DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.013 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 08 de novembro de 2006.
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Medidas urgentes para evitar tragédia ambiental
É preciso que os países olhem com a mesma responsabilidade para o futuro do planeta
Representantes de 189 países que assinaram o Protocolo de Kyoto discutem em Nairóbi, Quênia, as mudanças climáticas e as maneiras de reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Há motivos de sobra para que sejam adotadas medidas severas. O primeiro deles está no boletim divulgado na sexta-feira 3 pela Organização Meteorológica Mundial, das Nações Unidas: a concentração de gás carbônico na atmosfera registrou nível recorde em 2005, com 379,1 partes por milhão. O segundo também tem origem na ONU: se o aquecimento global continuar no atual ritmo, haverá um forte impacto em regiões que provocará migração em massa, disseminando doenças e criando conflitos.
Existem outras razões preocupantes para que o mundo diminua a emissão de gases como o carbônico, segundo fator responsável pelo agravamento do efeito estufa, que tem crescido pelo aumento do consumo de combustíveis fósseis. A começar pelas anomalias climáticas que se tornam cada vez mais freqüentes.
Não é preciso ir longe para encontrar indícios dessas transformações. O Sul do Brasil sentiu neste ano semanas de temperatura acima de 30 graus em pleno inverno; a Amazônia viu rios secarem...
O que fazer, quem fará, como e quando? Estas perguntas foram formuladas na criação do Protocolo de Kyoto, que vigora até 2012. O Brasil propõe a ampliação dos compromissos e responsabilidades dos países signatários. Também sugere ações voluntárias de nações para conter a emissão dos gases do efeito estufa e, fonte de polêmica, a adoção de sanções comerciais aos países que não aderirem ao Protocolo – entre eles os Estados Unidos.
Achim Steiner, brasileiro de cidadania alemã que chefia o setor ambiental da ONU, resume em uma frase a urgência de providências tanto de países industrializados como em desenvolvimento: "O tempo para impasses acabou". É preciso que todos olhem com os mesmos sentimento e responsabilidade para o futuro do planeta e fixem como meta imediata a adoção de medidas que permitam uma convivência harmoniosa entre o homem e a natureza. Do contrário, projeções trágicas, como o fim dos peixes no mar em meio século, se tornarão realidade.
Cesta básica do caxiense custa R$ 418
Para adquirir os 43 produtos é preciso 1,194 salário mínimo
Em outubro de 2005, o caxiense precisava desembolsar 1,378 salário mínimo para adquirir os 43 produtos que compõem a cesta básica. Em março de 2006, o custo equivalia a 1,4 salário mínimo; no mês passado, a 1,194. A queda só não é maior porque nos últimos meses os preços têm aumentado. Foi o que ocorreu em outubro, que registrou alta de 0,25%, passando de R$ 416,96 para R$ 418,01.
O custo da cesta básica da cidade de Caxias do Sul é calculado mensalmente pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais da Universidade de Caxias do Sul. As quantidades médias consumidas originam-se de uma Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) realizada nos anos de 1995 e 1996. A amostra abrangeu 463 famílias, escolhidas por método estatístico específico, com renda familiar entre três e trinta salários mínimos e residentes na cidade de Caxias. Os preços foram coletados em cinco redes de supermercados que atuam na cidade, considerando as lojas e as marcas dos produtos mais indicadas pelas famílias entrevistadas, e referem-se à última semana de cada mês.
Os produtos considerados são aqueles que apresentam maior participação nos gastos totais das famílias nos grupos da alimentação, higiene doméstica, higiene pessoal, fumo e combustíveis utilizados no lar. Não estão inclusas, portanto, despesas com educação, transporte, lazer, entre outras.
Dos 43 produtos que compõem a cesta, 19 aumentaram de preço em outubro, 24 tiveram seus preços reduzidos e nenhum permaneceu com o mesmo preço do mês anterior. Os produtos com preços majorados contribuíram com 2,62% para o aumento do custo total da cesta e aqueles que sofreram diminuições de preços colaboraram com – 2,37% para sua redução.
Os cinco produtos que mais contribuíram para o aumento do custo da cesta básica são tomate (40%), capeletti (17,8%), óleo de soja (12,8%), cigarros (10,4%) e carne bovina (1,2%). Os que ajudaram a reduzir o custo são banana (17,6%), alface (13,5%), pão caseiro (7,8%), pãezinhos (7,5%) e leite longa vida (3,1%).
FSG oferece 860 vagas em 11 cursos
A Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) recebe inscrições para o vestibular de verão 2007 até o dia 18 de dezembro. Elas podem ser feitas em vários postos autorizados, como o quiosque no Shopping Prataviera, ou pela internet (www.fsg.br). Nesta edição, a instituição está oferecendo 860 vagas em 11 cursos – entre eles Administração, Ciências Contábeis, Educação Física, Direito e Fisioterapia. A novidade é o curso de Design, com habilitação em Design de Produtos e Design Gráfico. A prova única (53 questões mais a redação) ocorre dia 19 de dezembro, a partir das 18h30, na sede da FSG – rua Os 18 do Forte, 2366.
Criada em 1999, a FSG possui cerca de 4.000 alunos entre os cursos de graduação, pós-graduação e extensão. Segundo o diretor João Dalbello, 92% deles de Caxias do Sul e 8% da região. O número de freqüentadores da faculdade deu um salto de 32% de 2005 para 2006 e Dalbello tem expectativa de repetir esse índice de crescimento em 2007. Para absorver os alunos, a FSG está investindo R$ 1,5 milhão – recursos próprios – na ampliação e aprimoramento da estrutura. As instalações, hoje com 9 mil metros quadrados divididos entre três blocos, passarão para 14 mil metros quadrados no ano que vem.
Curso sem vestibular no comércio varejista
Faculdade Fátima e Sindicato do Comércio Varejista de Caxias – Sindilojas oferecem o curso de bacharelado em Administração voltado para o comércio varejista – associados ao sindicato, familiares e funcionários. São 50 vagas e o acesso não terá vestibular. Segundo o diretor de Educação do Grupo Fátima, Abrelino Vasata, "a tendência é que tenhamos no futuro ainda mais organizações voltadas para a área de serviços e o setor da economia que mais se beneficiará é o comércio". Inscrições pelo site www.faculdadefatima.com.br e no Sindilojas, telefone: 4009.5555.
Agricultura familiar investe nos orgânicos
Em 887 mil hectares, 50 mil agricultores produzem 300 mil toneladas de alimentos
Os cultivos agro ecológicos avançam no mundo. Pesquisa recente indica que há cerca de 31 milhões de hectares sob cultivo orgânico em todo o planeta, sendo o Brasil um dos principais produtores, com a sexta maior área: 887,6 mil hectares – se incluído o extrativismo, esta área sobe para 6,5 milhões de hectares.
A agricultura orgânica no Brasil apresenta crescimento estimado de 30% ao ano e potencial para atingir 3 milhões de hectares no curto prazo, segundo o Instituto Biodinâmico (IBD). Além disto, o país tem o maior potencial de produção do planeta, sendo o único com reserva de 90 milhões de hectares agriculturáveis. O mercado mundial movimenta cerca de US$ 30 bilhões e, no Brasil, em torno de US$ 250 milhões, com potencial de crescimento anual médio de 25%.
A prática orgânica ou ecológica na agricultura e criação de animais tem apresentado potencial de crescimento no Brasil. Em grande parte pela demanda de alguns países europeus, além dos Estados Unidos, Japão e Austrália. E em menor grau pelo interesse dos consumidores brasileiros, que cresce de forma consistente. Por utilizar apenas métodos naturais no trato de plantações ou no trato com os animais, a produção orgânica se abre como uma oportunidade de crescimento sustentável para a agricultura familiar. Isso porque elimina a necessidade de investimento em insumos de custo mais elevado como adubos químicos e antibióticos.
No Brasil, estima-se que 90% da produção orgânica vêm da agricultura familiar. "Portanto, há potencial para a produção familiar ser de fato a base da agricultura orgânica, porque atua com diversas culturas, promove a economia de energia, preserva áreas verdes e mantém a biodiversidade. E tudo isso contribui para manter a qualidade de vida dos produtores, de suas famílias e, por fim, dos consumidores", assinala Maria Maurício, da Unidade de Agronegócios e Territórios Específicos do Sebrae Nacional.
Mercados – Aproximadamente 60% da produção é exportada. Os principais produtos exportados são soja, café, açúcar, castanha de caju, suco concentrado de laranja, óleo de palma, chocolate em pó e carne. Em volumes menores, frutas, peixes, mel, barras de cereais, fécula de mandioca, feijão adzuki, gergelim, especiarias (cravo da índia, canela, pimenta do reino e guaraná) e óleos essenciais.
Segundo o IBD, existem 19 mil produtores orgânicos certificados no Brasil, sendo que somente 250 empresas são regularmente constituídas e que atendem as exigências obrigatórias para exportar. Se fossem considerados pequenos produtores em diferentes regiões, sobretudo nos assentamentos rurais e projetos agro ecológicos, o número de produtores chegaria a 50 mil.
Pecuária leiteira tem regras do Ministério
A pecuária orgânica de leite também avança no país. A produção tem normas específicas editadas pelo Ministério da Agricultura. A legislação estabelece procedimentos para que o leite da propriedade seja considerado orgânico. Ela regulamenta a alimentação do rebanho, instalações e manejo, escolha de animais, sanidade e até o processamento e empacotamento do leite.
Na alimentação dos animais, busca-se a auto-suficiência na produção. O alimento deve ser equilibrado e suprir as necessidades dos bovinos. Os suplementos devem ser isentos de antibióticos, hormônios e vermífugos. São proibidos aditivos, promotores de crescimento, estimulante de apetite, uréia etc.
O confinamento dos animais é proibido. Eles devem ter acesso a piquetes para exercitar-se e tomar sol no mínimo três horas por dia. Os sistemas silvipastoris são indicados na proporção de 10 a 15 árvores/ha. São proibidas mutilações para não estressar os animais. Os criadores devem ainda estar atentos para os produtos usados na lavagem e desinfecção dos utensílios – são permitidos detergentes biodegradáveis.
Para preservar a saúde dos bovinos, utiliza-se a homeopatia. Os medicamentos convencionais são restritos às situações de emergência, como o risco de vida dos animais. Controlar parasitas no rebanho só por meio de rotação de pastagens e uso de compostos de origem vegetal. "A sanidade é controlada por meio de tratamentos homeopático e fitoterápico", diz a pesquisadora Patrícia de Sousa.
Caxias do Sul reúne feirantes de sete municípios
Todos têm algo em comum. São proprietários de pequenas áreas, que, cansados de trabalhar com agroquímicos e doentes, mudaram radicalmente o sistema de plantio: decidiram pela agricultura ecológica. Espalhados nos mais diversos municípios da Serra e até do Litoral, têm encontro marcado todas as quartas-feiras e sábados em Caxias do Sul na Feira Ecológica.
Atendendo a apelos de consumidores, a Feira Ecológica caxiense surgiu em 1998. Hoje reúne 13 famílias produtoras de sete municípios. Tendo em comum a preocupação social e ambiental comercializam de frutas a hortaliças, passando por sucos, doces e até massas caseiras.
É o caso do caxiense Ari Venturin, 63, que comercializa tortéi, agnolini, lasanha, ravióli etc, produzidos com ingredientes ecológicos da própria propriedade. O casal Dervi José, 51, e Beatriz Brancher, 42, da localidade de 9ª Légua, em Caxias do Sul, é outro exemplo. "Com a produção limpa, sei que estou oferecendo saúde ao consumidor", diz o casal.
Dos mais de cem núcleos de produtores ecologistas gaúchos, envolvidos na produção e comercialização de alimentos orgânicos, que cultivam cerca de 3.000 hectares no Estado, 265 famílias estão na Serra. Há ainda outras 150 famílias em processo de transição.
