DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.008 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 04 de outubro de 2006.
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Urnas enviam recado de insatisfação e incertezas
Brasileiro quer mais debate, reconduz velhas "raposas" ao cenário político e elege envolvidos em escândalos
O resultado das urnas não se contesta. Mas é importante ser avaliado e discutido. E as eleições deste ano, em seu primeiro turno, oferecem um amplo e diversificado cenário para análise e projeções.
O segundo turno para eleição presidencial é um recado explícito de expressivo percentual do eleitorado que não está satisfeito e deseja, no mínimo, que o debate entre os candidatos seja ampliado. Ao mesmo tempo, equivale a uma nova chance para que uma série de denúncias, de mensaleiros a sanguessugas e, em especial, o dossiê Cuiabá – a tentativa de compra de informações por integrantes do Partido dos Trabalhadores para prejudicar os tucanos José Serra – eleito governador paulista em primeiro turno – e Geraldo Alckmin, que disputa o segundo turno ao Palácio do Planalto com Luis Inácio Lula da Silva.
As urnas também revelaram um eleitor votando no candidato e não no partido. Se essa decisão é bem recebida por um lado, na medida em que remete um aviso claro contra o corporativismo partidário e manobras escusas, por outro não exclui escolhas no mínimo preocupantes. O ex-governador Paulo Maluf, que obteve a maior votação à Câmara Federal no país, é apenas um dos exemplos que retiram completamente do horizonte a perspectiva de mudanças no Congresso Nacional.
O brasileiro não está contente. Mas não esclareceu com a necessária evidência o futuro que deseja. Esta dúvida poderá ser dirimida no dia 29 de outubro, no segundo turno para presidência da República e em vários Estados, entre eles os três do Sul.
Outra incerteza, no entanto, deverá perdurar por tempo indeterminado. Depois de varrer do mapa político várias raposas na eleição de 2002, o eleitor agora está mantendo algumas, caso do senador José Sarney, trazendo outras de volta – casos já citados, aos quais se deve acrescentar o ex-presidente e senador eleito por Alagoas Fernando Collor de Mello – e reconduzindo envolvidos com escândalos. Como o Congresso é o espelho de uma nação... Menos mal, no entanto, do que se prevalecesse a campanha pelo voto nulo.
Hospital Fátima amplia estrutura
Entidade atende há 50 anos Flores da Cunha e municípios da região
Melhorar a infra-estrutura para ampliar o atendimento regional e investir no capital humano, isto é, médicos e funcionários, são os principais objetivos do Hospital Nossa Senhora de Fátima. Instalado em Flores da Cunha, tem potencial para atender 100 mil pessoas por ano de sete municípios da Serra gaúcha. "A modernização torna desnecessária a procura por serviços em outros hospitais", diz o diretor administrativo, Hugo Antonio Pan.
Para os primeiros meses de 2007, está prevista a inauguração do centro de diagnóstico por imagem, no segundo piso. O terceiro andar será o local de funcionamento do bloco cirúrgico, com quatro salas e equipamentos modernos. Em 2006, ano em que completa 50 anos, a instituição entregou o pronto-atendimento 24 horas, o primeiro da microrregião. A área ampliada exigiu R$ 2,7 milhões em recursos próprios e aumentou em 30% a estrutura física do hospital.
O Hospital Fátima é um dos poucos do Estado em que sobram vagas. De acordo com o diretor administrativo, 60% dos mais de 80 leitos (ver tabela baixo) são destinados ao Serviço Único de Saúde (SUS). O restante é voltado a particulares e convênios. "Atualmente, apenas 30% dos leitos são ocupados pelo SUS", informa Pan ao CR.
Comunitário – Idealizada pelo ex-prefeito Raymundo Paviani, a Sociedade Beneficente Hospitalar Nossa Senhora de Fátima, que tem participação efetiva da Mitra Diocesana, começou com uma reunião comunitária, em 8 de julho de 1956. À época, o município dispunha de um posto de saúde e de um hospital particular. A construção iniciou em 1959. Em 13 de maio de 1960, foi abençoada a primeira parte da instituição de saúde.
A segunda etapa iniciou na década de 1970, quando novos leitos e alas foram acrescidos à estrutura. Em 1995, foram anexados mais 12 apartamentos ao prédio. No ano passado, foi dado o primeiro passo na construção do pronto-atendimento, entregue no dia 20 de agosto passado à população regional.
UCS ganha acervo do Projeto Documenta
O Projeto Documenta, acervo que versa sobre os usos e costumes regionais, agora estará permanentemente aberto para visitação pública no bloco U da Universidade de Caxias do Sul (UCS). O acervo foi doado à instituição pela pesquisadora caxiense Véra Stedile Zattera. A mostra histórico-cultural é composta por mais de 2 mil peças, com um valor estimado em R$ 1,5 milhão.
A exposição contempla quatro aspectos da cultura regional; a Itália, o Brasil, o Rio Grande do Sul e a Serra gaúcha, além de obras de renomados artistas, como Aldo Locatelli e Xico Stockinger. Comporta ainda vestuário, livros, documentos, cenários, desenhos, pinturas, gravuras, esculturas, fotografias e manequins, somando objetos antigos e reconstituídos. Vera salientou que a doação não enrijece a mostra, "mas dá liberdade à UCS em agregar novas peças, outros projetos". A mostra pode ser prestigiada nas terças, quartas e quintas, das 14h às 18h, e nas sextas das 9h às 12h.
Risoterapia, a cura através da gargalhada
Rir, auto-estima, amor próprio e qualidade de vida sintetizam terapia
"Rir é o melhor remédio." Essa expressão, popular e antiga, nunca foi tão atual e está sendo levada a sério por 2.500 clubes da risada espalhados pelo mundo. O riso agora é considerado terapia, comprovada por estudos médicos e com resultados surpreendentes. A risoterapia é praticada há mais de 4.000 anos em países orientais, como a China, o Japão e a Índia.
A risoterapia como método terapêutico existe desde a década de 60. O médico americano Hunter Adams, conhecido como Patch Adams, implantou o método em hospitais e escolas na década de 60. Considerado o "pai da terapia do riso", era comum ver Adams atender seus pacientes com nariz vermelho ou peruca de palhaço.
O clínico geral e homeopata Eduardo Lambert, autor do livro Terapia do Riso – a cura pela alegria, considera o riso como uma terapia complementar que auxilia na melhora do estado emocional e orgânico das pessoas, em pacientes dos mais diferentes tipos de enfermidades. "O simples esboçar do sorriso ou gargalhada estimula o cérebro a produzir substâncias com poder analgésico e que proporcionam sensação de bem-estar", declara o médico.
A especialista caxiense em risoterapia, Rosa Michelon, considera o riso um grande estimulador. "Em segundos, o riso sacode o corpo, da cabeça aos pés", afirma. É o riso o responsável por mandar a ordem para o cérebro, através do hipotálamo, que sintetiza as endorfinas, mais precisamente as betas endorfinas. Essas substâncias, que são produzidas nos momentos de bom humor e conseqüentemente do riso, são analgésicas.
O riso ou a gargalhada, e quanto mais intensa melhor, cria uma onda vibratória que propicia, de imediato, relaxamento corporal que se estende para todo o corpo, dando sensação de bem-estar físico, mental e emocional. "Protege e previne enfermidades. As endorfinas estimulam o sistema imunológico contra reações alérgicas, bactérias e vírus e melhoram a capacidade respiratória e a pressão arterial", explica Rosa.
Antídoto – O sorriso é o antídoto do mau humor. A infelicidade e o mau humor tornam a pessoa triste e deprimida e, consequentemente, afetam o organismo. Já a alegria e o otimismo geram simpatia que contagia e ajuda a viver mais e melhor. "Uma criança ri 400 vezes ao dia; o adulto, apenas 15", revela a terapeuta caxiense. O riso também emagrece. "Para rir, o corpo aciona 28 músculos da face e queima de 10 a 11 calorias, mas depende da intensidade", diz Rosa ao Correio Riograndense.
No trabalho, ensina Rosa, o riso estimula a produtividade. A pessoa que gosta do que faz, do ambiente e dos colegas, produz mais e melhor. "Quem ri é mais produtivo, mais criativo, comunicativo; toma as decisões mais rápido; fica menos doente e até comete menos acidentes", afirma.
Já são 2.500 clubes da risada no mundo
Hipócrates, o pai da medicina, no século IV a.C. já utilizava animações e brincadeiras na cura de pacientes. O naturalista Charles Darwin, pioneiro no estudo dos movimentos expressivos da comunicação não-verbal, classificou o sorriso e o riso entre os movimentos expressivos inatos e universais.
Os bons resultados da risoterapia impulsionaram a criação dos clubes da risada. O primeiro deles surgiu em 1995 pelas mãos do médico indiano Madan Kataria, em Mumbai (ex-Bombaim), onde a técnica é praticada em parques e ao ar livre. "Nesses locais as pessoas se reúnem para dar risada", relata Rosa Michelon, que pesquisa o tema desde 1986 e atua junto à Clínica Partner, em Caxias do Sul.
