LEITORES 

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Edição 5.004 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 6 de setembro de 2006.

EDITORIAL

Uma decisão importante para a imagem do vinho

Classificação como alimento aumenta a responsabilidade na divulgação do produto

 

Ao aprovar o Projeto de Lei 119/2005, que classifica o vinho como alimento, a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul atende uma reivindicação perseguida pelos vinicultores há pelo menos três décadas: estabelecer uma conceituação que corresponda às características e propriedades do produto.

Se a decisão está equivocada, como argumentam médicos e outras entidades que lutam contra o alcoolismo, também é preciso ressaltar que não é correto colocar o vinho no mesmo patamar de outras bebidas alcoólicas, como os destilados uísque, cachaça ou vodca. Certamente tudo isso vai pesar nas consultas e avaliações que o governador Germano Rigotto está fazendo antes de sancionar ou não a lei.

Essa mudança pode beneficiar os produtores de vinho com a possível redução de imposto. Com menor carga tributária, o preço final do produto também tende a cair, condição favorável para alavancar o consumo – uma necessidade fundamental para o futuro da vitivinicultura gaúcha.

Mas o aspecto econômico, por enquanto, não é o mais relevante. Em primeiro lugar porque, se confirmada pelo governador, a nova legislação será restrita ao Estado, que absorve apenas 12% do vinho comercializado no Brasil. Em segundo, porque incide sobre o vinho somente o ICMS, que já sofreu redução de 17% para 12%. O reflexo seria muito mais expressivo, evidentemente, se a lei tivesse abrangência nacional – que é o que o setor busca.

Mais importante do que uma eventual e específica vantagem tributária é o ganho para a imagem do vinho, que deixa de ser considerado bebida alcoólica. Ao mesmo tempo em que o setor festeja, é preciso que esteja consciente para um novo estágio de responsabilidade. Não se trata das já graves adulterações, como as detectadas pelos fiscais agropecuários em novembro e dezembro de 2005 e fevereiro deste ano. A questão agora é o cuidado e o bom senso na divulgação e promoção do vinho. Qualquer deslize poderá ser fatal para a imagem agora valorizada. Nunca é demais lembrar que mesmo classificado como alimento, o vinho continuará tendo álcool, em até 14 graus, e que uma boa parcela da população, a começar pelas crianças, tem de ser no mínimo preservada dos apelos de consumo.

 

CAXIAS DO SUL

Câmara aprova o fim do nepotismo

Vereadores caxienses não poderão contratar parentes até segundo grau

 

Os vereadores caxienses estão proibidos de contratar parentes até segundo grau para cargos em comissão. Após cinco meses tramitando no Legislativo, o projeto antinepotismo, assinado pelas bancadas do PT, PPS, PSB e PCdoB, foi aprovado por unanimidade no último dia 30 de agosto.

Utilizando-se do artigo 186 do regimento interno da Casa, abstiveram-se de votar a líder do governo no Câmara, vereadora Geni Peteffi (PMDB), e os líderes das bancadas do PMDB e do PSDB, parlamentares Alaor de Oliveira e Francisco Spiandorello, respectivamente. O vereador Deoclecio da Silva (PMDB) também foi atingido pelo regimento interno. Embora tenha declarado apoio ao projeto, foi impedido de votar pelo presidente da Câmara, Pedro Incerti (PDT). Incerti declarou que, por ter familiar em seu gabinete, Deoclecio não poderia participar da votação.

Dispensa – Com a aprovação do projeto antinepotismo na Câmara de Vereadores, os parlamentares que tiverem parentes ocupando cargos em comissão deverão dispensá-los em até três meses após a publicação da nova lei no Diário Oficial do Município, o que deve ocorrer nos próximos dias. Com isso, serão atingidos Alaor de Oliveira e Francisco Spiandorello, que terão que dispensar suas esposas, Vera Lúcia de Oliveira e Leoni Siqueira Spiandorello, que trabalham como assessoras políticas. Deoclecio da Silva também deverá demitir o irmão João Batista Pereira. Hoje, o salário de assessor político é de R$ 1.908,04 mensais.

A vereadora Geni Peteffi tem uma sobrinha como assessora, mas não será atingida pela nova legislação. O projeto aprovado só restringe a contratação de parentes até segundo grau, e sobrinhos são considerados parentes em terceiro grau.

 

Trabalho 10 forma mais 500 alunos

 

Programa Trabalho 10 – Cidadania com Responsabilidade formou nesta terça 5 mais 500 alunos. Parceria da iniciativa privada com o Poder Público Municipal, através da Fundação de Assistência Social (FAS), o programa prepara para o mercado de trabalho, com cursos profissionalizantes, e ainda oferece uma fonte de renda própria.

"Há muito mais gente procurando emprego e não são geradas vagas suficientes para absorver este pessoal. O Trabalho 10 – Cidadania com Responsabilidade abre possibilidades aos candidatos terem seu próprio negócio ou ainda proporcionam uma especialização para concorrer com os demais candidatos", diz Mauro Manenti, coordenador do projeto. "Há muito mais gente procurando emprego e não são geradas vagas suficientes para absorver este pessoal. O Trabalho 10 – Cidadania com Responsabilidade abre possibilidades aos candidatos terem seu próprio negócio ou ainda proporcionam uma especialização para concorrer com os demais candidatos", diz Manenti. Em três anos, o Trabalho 10 ofereceu 2.800 vagas. No próximo dia 12 de setembro disponibilizará mais 604 vagas (informações pelo telefone (54) 3219-1247).

Cursos – Nesta quinta formatura, os alunos estão concluindo cursos de cabeleireiro, montagem e manutenção de computadores, DJ, camareira, garçom, doces para venda, técnicas de vendas, cozinheira, confeitaria, biscuit, decoupagem e craquele, tear, patchwork/bonecas, manicure, informática básica, lid/metrologia, recepcionista e telefonista, cartazista, secretária de dentista. Os cursos são ministrados por 11 instrutores, e contam com o patrocínio do Banco do Brasil, Banrisul e Irmãs do Imaculado Coração de Maria.

 

Pompéia busca apoio ao centro de oncologia

 

Atender 400 pacientes com câncer/mês, sendo 70% deles do SUS. Estas são a capacidade e a prioridade da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital Pompéia. As obras iniciaram na semana passada e devem estar concluídas em março de 2007. A unidade, erguida sobre o ambulatório, prestará mensalmente 250 consultas especializadas, 300 sessões de quimioterapia, 100 exames de ecografia, 100 biópsias e 50 endoscopias.

Para que seja ativada, no entanto, será necessário arrecadar R$ 490 mil, soma que o projeto Amigos do Pompéia pretende obter com a colaboração da comunidade. Os auxílios podem ser feitos no Banrisul (agência 0180, conta 06.161616.0-5) ou na Caixa Federal (agência 0465, conta 013.00250.000-1). Para doação de materiais e mais informações, o fone é (54) 3220.8012.

 

REPORTAGEM

Produção de leite cresce 131%, mas renda cai

Agricultura familiar produz 55% dos 25 bilhões de litros de leite por ano no país

 

A Índia é a maior produtora de leite do mundo, com cerca de 96 bilhões de litros produzidos a partir de 70 milhões de produtores. A produção média é de quatro/litros/produtor/dia e o pagamento é feito diariamente. Segundo a Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a Índia é o país com maior crescimento previsto até 2010, com acréscimo de 27 bilhões de litros.

De acordo com a FAO, o Brasil é o segundo do ranking mundial em crescimento, devendo acrescentar mais 4,5 bilhões até 2010. A produção vem aumentando de forma consistente ao longo dos últimos 25 anos. De 1995 para 2005, a atividade aumentou cerca de 50%, passando de 16,4 bilhões para estimados 25 bilhões.

Pelo fato do Brasil ser grande produtor mundial de leite, o crescimento da produção não deve ser menosprezado. A produção nacional passou de 11,1 bilhões de litros, na década de 80, para mais de 25 bilhões previstos para este ano (ver gráfico). Isso representa crescimento de 131% de 1980 a 2006, transformando o país, de tradicional importador, em exportador de lácteos. Os números são do presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite (CNPL) da Confederação Nacional de Agricultura, Rodrigo Alvim.

O crescimento da produção brasileira de lácteos foi impulsionado pelas exportações e pela crise na agricultura. "Quando a produção de grãos entrou em crise, o setor leiteiro foi o último a sentir esse baque. Com o preço dos grãos em queda, o produtor transformou soja e milho em alimento para as vacas", analisa Rodrigo Alvim ao CR.

O mercado continua aquecido. Para Alvim, nos próximos anos o Brasil terá que ampliar as exportações e o consumo interno de lácteos para atender a crescente oferta. "As perspectivas para o mercado internacional são positivas. Nos países desenvolvidos, a produção está estacionada ou em declínio. Porém, o dólar baixo ameaça a competitividade brasileira", diz o presidente da CNPL. E exemplifica: em junho de 2005, o produtor recebia R$ 0,59 pelo litro de leite; em junho último, R$ 0,49. "Queda de 17%", conclui.

 

Lácteos mudam perfil produtivo do RS

 

O Rio Grande do Sul está se tornando a maior bacia leiteira do Brasil. Entre os investimentos anunciados nos últimos meses, o Estado atraiu as empresas Nestlé, Embaré, CCGL e Cooperativa Sul-Riograndense de Laticínios, além da ampliação da Elegê Alimentos.

O Estado produz, diariamente, cerca de cinco milhões de litros de leite, e a demanda pelo produto deverá ser ampliada dentro de um ano, quando começa o processo de secagem para elaboração de leite em pó. "O RS exporta 60% da sua produção e vai precisar de mais quatro milhões/l/dia", diz o coordenador do Programa Estadual para o Desenvolvimento do Setor Lácteo, Darcy Bitencourt.

Para o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, o leite foi um dos produtos escolhidos para a mudança do perfil produtivo gaúcho. Alinhado ao pensamento de Sperotto, o presidente da Comissão do Leite (CNPL), Rodrigo Alvim, observa que o produtor sulino tem perfil diferenciado. "Os gaúchos são, na maioria, produtores com pequenas áreas e eficientes, que buscam profissionalismo e competitividade interna", ressalta o presidente da CNPL.

Na opinião de Alvim, o ponto que precisa ser acertado é a comercialização do produto. Ele recomenda que os produtores negociem preços antecipadamente, como é feito com a pecuária de corte e os grãos, ao contrário do que ocorre hoje, com o preço definido de 30 a 40 dias após a entrega do produto. "O produtor tem que vender a produção e não entregar", sugere Rodrigo Alvim.

