DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.015 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 22 de novembro de 2006.
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Cidadãos com direitos iguais e tratamentos diferenciados
Brasil precisa construir uma democracia racial integrando negros e pardos na economia
Uma nação só será socialmente justa quando todos seus habitantes forem tratados com igualdade. Isso significa garantir os mesmos direitos a todos e oferecer idênticas possibilidades de acesso à educação, à saúde, ao emprego, à vida digna e com qualidade. Entre o ideal e a prática, porém, há um vácuo profundo.
No caso brasileiro, a raça e a cor têm sido fatores de distorções. Pesquisa divulgada pelo IBGE revela que negros e pardos ganham menos que o branco na mesma atividade; recebem salário inferior ao branco com igual escolaridade; e começam a trabalhar mais cedo.
O IBGE fornece dados sobre cor e raça nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras. E expõe um quadro de desníveis que só pode ser avaliado sob o prisma da desatenção dos governantes com as classes menos favorecidas, com um viés para a discriminação e o preconceito.
No Brasil, o percentual de negros e pardos que freqüentam curso superior é praticamente um terço do dos brancos. Eles também estão menos presentes em outros níveis de educação, o que explica a baixa média de escolaridade. O resultado dessas distinções aparece em outro item do levantamento: negros e pardos predominam entre os desempregados.
Sem qualificação profissional, essa camada da população é obrigada a aderir, quando consegue, a atividades menos rentáveis, ao subemprego na maioria das vezes, deixando uma herança de dificuldades que perseguirá seus descendentes e mantendo um ciclo que se repete há séculos. Torna-se difícil pensar que os pobres e preteridos de hoje não serão os pobres e preteridos de amanhã.
No caso específico dos negros, é importante lembrar o crédito eterno que possuem, gerado pela cruel e desumana escravidão. Os dados sobre a realidade desses milhões de brasileiros renovam-se a cada ano, quando se aproxima o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e remetem à conclusão de que mesmo após tanto tempo, a sociedade não foi capaz de romper plenamente as raízes com esse passado. Enquanto isso não for feito, estará assegurado no futuro espaço para desigualdades.
Orçamento muito acima da inflação
Receita prevista para Caxias do Sul em 2007 tem crescimento de 14,6%
O orçamento de Caxias do Sul para 2007 está projetado em R$ 611,7 milhões. Pela proposta encaminhada à Câmara de Vereadores, o aumento em relação a 2006 é de 14,6%. Esse índice é muito superior ao da inflação, como revelam quatro indicadores: o INPC no ano (10 meses) é de 1,75%; o IPC, de 1,07%; o IPCA, de 2,33%; e o IGP-M, de 2,73%.
A Secretaria que terá o maior volume de recursos é a da Saúde: R$ 108,258 milhões. Na seqüência vêm Educação (R$ 106,244 milhões); Obras (R$ 36,347 milhões); Meio Ambiente (R$ 28,174 milhões); Serviços Públicos Urbanos (R$ 20,551 milhões); e Controladoria Geral (R$ 18,653 milhões). As áreas que receberão menos são a Secretaria-Geral (R$ 948,4 mil), Turismo (R$ 1,175 milhão) e Desenvolvimento Econômico (R$ 1,314 milhão).
O orçamento de 2007 contempla com aumento de recursos superior a 30% na comparação com 2006 cinco setores do Executivo (administração direta). A liderança desta relação é da Controladoria Geral: 47,1% (de R$ 12,677 milhões para R$ 18,653 milhões). Depois vêm Gabinete do Prefeito: 45,5% (de R$ 2,578 milhões para R$ 3,752 milhões), Transportes (34,5%), Obras (33,3%) e Meio Ambiente (33,2%).
Quem vai ter menos dinheiro para gastar será Turismo: encolhimento de 22,5% – pasta disporá de apenas R$ 1,175 milhão). No mesmo bloco estão Desenvolvimento Econômico (menos 21,2%) e Agricultura (menos 10,5%).
Titular da Agricultura esperava mais
O orçamento da Secretaria da Agricultura para 2006 é de R$ 4,384 milhões. O de 2007 é de R$ 3,923 milhões. A pasta perderá R$ 461,3 mil, ou 10,52%. "Basicamente, o orçamento é o mesmo, porque previsões de receitas para 2006 não se realizarão. Este é um orçamento mais realista", avalia inicialmente o secretário de Agricultura, Nestor Pistorello. Serviços de máquinas, taxas, programa de calcário e outras fontes de receita não se confirmaram.
Pistorello, produtor rural com especialização em gestão e qualidade, dá a entender que demandas de outras áreas do município são maiores, mas admite: "Claro que esperava mais. Orçamento nunca é suficiente". A agricultura ficará com 0,64% do orçamento total, ou 0,96% da previsão de despesas do Executivo – os respectivos índices para 2006 são 8,19% e 12,37%. "Nenhum programa prioritário será prejudicado e sei que se houver alguma ação importante, terei apoio do prefeito. Mas se tivesse mais recursos...", conclui Pistorello.
Figo-da-índia, sabor exótico em meio aos espinhos
Originário do México, cacto atrai pela beleza de suas flores e pelo sabor de seus frutos
No Brasil, a Opuntia fícus-indica, nome científico da figueira-da-índia (também conhecida como figueira-do-inferno ou da barbaria). Produz praticamente durante o ano todo, mas o pico, safra propriamente dita, ocorre de dezembro a março. Existem vários tipos, com frutos cuja coloração varia do verde-amarelado ao laranja, e até ao roxo.
A planta é perene, arbustiva, com até cinco metros de altura. O caule é confundido com folhas, tem o formato de uma raquete, quando novo, e na maioria das variedades tem espinho. "As flores são emitidas na borda das "folhas" em número variável e ficam abertas por um curto período", relata Ivo Vanzin, 52 anos, produtor na capela São Victor, em Flores da Cunha. As flores são hermafroditas, pois têm os dois sexos na mesma flor.
Os frutos com formato oval, que lembra um barril, amadurecem cerca de 100 dias após o florescimento. As cores externas e internas de frutos maduros podem ser esverdeadas, alaranjadas, vermelhas ou vermelho-escuras. As condições favoráveis ao seu bom desenvolvimento são clima ameno a quente e solos bem drenados, pois não tolera solos encharcados, férteis e ricos em matéria orgânica, mas tolera solos de baixa fertilidade.
A propagação pode ser feita através de sementes e vegetativamente pelo enraizamento do caule. A produção inicia-se de dois a três anos após o plantio, quando as mudas são preparadas a partir de caule, e cinco anos, quando de sementes. É extremamente resistente a doenças. "Exige poda e dá um certo trabalho para colher", observa Vanzin ao CR.
Colheita – Colher figo-da-índia é uma arte que exige delicadeza e habilidade. Os frutos, que nascem nas extremidades das palmas ovaladas dos cactos, são cheios de espinhos. "Mesmo com luvas, e se cuidando, o perigo de encher a mão de espinhos é grande", relata a esposa Elenita, 48.
Mas o esforço vale a pena. A polpa é amarelo-ouro, meio porosa, cheia de sementinhas pretas. Ao experimentá-la, a trabalheira é recompensada. Doce, com leve toque ácido, a fruta é agradável e refrescante. A polpa pode ser usada na confecção de geléias, sucos e doces.
Talvez por culpa do incômodo causado pelos pequenos espinhos ou por conta do desconhecimento da fruta, o figo-da-índia ainda não conquistou grande espaço no mercado brasileiro. O cultivo está concentrado em Valinhos, São Paulo, por obra dos colonos italianos, que trouxeram da terra natal o gosto pelo figo e as técnicas de manejo. No RS, está concentrado em municípios da Serra.
Procura supera a oferta de frutas nativas e exóticas
Como ocorreu com a maçã, em que o Brasil era grande importador e virou exportador, a produção de algumas frutas exóticas, típicas de outros países, a exemplo do mirtilo e quivi, crescem no país. "O mercado está solicitando frutas novas e exóticas. A procura é maior do que a oferta", diz o especialista em fruticultura e engenheiro agrônomo Gervásio Silvestrin.
Nesta oferta enquadram-se frutas nativas, como o genipapo, e exóticas, como a pitaia e o figo-da-índia. Já a carambola, jaca e serigüela são cada dia mais requisitadas no mercado internacional.
Pitaia – Entre as que vêm ganhando espaço está a pitaia. Existem três tipos de pitaia: amarela por fora e branca por dentro; vermelha por fora e branca por dentro; e vermelha por fora e vermelha por dentro. A pitaia vermelha é mais rústica. Suporta um pouco mais o frio. Já a amarela é mais sensível, mas não gosta de temperaturas muito elevadas e nem muito frio.
As variedades podem ser enxertadas em outros cactus, desde que tenham alguma afinidade. Foi o que fez Raulino Boff, de São Luiz, em Caxias do Sul. "Há, inclusive, produção de pitaias amarelas, produzindo em cima de cactus da pitaia vermelha", revela ao CR Gervásio Silvestrin.
Rico em nutrientes, previne doenças
O figo-da-índia é rico em vitaminas (principalmente C e A), cálcio e magnésio. Contém carboidratos e proteínas. A polpa dos frutos tem 47% de água, 37% de substâncias glicogênicas, 7% de proteínas, 6% de sementes, 0,8% de cinzas, 0,02% de lipídeos e outras.
Os frutos maduros são consumidos ao natural, cujo sabor é levemente adocicado, agradável e refrescante. A polpa pode ser usada na confecção de geléias, sucos e doces. É pouco calórica e sem gorduras, adequada às dietas de emagrecimento. O fruto pode ser assado no forno.Consumido dessa forma, alivia tosses persistentes, inclusive a coqueluche.