Movimento – No ano de 1995 também foi fundado o Movimento Mundial do Riso. A entidade conta com cerca de 2.500 clubes da risada (rir sem motivos) espalhados em todos os continentes. "Quanto mais estudo o assunto, mais as propriedades medicinais do riso demonstram ser variadas e surpreendentes", conclui a terapeuta.
A terapia da risada é baseada em práticas da ioga oriental e novos conhecimentos da gelotologia, a ciência ocidental do riso (gelos, palavra grega, significa riso). Mais informações pelo telefone (54) 3215 5870, pela manhã.
Força da vida está na espontaneidade do sorriso
A timidez impedia Emerita Corrêa, 40, de comunicar-se. Morando em Caxias do Sul, conheceu a risoterapia num período difícil em sua vida. Dois anos depois, encara o dia-a-dia sem medo e de bom humor. "A risoterapia mudou a minha existência. A alegria é a força da vida", assegura. "Deve-se rir sempre, de tudo e até de nós mesmos", complementa.
Como, então, se chega às gargalhadas? A estudiosa caxiense Rosa Michelon explica que a terapia consiste em 40 minutos de explanação sobre a importância da alegria e dos benefícios de gargalhar para obter melhor qualidade de vida.
A terapia consiste basicamente em fazer com que as pessoas riam. No início, a risada é induzida de forma artificial e, posteriormente, o riso se transforma em algo natural, espontâneo. A risada é considerada o melhor remédio para combater a principal doença do tempo atual: o estresse – responsável por mais de 70% das doenças.
Embora a prática seja recente no Brasil, a especialista Rosa Michelon lembra que alguns projetos são conhecidos da população, como "Doutores da alegria" e "Espanta dodói", desenvolvidos em hospitais.
Prática – A terapia ensina que a pessoa deve amar-se, estimar-se e valorizar-se. Precisa cultivar o bom humor e praticar o bem, viver com paz na consciência e o presente, com entusiasmo. Deve-se falar de assuntos alegres, dar sentido à vida e ter atitudes positivas frente aos problemas.
Também é preciso dialogar, "pois é conversando que as pessoas se entendem"; amar a Deus, o próximo como a si mesmo e a natureza; semear sementes que rendem bons frutos e espalhar otimismo, que gera simpatia, que move o mundo.
Com o bom humor a comunicação melhora; a aceitação mútua cresce; o ambiente fica mais interessante; a frustração tem encaminhamento mais adequado; as pessoas ficam mais felizes "mesmo sem aumento salarial"; a produtividade tende a aumentar e a vida fica mais fácil.
Avaliação destaca vinhos de 32 empresas
Evento recebeu 252 amostras de 63 vinícolas de quatro Estados
Das 63 vinícolas gaúchas (58), catarinenses (2), paranaense (1) e pernambucanas (2) que participaram da 14ª Avaliação Nacional de Vinhos, realizada dia 23 de setembro em Bento Gonçalves e São Paulo, 32 tiveram seus produtos selecionados. A relação dos 78 vinhos premiados (ao lado) equivale a 30% das 252 amostras inscritas, conforme norma da Organização Internacional do Vinho.
A Vinícola Salton, de Bento Gonçalves, é a que teve o maior número de vinhos selecionados: 13. A segunda mais destacada é a Vinícola Perini, de Farroupilha, com nove. Seguem-se a Fortaleza do Seival, com seis, e Casa Valduga, Giacomin e Miolo, com cinco.
Representando os 78 vinhos selecionados pela análise de 81 enólogos, 16 foram degustados por 900 pessoas – 700 em Bento e 200 em São Paulo. Desses 16, os que tiveram as notas mais altas, de acordo com a média dos enólogos, foram o merlot da Miolo, que alcançou 89; o tannat da Salton (88,5); o merlot da Lovara, o merlot da Dom Cândido, o cabernet sauvignon da Vinícola da Paz, o carmenère da Vinícola Perini e o syrah, da Vila Francioni, 88.
Das 252 amostras inscritas na edição deste ano, 171 foram de vinhos tintos e 55 vinhos brancos, divididos em 39 não aromáticos e 16 aromáticos. Pela primeira vez, incluiu-se no evento a categoria vinho base espumante, com 26 amostras inscritas. A variedade cabernet sauvignon liderou o número de inscrições com 55, seguida da variedade merlot, 36; tannat, 23; chardonnay, 16; entre outras.
Divulgação – O enólogo Carlos Abarzua, que participou da avaliação em São Paulo, acredita que a iniciativa vai abrir o caminho para os vinhos gaúchos no centro do país. "O evento deverá repercutir no próximo ano e divulgar o vinho naquela região", aposta.
Com 174 medalhas conquistas só em 2006, o enólogo acredita que o produto nacional tem identidade e qualidade para incrementar as vendas internas e externas. "O que falta é mais incentivo para o empresário exportar e um pouco mais de nacionalismo ao consumidor brasileiro, reconhecendo que o vinho daqui tem qualidade internacional", opina Abarzua.
Aviários do país terão cadastro único
Ministério mapeará as granjas para controlar as doenças avícolas
O avicultor precisa estar atento. Os estabelecimentos aviários serão cadastrados em um sistema único. O projeto é da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Será executado pela Embrapa Agropecuária, de Campinas (SP). O Mapa pretende uniformizar os dados de localização, a quantidade de estabelecimentos, de animais e o tipo de criação, de todas as granjas avícolas.
A previsão é de que até o fim do ano todos os estabelecimentos aviários, sejam granjas de corte, de postura, matrizeiros, produtores de pintos e criações comerciais caipiras, entre outros, estejam cadastrados em um sistema único. Estados, como o RS, dispõem desses dados. "Mas os registros não são feitos de forma única", explica o coordenador do Programa Nacional de Sanidade Avícola, Marcelo Mota. A idéia é uniformizar o banco de dados, a partir do envio de informações dos Estados e de entidades do setor.
Já o trabalho da Embrapa é desenvolver um software que contenha o cadastro de cada granja, o tipo de produção, o produtor, número de animais e sua localização no país, a partir de fotos de satélite e dados de latitude e longitude, que serão fornecidos pelos estabelecimentos, Estados ou associações, além dos dados que o Ministério possui.
Emergência – A localização, com coordenadas do sistema de posicionamento global, além de uma exigência das agroindústrias, é muito importante em caso de alguma emergência sanitária. "Com tais informações em mãos, se houver, por exemplo, ocorrência de gripe aviária no país, as medidas de emergência ganham agilidade", assegura o pesquisador da Embrapa Silvio Evangelista.
De acordo com Evangelista, em um minuto é possível localizar no mapa o aviário ou propriedade com suspeita de contaminação e todas as outras granjas próximas.
Conforme o coordenador do programa do Mapa, a partir da visualização da área atingida pode-se tomar providências previstas no Plano Brasileiro de Prevenção à Influenza Aviária e Newcastle, como isolamento da área, medidas de vacinação e de vazio sanitário.
Concluído, o programa de computador da Embrapa (software) será colocado à disposição de todas as secretarias de Agricultura do país.
TRS garante seguro para a uva e milho
Parceria do Estado com seguradoras garante a cobertura das safras de milho e uva 2006/07. O Seguro Agrícola Básico para o Milho Integrado ao Troca-Troca de Sementes cobre prejuízos em lavoura de agricultores familiares em decorrência de estiagem, granizo ou outras ocorrências climáticas.
Já o Seguro Agrícola Solidário para a Uva indeniza o produtor no caso de incidência de granizo. "O seguro é um programa abrangente, sendo vital para a sustentação de culturas importantes para o agronegócio", avaliou o secretário da Agricultura, Quintiliano Vieira. O Estado concede cerca de 90% e 50% de subsídio ao seguro do milho e da uva, respectivamente.
País perde US$ 1,34 bi na pós-colheita
As perdas do Brasil na pós-colheita chegam a US$ 1,34 bilhão por ano. Os principais entraves para o escoamento da safra estão concentrados em três pontos: armazenagem, estradas e portos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A capacidade estática de armazenagem está em 114,4 milhões de toneladas, para guardar a safra que ultrapassa os 120 milhões de toneladas.
A distribuição dos armazéns no país está 50% na zona urbana, 32% na zona rural (grandes estruturas, cooperativas e outros), 13% nas propriedades e 5% portuária. Somente em relação à capacidade de armazenagem na propriedade, quando compara-se o Brasil (13%) a países como a Argentina (35%) e EUA (65%) é possível dimensionar o tamanho do problema na safra de grãos.
Este é o cenário que vai orientar os debates na Conferência Internacional de Proteção de Produtos Armazenados, que será realizada de 15 a 18 de outubro, em Campinas, interior de São Paulo.
Na logística, o país conta com malha ferroviária construída há mais de 100 anos, controlada pela indústria de minérios. Nas rodovias, a situação é ainda mais difícil, com a falta de recursos para manutenção. "Contudo, o Brasil oferece condições naturais para o transporte aquaviário que precisam ser melhor aproveitadas", avalia Edison Vianna Júnior; do Ministério dos Transportes.
Mais informações www.embrapa.br/9thIWCSPP.
Setor frutícola vai investir R$ 3,8 bi
Com o objetivo de aumentar a utilização das linhas de crédito para o segmento frutícola, o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf) e o Banco do Brasil assinaram convênio para a adoção do Programa de Financiamento da Fruticultura. A meta é investir R$ 3,8 bilhões até 2010.
