LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.003 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 30 de agosto de 2006.

EDITORIAL

Respeitar a Constituição é obrigação dos governantes

Saúde é um direito de todos os brasileiros, mas o Estado não respeita

 

A Constituição determina que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Nos discursos políticos, saúde e educação formam um binômio permanentemente presente. Na realidade, os investimentos públicos na saúde do brasileiro ficam entre o ridículo e o vergonhoso.

O estudo "O SUS pra valer: universal, humanizado e de qualidade", divulgado na semana passada, revela que os recursos públicos aplicados pelo Brasil na saúde variam de 125 a 150 dólares per capita/ano. Isso representa, em média, menos de R$ 1,00 por dia, um dos menores valores do mundo, abaixo inclusive de nações latino-americanas, como Argentina e Uruguai, que destinam mais do que o dobro por habitante – na Europa, a média é de 1,4 mil dólares.

Esses dados comprovam que a Constituição não está sendo respeitada por governantes e, mais importante, que o cidadão está recebendo um atendimento muito aquém do que precisa. A defasagem entre o que deveria ser e o que é investido, por obrigação constitucional e necessidade da população, não foi criada pelos atuais governantes, embora eles pouco fizeram para reverter esse processo histórico.

O documento vem em boa hora, acompanhado do pedido para que todos os candidatos à Presidência da República assumam o compromisso de cumprir a Constituição – aliás, o mínimo que se pode esperar de um pretendente ao mais elevado cargo do país.

Há uma outra reivindicação que deveria merecer idêntica atenção dos presidenciáveis: corrigir as injustas tarifas de energia elétrica, que obrigam o brasileiro a pagar mais por esse serviço do que consumidores de ricas nações da Europa e América do Norte – tema aprofundado na página 4 desta edição.

São questões complexas, envoltas por muitos interesses políticos e econômicos. Mas podem ser resolvidas. O primeiro passo nessa direção será dado quando os governantes dispensarem aos direitos dos cidadãos o mesmo zelo – e, em alguns casos, igual generosidade – com que tratam contratos com empresas para prestação de serviços, como geração e distribuição de energia elétrica. O segundo, quando abrirem mão de receitas patrocinadas por tributos que corroem o já debilitado bolso do consumidor.

 

CAXIAS DO SUL

Microempa une solidariedade e economia

Eventos levam 6.000 pessoas aos pavilhões da Festa da Uva

 

Atividades de assistência social e pequenos negócios levaram 6.000 pessoas aos pavilhões da Festa da Uva de sexta a domingo. Foi a 2ª Ação para Todos e a 1ª Feira Multissetorial, promoção da Associação de Empresas de Pequeno Porte da Região Nordeste do Estado (Microempa). Realizados simultaneamente, os eventos têm o objetivo de prestar serviços à comunidade e incrementar negócios de pequenos empreendimentos.

De acordo com o presidente da Microempa, Ivo de Oliveira Flores, a primeira iniciativa, em 2005, reuniu 38 parceiros sociais. "Na edição deste ano registramos crescimento de 40% no número de parceiros e mais de 300% do público participante", destaca Flores. "Somente na confecção de carteiras de identidade, foram 300 pessoas encaminhadas, mas poderiam ser 1.000, se todas estivessem com a documentação certa", diz ao CR.

Conforme Ivo Flores, a 1ª Feira Multissetorial, além de favorecer a realização de negócios com associados da Microempa, funcionou como uma incubadora para a participação em eventos de maior porte. "A feira serviu como embrião para um evento maior que deveremos realizar em 2007, juntamente com a Ação para Todos. Será, provavelmente, no mesmo local e no mês de agosto", adianta o presidente da entidade.

Serviços – Os eventos ocorreram no Pavilhão 2 da Festa da Uva. O estacionamento e a entrada eram gratuitos, bastava a contribuição de um quilo de alimento não-perecível ou de um brinquedo novo. A Microempa e parceiros brindaram a população com apresentações artísticas e distribuição de brindes, além de serviços como corte de cabelo (350), confecção de carteira de trabalho (130 encaminhadas), consultorias e palestras.

Os visitantes também tiveram a oportunidade de realizar exames de saúde e de se cadastrar em planos de convênio por meio da Microempa. Outros benefícios oferecidos incluíram assessoria nas áreas contábil e jurídica, informações sobre linhas de crédito e de oportunidades de cursos em instituições de ensino da localidade.

 

Prêmio ao empreendedorismo feminino

 

A Microempa acaba de lançar a 2ª edição do Prêmio Empreendedorismo Feminino. A entidade quer valoriza e mostrar o desempenho das mulheres e de suas empresas. O Prêmio é uma iniciativa da entidade, juntamente com o Sebrae de Caxias do Sul. "O objetivo principal é de valorizar, destacar e divulgar os trabalhos e casos de sucesso envolvendo as mulheres", diz o presidente Ivo Flores.

O prêmio Empreendedorismo Feminino será concedido para cinco categorias que atenderem os critérios mínimos necessários (indústria, comércio, serviço, cooperativas ou associações e destaque especial). Será entregue no dia 26 de outubro.

As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas na Microempa Serviços – BR 116 km 148 – 16000 ou na Microempa Negócios, junto à CIC. Telefone (54) 3025 7532.

 

Prefeitura anuncia novo pacote de obras

 

O Prefeito José Ivo Sartori anunciou na terça 22 investimento de R$ 3,5 milhões em obras definidas pelo Orçamento Comunitário (OC). O pacote contempla todas as regiões administrativas, abrangendo cerca de 50 bairros e parte da zona rural. Entre as principais obras divulgadas, estão as escolas infantis do Fátima e Presidente Vargas/Diamantino, pa-vimentações, alargamento de estradas, construção de quadras poliesportivas, áreas de lazer e melhorias em centros comunitários, além da construção do Centro Comunitário do Portal da Maestra.

Ao fazer uma prestação de contas, o coordenador do OC, Jaison Barbosa dos Santos, afirmou que das 237 obras elencadas de 1998 a 2005, 56% foram executadas ou estão em fase de execução e/ou licitação. Os restantes 46% – portanto quase a metade – estão com projeto pronto, em estudo técnico ou em análise jurídica. E que das obras anunciadas em dezembro de 2005, 60% foram concluídas e as demais estão sendo executadas.

 

REPORTAGEM

Brasil tem luz mais cara que EUA e Europa

Em 10 anos, tarifa subiu quase três vezes mais que a inflação. Carga tributária ajuda a elevar preço

 

A partir desta semana, brasileiros atendidos por sete distribuidoras passam a pagar mais caro pela energia elétrica. O desembolso será maior para 4,1 milhões de usuários. Já 714 mil moradores no Distrito Federal tiveram a tarifa reduzida. "Premiados" com aumento ou não, porque os valores variam entre Estados e regiões, todos os consumidores de energia elétrica no país são atingidos por um sistema que, no mínimo, é injusto: o valor cobrado é muito elevado para os padrões de renda local.

O estudo "Key World 2004", da Agência Internacional de Energia (AIE), dá uma dimensão desse desequilíbrio. No caso do Brasil, a base foi a tarifa divulgada pela Aneel em 2004, que foi convertida para o dólar, quando cada dólar valia R$ 2,4. De 30 países europeus e americanos pesquisados, a tarifa brasileira é a 10ª mais cara. Pagam mais os consumidores da Suíça, Bélgica, Itália, Portugal, Áustria, Alemanha, Holanda, Japão e Dinamarca. Entre os 21 países em que a tarifa é mais baixa que a do Brasil estão França, Estados Unidos, Suécia, Reino Unido, Espanha, Canadá, Austrália, Irlanda, Coréia, Grécia e Islândia.

A distorção ganha contornos maiores ainda quando se compara a renda per capita. No Brasil atinge US$ 2.789 (2004), enquanto que chega a US$ 39.710 nos EUA, a US$ 31.460 no Reino Unido; a US$ 30.660 no Canadá; a US$ 29.320 na França; a US$ 29.220 na Austrália (segundo dados do Banco Mundial e do FMI). E a injustiça cresce na medida em que o Brasil é um dos líderes mundiais em concentração de renda – ou seja, a maioria da população ganha menos que a renda per capita, pois ela é a divisão das riquezas produzidas pelo número de habitantes.

Inflação – "É estranho o Brasil ter uma tarifa elétrica tão cara, mais elevada que a de países que dependem do petróleo, sabendo-se que a energia brasileira vem primordialmente a partir da água, que é renovável e gratuita", observa em entrevista à Agência Brasil o consultor na área de energia e coordenador de pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Pereira d’Araújo. Essa estranheza começa a se dissipar quando se analisam pesquisas do IBGE. O resultado de uma delas é bastante esclarecedor: de janeiro de 1995 a dezembro de 2005, a inflação acumulada medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (o índice de inflação oficial, usado pelo governo federal) ficou em 149,43%. No período, a energia elétrica aumentou quase três vezes mais, acumulando alta de 420,70%.

 

Empresas que mais cobram pela energia

 

Estudo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revela que a tarifa residencial mais cara no Brasil é paga pelos consumidores do Mato Grosso do Sul abastecidos pela Enersul. O preço do quilowatt-hora cobrado pela empresa é de R$ 0,419. Na seqüência, vem a CFLCL, de Minas Gerais (R$ 0,409), seguida pela também mineira Cemig-D (R$ 0,406), pela Celtins, do Tocantins (R$ 0,403) e Ampla, do Rio (R$ 0,378).

As lista das que cobram menos é liderada pela Jarí, do Pará, com R$ 0,238 por quilowatt-hora. Depois vêm a CER, de Roraima (R$ 0,247), Copel-Dis, do Paraná (R$ 0,260), a Eletrocar, do Rio grande do Sul (R$ 0,269) e a CFLO, do Paraná (R$ 0,269)

 

Privatização e tributos apontados como causa

 

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro Luiz Pinguelli Rosa, que presidiu a Eletrobrás, liga o fato de a tarifa de luz no Brasil estar entre as mais caras do mundo às privatizações. "Quando houve as privatizações, criou-se uma regulamentação, supervisionada pela Aneel, que deu a essas empresas o direito de corrigirem seus valores por índices de variação acima da inflação geral do país", lembrou.

Os principais prejudicados, de acordo com Pinguelli, foram os consumidores residenciais. Além de pagarem as tarifas, eles foram onerados com uma série de encargos, como o seguro-apagão. A taxa foi criada em 2001 (época do racionamento de energia elétrica), com o objetivo de comprar geradores emergenciais, e extinta em dezembro de 2005. Também foi cobrado do consumidor o ressarcimento feito às empresas distribuidoras pelas perdas com o racionamento.

