LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.002 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 23 de agosto de 2006.

EDITORIAL

Os efeitos trágicos do desrespeito à natureza

Anomalias climáticas provocam cada vez mais destruição e mortes

 

Cientistas já comprovaram que a atividade humana é a grande responsável pelo aquecimento global do planeta, contrariando posição firmada como, por exemplo, do governo norte-americano. A mesma unanimidade ainda não existe sobre a origem das anomalias climáticas que vêm espalhando destruição e morte, em especial no Hemisfério Norte, embora com efeitos devastadores também no Sul. Os indícios, no entanto, são cada vez mais fortes de que se trata de conseqüência do aquecimento global, provocado pela emissão de gases tóxicos.

A quebra de recordes de altas temperaturas na Europa, ondas de calor em pleno inverno do Sul do Brasil, estiagens prolongadas em meses historicamente de chuvas e tantos outros distúrbios climáticos estão associados à falta de harmonia entre homem e natureza. Os índices de desmatamento aumentam, a contaminação das águas parece incontrolável e a poluição do ar segue em velocidade e abrangência cada dia mais preocupante.

Apesar da luta de movimentos ambientalistas, os riscos ao meio ambiente não param de crescer. Sinal de que a tão almejada conscientização ainda é um objetivo distante. Tão distante que projeções da Organização das Nações Unidas indicam que a temperatura média da Terra, que subiu um grau centígrado no século passado, pode se elevar entre dois e 4,5 graus até 2050. Se 1º C a mais está sendo apontado como o grande responsável por desequilíbrios nas forças que regulam a natureza, multiplicando-se por quatro certamente as dimensões da tragédia serão bem maiores.

Praticamente todo mês um novo estudo amplia o mapa da devastação ambiental. Também em curto espaço de tempo são realimentadas as estatísticas sobre perdas causadas pelas estripulias climáticas. São mais mortes, mais prejuízos à agricultura, mais miséria e sofrimento. Pratica-se uma injustiça contra vítimas de um problema que, na maioria dos casos, não ajudaram a construí-lo. E uma irresponsabilidade com as próximas gerações. Mesmo assim, a exploração da natureza segue desordenada, inconseqüente, suicida. A questão é saber até quando o planeta suportará tanta agressão.

 

CAXIAS DO SUL

Perdas nas lavouras disparam preços

Produtos vendidos na Ceasa-Serra sobem até 118% em uma semana

 

As altas temperaturas verificadas na Serra gaúcha em junho e julho aceleraram o processo de formação de culturas. O retorno do frio, em especial com geadas, provocou um choque térmico que prejudicou as culturas mais sensíveis – mesmo as variedades de inverno. O resultado se reflete na oferta de produtos na Ceasa-Serra, instalada em Caxias, e, principalmente, nos seus preços.

A alface (lisa/crespa), que estava sendo vendida a R$ 2,75 a dúzia no dia 25 de julho, passou a custar R$ 6,00 no dia 1º de agosto. O aumento foi de 118,2%. Na semana entre 8 e 15 de agosto, o preço do produto sofreu pequena queda (16,7%), passando a custar R$ 5,00 a dúzia.

Outro exemplo é a couve-flor. A dúzia, que custava R$ 9,00 em 25 de julho, passou para R$ 17,00 em 1º de agosto – alta de 88,9%. Na semana seguinte houve redução de 6% e de mais 25% na outra. Na semana passada, custava R$ 12,00. Na referida semana, o morango teve alta de 66,7%, o brócolis, de 42,9%, o rabanete, de 33,3% e o tomate longa vida, de 28,6%. Nos dias que se seguiram, os preços da maioria deles caíram, mas timidamente.

"Se o clima favorecer, no caso das hortaliças, a normalização da oferta se dará em 25 a 35 dias. Já no das frutíferas, de um modo em geral, a geada e a chuva de pedra que atingiram faixas de nossa região provocarão prejuízos que serão sentidos no ano todo." A avaliação é de Gilnei Bogio, responsável pela análise mercadológica dos principais produtos comercializados na Ceasa-Serra.

As variedades do cedo de frutíferas como pêssego, ameixa e maçã tiveram o florescimento e a brotação acelerados pelo calor fora de época e a chegada do ar frio, particularmente de geada, queima o fruto já em formação e em poucos dias ele cai da planta. Essas frutas foram prejudicadas ainda pela chuva de pedra.

Apesar de todas as anormalidades climáticas e das conseqüências para o mercado, Bogio afirma que "no geral, até o momento, a oferta de produtos na Ceasa não sofreu muitas alterações". Mas o consumidor já sentiu no bolso os efeitos das perdas nas lavouras.

 

Implantado sistema de integração do transporte coletivo

 

Iniciou na segunda 21 a implantação do Sistema de Integração do Transporte Coletivo em Caxias. A primeira fase contempla os bairros Desvio Rizzo e Forqueta, nas linhas Desvio Rizzo/Vila Romana, Forqueta/Tirol, Santa Tereza e Parque das Rosas.

A partir do dia 4 de setembro, os usuários que utilizam cartões integração e estudantil, acrescidos do Vale Transporte cadastrado nas regiões do Rizzo e Forqueta, poderão se deslocar para qualquer ponto da cidade pagando apenas uma passagem de ônibus. Para tanto, basta ter como ponto de referência as duas Estações de Transbordo de Passageiros – Praça Dante Marcucci (Camelódromo) e Pompéia. O passageiro terá que descer em uma das duas estações para continuar sua viagem.

A idéia é desafogar o trânsito. Para o usuário, a principal vantagem será a economia de tempo e de dinheiro, pois poderá pagar apenas uma passagem de ônibus (modelo de transporte integrado) para circular por toda a cidade. Estima-se que com o novo sistema e apenas nessa primeira fase, eliminam-se 17 ônibus por hora dos corredores da Sinimbu e Pinheiro Machado em horários de pico. A implantação total vai até 2013.

 

REPORTAGEM

CLIMA ESTÁ CADA VEZ MAIS MALUCO

Sucessivos recordes de temperatura e outras anomalias, que provocam destruição e mortes no mundo, são atribuídas ao aquecimento global

 

Na Inglaterra, a temperatura chegou a 36,5 graus centígrados, a mais alta para o mês de julho desde 1911; a França registrou anormais 39ºC; na Holanda já morreram mais de 200 pessoas; Espanha e Portugal não conseguem debelar os incêndios em florestas e plantações. Enquanto se aproxima o final da primavera, os europeus temem que o verão pode repetir 2003, quando temperaturas insuportáveis tiraram a vida de 32 mil pessoas. A onda de calor no mês passado também fez centenas de vítimas fatais e provocou falta de energia na Califórnia e outras regiões dos Estados Unidos e a China também é atingida: regiões do país sofrem a pior seca dos últimos 50 anos.

Essas anomalias climáticas surpreendem também os brasileiros. São Paulo viveu temperaturas de até 30,7ºC em julho, a mais elevada nos últimos 63 anos. O calor excessivo e fora de época no Sudeste e Sul brasileiros fez com que os termômetros marcassem 33,6ºC dia 12 de julho e 34,4ºC em 7 de agosto na cidade gaúcha de Campo Bom, quase impressionantes 14ºC acima da média máxima histórica para o período; 28,4ºC em Caxias do Sul, 11ºC acima da média máxima histórica, diferenças verificadas também em municípios catarinenses e paranaenses como Chapecó (28,4ºC dia 23) e Maringá (31,8ºC dia 26).

Por que isso está acontecendo? Meteorologistas respondem a essa pergunta informando que bloqueios atmosféricos impedem a chegada de massas de ar frio que amenizam o calor no Hemisfério Norte e trazem o frio para o inverno do Sul. Este fenômeno é comum, mas a freqüência e a intensidade com que têm ocorrido nas últimas décadas, não. Na origem estaria o aquecimento global, causado pelo homem através da queima de gases tóxicos em fábricas, automóveis...

Há quase unanimidade entre cientistas que o aquecimento é a causa para a loucura climática do Norte e para mudanças do clima em geral no mundo. Estudo da Nasa confirma que a temperatura média do planeta subiu 1 grau no século passado. Essa marca, aparentemente inofensiva, é a grande responsável por desequilíbrios nas forças que regulam a natureza. Pior ainda é a estimativa da ONU: até 2050 a temperatura média da Terra aumentará entre 2 e 4,5 graus centígrados, o que poderá ser trágico para o homem e o meio ambiente.

Evidências – "Não há evidências de aquecimento global no Hemisfério Sul. Este é o primeiro ano dessa anomalia. O que se observa são fenômenos regionais, o aquecimento global altera a temperatura gradativamente. Já no Norte, esses eventos se repetem desde 1998, o que configura o problema". A avaliação é de Expedito Rebello, chefe da Divisão de Pesquisas Aplicadas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão do Ministério da Agricultura. Sua posição, no entanto, não é definitiva. Rebello não atribui o calor fora de época no Sul e Sudeste brasileiros ao aquecimento global, mas também não descarto essa possibilidade. "Se for, estamos vivendo o início", declara.

Opinião parecida tem Solismar Prestes, coordenador do 8º Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura, sediado em Porto Alegre, mas com atuação que abrange os três Estados do Sul. "O calor neste período é provocado por bloqueios que se formam naturalmente e que só se desfazem com o deslocamento de fortes massas de ar frio", afirmou.

 

El Niño está de volta e pode gear em outubro

 

As temperaturas em outubro ficarão abaixo da média histórica e há forte probabilidade de geadas tardias. A previsão é do Inmet, antecipada ao Correio Riograndense pelo chefe de Pesquisas Aplicadas do Instituto, Expedito Rebello. "A temperatura mínima média vai girar em torno de 10 graus centígrados e a máxima, de 19 graus", informa Rebello. Essas médias estão pelo menos 2 graus abaixo das médias históricas.