 

Ministério pode intervir no preço

 

Na expectativa de haver nova queda dos preços pagos aos produtores de leite, o Ministério da Agricultura está estudando uma forma de intervir no mercado para sustentar os valores. O governo analisa uma garantia de preço ao produtor semelhante à que existe para a soja e milho, na qual o governo paga um prêmio para sustentar o mercado.

Para o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite, Rodrigo Alvim, esse tipo de instrumento de comercialização já deveria ter sido aplicado porque em breve virá a safra, e se o preço cair mais, não irá se recuperar.

Na entressafra, de abril até agora, os preços já caíram 17% em relação a 2005, de R$ 0,59 para R$ 0,49. "O mercado está parado. Existe uma parte das indústrias que é contra esse instrumento porque não olha a cadeia do leite como cadeia", afirmou Alvim.

 

Orgânico custa 50% mais que tradicional

 

Para produzir um litro de leite no sistema orgânico, o agricultor gasta R$ 0,65. Cerca de 50% mais do que o observado no sistema convencional, aponta pesquisa da Embrapa Gado de Leite. O custo operacional total é 35% maior. Já o valor de mercado é cerca de 70% mais elevado do que o valor praticado para o produto convencional.

A produção orgânica de leite é um processo recente na agropecuária nacional. Embora apresente custos mais elevados em relação ao convencional, pode constituir uma alternativa interessante para a atividade leiteira. Sem contar com os eventuais ganhos ambientais decorrentes desta exploração.

 

Gaúchos festejam o 1º Dia Estadual do Leite

 

O Rio Grande do Sul comemora este ano o primeiro Dia Estadual do Leite. A data foi instituída através da Lei 12.365, de 3 de novembro de 2005, e será festejada anualmente na terceira quarta-feira do mês de setembro. O objetivo é de conscientizar a população gaúcha do importante papel nutricional, social e econômico dos produtos lácteos.

Já o Dia Mundial do Leite ou Dia Internacional do Leite é celebrado todo 1º de junho. A data foi criada em 2001 pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para divulgar a importância dos lácteos na alimentação e seus benefícios à saúde.

 

AGRONEGÓCIO

Cooperativismo de SC festeja 35 anos

Setor integra um terço da população estadual e responde por 12% do PIB catarinense

 

As 257 cooperativas integradas à Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) respondem por 12% do PIB estadual. No último ano faturaram R$ 6,94 bilhões, volume 10,6% superior ao ano de 2004. No conjunto, reúnem 672.975 associados.

Para a consecução de suas atividades, as sociedades cooperativas empregam diretamente 22.100 pessoas. Um terço da população catarinense, próxima aos seis milhões de habitantes, está diretamente vinculado ao cooperativismo.

Das 257 cooperativas do Estado, 50 são agropecuárias. Estas reúnem 60.242 associados. Faturaram R$ 4,72 bilhões em 2005, 5,7% acima do ano anterior. "As cooperativas agropecuárias representam 70% do movimento econômico de todas as cooperativas de Santa Catarina", diz ao CR o presidente da Ocesc, Neivor Canton.

Início – A Ocesc nasceu Associação das Cooperativas de Santa Catarina (Ascoop), no dia 1º de agosto de 1964, em Blumenau. Foi o primeiro órgão representativo do setor cooperativista. A estruturação legal-institucional, entretanto, ocorreu em 1971, quando o governo federal editou a lei nº 5.764, de 16/12/71, que definiu a política nacional de cooperativismo e instituiu o regime político das cooperativas.

No ano de 1971 foi criado o Conselho Nacional de Cooperativismo e oficializadas a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as Organizações de Cooperativas Estaduais (OCE).

Em 28 de agosto de 1971, surgiu a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, para representar efetivamente o sistema cooperativo catarinense e disciplinar a criação e o registro de cooperativas singulares, cooperativas centrais e federações de cooperativas. A Ocesc representa todos os ramos das atividades cooperativistas do Estado.

 

Agrotóxicos têm cotação da Conab

 

A partir de agora, o agricultor brasileiro vai saber quanto custam os insumos, além dos demais custos de produção. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) passa a informar as cotações das sementes, agrotóxicos, máquinas/implementos e serviços, iniciando com os fungicidas, herbicidas e inseticidas.

De acordo com levantamento da Conab, os agrotóxicos representam na composição dos custos, para a região Centro-Sul, cerca de 25,4% para o algodão,10,4% para o arroz, 10,9% para o milho, 19,2% para a soja e 15,7% para o trigo.

Esse primeiro estudo, que foi realizado no último mês de julho, mostra que os preços dos agrotóxicos caíram 21,2% no período de junho de 2005 a julho de 2006. Apenas nos sete primeiros meses deste ano, a queda foi de 7,8%. A redução mais significativa foi para o fungicida (23,8%), seguida do inseticida (20,4%) e do herbicida (20,2%).

Esse trabalho da Conab subsidia o governo federal na elaboração do Índice de Preços Pagos e nas decisões referentes às políticas públicas de abastecimento e renda. Informações www.conab.gov.br

 

Expointer retrata a pecuária gaúcha

Apesar da newcastle e da aftosa, pecuária vive momento privilegiado

 

Nem aftosa nem newcastle. Nem a tecnologia, que exibe todo ano as pesadas e modernas máquinas agrícolas. A 29ª Exposição Internacional de Animais (Expointer 2006) foi da pecuária, comprovando que o setor atravessa bom momento no Estado. A venda de animais bateu recorde, com a comercialização de R$ 7,26 milhões, 16,47% superior a 2005, segundo dados da Secretaria da Agricultura do RS.

Os eqüinos se destacaram, representando R$ 4,7 milhões do total. Os bovinos rústicos também obtiveram boa performance. Juntos registraram crescimento de 872,19% nas vendas. A comercialização de bubalinos também aumentou, com alta de 361,93%. Os caprinos ocupam o terceiro posto em crescimento, 219,04%. A venda de suínos foi superior em 7,38%, em relação ao ano passado.

Alicerçado nos números positivos da feira, o governador Germano Rigotto destacou o período favorável da pecuária do Estado, que exporta carne bovina para mais de 80 países. "Este é um momento de muita força da pecuária de corte, com a reabertura de plantas frigoríficas e de mercados externos", disse.

A maior feira brasileira do agronegócio exibiu, no total, 6.307 animais de 191 raças, sendo 1.390 eqüinos, 1.022 ovinos, 853 bovinos de corte, 703 aves, 438 bovinos de leite, 238 suínos, 139 caprinos, 136 zebuínos, 120 bovinos mistos e 32 bubalinos, além de 1.236 outros exemplares - pássaros, coelhos, chinchilas e ratitas.

Máquinas - O setor de máquinas e implementos agrícolas terminou a Expointer 2006 com propostas de negócios de R$ 87 milhões. Esse volume representa uma queda de 37,1% sobre 2005. No ano anterior, o segmento registrou R$ 138,4 milhões em negócios. O presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas (Simers), Cláudio Bier, disse que devido à crise na agricultura o resultado ficou dentro do previsto.

Do dia 26 de agosto a 3 de setembro, cerca de 700 mil pessoas (números oficiais não finalizados) passaram pelo Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a Expointer.

 

Agroindústria familiar amplia renda

 

Produtos in natura, grãos, farináceos, compotas, vinhos e embutidos foram alguns dos produtos comercializados na Feira da Agricultura Familiar, junto à Expointer, e que renderam cerca de R$ 500 mil a 180 agroindústrias, de todo o Estado. "Este valor representa o incremento de 48,17% em relação às vendas registradas no ano passado, que foram de R$ 310.161,00", festeja o coordenador do espaço pela Emater, Osvaldo Brunetto.

De acordo com Osvaldo Brunetto, na primeira edição da feira, em 2000, participaram 20 expositores. O artesanato também ampliou os rendimentos. A 23ª Exposição do Artesanato do RS (Expoargs) deve alcançar em venda cerca de R$ 2 milhões nesta edição, de acordo com o coordenador Renê Brum Garra.

 

Produtor de carvão deve se cadastrar

 

Produtor e comerciante gaúcho de carvão devem atualizar seu registro no Cadastro Florestal, junto à Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). O transporte do produto deve estar acompanhado de nota fiscal que especifique a espécie florestal de origem. Sem a autorização do órgão ambiental a atividade constitui-se em prática ilegal.

O transporte de carvão vegetal sem nota fiscal que contenha a descrição da espécie florestal de origem pode gerar multa, cujo valor resulta da multiplicação de R$100,00 a R$ 500,00 por metro cúbico da carga. A autuação é feita com base na Lei de Crimes Ambientais e legislações complementares.

A fiscalização no transporte de produtos vegetais tem sido intensificada. "Foram detectadas cargas de carvão vegetal sem especificação se a árvore utilizada na sua produção era nativa ou exótica", diz o diretor do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas da Sema, João Paulo Steigleder.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Usos do suco de babosa

É saudável beber suco de babosa? (babosa, água e mel batidos no liquidificador). Utilizei esta bebida durante algum tempo porque não gostava do sabor do xarope e tinha o intuito de melhorar minha imunidade (que andava baixa). Usava para o suco a babosa que tem manchas brancas, pois tem um cheiro mais suave. Acredito que ocorreu uma melhora. Além disso, o suco me dava uma sensação de estar alimentada. Como saber se não funcionou como placebo? Estarei aguardando uma resposta via Correio Riograndense, do qual sou assinante.

INÊS POZZOLO

Toledo-PR

 

A babosa é planta ornamental freqüentemente encontrada em jardins públicos e particulares, admirada pelo seu porte ao natural e quando floresce pelas suas flores alaranjadas e vermelhas. Quando nova a planta é baixa, de um caule curto em torno do qual distribuem-se as folhas em espiral formando uma espécie de roseta semelhante à moita de abacaxi ou de gravatá. As folhas são carnosas, suculentas, compridas, lanceoladas, de cor verde ou verde-acinzentada, geralmente com espinhos nas margens. Em geral com a idade da planta o caule aparece com nitidez e pode ramificar-se.

Entretanto, mais do que ornamental a babosa é conhecida como planta medicinal. Natural da África e reconhecidas suas virtudes pelos povos antigos, como egípcios e hebreus, foi introduzida no Brasil nos tempos da colonização e da escravatura. Pertence ao gênero botânico Aloe, da família das Liliáceas, a que pertencem cebola, alho, aspargo, lírios, hemerocalis, açucena branca, tulipa, vela-de-pureza etc.

São muitas as espécies e variedades, mas todas têm de comum as folhas carnosas, das quais se obtém o suco amarelo, viscoso, gosmento como baba – donde veio o nome de babosa –, amargo, contendo as substâncias ativas dos medicamentos; igualmente comum é a estrutura floral de todas as babosas. O que as distingue, são pequenos detalhes como o tamanho e o aspecto da planta, as tonalidades de verde das folhas, a inexistência de espinhos, o cheiro mais ou menos desagradável, quantidade maior ou menor dos princípios ativos dos sucos etc.

