LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.018 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 13 de dezembro de 2006.

 

 

EDITORIAL

Aumento da esperança de vida e necessidade de amparo social

Tão importante quanto a quantidade de anos vividos é a qualidade

 

Na última década, o número de brasileiros com 65 anos ou mais saltou de sete para 9,9 milhões. Deverão ser 49 milhões em 2050, de acordo com estimativa do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento da expectativa de vida, efeito da queda da taxa de mortalidade infantil e de melhorias nas condições de acesso a serviços de saúde, coloca o país no caminho do envelhecimento da população.

É muito bom que a esperança de vida de um povo seja a mais longa possível. Ela tem aumentado gradualmente no Brasil, atingiu 71,9 anos em 2005, mas mesmo assim estamos bem distantes dos países que lideram o ranking da Organização das Nações Unidas (ONU), todos acima da faixa de 80 anos.

A comparação com outros países remete, automaticamente, a outra questão: tão importante quanto a quantidade de anos vividos é a qualidade de vida. E nesse aspecto, as perspectivas para o brasileiro não são nada otimistas.

Milhões de idosos sofrem hoje para sobreviver com aposentadorias injustas, com a dificuldade de conseguir atendimento médico-hospitalar adequado, enfim, com o desamparo social quase que generalizado a que são submetidos. No horizonte de providências para reverter esse quadro destacam-se apenas velhos discursos e programas insuficientes inclusive para a demanda atual – deficiência que tende a se expandir se as previsões demográficas forem confirmadas.

Há um flagrante vácuo entre as medidas que deveriam ser tomadas para proteger as pessoas de idade avançada – normalmente excluídas do mercado de trabalho e, muitas vezes, até do convívio familiar – e a realidade. E chegar ao fim da vida sem um mínimo de alegria e de dignidade é um futuro que nenhum ser humano merece.

Os idosos até que foram beneficiados com direitos especiais nos últimos anos, especialmente no campo do respeito pessoal. Mas falta à grande maioria a segurança para um final de vida tranqüilo, ou pelo menos descente, do ponto de vista financeiro e social. O governo federal comemorou o aumento da expectativa de vida. Espera-se que junto à satisfação de anunciar esse avanço esteja a preocupação, mais do que isso, a conscientização de que o país precisa se preparar para atender as necessidades de uma população envelhecida. Para isso precisa acordar logo, pois há muito tempo a recuperar.

 

CAXIAS DO SUL

Água potável a 432 famílias rurais

Doze localidades caxienses receberão poços artesianos

 

Quinze localidades do interior caxiense serão beneficiadas com a perfuração de poços artesianos comunitários para fornecimento de água potável. Três deles são de responsabilidade exclusiva do Samae, 12 fazem parte de parceria entre a autarquia responsável pela água e esgoto do município e a Secretaria Municipal da Agricultura. A iniciativa integra o programa "Água limpa" e visa atender "as comunidades que apresentam situação mais crítica de abastecimento de água".

O problema começou a ser detectado com maior profundidade a partir de junho passado, em função dos efeitos provocados pela estiagem. Mas o quadro de dificuldades existe há anos, como comprovam centenas de análises da qualidade de água consumida pelas famílias rurais caxienses. Apesar disso, nas demandas escolhidas para serem realizadas através do Orçamento Comunitário – processo de participação popular na destinação de recursos municipais -, nenhuma comunidade colocou água como prioridade. A maioria elegeu asfalto. "Nosso objetivo é levar água potável e saneamento ao maior número possível de famílias. Estamos iniciando pelos mais necessitados", avalia Nestor Pistorello, secretário da Agricultura.

Pelo programa, Samae e Secretaria vão perfurar os poços, instalar bombas de recalque e reservatórios. A rede ficará por conta dos usuários, bem como a manutenção dos poços. "Os poços serão doados, mas caberá a cada localidade administrá-los", reforça Pistorello, prevendo a criação de associações para esta finalidade.

O secretário da Agricultura não tem números definitivos de investimentos. Diz que as obras estão em processo de licitação, estima em torno de R$ 20 mil por cada poço e salienta que a tendência é de as perfurações iniciarem em janeiro próximo. Nesta etapa que será executada pela parceria, os 12 poços abrangerão 432 famílias de 12 localidades. "A princípio, a água será apenas para o consumo humano", explica Pistorello. Ele não sabe especificar a demanda do município, admite que é bem maior que o número atendido nessa fase, na medida em que o número de famílias rurais gira em torno de 5.000, e que mais poços deverão ser perfurados através desse programa.

 

Agricultor consome água contaminada

 

O agricultor caxiense, assim como a quase totalidade dos agricultores da região, bebe água sem qualidade há muito tempo. Em março de 2002, matéria do Correio Riograndense revelou que de 520 amostras de água colhidas em fontes de localidades do interior da Serra gaúcha, 501 (96,3%) estavam contaminadas, a maioria por coliformes fecais. No ano seguinte, o jornal voltou ao tema informando que das 37 fontes analisadas em Caxias e Farroupilha, 36 tinham problemas. O quadro, a julgar por novos dados, piorou.

Nos nove primeiros meses de 2006, a Vigilância Ambiental – órgão vinculado à Secretaria da Saúde de Caxias – analisou 624 amostras de água colhidas em propriedades do interior. Resultado: todas estavam contaminadas por coliformes fecais ou totais ou em menor incidência, ferro ou manganês. "Enquanto não houver uma ação mais eficiente com programas de proteção de fontes e tratamento de água para consumo humano, o problema continuará", avalia a bióloga Sueli Dea Matos, coordenadora da Vigilência Ambiental.

 

Identidade digitalizada para o caxiense

 

Desde quarta 6, o Posto de Identificação de Caxias do Sul encaminha a Carteira de Identidade totalmente digitalizada. Pelo novo processo, o documento tem a fotografia feita no momento da solicitação, sem custos para o cidadão, e as impressões digitais são colhidas com scanner, sem uso de tinta. O prazo para entrega reduziu para três dias. Até o final do ano haverá 52 postos regionais com novos equipamentos no Estado, cinco deles na Serra – Caxias, Bento Gonçalves, Gramado, Vacaria e Lagoa Vermelha.

Para a confecção da Identidade é necessário certidão de nascimento ou casamento e pagar a taxa (1ª via R$ 23,79, 2ª via R$ 33,98) no Banrisul. Estão isentos menores de 16 anos, se for a 1ª via; maiores de 65 anos, no caso da 2ª via, e os indivíduos que comprovarem estado de pobreza. A identidade atual não tem prazo de validade, portanto, não é obrigação fazer o novo modelo.

 

REPORTAGEM

Pesquisas mostram um novo retrato do Brasil

Crescem expectativa de vida e número de divórcios; cai taxa de mortalidade infantil

 

A expectativa de vida do brasileiro subiu para 71,9 anos em 2005, o que significa aumento de dois meses e dois dias na comparação com o ano anterior. As mulheres vivem, em média, 7,6 anos a mais do que os homens. A esperança de vida para o sexo feminino é de 75,8 anos e para os homens, de 68,2 anos. Nos últimos anos, o crescimento da expectativa tem sido gradual. Era de 62,5 anos em 1980 e saltou para 70,5 em 2000. Agora, em meia década, os brasileiros ganharam um ano e quatro meses de vida. Esses dados fazem parte da pesquisa Tábua da Mortalidade, realizada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A mulher vive mais em praticamente todos os países. Mas a diferença no Brasil é bem mais acentuada. Motivo: alta taxa de mortalidade entre jovens do sexo masculino. Quanto mais violento o Estado, maior é a distância da esperança de vida entre homens e mulheres. No Rio de Janeiro, por exemplo, é de 8,9 anos; no Ceará, atinge 8,8 anos; em Roraima, 4,9 anos; Tocantins tem a melhor proximidade: 4,5 anos.

Os Estados do Sul estão entre os seis com mais alta esperança de vida. Nessa lista liderada pelo Distrito Federal, com 74,9 anos, Santa Catarina fica em segundo, com 74,8 anos e o Rio Grande do Sul em terceiro, com 74,5 anos. Paraná é o sexto colocado, com 73,5. Na outra extremidade estão Alagoas (66 anos), Maranhão (66,8) e Pernambuco (67,5). Para dimensionar a diferença, uma menina nascida no Distrito Federal no ano passado tinha a expectativa de viver 78,7 anos; a que nasceu em Alagoas, apenas 62 anos. Mas essa distância vem encurtando: justamente os três Estados pior posicionados ganharam mais anos de vida de 2000 a 2005 – 2,1 anos para Alagoas e Maranhão, dois anos para Pernambuco – contra a média nacional de 1,4 ano.

A Tábua da Mortalidade revela ainda que um brasileiro que tinha 10 anos em 2005 viverá mais 60,8 anos se for homem e 68 anos se for mulher. Para quem tinha 50 anos, a expectativa era de mais 26,4 anos de vida no caso masculino e 30,4 anos no feminino.

 

População no rumo do envelhecimento

 

De 1991 a 2000, período base para o estudo do IBGE, o número de chefes de família com mais de 65 anos cresceu 49%: de 4,3 milhões para 6,4 milhões. Nessa década, o total de idosos pulou de 7 milhões para 9,9 milhões, acréscimo 41% – contra 15,7% da população em geral do país. Como decorrência, o percentual de brasileiros com mais de 65 anos passou de 4,8% para 5,8% da população. Ainda segundo o IBGE, em 2000, 690 mil netos e bisnetos viviam em famílias sob responsabilidade de seus avós e sem a presença dos pais – 52,4% a mais que em 1991.

Há pelo menos dois fortes motivos para o envelhecimento populacional. Um está associado à elevação da expectativa de vida, devido à redução da mortalidade infantil e de melhores condições de acesso aos serviços de saúde. Outro é a redução da taxa de fecundidade brasileira, que em 2003 bateu nos 2,1 filhos por mulher.

A estimativa do IBGE é que, em 2050, existam 259 milhões de habitantes no Brasil, sendo 49 milhões com 65 anos ou mais, 46 milhões entre 0 e 14 anos e 165 milhões entre 15 e 64 anos, idade potencialmente ativa para o trabalho. "O Brasil ainda não pode ser considerado um país com uma população envelhecida, mas estamos caminhando para isso", disse o pesquisador do IBGE Juarez de Castro Oliveira.

 

RS tem o mais baixo índice de mortalidade infantil

 

A taxa brasileira de mortalidade infantil caiu de 26,6 mortes por mil nascidos vivos, em 2004, para 25,8 mortes em 2005. A redução, de 0,8 ano, manteve a média registrada desde 2000, quando a taxa estava em 30,1. Mas segundo Juarez Oliveira, do IBGE, o Brasil está numa posição apenas levemente superior à de El Salvador, país que se recupera de uma guerra civil.

Com 16,7 mortes por mil nascidos vivos, o Rio Grande do Sul tem a menor taxa de mortalidade infantil do país. O patamar é próximo ao da Rússia (16,9) e ao da Argentina (15). O pior indicador é de Alagoas, com 63,8 por mil nascimentos – acima inclusive do Haiti (61,6), o país mais pobre do continente. Os Estados que apresentaram melhoria mais acelerada de 2001 a 2005 foram Paraná e Piauí, com queda de 16,7%. Roraima (12,2%), Goiás e Rondônia (13,4%) tiveram as menores reduções.

