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Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.014 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 15 de novembro de 2006.

 

EDITORIAL

Falta de água só produz vítimas entre os pobres

Além de ter acesso limitado população de baixa renda paga mais que os ricos pela água

 

Relatório de Desenvolvimento Humano divulgado na semana passada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) confirma o agravamento da crise de água no mundo e revela o que quase todos sabiam, porém sem certeza da sua dimensão: são os pobres as vítimas da escassez.

De forma direta, a falta de água prejudica as populações de nações em que predomina a miséria e as em desenvolvimento. Em algumas delas, o consumo médio per capita não passa de 10 litros por dia, ou 1% do que é consumido por cidadãos do Primeiro Mundo.

O estudo expõe ainda outra distorção: famílias de baixa renda chegam a pagar até 10 vezes mais pela água potável do que as ricas. Essa desproporção está associada à reduzida oferta de água em regiões do planeta, o que a transforma em produto muito disputado e, por decorrência, caro, bem como à diminuta renda per capita.

O Brasil é um exemplo dessa situação. Mesmo com mais de 10% das reservas mundiais de água, o líquido não chega às casas de milhões de brasileiros. Segundo a ONU, os 20% mais ricos são servidos por água e saneamento como moradores de superpotências econômicas, enquanto os 20% mais pobres têm uma cobertura, tanto de água como de esgoto, inferior à de nações paupérrimas.

O relatório chama atenção também ao concluir que existe água suficiente para saciar as necessidades de toda a população da Terra. O problema não está na quantidade, mesmo com a destruição de mananciais pela poluição. Ele reside na má distribuição.

O mundo possui água, faltam soluções que a faça chegar às torneiras de todos. Hoje, cerca de um bilhão de pessoas carecem de água limpa. O número, por si só é motivo de preocupação. Mas ele não expõe outra realidade: é que, para alguns, a crise da água se refere à escassez física, suas causas mais profundas, porém, são a pobreza, a perversidade e as relações desiguais de poder.

Água é essencial para a vida humana, tanto que sua falta já provoca a morte de quase dois milhões de crianças por ano. Como bem público, precisa ser universalizado. Do contrário, ganhará força a cruel tese de que só sobreviverão as pessoas de posse.

 

CAXIAS DO SUL

Grupo Fátima completa meio século

Hospital criado pelo Dr. Virvi originou nove unidades de negócio

 

Criado pelo médico Virvi Ramos, um dos mais importantes grupos da área de saúde e educação da Serra gaúcha completa, nesta quinta 16, 50 anos de atividades. O Grupo Fátima chega a meio século de atuação guiado pela sensibilidade social do Dr. Virvi, como é conhecido entre os caxienses e moradores da região, e pelo empreendedorismo dos que o sucederam. E tem muito a comemorar. A começar pela expansão dos negócios e pelo envolvimento com a comunidade. Hoje o Fátima, com sede em Caxias do Sul, possui unidade em Porto Alegre (parceria com o Mãe de Deus), plano de saúde, hospital, clínica, medicina do trabalho, rede de farmácias, laboratório, medicina preventiva, escola de educação profissional e faculdade.

O Fátima é resultado, tanto na saúde como na educação, de iniciativas do Dr. Virvi. Iniciou pela fundação, em 1956, da Associação Cultural e Científica Nossa Senhora de Fátima. O hospital surgia para atender as necessidades da época e já oferecia garantias de suprir as demandas geradas pelo crescimento industrial da cidade apontado por todas as projeções.

A preocupação do fundador ia além dos serviços hospitalares. Em um ano e meio de funcionamento do hospital, Dr. Virvi criava a escola de auxiliar de enfermagem. "Ele entendia que para prestar bons serviços deveria formar profissionais", lembra Abrelino Vasata, diretor da área de educação do grupo. Pois esta escola ofereceu, durante mais de 20 anos, cursos gratuitamente e formou mais de mil auxiliares de enfermagem. A escola é o embrião da Faculdade Fátima, que tem seis anos e oferece quatro cursos.

A incursão do Dr. Virvi pela educação trouxe outros frutos. No final dos anos 1960 ele fundou a Faculdade de Direito e três anos após, a de Medicina. De certa forma, são sementes que geraram a Universidade de Caxias do Sul.

Plano – A história do Grupo Fátima tem um capítulo muito especial, que começou a ser escrito no final da década de 80 - novamente com a tinta da sensibilidade e da visão de futuro. Percebendo a necessidade de mercado, o Fátima lançou o seu plano de saúde. Ele surgiu como uma alternativa para o caxiense e, pelo que estava se desenhando, para evitar o risco de monopolização da área. Enfrentou represálias, teve de adequar rumos, mas avançou e se solidificou. Hoje atende mais de 55 mil pessoas, grande parte delas funcionários de 2.500 empresas e seus dependentes.

 

Prêmio à excelência em qualidade

 

O Hospital Fátima é o primeiro do interior do Estado a receber o Certificado de Acreditação Hospital em nível nacional. Essa distinção é reflexo da responsabilidade, da ética profissional e garantia de qualidade do atendimento à população. Como um prêmio a quem completa meio século, o Fátima subirá mais um degrau nessa escala de qualificação. Receberá a Acreditação Plena (nível 2), concedida pela Organização Nacional de Acreditação, órgão reconhecido pelo Ministério da Saúde, que destaca a excelência do Fátima em sua estrutura física, processos e gestão. Para dimensionar a importância dessa conquista, basta lembrar que dos 326 hospitais do Rio Grande do Sul, apenas quatro possuem essa titulação e só três encontram-se no nível 2: Fátima, Mãe de Deus e Hospital das Clínicas.

 

Vereadores homenageiam Isidoro Zorzi

 

Com o plenário da Câmara de Vereadores lotado, o reitor da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Isidoro Zorzi, recebeu o título de Cidadão Caxiense na quinta-feira 9. A homenagem foi proposta pela vereadores Deoclécio da Silva e Elói Frizzo, pelos relevantes serviços que Zorzi tem prestado à comunidade caxiense, especialmente nas áreas social, educacional e pública.

"Vejo neste gesto da Câmara, uma homenagem mais à universidade do que a minha pessoa", afirmou Zorzi na ocasião. "Receber o título de Cidadão Caxiense é ser admitido como herdeiro da história e da cultura da cidade", completou.

Isidoro Zorzi nasceu em Travessão Paredes, localidade que hoje pertence a Flores da Cunha. Em 1965, concluiu Bacharelado e Licenciatura em Filosofia na Universidade Católica de Pelotas. Ingressou na UCS em 1967, como professor de Sociologia. Também já atuou na administração pública como secretário de Habitação e Ação Social. Em maio deste ano, assumiu a reitoria da UCS.

 

REPORTAGEM

Homenagem aos imigrantes

Comunidade do interior de Caxias do Sul ergue memorial dos pioneiros que colonizaram região

 

"Muitas vezes conhecemos em detalhes a história de mil anos atrás e pouco ou nada sabemos dos últimos 100 anos". Com essa frase, Neiva Rech Bettiato resume a preocupação comum da comunidade de Conceição da Linha Feijó, interior de Caxias do Sul, de resgatar fatos marcantes de sua história.

E uma das iniciativas que a localidade escolheu foi fazer um levantamento completo dos imigrantes italianos que colonizaram a região e estão sepultados no cemitério local. João Airton Bettiato e a esposa Neiva, casal presidente da capela da Conceição, e o vice-presidente Cladis Zattera, com apoio da comunidade, iniciaram, no Dia de Finados de 2005, a coleta dos nomes desses imigrantes.

O resultado da pesquisa é o monumento "Memorial ao Imigrante Italiano", inaugurado no dia 2 de novembro de 2006. "Num ano, conseguimos resgatar 146 nomes, a maioria dos quais consta no monumento", explica João Bettiato. Depois da inauguração já foram descobertos novos nomes, que já somam mais de 160. Bettiato explica que, segundo as pessoas mais idosas da comunidade, mais de 200 imigrantes italianos podem estar enterrados no cemitério local.

"Quando iniciamos a pesquisa, tínhamos a impressão de que seria fácil obter dados, mas constatamos que restam muitas lacunas e talvez não tenhamos como conseguir resgatar todos essa história", revela o casal. Todo o trabalho está sendo feito através de pesquisas em livros (Povoadores da Colônia Caxias, de Mário Gardelin e frei Rovílio Costa; La Mèrica, de Luis A. De Boni); no Assentamento de Óbitos, da antiga paróquia da Conceição; dos relatos de pessoas mais antigas; das próprias lápides do cemitério; e de outros documentos.

Segundo João Bettiato, o documento mais confiável é o "Assentamento de Óbitos", porém esse livro apresenta o relato dos falecimentos ocorridos somente a partir de 1913. "Infelizmente, de 1888, quando houve o primeiro sepultamento, de Francisco Bettiato (Checo Meloto), meu tataravô, até 1913, faltam dados documentados e é esse vazio que estamos buscando reconstituir", explica.

Memorial – O monumento que homenageia os imigrantes enterrados na Conceição está localizado na entrada do cemitério. Um grande painel relaciona mais de uma centena de nomes (muitos dos quais com os próprios apelidos), cujos dados já foram levantados e que também deverão constar de um futuro livro. De forma criativa, os nomes estão colocados dentro do mapa do Brasil.

No mesmo painel está um mapa da Itália, com os locais de origem dos imigrantes. Feltre, Pádua, Treviso, Mântua, Belluno, Seren del Grappa, Villa del Conte, Gênova, Schio, Vicenza, Onara, Tombolo e Guarnieta, entre outros, revelam os distintos lugares de onde partiram os colonizadores da região da Conceição. Na base do memorial uma frase italiana é emblemática: "Qui si vince oppur si muore" (Aqui se vence ou se morre!). A frase teria sido cunhada por Andrea Dani, pioneiro da comunidade.

Bettiato explica que, certamente, muitos outros nomes de imigrantes serão acrescentados ao painel. "Aceitamos contribuições dos que têm suas origens em nossa comunidade e possuem dados de seus familiares". Contatos poderão ser mantidos com João Bettiato pelo telefone (54) 3226.6530, à noite.

 

Tragédia dá origem ao cemitério

 

Segundo anotações de Carlin (Carlos) Fabris, um dos antigos moradores de Conceição, publicadas no livro La Mèrica, de Luis A. De Boni (UCS/EST), o pioneiro da localidade foi Andrea Dani (Andrea Penacio), que se estabeleceu às margens do rio Belo em 1884, num lote localizado na Linha Feijó. Essa "linha" era uma grande faixa de terra, pertencente ao conde Luiz Antônio Feijó Júnior, que foi vendida em pequenas colônias aos imigrantes italianos.

Em poucos anos, dezenas de famílias ocuparam a região. Em 1888, ocorreu o primeiro falecimento, de Francisco Bettiato, atingido por uma árvore. Com ele, surgia o cemitério (que ainda não existia) da comunidade, que hoje abriga centenas de imigrantes e até o primeiro pároco da antiga paróquia da Conceição, padre Antônio Pertile, falecido no dia 24 de fevereiro de 1915.

Passando entre os túmulos, é impressionante a quantidade de lápides, antigas fotos dos primeiros imigrantes e datas que remetem ao século XIX e, obrigatoriamente, às origens na Itália. Luigi Bonetto (1852-1915) e Carolina Stocco Bonetto (1859-1932); Luiz Bettiato (1861-1931) e Catarina Ruffatto Bettiato (1861-1940); Christoforo Randon (1867-1936) e Catharina Randon (1874-1936), são alguns exemplos.

No livro Assentamentos de Óbitos, o primeiro nome de um imigrante registrado no ano de 1913 pelo então "cura" de Conceição, padre Pertile, é o de Thereza Fabris Roso (1864-1913); depois Domingo Bettiato (1850-1914). A partir de 1917, padre André Zanettin, nomeado cura de Conceição em 1915, passa a registrar os óbitos com mais detalhes, informando filiação, local de origem e outros preciosos dados.

 

Localidade abrigou seminário josefino

 

Conceição da Linha Feijó é uma das mais antigas paróquias do interior caxiense. Passou a ser curato (fase preparatória para ser paróquia) em 1912, com autonomia sobre cinco outras capelas e 185 famílias. Em Conceição havia uma igreja de madeira, construída pelo carpinteiro Giovanni (Nani) Lora, um grande líder. Enquanto ele trabalhava na obra, os moradores cuidavam de suas roças.

