DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.011 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 25 de outubro de 2006.
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A liberdade de ir e vir e o direito de permanecer
Busca de uma vida melhor coloca famílias entre um passado de dificuldades e um futuro de incertezas
A história do povo brasileiro reserva um capítulo especial para a migração. Diferente de outros países, na origem não estão guerras, mas os ciclos econômicos - uma espécie de refletores que atraem pelo brilho e expulsam quando se apagam. Tem sido assim desde o pau-brasil, seguido pelo ciclo do ouro, do café e da borracha.
O brasileiro movimenta-se entre Estados. Exemplo é a Marcha para o Oeste, a partir de 1930, quando catarinenses, paranaenses, paulistas e, principalmente, gaúchos ocuparam Mato Grosso, Goiás e Estados do Norte. Também se move entre cidades e mesmo dentro dos municípios - do campo para a cidade.
É preciso ainda considerar o ingresso no Brasil de povos de outros continentes. Foram cerca de cinco milhões de negros africanos, submetidos à escravidão; outros 3,3 milhões de imigrantes europeus.
O êxodo rural do final do milênio inchou as cidades e contribuiu decisivamente para o surgimento de um cenário de miséria. Hoje, o desestímulo ao homem do campo, a falta de perspectivas e freqüentes crises econômicas colocam milhares de famílias na estrada, entre um passado de dificuldades e um futuro de incertezas.
Sem qualificação profissional, submetem-se ao trabalho informal para se manter. E quando o dinheiro não dá mais sequer para pagar o aluguel, dependem de ajuda para sobreviver. Esta é a etapa que antecede a triste, embora inexorável, decisão: voltar para o local de origem.
Poucos têm condições de retornar. Mas mesmo quando é possível, sentem os efeitos do abrupto corte de vínculos. Tornam-se pessoas sem raízes, um povo que tenta se reencontrar sem poder se descuidar da luta pela vida. Sempre houve e continuará havendo mobilidade humana, mas ir em busca de um sonho é muito diferente de ter de abandonar sua terra e sua gente para perambular na tentativa de descobrir meios de sobrevivência.
Num mundo marcado por conflitos, exploração e desrespeito é utopia esperar que todas as pessoas tenham à disposição as condições para viver felizes. Muitas vezes é preciso o deslocamento para encontrar a felicidade. Mas à liberdade de ir e vir deve ser acrescentado também o direito de ficar e criar raízes com as mesmas chances de realizar sonhos.
UCS realiza vestibular em dezembro
A mudança visa facilitar processo de matrículas e férias
A Universidade de Caxias do Sul antecipou o seu vestibular de verão. Pela primeira vez, o concurso será realizado em dezembro, no dia 17, e não mais em janeiro, como tradicionalmente ocorria. O objetivo da mudança é facilitar o esquema de matrículas e favorecer as férias dos estudantes. "A maioria das instituições realiza o vestibular em dezembro, nós éramos exceção", afirma o coordenador do vestibular, Ivo Adamatti. "Além disso, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a de Santa Maria fazem a prova em janeiro. A mudança deve beneficiar os candidatos", completa.
Segundo Adamatti, a expectativa é que cerca de 8.000 candidatos participem da seleção. Quatro novos cursos foram incluídos neste concurso: Engenharia de Controle e Automação no campus de Caxias, Design Gráfico e Educação Física (licenciatura) em Bento Gonçalves e Direito em São Sebastião do Caí. O curso de Ciências Econômicas, reformulado, volta a ser oferecido em Bento Gonçalves.
Outra novidade é que o curso de Medicina terá 60 vagas no concurso de verão, sendo que os 30 melhores classificados ingressam na faculdade em março e os outros 30, em agosto. Não haverá mais vestibular para Medicina em julho. Nesta edição, os vestibulandos de Comércio Exterior, Ciências Contábeis e Direito que não forem aprovados em Caxias do Sul podem solicitar ingresso no campus de Farroupilha, se sobrarem vagas. Nestes casos, a UCS pagará o transporte para os estudantes.
Avaliação - As provas serão realizadas em um único dia e seguem o modelo do vestibular de inverno. Haverá prova de redação, português, língua estrangeira, conhecimentos gerais e duas provas específicas, determinadas conforme a opção de curso de cada candidato. As provas de redação e conhecimentos gerais podem ser substituídas pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O italiano não será mais oferecido na avaliação de língua estrangeira, apenas o inglês e o espanhol.
"Nosso objetivo é facilitar o ingresso na faculdade e controlar a saída, ou seja, formar profissionais competentes e eficazes", afirma o reitor Isidoro Zorzi. "Além da formação acadêmica, o profissional deve ter formação humana e cidadã", conclui.
Feira do livro tem recorde de vendas
A 22ª Feira do Livro de Caxias do Sul encerrou no domingo, 22, com recorde de vendas e público. Segundo a coordenadora do evento, Luiza Darsie Motta, foram vendidos 45.255 livros durante os 17 dias de feira. Na edição anterior, 31.300 obras foram comercializadas. Tradicionalmente, a Bíblia continua sendo o livro mais vendido, com 300 exemplares, seguido do romance O caçador de pipas (211), O grande livro de receitas, O que não mata vira crônica e Inspirações do dia-a-dia. Cerca de 160 mil pessoas estiveram na Praça Dante Alighieri para prestigiar o evento. Por estimativa, são 30 mil a mais que em 2005.
Luiza diz que a organização está muito satisfeita com os resultados. Segundo ela, a feira do livro é o evento culminante das atividades desenvolvidas ao longo do ano por meio do Programa Permanente de Estímulo à Leitura (PPEL). "A opção de enfatizar a literatura infantil nesta edição foi muito positiva, tivemos grande participação das crianças e isso engrandece o evento. Além disso, é na infância que devemos incentivar a leitura", declara.
Cidade já prepara a decoração de Natal
O Natal Caxias 2006 começa a tomar forma. Segundo os organizadores, nesta edição, serão reaproveitados os materiais de anos anteriores, para reduzir custos. Estima-se investir R$ 150 mil na decoração do centro da cidade.
A Praça Dante Alighieri e a avenida Júlio de Castilhos, entre as ruas Feijó Júnior e Guia Lopes, serão iluminadas. Um pinheiro, um presépio, o trono para o Papai Noel e um trenó sobre uma nuvem, instalado a três metros de altura, completam a decoração da praça. Esta edição deverá ter mais luzes com a volta do concurso Brilha Caxias, interrompido por cinco anos devido ao racionamento de energia elétrica. O concurso elege as cinco melhores casas, prédios e condomínios decorados. Também continua, para os lojistas, a escolha da melhor vitrina. Além disso, haverá shows, concertos e o auto de Natal. A decoração deve ser inaugurada em 16 de novembro. O projeto é uma parceria do CDL, Univarejo, Sindilojas e prefeitura.
Centro Educacional atende 150 crianças
A abertura de uma exposição de trabalhos artísticos das crianças e adolescentes atentidos, às 16 horas do sábado 28, marca o 1º aniversário do Centro Educativo Coração de Maria. Localizado no bairro Reolon, o Centro é iniciativa da Fundação de Assistência Social em parceria com a Sociedade Educação e Caridade. Funciona no turno inverso ao da escola e atende a 150 crianças e adolescentes com complementação escolar, arte, esporte e lazer, além de alimentação. O trabalho também é dirigido às famílias, com encontros de orientação e apoio sócio-familiar, enfatizando valores espirituais e éticos, na construção de uma família com qualidade de vida.
O SONHO ACABOU. É HORA DE VOLTAR
A cada dois dias uma família deixa Caxias do Sul para retornar à cidade de origem, cena que se repete em várias metrópoles brasileiras. Na bagagem, tristeza e frustração
As causas são as mesmas de décadas: famílias trocam de endereço em busca de emprego e de uma vida melhor; meses depois a dura realidade do desemprego e da impossibilidade de pagar um aluguel conduz ao caminho de volta às cidades de origem. "Eles nos procuram desiludidos, sem outra opção a não ser retornar", descreve Inês Erlo Ribeiro, educadora social da Fundação de Assistência Social (FAS), órgão da Prefeitura de Caxias do Sul.
Não há um perfil definido dessas pessoas. Mas Inês ressalta alguns traços: possuem baixa escolaridade, não têm experiência profissional e nem qualificação específica, a maioria se mantém durante meses na informalidade, muitos chegam sem nenhum móvel ou utensílio e vão morar em áreas de invasão, na casa de parentes ou são obrigados a pagar aluguel. "Eles permanecem até se depararem com a triste realidade: não há emprego e a tão sonhada melhoria de vida jamais virá se ficarem por aqui", explica Inês.
De janeiro até o dia 10 de outubro, período em que foi feito levantamento a pedido do Correio Riograndense, a FAS forneceu transporte para a mudança de 152 famílias. A média é de uma família deixando Caxias a cada dois dias. Esse número se refere a deslocamentos apenas dentro do Rio Grande do Sul e cada viagem de caminhão é para levar mudanças de duas famílias. Os destinos mais comuns neste ano: Pelotas, Vacaria e São Gabriel.
Ônibus - O relatório da FAS revela outra situação importante: nos primeiros 280 dias de 2006, a fundação atendeu a 611 pessoas que pediram passagens de ônibus para cidades dentro do Estado e outras 13, que viajaram para fora, principalmente para Santa Catarina e Paraná. A média é de mais de duas passagens por dia, praticamente um terço delas para Porto Alegre. Esse auxílio não é exclusivo para o retorno à origem. Muitas passagens são fornecidas para pessoas com problemas de doença, para vítimas de agressão e outros casos menos comuns. Mas todas dependem dessa ajuda para os deslocamentos.
Rumo ditado pela esperança de emprego, teto e comida
Há 17 anos, Larissa Pereira da Silva trocou Campo Grande (MS) por Caxias do Sul. Na semana passada, aos 32 anos de idade, ajudava a cobrir com lona móveis e outros objetos que um caminhão da Prefeitura iria transportar. Ela não volta para seu Estado. Permanece em solo gaúcho, mas agora na cidade de Sertão, a cerca de 300 quilômetros de Caxias. "Estou triste, é claro. Não é bom mudar de cidade", declarou ao CR.
Larissa veio a Caxias para conhecer parentes. Ficou, casou, tem uma filha de 10 anos. Mas sua vida nunca foi tranqüila - pelos mesmos motivos que infelicitam milhares, ou milhões, de pessoas que buscam realizar sonhos em outras cidades: falta de experiência e de qualificação profissional.
"Sempre foi difícil conseguir emprego. Aqui exigem muita escolaridade, experiência. Só consegui trabalho por intermédio de outras pessoas, que me indicaram, mas somente como auxiliar de limpeza", conta Larissa, que estudou ao equivalente à sétima série do primeiro grau. Ela ainda se esforçou, fez curso na área de malharia, mas nunca foi além do trabalho doméstico.
Seis meses atrás ela e o esposo não tinham mais condições de pagar aluguel. O problema foi parcialmente resolvido com a ajuda de uma tia, que ofereceu-lhe peças de uma casa inacabada. Há dois meses, nova crise: "A situação estava tão difícil que fui obrigada a pedir cesta básica para a FAS", conta.
Larissa partiu para Sertão em condições bem melhores que a maioria dos migrantes: lá o marido trabalha em um restaurante como auxiliar-geral, tem onde morar e ela tinha garantia de emprego. A filha de 10 anos só se juntará aos pais no final do ano letivo. E se não der certo? "Não pretendo voltar a Caxias do Sul. Se mudar, só para outra cidade", responde, como se cada mudança realimentasse o sonho de felicidade.
Clima da viagem é sempre de tristeza
Sibélio Borges de Oliveira transportou mudanças para quase todos os municípios gaúchos. Motorista da Prefeitura de Caxias do Sul, tem 69 anos de idade e há 25 faz esse trabalho. "Já levei famílias para os quatro cantos deste Estado", reforça. "Mas nos últimos anos a situação piorou: é uma atrás da outra".
Cresceu o número de famílias que pedem ajuda e o grau de necessidade. Tanto que a Prefeitura há 15 anos deixou de cobrar o óleo combustível para o transporte. "Cansei de dividir lanche com crianças porque seus pais não tinham um centavo sequer no bolso. Depois de anos em Caxias, o máximo que reuniam era o dinheiro para pagar o óleo do transporte de volta", relata Sibélio.