 

Número de divórcios e casamentos cresce

 

A taxa de divórcios entre brasileiros com 20 anos ou mais passou de 1,2 para 1,3 por mil pessoas de 2004 a 2005. É o mais alto patamar desde 1995. Foram 150.614 processos, ante 130.527 em 2004. Mas o número de casamentos também aumentou. Em 2005, foram realizados 835.846 casamentos no Brasil, 3,6% a mais que em 2004 (806.968). Os dados foram apurados por pesquisa divulgada na semana passada pelo IBGE, a partir de estatísticas do Registro Civil.

Dos casamentos realizados em 2005, 85,9% eram de pessoas solteiras – logo abaixo dos 86,4% de 2004. No período entre 1995 e 2005, a tendência foi de queda contínua nos casamentos entre solteiros, com pequena desaceleração em 2003. Os casamentos entre divorciados também aumentaram de 0,9% para 2,0%. A região com maior crescimento de divórcios é a Sudeste e Norte, com 21,8% e 17,8%, respectivamente. As com menor foram Centro-Oeste (2,9%) e Sul (5,8%). No Rio Grande do Sul houve 35.844 casamentos em 2005 e 35.072 em 2004; 7.882 divórcios no ano passado e 7.532 em 2004.

 

Mortes por violência têm pequena queda

 

Diante da tragédia que vinha em permanente crescimento, o dado do IBGE é alentador: diminuiu o número de mortes violentas entre jovens e adolescentes. Em 2005, a violência (basicamente homicídios e acidentes de trânsito) matou 125,2 jovens e adolescentes por grupo de 100 mil brasileiros; em 2004, foram 137,4 mortes.

A violência prevalece como causa de morte entre homens, em especial na faixa dos15 a 24 anos. O percentual de óbitos masculinos enquadrados nesse perfil subiu de 60% em 1990 para 70,2% em 2002.

 

Há um indigente para cada dez brasileiros

 

O número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza no Brasil apresentou uma melhora nos últimos cinco anos, de acordo com o estudo apresentado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Porém, 10,9% dos brasileiros ainda são considerados indigentes conforme o Panorama Social da América Latina 2006.

Em relação aos outros países da América Latina, o Brasil está em quinto lugar entre os menores índices de indigência, atrás do Uruguai, Chile, Costa Rica e Argentina. O país com maior índice é Honduras, com 53,9%, que vem seguido do Paraguai, com 32,1%.

 

AGRONEGÓCIO

Projeto garante verbas ao Ibravin

Vinícolas podem encaminhar 25% dos recursos do Fundovitis diretamente ao Instituto

 

Projeto de lei do governo do Estado, encaminhado para a Assembléia Legislativa, na sexta-feira 8, dá novo fôlego ao Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). O projeto garante que 25% dos recursos que as vinícolas destinam ao Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis) sejam encaminhados diretamente ao Ibravin. "Outros 15% poderão ser destinados por convênio, em negociação anual com o governo", adianta o presidente-executivo do Instituto, Carlos Paviani.

O projeto aperfeiçoa o texto de 1997 em relação à sistemática de repasses dos valores conveniados e afasta a crise que estava se abatendo sobre o Instituto do Vinho. "A proposta mantém os atuais patamares financeiros e tem por objetivo a otimização do fluxo de recursos", justificou o chefe da Casa Civil, Josué Barbosa

O projeto resulta de ampla discussão com as entidades que congregam o setor da uva e do vinho do Rio Grande do Sul, visando atender as iniciativas em andamento nessa área. "Nos últimos meses estivemos reunidos com essas entidades na busca de entendimento. Com este projeto estaremos garantindo o aperfeiçoamento e crescimento da cadeia produtiva", acrescentou Josué.

De acordo com informações do departamento jurídico da Casa Civil ao CR, a proposta deverá ser apreciada pela Assembléia Legislativa até o final do mês. A sua aprovação para este ano depende, principalmente, da força política do setor junto aos deputados, disse uma fonte da Casa Civil do Estado.

Destino – As verbas previstas no projeto garantem o funcionamento do Laboratório de Enologia e o andamento do Cadastro Vitícola, do Plano Estratégico 2025 e dos cursos de capacitação. "O dinheiro é importante também para a promoção dos vinhos brasileiros", afirma Paviani.

 

Brasil importa 32% a mais de vinhos

 

As vinícolas brasileiras venderam praticamente 15 milhões de litros de vinho a menos nos dez primeiros meses de 2006 na comparação com igual período do ano passado. A queda foi registrada tanto nos vinhos de mesa – em percentual mais elevado – quanto nos finos. Ao mesmo tempo, continuou crescendo a participação de importados no mercado nacional. Essas informações foram divulgadas por Darci Dani, diretor executivo da Associação Gaúcha de Vinicultores, entidade que congrega empresas responsáveis por 40% do vinho produzido no país.

De janeiro a outubro de 2005 foram comercializados, em números redondos, 203 milhões de litros de vinho de mesa e 17,2 milhões de litros de vinhos finos. Em 2006, foram 189 milhões de litros de vinhos comuns e 16,4 milhões de litros de finos. No geral, a queda foi de 6,7% – 6,7% nos de mesa e 4,6% nos finos. "Alguém está tomando esse mercado", afirma Dani.

Nos dez meses iniciais de 2006 o Brasil importou 41 milhões de caixas (com 9 litros cada) de vinhos finos. O volume representa aumento superior a 32% em relação a idêntico período de 2005, quando ingressaram 31 milhões de caixas. Cresceu mais ainda (43,5%) o ingresso de espumantes estrangeiros no país: de 257 mil caixas (de 9 litros) para 369 mil caixas. "Algo precisa ser feito com urgência para impedir que os importados tomem conta e sufoquem um setor importante para a economia gaúcha e brasileira", comenta Dani.

 

Laren terá R$ 1 mi para equipamentos

 

Os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário liberaram cerca de R$ 1 milhão para a compra do espectrômetro de massa isotópica para o Laboratório de Referência Enológica (Laren). O equipamento deve chegar dentro de seis meses e é destinado à análise do oxigênio 18 (água exógena). "Trata-se de um equipamento complementar ao de análise de isótopos de carbono. Porém, automático e mais ágil", explica a coordenadora do Laren, Regina Vanderline.

 

Leilão do vinho fica sem compradores

 

Não houve comprador no segundo leilão do vinho, por meio do PEP, ocorrido na última semana. Dos 6,4 milhões de litros ofertados, resta um milhão da safra 2006. "Estamos entrando em contato com a Conab, pois as vinícolas pretendem negociar novo pregão para 2007", adianta o diretor-executivo da Fecovinho, Elio Marchioro. De acordo com ele, empresas estão interessadas na compra, mas faltou tempo para preparar a documentação exigida para o leilão.

 

Agavi festeja 25 anos e escolhe Panizzon presidente

 

A Associação Gaúcha dos Vinicultores (Agavi), que no sábado 9 festejou 25 anos de atividades, em Flores da Cunha, troca de comando a partir de 1º de janeiro. Júlio Fante será sucedido na presidência da entidade por Benito Panizzon, 45. Integram ainda a diretoria da Agavi para o mandato de dois anos Benildo Perini, Júlio Fante, Arnaldo Passarin, Gilmar Malacarne, Adelar Galiotto, Cladir Mioranza e Evandro Lovatel.

Além de manter os avanços da atual diretoria, Panizzon pretende trabalhar para fortalecer o Ibravin e aproximar ainda mais as entidades do setor da uva e vinho. "Outra meta é retomar o projeto do vinho como complemento alimentar, amenizar os estragos causados pela pérola-da-terra (pior praga das videiras), intensificar a qualidade e produtividade das uvas e promover os vinhos", destaca o novo presidente da Agavi.

A Agavi possui 72 vinícolas associadas, presentes em nove municípios – oito da Serra gaúcha e uma em São José do Ouro. Ela representa empresas responsáveis por 40% da produção de vinho do Rio Grande do Sul, Estado de origem de 90% do vinho brasileiro.

 

Flexibilizado registro de genéricos

Processo simplifica a liberação e o controle dos agrotóxicos

 

Agrotóxico agora é genérico. O presidente Lula assinou o decreto 5.981/06, que pretende simplificar o registro da fabricação de agroquímicos genéricos. A legislação anterior era alvo de críticas dos representantes do setor primário, que reclamavam da demora na liberação de registros de produtos ou mesmo da ineficácia de mecanismos que reduzissem o teor de substâncias tóxicas nos alimentos.

Os objetivos do governo com o decreto são de garantir a qualidade das exportações dentro dos padrões internacionais, reduzir custos para a agricultura, aumentar a competitividade do produto agrícola nacional no exterior, aumentar a oferta dos produtos e reduzir o custo dos alimentos.

Custos – Com o novo decreto, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) estima que o tempo necessário para obter o registro de agrotóxicos seja reduzido pelo menos à metade dos atuais quatro anos – o decreto prevê 150 dias. A entidade espera também a redução nos custos. "Poderemos inverter a situação e transferir renda de meia dúzia de multinacionais para milhões de agricultores. Isso significa pelo menos R$ 3 bilhões por ano", disse a vice-presidente da CNA, Kátia Abreu.

As ações e medidas previstas no decreto devem agilizar a análise de registro de novos agrotóxicos e facilitar a fiscalização, "sem oferecer riscos à qualidade, segurança e eficiência dos procedimentos. Com maior oferta no mercado, os produtos devem ficar mais baratos, baixando o custo de produção dos agricultores em um curto espaço de tempo", estima o técnico do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Lúcio Rangel.

Dentre as medidas estão ainda o estabelecimento de critérios para registro de produtos equivalentes, para evitar testes desnecessários e reduzir o sacrifício de animais de experimentação. Está prevista também a simplificação do registro temporário para pesquisa e experimentação. "Estou certo de que as questões ambientais e de saúde pública estão contempladas nas novas regras", salientou o secretário-executivo interino do MMA, Silvio Botelho.

Para os produtos com baixa toxicidade e risco ambiental, mais utilizados na agricultura familiar (feromônios, semioquímicos, bioquímicos, microbiológicos e inimigos naturais), serão publicadas normas para disciplinar e promover novos registros.

 

Lentidão marca liberação de produtos

 

O volume de agrotóxico em uso no Brasil aumentou quatro vezes nos últimos dez anos. Só em 2005 o país produziu e comercializou cerca de 400 mil toneladas. A lei do agrotóxico é de 1989 e sua primeira regulamentação foi o decreto nº 98.816/90.

A lei passou a regulamentar, dentre outras coisas, a experimentação, utilização, o registro e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins.

O decreto vigente (nº 4074/2002) tornou a avaliação mais completa. No entanto, o processo tornou-se mais demorado e caro, tanto para as empresas quanto para o setor público.

De acordo Tereza Campelo, da Casa Civil, o governo federal tinha a preocupação de harmonizar a legislação com os parâmetros estabelecidos pela Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

 

Weber lidera chapa à presidência da Fetag

 

Tudo indica que o atual secretário-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), Elton Weber, será o novo presidente da entidade. Já Sérgio de Miranda deve continuar ocupando a vice-presidência. A nova diretoria será eleita no dia 3 de janeiro de 2007.

