empregos", afirmou o governador Rigotto. Desse total, 693 já foram criados. No primeiro semestre deste ano, as Empresas Randon obtiveram uma receita líquida de R$ 1,03 bilhão, 5,4% acima do desempenho em igual período do ano passado.

 

Microempa promove 2ª Ação para Todos

 

A Associação das Empresas de Pequeno Porte da Região Nordeste do Estado (Microempa) e parceiros promovem, nos dias 25 a 27 de agosto, nos pavilhões da Festa da Uva, a 2ª Ação para Todos e a 1ª Feira Multisetorial. Das 9h às 20h serão oferecidos, entre outros serviços, emissão de carteiras de identidade e de trabalho, exames de saúde, cadastro aos planos de convênios com a Microempa, orientações sobre linhas de crédito de pessoa física, jurídica e habitação, corte de cabelo, manicure, conserto de eletrodomésticos e feira de produtos de empresas associadas na Microempa. Haverá participação da Brigada Militar e Corpo de Bombeiros.

 

REPORTAGEM

Criação de caprinos desponta na Serra gaúcha

Região aposta na criação de animais tipo carne, já que o país importa 50% de suas necessidades

 

A Serra gaúcha está dando os primeiros passos em direção à criação de caprinos em nível comercial. A caprinocultura, principalmente a destinada à produção de carne, é uma oportunidade de agregar renda para a agricultura familiar. Para o secretário da Agricultura de Caxias do Sul (Smag), Nestor Pistorello, a importância da atividade está na proposta de diversificação da propriedade.

A região reúne condições para melhorar os rebanhos. Cabras não exigem grandes extensões territoriais. "Em todos os municípios da Serra existem pequenos núcleos de criadores. Caxias, por exemplo, possui 20 criadores com 40 animais, em média, cada um", revela o assistente técnico da Smag, Arno Constanzi. Segundo o IBGE, Farroupilha se destaca com um plantel de 2.000 cabeças; Canela, 500; São Marcos, 475. Bento Gonçalves, 392; Vista Alegre do Prata, 300; Veranópolis, 250, e Ipê, 245.

Segundo a Secretaria da Agricultura do Estado, na Regional de Caxias (42 municípios), existem 317 criadores de caprinos, com 5.480 cabeças. No RS, o rebanho é de 52.057 caprinos. O animal tem ganho de peso rápido. "O abate ocorre de seis meses a um ano de idade, e a carne tem bom preço no mercado", explica o veterinário da Smag, Marcos Lima. Capaz de suportar períodos de estiagem melhor do que outros animais, os caprinos têm capacidade para atingir elevada fertilidade, com fêmeas que podem gerar até três crias por ano. Para tanto, são escolhidas cabras matrizes anglo-nubiana, que são cruzadas com cabritos da raça boer e também com outras raças mais rústicas.

Outra vantagem apontada é o aumento da competitividade dessa carne devido às suas características saudáveis. A carne caprina possui índice de gordura menor do que a de frango, ao mesmo tempo em que oferece grande quantidade de proteína (ver tabela acima).

Rebanho – O Brasil importa cerca de 50% da carne de caprinos para abastecer o mercado interno, cuja demanda está crescendo. O rebanho nacional é medido em conjunto com o de ovinos, que no total atingiu, em 2005, 25,8 milhões de cabeças, segundo dados do Anuário da Pecuária Brasileira.

Conforme o Anuário, apenas 1,9% dos animais são produzidos na região Sul. A maior parte, 93%, está no Nordeste. O Sudeste tem 2,4%; o Norte, 1,4%; e o Centro-Oeste, 1%.

A caprinocultura vem crescendo. De acordo com o Production Yearbook (que traz as estatísticas do setor), cerca de 94,2% do rebanho encontra-se em países em desenvolvimento, o que evidencia a capacidade do caprino de se adaptar a condições adversas e justifica a reputação de animal rústico.

 

Alimentação é base de toda a produção

 

O bode (Capra aegagrus hircus), macho adulto dos caprinos, é um mamífero herbívoro ruminante cavicórneo que pertence à família dos bovídeos, subfamília dos caprinos. "O feminino de bode é cabra e os animais jovens são conhecidos como cabritos", ensina o médico veterinário Marcos Lima.

O caprino é um dos menores ruminantes domesticados. Os caprinos domesticados são descendentes da espécie Bezoar, encontrada no Mediterrâneo e Oriente Médio. Na maioria das raças de caprinos, os dois sexos têm chifres e barba. Os chifres podem ser curvos ou em forma de espiral, mas muitos têm um lado interno afiado. O pêlo pode ser comprido ou curto, macio ou áspero, de acordo com o habitat e o controle da criação.

A criação fornece lã (em algumas variedades, como na cabra-caxemira e angorá), couro, carne, leite e, às vezes, estrume. Muitas pessoas pelo mundo consomem mais produtos da cabra do que de outros animais. "A alimentação é o pilar de criação dos caprinos. O sucesso da atividade depende do alimento", garante Lima ao CR. Os outros fatores são o manejo e a genética.

Mesmo sendo excelentes exploradores, os caprinos são mansos e podem ser mantidos com cercas mistas, pastos verdes e alguma ração. "Mas a forragem fornecida precisa ser de qualidade", observa o veterinário. No dia 21 de agosto, a Secretaria da Agricultura de Caxias do Sul realiza encontro com criadores para debater a fisiologia da alimentação e a produção de forragens.

 

Características, como mansidão, conquistam produtor

 

Em Caxias do Sul, localizado na região serrana do Rio Grande do Sul, a caprinocultura está ganhando força entre os agricultores. A iniciativa de criar cabritos está sendo colocada em prática por 18 produtores, que mantêm um rebanho experimental. "Neste primeiro momento estamos criando os animais para corte", diz o produtor Sebastião Correa.

Há dois anos, Sebastião Correa, que mantém uma pequena propriedade em Santa Tereza da 5ª Légua, interior caxiense, resolveu investir na caprinocultura. Adquiriu um casal de caprinos na Expochácara, evento realizado na localidade de 3ª Légua. "De lá para cá, venho melhorando o rebanho, comprando matrizes e reprodutores da raça boer", relata ao CR.

Identificados com brincos, Correa cria cerca de 80 animais de raças diversas em sistema de semi-confinamento. "De dia permanecem soltos e à noite são recolhidos ao aprisco", relata o empregado rural Luiz Amadeo Junges, que chama os animais cada um pelo seu nome. "São travessos e mansos ao mesmo tempo", descreve Junges.

Paixão – Natural de São José do Ouro, o microempresário Sérgio Antônio Ravizon é apaixonado pela caprinocultura. "Crio caprinos porque aprecio muito a sua carne", revela Ravizon, que mantém em torno de 20 exemplares numa pequena área no bairro São Mateus, arredores de Caxias do Sul.

 

Caxias do Sul sai na frente e já tem frigorífico habilitado para o abate

 

A opção dos produtores da Serra gaúcha pela caprinocultura não foi por acaso. Historicamente, a região cria fêmeas e machos de raças diversas. "Por serem criações inexpressivas, não se sabe o tamanho do rebanho", diz a veterinária Virginia Caon, da Inspetoria Veterinária de Caxias do Sul.

Mas o produtor tem noção da importância da atividade e sua contribuição para a renda das famílias. O conceito de alimento saudável dá à carne caprina forte apelo mercadológico. Por isso, a iniciativa dos criadores serranos ganha projeção. "O mercado existe. Vamos ocupar esse espaço", assegura o secretário da Agricultura de Caxias, Nestor Pistorello.

Segundo o secretário, o município vai ajudar o produtor a melhorar a qualidade do produto e preparar o consumidor para receber e saber usar essa carne. Para isso, já conta com abatedouro habilitado e credenciado pela fiscalização sanitária.

 

AGRONEGÓCIO

Concurso confirma a evolução do vinho caxiense

Mais de 85% das amostras obtiveram nota acima de 80

 

Das 230 amostras inscritas por 66 vinícolas no IX Concurso Melhores Vinhos de Caxias do Sul – safra 2006, 198 obtiveram pontuação acima de 80 (sobre 100). Este é um dos dados concretos que atestam a melhoria da qualidade do vinho caxiense. A ampará-lo estão 35 enólogos, responsáveis pela avaliação dos vinhos participantes. Há ainda outra importante credencial: os 69 premiados com medalhas, seguindo regra universal dos concursos de destacar 30% do total de amostras (129 receberam menção honrosa), tiveram notas superiores a 85. Resultado: não houve nenhum ganhador de medalha de bronze, que seria entregue a amostras que pontuassem de 80 a 85.

As 36 medalhas de ouro (relação ao lado) e as 33 de prata, divididas em cinco categorias, foram entregues na quarta 9, durante evento realizado no restaurante do parque de exposições da Festa da Uva. "Há uma evolução de qualidade muito grande da primeira à nona edição. Neste ano poucos vinhos apresentaram defeito", afirmou Luiz Rizzon, engenheiro agrônomo da Embrapa Uva e Vinho, coordenador técnico do concurso. "O concurso vem crescendo, se consolidando, envolvendo cada vez mais representantes dos elos que formam a cadeia produtiva neste setor e comprovando o avanço qualitativo do vinho caxiense", avaliou o secretário municipal da Agricultura, Nestor Pistorello.

Eufórico, o prefeito José Ivo Sartori reafirmou a meta de atingir o estágio da excelência na produção agrícola do município, que tem apenas 8% da população atuando no meio rural, mas responde pelo segundo PIB agrícola do Estado. Já o produtor Valmor Sírtoli, que falou em nome dos vinicultores, ressaltou a necessidade de união para defender interesses da categoria, cobrou definições na política agrícola dos governos e conclamou seus colegas a participarem de palestras, seminários e outros eventos ligados ao setor – "e não ficar em casa lamentando", destacou.

Enólogo – Premiação introduzida na edição deste ano do concurso, o troféu Enólogo Destaque foi entregue a Nelson Rotta Randon. O critério adotado é distinguir o responsável técnico da vinícola cujo vinho obteve a maior pontuação entre os concorrentes -, neste ano, a Casa Motter, na categoria tinto vinífera.

 

Município produz 20 milhões de litros

 

Caxias do Sul produziu 31 milhões de quilos de uva neste ano e elaborou 20.122.208 litros de vinho (mais 2,027 milhões de suco natural). Do total de vinhos produzidos, segundo levantamento da Divisão de Enologia da Secretaria da Agricultura-RS, apenas 6,3% são viníferas (veja ao lado).

A vitivinicultura, que já foi o carro-chefe da economia caxiense, principalmente na primeira metade do século passado, reduziu bastante sua participação no PIB local. Mas ainda tem importante significado, a começar pelo envolvimento de cerca de 1,5 mil famílias. O município tem 130 cantinas registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, mas 10 delas não vinificam.