Tributos – "A energia está no limite de custo para o consumidor. Para reduzi-la é preciso ser aliviada de impostos". A avaliação é do professor Ivan Camargo, do Departamento de Engenharia da Universidade de Brasília (UnB). "É muito confortável onerá-la com tributos, pois a punição para quem não paga é muito severa. Ao consumidor só resta reclamar e economicar", acrescenta.

Para Camargo, quase um terço da conta corresponde a impostos. Ele cita PIS/Cofins, para o governo federal; ICMS, para os Estados; e taxa de iluminação pública, que vai para os municípios. "Todo mundo belisca um pouquinho", afirma.

 

AGRONEGÓCIO

Monitoramento da videira reduz pulverizações

Número de aplicações pode diminuir até 40%, diz pesquisa da Embrapa

 

Como produzir uvas de qualidade sem afetar o meio ambiente e a saúde de pessoas? Há 30 anos a Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves, vem trabalhando para dar respostas à vitivinicultura nacional. Para competir no mercado externo ou mesmo conquistar o consumidor nacional, lembra o pesquisador Lucas Garrido, o produto final (vinho, suco ou uva) deve apresentar uma série de características. "As principais são a colheita no ponto adequado da maturação, manejo do vinhedo (podas, adubações equilibradas e desbastes de cachos), das plantas invasoras e o controle de pragas e doenças", diz.

O manejo, se não tratado com seriedade, pode ser responsável pelas perdas na produção, tanto na quantidade quanto na qualidade. "Para ter uma idéia, aqui na Embrapa, costumo monitorar as videiras uma vez por semana. Com essa atitude simples, a quantidade de pulverizações diminui de 30% a 40%, revela Garrido, lembrando a economia do viticultor com mão-de-obra, agroquímicos e máquinas.

Entende-se por monitoramento a vistoria semanal que o viticultor deve fazer aos vinhedos. Nessa visita, poderá constatar algum problema de sanidade e aplicar o produto em estágio inicial da doença. "Caberá ao produtor consultar o engenheiro agrônomo antes da escolha dos agrotóxicos a serem utilizados no vinhedo e também buscar novas informações para melhorar o processo produtivo", aconselha.

Para Lucas Garrido, dificilmente o enólogo poderá elaborar vinho de qualidade utilizando uvas atacadas por pragas ou por podridões. "É de extrema importância que o produtor respeite o período de carência dos agrotóxicos, a fim de evitar a presença de resíduos, que prejudicam a qualidade do vinho ou do suco, bem como a saúde do consumidor e a imagem da região", alerta ao CR.

Doenças – Diversas doenças (míldio, antracnose, escoriose, oídio, podridões etc) e pragas (pérola-da-terra, filoxera, ácaros, cochonilhas, lagartas-dos-cachos, mosca-das-frutas etc) atacam a videira. Danos econômicos podem ser evitados por meio do diagnóstico local, controle adequado e o próprio monitoramento realizado pelo agricultor.

Além dos danos diretos sobre a planta, lembra o pesquisador da Embrapa, algumas cochonilhas são transmissoras de viroses, "que contribuem para a redução na produtividade e da qualidade da uva, podendo contribuir para declínio e morte de plantas."

 

Medidas auxiliares garantem a eficácia

 

Para maior eficácia dos tratamentos nas videiras, outras medidas, além da aplicação de agroquímicos, devem ser tomadas pelo produtor, como a destruição ou enterrio dos restos culturais em parreirais atacados pela glomerella (podridão da uva madura), pela antracnose, escoriose e pela podridão descendente. "Nestes restos culturais estão os fungos causadores das doenças e sobrevivem de uma safra para outra", avisa o pesquisador Lucas Garrido.

Garrido recomenda também a utilização da calda sulfocálcica, durante o período de dormência, e a proteção dos ferimentos da poda com algum fungicida para evitar a entrada de fungos causadores da podridão descendente.

A Embrapa Uva e Vinho está estudando o uso de fosfitos de potássio. Estes produtos atuam dentro da videira, tornando-a mais resistente contra o míldio (mufa), principal doença da videira. "Utilizado isoladamente ou em mistura com fungicidas, o produto tem proporcionado excelentes resultados", adianta o pesquisador.

Mais informações na Embrapa Uva e Vinho, pelo telefone (54) 3455 8000.

 

Garibaldi seleciona melhores vinhos e espumantes 2006

 

Vinte e duas vinícolas premiadas, 31 medalhas de ouro, sete de prata e seis menções honrosas. Esse é o resultado da 4ª Seleção dos Melhores Vinhos e Espumantes de Garibaldi, evento realizado pela Associação dos Vinicultores de Garibaldi (Aviga).

De acordo com o presidente da Aviga, Ricardo Chesini, foram inscritas 124 amostras, sendo 83 de vinhos (45 vinhos finos e 38 de mesa) e 41 espumantes. "Cerca de 89% das amostras atingiram pontuação mínima para premiação por medalhas, demonstrando o crescimento e o aperfeiçoamento deste segmento", diz.

O concurso seguiu as normas da OIV. Como o regulamento do concurso determina que 30% das amostras que atingissem a pontuação necessária seriam premiadas, seis receberam menção honrosa.

Gala – Os vinhos e espumantes premiados poderão ser degustados durante a Festa Nacional do Champanha, que ocorre de 19 de setembro a 7 de outubro de 2007. Antecipando a festa, a Prefeitura realiza o jantar-baile Gala do Champanha. O evento será dia 28 de outubro, no Centro de Eventos 1º de Maio.

 

Brasil lidera a coleta de embalagens

 

Dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) mostram que o Brasil processou este ano 11.622 toneladas de recipientes de agrotóxicos. Um aumento de 8,3% no número de vasilhames reciclados ou incinerados em relação ao ano de 2005.

Segundo o diretor-presidente do Inpev, João César Rando, o Brasil é líder nesse setor, e já está à frente de vários países. "Das embalagens produzidas, cerca de 84% são devolvidas, enquanto que nos Estados Unidos apenas 20% voltam aos fabricantes", diz.

O agricultor tem o dever de lavar e armazenar os vasilhames em sua propriedade por um período de até um ano.

 

Expointer terá marca da superação

Expectativa é recuperar setor de máquinas e a agropecuária do Estado

 

A Exposição Internacional de Animais (Expointer 2006), que ocorre em Esteio até 3 de setembro, será marcada pela superação. A expectativa é que a feira recupere perdas registradas nos últimos anos na agropecuária gaúcha. Com o câmbio elevado e preços agrícolas em baixa, a crise chegou ao setor de máquinas e implementos do Estado – o Rio Grande do Sul responde por 60% do que é fabricado no Brasil.

Os números do primeiro final de semana são animadores. Segundo a comissão organizadora, a 29ª Expointer teve público de 90.078 pessoas, sendo 54.423 no domingo 27. A bilheteria foi de R$ 274.130,00. A comercialização de animais alcançou R$ 3.438.220,00. E o Pavilhão da Agricultura Familiar faturou no final de semana R$ 78.460,00.

Ao abrir a Expointer 2006, no sábado 26, o governador Germano Rigotto mostrou-se otimista. "Esta Expointer não será marcada apenas pela participação de quase 3.000 expositores e 6.307 animais. Será pelos contratos que viabilizam a continuidade de negócios posteriores e pela aproximação dos agricultores com as novas tecnologias", destacou.

A expectativa é que até 3 de setembro mais de 700 mil pessoas passem pelo Parque Assis Brasil. Além de palestras, o visitante encontrará espetáculos musicais, danças e os produtos da agricultura familiar. Estão na programação cerca de 400 atrações diversas.

Visitando a Expointer, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, acenou com uma solução que permita aos agricultores utilizarem, já na próxima safra, sementes de soja transgênica multiplicadas na propriedade.

 

Cosuel qualifica a produção de sêmen

 

A Cooperativa dos Suinocultores de Encantado (Cosuel), que reúne 2.861 associados, vai investir R$ 400 mil na implantação da central de produção de sêmen para qualificar a suinocultura. O projeto, que será instalado na área da granja Santa Clara, foi apresentado pelos técnicos Elói Blonker e Roni Giongo ao prefeito de Encantado, Agostinho Orsolin.

O empreendimento inicia com 50 reprodutores e produção de 104 mil doses para a inseminação artificial do atual plantel de 13 mil matrizes. A meta da cooperativa é aumentar o plantel para 200 animais, atendendo a demanda de 20 mil matrizes.

A Cosuel abate 1.300 suínos por dia. Pretende ampliar para 2.000 cabeças/dia. Atua em 42 municípios da região.

 

Mercoagro integra indústria da carne

 

A segunda maior feira técnica do planeta no segmento cárnico-industrial, a Feira Internacional de Processamento e Industrialização da Carne (Mercoagro) será realizada em Chapecó (SC), no período de 12 a 15 de setembro. A feira reunirá 650 expositores de todos os continentes, agrupados em 300 estandes.

Segundo o coordenador geral Vincenzo Mastrogiacomo, a previsão de negócios é da ordem de US$ 180 milhões. Paralelamente, serão realizados três eventos: o VI Seminário Internacional de Industrialização da Carne, a 2ª Clínica Tecnológica e o 2° Laboratório Experimental, a cargo do Senai.

 

Regras rígidas para alimentar animais

 

A legislação que trata de produtos destinados à alimentação animal vai mudar. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está estudando novas regras para o uso de rações com medicamentos e irá rever a IN nº 03, que trata da importação de produtos voltados a alimentar animais. A atualização estabelecerá regras mais rígidas.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Guajuvira ótima madeira de lei

Escrevo esta carta perguntando informações a respeito da guajuvira, principalmente quanto tempo demora para dar semente e como fazer a colheita. Tenho três pés que plantei há mais de 10 anos. É própria, principalmente, para cabos de ferramentas. Não existe mais por aqui, como tarumã, cedro, canjerana, bugre, carvalho, cabriúva etc, como antigamente.