O Inmet projeta ainda para os próximos dois meses chuvas irregulares e um verão menos seco. "Está vindo um novo El Niño e com ele as chuvas voltarão aos poucos, principalmente no Sul do país", acrescenta Rebello.

 

Umidade do ar gera alertas a nove Estados

 

Não foi só o calor atípico que marcou os últimos dias de inverno no Brasil. Cresceu também, de forma surpreendente, a número de regiões com baixa umidade relativa do ar. Historicamente, o Inmet divulga alertas para dois ou três Estados. Neste ano, já divulgou nove, todos referentes a quadros em que a umidade estava abaixo de 30% – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Tocantins, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Calor de duas décadas é o maior desde 1600

 

Cientistas do Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos não têm nenhuma dúvida: os últimos 25 anos foram os mais quentes do planeta desde 1600. E podem ser as médias mais altas desde a Idade Média. Eles consideram plausível, embora não tenham tanta certeza, de que isso se aplica também ao período desde o ano 900. Sobre antes disso, os cientistas têm pouquíssima noção de como era o clima da Terra.

Em relatório, encomendado pelo Congresso Norte-americano e divulgado à imprensa no mês passado, os cientistas informaram ainda que os modelos climáticos para períodos anteriores à Revolução Industrial  – quando a presença de gases do efeito estufa na atmosfera era muito menor – apóiam a tese de que o aquecimento global foi provocado pela atividade humana, e não por variações naturais, como defendem, entre outros interessados, o presidente dos EUA, George W. Busch.

Descobrir o clima do mundo nos últimos 150 anos é relativamente simples, pois há registros confiáveis. Mas, para antes disso, os pesquisadores procuram pistas como anéis de crescimento das árvores, recuo das geleiras e até antigas pinturas e diários que documentam o clima.

 

AGRONEGÓCIO

Transgênicos, plantio com aval

Este é o primeiro ano em que o grão pode ser plantado sem restrições

 

Foram oito anos de infindáveis discussões jurídicas e ideológicas que trouxeram atraso para a agricultura nacional, para alguns, e avanços, para outros. Contudo, somente agora o agricultor brasileiro pode optar livremente, sem receio, por uma tecnologia que está há mais de 10 anos sendo utilizada na produção de soja: a transgenia.

Hoje, o Brasil é o país que apresenta maior adesão aos transgênicos no mundo. Nos últimos dois anos foram adicionados 4,4 milhões de hectares de lavouras geneticamente modificadas, segundo levantamento do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa).

Na safra 2005/06, a área de soja transgênica ocupada no Brasil foi de 9,4 milhões de hectares, de acordo com o Isaaa. Esse número mostra que dos 22,22 milhões de hectares cultivados com soja, na safra passada, 42% já eram de variedades transgênicas, o que indica a forte adesão dos agricultores à biotecnologia.

A tendência de expansão do cultivo de transgênicos será mantida para o próximo plantio – a soja RR e o algodão BT são as únicas culturas geneticamente modificadas autorizadas a serem plantadas comercialmente no país.

Mesmo com redução prevista para a soja na safra 2006/07, a expectativa é que os transgênicos mantenham expansão. Um dos motivos é a falta de sementes para cultivos convencionais. Contudo, nesses oito anos o consumidor continua com a mesma dúvida: se o transgênico faz mal à saúde.

Milho – A exemplo do que ocorreu no caso da soja, os agricultores estão plantando milho transgênico. Mesmo que o cultivo de milho signifique estar na ilegalidade, eles alegam que precisam plantar culturas transgênicas para se manter na atividade.

 

Clima deve facilitar os plantios de verão

 

O calendário para semeadura de soja no RS é de final de outubro a 20 de dezembro. Este período compreende o plantio da soja nos mais diversos ambientes que compõem as regiões de produção do Estado. Para orientar melhor os produtores, a Embrapa Trigo desenvolve pesquisas em zoneamento agroclimático, com a intenção de indicar o período mais adequado para o plantio.

O ideal para que a necessidade de água da lavoura de soja seja plenamente atendida é que, de dezembro a março, chova acima de 800 mm. "Isso implica em valores médios mensais de 200 mm, que não ocorrem normalmente no RS. Assim, podemos ver que os problemas com deficiência hídrica nas culturas de verão acontecem com freqüência, e não como infortúnio ocasional", observa o pesquisador Gilberto Cunha ao CR.

A preocupação com o clima tira o sono dos produtores na época de plantio. Segundo o pesquisador, por ora, não há motivo para inquietação. "Até o momento as previsões são boas. Não há indícios de secas ou quantidade de chuvas muito abaixo do normal, para a safra de 2006/2007", adianta Cunha.

 

Expointer 2006 terá mais animais

Em sua 29ª edição, a feira ocorre de 26 de agosto a 3 de setembro, em Esteio

 

Em sua 29ª edição, a Expointer, que ocorre de 26 de agosto a 3 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, apresenta as últimas novidades da moderna tecnologia agropecuária e agroindustrial. Desde 1972, ano em que assumiu o caráter internacional, a feira consolidou-se como um dos mais importantes eventos agropecuários e de maquinário agrícola da América Latina.

Durante nove dias, cerca de 2.400 expositores de animais, máquinas, implementos agrícolas, insumos e produtos veterinários, veículos, equipamentos, serviços, artesanato, mostram a qualidade de sua produção, com o que há de melhor em cada segmento.

Ao lançar oficialmente a Expointer, o governador Germano Rigotto destacou as melhorias que estão sendo feitas no Parque Assis Brasil, onde serão aplicados mais de R$ 3 milhões. Os recursos do Estado e de parceiros serão investidos diretamente no parque. Nesta edição, a feira terá 6% a mais de animais inscritos do que no ano passado (6.307), além do aumento do número de expositores em todos os segmentos.

Participam neste ano oito nações, sendo seis com estande no Pavilhão Internacional do Parque de Exposições: Alemanha, Chile, Equador, Peru, Reino Unido e Uruguai. Canadá e China estarão na mostra com delegações. Segundo a organização, estão sendo aguardados 800 mil visitantes.

Patrimônio – A Assembléia Legislativa aprovou dia 2 de agosto, por unanimidade, o projeto 48/2006, de autoria do deputado Giovani Cherini (PDT), que declara integrante do patrimônio histórico e cultural do Estado a Expointer – Exposição Internacional de animais, máquinas, implementos e produtos agropecuários.

 

MP renegocia as dívidas agrícolas

 

A medida provisória 317, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autoriza a renegociação dos débitos dos produtores que ainda não renegociaram suas dívidas contraídas com financiamentos em 2005 e 2006. A medida foi publicada na quinta 17.

Têm direito à renegociação os produtores que contraíram dívidas com o Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa), financiamentos acima de R$ 200 mil, e com a securitização, financiamentos até R$ 200 mil. Essas parcelas vão poder ser financiadas a uma taxa de 8,75% ao ano, a juros do crédito rural, para serem pagas em cinco anos.

 

Farroupilha fará seleção de vinhos

 

O terceiro maior produtor vitivinícola do país e o maior produtor de uvas moscatéis, Farroupilha realiza a 1ª Seleção de Vinhos. Promoção da Secretaria Municipal de Agricultura e da Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin), o evento ocorre de 29 de agosto a 27 de setembro. Dia 29 será o lançamento oficial, no Salão Nobre da Prefeitura. Já no dia 27 de setembro, serão anunciados os melhores vinhos, no Clube Santa Rita. O município produz 40 milhões de kg de uva e 26 milhões de litros de vinhos e derivados. São 1.337 propriedades, com 3,7 mil ha de vinhedos e 41 vinícolas.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Poda errada nos pessegueiros

Trabalho numa chácara, e minha principal ocupação é cuidar das fruteiras do pomar. Podei os pessegueiros conforme o proprietário me disse, que as plantas devem ter a forma de taça. Podei todos os ramos do interior, do alto e os ramos laterais. Ficou como o proprietário pediu. Os calores de julho forçaram a brotação, mas não floresceu, enquanto os pessegueiros do vizinho estão carregados de flores. Desejo saber por que não floresceram.

Balduíno

Caxias do Sul-RS

 

O prezado leitor faz referência aos calores de inverno causadores da brotação antecipada, o que me dá ensejo, antes de responder a sua indagação, de fazer considerações a respeito das irregularidades do clima deste ano, nesta região, que foram tão intensas, nunca antes registradas. Desde o final de abril até quase todo o mês de maio, as temperaturas mantiveram-se baixas com freqüentes geadas. Um inverno metido no outono.

Já o mês de junho não fez frio e o de julho, até o dia 30, com temperaturas próximas de 30 graus centígrados. Um verão metido no inverno que obrigou a brotação precoce em muitas frutíferas, dentre as quais os pessegueiros, muito sensíveis, já se encontravam em plena floração. Porém, nos dias 30 e 31 de julho, nos primeiros dias de agosto e nesta semana voltou o frio intenso com geadas que causaram a "queima" da nova brotação e da florescência.

Na semana passada, a temperatura voltou a crescer (23°C a 25°C). Uma primavera antecipada. No dia 14, perto da meia noite, início do dia 15, ocorreu forte chuvarada de granizo prejudicando seriamente plantações, principalmente de hortaliças em diversos distritos de Caxias e região, como havia previsto da possibilidade da ocorrência do fenômeno face às irregularidades do clima este ano.

Com tais irregularidades de clima, não é improvável a ocorrência de temporais, chuvas de granizo, geadas tardias daqui por diante.

Gemas – quanto aos seus pessegueiros, não floresceram por causa do erro da poda efetuada, que eliminou todos os ramos frutíferos. No pessegueiro as flores formam-se nos ramos produzidos na primavera anterior. Existem dois tipos de gemas nesses ramos que se pode distinguir facilmente: as gemas floríferas ou frutíferas são "barrigudinhas", cheias, e as gemas vegetativas que produzem folhas e ramos são delgadas, freqüentemente entre duas floríferas.

