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Edição 5.005 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 13 de setembro de 2006.

EDITORIAL

Perdas na agricultura ajudam a entender discursos políticos

Enquanto candidatos disputam a paternidade de medidas, agricultor fica com o prejuízo

 

Na propaganda política, candidatos vendem-se como responsáveis pela implantação do seguro agrícola, como idealizadores e/ou executores de ampliações da abrangência da medida... e seguem-se depoimentos de apoio, de agradecimento, produzidos nas propriedades rurais. Na realidade, milhares de agricultores amargam prejuízos provocados pela geada e não sabem como enfrentar as dificuldades que já se interpõem.

Independente da disputa pela paternidade, muito comum em campanhas políticas, está evidente que as providências em benefício do agricultor adotadas até agora são insuficientes. A começar pelo próprio seguro agrícola, hoje limitado a compensar parcialmente só os danos provocados pelo granizo – como se geada, vendavais e outros fenômenos climáticos não atingissem frutas, grãos e hortaliças.

Para quem vive o drama de perdas sem possibilidade de ressarcimento, fica menos difícil entender até aonde vai a ousadia – ou o embuste – de discursos político-eleitoreiros. Mas quem não tem intimidade com o problema, tende a comprar a melhor imagem, a proposta mais bem elaborada, enfim, o melhor produto apresentado pelos marqueteiros especializados em eleição.

Transportando o quadro para outro segmento da população, é como o faminto, sem teto e analfabeto ouvir de concorrentes que eles colocaram comida na mesa do brasileiro, deram casa e ensino. A distância entre a realidade e o discurso é gigantesca.

Não existe, salvo fora dos limites do bom senso, quem possa acreditar que este ou aquele candidato tenha condições de acabar com a violência, com o desemprego, de eliminar as históricas desigualdades sociais que tanto sufocam o país. Mas muitos se tornam permeáveis a tentadoras promessas.

O agricultor que perdeu frutas e hortaliças devido à geada certamente não fará parte do grupo que crê mais nas palavras do que nas ações dos políticos. E saberá distinguir com mais justiça o destino de seu voto. Infelizmente, é um estágio de aprendizado que vem com o sofrimento – mas que pode, se bem assimilado, evitar outros no futuro.

 

CAXIAS DO SUL

Perdas na agricultura ajudam a entender discursos políticos

Objetivo é oferecer duas refeições, em horário mais adequado aos hábitos sociais

 

Fazer a principal refeição do dia na escola e em horário que respeita os hábitos da sociedade brasileira. Este é o objetivo do projeto Alimentação Saudável, implantado nas escolas municipais de Caxias do Sul. A secretária da Educação, Mariza Abreu, explica que inicialmente o projeto abrange quatro colégios, com cerca de dois mil alunos, mas a intenção é estender as mudanças a toda rede de ensino municipal, gradativamente.

"Quem estuda pela manhã, vai tomar café na escola, antes do início da aula, e almoçar antes de ir embora, por volta das 11h30. Quem estuda à tarde, almoçará na chegada e terá uma pré-janta às 17 horas", explica Mariza. "Antes, os alunos tinham uma refeição no meio de cada turno, mas comer massa, polenta etc às 9h e às 15 horas, não faz parte de nossos hábitos", afirma. Além disso, segundo a secretária, o objetivo da merenda escolar brasileira é combater a fome do dia para que o aluno tenha condições de aprender. "Ninguém consegue absorver o aprendizado quando não tem suas necessidades básicas atendidas. Então, o ideal é alimentar as crianças quando elas chegam na escola, para não desperdiçar duas horas de trabalho", declara Mariza.

Além de possibilitar uma alimentação melhor, em horário mais adequado, o projeto é um ato pedagógico, pois os estudantes estão adquirindo novas posturas quanto à maneira de se alimentar. "São eles mesmos que se servem no bufet e os que já podem, comem com garfo, em vez de colher. O projeto também tem esta intenção educativa", acrescenta a secretária.

Nesta primeira fase, o projeto está sendo desenvolvido nas escolas Mansueto Serafini, no bairro Pioneiro II; Machado de Assis, localizada no Reolon; Governador Roberto Silveira, no Rio Branco, e Caic Dolaimes Stédile Angeli, que fica no bairro Centenário II.

Andréia Toss, vice-diretora da Escola Municipal Governador Roberto Silveira, diz que os alunos aprovaram as mudanças. "Iniciamos o projeto na segunda passada e já no primeiro dia eles comentaram que gostaram do novo horário da merenda, porque é servida quando estão com mais apetite. De fato, já notamos que eles se alimentaram melhor", afirma Andréia.

A secretária Mariza Abreu diz que não é possível determinar um prazo para que todas as escolas estejam inseridas no projeto. Segundo ela, esse novo modelo de merenda escolar exige mais recursos e a implantação será gradativa. "As escolas precisam ter uma cozinha mais aparelhada, refeitório adequado, bufet, tudo isso exige mais investimentos, mas é possível levar o projeto adiante. Se já funciona assim em Porto Alegre, por que não em Caxias?", compara.

 

Pe. Ulderico Pedroni é Cidadão Emérito

 

A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul entrega nesta quinta 14 o título de Cidadão Emérito ao padre Ulderico Pedroni, homenagem proposta pelo vereador Édio Elói Frizzo (PPS). Padre Pedroni nasceu em 5 de novembro de 1927, na Linha Feijó, primeiro Distrito de Caxias. Aos 12 anos foi estudar no Seminário Nossa Senhora Aparecida. Após, cursou Filosofia e Teologia no seminário Central de São Leopoldo da Sociedade dos Jesuítas.

Em 8 de dezembro de 1954, foi ordenado padre e no dia 12 daquele mês celebrou sua primeira missa – em São Marcos da Linha Feijó. Padre Pedroni teve uma atuação importante, como líder comunitário, na resistência ao regime militar. Ele chegou a ser preso por 42 dias, sob acusação de agitador e agente comunista – julgado pela Justiça Militar, foi absolvido.

Formado também em Direito, hoje padre Pedroni atende diariamente dezenas de pessoas – presentes ou através de correspondências -, que buscam auxílio contra doenças. Ele também dedica-se ao direito humanitário e é um dos grandes evangelizadores da região. Discípulo de Santo Ignácio de Loyola, diz: "Ninguém deve censurar o outro com palavras, porque a condição humana é inocente."

Cidadão – Na terça 12 a Câmara entregou o título de Cidadão Caxiense a Carlos Cândido Finimundi. No próximo dia 21, realiza sessão solene em homenagem aos 50 anos do Serviço Social do Comércio (Sesc) – Caxias do Sul.

 

Shopping Rural na Semana Farroupilha

 

Mostrar o poder do segmento rural do município e região e oferecer uma nova opção de entretenimento e de negócios. É com este objetivo que abre na sexta 15 e se prolonga até o dia 20 de setembro a 1ª edição do Shopping Rural – Feira do Agronegócio. Realizado nos pavilhões da Festa da Uva, vai aproveitar o público que participa das festividades da Semana Farroupilha no local.

O Shopping Rural foi articulado pela Festa da Uva e tem como parceiros a Secretaria Municipal da Agricultura, Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC), Ceasa, Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Fepagro, Inspetoria Veterinária e Emater-RS/Ascar.

Nos estandes do Shopping Rural será possível encontrar sementes, rações, mudas de plantas, frutas, flores, folhagens, animais de pequeno e grande porte, equipamentos de piscicultura, serviços veterinários, boutique de carnes, turismo rural com direito a roteiros, artesanato, máquinas e equipamentos agrícolas, além de plasticultura.

 

REPORTAGEM

Falta de infra-estrutura encolhe municípios gaúchos

Segundo o IBGE, 200 dos 496 municípios do RS registram queda no número de moradores

 

O Rio Grande do Sul está encolhendo. Quatro em cada 10 municípios gaúchos assistiram à redução de sua população em 2006, aponta estimativa preliminar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseada em tendência de anos anteriores. São 200 cidades no Estado com menos habitantes na comparação com julho de 2005.

De acordo com o IBGE, os 496 municípios gaúchos somavam, em julho do ano passado, 10,95 milhões de habitantes. Porto Alegre, a capital e a maior cidade do Estado, com 1,44 milhão de moradores, ganha 33,5 habitantes por dia de todas as regiões. Já André da Rocha, com apenas 1.162 habitantes, é o menor município gaúcho.

Contudo, a Grande Porto Alegre reduziu o avanço populacional, por uma razão que até pouco tempo não aparecia nas estatísticas. Atraídos pelo fortalecimento dos serviços e da construção civil, os moradores resolveram mudar-se para o Litoral Norte. Não é à toa que sete municípios da região litorânea aparecem no topo dos 10 que mais cresceram, de acordo com o IBGE. Os números serão confirmados no próximo 31 de outubro.

Saída – A Confederação Nacional de Municípios (CNM) confirma que está ocorrendo uma concentração demográfica do interior para a região metropolitana e para cidades maiores (na Serra e nos vales do Sinos e Caí) e da região sul do Estado para o norte gaúcho. Para o IBGE, a saída de pessoas das pequenas cidades, cuja economia está baseada na agropecuária, ocorre pela falta de infra-estrutura, de emprego e educação mais qualificada.

O presidente da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), Glademir Aroldi, tem opinião diferente. "Os filhos deixam os pais e a cidade natal em razão do reduzido tamanho das propriedades familiares, que não oferecem espaço para que construam sua família", afirma.

Para o presidente da Famurs, o encolhimento dos pequenos municípios, que varia de 3% a 5% no Estado, tem relação ainda com a queda da taxa de fecundidade. "Os índices de nascimento e morte se equivalem", afirma ao CR.

A CNM tem receita para conter o êxodo que ocorre nas áreas mais deprimidas: o investimento na infra-estrutura e dinamizar as áreas do interior, capilarizando o progresso. "Essa atitude diminuiria as diferenças de crescimento entre as cidades gaúchas", acredita o assessor da Confederação Nacional de Municípios, em Brasília, Rodrigo Bauer.

 

Aposentado puxa crescimento do litoral

 

O fenômeno migratório em direção ao Litoral Norte é o que desperta mais atenção dos pesquisadores. Para Luis Roque Klering, assessor da CNM e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o litoral cresce mais porque a infra-estrutura social, comercial, de serviços, cultural, educacional, tecnológica, de comunicações, de estradas, lazer e de turismo está chegando mais intensamente ao lugar.

Além do mais, diz Klering, o gaúcho vive mais tempo de vida e de aposentadoria, optando por vivê-la de forma mais próxima da natureza, nesse caso a praia. O litoral possui serviços novos, lazer durante todo ano e segurança mais ativa. "Outro fator é o econômico: pessoas optam em morar somente num endereço, por questões de preço e comodidade", observa.

Para o professor, as populações migram em busca de melhores condições e expectativa de vida. "Economias deprimidas, falta de infra-estrutura e de expectativa de melhores condições de vida; necessidade de emprego e de condições de sustentabilidade, e mesmo novas oportunidades constituem motivos para migrações", destaca ao CR.

Na avaliação do professor Klering, o desenvolvimento de municípios depende de vários fatores, inclusive da efetividade das suas administrações. "Existem muitos exemplos de boas administrações municipais na região da Serra do RS, assim como em outras regiões do Estado", declara.

Fatores adicionais ajudam a catapultar o progresso de pequenos municípios serranos. Destacam-se a existência de boa infra-estrutura, economias diversificadas e dinamismo da indústria na região. Além disso, grandes pólos dinâmicos próximos (principalmente Caxias do Sul e Bento Gonçalves), coexistem com municípios menores. "Essa união gera uma força de mercado ainda maior", conclui o estudioso.

 

AGRONEGÓCIO

Irrigação evita perdas com geadas

No caso das verduras, alternativa é praticar zoneamento climático

 

Dias muito quentes, intercalados por geadas intensas. Esse foi o quadro desenhado pelo clima do final de julho a início de setembro. O frio criou belas paisagens. Em contrapartida, deixou rastros de prejuízos irreversíveis. Com a primavera às portas, resta pouco para o agricultor fazer em termos técnicos e de manejo de plantas.

Perdas são registradas em todo o Estado. A fruticultura foi, novamente, a mais atingida. A safra de pêssego de mesa, por exemplo, terá quebra girando em torno de 25%, calcula a Emater/RS. Estimativa apontava para a produção de 56,4 mil toneladas, numa área de 4.000 hectares. A redução leva em conta a perda de 80% nas variedades precoces.

