DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.019 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 20 de dezembro de 2006.
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Parlamentares perderam o sentido da realidade
Aumento de 91% é mais um abuso contra os que são denominados de contribuintes
Ao decidirem aumentar os salários dos parlamentares em 91%, elevando de R$ 12.847,20 para R$ 24,5 mil e equiparando o valor ao teto do Judiciário, os líderes partidários no Congresso brasileiro deram uma demonstração de que perderam o sentido da realidade. Essa falta de sintonia ganha uma dimensão mais forte ainda porque vem na esteira de uma seqüência de escândalos que mancharam a imagem do Legislativo. Aos mensaleiros e sanguessugas junta-se o abuso aos que são denominados de contribuintes.
O Parlamento é uma instância delegada de poder popular, através do voto, mas deve ser também uma instância ética, a representação dos valores da cidadania. O que se assistiu na semana passada está longe disso. Enquanto o trabalhador comum recebe o salário mínimo de R$ 350, e assiste, impotente, uma verdadeira batalha político-econômica para definir o reajuste entre 5% e 7%, deputados e senadores julgam-se no direito de perceber 70 vezes mais - sem contar vantagens que fazem o custo mensal de cada parlamentar superar R$ 100 mil.
Foram poucas as vozes contrárias. A grande maioria concordou ou entregou-se ao silêncio da conveniência. Houve até os que tentaram construir argumentos em defesa do auto-aumento. Sem poder explicar o inexplicável, arremessaram aos ouvidos do cidadão frases que soaram como tapas no rosto dos que cultivam o bom senso e a dignidade. E a dor se intensifica na medida em que o efeito cascata desse aumento abrangerá deputados estaduais e vereadores, elevando as despesas aos cofres públicos em estimado R$ 1,66 bilhão por ano.
"O que devemos fazer?", questionou nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), referindo-se à decisão dos congressistas e lembrando que São João Batista, em resposta a essa indagação, oferecia exemplos de partilha, justiça e poder como serviço. Talvez o brasileiro não saiba o que fazer, mas sabe muito bem o que está sentindo: indignação.
Entidades de classe e até um pequeno grupo de parlamentares prometem contestar o aumento na Justiça. Independente do resultado, e diante da responsabilidade que deputados e senadores deveriam ter com a coisa pública, moralmente já há uma condenação.
Bênção natalina atrai a comunidade
Religiosos atenderam milhares de pessoas na Praça Dante Alighieri
Harmonia familiar, saúde e emprego foram os principais pedidos das pessoas que passaram pela Praça Dante Alighieri, no último dia 14, para receber a bênção natalina dos freis capuchinhos e outros religiosos. Segundo frei Irineu Costela, pároco da Imaculada Conceição, a terceira edição do Natal na Praça reuniu cerca de 15 freis, além do padre Jone Fachinelli, da Catedral Diocesana.
Das 9 às 20 horas, os religiosos revezaram-se para atender milhares de pessoas. "É difícil quantificar o número exato de pessoas que foram à praça receber a bênção, mas garanto que o movimento foi intermitente, as filas não cessavam", afirma frei Celso Bordignon, que também participou do evento. "À noite, casais e até famílias inteiras nos procuraram. O encerramento oficial ocorreu às 20 horas, mas às 22 horas ainda havia pessoas lá", comenta frei Irineu.
"Era visível o entusiasmo do povo com a iniciativa", afirma Irineu. Segundo ele, o sucesso demonstra o quanto as pessoas necessitam de uma atenção espiritual individualizada. "Vivemos em um mundo muito consumista. Às vezes, o Natal assume um sentido muito comercial, distante de seu significado real, de amor, comunhão, renovação", complementa o frei. O Natal na Praça é uma promoção das paróquias Imaculada Conceição e Catedral Diocesana, rádios São Francisco SAT e Maisnova FM, Editora São Miguel e Clube da Esperança.
Cidade terá feira de hortigranjeiros
A região da Serra gaúcha, principal pólo produtor de hortigranjeiros do Rio Grande do Sul, será sede, em maio do próximo ano, da 1ª Horti Serra Gaúcha - Evento de Tecnologia para o Mercado Competitivo em Hortifruticultura, feira inédita no Estado. Os principais temas abordados pelo evento serão viticultura, hortaliças e fruticultura, mas, paralelamente, também haverá feira de tecnologia e de produtos do setor.
O evento ocupará a estrutura dos pavilhões da Festa da Uva. O lançamento da feira está previsto para janeiro de 2007. A 1ª Horti Serra Gaúcha é uma promoção da Secretaria Municipal da Agricultura (SMAG) em parceria com a Festa da Uva.
Cooperativas lideram construção de hidrelétricas
Nos rios gaúchos já operam 50 pequenas centrais de geração de energia
O Rio Grande do Sul atingiu a marca de 50 pequenas centrais hidrelétricas (PCH) em operação, com potência instalada total de 138,7 megawatts (MW). Deste total, 22 PCHs são mantidas por cooperativas, 13 por Produtores Independentes de Energia (PIE), 11 pela Companhia Estadual de Energia Elétrica e quatro pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).
De acordo com a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações, há ainda 29 pequenas hidrelétricas com Licença Prévia (LP) ou Licença de Instalação (LI), com potência prevista de 171,4 MW, das quais 11 são mantidas por cooperativas e 18 por Produtores Independentes de Energia (ver quadro).
O Programa de Incentivo às Fontes de Energia Alternativa (Proinfa) do governo federal selecionou oito PCHs no Estado para entrarem em funcionamento até o final de 2007. Destas, duas já foram inauguradas - Carlos Gonzato, nos municípios de Campo Novo e Braga, e São Bernardo, em Barracão e Esmeralda. "Há uma terceira, a Esmeralda, em Barracão e Pinhal, que deve entrar em operação neste mês", diz o secretário de Energia e Minas do RS, José Carlos Elmer Brack. As demais cinco têm o cronograma prevendo a operação comercial até dezembro de 2007.
O rio Carreiro vai sediar três pequenas centrais hidrelétricas. A Brascan Energética, com sede em Curitiba (PR), está investindo na construção de três pequenas centrais hidrelétricas em Cotiporã, comunidade de Caçador e na Linha Emília.
As obras das PCHs iniciaram em outubro deste ano, com os desmatamentos. Agora, estão sendo abertos os acessos, com previsão de término dessa etapa para o final de dezembro. As PCHs ficarão dentro de territórios dos municípios de Serafina Corrêa, Nova Bassano, Guaporé, Dois Lajeados, Fagundes Varela e Cotiporã.
A previsão de término é para o mês de março de 2008. As obras vão mobilizar mil funcionários, entre os 700 nas PCHs Emilia e Cotiporã e os 300 na usina Caçador.
A casa de força da PCH Caçador Energética ficará em Serafina Corrêa, com potência instalada de 22,5 MW. A da PCH Cotiporã Energética ficará instalada em Cotiporã e terá potência instalada de 19,5MW. Já a Casa de Força da PCH Linha Emília será implantada em Dois Lajeados, também com potência instalada de 19,5 megawatts.
Ambiente - Paralelo às obras de construção das usinas, estão sendo desenvolvidas ações ambientais, por meio dos programas de monitoramento das faunas aquática e terrestre, da qualidade da água, de controle das macrófitas (vegetais com folhas grandes), de resgate da fauna e da flora, de reciclagem de material, de recuperação das áreas degradadas e de controle de erosão.
No caso das hidrelétricas sobre o rio Carreiro está sendo desenvolvido o Programa de Educação Ambiental, voltado a estudantes e professores dos municípios abrangidos e aos funcionários das obras. "As PCHs são alternativa às restrições de ordem socioambiental das grandes barragens porque funcionam com reservatórios mínimos ou derivações de cursos de água permanente, com potência instalada de no máximo 30MW, destinadas a suprir demandas locais", explica a engenheira da Brascan, Carla Schmidt Oberdiek.
Parque eólico de Osório será inaugurado em janeiro
O complexo do Parque Eólico de Osório, no Litoral gaúcho, deve começar a operar com toda capacidade (150 megawatts de energia) no final de dezembro. Com um total de 75 aerogeradores (2 megawatts cada), inauguração está prevista para o final de janeiro de 2007.
Com 150 megawatts de energia, é o maior parque eólico da América Latina. "O empreendimento será fundamental para o desenvolvimento de Osório e do Litoral Norte, além de se transformar num ponto turístico", destacou o governador Germano Rigotto.
De acordo com o presidente da empresa construtora Ventos do Sul, Telmo Magadan, o investimento no Parque de Osório foi de R$ 670 milhões e gerou mais de 2.000 empregos diretos e indiretos para a construção da planta. O projeto é subdivido em três parques - Osório, Sangradouro e Índios -, e terá um total de 75 aerogeradores (25 por parque) e uma potência instalada de 150 MW, que irá dobrar a energia eólica produzida atualmente no país.
Instalados com a mais avançada tecnologia, os parques eólicos de Osório colocam o Rio Grande do Sul e o Brasil no mapa mundial do desenvolvimento sustentável e em sintonia com as nações mais desenvolvidas do mundo. A energia eólica é produzida a partir do aproveitamento do vento.
Flor do Sertão represa águas do Antas
Está formado o lago do reservatório da usina Flor do Sertão, que está sendo construída no rio das Antas, Linha Fuzil, na divisa com os municípios de Descanso e Flor do Sertão, em Santa Catarina. A lâmina de água cobre 150 hectares, volume total de 10 milhões de m³ e extensão de 10,5 km.
O lago banha as divisas territoriais dos municípios de Flor do Sertão, Descanso, Romelândia e São Miguel do Oeste, em SC. A usina terá capacidade máxima de geração para 16,5 MW (geração média de 9 MW), potência capaz de abastecer 40.000 residências. O investimento de R$ 44 milhões é sustentado por cooperativas agropecuárias catarinenses.
Previsão de recuperação agrícola
Clima e preço favoráveis espalham otimismo no meio agrícola do país
O cenário para o setor a-gropecuário nacional em 2007 é positivo. "Contrariando previsões que apontavam queda na produção agrícola deste ano, o que houve foi uma recuperação que já garante safra superior a do ano passado", disse o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Carlos Guedes.
Para o ministro, o resultado se deve à melhoria dos preços dos principais produtos no mercado internacional, ao clima e às políticas implementadas pelo Mapa, como a prorrogação de R$ 20 bilhões em dívidas dos produtores e o apoio à comercialização de 23,8 milhões de toneladas de grãos com o aporte de R$ 2,5 bilhões de recursos oficiais. "Atravessamos o fundo do poço e o horizonte é de melhoria a partir de 2007", afirmou.
Por trás dos números positivos projetados para este final de ano está o mercado externo. A perspectiva de melhoria é conseqüência direta da redução do estoque mundial de trigo e milho, com aumento de preços desses produtos. Na análise da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a baixa nos estoques tem efeito em muitos produtos agrícolas e está por trás da recente valorização nos preços das commodities do setor.
Além disso, o custo dessa safra será menor para o produtor do que nos últimos dois anos. "A safra deste ano é mais barata por causa da questão cambial", disse o economista Fernando Homem de Melo. Ele explicou que os agricultores estão plantando a safra 2007 com dólar a R$ 2,20 e "não há expectativa de maior valorização do real, ou seja, na colheita o dólar estará na mesma cotação ou até mais alto."
O avanço da soja confirma a tendência de melhora. O fundo do poço atingido pelos sojicultores pode ter ficado para trás. Motivados pela perspectiva de bons preços e custos menores, os agricultores retomam as negociações de insumos e de máquinas para concluir o plantio.
PIB - O Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário fechará 2006 em R$ 148,32 bilhões, de acordo com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Houve perda de 3% em relação ao ano passado, quando o PIB do setor agropecuário fechou o ano com R$ 153,04 bilhões.
Segundo o balanço, a diminuição na renda do setor agropecuário retirou da produção pelo segundo ano consecutivo aproximadamente dois milhões de hectares. Para 2007, a expectativa é de recuperação da renda devido ao crescimento dos preços internacionais.
Agroindústria em ritmo de crescimento
Os bons preços internacionais impulsionaram o Brasil a assumir a liderança mundial na venda de carne bovina. O país lidera a exportação em quantidade e receita. De janeiro a novembro deste ano foram exportados US$ 3,475 bilhões, valor que ultrapassa em US$ 101 milhões o volume da Austrália, segundo colocado.
Os brasileiros colocaram 2,11 milhões de toneladas no mercado externo, contra 1,34 da Austrália. O Brasil deve encerrar o ano com exportações em torno de US$ 4 bilhões, recorde histórico para o setor. "Os novos mercados conquistados pelo país contribuíram para esse salto", diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Pratini de Moraes.