Quanto ao formato de taça é o recomendado, porém, deve ser feito no início da planta enxertada e nos três primeiros anos. É a formação da planta antes de iniciar a produção.

Poda de frutificação – A planta já formada com galhos e ramos bem distribuídos tem condições de suportar a produção inicial e as futuras. Ela exige poda anual de frutificação, que consiste em manter o formato básico de taça ou vaso, pela eliminação de ramos do interior que tendem ao crescimento do pessegueiro em altura, e dos ramos que já produziram fruto, pois estes não voltam mais a frutificar, mas de sua base possam surgir novos ramos frutíferos para o ano seguinte.

A poda é uma verdadeira arte que exige conhecimentos básicos sobre os hábitos de crescimento e frutificação da planta que se cultiva e se aperfeiçoa com a prática.

Se o amigo tiver dúvidas procure os técnicos da Secretaria Municipal da Agricultura ou da Emater de Caxias do Sul, que poderão prestar assistência direta aos trabalhos de poda dos pessegueiros.

 

SAÚDE

Campanha de vacinação contra a paralisia infantil precisa continuar

Há 17 anos, Brasil não registra a doença, mas vírus pode ser trazido de outros países

 

No próximo sábado, 26, ocorre a segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomelite. Todas as crianças menores de cinco anos devem ser imunizadas, inclusive as que já participaram da primeira fase da vacinação.

Desde 1989, o Brasil não registra casos de paralisia infantil. Segundo Tereza Scherman, epidemiologista e coordenadora do Programa de Imunizações da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, o fato de o país estar há 17 anos sem ocorrências da doença pode estar causando uma falsa sensação de que não se corre mais riscos. Conforme dados da secretaria, o percentual de imunizados vem caindo nos últimos cinco anos, sobretudo durante a primeira etapa da campanha.

Este ano, na primeira fase da vacinação, realizada em junho, 770.500 crianças gaúchas menores de cinco anos receberam as gotinhas, o que representa 89,4% da meta estabelecida, que era imunizar 861.429 crianças. Na ocasião, a mobilização, que costuma ocorrer apenas durante um dia, chegou a ser prorrogada por uma semana em todo o Estado. Sem a prorrogração, apenas cerca de 60% das crianças teriam sido vacinadas. O resultado foi atribuído ao mau tempo registrado naquela data.

A queda na busca pela vacina ainda não é preocupante, conforme a Secretaria Estadual da Saúde. Porém, para assegurar o êxito obtido até então, os especialistas alertam para a importância de se manter ampla cobertura das campanhas.

As campanhas são realizadas como uma ação complementar à vacinação de rotina, contribuindo para a manutenção das áreas livres do poliovírus. A paralisia ainda ocorre em países como Afeganistão, Egito, Índia, Niger, Nigéria, Paquistão e Somália. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no último ano ocorreram mais de 1,2 mil casos de poliomelite na Nigéria, Índia e Paquistão.

Uma pessoa em viagem pode levar o vírus de um país a outro. Por isso, mesmo com o certificado de erradicação do poliovírus selvagem no Continente Americano, as campanhas devem permanecer no Brasil.

Nesta segunda fase, a meta é vacinar 95% das crianças menores de cinco anos em pelo menos 80% dos municípios. Se os pais deixam de vacinar seus filhos, começam a aparecer bolsões de pessoas suscetíveis, e o vírus pode circular. Nesse cenário, o país poderia voltar a ter casos de poliomelite.

 

Quanto mais doses, maior a proteção

 

A poliomielite é uma doença causada pelo poliovírus. A transmissão ocorre quando fezes infectadas entram em contato com a boca. Em casos raros o contágio acontece pelo ar. O vírus se desenvolve na garganta ou no intestino e é disseminado pela corrente sangüínea. Ao chegar no sistema nervoso central, ataca os neurônios e provoca a paralisia dos membros.

Toda criança deve tomar as gotinhas aos dois, quatro e seis meses. A vacina oral contém os três tipos de vírus da pólio atenuados. Em cada vacinação, o sistema imunológico responde a um dos tipos. Ingeridas as três doses, completa-se a proteção. Como a vacina pode falhar, a criança deve tomar um reforço aos 15 meses e entre os quatro e os seis anos.

Mesmo que a criança tenha seguido o calendário de vacinação, ela deve participar das campanhas. Segundo especialistas, quanto mais doses de vacina ela tomar, maior será a chance de que esteja protegida.

A vacina não tem contra-indicações. Mesmo os que estiverem com tosse, gripe, rinite ou diarréia podem participar da campanha. No caso das crianças portadoras de doenças graves, é recomendado que os pais consultem os profissionais nos postos de saúde, pois pode haver a necessidade de um procedimento diferenciado. Essas crianças geralmente recebem uma dose injetável, composta de vírus inativados. Nas campanhas, a vacina é oral, com vírus atenuados. É importante levar o cartão da criança.

 

Jovem também deve ser imunizado

 

Quando o cartão de vacinação da criança está completo, fase em que ela tem cerca de sete anos, os pais geralmente dão a missão por encerrada. Um engano! Poucos sabem, mas as vacinas deveriam estender-se pela adolescência. O último estudo da Sociedade Brasileira de Pediatria revelou que mais da metade dos adolescentes não tomam o reforço das vacinas recomendado para sua idade. Desinformação é a principal justificativa.

A vacinação nesta fase é importante não apenas para garantir a imunidade dos jovens às doenças, mas para evitar que esses males se disseminem em determinadas áreas. Algumas vacinas tomadas na infância perdem a eficácia depois de dez anos da primeira dose, como a contra o tétano e difteria. Outras são novas e não existiam quando os adolescentes de hoje eram ainda crianças – é o caso da dose contra a hepatite B, cerca de 40% das crianças e jovens com até 19 anos não estão vacinados contra esta doença.

Há também as vacinas que evitam que uma doença ressurja nessa fase da vida com maior agressividade, como a varicela. No Brasil cerca de 20% dos adolescentes e adultos estão suscetíveis à doença. Quando ela se manifesta entre os mais velhos seus sintomas são mais severos – a febre é alta e persistente e a quantidade de lesões na pele é maior.

O problema é que, apesar da imunização ser indicada aos adolescentes, boa parte das vacinas não está disponível na rede pública de saúde. Para evitar que algumas doenças reapareçam ou se disseminem, o ideal seria que 90% da população adolescente fosse vacinada.

 

Ação nacional visa prevenir o suicídio

 

O Brasil será o primeiro país da América Latina a ter uma proposta de ação nacional voltada à prevenção do suicídio por considerá-lo um problema de saúde pública. A preocupação leva em conta dados de um estudo do Ministério da Saúde que aponta que, em 2004, alguns Estados e capitais já apresentavam taxas de suicídio comparáveis aos países com índices preocupantes. Na época, a taxa de mortalidade por suicídio no Brasil era de 4,5 mortes por 100 mil habitantes. O Rio Grande do Sul tinha a maior taxa de mortalidade masculina por suicídios do Brasil: 16,6 casos por 100 mil homens. As ações visam informar e promover a qualidade de vida, educação, recuperação da saúde.

 

Descoberta nova arma contra asma

 

Pesquisadores de Londres descobriram que, quando resfriados, os asmáticos apresentam baixos níveis de uma proteína que deveria agir como protetora das células do pulmão. O interferon é uma proteína que tem propriedades antivirais. Quanto mais baixo o nível de interferon, mais grave é o ataque de asma.

A descoberta pode levar a novas formas de tratar e prevenir o problema. Inaladores poderiam ser usados para administrar interferon no pulmão, ajudando o organismo a combater infecções virais. Estudos mostram que cerca de 80% dos ataques de asma em crianças e 60% dos ataques em adultos são causados por vírus que atingem o sistema respiratório.

 

OPINIÃO

Crer apesar dos massacres no Líbano?

Leonardo Boff

Mesmo na desordem há uma ordem subjacente que a tudo preside. Ter confiança na bondade fundamental da vida é o sentido primordial da fé que não nos deixa desesperar face ao horror da guerra

 

Os massacres absurdos a inocentes que assistimos por parte da máquina de guerra de Israel contra o povo do Líbano, mostrando impiedade diante de crianças inocentes, nos suscitam a questão do sentido da vida e da história. Esta questão não pode ser banida de nossa consciência por mais que fiquemos perplexos face à crueldade. Ela pertence à metafísica do cotidiano como reconheceu Kant em seu "Prolegômenos a toda metafísica futura" (1783): "Que o espírito humano abandone definitivamente as questões metafísicas é tão inverossímil quanto esperar que nós, para não inspirarmos ar poluído, deixássemos, uma vez por todas, de respirar".

Não são poucos os pensadores que, confrontados com os absurdos da realidade, afirmam o sem sentido da história. Jacques Monod, em seu conhecido "O acaso e a necessidade", diz taxativamente: "É supérfluo buscar um sentido objetivo da existência. Ele simplesmente não existe. O homem é produto do mais cego e absoluto acaso que imaginar se possa. Os deuses estão mortos e o homem está só no mundo". Claude Levy-Strauss, tão ligado ao Brasil, escreveu em seu admirável "Tristes Trópicos" estas desencorajadoras palavras: "O mundo começou sem o homem e terminará sem ele. As instituições e os costumes que eu passei a vida inteira a inventariar e a compreender são uma eflorescência passageira em relação com a qual elas não têm sentido, senão talvez aquele que permite à humanidade desempenhar seu papel".

Há muito de verdade nestas afirmações porque os absurdos são inegáveis. Mas será que é toda a verdade? Não se anunciam também sinais intrigantes que nos falam de um sentido latente nas coisas? Por mais que venhamos do caos originário do big bang não podemos negar que na evolução se manifestou uma linha ascendente que nos levou da cosmogênese à biogênese, à antropogênese e hoje à noogênese. Não se pode negar que há aí um sentido manifesto.