O que fazer para fazer frente às perdas e no caso de novas geadas, fenômeno não descartado pela meteorologia? O assistente técnico regional e agrônomo da Emater de Caxias do Sul Enio Ângelo Todeschini garante que há pouco a fazer. "Confirmada a incidência de geada, o fruticultor deve praticar a irrigação noturna, obedecendo o horário das 22 horas até o nascer do sol. Essa técnica evita danos maiores", observa ao CR.

Foi o que fez o agricultor Mario Biondo, 42 anos, de São Gotardo de Vila Seca, interior de Caxias do Sul. Irrigou o pomar de ameixas das 22 horas de terça-feira 5 até às 11h30 do dia seguinte. "Era tentar ou perder tudo", resume Biondo, que cultiva ainda caquizeiros, parcialmente afetados, e uvas, protegidas por plasticultura.

Grãos – As geadas da última semana também atingiram as videiras e as plantações de maçã, caqui, ameixa e citros, que estavam com brotação e floração antecipada, e em menor escala, pastagens, verduras, fumo e morangos. As baixas temperaturas afetaram ainda o trigo (475 mil ha afetados), o milho e o feijão.

No caso do trigo, não há o que fazer, assegura o assistente técnico na área de grãos da Emater da Serra, Wilson Pinheiro Bossle. "Quanto ao milho e feijão, o agricultor precisa refazer o plantio", orienta. No caso das verduras (cenoura, alface, couve-flor..), o produtor deve escolher variedades próprias para época e plantar no verão e na meia estação, descartando o frio, zoneamento próprio. "No período do inverno, para não perder a produção, o cultivo de verduras deve se concentrar nos microclimas do Estado, como no Vale do Rio Caí", orienta o agrônomo da Emater/Serra Norman Simon.

 

Avaliação pode ganhar outras capitais

 

Promover o vinho brasileiro. Esse é o principal objetivo da XIV Avaliação Nacional de Vinhos, que neste ano, de forma inédita, vai apresentar seus vinhos mais representativos da safra também em São Paulo para um público superior a 200 pessoas. O evento ocorre no dia 23 em Bento Gonçalves e em SP, no Hotel Transamérica, simultaneamente, através de vídeo conferência.

Dependendo do resultado desta edição, o evento passará a ser realizado também em outras capitais brasileiras nos próximos anos. Iniciada em 1993, a avaliação é promovida pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), com sede em Bento Gonçalves, na Serra gaúcha.

Considerado o maior evento do gênero no mundo, a Avaliação de Vinhos deverá reunir mais de 900 pessoas. Contará com painel de comentaristas formado por enólogos, enófilos, sommeliers, jornalistas e um participante que será sorteado no dia do evento. Entre os comentaristas, destacam-se o francês Jean-Lucien Cabirol e a espanhola Maria Isabel Mijares, doutores em enologia.

Às cegas – As 253 amostras inscritas por 63 vinícolas dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia, foram avaliadas, às cegas, por 81 enólogos de todo o país durante o mês de agosto. Os enólogos analisaram o aspecto visual, a qualidade do olfato e o paladar dos vinhos, sendo que as degustações aconteceram no Laboratório de Análise Sensorial da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves.

Outra inovação na avaliação deste ano é no número de amostras a serem degustadas, que passam de 15 para 16, contemplando pela primeira vez a categoria de vinho base de espumante.

A relação dos vinhos correspondentes aos 30% mais representativos da safra 2006 será divulgada somente no dia 23 de setembro, quando 16 amostras de diferentes categorias serão degustadas pelo público. Cada vinho será comentado por um dos membros do painel. O evento segue as normas da Organização Internacional do Vinho.

 

Soja modificada entra no troca-troca

Governo autoriza o uso de grão próprio para a safra 2006/2007

 

Soja pirata na legalidade. Pelo quarto ano consecutivo, o produtor gaúcho vai plantar soja transgênica com o aval do governo federal. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) permitiu que os produtores e as cooperativas de soja do RS possam trocar seus grãos reservados para uso próprio por sementes fiscalizadas e certificadas.

A decisão foi anunciada, na quarta-feira 6, pelo ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto. O governo vai comprar sementes e trocar por grãos próprios dos produtores. "O programa beneficia o pequeno agricultor ao permitir o acesso a essa tecnologia", avaliou o presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas, Iwao Miyamoto.

O incentivo valerá apenas para o Rio Grande do Sul. "O objetivo é incentivar o uso de sementes certificadas e fiscalizadas para melhorar a produtividade da lavoura", disse o ministro, que tomou a decisão após audiência com representantes da Fetag na Expointer.

Segundo o ministro, o governo reconhece que poderá faltar sementes certificadas em algumas áreas de plantio de soja no Estado e por isso decidiu se antecipar e vai permitir o uso de grãos próprios para a próxima safra. "Mas o decreto determina que ficará vedada nova prorrogação e também proíbe a comercialização ou uso destes grãos próprios como semente", enfatizou.

Informações do mercado indicam que existe disponibilidade de semente certificada para o plantio de dois terços da área cultivada com soja no Rio Grande do Sul, que é de cerca de 4 milhões de hectares. A produção no Estado foi de 7,5 milhões de toneladas na safra 2005/2006, com produtividade de 1.900 kg/hectare.

O governo cedeu às pressões dos produtores gaúchos de soja ao autorizar o plantio de sementes não legalizadas na safra 2006/07 e ignorou os apelos da Abrasem e até da própria Embrapa que apontavam a baixa qualidade da semente clandestina. O ministro Luis Carlos Guedes Pinto era contrário à prorrogação. Foi convencido pelos produtores durante a Expointer 2006, em Esteio (RS).

Os números apresentados pela Fetag pesaram na decisão do ministro. "A liberação do plantio de semente não-certificada beneficia 100 mil pequenos sojicultores. 90% deles têm um milhão de sacas de sementes próprias armazenadas esperando o plantio", diz ao CR o tesoureiro geral da Fetag, Amauri Miotto. "Esse volume é suficiente para cobrir 1,2 milhão de hectares", completa o agrônomo Gilberto Bonatto, da Emater da Serra.

 

Justiça federal proíbe plantio de grão

 

A Justiça Federal manteve a proibição do plantio de soja geneticamente modificada nos municípios que integram o entorno da floresta Mato Castelhano, na região de Passo Fundo (RS), num raio de 10 quilômetros. A decisão atinge 1.500 famílias e envolve 31 mil hectares. Interdita, por exemplo, 98% de Mato Castelhano e 43% de Marau.

O impasse se arrasta desde o ano passado. Os agricultores, representados pela Associação dos Produtores Rurais do Entorno da Floresta Nacional de Mato Castelhano (Profloma), alegam a inviabilidade da produção de soja convencional na região.

Como a Floresta de Passo Fundo ainda não tem plano de manejo, vigora resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Ela exige, num raio de dez quilômetros das áreas que circundam unidades de conservação, que qualquer atividade que possa afetar a biota (conjunto de seres vivos) deve ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente.

 

Cooperativas impulsionam suinocultura

 

A suinocultura gaúcha está trabalhando para superar as perdas de final de 2005 início de 2006, causadas por surto de febre aftosa em Mato Grosso do Sul. Acordo firmado entre o governo gaúcho e cooperativas do setor vai gerar 1.253 novos empregos e envolver 24 mil produtores e 19 mil matrizes, em 77 municípios gaúchos.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, Osmildo Bieleski, o objetivo é expandir e modernizar a produção. O programa concede incentivo, que é calculado sobre o incremento real do ICMS gerado pelo projeto. Os acordos foram firmados com as cooperativas Agrícola Mista General Osório (Cotribá), Tritícola Sarandi (Cotrisal), Tritícola Mista Alto Jacuí (Cotrijal) e Tritícola Taperense (Cotrisoja) e a integradora (compradora da produção) Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora (SC).

O governador Germano Rigotto também assinou acordo de cooperação técnica e financeira entre a Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais, Caixa RS-Agência de Fomento e a Central Agropecuária de Cooperativas do Alto Jacuí (Cooperjacuí).

A meta é implantar uma unidade industrial para a produção de rações animais a serem utilizadas pelos associados das cooperativas sócias da Cooperjacuí, que são a Cotribá, Cotrisoja, Cotrijal e Cotrisal.

 

Brasil e Paraguai se unem contra aftosa

 

Brasil e Paraguai assinam acordo para combater a febre aftosa de forma conjunta. No documento está prevista a realização da primeira ação conjunta no combate à aftosa na divisa MS-Paraguai.

O trabalho começa em 1º de outubro, quando serão vistoriadas por técnicos brasileiros e paraguaios 78 fazendas produtoras de gado de corte instaladas em Mato Grosso do Sul, nos dois lados da fronteira.

O acordo foi saudado pelos representantes do Grupo Interamericano para a Erradicação da Febre Aftosa (Giefa) e do Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa). O Paraguai iniciou os preparativos visando a exportação de carne bovina.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Receitas de quivi

Em minha propriedade, tenho algumas plantas de quivi que produzem uma boa quantidade de frutos. Além do consumo in natura, de que outra forma posso aproveitá-los? Gostaria de obter receitas sobre este fruto, como geléias, doces e compotas.

VERA LÚCIA BRANDALISE MARIM

Veranópolis-RS

 

No material publicitário da Festa Nacional do Kiwi (Fenakiwi), que se realiza anualmente em Farroupilha RS, foram obtidas as receitas abaixo, principalmente da empresa Kiwi’Strin, que participa do evento desde o início, e com a qual a prezada leitora pode manter contato pelo telefone (54) 3261 1015 para obter mais informações.

1 – Suco: 4 quivis levemente macios; 1 litro de água; 5 gotas de limão; açúcar ou adoçante. Descasque as frutas, acrescente a água e o limão e bata no liquidificador por 15 segundos. Passe na peneira, se desejar, e adoce a gosto. Obs: a liquidificação deve ser rápida para não moer as sementes que dão ao suco um sabor amargo.

2 – Geléia: 1 kg de polpa de quivi 600g de açúcar; ¼ de limão. Descasque as frutas maduras e amasse-as. Junte o açúcar e o limão e cozinhe em fogo brando por mais ou menos 40 minutos até atingir a consistência.

3 – Bombom: 500g de chocolate ao leite; 1 lata de leite condensado; 1 colher de manteiga; 300g de geléia de quivi. Creme: misture a lata de leite condensado e a manteiga. Leve ao fogo mexendo sempre até começar a desprender do fundo do vasilhame. Deixe esfriar. Bombom: desmanche o chocolate em banho-maria ou microondas (potência média por 2 min.). Espalhe o chocolate nas bordas e no fundo de 3 formas de bombons e leve-as ao freezer. Quando o chocolate tiver endurecido, coloque o recheio de leite condensado preenchendo a forma até a metade, depois coloque geléia de kiwi e feche o bombom com o restante do chocolate. Desenforme o bombom e envolva-o em papel laminado ou filme. Rendimento: 40 bombons.

4 – Bolo: Massa: 150g de açúcar; 150g de manteiga; 200g de farinha; 1 colher de chá de fermento em pó; 1 ovo. Misture todos os ingredientes com a mão e sove bem. Unte uma refratária redonda e forre suas bordas e o fundo com a massa. Leve ao forno por aproximadamente 40 min, até dourar. Retire e deixe esfriar. Creme: 2 claras; 4 colheres de açúcar; 2 colheres de nata. Bata as claras em neve, misture o açúcar e quando o merengue estiver bem encorpado junte a nata. Recheio: 5 quivis levemente macios.

5 – Molho: 4 quivis levemente maduros; 3 tomates sem pele; 250g de carne cortada em cubos; 3 colheres de tempero base; 3 colheres de manteiga ou óleo; 1 cálice de vinho tinto; 5 folhas de sálvia; 1 colher de sopa de açúcar e sal a gosto. Aqueça a manteiga, coloque tempero base. Junte a carne cortada em cubos e refogue. Acrescente os kiwis em cubos e refogue mais um pouco. Junte os tomates liquidificados, a sálvia, o açúcar, o sal e o vinho. Deixe ferver por 15 minutos e o molho estará pronto para regar a massa.

6 – Macarrão: 3 quivis não muito maduros; 1 fatia de toucinho; ¼ de nata e/ou creme de leite; 50g de manteiga; 400g de macarrão; sal e pimenta. Fritar o toucinho com um pouco de manteiga, adicionar quivi em pequenos pedaços, sal e pimenta. Cozinhar o macarrão "al dente" com água e sal. Derreter a manteiga à parte e acrescentar a nata. Quando estiver fervendo acrescentar o macarrão escorrido e o molho com o quivi. Misturar bem. Servir com queijo ralado.