Foi ele também que construiu os três altares (o altar-mor e os dois laterais) da atual igreja, com madeira oferecida e serrada pelos próprios moradores. Na época, o povoado chamava-se Eduardina, mas a doação de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição (em madeira), por Maria da Conceição Azevedo de Souza, esposa do intendente do império, mudou o nome do lugar em 1891, ao ser inaugurado o templo.

Em 1928 foi construída a atual igreja, preservada como um dos mais belos patrimônios religiosos do interior caxiense. Em 1932, a congregação dos Josefinos assumiu a administração da paróquia, que abrangia diversas capelas de uma grande região, inclusive Forqueta e Desvio Rizzo, que hoje são paróquias. Em 1947 foi inaugurado o seminário dos Josefinos. Mais tarde, Conceição deixaria de ser paróquia, sendo anexada ao Desvio Rizzo, e o seminário foi transferido para Fazenda Souza.

 

AGRONEGÓCIO

Pragas de verão causam perdas de 20% nos grãos

Monitoramento na soja, milho e arroz evita dano econômico

 

Nessa época, as lavouras de grãos estão em fase de instalação. Por causa das pragas, que podem incidir logo após a semeadura e nas fases iniciais de desenvolvimento das plantas, os agricultores precisam redobrar a atenção. Estimativas indicam que as pragas causam perdas que podem chegar a 20% da produção gaúcha de grãos - safra em torno de 22 milhões de toneladas.

Segundo o entomologista da Embrapa Trigo José Roberto Salvadori, algumas pragas são de hábitos subterrâneos ou vivem na superfície do solo. Outras vivem na parte aérea das plantas. "Em boa parte dos casos, as iniciativas para manejo e controle devem ser tomadas antes da semeadura", avisa. Apesar do controle químico ser a alternativa emergencial prática e eficiente em diversas situações, outras táticas de controle, igualmente eficazes e economicamente viáveis, devem ser adotadas. "Os melhores resultados de controle são obtidos com a integração de diferentes práticas de manejo das pragas", diz ao CR.

No caso da soja, o efeito negativo de pragas iniciais na cultura está relacionado com as condições climáticas desfavoráveis e com o estresse, que diminuem a tolerância das plantas aos danos. Quanto mais rapidamente ocorrer a germinação, a emergência e o desenvolvimento inicial, menores serão os riscos em relação aos insetos e outros organismos que se alimentam da soja nestas fases.

Solo – A maioria das chamadas pragas de solo se caracteriza pela eventualidade com que tem causado problemas ou pela restrita distribuição geográfica nas áreas de cultivo de soja, como é o caso de larvas de solo (corós, gorgulhos do solo), cochonilha-branca-da-raiz, lagarta-rosca e lagarta-elasmo. "Os corós são pragas importantes em trigo e outras culturas de inverno, assim como em milho semeado no cedo", alerta. Na soja, entretanto, apenas o cuidado de semear na época em que os corós paralisaram seu consumo, geralmente é suficiente para escapar aos danos.

Grilos – Ultimamente, os grilos, reconhecidos como pragas importantes em pequenas culturas, plantas hortícolas e plantas ornamentais, têm ocorrido como pragas de superfície do solo, em lavouras de verão (soja, milho). "Os grilos vivem em galerias dentro do solo, têm hábitos noturnos e cortam plântulas ao nível do solo e as primeiras folhas, retardando o desenvolvimento vegetal", ensina o entomologista. Os danos são mais críticos logo após a emergência das plantas, principalmente em períodos de estiagem e altas temperaturas.

Outras pragas importantes são o tamanduá-da-soja, que pode levar a planta à morte e percevejos (insetos sugadores); a lagarta-do-cartucho, que penetra no interior do cartucho do milho - o controle tem que ser feito antes disso - e a bicheira-da-raiz, que interrompe o crescimento do arroz e danifica seu sistema radicular.

 

Presença de fungos será maior em 2007

 

Os produtores de soja e milho das regiões Sul e Sudeste deverão ficar atentos a problemas com fungos no ano que vem. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o aumento de chuvas - e conseqüentemente de umidade - no verão de 2007 redobrará a necessidade de medidas fitossanitárias nessas localidades.

"Onde houver maior concentração de plantas, crescerão as chances de haver fungos nas lavouras", explica a pesquisadora do Inpe, Priscila Pereira Coltri.

Os dados do Inpe sobre as condições climáticas de 2007 são positivos para o desenvolvimento vegetativo das culturas de milho e soja, que se beneficiam com as chuvas de verão, mas para outras que serão colhidas no inverno a situação será bem diferente. "A safra de inverno, que envolve o trigo, a cevada e a aveia, não é muito favorecida em anos de El Niño, devido ao excesso de chuvas na região Sul", afirma Priscila.

Segundo a pesquisadora do Inpe, as precipitações (chuvas) de inverno do ano que vem, por coincidirem com o período de floração, enchimento de grão e maturação, prejudicarão esses cereais. A região Sul é a maior produtora de trigo, cevada e aveia do país.

Vegetais – O entomologia José Roberto Salvadori observa que fungos não são pragas. "Fungos são organismos vegetais que se alimentam de matéria orgânica e desprovidos de clorofila", explica. O número de espécies é estimado de 200 mil a 250 mil. Atuam na decomposição da matéria orgânica ou agem como parasitas de plantas e animais.

 

Embargo europeu aumenta exportação brasileira de mel

 

A exportação brasileira de mel apresenta alta em 2006. De janeiro a setembro, a receita foi de US$ 17,8 milhões, 37% maior que no igual período de 2005. O desempenho favorável contraria as previsões, traçadas no início deste ano, após o embargo da União Européia, que alegou descumprimento do prazo de implantação das análises a serem feitas no âmbito do Programa Nacional de Controle de Resíduos.

O crescimento de 37% nas exportações de mel deve-se, em grande medida, ao incremento das vendas brasileiras para os Estados Unidos. De janeiro a setembro, os norte-americanos compraram US$ 11,87 milhões, 262,7% a mais que em 2005. E, com base nos dados de setembro de 2006, é possível identificar tendência ainda de alta nos negócios, já que a exportação para os Estados Unidos registrou aumento de 380% em relação a setembro de 2005, atingindo US$ 2,88 milhões.

Os números da exportação sinalizam para uma provável triangulação do mel brasileiro. A suposição foi levantada pelo presidente da Confederação Brasileira de Apicultura, José Cunha, que também preside a Câmara Setorial do Mel do Brasil e a Federação Apícola do Estado (Fargs). Cunha avalia positivamente a possibilidade de triangulação. "Se alguém tiver de receber sanção, são os Estados Unidos", afirma. Para o dirigente, os norte-americanos estão ganhando dinheiro com o mel brasileiro.

 

Safra gaúcha será mapeada em 2007

 

A produção apícola gaúcha será mapeada no ano de 2007. O diagnóstico é prioridade da Câmara Setorial da Apicultura. A pesquisa será aplicada usando a estrutura da Emater/RS, que marca presença em quase todo o Estado.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de mel do Brasil, com sete mil toneladas anuais. Em segundo lugar, está o Paraná, com 3,7 mil toneladas/ano, seguido de Santa Catarina, com 3,3 mil toneladas/ano.

 

Conab leiloa vinho de cooperativas

Serão leiloados 12 milhões de litros de vinho tinto fino de cooperativas gaúchas

 

Depois de 14 anos, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza leilão de vinhos por meio do Prêmio de Escoamento do Produto (PEP). Na rodada, a ser realizada no dia 21 de novembro, serão ofertados 12 milhões de litros de vinho tinto vinífera. O valor máximo do prêmio é de R$ 0,65/litro. Estimativa do presidente da Conab, Jacinto Ferreira, é atingir R$ 10 milhões.

A operação da Conab vai beneficiar, diretamente, as cooperativas produtoras de vinhos do Rio Grande do Sul. "Esse leilão é um instrumento social importante, pois abrange 20 mil famílias produtoras de uvas da Serra (Cadastro Vitícola registra 16 mil famílias), com área média de 2,5 hectares por família", diz o presidente da Câmara Setorial da Uva e do Vinho, Hermes Zaneti.

A produção da uva vinífera, que tem custo mais alto (R$ 0,75/kg) e é voltada à elaboração de vinhos finos, não foi absorvida inteiramente pelo mercado, devido à concorrência com similares importados principalmente da Argentina e do Chile. "De cada quatro litros de vinho fino vendidos no Brasil, três vêm de fora", reforça Zaneti ao CR.

De acordo com o diretor da Conab, Sílvio Porto, a operação regula dois mercados distintos: diminui a oferta dos vinhos vinífera e abastece o mercado do tipo de vinho de mesa. "A intenção do governo ao propor o leilão é regular o mercado e assegurar o preço mínimo aos produtores nas próximas safras", disse Porto.

Os interessados em participar do pregão terão de comprovar o pagamento do preço mínimo ao produtor (R$ 0,75/kg da uva) e o escoamento do produto da região Sul para outros Estados.

Prêmio – O Prêmio de Escoamento da Produção objetiva garantir preço de referência ao produtor e às cooperativas e, ao mesmo tempo, assegurar o escoamento da produção. O PEP procura evitar que o governo seja obrigado a fazer aquisições e formar estoques. Pelo sistema, é pago prêmio para que os interessados adquiram o produto diretamente do produtor ao preço pré-estabelecido.

Por meio da Conab, o governo oferece prêmio em leilões públicos, equivalente, em média, à diferença entre o preço de referência e o de mercado.

 

Bilhões de litros encalhados no mundo

 

Está sobrando vinho no mundo. O resultado deve-se à combinação de boas safras e queda no consumo. Pelo menos seis bilhões de litros não encontram comprador. A maioria é de vinho de mesa. O volume é suficiente para distribuir 41 garrafas da bebida a cada brasileiro.

Aos motivos do encalhe de vinhos no planeta, soma-se a inundação no mercado pelos produtos do novo mundo, entre eles, os vinhos da América do Sul (leia-se Argentina e Chile), África e Oceania. Os mais afetados são os vitivinicultores europeus. No fim da década de 80, a produção de fora da Europa representava apenas 4% das exportações. Hoje, chega a 27%.

No ano passado, sobraram 3,5 bilhões de litros, excedendo em 14% o consumo mundial. A previsão deste ano é que sobrará um em cada 10 litros produzidos. Só em 2006, 1,3 bilhão de litros de vinhos franceses, italianos, espanhóis, gregos e portugueses foram transformados em álcool, segundo a Organização Internacional do Vinho.

 

Concurso internacional destaca os tintos brasileiros

 

Das 420 amostras inscritas por 13 países no III Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), 30% receberam premiação, totalizando 125 medalhas, sendo duas grande ouro, 106 de ouro e 17 de prata. A qualidade dos vinhos e espumantes brasileiros foi destaque com a conquista de 69 medalhas.

Na avaliação do presidente da ABE, o enólogo Dirceu Scottá, a grande surpresa foram os prêmios conferidos a vinhos tintos brasileiros que passam a figurar no mercado internacional juntamente com os espumantes nacionais.

Na presença de lideranças do setor vitivinícola mundial o presidente da ABE anunciou os resultados durante a Noite de Gala dos Vinhos e Espumantes Premiados. Dirceu Scottá destacou a evolução do Brasil na realização deste tipo de evento, além da qualidade dos produtos no país que já somam mais de 1.500 medalhas conquistadas em concursos internacionais de vinho, realizados pelo mundo.

Um grupo formado por 42 especialistas de oito países participou das degustações de 7 a 9 de novembro nas dependências do Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves.

O concurso, realizado a cada dois anos, superou a segunda edição realizada em 2004, quando 11 países participaram com 401 amostras inscritas.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Combate a pulgões e cochonilhas sem uso de agrotóxicos

Gostaria de saber se existem modos de combater, sem uso de agrotóxicos, os pulgões e cochonilhas que atacam as árvores frutíferas e outras, além das hortaliças.

