LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.022 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 17 de janeiro de 2007.

 

 

EDITORIAL

São cada vez mais alarmantes os atentados contra a natureza

A poluição se transformou no mais sério desafio da humanidade. Não sabemos cuidar nossa casa

 

A visão bíblica do fim do mundo encheu de espanto séculos de história. Poetas, romancistas, músicos e pintores criaram cores fortes para sinalizar o Dia da Ira, quando o mundo se desfaria em fagulhas. Era a justiça de Deus a caminho, colocando um ponto final na iniqüidade humana. Imaginava-se um espetáculo dantesco, afetando o sol, as estrelas, o mar e a própria Terra. Mesmo antes do fim da catástrofe, os homens haveriam de morrer de medo e confusão.

Num segundo momento, começou-se a acreditar num fim diferente do mundo, não mais atingido pela ira divina, mas pela ameaça atômica. Milhares de ogivas nucleares tinham o potencial para destruir, dezenas de vezes, a Terra. E os que sobrevivessem à onda nuclear, seriam dizimados pelas radiações. E o mundo esteve diversas vezes às vésperas do apocalipse atômico.

O andar da história acabou por afastar, parcialmente, também esse pesadelo. As armas fabricadas pelo homem tinham um poder de destruição tão grande que nem sequer poderiam ser utilizadas. Os estrategistas militares falavam, apenas, em força de dissuasão. Agora surge uma nova ameaça de destruição do planeta, infelizmente, uma ameaça mais concreta que as anteriores: o fim pela poluição.

O termo ecologia parece ter sido usado pela primeira vez por Ernst Haeckel em 1866. A palavra vem do grego oikós = casa e logos = estudo. Era o começo de uma compreensão diferente do universo e da cadeia da criação, que funcionava com a precisão de um relógio. Em seguida, Ezra Park (EUA) chamou atenção sobre os riscos que poderiam advir. Hoje, as piores previsões se confirmam: a Terra está doente, mortalmente ameaçada.

Todos os dias e de forma crescente são detectados sinais ameaçadores. São as geleiras dos pólos que se derretem, são as derrubadas na Amazônia, é a mortandade de peixes, o crescimento do buraco na camada de ozônio, o aquecimento global, a escassez de águas potáveis... Ao lado desses fenômenos de escala planetária, acontecem os pequenos e continuados atentados, a cada dia, em cada recanto do mundo.

Deus não se vinga nunca, os homens às vezes, a natureza sempre. Ou a humanidade – governantes e indivíduos – adota medidas enérgicas e urgentes ou o planeta Terra se tornará uma lixeira abandonada, sem condições de vida.

 

CAXIAS DO SUL

FAS prepara futuro do jovem em risco

Complexo no Reolon atende 11 bairros da região oeste da cidade

 

Dos 37 mil adolescentes de Caxias do Sul, 11% estão abaixo da linha de pobreza, ou seja, em torno de 4.000 jovens recebem menos de um salário mínimo mensal, segundo os últimos dados da Fundação Caxias. É para atender a esse público em situação de vulnerabilidade social que a Fundação de Assistência Social (FAS) investe seus recursos. "Trabalhamos para promover a pessoa, para que ela possa se auto-gerenciar. Pessoas só precisam de oportunidades", enfatiza a presidente da FAS, Maria de Lourdes Grison.

Trabalhando em parceria, a FAS inaugurou mais uma Casa Brasil, no bairro Reolon, que atende jovens de 11 bairros da região oeste da cidade. Funcionando junto ao Centro de Formação para Cidadania, o projeto Casa Brasil é iniciativa do governo federal que pretende levar inclusão digital, cidadania, cultura e lazer às localidades de baixa renda.

A Prefeitura investiu R$ 160 mil em reformas no antigo Centro Renascer para atender toda a população. Ao entregar o complexo, o prefeito José Ivo Sartori falou das parcerias. "Não teríamos feito a revitalização dos prédios se não tivéssemos o apoio de nossos parceiros, empresários, voluntários da Patna e a própria comunidade. Os governos não fazem nada sozinhos. Como disse o Frei Jaime Bettega, na sua bênção, foram muitas mãos juntas", declarou.

A presidente da FAS destacou os programas assistenciais. "O que vocês estão vendo é a melhoria desses prédios para melhor ocupação. Temos programas novos como a Casa Brasil, mas há outros que funcionam há mais tempo como o Centro de Cultura Popular Reolon. O Centro Educativo, por exemplo, funciona há um ano. Todos beneficiam crianças, jovens e adultos dessa região", frisou Maria de Lourdes.

Estrutura– O complexo no Reolon conta com centro educativo (atendimento para 150 crianças e adolescentes no turno inverso ao da escola); cursos de aprendizagem profissional para 25 adolescentes na área eletro-eletrônico; programa Agente Jovem (oficinas multidisciplinares para adolescentes voltadas para o desenvolvimento integral no turno inverso ao da escola).

O local dispõe ainda do Centro de Referência de Assistência Social (para famílias em situação de vulnerabilidade social da região oeste); Centro de Cultura Popular Reolon (120 adolescentes com atividades musicais) e a Casa Brasil (são oferecidos cursos de informática, montagem e manutenção de computadores. No local também será disponibilizado uma biblioteca, oficina de rádio e acesso à internet).

 

Casa Brasil funciona no bairro Bom Pastor

 

A primeira Casa Brasil, em Caxias, funciona no bairro Bom Pastor II desde o dia 7 de janeiro. O local inclui telecentro com 20 computadores e acesso à internet, sala de leitura, laboratório de metareciclagem, biblioteca, estúdio multimídia, rádio comunitária e auditório/cinema. O governo federal investiu quase R$ 200 mil no empreendimento.

 

Curso da Assotur enfatiza turismo rural

 

Com o objetivo de desenvolver competências de gestão e marketing em turismo rural, a Associação de Turismo Estrada do Imigrante (Assotur) realiza o curso de "Gestão de empreendimentos turísticos". O curso ocorre de 12 a 16 de fevereiro, na Escola de Agriturismo Sul, localizada em Terceira Légua.

Voltado a estudantes, empreendedores e agentes da área turística, o curso terá duração de 30 horas e vai tratar da gestão e planejamento de recursos humanos, hospitalidade, relacionamento, marketing institucional, entre outros, além de apresentar modelos de gestão pública e privada. Fabiano Pavoni Nogueira, especialista em turismo e marketing, será o moderador do curso.

Informações (54) 3026 8508; fax (54) 3026 8589. Inscrições custam R$ 30. E-mail escolagriturismo@estradadoimigrante.com.br

 

REPORTAGEM

Produtividade deve compensar quebra agrícola

Nas frutas, preços são animadores; nos grãos, colheita será maior por conta do bom clima

 

A natureza é sábia. A todo instante dá provas de sua capacidade de renovação. Aliada à tecnologia, os resultados impressionam. Durante toda a noite e grande parte da manhã do dia 5 de setembro do ano passado, por conta de uma geada fora de hora, o fruticultor Mario Biondo, de São Gotardo de Vila Seca, interior de Caxias do Sul, passou irrigando seu pomar de ameixas. "Era tentar ou perder tudo", disse ao CR à época.

Quase cinco meses depois, Biondo e a esposa Vera não conseguem esconder a alegria. "As plantas carregaram mais dos que nos outros anos. Foi a primeira vez que irrigamos para conter a geada. Pensei que tivéssemos matado os pés", revela Biondo. Já nas frutíferas que não receberam água, os prejuízos surpreenderam. "Perdemos 80% do pêssego e 70% do caqui", lamenta.

Os números registrados na propriedade de Mario e Vera refletem a realidade da fruticultura da Serra gaúcha. De acordo com a Emater Regional de Caxias do Sul, a região vai colher apenas 805 toneladas de ameixa, frente as mais de 8.000 toneladas previstas, e apenas 6.630 toneladas de pêssego, quando a média é colher mais de 44 mil toneladas. Haverá perdas de 65% no caqui e 40% na pêra. Já a colheita de quivi deve ser 40% superior e a de uva, 8% a mais do que o normal.