7 – Mousse: 250 g de quivis descascados e picados; 1 ½ colher (sopa) rasa de adoçante dietético (para culinária, com o mesmo volume do açúcar) ou 1 ½ colher de açúcar; ¾ xícara (chá) de água quente; 1 colher (sopa) rasa de gelatina sabor morango; ½ xícara (chá) de creme de leite; 2 claras batidas em neve. Bata os quivis com o adoçante no liquidificador e reserve. Dissolva a gelatina na água quente e deixe esfriar. Misture a polpa dos quivis, a gelatina e o creme de leite. Incorpore claras em neve. Coloque em taças e leve à geladeira por aproximadamente 2 horas.

8 – Compota: 1 kg de quivis; 1 xícara de água; 3 colheres (sopa) de sumo de limão; 3 xícara de açúcar. Descasque e pique os quivis. Coloque-os numa caçarola grande com a água e o sumo de limão. Deixe levantar fervura e cozinhe durante 15 minutos, ou até estar reduzido a purê. Adicione o açúcar e mexa até dissolver. Ferva, sem mexer, durante 30 minutos, ou até a compota estar no ponto. Guarde em frascos quentes, limpos e secos. Vedar depois de frio.

 

SAÚDE

Mudanças bruscas de temperatura diminuem as defesas do organismo

Infecção respiratória e contração muscular são conseqüências da oscilação térmica

 

As mudanças bruscas de temperatura são prejudiciais ao organismo. A temperatura de conforto térmico varia entre 21º e 23ºC. Quando passamos de um ambiente quente para outro frio, ou vice-versa, ocorre um choque térmico e o organismo aciona uma série de recursos para manter a temperatura do corpo estável. Esse processo pode comprometer temporariamente as defesas e abrir espaço para a ação de vírus e bactérias, provocando doenças respiratórias.

"Além das infecções respiratórias, sair de um local quente e enfrentar o frio pode causar contratura muscular, que provoca dor principalmente nas costas. Às vezes, os músculos do rosto são atingidos, levando à paralisia facial", afirma a médica Kátia Moitta, de Caxias do Sul. "Aqui na nossa região, as pessoas costumam aquecer a casa com fogão a lenha, lareira, estufa ou ar condicionado e, além dos males respiratórios, esta queixa de dor muscular é bem comum", completa. Segundo ela, crianças, idosos e pessoas alérgicas são os que mais sofrem com as mudanças bruscas de temperatura, pois seu organismo é mais sensível.

Kátia afirma que sair de um ambiente quente e enfrentar o frio é ainda mais prejudicial para a saúde do que o contrário. Para prevenir os problemas decorrentes desse choque térmico, ela dá algumas dicas bem simples de serem seguidas. "A temperatura tem que ser agradável a todos, não devemos superaquecer os ambientes. Se alguém reclamar de desconforto, é um sinal de alerta", explica. Segundo a médica, o ideal é desligar o aquecedor, ou afastar-se dele, minutos antes de sair à rua, para acostumar-se com a temperatura mais baixa, e proteger principalmente os pés, a cabeça e o pescoço. "Também aconselhamos tomar bastante líquido, pois as estufas ressecam o ar. Se alguém sentir a mucosa nasal ressecada, pode usar soro fisiológico para hidratá-la", completa. "Não ficar com roupas úmidas é outra atitude bem-vinda para preservar a saúde", finaliza Kátia Moitta.

 

Choque térmico eleva risco de rinite

 

O choque térmico também é o responsável pelas crises de rinite alérgica em pessoas que permanecem bastante tempo em ambientes climatizados, revela uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). O estudo, recém-concluído, contradiz o senso comum de que seria a falta de manutenção do ar condicionado, que acumula ácaros, fungos e bactérias, a culpada pelas crises alérgicas, que se manifestam com mais freqüência neste período do ano. Em 2002, uma outra pesquisa da USP já havia demonstrado que a quantidade de ácaros e fungos encontrada nos aparelhos de ar condicionado é pequena, insuficiente para desencadear uma crise alérgica.

Segundo os especialistas, as pessoas alérgicas têm uma capacidade diminuída de lidar com mudanças drásticas de temperatura. O choque térmico provoca uma reação alérgica nas pessoas predispostas, semelhante ao que acontece quando elas entram em contato com outras substâncias alérgenas, como o ácaro.

Pesquisa – Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores selecionaram um grupo de pessoas com rinite, mas que não estavam em crise; e outro de pessoas não alérgicas. Todos os voluntários foram avaliados em um ambiente livre de ácaros e fungos e usavam roupas especiais, com proteção térmica ajustada em 20ºC. Todos os participantes foram expostos a uma temperatura inicial de 26ºC. Após 30 minutos, o ambiente foi resfriado para 14ºC. Meia hora depois, os termômetros voltaram a subir, e assim por diante.

Vinte e quatro horas após o teste, os voluntários voltaram a ter a mucosa analisada; todos apresentavam irritação. Quarenta e oito horas depois, os portadores de rinite apresentaram uma inflamação no nariz mais acentuada, enquanto no outro grupo a irritação havia regredido.

 

Estrado da cama é viveiro de ácaros

 

O estrado da cama é o local da casa onde há maior concentração de ácaros. Ali, a quantidade é três vezes maior do que na parte de cima da cama. Depois, o sofá, o tapete, a despensa e a cortina aparecem como locais prediletos dos microorganismos. A revelação faz parte de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas.

Os ácaros são responsáveis por 80% das alergias respiratórias. Eles habitam lugares onde a temperatura é estável, há alimento e pouca oscilação da umidade do ar. A principal fonte de alimento dos bichinhos são escamas da pele humana.

É impossível livrar a casa dos ácaros, mas dá para controlar a quantidade: virar o colchão a cada 15 dias, evitar tapetes e cortinas, dar preferência a persianas plásticas, manter a casa arejada e iluminada, evitar fazer refeições na cama ou no sofá.

 

OPINIÃO

Confiança no milagre

Maria Clara Lucchetti Bingemer

A morte de dom Luciano provoca um sentimento de orfandade em toda a Igreja do Brasil. Ao mesmo tempo, é um testemunho luminoso de até onde pode ir a grandeza do ser humano criado por Deus à sua imagem e semelhança quando se abre inteiramente à graça

 

Desde a tarde de 27 de agosto, a Igreja do Brasil reza e chora. Está de luto pela morte daquele que foi talvez a maior figura do episcopado brasileiro dos últimos cem anos. Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida morreu às 18 horas, após uma longa e dolorosa luta contra um câncer de fígado, aos 75 anos de idade.

Em artigo escrito quando ele ainda se encontrava entre nós, falamos com tênue esperança do milagre que todos pedíamos com fé e confiança a Deus: Dom Luciano conosco por mais um tempo. Pode-se dizer que não fomos atendidos?

Como padre, Luciano Mendes de Almeida foi um jesuíta forjado na têmpera da escola de Santo Inácio. Doutorado em filosofia, mostrou-se brilhantemente inteligente ainda que procurasse esconder seus dotes intelectuais. Foi professor e formador dos jovens jesuítas por longos anos.

Já como bispo, durante 12 anos auxiliou o cardeal-arcebispo dom Paulo Evaristo Arns em São Paulo. Nesse tempo, dedicou-se a levantar e potenciar a Pastoral do Menor, hoje uma das obras mais importantes da Igreja, graças à qual a mortalidade infantil no Brasil decresceu consideravelmente nos últimos anos. Organizou na zona leste da capital paulista uma centena de abrigos para menores abandonados. Acostumado a dormir no máximo quatro horas por noite, era visto seguidamente nas ruas, de madrugada, recolhendo as crianças jogadas nas calçadas.

Mas era também um hábil diplomata. Com a fala mansa, o eterno sorriso nos lábios e a facilidade para as relações inter-pessoais conseguia façanhas que outros, menos pacientes, não alcançavam. Foi assim que na Conferência do Episcopado latino-americano em Santo Domingo, em 1992, conseguiu que saísse o documento de conclusões que todos já desesperavam de ver ao final de tantos e tantos dias de trabalho, discussões e impasses. Varando noites sem dormir, comendo pouco e conversando com uns e outros de todas as tendências, articulou o documento que proclamou como prioridade da Igreja do continente o protagonismo dos leigos e reafirmou a opção pelos pobres.

Em várias ocasiões tive o privilégio de vê-lo, ouvi-lo, trabalhar com ele. Impressionava-me sua obsessiva caridade, que o fazia dar atenção a cada pessoa como se fosse a única no mundo. Ao sair de casa, era abordado por um sem número de pessoas que lhe pediam óculos para o filho, matrícula para o outro, remédio para a mãe doente. A todos e a todas atendia com a mesma solicitude e a mesma devoção.

Hoje, diante do fato doloroso de sua morte, percebemos todos que o milagre nos foi concedido. O milagre é a vida de dom Luciano. Uma vida em constante pró-existência, vivida para fora de si e em busca obsessiva do outro a quem servir. Uma vida toda ela configurada pelo amor que se apressa e se traduz em serviço humilde, constante e fiel a todos, sobretudo àqueles que estão mais despossuídos de toda dignidade e de toda esperança.

A morte de dom Luciano provoca um sentimento de orfandade em toda a Igreja do Brasil. Ao mesmo tempo, é um testemunho luminoso de até onde pode ir a grandeza do ser humano criado por Deus à sua imagem e semelhança quando se abre inteiramente à graça. Que essa testemunha fiel possa inspirar-nos e converter-nos sempre mais a entregar nossa vida ao que realmente vale a pena: o anúncio da Boa Nova e a construção de um mundo mais justo e mais humano.

 

Vote em si mesmo

Frei Betto

Só uma sociedade organizada dispõe de forças para intervir no Estado. Por mais justas que sejam, as bandeiras que ela defende só se tornam efetivas quando conquistam corações e mentes. Em outubro, eleja-se cidadão

 

O primeiro candidato nessas eleições deve ser o próprio eleitor. Ao votar, ele delega ao candidato o dever e o direito de agir em seu nome. Uma vez eleito, tudo que o político faz deságua na vida da população. Se rouba, a vítima é a população, pois os impostos que ela paga vão para o bolso do ladrão, sonegados à saúde, à educação, à melhoria das estradas etc.

Acontece de o eleitor votar e, em seguida, ignorar o partido e o candidato que escolheu. Tudo que os políticos safados querem é ser eleitos e, depois, esquecidos por seus eleitores, de modo que possam agir ao contrário do que prometeram.

Melhor ainda quando o eleitor perde de vista o partido do candidato. Pois nem sempre se elege aquele em quem votamos. Mas o partido sim permanece representado na Assembléia Legislativa e no Congresso Nacional, e pode ter sido um dos que coligaram para eleger o governador e o presidente da República. Portanto, olho no partido. Compare o seu programa ao que fazem os políticos que lhe são filiados.

O resultado de uma eleição se avalia pelos seus efeitos nas condições de vida da população. Pelos frutos se conhece a árvore, diz Jesus, ou seja, pelo exercício do mandato dos que foram eleitos. Houve melhorias na saúde? Na educação? Os alimentos estão mais baratos? A violência urbana decaiu? A desigualdade social decresceu? Os empregos aumentaram?

Não importa que os índices de crescimento do país tenham melhorado e as estatísticas se revelem mais positivas. O que interessa é o desenvolvimento sustentável. Verificar em que medida houve progresso na qualidade de vida da população sem que o país tenha se endividado ainda mais e sacrificado sua soberania.

Só haverá verdadeira democracia quando nós eleitores conquistarmos o direito de intervir permanentemente no poder público. Hoje, essa intervenção se restringe aos períodos eleitorais. Isso permite que nos intervalos entre uma e outra eleição a classe política aja a seu bel-prazer.

O Brasil precisa, urgentemente, de uma reforma política que, entre outras coisas, obrigue o governo a submeter a plebiscito ou referendo popular as grandes questões nacionais. Queremos alimentos transgênicos? E a transposição das águas do Rio São Francisco? Estamos de acordo com a política econômica que, de cada R$ 100 destinados aos credores da dívida pública, investe apenas R$ 7 em políticas sociais? O Banco Central deve ser autônomo?

São questões que não devem depender apenas do Estado. A população precisa ser convocada a participar, como na decisão quanto ao nosso regime de governo (monarquia, parlamentarismo ou presidencialismo) e o comércio de armas.