Quando consumido ao natural, ajuda a combater a diarréia e a disenteria. Muito valorizado na medicina natural, é recomendado na prevenção de asma, tosse, vermes, problemas na próstata e reumáticos. Deve ser manuseado com cuidado por causa de seus espinhos na casca. Muito pequenos, penetram na pele e são doloridos.
Cacto é nativo dos desertos do México
O figo-da-índia é o fruto de uma espécie de cacto nativo das regiões desérticas do México, apesar de ter se espalhado e ser cultivado em todas as regiões tropicais e subtropicais secas do mundo há vários séculos. No início do século 17, a planta foi trazida para o Brasil pelo rei de Portugal, dom João VI.
Há registros de que o fruto desse cacto era item importante na alimentação dos indígenas da América do Norte, tendo sido levado para a Europa pelos primeiros exploradores espanhóis.
Da Espanha, os mouros carregaram a planta para a África, onde a palma (capacidade de acumular água e resistir a longos períodos de seca), como ocorre no Nordeste brasileiro, é usada hoje como forrageira nos tempos de seca para alimentar cabras e camelos.
Sinais de recuperação reanimam agricultores
Queda nos custos de produção pode indicar melhora na renda
O custo de produção está caindo, indicando que a renda deve melhorar em 2007. Depois de sofrer com o câmbio nos últimos três anos, o setor agrícola começa a respirar mais aliviado. O plantio de soja, por exemplo, está sendo feito com custo 7,73% inferior à safra 2005/2006.
No Ministério da Agricultura, o sentimento é de confiança. O ministro Luís Carlos Guedes Pinto aposta que, com o câmbio estabilizado e as medidas adotadas pelo governo para socorrer os agricultores em crise, a safra 2006/2007 será pelo menos 1,1% maior do que a anterior. "Esperança a gente tem", resume o agricultor Oneide Dezen, produtor de uva e milho em Forqueta, interior de Caxias do Sul (RS), atingido pelas últimas estiagens gaúchas.
O otimismo é quase unânime no setor. "A cana vai bem, a soja já bate US$ 12 a saca no preço futuro e o aumento do consumo de milho nos Estados Unidos vai nos dar espaço até para exportar o grão. A bioenergia puxa os preços dos grãos e, em conseqüência, os preços das carnes tendem a subir", afirma o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas.
Para o economista Fernando Homem de Melo, a mudança está apenas começando. "Nem todo mundo percebeu, mas o quadro vai ficar mais claro em 2007", assegura. Segundo ele, a reversão do cenário decorre da melhora dos preços internacionais de alguns produtos, sobretudo os grãos, "e a mudança não é conjuntural, mas estrutural."
Complexo – A quebra nas safras de trigo da Austrália e da Argentina – que reduziu a oferta global em mais de 20 milhões de toneladas – elevou os preços do cereal no mercado externo e, por tabela, ajudou a valorizar as cotações de milho e soja. As três culturas compõem o chamado complexo ração e por isso o comportamento de uma delas costuma influenciar as demais.
Além disso, milho e soja sofrem a influência da crescente demanda para a produção de biocombustíveis. "É um exemplo de mudança estrutural. Haverá pressão pela adoção de biocombustíveis para controle dos níveis de poluição, e as áreas para expansão das lavouras são restritas. Daqui para frente a tendência é de cotações melhores e mais rentáveis", prevê Melo.
Luz – A luz no fim do túnel começou a aparecer neste final de ano. A alta nas cotações internacionais dos grãos influencia os valores pagos no mercado interno. A redução da oferta interna por conta do fim da comercialização da safra também estimula as altas. A Fundação Getúlio Vargas aponta incremento de 7,7% nos preços dos produtos agrícolas no acumulado de janeiro a outubro – mês em que a alta foi de 5%. A recuperação agroindustrial está estampada em estudo do IBGE. No primeiro semestre, as agroindústrias cresceram 1,1%.
Já Ricardo Cotta, superintendente técnico da CNA, acredita que, apesar da melhora nos resultados das agroindústrias neste ano, o setor ainda enfrentará problemas em 2007 devido aos altos níveis de endividamento. "As dívidas renegociadas neste ano vão estourar de novo em 2007. Não acredito que será um ano de vigor", afirma.
Segmento de carnes também tem um cenário positivo
Prejudicado em 2006 por problemas com febre aftosa e gripe aviária, o segmento de carnes tem cenário positivo para o ano que vem. "A tendência é de recuperação. Mas talvez os frigoríficos operem com margens menores por conta da resistência dos consumidores a aumentos nos preços", diz José Vicente Ferraz, diretor do Instituto FNP – organização da sociedade civil de interesse público.
O analista observa que o governo se interessa em promover o desenvolvimento macroeconômico, o que pode incrementar a demanda. "Neste ano, a melhora na distribuição de renda nas classes mais baixas favoreceu o consumo de carne de frango, mas o achatamento da renda da classe média restringiu as vendas de carne bovina e suína", acrescenta.
Para o economista Fernando Homem de Melo, da Universidade de São Paulo, a demanda crescente por proteínas no exterior e alta nos preços de grãos (matéria-prima para rações) tendem a empurrar as cotações da carne para cima. "A recuperação do setor de carnes virá a reboque com os grãos", garante.
O segmento seguirá extremamente dependente do desempenho no exterior. Antonio Camardelli, diretor da Abiec (entidade que reúne exportadores de carne), prevê para o segmento "reversão progressiva do efeito aftosa", com recuperação total de mercados e entrada no bloco europeu com o novo programa de rastreabilidade. "O petróleo vermelho é nosso", conclui o diretor da Abiec.
Agilizada instalação de agroindústria
As que se encontram em funcionamento também deverão obter licença ambiental única
Atualmente, os agricultores familiares que desejam começar seu próprio negócio precisam obter três licenças diferentes: a Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e a Licença de Operação (LO). Além do alto custo dessas licenças, outro inconveniente é o prazo de liberação que pode alcançar até seis meses, ou mais, para cada uma delas.
Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) facilitou a vida do produtor familiar. Proposta pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Conama instituiu a Licença Única de Instalação e Operação (LIO) para o funcionamento de agroindústrias de pequeno porte, que são aquelas com área de até 250 m², prevendo a instalação em apenas três dias – o MDA estima que existam no Brasil mais de 20 mil agroindústrias deste tipo, envolvendo mais de 200 mil famílias.
A nova resolução leva em conta que os tipos mais freqüentes da pequena agroindústria (conservas, doces, bebidas, processamento de frutas, farinhas, castanhas, temperos, processamento de leite e carne) geram baixo impacto ambiental. Elas produzem reduzido volume de efluentes e seus resíduos podem ser aproveitados como alimento para animais ou como composto orgânico para o solo, servindo ainda como fonte alternativa de renda.
Apenas os abatedouros de animais (sobre pescado leia abaixo) serão licenciados em duas etapas. As agroindústrias que já se encontram em funcionamento também deverão obter a licença ambiental única, e terão prazo de 18 meses para regularizar sua situação junto aos órgãos ambientais.
Parâmetros – A proposta estabelece determinados parâmetros de forma a enquadrar os casos previstos: o pequeno porte fica caracterizado para área construída de até 250 m²; beneficie e/ou transforme produtos provenientes de explorações agrícolas, pecuárias, pesqueiras, aqüícolas, extrativistas e florestais não-madeireiros, abrangendo desde processos simples, como secagem, classificação, limpeza e embalagem, até processos que incluem operações físicas, químicas ou biológicas, de baixo impacto sobre o meio ambiente.
Uma segunda resolução propõe substituir a exigência de estudos de impacto ambiental pelos diagnósticos ambientais contemplados em projetos de desenvolvimento de assentamentos (PAs); institui ainda a licença ambiental diferenciada para PAs e regulamenta a Certidão Municipal necessária à obtenção da licença.
Pescados são licenciados em 2 etapas
Os abatedouros e estabelecimentos que processem pescados serão licenciados em duas etapas: a primeira é a Licença Prévia/Instalação (LPI), autoriza a localização e instalação da atividade; e a segunda, Licença de Operação (LO), autoriza a operação da atividade; as demais atividades agroindustriais serão licenciadas em apenas uma etapa quando o órgão ambiental licenciador emitirá a Licença Única de Instalação e Operação (LIO).
Os abatedouros deverão apresentar, além da documentação básica legal, a descrição da capacidade máxima de abate; a descrição do sistema de coleta e destino do sangue, além da descrição do funcionamento da seção de evisceração.
Engº. Agrº. José Zugno
Larvas que matam
Gostaria de saber que lagartas são essas que aparecem na grama no período do inverno. Elas são pretas e vivem amontoadas. Têm alguma utilidade? Ouvi dizer que, se comidas pelos porcos, podem até matá-los.
Osébio Borghetti
Caxias do Sul-RS
Recebi a foto com o amontoado de larvas pretas, 70 a 80, para identificação. Pensei logo que se tratava de lagartas de mariposas. Não as conhecia. Passei a investigá-las utilizando lente de 10 graus e uns tantos livros de entomologia. Percebi logo que não se tratava de lagartas, pois estas são próprias das Lepidópteras (borboletas, mariposas e bruxas), têm pernas e cabeça bem distinta do corpo, que as larvas pretas da foto não têm. São larvas vermiformes, sem pés nem cabeça. Então, pensei que se trata de outra ordem, como as Dípteras (moscas, moscões e mosquitos), talvez alguma semelhança com as varejeiras que produzem aglomerados de larvas brancas, ou de outra ordem como a dos Hymenópteros (abelhas, abelhões, vespas e formigas). Apelei para diversos colegas que conheciam ou disseram conhecer as larvas, e um até tinha ouvido dizer que porcos morriam quando as comiam, mas nenhum conhecia a classificação científica.