Redução– O responsável técnico pela fruticultura da Emater Regional, Enio Ângelo Todeschini, diz que o preço está compensando os danos. "Embora sejam elevadas as perdas em algumas espécies, a pouca oferta da fruta condicionou a uma valoração comercial muito acima da média de safras normais, compensando grandemente as perdas de rendimento físico", observa ao CR.

Por conta da quebra, este ano há redução ainda de custos na colheita, no armazenamento, com transporte e caixaria. "O problema é para os agricultores que perderam tudo", lamenta Todeschini. Muitos dos caquizeiros atingidos, por exemplo, morreram. "É uma planta que demora de seis a sete anos para produizir plenamente. Nesse caso, as perdas são irreversíveis", conclui.

Em todo o país, especialmente na região Sul, a produtividade está recompensando as perdas. A boa notícia deve-se, principalmente, ao clima deste verão. Depois de contabilizar prejuízos nos dois últimos anos, os agricultores brasileiros deverão ter motivos para festejar em 2007.

 

Bom clima espalha otimismo pelo país

 

As boas condições climáticas são responsáveis pelo otimismo dos produtores de grãos. Segundo a Conab, a safra nacional deve ser de 121,5 milhões de toneladas. Já o IBGE calcula que a produção agrícola brasileira aumentará 6,3% em 2007, atingindo 123,9 milhões de toneladas. As culturas com maior destaque são a soja (54,9 milhões de toneladas) e o milho (44,7 milhões/ton.).

A área total de plantio está calculada em 45,4 milhões de hectares, 4% menor que a da safra 2005/06, fechada em 47,3 milhões/ha. A previsão leva em conta o aumento da produtividade. "A revisão para cima se deve à recuperação da produtividade, beneficiada pelo clima favorável na fase inicial do plantio, principalmente na região Centro-Sul", reforça o presidente da Conab, Jacinto Ferreira.

Milho– No Rio Grande do Sul, a vedete da safra de verão é o milho, cuja produção pulará de 4 milhões de toneladas para 5,3 milhões de toneladas. E não é apenas o aumento da produção que anima. Os preços pagos ao produtor gaúcho emplacaram R$ 17 pela saca de 60 kg, valor que mal chegou a R$ 14 no ano passado.

Nesta safra, a produção de soja no Estado deverá chegar a 9 milhões de toneladas (8 milhões no ano passado e 3 milhões há dois anos). Os preços ao produtor, praticados na última semana, eram de R$ 26 por saca. Os números trazem alívio ao setor, após dois anos de safras encolhidas, por causa do clima, e custos elevados.

 

Chuva e temperaturas altas elevam preços dos hórtis

 

O verão 2007 está mais quente. A umidade relativa do ar e a atmosfera instável causam sensação térmica de mais calor. Nesta época, os dias são mais longos e a não perda de radiação solar é menor, por isso a sensação térmica é maior. "Acredita-se que haverá aumento de temperatura de 1º a 2º C em algumas regiões do país", diz o meteorologista José Fernando Pesqueiro, do Instituto de Pesquisas Espaciais.

O aumento da temperatura se deve a diversos fatores, como influência do fenômeno El Nino, que deve ficar ativo até o outono de 2007, aquecimento global, causado em grande parte pela emissão de gases, e alteração da temperatura do Atlântico Norte.

Mais calor reflete em mais chuvas com temporais. "Em um cenário de aquecimento global, a temperatura se comporta, no fundo, como se fosse um caldeirão, uma máquina térmica movimentada com energia solar. Estamos aumentando o fogo da fornalha", explica Marcelo Seluti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais– Inpe.

O excesso de chuva na região Sudeste contribuiu para aumentar o preço dos hortigranjeiros. Os mais atingidos são alface, brócoli, repolho e rúcula. O tomate, que em dezembro custava R$ 0,44, passou para 0,86, aumento de 95%; e a berinjela, que era vendia a R$ 0,68/kg, pulou para R$ 1,17 o mesmo quilo.

A situação só deve melhorar em março. Para quem não quiser pagar mais caro, a solução é substituir. "O consumidor deve procurar produtos mais resistentes como mandioca, cenoura, beterraba e acelga, que foram menos atingidos pela chuva", orienta o economista da Ceagesp, Flávio Godas.

 

AGRICULTURA

Fungo controla o mofo cinzento nas frutíferas

Pesquisa da Embrapa beneficia cultivo de pequenas frutas e flores

 

Fungo contra fungo. Agora, os produtores de morango, amora e framboesa, conhecidas como pequenas frutas, poderão substituir os agrotóxicos usados em seus cultivos por uma estirpe do fungo Clonostachys rosea para reduzir as perdas causadas pelo fungo Botrytis cinerea, causador do mofo cinzento. O Botrytis cinerea é bastante comum em regiões úmidas, tanto no cultivo protegido quanto no aberto. Ocasiona queda de flores e frutos e diminui a durabilidade na pós-colheita.

Aplicações semanais de Clonostachys reduziram em até 69% a podridão dos frutos. A boa notícia é resultado da pesquisa conduzida pela Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves. "Os primeiros testes começaram em 1994, em plantações de morangos", revela ao CR a pesquisadora e fitopatologista Rosa Maria Valdebenito Sanhueza.

Com a adoção do controle biológico elimina-se o risco toxicológico tanto para o produtor quanto para o consumidor. De acordo com a fitopatologista, o controle biológico garante a produção de frutas livres de qualquer resíduo químico e contribui para a produção orgânica e integrada das pequenas frutas.

Além da utilização em pequenas frutas, o controle biológico com o Clonostachys rosea também está sendo utilizado como alternativa para o controle do mofo em plantas ornamentais como a fucsia.

Práticas– O sucesso do controle biológico do mofo cinzento em pequenas frutas está condicionado às boas práticas agrícolas e ao manuseio da cultura. Entre elas, a doutora Rosa cita o plantio de mudas sadias, a eliminação dos tecidos danificados e a destruição dos frutos afetados. "Os restos culturais devem ser retirados da lavoura e queimados", sugere.

A Embrapa está multiplicando o fungo em sementes de trigo purificadas para comercialização. Interessados em adquirir o produto devem entrar em contato pelo telefone (54) 3455 8000, com Renata.

 

Vento e chuvas disseminam a doença

 

O mofo cinzento afeta principalmente o morangueiro, sob condições de alta umidade e temperaturas amenas. Causado pelo fungo Botrytis cinerea, caracteriza-se por ser doença típica de frutos, todavia pode afetar também pecíolos, folhas, botões florais, pétalas e pedúnculos sob condições favoráveis.

A infecção geralmente inicia-se em tecido debilitado, especialmente pétalas senescentes (em final de ciclo), para posteriormente infectar os tecidos saudáveis do fruto. A doença pode destruir botões florais e frutos verdes. No entanto, na maioria das vezes as infecções permanecem latentes e os sintomas se manifestam somente no início do amadurecimento dos frutos.

Em frutos verdes, os sintomas são caracterizados pela presença de pequenas lesões marrons levemente depressivas. Em frutos maduros, elas se tornam recobertas por um crescimento acinzentado constituído por estruturas do patógeno, que rapidamente tomam toda superfície do fruto. Com a evolução dos sintomas, os frutos podem apodrecer completamente ou ainda assumir a forma de mumificados.

A disseminação da doença ocorre principalmente pela ação do vento, água de chuva e irrigação, bem como durante o processo da colheita

 

Embrapa pesquisa bioinseticida viral

 

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte pesquisam alternativa para o uso de pesticidas nas plantações. São os chamados bioinseticidas virais, produzidos com vírus que atacam determinadas plantações.