Como intervir no poder publico? Pela pressão da sociedade civil. Governo é como feijão, só funciona na panela de pressão. Daí a importância de se fortalecer os movimentos sociais. Só uma sociedade organizada dispõe de forças para intervir no Estado. As bandeiras que ela defende, por mais justas, só se tornam efetivas quando conquistam corações e mentes. Povo organizado, Estado democratizado. Porém, não basta cada movimento lutar isoladamente por suas reivindicações. É preciso que os sem-terra se somem às mulheres, os indígenas fortaleçam a luta dos direitos humanos, os negros dêem as mãos aos que buscam a igualdade de gêneros.

Votar em si mesmo é votar no efeito bumerangue. O voto bate no candidato e no partido e retorna em benefício da sociedade. Não fica no ar como a pipa que se solta da manivela que temos em mãos.

Em outubro, eleja-se cidadão, eleja o Brasil como nação democrática, justa e soberana!

Bons votos!

* Dom Luciano Mendes de Almeida foi uma das pessoas mais íntegras e evangélicas que conheci em toda minha vida. Sejamos fiéis à herança que ele deixa: o amor à causa dos pobres.

 

ESPECIAL

A REVOLTA DOS FAZENDEIROS

Mário Maestri

Historiador e professor da UPF.

E-mail: maestri@via-rs.net

 

Não houve democracia racial farroupilha. Negros e brancos marchavam, acampavam e morriam separados. Eram brancos os oficiais dos soldados negros

 

Neste 20 de setembro, merece celebração a vontade libertária de cativos que aproveitaram o confronto senhorial para aquilombar-se e fugir

 

A Guerra Farroupilha (1835-45) foi um entre os muitos movimentos liberais provinciais contra o centralismo do Império e, a seguir, as tímidas concessões regenciais. A crise que abalava o Brasil era alimentada pelas dificuldades da economia escravista. Movimentos como a Balaiada e a Cabanagem radicalizaram-se com a participação das classes subalternizadas, levando os liberais regionais a abandonarem a luta.

O movimento farrapo interpretou as reivindicações dos criadores do meridião do Rio Grande do Sul. Sua longevidade deveu-se também à capacidade dos seus chefes de manterem as classes infames na sujeição. A revolta não galvanizou todo o RS. Os comerciantes, a população urbana, os colonos alemães mantiveram-se neutros ou optaram pelo Império, pois o programa farroupilha opunha-se aos seus interesses. Charqueadores e comerciantes escravistas temiam que a separação comprometesse o tráfico negreiro.

Essas defecções facilitaram a perda das grandes cidades e do litoral. Porto Alegre sublevou-se e resistiu aos farroupilhas, recebendo do Império o título de "Mui leal e valorosa". Em 1835, os farroupilhas dominavam a província. Em 1845, apenas as bordas da fronteira.

Propõe-se caráter progressista ao movimento porque parte das suas tropas era formada por peões, nativos e ex-cativos. Os gaúchos eram em geral descendentes de nativos que haviam perdido as terras comunitárias para os criadores. Eles acompanhavam os caudilhos nos combates como o faziam nas lides campeiras. O gaúcho buscava na guerra churrasco, saque e soldo. A política era monopólio dos proprietários.

Era antigo direito do homem livre substituir-se por, em geral, um liberto, quando arrolado. Os libertos eram obrigados a combater nas tropas farroupilhas; preferiam a guerra à escravidão; criam na promessa da liberdade. Os chefes farroupilhas reforçavam as tropas com cativos comprados.

Não houve democracia racial farroupilha. Negros e brancos marchavam, acampavam e morriam separados. Eram brancos os oficiais dos soldados negros. Em suas Memórias, Garibaldi lembrava: "[...] todos negros, exceto os oficiais [...]." Para a Constituição republicana eram cidadãos apenas os "homens livres".

A República apoiava-se no latifúndio e na escravatura. Os chefes farroupilhas jamais prometeram terras aos gaúchos e liberdade aos cativos, como Artigas. Eles dependiam dos cativos para explorar as fazendas. Terra e liberdade eram conquistas que deviam nascer das reivindicações das então frágeis classes sociais.

Não foi por democratismo que os farroupilhas exigiram do Império respeito à liberdade dos soldados negros. Eles receavam que se formasse guerrilha negra e que os ex-cativos se homiziassem no Uruguai. O Império não aceitava que negros gozassem da liberdade por combaterem a monarquia.

A solução encontrada foi o massacre do serro de Porongos, quando o general David Canabarro, chefe militar republicano, em conluio com o barão de Caxias, entregou os soldados negros aos inimigos, no mais vil fato de armas da história militar do Brasil. Carta do barão elucidou as razões da falsa surpresa militar.

Caxias ordenou ao coronel Francisco de Abreu que não temesse surpreender os rebeldes. A infantaria farrapa estaria desarmada, devido à "ordem de um ministro e do General-em-Chefe". Ele esperava que o "negócio secreto" levasse em "poucos dias ao fim da revolta" e solucionasse o caso dos soldados negros.

Caxias ordenava: "[...] poupe o sangue brasileiro quando puder, particularmente de gente branca da província ou índios, [...] esta pobre gente ainda nos pode ser útil no futuro." Preparava já a intervenção no Prata, na qual os ex-farrapos marcharam com o Império, em defesa das suas fazendas no Uruguai.

Na madrugada de 14 de novembro de 1844, as tropas imperiais caíram sobre os 1.200 soldados farroupilhas. Cem combatentes foram mortos e 333 presos. Eram sobretudo negros.

A infâmia abriu as portas à rendição acertada em Ponche Verde. O Império pagaria as contas republicanas e manteria os postos dos oficiais. Os rebeldes aceitariam a anistia e entregariam os soldados negros restantes.

Em novembro de 1844, 220 lanceiros, aprisionados em Porongos e no Arroio Grande, foram remetidos ao Rio de Janeiro. Em início de 1845, 120 soldados negros foram entregues aos imperiais. Na Corte, em 1848, eles trabalhavam como cativos no Arsenal e na fazenda de Santa Cruz, como assinala Moacyr Flores em Negros na Revolução Farroupilha (Porto Alegre: EST, 2004).

Neste 20 de setembro, merece celebração sobretudo a vontade libertária dos milhares de cativos que aproveitaram o confronto senhorial para aquilombar-se e fugir sobretudo para o Uruguai, seguindo a sábia lembrança de que, se "Deus é grande, o mato é maior!"

 

ESPECIAL

A BÍBLIA EM NOSSA VIDA

No mês da Bíblia, é importante refletir sobre o real sentido deste livro. A Bíblia não é livro mágico nem milagroso. É o fundamento de nossa fé, de nosso amor, de nossa vida comunitária, de nossa prática eclesial

Frei Bruno Glaab

Capuchinho, doutor em Bíblia, no Evangelho de Marcos, pela PUC-RJ, coordenador de Extensão da Estef.

 

A Bíblia serve para "comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17). Assim sendo, a Bíblia não pode servir para uma leitura fundamentalista ou ingênua, como se ela nos ensinasse história ou geografia, ou qualquer outra ciência. Menos ainda se deve transformar a Bíblia num livro de previsão de futuro. Ela não ensina nada sobre o fim do mundo. Costuma-se dizer: se alguém quer saber como foi o início do mundo, ou como será o fim do mundo, não deve buscar na Bíblia, pois nela nada disto se encontra. A Bíblia não ensina ciências e não faz previsões de futuro. É simples: nos tempos bíblicos não se conhecia nossas ciências de hoje. Nada se sabia de química, de física, de biologia... Os escritores dos textos sagrados não conheciam o que nós hoje conhecemos e Deus nunca revelou ciências, mas apenas se revela a si. Para o conhecimento das ciências, Deus deu a inteligência e o espírito de busca para o ser humano. Quanto às previsões de futuro, a Bíblia se manifesta contra tal prática (Dt 18,13-14).

Não se pode, também, cair na tentação fácil de ler a Bíblia com uma fé ingênua sem levar em conta o contexto em que ela nasceu. Não se deve ver cada texto como uma verdade absoluta que deve ser obedecida às cegas, como se em cada frase da Bíblia estivesse uma verdade inquestionável. Exemplos: em Dt 13,7-11, manda matar quem pratica a idolatria; em Lv 20,10ss, manda matar os adúlteros, homossexuais etc; em 1Cor 11,2ss, manda as mulheres cobrirem a cabeça, que tenham cabelos longos, que sejam inferiores aos homens etc. Tudo isto eram preocupações concretas dentro de seu contexto, mas que, para nós, hoje, não têm sentido. Não podemos matar nenhum adúltero ou idólatra, nem sequer podemos aceitar a inferioridade da mulher ou obrigá-la a usar cabelos longos, ou a cobrir a cabeça. Tudo isto é fundamentalismo que mais traz problemas do que soluções. Ler a Bíblia assim faz mal à fé e à vida comunitária e leva as pessoas ao fanatismo.

Revelação – Ora, se a Bíblia não é livro de ciências ou de história, nem de previsões ou de soluções milagrosas, não traz verdades prontas para serem consumidas, para que serve, então? A Bíblia é uma coleção de livros que antes de serem escritos, ao menos boa parte, eram a tradição de um povo que fizera sua experiência com Deus. Ou seja, um povo que fez uma experiência com Deus. Esta experiência mostra a bondade e o amor de Deus. Mostra também a maneira como homens e mulheres responderam a este amor de Deus. Muitas vezes estes homens e mulheres foram fiéis, outras vezes nem tanto. Às vezes respondiam com amor, em outras se matavam em nome deste mesmo Deus. Apesar destas imperfeições humanas, Deus não os abandonou. Deus fez história com esta gente, porque seu amor é infinito. Assim, desde as primeiras páginas da Bíblia, encontramos coisas lindas e edificantes, mas também encontramos cenas de terror, de guerra, de matança etc.

Na plenitude dos tempos Deus enviou seu Filho (Hb 1,1ss; Jo 1,1ss), isto é, o Filho, que desde o princípio existia, assumiu a natureza humana com o nome de Jesus (Jo 1,14). Nele temos a plenitude da Revelação. Isto não significa que Jesus nos revelasse tudo sobre Deus. Isto nem sequer caberia dentro de nossas inteligências. Deus não revela seus mistérios. Antes, aqui se quer afirmar que em Jesus temos o caminho que definitivamente nos leva ao Pai (Jo 14,6). Ou seja, tudo o que precisamos para chegar ao Pai encontramos em Jesus. Não precisamos de novas "revelações". Jesus é o caminho definitivo.

Buscar na Bíblia – O que buscar na Bíblia? Nem tratados de ciência nem história das origens do mundo; nem previsões de futuro nem soluções milagrosas para qualquer situação humana; nem também verdades absolutas, prontas para serem obedecidas às cegas. Na Bíblia, a partir da fé e da oração buscamos perceber como Deus agiu no passado com seu povo, pois assim ele também age hoje conosco. Portanto, na Bíblia conheceremos a verdadeira imagem de Deus. Não no sentido de sabermos tudo sobre Ele, ou conhecer seus mistérios, mas conhecermos sua bondade, sua presença, seu projeto para nós. Na Bíblia conhecemos a Deus e também nos conhecemos a nós mesmos. A Bíblia é sempre uma luz para iluminar a nossa caminhada. Na Bíblia nós percebemos como é o ser humano e como é Deus. Certamente nós, hoje, não somos muito diferentes dos homens e mulheres dos tempos bíblicos, embora hoje tenhamos outra compreensão de mundo. Percebemos como Deus tratou o ser humano nos tempos bíblicos e esta luz serve para nós hoje, pois assim Ele também nos trata. Imaginemo-nos na pele do filho pródigo (Lc 15,11ss), na pele dos pecadores à mesa com Jesus (Mc 2,15ss) etc. A partir desta percepção de Deus e desta percepção de ser humano, a Bíblia nos revela como precisamos viver para realizarmos a nossa humanidade em plenitude, já aqui na terra, para depois culminar na eternidade.

 

Os livros prioritários

 

Toda Bíblia é inspirada por Deus e é Revelação. Logo devemos aceitar todos os 73 livros da Bíblia, evitando ler o que nos interessa e deixar de lado o que não nos convém. Mesmo assim, é importante saber que, para nós cristãos, o centro da Bíblia são os quatro evangelhos, pois neles encontramos a palavra de Jesus. E Jesus é, para nós, o centro de toda a Revelação de Deus.