A sua espécie, com manchas brancas nas folhas parece ser a Aloe vera. Não é a mais rica em princípios ativos, embora o tenham em certa quantidade aproveitável. A espécie mais recomendada é a Aloe arborescens, de porte mais elevado, com ramificações (rosetas) lembrando uma pequena árvore, daí o nome arborescens da espécie.

Toda literatura que trata de plantas medicinais destaca a babosa dentre as mais populares e conhecidas do povo, tanto em medicamentos de aplicação interna como em produtos de uso externo. Como medicamento de uso interno, recomendam o chá (folhas em infusão) ou maceração, como laxativo, contra males do fígado, do estômago, prisão de ventre, antiinflamatório, antifebril e regenerador de tecidos. Não é recomendado para gestantes e lactantes. Como produto de uso externo, recomendam o suco para reumatismo, varizes, doenças de pele, tumores e queimaduras. E no preparo de shampoos que embelezam os cabelos, evitam a queda e a caspa.

O frei Romano Zago é um grande entusiasta e divulgador das propriedades da babosa. É o autor do livro "Câncer tem cura" pela babosa (Editora Vozes, rua Frei Luiz 100 – Cx Postal 90023 – CEP 2568900 Petrópolis, RJ – fone (24) 2375112). A receita é a seguinte: meio kg de puro mel de abelha; cinco a seis colheres de bebida destilada (cachaça de alambique, uisque ou conhaque); folhas de babosa (5 a 6 folhas limpas e sem espinhos que formam aproximadamente um metro de comprimento) encontrando-se nelas o princípio ativo contra o câncer. Esses três elementos: "mel, babosa e destilados, colocados no liqüidificador e bem batidos, formam uma espécie de ligeiro creme. Deixar em vidro escuro na geladeira. Tomar uma colher de sopa de manhã e à noite, durante dez dias. Suspender dez dias e repetir dez dias." Em seu livro, frei Romano registra numerosos casos de cura, com o uso da receita, devidamente comprovados.

 

SAÚDE

Brasil aprova vacina contra o HPV

Nova droga ajuda na prevenção ao câncer de colo de útero

 

A primeira vacina que protege as mulheres contra o HPV (papilomavírus humano), vírus responsável por mais de 95% dos casos de câncer de colo de útero, acaba de ser licenciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No Brasil, estima-se que cerca de 50% a 70% da população adulta já foi ou será infectada por algum tipo de HPV. O câncer de colo de útero atinge quase 20.000 brasileiras por ano e mata 4.000, segundo o Instituto Nacional do Câncer. É o terceiro tipo de tumor mais comum no país, atrás do de pele (não melanoma) e do câncer de mama.

Conhecida internacionalmente como Gardasil, a vacina foi aprovada para mulheres com idade entre nove e 26 anos. No Brasil, 26 milhões de mulheres encontram-se nesta faixa etária. Segundo a bióloga Suelen Paesi, especialista em diagnóstico viral, do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Caxias do Sul, a recomendação para esta faixa de idade foi feita porque a vacina só funciona em meninas que ainda não iniciaram a vida sexual e, portanto, não tiveram contato com o HPV. "A vacina fornece proteção contra os quatro tipos de HPV mais prevalentes na população feminina (6, 11, 16 e 18), daí sua importância. O benefício será sentido daqui a alguns anos, na próxima geração de mulheres", afirma.

Alguns especialistas defendem que mesmo as mulheres já expostas ao vírus são beneficiadas de alguma forma com a vacina porque dificilmente alguém se infecta com os quatro tipos de HPV de uma vez. Ainda estão em andamento estudos para avaliar a eficácia da vacina em homens de 16 a 26 anos e em mulheres de 27 a 45 anos.

"É importante destacar que o exame preventivo do câncer de colo de útero (Papanicolau) continua sendo fundamental, já que a vacina não pode ser aplicada em mulheres de todas as idades e não protege contra todos os tipos de HPV existentes. Este exame, que deve ser feito anualmente, continua sendo a melhor forma de prevenção da doença. É simples, barato e acessível, pois é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS)", reforça a especialista.

 

Governo estuda distribuição da vacina

 

A vacina contra o HPV, comercializada pela Merck Sharp & Dohme, deve chegar ao Brasil até o final do ano. Porém, ainda não está certa a sua distribuição na rede pública de saúde. Nos Estados Unidos, ela é comercializada a cerca de US$ 120 a dose.

O Ministério da Saúde deve iniciar ainda este mês um estudo sobre o custo e a efetividade da vacina contra o HPV, que no Brasil está relacionado a 90% dos casos de câncer de colo de útero. O objetivo é avaliar a possibilidade de incluir o medicamento no calendário nacional de vacinação. A análise deve ficar pronta até o final do ano.

Atualmente, o preço é um dos fatores limitantes para incluir a vacina na lista de produtos oferecidos pela rede pública de saúde. O estudo custo-efetividade vai comparar o poder da vacina de evitar a ocorrência de casos de câncer de colo de útero com outras técnicas já disponíveis no SUS, como o exame Papanicolau.

Pesquisa – A história da vacina contra o HPV começou em 1996, quando a Merck deu início à fase de estudos clínicos para a produção do protótipo do imunizante. As pesquisas encerraram em outubro passado.

A droga já foi aprovada nos Estados Unidos, Togo, Canadá, Austrália, México e Nova Zelândia, além do Brasil. Sua eficácia foi testada em quatro estudos clínicos, que avaliaram 20.541 mulheres, em 33 países, com idade de 16 a 26 anos. No Brasil, a vacina foi estudada em 15 centros e envolveu 20 investigadores e mais de 3.400 pacientes. Todas as mulheres foram acompanhadas durante até cinco anos após o início das pesquisas.

 

Vírus atinge 630 milhões de pessoas

 

Entre homens e mulheres, em todo o mundo, cerca de 630 milhões de pessoas estão infectadas por papilomavirus humano. O câncer de colo de útero é o segundo tipo mais comum entre as mulheres, sendo responsável por cerca de 471 mil novos casos anuais e pelo óbito de aproximadamente 240 mil mulheres no mesmo período. Isso significa que 650 mulheres morrem diariamente em decorrência desse tipo de tumor.

Estima-se que mais de 50% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas pelo HPV durante suas vidas. Segundo dados da Organização Panamericana da Saúde, a América Latina e o Caribe apresentam algumas das mais altas taxas de incidência e mortalidade por câncer de colo de útero no mundo, superadas apenas pela África Oriental e Melanésia.

 

Homem apresenta HPV de baixo risco

 

De 1999 a 2003, a Universidade de Caxias do Sul (UCS) desenvolveu uma pesquisa sobre HPV, coordenada pela bióloga Suelen Paesi. Segundo ela, 56% das amostras coletadas, provenientes de mulheres atendidas pelo Ambulatório Central da UCS, estavam contaminadas. "Algumas apresentavam 16 tipos de papilomavirus na mesma amostra", afirma Suelen.

Em 2004, ela concluiu um estudo sobre HPV em homens, cujos resultados estão sendo divulgados agora. "Neles, predominam os tipos de HPV de baixo risco", afirma. Segundo ela, os homens desempenham um papel importante na transmissão dos vírus de alto risco entre as mulheres. "Devido às diferenças de cada organismo, eles ficam com os HPV de baixo risco e transmitem a elas os de alto risco, justamente os envolvidos no desenvolvimento do câncer de colo de útero", explica.

Os homens também podem ser afetados pela infecção por HPV, podendo desenvolver câncer de pênis e ânus, mas são raros os casos. As conseqüências da infecção são menores para eles porque as verrugas, características da infecção por esse tipo de vírus, são mais facilmente visíveis, o que ajuda no tratamento precoce.

 

OPINIÃO

Campanha eleitoral como enganação

Leonardo Boff

Quem detém o poder real é o sistema financeiro e seus órgãos de atuação. A fala do presidente se esvaziou. Deveríamos é eleger um presidente do Banco Central. Aí o voto popular contaria e saberíamos, mais ou menos, os rumos do país

 

Quem escuta o que dizem e mostram os candidatos na televisão tem que fechar os olhos e se perguntar: em que país essa gente de fato vive? É um Brasil tirado da Utopia de Thomas Morus: haverá altos níveis de crescimento, inclusão social, redistribuição da riqueza, reforma agrária completa, superação da violência endêmica, revolução educacional e por aí vai. Este cenário é um embuste e não tem nada a ver com o Brasil real, carente de toda ética, com um povo cada vez mais cansado de promessas não cumpridas, refém de uma classe política atrasada e irremediavelmente drogada em corrupção.

Como sair desta situação permanente de crise? Não sei, mas desconfio. O que sei é a severa advertência de nosso economista-humanista, Celso Furtado, em seu livro "Brasil: a construção interrompida"(1992): "O tempo histórico se acelera e a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta na construção do devenir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação".

Desde o momento em que a economia colonizou a política e a submeteu à sua lógica de acumulação a qualquer custo, social e ambiental, criando uma profunda discrepância entre a racionalidade dos mercados e o interesse social, se interrompeu a construção de um país com futuro para o seu povo. Dentro do quadro atual da política e da forma como o Estado se organizou, dando centralidade ao Banco Central e às agências reguladoras que mantêm manietadas as mãos do Executivo, não há salvação para o Brasil. Quem detém o poder real é o sistema financeiro e seus órgãos de atuação. A fala do presidente se esvaziou. O que conta mesmo e todos ficam à espera e atentos são as decisões do Banco Central e do COPOM. Assim é também nos EUA. Bush pode dizer as muitas bobagens que diz, geralmente, num inglês muito ruim, e não conta muito. Mas quando fala o presidente do FED a nação e o mundo param: é ele que decide os destinos da economia, os níveis de juros, o aumento ou a diminuição da dívida externa de todos os paí-ses. A ser isso verdade, nem deveríamos eleger um presidente, mas um presidente do Banco Central. Não é ele que, de fato, decide? Ou então obrigar o candidato à presidência, já em sua campanha, dizer quem vai ocupar o cargo de presidente do Branco Central. Aí sim o voto popular contaria e saberíamos, mais ou menos, os rumos do país.

O que nos falta para sairmos da crise? Celso Furtado nos dá uma sugestão no livro acima citado: "Falta-nos a experiência de provas cruciais como as que conheceram outros povos cuja sobrevivência chegou a ser ameaçada". Qual seria nossa prova crucial? Tiremos o exemplo de nosso país vizinho, a Argentina. Seu presidente Kirchner não disse ao sistema financeiro mundial e ao presidente Bush: "Não vou pagar a dívida". Seria negar o sistema em sua essência o que o alijaria do mundo. Mas inteligentemente disse: "Vou pagar a dívida; mas para cada dólar, pago apenas dez centavos". E não retirou a palavra. E todos, mesmo recalcitrando, tiveram que aceitar. Ele enfrentou a prova crucial e passou. Hoje a Argentina cresce três vezes mais que o Brasil.