Fernando Rossi

Porto Alegre - RS

 

Muitos insetos e animais de outras ordens que prejudicam as plantas cultivadas constituem as chamadas "pragas das lavouras". Dentre todas, os pulgões e as cochonilhas são os principais inimigos dos pomares, jardins e hortas, mesmo não sendo os únicos, por muitas razões como a diversidade de forma com que se apresentam, a facilidade com que se reproduzem e a freqüência com que atacam as mais diversas plantas.

Segundo a entomologia (ciência que estuda os insetos), os pulgões pertencem a família dos "Aphideos" e as cochonilhas, à família dos "Coccídeos".

Os Aphideos caracterizam-se por um aparelho bucal sugador-picador, pois sugam a seiva das plantas. Apresentam-se sob diversas formas, com asas ou sem asas. Encontram-se em grandes grupos, nos locais da planta que parasitam, geralmente na brotação nova e, em alguns casos, nas raízes.

Os Coccídeos compreendem fêmeas e machos. As fêmeas não têm asas e nem pernas, vivem permanentemente no mesmo local. Possuem aparelho bucal sugador-pungitivo, têm o corpo coberto por uma substância cerosa ou resinas, mais ou menos espessas, que determinam diversas formas e tamanhos. Multiplicam-se rápida e abundantemente por meio de ovos, que produzem larvas e novas cochonilhas. Os machos têm asas, parecem pequenos mosquitos e são de rápida duração.

Receitas caseiras para combater pulgões (fórmulas caseiras a base de sabão, querosene e fumo):

1) Sabão comum (250 gr) - água (10 litros). Dissolver o sabão em ½ litro de água quente, acrescentar o restante de água mexendo bem, deixar esfriar e aplicar nas partes infestadas de pulgões.

2) Sabão e querosene - à solução acima acrescentar uma a duas colheres de querosene por litro de solução.

3) Sabão e querosene - sabão comum potássico (1 kg), querosene (5 a 7 litros), água (100 litros). Desmanchar o sabão em 3 litros de água quente e, após, sob forte agitação, despejar lentamente o querosene e a água até completar os 100 litros.

4) Calda de fumo - 20 centímetros de fumo em corda picado. Deixar de molho em 10 litros de água por 24 horas. Após, coar o produto e pulverizar as plantas. Se necessário, repetir o tratamento após 15 dias. A calda não deve ser guardada, pois estraga, prejudicando as plantas.

5) Solução de fumo e sabão - sabão comum (200 gr), fumo em corda (200 gr) (podem ser tocos de cigarro), água (10 litros). Dissolver o sabão em água quente, deixar o fumo em maceração em água durante 24 horas ou mais. Acrescentar o macerado de fumo e completar o volume de água. Aplicar nas plantas atacadas.

6) Calda de fumo e cinzas - desfibrar 100 gr de fumo em corda e colocar numa vasilha com 1 litro de água. Deixar em maceração durante um dia, depois, juntar 100 gr de cinzas de madeira, mais 9 litros de água. Misturar tudo muito bem, passar num coador de peneira fina e pulverizar as plantas. Repetir o tratamento se necessário. Consumir os repolhos e hortaliças, se for o caso, após 7 dias do ultimo tratamento.

 

Receitas caseiras para combater cochonilhas:

 

1- Com sabão e querosene: servem as mesmas fórmulas utilizadas contra os pulgões.

2- Com óleo mineral (já utilizados e descartados dos motores de automóveis) - sabão comum (1 kg), água (2 litros), óleo mineral (4 litros). Cortar o sabão em pedacinhos, juntar à água e ao óleo, deixar ferver mexendo bem. Retirar do fogo e continuar mexendo até formar uma pasta homogênea. Na hora de usar, desmanchar 1 kg desta pasta em 1 litro de água quente e acrescentar água até completar 100 litros. Pulverizar nas fruteiras de folhagem perene a 1% da solução. Nas plantas de folhas caducas, no inverno, usar a concentração de 1,5 a 2%. Repetir o tratamento se necessário.

Convém lembrar que as plantas cultivadas no clima certo e solo fértil, corrigido na acidez e rico em matéria orgânica, são sadias e assim têm resistência natural às pragas que costumam atacar as plantas deficientes.

 

SAÚDE

Atletas ocasionais correm riscos

Mau condicionamento físico causa fraturas e lesões. Futebol é o principal vilão

 

Melhor exercitar-se pouco do que nada, certo? Nem sempre. O tradicional futebol do fim de semana pode ser uma ameaça à saúde. Pesquisa feita com 450 pessoas, maiores de 18 anos e que sofreram lesão durante a prática de esportes, constata que 42% estavam jogando futebol quando se machucaram. O problema é a falta de preparo dos competidores. A pesquisa confirma, pois 42% responderam que só praticavam atividade física no fim de semana.

O estudo, conduzido pelo laboratório Merck Sharp & Dohme, foi realizado em diversos países da América Latina e mostrou que as contusões mais comuns são entorses, lesões nos joelhos e na musculatura das pernas e fraturas. A fisioterapeuta Daniela Prunes Galant, de Caxias do Sul, afirma que jogar durante quase duas horas, sem preparo, exige muito esforço do organismo. "Às vezes a pessoa está acima do peso, sem força, enfim, sem condicionamento físico, nessas condições surgem os problemas", completa.

A solução não é abandonar o futebol, mas se preparar melhor para ele. Segundo Daniela, não é preciso um treinamento de atleta, mas esses competidores devem praticar alguma atividade física moderada durante toda a semana. "Pode ser musculação, uma caminhada e alongamento", explica. "Minutos antes do jogo também é importante aquecer o corpo e alongar-se. Aliás, o alongamento também é indispensável após a partida", recomenda a fisioterapeuta.

"Além disso, se a pessoa não está bem preparada, não deve exceder seus limites. Ela não precisa jogar durante todo o tempo, pode participar da partida por alguns minutos, descansar, retornar mais tarde, para dar tempo para o organismo se recompor", afirma. Outra dica é ingerir líquido antes, durante e depois do jogo, pois a perda de eletrólitos durante atividade física deixa as fibras musculares frágeis e causa cãibras. Ainda recomenda-se evitar jogar sob sol forte.

As mulheres adeptas do futebol correm ainda mais riscos. Além do despreparo, elas têm articulações e ligamentos mais frágeis. Nelas, as lesões são de duas a nove vezes mais freqüentes do que nos homens.

O futebol é mais arriscado que outros esportes devido ao contato direto, mas os riscos em função do despreparo existem em qualquer atividade física.

 

Despreparo também ameaça o coração

 

Não são apenas músculos, ossos, tendões e ligamentos que podem ser prejudicados com a prática eventual, e sem preparação, de exercícios físicos. Olga Tairova, do Instituto de Medicina do Esporte da Universidade de Caxias do Sul, chama a atenção para os riscos cardiovasculares do esporte ocasional. "A pessoa sem preparo e com fatores de risco para males cardíacos pode ter um infarto devido ao esforço excessivo", afirma.

"O ideal é passar por uma avaliação médica antes de iniciar qualquer atividade física. Muitas pessoas têm colesterol elevado, hipertensão e não sabem. Ao praticar exercícios sem orientação, em vez de favorecer o organismo estão ameaçando-o", completa. A cardiologista lembra que considera-se atividade física regular aquela que é praticada pelo menos três vezes por semana.

Quando a partida de futebol é realizada na praia, os cuidados devem ser redobrados, tanto pelos riscos de lesões quanto cardiovasculares. A areia é fofa e exige maior esforço físico e maior acomodação das articulações, em razão do terreno irregular. Além das recomendações já citadas, nesse caso, os médicos ainda aconselham não jogar descalço.

 

Lesões exigem uma avaliação médica

 

Depois que a lesão já ocorreu não há dúvidas, o melhor a fazer é procurar um médico. Ficar dias sentindo dor sem a avaliação de um especialista pode agravar o problema. Voltar a jogar sem estar totalmente recuperado, pior ainda.

"É comum a pessoa aplicar gelo no local, repousar alguns dias e ficar esperando para melhorar. Isso pode até aliviar a dor, mas não trata todo tipo de lesão", esclarece a fisioterapeuta Daniela Galant. Se a pessoa não tratar de maneira correta pode ter uma relesão, dias depois, no mesmo local. Nesse caso, o problema será muito mais grave e ainda mais difícil de tratar.

Medidas caseiras, como proteção, repouso, gelo, compressão e elevação do membro afetado, ajudam e até podem resolver alguns casos, porém, é preciso tomar conhecimento do nível de gravidade do problema. Segundo os médicos, os agravantes para os casos de lesões são idade, mau condicionamento físico e lesões pregressas.

Existem alguns parâmetros para avaliar a gravidade do problema. O primeiro deles é a dor, seguida de inchaço, presença de sangramento ou hematoma. Na dúvida, melhor consultar um médico.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

Gelatina, rica fonte de proteína

 

A gelatina é uma ótima fonte de proteína, pois contém nove dos dez aminoácidos essenciais ao organismo. Os aminoácidos são úteis na manutenção dos ossos, cartilagens, articulações, tendões e pele. Eles ainda favorecem a síntese do colágeno, substância que ajuda a sustentar os tecidos, reconstituindo e fortalecendo também os cabelos e as unhas. Por esse motivo, costuma-se dizer que gelatina enrijece o corpo. Porém, os especialistas avisam que o alimento até ajuda na formação da massa magra, deixando o corpo mais firme, mas desde que se pratique alguma atividade física. Também não adianta consumir grande quantidade de gelatina sem adotar outros hábitos de alimentação saudável.

O alimento ainda é pobre em calorias e participa de muitas dietas para emagrecimento. Em cada 100 gramas de gelatina, há cerca de 60 calorias. Na versão diet, são só 10 calorias na mesma quantidade. Além disso, comer gelatina antes das refeições diminui o apetite. Ela tem a capacidade de se ligar a uma grande quantidade de água e, por esse motivo, dá sensação de saciedade e diminui os riscos de exagerar à mesa.

Os especialistas avisam que contra a celulite, ao contrário do que muitos pensam, os suplementos de gelatina são completamente inócuos. Não há comprovação científica sobre a ação da gelatina contra este problema.

No que se refere aos valores nutricionais, a gelatina em pó ou em folha são praticamente iguais. A forma de preparo é que pode apresentar alguma diferença, mas apenas no aspecto culinário. A versão em folhas facilita a dosagem.

 

OPINIÃO

Santidade para tempos difíceis

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Santidade será encontrada não tanto nos pacíficos ambientes dos templos ou da instituição eclesial, mas nas encruzilhadas da pobreza e da injustiça, em perigosa proximidade com a violência e o conflito... onde a luz do amor poderá brilhar

 

A Igreja celebrou no primeiro dia deste mês a Festa de Todos os Santos. Foi tempo de comemorar, celebrar e alegrar-se com todos aqueles e aquelas que fizeram do amor e da entrega a Deus e ao outro o centro e o sentido maior de suas vidas. Pois isso é ser santo: alguém que se descentrou de tal maneira que já não se pertence mais e consente que sua vida seja governada pelo desejo e a necessidade do outro ou outra que cruze seu caminho.

Bem longe está do modelo dos vitrais e dos lírios na mão simbolizando virtudes mais ascéticas do que éticas a santidade que os tempos de hoje necessitam. Mais: encontra-se longe do próprio Evangelho, que nos delineia e propõe um modelo de santidade muito mais dinâmico e próximo da vida cotidiana com seus altos e baixos, alegrias e dores.

Ao apresentar o que considera a vida exemplar que seus discípulos devem levar, Jesus pouco se refere a práticas estritamente religiosas ou rituais literalmente cumpridos. Aponta como exemplo seres desconcertantes: a viúva, categoria desamparada em uma sociedade patriarcal, que dando de sua pobreza tudo o que possuía dá mais do que aqueles que esvaziaram seus gordos cofres no receptáculo do templo. Está igualmente o samaritano pagão e idólatra que, ao contrário do sacerdote e do levita, interrompe seu caminho e afazeres para cuidar do ferido caído à beira da estrada.