Com ou sem dinheiro para refeições, o clima da viagem nunca é bom. "Todos lamentam, contam dramas. É sempre muito triste", descreve. Os motivos da decepção, Sibélio conhece bem: "Em 100% dos casos, eles vêm sem preparo, conseguem alguns trabalhos e quando chega o desemprego, voltam".
"As oportunidades podem estar perto"
João Francisco Muller, presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, recomenda cautela e reflexão aos que enxergam no município da Serra gaúcha um oásis de prosperidade. "Caxias não oferece mais as oportunidades de emprego que tanto atraíram num passado recente. Hoje não atende nem a demanda dos jovens daqui", avalia o líder empresarial.
As vagas de trabalho não foram totalmente riscadas do ma-pa econômico caxiense. Mas elas são raras e, devido ao emprego de tecnologias de ponta pelas empresas, exigem mão-de-obra muito qualificada. "Praticamente não existe emprego para mão-de-obra sem qualificação específica, voltada para as necessidades das empresas", ressalta Muller. "É difícil alguém vindo de fora sem preparo profissional ser absorvido imediatamente pelo mercado de trabalho. As oportunidades de emprego podem estar mais perto do que essas pessoas imaginam: aonde elas moram", conclui.
Êxodo rural irrigou miséria urbana
A grande onda migratória no Brasil do final do milênio foi provocada pelo êxodo rural, que inchou a população das cidades. A falta de auxílio e de perspectivas para os agricultores, acrescida da sedução exercida pelas cidades, sob a falsa imagem de abundância de emprego, de escola e de habitação, plantou a semente da miséria no fértil solo da periferia das metrópoles. Em 30 anos, a população urbana brasileira saltou de 20% para 80% do total. Agora, quem ainda pode, está voltando.
Em 1980, 40 milhões de brasileiros viviam fora do município aonde nasceram. A mobilidade humana não é exclusividade brasileira. A ONU estima em 200 milhões o número atual de migrantes, grande parte deles vivendo fora de seu país para fugir de guerras.
Importação de vinho a granel ameaça viticultura
Engarrafadores querem acionar a Justiça para trazer vinhos de mesa
A importação de vinhos finos cresceu 32% este ano, mesmo com estoques que podem suprir o mercado brasileiro até o final do próximo ano (64.321.166, em 1º de outubro de 2006). Já os estoques de vinhos de mesa (164.930.067, em 1º de outubro de 2006) são suficientes para abastecer os brasileiros. Os números do Ibravin confrontam a decisão da Associação Nacional de Engarrafadores de Vinhos (Anev), com sede em Jundiaí (SP).
A Anev, que compra 50% dos 180 milhões de litros de vinho a granel vendidos a outros Estados pelo RS, comunicou que irá solicitar, por medida judicial, autorização para importação de vinhos a granel. O dirigente da entidade, Luiz Passarin, alega que os vitivinicultores gaúchos estão retendo o vinho de mesa para provocar alta no preço de comercialização, de R$ 0,90 para R$ 1,30 o litro. "A medida busca garantir o abastecimento, em função da dificuldade de aquisição pela elevação especulativa do preço do produto", afirma Passarin.
A notícia surpreendeu e preocupa o setor. "A decisão da Anev é uma ameaça direta ao setor. E não se justifica, pois o volume de vinhos é suficiente para abastecer o mercado, até a elaboração da safra 2007, não havendo razão para a especulação do preço", declara o presidente da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), Julio Fante - a Agavi reúne 75 vinícolas e responde por 45% do vinho gaúcho, sendo que 40% são vinhos de mesa.
Para o presidente da Agavi, o setor precisa fazer a lição de casa, isto é, incrementar a produtividade da uva e melhorar ainda mais a qualidade e a logística, para diminuir custos. "Precisamos melhorar internamente e sermos mais eficientes", admite, lembrando que os vizinhos argentinos chegam a produzir até 60 toneladas de uvas por hectare, enquanto o RS não atinge 20 toneladas na mesma área.
O presidente do conselho deliberativo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Danilo Cavagni, disse que, se confirmada a importação de vinhos a granel, "as conseqüências para o setor vitivinícola gaúcho serão extremamente negativas". Raimundo Bampi, membro da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, lembra que a importação a granel é proibida por lei. "Se a Justiça acatar o pedido da Anev, além de abrir um precedente perigoso, poderá inviabilizar o setor", assegura. Bampi observou ainda que é necessário que seja intensificada a fiscalização dos produtos que imitam o vinho.
Credenciamento do Laren incrementa combate a frauds
O Laboratório de Referência Enológica (Laren), em Caxias do Sul, está habilitado a examinar mensalmente de 100 a 150 amostras de vinhos e derivados de uva brasileiros e importados. O reconhecimento para desenvolver análises físico-químicas de bebidas e vinagres foi oficializado pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luis Carlos Guedes Pinto.
Com base na portaria 273 do Mapa, editada em 3 de outubro deste ano, o laboratório adquire a qualificação de referência nacional no setor vitivinícola, com habilitação para realizar análises básicas e pesquisar tecnologia no segmento enológico. "O credenciamento tornou-se imprescindível frente às exigências da defesa agropecuária e das normas rígidas das exportações", afirma ao CR o chefe da Divisão de Enologia do Laren, Plínio Manosso.
Ao realizar análises, no Laboratório de Enologia de Caxias, conforme determina a portaria 273, o setor vitivinícola dá mais um passo para a certificação da qualidade dos vinhos brasileiros e no combate à adulteração do produto em todo território nacional.
Estrutura - O Laren, administrado pelo Departamento de Produção Vegetal da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (SAA), tem como objetivo desenvolver e aplicar metodologias para identificação dos vinhos, combatendo fraudes, além de análises fiscais de derivados da uva e do vinho sob inspeção da SAA e do Mapa.
A unidade, composta por quadro funcional de dez técnicos, presta ainda serviços de comprovação de qualidade para empresas vitivinícolas. "O Laren é o mais moderno laboratório do país na área de enologia", disse o secretário da Agricultura, Quintiliano Vieira.
Firmino Splendor é o "enólogo do ano"
O primeiro presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Firmino Splendor, foi eleito o "Enólogo do Ano 2006". Em votação, os associados à entidade entregaram o título durante o jantar-baile, na Sociedade União São Francisco América, Bento Gonçalves, na sexta 20, data em que a ABE festejava 30 anos de fundação. Splendor foi premiado com viagem para a Vinitech, em Bordeaux, na França.
Esta foi a terceira edição do concurso que tem o objetivo de valorizar a classe enológica, reconhecendo seu trabalho para o aperfeiçoamento e qualificação dos vinhos elaborados no Brasil. Já foram homenageados com o prêmio os enólogos Antônio Czarnobay (2004) e Gilberto Pedrucci (2005).
Seguro renda terá R$ 500 milhões
MDA garante preços de produtos agrícolas ao agricultor familiar
Produtores de milho, feijão, mandioca, arroz, soja, sorgo e leite, que tenham financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), agora têm seguro renda. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) acaba de criar o Seguro de Preços para a Agricultura Familiar.
As sete culturas correspondem a cerca de 80% dos contratos de custeio do Pronaf nesta safra 2006/2007. Isso representa aproximadamente 500 mil contratos. Agricultores com financiamentos do Pronaf nas demais modalidades e com outras culturas serão beneficiados a partir do ano-safra 2007/2008.
Com a medida, os agricultores familiares e assentados da reforma agrária com contratos nos grupos A/C, C, D e E do Pronaf passam a contar com mecanismo de proteção contra as quedas de preços no momento da comercialização. Os financiamentos serão contratados por equivalência produto, com base em preços de referência que serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
Cálculos - "Na prática, na hora de pagar o financiamento ao banco, o produtor terá desconto correspondente à diferença de preços entre o valor de mercado (momento do pagamento) e o valor de referência (data da contratação)", explica ao CR o coordenador da Fretaf-RS, Ari Pertuzatti.
Anteriormente, utilizava-se o rebate, espécie de desconto, no pagamento dos empréstimos do Pronaf para os agricultores. "Mas este instrumento se dava quando a defasagem dos preços já estava confirmada. Com a nova medida, agricultores ficam protegidos contra as oscilações de preços no momento da comercialização de seus produtos", afirma.
Os preços iniciais de referência serão fixados anualmente para cada cultura - à exceção do leite, que inicialmente será referenciado pelo valor do milho - para cada uma das cinco regiões do Brasil. Essa referência será estabelecida a partir dos custos médios de produção identificados pela Conab.
Para saber quanto pagará pelo seguro, o agricultor deve multiplicar a quantidade de produtos (na data de contratação) pela cotação de mercado dos respectivos produtos (na data do vencimento). O valor a ser pago não será inferior ao preço mínimo. O agricultor pagará o menor preço.
Paraná é área livre da febre aftosa
O Estado Paraná é área livre de febre aftosa. "A partir de agora, portanto, está liberada a circulação de animais em todo o território nacional", disse o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Carlos Guedes Pinto, ao anunciar, oficialmente, o reconhecimento, na quinta-feira 19. Nos próximos dias será encaminhado à Organização Internacional de Epizootias (OIE), que cuida da saúde animal em todo o mundo, relatório comunicando o fato.
A OIE reúne-se normalmente nos meses de dezembro e março. "O Brasil fará o possível para que a decisão seja tomada na primeira reunião. Se, por acaso, isso não ocorrer, vamos solicitar uma reunião extraordinária do comitê técnico da organização, em caráter de emergência, para que o assunto seja deliberado", destacou.
O Paraná comunicou ao Ministério da Agricultura e aos Estados vizinhos a condição de suspeito de febre aftosa no dia 21 de outubro do ano passado, após ter adquirido cerca de 2.000 animais provenientes de municípios de Mato Grosso do Sul, onde a doença já havia sido detectada.
Com base nesse documento, o Paraná pôde ser considerado área livre da doença. Dentre as medidas adotadas, o secretário da Agricultura do Estado, Newton Pohl Ribas, citou o sacrifício sanitário de 6.781 animais nas propriedades afetadas; 45 dias de vazio sanitário; introdução de 345 animais sentinelas em tais propriedades e realização de 1.483 exames sorológicos, todos com resultados negativos.
Propriedade avícola recupera mata ciliar
O Programa de Mata Ciliar, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) vai recuperar mata ciliar em propriedades avícolas. A Sema repassa aos criadores cadastrados mudas de espécies nativas oriundas de reposição florestal obrigatória para o plantio às margens de cursos de água (rios, arroios...).
Para o secretário estadual do Meio Ambiente, Claudio Dilda, a parceria com a Asgav representa avanço importante na gestão dos recursos naturais, considerando os benefícios resultantes em termos de equilíbrio ambiental e seus reflexos no contexto rural. Mais informações www.asgav.org.br
Engº. Agrº. José Zugno
Condições ambientais e as laranjas
Consumi laranjas da região do Alto Uruguai gaúcho e notei diferença no gosto da fruta. Por isso, pergunto se o clima tem influência na qualidade das frutas cítricas.
José Paulo Bonemberger
Bom Princípio – RS
A citricultura é uma das atividades mais importantes do Brasil. Os climas são favoráveis às plantas cítricas em todo o país, o que o torna o maior produtor do mundo. Embora produzidas em todo o território nacional, devido à larga faixa de adaptação, existem aspectos climáticos que diferenciam as frutas cítricas de uma região para outra.
Em regiões de temperaturas baixas, os danos dependem da espécie cultivada, do porta-enxerto, da idade da planta, da variedade, da duração e intensidade do frio e do período em que ele ocorre. O frio intenso causa grandes prejuízos quando a planta está em fase de brotação. Temperaturas muitos altas também são prejudiciais. Acima de 40º C, podem ocasionar rachaduras nas cascas dos frutos, principalmente se a umidade relativa do ar for baixa.
A quantidade de chuva que os citros necessitam varia de 900 a 1.500 mm anuais, bem distribuídos durante o ano. Por isso, em regiões de pouca chuva ou mal distribuída é necessário irrigar. Falta de água origina frutos de pouco suco.
Os citros recebem influência direta da luz solar. Floração, frutificação, fatores fisiológicos e qualidade dos frutos são altamente influenciados pela quantidade de luz que recebem. A deficiência de luz pode diminuir a produtividade e a qualidade dos frutos. O excesso pode provocar lesões nas plantas.