O engº. agrº. Enio Todeschini, da Emater Regional de Caxias do Sul, interessou-se pelo caso. No dia seguinte remeteu-me o texto da pesquisadora Myrtes Melo, da Embrapa Clima Temperado, baseada numa tese do Dr. Fernando Dutra, laureado pela Academia Nacional de Veterinária do Uruguai, nos seguintes termos: "As larvas pretas são possivelmente insetos do gênero Paraperreyia, espécie Perreyia flavipes, que são larvas de Hymenópteros (insetos da família das abelhas), e não Lepidóptero como parece ser. São conhecidas por larvas "mata-porcos" porque estes, ao ingeri-las, se intoxicam. Há relatos (Dutra, 2003) que ovelhas e bovinos tenham se intoxicado no Uruguai. Encontraram-se restos destas larvas no estômago de bovinos necropsiados. Os adultos dessa larva raramente são encontrados. Alguns foram encontrados, segundo a literatura, sobre vegetação chamada vassoura, maria-mole, carqueja e outros. Depositam os ovos em grupos de 200 a 700, no solo, abaixo da vegetação e as larvas eclodem depois de 20 a 70 dias. A falta de umidade destrói os ovos em 10 dias. A presença de vegetação em decomposição é importante para a alimentação das larvas jovens. As larvas desenvolvidas se alimentam de pasto verde seco e fezes bovinas: são de cor negra e apresentam hábito gregário, locomovendo-se sobre a pastagem em grupos de até 188 larvas".
Conclusão: as larvas pretas são de espécie Perreyia flavipes da ordem dos Hymenópteros. Mais informações na próxima edição com ilustração dos insetos adultos.
HDL baixo representa risco cardiovascular
Elevar o bom colesterol é mais importante para a saúde do que reduzir a sua versão ruim
Desde a década de 60, quando o colesterol alto foi identificado como uma das principais ameaças à saúde cardiovascular, médicos e pacientes buscam formas de diminuir as taxas do mau colesterol no sangue, também conhecido por LDL. Agora, as atenções voltam-se para o HDL, o chamado bom colesterol. Sem desprezar os efeitos negativos do LDL no organismo, muitos médicos vêm defendendo a idéia de que mais importante do que reduzir o mau colesterol é aumentar o HDL.
Pesquisas indicam que altas taxas do bom colesterol – mais de 50 miligramas por decilitro de sangue para mulheres e mais de 40 para homens – estão associadas a uma diminuição do risco de doenças cardiovasculares. A cada 1% de aumento do HDL, ocorre uma queda de 3% na probabilidade de ocorrência de distúrbios cardiovasculares.
Enquanto o LDL é a principal fonte do acúmulo de gordura nas artérias, o HDL tira o colesterol ruim de dentro delas. Além disso, age como antioxidante e aintiinflamatório, ou seja, suas moléculas protegem a parede dos vasos e impedem o surgimento de lesões que facilitam o depósito de gordura. A substância ainda tem ação anticoagulante, o que ajuda a evitar a obstrução das artérias. Por tudo isso, conclui-se que, por mais baixos que sejam os níveis de LDL, se o HDL também for baixo, o risco permanece alto.
As mulheres são as principais vítimas do HDL baixo. Supõe-se que, como elas têm naturalmente uma quantidade maior de bom colesterol, quando ele diminui, o impacto negativo de sua carência é maior.
Entre os principais fatores de risco para o coração, a hipertensão é o mais prevalente, mas o controle do colesterol tem impacto muito maior na prevenção dos males cardiovasculares. Por enquanto, manter o LDL baixo é mais fácil do que aumentar o HDL. Pode-se começar adotando uma dieta pobre em colesterol, gorduras saturadas e trans. Além disso, vários remédios disponíveis no mercado têm função de reduzir LDL, entre os quais as estatinas.
Exercício ajuda a elevar bom colesterol
Por enquanto, a melhor forma de elevar os índices do bom colesterol é livrar-se dos triglicerídeos. As altas taxas desse tipo de gordura estão associadas à queda dos níveis de HDL. Para isso, é indispensável a prática regular de exercícios físicos aeróbicos, como caminhada, natação, corrida, bicicleta. Para quem está acima do peso, um regime bem feito pode elevar o bom colesterol em até 20%. Alguns alimentos também ajudam a aumentar o HDL.
Determinados remédios têm capacidade de aumentar o bom colesterol entre 5% e 10%, mas esse índice é considerado insignificante. As drogas existentes até então para elevar o HDL de forma significativa, como a niacina, têm efeitos colaterais severos, entre eles rubor facial. Porém, a indústria farmacêutica já está investindo nesta área. Os cientistas estimam em quatro anos, no máximo, o tempo para que novos medicamentos cheguem ao mercado.
Alimentação pode ser uma boa aliada
Alguns alimentos podem ajudar a elevar os índices do bom colesterol ou a diminuir a versão ruim da substância. Os ômega-3 são ácidos graxos que ajudam a reduzir as taxas de triglicerídeos e, conseqüentemente, podem aumentar também o bom colesterol. As principais fontes dessa substância são os peixes, principalmente salmão, atum, arenque, cavala e sardinha.
As fibras solúveis, como soja, aveia, cevada, feijão, grão-de-bico, lentilha, polpa de maçã, pêra, uva e mamão, impedem a absorção do colesterol ruim no intestino, o que evita a sua circulação pelo sangue.
Os chamados fitosteróis são uma espécie de colesterol vegetal que facilita a eliminação do LDL do organismo. Essa substância pode ser encontrada em sementes de girassol, soja e óleos vegetais.
Os alimentos ricos em substâncias antioxidantes dificultam o depósito de gordura nas artérias. Alguns deles ainda ajudam a aumentar o bom colesterol. As principais fontes antioxidantes são azeite de oliva, preferencialmente o extravirgem, vinho tinto, verduras, grãos, sementes, castanhas e chás, principalmente o chá verde.
Ecologizar a política e a economia
Leonardo Boff
Como deverão ser o desenvolvimento e a educação propostos por Lula? Temos que qualificá-los ecologicamente para que nossos filhos e netos não nos amaldiçoem porque fomos advertidos do desastre e nada ou pouco fizemos
No dia 31 de outubro, em rede nacional, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, fez um pronunciamento de grande relevância. Estabeleceu claramente as metas de seu segundo mandato: desenvolvimento, distribuição de renda e educação de qualidade. Deixou claro que vai governar para todos, mas preferencialmente para os pobres e excluídos. Para quem vem da teologia da libertação, isso é colírio nos olhos, pois a marca registrada deste tipo de teologia é a opção preferencial pelos pobres contra a pobreza e em favor do desenvolvimento integral, da redistribuição de renda e da educação para o cuidado. Estes três eixos poderão redirecionar a história de nosso país, com menos diferenças e mais inclusão social. Só temos que apoiar tal propósito.
Mas nesta agenda há uma ausência que se fez notar já durante a campanha. Nenhum dos candidatos suscitou a questão ecológico-ambiental. Temos que reintroduzi-la porque sem ela as três metas do governo, dentro de poucos anos, poderão ser totalmente inviabilizadas. Cabe ao presidente possuir uma visão estratégica de futuro do país e da humanidade, pois essa ausência poderá ser irremissível.
Em primeiro lugar, importa ecologizar a política e a economia. Explico-me: importa entender sistemicamente todos os problemas. As questões econômicas, políticas, sociais, éticas e espirituais são interdependentes. Há que se superar o paradigma, teoricamente já superado, que separava e atomizava as várias instâncias. Porque são inter-retro-conectadas, as soluções devem ser includentes. A transversalidade, tese da ministra Marina Silva, deve conferir a tônica na implementação dos três eixos do governo. Em segundo lugar, há que se tomar a sério o que grandes nomes da ciência e relatórios oficiais de organismos que estudam o estado da Terra nos estão já há tempos advertindo. O tipo de desenvolvimento e de educação dominantes estão destruindo o planeta Terra. Em nome do desenvolvimento exploram-se de forma ilimitada todos os recursos para que haja mais e mais consumo, sem o qual o sistema econômico-financeiro afunda. A seguir a voracidade deste sistema, antes de 2050 precisaremos de mais de duas Terras para suprir a demanda da humanidade, diz-nos o relatório "Planeta vivo 2006" do Fundo Mundial para a Natureza. James Lovelock, o formulador da Teoria Gaia, a Terra como super-organismo vivo, advertiu na revista Veja de 25 de outubro do corrente ano: "Até o fim do século é provável que 80% da população humana desaparecerá" em conseqüência do superaquecimento da Terra. E acrescenta: "Praticamente todo o território brasileiro será demasiadamente quente e seco para ser habitado".
A ser isso provável ou até verdadeiro, como deverão ser o desenvolvimento e a educação propostos por Lula? Temos que qualificá-los ecologicamente para que nossos filhos e netos não se voltem contra nós e nos amaldiçoem porque fomos advertidos do desastre e nada ou pouco fizemos.
Não basta dizer: temos a ministra Marina Silva, responsável pelo projeto "Vamos cuidar do Brasil". Todos temos que participar. A ela o presidente Lula deveria agregar o ex-governador Jorge Viana, do Acre, como ministro de Estado porque ele tem consciência lúcida destas questões e representaria toda a região amazônica, chave para o equilíbrio futuro da vida e da Terra. Apoiemos as metas do presidente enriquecendo-as com este olhar ecológico integrador.