Em sua maioria, são vinícolas pequenas, que produzem a própria matéria-prima, detalhe que pode fazer a diferença na hora de testar a qualidade do vinho. "O produtor tem maior controle sobre os vinhedos. Depende dele a qualidade da matéria-prima, o que representa uma vantagem competitiva", analisa o secretário Nestor Pistorello.

 

Resultado negativo para a newcastle

Depois de registrar foco da doença, Vale Real retorna à sua rotina

 

Vale Real, pequeno município gaúcho no Vale do Rio Caí, está voltando à rotina. O Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa) confirmou que os exames deram negativo para a doença de newcastle. As amostras foram coletadas em 60 propriedades no raio de três quilômetros ao redor do foco, confirmado em 5 de julho passado. "Tudo está calmo", resume o secretário municipal da Agricultura, Nilo Barth.

Os testes foram feitos pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) e serviram para verificar se o vírus se alastrou além de Vale Real. A informação foi divulgada pelo superintendente do Ministério da Agricultura no RS, Francisco Signor. "Vamos pedir o encerramento do caso", adiantou o diretor técnico da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Éder Bardon.

O secretário Nilo Barth informou ao CR que o Ministério da Agricultura introduziu um novo lote de pintos sentinelas na propriedade atingida. "Eles querem ter certeza absoluta dos resultados do Lanagro", comenta. Apesar dos esforços, os técnicos do Mapa ainda não sabem como o vírus chegou ao município gaúcho.

O setor avícola gaúcho já solicitou ao secretário da Agricultura de Santa Catarina, Felipe Luz, a suspensão da restrição a carnes, animais e produtos avícolas do RS. O pedido refere-se a pintos de postura e pintos de frango de corte de um dia. O Mato Grosso do Sul, por sua vez, garantiu a liberação de produtos avícolas do Rio Grande do Sul.

Doença – Classificada como doença viral, aguda e altamente contagiosa, a newcastle atinge aves comerciais e outras espécies aviárias, provocando tosse, espirro, estertores, seguidos de manifestações nervosas, diarréia e edema da cabeça. Não atinge o ser humano.

 

MAB conquista crédito específico

 

Os agricultores familiares que tiveram de deixar suas propriedades em decorrência da construção de barragens e hidrelétricas agora poderão acessar um programa de crédito especialmente para eles. O Conselho Monetário Nacional aprovou o Pronaf A, voltado ao reassentamento de famílias atingidas por barragens.

Nos anos anteriores, os atingidos por barragens tinham que acessar as outras linhas do Pronaf, nas quais muitos não conseguiam se incluir entre os pré-requisitos. "Além de ganharem um crédito especial, os atingidos por barragens acabaram sendo reconhecidos como uma categoria", diz o coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Marco Antônio Trierveiler.

O Pronaf A garante o crédito de até R$ 16.500,00 com a possibilidade de tirar mais R$ 1.500,00 para assistência técnica. Se pagar em dia, o agricultor ganha desconto de 45% na prestação, com o rebate podendo chegar a cinco anos. Segundo a MAB, há 32 mil famílias atingidas por barragens em todo o Brasil. Dessas, cerca de 7.000 dependem do Pronaf.

 

Prazo do ITR vai até 30 de setembro

 

O prazo de entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e o Imposto Territorial Rural (ITR) encerra em 30 de setembro. O ADA é uma declaração exigida pelo Ibama e Receita Federal. Deve ser apresentado pelo proprietário rural que informou áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e outras de preservação ambiental que resultaram em uma alíquota menor do ITR

Estão obrigados a enviar o ADA pela internet os proprietários que possuam imóvel rural com área igual ou superior a 100 hectares se localizado nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil; ou 500 hectares, se localizado no Norte do país. O produtor rural que não se enquadrar nestas condições e não puder declarar pela Internet deve procurar os formulário nos sindicatos rurais. Depois deve apresentá-los em uma unidade do Ibama.

O ADA 2006 pode ser enviado pela Internet pelo acesso no endereço www.ibama.gov.br ou declarado no formulário. O ITR pode ser feito pela internet ou entregue em disquete nas agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal. Na internet o endereço www.receita.fazenda.gov.br

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Sementes de olho-de-boi

Há dias, fui questionado sobre uma semente, para dar-lhe o nome. O requerente disse-me que se tratava de uma trepadeira ou cipó e que era nativa do RS; que produzia vagens e que os indígenas a chamam de olho-de-boi, e é usada em artesanato. A semente em questão é arredondada, cor de pinhão maduro, muito dura, lisa e, em sua parte central, possui um risco branco, dividindo-a em duas partes. Gostaria de saber outros nomes comuns e o nome científico, para poder repassar os dados ao meu questionador.

Engº agrº Edmundo Ruzzarin

Caxias do Sul-RS

 

O termo olho-de-boi é aplicado às sementes graúdas, não de uma única planta, mas de diversas outras pertencentes a famílias distintas. Conforme a região tem outros nomes populares: jutaí, jatobá, abati, timbaí, longana, mucuña e outros.

Somente o Dicionário das Plantas Úteis do Brasil, do naturalista M. Pio Correa, cita alguns exemplos de espécies da Amazônia e regiões de clima tropical e subtropical:

– Heymenae courbaril da fam. Leguminosa – Cesalpinacea – vol. IV, pág. 295.

– Dolychos urens ou Mucuña urens, Leguminosa Papilionácea – vol. V, pág.248

– Diospyros coccolobiaefolia da fam. Ebenácea – vol. V, pág.307.

– Eugenia pluriflora da fam. Mirtácea – vol. V, pág.307.

– Nephelium longana ou Sapindus benghalensis da fam. Sapindácea – vol. V, pág. 307.

Com respeito às sementes remetidas pelo prezado colega, não encontrei nenhuma referência na literatura botânica gaúcha. Pensei então que se tratava da castanha-da-índia (Aesculus heppocastaneum), produzida por uma belíssima árvore ornamental com abundantes flores na primavera. Mas tive dúvidas, resolvidas no contato com a acadêmica de biologia Alessandra Carvalho, que levou as sementes aos pesquisadores do Jardim Botânico de POA, onde é funcionária. A resposta veio em seguida: trata-se da espécie Dioclea paraguariensis das leguminosas papilionáceas, acompanhada da cópia de uma publicação científica (em castelhano), tratando das 3 espécies argentinas do gênero Dioclea, uma das quais é a Dioclea paraguariensis com gravuras bem elucidativas. Esta espécie, antes era considerada sinônimo da Dioclea macrocarpa da região amazônica e América Central.

A publicação argentina descreve a Dioclea paraguariensis como espécie própria e distinta da Dioclea macrocarpa, salientando os detalhes diferenciais entre ambas, além da distribuição geográfica que é: Província de Missiones e Corrientes, na Argentina; Paraguai e região astral do Brasil. O Brasil conta com mais de 20 espécies do gênero Dioclea.

Descrição da espécie: A Dioclea paraguariensis é uma trepadeira alta (10 a 15m de altura) das matas nativas, lenhosa, com ramos de muitos metros de comprimento; tronco lenhoso de 20cm de diâmetro.

Folhas longo-pecioladas composta de 3 folíolos, membranáceos, brevi-peciolados, ovado-elípticos, ápice curto acuminado, nervuras salientes na face inferior. Estípulas, na base dos pecíolos linear-lanceoladas.

Flores violáceo-escuro, inflorescência flexuosa comprida, cálice campanulado e carnoso.

Androceu: 10 estames soldados. Os externos são férteis; os internos, estéreis.

Gineceu: com ovário súpero linear-oblongo hirsuto.

Fruto: vagem grande de até 30cm de comprimento e 6cm de largura, comprimida entre as sementes, lenhosa, sem rugosidade, algo recurvada, indeiscente, contendo de 3 a 4 sementes, arredondadas, duras, lisas, cor de pinhão, como o prezado colega diz em sua carta.

 

SAÚDE

Intolerância alimentar exige atenção

Problema interfere na absorção dos nutrientes e debilita o organismo

 

Dores abdominais, diarréia, vômito, dor de cabeça, fraqueza. Esses são sintomas comuns a várias doenças e, por esse motivo, muitas vezes não são investigados com a devida seriedade. Por trás desses sinais pode haver uma intolerância alimentar que, se não tratada, vai debilitando o paciente. Segundo a nutricionista Dóris Sbravati, de Caxias do Sul, no Brasil o leite de vaca e o glúten (proteína presente no trigo, aveia, centeio e cevada) são os principais desencadeadores de intolerância alimentar, que freqüentemente é confundida com alergia. A intolerância ao glúten também é conhecida como doença celíaca.

No caso da intolerância, a pessoa não tem uma enzima que é responsável pela digestão de determinado alimento no organismo e, por isso, sente mal-estar ao ingeri-lo. Os macronutrientes do alimento não são quebrados e o organismo reage, geralmente com dor de cabeça, vômito, desconforto abdominal e diarréia. No caso de sensibilidade ao glúten, também pode aparecer bolhas e vermelhidão na pele. Já na alergia o corpo reage imediatamente após a ingestão do alimento. Sintomas como urticária, coceira, tosse e vômito podem aparecer rapidamente.

Atualmente, o diagnóstico da intolerância alimentar depende de uma análise da história clínica do paciente. Quando o médico suspeita de algum alimento, o suspende da dieta do paciente, para observar a reação. Isso pode demorar algum tempo, mas funciona. Alguns médicos indicam exames de sangue, mas ainda há controvérsias a respeito da eficácia desses testes.

Depois de identificado o agente que provoca a intolerância, o tratamento consiste em eliminá-lo da alimentação. Dóris explica que quando o problema é identificado em crianças, depois de algum tempo de dieta, um ou dois anos, alguns pacientes voltam a comer o alimento e não apresentam mais o problema. Já em adultos, segundo ela, geralmente a dieta é para sempre.

Quem apresenta intolerância à lactose precisa eliminar da alimentação o leite de vaca e seus derivados. Ele pode ser substituído pelo leite de soja. Os celíacos devem evitar o glúten, presente em grãos de cereais como trigo, aveia, centeio e cevada, usados na produção de massas, pães, biscoitos etc. Retirar o glúten da dieta requer um exame minucioso das embalagens dos alimentos, pois ele está presente em vários produtos industrializados. Artigos rotulados "sem trigo" não necessariamente são livres de glúten. Estabilizantes, emulsificantes e aditivos de cereais usados em alimentos processados podem conter glúten.

 

Doença prejudica a função do intestino

 

A principal função do intestino delgado é absorver nutrientes, fluidos e eletrólitos, um processo que depende de uma área de absorção adequada. Para aumentar essa área de absorção, as paredes do órgão apresentam pregas. Quando não tratada, a intolerância alimentar causa uma inflamação no intestino. Se a inflamação for severa, as paredes do órgão vão ficando lisas, reduzindo a superfície de absorção dos nutrientes.

