LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

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Edição 5.017 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 06 de dezembro de 2006.

 

EDITORIAL

Ibravin tem credenciais para receber prioridade

Esta é a hora para saber quem realmente defende os interesses do setor

 

Qualificar e promover o vinho nacional são prioridades perseguidas pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) desde sua criação, em 1997. Em alguns casos, ao longo desse tempo, com comprovado êxito. Mas a atuação do Instituto conseguiu ir além: aproximou produtores de uva e empresários, dois elos fundamentais da cadeia produtiva que envolve mais de 15 mil famílias gaúchas e que, historicamente, mantinham relação conflituosa.

De forma lamentável, num momento em que opositores se aliam na defesa de interesses comuns do setor, o Ibravin se fragiliza, encolhe e tem seu futuro ameaçado. Sem receber recursos que o governo do Estado se comprometeu a repassar, o Instituto enfrenta uma crise financeira que obrigou-o a suspender programas e que impede até de pagar salários a seus funcionários.

O Ibravin tem créditos de R$ 14 milhões, dinheiro arrecadado pelo Fundovitis, que deveria ser repassado para a execução de políticas para a vitivinicultura, mas que acabou caindo no caixa único do governo gaúcho e de onde dificilmente sairá, porque o cofre do Estado está vazio. Na semana passada, o Palácio Piratini acenou com a possibilidade de liberar dinheiro para o Ibravin saldar os débitos mais prementes. Uma espécie de socorro para quem está se afogando vindo de quem jogou-o nas águas revoltas.

O Ibravin certamente não fechará as portas. Mas a questão não se resume a mantê-lo ativado ou não. É preciso que ele tenha condições para poder cumprir, e bem, o papel a ele atribuído desde a sua concepção. Nesses nove anos de existência, o Instituto teve períodos em que foi usado como instrumento político, teve desvios de foco – pulverizado com o excesso de projetos -, pecados na aplicação de recursos, mas o saldo é positivo.

Está mais do que provada a importância de um organismo para coordenar as ações que visam impulsionar a vitivinicultura. O período de transição no governo gaúcho não pode representar um vácuo perigoso para a seqüência do Instituto. Depois de décadas lutando para a criação do Ibravin, produtores de uva e de vinho agora têm de juntar forçar para assegurar a sua continuidade. E buscar apoios para exercer pressão. Esta é a hora para saber quem – especialmente políticos – realmente faz jus ao título de "amigo do setor".

 

CAXIAS DO SUL

Encanto de Natal atrai cinco mil

Público acompanhou abertura oficial do evento em Ana Rech

 

Mais de cinco mil pessoas, entre elas o secretário de Turismo do Estado, José de Souza Goularte – representando o governador Germano Rigotto -, participaram da abertura oficial da 16ª edição do Encanto de Natal de Ana Rech, no sábado 2.

Ao som do Coral Municipal de Caxias do Sul, o público foi tomando conta da Praça Pedavena, no centro do bairro caxiense. A chegada do Papai Noel, aguardada por centenas de crianças, foi mais uma vez surpreendente. Este ano, ele surgiu na sacada de um prédio próximo à praça, de onde subiu até o topo. Quando atingiu o alto, apareceu a Mamãe Noel e ambos desceram até o chão de rappel. Até chegar ao palco principal, de onde recebeu a chave da cidade das mãos do vice-prefeito em exercício da chefia do executivo, Alceu Barbosa Velho, Papei Noel foi carinhosamente interceptado por inúmeras crianças.

Outro destaque foi a apresentação das Meninas Cantoras de Nova Petrópolis. Músicas de Natal foram entoadas por 40 vozes. Na mesma noite iniciou a Feira de Artesanato e Gastronomia. Dois dindinhos conduziram ininterruptamente grupos de visitantes que aproveitaram para conhecer os principais dos 180 presépios montados (de várias formas, tamanhos e materiais) e as ruas enfeitadas pelos anarrequenses.

 

Bênção na Praça Dante será dia 14

 

Revitalizar o Natal e resgatar a origem do presépio, criado por São Francisco de Assis. É com este objetivo que mais de 10 freis capuchinhos das fraternidades de Caxias do Sul e outros religiosos voltam à Praça Dante Alighieri, centro da cidade, no próximo dia 14, para a terceira edição do Natal na Praça. Os religiosos se revezarão das 9 horas às 20 horas para distribuir bênçãos – no ano passado, mais de cinco mil pessoas foram atendidas. "Queremos levar uma palavra de conforto, de auxílio e despertar o espírito natalino e seu foco principal, que é o nascimento de Jesus Cristo", afirma frei Renato Zanolla, um dos organizadores do evento.

A idéia do Natal na Praça surgiu no programa Clube da Esperança, da Rede Sul de Rádio. Ganhou a parceria da Rádio São Francisco e MaisNova FM, das paróquias Imaculada Conceição e Catedral Diocesana. Quem for à Praça Dante no dia 14 também poderá assistir apresentações de bandas e corais interpretando canções natalinas. As empresas apoiadoras desta edição são Magnabosco, Super Andreazza e Sorvelândia.

 

Trabalho 10 certifica mais 696 alunos

 

Os 696 alunos do Programa Trabalho 10 – Cidadania com Responsabilidade receberam na quinta 30 o certificado de conclusão em um dos 36 cursos oferecidos. Instrutores, familiares e amigos dos formandos lotaram a casa de Cultura Percy Vargas de Abreu e Lima para aplaudir o grupo.

A aluna Rosimeri Beatriz de Almeida, que concluiu o curso de cabeleireiro, representou os estudantes e relatou a experiência. "Eu estava desempregada, morando de favor na casa de amigos, mas tive a chance de me profissionalizar", relatou. Rosimeri é mãe de Rosecler Emilya Almeida Schutz, 9 anos, que depende de cadeira de rodas para se locomover, Rosimeri levou a filha em todas as aulas.

"Com conhecimento as pessoas podem ir em busca dos seus sonhos e realizar muitos projetos", comentou Mauro Manenti, coordenador do Programa, após agradecer o patrocínio do Banrisul, Banco do Brasil e Irmãs do Imaculado Coração de Maria. O Trabalho 10 é uma parceria da iniciativa privada com o Poder Público Municipal, através da FAS.

Sem parar no período de férias, o Trabalho 10 oferece, a partir do dia 15 de janeiro, oferece 27 cursos e abre 501 vagas, totalizando 1.485 horas/aula. Para participar, é necessário procurar uma das entidades cadastradas ao programa. Mais informações podem ser obtidas pelo fone (54) 3219.1247.

 

REPORTAGEM

Cultura fica em sexto lugar na despesa familiar

Família brasileira aplica 4,4% do orçamento. Ricos gastam 20 vezes mais

 

O brasileiro gasta mais com cultura do que com educação, higiene e limpeza e serviços pessoais. Esse setor gera anualmente uma receita líquida de R$ 156 bilhões às empresas privadas e emprega 3,7 milhões de pessoas. Esses dados foram divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) depois de, pela primeira vez, pesquisar a economia da cultura no país.

Com base em informações de 2003, o IBGE concluiu que cada família brasileira desembolsa em média R$ 64,53 por mês com cultura, ou o equivalente a 4,4% do total de gastos. Esse valor não inclui despesas com telefonia (fixa, celular e internet). Se incluísse, os gastos subiriam para R$ 115,50, o percentual pularia para cerca de 7% do total de gastos e a cultura passaria a ocupar a quarta posição no ranking geral de despesas da família brasileira, liderado por habitação, com pouco mais de 30%, alimentação e transporte. Na sexta posição, ou seja, sem telefonia, cultura fica à frente de educação (gastos mensais de R$ 51,09), assistência à saúde, vestuário e fumo.

Além da telefonia, os outros dois grupos de maior peso na composição da despesa média familiar com cultura em 2003 eram aquisição de eletrodomésticos ligados à atividade cultural (TV, rádio, vídeo, computador – peso de R$ 17,25) e atividades de cultura, lazer e festas (somente R$ 13,82).

Desigualdade – A pesquisa aponta ainda uma grande desigualdade nos gastos mensais médios com cultura, de acordo com a raça a que pertence a pessoa responsável pela família: eram de R$ 146,66 para os brancos, R$ 87,19 para os negros e R$ 76,20 para os pardos. Além disso, levando-se em consideração a pessoa de referência da família, a despesa média com o grupo cultura cresce proporcionalmente ao nível de escolaridade: de R$ 33,67 para aqueles sem instrução a R$ 391,65 para os com ensino superior. O que não muda é a curva ascendente do gasto com cultura, que acompanha a renda familiar. Para efeito de comparação, um norueguês (não uma família) gasta em média só com a compra de livros 130 dólares/ano (cerca de R$ 290). Finlandeses e alemães aplicam quantia parecida.

As famílias com rendimentos mensais até R$ 400 gastam em torno de 2,59% (R$ 11,13). As que ocupam o topo da estatística, com rendimentos acima de R$ 3 mil, gastam o dobro: 5,45% do orçamento (em valores atingem 20 vezes mais).

 

Setor envolve 3,7 milhões de pessoas

 

Pelo menos 3,7 milhões de pessoas se dedicavam no Brasil, em 2003, a atividades culturais, em sua maioria por conta própria. Os brasileiros que trabalhavam em atividades do ramo cultural tinham uma escolaridade 11 anos superior à da média nacional – que é de 8 anos. O rendimento destes trabalhadores, no entanto, era praticamente o mesmo que o da média dos trabalhadores do país.

As empresas do setor de serviços que mais geravam emprego em atividades culturais eram as dedicadas a outras atividades de ensino, como cursos de informática, artes ou música; serviços de telecomunicações e de processamento de dados. Entre as indústrias com maior número de empregos no ramo cultural se destacavam as empresas de edição e impressão gráfica e as de edição e impressão de periódicos. Agências de notícias, empresas de telecomunicações e produtoras de televisão ofereciam os maiores salários.

 

Municípios são maiores investidores da área pública

 

Os gastos públicos no setor cultural representavam aproximadamente 0,2% do total das despesas consolidadas da administração pública em suas três esferas em 2003, de acordo com o IBGE. A cultura tem maior representatividade nos municípios, com aproximadamente 1% do total de gastos. Nos Estados, este porcentual era de 0,4%, enquanto no governo federal a cultura representava apenas 0,03% da despesa orçamentária, em 2003 – nos últimos quatro anos os valores oscilaram entre 0,2% e 0,6% dos recursos federais, conforme o ministro Gilberto Gil, quando a Unesco preconiza no mínimo 1%.