Vamos ao cotidiano. Cada manhã levantamos, vamos ao trabalho, lutamos pela família e ansiamos por um mundo onde seja menos difícil amar. Há até situações em que chegamos a dar vida para salvar outras vidas. O que se esconde atrás destes gestos cotidianos? Esconde-se a confiança fundamental na bondade da vida. Ela vale a pena ser vivida.

O conhecido sociólogo austríaco-norte-americano Peter Berger escreveu em seu livro "Um rumor de anjos: a sociedade moderna e a redescoberta do sobrenatural" que o ser humano tem uma tendência inata para a ordem. Ele só vive e sobrevive se conseguir organizar um arranjo existencial que lhe faça sentido. Essa tendência à ordem se mostra em cenas bem familiares como a da mãe que acalenta o filhinho. Dentro da noite ele acorda sobressaltado. Grita por sua mãe porque o estrondo das bombas lhe suscitaram terríveis pesadelos. A mãe se levanta, toma o filhinho no colo e no gesto primordial da "magna mater" lhe sussura palavras doces: "Não tenhas medo meu filhinho, tudo vai acabar e vai estar em ordem". A criança soluça, reconquista a confiança e um pouco mais e mais um pouco adormece. Nem tudo está bem e em ordem. Mas sentimos que a mãe não está enganando o filhinho. No fundo ela testemunha: mesmo na desordem há uma ordem subjacente que a tudo preside. Ter confiança na bondade fundamental da vida e dizer-lhe sim e amém é o sentido primordial da fé que não nos deixa desesperar face ao horror da guerra.

 

Desigualdade social, a prioridade

Frei Betto

Não é a pobreza que revolta, é a desigualdade, essa odiosa convivência entre a miséria e a ostentação reforçada pela cultura do consumismo

 

O maior mérito do governo Lula é contribuir efetivamente para reduzir a desigualdade social no Brasil. Em 2002, nosso país ocupava o vergonhoso 3º lugar em desigualdade social no mundo. Hoje, somos o 10º; se não é motivo de orgulho, já representa um avanço nesta nação tão populosa.

O pico da desigualdade ocorreu na segunda metade dos anos 80, efeito da política de concentração de renda implementada pela ditadura militar – o herético "milagre brasileiro", que levou o general Médici a admitir: "A economia vai bem, mas o povo vai mal".

Desde 2001 há progressiva redução no fosso da desigualdade. A renda dos mais pobres tem crescido cerca de 4,5% ao ano. No governo Lula isso se acentuou graças às políticas sociais, em especial o Bolsa Família, que hoje distribui renda a mais de 30 milhões de pessoas pobres e, segundo o Ipea, há maior número de pessoas da família inseridas no mercado de trabalho.

Pesquisa do Ipea aponta que, em 2001, uma família de quatro pessoas dispunha de uma renda média mensal (em valores de hoje) de R$ 209. Em 2004 passou a R$ 239, um aumento de 14%.

Como fatores indiretos dessa melhora do quadro social temos a Constituição de 1988, que ampliou os direitos do trabalhador; o aperfeiçoamento de nossa democracia, que possibilitou mais controle das instituições e, em especial, a fiscalização do poder público (embora isso ainda esteja longe do razoável); e o maior profissionalismo dos funcionários do governo. Um dos desafios da reforma política, pela qual a nação tanto anseia, será a drástica diminuição dos cargos de confiança, de modo a vetar o uso da máquina pública como moeda eleitoral e compensação de alianças partidárias.

A questão social, tão efêmera nos governos anteriores ao de Lula e, quase sempre, restrita à dedicação da primeira-dama, tornou-se central a partir de 2003. Somada à expansão da educação fundamental, iniciada no governo FHC, influi na mudança do perfil da desigualdade no país.

Se o governo Lula merecer um segundo mandato, como anseio, terá como desafios, para melhorar esse perfil, reformar a política de juros, que hoje asfixia os gastos públicos e impede o desenvolvimento sustentável; massificar a educação de qualidade (a aprovação do Fundeb é um passo importante nesse sentido); e incluir na reforma tributária a tributação progressiva, de modo a obrigar os mais ricos a pagarem mais impostos.

Hoje a carga tributária é regressiva. Quem ganha até dois salários mínimos por mês arca com 48,8% do total, enquanto os privilegiados que recebem mais de 30 salários mínimos pagam apenas 26,3%. Eis aqui uma das principais causas da violência urbana. Não é a pobreza que revolta, é a desigualdade, essa odiosa convivência entre a miséria e a ostentação reforçada pela cultura do consumismo. Basta dizer que 70% dos recursos canalizados para atenuar a dívida pública (o famoso superávit primário) são amealhados por apenas 20 mil famílias. Ou seja, o Bolsa Marajás abocanha três vezes mais recursos que o Bolsa Família. Enquanto a Saúde dispõe de um orçamento anual de R$ 36 bilhões e a Educação de R$ 16 bilhões, os credores da dívida pública embolsam cerca de R$ 150 bilhões por ano.

Ainda não há motivos para comemoração. São raros os brasileiros dotados de liberdade substantiva, ou seja, em condições de vislumbrar alternativas para o seu projeto de vida, poder escolher uma delas e realizá-la, inclusive alterando-a parcial ou totalmente. A maioria está privada do direito à vocação e se submete à oportunidade de emprego, condenada a um trabalho que raramente se traduz em satisfação subjetiva, espiritual.

Um dos efeitos da desigualdade social é o desprezo pelos valores éticos. Na ânsia de livrar-se da pobreza e ingressar no mundo do consumo sofisticado (que os anúncios de TV propagandeiam como único reduto de dignidade e felicidade), ampliam-se a sonegação, a corrupção, o nepotismo e o corporativismo.

As reformas política e tributária são imprescindíveis para reduzir ainda mais a desigualdade social, mas não suficientes. O passo significativo será dado no dia em que o Brasil comemorar o êxito de sua reforma agrária, pois só o campo é capaz de absorver a mão-de-obra hoje condenada ao desemprego e estancar o êxodo rural que provoca o inchaço de nossas cidades, visivelmente marcadas pelo subemprego e pela crescente favelização.

 

ESPORTES

CONTINENTE COLORADO

Internacional conquista a Libertadores da América, maior sonho do clube

 

O sonho tinha a idade do clube, 97 anos, mas foi revigorado há 26 anos, quando o time perdeu a decisão para o Nacional, em Montevidéu. Na quarta 16, finalmente foi realizado. Diante de 50 mil pessoas no Beira-Rio e milhões de espectadores espalhados por 112 países, para onde foram transmitidas imagens, o Internacional de Porto Alegre conquistou pela primeira vez a Libertadores da América.

Como todo grande sonho exige muito, este não foi diferente. O grau de dificuldade do jogo, a tensão entre torcedores e a aplicação dos jogadores, marcas da decisão, sintetizam também o que foi a trajetória do clube para chegar ao título. A finalíssima, contra o competente e bem estruturado São Paulo, foi repleta de emoção.

Depois de vencer o tricolor paulista no Morumbi, por 2 x 1 (dois gols de Rafael Sobis), o Inter precisava de apenas um empate. Saiu na frente, com gol de Fernandão, mas sofreu empate, por Fabão. Voltou a ter vantagem, através de Tinga, expulso ao comemorar levantando a camisa – ele já tinha cartão amarelo –, e cedeu o empate aos 39 minutos da segunda etapa, em gol de Lenilson. Os minutos que se seguiram foram de intensa tensão. O treinador Abel, com fama de "eterno vice" por perder várias decisões, olhava para o céu e pedia ajuda do "Pai"; o nervosismo percorria as arquibancadas – um gol do São Paulo levaria à prorrogação e, permanecendo o resultado, aos pênaltis.

O apito do árbitro argentino Horacio Elizondo detonou uma explosão de alegria no estádio, na metade colorada do Rio Grande do Sul e onde um torcedor identificado com o Internacional acompanhasse a partida. O clube chegava ao seu maior título, façanha que seu histórico rival, o Grêmio, alcançara duas vezes.

 

Agora, desafio é conquistar o mundo

 

A partir de 13 de dezembro, no Japão, o Internacional busca superar o mais novo e ousado desafio: conquistar o Mundial de Clubes da Fifa. A disputa, desde o ano passado – vencida pela São Paulo –, deixou de ser numa partida apenas entre o campeão da América e o da Europa. Participam, agora, representantes de todos continentes.

Pela tabela da Fifa, jogarão os campeões da Ásia e da África (ainda desconhecidos). Desse confronto sai o adversário do Internacional. Em outra chave, jogarão o campeão da América Central e do Norte, o América do México, e o da Nova Zelândia, Auckland. Dessa partida sai o adversário do Barcelona, campeão europeu. Os vencedores farão a final, em Yokohama, com forte tendência para que seja Inter e Barcelona. A grande final ocorre dia 17 de dezembro.

Desde 1960, quando foi instituído o campeonato mundial de clubes, o Brasil teve quatro vencedores. O Santos, em 1962 e 1963, quando o modelo eram dois jogos, um na Europa e outro na América do Sul; o Flamengo (1981), o Grêmio (1983) e o São Paulo (1992 e 1993), quando o Mundial era decidido em apenas um jogo, no Japão. Agora o Inter pode igualar feito do rival. Para isso, tenta manter o plantel, que já perdeu o zagueiro Bolívar, o meia Tinga, o ala Jorge Wagner e o atacante Rafael Sobis.

 

ESPECIAL

VINHO CONSOLIDA IDENTIDADE

IX edição de Concurso confirma a evolução da qualidade do vinho caxiense

 

Caxias do Sul está consolidando a identidade de seus vinhos. Essa realidade é confirmada pelo número de vinícolas – o município já tem 130 registradas no Ministério da Agricultura –, pela produção de uvas e vinhos – foram 31 milhões de quilos de uva e mais de 20 milhões de litros de vinho na última safra – e pelos prêmios conquistados pelos vitivinicultores no Concurso Melhores Vinhos.