Com o tempo, a pessoa perde peso, pode ficar desnutrida, apresentar anemia pela baixa absorção de ferro, osteoporose pela falta de cálcio, carência de ácido fólico e câncer de intestino.

 

Médicos divergem quanto aos exames

 

Alguns médicos indicam exames de sangue para detectar a intolerância alimentar. Há dois tipos no Brasil; um avalia 51 alimentos e 21 conservantes, outro analisa 100 alimentos e 20 corantes e conservantes de uso freqüente. Esses testes seriam capazes de apontar com cerca de 80% de eficácia o que causa intolerância nas pessoas. Coleta-se sangue e, em laboratório, as células são colocadas em contato com a lista de alimentos e aditivos para analisar se ocorre reação. Há controvérsias sobre a eficácia dos exames porque nem sempre os resultados obtidos em laboratório podem ser transferidos ao homem.

 

"Acertei a alimentação e me sinto renovada"

 

Anna Lúcia Sachet, de Caxias do Sul, começou a sentir mal-estar há cerca de três anos. "Tinha diarréia constante, tudo que eu comia era eliminado; algumas vezes também tive vômitos", conta. "Com o tempo, também passei a sentir muita fraqueza, desânimo, sono". Anna afirma que procurou vários médicos e fez diversos exames. "Alguns me mandavam fazer soro, suspeitavam de virose, outros tratavam a anemia, mas eu não apresentava melhoras". "Comecei a ficar triste com meu estado de saúde e, cada vez mais desanimada, sentia que não estava bem e não sabia como reagir, algumas vezes chorei", declara ela.

Há três meses, ela começou a reverter a situação. "Procurei uma hematologista e ela se apavorou; disse que eu estava anêmica e desnutrida, me encaminhou para um médico especialista do sistema digestivo." Foi então que Anna descobriu que tinha intolerância ao glúten e à lactose.

Ela conta que iniciou a dieta imediatamente e já se sente melhor. "No começo é difícil se adaptar, mas acostuma. Aprendi receitas à base de farinha de milho e descobri lojas especializadas em produtos para celíacos, dá para fazer uma dieta bem variada", garante. "Sinto falta principalmente do pão, que comia diariamente, mas me sinto muito melhor e isso me estimula a continuar", diz.

"A anemia era conseqüência da baixa absorção de ferro. Meu intestino está liso, preciso refazer as estruturas", explica Anna. "Em três meses, recuperei dois quilos, ainda faltam quatro, mas vou chegar lá. Sou outra pessoa hoje, me sinto renovada", finaliza Anna.

 

OPINIÃO

Mísseis com dedicatória

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Tão triste quanto Israel bombardear um país quase desarmado é o fato de os países árabes não aceitarem o Estado de Israel. Ambas intolerâncias estão na raiz deste conflito, do qual as vítimas mais fatais são as crianças – as que escrevem dedicatórias nos mísseis e as que por eles são assassinadas

 

A tragédia do Líbano vem provocando a circulação de recados e mensagens pela internet, enviados por amigos ou conhecidos, ou listas de chat. Assim, além da grande imprensa e da mídia em geral, recebem-se informações mais específicas. Nem sempre a fonte destas é muito confiável, mas às vezes o é. E pode trazer elementos impressionantes sobre um fato já por si impressionante como a guerra desigual entre Israel e o Líbano.

A mensagem que recebi vem assinada por uma jovem libanesa casada com um brasileiro. Mostra criancinhas israelenses de Kyriat Shmona, perto da fronteira do Líbano, escrevendo mensagens com canetinhas coloridas nos mísseis israelenses que quase seguramente serão usados para bombardear o território libanês. O lugar onde as fotos foram feitas é um posto avançado de artilharia e a entrada de crianças em tal lugar só pode ter se realizado com uma autorização especial do exército.

De fato, em uma das fotos se vê um soldado em cima de um tanque olhando placidamente as crianças escreverem seus recados endereçados ao lado de lá do conflito. Alguns dos recados estão em inglês e nas fotos em power point que compõem a mensagem se pode ler o que vários meninos e meninas escreveram: "De Israel com amor".

A mensagem afirma que as crianças estão sendo ensinadas a aceitar com naturalidade o fato de que seu país bombardeie outros quando considera seu território ameaçado. O fato de serem estimuladas a escrever recados nos mísseis seria uma das técnicas pedagógicas usadas com esse fim. Não posso saber e não quero crer que assim seja. Parece-me uma autêntica barbaridade que tudo isso seja parte de uma estratégia montada para fazer a cabeça das crianças no sentido de uma visão banalizada da violência.

No entanto, há alguns dados comprovados e de fonte segura que tornam o fato retratado nestas imagens mais bárbaro e cruel do que já parece à primeira vista. Segundo a ONU, um terço das vítimas do Líbano são crianças. Ou seja: enquanto de um lado há crianças que se divertem mandando recados escritos sobre armas letais, de outro há crianças massacradas por estas mesmas armas. A única diferença será que alguns dos mísseis que lhes estraçalharem a cabeça e os corpos virão com dedicatória de suas companheiras da mesma raça semita e da mesma árvore abraâmica, que são ensinadas a se acostumar com a presença das armas e da guerra em suas vidas.

Todo o episódio desta guerra cruel e sangrenta é absurdo e sem sentido. Mas não há certamente nada mais sem sentido e mais cruel do que usar crianças para ornamentar e protagonizar o conflito cruel e sem quartel que encontra teoricamente sua raiz no seqüestro de um soldado, mas que tem suas origens ensangüentadas em ódios muito antigos, com tintas de uma rivalidade e uma violência ancestrais.

Tão triste quanto o Estado de Israel estar bombardeando com seu poderoso arsenal um país quase desarmado é o fato de os países árabes não aceitarem o Estado de Israel, o direito ao povo israelense de ter uma terra. Ambas as intolerâncias estão na raiz deste conflito, do qual as vítimas mais fatais acabam sendo as crianças, tanto as que escrevem dedicatórias nos mísseis quanto as que por eles são assassinadas quando haviam apenas começado a viver.

 

A ousadia da franqueza

Frei Betto

Nossa vaidade torna os nossos ouvidos moucos. E qualquer crítica é recebida como punhalada em nosso ego. Sobretudo aqueles que, entre nós, têm baixa auto-estima e necessitam, como o peixe da água, viver cercado de bajuladores

 

Michel Foucault, em conferências na Universidade de Berkely, em 1983, revisitou o tema da parrésia, palavra grega que aparece pela primeira vez na obra de Eurípides, há sete séculos, e significa franqueza ou, etimologicamente, "dizer tudo".

O parrésico, o que fala a verdade, merece credibilidade por sua ética e coragem. Pois não se trata de apenas manifestar o que pensa, mas fazê-lo com risco de vida, ou seja, confrontando o poder. E o poderoso pode puni-lo por tamanho atrevimento...

"A parrésia é uma forma de crítica – afirma Foucault – tanto ao outro quanto a si mesmo, mas sempre numa situação em que o crítico encontra-se numa posição de inferioridade em relação ao interlocutor. O parrésico é sempre menos poderoso do que aquele a quem dirige a palavra. A parrésia vem "de baixo" e se dirige a quem está "em cima". Por isso, um antigo grego não diria que um professor ou pai que critica uma criança faz uso da parrésia. Mas quando um filósofo critica um tirano, quando um cidadão critica a maioria, quando um aluno critica o professor, então utilizam a parrésia. Na parrésia dizer a verdade é um dever."

Plutarco, que viveu no século I, escreveu um livro intitulado "Como distinguir um adulador de um amigo". O verdadeiro amigo é parrésico, fala a verdade, ainda que incomode ou doa. Pois a relação que temos conosco, a de amor próprio, cria em nossa mente a permanente ilusão acerca de quem realmente somos. "Sendo cada um de nós o principal e maior adulador de si mesmo – diz Plutarco – devemos admitir sem dificuldade alguém de fora como testemunho." Alguém que nos critique e nos faça reconhecer os erros e defeitos. Só um amigo parrésico é capaz de nos livrar da ilusão e fazer com que nos olhemos no espelho da alma. Como saber que o amigo é parrésico? Plutarco diz que há dois modos: primeiro, conformidade entre o que ele fala e vive, como Sócrates. Segundo, a firmeza de convicções. "Se se alegra sempre com as mesmas coisas e as preza – diz Plutarco – e ordena sua própria vida segundo um único modelo. O adulador, por não ter caráter, não vive uma vida escolhida por ele mesmo, e sim pelos outros, e modela-se e adapta-se para o outro; não é simples nem coerente, mas ambíguo e contraditório, por fluir e mudar de forma como a água que, vertida de um recipiente a outro, adequa-se à vasilha que a recebe."

Foucault chama a atenção ao fato de Plutarco sublinhar que somos incapazes de admitir que não sabemos nada e nem sabemos quem somos.

Galeno, famoso médico do século II, observa que vemos os defeitos dos outros, mas permanecemos cegos quando se trata dos nossos. Platão sublinha que o amante é cego frente ao objeto de seu amor. "Se, portanto, cada um de nós se ama acima de todas as coisas – diz Galeno – deve estar cego no que concerne a si mesmo. (...) Quando um homem não saúda pelo nome um poderoso ou rico, quando não o freqüenta nem senta à mesa com ele, quando vive uma vida disciplinada, é de se esperar que este homem diga a verdade."

Galeno sugere que tomemos este homem por amigo e lhe peçamos que diga tudo que observa em nós. Ele haverá de nos salvar, tanto quanto o médico que cura a enfermidade de nosso corpo.

Esses sábios e antigos conselhos servem em todas as circunstâncias de nossas vidas. Quem dera que aqueles que ocupam uma função de poder – do político ao síndico do prédio, do gerente à guardiã da capela – estimulassem aqueles com quem e para quem trabalham a manifestar suas críticas e sugestões. No entanto, nossa vaidade torna os nossos ouvidos moucos. E qualquer crítica é recebida como punhalada em nosso ego. Sobretudo aqueles que, entre nós, têm baixa auto-estima e necessitam, como o peixe da água, viver cercados de bajuladores.

Quem dera tivéssemos a ousada humildade de Jesus que, em Cesaréia de Filipe, fez duas perguntas a seus discípulos: "O que o povo diz a meu respeito? E vocês, o que dizem de mim?" (Mateus 16, 13-20).

Em geral preferimos nos iludir convencidos de que os subalternos pensam a nosso respeito o que gostaríamos que pensassem... E sem dar-lhes chance de nos corrigir, vamos arrastando vida afora os nossos defeitos, que prejudicam a terceiros e nos colocam no pelourinho do ridículo.