Segundo a pesquisa, os municípios eram responsáveis por 55% dos recursos orçamentários previstos para o setor cultural em 2003, quando o total de investimentos públicos no setor chegou a aproximadamente R$ 2,3 bilhões. Deste montante, R$ 293 milhões eram efetuados pelo governo federal (13% do total), R$ 747 milhões pelos governos estaduais (32%) e R$ 1,27 bilhão pelos governos municipais.

Na esfera federal, os dados de 2003 mostram que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) era responsável pelo maior volume de gastos, já que responde pelas despesas de manutenção de todos os museus federais. O Ministério da Cultura também possui participação elevada no total dos gastos do governo federal.

 

Objetivo é avaliar a participação no PIB

 

O estudo Sistema de Informações de Indicadores Culturais foi encomendado ao IBGE pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, com o propósito de avaliar o peso da atividade cultural no Produto Interno Bruto (PIB) do país. Dificuldades metodológicas impediram que esse objetivo fosse alcançado, mas a meta, segundo o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, é divulgar o PIB cultural em 2008. "Precisamos saber, de cada atividade, o que é exclusivamente cultura. Em 2007 desenvolveremos a tecnologia apropriada. Se esse trabalho avançar, em 2008 daremos os primeiros resultados", afirmou.

Para compor o estudo foram utilizadas pesquisas tradicionais do instituto, como Cadastro Central de Empresas, Pesquisa Industrial Anual Empresa, Pesquisa Anual de Serviços, Pesquisa de Orçamento Familiar e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

 

Caxias destina mais que o dobro da média

 

Caxias do Sul, na Serra gaúcha, investe mais do que o dobro da média nacional em cultura. Proposta orçamentária para 2007 prevê R$ 9,095 milhões, ou 2,23% do total da administração direta. A pasta vai receber no ano que vem 18,79% a mais de recursos que em 2006. "Temos uma situação privilegiada", afirma o secretário da Cultura Antônio Feldmann, lembrando da luta de outros municípios para pelo menos chegar a 1% do orçamento. No caso de Caxias, o valor está vinculado à manutenção de todo o patrimônio histórico, de museus e de projetos para a área.

 

AGRONEGÓCIO

Venda de frango vivo só com certificação

A partir de janeiro, a comercialização terá novas regras

 

A partir de janeiro, os vendedores de aves vivas serão obrigados a apresentar o certificado de origem do animal, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para ter o certificado é preciso ter o laudo de um veterinário, o que deixa claro de que os pequenos criadores terão dificuldade em viabilizar a atividade. "Esses produtores serão dizimados", prevê o paulista Luiz Antonio da Costa, que esteve no Mapa, com transportadores de todo o país, pedindo alterações na instrução normativa (IN) nº 17.

As regras integram o Plano Nacional de Prevenção da Influenza Aviária e de Controle e Prevenção da Doença de Newcastle (PNSA). O PNSA estabelece medidas para vigiar de forma mais intensa o transporte de aves. Os aviários alegam prejuízos e dificuldades para adequação. Por sua vez, os representantes da avicultura industrial pressionam o governo para implementar todas as medidas possíveis para diminuir os riscos. Lembram que a notificação de um único caso de gripe aviária pode levar importadores a cancelar contratos.

Está proibido também comercializar galinhas de descarte. Agora, elas só poderão ser vendidas para frigoríficos. O comerciante que for pego sem o documento de origem, por exemplo, terá a carga recolhida e destruída. No Brasil, especialmente na região Nordeste, é comum a venda das galinhas para descarte em caminhões. Pelo menos 20% das aves transportadas são vendidas vivas. Para a avicultura industrial, esse tipo de comércio favorece a contaminação de outras aves. As comercializadas em estabelecimentos regulares passam por processos de inspeção sanitária, visando evitar contaminações.

Proximidade – Com relação às avícolas, a principal preocupação das autoridades é que o trânsito dos animais vivos por centros urbanos possa acelerar a transmissão do vírus influenza, caso chegue ao país. O contato próximo entre animais de procedência diferente, comum em estabelecimentos, pode representar mais um risco à transmissão da gripe aviária.

Uma das alternativas sugeridas pelos transportadores ao Mapa é verificar a sanidade da ave ainda na propriedade. "O governo poderia também estabelecer corredores de transporte de aves vivas, que o setor acataria", adianta Luiz Antonio.

 

Outras mudanças da IN 17

 

– As aves de um dia e os ovos provenientes de certos estabelecimentos deverão ter Guia de Trânsito Animal (GTA) emitida por médico veterinário oficial ou credenciado, após realização de amostragem sorológica negativa para a doença.

– Os estabelecimentos definidos pelo Ministério da Agricultura são granjas de seleção genética de reprodutoras primárias e de bisavós, importadoras, exportadoras, produtoras de ovos férteis e aves de um dia para a produção de avós e bisavós, granjas de matrizes, usadas na produção de aves comerciais e matrizes recriadas de até 24 semanas.

 

PR responde por 27,3% da exportação de aves

 

A avicultura paranaense vai fechar o ano com números positivos. O volume das vendas ao exterior vem crescendo. Segundo o Sindicato e Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas (Sindiavipar), de janeiro a outubro o Estado respondeu por 29,7% das exportações nacionais. No ano passado foi de 27,3%. "Exportamos este ano 618.055 toneladas de carne de frango", diz o presidente da entidade, Domingos Martins.

A criação de aves gera 60 mil empregos diretos no Paraná, envolvendo cerca de 10 mil propriedades rurais. O volume de produção vem aumentando. Em 2002, foram produzidas 1.427.524 toneladas. Em 2003 esse número subiu para 1.624.857. Em 2004 foram 1.928.815 toneladas. A participação paranaense na produção nacional também aumentou progressivamente: 19% no ano de 2002; 20,7% em 2003 e 22,7% em 2004.

 

Sanidade desafia a avicultura gaúcha

 

Manter o atual status sanitário e reduzir as barreiras impostas pelos governos são dois grandes desafios da avicultura do RS para 2007. "Igualmente estamos na dependência de uma boa safra de grãos", diz o presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Aristides Vogt.

Entre as questões que devem ser resolvidas pela Asgav estão o aumento do plantio de milho no Estado e a revisão da legislação brasileira quanto à importação de grãos geneticamente modificados.

A avicultura também pleiteia a revisão da legislação tributária. O setor pede esclarecimento sobre a IN 660 que estabeleceu o limite de 35% de crédito referente ao PIS/Cofins decorrente das compras de insumos. O entendimento do setor é de que a utilização dos créditos referentes às contribuições seria até o limite de 60%.

 

Leilão coíbe importação a granel

Além disso, operação abre espaços para receber nova safra

 

Em torno de 40% do vinho fino produzido no Rio Grande do Sul sai das cooperativas. No primeiro leilão do vinho realizado pela Conab por meio do Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) em 14 anos, foram negociados 5,52 milhões de litros, 46% dos 12 milhões de litros ofertados por essas entidades. O preço de fechamento da operação foi o mesmo da abertura, R$0,65 por litro.

No próximo leilão, previsto para esta semana, serão comercializados 6,48 milhões de litros que não foram arrematados. "O Paraná deverá participar", adianta Alceu Dalle Molle, presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho). Ele atribui a reoferta do volume restante ao despreparo das empresas, que não tiveram tempo de atender as exigências da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A operação da Conab é destinada a engarrafadoras de outros Estados, exceto Santa Catarina por ser produtor de vinho de mesa. "No caso deste primeiro leilão, o produto foi adquirido por empresas de São Paulo", informa o presidente da Fecovinho ao CR – a entidade congrega 5.000 famílias, que respondem por quase 25% de todo o vinho gaúcho.

Para Alceu Dalle Molle, a iniciativa beneficia todo o setor, incluindo a indústria vinícola. Além disso, abre espaço para a colocação do produto da nova safra. "O leilão supriu o mercado carente de vinhos de mesa, tranqüilizando a vitivinicultura gaúcha quanto à importação de vinho a granel, ameaça que pairava sobre o setor", lembra. E acrescenta que a operação do governo "é uma ferramenta legítima que o setor pode utilizar em caso de estoques elevados, causados pelo baixo consumo ou mesmo pela importação de vinhos."

 

Estado promete; vinícolas garantem ajuda ao Ibvravin

 

O governo do Estado prometeu, mas não liberou a primeira parcela de R$ 285 mil para o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). A próxima, prevista para o dia 15 de dezembro, também está ameaçada. Por enquanto, a maioria dos projetos continua paralisada. "Estamos trabalhando para liberar os recursos o quanto antes, pois queremos ver o Ibravin funcionando plenamente", diz o secretário-executivo do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), Adoralvo Schio.

O secretário-executivo do Fundovitis disse ao CR que, até segunda 4, o dinheiro prometido não havia sido depositado. "Não recebemos nenhum valor", confirma o presidente-executivo do Instituto, Carlos Paviani. Há quatro meses, o Instituto não recebe dinheiro do governo, que administra a receita e gerencia o Fundo. Neste ano, o Estado liberou apenas R$ 280 mil. As dívidas passam dos R$ 700 mil.

O chefe da Casa Civil, José Barbosa, em reunião, na segunda-feira 27, com o presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Danilo Cavagni, prometeu o pagamento de R$ 570 mil, sendo que a primeira parcela, na metade do valor, seria liberada imediatamente. A outra, ainda no prazo, para a sexta-feira 15.

Por outro lado, as vinícolas garantiram o funcionamento do Laboratório de Referência Enológica (Laren), instalado em Caxias do Sul, considerado essencial para o setor. Um acordo inédito entre indústrias e o Ibravin vai manter o laboratório aberto até março de 2007. As vinícolas irão repassar R$ 125 mil, que pode chegar a R$ 150 mil. "O montante é um adiantamento referente a análises que as empresas farão no Laren nos próximos meses", explica Paviani ao CR.

Estrutura – Depois de uma reunião, na quinta 30, com funcionários do Laren para discutir a situação e continuidade do trabalho, o presidente-executivo adiantou que, para manter as atividades do laboratório, deverá ser encaminhado à Assembléia Legislativa um projeto alterando a estrutura do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis) – entidade que mantém o Ibravin. "Queremos que os recursos sejam repassados diretamente para o Ibravin", declara Paviani.

O sonho de representantes do setor e do próprio Instituto, entre eles Paviani, é que o projeto, com previsão de ser encaminhado esta semana, possa ser aprovado ainda este ano, para vigorar em 2007.

 

Apromontes busca indicação de procedência dos vinhos

 

Flores da Cunha e Nova Pádua vão elaborar os vinhos da próxima safra pensando na certificação de Indicação de Procedência. Juntamente com a Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), os vinicultores filiados à Associação de Produtores dos Vinhos dos Altos Montes (Apromontes) estão definindo as normas que serão utilizadas para a elaboração de vinhos finos.