Depois de nos termos apropriado dos quatro evangelhos é oportuno ler também os demais livros do Novo Testamento (Atos dos Apóstolos, Cartas e Apocalipse), pois eles são o evangelho aplicado ao seu tempo. Estes livros nos ensinam a entender Jesus. Por fim, para poder entender o Novo Testamento, convém também ler o Antigo Testamento. Pois sem uma compreensão do Antigo Testamento nunca entenderemos o Novo. Além do mais, Deus também se revela no Antigo Testamento. Por isto, também no Antigo Testamento podemos destacar alguns livros, mas todos têm seu lugar. Se quisermos priorizar, poderemos falar no livro do Êxodo, pois nele está o fundamento da antiga aliança. Depois do Êxodo, poderíamos olhar com mais atenção alguns livros históricos (Js, Jz, 1-2Sm, 1-2Rs, 1-2Mc etc.) e depois escolher alguns livros proféticos (Amós, Isaías, Jeremias etc.) e sapienciais (Sl, Sb, Eclo etc.). Sempre, no entanto, lembrando que é bom ler todos os livros da Bíblia.

 

Os caminhos para entender o livro sagrado

 

Não há receitas de como entender a Bíblia. As dificuldades de compreensão sempre existiram. Tentaremos alguns passos que ajudem a entrar melhor neste livro:

1) Estudar a história que perpassa a Bíblia. Quando se conhece bem a história, desde a formação inicial do povo da Bíblia até o fim do Novo Testamento, pode-se entender quais os problemas e motivações que influíram para a formação de cada livro que hoje temos na Bíblia. Existe muito material bibliográfico nas boas livrarias, inclusive muitas bíblias têm, além das introduções, das notas, apêndices com uma visão da história. Ex.: a Bíblia de Jerusalém, Teb, etc.

2) Antes de ler um texto bíblico, ler as introduções que as próprias Bíblias trazem para cada livro bíblico. De preferência, ter duas ou mais traduções da Bíblia (Pastoral, de Jerusalém, Teb, Peregrino etc.). As introduções nos situam em que época cada livro foi formado, bem como os motivos. Isto é muito importante para a compreensão dos mesmos. Assim como temos dificuldades de entender qualquer conversa de amigos quando os ouvimos, mas não sabemos do que estão falando, assim também acontece com a Biblia: ler um texto sem antes ler a introdução é como ouvir conversa de amigos sem saber do que estão falando.

3) Acostumar-se a ler os livros bíblicos do início até o fim, evitando a leitura aleatória de pequenos textos, ora de um livro, ora de outro. Desta forma nunca se poderá entender o todo. Existe certa piedade popular que usa caixinhas de cartolina com algumas milhares de frases bíblicas. Cada dia se tira uma frase bíblica para alimentar a espiritualidade. Isto é um acinte, pois acaba deformando a Bíblia. Não há como entender a Bíblia se só lemos frases avulsas. Entenderíamos as novelas se num dia ouvíssemos uma frase de um ator e no dia seguinte ouvíssemos a frase de outro ator, de outra novela, ou de outro capítulo? Certamente não!

4) Lembrar que na Bíblia existem muitos gêneros literários. Cada gênero literário deve ser lido à sua maneira. Ex.: os livros de Jonas e Jó são espécie de novelas, algo parecido com peças de teatro. Os livros dos Reis e de Samuel são livros históricos, enquanto Isaías e Jeremias são livros proféticos. Logo, esses livros não podem ser lidos como se fossem todos livros de história. É um absurdo ler Jonas e Jó como um fato histórico. Os primeiros 11 capítulos de Gênesis são simbólicos e não histórico-científicos. O Apocalipse usa uma simbologia velada. Portanto, buscar nesses capítulos explicações históricas para a origem ou para o fim do mundo é uma ingenuidade. Bem, dirão o leitor e a leitora: como poderemos conhecer gêneros literários? Talvez o item dois (ler as introduções das Bíblias) possa nos ajudar, ao menos um pouco. É bom também fazer visita às livrarias católicas e adquirir material popular sobre Bíblia. Quem quer entender, necessariamente precisa se acostumar a ler.

5) Ir à Bíblia com fé e oração, de preferência, em comunidade. Não se pode estudar a Bíblia como se estuda qualquer livro de ciência. A Bíblia não é livro de ciência, mas o livro da Revelação de Deus. Estudar apenas para saber não vale a pena. Deve-se estudar para saber e, principalmente, para viver. A Bíblia quer se transformar em vida, ou seja, ela é luz que ilumina a nossa caminhada. De nada adianta ler a Bíblia se não fizermos a nossa caminhada à luz da Bíblia.

6) Estudar e meditar a Bíblia com freqüência. Ou seja, dar tempo à leitura e meditação bíblicas. Nada se aprende sem esforço. Imaginemos se diariamente lêssemos ao menos um capítulo de determinado livro bíblico. Depois de alguns anos teríamos uma imagem de toda Bíblia em nossa cabeça e, mais do que isto, em nosso coração e em nossa vida.

 

Os principais pontos das Escrituras

 

– O ponto mais elevado da Bíblia é o Reino de Deus instaurado por Jesus Cristo, ao qual nós, como discípulos/as de Jesus, queremos aderir. Trata-se de perceber os valores do Reino, para também nós, em nossa realidade, vivê-los.

– As exigências de viver o Reino de Deus em nossa vida e em nossas comunidades. Não se trata de buscar soluções milagrosas na pessoa de Jesus, nem facilidades para a nossa vida; mas, a exemplo da oração ensinada por Jesus (Mt 6,9-14), elucidar os nossos compromissos com o Reino para que ele venha.

– Buscar a salvação em Jesus Cristo. Lembrando sempre que salvação não é um processo individual que se obtém pela observância de mandamentos – mas um processo comunitário que se obtém pela adesão a Jesus Cristo. É Ele que nos justifica (Gl 2,16). A salvação começa aqui e agora. Ela é o início do Reino de Deus que culmina na eternidade.

– Experimentar como Deus entrou na vida das pessoas humanas e fez história com estas mesmas pessoas, apesar dos pecados e infidelidades. Como Deus sempre mostrou seu amor, perdoando e iluminando, conduzindo estas pessoas até a última página da Bíblia. Pois assim como Ele agiu, Ele age. Isto mostra que também hoje Deus está em nossa história, apesar de nossas infidelidades e pecados. A Bíblia, nesta perspectiva, quer ser um farol que ilumina o nosso caminho.

– Perceber a imagem de Deus e de ser humano que a Bíblia nos revela. Desde o início da Bíblia até o fim percebemos diversas imagens de Deus e de ser humano. Muitas vezes temos um Deus amigo, preocupado com a vida, a liberdade e a fartura (Ex 3,6ss) e por conseqüência temos a imagem de um ser humano livre, saciado e amado. Outras vezes temos a imagem de um Deus ciumento e vingativo (Ex 20,2ss). A verdadeira imagem de Deus nos é dada por Jesus.

– Alimentar a espiritualidade. A leitura bíblica sistemática e aprofundada é como os sacramentos e a oração, alimento para a nossa espiritualidade.

– Prestar o verdadeiro culto a Deus. De tudo o que apontamos anteriormente, o melhor culto prestado a Deus é o compromisso com o ser humano. A Bíblia sempre liga amor a Deus a amor ao próximo. Assim faz o Antigo Testamento (Is 1,10ss; Is 58,1ss), assim o faz Jesus (Lc 10,25ss).

 

IGREJA

Capuchinhos elegem novo definitório

Frade catarinense representa os brasileiros no governo da Ordem

 

Depois de conhecer o novo ministro geral, frei Mauro Jöhri, eleito no dia 4 de setembro, a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos escolheu, na quinta sete, o novo vigário geral e os oito definidores que, nos próximos seis anos, guiarão os rumos dos cerca de 11 mil capuchinhos presentes em 99 países do mundo.

A eleição dos definidores ocupou os 173 capitulares durante todo o dia. Dos oito definidores, três foram reeleitos e cinco integram pela primeira vez o Definitório Geral. Os frades que vão atuar junto com frei Mauro Jöhri são o italiano Felice Cangelosi, 60 anos, italiano da província de Messina, que foi definidor geral de 2003 a 2006. Ele foi eleito vigário geral da Ordem.

Irmão – Os outros sete definidores são os freis José Gislon, 49 anos, provincial dos capuchinhos da província do Paraná e Santa Catarina; Jure Sarcevic, 57 anos, da província da Croácia, reeleito; Carlos Novoa De Agustini, 39 anos, da província de Rio da Prata, Argentina; John Anthony, 58 anos, da província de Tamil Nadu, Índia; Peter Rodgers, 62 anos, da província da Irlanda; Mark Schenk, 49 anos, da província de Mid-América, Estados Unidos; e Vicente Carlos Kiaziku, 49 anos, da vice-província de Angola, África, reeleito.

Entre os novos integrantes, merece destaque a eleição, pela primeira vez na história da Ordem, de um definidor geral não clérigo – o frade norte-americano Mark Schenk. Sete dos novos eleitos, incluído o novo geral, já foram ministros provinciais em suas províncias – freis Mauro Jöhri, José Gislon, Jure Sarcevic, Felice Cangelosi, John Anthony, Carlos Navoa e Peter Rodgers.

Após a proclamação oficial do definitório, o ministro geral, frei Mauro Jöhri, saudou o vigário geral e os novos integrantes do governo da Ordem. Felicitou os capitulares pela confiança depositada no definitório e pelo apoio através da oração, destacando o espírito fraterno na forma como ocorreu o processo eleitoral. Agradeceu também as províncias que ofereceram frades qualificados para o serviço da Ordem, um trabalho a ser levado adiante com "generosidade e prudência".

 

Catarinense representa Brasil em Roma

 

Frei José Gislon, ministro provincial da província do Paraná e Santa Catarina, que integra o Definitório Geral dos capuchinhos, nasceu no dia 23 de fevereiro de 1957, em Ibirama (SC). Cursou Filosofia em Ponta Grossa e Teologia em Londrina. É licenciado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Emitiu os votos perpétuos em 1986 e foi ordenado sacerdote no dia 28 de maio de 1988.

Como frade exerceu diversas atividades na província, entre as quais diretor da escola vocacional de Uraí (PR), mestre dos postulantes em Butiatuba (PR), professor de História da Igreja no "Studium Theologicum" de Curitiba e no Centro Episcopal de Cascavel. Foi definidor provincial de 2000 a 2005. No capítulo provincial de outubro de 2005 foi eleito ministro provincial. Domina bem o português, o italiano e o espanhol.

Como definidor geral da Conferência dos Capuchinhos do Brasil (CCB), frei José Gislon representa dez províncias e duas vice-províncias existentes no país, que juntas somam cerca de 1.100 frades capuchinhos.

 

Aumentam donativos para as obras da AIS

 

A associação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) recebeu, em 2005, 74 milhões de euros dos benfeitores da Europa, Américas do Norte e do Sul e da Austrália, que permitiram a realização de 5.852 projetos para sustentar a Igreja em 145 países. Os dados fazem parte do balanço 2005. Houve aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. A AIS é uma associação pública de direito pontifício.

Os donativos foram destinados principalmente a construção de igrejas, capelas e seminários (24,8%); formação teológica (21,4%), ajudas pastorais a dioceses (21,6%), nas intenções de missas para sacerdotes em dificuldades (13,8%) e apostolado bíblico (5,6%). A AIS existe desde 1947, criada pelo sacerdote holandês Werenfried van Straaten (1913-2003). Conta com mais de 700 mil benfeitores privados no mundo.

 

Ir e vir

Padre Zezinho

Deus chama. A nós cabe voltar quando Ele chama, ou ir quando Ele envia

 

Marília, aos 46 anos, resolveu voltar ao catolicismo. Contou-me uma longa historia de passagens por três igrejas, desde os 24 anos, quando, para se casar, deixou a Igreja católica. Era exigência do namorado. Fez o que seu coração pedia e mudou de Igreja para ter um lar. Ele revelou-se um homem muito bom.

Oito anos depois, seguiu o marido, quando este foi ser pastor de uma outra Igreja. Era lindo, mas faltava alguma coisa. Ele percebeu isso. Um dia, coisa rara para um pastor evangélico, perguntou a ela se tinha saudades do catolicismo. Ela disse que sim: da eucaristia diária, da confissão, da intercessão dos santos e principalmente da figura de Maria. Gostava da oração do terço, mas sentia menos sua falta porque era ávida leitora e encontrava na meditação da Bíblia suficiente motivo para orar. Mas tinha saudades do catolicismo.

Vieram os dois, conversamos longamente e percebi que ele era um excelente evangélico. Era lá o seu berço, mas Marília estava querendo voltar. Queria mais eucaristia, queria a confissão, queria mais Maria e queria os santos como intercessores. Não perdera o jeito católico de ser. Ele entendeu e disse: – Eu era jovem e intolerante. Cresci na fé e vi que é Deus quem chama. Se chama alguém para ser evangélico, também chama para ser católico. Eu quero a minha esposa feliz e orando a Deus como ela quer e não como eu quero.