 

NACIONAL

Máfia das ambulâncias tem 72 suspeitos

Relatório da CPI sugere cassação de 69 deputados e de três senadores

 

Corrupção ativa e passiva, concussão (crime cometido por servidor público), condescendência criminosa, advocacia administrativa e exploração de prestígio. Estes são os seis crimes previstos no Código Penal em que incorreram os 72 parlamentares denunciados na CPI das Sanguessugas, segundo o relator, senador Amir Lando (PMDB-RO). A relação com os nomes de 69 deputados federais e três senadores foi divulgada na quinta 10 e dela fazem parte três deputados gaúchos: Edir Oliveira (PTB), Érico Ribeiro (PP) e Paulo Gouvêa (PL) – todos negam o envolvimento. O relatório parcial, com 1,6 mil páginas e aprovado sob forte pressão, absolveu 18 parlamentares, entre eles o ex-ministro Saraiva Felipe (PMDB-MG).

Os parlamentares que podem ter os mandatos cassados são suspeitos de envolvimento na máfia das ambulâncias, um esquema montado para tirar vantagens com o superfaturamento na venda de ambulâncias a prefeituras (segundo a Polícia Federal, uma quadrilha chefiada pelo empresário Darci Vedoin, dono da empresa Planam (MT), contatava prefeitos interessados em comprar ambulâncias e acionava assessores parlamentares para elaborar emendas. Aprovadas, as verbas eram liberadas com facilidade pelo Ministério da Saúde, onde o esquema tinha ramificação). Estimativa é de que foram movimentados R$ 110 milhões desde 2001.

O relatório da CPMI revela que havia "uma verdadeira rede de parlamentares" envolvida no esquema de direcionamento de emendas ao Orçamento Geral da União mediante pagamento de propina ou prestação de serviços. Segundo o documento, o esquema de direcionamento de licitações da Planam começou "timidamente" em 1998, por meio de acerto com prefeitos de municípios do interior do Mato Grosso.

A partir de 1999, a Planam passa a fazer contatos com parlamentares. A rede de contatos da empresa acusada de comandar as fraudes era ampliada com "dois a três novos parlamentares por semana". Pelo relatório, já no ano 2000 foram vendidas pelo "grupo" Planam mais de 60 unidades móveis de saúde.

 

Havia até "mercado futuro de emendas"

 

Pela descrição do relator Amir Lando, Luiz Antônio Trevisan Vedoin, da Planan, se aproximava de parlamentares que haviam apresentado emendas que lhe fossem interessantes, a fim de propor o direcionamento de sua execução, mediante a promessa do pagamento de propina. O valor a ser pago era acertado previamente e a maioria dos parlamentares preferia receber em dinheiro.

Em alguns casos, havia o "adiantamento" do pagamento ou negociações no que o relator classificou como "mercado futuro de emendas" durante a campanha eleitoral de 2002, "quando os parlamentares aceitavam o adiantamento sob promessa de, uma vez eleitos, apresentarem as emendas para a aquisição das unidades móveis de saúde". O pagamento era feito, quase sempre, em dinheiro e diretamente no gabinete dos parlamentares.

 

Mais de 90% concorrem

 

Dos 72 parlamentares denunciados pela CPI dos Sanguessugas, 66 são candidatos nas eleições de outubro. Segundo informações do TSE, são 59 os que tentam a reeleição na Câmara. Um irá tentar a renovação da vaga de senador (Ney Suassuna – PMDB/PB), e um, a vaga de suplente de senador (Carlos Dunga – PTB-PB). Quatro disputam cargo de deputado estadual e a senadora Serys Slhessarenko (PT), o governo de Mato Grosso.

 

Longo caminho até a cassação

 

Os 72 indiciados vão agora para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Aqueles contra quem há provas serão encaminhados à Mesa Diretora da Câmara ou do Senado e, depois, para o Conselho de Ética. Os acusados são notificados e têm cinco sessões do plenário para apresentar defesa. É difícil, portanto, que os processos sejam julgados no conselho neste ano, embora exista a possibilidade de alguns casos serem apreciados até novembro. Do Conselho de Ética, o acusado pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça. O último passo é o plenário, com votação secreta. Na Câmara, para cassação, são necessários 308 votos dos 513 deputados. No Senado, 49 dos 81 senadores.

 

MEIO AMBIENTE

COLETA SELETIVA AVANÇA, MAS AINDA É TÍMIDA

Em 12 anos, o número de cidades brasileiras que reciclam lixo aumentou 300%. Mesmo assim, atinge só 5% do total de municípios

 

O número de municípios que adotam coleta seletiva de lixo aumentou 38% entre 2004 e 2006. É o que mostra pesquisa do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). Os números de 2006 mostram que, hoje, 327 prefeituras têm programas de coleta seletiva.

Porém, o Brasil possui 5.563 municípios (IBGE/2003), ou seja, a coleta seletiva ainda é tímida, ocorre em menos de 6% das cidades do país. Como ela abrange muitos dos municípios mais populosos, cerca de 25 milhões de brasileiros têm acesso a esses programas, número cinco vezes maior ao de 2004. A pesquisa aponta que pelo menos seis municípios conseguiram estender o serviço a 100% da população: Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Itabira (MG), São Sebastião (SP), Santos (SP) e Santo André (SP). As regiões Sul e Sudeste continuam com melhor desempenho e juntas contabilizam 279 cidades com programas estruturados de coleta seletiva.

De acordo com André Vilhena, diretor do Cempre, o aumento das parcerias entre prefeituras e catadores de lixo foi um dos principais fatores do crescimento. Segundo dados da instituição, 43,5% da coleta de lixo no país é feita dessa forma. Na pesquisa anterior, esse número era tão pequeno que nem era usado no levantamento.

Vilhena afirma que os municípios começaram a perceber que a parceria com os catadores era uma ótima forma de baratear os custos do processo. Conforme o levantamento, a consciência que algumas prefeituras passaram a ter sobre a economia com a redução de resíduos enviados para aterros sanitários, além da geração de postos de trabalho para os catadores, também foram fatores essenciais para esse processo.

O custo médio com a coleta seletiva, considerando as etapas de coleta e triagem, caiu 37% em 12 anos, o que também explica o aumento das adesões. Hoje, o processo custa US$ 151 por tonelada, mas ainda é cinco vezes mais caro que a coleta convencional do lixo.

Apesar da evolução no número de prefeituras com coleta seletiva, o Brasil ainda está longe do ideal. "Em muitas prefeituras, temos baixo nível de capacitação técnica dos profissionais envolvidos com limpeza urbana, escassez de recursos pela má gestão e sistemas ineficientes de arrecadação. Isso tudo se soma à resposta lenta da população aos investimentos na área", comentou André Vilhena, diretor Cempre.

O papel e o papelão, juntos, somam 38% do peso do lixo nas cidades pesquisadas. O plástico, o vidro e os metais ficam com 20%, 14% e 9%, respectivamente. Embalagens longa vida e alumínio têm índices de 2% e 1%, enquanto a fatia de diversos (baterias, pilhas, borracha, madeira etc) é de 5% e a de rejeito, 11%.

 

Brasil é campeão em reciclagem de latas de alumínio

 

As latas de alumínio para bebidas merecem destaque na reciclagem, por ter um alto consumo e um ciclo de vida bastante inferior ao apresentado por outros produtos do mesmo material. A reciclagem da latinha tem levado o Brasil à liderança mundial na atividade, há cinco anos consecutivos.

Segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal), em 2005, o país bateu novamente o recorde mundial de reciclagem de latas de alumínio para bebidas, com índice de 96,2%. Foram 127,6 mil toneladas de latas recicladas no ano passado, o que corresponde a cerca de 9,4 bilhões de latas no ano ou 26 milhões de latas por dia, ou, ainda, mais de um milhão por hora.

Com liga metálica mais pura, essa sucata volta em forma de lâminas à produção de latas ou é repassada para fundição de autopeças. Com a evolução do processo de reciclagem do alumínio, já é possível que uma lata de bebida seja colocada na prateleira do supermercado, vendida, consumida, reciclada, transformada em nova lata, envasada, vendida e novamente exposta na prateleira em apenas 33 dias.

Com os esforços desempenhados pela cadeia de reciclagem – fabricantes de chapas, de latas, envasadores de bebidas, cooperativas e recicladoras – e pelo Governo, por meio da conscientização da população, o programa de reciclagem da lata de alumínio é, hoje, uma experiência de sucesso com grande influência social, econômica e ambiental. Conforme a Abal, somente a etapa de coleta (a compra das latas usadas) injeta anualmente R$ 490 milhões na economia nacional.

Esse resultado é conseqüência de vários aspectos. O país possui um mercado de reciclagem já estabelecido em todas as regiões. Além disso, a facilidade na coleta, transporte e venda e o alto valor da sucata de alumínio, aliados à grande disponibilidade durante todo o ano, estimularam a reciclagem desse material, provocando também mudanças no comportamento do consumidor.

O engajamento da classe média também é apontado pela Abal como um dos fatores que contribuíram para o progresso da reciclagem no país. Entre 2000 e 2005, segundo dados da instituição, passou de 10% para 24% a participação de condomínios e clubes na coleta de latas usadas. Outro dado relevante é o surgimento de cooperativas e associações de catadores em todo o país nesse período. A participação dessas entidades na coleta de latas de alumínio passou de 43% para 52%.

É notória a importância das latas de alumínio para a atividade de reciclagem no Brasil. Por reforçar a consciência ecológica da população, acaba por estimular a coleta de outros materiais.

As latinhas de alumínio são recolhidas e armazenadas por uma rede de aproximadamente 130 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas.

 

Material é valorizado no mercado

 

A lata de alumínio é o material reciclável mais valioso. O preço pago por uma tonelada é, em média, de R$ 3.500 – o quilo equivale a 75 latinhas. A lata de alumínio é usada basicamente como embalagem de bebidas. Cada brasileiro consome em média 54 latinhas por ano, volume bem inferior ao norte-americano, que é de 375.

Ganho – Além de reduzir o lixo que vai para os aterros, a reciclagem desse material proporciona significativo ganho energético. Para reciclar uma tonelada de latas gasta-se 5% da energia necessária para produzir a mesma quantidade de alumínio pelo processo primário. Isso significa que cada latinha reciclada economiza energia elétrica equivalente ao consumo de um aparelho de TV durante três horas. A reciclagem evita a extração da bauxita, o mineral beneficiado para a fabricação da alumina, que é transformada em liga de alumínio. Cada tonelada do metal exige cinco de minério.