Agricultores diversificam produção e pontos de comercialização no RS
Produtor de batata, uva e feijão, na Linha 60, em Caxias do Sul, Antonio Rossi, 43, é o presidente da Feira Ecológica. Preocupado com o meio ambiente e com as intoxicações por agrotóxicos, partiu para a agricultura ecológica na década de 90. "O processo de reversão foi feito em etapas. Comecei com a batata", conta Rossi.
No início encontrou resistência até dos pais. "Meu pai, Avelino, foi taxativo: ‘Não vai dar certo!’" Superados os problemas, inclusive de saúde, Rossi garante que tudo melhorou e hoje "estou mais disposto." Juntamente com a conscientização ecológica, veio a separação do lixo e a mudança nos hábitos alimentares da família. "Mudou a lavoura, mudou a mesa", diz.
Já o agricultor José Tondello, de São Roque, em Antônio Prado, faz feira há oito anos em Caxias do Sul, além de vender sua produção na feira de Porto Alegre. Produtor de tomate, cebola e outras hortaliças, valoriza a amizade com os consumidores, consolidada com a troca de informações.
Para José Tondello, que é associado à Cooperativa de Produtores Ecologistas de Antônio Prado (Aecia), o segredo da produção ecológica é o manejo da planta e o cuidado com o solo. "A adubação verde, incorporada de forma mais superficial, é um dos segredos para produzir bem e com qualidade", relata.
O fruticultor Maique Kochenborger, 24, saiu de madrugada da pequena comunidade de Lajeadinho, em Montenegro, para vender cítricas em Caxias. Sócio da Cooperativa de Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitros), também comercializa frutas em supermercados de Porto Alegre e na feira de seu município.
Suíno ganha 40 cortes para aumentar consumo
Criadores também lançam campanha para divulgar carne
A carne mais consumida no mundo atualmente é a suína, representando 39% do total do consumo de proteína animal, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). As maiores taxas de consumo per capita ocorrem em países situados no topo do ranking de Desenvolvimento Humano organizado pela ONU.
Na Áustria, o consumo individual alcança a marca de 76 quilos per capita/ano, ou 208 gramas por dia. Dinamarca, Espanha, Alemanha, Itália e os países nórdicos vêm em seguida. Enquanto isso, os brasileiros consomem em torno de 12 kg per capita/ano.
Para mudar esse panorama, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) acaba de lançar a campanha "Um novo olhar sobre a carne suína" com o objetivo de mudar a política de comercialização e mostrar ao consumidor os benefícios do produto. A iniciativa partiu do resultado de pesquisa para descobrir os principais pontos de interesse na comercialização e consumo. O levantamento identificou mitos e as principais razões para o pouco consumo da carne.
A campanha vai trabalhar o varejo, os pontos de venda, e mostrar aos consumidores os benefícios da carne suína, além de atendê-los com cortes mais práticos.
Carcaça – Como forma de valorizar a apresentação da carne suína e de estimular o consumo, a ABCS criou 40 novos cortes para apresentação da carne ao consumidor. "Infelizmente, o consumidor não conhece mais do que três cortes: pernil, lombo, costela. No entanto, é possível elaborar até 60 cortes diferentes com carcaça padrão – suíno pesando 120 kg", diz o professor Daniel Furtado, que ensina a proprietários de açougue, supermercados e nutricionistas a elaborar os cortes.
Assim, as ações, como a do Centro de Tecnologia da Carne do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), de São Paulo, ajudam a divulgar e esclarecer o público sobre a qualidade da carne. Coordenado pelo pesquisador Expedito Tadeu Facco Silveira, o Ital realiza cursos divulgando os novos cortes da carcaça suína e suas diferentes formas de apresentação comercial.
A iniciativa do Ital tem o objetivo de mostrar como frigoríficos, casas de carnes e até mesmo produtores podem valorizar a apresentação da carne suína e desse modo estimular o consumo. Os 40 cortes nobres de carne suína estão divididos em cinco grupos: magros; grill; forno; cortes universais; churrasco. Para cada um desses grupos há opções de cortes finais e gastronômicos.
Brasileiro vê carne como pouco atraente
O preconceito com relação ao impacto sobre a saúde do consumidor; cortes poucos práticos; cortes volumosos, quase sempre associados a eventos festivos e apresentação inadequada nos pontos de venda, quase sempre associada à gordura. Essas foram as principais razões apontadas pela pesquisa da ABCS para o pouco consumo da carne suína no país.
Culturalmente, a carne suína é vista pelo brasileiro como produto pouco atraente e saudável. "É uma distorção criada a partir da falta de esclarecimento", declara o presidente da entidade Rubens Valentini. "O suíno entregue ao mercado é alimentado com rações à base de milho e soja, e apresenta cortes com níveis de colesterol inferiores aos de outras carnes. A carne oferecida não tem qualquer relação com o porco-banha criado e consumido em meados do século passado", afirma Valentini.
Além dos cortes diferenciados de carne suína, o consumidor brasileiro tem à sua disposição produtos industrializados, tais como curados cozidos (presunto), embutidos frescais (lingüiças), fermentados (salame, copa e presunto cru), defumados (bacon, tender) e outros.
Resíduo de ave e suíno vira biodiesel
Transformar a gordura animal em biodiesel. Essa é a proposta da Embrapa Suínos e Aves, que pesquisa o aproveitamento da gordura de suínos e aves. A substância é hoje encaminhada principalmente a empresas que produzem farinha para ração animal e usada para gerar combustível destinado ao aquecimento de sistemas de produção. Segundo a pesquisadora Martha Higarashi, a preocupação da Embrapa é contribuir para a sustentabilidade da cadeia produtiva. "Por isso, propomos que o biodiesel extraído da gordura animal seja aproveitado para diminuir o custo de produção dos criadores e das agroindústrias", declara.
A intenção da Embrapa é disponibilizar nos próximos anos de uma metodologia para a geração de biodiesel a partir da gordura animal proveniente de resíduos de abatedouros. Também será disponibilizado modelo, com a sugestão de equipamentos, para transformar o biodiesel em fonte de aquecimento nas instalações usadas para a criação de suínos e aves. Informações (49) 3441.0400.
Suíno light melhora genética há 10 anos
O suíno light da Embrapa Suínos e Aves, chamado de macho suíno sintético 60 (MS– 60), há dez anos permite que pequenos produtores de suínos de todo o Brasil tenham acesso a um animal com qualidade genética adaptada às exigências do mercado brasileiro.
A Embrapa apresentou o MS – 58, primeira versão do suíno light, na Expointer de 96. Na época, as agroindústrias brasileiras haviam começado a remunerar os produtores pela quantidade de carne magra na carcaça. Foi só a partir do surgimento do MS que produtores puderam melhorar a qualidade genética do rebanho.
Glicerina usada para alimentar frangos
A glicerina, produto derivado da produção de biodiesel, pode ser utilizada como suplemento alimentar para frangos, de acordo com pesquisa da Universidade de Arkansas (EUA). "A glicerina, carboidrato que representa de 10% a 12% da gordura típica, é derivada de lipídios e óleos produzidos a partir do biodiesel", diz o nutricionista Park Waldroup.
Estudo mostrou que pintinhos com até 16 dias podem ser alimentados com até 10% de glicerina sem prejudicar seu crescimento. O mesmo ocorreu com a glicerina na alimentação dos pintos até a idade de abate, com crescimento e qualidade da carne estáveis. "Dietas com até 5% de glicerina garantem boa performance, mas com o uso de 10%, a digestão tornou– se complicada", observa Waldroup. "Nenhum dos níveis de glicerina utilizados surtiu efeito na qualidade da carne.
Abraves congrega e atualiza veterinários
Veterinários, técnicos, produtores e estudantes que atuam na área de produção e sanidade suína têm mais uma oportunidade de encontro e aperfeiçoamento de 16 a 19 de outubro de 2007, em Florianópolis. Nesse período realiza-se o Congresso Nacional de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves).
"Desafios da produção de carne suína para o mercado globalizado" é o tema do Abraves. Informações (11) 21183133 e abraves@gessulli.com.br
Transgênico ameaça áreas protegidas
Governo reduz distância mínima entre plantio e unidades de conservação
Cerca de 3.000 agricultores de Mato Castelhano, Passo Fundo, Vila Lângaro, Água Santa, Gentil, Coxilha e Marau, com propriedades rurais próximas à Floresta Nacional de Passo Fundo, viram uma luta travada há quase três anos traduzida em vitória. O governo federal reduziu a distância no entorno das unidades de conservação (UCs) em que é proibido cultivar sementes geneticamente modificadas de soja e algodão. No caso da soja, a distância foi reduzida para 500 metros; e para o algodão, a nova faixa limite mínima é de 800 metros.
Até agora, os produtores rurais não podiam plantar variedades transgênicas numa área de 10 quilômetros ao redor dos parques, a não ser que um plano de manejo específico determinasse zona menor, "chamada tecnicamente de zona de amortecimento", explicam técnicos da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Estado também beneficiado com a medida.
A MP 327/06 que reduz a zona de amortecimento – área tampão que separa as unidades de conservação das áreas de plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs) – foi assinada pelo presidente Lula. De acordo com a nova MP, as zonas de amortecimento passam a ser determinadas caso a caso para cada uma das variedades transgênicas, por meio de decreto presidencial.
As zonas de amortecimento tinham sido regulamentadas pela Lei de Biossegurança, aprovada em 2005, e garantiam distância mínima de 10 km entre o plantio de transgênicos e as unidades de conservação. A MP revogou o artigo que regulamentava essa distância. Quando houver parentes silvestres do algodão na unidade de conservação, a distância aumenta para 5 km.
Afronta – Para o Greenpeace, essa decisão é uma afronta ao princípio da precaução e não poderia ter sido tomada sem consulta à sociedade. "A sociedade civil brasileira exige respeito à biossegurança e ao meio ambiente do país e repudia qualquer medida que possa colocar em risco a segurança ambiental brasileira", diz Gabriela Vuolo. "Se antes dessa medida, as zonas de amortecimento eram desrespeitadas, agora a situação só tende a piorar", alerta Vuolo.
Cetanp comemora mil alunos formados
O agricultor Rafael Martini, de São Francisco de Paula, na Serra gaúcha, recebeu, além do tradicional certificado de conclusão do curso de embutidos, o certificado de milésimo aluno formado pelo Centro Regional de Profissionalização de Agricultores de Nova Petrópolis/RS (Cetanp)."Vim em busca de aperfeiçoamento. O curso me ensinou a trabalhar com mais perfeição, os cuidados com a higiene, as regras de construção do prédio", destacou Martini.
"Hoje não se admite mais um agricultor entrar numa atividade rural, principalmente numa atividade nova, sem passar por um processo de profissionalização", afirmou o diretor administrativo da Emater/RS, Luiz Ângelo Poletto, ao entregar o certificado a Martini.
A preocupação do coordenador do Cetanp, o agrônomo Arnaldo Basso, é qualificar cada vez mais as pessoas que fazem da agricultura sua atividade econômica. "A necessidade de mudanças faz com que os produtores rurais venham buscar novas tecnologias e conhecimentos que possam auxiliá-los na melhoria da produtividade e da qualidade da produção, na conservação do meio ambiente e na segurança alimentar", declarou Basso.
Engº. Agrº. José Zugno
Principais doenças das cítricas
Peço informações sobre as várias doenças que podem prejudicar as frutas cítricas. Tenho um pomar com 20 pés de laranjeiras, 20 de bergamoteiras e mais alguns de mangueiras. Acontece que as laranjas amarelam, ficam cheias de verrugas e as folhas ficam todas enrugadas, com manchas vermelhas.
Arlindo R. da Silva
Gravataí – RS
Com relação às doenças das laranjeiras e outras cítricas são causadas por vírus, fungos e bactérias. As principais doenças viróticas são: tristeza, sorose, exocorte e a xiloporose. E as doenças fúngicas são: gomose, rubelose, melanose e a verrugose. Das doenças bacterianas, a principal é o cancro cítrico, e outras como o mal-de-Araraquara.
