LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.006 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 20 de setembro de 2006.

EDITORIAL

Crescimento sem igualdade amplia as injustiças sociais

Avanços não reduziram o problema que está na origem de tantos outros: a desigualdade

 

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na semana passada pelo IBGE, mostra avanços importantes no Brasil no período de 1995 a 2005. A renda média do trabalhador subiu, o percentual de ocupação seguiu o mesmo caminho, os índices de educação igualmente prosperaram, o que culminou com a redução do analfabetismo, com maior freqüência às salas de aula e de escolarização.

A primeira vista, portanto, os dados são positivos. Aprofundando um pouco a análise, porém, observa–se que eles não são tão expressivos assim. No caso da renda média, embora a elevação real de 4,6%, ela está 15,1% abaixo da renda média de 1996. Na verdade, reduziu um pouco o volume de perdas. No caso do analfabetismo, uma das grandes vergonhas nacionais, o índice caiu, mas 10,2% dos brasileiros acima de dez anos de idade ainda não sabem ler e escrever.

É preciso reconhecer a evolução em determinadas áreas, como destaca reportagem da página 4 desta edição. Mas é necessário também ressaltar a continuidade de indicadores negativos. Mais grave do que isso é constatar que os avanços registrados não conseguiram afetar de maneira contundente o problema que está na origem de tantos outros: as desigualdades.

As diferenças econômicas e sociais estão realçadas nas comparações regionais. Norte e Nordeste ficam muito abaixo do Sudeste e Sul em vários itens – do rendimento mensal ao acesso à Internet; do número de eletrodomésticos em casa à oferta de serviços.

A extensão territorial contribui para fazer do Brasil um país de contradições por excelência. No mapa econômico as disparidades se destacam quando são cotejados indicadores paulistas e, por exemplo, piauienses. Ricos e miseráveis vivem sob os mesmos limites territoriais.

Essas distorções ocorrem também em outros países. Mas a intensidade com que prevalecem no Brasil se salienta, principalmente porque estamos entre os líderes do ranking mundial de concentração de renda.

Mais do que importante, é fundamental que o Brasil continue crescendo – e em índices muito acima dos verificados nos últimos dez anos. Mas por maior que seja o avanço econômico, só haverá justiça social quando os resultados beneficiarem a todos.

 

CAXIAS DO SUL

Turismo envolve 20 mil caxienses

Existem quase 300 empreendimentos com atuação direta no setor

 

Levantamento da Secretaria Municipal de Turismo revela que Caxias do Sul possui 293 empreendimentos que atuam diretamente na atividade turística – são hotéis, restaurantes, cantinas, agências de viagens, transportadores, equipamentos de diversão, de compras e artesanato etc. Esses empreendimentos envolvem cerca de 4.500 pessoas. Ao divulgar esses dados ao CR, o titular da pasta, Daniel Guerra, acrescenta: "Se avaliarmos que o turismo abrange até 52 setores da economia, o número de pessoas envolvidas deve aumentar para mais de 20.000".Essa quantidade equivaleria a quase 5% da população total do município (412 mil habitantes, segundo a mais recente estimativa do IBGE).

Esses números tendem a crescer, pela projeção de Guerra. "O turismo em nosso município apresenta grande potencial de expansão", afirma. Atualmente, Caxias recebe em média mais de 200 mil visitantes por ano. Esse número tem como fonte a Secretaria, que se baseia em dados dos seis postos de informações instalados: Igreja São Pelegrino, Centro de Pronta Entrega, Estação Rodoviária, Aeroporto Regional, Praça Dante e Shopping Iguatemi.Os registros mostram um fluxo de 201.304 turistas em 2004 e de 248.868 em 2005.Rede hoteleira, variedades de opções gastronômicas, seis roteiros turísticos com diferenciadas propostas de atividades, além de agências e operadoras, fazem parte da estrutura turística do município relacionada pelo secretário.

Fórum – Guerra salienta ainda o estímulo que vem sendo dado através de programas e ações, frutos de um relacionamento entre poder público, setor privado e sociedade civil organizada. O 1º Fórum Municipal de Turismo, que ocorre dias 26 e 27 de setembro, no bloco 46 da UCS, é mais uma iniciativa voltada para o setor. O evento busca sensibilizar e orientar a comunidade local da importância da atividade, incentivar a discussão sobre o desenvolvimento integrado, tendo como foco Caxias do Sul e região.Mais informações pelo fone (54) 3222 1875.

 

Cavalgada inaugura cruz missioneira

 

Para homenagear os índios, os 250 anos de morte do guerreiro Sepé Tiaraju e o povo pobre da América Latina, Caxias do Sul realiza no próximo dia 23 de setembro a I Cavalgada Cruz Missioneira da Serra. Os cavalarianos sairão da sede da Universidade de Caxias do Sul, às 8h30, e seguirão até o sítio Santa Tereza, na Estrada do Imigrante (um dos seis roteiros turísticos caxienses), em direção à localidade de 3ª Légua, interior do município.

Na chegada, haverá a solenidade de inauguração da réplica da cruz missioneira, que simboliza a integração de culturas. "Está confirmada a presença do cantor gaúcho e defensor da cultura indígena Pedro Ortaça, que será o padrinho da réplica", informa o organizador da cavalgada, Sebastião Teixeira Corrêa.

Também está prevista a participação de cerca de 30 índios da tribo caingangue e de Moacir Ferreira Doble, sobrinho do cacique indígena Faustino Ferreira Doble. Mais conhecido como Cacique Doble, Faustino era guerreiro e prestou grandes serviços à colonização. "A presença de índios do município de Cacique Doble representa um resgate da história dos caingangues", declara Moacir Doble ao CR.

 

UCS oferece curso de especialização em vitivinicultura

 

Capacitar profissionais para atuar em todos os segmentos do setor vitivinícola, como a tecnologia enológica, gestão e marketing, para melhorar a qualidade e a competitividade dos vinhos e derivados da uva e do vinho. Esta é a finalidade do Curso de Especialização em Vitivinicultura que a Universidade de Caxias do Sul está oferecendo.

Dirigido a agrônomos, tecnólogos em enologia, biologia, engenheiros de alimentos e áreas afins, o curso inicia dia 28 de setembro e se prolongará até julho de 2008. As aulas serão nas quartas e quintas–feiras, das 19h30 às 22h30, na Cidade Universitária de Caxias.

A coordenação do curso é da professora doutora Regina Vanderlinde. Entre os professores que ministrarão o curso estão Adriano Miolo (mestre), Kelly Bruch (mestre), Luiz Antenor Rizzon (doutor) e Luis Fernando Revers (doutor).As inscrições podem ser feitas até o dia 26 de setembro.Informações pelo fone (54) 3218–2152, na secretaria de Pós–Graduação ou pelo site www.ucs.br.

 

REPORTAGEM

Pesquisa do IBGE expõe um novo retrato brasileiro

Reduz o analfabetismo, crescem renda e trabalho infantil e permanecem as desigualdades

 

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada anualmente pelo IBGE, revelou que o Brasil mudou bastante de 2004 para 2005 – e mais ainda na comparação com uma década. Divulgados na sexta 15, os dados expõem um país com avanços importantes em algumas áreas, como nível de ocupação e renda, mas com retrocessos igualmente significativos em outros, como o trabalho infantil.

Depois de entrevistar 408.148 mil pessoas em 142.471 domicílios, em todos os Estados, o IBGE concluiu que o brasileiro está sendo melhor atendido em serviços como água, esgoto e energia elétrica.Ao mesmo tempo, também ampliou o conforto em suas residências, com a presença de mais aparelhos eletroeletrônicos e eletrodomésticos (observe tabela).

Mais brasileiros possuem microcomputadores em casa, mas é o avanço do uso do celular que mais chama a atenção. Esses aparelhos já superam os telefones fixos. Pela pesquisa, 37% da população com mais de 10 anos de idade tinham celular em 2005.

A população continua tendo maioria branca (49,9%) e as mulheres, que sempre foram maioria, agora superam o número de homens em todas as regiões.

Desigualdade – O Pnad/ 2005 mostra que a desigualdade regional permanece muito forte. Em 2005, 21% da população de 10 anos ou mais de idade acessaram à Internet. No Norte, o percentual foi de 12%, no Nordeste, de 11,9% – bem inferiores aos 26,3% do Sudeste, 25,6% do Sul e 23,4% do Centro–Oeste.

Outro indicador da continuidade das diferenças: o rendimento mensal aumentou em todas as regiões, mas no Norte foi inexpressivo 1,7% contra 5,2% do Sudeste. O rendimento médio no Nordeste equivale a 52,4% do da região Sudeste; o do Norte, a 68,6%.Em 2005, 30,5% das pessoas ocupadas ganhavam até 1 salário mínimo. No Nordeste, esse índice era de 48,5% – contra 23,2% no Sudeste e 19,7% no Sul. As pessoas que recebiam mais de 20 salários mínimos abrangiam 0,8% da população ocupada no país. Esse indicador variou de 0,3%, no Nordeste, a 1,3% no Centro–Oeste.

 

Nível de ocupação e rendimento crescem

 

O rendimento do trabalhador brasileiro teve no ano passado o primeiro aumento real desde 1996, enquanto o nível de ocupação cresceu, indicou o IBGE. Como o ganho foi maior entre os mais pobres, houve uma "pequena queda na concentração das remunerações".

A remuneração média mensal dos trabalhadores a partir de 10 anos de idade alcançou R$ 805 no ano passado, alta de 4,6% sobre os R$ 770 de 2004. Ainda assim, a renda está 15,1% abaixo da registrada em 1996, "ano em que alcançou seu ponto máximo desde o início da década de 1990". Segundo os dados do Pnad, a melhora deveu–se à desaceleração da inflação e ao aumento do salário mínimo. A melhora não corrigiu a histórica distorção de gênero: o rendimento das mulheres representava 71,2% do dos homens

Nos domicílios com rendimento, a média mensal foi de R$ 1.524,00 em 2005. O maior valor foi o do Sudeste (R$ 1.808,00) e os menores, do Nordeste e Norte, que representavam, respectivamente, 52,9% e 64,2% do referente ao Sudeste.

O nível de ocupação (percentual de ocupados na população em idade ativa) foi de 57,0% em 2005. Esse foi o nível de ocupação mais alto desde 1996.

 

Índice de trabalho infantil sobe 10,3%

 

O número de crianças de 5 a 14 anos que trabalhavam no país cresceu 10,3% de 2004 a 2005, depois de registrar queda nos últimos anos. O avanço da ocupação infantil, segundo o IBGE, foi influenciado pelo aumento do trabalho para consumo próprio, típico da atividade agrícola, e pelo trabalho não-remunerado.

"Uma das possíveis causas para esse aumento é a crise da agricultura, sobretudo no Sul, sendo que 77% dos ocupados de 5 a 9 anos (no país) estão em atividades agrícolas", concluiu o Ibge. O crescimento foi maior no Sul (14% das crianças de 5 a 9 anos têm ocupação) e Nordeste (15,9%). O Sudeste registrou o menor nível: 8,6%.

A pesquisa mostrou ainda que entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, o contingente dos que trabalhavam passou de 11,8% para 12,2% de 2004 a 2005. Mas, segundo o IBGE, esses dados não alteram a tendência de declínio registrada desde 1995. Comparando os números de 2001 para 2005, verifica–se que a participação da parcela que trabalha no grupo de 5 a 9 anos passou de 1,8% para 1,6%; na faixa etária de 10 a 14 anos, de 11,6% a 10,3%; e na de 15 a 17 anos, de 31,5% para 30,3%.Em 1995, esses índices eram 3,2%, 18,7% e 44%, respectivamente.