Qualidade do fruto - Com relação à qualidade do fruto, os fatores climáticos e edafológicos (solos) influem nas suas principais características. A alta umidade relativa do ar, acompanhada de temperatura elevada aumenta o tamanho do fruto. Em climas de baixa umidade, os frutos tomam forma alongada ou oblonga, enquanto a umidade alta favorece a produção de frutos arredondados ou achatados.
A casca da fruta, normalmente, é mais fina em regiões de clima mais quente e umidade alta. A quantidade de suco aumenta em regiões de elevada umidade relativa do ar. Em climas quentes cresce rapidamente a formação dos açúcares e baixa a produção de ácidos na fruta.
O teor de vitamina C também está diretamente relacionado à umidade relativa do ar. As frutas dispostas na parte de fora da planta são mais ricas em vitamina C do que as que estão no interior da copa.
A cor da casca sofre grande influência do clima. Esta influência se manifesta através da variação da temperatura diurna e noturna. Quanto maior a variação, mais coloridos serão os frutos. E quanto mais quente for o clima, mais precoce será a maturação. As propriedades físicas e químicas do solo também influenciam na qualidade das frutas.
Solos de consistência areno-argilosa, bem drenados, com acidez de pH em torno de 6,0 e nutrientes equilibrados produzem frutos de melhor aspecto e de melhor qualidade do que os solos fracos e desarmônicos.
Essas condições ambientais explicam porquê frutos de uma região são mais gostosos que os de outra.
Conto com a colaboração do colega engenheiro agrônomo Lírio Londero para responder à sua carta. Ele é o chefe do escritório da Emater de Feliz, bem próximo ao do seu município. Se o leitor amigo desejar outros esclarecimentos procure-o durante a semana, nas horas de expediente. Telefone para contato: 0xx51 36371282.
Açúcar, ameaça ao organismo
Carboidratos causam o mesmo efeito, elevando os índices de glicose no sangue
O açúcar é visto como um dos maiores inimigos da saúde. A má fama iniciou há cerca de 30 anos e, cada vez mais, estudos confirmam que o alimento é, de fato, nocivo quando ingerido puro ou em grandes quantidades. No Brasil, o consumo per capita anual de açúcar caiu de cerca de 16 quilos, em 1988, para 8 quilos, em 2003. Mesmo assim, a quantidade ainda é considerada elevada. As pesquisas mais recentes na área mostram que o produto está associado à obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Segundo os especialistas, o açúcar é um alimento calórico e sem nenhum valor nutricional, por isso, recomenda-se comer pouco.
O que há de mais novo no estudo da ação do açúcar no organismo é a descoberta de que outros alimentos podem produzir os mesmos efeitos nocivos do doce pó branco. Com isso, passou-se a considerar a chamada carga glicêmica dos alimentos, que dimensiona quanto determinada porção de comida eleva as taxas de glicose no sangue. Isso significa que as alterações na glicose não são exclusividade do açúcar. Todos os produtos que têm carboidratos em sua composição também provocam esse efeito em maior ou menor grau.
O impacto dos diferentes alimentos nas taxas de glicose é variável. Entre os fatores que alteram esses índices estão a presença ou não de gorduras, fibras e proteínas, o modo de preparo, a combinação de uns alimentos com outros na mesma refeição e a velocidade com que eles são digeridos pelo organismo. A batata cozida, por exemplo, tem carga glicêmica maior que a batata frita, porque não contém gordura. Porém, se a batata cozida for acompanhada de um bife, terá carga glicêmica reduzida, em função da proteína da carne. Macarrão integral bem cozido tem carga glicêmica maior que o servido al dente.
Um dos malefícios da subida rápida dos níveis de glicose no sangue é o aumento da secreção de insulina pelo pâncreas. Esse hormônio é responsável pela entrada da glicose nas células, onde ela será transformada em energia para o corpo. O problema é que insulina em excesso circulando no sangue pode baixar demais as taxas de glicose, o que desperta o apetite, fazendo com que a pessoa coma novamente - o que favorece o ganho de peso.
Além disso, com a rápida elevação da glicose no sangue pode-se desenvolver resistência à insulina. Nessa situação, as células têm dificuldade em reconhecer o hormônio, o que pode causar o acúmulo de glicose no sangue e, conseqüentemente, produção exagerada de insulina. A permanência desse quadro pode levar ao diabetes.
Mascavo e mel substituem o refinado
A ingestão de açúcar refinado não deve ultrapassar 10% do consumo diário total de calorias, segundo orientação da Organização Mundial da Saúde. Em uma dieta de 2.000 calorias, isso equivale a cerca de quatro colheres (de sopa) rasas do produto. Nessa quantidade estão incluídos desde o açúcar usado para adoçar o café quanto o que integra receitas de bolos, sobremesas etc.
Quem deseja diminuir as calorias e, mesmo assim, obter um sabor próximo ao do açúcar, pode optar pela versão light do produto. O açúcar refinado ainda pode ser trocado pelo mascavo ou por mel. A vantagem é que esses alimentos contêm vitaminas e sais minerais, ao contrário do açúcar refinado. A desvantagem é que não possuem o mesmo poder adoçante do pó branco e, por isso, as pessoas tendem a usá-los em maior quantidade.
Já os carboidratos não podem ser tirados da dieta. Esse nutriente é a principal fonte de energia do organismo. A alternativa é dar preferência aos carboidratos de baixa carga glicêmica, ou seja, aos integrais, que são ricos em fibras.
Pesquisadora cria açúcar benéfico
Uma variedade de açúcar que contém uma substância que não é digerida pelo organismo humano, os galactooligossacarídeos, e pode trazer benefícios à saúde foi desenvolvida no Laboratório de Bioaromas da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A nova fórmula, feita apenas em laboratório, ainda será testada em camundongos para depois chegar aos humanos.
O estudo foi apresentado em forma de dissertação de mestrado por Rosângela dos Santos e orientado pela professora da FEA Gláucia Pastore. A pesquisadora chegou ao novo tipo de açúcar, desenvolvido em forma de xarope, a partir de manipulações realizadas com o fungo Scopulariopsis, extraído há mais de 20 anos em solos de diferentes regiões do país. Esse fungo produz a enzima beta-galactosidase que, por sua vez, produz os galactooligossacarídeos, que são carboidratos que não sofrem digestão.
Segundo a pesquisadora, a grande vantagem da ingestão desse açúcar é o estímulo à proliferação de bactérias benéficas ao trato intestinal, algumas capazes de contribuir para a eliminação de microorganismos nocivos ao ser humano, como a Escherichia coli e o Clostridium, que causam diarréia. Ele também ajuda a reduzir a presença de substâncias tóxicas no organismo que podem desencadear algumas doenças como o câncer. Presentes no leite materno, os galactooligossacarídeos são reconhecidos mundialmente como alimentos funcionais. O que ainda não se sabia é que o fungo Scopulariopsis poderia gerar esses compostos.
Adoçante deve ser ingerido com cautela
A relação entre o uso regular de adoçantes e os riscos de desenvolvimento de câncer ainda gera muitas dúvidas entre os consumidores. A origem da polêmica é uma pesquisa que submeteu ratos a doses elevadas do adoçante ciclamato, sendo que todos apresentaram incidência elevada de leucemia. Porém, os especialistas afirmam que, para produzir o mesmo efeito nos homens, o ciclamato teria de ser consumido em doses diárias extremamente altas e por décadas seguidas.
Como toda substância química, os adoçantes também devem ser ingeridos com cuidado. Alguns contêm sódio na composição, o que pode favorecer a retenção de líquidos e elevar os níveis da pressão arterial. Portanto, os hipertensos devem optar por adoçantes sem sódio. Outros, como aspartame e sorbitol, não são totalmente livres de calorias. A frutose e o sorbitol ainda podem alterar os índices de glicose, por isso não são os mais indicados para diabéticos. Durante a gestação, o consumo desses produtos deve ser moderado, pois não há estudos que comprovem a segurança do uso de adoçantes por mulheres grávidas.
Leonardo Boff
Não basta que haja políticos éticos. O importante é que prevaleça a discussão sobre a ética da política, que trata da moldura institucional que obriga os cidadãos a viverem valores fundamentais para a sociedade
Na campanha eleitoral para presidência, a ética constitui um dos tópicos principais. Neste campo não cabe farisaísmo no sentido de um lado se sentir o portador da ética e o outro, seu violador. Ambos os candidatos precisam fazer seu mea culpa e reconhecer graves desvios éticos em seus respectivos partidos. Há o risco de que se privatize a ética, vale dizer, que se discuta somente a ética na política e não a ética da política. Em outras palavras, não basta que haja políticos éticos, com virtudes pessoais reconhecidas (ética na política). O importante é que prevaleça a discussão sobre a ética da política. Esta trata da moldura institucional que obriga os cidadãos a viverem certos valores fundamentais para a sociedade. Principalmente importa discutir o caráter ético do projeto político do candidato. Em que medida ele rompe com a tradição de privilégios que tem caracterizado a política brasileira e que mediações usará para gestar mais a justiça e inclusão dos milhões destituídos. Este é o nó da questão. Os cidadãos têm direito de conhecer os projetos políticos de cada candidato e as formas de sua implementação. Aí ele poderá ver seu caráter ético ou não.
No sentido de animar este debate gostaria de referir uma discussão recente entre dois paradigmas de ética: entre o núcleo da moralidade clássica, a ética da justiça e o núcleo da nova moralidade, a ética do cuidado. Tenho participado dessa reflexão, suscitada primeiramente por filósofas e educadoras feministas norte-americanas, especialmente Carol Gilligan e Nel Noddings. Elas nos conscientizaram do fato de que a reflexão ética do Ocidente herdada dos gregos, passando por Tomás de Aquino, Kant e culminando em Habermas, é marcadamente masculina. Ela se centra na autonomia do indivíduo, portador de direitos e deveres, tendo como eixo estruturador a imparcialidade da justiça.
Esta ética viu dimensões irrenunciáveis, seja no aspecto interpessoal seja no social. Mas nela há um empobrecimento da experiência humana, pois não inclui a contribuição das mulheres. Elas estão mais próximas ao mistério da vida, são naturalmente mais cooperativas, tecem mais adequadamente as redes de relações afetivas, familiares e comunitárias, alimentam preocupação pelos outros e tomam em consideração as debilidades humanas e os processos de desenvolvimento, pouco contempladas pela ética da justiça. Para que a vida humana funcione não basta a igualdade de direitos e deveres e o respeito a eles. Precisa-se do cuidado, pois todo ser vivo deseja e precisa ser cuidado e nós sentimos naturalmente o impulso de cuidar. Daí nasce a solidariedade, a corresponsabilidade e a compaixão, como irradiações do cuidado.
A base antropológica desta ética do feminino é outra. Para ela não existe o indivíduo isolado que precisa de um contrato social para viver junto. Ele é sempre conectado com o outro e com a natureza. A motivação para viver valores e assim uma vida ética não vem da razão e dos princípios, mas da emoção do afeto e do auto-envolvimento. O desejo natural de sermos cuidados, aceitos e amados, coisa que foi ignorada pela ética vigente, é o que move profundamente nossas vidas.
Fazer política é cuidar do povo e atender suas necessidades, repetiu-o muitas vezes o presidente Lula. Realizar isso é realizar a justiça. Este é o critério para julgar eticamente os projetos dos dois candidatos.
Frei Betto
O Congresso é a cara do Brasil. Não dá para mudar de povo e de parlamentares eleitos. Mas daria para mudar de mídia... sintonizando os canais nos quais a pobreza não fosse considerada fato inelutável, a corrupção inevitável e a democracia econômica incompatível com a política
Espanta-me constatar o espanto - com licença da redundância - de certas pessoas frente à esmagadora vitória eleitoral de Clodovil e Maluf. Essa gente supõe que toda a nação é dotada de capacidade para decodificar a informação e reagir com senso crítico. Então os eleitores não sabem quem são eles? Sabem muito bem, recebem a mesma informação que a turma do espanto. A diferença é que o receptor - ouvinte ou telespectador, pois jornal tem pouco alcance - assimila a mensagem do emissor de acordo com o seu contexto e interesses. E isso varia de pessoa a pessoa.
Inverta-se a situação. Admite o eleitor que votou em partidos e candidatos progressistas que, aos olhos dos eleitores de Clodovil e Maluf, ele é visto como quem não sabe votar? Como acreditar no discurso progressista após tantas maracutaias? Melhor é introduzir um ou dois coringas nesse baralho. Ao menos assim mela-se o jogo político.