Tristeza – No passado causou grandes estragos à citricultura. É caracterizada pela clorose das nervuras foliares, queda das folhas, diminuição da produção e ramos secos. O nome parece ter vindo do aspecto tristonho da planta, que vai perdendo as folhas, e os ramos progressivamente secando, a começar pelas extremidades, até a morte da planta. É causada por porta-enxertos intolerantes ao vírus como a laranja azeda, pomelo e toranja. O porta-enxerto de laranja doce é resistente ao vírus, por isto é muito empregado para tal fim.
Sorose – Começa aparecer em plantas adultas a partir dos oito anos e o principal sintoma é a rachadura da casca, que acaba se desprendendo, e a planta entra em declínio, reduzindo cada vez mais a produção, até a morte da fruteira.
Exocorte – Os sintomas se revelam no tronco quase rente ao solo, principalmente no local do enxerto, onde surgem rachaduras no porta-enxerto em plantas com idade de três a oito anos, podendo ocorrer produção de goma. A doença é transmitida por enxertos contaminados pela doença e porta-enxertos suscetíveis ao vírus.
Xiloporose – Ocorre no lenho (xilema), no tronco, debaixo da casca. É caracterizado por saliências ou depressões. Se as saliências ocorrem no tronco, na casca surgirão depressões. E vice-versa: se no tronco surgirem depressões, na casca haverá saliências. A doença é transmitida por enxerto retirado de planta infectada e porta-enxerto suscetível, como no caso anterior.
Gomose – É causada por um fungo que existe no solo. Penetra nos tecidos da planta, atacando a região entre o lenho e a casca, causando uma ferida que expele uma resina característica. É mais comum nos solos úmidos e argilosos. Combate-se esta doença limpando as feridas e passando pasta bordalesa.
Rubelose (ou Camurça) – Causada por um fungo que ataca principalmente os ramos, envolvendo-os externamente com expansões acinzentadas, dando o aspecto da camurça. Combate-se a moléstia através de uma poda de limpeza e a proteção dos ramos podados com pasta bordalesa.
Melanose – O fungo causa manchas circulares, escuras, recobrindo áreas maiores ou menores principalmente nos frutos, mas também nas folhas e ramos, que secam e se tornam focos permanentes da infecção. Controla-se o mal com poda adequada desses ramos e com a proteção da planta com fungicidas cúpricos, como a calda bordalesa.
Verrugose – Acontece pela ação de um fungo que afeta todos os órgãos da planta, sobretudo nos frutos, que ficam comercialmente desvalorizados. A incidência ocorre, em geral, nas partes em desenvolvimento. Inicialmente o fungo ataca o fruto em formação, produzindo manchas algo deprimidas, que, mais tarde, no seu amadurecimento, transformam-se em lesões salientes, irregulares, geralmente de cor acinzentada (verrugas). Controla-se a doença por meio de pulverizações da calda bordalesa, após limpeza das plantas do pomar.
Provavelmente, pelas notícias de sua carta, esta é a moléstia que está atacando as suas laranjeiras.
Cancro cítrico – É, provavelmente, a mais temida das doenças dos citros, causada por bactérias que penetram através dos estômatos dos órgãos verdes da planta, favorecidas pelas condições ambientais: temperatura e umidade altas. Produz manchas superficiais com centro esbranquiçado. O controle é difícil. Em geral exige a erradicação da planta.
Mal-de-araraquara – Doença recentemente identificada. Causa o definhamento da planta cítrica e o declínio de sua produção.
Muitos males das laranjeiras são veiculados por pragas: pulgões, ácaros, trips e cochonilhas.Recomendo ao prezado leitor, além da vigilância e limpeza no pomar, que procure assistência técnica como a da Emater, para identificação precisa dos males que afetam a cultura, e orientar adequadamente o manejo e os tratamentos necessários.
Consumidores ainda confundem diet e light
Maioria desconhece as reais funções desses alimentos
Há anos, os produtos diet e light vêm ganhando espaço no mercado. Eles estão cada vez mais presentes na vida do consumidor. Porém, a maioria das pessoas ainda não sabe quais seus reais benefícios e indicações.
A última pesquisa divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos Dietéticos, para Fins Especiais e Suplementos Alimentares (Abiadsa) indica que os produtos diet e light estão presentes em cerca de 35% dos lares brasileiros. Nos últimos dez anos, os negócios do setor aumentaram 800% no país. Porém, outro levantamento da mesma instituição constatou que há grande desconhecimento em relação a esses produtos. Entre os entrevistados que definiram o que são alimentos diet, apenas 8% responderam corretamente. Em relação aos light, ninguém deu o conceito correto.
Muita gente ainda acredita que alimento diet é aquele que não contém açúcar – esse é um dos principais mitos em relação a esses produtos. O que caracteriza um produto diet não é necessariamente a falta de açúcar, mas a retirada de algum nutriente, que pode ser açúcar, mas também sódio, gordura, proteína etc. Geralmente, os produtos diet são dirigidos a grupos específicos, como hipertensos ou diabéticos.
Outro equívoco freqüente é imaginar que os ligth não têm gordura. Na realidade, o produto light tem valor energético (calorias) ou conteúdo de algum nutriente (açúcar, gordura etc) baixo ou reduzido em pelo menos 25%, se comparado a sua versão tradicional. Em outras palavras, os produtos ligth podem ter redução de diferentes nutrientes, não apenas de gordura.
O estudo apontou ainda que mais de 60% dos consumidores de produtos diet e light não eram motivados pela vontade de perder peso, mas pela intenção de levar uma vida mais saudável. Porém, os nutricionistas recomendam cautela ao relacionar diretamente esse tipo de produto à saúde. Segundo os especialistas, eles são recomendados em situações especiais e não devem substituir a alimentação convencional, que inclui frutas e verduras. Isso significa que devem ser ingeridos com moderação, pois continuam sendo produtos industrializados e não devem substituir os naturais.
Produtos não têm efeito emagrecedor
Muitas pessoas também crêem que light é um produto para emagrecer. Como têm redução do valor energético ou de nutrientes que fornecem calorias, de fato, alguns desses alimentos podem conter menos calorias que sua versão original e, por esse motivo, fazer parte de dietas de emagrecimento. Porém, nem todos são assim. O erro, nesse caso, é imaginar que quanto mais a pessoa comer produto light, mais vai emagrecer – eles não têm "efeito emagrecedor". O fato de o alimento ser light também não significa que a pessoa pode consumir o quanto quiser. Quem age dessa maneira, pode estar ingerindo ainda mais calorias.
Por não conter açúcar ou gordura, alguns produtos diet também contêm menos calorias, mas isso não é regra. Aliás, alguns alimentos diet podem ser até mais calóricos que os tradicionais. O chocolate diet é um exemplo clássico. Ao retirar o açúcar, muitos fabricantes acrescentam gordura para dar mais consistência, o que deixa o doce com tantas ou mais calorias que o original. Se a intenção é diminuir calorias, deve-se observar os rótulos.
Quanto ao consumo de diet e light por crianças, os estudos não são conclusivos. Não há comprovação de que esses produtos fazem mal aos pequenos, mas a maioria dos médicos concorda que eles só devem ser usados como última opção. O primeiro passo é reequilibrar a alimentação das crianças.
Pesquisas apontam benefícios da dieta
Ao contrário do que muita gente pensa, não só o leite e seus derivados, ricos em cálcio, são indicados para evitar a osteoporose. Pesquisadores da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, descobriram que o ômega– 3, encontrado nos peixes, também estimula a produção de células ósseas. Outros estudos apontam que o ômega-3 otimiza a atividade cerebral e pode ajudar a prevenir depressão.
Outra novidade é que as gorduras poliinsaturadas, encontradas na castanha-do-pará, por exemplo, também podem ajudar na prevenção do diabetes tipo 2, segundo pesquisadores da Universidade Harvard. A mesma instituição também concluiu que o queijo magro é uma arma contra o diabetes, devido ao cálcio. O nutriente parece ter ligação com a resistência à insulina, mas ainda não está claro o mecanismo de ação.
Produto diet não controla diabetes
Os produtos diet sem açúcar são indicados aos diabéticos, mas isso não significa que eles controlam o problema. Ocorre que os diabéticos precisam moderar a ingestão de carboidratos em geral, e não apenas do açúcar. Sendo assim, produtos isentos de açúcar podem conter carboidratos provenientes de outras fontes. Os biscoitos diet, por exemplo, podem não ter açúcar em sua composição e possuir carboidratos originários da farinha, que vão se converter em glicose da mesma forma.
O mesmo é válido para os hipertensos. Eles devem controlar a quantidade de sal em todos os alimentos, não apenas nos produtos industrializados diet e light. E o sal light, ajuda? O sal light salga menos e por isso as pessoas acabam usando-o em maior quantidade. Mesmo assim, o potássio que é utilizado no produto para substituir parte do sódio acaba compensando, pois atua como redutor da pressão arterial. Ainda é preciso saber que nem todos os alimentos light e diet fazem bem aos cardíacos, pois alguns têm muita gordura saturada, sal e gorduras trans.
Estresse pode causar desordem nutricional
Pouca gente sabe, mas quando o corpo está tenso ele ativa mecanismos de defesa que consomem nutrientes do organismo. Isso quer dizer que o estresse pode causar um desequilíbrio nutricional, provocando reações como irritabilidade, variações de humor e queda de cabelos. Isso ocorre porque o estresse eleva a produção de alguns hormônios e aumenta a demanda por nutrientes. Por isso, os especialistas recomendam, além de exercícios físicos e técnicas de relaxamento, uma alimentação saudável. A dieta é essencial para que o organismo crie condições fisiológicas para combater o estresse.
Alguns alimentos são especialmente indicados por suas propriedades calmantes. Outros são importantes para repor os nutrientes consumidos nos momentos de tensão. Há também os que devem ser evitados porque contribuem para a ansiedade. A seguir, algumas dicas:
– Alimentar-se a cada três horas, pois longos intervalos de jejum submetem o organismo a um estresse interno.
– Consumir cinco porções de frutas e verduras por dia, para repor vitaminas e minerais.
– Incluir maracujá na dieta, por seu efeito tranqüilizante.
– Preferir alimentos integrais, que têm fibras nutritivas.
– Chás e ervas calmantes auxiliam a relaxar. Uma boa opção é fazer uma infusão de erva-cidreira, camomila e melissa.
– Evitar alimentos ansiogênicos, como o café e bebidas a base de cola.
Atualidade da "aposta" de Pascal
Leonardo Boff
Que futuro têm o planeta Terra e a vida se tomarmos a sério os recentes alarmes de cientistas? Vale apostar que o mundo é salvável e o ser humano resgatável a ponto de descobrir a irmandade universal até com as formigas do caminho Blaise Pascal (1623 – 1662) foi um dos grandes gênios do Ocidente como matemático, físico e filósofo. Em pleno debate com a razão moderna nascente, depois de uma profunda experiência espiritual, escreveu uma "Apologia da Religião Cristã". Ela deveria responder às objeções da época de forma cabal e irrefutável. Não conseguiu seu intento pois, muito doente, morreu com a idade de apenas 39 anos em 1662, em Paris. Deixou somente anotações e pensamentos dispersos que vêm sob o título "Pensées" ("Pensamentos"), apreciados até os dias de hoje.
Depois de tentar todo tipo de argumento em favor da fé, deu-se conta, de forma honrada, de que nenhum deles era cabalmente convincente. Foi então que forjou o famoso argumento da "aposta" válido até os dias atuais.