 

CARTEIRA ASSINADA

 

De 2004 para 2005, o número de empregados com carteira assinada cresceu 5,3%, e o dos militares e funcionários públicos teve ligeira queda (1,4%), enquanto o dos empregados sem registro teve alta inexpressiva (0,1%). Entre os trabalhadores domésticos, cresceram os com carteira assinada (4,5%) e os sem–registro (2,3%).

 

ATIVIDADE AGRÍCOLA

 

Em 2005, 20,5% da população ocupada trabalhava em atividade agrícola (eram 21% em 2004).Em relação a 2004, o número de trabalhadores na produção para o próprio consumo cresceu 15,0%, e sua participação na população ocupada agrícola subiu de 19,1% para 21,9%.Já a participação dos trabalhadores não-remunerados em atividade agrícola caiu de 24,0% para 22,5% e a dos trabalhadores por conta própria, de 26,2% para 25,0%.A proporção de empregados na agricultura com carteira passou de 31,7% para 32,1%.

 

MAIORIA BRANCA

 

As pessoas brancas representavam 49,9% da população do país em 2005 e as pardas, 43,2,%.Em termos regionais, a composição por cor ou raça é bastante diferenciada.As pessoas brancas constituíam 58,5% da população do Sudeste e 80,8% do Sul.As pessoas de cor parda predominavam no Norte (71,5%), Nordeste (63,1%) e Centro-Oeste (49,9%).

 

ESCOLARIDADE

 

A média de anos de estudo também cresceu. No contingente com 25 anos ou mais de idade, estava em 5,3 anos em 1995 e passou de 6,0 anos para 6,6 anos de 2001 para 2005. Na população ocupada, esse indicador subiu de 5,8 anos para 6,6 anos de 1995 para 2001 e atingiu 7,3 anos em 2005.

 

ANALFABETISMO

 

A taxa de analfabetismo das pessoas de 10 anos ou mais de idade caiu de 14,7% para 11,4%, de 1995 para 2001, e situou-se em 10,2% em 2005. De uma maneira geral, em dez anos houve melhorias em todos os indicadores educacionais.

 

CONTRIBUINTES

 

O número de contribuintes de instituto de previdência no trabalho cresceu 4,9% de 2004 para 2005. O incremento no emprego com carteira de trabalho assinada contribuiu efetivamente para essa elevação. A proporção de contribuintes no trabalho principal no total da população ocupada passou de 46,3% para 47,2% e aumentou tanto na população masculina (4,5%) como na feminina (5,4%).

 

AGRONEGÓCIO

UE questiona uso da cama de aviário

Motivos ambientais e econômicos motivam a sua reutilização

 

O Brasil precisa provar à Comunidade Européia (UE) que não existe risco sanitário na forma como as agroindústrias do país reutilizam a cama de aviário para a produção de vários lotes de frangos. Os questionamentos partiram de importadores europeus, que fazem exigências quanto à redução de riscos, tentando evitar a presença de microorganismos na carne das aves.

Em média, por motivos econômicos e ambientais, os criadores brasileiros utilizam a mesma cama para criar cinco lotes. O objetivo do uso da cama aviária é evitar o contato direto da ave com o piso, servir de substrato para a absorção da água, incorporação de fezes, urina e penas e contribuir para a redução das oscilações de temperatura no aviário.

De acordo com a Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), o material normalmente utilizado pelos produtores é a maravalha, um resíduo da industrialização da madeira. Em menor escala são usadas ainda casca de arroz, casca de café e outros materiais alternativos, dependendo da região do país.

Por isso, a Embrapa está testando três diferentes tipos de tratamento da cama do aviário para a redução de riscos microbiológicos. Um deles é o de empilhamento e fermentação após a retirada do lote de frangos. Outro é a fermentação da cama sem o empilhamento. O terceiro tipo é a secagem, com queima das penas por vassoura de fogo, e aplicação posterior de cal hidratado sobre a cama. "Estamos analisando se estão de acordo com os padrões de exigência dos europeus", disse o pesquisador da Embrapa Cláudio Bellaver.

 

Subproduto é opção de renda para criador

 

A cama aviária é um subproduto da avicultura muito empregado como adubo nas lavouras. "É um excelente adubo orgânico", diz o gerente regional da Emater/RS, o veterinário Elói Paulo Portolan.

O criador Celso Luiz Tonella, da comunidade de São Gotardo, interior de Caxias do Sul, vende a cama aviária com rendimentos que variam de R$ 17,00 a R$ 20,00 o metro cúbico.Para ele, é um bom negócio, pois além de evitar problemas ambientais, ainda ajuda a subsidiar a criação de aves. Tonella compra a maravalha (cavacos de madeira) incluído o frete, por valores que vão de R$ 26 a R$ 30 ao m3.

Com a criação de perus, atividade recente na região, os produtores também estão vendendo a cama aviária dessas aves. "Esse subproduto é comercializado com valor um pouco superior, R$ 22 o metro cúbico", revela o produtor Marcos Agostinho Camassola. Portolan garante que a cama aviária é boa opção para os pequenos criadores "e ainda ajuda a custear despesas da granja."

A cama de aviário pode ser feita ainda de serragem, casca de arroz etc. Levando em consideração o impacto ao meio ambiente, o custo de produção e a escassez de maravalha, os criadores de frangos usam a mesma cama em vários lotes.

 

Avicultor espera reabertura do mercado

Livres da newcastle, os avicultores gaúchos renovam seu ânimo

 

O Rio Grande do Sul está finalmente livre da doença de newcastle. O Ministério da Agricultura encerrou o caso no município de Vale Real, anunciado em 6 de julho, e suspendeu as restrições internas ao trânsito de aves gaúchas. A Secretaria da Agricultura do Estado deu início ao processo de liberação da propriedade atingida e das 31 granjas comerciais, fora as de subsistência, existentes em um raio de 10 quilômetros.

Ao todo, esses estabelecimentos, que serão reabertos, têm capacidade de alojar 787,9 mil aves. Mas as indústrias ainda terão de esperar alguns dias para garantir o fim das sanções internacionais ao produto gaúcho. "Segundo critérios da Organização Internacional de Saúde Animal, a região tem prazo de até 20 dias para o foco ser encerrado internacionalmente", explica a responsável pelo programa de sanidade avícola do Estado, Adriana Reckziegel.

A partir de então, países que impuseram embargos à carne de frango gaúcha ou apenas da região do foco poderão voltar a comprar de todo o Estado. A indústria tem esperança de que a Rússia possa abrandar a suspensão de seis meses nos negócios, iniciada em julho – os russos compravam 8% de toda a carne de frango exportada. "A indústria já pode rever o prazo", adianta o diretor–técnico da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Eder Barbon.

Santa Catarina – Nacionalmente, as barreiras começaram a ser levantadas. Santa Catarina revogou a Instrução Normativa 006/2006, na segunda 18, liberando o trânsito e o ingresso de aves de recria do RS. Segundo o veterinário Jarbas Oliveira, responsável pelo controle sanitário do Estado vizinho, as cerca de 250 mil aves poedeiras (avaliadas em R$ 2 milhões) de estabelecimentos certificados que estavam represadas no RS poderão ser enviadas a SC, como ocorria antes do foco. A expectativa da Asgav é que a liberação no Paraná ocorra esta semana.

O anúncio da conclusão da investigação epidemiológica no local e a ausência do vírus nas amostras coletadas de sentinelas trouxe alívio ao município de Vale Real. "Nossa vida voltou ao normal. Esse fato foi superdimensionado, prejudicando o setor avícola do Estado e do país", queixou-se ao CR o prefeito Silvério Sthoher.

 

Avisul debate o futuro da carne de aves, ovos e ração

 

Durante dois dias, os principais temas relativos à cadeia da avicultura estarão em debate no I Fórum Gaúcho de Avicultura, Mostra de Equipamentos, Serviços e Tecnologias para Avicultura (Avisul). Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) nos dias 23 e 24 de novembro, em Bento Gonçalves, o evento vai traçar o panorama do mercado avícola nacional e internacional e seus principais desafios.

O fórum vai ter painéis sobre a situação do mercado de carnes e de milho com a participação de analistas, representantes do setor e também do governo federal que vão debater a questão do abastecimento. Na parte de grãos haverá também palestras sobre os transgênicos, relatando a situação atual, as restrições internacionais bem como a legislação brasileira para produtos geneticamente modificados.

Uma das principais preocupações do setor, a questão dos resíduos será abordada durante o Avisul. A biossegurança na avicultura de corte e postura também vai estar em debate mostrando as medidas adotadas. "Na parte de produção, serão apresentadas as novas perspectivas na produção integrada de frangos de corte e na produção de ovos", diz o coordenador do fórum Eduardo Santos.

Uma programação paralela vai discutir temas relativos ao trabalho no setor avícola, depois do Estado estar livre da newcastle. Haverá um seminário sobre saúde, medicina e segurança do trabalho na avicultura e palestras sobre a ergonomia nas indústrias e medidas de controle na manipulação de amônia, entre outros assuntos.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº.Agrº.José Zugno

Consumo de vinho acidificado

Gosto muito do Correio Riograndense porque, em suas páginas, encontro muito material interessante para minha cultura geral e, Vida Agrícola em particular, porque tenho minhas raízes na colônia. Assim, gostaria que o engº agrº Zugno abordasse a qualidade do vinho. Mais especificamente se o vinho caseiro, sem aditivos químicos, quando fica ácido pode ainda ser consumido ou apresenta riscos para a saúde. Desde já agradeço pela acolhida.

Luiz Antônio L. Baggiotto

Montenegro-RS

 

Quase todos os agricultores desta região de colonização italiana aprenderam a fazer vinho caseiro. As uvas empregadas eram da espécie americana: isabel, francesa, bordô etc.Com respeito às uvas viníferas (vitis vinífera) ou européias, tipo cabernet, merlot etc, a fabricação de vinho caseiro é prejudicada, pois estas uvas exigem detalhes enológicos que os agricultores em geral desconhecem.

A partir das uvas americanas, os agricultores que capricham no processo de fabricação, como a escolha de uvas perfeitas, a correção do mosto com açúcar, se necessário; utilização de equipamentos adequados, obedecendo os preceitos de higiene, e atenção ao andamento da fermentação etc, conseguem obter um vinho caseiro de boa qualidade.

Conheci muitos viticultores na região que conseguiram obter vinho de boa qualidade com as uvas comuns. O meu pai, que não era agricultor, apenas filho de imigrantes, aprendeu a fazer vinho caseiro com uvas isabel e francesa de boa qualidade, apreciado por todos que o provaram.

Sabe-se que a vinificação é um processo que transforma, principalmente, o açúcar do mosto em álcool através da fermentação provocada por microorganismos especializados. O vinho que resulta após as fermentações contém cerca de 10% a 11% de álcool e demais substâncias características da uva. O vinho novo deve ser conservado em barril completamente fechado e, posteriormente, engarrafado e arrolhado. Se o vinho por qualquer motivo for colocado em contato com o ar atmosférico, fica sujeito à contaminação de certas bactérias aeróbicas que principiam o processo de acidificação, isto é, a transformação do álcool do vinho em ácido acético. Da fermentação acética resulta o vinagre, que não é tóxico. É até mesmo consumido em pequenas doses como tempero das saladas. No início da fermentação acética, ainda com baixo teor de ácido, o vinho pode ser consumido. Porém, vai se tornando indesejado e desagradável à medida que aumenta a acidez. O vinho sujeito à acidez acética deve ser aproveitado para obtenção de vinagre, próprio para o consumo humano. O vinho acidificado vai para a vinagreira que pode ser um barril deitado ou um garrafão grande, aberto, mas protegido por uma tela ou pano para impedir a entrada de insetos e sujeiras. Convém ajuntar certa quantidade de vinagre pronto ou o processo antigo de introduzir no vinho sabugos de milho que passaram anteriormente por uma vinagreira, para favorecer o processo de acidificação.