ELISIO MÁRIO BARBIERI

Erechim-RS

 

O amigo, em sua carta, escreve sobre a destruição das matas e uma das espécies é a guajuvira, além de outras florestais nativas. A devastação das essências nativas é fato incontestável e foi iniciada no século XIX pelos imigrantes alemães. Cinqüenta anos depois pelos italianos e outros, que derrubaram as matas, para praticar agricultura de subsistência, cultivo do milho e trigo etc, e aproveitaram as madeiras para a construção de moradias e dos móveis rústicos caseiros. A floresta foi tratada a "ferro e fogo" como se fosse inimiga do homem.

Depois vieram as madeireiras. Atraídas pelo negócio das madeiras, intensificaram a devastação. Tudo foi feito descontroladamente, sem critério e sem orientação e presença governamental.

Hoje em dia, há uma consciência generalizada da necessidade de preservar a riqueza florestal que ainda existe, e reproduzi-la. Existe pesquisa básica do assunto, cientistas que fizeram o levantamento das principais essências nativas do Estado. A existência de parques e reservas florestais, entidades oficiais e particulares capazes de colaborar nos processos de reflorestamento e proprietários rurais como o prezado leitor, interessados na preservação e multiplicação das essências nativas, como a guajuvira, que têm condições ambientais de prosperar em sua região, assim como nas áreas do Alto Uruguai e das bacias do rio Jacuí e do rio Taquari– Antas.

Tudo isso, porém, não é suficiente. O importante é realizar efetivamente o plano de reflorestamento, pois exige vultosos investimentos. O crescimento das essências é lento, demorando anos para produzir resultados. "O reflorestamento para ser viável deve apresentar uma certa garantia de retorno neste setor", recomenda Raulino Reitz, autor do Projeto Madeira do Rio Grande do Sul.

Descrição – Nome científico: Patagonula americana L., família das Boragináceas, a mesma do louro-pardo. Árvore que atinge de 15 a 25m de altura, com tronco de 40 a 80cm de diâmetro. Na floresta, o fuste é retilíneo e elegante. Quando isolada, a planta ramifica-se a poucos metros do solo, adquirindo no início a forma piramidal. As folhas são simples, de forma lanceolada ou oblanceolada, de pecíolo curto. As flores são pequenas, brancas, numerosas, pentâmeras, hermafroditas, reunidas em panículas nas extremidades dos ramos. O cálice da flor, campanulado, tem cinco sépalas, corola, cinco pétalas, cinco estames fixos na base da corola, gineceu com dois carpelos sincarpos, cada um dos carpelos dividido por um septo produzindo duas drupas (frutos) ponteagudas.

Usos da madeira – A madeira é dura, pesada, fácil de trabalhar, o cerne é escuro. Ótima madeira, serve para mobiliário, cabos de ferramenta, facas, remos, selas, tacos de bilhar e de golfe, raquetes de tênis, trampolins, postes etc.

Inicio da florescência e frutificação. Não há idade definida, pois depende de alguns fatores, climáticos, local da planta, insolação, fertilidade do solo etc.

No seu caso, sendo as plantas sadias, bem formadas, bem ensolaradas e em solo de boa fertilidade a florescência não deve demorar a acontecer. Em Abelardo Luz (SC), o leitor João Bertan disse em novembro de 2003: "Tenho cinqüenta árvores de guajuvira, umas com tronco de 25cm de diâmetro que estão carregadas de flores." A guajuvira floresce nos meses de julho e novembro e frutifica de novembro a fevereiro.

Sementes e mudas – Obtém-se as sementes colhendo os frutos diretamente da árvore ou recolhendo-as do chão após a queda espontânea. O cálice persistente serve como hélice para sua propagação. As sementes colocadas ao sol facilitam a separação das sépalas, e podem ser semeadas, sem demora, em canteiro com substrato apropriado. A germinação ocorre em 15 a 20 dias. Após quatro meses, as mudas podem ser levadas para o plantio.

 

OPINIÃO

Mulheres à frente do terror

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Se aquelas que têm inscrita em seu corpo a missão de dar, cuidar e proteger a vida, abdicam disso e comandam sofisticadas operações de extermínio, onde iremos parar? É hora de ligar todos os alertas e luzes vermelhas

 

Surpreendentemente, parece não ser apenas o frio Marcola, com sua camisa Lacoste, o rosto vincado e sua cultura não desprezível, que inclui até a Divina Comédia de Dante, que está à frente do terror que assola a capital paulista.

Segundo noticia a imprensa, uma mulher – Marlene – foi quem comandou a operação "salve", que desencadeou os atentados de julho em São Paulo. Em sua casa, na Lapa, funcionava o escritório e a contabilidade da célula que abastecia de droga 51 presídios no Estado.

Ali a polícia apreendeu 20 quilos de cocaína pura e embalada, ao mesmo tempo em que prendia Marlene. Denunciada por comparsas do crime organizado ao Ministério Público, Marlene teve o conteúdo de sua mensagem da operação "salve" exposto. Trata-se de impressionantes ordens sumárias de execução e violência em todos os níveis. Ali, ela instruía os subordinados sobre quais armas usar, onde colocar bombas e que lojas e estabelecimentos atacar. Em destaque, uma frase fria e sucinta: "A partir das 9 horas da noite, não estar nas ruas da capital em conjunto...Quem tiver passagem na rua a ordem é para assassinar."

Sob o comando de Marlene, São Paulo amanheceu com novos mortos em sua sinistra contabilidade dos últimos tempos. A articuladora da operação "salve" recebia por seus serviços quantia equivalente a R$ 1.250,00 por semana. Porém, parece que não atuava sozinha. A advogada de Marcola, Maria Cristina, encontra-se presa por ter tido uma ligação interceptada na qual foram detectados sinais claros de corrupção e conivência com o crime.

E além delas, Carla Patrícia de Andrade aparece na denúncia do crime organizado ao Ministério Público acusada de alugar os imóveis usados pela quadrilha para funcionar como depósitos de armas e drogas.

Há alguns anos, notícias vindas do Peru escandalizavam a opinião pública internacional ao constatarem a participação de mulheres no grupo guerrilheiro Sendero Luminoso. Segundo as notícias, as mulheres participavam ativamente dos atos de violência cometidos pelo grupo, sendo inclusive as encarregadas de dar o tiro de misericórdia nos condenados à morte.

Agora, em nosso país aparecem mulheres desempenhando o terrível papel de aliadas da morte. Parece que a reivindicação que comandou os movimentos feministas dos anos 60, de igualdade de direitos, passa a incluir também o direito de matar e organizar a violência e a guerra, tarefa que até então era predominantemente dos homens.

Quando isso acontece é hora de ligar todos os alertas e luzes vermelhas. A vida está realmente em perigo. Se aquelas que têm inscrita em seu corpo a missão de dar, cuidar e proteger a vida, abdicam disso e comandam sofisticadas operações de extermínio, onde iremos parar?

Tanta crítica à maneira desastrada e violenta com que os homens administraram o mundo...Tanta oposição à dominação machista...Tanta denúncia de violência contra a mulher...E agora mimetizamos a prática violenta dos companheiros homens?

Enquanto eles descobrem a beleza dos sentimentos, o alívio de chorar, nós empunhamos armas, fuzilamos pessoas e comandamos genocídios urbanos?

Triste de nossa sociedade se as mulheres começarem a ser inspiradoras de medo, seguindo o mais grosseiro estereótipo masculino. Triste, porque tudo indica que a vida ficará definitivamente sem cuidado, a humanidade sem carinho e o mundo sem ternura, irrespirável, impossível de viver.

 

Grito dos excluídos

Frei Betto

Os excluídos precisam ser ouvidos pelos incluídos. Não é suficiente gritar. É preciso agir. Quando mais fortes os vínculos de solidariedade entre os movimentos sociais, tanto mais rápido as sementes de transformação haverão de dar frutos

 

"Na força da indignação, sementes de transformação" é o tema do Grito dos Excluídos que a CNBB e os movimentos sociais promovem no próximo 7 de setembro. A indignação nasceu do esgarçamento ético de parcela significativa do Congresso Nacional, dos acordos espúrios entre partidos, do adiamento de reformas como a agrária e a política.

O que torna especial o Grito deste ano é a proximidade das eleições, oportunidade de renovar o Congresso Nacional e reconduzir os parlamentares que se destacaram pela coerência ética e política. Porém, não se trata apenas de dar continuidade ao governo Lula, cuja política externa realçou a soberania brasileira, assim como as políticas socioeconômicas reduziram a inflação e, com efeito, o preço dos alimentos, e aumentaram o valor do salário mínimo, o número de empregos com carteira assinada, e promovem distribuição de renda aos mais pobres através do Bolsa Família.

A questão de fundo é fortalecer o novo sujeito histórico: os movimentos sociais. Daí a pertinência do tema do Grito. Não basta mobilizar-se pelas eleições; é preciso lançar sementes de transformação. Por melhores que sejam as políticas sociais, tendem ao retrocesso se não houver mudança de nossa estrutura fundiária, o que implica o fim do latifúndio, o assentamento de famílias sem-terra, a proteção do meio ambiente e, em especial, da região amazônica, ameaçada pelo desmatamento e a poluição.

Abalado pelas duas guerras mundiais, em meados do século XX o capitalismo articulou o pacto entre capital, trabalho e Estado. O neoliberalismo quebrou-o com a ofensiva contra o trabalho (redução do salário real, desregulamentação, aumento do desemprego) e o Estado (privatizações e corrupção). E fortaleceu o capital através da mercantilização da natureza e dos seres humanos. Hoje tudo é fonte de lucro: mídia e educação, saúde e cultura, esporte e religião. Até a anatomia individual, submetida às exigências de perene juvenescimento. Em 2003 as mulheres brasileiras gastaram R$ 17 bilhões em produtos de beleza! "Fora do mercado não há salvação", é o novo mandamento dessa sociedade que pretende reduzir a cidadania ao "consumo, logo existo".

Trata-se, pois, de operar mudanças estruturais na sociedade, tarefa a longo prazo que exige organização e mobilização da sociedade civil, tanto para pressionar o governo e os donos do dinheiro, quanto para ocupar instâncias de poder.

No Brasil, uma porta se abre: a reforma política. Será decepcionante se ficar entregue à elite e aos políticos interessados apenas em retoques cosméticos. Os movimentos sociais precisam aprofundar esse debate e popularizá-lo o mais amplamente possível. Que reforma se quer? Como passar da democracia representativa à participativa? Como dotar a sociedade civil de instrumentos efetivos de participação política?

Não basta eleger homens e mulheres comprovadamente éticos e competentes para aperfeiçoar a nossa democracia. É preciso tornar ética a institucionalidade brasileira, vedando os buracos – legais e culturais – que facilitam a corrupção, o nepotismo, a malversação.