O bioinseticida contra a lagarta da soja (Baculovirus anticarsia), sendo usado em mais de dois milhões de hectares de plantações do país, é exemplo de sucesso. "Trata-se do maior exemplo mundial de uso de um pesticida viral", destacou a pesquisadora da Embrapa, Maria Elita Castro. Os pesquisadores estudam ainda a produção de vírus que eliminem a lagarta do cartucho-do-milho, da mandioca, da seringueira e do trigo.

Entre as vantagens do bioinseticida, a pesquisadora cita o fato de não causar danos a outros animais e à natureza, não causar resistência nos insetos e contribuir para diminuir o uso dos inseticidas químicos. "O problema é que o uso de inseticidas químicos é tão difundido entre os agricultores que seria necessário reeducá-los para mudarem para os bioinseticidas", observa Castro.

 

Controle de pragas terá incentivo fiscal

 

A lei 2319/03 de estímulo ao controle biológico, que institui incentivo fiscal para o controle biológico de pragas agrícolas, está no Congresso. A proposta é que a empresa de agrotóxicos aplique 0,5% de sua receita bruta anual no desenvolvimento de agentes biológicos e que o valor possa ser deduzido do imposto de renda devido até o limite de 8%.

O projeto prevê a obrigatoriedade, tanto para produtores rurais quanto para o Estado, do uso de 10% de inseticidas biológicos, do total de agrotóxicos do controle de plantas daninhas, insetos e ácaros-praga de importância agrícola, florestal, veterinária e médica humana.

Se entrar em vigor, deverão aumentar os investimentos privados no desenvolvimento de agentes biológicos para o controle de pragas, agentes patogênicos e plantas invasoras. Entretanto, sua difusão requer a assistência técnica, para elevar o patamar tecnológico na gestão do uso desses produtos– o que pode ser oferecido pelas próprias biofábricas e distribuidoras– , e certificação de qualidade dos processos laboratoriais de reprodução desse insumo.

 

SC vai colher a maior safra de grãos este ano

 

Os agricultores esperam colher a melhor safra de milho e soja dos últimos quatro anos, já que nas três colheitas anteriores houve quebra devido à estiagem. A estimativa da Epagri é de acréscimo de 25% na produção de milho e 20% na produção de soja.

Na região Oeste, o gerente regional da Epagri, Valdir Crestani, estima aumento na produção de 30% a 40% nas lavouras de milho e de 10% a 20% nas lavouras de soja. "O clima está transcorrendo normalmente. Em dezembro, choveu 53 milímetros acima da média. Nos primeiros dias do ano, ocorreram pancadas de chuva", relata.

O gerente da Epagri disse que cerca de 60% das lavouras de milho da região estão garantidas e a colheita inicia no final do mês. Na soja, caso ocorra uma chuva a cada semana, a produção também será boa. O vice-presidente da Cooperativa Regional Alfa (Cooperalfa), Romeu Bet, também está otimista. "A safra deve ser bem melhor", aposta Bet.

 

AGRONEGÓCIO

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Árvore chamada moringa

Ouvi falar numa árvore chamada moringa. Disseram-me que é fantástica. Assim, dirijo-me à prestigiosa coluna Vida Agrícola para obter informações sobre essa planta.

Telva F. Roesler

São Francisco de Paula– RS

 

A moringa é uma planta perene da família das Moringáceas. O seu nome científico é Moringa oleífera. É nativa da Índia, mas cresce bem em todas as regiões tropicais. É resistente à seca, por isso se dá melhor em regiões como o Nordeste brasileiro. É classificada como um arbusto, porém, atinge até 10 metros de altura. Possui a copa aberta em forma de sombrinha e um único tronco. Tem folhas pecioladas, compostas, bipinadas com folíolos pequenos obovais glabros. As flores grandes estão dispostas em panículas (cachos). São de cor creme ou branca, perfumadas, muito procuradas pelas abelhas. O fruto é parecido com uma vagem de três lados.

A Moringa oleífera pode ser propagada por sementes ou estacas. As sementes podem ser plantadas diretamente no local definitivo. Ela cresce rapidamente, podendo alcançar a altura de quatro metros no primeiro ano. É muito produtiva, pois uma única planta tem condições de produzir de 50 a 70 kg de frutos por ano, se bem cuidada.

Frutos verdes, folhas, flores e sementes torradas são altamente nutritivos e saborosos. Das sementes pode-se extrair óleo comestível, também usado na fabricação de sabonetes, cosméticos e como combustível para lamparinas. Os resíduos servem como adubo ou na alimentação animal.

As folhas podem ser consumidas em sopas, molhos e saladas. Têm alto teor de proteínas (27%), são ricas em vitaminas A e C, cálcio, ferro e fósforo.

As flores só podem ser consumidas cozidas. Os frutos verdes também são muito nutritivos, ricos em aminoácidos necessários à alimentação humana. São preparados de forma semelhante às ervilhas verdes, possuindo sabor comparado aos aspargos.

Outra utilidade importante da Moringa oleífera é que suas sementes servem de purificador natural de água, podendo contribuir muito na potabilização da água, especialmente no meio rural, onde há deficiência no tratamento.

A Embrapa Tabuleiros Costeiros, de Aracaju, Sergipe, está iniciando trabalhos de pesquisa com a Moringa oleífera. O endereço é avenida Beira Mar, 3250; CEP 49025-040 Aracaju-SE.

 

Litoral é boa opção para o produtor

Feiras em municípios praianos receberam 500 mil consumidores

 

Um negócio que envolveu mais de 500 mil pessoas e movimentou R$ 1,4 milhão no último verão. São as Feiras do Litoral Norte. Promovidas desde final de dezembro, terão abertura oficial na quinta 18. Elas prosseguem até março. As feiras são organizadas pela Emater/RS, Ceasa, Secretaria da Agricultura e Abastecimento e prefeituras, e contemplam municípios praianos.

Neste ano, as feiras do Litoral Norte chegam a 25ª edição, com 17 pontos de comercialização e a participação de 185 feirantes, sendo que grande parte são agricultores que oferecem todos os tipos de produtos hortigranjeiros e de agroindústria. Muitos são provenientes da Serra, de Porto Alegre e Sul do Estado. "A Serra vende frutas da época, principalmente, temperos e hortigranjeiros", informa ao CR o analista da Ceasa/Serra, Gilnei Bogio.

Para o gerente da Ceasa/Serra, Antonio Garbin, o Litoral tornou-se opção importante para o produtor rural da região, nesta época do ano em que as vendas na Ceasa caem em mais de 30%. "Com a Rota do Sol concluída, esse é um mercado que tende a crescer e o agricultor deve investir", opina Garbin.

Segundo a Emater, as feiras envolvem público consumidor superior a 500 mil pessoas. Na edição anterior, o volume comercializado foi de 2.000 toneladas de produtos, contabilizando a circulação de R$ 1,4 milhão. "A cada ano mais pessoas demonstram interesse em participar das feiras. Por isso os Conselhos de Desenvolvimento têm se consolidado como essenciais nesse processo", garante a assistente técnica da Emater, Cristina Gadea.

 

Show Rural Coopavel bate recordes

 

O Show Rural Coopavel 2007, que inicia no dia 5 de fevereiro e prossegue até o dia 9, movimenta Cascavel, no oeste paranaense. O número de 290 estandes é recorde e supera os 280 do ano passado, o maior da história das 18 edições anteriores do evento.

A previsão da Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), no Paraná, organizadora do evento, é de que haja o preenchimento dos três mil leitos de hotéis e motéis da cidade e reflexos na movimentação da rede hoteleira de cidades vizinhas.

Entre as novidades deste ano, uma sessão inteira que abordará a cadeia produtiva do biodiesel, que mostra de forma temática todas as etapas do processo, da escolha da melhor semente, passando pelo plantio e colheita, até o refinamento para transformá-lo em óleo combustível. Em torno de 1.400 parcelas e novos experimentos serão mostrados no evento.

De acordo com Jorge Luiz Knebel, gerente do Show Rural, a expectativa de público é de 140 mil pessoas nos cinco dias de evento. "Há mais um dia, o domingo, que é aberto ao público, porém, não há programação oficial prevista", adianta.

