DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.009 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 11 de outubro de 2006.
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O apoio de conveniência sempre cobra alto preço
Candidatos ignoram critériose abraçam com sorrisos adesões inimagináveis no cenário da coerência
Os primeiros movimentos do segundo turno das eleições expõem um quadro preocupante – tanto em nível nacional como em Estados. A natural busca de apoio se transformou numa disputa em que princípios ideológicos foram relegados a planos inferiores, em alguns casos absolutamente esquecidos.
A impressão que muitos candidatos estão passando ao eleitor mais atento é de que estendem os tapetes, abrem os braços e o sorriso para qualquer possibilidade de ampliar votos. Adversários de primeiro turno dão-se as mãos e unem vozes; inimigos antigos se aproximam com discurso conciliador, como se mais importante do que tudo, mas tudo mesmo, é derrotar o opositor eventual desta campanha política.
Vencer é a meta de todo concorrente, da mesma forma que todo partido político quer chegar ao poder. Mas a história tem mostrado que o uso de métodos desprovidos de critérios para atingir a vitória abre flancos perigosos. As alianças políticas devem pressupor o mínimo de afinidade ideológica, porque tão importante quanto conquistar mais votos é administrar bem o Estado ou o país.
Há inúmeros exemplos de coalizões armadas apenas para suplantar o oponente. Antes mesmo de assumir, o eleito começa a viver situações de conflito patrocinadas pela necessidade de acomodar indicados por siglas que integraram a chapa ou que a ela se juntaram. São nomes recomendados que carregam apenas interesses individuais ou de grupos restritos, sem nenhum compromisso com o programa de governo escolhido nas urnas.
No plano nacional, na primeira semana os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin pareceram afoitos em apresentar apioadores, independente do passado deles. Voto não se recusa, é o argumento usado para tentar explicar até adesões inimagináveis no cenário da coerência. Esse voto cobrará um preço logo ali adiante.
Estrategistas, ou marqueteiros, lidam com números, dentro da lógica de que ganha eleição quem somar mais votos. Mas o peso das conveniências que herdará também poderá ser decisivo para que um governo caminhe na direção do abismo. O que está se exigindo do eleitor – que avalie, reflita, questione antes de definir em quem votar -, candidatos estão ignorando.
Feira do Livro conquista prestígio entre caxienses
Evento começa com boas vendas e público
O primeiro final de semana da 22ª Feira do Livro de Caxias do Sul dá mostras de que o evento, de fato, conquistou prestígio junto à população. Segundo Luiza Darsie da Motta, coordenadora, foram vendidas 9.782 obras entre sábado 7 e domingo 8. Cerca de 35 mil pessoas passaram pela Praça Dante Alighieri nesses dias. O público é estimativa baseada em indicativo da Câmara Riograndense do Livro, que aponta a presença de três a quatro pessoas por livro vendido.
A Feira segue até 22 de outubro com intensa programação, voltada em especial à literatura infantil. São mais de 200 eventos culturais/literários, como contação de histórias, mesas temáticas, bate-papo com escritores, palestras, oficinas, apresentações de música, dança, teatro e exposições. Entre os destaques do evento, 88 lançamentos de obras e sessões de autógrafos. Só a Editora da Universidade de Caxias do Sul está lançando um livro por dia. A Paulinas trará oito lançamentos, entre eles "Caminho de fé – livro do catequista" e "Caminho de fé – livro do catequizando", ambos de Antonio Francisco Lelo e Leomar Brustolin.
Durante a feira, os livros podem ser adquiridos com 20% de desconto, ou 15% no cartão de crédito. O horário é segundas, quartas, sábados, domingos e feriados das 10 às 20 horas, e terças, quintas e sextas-feiras, das 12 às 20 horas.
Paz é condição para aliviar a fome no mundo
Uma pessoa morre a cada 3,5 segundos em conseqüência da falta de comida
A paz é a condição básica para reduzir a fome no mundo, que vitima uma pessoa a cada 3,5 segundos. As guerras são a principal causa para a persistência do problema, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A paz, afirma documento da FAO, estimula investimentos e permite o desenvolvimento econômico e social.
Mais de 850 milhões de pessoas padecem por falta de alimento. Dos famintos, 639 milhões vivem em zonas rurais e dependem da agricultura para sobreviver. Uma grande parte dos camponeses é sem terra ou com áreas muito pequenas e pouco produtivas, que não conseguem sequer alimentar suas famílias.
A cada ano a forme mata mais pessoas nos países pobres que a Aids, malária e tuberculose juntas. Diariamente, morrem cerca de 25 mil pessoas por problemas causados, direta ou indiretamente, pela falta de comida. Apesar dos projetos para amenizar o problema, a fome continua aumentando nos países pobres, segundo o Programa Mundial para Alimentos da ONU (Pam).
Há ainda a subnutrição crônica, que não conduz apenas à morte física, mas implica, freqüentemente, em mutilação grave. É o caso do não desenvolvimento do cérebro em bebês e cegueira, essa última por falta de vitamina A. O ciclo se agrava quando mães gravemente subnutridas dão à luz a crianças igualmente ameaçadas. Um em cada três africanos, por exemplo, sofre de desnutrição.
Desde 1980, sempre em 16 de outubro, a humanidade volta sua atenção para a fome e a insegurança alimentar (sem acesso a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente, com base em práticas alimentares saudáveis e sem comprometer outras necessidades essenciais e nem o sistema alimentar futuro). O Dia Mundial da Alimentação marca a criação, em 1945, da FAO. Ligada à ONU, a entidade tem o objetivo central de elevar os níveis de nutrição e o desenvolvimento rural. No Brasil, instituiu-se a Semana da Alimentação, que neste ano, inicia no próximo dia 16.
Na primeira Cúpula Mundial de Alimentação, realizada em 1996, as nações decidiram que o homem deveria agir para aliviar a fome de 815 milhões de pessoas e que em 2015 esse número deveria ser reduzido a 400 milhões. Um total de 185 países assinaram o compromisso, intitulado Declaração de Roma.
Dez anos depois, o mundo exibe números estarrecedores e crescentes: 852 milhões de famintos perambulam pelo planeta. Destes, 14 milhões estão no Brasil. Eles estão na faixa da insegurança alimentar grave.
No Brasil, criança é a mais afetada
Pelo menos 14 milhões de brasileiros convivem com a fome. Esse contingente, de 7,7% da população, vive em insegurança alimentar grave – famílias que passam fome pelo menos uma vez em 90 dias. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 72 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar leve, moderada ou grave, contra 109 milhões que vivem em condições bem mais favoráveis.
O cenário mais grave está na região Nordeste do país. O Maranhão tem 18% de insegurança alimentar. Segue-se Roraima, com 15,8%. O Rio Grande do Norte registra 13,9% e o Piauí, 10,8%. No extremo oposto, Santa Catarina é o Estado mais bem situado, apenas 2% com insegurança alimentar grave. O segundo colocado é São Paulo, com 3,4%. Segue o Rio Grande do Sul, com 4%.
De acordo com o IBGE, dos 14 milhões que vivem em domicílios com insegurança alimentar grave, perto de seis milhões moram naqueles com rendimento mensal domiciliar per capita que não ultrapassa R$ 65,00 por pessoa.
A fome atinge principalmente as crianças no país. Em todas as regiões, a prevalência de insegurança alimentar foi maior em famílias com pessoas menores de 18 anos (41,9%). O IBGE também registrou insegurança alimentar nos domicílios em que 24,2% dos moradores são adultos.
Em consonância com os dados mundiais das Nações Unidas, o IBGE revela que a população rural vive mais drasticamente o problema. A percentagem de domicílios com insegurança alimentar grave é de 9% contra 6% das zonas urbanas. Outra condição é a cor ou raça. A população com garantia aos alimentos em termos quantitativos e qualitativos, ou seja, de segurança alimentar, é de 67,3 milhões entre brancos (71,9%) e 41,7 milhões entre pretos ou pardos (47,7%).
Itália debate novo modelo agrícola
Mais de 1.600 comunidades do alimento provenientes de cinco continentes; 5.000 agricultores, criadores e pescadores; 1.000 cozinheiros e 200 universidades estarão em Turim, de 26 a 30 de outubro, para partilhar experiências e debater propostas para uma nova idéia de agricultura e alimentação, boa, justa e limpa, no Encontro Mundial entre as Comunidades do Alimento (Terra Madre).
A agroecologia e o acesso ao mercado são os temas que irão predominar no Terra Madre deste ano. As comunidades discutirão possíveis soluções associativas e cooperativistas. Debatendo com chefes de cozinha e representantes de universidades poderão identificar mercados para os seus produtos.
Conceito – A comunidade do alimento é constituída por todos os que operam no setor agroalimentar, da produção de matérias-primas à promoção de produtos acabados, e que se caracterizam pela qualidade e a sustentabilidade das suas produções. Está intimamente ligada, do ponto de vista histórico, social, econômico e cultural, ao próprio território.
As comunidades de alimento dividem-se em dois tipos: de território, a que produz vários produtos, mas todos ligados a uma área geográfica delimitada ou a uma etnia indígena. Já a de produto é composta por agricultores/criadores, transformadores e distribuidores que contribuem com determinado produto proveniente de território específico.
Vila Flores recebe 54 municípios da Serra
O tema "Segurança alimentar: somos o que comemos" motiva o Encontro Regional da Alimentação, que será realizado dia 18 de outubro em Vila Flores. Promovido pela Emater/RS com apoio da Prefeitura, envolve lideranças de 54 municípios da Serra gaúcha.
A abertura oficial ocorre às 9h30, seguida de momento espiritual. Às 10h15 será apresentado o "Papel da extensão rural na segurança alimentar e nutricional" e o projeto "Segurança alimentar: somos o que comemos". Segue com a palestra: Alimentação, memória e qualidade de vida. Após, pausa para o almoço. À tarde serão apresentados dez painéis e peça teatral.
Durante o ano foram desenvolvidas oficinas de capacitação em aproveitamento de alimentos, boas práticas de fabricação e o resgate de receitas. O processo de seleção de receitas resultou na publicação do livro "Coletânea de receitas coloniais da Serra".
Produtor quer R$ 0,48 pelo quilo da uva comum
Viticultor gasta mais de R$ 12 mil para cultivar um hectare
O debate sobre o preço mínimo da uva foi aberto oficialmente com a apresentação do custo variável para a vindima 2006/2007: R$ 0,48 ao quilo para variedades comuns com 15 graus glucométricos. O cálculo do economista Ricardo Franzoi, do Dieese, foi apresentado pela Comissão Interestadual da Uva, entidade que abrange os municípios produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Na safra passada, produtores de vinho e viticultores chegaram a um consenso sobre o preço mínimo praticado, R$ 0,42. O acordo foi considerado histórico, pois pela primeira vez desde a publicação da lei 7.628, de 1987, estabelecendo o preço mínimo da uva, o setor chegou a um acordo comum.