Segundo o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho Jorge Tonieto, a principal diretiva para a safra 2006/2007 será a elaboração de vinhos que apresentem a identidade da produção local, favorecendo a expressão da uva nos vinhos finos e espumantes. "A certificação é um processo gradual, construção que estamos iniciando com a normatização prévia para a próxima safra", explica.

Já para o presidente da Apromontes, Antonio Alvise Mioranza, a obtenção da Indicação de Procedência é como conseguir um atestado de qualidade que irá facilitar a venda do produto, tanto internamente quanto para o destinado à exportação.

A próxima etapa será a elaboração do projeto de pesquisa e desenvolvimento para dar suporte financeiro às atividades que irão envolver as 10 vinícolas associadas à Apromontes.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Xampu de babosa

Faz 15 anos que sou assinante do CR. Pretendo continuar sempre. Gostaria que o Dr. José Zugno publicasse a receita caseira de como fazer e aplicar nos cabelos o xampu à base de babosa. Agradeço a oportunidade.

José Luís Ghinzelli

Antônio Prado – RS

 

O Irmão Cirilo V. Korbes, em seu livro "9.420 Receitas Botânicas – Plantas Medicinais", já na 53ª edição, afirma que a babosa, além de diversas outras utilidades, "macerada em álcool ou em cozimento, é ótimo remédio contra a caspa, crespidão e calvície. Com ela se prepara o popular xampu para os cabelos".

O padre Ivacir J. Franco e o professor Vilson Luiz Fontana citam no livro de sua autoria, "Ervas e Plantas – A Medicina dos Simples", que dentre suas propriedades, a babosa "embeleza e fortalece os cabelos".

Segundo o livro "Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais, editado pela Reader’s Digest, Lisboa, 1999, a babosa é, dentre as plantas populares, a mais qualificada para elaboração de xampus e cremes para os cabelos. O valor desta reside na capacidade de regenerar tecidos danificados, o que faz com bastante eficiência. O sumo fresco e viscoso das folhas da babosa, batidas em liquidificador, serve como ingrediente amaciante no preparo de cremes e xampus para o couro cabeludo. As receitas indicadas neste livro são complexas e exigem produtos que não se encontram facilmente.

No entanto existem algumas publicações com receitas mais acessíveis, as quais cito abaixo:

Babosa contra queda de cabelos – "Pique 10 cm. de folhas, amasse-as e massageie os cabelos com essa pasta envolvendo-os com uma toalha por 12 horas. Enxágüe com água morna. Acrescente suco de maçã se os cabelos forem oleosos; ou glicerina, se forem secos". (Marcos Gomes, "As Plantas da Saúde")

"A babosa, Aloe vera, é da família das Liliáceas. De suas folhas frescas extrai-se o suco que tonifica e previne a queda de cabelos: aplicar o suco fresco no couro cabeludo com leves massagens, deixando agir por 1 hora, e depois enxaguar com água morna". (Moacyr P. Rigueiro, "Plantas que Curam")

Babosa contra queda de cabelos e cascão na cabeça – "Uma folha de babosa, uma colher de borra de café. Misturar e aplicar a infusão nos cabelos. Lavar no dia seguinte". (Irmã Maria Zatta, "A Farmácia da Natureza")

 

OPINIÃO

Urgência de uma nova moralidade

Leonardo Boff

Em vez da competição, há que se reforçar o princípio de cooperação porque é a lei suprema do universo: todos os seres são interdependentes e se ajudam uns aos outros para co-evoluir

 

Os relatórios sombrios sobre o estado da Terra e sobre o futuro desalentador da espécie humana nos sugerem a urgência de uma nova moralidade. Mais e mais nos damos conta de que esta situação dramática se prende à forma insensata e até imoral com a qual nos relacionamos com a natureza, depredando-a sem remorsos através um modo de produção que faz do lucro sua única lei e religião. Somente agora, quando o alarme ecológico chegou às páginas de economia, é que vem sendo tomado a sério pelos governos e grandes instituições internacionais. A crise não vem; já estamos dentro dela, atingindo milhões de pessoas.

Al Gore, em seu documentário Verdade inconveniente, nos forneceu os dados. Ou investimos já agora na diminuição dos gases de efeito estufa ou então nos próximos anos teremos que aplicar mais de um trilhão de dólares anuais para estabilizar o aquecimento a dois graus acima do atual nível. Ou então vamos ao encontro de catástrofes como nunca vistas antes.

Bem analisadas, estas medidas são apenas paliativas. Partem de um pressuposto equivocado: pensam que limando os dentes do lobo diminuímos a sua ferocidade. Quer dizer, podemos continuar com o mesmo paradigma de produção e consumo, apenas diminuindo a dosagem. Esse paradigma nos condenará a todos porque se baseia numa metafísica falsa, a de que podemos dispor dos recursos a nosso bel-prazer e que nossa relação com a natureza é apenas de ordem utilitária. Entendemo-nos acima e contra a natureza. Ela se vingará, talvez nos expulsando definitivamente de seu seio como se expulsa uma célula cancerígena.

Por isso, de pouco valem soluções técnico-científicas fundadas naquela metafísica. Precisamos, antes, de uma equação moral que mude os fins e não apenas os meios de nossa civilização. Eis alguns pontos para a nova moralidade.

Em primeiro lugar, devemos tomar a sério o princípio de precaução e de cuidado. Ou cuidamos do que restou da natureza e regeneramos o que temos devastado ou então nosso tipo de sociedade terá dias contados. Ademais, filosoficamente, o cuidado é a pré-condição para que surja qualquer ser e é o norteador antecipado de toda ação.

Em segundo lugar, importa dar centralidade ao afeto, à compaixão, ao coração e à piedade, como princípios morais. Isso nos ensinam o budismo no Oriente e Schopenhauer no Ocidente. Ambos afirmam: "Não faças mal a nenhum ser, antes esforça-te em ajudar a todos o mais que podes".

Em terceiro lugar, urge resgatar o respeito e a veneração diante de cada ser porque representam um valor em si mesmo. Como o formulou Albert Schweitzer: "Ética é a ilimitada veneração diante da vida e o respeito diante de cada ser".

Em quarto lugar, faz-se mister assumir a responsabilidade pelo futuro do planeta e da vida. Somos os guardiões do ser. Hans Jonas exprimiu assim o princípio de responsabilidade: "Aja de tal maneira que teus atos não sejam destrutivos da vida".

Em quinto lugar, em vez da competição há que se reforçar o princípio de cooperação porque é a lei suprema do universo: todos os seres são interdependentes e se ajudam uns aos outros para co-evoluir, sem excluir os mais fracos.

Se vivermos essa nova-velha moralidade mudaremos os comportamentos dos estados e das pessoas para com a natureza e assim nos salvaremos. Vale a frase de 1968, nos muros de Paris: "Sejam realistas; exijam o impossível".

 

O MENDIGO DA ESQUINA

Frei Betto

A reforma política será um engodo se não arrancar o Estado das alturas celestiais em que se encontra, incensado pela burguesia. É preciso trazê-lo ao chão da vida... para que o cidadão assuma o seu devido lugar

 

Findas as eleições, deve agora a nação exigir de seus empregados, os políticos, urgência na reforma política. Caberá a ela livrar o Estado brasileiro de seu caráter religioso. Ora, dirão os incautos, como religioso, se o nosso Estado é laico, não-confessional, digno fruto da modernidade ilustrada?

Religioso não é apenas o Estado fundamentalista, no qual quem tem poder religioso possui também o político e vice-versa. Já Marx, em "A questão judaica", havia percebido que a religião é a essência do Estado burguês. O que este Estado reconhece num indivíduo que se encontra na pobreza, além de sua condição formal de cidadão?

A Constituição de 1988 ostenta orgulhosamente o título de "cidadã". Em princípio, toda a população brasileira se sente parte integrante do Estado, ainda que considerável parcela viva na miséria e tenha como consolo a renda mínima do Bolsa Família e outras modalidades de assistencialismo. Dos 190 milhões de brasileiros, 70% sobrevivem com renda mensal inferior a dois salários mínimos. Por isso, não sou contra as medidas assistencialistas, desde que provisórias e apontem o rumo da porta de saída, de modo que o beneficiário possa ficar independente das benesses do poder público e dispor de meios para gerar a própria renda.

Uma pessoa na pobreza só pode sentir-se parte do Estado se o representa como um ser superior. E nisto consiste o caráter religioso do Estado burguês. A essência da religião consiste na submissão do fiel a uma instância que o transcende, Deus. É o que ocorre ao Estado burguês, que se apresenta como instância superior e soberana que a ninguém discrimina e a todos reconhece como cidadãos.

Essa máscara encobre uma terrível face: a que cinde o indivíduo em dois. Por um lado, o Estado acolhe o pobre como cidadão e reconhece todos os seus direitos. Nenhum político jamais admitirá que o mendigo da esquina não tenha direito à saúde, à educação, ao trabalho e à moradia. Por outro, o Estado o abandona na vida real, e não lhe assegura nenhum acesso aos direitos elementares.

Esse Estado abstrato, divinizado, é o Estado de uma classe, e não de um povo. Por isso, em sua índole de Leviatã, de quem detém o monopólio da violência, jamais perde de vista o mendigo da esquina. Se ele roubar ou matar, será punido com o rigor da lei. Rigor que não se aplica aos membros da classe que o Estado efetivamente representa e defende. Todos são iguais perante a lei, mas alguns são mais iguais que outros...

Esse mesmo Estado cujo braço repressivo não perde de vista o pobre, de fato o ignora quando se trata de estender-lhe o seu braço administrativo. As exigências legais lhe são impostas, porém os direitos sociais, negados. Ele que se vire para obter alimentação, saúde e educação de qualidade. Ou se contente com as migalhas que caem da mesa na forma de políticas sociais.

O mendigo da esquina ignora que, aos olhos do Estado, ele é "o visconde partido ao meio", como diria Ítalo Calvino. Por isso não transforma sua impotência em potência; não se rebela, não protesta, não organiza os excluídos. Qual pecador na fila da água benta à espera da cura miraculosa, o pobre madruga na fila do SUS, da distribuição de cestas básicas, da oferta de emprego.

A reforma política será um engodo se não arrancar o Estado das alturas celestiais em que se encontra, incensado pela burguesia. É preciso trazê-lo ao chão da vida, de modo que os direitos virtuais da cidadania universal se façam reais, e o cidadão assuma o seu devido lugar de sujeito capaz de interagir com o poder público, através de vias institucionais que lhe permitam controlá-lo e direcioná-lo.

