LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.016 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 29 de novembro de 2006.

 

EDITORIAL

Erradicar favelas passa por trabalho e renda justa

Habitação tem sido anunciada como prioridade, mas as ações são sempre insuficientes

 

Pelo menos desde a metade do século passado, favela passou a ser considerada sinônimo de problema no Brasil. Conseqüência de um processo de industrialização e urbanização, as subabitações começaram a proliferar nas periferias das médias e grandes cidades. Hoje, praticamente uma em cada três famílias brasileiras vive em habitações precárias.

Esse quadro poderia ter dimensões menos preocupantes se fosse combatido desde o seu surgimento. Habitação tem sido prioridade para a maioria dos governantes, mas os programas adotados foram insuficientes para propiciar moradia digna.

Nunca houve uma atenção específica, muito menos ações eficazes, para impedir que esses deslocamentos humanos tivessem como destino perigosos e desconfortáveis barracos erguidos em encostas de morros, margens de rodovias e tantas outras áreas de terra sem a mínima infra-estrutura.

A situação ganhou limites de irreversível. As favelas crescem em proporção muito maior que a oferta de moradias populares. E a tendência é de que essa diferença continue aumentando porque a raiz do problema não é atacada.

Especialistas indicam que mesmo com elevados investimentos da União, Estados e municípios, o Brasil precisará de duas décadas para diminuir o déficit habitacional, estimado em sete milhões de unidades. É muito tempo para quem hoje mora mal.

O governo federal anunciou na semana passada a criação de um fundo para subsidiar a prestação de casas para pessoas de baixa renda. Pode ser uma boa opção de benefício. Mas, isolado, será no máximo um paliativo. As favelas são resultado de um conjunto de fatores, como êxodo rural e outras formas de migrações em busca de uma vida melhor, além, é claro, do empobrecimento da população. Erradicá-las, portanto, exige uma política mais abrangente e, o principal, dar condições de acesso a emprego e remuneração justa. Trabalho e renda derrubam barracos e erguem moradias descentes. Mais do que isso: constroem cidadãos e vidas.

 

CAXIAS DO SUL

Abertura de rua facilita trânsito

Ligação da Pinheiro Machado quadruplica capacidade de fluxo

 

A abertura da rua Pinheiro Machado, nas imediações do Parque da Imprensa, foi entregue à comunidade na semana passada. O novo trecho deve facilitar o deslocamento de quem vem da BR-116, UCS, Hospital Geral e bairros daquela região em direção ao centro da cidade. Previsão da Secretaria Municipal de Transportes é de que, a partir de agora, a capacidade de fluxo de veículos naquela região vai quadruplicar.

A obra tem 420 metros de extensão e inclui abertura e pavimentação da Pinheiro Machado e dos cruzamentos com a rua Conselheiro Dantas. Também foram feitos outros 360 metros de pavimentação asfáltica em uma das pistas da Avenida Júlio de Castilhos. A área total pavimentada corresponde a 7.000 metros quadrados. Os investimentos somam R$ 2,07 milhões. A obra ainda exigiu a construção de uma nova adutora de água bruta e tratada. Com isso, a Estação de Tratamento Parque da Imprensa passa da capacidade de 700 litros por segundo para 900 litros por segundo, com previsão de chegar a 1,1 mil litros/segundo até o final de 2007.

 

Recolhidas embalagens de agrotóxicos

 

Mais de 42 mil embalagens vazias de agrotóxicos foram recolhidas durante a coleta realizada no interior de Caxias do Sul, na semana passada, quando postos de recolhimento foram instalados em diversas localidades. Cerca de 400 produtores rurais atenderam ao apelo dos órgãos públicos e ambientais, entregando os recipientes e, assim, evitando contaminações ou reutilização indevida dos mesmos. O secretário municipal da Agricultura, Nestor Pistorello, esclarece que este procedimento é uma exigência legal. Também participaram da ação a Codeca, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sindicato Rural, Emater e comerciantes da cidade.

 

ALSB reúne colaboradores de obras sociais

 

Cerca de 100 colaboradores participaram do 1º Encontro das Obras Sociais da Associação Literária São Boaventura (ALSB). Realizado em Caxias do Sul, reuniu funcionários que atuam em obras existentes em três cidades gaúchas nas áreas de cuidado com a vida, educação, saúde e assistência social. Em Caxias, a ALSB mantém quatro escolas de educação infantil, a Casa do Adolescentes (em período contrário do da escola), a Sala Digital e ainda integra parcerias responsáveis pelo Lar da Velhice São Francisco de Assis e pela Associação Centro de Promoção do Menor (Acpmen). Ao todo, na cidade, são atendidos quase 1.500 crianças, adolescentes, adultos e idosos. Em Bagé, o Instituto São Francisco de Assis atende a cerca de 200 crianças e a Casa Fonte Colombo, em Porto Alegre, a portadores de Aids que se tratam na Capital.

O encontro de estudos, que teve como lema "Juntos protegendo a vida", serviu para uma avaliação das atividades desenvolvidas, troca de experiências e projeção das metas para 2007. Também foram aprofundados conhecimentos a respeito das exigências do Conselho Nacional de Assistência Social.

 

REPORTAGEM

El Niño retorna com chuvas para verão do Sul

Previsão é do Inmet e não elimina necessidade de poupar água para evitar racionamentos

 

"Desde 1998, nunca tivemos um cenário tão positivo para chuvas durante o verão no Sul do país". A afirmação é de Expedito Rebello, chefe da Divisão da Meteorologia Aplicada do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). "Mas a médio prazo, a população deve fazer manejo de água para evitar fortes racionamentos", adverte, tentando conscientizar de que por mais que chova, com desperdício nunca haverá água suficiente.

Rebello está baseado em mais um El Niño, denunciado pelo aquecimento de dois a três graus centígrados nas águas do Oceano Pacífico, fenômeno que normalmente provoca maior incidência de chuvas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Uruguai e norte da Argentina. "Mas esse efeito ainda não está totalmente definido", ressalta. Ou seja: há uma tendência de mais chuvas, o que contraria previsões feitas por outros meteorologistas, mas não há o que, tecnicamente, o especialista denomina de "assinatura clara disso".

Os modelos atuais serão avaliados com maior profundidade de 27 de novembro a 1º de dezembro, durante o 14º Congresso Nacional de Meteorologia, que vai reunir mais de mil meteorologistas do país em Florianópolis. Posteriormente, o assunto volta a ser discutido a partir de 10 de dezembro, quando começa a ser elaborado o alerta de verão do Inmet, que provavelmente será divulgado uma semana depois.

"As perspectivas são boas para chuvas acima da média histórica de janeiro, fevereiro e março, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina", reforça Rebello. Outra conseqüência que o El Niño deverá trazer, se for confirmada a tendência de chuvas além do normal para o verão, é de que as temperaturas no período fiquem entre 1º C e 2º C abaixo da média. "Muito dificilmente os termômetros registrarão mais de 30 graus centígrados", detalha. No verão deste ano, por várias vezes foram registradas em território gaúcho temperaturas acima de 40 graus centígrados.

Já as previsões para o Rio Grande do Sul, de institutos localizados no Estado, prevêem estiagens localizadas para o próximo verão.

 

Fenômeno pode impactar agronegócio

 

O fenômeno climático El Niño pode ter impacto no agronegócio mundial, resultando em seca prolongada na Ásia-Pacífico, prejudicando ainda mais a safra da Austrália - que já convive há meses com falta de chuvas -, e inundações nas Américas.

Embora ainda não se possa medir os efeitos no agronegócio brasileiro, os especialistas lembram que o fenômeno aumenta a quantidade de chuvas. Esse efeito pode ser benéfico pela possibilidade de trazer aumento da produtividade, mas traz dois riscos: inundações, que podem representar perdas de produção; e a propagação da ferrugem asiática na soja, pelo excesso de chuvas.

Trata-se de uma possibilidade que preocupa os especialistas do setor, já que a ferrugem causou prejuízos superiores a US$ 7 bilhões para a soja brasileira.

Para esta safra, o efeito deve ser menor já que o plantio do produto está adiantado principalmente no Centro-Oeste, o que reduz a incidência de ferrugem. Mesmo assim, se houver alteração significativa do clima, há possibilidade de que a doença volte a trazer prejuízos para a cultura, para a qual a Conab prevê uma produção entre 53,916 milhões e 55,224 milhões de toneladas, com uma elevação de até 3,4% (sem considerar possíveis efeitos do El Niño).

Segundo o meteorologista do Grupo Climatempo, André Madeira, o volume de chuvas ocasionado pelo El Niño neste ano estará dentro dos padrões normais. "As precipitações pluviais ficarão de 20% a 30% mais freqüentes, ou seja, um aumento já esperado, mas que não deverá afetar negativamente as lavouras", observa.

O meteorologista afirma que a incidência de chuvas será maior no norte do Rio Grande do Sul, no centro-sul do Mato Grosso do Sul, e nos Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Já no Nordeste, a presença das chuvas deve reduzir em, pelo menos, 15%.

Para Steve Cacchia, analista de commodities da corretora de cereais Cerealpar, o El Niño não apresenta riscos para os produtores brasileiros. Na opinião dele, o segmento enxerga com bons olhos o fenômeno climático. "Quanto mais chuva, melhor será a safra de grãos, esse é o pensamento", diz Cacchia.

 

Instituto alerta: é preciso poupar água

 

Mais um período de estiagem para o verão 2007. As previsões do 8º Distrito de Meteorologia (Disme) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) são menos otimistas para o Rio Grande do Sul. De acordo com os prognósticos do Disme/UFPel, são esperadas precipitações entre o padrão normal e acima no mês de dezembro em quase todo o Estado. Nos meses de janeiro e fevereiro, é esperada redução das precipitações principalmente na Metade Sul do Estado.

"Alertamos para o manejo adequado dos recursos hídricos excedentes até o final do ano, pois há indicativos de redução das precipitações para os meses de janeiro e fevereiro", afirmam os meteorologistas Júlio Marques e Solismar Damé Prestes.

A análise do modelo estatístico (CPPMet/UFPel) para o mês de dezembro indica precipitação pouco acima do padrão climatológico com exceção do sul do Estado. Para janeiro a tendência esperada é da precipitação ficar abaixo do padrão climatológico principalmente na fronteira sul e sudoeste. Já para fevereiro, a maior probabilidade é da chuva ficar pouco abaixo do padrão climatológico no sul e leste e dentro do padrão nas demais regiões do Estado.

A análise da temperatura mínima para o trimestre (dezembro, janeiro e fevereiro) indica maior probabilidade de ficar pouco abaixo do padrão climatológico em todo o Estado. Já para a temperatura máxima, espera-se que esta fique pouco abaixo do padrão climatológico no mês de dezembro e dentro do padrão climatológico nos meses de janeiro e fevereiro.

 

Tecnologia define datas de irrigação

 

Irrigação é a prioridade de Yeda Crusius para a agricultura gaúcha. Os números justificam a preocupação da governadora eleita. Nos últimos 10 anos, de acordo com a Emater/RS, o Rio Grande do Sul enfrentou sete estiagens, algumas devastadoras como a de 2005 e outras localizadas, como a prevista pela UFPel para o próximo verão.

A governadora também pode contar com a ajuda da tecnologia. A Embrapa Integração desenvolveu um programa de computador para saber quando se deve irrigar a plantação e qual a quantidade de água que o agricultor precisa usar.

Denominado "Irriga Fácil", o programa começou a ser desenvolvido em 2005 e objetiva prover a agricultura familiar, com assistência técnica. O pesquisador da Embrapa Integração que desenvolveu o software Irriga Fácil, Morethson Resende, afirma que o grande benefício ao pequeno produtor é o baixo custo de acesso a essa nova tecnologia.