O novo valor indicativo é 14,28% maior do que o anterior. O aumento nos custos da mão-de-obra, estimado em 36,7%, é um dos elementos principais para o incremento. Os itens foram detalhados pelo economista do Dieese, que desde 1979 efetua a pesquisa. "Com crescimento de 9,65%, os defensivos foram o segundo item que mais pesou nos custos", diz o presidente da Comissão da Uva, Olir Schiavenin.
Já o custo fixo foi calculado em R$ 0,18, totalizando o custo de R$ 0,66. Ou seja, para produzir um hectare de uvas comuns, de acordo com Ricardo Franzoi, o viticultor desembolsa R$ 12.385,76.
Vinicultores atrelam preço às vendas
O setor vinícola não tem uma posição definida sobre o novo custo de produção da uva. "O mercado está recessivo e é ele quem irá regular o novo preço", analisa o diretor-executivo da Associação Gaúcha de Vinicultores, (Agavi), Darci Dani. De acordo com ele, o preço mínimo da uva, quando definido, poderá até inviabilizar o setor. "O mercado é que vai aceitar ou não", reforça.
Na avaliação do empresário, o preço da uva comum deveria levar em conta o destino da fruta. "Que produto se fabrica com a uva? Se for a variedade bordô, por exemplo, deveria ter um preço diferenciado", observa. "Muito vai depender das vendas do vinho este ano, que nos últimos meses sofreram recuo em torno de 15%", conclui Dani.
País reduz área de plantio de grãos
Safra de grãos 2007 deve chegar a 120,6 milhões de toneladas
O Brasil está plantado menos. A área plantada sofreu retração em relação à anterior, saindo de 47,3 milhões de hectares para 44,7 a 45,7 milhões/ha (-5,3% a -3,3%). Essa diminuição reflete-se, principalmente, na soja (1,7 a 1,1 milhão/ha), no milho 1ª safra (325,2 a 107,3 mil/ha) e trigo (611,9 mil/ha) – este se encontra em fase de colheita.
Em contrapartida, houve crescimento nas áreas destinadas ao algodão (107,1 a 157,8 mil/ha) e ao arroz (12,7 a 71,7 mil/ha). A produção gaúcha também deve encolher, principalmente devido à quebra na safra de trigo. No RS, a queda projetada é de 0,8% a 3%, referente a uma área plantada que deve oscilar de 7,28 milhões a 7,44 milhões de hectares.
O primeiro levantamento de intenção de plantio da safra nacional de grãos 2006/2007 aponta que o Brasil vai colher de 117,7 a 120,6 milhões de toneladas. Se confirmados os 120,6 milhões/t, o resultado será 0,6% maior que a safra passada (119,9 milhões/t). Caso seja inferior, a colheita será 1,8% menor. Os números foram divulgados pelo ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, e o presidente da Conab, Jacinto Ferreira.
Produtividade – De acordo com o levantamento, o crescimento na produção se destaca mais na soja (53,5 a 55 milhões/t), milho (41,9 a 42,9 milhões/t), algodão-caroço (1,9 a 2,0 milhões/t) e algodão em pluma (1,2 a 1,3 milhões/t). Por outro lado, haverá queda na colheita do arroz, que será de 11,3 a 11,6 milhões/t.
Quanto à produtividade das culturas agrícolas, o estudo aplicou a média dos últimos cinco anos, excluindo-se os atípicos. Já em relação à área plantada, nas localidades onde não foi aplicada a pesquisa, por não ser ainda época de plantio, como na região Nordeste, foi levada em consideração a da safra anterior.
Engº. Agrº. José Zugno
Yacon é comestível e medicinal
Eu queria saber o valor da batata yacon. Aqui, em Saudades, o pessoal não tem Conhecimento desta planta medicinal.
Seno S. Diehl
Saudades - SC
A yacon é planta hortícola e produtora de raízes tuberosas, comestíveis e medicinais. Espécie Polymnia sonchifolia, da família Asteracea (composta), sul-americana, é nativa do Peru e outros países andinos. Era conhecida e utilizada pelas populações indígenas (incas). Consta que foi levada pelo ex-presidente do Peru, Fujimori, agrônomo de formação, ao Japão onde se multiplicou e se difundiu para outros países, inclusive no Brasil, cultivada pelos nipônicos brasileiros. Sendo planta andina, acostumada a frios intensos, adaptou-se às regiões temperadas brasileiras, onde ocorrem regularmente geadas no período do inverno.
Em 1º de outubro de 2003, escrevi matéria sobre yacon a pedido do leitor Domingos Pellizzaro, de Concórdia (SC), em que fiz referência ao Centro de Pesquisa da Agricultura Familiar de Chapecó, que mantinha, há três anos, cultivo de yacon para estudo e pesquisa da espécie.
Meu colega, engenheiro agrônomo Lírio Londero, tomando conhecimento do artigo, entrou em contato com o Centro de Chapecó, do qual recebeu algumas mudas e as plantou em sua horta. Foi o primeiro a introduzir a yacon em nossa região. Constatou que aqui a planta se desenvolve e produz muito bem. Sendo, então, chefe do escritório da Emater de São Marcos, forneceu mudas e orientações do cultivo da yacon a diversas famílias que passaram a produzi-la. Atualmente, é chefe do escritório da mesma empresa no município de Feliz (RS) e continuou a difusão da cultura. A batata yacon está cada vez mais presente nas quitandas e supermercados, à disposição dos consumidores.
Descrição da planta – Herbácea ou arbustiva, de até 2 metros de altura. Tem caules subterrâneo e aéreo. O caule subterrâneo ou rizoma produz raízes tuberosas, cheias de substâncias e reservas suculentas que são as comestíveis e medicinais; os tubérculos são providos de gemas (capazes de produzir novas plantas), e raízes absorvem e fixam a planta.
O caule aéreo é cilíndrico, de cor esverdeada, revestido de pilosidades na superfície. As folhas, nascidas a partir das gemas do caule aéreo, são opostas delgadas. As flores, nas extremidades dos ramos, como nas da família das compostas, são de dois tipos: as externas da inflorescência são liguladas; as internas são tubuladas.
Plantio – Provêm dos tubérculos dotados de gema, colocados em solo profundo, solto, de boa fertilidade, de acidez corrigida com calcário dolomítico ou cinzas de madeiras, mantendo PH em torno de 6,0; a profundidade de 15cm e o espaçamento de 1,5m por 1m.
Utilização – As folhas são utilizadas na forma de chás contra diabetes e altas taxas de colesterol no sangue. As raízes são consumidas in natura para o mesmo fim, com efeito favorável na flora intestinal.
Os constituintes químicos das raízes da yacon são os frutanos (inulina) – açucares de baixa caloria – e outros componentes.
A yacon pode ser consumido crua em saladas, ou cozida sob a forma de purê, fritos, refogados ou in natura. Tem sabor próprio, adocicado.
Receita – "Coma uma batata crua em saladas vários dias por semana. Ferva todos os dias 1 xícara (chá) de folhas ou a mesma quantidade de cascas da batata em 1 litro de água, coe num pano e tome ao longo do dia" (Marcos Gomes, As Plantas da Saúde).
Nutrientes diferenciam água mineral
Conforme a fonte, ela contém cálcio, sódio, potássio ou magnésio
Todo mundo já ouviu falar que tomar bastante água beneficia a saúde. Porém, ela precisa ser de boa qualidade, caso contrário, pode oferecer sérios riscos. É também por meio dela que inúmeros microorganismos invadem o corpo e provocam doenças. A preocupação com a qualidade deste produto tem levado as pessoas, cada vez mais, a substituir os filtros e purificadores pela água mineral. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária também determinou recentemente novas regras para estes produtos. O que pouca gente sabe é que há diferenças entre as águas minerais.
A água mineral é obtida diretamente de fontes naturais ou artificialmente captadas, de origem subterrânea, caracterizada pelo conteúdo definido e constante de sais minerais. Toda água mineral tem doses extras de cálcio, potássio, sódio ou magnésio que beneficiam o organismo, mas há outras características que devem ser consideradas na hora da compra. Observando o rótulo das embalagens, é possível escolher o produto mais adequado às necessidades de cada indivíduo.
A água mineral ainda pode ser fluoretada, quando contém flúor. Esse tipo pode ser consumido por qualquer pessoa. A bicarbonatada sódica auxilia na digestão, devido à presença de bicarbonato de sódio. As alcalino-terrosas dividem-se em dois grupos: ricas em cálcio (cálcicas) ou magnésio (magnesianas).
As mineralizadas, ou preparadas, não saem da fonte com a quantidade adequada de sais minerais – eles são adicionados depois, em laboratório, mas são igualmente benéficas. A água mineral pode apresentar duas classificações ao mesmo tempo.
Existe ainda a água natural engarrafada. Este tipo também é proveniente de fontes subterrâneas, mas contém sais minerais em níveis inferiores aos estabelecidos para a água mineral. As águas apenas gaseificadas também não são minerais.
É importante observar outras informações nos rótulos. Quanto mais nova a água mineral, melhor. A validade deve ser respeitada porque bactérias próprias da fonte se multiplicam com o tempo. Elas normalmente não prejudicam a saúde, mas podem alterar o sabor do líquido. Também é bom avaliar as condições de armazenamento dos galões e a higiene dos suportes usados em casa.
Líquido é indispensável ao corpo
A água é a substância mais abundante do corpo humano. Apesar de não conter nenhuma caloria, sem a água o corpo humano só continuaria funcionando por poucos dias. A perda de 20% de água corpórea pode causar a morte e uma perda de apenas 10% provoca distúrbios graves. Numa situação limite, beber água é mais importante do que se alimentar.
A água desempenha um papel essencial em quase todas as funções do corpo humano. É utilizada para a digestão, para a absorção e para o transporte de nutrientes; serve de meio para uma série de processos químicos; assume o papel de solvente para os resíduos do corpo e também os dilui para reduzir sua toxicidade, ajudando no processo de excreção. Ajuda ainda a manter a temperatura estável. Ela é necessária à formação de todos os tecidos do organismo, fornecendo a base para o sangue e todas as secreções líquidas (lágrimas, saliva, sucos gástricos), que lubrificam os diversos órgãos e juntas. A água é ainda um dos maiores aliados da beleza, já que não existe melhor hidratante para a pele.
A combinação adequada de fibras e água auxilia na movimentação do bolo fecal, melhorando a função do intestino e também ativando o funcionamento adequado dos rins e da bexiga. Conseqüentemente, ajuda a eliminar toxinas. Além de auxiliar em dietas de emagrecimento e nos tratamentos de celulite, essa combinação diária é capaz de evitar que certas toxinas se transformem em erupções dermatológicas indesejáveis, como a acne.
Em geral, os adultos devem consumir 35 mililitros de água por quilo de peso, crianças de 50 a 60 ml/Kg e lactentes 150 ml/Kg. Isto quer dizer que, se uma pessoa pesa 70 quilos, ela deverá ingerir diariamente cerca de 2,5 litros de água.
