DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.010 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 18 de outubro de 2006.
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Um abismo separa o Brasil que temos do Brasil que desejamos
O país reclama metas corajosas que favoreçam a ética, a saúde, a agricultura, a segurança e o crescimento da economia
As eleições se constituem no ritual mais importante e mais visível das democracias. Porém, elas estão longe de resolver nossos problemas. A cidadania não é privilégio para um dia apenas. Ela implica uma série de posturas, antes e depois das eleições. Antes supõe um juízo crítico sobre os programas partidários e o passado dos candidatos. Depois o acompanhamento dos eleitos e dos objetivos por eles defendidos nos palanques.
O novo presidente e os novos governadores terão diante de si tarefas urgentes em relação ao país que sonhamos. Entre as mazelas históricas que afligem o povo brasileiro está a corrupção. Nunca se falou tanto em ética, mas o panorama eleitoral mostra um inadmissível cenário de roubos, falcatruas e favorecimentos ilícitos. São os famosos crimes dos colarinhos brancos, incompreensivelmente estes crimes não levam ninguém à cadeia. E a memória do povo é curta. Alguns dos eleitos demonstram claramente isso.
Outro desafio importante e inadiável é o crescimento da economia brasileira. As previsões mais otimistas dizem que o crescimento ficará mesmo na casa dos 3%. Isto é muito pouco para gerar os empregos necessários. A bandeira da Fome Zero é justa, mas não pode estar eternamente vinculada à distribuição de cestas básicas. Mais do que receber o alimento do Estado, o brasileiro tem o direito e o dever de ganhar o pão com o suor do seu rosto. Na área da legislação é urgente diminuir a carga de impostos. O chamado Custo Brasil é um dos maiores do mundo e o maior entrave para o crescimento de nossa economia.
Há outros problemas que exigem soluções imediatas para que não tenhamos de lamentar depois anos e quatriênios perdidos. Os mais gritantes: saúde, educação e segurança. O indivíduo é anterior ao Estado. Abrindo mão de parte de sua liberdade, o cidadão tem direitos inalienáveis. O Estado não pode apenas ser uma máquina arrecadadora e ineficiente.
Por fim, os novos governantes precisarão olhar com mais carinho para o campo. A agricultura não é uma atividade econômica igual às outras. Ela precisa de amparo para que haja pão na mesa dos brasileiros. A verdadeira reforma agrária não se faz apenas distribuindo terras, mas instituindo uma política abrangente, onde devem figurar, necessariamente, garantia de preços e seguro agrícola.
Adutora amplia água à zona norte
Estação tratará 50 litros de água por segundo
A ordem de serviço foi assinada na segunda 16 e o prazo para a construção do Sistema de Abastecimento de Água Zona Norte é de 120 dias. A Prefeitura está investindo R$ 276 mil para tratar mais 50 litros por segundo. Para isso será instalada, junto à barragem Maestra, uma estação de tratamento modular. A água será distribuída para a região norte da cidade, que hoje recebe 300 litros de água por segundo da estação Celeste Gobatto – ampliação de 16,6%.
O sistema prevê ainda a instalação de um reservatório metálico com capacidade para 1.000 metros cúbicos. "Este reservatório alimentará uma estação elevatória que terá como finalidade abastecer os loteamentos Belo Horizonte, Luxor Portal da Maestra e Altos da Maestra, localizados ao sul da nova estação", informa Marcus Vinicius Caberlon, diretor-geral do Samae, autarquia responsável pelos serviços de água e esgoto. "Vamos atender desse ponto, por gravidade, os loteamentos Cânion, Vila Maestra, Madalosso, parte do Caxias e Linha 40. A partir daí, em virtude das cotas topográficas será instalada mais uma estação elevatória para atender outros loteamentos", anuncia ainda Caberlon, referindo-se a outras áreas da zona norte.
Vôo da NHT liga Caxias a Curitiba
A NHT Linhas Aéreas iniciou operação em Caxias do Sul na segunda 16. A empresa oferece vôos diários, ida e volta, partindo de Porto Alegre às 11h40, pousando em Caxias do Sul às 12h05 e seguindo para Navegantes (SC) e Curitiba (PR). Jeffrey Kerr, diretor comercial da NHT, diz que o foco da empresa é a integração regional. "Visamos atender mercados que não são contemplados por outras empresas aéreas", afirma. Segundo ele, a demanda por essas novas rotas é principalmente de empresários ligados ao setor metal-mecânico e ao agronegócio. "Os empresários precisavam sair de Caxias e ir a São Paulo para voltar a Curitiba", completa Kerr, resumindo a economia de tempo que a NHT deve gerar.
A próxima rota da NHT na região Sul vai atender Santana do Livramento e Uruguaiana. Esses vôos só dependem da autorização para utilização do aeroporto de Rivera, no Uruguai.
Fepam concede licença provisória a crematório
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) autorizou o Memorial Crematório São José a realizar cremações no último dia 6. "O serviço está à disposição da população desde 10 de outubro", afirma Mateus Formolo, gerente administrativo. Porém, a licença é válida por seis meses. Durante esse período, a Fepam deve monitorar se o serviço atende às normas legais. Cumpridas as exigências, o local pode ganhar licença de operação definitiva.
O crematório, localizado em São Virgílio da 6ª Légua, interior de Caxias do Sul, pretende atender cerca de 300 municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e tem capacidade para fazer até quatro cremações/dia. O local foi inaugurado em 27 de abril passado, mas dependia da licença da Fepam para entrar em funcionamento.
PROPOSTAS DE QUEM VAI GOVERNAR OS GAÚCHOS
O Rio Grande do Sul decide no dia 29 entre Yeda Crusius (PSDB) e Olívio Dutra (PT) quem ocupará o Palácio Piratini a partir de 1º de janeiro de 2007. Para melhor conhecer os programas dos dois candidatos, o Correio Riograndense fez as seguintes entrevistas,com as mesmas perguntas e enfoque destacado para a agricultura e pecuária
Correio Riograndense – A agropecuária gaúcha ainda sofre os efeitos de uma das mais severas estiagens da história. Que política pretende adotar para impedir que as anomalias climáticas determinem o futuro dos agricultores e pecuaristas?
Yeda Crusius – É inadmissível que, em um Estado que sofre freqüentemente com a estiagem, nenhum programa de enfrentamento tenha sido até hoje efetivamente implantado pelos governos que aqui passaram. Nós temos um programa de combate às secas, que é o Plano Estadual de Irrigação. O princípio básico a ser seguido é universal: acumular na abundância, para usar na escassez. Seu uso racional implica preservar a qualidade hídrica, com respeito ao meio ambiente, otimizando a relação entre impactos e benefícios. Inúmeros inventários hidrológicos, planos de bacias e projetos de engenharia já foram elaborados e permitem construir um cenário de investimentos possível, transformando o binômio solo-água em vetor de desenvolvimento. Este projeto de irrigação é viável e auto-sustentável, especialmente se comparado com o valor perdido da produção em anos de seca no Rio Grande do Sul.
Olívio Dutra – A escassez hídrica, especialmente no período do verão, é uma realidade em nosso Estado. Basta ver as estiagens que assolaram o Estado nos últimos anos. Para enfrentar esse problema é necessário adotar um conjunto integrado de estratégias para a gestão, o manejo e uso racional e sustentável dos recursos hídricos. Em algumas situações específicas, para determinadas culturas e áreas adequadas, a irrigação pode ser uma alternativa. É o caso da produção de hortaliças e fruticultura. Mas imaginar que o problema das estiagens no Estado poderia ser resolvido apenas com irrigação é tentar vender uma ilusão. O que pode ser feito, de forma articulada e integrada, é apoiar com programas específicos (financiamento, pesquisa e orientação técnica) a conservação de fontes, rios e córregos, a captação e o armazenamento de água em açudes, barragens e cisternas para o abastecimento das propriedades no consumo humano e animal, bem como para irrigação, preferencialmente por gotejamento em atividades de maior valor agregado como fruticultura e horticultura; na produção de grãos em larga escala (soja e milho), sem excluir a irrigação onde for passível, o mais indicado é adequar épocas de plantio e utilização de variedades mais resistentes, conforme as diferentes microrregiões do Estado, para fugir do déficit hídrico em alguns períodos do ano. E, entre outras medidas (o candidato citou várias), ampliar e fortalecer o seguro agrícola estadual.
CR – Pesquisa da CNA constatou que as maiores preocupações dos agropecuaristas são a garantia de produção e preços justos. Como o seu governo pode atuar para desfazer essas preocupações?
Yeda – Entendemos que o Plano Estadual de Irrigação contém parte desta resposta. Em relação ao seguro, há um elevado custo de contratação não somente para o agricultor, mas também para qualquer contrapartida do Estado. Ao enfrentarmos as secas, o risco de quebra de safra diminui. Desta forma, o preço do seguro também cai. Pelo lado dos preços, a irrigação se incorpora a todo um sistema produtivo para reduzir os custos, aumentar a margem de lucros e a oferta global de produtos. Somado a isto, traremos os institutos de apoio ao empreendedor e trabalhador do campo para perto da produção, melhorando suas condições de atendimento e apoiando a pesquisa aplicada. Com a recuperação das finanças gaúchas, poderemos então discutir políticas financeiras sólidas, de longo prazo, para o campo. Não há solução mágica para problemas que vêm de décadas. Não seremos irresponsáveis em prometer o que não pode ser feito. Apenas prometemos trabalhar muito para melhorar a situação fiscal e poder retomar nossa capacidade de investimentos.
Olívio – A produção agropecuária necessita de três fundamentos básicos para o seu desenvolvimento: a) financiamento das atividades produtivas – Eu e o presidente Lula em nossos mandatos ampliamos muito o volume de recursos para a agropecuária, reorientando as instituições públicas como Banrisul, BRDE e Caixa RS e Banco do Brasil para financiar a produção primária. Este compromisso é reafirmado numa estratégia de diversificação da produção e substituição da produção de grãos por culturas de maior rentabilidade por unidade de área, como biodiesel, leite, fruticultura, horticultura etc; b) proteção das atividades agropecuárias – se faz com seguro agrícola que criei no meu primeiro governo aqui no Estado e o presidente Lula criou em nível nacional e também com uma boa sanidade animal, para garantir mercados internacionais de aves, suínos, vinho, frutas e grãos. Proteção se faz também com políticas tributária e fiscal diferenciadas para enfrentar a guerra fiscal entre os Estados e países; c) políticas de apoio à comercialização.
CR – Desde que foi criado, o Fundovitis jamais repassou ao Ibravin sequer a metade dos recursos arrecadados. Hoje o Ibravin não tem dinheiro nem para pagar seus funcionários. Eleito (a), pelo menos admite mudar a legislação que dá ao governo poder para usar como quiser até 75% do dinheiro do Fundo?
Yeda – O Ibravin tem papel estratégico para o setor vitivinícola e, portanto, não pode ser abandonado. Temos preocupação especial em dar maior competitividade real a este setor no Rio Grande do Sul e precisaremos deste órgão atuando de forma focada na execução dos projetos. Sabemos que sem recursos – humanos, físicos e financeiros – não é possível manter o que vem sendo realizado, tampouco fazer mais. Temos que ser transparentes nesta discussão. Insistimos que a regularização das obrigações do Estado com esta e diversas outras áreas será gradual, sem demagogia, à medida que implementarmos nossas ações de ajuste orçamentário. Quanto aos recursos do fundo, devemos ter respeito pelo setor. Temos que construir a viabilidade do Ibravin junto com o setor. Não é justo que ele seja para os vitivinicultores apenas mais uma forma de tributação indireta, somando-se a outras questões que tanto os penalizam.