O produtor vai receber em uma folha de papel as datas em que ele deve irrigar e a quantidade de água que deve usar. "Ele é extremamente barato. Para o pequeno produtor que vai ao escritório da extensão rural, como o da Emater, isso custa uma folha de papel impressa na impressora. Esse é o custo", observa Resende.

 

Bagé raciona água há quase um ano

 

Se confirmados os prognósticos do Centro de Pesquisas e Previsões da Universidade Federal de Pelotas, a falta de água será mais sentida na Metade Sul e Fronteira Oeste do Estado. O norte, grande produtor de grãos, será afetado com menor intensidade. Entre os municípios mais atingidos está Bagé - que completa no dia 1º de dezembro um ano de racionamento contínuo.

A Barragem da Sanga Rasa de Bagé que, nesta época do ano, deveria estar com 12 metros (sua capacidade máxima), com água estocada para o abastecimento no verão, está com 4,9 metros abaixo, informa Vânia Corrêa, da área de meio ambiente da Prefeitura. Isso que as precipitações em novembro (até sexta 24), de 145,7mm, foram superiores à média (112mm).

Visando prevenir um eventual colapso no abastecimento no próximo verão, a Prefeitura deu início ao trabalho de reestruturação e ampliação da capacidade da barragem do Piray, uma das responsáveis pelo fornecimento de água à população. O município tem mais de 120 mil moradores.

 

AGRONEGÓCIO

Migração de culturas atrapalha mercados

Devido ao mau clima, agricultor opta por cultivos de ciclo curto

 

O agricultor da Serra gaúcha está migrando de uma cultura para outra. O fenômeno pode ser explicado por causa das estripulias climáticas dos últimos anos. "É uma tentativa de fugir dos prejuízos", resume o gerente da Administradora de Consórcios Intermunicipais (Adcointer/Ceasa-Serra), Antônio Garbin.

A fruticultura começa a perder espaço para os hortigranjeiros. A opção dos agricultores é para o cultivo de pimentão, cenoura, beterraba etc, culturas de giro rápido. A previsão era colher mais pêssego, ameixa, uva e maçã, mas, devido ao calor fora de época no inverno, intercalado por geadas, a quebra é evidente. "Não existem números oficiais", esclarece o técnico em fruticultura da Emater Regional Caxias do Sul, Enio Todeschini.

Equilíbrio - A preocupação de partir para culturas de ciclo curto pode custar caro ao agricultor. A conseqüência é o que se vê na Ceasa. "Há excesso de oferta de um mesmo produto e o preço despenca", observa Garbin. Os preços praticados na Ceasa estão inferiores aos do mesmo período do ano passado.

Fato semelhante já ocorreu na região com a cultura do tomate. No ano de 1997, a oferta da hortaliça era tão grande que a colheita não compensava o custo da mão-de-obra. Os tomates apodreciam nos pés. "É a lei da oferta e da procura. Há um desequilíbrio. O mercado paga mais, quando a mercadoria é escassa", lembra o gerente da Ceasa-Serra.

O produtor parte para outra alternativa sem se desfazer da cultura principal, no máximo reduz a área plantada. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, Raimundo Bampi, aprova a diversificação de culturas no município, porque propicia novas alternativas de renda para os produtores. Porém, com planejamento, pesquisa e assistência técnica.

Caxias do Sul talvez seja o município com a maior diversificação agrícola do Estado. "Os solos e clima aqui são muito variados, e até propícios, e os agricultores dependem do auxílio da Emater, por exemplo, para adequar suas propriedades a culturas rentáveis e de interesse do consumidor", salienta Bampi ao CR. Pequenas frutas surgem como opção.

O presidente do STR destaca que a região tem excelentes condições de evoluir na agricultura. "O maior empecilho é o fator ambiental", decreta. A entidade está trabalhando para facilitar a ampliação de áreas de plantio e alertando para a poluição dos rios, especialmente aqueles cujas nascentes estão no perímetro urbano. "As iniciativas visam atender as famílias, não somente na produtividade, mas também na melhoria do ambiente e qualidade de vida", conclui Bampi.

 

Os preços oscilam

 

A cebola foi o produto mais desvalorizado no último ano, conforme levantamento de Gilnei Bogio, chefe de mercado da Ceasa Serra. Em novembro passado, o agricultor recebia R$ 20 a sc/20 kg; um ano depois, exatamente a metade. Já o pêssego ganhou valor: R$ 10 cx/5kg em 11/2005 para R$ 18 cx/8kg, em 11/2006.

 

Geadas fora de hora afetam maçã e caqui

 

As geadas tardias, ocorridas nos dias 8, 9 e 10 deste mês, pegaram de surpresa os produtores de maçã e caqui, especialmente das regiões altas de Santa Catarina e dos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul. "Os números oficiais de perdas serão divulgados na próxima semana", adianta ao CR o especialista em fruticultura da Emater, Enio Todeschini.

No caso da maçã, a geada abortou o fruto. Em outros, comprometeu a qualidade: o aspecto e o tamanho. "Por conta disso, haverá perda na produtividade e no preço", afirma Todeschini. A situação dos caquis é semelhante. Houve queda de frutos e, conseqüentemente, prejuízos na produção.

Já o calor e a pouca chuva dos últimos dias apressaram o final do ciclo da cultura do alho e paralisaram o crescimento da cebola. "No caso do alho, por possuir um sistema radicular pouco profundo, a falta de água reduz o tamanho do bulbo", explica o engenheiro agrônomo.

Nem todas as notícias são ruins. "A uva apresenta sensível recuperação. As perdas deverão ser menores do que o inicialmente previsto, especialmente com as variedades médias e tardias", completa o presidente do STR de Caxias, Raimundo Bampi.

 

Gaúchos retomam produção de pêras

Pomares experimentais estão sendo implantados em municípios da Serra e Encruzilhada do Sul

 

A pêra é a fruta importada mais consumida pelos brasileiros. O país importa 80 mil toneladas de pêras por ano. A cifra causa impacto negativo na balança comercial em torno de US$ 100 milhões. "A pêra estrangeira foi o produto de maior valor na comercialização de frutas na Ceagesp, 12,6% da receita anual, ganhando da maçã nacional e da laranja, com volume superior a 62 mil toneladas", diz o engº agrº Geanfranco Perazzolo.

Vislumbrando esse potencial de mercado, a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) assinou protocolo de intenções com a empresa Frutirol Agrícola de Vacaria. A meta é incentivar os fruticultores gaúchos a produzir a fruta. A parceria terá o apoio da Emater/RS, que vai prestar assistência técnica necessária aos produtores rurais interessados.

Com o acordo de intenções, a Frutirol vai importar mudas européias, com material genético de potencial adaptação ao clima gaúcho, e repassar à Fepagro que vai desenvolver pesquisas para ajustar a cultura às condições do Rio Grande do Sul. Também serão analisados os períodos mais adequados para o plantio e outras questões técnicas para alcançar a máxima produtividade.

Pólos - A variedade de pêra escolhida para começar os trabalhos foi a abate fetel. Os pomares experimentais estão sendo implantados em Encruzilhada do Sul, Veranópolis e Vacaria. Segundo o presidente da Fepagro, Marcos Palombini, na segunda etapa do projeto, a entidade vai atuar na transferência das novas tecnologias para os fruticultores. Já a Frutirol multiplicará as variedades de mudas aprovadas pela pesquisa agropecuária em quantidade suficiente para suprir a demanda dos produtores.

A Frutirol, fundada em 1997 pelo italiano Lorenz Clementi, aposta na fruticultura. "A empresa produz pêras há cinco anos. A partir dessa experiência, pode-se afirmar que é possível produzir pêra no RS", declara Perazzolo ao CR. Nos pomares de Vacaria, colhe-se 40 toneladas da fruta por hectare, com qualidade e produtividade constante. "Falta caminho para percorrer, especialmente pesquisa", conclui.

 

Abate fetel dura nove meses na câmara

 

Original do sul da França, a pêra abate fetel é a segunda variedade mais consumida do continente europeu. O nome é uma homenagem ao monge que descobriu a variedade no Monastério de Chessy-les-Mines, no Departamento (Estado) do Rhône, na segunda metade do século XV. Mas a popularização dessa pêra por outros países da Europa se deu apenas a partir do século 19.

Entre as principais características estão a forma alongada, coloração amarelo esverdeada e polpa de textura fina, doce e suculenta. Além da valorização no mercado internacional, outra vantagem para os fruticultores é que a abate fetel pode ser conservada em câmaras frigoríficas com cuidados especiais por até nove meses, permitindo mais liberdade para negociar a comercialização.

 

Agroindústria ganha área na Ceasa POA

 

A agricultura familiar acaba de ganhar espaço no Galpão dos Produtores da Ceasa de Porto Alegre. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS (Fetag) inaugurou o balcão da agroindústria gaúcha. Com uma área de 60m², o espaço irá abrigar, inicialmente, 17 agroindústrias com depósito para mercadorias, beneficiando diretamente 125 famílias.

Para habilitar-se, as agroindústrias devem estar aptas para comercializar, terem como proprietários agricultores familiares e disponibilizar bloco de notas e/ou Talão de Produtor para emissão de nota fiscal para os produtos vendidos.

 

Taxa antidumping mobiliza alhicultor

 

Em vigor desde 1995, a taxa antidumping, de US$ 4,8 à caixa de 10 kg de alho chinês, expira em dezembro próximo. Visando renovar o contrato, a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa) esteve em Brasília, onde apresentou a proposta e pediu a abertura do processo de análise de risco de pragas quarentenárias e normas de classificação do bulbo.

Já no dia 14 de dezembro, técnicos e sindicalistas estarão reunidos em Flores da Cunha para avaliar a safra. "A região da Serra deverá produzir em torno de 20 mil toneladas de alho", adianta ao CR Olir Schiavenin, presidente da Agapa.

 

Cai oferta de vinho para leilão de PEP

 

As cooperativas gaúchas solicitaram à Conab mais tempo para esclarecer dúvidas sobre o leilão de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP), que estava agendado para 21 de novembro e foi adiado para esta terça 28. "A operação não é realizada há 14 anos e tanto os compradores quanto as cooperativas precisavam fazer ajustes", explica o diretor-executivo da Fecovinho, Élio Marchioro.

A Conab previa a negociação de 12 milhões de litros de vinho de uva vinífera. "A oferta de vinhos finos reduziu-se a sete milhões de litros, pois parte das cooperativas precisou vender o produto", esclarece Marchioro.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Larvas que matam (final)

Gostaria de saber que lagartas são essas que aparecem na grama no período do inverno. Elas são pretas e vivem amontoadas. Têm alguma utilidade? Ouvi dizer que, se comidas pelos porcos, podem ate matá-los.

Osébio Borghetti

Caxias do Sul-RS

 

Na edição passada, graças à interferência do amigo e colega Enio Todeschini, da Emater Regional de Caxias do Sul, foi publicado o texto da pesquisadora Myrtes Melo, da Embrapa Clima Temperado que, baseada na tese do Dr. Fernando Dutra, trabalho laureado pela Academia Nacional de Veterinária da República Oriental do Uruguai, classifica cientificamente as larvas negras da gravura como sendo da espécie Perreyia flavipes, da ordem dos Hymenópteros, que em nossa região é popularmente denominada de "mata-porco". A tese do Dr. Fernando Dutra é intitulada "Intoxicación por larvas de Perreyia flavipes en bovinos y ouvinos", e dá as características da enfermidade e a biologia dos insetos.