Por que nosso futuro presidente não enfrenta a mesma prova crucial face aos rentistas nacionais? Liberaria fundos para um crescimento real para o povo. Essa seria a verdadeira política que colocaria a economia a serviço do bem comum.

 

Compasso de espera

Frei Betto

O tempo engendra, exige e julga. Não nos resta alternativa senão votar com consciência e agir em coerência com a ética e a certeza de que um outro Brasil é possível, desde que submetido a uma profunda reforma política

 

O conceito de eternidade adquire lógica quando referido à experiência do amor. Nada mais refratário ao mergulho no inefável do que a tortuosa cadência do tempo. Isso vale para os místicos e os amantes. Proust fez do tempo a matéria-prima de sua obra e Stephen W. Hawking descreveu a história do tempo resguardando suas intuições religiosas no invólucro aristotélico que ainda paira sobre a Física moderna.

O tempo urge e, portanto, produz ansiedade. Contém a revelação final de todos os nossos desejos, conscientes e inconscientes. Nada escapa ao seu desfecho, ainda que o provérbio italiano traga consolo ao apregoar que o amor faz passar o tempo e o tempo faz passar o amor. Até na fila de banco o tempo tortura. Não nascemos para aguardar, e sim para desfrutar. Por isso a eternidade é a utopia do amor, pois nos introduz lá onde não haverá mais nenhuma espera, nem mesmo esperança, como alerta Dante.

O Brasil espera um novo governo. Já pressente, a partir das pesquisas eleitorais, quem será o próximo presidente, mas ignora os nomes da equipe de governo. Desafiada em sua vocação de pitonisa, a imprensa especula. Tenta adivinhar os coringas do baralho. Ora, o presidente, qual Sancho Pança prestes a governar uma ilha, poderá se eleger sem programa e equipe de governo, apenas respaldado em seu primeiro mandato. L’Etat, c’est moi, é o que, por enquanto, transparece na propaganda eleitoral que baniu o vermelho, cassou a estrela e riscou o nome do partido.

O tempo engendra, exige e julga. O presidente terá de anunciar sua equipe de governo, e como não trará ministros de algum laboratório genético, como as figuras de Blade Runner, não lhe restará alternativa senão fazer a nova canoa com velhos paus, salvo honrosas exceções. Haverão de atuar como protagonistas homens que acolitaram a ditadura militar, o governo Sarney, os partidos pelegos que jamais sinalizaram qualquer mudança da estrutura social brasileira e por isso sempre foram alvos de severas críticas do PT?

Aos tecnocratas gerenciadores dos interesses do grande capital toca a terrível incumbência de realizar a alquimia de minorar a sorte dos mais pobres sem molestar os mais ricos. Num país como o Brasil, tal milagre tem sido possível graças à vastidão da miséria. Qualquer bolsa ou benefício, ainda que represente a minguada quantia de R$ 95, é recebido como valioso salário. Por isso não será impunemente que o governo tentará desvincular a Previdência do aumento do salário mínimo.

Tudo indica que sem o respaldo dos segmentos conscientes e organizados da nação, o governo Lula permanecerá nos braços dos credores da dívida pública, embora dê continuidade à política externa progressista e ousada. É claro que, para o bem de todos e a felicidade geral da nação, seria muito melhor que ele adotasse duas ou três medidas repetidas em suas campanhas, como a auditoria da dívida externa e a reforma agrária. Contudo, o tempo ensina que, em política, as alianças partidárias falam mais alto do que as intenções. E o Evangelho (Mateus 6, 24 ) adverte que ninguém pode servir a dois senhores: a Deus (Senhor da Vida) e às riquezas (artífices da Morte).

Esse compasso de espera leva a nação a desconfiar de sua própria competência de mobilizar-se para pressionar o eleitorado a renovar o Congresso Nacional e o poder público a realizar reformas que livrem nossas administrações de medidas cosméticas que sequer arranham as estruturas perversas que perenizam o latifúndio, o desemprego, o sucateamento da saúde e da educação, a violência urbana e o narcotráfico.

Mas não nos resta alternativa senão votar com consciência e agir em coerência com a ética e a certeza de que um outro Brasil é possível, desde que submetido a uma profunda reforma política que aprimore o controle popular de nossas instituições. E sobretudo se o nosso voto for acompanhado e complementado por nosso apoio aos movimentos sociais críticos ao neoliberalismo.

 

POLÍTICA

Recorde de jovens aptos a votar

Mais de três milhões têm 16 ou 17 anos, e raros são filiados a partidos

 

Se alguém ainda não sabe por que os candidatos nas eleições deste ano buscam meios para se identificar com a juventude, aqui vai o motivo: o número de jovens com 16 e 17 anos que tirou título eleitoral para esta eleição geral é recorde. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), serão mais de 3 milhões de eleitores nesta faixa etária, quase um milhão a mais do que no pleito de 2002. O percentual de crescimento é muito maior do que o do total de eleitores, que subiu 10%, passando de 115 milhões em 2002 para 126 milhões. Já o número de eleitores com menos de 18 anos pulou de 2,2 milhões para 3,2 milhões: um aumento de 45%.

O voto aos 16 anos não é obrigatório e foi permitido a partir da Constituição de 1988. O número de jovens que tiram o título tem variado de um ano para outro. No pleito geral de 1994, por exemplo, 31% dos jovens menores de idade confeccionaram o título de eleitor. Já nas eleições de 1998, o número caiu para 26%, voltando a subir em 2002, quando novamente atingiu 31%, até chegar aos atuais 43%.

Interesse – Ainda de acordo com os números do TSE, o percentual de jovens eleitores varia segundo o tipo de eleição. Nos pleitos municipais, o índice de participação de menores de idade é sempre maior do que nas eleições estaduais e para presidente da República. Nas quatro eleições municipais realizadas desde 1992, a média percentual de jovens nesta faixa com título é de 45%, contra uma média de 33% nas quatro eleições gerais, incluindo a deste ano.

O ponto máximo foi atingido nas eleições municipais de 2004, quando 51% dos jovens entre 16 e 17 anos tinham título. O ponto mínimo corresponde às eleições gerais de 1998, quando apenas 26% estavam aptos a votar.

Em termos regionais, o Nordeste aparece sempre acima da região Sudeste e da média nacional em termos de participação de eleitores menores de idade. A média percentual dos aptos a votar em relação ao universo de jovens na região, em todas as eleições, a partir de 1992, é de 46%. Já no Sudeste, o índice é de 32%, enquanto que no país, a média é de 40%.

 

Participação social de várias formas

 

Um em cada três jovens brasileiros participa de algum tipo de organização social. São grupos religiosos, de hip hop, de grafiti ou de outros, que não são vistos tradicionalmente como organizações políticas. Essas têm sido as formas mais freqüentes, atualmente, de participação social dos jovens brasileiros. As avaliações fazem parte de uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e pelo Instituto Pólis de Estudos e Assessoria em Políticas Públicas.

"Apesar de se comentar que o jovem brasileiro está em apatia, a pesquisa aponta um grande nível de participação dos jovens", destaca Ozanira da Costa, uma das coordenadoras do estudo, em entrevista à Agência Brasil. Os jovens têm buscado alternativas, já que há um descontentamento muito grande com as formas tradicionais de participação na política, como partidos, sindicatos e entidades estudantis. "A própria realidade do país não estimula esse jovem a participar da política tradicional", lamenta Ozira.

Essa realidade se reflete nos números apontados pelo levantamento. Dos oito mil jovens entrevistados, em oito regiões metropolitanas do país, 28% fazem parte de algum grupo social. A pesquisa constatou ainda que apenas 1% desses jovens participa de algum partido político. E somente 0,7% está filiado a algum sindicato.

Grupos religiosos - A principal forma de participação é em grupos religiosos (15%), seguidas das associações esportivas (8%) e de grupos artísticos (8%). O resultado mostra a importância dos três temas - religião, esporte e cultura - para a juventude.

 

Em duas etapas

 

A pesquisa dos institutos Pólis e Ibase foi feita em dois períodos: julho de 2004, pouco antes das eleições municipais, e novembro de 2005, período da crise política que atingiu o Congresso Nacional. Foram entrevistadas oito mil pessoas de 15 a 24 anos das regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Distrito Federal.

Depois da pesquisa quantitativa, foram escolhidos 900 jovens para uma pesquisa qualitativa. Foi u-sado um método canadense chamado de Grupos de Diálogo. São formados grupos de discussão sobre alguns temas para descobrir a opinião dos entrevistados sobre cada assunto.

 

Maioria do eleitorado tem baixa escolaridade

 

Mais de a metade dos eleitores brasileiros não chegou a terminar o ciclo fundamental de oito anos de ensino. A constatação é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O volume soma 73,3 milhões de eleitores entre os 125.913.479 cadastrados para as eleições deste ano. Essa maioria dos eleitores incorpora 6,5% do eleitorado total que são analfabetos, quase 17% que dizem apenas saber ler e escrever (considerados analfabetos funcionais) e 34% que têm o ciclo fundamental incompleto (o equivalente ao primeiro grau).

Os dados foram obtidos a partir do que consta na ficha cadastral do TSE. Ao retirar o título de eleitor, o cidadão é obrigado a informar o grau de instrução. Por isso, o TSE informa que os dados podem estar desatualizados.

Pouco mais de um quarto dos votantes - 28% - está cursando ou terminou o ensino médio (segundo grau). Somente um em cada vinte eleitores - 5,65% - cursa ou terminou o ensino superior. Mais de a metade do eleitorado tem de 25 a 59 anos. E os eleitores com idade entre 17 e 24 anos representam quase 20% do total. Ou seja: um quinto do eleitorado brasileiro é jovem.

Entre os eleitores com ensino superior, completo ou não, as mulheres são maioria. São 2.299.288 com curso completo, contra 1.888.209 homens. Entre os com ensino superior incompleto, são 1.545.662 mulheres e 1.377.952 homens. Segundo o levantamento do Tribunal Superior Eleitoral, os homens só são maioria entre os que apenas lêem e escrevem e os que dizem ter o ciclo fundamental incompleto.

 

ESPECIAL

PARA O LEGISLATIVO GAÚCHO VINHO É ALIMENTO

Assembléia aprova, por unanimidade, projeto que classifica vinho como alimento. Médicos e entidades tentem evitar a sanção da lei

 

O vinho até pode não ser um alimento, mas também não deve estar no mesmo patamar de classificação de bebidas alcoólicas destiladas, como vodca e uísque, muito menos ser considerado um produto supérfluo, sobre o qual recaem pesados tributos. Estabelecer uma conceituação justa às características e propriedades do vinho e adequada aos interesses do setor é uma luta que vem sendo travada há mais de 30 anos. Na semana passada foi vencida a primeira batalha.

