LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.012 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 01 de novembro de 2006.

 

EDITORIAL

Não se pode brincar com a esperança de uma nação

Precisamos voltar a crescer para manter a soberania. O risco Brasil passa também pela ética, pela educação e saúde

 

O Brasil, através de expressiva maioria – 58 milhões de votos, 60,8% dos válidos – confiou um segundo mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É preciso, agora, ultrapassar a simples contabilidade eleitoral e partir para a realização dos anseios e necessidades do povo brasileiro. Isto supõe uma reflexão aprofundada, tendo em vista a pouca consistência da campanha eleitoral, a pior dos últimos tempos. Em vez de projetos de governo, os debates concentraram-se em mútuas acusações. De resto, os programas partidários podem ser arquivados, pois se constituem em pura retórica.

O povo brasileiro está cansado de decepções. "O Brasil está corroído pelos escândalos" afirma o Presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo. Isto significa que o presidente reeleito precisa escolher melhor sua equipe, para evitar, depois, as surradas desculpas de que não sabia e mandou investigar. Não basta uma ética social, é necessária também uma ética individual. Não basta investigar os escândalos, é preciso punir os culpados. O compromisso ético precisa ser prioridade dos próximos quatro anos. Lula será cobrado por eventuais alianças espúrias.

Existem outros pontos críticos. O risco Brasil não vale apenas para a confiabilidade econômica. Ele passa pelo binômio educação e saúde. E isto supõe um crescimento maior da economia. Não será uma taxa anual de 3% de crescimento que vai gerar os empregos necessários. Mais do que cestas básicas, que só podem ter caráter emergencial, os pobres precisam ter o direito de trabalhar e ganhar o pão com o suor do seu rosto.

Também deve figurar como prioridade a solução da impagável dívida externa. O superávit primário, apresentado como trunfo, retira recursos da população brasileira em favor do capital internacional. A taxa de juros, a situação dos aposentados e a injusta carga tributária devem figurar também nas preocupações do presidente. Mais que um presidente, precisamos de um estadista, aquele que governa para todos e sabe antecipar-se ao momento.

As esperanças de um país não podem – de novo – ser jogadas na lata de lixo das decepções. Vale a velha afirmação do general Osório: O Brasil espera que cada um cumpra seu dever. A começar pelo presidente reeleito.

 

CAXIAS DO SUL

As apostas na convivência familiar

Proposta visa assistir crianças em situação de risco social

 

Famílias Acolhedoras é o nome do novo programa da Fundação da Assistência Social (FAS). A iniciativa visa atender crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. O programa zela pelo direito à convivência familiar e comunitária dos jovens que necessitam de um espaço provisório de proteção.

Maria de Lurdes Fontana Grison, presidente da FAS, esclarece que não se trata de uma casa criada para acolher crianças e adolescentes sob a responsabilidade de uma família, que se desloca para assumir esta função. Ao contrário, a criança é inserida em um ambiente familiar já existente, enquanto aguarda o retorno à família de origem ou que seja adotada. "A família que acolhe continua no seu espaço, com sua vida cotidiana normal", afirma Maria de Lurdes ao Correio Riograndense. "O programa também é uma alternativa à falta de vagas nos abrigos da cidade e às emergências noturnas e de finais de semana do Conselho Tutelar", completa.

Enquanto a criança permanece com os acolhedores, a família de origem recebe orientações e acompanhamento psicológico da equipe do programa. O objetivo final é que a criança possa voltar a conviver com sua família de origem.

As pessoas interessadas em acolher os jovens já podem se inscrever na sede do programa (rua Marechal Floriano, 1536 – 1º andar). Elas serão avaliadas por uma equipe técnica (psicóloga, assistente social e coordenadora) por meio de entrevista.

Além disso, os interessados em acolher crianças devem atender alguns requisitos: ser maior de 21 anos, não estar cadastrado na lista de adoção, residir em Caxias do Sul. Também é necessário que toda a família concorde em acolher as crianças ou adolescentes. O programa é um parceria entre a Fundação de Assistência Social e a ONG Associação Jesus Senhor, Sociedade Educação e Caridade.

 

Simecs distingue empresários com Mérito Gigia Bandera

 

Este ano, os três agraciados na 15ª edição do Mérito Metalúrgico Gigia Bandera são: José Fiorindo Angeli, membro do conselho de administração da Agrale; Ruben Antonio Bisi, diretor de operações internacionais da Marcopolo; e Sergio Pilati, fundador e diretor da Pilati Móveis, de São Marcos. A distinção é uma homenagem do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) aos empresários que se destacam em seu segmento.

A escolha dos ganhadores do Mérito ocorre anualmente. O sindicato solicita às empresas associadas que indiquem nomes e, depois, uma comissão especial faz a última avaliação.

A solenidade de entrega da outorga será realizada no dia 24 de novembro, a partir das 20 horas, no Intercity Premium Hotel. Na ocasião, também serão celebrados os 49 anos de fundação do Simecs e haverá o lançamento da sétima edição do Balanço Social e do Orientador Simecs Meio Ambiente. Os nomes dos agraciados foram divulgados pelo presidente do Simecs, Jones Francisco Mariani, na sexta 27, em entrevista coletiva à imprensa.

 

Prêmio valoriza mulher empreendedora

 

Com o objetivo de valorizar e divulgar o trabalho das mulheres que contribuem com o desenvolvimento da região Nordeste do Rio Grande do Sul, o Prêmio Empreendedorismo Feminino agraciou oito pessoas nesta segunda edição. O destaque especial ficou com Eroni Mazzocchi Koppe, pelo seu comprometimento com as causas educacionais e sua disposição em assumir novos desafios. Ela foi indicada pelo Centro Empresarial de Flores da Cunha. Pela categoria indústria, a homenageada foi Clairce Regina Bergozza Darolt, da Massas Adelina, e pelo comércio, Rosméri Natália Argenta Dal Pra, da Roselar Móveis. Elaine Ourives, da RH Currículo & Cia, foi agraciada na categoria de serviços, e Isoldi Elisabetha Chies, da Associação dos Renais Crônicos de Caxias do Sul (Rimviver), na área de associações e cooperativas.

O prêmio é uma iniciativa da Associação das Empresas de Pequeno Porte da Região Nordeste do Rio Grande do Sul (Microempa), juntamente com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Caxias do Sul). A solenidade de entrega do prêmio foi realizada na última quinta-feira, 26, na sede do Serviço Social do Comércio (Sesc).

 

REPORTAGEM

Política e economia concentram prioridades de Lula

No primeiro discurso após reeleição, presidente prometeu também mais atenção aos pobres

 

"As regiões mais empobrecidas terão mais atenção. Queremos tornar o Brasil mais justo, econômico e socialmente." Esta é uma das frases do primeiro pronunciamento de Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo 29 à noite, após a reeleição. O pernambucano de Garanhuns, nascido em 27 de outubro de 1945 e que aos sete anos migrou com a mãe e sete irmãos para São Paulo, onde se destacaria a partir de 1975 no movimento sindical do ABC paulista, garantiu ainda que vai priorizar o diálogo com a oposição e prometeu promover maior crescimento da economia – reafirmou o prognóstico de 5% de crescimento em 2007.

Lula venceu Geraldo Alckmin no segundo turno da eleição com 58.294.252 votos, 60.83% dos válidos. A diferença foi superior a 20 milhões de votos. Resultado mostrou que Lula cresceu e que Alckmin, quebrando uma tradição, diminuiu o número de votos que fizera no primeiro turno.

"O Brasil saiu dessa campanha mais unido do que entrou", afirmou Lula, recebido com chuva de papel picado e fogos de artifício por cerca de cinco mil pessoas que foram à Avenida Paulista comemorar o segundo mandato do candidato do PT. "Eu, pessoalmente, irei interferir nas relações com o Congresso Nacional. Não haverá veto a ninguém. Vou chamar todo mundo para conversar e vamos discutir a reforma política que o Brasil tanto precisa", ressaltou.

Ao reafirmar sua disposição de privilegiar as camadas mais pobres da população – "para tornar o Brasil mais equânime" -, o presidente disse que terá mais responsabilidade nesse novo mandato porque não será mais comparado com governos adversários. "Os adversários agora são as injustiças sociais", destacou.

Lula tem motivos particulares para priorizar o social. Foi nas regiões mais pobres que ele conseguiu as maiores votações. Norte e Nordeste, que concentram os mais elevados índices de pobreza no país, deram vitórias expressivas ao candidato do PT – 86,8% dos votos válidos no Amazonas, 82,3% no Ceará; 78% na Bahia; 77,3% no Piauí; 76,7% no Maranhão; e 69,8% em Pernambuco, para citar alguns Estados.

Em Estados do Sudeste, Sul e no Centro-Oeste, Lula perdeu. Fez 42,3% dos votos válidos no Rio Grande do Sul; 41,9% em Santa Catarina; 45,3% no Paraná e 47,7% em São Paulo. O mapa dos votos do segundo turno repete o do primeiro (observe na página). Lula venceu em 19 Estados e no Distrito Federal, virando o resultado do primeiro turno em quatro unidades da Federação.

 

Yeda Crusius vai governar os gaúchos

 

Uma paulistana nascida em 26 de julho de 1944, economista formada pela USP e ex-ministra de Planejamento no governo Itamar Franco, é a primeira governadora do Rio Grande do Sul. Yeda Crusius (PSDB) foi eleita ao derrotar o candidato do PT Olívio Dutra no segundo turno. Yeda fez mais de 3,3 milhões de votos, superando o adversário em quase 500 mil votos (53,94% a 46,06%).

A vitória com certa folga deve-se à proposta de "novo jeito de governar", um slogan criado em cima da necessidade de recuperar as finanças gaúchas. A tucana venceu, entre outros motivos, por ser novidade, pelo discurso de que "ir além é possível", pela firmeza nas posições e pelo desgaste do ex-governador e ex-ministro Olívio.