 

Brasil tem o maior banco de gens citros

 

Cientistas brasileiros seqüenciaram cerca de 55 mil genes únicos de frutas cítricas, sendo 32 mil só de espécies de laranjas, criando o maior banco de dados científicos no setor no mundo. O projeto visa a desenvolver mapas, identificando genes associados com a resistência a doenças que ameaçam seriamente a citricultura– atividade estratégica para a agricultura brasileira, com faturamento anual de US$ 1,5 bilhão.

Trata-se de uma ampla cobertura do genoma expresso de uma planta, configurando um banco de informações valioso, destaca Marcos Machado, diretor do Centro Apta Citros do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em São Paulo.

 

Prefeito de Camaquã assume a Agricultura

 

O prefeito de Camaquã, João Carlos Machado, é o secretário da Agricultura do RS. A pasta vinha sendo ocupada interinamente por Celso Bernardi. Além de agropecuarista, Machado atuou como vice-presidente (gestão 1997-2000) e diretor (2000-2003) da Farsul. Elegeu-se prefeito em 2000 e foi reeleito em 2004.

 

SAÚDE

Criança é mais vulnerável a microorganismos

Mais exposta ao ambiente, criança se torna refém de vírus, fungos e bactérias

 

Bolha no pé, desenhos sob a pele, coceira entre os dedos. Cuidado! Esses podem ser sinais de que algum microorganismo atacou seu corpo. Bicho geográfico, olho-de-peixe, frieira e outros males causados por microorganismo são comuns nessa época do ano. Eles podem se manifestar em qualquer pessoa, mas as crianças são ainda mais vulneráveis. Em época de férias e calor, elas ficam mais à vontade, com roupas leves, pés descalços, rolam na areia, brincam ao ar livre etc, abrindo as portas para um exército de fungos, vírus e bactérias. Os males causados por esses microorganismos não costumam causar danos graves, mas incomodam e precisam ser tratados.

O chamado bicho-geográfico é uma larva que habita areia e terra contaminadas por fezes de cachorros. Ele atravessa a pele e começa a "caminhar" pelo corpo, formando linhas avermelhadas e provocando muita coceira. Em geral, aparece na planta do pé e na palma da mão. A larva precisa ser eliminada com remédios específicos, portanto, o melhor a fazer é procurar um médico.

O olho-de-peixe é um vírus contraído em piscinas e praias. Caracteriza-se por uma verruga dolorida, geralmente na sola do pé. Os médicos alertam que a criança não deve ficar cutucando a ferida. Ao coçar, a mão fica contaminada e pode levar o vírus para outras partes do corpo. A cauterização, feita em consultório médico, é um dos métodos mais indicados para eliminar este vírus.

Areia também é habitat do bicho-de-pé. É mais comum que ele se instale sob as unhas ou entre os dedos dos pés, mas pode penetrar em qualquer parte do corpo, deixando um pontinho preto na pele e provocando muita coceira. Deve ser retirado, caso contrário pode causar inflamações. O bicho-de-pé precisa ser completamente removido de dentro da pele, com agulha esterilizada; então, quem for contaminado, deve procurar um médico.

A frieira, causada por um fungo, é a mais comum das micoses. Instala-se principalmente entre os dedos dos pés e provoca coceira intensa. O tratamento geralmente é feito com pomadas específicas. Para evitar, os dermatologistas recomendam secar bem a região após o banho, piscina ou praia, trocar as meias diariamente e usar calçados ventilados, já que os fungos proliferam-se com mais facilidade em ambientes quentes e úmidos. Para evitar o ataque de todos esses microorganismos, o ideal seria nunca dispensar os chinelos, principalmente na praia, no campo, em piscinas e vestiários, e ainda não sentar diretamente na areia.

 

Sozinho, guarda-sol não garante proteção

 

A criança se expõe ao sol três vezes mais que o adulto. Os efeitos nocivos da radiação são cumulativos, portanto, os pequenos exigem cuidados redobrados. Procurar a sombra para brincar é bom, mas não o suficiente para garantir proteção. Isso porque a radiação é refletida pela água, pela areia e pelo concreto e pode queimar bastante. Além do guarda-sol, criança precisa de protetor solar, camiseta e chapéu.

O protetor deve ser aplicado meia hora antes da exposição e reaplicado após entrar na água ou transpirar. Como criança corre, rola na areia e adora água, a reaplicação geralmente precisa ser feita antes das duas horas normalmente recomendadas.

 

Comer na beira da praia exige cuidados

 

A alimentação da garotada na beira da praia é outro aspecto que merece atenção. Recomenda-se cuidado com comidas que contêm iogurte, queijo e maionese. Picolés podem ser perigosos se a água utilizada na fabricação não for de boa qualidade. Ao comer milho verde, dispensar a margarina. Levar biscoitos, frutas e sucos de casa é uma boa alternativa para prevenir problemas.

Muito líquido para evitar desidratação. Pode ser água, suco natural, chá gelado, água-de-coco. Recomenda-se tomar pelo menos cinco copos por dia. Os refrigerantes, porém, devem ser ingeridos com moderação, devido ao excesso de açúcar.

 

Verão também é época de piolhos

 

Os piolhos também espalham-se rapidamente no verão. Eles mordem o couro cabeludo para se alimentar de sangue, provocando coceira. Passam de uma cabeça a outra e podem ser carregados pelo vento, mas, ao contrário do que muitos pensam, não voam. As crianças são as principais vítimas porque costumam brincar em grupos, mantendo contato bem próximo umas das outras. A solução é tratar o problema logo no início, para evitar a transmissão. Indica-se o uso de remédios ou sabonetes específicos, pente-fino no cabelo e limpeza de lençóis, toalhas, escovas e bonés.

Quem vive ou vai passar férias no campo, pode entrar em contato com outro bichinho, o carrapato. Ele tem garras que se fixam no corpo, portanto, deve ser removido com delicadeza. Em caso de picada de abelha, é necessário retirar o ferrão. Se verificar reação alérgica leve, a recomendação é fazer compressa fria no local. Se a reação for intensa, é necessário procurar um médico, que deve receitar um antialérgico e analgésico.

Os mosquitos também infernizam as crianças nos dias quentes. Para mantê-los longe, usar mosquiteiro no berço dos bebês. Telas nas janelas também ajudam. No quarto de crianças maiores, pode ser aplicado inseticida em spray. O ideal é aplicar o produto e manter o ambiente fechado por cerca de meia hora. Depois, permitir a entrada da criança e deixar o local arejado.

 

OPINIÃO

Leonardo Boff

Da Comissão da Carta da Terra

Maldição sobre nossa geração?

Porque escolhemos meios maus para fins bons chegamos ao ponto a que

chegamos. Ou redefinimos fins mais nobres do que simplesmente produzir e consumir ou então devemos aceitar um destino trágico

 

Há uma contradição que afeta todos os países do mundo e que, a persistir, pode nos levar a um generalizado desastre civilizatório. A contradição reside nisso: todos os países precisam anualmente crescer. Crescimento é fundamentalmente econômico e se expressa pelo Produto Interno Bruto (PIB). Esse crescimento cobra uma alta taxa de iniqüidade social (desemprego e compressão dos salários) e uma perversa devastação ambiental (exaustão dos ecossistemas).

Há bastante tempo que o equilíbrio entre crescimento e preservação do ambiente foi quebrado em favor do crescimento. O consumo já supera em 25% a capacidade de reposição do planeta. Consoante o PNUD, se quiséssemos universalizar o bem-estar dos países industrializados precisaríamos dispor de outros três planetas como a Terra, o que é absurdo. Sabemos hoje que a Terra é um sistema vivo auto-regulador no qual o físico, o químico, o biológico e o humano se entrelaçam (teoria de Gaia). Mas ela está falhando em sua auto-regulação. Daí as mudanças climáticas e o aquecimento global que nos atestam que estamos já profundamente dentro da crise.