Regras visam garantir qualidade do produto
Para garantir mais qualidade às águas minerais e naturais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu novas normas de produção, transporte e venda desses produtos.
Os produtores de água mineral e natural deverão adotar procedimentos operacionais padronizados para todas as etapas do processo de fabricação do produto, desde que sai da fonte até ser engarrafado. Os funcionários das empresas produtoras devem passar periodicamente por cursos de capacitação que abordem temas como higiene.
As embalagens de água mineral só poderão ser comercializadas em locais que vendem produtos alimentícios. Os postos de gasolina, por exemplo, só poderão vender o produto dentro das lojas de conveniência.
O transporte das embalagens precisa ser feito em veículos com cobertura e proteção lateral impermeáveis para evitar a contaminação. Além disso, fica proibido o transporte da água junto com materiais que possam ser fonte de contaminação, como botijões de gás e produtos de limpeza. Quem não cumprir as regras será advertido, notificado, e, em último caso, multado.
Chá verde é aliado do coração
Apesar de os mecanismos ainda serem desconhecidos, mais um estudo conclui que a ingestão de chá verde faz bem para a saúde. Segundo pesquisa publicada no The Journal of the American Medical Association (Jama), a bebida é benéfica à saúde de modo geral, com destaque para a prevenção das doenças do coração.
O estudo acompanhou durante 11 anos mais de 40 mil pessoas, com idades entre 40 e 79 anos. Os pesquisadores da Universidade Tohoku, no Japão, identificaram uma relação inversamente proporcional entre o consumo do chá verde e mortes em geral. A mesma relação foi detectada entre a bebida e óbitos por problemas cardíacos.
Entre as pessoas que consumiram cinco xícaras diárias de chá e aquelas que bebiam apenas uma, o risco geral de morte foi 16% menor. No caso específico das doenças do coração, o grupo que bebeu mais doses apresentou um risco de morte 26% menor. O estudo apontou também que os benefícios foram maiores entre as mulheres, com risco 31% menor para aquelas que beberam cinco doses diárias.
Apesar dos resultados, os autores do estudo são cautelosos. "É preciso confirmar esse efeito de proteção por meio de experimentos clínicos", escreveram.
Outro estudo apontou que a bebida diminui os males relacionados ao fumo. Apesar do alto índice de fumantes, alguns países asiáticos apresentam números surpreendentemente baixos de doenças relacionadas ao vício, como câncer de pulmão e males cardíacos. Segundo os pesquisadores, isso pode estar relacionado ao alto consumo de chá verde nesses países. Lá o chá consumido é menos processado do que no Ocidente e, portanto, mais rico em antioxidantes, substâncias capazes de combater a degradação celular que leva às doenças provocadas pelo cigarro.
O que está em jogo na reeleição presidencial
Leonardo Boff
O que derrotou Lula não foi Alckmin, mas o próprio partido do presidente, o PT... O segundo turno traz também lá suas vantagens: finalmente se criará a oportunidade de confrontar dois projetos de Brasil
Quem derrotou Lula não foi Geraldo Alckmin, mas o próprio partido do presidente, o PT. O destemor insano de altos dirigentes petistas pôs a perder uma vitória garantida de Lula já no primeiro turno. O que pesou mesmo não foi tanto o escândalo do dossiê contra o candidato Serra, pois dossiês sempre existiram, fabricados por políticos afeitos à intimidação e ao manejo da mentira como arma política. A ausência de Lula no debate final contou negativamente, mas não foi o decisivo. O que destroçou o PT e atravancou o caminho da vitória foi a mostragem por todos os meios de comunicação da montanha de dinheiro para a compra do dossiê. Mais de 30% da população trabalhadora não ganham mais que um salário mínimo. Quando vê toda essa dinheirama se enche de auto-vergonha e pensa: meu trabalho não vale nada mesmo; nem que vivesse duas vidas acumularia tanto dinheiro quanto aquele mostrado aí. E esses corruptos tiraram de onde esse dinheiro? A indignação não tem tamanho. Políticos que usam esses expedientes mereceriam a excomunhão política e religiosa, tão grande é seu pecado contra o povo, sua dignidade e a economia popular.
Pode ocorrer um impasse jurídico, policial e institucional nas investigações do dossiê, especialmente se seu conteúdo for revelado, coisa que ainda não se fez e que pode eventualmente incriminar a gestão do PSDB quando começou a corrupção das ambulâncias. Mesmo assim, o segundo turno traz também lá a suas vantagens: finalmente se criará a oportunidade de confrontar dois projetos de Brasil.
Geraldo Alckmin representa o velho projeto das classes dominantes. Não sem razão os banqueiros e os grandes industriais o apoiaram, pois sentem afinidade de classe e comunhão de propósitos: garantir políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres. Notoriamente, não possui carisma e não apresenta nada de realmente inovador, capaz de suscitar uma nova esperança. A retórica que usa é despistadora. Mas cabe à análise pôr à luz os interesses de classe ocultos. A macroeconomia que enfeudou a política seguirá seu curso neo-liberal deixando fatalmente anêmica a política social. Sua vitória representará o retorno daqueles que sempre construíram um Brasil para si, sem o povo ou contra o povo.
Lula dá corpo a um projeto de mudança. Apesar dos constrangimentos encontrados num ambiente hegemonicamente neo-liberal, tentou, com relativo sucesso, fazer a transição de um estado elitista e privatista para um estado republicano e social. Agora ele se vê obrigado a definir claramente seu projeto: dar a centralidade ao povo destituído, garantir seus meios de vida e sua inclusão cidadã. Para isso ele precisa se reaproximar de sua base real de sustentação: os movimentos sociais organizados e a imensidão dos excluídos. Esses poderão inviabilizar qualquer ameaça de impeachment. Tirar Lula é tirar nosso poder, dirão, é anular nossa vitória, é abortar nossa esperança.
Para se diferenciar claramente de Alckmin, Lula deverá mexer em pontos importantes da macroeconomia para que ela seja de fato o sustentáculo de uma política social maciça. Deverá ter a coragem de colocar um gesto fundador de um novo Brasil: retomar o projeto de Plínio Arruda Sampaio, um dos que melhor entende de reforma agrária, e realizá-lo integralmente a fim de fixar o camponês no campo e desinchar as cidades favelizadas. Aí sim se consolidará seu governo, inaugurando a transformação social possível para o Brasil.
George Wolfgang Priklopil Bush
Frei Betto
Todo poder tende ao abuso. Exceto quando um outro poder o obriga a reconhecer seus limites. Resta-nos, como cidadãos, assumir o poder que temos para aprimorar a democracia e evitar a barbárie
George W. Bush é o presidente dos EUA e, de fato, imperador mundial. Wolfgang Priklopil, austríaco, era técnico em comunicações. O que há de comum entre os dois? A insanidade de manterem pessoas em cárceres secretos.
Priklopil sequëstrou, em 1998, a menina Natascha Kampusch, 10 anos, e a manteve oito anos numa jaula subterrânea construída em sua casa de Strasshoff, subúrbio de Viena. Naquele mesmo ano, terroristas atacaram embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia. Como Natascha, foram mantidos todos esses anos em prisões secretas da CIA.
A jovem austríaca, agora com 18 anos, há dias escapou de seu seqüestrador que, desesperado, se atirou sob uma locomotiva. A 6 de setembro, ao receber na Casa Branca parentes das vítimas da queda das Torres Gêmeas de Nova York, Bush deixou escapar que 14 supostos terroristas mantidos presos "em países amigos" foram transferidos para a base naval de Guantánamo, onde os EUA ocupam uma área do território cubano ao arrepio das leis internacionais.
Bush não teve sequer o escrúpulo de esconder que seus cárceres secretos facilitam a tortura dos prisioneiros. "A fonte mais importante de informação sobre onde se escondem os terroristas e o que eles planejam são os próprios terroristas – disse o presidente. – Foi preciso transportá-los para um ambiente " no qual poderiam ser mantidos em segredo, interrogados por especialistas e, no caso de ser apropriado, acusados de seus atos."
A existência de prisões secretas da CIA no exterior fora denunciada pelo "Washington Post". Na ocasião, o governo acusou o jornal de prejudicar a luta contra o terrorismo. Nenhuma das associações defensoras da liberdade de imprensa em Cuba protestou. Pode-se imaginar a reação da mídia internacional se Cuba ocupasse uma área nas costas da Califórnia para instalar uma base naval destinada a ser utilizada como prisão de supostos terroristas?
ONU, governantes e parlamentares europeus reagiram à revelação de Bush. Exigem apurar se entre os "países amigos" figuram os que integram a União Européia. A ONG Human Rights Watch acusa a Polônia, membro da UE, e a Romênia, que ingressará em 2007, de manterem prisões da CIA em seus territórios. Os dois governos negam.
Zapatero, chefe do governo espanhol, retrucou enfático as declarações de Bush: "A luta contra o terrorismo só pode ser feita respeitando-se o Estado de Direito e a democracia. Não é compatível com a existência de prisões secretas."
Kofi Annan, presidente da ONU, fez eco a Zapatero: "Não creio que se devam sacrificar liberdades civis para se fazer uma luta eficaz contra o terrorismo. Se nos pedem para ceder nossa liberdade, nossos direitos, em troca de proteção contra o terrorismo, estamos sendo protegidos?"
Bush pressiona o Congresso dos EUA a aprovar lei que permita tribunais militares julgarem suspeitos de terrorismo, sem que os réus tenham direito à defesa legal e, em alguns casos, a sequer estar presentes ao julgamento. Os advogados de defesa estariam impedidos de acesso às acusações consideradas sigilosas.
Em 2006 a Suprema Corte rejeitou essa proposta digna de Hitler e Stálin. Mas Bush ainda insiste em aprová-la, reduzindo seu país ao mesmo ordenamento jurídico anômalo que os EUA impuseram às ditaduras militares implantadas na América Latina na segunda metade do século passado.
Manter cárceres clandestinos é uma antiga prática da CIA, que treinava os torturadores brasileiros. "Brasil Nunca Mais" (Vozes), livro que denuncia os crimes da ditadura militar, traz a relação das "casas dos horrores" em que presos políticos sofriam sevícias e morte. A de Fortaleza ficava próxima a uma lagoa, distante uma hora de carro da capital. No Rio, havia uma em São Conrado e outra em Petrópolis, na Rua Arthur Barbosa, 120. Em São Paulo situava-se em Parelheiros, em cuja entrada figurava a indicação: "Fazenda 31 de Março".
Vivemos num tempo às avessas. Mensaleiros e sanguessugas disputam eleições fartos de dinheiro; corruptos notórios destacam-se nos palanques; a novela "Belíssima" ensina que o crime compensa; a nação que ergue à sua porta a Estátua da Liberdade institui prisões clandestinas, tribunais ilegais e censura à imprensa.