Ainda no domingo Yeda anunciou a primeira medida que adotará no Piratini: "Abrir o governo e mostrar os programas que interessam. Vamos levar o realismo orçamentário desde o primeiro dia". Já na segunda 30 ela tinha encontro agendado com o governador Germano Rigotto.

 

AGRONEGÓCIO

Indexador equilibra rendimentos do leite

Preço de referência é de R$ 0,4661 para as regiões gaúchas

 

O Rio Grande do Sul, seguindo o exemplo do Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, fixou o preço de referência para o litro de leite: R$ 0,4661. A iniciativa busca o equilíbrio de resultados de indústria e produtores. O indexador foi anunciado pelo Conselho Estadual do Leite (Conseleite), depois de três anos de cálculos e negociações.

A partir de agora, o valor será anunciado mensalmente para servir como base para as negociações entre produtores e indústrias. "Trata-se do valor bruto posto na plataforma do laticínio e não significa um valor mínimo nem máximo para a compra do produto, mas um parâmetro a ser usado nas negociações", explica o presidente do Conseleite, Carlos Feijó.

Para o secretário-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag), Elton Weber, o preço de referência deve facilitar a negociação por um valor justo. "Temos notas de produtores que estavam recebendo até R$ 0,31 pelo litro. Agora, se alguém está recebendo isso, por exemplo, e entregar um leite com 3% de gordura, resfriado, de acordo com a IN 51, certamente poderá pedir o preço de referência", afirma.

Seguindo o raciocínio de cálculo do secretário da Fetag, o produtor que ganha R$ 0,31 ao litro, por exemplo, precisa entregar 365 litros para receber R$ 113,15. Para o consumidor, a mesma quantidade do líquido custa R$ 456,25 – considerando o valor médio de prateleira de R$ l,25 ao litro/leite, na sexta-feira 27, nos supermercados de Caxias do Sul.

Elos – Na opinião da Federação da Agricultura do RS (Farsul), o estabelecimento do preço de referência é o primeiro passo para o entrosamento entre os dois elos da cadeia produtiva. As lideranças sabem que o indexador não vai solucionar o problema do leite, mas é o caminho para resolver a diferença de preços praticada nas diversas regiões produtoras do Estado.

O Conseleite é um órgão paritário. Criado em 2003, é formado pelo Sindilat, Farsul, Fetag, Gadolando, Fecoagro e Associação dos Criadores de Jersey.

 

Lácteos ganham padrão de qualidade

 

O Ministério da Agricultura quer requisitos mínimos de qualidade para o leite aromatizado, complemento lácteo e leite em pó modificado. O projeto também qualifica e denomina os tipos de leite, como o desidratado, parcialmente desidratado, leite em pó, reconstituído, leite longa vida e farinhas lácteas.

O leite aromatizado é o produto lácteo, homogeneizado, resultante da mistura preparada com leite, açúcar, aromatizantes (cacau, sucos ou essências de frutas) ou outras substâncias, submetido à pasteurização ou a esterilização no frasco.

O complemento lácteo trata-se de produto em pó resultante da mistura do leite e produtos ou substâncias alimentícias lácteas ou não lácteas, ou ambos, adicionados ou não de produtos ou substâncias alimentícias lácteas. Este produto, conforme IN, deve estar apto para a alimentação humana mediante processo tecnologicamente adequado. Neste caso, a base láctea deve representar pelo menos 51% massa/massa (m/m) do total de ingredientes obrigatórios ou matéria-prima do produto.

O leite em pó modificado é o produto resultante da dessecação do leite fluído, previamente preparado, considerando-se com tal, além do acerto de teor de gordura, a acidificação por adição de fermentos láticos ou de ácido lático e o enriquecimento com açúcares, com sucos de frutas ou com outras substâncias permitidas que a dietética e a técnica indicarem.

 

Concurso destaca vinhos moscatéis

Farroupilha premia vinhos com 11 medalhas de ouro e 31 de prata

 

Onze medalhas de ouro, 31 de prata e oito menções honrosas foram concedidas aos vitivinicultores de Farroupilha na 1ª Seleção de Vinhos. Os resultados foram apresentados em jantar-baile com a presença de mais de 300 pessoas, no Clube Santa Rita. O concurso inovou incluindo a categoria suco de uva.

A primeira edição de concurso local contou com a avaliação de 120 amostras de vinhos, espumantes e sucos, inscritas por vinícolas locais, em 12 categorias. Os resultados traduziram as características vitivinícolas do município, isto é, a produção diversificada de uvas e vinhos, com ênfase à variedade moscato.

Na safra 2006, Farroupilha foi o terceiro maior produtor vitivinícola do Rio Grande do Sul. Possui 1.337 propriedades que cultivam 3.800 hectares, com produção de 40,7 milhões de quilos de uva e 26,6 milhões de litros de vinho. O município exibe uma peculiaridade: a vocação para a produção de uvas moscatéis, sendo atualmente o maior produtor brasileiro do gênero.

No caso específico da variedade moscato branco responde por mais da metade da produção gaúcha, o que motivou a criação de categoria específica na seleção, que foi a de vinhos finos secos moscatéis. "Na última safra, o município produziu cerca de 17 milhões de quilos de uvas moscatéis. Deste total, 10,8 milhões foram de moscato branco, cultivados em 410 hectares – metade da área do RS com essa variedade", destaca ao CR João Carlos Taffarel, presidente da Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin).

 

ABE reúne 390 vinhos de 13 países

 

Como forma de divulgar e incentivar o conhecimento e a apreciação dos vinhos, a Associação Brasileira de Enologia (ABE) promove o III Concurso Internacional de Vinhos de 7 a 10 de novembro, em Bento Gonçalves (RS). O evento deste ano recebeu 390 amostras de 13 países (até segunda 30).

A credibilidade e repercussão dos projetos desenvolvidos pela entidade serviram de ponto de partida para a organização do concurso, que ocorre a cada dois anos. Em 2002 e 2004 participaram vinícolas de 12 países diferentes.

Segundo a ABE, o evento é excelente oportunidade para divulgação dos vinhos, além de promover o intercâmbio profissional e tecnológico. "A troca de experiências é a principal motivação do concurso, que também será credenciado pelo julgamento dos grandes especialistas de todo mundo", afirma o presidente da entidade, Dirceu Scottá.

 

Dezoito vinícolas estão na Noite de Gala

 

A 10ª Noite de Gala dos Vinhos e Espumantes Premiados terá a participação de 18 vinícolas. O evento, que será realizado no dia 10 de novembro, a partir das 21 horas, no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, na Serra gaúcha, reunirá mais de 800 apreciadores do vinho.

O grande diferencial do evento, que já está em sua décima edição, é o critério de participação das vinícolas. Somente podem participar empresas que tenham vinhos e espumantes premiados em concursos nacionais e internacionais, como a Avaliação Nacional de Vinhos.

O cardápio foi montado baseado na culinária brasileira contemporânea. Além de uma mesa de frios, serão oferecidas oito opções de saladas e pratos frios, 14 pratos quentes e 14 saborosas sobremesas.

 

Marau vai investir na agroindústria da soja

 

A empresa Sebben Indústria e Comércio de Cereais, de Marau, irá implantar uma unidade agroindustrial para extração de óleo vegetal e produção de farelo de soja no município. Com investimento de R$ 5,5 milhões, a unidade irá gerar 170 postos de trabalho. "Ao longo dos próximos cinco anos, esse número deve chegar a 1.036 empregos", adianta o diretor Zeferino Sebben.

Instalada, a unidade irá processar 120 toneladas/dia de soja, mas a capacidade deve chegar a 600 toneladas/dia. O processo de transformação de soja será o de extrusão, que não permitirá a produção de resíduos.

O farelo resultante do processo será utilizado na produção de ração animal, e o óleo na produção de bioenergia.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Pinhão congelado para semente

Por intermédio de frei Clemente Dotti, pedi pinhões para cultivar aqui em Veneza, Itália. Como foram mantidas em freezer e descongeladas para a viagem, gostaria de saber se as sementes da araucária irão brotar depois de plantadas? Peço mais informações sobre plantio.

Cláudio Ganassin

Veneza – Itália

 

Os pinhões da Araucária angustifolia, após a colheita, iniciam lentamente a perda do poder germinativo. Quando semeados sem demora apresentam germinação total: 100%. Semeados no segundo mês após colheita a germinação é de 70% a 80%; e no terceiro mês cai a 50% menos; no quarto mês é praticamente nula. Portanto, é desaconselhado o plantio dos pinhões a partir de setembro, a não ser que sejam utilizados com conservação artificial. A conservação recomendada consiste em colocar os pinhões em sacos plásticos bem fechados – para não perder a umidade – e colocados na geladeira ou câmara fria com temperatura mantida entre 0° e 5°C. Nessas condições, os pinhões podem ser semeados em outubro, novembro e dezembro com alta possibilidade de germinação.

Na conservação dos pinhões em freezer, com temperaturas abaixo de 0ºC e baixo teor de umidade, é improvável a germinação. É o caso das sementes que o amigo recebeu. No entanto é possível que algum pinhão tenha conservado o embrião com vitalidade. Nesta dúvida convém semear os pinhões.

O pinhão, conhecido como semente da araucária, é originário da fecundação pelo pólen masculino do óvulo, situado na base da escama feminina (da pinha). Esta escama vai desenvolver a casca externa contendo no seu interior a amêndoa, altamente nutritiva, pois é rica em amido e outros hidratos de carbono, albumina, óleo, sais minerais e vitaminas do complexo B. A amêndoa, envolvida por uma fina película celulósica, contém no seu interior o embrião, que é responsável pela reprodução da espécie.