No parágrafo 233 de seus "Pensées", Pascal colocou a seguinte questão: "Dieu est, ou il n’est pas" ("Deus existe ou não existe"). Sustenta que a razão pode aduzir tanto argumentos a favor quanto contra a existência de Deus. Destarte, não se consegue determinar uma resposta convincente. Como sair desse impasse? É aí que Pascal afirma: "Il faut parier" ("É necessário apostar"). Você não tem escapatória porque, uma vez que suscitou a questão, você se encontra "embarcado nela", diz ele. A razão não sai humilhada pelo fato de ter que apostar. A aposta apresenta a seguinte vantagem: "ou você tem tudo a ganhar ou você não tem nada a perder". Portanto, a aposta é racional.
Se você afirmar "Deus existe" e Ele de fato existe, você tem tudo a ganhar, a vida e a eternidade. Se você afirmar "Deus não existe" e Ele de fato não existe, você não tem nada a perder: o sentido da vida e eternidade era mero devaneio. Então é racional, aconselhável e justo que você afirme "Deus existe" e assim você tem tudo a ganhar.
Qual a atualidade da "aposta pascaliana" para os dias atuais? Culturalmente, a questão não é mais posta em termos de "se Deus existe ou não", mas nesses termos: que futuro têm o planeta Terra e a vida se tomarmos a sério os alarmes dados recentemente por cientistas renomados? Há galáxias que engolem outras galáxias. Que sentido tem o universo que pela lei da entropia, irrefragavelmente, caminha para a morte térmica? Tem sentido a vida humana depois da experiência dos campos de extermínio nazista e da tsunami do sudoeste da Asia? Tem sentido o destino das grandes maiorias submetidas à fome, a todo tipo de exploração, com crianças estupradas e mulheres submetidas à escravidão sexual?
Somos desafiados também a apostar: apostamos que apesar de todas as contradições, trabalha um sentido secreto no universo. Ele um dia vai se manifestar e será a suprema felicidade da criação e assim ganhamos tudo. A luz tem mais direito que as trevas. Ou então tudo não passa de absurdo e a felicidade é ilusória e acabaremos todos no pó cósmico e assim não perdemos nada quando deixamos de acreditar.
Vale então apostar, numa atitude de confiança e de entrega radical (é o sentido bíblico de fé), que o mundo é salvável e o ser humano resgatável a ponto de descobrir a irmandade universal até com as formigas do caminho. Apostando nisso, teremos tudo a ganhar aqui e na eternidade.
Frei Betto
Muitos se queixam de que o mundo vai mal, o governo é incompetente... Mas o que faço para melhorar as coisas? Nada mais caricato que o sujeito que fica sentado, arvorando-se em juiz de tudo e de todos. É, no mínimo, um chato
Cidadania rima com democracia. Se nem se sabe o nome do político em que se votou nas últimas eleições, e muito menos o que andou fazendo (ou desfazendo), como participar das decisões nacionais? Assim, nossa democracia permanece meramente representativa. Dá-se um bom emprego a um político. Sem se dar conta de que são reflexos diretos da política o preço do pão, a mensalidade da escola, a qualidade de vida, o tamanho do aluguel e a possibilidade de férias.
Ser cidadão é entrar em um nó de relações. Desencadear um processo sócio-econômico com efeitos na qualidade de vida da população. É simples: quando se pede nota fiscal, evita-se a sonegação e aumenta-se a arrecadação pública que, em tese, permite ao governo investir em equipamentos e serviços essenciais a uma vida melhor: rodovias, hospitais, escolas, segurança etc. Quando se recusa a propina ao guarda, moraliza-se o aparato policial. Quando se protesta contra a violência e a pornografia televisivas, exigindo que a sociedade controle o conteúdo da TV e deixe de consumir produtos dos patrocinadores de programas antiéticos (não confundir com censura, praticada pelos donos das emissoras), dilata–se o processo democrático.
Cidadania supõe, portanto, consciência de responsabilidade cívica. É como a parábola do menino que, na praia, devolvia ao mar um e outro dentre milhares de peixinhos que a maré havia jogado na areia. Alguém objetou: "De que adianta! Você não poderá salvá-los todos". Ao que o menino respondeu: "Sim, sei disso. Mas este – e mostrou um peixinho que dançava em sua mão – está salvo". E jogou–o de volta à água.
Nada mais anticidadania do que essa lógica de que não vale a pena chover no molhado. Vale. Experimente recorrer à defesa do consumidor, escrever para os jornais e às autoridades, dar o exemplo de consciência de cidadania. Querem os políticos corruptos que passemos a eles cheque em branco para continuarem a tratar a coisa pública como negócio privado. E fazemos isso todas as vezes que torcemos o nariz para a política, com aquela cara de nojo.
Cidadania rima ainda com solidariedade. Cada um na sua e Deus por ninguém é o que propõe a filosofia neoliberal. Sem consciência de que somos todos resultados da loteria biológica. Nenhum de nós escolheu a família e a classe social em que nasceu. Injusto é, de cada 10 brasileiros, seis nascerem entre a miséria e a pobreza (e nascem por ano, no Brasil, cerca de 3 milhões de pessoas). Ter sido sorteado não implica uma dívida social?
A solidariedade se pratica com participação nos movimentos sociais – Igrejas, movimentos populares, sindicatos, partidos, ONGs, administrações políticas voltadas aos interesses da maioria. Uma andorinha só não faz verão. Como diz a canção, sonho de um é sonho; de muitos, vira realidade.
Se prefere deixar "tudo como está para ver como fica", não se assuste quando lhe enfiarem um revólver na cara ou exigirem que trabalhe mais por menos salário. Afinal, você merece, como todos aqueles que não percebem que cidadania e democracia são sempre uma conquista coletiva que depende do corajoso empenho de cada um de nós.
É preciso intensificar a educação para cidadania. É equivocada a idéia de que voluntários são pessoas que não precisam de trabalho remunerado, pois dispõem de renda. São pessoas pobres, a maioria dos que conheço, ou remediadas que, além de seus trabalhos profissionais, dedicam tempo a obras assistenciais ou movimentos sociais. Espalhada pelo país, há uma imensa rede de creches, asilos, escolas informais para crianças carentes, hospitais, oficinas de arte e artesanato, cooperativas etc., que contam com a participação de homens e mulheres que, ali, sentem-se felizes por fazerem outros felizes.
A dificuldade de se obter voluntários é maior na classe alta que, objetivamente, dispõe de tempo e recursos para ajudar aos mais pobres. É como se a educação para o egoísmo, em função da preservação do patrimônio, prevalecesse sobre a educação para o altruísmo. Quando muito, um chá para angariar fundos a pedido de uma primeira-dama. Nada de contato com pobres, "essa gente fedorenta que só sabe pedir...", como ouvi da boca de um executivo.
Há exceções, em geral pessoas que passaram por algum trauma – doença, separação, morte de um filho – , e descobriram que a solidariedade é o melhor remédio para angústias individuais. Como ensinava Charles De Foucauld, encucações são luxo para quem não se preocupa com o problema dos outros. O amor ao próximo é a melhor terapia, baseada em motivação ética ou espiritual.
Recordo a minha alegria infantil ao distribuir, num hospital pediátrico, brinquedos e roupas que me sobravam no armário. Hoje, muitas escolas mantêm parcerias com associações de favelas e movimentos populares, educando seus alunos em serviços à população de baixa renda, como alfabetização, teatro e aprendizado de habilidades profissionais. É nessa linha que atuam também os programas Escolas Irmãs, vinculado ao Fome Zero (escolasirmas@planalto.gov.br), e "Jovem Voluntário. Escola Solidária" (facaparte@facaparte.org.br).
Muitos se queixam de que o mundo vai mal, o governo é incompetente, os políticos oportunistas. Mas o que faço para melhorar as coisas? Nada mais caricato que o sujeito que fica sentado, arvorando-se em juiz de tudo e de todos. É, no mínimo, um chato.
Havia em São Paulo um travesti, Brenda Lee, que batizei de Cleópatra em meu romance Alucinado Som de Tuba (Ática). Antes de morrer assassinado, ocupou-se de cuidar de seus companheiros contaminados pela Aids. Não esperou que o poder público o fizesse. Transformou a pensão em que morava em hospital de campanha. Foi a primeira pessoa física a obter, na Justiça, verba pública para a sua iniciativa.
O dilema é educar para a cidadania ou deixar-se "educar" pelo consumismo, que rima com egoísmo.
Projeções são trágicas para o meio ambiente
No atual ritmo, aquecimento global provocará migrações e mar ficará sem peixes
Divulgados em intervalo inferior a um mês, dois estudos sobre o meio ambiente no mundo descrevem uma realidade preocupante e fazem projeções trágicas. Um deles se refere especificamente ao aquecimento global e conclui que se o ritmo atual de agressão provocado por gases for mantido, haverá um impacto significativo nos locais onde as pessoas podem viver e produzir alimentos. Uma das conseqüências previstas é a migração em massa, o que tende a disseminar doenças, criar mais insegurança e gerar um potencial de conflito que se espalhará por várias regiões do planeta. Essa movimentação humana, segundo o chefe do setor ambiental da ONU, Achim Steiner, afetará mais as populações de países em desenvolvimento, em especial áreas da China, doVietnã e da Indonésia. O outro, apresentado na quinta 2, indica que não haverá praticamente mais nada para pescar nos oceanos até o ano de 2048 se a taxa de mortalidade das espécies marinhas continue do jeito que está hoje.
Uma área especialmente ameaçada pela mudança climática e pelo aumento das temperaturas é a de corais, importante fonte de turismo e pesca, a qual, segundo estimativa da ONU, tem valor econômico anual de 30 bilhões de dólares. Desde o final dos anos 1990, quando o fenômeno incomum de altas temperaturas das águas matou até 90 por cento dos corais em algumas partes do mundo, foram registrados sinais de recuperação, de acordo com um novo relatório da ONU divulgado em outubro. Mas a recuperação dos corais depende de águas limpas, e na Ásia e no leste da África até 90 por cento do esgoto é despejado diretamente em rios e no mar, ressalta o estudo.
Ministros do ambiente de 189 países estão reunidos desde segunda 6 em Nairóbi, capital do Quênia, para debater a mudança climática e estudar maneiras de mapear cortes a longo prazo de emissões de gases do efeito estufa, já que a primeira fase do pacto de Kyoto termina em 2012. O encontro sobre o pacto de Kyoto realizado em Montreal, no Canadá, no ano passado, não estabeleceu prazos para negociações, mas alguns países querem um calendário mais claro para a nova fase de cortes.
"O tempo para impasses acabou"
Alerta é do chefe do setor ambiental da ONU, Achim Steiner – brasileiro com cidadania alemã. "Acho que os países industrializados e em desenvolvimento estão se aproximando de um ponto em que reconhecem que o tempo para impasses realmente acabou", disse. "Nairóbi será um teste sobre a seriedade dos governos sobre este desafio", acrescentou, referindo-se à reunião deste mês. "É reconhecido mundialmente que a mudança climática está ocorrendo, que o aquecimento global está acontecendo e que precisamos agir".
Danos cumulativos são a maior ameaça
O trabalho científico sobre a vida marítima não atribui os danos a uma atividade particular, como a pesca excessiva, a poluição ou a perda de hábitats. Ele destaca os danos cumulativos dessas atividades. Uma conclusão-chave é a necessidade de proteger mais áreas oceânicas.
A reversão do processo destrutivo só será alcançada com a absoluta proteção da biodiversidade, o que implica no estabelecimento de limites para a pesca. Ao analisar áreas em que a pesca foi banida ou severamente restrita, os observadores concluíram que a proteção pode recuperar a biodiversidade naquela área e restaurar populações de peixes.
Mas os autores do estudo publicado na Science se mostram céticos quanto a essa possibilidade. Foram citados os casos da região de Grand Banks, no leste do Canadá, onde os estoques de bacalhau se esgotaram, apesar do consenso científico que havia sobre a situação no local. Também estão sendo ignorados os alertas para disciplinar a pesca de bacalhau no Mar do Norte.