A fermentação acética vai ocorrer normalmente, e dentro de 45 a 60 dias o vinagre estará pronto para o uso. Retirar o líquido da vinagreira através de uma torneira ou de um sifão.

Engarrafar e pasteurizar o vinagre em banho-maria, onde as garrafas ficam mergulhadas até o gargalo, elevando-se a temperatura gradualmente até 70°C e, após, esfriadas em água à temperatura natural.

 

SAÚDE

Males cardíacos são responsáveis por um terço das mortes anuais no mundo

Mudanças simples no estilo de vida podem evitar problemas

 

A Organização Mundial da Saúde instituiu 25 de setembro como Dia Mundial do Coração. O objetivo é conscientizar sobre as doenças que atingem o sistema cardiovascular e são responsáveis por quase um terço das mortes anuais em todo mundo.

A Sociedade Européia de Cardiologia definiu como epidemia global e crescente a mortalidade por doenças cardiovasculares em geral e pelo infarto agudo do miocárdio, em especial. De acordo com as estimativas da entidade, nas próximas três décadas, a incidência da doença irá quase dobrar no mundo, passando de 85 milhões de incapacitações anuais, registradas em 1990, para 160 milhões em 2020. "O mais alarmante é que 80% dessas ocorrências recairão sobre países em desenvolvimento, como o Brasil", afirma a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva, do Centro de Terapia Nutricional, de São Paulo.

Segundo a especialista, o aumento das doenças cardiovasculares em países em desenvolvimento é conseqüência de três fatores principais: queda da mortalidade por doenças infecciosas, que aumenta a expectativa de vida; mudanças no estilo de vida associadas à urbanização e susceptibilidade genética. "Estamos vivendo mais, adoecendo menos por causas infecciosas e nos expondo ingenuamente a dietas hipercalóricas e pouco nutritivas, associadas à inatividade física, ao tabagismo e ao estresse da vida moderna", diz a nutróloga.

Na opinião de Ellen, nas últimas décadas, a globalização da produção e a indústria alimentícia têm disponibilizado uma grande quantidade de alimentos baratos e saborosos, mas ricos em gordura e de péssima qualidade nutricional. "Além de não atender às necessidades nutricionais dos indivíduos, esses alimentos são, em sua grande maioria, pobres em fibras e micronutrientes, altamente calóricos e ricos em gordura saturada e hidrogenada", afirma. Ellen alerta que controle do peso, exercícios regulares, nutrição saudável e distância do cigarro desempenham um importante papel na saúde cardiovascular do homem.

 

Brasileiro acumula fatores de risco

 

Em 2005, a Sociedade Brasileira de Cardiologia apresentou, durante o seu Congresso anual, os resultados da pesquisa "Projeto Corações do Brasil". O estudo foi centrado no levantamento dos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Segundo a pesquisa, os principais fatores de risco modificáveis para a saúde do coração do brasileiro são:

– Hipertensão: 28,5% dos brasileiros são hipertensos.

– Glicose: 9% dos brasileiros têm glicemia, com índice acima de 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dL).

– Obesidade: 34,5% têm sobrepeso e 22,5% são obesos.

– Tabagismo: 24,2% fumam.

– Sedentarismo: 83,5% não fazem exercício físico.

– Gorduras: 14% têm triglicérides acima de 200mg/dL e 21% têm colesterol acima de 200mg/dL.

– Bebidas alcoólicas: 13% fazem uso diário do álcool e 77% consomem de uma a três vezes por semana.

 

Muda o diagnóstico da hipertensão

 

Se a pressão arterial for 12 por 8, não há motivo para preocupação. Mesmo quando o aparelho registra 13 por 9, não costuma assustar muito. Porém, quando ultrapassa esses números, há necessidade de tratamento. Os índices são médicos, mas boa parte das pessoas leigas já se familiarizou com eles. Porém, os números não são mais absolutos na hora de definir quem deve receber tratamento para hipertensão.

Cada vez mais, a tendência é considerar diversos fatores de risco, e não só a pressão arterial, na hora de definir o diagnóstico de hipertensão, a meta a ser atingida e o tipo de tratamento. Essa abordagem foi um dos destaques da 5ª Diretriz Brasileira de Hipertensão, apresentada recentemente.

Isso significa que, se uma pessoa tiver pressão de 12 por 8, mas for diabética, já deve ficar atenta. Por outro lado, quem tem a pressão um pouco elevada, 14 por 9 por exemplo, mas não tem outros fatores de risco, nem sempre precisa tomar remédios ou diminuir drasticamente as taxas; mudar o estilo de vida pode ser suficiente. Pela nova abordagem, deve-se levar em conta o risco cardiovascular do paciente. Para isso, são considerados o histórico familiar, lesões em órgãos como coração e rins e doenças cardiovasculares prévias.

 

Lei garante direito a uma boa alimentação

 

O Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), instituído recentemente por meio de lei federal, visa garantir o direito à alimentação com qualidade, regularidade e em quantidade suficiente para todos os brasileiros. A lei ainda estabelece a promoção do acesso à alimentação como dever do poder público. Além de formular políticas e planos de segurança alimentar e nutricional, contando com esforços do governo e da sociedade civil, o Sisan deve promover acompanhamento, monitoramento e avaliação da segurança alimentar e nutricional da população, tanto urbana quanto rural.

 

72 milhões enfrentam insegurança alimentar

 

Cerca de 72 milhões de brasileiros vivem hoje em situação de insegurança alimentar leve, moderada ou grave, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE 2004). Desse total, 15,4 milhões de pessoas residem em áreas rurais.

Dos 14 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave, 3,5 milhões moram no campo. Atualmente, existem no país 4,2 milhões de famílias de agricultores familiares, das quais aproximadamente 1,6 milhão vive na linha de pobreza.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

Dicionário das gorduras

 

Pela primeira vez, uma grande instituição de saúde brasileira estabeleceu um limite para o consumo diário de gordura trans, presente em alimentos industrializados. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não se deve consumir mais que dois gramas de gordura trans por dia, considerando uma dieta de 2.000 calorias. Para ter uma idéia, 100 gramas de batatas fritas em óleo trans, utilizado em redes de fast food, têm 48% desse tipo de gordura. A seguir, diferenças entre os tipos de gorduras.

Saturada: é o tipo de gordura semi-sólida e esbranquiçada à temperatura ambiente, encontrada em alimentos como os embutidos (presunto, salsicha etc). Elas são prejudiciais à saúde, pois aumentam o colesterol ruim (LDL) e diminuem o bom (HDL).

Trans: os óleos vegetais não eram utilizados pela indústria para preparação de alimentos que necessitam de gorduras mais sólidas. Por isso, foi introduzido hidrogênio nesses óleos, para torná-los mais sólidos, formando a gordura trans, ou gordura vegetal hidrogenada. Seu efeito no organismo é semelhante ao da gordura saturada, ou seja, eleva o LDL e reduz o HDL.A gordura trans está presente em bolachas, salgadinhos, bolos industrializados, margarinas etc.

Insaturada: as gorduras insaturadas podem ser monoinsaturadas ou poliinsaturadas. Essas ajudam a aumentar o bom colesterol e a reduzir o LDL. As monoinsaturadas encontram-se em alimentos como nozes, castanhas, azeite de oliva, abacate. As poliinsaturadas estão presentes em todos os óleos vegetais, como de soja, milho e canola e também nos peixes.

 

OPINIÃO

Desenvolvimento ou sociedade sustentável?

Leonardo Boff

Uma sociedade só pode ser considerada sustentável se ela superar a pobreza, se buscar igualdade social, política...; se seus cidadãos puderem tornar concreta a democracia. Por esses critérios, o Brasil está longe de ser uma sociedade sustentável

 

A reflexão crítica tem criado vasto convencimento de que o propalado "desenvolvimento sustentável" no sistema capitalista (pode ser válido num sistema localizado) é uma armadilha que cabe denunciar. A lógica do desenvolvimento neste sistema imperante contradiz a lógica da sustentabilidade. Ele se entende linear, ilimitado e supõe o infinito dos recursos da natureza.A sustentabilidade nos alerta de que vivemos num pequeno planeta, super-habitado, com recursos limitados, alguns renováveis e outros não.Se não elaborarmos um desenvolvimento (que precisamos) bem dosado e equitativo do qual todos possam se beneficiar, inclusive os demais membros da comunidade de vida à qual pertencemos, podemos ir ao encontro de um desastre.

O prêmio Nobel de química Christian de Duve começa seu conhecido livro Poeira vital: a vida como imperativo cósmico afirmando que estamos assistindo a sintomas globais que, outrora, no processo evolutivo, antecipavam grandes devastações que atingiram a Terra.Mas há uma diferença, diz ele: outrora eram meteoros rasantes ou cataclismas naturais que devastavam a biosfera. Hoje o meteoro rasante mais perigoso se chama ser humano. Temos que cuidar e vigiar esse "meteoro" ameaçador e imprevisível.

A melhor forma de fazê-lo é deslocar o eixo do desenvolvimento para o da sustentabilidade. O que importa é termos uma sociedade sustentável que encontre para si o desenvolvimento de que precisa para garantir a base material de sua reprodução fazendo com que então o desenvolvimento participe desta sustentabilidade. Como é a sustentabilidade?

Uma sociedade é sustentável quando se organiza e se comporta de tal forma que ela, através das gerações, consegue garantir a vida dos cidadãos e dos ecossistemas nos quais está inserida. Quanto mais uma sociedade se funda sobre recursos renováveis e recicláveis, mais sustentabilidade ostenta. Isso não significa que não possa usar de recursos não renováveis. Mas ao fazê-lo, deve praticar grande racionalidade, especialmente por amor à única Terra que temos e em solidariedade para com gerações futuras. Há recursos que são abundantes como o carvão, o alumínio e o ferro, com a vantagem de que podem ser reciclados.

Uma sociedade só pode ser considerada sustentável se ela mesma, por seu trabalho e produção, se tornar mais e mais autônoma. Se tiver superado níveis agudos de pobreza ou tiver condições de crescentemente diminuí-la. Se seus cidadãos estiverem ocupados em trabalhos significativos. Se a seguridade social for garantida para aqueles que são demasiadamente jovens ou idosos ou doentes e que não podem ingressar no mercado de trabalho. Se a igualdade social e política, também de gênero, for continuamente buscada. Se a desigualdade econômica for reduzida a níveis aceitáveis. Por fim, se seus cidadãos forem socialmente participativos e destarte puderem tornar concreta e continuamente perfectível a democracia. Por estes critérios o Brasil está ainda longe de ser uma sociedade sustentável.

Tal sociedade sustentável deve se colocar continuamente a questão: quanto de bem-estar ela pode oferecer ao maior número possível de pessoas com o capital natural e cultural de que dispõe? Obviamente, esta questão supõe a prévia sustentabilidade do Planeta, sem a qual todos os demais projetos perderiam sua base e seriam vãos.

 

Dores & doutores

Frei Betto

O sistema brasileiro de saúde está de cabeça para baixo. Temos a maior carga tributária do mundo (37,37% do PIB) e, no entanto, padece quem não dispõe de plano de saúde... Sofre a nação que ignora ética na escola

 

Posto que agosto é o mês do desgosto, este ano as emanações deletérias do mês provocaram dolorosos estragos à minha volta. Estive cercado de parentes e amigos hospitalizados e, salvo exceções, o atendimento médico–hospitalar ficou muito a desejar.

É um direito de cidadania a opinião pública manifestar sua indignação com os políticos (haja mensalão e sanguessugas), os padres (vide os casos de pedofilia) e também os médicos, sem jamais generalizar. Sonho com o dia em que nosso sistema de ensino incluir no currículo a disciplina chamada Ética.