Apesar da crise causada pela gripe aviária e febre aftosa, que atingiu o preço do frango e suíno em decorrência do baixo consumo, o segmento dessas carnes tem cenário positivo para o próximo ano. Até outubro, porém, as vendas externas de frango recuaram 10,2% sobre igual período de 2005. Já o cenário suinícola segue incerto. A Rússia, destino de mais da metade das exportações nacionais, mantém embargo a Santa Catarina. Até outubro, os embarques caíram 15,9%.
Cresce a venda de máquinas agrícolas
O balanço parcial de 2006 e as previsões para 2007 indicam que o setor de máquinas agrícolas ultrapassou a fase mais aguda da crise que derrubou as vendas. Os números da Associação Nacional dos Fabricantes dos Veículos Automotores (Anfavea) mostram recuperação gradual nas vendas internas - novembro foi o sétimo mês positivo, com 46,4% de aumento no comércio.
No acumulado de 11 meses, a recuperação do setor ficou em 8,9%. Na avaliação da Anfavea, os índices continuarão em alta no ano que vem, elevando as vendas internas em 14%, de 25,5 mil para 29 mil máquinas agrícolas. "Os números de 2006 são positivos o suficiente para se dizer que o pior já passou", declara o vice-presidente da entidade, Pérsio Luiz Pastre.
As vendas internas foram melhores que as exportações, que caíram 30,4% neste ano, na comparação com o período de janeiro a novembro do ano passado. Por mês, são exportadas cerca de 700 máquinas a menos que em 2005. Para o mercado internacional, a Anfavea não prevê recuperação durante 2007. "O aumento nas vendas internas é puxado pela ampliação das lavouras. O Sul começa a tomar fôlego e a tendência é de melhora", conclui Pastre.
Farsul prevê bom ano para o setor
Diante de uma safra superior a 20 milhões de toneladas, dirigentes da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) esbanjam otimismo. "Isso significará não apenas a recuperação física, mas também dos preços de venda que são maiores e dos custos de produção, menores do que nos anos anteriores", destaca o presidente da Farsul, Carlos Sperotto.
No balanço anual da entidade, Sperotto salientou a intensificação da rastreabilidade e a expansão da atividade leiteira. "O maior desafio para 2007 será renegociação dos compromissos a serem amortizados", conclui.
Emater confirma boa safra de grãos
As condições climáticas a-pontam para uma boa colheita de grãos no Rio Grande do Sul. A Emater estima que o Estado deverá colher 4,66 milhões de toneladas de milho, com um aumento de 2,88% se comparada à colheita anterior (4.530.052 ton.) e 5,6 milhões de toneladas de arroz.
Quanto à soja, a Emater indicou área plantada de 3.867.939 hectares. Com uma produtividade estimada em 1.895 kg/ha, serão colhidos cerca de 7,3 milhões de toneladas na safra 2006/07, número que representa diminuição de 3,04% em relação à anterior (7.559.288 toneladas).
Composto lácteo favorece produtor
Setor padroniza e cria nova categoria para a atividade leiteira
O setor lácteo brasileiro está ganhando nova identidade e mais qualidade. Normalmente o leite aromatizado e o em pó modificado são comercializados com diferentes concentrações de proteína láctea, o que não é informado ao consumidor nos rótulos das embalagens. Para resolver isso, foi padronizada a composição desses produtos e criada a categoria de composto lácteo.
Segundo Marcelo da Costa Martins, assessor da CNA, a iniciativa pretende viabilizar a criação de produtos com percentual de base láctea maior - nenhum produto poderá ter menos de 51% de base láctea - e elevar a proteína láctea, para que se utilize cada vez mais leite, favorecendo o produtor.
Além disso, deverá ser informada nos rótulos das embalagens a composição nutricional (quantidade de soro de leite, proteínas etc). O teor de proteína do produto terá de ser no mínimo 1,9%. No ano passado, houve alterações no processo de regulamento técnico de bebida láctea e no de requeijão, que estava sendo produzido com amido e gordura vegetal, e sendo rotulado como especialidade láctea.
Fraude - Para o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite, Rodrigo Alvim, a grande preocupação é com a fraude. "Não há dúvidas que o soro é um componente que tem as suas funções e que pode ser aproveitado como ingrediente de fórmulas alimentares, mas as coisas têm que ser regulamentadas", diz.
Segundo Rodrigo Alvim, a regulamentação minimiza a confusão do consumidor em relação à composição de cada produto e dá direitos iguais para todos aqueles que querem produzir determinada categoria de alimento lácteo.
Dinheiro do Ibravin quita salários
Enquanto o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) aguarda pela aprovação do projeto de lei que prevê o repasse de 25% dos recursos do Fundovitis diretamente ao seu caixa, o governo liberou R$ 283 mil. "O dinheiro será usado, preferencialmente, para pagar salários e encargos (FGTS, férias, 13º). Depois virão os credores", declara o presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Danilo Cavagni.
O montante soma-se aos R$ 150 mil garantidos pela indústria vinícola. De acordo com Cavagni, os recursos amenizam, mas não resolvem a situação. "Precisamos que sejam liberados mais os R$ 280 mil que o governo prometeu até o final deste ano. Com os R$ 560 mil do Fundo poderemos pagar grande parte do que hoje nos incomoda", afirma ao CR.
Mesmo que seja aprovada a alteração no Fundovitis, diz Cavagni, programada para esta quarta, com concordância de todas as lideranças partidárias da Assembléia Legislativa, esse dinheiro só começará a fluir para o caixa do Instituto em agosto do ano que vem. "Até lá a cinta terá que continuar amarrada mesmo. Teremos que manter com muito rigor a política de enxugamento", emenda.
A recuperação do Ibravin deve mesmo ocorrer no próximo ano. "A partir de agosto de 2007, a tendência é que a situação comece a normalizar, porque, finalmente, vamos poder planejar e trabalhar, baseados na receita da certeza", adianta.
Danilo Cavagni calcula que os 25% do projeto de lei representem pouco mais de R$ 2 milhões. Ainda há outros 15% previstos no projeto. "Se forem repassados, então teremos condições realmente de realizar trabalho mais amplo", conclui.
Grupo Avipal amplia a sua unidade de Ijuí
O grupo Avipal vai ampliar a unidade de Ijuí, com investimento de R$ 15 milhões destinados à produção de leite em pó. A torre terá a capacidade de secagem de 600 mil litros de leite/dia para a fabricação de leite em pó. Deve gerar 170 empregos diretos.
No RS, a Avipal possui unidades em POA, Lajeado, Teutônia, Santa Rosa, Três de Maio, São Lourenço do Sul e Ijuí. "O grupo é o maior produtor de leite longa vida das Américas e o maior produtor nacional de queijos prato e mussarela e de leite condensado em tetra brik", disse o presidente, Rami Goldfajn.
A empresa faturou R$ 2,3 bilhões no ano passado, dos quais cerca de 70% no Estado. A Avipal gera 8.500 postos de trabalho diretos e conta com 25 mil produtores de leite e 2.600 integrados de frangos e suínos.
Consulati e Embaré investem R$ 252 mi
Com recursos no valor de R$ 15,2 milhões, a Cooperativa Cosulati implantará uma unidade de leite em pó, em Pelotas, com capacidade para 600 mil litros/dia. Em Cruz Alta, a CCGL vai investir R$ 90 milhões para industrializar um milhão de litros de leite/dia. A nova planta deve gerar 248 empregos e entra em funcionamento em 2007.
Já a Embaré irá investir R$ 237 milhões na produção de manteiga e leite em pó, em Sarandi. O complexo industrial vai oferecer 240 empregos diretos, a partir da plena operação da capacidade instalada.
Engº. Agrº. José Zugno
Cercas vivas
Aprecio muito o CR, principalmente a coluna Vida Agrícola. Peço, via jornal, mais informações sobre cercas vivas. Além disso, onde conseguir sementes da "Mimosa mucranata" ou de outras espécies que se adaptem ao nosso clima.
OTAVIO SPADA
Ibiraiaras - RS
Cerca viva ou sebe viva, não é outra coisa senão uma fileira de arbustos de uma mesma espécie botânica, distanciadas em geral 0,50 a 1m uma da outra, as quais, submetidas a uma conveniente poda adquirem a forma desejada. A cerca viva deve formar um "muro" vegetal revestido de folhagens desde o solo até a parte de cima, em que os ramos de cada um dos arbustos se entrosam com os ramos vizinhos formando uma trama intransponível para animais e o próprio homem.
Finalidades - Diversas são as finalidades pelas quais se constroem as cercas vivas, sendo as principais as seguintes: dividir espaços, delimitar os terrenos, margear caminhos, garantir privacidade, revestir muros de pedras e paredes, proteger contra ventos ou simplesmente embelezar o ambiente.
A maioria das cercas vivas é da altura média de 1 a 2m, mas existem as baixas como as usadas nas bordaduras de canteiros, e as altas com mais de 2m de altura.
Plantas - Existem inúmeras espécies de plantas que se prestam para cerca viva. A escolha da espécie depende muito da preferência pessoal, do espaço disponível, do porte desejado, mas, sobretudo, do clima e das condições ambientais. Eis algumas espécies apropriadas à região Sul do país: Cupressus sempervirens: é o popular cedrinho. Produz, quando bem formado por conveniente poda, uma cerca viva vigorosa própria para o Brasil meridional.
Ligustrum ovalifolium: que é o ligustro ou alfeneiro de folhas miúdas. Forma densa cerca viva, após cuidadosa poda de formação. Resiste bem aos frios de inverno. Pode produzir flores brancas perfumadas e frutinhos para os pássaros.
Spirea alba: buquê-de-noiva. Arbusto de ramagem fina, de folhas caducas (caem no inverno); rebrota na primavera e, na extremidade dos ramos novos, produz cachopas de pequenas flores brancas.
Plumbago capensis: bela emília. Produz belas flores azuis. Própria para revestir muros e paredes.
Crataegos oxycanta: oxicanta ou espinheiro branco. Arbusto provido de espinhos curtos. Produz flores brancas e numerosas e atraentes frutinhos amarelos e vermelhos que persistem por longos meses.
Hydrangea macrophylla: hortênsia. Subarbusto de 1 a 1,5m de altura. A parte inferior de cada ramo é lenhosa e a parte superior, herbácea. É apropriado para contornos de canteiros e para acompanhar caminhos. Floresce abundantemente na primavera e no verão. Após a florescência, a parte herbácea dos ramos, que deram flores, deve ser podada.
Hibiscus rosa-sinensis: mi-mo-de-vênus. Cerca viva ornamental, rústica e vigorosa. Com poda adequada floresce quase todo o ano. No inverno, deve receber algum tipo de proteção, pois é sensível às geadas fortes.
Com relação à espécie citada em sua carta o nome certo é Mimosa bimucronata. Trata-se da conhecida maricá das regiões brejeiras do Rio Grande. É planta espinhenta, muito ramificada, servindo como cerca viva alta, mais de 4m, em geral nas divisas da propriedade. O tronco adulto chega a 20cm de diâmetro e é de madeira dura, aproveitada na marcenaria. Tem folhas compostas, biparipenadas, com numerosos folíolos. As suas inflorescências (conjunto de flores) são brancas, perfumadas e melíferas. Os frutos são legumes achatados divididos em 6 a 8 segmentos, cada um contendo 1 semente viável.
Mudas podem ser encontradas ou encomendadas nos bons viveiros no Estado. Os técnicos da extensão rural poderão orientá-lo neste sentido.
Banco guarda o futuro alimentar do Brasil
Câmaras da Embrapa conservam 240 mil espécies vegetais
O Brasil deu um passo determinante para a história da agricultura nacional: a inauguração do complexo de câmaras frias de conservação de espécies vegetais, que dobrarão a capacidade de armazenamento de amostras de sementes de 120 mil para 240 mil. As novas câmaras foram inauguradas pelo Ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, e pelo presidente da Embrapa, Sílvio Crestana.
Com o depósito de 100 mil amostras de sementes nas novas câmaras, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) tornou o banco de germoplasma brasileiro o sétimo maior do mundo, empatado com o do Canadá. O maior de todos é o norte-americano (466 mil amostras) e, em segundo lugar, o da China (360 mil). Na seqüência vêm o banco da Alemanha (160 mil), Japão (147 mil), Índia (144 mil) e Coréia (115 mil).
No banco genético brasileiro de espécies vegetais estão conservadas as sementes de importância socioeconômica. Elas ficam em câmaras frias, a 20ºC abaixo de zero, onde podem permanecer por mais de cem anos. Periodicamente, são feitos testes para avaliar o potencial de germinação. "As espécies com maior número de amostras na coleção são soja, arroz, feijão, trigo e milho, mas o banco tem inúmeras outras espécies de plantas medicinais, frutíferas e arbóreas", diz o pesquisador Leonel Neto.