O plantio do pinhão é fácil. Pode ser colocado diretamente na cova, ou em sacos plásticos para transplante posterior ao local definitivo. Os pinhões devem ser colocados em posição horizontal ou levemente inclinados para baixo, cobertos com 3 a 5 cm de terra. Assim, na germinação, o broto que vai originar o caule e as folhas segue naturalmente para cima, enquanto a raiz primária desce verticalmente na terra. O solo deve ser de boa profundidade e permeável, porque a raiz é vigorosa e penetrante.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

Ovo volta à mesa com prestígio

Pelos seus múltiplos benefícios, pesquisas recomendam o consumo de ovos

 

Há décadas, o ovo vem sendo apontado como um dos alimentos que mais ameaçam a saúde cardiovascular. A culpada é, sobretudo, a gema. Como contém grande quantidade de colesterol, seu consumo é associado ao aumento do risco de derrame e infarto. Porém, o mais recente estudo global sobre o assunto, que revisou mais de 200 pesquisas anteriores e avaliou 8.000 pessoas, garante que o ovo, de fato, contém substâncias nocivas, mas as conseqüências de eliminá-lo totalmente da alimentação podem ser ainda mais danosas.

Os cientistas apontam pelo menos três motivos para não abolir o ovo da dieta regular. A gema é rica em colina, nutriente indispensável ao bom funcionamento do cérebro. O alimento também contém doses elevadas de triptofano, que é precursor da serotonina, substância responsável pela sensação de bem-estar. Além disso, a maior parte das gorduras contidas no ovo é do tipo monoinsaturada, ou seja, benéfica ao sistema cardiovascular.

Muitos dos nutrientes do ovo também podem ser encontrados em outros alimentos. Porém, a colina aparece em maior quantidade no ovo. Enquanto uma posta de cerca de 100 gramas de salmão tem só 56 miligramas da substância, um ovo possui 130 miligramas. Recomenda-se o consumo de 425 miligramas diários de colina.

Para as gestantes, esse nutriente é ainda mais importante, pois pode influenciar o desenvolvimento cerebral do feto. Alguns estudos indicam a colina para prevenção de doenças neurodegenerativas, como mal de Parkinson e Alzheimer, já que ela atua na formação de novos neurônios.

Quanto ao colesterol, realmente o ovo é rico nesta substância. Uma só unidade contém 213 miligramas de colesterol. A ingestão diária recomendada pela Associação Americana do Coração, para quem não tem taxas elevadas de colesterol, é de 300 miligramas da substância. O erro, segundo os pesquisadores, é acreditar que tudo isso tem como destino certo o entupimento das artérias.

Para 70% das pessoas, que não têm problema de colesterol elevado, a quantidade da substância presente na comida não causa impacto significativo nos níveis de gordura circulante no sangue. Para essas, é permitido o consumo de até um ovo por dia. Porém, é preciso lembrar do ovo presente nos bolos, massas, biscoitos etc. Com quatro gemas por semana, já se obtém todos os benefícios do alimento. Para os 30% restantes, recomenda-se moderação no consumo de ovo, mas não necessariamente a eliminação total do alimento do cardápio.

 

Alimento também favorece a visão

 

O ovo também contém dois tipos de antioxidantes benéficos à saúde dos olhos, a luteína e a zeaxantina, que agem na prevenção da degeneração macular. O alimento ainda é fonte de proteínas. Aliás, depois do leite materno, é a proteína animal mais completa. Em relação a outras fontes protéicas, o ovo é o alimento de menor valor calórico. Um bife bovino de cerca de 120 gramas possui aproximadamente 140 calorias, o ovo tem metade.

O baixo teor de gordura é outra vantagem do ovo. Uma unidade tem em média sete gramas de gordura total, mas apenas 1,5 grama é de gordura saturada. Essa quantidade é correspondente à metade do que se encontra em uma fatia de queijo branco, considerado uma opção saudável para o cardápio.

 

OPINIÃO

Braços abertos sobre a Guanabara

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Vivemos um momento em que os símbolos cristãos vão sendo progressivamente tragados pela onda de modernidade e técnica secularizada que os transforma em espigões de mau gosto; ou que os oculta em benefício do lucro e do concreto armado

 

Desculpem-me os leitores, mas ainda não quero escrever sobre eleição. Prefiro, pois, escrever sobre algo mais belo e inspirador: a comemoração dos 75 anos do Cristo Redentor do Corcovado. Monumento mais famoso da cidade, cartão postal do Brasil, imagem reveladora da identidade de nosso povo, a enorme estátua que recebe por dia inúmeros turistas e peregrinos, é dele que desejo falar, desta marca registrada do Rio.

Vivemos um momento em que os símbolos cristãos vão sendo progressivamente tragados pela onda de modernidade e técnica secularizada que os destrói para transformá-los em espigões de mau gosto; ou que os oculta em benefício do lucro e do concreto armado. Aqui e agora exatamente é digno e justo celebrar um dos poucos direitos que restaram ao carioca que assiste desolado à progressiva destruição de sua cidade pela violência e pelo tráfico: extasiar-se a cada dia na contemplação dessa estátua, que é o símbolo do Rio e que desde o alto de sua posição privilegiada contempla e abençoa a cidade.

Tão forte é o poder de atração do Cristo Redentor que sua beleza foi celebrada por crentes e não crentes, em escritos, música, pinturas, esculturas. E também charges, tiras humorísticas, desenhos, cartoons, cinema. Enfim, todas ou quase todas as formas que o espírito humano encontra para expressar a beleza, a riqueza da forma, a inspiração que se faz tempo e espaço e assim se imortaliza já voltaram seus olhos para o Cristo Redentor, a fim de retratá-lo, e sobre ele provocar reflexão.

Aqueles que, como eu, nesta cidade cada dia mais desumanizada por um crescimento urbano desordenado, ainda conseguem ver da janela de seu local de trabalho a figura do Redentor sabem o privilégio que têm e como isso é importante em suas vidas, nas pausas de um ritmo de trabalho às vezes frenético e desintegrador. Olhar para o Cristo conforta os olhos, a mente e o coração.

É impossível chegar de avião, de volta de uma viagem – longa ou curta, não importa – sem sentir ressoar nos ouvidos o famoso e belo "Samba do avião", do maestro Antonio Carlos Jobim: "Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara"... E quando, de minha janela, olho o Cristo e sinto-me revigorada para continuar a luta cotidiana, tampouco posso deixar de recordar-me de outra canção do Maestro maior da MPB: "... da janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo!" E sinto que quero a vida sempre assim.

Daqui não desejo sair, cidade querida que me viu nascer e sempre amei. Apesar da triste insegurança que hoje reina em tuas ruas; apesar da violência; apesar do caos urbano e do trânsito engarrafado; apesar do calor inclemente que nos massacra nove meses ao ano. Olho para o Cristo Redentor e parece-me que ouço saindo de seus lábios, a passagem do evangelho de Lucas que Jesus pronuncia dolorosamente sobre Jerusalém: "Ah se tu soubesses nesse dia o que te pode trazer a paz...".

E sinto que enquanto o Redentor estiver de braços abertos sobre a Guanabara, haverá redenção, haverá futuro para o Rio de Janeiro, cartão de visita do país, pobre cidade tão abandonada pelos governantes, mas certamente não esquecida por Deus.

 

TERESA, A SEDUÇÃO DE DEUS

Frei Betto

Teresa exerce fascínio mundo afora. Ela situa-se na raiz da modernidade e subverteu a espiritualidade cristã. A espiritualidade centrada na dor cedeu lugar ao amor; a culpa, à amizade; a penitência, ao êxtase; os mandamentos, às bem-aventuranças

 

A 15 de outubro a Igreja Católica celebra a festa de Santa Teresa de Ávila. Passei a última semana de setembro nesta cidade espanhola do século VI, ocupada pelos árabes no século VIII. Participei de um congresso que debateu, entre outros temas, a atualidade de Bartolomeu de las Casas, frade dominicano que, no século XVI, defendeu heroicamente, na América Central, a liberdade e a dignidade dos povos indígenas.

Ávila é cercada por muralhas construídas no século XI. Com 2,5 km de extensão e 88 torres, são as mais belas de toda a Espanha. Devido ao clima seco e ameno, no verão para ali se transferiam os reis católicos Fernando e Isabel. Hospedavam-se com os frades dominicanos, cujo convento ganhou o pomposo nome de Real Mosteiro de Santo Tomás. Ali viveu Torquemada, cérebro tenebroso da Inquisição, e dali saíram Antônio de Montesinos e Pedro de Córdoba, os primeiros missionários que, na América, se opuseram à opressão dos indígenas por parte dos colonizadores.

Quando a visitei na década de 1980, Ávila era ainda uma cidade confinada às suas majestosas muralhas. Agora que a Espanha dispara como o país de maior crescimento na Comunidade Européia, a malha de edificações se estende pelos campos áridos que outrora abrigavam oliveiras, ampliando a população para cerca de 50 mil habitantes.

A principal fonte de renda do município é o turismo, fomentado pelas construções medievais, as igrejas em estilo românico, e a peculiar culinária. Também atrai – em menor número – turistas e peregrinos o fato de ali terem vivido, no século XVI, os mais destacados místicos da história da Igreja: Teresa de Jesus e João da Cruz, patrono dos poetas espanhóis. Revisitei o Convento da Encarnação, onde ela viveu 30 anos; o Convento de São José, sua primeira fundação; e a casa em que nasceu, hoje transformada em museu. Nos carmelos, a idade média das monjas é de 25 anos. Aos 35 anos, uma das mais renomadas atrizes croatas acaba de tomar o hábito de monja carmelita em São José.

Doutora da Igreja, Teresa exerce fascínio mundo afora. Sei de psicanalistas, filósofos e cientistas, gente atéia ou agnóstica, que nutre por ela inexplicável admiração. O que teve essa mulher de tão especial?