Olívio – O Fundovitis é um importante instrumento de apoio ao desenvolvimento da vitivinicultura gaúcha. No meu primeiro governo fortalecemos o Ibravin e financiamos todas as atividades por este propostas. Vamos rever a legislação para que este fundo volte a ser um instrumento de desenvolvimento da vitivinicultura gaúcha.
CR – O governador Germano Rigotto vetou o projeto aprovado pela Assembléia Legislativa que classificava o vinho como alimento e assumiu o compromisso de enviar novo projeto. O que pretende fazer sobre essa questão? Na sua avaliação, vinho é alimento?
Yeda – Os médicos – através das suas associações de classe – vêm se manifestando contrários à classificação do vinho como alimento. Argumentam que bebida alcoólica não é alimento e isto pode ferir inclusive alguns dispositivos legais. Por outro lado, a indústria vitivinícola deve ser impulsionada por programas específicos de competitividade que contemplem aspectos além do tributário. Temos que ser transparentes e apresentar propostas construídas com o setor que explicitamente o auxiliem na luta pela competitividade. O setor não pode ser penalizado pela nossa ineficiência, mas sim fortalecido com ações de diversas áreas – infra-estrutura, educação e acesso a mercados, por exemplo – para não depender de medidas pontuais de melhoria da situação corrente, mas que não combatem os maiores desafios do setor para o longo prazo. A discussão – se o vinho é ou não alimento – não deve impedir que medidas para o setor sejam adiadas, tanto em criação, quanto em execução.
Olívio – Primeiro, é preciso lembrar que o autor do projeto original é o deputado estadual Estilac Xavier, do PT. Estudos científicos comprovam que o vinho consumido moderadamente, em doses diárias, ajuda a prevenção de doenças cardiovasculares. Entretanto, as objeções que as entidades médicas e o Ministério Público, entre outros, fazem contra a transformação do vinho em alimento são de outra ordem. Alertam para o risco de que isto possa estimular o consumo excessivo, especialmente entre os jovens, transformando-se numa ferramenta de aumento do alcoolismo, com todos os malefícios daí decorrentes. O importante é que precisamos estimular o consumo do vinho gaúcho, tornando-o acessível aos consumidores, com redução de custos, inclusive tributários, e diminuindo o impacto da competição com os importados.
CR – Um dos graves problemas que regiões do Estado vêm enfrentando é a disposição dos jovens em trocar o campo pela cidade. Como corrigir esta distorção, devolver ânimo aos jovens agricultores e impedir a continuidade desse êxodo?
Yeda – O jovem deve voltar a ter um horizonte de vida no campo. Sem dúvida, a melhor forma de renovar a sua esperança é retomar o desenvolvimento econômico nas áreas rurais. Nossas propostas estão construídas neste sentido. Geração de empregos rurais é fundamental e isso se faz também com estímulos ao empreendedorismo no campo. A rede de apoio de institutos e órgãos hoje existente deve ser ampliada para atender também aqueles que buscam iniciar novos negócios, novos elos da agroindústria, e agregar mais valor ao produto dos campos gaúchos. Maior valor agregado leva a maiores remunerações e, portanto, torna mais atrativo permanecer no local. Promoveremos, assim, uma nova idéia de futuro para quem está no campo.
Olívio – Criarei uma estrutura de Estado para tratar dos temas específicos da juventude rural. Promoverei a inclusão digital de jovens nas áreas rurais em parceria com os municípios. Ampliarei a oferta de serviços de cultura, lazer e esporte para os jovens nas áreas rurais em parceria com os municípios. Garantirei o acesso de jovens rurais ao conjunto das políticas públicas de geração de trabalho e renda, como as de crédito, processamento de produtos e comercialização. Vou ampliar a participação de jovens nas atividades voltadas ao aperfeiçoamento da gestão de cooperativas e demais empreendimentos solidários e descentralizar as ações para formação e capacitação de jovens no meio rural.
CR – O florestamento comercial, como o projetado para grandes áreas da Metade Sul, pode revolucionar a economia daquela região e do Estado. Ao mesmo tempo, ambientalistas ressaltam a ameaça destes projetos aos ecossistemas. Concorda com esses projetos? Admite a possibilidade de danos ambientais? Pretende limitar a área para esse tipo de investimento?
Yeda – A atração destas empresas sem dúvida é muito importante para a região. O Rio Grande do Sul, todavia, já deveria estar trabalhando um programa para a silvicultura há anos. As empresas vieram para o Rio Grande do Sul, mas o seu impacto ambiental e as medidas compensatórias ainda nem foram discutidas com a sociedade gaúcha. Acreditamos que ainda há tempo de corrigirmos isso. É possível, sim, avançarmos na silvicultura e suas indústrias correlatas, mas devemos nos empenhar que isso seja parte de uma estratégia de desenvolvimento auto-sustentável.
Olívio – O florestamento na Metade Sul deve ser compreendido como uma importante atividade para a diversificação econômica da região. Como tal, tem o nosso apoio, evidentemente ressalvadas as questões ambientais previstas na nossa legislação. Aliás, as preocupações com o meio ambiente são coerentes com a própria viabilidade econômica e a perenidade desta atividade no Estado, se esgotarmos os mananciais de água e degradarmos em demasia o solo, em poucos anos, esta se tornará um problema em vez de uma solução. Como queremos um desenvolvimento sustentável da região, que distribua renda e seja estratégico, portanto, traga benefícios para a população por gerações e gerações, devemos ser responsáveis, ao mesmo tempo em que devemos garantir estes investimentos.
CR – Quando se fala em saúde, as atenções estão sempre voltadas para o meio urbano. Qual a prioridade de seu programa de saúde para a área urbana e qual o projeto para atender também o homem do campo?
Yeda – Nossa proposta de saúde também contempla o meio rural, especialmente quando falamos de Pólos Regionais de Saúde. Com a descentralização, também queremos aprofundar o alcance do atendimento para as populações mais distantes dos centros urbanos. Temos, porém, um problema sério de falta de recursos. Enfrentaremos o desequilíbrio do orçamento do Estado, pois é a única forma de reforçarmos o caixa da saúde para melhorar o atendimento ao cidadão gaúcho. Outro ponto importante para as áreas rurais, e que será trabalhado pelo nosso governo, é as melhorias no sistema de distribuição de remédios básicos, que deverão chegar a todos.
Olívio – Em parceria com o Governo Federal, Secretaria da Saúde e os municípios viabilizar e massificar equipes do Programa de Saúde da Família com profissionais preparados para as especificidades do meio rural.
CR – Quais os principais itens de sua proposta para a educação urbana e, se há, qual projeto está voltado para o meio rural?
Yeda – As propostas para a educação do Rio Grande Afirmativo atingem tanto a população urbana quanto a rural. O princípio fundamental com o qual construímos junto a sociedade é a melhoria de qualidade da educação. Sabemos que, mesmo com o Estado financeiramente quebrado, há mais o que fazer com os recursos que aí estão. Queremos consolidar a avaliação do rendimento escolar nos ensinos fundamental e médio, a exemplo do que já existe em outros Estados. Essa é a melhor forma de medir nossa evolução. Também buscaremos oferecer o Ensino Fundamental de nove anos e iniciar a implantação de projetos-piloto de escolas de qualidade com tempo integral, priorizando regiões economicamente mais atrasadas e famílias mais pobres. Em termos de estrutura, buscaremos implantar progressivamente laboratórios de informática educativa nas escolas estaduais, em parceria com a comunidade e outros setores sociais organizados. Nossas propostas deverão ser fundamentadas a partir de amplos debates com a comunidade escolar.
Olívio – Nossa política educacional está centrada na democratização, qualificação e universalização do acesso. No caso da questão rural, voltaremos a investir no transporte escolar em convênios com os municípios, ampliar a rede de escolas estaduais no meio rural e estabelecer uma política pedagógica voltada à realidade destas comunidades. O fortalecimento das nossas escolas agrícolas também é um objetivo que não só amplia o acesso como o integra e promove o desenvolvimento regional.
CR – A insegurança, que amedronta as cidades, chegou ao interior. Se o Estado não consegue resolver os problemas mais prementes das cidades, fatalmente não sobra atenção à zona rural. Como enquadrar o medo das famílias rurais entre as prioridades para a área de segurança?
Yeda – Segurança no interior e no campo também são deveres do Estado. No interior, onde ainda há maior percepção de segurança, devemos também trabalhar na prevenção dos delitos, com ações de inteligência. Contrariamente aos grandes centros urbanos – que necessitam cada vez mais de policiamento ostensivo – o interior ainda está pacificado, e ações de combate ao pequeno delito são eficientes para a não-proliferação do ambiente de criminalidade. Para as famílias rurais, temos que oferecer mais articulação com nossos órgãos de segurança. A partir de uma comunicação eficiente entre as famílias e as polícias devemos melhorar e adequar sempre as soluções.
Olívio – Para enquadrar o medo das famílias rurais entre as prioridades para a área de segurança, devemos implementar uma política de segurança com caráter democrático e transparente nas relações com estas comunidades. A Secretaria de Justiça e Segurança deve estimular a criação dos Conselhos Municipais de Justiça e Segurança. Tal medida proporcionará que comunidades e órgãos policiais interajam na busca de solução para este grave problema. Pois, só através do diálogo e forte fiscalização policial devolveremos a sensação de segurança aos homens e mulheres do meio rural. Também será de extrema importância que a SJS dote a Polícia Militar com equipamentos capazes de realizar comunicação rápida com seus comandos, bem como disponibilizar recursos e equipamento para a Polícia Civil aumentar seu potencial investigatório e controle do crime organizado. Portanto, evitando os roubos de máquinas, insumos e da própria produção.
CR – Qual a sua proposta para estimular a criação de micro e pequenas empresas e ao mesmo tempo garantir a permanência das grandes que atuam aqui e atrair empresas de fora?
Yeda – Nossa política de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul é construída levando em conta que cada região tem sua vocação e suas potencialidades. Ao Estado, cabe estimular estas vocações, incentivar as potencialidades e criar oportunidades de desenvolvimento. Devemos integrar as cadeias produtivas gaúchas e dar apoio técnico e creditício aos arranjos produtivos locais. Assim, mantemos importantes empresas geradoras de renda e emprego. A base primária da produção deve ter condições de se desenvolver a partir da oferta de infra-estrutura provida pelo Estado. O Rio Grande do Sul é um Estado exportador e apresenta uma base agroindustrial e setores industriais de diferentes graus de especialização (como metal-mecânico, alimentos e calçados). Estes setores devem ser o foco de atuação para o desenvolvimento, através de políticas de complementação de cadeia, capacitação e apoio à competitividade. Tais políticas de fortalecimento atingem o Estado como um todo. Por outro lado, também devemos buscar a diversificação em nível regional e local da nossa base produtiva, especialmente através do estímulo e apoio às micro e pequenas empresas, que são as maiores empregadoras do Estado em seu conjunto. Sem apoio, sem incentivo, não há empreendedor que tenha coragem para enfrentar a burocracia e o peso do Estado nos seus negócios.
Olívio – O primeiro passo é ter uma política de incentivo, acompanhamento e suporte para os sistemas locais de produção e arranjos produtivos, fortalecendo as cadeias produtivas e proporcionando uma política de caráter sistêmico, que inclui as pequenas e médias empresas e atende as de maior porte. Neste caminho, estaremos facilitando o acesso ao crédito através do Sistema Financeiro Estadual e retomando o programa de extensão empresarial em convênios com as nossas universidades.