Clodovil é o voto de indignação e protesto. É o suposto apoliticismo contrário à política que se nega como política (serviço a polis). Nesse sentido, ele é eminentemente político, como todos os histriônicos que ousam destoar do figurino tradicional e se postam do lado de dentro da institucionalidade política: "Meu nome é Enéas!"
Maluf também não deveria surpreender. Afinal a Justiça lhe permite viver em liberdade, em pleno gozo dos direitos políticos, assim como outros que também são suspeitos de corrupção. E isso prosseguirá enquanto não houver reformas política e do Judiciário. Ou será que a maracutaia da esquerda é mais honesta que a da direita?
A eleição de Maluf provoca o mesmo espanto que a de mensaleiros e sanguessugas. Todos foram premiados por eleitores que não acreditam nas denúncias de corrupção. Ou acreditam, mas julgam irrelevante a questão ética e admitem que na política não se põe a mão sem sujá-la.
O que me espanta no espanto alheio são meus amigos, tão ciosos de sua consciência crítica, não atinarem para o fato de que, antes de eleitos para o Congresso, Clodovil e Maluf já ocupavam lugar de destaque, com direito à ampla visibilidade, no verdadeiro Parlamento (de onde se parla, fala) brasileiro: a mídia. Quem são as figuras que aparecem quase todos os dias na mídia? São pessoas criteriosas, exemplos de ética, repletas de ideais humanitários, voltadas aos pobres? Ou são ratinhos e leões, gatas e panteras, um zoológico que dissemina a banalidade e aborda os temas mais candentes com desprezível superficialidade? Quem parla ao povo brasileiro?
Não é verdade que o povo não sabe votar. Não sabe é discernir, porque a mídia é despolitizadora, supostamente desideologizada. Em lugar de cultura, dá-nos entretenimento. Bruna Surfistinha atrai mais leitores que ensaios e romances de alta qualidade. Vendem-se mais as revistas de futilidades, espelhos virtuais ao narcisismo frustrado, que de História e Ciências. O que esperar dessa parlamentação que faz de nossas tardes de domingo o Momento Nacional de Imbecilidade Geral? Que o eleitor vote no Anônimo Crítico e Ético?
O Congresso é a cara do Brasil, país em que ainda hoje o coronelismo produz votos de cabresto e o exibicionismo anula qualquer juízo ético, como o demonstra o êxito de audiência do Big Brother. A midiocracia (a democracia da mídia) é muito mais poderosa que todas as nossas instituições políticas somadas. E nela predominam o efêmero, o vulgar, o episódico, a notícia fragmentada e descontextualizada.
Não dá para mudar de povo. Não dá para mudar de parlamentares eleitos. Mas daria para mudar de mídia, desde que famílias e escolas, e sobretudo anunciantes, soubessem sintonizar as novas gerações em outros canais, nos quais a pobreza não fosse considerada um fato inelutável, a corrupção inevitável, a democracia econômica incompatível com a política.
Nosso olhar tende a ser moldado pela mídia. E esta pela ótica lucrativa do mercado. Só um novo olhar, respaldado na ética e na visão crítica da realidade, é capaz de se confrontar com o olhar hegemônico do Grande Irmão.
Enquanto não rompermos a mediocridade dos conteúdos televisivos, a espetacularização da notícia sem contextualização histórica e política, as novas gerações chegarão à idade adulta acreditando que o mercado, como deus, não admite ser contrariado; a propriedade privada é valor supremo; a partilha dos bens da vida, mera retórica anacrônica; a desigualdade social, uma fatalidade a ser minorada, jamais superada.
Assim, não me espantarei se, amanhã, Marcola for eleito deputado ou senador. Collor, expulso da política por uma nação indignada com a corrupção, voltou agora pela força das urnas. Cada governo tem o povo que merece, sobretudo quando investe em Educação menos de 4% do PIB e delega às mãos privadas bens públicos, como o rádio e a TV, sem exigir contrapartidas de interesse da nação.
Massa vence, Alonso é bi
Na última corrida de Schumacher, brasileiro quebra jejum de 13 anos
Treze anos depois de Ayrton Senna, um brasileiro volta a vencer o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. O piloto Felipe Massa, paulistano de 25 anos, coroou sua primeira temporada na equipe Ferrari conquistando a pole position e dominando a corrida da primeira a 71ª volta. Desempenho empolgou as 150 mil pessoas que lotaram o autódromo de Interlagos.
O domingo 22 foi um dia especial também para o automobilismo mundial. O segundo lugar na prova deu ao piloto espanhol Fernando Alonso (Renault) o bicampeonato. A prova entra para a história como a última do heptacampeão Michael Schumacher.
Massa é o quinto brasileiro a vencer dentro de casa. Antes do piloto paulista, José Carlos Pace, Ayrton Senna, Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet festejaram no Brasil.
Com o triunfo como anfitrião, o piloto da Ferrari termina o Mundial na terceira colocação, com 80 pontos ganhos. Ele também ocupou o lugar mais alto do pódio no Grande Prêmio da Turquia. "É um sonho que se tornou realidade para mim. No meu primeiro ano com carro bom consegui vencer", declarou Massa, que começou a vibrar ainda dentro do carro, repetiu Senna ao dar a volta da vitória com a bandeira do Brasil e, depois, comemorou com a equipe e até dançou no palco. Na classificação da prova, Alonso ficou em segundo, Jenson Button (Inglaterra/Honda) em terceiro, Michael Schumacher em quarto e Kimi Raikkonen (Finlândia/Honda) em quinto. Barrichello foi o sétimo.
Massa entrou na Fórmula 1 como piloto da Sauber, em 2002. Na temporada seguinte, ele iniciou o contato com a Ferrari como piloto de testes. Depois de mais dois anos na Sauber, o brasileiro assumiu o lugar de Barrichello na equipe italiana neste ano.
Na próxima temporada, a tendência é que Felipe Massa ganhe mais espaço com a ausência de Michael Schumacher. Em 2007, ele ganha a companhia do finlandês Kimi Raikkonen na Ferrari.
Competência e sorte dão o título a Alonso
Competência e sorte. Este binômio deu ao piloto espanhol Fernando Alonso, da Renault, o bicampeonato de Fórmula 1. Ele terminou o GP do Brasil em segundo lugar e viu o maior rival, Michael Schumacher, ter problemas no final de semana que fechou a temporada 2006.
Na primeira metade da temporada a Renault foi extremamente superior à Ferrari. Mas uma recuperação impressionante da Ferrari levou a decisão para a última prova, no Brasil.
Com 134 pontos acumulados no final, o espanhol teve o título praticamente decidido a seu favor nas últimas duas corridas. No Japão, Schumacher teve o motor estourado e no Brasil largou apenas na 10ª posição. Apesar de campeão, Alonso correrá em 2007 pela McLaren, que não conquista título desde 1998.
Schumacher se despede com marcas históricas
O alemão Michael Schumacher se despediu das pistas no GP do Brasil, mas as suas marcas, em 15 anos na categoria, dificilmente serão igualadas por qualquer outro piloto. Com sete títulos, o alemão está com cinco conquistas de vantagem para o espanhol Fernando Alonso, único piloto em atividade com dois títulos na Fórmula 1.
Outras marcas impressionantes não devem ser alcançadas tão cedo. Schumacher tem 91 vitórias contra 14 do espanhol, segundo piloto com maior número de vitórias na categoria. O piloto alemão tem ainda os recordes de maior número de vitórias na mesma temporada (13, em 2004), pole positions (68), pódios (155), entre outras marcas.
Vilão - Schumacher acumulou muitos fãs, mas também muitos críticos. Apesar de todos reconhecerem o estilo arrojado e único do alemão, ele teve vários momentos de vilão, acusado de "jogar sujo" para conseguir os seus títulos.
A primeira polêmica aconteceu em 1994, quando precisava somente terminar na frente do britânico Damon Hill no GP da Austrália para se sagrar campeão. O alemão liderava a prova, bateu sua Benetton e voltou à pista mesmo com a suspensão avariada para se chocar com o carro de Hill. Fim da corrida para ambos, título para Schumacher e muitas reclamações da Williams e dos críticos do alemão. Cena parecida ocorreria em 1997. Schumacher tentou tirar Jacques Villeneuve da prova. Desta vez não obteve êxito e a FIA considerou sua manobra anti-desportiva. Também pesam contra a imagem de Schumacher as duas corridas em que Rubens Barrichello, que liderava as provas, foi obrigado a dar passagem para o alemão.
VIDA E MISSÃO DA IGREJA NO RS
Dioceses gaúchas organizam, em setembro de 2007, um dos eventos mais marcantes de sua história: o 1º Fórum da Igreja Católica
No dia 28 de novembro, na catedral de Porto Alegre (RS), dom Dadeus Grings, presidente do Regional Sul 3 da CNBB, fará a abertura oficial do 1º Fórum da Igreja Católica no Rio Grande do Sul, um evento que deverá marcar a história da Igreja no Estado. O fórum será realizado de 20 a 23 de setembro de 2007, no Campus da PUC, em Porto Alegre. Terá como tema "A vida e a missão da Igreja no Rio Grande do Sul" e como lema o versículo 2 do capítulo 1 da primeira carta de João "A vida se manifestou e nós a vimos e a testemunhamos".
Considerando os sinais dos tempos, o Fórum da Igreja Católica, convocado pelos bispos do Regional Sul 3 da CNBB, na luz do Espírito Santo, quer ser uma assembléia pastoral ampliada e aberta, em comemoração aos 40 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, em preparação ao centenário da criação da província eclesiástica de Porto Alegre e a outros eventos importantes da história da Igreja em solo gaúcho.
Contexto - Uma das justificativas para a realização do fórum é que ele decorre do compromisso com a vida do povo gaúcho, recebida de Deus como dom e vocação. O fórum será oportunidade de partilha de experiências de fé e realizações religiosas, culturais e sociais. Será espaço para fazer a memória de um povo, formado de tantas raças, etnias e culturas, e reforçar sua identidade e seus sonhos como pessoas inseridas na Igreja. O fórum também deseja ser celebração da ação de Deus com as pessoas de fé e comprometidas com a dignidade da vida.
Vivemos numa sociedade plural, com todas as suas conseqüências e matizes. Verificam-se caminhadas diferentes de Igreja; católicos perdidos diante dos desafios e não valorizados nos quadros da Igreja; há um enfraquecimento da identidade do ser cristão; há uma certa rejeição à Igreja e à sua atuação no mundo de hoje, com muitas críticas e contestações. Surgem correntes religiosas, novos movimentos, outras religiões populares, que criam novos desafios para viver a fé e ser Igreja hoje.
O fórum surge em meio a tantos desafios e contradições, buscas de alternativas de soluções, para ser um instrumento que pretende colocar a Igreja mais de pé e a caminho, de mãos dadas com o homem e a mulher que hoje constroem a história e que são responsáveis por um Rio Grande mais justo e mais igualitário, através de um diálogo sincero, aberto e permanente com todos (raça, cor, religião, ideologia, posição social etc). Pretende reforçar a identidade de Igreja e sua missão, valorizando e acolhendo o trabalho de todos.
Palestras vão mostrar caminhada e desafios
O fórum tem como objetivo principal visibilizar a Igreja Católica, como povo, na dinamização do Reino de Deus no Rio Grande do Sul. "Ele pretende mostrar o que somos e queremos ser", salienta padre Agostinho Sauthier, um dos coordenadores do evento. Durante os quatro dias do fórum os participantes contarão com palestras, oficinas, celebrações e shows artístico-culturais.
Também haverá espaço para manifestações das diferentes etnias que compõem o povo gaúcho através de celebrações (açorianos, italianos, alemães, poloneses, indígenas, latinos, afro-descendentes etc) e cada diocese e setores pastorais terão tendas para expor suas realidades e trabalhos pastorais, através de fotos, vídeos, livros, lembranças etc.
Haverá ainda uma grande celebração ecumênica, missa crioula, vigília de sábado, orações, confissões, atendimento espiritual, bênçãos e outros serviços.
Comunhão - Quatro conferências fundamentais darão uma visão da realidade da Igreja no Sul: O centenário da província eclesiástica de Porto Alegre e os grandes momentos da Igreja no RS (apresentados pela Estef e PUC); A Igreja, a globalização e a nova civilização; Jesus Cristo e o seu projeto na Igreja do RS; e A missão da Igreja no Rio Grande do Sul.