O ser humano tem defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de ‘pecado original’. Nunca haveremos de extirpar da espécie humana a ambição desmedida e, em conseqüência, a vontade de transgredir a ética que rege a convivência social. Por isso, é preciso criar instituições que impeçam a tentação de resultar em ação. Daí a importância, por exemplo, de a reforma política determinar que toda a vida contábil do político, bem como o patrimônio de seus familiares, sejam transparentes à opinião pública.

A 7 de setembro, data de nossa independência, haverá mobilizações em todos os recantos do país para o Grito dos Excluídos ser ouvido pelos incluídos. Não é suficiente gritar. É preciso sobretudo agir, articulando a sociedade civil em movimentos sociais e criando conexões entre eles, pois o movimento dos sem-terra não deve ficar alheio ao que faz o movimento indígena, nem o dos negros indiferente às lutas das mulheres. Quanto mais fortes os vínculos de solidariedade entre eles, tanto mais rápido as sementes de transformação haverão de dar frutos.

Os movimentos sociais. Mais informações: gritonacional@ig.com.br

 

ESPECIAL

25 ANOS DE AIDS

Quando foi descoberta, a doença era sinônimo de morte, hoje é diferente.

Apesar de incurável, a Aids pode ser controlada. Vive-se a fase da esperança

 

Um quarto de século depois do anúncio dos primeiros casos de Aids, no início dos anos 80, 38,7 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus HIV em todo o mundo, com estimativas de que 25 milhões morreram neste período. No Brasil, desde o início da epidemia, há 25 anos, o vírus já contaminou mais de 820 mil pessoas. Dessas, mais de 370 mil desenvolveram Aids e 171 mil morreram. Estima-se que haja atualmente 650 mil portadores do HIV no país. Apesar dos avanços no tratamento, a doença faz novas vítimas todos os anos, principalmente entre os mais pobres, os negros e as mulheres.

Segundo a médica Ana Paula Costamilan Rombaldi, coordenadora do Ambulatório Municipal DST/Aids de Caxias do Sul, nesses 25 anos o perfil da doença mudou muito. "Inicialmente, a Aids era encarada como a doença da morte, que ameaçava sobretudo homossexuais. Depois, disseminou-se entre os heterossexuais e continua avançando sobre as mulheres", lembra. "Hoje, pode-se dizer que estamos vivendo um período de esperança. Ainda não há cura para a Aids, mas, desde a descoberta, houve evolução em termos de qualidade de vida do paciente", destaca Ana Paula.

Desde que os primeiros casos de Aids foram descritos, nos Estados Unidos, a doença atravessou três fases distintas. Primeiro, o mundo reagiu com indiferença e hostilidade, já que tratava-se de uma doença de homossexuais. A maioria das pessoas só entendeu que algo grave estava acontecendo quando o ator Rock Hudson, galã dos anos 50, revelou ao mundo que tinha Aids.

Foi uma época de histeria. Previa-se uma epidemia de proporções catastróficas. Em 1987, a Organização Mundial da Saúde falava em taxas de infecção de cerca de 100 milhões de pessoas na década seguinte – até hoje, estima-se que tenha havido 65 milhões de infecções. Na época, a doença inspirava uma mistura de medo e preconceito. No Brasil, o temor foi ampliado graças à publicidade dada ao caso do cantor Cazuza, no final dos anos 80.

Na década de 90, a imagem destruidora da Aids começou a ser desfeita. O astro do basquete Earvin Magic Johnson, integrante do Dream Team americano, revelou ao mundo ser soropositivo. Foi um marco na história da doença. As pessoas começaram a entender que a Aids não escolhia sexo, idade, estado civil ou classe social. Não havia mais grupo de risco, todos eram vulneráveis. A Aids entrava, então, em sua segunda fase.

O HIV, antes confinado a homossexuais, hemofílicos ou usuários de drogas injetáveis, passou a ser transmitido sobretudo em relações heterossexuais. Atualmente, a Aids já infecta quase tantas mulheres quanto homens ao redor do mundo. No Brasil, ainda há mais homens infectados que mulheres. Porém, de 1994 a 2004, os novos casos da doença cresceram 175% entre as brasileiras. Entre os homens, o crescimento foi de 29%. Esta segunda fase da Aids foi marcada por um novo tipo de paciente: mulheres casadas e fiéis, freqüentemente surpreendidas pelo HIV.

Em 1996, iniciou a terceira fase da Aids, com a descoberta do primeiro coquetel de medicamentos contra o HIV, e nela estamos até hoje. Trata-se de um período de esperança, nem sempre correspondida, mas com avanços. O Brasil é um dos poucos países do mundo onde, graças a um programa do Ministério da Saúde, os remédios do coquetel são fornecidos gratuitamente a todos os pacientes.

Porém, muitos pacientes enfrentam efeitos colaterais dramáticos. Além disso, há a progressiva resistência do vírus aos medicamentos. Segundo os especialistas, uma mesma combinação de remédios funciona bem por cerca de dois anos, quando então deve ser substituída.

"Hoje, quando o diagnóstico é feito cedo, o portador do HIV tem condições de viver bem. Com tratamento e acompanhamento, pode viver muito tempo", afirma Ana Paula Rombaldi. "O problema é quando o diagnóstico é tardio e quando eles procuram auxílio quando já têm outras doenças oportunistas", alerta a especialista. A ciência ainda não é capaz de oferecer um alívio concreto e sem riscos aos doentes. Sobre a cura para a Aids, ainda há mais perguntas do que respostas.

 

Geração jovem descuida da prevenção

 

Os médicos têm percebido um relaxamento na prevenção da Aids entre os jovens. Uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), concluída no ano passado, constatou que a adoção do preservativo na faixa de 20 a 24 anos subiu de 37%, em 1998, para 55%, em 2005. Porém, os índices referem-se apenas à primeira relação com um novo companheiro. Quando a pergunta é sobre o uso de preservativo em todas as relações, 62% dos jovens afirmam que não usam.

Segundo os especialistas, a nova geração parece não acreditar muito na gravidade da doença, já que a mortalidade e as internações diminuíram. De fato, eles não acompanharam o temor inicial provocado pela descoberta do vírus HIV, nem viram ídolos como Cazuza morrer de Aids.

"Na adolescência, a pessoa está criando a consciência de se cuidar, é mais fácil conscientizá-los nessa fase, mas não podemos baixar a guarda", afirma a médica Ana Paula Costamilan Rombaldi, coordenadora do Ambulatório Municipal DST/Aids de Caxias do Sul. Pesquisas nacionais indicam que, quando os programas e as campanhas de prevenção enfraquecem, em dois ou três anos as novas infecções crescem. "Os jovens são uma população bastante vulnerável, eles estão experimentando a sexualidade e, além disso, o uso de substâncias ilícitas e o abuso do álcool estimulam o comportamento inseguro", explica Ana Paula. Segundo ela, eles até sabem da importância da prevenção, mas muitas vezes agem com o emocional e não usam o preservativo, mesmo que ele esteja no bolso.

Herança – Por outro lado, há os que nasceram com HIV, transmitido pela mãe, e hoje chegam à adolescência e início da vida adulta. Como é o dia-a-dia desses jovens? Eles têm um cotidiano normal, mas o principal problema que enfrentam é o preconceito.

No ano passado, o Unicef promoveu um encontro com jovens soropositivos. Questionados sobre o que seriam temas de sua adolescência, responderam: namoro, diversão, alegria, sexo, descoberta, rebeldia. Ou seja, os mesmos mencionados por adolescentes não portadores do vírus HIV. Porém, quando a pergunta foi "ser adolescente com HIV tem a ver com...", responderam: preconceito, luta, coragem, apoio, responsabilidade, segredo.

 

Cientistas buscam vacina contra HIV

 

A descoberta de uma vacina contra o HIV é, hoje, a maior esperança no combate à pandemia, mas as pesquisas avançam lentamente. Cientistas afirmam que o vírus sofre mutações conforme o tempo e o tratamento, ficando mais resistente.

Apesar disso, avanços na compreensão de como o vírus atua sugerem que o aparecimento de alguma vacina não é impossível. Um dos mais importantes foi o anúncio feito em 2004 por cientistas do Instituto Pasteur, na França. Em laboratório, eles conseguiram bloquear o HIV antes que ele infectasse as células. Hoje, cerca de 30 compostos candidatos a vacinas estão em teste no mundo, quatro no Brasil. Duas novas classes de remédios também estão em teste. Uma impede a entrada do vírus na célula, outra evita sua replicação na estrutura invadida.

Alguns cientistas acreditam que, a longo prazo, a humanidade tem potencial de adquirir resistência ao HIV, possibilitando uma "coexistência", como fizeram parentes próximos do homem, como o chimpanzé.

 

HIV não escolhe idade e estado civil

 

No Rio Grande do Sul, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, 60% dos novos infectados pelo HIV são homens, enquanto as mulheres já chegam a 40%. Segundo a chefe de DST/Aids da secretaria, Sandra Sperotto, a novidade é que é maior a incidência de novos casos em pessoas com mais de 40 anos. Isso representa uma mudança significativa no perfil inicial do portador do HIV e reforça a importância de se proteger independente da idade e do estado civil. De janeiro de 1983 a dezembro de 2005, foram notificados à Secretaria da Saúde do RS 29.574 casos de Aids. Destes, 13.345 morreram em decorrência da doença, o que representa 48% do total de casos notificados.

O Ambulatório Municipal DST/Aids de Caxias do Sul é referência para 48 municípios da região da Serra gaúcha. Segundo a coordenadora, Ana Paula Costamilan Rombaldi, de 1998 a maio deste ano, a instituição registrou 1.964 casos de Aids, sendo 1.054 em homens e 910 em mulheres. Desse total, 1.149 são de Caxias do Sul.

 

Terapia de grupo ajuda soropositivos

 

Os grupos de apoio que reúnem portadores de HIV ajudam a aliviar a angústia dos pacientes. O Esperança, mantido pela Casa Madre Tereza, em Caxias do Sul, é um exemplo. Segundo Lúcia Aparecida Duarte, voluntária da Casa, o grupo é formado por cerca de dez pessoas, homens e mulheres com histórias diferentes, que reúnem-se uma vez por semana. "É um espaço importante. Aqui eles expressam seus sentimentos, suas necessidades, relatam problemas, dificuldades, interagem entre si. Eles identificam-se e um serve de apoio ao outro", conta.