Enquanto a reforma não vem, espera-se ao menos que o presidente Lula, que admitiu em palanque, nos comícios de 22 de outubro, que o Estado só tem olhos para os ricos, faça seu governo destinar mais recursos para os pobres, injetando na Saúde os R$ 70 bilhões/ano previstos na Constituição; na Educação, ao menos 5% do PIB; e levar a efeito o Plano Nacional de Reforma Agrária, promessa de 2002, para que o Bolsa Família encontre sua porta de saída.

 

SAÚDE

Verão eleva risco de contato com peçonhentos

Manter a casa limpa, usar luvas e botas protegem de aranhas, cobras e escorpiões

 

A proximidade do verão aumenta o risco de contato das pessoas com os chamados animais peçonhentos, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Nesse período do ano, bichos como escorpiões, aranhas e cobras se tornam mais ativos e aumentam os movimentos em busca de comida e de locais para a reprodução. Além disso, procuram abrigo, por isso não é difícil encontrá-los nas proximidades das casas, em jardins ou parques.

No ano passado, as autoridades de saúde registraram quase cem mil ataques de animais peçonhentos, a maioria nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, principalmente nos meses de dezembro a março. Em Caxias do Sul, a Secretaria Municipal da Saúde registrou 19 acidentes com serpentes e 69 com aranhas, de janeiro de 2005 a novembro deste ano. Porém, as autoridades alertam que os números podem ser bem maiores, já que nem todos os casos são notificados. Além da alta temperatura, nesta época do ano aumentam as chances de contato das pessoas com animais peçonhentos devido ao período de colheitas e à prática freqüente de atividades ao ar livre.

Para prevenir e reduzir em até 80% o número de acidentes com esses bichos, que algumas vezes podem ser fatais, o Ministério da Saúde faz uma série de recomendações. Uma delas é manter limpa a casa e a área ao seu redor. Lixo e entulhos podem servir de abrigo para muitos desses animais. Além disso, como explica o diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Expedito Luna, locais sujos também são habitat de baratas e ratos. "Os roedores, principalmente ratos, são parte da dieta de serpentes. Já as baratas e outros insetos servem de alimento para escorpiões e aranhas, atraindo-os", esclarece.

É importante ainda dar atenção à limpeza de armários. Ambientes escuros e úmidos servem de esconderijo para aranhas e escorpiões. Também sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, para não ser surpreendido pela presença de um animal venenoso. Tapar buracos em muros e vãos de portas é outra recomendação importante, pois evita a passagem de bichos.

Quem vive na área rural e trabalha com agricultura não pode deixar de usar luvas e botas, essenciais para a proteção. "Ao entrar em matas ou em plantações, as pessoas têm de redobrar a atenção", alerta Expedito Luna. Aos que praticam ecoturismo, recomenda-se o uso de calçados fechados, como botas e tênis.

Em caso de ataque de animal peçonhento é preciso levar a vítima ao médico o mais rápido possível. Os soros antipeçonhentos e antiofídicos (contra serpentes) estão disponíveis nos serviços de saúde de todo o país e são oferecidos gratuitamente.

 

Gravidade do ataque depende do agressor

 

Animais peçonhentos são aqueles que apresentam glândulas de veneno. Ao atacar outro animal, costumam injetar veneno na vítima, por meio de dentes ou ferrões. Eles usam esse instrumento tanto para defesa como para o ataque.

As conseqüências da picada de um animal peçonhento variam de acordo com a espécie do agressor. A picada de uma jararaca, por exemplo, provoca dor e inchaço, com manchas roxas, sangramento e até necrose (morte de um tecido do corpo). Também podem ocorrer sangramentos nas gengivas, na pele e na urina, chegando a casos de insuficiência renal. Nas vítimas de ataques de cascavel, ocorrem sonolência e visão turva. O local da picada apresenta formigamento, seguido por dores musculares generalizadas e urina escura.

As vítimas de picadas de aranhas sentem dores imediatas e intensas após o ataque, com poucos sinais visíveis no local. Algumas crianças podem apresentar náuseas, vômitos e queda da pressão arterial.

No caso da aranha-marrom, que é comum e bastante venenosa, a picada é pouco dolorosa, mas uma lesão endurecida e escura costuma surgir horas depois, podendo evoluir para ferida com necrose e de difícil cicatrização. A picada da viúva-negra, uma das aranhas com veneno mais letal, causa dor, contração muscular, suor abundante e alterações na pressão e nos batimentos cardíacos.

Já o acidente por escorpião provoca dores imediatas com intensidade variável. A maior parte das vítimas não sofre grandes conseqüências pelo ataque. Porém, crianças podem apresentar náuseas, vômitos, alteração da pressão sangüínea, agitação e falta de ar.

 

IGREJA

EM BUSCA DA UNIDADE

Visita de Bento XVI sublinha o esforço da Igreja de reconciliar-se com os ortodoxos e o mundo islâmico

 

Uma jornada histórica. A frase resume bem a visita apostólica de quatro dias que o Papa Bento XVI realizou à Turquia, de 28 de novembro a 1º de dezembro. Para uma viagem, a 5ª de seu pontificado, marcada por temores e ameaças, o resultado final foi mais que positivo O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, manifestou publicamente sua satisfação pela acolhida que a Turquia ofereceu ao Papa.

"A viagem saiu bem e os resultados foram positivos, tanto no âmbito estritamente político como no da opinião pública na Turquia", salientou o cardeal. De fato, a imprensa turca mudou sua atitude em relação à visita de Bento XVI e se deixou seduzir pelas suas palavras e gestos. "O Papa ganhou o coração dos turcos", escreveu o jornal turco Posta e o jornal Radikal sublinhou o esforço "de reconciliação islâmico-cristão" do Papa.

Esforço – Apesar de alguns protestos e do forte esquema de segurança, maior inclusive daquele que cercou o presidente George W. Bush em 2004, quando esteve na Turquia, o Papa foi saudado ao longo das ruas com bandeiras turcas e do Vaticano e muitas pessoas, inclusive jovens, aplaudiram Bento XVI. Os próprios canais de televisão deram muito espaço às mensagens do Pontífice e diferentes canais transmitiram ao vivo os encontros de Bento XVI com as autoridades e os líderes ortodoxos e muçulmanos. A imprensa turca elogiou os esforços do Papa em favor da unidade e do diálogo.

Bento XVI viveu alguns momentos delicados em sua viagem, como a visita à antiga Basílica de Santa Sofia e à Mesquita Azul. Esses dois atos foram vistos pelos muçulmanos como uma atitude de respeito e amizade do Papa pelos turcos. Em Éfeso, o Pontífice foi visto com uma bandeira turca na mão e pronunciou a frase "eu amo os turcos" como fez, no passado, João XXIII. "Bento XVI deu uma clara demonstração de que deseja estreitar as relações com o mundo islâmico e dá continuidade à política de João Paulo II, de conciliação com o Oriente. Aliás, esse propósito de conciliação faz parte do espírito do Concílio Vaticano II", destaca padre Leomar Brustolin, doutor em teologia e pároco da catedral diocesana de Caxias do Sul.

A visita à Mesquita Azul, em Istambul, foi marcada pelo profundo respeito aos muçulmanos. O Papa tirou os sapatos e, durante cerca de 30 minutos, permaneceu em profundo silêncio e meditação, voltado para Meca, como fazem os muçulmanos quando rezam, enquanto o grande mufti da mesquita, Emanullah Hatiboglu, ao seu lado, proferia as orações. "Esperamos encontrar juntos caminhos de paz e de fraternidade para ajudar a humanidade", disse o Papa.

Mesquita – Bento XVI foi o segundo Papa a entrar numa mesquita. O 1º foi João Paulo II, que em 2001 visitou a Mesquita dos Omeyas em Damasco, na Síria. Pouco antes da Mesquita Azul, o Pontífice havia visitado o Museu de Santa Sofia, antiga basílica de Constantinopla, transformada em mesquita com a conquista dos otomanos em 1453 e, depois de Ataturk, em museu. A visita concluiu com troca de presentes. O mufti ofereceu ao Papa a representação de uma pomba, símbolo da paz, e o Pontífice retribuiu com um mosaico que também representava pombas.

"Esses gestos do Papa mostram que a fé vence a violência. Por acreditar no Evangelho, ele não se rendeu às ameaças terroristas, nem se deixou influenciar pelo que as pessoas querem, mas pelo que Jesus Cristo quer. Bento XVI merece o título de "conciliador". São pessoas assim que entram para a história", conclui padre Leomar.

 

Visita histórica para o ecumenismo

 

Um dos momentos mais significativos da visita de Bento XVI à Turquia foi a visita ao Patriarcado Ecumênico (ortodoxo) de Constantinopla (atual Istambul). O encontro ocorreu na quinta, 30 de novembro, memória litúrgica de Santo André, primeiro bispo da cidade e patrono da Igreja constantinopolitana. Desde o início de seu pontificado, Bento XVI marcou como prioridade o compromisso ecumênico, seguindo os passos de seus predecessores.

O encontro entre o Papa e o patriarca ecumênico Bartolomeu I ocorreu na Igreja Patriarcal de São Jorge em Istambul. Bento XVI rezou o Pai-Nosso em grego e ocupou um lugar de honra, sem poder concelebrar a Divina Liturgia da festa de Santo André, por causa da divisão entre as duas Igrejas, que dura desde o cisma de 1054.

No final da celebração, o Pontífice explicou que sua presença pretendia "renovar nosso compromisso de continuar juntos pelo caminho que leva ao restabelecimento – com a graça de Deus -, da plena comunhão entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla". Bento XVI assegurou que a Igreja Católica "está disposta a fazer todo o possível para superar os obstáculos e para buscar, junto aos nossos irmãos e irmãs ortodoxos, meios de cooperação pastoral cada vez mais eficazes, com esse fim".

O próprio pontífice reconheceu que a questão do serviço universal de Pedro e de seus sucessores deu lugar a diferenças de opinião, que a Igreja de Roma pretende superar, especialmente depois da retomada do diálogo ecumênico.

Conflito – Bartolomeu I considerou a visita do Papa "de valor incalculável no processo de reconciliação". Durante a homilia ele lamentou não poderem celebrar juntos os sagrados mistérios. Ao final da celebração, o Papa e o patriarca firmaram uma declaração comum na qual renovam o compromisso de intensificar o diálogo na busca da plena comunhão.