Características - "Entre junio y octubre de 1993, 1994 y 1995, se observaron 46 brotes (focos), de una enfermedad letal en la región central del Uruguay. Durante 1995 más de 1000 bovinos fueron afectados, y mortalidades de hasta (até) 28% ocurrieron en algunos establecimientos. Los ovinos fueron afectados con menor frecuencia que los bovinos. Los animales presentaban debilidad, depresión y temblores (tremores) musculares, outros morrieran antes de los 2 días. Restos de larvas de P. flavipes se encontraron en los pre-estómagos de los bovinos necropsiados (eles não se alimentam das larvas, mas as ingerem com o pasto)". Segundo o pesquisador, a versão brasileira da Perreyia flavipes é a Perreyia letada, que causa "importantes perdidas de cerdo" (suínos) no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e é conhecida popularmente com o nome de "mata-porco".

Biologia do inseto - "Los adultos emergen entre noviembre y abril. No hai información sobre el lugar de postura de las hembras (fêmeas) ni sobre los hábitos de los primeros instares (estágios) de las larvas. Estas son de color negro, miden hasta 2,5cm de largo, muestran un inusual hábito gregario. (…) En los días lluviosos (chuvosos) y nublados, entre junio y septiembre (inverno), se observan sobre la pastura, alimentando-se de gramíneas y de heces (fezes) secas bovinas. La larva desarrollada (desenvolvida) sufre una metamorfosis: una prepupa (pré-crisálida) pasa a vivir bajo la superficie del suelo donde después de 6 meses se transforma en pupa (crisálida) con una cáscara de protección. 15 días después emerge el insecto adulto (macho e fêmea)".

Creio não ser necessário traduzir o texto para o português, pois não há dificuldade maior de entender o castelhano.

Existem semelhanças dos insetos entre Dípteros (moscas etc), e os Hymenópteros (abelhas etc). Os Dípteros não têm antenas, mas possuem um par de asas; na metamorfose produzem larvas brancas como as das varejeiras e as das moscas-das-frutas. Já as Hymenópteras têm antenas bem visíveis, dois pares de asas, sendo as anteriores maiores que as posteriores, e na metamorfose, como vimos, as larvas são negras. O inseto do Perreyia flavipes é um abelhão.

 

SAÚDE

Brasil apresenta queda no número de novas contaminações por HIV

Em um ano, índice de novos casos no país diminuiu cerca de 5%

 

Depois de crescer durante toda a década de 90, os novos casos de Aids vêm diminuindo no Brasil nos últimos três anos, segundo notificações feitas nos serviços de saúde pública e privada. No ano passado, foram registrados no país 33.142 novos casos de contaminação pelo HIV, o que representa uma queda de 5,84% em relação a 2004. Neste ano, de janeiro a junho, foram registradas 13.214 novas contaminações. No Rio Grande do Sul, a redução foi de 4,99% no mesmo período. Os dados constam do último Boletim Epidemiológico sobre HIV e Aids divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde.

Os especialistas creditam o resultado positivo ao trabalho de prevenção realizado no país. "Pode-se dizer que hoje a Aids já faz parte da vida das pessoas. Por meio das campanhas de prevenção, elas tomaram consciência de que a doença é realidade e têm se cuidado mais", afirma frei José Bernardi, da equipe de coordenação da Casa Fonte Colombo, instituição dos capuchinhos sediada em Porto Alegre que trabalha na prevenção do HIV e dá assistência a pacientes com Aids.

Segundo ele, esse cenário também explica o aumento do número de casos entre jovens e idosos. "Os adolescentes ainda não se deram conta da realidade da doença, as campanhas devem se voltar mais a eles. Os idosos ainda têm resistência aos métodos de prevenção, é uma questão cultural", analisa frei Bernardi.

No Brasil, a incidência da Aids nos jovens tem diminuído, porém, no mundo, aqueles com idade entre 15 e 24 anos respondem por 40% dos 4,3 milhões de novas infecções por HIV ocorridas este ano. Nas pessoas com 50 anos ou mais, também observa-se tendência de crescimento da epidemia. De 1996 a 2005, na faixa etária de 50 a 59 anos, a taxa de incidência entre os homens passou de 18,2 para 29,8 casos por 100 mil habitantes. Entre as mulheres, na mesma faixa de idade, a incidência passou de 6 para 17,3. No mesmo período, também há aumento da taxa de incidência entre indivíduos com mais de 60 anos. Nos homens, o índice passou de 5,9 para 8,8. Nas mulheres dessa faixa etária passou de 1,7 para 4,6. Entre as mulheres em geral e a população negra também aumentou a incidência da doença.

 

Doença avança sobre população pobre

 

O total de casos notificados no Brasil entre 1980 e junho deste ano é de 433.067, mas estima-se que cerca de 600.000 pessoas vivem com HIV no país, número que permanece estável desde 2002. Embora a tendência seja de estabilização, frei José Bernardi afirma que o que mais preocupa é o fato de a população pobre estar sendo a mais atingida pela doença. O relatório indica que as pessoas que vivem na pobreza e com baixo índice de educação formal são as mais vulneráveis ao HIV no Brasil. "Essas pessoas já enfrentam muitas dificuldades, a Aids acaba sendo mais um fator agravante do empobrecimento", explica.

Uma boa notícia é que o relatório mostra queda acentuada no Brasil dos casos de transmissão vertical do HIV, ou seja, quando o vírus é transmitido da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação. A redução foi de 51,5% entre 1996 e 2005. No primeiro ano, foram registrados 1.091 casos, em 2005 foram 530.

Entre os usuários de drogas injetáveis, o número de casos também permanece em queda. Há 10 anos, os 4.852 casos notificados nessa população representavam quase um terço do total de casos de Aids registrados no país. Em 2005, foram registrados 1.418 casos, uma redução de 71%.

 

Incidência aumenta em negros e pardos

 

Entre os casos notificados com a variável raça/cor, observa-se queda proporcional entre os indivíduos que disseram ser brancos e aumento proporcional entre os que disseram ser negros e pardos. Em 2000, os homens brancos correspondiam a 59% dos casos de Aids. Em 2005, o índice caiu para 53,5%. Já entre os negros e pardos, que em 2000 representavam 40,2% dos casos, em 2005 já eram 45,6%.

Entre as mulheres, caiu o número de casos entre as que disseram ser brancas - de 58%, em 2000, para 51,6% em 2005. Entre negras e pardas, a proporção passou de 41% para 47,5% no mesmo período.

 

Prevalência da Aids cresce no mundo

 

Em termos mundiais, o Relatório Epidemiológico sobre HIV/Aids mostra avanço do número de casos e crescimento das mortes por Aids. Um total de 39,5 milhões de pessoas vivem hoje com HIV/Aids no mundo. Dessas, 63% estão na África Subsaariana, que se mantém como a região mais castigada pela epidemia. Dos diagnósticos positivos 37,2 milhões são adultos; 17,7 milhões representam mulheres (maior número até hoje registrado) e 2,3 milhões referem-se a pessoas com menos de 15 anos. As mortes pela doença somam 2,9 milhões, sendo 2,6 milhões de adultos e 380 mil crianças.

Na América Latina, a epidemia se mantém estável; 1,7 milhão de pessoas vivem com HIV na região, sendo que 65 mil já perderam suas vidas em decorrência da Aids. Do total de casos nessa região, 140 mil foram registrados neste ano. Dois terços dos atingidos pelo HIV na América Latina estão na Argentina, Brasil, Colômbia e México. Uso de drogas injetáveis e sexo entre homens sem preservativo são apontados como as causas mais importantes de infecções em diversos países da América Latina. Entre as causas para o aumento da transmissão da Aids no mundo o relatório cita também a pobreza e a dificuldade de acesso das populações rurais a testes sorológicos.

Especialistas afirmam que a epidemia mudou. Há novos grupos que se tornam mais vulneráveis: mulheres, negros, adolescentes e jovens. Sendo assim, os esforços de prevenção também precisam se renovar, voltando-se para esses grupos.

 

OPINIÃO

A implacável ditadura da beleza

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

No país dos figurinos, das passarelas... morre-se torturado nos porões da mais implacável das ditaduras: a da beleza fabricada às custas da saúde da humanidade... Morre-se da crueldade de uma sociedade que transforma belas e jovens mulheres em meros objetos de consumo

 

Ana Carolina se foi, leve e etérea com seus 1,74m, 40 quilos e 21 anos de idade. Seu rosto lindo de olhos cor de mel, dirigidos para a lente do fotógrafo, parecem distantes e impessoais. Ela habita um país distante, feito de tecidos, perfumes e salto alto. Ali não existem as coisas concretas da vida. Não se come, não se bebe, vive-se de ar, de brisa, de nada.

Neste país dos figurinos, das passarelas, dos cliques dos fotógrafos, das páginas de jornais e revistas, no entanto, também se morre. Morre-se de fraqueza, de vazio interno e externo, de diafanidade artificial e produzida pela ausência do sustento da vida: comida, bebida, saúde e vitalidade. Morre-se da tortura do ideal inalcançável da esquálida magreza, filha da cobrança implacável do mercado, que decreta que o padrão de beleza é ser magra. Morre-se torturado nos porões da mais implacável das ditaduras: a da beleza fabricada às custas da saúde da humanidade.

Ana Carolina morreu de infecção causada pela anorexia. A doença já a vitimava há muito tempo, mas a modelo fazia ininterruptas viagens com medo de perder o trabalho com o qual ajudava a família e se sustentava. Contraía dívidas que lhe comiam boa parte do salário. E em distantes países aonde a tirana beleza da qual era porta-voz a levava precisava subtrair açúcar e franjas de mantimentos da lanchonete, a fim de poder manter um mínimo de forças que lhe permitissem enfrentar as jornadas do dia seguinte.

Era quase uma menina. Mas sobre ela pesava uma carga enorme de expectativas profissionais, familiares, estéticas. Tinha de ser e manter-se magra, e para isso era preciso comer pouco ou nada. Tinha de submeter-se a ritmos estafantes de desfiles, fotografias, sentindo o corpo vergar-se de fraqueza, mal nutrido e alimentado. Tinha de viver de empréstimos, apostando na ilusão de que um dia a fama e o salário alto viriam. Tinha de ajudar a família com seu trabalho.

Ana Carolina manteve seu peso abaixo do necessário. E de quebra levou osteoporose, infecção urinária e falência renal. E a despedida prematura da vida que por ela esperava de braços abertos. Atrás de si, as lágrimas inconsoláveis da mãe que a amava, do namorado, da família e amigos.

Morreu vítima da crueldade de uma sociedade que vive de criar paradigmas e ícones anti-humanos. Uma sociedade que incita as mulheres a negarem sua natureza e sua corporeidade curvilínea, feita para gestar, nutrir e alimentar. Uma sociedade que transforma belas e jovens mulheres em meros objetos de consumo a serem triturados pelos dentes vorazes da mídia e do mercado.

No auge da fraqueza, internada no hospital, Ana Carolina teve um lampejo de desejo refugiado talvez na infância. Libertou-se por um instante da ditadura a que estava submetida e pediu uma coxinha e um sorvete de limão. A satisfação de seu paladar combalido pelo jejum constante não foi suficiente, no entanto, para levantá-la do leito onde a prostrara a anorexia. Como tantas outras modelos tiranizadas pelo padrão vigente de beleza, Ana Carolina se foi.