O segundo passo é constituir um Sistema Estadual de Inovações, que buscará integrar a produção científica e tecnológica com os setores produtivos, qualificando nossa produção, tornando nossas empresas mais competitivas e agregando valor a esta produção – portanto gerando maior renda para todos. O terceiro é constituir um ambiente favorável para o desenvolvimento científico e tecnológico. Nosso objetivo é transformar o RS numa referência mundial nesta área. Para tanto fortaleceremos o ensino técnico e o superior. O quarto passo é construir uma infra-estrutura condizente com o projeto de desenvolvimento que queremos colocar em curso. Isto significa, por exemplo, a construção e reforma das nossas principais estradas, buscar a auto-suficiência em energia e reconstituir uma rede de portos e aeroportos que facilitem a integração regional e proporcionem meios ágeis de escoamento da produção.
SC vai melhorar os vinhos finos
Convênio foi firmado com viticultor da região de Trento, na Itália
A região italiana de Trento será parceira das pequenas vinícolas catarinenses. O convênio visa a transferência de tecnologia e acesso a mercados para os vinhos produzidos em Santa Catarina. A cooperação tem motivo demográfico. No Estado vizinho ao do RS, encontra-se a maior concentração de descendentes de imigrantes trentinos no Brasil.
O convênio foi firmado entre Sebrae, governo do Estado, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), Universidade Federal de Santa Catarina, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul e as associações Pro-Goethe, Associação de Produtores de Vinhos Finos de Altitude (Acavitis) e Sindicato dos Produtores de Vinhos (Sindivinho).
Ao todo, 70 vitivinicultores serão beneficiados pelo projeto, que prossegue até 2009. A meta da iniciativa é ousada: aumentar em 30% a produção de vinhos finos em Santa Catarina e conquistar 10% do mercado consumidor nacional – SC tem tradição na elaboração de vinhos comuns. A Província Autônoma de Trento, Associazione Trentini del Mondo e o Instituto San Michele estão participando do projeto e desembolsarão recursos da ordem de R$ 3 milhões, até 2009.
Eldorado – Santa Catarina está buscando promover a qualidade de seus produtos, a identificação de origem e a aceitação de seus vinhos pelos consumidores brasileiros. "O Estado possui características metereológicas, de solo e relevo ideais para o cultivo de uvas das castas européias", diz Ricardo Brito, consultor de agronegócios do Sebrae.
As regiões catarinenses de Urussanga, Rodeio, São Joaquim, Pinheiro Preto e Campos Novos estão sendo consideradas como o novo eldorado do vinho no país, segundo Brito. "O convênio com a região de Trento vai proporcionar o desenvolvimento de vinhos com variedades européias", reforça.
Mapa analisa vinho importado no país
Agora, os vinhos importados, liberados para comercialização no território nacional, estarão sujeitos à colheita de amostras para fins de análise de fiscalização, com a finalidade de verificação quanto ao atendimento aos Padrões de Identidade e Qualidade fixados para similares nacionais. É o que estabelece a IN 33 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O objetivo é racionalizar a importação de vinhos e derivados do vinho e da uva.
Segundo a coordenadora-geral de Vinhos e Bebidas do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Graciane Gonçalves Magalhães, o Mapa decidiu limitar a verificação de parâmetros analíticos (teor alcoólico, acidez e açúcar, entre outros) no processo de desembaraço aduaneiro, observando apenas às características organolépticas (sensoriais), suficientes para detectar problemas relativos à deterioração do produto (alterações na cor, aroma e sabor).
Os parâmetros analíticos (no total de dez) serão avaliados no país de origem do produto e seus certificados expedidos por órgão oficial, ou oficialmente credenciado. "Já as amostras para análise de vinhos importados serão coletadas nas prateleiras dos supermercados brasileiros", explica ao CR o presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), o empreário Antônio Salton. "A mudança foi discutida com o setor vitivinícola nacional", conclui.
Engº. Agrº. José Zugno
Agronomia no contexto atual
12 de outubro é Dia do Agrônomo. Sou estudante de nível médio e desejo cursar agronomia. Qual o campo de atividade da agronomia? Como está o mercado de trabalho? Em que faculdade se obtém a melhor formação profissional no Rio Grande do Sul?
José Luiz Bertin
Santa Lúcia do Piaí, Caxias do Sul – RS
Para responder às suas indagações convidei o engenheiro agrônomo Agustinho José Silvestri, que aceitou gentilmente o convite. Ele é um dos diretores da Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul. Foi presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Encosta Superior do Nordeste (Aeane) de 1995 a 1996 e chefiou a excursão da Aeane, com as esposas dos associados, à Itália durante o mês de setembro de 1996 para conhecer a adiantada fruticultura italiana. Além disso, é seu conterrâneo, pois é natural de Santa Lúcia do Piaí.
"A faculdade de agronomia forma o engenheiro agrônomo que exige na formação domínio de agrimensura, topografia, irrigação e drenagem, açudes e construções rurais. O curso dá ênfase à matemática e estatística, mas, sobretudo, às matérias biológicas, além dos conteúdos que o tornam profissional capaz de desenvolver atividades na prestação de serviços, principalmente na assessoria, orientação técnica, consultoria, estudos e projetos na produção vegetal de lavouras de arroz, trigo, soja etc e de seu armazenamento. Também assiste a fruticultura, como maçã, pêssego, morango, uvas, cítricos etc; nas florestas cultivadas e no manejo das nativas; na jardinagem, floricultura e paisagismo; na produção zootécnica: nutrição, manejo e melhoramento de aves, bovinos, suínos, ovinos e outros animais domésticos. Participa do processamento e tecnologia de transformação como laticínios, vinhos, carnes e embutidos, dentre outros; nos trabalhos de irrigação, açudagem, drenagem, topográficos, mecanização etc; no georeferenciamento da economia, administração agropecuária, além de desenvolver atividade na pesquisa, no ensino, na extensão rural, e no licenciamento ambiental; na horticultura e abastecimento de mercado.
O grande desafio que se apresenta ao profissional é produzir alimentos e matérias-primas ao menor custo, garantindo a viabilidade econômica, levando em conta o menor desgaste ambiental, respeitando a natureza e a saúde em geral. A agricultura orgânica já permite produzir alimentos praticamente livres de agrotóxicos, mas deve progredir mais.
O mercado de trabalho é de baixa oferta e remuneração, tanto na área pública (prefeituras, entidades de extensão rural, governo estadual...), quanto na área privada (cooperativas, empresas agropecuárias, de consultoria...), dependendo muito do desempenho do profissional. Os conhecimentos do engenheiro agrônomo são ecléticos e precisam ser mais valorizados pela sociedade, mas é necessário que eles estejam devidamente preparados para aproveitar as oportunidades que se apresentam.
Os profissionais de agronomia no Rio Grande do Sul têm a sua entidade-mater, a Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul, que, de forma federativa, reúne 50 associações filiadas congregando aproximadamente 8.000 associados. Eu e o engenheiro agrônomo Jorge Cassina, de Caxias do Sul, fazemos parte da nova diretoria. A entidade regional é a Aeane, presidida por Jorge Pontel, com uma centena de participantes.
A melhor faculdade de agronomia do RS é aquela que conta em seu corpo discente com acadêmicos vocacionados para a profissão. Como em qualquer outra, a vontade e o comprometimento com os objetivos determinarão a qualificação do profissional, além do que, ser um bom engenheiro agrônomo significa estudar permanentemente, mantendo-se atualizado e aprofundando-se na solução dos desafios que lhe são submetidos".
Postura inadequada sobrecarrega a coluna
80% das dores na região são causadas por lesões nos discos entre as vértebras
Dor na coluna incomoda bastante e não tem idade para aparecer. Pode surgir tanto numa criança, devido às mochilas pesadas, por exemplo; quanto nos adultos, por variados motivos, e no idoso devido ao desgaste das estruturas que compõem a coluna. A causa dessa dor pode trazer conseqüências graves para a saúde, se não houver a avaliação correta de um médico.
A dor é o primeiro sinal de que algo não vai bem com a coluna. Segundo o chefe do Controle de Tratamento de Doenças do Instituto Nacional de Tráumato-Ortopedia (Into) do Ministério da Saúde, Luis Cláudio Schettino, cerca de 80% das dores e incômodos sentidos por adultos nessa região têm ligação com as lesões nos discos localizados entre as vértebras da coluna.
Esses discos são estruturas moles, feitas de cartilagem, que funcionam como amortecedores de impacto de movimentos. "Ao longo da vida, os discos sofrem um desgaste natural. Se não houver cuidado, esse desgaste pode ser acelerado, com sérias conseqüências para a coluna", explica Schettino. É bom ter cuidado com atividades praticadas no dia-a-dia, pois elas também podem contribuir para o aparecimento de lesões na coluna.
Na opinião do ortopedista, ao sentir alguma dor ou incômodo, é importante procurar a ajuda de um médico. Segundo ele, o acompanhamento de um profissional de saúde vai determinar o melhor tratamento para resolver o problema. "Algumas pessoas tomam medicamentos, como analgésicos, por conta própria para curar a dor freqüente, mas não estão combatendo a causa desse mal", afirma Luís Cláudio Schettino.
As lesões na coluna podem ter origens diferentes. Uma delas é permanecer muito tempo na mesma posição, principalmente sentado. Nessas circunstâncias, cansada, a pessoa busca posições aparentemente mais confortáveis, porém com posturas inadequadas. Isso acontece, por exemplo, se alguém senta com a coluna torta ou se apóia com os cotovelos sobre a mesa.
A vida sedentária, sem esportes e atividades físicas, principalmente quando a pessoa é obesa, também representa fator importante para o desenvolvimento de problemas na coluna. Se a musculatura está fraca, a coluna tende a sofrer uma sobrecarga ao sustentar boa parte do peso corporal. Traumas em partes do corpo que afetam indiretamente a coluna, envelhecimento, crescimento acelerado e estresse físico constituem outros fatores de risco.
Adolescente é vítima de desvios na coluna
Os desvios da coluna podem surgir em pessoas de todas as idades e são classificados como posturais (relativos à má postura) e estruturais (doenças que atingem a coluna). Existem mais de 70 tipos desses desvios. Pode haver, por exemplo, uma inclinação para frente (cifose), para trás (lordose) e para os lados (escoliose), conhecida como "ombros tortos".
Para os especialistas, a idade que exige mais cuidados em relação aos desvios é a adolescência. Segundo o ortopedista Luis Cláudio Schettino, nessa fase, as mudanças no corpo são muito rápidas. Por isso é comum o surgimento de problemas na coluna. Durante a infância também é importante manter atenção em relação às dores nas costas. "Um diagnóstico tardio pode levar a criança a apresentar deformidades na coluna para o resto da vida", explica o médico do Ministério da Saúde.
Exercícios físicos e alongamentos funcionam como os principais tratamentos para os desvios de coluna. "O combate ao sedentarismo e o fortalecimento muscular, além de trazerem um estilo de vida mais saudável, são o melhor remédio contra as lesões", afirma Schettino. Já os desvios estruturais, causados por doenças, exigem tratamentos mais complexos, como o uso de aparelhos ortopédicos e até cirurgias.
Atividade física não pode causar dor
Em qualquer idade, a atividade física regular traz benefícios à saúde, especialmente à coluna. Porém, os exercícios não devem causar dor ou sensação de mal-estar. Se isso ocorrer, deve-se procurar orientação.
Aliás, é preciso cuidados na hora de escolher uma atividade física. Não se deve fazer todo e qualquer tipo de exercício. Antes de iniciar um programa, todas as pessoas devem passar por uma avaliação médica, especialmente aquelas que pertencem ao grupo de risco, como sedentários, fumantes, obesos, pessoas com alimentação inadequada ou que tenham acima de 35 anos de idade. A avaliação inicial é muito importante para que se possa orientar os exercícios de forma adequada e segura. O ideal é praticar atividade física três vezes por semana, em dias intercalados.