Wolfgang Priklopil era um monstro que se arvorou no direito de escravizar uma menina 26 anos mais nova do que ele. Valeu-se de sua força sobre um ser frágil para impor sua vontade satânica. Como qualificar um governo que ignora a lei para defender a ordem, viola os direitos humanos para oferecer segurança, cala réus e advogados para instaurar tribunais e censura a imprensa sob o pretexto de preservar a liberdade?
Todo poder tende ao abuso. Exceto quando um outro poder o obriga a reconhecer seus limites. Resta-nos, como cidadãos e cidadãs, assumir o poder que temos. Só assim a democracia será aprimorada e a barbárie evitada.
Eleitos para a Câmara Federal e Assembléias no PR e em SC
PMDB conquista mais cadeiras para os Legislativos estaduais
O PMDB é o partido que mais elegeu deputados estaduais nos Estados do Sul – aonde haverá segundo turno para governador. No Rio Grande do Sul (lista publicada na edição passada), foram 10 parlamentares eleitos pela sigla (18% das 55 cadeiras). Em Santa Catarina, 11 dos 40 deputados estaduais (27,5%) são do PMDB e no Paraná, 17 dos 54 (31%). Entre os deputados federais, o voto do catarinense foi responsável pela renovação, segundo o TSE, de 50% dos ocupantes das 16 vagas do Estado. No Paraná, a renovação foi de 33% das 30 vagas – mesmo índice do RS, que tem 33 cadeiras. Em nível nacional, 46% dos 513 deputados da atual legislatura não voltam em 2007.
Frei Aldo Colombo
ISLÃ X OCIDENTE
Condutor de caravanas no deserto da Arábia, no ano de 622, Maomé fundou o Islamismo, que hoje conta com mais de um bilhão de seguidores, especialmente na Ásia e na África. Os muçulmanos professam a crença em Alá, Deus único. O Alcorão é a sua bíblia. Professando uma teologia guerreira, desde o início, tornaram-se uma ameaça para o Ocidente, especialmente para a Europa. É um complicado mundo alimentado pela fé, pelo fanatismo ideológico, pelo nacionalismo exacerbado e pelo petróleo. O perigo não é maior por causa das divisões internas.
São muitas as contradições que cercam a vida de Maomé – Mohammed em árabe -, um condutor de camelos que nasceu em Meca, atual Arábia Saudita, pelo anos de 570 depois de Cristo. A primeira biografia de Maomé só foi escrita 300 anos depois de sua morte, o que explica a divergência de dados. Maomé passou parte de sua juventude viajando pelo país e conhecendo diferentes culturas e religiões. Aos 40 anos, assim crêem seus seguidores, recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe transmitiu a existência de um Deus único, Alá.
Iniciando sua pregação, encontrou feroz resistência entre as tribos politeístas. Perseguido em Meca, teve de fugir para Medina, no ano de 622. Este acontecimento, conhecido como Hégira, marca o início do calendário muçulmano. Aos poucos consegue discípulos e retorna vitorioso para Meca e sua religião, em breve, toma conta de toda a península Arábica. Morreu em 632, mas sua religião continuou crescendo.
É também controvertida sua situação familiar. Órfão de pai e mãe já aos seis anos, Maomé teria sido educado pelo avô, encarregado de cuidar da Caaba, templo nacional do povo árabe. Com a morte do avô, passou a ser cuidado por um tio, negociante junto às grandes rotas do comércio em camelo. Inicialmente empregado de uma viúva rica, Khadija, casou com ela.
Alguns biógrafos garantem que teve com ela seis filhos, que morreram na primeira infância, sobrevivendo apenas a caçula, de nome Fátima. Outros historidadores sustentam que Fátima foi apenas sua sobrinha. Há também fontes que falam de numerosas esposas, concubinas e filhos. Isto explicaria os diferentes ramos islâmicos surgidos logo após a morte de Maomé. O historiador Bernard Lewis, da universidade norte-americana de Princeton, garante que Maomé teve 11 esposas ou concubinas, o que favorecia a possibilidade de alianças tribais. Khadija foi sua esposa oficial e teria estado ao seu lado na experiência religiosa que mudaria o curso da história.
A palavra "Islã" significa simplesmente submissão a Deus, e "muçulmano", ou submisso, é aquele que segue as leis do islamismo.
Uma teologia da guerra
Enquanto dormia, numa caverna, no ano de 610, garantem os muçulmanos, Maomé foi arrancado do sono por uma devastadora presença divina. O Anjo Gabriel – o anjo da Anunciação a Maria – apareceu-lhe e ordenou: recita. Confuso, Maomé começou a recitar frases inspiradas por Deus. Estas palavras, mais tarde, formariam o Alcorão, isto é, a Palavra de Deus. Maomé teria continuado a receber mensagens divinas até sua morte, 23 anos depois.
Analfabeto, Maomé fez escrever o Alcorão, com 114 capítulos. É a bíblia muçulmana. Na teologia islâmica são evidentes traços do cristianismo. Professa um Deus único – Alá -, céu, inferno, paraíso, anjos, demônios e ressurreição. Outras doutrinas colidem com os ensinamentos de Jesus. É o caso da poligamia e da guerra santa – Jihad. Os que nela morrem vão direto para o céu, onde os eleitos têm todos os prazeres corporais possíveis. O islamismo acredita em predestinação: tudo está escrito. É a vontade de Alá.
Jesus é citado 24 vezes no Alcorão. Também Maria, a mãe do profeta, é citada uma dezena de vezes. Naturalmente, para eles, Jesus é inferior a Maomé. Algumas comidas são consideradas impuras e as bebidas alcoólicas são oficialmente proibidas.
Os pilares que dão sustentação à religião islâmica
Profissão da Fé em Alá, Deus único. Este primeiro pilar fundamenta o modo de agir do mundo muçulmano. Não se trata apenas de difundir a fé por meios pacíficos e pelo testemunho. Os muçulmanos fundamentalistas interpretam este mandamento ao pé da letra e defendem o emprego das armas para impor a fé islâmica. Ou crê ou morre.
Cinco horários de oração ao dia, com o fiel voltado para Meca. Do alto de uma torre, ainda hoje, o muezzin se encarrega – dia e noite – de convocar para a oração. A sexta-feira é o dia santificado, estabelecido para a adoração. O método de oração muçulmana passa por 62 estágios. Os fiéis entram na mesquita de pés descalços.
Dar esmola aos irmãos pobres. Esta esmola – zakar – destina-se apenas aos irmãos de fé. Parte da esmola – 2,5% dos lucros anuais – se destina, atualmente, para um fundo de expansão islâmica.
Jejuar no mês de Ramadã. Os muçulmanos seguem um calendário lunar e os meses não correspondem aos do resto do mundo. No mês de Ramadã, quando Maomé teria recebido a Revelação, os fiéis devem jejuar desde o nascer até o pôr do sol.
Visitar Meca, ao menos, uma vez na vida. A peregrinação a Meca, na Arábia Saudita, se transforma na maior romaria do mundo, aglomerando até três milhões de pessoas. Os mais devotos e com maiores posses visitam Meca muitas vezes. Lá situa-se a Caaba, com sua famosa pedra negra.
Jerusalém, livros sagrados e costumes
Além de Meca e Medina, os muçulmanos consideram Jerusalém como cidade santa. É mais um ponto de conflito, pois Jerusalém é também a cidade santa dos judeus e dos cristãos. A convivência entre os seguidores das três maiores religiões monoteístas é difícil e qualquer motivo gera confrontos. E isto a partir do dia santo. Os muçulmanos santificam a sexta-feira; os judeus, o sábado; os cristãos, o domingo.
Além do Alcorão, os islâmicos têm outro livro sagrado, o Suna, que contém os ditos do profeta. Sunitas e xiitas são as duas maiores correntes religiosas. Os sunitas agregam cerca de 85% da população; a minoria xiita tem atitudes fundamentalistas. A poligamia é permitida para o marido que pode sustentar várias esposas. A mulher é propriedade do marido, tem de andar com o corpo todo coberto, não pode estudar e, em caso de adultério, é apedrejada. Para os muçulmanos, isto significa respeito pela mulher e seus mistérios.
Europeus tiveram de enfrentar muçulmanos durante 13 séculos
Ao morrer, Maomé já havia consolidado seu poder sobre as diferentes tribos e etnias da península arábica. Em menos de 100 anos, seus seguidores criaram um vasto império, com ramificações na Ásia e África, e se tornaram ameaça à Europa.
Dezenas de etnias formam o universo maometano. Árabes e turcos são as mais conhecidas. Para os muçulmanos, o Ocidente é considerado sinônimo de Cristianismo e não são importantes as diferentes denominações cristãs. Para eles o Papa e Bush significam mais ou menos a mesma coisa.
Em 13 séculos, várias vezes a Europa teve de enfrentar o perigo muçulmano. A sorte do continente foi decidida em monumentais batalhas.
Espanha e Portugal – Em 711, El Tarik atravessou o estreito de Gibraltar e fundou um reino mouro. As tropas muçulmanas dominaram facilmente Portugal e Espanha. Avançaram pela França e só foram detidas a 300 km de Paris, em Poitiers, em 722.
Na península ibérica, os árabes construíram uma brilhante civilização, marcada pelas artes, castelos, mesquitas e lendas. Ainda hoje há sinais de sua passagem. Os cristãos tiveram de refugiar-se, sobretudo nas Astúrias. Aí se fortaleceu a Reconquista. Seus heróis ainda fazem o orgulho espanhol. É o caso de Dom Rodrigo Diaz de Vilar, El Cid, que reconquistou Valência, em 1094. A partir daí, os muçulmanos foram empurrados para fora. O golpe de misericórdia foi dado pelos chamados Reis Católicos, Fernando e Isabel, em 1492.
As Cruzadas – Um monge, Pedro o Eremita, retornando de Jerusalém, relatou os maus tratos sofridos pelos peregrinos nos lugares santos, sobretudo após a chegada dos turcos. O relato comoveu a Europa e o Papa Urbano II, em 1095 (Concílio de Clermont-Ferrand), fez um apelo aos príncipes cristãos para recuperar os lugares santificados pela vida e pela morte de Jesus. Deus o quer! Foi o grito que varreu e empolgou a Europa. Até São Bernardo de Claraval pregou a Cruzada. Francisco de Assis não – ele adotou o Tau como símbolo dos seus frades, comprometidos com a paz. Num gesto pacífico, dirigiu-se ao Egito, onde foi recebido, com respeito, pelo Sultão.
Integradas por Soldados da Cruz, as cruzadas foram operações militares enviadas à Palestina para libertar os lugares santos. Houve sete do século XI ao XIV. A mais exitosa foi a segunda, comandada por Godofredo de Buillon, que entrou em Jerusalém e fundou o Reino Latino do Oriente – durou um século. Este período teve cenas de barbárie de todo o tipo, de ambas as partes.