Base - As espécies que compõem a coleção de base da unidade da Embrapa são resultantes de expedições de coleta realizadas em todas as regiões brasileiras e também do intercâmbio com outras instituições de pesquisa e universidades do Brasil e do exterior. "Da região Sul, a maior coleção é de cevada, com 17 mil espécies, e trigo", informa Neto ao CR.
A Embrapa Recursos Genéticos investe na conservação de espécies vegetais, animais e de microorganismos desde a sua criação, em 1974. "O objetivo é de preservar o passado e garantir a diversidade alimentar das futuras gerações", explica o pesquisador.
"As espécies vegetais conservadas no banco genético são fundamentais para enriquecer a agricultura e resgatar a cultura de povos como os indígenas. Muitos outros resultados positivos ainda virão, pois a natureza é uma fonte interminável de genes", conclui a pesquisadora Maria Magaly Wetzel.
Incidência de conjuntivite aumenta no verão
Contagiosa, doença é transmitida por contato humano ou objetos contaminados
No verão, quando os raios solares incidem mais intensamente sobre a Terra, não somente a pele necessita de cuidados especiais. É preciso dar atenção também aos olhos, para evitar o aparecimento de doenças típicas do calor.
A conjuntivite é um dos males mais comuns nessa época do ano. Caracteriza-se por uma inflamação da conjuntiva, membrana delgada e transparente que reveste a parede do globo ocular e das pálpebras. Geralmente a doença atinge os dois olhos, dura de sete a 15 dias, não costuma deixar seqüelas, mas causa desconforto. Os principais sintomas são olhos vermelhos e lacrimejantes, pálpebras inchadas, sensação de areia ou de cisco nos olhos, secreção e coceira.
A doença pode ser infecciosa ou não. No primeiro caso, é causada por vírus, bactérias, fungos ou protozoários. É altamente contagiosa e se dissemina nesta época por causa da grande concentração de pessoas nas regiões de praias. No caso da conjuntivite viral, eventualmente os sintomas lembram os de uma gripe e o paciente pode se sentir indisposto.
A conjuntivite não-infecciosa é provocada por agentes externos irritantes. Está associada mais diretamente ao sol, à exposição acentuada aos raios ultravioleta e ao vento. Caracteriza-se pela vermelhidão entre as pálpebras. Para evitá-la, recomenda-se o uso de óculos escuro com lentes que filtram a radiação ultravioleta.
Tratamento - É importante esclarecer que somente o oftalmologista pode fazer o diagnóstico correto do tipo de conjuntivite de cada paciente, antes de prescrever o tratamento adequado, que pode ser diferente de um caso para outro. Portanto, ao perceber os sintomas, o melhor a fazer é procurar um especialista, evitando a automedicação. Alguns colírios são altamente contra-indicados porque podem provocar sérias complicações e agravar o quadro de inflamação.
De uma maneira geral, quem está com conjuntivite deve redobrar os cuidados com a higiene dos olhos e das mãos. Lavar bem os olhos e fazer compressas com água gelada - filtrada e fervida - ou com soro fisiológico ajuda a aliviar os incômodos causados pela doença. Se a pessoa acometida pela conjuntivite usar lentes de contato, o melhor é suspender o uso e utilizar os óculos até que a inflamação seja curada.
Também indica-se o uso de óculos escuros, para proteger os olhos, já que nesse período eles estão ainda mais sensíveis à exposição de luz.
Quando provocada por microorganismos, a doença pode ser transmitida de uma pessoa para outra pelo contato humano ou por objetos contaminados. Uma medida eficaz é separar objetos de uso pessoal do paciente, como toalhas, sabonetes, produtos de maquiagem, lápis e canetas.
Sol em excesso causa danos à visão
A exposição, sem proteção, a quantidades excessivas de radiação ultravioleta (UV), por um curto período de tempo, pode causar uma ceratite. Trata-se de uma espécie de queimadura da córnea, que causa dor, vermelhidão, lacrimejamento, fotofobia e sensação de areia nos olhos. Já a exposição prolongada aos raios solares aumenta a chance do desenvolvimento de catarata, câncer de pele nas pálpebras e lesões na retina (degenerações).
Os efeitos da radiação UV são cumulativos. Quanto maior o tempo de exposição aos raios, maiores serão os riscos, com o passar dos anos, de surgirem problemas de visão. O uso de óculos escuros é sempre recomendado durante todo o ano, mas principalmente no verão, quando a radiação é mais intensa. Porém, eles devem ser de boa qualidade para oferecer proteção adequada.
Segundo a oftalmologista Sandra Falvo, bons óculos escuros devem bloquear entre 99% e 100% as radiações UVA e UVB, não devem distorcer as imagens ou mudar as cores e devem ter lentes cinzas, verdes ou marrons, capazes de filtrar entre 75% e 90% da luz visível. Os óculos de grau também devem ter proteção UV. Bonés, viseiras e chapéus oferecem proteção adicional, quando passa-se muitas horas sob a luz solar.
Cloro pode causar alergia em criança
Nesta época, além da conjuntivite, o contato dos olhos com o excesso ou a falta de cloro nas piscinas e com a água contaminada costuma causar alergia ocular, principalmente nas crianças. O cloro utilizado nas piscinas pode provocar lesões, irritações ou inflamações nos olhos, que costumam desaparecer depois de algumas horas. Para os mais sensíveis, recomenda-se lavar os olhos com soro fisiológico.
Os olhos desenvolvem uma reação alérgica quando entram em contato com os alérgenos ou substâncias às quais são sensíveis. Apesar de haver vários tipos de alérgenos, há alguns mais comuns, reconhecidos por todos como desencadeadores da alergia. Uma forma de prevenir a alergia ocular é tentar minimizar a exposição a essas substâncias. Na lista de alérgenos mais conhecidos estão pólen, mofo, pêlos dos animais, cosméticos, ácaros de poeira e poluição, cloro.
Radiação UV também degenera a conjuntiva
Causado pelo excesso de exposição ao sol, o pterígio é um processo degenerativo da conjuntiva que pode se estender até a córnea, causando distorção da visão. Popularmente, é conhecido como ‘carne no olho’. Na maioria dos casos aparece no canto interno do olho.
A doença atinge principalmente habitantes de países de clima tropical e que trabalham expostos ao sol. Sensação de corpo estranho, ardor ocular e olhos vermelhos são os sintomas. O tratamento é cirúrgico e pode ser indicado por razões estéticas ou pela diminuição da acuidade visual.
Calor também provoca síndrome do olho seco
Sensação de estar com areia nos olhos, peso nas pálpebras, olhos vermelhos, embaçamento da visão ao fazer algum tipo de esforço visual e sensibilidade à luz. Quem apresenta algum destes sintomas deve ficar atento, pois pode estar sofrendo com a síndrome do olho seco, que é uma deficiência na qualidade e/ou na quantidade de lágrima que o organismo produz.
No verão, qualquer pessoa pode apresentar os sintomas da doença por causas como, ambiente seco, com muito vento, situações extremas de temperatura. As lágrimas são o mecanismo natural para proteger os olhos contra infecções e sujeira. Elas ajudam a estabilizar a superfície corneana para que a visão permaneça clara. Quando o organismo não produz lágrimas suficientes, é necessário usar colírios, sob orientação médica, para a umedecer os olhos.
Yeda define equipe de trabalho
Governadora deve confirmar os últimos nomes nesta semana
Até a segunda-feira a governadora eleita do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, havia confirmado os nomes de 19 secretários que vão compor a administração do Estado a partir de janeiro 2007. A parte mais difícil, nas tratativas com os partidos aliados, foi o entendimento com o PP, que acabou se acertando com Yeda e levando seis secretarias, entre as já confirmadas, duas a mais do que o próprio partido da governadora - o PSDB. Com as nomeações, a composição da Assembléia vai sofrer várias mudanças.
Zoraido Silva preside o Legislativo caxiense em 2007
Zoraido Silva (PTB) vai presidir a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Caxias do Sul no próximo ano. Ele foi eleito na quinta, 14 de dezembro, com 15 votos favoráveis e apenas um branco. Esta é a terceira vez que o parlamentar assume o cargo. Em seu primeiro pronunciamento, o presidente disse que a eleição representou a união da câmara, pois tem representação de cinco partidos políticos (quadro ao lado), o que exigiu transparência e serenidade. "Os vereadores estão dando um passo importante, demonstrando união e responsabilidade com a sociedade", afirmou.
O atual presidente do Legislativo caxiense, Pedro Incerti (PDT), frisou que a eleição da nova mesa diretora manteve o acordo feito entre os parlamentares da Casa. "Tudo foi construído com respeito entre os vereadores, mantendo cada um a sua postura, sua ideologia, sem abrir mão das suas convicções políticas", disse.
Francisco Spiandorello, do PSDB, 1º vice-presidente eleito, afirmou que a eleição da mesa diretora pluripartidária consolidou a democracia. "Estabeleceu-se um entendimento do Novo Regimento Interno, de integração e comunicação dentro da Casa". Para ele deve-se estabelecer entre os vereadores o respeito nos discursos, nos partidos e nas individualidades.
Louzada é nomeado titular da Segurança
O prefeito José Ivo Sartori anunciou na sexta-feira 15 o titular da Secretaria da Segurança Pública e Proteção Social de Caxias do Sul. Trata-se do coronel Roberto Louzada. Ele assume a nova secretaria, que começa a funcionar a partir de janeiro de 2007. A secretaria será composta pelas assessorias da Juventude e Igualdade Racial, pelas coordenadorias da Mulher e da Segurança Alimentar e Inclusão Social, pela Defesa Civil e ainda pelo Conselho Municipal da Segurança. Louzada, 54 anos, é natural de Júlio de Castilhos. Já atuou como assessor de Gabinete do prefeito Sartori, respondendo inclusive pelo Samae e pela Secretaria da Habitação.
Papai Noel versus Menino Jesus
Leonardo Boff
As pessoas que guardam sua memória sagrada, na noite de Natal celebram a presença humanitária de Deus, sem mercado e excluídos... A troca de presentes simboliza o maior presente que Deus nos deu: Ele mesmo. Ele nos alimenta a esperança de que podemos viver sem o Papai Noel que nos vende ilusões
Devido à minha barba e aos cabelos brancos, muitas crianças me vêem e me chamam de Papai Noel. Eu lhes explico, sem convencê-las, que sou apenas o irmão do Papai Noel. E que minha função é olhar pelas crianças, observar se elas estudam direitinho, se tratam bem os coleguinhas e se escutam os bons conselhos de seus pais. Digo-lhes que depois conto tudo ao Papai Noel que então no Natal vai lhes trazer belos presentes. Num dia desses, uma me seguiu curiosa. Quando me viu entrar no carro correu para o pai e lhe disse: "Pai, o Papai Noel não veio de trenó; ele veio de carro".
Esse é um tipo de Natal com seu imaginário. Papai Noel é uma figura do mercado. Ele é o bom velhinho que trata de seduzir os pais para que comprem presentes para seus filhos. A memória de que ele representa São Nicolau, que amava e presenteava as crianças, desapareceu para prevalecer a figura infantilizada do bom velhinho que tira do saco surpresas que antes foram compradas e postas lá dentro.
Como em todas as casas há televisão - pode faltar o pão mas nunca a televisão -, as crianças pobres das grandes periferias vêem o Papai Noel e sonham com o mundo encantado que ele mostra, cheio de presentes, carrinhos, bonecas e artefatos eletrônicos, mundo a que elas nunca terão acesso. E sofrem com isso, apesar de manter o brilho encantado de seus olhinhos infantis. O mercado é o novo deus que exige submetimento de todos. Daí que as crianças pressionam seus pais para que Papai Noel também passe lá por "casa". Então são os pais que sofrem por não poderem atender à sedução que o Papai Noel produziu nelas com a oferta de tantos objetos tentadores.
O mercado é uma das maiores criações sociais. Mas houve e há muitos tipos de mercado. O nosso, de tipo capitalista, é terrivelmente excludente e por isso vitimizador de pessoas e de empresas. Ele é apenas competitivo e nada cooperativo. Só conta quem produz e consome. Quem é pobre deve se contentar com migalhas ou apenas viver na marginalidade. No tempo de Natal, o Papai Noel é uma figura central do consumo para quem está dentro do sistema e pode pagar.
Diferente é o Natal do Menino Jesus. Ele nasceu de uma família pobre e honrada. Por ocasião de seu nascimento numa gruta, entre animais, anjos cantaram no céu, pastores ficaram imobilizados de emoção e até sábios vieram de longe para saudá-lo. Quando grande, fez-se exímio contador de histórias e pregador ambulante com uma mensagem de total inclusão de todos, começando pelos pobres a quem chamou de bem-aventurados.