Há outra característica que mostra a evolução do setor vinícola caxiense no cenário gaúcho. "Quando o concurso começou, em 1997, a equipe de enólogos degustou apenas de três a quatro amostras de vinhos finos. Hoje, cerca de 40 das 230 inscritas são de vinhos de uvas viníferas. É um salto surpreendente", analisa Luiz Antenor Rizzon, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, que participou como coordenador de enologia desde o primeiro concurso.

O município de Caxias do Sul sempre se destacou com os vinhos de mesa, tanto que a marca "Vinho de Caxias" é sinônimo de qualidade. A nova tendência dos caxienses em apostar nas variedades viníferas agradou o pequisador da Embrapa Uva e Vinho. "Os vinhos finos agregam mais valor. O vitivinicultor trabalha com volume menor de uvas e menos área, mas com maior impacto sobre a sua renda", afirma. Além disso, o vinho varietal, aliado à gastronomia, dá impulso diferenciado ao turismo.

Economia – A uva e o vinho foram os produtos que impulsionaram a economia e o desenvolvimento industrial da região, no início do século passado. Ainda têm grande importância. Apesar de ter menos de 10% da população morando na zona rural, Caxias do Sul registra o segundo maior PIB agrícola do Estado.

Pela importância do setor na economia , produtores rurais e poder público continuam investindo. No caso dos vinhos, as vinícolas estão incrementando a qualidade com a adoção de novas tecnologias e compra de equipamentos. Por outro lado, a Prefeitura incentiva a utilização de material vegetativo livre de viroses, com sanidade comprovada. "A qualidade do vinho começa, no mínimo, um ano antes", enfatiza Rizzon.

O ciclo do vinho caxiense fecha com o produto chegando ao consumidor. E uma das formas é a Feira do Vinho, iniciativa dos próprios produtores que visa a comercialização, com apoio da Secretaria Municipal da Agricultura. "As feiras demonstram a organização das cantinas", defende o secretário Nestor Pistorello.

Já o Concurso Melhores Vinho tem como meta reforçar a identidade do vinho local, promover a marca caxiense e incentivar o consumo. "O concurso comprova aos cantineiros a importância de qualificar os vinhos", conclui Pistorello.

 

Mais da metade das cantinas participam

 

Caxias do Sul vai realizar o X Concurso Melhores Vinhos – safra 2007. O secretário municipal da Agricultura, Nestor Pistorello, confirmou o evento para o mesmo período em que foi promovido o deste ano. "Assim como a safra da uva é anual, o concurso não pode parar", compara Pistorello.

De um total de 230 amostras avaliadas ao longo da competição deste ano, 69 foram premiadas com troféus ouro e prata nas categorias tinto, branco e rosado de mesa, branco e tinto vinífera. Outras 129 receberam menção honrosa (ver tabelas na página ao lado). Esta edição do concurso teve a participação de 66 vinícolas.

Na ocasião, o produtor Valmor Sírtoli, da Vinícola Grutinha, agradeceu em nome dos produtores caxienses. Já o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Luiz Antenor Rizzon, falou em nome dos enólogos que avaliaram os vinhos. Por sua vez, o secretário Pistorello disse que o concurso visa valorizar o vitivinicultor e os vinhos caxienses, além de incentivar a venda e o consumo.

 

IGREJA

População católica chega a 1,1 bilhão

Nos últimos 25 anos, número de católicos aumentou mais de 45%

 

Nos últimos 25 anos, o número de católicos batizados passou de 757 milhões para quase 1,1 bilhão, com um crescimento de 45%. Os dados fazem parte do Anuário Estatístico da Igreja, preparado pelo Departamento Central de Estatísticas do Vaticano e apresentado recentemente. Os dados referem-se ao período de 1978 a 2004 e propõem-se a analisar as mudanças estruturais verificadas nas atividades pastorais da Igreja Católica nesses 25 anos.

Nesse período houve um incremento de cerca de 342 milhões de fiéis. O número é significativo, mas se for comparado ao crescimento da população mundial, verifica-se uma pequena queda na percentagem de católicos em relação ao total dos habitantes do planeta. No mesmo período, o mundo passou de 4,2 bilhões para 6,4 bilhões de habitantes, o que significa que o percentual de católicos em relação ao total da população caiu de quase 18% para pouco mais de 17%.

Uma análise detalhada dos números (veja tabela ao lado) confirma a crescente importância da África e da Ásia para a Igreja. No continente africano, o total de católicos praticamente triplicou, passando de 54,7 milhões em 1978 para quase 150 milhões, um crescimento de 171%. Em 1978, a África tinha 12,4% dos católicos no mundo; em 2004, quase 17%. Na Ásia, passou de 63 milhões para quase 114 milhões, com incremento de 79,6%.

Europa – A América Latina abriga quase 50% dos católicos no mundo. Em 1978 tinha 366,6 milhões; em 2004 eram quase 549 milhões. Na Oceania, continente que detém apenas 0,78% do total dos católicos no mundo, nos últimos 25 anos o número de batizados cresceu 52,5%. Enquanto em todos os outros continentes houve crescimento constante, na Europa a situação é outra. De 1988 a 2004, o número de católicos caiu de 279,4 milhões para 278,7 milhões. E para as próximas décadas, as projeções são de um claro declínio. Em 1978, de cada 100 europeus, 40,5 eram batizados. Em 2004, a taxa caiu para 39,5 e a Europa, que em 1978 detinha 35% dos católicos no mundo, em 2004 representava apenas 25%.

 

Europa registra queda acentuada no número de sacerdotes

 

Além do número de católicos no mundo, o Anuário Estatístico da Igreja de 2004 também detalhou outros dados, como número de bispos, de sacerdotes, de diáconos permanentes e de religiosos. Conforme as estatísticas, em 2004, a Igreja católica tinha 4.784 bispos, 1.070 a mais do que em 1978, quando somavam 3.714. Nesse período, a África também registrou um incremento acentuado de 45,8%. De 432 bispos em 1978, o continente negro passou a ter 630.

Mas enquanto houve crescimento no total de bispos da Igreja católica entre 1978 e 2004, o número de padres nesse período diminuiu mais de 3,5% (de cerca de 421 mil para menos de 406 mil). A queda mais acentuada ocorreu até 1988, quando baixaram para 404.857 sacerdotes, para depois se estabilizar e em seguida aumentar durante a última década.

Como ocorre no número de fiéis, África e Ásia também registraram os maiores crescimentos no número de sacerdotes (tabela abaixo). De 1978 a 2004, os padres africanos (diocesanos e religiosos) passaram de 16,9 mil para 31,2 mil (84,6%) e os sacerdotes asiáticos, de 27,7 mil para 48,2 mil (74%). Na América, os sacerdotes passaram de 120,2 mil para 119,4 mil de 1978 a 1988 e, a partir de então, voltou a haver um lento crescimento, totalizando 121,6 mil em 2004.

Quanto à composição do número total de sacerdotes, observam-se notáveis mudanças continentais. Se na África e Ásia o crescimento é significativo, a Europa vê diminuir de forma considerável o número de sacerdotes – de mais de 250 mil em 1978, para 228 mil em 1988 e menos de 200 mil em 2004. A secularização, o envelhecimento da população e as taxas negativas de natalidade em alguns países europeus contribuem para essa acentuada queda.

 

Comprometer-se

Padre Zezinho

Um copo d'água dado de bom coração não fica sem recompensa

 

Comprometer-se é um verbo fundamental na fé católica e também de qualquer Igreja cristã. Deus não nos chama para sermos apenas torcida, num estádio de futebol; a função do torcedor é ficar lá na arquibancada, incentivando os jogadores ou reclamando quando jogam mal e esperando que aqueles que jogam em seu lugar consigam a vitória. Mas o torcedor não faz outra coisa do que gritar e torcer.

A religião pode até ter torcedores, mas com a fé é diferente. As pessoas têm que descer da sua arquibancada e ir lá em campo jogar, porque todo mundo tem que fazer a sua parte quando se trata de religião e de fé. Não dá para você ficar em casa, torcendo para que o seu vizinho dê pão para um pobre. Como você também não pode ficar torcendo na sua casa, para que todos os necessitados encontrem a prefeitura ou hospital que cuide deles. Se uma pessoa enferma bater à sua porta, você vai ter que fazer alguma coisa, além de torcer para que ela consiga ajuda. Mesmo que você não dê a ela toda a ajuda que ela precisa, alguma coisa você tem que fazer. Você torcer, ficar na arquibancada, é uma coisa; entrar em campo é outra.

Na religião católica, todo mundo tem que se comprometer com alguma coisa. Além de prometer, deve ir lá e fazer. Quem só fala não vai entrar no Reino dos Céus. Foi Jesus quem disse: "Nem todo aquele que diz, Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai. E a vontade do Pai é que não se perca nenhum desses pequeninos". E foi Jesus quem disse que um copo d’água dado de bom coração em seu nome, não ficará sem recompensa. Quem crê, precisa comprometer-se.

 

Paróquia do Partenon celebra 95 anos

Paróquia é coordenada pelos freis capuchinhos desde o ano de 1913

 

Uma das mais tradicionais paróquias de Porto Alegre completa 95 anos no dia 30 de agosto. Trata-se da paróquia Santo Antônio do Partenon, coordenada pelos capuchinhos praticamente desde que dom Cláudio Ponce de Leão, com decreto de 30 de agosto de 1911, elevava a capela de Santo Antônio à categoria de paróquia.

A comunidade do Partenon tem uma longa história. Em 1876, o Coronel Arruda mandou construir uma pequena capela dedicada a Santo Antônio do Arraial do Partenon, que até 1911foi atendida por um certo padre Assis, depois por monsenhor Diogo Laranjeira e por padres palotinos. Alguns anos antes, em 1903, chegavam a Porto Alegre os capuchinhos, para assumir a direção e os estudos do Seminário Diocesano, junto à catedral metropolitana.