Mar tende a ficar sem peixes dentro de meio século
Levantamento feito por uma equipe de cientistas da Europa e das Américas e publicado na revista Science, na semana passada, revela que os estoques de pesca já caíram em cerca de um terço e a taxa de eliminação da biodiversidade marinha continua crescendo. Os cientistas acreditam que ainda é possível reverter a situação, caso sejam ampliadas as áreas de proteção, mas não há garantias.
"Nós exploramos os oceanos esperando e supondo que haverá sempre uma nova espécie para ser explorada depois que acabarmos completamente com a última", disse Boris Worm, da Universidade Dalhousie, Canadá, que coordenou a pesquisa. "O que estamos ressaltando é que a quantidade de peixes nos mares é finita; nós já passamos por um terço, e vamos passar pelo resto".
O estudo foi feito com base na análise dos índices de pesca em alto-mar, da pesca praticada em determinadas regiões costeiras e de experimentos feitos em ecossistemas pequenos e em outros onde a pesca é restrita ou protegida.
Em 2003, 29% das instalações pesqueiras em alto-mar estavam em estado de colapso – a sua produção havia caído para menos de 10% do original. Nem mesmo embarcações maiores, redes mais eficazes e novas tecnologias para encontrar peixes conseguiram aumentar o volume de pescados. Na realidade, houve uma queda de 13% no total pescado no mundo entre 1994 e 2003.
Registros históricos da pesca praticada em áreas costeiras da América do Norte, Europa e Austrália também revelam um declínio não só na quantidade de peixes como em outros tipos de organismos marinhos.
O estudo alerta ainda que a tendência é que a perda da biodiversidade cause mais fechamentos de praias, inundações e disseminação de algas potencialmente nocivas.
DEPRESSÃO AVANÇA
Número de vítimas dobrou em 50 anos. Hoje, a doença afeta uma em cada dez pessoas no mundo
A depressão atinge atualmente uma em cada dez pessoas no mundo. Esse distúrbio reduz a produtividade profissional dos pacientes em 10% ao longo da vida e leva, anualmente, a 800 mil casos de suicídio. A previsão é de que em algum momento da vida, uma em cada cinco pessoas desenvolva depressão. A incidência da doença dobrou nos últimos 50 anos. Por quê? Segundo o psiquiatra Leonardo Prates de Lima, de Caxias do Sul, dois fatores podem explicar a explosão da doença: a mudança no estilo de vida da humanidade e o aumento do diagnóstico da doença.
"Ultimamente temos perdido muitos de nossos referenciais e isso afeta os indivíduos", afirma o psiquiatra. Segundo ele, o mercado de trabalho é um bom exemplo para explicar esse fenômeno. "Antigamente, era comum ver uma pessoa iniciar e terminar a carreira em uma mesma empresa; hoje há dificuldade até mesmo em definir sua profissão", diz. A vida muda muito rápido, há uma inversão de valores. Tudo isso leva a um vazio interno que pode desencadear em quadros depressivos", explica.
O diagnóstico também aumentou. "Para se ter uma idéia, em Caxias do Sul, o primeiro psiquiatra surgiu em 1965. De lá para cá, cresceu o interesse pela doença", afirma. "Isso ocorreu porque a depressão não atinge apenas o paciente, envolve a família, o grupo social, o trabalho", esclarece Prates de Lima.
A depressão apresenta tanto sintomas emocionais quanto físicos. É preciso conhecer melhor o problema para evitar a epidemia que já se desenha. Hoje, 10% da população mundial sofrem deste mal. Em dez anos, estima-se que o índice chegará a 20%. Recentemente a Organização Mundial da Saúde classificou a depressão como uma das doenças que mais causam incapacidade, ocupando o quarto lugar em uma lista de cinco. Até 2020, deve chegar ao segundo lugar.
No Brasil, mais de 15% da população já são vítimas do problema. Ao contrário do que muitos pensam, a doença não é privilégio de quem mora em grandes centros urbanos. Pesquisas têm constatado a mesma prevalência de depressão entre moradores de grandes e pequenas cidades.
As causas da doença são variadas. Prates de Lima afirma que fatores genéticos e externos podem interferir no desenvolvimento da depressão. A vivência de situações desgastantes ou traumáticas e o abuso de drogas podem levar a quadros depressivos. Porém, segundo pesquisas, de 30% a 40% das raízes da doença são genéticas. "Sabemos que pessoas expostas, por longo período, a maus tratos, a altos níveis de ansiedade, podem desenvolver depressão, mas o fator genético pesa bastante", explica Prates de Lima.
Segundo ele, algumas doenças orgânicas também levam à depressão. "Ainda não se sabe exatamente por que, mas pacientes com câncer de pâncreas, por exemplo, em determinado estágio da doença, ficam deprimidos", afirma. "Os diabéticos desenvolvem uma depressão mais difícil de ser tratada. Quem sofre infarto e acidente vascular cerebral (AVC) também tende à depressão", observa.
O fato é que o estado de saúde geral do organismo influencia. Quando o corpo está debilitado, por qualquer motivo, fica mais vulnerável à depressão. O contrário também ocorre, a depressão baixa a imunidade do organismo e favorece o aparecimento de outras doenças. Ela também piora males pré-existentes. Isso significa que, se a pessoa tiver qualquer outra doença, seu quadro piora se ela estiver deprimida.
Nesses casos, pode-se falar em prevenção. "Se sabemos que a incidência da depressão é alta após um infarto ou AVC, podemos recomendar tratamento antecipadamente", esclarece o psiquiatra. "Da mesma forma, se a depressão é recorrente em determinado paciente, indicamos tratamento contínuo", explica. "Alguns fatores ambientais também podem ser afastados, como, por exemplo, evitar trabalhar muitas horas por dia, incluir na rotina diária atividades de lazer ou relaxantes, entre outras medidas", completa.
Rótulo de "doença da alma" é totalmente inadequado
Atualmente, o conceito de depressão é muito difundido, mas ainda há preconceito. Segundo o psiquiatra Leonardo Prates de Lima, ele é maior na família e na sociedade do que no próprio paciente. A depressão ainda é vista por muitos como uma fraqueza e não como uma condição clínica real. Porém, o rótulo de "doença da alma" é totalmente inadequado.
"Muitas famílias rotulam o depressivo de preguiçoso, acreditam que a pessoa pode vencer o problema apenas com força de vontade, mas não é bem assim", afirma. "A família deve entender que o desânimo não é proposital, o doente sofre com essa condição", completa o médico. "Devemos facilitar a ida ao médico, incentivar, acompanhar, pois o depressivo dificilmente procurará ajuda sozinho", explica.
A doença é grave, mas tem tratamento. Na maioria dos casos, os remédios são indispensáveis, para regular os neurotransmissores. O tratamento mais usado combina remédios com psicoterapia. "O paciente precisa identificar as causas psíquicas e ambientais que estão desencadeando a depressão. Nesse sentido, a psicoterapia ajuda muito", afirma Prates de Lima.
Apesar dos efeitos colaterais, os remédios não devem ser abandonados. "Se o paciente interromper o tratamento, pode ter novo episódio de depressão e, via de regra, é mais intenso que o primeiro". explica o médico.
O diagnóstico precoce é valioso para minimizar os prejuízos causados pelo distúrbio. Quanto mais tempo a pessoa ficar exposta à depressão, maior o dano cerebral. Portanto, é bom ficar atento a dores persistentes e aparentemente sem causa.
Doença afeta cinco áreas do organismo
A depressão ocorre em função de um desequilíbrio bioquímico no cérebro. Os neurônios, para se comunicar, usam substâncias conhecidas como neurotransmissores. Em deprimidos, essas substâncias não circulam como deveriam, especialmente a serotonina e a noradrenalina. Em níveis inadequados, esses neurotransmissores aumentam o risco de depressão e ainda diminuem o limiar da dor. Em conseqüência, aparecem os sintomas físicos da doença.
O surgimento de problemas corporais sem explicação ou que não desaparecem quando tratados deve servir de alerta. O psiquiatra Leonardo Prates de Lima afirma que a tristeza é só um dos componentes da depressão. Segundo ele, além do humor, a doença afeta outras quatro áreas diferentes do organismo: os sentimentos, causando irritabilidade, intolerância, medo, ansiedade, tristeza; o comportamento, levando ao isolamento social, abandono das atividades de lazer, faltas ao trabalho; afeta ainda o físico, provocando dores, fadiga, distúrbios do sono; e finalmente a área cognitiva do organismo, causando déficit de memória e concentração, dificuldade de tomar decisões.
Problema eleva o risco de suicídio
Médicos afirmam que a depressão é uma das doenças que mais aumentam o risco de suicídio. Conforme Prates de Lima, 90% dos deprimidos pensam em morrer, mas nem todos consideram o suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o risco de dar fim à própria vida entre depressivos não diagnosticados é de cerca de 15%.
Nos Estados Unidos, morre-se mais por suicídio do que por assassinato. Na Europa, onde a taxa de deprimidos já atinge 25% da população, o índice de suicídio é 15% maior do que o de mortes em acidentes de trânsito, por exemplo.
"O paciente que tem depressão bipolar é o que mais corre risco de suicídio", afirma Prates de Lima. Esse tipo de depressão se caracteriza pelo descontrole de impulsos, a pessoa alterna momentos de extrema euforia e tristeza profunda. "O paciente pensa em suicídio e o impulso descontrolado o leva a cometer o ato", explica.
Gaúcho dirige Congregação para Clero
Dom Cláudio Hummes deixa arquidiocese de São Paulo para atuar em Roma
Cotado para ser papa no último conclave, o gaúcho dom Cláudio Hummes, atual cardeal-arcebispo de São Paulo, foi nomeado prefeito da Congregação para o Clero. Ele vai substituir o cardeal Dario Castrillón Hoyos, colombiano, que apresentou sua renúncia ao Papa Bento XVI por razões de idade (em julho completou 77 anos). Castrillón continuará sendo presidente da Comissão Pontifícia "Ecclesia Dei".
Aos 72 anos, dom Cláudio vai chefiar uma das mais importantes organizações da Cúria Romana e comandar mais de 405 mil sacerdotes em todo o mundo. Hummes terá pela frente questões complicadas, como os escândalos de abusos sexuais e casos de pedofilia envolvendo padres da Igreja Católica nos Estados Unidos e em outros países.
Para dom Cláudio, que em São Paulo promoveu uma reestruturação na formação de novos padres, os seminários precisam adotar uma seleção mais rigorosa dos candidatos ao sacerdócio, para que não ocorram desvios de comportamento, como os casos de homossexualismo, pedofilia e abusos sexuais.
Catequese – A Congregação para o Clero responde pela formação pastoral e intelectual do clero (sacerdotes e diáconos). Nesse sentido, conforme explica a página web do Vaticano, "supervisiona os Cabidos Catedrais, os Conselhos Pastorais, os Conselhos Presbiterais, as paróquias, os párocos e todos os clérigos, e tudo o que diz respeito ao ministério pastoral; as contribuições das missas, as fundações pias, legados, oratórios, igrejas e santuários, arquivos eclesiásticos etc".
A Congregação também cuida do seguimento e bom funcionamento da catequese, da formação religiosa dos fiéis de todas as idades e condições. Compete a ela ainda a conservação e administração dos bens eclesiásticos pertencentes às pessoas jurídicas públicas; a aprovação de taxas e tributos; a remuneração, previdência e assistência sanitária do clero e outros atributos.
Bispo apoiou as organizações sindicais
O cardeal dom Cláudio Hummes é gaúcho de Brochier, próximo a Montenegro. Filho de Pedro Adão e Maria Frank Hummes, nasceu aos 8 de agosto de 1934. Ingressou na Ordem dos Frades Menores (Franciscanos) e ordenou-se padre em Divinópolis (MG) em 1958. Foi nomeado bispo da diocese de Santo André (SP) em 1975. Permaneceu nessa diocese até 1996, quando foi nomeado arcebispo de Fortaleza (CE).