Ambas as Igrejas vivem um conflito de quase um milênio. Basicamente, a Igreja do Oriente não reconhecia a infalibilidade do papa, recusava a submissão à sua autoridade e dava uma interpretação diferente à natureza do Espírito Santo. Os conflitos foram acompanhados de excomunhão mútua entre o papa e o patriarca, só suspensa em 1962.

 

Papa encoraja maior comunidade cristã da Turquia

 

A visita de Bento XVI à Turquia não teve apenas a intenção de intensificar o diálogo e o entendimento com a Igreja ortodoxa e os muçulmanos. O Papa também demonstrou seu carinho e atenção pelos cristãos armênios apostólicos, a maior comunidade cristã presente no país. Bento XVI realizou uma visita de oração à catedral armênia em Istambul e encontrou-se com o patriarca, Sua Beatitude Mesrob II Mutafian.

A Igreja Apostólica Armênia está separada de Roma desde o Concílio de Calcedônia, no ano de 451. Para o Papa, o encontro foi "um sinal da esperança que partilhamos nas promessas de Deus" e do desejo de Jesus Cristo "que sejamos um". Bento XVI lamentou as "trágicas divisões que, há muito tempo, existem entre os seguidores de Cristo, contradizendo abertamente a vontade do Senhor".

Mesrob II é o líder de uma comunidade apostólica que tem sua sede na Turquia. Segundo a tradição, essa Igreja nasceu da pregação dos apóstolos Judas Tadeu e Bartolomeu, tendo-se reforçado quando o cristianismo se tornou religião oficial na Armênia, em 301. O patriarcado armênio de Constantinopla foi fundado em 1461. A 1ª Guerra Mundial constituiu uma dura prova para esses cristãos, que sofreram uma verdadeira campanha de extermínio.

O Papa também não esqueceu a minoria católica que vive na Turquia. "Com essa visita quis fazer sentir o amor e a proximidade espiritual não apenas meus, mas da Igreja universal à comunidade cristã que aqui na Turquia é, de fato, uma pequena minoria e a cada dia enfrenta muitos desafios e dificuldades", disse durante a missa na capela do convento dos capuchinhos em Éfeso. Bento XVI referia-se especialmente ao assassinato do padre italiano Andrea Santoro, morto a tiros em fevereiro passado por um adolescente enquanto rezava em sua paróquia, na cidade turca de Trabson, no litoral do mar Negro.

 

Ambigüidades confundem sociedade turca

 

A Turquia, que há anos pleiteia seu ingresso na União Européia, mostrou, durante a visita do Papa Bento XVI, situações que refletem as ambigüidades presentes no país. Único país de maioria muçulmana que poderá integrar a UE, na Turquia as identidades laica e islâmica se cruzam e confundem seus próprios habitantes.

O Estado possui sólidas instituições laicas há mais de 80 anos, depois de, até o início do século passado, ter sido o centro geográfico do mundo islâmico. "Em Istambul, convivem mulheres de minissaias com outras de rosto coberto por véus", observou a jornalista Sabrina Tavernise, do New York Times, que acompanhou a visita do Papa à Turquia. O problema é que, nos últimos anos, as tendências pró-ocidentais se enfraqueceram, especialmente depois da invasão do Iraque pelos EUA e das restrições da União Européia em aceitar um país islâmico como membro.

O fortalecimento da identidade islâmica é visto como uma ameaça. Recentes pesquisas revelam que 53% dos turcos têm uma percepção positiva sobre o Irã, país que expressa abertamente seu ódio pelos Estados Unidos, e que 46% dos turcos identificam-se pelo islamismo que professam, contra 36% que afirmavam o mesmo há sete anos.

 

Capuchinhos recebem Bento XVI

 

Para fazer coincidir com a viagem apostólica de Bento XVI à Turquia, o ministro geral dos capuchinhos, frei Mauro Jöhri, realizou visita aos frades que atuam no país – cerca de 25 – entre os dias 28 de novembro e 4 de dezembro. Acompanhado pelo definidor geral, frei Peter Rodgers, frei Mauro concelebrou com o Papa a missa no santuário da Casa de Maria em Éfeso, que é atendido pelos capuchinhos.

Os freis cumprem missão em diversos lugares da Turquia – Esmirna, Adana, Tarso, Éfeso, Mersin, Iskenderun e Istambul, entre outros. A presença dos capuchinhos na Turquia remonta aos inícios da Ordem. Em 1587, o Papa Sisto V pediu que os capuchinhos fossem em missão para aquele país.

Ao longo dos séculos, capuchinhos italianos e franceses, assim como de outras partes do mundo, estiveram em diferentes lugares da Turquia. A missão no país nunca foi fácil, mas foi sempre um ministério de amor e de sacrifício. E os freis sempre foram instrumento permanente de diálogo e convivência pacífica.

 

Violência expulsa cristãos do Iraque

Desde 2002, metade dos cristãos iraquianos abandonou o país

 

A escalada da violência em todo o Iraque, entre muçulmanos xiitas e sunitas, está deixando numa situação cada vez mais dramática uma pequena parcela da população – a dos cristãos iraquianos. Calcula-se que desde 2002, quando iniciou a invasão do Iraque pelas tropas dos Estados Unidos, metade do 1,2 milhão de cristãos iraquianos abandou o país em busca de refúgio na Turquia, Jordânia e Síria.

Dos 26 milhões de habitantes do Iraque, 97% são muçulmanos. Os cristãos somam apenas 4% da população, mas os 600 mil cristãos iraquianos que fugiram do país representam 40% dos refugiados. A situação torna-se insustentável, pois as facções muçulmanas, além de brigarem entre si, atacam de forma indiscriminada os cristãos e outras minorias religiosas presentes no Iraque.

"O ataque de modo crescente e deliberado aos cristãos é um sinal ameaçador da queda da sociedade iraquiana e uma grave violação dos direitos humanos e da liberdade religiosa", denunciou dom Thomas Wenski, bispo de Orlando, Flórida, e presidente da Comissão para a Política Internacional da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, em carta à secretária de Estado, Condoleezza Rice. Os bispos dos EUA cobram medidas urgentes do governo a respeito da situação alarmante dos cristãos iraquianos.

Segundo testemunho do religioso redentorista iraquiano Bashar Warda, no bairro de Al Dora, em Bagdá, conhecido como o Vaticano do Iraque, quase 700 famílias cristãs fugiram e uma dúzia de centros católicos, inclusive o Babel College, a única universidade teológica da região, e pelo menos cinco igrejas fecharam as portas.

Tanto os bispos norte-americanos quanto os prelados da Igreja Católica Caldéia iraquiana propõem a criação de uma "área segura para os cristãos no Iraque", possivelmente na região de Nínive. Os bispos querem ainda que o governo Bush adote uma política de asilo mais generosa para os refugiados, além de proteção e assistência às minorias religiosas em zonas diretamente controladas pelos curdos.

 

Seqüestradores libertam padre em Bagdá

 

Foi libertado na semana passada o sacerdote Douglas Al Bazi, pároco caldeu da igreja de Mar Eliya, em Bagdá, depois de permanecer nove dias em mãos dos seqüestradores. A Igreja Católica Caldéia é a mais numerosa comunidade cristã do Iraque. Segundo dom Shlemon Warduni, bispo auxiliar do Patriarcado da Babilônia dos Caldeus, o sacerdote está bem, "mas sofre muito, sobretudo psicologicamente".

No mês de outubro foi brutalmente assassinado padre Paul Iskandar, sacerdote sírio-ortodoxo, seqüestrado em Mosul. Douglas Al Bazi é o quarto sacerdote seqüestrado em Bagdá em cinco meses. Ele foi vítima várias vezes da violência na cidade. Em janeiro passado, ele sobreviveu ao atentado contra a igreja de Mar Mari, do qual era pároco, e em fevereiro foi ferido a bala por homens armados que atacaram a mesma igreja. Transferido para Mar Eliya, voltou a ser vítima da violência. Padre Douglas tenta agora voltar a uma vida normal.

 

Católicos da Síria acolhem refugiados

 

Segundo dom Antoine Audo, bispo caldeu de Aleppo, os líderes católicos sírios estão procurando dar acolhida a 25 mil refugiados, desesperados por escapar do Iraque. Segundo a agência Zenit, numa recente visita à organização Ajuda à Igreja que Sofre, o bispo afirmou que a Síria está recebendo a maior parte dos refugiados.

Graças às autoridades sírias, os refugiados, que em sua maioria vivem em Damasco, entram no país sem visto. Eles são acolhidos pelos líderes católicos que oferecem alojamento e acesso a cuidados médicos. Dom Audo sublinhou que os cristãos enfrentam perigos cada vez mais crescentes no Iraque, que vão de seqüestros a ameaças de morte e imposição do véu às mulheres. "Os fanáticos desejam livrar-se definitivamente dos cristãos", disse o bispo.

 

SOBRE AS IMAGENS DE MARIA

Padre Zezinho

As imagens de Maria ajudam os cristãos a pensar nela

 

Tenho três imagens de Maria no meu estúdio e no meu quarto; uma delas é Fátima, outra é Aparecida e outra tem o título de Nossa Senhora das Graças. Vou dizer aos católicos e evangélicos como eu as uso.

De cada dez vezes que as vejo, umas quatro ou cinco eu me lembro de pedir a Maria, a quem elas retratam, que lá no céu, junto a seus filhos, ore por mim. As imagens de Maria me ajudam a pensar nela. Por isso estão estrategicamente nos três lugares onde mais fico. Mas lá também há uma Bíblia e um crucifixo. Faço a mesma coisa quando os vejo.

Para mim aqueles livros, aquele crucifixo e aquelas imagens me ajudam a orar, não me atrapalham em nada porque não sou bobo, nem idólatra. Eu sei o que fazer com as facas na cozinha e sei o que fazer com as imagens. Se usasse mal as facas seria um assassino, se usasse mal as imagens seria idólatra.

Como Deus permitiu e até mandou fazer imagens e só proibiu o uso idolátrico delas, eu tranqüilamente uso imagens como sinais. Sou um cristão esperto e estudioso. Se era permitido aos israelitas olhar uma serpente para ser sábio no deserto, por que haveria de ser proibido olhar um crucifixo ou uma imagem de Maria?

Jesus e Maria não valem mais do que uma serpente? Os santos não valem mais do que uma coluna? Os israelitas não adoravam aquela cobra de bronze, mas o gesto os aproximava do Deus que cura. Eu também não adoro aquelas imagens. Sim, eu tenho imagens. E sei que não sou idólatra.