Teresa situa-se na raiz da modernidade. Assim como Copérnico superou a cosmologia de Ptolomeu e colocou a Terra em seu devido lugar, Teresa arrancou Deus dos céus medievais, onde andava aprisionado pelo pietismo penitencial, e centrou-O no coração humano.

Michelangelo, outra figura ímpar do século XVI, ilustrou o teto da Capela Sistina, no Vaticano, com a figura de Javé recoberta de mantos e barba, contrastando com o homem nu, magneticamente atraído em direção à Terra. O Criador estende o dedo indicador à criatura, e esta responde, como que simbolizando que a nova época, moderna, embora antropocêntrica, e não teocêntrica como a anterior, não quer perder o vínculo entre a Terra e o céu, a humanidade e Deus.

Teresa subverteu a espiritualidade cristã. Feminista avant la lettre, livrou a mística de seu racionalismo teológico e trouxe-a da razão ao coração. Nela o contemplar se faz gozar, como bem o expressa Bernini na escultura a ela dedicada e, hoje, exposta em Roma. A espiritualidade centrada na dor cedeu lugar ao amor; a culpa, à amizade; a penitência, ao êxtase; os mandamentos, às bem-aventuranças.

Teresa se destaca também pelo vigor e talento literários. Nenhuma mulher, até então, havia escrito como ela, escancarando a subjetividade e narrando, sem pudor e com muita propriedade, as sucessivas etapas de sua união amorosa com Deus.

João da Cruz, discípulo dela, nasceu em Fontiveros, na região de Ávila, e viveu nesta cidade dois anos, embebendo-se da espiritualidade de Teresa. Ele é mais "anima"; ela, "animus". Seu talento poético transparece inclusive em suas narrativas.

Almocei com o bispo de Ávila. Explicou-me que muitas atividades – estudos místicos, retiros, conferências – se promovem na cidade para quem busca dessedentar-se na espiritualidade teresiana. Mas admitiu não haver nenhum programa pastoral, em larga escala, voltado a jovens e intelectuais. Propus-lhe organizar, a cada ano, uma semana de Jornadas Teresianas, combinando eventos destinados aos jovens a debates, filmes, peças de teatro, e reunir artistas, humanistas e cientistas apaixonados por Teresa, como é o caso do romancista Deonísio da Silva, que lhe dedicou o romance "Teresa", levado ao palco.

Teresa salvou-me a fé. Graças à leitura meditada de suas obras, em especial "Vida" e "Castelo Interior" ou "Moradas", em 1965 descobri o que significa a relação Pessoa a pessoa. Desde então Deus tornou-se a minha paixão.

 

ESPECIAL

CÁRITAS - SOLIDARIEDADE PELA VIDA

Entidade, criada em 1956 por dom Hélder Camara, a Cáritas Brasileira está completando 50 anos de atuação, que se traduz na solidariedade junto às pessoas mais empobrecidas. Ações no semi-árido, políticas públicas, atuação em situações de emergência e campanhas são alguns dos serviços solidários

 

A palavra Cáritas vem do latim e significa "caridade". Caridade é amor ao próximo. Amor que se traduz na solidariedade junto às pessoas mais necessitadas. Foi com essa missão que, no dia 12 de novembro de 1956, dom Hélder Câmara, então presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criou a Cáritas Brasileira. Organismo de Pastoral Social ligado à CNBB, a Cáritas integra a rede Caritas Internationalis, entidade religiosa fundada em 1951.

No dia 12, a Cáritas Brasileira comemora 50 anos de caminhada, "com os pés firmes na realidade do povo empobrecido. Ao longo dessa história, foram muitas as pessoas e equipes que contribuíram para esse grande mutirão de solidariedade pela vida", salienta Loiva Mara de Oliveira Machado, secretária regional da Cáritas/RS.

A identidade da Cáritas envolve duas características fundamentais: é um organismo de caráter religioso, ligado à CNBB, com a missão de ser testemunho da dimensão do serviço da Igreja junto à sociedade; e, ao mesmo tempo, é uma entidade de assistência social, que se coloca, enquanto parceira de outras entidades e segmentos da área social, na luta pela promoção de uma vida digna para todos. Nesse sentido, a Cáritas segue o chamado de Jesus que diz: "Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância" (Jo 10,10).

Ação social – A ação da Cáritas é ecumênica, dentro e fora da comunidade eclesial, estabelecendo parcerias com organismos nacionais e internacionais pela defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana. A partir de sua identidade e de sua missão, a Cáritas, enquanto expressão da solidariedade organizada, inspirada na Palavra de Deus, nas diretrizes da Igreja e na realidade concreta do povo, foi desenvolvendo seu trabalho com uma metodologia diferenciada, adequada aos desafios de cada período histórico, buscando, através de suas ações concretas, contribuir para a construção de uma nova sociedade.

"A Cáritas Brasileira foi criada para ajudar as comunidades a colocar em prática, de maneira organizada, sua ação social, inspirada na fé e no amor", resume dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (SP) e presidente da Cáritas Brasileira. Através de seus grupos e equipes de base, nas comunidades e paróquias, das equipes diocesanas, dos 10 Secretariados Regionais e do Secretariado Nacional, a Cáritas quer ser essa rede de solidariedade que, inspirada pelo evangelho e atenta aos clamores do povo mais necessitado, se coloca como um serviço de solidariedade, tendo em vista o fortalecimento da esperança, da fé, da alegria e da vida em todas as suas dimensões.

 

Fases distintas marcam história da entidade

 

A atuação da Cáritas Brasileira, ao longo deste meio século de história, passou por três períodos distintos de organização do trabalho, segundo a secretária regional, Loiva Machado. De 1956 a 1963, as ações foram marcadas pela ênfase assistencial, especialmente pela distribuição de alimentos, roupas e remédios vindos dos Estados Unidos e na articulação de obras sociais católicas. Em 1963, havia 10 Regionais da entidade, 184 Cáritas Diocesanas e cerca de 5.000 obras sociais filiadas.

Com o término do Programa de Distribuição de Alimentos, em 1974, muitas Cáritas Diocesanas e praticamente todos os Regionais desapareceram, com exceção dos Regionais do Rio Grande do Sul e do Maranhão. Nos anos 80 começaram os Fundos dos Projetos Alternativos Comunitários (PACs) e junto com eles o processo da Economia Popular Solidária. A Cáritas marcou esse período como distribuidora de recursos financeiros.

Somente a partir dos anos 90 a Cáritas voltou a apoiar e se articular com os movimentos populares e a lutar pela construção e conquista de políticas públicas. De 2000 em diante a Cáritas Brasileira intensificou a missão de promover e animar a solidariedade libertadora a partir e com as pessoas excluídas socialmente. Hoje há um secretariado nacional e 168 entidades-membros (Cáritas Diocesanas).

 

Pelo resgate dos direitos humanos

 

A Cáritas Brasileira integra a rede Cáritas Internacional (Caritas Internationalis), entidade criada em 1951 que atua numa perspectiva ecumênica, estabelecendo parcerias com organismos nacionais e internacionais pelo resgate dos direitos humanos. A missão da entidade é testemunhar e anunciar o evangelho, defendendo a vida, promovendo e animando a solidariedade libertadora, participando da construção de uma nova sociedade com as pessoas em situação de exclusão social.

Presença – A Cáritas Internacional é uma confederação de 154 organizações católicas para a assistência, o desenvolvimento e a ação social, com presença em 198 países e territórios. A entidade é presidida pelo bispo libanês, dom Fouad El-Hage, 67 anos, arcebispo da diocese de rito maronita de Trípoli desde 1997. Em 1999 foi eleito presidente, substituindo o bispo brasileiro dom Affonso Felipe Gregory. Em 2003, foi reeleito para mais um mandato de quatro anos. Tem sua sede em Roma.

Um brasileiro integra o Comitê Executivo da Cáritas Internacional – José Magalhães. Ele também representa a América Latina. "Trata-se de uma participação importante porque a América Latina tem uma representatividade expressiva, pois é constituída por mais de 20 unidades nacionais", salienta Magalhães.

 

Porto Alegre abre as celebrações jubilares

 

O Secretariado de Ação Social da Arquidiocese de Porto Alegre abriu, em outubro, o programa das comemorações dos seus 50 anos de fundação. Ato foi realizado na catedral metropolitana, presidido pelo arcebispo, dom Dadeus Grings. Cerca de 2,8 mil pessoas superlotaram a catedral. A Cáritas Arquidiocesana foi criada pelo padre Paulo De Nadal em janeiro de 1957 para coordenar as obras sociais católicas. Hoje, milhares de famílias, crianças, jovens e associações dependem das ações da entidade para ter uma vida com mais dignidade.

 

Maior desafio é reverter a lógica da exclusão

 

Para realizar sua missão, de testemunhar e anunciar o evangelho defendendo a vida, promovendo e animando a solidariedade e participando da construção de uma sociedade com as pessoas em situação de exclusão, a Cáritas desenvolve suas ações a partir de seis elementos essenciais.

O primeiro é a defesa e promoção da vida (socio-biodiversidade). É necessário considerar o ser humano enquanto ser-de-relações-solidárias, em condições para que alcance a felicidade na sua dimensão biológica, afetiva, mental e espiritual. Outro elemento é a mística e espiritualidade ecumênica e libertadora. Mística é o que dá sentido, motivação, força, resistência. A espiritualidade que alimenta e sustenta a mística tem sua fonte no próprio espírito que conduz. Inclui a prática ecumênica e o diálogo inter-religioso.

O terceiro elemento é a cultura de solidariedade. A construção de uma nova cultura é sempre um desafio cotidiano para todos os agentes da Cáritas e para a sociedade em geral. É preciso superar a cultura machista, de dominação, que gera dependência, individualismo e indiferença, e resgatar a genuína identidade cultural das pessoas e comunidades. Outro aspecto diz respeito às relações igualitárias de gênero, raça, etnia e geração. Através de suas ações, a Cáritas quer valorizar as diferentes raças, etnias e culturas.