POLÍTICOS, PROFISSÃO E VOCAÇÃO
Frei Betto
Os políticos são todos funcionários públicos, peças de uma engrenagem que deveria girar a favor do povo. Governantes são pilotos eleitos pelos passageiros, que deveriam lhes indicar a rota e o destino
Max Weber no texto "A política como profissão/vocação" refere-se aos políticos que fazem do mandato popular mera profissão – e lucrativa – como que instalados atrás de um balcão onde se negocia, além de bens materiais, vantagens simbólicas (cargos, influência, facilidades, prestígio, em suma, poder).
Abraçam a política por vocação aqueles que se sentem motivados por ideais e valores, devotados às aspirações de seus eleitores, comprometidos com projetos históricos. Desses, não raro alguns se deixam picar pela mosca azul e sacrificam o idealismo em nome do pragmatismo.
Os fracassos da esquerda no século XX amesquinharam-lhe a política. Projetos de nação minguaram para projetos de eleição. A esquerda perdeu boas oportunidades de criar um novo modelo político. Na Rússia revolucionária, aceitou por herança a estrutura autocrática do regime czarista. O Partido sucedeu a família imperial, com a diferença, meritória, de erradicar a miséria e cumprir a profecia de Tocqueville, proferida em 1833, de que a Rússia, em breve, dividiria com os EUA o título de potência mundial.
Nas democracias formais a esquerda tem sido cooptada pelas forças adversárias. O cheiro do poder inebria-a. Difícil preservar um de seus maiores valores: a ética. Quando oposição, seus militantes não temem a repressão e muitos sofrem prisões, torturas e mutilações. Outros padecem o exílio ou a morte. Revestidos do mandato popular, os sobreviventes raramente conseguem evitar serem tragados pelo Leviatã a que se refere Hobbes.
O vigor revolucionário arrefece-se diante do imperativo de acordos e alianças, acertos e conchavos, como o balseiro que, em mar revolto, se deixa levar por ventos adversos. Aos poucos, o militante distancia-se de sua margem de origem e aproxima-se da oposta. Ele, que tanto sonhou com o poder popular, agora trata de ampliar e arar o próprio espaço de poder. O povo, o pobre, o oprimido lhe soam quais incômodas abstrações. Sente mesmo certo mal-estar quando alguém ousa refletir-lhe o rosto no espelho do passado. Como Fausto, vendeu a alma ao demônio. Apegado ao poder, suas ambições pessoais passam a ter mais relevância que o serviço a quem o revestiu de mandato. A vocação transmuta-se em profissão. O partido, em mera máquina eleitoreira. Fetichiza-se a política e corrompe-se a subjetividade do político.
Fetichismo deriva de feitiço, ídolo feito por mãos humanas. É sinônimo de idolatria. Em política fetichismo é a absolutização da vontade do político. Seu querer tem mais importância que o do povo. Opera-se uma inversão, como no "mistério fetichista do capital" (Marx), que oculta e distorce o real, invertendo-o.
Na política a inversão ocorre quando a vontade do governante e/ou do seu partido se torna paradigma, e não a dos governados. O poder fetichista, auto-referente, só se afirma se primeiro destruir o poder originário e normativo de toda política – o poder da comunidade, o que "emana do povo e em seu nome será exercido". No caso, deveria ser exercido...
Nem todos os revolucionários e idealistas que provam do cálice do poder deixam-se embriagar. Há quem ouse reinventar a política: Spartacus, Joana D’Arc, George Washington, Hidalgo, Bolívar, Che, Fidel, Allende. Em defesa de seus princípios e ideais, não temeram o risco de morte. Jamais fizeram do poder um fim em si mesmo e, muito menos, meio de ampliação do patrimônio pessoal. Foram todos fiéis à aspiração de quem os apoiava.
Os políticos são todos funcionários públicos. Funcionário significa o que ocupa e cumpre uma função. É uma peça da engrenagem que, em princípio, deveria girar a favor do povo. E governo vem do verbo grego gobernao – pilotar a nau ou o barco. Governantes são pilotos eleitos pelos passageiros, que deveriam lhes indicar a rota e o destino.
O fetichismo do poder alcança seu paroxismo nos impérios. O azteca, o romano, o nazista e o estadunidense adotaram a águia como símbolo. Mais poderosa entre as aves, ela cai como um raio sobre a sua vítima e a aprisiona com suas garras mortíferas. No capitalismo fascista, que sucede ao liberal e ao neoliberal, a relação política do Estado com a nação cede lugar à relação policial: vigilância, desconfiança, suspeita, coação, censura, dominação, sujeição e destruição. É o que ocorre hoje nos EUA.
Todos esses desvios só podem ser corrigidos mediante uma profunda reforma política. E anterior a ela um debate se impõe: que concepção de democracia deve servir-lhe de paradigma? Como criar uma institucionalidade política capaz de impedir que se faça do mandato uma profissão em proveito próprio? Como a imunizar do fetichismo e da tendência ao fascismo?
O desafio consiste em evitar que o Estado de Direito coincida com o Estado da direita.
TURISMO EM CAXIAS DO SUL
Seis roteiros mostram ao visitante a cultura da imigração italiana e a tradição gaúcha
Cantinas, vinícolas, igrejas, grutas, monumentos, parques, trilhas ecológicas, paisagens naturais, CTG’s e museus contam a história da colonização de Caxias do Sul. As atrações turísticas da cidade abrangem a área urbana e o interior. Elas estão distribuídas em seis roteiros que preservam a tradição gaúcha e a cultura dos primeiros imigrantes italianos que aqui chegaram em 1875.
O La Città reúne os pontos turísticos situados no perímetro urbano. A Igreja de São Pelegrino, inaugurada como matriz em 1953, é um dos locais mais visitados por pessoas de todo o país. A igreja destaca-se pelos afrescos do italiano Aldo Locatelli em seu interior; pela réplica da Pietá, de Michelangelo, doada pelo papa Paulo VI por ocasião do centenário da imigração italiana; pelas portas de bronze criadas pelo artista Augusto Mürer que reproduzem, em alto relevo, a epopéia da colonização; e pela cópia do Santo Sudário.
A Réplica de Caxias do Sul de 1885 é outro ponto importante de visitação. O conjunto arquitetônico com 18 casas de madeira, igreja e coreto, localizado nos Pavilhões da Festa Nacional da Uva, reproduz a as principais ruas da cidade naquela época, a avenida Júlio de Castilhos e a rua Dr. Montaury. À noite, mediante reserva, a réplica serve de cenário ao espetáculo Som & Luz. Vozes, ruídos, música e um jogo especial de luzes contam a saga da imigração italiana em 45 minutos. Também na área dos pavilhões encontra-se o Monumento Jesus Terceiro Milênio e o Memorial Zambeli, conjunto composto por uma imagem do rosto de Jesus Cristo esculpida por Bruno Segalla e um museu de artes sacras.
A casa da família de Giuseppe Lucchese, construída na penúltima década do século 19, foi transformada no Museu de Ambiência Casa de Pedra em 1975. Trata-se de uma casa de dois pisos, construída com pedras assentadas e rejuntadas com barro. No interior, móveis, utensílios e objetos antigos doados pela comunidade retratam os afazeres dos imigrantes italianos.
O Monumento Nacional ao Imigrante também atrai turistas. Inaugurado em 1954, durante a Festa da Uva, pelo presidente Getúlio Vargas, é uma criação do escultor Antonio Caringi. Feito de bronze e medindo 4,5 metros de altura, retrata o heroísmo daqueles que abandonaram sua terra e vieram construir Caxias do Sul.
Ainda fazem parte do La Città o casario em volta da Praça Dante Alighieri e a própria praça, a Catedral Diocesana, o Museu Municipal, o Parque Getúlio Vargas, os estádios Centenário e Alfredo Jaconi, o Museu da FEB, o Instituto Bruno Segalla e o Espaço Documenta, que abriga exposições sobre a cultura regional e obras de renomados artistas.
No roteiro Ana Rech, um encanto de vila, destaca-se o chamado caminho dos tropeiros, com restaurantes e cantinas que oferecem pão feito no forno à lenha, geléias e doces caseiros. A estrada era utilizada antigamente para transportar mercadorias e animais do centro do país e do litoral gaúcho para cá. Em dezembro, a localidade integra-se às comemorações natalinas e transforma-se na vila dos presépios. Mais de 100 presépios confeccionados pela própria comunidade em diferentes materiais integram-se à decoração natalina, formando um cenário encantador.
Vinícolas, construções típicas italianas, igrejas e capelinhas em meio aos bosques também fazem parte do roteiro. O turista ainda pode passar pela Selaria Corso; pelo Artesanato Vimes Saccaro, onde os artigos são confeccionados na presença do visitante; e pelo Clube de Aeromodelismo, onde são feitas demonstrações dos aeromodelos e das manobras.
Roteiro dá destaque à religiosidade
A Estrada do Imigrante traça o caminho que os primeiros colonizadores percorreram quando chegaram à Serra Gaúcha. Centenárias igrejas de pedras fazem parte do roteiro, traduzindo a religiosidade dos imigrantes. A Capela dos Sagrados Corações de Jesus e Maria é um dos pontos mais visitados. Construída com pedras trazidas da região do rio Caí no lombo de mulas, ela foi inaugurada em 1892, depois de 11 anos de trabalho comunitário.
A Gruta Nossa Senhora de Lourdes também atrai muitas pessoas. Encravada na rocha, a capela foi inaugurada em 1949. O acesso ao local é feito por meio de uma escadaria com 150 degraus, que representam um rosário. Uma cascata completa o cenário em torno da gruta. O local também é muito procurado pelos praticantes de rapel. No 2º domingo de cada mês, celebra-se uma missa na gruta.