Maria Valéria Rezende, autora de duas obras imperdíveis, "O vôo da guará vermelha" (romance) e "Modo de apanhar pássaro à mão" (contos), editados pela Objetiva, sentiu-se mal no encerramento da Flip. A médica de plantão levou-a imediatamente para o hospital de Angra dos Reis (RJ), onde se constatou o infarto de miocárdio.A gentileza de um dos patrocinadores do evento literário fez com que Valéria fosse transportada em aeronave particular para São Paulo, onde foi muito bem socorrida no Instituto do Coração. Ponto para a médica que cumpriu ciosamente o seu dever e empenhou-se em buscar o melhor para a paciente.

No Rio, Luciana Savaget, jornalista e autora de saborosa literatura infantil, sofreu um desmaio. Seu cardiologista recomendou-lhe procurar um endocrinologista. Constatado um nódulo na garganta, pediu-lhe uma ultra-sonografia. No dia seguinte o médico ligou para dar-lhe o resultado do exame. Luciana encontrava-se em almoço com amigas. Sem peias nem meias o doutor disse-lhe que nessas horas preferiria não ser médico e que o contorno do nódulo apresentava um aspecto nada bom... Pediu uma biópsia. Luciana quase infartou. Precavida, recorreu à opinião de outro endocrinologista. Novos exames constataram o erro do primeiro diagnóstico.

Como um profissional da saúde submete uma pessoa a tamanho susto? Um mínimo de cautela profissional e pedagogia nunca é demais!

Em Belo Horizonte, minha cunhada, Eliane, torturada por uma inelutável dor de cabeça recorreu a um neurologista. Após exames, diagnosticou–se tumor no cérebro. Marcou-se a data da cirurgia. Intuitiva, a paciente consultou outro profissional, que constatou precisar abrir, em Eliane, a boca, e não a cabeça. Ela tinha uma infecção dentária na arcada superior.

Minha prima Diva, 52, desmaiou em pleno casamento da filha, no sábado, 19 de agosto. Internada em Belo Horizonte, constatou-se aneurisma cerebral. Após ser operada durante quatro horas, sofreu outro aneurisma. No dia seguinte, a equipe médica admitiu que ela tivera morte cerebral.

Preparei-me para as cerimônias fúnebres. Como Diva decidira doar os órgãos, seu organismo foi artificialmente mantido em funcionamento durante 6 dias. Quadro kafkiano: segundo os médicos, para serem transplantados os órgãos precisariam estar em bom estado! E dá-lhe medicação. Diva morta e seu corpo vivo, graças a medicamentos e sofisticados equipamentos. E o plano de saúde pagando uma fortuna por cada dia em que foi mantida em vida vegetativa. Prolongam-se artificialmente funções orgânicas vitais do paciente para robustecer o faturamento de médicos e hospitais! Quem dera que paciente pobre tivesse o mesmo direito, já que ele é o principal doador.

Do lado de fora da UTI, a família submetida a um sofrimento atroz, chorando a perda de quem morreu e ainda não pode ser enterrada.

O sistema brasileiro de saúde está de cabeça para baixo. Temos a maior carga tributária do mundo (37,37% do PIB) e, no entanto, padece quem não dispõe de plano de saúde. E mesmo pagando mensalmente pelo direito a um bom atendimento, ao precisar dele há que enfrentar uma angustiada burocracia, de afetar o sistema nervoso de qualquer pessoa. A começar pelos telefones que nunca atendem, a voz eletrônica que declina várias alternativas, sem que se consiga falar com uma pessoa viva e indagar como obter uma ambulância ou a que hospital conduzir o enfermo.E na hora da internação surgem as famosas cláusulas impressas em letras diminutas que oferecem menos do que o paciente esperava e necessita.

Como em toda profissão, há excelentes médicos e também profissionais mercadores da dor alheia. Há quem aja com responsabilidade e admita os limites de sua competência, como a médica de Angra dos Reis, e quem profira diagnósticos equivocados e irresponsáveis.

Num país sem cidadania de primeira classe não haveria planos de saúde. Todos seriam bem tratados pelos SUS, pois alimentação, saúde e educação são, nessa ordem, direitos elementares do cidadão e dever do Estado. E numa medicina regida pelo rigor ético de Hipócrates não haveria planos de saúde ofertando menos do que prometem a seus clientes e aumentando cada vez mais as mensalidades, nem médicos e hospitais extorquindo planos de saúde à custa de pacientes.

Sofre a nação que ignora ética na escola.

 

ESPECIAL

Sociedade precisa retomar controle do poder político

"Voto não tem preço. Tem conseqüências." Esta mensagem foi destacada em documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgado após a 44ª Assembléia Geral, em maio passado, em Itaici. Às vésperas da eleição, o que pensa sobre o momento político a entidade que reúne os bispos brasileiros? Qual a importância do descrédito dos políticos para o desfecho destas eleições?

 

Para responder a essas e a outras perguntas, o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Scherer, concedeu a seguinte entrevista ao Correio Riograndense.

 

Correio Riograndense – Como a Igreja vê o atual momento político brasileiro?

Dom Odilo Scherer – A CNBB manifestou seu pensamento sobre o atual momento político em diversas ocasiões, especialmente no documento "Eleições 2006 – Orientações da CNBB" (abril de 2006) e na "Declaração sobre o momento eleitoral", da Assembléia Geral anual em Itaici, em maio passado. Este ano eleitoral é uma grande ocasião para a tomada de consciência do Brasil sobre si mesmo, para buscar e debater boas propostas para um grande projeto de nação e a realização do bem comum. O processo eleitoral acontece num período de certo descrédito da política e dos políticos; mas, ao mesmo tempo, de grande desejo de encontrar soluções e melhorar o Brasil. O momento político brasileiro acontece num período de crise de valores e de perda da credibilidade das Instituições da Democracia, o que é uma pena; mas também é momento de amadurecimento da consciência política da nação.

 

CR – Mais do que nunca, pelos recentes escândalos que vieram a público, é importante que nestas eleições o eleitor tenha um filtro crítico. O que a CNBB recomenda nesse sentido?

Dom Odilo – Recomenda o interesse de todos em acompanhar a política para conhecer bem os candidatos e suas propostas; caso contrário poderá acontecer que sejam eleitos candidatos comprometidos com a corrupção e com interesses particularistas, e não com o verdadeiro bem do povo brasileiro.

 

CR – A CNBB emitiu documento em maio no qual orienta o eleitor, mas não traça um perfil do candidato ideal. É possível apontar pelo menos traços desse perfil?

Dom Odilo – O candidato ideal é honesto e reto, tem uma história pessoal coerente com os valores éticos, sobretudo o amor à verdade e à justiça; é respeitoso, defensor da dignidade da pessoa o do direito de todos à vida; é idealista e deseja sinceramente servir à sociedade, sobretudo àquela parte da sociedade que mais tem necessidade das atenções do poder público; tem bom senso e discernimento lúcido sobre os fatos e as realidades sociais; é preparado para o desempenho de sua missão e tem capacidade de liderança. Acho difícil falar em candidato "ideal". O que temos são candidatos concretos e situados; entre eles precisamos escolher os melhores. E, depois das eleições, vigiar sobre eles e sobre o exercício do seu mandato, para não deixar que sejam corrompidos.

 

CR – No mesmo documento, a CNBB diz que "voto não tem preço, tem conseqüências." Quais seriam essas conseqüências?

Dom Odilo – Não tem preço porque o voto é a expressão da consciência, da liberdade e da dignidade pessoal; e isso realmente não tem preço e não deve ser trocado por favores ou pequenas vantagens. Mas o voto pode ter conseqüências sérias, se não for feito conscientemente; voto dado a corruptos, ou a pessoas que têm projetos contra a vida e a dignidade humana, ou que promoverão políticas econômicas de concentração das riquezas e dos benefícios públicos, são votos que têm conseqüências pesadas.

 

CR – Um bom número de eleitores ainda não percebeu a importância do voto. Por isso, muitos sucumbem facilmente às tentações dos maus candidatos. Como identificar os maus candidatos e o que fazer diante das promessas mirabolantes e eleitoreiras?

Dom Odilo – Hoje existem muitos modos para conhecer os candidatos e é importante não dar o voto a quem não se conhece. Os eleitores devem ser exigentes. Voto não deve ser uma espécie de cheque em branco que o eleitor passa aos candidatos, para eles fazerem, depois, aquilo que quiserem, sem dar contas à sociedade. Não devem merecer a confiança os candidatos que têm histórias de corrupção e pouca transparência na gestão dos negócios privados e públicos. Por outro lado, candidatos que têm propostas favoráveis ao aborto não deveriam merecer o apoio. Candidatos que prometem demais não cumprirão suas promessas, ninguém se iluda com discursos mirabolantes.

 

CR – A CNBB tem registros, denúncias ou informações de esquemas para compra de votos no país nas eleições deste ano?

Dom Odilo – A CNBB, diretamente, não tem; mas encarregou a Comissão Brasileira de Justiça e Paz para acompanhar o movimento contra a corrupção eleitoral. Essa Comissão está organizando inúmeros comitês em todo o Brasil para controlar a corrupção eleitoral. Creio que teremos uma eleição menos corrupta. E quem quiser "comprar votos", deve estar muito atento, pois temos a lei 9.840, muito severa e eficaz contra esse crime eleitoral. No Brasil todo já perderam seu mandato mais de 400 políticos com a aplicação dessa lei.

 

CR – Como a CNBB vê a mobilização pelo voto nulo? Essa forma de protesto é válida? Quem ganha e quem perde com ela?

Dom Odilo – Naturalmente, o voto em branco ou o voto nulo são também opções possíveis; no entanto, penso que devemos valorizar nosso voto e não perder a ocasião de dar nossa contribuição positiva para melhorar o Brasil através do nosso voto responsável e bem consciente. Quem se abstém, ou anula seu voto, deve lembrar que está cedendo seu espaço para alguém outro ocupá–lo. E pode ser alguém que a gente não apoiaria...Então é melhor ocupar o próprio espaço.

 

CR – Há 10 dias das eleições, como a CNBB analisa o nível da campanha?

Dom Odilo – Ao que parece, a campanha eleitoral deste ano anda um tanto desanimada...Percebe–se um certo nível de frustração, de descrédito na política e nos políticos e de desinteresse.Isso é pena.Na política não há alternativa: ou participamos e tentamos melhorar as coisas, ou deixamos correr, e as coisas podem ficar piores.Não devemos perder a esperança.

 

CR – Se a Igreja pudesse participar ativamente de uma profunda reforma política, quais as principais mudanças que ela sugeriria?

Dom Odilo – De fato, esse movimento já iniciou: no dia 11 de setembro foi lançado em Brasília o Fórum da Cidadania pela reforma política e a CNBB esteve presente, apoiando a iniciativa. Há muitas coisas que precisam ser revistas; mas é importante devolver à sociedade o seu papel de protagonista principal da política. Ela precisa controlar o poder dos políticos e o exercício das funções do Estado e ter mecanismos para isso. Quando passam as eleições, a sociedade brasileira vive distante da política e isso precisa mudar. Talvez isso explique por que acontece tanta corrupção.

 

CR – O senhor concorda com Mahatma Gandhi (líder pacifista indiano) quando ele diz: "Aqueles que dizem que religião não tem nada a ver com política não sabem o que é religião."

Dom Odilo – Na verdade, religião e política são duas coisas distintas, mas têm muitas coisas em comum. Ambas estão a serviço do homem e também da glória de Deus. A sociedade concreta e histórica é o espaço de vivência tanto da política como da religião; e a mesma pessoa que tem religião também está na política. A política precisa de princípios éticos, que são básicos também para a religião. A Igreja estimula os católicos a tomarem parte ativa na política e, dessa forma, ajudarem a construir a sociedade justa e solidária. Mas, claramente, é preciso distinguir as metodologias e as funções; nem a religião deve substituir o Estado, que é expressão da sociedade política, nem o Estado deve substituir a Igreja, que é expressão da sociedade religiosa. No entanto, ambas as instâncias podem e devem colaborar muito para a realização do verdadeiro bem da pessoa.