Sua suave beleza, imortalizada pelo milagre da fotografia permanece. E é um testemunho e uma denúncia dura e permanente de quanto as mulheres ainda são vítimas de todo tipo de violência na sociedade em que vivemos. Descansa em paz, menina bonita. No céu há muita coxinha e sorvete de limão para saciar a fome a que submeteram teu jovem corpo. E ainda amor gratuito e infinito para te saciar por toda a eternidade.

 

FORA DO CORPO

Frei Betto

Se a modernidade arrancou do palco a fé e a substitui pela razão, a pós-modernidade despreza a razão para idolatrar o corpo. A estética pós-moderna é pobre porque feita para consumo, e não para enlevar, elevar. Seu maior defeito é ser prisioneira do corpo

 

Há na Bíblia uma afirmação intrigante e instigante de Paulo: "Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus é quem sabe." (Segunda carta aos Coríntios 12,2). O apóstolo refere-se a uma experiência mística.

Mística é uma palavra que causa estranheza. Há movimentos populares que a empregam como sinônimo de emulação ou animação. Há quem a tome com o significado de entusiasmo, que em grego quer dizer "estar repleto de Deus".

Se o entendimento do que é mística provoca tanta controvérsia, já a experiência mística é mais freqüente do que supomos. Ela é o desdobramento do ego, o sair de si, o deixar-se possuir pelo outro, o descentrar-se para encontrar o centro no próximo. É a paixão amorosa, o sentir-se irresistivelmente atraído para fora de si mesmo. Alguém faz convergir em sua direção todas as energias do apaixonado. De tal modo que este se deixa impregnar pelo objeto de sua paixão, ainda que não possa vê-lo, ouvi-lo ou tocá-lo. O apaixonado sente-se arrebatado e admite que o âmago de seu ser está indelevelmente marcado por aquele outro que não é ele e, no entanto, o faz reviver "fora do corpo". Isso é o amor. E é experiência mística.

Se muitos experimentam a mística, ao menos uma ou duas vezes na vida, em relação ao semelhante, mais raramente há quem a saboreie em relação também ao dessemelhante: Deus. E a expressão desse amor arrebatador, místico, dá-se "fora do corpo". Não é um atributo dos sentidos, que vivem na ilusão de prazeres e afeições que nunca saciam o espírito. O que se vê não enche a vista; nem o que satisfaz a fome exaure o apetite do ser; nem os bens aos quais se apega trazem felicidade. Ao contrário, reforçam o ego e as tendências negativas: a cobiça, a ambição desmedida, a vaidade, o orgulho etc.

O amor apaixonado não decorre da razão. Subverte-a. É enlouquecedor, transcende o raciocínio, a lógica, o discurso conceitualmente articulado dos "bons propósitos". A razão naufraga nas vagas intempestivas do coração. A afeição implode a sensatez do pensamento. Dentro do corpo o amado sente-se "fora do corpo". O objeto da paixão (transcendência) irrompe em meu ser (imanência) e resgata-me pelo lado avesso do ser (profundência).

Uma outra expressão da mística é a arte. Só há verdadeira arte quando se consegue estar "fora do corpo". No balé os movimentos do corpo são uma forma alada de expressar algo intangível, cujo desenho é pincelado pela música e transcende a seqüência dos gestos da bailarina. Não se dança com a cabeça nem com os membros. Dança-se com a alma, numa entrega de si ao ritmo e à melodia que só vibra com densidade artística quando se está "fora do corpo".

O mesmo ocorre em todas as outras expressões de arte. Mas falemos da que me é mais próxima: a literatura. Não se escreve ficção com a cabeça. Escreve-se com o ser, extraindo do mistério pessoal a narrativa que nos espelha o espírito. Essa narrativa é "fora do corpo", imponderável e, no entanto, é a Palavra que biblicamente organiza o caos e cria o ser. E essa Palavra vem de "fora do corpo" e vai para "fora do corpo".

Talvez isso explique um dos fenômenos mais inquietantes da pós-modernidade: a morte da estética. Pois se a modernidade arrancou do palco a fé e a substituiu pela razão, a pós-modernidade despreza a razão para idolatrar o corpo. O que importa agora é a "estética" do corpo. É a beleza - não das infinitas possibilidades de expressão do corpo, aquelas que se expressam "fora do corpo" - mas a estética do corpo-em-si, retido à sua constituição física, orgânica, modelado segundo padrões fisiculturistas: magro, atlético e aparentemente jovem.

Essa corporalização da estética faz definhar o espírito e opera a inversão de Narciso. Narciso contemplava-se porque era belo. Na inversão não há beleza, há um padrão de formas que suplica reconhecimento aos olhos alheios - o espelho narcísico invertido. Vejam em mim a beleza que julgo ter...

A beleza é algo que emana - da pessoa, da pintura, da escultura, da poesia... Não está propriamente no corpo, nas cores da tela, na materialidade da escultura, nas letras do alfabeto unidas em vocábulos no poema. Está "fora do corpo", porque irrompe do mais profundo do ser e atravessa a corporalidade do artista e de quem é tocado pela obra de arte. Assim, sacia o espírito. É imortal. "Deus é quem sabe".

A estética pós-moderna é pobre porque feita para consumo, e não para enlevar, elevar, arrebatar. Seu maior defeito é ser prisioneira do corpo.

 

VITINICULTURA

Estado não repassa verbas e obriga Ibravim a demitir e parar atividades

Instituto caminha para a inadimplência absoluta. Prioridade é manter laboratório de enologia

 

Se fosse uma empresa comum, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) estaria à porta da falência. Tem débitos que se avolumam e não dispõe de previsão de recursos para saldá-los. As dívidas somam R$ 700 mil e devem superar R$ 1 milhão em dezembro. O Instituto possui créditos, mas de um único devedor: o Estado. E como o Estado enfrenta uma das piores crises financeiras da sua história, será muito difícil repassar, a curto prazo, os recursos necessários sequer para as despesas mais prementes.

Esse quadro foi descrito pelo presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Danilo Cavagni. "Estamos entrando para a quase inadimplência absoluta", resumiu. O Correio Riograndense já expusera, no início do ano, a complicada situação financeira do Instituto. Voltou ao assunto em 23 de agosto, quando foi proposta ao governador Germano Rigotto a alternativa de criar um novo fundo (Fundovinis), com a participação do Estado e iniciativa privada. Mesmo que venha a ser aceita pela governadora eleita Yeda Crusius, demandará muito tempo para ser viabilizada. E tempo é o que o Ibravin não dispõe.

Um indicador da dimensão da crise é o atraso de três meses no pagamento da maioria dos salários de funcionários e de serviços prestados por terceiros. "Não dá para perder as esperanças. Deve haver saídas. Mas até encontrá-las somos obrigados a cortar gastos", afirmou Cavagni ao CR. Na prática, isso significa romper contratos com empresas terceirizadas (segundo ele, de 10 a 15), demitir e suspender projetos, programas e outras fontes de despesas. "Vamos priorizar a continuidade do funcionamento do laboratório de enologia, que é fundamental para a fiscalização do setor, mas não sei até quando", reforçou o presidente do Conselho Deliberativo. Até para isso, no entanto, será preciso que empresas concordem em antecipar o pagamento de 1.000 análises de vinho, no valor de R$ 150 mil. "Estamos assumindo uma obrigação pública. Agora, se o Estado não quer que a gente ajude a cumprir políticas públicas, vamos fechar as portas da sede e pronto", ameaça Cavagni.

Fechar as portas foi a expressão usada na reunião extraordinária do Conselho, ocorrida dia 11 de novembro passado, para definir o futuro do Instituto se o governo do Estado não repassar recursos logo. Por ironia do destino, o governo gaúcho, que criou o Instituto, pode ser o responsável por sua desativação - ou pelo menos por impedir que ele atue da forma como foi concebido.

 

A origem de uma crise anunciada

 

O Ibravin foi criado em 1997, no governo Antônio Brito. Tinha a função de executar as políticas para a vitivinicultura. Qualificar e promover o vinho eram o binômio predominante entre as metas. Pela lei aprovada, o Instituto é alimentado por recursos do Fundovitis, formado por uma taxa cobrada das vinícolas (R$ 42,48 por tonelada de uva processada), que podem se ressarcir integralmente com créditos fiscais. O Fundovitis está vinculado à Secretaria da Agricultura e Abastecimento-RS. Todo o dinheiro arrecadado vai para o Tesouro do Estado, que repassa até 75% do dinheiro do Fundo. Aqui começaram as dificuldades.

Danilo Cavagni calcula que foram arrecadados desde a criação do Fundovitis R$ 72 milhões. Ao Ibravin foram repassados nesse tempo menos de R$ 10 milhões.

O Ibravin esperava contar a partir de maio deste ano com pelo menos R$ 3,120 milhões, valor conveniado com o governo gaúcho (há mais R$ 1,4 milhão, segundo Cavagni). Recebeu apenas R$ 280 mil. "Conseguimos suportar até agora porque tínhamos uma reserva para ser usada em casos urgentíssimos", explica Cavagni. Agora os cofres estão raspados.

Esta é a principal mas não a única causa da crise. A total dependência dos governantes fez com que o Ibravin se tornasse, durante muitos períodos, instrumento político. Danilo Cavagni acrescenta outro item: o Ibravin aplicou recursos de forma equivocada. "Houve excesso de pessoas trabalhando para o Instituto, gastos com viagens desnecessárias, subsídios a empresas para eventos, quando elas podiam pagar... chega um dia que a fonte seca", detalha. "Com o tempo, a atividade do Ibravin foi deturpada por pessoas que não conheciam o espírito de sua criação", conclui.

 

Secretário do Fundovitis: "O que dizer?"

 

O secretário-executivo do Fundovitis (ou o representante direto do governo do Estado no fundo), Adoralvo Schio, não consegue disfarçar o constrangimento ao falar sobre a situação atual e o futuro do Ibravin. "O que vou dizer? O secretário da Fazenda se comprometeu em repassar recursos, mas ao mesmo tempo declara que há dificuldades financeiras para isso", tenta responder ao ser indagado sobre o que vai ocorrer com o Ibravin.

Schio conhece o tamanho do problema, cita possíveis negociações com a Fazenda, mas volta a falar em falta de recursos. Segundo ele, o saldo do Fundovitis é de R$ 14 milhões. "O dinheiro está lá no caixa único. Ele não tem cor, é um crédito. Mas não está sendo repassado", limita-se a dizer. Schio admite que os recursos do Fundovitis podem estar sendo utilizados para outras finalidades e que sem o dinheiro que o Estado se comprometeu a repassar o Ibravin não tem como funcionar.

 

Na campanha, Yeda prometeu dar apoio

 

Dirigentes do Ibravin esperam conversar com a equipe de transição da governadora eleita Yeda Crusius nos próximos dias. Sabem, porém, que não terão ajuda imediata. "Não podemos contar com uma solução nos primeiros meses. Até lá vamos tentar levar do jeito que der", projeta Danilo Cavagni.

Se depender da posição da governadora eleita externada ao Correio Riograndense, o Ibravin terá apoio. Em entrevista publicada na edição de 18 de outubro, a então candidata Yeda Crusius assim respondeu à questão sobre a crise do Instituto e alteração da lei que dá ao Estado o direito de destinar "até 75%" dos recursos do Fundovitis ao Ibravin: "O Ibravin tem papel estratégico para o setor vitivinícola e, portanto, não pode ser abandonado... Sabemos que sem recursos - humanos, físicos e financeiros - não é possível manter o que vem sendo realizado... Temos que construir a viabilidade do Ibravin junto com o setor."