O atual presidente da Fetag, Ezídio Pinheiro, disse que a nominata da chapa única é o resultado de um trabalho de quatro anos "em que o movimento sindical esteve integrado em suas lutas e conquistas."

 

Projeções da Conab indicam safra recorde

 

A produção nacional da safra de grãos 2006/2007 deve ser de 120,2 milhões de toneladas, o que representa 274,1 mil toneladas ou 1,1% a mais que a anterior (119,9 milhões/t), estima a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o presidente da estatal, Jacinto Ferreira, apesar da redução de plantio de algumas culturas, o bom desempenho se mantém por causa das variações positivas do clima em quase todo o país. A área cultivada está calculada em 45,2 milhões de hectares.

 

Colheita dever ser 3% maior, segundo IBGE

 

A produção nacional de grãos deste ano deve ser 3% maior que a do ano passado. A estimativa do IBGE mostra que a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2006 vai atingir 115,9 milhões de toneladas. Em 2005, a produção foi de 112,6 milhões de toneladas.

O milho terá uma colheita quase 50% maior que no ano passado; enquanto que a soja será 2,1% maior do que em 2005. Juntos, os dois produtos respondem por 80% da produção de grãos do país. O trigo terá redução de 51,9%.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Feijão fava

Por que o feijão fava não é largamente cultivado em nosso Estado, sendo um alimento excelente? Além da dificuldade em encontrar sementes no mercado local, soube que a maioria delas é importada. Como produzir para continuar fazendo "minha gostosa sopa" e onde encontrar sementes adaptadas à nossa região?

Frei Osébio Borghetti

Caxias do Sul – RS

O amigo menciona a dificuldade de encontrar vagens de fava para consumo. De fato, o consumo é pequeno e já foi bem maior. Ficou reduzido por vários motivos que tratarei neste artigo. No meu tempo de guri e jovem era comum a expressão "mandar às favas", que significava mandar embora alguém inoportuno; e a expressão "favas contadas", no sentido de coisa certa, de vantagens garantidas. A maioria das pessoas de hoje não conhece favas, desconhece portanto o que significam essas expressões.

De acordo com as fotos enviadas, trata-se da fava italiana, conhecida cientificamente como Vicia faba L., da família das leguminosas papilhonáceas, cultivada na Itália desde a antigüidade. A fava é considerada a mais antiga das leguminosas cultivadas pelo homem.

Não é de admirar, pois, que os imigrantes italianos tenham trazido em suas bagagens sementes de fava e as cultivavam para aproveitá-las como alimento.

Descrição – É de caule ereto de até 1,20 cm de altura, com folhas alternas, pecioladas e paripenadas, geralmente com 2 ou 3 pares de folíolos, elípticos ou ovados. As flores, hermafroditas, pentâmeras, de cor branca ou rósea com máculas nas asas, reunidas em cachos de 2-8 unidades; o fruto é vagem reta, ou curva, pubescente por fora, viscosa interiormente, contendo 3-8 sementes grandes branco-esverdeadas.

Existem diversas variedades introduzidas, algumas de porte baixo. Quando estive, anos passados, em Lima, capital do Peru, verifiquei nos mercados a fava ou feijão de lima, de vagens e sementes maiores que as italianas.

Clima e solo – As favas preferem clima temperado, não vão bem em temperaturas altas, mas resistem aos frios de inverno, inclusive geadas, próprias do nosso Estado. Quanto ao solo é planta exigente em fertilidade, rico em matéria orgânica e de baixa acidez, com pH de 6 a 6,9, obtida através de calagens; é muito exigente em bóro, um microelemento essencial ao crescimento e à produção da fava, necessitando adubação com o bórax.

Plantio – A semeadura é efetuada nos meses de maio, junho e julho em nossa região, colocando-se as sementes graúdas em sulcos espaçados de 1 metro, um do outro, colocando 2 sementes por cova, a cada 40 a 50 cm, cobrindo-as com 4 a 5 cm de terra. A colheita inicia 90 dias após a semeadura, a partir de setembro e vai até dezembro do mesmo ano.

Consumo – As razões do pequeno uso da fava merecem estudo especial. Não há estímulo nem divulgação para o consumo e a produção da hortaliça. A maioria das pessoas não usa, nem conhece o valor nutritivo da fava, por um lado. Por outro, talvez a cultura não seja suficientemente compensadora porque exige tecnologia especializada para seu cultivo: correção da acidez do solo, que nessa região é elevada. Para tanto é necessário uma adubação bórica, para que a produção seja rendosa. O bórax pode ser aplicado diretamente na cova, na hora da semeadura, ou melhor, ainda, em pulverização foliar. A aplicação deve ser quinzenal para maior rendimento.

 

SAÚDE

Protetor solar ganha novos atributos

Na hora de escolher o produto, é preciso considerar o tipo de pele e de exposição

 

"Passar protetor solar diariamente". A recomendação é antiga, mas ainda pouco seguida. Apesar das inúmeras opções que o mercado oferece, a estimativa nacional é de que 70% da população não utiliza proteção. Neste verão, além do já conhecido fator de proteção solar (FPS), os produtos disponíveis anunciam atributos como combate aos radicais livres, proteção da imunidade e do DNA das células, prevenção contra rugas e manchas, filtros fotoestáveis. Mas, afinal, o que significa tudo isso? Qual a melhor opção?

Os especialistas alertam que nem sempre o produto mais novo, caro e com mais princípios ativos em sua composição é o mais indicado. Antes de mais nada, é preciso considerar o tipo de pele e de exposição ao sol. Quando o objetivo é curtir horas de praia ou piscina, o mais importante é escolher um produto com FPS adequado. Se a intenção é proteger-se do sol de todos os dias, vale a pena investir em um produto com outros agentes, que também tratam e hidratam a pele, além da proteção contra os raios ultravioleta.

Até pouco tempo mantida em segundo plano, hoje a proteção contra os raios ultravioleta do tipo A (UVA) é unanimidade entre os médicos. Este é um dos atributos que deve ser levado em conta na hora de escolher um produto. Os raios UVB são mais agressivos, mas estudos vêm provando que os UVA também podem degenerar as células e causar câncer. A radiação UVA, que incide o tempo todo sobre o planeta, ainda é a principal responsável pelo fotoenvelhecimento da pele, pela formação de manchas e pelas alergias de sol. Presentes em menor quantidade, os raios UVB são mais incidentes das 10h às 16 horas. Como os efeitos dos UVA não são tão visíveis, porque não queimam a pele, a pessoa acaba expondo-se mais do que deveria.

Para os raios UVB, existe uma medida padrão de proteção, facilmente encontrada nos produtos disponíveis no mercado, é o chamado FPS. Já a proteção contra os UVA não é tão clara, nem todos os produtos trazem esta informação na embalagem. As duas medidas mais comuns para a radiação UVA são o PPD e a porcentagem. Porém, não há consenso sobre qual dessas medidas é mais adequada. Estudos recentes tendem a confiar mais no PPD, mas não são conclusivos. Segundo os especialistas, o ideal é que o PPD corresponda a pelo menos um terço do FPS do produto. Então, se o protetor solar tiver FPS 15, o PPD deve ser, no mínimo, 5.

 

Função do produto é preservar o DNA

 

A chamada fotoestabilidade é outra característica importante dos protetores que começa a ser informada em alguns rótulos. Trata-se da capacidade de os filtros manterem-se estáveis e ativos com a luz solar.

Alguns produtos também anunciam a proteção do DNA das células, mas os dermatologistas destacam que não há novidade nisso. Segundo eles, proteger o DNA sempre foi a principal função do protetor solar. É justamente isso que previne as manchas e câncer de pele.

A propaganda anti-rugas também não é nenhuma novidade. Essa é uma conseqüência do combate eficaz ao envelhecimento causado pelo sol, que sempre foi a proposta do protetor. Evidente que há produtos enriquecidos com vitaminas, hidratantes e outras substâncias benéficas à pele, mas a fotoproteção por si só é a principal arma contra o envelhecimento.

O mais importante na hora de escolher um protetor solar é dar atenção ao FPS. Não adianta ele ser hidratante, rico em vitaminas etc, se não oferecer a proteção adequada a cada tipo de pele. Os médicos recomendam produtos com, no mínimo, FPS 15. Pessoas ruivas, loiras, com pele bem branca e que sempre se queimam, devem investir em um FPS maior.

 

Chance de cura do câncer de pele é de 98%, quando diagnosticado no início

 

Dentre os tumores existentes, o câncer de pele é o primeiro no ranking mundial. A boa notícia é que a doença tem cura. Se identificada logo no início, as chances de reabilitação são de 98%. Em contrapartida, 25% dos casos não detectados precocemente são fatais. Muitos deles poderiam ser evitados com medidas de prevenção e curados quando diagnosticados precocemente. Segundo os dermatologistas, o efeito da radiação ultravioleta é cumulativo, ou seja, mesmo se a pessoa parar de se expor ao sol, a doença pode manifestar-se anos depois. Mas o risco é menor.

Se a saúde ainda não for motivo suficiente para a mudança de hábitos, a estética pode ser um fator preponderante. A exposição excessiva e prolongada ao sol contribui, e muito, para o envelhecimento precoce, principalmente do rosto. A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que os cuidados e a prevenção do câncer de pele devem começar desde cedo, pois os danos causados pelo sol no DNA das células ficam armazenados para sempre. Não é à toa que, quanto mais idade, maior a incidência de câncer de pele.

O câncer de pele é o crescimento anormal e descontrolado das células que a compõem. Estas se dispõem formando camadas e, dependendo de qual delas é afetada, surgem os diferentes tipos de tumor. Os mais comuns são o carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma. Dois fatores contribuem para o aparecimento do tumor: os individuais, como a predisposição genética, cor da pele, dos olhos e cabelos; e os ambientais, como a localização, região, tipo de trabalho que exerce. Os médicos consideram o melanoma um câncer mais urbano, cuja incidência se dá, na maioria dos casos, em pessoas que pegam sol com pouca freqüência, porém, em grande quantidade. Já o carcinoma é um tipo de câncer típico de pescadores e agricultores que trabalham sob o sol.

 

Médicos recomendam auto-exame da pele

 

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda a realização do auto-exame de pele a cada três meses. Sem roupa e na frente de um espelho, observe o corpo todo, incluindo a área genital. Ferida que não cicatriza, sinal com aspecto irregular, uma "pinta" preta ou acastanhada que muda de cor, textura, torna-se irregular nas suas bordas e cresce de tamanho, ou uma mancha que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento devem ser analisados com mais rigor.

Uma maneira simples e prática de identificar o melanoma é utilizar o que os dermatologistas chamam de Teste ABCD. Repare se o sinal ou a pinta apresentam: assimetria (os dois lados têm formatos e tamanhos diferentes); bordas irregulares; cores variadas, principalmente tons de preto; e diâmetro maior que seis milímetros.