O fórum tem outros objetivos específicos e operacionais, como celebrar em Cristo a vida e a missão das dioceses; estabelecer um diálogo crítico com a sociedade; discernir os desafios ao projeto de Jesus Cristo na missão da Igreja no RS; qualificar o serviço ao povo de Deus; recolher e ler teologicamente a história da Igreja no RS; mostrar a vida e a missão nas 17 dioceses; detectar os novos desafios para a evangelização e criar maior comunhão entre as dioceses.
Fórum envolve grupos, comunidades e dioceses
Dom Ivo Lorscheiter, bispo emérito de Santa Maria, foi escolhido como patrono do 1º Fórum da Igreja Católica no RS. Todas as atividades vão ocorrer no Campus da PUC (av. Ipiranga, 6.681). O fórum pretende ser um espaço aberto, democrático e propositivo, para conversar, trocar idéias em busca de mais vida, dignidade e liberdade para todos. Pretende ser um encontro fraterno para refletir, à luz da Palavra de Deus, sobre tudo o que está ligado à história da Igreja no RS e à evangelização como serviço ao povo e sua realização plena em Cristo.
O fórum acontece como comemoração de diversos marcos históricos para a Igreja no RS e, principalmente, para criar laços de amizade e fraternidade, promover a participação de todos na missão e viver a comunhão, ser Igreja de Jesus Cristo, peregrina com o povo gaúcho.
A partir de novembro, uma extensa mobilização vai envolver comunidades, paróquias e dioceses, que até maio de 2007 farão estudos em preparação ao fórum. Em junho, a coordenação diocesana fará uma síntese das respostas das paróquias e envia o resultado aos responsáveis pelas conferências e organização das oficinas. Camisetas, canetas, artesanato, rifas, CDs com o hino e a música do fórum já estão à venda, e doações e contribuições espontâneas vão gerar os recursos para financiar esse histórico evento para a Igreja do RS.
Evento abre espaço para o ecumenismo
Promovido e organizado pelos bispos das 17 dioceses do Estado, com suas coordenações e conselhos de pastoral, em parceria com a Conferência dos Religiosos da Região Sul 3 (CRB-RS), o fórum é destinado a presbíteros, religiosos e religiosas, diáconos permanentes, pessoas consagradas e leigos comprometidos com a animação das comunidades e articulação das diversas pastorais.
Mas são também destinatários todos os católicos, com suas comunidades e organizações. O fórum está sendo organizado pelos católicos, mas o evento está aberto para a participação de outras Igrejas, que podem estar presentes nas conferências, oficinas, nas apresentações artístico-culturais e nas celebrações. É significativo para o ecumenismo que membros de outras Igrejas possam dar sua opinião sobre a vida e a missão da Igreja Católica, oferecendo críticas, sugestões e participando como irmãos de caminhada a serviço da vida e do evangelho.
Comissão convida gaúchos a participar
Padre Ademar Agostinho Sauthier, secretário-executivo do Regional Sul 3 da CNBB, e padre Marcelino Sivinski encabeçam a comis-são de coordenação do Fórum da Igreja no Rio Grande do Sul. Padre Agostinho salienta que o fórum é um espaço fraterno e aberto a todos os que queiram participar. Mas antes da sua realização, estudos serão feitos nas paróquias e dioceses até maio de 2007. Cada um pode contribuir com perguntas, críticas e sugestões. Elas poderão ser enviadas por e-mail, carta ou fax. Por carta, o endereço oficial é: I Fórum da Igreja Católica no RS, Prédio 41 - PUCRS, Av. Ipiranga, 6681, Cep 90619-900 Porto Alegre - RS. O telefone: (51) 3225.8483. O fax: (51) 3224.9833. E-mail: fcnbbrs@portoweb.com.br.
Presença da Igreja inicia com reduções
A Igreja Católica está presente em solo gaúcho desde 1626, com a chegada dos padres jesuítas e a criação das missões. A primeira missão foi aberta em São Nicolau do Piratini, em maio de 1626, pelos padres Roque Gonzáles e Miguel de Ampuero. Mais de um século depois, em 1736, foi criada a primeira paróquia gaúcha, na cidade de Rio Grande.
No dia 7 de maio de 1848 foi criada a diocese de São Pedro do Rio Grande do Sul, a primeira do Estado e somente em setembro de 1852 assumiu o primeiro bispo, dom Feliciano José Rodrigues Prates, nomeado por Pio IX. Em 1910 foram criadas mais três dioceses (Pelotas, Santa Maria e Uruguaiana) e, no mesmo ano, a Província Eclesiástica de Porto Alegre. Essas e outras datas significativas da história da Igreja no RS serão destacadas pelo fórum.
Hoje, a Igreja no RS é formada por 17 dioceses, e, segundo o Anuário Católico do Brasil de 2005, por mais de 700 paróquias, 27 bispos (incluídos os eméritos), mais de 1.500 sacerdotes, 109 diáconos, 634 religiosos e 4.603 religiosas.
Em média, no Rio Grande do Sul há uma paróquia para cada 14,7 mil habitantes e um sacerdote para cada 6,6 mil habitantes. O Estado é um celeiro de vocações e milhares de sacerdotes, religiosos e religiosas atuam em outras regiões do país e no exterior.
Dom Dadeus preside a abertura do evento
A abertura oficial do fórum, no dia 28 de novembro, às 11 horas, será feita por dom Dadeus Grings, com a presença de todos os bispos do Estado, do governador Germano Rigotto, do prefeito de Porto Alegre e de outras autoridades. Também estarão presentes delegações de cada uma das 17 dioceses, reforçando o espírito do fórum como ação conjunta da Igreja Católica no RS.
A abertura do fórum, 10 meses antes da sua realização, tem o propósito de sensibilizar, motivar e mobilizar os gaúchos para que conheçam, colaborem e se integrem aos eventos preparativos e participem efetivamente desse histórico momento da Igreja no RS.
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio
O ser humano é o único em toda a Criação que se interroga sobre a morte. Esta constitui sua ameaça fundamental e o assusta porque é a ameaça do nada. Não fomos feitos para a morte, mas para a vida. Sentimos isto desde que nascemos e em nós vibra a pulsão de vida.
A fé cristã vai ensinar ao ser humano que isto que ele tanto teme não é o fim de tudo, mas a passagem para uma vida muito mais plena. Essa é, sem dúvida, a principal contribuição do Cristianismo para a questão da morte e do morrer, que continua assombrando o homem moderno, tal como o de todos os tempos: trazer uma mensagem de esperança profunda e luminosa sobre a morte e para além dela.
O processo de morte começa assim que nascemos. E atravessa toda a vida. Somos seres frágeis, ameaçados, vulneráveis e mortais. Por que esse desejo incontrolável, esse instinto de sobreviver, de recusar-se a morrer, de desejar viver?
A corporeidade do ser humano é o que o faz participar da história da natureza. O ser humano é corpo vivo, frágil, mortal. O homem é seu corpo. Por isso, o dualismo que despreza o corpo é tão daninho. Por sua corporeidade, o ser humano se comunica com o mundo. E luta pela vida, pela sobrevivência e pelo prolongamento da vida biológica. Por isso é maior que essa vida pela qual luta. Não é apenas a luta instintiva do animal, mas a vida inteligente, planejada, cultivada.
Para morrer, basta estar vivo. A morte biológica e sua inevitabilidade angustiam o homem por dentro. Porque por um lado, sabe que morrerá. Mas por outro, compreende e se sente destinado à vida, à comunhão com os outros. Sofre com isso, resiste. Algo dentro de si recusa-se a terminar, a acabar. Recusa-se igualmente a aceitar que a vida seja só isto, uma vez que o ser humano é tão diferente de todos os outros seres vivos que formam o mundo biológico. Nesta sua resistência a aceitar a morte, o ser humano muitas vezes tenta enganá-la e camuflá-la de qualquer maneira. E assim, não a olha de frente. O cristão, sim, é chamado a fazê-lo.
De acordo com a fé, a morte, apesar de sua carga de angústia e incerteza, é ruptura com um modo de existir conhecido existente e passagem para o desconhecido. Portanto, traz angústia e insegurança. É também, no entanto, passagem para uma novidade radical, sobre a qual ninguém voltou para informar-nos. Da mesma forma, ela nos torna passivos. Chega um momento em que temos que entregar-nos porque não temos mais forças para lutar. Sentimo-nos impotentes, humilhados.
Mas a mesma morte, de acordo com a fé cristã, também é luz e glória. Da humilhação máxima do Crucificado, Deus fez a máxima glória. Os que são incorporados a Cristo pelo Batismo participam dessa face gloriosa da passagem mortal. E daí decorre que a morte para nós - assim como a vida - tenha que ser um ato de entrega contínua e oblação total. A morte biológica será o selo dessa vida que vivemos. Se foi uma vida de abertura, entrega, serviço ao outro, a morte a selará como último ato de uma liberdade que sabe não se pertencer a si mesma, mas a seu Criador e seus irmãos.
No fundo, é a morte e a unicidade irrepetível da vida que dão seriedade e peso a todos os nossos atos e opções. Tudo tem peso de eternidade. Nada pode ser irresponsável, portanto. A vida é o lento amadurecer da morte. As escolhas que fazemos, por sua vez, fazem e farão nossa morte, lhe darão seu semblante definitivo. Morremos daquilo que escolhemos.
A compreensão cristã não vê a vida presente como um vale de lágrimas, mas como a vida eterna já começada, onde cada ato e cada opção têm peso definitivo e devem ser valorizados como tal. A morte é, então, passagem para uma maior plenitude de vida que não termina.
Por isso, no dia 2 de novembro, deveríamos celebrar nossa finitude que nos diz a verdade do que somos e a verdade de quem é nosso Deus. Ele é infinito, nós somos finitos. Somos convidados a celebrar a aceitação alegre dessa condição finita, sabendo que podemos ter toda a esperança do mundo, porque Deus nos mostra em seu Filho Jesus Cristo quem é e o que pretende fazer conosco: tomar-nos perto de Si, junto com Seu Filho. O destino de Jesus é o nosso. E a condição para isso é vivermos a vida como Jesus a viveu, uma pró-existência inteiramente voltada para o amor e o serviço ao outro.
Nesse sentido, no dia de Finados deveríamos fazer um trabalho de conscientização sério e celebrar muito profundamente todas as mortes prematuras e injustas que hoje fazem de nosso país um lugar de medo e luto. Ao lado das homenagens que o carinho deseja prestar aos entes queridos que se foram para perto de Deus, seria fértil, vivificante e consolador investir na vida que não murcha e não morre, feita de justiça, paz e alegria. Assim estaríamos investindo realmente na vida para nós, para nosso povo e para nossos jovens que estão sendo dizimados em quantidades assustadoras pela violência urbana que cresce no Brasil.
Celebrar a morte é celebrar um encontro, o encontro pelo qual ansiamos por toda a vida. Encontro com Deus, nosso Criador e Senhor. Mas também é celebrar os encontros diversos com aqueles que conhecemos e amamos e dos quais temos saudade.
Padre Zezinho
Nossa sociedade faz escolhas que acabam deixando as pessoas insensíveis
Um amigo meu, bastante filosófico nas suas colocações, quando fala da morte de alguém, ou da morte como tal, costuma usar a expressão: "aquela hora". Raramente usa o substantivo morte. Não gosta dele e não se sente bem pronunciando.
Paúras à parte, numa coisa ele tem razão. A morte não é eterna, ela tem duração. Pode ser dez minutos, um minuto, uma hora, cinco horas, alguns dias, mas ela é certamente mais curta que a vida.
Muitíssimo mais curta. É um túnel que nunca é maior do que a estrada. A estrada não começa nele e não acaba nele. Os túneis são o que são: passagens. Às vezes escuras, às vezes iluminadas, mas passagens.
Numa sociedade como a nossa - que escolheu tornar-se uma civilização de morte, e que aceita a morte dos outros com enorme naturalidade, sem emoção nenhuma e que todos os dias vê vidas sendo desperdiçadas do berço à velhice -, as pessoas acabam ficando insensíveis. Só dói a morte dos parentes ou a própria morte, a dos outros passa a ser um mero acidente, estatística.