Dois anos depois João Paulo II o transferiu para a arquidiocese de São Paulo e em fevereiro de 2001, o mesmo Papa o fez cardeal. Durante seu episcopado ocupou diversos cargos na CNBB; foi assistente nacional da Pastoral Operária (1979– 1990) e, durante o período do regime militar, assumiu corajoso apoio ao movimento grevista dos metalúrgicos e abriu as portas das igrejas para as organizações sindicais impedidas pelo governo de reunir-se legalmente.
Amigo do presidente Lula, dom Cláudio é doutor em filosofia, fala sete línguas e é membro de diversos organismos da Cúria Romana, no Vaticano. Publicou cinco livros.
Peruana assume cargo de destaque em Roma
A doutora Maria Rocio Figueroa Alvear, leiga consagrada da Faternidade Mariana da Reconciliação (Fraternas), foi nomeada nova oficial para o tema "mulher" do Pontifício Conselho para os Leigos. Natural do Peru, professora e teóloga, ela substitui Lucienne Sallé, que ocupou o cargo nas últimas décadas.
Em entrevista à agência católica Zenit, Maria Rocio salientou que seu trabalho consiste em acompanhar todas as questões relativas à vocação e missão da mulher na Igreja e na sociedade. "Esse Conselho Pontifício teve sempre uma especial atenção por promover a igual dignidade entre o homem e a mulher". Consciente da responsabilidade do cargo, a teóloga disse que Bento XVI deseja uma maior participação feminina na Igreja, "confia nas mulheres e nos lança um desafio".
Padre Zezinho
Viver bem supõe a capacidade de escolher certo
Viver é um aprendizado, como o é o da criança que aprende a andar de bicicleta. Houve um dia em sua vida que você decidiu que aprenderia, como seus irmãos ou amigos, a controlar a bicicleta. A primeira coisa que aprendeu é que para controlá-la antes tinha que controlar a si mesmo. Quando controlou a si mesmo aprendeu a controlar as coisas, e entre elas, a bicicleta Mas controlar-se foi fundamental.
Nada na vida faz sentido sem o equilíbrio interior. Temperança ou equilíbrio é a capacidade de tomar decisões sábias e inteligentes em favor de si e dos outros. Saber temperar os alimentos é torná-los apetitosos e palatáveis. Saber temperar a vida é torná-la gostosa de viver. E viver bem supõe a capacidade de escolher certo. Uma pessoa está suficientemente madura quando sabe fazer escolhas importantes e vitais, sem ferir desnecessariamente nem a si nem às outras. Algumas vezes talvez tenhamos que ferir alguém nas decisões que tomamos. Mas isso deve ser exceção e não uma constante da vida. Quem gosta de ferir os outros é pessoa desequilibrada e vive mal. Escolher mal é como jogar errado, ou guiar mal o seu carro. Fere a você e fere aos outros. Inclusive aos inocentes.
Mas,voltemos à bicicleta. No início todos tentavam ajudar para que você não caísse. Quando finalmente você aprendeu a controlar os movimentos de seu corpo, distribuir o peso sobre ela (equilíbrio), controlar os movimentos das pernas e dos pés, controlar o guidão, controlar as marchas e controlar o freio você estava pronto para andar sozinho e enfrentar o pesado trânsito da cidade.
Aplique os mesmos conceitos à sua vida. A bicicleta da vida é sua. Assim como ninguém podia aprender a andar de bicicleta no seu lugar, ninguém pode viver no seu lugar. A vida é sua. Mas se não aprender a tomar decisões corretas não aprenderá nunca. As pessoas param de cair quando aprendem a tomar decisões rápidas e certas sobre uma bicicleta. Você nem se dá conta, mas para andar dois quilômetros toma pelo menos trezentas decisões na sua bicicleta. Freia, desvia, acelera, ultrapassa, dá lugar, obedece aos sinais de trânsito, equilibra-se. Equilibrar-se é o que você mais faz. Viver não é diferente. Ache seus movimentos, aprenda a tomar decisões, ache seu equilíbrio e cuide para não ferir os outros. Viver é como andar de bicicleta...
CNBB quer governo a serviço da vida
Carta dos bispos a Lula pede atenção para a educação e a saúde
Em carta remetida na semana passada ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) cumprimenta o chefe da nação e chama atenção para a importância dos critérios da escolha dos futuros ministros que irão compor o novo governo. Que "não sejam apenas fruto de interesses partidários, mas, realmente, referenciais para a aplicação de um projeto de nação, oferecendo a possibilidade de construção de um país a serviço da maioria da população", afirma a carta.
No documento, os bispos sugerem atenção especial para os serviços de dois ministérios – da Saúde e da Educação – "onde são postos em prática os grandes princípios a serviço da vida, da família e da formação das pessoas". A carta salienta ainda que a escolha de Lula "é a expressão das expectativas de que o governo eleito responda aos seus anseios". Por isso, destaca o documento, o poder que o presidente recebeu do povo "se torna uma missão que se traduz em serviço, em correspondência ao grande mandato de Cristo: ‘Não vim para ser servido, mas para servir".
A mensagem da Conferência a Lula também menciona o empenho da Igreja em oferecer aos cristãos e pessoas de boa vontade critérios para o voto, chamando atenção para a lisura das eleições e para a importância da luta contra a corrupção eleitoral. No texto "Orientações da CNBB para as Eleições de 2006", os bispos procuraram explicitar traços de um projeto de nação, para que fossem discutidas pelos eleitores e candidatos.
As grandes opções presentes nesse projeto são: democratizar o Estado e ampliar a participação popular, rever o modelo econômico e o processo de mercantilização da vida, ampliar as oportunidades de trabalho, fortalecer as exigências éticas em defesa da vida, reforçar a soberania nacional, democratizar o acesso à terra e ao solo urbano, proteger o meio ambiente e a Amazônia.
A carta foi assinada pelo presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo; pelo vice, dom Antonio Celso de Queirós; e pelo secretário-geral, dom Odilo Scherer.
Romaria homenageia padroeira do Estado
Santa Maria realiza, no dia 12 de novembro, a 63ª Romaria Estadual de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, padroeira do Rio Grande do Sul. Na sexta-feria 3 iniciaram a novena penitencial, no santuário-Basílica, com missas às 6h15; e a novena móvel, com celebrações sempre às 20 horas, em diferentes paróquias e comunidades de Santa Maria. Essa novena foi precedida de procissão motorizada, com a imagem da Medianeira, pelas principais ruas da cidade.
No dia 12, serão celebradas missas das 5 às 7 na catedral, e das 5 às 18 horas, na basílica. Às 8h30, uma procissão com a imagem de Nossa Senhora sairá em frente à catedral rumo ao santuário. Às 10 horas, dom Ângelo Domingos Salvador, bispo de Uruguaiana, presidirá solene missa no altar monumento do Parque. Às 15 horas haverá bênção aos doentes e encerramento da romaria. A devoção à Medianeira iniciou em 1928, incentivada pelo padre Inácio Rafael Valle e dois anos depois era realizada a primeira romaria.
Otávio Rocha festeja 85 anos da torre
De 16 a 19 de novembro, o distrito de Otávio Rocha, Flores da Cunha (RS), desenvolverá extensa programação para homenagear Nossa Senhora da Saúde, as capelinhas domiciliares e os 85 anos da torre da matriz. Tríduo com missas, jantar menarosto no dia 17; espetáculo de som e luz com a Orquestra de Sopros Florentina dia 18; e missa festiva às 10h30 e almoço tradicional no domingo 19 são alguns dos destaques da programação.
Otávio Rocha foi colonizada a partir de 1882 por famílias oriundas de Vicenza, Itália. Em 1904 a localidade, então chamada de Marcolina, inaugurava a atual igreja matriz e em 1921 sua torre de pedra, com 35 metros de altura. Cada família participou com uma taxa sobre a produção de uva/vinho para custear a construção da torre, coordenada por Luiz Segalla. No alto do campanário se encontra uma estátua de Cristo Redentor, medindo 2,80 metros. Os sinos foram importados de Bassano del Grappa, Itália, em 1907.
Iconógrafa gaúcha participa de exposição em São Paulo
Rosalva Trevisan Rigo, artista plástica de Paraí, participa de duas exposições na cidade de São Paulo (SP). De 7 a 24 de novembro, ícones de Rosalva Rigo estarão em exposição no Hall do Centro Cultural do Hospital Santa Catarina; e de 24 de novembro a 6 de dezembro, no Clube Paineiras do Morumby. A artista gaúcha mostra suas obras em conjunto com o maior iconógrafo brasileiro da atualidade – Cláudio Pastro – , que há 30 anos se dedica a construir igrejas no Brasil e no exterior, realiza painéis, mosaicos, pinturas, vitrais e esculturas e é o atual responsável pela arte da basílica nacional de Aparecida.
Rosalva, que cursou arte sacra com Cláudio Pastro e iconografia com o mestre italiano Giovanni Mezzalira, está há uma década se dedicando aos ícones, segundo a tradição russa bizantina do século V. Já realizou obras e restaurações em diversas igrejas, capelas e mosteiros do Estado. Contatos com a artista pelo telefone (54) 3477.1404.
Aldo Colombo
Na realidade, Deus existe e está sempre aguardando. O problema é que as pessoas não vão até Ele
No mundo inteiro, os barbeiros têm fama de faladores. E isto porque na cadeira das barbearias sentam pessoas de todo o tipo, cada uma delas com seu ponto de vista. Conta– se que uma barbearia, com cinco cadeiras, colocou a especialidade de cada barbeiro: política, religião, futebol, mulher e... silêncio. Teria feito muito sucesso outra cadeira, com um tema: falar mal da vida alheia.
Um homem, como de costume, foi cortar o cabelo e fazer a barba. Depois de algumas tentativas em outras áreas, o barbeiro entrou no campo religioso. E foi logo garantindo: Deus não existe. E, diante do espanto do freguês, insistiu: é isso mesmo, Deus não existe! E tinha suas justificativas: vejo todos os dias nos meios de comunicação crianças passando fome, políticos roubando, inocentes morrendo, pessoas ganhando fortunas e mendigos revirando latas de lixo. Você acha que, se Deus existisse, permitiria tudo isso?
O corte ficou pronto, o freguês pagou e despediu-se. Passaram-se alguns minutos e ele retornou à barbearia. O que houve, perguntou curioso o barbeiro? Acabo de descobrir uma verdade: barbeiros não existem. Como não existem, retrucou: eu estou aqui e sou barbeiro! Você deve estar ficando louco! O cliente também tinha sua argumentação: acabei de sair à rua e vi um mendigo de cabelos longos, sujos e desalinhados, assim como sua barba. Se barbeiro existisse, ele não estaria assim... O problema, explicou o barbeiro, é que ele nunca vem à barbearia cortar o cabelo e fazer a barba. Apoiado nesse argumento, o cliente garantiu: Deus também existe. O problema é que as pessoas não vão até Ele. O seu projeto é ignorado e por isso o mundo é marcado pelo sofrimento e injustiça. Mas Deus sempre está de portas abertas, aguardando que as pessoas resolvam arrumar suas vidas.
Uma frase, nem sempre bem entendida, proferida pelo filósofo Friedrich Nietzsche, fez furor: Deus morreu! O homem avançou no conhecimento e na técnica e dispensou Deus, como sendo inútil. Na realidade, muitos deixaram Deus morrer em suas vidas. No fundo havia um objetivo: ser feliz de sua maneira. E os resultados foram desastrosos. Como o filho pródigo, atraídos pela ilusão da felicidade, muitos acabaram no país da fome e da solidão. E quando todos os sonhos se frustram, volta a saudade da casa do Pai.