Cuidando dos vivos
Maria Clara Lucchetti Bingemer
A tragédia do vôo 1907 relembra a nossa fragilidade, a importância de fruir e desfrutar cada segundo com aqueles a quem amamos e, mais relevante, a responsabilidade de cuidar daqueles que sofrem a dor de estar vivos
A ninguém no Brasil e mesmo no mundo deixou de emocionar o brutal acidente com o vôo 1907 da Gol dia 29 de setembro. As circunstâncias da tragédia, a falta de informações, o desespero dos parentes das vítimas exibido pela mídia, tudo isso mobilizou e entristeceu nossos corações e molhou nossos olhos.
Com o acidente da Gol, com um avião novo em folha, de uma companhia jovem e vencedora, faturadora de milhões de reais e cada vez mais procurada pelo preço acessível de seus vôos, a morte nos tocou a todos de perto. Muitos de nós já estivemos, estamos ou poderíamos estar na rota Manaus-Brasília. E, portanto, cada um de nós é passageiro potencial do vôo 1907.
Outros conhecemos por dentro as longas esperas por um ente querido em aeroportos vários e a angústia com atrasos e falta de notícias sobre vôos que se aguardam e tardam em anunciar-se.
A tragédia aérea do 1907, portanto, nos relembra algumas coisas de central importância em nossa vida. A primeira é nossa fragilidade; é a provisoriedade de tudo que forma o tecido do cotidiano. Saímos de casa correndo, estressados, com mil coisas para fazer. E o avião cai e o tempo acaba. E tudo que parecia tão indispensável e urgente se desmancha no ar juntamente com os sonhos e os esforços dos que tinham pressa e agora não mais a têm. E muito do que não será feito porque não mais estamos ali para fazê-lo mostra sua verdadeira face de não tão urgente assim e de poder ser deixado para depois.
A segunda é a importância de fruir e desfrutar cada segundo com aqueles a quem amamos. Diante de um avião que cai e ceifa repentinamente 154 vidas, que importam as discussões que deixamos inacabadas, as raivas que sentimos, os rancores e ressentimentos? Tudo isso – nos damos conta diante do irremediável vazio causado pela ausência – é tempo roubado ao amor, ao afeto, ao dom oblativo de si mesmo pelo bem do outro e em seu favor.
A terceira e mais importante é a responsabilidade que nos cabe, enquanto sociedade, de cuidar daqueles que ficaram e sofrem a dor de estar vivos depois da perda de seus entes queridos. Os meios de comunicação nos têm permitido acompanhar a via sacra dos parentes, esposas, mães, irmãos e amigos dos que voaram no 1907. Verdadeira provação foi a interminável espera, o velório prolongado e sem cadáver, o luto inabitado, a ausência prenhe de incerteza.
Os passageiros e tripulantes do vôo que mergulhou na Serra do Cachimbo vivem plenamente agora, em Deus. Não sofrem mais e nenhuma dor pode alcançá-los. Mas aqueles e aquelas que os amam estão vivos na história, com a sensibilidade em carne viva esperando o reconhecimento de corpos que amaram, beijaram e acariciaram.
Os vivos têm urgência de enterrar seus mortos queridos para poderem recomeçar a viver e a superar a dor e o luto. Cabe às instâncias competentes envidar todos os esforços possíveis para que o resgate e identificação dos corpos se faça da maneira mais rápida e indolor. Todo cuidado é pouco com esses que sofrem tanto com essa perda. Enterrar os mortos é uma obra de misericórdia reconhecida inclusive pela tradição da Igreja. Mas cuidar dos vivos é tarefa perene de toda comunidade, povo ou nação que se quer digno da denominação de humano.
Frei Betto
O que todos querem é um Brasil não apenas para todos, como reza a publicidade oficial, mas de todos, onde a relativa desigualdade seja o fundamento da plena liberdade
Lula não conseguiu se reeleger presidente no 1º turno devido às denúncias de corrupção de dirigentes do PT e à sua ausência nos debates de TV que reuniram seus concorrentes. Em 29 de outubro as urnas dirão quem tomará posse, em 1º de janeiro de 2007, como presidente do Brasil: Lula ou Geraldo Alckmin, do PSDB, apoiado por Fernando Henrique Cardoso.
Lula obteve 48,65% dos votos válidos (46,6 milhões), contra 41,58% de Alckmin (39,5 milhões). O atual presidente mostrou-se, ao longo da campanha, seguro de sua vitória no 1º turno, como indicavam todas as pesquisas. A ponto de se dar ao luxo de, em setembro, passar um fim de semana com a família, evitando compromissos eleitorais.
Em 28 de setembro, Lula faltou ao debate entre candidatos promovido pela TV Globo. Seus concorrentes – Alckmin; Heloísa Helena, do Psol; e Cristovam Buarque, do PDT – convergiram suas críticas ao candidato ausente, sem que este tivesse como se defender.
Ao longo desses quatro anos de governo Lula, o PT, fundado por ele em 1980 e recoberto com a bandeira da ética, envolveu-se em quatro grandes escândalos de corrupção: um vídeo mostrou Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil, extorquindo um contraventor quando ainda trabalhava no governo do Rio de Janeiro; deputados petistas foram acusados de receber dinheiro de um empresário (o "mensalão") e o PT, de ter pago milhões de reais para obter o apoio de dois partidos, o PL e o PTB; o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, quebrou o sigilo bancário de um caseiro que o acusou de negociatas; e agora, na reta final da campanha, petistas foram presos ao tentar comprar um dossiê que, supostamente, conteria graves denúncias contra José Serra, do PSDB, que disputava o governo de São Paulo com Aloysio Mercadante, do PT.
O PT cometeu o grave erro de não apurar internamente os fatos e as denúncias por considerá-los irrelevantes. Respaldado por sua popularidade, Lula tratou de descolar-se do seu partido, declarou-se traído e removeu os acusados de suas funções públicas. Assim, o lulismo sobrepujou o fenômeno do petismo. Não há provas de que Lula soubesse das operações nefastas que minam a credibilidade do PT.
Há duas semanas do pleito, todos os indicadores confirmavam a reeleição de Lula no 1º turno. A maioria dos 125 milhões de eleitores aprovava o seu governo, sobretudo os mais pobres, beneficiados por programas sociais como o Bolsa Família, que distribui renda mínima a mais de 40 milhões de pessoas.
A 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu em São Paulo dois militantes do PT portando R$ 1,7 milhão, destinados à compra de um suposto dossiê contra José Serra. Ao divulgar o dossiê que conteria provas de corrupção de Serra, quando ministro da Saúde do governo FHC, o PT pretendia alavancar seu candidato, Aloysio Mercadante. Como disse Lula em entrevista coletiva a 2 de outubro, o que o PT conseguiu foi "dar um tiro no pé".
A prisão dos negociadores do dossiê foi um balde de água fria na campanha de Lula, sobretudo porque seu autor, Luís Antônio Vedoin, sofre processo por comandar amplo esquema de corrupção na área da Saúde, conhecido como "sanguessugas". A mídia pressionou para que se divulgassem as fotos dos maços de dinheiro – uma parte em dólar. Na véspera da eleição, o delegado que efetuou as prisões – e foi afastado do caso – repassou as fotos à imprensa. Publicadas, causaram impacto negativo na campanha de Lula, levando-o a perder 5 pontos percentuais na preferência do eleitorado, o que inviabilizou sua reeleição no 1º turno.
Para recuperar o apoio perdido, Lula terá de esclarecer, nessa segunda rodada de captação de votos, o conteúdo do dossiê e a origem do dinheiro em poder dos petistas. E deverá comparecer aos debates de TV na desconfortável posição de defender-se das denúncias de corrupção de dirigentes do PT.
O 2º turno haverá de politizar a atual campanha presidencial. No 1º, não houve a vibração das eleições anteriores. A propaganda eleitoral se reduziu a efeitos de marketing. Nem sequer os candidatos apresentaram projetos para o Brasil e programas de governo, salvo generalidades.
Agora, Lula e Alckmin terão de, necessariamente, ir além dos efeitos cosméticos e abordar os graves problemas que afligem a nação: insegurança pública, desigualdade social, crescimento pífio do Brasil. Num país tão injusto, os dois candidatos deverão ressaltar suas diferenças, pois as convergências todos conhecemos: a política econômica neoliberal, o rigor fiscal, o favorecimento ao capital financeiro em detrimento do produtivo.
À sombra das denúncias, Lula, que tinha a eleição ganha, agora faz, de fato, sua 6ª campanha a presidente do Brasil. Não se trata de apenas mais um turno, como ocorreu nas disputas de 1989, com Collor; de 1994, com Cardoso (em 1998 Cardoso se reelegeu no 1º turno); e em 2002, com Serra. O desafio é convencer o eleitorado de que Lula está disposto, no segundo mandato, a implementar as reformas, como a agrária, prometidas no pleito de 2002.
O eleitor e a eleitora não querem efeitos eletrônicos em vinhetas televisivas. Têm o direito de saber como, eleito, o candidato será fiel à vontade popular. E o que todos querem é um Brasil, não apenas para todos, como reza a publicidade oficial, mas de todos, onde a relativa igualdade seja o fundamento da plena liberdade.
Randon introduz melhorias na linha de produtos e mantém crescimento
Pacote de inovações visa melhor desempenho. Receita aumenta 10%
A caxiense Randon Implementos, uma das Empresas Randon, apresentou na semana passada as novidades de sua linha de produtos para 2007. As mudanças envolvem avanços tecnológicos em todas as opções de equipamentos para o transporte de carga, das linhas pesada e leve – basculantes, frigoríficos, tanques, furgões, siders, graneleiros, canavieiros e florestais. Uma das novidades apresentadas é a do graneleiro Brasilis, lançado no ano passado com tecnologia ecoplate, que teve as laterais alteradas para 0,80 + 1 metro – apropriada para o transporte de farelo de soja. Outra inovação é o balancin lub-free, que elimina o único ponto que necessitava de lubrificação na suspensão. Entre as melhorias estão ainda o modelo semi-reboque frigorífico gancheiro na versão para 28 pallets; o semi-reboque canavieiro com 12,5 metros (o transporte de cana passou de 8% para 20% a 22% do mercado da Randon, oscilação inversa ao graneleiro, que caiu de 60% para menos de 30%); os bitrem e tritrem florestais com capacidade para até 40 m3 de carga; o bitrem basculante com tara reduzida em 13% e aumento de 4,6% na carga líquida; e alterações em toda a linha sider, que começam com menor tara e maior vão livre.
A Randon Implementos possui mais de 200 produtos, exporta para cerca de 70 países e obteve receita líquida em 2005 de R$ 890 milhões – 28% acima de 2004. Já as Empresas Randon (inclui Randon Veículos, Racon Consórcios, Master, Fras-le, Suspensys e Jost) atingiram receita líquida em 2005 de R$ 2,85 bilhões – crescimento de 20% sobre o ano anterior.
Segundo o diretor corporativo e de operações das Empresas Randon, Erino Tonon, a Randon Implementos deve fechar 2006 com incremento em torno de 10% na receita líquida – "apesar de este estar sendo um ano difícil", ressaltou. O faturamento bruto deve chegar a R$ 1,2 bilhão, com 20% oriundos de exportações, que somam US$ 82 milhões. Foram vendidos para o exterior 4.100 produtos, 500 a mais do que em 2004. No mercado interno, os 11 mil vendidos em 2005 deverão se repetir neste ano. A Randon Implementos recebeu neste ano R$ 103 milhões em investimentos. Recursos fazem parte do plano plurianual 2005-2009 de expansão das Empresas Randon, que prevê investimentos de R$ 800 milhões, dos quais R$ 163 milhões foram aplicados e outros R$ 87 milhões estão sendo neste ano.