É impossível, aos olhos modernos, assumir a legitimidade das Cruzadas. Mas elas afastaram o perigo muçulmano, unificaram a Europa e proporcionaram o renascimento do comércio, com a contribuição da influente sabedoria sarracena.
Constantinopla – Atual Istambul, na Turquia, Constantinopla, pela privilegiada posição estratégica (estreito de Bósforo), tinha fama de ser inexpugnável. Sobreviveu a crises como o último bastião do Império Romano. Em 1453 foi tomada pelos turcos otomanos. Maomé III colocou sua mão manchada de sangue na parede da Catedral de Santa Sofia. A população foi passada a fio da espada. O fato pode ser considerado fim da Idade Média e começo da Era Moderna.
Lepanto – A tomada de Constantinopla encorajou os muçulmanos em seu velho sonho de dominar a Europa. Diante do perigo, o Papa Pio V conclamou os soberanos europeus, pois estavam em jogo a fé, a soberania européia e seu crescente comércio. Os turcos foram derrotados pela esquadra comandada por dom João da Áustria, em Lepanto, costa grega, em 7 de outubro de 1571. Pio V dedicou a data à festividade de Nossa Senhora do Rosário, cuja proteção foi considerada decisiva na batalha.
Mesmo assim, o perigo turco continuava. Pela influência papal, rivais europeus se uniram e as tropas cristãs esmagaram os muçulmanos na batalha de Viena (1683), salvando a Europa.
Criação de Israel reacende violência
Após dois séculos de relativa calma, o mundo muçulmano entrou em ebulição em 1948, com a criação do Estado de Israel. Em 14 de maio daquele ano a ONU devolveu aos judeus a terra de onde haviam sido expulsos, quase 2.000 anos antes. A Palestina foi dividida em dois Estados, entre judeus e árabes. No dia seguinte, cinco países árabes entraram em guerra contra Israel. Apoiados pelos Estados Unidos e pelo sionismo internacional, os judeus acabaram se impondo no ano seguinte. Mas as causas da guerra continuaram.
Uma série de incidentes antecedeu a Guerra dos Seis Dias – 5 a 11 de junho de 1967. As tropas judias levaram de roldão o mal treinado exército árabe, ocuparam a colina do Sinai e outros pontos estratégicos e entraram em Jerusalém. Era o messianismo judeu que se imaginava de volta aos gloriosos dias de Davi e Salomão. Mais: recomeçava a contagem para a vinda do sonhado Messias. O clamor internacional e as guerrilhas árabes impediram Israel de colher os frutos da vitória. Uma série de guerras manteve a região sob constante tensão.
Aliados incondicionais de Israel, os EUA garantiam a supremacia na região. E quando julgaram necessário, eles mesmos entraram em guerra. Derrotados pelas armas convencionais, e na área diplomática, os árabes lançaram mão de outro trunfo: o petróleo.
A OPEP – organização dos países árabes produtores de petróleo – elevou o barril de petróleo a preços até então impensáveis. Era a maneira de estrangular a economia ocidental e acumular quantias fabulosas de dólares – petrodólares -, ocupados, depois, na compra de armas.
A rotina da violência foi quebrada a 11 de setembro de 2001 com o espetacular atentado contra o World Trade Center, as famosas Torres Gêmeas de 110 andares. Cerca de três mil pessoas morreram nos ataques. O fruto mais saboroso da vitória terrorista: os EUA haviam-se mostrado vulneráveis. Osama bin Laden e os talibãs – milícia muçulmana – foram considerados culpados. Numa cruzada contra as "forças do mal", os norte-americanos invadiram o Afeganistão e, mais tarde, o Iraque. As vitórias militares não trouxeram resultados práticos. E o confronto promete novos capítulos.
"Vocês têm armas, nós temos a fé", proclamam os árabes. E prometem atacar norte-americanos e israelenses em qualquer parte do mundo. O exemplo mais chocante são os homens-bombas, também conhecidos como Brigada de Alá, que causam pesadas baixas em Israel e no Iraque.
Mal-ententido gera protestos e ameaças
Historicamente, muçulmanos e cristãos sempre se comportaram como inimigos. O Papa, para eles, é o chefe dos infiéis e um dos expoentes da civilização ocidental. Nos últimos anos, sobretudo a partir de João XXIII, não faltaram gestos de boa vontade por parte da Igreja Católica. João Paulo II defendia a causa palestina e até recebeu seus dirigentes em audiência particular. Convocou todos os líderes mundiais para um encontro inter-religioso em Assis. Foi ainda João Paulo II o único líder mundial de expressão a opor-se à invasão do Iraque.
Tudo isto parece ter sido esquecido quando o Papa Bento XVI, numa aula em Ratisbona, Alemanha, citou uma frase de um imperador bizantino, de séculos atrás. O mundo muçulmano mobilizou-se com passeatas, protestos, queima de imagens do Papa e ameaças. Pretendiam um pedido formal de desculpas.
O Papa queria dizer – e não foi entendido – que o papel das religiões é unir os povos e não se pode matar em nome de Deus. E ele tem toda a razão. Mesmo assim, suas explicações foram parcialmente aceitas. Na realidade, Cristianismo e Islamismo mostram-se incompatíveis e irreconciliáveis. A defesa da paz e o amor ao próximo são as bases da doutrina de Jesus, já os muçulmanos defendem a Guerra Santa e a destruição do inimigo. A constatação diária mostra que o islamismo pretende entrar onde não está, mas não faz concessão ao cristianismo ou outras religiões. A reação muçulmana mostra que Bento XVI tocou no ponto crucial do conflito.
Ação missionária amplia Boa Nova
Campanha missionária de 2006 recorda que a fé não tem fronteiras
O mês de outubro é, para a Igreja Católica, um período no qual são intensificadas as iniciativas de informação, formação, animação e cooperação em favor da missão universal. Trata-se de despertar a consciência e a vida missionária cristã, as vocações missionárias e também promover a coleta anual para as missões.
Promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), a campanha em favor das missões desenvolve-se durante o mês de outubro nas comunidades eclesiais em todo o mundo e culmina com a celebração do Dia Mundial das Missões, no penúltimo domingo – neste ano, a data é celebrada, pela 80ª vez, no dia 22. A missão faz parte da vida da Igreja, que, peregrina, "é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus-Pai, na "missão" do Filho e do Espírito Santo" (Ad Gentes, 2).
O 80º Dia Mundial das Missões tem como tema "A fé não tem fronteiras" e, neste ano, recorda de maneira especial os 500 anos do nascimento de São Francisco Xavier (Espanha, 1506 – China, 1552), nomeado pelo Papa Pio X em 1904 padroeiro das missões estrangeiras e de todas as obras relacionadas com a propagação da fé.
A ação missionária é essencial para a comunidade cristã. Pelo Batismo, todo cristão é chamado a participar da missão, com o testemunho de vida, o anúncio do Evangelho, o fortalecimento das igrejas locais, o diálogo inter-religioso, o seguimento das orientações da doutrina social cristã, a atenção aos "últimos" e o serviço concreto da caridade.
Cada um é convocado a ser missionário em sua comunidade, na sua empresa. Mas a Igreja também se abre para outras frentes de missão, lá onde as necessidades são mais urgentes ou onde pouco se fala do Evangelho. Hoje, quase dois terços (cerca de quatro bilhões de pessoas) da humanidade não conhecem ou não ouviram falar de Jesus. É para essas realidades que a Igreja convida os cristãos a refletir, orar e ajudar durante o mês missionário. No caso específico do Brasil, é tempo de recordar os 1.848 missionários que trabalham fora do país e também as centenas de estrangeiros que atuam principalmente nas comunidades brasileiras mais carentes.
Coleta atende ações da Igreja no mundo
O Dia Mundial das Missões, organizado pela Obra da Propagação da Fé, é um dia reservado pelos católicos do mundo para colaborar com a ação missionária da Igreja mediante oração e sacrifício. Nas palavras do Papa João Paulo II, é "um evento importante na vida da Igreja, pois ensina como contribuir: como oferta feita a Deus, na celebração eucarística e por todas as missões do mundo".
Nesse dia (22 de outubro) é realizada em todas as comunidades católicas uma coleta espontânea. As ofertas recebidas são destinadas a um fundo comum de solidariedade, que é distribuído pela Obra, em nome do Papa, às missões e missionários de todo o mundo.
Cada ano crescem as necessidades da Igreja nas missões, como a constituição de novas dioceses, abertura de seminários, atendimento a regiões destruídas pelas guerras e fenômenos naturais, ajuda aos missionários em países que se abrem para acolher a mensagem de Cristo e da sua Igreja. Na campanha missionária de 2005, a Igreja no Brasil coletou R$ 3,675 milhões. Desse total, mais de R$ 2,3 milhões foram disponibilizados a Roma.
Cerca de 1,1 mil dioceses de missão recebem assistência anual dos fundos recolhidos. No período 2005-2006, chegaram a Roma 5,9 mil pedidos de ajudas extraordinárias do mundo inteiro, mas a maior parte da coleta de 2005 foi destinada pela Obra da Propagação da Fé ao continente africano.
Padre Zezinho
É impossível seguir Jesus e não aceitar a proposta de libertação que Ele oferece
Por sermos a Igreja do pão repartido, a Igreja da palavra e a Igreja dos sinais, e, sobretudo, da palavra e do sinal juntos, somos também a Igreja dos direitos humanos. Se um católico combater os direitos humanos, está combatendo o cristianismo, está indo contra o cristianismo, está indo contra a Bíblia e contra a sua Igreja. É impossível você se declarar seguidor de Jesus de Nazaré e não aceitar a proposta de libertação que Ele oferece.
E a proposta de libertação de Jesus de Nazaré é que todos se salvem e não só um grupinho especial. "Eu vim para que todos tenham vida", disse Jesus. Ele manda perdoar, perdoa e morre perdoando; veio, não para os bonzinhos – porque esses já estão salvos – mas para os pecadores, porque são esses que precisam de misericórdia. "Os sadios não precisam de médicos, quem precisa são os enfermos". Então Jesus vem e exerce seu ministério tentando converter os pecadores e oferecendo a eles mais uma chance.
O que é isto, senão lutar por direitos humanos? Jesus não quer ver prisioneiros torturados, pessoas fuziladas na rua. Jesus não quer ver uma pessoa boa que foi vítima, fuzilando bandido porque então ela se torna, pela vingança, tão cruel como o bandido que lhe fez mal. Quando Jesus vem e diz que se baterem na gente é para oferecer a outra face, quando diz que é preciso perdoar e amar o inimigo, Ele está propondo direitos humanos. Nem sempre o bom levará vantagem, mas a longo prazo, o bem há de vencer. E todo o seguidor de Jesus não pode fazer como o mundo. Jesus mesmo disse "Se a gente ama somente a quem nos ama, qual é o mérito disso?". Nós temos é que amar todo mundo, inclusive quem não nos ama, para merecermos o nome de filhos do mesmo Pai do Céu, que faz nascer o sol sobre os bons e sobre os maus, e chover sobre justos e injustos.