O Ibraf atuará no mapeamento das regiões produtoras e o BB disponibilizará os recursos. O BB Fruticultura é dirigido à cadeia frutícola, desde agricultores familiares até cooperativas, agroindústrias e exportadoras.
As linhas de crédito disponíveis podem ser utilizadas para a instalação da cultura, tratos culturais, capital de giro, matéria-prima, comércio exterior, infra-estrutura, comercialização, rastreabilidade e certificação.
Engº. Agrº. José Zugno
Diferença entre geada e congelamento
Por que o gelo formado pela irrigação não queima os brotos e frutos novos, ao contrário da geada que queima frutos e brotos? Qual o princípio que explicaria essa diferença?
João Carlos Fontana
Caxias do Sul – RS
Para entender a formação da geada convém levar em conta os estados físicos da água (vapor, líquido e sólido) por influência da temperatura. Nas condições normais de temperatura a água é líquida como vemos nas fontes, rios, chuvas, mares, na seiva das plantas, no sangue dos animais etc. A temperatura elevada provoca evaporação da água que podemos constatar deixando ferver água numa chaleira. A fumaça é vapor de água que conhecemos como umidade do ar atmosférico. Continuando a fervura, todo o líquido passa para o estado gasoso. Faltando calor, a temperatura baixa fazendo a umidade do ar voltar ao estado líquido. É por esta razão que as previsões do tempo anunciam chuva quando se aproxima a massa fria provinda da região polar. É a mesma razão que provoca a formação de orvalho que costumamos ver de manhã cedo cobrindo vegetação baixa. O calor do sol que se acumula durante o dia, no solo e nas plantas, à noite se dispersa por irradiação, baixando a temperatura que transforma a umidade do ar em orvalho.
Se a temperatura baixar mais, aproximando-se de 0ºC, ocorre a solidificação da água, formando gelo na superfície dos vegetais. É a geada, que pode ser definida como o congelamento do orvalho.
Na solidificação da água ocorre um fato muito importante. Até 4ºC, a água líquida atinge o menor volume, e à medida que vai abaixando a temperatura, inicia-se o processo de solidificação, que se completa a 0ºC, formando o gelo. A água no estado sólido (gelo) ocupa maior volume que no estado líquido. Este fato constitui uma exceção à regra geral que diz que os corpos adquirem menor volume quando se solidificam. Constata-se o fato com uma simples experiência: colocando no congelador uma garrafa de água bem cheia e fechada ou uma garrafa de vinho. Ao congelar-se o volume do líquido aumenta exercendo pressão interna até o ponto de explodir a rolha ou quebrar a garrafa.
Levando em conta as considerações feitas acima compreende-se a formação de geadas e a explicação do congelamento da água aspergida.
Tipos – Existem dois tipos de geadas: geada branca e geada negra. Duas condições fundamentais para que se forme a geada: a noite deve ser calma e o céu limpo e temperatura baixa.
A geada branca ocorre porque o calor solar que se acumula durante o dia no solo e nas plantas, à noite perde-se por irradiação, e o frio resultante liquefaz e congela a umidade do ar. Este tipo de geada é altamente prejudicial para as plantas de clima tropical, como as bananeiras, os mamoeiros etc, e menos prejudicial para as plantas de clima subtropical, como as cítricas. As plantas de clima temperado, como os pessegueiros, as videiras, as figueiras etc, são resistentes à geada branca quando esta acontece no inverno. Para estas plantas a geada branca só causa prejuízo quando ocorre tardiamente, na primavera, atingindo as brotações novas.
A geada negra, extremamente prejudicial a todas as plantas, ocorre quando existe baixa umidade do ar e frio intenso. Nestas condições produz-se o congelamento do conteúdo celular dos vegetais, com destruição total dos seus tecidos. O termo é negra, porque os tecidos destruídos se apresentam enegrecidos dias depois.
No seu caso, a irrigação por aspersão é um dos processos indicados para proteger as plantas das geadas. Isto porque a água tem a propriedade de absorver o calor e o libertar vagarosamente. Sendo assim, caso aconteça o congelamento, este é superficial e as partes internas da planta ficam protegidas.
São Marcos, cidade sobre rodas
Município registra um caminhão para cada grupo de 16 habitantes
De 6 a 16 de outubro, São Marcos, na Serra gaúcha, realiza o seu mais importante evento. A 35ª Festa de Nossa Senhora Aparecida e dos Motoristas tem seu ponto culminante dias 14 e 15, quando milhares de motoristas se reúnem para confraternizar e demonstrar a religiosidade da categoria.
São Marcos se destaca no Brasil pela histórica vocação ao transporte. "Está no sangue", diz Henrique Dal’Lago, presidente da Associação dos Motoristas São-Marquenses (AMSM). E está também nos indicadores econômicos do município.
Levantamento realizado pelo vice-prefeito Sérgio Miotto chega a uma conclusão impressionante: o transporte gira a metade da economia são-marquense. Detalhando: a indústria participa com 56,3% do PIB local. E 60% (ou 33% da economia) delas atuam no segmento metal-mecânico e de auto-peças voltado ao transporte rodoviário. De forma direta, as empresas de transporte de carga participam com 8,18% na economia de São Marcos. A fatia do comércio nesse bolo é de 12% – grande parte dela formada por lojas ligadas ao transporte. "O transporte movimenta 50% de nossa economia", calcula Miotto, lembrando também de outra característica da economia local: o agronegócio responde por expressivos 24%.
Proporção – A relação veículo-habitante é outro diferencial são-marquense. O município tem registrados 1.323 caminhões e população de 21.250 (estimativa do IBGE/julho/2006). A proporção, portanto, é de um caminhão para cada 16 pessoas. Pouco? No Rio Grande do Sul, Estado com tradição no transporte rodoviário, a proporção é de um caminhão para 72,7 habitantes. Para chegar a 1 por 16, teria de multiplicar por 4,5 a frota, que era de 149.056 em dezembro de 2005. A distância é muito maior em termos nacionais: o Brasil tem em média um caminhão por 125 habitantes. Para se equiparar a São Marcos, precisaria de 11,7 milhões de caminhões – a frota atual, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, se aproxima de 1,5 milhão.
Dal’Lago acrescenta um dado importante a essas comparações: "Nem todos os caminhões das transportadoras locais são registrados aqui. Se fossem, poderiam acrescentar 300, 400 nesse cálculo", estima. A proporção, com isso, se aproximaria de um caminhão por 10 habitantes.
De qualquer forma, se toda a população do município tivesse que fazer um passeio sobre rodas, sobraria lugar para levar milhares de pessoas de outras cidades. Trafegam com placas de São Marcos 6.640 carros de passeio – automóveis e caminhonetes. A proporção é de um carro para 3,2 pessoas. Outros municípios, como Caxias do Sul e São Paulo, apresentam proporção de um por 2,5 ou 3 pessoas, mas incluindo todo tipo de veículo – moto, caminhão, ônibus...
Festa para 20 mil
Presidente da AMSM espera 20 mil pessoas na 35ª Festa de N. Sra. Aparecida e dos Motoristas. Henrique Dal’Lago visitou o CR para divulgar o evento acompanhado da rainha Catiane Fredrez, das princesas Cheila Michelon Silva e Renatta Vitto e do festeiro Darci Menegon. A Festa, promovida pela entidade e pela paróquia, com apoio da Prefeitura Municipal, tem extensa programação (leia página 9) religiosa, esportiva e social. Destaque para a procissão motorizada, torneio de futebol entre motoristas de 12 cidades e shows.
Discursos, perdão e tolerância
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Reação muçulmana a uma citação do Papa demonstra que todo cuidado é pouco ao pisar na terra santa do coração alheio... e que o diálogo inter-religioso, tão desejado por todos,ainda se encontra bastante incipiente e frágil
Agora já passou o calor maior da polêmica e talvez não fosse mais o momento de se comentar o penoso incidente que envolveu o Papa Bento XVI e a Igreja da qual é Pastor. Uma citação feita pelo Papa em discurso na Universidade de Ratisbona feriu profundamente a sensibilidade do mundo muçulmano e abriu passo a um clima de mal-estar e desentendimentos entre a Igreja Católica e o Islã.
A questão é delicada e o problema suscitado, mais ainda. Em um momento em que os grandes valores éticos mundiais encontram-se ameaçados por uma crise de grandes proporções, as religiões têm sido conclamadas a dialogar e unir forças para lutar juntas pelo resgate da paz, da justiça, de tudo aquilo enfim que constitui a base ética universal.
É triste que justamente dentro deste contexto aconteça algo como o incidente que marcou presença na mídia mundial com força inusitada. A sensibilidade religiosa do Islã é de todos conhecida. Recentes controvérsias, como a da caricatura apresentada em periódico sobre o profeta Maomé e a ameaça que pesou sobre o poeta Salman Rushdie, que usou trechos do Alcorão em seu livro "Versos satânicos", estão bem presentes em nossa memória.
Era de se esperar por parte da Igreja Católica, assim como de qualquer outra Igreja ou agremiação religiosa, um cuidado especial ao usar exemplos e citar fatos referentes ao Islã e, sobretudo, à figura do profeta Maomé, que é constitutivo do credo e da profissão de fé muçulmana.