BIODIVERSIDADE MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA
Chamado de megadiverso, o Brasil detém de 15% a 20% de toda a biodiversidade do planeta
A natureza se exibe. Olhando com calma, percebe-se que apresentações de animais e plantas estão acontecendo o tempo todo. Têm aranha se equilibrando em finas teias, em fios tão finos que apesar da pouca espessura são mais resistentes do que o aço. No vaivém das formigas, observa-se o pequeno inseto carregando um pedaço de folha muito maior do que ele. As saúvas, por exemplo, levam 14 vezes o seu peso. A biodiversidade é o maior espetáculo da Terra.
Não são somente as espécies que fazem parte do espetáculo, mas todas as suas formas, diferenças, habilidades, como convivem com as outras espécies e com o meio ambiente. O ser humano, a baleia-azul, com seus 30 metros de comprimento, o bugio, a lagartixa, o camaleão; os bichinhos que mergulham nas águas com perfeição; as plantas que flutuam, as que se seguram no barranco para que os rios sigam seu caminho são os milhões de artistas desse show chamado biodiversidade.
A biodiversidade é uma das grandes riquezas do Brasil – talvez a maior delas. Para ter uma idéia, só na Amazônia brasileira existem 55 mil espécies de plantas, 1.622 espécies de aves, 429 mamíferos, 467 de répteis (tartarugas, lagartos, serpentes e similares) e 516 de anfíbios (rãs, pererecas e sapos). O Brasil é o primeiro do mundo em espécies; o primeiro em anfíbios, o terceiro em aves e o quarto em mamíferos e répteis.
A intrínseca teia da vida agrupa todas as espécies de maneira que uma dependa da outra. "Se uma espécie for retirada do quebra-cabeça, não vai ser possível completá-lo. É o que acontece com a natureza se eliminarmos localmente alguma espécie. As demais sofrerão conseqüências que poderão levá-las também ao desaparecimento", alerta o biólogo e botânico gaúcho Jair Putzke, autor do Guia prático para estudos em biodiversidade, editado pela Souza Cruz.
Da mesma forma, introduzir espécies desconhecidas pode provocar problemas sérios, a maioria por competição, pois a espécie introduzida pode ser mais agressiva que as existentes na área e acabar eliminando as outras que comem os mesmos alimentos pela competição. "É uma teia frágil que pode ser rompida, mas também refeita", observa Putzke.
Desaparecimento – Além da beleza, a região onde uma espécie animal desaparece pode sofrer uma série de problemas. Por exemplo: os outros animais que eram comida desta espécie conseguirão viver mais e melhor, podendo se tornar pragas para as lavouras ou mesmo nas moradias. "Com o desaparecimento de uns e superproliferação de outros, toda a flora e a fauna da região entram em desequilíbrio", ensina o biólogo.
Todos os animais e plantas têm alguma utilidade e importância no ambiente em que vivem. Uma minhoca pode andar embaixo da terra por até 15 metros num dia; no trajeto, devora tudo o que tem pelo caminho e desmancha grande parte do que engoliu. Os ingredientes recriados alimentam plantas e outros animais.
Já o sapo alimenta-se de cerca de 3.000 insetos em uma noite, como moscas, baratas e aranhas, promovendo o controle biológico. Algumas cobras comem ratos. "Eliminar cobras significa ajudar os ratos proliferarem e ameaçarem as colheitas", afirma ao CR.
Muitos animais são mortos em encontro com os homens que os consideram perigosos. É o caso de serpentes (80% não são peçonhentas), do louva-a-deus e do bicho pau (totalmente inofensivos), do morcego e da aranha caranguejeira, cujo veneno só faz efeito em animais de sangue frio e que se alimenta até de cobras.
Cadeia alimentar mantém a vida
A transferência da energia contida nos alimentos, através de organismos onde um se alimenta do outro, em seqüência lógica, chama-se cadeia alimentar. Tudo começa nas plantas (produtores), que são comidas pelos herbívoros (consumidores primários), estes são consumidos pelos carnívoros (secundários).
O último grupo é o dos decompositores, que apodrecem os organismos, depois de mortos, e os seus restos viram nutrientes para as plantas e recomeça a cadeia. O conjunto de uma série de ecossistemas é chamado de teia alimentar. Várias teias podem se entrelaçar e formar complexos sistemas entre os ecossistemas.
Na mata encontra-se grande riqueza de espécies e habitats. A disponibilidade de alimento, refúgio e ambiente para reprodução garantem a atração de animais. Na época de floração e frutificação, espécies frugívoras (comem frutos), granívoras (grãos), nectívoras (adoram o néctar) e herbívoras (plantas em geral) são mantidas, atraindo as predadoras.
Entre os nectívoros, encontram-se os beija-flores e os morcegos e insetos como borboletas e abelhas. Entre os frugívoros, as aves figuram em maior número. São os grupos que realizam a dispersão das sementes, além do vento, da chuva e do ser humano.
Topo depende da base para garantir refúgio
A base da cadeia, logo após as plantas, é dominada por insetos. Eles correspondem ao alimento mais abundante e têm influência sobre as populações de insetívoros. Nesse grupo estão aves (andorinhas e bem-te-vis) e mamíferos (tatus e tamanduá-mirim).
Entre os anfíbios existem também espécies insetívoras, começando pelos sapos; entre os répteis, os lagartos. No meio dos próprios insetos também, um exemplo é o louva-a-deus. Mamíferos do topo da cadeia são representados por quatis, graxains e gato-do-mato até chegar à onça-pintada.
A relação da fauna com a flora não ocorre só com a alimentação. Um dos fatores é a obtenção de refúgio e, em especial, local para reprodução. Estes, muitas vezes, são conseguidos usando ocos das árvores. Por isso, a presença de plantas mortas é positiva nas matas. Elas garantem ainda alimentos a certos grupos. Cascas de árvores, restos vegetais e aberturas feitas pelos próprios animais também servem de habitat a plantas e animais.
Parasitas preferem deixar vivos seus hospedeiros para poderem sobreviver
Muitas plantas não dependem apenas da fotossíntese para sobreviver. Algumas tomam os nutrientes de outras, sendo parasitas total ou parcialmente. A maioria não mata a árvore hospedeira, pois, se o fizer, morre junto. O grande problema é que a produção de frutos cai muito, já que tudo o que a planta produz ou incorpora do solo, vai, em grande parte, para a parasita. A mais conhecida é a erva-de-passarinho.
Helosis é um parasita de raízes de interior de mata. Cresce no chão da floresta, sendo que a parte de cima do solo é formada por um pé curto (estirpe), de 5cm de comprimento, que tem um saquinho na base (volva). Sobre o pé forma-se uma cabeça em forma de ovo ou em elipse, na qual desenvolvem-se as flores e, depois, frutos e sementes. Essa cabeça é denominada inflorescência e é do tipo capítulo ou espiga que forma flores unissexuais.
Dessa espécie é extraída a heloso-insulina, uma substância semelhante à insulina usada pelos diabéticos, e dos estirpes prepara-se xarope. Dos rizomas (caule subterrâneo) secos e pulverizados, prepara-se chá para problemas intestinais.
No reino animal, pode-se citar como parasitas de plantas e animais os carrapatos, os pulgões, as cochonilhas e as pulgas.
Ninhos vão dos simples aos elaborados
As aves podem fazer seus ninhos com diversos materiais, ou não se importar muito com o conforto dos ovos, deixando-os diretamente sobre a vegetação. Neste último caso, entra o ninho das jaçanãs, que somente ajeitam um pouco a vegetação aquática flutuante e põem os ovos diretamente sobre as plantas. Se chover e a água subir, o ninho sobe junto. Se a água secar, a vegetação desce e assenta-se sobre o fundo, juntamente com os ovos.
Mas há ninhos elaborados, como os de sabiás, com vários tipos de galhos e com forração de liquens e musgos; ou aquele que poderia ser o melhor, o do joão-de-barro, que é praticamente uma casa com quarto para os recém-nascidos. Há ainda as andorinhas, que põem seus ovos nos ninhos do joão-de-barro.
Um caso é no mínimo curioso. Trata-se do chupim, que põe seus novos no ninho dos tico-ticos que os choca e cria os filhotes (chupinzinhos) como se fossem seus. É uma estratégia de sobrevivência que dá muito trabalho à mãe adotiva, fisicamente menor e frágil frente ao apetite voraz do chupinzinho.
Alguns pássaros usam os ocos das árvores ou buracos feitos em troncos apodrecidos, como o pica-pau, tucanos e surucuás. Outros utilizam as casas de pessoas, fazendo seus ninhos em recantos dos telhados. Outras aves usam a crina vegetal e a trança até formar o ninho, como acontece com passarinho tecelão.
Xavier fez do amor a alma da missão
Dia das Missões recorda 500 anos de nascimento do grande missionário
O 80º Dia Mundial das Missões, que a Igreja Católica celebra no domingo 22 de outubro, oferece a oportunidade de aprofundar o tema "A fé não tem fronteiras". E neste ano, a data destaca os 500 anos do nascimento de São Francisco Xavier, padroeiro das missões estrangeiras e de todas as obras relacionadas com a propagação da fé.
Francisco Xavier foi um missionário de atuação extraordinária no serviço da Igreja e na construção do Reino. Nascido no castelo de Xavier, na Espanha, em 1506, foi co-fundador em 1534, junto com Santo Inácio de Loyola, da Companhia de Jesus. Em 1541, foi destinado por Loyola às missões na Índia. Nunca mais voltaria à Europa.
Realizou sua primeira experiência missionária em Goa, cidade que abriga seu corpo, perfeitamente preservado após quatro séculos e meio. Nos 10 anos em que esteve no Oriente foi um missionário infatigável, percorrendo diversas ilhas da Indonésia, a Índia e o Japão. Morreu de febre no dia 3 de dezembro de 1552, com apenas 46 anos, quando se preparava para levar o evangelho à China.
Em seu ardor missionário, não se preocupava apenas em evangelizar, mas assimilar os costumes e os hábitos dos povos das localidades que visitava; comia como eles e dormia no chão de uma simples cabana. Cativava as crianças e era amável com todos. Em Goa, é venerado não apenas pelos católicos. Na Índia, quando alguém adoece, tanto hindu como muçulmano, invoca logo o nome de São Francisco Xavier.
Ainda hoje, esse missionário sem fronteiras é a personalidade ocidental mais venerada no Japão. O Papa Bento XVI destaca, na mensagem para o 80º Dia Mundial das Missões, que "a caridade é a alma de toda a atividade missionária. O amor é e sempre será o verdadeiro motor da missão, e é também o único critério com o qual tudo deve ser feito". Para Xavier, esse foi o princípio que norteou todas suas ações.
Missionar com a presença e testemunho
O Dia Mundial das Missões destaca a vocação missionária de cada batizado, convocado a dar testemunho na própria família e na comunidade onde vive, e valoriza a atuação dos que deixam sua terra para levar o Evangelho às pessoas que nunca ouviram falar de Jesus ou não conhecem sua mensagem. Hoje, apesar da globalização dos meios de comunicação, quase dois terços da humanidade não sabem quem é Jesus.
"A missão ainda está no começo" dizia João Paulo II, contemplando o conjunto da humanidade. E quando se fala em missão "ad gentes" (além-fronteiras), não significa que para missionar é preciso ir ao encontro de outros povos. Em muitas ocasiões ela ocorre na porta de casa, na nossa realidade social.
Hoje mudou o conceito geográfico como elemento constituinte da missão. Isso explica porque o Brasil, por exemplo, tem mais de 1.800 missionários atuando fora do país e, ao mesmo tempo, centenas de estrangeiros em solo brasileiro. Para o missionário, o importante é estar onde os riscos e necessidades são maiores, onde não existe ninguém como presença, testemunho e vida de Igreja.