Certa mentalidade moderna vê Deus como rival do homem. Seria Ele que não permite a humanidade ser feliz, interferindo na consciência de cada um. O sonho de Deus é a felicidade de seus filhos e filhas e para isso entregou a eles os Dez Mandamentos e a lei do amor. São sinalizadores do caminho da felicidade. A ironia de hoje é que a humanidade, recusando a lei do amor, se obriga a viver sob a lei do temor.
Felizmente, a porta da casa do Pai está sempre aberta, de dia e de noite à espera do filho que tentou ser feliz sozinho. Deus sempre acolhe, Ele não tem memória. É só coração. Todos podem refazer suas vidas. O tempo de Deus é agora.
Capela caxiense valoriza patrimônio
Comunidade de Santo Anton revitaliza capela visando o centenário
A comunidade de Santo Anton, da 3ª Légua, interior de Caxias do Sul, elegeu como prioridade para o ano de 2006, a revitalização da capela, que está próxima de comemorar o centenário, em 2010. A equipe de coordenação e as cerca de 60 famílias associadas da comunidade viram seus esforços concretizados no dia 28 de outubro, quando foi realizada a solenidade de entrega das obras de restauração.
A data foi marcada por uma missa solene, presidida por dom Paulo Moretto e concelebrada pelos freis Irineu Costella, Celso Bordignon e Rogério Miotto. Também presente frei Renato Zanolla. A comunidade pertence à paróquia de São Pedro da 3ª Légua, coordenada pelos capuchinhos da paróquia Imaculada Conceição. Mais de 200 pessoas prestigiaram o evento, entre as quais Liliana Henrich, diretora do Museu Municipal de Caxias do Sul.
A atual capela da comunidade de Santo Anton, localizada na Estrada do Imigrante, foi construída em 1910, depois que a primeira igreja, erguida pelos pioneiros italianos, foi destruída por um incêndio. As obras realizadas neste ano compreendem pintura interna e externa da igreja; reforma da cantoria e da parte elétrica; restauração dos quadros da via– sacra (de origem alemã e que data do final do século XIX) e de outras obras por frei Celso Bordignon e equipe; e recuperação de antigos objetos sacros como candelabros, crucifixo, caldeirinha e outros.
Estimulo – "Os trabalhos visaram manter a harmonia, sem fugir da originalidade", revelam Newton e Sirlei Sbersi Valentim, da equipe de coordenação. O forro da igreja, por exemplo, em formato de abóbada, é original, feito no sistema de encaixe, sem a utilização de pregos. Os altares laterais também passaram por reformas, preservando as cores originais. Na praça, foram realizados ajardinamento, calçamento e arborização, com apoio da secretaria do Meio Ambiente e da subprefeitura de Galópolis.
A iniciativa da capela Santo Anton é um estímulo para que outras comunidades, com sua história ligada aos pioneiros, se sensibilizem e preservem seu importante patrimônio arquitetônico, cultural e religioso. Após a cerimônia religiosa, ocorreu confraternização no salão da comunidade, com a presença de associados e das equipes que trabalharam no processo de restauração e revitalização dos ambientes.
Jornada da OFS reflete sobre natureza
Aproximadamente 450 pessoas participaram da 5ª Jornada Franciscana Regional – Sul 3, promovida pela Ordem Franciscana Secular (OFS) do Rio Grande do Sul. O evento foi realizado recentemente no 8º Distrito da OFS, em São José do Ouro. O tema central da jornada foi "São Francisco de Assis e a natureza".
A ex-coordenadora do 8º distrito, Dalila Perineto, fez a abertura oficial do encontro, que contou com a participação do ministro regional, Moacir Miotto; do assistente espiritual da OFS, frei Isaias Bordignon; e de representantes das 25 fraternidades de sete distritos da entidade, vindos de Caxias do Sul, Nova Pádua, Flores da Cunha, Paim Filho, Lagoa Vermelha, Sananduva, Paraí, São Domingos do Sul, Marau, Passo Fundo, Estação, Getúlio Vargas e Erechim.
Na parte da manha, frei Isaias coordenou momento de espiritualidade, destacando os objetivos da jornada: encontrar-se, rezar juntos e confraternizar. Neiva Caron, coordenadora regional de formação da OFS, abordou o tema Francisco de Assis e a natureza. Em seguida, houve missa, almoço partilhado e tarde de recreação. Em 2007, a jornada será realizada na cidade de Marau.
Paróquia promove encontro de etnias
Para celebrar os 80 anos da Paróquia São José da Vila Nova, em Porto Alegre, os leigos scalabrinianos e o noviciado Nossa Senhora de Guadalupe promovem o I Encontro de Etnias. Evento ocorre no dia 15 de novembro com o tema "Muitas culturas, uma só humanidade". A proposta é descrever a trajetória histórica das etnias que compuseram e que hoje fazem parte da comunidade. Uma celebração eucarística, presidida por dom Alessandro Ruffinoni, feira de artesanato, comidas típicas, música e almoço italiano marcam o evento.
Brasil ganha mais um bem-aventurado
Padre Mariano de la Mata Aparício, que viveu no interior de São José do Rio Preto (SP) entre 1949 e 1961, tornou-se, no domingo 5, o quarto bem– aventurado brasileiro. A beatificação, presidida pelo cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, ocorreu na catedral da Sé, em São Paulo. Uma grande festa será realizada em São José do Rio Preto no dia 31 de dezembro, instituído como o Dia do Padre Mariano.
Wilson João
A medida da minha felicidade futura terá o tamanho da felicidade que vou construindo para mim e para os outros
Dia de finados, fim de ano, tempo que se vai, anos que passam, corpo que vai se entregando, passos que vão ficando mais lentos, sensação de inutilidade da vida, desejos de paz e felicidade... tudo convida a sentar– se, a pensar o presente e o futuro, e colocar nas mãos o destino de nossa passagem muito rápida nesta terra. Vivendo tudo isso e falando muito comigo e, acima de tudo, me escutando e escutando meu coração, cheguei a diversas conclusões que desejo partilhar.
A MEDIDA DO AMOR DEPOIS DA MORTE será do tamanho do meu amor que vou vivendo no dia-a-dia. Será do tamanho de minha doação e capacidade de entrega de vida nas minhas ações e nos meus desejos.
A MEDIDA DA CONVIVÊNCIA NO CÉU será do tamanho de minhas convivências com a família, a vizinhança, a comunidade, a humanidade toda, com meus companheiros de trabalho, de esporte e de festa. Minhas relações e minhas ligações com as pessoas são a garantia da convivência plena no Reino dos céus.
A MEDIDA DA MINHA FELICIDADE FUTURA terá o tamanho da felicidade que vou construindo para mim e para as pessoas, fazendo do ambiente em que vivo um pequeno paraíso, pequeno sinal do paraíso perfeito que sonho e desejo.
A MEDIDA DA ALEGRIA QUE SONHO VIVER será do tamanho da alegria que vou espalhando agora nas pessoas do meu universo pessoal. Será do tamanho da capacidade da festa, da música e do ambiente sadio que vou proporcionando agora, onde as pessoas se sentem bem e em paz.
A MEDIDA DO PRAZER ETERNO será construída, desde agora pelo prazer de viver, de trabalhar, de servir e de amar. O prazer terá a medida do prazer espiritual e não somente material. O prazer nasce das buscas que vão além do prazer do corpo, do poder e do orgulho.
A MEDIDA DO MEU ‘FACE A FACE’ COM DEUS terá a medida de minhas relações com cada pessoa, com as criaturas deste universo, com os objetivos de minha vida. O ‘face a face’ com Deus, com as pessoas e com todo esse universo espetacular terá a medida que vou realizando desde agora, através de meu corpo e de minhas palavras, de meus gestos e trabalho, de meu desejo de amar e ser amado.
DIANTE DESTA REALIDADE, desde agora saberei qual será a medida de minha vida, de minha felicidade e alegria, de minha paz e de minha realização. É preciso caminhar nesta busca.
BANDEIRA NACIONAL
A bandeira é símbolo oficial de um país. Todas as nações festejam sua bandeira nacional. No Brasil, o dia dedicado a este símbolo é 19 de novembro. Por quê? Foi nesta data, no ano de 1889, que a atual bandeira foi hasteada pela primeira vez.
O retângulo verde e o losango amarelo representam as florestas e riquezas minerais do Brasil. E a esfera azul estrelada? Ela retrata o céu do Rio de Janeiro exatamente como ele estava às 8h30min do dia 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República. Originalmente, a bandeira tinha 22 estrelas. A cada novo Estado criado no país, acrescentou-se uma estrela ao símbolo nacional. Hoje, a bandeira tem 27 estrelas que representam cada um dos Estados brasileiros mais o Distrito Federal.
O Brasil já teve cinco bandeiras
Ao longo da história, o Brasil teve cinco bandeiras principais. A primeira foi criada em 1645, quando o país ainda era principado, ou seja, tinha um príncipe como chefe. A segunda surgiu em 1815, quando o território passou a ser Reino Unido ao de Portugal e Algarves. Em 1821, no reinado de dom João VI, veio a terceira, chamada de bandeira do regime constitucional. A quarta versão surgiu em 1822, quando o país tornou-se império. Finalmente, em 1889, foi criada a bandeira republicana, que permanece até hoje. O projeto é de Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos.
Segundo a legislação, só a frase "Ordem e Progresso", escrita em verde, pode estar inserida na bandeira. Já o tamanho da bandeira pode variar, desde que sejam mantidas as proporções do desenho original.
O padre e o italiano que estão em mim
Padre Santo Lorenzatto
Canoas – RS
Padre há 50 anos, nascido em 26 de setembro de 1922 em Vila Maria (RS), Santo declara:
"Sou de família católica à italiana, com trabalho do raiar ao pôr do sol. Rezar o terço à noite, ir à missa na matriz de Vila Maria, a 10 km de casa, e ao terço, no capitel construído pelas famílias, dedicado a Nossa Senhora de Lourdes, com imagem trazida da Itália pelos meus avós, aos domingos e dias santos, era sagrado. Depois do terço, jogo de bocha, cartas, cantos e conversas...
Ser padre sempre foi meu sonho, acalentado por meus pais. Entrei no Seminário de Gravataí em 28 de janeiro de 1939. Convocado a servir a Pátria, interrompi os estudos eclesiásticos. Em março de 1945, segui para Santa Maria (RS), onde passei a integrar o 3º Batalhão de Carros de Combate Leve, e fui escalado para combater na guerra entre Alemanha e Itália. Estávamos prontos para embarcar quando chegou a notícia do fim da guerra. Após um ano de exército, retornei ao seminário.
Em 1949, concluído o 2º Grau no Seminário Menor São José, em Gravataí, passei ao Seminário Central Imaculada Conceição, em São Leopoldo, onde cursei filosofia e teologia. A teologia foi me aproximando do sacerdócio através das Ordens Menores e Maiores, todas administradas pelo arcebispo Dom Vicente Scherer. A tonsura, 1º degrau desta escada, fez vibrar meu coração, depois de o bispo cortar meus cabelos e eu, extasiado, proclamar: Dominus pars haereditatis meae, et calicis mei... "O Senhor é minha herança e meu cálice...". Estavam abertas as portas do estado clerical. Seguiram-se as ordens menores do Ostiariado, que me confiava o cuidado da Igreja; do Leitorado, conferindo-me o ofício de ler as Escrituras; do Exorcistado, incumbindo-me de proclamar o poder de Deus sobre os espíritos maus; do Acolitado, incumbindo-me de preparar o altar. Enfim, as ordens maiores – do Subdiaconato, quando prometi viver o celibato e rezar o Ofício Divino; do Diaconato, que me conferiu a missão de distribuir a comunhão, proclamar e pregar a palavra de Deus, batizar e promover obras sociais. Enfim, em 30 de novembro de 1956, Dom Vicente, na Capela da Imaculada Conceição do Seminário Central de São Leopoldo, me agraciou com a Ordenação Sacerdotal. Dentre os 58 padres ordenados nesse ano, 16 éramos da Arquidiocese de Porto Alegre. Prostrado por terra, ouvia, emocionado, os pais, familiares e a comunidade convocando a Igreja dos Santos a interceder por mim. A cada Ora pro nobis (Rogai por nós), crescia minha confiança no Senhor. A emocionante primeira missa, em 8 de janeiro de 1956, na Paróquia de Vila Maria, e a primeira bênção sacerdotal aos pais, familiares e comunidade ... foram o começo de meus 50 anos de felicidade sacerdotal, como cooperador da Paróquia do Divino Espírito Santo, na Vila Floresta, em Porto Alegre, a partir de 1º de janeiro de 1957; 1º pároco da Paróquia Santa Maria Goretti, em Porto Alegre, a partir de 24 de dezembro de 1957, onde construí a casa canônica e o salão paroquial, que um incêndio destruiu em 1965 junto com a igreja, e em três anos os reconstruí; pároco da paróquia de Nossa Senhora dos Anjos em Gravataí, a partir de 14 de janeiro de 1968; de 1973 a 2004, fui pároco da paróquia de São Cristóvão, em Canoas, da qual hoje sou pároco emérito.