Mas sei o que dizer ao irmão que insistir em me acusar de idólatra porque tenho imagens. Direi a ele que calúnia é pecado. Julgar, condenar e caluniar um irmão leva para o inferno. Está lá na Bíblia que ele usou contra mim. Pena que não leu tudo. Porque se tivesse lido direito descobriria que é permitido e até aconselhado ter imagens, desde que a gente não as adore! Ou será que a Bíblia dele não está escrita em português?

 

Irmãs de São José celebram jubileu

Quinze religiosas celebraram 70, 60, 50 e 25 anos de consagração

 

Com uma missa de ação de graças e momentos de confraternização, as Irmãs de São José, da província de Caxias do Sul, celebraram o jubileu de vida consagrada de 15 religiosas da congregação. Padre Leomar Brustolin, pároco da catedral de Caxias do Sul, que presidiu a celebração eucarística, salientou a importância do cultivo do "ser" para qualificar o fazer e disse que só um grande amor a Deus é capaz de sustentar, 70, 60, 50 e 25 anos de dedicação total aos irmãos.

Uma das mais homenageadas foi irmã Udila Bernardi, natural de Farroupilha, que celebrou 70 anos de vida religiosa. Atualmente, reside em Garibaldi, mas durante 34 anos trabalhou na França. Está com 90 anos. Helena Dalcin, natural de Júlio de Castilhos e atualmente em tratamento de saúde na comunidade de São Marcos, e Martha Flôres Valiera, de Antônio Prado, que durante 37 anos atuou na Bélgica e Itália e hoje é professora na UCS, comemoraram 60 anos de vida consagrada.

Dez irmãs celebraram 50 anos de vida religiosa – Maria Matiello, Adelayde Furlanetto, Zandira Luvison, Lúcia Fernanda Batagelo e sua mana Lilia Batagelo, Alda Maria Pasticelli, Polonia Armiliato, Lourdes Teresinha Pastore, Maria José da Silveira e Aurora Tormen. Três delas (irmãs Zandira, Alda e Aurora) trabalham no Mato Grosso do Sul, e irmã Adelayde, em Conselvan (MT).

As irmãs Gertrudes Salette Beal, atualmente superiora provincial da província de Caxias do Sul, e irmã Maria Lucia de Oliveira, que desempenha atividades em Garibaldi, celebraram 25 anos de consagração religiosa. As cerimônias foram realizadas em Garibaldi, no dia 26 de novembro. Estiveram presentes ao evento cerca de 200 pessoas, entre familiares e irmãs, de diversas cidades gaúchas, além dos Estados do Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná.

 

Padres diocesanos completam 50 e 60 anos de ordenação

 

Dois padres da diocese de Caxias do Sul celebram jubileu de ordenação sacerdotal nos próximos dias. No dia 8, padre Nivaldo Ângelo Piazza, atual pároco da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Caxias do Sul, completa 50 anos de sacerdócio. E no dia 21 de dezembro, padre Hilário Piccoli, comemora 60 anos de vida sacerdotal.

Padre Nivaldo é natural de Nova Milano, Farroupilha, onde nasceu aos 20 de agosto de 1931. Foi ordenado em sua terra natal no dia 8 de dezembro de 1956. Ao longo desses 50 anos atuou na pastoral, à frente de comunidades paroquiais, e na formação de seminaristas diocesanos, como professor e reitor do seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias do Sul. As festividades serão celebradas no dia 10 de dezembro, na paróquia de Lourdes, com missa às 10 horas, seguida de almoço de confraternização no salão da comunidade.

Padre Hilário Piccoli nasceu em Caxias do Sul aos 15 de dezembro de 1919, tendo sido ordenado sacerdote na catedral diocesana aos 21 de dezembro de 1946.

Exerceu seu ministério sacerdotal na igreja São Pelegrino, de Caxias do Sul, e nas paróquias de Antônio Prado, São Jorge do Guabiju, Coronel Pilar, Torres, São Francisco de Paula e São Marcos. Como formador, trabalhou nos seminários de Nova Prata e Caxias do Sul, e na Escola Rural de Nova Prata. Atualmente, reside na Casa do Padre, em Caxias do Sul.

 

EU SOU O PALHAÇO

Aldo Colombo

Das páginas do Evangelho brota a certeza de que sempre é possível recomeçar

 

Tratava-se de um excelente psicólogo e receitava a seus pacientes a alegria. Seu consultório recebia um grande número de doentes. Em sua maioria eram pessoas deprimidas, angustiadas, estressadas, com insônia e que não encontravam mais motivações para viver. A terapia indicada era sempre a mesma: durante alguns dias deveriam ir a um circo de lona, armado na praça da cidade. Deveriam, sobretudo, observar o palhaço e anotar os lances cômicos. A resposta era fantástica. A maioria dos clientes regressava para agradecer. Eles estavam dormindo melhor e, muitas vezes, se surpreendiam rindo à toa em lugares públicos.

Num certo dia apresentou-se um paciente em depressão profunda. Até mesmo pensara em acabar com a vida. A terapia indicada foi a de sempre. Deveria ir ao circo e acompanhar as evoluções do palhaço e deixar-se contagiar com sua alegria. Desanimado, o paciente garantiu ao psicólogo que isso não iria funcionar. Experimente durante alguns dias, insistiu o doutor, e veria os resultados. Não adianta, esclareceu o doente: eu sou o palhaço do circo.

Não há dúvidas que o riso se constitui numa das grandes terapias, talvez a melhor delas. Rir faz bem à saúde física e mental. Os médicos esclarecem que o riso libera a endorfina do organismo, renova o ar dos pulmões, descontrai os músculos, sobretudo do rosto, dilata as artérias e provoca um grande bem-estar.

Baseado nisso surgiu um grupo denominado Doutores da Alegria, que funciona sobretudo no centro do país.O grupo atua, especialmente, nas clínicas infantis e tem recebido até autorização para entrar nas UTIs de hospitais. Sorrir a fazer sorrir são expressões de simpatia e solidariedade. Faz bem à alma, ao corpo e, principalmente, ao coração.

Sem desmerecer esse trabalho e as vantagens do riso, a questão apresenta profundidade maior. Quando termina o espetáculo – para os outros – o palhaço vai ao camarim, tira o nariz postiço, lava o rosto lambuzado de batom, se desfaz das roupas cômicas e se olha no espelho. Aí ele deixa de apresentar e tem consciência que não pode enganar a si mesmo. Está diante da própria verdade e por isso o riso artificial é substituído pela angústia real.

Todos nós, de alguma maneira e em diferentes proporções, representamos para os outros. Mas existe sempre a hora da verdade, onde despimos as aparências e deixamos de lado as máscaras. É fácil enganar aos outros, mas é impossível enganar a nós mesmos. Só a verdade, afirma o Evangelho, nos libertará.

Não será no circo das aparências, mas no Evangelho, que encontraremos a solução de todos nossos problemas. Das páginas do Evangelho brota a certeza de que sempre é possível recomeçar: o cego começa a ver, o surdo a ouvir, o paralítico anda, a mulher adúltera recobra sua dignidade e até o morto ressuscita. Deus não nos julga, nem condena. Ele só sabe, só quer, só pode amar. Somos pecadores, mas amados por Deus. Esse é o motivo de nossa alegria. Essa a receita de São Francisco de Assis. Sorria, Deus te ama!

 

Dioceses gaúchas organizam fórum

Evento será realizado de 20 a 23 de setembro em Porto Alegre

 

Em setembro de 2007, as dioceses gaúchas realizam o 1º Fórum da Igreja Católica no Rio Grande do Sul, um evento que deverá marcar a história da Igreja no Estado. Para mobilizar os católicos gaúchos nos próximos meses, o evento foi lançado oficialmente no dia 28 de novembro, na catedral metropolitana de Porto Alegre. O ato oficial foi conduzido por dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre e presidente do Regional Sul 3 da CNBB. Dom Dadeus destacou que o objetivo é "mostrar a Igreja no Rio Grande do Sul. É preciso olhar o passado para trabalhar o futuro" disse o arcebispo.

O fórum tem em sua programação celebrações litúrgicas, conferências, espaços de oração, encontros culturais com as etnias que formaram o RS, oficinas temáticas, apresentações, shows, feira etc. O fórum tem como patrono dom Ivo Lorscheiter, bispo emérito de Santa Maria. O fórum será realizado entre 20 e 23 de setembro de 2007, no campus da PUCRS.

 

Congregação marista do RS acolhe novos religiosos

 

Em cerimônia que será realizada nesta sexta-feira 8, no Instituto Marcelino Champagnat, em Passo Fundo (RS), a província marista do Rio Grande do Sul acolhe oficialmente nove novos integrantes. Durante cerimônia realizada às 10 horas, com a presença de religiosos e familiares, os irmãos vão apresentar ao provincial, irmão Lauro Hochscheidt, os votos de pobreza, castidade e obediência.

A profissão dos votos marca a conclusão dos dois anos de noviciado, realizado em Passo Fundo. Durante esse período, os jovens dedicaram-se à oração, meditação, estudo, trabalho pastoral e convivência comunitária. Em 2007, os irmãos viverão a etapa do escolasticado, em Viamão, quando prosseguirão os estudos de aprofundamento com ênfase na missão do apóstolo marista. É nesse período que cada um também definirá o curso acadêmico profissionalizante que seguirá.

Os novos irmãos maristas são Ezequiel Cerbaro Toffolo, Marcelo Bonhemberger e Rodinei Fernando Vancini, todos de Ciríaco (RS); Adélio Luís Mentges e Roger Ariel Perius, ambos de Campina das Missões (RS); André Dall’Agnol (Serafina Corrêa – RS), Geandir Luís Wermann (Santo Cristo – RS), Luciano da Rosa Barrachini (Santa Rosa – RS) e Santos Antônio Nivihero (Alto Molocué, Moçambique, África).

 

Otávio Rocha realiza 25ª Festa da Gruta

 

O distrito de Otávio Rocha, Flores da Cunha (RS), promove, no dia 10 de dezembro, a 25ª Festa da Gruta. Às 11 horas, o pároco, padre Homero Rossi, preside, no interior da gruta, a missa solene em honra a Nossa Senhora das Graças. Ao meio-dia, almoço com churrasco, galeto, salsichão, saladas etc; corte e distribuição do bolo de 25 anos da festa; show com o grupo Som da Terra; jogos e diversões populares.

A festa é promovida há 25 anos pela Associação dos Amigos de Otávio Rocha, proprietária do Parque da Gruta, onde está a cascata e a caverna, formada por uma grande rocha, que pode abrigar até 200 pessoas. Em 1980, foi colocada na gruta uma imagem de Nossa Senhora das Graças e, desde então, é realizada todos os anos uma festa votiva. O local é aberto à visitação.