O quinto elemento é o protagonismo dos excluídos. Para a Cáritas Brasileira, os excluídos estão em primeiro lugar. São eles que assumem o seu lugar enquanto agentes de transformação pessoal e social na luta pelos seus direitos.

O último elemento essencial é o projeto alternativo de sociedade solidária e sustentável. Num tempo de rápidas transformações, a Cáritas assume o desafio de reverter a lógica da exclusão, na missão de consolidar gradativamente um modelo alternativo de sociedade, onde todos tenham vez, voz, justiça e direitos iguais.

 

Economia Solidária ganha visibilidade

 

A Economia Popular Solidária é um dos destaques nas ações desenvolvidas pela Cáritas, através do trabalho com Projetos Alternativos Comunitários (PACs). Esses projetos, articulados entre si, formam a Economia Popular Solidária, que contribui para a superação das desigualdades sociais através de projetos na área da saúde e alimentação alternativa, educação popular, inclusão digital, alfabetização e programas de geração de trabalho e renda na área da agricultura ecológica, panificação, confecções, artesanato e outros. No RS, desde 1986 até hoje foram apoiados 1.228 projetos. Em âmbito nacional, são 25 anos de trabalho em vista da construção de alternativas solidárias.

 

Cisternas mudam a realidade do sertão

 

No Brasil, uma das marcas da Cáritas é o Programa de Convivência com o Semi-Árido, que abrange nove Estados do Nordeste e que vem mudando a perspectiva de convivência com o sertão. A região do semi-árido brasileiro é a maior do mundo, com 974,7 mil km² e 21 milhões de habitantes em áreas urbanas e rurais. Abrange 86% do território da região Nordeste e parte de Minas Gerais. Em 2005, graças ao Programa, foram construídas 6.610 cisternas, além de 372 outras obras como barragens e cacimbas, e 544 projetos produtivos. Esse trabalho envolveu diretamente 8.269 famílias e mais de 50,7 mil pessoas.

 

O apoio nas situações de emergência

 

A Cáritas, desde suas origens, atuou e continua atuando nas emergências naturais e sociais. As emergências naturais se caracterizam por vendavais, enchentes, temporais, granizo... que colocam em risco a vida das pessoas. As emergências sociais se referem ao apoio, fortalecimento e organização de grupos em situação de exclusão como é o caso dos moradores de rua, desempregados, sem-terra, sem-teto, indígenas, quilombolas, mulheres, pessoas com deficiência, entre outros.

Uma das formas de apoio solidário a esses grupos ocorre através do gesto concreto da Campanha da Fraternidade, com a "coleta da solidariedade" no Domingo de Ramos. Esse gesto concreto dá origem ao Fundo Nacional de Solidariedade e Fundos Diocesanos de Solidariedade. De 1999 até 2005, o Fundo Nacional apoiou 949 projetos em todo país.

Por isso, as celebrações jubilares têm o objetivo de fazer memória e manter a instituição fiel aos propósitos de sua criação. No RS, um dos atos comemorativos de maior destaque ocorreu em agosto, com a homenagem prestada pela Assembléia Legislativa, proposta pelo deputado frei Sérgio Göergen.

 

IGREJA

Capela São Martinho celebra 120 anos

Igreja da comunidade, fundada por imigrantes, mantém estrutura original

 

Valorizar o passado, reafirmar a fé e rever amigos. Com esses objetivos, as famílias da comunidade de São Martinho da 2ª Légua, interior de Caxias do Sul, se reúnem no dia 12 de novembro para comemorar os 120 anos de construção da capela e celebrar o padroeiro. Ao longo de 12 décadas, a comunidade soube preservar a pequena capela, herança dos fundadores e símbolo da catolicidade dos moradores locais.

A capela é resultado da mobilização de 14 famílias pioneiras (matéria abaixo) que, em 1886, se reuniram para construir o templo em pedra e barro. A estrutura e o formato foram preservados, mas reformas e obras de manutenção substituíram o telhado, o assoalho de madeira por cerâmica e as paredes internas e externas receberam reboco. O forro é original.

Artistas – Também remonta ao século XIX uma imagem de Jesus Cristo, esculpida em madeira de cedro logo após a inauguração da igreja. A imagem, quase em tamanho natural, foi feita na própria comunidade pelos artistas Jorge (Nani) Mezzomo e Carlo Debastiani e teve o morador Piero Poloni como modelo. A escultura de Cristo, deitado, ocupa um local nobre, na base do antigo altar.

Ao lado da capela, os moradores ergueram, em 1917, uma torre (campanário), que abriga três sinos. Ela tem quase 15 metros de altura. O som emitido pelos sinos é ouvido a quilômetros de distância. São esses sinos, ao ritmo de uma marcha fúnebre, que anunciam ainda hoje quando ocorre alguma morte na comunidade.

Situada a 12 quilômetros do centro de Caxias do Sul, a comunidade de São Martinho reúne hoje cerca de 20 famílias, todas desenvolvendo atividades na agricultura e agroindústria, especialmente ligadas ao setor vitivinícola e hortifrutigranjeiro. Mais de 70% das famílias são servidas por água de um único poço artesiano. A capela, que por muitos anos pertenceu à paróquia de Conceição da Linha Feijó, hoje integra a paróquia de Forqueta.

 

Pioneiros construíram templo em 1886

 

Os primeiros imigrantes italianos estabeleceram-se na localidade de São Martinho da 2ª Légua no início de 1886. No salão social da comunidade, uma foto retrata os 14 fundadores, com padre Antônio Pertille, que foi pároco da paróquia Santa Teresa (atual catedral de Caxias) e mais tarde cura de Conceição da Linha Feijó, onde faleceu em 1915.

São fundadores da capela de São Martinho os imigrantes Angelo Andoleto, Domenico Mezzomo, Daniele Caberlon, João Fruett, Girolamo Perussato, Luís Angonessi, João Angonessi, Francisco Angonessi, Giacomo Guerra, Antonio Guerra, Fortunato Debastiani, Carlo Debastiani, João Poloni e João Sentelegue. Dos fundadores restam na comunidade apenas descendentes dos Caberlon, Fruett, Debastiani e Poloni.

 

Missa e surpresas para os convidados

 

Uma programação especial foi definida para o dia 12 de novembro, para marcar os 120 anos da capela de São Martinho. Às 10h30, o pároco de Forqueta, padre Milton Gasperin, preside a missa solene, concelebrada por frei René Onzi, capuchinho que atua em Veranópolis, e que é natural da capela São Vigílio, bem próxima a São Martinho. Em 2005 essa capela, a mais antiga de Caxias do Sul, completou 125 anos.

Às 12 horas, um almoço de confraternização vai reunir cerca de 450 pessoas no salão de festas (ampliado recentemente), especialmente antigos moradores da comunidade e convidados. Segundo Antonio Regalin, integrante da diretoria, a parte da tarde reserva muitas surpresas aos presentes, além de um show especial com a cantora bento-gonçalvense Inês Rizzardo, destaque na Serra gaúcha na valorização da música italiana. "Será uma data para reafirmar a nossa fé e rever amigos", salienta Regalin.

 

O RIACHO NÃO DESISTE

Padre Zezinho

O amor mostra a melhor parte do ser humano

 

O verbo é amar. No mundo inteiro a palavra amar supõe encontro, procura e aceitação. Também supõe persistência. Quem ama não desanima facilmente. O amor mostra a melhor parte do ser humano. Quando o amor atinge uma pessoa, faz com ela como faz o escultor com uma pedra. Dá-lhe uma forma que estava lá, mas faltava um toque criador. O amor toca e retoca a pessoa. Leva-a à plenitude. É sempre qualificante e plenificante. E é sempre revolucionário. Se é amor de verdade, gera relações profundas e duradouras. Não é coisa nem de semanas nem de meses. É de uma vida.

A Bíblia, ao falar do amor de Deus, não poupa adjetivos e, até mesmo, não os encontra. Amar é, sem dúvida, o verbo mais qualificativo de todos os verbos que existem. Acrescenta sentido ao verbo viver e é a razão fundamental pela qual o ser humano foi criado e continua evoluindo. O ódio também sacode o mundo, mas deixa um rastro de destruição à sua passagem. O amor nem sempre sacode. Por mais suave que venha, deixa tudo melhor do que estava.

Nos Evangelhos, percebe-se que a razão fundamental da ação de Cristo foi a de ensinar o ser humano a conviver com Deus, consigo mesmo e com os outros. Conviver já é um passo decisivo que vem do amor e leva ao verbo amar. Tolerar alguém pode não ser um ato de amor, mas conviver é. João define o amor como convivência ao dizer que "Deus amou tanto este mundo, que enviou a ele o Seu Filho". O Filho veio conviver conosco. Isso de Deus querer viver conosco e ser um dos nossos seria a coisa mais impensável de qualquer teologia. Pois os cristãos, ousadamente, pensaram e ensinam isso. Jesus deixa ainda mais claro, quando diz que veio para isso e um dia nos levaria a conviver com Deus e em Deus.

O supremo mandamento de Jesus é o amor e não há nada mais importante do que ele. Até nossas ofertas devem ficar esperando lá no altar se alguém estiver precisando de nosso diálogo e de nossa paz. Fácil não é, nem nunca foi, porque muita gente mais atrapalha do que ajuda o ato de amar. Mas quem ama, continua! Faz como o riacho diante das barreiras. Cresce e continua!