Falamos de arribações e piracemas e do verbo voltar que é mais de Deus do que nosso. Ele chama. A nós cabe voltar quando ele chama, ou cabe ir quando Ele envia. Há caminhos de ida e há caminhos de volta e há caminhos sem volta. Albatrozes, tartarugas, andorinhas, salmões conhecem o significado dos verbos ir e voltar. Cruzam oceanos, correm todos os tipos de perigos e ciladas. Chegam a fazer 20 mil km, mas voltam àquela praia e àquela cabeceira de rio onde nasceram. Enfrentam corredeiras, cansaços extremos e a maioria morre no caminho, mas quem consegue voltar perpetua a espécie. Não conseguem gerar senão lá nas suas origens.

Os albatrozes são tão fiéis que podem ficar dois anos separados, mas é com a mesma companheira que gerarão seus novos filhotes. Os salmões morrem aos milhões, de cansaço, presas de gaviões, ursos e pescadores. Mas os sobreviventes chegam lá. Algo dentro deles diz: fui embora e vaguei por outros oceanos, mas meu lugar é aqui, aqui onde nasci.

Conversamos longamente sobre isso e ficou então, ecumenicamente decidido. Marília voltava por escolha pessoal, ele ficava lá, e os dois continuavam marido e mulher, um respeitando o jeito de ser do outro. Sem acusações e condenações e sem medo de que um ou outro fossem para o inferno, por serem ou evangélico ou católico. Coisa rara nos dias de hoje, onde o verbo puxar, parece mais forte do que o verbo amar e o verbo converter acaba tendo mais força do que o verbo crer.

 

Padre Zezinho evangeliza há quatro décadas através da música e escritos

Padre cantor compôs mais de 1.500 canções em 40 anos de carreira

 

José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, comemora 40 anos de sacerdócio no dia 21 de setembro. São 40 anos de fecunda evangelização através das mais de 1.500 canções de sua autoria, de dezenas de discos e livros, de milhares de artigos para jornais, revistas e rádios e de shows pelo Brasil e pelo mundo. Hoje, é o cantor mais conhecido em todas as Igrejas e um dos que mais arrastam multidões em seus shows.

Ele foi um dos pioneiros da música católica. Pe. Zezinho começou a compor em 1964, apenas com a pretensão de fazer algumas canções para sua paróquia. Oficialmente, sua carreira de cantor iniciou em 1967. Nessa época, ninguém na Igreja fazia esse tipo de trabalho. Em 1969 gravou seu primeiro compacto, intitulado "Shalom", com a gravadora Paulinas Comep. O sucesso foi imediato e logo se tornou um profeta para o povo, proclamando a Palavra de Deus através de teatros, discos, livros, shows e programas de rádio e TV, orientando milhares de católicos no mundo inteiro, especialmente os jovens e a família em geral.

Durante um congresso de música na Itália, foi consagrado como o padre cantor mais conhecido no mundo e com a maior vendagem de discos, alguns dos quais premiados com disco de ouro e de platina. O fruto desse trabalho pioneiro hoje se traduz em quase 2.500 bandas de música religiosa. Seguramente, mais de 500 cantores vivem da música religiosa no Brasil, mais de 30 mil cantores e cantoras lideram o povo nas missas e mais de 500 CDs religiosos por ano saem das gravadoras ou de produções independentes.

"Eu sei que Deus me colocou no mundo como fermento na massa e que Ele pensa no mundo. E eu quero ajudar o mundo a pensar em Deus. Olho para trás e digo: sim, eu fui um profeta. Minha profecia foi a canção. Não fui o único, mas estou feliz de ter feito parte daqueles primeiros que teimaram neste projeto de evangelização através da arte e da música", salienta Pe. Zezinho.

 

Obra conhecida em mais de 40 países

 

Pe. Zezinho nasceu no município de Machado (MG) aos 8 de junho de 1941. Seu pai era violeiro e boiadeiro e sua mãe dona de casa. Ingressou na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ), fundada pelo francês Leão João Dehon (1843-1925). Desde sua ordenação aos 25 anos, nos Estados Unidos, dedica-se à Pastoral da Comunicação, evangelizando através da música e de seus escritos.

Sua obra é vasta. Nesses 40 anos de carreira compôs mais de 1.500 canções, traduzidas em cinco línguas e divulgadas em 40 países e gravou 100 discos e CDs. Calcula-se que mais de 120 milhões de brasileiros conhecem suas músicas. Algumas viraram verdadeiros hinos, como Oração pela Família, Vocação, Um Certo Galileu e Maria de Nazaré.

Pe. Zezinho escreveu 64 livros, que foram traduzidos em quatro línguas; redigiu mais de 1.200 artigos para dezenas de jornais (entre eles o CR) e revistas (na Família Cristã, por exemplo, desde 1970); deu mais de mil conferências e realizou mais de mil shows, vistos em média por 15 a 40 mil pessoas; e atua em mais de 50 emissoras católicas.

 

Emaús de Garibaldi realiza a Maranatha

 

O Movimento de Emaús de Garibaldi realiza, no sábado 16 de setembro, sua tradicional Maranatha. Evento ocorre no bairro Chácaras, com missa às 19h30 na igreja Nossa Senhora do Sagrado Coração, seguida de jantar no salão da comunidade. Haverá apresentação de talentos locais e também do Emaús.

O Emaús é um movimento de comunidades missionárias para jovens, que busca desenvolver líderes comunitários para atuar nas paróquias. O evento Maranatha é promovido anualmente pelo Emaús de Garibaldi, com o objetivo de reunir seus integrantes e a comunidade, celebrar e confraternizar. Informações pelos telefones (54) 3462.5628 (Cleusa), 9962.1282 (Fernando) ou 3462.5786 (Luciana).

 

Ordenação mobiliza paróquia de Vanini

 

O diácono Jadir F. Dagnese será ordenado presbítero no dia 24 de setembro, na igreja matriz São Brás de Vanini (RS), sua paróquia de origem. A celebração será realizada às 16 horas, presidida por dom Paulo Moretto, bispo da diocese de Caxias do Sul, à qual o diácono pertence.

Jadir nasceu no dia 1º de maio de 1970 em David Canabarro (RS), filho de Clementino (in memoriam) e Inês Alves Dagnese. Ingressou no propedêutico, em Caravaggio, Farroupilha, no ano de 1997. Cursou Filosofia e Teologia, estagiou na paróquia São Ciro, em Caxias do Sul. Atualmente, exerce o diaconato nas paróquias Nossa Senhora Mãe de Deus de Carlos Barbosa e Nossa Senhora das Graças de Arcoverde. Escolheu como lema de ordenação sacerdotal "Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso" (Lc 6,36).

 

Empurre a pedra

Aldo Colombo

Somos condicionados ao sucesso e quanto mais rápido melhor. Mas esse pode não ser o critério de Deus

 

Fazer a vontade de Deus era o objetivo de sua vida. E por isso retirou-se para uma montanha deserta e passava seus dias em oração. Numa noite uma luz intensa invadiu sua cabana e o Senhor lhe disse: sei que procuras fazer sempre minha vontade e minha vontade é que empurres a grande pedra que está em frente à cabana. Finalmente, pensou ele, a vontade de Deus era clara. Mal agüentou até o raiar do dia para empurrar a pedra. Mas ela era maior e mais pesada do que imaginara e seu esforço foi inútil.

Nos dias seguintes, o monge insistiu na tarefa. Levantava cedo, fazia suas orações e se dirigia à pedra, tentando rolá-la para o abismo. Rodeou a pedra, imaginou novas táticas, aumentou o esforço, mas nada acontecia. Assim terminaram os dias de verão e chegou o inverno. Nos dias que a nevasca permitia, lá estava ele, empurrando a pedra. As estações iam se sucedendo e a tarefa não apresentava resultados. Até mesmo encurtara seu tempo de oração, preocupado com a vontade de Deus.

Depois de dois anos, o monge sentiu sua auto-estima baixar. Ele era um fracassado, seu objetivo continuava cada vez mais distante. Possivelmente fizera pouco esforço ou – quem sabe – sua tática era inadequada. No estágio seguinte sentiu a tentação do desânimo: por que continuar numa tarefa que não apresentava resultados? Isto ainda vai me matar, pensou ele. Antes de desanimar, resolveu aumentar seu esforço e sua oração.

Altas horas da noite, enquanto dormia, a luz intensa voltou a iluminar sua cabana e com ela o Senhor. Era a ocasião oportuna para ele desabafar suas mágoas: a missão era impossível ou ele era um fracassado, nada dava certo. Porém a voz do Senhor o surpreendeu. Estava muito satisfeito com ele, apreciava seu esforço, sua luta e sua dedicação em fazer sua vontade. E diante da perplexidade do monge, esclareceu: eu pedi a você apenas que empurrasse a pedra, não pedi que a movesse, nem que a rolasse para o abismo. Ele não falhara e até colhera frutos: estava mais robusto, bronzeado pelo sol e adquirira novo vigor... Finalmente, depois de muitos anos, o monge teve um sono tranqüilo, um sono de justo, na certeza de estar agradando a Deus.

E seu sono foi interrompido com um grande barulho. Correu à porta de sua cabana e a luz do luar mostrou-lhe uma visão diferente: a pedra não estava mais lá. Surpreso, foi até o local e uma faixa de terra removida e de árvores quebradas mostrava o caminho da pedra: ela se situava, agora, no fundo do abismo.

Somos condicionados ao sucesso e quanto mais rápido melhor. Esse pode não ser o critério de Deus. Ele nos pede a luta. Ele pede que continuemos a empurrar a pedra de nossas dificuldades, mesmo que não consigamos movê-la. Nosso compromisso é com a luta e não com a vitória. Um dia, Deus não nos perguntará se vencemos, quererá apenas saber se lutamos. Nosso compromisso é empurrar a pedra com toda a energia. Um dia, quem sabe, Ele mesmo rolará a pedra.

 

Pinto Bandeira homenageia religiosas

Irmãs de São José trabalham há 100 anos na comunidade serrana

 

A congregação das Irmãs de São José comemorou 100 anos de atuação religiosa e social em Pinto Bandeira, Bento Gonçalves. As primeiras irmãs chegaram a Pinto Bandeira no dia 11 de abril de 1906, com a missão de abrir uma escola para os filhos das famílias imigrantes que tinham se estabelecido na região. Dias depois a escola começou a funcionar com o nome de Colégio São José.

Além da escola e do atendimento catequético, ao longo dos anos as irmãs contribuíram diretamente para que o distrito passasse a contar com atendimento farmacêutico, laboratorial e familiar, inclusive com um posto de saúde onde, na época, diante da falta de um hospital próximo, as religiosas chegaram a executar a função de parteiras.

Pinto Bandeira conta com o primeiro santuário do Rio Grande do Sul, dedicado a Nossa Senhora de Pompéia. O templo, cuja construção iniciou em 1899, foi inaugurado em 1902, quatro anos antes da chegada das irmãs, e transformado em primeiro santuário mariano do Estado, título conferido por dom João Becker no dia 20 de outubro de 1915.

Em 1965, o Colégio São José encerrou suas atividades depois de quase 60 anos dedicados à formação, educando aproximadamente cinco mil alunos. Hoje, parte do prédio é ocupada por um mercado, salão de beleza e consultório dentário. A congregação mantém uma pequena comunidade em Pinto Bandeira, formada pelas irmãs Luiza Crippa, Regina Tasca, Giuditha Bernardi e Elizabete Lago, todas aposentadas, que se dedicam ao auxílio pastoral na paróquia.

O centenário de atuação das Irmãs de São José em Pinto Bandeira foi comemorado no mês de agosto com uma missa de ação de graças no santuário, que reuniu diversas religiosas da congregação, autoridades, amigos e paroquianos. Em seguida, houve coquetel de confraternização no salão paroquial da comunidade.

 

Missões mobilizam Tavares e Mostardas

 

Até o dia 24 de setembro, a equipe dos missionários capuchinhos do Rio Grande do Sul estará pregando as missões populares na paróquia São Luiz Rei, que abrange os municípios de Mostardas e Tavares, situados entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. A paróquia pertence à diocese de Rio Grande. Padre Nilto Tenutti atende a paróquia, auxiliado pelas religiosas das congregações das Irmãs de São José e das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, que atuam diretamente no município de Tavares.