 

MEIO AMBIENTE

LODO ADUBA AGRICULTURA

O lodo gerado pelo processo de tratamento de esgoto doméstico, rico em nutrientes e matéria orgânica, é considerado alternativa viável à agricultura

 

A agricultura pode contar com mais um forte aliado: o lodo de esgoto. Cada brasileiro gera 30 gramas da substância por dia. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou o uso do lodo para fins agrícolas. A resolução do Conama baseou-se em experiências dos Estados Unidos, Austrália e de alguns países da União Européia, em que esta prática já é bem comum.

No Brasil, a coleta de esgotos atende a 50% da população urbana. Do volume coletado, apenas 30% recebe tratamento adequado, gerando perspectivas significativas de crescimento e de geração de lodo. Até recentemente, grande parte deste resíduo era lançada, de forma indiscriminada, em rios. A evolução da legislação ambiental obrigou as operadoras a dar destinação adequada.

O lodo de esgoto apresenta composição muito variável, pois depende da origem e do processo de tratamento. Um lodo de esgoto típico apresenta em torno de 40% de matéria orgânica, 4% de nitrogênio, 2% de fósforo e os demais macro e micronutrientes.

Uma característica importante do lodo de esgoto é a quantidade e a qualidade da matéria orgânica, que pode variar de acordo com sua procedência e época do ano. A coordenadora-técnica do Conama, Dominique Louette, observa que o objetivo é assegurar a qualidade do lodo a ser aplicado na agricultura. "O texto define quantidade máxima de metais pesados e dos agentes patogênicos que o produto pode conter", esclarece.

A resolução prevê restrições da aplicação do resíduo em áreas de pastagens, unidades de conservação e cultivo para consumo in natura. "O lodo tratado não deve ser usado na agricultura orgânica", alerta em entrevista ao Correio Riograndense o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Wagner Bettiol.

Benefícios – O lodo de esgoto aumenta a retenção de umidade em solos arenosos e melhora a permeabilidade e infiltração nos solos argilosos. Além disso, por determinado tempo mantém boa estrutura e estabilidade dos agregados (substâncias) na superfície. Desempenha um complexo papel na dinâmica dos solos, influindo em suas características químicas, físico-químicas, biológicas e físicas.

Pesquisas desenvolvidas no Paraná e em São Paulo mostram que o lodo é um resíduo com perspectivas favoráveis ao uso no solo. Os estudos confirmaram o aproveitamento do lodo na cana-de-açúcar, milho, sorgo, arroz, aveia, trigo, pastagens, feijão, soja, girassol e café, entre outras culturas.

 

Incorporação de nutrientes ao solo é um dos benefícios da tecnologia

 

A problemática da disposição de resíduos gerados pelas atividades de origem urbana, agroindustrial ou industrial tem se agravado muito nas últimas décadas no Brasil.É o resultado do crescimento populacional desordenado e do processo de urbanização e industrialização desorganizado, onde uma série de regras de proteção ao ambiente foi desrespeitada.

Nesse sentido, a reutilização de resíduos traz inquestionável benefício devido à minimização do problema ambiental que representa o descarte desses materiais. "A disposição de resíduos em solos agrícolas pode ser considerada a alternativa mais viável em termos ambientais, econômicos e sociais", diz o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Wagner Bettiol.

A Embrapa Meio Ambiente, com sede em Jaguariúna (SP), desenvolve estudos que avaliam a viabilidade do uso agrícola de cada resíduo. "Muitas questões ainda não foram respondidas pela pesquisa científica e esse é um fator ponderável a ser considerado quando de seu uso agrícola", coloca o pesquisador.

A incorporação de nutrientes é um dos principais benefícios da técnica, mas ela não é garantia de absorção completa. "O lodo de esgoto leva ao solo as quantidades de nutrientes suficientes para as culturas, porém nem sempre de maneira equilibrada e em formas disponíveis para as plantas em curto prazo", explica Bettiol. A falta de potássio no lodo faz necessária a adição de adubos minerais.

Outro benefício verificado nesse tipo de cultura é a retenção da água em solos arenosos e melhor permeabilidade nos argilosos. Além da agricultura, o meio ambiente pode se beneficiar, uma vez que o lodo acumulado, sem tratamento, pode contaminar lençóis freáticos e causar doenças.

Origem – O lodo proveniente de regiões industrializadas necessita de atenção especial, devido às concentrações de elementos como zinco, chumbo, manganês e ferro, que, se elevadas, podem ser extremamente prejudiciais. Os patógenos humanos, como coliformes fecais, salmonela, vírus e helmintos, podem ser adequados com tratamentos específicos.

 

Resíduos viram nutrientes na produção de mudas

 

O lodo foi testado em plantações de milho, feijão e erva-mate. Há resultados sistematizados apenas nas áreas com milho, levando-se em conta solos de baixa e de alta degradação. As experiências foram realizadas em milharais de propriedades rurais paranaenses.

Nos solos equilibrados, onde se utilizaram 400 quilos de adubo NPK na proporção de 4.14.8 por hectare, a produtividade média, sem aplicação de lodo, foi de 4.925 quilos. A incorporação de oito toneladas de lodo por hectare, com cerca de 15% a 20% de umidade, melhorou o desempenho da cultura, que alcançou em média 6.973 quilos/hectare.

Já em áreas degradadas, com uso de 300 quilos de fertilizante químico e seis toneladas de lodo em um hectare, o rendimento médio foi de 4.680 quilos de milho, contra os 2.630 quilos obtidos nas áreas sem lodo.

De composição química semelhante ao esterco de outros animais, como bovinos, suínos e aves, o lodo de esgoto tem o uso mais recomendado a determinados tipos de plantas, já que contém grandes concentrações de nitrogênio. Por essa razão, seu rendimento é maior quando utilizado em gramíneas. E se mostra menos eficiente com leguminosas, cuja capacidade de fixar o nitrogênio do ar e usá-lo as torna menos dependentes desse elemento químico.

Casca – A Embrapa Florestas está transformando a casca de pinus e o lodo biológico em substrato para a produção de mudas de pinus. De acordo com a pesquisadora Claudia Maia, casca e lodo são fontes ricas de orgânicos e podem ser usadas como componentes de substratos para produção de mudas.

O projeto é realizado em parceria com a empresa Iguaçu Celulose Papel S/A, em Piraí do Sul (PR). A indústria gera cerca de 2.500 toneladas mensais de casca de pinus e 400 toneladas por mês de lodo biológico para uma produção de cerca de 6.000 toneladas/mês de celulose. Esses resíduos, anteriormente descartados a céu aberto, a partir deste ano serão aproveitados nos viveiros da empresa.

Nos estudos foram testadas diferentes misturas contendo casca de pinus sp., lodo biológico e solo.A espécie indicada foi pinus taeda, semeada no viveiro da empresa."Os resultados mostraram que a presença do solo no substrato é dispensável", relata Claudia Maia, da Embrapa.

Sobre o lodo a pesquisadora explica que ele não deve ser usado puro porque, apesar de sua relativa fertilidade, promove baixa aeração do meio. "A presença da casca, por sua vez, melhora esta característica", acrescenta.

Domiciliar – O produtor brasileiro de hortaliças, frutas, algodão e de milho pode economizar 50% em fertilizantes químicos com o uso de composto orgânico produzido a partir de lixo domiciliar, resultante dos resíduos sólidos das residências. A afirmativa é da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

O composto orgânico reconstitui o solo, pois contém vários micronutrientes e macronutrientes. A substância também melhora a fertilidade e as condições químicas e biológicas da terra e funciona como uma espécie de telhado, impedindo a lixiviação (descida dos nutrientes necessários ao desenvolvimento da planta para o subsolo).

Além disso, o composto favorece a retenção de água na terra, reduzindo a necessidade de irrigação. O composto tem ainda alto valor como fonte de húmus. "A compostagem deve ser feita pelo próprio agricultor em sua propriedade", aconselha o consultor da Abrelpe, Walter Capello. Desta forma, o produtor rural aproveita os recursos naturais, reduzindo os custos e evitando poluir o ambiente.

 

Composto limpo indicado para alface

 

A alface é a hortaliça folhosa de maior valor comercial cultivada no Brasil. Para se ter uma idéia, dos cerca de 75 cultivares comerciais existentes, 18 são nacionais.Ela é consumida, com maior freqüência, em saladas cruas e em sanduíches, sendo que as regiões Sul e Sudeste são as maiores consumidoras.

Por ser de ciclo curto e uma hortaliça cuja parte ingerida são as folhas, o solo ideal para o seu cultivo é aquele rico em matéria orgânica e em nutrientes. Nesse sentido, o lodo de esgoto pode ser utilizado como fertilizante agrícola para o cultivo da alface. Isso é o que mostram pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo em um estudo que teve como objetivo avaliar a produção de alface em solo tratado com diferentes doses de lodo de esgoto como fonte de matéria orgânica.

De acordo com a pesquisa da Universidade Federal do ES, para a reciclagem agrícola do lodo, é necessário o conhecimento do impacto causado no meio biótico (meio vivo) e abiótico (meio sem vida) pela sua utilização, bem como o estudo e aprimoramento de tecnologias que permitam sua inserção nos sistemas agrícolas, uma vez que a utilização do lodo não higienizado como adubo orgânico em culturas com ciclo de vida curto, cujas partes comestíveis tenham contato direto com o solo e que sejam consumidas in natura, apresenta grande risco para a saúde humana e animal.

Teor – No estudo os pesquisadores constataram que as amostras de lodo de esgoto bruto indicaram pH de 6,3 situando-se entre os valores sugeridos para que o meio não se torne extremamente seletivo para os microrganismos. Eles observaram também que o teor médio de matéria orgânica de 30% está próximo do limite mínimo indicado para fertilizante orgânico em uso agrícola.

O teor de nitrogênio foi adequado, mas os de fósforo, potássio, cálcio e de magnésio foram considerados baixos, sugerindo a necessidade de enriquecimento desse material como uma fonte solúvel dos elementos. Por outro lado, as concentrações de metais pesados foram baixas.

 

Áreas degradas ganham um novo aliado

 

O lodo de esgoto vem sendo usado com sucesso na área florestal, tanto em plantios comerciais, entre eles o eucalipto, quanto na recuperação de áreas degradadas. O projeto está sendo executado pela Embrapa Meio Ambiente em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

Entre as vantagens a pesquisa apresenta redução dos custos do uso de fertilizantes em áreas geralmente extensas, particularmente na reposição de nitrogênio e fósforo e a absorção de nutrientes durante boa parte do ano por suas raízes perenes.

 

IGREJA

Cai número de religiosos no mundo

Na análise por continente, há uma crescente importância da África e da Ásia

 

Dados do Anuário Estatístico da Igreja, publicados recentemente pelo Vaticano, mostram que o número de católicos cresceu 45% no mundo, no período de 1978 a 2004, chegando a quase 1,1 bilhão de batizados. Nesse período, porém, não houve um crescimento correspondente em relação aos sacerdotes e religiosos e religiosas. Antes pelo contrário, houve queda e, no caso dos religiosos e religiosas, muito acentuada.

Uma análise detalhada dos números apresentados pela Igreja, mostra que há uma dinâmica bem diferenciada em cada continente. No caso dos sacerdotes religiosos (veja tabela), entre 1978 e 2004, houve uma queda geral de 13,5% e no único continente onde houve crescimento, e bastante significativo, foi na Ásia – os sacerdotes religiosos passaram de 13,8 mil para 19,7 mil, com crescimento de mais de 42%.