 

OPINIÃO

O mesmo Deus

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

Defender e proclamar que a vida é a maior das prioridades. Só isto é e pode ser a base do respeito entre cristãos e muçulmanos... A verdadeira paz só pode ser fruto da justiça que corrige as desigualdades econômicas e desordens políticas

 

A primeira visita do Papa Bento XVI à Turquia foi precedida de tensão e tumultos. A maioria muçulmana do país encheu as ruas e expressou em termos agressivos e indignados seu repúdio à viagem do pontífice. Na memória e no coração doíam ainda as declarações feitas pelo Papa na Alemanha, em setembro último, quando – em conferência na universidade de Regensburg – citou um imperador cristão do século XIV que teria criticado o profeta Maomé, figura maior do Islã.

As ruas de Istambul ressoaram repletas do sombrio rumor dos protestos. Um profundo mal-estar pairava sobre a visita papal, com muitos milhares de pessoas protestando e um clima hostil adejando no ar. Depois de longo suspense, o primeiro-ministro turco decidiu encontrar-se durante quinze minutos com o Papa, no aeroporto da capital Ankara. Pretendia, com este gesto, pôr fim à polêmica gerada.

Ao ter início a visita, no entanto, as piores previsões não se confirmaram. O Papa pronunciou, ao desembarcar, discurso lúcido, aberto e reconciliador. Declarou com boca e coração acolhedores que cristãos e muçulmanos devem se manter abertos ao diálogo, porque acreditam no mesmo Deus e concordam sobre o significado e o propósito da vida.

Se em setembro, por um comentário não intencional, Bento XVI deixou os muçulmanos indignados, agora, em reunião com o diretor de Assuntos Religiosos do governo turco, destacou a importância do diálogo inter-religioso e a necessidade de cristãos e muçulmanos se conhecerem melhor, a fim de poder "respeitar as diferenças e reconhecer o que temos em comum’’. E para ilustrar sua disposição e palavras de paz e acolhida recordou e citou Gregório VII, que em 1076 atribuiu a boa acolhida dispensada por um príncipe muçulmano da África a súditos cristãos ao fato de que "acreditamos no mesmo Deus, embora de maneira diferente’’.

Evitando qualquer referência polêmica e toda evocação da violência e do terrorismo militante em relação ao Islã, Bento XVI convocou ambas as religiões a que "levem nosso diálogo adiante, como um intercâmbio sincero entre amigos, com otimismo e esperança’’. Em sincero e positivo esforço para encontrar convergências entre cristianismo e islamismo, o Papa apontou para a fé em um único e mesmo Deus, embora com nomeações diferentes. E sublinhou o fato de que cristãos e muçulmanos, seguindo suas respectivas religiões, apontam para a verdade do caráter sagrado e da dignidade da pessoa e da vida humanas. Só isto é e pode ser a base do respeito mútuo entre cristãos e muçulmanos: defender e proclamar que a vida é a maior das prioridades. Apenas assim as religiões monoteístas poderão oferecer uma resposta com credibilidade à questão que emerge da sociedade hoje e pergunta sobre o significado e o sentido da vida.

Em palavras coerentes com o tom de sua encíclica "Deus é amor", Bento XVI reafirmou o fato central de que a verdadeira paz só pode ser fruto da justiça que corrige as desigualdades econômicas e as desordens políticas, que sempre provocam tensões e ameaças para toda a sociedade. A visita ganhou novo clima. Parecem acalmadas as tensões, enquanto a atitude e as palavras do Papa são recebidas e ouvidas em relativa calma.

À frente, no entanto, desarmando espíritos e abrindo corações, vai o próprio Deus. Chamado de Alá pelos muçulmanos, invocado como Pai pelos cristãos, é Ele o único que, com seu poder transcendente e a força de seu amor, pode transformar a discórdia em paz, renovando todas as coisas e relembrando a absoluta primazia da Vida.

 

DEMOCRACIA E PODER

Frei Betto

A quem deve servir o poder numa sociedade desigual e injusta? À libertação dos pobres, à cura dos doentes, ao acolhimento dos excluídos, responde Jesus. O poder é uma rerrogativa divina para o serviço do próximo e da coletividade. Tomado em si, perverte

 

No tempo de Jesus, a questão da democracia já estava posta, porém apenas numa região muito distante da Palestina: a Grécia. Dominada pelo Império Romano, a Palestina era governada por homens nomeados ou consentidos por Roma – o rei Herodes, os governadores Pôncio Pilatos, Herodes Antipas, Arquelau e Felipe, o sumo sacerdote Caifás.

O que aparece de novo na prática e na pregação de Jesus é uma velha questão à qual ele dá um enfoque radicalmente diferente de seus contemporâneos: o poder. O poder já era objeto de reflexão dos filósofos gregos desde Sócrates. A ele Platão dedicou o livro "República" e Aristóteles, a obra "Política".

No Antigo Testamento, o poder é mais do que uma dádiva divina. É uma forma de participar do poder de Javé. É através de seus profetas que Javé escolhe e legitima os poderosos. Todavia, nenhum deles, ao contrário do que ocorria no Egito e em Roma, era divinizado pelo fato de ocupar o poder. Ainda que escolhido por Deus, o poderoso permanecia falível e vulnerável ao pecado, como foram os casos de Davi e Salomão. Não se autodivinizava como os faraós egípcios e os césares romanos. Até na Grécia, Alexandre Magno, em desespero por manter centrada em si a unidade de suas conquistas, tratou de autodivinizar-se, exigindo que seus soldados o adorassem.

Jesus imprimiu outra ótica ao poder. Para ele, não se trata de uma função de mando, e sim de serviço: "Os reis das nações as dominam e os que as tiranizam são chamados benfeitores. Quanto a vós, não deverá ser assim; pelo contrário, o maior dentre vós torne-se como o mais jovem, e o que governa como aquele que serve. (...) Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve!"

Jesus deu o exemplo ao afirmar que "o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir" e ajoelhou-se para lavar os pés de seus discípulos. O que leva Jesus a inverter a ótica do poder é a pergunta: a quem deve servir o poder numa sociedade desigual e injusta? À libertação dos pobres, responde ele, à cura dos doentes, ao acolhimento dos excluídos. Este o serviço por excelência dos poderosos: libertar o oprimido, promovê-lo, fazer com que ele também tenha poder. Por isso os pobres são "bem-aventurados" e é neles que Jesus identifica os seus semelhantes.

O poder é uma prerrogativa divina para o serviço do próximo e da coletividade. Tomado em si, perverte. A pessoa tende a trocar a sua identidade pessoal pela identidade funcional. O cargo que ocupa passa a ter mais importância do que a sua individualidade. Por isso, muitos se apegam ao poder. Pois ele torna o desejável possível. Imanta o poderoso de modo a atrair veneração e inveja, submissão e aplausos.

Para que o poderoso não se deixe embriagar pelo cargo que ocupa, Jesus propõe que ele ouse submeter-se à critica de seus subalternos. Quem de nós é capaz disso? Qual o vigário que indaga de seus paroquianos o que pensam dele? Qual dirigente de movimento popular solicita de seus dirigidos avaliação de seu desempenho no cargo? Qual político pede a seus eleitores que o critiquem? No entanto, Jesus não temeu indagar dos discípulos o que pensavam a respeito dele e, como se não bastasse, perguntou também o que o povo pensava dele.

A questão do poder é o coração da democracia. Esta significa, etimologicamente, governo do povo para o povo. No entanto, ainda permanece, na maioria dos países, no estágio meramente representativo. Para se tornar participativa, a democracia deverá ser expressão do fortalecimento dos movimentos populares. Um poder – o do Estado ou da classe dominante – só admite limites e evita abusos na medida em que se defronta com outro poder: o do povo organizado. Esta a condição para que a democracia baseie a liberdade individual e os direitos humanos na justiça social e na eqüidade econômica. É falsa a democracia que concede a todos liberdade virtual e exclui a maioria de bens econômicos essenciais, como o acesso à alimentação, à saúde, à educação, à moradia, ao trabalho, à cultura e ao lazer.

Jesus não formulou uma proposta de sociedade, senão pela via inversa, ao criticar o modelo predominante na Palestina do século I, onde a riqueza de uns poucos resultava da pobreza de muitos. Por isso, posicionou-se ao lado dos pobres e defendeu os seus direitos: "Vim para que todos tenham vida e vida em abundância". Este o critério para saber se uma sociedade é ou não justa – o direito de todos à vida plena. Pois a vida é o dom maior de Deus.

 

ESPECIAL

DO JARDIM À MESA

Flores comestíveis. Parece exótico, mas elas já compõem cardápios no Brasil, país que se destaca por sua riqueza florística com 55 mil espécies

 

Comer flores pode parecer estranho. Mas prestando bem atenção, não se trata de nenhuma atitude exótica, pois pelo menos três flores já fazem parte do cardápio cotidiano: a couve-flor, o brócolis e a alcachofra. A novidade está em utilizar na alimentação flores que são conhecidas por ornamentar as casas ou que passam desapercebidas.

Nos restaurantes, é cada vez maior o número de pratos que levam flores como ingredientes ou como decoração. Nos supermercados, também são encontradas flores nas mesmas gôndolas do tomate e da alface. Esses fatos prenunciam mercado potencial, que pode ser explorado pelos produtores rurais.

Existe uma gama variada de flores que podem ser utilizadas na alimentação. Porém, a listagem de todas as plantas comestíveis do mundo não existe. Uma das mais completas (Kunkel, biólogo) cita 12.500 espécies, perfazendo 3.100 gêneros e cerca de 400 famílias.

O Brasil se destaca por sua riqueza florística com 55 mil espécies. O Rio Grande do Sul também é rico, com número aproximado de 5.000 espécies nativas. O botânico da Unicamp Gil Felippe relaciona mais de 250 plantas cujas flores têm uso alimentício. Já o biólogo Valdely Ferreira Kinupp, doutorando na UFRGS sobre plantas alimentícias não-convencionais, relacionou cerca de 1.500 espécies de plantas nativas só na região metropolitana de Porto Alegre, das quais pelo menos 200 podem servir de alimento.

Hortaliças – Das flores conhecidas como ornamentais, destacam-se o amor-perfeito, cravo, a cravina e a dália. Há as flores de hortaliças, como das abóboras e morangas. Nesse grupo, também estão as do almeirão, espinafre, agrião e quiabo. Há ainda as dos temperos e de ervas medicinais como a camomila, manjericão e o tomilho. E as de frutíferas, como da macieira, laranjeira, pessegueiro ou da goiabeira, que podem ser usadas para dar toque especial em geléias e doces ou para infusões.

Também são variadas as formas de utilização. A flor da abóbora, por exemplo, pode ser preparada à milanesa, em sopas e se transformar no prato principal da refeição. Outras podem compor variados pratos de saladas, dando cor e sabor diferenciados. Flores de laranjeiras e rosas podem se transformar em doces e sobremesas. E há ainda as que podem ser utilizadas para colorir e odorizar bebidas alcoólicas, vinagres, azeites e para fazer refrescos.

 

Flor deve ser adquirida de produtor especializado

 

Alguns cuidados especiais devem ser tomados por quem quer introduzir as flores no cardápio. "Não pense em ir à floricultura e sair saboreando tudo o que encontrar pela frente", alerta o biólogo Valdely Kinupp. As flores cultivadas para ornamentação, geralmente, passam por pulverizações com produtos químicos, o que, obviamente, pode causar problemas à saúde.