A proposta de direitos humanos passa por esse amor misericordioso, fraterno e universal. Somos chamados a amar até a pessoa que nos caluniou, destruiu e tentou derrubar. Somos chamados a perdoar. E somos chamados a não revidar e a não pagar com a mesma moeda. Por isso, os direitos humanos são um jeito de a Igreja dizer: "Mesmo sendo bandidos e traidores, assassinos, e terem renunciado a sua humanidade, eles ainda não são animais. E se temos que respeitar uma vaca, um boi, um cachorro, um lobo e um leão, nós temos que respeitar o ser humano mau. Quem sabe, a misericórdia vai fazer por ele o que as leis não conseguem".
Capuchinhos emitem votos religiosos
Profissão de 14 frades e ingresso de oito noviços ocorreu em Marau
Depois de um ano de reflexão, oração e estudos sobre a vida franciscano-capuchinha, 14 jovens emitiram os votos religiosos (obediência, sem nada de próprio e castidade) na província dos capuchinhos do Rio Grande do Sul. A cerimônia foi realizada no dia 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, na igreja matriz de Marau (RS). Na mesma cerimônia, presidida pelo provincial, frei Álvaro Morés, outros oito jovens iniciaram o seu ano de noviciado.
Os 14 frades que professaram ingressaram no noviciado no dia 4 de outubro de 2005. Concluíram o noviciado nove jovens brasileiros (freis Alisson Brunetto, Carlos Junior dos Santos, Francisco do Amarante Ruas Neto, Gabriel Francisco Cavalli, José Claudemir Borges, Laércio Duminelli da Luz, Maicon Boccalon, Marco Bachi e Roberson Chiarentin), quatro do Haiti (freis Bazelais Jean-Baptiste, Emmanuel Bristol, Jean-Renaud Vilmar e Julien Yves Marie Dumay Sylvain) e um da República Dominicana (frei Halin David Ramirez Samuel).
Os oito noviços, que iniciaram seu ano de reflexão, oração e discernimento vocacional são os brasileiros Alexander Borges Teixeira (Caxias do Sul), Flávio Luiz Amorim do Amaral (Osório) e Edney Júnior Gomes Monteiro (do Pará); os haitianos Bendl Riviere, Dominique Louissaint e Wildrique Charlitte; e os dominicanos Ilario Guzman Méndez e Juan Miguel Gutierrez Méndez.
Os cinco frades da República Dominicana e Haiti que concluíram o noviciado retornaram aos seus países no domingo 8. Haiti e República Dominicana ocupam a Ilha Espaniola, no Mar do Caribe, e formam a vice-província capuchinha de Madre del Divino Pastor, ligada à província gaúcha.
Novo mestre – Durante a cerimônia, também foi empossado o novo mestre de noviços, frei Doraci Antonio Tártari, natural de Sananduva, e que passou os últimos anos trabalhando na República Dominicana e Haiti. Ele assumiu o cargo de mestre de noviços substituindo frei Lori Vergani, natural de Caxias do Sul, que vai dedicar os próximos dois meses aos preparativos para uma nova missão na vice-província – vai atuar no Haiti.
Crisma em Garibaldi confirma 391 jovens
Com a presença do bispo diocesano dom Nei Paulo Moretto; do pároco, frei Antoninho Pasqualon; de pais, familiares e padrinhos, foi ministrado na matriz da paróquia de Garibaldi (RS) o Crisma para 391 jovens e adolescentes do município. Diante do elevado número de crismandos, foram realizadas três celebrações, às 14h30, 16h30 e 18h30. As celebrações foram animadas, respectivamente, pelos grupos de cantos das comunidades Santa Terezinha, Santo Antônio do Champanhe e Fratelli. Dom Paulo cumprimentou cada crismando, os pais e os padrinhos. Agradeceu as catequistas e sua coordenação e salientou que "a missão continua".
Estef realiza curso de atualização litúrgica
O Setor de Liturgia da CNBB Sul 3 e a Estef promovem, em Porto Alegre, o Curso de Atualização em Liturgia, dividido em duas etapas – 21 a 31 de janeiro e 3 a 12 de julho de 2007. Objetivo é buscar caminhos para a liturgia viva e inculturada, à luz da renovação do Concílio Vaticano II e da Igreja.
O curso é aberto a presbíteros, diáconos permanentes, religiosos e religiosas, catequistas e integrantes das equipes de liturgia. As vagas são limitadas (60). Informações/inscrições até dia 30 de outubro de 2006 pelo telefone (51) 3217.4567, e-mail: estef@estef.edu.br, site: estef.edu.br. A Estef confirma os participantes com um comunicado até 30 de novembro.
Paróquia de Carazinho terá novos ministros
A paróquia Nossa Senhora de Fátima, de Carazinho (RS), vai ter seis novos ministros extraordinários da Eucaristia e Esperança. A cerimônia de envio será realizada dia 18 de novembro, durante celebração na igreja matriz às 19 horas. Os novos ministros são Elza Fernandes do Nascimento, Terezinha Luiza Stürmer, Judite Faggion, Gladis Marli Machado Costa, Graziela Dalponte Viadeski e Vagner Farias Monteiro. "Essas pessoas estão sendo preparadas há muito tempo e já prestam serviços nas pastorais", salienta o ministro e agente do Correio Riograndense, Ibo Lino Steffens. O pároco, padre Élio Eilert, sente-se feliz confiando e abençoando as pastorais.
Aldo Colombo
O brasileiro lê, em média, dois livros ao ano. Investimos em cremes e perfumes, mas não em cultura
No Japão, cada pessoa lê, em média, 14 livros ao ano. O francês se aproxima dessa média lendo, anualmente, 12, enquanto o norte-americano contenta-se com 10 livros ao ano. No Brasil, a média é de apenas dois livros ao ano, incluindo os livros didáticos, cuja leitura é compulsória. Por vezes acusamos o preço como responsável por essa miséria literária. Porém, não parece faltar dinheiro para a compra de perfumes e cremes embelezadores. Somos o terceiro maior mercado do mundo nesse item, em cirurgias plásticas somos vice-campeões mundiais, perdendo apenas para os Estados Unidos. No setor automotivo, temos a 9ª maior frota do mundo.
Um informe publicitário retrata a imponência da Daslu. A badalada superbutique paulista expõe 3.550 pares de sapatos simultaneamente, conta com 87 banheiros, uma orquestra com 50 músicos, 30 guias para acompanhar as consumidoras e até um campo de golfe para amparar clientes estressadas na compra. De quebra, está disponível um helicóptero para emergências.
O Brasil também ocupa lugar de destaque em aparelhos de TV – mais de 65 milhões – e a audiência, na maioria dos domicílios, ultrapassa quatro horas diárias. Esses dados indicam que a compra de um livro também se enquadra nas prioridades.
Investimos em cremes, mas não em cultura. Como saída estratégica, candidatas a concursos de beleza, no item cultura geral, lembram o Pequeno Príncipe sem precisarem provar que de fato leram a obra de Saint Exupéry. É conhecida a frase de um magnata no ramo de petróleo. Quando lhe foi oferecido um livro recusou, justificando-se: já tenho um.
A televisão é um bom meio de comunicação e de lazer. No entanto, deixa a desejar no item cultura. Mais: não ensina a pensar. O mundo que nos foi aberto no século XV por Guttenberg, inventor da imprensa, é um mundo mais sólido. O poeta baiano Castro Alves fazia a apologia do livro dizendo: "Bendito aquele que semeia, livros, livros a mão cheia e manda o povo pensar".
Catapultados pela mídia, palestrantes tentam motivar seus numerosos ouvintes a preços astronômicos. Eles repetem conteúdos, quase sempre vazios, mas que impressionam o público pouco acostumado a pensar e tomar decisões próprias. Quem de nós não gostaria de um painel, onde figurassem Tomás de Aquino, Dante Alighieri, Camões, Georges Simenon e Miguel de Cervantes? No entanto, eles estão todos disponíveis em nossas bibliotecas, se adaptam ao nosso tempo, repetem suas principais afirmações sempre que viramos uma página. Até o próprio Jesus está disponível para uma entrevista.
E eles nos ensinam a pensar, coisa que a televisão não faz. Eles nos ensinam a estruturar uma linha de pensamento. Eles nos ensinam a pensar, ensinam a ter uma visão abrangente do mundo. Se tivermos dúvidas, interroguemos os japoneses.
Superior geral visita jesuítas no RS
Padre Kolvenbach participa de eventos ligados ao ano jubilar
Os jesuítas do mundo inteiro estão celebrando os 450 anos da morte de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, e os 500 anos de nascimento de dois grandes missionários, São Francisco Xavier e o Bem-aventurado Pedro Fabro. Dentro do ano jubilar, três centros universitários jesuítas brasileiros – Unisinos (São Leopoldo – RS), PUC (Rio de Janeiro – RJ) e FAJE (Faculdades de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte – MG), realizaram simpósios sobre a importância e o significado da globalização na vida e na missão dos jesuítas hoje.
O superior geral da Companhia de Jesus, padre Peter-Hans Kolvenbach, participou desses eventos. Esteve no Rio Grande do Sul, no final de setembro, sendo recebido pelo superior provincial, padre João Geraldo Kolling. No dia 25 de setembro, Padre Kolvenbach encontrou-se com cerca de 100 jesuítas no Centro de Espiritualidade Cristo Rei (Cecrei), em São Leopoldo. Presentes, padres e irmãos da Província do Brasil Meridional e de outras províncias do Brasil e até do exterior. O superior falou sobre Xavier e sobre a situação da Companhia de Jesus no mundo.
No mesmo dia houve a abertura do seminário internacional "A globalização e os jesuítas", na Unisinos. Padre Kolvenbach proferiu a palestra "As origens universais da Companhia de Jesus. Possibilidades e desafios para a contemporaneidade". Destacou que "o espírito de um jesuíta deveria sempre se mover para o universal e estar concretamente disponível para servir em toda parte no mundo onde a carência apostólica é maior".
Os jesuítas contam com cinco províncias no Brasil. A província do Brasil Meridional, com sede em Porto Alegre, é a mais numerosa, com cerca de 230 membros professos. No mundo, o número de jesuítas ultrapassa os 20 mil.
Frei Renor Pegoraro é cidadão bageense
A Câmara de Vereadores de Bagé (RS) concedeu ao frei capuchinho Renor Pegoraro o título de Cidadão Bageense. O evento foi realizado no dia 5 de outubro no plenário da Câmara. A proposição, do vereador Ruben Salazar (PT), é um reconhecimento aos trabalhos prestados a Bagé e à participação do frade na vida da comunidade.