E se a santidade é considerada uma vivência radical das virtudes teologais - a fé, a esperança e a caridade - o Evangelho mostra que os exemplos apontados pelo Mestre da fé plenamente vivida vêm de onde menos se espera: do centurião romano, pagão e incrédulo, que crê que a uma só palavra de Jesus seu servo será curado; ou da mulher sírio-fenícia, que do fundo de seu desespero de mãe que fará qualquer coisa para ver a filha curada, aceita ocupar o lugar dos cachorrinhos que esperam humilde e pacientemente as migalhas que caem da mesa dos filhos a fim de alimentar-se. E assim fazendo provoca a compaixão de Jesus e abre a porta do Evangelho aos gentios.

Os exemplos encontrados no Evangelho, assim como a análise do momento histórico que vivemos nos permitem suspeitar que santidade seja algo muito mais complexo do que poderíamos supor. Não se trata simplesmente de ser correto, cumpridor dos deveres de estado, uma pessoa de bem que a ninguém ameaça ou assusta. Mas, ao contrário, implica em algo de transgressor, de inesperado e subversivo do "status quo". Implica em uma pitada de loucura capaz de romper os próprios limites e as barreiras impostas pela sociedade e recusar um modelo comportado que se encaixa apenas no previsível.

Em tempos difusos, a santidade vai apresentar atitudes e critérios que mergulharão de cheio nos desafios e problemas que afligem a maioria da humanidade. Santidade, portanto, será encontrada não tanto nos pacíficos ambientes dos templos ou dentro dos limites da instituição eclesial, mas nas encruzilhadas da pobreza e da injustiça, em perigosa proximidade com a violência e o conflito, na ambigüidade das situações de risco e na fímbria da marginalidade, em situações aparentemente profanas, onde, no entanto, a luz do amor sem condições poderá brilhar mais do que nunca.

Alguns poderão escandalizar-se dessa santidade aparentemente sem Deus e longe da religião estabelecida. Porém, o mistério da comunhão dos santos, que afirma que o Espírito Santo, autor e responsável de toda santidade, deixa correr e passar a dinâmica de seu amor, dá testemunho desta santidade primordial para humanizar nossos tempos.

 

ENTRE FECHADURAS E RINOCERONTES

Frei Betto

Acordado do outro lado do sonho, fiquei a me perguntar se tamanha ilogicidade que preside as emanações do inconsciente não seria a verdadeira lógica que a razão tanto teme e repudia

 

Há em mim uma legião de auroras. Nem sei como numa alma tão conturbada pode florescer essa luminescência que cega os olhos do espírito. Talvez seja isso a noite escura cantada agonicamente pelos místicos. Talvez seja a perfeição do olhar. É como estar sedento frente ao mar. Água, muita água, e no entanto dela não se pode beber. Só contemplar a pele ondulosa do Planeta, essa voracidade oceânica que devora todos os meus sonhos.

Por mais que eu resista, o aluvião me corrói por dentro. Às vezes tenho ganas de descrer de todas as auroras ou acreditar que não passam de fogo-fátuo em meu oblíquo horizonte. Oh sofreguidão! O mundo lá fora engrenado em suas cobiças, essa luta insana pela sobrevivência animal e eu aqui, no apartamento 704 do Hotel Donatello, em Modena, em pleno abril chuvoso, tentando me abrigar do frio que faz dentro de mim.

É isso, não consigo ver o que os outros enxergam, não consigo rir do que os outros acham graça, não consigo deixar de ser eu mesmo, desconfiado, taciturno, porque são muitas as minhas cismas. Por exemplo, coleciono fechaduras e fotos de rinocerontes. Fechaduras, é obvio, servem para fechar, porque o ser humano não suporta a transparência. Precisa sempre se cobrir: de pêlo, máscaras, teto, muro, porque a nudez é uma arte que exige talento. Ainda que um homem e uma mulher estejam sem roupas, trancados num quarto, entregues às infinitas possibilidades do jogo erótico, não significa que estejam nus. Estão despidos. Nudez é outra coisa. É enfiar a faca até o cabo, arrebatar a lua com as mãos, destampar todos os recônditos da alma, os mais obscuros e ínfimos. Se nem suportamos ficar nus diante de nós mesmos, quanto mais diante dos outros! Por isso as fechaduras deveriam estar de língua recolhida, mas quase sempre elas se projetam interditando-nos.

Por que fotos de rinocerontes? Faz tempo sonhei que eu era um rinoceronte, daqueles enormes que pesam toneladas. Locomovia-me com muita dificuldade, o que exigia paciência de todos à minha volta. Ao atravessar uma rua, eu me encontrava a meio caminho quando o sinal abria, irritando os motoristas; no cinema, precisava ocupar meia fila de cadeiras; no restaurante, comia metade do bufê.

Gosto das esferas elegíacas. Da arte que não exprime lamento, dos primitivistas que ponteiam suas telas com o talento que supera todas as formalidades acadêmicas. Sou por eflorescências. Quase toda semana irrompem em mim vulcânicas primaveras. São flores de fogo. Procuro fixá-las em retábulos e, no exercício de iluminuras, copiá-las em pergaminhos. Porque só flores e borboletas superam as obras-primas da arte universal. Mas não sou dado a caçar borboletas.

Não me agradam as idéias ajaezadas. Prefiro-as despojadas, diretas, translúcidas. Há dias em que me recolho à biblioteca do mosteiro em que vivo e passo horas contemplando iluminuras de manuscritos antigos.

Eis que me apareceu em sonhos um homem cujos sapatos tinham bicos finos e longos; na cintura, profusão de laços; as mangas eram tufadas como balões e os punhos de renda. Ele estava de pé num salão fechado por cortinas de cores brilhantes, pontilhadas de estrelas de ouro entre espaços vazios cheios de sóis. Em volta, capitéis e um pesado brasonário. E ele sabia que a ataraxia é uma propriedade das mais belas esculturas.

Súbito, ele começou a dançar em movimento suaves. Não havia música, apenas uma orquestra invisível de rinocerantes imensos e diminutos, gordos e delgados, altos e baixos, pesados e lépidos. Todos traziam fechaduras em suas patas arredondadas e ao abri-las e fechá-las imprimiam o ritmo que conduzia o dançarino. Acordado do outro lado do sonho, fiquei a me perguntar se tamanha ilogicidade que preside as emanações do inconsciente não seria a verdadeira lógica que a razão tanto teme e repudia.

Só então compreendi porque René Descartes foi encontrado morto na Biblioteca Nacional, em Buenos Aires. Uma fina espátula prateada atravessava-lhe o coração. Suspeita-se que o assassino chama-se Jorge Luis Borges, mais conhecido pela alcunha de "El Brujo".

 

MEIO AMBIENTE

Pobres pagam até 10 vezes mais pela água

Em 100 anos a população quadruplicou e o consumo de água cresceu sete vezes

 

A água é um produto de luxo para boa parte da população mundial. Famílias de baixa renda de países em desenvolvimento chegam a pagar 10 vezes mais pela água do que as com maior poder aquisitivo. O cálculo foi divulgado na quinta 9 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), no Relatório de Desenvolvimento Humano 2006 (RDH).

De acordo com o consultor do Pnud Flávio Comim, populações mais pobres como da Colômbia, Filipinas e Gana pagam cerca de US$ 5 (R$ 10,70) por metro cúbico de água. Em países como Inglaterra, a aquisição sai por menos de US$ 2 (R$ 4,28). "Essa diferença é apenas um aspecto do preço. O segundo é que os pobres também pagam mais por conta da proporção de renda", destaca Comim.

O relatório mostra que 20% dos mais pobres na Nicarágua, El Salvador e Jamaica, por exemplo, gastam mais de 10% de sua renda na compra de água potável. Deste grupo, cerca da metade vive com menos de um dólar por dia (R$ 2,14).

"O recomendável é que esse percentual seja igual ou inferior 3% da renda", explica Comin. Para chegar a esses resultados existem três critérios de avaliação da água: qualidade, quantidade e proximidade. Com relação à qualidade, a água deve estar própria para beber e para um consumo de, no mínimo, 20 litros por pessoa/dia. Já com relação à proximidade, as pessoas devem ter acesso ao recurso em até um quilômetro de distância.

Outro aspecto apresentado pelo documento é que o consumo de água tem crescido de forma acelerada. De acordo com um trecho do relatório, "nos últimos cem anos, a população quadruplicou, enquanto que o consumo de água cresceu sete vezes".

Distribuição – Para os técnicos da ONU, a escassez não ocorre pela falta de água, mas pela má distribuição. Relatório afirma que há água suficiente para todos, porém, enquanto pessoas consomem mil litros de água por dia, em países como Moçambique esse consumo não passa de 10 litros.

No Brasil, o problema está relacionado à desigualdade de renda. O relatório não traz dados sobre o preço da água potável para as populações brasileira de baixa renda, mas informa que os 20% mais ricos desfrutam de níveis de acesso a água e a saneamento geralmente comparáveis aos de países ricos, enquanto os 20% mais pobres têm uma cobertura, tanto de água como de esgoto, inferior à do Vietnã.

Apesar do alto índice de acesso a água, o Brasil está no 74º lugar do ranking de 159 países onde o índice é medido para compor o RDH. No ranking de saneamento, a posição brasileira é a de número 67, entre as 149 nações pesquisadas.

A ONU recomenda que cada país invista, no mínimo, 1% do Produto Interno Bruto (PIB - a soma das riquezas de um país) nesses serviços. O Brasil gasta 0,45%. Mesmo com esse percentual, estatísticas do Ministério das Ciddes de 2005 (o RDH é de 2004) indicam avanços: nos últimos três anos, 4,7 milhões de moradias tiveram acesso ao abastecimento de água e 4,6 milhões, a serviço de esgoto, dos quais 3,5 milhões com rede coletora de esgoto e 1,1 milhão com fossa séptica, solução adequada para as zonas rurais.

 

Brasil cai posição e fica com médio IDH

 

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil aumentou quatro pontos em 2004 em relação a 2003, passando de 0,788 para 0,792. Houve avanços em indicadores como PIB e alfabetização e no combate à desigualdade de renda. Mas o país perdeu uma posição no ranking mundial - da 68ª para a 69ª. O líder é a Noruega, com 0,965, seguida de Islândia, Austrália, Irlanda e Suécia; o último colocado é Níger (0,311), onde a expectativa de vida é de 44 anos.

O IDH, medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é composto de quatro indicadores: o Produto Interno Bruto (PIB) per capita (a divisão das riquezas produzidas em um país pela sua população); a expectativa de vida; a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos de idade ou mais; e a taxa de matrícula bruta nos três níveis de ensino.

O Brasil se mantém na faixa de médio desenvolvimento humano, antecedido no ranking pela República Dominicana e imediatamente à frente da Colômbia. Esses países têm, respectivamente, IDH de 0,793 e 0,790. Entre os países da América Latina e Caribe, o Brasil está atrás de 13 nações. México, Cuba, Uruguai, Chile e Argentina, por exemplo, têm desempenho melhor que o brasileiro. A Argentina ocupa o 36° lugar no ranking, com IDH de 0,863.

O Brasil teve destaque positivo nesse relatório, como exemplo da melhoria na distribuição de renda. Depois de figurar como a quarta região mais desigual do planeta em 2002, o país avançou para a 10ª posição.

 

ESPECIAL

FENAVINHO INOVA E AMPLIA ATRAÇÕES

Evento, que ocorre de 26 de janeiro a 20 de fevereiro, em Bento Gonçalves, ganha novo formato. Uma das novidades é o espetáculo cênico que vai contar, com alegorias confeccionadas por técnicos de Parintins e 400 figurantes locais, a história do vinho na humanidade

 

Quem visitar Bento Gonçalves de 26 de janeiro a 20 de fevereiro de 2007 vai encontrar o já tradicional vinho encanado no centro da cidade, poderá degustar o que de melhor produzem mais de 80 vinícolas e conhecer a matéria-prima que destaca o município como capital brasileira do vinho. Passeará por uma típica vila dos primórdios da colonização italiana na condição de espectador de um museu vivo e aberto à interatividade e ainda conhecerá a origem e as delícias da gastronomia local. Enfim, terá a oportunidade de se transportar para um mundo diferente - de sons, cores, aromas e sabores que marcam a cidade. No recheio e na cobertura desse bolo de atrações, a alegria, traço que se destaca no perfil de sua gente.