Por outro lado, o que se assistiu na mídia foi uma demonstração de que o diálogo inter-religioso, tão desejado por todos, ainda se encontra bastante incipiente e frágil. O Islã declarou sua ofensa pelo que havia sido dito pelo Papa. Bento XVI apressou-se em dizer publicamente que lamentava profundamente o ocorrido e respeitava muito os muçulmanos. Na resposta, a subida de tom: isso não satisfazia. Exigiam-se desculpas mais formais.
À atitude intolerante da qual se acusava o Papa, respondia-se com uma atitude no mínimo igualmente intolerante. E como intolerância gera intolerância e violência gera violência, inquietantes sinais começaram a aparecer: manifestações ofensivas em praça pública, ameaças pelos diferentes canais da mídia, o Vaticano cercado de seguranças e soldados portando metralhadoras etc. O que começara como consideração de uso inadequado de expressões que ganhavam tom de ofensa já se transformava em ameaça efetiva de violência pairando sobre Roma e, através dela, sobre toda a Europa.
Parece evidente que o Papa em nenhum momento quis ofender o Islã. Fica patente porém que é preciso ser extremamente cuidadoso ao referir-se à experiência religiosa dos outros. Todo cuidado é pouco ao pisar na terra santa do coração alheio.
Necessário se faz reconhecer também que por parte do Papa houve o movimento de lamentar o ocorrido. Não se pode dizer que tenha ocorrido endurecimento e rigidez em admitir o reconhecimento da ofensa involuntariamente provocada. Seria, portanto, lamentável se o outro lado endurecesse e se recusasse a deter o movimento de intolerância e se fechasse ao diálogo.
O Papa João Paulo II, na entrada do milênio, já pediu perdão ao mundo por todas as vezes em que a Igreja usou de violência, mesmo na defesa da verdade. Este pedido é assumido por seu sucessor, que lamenta o ocorrido e não deseja que prejudique o diálogo com o mundo muçulmano. Essa atitude humilde e respeitosa que a Igreja deseja ter para com as outras religiões ainda tem muito a crescer. É de se esperar que o lamentável incidente de Ratisbona seja ocasião de aprendizagem e crescimento nesse desejo e propósito.
Frei Betto
A indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. Séculos antes de Cristo, Sócrates já observava, nas ruas de Atenas, quantas coisas existiam de que não precisava para ser feliz
Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. "Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc.
A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.
É próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais – manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.
A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.
Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós." O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.
Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais da África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia?
Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela...
Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela, mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.
Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. "Nada poderia ser maior que a sedução" – diz Jean Baudrillard – "nem mesmo a ordem que a destrói."E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.
Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."
LULA E ALCKMIN NO 2° TURNO
Cresce possibilidade de um debate amplo sobre programas e denúncias
Faltou menos de 1,5% para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer no primeiro turno. O presidente que busca a reeleição obteve 48,61% dos votos válidos, contra 41,64% do seu adversário no segundo turno, Geraldo Alckmin (PSDB). Lula declarou um dia após o pleito de domingo 1º que a nova disputa será benéfica para esclarecer o povo brasileiro. "Ninguém, mais do que eu, quer ver tudo esclarecido", afirmou. Ele tentou não demonstrar desânimo, mas estava flagrante a decepção com o resultado.
Há muitos motivos para a frustração do presidente. Poucos dias antes da eleição, todas as pesquisas de intenção de voto davam-lhe vitória no primeiro turno. Mesmo logo após a divulgação do Dossiê Cuiabá – tentativa de compra por integrantes do Partido dos Trabalhadores de um suspeito conjunto de denúncias contra as candidaturas tucanas de José Serra (governador eleito em São Paulo) e Alckmin -, a queda não tirou-lhe esta vantagem. Mas a soma deste desgaste com a decisão de não comparecer ao debate promovido pela Rede Globo 48 horas antes da eleição fizeram o presidente recuar nas pesquisas, tanto que no sábado todos os institutos apontavam a possibilidade de segundo turno.
Aos equívocos da campanha de Lula devem ser acrescentados os acertos do grupo de Alckmin, pregando a necessidade de levar a decisão ao segundo turno para que denúncias pudessem ser esclarecidas. Se elas serão ou não dirimidas, os próximos 25 dias revelarão – o segundo turno será no dia 29 de outubro. Mas, como afirmou Alckmin, também na segunda, "o Lula teve a chance e não soube aproveitar". Independente dos discursos, o certo é que o eleitor brasileiro poderá acompanhar um debate, pelo menos em tese aprofundado, dos programas de cada candidato e, em especial, das acusações mútuas. Lula já antecipou que participa do primeiro, na Bandeirantes, marcado para domingo 8.
Há um ano, Lula vivia envolto em um mar de denúncias de corrupção. Ele é um sobrevivente, como costuma definir-se quando fala de sua infância e de quando sua família não tinha dinheiro sequer para comer. É também um sobrevivente da política e tem demonstrado isso durante o último ano e meio, quando conseguiu superar sem arranhões uma das maiores crises da história republicana do Brasil. Resta saber se manterá o seu pragmatismo e carisma, capas para uma aparente invulnerabilidade, até o final do mês.
Alckmin, ex-governador de São Paulo, tem uma tarefa nada fácil. Em primeiro lugar, precisa recuperar a diferença de sete pontos percentuais, ou cerca de 7 milhões de votos, que o separam de Lula. O cenário passou a ser-lhe mais favorável nos dias que antecederam o primeiro turno, quando cresceu nas pesquisas – que até então mereciam dele descrédito -, enquanto o adversário direto caia. A questão é manter essa curva ascendente até a decisão. "Agora é pé na estrada. Campanha é pé na estrada, é fazer propostas, ouvir a população e garantir que é possível fazer política com ética", declarou.
Apoios – Poucas horas após o desfecho do primeiro turno, Alckmin já recebia sinal positivo de apoio do candidato do PDT, Cristovam Buarque (2,64% dos votos válidos), que deixou o PT há três anos por divergências com o governo Lula – do qual foi ministro da Educação. Heloísa Helena, a concorrente pelo PSol, partido que reúne dissidentes do PT – alguns expulsos, inclusive ela - afirmou que não apoiará nenhum dos dois. Se pender para um lado, com os quase 7% dos votos válidos que somou, pode ter uma influência determinante no resultado.
Cenário – Ao contrário do que projetavam alguns especialistas em política, em especial devido à campanha pelo voto nulo, menos de 6% dos votos foram anulados – o menos percentual em primeiros turnos desde 1989, ano da primeira eleição direta após a redemocratização. E a abstenção para presidente se manteve em patamar normal – menos de 17%.
CLÁUSULA DE BARREIRA
A cláusula de barreira, também chamada de cláusula de desempenho, que estabelece restrições para os partidos que não conquistarem 5% dos votos em todo o país, atingiu siglas tradicionais nestas eleições. Agremiações como PSB, PDT, PPS, PL e PCdoB não conseguiram atender o requisito. Os caçulas PSol, da senadora Heloísa Helena (AL), e PRB, do vice-presidente José Alencar, tiveram desempenho irrisório na disputa para a Câmara dos Deputados. Desta forma, perdem o direito de funcionamento parlamentar pleno, como a participação nas comissões permanentes e CPIs e cargos de liderança. Segundo a cláusula de barreira imposta pela minirreforma eleitoral, passam a ter um minuto de TV, anualmente, e apenas 1% do Fundo Partidário.
NÃO RETORNAM
Entre nomes conhecidos na Câmara Federal, não foram eleitos os deputados Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), Delfim Netto (PMDB-SP), Fleury (PTB-SP), Robson Tuma (PFL-SP), Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), Ângela Guadagnin (PT-SP) e o ex-líder do governo na Câmara Professor Luizinho (PT-SP). Também não foi eleito ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE).
VOLTA POR CIMA
Em compensação, políticos que marcaram época, estão voltando. O mais notável deles é o ex-presidente Fernando Collor de Mello, eleito senador por Alagoas. Ocupará a vaga que foi de Heloísa Helena (PSol). Outro que retorna é Paulo Maluf. Depois de enfrentar acusações de corrupção – e de permanecer por mais de 90 dias preso -, o ex-governador chega à Câmara como o deputado mais votado destas eleições: 739.827 votos. O ex-ministro Ciro Gomes (PSB), com 616.979, obteve a maior votação proporcional: 16% do total dos votos válidos do Ceará. Quem assegurou volta foram os suspeitos de envolvimento com escândalos Antonio Palocci e José Genoíno, do PT.
CÂMARA FEDERAL
O PT, que tinha 81 deputados, deixou a condição de maior partido da Câmara. O partido do presidente Lula elegeu 83 deputados federais. O PMDB, que tinha a segunda maior bancada, com 78 parlamentares, ficou com a maior: 89 deputados. Também aumentou sua representação o PSDB, passando de 59 para 65, mesmo número do PFL.
NOVO SENADO
A eleição para um terço do Senado deu ao PFL a maior bancada na Casa: 18 senadores. Em seguida vêm o PMDB e o PSDB, ambos com 15. O gaúcho Pedro Simon (PMDB) foi reeleito pela 4ª vez.