A Terra poderá buscar um equilíbrio novo subindo sua temperatura entre 1,4 e 5,8 graus Celsius. Começaria então a era das grandes devastações com a elevação do nível dos oceanos afetando mais da metade da humanidade que vive em suas costas e milhares de organismos vivos não teriam tempo suficiente para adaptar-se e morreriam. Grande parte da própria humanidade, até 80% segundo uns, não poderia mais subsistir.

Com acerto afirmava Washington Novaes, um dos jornalistas que, no Brasil, melhor acompanham as questões ecológicas: "Agora não se trata mais de cuidar do meio ambiente, mas de não ultrapassar os limites que poderão pôr em risco a vida". Muitos cientistas sustentam que nos acercamos já do ponto de não mais haver retorno. Podemos diminuir a velocidade do processo, mas não sustá-lo.

Essa questão deveria preocupar os governos, em especial o nosso, que propõe o crescimento como meta central. Em seu discurso, o presidente Lula não disse sequer uma palavra sobre a questão ambiental. Se não tomar em conta os dados acima, as taxas alcançadas poderão ser totalmente perdidas em duas ou três gerações. Nossos filhos e netos amaldiçoarão nossa geração que sabia das ameaças e nada ou pouco fez para escapar da tragédia anunciada.

O erro de todos foi seguir ao pé da letra o conselho de Lord Keynes para sair da grande depressão dos anos trinta: "Durante pelo menos cem anos devemos simular diante de nós mesmos e diante de cada um que o belo é sujo e o sujo é belo porque o sujo é útil e o belo não o é. A avareza, a usura, a desconfiança devem ser nossos "deuses" porque são eles que nos poderão guiar para fora do túnel da necessidade econômica rumo à claridade do dia… Depois virá o retorno a alguns dos princípios mais seguros e certos da religião e da virtude tradicional: que a avareza é um vício, que a exação da usura é um crime e que o amor ao dinheiro é detestável" (Economic Possibilities of our Grand-Children). Só que esse retorno não está acontecendo; antes se distanciou.

Porque escolhemos meios maus para fins bons chegamos ao ponto a que chegamos. Ou redefinimos fins mais altos do que simplesmente produzir e consumir ou então devemos aceitar um destino trágico. Remendos não são remédios.

 

FREI BETTO

Frei Betto é escritor de "Comer como um frade– divinas receitas para quem sabe por que temos um céu na boca" (José Olympio).

 

GENTE DA RUA

Um mendigo, observado de forma realista, é apenas um homem de negócios que ganha a vida do jeito que dá, como outros homens de negócios. Não vendeu sua honra – não mais do que a maioria das pessoas modernas

 

O preconceito social não diferencia catador de material reciclável, mendigo e bandido. Os dois primeiros são vistos por muitos como se fossem potencialmente o terceiro. Bandido furta ou rouba; mendigo pede; catador trabalha.

O Estado tem a obrigação de cuidar dos três: impedir que um cidadão se torne bandido ou puni-lo, reeducando-o à sociedade; oferecendo ao mendigo rede de proteção social; reconhecendo e assegurando os direitos do catador. Deve ainda fazer com que a sociedade compreenda o universo do povo da rua, a quem precisa garantir direitos à saúde, documentação, proteção física, reconhecimento de sua dignidade, abrigo (quando buscam), espaços de arte e lazer etc. Enfim, cidadania.

"Vale a pena dizer alguma coisa sobre a posição social que os mendigos ocupam, pois quando se convive com eles e se descobre que são seres humanos comuns, não se pode deixar de ficar admirado com a curiosa atitude da sociedade com relação a eles. As pessoas parecem achar que existe uma diferença essencial entre mendigos e "trabalhadores" comuns. Acham que eles constituem uma raça à parte: a dos vagabundos, como os criminosos e as prostitutas. Os trabalhadores "trabalham", os mendigos não "trabalham"; são parasitas, inúteis por natureza. Dá-se por certo que um mendigo não ganha a vida do modo como um pedreiro ou um crítico literário ganham as suas. Ele não passa de uma excrescência social, só tolerada porque vivemos numa época humana, mas ele é essencialmente desprezível.

Contudo, se observarmos de perto, vemos que não há uma diferença essencial entre o modo de vida de um mendigo e o de inúmeras pessoas respeitáveis. Os mendigos não trabalham, diz-se. Mas, então, o que é "trabalho"? Um operário braçal trabalha brandindo uma picareta. Um contador trabalha somando números.

Um mendigo trabalha ficando ao relento em qualquer tempo, ganhando varizes, bronquite crônica etc. É um ofício como outro qualquer, bastante inútil, é verdade– mas muitos ofícios respeitáveis também são inúteis. E, como tipo social, o mendigo se sai bem na comparação com muitos outros. Ele é honesto, se comparado com os vendedores da maioria dos medicamentos patenteados; de altos princípios, se comparado com o dono de um jornal dominical; amável, se comparado com um comerciante que vende a crédito com preços extorsivos. Em resumo, é um parasita, mas um parasita razoavelmente inofensivo. Raramente extrai mais da comunidade do que uma vida indigente, e paga por isso um sofrimento incessante, o que poderia justificá-lo, de acordo com nossos padrões éticos. Não creio que exista algo num mendigo que o coloque numa categoria diferente da das outras pessoas ou que dê à maioria dos homens modernos o direito de desprezá-lo.

Surge então a questão: por que os mendigos são desprezados? Pois o são, universalmente. Acredito que seja pela simples razão de que não conseguem ganhar o suficiente para levar uma vida decente. Na prática, ninguém se importa se o trabalho é útil ou inútil, produtivo ou parasita; a única exigência é que seja lucrativo. Afinal, em toda conversa moderna sobre energia, eficiência, serviço social e coisas assim, o sentido não é senão "ganhe dinheiro, ganhe-o legalmente e ganhe muito"?

O dinheiro se transformou na grande prova de virtude. Nessa prova, os mendigos são reprovados e, por isso, são desprezados. Se fosse possível ganhar dez libras por semana mendigando, a mendicância se transformaria imediatamente numa profissão respeitável. Observado de forma realista, um mendigo é apenas um homem de negócios que ganha a vida do jeito que dá, como outros homens de negócios. Não vendeu sua honra– não mais do que a maioria das pessoas modernas. Ele apenas cometeu o erro de escolher um negócio no qual é impossível enriquecer".

O texto aspeado, escrito em 1933, é de autoria de Eric Arthur Blair, mais tarde famoso como George Orwell (autor de "1984" e "A revolução dos bichos"), e figura no primeiro livro dele, "Na pior em Paris e Londres" (Companhia das Letras, 2006, pp. 200-201)

Quem sabe um mendigo com vocação poética tenha escrito este poema anônimo gravado num muro: "Pra falar a verdade / nunca tive um pijama, / pra quê, se nunca tive cama? / Verdade verdadeira, nunca tive um brinquedo, / apenas tive medo. / Mas hoje há tanto frio, tanta umidade, / que invento um cobertor de sol poente / e um pijama de sonho em cama quente. / É bom brincar, sonhar em ser gente."

 

NACIONAL

Saneamento terá participação social

População vai exercer controle na qualidade e no valor das tarifas

 

Para atingir, até 2024, a universalização dos serviços de saneamento– incluindo abastecimento de água, esgoto sanitário, manejo de águas pluviais e destinação de resíduos sólidos– , o presidente Lula sancionou a lei que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico no Brasil.

Além da universalização do acesso, a lei 11.445/07 prevê que o abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos sejam feitos de forma adequada à saúde pública e à proteção do meio ambiente. Também pretende criar mecanismos de controle social, que poderá ser feito por meio de conselhos municipal, estadual e federal.

"O conselho de controle social terá a participação da sociedade nos temas que interferem na qualidade do serviço e no valor das tarifas", diz o ministro das Cidades, Marcio Fortes. Para o assessor da Comissão Pastoral da Terra, da CNBB, Roberto Malvezzi, a sociedade ainda não está amadurecida para exercer esse controle. "Pode funcionar em alguma região ou município, mas pressupõe que haja um nível de cidadania, educação e de participação", declara.