 

Entusiasmo marca final das missões

Realização das missões em Ipê destacou 70 anos de criação da paróquia

 

Mais de 4,5 mil pessoas, representando as 17 comunidades da paróquia São Luiz Rei de Ipê (RS), participaram da celebração de ação de graças de encerramento das missões populares, pregadas pelos missionários capuchinhos. Participaram da celebração, transmitida por diversas emissoras de rádio, o vice-provincial dos capuchinhos, frei Cleonir Dalbosco, a equipe missionária, freis, delegações de diversos municípios, entre os quais Saudade do Iguaçu (PR) e representantes de paróquias vizinhas a Ipê.

As pessoas presentes à missa de encerramento levaram, além do entusiasmo e da alegria, milhares de bandeiras da paz (marca capuchinha da divulgação da cultura da paz nas comunidades missionadas) e cartazes de motivação. As missões, realizadas em Ipê de 7 a 22 de outubro, marcaram os 70 anos de existência da paróquia, criada em 1936. No dia 12 de novembro, Ipê celebra a festa do padroeiro, São Luiz Rei.

O encontro de pós-missão (liturgia, catequese, grupos de famílias e conselhos das comunidades) ocorre em dezembro no salão paroquial de Ipê. Até o final do ano, a programação dos missionários prevê missões no Bairro Areal, em Pelotas (30/10 a 4/11); no Bairro São José, em Caxias do Sul (11 a 26/11) e em Nova Araçá (2 a 17/12). Informações sobre as missões e contatos com a equipe missionária pelo site capuchinhosrs.org.br/missoes, e e-mail missoes@capuchinhosrs.org.br.

 

CNBB define tema da assembléia geral

 

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já escolheu o tema da 45ª Assembléia Geral – "Rumo à Conferência de Aparecida". O encontro dos bispos do Brasil ocorre de 18 a 27 de abril de 2007, em Itaici (SP). A 45ª Assembléia será realizada poucas semanas antes da abertura da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe (5º Celam), marcado para o período de 13 a 31 de maio em Aparecida (SP) e que contará com a presença do Papa Bento XVI.

Segundo o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Scherer, a escolha é significativa pois será uma oportunidade ímpar para que todos os bispos ofereçam suas contribuições para o grande evento eclesial latino-americano, que deverá marcar a Igreja no Brasil e em todo o continente.

 

DIA DO CONTRÁRIO

Aldo Colombo

Que bom se por um dia o professor visse o mundo como é visto pelo aluno, o político pelo eleitor, o preto pelo branco...

 

Norah Vincent, uma brilhante jornalista, pediu licença de seu posto no jornal Los Angeles Times. Explicou que se dedicava a um projeto muito importante e, por algum tempo, literalmente, desapareceu. Seu projeto implicava mudança de personalidade e muito mais e foi precedido de meticulosa preparação em todos os detalhes. Freqüentou aulas de ginástica e impostação de voz e leu tudo o que se relacionava com o assunto. Por fim, trocou sua identidade feminina e por dois anos viveu como homem. Barba postiça, voz mais grave, passos decididos, ela assumiu o nome de Ned.

Seu objetivo: conhecer a verdadeira identidade masculina e o porquê de certas atitudes dos homens. Ela freqüentou bares masculinos e clubes noturnos e passou até a fazer parte de um grupo anônimo de terapia masculina, cujo denominador comum era ter raiva e falar mal das mulheres. Ned arranjou breves namoros e teve de repelir assédios sexuais. Por vezes, era alvo de pequenas ironias em relação à sua masculinidade.

Ele - ela - sobreviveu a tudo e suas experiências foram publicadas no livro Feito Homem, que fez sucesso e acabou traduzido para outros idiomas. Naturalmente teve um preço a pagar. De tanto fingir e controlar seus gestos e sua sensibilidade feminina teve um esgotamento nervoso e acabou num hospital por alguns dias. Mas ela garante que agora conhece melhor os homens.

O calendário está cheio de datas, oficiais ou não. Existe o dia da mãe, do pai, do vizinho, do amigo, da sogra, da mentira, dos animais domésticos, de finados... Falta instituir o Dia do Contrário, dia em que as pessoas trocariam de lugar. Isso implicaria em assumir a posição e o ponto de vista das outras pessoas. É extremamente importante esse exercício para o casal, como ele vê e como ela vê a mesma situação.

Mas o Dia do Contrário traria preciosas lições em outros setores. Seria o dia dos pais tentarem ver como seus filhos vêem. Vale o contrário. Nesse dia, o motorista veria o mundo como é visto pelo pedestre, enquanto o pedestre assumiria a posição do motorista. Também deveriam trocar de lugar o aluno com o professor, o padre com o fiel, o político com o eleitor, o juiz com o preso, o preto com o branco, o rico com o pobre...

É um pouco a dimensão do Evangelho que pede: faça aos outros aquilo que gostarias que os outros fizessem a ti. É o mesmo Evangelho que fala dos últimos que serão primeiros e primeiros que serão os últimos. Finalmente, no Dia do Contrário, cada um de nós deixaria de lado o seu ponto de vista e o seu egoísmo e enxergaria o mundo a partir da ótica dos outros, isto é, com amor.

Mas isso deveria ser feito com lealdade. Fingir não leva a nada ou, quem sabe, a um esgotamento nervoso, como aconteceu com Norah – Ned – Vincent.

 

Irmãs realizam encontro internacional

Irmãs de São José participaram de evento realizado em Garibaldi

 

Com o objetivo de "aprofundar o senso de pertença a um corpo internacional, revitalizando o ser religiosa para melhor responder aos desafios da multiculturalidade num mundo globalizado", as Irmãs de São José realizaram, em Garibaldi, o primeiro encontro internacional dos membros mais novos da congregação. Também esteve presente o Conselho Geral da congregação.

O evento foi realizado de 8 a 28 de outubro. Participaram 38 jovens irmãs, representando nove países – Dinamarca, Noruega, França, Bolívia, Itália, Índia, Paquistão, Estados Unidos e Brasil. Do Brasil participaram irmãs de Porto Alegre, Lagoa Vermelha, São Paulo, Paraná, Caxias do Sul e Maranhão. O encontro foi assessorado por irmã Carol Zinn, natural da Filadélfia (EUA), que representa as Irmãs de São José na ONU.

Durante o encontro, as irmãs partilharam as diversas realidades de cada país. Também aprofundaram o conteúdo da Carta da Terra, os objetivos de desenvolvimento do novo milênio e os Direitos Universais da Pessoa Humana. As participantes finalizaram o encontro elaborando um documento com as propostas para a vida e missão das Irmãs de São José no mundo.

Esse fato histórico marca os 356 anos da Congregação das Irmãs de São José de Chambery, fundada na França no dia 15 de outubro de 1650. As irmãs estão no RS desde 1898.

"No desejo de conhecermos profundamente a riqueza de nossa diversidade, de aceitarmos nossas diferenças, precisamos trabalhar o relacionamento entre interculturalidade e comunicação. Ser chamada a viver a interculturalidade é ser sensível ao significado da linguagem na vida de cada pessoa e de cada cultura", disse a superiora geral da congregação, irmã Lorraine Maria Delaney.

 

Morre capuchinho gaúcho que trabalhava na Cúria Geral

 

Frei Antônio Castagnera, capuchinho da província do Brasil Central que desde 2002 atuava como secretário para a Língua Portuguesa e vice-secretário geral da Ordem na Cúria Geral, em Roma, morreu no dia 21 de outubro, aos 50 anos. O falecimento ocorreu na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, por insuficiência respiratória aguda, causada por melanoma metastático.

Há um ano, frei Antônio descobriu que estava com câncer e imediatamente começou o tratamento ainda em Roma. Em janeiro de 2006 submeteu-se a uma cirurgia para retirada de um tumor, no cérebro, e iniciou tratamento de quimioterapia e radioterapia, mas não houve melhoras. No final de julho voltou para o Brasil e continuou o tratamento em Goiânia, com poucos resultados.

Frei Antônio nasceu no dia 23 de março de 1956, em Vanini (RS), filho de Victório e Aurora Vitória Lisot Castagnera. Ingressou no seminário de Vila Flores em 1969 e foi ordenado sacerdote no dia 5 de fevereiro de 1983, em Campo Grande (MS). Foi vice-diretor do seminário menor e administrador paroquial em Sidrolândia (MS); mestre de pós-noviciado em Campo Grande; assistente regional (MS) e assistente nacional da Juventude Franciscana; vice-mestre de noviços e vigário paroquial em Nova Fátima (GO); coordenador da formação permanente, definidor provincial e secretário provincial; vigário paroquial em Ceilândia e Brasília e desde 2002 estava em Roma.

Foi sempre um frade simples, alegre, disposto, dedicado e fraterno. Sua partida deixou confrades, familiares e amigos muito consternados. A missa de corpo presente foi presidida pelo arcebispo de Goiânia, dom Washington Cruz, na matriz Santo Antônio, e o sepultamento ocorreu no jazigo dos capuchinhos, em Hidrolândia (GO).

 

MORRER É VIVER

Wilson João

Nossa vida está em contagem regressiva, mas teimamos em desconhecer que a finitude do nosso corpo tem data marcada

 

A vida e a morte permanecem sendo o grande mistério. Nem a ciência e nem a técnica conseguem penetrar na imensidão do mistério da vida e da morte. Mesmo sabendo que desde o primeiro dia de nossa vida estamos fazendo contagem regressiva, teimamos em desconhecer que nossa vida corporal tem data marcada. Mesmo sabendo que nossa vida normal deveria ser noventa a cem anos, um corpo que se entrega pela incapacidade de ser um comunicador da vida, mesmo assim teimamos em matar e em criar situações de mortes violentas e prematuras. No meio de tudo isso, vamos descobrindo em nós a grande lição da história e de tantas pessoas que viveram a experiência do viver e do morrer. A lição é o aprendizado do viver morrendo e do morrer vivendo. Assim a história se torna a nossa mestra.