As pessoas que guardam sua memória sagrada, na noite de Natal, ouvem a história de como nasceu, celebram a presença humanitária de Deus que assumiu a forma de uma criança. Celebram a ceia com a família e os amigos. Aqui não há mercado nem excluídos. Só luz, alegria e confraternização. A troca de presentes simboliza o maior presente que Deus nos deu: Ele mesmo na forma de um infante. Ele nos alimenta a esperança de que podemos viver sem o Papai Noel que nos vende ilusões. Dom Pedro Casaldáliga, diante de um indiozinho recém-nascido, escreveu: "Não vi a tal da estrela, mas vi um Deus muito pobre. Maria estava desperta, desperta estava a noite. E estava sobressaltado para sempre o rei Herodes". Será que o Papai Noel não é a imagem transfigurada do rei Herodes?
Frei Betto
Natal é uma festa rara no mais profundo de si mesmo, na qual as pessoas se fazem presentes umas às outras e entre as quais o amor refulge como uma estrela. Esta festa não tem data e é celebrada sempre que há encontro em clima de afeto e sabor de comunhão
Natal é uma festa polissêmica. De certo modo, desconfortável. Para os cristãos, comemoração do nascimento de Jesus, Deus feito homem. Para a indústria e o comércio, privilegiada ocasião de promissoras vendas. Para uns tantos, miniférias de fim de ano. Para o peru, dia de finados.
O desconforto resulta da obrigatoriedade de dar presentes a quem não amamos, mal conhecemos ou fingimos amizade. Transferido o presépio de Belém para o balcão das lojas, substituído Jesus por Papai Noel, a festa perde progressivamente seu caráter religioso. O Menino da manjedoura, que evoca o sentido da existência, cede lugar ao velho barbudo e barrigudo, que simboliza o fetiche da mercadoria.
O olhar desavisado diria que o consumismo hedonista despe-nos da religiosidade. A Missa do Galo, outrora à zero hora de 25 de dezembro, reduz-se ao galeto das celebrações, às oito ou nove da noite, antecipando-se à madrugada que favorece a violência urbana. O apetite da ceia e a curiosidade em abrir presentes falam mais alto que bons e velhos costumes: a oração em família, os cânticos litúrgicos, as narrativas bíblicas e a memória dos eventos paradigmáticos de Belém da Judéia.
Uma atualização dos eventos bíblicos permite-nos imaginar, a partir do contexto brasileiro, o leitor do Diário de Belém, edição de 26 de dezembro de 1, perante a seguinte notícia: "Família de sem-terra ocupou ontem a fazenda Estrela de Davi, em cujo curral uma tal Maria, esposa do carpinteiro José, deu à luz o filho Jesus. A polícia de Herodes está no encalço dos sem-terra, que se encontram foragidos."
A abstração da linguagem, contudo, faz do pseudolirismo natalino o inverso do que o fato histórico significa - o Verbo encarnado perde sua contundência e cede lugar ao presépio descontextualizado, mero adorno à festa papainoélica.
Em Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar capta um momento singular da história do Ocidente, o século II - os deuses do Olimpo grego e do Panteão romano declinavam e a moral cristã, impregnada de platonismo, ainda não se impunha às consciências.
Vivemos hoje algo parecido. Assolados por fortes ventos esotéricos, numa época epifânica, em que as religiões tendem a ocupar o lugar deixado pelas ideologias messiânicas, assistimos à crise das Igrejas tradicionais, encerradas num monólogo ininteligível para o contexto de pluralismo e tolerância com o diferente. A perplexidade assemelha-se à da professora de piano clássico que vê seus alunos preferirem os metaleiros.
Proliferam novas modalidades de aspirar ao Transcendente, da aeróbica litúrgica às meditações orientais. Nunca houve, na expressão de Rimbaud, tanta "gula de Deus". I Ching, astrologia, búzios, tarô etc., são vias pelas quais tenta-se encontrar segurança diante do futuro imprevisível. Agora, já não há tanto interesse pelas religiões das grandes narrativas bíblicas, da santidade ascética, da autoridade sacralizada, da moral coercitiva, da escatologia que nos faz trafegar, titubeantes, sobre o fio invisível que liga o Céu ao Inferno.
Predominam as religiões do consolo subjetivo, da alegria d’alma, da cura imediata, dos fenômenos paranormais, da comunidade que se sente resgatada do anonimato, de bênçãos e graças que jorram quais juros de quem acredita na versão pós-moderna do dilema "a bolsa ou a vida". Vigora a religiosidade prêt-à-porter, sem culpas, macroecumênica, fundada na crença em um Deus que dispensa hierarquias, manifesta-se pelas regras de ouro do marketing e tolera todas as nossas incoerências.
Talvez não haja na literatura brasileira quem melhor tenha captado o sentido do Natal que Machado de Assis, no clássico conto Missa do Galo. Não há propriamente missa, apenas a espera ansiosa num serão que progressivamente transmuta, aos olhos de Nogueira, rapaz de 17 anos, a anfitriã Conceição, que atingira os 30. Machado faz do coração do jovem narrador um profundo e aquiescente presépio, onde a vida renasce no sutil milagre do amor desinteressado. Um gosto de eternidade. De eterna idade. No entanto, quebrado pelo tempo que flui incoercível ao ritmo implacável das horas. Na sala, a missa em torno da musa antecede e realiza a comunhão, eclodindo na beleza de um singelo encontro entre duas pessoas.
Isso é Natal. Uma festa rara no mais profundo de si mesmo, na qual as pessoas se fazem presentes umas às outras e entre as quais o amor refulge como uma estrela. Esta festa não tem data e é celebrada sempre que há encontro em clima de afeto e sabor de comunhão. Ali, as palavras são como barbante de presente desfeito pelas mãos de uma criança: a cada nó desfeito, uma expectativa de surpreendente revelação.
Parlamentares aumentam o próprio salário em 91%
Deputados e senadores passarão a receber por mês R$ 24,5 mil
Em uma decisão rápida, cercada de silenciosa conivência, os líderes partidários no Congresso Nacional aprovaram na semana passada um aumento de 90,7% para seus próprios salários. Os 513 deputados federais e os 81 senadores, que ganham hoje R$ 12.847 e R$ 12.720, respectivamente, receberão, a partir de 2 de fevereiro, R$ 24,5 mil por mês. Esse valor equivale ao teto dos ministros do Supremo Tribunal Federal, o mais alto salário do Judiciário. E o acordo, assinado pelos presidentes da Câmara e do Senado, prevê que os salários dos congressistas estarão atrelados ao do STF, o que possibilita novo aumento em breve.
A forma como os parlamentares elevaram os seus salários e o índice aplicado - é bom lembrar que trava-se uma verdadeira batalha para que o salário mínimo, atualmente em R$ 350, suba par R$ 375 - despertaram reações contrárias de vários segmentos da sociedade. Um grupo de congressistas prometeu contestar o aumento na Justiça, mesmo caminho apontado pela CUT e pelo PPS. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se posicionou frontalmente contra (leia nota ao lado). Mas até segunda 18 a decisão estava mantida.
Custo - Está certo que os salários dos parlamentares não sofria reajuste desde fevereiro de 2003. Mas soou como um abuso o percentual, porque nesse período a inflação somou 24,78% (pelo IPCA). Além disso, os ganhos de deputados e senadores não se restringem aos salários.
Somando-se direitos e benefícios, cada deputado federal custará por mês pelo menos R$ 102,2 mil. Incluem-se nessa soma R$ 50,8 mil de verba de gabinete, R$ 15 mil para manterem escritórios em seus Estados, R$ 4.268 como cota postal e telefônica, R$ 3 mil de auxílio-moradia, R$ 500 de material gráfico e até R$ 15,6 mil de passagens aéreas. Já os senadores custarão no mínimo R$ 145,2 mil por mês (R$ 57 mil de verba de gabinete, R$ 15 mil para escritórios nos Estados, até R$ 66 mil de cota postal (valor estimado), R$ 3 mil de auxílio-moradia, R$ 708 de material gráfico e até R$ 24 mil de passagens aéreas).
Como provocará efeito cascata (salários de deputados estaduais e vereadores estão atrelados), o auto-aumento dos congressistas vai gerar um acréscimos nos gastos dos Legislativos na ordem de R$ 1,66 bilhão por ano. Somente no Congresso os salários consumirão mais R$ 90 milhões; nas Assembléias são mais R$ 120 milhões; e nas Câmaras Municipais, as despesas crescerão R$ 1,45 bilhão por ano.
A FESTA DO HUMANISMO DE DEUS
O Natal é início de um caminho que culmina na via gloriosa da luz sem fim da Páscoa
Frei Luiz Carlos Susin Capuchinho, professor, escritor e doutor em teologia
Porto Alegre - RS
Vamos a Belém para a festa do Natal. Belém está no presépio, e o presépio está bem perto, na praça, na igreja, em casa. Não há, em todo o Ocidente cristão, lembrança mais humana e mais divina do que esta santa e doce invenção: o presépio.
Presépios há em grande variedade: de papel pintado, de pedras e musgos, folhas e árvores, o verde da serragem figurando o prado para as ovelhas, um espelho para um lago com patinhos, uma ponte sobre o lago. Mais adiante, no final da serragem branca marcando a estrada, uma casa ou o bosque de papel. E, sobre o fundo azul marinho, as estrelas pontilhando a noite, uma grande estrela com jeito de cometa, e um anjo com a faixa do anúncio: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra a quem Deus ama". Pois estes amados, seres humanos, muito humanos, estão todos ali representados: primeiro os pastores, deslumbrados pela notícia do anjo.
Afinal, ninguém nunca tinha dado a eles tal importância. E de mais longe, com roupas finas e gestos delicados, os sábios do Oriente chegando com seus presentes. Mas no centro, no abrigo das ovelhas, estão, reverentes, José e Maria em torno do personagem principal, o Menino! E o Menino, dom de Deus, plácido e frágil, braços abertos e olhos inocentes, centro do presépio, reclinado sobre uma manjedoura. Quem de nós não sabe disso?
Quem não viu ainda um presépio? Quem não olhou com ternura o Menino que, desde o chão de palha, no meio da noite iluminada, olha para cada um que olha para ele? Não há, no mundo inteiro, algo semelhante em nenhuma tradição religiosa: ali, no olhar da criança, está Deus: "o Senhor, Deus de Amor, pobrezinho nasceu em Belém! Na lapinha o Deus Menino nasceu para o nosso bem!"
Seresteiros - Presépios conhecem as variantes de cada lugar, de cada povo. Os presépios napolitanos transferiram o Menino para o bairro da cidade, com José, Maria, com pastores e reis, e também com o burro e o boi que "reconhecem o seu dono" enquanto nós temos coração cego, conforme a repreensão do profeta Isaias, nos seus primeiros versos.
Mas lá estão também a lavadeira com sua trouxa de roupas, o barzinho da esquina com homens sentados à banca de fora, o jornaleiro concorrendo com o anjo no maravilhoso anúncio da "chegada de Deus", a mulher tirando água do poço, todos com roupas vistosas, barrocas. E as casas ganham diversos andares com janelas iluminadas e alguém espiando lá de cima. Mas no meio, sob um telhado modesto, sempre o Menino.
Há os presépios que ganham movimento, batem horas, jorram água, ganham a luz do dia e as sombras da noite, sussurram canções, enfim tomam vida. Há presépios de barro, de gelo, de arame. Muitos lembram a noite fria, com direito a neve, enquanto há presépios das noites de verão do Brasil, com seresteiros em terno de reis a cantar pelas casas como os anjos no campo dos pastores, presépios de paisagens tropicais com luar calmo e vaga-lumes.
E os presépios vivos, quem já não presenciou a turma do presépio chegando de noitinha, se colocando no lugar das imagens e trazendo um menino que, com muita sorte, vai nos olhar encantado, deixando-nos também encantados? Tudo isso para nos falar de Deus que se fez criança pobrezinha dormindo na lapinha. São Francisco de Assis organizou o famoso presépio vivo de Greccio, em 1223, para olhar de perto e poder tomar no colo o Deus Menino.
Os evangelhos também montam um presépio narrativo,povoado de gente pobre e humilde e de anjos cantores
Quem não olhou com ternura o Menino que, desde o chão de palha, no meio da noite iluminada, olha para cada um que olha para ele?
O assunto de uma estrela grande nos céus, crença meio torta de gente que não tinha a verdadeira religião, esses que chegavam do Oriente, deixou Herodes e a sua turma escandalizada, fechada no palácio sem luz. Talvez o palácio de Herodes e os muros de Jerusalém até estejam num canto do presépio, mas apenas para contraponto sombrio de um mundo inteiro iluminado pela estrela do Menino. Jesus se torna o centro de uma ecologia santa, feita de rio e de animais, de montanhas, árvores e luar, de estrelas no céu que se unem aos sábios contentes em viagem, todos voltados para o Menino, resgatados por sua visita, cheios de dignidade por esta terna presença de Deus que veio nascer num mundo de poesia e de dores.