Lançada nacionalmente na sexta 10, a Fenavinho 2007, evento que completa 40 anos como um dos mais importantes do calendário turístico da Serra gaúcha, tem algo mais a oferecer: um espetáculo de cores, luzes e formas gigantescas que desfilará a história cultural do vinho por um palco especialmente montado. "É um novo conceito, que transforma o espaço até então dedicado a uma grande feira na abordagem cultural do vinho como elemento básico na história da humanidade - e não só da região", explica Tarcisio Michelon, presidente da Fenavinho Brasil 2007.

Espetáculo – A busca de uma alternativa aos tradicionais desfiles de carros alegóricos levou Michelon e sua equipe ao extremo Norte do país - mais especificamente a 420 quilômetros de Manaus, margem direita do rio Amazonas, onde está a cidade de Parintins, que promove anualmente um dos mais importantes festivais folclóricos do país. Uma equipe de cinco pessoas partiu de lá com destino ao Sul. Na bagagem, a missão de criar um espetáculo exclusivo para o vinho, ou nada mais nada menos que a principal atração da Fenavinho 2007.

O talento desses artistas – o mesmo que dá forma e movimento à maioria dos carros alegóricos das escolas de samba do Rio de Janeiro - juntou-se ao trabalho de uma equipe local liderada por Maria Dalcin. O resultado? A julgar pela empolgação de Michelon... "A história cultural do vinho será contada com um magnífico e surpreendente show", afirma. "Até filoxera (praga que destruiu parrerais no mundo) faz parte do espetáculo", acrescenta.

Um deus de cinco metros e um anjo de oito metros de altura, mais uma serpente de 16 metros são algumas das esculturas, todas com delicados movimentos, que dão a dimensão do espetáculo. Um outro parâmetro da grandiosidade é o número de figurantes: 400. Centenas de pessoas, pelo menos 10 enormes alegorias, música, iluminação e coreografias específicas, com uma boa dose de dramaturgia, vão contar a história do vinho.

Para um grande espetáculo, um palco especial. Ele terá mais de 500m². Será erguido no centro de uma arena com arquibancadas montada na parte externa do Parque da Fenavinho, junto ao kartódromo Aristides Bertuol, com capacidade para 4.500 espectadores. A idéia inicial de Michelon é promover cinco apresentações durante a Fenavinho 2007, todas aos sábados à noite. "Mas pode ser mais", admite, apostando na boa receptividade. O ingresso antecipado custará R$ 10,00. O espetáculo cênico tem o apoio da Lei Rouanet, que liberou R$ 1,117 milhão. Este valor, que até a semana passada não havia sido captado integralmente, equivale a quase um terço do orçamento da Festa. Deve chegar a R$ 3,5 milhões.

Todo o projeto das alegorias e cenários está sendo desenvolvido pelo arquiteto Vitor Ambrosini, que viajou duas vezes a Parintins para conhecer a técnica empregada na confecção das alegorias na festa do Caprichoso e do Garantido. De Parintins vieram o diretor de artes plásticas Antônio Cansanção e sua auxiliar Elenice Mourão de Menezes, além de três técnicos. O projeto tem a direção geral de Maria Dalcin, a direção artística é de Sabrina Miolo e a direção plástica de Vitor Agostini.

 

Festa terá mais de 80 vinícolas

 

O número já é recorde para eventos envolvendo o setor: mais de 80 vinícolas, de oito municípios gaúchos e uma da Bahia, adquiriram espaço para expor seus produtos na Fenavinho 2007. Entre elas estão as maiores da região. A meta é chegar a 100 empresas, que ocuparão, em estandes com tamanho padronizado (15 metros quadrados), o pavilhão A do Parque da Fenavinho.

São 6.200 metros quadrados destinados às cantinas. A proposta da direção da Festa é de que elas ofereçam aos visitantes a possibilidade de degustação e que comercializem seus vinhos a preços 30% abaixo dos valores de mercado convencional. "Elas estão livres para praticar os preços que quiserem, mas se atenderem nosso pedido tenho certeza de que este será um diferencial também importante para marcar o evento", afirma o presidente da Fenavinho, Tarcísio Michelon.

 

Vinho volta a jorrar no centro da cidade

 

Desde a primeira Fenavinho, em 1967, Bento Gonçalves passou a ser lembrada como a cidade onde o vinho jorra. Pois o vinho volta a jorrar, no centro da cidade, a partir de 26 de janeiro de 2007.

O vinho abundante, brotando do chão em um cenário totalmente urbano, se transformou na mais destacada identificação da Festa e de Bento. Para promover e valorizar o produto, o vinho encanado será oferecido diariamente, em horários especiais, a preço popular (ainda indefinido). O sistema será instalado junto à Casa Del Vinho, na Via Del Vino, principal praça da cidade, que tem em seu centro um chafariz com água que lembra a cor do vinho.

 

Caminhão promove o evento na Serra gaúcha

 

Ele chama atenção pelo modelo, mas muito mais pelo que transporta e pelo que propõe. O Caminhão do Vinho está percorrendo há meses bairros de Bento Gonçalves e cidades da região. Além de divulgar a Fenavinho, é utilizado para atrair o envolvimento da comunidade na festa em seu novo formato. O Caminhão do Vinho tem capacidade para armazenar 200 litros de vinho tinto, 200 litros de branco e 400 litros de suco de uva. Todo sistema em forma de pipa foi montado sobre um caminhão Chevrolet, marca Gigante, do ano de 1946.

 

Agroindústria ganha mais espaço e um novo conceito de exposição

 

Que tal conhecer a história da vitivinicultura gaúcha através da exposição com a participação de protagonistas ou de seus descendentes? Além disso, ter acesso a ofícios como tecelagem, artesanato em madeira e vime, chimias, erva-mate e até confecção de violinos? E ainda experimentar a sensação de esmagar uva com os pés e poder voltar dias mais tarde para degustar o vinho doce, resultado da primeira fermentação? Tudo isso será possível em uma área de 4.200 metros quadrados, na qual a Fenavinho 2007 vai reunir 158 agroindústrias.

A exposição interativa da agroindústria apresentará aos visitantes os melhores produtos da agricultura familiar de Bento Gonçalves. Os espaços estão sendo cedidos gratuitamente, condição viabilizada por recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que destinou R$ 250 mil. O objetivo é valorizar e revitalizar a agroindústria, e promover o universo do vinho e do pequeno produtor.

Este trabalho está sendo coordenado pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento (Cetef) e conta com o apoio de vários entidades ligadas à agricultura familiar, como Fetag e Fetraf-Sul.

 

Cresce leque de opções gastronômicas

 

Aliar a culinária típica da cultura da imigração italiana à diversidade dos sabores que destacam a gastronomia da região. Esta é a proposta da Fenavinho 2007 que visa atender diferentes públicos - dos que apreciam a gastronomia tradicional aos que preferem pratos mais elaborados e sofisticados.

As opções abrangem diversificados gostos e, é claro, condição econômica. Iniciam pela comida típica (galeto, massa, polenta...), passam pela área da pizzaria (com forno a lenha instalado no local) e chegam à alta gastronomia, com cardápios elaborados por chefs de cozinha. Para qualquer das escolhas acompanham abundantes alternativas de vinhos. Mas se alguém preferir a comida gaúcha, encontrará o legítimo carreteiro. E se o visitante quiser ainda aprofundar seus conhecimentos nessa área, terá acesso a cursos com enfoque dirigido à harmonização da gastronomia com o vinho.

 

Apresentação de uvas com caráter educativo

 

Oferecer ao visitante a possibilidade de conhecer as variedades de uvas cultivadas no Brasil, suas características e os vinhos elaborados a partir delas. Esta é a principal mudança que a Fenavinho 2007 está introduzindo na exposição de uvas, uma das atrações do pavilhão A. Para selecionar os melhores cachos que serão expostos será feito um concurso. Os critérios de avaliação levarão em conta o padrão varietal, a uniformidade dos cachos e das bagas, a sanidade e os resíduos de agrotóxicos.

 

Vila terá museu vivo ambientado

 

Recriar ambientes de época e revitalizar expressões da cultura regional com a participação de atores da própria comunidade que estarão interagindo com o público e criando um museu vivo com a identidade dos imigrantes preservada. Esta é a proposta para a Vila Típica, espaço que permitirá ao visitante sentir-se num verdadeiro vilarejo - com igreja, hotel, armazém, escola, casas...

Integrada ao tema cultural da Fenavinho ("A cultura do vinho no cenário das civilizações"), a Vila Típica será um imenso palco a exibir arquitetura colonial, artesanato, hábitos e costumes, gastronomia, vinho colonial, música, teatro... O visitante também poderá participar de jogos tradicionais, como bocha, mora.

 

Piccola Città para atender crianças

 

A Fenavinho 2007 vai reeditar a Piccola Città, área voltada exclusivamente para o atendimento de crianças de até 12 anos. Num cenário idêntico ao de uma pequena vila típica, as crianças receberão o monitoramento de educadores especializados.

Além da hora do conto, incrementada com o teatro-canto, na Piccola Città as crianças poderão andar de balanço, a corrida de traveta e a escróssole (pernas de pau). As brincadeiras típicas sofrerão adaptações sem perder a originalidade. Em ambientes adaptados, a casa da "Nona Angelina" será a casa da boneca; o velho moinho abrigará um play ground; a "venda" oferecerá lanches.

 

IGREJA

Viagem à Turquia promove o diálogo

Visita apostólica do Papa deve aproximar muçulmanos e cristãos

 

O Papa Bento XVI realiza, de 28 de novembro a 1º de dezembro, uma viagem apostólica à Turquia. Essa será a quinta viagem internacional de Bento XVI. Conforme detalhes da Sala de Imprensa do Vaticano, o Papa visitará as cidades de Ancara (capital turca), Éfeso e Istambul. Chegará em Ancara no dia 28 e depois se dirigirá a Esmirna e Éfeso na quarta 29. Na noite desse mesmo dia irá a Istambul, onde permanecerá até 1º de dezembro, dia programado para seu retorno a Roma.

A realização dessa viagem apostólica tinha sida anunciada já em fevereiro deste ano, quando foi informado que o Pontífice tinha aceito o convite oficial formulado pelo presidente turco, Ahmet Necdet Sezer. A visita de Bento XVI coincide com a festividade, no dia 30 de novembro, do apóstolo André, irmão de São Pedro e padroeiro da Igreja de Constantinopla.

Entre os momentos mais importantes da viagem está a visita ao gran mufti Ali Bardokoglu, presidente dos Assuntos Religiosos da Turquia e autoridade máxima islâmica de Estado; e o encontro com o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I. Em Istambul, o Pontífice vai se hospedar na casa que foi de dom Giuseppe Roncalli, o futuro Papa João XXIII que, de 1935 a 1945, foi em missão à Turquia. A casa está localizada numa rua que recebeu o nome de João XXIII, uma homenagem dos turcos ao bispo que, em seu diário escreveu: "Eu amo os turcos".

Bento XVI vai inaugurar e abençoar uma estátua de Roncalli, que será colocada na basílica de Santo Antônio, santo particularmente venerado por João XXIII. O prefeito de Istambul também vai apresentar ao Papa o monumento restaurado de Bento XV, que muito se empenhou em favor dos prisioneiros turcos no final da 1ª Guerra Mundial.

A viagem pastoral de Bento XVI foi colocada em dúvida depois das violentas polêmicas e contestações suscitadas no mundo islâmico após o discurso do Papa na Alemanha, em setembro passado, quanto citou uma frase do imperador bizantino Manuel II Paleólogo, que ao se referir ao diálogo cristão-islâmico, mencionava o problema da relação entre religião e violência. A citação foi mal interpretada pelos fundamentalistas muçulmanos.

 

Bispo sugere evitar excessivos alarmes

 

O vigário apostólico da Anatólia, dom Luigi Padovese, explicou à agência católica Zenit que "não se deve dar importância a excessivos alarmes provocados por quem quer criar tensões". Ele referia-se ao clima de hostilidades alimentado por alguns fatos recentes, como as manifestações de radicais islâmicos e, especialmente, do gesto do jovem Ibrahim Ak, que fez quatro disparos diante da consulado da Itália em Istambul para protestar pela visita do Papa à Turquia.