O Museu Zinani abriga móveis, utensílios domésticos e roupas utilizadas pelos antepassados da família e que hoje ajudam a preservar a história. Nas Casas Bonet, construção de 1877, comida típica italiana, apresentações artísticas e passeio de carretão junto à mata e aos parreirais.
Criúva privilegia o ecoturismo
A 56 quilômetros do centro de Caxias do Sul, o distrito de Criúva destaca-se pela valorização da cultura campeira e pelas belezas naturais. O nome do distrito teve origem na época do tropeirismo e é o mesmo nome da árvore típica da região: a criúva.
Rios, cascatas, cânions e trilhas em meio a mata nativa formam o cenário perfeito para os amantes do ecoturismo. A região tem locais próprios para a prática de trekking e rapel. No rio das Antas, o rafting atrai grande número de turistas.
Criúva também tem a marca do tradicionalismo gaúcho. Pousadas, cabanhas e fazendas acolhem os visitantes, que podem apreciar a comida campeira e cavalgar pelos campos. A Ponte dos Korff, com estrutura de ferro e piso de madeira, inaugurada em 1907 e restaurada recentemente; e o Cânion dos Palanquinhos são outros pontos turísticos deste roteiro.
Colônia – O roteiro Caminhos da Colônia, entre Caxias do Sul e Flores da Cunha destaca-se pelo contato com descendentes de imigrantes italianos e suas tradições, representadas pelo canto, pelo dialeto, pelo artesanato e principalmente pela gastronomia típica, que pode ser conferida em diversas cantinas, restaurantes, vinícolas e casa de massas.
A Praça Regional da Uva, em Otávio Rocha, é ponto de grande visitação do roteiro. Como a localidade está geograficamente no centro da área de maior cultivo de uva na Serra gaúcha, decidiu-se homenagear os municípios produtores da fruta dando este nome à praça. Ela foi inaugurada em 1980 e cada município da região foi convidado a plantar uma videira trazida de sua comunidade. Hoje, as parreiras enfeitam as laterais da praça e as uvas podem ser degustadas pelos visitantes. A praça também abriga um Monumento ao Imigrante, com um leão alado que representa Veneza, capital da região de onde vieram os imigrantes locais.
Vale Trentino conta a história do vinho
Um passeio pelo mundo da uva e do vinho. Assim pode ser traduzida a visita ao Vale Trentino, entre Caxias do Sul e Farroupilha. Quem percorre este roteiro conhece desde o plantio da videira até o descanso do vinho, além de poder apreciar belos parreirais. Nas cantinas e vinícolas, o turista ainda degusta vinhos, sucos e grapa. No Vale Trentino também está instalada a primeira cooperativa da América Latina, a Vitivinícola Forqueta, fundada em 1929. A cooperativa abriga ainda o Museu da Uva e do Vinho.
Um dia de louvor e gratidão a Deus
Colheitas abundantes motivaram instituição do Dia de Ação de Graças
O Brasil celebra na quinta-feira, 23 de novembro, o Dia Nacional de Ação de Graças. A data coincide com essa celebração em outros países e visa a glorificação pública, solene e oficial do nome de Deus, como supremo Senhor dos povos. A virtude da gratidão está na Bíblia e é próprio das almas nobres agradecer sempre e por todas as coisas.
Render graças a Deus vem dos tempos bíblicos, mas o costume de um "Dia de Ação de Graças" foi oficializado muito tempo depois, mais exatamente em 1621, em Plymouth, Massachusetts, nos Estados Unidos, depois de um ano doloroso e difícil para as primeiras famílias que tinham deixado a Inglaterra em 1620 em busca de terra e liberdade.
Eram puritanos, com muita fé em Deus que, fugindo da perseguição religiosa, chegaram ao continente americano, construíram rústicas cabanas e semearam o solo, confiantes. Mas o frio rigoroso, a terra e o clima desconhecidos e os animais selvagens levaram a péssimas colheitas.
Porém, ajudados por índios amigos, que conheciam o lugar, eles melhoraram o cultivo, e no outono seguinte a colheita foi abençoada e abundante. Então, emocionados e agradecidos, reuniram os melhores frutos, convidaram os índios e juntos celebraram uma grande festa de louvor e gratidão a Deus. Nascia assim o "Thanks giving Day" (Dia de Ação de Graças).
Nos anos seguintes as festividades se repetiram, não apenas em Plymouth, mas também em outras localidades. Em 1789, o presidente George Washington implementou o dia 26 de novembro como dia nacional de Ação de Graças. Mais tarde, em 1941, no governo de Franklin Roosevelt, o Congresso americano instituiu que o Dia de Ação de Graças seria comemorado definitivamente na quinta-feira da quarta semana de novembro, e que seria feriado nacional.
Brasil oficializou celebração em 1949
O embaixador brasileiro Joaquim Nabuco, participando da celebração do Dia de Ação de Graças em 1909 nos EUA, sensibilizou-se com o sentido religioso da festa. "Eu quisera que toda a humanidade se unisse, num mesmo dia, para um universal agradecimento a Deus". Quarenta anos depois, em 1949, o congresso nacional aprovou a lei 781 que consagrava a última quinta-feira de novembro como Dia Nacional de Ação de Graças. Em 1966, Castelo Branco modificou essa lei, instituindo a data na quinta-feira da quarta semana de novembro, para coincidir com essa celebração em outros países.
A data está subordinada à CNBB e em muitas igrejas do Brasil o ato principal das comemorações consiste em um solene "Te Deum". Nesse dia, muitas pessoas dedicam seu tempo para a reflexão, serviços na igreja e orações.
Padre Zezinho
Cuidado com os pregadores que se acham herdeiros do mundo
A eugenia foi uma doutrina errada, cruel e prepotente que no final do século XIX até meados do século XX fez milhões de vítimas e causou muitos massacres e holocaustos. Ensinava que brancos de sangue puro eram escolhidos por Deus e pela natureza, para melhorar a raça humana e que mestiços, negros e pessoas com defeitos físicos eram inferiores.
Era a repetição do que se ensinara em Esparta, na Grécia, onde crianças rejeitadas eram jogadas junto com criminosos no apotetes. Deu no que deu. Na Alemanha de Hitler, nos EUA da Klu Klux Klan, na Inglaterra, na Austrália, África do Sul e em países latino-americanos. Em mais de 30 países. Esterilização, morte, exclusão social, apartheid; restaurantes, cinemas, banheiros e ônibus só para negros ou só para brancos.
A eugenia ensinava que há cores e sangues melhores e que eles devem governar e ser os vencedores. Era tudo feito em nome da natureza e da pureza do sangue e da raça. Não há muita diferença entre a eugenia da raça e a eugenia espiritual da fé.
Alguns pregadores ensinam a mesma mentira, o mesmo preconceito e a mesma crueldade, ao se proclamar vitoriosos, vencedores, herdeiros do mundo e ao excluir dessa herança outros grupos de fé que não crêem, não foram batizados, não oram e não cantam como eles. Ignoram, atacam, caluniam ou quando podem tiram desses irmãos as câmeras e os microfones.
Como eles são os eleitos, os outros que se calem, pois não são tão fiéis nem tão eleitos nem tão puros quanto eles. O mesmo pecado dos eugenistas arianos e brancos tomou conta de alguns fundamentalistas cristãos e muçulmanos. Eles se acham melhores e com mais direito do que os demais. Concluem que, se estão crescendo e se expandindo e o dinheiro rola solto entre eles, é porque Deus lhes quer dar a vitória.
Ouça e observe seus discursos. Descubra o que diziam os eugenistas e defensores da supremacia dos brancos e verá que é o mesmo discurso. Só que agora em nome de Jesus e do Espírito Santo. Mas a essência é a mesma! Eles são mais e quem não está com eles é menos!
Scalabrinianos revitalizam carisma
Assembléia de leigos em Passo Fundo teve membros de 10 países
O Instituto São Carlos, de Passo Fundo (RS), acolheu neste mês de novembro 65 representantes do Movimento dos Leigos Missionários Scalabrinianos (LMS) da Europa, Ásia e América. Durante cinco dias eles participaram da 2ª Assembléia Geral do movimento. Objetivo do encontro foi avaliar o processo de aplicação das diretrizes gerais desse movimento, aprofundar a dimensão missionária na vida do LMS, aprovar o regulamento de vida de seus membros, delinear a caminhada do movimento para o triênio 2006-2009 e eleger a coordenação geral para o período.
O Movimento dos Leigos Missionários Scalabrinianos está ligado à Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, Scalabrinianas. Conforme a superiora geral, irmã Maria do Rosário Onzi, gaúcha de Caxias do Sul, há 581 leigos integrando o movimento, ligados às seis províncias da congregação no mundo, divididos em 49 núcleos.
"Os leigos missionários são chamados a revitalizar o carisma scalabriniano, reencarnando e encontrando mediações e expressões diferentes para vivê-lo e testemunhá-lo no seu dia-a-dia", ressaltou a superiora geral, na abertura do encontro. Ela destacou que o movimento é uma bênção para a congregação e está produzindo frutos de santidade e missionariedade no universo tão problemático e urgente das migrações.
Durante os cinco dias do encontro, os participantes contaram com espaço para estudo, oração, reflexão e aprofundamento de temas formativos; partilha na dimensão da vivência e compromisso com o carisma scalabriniano e a convivência fraterna. Os participantes também elegeram a nova coordenação geral do LMS para o triênio 2006-2009, encabeçada por Isaías Pablo Klin Carlotto, que é professor no Colégio São Carlos de Caxias do Sul.