O grupo dos religiosos professos não sacerdotes caiu mais de 27% no período de 26 anos analisado pelo Anuário. Em 1978 havia 75 mil no mundo e em 2004 eram pouco mais de 55 mil. Houve crescimento apenas na África (48,6%) e na Ásia (38,7%). Europa e Oceania viram o número de religiosos decrescer 46,2% e 47,3% respectivamente e na América, onde estão 50% de todos os católicos do mundo, o número de religiosos não sacerdotes caiu mais de 30%.

Também reduziu significativamente o número de religiosas professas, que somavam quase 991 mil em 1978 e pouco mais de 764 mil em 2004, com uma variação negativa de 22,5%.Também entre as religiosas houve um crescimento animador, inclusive superior à média de crescimento dos católicos, na África e na Ásia. Nos outros continentes, houve declínio acentuado (conforme tabela).

O continente europeu, sempre marcado por um grande número de sacerdotes, religiosos e religiosas, perde cada vez mais representatividade nos números totais. Em 1978, os sacerdotes (religiosos e diocesanos) europeus representavam quase 60% do total; em 2004, não chegavam à metade. Os religiosos não clérigos europeus, que em 1978 somavam 48,9% do total, representavam pouco mais de 36% passados 26 anos.

Também as religiosas dos países europeus viram seu contingente cair muito – de 55,1% do total mundial em 1978 passaram a menos de 43% em 2004. Em compensação, a Ásia, que em 1978 tinha apenas 9,2% das religiosas do planeta, passou a contar com 19,6% do total.

 

Candidatos ao sacerdócio estão em alta

 

Apesar da queda no número de sacerdotes (eram 420.971 em 1978 e 26 anos depois, 405.891) há grandes esperanças de renovação diante do elevado número de candidatos ao sacerdócio presentes nos seminários diocesanos e também religiosos. De 1978 a 2004, segundo o Anuário Estatístico, houve crescimento em todos os continentes, menos na Europa.

Os candidatos ao sacerdócio passaram de 63.882 em 1978 para 113.044 em 2004, com crescimento de quase 77%.A maior evolução ocorreu na África, onde o número de seminaristas passou de 5.636 para 22.791 em 26 anos – crescimento de mais de 304%. Também houve expansão na Ásia – de 11.536 candidatos para 29.220 (153,3%). Na América Latina houve incremento de 66,6% (de 22.011 para 36.681). Em compensação, na Europa houve decréscimo de 2,15%. Em 1978 havia 23,9 mil candidatos nos seminários europeus e em 2004 somavam apenas 23,4 mil.

 

Presença de diáconos cresce cada vez mais

 

Enquanto houve redução no número de religiosos, de 1978 a 2004, a presença de diáconos permanentes (diocesanos e religiosos) registrou forte expansão, passando de 5.562 em 1978, para 32.324 em 2004, com um crescimento de mais de 481%. A América Latina registra o maior número de diáconos – 21.067 em 2004. No período analisado, a Europa registrou crescimento de 829%, passando de 1.133 diáconos para 10.528.

 

O púlpito e os meios

Padre Zezinho

Quem se encanta com os meios nunca chega ao cerne

 

Por púlpito entenda, mais do que aquele lugar de onde o pregador se dirige aos fiéis, uma atitude de quem deseja ensinar verdades da fé, de maneira serena e fiel.

Por meios entenda os instrumentos que podem servir à pregação. Não devem atrapalhar nem açambarcar. Violões, guitarras, teclados, microfones, canções, câmeras são meios. Se ficarem mais importantes que o conteúdo a ser anunciado devem ser repensados. Acontece com muitos pregadores, que de tal maneira se encantam com os meios, que simplesmente param no meio: nunca chegam ao cerne da pregação que é o conteúdo sólido da fé.

Quando o pregador se encanta com a mídia que ele usa e faz de tudo para ser o centro da atenção, escorregou na ladeira dos meios. O púlpito é o lugar da seta. Quem fala nele está sempre apontando para o outro: Deus, Cristo Jesus e os irmãos. Ao invés de pedir que joguem os holofotes sobre ele, quem joga os holofotes sobre o Cristo e a assembléia é ele. Quem não entender a relatividade dos meios acabará também relativizando os fins e absolutizando o relativo. Vai divulgar mais os videntes do que o Catecismo da Igreja, mais as imagens do que o santo, mais o que Deus fez por ele e por sua família do que o que Deus fez pelos outros.

Peça a Deus a graça de nunca se encantar demais com os meios. São apenas meios! Nunca os transforme em fim da pregação.

 

A contemporaneidade das Escrituras

Apesar de escritos há séculos, textos bíblicos são sempre bem atuais

Frei Bruno Glaab

Capuchinho, doutor em Bíblia e professor da Estef de Porto Alegre.

 

A Bíblia, embora formada e escrita há tanto tempo, é uma coleção de livros bem atuais. Se ela não ensina ciências, nem faz previsões, nem sequer tem soluções milagrosas, ela nos faz experimentar Deus e a nossa própria dignidade humana. Convém, então, desmitologizar a Bíblia e lê-la para o mundo de hoje. Antes de ver nela história, ciências, ver nela a imagem de Deus e do ser humano. Ver como Deus caminhou com seu povo, como foi fiel, como enviou seu Filho para a nossa remissão. Pois, embora nosso mundo seja muito diferente daquele da Bíblia, as situações vitais do ser humano hoje não são muito diferentes. O ser humano, para realizar suas potencialidades plenamente, precisa de Deus. Ou seja, o ser humano não se basta a si mesmo. A busca de Deus para que o ser humano realize a sua plenitude se dá de muitas formas: pela vida comunitária, pela oração, pela freqüência aos sacramentos e, principalmente pelo amor ao próximo. Aliás, diríamos, o primeiro passo do ser humano é necessariamente o amor. As celebrações, a oração, os sacramentos são sempre o segundo momento. Sem o amor tudo isto perde o sentido. Ou seja, o ser humano que não ama não tem nada a celebrar, tem oração vazia, ou nem tem porquê rezar ou freqüentar sacramentos.

A Bíblia fundamenta o nosso amor, ou melhor, ilumina o nosso amor. Mesmo nas situações de maior crise, a Bíblia sempre de novo nos mostra como amar ao nosso semelhante e a Deus. Pois o amor a Deus passa pelo amor ao próximo (1Jo 4,20). A fidelidade a Deus é fidelidade ao povo. Portanto, a Bíblia é o facho de luz que, em primeiro lugar fundamenta o nosso amor a Deus e ao próximo, é também o fundamento de nossas celebrações, de nossa oração e de nossos sacramentos. Sem a Bíblia, toda a nossa vida cristã cairia no abismo.Perderia completamente seu fundamento.

Fundamento – A Bíblia não é livro mágico, nem milagroso, nem outra coisa qualquer. Antes, a Bíblia é o fundamento de nossa fé, de nosso amor, de nossa vida comunitária, de nossa prática eclesial. Por isto, quem quer conhecer verdades absolutas prontas para o consumo, ciências, mistérios do além, ou quem quer milagres para facilitar a vida não deve buscar na Bíblia. Nada disto vai encontrar. Quem, no entanto, quer seguir a Jesus Cristo, ter uma fé mais viva, um compromisso comunitário mais autêntico, uma vida de oração mais encarnada e uma prática sacramental mais coerente, deve reavivar seu amor na Bíblia, pois ela é o fundamento do amor e da vida eclesial.

 

Bíblia fala da vida e caminhada do povo

 

A leitura da Bíblia é a força que faz o cristão andar nos caminhos da fé. Não é preciso saber a Bíblia de cor, mas é importante adotar alguns critérios ao lê-la, tendo sempre em mente que a leitura das Sagradas Escrituras deve ser acompanhada pela oração. Para o professor de Exegese Bíblica, padre Johan Konings, um primeiro passo importante na hora da leitura é levar a sério o que está escrito, ler com bom senso, ciente de que nem tudo deve ser tomado ao pé da letra.

Também é importante conhecer um pouco do contexto onde foram escritos os livros sagrados e saber interpretar os textos à luz dessa realidade. Ter cuidado com a escolha de trechos ao acaso, pois nem sempre a primeira frase lida é a mensagem para o momento. A mais valiosa leitura, segundo Johan Konings, é a que ocorre na missa ou no culto dominical. Ler a Bíblia na igreja, em comunhão com a comunidade que a concebeu e nela reconheceu sempre o espírito que a anima.

 

Passos para melhor proveito da leitura

 

Não existem normas que, ao ler a Bíblia, permitem um entendimento perfeito. Mas alguns passos facilitam sua compreensão. Não ler a Bíblia como livro histórico. Tirar dos textos sagrados lições para nossa vida. Não ler por ler, depressa e sem reflexão, mas deixar que a Bíblia penetre na nossa vida. Criar tempos de silêncio ao nosso redor. Ler tanto com a mente quanto com o coração.

Sempre questionar–se o que o autor do livro quis comunicar. Nunca pensar em termos do "naquele tempo", mas lembrar que a Palavra de Deus é viva e sempre atual (conforme o texto acima, de frei Bruno). Ler a Bíblia com os olhos da fé e sempre fazer da leitura um oração. Ter sempre em mente que o Novo Testamento, em especial os Evangelhos, é mais facilmente entendido e por isso deve ser o preferido na ora da leitura.

 

A ilusão do pecado

Aldo Colombo

O pecado, quase sempre, promete e não entrega a felicidade. Pelo contrário, encarrega-se de complicar o dia seguinte

 

A ciência é irmã da fé. Essa afirmação, que os antigos escolásticos defendiam, está sendo agora comprovada pelo mundo científico. São cada vez mais evidentes as suspeitas de que a fé tem um papel decisivo para a saúde psíquica e física. Nos Estados Unidos cresce o número de faculdades de medicina que introduziram em seus cursos a cadeira de Espiritualidade. Não deixa de ser irônico o fato de a ciência admitir a sabedoria divina.Deus que nos criou, deu–nos também a inteligência.

O conhecido cardiologista de São Paulo, doutor Roque Saviola, escreveu vários livros sobre a correlação entre a ciência e a fé. Em seu último livro, Curando Corações, Saviola afirma que a saúde, sobretudo do coração, pode ser duramente afetada quando a pessoa incorre em um dos sete Pecados Capitais. Ele esclarece: maus hábitos e procedimentos inadequados originam doenças físicas.

Saviola entra em detalhes: a ira mata, ou pelo menos desencadeia problemas de saúde, entre eles crises alérgicas e infarto fulminante. Já a inveja leva ao ódio, à tristeza e ao ressentimento, que afetam o psiquismo. Hipertensão, infarto, câncer e aterosclerose são algumas das conseqüências. A luxúria desencadeia acidentes vasculares, câncer, além de todas as doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a aids.

Os portadores de soberba sugerem tratamentos alternativos, deixam de tomar os remédios, piorando o estado clínico. A gula e a preguiça têm muitas conseqüências comuns: diabetes, infarto do miocárdio, hipertensão arterial. Destaque para a obesidade que se torna a grande epidemia do século XXI. A avareza é um sentimento continuado que leva à depressão, tristeza e à frustração, sobretudo por obrigar a gastar dinheiro.

Na esteira desses vícios capitais navegam as drogas, as brigas familiares, as noites mal dormidas, a depressão, o vazio da vida e o estresse. O pecado, quase sempre, promete e não entrega a felicidade. Pelo contrário, encarrega–se de complicar o dia seguinte. Com bom humor, o povo comenta: tudo o que é bom ou faz mal ou engorda ou é pecado. Essa definição cabe bem ao vício. Já a verdadeira virtude não tem contra-indicações.