Parte da opinião pública parece realmente não apreciar a visita do Santo Padre. E é sintomático que, no momento, uma das novelas mais vendidas no país, escrita por Yucel Kaya, tenha como título "Atentado ao Papa: quem assassinará Bento XVI em Istambul?". Para dom Padovese, são gestos que podem ser interpretados "como uma maneira de manter as distâncias".

Para o ex-presidente do Irã, Seyyed Mohammad Khatami, a visita de Bento XVI à Turquia é uma ocasião para promover o diálogo entre muçulmanos e cristãos. "É uma oportunidade positiva para favorecer a compreensão entre o mundo islâmico e o cristão", disse Khatami ao jornal romano Il Messaggero. Khatami presidiu o Irã em dois mandatos, de 1997 a 2005.

 

Maioria da população segue o islamismo

 

A Turquia é o mais ocidentalizado dos países muçulmanos. Há anos, a nação realiza esforços para ingressar na União Européia. Em dezembro, o Conselho Europeu deverá manifestar-se sobre se os progressos feitos pelos turcos são suficientes rumo à adesão. Alguns países se opõem a uma adesão completa e defendem uma "participação privilegiada". Outros são contrários ao ingresso e a há os que propõem um tratamento igual a todos os Estados candidatos, inclusive a Turquia.

Entre as razões dos que não querem os turcos na União Européia está o desrespeito aos direitos humanos. Dos 71,3 milhões de habitantes, 80% são turcos, 2%, árabes, e os outros 18% curdos, a maior etnia sem Estado do mundo. Apesar das concessões turcas aos curdos, que há décadas lutam por um Estado independente, eles ainda sofrem repressões e discriminação.

O território turco espalha-se por dois continentes - Europa e Ásia. Apenas 3% dos quase 780 mil km2 do país estão na Europa. O islamismo é praticado por 97,2% da população. Sua maior cidade é Istambul (antiga Constantinopla), com mais de 8,8 milhões de habitantes. Na antiguidade, diferentes povos ocuparam a região da Anatólia, atual Turquia. O domínio turco iniciou em 1453, com a conquista de Constantinopla, que era sede do Império Bizantino.

 

VERDADES ECUMÊNICAS

Padre Zezinho

Nossas Igrejas têm fiéis que não conseguem conviver com diferenças de opiniões

 

Quando passo a luz da minha vela para uma outra vela apagada, minha luz não diminui. A mesma luz que brilhava em minha vela agora brilha na dele. Quando elogio a mãe do outro por achá-la bonita e gentil, a minha mãe não diminui. Não estou nem diminuindo a minha mãe, nem trocando de mãe. Estou apenas admitindo os valores da outra mãe.

Quando decido dialogar e caminhar junto com alguém de outra Igreja não estou dizendo que concordo com ele em tudo. Estou dizendo que não há razão para nem sequer nos cumprimentarmos. Já que chamamos a Deus de Pai, a Jesus de Irmão e dizemos ter recebido o Espírito Santo. Discordar não é viver em discórdia e concordar em muitos pontos não é concordar em tudo, assim como discordar não é discordar em tudo.

Se o açougueiro anda vendendo carne estragada e o leiteiro anda falsificando o leite e eu sei, tenho que criticar o que ele faz. Se em nome da boa vizinhança eu ficar quieto terei prejudicado os demais. Há uma crítica demolidora que se faz com ódio e há uma crítica honesta que se faz sem ódio. Posso ter uma postura crítica perante o que algum irmão meu católico ou evangélico prega, mas isso não quer dizer que o odeio e quero que ele cale a boca. Quero é que ao dizer o que diz ele leve em conta os textos bíblicos e os documentos da Igreja que eu citei ao discordar dele.

Eu discordo de muita coisa que ouço das outras Igrejas e de alguns pregadores da Igreja Católica na qual sou sacerdote. É meu dever propor o que penso, da mesma forma que eles propõem o seu pensamento.

Nossas Igrejas têm fiéis que, nem interna nem externamente, conseguem conviver com diferenças de opiniões. Reagimos com mágoa e retaliação. Queremos que o outro se cale. Deus deixa falar. Nós raramente deixamos. A maioria dos crentes é tocada a elogios. Se nos elogiam dizemos que são santos e profetas. Se nos criticam, mesmo que com carinho, decretamos que têm o demônio, ou não são ungidos. Talvez a falta de unção seja nossa!

 

Paróquia caxiense promove missões

Freis capuchinhos evangelizam comunidades da paróquia São José

 

Oito freis missionários capuchinhos iniciaram no sábado 11 a pregação de missões na paróquia São José, em Caxias do Sul. Até o dia 26 de novembro os missionários visitarão as nove comunidades católicas da paróquia, realizando palestras sobre a pessoa humana, a natureza e a ecologia, a presença dos cristãos na Igreja, na comunidade e na sociedade; a experiência de Deus e a missão da família no mundo de hoje.

O pároco, padre Álvaro Pinzetta, explica que, seguindo as propostas da CNBB, a paróquia já realizou duas missões populares através dos missionários leigos (em 1997 e 2000) e agora convidou os capuchinhos para esse período mais intenso de evangelização. "Dentro do espírito de Igreja no Brasil, queremos que as pessoas realizem um encontro pessoal, familiar e comunitário com Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, para serem presença do Reino de Deus na sociedade", salienta padre Álvaro.

As comunidades da paróquia São José são todas urbanas. São cerca de 5.700 famílias e em torno de 27 mil pessoas. Para a equipe capuchinha, essa realidade representa um desafio, pois as pregações durante a semana são feitas à noite. Durante a missão ocorrem trabalhos com as escolas (há 10 colégios na área da paróquia), crianças e jovens, que vão à igreja durante o dia; atendimento e orientação para as pessoas que desejarem.

Os missionários presidem celebrações da Palavra com símbolos que expressam os temas das palestras, iluminados pela Palavra de Deus. São realizadas bênçãos (da saúde, dos doentes, das casas, dos carros, de objetos pessoais...), confissões, procissão e outras atividades religiosas.

O encerramento da missão, com o encontro de todas as comunidades missionadas, está previsto para o dia 26 às 9h30, diante da igreja matriz, no bairro São José.

Pré-missão – Até o final do ano, os missionários pregam missões na paróquia de Fátima, de Nova Araçá (RS), de 2 a 17 de dezembro. Freis Eudes Capellari e Claudecir Fantin estão realizando visita de pré-missão na paróquia de Caseiros (13 a 17 de novembro), preparando as missões que serão celebradas no ano que vem.

 

Missionários leigos atendem famílias

 

A paróquia São José, de Caxias do Sul, foi criada no dia 25 de março de 1954, juntamente com a paróquia Santa Catarina, ambas na área norte da cidade, para atender mais de perto as famílias que iam se instalando no bairro São José e buscavam os sacramentos, as celebrações eucarísticas e o atendimento espiritual. Hoje coordenada pelos padres diocesanos Álvaro Pinzetta (pároco) e Vital Corbelini (vigário paroquial), a paróquia conta com pastorais e movimentos eclesiais bem estruturados.

Padre Álvaro explica que, durante as missões populares, realizadas pelos leigos, surgiram muitos missionários, cerca de 60, que hoje formam um grupo permanente de visitação às famílias em suas casas e apartamentos. Esse trabalho, importante, ganha agora um reforço com a presença dos freis capuchinhos, que estão intensificando o trabalho de evangelização e reanimação da fé em todas as comunidades da paróquia.

 

Pregação mobiliza paróquia de Pelotas

 

Antes das missões em Caxias do Sul, os capuchinhos realizaram experiência semelhante no meio urbano. De 30 de outubro a 4 de novembro missionaram 11 comunidades da paróquia Senhor Ressuscitado, situada no bairro Areal, em Pelotas (RS). A paróquia é atendida pelos capuchinhos. O pároco, frei Júlio Cezar Ribeiro, é auxiliado pelas irmãs de São José e do Imaculado Coração de Maria.

Na paróquia, existem vários serviços e pastorais, grupos de reflexão, capelinhas domiciliares, lideranças leigas atuantes e vários projetos sociais voltados às famílias mais carentes. O bairro abriga o convento Senhor Ressuscitado, onde residem os freis e estudantes de filosofia dos capuchinhos, que prestam serviços de atendimento na paróquia, escolas, hospitais e assessoram diversos movimentos e pastorais sociais.

 

A AUTO-IMAGEM

Aldo Colombo

Educar é buscar, dentro dos filhos ou alunos, suas melhores possibilidades

 

Nada menos de 92% das meninas entre 15 e 17 anos gostariam de mudar alguma coisa em seu corpo. Pesquisa nesse sentido foi efetuada pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com três mil mulheres de dez diferentes países. A pesquisa levou em conta também a influência sobre as adolescentes. A mídia e a opinião dos amigos não têm maior importância na formação de uma opinião nessa faixa etária. A influência maior parte das amigas e, especialmente, das próprias mães.

É muito comum os pais depositarem nos filhos aquilo que eles não puderam viver. E nessa projeção tentam direcionar a profissão dos filhos e as linhas do corpo. Como as meninas possuem uma instabilidade emocional e de autopercepção, acabam sendo influenciadas. Isso explica o crescimento das cirurgias plásticas estéticas em meninas cada vez mais jovens.

Todo o adolescente é um ser em construção. Ele deve ser ajudado em suas escolhas, mas os pais não podem escolher por ele. E isso porque, muitas vezes, essas escolhas se baseiam nas frustrações das próprias mães. Mais tarde, as adolescentes de hoje vão querer mudar de novo, insatisfeitas consigo mesmas. Educar é ajudar aos filhos na escolha de suas opções. Não se trata de impor de fora para dentro. Educar é buscar, dentro dos filhos ou alunos, suas melhores possibilidades.

A psicologia fala dos comandos iniciais, muito fortes na primeira infância, mas que atingem também a adolescência. São aquelas expressões repetidas, que acabam criando convicções. Para a criança, as afirmações dos pais vêm carregadas de força. O que eles dizem é verdadeiro. Se eles afirmam que a filha é desajeitada, não tem sorte, não faz nada direito, ela se convencerá disso. Ela terá certeza de ser uma perdedora. Vale a postura contrária. Os pais devem - pelo elogio - ajudar aos filhos a formar uma auto-imagem vitoriosa.

Mas nem tudo pode ser alvo de elogios. Há coisas erradas que não podem ser ignoradas. Aí entra a dimensão do desafio. As expressões "você pode", "você vai conseguir", "posso ajudá-lo", acabam desencadeando forças positivas, com excelentes resultados. Além disso, deve ser fortalecida a idéia de uma identidade própria, uma personalidade capaz de integrar, harmoniosamente, os problemas, dificuldades e sucessos. Importante é como a pessoa se percebe e não a opinião dos outros.

A sabedoria popular garante: quanto mais desesperado é o ator, mais usa máscaras e quanto mais atrasada a tribo, mais os índios se enfeitam. Em sentido contrário vai a afirmação do Evangelho: "A verdade vos libertará" ( Jo 8,32).

A mídia, a moda e, de certa maneira, também a opinião pública privilegiam o exterior. E a partir daí entende-se a obsessão pelas cirurgias plásticas, muitas vezes, recursos desesperados contra problemas não resolvidos e que se situam no fundo da alma, que não podem ser atingidos pelo bisturi. Teresa de Calcutá nunca sentiu necessidade de uma operação plástica.

 

Concluída mais uma etapa da causa de beatificação de João Batista Reus

Documentação para continuidade do processo já está no Vaticano

 

O Tribunal Diocesano realizou, na cúria da diocese de Novo Hamburgo (RS), a sessão conclusiva e de encerramento do processo supletivo sobre a continuidade da fama de santidade de Padre João Batista Reus. Após a apresentação do processo, foi assinada a ata conclusiva. Ao final da sessão, os documentos foram colocados em duas caixas, lacradas, entregues ao irmão jesuíta Afonso Wobeto, com a atribuição de levá-las a Roma.

A sessão do Tribunal foi realizada no final de outubro e, no dia 7 de novembro, irmão Afonso viajou para o Vaticano com a missão de entregar uma cópia do processo à Congregação para a Causa dos Santos e outra para a Postulação Geral da Companhia de Jesus.