TEMOS QUE MORRER PARA REVELAR QUEM SOMOS. De fato, com a beleza de comunicação de nosso corpo, mas também com suas limitações, apenas comunicamos dez por cento do que somos. Ou nem isso. E o resto? Nosso corpo esconde a vida plena. Só a revela em partes. Nossos sonhos e desejos acabarão num túmulo? Nosso corpo será apenas enterrado ou ele se tornará uma semente de vida infinita? Temos uma cultura muito mesquinha e achamos que a morte vem roubar, vem tirar a vida. A morte não é um ser. Não existe. Ela é apenas um fato. A morte de nosso corpo possibilita revelar e realizar nossos sonhos muito maiores.

FAZENDO A EXPERIÊNCIA DO MORRER. Somente tem medo de morrer quem tem medo de viver. Tem medo de morrer quem não faz do dia-a-dia, do ato a ato, um exercício do morrer, uma experiência de morte de si mesmo. A experiência da morte é o deixar o túmulo do egoísmo para viver a entrega, a generosidade e a doação. A morte é o desabrochar para o amor em cada momento. É o ato de não apenas olhar-se, mas olhar para o horizonte do outro e de Deus. Viver é exercitar-se na experiência do amor que passa necessariamente pela cruz e que canta a vitória na ressurreição.

SOMENTE FICA O QUE AMAMOS. O amor é eterno. Eterniza o que fazemos e pensamos. Só o amor salva. Quem não ama já está morto. Quem ama cria em si a eternidade. Somente permanece em nós o que amamos e o que fazemos por amor. Essa é a bagagem que nos garante vida eterna. Saber que meus atos de ajuda, de apoio, de alegria, de festa, de perdão e de generosidade não passarão, faz com que nossos olhos se ergam para o céu, nosso coração se abra para as pessoas e nossas mãos se voltem para o serviço do amor. A partir deste princípio e maneira de viver vamos criando a certeza que céu é vida no amor, e que quem não deseja e não se exercita para o amor, viverá na ausência dele, que nada mais é do que viver o inferno. Céu é viver no amor. Inferno é viver na solidão.

 

CORREIO SABE-TUDO

ABELHAS SOLITÁRIAS

Elas fazem o ninho sozinhas e morrem antes da cria nascer

 

Você sempre ouviu falar que as abelhas vivem em colméias numerosas, muito bem organizadas e com alto grau de sociabilidade, certo? Mas o que sabe das abelhas solitárias? Cada fêmea, individualmente, constrói e cuida do seu próprio ninho. A fêmea morre antes da cria nascer, ou seja, não há contato entre as gerações. Desta maneira, o modo de vida de uma abelha solitária é bastante diferente do que conhecemos das abelhas que vivem em colméia.

Entre as abelhas existem diferentes modos de vida, denominados graus de sociabilidade. Os dois extremos são: as espécies de vida solitária e aquelas de vida totalmente social (eusociais).

Ao nascer, a fêmea solitária será imediatamente fecundada e, em seguida, começará a busca por um local para nidificar (aninhar). Ao encontrar, inicia a construção do ninho. Ela escava a cavidade adequadamente e sai para coletar material para o revestimento interno, que pode ser areia, terra, barro, pedaços de folhas ou restos vegetais, óleo floral, resina, entre outros.

A fêmea manuseia os materiais, formando células. Um ninho é composto por várias células. Cada célula será revestida com o material de construção e preenchida com alimento (pólen e néctar). A fêmea coloca um ovo em cada célula. Em geral uma abelha solitária constrói de seis a 15 células. Isto pode levar entre três e seis semanas. Após, ela morre.

O ovo logo vira larva. Esta larva passa então a ingerir o alimento que está ao seu redor. Ela come sem parar e cresce rapidamente, passando por vários estágios larvais (geralmente 4 a 5). O último passo do desenvolvimento é a pupa, o estágio intermediário entre a larva e a forma definitiva do inseto. Então, dos ninhos saem as abelhas já adultas, que iniciam imediatamente um novo ciclo da espécie.

 

Machos não dormem no ninho

 

Geralmente, os machos possuem um período de desenvolvimento mais curto e nascem alguns dias antes das fêmeas. Logo após seu nascimento estão prontos para a cópula. Esperam a eclosão das fêmeas no local dos ninhos ou as aguardam nas flores.

Machos de abelhas solitárias geralmente não voltam para o ninho para dormir. Algumas espécies se agregam e dormem penduradas em folhagens, próximo ao ninho. Outras dormem dentro de flores. Geralmente são flores que fecham à noite e reabrem no dia seguinte (cactos, petúnia etc).

 

Sequóia é a árvore mais alta do mundo

 

Pesquisadores confirmam que uma sequóia chamada Hyperion, numa remota floresta do norte da Califórnia (EUA), é a árvore mais alta do mundo, com 115,55 metros. Steve Sillett, professor da Universidade Estadual Humboldt, escalou Hyperion e fez a medição. Dessa forma, Hyperion põe de lado a detentora anterior do recorde, uma sequóia de 112,92m. Se não fossem os pica-paus que atacam o topo da árvore, Hyperion poderia ter até 116 metros.

Os naturalistas que descobriram Hyperion, Michael Taylor e Chris Atkins, disseram que a chance de haver uma forma de vida ainda mais alta são mínimas, porque eles já percorreram 95% do habitat natural das grandes sequóias. As autoridades não informam a localização exata de Hyperion porque temem que turistas danifiquem a árvore.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

A religiosa que está em mim

Irmã Clementina Tonellotto

Porto Alegre – RS

 

Nascida a 26-12-1926 em Vila Marupiara (Cachoeira do Sul-RS), filha de Jacob Tonellotto e Anna Guilhermina De Franceschi, neta de João Tonellotto (de Bassano Del Grappa-VI) e de Ângela Beber, austríaca, e de Antonio Giuseppe De Franceschi e Veronica Loch; bisneta de Jacob Tonellotto e Rosa Silvestre e de Antônio Bebber e Dominga Broll; bisneta materna de Antonio De Franceschi (de Castelgomberto-VI) e de Maddalena Calábria (de Trissino-VI), às vésperas dos 80 anos, declara:

 

"Desde os 12 anos, decidi me consagrar a Deus. Após os primeiros estudos, vim com a família para Porto Alegre, trabalhei como comerciária e me filiei à Congregação das Filhas de Maria e da Ação Católica da Paróquia Santa Cecília. Desejosa de servir os mais necessitados, ingressei na Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, em 1953, em Campinas-SP, onde fiz o Postulado e o Noviciado. Tive a graça de ser recebida pela fundadora Madre Maria Villac e de ter como diretor espiritual o santo e sábio Mons. Manoel Corrêa de Macedo, que substituiu a Dom Francisco de Campos Barreto, fundador da Congregação. A partir do 2º ano do Noviciado, dediquei-me a visitas pastorais de famílias carentes. Após a profissão religiosa, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Campinas, dediquei-me à catequese de crianças, jovens e senhoras. Cursei Serviço Social na primeira Faculdade de Serviço Social da Congregação, hoje integrada à PUC, depois do qual fui supervisora na mesma faculdade. Cinco anos após, fui nomeada para a fundação de Florianópolis (1958), onde com irmã Olma Aquino Casses, organizei a Faculdade de Serviço Social da Fundação Vidal Ramos, da qual fui a primeira vice-diretora e exerci funções docentes, integrando o quadro dos pioneiros do Serviço Social em Santa Catarina. Com religiosas de outras congregações, assumi a catequese do interior e litoral da Ilha de Santa Catarina. Em 1962, fui professora, fundadora e 1ª diretora da Faculdade de Serviço Social da Universidade Católica de Pelotas.

Em 1966, fiz curso de aperfeiçoamento para docentes de Serviço Social, promovido pela ABESS/CAPES/PUC/RJ e UFRJ; em 1970 colaborei com a UFSC e a Fundação Vidal Ramos no processo de incorporação da Faculdade de Serviço Social, antes agregada à UFSC, constituindo-se em 1979 o Departamento de Serviço Social da Universidade, do qual assumi a chefia. Em 1975, no México, participei do Curso Interamericano de Desarrollo Social Integrado, do CIDES, com bolsa da OEA. Em 1983, fiz especialização em Educação no Centro de Ciências da Educação da UFSC. Em 1988, fiz mestrado na área de Metodologia do Serviço Social na PUC/RS. Aprimorei meus estudos e pesquisas na Europa e Estados Unidos. O Ministério da Educação me designou para comissões verificadoras do funcionamento de cursos de graduação e pós-graduação de Serviço Social. Aposentada (1991), dediquei-me a serviços voluntários na Fundação Vidal Ramos até 1998. Eleita Secretária Regional, passei a residir na Casa Nossa Senhora Medianeira, em Porto Alegre (1999 a 2003). Hoje, integro a Comunidade Mãe de Deus e colaboro com a Pastoral da Saúde da Paróquia Nossa Senhora do Líbano.

Na vida profissional me convenci que a verdadeira evangelização se dá pelo testemunho. Hoje tenho o privilégio de atender doentes a domicílio, católicos e outros. Como meus antepassados, cheguei a uma nova América espiritual (e-mail clemenst@terra.com.br).

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (384)

El pensa che museo l’è posto de meter mussi

Silvino Santin

Santa Maria – RS

 

Genarino, Giulieto e Nanetto i ga ciapà su tuti i fornimenti par i stùdii de Giulieto e i li ga portai su al museo, instalà in tela canónica. Come Nanetto el ghe spiegava a Genarino, ghe gera due màchine de far ritrati, una pi granda, nantra pi pìcola, na machinota de far cìnema, un registrador dele ciàlole tra le persone, che pena finio de parlar, ela la ribatea tuto quel che la gente la gavea parlà. Na vera maraveia del altro mondo.