Certa mentalidade moderna imagina que Deus é rival do homem. Ele quereria estragar a felicidade humana. Na realidade, Deus quer a felicidade plena de seus filhos e filhas e por isso, Ele que é Pai, indica o caminho. É assim que devem ser entendidos os Dez Mandamentos. Muitas vezes o homem quer ser feliz do seu modo e se engana. Já Santo Agostinho falava das "coisas belas pelo avesso".

Mais uma vez, diante das conseqüências negativas, a humanidade se obriga a repensar seu estilo de vida. Ironicamente, o homem moderno e sua sabedoria são forçados a admitir que – mais uma vez – Deus tem razão.

 

Cuidado às moradoras de rua

Porto Alegre acolhe missão feminina da Toca de Assis

 

A capital gaúcha, que no ano passado acolheu os primeiros irmãos da fraternidade Toca de Assis, agora também conta com uma comunidade formada por moças. Recentemente, numa cerimônia realizada na igreja Nossa Senhora das Dores, foram acolhidas 13 jovens, vestidas com o tradicional hábito marrom do Instituto Toca de Assis. Elas cuidam de moradoras de rua, desenvolvendo atividade semelhante à dos homens do Instituto.

O movimento foi fundado em maio de 1994, em São Paulo, pelo padre Roberto José Lettieri, baseado no carisma de São Francisco de Assis. Passados 12 anos, a fraternidade envolve mais de 1.500 membros consagrados, todos com os votos de pobreza, obediência e castidade. "A pobreza na vida consagrada é anúncio, é denúncia. Se nós não gritarmos pelos pobres, quem vai gritar?", questiona padre Lettieri.

Apesar do uso do hábito e da tonsura, como a utilizavam os monges antigamente, não se trata de uma congregação, mas de um instituto de vida consagrada. Seus membros priorizam o trabalho no zelo aos mais pobres, jogados nas ruas, aos doentes e idosos. Os mais enfermos e idosos homens são recolhidos na casa masculina da Toca de Assis, e as mulheres nessa situação, na casa feminina. Mais informações no site tocadeassis.org.br.

 

Feira mostra serviços e produtos católicos

 

Será realizada em São Paulo (SP), de 21 a 24 de setembro, a maior feira de produtos e serviços católicos do Brasil. A 4ª Expocatólica ocupa 10 mil m2 do Expocenter Norte e espera receber um publico ainda maior que o do ano passado, quando registrou 35 mil visitantes.

O evento, realizado uma vez ao ano, é destinado às 9.410 paróquias, aos mais de 150 santuários e às 275 dioceses brasileiras. Entre comunidades, casas religiosas e capelas, estima–se 100 mil estabelecimentos no país. A feira apresenta desde livros e CDs a objetos religiosos e até vinho destinado às celebrações litúrgicas. A entrada para a Expocatólica é franca e quem quiser poderá doar um quilo de alimento para colaborar com associações filantrópicas.

 

Paróquias de Erechim reúnem servidores

 

As cinco paróquias da cidade de Erechim (RS) realizaram encontro anual dos servidores (ministros e ministras) de todas as comunidades, no centro comunitário São Cristovão. Cerca de 170 pessoas participaram do evento, que teve a assessoria do padre Milton Mattia, pároco de Três Arroios, na reflexão sobre a comunidade e a missão do servidor. Além do tema central, foram feitas diversas comunicações sobre as atividades pastorais em andamento.

Padre José Carlos Sala, coordenador diocesano da Pastoral Vocacional, falou da próxima Romaria de Fátima, dia 8 de outubro. Padre Antonio Valentini, pároco da catedral, relembrou as diretrizes diocesanas da Pastoral dos Sacramentos, especialmente no que se refere à escolha, formação e oficialização de ministros leigos. O bispo diocesano, dom Girônimo Zanandréa, também esteve no encontro, deixando sua mensagem aos participantes.

 

Irmão Avelino Scopel morre aos 88 anos

 

Com 69 anos de vida dedicada ao Instituto Marista, irmão Avelino Scopel faleceu aos 5 de setembro em Viamão. O irmão marista completou 88 anos de vida em 2006. Filho de Syro Scopel Filho e Luisa Presot, irmão Avelino (João Ildefonso) nasceu no município de Anta Gorda (RS) no dia 25 de março de 1918.

Como marista, dedicou-se à atividade apostólica em cidades do Rio Grande do Sul (Veranópolis, Porto Alegre, Garibaldi, Guaporé, Vacaria e Viamão) e Santa Catarina (Caçador). Passou os últimos anos, a partir de 1997, na Casa São José para tratamento de saúde e serviços comunitários. Irmão Avelino foi sepultado no cemitério dos maristas, em Viamão.

 

Pobre diabo

Wilson João

Observar as crendices populares faz com que reflitamos o quanto estamos longe da evolução humana

 

Não estou preocupado em saber se o diabo existe ou não. Nem perderei tempo em saber. Acho ridículas as pessoas que fazem questão que ele exista. Que falam dele. Que imaginam como ele é. Que acham que o diabo é aquilo que os artistas criam e pintam. Uma coisa é certa: a irresponsabilidade pessoal faz criar diabos, bodes expiatórios, astros que comandam, números que determinam, espíritos que guiam, despachos que purificam.

CULPAR OS OUTROS É MAIS FÁCIL. Nossos olhos vêem todos os dias, e nossos ouvidos escutam a toda hora pregadores que usam o diabo como instrumento da preguiça e da irresponsabilidade humana. É mais cômodo culpar o diabo pela doença, pelo desemprego, pela separação do casal, pela guerra, pelo sofrimento humano, pela perda no negócio. É muito mais fácil um pregador mágico explorar a fraqueza humana com gritos de "eu te ordeno... saia dessa pessoa, demônio!" Observar as crendices que atribuem a culpa aos diabos, espíritos, astros, números, fetiches, faz refletir o quanto estamos longe da evolução humana! A era da informática está misturada com a era da pedra lascada. Cabeça de gente evoluída e coração de gente das cavernas.

EU SOU O ÚNICO RESPONSÁVEL POR MIM MESMO. Nem Deus interfere em mim. Minha vida e minha responsabilidade são intransferíveis. Ninguém responde por mim. Essa é a grandeza humana. Meus atos nascem em mim, nascem em mim as idéias e as emoções, os desejos e os projetos, e sou eu que devo assumir suas conseqüências. As pessoas amigas e profissionais podem ajudar, mas nunca irão entrar em mim, resolvendo minhas situações. Meu corpo não é lugar de espíritos encostados e nem de diabos encarnados. Se isso acontecesse, Deus seria um carrasco brincando com a liberdade humana. Em mim não se escondem entidades estranhas. Em mim habita meu passado, presente e futuro. Habita dentro de mim meu consciente e meu inconsciente, que ainda desconheço noventa por cento, e por isso, é mais fácil atribuir a responsabilidade a alguém fora de mim do que assumir o poder de meu inconsciente.

SOMOS CRIATURAS MARAVILHOSAS. Apenas utilizamos cinco a dez por cento do que somos. E porque ainda não nos conhecemos, estranhamos quando alguém foge desses cinco por cento e se manifestam em nós fenômenos estranhos. Logo atribuímos a algum demônio, gênio ou espírito reencarnado, quando nada mais é do que a manifestação da riqueza e da potência de nosso inconsciente, que nem sempre conseguimos controlar. Somos criaturas que não imaginamos o quanto somos capazes. Mas, porque temos medo de nós mesmos, ficamos fechados em nossa pequenez, lamentando e vivendo estagnados no dia–a–dia.

 

CORREIO SABE–TUDO

A MAIS BELA ESTAÇÃO

Primavera é sinônimo de flores nos jardins e pássaros cantando

 

A primavera iniciará à 01h03 do próximo dia 23 de setembro. Os dias começarão a ficar mais longos e quentes. Esta é considerada a mais bela das quatro estações do ano. As folhas e flores voltam a crescer nas árvores, os animais saem das suas tocas, a natureza parece despertar.

Você sabe como ocorrem as estações? Elas são conseqüências do movimento de translação da Terra, ou seja, a volta que o planeta dá em torno do Sol. É comum ouvir que o verão ocorre porque a Terra está mais próxima do Sol e o inverno, ao contrário, quando está mais distante. Porém, não é exatamente isso que acontece.

A órbita da Terra é quase circular, e não tão elíptica como costuma aparecer em ilustrações. Por esse motivo, ela pouco se afasta do Sol. Na verdade, o seu eixo - linha imaginária que une os pólos – é que é inclinado. Isso faz com que o Hemisfério Sul receba mais energia do Sol durante um semestre e o Norte, no outro. Isso significa que os raios solares chegam ao planeta com diferentes inclinações durante o ano. É esta diferença na inclinação dos raios solares que determina as estações.

O dia em que um dos hemisférios recebe o maior ou o menor tempo de insolação é chamado de solstício de verão ou de inverno, respectivamente. O dia em que os hemisférios recebem o mesmo tempo de luminosidade é chamado de equinócio de primavera ou de outono.

 

Equador tem clima ameno

 

Quem mora próximo à linha do Equador, como os habitantes das regiões Norte, Nordeste e Centro–Oeste do Brasil, estranha essa convenção de quatro estações. Lá, eles identificam claramente apenas duas estações: o inverno – e nem é porque faz frio, mas porque chove muito nesse período – e o verão, marcado pela estiagem. Primavera e outono, só de ouvir falar!

Próximo à linha do Equador, os raios solares têm as menores inclinações. A duração das noites e dos períodos claros do dia é equivalente. Portanto, não existe durante o ano grande alteração na posição da Terra em relação ao sol. Por esse motivo, nessas regiões não há tanta variação climática. Já nas áreas que ficam acima do Trópico de Câncer e abaixo do Trópico de Capricórnio, nos extremos do planeta, ocorre justamente o contrário, as quatro estações são bem demarcadas.

 

As árvores merecem respeito

 

Em 21 de setembro é Dia da Árvore no Brasil. Os Estados Unidos homenageiam a árvore em 22 de abril. Lá, a data coincide com o aniversário de J. Morton, morador de Nebrasca que incentivou o plantio de árvores.

No Brasil, a escolha do Dia da Árvore foi influenciada pelos hábitos indígenas. Eles costumavam cultuar as matas na época das chuvas ou quando preparavam a terra para semear. Então, adotou-se o dia 21 de setembro para celebrar as árvores.

Um fato curioso é que, por razões climáticas, o Norte e o Nordeste do Brasil cultuam a árvore na última semana de março. Este período marca o início das chuvas naquelas regiões, e não como acontece no resto do país.

Árvore é sinônimo de vida, fornece madeira, papel, carvão, substâncias medicinais, frutos etc. Além disso, ajuda a proteger o solo e os rios, fornece oxigênio. Por tudo isso, ajude a preservá-las!

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Marilene Dorneles

Jornalista, Porto Alegre–RS

 

Marilene Dorneles, ítalo-lusa, revela características somáticas e psíquicas de italianidade. Recordando a comida, o afeto, a prece e a tranqüilidade da nona, declara:

 

"Nasci e vivi até os 15 anos em Monte Bérico (Veranópolis–RS). Penúltima de nove irmãos. Sou italiana de mãe, de avós maternos e duplamente de pai e avós paternos, porque o pai, luso, fala, vive e transpira vivências italianas, mais que qualquer italiano.

Em criança, adorava estar na casa da nona Rosália, irmã desse abençoado frei Rovílio Costa. Pena não ter conhecido os avós paternos que, antes de eu nascer, o Pai do céu os chamara junto de si.Na casa da vovó, tudo era especial – fornadas de pão, biscoitos, geléias, saladas, radici coti, couve, vagens, beterrabas, cenouras, conservas...