Nascido em Farroupilha há 51 anos, frei Renor atua em Bagé há mais de 20 anos, na área social e educacional, além de dar testemunho de vida religiosa e de presença capuchinha na campanha. Frei Renor é superintendente da Gráfica São Rafael e ecônomo da fraternidade Nossa Senhora da Conceição. "O reconhecimento não é meu, mas dos frades que vieram antes de mim", salientou frei Renor ao justificar a homenagem.
Wilson João
Árvore que não é cuidada nos primeiros tempos cresce defeituosa e vai ser difícil colher bons frutos
O promotor da cidade tenta reunir diretores das escolas, delegado, padre e outras autoridades para tentar resolver o problema dos adolescentes que bebem e se drogam, e que causam desordens na sociedade. Bonita iniciativa, mas quase zero de resultados. Apenas se pensa em mais alguns instrumentos de repressão para tentar controlar a situação. O trabalho é mais em baixo. A árvore que não é cuidada nos primeiros tempos cresce defeituosa e vai ser difícil colher bons frutos. A flor que não é cuidada nos primeiros dias de plantio terá cores que não serão de muito brilho.
ALGUÉM NASCEU TORTO. Não por própria iniciativa. Pai e mãe, sociedade adulta e torta não deram condições para que a pequena árvore humana crescesse direita. Querer endireitar depois torna-se difícil e, em muitos casos, impossível.
ALGUÉM NASCEU DIREITO. Não por iniciativa própria. Pai e mãe e ambiente saudável deram condições de nascer e crescer no equilíbrio da vida. Não faltou o adubo do amor, o calor da presença, a umidade da segurança e a luz da serenidade. A continuidade foi fácil. A vida foi fluindo naturalmente nesta pequena criatura.
SOMOS NOSSOS PRIMEIROS TRÊS ANOS. Isso já está comprovado. Nossa personalidade é moldada nos primeiros três anos de vida. A criança, desde a concepção, é totalmente acolhida e assimilada. Os olhos tudo fotografam. Os ouvidos tudo escutam. O gosto tudo degusta. A sensibilidade tudo grava. E tudo vai entrando no infinito poder do inconsciente. Nada foge dele. Aos oitenta anos pode acontecer um fato que vai ligar-se ao primeiro mês de vida. Depois dos três anos, pouco ou nada adiantam os tapinhas, os gritos, as repressões e os limites. Muito pouco vai sendo mudado na personalidade. Vão acontecendo apenas retoques.
E O QUE ESTÃO FAZENDO OS ARTISTAS DO FILHO? Já muito antes de qualquer gravidez está sendo gestada a nova criatura pela maneira de pensar, pelas atitudes e sentimentos vividos, pelo que se come e se bebe, pelo que se sonha e se projeta. Pai e mãe, muito antes de conceber uma nova criatura devem sentir-se os artistas de uma nova vida. E o que dizer das improvisações, da gravidez inesperada, do ambiente de insegurança e de tensão no qual nasce a criança? A nova vida é fruto de artistas que estudam e se habilitam para esse objetivo.
NOSSA SOCIEDADE É FRUTO DO IMPROVISO. A agressividade social, as crianças e adolescentes inquietos, os adultos frustrados e sem rumo, tudo é fruto dos primeiros três anos da vida, levada no descuido e no despreparo. Não vejo soluções brilhantes para melhorar nossa sociedade a não ser começando tudo de novo e com gente nova, cuidada no nascer de sua vida.
MESTRE DOS ARES
Desde a infância, Santos Dumont sonhava em voar
Neste ano, comemora-se o centenário da aviação. Em 23 de outubro de 1906, Alberto Santos Dumont fez um aparelho mais pesado que o ar voar pela primeira vez. O aviador brasileiro tinha apenas 33 anos na época. A bordo do 14-Bis, ele levantou vôo no Campo de Bagatelle, em Paris, na França. Depois de rodar na grama, a aeronave subiu a uma altura de dois metros e percorreu 50 metros do campo.
Com este feito, Santos Dumont, ou "Santos = Dumont", como ele costumava escrever, deu início à era da aviação. O fato foi noticiado no mundo inteiro, os jornais anunciavam a "conquista do ar". O 14-Bis tinha uma espécie de cauda na frente, media 10 metros de comprimento, pesava 210 quilos e tinha três rodas de bicicleta.
Menino prodígio – Desde a infância, Alberto era apaixonado por coisas mecânicas. Aos 7 anos, ele já gostava de mexer nas máquinas agrícolas do seu pai. Aos 12, ocupava o lugar do maquinista das locomotivas a vapor que carregavam os sacos de café. Ele via uma máquina e já queria entender como funcionava. Gostava de brinquedos mecânicos, desmontava e montava tudo o que podia.
Ele também gostava de ler e, segundo contam os historiadores, devorava as obras do escritor francês Júlio Verne, o pai da ficção científica. Parece que Alberto deixou-se impressionar especialmente pela história de "Robur, o conquistador", na qual o personagem principal, uma espécie de capitão dos ares, viajava em um navio com asas pelos céus do mundo inteiro, querendo acabar com as guerras. Pelo que consta, a obra de Verne o marcou para sempre.
Uso bélico do avião decepciona
Nascido em 20 de julho de 1873, em Palmeira (mais tarde rebatizada com o nome de seu filho mais ilustre), Alberto passou a infância em Minas Gerais. Completou os estudos em São Paulo, quando a família já morava em Ribeirão Preto. Mudou-se para Paris em 1891. Lá, estudou física, química, mecânica e eletricidade e especializou-se em aeronáutica.
Em 1898 seu primeiro balão (o Balão Brasil) voou sobre os céus de Paris. Seu próximo passo foi construir um veículo voador dirigível. Ele passou a vida aprimorando suas máquinas de voar. O primeiro grande feito do brasileiro foi a ousada circunavegação da Torre Eiffel, em 1901, com seu dirigível número 6. Em 1903, estreou no 14-Bis.
No fim de sua vida, Santos Dumont sofria de duas graves doenças: depressão crônica e esclerose múltipla. Com a saúde cada vez mais debilitada e vendo o seu invento ser cada vez mais utilizado como arma de guerra, ele decepciona-se e começa a ter progressivas crises de depressão.
Em 1931, ele volta ao Brasil para viver em Petrópolis (RJ), em uma casa projetada por ele mesmo, a Encantada, hoje Museu Santos Dumont.
Em 23 de julho de 1932, aos 59 anos, comete suicídio. Após sua morte, recebeu o título de marechal-do-ar e, por decreto, foi proclamado patrono da Força Aérea Brasileira, em 1971.
Wright X Dumont
Por muito tempo, discutiu-se se o brasileiro Alberto Santos Dumont era, de fato, o pioneiro dos ares. Acontece que os irmãos Orville e Wilbur Wright, americanos, protagonizaram um vôo em 17 de dezembro de 1903, em Kill Devil Hill, Ohio, antes do 14-Bis. Porém, eles usaram um biplano e precisaram ser impulsionados por uma catapulta, o avião não decolava. Eles não conseguiam pilotar, apenas planavam e, para isso, dependiam do vento.
O italiano que está em mim
Floriano Molon
Funcionário público federal, Porto Alegre – RS
Floriano Molon, oitavo dos 9 filhos de Aristide Molon e Mercedes Dani, trineto dos imigrantes Angelo Molon e Cecília Ziliotto, de Arzignano (Vicenza), esposo de Dalva, pai de Fabrício Antônio e Cristina Maria, avô de Kiani, italiano de corpo e alma, diz:
"Nasci numa casa de madeira, de dois andares, o quarto localizava-se sobre a vinícola. O nome Floriano me foi dado em homenagem ao capuchinho polonês, frei Floriano Skrowonski. De cabelos loiros, transitei pela minha adolescência com a apelido de alemão. Na infância na busada, interior de Otávio Rocha, fui o nêne dia e noite italiano. Até os bancos escolares, nunca tinha dado muita importância à língua brasileira, que ouvia na missa da capela da Marcolina, ou no rádio dos vizinhos, nas nostálgicas noites de filò. Nossa casa, separada em duas partes para evitar incêndios, me obrigava a sair ao sereno nas noites de verão como de inverno, à luz do feral, para iluminar o caminho à casa de dormir.
Entre os trabalhos e comidas, inesquecíveis à mente e ao estômago, estão: Ndar molder le vache, para ter o leite para o café com pan biscoto; palpar le galine, para anunciar mais um ovo para saciar a fome, tão presente nas safras magras de trigo e das uvas com baixo preço; comer fortaia com salame, ou queijo, ou cebola picada, pissacan co la panseta, radici coti, puìna, pien, frìtole, codeghin, menarosto, gnochi, tortei, capeleti... Tenho que contar que, um dia, para temperar a massa, vi um irmão matar um quero-quero. Apesar de me assustarem com os espinhos nas pontas da asas, os quero-queros e o urubus, em minha inocência, eram considerados sagrados.
Aborrecia-me puxar mangueiras para sulfatar (eu já peguei a modernidade, sem as máquinas de sulfatar às costas); conduzir a mula para arar debaixo do parreiral. Mas, como era bom ndar al molin a cavalo; o dia de bàter el formento, quando lautas refeições eram servidas aos maquinistas, e a todos os de casa. Aliás, era felicidade para nós receber visitas, não porém para o galo gordo, as pombinhas novas, as costeletas de porco...! Quem não lembra o scartossar e sgranar mìlio! Uma nona, de santa sabedoria, disse que depois da descoberta da máquina de debulhar milho, nada mais iria ser inventado! E o dia de far la lìcia e torcer os lençóis?! E por falar em modernidade, nada me impressionava mais que o relógio de parede, na casa do nono, com aquele pêndulo marcando o tempo!
Saí da colônia para percorrer o Brasil do trabalho, mas a colônia não saiu de mim. Destinei estudos e atividades para ajudar minha comunidade a progredir. Fundei associações, criei e presidi eventos, realizei dezenas de festas e, entre Otávio Rocha, Flores da Cunha e Porto Alegre, movimentei milhares de pessoas.
A partir do Centenário da Imigração Italiana (1975), me dei conta de histórias e fatos a serem resgatados. Escrevi centenas de artigos em jornais, revistas e livros. Pesquisei a história da minha e de outras famílias. Fiquei extasiado ao receber o passaporte italiano. Não porque pense em deixar esta terra que acolheu nossos avós e lhes deu, pelo suado trabalho, o pão e o vinho. O passaporte é o elo, pelo qual, após 130 anos, pude mostrar, em quase desabafo, à Itália e à célebre Veneza, que nossos antepassados, por elas esquecidos, são vencedores pela fé e pelo trabalho.
Famílias, carreteiros, balseiros, culinária italiana... são alguns temas de minhas pesquisas. Andando pelo Brasil senti-me orgulhoso por me chamarem de gringo, atestando a italianidade, impressa em minha testa, circulando em minhas veias, com as características da região que me viu nascer. Nêne, na infância; polaco, alemão, gringo, na vida adulta; não importam os apelidos, pois é tão belo ser gaúcho-ítalo-brasileiro!" (fmolon@cpovo.net)
Floriano é, de fato, uma flor de italianidade! (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (381)
Verso al pìcolo paeseto de Novo Treviso
Silvino Santin
Santa Maria - RS
(Retomada do texto de Silvino Santin, interrompido na edição de 12 de abril de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).