Os avanços tecnológicos ajudaram a desenvolver o mercado: há 25 anos, com um quilo de alumínio reciclado era possível fazer 42 latas de 350 ml. Hoje, a indústria consegue produzir 62 latas com a mesma quantidade de material, aumentando a produtividade em 47%.

No Brasil, a lata de alumínio corresponde a menos de 1% dos resíduos urbanos. Nos EUA, essas embalagens representam cerca de 1% do lixo – 500 mil toneladas por ano.

Para se ter uma idéia do valor da lata de alumínio, essa sucata vale atualmente 33 vezes mais do que a de aço e 55 vezes mais que as garrafas de vidro. Uma lata de alumínio demora mais de 100 anos para se decompor na natureza.

 

Os veículos brasileiros estão poluindo menos

 

Os veículos brasileiros poluem hoje 98% menos, em comparação aos carros que eram fabricados no país há 20 anos. Esse dado considera vários tipos de gases poluentes. No caso da emissão de monóxido de carbono, um dos mais nocivos à saúde, a redução foi de 99%. Em 1986, um carro despejava na atmosfera 54 gramas de gás carbônico a cada quilômetro rodado. Hoje, essa quantidade é de 0,3 grama. Além de melhorar a qualidade do ar, a redução na emissão de gases poluentes ajuda a diminuir o número de casos de doenças cardiovasculares e pulmonares provocadas pela poluição.

Os dados foram divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente. O coordenador do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, Paulo Macedo, destacou que a melhoria na qualidade do ar ocorreu mesmo com o aumento da frota nacional, que passou de 10 milhões de veículos para aproximadamente 24 milhões, em duas décadas.

 

Governo tenta evitar a entrada de 11 milhões de pneus usados no país

 

O Brasil produz anualmente 50 milhões de pneus. Apesar da importação de bens usados ser proibida por resoluções, outros 11 milhões de pneus usados entram no país todo ano, por meio de liminares judiciais. E esse volume deve crescer ainda mais, pois já entrou em vigor norma da União Européia (UE) que proíbe o descarte de pneus em seus aterros sanitários. Isso significa que aqueles países terão que arrumar um destino para 80 milhões de carcaças descartadas por ano.

A UE recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) na tentativa de obrigar o Brasil a receber pneus usados. Na OMC, as Comunidades Européias acusam o Brasil de adotar uma medida protecionista, de caráter estritamente comercial. O governo brasileiro rejeita a acusação e em sua defesa alega que as restrições foram adotadas como medidas de caráter ambiental e de saúde pública, exclusivamente. O relatório final sai dia 15 de janeiro de 2007. A partir daí, inicia o prazo de 60 dias para as apelações.

O caso brasileiro pode desencadear um efeito sistêmico sobre o comércio multilateral, na avaliação de especialistas. Se o Brasil vencer na disputa da OMC, outros países poderão manter medidas semelhantes de proteção ao meio ambiente. Se perder, futuramente, pode ser obrigado a aceitar a entrada de outros bens de consumo usados, tornando-se depósito de resíduos de países desenvolvidos.

 

Impasse com a Europa já dura três anos

 

O impasse dos pneus usados iniciou em novembro de 2003. A União Européia (UE) alegou que a proibição da entrada de pneus reformados pelo Brasil estava prejudicando alguns reformadores europeus. Em 2004, a UE investigou as práticas comerciais do Brasil. O governo brasileiro informou as razões ambientais e de saúde pública que levaram o país a proibir a importação de pneus usados. Porém, insatisfeita, a UE concluiu que as medidas contrariavam regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e recomendou que o Brasil baixasse suas barreiras até outubro de 2004, o que não aconteceu. Em junho de 2005, a UE apelou à OMC e desde então tenta forçar a entrada de pneus reformados no Brasil.

 

IGREJA

Capuchinhos realizam Capítulo Geral

Freis estudam futuro da Ordem e elegem o novo ministro geral

 

Mais de 230 capuchinhos, entre delegados capitulares, oficiais e auxiliares, permanecerão reunidos por 20 dias, durante o 83º Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. De 28 de agosto a 17 de setembro de 2006, no Colégio Internacional São Lourenço de Brindes, em Roma, eles estarão representando os cerca de 11 mil capuchinhos de todo o mundo para "refletir sobre nossa comum fraternidade evangélica", afirma o ministro geral da Ordem, frei John Corriveau.

Além dos estudos sobre o futuro da Ordem, os capitulares elegerão o novo ministro geral e seu definitório para os próximos seis anos. Frei John, canadense, está à frente da Ordem há 12 anos. Constituições e Estatutos Gerais da Ordem, solidariedade com os frades dentro da Ordem e reflexão do 6º CPO são alguns dos temas de estudo.

Da província do Rio Grande do Sul, a maior do mundo, com 377 frades, incluídos os das vice-províncias do Brasil Oeste e da República Dominicana e Haiti, participam frei Álvaro Morés, provincial, e frei Cleonir Dalbosco, vigário provincial; frei Faustino Paludo (vice-província do Brasil Oeste); frei Demetrio de La Cruz Jiménez (vice-província da República Dominicana); freis Sérgio Dal Moro, Hilário Frighetto, Ivacir Sinigaglia e Luciano Lampert.

O site capuchinho www.ofmcap.org vai apresentar informações sobre o capítulo em sete línguas.

 

Ordem está presente nos cinco continentes

 

Os capuchinhos são, junto com os franciscanos e os conventuais, um dos três ramos da Primeira Ordem, fundada por São Francisco de Assis no século XIII. Os capuchinhos são o ramo mais recente. Surgiram oficialmente no dia 3 de julho de 1528, quando Clemente VII, com a Bula "Religionis Zelus", aprovou a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

Em abril de 1529, frei Mateus de Bascio, idealizador da reforma capuchinha, foi eleito vigário geral e no capítulo da nova Ordem, celebrado em 1536, foram publicadas as constituições que, sempre que necessário, foram modificadas para se adaptarem às necessidades dos tempos e às exigências da Igreja.

Hoje, os cerca de 11 mil capuchinhos (tabela, acima) estão presentes em 99 países Constituem, nos cinco continentes, 1.767 fraternidades (com pelo menos três frades cada) e 154 circunscrições.

 

Bênçãos a distância

Padre Zezinho

A Igreja não vê com naturalidade esse assunto de fé virtual

 

"Qual o valor das bênçãos dadas pelos padres artistas que trabalham no rádio ou na televisão sobre a água que fica em cima do rádio? Aquela bênção realmente funciona? A Igreja autoriza isso ou devemos receber isto com um certo cuidado?", pergunta Heleonora, uma leitora.

Em primeiro lugar, deve ficar bem claro que devoção é uma coisa e sacramento é outra. Os fiéis têm o direito de praticar devoções e viver alguns sinais que favoreçam a prática da fé, mas nenhuma das devoções é obrigatória; já os sacramentos para a Igreja têm maior peso e são objeto de estudo, de regulamentos e de normas muito claras porque são uma vivência aprovada universalmente, de unidade da fé católica. Isso posto, a pergunta deve ser respondida da seguinte maneira: se formos lógicos ao aprovarmos e acreditarmos que uma benção dada pelo rádio realmente abençoou aquela água teremos que permitir também uma missa pelo rádio e amanhã nada impede que os fiéis que receberam uma benção do padre "X" para o seu copo d’água no rádio, coloquem um cálice com vinho e as hóstias para que também o padre as consagre através do rádio. Se vale abençoar a água porque não valeria consagrar o vinho e o pão?

Portanto, não é muito fácil esse assunto de fé virtual. Se o padre tem o poder de abençoar aquela água à distância também vai poder celebrar missa à distância. Acontece que a Igreja proíbe a celebração de missa à distância e não considera válido que os fiéis recebam do cálice o vinho ou pão consagrados através da televisão. Então, também não deve permitir benzeduras com aquela água que foi abençoada através do rádio. É questão de lógica.

Respondendo à leitora, eu não faço isso porque tenho sérias dúvidas sobre a validade desse tipo de bênção. Jesus pode abençoar à distância, como no caso do servo, mas Jesus era Filho de Deus e eu não sou, por mais que seja mensageiro ou porta-voz dele; a Igreja não vê com naturalidade esse tipo de prática. Deixa muitas dúvidas no ar. Na dúvida, prefiro não brincar com um sacramental tão sério como a água benta. Não, eu jamais abençoaria a água pelo rádio; acho que a Igreja não aprova.

Existe uma benção e comunhão espiritual que é muito diferente disso que esses companheiros estão ensinando. Duvido que aquela água realmente foi abençoada...

 

CRB/RS inicia celebrações jubilares

Entidade dos religiosos do Rio Grande do Sul foi fundada há 50 anos

 

A Conferência dos Religiosos do Brasil – Regional RS inicia, no dia 24 de agosto, as celebrações dos 50 anos de fundação no Rio Grande do Sul. A abertura do ano jubilar ocorre durante sessão extraordinária na Assembléia Legislativa, às 14h30 e a seguir haverá uma programação especial promovida pela CRB.

A CRB nacional, à qual está vinculada a CRB/RS, foi fundada no dia 11 de fevereiro de 1954, no Rio de Janeiro (RJ), durante o Congresso Nacional dos Religiosos. No Rio Grande do Sul, a CRB foi formada no dia 11 de março de 1957. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com 102 congregações, ordens e institutos religiosos, que somam 5.471 membros.

A Regional de Porto Alegre da Conferência dos Religiosos do Brasil é composta por uma diretoria, eleita em assembléia geral, hoje presidida por irmã Maria Alcídia Guareschi, e por 18 equipes de reflexão que mantém reuniões periódicas para estudo e reflexão de temas relacionados à vida religiosa.

A CRB/RS se articula em 21 núcleos religiosos, correspondentes às 17 dioceses gaúchas e a quatro vicariatos da região metropolitana (são cinco, no total, mas Camaquã não está incluído), que dinamizam a vida religiosa nas comunidades e também se encontram para estudos, reflexão, partilha e celebrações, para animar a convivência da consagração e missão.

O Rio Grande do Sul tem cinco sedes gerais, 51 sedes provinciais (35 femininas e 16 masculinas), 11 representantes de sedes gerais femininas e 39 representantes de sedes provinciais (28 femininas e 11 masculinas). Também é significativa a presença da vida religiosa contemplativa. São 16 mosteiros, 13 dos quais femininos. (mais dados na tabela acima).

No Brasil, os religiosos somam cerca de 50 mil, pertencentes a 655 congregações (499 femininas e 156 masculinas).

A programação do ano jubilar se estende até novembro de 2007, quando deverá encerrar na romaria da Medianeira, em Santa Maria, com participação especial da Regional CRB/RS.