Portanto, as flores alimentícias devem ser adquiridas de produtores especializados, que não utilizem agrotóxicos ou produtos químicos no cultivo. Sem falar que, assim como ocorre com outras partes de plantas, algumas flores são venenosas.

O caminho apontado por Kinupp é simples. "É preciso se informar sobre o assunto antes de mais nada. Ler livros e consultar especialistas. É um bom começo", opina ao CR. A mesma dica vale para os produtores que quiserem começar a investir no segmento de flores alimentícias. Não basta sair plantando. É preciso, antes, estudar o processo de cultivo.

O especialista Kinupp também alerta para a possibilidade de ocorrência de alergia na ingestão de flores. Ele acredita que a possibilidade é pequena, mas deve-se ficar atento. Para quem tem histórico de alergias o cuidado se torna necessário com qualquer alimento. Com as flores não é diferente.

 

Flores contêm poucas calorias

 

As flores em geral não são muito nutritivas. Ou seja, elas não podem substituir os outros alimentos necessários ao corpo humano. Mas o fato de serem um alimento com baixíssimas calorias pode ser justamente um dos atrativos. Além disso, boa parte das flores é alimento nutracêutico. "Ou seja, tem a propriedade de preservar a saúde, de prevenir doenças e até de curar", explica a nutricionista Silvia Sonego.

As flores comestíveis são ricas em carotenóides, flavonóides e antocianinas. As três substâncias combatem os radicais livres, moléculas que danificam o material genético e aceleram o envelhecimento. Também são ricas em mucilagens e glicosilinatos.

As raízes das plantas comestíveis são fonte de fibras, inulina (enzima), poliacetilenos (substância que atua sobre o metabolismo humano), saponinas (emulsionante) e proteínas; as sementes, em ômega 3 e 6 e fibras. Os frutos contêm antocianinas, antioxidantes, pectinas e vitamina C.

 

Rosas e calêndulas entre as preferidas

 

As flores têm poucos nutrientes. "Elas não podem ser utilizadas para substituir os demais alimentos", reforça a nutricionista Silvia Sonego. As flores são, sim, uma alternativa para refeições diferenciadas, para quem quer degustar pratos coloridos, bonitos e com um gosto pouco comum.

No Brasil, a utilização de flores na culinária está restrita a restaurantes, bufês e à venda em supermercados, mas vem ganhando espaço na cozinha. Na Europa e nos Estados Unidos, a população usa bem mais as flores nos seus pratos caseiros. Das flores que vão para a mesa, as que mais despertam o interesse dos consumidores brasileiros são as rosas, calêndula, chaguinha e amor-perfeito.

O pesquisador Valdely Kinupp observa que nos supermercados são poucas as variedades oferecidas. "Mas as que estão disponíveis alcançam preços elevados", acrescenta.

 

Primavera degustada em pratos variados

 

É primavera, estação em que as flores são apreciadas e, algumas, degustadas. A capuchinha, por exemplo, embeleza pratos e é adicionada a saladas, pães, sucos e chás. A flor da capuchinha é rica em vitamina C e enxofre e, por isso, indicada contra o escorbuto e antiinflamatória, além de ser benéfica contra afecções pulmonares.

"A única parte da capuchinha que ainda não tem indicação é a raiz, por ser muito fibrosa", ensina a engenheira agrônoma Silvana Bohrer, que há cinco anos produz plantas comestíveis não convencionais. Dos frutos é possível fazer salada em conserva; das folhas elaboram-se charutos recheados com ricota. Também são usadas em saladas, arroz e sopas. Das folhas e flores é possível fazer suco, misturando com um pouco de limão.

Silvana cita outras flores comestíveis, como de hortelã e ervilhaca, a flor das árvores pata-de-vaca e de laranjeira, que dá para comer e fazer chás. A flor de sabugueiro é usada para decorar pratos. Da raiz do lírio-do-brejo é possível fazer refrigerante com gás (ver receitas). "Do lírio também se come a flor, aromática, que dá um cheiro agradável aos pratos", conclui.

 

Suavidade e beleza diversificam receitas

 

O amor-perfeito é uma das flores mais delicadas e de curta duração. Originário da Ásia e Europa, apresenta três cores em suas pétalas. Dos canteiros, pulou para a panela. Por sua suavidade e beleza é uma das prediletas dos consumidores. Igualmente delicada é a violeta odorata. Quando fresca compõe saladas; cristalizada, decora pudins, bolos e sorvetes.

Já dos hibiscos é possível comer as folhas, a flor e todo cálice floral. Da planta se faz geléias, sucos e chás. A folha da bertalha substitui o espinafre em refogados e sopas, pois tem a mesma composição em ferro e magnésio. Ora pronobis, espécie de cactus, lembra o espinafre. A flor também é comestível. "Do crem, pode-se comer a flor, a raiz e também a folha", revela o biólogo Valdely Kinupp.

As flores da popular cravina podem ser digeridas em saladas, torta de frutas, sanduíches. Ainda aromatizam vinagres, geléias, açúcar e vinho. Quando açucaradas, enfeitam bolos. Seu corante é muito usado em confeitarias.

 

Brotos de abóbora são fonte de ferro

 

A ponta mais tenra de ramas da abóbora é fonte alternativa de ferro. Essa é a conclusão de um estudo realizado na Embrapa Hortaliças, que avaliou os teores desse nutriente em plantas aos 40, 47 e 54 dias após o transplantio. A pesquisa verificou que o teor mínimo de ferro estimado em 100 gramas de matéria seca de brotos foi de 18,01 miligramas. Uma pessoa em condições normais de saúde necessita de dose diária de 15 miligramas de ferro.

Para o pesquisador Antônio Francisco de Souza, o consumo de brotos de abóbora pode ser boa alternativa para a segurança alimentar. "As abóboras são hortaliças de significativo valor nutricional e sócio-econômico nas diferentes regiões brasileiras. Elas se destacam por sua riqueza em pró-vitamina A, que pode ser convertida em vitamina A pelo organismo humano, e ainda possui expressivo conteúdo de fósforo e cálcio", diz.

De acordo com o pesquisador, os brotos de abóbora cozidos podem ser elaborados sob as formas de salada ou sopa. "A coleta dos brotos não impede a produção dos frutos de abóbora, uma vez que o volume de brotos retirados representa percentual pouco significativo em relação ao total de massa fresca durante o ciclo produtivo da cultura", explica – sobre flores de abóbora ler ao ao lado.

Os interessados em obter mais informações podem entrar em contato com a Embrapa Hortaliças pelo telefone (61) 3385-9110 ou pelo e-mail hortalicas@embrapa.br

 

IGREJA

Bispos preparam Conferência Geral

Nova evangelização é desafio da Igreja na América Latina

 

Daqui a exatos cinco meses será aberta, no santuário de Nossa Senhora Aparecida, a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (5ª Celam), com a presença do Papa Bento XVI. A Conferência inicia no dia 13 de maio de 2007 e encerra no dia 31. O evento marca um dos momentos mais importantes da Igreja na América Latina. Durante 18 dias, centenas de bispos e assessores vão refletir sobre o presente e o futuro da evangelização do continente e propor linhas de ação que inspirem o trabalho pastoral.

Bento XVI vai participar da abertura da conferência. "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nossos povos n’Ele tenham vida" é o lema escolhido pelo Papa para a Conferência. A visita de Bento XVI, sua 6ª viagem apostólica internacional, será feita, segundo o próprio Pontífice, "no contexto das vicissitudes que a América do Sul está vivendo intensamente, e para reforçar a esperança que está viva naquela região".

Para dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB, Bento XVI, acreditando num renovamento de fé, esperança e caridade, convoca a Conferência "para exortar os cristãos a se tornarem discípulos e missionários de Jesus Cristo". Conforme padre David Gutiérrez, diretor da Sala de Imprensa do Celam, o evento está sendo preparado de forma intensa nas próprias conferências episcopais, através de grupos de base, nas paróquias e dioceses, que já estão encaminhando contribuições aos departamentos do Celam, para depois entregá-las à equipe que fará o documento de síntese, que será o texto base para os trabalhos da 5ª Conferência Geral.

A 1ª Conferência ocorreu em 1955, no Rio de Janeiro, quando foi criado o Celam (Conselho Episcopal Latino-americano). A 2ª foi realizada em Medellin, Colômbia (1968); a 3ª em Puebla, no México (1979) e a 4ª Conferência ocorreu em Santo Domingo, na República Dominicana, no ano de 1992.

 

Capuchinho gaúcho é autor do hino para visita do Papa

 

Uma canção feita pelo capuchinho gaúcho frei Luiz Turra foi escolhida como hino oficial da visita do Papa Bento XVI ao Brasil, em maio de 2007. Escolhida pela CNBB, a música teve sua aprovação final no dia 3 de dezembro, em Aparecida, quando cerca de oito mil pessoas fizeram o primeiro teste. Na mesma hora, frei Luiz Turra presidia a Missa Maranatha, na igreja Imaculada Conceição, em Caxias do Sul. "O hino foi escolhido pela facilidade de aprendizado da letra e da melodia", salienta o autor da "Canção de Acolhida ao Papa Bento XVI".

O hino aborda um tema muito caro na doutrina de Bento XVI. "Deus é amor" é a temática fundamental do cristianismo. "Porque Deus é amor, nós precisamos nos reeducar ao amor em nossos dias", costuma afirmar o Papa. Segundo frei Luiz Turra, autor de mais de mil músicas religiosas, a escolha abre uma janela para o trabalho que ele vai prestar a partir de 2007 como assessor de música litúrgica e pastoral na CNBB.

O lançamento oficial do hino será em janeiro. Por coincidência, no início do ano Turra lançará, pelas Paulinas, o CD "Palavras Sagradas do Apóstolo Paulo", gravado com um grupo de cantores de Santa Maria. Frei Luiz atuou 21 anos em Caxias do Sul e, nesse período, gravou 11 CDs com o Coral Imaculada Conceição.

 

Canção da Acolhida

 

1– Tu que proclamaste ao povo – Deus é amor!/ Vens anunciar de novo – Deus é amor!/ Com a Mãe Aparecida nos confirmas – Deus é amor!/ Tu proclamas para a América Latina – Deus é amor!

Refrão:

Bento, "bendito o que vem em nome do Senhor!"

Bem-vindo! Bem-vindo! Este povo te acolhe com amor!

2– Na diversidade unidos – Deus é amor!/ Proclamamos decididos – Deus é amor!/ Nós queremos ser discípulos de Cristo – Deus é amor!/ Missionários para todos terem vida – Deus é amor!

3– Entre sombras e esperanças – Deus é amor!/ Caminhamos na confiança – Deus é amor!/ Novos rumos, novos tempos esperamos – Deus é amor!/ Nesta quinta conferência celebramos – Deus é amor!