São 18 comunidades católicas que, durante 24 dias, estarão sendo motivadas para o fortalecimento da fé, a valorização da família, a preservação do meio ambiente e da vida, o despertar de novas lideranças. As missões encerram no dia 23 em Tavares e no dia 24 em Mostardas.

 

Bispo alemão visita a diocese de Santa Cruz

 

Dias 15 e 16 de setembro, o arcebispo de Trier, Alemanha, dom Reinhard Marx, visita a diocese de Santa Cruz do Sul (RS). No dia 15, preside missa em alemão na catedral São João Batista e no dia 16 visita a paróquia de Sinimbu. Trier é a terra de onde vieram os imigrantes que ajudaram a colonizar e construir a região central do Rio Grande do Sul.

 

Irmão Pedro Glaeser falece aos 100 anos

 

Com 74 anos de vida dedicada ao Instituto Marista, irmão Pedro Vendelino Glaeser (Paulo Luciano) morreu no dia 30 de agosto, na Residência Marista do Cerrito, em Santa Maria (RS). O irmão marista completou 100 anos de vida em 2006. Faleceu vítima de complicações cardíacas.

Filho de André Glaeser e Amália Ströher, irmão Paulo Luciano nasceu em Picada Cará, distrito de São Sebastião do Caí (RS). Em seus 74 anos de vida religiosa foi professor em diversas escolas maristas nas cidades de Porto Alegre, Antônio Prado, Veranópolis, Erechim, Jaraguá do Sul, São Gabriel, Uruguaiana e Passo Fundo. Além de docente, teve também destacada atuação durante 40 anos na prestação de serviços comunitários como ecônomo e provedor sempre disponível.

Os últimos anos de vida passou-os na Casa de Repouso (Comunidade Marista do Cerrito) para Tratamento de Saúde e Serviços Comunitários. Foi sepultado no cemitério dos Irmãos Maristas, em Santa Maria.

 

A montanha do demais

Wilson João

O corpo tem um limite. Ele necessita de descanso, de alimento e de um ritmo conforme suas leis

 

A montanha do "demais" vai crescendo de mansinho. Vai até tomando jeito de importância e de status social. Mais serviços, novos compromissos, reuniões, busca de qualidade de vida, tudo em nome do progresso. Necessidade de maior competência, ser o melhor, ter o nome em jornais e revistas ou nas bocas da comunidade. E a montanha do "demais" vai crescendo. E cresce a ganância, a fome de poder, a sede do ter mais, a eficiência. A montanha do "demais" vai sufocando. Alguém vai ser enterrado na mesma montanha que criou.

HÁ SINAIS DE ALERTA. Nossa sociedade revela muitos sinais de alerta que a montanha do "demais" vai criando: cansaço, preocupação, angústia, perda de alegria e da satisfação de viver, depressão, doenças, rosto voltado para o chão, agitação, insônia, e o sinal mais evidente é o crescimento das farmácias, especialmente no departamento das drogas psicotrópicas.

HÁ LIMITES A SEREM OBSERVADOS. O corpo tem um limite. Ele necessita de descanso, de alimento e de um ritmo conforme suas leis. Tudo o que passa disso cria tensões que vão se arrebentando com o passar do tempo, criando cansaço e doenças. Há limites mentais e emocionais a serem observados. Sabe-se que trocar o dia pela noite é um crime para as leis humanas. Há um ritmo biológico que comanda. O ritmo ensina que o dia é de movimento para fora e a noite é de movimento para dentro. Inverter é condenar-se. E para dar conta do trabalho e dos compromissos misturamos o dia com a noite, massacramos as leis humanas, e como conseqüência a montanha do "demais" vai crescendo e pesando.

É NECESSÁRIO PISAR NA GANÂNCIA. Pisar na ganância para que ela não nos pise. A ganância é feita de mãos que querem pegar tudo, de olhos que abraçam o mundo para si, de desejos que cegam as necessidades dos outros. Mas, como todo vício traz dentro de si o doce veneno da morte, a ganância faz com que a pessoa vá assumindo o ter sempre mais, o ocupar-se sempre mais, o não ter mais tempo para nada a não ser o trabalho. E o tempo que não muda vai sufocando a vida. A montanha do "demais", alimentada pelo combustível da ganância, vai tomando velocidade, e como a norma é "não se pode parar", o único poder fica nas mãos da morte que acaba com toda a ganância e orgulho.

O TERMÔMETRO É A VIDA. Estou bem. Estou satisfeito. Estou em paz. Estou de bem com a vida. Ando dentro dela e ela dentro de mim. Ela não me escapa. Ando no ritmo da vida. Ela me recompensa com um corpo sadio, com noites bem dormidas, com família que se encontra, com amigos que festejam, com tempo para passear, caminhar, visitar pessoas e realizar sonhos. Vivendo assim a montanha do "demais" vai sendo derrubada.

 

CORREIO SABE-TUDO

GIGANTE BRASILEIRO

Dinossauro de 13 metros e 9 toneladas foi encontrado em Minas Gerais

 

Um gigante acaba de ser adicionado à lista dos dinossauros brasileiros. O Maxakalisaurus topai, com 13 metros de comprimento e nove toneladas, é o maior dinossauro já descrito no país, afirmam os pesquisadores do Rio de Janeiro.

Os fósseis do M. topai foram encontrados nos arredores da cidade de Prata, no sul de Minas Gerais. Partes de seu esqueleto foram vistas pela primeira vez durante a construção de uma estrada na região. Os pesquisadores tiveram que trabalhar de 1998 a 2002 para extrair seis toneladas de fósseis do local. "Só as vértebras dorsais pesavam uma tonelada e meia", declarou Alexander Kellner, autor da pesquisa.

Mesmo incompleto, o fóssil traz muitas informações sobre a espécie. Sabe-se que o dino, com estimados 80 milhões de anos, era um comedor de plantas da mesma linhagem que gerou os titanossaurus, os maiores animais terrestres de todos os tempos. Os paleontólogos encontraram em Prata vértebras do pescoço até o rabo, um pedaço do maxilar com dentes, ossos das patas traseiras e dianteiras e do peito. Grandes osteodermas, que são calombos ósseos que recobriam o couro do animal, típicos dos titanossauros, também estavam junto aos fósseis.

Apesar do tamanho, o animal prova que sua sobrevivência no Cretáceo, a última fase da Era dos Dinossauros, não era nada fácil. Alguns de seus ossos têm marcas de dentadas, provavelmente deixadas por carnívoros que o atacaram ou comeram sua carcaça.

O nome científico do dinossauro, Maxakalisaurus topai, foi escolhido para homenagear os índios maxacalis, de Minas Gerais, e uma divindade desta etnia, chamada de Topa. A partir dos fósseis descobertos, os paleontólogos reconstruíram o esqueleto completo do grande réptil, reproduzido em resina e exposto no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (foto acima). Agora, os pesquisadores pensam em lançar um concurso para "batizar" o esqueleto.

 

Número de peixes venenosos é maior que o de serpentes

 

Quando se fala em animais venenosos, lembramos de cobras, escorpiões e aranhas. Poucos sabem, mas os peixes também estão nesta lista. Pesquisa de biólogos do Museu Americano de História Natural mostra que há mais peixes peçonhentos do que cobras. O estudo substitui a estimativa de que haveria 200 espécies de peixes venenosos por mais de 1.200, incluindo peixe-leão, bagre, peixe-escorpião, peixe-sapo (niquim) e peixe-pedra.

Segundo a pesquisa, a maioria dos peixes peçonhentos vem dos oceanos Índico e Pacífico, ao leste e sudeste da África, Austrália, Polinésia, Filipinas, Indonésia e sudeste do Japão. Cerca de 50 mil pessoas são feridas anualmente por esses animais. Os sintomas de um ataque variam entre dor intensa, bolhas na pele, desmaios, convulsões, febre e, em alguns casos, até morte.

Os peixes carregam o veneno em espinhos ou protuberâncias cutâneas ou ainda em dentes caninos. As espécies peçonhentas costumam ter aparência que chama a atenção, com cores intensas. Alguns são camuflados. O veneno serve para defesa, caça ou para eliminar bactérias que tentam invadir a pele dos peixes.

 

Mordida atômica

 

A mordida mais rápida do mundo pertence a uma minúscula formiga, com menos de um centímetro de comprimento. A espécie Odontomachus bauri, das Américas Central e do Sul, abre e fecha as mandíbulas a uma velocidade de 35 a 64 metros por segundo. Uma equipe de pesquisadores liderada por Sheila Patek, da Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA), gravou a mordida da formiga para determinar a velocidade. O tempo médio de um ataque é de 0,13 milésimo de segundo, ou 2.300 vezes mais depressa que um piscar de olhos.

O mecanismo ainda pode ser usado pelo inseto para fugas. Em um toque rápido das presas contra o solo, o impacto é tamanho que projeta a formiga a 8,13 centímetros para o alto e 15,6 centímetros para o lado. Isso equivale a um homem de 1,67 metro pular 13 metros para o alto e 40 metros para o lado. Melhor: elas não se machucam com a manobra; caem, rolam e saem andando.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

Os antepassados que vivem em mim

Claudio Rotta

Engenheiro químico, Porto Alegre-RS

 

Claudio Rotta, engenheiro químico formado pela UFRGS, com dois cursos de pós-graduação na Unisinos (Relações e Negócios Internacionais) e na PUC-RS (Política e Estratégia de Governo), e mestrado em Economia Aplicada na UFRGS.

 

Nascido em Curitiba-PR em 1959, é filho de Liane Müssnich Rotta, viúva de João Carlos Rotta, militar da arma de engenharia. Seus avós paternos são de descendência italiana e bugre. Por parte de mãe, a sua descendência é, em grande parte, italiana e alemã. Ele é gêmeo de André e irmão de Carlos, Denise e Simone. Ele sente muito orgulho de ter ascendentes vindos da Alemanha – os Müssnich, originários da região da Prússia – e da Itália. Atesta a forte influência dos antepassados italianos, os Rotta e os Livi, na sua formação. Do norte da Itália, no início do século XX, trouxeram imensa vontade de trabalhar e refazer a vida, com paixão e determinação. Diz ele a Rovílio Costa:

"Ao longo da adolescência e na vida adulta, meu pai orgulhosa e freqüentemente falava da importância que seus ascendentes, alguns nascidos em Bérgamo, tiveram na construção do seu caráter, e como seria importante eu refletir sobre isso. Imagino que ele tenha ouvido o mesmo do seu pai, Carlos Rotta, o Carlinhos, homem empreendedor e boníssimo, que foi presidente do Hospital de Passo Fundo por vários anos, e seu benfeitor até seu falecimento.

A minha avó materna, Maria, recordo-a tricotando sapatos e blusas para doar à Santa Casa de Misericórdia, que dependia desse tipo de trabalho voluntário. Ela fazia questão do anonimato. Mais do que palavras, os verdadeiros ensinamentos dos antepassados se deram mediante posturas de amor ao próximo e amparo aos necessitados".

É forte a influência dos antepassados no agir e pensar de Claudio. Pelo fato de terem tido longa vida, de extrema dedicação à família, ele pôde ouvir deles muitas histórias, carregadas de lições e de humor. Continua:

"Nas histórias, que escutei de meus pais, foi possível entender o traço peculiar que montou a personalidade dos meus antepassados e continua a ser significativa na minha geração. Homens e mulheres de boa índole, confiáveis e de posições fortes, que adoram um debate e fazem de tudo para defender as suas posições. Procurando confirmar tais histórias, eu me dirigia aos bisavós, Zeca e Lia, e aos avós Carlinhos, Otto, Joana e Maria. Eles, além de confirmar, enriqueciam os enredos, descreviam de forma singular a cidade, as ruas e as pessoas. Seguindo seu exemplo, quando conto uma história, faço-o com emoção e detalhes.

Outra influência forte dos meus antepassados está na minha formação católica, embora, quando criança, me incomodasse a obrigação de atender à missa dominical. Mas a perseverança dos avós venceu e foi fundamental, por exemplo, na minha devoção a Maria. Tampouco gostava quando a família se reunia, à noite, para rezar o terço. Hoje vejo a importância que tais eventos tiveram, seja na minha formação religiosa, seja na importância de reunir a família. Permanece na minha retina a imagem dos meus avós e bisavós puxando o terço, e dos demais familiares respondendo.

Chamava-me a atenção, também, o exemplo de tolerância dos não religiosos da família, que presenciavam nossos encontros em respeitoso silêncio. Muito da minha formação religiosa e devoção a Nossa Senhora deve-se ao que me foi ensinado quando criança. Todo o esforço dos meus avós em me incutir o valor da fé, é reconhecido por mim e procuro retribuir acompanhando, sempre que possível, a minha única avó viva às missas dominicais".