Cossita che Nanetto el salta rento el autin, el trova Giulieto che’l se tegnea streto par no crepar de rider.
– Parché sito drio rider cossì, el ghe dimanda Nanetto. Vuto dir che’l nono Minello el me ga fracà una dele bele?
– Nò, nò, Nanetto, son drio rider parché ti, me par che, dele olte, te parli fin massa, te vol saverle tute, te me someii un tosatel de due tre ani, che’l ze sempre lì dimandando parché questo, parché quel, parché quelaltro.
– Si, si, Giulieto, ma se no fao così, e come son ndà poco a scola, come vuto che impare se no ghe dimando a quei che i sa, ai pi veci, come el nono Minello. O vuto che reste un baucon, meso inseminio tuta la vita?
– Te ghè rason, seto, Nanetto, bisognaria che te dimandesse scusa. L’è pròpio cossita che se impara tante cose, che gnanca la scola no la insegna.
– Eco, védito, se no go rason de dimandar, ma ti te ghè sempre prèssia de ndar avanti.
– Ben, lora, scùseme, Nanetto e dopo tuto vui dirte che la curiosità la ze la gran virtù del omo che’l vol imparar sempre depì, fursi, i frati, in tel catechismo, i te ga insegnà che esser curiosi ze un pecà, ma come te lo go dito, mi go imparà in te i me stùdii che la ze la virtù dei sapienti. Luri i vol saver come le ze tute le robe, no i vol assar fora gnente. I se dimanda fin se Dio el ghe ze o no’l ghe ze.
– Maria, Signore! El se sclama Nanetto, ma cossita i va tuti al inferno!
– Si, si, Nanetto, no stà ver prèssia par mandarli tuti al inferno, se i se dimanda no l’è mia par dir che Dio no’l ghe ze, ma come no se lo vede, i vol esser sicuri che’l ghe ze come nantri due semo qua.
– Si, el revien suito Nanetto, no se lo vede con questi oci, ma se’l mondo el ghe ze, vol dir che Dio el ghe ze. O pénsito che’l mondo el podea èsserghe sensa un Dio? El manco così go imparà dela nona in Itàlia.
– Nanetto, seto che sta volta te me tiri in giro del bon.
– Ben, Giulieto, sia come la sia tra i sapienti, credo che adesso si semo in pace. Mi credo che ghe ze robe che se le vede sensa dimandar, ma tante altre se le impara dimandando. E varda ti, mi no la me gavea mai pensà, la ze pròpio così, i fradei picoleti dela Gelina i dimanda tuto anca due o tre volte. Quando son ndà far el maestro in te la scola de San Giusepe, te pol gnanca maginàrtela quante domande i me ga fato, i me ga dimandà fin quel che mi no savea. Son restà squasi mato.
– Ma come Nanetto, no vui gnanca creder, te ghè fato el maestro e no te me ghè contà gnente!
– No te lo go contà parché no go bio tempo, ma, se te vol, te lo conto suito, adesso.
E sensa spetar la risposta el ga scomissià parlar sensa fermarse fin rivar al paeseto de Novo Treviso. La strada no la gera mia tanto longa, ma piena de sassi, de busi e storta, la parea come na códega secada al sol. Quel che se podea far in meda ora ghe ga volesto squasi na ora. Così Nanetto el ga bio tempo par contar tute le so braure de maestro.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Stòrie che la nona contea
Diva Miotto
Santa Maria – RS
Vui parlarve de quel che la nona la contea sora un bel momento in fameia dele colònie taliane. Una doménega freda de inverno, dopo mesogiorno, na pioveta fina e un ventin de ingiassar el naso e le rece. Na casa, come tante altre, impiantada in medo la colònia. In cosina, una fameia granda, pupà, mama e, al manco oto o nove fioi. Tuti in torno el fogon, grando anca questo, con un bel fogo de legna de angico. Cossì la cosina la parea na vera stufa.
Nela setimana scorsa tuti i gavea laorà a piena forsa par finir de semenar el formento. A la matina, le persone grande le gera ndae a messa. Adesso, dopo mesdì con quel fredo, el meio l’era méterse in torno al fogon. Ràdio o televison no se savea gnanca cossa che i gera, lora el fogon, nò sol par via del caldo, ma parché lu el diventea el centro de tuto e de tuti, e de lu vegnea la meio solussion.
La mama, dopo ver laorà tuta la setimana, far de magnar, lavar la roba, giustar sbregoni, rangiar i leti e rincurar la tatina, la catea forsa par far gróstoli, o frìtole, o pipoche, e no ghe manchea patate dolse cote in te’l fornigno e pignoi sapecai sora la siapa. Par bever, i grandi i gavea vin, pai tosatei ghe gera el mate dolso con miel o melado. E, de le volte, s’el vin el fea efeto, podea scomissiar la cantoria.
Ma gnanca tuto l’era tranquilità. I più veci i stigava i più pìcoli, sol par véderli inrabiai. I pi golosi no i gavea passiensa, i volea magnar i gróstoli prima de esser pronti, lora i metea le man in te la padela co la bagna boiente, e i podea scotarse. La mama, dele volte, par mantegner l’órdine, la ghe molea via un scopeloto ai più veci, e ai altri la ghe bravava, parché i spetesse un pochetin. La ghe disea: "L’è meio spetar un poco che broarse le man o el palasso dela boca". Ma, in fondo, parea che la ghe piasea tuto sto bordel. La vita l’era meio cossita. Tuto chieto, tuto calmo, par ela ghe parea che ghe manchesse qualcossa. E par dir la verità, la gavea rason.
Dopo de la pansa piena, intanto che seguitava sbecolar na robeta o altra, se scoltea le stòrie del’Itàlia che la nona la savea contarle tanto polito, fin el pupà e la mama i stea atenti. E cossita, la doménega freda la se finia sensa malidir ne el fredo, ne la piovesina, ne el vento. In soma, se podaria dir, che le gera le meio doméneghe quele del inverno.
El giorno de incó come le cose le ga cambià! Adesso la fameia la resta tuta impiantada davanti la television, grandi e pìcoli, tuti coi so sachetini, comprai te’l mercà, i rosega su ste tràpole, fate no se sa de che, e coi oci fissi ntela television. Nissun se parla, nissun se varda.
E le none de incó, poarete, le se vede perse, messe in te un canton, come se le fusse drio contarse le so stòrie a ele stesse. Al veder tuti sti cambiamenti, me pupà el dise: "Par mi, na doménega freda de inverno sensa el fogon a legna, sensa gróstoli, sensa pignoi o patate dolse, vin o mate dolso, e, particolarmente, sensa le stòrie de la nona, no la ze pi doménega".
(Testo de Silvino Santin, stòria contada par Diva Miotto, nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria).
Plano diretor mobiliza 1.700 cidades no país
Dos 5.561 municípios, 31% se enquadram no Estatuto das Cidades
Os municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes estão se adequando à lei federal 10.257, de 10 de julho de 2001, mais conhecida como Estatuto das Cidades. No país, a medida atinge 1.700 cidades. No Rio Grande do Sul, 12l estão enquadrados na determinação. O plano visa a melhor execução das políticas urbanas, buscando a ordenação e controle do solo urbano.
O presidente da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), Glademir Aroldi, acredita que os municípios não terão dificuldades para se adequar à totalidade da legislação, cujo prazo de elaboração e aprovação do projeto encerrou nesta terça 10. "Pela sua importância todos os municípios devem elaborar seu plano diretor e não somente os que possuem mais de 20 mil habitantes", orienta o presidente da entidade.
Instrumento – O Plano Diretor Participativo (PDP) é um instrumento para garantir aos cidadãos do município um lugar adequado para morar, trabalhar e viver com dignidade. O PDP é uma lei que vai registrar a melhor forma de ocupar o território do município para garantir que o interesse coletivo prevaleça sobre os interesses individuais ou de grupos isolados. De acordo com a Constituição Federal (art. 182), o plano diretor é instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana do município.
O que acontece se o município não entregar o Plano Diretor Participativo no prazo da lei? Qualquer entidade da sociedade civil pode acionar o judiciário ou o Ministério Público, que poderá abrir processo contra os prefeitos que não providenciaram a elaboração do plano diretor ou não asseguraram a participação da comunidade na sua elaboração. A maior punição é ser julgado e condenado por improbidade administrativa.
Todos os municípios com mais de 20 mil habitantes, localizados em regiões metropolitanas e onde o plano diretor já existe há mais de 10 anos são obrigados a elaborar, aprovar, ou rever o plano. O Estatuto diz também que municípios turísticos e aqueles situados em regiões que vão sofrer o impacto de um grande empreendimento também deverão fazer o seu plano – mas sem prazo definido. O ideal é que todo município tenha um plano que dê direção ao seu desenvolvimento.
Há 70 anos servindo a vida e a saúde
Hospital São Vicente de Paulo, de Três de Maio, é referência na região
A congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus, fundada na Itália por Santa Teresa Verseri em 1831, chegou ao Brasil em 1930, se estabelecendo na Vila Buricá, atual Três de Maio (RS). Atentas às necessidades do povo e com ajuda da comunidade local, as irmãs construíram o Colégio Dom Hermeto e, no dia 18 de outubro de 1936, inauguraram o Hospital São Vicente de Paulo.
Passados 70 anos, o hospital é hoje uma referência na prestação de serviços à saúde na região do Celeiro. Atendendo às necessidades locais, o hospital atende através de diversos convênios, entre os quais o Sistema Único de Saúde (SUS) e Unimed. A partir de 2002, surgiu o Centro Regional de Oftalmologia, referência na especialidade para a 14ª Delegacia Regional de Saúde de Santa Rosa e atualmente se estendendo às regiões de Ijuí e Santo Ângelo. A instituição também é referência regional em otorrinolaringologia.
O Hospital São Vicente de Paulo, mantido pela Associação de Literatura e Beneficência, conta atualmente com 163 funcionários, 89 leitos e uma ocupação média de 65%. Há cerca de 400 internações/mês e uma média mensal de 958 atendimentos ambulatoriais, 1.970 oftalmológicos e 450 otorrinolaringológicos.
As Filhas do Sagrado Coração de Jesus atuam em sete países (Itália, Brasil, Argentina, Bolívia, África, Albânia e Índia) e têm entre as frentes de missão a saúde, a educação, as CEBs, a atuação nas paróquias e o serviço de assistência social a crianças órfãs e carentes. Vários eventos marcam os 70 anos do Hospital São Vicente de Paulo – missa de ação de graças (dia 7), jantar dançante (14), chá da tarde para os colaboradores do hospital (18) e celebrações recordando a santa fundadora (27/10).