Desta vez a surpresa é Rigotto fora da disputa
A grande surpresa da eleição para o governo gaúcho de 2002 foi o então deputado federal Germano Rigotto (PMDB), que iniciou uma campanha com pouco mais de 2% das intenções de voto, chegou ao segundo turno desbancando Antônio Britto, e conquistando uma vitória impressionante sobre Tarso Genro. Agora a surpresa é Rigotto fora da disputa do segundo turno, depois de liderar todas as pesquisas.
Contrariando todas as pesquisas, inclusive a boca-de-urna divulgada pelo Ibope no início da noite, a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul será entre a tucana Yeda Crusius e o petista Olívio Dutra. A corrida pela segunda vaga foi feita voto a voto entre Olívio e Rigotto.
O resultado só pôde ser conhecido com 99,8% das urnas apuradas. Após a totalização, Yeda atingiu 32,9%. Olívio tem 27,39%, contra 27,12% de Rigotto. A diferença entre os dois ficou em 16.340 votos.
"Foi um jogo muito pesado, daqueles que procuraram nos últimos dias tirar votos do meu lado para alijar outro candidato da disputa", afirmou Rigotto, que ficou muito abatido e chorou após o resultado. Ele se referia à migração de votos identificados por pesquisas com a sua candidatura para Yeda Crusius, com a intenção de afastar Olívio da decisão.
Rigotto liderou as pesquisas de intenção de voto, mas na semana que antecedeu a eleição, os institutos identificaram uma mudança no quadro eleitoral. Olívio perdeu a segunda posição que mantinha desde as primeiras sondagens e aparecia em empate técnico ou em desvantagem em relação à deputada federal Yeda Crusius.
Na pesquisa de boca-de-urna divulgada no final da tarde de domingo, o Ibope registrou uma situação de empate técnico entre Rigotto e Olívio, ambos com 34% das intenções de voto. Yeda aparecia em terceiro com 23,4%. A margem de erro era de 2 pontos percentuais.
O quarto colocado na disputa é Francisco Turra (PP), que obteve 6,6% dos votos e logo após a divulgação do resultado declarou apoio a Yeda no segundo turno. Alceu Collares, do PDT, ficou em quinto. Ele não havia se pronunciado até segunda pela manhã em relação a apoio no segundo turno. Muito menos o governador Germano Rigotto. Mas tanto o PSDB, como o PP e o PDT fizeram parte do governo Rigotto.
OS MAIS VOTADOS
Jornalista, 25 anos, vereadora de Porto Alegre, integrante da União Juventude Socialista, dirigente da UNE e concorrente pela segunda vez a cargo público. Ela é Manuela D’Ávila, do PCdoB, a candidata mais votada no Rio Grande do Sul. Fez 271.939 votos.
O deputado estadual eleito mais votado no Rio Grande do Sul é um estreante na política. Paulo Borges (PFL) apresentava a previsão do tempo na televisão. Ele recebeu 113.151 votos, 20 mil a mais que o segundo colocado. Borges credita em parte o número expressivo de votos ao seu carisma e à notoriedade conseguida em dez anos apresentando a previsão do tempo.
MULHERES ELEITAS
Além de Yeda Crusius, que ficou em primeiro lugar para disputar o segundo turno ao governo do Rio Grande do Sul, sete mulheres garantiram vaga nas eleições de domingo: Manuela D’Ávila (PCdoB), Luciana Genro (Psol) e Maria do Rosário (PT), deputadas federais; e Silvana Covatti (PP), Kely Morais (PTB), Marisa Formolo Dalla Vécchia (PT) e Stela Farias (PT), deputadas estaduais. Ainda assim, os homens continuam esmagadora maioria.
Círio marca a fé no norte do Brasil
Cerca de dois milhões de pessoas participam do Círio de Nazaré
No dia 8 de outubro, na cidade de Belém do Pará, ocorre um dos maiores eventos religiosos do Brasil e do mundo – a festa do Círio de Nazaré, em devoção a Nossa Senhora de Nazaré. No ano passado, cerca de dois milhões de pessoas participaram do 213º Círio de Nossa Senhora de Nazaré, conforme estimativas da Paratur (Companhia Paraense de Turismo, órgão público estadual).
A festa é celebrada desde 1793, fruto da devoção dos paraenses motivada por uma imagem da Virgem encontrada em 1700 pelo caboclo Plácido no igarapé Murutucu. O caboclo levou a imagem para casa mas, misteriosamente, ela retornou ao local onde foi encontrada. O fato se repetiu diversas vezes e então Plácido decidiu construir uma pequena capela no lugar do achado, muito visitada por viajantes e romeiros.
Nove décadas depois, essa devoção deu origem ao Círio de Nazaré. A primeira procissão ocorreu no dia 8 de setembro de 1793 e até 1900 era organizada sempre nesse mês. Hoje é realizada no segundo domingo de outubro. Antigamente, o percurso saia da capela do palácio do governo em direção à ermida no igarapé Murutucu. Em 1882, o bispo dom Macedo Costa decidiu que o ponto de partida seria a catedral.
A berlinda (andor) com a imagem era puxada por bois. Em 1868 foi incorporada à celebração a corda, que mais tarde substituiria a junta de bois para puxar o carro do andor quando esse atolava nas ruas barrentas de Belém.
Posteriormente a corda passaria a ser utilizada para separar a berlinda com a imagem e o carro dos milagres da multidão que a acompanha. Hoje, a corda é um dos maiores símbolos do Círio de Nazaré. As duas cordas que serão utilizadas neste ano foram confeccionadas de puro sisal em Salvador (BA). Têm 350 metros cada e pesam cerca de 600 quilos.
Devoções motivam os 15 dias da festa
Atualmente, as manifestações de devoção religiosa da festa do Círio de Nazaré se estendem por 15 dias, durante a chamada quadra Nazarena. Destacam-se a peregrinação da sexta-feira antes do segundo domingo de outubro, quando a imagem é levada da basílica de Nazaré para a igreja matriz de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. No sábado, ocorre a romaria rodoviária, de Ananindeua a Vila de Icoaraci, distrito de Belém.
De lá sai outra procissão tradicional, a romaria fluvial, formada por mais de 250 embarcações ornamentadas (a padroeira dos paraenses é também padroeira dos navegantes). O trajeto Icoaraci-Belém dura cerca de cinco horas. No sábado à noite, ocorre a "Transladação" da imagem, em uma procissão à luz de velas, no trajeto inverso ao da procissão do Círio, realizada no dia seguinte entre a catedral metropolitana e a basílica de Nazaré, num trajeto de cinco km. No dia 8, a procissão dura em média cinco horas, mas já chegou a nove horas (2004), por causa da multidão que acompanha a imagem da virgem de Nazaré e paga promessas de puxar a corda.
Duas semanas após o Círio de Nazaré ocorre a missa de encerramento (dia 22) e, no dia seguinte, o Recírio, uma pequena procissão de despedida dos devotos de sua padroeira, quando a cidade de Belém literalmente pára. São 15 dias de festas marcadas pela devoção, pela alegria e pelo espírito de confraternização.
Padroeira do Brasil aguarda peregrinos
Se a festa do Círio de Nazaré marca a devoção a Maria na região Amazônica, a festa de Nossa Senhora Aparecida é o grande destaque no Sudeste e em diversos outros locais do país. Em Aparecida (SP), no dia 12 de outubro ocorre a festa da padroeira do Brasil, que neste ano tem como tema central "Mãe Aparecida, Discípula e Missionária, na vida do povo".
Nesta terça 3 iniciou a novena e cada dia conta com a pregação de um bispo. Destaque para as presenças de dom Orlando Brandes, bispo de Londrina (PR), no dia 5; e de dom Luís Flávio Cappio, bispo de Barra (BA), no dia 7. No dia 12, o tema central será desenvolvido na homilia da missa solene, às 10 horas, pelo arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis.
O santuário nacional de Aparecida é um dos locais mais visitados do mundo. Recebe mais de seis milhões de romeiros por ano. O movimento recorde ocorreu em 2005 – 8.197.691 pessoas. No dia 12, são aguardados mais de 100 mil devotos. O maior número de romeiros registrado no dia da padroeira ocorreu em 1996 – 215 mil pessoas – e o recorde num único dia foi registrado em 20 de outubro de 2002, quando estiveram em Aparecida 231 mil peregrinos. Como ocorreu com a Virgem de Nazaré de Belém do Pará, também a imagem de Aparecida foi encontrada por pescadores.
Padre Zezinho
Quando damos importância excessiva à estética, esquecemos a ética
Algumas dores momentâneas nos libertam de dores futuras. Muita gente reclama da dor que está sentindo. Mas vai sofrer muito mais se não passar pela dor que liberta. É o caso da extração de um dente, da retirada de um tumor ou da amputação de um pé. Aquela dor momentânea vai libertar a pessoa de dor permanente ou de dores piores no futuro. Existe, portanto, uma dor que liberta. E este conceito teológico da dor que liberta entra na mística da cruz; que é também uma passagem, uma dor que liberta.