Vale a pena a troco de nada num mundo como esse, refletir de vez em quando sobre a inexorabilidade da morte. Tudo o que nasceu vai morrer um dia. E não serve só para os seres humanos. A coisa mais certa depois do nascimento é a morte. Nasceu, vai morrer. Não há como fugir dessa realidade.
Se tem que ser, então é melhor vivermos uma vida tranqüila de quem sabe que um dia vai morrer, mas quando for não irá como suicida num carro em altíssima velocidade, ou depois da injeção de drogas ou venenos letais. Se o céu existe, e eu aposto nisso, o certo é chegar lá e poder dizer para Deus: - Eu sabia que vinha, não sabia quando, mas, fiz muito bem o meu vestibular.
Nos dias de hoje há muita gente fazendo o seu vestibular para a morte violenta. Pena que vestibular para a morte não seja o mesmo que vestibular para o céu.
Oremos para que Deus nos ilumine e nos ensine a viver como quem sabe que morrerá, e a morrer como quem soube viver direito. Nem todo mundo consegue.
Josefinos gaúchos têm novo provincial
Nomeação foi feita pelo Conselho Geral da congregação
O Conselho Geral dos Josefinos de Murialdo, com sede em Roma, nomeou o novo provincial e o Conselho da Província Brasileira do Imaculado Coração de Maria, para o triênio 2007-2009. Padre Raimundo Pauletti, 52 anos, é o novo superior provincial. Compõem o Conselho os padres Joacir Della Giustina (vice-provincial), Renato Fantin (administrador provincial), Carlos Wessler e Marcionei Miguel da Silva (conselheiros provinciais). Anúncio foi feito no dia 13 de outubro.
Padre Raimundo Pauletti nasceu no dia 11 de fevereiro de 1954, em Segredo, Ipê (RS). Foi ordenado sacerdote em 1985. Sempre se dedicou à educação. Atualmente, é diretor do Colégio Murialdo de Ana Rech, Caxias do Sul. Ele vai substituir o atual provincial, padre Geraldo Boniatti. O novo conselho provincial assume a coordenação da província no dia 1º de janeiro de 2007.
Os josefinos estão no Brasil desde 1915. A província brasileira tem cerca de 90 membros, distribuídos em oito Estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Bahia e Ceará) e no Distrito Federal. Atuam, de modo especial, na educação das crianças, adolescentes e jovens empobrecidos, conforme o carisma do fundador, São Leonardo Murialdo.
Em junho passado - de 2 a 25 -, a província brasileira acolheu o XXI Capítulo Geral da congregação, que foi realizado em Fazenda Souza, Caxias do Sul. Foi a primeira vez que o capítulo ocorreu fora da Itália, país de origem da congregação, fundada em 1873.
Scalabriniana emite os votos perpétuos
Irmã Cirlene Sasso, da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo - Scalabrinianas, assume a vida religiosa em definitivo no dia 4 de novembro de 2006. A cerimônia de profissão perpétua será realizada às 18 horas, na matriz da paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Nova Bassano (RS). Após a missa será servido jantar no salão paroquial. Cirlene é filha de Laurindo e Cirlei B. Sasso. Vai atuar na animação vocacional, na província Imaculada Conceição de Caxias do Sul.
Paróquia de Ipê festeja o padroeiro
São Luiz, rei da França, é o padroeiro principal da paróquia de Ipê (RS). A festa do padroeiro sempre foi feita no dia 12 de outubro, mas, neste ano, com a realização das missões populares (7 a 22 de outubro) e o segundo turno das eleições (29/10), as celebrações ocorrem no dia 12 de novembro, motivadas pelo lema "Somos todos discípulos e missionários de Jesus Cristo".
"Nos dias 9, 10 e 11 teremos a celebração solene do tríduo e no dia 12, missa festiva às 10h30, com a animação do coral Flor de Ipê", salienta o pároco, frei Germano Miorando. Nos dias 9 e 10, após o tríduo, haverá programação social no Salão Centenário e, no dia 12, ao meio-dia, almoço.
São Luiz, foi membro da Ordem Franciscana Secular (OFS). Pai exemplar, criou e educou ele mesmo 11 filhos. Participava diariamente da missa e levantava à noite para rezar. Cuidou da paz entre os povos e do bem-estar material e espiritual de seus súditos. Tinha atenção especial aos pobres e doentes e todos os dias dedicava algumas horas para ouvir as pessoas que tivessem alguma coisa para tratar com ele. Nasceu em 1214 e morreu em 1270.
Provincial dos missionários de Sales celebra jubileu
O provincial da congregação dos Missionários de São Francisco de Sales no Brasil, padre Lindsay Francis Hendricks, comemorou recentemente 25 anos de sacerdócio. Uma celebração, que contou com a presença do bispo de Caçador, dom Luiz Carlos Eccel, de padre José Chappuis, um dos pioneiros religiosos em Caçador, e de diversos sacerdotes, religiosos e amigos, marcou a data festiva.
Padre Lindsay nasceu na Índia em 1952, foi ordenado sacerdote no seu país em 1981 e está no Brasil há 18 anos. A província do Brasil tem sua sede em Caçador e a congregação marcou profundamente a fé católica do povo da região, que deu muitas vocações aos missionários de São Francisco de Sales. Padre Chappuis, 87 anos, suíço de nascimento, foi um dos padres que mais se empenharam na fundação e organização da diocese de Caçador.
Aldo Colombo
A morte nos coloca frente a frente com Deus. Partindo dessa certeza, a morte é o instante mais precioso e privilegiado da vida
Empresária próspera e bem relacionada teve uma surpresa ao completar 52 anos de idade. A partir de pequenos sintomas, o médico chegou à conclusão que se tratava de câncer. Mulher prática e decidida, ela quis saber quanto tempo ainda tinha de vida. O médico foi reticente: alguns meses, não mais que cinco. Embora tenha ficado surpreendida, não mostrou sinais de abatimento. E começou, no dia seguinte, a dispor de suas coisas com método e tranqüilidade.
As principais tarefas foram combinadas com seu advogado, mais que advogado, um amigo de longa data. Com ele combinou o destino de suas empresas, cada detalhe de seu testamento e deixou decidido cada passo de seu sepultamento, não esquecendo as flores preferidas. No final, a empresária avisou: tem mais uma coisa. Era um detalhe que exigia fosse cumprido com perfeição: quero ser enterrada com um garfo na minha mão. Diante da surpresa e espanto do advogado, ela explicou o significado.
Quando criança, de tempos em tempos visitava a avó. E quando o jantar estava terminando, a avó cochichava-lhe no ouvido: mantenha seu garfo. Era o momento mágico da janta, pois a menina sabia que vinha uma surpresa: bolo de chocolate, torta de morango, enfim sobremesas inimagináveis e quase nunca repetidas. E concluiu seu pedido, explicando: quero que no dia de minha morte as pessoas digam: ela mantém seu garfo porque o melhor ainda está por vir.
O problema da morte está sempre presente na vida das pessoas. E com o passar do tempo, cada vez mais presente. Naturalmente, são muitas as visões da morte. Temida, aceita, por vezes desejada, muito tem a ver com a fé. A primeira visão da morte é negativa. Não se trata de perder aquilo que temos, mas também aquilo que somos. É a última de todas as batalhas e temos consciência: seremos derrotados. Mas a fé tem o privilégio de mostrar outra visão da morte.
Francisco de Assis falava da Irmã Morte, a irmã mais velha que nos coloca nos braços do Pai. Passamos a vida tentando ver a face de Deus. A morte nos colocará frente a frente com Deus. E partindo dessa certeza, a morte é o instante mais precioso e privilegiado da vida.
Esta é a visão do apóstolo Paulo, que ainda em vida teve o privilégio de conhecer o outro lado. Ele resumiu sua espantosa aventura: os olhos jamais viram, os ouvidos jamais ouviram, o coração jamais experimentou o que Deus reserva aos seus. Significa que o cristão precisa sonhar com as surpresas de Deus.
Na vida temos momentos de céu. Mas são momentos incompletos e sempre com a certeza de que são provisórios. Tudo o que nos marca positivamente em vida, todos os nossos desejos, todas as nossas aspirações, todo o nosso potencial serão conseguidos um dia. O céu será a plenitude de nossos desejos. No dizer de Santo Agostinho, o sábado eterno e sem sombras. Portanto, nada de fim de festa: mantenha o seu garfo!
Mundo do trabalho requer mudanças
Preparativos para a Romaria do Trabalhador envolvem dioceses
O Regional Sul 3 da CNBB, a Pastoral Operária e a diocese de Cruz Alta estão intensificando os preparativos para a 11ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora. O evento será realizado no dia 1º de maio de 2007, na cidade de Cruz Alta, com o tema "Trabalho e educação para uma nova sociedade" e o lema "A vida gerada e cuidada pela mão de Deus e do trabalhador e da trabalhadora".
Conforme a coordenadora estadual da Pastoral Operária, Clarice Dal Médico, as entidades estão trabalhando para que a romaria se constitua num momento celebrativo com um conteúdo teológico, bíblico e social. O tema da 11ª Romaria confronta os cidadãos brasileiros com sérios problemas. Trabalho até que tem para todos, mas emprego não. Muitas indústrias deixam de empregar pessoas pelos altos custos indiretos.
Além disso, há uma dura realidade que exige mudanças no mundo do trabalho. "É inadmissível continuarmos com 54 milhões de pessoas sobrevivendo abaixo da linha de pobreza, com menos de R$ 3,00 por dia. Afinal, submeter o nosso povo a essa condição miserável é o mesmo que condená-lo a uma escravidão não declarada", afirma Manoel Rodrigues Júnior, coordenador nacional da Pastoral Operária.
Manoel Rodrigues também destaca que, por outro lado, é necessário investir na educação, uma das condições básicas para que o povo brasileiro possa deixar de ser massa de manobra das classes dominantes e passe a ser sujeito do próprio destino. Também é preciso construir uma nova cultura de trabalho, que elimine todas as formas de corrida ambiciosa pelo lucro a qualquer preço e para que o trabalho possa ser fonte de realização da pessoa.
Desigual - O passo inicial para a 11ª Romaria do Trabalhador foi dado em julho, na paróquia de Fátima, de Cruz Alta, com a realização do Fórum Estadual. O evento reuniu mais de 150 lideranças de todo Estado. O fórum foi assessorado pelo padre jesuíta Bernardo Lestienne, que fez uma avaliação da atual realidade do trabalho no país. "A situação geral é humana e moralmente chocante e inaceitável. O Brasil não é pobre, mas desigual e injusto", disse padre Bernardo. Mas destacou que há uma "revolução silenciosa" em marcha, que afeta não só a organização da sociedade, mas também a representação que se tem dela. Há experiências ricas, criativas e corajosas de revalorização do trabalho. "É um processo esperançoso, mas ainda falta muito para fazer".
A Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora é um dos projetos comuns de todas as dioceses gaúchas. É realizada a cada dois anos. A última romaria ocorreu no dia 1º de maio de 2005, nos pavilhões da Festa da Uva, em Caxias do Sul.
Padre Mário celebra jubileu de ouro
A comunidade São Francisco de Assis de Linha Gramado, paróquia da Salette do bairro Três Vendas de Erechim (RS), viveu um momento solene no domingo 15 de outubro ao celebrar os 50 anos de vida sacerdotal do missionário saletino padre Mário Prigol. Houve missa de ação de graças às 9 horas, com a presença de familiares, amigos, sacerdotes, religiosos e membros da congregação saletina.
Padre Mário nasceu no dia 12 de novembro de 1928 na Linha Gramado. Seus pais, Ângelo e Dorothea Menegatti Prigol, eram naturais de Nova Pádua (RS). Dos nove filhos do casal, um é padre e três são religiosas da congregação das Marcelinas. Foi ordenado sacerdote em Roma no dia 28 de outubro de 1956.
Como sacerdote, trabalhou na paróquia Nossa Senhora da Salette, em São Paulo, integrou a equipe missionária dos saletinos do Rio de Janeiro e atuou como assistente da Juventude Operária Católica. De 1967 a 1974 esteve a serviço de jovens e adultos presos políticos e em 1970 ele também chegou a ser preso, acusado de subversão. De 1988 a 1996 foi assistente da Ação Católica Operária (ACO) em toda a América Latina e Central. Lançou um livro que relata as ações dos movimentos da ACO e outros, promovidos pela Igreja.