Dia Nacional da Juventude discute realidades sociais
"Juventude que ousa sonhar constrói um Brasil popular" é o lema do dia Nacional da Juventude 2006 (DNJ), celebrado em todo país no próximo domingo, 22 de outubro. O eixo das discussões, estudos, debates, reflexões e celebrações é o "projeto popular". O DNJ pretende chamar a atenção das pessoas para a juventude brasileira.
De acordo com uma carta da Pastoral da Juventude do Brasil, o país tem 47 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos. O DNJ é marcado pela mobilização de milhares de jovens para celebrar, como Igreja, a vida da juventude. As celebrações envolvem também outras Igrejas e organizações populares, garantindo um caráter ecumênico e missionário. A missão do DNJ – que não é só para jovens participantes de grupos, mas para todos os jovens engajados ou não em movimentos sociais, ONGs e outras organizações que lutam por uma sociedade melhor -, é ir ao encontro desses brasileiros e anunciar-lhes que eles são importantes e amados por Deus e pela Igreja com predileção.
O Dia Nacional da Juventude surgiu em 1985, motivado pela declaração da ONU que o escolheu como Ano Internacional da Juventude. A partir dessa data, a Pastoral da Juventude assumiu a celebração do DNJ, sempre no último domingo de outubro (neste ano, a escolha foi antecipada em uma semana por causa do segundo turno das eleições, que ocorre no dia 29).
Todo ano é proposto um tema de estudo e reflexão. Nos últimos anos, o DNJ está privilegiando temas ligados às políticas públicas para os jovens, para as celebrações e encontros, realizados na data.
No Rio Grande do Sul, além das celebrações nas paróquias e comunidades, os jovens estão sendo convidados a comemorar o Dia Nacional da Juventude no dia 5 de novembro, em Canoas, no 5º Encontrão Estadual de Jovens, evento que deverá reunir mais de 30 mil pessoas.
Padre Zezinho
A coisa mais lógica é querer para quem amamos aquilo que nos fez bem
A coisa mais lógica da vida seria querer para quem amamos aquilo que fez bem a nós. Gostaríamos que nossos filhos, amigos e parentes gostassem do que gostamos e encontrassem a paz que encontramos. Natural, portanto, seria gostar de ter sido batizados e querer que os outros também se batizem; gostar de conhecer e amar Jesus e querer que outros o queiram e amem.
Ao escrever essa pequena catequese que sugere nos dias de hoje um comportamento de batizados como foi o dos discípulos de Jesus, quis ajudar os que desejam testemunhar melhor sua fé. Sou assim e ajo assim porque um dia eu fui batizado! Anotei essas idéias e as transcrevi de alguns programas de rádio. Espero que ajudem.
Missionários (At 8,4-13). O que foi que aconteceu com aquela comunidade dispersa, assustada, perseguida? Não podiam morar na sua própria cidade por causa da sua fé. Tinham que fugir. Quem tinha algum nome ou alguma importância na Igreja, foi perseguido. Começara o primeiro trabalho missionário; forçado, mas missionário! Foram anunciar Jesus lá fora porque ficava quase impossível anunciá-lo aos judeus.
Filipe, que fora um dos primeiros que Jesus chamou, foi para uma cidade da região da Samaria. Foi anunciar Jesus aos samaritanos. As multidões iam atrás de Filipe admiradas com o conteúdo catequético e seu dom de curar. Aliás, Jesus já havia começado o trabalho missionário com os samaritanos ao tocar o coração daquela pecadora junto ao poço de Sicar (Jo 4,5). Percebiam que os espíritos maus iam embora, que os neuróticos eram curados. Havia curas espirituais gigantescas. Os paralíticos andavam. Era impressionante. A cidade se encheu de alegria, porque viram algo diferente em Filipe. Certa vez, Filipe pregava quando um tal de Simão, o mago, disse que também queria aqueles poderes para si. Então, Filipe disse:
– Você não está entendendo. O que eu tenho não é poder mágico. Vem de Jesus, não vem de mim. Não faço truque. Não sou mago. O que eu faço é Jesus quem faz.
Simão quis fazer parte do grupo. Mas o homem não tinha boas intenções. Aderiu pelas vantagens que poderia usufruir do cristianismo e não pela graça de crer. A história de Simão é muito triste. Retrata a história de muita gente que usa a religião para ficar rico. Parece santo, mas está lá pelo dinheiro. Religião dá dinheiro para eles. Enganam o povo. Já vimos esse tipo de pregador. A cada meia hora de teologia, dez minutos de economia. Nos primeiros tempos também havia tais pessoas. Para Simão, Filipe não era profeta, nem emissário de Jesus. Era apenas um mago melhor que ele. Simão queria descobrir aqueles truques.
Freis realizam encontros vocacionais
Eventos reúnem jovens candidatos à vida franciscano-capuchinha
O Serviço de Animação Vocacional (SAV) dos capuchinhos do Rio Grande do Sul promove, nos meses de outubro e novembro de 2006, quatro encontros vocacionais, que vão reunir os jovens que estão sendo acompanhados pelo SAV nas próprias famílias. Os encontros serão realizados em Vila Flores (dois), Ipê e Soledade.
O primeiro encontro ocorre de 20 a 22 de outubro, no seminário Santo Antônio de Vila Flores, para vocacionados que estão cursando até a sétima série. O segundo, também em Vila Flores, será realizado de 27 a 29 de outubro. É dirigido aos jovens que estão cursando a oitava série e o primeiro e segundo anos do segundo grau (os futuros candidatos ao ano de aspirantado).
O terceiro encontro terá lugar em Soledade, dias 4 e 5 de novembro, para os vocacionados que residem naquela região. O último encontro ocorre no seminário Fátima, em Ipê, de 17 a 19 de novembro, para vocacionados que estão cursando o terceiro ano do segundo grau e os que concluíram o segundo grau e se preparam para ingressar no ano de iniciação.
Frei Genésio Fracasso, definidor da Pastoral Vocacional, explica que esses encontros são promovidos no final de cada ano. "Diversos dos jovens que vão participar desses encontros ingressarão nas casas de formação da província em 2007, nas etapas do aspirantado e iniciação, em Veranópolis, Flores da Cunha e, provavelmente, em Ipê", salienta frei Genésio.
Nos encontros, os participantes realizam estudos sobre o seguimento de Jesus Cristo, sobre o carisma franciscano-capuchinho e sobre a missão dos frades na província gaúcha. A programação é muito dinâmica, incluindo gincana vocacional, vídeos, filmes, celebrações, trabalhos em grupo, além de momentos de integração e lazer. Freis Evaldo de Freitas e Genésio Fracasso, do governo provincial, e frei Djair Galvan, do SAV, serão os orientadores.
Para mais informações sobre os capuchinhos, contatos com o SAV pelo telefone (54) 3224-4739, e-mail sav@capuchinhosrs.org.br e no site www.atrevase.org.br.
Paróquia de Sananduva promove reflexão com jovens
A paróquia São José Operário, de Sananduva, diocese de Vacaria (RS), realizou, no mês de setembro, um grande encontro vocacional, que reuniu jovens das paróquias pertencentes às foranias de Sananduva e São José do Ouro. O evento foi coordenado pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV) diocesano, integrado por sacerdotes, religiosos e religiosas, casais vocacionais, jovens e pelo pároco de Sananduva, padre Ilirio Antônio Guadagnin.
O encontro contou com celebração da eucaristia, da qual participou toda a comunidade paroquial. Dentre as atividades do dia destacaram-se os testemunhos vocacionais de quem já fez opção pelos ministérios ordenados, pela vida consagrada e pelos ministérios leigos, além de momentos de reflexão e lazer. Um grupo de jovens do colégio das Irmãs de São José, de Vacaria, apresentou um teatro alusivo à situação dos jovens de hoje diante dos desafios das escolhas. Casais vocacionais da paróquia doaram seu dia na ambientação do local do encontro e na preparação do almoço para os participantes.
Padre Edgar Jotz é cidadão honorário
O pároco da paróquia Santa Cecília, padre Edgar Jotz, recebeu o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Homenagem, proposta pelo vereador Adeli Sell e aprovada por unanimidade, ocorreu no plenário da Câmara Municipal no dia 5 de outubro. Natural de Alto Feliz, padre Edgar coordena o trabalho de doação mensal de quatro toneladas de alimentos para famílias carentes de oito paróquias da periferia de Porto Alegre e Viamão.
Aldo Colombo
Na medida em que as pessoas conscientes se omitem acabam favorecendo os piores
Para o chanceler alemão Bismarck, falecido há mais de um século, as ocasiões em que mais se mente são: antes das eleições, durante a guerra e depois das pescarias. A prática confirma isso. Antes da eleição acontece a guerra das notícias, onde a mentira assina o ponto a cada dia. Na guerra, a primeira vítima é a verdade. Já as mentiras do dia seguinte às pescarias são as menos prejudiciais.
As recentes eleições trouxeram, sem dúvida, resultados surpreendentes, revelando, por vezes, um apagão ético. Ou uma memória muito curta por parte dos eleitores. Alguns candidatos enrolados com a Justiça tiveram estrondosas votações. Também foram eleitas figuras folclóricas. É o caso do costureiro Clodovil.
Na outra ponta da lista aparecem candidatos ruins de voto. É o que ocorreu com o policial carioca Maurício Panda, candidato a deputado, que fez um solitário voto. Pretende candidatar-se às próximas eleições para vereador em Belford Roxo. Nem sua esposa votou nele. Já a enfermeira Rosângela Seabra contabilizou quatro votos. Sua desculpa: falta de dinheiro. Ela já havia concorrido para a vereança em Nova Iguaçu, onde fez 127 votos. Luiz Carlos Pais Lima foi candidato em Roraima. Fez também um voto, o dele mesmo. Sebastião de Souza, do Acre, também teve apenas um voto.
Ele mesmo – por ter esquecido seu número – anulou o voto. Foi uma pena, admite ele: poderia ter duplicado minha votação. Diferente é o caso de Osvaldo Hansen Albaran, candidato a deputado federal por São Paulo. Ele se registrou com o pseudônimo de Papai Noel. Esperava fazer 200 mil votos – o velhinho merece – mas a Justiça Eleitoral cassou sua candidatura.
A democracia é um sistema de governo que exige maturidade dos eleitores. Isso se consegue com muita lentidão. É votando que se aprende a votar. Há os que votam por protesto, outros votam para ganhar, apoiando quem está na frente nas pesquisas. Há também os que vendem seu voto. Um documento da CNBB lembra: voto não tem preço, tem conseqüências.
De resto, a participação política não pode resumir-se ao dia da eleição. Cabe aos eleitores vigiar os candidatos eleitos, quer sejam de seu partido ou do partido adversário. Muitos não gostam da política porque é suja. Não é lavando as mãos – a atitude de Pilatos – que fazemos nossa parte. Na medida em que as pessoas conscientes se omitem acabam favorecendo os piores. E nesse ponto tornam-se cúmplices pelos seus desmandos. É conhecida a expressão: o analfabeto político. É dever do cidadão participar de todas as decisões que o envolvem, pequenas ou grandes, a começar pela sua rua.
Queiramos ou não, todos somos políticos. A criança de um dia já tem direitos e não pode abrir mão deles. Todos, de alguma maneira, somos responsáveis pelo nosso país. Política não pode ser apenas uma coisa suja. O Papa Paulo VI lembrava que política de verdade é uma maneira excelente de amar o próximo.