O ser humano não nasceu para viver crucificado; em nenhum momento da vida é chamado ao martírio sem sentido. Toda a dor sofrida tem um sentido. É uma questão de saber o sentido daquela falta de um braço, daquele pé mais curto ou daquele defeito naquela parte do corpo. Uma vez que aprendemos a viver com ele, descobrimos que nem por isso somos menos gente. Uma flor, cuja haste se quebrou, continua flor. Uma águia cuja asa se partiu, continua uma águia mesmo se não consiga mais voar como as outras águias, mas ela não vira cobra. Um passarinho que não canta mais continua passarinho, não virou cachorro. Na sua essência, mesmo não cantando, não voando, a ave continua ela mesma. E a flor, mesmo machucada, continua perfumada e tem sua beleza.
Quando damos importância excessiva à estética, esquecemos a ética. E é a ética que nos faz ser bonitos. Porque a estética sem ética perde seu sentido. Nenhuma beleza é digna de contemplação se não estiver acompanhada da estética junto à ética. É o porquê da beleza que torna a beleza importante, e não ela em sim mesma. É o porquê da dor que torna a dor compreensiva e compreensível, e não a dor em si mesma. Para nós, a cruz é loucura só para quem não crê; para quem crê, ela é – e pode ser – libertação. Foi Jesus quem disse que quando fosse elevado da Terra, atrairia todos a Ele. E disse mais: "Quem não tomar a sua cruz e não me acompanhar, não vai ser digno de mim".
Missões mobilizam paróquia de Ipê
De 6 a 22 de outubro, os missionários visitam as 17 comunidades
A paróquia São Luiz Rei de Ipê (RS) vai receber, depois de 19 anos (1987), mais uma vez a graça das missões populares, coordenadas pelos missionários capuchinhos. Elas serão realizadas no período de 6 a 22 de outubro, mas desde julho as 17 comunidades da paróquia estão se mobilizando para esse tempo especial de reanimação da fé.
No dia 17 de julho, representantes das comunidades se reuniram com os freis missionários Claudecir Fantini e Clóvis Armani. Num segundo momento, acompanhados pelo pároco, frei Germano Miorando, e pelo vigário paroquial, frei Raul Susin, os missionários visitaram cada comunidade para organizar as equipes dos grupos de reflexão em família, de liturgia, de divulgação das missões e de organização.
"Com Maria, ser discípulo e missionário de Jesus Cristo", é o lema para as missões em Ipê. "Todas as comunidades, pessoas e grupos estão muito motivados e participando dos encontros de grupos de família e das celebrações que estão sendo feitas em preparação das missões", salienta frei Germano. A paróquia de Ipê completou, em março passado, 70 anos de criação. Frei Eduardo Totti foi seu primeiro pároco.
Mostardas – A equipe missionária retoma as atividades depois de alguns dias de parada para estudos sobre a Doutrina Social da Igreja, com dom Orlando Dotti, e para as celebrações de São Francisco de Assis (nesta quarta 4). No último final de semana de setembro os freis encerraram as missões em Tavares (dia 23) e Mostardas (dia 24). Nos dois eventos, participaram mais de quatro mil pessoas dos dois municípios, localizados entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. Dom José Mário Stroeher, bispo diocesano de Rio Grande, participou das cerimônias.
Irmã Itatiane Spinelli emite votos perpétuos
Irmã Itatiane Spinelli, da congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, emite os votos perpétuos no domingo 8 de outubro. A cerimônia de profissão religiosa definitiva na congregação ocorre durante celebração na igreja da Purificação, em Putinga (RS).
Filha de Danilo e Therezinha Camilotti Spinelli, irmã Itatiane ingressou na congregação no ano de 1993, em Porto Alegre. Desde então, teve a oportunidade de viver e servir junto ao povo em Porto Alegre, Arvorezinha, Guiné Bissau (África Ocidental) e, atualmente, em Mathias Velho, Canoas (RS). Para pôr-se a serviço do Senhor, irmã Itatiane escolheu como lema "Buscai primeiro o Reino de Deus".
Família e escola na prevenção à aids
A Pastoral da Aids e a Casa Fonte Colombo promovem o V Seminário de Prevenção ao HIV/Aids. O evento, cujo tema é "Família, espaço de prevenção?", será realizado de 20 a 22 de outubro, no Convento dos Capuchinhos, em Porto Alegre. Objetivo é trocar experiências, aprofundar questões que a epidemia suscita e refletir sobre o papel dos cristãos e da Igreja no controle da aids.
A programação conta com palestras, grupos de estudo, debates, mesa redonda, partilha das proposições e momentos de espiritualidade. Entre as palestras, destaque para o panorama da família na atualidade, o papel dos pais na educação sexual e formação integral dos filhos e a contribuição da escola na educação sexual e prevenção à aids. Mais informações no site pastoralaids.org.br, e-mail secretaria@pastoralaids.org.br ou telefone (51) 3346.6405.
Aldo Colombo
A humildade no sucesso e a coragem nas horas difíceis fazem parte da arte de viver
Um jovem príncipe, indicado para substituir o pai no trono, convocou os sábios do reino para que lhe indicassem a melhor maneira de governar. Pediu também a eles que escolhessem uma frase que servisse como horizonte de todas as suas decisões. E os sábios acharam oportuno convocar todo o povo para ajudar na escolha. Milhares de frases foram indicadas, cada uma delas contendo parcelas da verdade. A frase escolhida foi esta: Isto também passará.
A vida de um governante – e de qualquer pessoa – quase sempre, está repleta de surpresas e contradições. E o jovem rei deveria ter sempre presente a frase. Há momentos de glórias e elas trazem a auto-suficiência. Cuidado, isto também passará. Depois podem acontecer momentos de perplexidade e desânimo, onde nada dá certo. E a frase vem levantar o ânimo: isto também passará. Evita a euforia e o desânimo. Ela ajuda a olhar para mais adiante.
A experiência de cada dia confirma isso. E muitos se dão conta da frase muito tarde. Napoleão, super-imperador da Europa, na solidão da ilha Santa Helena, ficou sabendo que sua glória havia passado. Stalin, que enfeixou em suas mãos o maior poder da história, também percebeu que isso também passava. No ritual da coroação de um papa é queimado um feixe de palhas, com a advertência: assim passa a glória do mundo. Passam os impérios, passa a beleza física, a saúde, a doença; passa a primavera, passa o riso, passam as lágrimas, passam o sucesso e a derrota, passa a glória... Passam os bons e maus momentos.
A certeza dessa lógica ajuda a enfrentar os maus momentos, porque esses passam. E ajuda a evitar a euforia, porque os bons momentos também passam. A humildade no sucesso e a coragem nas horas difíceis fazem parte da arte de viver. O próprio Jesus passou por esses momentos. Após a multiplicação dos pães, quiseram proclamá-lo rei e foi aclamado nas ruas de Jerusalém. Também foi perseguido e morreu, com serenidade, na cruz. Mas a morte também passou.
Tudo passa. E isto pode ser constatado no dia-a-dia. Ou melhor: quase tudo. Há uma realidade que não passa. E Jesus, com autoridade divina, garantiu: "Passará o céu e a terra, mas minha Palavra não passará" (Lc 21, 33). Isso abre um novo horizonte: a busca das coisas definitivas, que não passam: a Palavra, o Reino, o projeto de Jesus.
Foi essa realidade que motivou, há 800 anos, a Francisco de Assis. Depois de desejar o momento que passa, o amor, a glória e o fascínio das coisas terrenas, fixou-se na sua inigualável descoberta: Meu Deus e meu Tudo. Isso faz com que a humanidade, sempre à procura de novas emoções e de novos ídolos, continue encantada pela figura do Poverello.
E isso surpreende, porque Francisco é exatamente o contrário do pensamento moderno. É um profeta que denuncia nossas escolhas e nosso jeito míope de viver. Mesmo não seguindo seu modo de viver, todos concordamos que ele acertou em sua escolha. Escolheu a única realidade que não passa.
Caxias do Sul reúne zeladoras
Encontro valoriza capelinhas domiciliares e vocações na diocese
No dia 12 de outubro, a diocese de Caxias do Sul promove, no seminário diocesano Nossa Senhora Aparecida, encontro das zeladoras das capelinhas domiciliares, evento que é realizado há duas décadas. O encontro inicia às 9 horas, com acolhida dos participantes. Em seguida, o professor Arnaldo Poletto coordena um tempo de reflexão tratando do tema "Com Maria formamos a comunidade cristã".
Às 11 horas, dom Paulo Moretto preside missa, no ginásio de esportes do seminário e, ao meio-dia, haverá almoço partilhado. Na parte da tarde, momento de testemunhos do trabalho das zeladoras; recreação, animada pelos seminaristas da diocese e pelo padre Renato Ariotti; reza do terço às 14 horas, seguida de celebração do envio e encerramento. O encontro busca celebrar e incentivar a missão das zeladoras e rezar pelas vocações.
"Aguardamos a participação de 1.200 a 1.500 zeladoras de toda a diocese", salienta padre Adelar Baruffi. Reitor do seminário Aparecida, padre Adelar calcula em sete mil o número de zeladoras na diocese, que levam a capelinha a cerca de 150 mil famílias.