Participaram da assembléia missionários leigos de diversos Estados do Brasil; da Itália, Argentina, Estados Unidos, Canadá, México, Índia, Filipinas, Colômbia e até de Cingapura, onde as irmãs não estão presentes, mas uma leiga formou um núcleo de LMS que atende migrantes daquele país.
Ordem Franciscana Secular de Veranópolis celebra 90 anos
A Ordem Franciscana Secular (OFS) está presente na cidade de Veranópolis desde outubro de 1916. Para celebrar a histórica data realizou-se a Jornada Franciscana, evento que reuniu todas as fraternidades que constituem o 4º Distrito da OFS de Veranópolis – são sete veranenses e quatro de Vila Flores.
A jornada iniciou com missa, na matriz São Luiz Gonzaga, concelebrada por quatro sacerdotes capuchinhos, entre os quais o assistente espiritual da OFS, frei Isaías Bordignon, e mais de uma centena de membros da Ordem Franciscana Secular. Em seguida, os integrantes da OFS participaram de palestra no salão da gruta Nossa Senhora de Lourdes.
A ministra Lídia Gasparin apresentou os 90 anos de caminhada da OFS em Veranópolis; Moacir Miotto, ministro do Regional Sul 3 da OFS palestrou sobre o valor de pertencer a um "ramo da videira", que dá bons frutos; e frei Isaías abordou a importância do franciscano na fraternidade e na comunidade. Ao meio-dia houve almoço de confraternização e, à tarde, apresentação da peça teatral "Louvores às Criaturas de São Francisco", brincadeiras, cantos e encerramento, na gruta, com bênção do Santíssimo.
Aldo Colombo
Preservar a natureza, nossa casa, não é apenas um dever, mas um ato de inteligência e de amor
O primeiro capítulo da Bíblia nos mostra o Divino Arquiteto criando o mundo. Inicialmente criou o céu, a terra, o sol, a lua e as estrelas. Depois criou e acomodou as águas. E a terra floresceu com milhares de espécies vegetais, com flores, sementes e frutos. Depois vieram as abelhas, milhões de insetos, os pássaros, os animais e os peixes. Tudo estava ordenado, cada ser em si mesmo, e todos formavam um conjunto harmonioso e perfeito. Depois foram convocados o homem e a mulher e ficaram encarregados de guardar e cuidar desse Jardim. E Deus ficou feliz com sua obra. Ele viu que tudo era bom.
O tempo foi correndo, passaram-se anos, séculos e milênios. E Deus sentiu a necessidade de uma conversa séria com o inquilino. O homem nada precisava pagar pela natureza, mas ficara acertado que ele deveria cuidar dela, afinal era sua casa. Mas nada disso estava acontecendo. E Deus acenou com algumas coisas que estavam afetando a Terra e que exigem medidas urgentes.
Milhões de árvores foram cortadas e não foram substituídas. A sombra, o ar, o equilíbrio foram atingidos e em algumas áreas surgiram intermináveis desertos. Por falta de proteção, muitos rios secaram. E o desmatamento é progressivo. A derrubada indiscriminada afeta o regime das chuvas e a temperatura da terra aumenta. De resto, está sendo gasta muita energia!
Deus fez ainda saber que não estava satisfeito com o que acontecia aos animais, peixes e árvores. Muitas espécies, simplesmente, desapareceram. E tudo havia sido cuidadosamente planejado! O desaparecimento de espécies afeta o equilíbrio da natureza e isso acabou fazendo surgir pragas. Em função das pragas, o inquilino começou a jogar perigosamente com os inseticidas. E aí começou um círculo vicioso e perverso, afetando a pureza e harmonia do todo.
Um capítulo à parte refere-se ao lixo. A Terra, observou Deus, assemelha-se, hoje, a uma grande lixeira. Há pneus, garrafas, plásticos, venenos espalhados ao ar livre. E quanto tempo é necessário para que um plástico ou uma garrafa de vidro se decomponham? E esse lixo não fica apenas na terra. Ele invade as águas e o ar. O próprio céu não está mais azul, a atmosfera está cheia de buracos e o sol queima mais e afeta a pele. Você não se dá conta da origem do câncer da pele?
A terra era para todos, mas vejo que isso não está acontecendo. Alguns têm demais e outros nada. Alguns precisam fazer regime para não engordar mais e outros morrem de fome. Isso é inadmissível em meu jardim.
Meus avisos anteriores, resumiu Deus, não foram levados em conta. Você quer continuar morando na Terra ou pretende se mudar? Espero que cumpra o contrato. Isto não é apenas um dever, mas um ato de inteligência e amor. Caso isso não seja feito, o sofrimento afetará a todos e o Jardim poderá tornar-se inabitável, concluiu o Criador.
Pobre Servo é novo bispo de Osório
Padre Jaime Kohl atua como mestre de noviços em Farroupilha
O Papa Bento XVI, acolhendo pedido de renúncia apresentado por dom Thadeu Gomes Canellas, por motivo de idade (completou 75 anos em julho de 2005, idade que, conforme o cânon 401.1 do Código de Direito Canônico, permite o pedido de afastamento), nomeou padre Jaime Pedro Kohl bispo da diocese de Osório (RS). Membro da Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência (PSDP), padre Jaime é, atualmente, mestre de noviços da congregação, em Farroupilha, e professor de teologia moral. A ordenação episcopal de padre Jaime deverá ocorrer no início de fevereiro de 2007, e a posse, em março.
A nomeação foi oficializada pelo Vaticano no dia 15 de novembro. "Recebi com surpresa. Sei que é um grande desafio", afirmou padre Jaime ao CR. Filho de Beno e Gema Agostini Kohl, nasceu no dia 12 de dezembro de 1954 em Linha Carolina, paróquia São Pedro de Poço das Antas, que na época pertencia ao município de Montenegro. Aos 14 anos ingressou no seminário apostólico Nossa Senhora de Caravaggio.
Em 1976 fez o noviciado e emitiu os primeiros votos na Congregação dos Pobres Servos. Cursou filosofia na Universidade de Caxias do Sul e teologia no Instituto Teológico San Zeno, na diocese de Verona, Itália. No dia 2 de dezembro de 1984 foi ordenado sacerdote. Em seguida voltou a Roma para especializar-se em teologia moral e, em 1987, obteve mestrado na mesma disciplina, no Alfonsianum.
Como sacerdote, exerceu seu apostolado em Angola (1985-86), África, como superior do seminário diocesano local. De 1988 a 1993 foi diretor do Centro Social Pe. João Calábria, em Porto Alegre, e professor de teologia moral na PUCRS. De 1994 a 1996, foi mestre dos noviços; e de 1997 a 2002, delegado provincial da congregação no Brasil. Desde 2002, leciona teologia moral no Curso de Teologia para Leigos em Caxias do Sul e desde 2003 é mestre dos noviços.
Obras – É o primeiro padre brasileiro da congregação a ser nomeado bispo. Dom Adélio Tomasin, bispo de Quixadá (CE), também é Pobre Servo, mas nasceu na Itália. A congregação dos Pobres Servos, fundada em Verona em 1907 por São João Calábria, está presente no Rio Grande do Sul e no Brasil desde 1961. A província brasileira tem 75 membros. Atua em paróquias e especialmente em atividades de caráter social, com crianças e jovens mais carentes, em seis Estados (RS, MS, BA, CE, MA e PA).
Diocese necessita de mais sacerdotes
Dom Thadeu Gomes Canellas deixa o comando da diocese de Osório após realizar um trabalho marcante, que tem recebido destaque nas publicações religiosas. Em fevereiro passado comemorou 50 anos de ordenação sacerdotal. Uma de suas preocupações é o número insuficiente de padres. Por isso, pediu como presente no seu jubileu a realização de uma semana vocacional.
Natural de Gravataí (RS), nasceu aos 28 de julho de 1930, filho de Salvador Canellas Sobrinho e Maria Antonina Gomes Canellas. Foi ordenado padre no dia 25 de fevereiro de 1956, em Roma, Itália. No final de 1983, João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Porto Alegre e a ordenação episcopal ocorreu no dia em que celebrava 28 anos de sacerdócio, em 25 de fevereiro de 1984. Ao ser criada a diocese de Osório, em 1999, assumiu como seu primeiro bispo.
Temporada de férias multiplica população
A diocese de Osório, que padre Jaime Kohl vai assumir como bispo, foi criada no dia 10 de novembro de 1999, desmembrada da arquidiocese de Porto Alegre e da diocese de Caxias do Sul. Segundo o Anuário Católico do Brasil 2005, abrange uma superfície de 6,1 mil km2, com uma população fixa de 276 mil habitantes, mas que na temporada de veraneio ultrapassa a mais de um milhão.
A diocese é formada por 21 municípios do litoral norte do Estado, entre os quais Osório, Torres, Tramandaí, Santo Antônio da Patrulha, Capão da Canoa e Cidreira. São 22 paróquias e 33 sacerdotes, a maioria seculares. A paróquia de Tramandaí é coordenada pelos capuchinhos, que também atendem o município de Imbé. Há ainda seis congregações religiosas femininas na diocese, que juntas somam cerca de 60 irmãs.
Wilson João
Na magia e no milagre de minha voz eu sinto a voz Daquele que fala em silêncio no meu coração
Todo ser vivo sente. Reage ao ser tocado. Sentir é reagir. Sentir é dar asas aos sentimentos, pois, no ato de sentir, se criam os sentimentos. Junto com os sentimentos nascem as emoções. A pessoa que sente se torna sentimento e emoção. Não é pedra e nem terra seca. O criminoso, o corrupto e o ladrão perderam a sensibilidade. Não sentem. Matar e destruir se torna um ato frio e sem sentimento. Por isso, é necessário exercitar o ato de sentir para relacionar-se com o mundo, as pessoas e Deus.