 

VI DEUS

Wilson João

Deus sempre está perto, mas mesmo quando parece estar longe, Ele sempre se deixa ver

 

Os olhos são para ver. Ver o perto e ver o longe. Ver a terra e ver as estrelas do céu. Ver o por fora das coisas e ver seu interior. Ver além das aparências. Ver toda a realidade. Ver pessoas andando e dançando. Ver pássaros voando. Ver o colorido do jardim. Ver o rosto de cada pessoa. Ver as árvores que indicam o céu, que apontam a direção do alto. Ser árvore. Ver árvore como presença de Deus.

VI DEUS NO PINHEIRO. No pinheiro vi Deus que me fala da grandeza divina, na grandeza de seus galhos. Que me fala do aconchego de Deus no seu gesto de acolher os ninhos dos passarinhos. Na generosidade de suas frutas que alimentam os animais e os homens. Na perseverança do verde da vida que não se entrega perante o frio inverno. Na fortaleza que se revela no enfrentamento com os ventos. Deus é meu pinheiro. Sou o pinheiro de Deus. Nele está sua grandeza. Não está no "pinheiro americano" que, quando adulto, bebe mais de vinte litros de água por dia, roubando a vida de outros seres. Nem os pássaros fazem ninhos neles. Deus é o pinheiro de nossa terra.

VI DEUS NA PALMEIRA. Ela me aponta o céu. Não cansa de subir. Ela nos diz: buscai a vida lá do alto! Mesmo solitária, não teme o vento que a sacode e nem a derruba. Deus é minha palmeira. Sou palmeira de Deus. E Deus não está no eucalipto, que também sobe, mas é ladrão. Em sua idade adulta consome vinte litros de água por dia, roubando a vida de todos os seres vizinhos. Perto ou longe sempre há uma palmeira. Ela se deixa ver. Deus sempre está perto, e mesmo estando longe, Ele sempre se deixa ver.

VI DEUS NO IPÊ. Amarelo, roxo. Não importa. Num período do ano, cheio de flores. Em outros tempos, galhos limpos. Parece estar morto. É o segredo da vida, Escondida, mas sempre presente. Presente para fazer-se flor e fruto. Na beleza da flor do Ipê Deus se faz presente. Se faz presente na aparência dos galhos secos. São os tempos de sofrimento, de doenças e cruzes. Mas a vida permanece escondida. Há sempre um Deus silencioso que está pronto para fazer aparecer as flores da alegria e da paz.

VI DEUS NA ERVATEIRA. Ela é plantada, cultivada, cortada e recortada muitíssimas vezes, e sempre reaparece verde para o mate gostoso da amizade e da convivência. É a poda do homem. É a poda de Deus. Deus nos corta e nos poda muitíssimas vezes para que não tenhamos a pretensão de sermos deuses. Poda nosso orgulho e ganância, poda nossa mania de grandeza. Somente assim podemos ser o chá de Deus, o mate de Deus para os outros. Somente assim sentimos a alegria de contar com as pessoas para a convivência do chimarrão. E, como na planta de erva-mate, vi Deus na capoeira, na floresta, nos espinheiros, nas fruteiras, em todos os vegetais. Ele se deixa ver.

 

CORREIO SABE-TUDO

MEIO AMBIENTE

Faça sua parte!

 

Todo mundo já sabe que os recursos naturais do planeta estão se esgotando, que é preciso reciclar o lixo e economizar energia e água. Mas será que todos fazem sua parte para preservar o meio ambiente? E você?

Uma família que lava louça três vezes por dia, deixando a torneira fechada enquanto ensaboa os utensílios, em vez de deixar a água correndo, pode economizar cerca de 480 litros diariamente. Parece difícil contribuir, mas pequenas atitudes, que podem ser aplicadas no dia-a-dia, ajudam muito.

Porém, nem sempre sabemos o que é mais adequado na tentativa de preservar os recursos naturais do planeta. Nas festas de aniversário, por exemplo, você opta por copos descartáveis de papel ou de plástico? Qual é menos prejudicial? Apesar de levar cerca de 300 anos para se decompor na natureza, o copo de plástico consome menos energia em sua confecção. O problema do tempo de decomposição pode ser resolvido com a reciclagem deste material, mas, para isso, o lixo precisa ser separado corretamente (coleta seletiva).

E no mercado, sacolas de plástico ou sacos de papel? O raciocínio é o mesmo. Apesar de ser biodegradável, os sacos de papel precisam de mais energia na fabricação. Além disso, esse tipo de embalagem é feita de papel virgem, não reciclado. O melhor mesmo, seria levar bolsas de tecido para fazer as compras!

 

Vilões do consumo de energia elétrica

 

O ferro de passar roupa, o chuveiro elétrico, o microondas e o ar condicionado são os principais vilões domésticos do consumo de energia elétrica. Mesmo assim, sabendo usar os equipamentos, pode ser feita uma boa economia. Por exemplo: usar, sempre que possível, o chuveiro na posição verão, usar o microondas racionalmente e juntar a roupa para passar de uma só vez – uma hora de ferro ligado equivale ao consumo de dez lâmpadas de 100 watts acesas no mesmo período!

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O Brasil-Itália e a Itália-Brasil que estão em mim

Ivonir Antonio Martinelli

Engenheiro Civil, Blumenau – SC

 

Ivonir buscou, desde criança, nos seminários capuchinhos, definir sua vocação de servir, cujos resultados apresentou na obra Dois Anos na Floresta Amazônica (2004).

"Ausentando-me por dois dias da Feira Internacional de Máquinas Têxteis de Milão, de que participava, visitei a Feira da Construção Civil (Fiera d’Eddilizzia), em Bologna. Era outubro de 1995. Simultaneamente às feiras, ocorria, em Bologna, uma grande manifestação da juventude contra o uso de tecnologia nuclear na geração de energia, promovida pelo centro acadêmico da universidade local, uma das mais antigas do mundo.

Ao final do dia, enquanto aguardava, na estação ferroviária, o trem de retorno a Modena, onde estava hospedado, fui abordado por alguns jovens sobre horários de trens. Expliquei-lhes que não podia saber, pois eu era visitante. Perguntaram, então, minha origem. Ao dizer-lhes que eu era brasileiro, uma moça, bem à italiana, espontânea, questionou, em talian:

– Con questa fàcia de talian?! (Com esta cara de italiano?!)

Obviamente estava à vista a minha italianidade. Quando, na final da Copa do Mundo, no México, em 1970, jogavam Brasil x Itália, fui questionado pelos meus colegas militares (eu servia ao Exército Brasileiro em Manaus, como sargento-topógrafo, na construção da BR 174 – Manaus-Boa Vista) se iria torcer pelo Brasil ou pela Itália. A pergunta me pareceu absurda, tão evidente era minha posição de brasileiro.

Num outro encontro de indústria têxtil, em Vijle, na Dinamarca, durante o jantar, olhares de pessoas vindas de diversas partes do mundo se voltaram, interrogativos, para mim, quando anunciaram a brasileiríssima música Aquarela do Brasil. Na mesma noite, fui apresentado a um pós-graduado europeu, palestrante do encontro, como um italiano que vivia no Brasil. Embora pareçam contraditórias, as duas posições são óbvias. Vivendo as duas nacionalidades desde a infância, não foi difícil aceitar essas conflitantes situações.

Nascido em São Domingos do Sul (RS), em 1949, batizado, com muito orgulho, pelo Cônego João Benvegnu, carrego comigo as qualidades e os defeitos de minhas origens e convivências italianas. Identificado com meus antepassados, vejo-me andando pelo Brasil e pelo mundo em busca de respostas para minha vida prática, curtindo a aventura de emoções fortes, até arriscadas, pois o risco sempre acompanhou minha vida.

De meus pais, herdei a enorme carga genética, e os primeiros modelos a seguir, embora com apenas oito anos tenha deixado a família para estudar no Seminário dos Capuchinhos de Vila Flores (RS). Afastei-me, assim, da mamma, cuja proteção e palavra sempre foram para mim lei sagrada, indicando os procedimentos permitidos ou proibidos, com generosa compreensão e tolerância. A vida austera de internato, com rigoroso regulamento, serviu de treinamento para minha futura vida militar (1968-1975) e a aceitação fácil do rigor da lei, contrariando tanto o jeitinho brasileiro como a tolerância italiana.

Guardo, também, de minha convivência com os freis Capuchinhos, a simplicidade franciscana e o desprendimento dos bens materiais, que formaram minha conduta, colocando a vida e a família com tudo o que elas compreendem, como valores prioritários, iluminados pela fé cristã, minha herança de berço italiano. A vida foi passando e continuo minha América sonhando" (ivamart@brturbo.com.br).

Ivonir se fez construtor e defensor da pátria sonhada, que seus antepassados cultivaram com o terço e a enxada. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (389)

Na bòcia par ària come se fusse per sbociar la luna

Marcelino Carlos Dezen

Caxias do Sul – RS

 

Riva el sabo e pena dopo disnar Nanetto va fora dela cusina par far la so pipada e el vede na turmeta postada ntel mato, che i ciàcola e i ride volentiera. I zera Jânio, Roque e el Gervásio che i se gavea combinadi de ndar là casa giugar el 48 co mi e el Edilson. El 48, para chi no sà, ze un giugo de bòcie pròpio bon. Se fa un sepo tondo de legno e sora se ghe mete quatro bòcie grande e in meso un bocin. Per giugar, se tol nantre quatro o sínque bòcie. Da distante 14 a 15 metri se le trà, una a una, in diression al sepo. Chi trà zo na bòcia del sepo fa quatro punti; chi trà zo el bocin, fa 12. Cada volta che se para via del sepo bòcia o bocin nte na medèsima giugada, se le mete de volta al sepo e così vai. Co se scomìnsia, no se se fermaria pi.

Fora dela cosina anca mi e Edilson, gavemo invità Nanetto a ndar là ntel mato anca lu. Co’l vede el sepo e le bòcie, el resta tuto corioso. Co scomìnsio spiegarghe come se giuga, el me interompe:

– No ocor spiegarme, nò. Mi son un dei meio de sto giugo. Varda, semo in sei, ma deme un de valtri come compagno che in due basta par vìnser i altri quatro!

Savé, rispeto el ze sempre bon. Lora, tuti noantri chieti perché el podea esser pròpio vero. Fati i due timi – tre cada banda, e nò due contra quatro come volea Nanetto – gavemo tacà el giugo.

– Ben, mi resto par ùltimo, dise Nanetto.