 

Seminário trata de comunicação e paz

 

O setor de comunicação do Regional Sul 3 da CNBB está promovendo o 8º Seminário Regional de Comunicação. O evento ocorre de 24 a 26 de agosto de 2006, na Unisinos, em São Leopoldo, e tem como tema "Comunicação e Cultura da Paz". O seminário é um desafio à Igreja para que responda com ações concretas aos desejos da paz tão desejada.

Dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre e presidente do Regional Sul 3, faz a abertura do evento, que também terá a presença de dom Osvino Both, bispo de Novo Hamburgo e, dom Hélio Rubert, bispo de Santa Maria. Em seguida, o pró-reitor da Unisinos, Pedro Gilberto Gomes, palestra sobre "comunicação e cultura de paz".

Painéis – No dia 25, painel com os professores Inácio Neutzling, Christa Berger e Nancy Cardoso Pereira. Na parte da tarde, painéis sobre Rádio e Cultura da Paz, com exposição de André Machado; Jornal e Cultura da Paz (padre Pedrinho Guareschi), TV e Cultura da Paz (Fausto Neto) e Internet e Cultura da Paz (Daniel Bittencourt).

No dia 26, definições das práticas pastorais de comunicação à luz das temáticas do evento e escolha da sede para o 9º seminário de comunicação. Informações e inscrições (ao valor de R$ 10,00) pelos telefones (51) 3221.0422; 8114.9973 ou 3224.0250, pelo e-mail elidefogolari@paulinas.org.br e no site www.unisinos.br/eventos.

 

Mânica dedica capitel a Santo Antônio

 

Em 1922, como promessa para a saúde do filho Beijamim, Valentim e Albina Lazzari Mânica mandaram construir um capitel na Linha Araújo e Souza, em Garibaldi, dedicado a Santo Antônio. Em razão do alargamento da estrada, o capitel foi demolido em 1960. Quarenta e seis anos após, Antônio Alberto Mânica, sobrinho de Valentim, ao completar 80 anos de vida, mandou construir no mesmo lugar um novo capitel, inaugurado em julho. O pároco, padre Mariano Callegari, presidiu a missa e bênção, que contou com a presença de familiares, amigos e devotos, do casal idealizador do capitel, Antônio e Mercedes Mânica, da sobrinha, irmã Regina Mânica, coordenadora das murialdinas, e de Regina e Antônio Cetolin, prefeito de Garibaldi.

 

Escola de Formação promove a 6ª etapa

 

Nos dias 19 e 20 de agosto, no Centro Diocesano de Formação Pastoral, em Caxias do Sul, será realizada a 6ª etapa da Escola de Formção Fé, Política e Trabalho, edição 2006. O tema dessa etapa é "Um outro Brasil é possível, construindo um Brasil democrático e sustentável", assessorado pelo professor da Unisinos, Aloísio Ruscheinsky. João Inácio Pires Lucas, professor da UCS, fará análise de conjuntura.

No dia 26 de agosto, também no Centro Diocesano, das 8h30 às 18 horas, ocorre a 6ª etapa da Escola Bíblico-catequética, com estudos sobre o pensamento do apóstolo São Paulo em relação a Jesus e à Igreja. Ildo Bohn Gass assessora essa etapa. Mais informações sobre os dois eventos pelo telefone (54) 3211.5032.

 

Soluções definitivas

Aldo Colombo

A solução definitiva para a pessoa, para a família, para uma comunidade e para um país está na educação

 

Era um destes estabelecimentos comerciais do interior. Não havia artigos de luxo, mas ali se encontravam os produtos essenciais para a comunidade. Certo dia, três homens foram solicitar ajuda para suas famílias, muito pobres. O comerciante acolheu o pedido e ofereceu a eles três possibilidades, cada um escolheria. Tratava-se de um saco com farinha, outro saco com pães, recém saídos do forno, enquanto o terceiro saco continha sementes.

O mais afoito deles escolheu o saco com os pães e imaginou a alegria de seus filhos com o presente. O segundo optou pelo saco com farinha, assim teriam pães para muitos dias. O terceiro escolheu, aparentemente, a opção mais difícil: levou o saco com as sementes. Este foi o único que não precisou mais retornar, ele resolvera o problema, em profundidade, para si e para seus filhos. Ele optara por uma solução a longo prazo, mas que se revelaria definitiva.

Já os antigos sábios da China tinham uma receita parecida, mais completa até. Eles afirmavam: se queres saciar a fome de uma pessoa, por um dia, é suficiente dar a ele um pão, mas se queres saciar a fome de um grupo ao longo de um ano, planta uma seara. Nenhuma destas soluções é definitiva: se queres saciar a fome de um povo, para sempre, aposte em sua educação.

Nossa sociedade se especializou em paliativos. Há muitos crimes, vamos construir mais presídios; há muitos assaltos, coloquemos mais policiais na rua; há algum tipo de desobediência, fabriquemos leis cada vez mais duras. São os paliativos, são analgésicos, que não resolvem, pois não descem às causas. O evangelho fala de remendos velhos em panos novos e, com isso, o rasgo fica sempre maior. Quando existe uma conseqüência, precisamos descer às causas. Sem isso será sempre uma corrida atrás do prejuízo.

O Brasil tem milhares de leis e milhares de problemas. O tecido social apresenta rasgos cada vez maiores. De tempos em tempos, a imprensa levanta a ponta do tapete e mostra a sujeira acumulada. Há um clamor público, prometem-se novas medidas, mas a coisa continua igual. Todos os nossos problemas passam pela educação. Isso não abrange apenas a área escolar. Educação tem tudo a ver com a família, com os meios de comunicação, com a política, com o mundo do trabalho, com os sindicatos, com a Igreja, com os dirigentes políticos. É um conjunto de coisas que somam bons ou maus resultados.

Há os que vendem o pão quente das ilusões, há os que prometem meias medidas, simbolizadas pelo saco da farinha, que também acaba. A solução definitiva está na semente e na seara. A solução definitiva para a pessoa, para a família, para uma comunidade e para um país está na educação. Ela representa a única possibilidade para uma vivência harmoniosa e uma pessoa livre e feliz.

 

Romaria da Terra reafirma compromisso com os pobres

Caminhada ocorre dia 20 de agosto no norte do Paraná

 

Valorizar a história, a cultura e a diversidade do encontro do ser humano com Deus através do testemunho cristão e do compromisso com os pobres e oprimidos. Este é o objetivo da 21ª Romaria da Terra do Paraná, que ocorre dia 20 de agosto, no município de Tamarana, no norte do Estado. Neste ano, a romaria vai celebrar os ideais da Teologia da Libertação, expressos no lema da caminhada "Sem fome e opressão; a aliança com os pobres é libertação".

A romaria vai homenagear dom Tomás Balduino, bispo fundador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Durante a romaria, serão distribuídas como lembrança cerca de 30 mil alianças de tucum, produzidas por indígenas do Pará e do Piauí. O anel de tucum é símbolo do compromisso preferencial das Igrejas com os pobres.

A romaria da terra surgiu no Rio Grande do Sul, no dia 7 de fevereiro de 1978, para lembrar os 222 anos da morte de Sepé Tiaraju e seus 1.500 companheiros guaranis, massacrados na luta em defesa de sua terra e de sua gente. Sepé cunhou uma frase que se tornou símbolo das romarias – "Alto lá, esta terra tem dono".

Hoje, mais de 20 romarias da terra (e das águas) ocorrem todos os anos, no Brasil. Buscam, através da fé e do elemento religioso, a transformação da sociedade e mais justiça para os trabalhadores do campo. No RS, a 30ª Romaria será realizada na diocese de Uruguaiana, em 2007. Em Santa Catarina, que promovia a romaria da terra no 2º domingo de setembro (seria a 20ª), neste ano realiza um seminário para avaliar a caminhada e definir novos rumos ao evento, que poderá ocorrer a cada dois anos.

 

Capuchinho assume diocese de Paranaguá

 

O Papa Bento XVI acolheu pedido de renúncia apresentado por dom Alfredo Ernest Novak e nomeou para bispo da diocese de Paranaguá (PR), o capuchinho frei João Alves dos Santos, atual ministro provincial da província dos capuchinhos de São Paulo. Frei João nasceu em Alto Alegre (SP), aos 9 de dezembro de 1956.

Ordenado sacerdote em 1982, frei João atuou como vigário paroquial, animador vocacional, definidor provincial e formador de postulantes, missionário e, desde 2001, como ministro provincial, reeleito em 2004. A diocese de Paranaguá foi criada em 1962. Tem uma superfície de 12,9 mil km2, 391 mil habitantes, 267 mil dos quais são católicos. É formada por 244 igrejas, 16 paróquias, 22 padres e 59 religiosos e religiosas. Na sede da diocese está o santuário de Nossa Senhora do Rocio, padroeira do Paraná.

 

Figueira de Mello celebra São Roque

 

A comunidade de São Roque Figueira de Mello, pertencente à paróquia de Garibaldi (RS), celebra, no dia 20 de agosto, festa em honra ao padroeiro São Roque, patrono contra as pestes. A programação prevê missa pela manhã, almoço de confraternização ao meio-dia, no salão de festas da comunidade, rifa, jogos e diversões populares. A comunidade dista seis quilômetros do centro da cidade e é ligada por estrada asfaltada. (Avelino Ló, agente)

Constantina – O Santo patrono contra pestes e doenças contagiosas também está sendo reverenciado nesta quarta, 16, na capela São Roque de Barra Curta Alta, em Constantina (RS). A romaria ocorre há mais de 80 anos e, a partir de 2006, a data passa a ser feriado municipal. Missa às 10 horas, seguida de procissão e bênção aos doentes, pão, sal e objetos religiosos, almoço festivo e tarde com festejos populares marcam a festa. (Ivan Tonin, agente)

 

RS realiza congresso da Pastoral Familiar

 

De 25 a 27 agosto, será realizado em Santa Maria (RS), o Congresso Regional da Pastoral Familiar. Promovido pelo Regional Sul 3 da CNBB, o evento tem como tema central "Família, fonte de vida e construtora da paz" e por lema "Bendita a família acolhedora da vida". Na ocasião, os participantes aprofundarão a questão da bioética, os 25 anos da Familiaris consortio e a família no contexto atual.

 

Religioso palotino completa 102 anos

 

Um exemplo de vida, fé, alegria, humanismo, dignidade, trabalho, solidariedade, dedicação, humildade e luta. Uma graça reservada a poucos. Assim se resume a vida do irmão palotino Ademar Gonçalves da Rocha, que no dia 20 de agosto completa 102 anos. Irmão Ademar reside no Patronato Agrícola Antônio Alves Ramos, em Santa Maria. Uma missa de ação de graças e os cumprimentos de incontáveis amigos vão marcar a histórica data.