Auto-estima - Pode haver imagem mais alta de comunhão entre céus e terra? Pode haver auto-estima mais exultante do que a dos pastores envoltos de glória, eles que eram desprezados por sua condição rude de criadores de animais? Poderia Deus ter escolhido um caminho de chegada mais surpreendente do que a humildade de quem nasce num estábulo?
Ao invés de nos atemorizar com um espetáculo celeste de poder, ele nos pede para recebê-lo tão vulnerável em nossos braços e para darmos um pouco de calor de nosso coração no meio da noite: onde se ouviu falar que Deus poderia ser assim?
Não se trata de romantismo ou de consolação sem substância. Ainda que o presépio ganhe, com o tempo, os contornos do lugar em que é preparado, a tal ponto de hoje ganhar o jeito de uns barracos pobres ao lado de um valão sem saneamento, na periferia caótica de uma metrópole brasileira, o presépio deixa ver e tocar o que narram Mateus e Lucas. Eles contam como tudo começou, como de fato aconteceu o que Isaias profetizava. Eles também montaram um presépio narrativo, povoado de gente humilde e de anjos cantores, de gente de outras regiões e religiões que viram e adoraram a luz do Menino.
Liberdade - Um acontecimento sublime e discreto, no meio da noite: é que a noite simboliza sempre o começo, desde a criação, quando a luz rompe as trevas. Assim, na noite, em pleno Egito, Deus conduziu um povo escravo para a liberdade.
Na noite discreta da Páscoa retirou Jesus da morte e inaugurou a aurora de um dia sem fim. Na noite, em vigília, iluminou a comunidade em torno de Maria com a vinda do Espírito Santo em Pentecostes. No meio da noite brilhou a humanidade de Deus em Belém: Noite feliz. Noite gloriosa.Nessa noite santificada, somos todos convidados a cantar "ó Jesus, Deus da luz, quão afável é teu coração, que quiseste nascer nosso irmão, e a nós todos salvar!"
O presépio torna visível a bondade de Deus
No Natal, o Criador revela o quanto ama os seres humanos
A noite do Natal nos convida a sentarmos junto ao presépio, passarmos os olhos calmamente pelos seus encantos tão humanos e a deixarmo-nos tocar por ele. Nós podemos fazer parte do presépio, podemos cantar com os anjos, oferecer o nosso dom com os sábios das religiões do Oriente, reverenciar o Menino ao lado dos humildes pastores de mãos duras de trabalho e pés calejados de muitas andanças.
O nosso encontro marcado com Deus e com a nossa salvação não se dá fora deste mundo tão humano, tecido de vidas simples e de trabalhos cotidianos. Sabiam os pastores que não eram bem vindos na cidade, que não tinham nem importância e nem fama de santidade. Eram de vida rude e irregular por não poderem cumprir bem as leis do templo nem oferecer lá grandes sacrifícios.
Encontro - O presépio cria nova ordem no mundo e no gosto de Deus: se o próprio Filho de Deus nasce no campo dos pastores, se o encontro marcado para a visita de Deus se dá entre as palhas que as mãos dos pastores reuniram, se a glória de Deus, como nos diz Lucas, não está nesta noite entre as paredes do templo, mas na roda deslumbrada das faces humildes dos pastores, então é entre os humildes que Deus vem nos visitar, gosta de estar e quer nos encontrar. De fato, já repetiam os profetas que Deus é Excelso e Santo, mas habita entre os mais simples e de coração abatido.
O presépio, na noite do Natal, torna visível o que resume o apóstolo São Paulo na carta dirigida a Tito: "Quando a bondade e o amor de Deus, nosso Salvador, se manifestaram, ele salvou-nos não por causa dos atos justos que houvéssemos praticado, mas por sua misericórdia" (Tito 3,4).
A bondade e o amor são traduzidos por Leão Magno, num célebre sermão de Natal, como "humanidade" e "filantropia" de Deus, que assim revelou quanto ama os seres humanos, fazendo-se humano para estar no meio de nossa fragilidade e andar por nossos caminhos.
Assim, não precisamos andar sobre as nuvens e nem desesperamos se não somos perfeitos ou super-homens para encontrar e agradar Deus. Basta sermos humanos. Ele nos ajuda e nos dá a medida para sermos humanos, pois verdadeiramente humano, assim tão humano, só mesmo Deus.
Natal só é bem vivido à luz da Páscoa
O Natal, porém, traz consigo uma armadilha se não seguimos o caminho com o Menino: Jesus cresceu, tornou-se um mestre errante, recebeu à mesa muita gente de vida irregular, renovou esperanças, estendeu a dignidade humana a muitos. Foi executado tragicamente ainda cheio de vida, e morreu abandonado entre bandidos, seus companheiros forçados de última hora.
Mas isso não foi a última palavra: na aurora da Páscoa a glória de Deus se revelou a Madalena, que correu ao túmulo vazio: Jesus, depois da noite tenebrosa do Calvário, inaugurou o dia sem fim da Páscoa e abriu um caminho novo que nem a morte pode fechar. O Natal só é bem vivido à luz da manhã da Páscoa. Sem a Páscoa, o Natal se torna lembrança de uma infância perdida, de um passado de inocência que não volta mais, um romantismo que decai em nostalgia e depressão, a tal síndrome de depressão natalina.
É disso que muita gente foge através do barulho e do consumo de muitas coisas superficiais, uma tentativa de compensação, trocando os dons puros do Natal por ansiedade e decepção. Isso trai o desespero num mundo de consumo e de redução a bens materiais.
Um sol que surge na noite do mundo
A festa do Natal, na verdade, não lembra em primeiro lugar um aniversário, um tempo que não conseguimos parar e que se perde. É a festa da proximidade humana de Deus, do sol que começa a surgir no meio da noite do mundo. No século IV da era cristã substitui, no coração do inverno do hemisfério norte, uma festa romana dedicada ao "deus sol" - a festa do "Nascimento do Invicto Sol", soltando energias, dançando sem parar e finalmente fazendo sacrifícios até humanos para que o sol recuperasse suas próprias energias e espantasse a escuridão das longas noites. Resquícios desta festa estão no Carnaval.
Mas os cristãos entenderam que o seu sol sem sacrifícios e sem desordens, sem ocaso e sem desespero, é o Menino que nos foi dado em Belém. O Natal é, pois, o começo de um caminho que passa pela paisagem humana dos encontros de Jesus, pelo via dolorosa da cruz, mas culminará na via gloriosa da luz sem fim da Páscoa. Sem nostalgia, sem depressão, mas com a mesma ternura e fragilidade da turma do presépio, podemos ir confiantes a Belém para ver o que os anjos cantam, o que os pastores dizem, o que os sábios do Oriente oferecem, o que Maria guarda no seu coração: é a Noite Feliz, a festa da humildade e do humanismo de Deus.
Apesar dos conflitos, peregrinos visitam Terra Santa
A paz aos homens de boa vontade, anunciada há dois mil anos, está longe de ser uma realidade na Terra Santa de Jesus. Mesmo assim, milhares de turistas e peregrinos visitam os lugares sagrados. Frei Clemente Dotti, coordenou, no final de outubro, uma peregrinação da Associação Antoniana à Terra Santa, com 37 peregrinos.
Visitaram diversas cidades de Israel e da Palestina, entre as quais Belém e Haifa, recentemente bombardeada durante o conflito com o Líbano. Em todos os lugares foram bem recebidos, tanto por israelenses quanto por palestinos. "Das oito vezes que fui à Terra Santa, esta foi a vez que menos tive medo e foi também a viagem mais tranqüila", conta frei Clemente. "Em Jericó, Nau Mussi, dono de um restaurante, ao ver-nos gritava viva o Brasil e depois acrescentava viva a Palestina".
Rueben Nevo, um israelense que Dotti conhece desde 1998, perguntou porque o frei ficou tanto tempo sem ir a Israel. "Porque as notícias da TV informavam dos perigos iminentes para quem viajasse para a Terra Santa", disse-lhe o frei, ao que Nevo respondeu: "Aqui não há perigo, os conflitos se dão longe, nas fronteiras e na Faixa de Gaza. Se a gente desse ouvidos ao que a televisão mostra de São Paulo e do Rio, ninguém de nós iria ao Brasil".
Papa diz que paz é dom e missão
Mensagem de Bento XVI sublinha que a pessoa é o coração da paz
Foi publicada na semana passada, no Vaticano, a mensagem que o Papa Bento XVI escreveu para o Dia Mundial da Paz, que será celebrado no dia 1º de janeiro de 2007. Na abertura da mensagem, o Papa revela que escolheu o tema "A pessoa humana, coração da paz" para a jornada, especialmente pensando nas crianças. Ele revela que as crianças, com sua inocência, enriquecem a humanidade de bondade e esperança, mas muitas têm seu futuro comprometido por causa da exploração, da maldade e da falta de escrúpulo dos adultos.
"O sofrimento das crianças nos anima a sermos obreiros de justiça e de paz", salienta o Pontífice. Prossegue afirmando estar convencido de que "respeitando a pessoa promove-se a paz e, construindo a paz, assentam-se as premissas para um autêntico humanismo integral. É assim que se prepara um futuro sereno para as novas gerações". O texto destaca que o homem, chamado pela graça a uma aliança com o Criador, tem confiada por Deus a missão de amadurecer pessoalmente na capacidade de amar e de fazer progredir o mundo, renovando-o na justiça e na paz.
Respeito - "É um dever de todos os seres humanos cultivar a consciência do duplo aspecto de dom e de missão. Do mesmo modo, a paz é simultaneamente um dom e uma missão", afirma o Papa. "Se é verdade que a paz entre os indivíduos e os povos - a capacidade de viverem uns ao lado dos outros tecendo relações de justiça e de solidariedade - representa um compromisso que não conhece pausa, é também verdade que a paz é um dom de Deus", completa.
A mensagem pontifícia segue afirmando que a paz se baseia no respeito aos direitos fundamentais de todos. O Papa afirma que quem detém maior poder político, tecnológico, econômico, não pode aproveitar disso para dispor das pessoas de forma arbitrária, nem violar os direitos dos menos favorecidos. O Santo Padre destaca entre esses direitos fundamentais a vida e a liberdade religiosa. "O direito à vida e à liberdade de expressão da própria fé em Deus não está nas mãos do homem". E cita o terrorismo, a violência, a fome, o aborto, a falta de acesso a bens essenciais como comida, água, casa e saúde como graves atentados à vida e à paz.
Ecologia - O Papa também reserva algumas linhas para a "ecologia da paz", lembrando especialmente a atualidade da mensagem de São Francisco de Assis. "A experiência demonstra que toda a atitude de desprezo pelo ambiente provoca danos à convivência humana, e vice-versa", lembra Bento XVI, destacando que é preciso ter consciência da estreita ligação entre a ecologia natural e a ecologia humana. E salienta como uma das grandes preocupações, a corrida desenfreada pelo "abastecimento energético". "Que injustiças e antagonismos provocará a corrida às fontes de energia? E como reagirão os excluídos dessa corrida?", questiona o Papa.
A mensagem do Pontífice ressalta que essas perguntas põem em evidência como o respeito pela natureza deve estar intimamente ligado à necessidade de tecer entre os homens e entre as nações relações respeitadoras da dignidade da pessoa e capazes de satisfazer suas autênticas necessidades. "É urgente, portanto, mesmo no quadro das atuais dificuldades e tensões internacionais, empenhar-se em dar vida a uma ecologia humana que favoreça o crescimento da ‘árvore da paz’", afirma Bento XVI, porque uma paz verdadeira e estável só é possível a partir do respeito absoluto dos direitos do homem.
A guerra representa perda de humanidade
Na mensagem para o Dia Mundial da Paz, Bento XVI recorda que, a partir da consciência de que existem direitos humanos inalienáveis, foi elaborado um direito internacional humanitário que, infelizmente, não é observado por muitas nações. Ele cita o caso recente dos ataques ao Líbano e a nova configuração dos conflitos, especialmente ligados a grupos terroristas que põem em prática "inéditas modalidades de violência" na busca de seus fins através de qualquer meio. "A guerra representa sempre um insucesso para a comunidade internacional e uma grave perda de humanidade", destaca o texto.
Lembra também o empenho de alguns países de construir armas nucleares, reavivando o temor de uma possível catástrofe atômica. "O caminho para garantir um futuro de paz para todos é constituído não somente por acordos internacionais que visem a não proliferação de armas nucleares, mas também pelo esforço de procurar com determinação a sua diminuição e definitiva abolição".
A mensagem do Pontífice conclui com um apelo para que cada cristão "sinta-se comprometido a ser incansável promotor de paz e acérrimo defensor da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos inalienáveis". O Papa salienta que, desta forma, o cristão "sentirá o orgulho de servir com generosa dedicação a causa da paz, indo ao encontro dos irmãos, especialmente daqueles que, além de sofrer pobreza e provações, estão também privados desse precioso bem".