Congregação brasileira celebra jubileu
Instituto das Servas da Santíssima Trindade surgiu há 60 anos no RJ
A congregação das Servas da Santíssima Trindade, fundada no Rio de Janeiro (RJ) por irmã Maria Celeste Ferreira, está celebrando 60 anos de existência. As Servas da Santíssima Trindade têm como carisma "Glorificar a Santíssima Trindade presente na pessoa humana e na história". Realizam sua missão através da evangelização e da catequese; da oração pela Igreja e do testemunho eclesial; e acompanhamento da juventude no discernimento vocacional. Integram a vida e a missão com o profissional. Também atuam na articulação da Pastoral da Criança e da Pastoral da Juventude.
Com cerca de 50 membros, a congregação tem sua casa geral no Rio de Janeiro. Irmã Gelza Maria Freitas Ribeiro é a atual coordenadora geral e as irmãs estão presentes em oito Estados – Rio, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Bahia e Amazonas. Estão há 51 anos na diocese de Caxias do Sul, atuando na paróquia Imaculada Conceição, no bairro Rio Branco e comunidades.
Há 40 anos a congregação iniciou através de irmã Ida Emer, já falecida, uma importante parceria com os capuchinhos, atuando na Lefan (Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados) até hoje. Das quatro religiosas que formam a comunidade caxiense, três trabalham na Lefan. "Na família Trinitária, crianças, adolescentes, jovens e adultos são convidados a participar da ciranda da vida, se sentindo amados e valorizados na descoberta de seu ser", salienta irmã Irineida Maran, que trabalha na Lefan.
A congregação foi fundada no dia 15 de junho de 1946. Diversos eventos estão marcando o jubileu em todos os Estados onde as religiosas atuam. No Rio de Janeiro, a data foi celebrada no dia 10 de setembro, com a presença da coordenadora geral, de diversas religiosas, formandas, amigos, familiares e leigos trinitários. Em Caxias do Sul, está prevista uma celebração especial antes do final do ano.
Mais de 100 sacerdotes no adeus a padre Aloísio Steffen
Milhares de fiéis e até membros de outras religiões passaram pela igreja matriz de São Sebastião do Caí-RS para dar adeus ao pároco, padre Aloísio Jorge Steffen, falecido no dia 24 de setembro, aos 48 anos. Inúmeros padres, religiosos e familiares participaram da missa presidida pelo bispo dom Jacinto Flach em São Sebastião do Caí e mais de 100 sacerdotes concelebraram a missa de sepultamento, presidida pelo arcebispo dom Dadeus Grings em Bom Princípio, terra natal de padre Aloísio.
Filho de Inácio Henrique e Guilhermina Anita Persch Steffen, Aloísio nasceu aos 18 de agosto de 1958. Foi ordenado sacerdote no dia 18 de janeiro de 1986, por dom Vicente Scherer, na igreja matriz Nossa Senhora da Purificação, de Bom Princípio. De 1986 a 1988 exerceu seu ministério sacerdotal na paróquia Santo Antônio, em Estrela. De 1988 a 1993 atuou na paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Osório, e desde 1994 trabalhava em São Sebastião do Caí.
Na comunidade caiense demonstrou ser um grande empreendedor, realizando diversas obras, na matriz, nas capelas, no prédio da Escola São Sebastião e na fundação da Rádio RCC FM. Acompanhava todas as pastorais, para as quais tinha carinho especial, vivenciando essa caminhada de fé, dia a dia com seus paroquianos. De espírito fraterno e amável, era amigo e parceiro de todos e não negava uma palavra amiga nas horas mais difíceis. Está sepultado no cemitério de Bom Princípio.
Wilson João
Nossa vida vai muito além do tempo e do espaço. Não cabe, nem se limita a um espaço mensurável
Falar que a vida é bela, no meio de tantos motivos que fazem dizer que a vida é feia e ruim, é uma atitude um tanto atrevida e desafiadora. Mas, quem se dispensa de ver o jornal nacional e outros noticiários em televisão, quem se dispensa de ver novelas e faz suas novelas diárias, quem se dispensa de permanecer nos bares e nos institutos de beleza, tem mais motivos e muito mais facilidade em experimentar e falar que a vida é bela. Quem faz os próprios noticiários, as próprias novelas e faz de sua casa um instituto de beleza e um bar de festa, cria condições de dizer que a vida é bela.
A VIDA É BELA quando descobrimos que comer não é apenas encher o estômago, mas é fazer do ato de comer um momento de convivência e comunicação, um momento de confraternização e festa.
A VIDA É BELA quando descobrimos que beber não é satisfazer apenas uma necessidade biológica e um vazio criado pelo desamor, mas é, acima de tudo, um bebericar para comunicar fatos e a vida, para ser um motivo de estar juntos.
A VIDA É BELA quando descobrimos que viver não é trabalhar, mas sim, trabalhar é viver, e que acima do lucro do trabalho está o prazer de servir e que o trabalho é uma fonte de ligação e de relação entre as pessoas e com o mundo.
A VIDA É BELA quando descobrimos que nascemos para viver em família e que família é o jeito mais humano de se viver, e que família não é apenas um lugar de comer e dormir, de trocar de roupa ou de esconder-se. Quando descobrimos que família é um lugar de se conviver e crescer como pessoas humanas.
A VIDA É BELA quando descobrimos que nosso corpo não é somente cabeça que pensa, sexo que se satisfaz e instrumento de trabalho, mas que, acima de tudo, é instrumento de comunicação da vida, dos sonhos e dos desejos. Com ele nos realizamos plenamente.
A VIDA É BELA quando descobrimos que não somos somente terra. Que não somos somente matéria que termina num triste e trágico túmulo. Nossos sonhos ultrapassam a realidade de um túmulo. Nossos desejos não acabam com a morte corporal. Nossa vida vai muito além do tempo e do espaço. A vida não cabe dentro dos cem anos e nem se limita a um espaço mensurável.
A VIDA É BELA pelo simples motivo de termos nascido, de termos tido o privilégio de pertencer ao jardim da vida de Deus, ao sonho eterno de Deus e ao amor que sacia todos os desejos e projetos.
A VIDA É BELA quando nossos olhos não param no aqui e nem nossas energias são gastas no agora. Somos eternidade. Essa é a fonte da beleza da vida.
UM CRISTO DE 75 ANOS
Monumento de 1931 é um dos principais símbolos do Brasil
O ditado popular diz que Deus é brasileiro. Isso não podemos garantir, mas que há um pedacinho dele morando no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, ninguém pode negar. Há 75 anos, o Cristo Redentor, de braços abertos, protege a chamada cidade maravilhosa. O monumento tem 38 metros de altura e a estátua pesa 1.145 toneladas. Um dos mais conhecidos símbolos do país, o Cristo Redentor é visitado por mais de 600 mil turistas por ano.
A idéia da construção do monumento surgiu para marcar o centenário da independência do Brasil, em 1922. Assim, um ano antes, realiza-se a primeira assembléia destinada a discutir o projeto e o local para a edificação do monumento. Disputam o Corcovado, o Pão de Açúcar e o Morro de Santo Antônio. Vence o Corcovado, o maior dos pedestais. A pedra fundamental da construção do monumento no morro do Corcovado é lançada no dia 4 de abril de 1922.
Em 1923, os organizadores realizam um concurso de projetos para a obra do Cristo Redentor. Os primeiros esboços deste cartão-postal foram feitos pelo pintor Carlos Oswaldo, que imaginou a estátua carregando uma cruz, com um globo terrestre nas mãos e sobre um pedestal que simbolizaria o mundo. No entanto, foram os católicos e a população do Rio de Janeiro que escolheram o formato do monumento hoje visto no alto do Corcovado. O projeto vencedor foi desenvolvido pelo engenheiro Heitor da Silva Costa.
Em setembro do mesmo ano, é lançada a "Semana do Monumento", uma campanha nacional para arrecadação de fundos para as obras. Em 1926, iniciam as obras de edificação do monumento. Cinco anos depois, em 12 de outubro de 1931, o monumento é inaugurado.
Estátua foi feita em pedra-sabão
A escolha do material usado para construir a obra demandou estudos. Heitor Costa e sua equipe concluíram que o melhor seria usar pedra-sabão, que resiste ao tempo e às altas temperaturas. Porém, um simples arranhão pode danificar o material.
Como a construção do monumento seria impossível no Brasil, os desenhos foram levados à França, aos cuidados do escultor polonês Paul Landowski. De volta ao país, as peças foram transportadas nos trens da Estrada de Ferro do Corcovado e montadas no alto do morro.
A inauguração do Cristo foi um acontecimento inesquecível para a época, com a presença do cardeal dom Sebastião Leme, do chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas, e todo seu ministério.
O Cristo Redentor é uma das maiores estátuas do mundo e, no topo do morro Corcovado, ergue-se a 740 metros acima do nível do mar. O monumento é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional.
REFORMAS
Desde a inauguração, o Cristo Redentor passou por três "reformas". A primeira, em 1980, por ocasião da visita do papa João Paulo II. Em 1990, novas reformas para preservação. Finalmente, em 2000, inicia o Projeto Cristo Redentor, que previa recuperação do monumento, com a instalação de proteção e nova iluminação, entre outras coisas. A última etapa das obras foi entregue em 2003. Desde então, os turistas não precisam mais vencer os 220 degraus da escada que leva até o monumento. O trajeto pode ser feito por elevador ou escada rolante.
Novas maravilhas do mundo
O Cristo Redentor é um dos 21 finalistas do concurso internacional que vai escolher as sete maravilhas do mundo contemporâneo, promovido pela fundação suíça "New Seven Wonders".
Além do Cristo Redentor, concorrem nesta fase: as ruínas da Acrópole (Grécia), Alhambra (Espanha), Angkor (Camboja), Basílica de Santa Sofia (Turquia), Castelo de Neuschwanstein Füssen (Alemanha), Chichén Itzá (México), Coliseu de Roma (Itália), Estátua da Liberdade (Estados Unidos), Estátuas da Ilha de Páscoa (Chile), Grande Muralha da China, Kremlin de Moscou (Rússia), Ruínas de Machu Picchu (Peru), Opera House de Sydney (Austrália), Ruínas de Petra (Jordânia), Pirâmides de Gizé (Egito), Stonehenge (Reino Unido), Palácio Taj Mahal (Índia), Templo Kiyomizu-dera-Kyoto (Japão) Timbuktu (Mali) e Torre Eiffel (França).
Para votar basta acessar o site da Internet www.new7wonders.com. A votação encerra em janeiro de 2007.
Na roda viva de muitas etnias
Rosane Maria Roque Hentges
Escritora, Ibirubá – RS
Rosane Maria Roque Hent-ges, nascida a 7 de julho de 1964, em Ibirubá-RS, filha de José Pedro Nunes Roque e Noêmia Batista, irmã de Paulo Roberto, Elizabeth, Gelson, Maria Luiza e Luis Fernando, atesta:
"De meus amados pais, agricultores, herdei o respeito, a dignidade, a fé, o amor ao trabalho e a força de caráter. Casei muito jovem com Ivalino Hentges, filho dos descendentes alemães Vinibaldo Hentges e Lídia Eckert, irmão de Vilso, Avelino, Írio, Marli, Terezinha, Celita, Iracema, Nelsi, com os quais passei a entender e me apropriar de elementos importantes da etnia alemã. Formamos uma linda família com os filhos Cléber, torneiro mecânico, e Vanessa, balconista. Fiquei viúva ainda jovem, mas eu e meus filhos somos vencedores pelo amor e pela fé.