SENTIR DEUS EM MEU OLHAR. A maravilha do olhar. Milhões de fotografias em poucos minutos. Instantaneamente nossos olhos fotografam, revelam e apresentam a fotografia. Nada explica a grandeza do olhar. Somente a cegueira. Não posso ficar sem sentir a presença de Deus em meu olhar. Ele é meu olhar. No olhar do irmão está o olhar de Deus. Está revelado seu estado de espírito. Olhar com os olhos de Deus. Que bom poder dizer: meus olhos têm a cor de Deus, da vida, do amor e da paz!
SENTIR DEUS EM MINHA VOZ. Penso e minha boca proclama o pensamento. Não há como deixar de maravilhar-se diante do milagre da voz. O corpo, instrumento de comunicação da vida, faz o pensamento e o sentimento tornarem-se som e voz para outros sentirem o que eu sinto e penso. No milagre e na magia de minha voz eu sinto a voz Daquele que fala em silêncio no meu coração. Também me faz a voz de sua voz. Voz que fala de vida e de amor, de paz e de bem, de verdades que Ele ensinou com sua própria voz. Em minha voz sinto e sou a voz de Deus.
SENTIR DEUS EM MEU CORAÇÃO. O coração bate. Um dia começou o milagre da vida. Primeira batida. Um começo inexplicável. Quem deu o primeiro impulso? E ele continua batendo sem meu comando. Sem fontes de energia. Sem baterias para alimentá-lo. Como num toque de mágica sinto o coração de Deus bater no ritmo do meu coração. Ele está ali bem pertinho. Dentro de mim. Em mim. Como não crer na sensação Daquele que é meu coração? Que se fez coração para bater no ritmo do meu coração?
SENTIR DEUS EM MINHAS MÃOS. Mãos que se abrem. Feitas para serem sempre abertas. Acolher. Doar-se. Ajudar. Erguer. Trabalhar. Fazer. Abertas e milagrosas como as mãos de Deus. Mãos que ergueram paralíticos, curaram cegos, perdoaram pecados, abençoaram crianças. Mãos que abençoam! O gesto de abençoar é sempre um gesto divino. Minhas mãos se tornam mãos divinas no gesto de abençoar. Não há como não crer no poder de Deus através das mãos! Nelas está a carícia de Deus. Nelas se concretizam os gestos de vida e amor do próprio Deus.
FAMÍLIA NUMEROSA
Pesquisadores encontram cerca de 15 novas espécies de dinossauros por ano
Eles foram extintos há 65 milhões de anos, mas hoje estão passando por uma verdadeira explosão demográfica, pelo menos em número de espécies descritas. Entre as décadas de 70 e 80, descobria-se, em média, um fóssil de dinossauro por ano. De 1990 aos dias atuais, o ritmo subiu para 15 anualmente.
Até 1996, apenas duas espécies de dinossauros tinham sido encontradas em solo brasileiro, hoje a lista já soma 16, um terço delas são Titanossauros, considerados os maiores animais terrestres de todos os tempos. Aliás, é dessa espécie o maior dinossauro brasileiro (Maxakalisaurus topai), com 13 metros de comprimento. Porém, o mais recente fóssil descoberto é bem menor, tem 1,5 metro de comprimento e 50 centímetros de altura. A espécie foi encontrada na região de Agudo, no Rio Grande do Sul.
O mais novo dino gaúcho era quadrúpede e o osso da mandíbula não tinha dentes na parte da frente, o que é chamado pelos especialistas de bico córneo. Era vegetariano e viveu há 220 milhões de anos. Dos 12 fêmures achados nas rochas, de diferentes indivíduos, nenhum era correspondente à perna esquerda. Resultado: foi batizado de Saci (Sacisaurus Agudoensis).
É claro que, na vida real, o bicho não tinha apenas uma perna. A falta do fêmur esquerdo foi coincidência. Por algum motivo, a pata esquerda acabou se desintegrando.
A espécie foi descoberta pela Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e reconstituída e identificada em parceria com a USP de Ribeirão Preto (SP). O Saci só deverá ser conhecido em todo o país no próximo ano, quando uma exposição itinerante deverá reunir todas as espécies de dinossauros brasileiras já identificadas.
Espécie gaúcha é a mais antiga
"Os dinossauros identificados no Rio Grande do Sul estão entre os mais antigos do mundo", conta o paleonteólogo e professor Max Langer, do departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP-Ribeirão. Os fragmentos encontrados em Agudo serviram para reconstituir 40% do dinossauro. O Saci é a quinta espécie descrita no RS e suspeita-se que seja a mais antiga.
Ele adiciona uma peça muito esperada ao quebra-cabeça dos dinos brasileiros. Tudo indica que ele pertence ao grupo dos Ornitísquios, o mesmo que daria origem a herbívoros gigantescos, como o Triceratops, com seus três chifres, ou o Stegosaurus, dono de imensas placas nas costas. Acontece que o Sacisaurus está muito próximo da raiz dessa linhagem, pois viveu há 220 milhões, ou seja, uma época em que os dinossauros como um todo eram um grupo recém-chegado, tentando se firmar num mundo hostil.
A descoberta do Saci pode ajudar a compreender o surgimento do grupo, já que é o mais velho deles. Os demais dinossauros brasileiros são Saurísquios. Eles possuem a bacia semelhante à dos lagartos, mas não têm nenhum parentesco com eles.
Origem dos animais pode ser sul-americana
Não é de hoje que dinossauros tão antigos quanto o Sacisaurus são encontrados nas rochas gaúchas do Triássico, como é conhecido o período geológico no qual ele viveu. O Saci é mais um membro na lista dos dinos primitivos que fazem muitos pesquisadores suspeitar de uma origem sul-americana para o grupo inteiro, em especial nas rochas de idades semelhantes compartilhadas entre o sul do Brasil e a Argentina.
Como na época dos dinossauros os continentes do planeta inteiro estavam reunidos em uma única grande placa, conhecida como Pangéia (significa "terra inteira", em grego), há pesquisadores que criticam a idéia da origem sul-americana dos animais. Para eles, essa aparente origem poderia ser explicada pelo fato de que, na América do Sul, as rochas da idade certa foram preservadas, enquanto foram erodidas em outros continentes. Fica a pergunta: será que outras regiões não abrigaram os animais ou simplesmente não têm as rochas preservadas?
O italiano que está em mim
Sirlei Munaro
Administradora de Empresas, Iomerê – SC
Sirlei, desde a infância, saiu de casa para estudar, trabalhar e fazer sua América. Diz ela:
"Nasci em Videira, cidade vizinha de Iomerê, onde moro, me criei e trabalho. Meus nonos são filhos de italianos, que sofreram muito na viagem de navio, como sempre contavam. Tenho orgulho de ser italiana, quando penso na aventura dos antepassados em deixar a Itália e vir ao Brasil. Imagino a coragem, a decisão e a união, apostando e animando-se uns aos outros, viajando embalados pelos sonhos de encontrar a cocanha como dizia nosso sonhador maior – Nanetto Pipetta – o personagem do simpático, ingênuo e inteligente Frei Paulino Bernardi.
Minha cidade foi colonizada por descendentes italianos do Rio Grande do Sul, que vieram dar continuidade ao sonho de fazer a América, começando do nada, como seus antepassados. A casa para morar, a terra para plantar, a estrada para se comunicar e comerciar, a capela para rezar... eram sonhos que povoavam suas mentes, movimentavam seus braços para construir o progresso pela solidariedade e pela fé. Solidariedade para conquistar o necessário para viver; fé para atender aos reclamos do coração e confiar em Deus como ensinaram e viveram os pioneiros.
Primeiro se estabelecer, viver e trabalhar; depois, estudar para ultrapassar a cultura do apenas auto-sustento.
Ouço a língua italiana desde criança, minha língua de berço. O italiano que cada um fala a seu modo, denominado talian, que traduz nossa vida e experiências. Hoje não mais o consigo falar fluentemente, mas, ao ouvi-lo, me enche o coração de entusiasmo, os olhos de lágrimas e a mente de saudades, amor e fé.
Se a história me leva aos antepassados e me faz olhar o hoje com olhar próprio, singular e único, a incomparável comida italiana me leva inevitavelmente àquela macarronada, de diferentes temperos, à polenta e queijo, polenta e salame in natura ou frito, à fritada com ovos, salame e cebola..., sempre com um inconfundível bom vinho, sem esquecer as carnes lessas, carne com batata, galinha ao forno, risoto da nona... é a comida que eu, tu, nós e todas as pessoas do mundo jamais vamos esquecer e abandonar porque é patrimônio internacional dos estômagos.
Em minha cidade, predominam netos, bisnetos e tetranetos de italianos, simpáticos com todos e simpatizados por todos. A predominância do talian falado se destaca entre os mais velhos; os jovens pouco falam, mas sempre mais entendem a necessidade de resgatar, cultivar e levar avante a própria língua e história, para eles também fazerem a América a seu modo e com as próprias palavras.