Aldo Colombo
Deus não quis impressionar-nos com sua grandeza, mas irmanou-se em nossa pobreza
O poeta Rabindranath Tagore, numa história inesquecível, narra o encontro de um mendigo com o rei. Andando pelas empoeiradas estradas da Índia, o velho mendigo batia de porta em porta, pedindo qualquer coisa. Pouca coisa recebia, até mesmo porque a miséria era muito grande. A tarde ia adiantada e ele apenas conseguira alguns punhados de trigo. A paisagem animou-se quando, no horizonte, apareceu uma imponente carruagem. Puxada por cavalos garbosos, ela conduzia o próprio rei.
E a carruagem parou bem à sua frente. Hoje é o meu dia de sorte, pensou o mendigo, imaginando sonantes moedas de ouro que poderia receber do rei. Descendo da carruagem, o rei estendeu sua mão, pedindo alguma coisa. Confuso, olhou para o fundo de seu bornal e tirou alguns grãos de trigo e depositou-os nas mãos reais. O rei agradeceu, voltou à carruagem e desapareceu nas curvas do caminho. O mendigo continuou sua penosa caminhada sem nada entender. Antes de deitar, após ter comido um pedaço duro de pão e tomado um pouco de água, o mendigo despejou as poucas esmolas do dia. E, surpreso, notou que entre os grãos de trigo luziam alguns grãos de ouro. Eram os grãos que ele dera ao rei. Tardiamente arrependido, lamentou-se: porque não tive a coragem de dar tudo!
No rosto do mendigo, o rosto da humanidade inteira. Desalentada, faminta, andava sem rumo pelas estradas do mundo. Foi nesse horizonte que, um dia, surgiu a carruagem real. Mas essa nada tinha de real, nada tinha de majestade e poder.
Numa noite luminosa, o filho de Deus armou sua tenda em nosso meio, afirma São João, no prólogo de seu Evangelho. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Ele abriu suas mãos para receber um pouco de nossa pequenez. Ele não quis impressionar-nos com sua grandeza, mas irmanou-se em nossa pobreza. É isso o que celebramos em mais este Natal.
Contrariamente a uma humanidade egoísta e mesquinha, Deus Pai nos deu seu Filho único. Ele nos deu tudo. Mais ainda: iluminou nossos horizontes, santificou nossas dores, trouxe-nos a possibilidade infinita de sermos felizes. Seu reinado eterno tem a marca da humildade, do cotidiano e do amor. Jesus abriu nossos olhos a uma grandeza desconhecida por nós mesmos. Ele se fez homem para que nós pudéssemos ser deuses, sintetiza Santo Agostinho.
Esta é a história que há dois mil anos é contada no Natal. Esta é a história que Francisco de Assis visibilizou, há 783 anos, na campina italiana de Greccio. Esta é a história que merece ser vivida a cada dia do ano. Porque Ele nasceu, não existem mais razões para temer. Continuamos pobres, continuamos pecadores, mas pobres pecadores amados por Deus. E se não somos mais felizes é porque - ainda hoje - não temos a coragem de dar tudo.
Sarcófago pode ser do apóstolo Paulo
Caixão de mármore foi descoberto sob altar de basílica em Roma
Obras de restauração na Basílica de São Paulo, em Roma, permitiram redescobrir o sarcófago no qual, segundo antigas tradições, encontram-se os restos mortais do próprio "apóstolo dos povos". O anúncio foi feito pelo cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, arcipreste da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, ao apresentar na segunda-feira 11 os resultados das investigações arqueológicas.
"Há 20 séculos há uma concordância absoluta de que, de fato, o túmulo de São Paulo se encontra ali. Nunca alguém pôs isso em dúvida e ninguém o contradisse", declarou o cardeal, de 81 anos. O sarcófago foi encontrado em 2005, sob a Basílica de São Paulo, durante escavações feitas por uma equipe de arqueólogos, comandada por Giorgio Filippi.
A confirmação de que seria o sarcófago do apóstolo Paulo veio após a escavação, feita entre o altar maior e o de São Timóteo, de uma pequena cavidade para não danificar o presbitério e depois continuou por um túnel até chegar ao caixão, feito de mármore e com a inscrição, em latim "Paulo Apóstolo e Mártir". Trata-se de uma urna com 2,55 metros de comprimento, 1,25 metro de largura e 97 centímetros de altura.
Autorização - O sarcófago será exposto à visitação, mas ainda não foi decidido se ele será aberto para análise do seu conteúdo. "Poderíamos prever um estudo de seu interior para satisfazer a curiosidade de quem se pergunta se dentro estão realmente os restos do apóstolo, mas para isso é necessária a autorização do Papa", disse o cardeal Montezemolo. Por enquanto, Bento XVI ainda não se pronunciou.
Numa nota publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé na segunda 11, o arqueólogo Filippi explica que onde está localizada a basílica ainda no século II havia um monumento erigido para testemunhar o martírio de Paulo. Mais tarde, ao longo do século IV foram construídos dois templos no lugar - o constantiniano e o dos Três Imperadores. Em 1823, um incêndio destruiu quase totalmente a basílica e, durante a reconstrução, parte do túmulo com o sarcófago foi destruída ou selada com cimento. Os trabalhos de restauração da Basílica de São Paulo, iniciados em 2002, permitiram trazer à luz essa surpreendente descoberta.
De cruel perseguidor a grande missionário
O apóstolo Paulo (Saulo) nasceu em Tarso, região que hoje pertence à Turquia. Cidadão romano, fabricante de tendas e judeu fanático, perseguiu os primeiros cristãos, mas a caminho de Damasco, foi derrubado do cavalo e Jesus lhe perguntou: "Saulo, por que me persegues?". Convertido, tornou-se um dos maiores apóstolos, mesmo não tendo convivido com Jesus.
Durante 25 anos realizou grandes expedições missionárias, especialmente entre os não judeus da Ásia Menor, da Grécia, da Espanha e de Roma. Escreveu 14 cartas às comunidades cristãs por ele fundadas. Foi preso sob o imperador Ne-ro e, condenado, junto com o apóstolo Pedro, porque seguia uma religião ilegal. A pena de morte era a crucificação, mas por ser cidadão romano, Paulo foi decapitado.
Wilson João
Desde o nascimento em Belém, Deus se deixa tocar pelas pessoas mais simples da Terra
Ele se deixa tocar! Essa é a maravilha de nosso Deus, que se chama Jesus Cristo. Não é preciso gritar alto com "aleluias... améns... vem, Senhor...". Não é preciso fazer orações histéricas em grandes igrejas, onde os pastores têm a capacidade de anestesiar a multidão, que vai pronunciando palavras sem sentido, que vai contorcendo o rosto e o corpo, como se Deus fosse um mágico que precisa de palhaços para se manifestar. A verdade é essa: Deus é serenidade. Onde está a serenidade ali está Deus e sua Igreja. Em tempo de Natal, mais ainda é possível tocar Deus.
TOQUEI DEUS NA COROA DO ADVENTO e ela se fez minha esperança. Deu-me certeza que nem tudo está perdido e que a esperança de mais vida, e vida melhor, está em nós e no meio de nós. Há um verde que teima em ser vida para a terra, e em cada verde posso tocar a esperança que nasce do coração de Deus.
TOQUEI DEUS NA PESSOA DE MARIA, e ela se tornou o canal de Deus. Ele se fez carne na carne de uma mulher. Tocar Maria é tocar Deus. E depois de Maria, tocar em cada mulher é tocar Deus, quando o toque não for prostituído. No colo de Maria Deus se fez fragilidade e cuidado.
TOQUEI DEUS NA PESSOA DE JOSÉ, que mesmo vivendo a dúvida e a incerteza, a pobreza e a riqueza da vida, ele nos mostra que cuidar de uma criança e de uma mulher é sentir o toque de Deus, é cuidar de Deus.
TOQUEI DEUS NA PESSOA DOS PASTORES, que recebendo a notícia do nascimento do Salvador, deixaram seus trabalhos e foram acariciar o rosto do menino. Deus se deixou tocar pelas pessoas mais simples da terra. Desde esse momento, em cada pessoa simples e trabalhadora, honesta e justa, há possibilidade de tocar o Salvador que se faz presente em cada pessoa que escuta o canto "glória a Deus nas alturas e paz na terra às pessoas de boa vontade".
TOQUEI DEUS NAS PESSOAS DOS REIS, que deixaram seus tronos e seu poder para se tornarem adoradores diante do trono de uma manjedoura, e colocaram seu poder nas mãos de uma criança impotente e frágil. Há um toque de Deus na humanidade, em tantas pessoas que, em sua grandeza social, são capazes de se tornarem crianças diante do poder de Deus, e se ajoelham em adoração.
TOQUEI DEUS em todos os símbolos do Natal. Nos cartões que lembram o fato de Belém. Nas canções que criam a festa da alegria. Nos sininhos que acordam as pessoas da sonolência do materialismo. Nos anjos que continuam comunicando as notícias de Deus. Não consigo tocar Deus no papai noel, porque ele não tem o rosto da criança da gruta de Belém, mas o rosto dos shoppings, que traduzem consumo e materialismo. É preciso tocar Deus para sentir-se tocado por Ele.
São Domingos promove romaria
Evento religioso recorda monsenhor João Benvegnú
A paróquia de São Domingos do Sul (RS) está intensificando os preparativos para a 21ª Romaria Vocacional, em memória ao monsenhor João Benvegnú, que será realizada no dia 7 de janeiro de 2007. "A romaria é um momento forte e privilegiado de evangelização e tem como tema geral Chamados a cuidar da vida", salienta o pároco, padre Dionísio Benvegnú.
A romaria será precedida de tríduo, nos dias 3, 4 e 5 de janeiro, sempre às 21 horas, com os temas "Chamados a cuidar da vida humana e da natureza", "Chamados a cuidar da vida cristã" e "Chamados a seguir um caminho: vocações diversas e ministérios", respectivamente. Padre Dionísio informa que no dia 6, haverá procissão luminosa às 21 horas, eucaristia, bênção com o Santíssimo e mensagem do monsenhor Máximo Benvegnú.
No domingo 7, às 10 horas, missa da saúde, presidida por frei Carlos Jaroceski, capuchinho e pároco de Marau; e às 16 horas, missa de encerramento, com as diversas bênçãos costumeiras do Monsenhor Benvegnú, presidida pelo bispo diocesano, dom Pedro Ercílio Simon.
Monsenhor João Benvegnú foi pároco de São Domingos do Sul de 1935 até sua morte, ocorrida no dia 3 de janeiro de 1986. Natural de Santa Tereza (RS), onde nasceu em 1907, foi ordenado padre em 1934. "Viveu sempre animado pelo Espírito de Deus, cultivando profunda e sólida espiritualidade que irradiava e transbordava em seu ser e agir. Para ele, o social só pode ser recuperado a partir do espiritual", destaca padre Dionísio.
Homem de Deus - Marcou profundamente a região, com sua liderança, suas iniciativas em favor da promoção humana, sua bondade, seu espírito acolhedor, sua alegria, otimismo e esperança. Foi líder de várias iniciativas como a emancipação do município, a obtenção de energia elétrica e a construção de um moinho. Incentivou os agricultores a investir na criação de gado leiteiro e no cultivo de hortifrutigranjeiros. "Foi um homem de Deus, que em tudo semeou o bem", salientam os que o conheceram.
Festa jubilar mobiliza Vila Segredo
A comunidade da paróquia São Pedro, de Vila Segredo, Ipê (RS), vai viver um marcante momento religioso no dia 30 de dezembro, com a celebração do jubileu de prata de ordenação sacerdotal de frei Onil José Lorenzzetti e os 25 anos de vida religiosa de sua mana, irmã Irietes. Na mesma cerimônia será realizada a união matrimonial de Eloi Menegat e Silvete Pauletti, sobrinha dos jubilandos.
Frei Onil foi ordenado no dia 6 de dezembro de 1981 em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e irmã Irietes assumiu a vida religiosa em definitivo no dia 20 de janeiro de 1982, em Vila Segredo. Onil e Irietes são filhos de Silvestro (falecido) e Josefina Joana M. Lorenzzetti. Eles têm seis irmãos - Plaxites, Jardelino, Emerita, Serenita, Ilir e Irdes.
Irmã Irietes é da congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida e, atualmente, trabalha na Cáritas, em Manaus (AM). Frei Onil é capuchinho e atua como pároco na paróquia São Sebastião de Anápolis (GO). Pertence à província dos capuchinhos do Brasil Central e, no dia 9 de dezembro, celebrou os 25 anos de sacerdócio em Brasília, com mais quatro confrades da província.