 

ESPECIAL

URBANIZAÇÃO DA POBREZA

O mundo tem 1,4 bilhão de favelados, a maioria gerada por migrações.O Brasil contribui com 52,3 milhões, número que não pára de crescer

 

Um em cada três moradores das áreas urbanas no Brasil está condenado a morar numa favela, num cortiço ou em outro tipo de habitação precária. Os dados mais recentes indicam que 52,3 milhões de brasileiros, ou 29% da população total do país, vivem em favelas. O problema é tão sério que 23% dos municípios - praticamente todos os médios e grandes - integram a lista dos que possuem esse tipo de habitação. Mais grave ainda é que sem investimentos pesados em programas voltados para a casa própria, esses números vão crescer.

Do final do século XIX, quando passou a receber essa denominação - com a ocupação do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, pelos militares sobreviventes da Guerra dos Canudos - até o início do século XXI, as favelas se multiplicaram, num processo desafiador a governantes em todos os níveis que parece irreversível. Fruto do êxodo rural, das migrações em busca de emprego e de condições dignas de vida, do empobrecimento da população e dos altos preços da terra urbana e das edificações, as favelas se tornaram a única alternativa de teto. Ou ainda, uma estratégia de sobrevivência que levanta barracos em horas sobre minúsculos terrenos e sem nenhuma infra-estrutura. É a urbanização da pobreza.

Favela não é exclusividade brasileira. Quadro semelhante apresentam países como México, Bolívia, Cuba, Índia... É uma realidade presente em todas as nações em desenvolvimento e até nas desenvolvidas. No mundo, segundo estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), há 1,4 bilhão de pessoas (quase 1/4 da população) morando nessas condições.

No Brasil, a favela passa a ser considerada como problema a partir da metade do século passado. Ela se tornou mais visível com a expansão do processo industrialização-urbanização e avançou sobre a paisagem das cidades em ritmo mais acentuado nos anos 1980 e 1990.

Sem efetiva e permanente atenção de prefeituras, Estados e União, em poucas décadas as favelas se constituíram num drama social. Exemplo dessa situação é a Rocinha, no Rio de Janeiro, considerada a maior favela do continente. Pelo último censo do IBGE, ela tem uma população de 60 mil pessoas. Mas estimativas indicam que são de 300 mil a 500 mil. Elas vivem em constante medo e sem esperança de uma opção para morar melhor. Situação idêntica enfrentam moradores de outras favelas espalhadas pelo país, muitas delas comandadas por organizações criminosas. Solução? Ela começa pela erradicação do déficit habitacional, estimado em sete milhões de moradias. Cerca de 90% desse déficit está concentrado na população que recebe até três salários mínimos/mês.

 

Problema cresce com desigualdade

 

Mais preocupante do que constatar a existência de 1,4 bilhão de favelados no mundo é a projeção da ONU, em seu estudo "O desafio das Favelas", de que sem medidas eficazes para conter o avanço, em menos de três décadas serão dois bilhões. Pelas estatísticas da Organização das Nações Unidas, 162 milhões de favelados vivem na América Latina e no Caribe. O Brasil, com 52,3 milhões, lidera o ranking nessa região.

Favela pode ser vista em toda parte do planeta. Os graus de intensidade do problema, no entanto, são bem distintos: em países em desenvolvimento, 43% da população vivem mal; nos ricos, o percentual cai para 6%. Separando por regiões, o levantamento da ONU revela que na África Subsaariana 71,9% moram em zonas urbanas degradadas; no sul da Ásia Central, são 60%, e na América Latina, 31,9%.

 

Solução requer casa, estrutura e trabalho

 

A falta de programas sociais adequados e implementados pode inviabilizar a meta da ONU de reduzir em cerca de 10% o número de pessoas vivendo em favela do mundo até 2020. O alerta é do chefe do escritório regional para América Latina e Caribe da UN-Habitat, programa da ONU para Assentamentos Humanos, Jorge Gavidia, em entrevista à Agência Brasil.

"Se você não faz nenhum programa social de maior porte, até o ano 2020 haverá 45 milhões de favelados a mais só na América Latina", sinalizou Gavidia. Isso significa que melhorando a situação de 10% dessa população, ou seja, de 13 milhões de pessoas, ainda existirão mais 32 milhões de cidadãos morando em condições precárias na região.

Para reverter esse quadro, seria necessário construir novas moradias. A proposta de Produção Social do Habitat (PSH) das Nações Unidas objetiva ainda dirigir recursos e apoio aos favelados para melhorar suas condições de vida.

Nesse sentido, cinco elementos são fundamentais, segundo a ONU, para o estabelecimento de políticas sociais justas que atendam essas populações: moradia, água, esgotos, regularização fundiária e fixação de no máximo duas pessoas por habitação. Existe um sexto elemento, destacado por Regina Ferreira, secretária do Fórum Nacional de Reforma Agrária encerrado na sexta 24 em São Paulo: possibilitar às pessoas acesso também ao trabalho, para que possuam inserção na sociedade. "Caso contrário, muitas acabam vendendo a casa e indo morar nas ruas", salienta.

 

Fundo vai subsidiar moradias populares

 

O governo anunciou na quinta 23 a criação de um fundo com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para subsidiar a prestação de moradias populares para famílias de baixa renda. A decisão, divulgada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, faz parte de um conjunto de medidas que beneficiarão habitação, infra-estrutura e saneamento, visam a promoção do desenvolvimento econômico através de estímulos como isenções, cortes de alíquotas e maior prazo para pagamento de impostos.

De acordo com Mantega, embora os estudos ainda sejam preliminares, o governo deverá bancar dois terços do valor da prestação. Por exemplo, se o mutuário consegue um empréstimo para aquisição de uma casa com prestação de R$ 300, ele pagará R$ 100, e o governo entrará com R$ 200.

O programa beneficiará trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos (R$ 1.750). O ministro da Fazenda informou ainda que o fundo contará, de imediato, com recursos entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões e que a medida também tem como objetivo dar mais fôlego à construção civil, setor que influencia bastante no crescimento econômico e gera empregos.

O conjunto de medidas em análise no governo tem como objetivo acelerar o processo de desenvolvimento do país, fazendo com que haja crescimento de 5% ao ano a partir de 2007.

 

Diminuição de déficit pode demorar 16 anos

 

O Brasil levará pelo menos 16 anos para reduzir o déficit habitacional, estimado em sete milhões de moradias. O cálculo foi apresentado uma semana antes do anúncio do fundo para subsidiar moradias (leia acima) pela secretária de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães. Ela se baseou em projeções oficiais e na partilha de investimento entre os governos federal, estaduais e municipais.

Na ocasião, Inês informou que o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, destinado a famílias com renda de até três mínimos, tem orçamento de R$ 450 milhões para moradias populares em 2007. Com outros programas voltados para a mesma finalidade, os recursos previstos para a área de habitação no ano que vem eram de R$ 1,1 bilhão.

A quantia é insuficiente. Somente para o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social seriam necessários R$ 3 bilhões - quase dez vezes mais do que o previsto no orçamento -, lembra o diretor-executivo da Habitat para a Humanidade Brasil (HPH Brasil), Ademar de Oliveira Marques. Para ele, diminuir o déficit habitacional depende de investimentos prioritários por 20 anos. Em sua avaliação - também feita antes do anúncio do novo fundo para subsidiar moradias -, isso não está ocorrendo. A HPH Brasil foi fundada em 1992. É um braço da ONG criada nos EUA, em 1976, que desenvolve projetos em 100 países e ajudou a construir 200 mil moradias, três mil aqui.

 

Sul tem mais cidades com favelas

 

Em 2001, 1.269 prefeituras brasileiras (23% do total) declararam ao IBGE que possuíam favelas, mocambos, palafitas ou assemelhados em seu município. Porém, apenas 13% afirmaram possuir cadastro desse tipo de moradia. O total de favelas registradas é de 16.433, e nelas existem 2.362.708 domicílios cadastrados. Desses domicílios, 1.654.736 (70%) estão localizados nos 32 maiores municípios do país (todos com mais de 500 mil habitantes).

Entre as grandes regiões, a que mais possui domicílios cadastrados em favelas, em números absolutos, é a Sudeste, com 1.405.009 domicílios distribuídos nas 6.106 favelas cadastradas - um terço delas na cidade de São Paulo (leia ao lado). Na região, 23% (379 de 1.668) dos municípios informaram a existência de favelas em sua área.

Percentualmente, porém, a Região Sul é aquela em que mais municípios declararam possuir este tipo de situação habitacional (30% deles). A região possui 7.077 favelas cadastradas - mais do que o Sudeste - mas o número de domicílios situados nestes locais é bem menor (290.645). O Centro-Oeste é a região em que, percentualmente, menos municípios dizem ter favelas (10%).

Nas Regiões Metropolitanas, 79% dos governos municipais informaram que possuíam favelas ou assemelhados. Em 56% deles há cadastro deste tipo de moradia.

 

Atração dos grandes centros industriais

 

A maior cidade brasileira é a que tem mais favelas. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) encontrou em São Paulo, em 2002, 2.018 favelas, onde vivia 1,170 milhão de pessoas. Impressiona o avanço do percentual da população paulistana favelada: 1% em 1973, 5% em 1980, 9,24% em 1991 e 11,12% em 2002. Essa multidão foi atraída pela possibilidade de emprego e nela já apareciam com destaque descendentes dos primeiros migrantes.

A também industrializada Caxias do Sul, na Serra gaúcha, vive quadro parecido. Segundo a Secretaria da Habitação, a cidade de 430 mil habitantes tem 110 núcleos de subabitações, onde moram 6.500 famílias. O déficit habitacional é de 10.000 unidades. Opção adotada para reduzir essa diferença, o Programa de Arrendamento Residencial (PAR) tem 1.460 apartamentos previstos - terceiro conjunto foi inaugurado na semana passada. É uma solução para o teto, mas sem planejamento e obras de infra-estrutura (escola, postos de saúde...), gera problemas para quem é beneficiado direto e para moradores dos bairros onde são erguidos.

 

Origem do Nome

 

A primeira favela a receber essa denominação foi o Morro da Providência, no Rio de Janeiro. Com a ocupação do morro, em 1897, pelos militares sobreviventes da Guerra dos Canudos, os novos moradores passaram a tratar o local como Morro da Favela, em referência a uma planta nordestina com o mesmo nome.

 

IGREJA

Campanha auxilia ação evangelizadora

Coleta sustenta atividades pastorais da Igreja no Brasil

 

Até o dia 17 de dezembro, a Igreja Católica no Brasil está realizando a Campanha para a Evangelização. Promovida pela CNBB, é destinada à sensibilização de todos os católicos sobre a necessidade de colaborar na ação evangelizadora da Igreja. Há muitas maneiras. "Uma delas é através da partilha fraterna para sustentar o trabalho evangelizador da Igreja", salienta dom Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB.

A campanha 2006 foi lançada nacionalmente na basílica de Aparecida, no domingo 26, durante missa presidida por dom Raymundo Damasceno Assis e concelebrada por dom Odilo. A campanha tem a finalidade de manter viva a consciência dos fiéis sobre a responsabilidade de todos pela missão de anunciar o Evangelho. "A colaboração dos fiéis precisa repercutir em toda a Igreja. É por isso que o fruto do gesto concreto de cada um será partilhado solidariamente entre os organismos nacionais da CNBB, seus 17 regionais e as dioceses, visando à execução das atividades evangelizadoras", explica dom Odilo.

O gesto concreto é a coleta de solidariedade eclesial e missionária, realizada nos dias 16 e 17 de dezembro em todas as comunidades, capelas e igrejas católicas. O fruto desse gesto tem três destinações: 45% ficam nas próprias dioceses, 35% vão para a CNBB nacional e 20% para os regionais da CNBB.