Uma vez os jovens já não paravam para escutar histórias dos mais velhos, por vezes levando-os ao ridículo, com afirmativas como – Vô, você não está contando alguma de grossa demais?! Vu no sì mia drio contarle massa grosse?! Mas, devagarzinho, começando pela admiração, pela escuta, todos nos sentimos e sentamos à mesa da mesma comida e da mesma história. Recordar a Itália, recordar os nonos que de lá vieram, não é recordar um mar de rosas, mas recordar um mar de esperanças, de coragem e de conquistas. É um reassumir-se a si mesmo como vocacionado a um dia experimentar a felicidade intransferível de ter construído e conquistado a própria vida. Nossos antepassados nos fizeram ricos da vontade de vencer, e vamos chegar lá, com trabalho, coragem e fé" (e-mail sirlei_munaro@yahoo.com.br)
Sirlei, a língua familiar tem a peculiaridade única e exclusiva de traduzir e retratar a história, vivências e sonhos dos pioneiros. Parabéns por você se propor este resgate. (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (387)
Un ciodo mal piantà e el sbrego deventa sèrio
Marcelino Carlos Dezen
Caxias do Sul - RS
Tuti quei che ze da star in colònia i sa quanto el ze bel, co se ze tosatei o belche giovenoti, giugar coi caretoni, o come i ghe ciama, i careti de riva indó, co rode de legno, de fero, rolamenti e altre robe.
Là ndove ze da star me pare, ghe ze, davanti la casa, un bel mato, co na tàola, la busa del sorasco, giugo de 48 e raquante stradete ndove, a 40 ani, se giuga le carere co sti careton, tuto a l’ombria. Quando Nanetto ga visto Diego, Isaac e Ismael, i nipoti de Mosè, corer come mati co sti careti, no’l se ga tegnesto. Via anca lu giugar. El pensa:
– Prima de tuto, bisogna vardar come che i fa lori. Dopo, cognósser le stradete, le curve e le rive.
E Nanetto se la cava de rìder, contento. Due tre carere e el se presenta par dar na volta anca lu. Prima de carona col Isaac. Nanetto se mete a urtar el careton su par la stradeta. El se senta zo, ben dadrio de Isaac, e zo pa’l monte. El perde el capel e, te la prima curva, el va de gambe alte. Tuti i ride, e anca lu, che’l dise:
– I core come el vento sti careti qua!
Parade zo le foie e la tera, Nanetto no se da mia par contento.
– Chi che me impresta el careto par pilotar anca mi?
– Se te vui te impresto el mio, ghe dise Diego.
El careton del Diego, par dir la verità, no l’era mia el meio de tuti, nò. Ghe manchea la pastoia (trava), l’era medo mal ciapà de rode e belche batesà de tante pache su par le piante, ma el corea che mai. Par Nanetto, el parea el meio careto del mondo. Lo urta su par la riva, lo posta, el ghe monta insima, el varda inzó, sfonda el capel in testa e...
– Via de vanti, che vao!!
I primi metri, Nanetto el va meso storto, fin che’l ghe cata el giusto, ma co taca na riva più forte, el se sbassa, se tegne co le due man tela tola, come se’l fusse un simioto. La prima curva la fa ben, ma ntela seconda no ghè maniera. El careto va drito contro na pianta. Col colpo, Nanetto sbrìsia ntela tola e...
– Cagnera can! Go idea che me go copà!
Un deo del pié tuto spelà, na piaga rossa ntel gómbio, ma, el pedo de tuto, un bruto sbrego ntel tafanàrio, ben arente el òcio orbo. Savé, careton vècio, ciodi che vansa dela tola e la maledission de sbrissiar na culata pròpio là.
– Ai, ai, ai, Madona giùteme!
Co na man, el se grata la culata, le braghe sbregade, sangue che core... Far cossa?! Ismael ghe dise:
– Nanetto, ndemo dala nona Roseta che la te fa un curativo.
I va i quatro in cosina. Me mama zera drio gius-tar un par de braghe vece, i ociai ntela ponta del naso, come na dotoreta.
– Nona, Nanetto se ga fato mal!
– E ben, anca questa adesso! Cossa te gheto fato?
– Siora Rosa, go fin vergogna de dirlo.
– Parla, fiol de Dio!
– Nanetto ga sbregà le braghe e anca la... (vanti che Isaac la fenissa, Nanetto ghe sara la boca co la man).
– Séntete qua.
– No posso mia, nò.
– Come no posso?
– Co le braghe, go sbregà anca na culata.
– Maria Vèrgine! Speta che vedemo cossa zelo sucesso qua...
– Ah, nò, parona, mostrarve el cul, nò.
– Ma come vutu che te fae un curativo se no te me assi gnanca vardar?
La Roseta la para fora i nipoti, la fa Nanetto butarse zo e alora la vede che’l zera pròpio un bruto sbrego, ma poco fondo.
– Sarà che me vien fora le budele?
– Par sta banda dequà credo mia, Nanetto. Adesso stà fermo, che te fao un bon curativo e te guarissi suito.
La va tor spìrito, panesei, aqua ossigenada. Co la ghe mete l’aqua ossigenada, Nanetto no se tien:
– Ai, dona Rosa, che sbrusor. Go idea que adesso si gavé pròpio orbio el òcio orbo! Scolta, e no meteu su un pochetin de bagna par guarir meio?
– Nò, Nanetto. Ai di de oncó gavemo robe più igieniche.
Fata la medicassion. Nanetto, tuto rissabià, se ga trucà le braghe e par quel giorno el ga fato pi gnente. Al sentarse zo ntela carega, sol meso cul. La culata sana ghe ga tocà portar tuto el peso.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Gal de semensa tel lamo
Geraldo Sostizzo
Agente consular, Cascavel – PR
Noantri casa, quando no gèrimo drio laorar, aprofiteimo par far cariti, rangeimo le fionde e anca i lami par ndar pescar.
Un giorno de piova, gèrimo drio smissiar tei lami; rangiarghe el piombo, méterghe un toco de suro par veder quando le sardele le tirea o qualche altro pesse.
Intanto me fradei i li dassava pronti, mi ciapo na bacheta col lamo, vao darente na finestra e me ga dato na voia de far un dispeto, parché quel giorno no gavea fato gnente ncora.
Go ciapà un gran de mìlio, lo go piantà tel lamo e go butà fora nantra s-cianta de grani par la finestra. Quando le galine ze rivae par magnar el mìlio, mi go messo el lamo col gran sol par veder se na galina lo ciapea. Suito riva el gal che la mama lo tegnea par semensa e tuto sprosion, lu volea esser el primo a sbecolar. Salta davanti a le galine e daghe via na sbecolada tel gran ndove ghe gera el lamo e lo ga mandà zo par la gola. Quando me go nicorto el gera drio menar via la bacheta col lamo e tuto. Ghe go dato un tiron, par veder se ghe cavea via el lamo, ma go idea che ze stato peso. El ga scominsià far bordel, trarse indrio schena, mi mola la bacheta e tuto e son scampà in cosina, come se no ghesse sucedesto gnente e el poro gal se la ga tolta con la bacheta picada. Nessuni se ga nicorto, lora son ndato fora pimpianeto, go sercà sto gal e son ndà catarlo soto el staloto dei porchi.
Son ndato pimpianeto e go ciapà la bacheta, go tegnesto ciuso fin che son rivà darente, lo go ciapà e go proà cavarghe el lamo, go idea che lo ga mandà zo fin tel durel. Go dato un paro de tiruni e no’l se ga molà.
Lora go ciapà un caniveto che portea sempre in scarsela e go taià el fil ben darente el beco. Lo go molà e sol me fradel pi dóveno ze vegnesto a saver sta stòria.
Son stato atento un paro de giorni, par veder se el gal moria, ma el parea pi contento che prima e sempre drio le galine. Lora go pensà intrà de mi: "se un giorno lo cato morto, ghe digo ala mama che l’è stato el can de mato che lo ga ciapà".
Ma vardè che sesti da far, se lo gavesse contà a me mare, gavaria ciapà na bruta de na sumanta, sol par causa de un gal e un lamo.
Le parte giuste
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba – PR
Due fradei i dovea divider l’eredità e, come no i se metea d’acordo, i ze ndai ciamar un sàbio. El vècio sapiente el ga pensà na s-cianta e dopo el ga dito:
– Ti, Paolo, te farè le parte.
– Ma questa la ze na ingiustìssia! El ga protestà l’altro fradel che se ciamea Gigeto. – Se lu el farà le parte, el ciaparà tuto par lu!
– Tasi su, ti! El ghe risponde el vècio sapiente. – Paolo el farà le parte, ma ti te serà el primo a s-cièlder!
Cossì i ga fato e i fradei i ze stai contentìssimi, parché Paolo el ga fato le parte pròpio giuste, sensa saver quala ghe tocaria.
Capuchinhos reúnem comunicadores
4º Encontrão, em Marau, integram 160 profissionais
O amor é a verdadeira comunicação. A afirmação de frei Álvaro Morés, provincial dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul, marcou o 4º Encontrão, evento que reuniu os profissionais que atuam nos meios de comunicação da província. Neste ano, a confraternização ocorreu no Parque Municipal Lauro Ricieri Bortolon, em Marau, no domingo 19.
Participaram 160 profissionais da Rede Sul de Rádio, Rede Maisnova, Correio Riograndense e Escritório Central. A Rádio Alvorada AM e a Maisnova FM Marau foram as anfitriãs. O encontro, além do provincial, contou com a presença dos freis Cleonir Dalbosco, definidor da Pastoral e Comunicação, e Alceu Ferronato, definidor da Administração e Economia da província.
O Encontrão é um momento de reflexão, lazer, confraternização, comunicação da vivência franciscana. Os organizadores buscam a solidificação da união, do espírito de rede, da igualdade que busca os caminhos da compreensão e do respeito. A província capuchinha gaúcha mantém 12 rádios, sete AM, que integram a Rede Sul de Rádio, e cinco FM, que formam a Rede Maisnova FM. "Mais duas emissoras FM estão sendo instaladas no Estado, em Vila Flores e Lagoa Vermelha", adianta frei Osébio Borghetti, responsável pelo Escritório Central.