Meus sogros, alemães, nascidos em São Paulo Pontão (Ibirubá – RS), promoveram em mim grande amor à família, à terra, à natureza e às minhas origens, por isto também eles reconheceram e se enriqueceram de minha cultura e tradições. Comecei com eles, alemães, com minha família, lusa, e com meus avós maternos – Salvador Batista de Souza, bugre, e Aracy Batista de Souza, castelhana – a me sentir cidadã do mundo; tão diferentes modos de ser, viver e fazer me levaram a entender, ao natural, que todos somos igualmente filhos de Deus. Hoje, as diferenças de etnias e culturas me deixam feliz e sempre me levam a descobrir um novo ângulo da vida. E isto entrou em mim ao natural. Encanto-me com pessoas que me perguntam – O que você é mesmo? Parece-se com uma lusa, uma italiana, uma castelhana, uma bugra!...
O dia 30-12-1999 foi o mais importante de minha vida, porque, embora com I Grau incompleto, me dei o direito de expressar também o meu pensar, lançando minha primeira obra – Qual o valor da vida? – apoiada pelo município, empresários e comunidade.
A fé e a força do amor que me unia a Ivalino, meu esposo, falecido a 16-1-1998, com 39 anos, transformou meu luto em vitória. Funcionário público municipal há 20 anos, morreu trabalhando, de eletro-pressão. Ele é um capítulo da vida e história de Ibirubá. A dura escola da vida me consignou os diplomas da fé, do trabalho, da dedicação e do amor. Na solidão da viuvez, percebo a vida como uma eterna jornada. Vivo, em cada momento, o sentido da eternidade. Mesmo que não tenha recursos para publicá-las, minhas outras cinco obras aí estão para expressar meu reconhecimento a Deus pela vida e família que me deu.
Aprendi, desde a infância, que só o amor realiza a pessoa, porque Deus é definido pelo apóstolo como simplesmente amor. É dele que nos vem o sentido e o sabor da paz, da justiça e do perdão. No "fazer a sua vontade," com meu esposo no céu, já me sinto integrante da feliz eternidade. Amo a minha diversificada cultura da mesma forma como amo a vida, que recebi de Deus, através de meus antepassados. Não privilegio nenhuma etnia que está em meu sangue. Parece-me ser de todas ao mesmo tempo, e de outras mais, sentindo-me feliz quando me chamam alemoa, polaca, bugra, brasileira, castelhana..., ou quando alguém diz simplesmente: "Nem imagino o que você seja!" Que bom ser um pouco de todos! E o Correio Riograndense, ao contemplar todas as etnias, traz o mundo para dentro de mim e de minha casa" (fone 54-33241371).
Pois é, Rosane, seus antepassados a fizeram lusa, bugra e castelhana, o amor lhe revelou a etnia germana, e os amigos a fazem de diferente etnia a cada semana. Feliz de você, porque cada um, como quer, a vê! (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (382)
A Novo Treviso. "E viva i taliani e viva le verze"
Silvino Santin
Santa Maria - RS
I nostri due viaianti i ze rivai a Novo Treviso quando el sol el se scondea drio el monte che’l scomìssia ndar su in fondo la cesa de San Marco. La luna, squasi fando el tondo, e le stele de quelaltra banda le gera pronte par scomissiar el so laoro de s-ciarar la note. No dava par veder ben polito tuto el paeseto.
In fondo la pícola piassa, Genarino e la Ginoefa i gera sentai davanti la casa che li spetea cola cuia e la salera in man par bever un par de cuie de simaron, prima de senar.
– Vanti che i desmontesse, la Ginoefa la ghe dise, mi pensea che ve gavei perso, nantri penseimo che rivessi pi bonora. Dopo verse saludà, romai i se gavea congnossesto in te la festa de Vale Véneto, a due ani ndrio, quando anca i gavea invità Nanetto e Giulieto par restar casa sua quando i ndesse a Novo Treviso. Par quel no ga ocoresto che Nanetto el disesse su tuta la so presentassion.
– Ben, la contìnua parlar la Ginoefa, semo strà contenti che sì vegnesti, gaveimo pròpio caro de farve cognosser el nostro paeseto. Adesso senteve zo. – Par dirve la verità, el dise Genarino, intanto che ve speteimo, nantri semo restai squasi stufi de bever simaron, ma, se ghin volì, ghe dao na scaldada al aqua, e prima de senar, intanto che la Ginoefa la parécia la tola, podemo bever insieme un par de cuie, una depì, una de manco no le fa mal.
– D’acordo, el dise Giulieto, go pròpio caro de un bon simaron col aqua bona che vien de ste montagne, sensa quel gusto de remèdio dele aque dela cità.
– E mi, el ghe donta Nanetto, lo bevo con tanto gusto, ma ve domandaria che’l aqua no la fusse massa calda, senò me broo el palasso, come la prima volta che ghenò bevesto.
– Va là, Nanetto, el ghe responde Giulieto, se no te te ghè broà el palasso con tuto quel che te ghè parlà par strada, no sarà el aqua del simaron che lo broe.
– Ah! è, ze cossita, Giulieto, che te me racomendi ai nostri amici?
– Oh! Naneto, el se mete in medo Genarino, Giulieto l’è sol drio schersar. Lora ciapa qua la prima cuia che la ze pi freda.
I ga fato ora bever poche cuie, parché de là rento la Ginoefa li ga ciamai. La tola la gera pronta. – Ben, prima de sentarve a tola e far el segno dea crose, bisogna che ve spieghe el magnar che go fato. Come vedì, go parecià quatro piati, tuti fati de verze. La setimana scorsa go scoltà un maestro, in te la television, che’l difende la preservassion dela cultura dei migranti taliani, e el ga dito che i magnari anca i fa parte dela nostra cultura, che bisogna mantégnerli. Lora mi me go pensà de far na sena, sicuro, co na bela polenta, ma con companàdeghi sol de verze.
– Ma, Gionoefa, el dise Genarino, se stemo qua scoltarte fin che te ne spieghi i to companàdeghi, o el magnar el se sfreda o ne passa la fame.
– Ben, lora senteve zo, che intanto che tirè do mi ve spiegarò. Le verze, come lo savì e Nanetto, fursi, lo sa meio, le ze stae un gran companàdego dei primi tempi dei migranti. Fursi de tanto magnàrghene, poarete, le ze diventae un magnar de misèria, de póveri, da vero, dispresae.
– Pròpio vera, el dise Nanetto, romai col piato pien, vanti verme squasi negà, mi ghin magnea tante che na note son ndà pescar zundià par finir de magnar verze.
Tuti i ze ndai d’acordo.
– Ma, la revien la Ginoefa, incó quei che i stùdia i magnari, i nutrissionisti, i dise che le verze le fa tanto ben ai ossi, al sàngue, al cuore, po a tuto el corpo, che bisogna magnàrghene sempre.
– Fursi anca al ànima, ghe donta Nanetto, lì che’l parea do fisso, ma che’l scoltea atento.
– Par finarla, come vedì, go fato verze impanae, verze crude taiae su fine e consae col lardo come i radici, verze cote tel aqua e consae con aseo e oio de oliva, par último, go idea che no ghenavì mai magnà, verze pareciae come se le fusse pissacan.
– E viva i taliani e le verze, osa Nanetto!
Par finirla, bisogna dir che i due viaianti no i se ga ciapà indrio, i ga parà zo verze e polenta fin svodar i piati. Par no ingosarse no ghe ga mancà el vin.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
La venda dele galine
Geraldo Sostizzo
Cascavel – PR
Me fradei pi veci, quando i volea ver soldi in scarsela, o i laorea par i altri o i vendea pignoi. Na cosa o altra sempre i catea fora.
Ma come no gera la època dei pignoi e no ghe gera gnanca laoro par far, i se ga reonio tra de luri e insieme i ga catà nantra maniera de ciapar qualche scheo.
Intanto i sapea in meso el mìlio, i ciamea le galine dela mama e, in due giorni, i ga ligà sei galine col cordon de San Francesco che Ivo (giuba), un dei fradei pi veci, el doperea, parché lu gera drio studiar la dotrina, par dopo ndar studiar co i frate, ma questa ze nantra stòria.
Dopo meso giorno i ga mandà Casimiro a portar le galine tea bodega de Bepi Mioto par vénderle e tornar indrio suito coi soldi. Ma el bodeghero Bepi el ga dito:
– Varda, adesso no go soldi, torna indrio pi tardi, che darente note te dao i soldi.
Lora, me fradei i me ga ciamà e i me ga fato ndar fin tea bodega, che gera sol rivar là e ciapar i soldi e tornar indrio suito. Gera squasi note e mi lì incostà tel balcon spetea che Bepi me desse i soldi. Vardo indrio par la porta, vedo el pupà che vien rento, come el fea tuti i giorni, vanti ndar casa el passea tea bodega par bever na caciasseta. Quando el me ga visto là, l’è rivà darente, el me ga domandà se volea na sbranca de dulsi, quei pesseti de sucro, e quando mi gera drio dirghe de nò, ze rivà Bepi coi soldi in man e li ga dati al pupà e el ghe ga dito che gera par pagar le galine che la so fémena, me mama, gavea portà par vender.
El pupà savea che la mama no vendea na galina gnanca par far soldi, parché la ghinavea poche, ma infinal li ga messi in scarsela e semo ndai casa.
Rivemo casa insieme e no go bio tempo de contàrghelo a me fradei, parché i gera tuti sentai tea tola par scominsiar magnar. Se ghemo sentai insieme e delà na s-cianta el pupà se ga ricordà. El ciapa i soldi dea scarsela e li ga dati a la mama.
– Questi ze i soldi dele galine che te ghè vendesto a Bepi.
La mama ga dito:
– Mi no go vendesto galine, èh! Ghinò poche e le ze drio meter uvi par ciocar, varda ti se vao vender galine!
Me fradei se ga imbugà con la polenta e la mama ga suito capio la stòria. La me ga domandà che galine go portà a Bepi, e mi, come no savea de gnente, ghe go contà la verità, che gera stati luri che me gavea mandà tor i soldi dele galine.
Me fradel Ivo el ga dito che le galine le zera de Piereto e anca de Zanin. L’è stato el primo a ciaparle e dopo tuti drio. E penseo che valtri?! Anca mi le go ciapae sensa saver parché.
Plebiscito muda nome de vila Fão
Distrito centenário volta a se chamar Bela Vista do Fão
Para homenagear os colonizadores e para festejar o centenário da localidade, em 14 de janeiro de 2007, os eleitores de vila Fão, segundo distrito de Marques de Souza (RS), decidiram por plebiscito voltar à antiga denominação Bela Vista do Fão.
A Justiça Eleitoral autorizou votação paralela no dia 1º de outubro. O distrito tem 478 eleitores. Destes, 414 votaram. Dos que participaram do plebiscito, 317, ou seja, 90%, foram a favor da mudança no nome. "No próximo dia 26 haverá sessão especial na Câmara de Vereadores e dia 30 será sancionada a alteração", diz o presidente da comissão do centenário, Ivo Pavi.
A localidade nasceu em função de projeto governamental que previa a construção de uma estrada de ferro ligando Lajeado a Soledade. Naquela época, Fão era terceiro distrito de Lajeado, e engenheiros e topógrafos se fixaram no local. "A vila situava-se em ponto estratégico e recebeu esse nome em função do arroio", relata Ivo Pavi ao CR. O distrito de Bella Vista do Fão foi criado em 12 de dezembro de 1906, mas foi instalado em janeiro de 1907.
Em 1911. a companhia colonizadora iniciou o projeto de transformar o povoado em vila. Até hoje, a comunidade preserva o plano inicial. Cada quadra tem oito lotes, com ruas amplas, praça central e áreas destinadas à igreja e ao cemitério. Em agosto de 1926 foi criada a paróquia Nossa Senhora de Lourdes. A primeira escola surgiu em 1939. No ano de 1941, foi fundada a Sociedade Hospitalar São Roque.
A economia de Fão está baseada na criação de suínos e frangos e na produção de fumo, milho, soja e frutas cítricas, além de olarias.