 

FACA DE DOIS GUMES

Padre Zezinho

A internet é um potro xucro que nem sempre se deixa montar

 

Segundo os jornais, uma menina de treze anos utilizava-se da internet para se prostituir. Um rapaz de pouco mais de vinte anos utilizou-se da internet para encontrar sexo. Acabaram se encontrando e ele acabou estrangulando-a. O assunto repercutiu nos Estados Unidos e no mundo. Ela acabou encontrando a morte porque, na sua adolescência precoce, foi longe demais. O desequilíbrio veio dos dois lados. E aqui vale uma reflexão sobre os perigos da internet. Nem todas as pessoas que enviam mensagens ou as recebem têm equilíbrio emocional, e por não se conhecerem nem conviverem, acabam idealizando ou achando que encontros virtuais não fazem mal algum.

Qualquer pessoa pode ter acesso a praticamente qualquer mensagem na internet. Há muitas crianças e adultos com problemas mentais acentuados, tendo acesso a informações que não lhes convêm. O que é pior: levam adiante, do virtual para o real, muito daquilo que a internet lhes trouxe. Se ela é um veículo maravilhoso de comunicação humana, acima de qualquer previsão, também é um perigosíssimo instrumento nas mãos da pessoa errada. Por trás daquele teclado há pessoas com vontade de roubar e matar, e há pessoas com vontade de ensinar o bem.

Um louco, ao acessar a internet, pode, antes, passar por uma farmácia e procurar um remédio e logo depois passar por um armazém e comprar um veneno. Podemos oferecer aquele remédio e aquele veneno para uma pessoa que nem sequer conhecemos. É um veículo abençoado, mas não é um veículo como qualquer outro. Nele navegam pessoas abençoadas e pessoas amaldiçoadas. Certamente, a internet não pertence ao demônio. Mas também está longe de pertencer a Deus. Na verdade, a internet é um caminho, mas, ao que tudo indica, ela mesma ainda não achou o seu. É um potro xucro que às vezes se deixa montar e às vezes não. A maioria das pessoas sabe usá-la, mas ainda não consegue domá-la...

 

Padres caxienses inauguram matriz

Diocese gaúcha atende paróquia da Bahia desde 1999

 

Mais de duas mil pessoas participaram das cerimônias de inauguração da nova matriz da paróquia Nossa Senhora do Rosário, no município de Gentio do Ouro, diocese de Barra (BA). A bênção foi dada pelo bispo diocesano, dom Luis Flávio Cappio. A obra, inaugurada há poucos dias, tem capacidade para abrigar cerca de duas mil pessoas.

Para Ester Gomes Leite, membro do Conselho Comunitário de Pastoral, a igreja foi construída em tempo recorde (15 meses), graças ao empenho do conselho, à união e participação dos católicos do município e ao dinamismo e incentivo de dois sacerdotes gaúchos que mobilizaram a comunidade a participar ativamente da obra. Ela refere-se aos padres Rubens Brun e Nivaldo Pauletti, que há alguns anos atuam na paróquia, assumida pela diocese de Caxias do Sul em 1999, dentro do projeto "igrejas irmãs".

No final da celebração, dom Luis condecorou padres Rubens e Nivaldo com a medalha honra ao mérito diocesano, como personalidades destaque no ano de 2006. A distinção é um reconhecimento pelo trabalho e animação pastoral e pela construção da nova igreja.

A diocese de Barra, criada em 1913, contou, por mais de 20 anos, com a presença de capuchinhos do Rio Grande do Sul e dois bispos capuchinhos gaúchos também guiaram os rumos da diocese. Dom Orlando Dotti (1976-1983), bispo emérito de Vacaria, e dom Itamar Vian (1984-1995), atual arcebispo de Feira de Santana (BA). Dom Luis, franciscano, é bispo da Barra desde 1997.

 

Padre Antônio Maria faz show em Canela

 

A paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em parceria com o Sonho de Natal, promove dia 22 de dezembro às 21 horas, no Parque do Palácio, em Canela (RS), espetáculo musical com padre Antônio Maria. O Sonho de Natal prossegue até dia 14 de janeiro, com diversos eventos, como o espetáculo Natal Sul Americano, dias 21 de dezembro; e apresentação do Grupo Toll e show pirotécnico, dia 28.

Bambin – Em Bento Gonçalves será apresentado o espetáculo Natale del Gesù Bambin, que reúne em torno do presépio manifestações artísticas como dança, canto, flauta e teatro. Serão três apresentações, no dia 18/12, no Hotel Dall’Onder; dia 22 no Shopping Bento; e dia 23 na capela Santo Antoninho, para as sete comunidades que compõem o roteiro turístico Caminhos de Pedra.

 

QUANDO A TV DESEDUCA

Aldo Colombo

Na linha moral, os programas de televisão contradizem os tradicionais ensinamentos familiares

 

Muitos pais ficam tranqüilos quando seus filhos estão na sala, vendo televisão. A rua é perigosa. É a violência no trânsito, são as drogas, as más companhias, as brincadeiras violentas. Isso, no ponto de vista de muitos pais, contrasta com a tranqüila segurança da sala de TV. Os médicos norte-americanos alertam que, assim como os lanches rápidos, as bebidas alcoólicas e o fumo, a televisão também está na lista das coisas que prejudicam a vida saudável das pessoas. E esse prejuízo afeta tanto o físico como o espiritual.

Para o psicólogo Robert Kubey, da Universidade de Tutgers, existem os viciados em televisão, que podem ser denominados de teledependentes. Eles apresentam nada menos de quatro sintomas de dependência: perdem o controle quando estão diante da telinha, irritam-se consigo mesmos por perderem tanto tempo, não conseguem parar e ficam infelizes e apáticos quando não estão vendo televisão. Sintomas iguais – maiores até – afetam os viciados na internet.

Tantas horas diante da televisão inibem o senso crítico. As pessoas vêem tudo e se tornam passivas diante da programação. Algumas das maiores banalizações da televisão: o sexo e a violência. Uma criança norte-americana, antes de terminar o primário, vê, pela televisão, cerca de 8 mil assassinatos. É mais ou menos igual o número de cenas de sexo e violência. Essas estatísticas valem também para a realidade brasileira.

Ficando horas diante da TV, a criança perde a capacidade de concentração e costuma ser afetada pela obesidade. É um tempo que deveria ser dedicado aos exercícios físicos e às brincadeiras que tanto bem fazem ao desenvolvimento físico e mental às crianças.

Na linha moral, os programas de televisão instituem uma maneira paralela de ensino. Eles contradizem os tradicionais ensinamentos familiares. Acostumam ao que é mais fácil e que traz vantagens imediatas, independente de seu valor moral. Nesse sentido, a TV torna-se babá, mãe, mestra e educadora da criança. Isso parece não preocupar os pais, envolvidos na luta pela sobrevivência: as crianças estão seguras na sala da TV,

Existe, logicamente, o outro lado. A TV também apresenta programas culturais e educativos. O mesmo vale para a internet. Os pais não podem, simplesmente, jogar o televisor pela janela. Eles precisam administrar também a programação televisiva. E isso significa estabelecer tempos para estudar, para exercícios físicos, para ver TV e para dormir.

Significa também que os pais precisam saber o tipo de programas vistos pelos filhos, estabelecer horários onde se pode – ou não se pode – ver televisão. Além disso, é necessário formar o juízo crítico dos filhos. Nem tudo o que a TV diz é verdade, nem tudo o que ela apresenta é bom. O Evangelho fala do trigo e do joio, que crescem misturados. É vital para a criança – e para seus pais – distinguir o trigo do joio. Pode acontecer que o joio da TV sufoque o trigo da educação familiar.

 

Frades celebram jubileus em Brasília

Capuchinhos recordam datas que marcam atuação no Brasil Central

 

Uma cerimônia realizada no santuário Nossa Senhora de Fátima, em Brasília (DF), marcou as celebrações dos 25 anos de ordenação sacerdotal de cinco frades capuchinhos da província Nossa Senhora de Fátima, do Brasil Central. Durante as comemorações, realizadas no sábado 9 de dezembro, também foram recordados os 50 anos da chegada dos capuchinhos gaúchos à região e os 25 anos de criação da província do Brasil Central.

Os cinco capuchinhos que celebraram 25 anos de sacerdócio fazem parte das primeiras turmas de estudantes capuchinhos que, depois de cursar filosofia no Rio Grande do Sul, passaram a integrar a vice-província do Brasil Central, onde cursaram teologia, em Campo Grande (MS), e se tornaram os primeiros frades ordenados da vice-província.

Gaúchos – Comemoraram jubileu de prata de ordenação presbiteral frei Moacir Casagrande, que está ocupando pela segunda vez o cargo de ministro provincial; frei Cláudio Fumegalli, atual vice-provincial e ecônomo da província; frei Odolir Eugênio Dal Mago, definidor e pároco do santuário de Fátima, de Brasília; frei Selito Joele Lorenzetti, superior da fraternidade de Hidrolândia (GO), e que também já foi definidor provincial; e frei Onil José Lorenzetti, pároco de Anápolis (GO).

Todos são gaúchos de nascimento. Freis Cláudio, natural de Paraí; Moacir, de Putinga; Odolir, de Passo Fundo; e Onil, de Vacaria, foram ordenados no dia 6 de dezembro de 1981. Frei Selito, natural de Erechim, foi ordenado no dia 31 de janeiro de 1982. Confrades de todas as fraternidades, religiosos, religiosas, familiares e muitos amigos participaram das celebrações e da festa de confraternização, que reuniu mais de 600 convidados.

Ao saudar os confrades jubilandos, frei Silvio Armiliato, um dos capuchinhos que integraram o grupo de pioneiros da Custódia, destacou que "o sacerdote não é o homem de uma família, de uma nação, mas o homem de todos, como Deus é de todos. Não é de um partido, de uma opinião. Sua opinião é caridade para todos".

 

Presença em três Estados e no DF

 

A história dos capuchinhos da província do Brasil Central, que se desmembrou da província do Rio Grande do Sul, iniciou em 12 de agosto de 1956, com a criação da custódia do Mato Grosso. No início do ano seguinte, a custódia contava com 12 frades gaúchos e nove residências. O espírito missionário dos pioneiros logo levou frades a atuar também em Goiás e no Distrito Federal.

Em 1970, a custódia passou a denominar-se Vice-Província de Goiás e Mato Grosso e no dia 18 de fevereiro de 1982, a província do Brasil Central foi proclamada solenemente no santuário de Fátima, em Brasília. Hoje, a circunscrição conta com 90 membros, entre sacerdotes, irmãos, professos temporários, noviços e postulantes.

A província conta com fraternidades no Distrito Federal, em Goiás, no Mato Grosso do Sul e em Tocantins. Os frades atuam em 12 paróquias, mantém uma casa de cursos e retiros em Hidrolândia (GO), uma comunidade missionária em Caseara (TO), o noviciado em Nova Fátima (GO), creches em Rio Verde (GO) e Ceilândia (DF), casas de postulantado em Águas Lindas de Goiás e em Campo Grande (MS) e teologia em Goiânia (GO), além de diversas obras sociais.

 

Padre David Piccoli morre aos 79 anos

 

Padre de atuação destacada em diversas paróquias da Serra gaúcha e, especialmente nas últimas décadas, na cidade de São Marcos, morreu no dia 28 de novembro, aos 79 anos, padre David Piccoli. Filho de Higino e Carolina Tomazoni Piccoli, nasceu aos 12 de agosto de 1927 na capela Nossa Senhora da Saúde, em Caxias do Sul. É irmão de padre Hilário Piccoli, que no próximo dia 21 celebra 60 anos de sacerdócio.