Na terça 29, a Assembléia Legislativa gaúcha aprovou o Projeto de Lei 119/2005, de autoria do deputado Estilac Xavier (PT), que classifica o vinho como alimento no Estado. A proposta obteve o sim dos 45 parlamentares presentes à sessão, acompanhada das galerias da Casa por representantes de 15 municípios gaúchos ligados à vitivinicultura e dirigentes de entidades. O resultado dá ao Rio Grande do Sul o título de primeiro Estado do primeiro país da América a reconhecer o vinho como alimento. "Este é um marco histórico para o Brasil e a América Latina", afirmou Xavier.

A proposta foi elaborada a partir de reuniões, debates, seminários e outros eventos realizados ao longo de três anos, nos quais estão incluídos ainda 15 meses de tramitação na Assembléia. E, segundo seu autor, segue o caminho da Espanha, primeiro país do mundo - e único até agora – a adotar lei semelhante.

O projeto 119 classifica o vinho como "alimento natural obtido exclusivamente por fermentação alcoólica total ou parcial dos açúcares do mosto de uva fresca, madura e sã, prensada ou não". Para se tornar lei, depende agora da sanção do governador Germano Rigotto. Apesar da forte pressão que estão fazendo médicos e até o Ministério Público (leia abaixo), vai pesar muito na decisão de Rigotto a aprovação por unanimidade e o fato de ele ser da região da uva e do vinho.

 

Efeitos positivos para o setor são limitados e virão de forma gradual

 

A nova classificação deve encolher a alíquota de tributos sobre o vinho, permitindo a redução do preço final e, por decorrência, o aumento do consumo. Em tese, a lei beneficiará produtores e consumidores. Mas o otimismo precisa ser também moderado. Em primeiro lugar porque a lei – que ainda depende da sanção - se aplica apenas no Rio Grande do Sul. O que poderá diminuir, em função disso, é o ICMS, que já havia baixado de 17% para 12%. Lideranças do setor esperam redução para 7%. Normalmente, os impostos sobre alimentos são menores por política social. Nada impede que o ICMS do vinho permaneça o mesmo.

Além disso, se houver a queda de 5%, ela se aplicará apenas às operações internas. E os gaúchos compram, atualmente, 12% do vinho comercializado. Tem mais: o ICMS é um dos impostos que incidem sobre o vinho. Pelos cálculos do presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Danilo Cavagni, os impostos representam 52% do custo final do vinho e a maior participação é dos federais - IPI (10%), Pis/Cofins (9,2%), mais CPMF, Imposto de Renda...

Cunha – "A aprovação é uma cunha importante que se abre no cerne. O vinho no Brasil sempre foi considerado um produto supérfluo, de elite. A decisão da Assembléia gaúcha vai minar um pouco as resistências ao produto e deverá ter reflexos numa eventual reforma tributária". A avaliação do presidente do Ibravin deixa claro que o setor será realmente beneficiado quando uma medida como a gaúcha for adotada em nível federal. Ele espera um aquecimento nas vendas "lento, mas gradual". Ao mesmo tempo, porém, Cavagni ressalta: "O setor tem de ter consciência muito clara em relação ao consumidor. A divulgação do vinho só deve ser feita com responsabilidade social".

 

Entidades tentam impedir confirmação da lei

 

"O vinho é uma bebida alcoólica. Não pode ser tratado como se fosse um produto qualquer, inofensivo, e incluído na cesta básica. Vinho não é feijão, arroz ou batata". A posição é de Ana Maria Marins, diretora do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) e responsável, na entidade, pelas ações de combate e prevenção ao uso do álcool. "Não é o vinho que produz a substância que faz bem à saúde, mas a uva. O álcool é o que chamamos de caloria vazia, com zero de nutrientes, portanto no vinho, não pode ser um alimento", prossegue a médica.

O Simers tentou suspender a votação do projeto do deputado Estilac Xavier. Pressiona agora para evitar a confirmação da lei. Segundo nota distribuída, a entidade "segue movimento internacional, capitaneado pela Organização Mundial da Saúde, que busca a redução global do consumo de álcool. Bebida alcoólica responde por 40% das internações psiquiátricas e está em quase 80% dos acidentes fatais de trânsito".

Para a diretora do Simers, o Projeto de Lei aprovado "está na contra-mão dos interesses da sociedade e do Consenso Brasileiro sobre Políticas Públicas sobre o Álcool. Ela argumenta ainda que selecionar e classificar alimentos são incumbências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e que "acima do interesse de gerar renda e emprego, que consideramos justo, vem a saúde da população".

No dia seguinte à aprovação, outras entidades, como o Centro de Apoio Operacional da Infância e da Juventude, se manifestaram contrariamente. E o Ministério Público anunciou disposição de discutir o assunto nesta semana em uma audiência pública para definir estratégias de reação.

 

Projeto semelhante tramita no Senado

 

Em 17 de setembro de 2003, o senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) protocolou no Senado Federal o Projeto de Lei 395, que altera o artigo 3º da lei 7.678, de novembro de 1988, que trata da produção, circulação e comercialização de vinho e derivados. O artigo 3º passaria a ter esta redação: "Vinho é alimento obtido exclusivamente pela fermentação alcoólica do mosto simples da uva sã, fresca e madura." – praticamente o mesmo conteúdo do projeto aprovado na Assembléia Gaúcha.

Em três anos, o Projeto de Lei avançou alguns passos no trâmite do Senado, mas em ritmo lento. Desde 22 de março deste ano se encontra na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária e o relator é o também senador gaúcho Sérgio Zambiasi (PTB). Após esta comissão, terá que passar pela de Assuntos Econômicos. Transformada em lei, esta proposta deverá trazer os benefícios na amplitude que a vitivinicultura gaúcha espera.

 

Teor de álcool vai de 10 a 14 graus

 

O teor de álcool dos vinhos finos brasileiros varia de 10 a 14 graus. Já entre os comuns, a variação média é de 8 a 10 graus. Em 2005 foram comercializados pelas vinícolas gaúchas 226 milhões de litros de vinhos de mesa e 45,4 milhões de litros de vinhos finos. Em 2005, mais de 60% dos vinhos finos consumidos no Brasil eram importados.

 

IGREJA

Suíço conduz Ordem dos Capuchinhos

Frei Mauro Jöhri foi eleito com 157 dos 173 votos dos capitulares

 

Mais de 200 capuchinhos do mundo inteiro estão reunidos desde o dia 28 de agosto, no Colégio Internacional São Lourenço de Brindisi, em Roma. Eles representam os cerca de 11 mil frades no 83º Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFMCap) para tratar de alguns temas importantes da vida capuchinha nos dias atuais e para eleger o novo ministro geral e o definitório que, nos próximos seis anos conduzirão os rumos da Ordem.

Na segunda 4, 173 frades votantes indicaram o novo ministro geral. Frei Mauro Jöhri, frade suíço, foi eleito pela maioria dos capitulares - recebeu 157 votos. Frei Peter Rodgers, o segundo mais votado, recebeu 7 votos. A eleição dos definidores gerais e do vigário geral, que vão atuar com frei Mauro, será no dia 8 de setembro.

Montanhista - Frei Mauro Jöhri completou 59 anos na sexta-feira, 1º de setembro. Nasceu em 1947 no cantão dos Grisões (Grischun), numa região montanhosa do leste da Suíça, entre a Áustria e a Itália, o que explica o amor do frade suíço pelas montanhas e escaladas. O novo ministro geral domina as quatro línguas da Suíça - italiano, ladino, alemão e francês.

Ingressou na Ordem dos capuchinhos no ano de 1964, em Lugano. Fez o noviciado na Itália e o curso de Teologia na Suíça. Foi ordenado sacerdote em 1972 e em 1980 doutorou-se na Faculdade de Teologia de Luzerna. Foi guardião no convento da Madonna del Sasso, perto de Lugano, e trabalhou como professor de religião na escola local.

Durante quatro anos foi presidente da comissão do plano de pastoral da Conferência Episcopal da Suíça e durante dez anos ensinou Dogmática e Teologia Fundamental na Faculdade de Teologia de Coira e também na Faculdade de Teologia de Lugano. Em 1989 foi eleito superior dos capuchinhos da região da Suíça italiana e em 1995, provincial da Província Capuchinha da Suíça. Nesse período também presidiu a União dos Superiores Religiosos da Suíça. Voltou a ser eleito provincial em 2005. Também foi, durante seis anos, definidor da província da Suíça.

Em 2004, a Cúria Geral o escolheu para integrar a comissão encarregada de reelaborar as Constituições e os Estatutos da Ordem. Com sua competência, organização e espírito fraterno, frei Mauro muito contribuiu para o desenvolvimento e coesão da província capuchinha suíça, tão multiforme e rica nas suas expressões culturais.

Frei Mauro vai ocupar o cargo de ministro geral em substituição ao canadense frei John Corriveau, que guiou a Ordem durante 12 anos e não podia mais ser reeleito.

 

Papa vai ao encontro do rosto de Jesus

 

Ao peregrinar, na sexta-feira, 1º de setembro, ao santuário do Santo Rosto de Manoppello, no centro da Itália, o Papa Bento XVI disse que ‘para entrar em comunhão com Cristo e contemplar seu rosto no rosto dos irmãos e nas vicissitudes de cada dia, se requerem mãos inocentes e corações puros".

Mais de sete mil pessoas acompanharam Bento XVI na pequena cidade do centro da Itália, localizada nas montanhas dos Abruzzos, a 200 km de Roma. O santuário, confiado aos capuchinhos há mais de 400 anos, guarda um véu de 17 x 24 centímetros com a imagem do Santo Rosto. O pano teria sido usado por Verônica para enxugar o rosto de Jesus em sua paixão. Não há nenhuma explicação científica para a imagem, pois os estudos realizados confirmam a inexistência de qualquer pintura.

Os traços desse rosto coincidem com os sinais deixados no Santo Sudário, lençol que cobriu Jesus no sepulcro e está guardado em Turim.

Bento XVI é o primeiro Papa a visitar o santuário de Manoppello. Ele ganhou dos capuchinhos que cuidam do templo uma reprodução da imagem da relíquia.

 

Ex-advogado convertido é nomeado bispo

 

Bento XVI nomeou, na semana passada, bispo de Sioux Falls, nos Estados Unidos, monsenhor Paul Joseph Swain, que se converteu ao catolicismo aos 39 anos, quando era um advogado de renome em seu país. Dom Swain, que completa 63 anos no dia 12 de setembro, nasceu de uma família de confissão metodista. Obteve bacharelado em História da Arte, mestrado em Arte e Ciências Políticas e tornou-se advogado na Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin, onde recebeu o título de Juris Doctor em 1974.