O processo consta de 525 folhas, em três volumes, mais um anexo de 212 páginas de depoimentos. Trata-se de nomeações, atas, depoimentos, entrevistas, cartas, livros, publicações e cópias de graças alcançadas e notícias sobre Padre Reus divulgadas em revistas e jornais.

O Tribunal interrogou 22 pessoas como testemunhas sobre a continuidade da fama de santidade do padre jesuíta. São nove sacerdotes, duas religiosas e 11 leigos; 12 dessas pessoas conheceram Padre Reus em vida. Também foram ouvidas mais 26 pessoas, romeiros no túmulo do servo de Deus, sepultado em São Leopoldo.

Irmão Afonso Wobeto destaca que a finalidade desse processo é completar o processo informativo realizado nos anos 1954-1958, pela arquidiocese de Porto Alegre. Quanto ao processo supletivo "ele deve suprir ao que falta, isto é, a prova de que a fama de santidade do Padre Reus vem tendo continuidade desde o tempo do primeiro processo até os dias atuais", salienta irmão Afonso, perito em história.

Há três anos, no dia 11 de novembro de 2003, foi constituído o Tribunal Diocesano pelo bispo da diocese de Novo Hamburgo, dom Osvino José Both. Na sessão conclusiva estiveram presentes os membros do Tribunal - padre Inácio José Schuster, presidente; padre João Batista Blank, promotor de Justiça; doutora Genacéia da Silva Alberton, notária; e irmão Afonso Wobeto, perito em história. Também participaram outras autoridades, como o provincial dos jesuítas, padre João Geraldo Kolling; o vice-postulador da Causa de Canonização do Padre Reus, padre Kuno Paulo Rhoden, e outros.

 

Milhares de romeiros visitam túmulo

 

Padre João Batista Reus nasceu aos 10 de julho de 1868 em Pottenstein, na Alemanha. Foi ordenado padre em 1893 e no ano seguinte ingressou na Companhia de Jesus. Em 1900 veio para o Brasil. Durante muitos anos foi professor de teologia no colégio Cristo Rei, em São Leopoldo. Escreveu diversos livros religiosos. Morreu no dia 21 de julho de 1947, com fama de santo. Hoje, o Santuário Sagrado Coração de Jesus, localizado junto ao túmulo do jesuíta, em São Leopoldo, recebe milhares de romeiros mensalmente.

 

Santuário goiano é elevado a basílica

 

O santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), se transformará em basílica. A cerimônia será realizada no dia 18 de novembro, às 9 horas. O evento faz parte do jubileu de ouro da arquidiocese de Goiânia, segundo o reitor do santuário, padre Robson de Oliveira Pereira. Com o título de Sacrossanta Basílica do Divino Pai Eterno, o santuário se transforma na primeira Basílica Menor do Mundo dedicada ao Divino Pai Eterno.

O título foi concedido pelo Papa Bento XVI, em reconhecimento à "importância singular" do santuário que, todos os anos, reúne milhares de romeiros. Atualmente, existem cerca de 50 basílicas menores no Brasil, mas nenhuma na região Centro-Oeste. Uma basílica goza de alguns privilégios, como um altar reservado ao papa, e não estar restrita à jurisdição eclesiástica local (diocese), o que lhe confere status internacional.

 

ESCUTEI DEUS

Wilson João

Em cada concerto musical Deus coloca sua voz e seus dedos, dedilhando a orquestra da festa da vida

 

O universo é harmonia. É música. Todos os astros, em sua enorme velocidade, produzem sons de todos os tipos e decibéis, que nossos ouvidos não conseguem captar. Tudo é tão combinado que a orquestra dos bilhões de astros do universo forma a grande orquestra do silêncio. É a música da orquestra de Deus. Ele é o regente. Ele é o compositor. Ele é o executor. Todas as vozes da natureza, desde o sabiá até o pequeno mosquito, desde o pinheiro até a pequena violeta, todos os seres fazem parte da orquestra e da sinfonia universal. Mas, é preciso exercitar o ouvido para escutar.

ESCUTEI DEUS NA MÚSICA. Em toda a música. Desde as óperas dos grandes clássicos até a pequena música do "parabéns a você". Desde o grande "Aleluia" de Hendel até o som da pequena flauta tocada por um índio na floresta. Deus está presente em todas as músicas. Ele é o "dó, ré, mi, fá, sol, lá, si" de todas as músicas. Deus é música e gosta de música. Não gosta de barulho. O barulho assusta Deus. No barulho não se escuta Deus. Ele dança na apresentação de uma grande orquestra sinfônica e foge das bandas que animam baladas agitadas e ensurdecedoras. Ele coloca sua mão nas cordas de um violino e seu sopro na palheta de um saxofone, e se ausenta do som estridente de uma guitarra metálica mal executada. É com a música do choro de uma criança que chegamos a este mundo e é com o silencioso suspiro da morte que partimos para participar da orquestra do céu.

ESCUTEI DEUS NA CANÇÃO. A música é infinita. Deus é infinito. As canções brotam desde todos os tempos na voz da humanidade. Milhões de canções foram feitas e milhões de outras serão criadas. A música é como o amor de Deus. Não se esgota. É uma fonte de canções eternas. Na canção de uma criança, de um jovem, de um homem ou de uma mulher, na voz que transforma a música em presença de vida, está a voz de Deus, a canção de Deus. E Deus se fez canção em todas as épocas e em todas as vozes.

ESCUTEI DEUS NOS INSTRUMENTOS MUSICAIS. Vi as mãos de Deus num teclado. Vi um violão no colo de Deus. Escutei Deus afinando uma guitarra. Contemplei Deus fazendo de um pedaço de madeira um violino falador. Em cada instrumento musical Deus se revela música e nos lembra: filhos e filhas, gostem de música, amem a música, porque no céu todos recebem um instrumento musical para formar a orquestra e o grande coral do amor e da vida, da alegria e da festa.

ESCUTEI DEUS em cada instrumento musical. Em cada canção. E em cada harmonia, sinfonia, canção e concerto musical Deus coloca sua voz e seus dedos, dedilhando a orquestra da festa da vida.

 

CORREIO SABE-TUDO

AVES AMEAÇADAS

159 espécies correm risco de desaparecer

 

Anos atrás, a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) encantava os moradores do Sul do país e do Mato Grosso do Sul. Da mesma forma, o maçarico-esquimó (Numenius borealis) presenteava São Paulo com sua beleza. Porém, atualmente, essas duas aves estão extintas da natureza e não podem mais ser encontradas nem mesmo em cativeiro. O pior é que outras 157 espécies podem ter destino semelhante. Elas foram incluídas no mapa de aves em risco de extinção, divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Considerando o ambiente que habitam, a situação é mais crítica na região da Mata Atlântica, reduzida a 7,5% de sua cobertura original.

O estudo mostra que aumentou em 46 % o número de espécies em risco de desaparecer, passando de 109 para 159. O comparativo considera a última lista, elaborada em 1989 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e o último levantamento, concluído em 2003 e agora atualizado pelo IBGE. A autora do mapa, a bióloga Lícia Leone Couto, atribui o agravamento da situação a problemas de comércio ilegal e desmatamento.

As aves com plumagem exuberante, como as araras, são particularmente afetadas. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), por exemplo, hoje está restrita aos cativeiros. O mesmo ocorre com o mutum-de-alagoas (Mitu mitu). A situação também é crítica no litoral, onde o desmatamento dá lugar à especulação imobiliária.

A mais recente lista de animais ameaçados divulgada pelo Ibama (2003) reúne 394 espécies e subespécies, não incluídos os peixes e invertebrados aquáticos. As aves estão em uma situação mais delicada do que grande parte da fauna brasileira. Considerando os dados anteriores e mapas que ainda serão divulgadas pelo IBGE até o fim do ano, o número de mamíferos em risco de desaparecer subiu 3%, passando de 67 para 69. Já os anfíbios apresentaram o maior crescimento proporcional, 1.500%, ou seja, 16 espécies estão ameaçadas. Entre os répteis, 20 correm risco.

 

O valor do sal, o ouro branco

 

Arqueólogos búlgaros encontraram recentemente o centro de produção de sal mais antigo da Europa, de 5.400 a.C. Segundo o diretor do Instituto Arqueológico da Academia de Ciências da Bulgária, Vasil Nikolov, na época do Neolítico, um grupo se instalou perto de fontes de água salgada, onde hoje fica a cidade de Provadia, e passou a ferver a água em recipientes de barro. Os blocos de sal obtidos eram utilizados no comércio e chegaram a diversas partes da Europa.

O sal era muito cobiçado na Antigüidade. Além de temperar, representava o único meio de preservar a carne. O produto chegou a ser chamado de "ouro branco". Nikolov afirmou que a produção de sal continuou por séculos, e que os tesouros encontrados em um cemitério próximo, Varna, foram acumulados graças à venda do produto.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em mim

Francisco Gialdi

Professor e historiador, Maravilha - SC

 

Domenico Gialdi, com os filhos Costante e Maria, de Rolo (Reggio-Emilia), em 1885 se estabeleceram em Santa Tereza (RS). Costante casou (1901) com Giovanna Olivotto, filha única, e foi morar com o sogro em Bento Gonçalves. De 1919 a 1923 morou na Linha Parobé, Roca Sales (RS), depois em Santos Filho, Anta Gorda (RS). Fioravante, 5º filho, meu pai, casou com Carolina Gabiatti e herdou parte dessa terra, onde eu nasci em 1945. Em 1947, fomos para Santa Dorotéia, Iraí (RS). Lá todos falavam e rezavam la corona e le tànie em talian. A missa, em latim, era rezada pelo padre José Borgert. Recordo nosso papagaio falador. Quando a mãe pegava a foicinha para ir cortar pasto, perguntava:

- Andove te vè?

- Taiar pasto par le bèstie.

- Tò, tò, tò, Fighera, Pintada, Brasina ... chamava as vacas uma a uma. Um dia veio o fotógrafo, nos arrumamos com as roupas de festa: papai com o papagaio, e a mãe com os 4 filhos, posamos para a posteridade. Uma noite, ao voltarmos da reza do terço na casa do vizinho, o papagaio não estava mais. Choramos a noite toda. O Bépi Perin rezou o Si Quaeris, e viemos saber quem o roubou.

Em dias de chuva, a mãe nos mandava descascar arroz no pilão, far dressa par capei e sporte, em troca de amendoim torrado, pipocas... Para escapar do trabalho, sem estar matriculado, pedi para ir à escola, e fui aceito. O professor Hipólito Soares me ensinou a ler e as primeiras palavras em português: sombra, liguei com ombra; mas o h me atrapalhava, eu dizia chagapéu em vez de chapéu... A professora Carmen, cativa come na giralaca, estava escrevendo no quadro quando passou Quinto Poletto, meu futuro sogro, com um tacho na cabeça, e eu disse a um colega:

- Varda el capel de Quinto!

A professora ouviu, me mandou ajoelar sobre grãos de milho na porta e me disse:

- Agora pode olhar para fora até o fim da aula. Em casa, apanhei da mãe. Depois da lousa e do lápis, comprei uma caneta com os patacões que o pai me dera para comprar gasosa na festa da capela. No 3º ano primário, recebi, como prêmio do 1º lugar, os livros: Brincando com Números e Criança Brasileira, de Theobaldo M. Santos.

As catequistas Tercila Gialdi e Natalina Gheno nos prepararam para a 1ª Comunhão. A missa começou às 9h e foi até o meio-dia. Em jejum, desde a meia-noite, alguns desmaiaram. A foto da 1ª Comunhão é uma relíquia: pus a cinta em lugar de le tirache. Calcei sapatos, um deles a mãe teve que tirar porque me apertava o pé. Em 1957, os capuchinhos com frei Bernardino pregaram missões, e meu mano Silvestre e Gentil Gheno decidiram ser padres. A 16/4/1958 foram ao pré-seminário Santo Antônio, de Vila Flores. Gheno desistiu, mas Silvestre se ordenou em Maravilha a 21/12/1974. Por morarmos perto, a mãe só nos deixava ir à escola e à capela em cima da hora, privando-nos de brincar com os demais, mas tivemos a vantagem do serviço não-remunerado de tocar o sino, às 6 horas, com chuva, calor e frio, um dia cada um. Quando Silvestre foi ao seminário, ficou tudo comigo. Mas em 5/3/1959 também fui ao seminário. E a 26/3/1960 marcou-me a ordenação, na matriz, e a 1ª Missa, na capela São Francisco, do frei Rovílio Costa, em Veranópolis. Todos esperavam a revelação do 3º Segredo de Fátima a 13/5/1960, que diziam referir-se ao fim do mundo. O comunismo tinha chegado a Cuba a 1º/1/1959. O melhor lugar para se salvar seria o seminário.