Irmão Ademar nasceu no dia 20 de agosto de 1904 na comunidade São Geraldo, interior de Santa Maria. Em sua trajetória de religioso palotino, destacou-se nas áreas da educação, fotografia, cinema e marcenaria. Foi pioneiro na região na projeção de filmes nos salões paroquiais, nos seminários e nas escolas. Orientou centenas de crianças nos trabalhos de marcenaria e até pouco tempo fabricava brinquedos de madeira para doar às crianças pobres no Natal.

Foi grande incentivador dos agricultores, da produção orgânica e agroecológica, das feiras da Primavera e do projeto Esperança/Cooesperança, ambos da diocese de Santa Maria. Apesar da idade avançada e problemas de surdez, costuma acordar cedo, faz exercícios e caminhadas, gosta de conversar e dedica longos tempos à oração, especialmente de gratidão a Deus pela graça da longevidade.

 

Dar asas

Wilson João

Dar asas é permitir que cada pessoa seja ela mesma. É respeitar cada um em seus dons, criatividade e habilidades

 

Estou mexendo com um assunto muito delicado, porém realista. Num tempo em que se fala de limites e mais limites, falo em dar asas. Não falo das asas que provocam traições, irresponsabilidades e perdas. Não falo das asas falsas dos temas de novelas e filmes. Essas asas falsas produzem somente traições, ciúmes, solidão, angústia e desgosto de viver. Falo das asas que libertam e deixam as pessoas voarem o vôo da vida.

ESPOSOS, DAI ASAS AS VOSSAS ESPOSAS! Dai asas aos seus desejos e projetos de estudo e trabalho. Elas têm o direito de realizar seus sonhos, de trabalhar e estudar. Dai asas as suas iniciativas de serem úteis na sociedade. Úteis no serviço da comunidade, da igreja, da escola, das organizações de voluntariado. Dai asas a seus sonhos e desejos, para que tenham o direito de conviverem com pessoas de sua preferência, com iniciativas de lazer, trabalho e festa. Cortar asas é colocar a pessoa na gaiola da escravidão, e ela certamente, com asas cortadas, sofrerá a solidão e a angústia de não poder voar.

ESPOSAS, DAI ASAS AOS VOSSOS ESPOSOS! Dar asas é a esposa não ficar escrava do ciúme que prende e da fiscalização que tira a liberdade. Mesmo sabendo que em nossa sociedade e, especialmente nos meios de comunicação, soltar asas é sinônimo de engano, traição, mentira, safadeza, mesmo assim vale a pena favorercer as asas da responsabilidade e da realização. Esposas, dai asas aos maridos para que tenham seus amigos, seu esporte, sua festa e sua profissão. É bom saber que há um segredo: quem confia é respeitado, e dificilmente é traído e enganado. Mas, quando não há confiança, e quando a relação se reveste de ciúmes e policiamento, surge o gostinho da mentira e do engano.

PAIS, DAI ASAS AOS VOSSOS FILHOS! Já falou um sábio: "Vossos filhos não são vossos filhos, mas são filhos da liberdade." Cortar as asas é um desastre. É fazer com que a pessoa fique rastejando, quando viver é voar. É certo que tudo deve ser envolvido em responsabilidade. Aqui não se fala em libertinagem, em fazer o que dá na cabeça. Fala-se em dar asas com responsabilidade. Liberdade que realize os sonhos e os projetos de cada um. Há pais que, permanentemente, cortam as asas com o "não" que nada educa. Felizes os pais que cultivam as asas dizendo para os filhos: "a vida é por aqui. A alegria, a realização, o bem e o caminho é por aqui. Filho, voe por aqui que você vai ser bem sucedido".

PROFESSORES, DAI ASAS AOS ALUNOS! Há uma educação castradora, que é cortar asas, e há uma educação fertilizadora, que ajuda, abre caminhos, faz o que há dentro de cada pessoa desabrochar. É a educação que respeita cada pessoa em seu íntimo, sabendo que dar asas é permitir que cada pessoa seja ela mesma. Há uma tendência em fazer todos sabiás, pombas, canários, quer dizer, colocar todos na igualdade, na mesmice. É mais cômodo. Porém, dar asas é respeitar cada um em seus dons, criatividade e habilidades.

Dar asas é respeitar cada povo com seu jeito de viver e cada pessoa em seu sexo, sonhos e projetos de vida.

 

CORREIO SABE-TUDO

MÃES DESLIGADAS

Na natureza, são comuns fêmeas sem instinto protetor

 

A palavra mãe lembra ternura, carinho, amor, cuidado com a família. Porém, poucos sabem que no reino animal há mães cujo comportamento vai contra essas características. Algumas fêmeas comem avidamente os filhotes, outras envolvem as crias em lutas até a morte. Em determinadas espécies, os irmãos brigam sem a interferência da mãe.

Por muitos anos, os pesquisadores viam essas atitudes de descaso maternal como resultado de um estado de estresse extremo. Porém, estudos recentes constataram que mães sem instinto protetor são comuns na natureza. Esse comportamento, geralmente, faz parte do processo natural de reprodução e seleção.

Os suínos são um bom exemplo. A seleção dos melhores ocorre por meio da rivalidade entre os irmãos. Os leitões nascem com pequenos caninos que sobressaem pelos lados da mandíbula inferior. Esses dentes são usados para ferir os irmãos, enquanto lutam para alcançar as melhores tetas para mamar. O menor é atingido com tanta freqüência que pode não conseguir obter o leite suficiente para o seu desenvolvimento. E tudo ocorre sem a intervenção da mãe.

As fêmeas dos pandas praticam uma espécie de planejamento familiar pós-nascimento. Elas geralmente ganham gêmeos, mas não criam os dois filhotes. Elegem um herdeiro e um suplente. Quando o herdeiro se sai bem, elas descartam o suplente sem cerimônia.

 

Coelha evita ficar no ninho

 

Os coelhos vivem em tocas complexas. Quando a fêmea está prenhe, constrói um ninho e o rodeia com grama e pêlo que retira de seus próprios flancos. Quando está prestes a dar à luz, entra no local e em poucos minutos gera cerca de 10 filhotes. Então ela sai da toca, bloqueia a entrada e deixa os recém-nascidos. Nos 25 dias seguintes, a mãe retorna ao ninho diariamente, mas fica por apenas dois minutos, quando as crias mamam compulsivamente. Por volta do 26° dia, ela abandona os filhotes. Eles devem rastejar para fora do ninho e aprender a sobreviver sozinhos.

A indiferença da fêmea tem uma razão. Os coelhos são presas fáceis e muitos predadores os atraem para armadilhas. Para manter os inimigos longe do ninho, a mãe evita o local. Sua ausência pode até parecer falta de carinho, mas mantém os filhotes vivos por mais tempo.

 

Pandas gêmeos nascem na China

 

Duas pandas gigantes gêmeas deram à luz, cada uma, a filhotes gêmeos. Com isso, o número de pandas nascidos em cativeiro na China, neste ano, chega a seis. Qi Zhen e Qi Yuan pariram seus filhotes num centro de pesquisas em Chengdu, capital da província de Sichuan, de acordo com a agência de notícias oficial, Xinhua. Um outro filhote, de 218 gramas, também nasceu recentemente, tornando-se o panda mais pesado a nascer no programa chinês de reprodução artificial de pandas.

Pandas fêmeas geralmente atingem a maturidade sexual entre 4 e 5 anos de idade. Podem engravidar uma vez ao ano e dão à luz um ou dois filhotes por vez. O panda é um dos animais mais raros do mundo, com apenas 1.596 indivíduos na natureza, segundo censo de 2002.

 

Elefantes sugerem compaixão

 

Os elefantes prestam homenagem a seus entes queridos de uma forma que sugere uma capacidade de compaixão. Em um artigo que será divulgado este mês na publicação científica "Ciência Aplicada de Comportamento Animal", cientistas disseram ter chegado a essa conclusão após observar como os elefantes da Reserva Natural Samburu, no Quênia, se comportavam com uma matriarca, que caiu doente e morreu.

A elefanta agonizante foi primeiro assistida pela matriarca de uma outra família. Em um dado momento, a ajudante foi vista tentando auxiliar a elefanta caída a se levantar, usando suas presas. O animal doente morreu no local e, em seguida, passou a ser visitado por outros indivíduos da reserva. Eles demonstraram um interesse especial pelo cadáver, cheirando-o, suspendendo uma pata sobre ele ou empurrando-o com suas presas.

A maioria dos animais demonstra pouco interesse em cadáveres de sua própria espécie. Porém, chimpanzés, golfinhos e, agora, elefantes são conhecidos por demonstrar preocupação com os doentes e os mortos. "Esse comportamento animal pode ser comparado ao humano e indica que sentimentos como compaixão não se restringem à nossa espécie", destacou Douglas-Hamilton, que chefiou a pesquisa.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Genuir Luiz Marchezi

Professor, David Canabarro – RS

 

Genuir Luiz Marchezi, biólogo, ex-vereador e ex-prefeito e autor de História do Município de David Canabarro, onde nasceu e atua como diretor do I. E. E. Assis Brasil, atesta-se brasileiro e italiano:

"O mundo está no Brasil. Descendente de italianos, sinto-me autêntico brasileiro, em meio às diferentes etnias. Sinto-me italiano ao reviver a infância, o convívio com os pais, avós. As histórias dos bisavós chegaram a mim como se eu as tivesse vivido. Sou descendente de vicentinos e modeneses – Marchezi, Conterato, Rizzatto e Razera.

O bisavô Guerino Marchesi, pai do Cônego João B. Marchesi, construtor da matriz de Canela, com seus pais, Luigi e Beatrice Ferrari, chegaram a Caxias em 1878, e a bisavó, Luigia Fillipi Marchesi, em 1876, com seus pais, Giovani e Maria Comerlatto. Convivi mais foi com a avó, Olinda Conterato, esposa de Antenor Marchezi, com a qual morávamos, e com meus avós maternos, Ernesto e Stella Razera Rizzatto.

À noite, à luz do ciareto, nona Olinda contava-me histórias da sua infância e de seus filhos. Éramos os últimos a ir dormir, em camas com colchão de palhas de milho, que faziam barulho ao deitar e alguma ponta de espigas, esquecida nas palhas, perturbava as costas. Em nossa casa, perto de David Canabarro, vivíamos em família, respeitando os pais e os mais velhos como pessoas sagradas. A oração, as refeições típicas e o trabalho na roça ocupavam nossa jornada. Em dias de chuva, debulhávamos milho, para levar ao moinho de pedra do vizinho Vitorino Moraz, que já fora do avô Antenor, para a farinha da polenta. Nas noites de filós, os adultos conversavam, e nós, crianças, depois de partilharmos vinhos, pipocas, batata-doce, pinhão, cróstoli, melancias e frutas..., o pátio era nossa oficina de brinquedos. Falávamos talian e português. Algumas palavras nos faziam rir.