Atendimento – No mesmo ano, os capuchinhos adquiriram uma pequena chácara perto da capela Santo Antônio, na época a quatro km da cidade, onde hoje está o convento São Lourenço de Brindes e a Estef. Quando foi criada a paróquia e nomeado o primeiro pároco, padre Manoel da Costa Neves, os capuchinhos já auxiliavam na comunidade. Ao deixar a direção do seminário, a paróquia Santo Antônio do Partenon foi confiada aos capuchinhos e no dia 28 de fevereiro de 1913 frei Bernardino d’Apremont foi nomeado pároco.

Em 1928 foi lançada a pedra fundamental da atual matriz, projetada pelo arquiteto austríaco Germano Casagranda, e inaugurada em 1961. Passaram pelo Partenon, como párocos, além de frei Bernardino, os freis Bruno de Gillonnay, Germano de Saint’Sixt, Antônio Bampi, Bernardino Vian, Aloísio Pérsici, Alberto Stawinski, Damião Frasson, Flávio Sebben Ramos, Fausto Bernardi, Bernardo Canci, Ângelo Costella, Affonso Costella, Irineu Costella e, atualmente, frei Carlos Rockenbach, auxiliado pelos vigários frei João Luis Santos e frei Admir Benetti e por outros frades do convento.

Além dos capuchinhos, a paróquia conta com a presença das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, dos Lassalistas e dos Pobres Servos da Divina Providência. "Centenas de leigos se dedicam aos serviços pastorais da paróquia, que atende mais de sete mil famílias residentes, além de milhares de devotos de Santo Antônio que acorrem ao santuário, especialmente nos domingos, nas terças-feiras e nos dias 13 de cada mês", salienta o pároco frei Carlos.

Para marcar os 95 anos de paróquia, no dia 3 de setembro, às 10 horas, o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, preside solene missa, concelebrada por freis que já atuaram e atuam no Partenon. Ao meio-dia, almoço festivo no salão da paróquia.

 

Lançado lema do Dia Nacional da Juventude

 

"Juventude que ousa sonhar constrói um Brasil popular" é o lema do Dia Nacional da Juventude 2006 (DNJ), definido pela Pastoral da Juventude, que será celebrado no dia 22 de outubro. O eixo das discussões será o Projeto Popular. O DNJ pretende chamar a atenção das pessoas para a juventude brasileira. De acordo com uma carta da Pastoral da Juventude do Brasil, o país tem 47 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos.

Para a celebração do Dia Nacional da Juventude foram publicados subsídio, cartaz e adesivos. O subsídio contém três roteiros de encontros, com sugestões de dinâmicas, cantos, citações de textos bíblicos, indicações de sites, poesias e textos para aprofundamento do tema. Informações e aquisições de material pelo e-mail: livraria.ccj@terra.com.br ou pelo telefone (11) 6917.1425.

 

As pedras do caminho

Aldo Colombo

Deus não nos perguntará se em nosso caminho encontramos muitas pedras. Ele quererá saber o que fizemos delas

 

Conta a lenda que um rei colocou uma grande pedra no meio de um movimentado caminho. Mercadores, homens ricos e lideranças da região passavam por ali. Só com muita dificuldade conseguiam ultrapassar a pedra. Todos reclamavam contra o rei e as autoridades: ninguém fazia nada! Mas nenhum dos críticos fez qualquer coisa para remover a pedra. Depois de semanas, também passou por ali um camponês transportando frutas e verduras. Deixou sua carga de lado e, após muito esforço, conseguiu rolar a pedra para a margem, desobstruindo o caminho.

O fato de haver retirado a pedra o encheu de satisfação. Mas havia mais: no local onde havia estado a pedra, aparecia uma bolsa. E na bolsa, com moedas de ouro, uma nota, assinada pelo rei, esclarecia que as moedas estavam destinadas à pessoa que removesse a pedra.

Nossa vida pode ser comparada a uma corrida de obstáculos. E nas primeiras lições precisamos aprender a andar, a falar, a perceber os perigos. Mais adiante é necessário aprender a ler, a escrever. E assim vamos construindo a vida. A partir do básico, surgem as alternativas. Temos que escolher nossos caminhos. E no caminho escolhido, muitos obstáculos. Podemos mudar de caminho, desviar o obstáculo ou removê-lo. São três atitudes diante da vida.

Há pessoas que fazem da vida um rosário de lamentações. Tudo é difícil para elas. É que não entenderam que o obstáculo – a pedra do caminho – corresponde a uma possibilidade. A cada passo que damos, subindo numa montanha, o horizonte é maior.

O compositor italiano Giuseppe Verdi, em sua juventude, rodou em música, o grego Demóstenes era gago, Abraham Lincoln teve de amargar fracassos familiares, financeiros e pessoais. Eles não desistiram, removeram os obstáculos. Verdi consagrou-se como o maior compositor de seu tempo, Demóstenes é considerado o maior orador da antigüidade e Lincoln tornou-se presidente dos Estados Unidos. Mas ninguém sabe os nomes daqueles que lamentaram a pedra no meio do caminho, tomaram outra direção e criticaram os que não removiam a pedra.

Os obstáculos se fazem presentes em todos os caminhos da vida. Situam-se, sobretudo, no interior de cada um. Um dia, Deus não nos perguntará se em nosso caminho encontramos muitas pedras. Ele quererá saber o que fizemos das pedras que encontramos. E a cada pedra removida corresponde uma moeda de ouro, a moeda de ouro da realização.

E as dificuldades não acontecem apenas conosco. Jesus teve pela frente a pedra da rejeição e da cruz. Por fim, colocaram sobre Ele uma grande pedra sepulcral. Também essa pedra foi removida e com ela a moeda da ressurreição. Ele é nosso exemplo, parceiro de caminhada, e nos assegura: não tenham medo, eu venci o mundo!

 

CNBB pede ajuda em favor do Líbano

Campanha também conta com o apoio da Cáritas Brasileira

 

Os 34 dias de violentos bombardeios israelenses sobre o Líbano causaram danos avaliados em US$ 3,4 bilhões e o país vai precisar de anos para se recuperar. Os cerca de 900 mil libaneses expulsos de suas casas representam um quarto da população do Líbano e pelo menos 1.181 pessoas morreram no país e 157 em Israel.

O país, que já tinha gasto bilhões e mais de uma década para recuperar-se de 15 anos (1975-1990) de guerra civil, depende agora da ajuda externa para reconstruir mais de 100 pontes destruídas ou danificadas, hospitais, postos de combustível, prédios, fábricas e mais de 30 mil casas atingidas.

A Igreja do Brasil, atendendo a esse apelo de solidariedade, lançou na sexta-feira 18, através da CNBB e da Cáritas Brasileira, campanha em favor do povo libanês que estará aberta até 30 de novembro de 2006. Lançamento contou com a presença de dom Odilo Scherer, secretário da CNBB, e de José Magalhães de Souza, diretor executivo da Cáritas. As doações, somente em dinheiro, poderão ser feitas através da conta 59.000-3, agência 3475-4 do Banco do Brasil, e da conta 5629-0, agência 2 da Caixa Econômica Federal. As duas entidades pedem também a todos os fiéis orações pela paz.

 

Tapetes unem jovens, pais e catequistas

 

Dezenas de jovens das turmas de catequese de pré-crisma da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, de Caxias do Sul, tiveram uma atividade diferente na véspera do dia dos pais. Junto com os catequistas e muitos pais, eles se reuniram no salão da paróquia para confeccionar tapetes coloridos. Utilizando serragem, isopor, papelão, latinhas de refrigerantes e outros materiais, os crismandos elaboraram criativos desenhos tendo como figuras centrais a imagem de Nossa Senhora, a igreja matriz de Lourdes, Jesus Cristo, o cálice sagrado e outros objetos litúrgicos. O evento, organizado pela Pastoral Catequética, também fez parte da programação da festa das capelinhas 2006 da paróquia, realizada de 11 a 20 de agosto.

 

Semeadores e colhedores

Wilson João

Quem planta em si e nas pessoas as sementes da fé e do amor, colhe mais vida e esperança

 

Aquilo que semearmos é que colheremos. Essa é a lógica da vida. Como semearmos, também colheremos. O mestre Paulo, falando aos seus amigos da cidade de Corinto, ensinava: "Quem planta pouco, colhe pouco. Quem planta muito, colhe muito. Quem planta com generosidade, colhe em abundância. Deus ama a quem dá com alegria." O mestre segue elogiando os bons plantadores. Na verdade, as pessoas perderam o jeito de plantar na vida porque se distanciaram da terra. Poucos sabem o que é plantar uma semente, esperar que desabroche, cresça e produza frutos. Poucos têm a experiência de experimentar a generosidade da mãe terra, por isso tornam suas vidas estéreis de doação, generosidade e dedicação.

QUEM PLANTA ÁRVORES colhe frutos e alimento. Quem derruba árvores colhe morte. Na vida, quem planta em si e nas pessoas as árvores da fé e do amor, colhe vida e esperança. Na variedade infinita de árvores há variedades de frutos para todos os gostos. O coração humano é uma árvore de infinitas possibilidades. É preciso despertar as possibilidades para que cada um seja uma árvore generosa para os irmãos e irmãs.

QUEM PLANTA FLORES colhe perfume. Há os que plantam espinhos e colhem agressividades e raivas. Plantam amarguras e colhem rejeição. É melhor cultivar um jardim e fazer crescer a variedade das flores que oferecem os mais diferentes perfumes. Que bom ser um plantador de flores nas mentes e nas vidas das pessoas para receber em troca o perfume da gratidão, do carinho e da recompensa.