Padre David foi ordenado no dia 6 de dezembro de 1953. Exerceu seu ministério sacerdotal na paróquia Santo Antônio de Bento Gonçalves (1954-56); na paróquia de Lourdes, em Caxias do Sul (1957); em São Marcos (1958-67, com uma pequena estada em Fagundes Varela, em 1961). De 1968 a 1970 trabalhou em Monte Belo do Sul. De 1971 até seus últimos dias, permaneceu em São Marcos, onde participou da criação do Círculo Operário e do Sindicato de Trabalhadores Rurais, colaborou na construção do hospital São João Bosco e fundou a farmácia Nossa Senhora Aparecida.

Também colaborou na construção da torre e da igreja matriz de São Marcos. Idealizador de tantos movimentos e obras, assistente dos doentes, padre David foi grande difusor da devoção a Nossa Senhora Aparecida, especialmente entre os motoristas sãomarquenses. Foi ele que trouxe de Aparecida a imagem da padroeira do Brasil, muito cultuada em São Marcos e a quem são feitas grandes festas, todos os anos, em outubro. Também estabeleceu a devoção da reza do terço na gruta da matriz, de segunda a sexta-feira. Foi sepultado no cemitério público de São Marcos.

 

ANDEI COM DEUS

Wilson João

Andar com Deus no jardim da vida é perceber que em cada flor Ele se manifesta de uma maneira diferente

 

Infelizes as pessoas que andam sozinhas. Pobres das pessoas que não contam com companheiras ao seu lado e que, passo a passo, vão percorrendo destino. Nesta caminhada, além das pessoas, que necessitam andar com passos amigos para a jornada se tornar mais fácil, é necessário andar nos passos de Deus. Ele, queiramos ou não, anda nos passos da história da humanidade. Faz parte da caminhada humana. E a humanidade anda nos passos de Deus?

ANDEI COM DEUS PELO JARDIM e vi a maravilha da beleza de Deus. Andei nos seus passos e Ele se mostrou na pequenez da violeta que recorda a humildade da encarnação e a simplicidade da pequena gruta. Ele mostrou-se presente na alegria do jardim que, faça frio ou calor, permanece e lembra a eternidade de sua palavra. Mostrou-se na rosa, que mesmo carregada em sua vida pelo espinho da dor e da contradição, desabrocha numa vida total, que lembra a vitória da ressurreição. Na verdade, andar com Deus no jardim da vida é perceber que em cada flor Ele se manifesta de uma maneira diferente. Apenas uma realidade iguala tudo: sua beleza.

ANDEI COM DEUS PELO POMAR e percebi que muito antes que meus passos andassem por ali, Deus tinha estado nele dando sabor aos frutos. Ele tinha plantado o abacateiro e o mamoeiro, tinha cultivado a laranjeira e a pereira, tinha podado o pessegueiro e a figueira. Deus gosta de pomar. Deus é um pomar. Ele fez do pomar o primeiro paraíso, pois nele está o sinal da vida e da fraternidade, do sabor e do prazer. Os animais vivem nos pomares. Os frutos são seu alimento. E Deus vai andando pelo pomar da terra, mas nem todos escutam seus passos e comem de seus frutos.

ANDEI COM DEUS NA HORTA e nesta fonte de vida, percebi que Deus se fez vitaminas e sais minerais, se fez proteína e glicose. Se fez vida no corpo de uma cenoura e de um repolho, de uma cebola e de um pepino. E com alegria, presente no corpo dessas hortaliças, caminha na direção da mesa da refeição onde as pessoas se encontram para abastecer sua vida. Porém, nesta oferta gratuita de Deus, milhões de seres humanos passam pela horta da vida e morrem de fome no meio da abundância.

ANDEI COM DEUS PELA FLORESTA e percebi que Ele se sente muito à vontade em meio às árvores. Escutei a voz de Deus, muito baixinho, falando em cada árvore. Ele me dizia: "me fiz pinheiro e cedro na boca dos profetas, que são os gigantes da verdade e do anúncio..." "me fiz angico e cabriúva nas pessoas que lutam pela justiça..." "me fiz pequeno arbusto escondido nas pessoas que rezam entre as paredes de um convento e no coração das pessoas simples que fazem a caridade do dia-a-dia sem nenhum alarde." Também me sussurrou: "apenas me sinto mal na floresta dos prédios da cidade, que encobrem a obra de minhas mãos."

Andar com Deus é nunca sentir-se sozinho.

 

CORREIO SABE-TUDO

O NATAL NO MUNDO

Sentido da data é o mesmo, mas cada país festeja a seu modo

 

O Natal do Brasil tem missa, pinheiro enfeitado, troca de presentes, lâmpadas coloridas, ceia em família. Mas será que o nascimento de Jesus é celebrado da mesma forma em todo o mundo? O significado da data é o mesmo, mas cada país festeja o Natal de acordo com sua cultura.

Na China, as casas são enfeitadas com lanternas de papel, árvores chamadas de "árvores de luz" e com correntes e flores de papel. O Papai Noel é chamado de Dun Che Lao Ren (Velho Natal). Os italianos trocam os presentes no dia 6 de janeiro, em comemoração à visita dos reis magos ao presépio. Quem traz os presentes para as crianças é a Befana, que também "castiga" aquelas que não se comportaram durante o ano, como o nosso papai Noel. Na Finlândia algumas pessoas têm o costume de visitar os cemitérios nessa época, para homenagear os parentes falecidos.

O Natal da Suécia tem tradições bem características. A celebração vai de 13 de dezembro a 13 de janeiro. Na noite de Natal, a filha mais velha da família deve se vestir de branco, com uma faixa vermelha e uma guirlanda com velas na cabeça. Ela é encarregada de levar café com bolo para os familiares em seus quartos.

Na Venezuela, as crianças vão à missa do dia de Natal bem cedinho, de patins. As autoridades chegam a proibir o tráfego de veículos em algumas ruas para que as crianças possam patinar. Na Índia, são usadas a mangueira e a bananeira como árvores de Natal.

Em Londres, ansiosas pela chegada do Papai Noel, as crianças contam os dias usando o Calendário Adventista – período de quatro domingos antes do nascimento de Jesus Cristo. Cada dia elas pegam um doce colocado pelos pais no calendário, contando assim os dias até o Natal.

 

Missa do galo

 

É celebrada na noite de Natal. Sua denominação provém de uma fábula que afirma que foi esse animal o primeiro a presenciar o nascimento de Jesus, ficando encarregado de anunciá-lo ao mundo. Até o começo do século 20 era costume que o nascimento fosse anunciado, à meia-noite, dentro do templo, por um canto de galo, real ou simulado.

 

Carvalho ganhava enfeites

 

A origem da árvore de Natal é mais antiga que o próprio nascimento de Jesus Cristo, ficando entre o segundo e o terceiro milênio a.C. Naquela época, uma grande variedade de povos indo-europeus, que estavam se expandindo pela Europa e Ásia, consideravam as árvores uma expressão da energia da fertilidade da natureza, por isso lhes rendiam culto.

O carvalho foi, em muitos casos, considerado a rainha das árvores. No inverno, quando suas folhas caíam, os povos antigos costumavam colocar diferentes enfeites nele para atrair o espírito da natureza, que se pensava que havia fugido.

A árvore de Natal moderna surgiu na Alemanha e suas primeiras referências datam do século 16. Foi a partir do século 19 que a tradição chegou à Inglaterra, França, Estados Unidos, Porto Rico e, depois, já no século 20, virou tradição na Espanha e na maioria da América Latina. As bolas e estrelas que enfeitam a árvore de Natal representam as primitivas pedras, maçãs ou outros elementos que no passado enfeitavam o carvalho precursor da atual árvore natalina.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

João Ângelo Guidi

Agricultor, Sertãozinho – SP

 

O agricultor João Ângelo preserva intacta a herança recebida:

 

"Meu avô, Ângelo Guidi, veio ao Brasil em 1902, com 20 anos, originário da Garfagnana (Lucca), Itália, onde trabalhava na pecuária. Durante a viagem, trabalhou lavando pratos e ajudando nos serviços gerais do navio, onde conheceu uma senhora, com criança pequena, que vinha juntar-se ao marido que há dois meses estava no Brasil. Na viagem, a criança ficou doente e meu avô ajudou sua mãe a cuidar dela. Ao chegar, descobriu que era uma senhora muito rica, a qual, no porto de Santos, contou ao seu marido a ajuda que meu avô lhe dera na viagem. Como reconhecimento, seu marido deu a meu avô uma pequena ajuda, com a qual ele veio se estabelecer na região de Sertãozinho e Pontal, em São Paulo. Imediatamente, começou a trabalhar com pecuária. Nesse ínterim, conheceu minha avó, Júlia Martinelli, e logo se casaram e tiveram 12 filhos. A avó Júlia trabalhava em serviços caseiros, fazia queijo e comidas para as comitivas que iam fazer negócios com o meu avô.

O avô sonhava em voltar à Itália para rever os irmãos e parentes, mas nunca conseguiu, pois tinha que trabalhar para sustentar sua grande família. Meu tio Giuseppe já estava no Brasil há dois anos.

Os avós, Ângelo e Júlia, trabalharam muito, educaram os filhos e, aos poucos, conseguiram dar uma fazenda para cada um deles. Não tenho palavras para descrever o quanto amei esses avós e o quanto me orgulho deles, porque eles foram exemplos de vida para todos nós. Hoje, vivemos todos próximos, trabalhamos na agricultura e pecuária, na mesma região, e temos aquelas festas, aqueles encontros de que o nono e a nona tanto gostavam.

Em 1988, nos juntamos em vários casais e fomos à Garfagnana ver os parentes e conhecer o lugar onde meu avô nasceu e passou a infância. Foi grande emoção ao vermos a casa onde ele morava; o porão onde abrigava os animais; a igreja onde ele foi batizado e viveu a adolescência. Ficamos encantados com essa maravilhosa terra donde vieram nossos antepassados e lá ainda vive parte da nossa família. Com isso, aprendi a cultivar o amor à Itália e à cultura e costumes italianos, traduzidos na vida em família.

Tudo o que disse do meu avô e da minha avó é o que diria de mim mesmo, no trabalho, no cultivo da italianidade e no amor que dedico à minha esposa Maria Cleide e a meus filhos Junior, Flávio e Maria Carolina, à minha nora Paula e à minha neta, Maria Victória. Todos nós temos cidadania italiana e busquei traduzir meu amor às raízes italianas fundando a Società Ítalo-Brasiliana di Sertãozinho, onde temos modesta escola e aprendemos o italiano. Vivi tudo isso porque morei com meus avós na infância e na adolescência. Minha avó sempre foi companheira do meu avô! Como eu gostava de ouvi-la ler o jornal em italiano para ele! Ouvi-los contar estórias dos bisavós, das alegrias, festas e, até, dos sacrifícios que faziam para sobreviver na Itália com as guerras e a falta do necessário.