Um dia, minhas irmãs e eu disputamos um corninho do pão que a nona apenas tirara do forno. E ela nos ponderou: "Nò far così, tusi, parché a ghe ze tanti paneti, e ve dao un corneto cadauna." E ela distribuiu o paraíso a nossos estômagos de crianças.

Um dia, tia Ilda nos convidou para pegar verduras na sua horta. Ao chegar lá, com minhas manas, exclamei: "Oh! a nona tem bisi! – "Si, si – disse ela – pròpio bisi da magnar.Ma valtri sì i bisi del me core!"

A casa da vovó e as dos vizinhos não tinham luz elétrica. Mas a vovó tinha um liquinho. Era o máximo, pois fazia baita claridade.

Em casa, sempre falamos o talian. Na escola não, porque diziam ser língua de pobres colonos. Hoje, falo também o italiano, mas meu tempero lingüístico é o talian, pois só ele traduz minha vida e história. Com um pedaço de madeira por microfone, falávamos e cantávamos em talian, em casa, dizendo ao mundo – Somos gente como todos, e só nós sabemos falar esta língua neste país de estrangeiros!

Em julho de 2003, concluí Jornalismo na Unisinos, de São Leopoldo-RS. Paguei a faculdade trabalhando. Paralelamente, fiz três anos de italiano na Massolin di Fiori Società Taliana.

Hoje trabalho na EST e, um dia, uma jovem me procurou para lhe ensinar italiano. Aula vai, aula vem, a amizade foi crescendo e a jovem, num descontraído comes–e–bebes, pergunta: "Como se diz, em italiano, ‘eu tenho um carro’?" Sem me dar conta das raízes familiares, que pervadem cada fibra do meu coração, respondi: "Mi go una machina." Em seguida corrigi.Mas, diante da beleza desta mescla de idiomas, a jovem disse: "Vou criar vergonha e vou também eu resgatar a fala de meus pais que, com a vida, deles recebi."

Mas tudo tem sua razão de ser. Convivo dez horas por dia com meu tio, frei Rovílio Costa, que fala, escreve e se comunica, o dia todo, em talian. Ensinando, escrevendo e traduzindo italiano ou talian, meu sonho é ajudar as pessoas a terem o prazer de si mesmas, cultivando o prazer de suas origens.

Sempre busquei saber donde vieram meus bisavós, para obter a cidadania italiana. Em 2000, comecei a pesquisar minhas origens, escrevi várias cartas à Itália, sempre com respostas negativas, até que, um dia, chegou a mais esperada notícia. Ao ver o documento me emocionei e, imaginando a localidade donde saíram esses heróicos antepassados, beijei-o, chorei, gritei e pedi a Deus que os protegesse e cuidasse bem deles.O bisavô, Lélio Bisatto, de Schio (Vicenza), chegou em Veranópolis com 12 anos, junto dos pais Tommaso e Augusta Pretto, e os irmãos Anna, Giácomo, Davide, Gaetano e Ida.Todos os dias atendo pessoas que buscam origens e me envolvo com suas histórias emocionantes.Logo mais serei cidadã italiana, também de passaporte, porque de sangue sempre fui. O grande sonho, agora, é conhecer, tocar, beijar, andar e desfrutar os lugares onde viveram meus bisavós." (maridorneles@hotmail.com)

 

– Marilene, com pai luso (filho de um luso e de uma italiana), integra, espontaneamente, italianidade e lusitanidade (Rovílio Costa).

 

el ritorno De nanetto pipetta (378)

Un serto caval ciamà Pègaso

Mário Gardelin

Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul-RS

 

I criuvensi i gavea reson. Nanetto, suito che’l ga podesto, ze tornà al so palasso al Passo Velho del Rio das Antas. El ga ciapà un libron e el ga vardà la parola Pègaso. El ga lesesto, e eco cossa che l’è vegnesto a saver:

Pègaso ze nato dal sangue de Medusa, che la gavea due sorele – Euriale e Estena. Medusa zera l’ùnica che podea farse veder dala gente. E se ela vardasse a qualche persona, questa se cambiava in sasso. Medusa, al princìpio dela vita, zera na bela tosa, de cavei de oro. Posseidon, un dio dei greci, el ze re del mar, la ga ciapada e portada al témpio de Atene, e lì la ga fata so dona. La dea Atene la ze ndà su le fùrie, parché el so témpio ze stà profanà. Dala ràbia la ga trasformà i bei cavei de Medusa in serpenti: giralache, cascaveie, urutù, corali... E la so fàcia ze restada così bruta che se un poro gramo la vedesse, el restava gramo del tuto, el deventava un sasso. E Medusa la ze ndada in volta par el mondo a far malegràssie. La rivava s’un posto, la se scondea te le capoere, e quando le persone passava, la saltava fora e la urlava:

– Vardé qua, fioi de can!

E i vardava e i se fava sassi. E i ze stai così tanti, che la ga messo su na pedreira e la ga afitada.La ga guadagnà un mùcio de soldi. Ma, in quel posto ghe zera un gran gueriero, de nome Perseu, che’l ga risolvesto farghe la foia a la Medusa. El ga ciapà el scudo e vardàndolo el podea distinguer la bèstia. E la ga copada a spadade. Ze vegnesto fora sangue a sece. E da questo sangue ze nassisto el nostro Pègaso.

Perseu el ga profità el caval e l’è ndà in volta. El ga liberà la Andrómeda, fiola de un re. Un dì, quando Pègaso el bevea aqua in te na fontana, ze stà ciapà da Belerofonte, fiol de altro re, e col Pègaso el ga vinto la Chimera, e le Amàsoni. Belerofonte el se ga impienà de bòria. El ga volesto ndar su in sielo. Ma Pègaso el fa quatro salti e el buta via el pretensioso, che’l ze vegnesto do de tombolon. Pègaso, lora, el ze ndà tanto alto, che’l se ga fermà in medo a le stele. Là i ghe ga dà na stala de oro fiamante. E el se trovava là, quando el Maestro Merlin, coi so incantésimi, lo ga ciamà e messo ai órdini del nostro Nanetto.

E par capirse, bisogna dir che Pègaso fa parte dea mitologia greca. El ze un caval che, in necessità, sa parlar. E el ze anca un gran sapiente.

 

Vita Stòria e Fròtole

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Col baton, nò!

Neuton Antonio Pasin

Santa Maria-RS

 

Francesco Bonfanti, cosin de me pare, el ga bio un gran dis–tùrbio par via de la maniera de pensar de so pare, el zio Inocente Bonfanti, che ghe ciameino zio Sente.Come tuti i lo sa, le fameie taliane le gavea tanti fioi, tuti quei che’l Signor ghe mandesse, e anca parché le done le dovea sempre rispetar la volontà del so omo.

La stòria la scomìssia quando i ga fato su na scola, ma in tel posto no ghe gera maestro. Quei che i savea depì, i savea leder e scriver e far conte sol pa’l guasto.La solussion ze stà dimarghe al sìndaco de Encantado che el ghe mandesse la maestra. E lu volentiera el ghinà mandà una.

E qua riva Checo, cusin de me pupà, un tosaton, medo moro e forte, tute le tose lo catea el toso pi bel del posto. A la doménega, inte la benedission dela scola, presente anca el Sìndaco che el gavea portà la mùsica de Encantado, i ga presentà la nova maes–tra, la Clementina Ravàsio, na bela tosata, su i disdoto ani, con un bel vestì de seda fiorio, le scarpe de taco alto, calseti longhi che i lassea le gambe bele e lise, le man le parea de seda e co le onge pintae, i cavei alti ben petenai, quando la ridea la mostrea due file de denti bei, bianchi come el late.I lavri anca i gera pintai de rosso, nò tanto forte. In te le massele se vedea che la gavea passà poderois. Bela fadiga, Checo, postà là in fondo, co’l vede sta maraveia de dona, el se ga inamorà suito. El disea ai so compagni: – Gavio visto la maestra? La ze pròpio de quele robe de portàrsele casa sensa dimandarghe el prèssio.

La dificoltà più granda l’era come parlar con so pare.Un omo de testa dura come un sasso, piena de idee antighe come Matusaleme. Par lu le done no le podea pintarse; scarpe col taco alto come le cavre, gnanca pensàrsela; petenarse sol col cocon, e così via. Un giorno, Checo el se ga dito: "Bisogna che faga coraio par dirghe al pupà che vui maridarme co la maestra Clementina, sinò riva na poiana e la mena via la me maestrina". No ghe ga ocoresto parlar tanto, parché al verder la boca par dir el nome de la maestra, el ghe ga dito: – Ma gnanca par órdine del Papa, un fiol mio no’l se maridarà mai co una dona che pinta i lavri, che, come i dise, la dòpara baton. E finio, no ocor pi dir gnente.

Par quel di, Checo el ga tasesto, ma lu no’l molea l’idea de maridarse cola maestra, gnanca che fusse a scondion de so pare. Dopo el pensea, ma anca barufar col pupà o la mama par via de maridarse, i dise che sucede disgràssie. Si, pol esser vero, ma mi ghe vui tanto ben, e vui maridarme con ela, da che anca ela la me vol ben e la vol maridarse co mi.

Passà poco pi de un mese, dopo de ver parlà la prima volta con so pare, Checo el se dise, me toca proar nantra volta. E na note, dopo ver dito su la corona, e ghe parea che so pare el gera de luna bona, el va drito al afar dela maestra. L’è stà un spavento. Parea che so pare el gavea induvinà, no lo ga assà gnanca verder la boca. Cativo, el ghe brava: – Te lo go dito che la gera finia. Na dona col baton e tuta pintada la ze na putana, e un fiol de Inocente Bonfanti no’l se maridarà mai co na dona de queste. El fiol el ghe dise: – Vedarì se no me marido. E là i ga tacà barufar, ma quando el zio Sente el ga alsà la man par darghe un par de sberle, Checo l’è scampà via de casa sol co la roba del corpo.

Me pupà, quando el ga savesto de sto afar, e come Checo no’l gavea ndove ndar, lo ga invità a vegner star co noantri, fin che’l se maridesse. Dopo sei mesi i se ga maridà, i ze ndai star in te nantro posto, ndove la Clementina la ga seguità far la maestra. E par quel che mi go savesto, i ze stai sempre contenti e volesto ben.

(Testo de Silvino Santin, stòria contada par Neuton nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria).

 

GERAL

Estado concluí projeto para asfaltar municípios gaúchos

Projeto deve consumir US$ 300 milhões

 

Os 118 municípios gaúchos sem acesso asfáltico estão comemorando a finalização do projeto e a contratação de US$ 300 milhões em financiamentos externos que permitirão o asfaltamento de 1.700 quilômetros de estradas. Entre os beneficiados, por exemplo, constam 40 km da RS 126 (Nova Araçá/Guabiju/São Jorge/Ibiraiaras), iniciada em 1990.

O plano também prevê a conclusão das RS 471 e RST 481. Esses avanços foram apresentados pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) à Comissão dos Municípios sem Acesso Asfáltico, após reunião com o governo do Estado na última semana.

O projeto havia sido apresentado, no ano passado, pelo governo gaúcho em Washington (EUA). Pela proposta de financiamento, metade dos recursos (US$ 150 milhões) viria do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Já dos outros US$ 150 milhões, US$ 75 milhões seriam a contrapartida do governo do Estado e os US$ 75 milhões restantes de outros bancos internacionais.

Segundo o presidente da Comissão e prefeito de Boqueirão do Leão, João Davi Goergen, falta enviar o projeto aos ministérios do Planejamento e da Fazenda. "Temos urgência neste projeto, pois os municípios não podem mais ficar sem asfalto", destaca Goergen.

O presidente da Comissão informou que os prefeitos farão uma forte mobilização no interior, com a coleta de assinaturas da população, para ressaltar junto ao governo federal a importância social e econômica do projeto que estende o asfaltamento aos municípios.