De 1967 a 1971 lutou na guerra do Vietnã e obteve diversas medalhas por seus méritos. Converteu-se ao catolicismo em 1982 e no ano seguinte ingressou no seminário. Foi ordenado sacerdote em 1988. Exerceu seu ministério sacerdotal em paróquias, foi secretário do bispo de Madison, e atualmente é reitor da catedral de São Rafael e vigário da diocese de Madison.

 

Vinte e cinco Bíblias

Padre Zezinho

A Palavra de Deus tem gosto de quero mais

 

Eu era padre há dois anos, e desde então já se vão quase 38. Dias antes do Natal resolvi pregar um sermão com o título: "A Palavra de Deus tem gosto de quero mais". Falava do povo que até passou fome para não perder os sermões de Jesus. Achei oportuno sugerir aos presentes, que todos os pais que pudessem, deveriam dar uma Bíblia a cada filho. Junto com sua sabedoria de pais, estariam dando subsídios valiosos e uma sabedoria de 40 séculos, que Deus foi dando ao povo hebreu e a nós que herdamos boa parte dos seus ensinamentos. Sei que muita gente o fez. Destaco, porém, o que houve na família do João Ananias.

Juntou o dinheiro que sobrou do mês e comprou para presente de Natal quatro Bíblias de cores diferentes. Eram três rapazes e uma moça. O mais velho agradeceu, mas nunca a abriu. Acabou dando-a para a moça com quem se casou. Nenhum dos dois a lê. O segundo a usou por muitos anos em alguns encontros de jovens e é grato aos pais pela iniciativa. Sua esposa a lê freqüentemente para os filhos. Freqüenta a RCC. A menina, que na ocasião tinha 17 anos, leu, gostou, fez anotações, chegou a entrar para um convento, saiu seis anos depois, casou-se, e é catequista e assídua leitora da Bíblia. Tem sido uma palestrante muito solicitada nos encontros de casais e demonstra conhecer muito bem o livro santo. E havia o caçula de 14 anos.

Foi malcriado, quando viu que o presente era um livro igual ao dos outros. – O que é que eu vou fazer com isso? disse ele. Por três anos deixou-a no meio das suas coisas, sem nenhum sinal de que a leria. Um dia, aos 17 anos, voltando de uma festa, um carro o atingiu. Ficou por vários meses engessado e cheio de pinos. Começou a ler a Bíblia que o pai lhe dera. Foi ficando craque. Sabia quem falou, em que livro e em que circunstância. Acabou fã de Noé, Daniel, Tobias, Judite, Jeremias, dos Macabeus e de Paulo. Aquele gesso e aqueles pinos o aproximaram da Bíblia.

Trinta e oito anos depois daquele Natal, naquela família de 53 pessoas entre filhos, genro, noras, netos e bisnetos, seguramente 23 gostam de Bíblia, sabem manuseá-la e conhecem suas principais passagens. Fiquei sabendo disso no batizado de um bisneto deles. A frase de João Ananias, confirmada pela esposa, ainda me soa nos ouvidos:

– O padre estava certo. As quatro Bíblias trouxeram outras. Temos 25 bíblias na família. E a gente as lê de caneta na mão. E o gosto é de "quero mais!"

 

Frei Aldir Crocoli assume a Estef

Escola, coordenada pelos capuchinhos, atende mais de 3.500 alunos

 

A Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef), dos capuchinhos do RS, conta, desde a sexta-feira, 1º de setembro, com uma nova equipe de coordenação. Frei Aldir Crocoli assumiu a direção da Escola, tendo como vice-diretora a professora Lucia Weiler, irmã da Divina Providência. Frei Aldir e irmã Lúcia substituem, respectivamente, os freis Nédio Pértile e Carlos Rockenbach, que respondiam pela direção da Estef desde janeiro de 2003.

Frei Aldir e irmã Lúcia tomaram posse durante sessão solene realizada às 9h30 do dia 1º. Além dos membros da direção da Estef, de professores e de alunos, também participou da cerimônia frei Evaldo Valdir de Freitas, definidor provincial e presidente da Fundação São Lourenço de Bríndisi, mantenedora da Escola. Frei Nédio destaca que o novo regimento prevê gestões de quatro anos e as mudanças estão sendo feitas nesse mês para facilitar aos novos coordenadores a preparação do ano de 2007.

Em sua mensagem de entrega do mandato, frei Nédio destacou que deixava a direção da Estef depois de mais de três anos, relembrando a "genuína tradição franciscana do rodízio no serviço de coordenação" e que fazia a passagem do cargo com "alegria e serenidade, como um bom franciscano".

Credenciamento – Frei Nédio salientou que em sua gestão a Estef passou por um sólido processo de consolidação e institucionalização, necessário para a sua expansão e para adequá-la às exigências dos novos tempos. Destacou especialmente o credenciamento da Escola e autorização do Curso de Graduação junto ao MEC, em novembro de 2004; a elaboração e aprovação do novo regimento junto ao MEC, em julho de 2005; a construção da biblioteca, que será inaugurada no dia 6 de outubro.

Em sua gestão foram criados três cursos de extensão; coordenações e comissões temporárias e permanentes; uma editora, chamada Estef; e o site eletrônico (www.estef.edu.br), lançado em abril de 2005; além de outras obras importantes para o crescimento da Escola. Também foram firmadas parcerias com instituições e organismos para a realização de atividades extensivas e correspondentes à natureza e missão da Estef.

O novo diretor, frei Aldir Crocoli, nasceu em Flores da Cunha há 58 anos. É graduado em Filosofia e Teologia; mestre em Teologia Espiritual Franciscana pelo Pontifício Ateneu Antoniano de Roma; e doutor em Teologia Sistemática pela PUC/RJ.

 

Escola chega aos 20 anos de atividades

 

A Estef está comemorando, ao longo de 2006, 20 anos de atividades. A Escola foi fundada em março de 1986, atendendo desejo dos capuchinhos de reabrir um curso de Teologia próprio. Durante muitos anos a província manteve seu teologado em Garibaldi e, a partir de 1950, em Porto Alegre. O curso foi desativado em 1967 e, a partir desse ano até 1986, os estudantes capuchinhos cur-savam Teologia no Seminário Maior de Viamão e mais tarde na PUC.

A Estef foi inaugurada oficialmente no dia 29 de setembro de 1986. Hoje a Escola tem 22 professores, todos com mestrado ou doutorado; um Curso de Graduação, Bacharelado em Teologia, com 48 alunos; e cinco Cursos de Extensão - Curso Básico de Teologia (23 alunos); Curso Vespertino de Teologia (mais de 20 alunos); Curso de Atualização Teológico-Pastoral (20 alunos); Curso de Teologia Pastoral, destinado a lideranças leigas e realizado nas cidades de Porto Alegre, Canoas, Soledade, Bagé, Rio Grande e Horizontina, com cerca de 1.100 alunos (em 2007, também será desenvolvido em Santa Maria); e o Curso de Teologia a Distância, em parceria com o Correio Riograndense (mais de 2.300 alunos).

 

Capuchinhos pregam missões em Mostardas

 

Depois de permanecer um mês pregando missões nas comunidades católicas de Papanduva (SC), a equipe missionária dos capuchinhos do Rio Grande do Sul iniciou na sexta-feira 1º de setembro, missões nas paróquias de Mostardas e Tavares, no litoral gaúcho. As missões nas duas cidades prosseguem até o dia 24 de setembro.

Em Papanduva, houve um tempo forte de renovação e fortalecimento da fé através dos mais de 300 grupos de reflexão em família que se encontraram para um conhecimento e aprofundamento bíblico-litúrgico e para o despertas de novas lideranças. Mais de quatro mil pessoas participaram do encerramento, no dia 27 de agosto.

 

Aprenda com a formiga

Aldo Colombo

A pessoa boa vê bondade em tudo, mas a pessoa má percebe defeitos e intenções negativas em todos e em toda parte

 

O ambiente, na empresa, estava insuportável. Todos culpavam alguém pelos erros e todos falavam mal de todos. As tentativas para melhorar o relacionamento haviam fracassado, já que cada um pensava o pior possível dos colegas. Orgulhoso e incompetente eram os atributos que cada um atribuía aos demais. Qualquer qualidade apontada tinha sempre uma ressalva envenenada: até admito isso, mas você não sabe o resto... E lá vinham mais acusações.

Em mais uma tentativa para serenar o ambiente, foi contratada uma psicóloga. Ela reuniu todos os funcionários num terreno baldio, ao lado das garagens do estabelecimento. Sem maiores comentários, pegou um pouco de açúcar e misturou-o com areia. Depois colocou a mistura junto a um formigueiro e pediu que aguardassem alguns minutos. Uma formiga descobriu o açúcar e avisou as demais. E os funcionários, silenciosos, viram como as formigas carregavam apenas o açúcar, desprezando a areia. E a psicóloga concluiu: todos nós somos como esse montinho de areia, misturado com açúcar. Podemos aprender a sabedoria das formigas, aproveitando apenas o lado bom de cada pessoa.

A vida é um tecido de relações. E são as relações sadias que dão qualidade de vida nas famílias, nos grupos, nas empresas, na sociedade como um todo. E são as relações doentias que fazem de um lugar qualquer um inferno. Todos possuímos qualidades e defeitos. Todos nós temos pela frente infinitas possibilidades. E porque vivemos em grupo, nossas atitudes – boas ou más – afetam os demais.

Por inúmeras razões carregamos conosco filtros que embelezam ou enfeiam a realidade. Há pessoas que usam apenas filtros escuros e percebem apenas o lado negativo. Há pessoas, mais inteligentes, que usam filtros coloridos e assim percebem a realidade mais bonita. Mas esses filtros podem ser modificados. Podemos parar de perceber e criticar defeitos, tentando ver as qualidades e as possibilidades dos demais. E aquilo que semeamos, acabamos colhendo. Quem semeia espinheiros, colherá espinhos, aquele que semeia flores viverá em eterna primavera.

A abelha e a vespa sugam a mesma flor, mas somente a abelha produz mel; a vespa prefere o veneno. É ainda a natureza que nos mostra um lírio brotando do barro e do estrume. É inteligente dar importância apenas ao perfume. De resto, quase sempre projetamos aquilo que somos. A pessoa boa verá bondade em tudo, mas a pessoa má perceberá defeitos e intenções negativas em todos e em toda a parte. É inteligente perceber o perfume do lírio, é inteligente colher apenas o açúcar e desprezar a areia, como fazem as formigas. Isso corresponde à sabedoria evangélica: se teu olho for turvo, verás maldade, mas se teu olho for límpido perceberás o bem e a beleza do universo.