Os fundos assim constituídos destinam-se à sustentação do trabalho evangelizador da Igreja no país; à preparação de pessoas para a missão (seminaristas, padres, leigos, catequistas e outros agentes de pastoral); ao financiamento de ações voltadas à evangelização (cursos, encontros de formação e capacitação etc) e à cobertura das despesas necessárias à vida e à missão da Igreja.

A Campanha para a Evangelização é realizada pela CNBB desde o Advento de 1998. Foi motivada pelo fato de que muitas dioceses não dispõem de recursos para sua sustentação, dependendo de doações dos fiéis e de ajudas externas. Cada ano a campanha tem um lema. O primeiro foi "Solidariedade na evangelização". Neste ano, o lema é "Discípulos e missionários".

 

Ordenação de padre scalabriniano mobiliza David Canabarro

 

Será ordenado sacerdote no dia 16 de dezembro, na paróquia Sagrada Família, de David Canabarro, o diácono Antônio César Seganfredo. A cerimônia, presidida por dom Pedro Ercílio Simon, bispo de Passo Fundo, será realizada às 17 horas. Antônio Seganfredo pertence à Congregação dos Missionários de São Carlos - Scalabrinianos, cujo carisma é o trabalho com os migrantes.

Filho de Antonio e Ondina Bortolanza Seganfredo, Antônio César é natural de David Canabarro e tem 10 irmãos. Estudou filosofia em Passo Fundo, fez o noviciado em Porto Alegre no ano 2000 e, nos últimos cinco anos, estudou em Roma, cursando teologia com os dominicanos e concluindo mestrado em Teologia Bíblica.

Em dezembro de 2005 foi ordenado diácono em Roma, por dom Luciano Monari, bispo de Piacenza e sucessor do bem-aventurado João Batista Scalabrini, fundador da congregação, que era bispo daquela diocese. Vai atuar junto à província scalabriniana com sede em São Paulo, como professor de teologia no Instituto Teológico São Paulo (Itesp). Escolheu como lema de ordenação "... pela tua Palavra lançarei as redes" (Lc 5,5).

 

Bispo doa relíquia a capela paduense

 

A comunidade de Santo Isidoro, interior de Nova Pádua (RS), recebe, no dia 3 de dezembro, uma pequena partícula dos ossos de Santo Isidoro, padroeiro dos agricultores e da capela local. A relíquia será acolhida às 10 horas e, às 10h30, o bispo diocesano dom Paulo Moretto preside a missa solene e a bênção das reformas da igreja e do salão comunitário. Às 12 horas haverá almoço festivo.

A relíquia está sendo doada à comunidade paduense pelo próprio dom Paulo. Segundo o bispo, quando era estudante em Roma, pediu uma relíquia do santo para seu pai, Isidoro Moretto, nome que também era de seu avô. "Faço essa doação à capela Santo Isidoro por ser o padroeiro e porque a orientação da Igreja é que as relíquias sejam destinadas à piedade dos fiéis e das comunidades", explica dom Paulo.

 

FÉ NO PILOTO

Padre Zezinho

Crer e confiar é doutrina de todas as religiões

 

A grande maioria dos passageiros que cortam os céus do mundo nunca viram nem conhecem os pilotos dos aviões em que viajavam. Simplesmente confiaram que ele os levaria ao seu destino. A maioria levou, uns poucos não chegaram. Como não sabemos pilotar aeronaves, confiamos nos pilotos, que raramente vemos.

A grande maioria dos pacientes, por não terem estudado medicina, confiam nos médicos por acharem que eles sabem o que fazer com aquela disfunção em seus corpos. Em geral eles sabem.

A grande maioria dos fiéis de todas as religiões, por eles não terem estudado com profundidade sua fé, confiam na palavra do padre, do rabino, do aiatolá ou do pastor e fazem o que seus lideres mandam.

Em geral, também interpretam seus livros santos do jeito de seus líderes. Querem ir para o céu e acham que chegarão seguindo a pregação daquele líder que também ainda não chegou.

Mas crer é diferente de voar. Se o piloto não chegar os passageiros não chegam. Mas pode muito bem acontecer de o fiel chegar e o seu líder, padre, rabino ou pastor, não chegar nunca. É doutrina de todas as religiões.

 

Maranatha marca festa da Imaculada

Evento da paróquia dos capuchinhos celebra a presença de Maria

 

A paróquia Imaculada Conceição de Caxias do Sul está, desde o dia 22 de novembro, em plena celebração da novena e dos festejos da padroeira. O momento de maior destaque da festa é a Missa Maranatha, com seu espetáculo de cantos, encenações, orações, som e luz, que será celebrada nos dias 2 e 3 de dezembro. O lema escolhido para este ano é "Maria, a mãe presente em todos os momentos".

Frei Luiz Turra, que durante muitos anos foi pároco da Imaculada Conceição, preside a Missa Maranatha, que ocorre às 21 horas do dia 2, e às 8, 10 e 20h30 do dia 3. Cerca de 130 pessoas integram o grande coral que anima a missa e participam das encenações. A festa da Imaculada envolve as 26 comunidades da paróquia dos capuchinhos e oportuniza a participação ativa de muitos fiéis nas homenagens a Maria.

Durante a novena, a imagem de Nossa Senhora Imaculada se fez presente em diversas comunidades da paróquia. O pároco, frei Irineu Costella, salienta que neste ano a paróquia está ampliando as programações com um novo momento religioso marcante para a comunidade - a procissão luminosa com a imagem da padroeira no dia 8, festa litúrgica da Imaculada. Nesse dia, serão celebradas missas na matriz às 16, 18h30 e 20 horas. A procissão ocorre após a missa das 20 horas.

No dia 3, haverá almoço de confraternização no salão paroquial, às 12h20. Desde agosto, 12 casais festeiros estão empenhados nos preparativos da festa, envolvendo as comunidades e proporcionando momentos de fé, convivência e alegria, que incluíram o Concerto Zaffari, no dia 19 de novembro; a festa dos idosos (dia 25); e a noite do filó, nesta quarta 29.

 

Devoção existe desde início da Igreja

 

A festa da Imaculada Conceição é uma celebração antiqüíssima da Igreja. No calendário romano, foi incluída oficialmente em 1476, mas ainda no século VII, no Oriente, Maria havia aparecido e se proclamado "Imaculada Conceição", isto é, que teria concebido Jesus sem o pecado original. Em 1708, Clemente XI tornou a festa obrigatória a toda a cristandade, mas foi Pio IX, em 1854, que definiu o dogma da Imaculada Conceição, através da bula Ineffabilis Deus.

No Brasil, existem mais de 35 catedrais dedicadas à Imaculada Conceição, além de centenas de igrejas e capelas. Em São Paulo, será lançada nesta quinta 30, a obra "A Imaculada Conceição: 150 anos", dos peruanos Luís Fernando Figari, Armando Nieto Vélez e Pedro Gjurinovic Canevaro, com prefácio do cardeal dom Cláudio Hummes, nomeado recentemente prefeito da Congregação para o Clero. O livro reúne cerca de 100 imagens do patrimônio artístico mariano da América Latina.

 

A CULPA É DOS OUTROS

Aldo Colombo

Porque não somos anjos, mas criaturas humanas, precisamos admitir nossas fraquezas

 

Uma mulher, corpulenta e decidida, entrou no cartório e bateu a porta atrás de si. Sem mesmo cumprimentar o Juiz de Paz, perguntou: Foi ou não foi o senhor quem assinou este documento, que me autorizou a casar? O juiz examinou cuidadosamente o papel e admitiu que fora ele. Por que me pede isso? Quis saber o Juiz. É que meu marido fugiu. Quero saber que medidas o senhor vai tomar em relação a isso!

Os outros, sempre os outros, são os culpados. A responsabilidade é sempre dos outros em relação aos problemas. E isso não é de hoje. No jardim terreal Adão tentou defender-se e acusou Eva. Eva passou a responsabilidade para a serpente. No dia-a-dia, as pessoas descarregam sua raiva sobre os outros. Porque o dia foi difícil no escritório, o marido é áspero com a esposa e essa reclama dos filhos. Resta a eles chutar o cachorro ou bater a porta. Também é muito comum acusar o vizinho, a polícia, os governantes, os padres, as más companhias...

Adão e Eva pretendiam ser como Deus. Isso significa não admitir a própria finitude, o próprio erro. O orgulho, que nos faz negar o pecado, é maior que o próprio pecado. O próprio Jesus garante: a Verdade vos libertará (Jo 8,32). Somente admitindo a nossa verdade pessoal, ainda que incômoda, podemos avançar. Há uma série de instituições que apontam o caminho da recuperação, a partir dessa postura. É o caso dos Alcoólicos Anônimos, dos Neuróticos Anônimos e dos Narcóticos Anônimos. Todos eles partem da aceitação da verdade. Uma vez que a pessoa aceita sua dependência, começa a trilhar o caminho da recuperação. Já Santo Agostinho, há 1.600 anos, recomendava: admita o que és para um dia, quem sabe, te tornares o que desejas.

O mesmo vale para o perdão de Deus. Para sermos perdoados precisamos reconhecer nosso pecado, nosso erro. Na parábola do fariseu e do publicano, apenas este último, porque se reconheceu pecador, foi justificado. Deus enviou seu Filho ao mundo porque sabia que isso era necessário. Somos pecadores, nossas raízes mergulham no pecado, e por isso precisamos ser redimidos. Algumas religiões acreditam na auto-salvação, o cristianismo tem seu ponto inicial em Jesus, salvador e redentor.

Porque não somos anjos, mas criaturas humanas, precisamos admitir nossa verdade, nossa fraqueza. Esse é o patamar necessário para a recuperação. E por isso, nós mesmos devemos perdoar-nos. Isso significa admitir nossa ambigüidade. O próprio São Paulo nos dá o exemplo quando afirma: "Querer o bem está em mim, mas não sou capaz de fazê-lo. Não faço o bem que quero e sim o mal que não quero" (Rom 7,18).

O ponto de partida de nosso progresso espiritual está na aceitação da verdade e essa verdade nos mostra que somos pecadores, necessitados da graça e do perdão. Mais: somos pecadores, mas pecadores amados por Deus e, por isso, salváveis.

 

Missões renovam paróquia São José

Durante 15 dias, capuchinhos pregaram em bairros caxienses

 

Com bandeiras da paz, faixas com o nome das comunidades, balões e papel picado, a cerimônia de encerramento das missões pregadas pelos capuchinhos na paróquia São José de Caxias do Sul foi marcada por muita emoção, vibração e fé. Apesar da intensa chuva que caiu durante a madrugada e toda manhã do domingo 26, representantes das nove comunidades da paróquia e pessoas de outros locais lotaram a matriz.

Durante 15 dias, crianças, jovens e adultos da paróquia acolheram os missionários capuchinhos e aproveitaram esse tempo especial de evangelização e da graça de Deus. "Os freis anunciaram a Palavra de Deus, o engajamento comunitário, o compromisso social proveniente do evangelho, o amor a Deus e ao próximo", salientou o vigário paroquial, padre Vital Corbellini. "A paróquia está saindo renovada pelas missões", conclui.

Um dos momentos mais intensos das missões foi a procissão luminosa com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, no dia 20 de novembro, conduzida pelas ruas do bairro e acompanhada por uma multidão. Para o coordenador da equipe missionária, frei Jadir Segala, pregar missões numa paróquia urbana de uma cidade grande como Caxias do Sul foi desafiador, mas gratificante. "Foi impressionante a doação e motivação das lideranças para que as missões acontecessem e a participação das pessoas em todas as celebrações", revela frei Jadir, que também destaca a repercussão positiva das missões nos meios de comunicação locais, como rádios, jornais e a TV UCS.