Romaria mobiliza vicariato de Guaíba
O vicariato de Guaíba promove, no dia 28 de outubro, a 12ª Romaria das Capelinhas. A atividade reúne fiéis das 20 paróquias de 21 municípios. O vigário episcopal, dom Jacinto Flach, disse que esse é o principal momento de encontro das comunidades do vicariato, que se prepara para ser futura diocese. O ato religioso integra o calendário de eventos do Estado. A caminhada inicia às 15 horas, nas vilas São Jorge, Santa Rita e São Francisco. A concentração diante da prefeitura está prevista para as 17 horas. Segue missa e bênção dos romeiros no ginásio Coelhão.
Encontro de oração e espiritualidade em Ijuí
O grupo de oração Jesus e Maria da Renovação Carismática Católica da paróquia Nossa Senhora da Natividade de Ijuí (RS) realiza, no dia 5 de novembro, a segunda edição do encontro Vinde e Vede. Evento será realizado no ginásio do Colégio Sagrado Coração de Jesus. Durante o dia, haverá momentos de pregação, oração, espiritualidade e o encerramento com missa.
Wilson João
Deus é o artista perfeito que jamais cometerá a loucura de rasgar e destruir sua obra
Gostamos demais de sair da realidade. Fugir da realidade. Cair fora das responsabilidades. Para isso a humanidade - e nós somos essa humanidade - criamos outros mundos que sonhamos viver uma vida perfeita. Criamos o mundo "das almas, dos ETs, da outra vida, dos espíritos desencarnados, mundos de outras dimensões..." Atribuímos o poder de criar esse mundo novo a Deus, aos santos, aos espíritos, e ficamos imaginando que este "vale de lágrimas" vai acabar com o fato da morte. Porém, escutando o coração com seus sonhos e desejos, escutando a vida que nos enche de fé e esperança, observando o universo, a terra e todas as realidades, começamos a concluir que é impossível existir um "outro mundo", e que o céu é aqui mesmo.
O CÉU É AQUI, neste universo com bilhões de galáxias, estrelas e todo tipo de astros, que em vida não conseguimos conhecer e contemplar sua beleza. Estar aqui e estar ao mesmo tempo em todas as estrelas, numa liberdade total, é um céu que sonhamos desde agora.
O CÉU É AQUI, fazendo desta terra o jardim do sonho de Deus. Árvores de todos os tipos, frutas de todos os sabores, flores de todas as cores, água de fontes límpidas. Tudo em sintonia, tudo em fraternidade. Sentindo os passos de Deus, entre as árvores do jardim, como Adão e Eva sentiram. É o céu que Francisco de Assis criou, fazendo de todas as realidades irmãos e irmãs.
O CÉU É AQUI, num mundo e numa humanidade que criam um relacionamento perfeito entre todos os seres, entre todas as pessoas que existiram, desde a primeira criatura humana até a última. Relações perfeitas, que criam um clima de amor e amizade, onde nada é estranho entre todas as pessoas. Tudo em todos.
O CÉU É AQUI, numa situação e num ambiente de relação plena, onde não existe nem o tempo e nem o espaço. Tudo é aqui e agora. Tudo sem limitações, sem corpo que impede a comunicação e sem distâncias que fazem contar as horas, os dias e os anos. O dia e a noite serão um só, e a noite será clara como dia.
O CÉU É AQUI, onde o universo será uma música sem barulhos e sem gritarias. Música cheia de comunicação e paz. Música, onde cada ser terá seu instrumento e o fará vibrar no ritmo do amor e da harmonia. Música iluminada por um mundo de luz e de cores.
O CÉU É AQUI. Não haverá outros mundos. Será este mundo feito com o amor e a bondade de Deus. Deus é o artista perfeito que jamais cometerá a loucura de rasgar e destruir sua obra. Esta obra será perfeita, sem a maldade humana. Este mundo é a casa de Deus e a nossa casa. É a morada de nosso sonho de eternidade. Tudo glorificado. Tudo transformado. Tudo com a presença do Cristo ressuscitado.
O CÉU TAMBÉM É AQUI para quem é esperto, e desde agora vai construindo seu céu. Vai crescendo e se realizando na direção da vida e do amor.
HISTÓRIA DO VOTO
Brasileiro votou pela primeira vez há 474 anos. Desde então, muita coisa mudou
A história do voto no Brasil começou 32 anos após Cabral ter desembarcado no país. Foi em 23 de janeiro de 1532 que os moradores da primeira vila fundada na colônia portuguesa - São Vicente, em São Paulo - foram às urnas para eleger o Conselho Municipal. Somente em 1821 as pessoas deixaram de votar apenas em âmbito municipal, elegendo 72 representantes junto à corte portuguesa.
Com a independência do Brasil, foi elaborada a primeira legislação eleitoral brasileira. Essa lei seria utilizada na eleição da Assembléia Geral Constituinte de 1824. Nessa época, podiam votar apenas homens maiores de 25 anos. Mesmo depois da Proclamação da República, em 1889, o voto ainda não era direito de todos. Menores de 21 anos, mulheres, analfabetos, mendigos, soldados rasos, indígenas e integrantes do clero estavam impedidos de votar.
Em 1932, as mulheres conquistaram o direito ao voto. Foi também no início da década de 30 que o voto passou a ser secreto. O voto também passou a ser um direito aos maiores de 18 anos. Mas esses avanços duraram pouco. No final de 1937, após o golpe militar, Getúlio Vargas instituiu o Estado Novo, uma ditadura que se prolongou até 1945. Durante oito anos, o brasileiro não foi às urnas.
Depois da Segunda Guerra Mundial, era grande a pressão pela volta à democracia, o que levou Getúlio Vargas a permitir a reorganização partidária e a convocar eleições. Em dezembro de 1945, o general Dutra foi eleito com 54,2% dos votos. Foram utilizadas cédulas eleitorais impressas com o nome de apenas um candidato, que eram distribuídas pelos próprios partidos. Somente em 1955, a Justiça Eleitoral encarregou-se de produzir as cédulas. Para diminuir as fraudes, começou a ser exigida a foto no título eleitoral.
Em 1968, o bipartidarismo foi adotado no país, ou seja, sobraram apenas dois partidos: Arena e MDB. Em 1972, foram restauradas as eleições diretas para senador e prefeito, exceto para as capitais. Seis anos depois, foi abolido o bipartidarismo.
Década de 80, "Diretas já"
Nos anos 80, novos partidos são fundados e voltam as eleições diretas para governador. A década foi marcada pelo movimento das "diretas já". Milhares de pessoas foram às ruas exigir a volta das eleições diretas para presidente, mas a proposta foi rejeitada.
Em 1985, o primeiro presidente civil após o Golpe de 64 foi eleito de forma indireta: Tancredo Neves. Sua escolha marcou o fim do regime militar. Porém, Tancredo morreu logo após sua eleição e a presidência foi ocupada pelo vice, José Sarney.
Ainda em 1985, foram restabelecidas as eleições diretas para a presidência e para as prefeituras das cidades consideradas como área de segurança nacional pelo regime militar. Também foi concedido direito de voto aos maiores de 16 anos e aos analfabetos.
Urna brasileira é modelo no mundo
A década de 90 trouxe outra novidade na história do voto no Brasil: as urnas eletrônicas. Em 1996, elas foram utilizadas pela primeira vez nas eleições municipais e, em 2000, foram introduzidas em todo o país.
O sistema eletrônico de votação brasileiro é modelo para outros países. A urna eletrônica oferece ao eleitor um processo simples e ágil de votação. É considerada segura contra fraudes. Além disso, permite rápida apuração dos resultados, é leve, compacta, de fácil transporte e suporta bem longos períodos de armazenamento.
A origem das palavras
Deputado: do latim purus; significa puro, depurado, sereno, simples.
Senador: de senescere; ser velho, envelhecer. Era costume entre os romanos escolher os senadores entre os mais idosos, supostamente com mais experiência no processo de governar o país.
Presidente: do latim praesidere. Prae significa diante de, e sedere, assentar-se. Então, presidente é aquele que "assenta-se diante de", ou seja, que comanda.
Governador: do latim gubernare; quer dizer piloto, patrão, gerente, administrador.
Prefeito: do latim praefectus. Prae, como já descrito, significa diante de. Fectus quer dizer feito, realizado. Assim, prefeito é uma pessoa colocada à frente de um grupo, para reger.
Vereador: do latim vereor, entendido como respeitar, acatar, estar cuidadoso.
Colaboração de Ir. Demétrio André - PUCRS
O italiano que está em você
Francieli Sgarbossa
Porto Alegre – RS
Francieli, 24 anos, nasceu em Ibiraiaras e há cinco anos mora em Porto Alegre. Formanda em veterinária pela ULBRA, assim se retrata italiana:
"Não saem de minha memória as sonhadas e esperadas férias a partir de meus dois anos na casa do nono Victorio Lazzari. Arrumava uma enorme mala para a viagem de uma semana, a quatro quilômetros de casa. Ao me ver, o nono perguntava: "Quanti giorni rèstito qua?" Uma semana, respondia. "Nò, nò, stà qua un mese che te me giuti tea feraria", retrucava ele.
Fosse por mim, ficava toda vida com o nono. Eu era sua neta preferida. Ele brincava comigo, e eu ajudava nos afazeres. Adorava sua casa grande, de madeira. Dormia num quarto com colchão de palha, embaixo da cama, um pinico. Adormecia contemplando, na parede, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que brilhava no escuro, em paradisíaca visão.
De manhã, levantávamos para trabalhar. O nono, antes de levantar, rezava o terço em talian, em voz alta, consagrando o dia. Depois que a tia Albani Lazzari acendia o fogão a lenha, ia com ela tirar leite. Às 8 horas, todos à mesa para o típico café: pão de forno, marmelada, salame, queijo, nata, manteiga, cróstoli, café com leite em tigela de meio litro..., retornando ao trabalho até o meio-dia. Eu acompanhava o nono na ferraria e moinho, tocados a roda d’agua, onde fabricava farinha e instrumentos: facas, facões, enxadas, foices, machados, martelos e, óbvio, os implementos de meu carrinho de lomba. Ele era um artista no ser e no fazer.
A merenda da tarde do nono era pão, salame e vinho. No fim do dia, depois de buscar lenha, ajudava à tia ordenhar as três vacas e, depois de nos lavarmos na gamela de madeira feita pelo nono, começávamos o tradicional preparo da polenta nova em panela de ferro gusa: misturar água e farinha, destorroar, bater uma hora com auxílio de todos, já em casa, virá-la num tabuleiro (panaro), deixar firmar para depois cortar a fio de linha número 16 e servir.
O porão, com suas caixas de madeira com livros, objetos e brinquedos, era meu mundo encantado. Com a tia Albani, visitava as vizinhas e, no domingo, íamos à capela, quando ganhava do nono uma rapadura e balas de seus bolsos recheados.
Um dia, de manhã, o nono não estava bem. Fui levar-lhe o remédio no quarto. Desastre! Ao lho alcançar, o comprimido caiu no já lotado pinico. Vendo meu embaraço, o nono disse: "Va, va, ciàpeghene nantro, no ocor svodar el bocal par catarlo fora." Foi um alívio.
Nono Vitório é falecido. Não moro nem passo férias em sua casa. Tenho outras responsabilidades. Conheci outros lugares e pessoas, mas minha casa e a do nono continuam o melhor lugar do mundo. Foi meu mundo italiano: colônia, casa, família, trabalho, refeições, festas e orações marcaram minha vida que percebo como singularmente minha. Como filha, neta e bisneta de italianos, colho flores de aboboreira para fritar, festejo a primeira espiga de milho, a primeira polenta, o primeiro vinho e tudo o que nossa mais que centenária mesa conserva de vida e cultura italianas.
O destino me colocou como funcionária de frei Rovílio Costa, que me abriu as portas à italianidade. Ao retornar do estudo, cansada, e o vejo, ancião e pacífico, batendo a polenta para o jantar, com salame, queijo e vinho, fortaia... recordo, nele, meus pais, especialmente o nono Victorio, e me visto da minha história. Sentia-me estranha, como italiana, em cidade grande, mas agora admiro e sou admirada por ser italiana." (e-mail sgarlazfranci@yahoo.com.br; fone (51) 33361166 - Porto Alegre - RS)
Obrigado, Francieli, recorde sempre que Deus nos fez italianos para alegrar o mundo. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (383)
Scomìssia la stòria de Novo Treviso
Silvino Santin
Santa Maria - RS
Come zera de maginàrsela, el filò l’è stà longo. Fin massa longo. Ma anca con quei grùstoli, che i s-ciochea soto i denti, e bei biceroti de vin, chi che podea pensar de ndar a leto! E le ciàcole le tirea longo e da par tuto. Quante novità par Nanetto! No l’era bon de maginarse come che’l mondo el ze grando, e l’Itàlia la gera sempre distante.