QUEM SEMEIA TRIGO colhe pão. Pão em todas as mesas. Pão em todas as bocas. Pão da vida e do amor. O doirado do trigo amadurecendo é a recompensa de quem semeou no frio inverno a semente sagrada do trigo. As mesas cheias de pão são a recompensa do trigo semeado. No altar da vida Deus se faz pão. É o milagre do bom semeador que semeia com fé e amor, sabendo que o Reino dos Céus é um campo de trigo amadurecido para todas as pessoas que souberam semear na vida amor e fé.

QUEM SEMEIA CARINHO colhe gratidão. Carinho nas palavras e atitudes. Carinho no relacionamento e no trabalho. Carinho no indicar o caminho para quem anda desorientado. Carinho que cultiva nas pessoas as boas sementes do otimismo e boas relações. A recompensa chega em forma de gratidão e sorriso. Chega em forma de mãos que agradecem e de palavras que acariciam os ouvidos e o coração.

QUEM SEMEIA FÉ colhe certezas. Muitas certezas. A semente da fé semeia no terreno do infinito. Planta sementes para o Reino dos Céus. A semente da fé faz olhar sempre para frente, para o horizonte de infinitos segredos.

SOMOS O QUE SEMEAMOS. Seremos o que semearmos. Todos são donos do campo da própria vida. Ninguém é um "sem terra" no campo da vida. A semente está à disposição de todos. Mãos à obra!

 

CORREIO SABE-TUDO

SUPERSTIÇÕES

Originárias de tempos remotos, sobrevivem no mundo moderno

 

Dizem os pesquisadores que o povo brasileiro é o mais supersticioso do mundo. Talvez você não acredite cegamente nas crendices populares, mas algumas são tão comuns em nosso meio que é difícil ficar indiferente. Às vezes adotamos superstições quase involuntariamente, sem perceber. Ou você nunca se pegou batendo na madeira para espantar o azar? A maioria dessas lendas é bem antiga, mas sobreviveu ao tempo, com algumas adaptações, passando de uma geração a outra.

O costume de bater na madeira, por exemplo, na versão original, consistia em bater exatamente no tronco de uma árvore, para afugentar o azar. Sua origem mais provável pode estar no fato de os raios caírem freqüentemente sobre as árvores. Os povos antigos teriam interpretado esse fato como sinal de que tais plantas seriam as moradas terrestres dos deuses. Assim, sempre que sentiam-se culpados por alguma coisa, batiam no tronco para chamar as divindades e pedir perdão.

Os celtas também eram adeptos desse costume. Seus sacerdotes, chamados de druidas, batiam na madeira para espantar os maus espíritos. Já na Roma Antiga, batia-se na madeira da mesa, móvel considerado sagrado, para invocar os deuses protetores da família e do lar.

Gato preto – A superstição envolvendo os gatos teve origem na Idade Média, segundo os historiadores. Na época, acreditava-se que os felinos, devido aos seus hábitos noturnos, tinham alguma relação com as trevas. Pior ainda se eles fossem pretos! A cor também era habitualmente associada às trevas.

No imaginário do povo medieval, o gato preto tornou-se tão inseparável da figura da feiticeira quanto a "vassoura voadora". Historiadores relatam que no século XV, o papa Inocêncio VIII (1432-1492) chegou a incluir os gatos na lista de perseguidos pela Inquisição, campanha contra supostas bruxarias. A Inquisição acabou invertendo uma tradição milenar, pois os gatos eram reverenciados como divindades, principalmente entre os antigos egípcios. Na França, a caça aos gatos durou até 1630, quando foi proibida pelo rei Luís XVIII (1601-1643).

 

Ferradura, usada para atrair sorte

Por que a ferradura é símbolo de boa sorte?

 

Há registros de que esse objeto já era considerado um amuleto poderoso desde a Grécia Antiga. Primeiro, porque era feito de ferro, elemento que os gregos acreditavam proteger contra todo o mal. Além disso, seu formato lembrava a lua crescente, símbolo da fertilidade e prosperidade. Os romanos, herdeiros de boa parte das tradições gregas, adotaram também essa superstição e a passaram adiante.

A tradição manda colocar a ferradura no alto da porta, com as pontas viradas para cima, se não a sorte vai embora. Porém, há países, como a Espanha, em que acredita-se que a ferradura deve apontar para baixo, para que a sorte se espalhe por toda casa.

 

13 o número do azar

 

Tudo indica que essa crendice vem de duas lendas da mitologia nórdica. Uma delas diz que houve no Valhalla, a morada celestial das divindades, um banquete para 12 convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga. Na confusão, morreu Balder, o favorito dos deuses. Instituiu-se, então, a superstição de que convidar 13 pessoas para um jantar era certeza de desgraça. Com isso, o número ficou marcado como símbolo do azar. Até hoje, esta é uma das mais populares superstições.

A segunda lenda relaciona-se à deusa do amor e da beleza, Friga, cujo nome deu origem às palavras friadagr e friday, que significa "sexta-feira" em escandinavo e em inglês, respectivamente. Quando as tribos nórdicas se converteram ao cristianismo, a personagem foi transformada em uma bruxa e exilada no alto de uma montanha. Para vingar-se Friga passou a reunir-se todas as sextas-feiras com outras 12 feiticeiras, totalizando 13. Nesses encontros, elas amaldiçoavam a humanidade. Da Escandinávia, a superstição envolvendo a sexta-feira e o número 13 espalhou-se por toda Europa.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que fui descobrindo em mim

Léo Peruzzo Júnior

Seminarista (scalabriniano), Curitiba (PR)

 

Nasci em União da Serra-RS, comunidade italiana, onde mora minha família. Meus nonos nasceram em Ênego, Vicenza. Na infância, só falava o talian. Aos 14 anos, entrei no Seminário, em Guaporé, da Congregação dos Missionários de São Carlos (2001-2003). Em 2004, em Porto Alegre, cursei o Propedêutico. Hoje curso Filosofia na Universidade Católica, em Curitiba-PR.

Fui crescendo, sem pensar em minhas raízes. Mas, com o tempo, me extasiava diante da pessoa e das palavras de meus próprios pais! Dos avós, então, era tudo uma idealização. Fui me percebendo italiano ao natural, identificando minhas primeiras palavras, meus primeiros brinquedos, minhas primeiras preces, meu convívio em família, a mística daquele terço rezado à noite! Quando ouço missionários que chegam da Itália, falando um italiano diferente, comparo-o ao italiano de minha família. Duas itálias dialogam dentro de mim. Assim também me sinto ao ler os escritos do fundador, João Batista Scalabrini – cada palavra sua tem seu peso, sua medida, e fala dentro de mim como uma palavra histórica.

Quando penso que meus avós e bisavós estiveram na mente primeira de Scalabrini, pensando e enviando seus religiosos aos italianos no mundo, sou-lhe agradecido porque pensou nos meus antepassados, e por eles, em minha família.

Aos 131 anos da imigração italiana, parece nada ter mudado. A velha Itália dos avós, para mim, continua a mesma da atual – o relicário de meu sangue, de minhas raízes, de minha história.

Estranho quando os mais velhos contam que, durante a guerra, foram proibidos de falar o italiano, enquanto eu, hoje, me sinto feliz e livre em recordar e reviver tudo nos mínimos detalhes.

Quando me penso, penso nos meus que deixaram o pouco que tinham na Itália, se juntaram a tantos outros para vir ao Brasil e, juntos, aqui, abriram estradas, construíram capelas, cemitérios, escolas... Ah! Eu nasci dentro de uma solidária comunidade italiana.

Um dia, com sonhos, como dos avós, parti de minha família para "Fazer minha América", estudando, com minha família como segurança e apoio. Estou construindo pelo estudo o mundo sonhado e construído por meus pais e avós. Eles venceram trabalhando, eu quero vencer estudando para servir os irmãos, como aprendi em minha família e comunidade.

A cada mês, me parece estar repetindo a viagem dos antepassados, em "trenta sei giorni", que, para eles, foi de "màchina a vapore" e, para mim, são de estudos e cultivo de valores. A muitos deles, o tempo eternizou antes da vitória final, mas todos venceram, entregando para cada um de nós o galardão da história para ostentá-lo e juntos levá-lo à vitória final.

Dentro de mim encontro uma força natural, pura, que se confunde comigo, com meus pais, com meus avós e com minha comunidade – é aquele modo de ser e fazer italiano, que eu denominaria sabedoria, algo que não estudei, e que recebi ao natural, e me faz andar seguro e feliz. A este profundo, herdado e feliz modo de ser, a psicologia chama identidade, pois é nesta forma de ser que me encontro comigo, com minha família, com o mundo e com Deus, que tento comunicar pela minha vida e pelas palavras originais, recebidas dos meus pais.

Eu não preciso me dizer italiano, mas testemunhar de sê-lo, para prazer dos outros e felicidade minha de viver a comunhão na diversidade" (e-mail leoperuzzo@hotmail.com)

De fato, Leo é uma expressão jovem de italianidade, que foi se construindo com a vida, sem os percalços dos inícios e das imposições políticas. Um i-taliano profundo, livre, generoso e apostólico. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (374)

Nanetto vìsita el Rotary Club Leste in Jundiaì

EDUARDO GRIGOLO

Professor, Jundiaí-SP

 

In tute le cità che Nanetto ga visità, una, tra tante altre, la se ga impetolà in so mente e in tel so cuore. Ze la cità de Jundiaì-SP, ndove el ga passà diversi momenti de felicità e anca el ga fato tanti amici. Se podaria dir che le persone al cognosser Nanetto le se trasforma in gente sensa identità, despersonalisà. Sia veci, gióvani, tosati, fémene, tatini, infine, de tuto che se possa mainar, tuta questa gente al veder Nanetto, le perde la malìssia, la povertà de spìrito e le ride, sensa coionar, le se sente felice de star in compagnia de Nanetto. Parlar con lu, saludarlo in tea lìngua che parlava i primi imigranti, al vegner del Itàlia. El talian castisso, puro e che fa vegner aqua in boca, solche de parlarghe due o tre parole. La malinconia la fiorisse in tea mente e in tel cuore de quei che, tanti ani fa, no i scoltea, manco ancora i parlea una sola parola in dialeto véneto, par esémpio. Nanetto el ga visità el Rotary Jundiaì Leste, ndove el ga proferio na conferensa in omaio al Sentenàrio dea Imigrassion Italiana al Brasil. In Jundiaì la colònia italiana la ze pròpio granda. Tanto ze vero, che la cità la ga fato per meritar un Vice-Consulato, soto òrdine del Signore Antonio Cordone, presente insieme a so dona. El presidente del Rotary che lo ga invità, sig-nore Giuseppe Carlos de Lima. Altre persone che le fa parte dela organisassion e che se ga fato presente in quela note de festa: Paolo Mongelli, Antonio Pacheco, Rafaele Ranalli, altre personalità de Jundiaì i ze stà invità, anca lori: Karlla, Fernando, Thalita, Vitalino, Cidinha e so fiole Èrika, Juliane e Ingrid.