De 2 a 16 de novembro, os missionários estarão na paróquia de Fátima, em Nova Araçá, na última etapa deste ano.

 

Comunidade caxiense homenageia padre Tarasconi

 

A paróquia São Pio X de Caxias do Sul comemora, no domingo 3 de dezembro, três momentos importantes na vida de seu pároco, padre Ênio Tarasconi - os 55 anos de ordenação sacerdotal, 80 anos de nascimento e 35 anos como coordenador da paróquia. Missa de ação de graças às 11 horas e almoço de confraternização no Clube Juvenil às 12h30 marcam o evento.

Padre Ênio nasceu em Bela Vista, hoje Fagundes Varela (RS) aos 21 de maio de 1926. É filho de Carlos e Amábile Tarasconi. Foi ordenado padre no dia 2 de dezembro de 1951, por dom frei Cândido Maria Bampi. Exerceu seu ministério sacerdotal em Bento Gonçalves, Carlos Barbosa e, especialmente, em Caxias do Sul. Como professor, integrou a primeira equipe de diocesanos que substituiu os capuchinhos no seminário Aparecida.

Em Caxias também trabalhou na catedral, na paróquia de Lourdes e, desde 5 de dezembro de 1971 está na paróquia São Pio X, onde construiu a atual matriz, a casa paroquial, a casa da catequese, o ginásio de esportes, a cancha de bochas, a Casa da Pastoral da Amizade (destinada a senhoras que utilizam a casa para o convívio fraterno e para atividades artesanais como crochê e tricô).

"Um trabalho que me orgulha e emociona é ter ajudado a construir cerca de 20 igrejas nos bairros mais pobres de Caxias do Sul, a última delas inaugurada em outubro no bairro Belo Horizonte, dedicada a Nossa Senhora Aparecida", salienta padre Ênio. Emocionado, o sacerdote revela: "Não saberia ser outra coisa a não ser padre. E graças a Deus cheguei até aqui formando uma comunidade de amor".

 

Morre um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra

 

Um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Rio Grande do Sul e no Brasil, padre João Bosco Luiz Schio morreu no dia 23 de novembro em Antônio Prado (RS), aos 73 anos. Filho de José e Carmelinda Scopel Schio, nasceu aos 15 de fevereiro de 1933, na capela de Santa Justina, interior de Caxias do Sul.

Realizou seus estudos no Seminário Aparecida de Caxias do Sul e cursou filosofia e teologia no Seminário Central de São Leopoldo e no Seminário Maior de Viamão. Foi ordenado sacerdote no dia 1º de dezembro de 1957, em Bento Gonçalves, por dom Benedito Zorzi.

Desempenhou seu ministério sacerdotal como coadjutor na catedral de Caxias do Sul (1958-59).

Depois atuou em Antônio Prado (1960-61) e em seguida foi nomeado assistente diocesano da Juventude Agrária Católica (JAC). Nos anos difíceis de 1964-66 assumiu a assistência nacional da JAC e, nos quatro anos seguintes, foi assistente da mesma entidade na América Latina, viajando por diversos países e outros continentes sempre a serviço da JAC.

Ao retornar ao Brasil, foi nomeado vigário coadjutor da paróquia Sagrado Coração de Jesus de Antônio Prado (1970-75) e, em 1976 assumiu como pároco, permanecendo até sua morte. Durante esse tempo foi também coordenador regional da CPT e da Pastoral Rural da diocese e um dos principais promotores das Romarias da Terra no Rio Grande do Sul. Presidiu a CPT/RS durante 10 anos.

Esteve sempre presente em todas as atividades de promoção humana e espiritual de Antônio Prado; promoveu as famílias agricultoras, colaborou na criação e organização da Cooperativa Agropecuária Pradense e incentivou o movimento ecológico de Ipê e Antônio Prado, que mereceu a realização da 20ª Romaria da Terra em 1997. Foi sepultado no cemitério Santa Clara, em Vacaria.

 

PERCEBI DEUS

Wilson João

Deus chega como enchente para testar nossa perseverança no amor e na busca da vida

 

Perceber é ficar atento. É entrar no fato e deixar o fato entrar na gente. A percepção é o caminho da sabedoria e da descoberta. Nasce, vive e morre pobre toda a pessoa que simplesmente vegeta e não se deixa tocar pelo mundo que a cerca. Apenas vai passando pelo tempo da vida. Exercer a percepção é entrar no segredo de cada realidade.

PERCEBI DEUS NA FONTE. Da terra não brotava somente água. Era Deus que surgia da terra em forma de água. Água que sacia a sede do corpo. Água que sacia a sede de Deus, que se manifesta em sede de vida e alegria, de felicidade e paz, de bem-estar e descanso. No borbulhar da água, vinha chegando o borbulhar de Deus que vai maravilhando nossos olhos e nossos ouvidos.

PERCEBI DEUS NO RIO. Rio de água, rio de Deus. A vegetação em suas margens vai se alegrando com o chegar da água nas raízes. A água se transforma em seiva. E o rio vai para o mar. Tem um ponto de chegada. Deus é sempre movimento. É rio. Deus é sempre água que alimenta a vegetação de minha vida. Desde meu nascimento sou alimentado pela água de Deus. Sou rio com Deus.

PERCEBI DEUS NO MAR. O mar é grande demais! É muita água! Deus é grande demais para saber dos seus segredos. Apenas percebemos Deus em nossa vida como uma pequena praia beijada pelas ondas. O mar me faz perceber a profundidade, a grandeza, a fecundidade e a capacidade de acolher todo tipo de vida que Deus tem. Em minha pequenez perante o mar teimo em ser um pequeno rio que espera seu abraço.

PERCEBI DEUS NA CHUVA. A terra sempre espera pela chuva. Ela é vida. Cai sobre todos os seres. Não faz distinção. Ela é bela e fecunda. Sem ela a terra se torna estéril. Estéril sou eu sem a chuva de Deus. Improdutivo sou eu sem o amor e a vida de Deus. E mesmo acompanhada de raios e ventos, necessito da chuva de Deus que me rega e me faz viver. Sem Deus sou terra sem vida. Sou morte.

PERCEBI DEUS NA ENCHENTE. A chuva forte veio. Levou a sujeira do rio. Lavou o lixo da cidade. Limpou as estradas. Encheu os açudes. Mexeu com a natureza. Derrubou folhas e galhos podres. De tempos em tempos é muito benéfica uma enchente. Deus se faz enchente em minha vida. Bate forte. Chega violentamente com doenças, com problemas, com cruzes e crises, e lava meu orgulho e auto-suficiência. Lava e leva o lixo do materialismo que entupiu o canal da fé e da esperança. E Deus chega como enchente para testar a perseverança no amor e na busca da vida. Que bom poder perceber Deus na percepção das coisas!

 

CORREIO SABE-TUDO

ABAIXO DE ZERO

Canadá e Suécia têm hotéis com paredes, teto, cadeiras e até camas feitas de gelo

 

Enquanto o Brasil já se prepara para um verão de muito calor, do outro lado do mundo a atração é o frio. Todos os anos, nessa época, começam a ser construídos os hotéis de gelo. Um deles, o pioneiro, fica em Jukkas Järvi, na Lapônia, Suécia, 200 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico. O segundo é erguido em Quebec, no Canadá. E o gelo não está só no nome, mas em toda a estrutura. As paredes, o teto, as cadeiras e até as camas são feitos de gelo. E se desmoronar? Não há perigo, a temperatura externa, de cerca de 25 graus Celsius negativos, mantém os hotéis firmes. Eles só derretem em abril, quando começa a primavera.

O hotel da Lapônia foi o primeiro a ser construído de gelo. A idéia nasceu em 1990 e, desde então, todos os anos, surge uma nova estrutura, cada vez maior, já tendo atingido cerca de 5.000 metros quadrados de área ocupada, com 25 suítes e 60 dormitórios. O local ainda tem cinema, capela, bares, boates, esculturas de gelo. Pode-se dizer que a construção é uma obra de arte. A cada ano o Hotel de Gelo é remodelado por artistas de todo o planeta.

Um segundo hotel desse tipo foi criado há cinco anos em Quebec, no Canadá, e funciona anualmente de janeiro a abril. O premiado hotel, que ocupa uma área de 3.000 metros quadrados, é composto por 400 toneladas de gelo e 12 mil toneladas de neve. As paredes têm 1,3 metro de espessura e 5,4 metros de altura. Erguer essa estrutura básica demora cerca de cinco semanas.

Os donos dos hotéis de Quebec e da Lapônia já estudam uma parceria. Eles projetam a construção de um terceiro hotel de gelo, talvez no estado norte-americano do Alasca.

 

Gelo é um isolante térmico

 

Embora seja frio ao toque, o gelo é um excelente isolante térmico. Os esquimós, habitantes originais das regiões polares, há muito tempo fazem suas moradias com blocos de gelo.

As espessas paredes de gelo dos hotéis mantêm uma temperatura constante no interior, funcionando de forma semelhante a uma garrafa térmica. A temperatura interna varia de dois a cinco graus Celsiusa negativos, enquanto do lado de fora pode chegar a 28 graus abaixo de zero. Mesmo assim, é proibido passar creme no corpo antes de dormir, porque a pessoa pode, literalmente, congelar. E como descansar em uma cama de gelo? A base é coberta por peles de rena, além disso, sacos especiais de dormir garantem um sono tranqüilo. Entre as atrações, há passeios em carros-de-neve, esqui, pesca no gelo, passeios em trenós puxados por cães.

 

Corpo tem proteção natural contra o frio

 

Por que o corpo treme em ambientes frios? É um mecanismo natural para manter a temperatura do organismo constante em 36º Celsius. Quando sentimos frio e não nos movimentamos o suficiente para produzir calor, o corpo faz isso sozinho, mexendo milhares de pequenas fibras musculares, até restabelecer o equilíbrio térmico.

Para suportar as baixas temperaturas, os esquimós também adotam uma alimentação rica em gordura, baseada em carnes de baleias, focas e ursos. A gordura forma uma espécie de camada protetora e isolante contra o frio.

Aves e mamíferos usam vários recursos para manter a temperatura corporal, entre eles, o de arrepiar os pêlos (ou penas), formando uma camada isolante de ar entre eles. Mergulhadores e surfistas utilizam-se da mesma idéia quando vestem roupas de neoprene. O material propicia a formação de uma camada de água entre a pele da pessoa e a própria roupa, que funciona como isolante térmico.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O Natal que está em nós

Clélia Ana Rigo Bortolini

Professora, Marau - RS

 

Clélia, natural de Nova Prata-RS, assim personaliza a magia e a beleza dos natais da geração que acreditou na visita do Menino Jesus na noite de Natal:

Naqueles tempos de inocência, esperávamos o ano inteiro pelo Gesù Bambin. Éramos oito irmãos, com pouca diferença de idade entre nós.

A vida se fazia livre na pequena cidade onde morávamos em sadio contato com a natureza. Havia tempo para explorar os matos, nadar nos rios, inventar brinquedos, cantar e orar. Mas as responsabilidades começavam cedo, repartidas conforme o trabalho e de acordo com as forças de cada um.

Muito tempo antes do Natal começavam os preparativos para a chegada de Gesù Bambin, que viria montado num burrinho, trazendo doces e brinquedos.

Os pátios eram varridos até não restar nenhuma folha, galho ou pedra no chão batido e então fazíamos um caminho de serragem para o burrinho passar. A casa, lavada por dentro e por fora, ganhava cortinas limpas, toalhas engomadas, camas impecáveis e as guarnições da cozinha brilhavam.