"O grupo funciona como uma extensão da família. Muitos não têm apoio em casa e aqui sentem-se acolhidos. Tanto que lamentam quando não podem reunir-se", afirma Branca Campani, coordenadora externa da Madre Tereza.

Branca explica que, além da terapia de grupo, eles têm assistência psicológica e jurídica; oficina de artesanato, que lhes gera uma pequena renda, e terapia com música. "Também procuramos atender suas necessidades de roupas e alimentos", afirma.

"Todo nosso trabalho é voluntário e a participação no Grupo Esperança é espontânea. Eles não ganham cesta básica pelos encontros, vêm por vontade própria", finaliza Branca.

 

"Optei pela vida e hoje sou muito mais feliz"

 

"Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofra as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida te enriqueça. Aceita tudo que te acontecer, na dor, permanece firme, na humilhação tem paciência (...) Põe tua confiança em Deus e ele te salvará, orienta bem teu caminho e espera nele". (Eclesiástico 2)

Essa foi a resposta que Lourdes Boff Buratti recebeu para a pergunta: o que será de mim agora? Ela questionou-se segundos antes de abrir a Bíblia, no momento em que descobriu ser portadora do vírus HIV, há 13 anos. Ela afirma que, desde então, segue a palavra de Deus e credita à sua fé e força de vontade ter superado o período mais difícil de sua vida.

Hoje, aos 55 anos, Lourdes relata a trajetória de luta e esperança contra a doença. "Meu marido era caminhoneiro. Chegou em casa, depois de dias na estrada, e disse que não sentia-se bem. Recomendei que fosse ao médico. Do consultório, ele foi direto para a UTI, de onde não saiu mais", lembra Lourdes. "Tudo foi muito rápido, eu não entendia bem o que estava acontecendo. Em quatro dias ele foi hospitalizado e faleceu. Então eu soube que ele tinha Aids", conta.

Por orientação médica, Lourdes fez o exame, o resultado não podia ser outro: HIV positivo. "Enfrentei discriminação e preconceito. Sou costureira e sempre trabalhei para confecções. Depois que contraí o vírus, ninguém mais me deu emprego", declara.

Mas Lourdes não se deixou abater. "A Aids não é um anúncio de morte. A rejeição e o preconceito matam mais. Em vez de desistir de tudo, optei pela vida", afirma. "Levo uma vida normal. Controlo as alergias e outras doenças oportunistas que insistem em aparecer. O coquetel anti-HIV me dá muitos efeitos colaterais, ora tomo, ora não. A medicina alternativa tem me ajudado bastante, faço terapia holística a cada 15 dias e me sinto bem", conta. Lourdes ainda realiza trabalhos voluntários junto à Paróquia Imaculada Conceição. "Servir ao próximo me renova. Sempre digo: não me tirem esse trabalho!"

"As pessoas ficam surpresas quando digo que hoje sou mais feliz que antes, mas é verdade", garante Lourdes. "Agora vivo intensamente cada momento. Sempre gostei da natureza, mas hoje gosto muito mais. Se encontro um amigo na rua, paro e converso sem pressa, mesmo que tenha outros compromissos me esperando, pois não sei se amanhã estarei aqui para vê-lo novamente", explica.

 

IGREJA

Paz reúne líderes religiosos em Assis

Encontro revive a jornada convocada por João Paulo II em 1986

 

Depois de 20 anos da Jornada Mundial de Oração pela Paz, convocada pelo Papa João Paulo II e realizada em Assis no dia 18 de novembro de 1986, a cidade italiana volta a ser ponto de encontro inter-religioso e de oração, nos dias 4 e 5 de setembro. "Por um mundo de paz – religiões e culturas em diálogo" é o tema do encontro de Assis, que a comunidade de Santo Egídio está promovendo junto com a Conferência Episcopal da Úmbria.

A jornada que João Paulo II convocou em 1986 não tinha precedentes. Ao chamado do Papa se reuniram em Assis, a cidade do Arauto da Paz (São Francisco), os representantes das grandes religiões mundiais, desde o Dalai Lama até o arcebispo anglicano de Canterbury. O evento deu início a um itinerário cujo testemunho foi assumido em particular pela Comunidade de Santo Egídio, que passou a realizar pelo mundo os encontros internacionais "Homens e Religiões", que ano após ano foram ocorrendo em cidades italianas e européias e o mais recente, em Washington (EUA), em 2006.

O encontro em Assis pretende fazer da reflexão das grandes religiões mundiais sobre o diálogo entre as culturas a chave para desativar o conflito de civilizações e como eixo de desenvolvimento e de uma globalização que não se inspire só em questões de mercado. Serão dois dias de reflexão, diálogo e oração, com a presença de numerosos líderes religiosos, procedentes de diferentes partes do mundo.

Entre as presenças previstas estão o rabino Cohen, de Haifa, os rabinos Toaff e Di Segni, de Roma; Ibrahim Ezzedine, conselheiro da presidência dos Emirados Árabes Unidos; Ishmael Noko Noko, secretário da Federação Luterana Mundial; pastor Jean-Arnold de Clermont, presidente da Conferência das Igrejas Européias; patriarca armeno Karekine II, Catholicos da Cilícia; cardeal Paul Poupard, presidente dos Conselhos Pontifícios para a Cultura e para o Diálogo Inter-religioso; cardeal de Cracóvia, dom Stanislaw Dziwisz, secretário de João Paulo II durante décadas e articulador do encontro de 1986; e de representantes de todas as confissões cristãs do Oriente e do Ocidente.

 

Movimento promove ecumenismo e diálogo

 

A Comunidade de Santo Egídio foi fundada pelo historiador Andrea Riccardi em Roma, no ano de 1968, como uma das manifestações do Concílio Vaticano II. Hoje é um movimento – associação pública de leigos da Igreja Católica – que abriga mais de 50 mil pessoas. Comprometida com a evangelização; com a promoção da solidariedade e da caridade para com os mais pobres; com o ecumenismo, o diálogo e a oração, a Associação tem sua sede na igreja de Santo Egídio (de onde deriva o nome), em Roma, e atua em mais de 70 países de todos os continentes.

Membros do movimento foram mediadores decisivos para desativar conflitos civis e promover acordos de paz em vários países do mundo, atendendo convite feito por João Paulo II em 1986, de serem portadores da "mensagem da paz e vivendo o espírito de Assis".

 

Papa confirma viagem ao Brasil em 2007

 

O Papa Bento XVI confirmou, neste mês, que virá ao Brasil em maio de 2007 com a intenção de reforçar a esperança na América Latina. Ele vai participar da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, que será realizada em Aparecida. Durante entrevista que confirmou sua vinda ao Brasil, Bento XVI expressou o desejo de visitar a Terra Santa.

Revelou que, perto de completar 80 anos, não se sente ‘tão forte’ para marcar muitas e grandes viagens em sua agenda, mas explicou que fará as necessárias. "Onde elas permitam que o Papa dirija uma mensagem e onde respondam a um verdadeiro desejo, gostaria de realizá-las", revelou o Pontífice.

O Papa confirmou que, depois da América do Sul, gostaria de ir à Terra Santa, "e espero poder visitá-la em tempo de paz, e de resto veremos o que me reserva a Providência". Antes dessas viagens apostólicas, porém, Bento XVI já tem agendadas visitas a Manoppello, na Itália (matéria ao lado); à Baviera, sua terra natal, de 9 a 14 de setembro próximo; e à Turquia, em novembro.

A visita à Baviera consiste num desejo do Papa de rever os lugares e as pessoas junto às quais Joseph Ratzinger cresceu, que marcaram e fazem parte da sua vida. "São pessoas às quais desejo agradecer. E também levar uma mensagem que vá além da minha terra, como é coerente com meu ministério". Certamente, uma das preocupações do Papa é o número cada vez menor de católicos praticantes e a diminuição no número de batismos na Alemanha, fenômenos verificados também em outros países da Europa, e a perda de influência dos católicos na vida social.

 

Bento XVI visita Santo Rosto de Manoppello

 

Na sexta-feira 1º de setembro, Bento XVI vai visitar o santuário do Santo Rosto em Manoppello, pequena localidade italiana da região dos Abruz-zos, no centro da Itália. Nesse santuário se encontra o véu no qual teria ficado impresso o rosto de Jesus e cujas marcas coincidem com as do Santo Sudário de Turim.

A peregrinação do Papa para venerar a relíquia durará cerca de duas horas. Estudos realizados no véu confirmam a inexistência de pintura e comparações com a imagem do Sudário mostram que os traços do rosto de ambos se sobrepõem perfeitamente. Algumas versões consideram que se trata do véu de Verônica; outras que, da mesma forma que o sudário, foi impresso no sepulcro no momento da ressurreição de Jesus. Em 2006 celebra-se o quinto centenário da chegada desse véu a Manoppello.

 

Tocados por Jesus

Padre Zezinho

Alguma coisa acontece quando Deus vê nossa aflição

 

Os menos acostumados à linguagem religiosa andam estranhando a expressão: "Deus me tocou". Tocar é uma palavra que no vocabulário religioso de muita gente quer dizer: miraculado, convertido. Partem da narrativa dos evangelhos que dizia que Jesus tocou em muitas pessoas para curá-las como fazem os médicos.

Jesus tocou em muita gente. No evangelho de Marcos fala-se que ele usava das mãos, da saliva e de gestos para curar. Noutros casos curou de longe. E curou pessoas que nem sequer falaram com ele ou pediram algo. Curou, à distância, o servo do centurião que nem sabia de nada. Curou aquele pobre homem na piscina, sem que o homem pedisse. Também tocou no morto em Naím sem que a mãe tivesse pedido. Nem sempre Jesus esperava que pedissem. Muitas vezes curou porque quis.

Este era Jesus. Alguém que sentia pena e até se antecipava. Nas bodas, em Caná, não ia fazer o milagre. Até disse que não era o momento de agir. Mas sua mãe pediu e insistiu. E Jesus voltou atrás na decisão. Acabou fazendo o milagre.

Isso talvez ajude a pensar na importância da oração. Jesus mesmo disse que era para pedir e insistir. Alguma coisa acontece quando Deus vê nossa aflição, ou quando pedimos. Às vezes, nem precisamos pedir. Ele sabe! E o que é mais importante, Ele quer ajudar. Para quem crê em Jesus, mas tem dificuldade de orar, é um consolo saber que, até quando a gente não ora, Ele ajuda. É um dos lados mais bonitos da personalidade daquele que deu origem ao cristianismo.