Genarino romai el gera su i sessanta e pochi ani, el ghin savea tante sora Novo Treviso che’l podea seguitar contar stòrie fin el spontar del sol, sensa finirle. Lu l’era nassesto lì e poche olte l’era ndà fora.
- Ma diman matina bonora bisogna scomissiar laorar, el dise Giulieto. Questa no la ze mia la última note. Tuti i giorni i ga la so note, lora diman, dopo diman podemo continuar far filò, fin che volemo e gavemo stòrie nove o vece.
Tuti ndai d’acordo. E così i ze ndai dormir.
Quando Nanetto l’è saltà fora del leto, el ze ndà suito fora par veder el paeseto de di, el se ga spaurà quando el ga visto na meda dùsia de case, na cesona e un cason grando sbandonà. No’l volea gnanca creder che Novo Treviso el fusse ridoto a quei passi. Giulieto el ghe gavea dito che l’era un posto dei pi importanti dela Quarta Colònia.
Genarino el ghe vien drio col cafè negro e la graspa par scomissiar ben la giornada.
- Ma no ocorea tanto lusso, cossita ben servio me toca diventar un sior capitalista sensa voler.
- Questo no l’è un lusso, ma un bel costume che go imparà coi furlani. Te sè, na cichereta de cafè, batesada co la graspa, la mantien el spìrito atento e el corpo forte tuto el giorno.
- Eco, lora, gavì catà un compagno par tuta la vita. Questa son sicuro no la broa mia el palasso come el simaron.
- E, lora, cossa dìsito, Nanetto, ti che te vien de quelaltre colònie taliane, de quel che te sì drio vardar?
- Ma, Genarino, savì, no sò se go da dìrverlo, par esser fianco mi spetea un paeseto pi grandeto e con pi vita. No vui ofénderve, ma come me gavì dimandà, me dispiase, ma me toca dìrvelo che’l me par un posto drio morir dela tìsica.
- Te ghè rason, Nanetto, no te me ofendi mia, mi quando vardo de doménega la piassa voda, la cesa sarada, me vien le làgreme sol de recordarme quando la restea piena de gente che vegnea a messa, chi a pié, chi a caval, chi de careta. E desso, te vedi, le case vode. La colònia anca la se ga svodà, squasi tuti i ze ndai via, chi in paese, chi su par le colònie nove. I dóvani i vol studiar par ver na vita meio. Restemo nantri, i vecioti. E po, par finirla, no ghemo pi gnanca el prete. El ùltimo el ze morto no fa tanto, e no ghinè pi vegnesto star qua tel so posto.
- Si si, gavì rason, el dise Nanetto, ze pròprio un pecà veder sti bei posti con poca vita.
- Ma no giova gnente lamentarse, el revien Genarino. Bisogna viver, e lora, adesso ndemo far colassion che Giulieto, el me ga dito, che’l vol scomissiar el so laoro suito. E qua, son sicuro, el ga tanto da far. Go idea che restì na stimana, lora gavaremo tempo par contàrsele.
Suito ndai rento, Giulieto, romai l’era sentà a tola, sol par inticar Nanetto el ghe dimanda: - e lora, gheto scomissià farghe scola a Genarino?
- Ghe volaria ncora quela, el ghe risponde sensa disturbarse. Mi son vegnesto qua par imparar, nò par insegnar. El ze lu che’l me contarà la stòria de Novo Treviso, che par quel che’l me ga dito la ze longa. E anca ti, el me ga dito, te gavarè tanto da far se te vol far un bon laoro par la to università.
- Ma cossa vuto saver ti de laoro ben fato?
- Come nò! Se te vol, te spiego. Quando mi vao sapar, par far un laoro ben fato bisogna cavar su tute le erbe, rente i pié de mìlio o dei fasoi, bisogna sbassarse zo e cavarle co le man. Bisogna star atenti coi oci verti e no ver tanta prèssia. Eco, me par che le stesse règole le pol servirte anca a ti, anca se’l laoro el ze ben difarente. Me gheto capio?
Si, si, te go capio, son drio veder che te diventarè maestro del bon. Intanto fèrmete de parlar, fa la to colassion, che mi romai son drio finir e dopo te me giuti portar i me afari fin là in tela canónica, che vui scomissiar pal museo del Prete Cargnin.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
OCCUPAZIONE ITALIANA DEL VENETO
Demetrio Serraglia
Ufficio Storico del Veneto Serenissimo Governo, Cassola, Veneto, Itália
Ottobre 1866, questo mese è ricco di significati per la storia del Popolo Veneto, ma è ancor più ricco di valore per l’oggi della nostra terra. 140 anni sono passati da quel fatidico mese: infatti è da 140 anni che la terra Veneta è occupata dall’invasore italiano, e quest’occupazione è avvenuta al di fuori dal diritto internazionale e dai patti sottoscritti attraverso un referendum/plebiscito truffa. Di questo referendum non occorre dire molto, i soli risultati dimostrano l’inganno e la violenza perpetrata nei confronti dei Veneti tutti: 641.758 Si, 69 No, 273 Nulli. I soli 69 voti contrari all’Italia dimostrano in tutta la sua essenza la truffa, che poi le infauste cronache di quei giorni ci rendono ancor più chiara: ricordiamoci che in tutti i campi di battaglia i Veneti, nel 1866, si sono distinti per l’ardore con cui si sono opposti all’invasione italiana, e ricordiamo a tutti che l’Italia nel 1866 non ha mai vinto una battaglia (anche la presunta "vittoria" di Garibaldi a Bezzecca e il suo "Obbedisco!" sono tutti da dimostrare). I libri di scuola dicono altro, ma cosa ci possiamo aspettare? Che chi ha truffato e continua a truffare in ogni modo i Popoli italiani possa ammettere che tutta la storia italiana è da riscrivere, e che la prezzolata "intellighenzia" italiota dalla cosiddetta unità d’Italia ad oggi non ha fatto altro che del negazionismo?
Quindi la conclusione è ovvia: nel 1866 in Veneto è stato perpetrato un crimine da parte dell’Italia contro la Popolazione Veneta e il suo diritto all’autodeterminazione. Ora è giunto il tempo per i Veneti di riprendere in mano il proprio destino di Nazione Storica d’Europa, il Veneto deve far sentire la propria voce nel consesso internazionale per far sì che il diritto all’autodeterminazione venga sancito anche in Veneto. 140 anni di violazione dei trattati internazionali da parte dell’Italia sono troppi, ora è necessario che l’ONU adotti una risoluzione che sancisca il diritto dei Veneti all’autodeterminazione tramite libero referendum con garanzie internazionali certe; ciò è necessario altrimenti il dubbio che nelle organizzazioni internazionali esistano popoli di serie A e popoli di serie B diventerà certezza.
La storia recente e la cronaca internazionale di questi giorni stanno a dimostrare come i Popoli si sono risvegliati dal torpore portato dagli Stati Nazionali nel XIX secolo, e come la questione dell’autodeterminazione dei Popoli sia tornata all’ordine del giorno. Una seria e lucida analisi ci fa capire che il diritto al libero arbitrio di ogni Popolo e l’avere confini stabili e sicuri è la via che appianerà i conflitti tra le varie etnie e nazioni. Gli esempi più recenti (Balcani, Afghanistan, Irak, e vari stati africani) sono lì a dimostrare come la mania di voler creare a tutti i costi Stati che non hanno omogeneità di storia, cultura e tradizioni porta inevitabilmente ad attriti che se non sanati scoppiano.
L’identità di un Popolo o di una Nazione con 1100 anni di storia, come lo è la Veneta Serenissima Repubblica e i sui Popoli, è come una pianta: anche se viene tagliata le radici che rimangono sono così forti, profonde e difficili da estirpare, che se tolte causano una frana di proporzioni inimmaginabili.
Il diritto alla libertà non viene cancellato con un colpo di spugna come vuole farci credere lo Stato occupante Italiano, il 21 ottobre (anniversario del referendum farsa) deve essere il giorno in cui i veneti iniziano a riappropriarsi della propria identità di Nazione storica d’Europa. L’Italia è uno Stato fantoccio che sta crollando sotto l’immenso peso delle sue contradizioni, tutti i Popoli della Penisola non devono rimanere a guardare ma devono far crollare questa "Nazione" che ha portato solo tragedie e lutti di proporzioni inimmaginabili.
L’ultimo dei più beceri colonialismi, lo straccioimperialismo italiano, deve terminare e i Veneti come tutti gli altri Popoli sotto il giogo italiano devono ritornare padroni del proprio destino. Il diritto all’autodeterminazione e alla resistenza è l’ossigeno dei Popoli, lo Stato italiano con le sue scellerate scelte (politica economica, politica estera, giustizia, alleanze, scelte in campo morale, ecc.) sta mettendo a rischio la sicurezza del Popolo Veneto.
Per questo noi del Veneto Serenissimo Governo abbiamo indetto una raccolta di firme per rifare il Referendum che aggregò il Veneto all’Italia, avente questo testo: "Noi, Popolo Veneto, chiediamo che il referendum del 21 ottobre 1866, avente come oggetto l’unione o meno del Veneto all’Italia, venga rifatto, in quanto il medesimo non si è svolto secondo gli accordi internazionali bensì in violazione anche delle più elementari regole democratiche. Inoltre, chiediamo che, sotto la supervisione dell’ONU, i Rappresentanti di Francia, Austria, Italia e del Veneto Serenissimo Governo istituiscano un tavolo di trattative per stabilire le modalità e le regole d’indizione del nuovo referendum."
Il rifacimento del Referendum del 1866 è l’ultima possibilità che il Veneto dà all’Italia per sanare quella violazione del diritto internazionale che ormai da 140 anni si perpetua.
Fenavindima tem sua corte
Flores da Cunha realize festa na colheita da uva
Para comemorar os 40 anos da Festa Nacional da Vindima (Fenavindima), Flores da Cunha (RS) já escolheu suas soberanas. Entre as 13 candidatas, Fabiane Veadrigo foi escolhida rainha, e Nicole Toigo Montanari e Fernanda Longhi foram eleitas as princesas do maior evento do município.
A primeira tarefa da corte é divulgar a programação da festa, que deve estar concluída na próxima semana, de acordo com a secretária municipal de Turismo, Rovana Salvador. "A Fenavindima terá um conceito de festa. Vamos celebrar a colheita da uva com a comunidade", afirma ao CR.
Com o tema "Nossa vindima, nossa história", a XI Fenavindima será realizada de 23 de fevereiro a 18 de março de 2007, em Flores da Cunha. "Nossa expectativa é de receber um público em torno de 200 mil pessoas, incluindo os que assistirão os desfiles dos carros alegóricos e os que irão visitar os pavilhões de exposições", adianta o presidente do evento, Eusébio De Bastiani.
Feira homenageia Clemente Pozenato
"Hospitalidade do povo serrano: cidadania e humanização" é o tema da 11ª Feira do Livro e da 2ª Mostra Artístico-Cultural de São Francisco de Paula (RS), que ocorre de 25 a 28 de outubro. O autor de "O Quatrilho" e de outros 29 livros, José Clemente Pozenato, natural do município, é o patrono do evento.
A programação inclui exposições de trabalhos produzidos por artistas locais, além de exposição de fotos, oficina de brinquedos e espaço lúdico com brinquedoteca e cantinho do artesanato. Outras atrações são peças de teatro e palestras.
Vila Flores promove Rainha da 3ª Idade
Vila Flores, na Serra gaúcha, estará sediando no próximo dia 4 de novembro o encontro e eleição da Rainha Regional da 3ª Idade. Para tanto, a Secretaria Municipal de Assistência Social convidou os 43 municípios integrantes da Amesne para que prestigiem a promoção.
O encontro será realizado no Ginásio Municipal de Esportes, com início às 14h e terá animação do grupo Rastro do Vento. O ingresso será de R$ 4,00. Atualmente Evori Fiori, representante de Vila Flores, é a Rainha Regional.