 

Regional da CRB elege diretoria

Irmã Marilúcia Bresolin, de Caxias do Sul, preside Conferência gaúcha

 

A Conferência dos Religiosos do Brasil, Regional do RS (CRB/RS), que em março de 2007 completa 50 anos de fundação, elegeu sua nova diretoria para os próximos três anos, durante Assembléia Geral Ordinária realizada no final de agosto no Centro de Espiritualidade Cristo Rei (Cecrei), em São Leopoldo. Participaram mais de 130 representantes das ordens, institutos e congregações religiosas do Rio Grande do Sul. O evento também contou com a presença da presidente da CRB Nacional, irmã Máris Bolzan.

Após dois períodos de coordenação, irmã Maria Alcídia Guareschi e diretoria entregaram seu trabalho ao novo grupo de coordenação, que será presidido por irmã Marilúcia Bresolin, religiosa carlista de Caxias do Sul. Também integram a diretoria padre João Renato Eidt, jesuíta, reitor do Cecrei; irmã Maike Loes, salesiana; irmão Edgar Genuíno Nicodem, lassalista; e irmã Angelina Einzweiler, da congregação do Imaculado Coração de Maria.

"A assembléia geral assumiu como tema Paixão por Cristo, Paixão pela Humanidade, procurando refletir as duas dimensões do seu significado: o compromisso do seguimento de Jesus na vivência do discipulado e a missão da vida religiosa no mundo de hoje", destaca irmã Alcídia.

A assembléia da CRB foi precedida, no dia 24 de agosto, da abertura oficial do Ano Jubilar (50 anos da CRB/RS), com uma sessão extraordinária na Assembléia Legislativa do Estado. Na ocasião, o Legislativo gaúcho prestou uma homenagem especial aos religiosos e religiosas do RS, fazendo memória do valioso trabalho religioso e social que realizam. Participaram do evento mais de mil religiosos provenientes de todo Estado. Pelos dados de 2005, a CRB/RS é constituída de mais de 100 congregações e 5.471 membros.

 

Assembléia homenageia irmã Alcídia

 

Durante a Assembléia Geral da CRB/RS, no Cecrei, realizou-se uma sessão de entrega da Medalha do Mérito Farroupilha à irmã Maria Alcídia Guareschi, presidente da Conferência. Entrega da comenda foi feita no dia 25 de agosto pelo deputado estadual Carlos Eduardo Vieira da Cunha, representando a Assembléia Legislativa.

Natural de Colorado (RS), irmã Alcídia pertence à congregação de Notre Dame. Há mais de 40 anos realiza trabalhos religiosos e sociais pelo Rio Grande do Sul. Ao agradecer a homenagem, irmã Alcídia disse que dividia o mérito com os mais de 5,7 mil religiosos quer atuam no Estado. Irmã Alcídia presidiu a Conferência do Religiosos do RS por duas gestões, no período de 2002 a 2006.

 

Irmã Verônica Teixeira morre aos 91 anos

 

Natural do município de Cacequi (RS), morreu no dia 14 de agosto de 2006, em Porto Alegre, irmã Verônica Teixeira (foto), da congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida. Ela contava com 91 anos de idade. Filha de José Rodrigues Teixeira e Jovenina Trindade Teixeira, nasceu aos 14 de fevereiro de 1915, recebendo o nome de Edy. Ao assumir a vida religiosa, adotou o nome de Verônica.

Ingressou na congregação em 1942 e dois anos depois fez sua profissão religiosa. Marcou a todos que a conheceram pelo testemunho de vida de oração, trabalho, profundo amor à vida consagrada e à Eucaristia, espírito de serviço, sensibilidade e acolhimento. Em 2004, celebrou 60 anos de vida consagrada, em pleno vigor de espírito, sempre atuante e integrada na fraternidade religiosa e na comunidade da paróquia Santo Antônio do Partenon.

A congregação, fundada em Porto Alegre no ano de 1925 por Madre Clara de Azevedo e Souza, teve como co-fundador frei Pacífico de Bellevaux.

 

Tudo é provisório

Wilson João

Na vida, tudo é transitório. Só o amor não passa. A única verdade que se eterniza e eterniza é o amor

 

Sempre mais estou sentindo que todas as realidades são provisórias. Essa verdade faz crescer o sentimento de humildade. Nada é tudo e nada é meu. Nada possuo e nada me possui. Nada prende minha vida. Ao mesmo tempo assistimos a um crescimento de atitudes, idéias e manifestações humanas, religiosas, políticas e sociais que pretendem ser únicas, eternas e absolutas. Sentir-se um ser provisório, estando num modo provisório, assumindo atitudes de provisoriedade faz a pessoa adquirir facilidade de diálogo, convivência e respeito.

NOSSO CORPO É PROVISÓRIO. É apenas um instrumento da comunicação da vida por umas dezenas de anos. Vai se deteriorando. Pergunta-se: vale a pena investir tanto para conservar a periferia do corpo, como forma da aparência e status social?

SER HOMEM E MULHER É PROVISÓRIO. São maneiras de relacionamento e integração dos seres humanos, de convivência e complementação, de ajuda na busca da realização. Pergunta-se: vale a pena tanto fanatismo e organizações em defesa do ser homem e ser mulher, se a morte decreta o fim desta forma de ser e de se comunicar?

TODAS AS IGREJAS SÃO PROVISÓRIAS. São apenas caminhos. São instrumentos para juntos, como povo, ajudar-se no caminho para a vida e o amor pleno. Todas as igrejas passarão. Pergunta-se: vale a pena tanta briga, discussões, proselitismo, fanatismo em defender "sua" religião como a única e verdadeira? Vale a pena os irmãos separarem-se radicalmente em caminhos desencontrados, quando um mesmo e único Deus na cruz reuniu todos, povos e nações, num único povo?

TODAS AS ORGANIZAÇÕES SÃO PROVISÓRIAS. O tempo e a história confirmam que todos os reinos viraram pó, que todas as grandezas caíram e que tudo passa pela superação dentro do tempo. Pergunta-se: vale a pena gastar vida, tempo, energia, sonhos por organizações ultrapassadas, que foram úteis em outros tempos, mas que perderam a potencialidade e o sentido de existir?

TODO SISTEMA SOCIAL É PROVISÓRIO. O mesmo acontece com o sistema político e educacional, com o sistema de trabalho e vida familiar. Pergunta-se: vale a pena assustar-se com as coisas que mudam? Vale a pena angustiar-se com a mudança e com os rumos que a sociedade está tomando? Não é melhor viver o essencial?

SÓ O AMOR NÃO PASSA. Ou aquilo que se reveste de amor. A única verdade que se eterniza e eterniza é o amor. Nosso mestre Paulo escreveu: "Tudo passa, até a fé e a esperança. O amor jamais passará".

O QUE FICA DE MIM? Daquilo que estou pensando, fazendo, criando, gastando a vida, o tempo, a energia, os sonhos... disso tudo, o que vou levar na bagagem de minha vida? Essa verdade me torna humilde, desapegado de tudo, e me faz viver com muito mais liberdade, sem angústia e sem depressão, sem cansaço e sem a ganância de ganhar o mundo para mim! Tudo é provisório!

 

CORREIO SABE-TUDO

IDÉIAS BRILHANTES

Invenções facilitam a vida e estimulam o progresso do homem

 

O que seria de nossas vidas sem o computador, o rádio, o automóvel? O escritor Tom Philbin reuniu em um livro as 100 maiores invenções da história. Porém, a lista considera como "maiores" invenções aquelas que tiveram o impacto mais significativo sobre a humanidade. Por isso a relação inclui o lápis, o sistema de encanamento, o arco e a flecha. Mas também não ficam de fora invenções clássicas, como o transistor, a pólvora.

A penecilina, o primeiro antibiótico, não aparece no livro. Segundo o critério adotado por Philbin, não é uma invenção, mas uma descoberta. Invenção seria um ato de pura criação. As descobertas, ao contrário, já existem, mas permanecem anônimas até que alguém perceba sua utilidade.

A roda ocupa a primeira posição no ranking das maiores invenções. Basta olhar ao redor e tentar encontrar alguma coisa que não tenha absolutamente qualquer relação com ela. Ninguém sabe exatamente quando e onde a roda foi inventada. Muitos acreditam que ela surgiu a partir de um tronco rolante e, posteriormente, evoluiu para uma tora cortada transversalmente.

As primeiras rodas eram feitas com três tábuas fixadas a um suporte e entalhadas em forma de círculo. A mudança que tornou a roda mais leve foi o raio, que surgiu por volta de 2000 a.C.

A importância da roda, porém, não deve ser considerada apenas quanto ao auxílio que deu ao transporte. Tão importante quanto a roda propriamente dita, é o simples fato de o movimento circular ou rotatório ter sido aproveitado em incontáveis equipamentos. A roda, com seus eixos e raios, tornou-se a invenção que conduziu a muitas outras; das rodas-gigantes dos parques de diversões às quase invisíveis engrenagens do relógio.

 

Barco a vela explora o mundo

 

O barco à vela é o mais antigo uso conhecido da força do vento. Por que é considerado uma grande invenção? Os barcos de viagem marítima a vela exploraram o mundo e abriram rotas de comércio que permanecem até hoje. A navegação a vela levou o homem a lugares que jamais poderiam ter sido conhecidos a remo.

As primeiras velas obtinham do vento a energia necessária para impulsionar os barcos, e isso era tudo que precisavam. Os navegadores antigos não tinham conhecimento das leis da física, mas, mesmo sem saber, usavam diariamente princípios de empuxo e resistência aerodinâmica. Hoje, a navegação a vela não é mais utilizada comercialmente pelas sociedades desenvolvidas, seu uso está restrito ao lazer.

 

Encanamento preserva a saúde

 

Sistema de encanamento entre as maiores invenções da história? Para quem acha estranho, basta pensar em nossas vidas sem os canos. É difícil imaginar como os edifícios e outras grandes estruturas seriam construídos. Isso sem falar no grande número de doenças que poderiam se alastrar sem os encanamentos sanitários. Os estudiosos atribuem aos romanos as formas mais modernas de saneamento.