Hoje tenho orgulho, me sinto um verdadeiro italiano, tenho lembranças queridas dos meus avós, Ângelo e Júlia, e continuo vivendo, tanto eu como meus filhos, do jeito que eles ensinaram a meu pai, aos meus tios, e a mim, unindo trabalho com dedicação e amor, honestidade e muita fé. Ao ouvir músicas italianas, beber vinho, comer polenta, revivo a presença dos avós. Peço a Deus, todos os dias, que o nono e a nona descansem em paz, com meu beijo de amor!" (Fone (16) 39451837; Rua Dr. Antônio Furlan Júnior, 1411/501 – 14160-700 Sertãozinho-SP)

João Ângelo leva consigo a italianidade de ontem e de hoje com orgulho, amor e fé! (Rovílio Costa).

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (390)

Dopo passà la vergogna, quel òstrega se spròsia

Marcelino Carlos Dezen

Caxias do Sul – RS

 

Passa na stimana, e riva el sabo nantra volta. Laoreti a la matina e, pena dopo mesdì, nantra volta na giugada de 48. Dopo raquante sbociade par tute le diression, robe de assar i compagni spaurai, ma anca col mal de pansa de tanto rìder, Nanetto firma la man e el giuga anca ben, per dir la verità.

– È, dise Gervásio, el ga firmà la man tirando zo pomidori l’altro giorno.

Nanetto chieto. "Adesso la vien fora la stòria", el pensa intrà de lu, ma Gervásio la finisse lì. El vede che no l’è bon coionar un brao laorador, se anca el ghe parécie qualche una de meso grossa. E là i giuga fin le sìnque. Raquante perse, raquante guadagnae. Na bireta "gelatinha", bele ridade, el passatempo de chi lo mèrita, dopo na setimana de laoro.

Riva doménega. Messa a la capela San Joani a le diese. Nanetto mete su la meio roba, smorsa la pipa, la mete in scarsela e via. El fea na bona figura. Ntel scomìnsio dela messa, pregada dal prete Milton, el pàroco de Forqueta, el comentarista el dise che quel giorno ghe ze in cesa un strànio che tuti i cognosse – Nanetto Pipetta. Meso sconto, in fondo a la cesa, insieme a Jânio e Edilson, Nanetto fin se spaventa co’l sente so nome. Dopo i ghe dà un urtoneto e co’l vede el ze drio ndar là vanti l’altar par presentarse. Magineve la figura! Adesso ghe passa via la vergogna e el se spròsia quel òstrega!

El passa le man ntele tirache, el tegne el capel contra el peto, el varda meso de banda, el palpa la pipa e... el ride de contento.

– Ma varda! Cagnera can, mai pi maginava che valtri me cognossessi e che me tocaria presentarme qua davanti a tuti. Vardé, se me volì ben, ve ringràssio, ma mi son solche Nanetto Pipetta, un talian come voaltri, che go catà pròpio la cucagna qua in meso a tanta gente bona.

Dopo fenio la messa, raquanti i lo saluda. La Dorvalina, na noneta che no perde mai na stòria de Nanetto, sul Correio Riograndense, la ghe dà un strucon de gusto e a Nanetto ghe par de ver ricevesto na caressa de so pora mama. Ghe vien fin le làgrime. Quei che ghe piase giugar le boce i lo invita par, dopo mesdì, ndar giugar con luri. Fin le done lo invita a giugar la brìscola e contarghe stòrie dela so vita. A tuti Nanetto ghe dise de si.

Fenio el disnar – un bon surasco -, Nanetto el fa un soneto, pi par passarghe via la stornisera dela caipirigna e del vin, e dopo el va a la capela. Là, tuti i lo varda, i lo saluda come se’l fusse na autorità. Dopo i lo invita a giugar boce. I cata che el ze un gran giugador perché tuti i lo vol par far dópia. Manco i Dezen, che i sa che figura che quel tràpola el ze co le boce in man. I giuga in oto, quatro cada banda. Passada mesa oreta, i contràrii de Nanetto i ga 20 ponti, Nanetto e compagnia... zero! No’l ghe intiva una! O massa longa, o massa curta, o massa storta, o massa...

– Ciò, Nanetto, te piàselo piantar sucare? Ghe domanda so compagno Olavo.

Dopo raquante giugade, el passa a petarghe qualche bela bòcia, ma guadagnar, che ze bon, gnente! Ma anca lì, almanco, tuti i se ga divertio coi schersi de Nanetto, coi so estri al giugar, cola pipa che sempre ghe caschea fora dela scarsela e se sporchea de sàbia.

– Vardé, dà che no gavemo guadagnà una, e go idea che ze stà perché oncó no son ntel me giorno de giugar, la bira la ze per conto de Nanetto.

Tuti i ghe fa festa. Nanetto savea farse rispetar e farse voler ben. E par contentar anca le done, che ghe piase giugar la brìscola, Nanetto ga giugà na raiada. Lu e la Teresinha Bristot contra la Clarisse e la Líbera, due furbe che no le ga rispetà gnanca quel personàgio. Le lo ga imbroià come che le ga volesto. Nanetto ghe ga gnanca fato caso. Par lu, zera tuto festa, tuto alegria, tuto un volerse ben. E cossi ga passà via anca quela doménega.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La messa del Gal

Geraldo Sostizzo

Cascavel – PR

 

El giorno vanti del Nadal, o sìpia, el giorno 24 de desembre, noantri se pronteimo par spetar el Papà Noel, che’l vegnea sempre portarme i presentini, quando li meriteimo, ze bon che se lo diga.

Ma, prima de questo, bisognea ndar a la messa del Gal. Questa messa scominsiea la mesa note in ponto, gnanca prima e gnanca dopo. Come gera na messa importante, noantri me tochea ricever Gesù e par questo no se podea mia magnar gnente al meno cinque ore prima.

Maginàrsela, noantri pìcoli, tochea far pi de quatro chilòmetri a pié, parché nessuni gavea condussion. Dopo star in cesa nantre due o tre ore. Tante volte dormìimo tei banchi in cesa.

Riveimo casa passade le due. Ma par tornar a casa tuti i santi giutea e ndeimo fin corendo, parché voleimo veder cosa gaveimo guadagnà e cosa cateimo soto el pineto del presèpio. Tante volte se guadagnea squasi gnente, ma qualcosa che se guadagnea, perdeimo el sono e ndeimo dormir squasi giorno.

La messa del Gal gera na serimònia tanto bela, piena de luce, candele, campanele che sonea tel altar. Tanti fiuri e el presèpio gera grando e i canti gera belìssimi e la prèdica del prete sempre longa come la strada. Guaia se dormìimo tea prèdica. Chi ndea a messa del Gal, no ocorea ndar el giorno drio.

Na volta go guadagnà na gaitina, de quele de sonar con la boca, go sonà tanto che go fato due bissighe tei lavri. Me ga tocà dassarla tea casseta pi de un mese.

El giorno de ncoi, i prega la messa del Gal ale nove ore, se ga perso quela tradission dela mesa note, e drio questa ghemo perso tante altre cose. Noantri se contenteimo con na sbrancada de dolsi, el giorno de ncoi, tanti tusi no i se contenta gnanca con na ciave de un auto, lasaruni.

 

La tradission del Nadal

 

Rafael Badissera

Professor, Curitiba – PR

 

La data del Nadal la ze stà stabilia tel 25 de desembre pal Papa Giùlio I, tel sècolo IV. Prima de sta època, el gera selebrà in raquante cese tel mese de genaio; in altre, tel mese de abril. Tel Mèdio-Evo, dove le persone le passea la pi granda parte dea so vita in cesa, la festa de Nadal la gera la prima e la pi granda festa popolar. El clero e el pòpolo i se sforsea par dar ala cesa na aparensa rùstica.

Personagi vivi i rapresentea el Bambin Gesù, la Madona, San Giusepe e i pastori. El bo e el musso tradissionai no i gera mai desmentegai. Te le procission ghe gera canti, danse e fes-tin. Raquanti costumi i vien de quel tempo: vèspero de Nadal, la messa del Gal, el àlbaro de Nadal, la sena de Nadal... El primo presèpio l’è stà San Francesco de Assisi a farlo.

I presenti che se dà ai toseti (fursi in memòria dei presenti che i rè maghi i ga portà a Gesù) i vien de un costume pi ressente. El Papà Noel el ze na idealisassion de San Nicolau, vesco de Mira, tea Lìdia (Àsia Minore), del sècolo IV, protetor dei bambini e rapresentà de barba bianca e cargà de presenti (prinsipalmente tea antiga Rùssia, dea quale el gera patrono).

 

GERAL

Vale do Taquari debate o uso racional das águas

Jornada alerta sobre riscos e conservação

 

O uso racional da água é uma preocupação global e será debatido no próximo dia 15 de dezembro no município de Doutor Ricardo. A Jornada da Água no Vale do Taquari vai reunir especialistas para tratar dos usos e riscos a que esse recurso natural está sujeito e apresentar alternativas práticas de conservação e redução de contaminações.

Organizado pela Emater e Prefeitura, com o apoio do Sicredi e da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Vale do Taquari, o encontro ocorre no ginásio da Linha Bento Alta. À tarde, as atividades serão realizadas na Gruta Nossa Senhora de Lourdes.

A jornada acontece todos os anos em um sistema de rodízio entre os municípios da região. "O objetivo é promover o uso racional da água com ações ambientais conjuntas que visem a sustentabilidade e a melhoria da qualidade de vida", explica ao CR o engenheiro agrônomo e chefe do escritório da Emater/RS em Doutor Ricardo, Francisco Träesel.

 

Rústica São Silvestre abre inscrições

 

Estão abertas as inscrições para a 32ª Rústica de São Silvestre e 5ª São Silvestrinha de Carlos Barbosa, que serão realizadas no dia 31 de dezembro. A mais tradicional corrida rústica do Estado, na modalidade prova de corrida a pé, reuniu 400 atletas em 2005.

O percurso da São Silvestre é de 9,5 km. Inicia no centro da cidade com chegada na Linha Doze. Já a São Silvestrinha tem 3 km de percurso, com largada e chegada no mesmo local.

As inscrições podem ser feitas nos e-mail www.carlosbarbosa.rs.gov.br, www.corpa.esp.br ou diretamente na Secretaria Municipal do Turismo.

 

Santo Ângelo festeja a colheita de melões

 

Santo Ângelo, situado na região Noroeste do Rio Grande do Sul, possui sua área agricultável com predominância para a soja com 35.000 hectares, trigo 5.000 hectares, milho 6.000 hectares. Tem também um rebanho leiteiro que produz em torno de 600 mil litros de leite por mês.

Na busca de alternativas para agricultura familiar, a Emater e a comunidade de Ilha Grande vêm trabalhando no cultivo de melão. A atividade envolve 25 famílias com área total de 30 hectares e produção em torno de 250 toneladas. "As famílias têm tradição no cultivo de melão, de geração em geração, com semente crioula", relata o técnico e chefe da Emater, Diomar Lino Formenton.

Com a preocupação de também de organizar a comercialização, a Emater e a comunidade de Ilha Grande realizam a 3ª Festa de Melão, que ocorre dia 17, no salão comunitário.

A festa conta com a apresentação de peça teatral "Grupo Humanizarte" pelos jovens locais; dia de campo, almoço, comercialização de melões e sarau dançante.