Serviços– A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) revela que 97,9% dos municípios brasileiros têm serviço de abastecimento de água; 78,6% têm serviço de drenagem urbana e 99,4% têm coleta de lixo. Esgotamento sanitário ainda é o serviço que apresenta a menor taxa, mas é oferecido em mais da metade (52,2%) dos municípios.

Para atualizar os dados, o IBGE vai visitar os municípios para avaliar os serviços de saneamento oferecidos à população. O ministro das Cidades assinou o acordo para a realização da PNSB 2007, que vai investigar aspectos relativos ao abastecimento de água, esgoto, manejo de resíduos sólidos e de águas pluviais.

 

Abastecimento pode entrar em colapso

 

O abastecimento de água potável nas regiões Sul e Sudeste e nas áreas metropolitanas do país poderá entrar em colapso, caso não se invista na despoluição das bacias hidrográficas, por intermédio do tratamento do esgoto doméstico e industrial. O alerta é da Agência Nacional de Águas (ANA).

Mantendo esse ritmo (de poluição), a situação é preocupante, observa o especialista em recursos hídricos da ANA, Carlos Motta. "Caso não se tome providência, será difícil fazer alguma coisa no futuro", alerta. "Ou não conseguiremos dinheiro para tratar dessa água para beber, que ficará cada vez mais cara, ou, então, teremos que trazer água limpa de cada vez mais longe, que também é caro", acrescenta.

A forte urbanização nos últimos 50 anos no Brasil seria o principal risco à água de qualidade. O técnico da ANA destaca que, segundo estudo de 2003 do Ministério das Cidades, o país precisaria investir R$ 178 bilhões, nos próximos 20 anos, para implementar o serviço de água e esgoto. "Com o saneamento básico universalizado, pouparia os mananciais da poluição urbana", emenda.

Segundo a Agência de Águas, as cidades cresceram e os rios ficaram pequenos para absorver a carga de esgoto doméstico e industrial, mesmo sendo essa água tratada. Para Motta, a população pode contribuir na proteção dos recursos hídricos ligando, por exemplo, o esgoto doméstico à rede coletora da sua cidade

 

Bacias hidrográficas terão R$ 10 milhões

 

A Agência Nacional de Águas lançará edital para a implantação de novas estações de tratamento de esgotos (ETEs) e para a ampliação da capacidade de tratamento das estações do país. O edital deve sair em março ou abril. Os investimentos previstos para este ano, dentro do Programa de Despoluição das Bacias Hidrográficas (Prodes), chegam a R$ 10,1 milhões.

O objetivo do programa é reduzir o nível de poluição das bacias hidrográficas causada pelo lançamento de esgotos domésticos. Empresas prestadoras de serviço podem participar da licitação. Prefeituras e governos estaduais, por sua vez, podem enviar projetos para análise.

O objetivo do Prodes é reduzir os níveis de poluição por esgotos domésticos nas bacias hidrográficas brasileiras para melhorar a qualidade das águas, "em especial aquelas onde há graves problemas de poluição hídrica, causada pelo lançamento de esgotos sanitários sem tratamento".

 

TURISMO

A Fenavinho é do Brasil

Evento realizado em Bento Gonçalves espera reunir 150 mil pessoas para divulgar os vinhos de todas as regiões produtoras do país

 

Realizada desde 1967, a Festa Nacional do Vinho passa a denominar-se este ano Fenavinho Brasil. Com isso, assume nova concepção, segundo o presidente Tarcísio Vasco Michelon. "Temos o objetivo de ser a grande feira de vinhos do Brasil, não só da região. Queremos integrar, valorizar, promover e divulgar os vinhos e também a cultura de todas as regiões vitivinícolas do país", afirma.

Para isso, a feira comercial conta com a participação de 84 vinícolas. Além do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso e Bahia também possuem indústrias do setor. Embora nem todos devam estar representados na Fenavinho, quem for ao Parque de Eventos de Bento Gonçalves terá informações sobre as características dos vinhos fabricados em cada um desses Estados, em palestras, seminários e exposições.

Para incentivar a comercialização das marcas brasileiras e reduzir a concorrência dos vinhos estrangeiros, os realizadores da Fenavinho montaram, em parceria com o Sebrae nacional, o Projeto Comprador, que trará para Bento Gonçalves 30 potenciais compradores e 10 importadores. Com o projeto, espera-se atingir um volume de negócios de R$ 500 mil.

A presença de 158 agroindústrias, que reúnem os melhores produtos da agricultura familiar, é outra atração da Fenavinho. A Feira Técnica para Vitivinicultura e a Feira de Variedades completam a programação comercial do evento.

Tarcísio Michelon afirma que já tem motivos para comemorar, antes mesmo do início do evento. "Programação cultural diversificada, com destaque para o espetáculo cênico (ao lado), a presença das agroindústrias e vinícolas e a conquista de excelentes parceiros e patrocinadores, que nos fazem antever o equilíbrio financeiro da Fenavinho, são motivos suficientes para comemorarmos antecipadamente", declara ao CR Michelon

 

O espetáculo cênico é a principal atração

 

Além da parte comercial, a Fenavinho terá uma movimentada programação cultural. Uvas e vinhos, estrelas da festa, ocuparão lugar de destaque no Parque de Eventos. Logo na entrada do pavilhão A, o visitante encontrará a Enoteca, onde os vinhos estarão expostos segundo seus períodos históricos e suas cargas culturais. As premiações nacionais e internacionais também serão enfatizadas neste espaço. Em seguida, encontra-se a exposição de uvas, onde será possível conhecer as variedades cultivadas no Brasil e os vinhos elaborados a partir delas.

A Fenavinho também contemplará a arte e a cultura através de manifestações populares como canto, dança e teatro. Já está confirmada a participação de Rodolfo da Costa, Ragazzi Dei Monti, Canzione Per Te, Grupo Sul Paion, Orquestra de Metais de Teotonia, Piato Principale, Pertile, Grupo de danças Associazone Bellunesi Nel Mondo, Ines Rizzardo, Rodrigo Salton, além de corais e grupos italianos. Também está programado um espaço para as etnias negra e polonesa.

Show– Entre as atrações culturais, a de maior destaque é o espetáculo cênico que conta a história cultural do vinho, do Velho ao Novo Mundo. Para preparar o espetáculo, os organizadores trouxeram cinco especialistas de Parintins, acostumados a trabalhar nas alegorias da festa do Caprichoso e Garantido, um dos mais expressivos festivais folclóricos do país, e na confecção dos carros alegóricos do carnaval do Rio de Janeiro. Junto com uma equipe local, eles são responsáveis por dar forma e movimento a alegorias que chegam a 12 metros de altura. Quatrocentos figurantes, músicas, coreografias, iluminação e efeitos especiais dão uma dimensão da grandiosidade do espetáculo.

 

Yeda participa da abertura do evento

 

A governadora Yeda Crusius estará presente na abertura da 13ª Fenavinho, no próximo dia 26. Este será o primeiro compromisso oficial da governadora em um evento no interior do Estado. Ela confirmou sua presença na inauguração da festa na quinta-feira 11, ao receber, no Palácio Piratini, a visita do prefeito de Bento Gonçalves, Alcindo Gabrielli, do presidente da Fenavinho, Tarcísio Michelon, da imperatriz da festa, Suelen Brandeli, e das damas de honra, Caroline Carraro e Raquel de Marco. Na ocasião, Yeda manifestou disposição em apoiar as iniciativas que representam o desenvolvimento da região da Serra. "Estamos muito satisfeitos com a acolhida e com a confirmação da presença da governadora na abertura da Fenavinho. Isso é significativo para o evento e para a população", afirmou o prefeito Gabrielli.