A la doménega, se reuniam em nossa casa as comadres par ciacolar, magnar biscoti, bever simaron e parlar dei altri. Vendo uma senhora grávida, fiz esta pergunta proibida:

- Mama, cossa gala la Rachele in pansa?

- Francesco, vedel! E me afastou com força.

- Ma el vedel, mama, el ze fiol dea vaca. E me mandei, pa-ra fugir da vara e da sentença:

- Te ciaparò tel fil dela polenta!

No seminário, lendo as cartas de São Paulo, decidi escrever a uma senhora que brigava com todos. L’era un diaoleto! Em quatro páginas, denunciei seu comportamento. Ela respondeu no verso de minha carta, e me deu esta rude tarefa:

- Leia minha carta, enrole-a e enfie-a no...!

Mamãe, diante da luz elétrica, do automóvel, do rádio..., dizia:

- Ze fin un pecà morir! – E la me ga insegnà viver come talian!

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (386)

De cada diese patate, Nanetto ghen batesa nove

 

Marcelino Carlos Dezen

Caxias do Sul - RS

 

(Retomada do texto de Marcelino Carlos Dezen, interrompido na edição de 17 de maio de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).

 

Contento de poder restar un par de giorni a casa de Mosè, Nanetto el se la ga spacada de contar stòrie, sentìrghene anca lu de bele, de rìder e de schersar. El ga savesto che la Roseta ghe piase mia che i fume in cusina. Nanetto la rispeta, ma dopo sena el tira fora na carega ntela varanda, al fresco, e là el fa na bona pipada, intanto che’l se la conta co Mosè.

- Vardé, paron, me piase tanto star a casa vostra. Sì gente bona, valtri, come ghinò catà tanti a sto mondo. Son contento, ma no vui mia sol darve spese. Diman, se volé, vao laorar con vu. Sò che Edilson el va viaiar col camignon; el Marcelino, che qua ghe ciamé de Carlo, el va laorar tel Correio Riograndense, e mi no vui mia star a casa a palpar cioche.

- Si, si, se te vui te pol vegner co mi. Vao cavar patate dolse. E adesso, se no te t’importi, son meso straco e vao dormir.

- Ma così bonora, come le galine? E el rosari, lo préghitu mia insieme?

- Varda, lo prego tuti i giorni, intanto che camino par strada, o quando vao sgasar vigne o far qualche mistier mi sol. O anca co son drio pescar, ma te sè, co me scampa qualche pesse, me desméntego la preghiera e vien fora anca qualche porco, è!

Mosè ghe da bona note. Preghemo la corona e, fenia quela, sfidemo Nanetto par un giugheto de trissete. Mi e la mama, Nanetto e Edilson. Meda ora de giugo e quatro a zero par noantri.

- È bon! Go mai perso tante presto cossita, dise Nanetto. E varda che giughemo ben mi e Dílson. Nantra! No vui mia ndar dormir sensa guadagnar una almanco.

Quìndese minuti dopo e... sinque a zero par noantri, 41 a 5.

- Adesso basta. Ma nantro giorno volemo revìndita, ah, Dílson?!!

Riva matina bonora e Nanetto l’è là in cusina che’l speta quei de casa levar su. El gavea fin parecià el cafè. Edilson gavea viaià ale sinque. Mi son ndà al giornal e Nanetto e Mosè via cavar patate dolse. I spaca via le rame e, co la sapa, i taca cavarle. Bele patatone, lise, grosse, tonde, bislonghe... Ma, cari da Dio, ndove cava Nanetto l’è un disastro. El laora pròpio de volontiera, testa bassa, contento, ma, co na sapa bona, de cada diese patate, nove le resta batesae con qualche taio o un toco spacà via.

Mosè no’l savea più cossa far. Romai ghe vegnea fora le fumane e el sufiea fin par i òcii. "Fao che, mi, co sto trapel?". Fin che ghe càpita na idea.

- Ciò, Nanetto, pol esser che piove meso presto (tuto seren, fea un bel sol che mai!). Alora go pensà che, intanto che cavo, te podaria torle su.

- Ma mi me piase cavar patate! Son anca ben sgoelto!

- Si, vedo mi, ma te vui mia che mi, vecioto romai, vaga tor la cariola a casa.

Nanetto se pensa che’l noneto gavea pròpio rason.

- Si, cagnera can! Assa che vao mi tor la cariola.

La casa stea distante un 200 metri. Nanetto va via sifolando, contento.

- Gràssie a Dio! dise Mosè. Almanco raquante patate le scampa del batésimo.

Co riva Nanetto ghe manchea poco par fenir. Cola cariola el va e el cata su sti bei mùcii de patate. A cada una de bela e grossa, el se ferma e el canta:

- Oia, patatona bela, tu vai ficà inda mais bunita, quando arivà na panela!

Quatro scariolade de patate. Meteste via te un posto seco, ben slargade e "sensa lavarle, che alora le resta mia dure al cosinarse", ghe dise Mosè. Nanetto, co le man tea sentura, la pipa fumegando come un tren, el varda el laoro e el ghe dise a me pare:

- Ciò, sior Mosè, femo na bona dópia mi e vu, ah!

- Si, pròpio. Mi co la sapa e ti col trasporto, nissuni ne guadagna.

De note, a sena, Nanetto ghe domanda a me mama de cusinar patate dolse ntel aqua, par magnarle col late, perché el volea ricordarse del so passà.

- Varda, Nanetto, che patate e late le slarga le culate.

Nanetto pensa, intrà de lu:

"Lo sò difarente sto ditado qua... ‘polenta e late...’. Casso, qua i gavarà anca questo. E dopo pol esser che la vol dir che patate e late le slarga le culate par via dele scorese che se mola de gusto. Par no esser corioso, sta volta l’è meio taser".

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Stòrie del nono Matteo Rubbo

Setembrino Rubbo

Construtor, Pinto Bandeira - RS

 

Queste le ze sucedeste da 50 a 100 ani indrio. Me nono el ga sempre tribulà coi so reumatismi. Na volta el ze stà in leto pi de un mese. Ma dopo, co’l ze levà su, un bel giorno el ga catà scrito su la Staffetta Riograndense che el velen de ave fea ben par curar i reumatismi. Cosa falo? Un giorno meso caldo, el va là via soto el vignal, dove ghe zera un casson de ave, el tira su la camisa, el se posta davanti la boca del casson, el volta indrio le man, el scomìnsia a bater, imaginàrsela i beconi che no’l ga ciapà, poareto, el se stordea tuto, ma el ga soportà!

Me nono el ghea de risguardarse dele intempèrie, lora el passea l’inverno intiero sentà atorno el larin (fogoler), sora un soco, che’l ze deventà lustro de tanto uso. El metea in schena un par de braghe a cavaloto, intorno al col come se fusse na manta, parché se gavea poca roba par scaldarse. El se fea anca russar la schena da me nona, con un toco de grasso che i tirea via dela bessiga del porco.

Par morir el ga tribulà tanto! Col mal la bissiga, se ga stuà la urina par via dea pròstata, che a quel tempo no i savea gnanca cosa zera. Ghe ga tocà ciamar el dotor, che prima el ga volesto saver cosa el gavea, e no’l ze gnanca vegnesto véderlo, el ga mandà la brava infirmiera Dona Cecília. Lu sul leto che’l piandea del male, co’l vede la infirmiera invense del dotor, el ghe ga dito:

- Questi i ze mia afari par vu, parona!

- Si, si, nono, no stè sturbarve, a son bele stufa mi de veder cui!

La ghe ga mestesto su na goma, e pochi giorni dopo, al du de genaio del 1954, rente note, el ze morto, màrtire dei dolori.

Cosa far: mandar far el casson, pareciar la tomba par sepolirlo el giorno tre a le quatro. Su l’ora ze rivà el casson e anca el prete. Svelti i lo mete rento el casson, e i vede che’l restea cola testa bassa, come voltada indrio. E me fradel, par no meter un cossin, el va fora, el ciapa na scaia de sasso, el alsa el nissol e ghe la mete soto la testa. L’an passà, pi de 50 ani dopo, ghemo verto e riformà la tomba, ghemo tirà fora tuti i ossi e anca la scaia, la ghemo lavada e metesta insieme i so ossi parché quel ze stà el so ùltimo cossin.

 

Filastroche par la conta

 Claudio Ganassin

Veneza, Itália

Pioe spioesina, la gata la va’n cusina;

La gata va soto el leto la cata el confeto;

El confeto l’è duro, la bati el tamburo;

El tamburo l’è roto, la salta nel posso;

El posso l’è pien de aqua, la va’n piassa;

En piassa ghè pien de zente, la va dal laorente;

El laorente el laora, la va da la sisora;

La sisora la taja, la va dala fritaja;

La fritaja la scota, la va dala Carlota;

La Carlota la sta mal, viva viva el Carneal.

 

GERAL

Somente duas cidades do RS devem pagar 13º com atraso

Cerca de 50% das 496 cidades depositaram a primeira parcela

 

Dos 496 municípios gaúchos, 43,2% estão em boa situação financeira, 36% regular, 8,7% ótima, 8,5% ruim e 3,6% crítica. A situação confortável das prefeituras garante o pagamento do 13º terceiro para a maioria dos servidores municipais. "Apenas 2,02% terão dificuldades para pagar em dia o 13º dos servidores neste ano", diz o presidente da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), Glademir Aroldi.

Pelo menos 240 prefeituras garantiram que pagarão o 13º em parcela única e 256 quitarão de forma parcelada. Das que pagarão em uma única vez, 228 o farão até 20 de dezembro, sendo que seis já pagaram, cinco não têm previsão e uma quitará com atraso. Das que parcelaram, 240 quitaram a primeira parcela, 14 pagarão até 20 de novembro e duas após essa data.

A pesquisa da Famurs revela, também, que outros 43 municípios terão dificuldades para pagar o salário de dezembro. "Estes priorizarão o pagamento do 13º, em compensação poderão atrasar a folha de dezembro", observa Aroldi.

Comparação – Em 2005, dos 496 (100%) dos municípios pesquisados, 99,8% (495) responderam que pagariam em dia o 13º salário dos servidores. Apenas 0,2% (Santana da Boa Vista) respondeu que apresentaria dificuldades para pagar a 2ª parcela. Em novembro de 2004, dos 496 municípios, 2,82% (14) responderam que não teriam previsão ou iriam atrasar o pagamento do 13º salário do funcionalismo municipal.

 

Jogos integram zona rural de Chapada

 

A localidade de São Francisco, interior de Chapada (RS), sedia dia 10 de dezembro os jogos rurais 2006. As modalidades são bocha masculino e feminino, caçador até 15 anos, bolão-de-mesa, canastra, salto em distância, serrar lenha, corridas de 100 m, de casais, de saco; perna de pau, cabo de guerra, tiro ao alvo de bodoque, caça-pila e outras.

Os jogos são organizados pela Emater, Prefeitura e Sindicato dos Trabalhadores Rurais. A participação é aberta ao público regional. (Cléo De Bortoli, agente CR).

 

Escola de Encantado festeja seu centenário

 

O 1º Encontro de Alunos, ex-alunos, professores e ex-professores, dia 18 de novembro, é uma das atrações da festa dos 100 anos da Escola Municipal Osvaldo Aranha. Localizado em Barra do Coqueiro, em Encantado, o colégio tem 95 alunos.

Ao criar a agroindústria Valdástico, que produz conservas com matéria-prima oriunda da horta mantida pelos alunos, a escola ganhou projeção.