Santuário da Salette acolhe os peregrinos
Milhares de peregrinos participaram da 71ª Romaria Interestadual da Salette, realizada em Marcelino Ramos (RS) no último domingo de setembro. Dom Girônimo Zanandréa, bispo diocesano de Erechim, presidiu a missa campal no altar monumento, junto ao santuário, acompanhado pelo superior dos saletinos no Brasil, padre Adilson Schio, e outros sacerdotes. A cerimônia foi marcada pela procissão com a imagem de Nossa Senhora e pelo rito de entronização da Bíblia, recordando a celebração do Dia da Bíblia. Durante todo dia, mais de 20 padres atenderam as confissões no santuário. Há 160 anos, a Virgem apareceu na região de Salette, França, deixando ao mundo sua mensagem de reconciliação.
Romarias diocesanas destacam Maria
No mês de outubro, em diversas dioceses gaúchas Nossa Senhora é tema de reflexões, festas e romarias. Em Erechim será realizada a 55ª Romaria Diocesana de Nossa Senhora de Fátima, no dia 8. A festa está sendo precedida de novena e tríduo. Em todos os dias da novena haverá atendimento às confissões. No dia 7, procissão das crianças e, no dia 8, procissão com a imagem de Fátima e outras celebrações.
Em Passo Fundo, também no dia 8, ocorre a 26ª Romaria Diocesana de Nossa Senhora Aparecida, com procissão às 8 horas, missa campal no santuário, às 10h30, e outras celebrações. No dia 12 haverá romarias das crianças, dos motociclistas e dos cavaleiros.
E em Cruz Alta, no dia 8 de outubro, será realizada a 55ª Romaria ao Monumento de Fátima, com uma extensa programação religiosa.
Wilson João
Quem é objetivo faz as tarefas bem feitas e com eficiência. Colhe resultados. Não pára pela metade
Há uma tentação de viver o agora, sem perspectivas e sem sonhos. É conseqüência da sociedade de consumo. É resultado dos olhos e das mãos que fazem do supermercado e dos shoppings o ideal da vida: consumir agora o que é apresentado, porque amanhã haverá outra novidade. De novidade em novidade vive-se na ilusão do agora, sem ter os olhos lá no horizonte, que dá razão e objetivo ao hoje de nossa vida.
EXISTE O ESSENCIAL QUE DETERMINA A VIDA. Quando não se vive e não se sabe do essencial da vida, perde-se essa mesma vida em pormenores e em cabides que a gente vai trocando conforme o modismo e o gosto do consumidor. O coração fica sempre na busca e na insatisfação que estraçalha o mundo emocional, que não suporta viver sempre no conflito. Em cada agora há um amanhã e um horizonte. É a resposta à eterna pergunta: "Para quê? Por que? Onde quero chegar com isso? Qual o objetivo do que me ocupa agora?" A angústia humana é resultado do viver somente o agora. Viver somente o agora é fechar-se entre quatro paredes, sem janelas e sem portas. O grande escritor Saint Exupéry convida a todas as pessoas para terem portas e janelas abertas para verem "através". É o horizonte. É a visão do futuro. É a razão e causa que alimenta o agora, que faz empregar as energias, que faz gastar o tempo e alimenta os sonhos.
O SUCESSO É SER OBJETIVO. É ter objetivos. É saber onde se quer chegar, como chegar e quando chegar. É ter os pés no agora e os olhos no amanhã. Ser objetivo nas pequenas coisas e nas grandes decisões da vida. Objetivo no meu comer e beber, no meu trabalho e no lazer, na minha oração e na dança, no meu caminhar e no meu dormir. Nada é sem sentido e sem objetivo. Quem é objetivo faz as tarefas bem feitas e com eficiência. Colhe resultados. Não pára pela metade.
NO AGORA ESTÁ O FINAL. Em minha vida está o fato de minha morte. Ela não pode ser uma surpresa. Ele determina minhas escolhas e minha maneira de viver. Quem desconhece a morte está se desconhecendo. Ela é o fim de uma etapa da vida que não pode ser desconhecida. No meu agora devem estar presentes as verdades nas quais eu acredito e aposto minha vida. Verdades como: creio na vida eterna e na felicidade, creio na glorificação de minha vida, creio na vitória do bem sobre o mal, creio na força do amor e que só o amor me eterniza, creio que sou imagem de Deus e que, dia-a-dia vou me assemelhando a Ele, até o abraço do "face a face".
HOMENAGEM ÀS CRIANÇAS
No Japão, meninos e meninas têm festa em datas diferentes
Sabe-se que 12 de outubro é Dia das Crianças, mas como surgiu esta homenagem? A criação do Dia das Crianças no Brasil foi sugerida pelo deputado federal Galdino do Valle Filho na década de 1920. Arthur Bernardes, presidente do país na época, aprovou por meio do decreto de nº 4867, no dia 5 de novembro de 1924, a data de 12 de outubro como o dia dedicado aos pequenos cidadãos brasileiros.
Porém, o Dia das Crianças só passou a ser comemorado de fato em 1960, quando a fábrica de brinquedos Estrela fez uma promoção juntamente com a empresa Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" e aumentar as vendas. A idéia das duas empresas deu tão certo que outros comerciantes resolveram adotar a mesma estratégia. Assim, o 12 de outubro ganhou notoriedade e as pessoas começaram a presentear as crianças nesta data.
Mundo – Muitos países homenageiam as crianças em outros dias do ano. Na Índia, é em 15 de novembro. Em Portugal e Moçambique, a comemoração acontece no dia 1º de junho. Na China e no Japão, a comemoração acontece em 5 de maio.
No Japão a data é comemorada desde a Antiguidade, mas apesar da tradição, só foi transformada em feriado nacional a partir de 1948. Ainda há outra peculiaridade entre os japoneses. Embora seja chamado de Dia das Crianças, a comemoração é dedicada apenas aos meninos. Nessa época, as famílias que têm filhos homens penduram pequenas bandeirolas do lado de fora das casas – elas representam carpas, que são símbolos de força fazem exposições de bonecos de samurai e armaduras e cozinham bolos especiais de arroz.
Para as meninas é realizada a Festa das Bonecas, ou Hina Matsuri, no dia 3 de março. Neste dia, as famílias que têm filhas mulheres fazem uma exposição de bonecas, que representam a antiga corte imperial, e comemoram bebendo um tipo especial de saquê branco e adocicado.
Direitos universais
A Organização das Nações Unidas (ONU) comemora o dia de todas as crianças do mundo em 20 de novembro. Foi nessa data, em 1959, que os países aprovaram a Declaração dos Direitos das Crianças.
1º Todas as crianças devem beneficiar-se dos direitos desta Declaração; não importa a cor, raça, sexo, religião ou língua, nem a condição social e econômica da criança ou de sua família.
2º A criança deve receber proteção especial para desenvolver-se de forma sadia e em condições de liberdade e dignidade.
3º A criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade desde o seu nascimento.
4º A criança tem direito a crescer e criar-se com saúde, à alimentação, habitação, recreação e assistência médica adequadas.
5º A criança física ou mentalmente incapacitada tem direito a tratamento, educação e cuidados especiais.
6° A criança precisa de amor e de compreensão. Ela deve ser criada num ambiente de afeto e de segurança moral e material. As crianças sem família ou sem meios de subsistência devem receber cuidados especiais do governo e da sociedade.
7º A criança tem direito ao lazer e ao ensino gratuito e obrigatório, pelo menos no primeiro grau.
8° A criança será sempre a primeira a receber os primeiros-socorros e a proteção, em quaisquer circunstâncias.
9° A criança deve ser protegida contra a negligência, crueldade e exploração no trabalho.
10º A criança deve ser protegida contra qualquer tipo de discriminação. Ela deve ser criada num ambiente de amizade, paz e fraternidade entre os povos.
A italianidade do meu sangue
Israel Granville
Advogado, Carazinho – RS
Retomando sua vida de infância, Israel mergulha na história familiar e, por ela, na história da Imigração Italiana no mundo, no Brasil e no Rio Grande do Sul. Como a maioria, sua família plantou em solo gaúcho a semente da América:
"Sou descendente de italianos da 2ª geração, filho de Frederico Frandoloso Granville e Antonina Gottardo Salva, nascido no interior de Passo Fundo, neto de Osvaldo Granvil, de Farra D’Alpago (Belluno), e de Maria Piccolli Frandoloso; bisneto de Giovanni Grenvil, de Venezia, e de Maria Luigia Balbinot, de Santa Croce del Lago, de Farra D`Alpago (Belluno). Meu sobrenome sofreu as variações – Granvil, Granvile, Granville e Granvilla. A família chegou em 1878 no lote 133 da Linha Palmeiro, ao lado do Santuário Nossa Senhora do Caravaggio, em Farroupilha. A saga da família Grenvil consta no livro Bellunesi nel Mondo. Os bisnonos maternos Bortolo Gottardo e Regina Rampazzon e os nonos Cornélio Concatto Salva (filho de Luigi Salva e Giuseppa Concatto) e Amabile Gottardo (filha do Bortolo Gottardo) eram do Vêneto (Padova ou Vicenza). Sua história constará no livro Veneti nel mondo. Sou, pois, italianíssimo.