Nos dias que antecediam a festa, os maiores buscavam no mato o mais belo galho de pinheiro e o colocavam na sala. Cada um de nós transformava um pratinho de louça num pequeno ninho de palha e o colocava ao lado dos demais na grande mesa da varanda. Ao lado de cada prato, um cachinho de uva para Gesù Bambin e um punhadinho de milho para o burrinho.

Íamos dormir cedo, confiando que nossos pais receberiam o generoso visitante e acompanhariam a distribuição justa das doçuras de Natal.

O sono custava a se aprofundar, embalado pelo mistério e pela expectativa da surpresa, embora soubéssemos que havia pouca variação de ano para ano. Ganhávamos doces de açúcar e balas nos pratinhos e, num só pacote, pertencente a todos, vinham bonequinhas e bolas de pano feitas por mamãe e carrinhos de madeira feitos por papai. Assim ficava garantida a unidade entre nós, dançávamos de alegria e esses nos pareciam os melhores presentes do mundo.

Mamãe nos surpreendia ao acordarmos no Dia de Natal com a árvore inteiramente enfeitada com bolachas pintadas em glacê colorido e nos mais variados formatos - estrelas, corações, anjos. A fantasia vinha de nunca termos visto a confecção dessas bolachas e nem a colocação na árvore. Um pequeno mistério mantido com todo o zelo. Depois, corríamos para o pátio e lá estavam as marcas das patas do burrinho na serragem, tanto as da ida como as da volta. Era mágico. Não sabíamos que papai as desenhava à noite para nos encantar.

Foram assim nossos natais até o dia em que os ninhos amanheceram vazios. A carestia nos revelou quem, de fato, distribuía os presentes.

A ilusão da existência de um doador eterno e todo poderoso se desfez em meio à tristeza. O que parecia ser o ritual mais feliz e confiável daquela infância despojada de momentos marcantes, tornou-se apenas um ato que dependia do trabalho das pessoas e dos caprichos do clima.

Naquele Natal, oito crianças de diferentes idades amadureceram ao mesmo tempo.

O resto do dia passamos fechados dentro de casa, oito pares de olhos curiosos a espiar pelas frestas das janelas os brinquedos que as crianças da vizinhança ganharam. Pela primeira vez fazíamos a comparação e certo pudor nos impedia de demonstrar o quanto desejávamos as bicicletas, os carrinhos, as bonecas de louça, as bolas de couro.

Mamãe nos consolou dizendo que no próximo Natal poderia encomendar presentes melhores ao Gesù Bambin. Muitos outros natais foram antecedidos e precedidos dessa esperança, por força de uma mãe que sabia driblar a frustração dos filhos estimulando sua capacidade de imaginar um futuro melhor.

Crescemos sem que a promessa se cumprisse, mas desenvolvemos, em alto grau, a esperança. E o sonho que sonhamos juntos nos faculta uma vida alegre e em profunda união. (cleliabortolini@gmail.com).

Cada um de nós poderia dar às histórias contadas por Clélia o toque pessoal próprio de sua família e etnia. Escreva. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (388)

Giornade passade in meso a pomidori e peveroni

Marcelino Carlos Dezen

Caxias do Sul - RS

 

Dopo ver guario ben de quel sbrego ntela culata, Nanetto el va giutarghe ai so novi amici dela fameia Dezen. Un giorno, el va dal Oneide tor su mìlio e descargarlo ntel secador. Un’altro giorno, el va dal Roque tirar zo peveroni ntele stufe. Che maraveia! Bei peveroni, grandi, rossi e dali. Ghe zera de quei che pesea 600, 700 grami ma, par Nanetto, i passea dei due chili.

– Oia, Zànio, go catà un dalo che go idea che el passa dei due chili. Co questo, un el ga da magnar par na stimana!

    – Ma no i pesa tanto cossita, Nanetto! Dentro i ze pieni de ària e qualche semensa. L’ària no la pesa, èh!

    – Te vederè co rivemo ntela balansa. Ghe giugo che el passa dei due! L’era pròpio grando, squasi trenta sentìmetri de longhessa, ma poco pi de 500 grami. Nanetto ga perso la sfida.

Dopo na giornada a tirar zo e meter peveroni ntele casse, che a Nanetto ze stà na maraveia che mai, al di drio el va dal Gervásio catar su pomidori. El riva bonora a so casa.

– Bon giorno, sior Zervàsio! Sò che oncó te tiri zo pomidori. Me piasaria giutarte, dopo ver cavà la voia in meso al mìlio e ai peveroni. Posso?

Con tuto el gusto, seo Jonzinho.

(Gervásio, par schersar, ghe piase tradur i nomi taliani al brasilian). Alora i ciapa su raquante casse vode, i le mete ntel zeep e i va. Co i riva ntela piantaion, Gervásio ghe spiega come far:

– Nanetto, bisogna che li tiremo zo anca un pochetin verdi par via che el Bertollo, che li compra da mi, li mena a le spiaie e no’l vol mia che i rive massa mauri là, se nò i se smarsisse suito.

– Si, si, go capio!! Ndemo, che go un morbin da can de scominsiar.

– Bon, alora taca là su che mi ghe taco tela fila qua in fondo. Se cataremo in metà.

– Varda, Zervàsio, me piase tirarli zo e menar fora le casse dela fila sol quando la finisso, come go fato dal Zànio, coi peveroni.

– Fa come te cati meio. Bon trabaio!

– Gràssie, altrotanto!

Gervásio ndea vanti cantando "Ó de casa", Nanetto subiando "Mèrica, Mèrica". In meso al pomidoral, el se disea intrà de lu che’l gavea pròpio catà la cucagna co tanti amici e gente laoradora che ghe volea ben a lu, che anca ghe piasea el laoro, la amissìssia, la alegria. Ma... Gervásio el vede che l’ometo no’l portea fora ste casse e lu, romai, gavea tirà zo quatro sìnque file.

– Speta che vao véder cossa che quel matusel ze drio far?!

El riva ntela fila ndove ze Nanetto e el vede un quìndese casse piene, una drio l’altra e poco pi de mesa fila tirada zo.

Ma, Nanetto, cossa fetu su?!

Son drio tirarli zo. Tanti e bei, ah!

Maria Vèrgine! Férmete. No l’è par tirarli zo tuti pareio cossì, nò. Sol i pi bei e i pi grossi e che i ze verdi ma pronti para madurirse.

E alora Gervásio ghe mostra quai che i ze par coglier. Nanetto capisse suito la cagada che’l gavea fato. Lu li gavea tirai zo tuti, grossi e fini, maduri e picinini. Indrio ze restà sol quei col fior e grossi come un gran de ua. El dise Gervàsio:

Ancora che son vegnesto su, se nò te me fei un strago de quei!

È pròpio, sior Zervàsio. Scuseme, savio. A mi me piase laorar ma, dele volte, no fasso mia polito come bisogna.

In soma, dopo ver imparà polito, i ga fato na bela racolta. Più de sessanta casse. Al final del giorno, dopo bever na bona caciasseta fresca, Nanetto va a casa de Mosè, ndove el zera de òspite. Straco, ma contento. E gnente de contarghe dei pomidori verdi. Securo che i ghe la contaria un’altro giorno, ma, par intanto, cieti co sta stòria.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La vècia manara

Luiz A. Radaelli

Lajeado - RS

 

Par fin che no sia vero, ma quando la vedo romai rudenida e sensa mànego, par fin che no ze vera che da un tempo no tan lontan, la gavea la duressa del fer, scoasi impossìbile de creder che’l vegnaria un dì diventar un pìcolo toco de fer, trat via te un canton dea cantina, in meso a qualche scartòs, co le telarine a voler scónderlo dei me oci che, sensa voler, i gira par vardar quelo che ghè a torno. Ragni e sorzi gera i so compagni.

Quando la vedo e, dele olte, la ciapo in man, par fin sentir qualche sgrisolon tel filon, e el pel de oca se fa veder tei brassi, come a dirme che no la ze mai stata lì cossì, che la gavea vita vanti de rivar al punto che la vedo adesso, come noantri gavemo el scomìnsio e la fin.

Tra meso i laori che’l pupà el fea, el tirea tempo par parlar coi zovanoti quando el racontea stòrie del so tempo e anca dei noni, che mi no go bio la fortuna de cognósserli. Tra quele che me piasea scoltar zera quele dea vècia manara, che la zera pi vècia del pupà, perché el poro nono la gavea comprà tel ferer del paese, vanti che la Morgana la portessa me pupà picinin a la nona. Co sta manara el nono, coi so fioi pi veci, el ga trato par tera tante dele piantone sentenàrie, par verder spasso par piantar le somense par, coi racolti, gaver el magnar par la fameia e anca par vender. Co la manara i ga fat le piane per sostegner la casa vècia, grossi legni che ncoi no se vede mia pi, squaradi a man, par dopo, co la giunta de bò, trasportarle fin el posto ndoe le ze fin ncoi.

El mànego zera un cavìcio de angico, scoisto tra tanti legni, perché el gavea la duressa somiliante al fer e el gavaria de durar per un bel tempo. Lo ga squarà col manarin e dopo lo ga slisà co la raspa, par no strupiar le man.

No savaria dir quante piante la ga trà per tera, ne anca la quantità de borei che la ga spartio, nemeno i palanchi par sostegner el vignal e le serche del potrer, ma par ncoi esser pìcola come la vedo, la ga da ver laorà tanto e anca esser stata passada, arquante olte, tela piera tonda de sasso (rebolo). Ma el tempo el ga passà nò sol par le persone, ma anca per i strumenti de laoro. Da un tempo se ze zóvani e pieni de vitalità, par col passar dei ani guadagnar le magagne e la speriensa che ne fa sentir sora le spale, sensa nicòrderse che le vien pian piano, par chi ga la fortuna de diventar vècio.

 

El duche e el contadin

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba - PR

 

Un duche, tanto passionà par la cassada, na matina el se leva su bonora e el va a spasso tel mato de so proprietà. Un dei so contadini, pena lo ga visto rivar, el ga sercà de sconder soto la giacheta na lebre che’l gavea copà par lu. Dopo de saludar el duche, el ghe domanda se’l ga qualche òrdine da darghe. El duche el ghe risponde:

Gràssie, no go de bisogno de gnente. Sta matina son ndà fora bonora par ndar a spasso, sol par sercar un poco de apetito pal me magnar. Ma ti, cossa fetu a sta ora tel mato?

Lei me perdone, ma mi son vegnesto sercar un poco de magnar pal me apetito!

 

GERAL

Muscap expõe 37 presépios

Exposição abre dia 8 e vai até março de 2007

 

O Museu dos Capuchinhos (Muscap) abre no próximo dia 8 exposição de presépios. "São 37 presépios do acervo do museu e alguns emprestados pela comunidade" explica frei Celso Bordignon, coordenador do Muscap. "Eles são confeccionados com diferentes materiais, como madeira, gesso, resina, metal, palha de milho, porongo, cera, argila, musgo, sementes, conchas, escamas de peixe, pedra..., mas com um único objetivo, mostrar que o filho de Deus veio para salvar a humanidade", afirma. "O presépio é uma mensagem visível da plena harmonia do universo e da humanidade com Deus. Em Deus há unidade na diversidade", completa.

Cartões, selos e outros símbolos do Natal também fazem parte da exposição. Ela fica aberta à visitação até março de 2007, de segunda a sexta, das 8 às 11 horas e das 14 às 17 horas, no Muscap (Rua General Mallet s/nº, Bairro Rio Branco).