Alora, dopo le presentassion del protocolo, infine, la realisassion del serimonial del Rotary, con pompa e sircunstansa Nanetto se presenta:

– Signori e done, io mi chiamo Nanetto Pipetta. Nanetto parché l’è stà el nome che i me genitori i me ga batedà e Pipetta, in omaio a me nono che ghe piasea pipar. Solo che la pipa de me nono, la gera na pipona, così granda, che parea la Maria Fumassa drio tirar el tren. Co son nassesto el me ga dato na pipa pìcola, infine, na pipeta e per questo son stà batedà Nanetto Pipetta.

– Adesso cóntene cossa te ga fato par rivar fin qua! Ghe racomanda Mongelli.

– Va bene! Gavea 13 ani de età e, ancora, no vea imparà le bone maniere, come scoltar i pi veci, obedir la mama, no bestemar, dir su le orassion vanti dormir e dopo levar su, cose che tuti i tosatei i impara coi so genitori, dai primi ani de vita, fin restar coi mostaci longhi. Con quela, squasi tuti i di, me pupà el me ondea co la scùria. On bel di, intanto che la mama la fea la polenta e un gatin el gera drio sgnaolar darente al fogolaro, de un colpo lo go butà rento te la pignata. Col spauron dela mama, prima la ghe ga dato na mescolada che la lo ga fato saltar distante e dopo, nantra in tea me testa e la me ga dita: "Speta sol rivar to pare!" El di vanti el me ga dita che "La me passensa la se ga finio! In tea pròssima volta te tiro el coro, co la scùria". Mi savea che quando me pare el prometia, lu el compia. Alora, vanti che’l ritornasse, Nanetto el ga ciapà on poc de robe e el se ga sbandà al Porto de Venézia. Lu el savea che tanti taliani i imbarchea su la nave par far la cucagna in Mèrica. "Parché no posso anca mi catar la me cucagna in Mèrica!" Go pensà. Co son rivà e son ndato tor informassion, prima i me ga dita che bisognea che avesse el passaporto e, dopo, i me ga dita anca che, sensa una autorisassion dei me genitori, no podaria ndar in Mèrica gnessuna. Go savest che la nave la partia da là due giorni. Alora, me go sentà te un scagnet e go scominsià a piander. Prima, de paura de me pare, che’l volea "cavarme el coro" e dopo che gera difìcile imbarcar par la Mèrica. Vea passà meda ora e l’aqua dei oci la gera drio finir e gnessuna "bona ànima" la se vea presentà per salvarme. Intanto che pensea cosa fare, riva na signora darente a mi e dopo sgorlarme, la me domanda:

– Cossa situ drio far lì, ti solo?

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

El negro che parlea talian

Nelson Antonio Storgatto

Santa Maria-RS

 

Me pupà, come in te quel tempo no se gavea nè ràdio nè television, dopo pregada la corona, el ne contea stòrie. Tante le go desmentegade, ma me ricordo de questa, sucedesta in Arroio Grande, distreto de Santa Maria.

Me pare el ze nassesto e stà slevà inte sto paeseto, ndove se fa fache de raquanti tipi, ma no i ze stai boni de ndar un poco pin inlà de far fache e fache. Ma la me stòria la va par nantra banda. Come l’era costume in tela colònia taliana, a le doméneghe, dopo rosàrio, i òmeni i giugava le carte o le boce A Arroio Grande no l’era difarente. El contea me pupà, che ghe gera raquanti òmeni che i giughea le boce, ma là par le tante, riva un negro che nissuni lo cognossea, un zovenoto su i disdoto o vinti ani. El se ga sentà do, sensa dir gnente l’è stà là vardando el giugo.

I taliani, quando i ga visto sto negreto lì, i ga tacà a dir stupidità, come: Go paura che vien su un temporal! El pedo ze che no go portà la ombrela, dise nantro. Nantro, pi sparlacion, el dimanda: Volaria saver parché el Signor el ga fato sta gente lì. Poareti, disea nantro, póveri scorsi, vegnesti al mondo par patir misèrie. Ma anca, vuto cossa, i ze nassesti brustolai e rùdeni. Tuto parlà in talian in medo a altre ciàcole in brasilian. El el tosato negro, sempre tento al giugo, parea che’l volesse imparar come se giugava. I taliani, sempre pi sparlacioni e sempre pi pieni de vin, caciassa o graspa, i seguitea dispresarlo.

El negreto, lì pacìfico, come na stàtua, sol i òcii i ndea inquà e inlà insieme le boce. Ma, na roba che nissuni i la spetea, quando el fabrissier che ghe tendea a la bodega l’è vegnesto portar nantra garafa de vin e graspa, el negreto, tirando fora un bel patacon, el ghe dimanda:

– Prego, sior, el podaria portarme na gasosa?

E el ghe destira el brasso col patacon in man.

– No stè spaurarve, lo ga dito in talian s-ceto e ciaro.

Ciò, i giugadori de boce i ga cambià de tuti i colori, go paura, fin de negro, de la vergogna. Le boce, de tonde, le ze restae quadrae. El moreto, lu sempre calmo, al veder la bruta svergognada dei giugadori, el ghe dise, sempre in talian:

– No stè farve pensieri, mi son costumà, sò che valtri si rassisti, ma un giorno ve tocarà cambiar de idea. Mi son stà slevà par na fameia taliana. Luri i me ga insegnà tante robe bone, come vedì anca parlar talian, i me ga sempre rispetà, se anca fusse negro. Una cosa vui dirve, col vos-tro permesso.

– Si, si, i dise tuti insieme, te pol dirlo.

– Mi son negro, no scorso, e go orgólio de esser negro, ma anca go un rispeto tanto grando ai migranti taliani.

– Te ghè tuta la rason, el dise un vecioto, nantri che semo stai sbocaloni. Bisogna che imparemo rispetar tute le persone. Ti te ne ghè dato na bela lission. Adesso vien qua giugar le boce insieme noantri, parché semo tuti fioi de Dio. (Testo de Silvino Santin, stòria contada nel corso de talian dela Associassione Italiana de Santa Maria)

 

GERAL

Unisc aborda a colonização

Curso debate impacto histórico-ambiental dos europeus no Estado

 

"A eco-história da colonização européia no Rio Grande do Sul" é o nome do curso de extensão que a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) está oferecendo a professores, estudantes universitários e profissionais liberais. Em dez encontros, de 5 de setembro a 7 de novembro, o curso irá abordar o processo da colonização, a partir da análise histórico-ambiental.

No decorrer das aulas serão abordadas as alterações ecológicas do Estado à época da colonização açoriana; a destruição ambiental dos vales à época da colonização alemã; a devastação da Serra Geral durante a colonização italiana; o desflorestamento no Planalto, com a implantação das colônias judaicas, e a exploração das últimas florestas sul-rio-grandenses na região Noroeste, a partir do século 19, com as chamadas colônias novas.

Os encontros ocorrerão no turno da noite (19h15 às 22h15). Inscrições e informações na secretaria de pós graduação e extensão/telefones (51) 3717 7311 ou 3717 7343.

 

Japoneses festejam 50 anos de presença em solo gaúcho

Pioneiros chegaram ao Estado no dia 20 de agosto de 1956

 

Até o final do ano, diversos eventos deverão marcar os 50 anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Rio Grande do Sul. No domingo 20, um almoço no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, em Porto Alegre, reuniu o governador Germano Rigotto, uma comitiva do Japão, encabeçada pela presidente do Senado, Chikage Oogi, e integrantes da comunidade nipônica gaúcha, inclusive alguns dos pioneiros, para comemorar a data.

Comidas típicas japonesas, apresentações de danças e música, exposições de bonsai, cerâmica e esculturas, fotos e objetos da imigração foram algumas das atrações mostradas ao público no domingo. No dia 20 de agosto de 1956 desembarcaram de um navio no porto de Rio Grande 23 técnicos agrícolas japoneses, o primeiro grupo de imigrantes nipônicos no Estado. Hoje, cerca de 1,6 mil japoneses e 2,5 mil descendentes vivem no RS.

 

Usina Passo São João inicia em 2007

 

O Rio Grande do Sul vai ampliar a geração de energia elétrica. Trata-se da usina hidrelétrica Passo São João, a ser construída pela Eletrosul. Localizada entre os municípios de Dezesseis de Novembro e Roque Gonzáles, a usina terá uma potência instalada de 77MW e investimentos de R$ 250 milhões.

As obras civis devem iniciar no começo do ano que vem e a conclusão está prevista para 2009. Durante o período de execução serão gerados cerca de 750 empregos diretos e 1.500 indiretos. Em 1º de dezembro de 2010 a usina entra em operação comercial. O contrato foi assinado com a Aneel na terça 15.