 

Paróquia de Ijuí comemora 110 anos

Mais antiga comunidade de Ijuí teve seu primeiro capelão em 1896

 

A paróquia Nossa Senhora da Natividade, a mais antiga das quatro paróquias de Ijuí (RS), está organizando a festa de sua padroeira, 110 anos de história, tradição e fé. A programação religiosa inicia no dia 6 de setembro, com a entronização na igreja matriz de sua padroeira, Maria Menina, e a realização de ato religioso, ofício das comunidades, seguido de bênção do espaço social da festa. De 7 a 9, ocorre o tríduo, com as celebrações sempre às 19 horas e, no dia 10, festa da padroeira, solene missa às 10 horas, presidida pelo pároco, padre Edson Roberto Menegazzi.

A programação social prevê almoços festivos no salão comunitário nos dias 7, 8, 9 e 10 e, entre os dias 6 e 10, a partir das 16 horas, venda de cachorro-quente, pastéis, polenta frita, cucas, tortas, bebidas em geral, sempre com animação de boa música.

A presença religiosa, na região de Ijuí, é muito antiga. Segundo registros dos jesuítas, é provável que tenha existido uma Redução dos Apóstolos, situada nos arredores do atual distrito de Alto da União. Com a expulsão dos jesuítas e destruição das reduções, a região voltou ao esquecimento. Em 1890, com a fundação da Colônia de Ijuí, famílias de imigrantes alemães, italianos, poloneses e outros passaram a ocupar o local e a fundar pequenas comunidades.

Paróquia – A primeira missa na região ocorreu em maio de 1891, rezada pelo padre Raphael Santoro, vigário de Cruz Alta. No dia 14 de janeiro de 1896, a Colônia de Ijuí passou a ter capelão próprio, o padre polonês Antônio Basílio Cuber, que doou o terreno e idealizou, com seus fiéis, a construção da primeira igreja da cidade. Mais tarde, ela foi demolida para que fosse edificado o atual templo, construído entre 1923 e 1927.

Em 1915, o bispo de Uruguaiana, dom Hermeto José Pinheiro, criou a paróquia Nossa Senhora da Natividade, ligada à diocese de Santa Maria e, desde 1971, à diocese de Cruz Alta. Na paróquia da Natividade sucederam-se vários sacerdotes, entre eles os monsenhores Armando Teixeira e Pio José Busanello. De 1973 a 1995 a paróquia foi atendida pelos padres da Congregação Sociedade de Cristo e, depois, pelos padres diocesanos.

A paróquia da Natividade conta, além da sede, com seis comunidades, e atende 30% das famílias católicas de Ijuí. Conta com diversas pastorais atuantes (Comunicação, Dízimo, Criança, Familiar, Batismo, Catequese e outras) e vários movimentos (Cursilho, Renovação Carismática Católica, Apostolado da Oração, Legião de Maria etc) e serviços bem estruturados.

 

Reforma agrária é tema de seminário

 

Membros das Igrejas Católica, Metodista, Episcopal Anglicana do Brasil e Confissão Luterana no Brasil participaram, na Estef, em Porto Alegre, do Seminário Ecumênico Igrejas e Reforma Agrária. No final do encontro, realizado no dia 21 de agosto, os participantes publicaram a Carta das Igrejas/RS às lutas dos camponeses, tornando públicas as preocupações sobre a realidade agrária e agrícola do país.

O documento reclama das políticas do governo que, além de não agilizar a reforma agrária, ainda dificulta a vida das famílias acampadas, privando de cestas básicas e outras necessidades. Diante dessa realidade, reivindicam dos governos federal e estadual o imediato atendimento das metas de assentamento, alimentação, educação às crianças acampadas e respeito aos direitos humanos.

 

Pequenas coisas

Aldo Colombo

A vida de cada um passa por grandes momentos, mas são os pequenos detalhes que fornecerão a qualidade

 

A pequena aldeia de Saint Thomas, no Colorado, Estados Unidos, orgulhava-se de uma árvore gigantesca, que se sobressaia na floresta. Os 720 habitantes da localidade consideravam-na como sua árvore protetora e os naturalistas garantiam que ela tinha, pelo menos, quatrocentos anos. Muitos vendavais e raios precipitavam-se contra a árvore. Vez por outra um galho era arrancado. Mas a tempestade passava e a árvore continuava de pé, acolhendo o sol, a brisa e os pássaros. Ela jamais cairá, garantiam os camponeses.

Mas houve um fato novo. Ninguém notou, mas pequenos insetos começaram a atacar a árvore. As conseqüências foram imperceptíveis, mas sempre crescentes. E, num dia qualquer, Saint Thomas deu-se conta que sua árvore estava morrendo. E não havia como salvá-la. Os esforços foram inúteis. Os milhões de insetos conseguiram o que as tempestades não haviam conseguido.

O valor e a importância de uma vida ou de uma instituição não podem ser avaliados a partir dos grandes momentos. Mesmo porque os grandes momentos são poucos. Importância maior reside nos pequenos gestos e momentos que ocupam grande parte do tempo. Um livro é feito por milhares de pequenas letras, o mar é o resultado de minúsculas gotas de água, são as areias, quase invisíveis, que formam os imensos desertos. É a soma dos segundos que compõe as horas, os dias, os anos e os séculos. De grãos de trigo se faz o pão. E com centavos chegamos aos milhões de reais.

A vida a dois é marcada por grandes momentos: o primeiro encontro, o primeiro beijo, o noivado, o casamento, o nascimento do primeiro filho. Em meio a esses grandes acontecimentos transcorrem milhares, milhões de momentos, que acabam gerando o sucesso ou o fracasso. São eles que preparam os grandes momentos ou que decretam o fim de um sonho. Para o verdadeiro amor, nada é pequeno e sem importância. É no dia-a-dia, na mesmice do cotidiano, que se tece a felicidade. Uma pequena tempestade não afeta o casamento, mas os simbólicos insetos do descaso e do egoísmo são mortais.

A mesma lógica serve para um projeto pessoal. São os detalhes, feitos com desleixo ou dedicação, que fornecerão a qualidade. Este detalhe é insignificante, ninguém vai notar, observaram um dia ao pintor Zêuxis. Eu pinto para a eternidade, explicou ele.

Nossa vocação cristã pode passar por grandes momentos. Mas não devemos apostar apenas neles. O próprio Jesus viveu trinta anos no cotidiano. E a Encarnação só é compreendida a partir do ordinário. A santidade também é feita pelos pequenos momentos. De resto, o amor – somente ele – é capaz de transformar em grandes os diminutos momentos de cada dia.

 

Bíblia, a palavra que se faz vida

Em setembro, Igreja convida a refletir sobre os textos sagrados

 

A Igreja Católica consagra o mês de setembro à Bíblia. A celebração de um mês inteiro sobre as Sagradas Escrituras tem como objetivos contribuir para a difusão e leitura da Bíblia; apresentar, a cada ano, um tema diferente, para aprofundá-lo à luz da Palavra de Deus; e levar os cristãos a um compromisso mais ativo na construção de um mundo mais humano, justo e de paz.

Retomando um costume que esteve muito presente nos anos 80, a Igreja voltou a escolher um livro bíblico como proposta e estudo para o mês de setembro. Para este ano, o Projeto Nacional de Evangelização: Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida propõe um passo a mais para ver, conhecer e seguir Jesus e sua proposta evangelizadora. O tema vem do evangelho de Marcos "Ele vos precede na Galiléia: lá o vereis" (Mc 16,7). E o livro proposto para reflexão é o Eclesiastes, que nos dá o lema do mês: "Come teu pão com alegria" (Ecl 9,7).

No mês de setembro, as comunidades católicas são convidadas a acentuar as celebrações, estudos e orações centradas na Bíblia. A Palavra de Deus, revelada à humanidade através dos livros sagrados, é festejada com maior destaque durante o Mês da Bíblia.

Para os cristãos, a Bíblia não é só doutrina. Ela é também vida, vida nova. Mesmo que alguns de seus 73 livros (46 do Antigo Testamento e 27 do Novo) tenham sido escritos a milhares de anos, seus conteúdos são substancialmente contemporâneos de todas as gerações. Ela é o esforço comunitário de homens e mulheres que foram percebendo a ação de Deus na história da humanidade.

A Bíblia nasceu da vontade do povo de ser fiel a Deus e reconhecendo que Deus é fiel. Surgiu da preocupação de transmitir aos outros e a nós essa fidelidade de Deus para com a humanidade e ao mesmo tempo convocando todos os homens e mulheres a serem fiéis ao processo de salvação que Deus quer para todos. "A Bíblia não quer ensinar como é feito o céu, mas como se vai para o céu", dizia o Papa João Paulo II.

 

Mês é dedicado ao estudo das Escrituras

 

Desde 1947, os católicos fixaram o último domingo de setembro como o Dia da Bíblia. A escolha dessa data está relacionada à festa de São Jerônimo (30 de setembro), grande tradutor, entre os séculos IV e V, da Bíblia latina. Os cristãos evangélicos celebram o Dia da Bíblia em 12 de dezembro.

A partir de 1971, por ocasião dos 50 anos da arquidiocese de Belo Horizonte (MG), as comunidades da capital mineira passaram a aprofundar o tema "Bíblia" durante todo o mês de setembro. A iniciativa espalhou-se para o Regional Leste 2 da CNBB e, desde 1985, para todo o território nacional, transformando setembro em Mês da Bíblia. E a cada ano, um livro da Bíblia é escolhido para estudo, motivação e reflexão.

 

Morre dom Luciano de Almeida, ex-presidente da CNBB

 

O arcebispo de Mariana (MG), dom Luciano Mendes de Almeida, que presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por dois mandatos, morreu no domingo, 27 de agosto, aos 75 anos. Ele estava internado desde 17 de julho no Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, e morreu em decorrência da falência múltipla de órgãos, devido a um câncer no fígado.

Dom Luciano era bispo da arquidiocese de Mariana há 19 anos. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ) aos 5 de outubro de 1930, filho de Cândido e de Emília Mello Mendes de Almeida. Ingressou na Ordem dos jesuítas, cursou filosofia em Nova Friburgo (RJ) e teologia em Roma. Foi ordenado padre em 1958 e doutorou-se em filosofia no ano de 1965.