Itesc realiza curso sobre diálogo ecumênico
O Instituto Teológico de Santa Catarina promove a 3ª edição do Curso de Pós-graduação em Diálogo Ecumênico e Inter-religioso. O curso, de 360 horas/aula, ocorre em três etapas - 5 a 17 de fevereiro de 2007, 9 a 21 de julho de 2007 e 4 a 15 de fevereiro de 2008. São oferecidas 50 vagas e as inscrições podem ser feitas até o final de dezembro de 2006, pelo telefone (48) 3234.0400 ou através do e-mail secretaria@itesc.org.br. O curso, pioneiro no país, é destinado a agentes de pastoral, representantes das religiões, professores de ensino religioso e simpatizantes da causa ecumênica.
Irmãs refletem sobre o carisma e a missão
Será realizado em Luziânia (GO), de 4 a 8 de janeiro de 2007, o 1º Seminário Internacional da Missão das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Ele é fruto do processo de análise institucional da congregação, de muito estudo, reflexão, oração, seminários regionais e outras atividades preparatórias ao evento.
O seminário, motivado pelo tema "Carisma e missão das Irmãs do Imaculado Coração de Maria", tem como objetivo realizar uma leitura crítica da ação evangelizadora, à luz do carisma da fundadora, Bárbara Maix, e no contexto do Vaticano II, a fim de fortalecer a mística missionária da congregação.
Criada nova diocese no Estado do Paraná
O Papa Bento XVI erigiu, no dia 6 de dezembro, uma nova diocese no Estado do Paraná - a 18ª. Trata-se da diocese de São José dos Pinhais, com território desmembrado da arquidiocese de Curitiba. Ela é formada pelos seguintes municípios: São José dos Pinhais, Araucária, Contenda, Fazenda Rio Grande, Lapa, Mandirituba, Piraquara, Quatro Barras, Quitandinha, Tijucas do Sul, Campo do Tenente, Rio Negro, Piên e Agudos do Sul. Como primeiro bispo, foi nomeado dom Ladislau Biernaski, bispo auxiliar de Curitiba.
Padre Zezinho
Feliz tempo de Natal para você. Sem neve, sem pinheiro e sem Papai Noel
Faz tempo que em muitos lugares e países o Natal não é mais de Jesus. De Jesus já se falou quase tudo. Que não existiu, que o transformaram em Deus, que era um profeta sem projeto, que pregou uma religião conformista. que não morreu na cruz. que não ressuscitou, que Maria não foi virgem, que sua história foi toda inventada, que nunca disse o que disseram que ele disse, que foi casado, que era um essênio, que foi um zelota, um revolucionário, o mais sábio dos profetas. Filho de Deus.
Ultimamente andam dizendo que era casado com Madalena.
Não provam nada, mas os livros estão vendendo. Virou moda duvidar de Jesus e da sua vida. Muitos oram ao Menino Jesus no Natal. Outros nem celebram mais o Natal. Preferem Papai Noel. Há os quem nem sequer se lembram mais de sua história. Há os que confundem Natal com duendes, Papai Noel e Jesus e misturam tudo.
A televisão leiga faz tempo que não faz uma catequese do Natal com Jesus. O personagem é mais o velhinho de barbas brancas. Nossas crianças crescem ouvindo mais de Papai Noel e duendes do que de Jesus. Estão seguindo mais a religião dos animadores de auditório do que a sua religião. Não pedem mais para Deus lhe dar uma graça. Falam de energia.
Além disso existem as pirâmides, as pedras, os cristais. Quem fizer algo desta ou daquela forma, neste ou naquele dia, neste ou naquele ângulo vai conseguir. Mas tem que usar uma pedra de tal e tal cor.
Todo mundo tem o direito de pregar o que quiser num país democrático. Mas aos católicos e evangélicos, cristãos comprometidos com Jesus e com o que a Bíblia ensina, fica proibido, em nome da coerência, de seguir tais ensinamentos. O Natal vem aí. Muita gente vai lhe falar de Papai Noel , perus, duendes, pedras, cores e até feitiços para sua vida dar certo no Natal e no Ano Novo. Você vai fazer o quê? Vai ter um Natal com o aniversariante Jesus ou com Papai Noel? Quem vai estar enfeitando as janelas de sua casa? Um presépio com Jesus, Maria e José ou o Papai Noel com suas renas e pinheiros cobertos de neve em pleno verão brasileiro?
E as lojas? Colocarão Jesus ou Papai Noel na vitrine? Passe pelo shopping de sua cidade ou pelas ruas e veja quem está sendo lembrado neste Natal. E nas ruas? As prefeituras mostram Jesus ou Papai Noel? Quem dos dois morreu na cruz pelo povo? Quem dos dois existiu e quem é apenas uma lenda? Por que será que a gente faz isso todos os anos?
Feliz tempo de Natal para você. Sem neve, sem pinheiro e sem Papai Noel. Você conseguiria fazer um Natal todo enfeitado de Jesus?
FELIZ ANO NOVO
Comemoração é criação dos babilônios, mas a data é de origem romana
De onde vem a tradição de festejar o Ano Novo em 1º de janeiro? A data passou a ser comemorada no ano 153 a.C. Antes, festejava-se o recomeço do ciclo anual na data que equivale ao atual 23 de março. A comemoração durava 11 dias. A escolha deste período foi feita pelos babilônios 2.000 anos antes da era cristã, mas havia um motivo: o final de março coincide com o início da primavera no hemisfério norte, onde ficava a Babilônia, época em que novas safras são plantadas. Daí a idéia de recomeço.
Foram os romanos que determinaram, aleatoriamente, que o Ano Novo deveria ser comemorado em 1° de janeiro. A data foi reconhecida como início do Ano Novo com a introdução do calendário gregoriano na França, Itália, Portugal e Espanha, em 1582. O calendário gregoriano, que usamos hoje, é quase universal. Mesmo em alguns países não cristãos, ele foi adaptado às tradições ou adotado apenas para uso civil, mantendo-se outro para fins religiosos.
Primeiro sol - Um dos primeiros territórios habitados a receber o sol do Ano Novo é a Ilha Pitt, na costa oriental da Nova Zelândia. O último lugar a festejar a chegada do Ano Novo é a Ilha de Samoa, no Pacífico.
Brinde - O costume de brindar começou com os gregos no século VI a.C. O ritual era a maneira de o anfitrião provar aos convidados que a bebida não estava envenenada. Às vezes, o convidado bebia do mesmo cálice que o anfitrião. Em outras, o anfitrião colocava parte do vinho servido ao convidado em seu próprio cálice e bebia. Se o convidado confiasse a própria vida ao anfitrião, ambos bateriam suas canecas como prova de boa fé. O som dos copos completa o ciclo dos sentidos envolvidos no ato de beber: paladar, olfato, tato, visão e audição.
Internacional conquista o mundo
Vitória sobre o poderoso Barcelona espalha emoção e alegria entre colorados
Se for um sonho, por favor, não me acordem. A frase de Luis Fernando Veríssimo, escritor e um dos torcedores-símbolo do Internacional, resume o sentimento que tomou conta da maioria dos colorados com o apito final da partida contra o Barcelona, no domingo 17. Às vésperas de completar 98 anos (foi fundado em 9 de fevereiro de 1909), o Sport Club Internacional conquista o maior título de sua história, campeão mundial interclubes, e se iguala ao arqui-rival Grêmio (campeão em 1983).
A metade colorada do Rio Grande do Sul e os torcedores espalhados pelo país comemoraram de forma inusitada - tomando ruas e avenidas, praças, levando a emoção ao extremo e a alegria a um patamar inédito. Com motivos de sobra: com 37 títulos gaúchos, uma Copa do Brasil e três Campeonatos Brasileiros, faltava ao Internacional justamente a glória internacional, e ela veio em 2006, temporada que jamais será esquecida por seus torcedores, com a conquista da Libertadores e, agora, do mundial de clubes.
O Inter chegou à disputa do título, em Yokohama, no Japão, após superar o time egípcio Al Ahly, por 2x1, com uma apresentação que deixou muitas dúvidas sobre a capacidade de suplantar o temível Barcelona - de Ronaldinho, Deco (escolhido o melhor jogador da competição) e tantas outras estrelas do futebol mundial. Havia até o receio, dos menos otimistas, de uma goleada do time espanhol. Desde os primeiros minutos do jogo, no entanto, a equipe comandada por Abel Braga demonstrou que estava consciente do esquema tático montado, de marcar o adversário e tentar surpreendê-lo em contra-ataques. Deu certo. O Barcelona teve mais posse de bola (58%), arremessou mais, mas o Inter precisou de apenas um lance para decidir: aos 36 minutos da etapa complementar Adriano Gabiru recebeu de Iarley e fez o gol do título.
O jogo - Aos 18min, Deco deixou a bola passar e Van Bronckhorst chutou de primeira. Desajeitado, Clemer espalmou e Ronaldinho quase abriu o placar no rebote. Um minuto depois, Ronaldinho passou por Fernandão, invadiu a área e foi derrubado por Índio. O ex-gremista caiu pedindo pênalti, mas o árbitro mandou o jogo seguir. Aos 25min, Gudjohnsen pegou a sobra do lado esquerdo da área e mandou por cima na tentativa de acertar o ângulo de Clemer.
Três minutos depois, os torcedores colorados tiveram calafrios no momento em que o árbitro marcou falta para o Barcelona na entrada da área. Ronaldinho cobrou forte, Clemer se atrapalhou e defendeu em dois tempos. Aos 34min, o meia limpou a marcação e chutou rasteiro, com perigo.
O Inter chegou com perigo pela única vez no primeiro tempo aos 37min, quando Índio arriscou uma subida para o campo de ataque. Ele chutou por cima do gol de Valdés.
O goleiro do Barcelona fez sua primeira defesa no jogo aos 16min do segundo tempo. Após cobrança de escanteio do lado direito, a bola sobrou para Iarley, que chutou de virada. Valdés defendeu sem dificuldades. Com o Inter mais bem postado no segundo tempo, o time espanhol voltou a levar perigo somente aos 28min do segundo tempo. Belletti rolou para Deco e viu o meia escorar para Xavi, que chutou de primeira para defesa de Clemer.
Em um contra-ataque fulminante, o Inter marcou o gol da vitória nove minutos antes do final do tempo regulamentar. Iarley arrancou em velocidade e rolou para Adriano. Livre de marcação, ele tocou na saída de Valdés e entrou para a história.
Um minuto depois, Clemer evitou o empate com uma grande defesa em chute de Deco. Cinco minutos antes do final, Ronaldinho cobrou falta e jogou rente à trave a última chance do Barcelona.
Vitória de um projeto e muita organização
No final de 2002, nem o mais otimista torcedor do Internacional apostaria que o time conquistaria um título mundial em menos de quatro anos. A campanha no Campeonato Brasileiro era das piores e, a exemplo do que ocorrera em 1999, o rebaixamento à segunda divisão só foi evitado nas rodadas finais.
A situação financeira não ajudava, e a solução encontrada foi traçar um projeto de médio a longo prazo, com muita organização e planejamento. O técnico Muricy Ramalho assumiu o time profissional em 2003, manteve uma base de atletas experientes e apostou em jovens promissores com longos contratos.
Os resultados foram relativamente rápidos. Com títulos estaduais em 2003, 2004 e 2005, o Internacional recuperou a hegemonia no Rio Grande do Sul. No Brasileiro do ano passado, a conquista só escapou na última jornada e por conta de uma polêmica decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que remarcou os jogos apitados - e manipulados - por Edílson Pereira de Carvalho.
Isso não impediu, no entanto, que o clube desse o passo mais importante na temporada seguinte. Já com Abel Braga no lugar de Muricy, fez uma boa campanha na Copa Libertadores, perdeu apenas um jogo e conquistou o título inédito ao vencer o São Paulo na decisão.
Mesmo de olho no Mundial de Clubes, o Internacional foi bem no Brasileiro e repetiu o vice-campeonato do ano anterior. O melhor, no entanto, ainda estava por vir. Com vitórias sobre o egípcio Al Ahly e o espanhol Barcelona, conquistou o título mais importante de sua história e completou a ascensão iniciada há quatro anos.
O italiano que está em mim
Leonilde Buratti Fellini
Viamão - RS
Eu sou Leonilde Buratti, filha de Luiza Gujel e Ferdinando Buratti, nasci no Rio das Antas, no vale fechado da Linha Alcântara, em Bento Gonçalves, há 90 anos. Hoje, viúva há 14 anos, moro em Viamão, portando vanti la vechiaia. O Alvino Fellini, meu marido, morava na outra margem do rio. Eu era uma menina aventureira. As vizinhas estavam sempre em casa, junto da mãe. Eu não. Eu fugia de casa para ir à escola, embora meu pai sempre dissesse:
- "Le done no ocor che le stùdie. Lora, prima va scola i tosi e, dopo, se ghè tempo, che le vaga anca le fiole." ("As mulheres não precisam estudar. Antes vão os filhos, depois, se houver tempo, irão também as filhas".