 

Beleza em cenário de contrastes

Dos 146 mil km2 do Ceará brotam irresistíveis atrações turísticas, a começar por Fortaleza

 

À imagem de seca transmitida pelo sertão se sobrepõe a fartura com que as águas banham o litoral; a pobreza de regiões do interior contrasta com os luxuosos condomínios residenciais que tomam a avenida Beira-Mar, na capital... O Ceará e seus cerca de 8 milhões de habitantes é um Estado de contrastes quando a avaliação percorre as áreas econômica e social. Mas essas diferenças desaparecem totalmente na medida em que se penetra no campo das belezas naturais. Prevalecem sempre cenários montados por praias paradisíacas, emolduradas pelas verdes águas do Atlântico e pela presença quase que permanente do sol; pela rica cultura... Basta colocar um dedo sobre o mapa do Estado e de seus 146 mil quilômetros quadrados brotarão atrações, muitas irresistíveis.

Fortaleza– Qualquer que seja o roteiro escolhido, o mais indicado ponto de partida é Fortaleza. Com mais de 2,2 milhões de habitantes, a capital cearense conserva os ares de aprazível refúgio para famílias abonadas do interior– agora na companhia de investidores ou de um contingente cada vez maior de pessoas de outros Estados e do exterior que escolheram esta cidade para morar. Mas também expõe com evidências notáveis o choque social, efeito da mescla de uma predominante população pobre com núcleos de prédios e shoppings sofisticados.

Fortaleza exala história, cultura e um flagrante empenho para se transformar. Boa parte das praias da capital, inclusive as famosas e centrais Iracema e Meireles, não são indicadas para o banho, devido à poluição. Um desperdício, ou mais um item no quadro de contrariedades. Mas a capital oferece outras opções. A principal é a Praia do Futuro. Aqui ocorre o inverso: a natureza subjuga o homem; devido à elevada salinidade– só superada pela do Mar Morto– , construções de alvenaria não resistem. O mar da Praia do Futuro reina límpido e absoluto.

Mas nem só de sol vive Fortaleza. Uma dica é justamente acompanhar o entardecer da Ponte dos Ingleses (ou Metálica), onde é até possível se ver golfinhos. Recomendável ainda é uma caminhada pelo calçadão da Avenida Beira-Mar, com inevitáveis pausas nas barracas e quiosques que se espalham por boa parte da orla. Bijuterias, roupas, calçados e comida regional são encontrados nas centenas de pontos que formam a Feirinha da Beira-Mar.

A noite de Fortaleza também oferece estilos variados de festas. Vale a pena conferir lugares como o Pirata Bar e o Centro Cultural Dragão do Mar. Na terra de Chico Anysio, Renato Aragão e Tom Cavalcante, não falta humor. Bares e restaurantes animam a noite com humoristas consagrados na terrinha, como Rossicléia, Lailtinho Brega e Zé Modesto. É para fechar o dia com o mesmo clima de descontração que vai receber o sol horas depois. (Por Ibanor Sartor, que viajou a Fortaleza a convite da TAM, Fox Turismo e Hotel Diogo).

 

Quase 600 km de praias paradisíacas

 

Com 573 km de litoral, divididos entre as costas Sol Poente (oeste) e Nascente (leste), o Ceará oferece praias com cenários bem distintos. Algumas já foram consagradas, como Jericoacara (318 km de Fortaleza), eleita uma das dez mais belas praias do mundo pelo jornal norte-americano The New York Times. Além de suas águas cristalinas, mornas e doces formando piscinas naturais, no meio da areia fina, formações rochosas compõem a Pedra Furada, um dos cartões postais cearenses.

Canoa Quebrada faz parte do mesmo grupo. Descoberta por hippies nos anos 1970, tem falésias coloridas bordadas com a dupla lua e estrela– símbolo da cidade– , água esverdeada e uma noite bem diversificada, com agitos para todas as "tribos". Fica a 156 km de Fortaleza. Cumbuco, com suas dunas de areia branca, oferece a aventura de passeios de buggy e alternativas mais leves (de jegue e cavalo). Para sentir o mar bem de perto, há os passeios de jangada. E os ventos são ideais para a prática do kitesurf. A isso se soma a boa culinária, essencialmente à base de frutos do mar. Dista 23 km de Fortaleza.

Outras praias que valem a pena ser visitadas são Pecém (além da beleza das piscinas formadas na maré baixa, o mergulho é boa opção, pois no fundo do mar estão os destroços do navio Pecém, bombardeado na II Guerra Mundial), a 60 km da capital; Taíba (ventos ideais para esportes náuticos– como surf, windsurf e kitesurf– , dunas móveis com vegetação nativa e uma apreciável gastronomia), a 60 km de Fortaleza; Porto das Dunas (abriga o famoso Beach Park e tem um grande complexo turístico), a apenas 22 km da capital; Mudaú (piscinas naturais e opções que mesclam descanso e aventura), a 140 km de Fortaleza; Flexeiras (128 km de Fortaleza); Lagoinha (100 km da capital); Morro Branco (85 km de Fortaleza) e Praia das Fontes (87 km).

 

Atrações envolvem do sertão ao Cariri

 

Dos 146.000 Km² do Estado, 57% são reservados ao sertão, com temperaturas de 33ºC (dia) e 23ºC (noite). Mas também o semi-árido oferece belezas e atrativos, com opções de turismo ecológico, rural, esportivo, científico e religioso.

É no Sertão Central, na cidade de Canindé, que freqüentemente acontecem romarias, nas quais devotos de São Francisco de Assis agradecem graças alcançadas e louvam o santo. Quixadá reserva trilhas ecológicas e o Açude do Cedro, construído por D. Pedro II.

Além de serras, sertão e litoral, a região do Cariri, no sul, tem reservas fossilíferas e um relevo permeado de cavernas, açudes e mirantes. A preservação das manifestações populares faz do Cariri um caldeirão cultural.

Em Juazeiro do Norte, a estátua do Padre Cícero reúne milhares de romeiros em quase todos os meses do ano. No Crato, os atrativos vão da feira agropecuária a festivais de teatro.

 

Turismo e negócios ligam Ceará ao Sul

 

A política de incentivos fiscais adotada pelo Ceará atraiu, em menos de duas décadas, cerca de 6.000 empresas. Perto de 10% delas têm origem no Sul do país, boa parte do Rio Grande do Sul. A gaúcha Grendene, instalada em Sobral, onde tem quase 20 mil funcionários, é exemplo dessa migração. "Temos recebido muitos turistas do Sul", responde Antonio Monteiro Filho, gerente de hospedagem do Hotel Diogo, em Fortaleza, a uma quadra do mar.

Ao interesse econômico se acrescenta o turístico. Dos quase 2 milhões de turistas que recebeu no ano passado, percentual expressivo é do Sul. "Tem crescido a procura por pacotes", confirma Renato Müller, da Fox Viagens e Turismo, de Caxias do Sul. Negócios e lazer estão construindo uma ponte entre Ceará e o Sul.

 

Portugueses são os maiores investidores

 

Quinhentos anos após descobrirem o Brasil, os portugueses voltam ao Nordeste. Desta vez o destino é o Ceará e o objetivo é investir no turismo local. De 24 projetos executados nos últimos anos, 11 são de grupos estrangeiros, dos quais cinco de empresas de Portugal e três italianos. Entre os principais empreendimentos a serem implantados no Estado, porém, o sotaque lusitano predomina com larga vantagem. Dos 13 relacionados pela Secretaria de Turismo (hotéis, pousadas, resorts..), com previsão de investimentos de R$ 2,7 bilhões e geração de 12,6 mil empregos diretos, 10 são de empresários portugueses– dois de espanhóis e apenas um é nacional.

 

IGREJA

Guardiões do maior templo cristão

Cerca de 120 pessoas zelam pela conservação da Basílica de São Pedro

 

A Basílica de São Pedro, no Vaticano, é o maior templo da cristandade e o mais visitado do mundo. Leva o nome do primeiro papa, em honra à grande devoção dedicada a São Pedro desde os primeiros cristãos. A basílica atual – houve uma outra antes dela, construída a partir do ano 324, que ficou aberta ao culto cristão por cerca de mil anos– completou, no ano passado, o quinto centenário da colocação da primeira pedra.