Apesar de os conceitos utilizados nos encanamentos terem permanecido inalterados durante muitos anos, os materiais mudaram. No passado, usava-se canos de chumbo e ferro galvanizado, que foram substituídos por cobre e plástico.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Sandra Da Canal

Professora, Erechim-RS

A historiadora Sandra Da Canal, descendente da família Bianchi de Bento Gonçalves, e Da Canal de Caxias do Sul, historia sua italianidade:

 

"A região do Alto Uruguai foi colonizada por alemães, caboclos, italianos, poloneses, negros..., a partir do início do século XX. A colônia Erechim foi fundada em 1908, sob o governo de Borges de Medeiros, com o objetivo de povoar a região norte do Estado, no momento em que a estrada de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul propiciava amplo contato econômico com o centro do país. A região atraiu, a partir de 1920, migrantes vindos das Antigas Colônias da Serra, e imigrantes europeus diretos. As diferentes etnias chegadas à colônia tiveram de conviver, embora traços culturais distintos - língua, religiosidade, atividades, costumes, hábitos... A convivência comunitária, as parcas atividades comerciais forjaram uma aproximação inicialmente retraída e cercada de tabus, mas que logo se constituiu na engrenagem de desenvolvimento social da região.

Observando a região em que vivo, sob a perspectiva histórica, sem ignorar os aspectos pessoais, sinto-me feliz em afirmar que meus ascendentes participaram ativamente desta combinação cultural, sem abandonar sua história, costumes e valores, comprovando que pessoas de diferentes etnias podem conviver em harmonia, sem precisar anular as próprias características. Vivencio com alegria minha italianidade, com o prazer de afirmar que, após 130 anos, continuam vivas as tradições dos animados imigrantes italianos.

Remeto-me a uma herança especial dos gringos (taliani), como o típico falar alto com gestos de mãos; há quem diga que italiano sem as mãos não se comunica; o gosto por macarronadas, salames, queijos e polentas, devidamente acompanhados de um bicer de vin caseiro; enfim, a boa mesa e a boa comida. Outra forma de identificar um italiano é pela indiscreta avareza! Gringo que não achar algo caro e não pedir um desconto é uma raridade quase impossível. Outro traço marcante do italiano é a dedicação ao trabalho, como honroso e digno do ser humano. Trabalho não apenas para enriquecer, mas como progresso e propiciar melhores condições de vida aos filhos.

A italianidade se constrói na família pela importância histórica que se dá aos conselhos dos nonos, dos pais, dos tios... Fui criada ouvindo ditos em talian, que fazem parte de minha memória existencial. Aliás, como são admiráveis as recordações dos nonos e nonas, lembrando suas trajetórias de vida, momentos especiais, dificuldades, a criação dos filhos, o trabalho e tantas histórias fantásticas de uma vida singela, mostrando que a felicidade está nas pequenas coisas e em Deus. Estou, como a maioria, valorizando a história dos antepassados, as festas em família, o parentesco, as lutas, dificuldades, alegrias e vitórias, depois de abandonar uma Itália de miséria e de fome, em grave crise política e econômica, para começar esta bela vida no Brasil distante.

Sou feliz em descender de corajosos imigrantes que desbravaram matas e construíram cidades, continuando uma saga de trabalho e progresso. Acima de tudo, me sinto brasileira, pois foi o Brasil que nos agraciou com a abundância do trigo, do milho e da uva, que nos acolheu de braços abertos, e permitiu que novos sonhos fossem semeados e que o fruto do trabalho permitisse a prosperidade material e espiritual dos descendentes" (Fone (54) 3321-3671 ou (54) 99232423; e-mail: sandra.dac@bol.com.br).

Ser brasileiro-ítalo é próprio do direito de solo, aberto a todo direito de sangue. O Brasil é o solo universal de raças, etnias e culturas. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (376)

Tèdium vitae. Desso, vui dormir el depi del depi

Mário gardelin

Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul-RS

 

(Retomada do texto de Mário Gardelin, interrompido na edição de 08 de março de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).

 

Bùtese in tel so caregon de oro, avilio. La cariera de gueriero no la zera par un semi-fantasma. E manco ancora le more... Stufo, agro, el ga dito:

– Desso, vui dormir el depì del depì.

Quanto che’l gàpia dormio, nessun lo sa. E gnanca se sa se’l ze ndà avanti o indrio. Quando el se ga sveià, el se ga catà lu sol. El ga vardà intorno. Tuto zera compagno, ma tuto cambià. El ga molà un urlo:

– Lastron, Lastron, te sì ancora bon! Vien suito qua!

Na vose ga rissonà potentìssima:

– Son qua! Cossa volio, Nanetto?

– Poco o gnente. Vedì che zera straco, avilio e stufo, e go volesto dormir el depì del depì. E desso son meso perso! Méteme a posto.

– Va ben! Te sì ancora al to palasso, soto el Rio das Antas. E qua ghe ze un mistero. Te zeri tanto stufo, che el tempo el ze ndà avanti e indrio al stesso tempo. Avanti te sì al 3.000 e indrio al 1.000. E cossa vol dir questo? El libro grosso che ne ga dà Santo Enrico el spiega che al stesso tempo no se pol star in due posti, e meno ancora, se tra i due ghè mila e mila ani. Voitu che te digo che? Questo ze un mistero che no sò spiegarte. Bisogna che te te rangi ti. Mi, come el Lastron, posso ndar vanti e indrio, ma un colpo a la volta - o invanti, o indrio.

– Lora, rispóndeme a la domanda: Gonti fato qualche scherso cativo de ignoransa e quel che me ze sucedesto, el ze un contracàmbio?

– Mi credo, ma no son sicuro, te manca sal in zuca. Quel sentimento stufo ze la risposta al to intusiasmo gueriero. E ze la matità dele more. Se fusse tel to posto, metaria la testa e l’ànima in órdine. Faria penitensa e meditassion.

– Me par che te parli ben. E dime na roba: Come posso catar un posto par pensarghe sora, pregar e meter el sarvel in órdine?

– Me par che la meio maniera ze zolar par el mondo, insieme a mi. Mi te porto dove che te vui. Ma, capìmose, mi no vui parlar. Te vardarè tuto e te fè quel che te vol.

Nanetto el ga pensà sora sto argomento. E suito el se ga nicorto che’l restava sensa el meio dea vita: la libertà. Come el sia rivà a sti pensieri, ze che el ga scoltà tanto ràdio, dove i locutori i urlava, i polìtichi i fava baderna. Nanetto el se ga contaminà.

– Caro Maestro, dame un tempo. Làsseme pensar.

– Va ben. Co te sì rivà a na conclusion, fàmelo saver.

– Giusto. Te farò saver quel che me par meio.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

El pòpolo e i polìtichi

Romano Prando

Agricultor, São Luís, Lacerdópolis-SC

Cari coloni e bravi operari e tuto el pòpolo,

Presto gavemo na granda e importante lission.

Tuti noantri gavemo tanto amore a la nostra Pàtria,

Andemo tuti a votare per compiere la nostra obrigassion.

 

Noantri gavemo un grande potere de decision,

Vanti de votare, bisogna pensare tanto e tanto,

Se no la va mia massa polito che ghemo sempre votà

Pedo la ndarà se femo de manco.

 

Ghinè ancora persone bone che le mèrita el voto,

Bisogna che votemo nei meio candidati,

Ma tendeve de quei che i compra voti e i fa promesse,

No stè votarghe, o in quei che savé che i è ladri e gati.

 

Non stè gnanca pensare de véndere el voto.

Assarse comprare ze la pedo cosa che na persona fà.

Tegneve in mente de questo giusto provèrbio che el dise:

"Quel che se vende, el val manco del soldo che’l ga ciapà."

 

Tanti i se vende per un pochi de soldi.

O per una sestela de prodoti per mangiare,

In pochi giorni se finisse i soldi e anca la sestela

Ma, dopo, quatro ani i ze longhi de passare.

 

Ghinè polìtichi che i ga na bruta malatia,

Che la ghe fa perder la vergogna e anca la mente

E quando i ze ciamai tea giustìssia i dise cossì:

"Mi no me ricordo pi de gnente!"

 

Cari da Dio, noantri che gavemo sempre votà,

Pensemo che gavemo sempre votà polito che mai,

Vedaremo se sta volta scoiemo quei meio,

E nò pi votarghe a quei che i ze sempre malai.

 

Viva la libertà e viva el nostro paese.

Credemo che meio d’adesso avanti el ndarà,

E che la giustìssia sìpia giusta per tuti,

E che la sìpia fenia la maledeta dela impunità.

 

Venditor de ovi e galine

Setembrino Rubbo

Construtor, Pinto Bandeira-RS

Giusepe Foschiera el zera un contadin bergamasco. El fasea el mascato, el comprea ovi, galine e altre robe. El ndava ogni stimana una o due volte cola so mula a Dona Isabela vender sti prodoti.

Un bruto giorno, de piova e fredo, come far a ndar casa? Dopo pensar, el va de un so cliente, el Jùlio Lorenzoni, e el ghe domanda impréstio qualche roba par quèrderse.

– Si, dise Jùlio, te impresto el capoto de lona, te sèrvelo?

– Si, anca massa. Passade tre stimane, el ghe porta indrio el capoto, e el ghe dise a Jùlio:

–Go tardigà a portàrvelo indrio, parché gavea un putel malà, col tifo. Come gaveimo poca roba, ghemo doperà el capoto par quèrserlo!

– Si, si, va ben! Portévelo casa par amor de Dio!

– Gràssie, ghe risponde! - E così el ze restà col capoto.

 

GERAL

Mostra exibe Antônio Prado

Festa une economia à cultura e gastronomia

 

Trinta mil visitantes estão sendo aguardados em Antônio Prado para a 8ª Mostra Del Paese, que ocorre de 15 a 17, e de 22 a 24 de setembro, e de 29 de setembro a 1º de outubro. Cerca de 100 empresas dos setores de móveis, bebidas, alimentos e artesanato vão expor seus produtos.

De acordo com o presidente do evento, Rogério Beltrame, a festa terá shows, apresentações culturais, competições esportivas e gastronomia italiana. Uma das atrações será o desfile alegórico. Serão 11 carros temáticos que percorrerão as ruas centrais, sendo um com a rainha Gabriela Chilanti e as princesas Daiane Maziero e Natalia Vizentin.

 

Só 6% das prefeituras estão inadimplentes

 

Os gaúchos estão devendo menos ao governo federal. Em 2003, 807 entidades privadas, como associações, sindicatos e instituições diversas estavam inadimplentes com a União. Das 807 entidades, 326 eram prefeituras, o que representava 65% dos municípios. "Hoje apenas 50 (6,21%) apresentam alguma pendência", observa o chefe do escritório de Representação do Governo em Brasília, Otaviano Fonseca.

Para Otaviano, a redução deve-se ao acompanhamento realizado pela representação gaúcha e à disposição dos prefeitos e presidentes das entidades em resolver a situação. Quanto aos órgãos da administração do governo do Estado, segundo ele, não existem inadimplências junto ao governo federal.

A Representação do Governo do Estado tem o objetivo de atender aos interesses da sociedade gaúcha, auxiliando as autoridades, os órgãos públicos, entidades e municípios na solução dos problemas junto ao governo federal.