Alora, via sbociade. I bocin i saltea distante, roba bela de véder. Ma, cari da Dio, co riva la so ora de giugar, Nanetto ciapa na bòcia in man, la para torno, la giuga alto un meso metro par sentirghe el peso e el se parécia. Ghe ze quei che trà le bòcie fermi, e altri che i da tre quatro passi. Nanetto l’è restà indessiso. Noantri a torno, vardando quela figura. El va indrio tre quatro passi e alora el se mola. Ma, savì, in tera ghe ze na steca che no se pol passar via co se giuga la bòcia. Nanetto no la ga vista o calculà mal i passi e el se intrabuca. Co la bòcia in man el fa sete oto passi a rabalton, piegà avanti, squasi russando el naso in tera. No l’è cascà par poco. Noantri, tégnerse par no rìder, ma l’ometo ga disconfià.

– Vardé, se gavé voia de rìder, podì rìder perché go idea che go fato na bruta fegura.

Alora se la gavemo spacada a rìder de gusto. Nanetto se posta nantra volta, adesso fermo, co un pié sora la steca. El balansa el brasso tre quatro volte inquà e inlà e el mola quela benedeta bòcia. Maria Santa! Invesse de molarla suito, la ga tegnesta massa in man. Quela bòcia va su drita un 20 metri. Tuti a torno, e Nanetto insieme, se la gavemo tolta, chi par na banda, chi par quelaltra. La bòcia ze cascada due metri distante del posto che se le giughea.

– Ciò, Nanetto, ghetu smirà la luna che te la ghè trata su drita de sta maniera? Domanda Roque.

– Vutu coparme? Osa Edilson, dopo ver coresto 30 metri via pa’l mato.

– Nò, cagnera can! Credo che la go tegnesta massa in man.

Alora gavemo capio che quel cristian gavea mai giugà 48 ntela so vita. Vanti che’l se fessa de mal o che el smachessa na bòcia ntela testa de qualchedun, ghe gavemo spiegà polito come se giuga.

La prima bociada la ga passà sora el saraio del sepo più de sìnque metri, robe che la se perda ntel mato. Dopo el ga meiorà anca par quela, ma, pora la so squadra! I so due compagni – che par des-gràssia gèrimo mi e el Jânio – no gavemo guadagnà una, è.

– Varda, Nanetto, da qua due tre ani go idea che te pol diventar un bon giugador, lo coiona Jânio.

– È ben, sarà che ghe vol tuto sto tempo par imparar?

Mi go sgorlà la testa. Credo che Nanetto no’l impara mai. Come consolassion, almanco se pol dir che ndove ghe ze Nanetto insieme no ghe ze posto par la malinconia, ma tuti i motivi del mondo par rìder a crepapansa. Infine, Nanetto ze Nanetto.

 

VITA STÒRIA E FROTÒLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Le corse coi careti

Claudio Ganassin

Veneza, Itália

Go pena finio de ledar el Nanetto Pipetta scrito dal Marcelino Dezen, la stòria dela edission del 22/11, quela che Nanetto ga sbregà na culata! Me ga piasesto tanto tanto perché anca mi, na cinquantina de ani fa, fea le corse coi careti zo par la montagna.

A quei ani, la me fameia costumava far le vacanse de istà nte na caseta su nel Tirolo Italiano, par esser precisi, in Val Sugana, visin a Trento. Mi, in Venessia, mai avevo visto ste robe, ma stando in paese e zugando coi fioi dei montanari, fea sta roba dei careti co luri anca mi.

Se partiva davanti la cesa, che stava più in alto, e zo fin la piassa del paese. Un giorno, cari, no son stà bon controlar sto maledeto careto e son ndà finirla drito rento el rio, che scoreva fianco la stradela. E oltre a finir in aqua, nissun problema par mi, venesian, ma sucede che go batesto la testa contro un sasso e zo sangue... Meso inseminio, son stà tirà fora del aqua da un omenon che stava là. No capia cossa che gera sucedesto, no capia gnente, storno, mal de testa...

La go finida a casa de na vècia del paese co fama de curandera, che me ga ligà na fassona intorno la testa, dopo aver disinfetà co aseo el maledeto taio, un mal pedo de prima. Dopo via a casa, dove me pare squasi me ciapa a peade ntel cul, perché lu volea mia che fesse quel zugo de mati. Se no credì, go ncora na foto che se vede el Claudio co le braghete curte e la fassa intorno a la testa.

Congratulassion al Marcelino per le bele stòrie che’l mete su nel Ritorno de Nanetto. Le me fa rìder, me serena, me impienisse la testa de boni pensieri, me trasporta in un mondo che go cognossesto da putel e che ora vedo ndar via velosmente.

 

Careti de rode de legno

Geraldo Sostizzo

Cascavel – PR

 

Al sabo dopo mesogiorno e a la doménega e anca quando piovea, se no gèrimo drio cassar, pescar o dugar la bola, ndeimo far careti. I primi careti li feimo con una sol roda davanti, due rode dadrio, chiuse tela ponta de un toco de legno quadrà e ligando la roda davanti con le due da drio, ghe meteimo na tola de un metro de longhessa. Pi tardi, ghemo scominsià farli pi moderni.

Dopo ghemo industrià farli con due rode davanti e due dadrio, col esso davanti tacà par un ciodo o un pino centrale. Lora se podea guidarlo coi pié, feimo incroci, schivaimo i sassi, se speleimo tute le caice. Mia contenti con questo, ghemo fato na diression con un toco de coro ligà te na roda che servia de diression. Le rode le feimo col facon e dopo le spianeimo con un toco de viero, par dassarle ben piane, le restea pi bele che fate con la sega.

I busi in meso le rode li feimo con un ciodo metesto tele bronse, fin che el restea rosso e dopo pimpian sbuseimo le rode. E par tacar le rode tel esso, ghe pianteimo un ciodo longo un palmo. Cadauno fea el so careto e tuti volea farlo el pi bel e quel che, tela medèsima riva, ndea pi distante e pi presto, gavea el meio careto. Cateimo fora na riva longa, podea èssere distante de casa, no volea dir, e su e zo la doménega intiera.

Le rode le feimo con na tola grossa pi de tre centìmetri e sempre de legno duro. Quando torneimo casa, a la doménega, sempre manchea onge, se ghea le gambe spelae, i brassi insanguanai, el naso spacà… Me ricordo, na volta un visin, che catea ver el meio careto, el volea far le manobre pi difìcile, quando el ga ciapà un sasso te na roda, el ga impegnà el pié soto el careto, e quando el se ga fermà el gavea spelà tuta na banda del pié, spacà due dei e perso due onge e l’è ndà casa piandendo.

 

GERAL

Santa Tereza é a capital gaúcha da hospitalidade

História, natureza e religião são atrações

 

Santa Tereza, localizada na região nordeste do Rio Grande do Sul, é a capital gaúcha da hospitalidade. O título foi concedido pelo Instituto de Hospitalidade.

Os casarões do município fazem parte do conjunto histórico que está sendo tombado através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), mas esta é apenas uma das atrações que Santa Tereza oferece. Tranqüilidade e belezas naturais também fazem parte do cenário. Na Casa Prezzi, construção de 1905, até hoje funciona um armazém, aos moldes do passado, com tecidos em metro e arroz à granel. No porão, os futuros herdeiros fazem planos para instalar um restaurante.

A torre da igreja é uma réplica de San Biaggio di Callalta, em Treviso, Itália, cidade com a qual Santa Tereza está fazendo um gemelaggio (cidades-irmãs). O local abrigou também a primeira fábrica de acordeões do Brasil. Atualmente, o prédio aguarda restauração para dar início ao Museu do Acordeão.

Tomando a balsa que cruza o rio Taquari, em 20 minutos chega-se ao município de Muçum, onde é possível visitar canaviais e cachaçarias centenárias. Uma ponte pênsil e a Gruta Nossa Senhora de Lourdes também atraem os visitantes.

A comunidade começou a ser povoada em 1877, principalmente por italianos e poloneses. Em 1992, emancipou-se de Bento Gonçalves. Hoje, tem cerca de dois mil habitantes e sua economia é baseada na agricultura, com destaque para a uva e os hortifrutigranjeiros.

 

Dupla Gre-Nal está na Libertadores

Todos os clubes da elite permanecem na primeira divisão

 

São Paulo tetracampeão do Brasil, Internacional e Grêmio classificados para a Libertadores 2007 e, pela primeira vez neste século, nenhuma equipe do Clube dos 13, a elite do futebol brasileiro, tendo que enfrentar o vexame da segunda divisão. O título ficou, com méritos, para o São Paulo, que realizou uma excelente campanha sob o comando de Muricy Ramalho. O técnico são-paulino quebrou a injusta fama de eterno "vice". Neste ano, ele perdeu o título da Libertadores para o Internacional, com quem foi vice no Brasileirão do ano passado.

Para a dupla Gre-Nal foi um bom campeonato. Desde 1988 os dois clubes gaúchos não realizavam uma campanha tão expressiva como a deste ano. Para o Juventude, o ano foi regular. Obteve apenas a 14ª colocação e por apenas um ponto ficou fora da Sul-Americana. Como consolo, resta ao clube caxiense a permanência entre os grandes do futebol brasileiro.

São Paulo, Internacional (atual campeão), Grêmio e Flamengo (campeão do Copa do Brasil) estão garantidos na Copa Libertadores, que será realizada de 31 de janeiro a 20 de junho de 2007. Santos e Paraná disputam a pré-Libertadores. O Brasileirão da Série A de 2007 será disputado nos mesmos moldes do campeonato deste ano, com 20 clubes. A competição será realizada de 13 de maio a 2 de dezembro, com 38 rodadas. A Série B também inicia no dia 13 de maio e encerra no dia 24 de novembro.

 

Vitoriosos das séries A e B e os rebaixados

 

As quatro vagas deixadas por Ponte Preta, São Caetano, Fortaleza e Santa Cruz na Série A do Brasileirão de 2007 serão ocupadas por Atlético-MG (um dos grandes que no ano passado caiu para a segunda divisão), Sport, Náutico e América-RN. Eles foram, na ordem, os primeiros colocados da Série B e deixaram para trás equipes que já brilharam na primeira divisão, como Coritiba, Portuguesa, Ceará, Remo, Gama e Guarani.

A pior situação é a do Guarani de Campinas, campeão da Série A em 1978, que foi rebaixado para a Série C. Ele vai fazer companhia ao Bahia, outro campeão nacional, que neste ano lutou para subir à Série B, mas não conseguiu. Melhor sorte tiveram Criciúma-SC (campeão da Série C), Ipatinga-MG, Vitória-BA e Barueri-SP, que voltam a integrar a Série B.