Sempre pensei em ser padre para atuar na pastoral, mas as necessidades me obrigaram a ser também construtor de igrejas, capelas, salões e canônicas. O que não embargou minha dedicação sacerdotal, e posso, feliz, dizer que sempre procurei fazer a vontade de Deus nos diferentes encargos. Deo Gratias!" (Fone (51) 34771908).
Eis o Padre – Santo de nome e de fato! (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (385)
El museo de Novo Treviso, la stòria sensa parole
Silvino Santin
Santa Maria-RS
– Prima de tuto, te vedi, Nanetto. Che’l museo no l’è un posto de mussi.
– Epa, Giulieto, te vol pròpio inrabiarme?!
– Nò, nò, scùseme, ze stà sol par scomissiar la me scola sora el museo.
– Ben, lora va vanti, che mi te scolto, e, par continuar la to scola, fa de conto che mi son el primo musso ndà rento un museo.
– Adesso te sì ti che te scomìssii la barufa.
Genarino, lì de banda, curioso par scoltar le spiegassion de Giulieto, el ridea dele barufe de sti due tosatei.
– Adesso, su el sèrio, el revien Giulieto. I libri de stòria i ze tanto importanti, parché i me conta quel che ze stà fato antigamente. Par esémpio, la stòria dei migranti taliani vegnesti qua a Novo Treviso la conta tuto quel che i ga passà i migranti dal giorno che i ze partii del Itàlia fin el giorno de incó. El museo anca el conta la stessa stòria, ma sensa parole.
– Ma come così, dimanda Nanetto?!
– Scólteme che te lo diso suito. Mi no sò quando i ga inventà i musei, ma se sa che vanti Gesù Cris– to romai ghe gera musei. Bisogna anca dir che ghe ze musei de tanti tipi, ma tuti i mete via robe antighe, parché le ze ele che le conta la stòria. Lora le ze tute le cose che te vedi qua che le conta la stòria dela gente de Novo Treviso. Par esémpio, el feral, i sòcoli, el fero con bronse de sopressar le robe, la màchina de cosir e de filar, le pignate, le robe de vestirse, el scaiarol, el tira– scàndole, el roncon, la brìtola e così via. Tute ste robe le mostra come zera la vita dei migranti tel primo tempo. Par quel che bisogna meter via le cose antighe e nò trarle via o brusarle. Pa intanto, questo museo, come el me ga dito un maestro, no’l saria pròpio un museo, el ze, pitosto, un depòsito de robe antighe, ma ze così che se scomìssia.
Nanetto, tuto maraveià, el ga dito poche parole, ma el sufissiente par mostrar che’l gavea capio tuto.
– Adesso, el dise, son drio capirla. Vol dir che tuti sti trapei veci i ze come se fusse le parole. E lora me toca ricognosser che el museo, altro che un posto de mussi, el ze un spaventa mussi. E el bel ze che no ocor saver né leder, né scriver, basta ver i oci verti.
– Brao, Nanetto, son contento che te sì drio capirme. E vuio dirte nantra roba, Genarino el sa tanto depì de mi cossa che vol dir cadauna de ste cose. Lu el sa la stòria, par esémpio, de sto feral, o de quela máchina de cusir, e po de tuto.
– Dà che te me ghè mensonà, se te me assi, Giulieto...
– A go pròpio caro, te pol parlar fin che te vol.
– Gràssie. Vui parlar pròpio del feral. El gera del nono. Lo ga portà del Itàlia. Se lo doparava dapartuto. Durante squasi sento ani l’è stà doparà par ndar a filò e par portarlo vanti e indrio rento de casa. El ùltimo a dopararlo son stà mi. El restea picà in stala par molder le vache. Adesso ghemo messo la luce anca là. E lu l’è qua che’l conta la nostra stòria e la stòria de tanti altri ferai taliani.
– Sol par ndar vanti nantro poco. Un vero museo l’è ben organisà. Soto ogni cosa, bisogna scriver cossa che la ze, come se la doperava, par cosa la sirvea e de chi che la gera. Cossita la gente la pol capir meio.
– Ma, adesso, Nanetto, giúteme meter a posto le me màchine par scomissiar el laoro. In tel filò de sta note parlemo de altre robe.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
La tosa del soriso tristo
Roberto Arroque
Serafina Correa – RS
El campanel sonando la ora del recreio el anunsiava na splosion de tosatei fora par la porta del colègio Rosário de Serafina. Dopo, par vinti minuti, le rècie le se insurdiva del osar alto e alegro dei aluni, corendo, giugando e ridendo. E nantra sonada del campanel la meteva órdine nantra volta nel cortile (pátio) interno dela scola.
Sempre sentada nel ùltimo scalin del intrata, ghe zera na tosatela che no partissipava mai de tuta quela alegria dei so coleghi. Na tosa de gambete grosse, scarpe de colegial parendo strucarghe i pié, e un lasso grando in tei cavei bruni.
La stea là con un libro che la leseva, o sinò scrivendo nel quaderno, o anca assenàndoghe a qualche colega che la saludava sensa fermarse de corer. Ma sempre chieta in tel so scalin. E mi no savea gnanca el so nome.
La tosa la vardava, de fisionomia sempre trista, ma con un permanente soriso! E con quela combinassion de soriso e tristessa la me rispondeva sempre al saludar. Tuti i giorni. Par quanto tempo? Non sò. I sarà stati mesi, o fursi anca ani, parché la me atension, quel tempo là, la zera voltada al giugar, al corer, o sinò anca ai fruteri dele móneghe, banda delà dela serca del colègio.
Ah! I fruteri dele móneghe. Un giorno son ndà, de scondion, dentro del so tereno par tirar zo un fruto. Lora go visto un, drio pintar un muro, che’l osava: el me gaveva visto. Son tornà indrio pien de paura.
A casa, quela note, vardando fora, go visto sto pintor che’l vegneva in diression a la nostra porta. – El vien par contarghe tuto a me pare, go dito intrà de mi. Me scondo e no’l me vede, go pensà. – Me pare e me mare no i zera mia a casa, i zera ndai a un velòrio a la Dódese.
Ma no me ga mia sucedesto gnente: el pintor el ze passà drito. E anca, lora, la paura...
El tempo el ze ndà avanti lento, parché par i tosatei el passa pimpian, e mi gaveva diese ani. Ma un giorno me son dato in conta che romai zera tanto tempo che no vedeva più la toseta che soriva in tel scalin! E el so viso el me ga acompagnà par un bon tempo i pensamenti. No sò parché che no go mia bio coràgio de domandarghe a nissuni de sta tosa. Go tegnesto quel pensamento par mi, e nantra volta go perso la nossion de quanto tempo che ghe ze passà.
Fin che, un serto giorno, la go vista. Nò in presensa. Ma in te un ritrato. El zera un ritrato con moldura oval, incrostà nel màrmo del giasigo dela fameia Assoni, in tel semitero de Serafina! Soto, una scrita col nome de "Marilene". Solche là go savesto come che la se ciamava la tosa del scalin.
Dopo la me coriosità la ga catà fora che quela note che me son spaurà col pintor, e el pupà e la mama i zera ndati a un velòrio a la Dódese, la morta la zera ela. E più avanti qualchedun, a scola, me ga contà che la gaveva le gambe sempre sgionfe par via de na malatia nel cor.
Lora mi go capio parché che la zera sempre chieta, sentada, e le gambete le zera grosse. Anca par cossa che la pareva sempre trista. Ma no go mai capio parché, insieme a la tristessa del vardar, la ga conservà sempre quel soriso che, dopo de tanti ani che’l resta sol in te la memòria, el me par sempre più vivo.
Feira do livro mobiliza a região de São Marcos
Meta é levar alunos à leitura de livros
Com o tema "Uma viagem para o conhecimento", São Marcos realiza a 6ª Feira do Livro. O evento, organizado pelo Lions Clube com apoio da Universidade de Caxias do Sul, ocorre de 9 a 12 de novembro, no Centro de Eventos Alexandre Zaniol. Natural de Garibaldi, o pároco do município, padre Osmar João Possamai, é o patrono da feira.
Nove bancas estarão comercializando obras variadas. "Nossa meta é atingir, principalmente, os estudantes e as pessoas que têm pouco acesso aos livros", diz ao CR a vice-presidente do Lions, Adriane Michelin.
Flores – Desenvolvido pela Prefeitura, o projeto "Cidade bela" prevê o plantio de mudas de flores e plantas pela cidade. Ruas e canteiros centrais receberam mudas de amor-perfeito, boca de leão e até de ipê roxo.
Flores da Cunha organiza Festival de Bandas
Dez escolas de Flores da Cunha, Caxias do Sul e Gramado participam do Festival de Bandas, em Flores da Cunha, dia 12 de novembro, na rua Borges de Medeiros, no centro da cidade. O encontro é promovido pelo Departamento Municipal de Cultura. Em caso de mau tempo a atração será automaticamente transferida para o próximo dia 15.
Frutas para atrair visitante
Feliz realiza festa da amora e do morango
Premiar as variedades de amora e morango é uma das atrações da 13ª Festa Nacional das Amoras, Morangos e Chantilly (Fenamor), que ocorre em Feliz (RS), nos dias 11,12,18 e 19 de novembro, no Parque Municipal. Outras atrações são shows, apresentação de bandas típicas, exposições, feira e gastronomia típica.
Os 30 mil visitantes que estão sendo aguardados poderão desfrutar da feira de produtos que conta com cerca de 150 expositores. O ingresso custa R$ 5,00. Crianças até 12 anos não pagam.
Feliz é o maior produtor de morango do Estado. Em 50 ha, produz 1.800 toneladas. A atividade envolve 200 produtores. Já a amora ocupa 8 ha, com produção de 48 toneladas por 22 fruticultores. "A agricultura responde por 28% de nossa economia", diz o presidente da Fenamor, Albano Kunrath.
Expovale destaca a agroindústria caseira
A Feira Industrial, Comercial e de Serviços do Vale do Taquari (Expovale), que ocorre de 10 a 19 de novembro, em Lajeado, terá a primeira edição internacional, com a participação de comitivas de países da Europa, África do Sul e Índia. O evento deve receber 200 mil visitantes e movimentar R$ 40 milhões em negócios, o dobro da última edição.
Considerada a terceira maior feira de negócios do Estado, a Expovale terá a participação de 426 expositores, que estarão ocupando os sete pavilhões do parque. Este ano o diferencial é a participação de 117 agroindústrias, sendo 60% destas do Vale do Taquari (que totaliza 64 municípios da região), Rio Pardo e Vale do Caí.
A feira é promoção conjunta da Associação Comercial e Industrial (Acil), Prefeitura e Emater de Lajeado. "Vamos mostrar o trabalho desenvolvido na produção, meio ambiente e desenvolvimento social", diz o gerente da Emater regional, Valmir Netto Wegner.