Ao visitarmos os avós paternos, a alguns quilômetros de casa, encontrávamos mais amigos e primos, e os brinquedos eram diferentes, mas os nonos eram nosso encanto. Porque tinham grande parreiral, à época da vindima, reuniam muita gente e nós, além do comer uvas e beber vinho doce, fazíamos, entre as madeiras e montes de serragem da sua serraria, nossos brinquedos e brincadeiras. Sua propriedade parecia um povoado, com a moradia; dois paióis para cereais; estábulo para vacas, cavalos e ovelhas; galinheiro, pouco usado, porque as galinhas preferiam as árvores; a cantina com pipas de vinho, vinagre e graspa, com queijos, salames e cesta do pão, pendurados, e uma grande mesa com cadeiras, onde o nono recebia as visitas e se faziam festivos comes e bebes, bons papos e negócios; a usina, para fabricar o farelo e gerar luz elétrica; o chiqueiro e o matadouro, pois o avô era o açougueiro da cidade; a casa-despensa de alimentos e produtos de compras e vendas; enfim, o alambique e o tanque para lavar pipas e vasilhames. O exemplo dos nonos e a convivência com os tios foi minha escola da vida.

Em 1999, realizei meu sonho de conhecer a Itália; ao visitar especialmente o norte, parecia-me ter encontrado as raízes de uma árvore transplantada no Brasil.

A vida colonial com os pais, avós e bisavós, a convivência e a oração, o falar talian fazem a base de minha italianidade. Sou brasileiro da colônia, com marca originária italiana, empenhado em transmitir, em casa e na escola, o viver e o falar da centenária cultura italiana, tendo como fulcro o talian, que falo com os filhos e amigos" (e-mail genuir@adynet.com.br)

Genuir Luiz Marchezi reconstitui sua trajetória ítalo-brasileira na família, como pai; na escola, como professor; na cultura, como escritor. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (373)

Un insidente in San Paolo, ma con final felice

EDUARDO GRIGOLO

Professor, Jundiaí-SP

 

Nanetto el ga partio de Pato Bianco, ben bonoreta, ma col sol alt. El disea ai so amici: "La Pierina no bisogna mia scaldarghe el motor, come se fa co le condussion. Ma la funsiona meio col caldo del sol, che col fredo dela matina". Gera passà de le nove quando el se ga instradà. Per una bona distansa de strada, tuta la gente de Pato Bianco, parea che i se vea postà par saludarlo e desiderarghe bon viaio. Tuti quanti i ghe sgorlea i so fassoleti bianchi e i ghe osea parole de stìmolo, anca. "Bravo, Nanetto!" e "Viva, Nanetto!" Parea che gera la "Doménega dei Rami". Se vedea de tuto un poco, chi osea, chi ridea e, anca, chi piandea. Ma tuti i fea qualche roba par farse notar a Nanetto, de na maniera particolar. Nanetto tuto contento e fassero el ghe rispondea: "Gràssie e tante gràssie", prima parché i ghe volea pròpio ben e anca parché el vea sparagnà una bona quantità de soldi. El vea la guaiaca piena. Da là invanti el savea come far quando i soldi i ghe manchea. "Son un grando contastòrie, gràssie a Dio!" E el sgorlea le man, el tirea el capel al pòpolo e el ghe fea reverensa. E così, nantra pàgina la ze stà voltada in so vita.

Dopo de na stimana, sensa grande novità, el riva a San Paolo e el va drito far na vìsita al prete Olivo Binotto che’l fea ani. El ze rivà tea Casa Parochial a le sete de sera, del 20 de dicembre. La secretària la ghe ga dito che’l prete coi so amici el gera drio disnar in te na sorascaria, distante due chilòmetri. Alora, Nanetto el ga assà la Pierina in te un parchégio de cavai dela stessa sorascaria e el va drito al so pòrtego. Co’l riva là, ghe zera na meda dùsia de òmeni che fea la securessa e i dea la permission del intrata tea casa. Alora, Nanetto se presenta:

– Signor Capitano, mi son Nanetto Pipetta, e son qua per saludar me amico, el prete Olivo, che’l fa ani oncó.

– Con permesso, vao anunssiarte! Ghe dise el toso e rùpete porta rento.

Intanto che’l spetea, Nanetto el se ga incostà te un scalin darente la porta e el se ga rangià la fatiota e el capel. De sùbito, vien nantro securessa, che no’l vea visto Nanetto rivar, lo mesura dai pié a la testa, el ghe varda la valise e el ghe domanda:

– Chi situ ti? Che pòrtitu in tea valisa, arma de fogo, droga, ...

–- Io me chiamo Nanetto e son qua per saludar me amico prete Olivo, che’l fa ani e se ga riunio qua coi so amici.

– No cognosso gnessun prete Olivo. Speta qua che vao ciamar i carabineri. Te sé sospeto!

– Caro da Dio, el to compagno e ze ndà la rento ciamar el prete. Da qua on poc el riva e tuto se s-ciararà! D’acordo?

– No sò mia, nò! E lo vardava del canton dei oci.

Da là on poc de tempo, intanto che’l securessa el sevitea a voler inquadrar Nanetto, quelaltro che’l gera ndà tor el prete, el riva fora e el domanda, in alta voce:

– Chi ze che vol saludar el prete Olivo? Svelto, Nanetto se apresenta:

– Bona sera, prete! I me saluti!

– Chi situ ti? Ghe domanda el prete, tuto spaventà.

– Son mi, Nanetto, to amico!

Parea che’l prete el se vea frenà. Parea che’l vardea, ma no’l vedea gnessun. Ghe ga tocà a Nanetto cavar via el capel, parché el prete lo ricognossesse.

– Bruto bèstia! Situ ti!

– In carne e ossi, padre Olivo!

– Alora, vien rento, che ghe ze tanti amici de Jundiaì che i ze vegnesti saludarme, oncó!

Nanetto el ze ndà rento e là el ga catà diversi amici, come Vitalino e Cidinha Furacon, Arlete Rocha e so sposo Milton, intra altri amici dela Scola Divino Salvador.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

El can de Turra

Geraldo Sostizzo

Cascavel-PR

 

Turra gera un visin che stea darente noantri e ben tacà el rieto Jabuticaba, li a Veranòpolis. Lu gavea un molin che lo fea ndar torno col aqua del rieto. Co sto molin, el masenea mìlio par far farina de polenta, scorsea riso e anca masenea mìlio pa i porchi. El gera un cristian meso strano. L’è stato lu quel desgrassià che me ga sconto le robe, quando gèrimo drio bagnarse tel rieto.

Pi tardi, sto molin el se ga brusà e i altri disea che lu ghe gavea metesto fogo par ciapar i soldi del seguro, ma saverlo se zera vero o nò. Mi no credo...

Sto Turra gavea un can, ma un bruto can. Cativo, sempre meso inrabià, e i disea che el morseghea tuto e tuti. Lo teg-nea sempre ligà tea cadena, parché ghe gera sempre gente tel molin.

Noantri, quando ndeimo pescar, passeimo pena dessoto del molin e ghe deimo via sassade a sto can. Go idea che se el spachesse la cadena el me magnea tuti vivi. El gavea pi de sento denti tea boca.

Un giorno, mi e me fradel Nene, semo ndai laorar dis-tante de casa e semo tornai gera belche note. Gera na note scura come el breo, no vedeimo gnanca la strada e po no se vedeimo gnanca tra noantri.

Camineimo darente, mesi tacai, parché gaveimo anca paura e gèrimo drio parlar de can. De colpo, ghemo scoltà rosnar davanti, semo stai duri come un palanco e i cavei ze stai tuti in pié. Se ghemo tacai su e ghemo visto sol i denti e i oci, due metri davanti, sentà in meso la strada. El ga dato via nantra rosnada e l’è passà de na banda de noantri.

Noantri voleimo osar, ma no gèrimo boni verder la boca e gaveimo perso la ose. Ghemo scominsià corer. Mi go perso na sinela. Nene el ga meso sbalià la strada e el ga pestà rento te na valeta de aqua e el ga sfondà na gamba intiera. Ma semo rivai casa, magari sensa fià e squasi pissai dosso.

Nostro fradel pi vècio, Américo (beco), el ga dito: cosa gavio visto? El orco? O el can de Turra? Sì pi bianchi che a farina! No ghe ghemo dito gnente, ma gaveimo na voia de coparlo te quela ora là.

 

La scagariola

Claudio Ganassin

Venèzia, Itàlia

Dotor, me ze vegnuda na bruta scagariola.

– Come zela sta scagariola?

– Bruta, bruta, col sprusso!

– Maria Santa, ghetu ciapà el limon?

– Sicuro che si, dotor, ma quando che lo go cavà el maledeto limon, sprussi pedo de prima, da impenir le braghe!

– No savaria cossa dirte, fursi spetemo che la se chiete!

Nota: Come spiega Ganassin, scagariola saria farla mola, mola, quasi come fusse aqua. Ciapar el limon saria bevar na limonata. Sprusso deriva de spruzzo, o spruzzare, ze la pi cativa smetesta, parché la ze incontrolàbile, la vien fora potente e lìquida. Tute le tele de ragno le va in malora.

Saluti a tuti, qua da Venèzia!

 

GERAL

RS tem 64% do licenciamento de impacto local de todo país

Somente 205 municípios emitem licenças. Desses, 131 são gaúchos

 

Dos 205 municípios do Brasil que atualmente emitem licenças ambientais, 131 são do Rio Grande do Sul, ou seja, 64% – o Estado gaúcho tem 496 municípios. A descentralização do licenciamento em solo gaúcho é impulsionada pelo Sistema Integrado de Gestão Ambiental (Siga/RS) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema).

A Sema presta orientações aos municípios para que efetivamente assumam a gestão ambiental. "Também são oferecidos treinamentos gratuitos aos técnicos municipais para o licenciamento das atividades de impacto local", diz o secretário, Claudio Dilda.

Anterior ao processo de descentralização, as licenças ambientais para todos os empreendimentos, de todos os municípios do Estado, eram emitidas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Dados de 2004 apontavam que 65% da demanda se enquadravam em atividades de impacto local. O Siga contabiliza que em 2005 aproximadamente 15 mil licenças passaram a ser emitidas pelos municípios.

Antiga – A Secretaria do Meio Ambiente (Smam) de Porto Alegre é a mais antiga do país e licencia desde 1998 e se diferencia do restante do país. A Smam emite a licença única para atividades de baixíssimo potencial poluidor, como uma lanchonete.

Segundo o secretário Claudio Dilda, diversos Estados têm buscado no Siga/RS o modelo para a implantação ou aperfeiçoamento de seus sistemas de gestão ambiental.