– Go fin paura che la sia la invension de quel dei due corneti e la coa. In tela maleta ghe ze un compùter e altri afari che lu no’l savea par cosa i servea. Ma vardè vu, Genarino, po ve lo diso qua basseto, par mi le ze tute màchine del diàolo, ze par quela che i sapienti i se dimanda se Dio el ghe ze o nò.

– E vu, Genarino, cossa disio?

Genarino el scoltava sensa dir gnente, par dir la verità no’l pensea tanto diferente. Ma come el ghe ga dimandà el so pensiero, el ghe ga dito che no’l gavea tante idee, parché el ghe dise, mi son nassesto qua a Novo Treviso, pi distante che son ndà l’è stà fin Silveira Martins, che ti romai te lo cognossi, sol pròpio par cognosser el scomìssio dela Quarta colònia, dà che i parlea tanto. Go studià quatro ani tela scola del Sacro Cuore de Gesù de le móneghe, che’l gera lì zo a la sanca. Là par le tante me ze passà in testa de farme prete, ma sol se no ghe fusse stà la obrigassion de far prèdiche. Par mi sol al sentir parlar de prèdiche me vegnea fastìdio. E come mi gera el pi dóveno dea fameia, son restà casa par ténderghe al pupà e la mama fin che i ze morti, come l’era el costume dei primi tempi. E dopo tuto, par dirla giusta, me ga sempre piasesto laorar in colònia, viver in medo la natura, veder el sol spontar e butarse do drio le montagne, vardar le gronde che le casca del coerto dela casa nei giorni de piova, respirar l’ària fresca a la matina, sentir i oseleti cantar e poder saludar e ciacolar con tute le persone sensa disturbarse. Par mi, no sò se la ze na bestema, ma te lo diso, questo ze el paradiso. Se’l Signor el vol, el pol assarme sempre qua.

Nanetto l’è restà tuto maraveià cole parole de Genarino. No’l ga dito gnente, ma el gera sicuro che i due i se someiava tanto. I podaria esser gemei, nò de corpo, ma de ànima.

Intanto riva Giulieto che l’era ndà tor le ciave del museo, che le gavea smentegae in tel cassetin del auto, par scomissiar el so laoro sensa perder tempo.

Pena ndà rento, Nanetto el dise tuto amirà: lora questo ze el museo?! Ze la prima olta che mi vao rento un museo, no savea gnanca cossa che l’era. Mi pensea che’l fusse un posto de meter mussi!

– Ma, Nanetto, no stà gnanca farme rider de matina bonora, ghe dise Giulieto. Ghe mancaria ncora quela, el museo, un posto de meter mussi. No l’è mia che vui inrabiarte, ma mi te disaria che dele volte, qualchedun, par sbàlio, el vien rento. Fursi incó ghinè vegnesto un.

– Ah! valà Giulieto, el vien Genarino in aiuto de Nanetto, par nantri poco studiai ndemo drio a le parole, e, come te vedi, mussi e museo, quando se parla in prèssia, par le nostre rece, i se someia un poco. Lora bisogna capir, parché, go paura, che ghe sia tanta gente che, prima de veder un museo, no i fa idea de cossa che’l ze.

– Gavì rason, ghe risponde Giulieto. Gràssie par insegnarme queste cose. E ve diso de tuto cuore, parché no se le impara in scola, tanto manco in tele università. Là se impara leder grossi libri, gramàtiche e così via, ma poco se impara parlar cole persone, scoltar quel che le dise, capir quel che le pensa.

– Eee!... viva! El osa Nanetto. Te vedi adesso che anca i bauchi i sa, e i pol insegnarghe qualcossa ai sapienti. E po, adesso vui dirte cossa che’l me ga dito el nono Bórtolo là a Silveira Martins. No sò se le parole le ze queste, ma el me ga dito che là a Silveira, dele volte, càpita gente dela università che no i sa gnanca parlar talian, e tanti gnanca i lo capisse, i fa do tre domande, i tira ritrati, i registra in tele so màchine le nostre ciàcole, dopo i scoie quel che ghe par meio, e i se tol el dirito de dir la verità santìssima. Par luri, quel che nantri pensemo o disemo no val gnente, ghe par che semo stai tuti gnoranti, bauchi e imbroiai dai preti.

– Pecà che no te me lo ghè dito prima. Te ringràssio. Te giuro che da qua avanti scoltarò meio tute le persone.

– Ben, adesso che semo tuti intesi sora queste question, vien qua Nanetto che te mostro, en poche parole, par cosa serve un museo.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

LA VÈCIA ARARA

Roque A. Mengato

São Sebastião do Caí – RS

 

Na volta, fa na sbrancada de ani, sarà stà el 1940, ze morto na dona con 90 e pochi ani tea goba. Sta pora cristiana la zera sempre stada ela sola, scàpola e beata, quela che bendia la gente par parar via tute le malatie.

Tuti i la ciamava Rosina Sestela. La stea in São João da Urtiga (RS), tea Linha Santo Antônio dei Cadore, in fondo dea invernada de Piero Rafagnin. Sta noneta la laorea come na mula, e la metea via tutto come le formighe. Se la gavesse pecati, i saria due solo – passar fame par sparagnar, e èsser massa tignosa. La so caseta la zera de tole, cuerta de scàndole de pin, de quatro par quatro, co la cosina, càmera, fogolaro... Par lavarse, la ndea tel rieto; par le necessità, la ndea te le scapoere. No la gavea tera, lora la laorava te le tere dei Bachi, Faiti e Rafagnini. La snetava le piantaion e le case dei paroni.

Un giorno, la Pierina de Queio, so vicina, la ga catà la Rosina Sestela morta tel so leto. Eco! In mesa oreta, tuta la Linha Cadore la ga savesto. Tanti i disea che ela no la gavea soldi, altri i disea che la ghenavea tanti, parché la sparagnava tuto. El velòrio e el sepelimento ze stà spiato par tuti, come racomanda la fede cristiana.

El tempo passa, ma i noni Caprini, Capelli, Bianchi e altri i sevitea dir che tel rancieto dea Sestela ghe saria un gran tesoro. Alora Piero Rafagnin el ghe dà órdine a Gioani Mencatto e Mancieto Pivotto, pioni del gran paron, de desfar la caseta smarsa dea pora vècia.

Madona Dio! Savio cosa i ga catà? Tre sachi de stopa pieni de soldi de tuti i tipi: rèis, pataconi, conti e cruzeiros. Ma i gera soldi che no i ghea pi valor, magnai dei sordi e dele tarme. A la doménega dopo, tuti reuniti tel cemitero i pregava par salvar l’ànima dela vècia arara. E me zio Joanin Brezolin, che’l gera brao de predicar, el salta su na tomba, e el osa:

– Noantri vivemo incadenai dai schei, e no savemo doparar la ciave dea libertà! El vero rico ze quel che vive par giutar ai so compagni.

Dopo ste parole, Toni Mencatto el dise a so pupà:

– Pupà, mi vui èsser frate. E el se ga fato un gran missionàrio capucino, col nome de frate Eliseo Mencatto.

 

Par crepar de rìder

(Colaborassion de Rafael Baldissera, Curitiba – PR)

 

Novo sofero: Un omo el dise a so amigo:

– Mi go perso el controlo del me auto.

– Gheto batesto? Te gheto fato mal? El domanda l’altro.

– Nò!... La me fémena la ga imparà a guidar!

El aniversário:

– Mama, cossa guadagnarò de aniversàrio? Domanda Gioanin.

– Ma, fiol, el to aniversàrio el ze sol tel fin del ano! Manca ncora tanto tempo!

– Si, lo so, par quela! Ma vui sol veder se giova comportarme fin là!

El ciucheton: A medanote, un ciuco el scomìnsia sonar la campanela de tuti i apartamenti de un edifìssio:

– Parona, el to mario zelo a casa?

E tute le fémene respondendo: – El ze drio dormir! – El ze drio magnar! – No’l ze gnancora rivà!

– Lora vien dó, par veder se son mi!

 

GERAL

Natal ilumina região das Hortênsias

Durante dois meses a região se transforma na terra do Papai Noel

 

Para cada R$ 1,00 investido no Natal Luz, de Gramado, R$ 30,00 retornam pelas mãos dos turistas que, em média, permanecem cinco dias na região, atraídos pelas festividades, cultura, gastronomia e belezas naturais. Considerado o maior evento do gênero no mundo, o Natal Luz causa impacto de 0,07% no PIB gaúcho e 0,09% nos empregos no Estado.

O Natal Luz realiza-se de 11 de novembro a 15 de janeiro de 2007. Foi reconhecido como o maior evento de Natal do mundo porque é o maior em período de execução, em números de espetáculos diários; em número de público do mundo (estão sendo aguardados 700 mil turistas) e o maior em aumento da renda per capita da região no período.

Próximo dali, em Canela, ocorre o Sonho de Natal, de 10 de novembro a 14 de janeiro. Cerca de 600 mil pessoas devem prestigiar o tema deste ano "Siga sua estrela". Os cachos de luz, marca registrada, estarão iluminando a cidade, que terá decoração na Catedral de Pedras e postes. São utilizados dois milhões de microlâmpadas, 30 quilômetros de cordas luminosas e cinco mil estrelas. A chegada do Papai Noel será dia 2 de dezembro, com festival de danças, presépio vivo e terno de reis.

Nova Petrópolis – A cidade Jardim da Serra gaúcha inicia os preparativos para o Natal em Cores. O encantamento das comemorações natalinas poderá ser conferido em Nova Petrópolis de 26 de novembro a 6 de janeiro de 2007. A programação do evento será realizada no Parque Aldeia do Imigrante e na Praça da República, popularmente conhecida como Praça das Flores.

Além dos papais-noéis das profissões, a decoração contará com presépio de Natal, na Praça das Flores; com relógio do tempo e com Papai Noel turista – que chegará ao Parque do Imigrante de trem e será recebido por uma bandinha típica.