A minha família, como a grande maioria dos imigrantes, era pobre. Não obstante, com todas as dificuldades e sofrimentos, deixou legado de mais de 2.000 descendentes. Eram colonos e viviam basicamente da roça, como eu próprio vivi até os oito anos.
Pensando no estudo dos filhos, meu pai vendeu sua colônia (1944), que pouco valia, para estabelecer uma pequena bodega na cidade de Carazinho, objetivando dar estudos aos filhos. Não queria formar outra leva de analfabetos, como a que ocorreu na primeira geração, por falta de escolas. O empreendimento fracassou e ele passou a trabalhar como auxiliar de ferreiro numa grande metalúrgica. Com o salário, supria apenas as necessidades da alimentação. Foram tempos mais difíceis do que os vividos na colônia, superados com o ingresso dos filhos no mercado de trabalho (1954). Os objetivos do pai de dar aos filhos melhores condições de vida foram alcançados.
Em 1966, me senti feliz em ter realizado seus sonhos como primeiro da família a cursar universidade, concluindo o Curso de Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade de Passo Fundo. Se então fui um dos primeiros formandos da 2ª geração, hoje, na terceira geração, há dezenas de médicos, dentistas, engenheiros, advogados, professores, psicólogos, veterinários... entre os descendentes de Giovanni Grenvil e Maria Luigia Balbinot; de Luigi Salva e Giuseppa Concatto e de Bortolo Gottardo e Regina Rampazzon.
A perseverança, o trabalho e a coragem dos italianos, enfrentando perigos de animais selvagens, a facão, machado e foice, transformaram matas do Rio Grande do Sul em plantações e cidades, como Caxias do Sul, Garibaldi, Bento Gonçalves, Veranópolis, Antônio Prado, Guaporé... Embora a falta de médicos, farmácias e hospitais, muitos ultrapassaram os 80 anos, como o bisnono Bortolo Gottardo, que faleceu com 85 anos. Sou, pois, parte de uma história, não de uma ficção, orgulhoso de ser italiano" (granvil@terra.com.br – Fone 0xx 54 33302883 – Carazinho, RS)
Israel viveu e participou da história de 130 anos da imigração italiana. Em seus bisavós e avós é um dos esteios da mesma. Escrevendo sua história e a de muitas famílias, está completando a história global da imigração. Fazer a América pelo trabalho e pelo estudo continua como a utopia da maioria dos descendentes. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (380)
El rio dele Amàsoni e el spetàcolo dea pororoca
Mário Gardelin
Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul – RS
Gnanca dirlo: el viaio ga durà pochi minuti. Là soto, largo tresento chilòmetri, el rio el lusea al sol tropicale. Nanetto ga fato segno a Pègaso parché el zolasse pi darente al aqua e in quelo ze vegnesto na onda de banda a banda del fiume. La zera un muro che ndava vanti. Nanetto ga spiegà:
– Quello che te vedi se ciama pororoca. Ze l’urto del aqua del mar con quela del fiume. Un spetàcolo ùnico. Adesso stà atento che te vedarè pessi grossi.
Come par incanto, più de mila pessi bo i acompagnava l’onda. Tonin el sfregava le man e el gavea na sola parola in boca:
– Mai visto roba compagna. No savea gnanca che la ghe gera. E Nanetto el ga continuà:
– Votu veder i pi grandi caiman del mondo?
– Fàmeli veder, pròprio!
– Ognun gavarà sinque mila chili.
E in quel momento el fiume se ga riempio de ste bestione grosse, cative e sempre con fame. Tonin, quando sti mostri ga scominsià a alsar la testa, el osa a Nanetto:
– Basta, Nanetto. A credo tuto quel che te me ghè dito... Nanetto el mola na ridada e el dise al Pègaso:
– Vècio amico de guere, tornemo a Venèssia. E el più bel caval del mondo el ga fato un salto e, de ale verte, in pochi minuti, el zera sora la piassa de San Marco. I venesiani i fava muci su le finestre e i urlava:
– Chi sito ti, che te ghè sto bel caval zolador? E Nanetto, col capel in man, se la spròsia e el risponde:
– Son Nanetto Pipetta, e qua a Venèssia go el me sàntolo de crésima, el professor Giovanni Meo Zìlio. Catémelo fora che vui saludarlo.
Due minuti dopo, el professor se ga fato presente e suito che’l ga visto Nanetto no’l ze stà bon de strategner el spavento. E el ghe ga dito:
– Fiosso Nanetto, come zelo che te sì da ste parti?
– Son vegnesto da Bento Gonçalves. E vui veder el gran Marco Polo. Porto un saluto importante. Voleu acompagnarme?
– Aceto el to invito. Te acompagno. E Giovanni Meo Zìlio, un bravo galantuomo, se ga messo insieme a Nanetto, e con Tonin Contento, contentìssimo, dopo ver fato nantra zolada su la piassa de San Marco, e ver saludà tuta quela gente che la batea le man e dava sighi de spavento, i ze partidi secondo le strussion de Tonin.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Come castrar el màs-cio
Setembrino Rubbo
Construtor, Pinto Bandeira (RS)
Otanta ani indrio, al Rio dela Zanta, ghe zera la fameia de Bepi Tumelero. I gavea un molin de masenar mìlio, dove se reunia sempre gente. I slevava tanti porchi, par questo i gavea un bel caciasso par tegner la rassa, ma romai l’era deventà vècio. Lora i ga risolvesto caparlo. Chi gavea fama de castrin el zera Cirilo Passarin. In cìnque òmeni, i ciapa sto màs-cio, i lo rabalta in tera, ma el gavea due dentoni par fora, che i fea paura a tuti. Cossa gai fato? I ciapa na strica de curame, i ghe la passa in torno el naso ben streta, soto e sora sti do dentoni, e i ghe tegne le gambe, finché Cirilo fea el laoro. Finio el laoro, desliga la strica.
– Podì molarlo, desso, dise el castrin!
Ma el màs-cio no l’è pi levà su. Morto sofegà.
El ze morto consà
In te la Giacinta, tea Capela San Luigi, in 1952, mi e me compagni semo ndai far su la casa de material de Ardelindo Busetti, che l’era stufo con un porco màs-cio, che’l sevitava saltar fora del potrero. Un di, a mesdì, el me dise:
– Se valtri me giutè a ciaparlo, dopo disnar ghe femo la fatura a quel porco lì.
Semo ndai par ciparlo con le bone, dàndoghe mìlio, ma no’l se dassea ciapar. El sismava quel che podea suceder! Ardelindo el dise:
– Ma mi lo ciapo a la straca.
Così el ga fato, lo ga stufà, e el me ga dito:
– Desso valtri tegnilo.
De la ràbia, el ciapa la facheta e zàchete un taio, cava via uno, co nantro taio, cava via l’altro, dopo el buta na sbrancada de sal tea operassion, ghe dà na peada tel cul, e el dis:
– Podì molarlo!
El porco via come un lampo, el ze ndà scónderse tel canton dea taipa. Noantri semo ndai drio i nostri laori e, de note, semo ndai veder sto porco. Spavento! El zera lì butà, bele morto. Ghe lo ghemo dito a Ardelindo, che’l ga menà la testa, e el ga dit:
– Ben, ben, cosa far? Al manco el ze morto consà!
Monumento al porco màs-cio
Questa la ze sucedesta te la Capela San Piero. El zera costume che, te la messa, el prete el disesse tuto quel che ze passà tea paròchia. Un giorno de festa, un omo el ze ndà domandarghe che el disesse in cesa che’l gavea perso el porco màs-cio. Se qualchedun el savesse, che ghe lo disesse. Tuti i ga ridesto e, dopo de quel, i scomìnsia ciamarghe a quel omo de Quel del porco màs-cio, e lu el restea cativo. Ze vegnesto fora tante barufe par sto tanto. E quando, te le feste de balo, a scondion, i butava tel salon na sbranca de mìlio, la confusion l’era belche fata.
Questa la ga durà fin da poco tempo. E, oncó, tuti se ricorda ancora de quel del porco màs-cio. E desso San Piero el ze un bel posto de progresso e turismo. Bisognaria, come quei de Flores da Cunha i ga fato el monumento al galo, che qua se fesse el monumento al porco màs-cio.
Soberanas da Fenavindima
Treze jovens florenses participam da disputa em 21 de outubro
Treze jovens disputam os títulos de rainha e princesas da XI Festa Nacional da Vindima (Fenavindima). O concurso ocorre dia 21 de outubro, nos pavilhões do Parque da Vindima Elóy Kunz. Com o tema "Nossa vindima, nossa história", a Fenavindima será realizada de 23 de fevereiro a 18 de março de 2007, em Flores da Cunha, em plena colheita da uva. O evento é promovido há 40 anos pelo município.
Concorrem aos títulos de rainha e princesas da Fenavindima Andréia Raquel Vargas Pedroso, Carine Cecconello, Fabiane Veadrigo, Fernanda Longhi, Franciele Piazza, Méuri Molon, Mônica Zampieri, Natália Gavazzoni Maeski, Nicole Toigo Montanari, Paola Costa, Chirley Maurina, Simone Guarese e Suéllen Mezzomo. As 13 jovens representam entidades e comunidades.