A nomeação episcopal ocorreu em 1976, quando foi designado bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo. Foi sagrado bispo no dia 2 de maio de 1976. Entre as funções que assumiu destacam-se a de secretário-geral da CNBB por dois períodos (1979 a 1987) e a de presidente da entidade, também por dois períodos (1987 a 1994).

Também foi membro do conselho permanente desde 1987; membro da Pontifícia Comissão Justiça e Paz desde 1992; vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) de 1995 a 1998; e presidente da Comissão Episcopal do Mutirão para Superação da Miséria e da Fome até 2006.

Arcebispo de Mariana desde 1988, era muito querido na arquidiocese, à qual imprimiu forte impulso pastoral. Preocupou-se com a formação dos leigos e do clero; com a organização das dimensões pastorais, tais como catequese, liturgia, pastorais da criança, da juventude, das vocações, do dízimo e familiar; com a reestruturação do processo formativo e das casas de formação da arquidiocese; com a preservação das igrejas histórias da cidade e da diocese; com a organização de obras sociais para amparo e promoção das crianças pobres, atendimento à juventude e à velhice.

"Seu dinamismo, inteligência privilegiada, dedicação incansável e testemunho de amor à Igreja deixaram marcas profundas na CNBB e na Igreja do Brasil. Seu amor aos pobres o fez servidor e amigo dos necessitados e defensor zeloso de suas causas. Sua vida de oração e o testemunho de amor a Deus e ao próximo ajudaram muitas pessoas a se aproximarem de Deus", salienta o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo.

 

Distanciar-se

Wilson João

A rotina mata. Ter coragem de mudar é ir ao encontro do novo, é buscar a alegria de viver

 

É uma decisão saudável, sempre que é possível, distanciar-se do que se está fazendo e vivendo. Na distância percebe-se melhor como se está fazendo, e nasce daí a possibilidade de mudança. Distanciar-se significa dar-se tempo para cursos, palestras, viagens de conhecimento. E mesmo distanciar-se gratuitamente.

É uma decisão doentia e retrógrada achar que está tudo bem como se está fazendo, e que não é preciso buscar novidades. Desse jeito vivem muitas pessoas atoladas nos próprios trabalhos, na vida familiar cansativa, no dia-a-dia pesado, achando que não têm tempo, e nem precisam, distanciar-se da realidade da sua vida.

DISTANCIAR-SE DO FAZER DO DIA-A-DIA. Na verdade, a rotina mata. A mesmice é característica da pessoa que não ama. Isso acontece em todas as profissões e em todas as maneiras de viver. Comer do mesmo jeito, sentar na mesa sempre no mesmo lugar, fazer cada coisa no determinado horário, repetindo-se no dia-a-dia. É bom sermos nós mesmos, mas não sermos sempre os mesmos. Sermos os mesmos é evitar distanciar-se do fazer do dia-a-dia. É a acomodação. É o repetir-se. A pessoa humana não é bicho-tatu, que nasce, vive e morre cavoucando. A pessoa humana é evolução e crescimento. É mudança. Ela não é somente instinto de sobrevivência como os animais. É inteligência que cria novas oportunidades. É criatividade que busca novas maneiras de superar-se e ser mais feliz.

Para solucionar toda essa moleza e estagnação da vida a solução é distanciar-se da realidade. Perceber novas formas de viver, conhecer novas pessoas, escutar novas idéias e tomar novas iniciativas.

DISTANCIAR-SE DAS MESMAS COISAS. A mesma voz, os mesmos rostos, os mesmos encontros, essa mesmice impede qualquer possibilidade de vida melhor. Buscar novos ares, novos horizontes, viajar, ver novos rostos. Grupos de pessoas idosas já partiram para uma vida mais solta e livre. Sentiram-se mais gente e mais úteis e até mais saudáveis. É preciso provocar a sensibilidade de ler, escutar, perceber cada pessoa, cada novo lugar, cada surpresa como se fosse um novo livro que vamos lendo. Assim nossa vida se enriquece.

DISTANCIAR-SE É SAIR DO PRÓPRIO NINHO. É perceber novos horizontes e conhecimentos. É não deixar-se enrolar pelos próprios problemas. É não acomodar-se às idéias de sempre. Por incrível que pareça, dentro de uma sociedade em permanente mudança, muitas pessoas teimam em não mudar. Tivessem a coragem de anotar as atividades, o jeito de fazer as atividades de todo o dia, iriam se surpreender como fatalmente caem na rotina. É por isso que muitas pessoas perdem a alegria da vida. A alegria surge da novidade de cada ação, feita com amor e por amor. Sempre como se fosse a primeira vez, e sendo a primeira vez, jamais será repetida.

 

CORREIO SABE-TUDO

NOVO SISTEMA SOLAR

Após 76 anos, Plutão é rebaixado e perde o título de planeta

 

Um novo conceito de planeta, estabelecido por astrônomos de todo o mundo, altera as aulas de geografia dadas até então e obriga aqueles que já saíram da escola a aprender novas lições sobre os corpos celestes. Agora, não são mais nove os planetas que formam o sistema solar, são oito, de Mercúrio a Netuno.

Durante a Assembléia Geral da União Astronômica Internacional (IAU), realizada recentemente, cerca de 2.500 cientistas decidiram, por meio do voto, que Plutão não deve mais ser considerado um planeta. Depois de 76 anos, Plutão foi rebaixado à condição de planeta-anão. Outros dois corpos celestes que estavam sendo cotados para assumirem a posição de planetas – o asteróide Ceres, que fica entre Marte e Júpiter, e o planetóide Xena, localizado nas fronteiras geladas do sistema solar – também acabaram ficando na condição de planetas-anões. A proposta original de um comitê da IAU, que manteria Plutão como planeta e incluiria outros três corpos na lista, foi criticada por grupos científicos e acabou derrubada.

Mas por que Plutão deixou de ser um planeta? De acordo com os novos critérios estabelecidos, um planeta deve ser o astro dominante de sua órbita, exigência que Plutão não atendia. Ele cruza o caminho de Netuno, que é muito maior. Por esse motivo, não é mais considerado um planeta clássico.

Descoberto em 1930 pelo astrônomo americano Clyde Tombaugh, Plutão ganhou imediatamente o título de planeta devido à falta de conhecimento dos astrônomos na época. Com o tempo, ele acabou revelando-se bem menor do que imaginavam os cientistas.

 

Discussão levou mais de dois anos

 

Os cientistas debateram por dois anos e meio uma nova definição do que seria um planeta, desde que Mike Brown descobriu Xena, que é maior do que Plutão. Reunidos em Praga, capital da República Tcheca, os astrônomos decidiram que, com exceção dos planetas verdadeiros e dos planetas-anões, todos os outros objetos celestes que orbitam o Sol, como asteróides, cometas etc, serão chamados pelo apelido coletivo de pequenos corpos do sistema solar.

 

Livros não mudam em 2007

 

Apesar de estarem oficializadas as mudanças no sistema solar, os livros didáticos que chegarão às escolas brasileiras no início do próximo ano letivo, em 2007, ainda não terão incluídas as informações sobre o rebaixamento de Plutão. Como a alteração precisa passar por um reconhecimento formal da comunidade científica do Brasil e ser assimilada por todos os autores das obras, a nova classificação de Plutão deve ficar de fora dos livros dos estudantes no próximo ano, embora os vestibulares já possam cobrar o conteúdo. Segundo os editores, não há tempo para a mudança.

No caso de escolas públicas, a burocracia é ainda maior. As mudanças têm de ser aprovadas pelo Programa Nacional do Livro Didático do Ministério da Educação, processo que leva meses. Nenhuma editora pode alterar o conteúdo dos livros sem aprovação do MEC, sob pena de multa. Para orientar os alunos, os professores deverão estar bem informados sobre esses assuntos e providenciar material extra, sem poder contar com os livros tradicionais.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

A consciência de minha italianidade

Alice Depiné Bertoli Arns

Professora, Curitiba-PR

Alice fala de sua italianidade do coração:

 

"Em 1973, com meu esposo, Felippe Arns, e Dom Paulo Evaristo Arns, ao ensejo de sua investidura cardinalícia, fiz minha sonhada viagem à Itália. Tive a inexprimível sensação de tocar o solo dos antepassados. Horas depois, sob tênue neve, a bênção de Paulo VI. Uma das mais fortes emoções, foi receber a comunhão das mãos desse papa intelectual. Na história e arte de Roma, lancei meu olhar às origens do Cristianismo. Veneza ao anoitecer. A laguna, o mar. A Basílica São Marcos. Em Assisi, a história de São Francisco e Santa Clara.

Mas Belluno, Trento..., on-de estão algumas de minhas origens?! O magistério me chamava de volta ao Brasil. Regressando, imersa na saudade, imaginava a epopéia dos antepassados, fugindo de guerras e sofrimentos! Meditei sobre minha italianidade. A que devo esta consciência, que me acompanha desde a infância? Eis a resposta:

– O sangue, o afeto, a língua. Talvez conseqüência das dificuldades e sofrimentos dos imigrantes, que assimilei em diálogos com os pais e avós, ao redor do fogolaro. Os bisavós paternos e maternos, e a avó materna, Luigia Bogo Depiné, vieram da Itália. Carlo Depiné, pai de Davide, meu avô materno, era de Terlago-TN, e sua esposa, Teresa Fadanelli, de Rovereto-TN. Luigi Bertoli, bisavô paterno, partiu de Villa Agnedo-TN, junto do irmão Giovanni e do pai, o patriarca Giovanni Bertoli, aportando ao Brasil em 1875. Luiz Bertoli, avô paterno, era filho de Luigi Bertoli. A nona Margarida Lenzi Bertoli, de Samone-TN, foi sua esposa fiel, de fé inquebrantável, transmitida aos filhos e netos.

Luiz Bertoli, de ferreiro e tropeiro, tornou-se o maior colonizador do Alto Vale do Itajaí. Em 1912, iniciou a colonização de Rio do Oeste. Prosseguiu abrindo estradas, construindo pontes, igrejas e escolas, até alcançar os municípios de Taió, Ribeirão Grande (Salete), Rio do Campo. Deixou marcas em Pouso Redondo, Pastagem (Agronômica), Dona Luíza, Benedito Novo, Rio dos Cedros e Ituporanga.