Mas eu, bem cedo, fazia os trabalhos de casa, depois fugia para a escola. Meu marido tinha fama de menino bom, mas teimoso. Palavra dada era palavra empenhada. Morria, mas não mudava. Todos também o tinham como pessoa cordata e prestativa, e eu, é claro, mais ainda. Então eu, de um lado do rio, cultivava a obstinação, e ele, de outro lado, cultivava a pertinácia. Talvez por isso sempre gostei dele e viemos a casar.
Num baile de casamento de um irmão dele, dançamos juntos e ele, logo, me propôs o namoro. Eu pedi um tempo, e ele me disse:
- Va ben, pénseghe sora fin doman, che vao a casa tua. ("Pense até amanhã, que vou na tua casa").
Na tarde seguinte, lá estava ele, me cobrando o compromisso. Era setembro de 1938, ambos com 20 anos. E em 5-7-1941, em Faria Lemos, o padre Luiz Polezzo nos casou. Não tínhamos bens, nem dinheiro. Tínhamos apenas amor e fé; perseverança e responsabilidade, e muitos sonhos, mas para realizá-los contávamos apenas com a saúde e a vontade de trabalhar. Olhando as encostas do rio, sonhávamos roçadas de milho, feijão, mandioca, abóboras..., criação de galinhas, porcos e vacas. Aos poucos tudo aconteceu - paióis cheios, mesa farta... O amor e a fé foram o tempero de nossas vidas.
Quatro anos após o casamento, nasceu a Lourdes, e começou o paraíso da família. Dois anos depois, nasceu o Antenor, para garantir a continuidade do nome da família. Sete anos depois nos veio a Luiza, que se tornou o centro do lar, paparicada por todos. E os filhos foram crescendo. Eu e meu marido fomos criando neles a idéia de que eles ficariam plantando nos peraus do rio das Antas se não fossem estudar:
- Sensa stùdio resté bauchi come i vostri genitori. ("Sem estudos, continuarão bobos como seus pais").
Ante as dificuldades, eu sempre lhes dizia: ‘As pernas levam aonde o coração quer ir.’ E eles acolheram a idéia - a Lourdes formou-se em Filosofia; o Antenor, em Enologia, e a Luiza, em Biologia. E a família foi se ampliando - filhos, sobrinhos, primos, amigos e parentes. Nossa casa sempre cheia, no vai-vem do trabalho, estudo, contratempos e doenças... mas Deus sempre conosco.
Fizemos 50 anos de casados em junho de 1991, conseguimos tudo o que precisávamos, mas conservamos ainda um atrito familiar, que todos conhecem. O Vino sempre gostou de polenta dura, e eu sempre com a teimosia de fazer polenta mole, como eu gosto. Talvez ele tenha razão, porque o provérbio diz:
- Fin che la dura, mai paura! ("Enquanto durar, nada a desesperar!").
Na hora de sair, eu nunca estava pronta e ele, em dois toques, estava na porta brontolando.
E assim foi nossa vida: trabalhar e formar os filhos. Hoje, com 5 netos (Felipe, Antonella, Mariella, Tomás e Felício), sou feliz em poder dizer a todos:
- Volerse ben no costa gnente! ("Querer-se bem, não custa nada!") (e-mail lourdes@felliniturismo.com.br).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (391)
El pensa sora la mama e ghe vien voia de piandar
Luiz Bavaresco
Nova Prata - RS
(Retomada do texto de Luiz Bavaresco, interrompido na edição de 21 de junho de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).
Quando Nanetto el ze partio del Itàlia no’l savea ledar, gnanca scrivar, par via che, in Àsolo, na volta, la prima e anca la ùltima, el ghe ga dito a la maestra che no’l volea imparar gnente, che lu volea ndar in Mèrica catar diamanti, oro, e quando el gavesse el paion pien de soldi, nissuni lo ciamaria de bauco e che el vivaria come un re, anca sensa ledar e scrivar.
Ma quando el ze rivà in Mèrica e no’l ga catà gnente, el ga pensà che essar póvero e anca bauco, ze na dópia desgràssia! El ga sentio dir de Nani Giacomet che so fiol Primo, el pi vècio, el zera drio ndar a la scola serale, zo a Alcàntara, tute le note e che daromai el ledea e el scrivea. El maestro zera el nono Busnello e no’l ghe costava gnente a chi volesse assar de esser analfabeti.
Dotà de grande inteligensa, Nanetto, insieme con Primo Giacomet, Batagello e altri, el ga scomissià ndar tute le note fin casa del nono Busnello e el ga imparà suito scrivar e ledar. L’era tuto pien de stima e el ghe diseva a tuti che’l savea e ghe domandava libri par ledar parché l’era deventà pien de curiosità.
Na doménega, dopo de ver ledesto sora la Unificassion del Itàlia in te un giornaleto che’l ga guadagnà del nono Busnello, el ga savesto che l’Itàlia, vanti dela unificassion, la zera formada de pìcoli regni e che i véscovi, i re e tute le autorità i viveva na grande confusion, e desso l’era un paese solo, e con un re solo e tuti lo scoltava. Come gera drio pensar in quela doménega, el ga bio voia de scrivar a so mama e so fradei che i iera restadi in Àsolo.
Sentà in tola, davanti el fogolaro, che’l zera pien de bronse par via del fredo e dela brina dea note passada, el ga tacà scrivar:
- Cara mama e fradei,
Oncó, con la pena in man, ve scrivo che go imparà ledar e scrivar in tea scola serale del nono Busnello, qua in Mèrica, e voio che savé che quando penso in voialtri me vien na maladeta voia de piandar. Qua, te la me caseta, stao solo mi e la Faisca, na cagneta negra, che la ze sempre drio vardarme come se la volesse parlar. Tel potrero ghe ze na vaca, la Tubiana, che la moldo tute le matine, un baldeto pien de late caldo, e che dopo fao un formaieto e anca la puina che la magno cola polentina brustolada. Qua tuto ze bel. Tuto verdo, un bel rio, pien de pessi. Le bananare coi graspi pieni de banane che le par salami picai. I pini co le boce piene de pignoi che i cosino tel brondin, i pesto col martel e i magno co na cìcara de café col late. Davanti la me caseta ghe ze un pié de sinamon che, desso, el ze sensa foie par via del otono. Voria che vedessi quanti osei ghe ze in Mèrica.
Mama, vui dirve anca che go na morosa, la Gelina, che la ze bela come la Monalisa del Da Vinci. Mama, no sò cossa far dela voia che go de maridarme. La Gelina la ga due bei oci verdi e la pel bionda del sol. Na note, quando so popà, Àndolo, l’era in cosina, la go basada e el mio cuor bateva tanto che’l ze squasi vegnes-to fora dela boca. Qualche di, devento rico e me marido e dopo la meno in Itàlia, parché la possa védarve e cognósserve. Par fine, vui dirve che son felice qua, parché tuto ze novo e desso che posso scrivar, ve mandarò dir tuto quel che sucede qua in te sto paese che desso ze na Repùblica, comandada per el maressialo Floriano Peixoto.
Mama, un strucon, e un baso a me fradei.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Coincidência mística
Roque Amâncio Mengato
Professor, São Sebastião do Caí - RS
Natal de 2005. Noite de 20 de dezembro. Protagonizo um sonho místico.
Lembro que retornei à infância e caminhava por um sazonado campo de trigo. O vento agitava o trigal em harmônica ondulação. Numa clareira, diviso uma cabana, com uma mãe ninando um menino de rara beleza. Fico extasiado. Ao ver-me intruso solicito à mulher um feixe de espigas para o meu presépio.
A mulher mostra-se meiga, mas ignora o pedido. Acordo então decepcionado, porque o sonho foi interrompido. Dois dias depois, ao caminhar pela RS122, dou com um menino semelhante ao do sonho, sentado no acostamento. Algo incrível acontece! Ao lado, numa frincha do piso estão três pés de trigo maduro. São doze espigas maduras. Cuidadoso recolho-as e faço um ramalhete. Observo o menino que também me olha sorridente e em seguida ele desaparece por uma trilha. Hoje guardo as espigas e com elas o que disse a vovó: "olhando a cabeça de um grão de trigo você vê a face do Menino Jesus".
Natale 2006
Adeodato Piazza Nicolai
Padova - Itália
La befana di Vigo
per la prima volta
mi aveva riempito
una calza di lana
con mele, caramelle
e un pezzo di carbone.
Allora il campanotto *
annunciava il bambino
disceso per riscaldare
la notte ghiacciata.
Nella memoria stasera
i rami dei pini graffiano
i vetri stellati di brina
mentre la luna si specchia
nel mio focolare.
Per anni ho vissuto
oltremare
per poi ritornare
alla terra mia madre.
Attendo in silenzio
l’annuncio di pace …
Campanotto è un modo di suonare le campane a festa, battendo a mano il battente di ogni campana e seguendo un ritmo particolare.
Orìgine del Papà Noel
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
La figura del Papà Noel la ze stà ispirada tel arcivesco Nicolau Taumaturgo, che l’è nassesto tea Turquia, tel sècolo IV. Omo de bon cuor, el costumea iutar e dar presenti ae persone poarete. La vinculassion dea imàgine de Nicolau al Nadal ze stà fata tea Germània e la se ga spaià tel mondo par meso dei marinari che i vegnea cognosser el omo generoso.
Una dele persone che la ga iutà a far cognosser la legenda del Papà Noel l’è stà Clemente Moore, professore de literatura grega, de Nova York (EUA) e autor del poema "Na vìsita de San Nicolau", in 1822. Te sta poesia, Noel el gera come un típico nono merican - gordo, de barba bianca e oci ciari. E anca el viaiea te na slita strassinada par rene e el ndea rento tee case par el camin.
Espetáculo conta a história de São Francisco de Paula
Apresentação mescla atores e show de luzes, sons e águas
Um espetáculo de água, luzes e sons vai contar a história de São Francisco de Paula, desde seus primeiros habitantes, os índios Caaguaras, passando pela chegada dos europeus na região e pela destruição da mata. A apresentação também tem o objetivo de chamar a atenção para a importância da preservação dos recursos naturais da região. Intitulado Odisséia da Águas, o espetáculo será realizado nos próximos dias 23 e 30 de dezembro, a partir das 22 horas, às margens do Lago São Bernardo, ao ar livre, com entrada franca. Acomodado em arquibancadas, o público poderá apreciar, além da atuação dos atores, a movimentação dos chafarizes, o som dos tambores e do tropel dos cavalos, enfim um conjunto de recursos cênicos que ajudam a resgatar os valores ecológicos e os aspectos da cultura local. Ao final de cada apresentação, centenas de crianças da própria comunidade vão distribuir aos espectadores sementes e mudas de espécies nativas da região.
O espetáculo é uma iniciativa da Prefeitura em parceria com a produtora Açoriana Associação de Cultura, Eventos e Promoções. São Francisco de Paula, com mais de 20 mil habitantes, é conhecida dos gaúchos por suas belezas naturais.
Estado lidera gestão social e fiscal
Entre as 100 melhores administrações do país, 50% são gaúchas
Os municípios gaúchos, pelo segundo ano consecutivo, lideram o ranking nacional da melhor gestão fiscal e social do Brasil (IRFS). Entre os 100 primeiros colocados, 49 pertencem ao Rio Grande do Sul e 28, a São Paulo. O grande vencedor individual deste ano, entretanto, é Loanda, no Paraná. Obteve índice total de 0,632.
Situado no noroeste paranaense, Loanda possui população superior a 20 mil habitantes, distribuída numa área territorial de 722,50 km². Instalado em 1954 e emancipado de Paranavaí, representa 0,36% da área do Estado e apenas 0,01% de todo o território brasileiro.
O Índice de Responsabilidade Fiscal, Social e de Gestão é um instrumento que a Confederação Nacional de Municípios (CNM) criou com o objetivo de disseminar a cultura da responsabilidade fiscal associada à responsabilidade social. O índice reflete anualmente o desempenho dos municípios sob três aspectos: fiscal, social e de gestão.
Ao todo a Confederação dos Municípios apurou a situação de 4.164 cidades no país e divulgou detalhes do desempenho das melhores classificadas. No ranking do RS, Tupandi ficou em 1º lugar e em 4º lugar no índice nacional. Com 3.300 habitantes, o município tem na agricultura sua principal atividade econômica. Já São Marcos ocupa o 1º lugar na Serra, o 2º no Estado e a quinta colocação no país. Salvador das Missões é o 3º no RS.
"A pesquisa leva em conta aspectos fiscais, como o custeio da máquina pública, e sociais, como desempenho em educação e saúde", reforça o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. Essa avaliação se baseia, mas não se restringe aos controles da Lei de Responsabilidade Fiscal, como os limites de endividamento e de gasto com pessoal.