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (377)

Sul Monte Everest, el pi alto de tuto el mondo

Mário Gardelin

Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul-RS

 

Nanetto, dopo ver guasto medo chilo de sarvei, el ze rivà a na conclusion. Amico del Imperatore del Sacro Impero Romano Germànico, el gavea el òbligo de far na aventura, che lassasse el mondo de boca verta.

El ga pensà de ndar su par el Monte Everest, el pi alto del mondo. E lì, co le ale de un rioplano, come quei fati a Nova Petrópolis, el imagina de butarse zo e zolar par dequà e par delà, vegner de tuta carera su i fiumi, rivar al Giapon, a la Ìndia, al Iraco, che savì che ze na tera de tanti soldai... Nò! I podaria mandarghe un tiro de canon e frantumarlo.

E dopo el se ze nicorto che ze na tera de fredi da can. Se qualche cosa fusse mal, el podaria squasi morir. E chi sa quanto tempo passaria par ver bona salute. Nò! Ze meio pensar nantra roba. Ndar in Àfrica, ciapar un sinquanta leoni, portarli a Roma e farli sfilar par quei viali soperbi. El osaria a tuta voce:

– Romani! Son mi, el Nanetto Pipetta! Sti leoni li go ciapai mi, in Àfrica. Li go ligai, e desso i ze agnelini.

E el se vedea – corer dequà e delà, e i leoni atenti ai so órdini. Ma ghe vien na idea de colpo:

– E se sussede qualche roba, no i pol córerme drio sti romani, parché no go pagà le tasse, no ghe tendo ben a le bèstie e altri malani. I pol córerme drio e, se i me ciapa, i me mete in galera. E cosa fao mi coi leoni? Nò. Gnanca questa. Bisogna che cate na roba da far, che nissun possa disturbarme.E el ze rivà a la conclusion che ocorea un bel caval, veloce, de grande fama e così via. Lora el se ga ricordà del gran Maestro Merlin e el ga osà:

– Merlin! Merlin! Vien qua, ma fa le sguelte parché a go na pressa da can.

El ga spetà un poco, e suito el osa nantra volta.

– Merlin! Merlin! Son mi, Nanetto Pipetta. Vien qua a le svelte... Gnente. Saralo drio dormir? Merlin, fiol d’un chin! Desvéiete! go un gran problema.

Na gran vose se ga fato sentir.

– Chi elo el fiol de un can que me ciama?

– Son mi, Nanetto Pipetta.

– Sito diventà mato? Onde zelo el rispeto par un cavaliere dela Tàola Rotonda?

– No stè ligàrvela su un deo. Ze na maniera de dir.

– Va ben. Son qua. Parla.

– Vedi che go bisogno de un caval. Ma un caval che’l sia pi svelto che un fùlmine, de quei che i vien do dal sielo al medodì, quando el sol brusa.

Merlin el ga sgorlà la testa. Che caval saralo questo, el ga pensà!? Nanetto el ga capio e el ga continuà.

– Caro Merlin, al nostro Rio Grande, dale volte vien do un sgiantiso e suito un tron, sensa che ghe sia nùvole. La gente dise che’l ze un raio guacho. Vol dir, sensa pare e sensa mare.

– Porca pipa, ga risposto Merlin. Par i nostri pos-ti, mai sentio parlar de ste robe. E sti sgiantisi e toni zei potenti?

– Altro che stòrie. I pol ciapar un pin e storsegarlo. O darghe fogo e sto pin el arde come na candela. El me caval, lora, el ga da ver la velossità de un fùlmine e la vose del tron.

– Nanetto, te domandi massa. Un caval cussita, ghenè stà un sol. El se ciamava Pègaso. El zera tanto bravo, che ze stà tacà al sielo e tornà paron de stele.

– Maestro Merlin, i lo ga fato par mi. Lo vui. Vui ndar par el mondo.

Merlin el ga passà la man par la barba e, dopo un minuto de meditassion, el ga risposto:

– Te lo ràngio. Varda che’l ze bel come el sol. Potentìssimo. Giudìssio, caro. Sarvel a posto. E fàndoghe un segno:

– Ècolo.

Cari mei. El pi bel caval del mondo. No ghe ze parole par descrìverlo. Nanetto el se ga inchinà davanti al Gran Maestro del Re Arturo, e el ga dito:

– Gràssie, gràssie! E butando via la capa, el se ga fato veder con la pi bela falda, vestio da gaùsso.

El ze saltà in gropa al caval e el ga osà:

– A la Criúva!

El caval ga fato un salto, el ze corso par i quatro cantoni del orisonte, al sud, al nord, a leste e al ovest. No’l ga messo gnanca un secondo. E el se ga fermà a la Criúva, na bela sitadina, co na cesa dela Madona del Càrmine. El pàroco se ciama Padre Osmar Possamai, scritore, sapiente, omo in gamba. I dise che’l sia un cardinale in petore.

El Pègaso ga fato na fila de salti, in tute le diression e el se ga fermà davanti la cesa. E lora, par spavento de tuti, el caval el se ga messo a vardar, come se el sercasse na persona. Dopo, el parea che’l parlasse:

– Mónaco Gioani Maria...

I criuvensi, cari, i ga piantà là laori, ciàcole e dugo de carte. Tuti i ze vegnesti a veder sto caval zolador.

Nanetto el zera tuto contento. Questo ze un caval pròpio de ndar in cao al mondo. E lora un fazendeiro, de quei graudi, el ga urlà a Nanetto:

– Te dou cem contos de réis, para que esse animal cubra minha égua de estimação. E suito nantro:

– Duzentos contos. E un terso:

– Quatrocentos contos.

Nanetto el ga tolto el capel. Li ga saludai e el ga osà in brasilian:

– Obrigado, João Maria! Gràssie, Giovanni Maria. Questo ze el meio caval del mondo. Se i criuvensi i lo ga dito, no ghè altro da dir.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La dressa de paia de formento

Geraldo Sostizzo 

Cascavel-PR

 

La dressa, antigamente, par le done, gera come el croxé e el tricó par i gióvini de incoi. Le fémene no le gera mai con le man ferme. Ndesse dove le ndesse, bisognea portar drio la dressa. Ma cosa gera sta dressa?

Quando se taiea el formento, quei sbari pi grandi i gera metesti de na banda. Parché el giorno che vegnea la màchina par bater el formento, quel meio se lo passea mia tela màchina, ghe taieimo le spiche dove gera i grani e queste le bateimo tea màchina par cavarghe i grani, e la paia la meteimo via par le done far dressa.

Scoiesta la paia e belche sensa la spica de grani, se fea un polimento e restea sol le paie sensa le foiete o i gropi, par far la dressa, che va vanti sempre con sinque paie bele bianche, fin far vinti brassade, che fa un paco. Dopo fati raquanti pachi, ghe gera sempre gente che passea tele case par comprarla. Tante fameie que laorea con la dressa, impienia fin un pìcolo camignon e le guadagnava anca schei con questo laoro.

Dele volte la mama fea un capel che gavea darente a 32 righe e dele volte 10, fea anca un capel grando con le ale ben verte par no brusarse tel sol. Ogni ano o due, bisognea rinovar la colession de capei, parché se li doperea tel sol, piova, seren, brina. Se lo doperea anca par catar su uvi, pig-noi, patate, sassi, naranse e anca aqua del rio par sfredarse na s-cianta la testa e po feimo de tuto. Me fradel pi vècio, Clemente, anca lu gera meso dispetoso e el fea i pìcoli pissar rento tel capel, sol par veder le mame cative.

Nantra cosa che se fea con la dressa gera sporte, ma queste se doperea pi dressa e anca tuti le doperea e le gera fate de tuti i tipi e grandesse. Dele volte la mama me invitea par ndar insieme con ela a visitar qualche dona malada o che gavea gadagnà el bambin e mi savea che gera sol par portar la sporta con na galina rento. Parché nessuni me vedesse con sta galina, mi ghe piantea la testa infondo e ogni tocheto de strada la mama me disea: – tireghe fora el col dela galina parché no la se stofeghe.

Mi me ricordo che quando ndeimo far filò, le done caminando par la strada, medèsimo che fusse de note, tute le fea dressa. Le gavea na pràtica che le fea coi oci sarai. Ma, tela colònia, fin ncoi le done fa dressa e ancora par far capei, sporte e desso par far adressi e artegianato. Ghe gera tanti òmini anca che savea far dressa, ma i fea sol rento tea casa mesi sconti, par no passar vergogna...

Go idea che, fin ghe ghe sarà formento e na taliana dele nostre in colònia, gavaremo capei e sporte de dressa.

 

GERAL

Brasil adia para 2010 meta de erradicar analfabetismo

Plano de educação exige mais R$ 24 bi por ano

 

O governo federal reviu a meta de erradicar o analfabetismo do país em 2007. A meta de ensinar todos os brasileiros acima dos 15 anos de idade a ler e a escrever ficou apenas para 2010, como determina o Plano Nacional de Educação.

No período de 2003 a 2005, o MEC alfabetizou, através do Programa Brasil Alfabetizado, 5,3 milhões de jovens e adultos. Em 2006, a meta é alfabetizar mais dois milhões. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004 existiam no Brasil 15,1 milhões de analfabetos acima dos 15 anos. Há especialistas que duvidam até do cumprimento da meta em 2010, outros que só consideram viável essa pretensão se houver o envolvimento da comunidade e garantia de recursos orçamentários.

Plano – Para atingir as metas estabelecidas originalmente no Plano Nacional de Educação, o próximo presidente precisaria investir R$ 24 bilhões a mais todos os anos no setor. Os cálculos são da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que reivindica o investimento.

O plano – aprovado pelo Congresso Nacional em janeiro de 2001 – previa um valor mínimo investido na área para ampliar a educação. Seria necessário aplicar em educação 7% de todas as riquezas produzidas pelo país – o Produto Interno Bruto (PIB).

"É uma pena que aquilo que estava indicado na educação, os 7% do PIB, não tenha sido cumprido nem pelo governo passado nem por este. O veto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continua de fato e, apesar das pressões, ele ainda não foi revisto", critica Sérgio Haddad, coordenador-geral da Ação Educativa, uma das organizações que dirigem a Campanha pelo Direito à Educação.

O Brasil investe hoje cerca de 4,6% do PIB em educação, segundo cálculos da campanha. O aumento progressivo para 7% significaria incremento de R$ 24 bilhões. O Plano Nacional de Educação define os parâmetros para o financiamento da educação, as metas para cada nível de ensino e as diretrizes para valorização do magistério e dos demais profissionais da área. As metas definidas no documento têm duração de dez anos contados a partir da aprovação do plano.

 

Cavalgada reúne prendas do Estado

Eventos ocorrem em Cambará do Sul e São José dos Ausentes

 

Com a intenção de preservar a cultura gaúcha, cerca de 400 mulheres de cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina irão participar, no dia 16, da Cavalgada de Prendas, em Cambará do Sul, nos Campos de Cima da Serra. O evento integra a programação da Semana Farroupilha. É promovido pela Comissão de Mulheres, com apoio da Emater e Prefeitura.

A cavalgada inicia após a bênção das prendas, às 8h, com saída em frente ao CTG 29 de Setembro. "Vai percorrer um trajeto de cerca de 20 km, entre ida e volta, com chegada prevista para as 17 horas", diz ao CR Beatriz Isoppo, da Comissão de Mulheres. Conforme ela, a intenção é preservar a cultura, divulgar o turismo e promover a valorização e a integração das mulheres. Ao meio-dia, as prendas param para almoçar e confraternizar na propriedade da pecuarista familiar Sirlei Luz Lemos.

As belas paisagens de campos e mata nativa farão parte de todo o trajeto. Uma equipe de apoio, composta por cerca de 100 pessoas, incluindo homens, também irá acompanhar a cavalgada. As interessadas em participar podem obter mais informações pelos telefones (54) 3251-1123, 3251-1176 ou 3251-1343.

Já no próximo dia 21 de outubro realiza-se a II Cavalgada de Prendas Ausentinas, em São José dos Ausentes, também nos Campos de Cima da Serra. Estão sendo aguardadas 150 prendas de toda a região", informa Ana Maria Abraão, da Secretaria Municipal de Turismo.

A primeira Cavalgada de Prendas Ausentinas ocorreu no ano passado com 74 mulheres. Para informações e inscrições ligar para (54) 3234-1006.