Meu pai, Leandro Bertoli, dinâmico e empreendedor, era tão bondoso e sensível que emocionava com suas nostálgicas canções, entre as quais a predileta era Bella Moretina, ciao. Continuando a obra de seu pai, transformou Rio do Oeste-SC num centro de indústria, comércio e educação e foi seu primeiro prefeito. Concretizando a aspiração de seu pai, construiu e manteve o Hospital de Caridade Luiz Bertoli. O filho Gentil Bertoli, que também foi prefeito, promoveu cursos de italiano, corais, grupos folclóricos e intercâmbios culturais.

O afeto à Itália desenvolvi-o desde o colo de meus pais. As canções italianas lembram a inesquecível voz de minha mãe e seu belo rosto de ternura. Desde a infância nos reuníamos diante do oratório do Sagrado Coração de Jesus, para rezar em italiano. O pai, sentado à beira da cama, nos contava histórias em italiano, concluindo com algum provérbio. A nona, Luigia Bogo Depiné, de Belluno, lembrando o bel paese onde nascera e o afetuoso convívio com seus pais – Ângelo Bogo e Laura Casotti – profundamente religiosa, nos legou orações, canções, provérbios, como:

Chi si sveglia sull’aurora / Vien dal letto presto fuora, / Poiché l’aria mattutina / E’ salubre medicina!

O avô, Davide Depiné, falava trentino e a avó, vêneto. Mas ambos se expressavam bem nos dois idiomas, que foram a base para eu me aprofundar, no Curso de Letras, na língua e literatura italianas.

Hoje gosto de ler escritores e poetas italianos. Ao ler Dante e Leopardi, recordo palavras vênetas e trentinas, e minha italianidade flui ao natural" (Fone (41) 32672578).

Literatura, arte, religiosidade e histórica realidade da saga imigrante têm espaço no coração de Alice, que conjuga italianidade e germanidade. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (375)

De la voia de ndar in Mèrica, Nanetto impara imbroiar

 

EDUARDO GRIGOLO

Professor, Jundiaí-SP

 

– Mi me ciamo Nanetto Pipetta e son stà parà via de casa, parché vea fame e no i me dea da mag-nar.

– Poareto, Nanetto! I to genitori no i ze gente. Me par che i ze bèstie selvàdeghe. Vien con mi e te vedarè come se magna in casa mia.

– Snif, snif, grà…, grà…, gràssie! Si, si, si Sig-nora!

– Me ciamo Bordalesa, ma tuti i me conosse per Bote. No sò parché ...

Dopo sugarme i oci, me go voltà par véderla. No la vea visto ancora. Me go tegnest par no molarghe na ridadona. Sensa méterghe gnanca tirarghene via gnente, la mesurea 1,50m de altessa par 1,20m de larghessa. La gera tonda, pròpio come un botesel de vin. E la ga sevità dirme:

– Te pol vegner con mi. In casa mia semo in cìnque, el me omo, Signore Vicenzo, e i nostri tre fioi, due tosati, Barileto e Stròpolo, e na tosa che se ciama Violeta. Come sempre dise el me Vicenzo, "ndove magna tre, magna quatro!"

Co son rivà, go capio parché i due tosati i vea quel nome. El Barileto el gera basset e tondo come so mare, e el Stròpolo el gera alt e magro come un bacalà. E la Bordalesa no la finia de parlarme:

– Nanetto, cossa vutu far? Se te vol te pol restar qua co nantri. Vicenzo el ze drio ndar al Brasil con un mùcio de sape, ronconi, manara, arado, etessètera. Ndemo verder na filial de nostra Casa de Comèrsio. Tanti taliani i ze drio ndar a la Mèrica par laorar là e i ne ga dita che no ghenè atressi de laoro sufissiente.

– Non posso ndar con lu? Ghe go domandà, tuto speransozo.

– Ze difìcile! Bisogna che te cave el passaporto e par quelo, bisogna l’autorisassion dei to genitori, ben come, la Sertìfica de Nàssita, etessètera. E come te sé ancora giovanoto, credo che te manca tuto quel che te go dita.

– Mi no go nessun documento, ma go bisogno de viaiar par la Mèrica! Go rispondest.

– No te ghè gnente in suca, vero? Sensa documenti e sensa aver rivà la maiorità, Gnese è morta, figlio!

– Chi è Gnese? To mare? Ghe go domandà!

– Nò, can dal seo! "Gnese è morta", ze na spression idiomàtica, capìssitu?

– Ah! ma vao proar, de qualche maniera.

– Fa come te vol, ma no stà piander dopo eh!

– Omo che’l ze omo, no piande! Ghe go dita e via drìoghe a Vicenzo.

No lo go visto, ma da là invanti savea ben cosa far. Vea machinà una idea e gere pronto par méterla in pràtica.

Son restà in tea casa de Vicenzo e go magnà con lori, go dormio tel fienil in medo el fien e scartossi de mìlio. De matina, co la schena tuta ingropà, me levea su e ndea caminar. Fea ben par el corpo e par l’ànima. Col me ritorno, la dona Bordalesa me domanda de colpo:

– Ciò, toso, situ drio pareciar qualche malagràssia?

– Nò, nò, carìssima! Son ndà caminar par veder se stao ben con vualtri, o se bisogno scambiar la me maniera de esser o de far i mistieri.

– Alora, pensa ben, parché chi fa con prèssia, magna crudo e caldo, setu?

– Go magnà caldo tante volte, che me ga brusà el palasso!

– Alora, su co le rece!

– Gràssie, dona Pipa! Chissà on di possa retribuirghe tute le cose che me fè oncò.

– La me preocupassion ze coi to genitori. Lori no i sà ndove te sé!

– No stè ver paùra. I ze drio dar gràssie a Dio, parché son ndato via dela so vita.

– No pol esser vero! Par mi te sì drio bestemar, quando te parla così.

Nanetto el fea de tuto par no mostrarghe la so vera intension: Scampar via del Itàlia.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Vècio parlar

Andrea Zanzotto

Pieve di Soligo, Treviso, Italia

 

(In dialeto trevisano)

 

Vècio parlar che tu à inte ‘l tó saór

Un s’cip de lat de la Eva,

Vècio parlar che no sò pi,

Che me se à descunì

Dì par dì ‘nte la boca (e nò tu me basta);

Che tu sè cambià co la me fazha

Co la me pèl ano par an;

Parlar porét, da poreti, ma s’cet

Ma fis, ma tóch cofà ‘na branca

De fien ‘pena segà dal faldin (parché no bàstetu?)

– Noni e pupà i é ‘ndati, quei che te cognosséa,

None e mame le è ‘ndate, quele che te inventéa,

Nóvo petèl par ogni fiól in fasse,

Intra le strússie, i zhighi dei part, la fan e i afanézh.

Girar me fa fastidi, in mèdo a ‘ste masiere

De ti, de mi. Dal dente cagnin del temp

Inte ‘l piat sivanzhi no ghén resta, e manco

De tut i zhimiteri: òe da dirte zhimitero?

Élo vero che pi no pól èsserghe ‘romai

Gnessun parlar de néne-none-mame? Che fa mal

Ai fiói ‘l petèl e in gran mestri lo sconsilia?

Èlo vero che scriverte,

Parlar vècio, l’è massa sfrozh, l’è un mal

Anca par mi, cofà ciór par revèrs,

Par stròlt, far ‘ndar fora le corde de le man?

Ma intant, qua par atorno, a girar pa’i marcà,

O mèjo a ‘ndar par camp e rive e zhópe

Là onde che ‘l gal de cristal canta sempre tre òlte,

Da juste boche se te sent.

(Enviado por Ary Vidal, Lapa-PR).

 

Un s-ciantiso, nò na saeta

Odete Delazeri Mingori

Palma Sola-SC

 

Un talian lasaron, sensa voia de laorar, el ndea tuti i di tea bodega. Un giorno el verde la finestra, de matina bonora, e el vede bele teste de capussi tel orto de so compare. Ghe dise a la dona:

– Gaveria na voia che mai de magnar capussi!

– Si, si, ma ocore piantarli prima.

– Sta sera go idea che piove. Te me pareci un seston, che vao tor arquante teste de capussi tel orto de me compare. Lu el ghenà tanti, ma no’l ghen dà a nessun.

Così el ga fat. Scuro, de note, el va tel orto de so compare, e cada s-ciantiso, rento un capusso tel saco. E de s-ciantiso in s-ciantiso, el ga impienà el saco. Ma el ga trat zo na stanga del stecato del orto e el ga fato buio. El paron se desmìssia, verde la finestra, e per colpa dei s-ciantisi, el vede el ladro de capussi. El leva su pimpian, el ciapa un toc de stanga, el va rente dove zera el ladro e, quando vien el primo s-ciantiso, el ghe mola na bastonada tea testa. El ladro casca per tera, el varda in celo e el dise:

– Porco can, mi te go domandà un s-ciantiso, nò na saeta te la testa!

 

GERAL

Nossa vindima, nossa história é o tema da XI Fenavindima

Na colheita da uva, Flores da Cunha realiza o seu maior evento

 

Flores da Cunha prepara a XI Festa Nacional da Vindima, que ocorre de 23 de fevereiro a 18 de março de 2007. O evento maior do município traz como tema "Nossa vindima, nossa história". O evento tem ainda como proposta comemorar os 40 anos da primeira edição. A idéia dos organizadores é resgatar a história, valorizando a evolução, os personagens e os elementos que marcaram cada uma das festas.

As inscrições para o concurso que elegerá a rainha e as princesas da Fenavindima estão abertas e poderão ser feitas até 19 de setembro, na Secretaria Municipal de Turismo.

Podem concorrer moças maiores de 18 anos ou que irão completar a maioridade neste ano, que tenham ensino médio completo ou em andamento. As candidatas precisam ser indicadas por alguma entidade representativa.

A escolha das soberanas ocorrerá no dia 21 de outubro, em grande festa popular, no Parque da Vindima Eloy Kunz. A Festa Nacional da Vindima é realizada no município, tradicionalmente, nos meses de fevereiro e março, no período da colheita da uva.

Pólo – Flores da Cunha, na Serra gaúcha, localizada a 150 quilômetros de Porto Alegre, é o maior produtor de vinhos do Brasil e o segundo pólo moveleiro do Estado.

O município recebeu as primeiras 30 famílias de imigrantes italianos, em 1877, oriundos das regiões do Vêneto, Piemonte e Treviso. Mais tarde, vieram outras de Cremona, Mântua, Pádua e Tirol.

Mais informações e inscrições pelo telefone: (54) 3292.1722, na Secretaria Municipal de Turismo.