Apesar dos cinco séculos de história, a basílica mantém seu esplendor e continua em perfeito estado de conservação. O segredo para essa preservação invejável tem um nome: Fábrica de São Pedro, um grupo muito ativo que emprega 120 pessoas, 80 das quais vigilantes conhecidos como "sampietrini". O trabalho da Fábrica é fundamental e compreende toda a manutenção da basílica.

Questionada pela agência de notícias Zenit sobre qual é o maior problema que o grupo enfrenta, a coordenadora da Fábrica, Cristina Carlo-Stella, deu uma resposta surpreendente: o chiclete. "É incrível a quantidade de coisas que grudam nos pavimentos de mármore todos os dias". Quanto aos aspectos mais especializados, relacionados à manutenção, há uma equipe de renome internacional, formada por arquitetos, conservadores e especialistas em história da arte.

História– Diante do risco da basílica primitiva se transformar em ruínas, no ano de 1452 o Papa Nicolau V confiou a restauração do templo a Bernardo Rosselino. Mas as obras foram interrompidas pouco depois e só foram retomadas no período do Papa Júlio II, que as colocou nas mãos de Bramante. No dia 18 de abril de 1506 foi colocada a pedra fundamental da atual basílica, concebida em forma de cruz grega, com uma grande cúpula central.

Com a morte de Bramante em 1514, Rafael assumiu os trabalhos e alterou a concepção do projeto adotando uma planta em forma de cruz latina. Morto Rafael, em 1520, as obras continuaram sob os cuidados de Antonio de Sangallo e, a partir de 1547, do grande arquiteto, pintor e escultor Michelangelo, que voltou a adotar a concepção de planta central de Bramante ao imaginar a basílica como um templo ilhado no meio de uma grande praça. Desenhada por Bernini, a praça é cercada por dois semicírculos com 284 colunas e 84 pilastras, sobre as quais estão 140 estátuas de santos.

A obra foi finalizada por Carlo Maderno em 1612 e a basílica foi consagrada por Urbano VIII no ano de 1626. Atualmente, tem uma extensão de 186 metros, uma superfície de 15.160 metros quadrados e a altura de sua cúpula, projetada por Michelangelo, é de 119 metros.

"No final do século XV– explica Carlo-Stella– foi tomada a decisão de traduzir em forma de mosaico todas as obras pictóricas para que durassem mais tempo". Hoje, todas as superfícies pictóricas da basílica estão feitas em mosaico e na Fábrica há um estúdio responsável pela conservação e restauração de todas essas superfícies. A Fábrica também supervisiona os arquivos que contêm mais de 50 mil documentos relacionadas à construção e vida cotidiana na basílica. Esses arquivos incluem manuscritos de Borromini, Bernini, Michelangelo e todos os grandes arquitetos que participaram dos trabalhos no templo.

 

Papa Bento XVI confirma viagem apostólica ao Brasil

 

Com o pronunciamento de Bento XVI na semana passada, o Papa oficializou o que já havia sido revelado ainda em abril do ano passado pelo bispo de Aparecida (SP), dom Raimundo Damasceno. Na ocasião, dom Raimundo antecipou a notícia da primeira visita de Bento XVI ao Brasil, para a abertura da Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, que ocorre de 13 a 31 de maio em Aparecida.

Bento XVI já esteve no Brasil, mas quando ainda era cardeal. Será o segundo papa a visitar o maior país católico do mundo. João Paulo II foi o primeiro. Esteve no Brasil por três ocasiões, em 1980, em 1991 e em 1997. Em todas, atraiu multidões. Albino Luciani, que em 1978 foi eleito papa, adotando o nome de João Paulo I, esteve no Rio Grande do Sul três anos antes de assumir o pontificado, quando ainda era cardeal de Veneza. Ele presidiu a 32ª Romaria de Nossa Senhora Medianeira de Santa Maria e visitou diversas localidades gaúchas entre as quais Caxias do Sul, Bom Princípio, Vale Vêneto e Faxinal do Soturno.

O encontro dos bispos latino-americanos em Aparecida é motivado pelo tema, escolhido pelo Papa, "Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nossos povos tenham vida n’Ele".

 

OBRIGAR, SUGERIR E PROIBIR

Padre ZEZINHO

SCJ. escritor, compositor e intérprete de músicas religiosas

 

É impossível jogar futebol sem aceitar as regras do jogo

 

Obrigar, sugerir e proibir são três verbos que de uma certa forma, permeiam todas as religiões. A maioria delas prefere sugerir, muitas delas, entre as quais o judaísmo, o islamismo e o cristianismo, têm proibições severas quanto a determinados assuntos. Outras obrigam a certas práticas de tempo em tempo. E a gente se pergunta: é possível uma religião que nunca proíba? Seria como perguntar se é possível um trânsito que não tenha um sinal vermelho. Ou seria como esperar que pais educassem seus filhos sem alguma proibição. É preciso entender que a vida é composta de experiências positivas e negativas, e de entrelaçamentos e contatos humanos. Evidentemente alguém, em determinado momento, terá primazia sobre o outro e haverá um momento em que esse mesmo terá que esperar. Como no trânsito da vida, o sinal é aberto para alguns e depois para outros, e enquanto está aberto para um está fechado para outro.

É impossível uma fé que não tenha exigências; é impossível comprometer-se em algum grupo sem aceitar as obrigações da vida em comum; é impossível jogar futebol sem aceitar as regras do jogo, as determinações do juiz e as orientações do técnico. Deixaria de ser futebol se cada um jogasse como bem entendesse.

Portanto, obrigar, sugerir e proibir é mais ou menos como dirigir o trânsito, todos os faróis têm sua importância. Mas importante mesmo é que o sinal verde fique mais tempo aberto do que o vermelho, senão haverá enorme confusão. As religiões, em geral, têm o sinal verde aberto mais tempo que o vermelho, mas não poderiam viver sem o vermelho. As religiões precisam proibir se quiserem ser religião, e precisam permitir se quiserem merecer o nome de libertadoras.

 

São José do Norte prepara ordenação sacerdotal e procissão de Navegantes

Durante as celebrações, paróquia celebra 25 anos de presença capuchinha

 

A cidade de São José do Norte (RS), terá alguns momentos religiosos marcantes no mês de fevereiro próximo. No dia 2, celebra a 196ª Festa de Nossa Senhora dos Navegantes; no dia 10, a ordenação sacerdotal de frei Volmir War-ken (matéria abaixo), e no dia 11, comemora os 25 anos de presença dos freis capuchinhos na paróquia São José.

Ocupando uma grande área de terra e areia, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, que varia de 5 km a 25 km de largura, a paróquia São José atende famílias e comunidades da 5ª Secção da Barra (Molhe Leste, no estreito de Rio Grande), até Capão da Areia (100 km ao norte).

História – Através de um decreto assinado por dom Frederico Didonet, bispo de Rio Grande, e por frei Carlos Albino Zagonel, então provincial, os capuchinhos assumiram a paróquia São José em janeiro de 1981. Em março, tomava posse frei Norberto Sogari, o primeiro pároco capuchinho. No passado, porém, outros freis tinham ajudado na paróquia, entre eles freis Tarcísio Piccinini e Inácio Curtarelli. Além de frei Norberto, atuaram em São José do Norte os freis Reni Bortolon, Celso Bordignon, Paulo Zanatta, Sérgio Rosa, Olivo Dedordi, Argentino Marini, Celeste Conte, Paulo Canton, Emílio Ritter, Natalino Fiorotti, Volmir Warken, Valdemar Verdi e Leonel Santin. Atualmente, a paróquia está sob os cuidados dos freis Darci Trucolo (pároco) e Antônio Macedo (vigário paroquial).

A paróquia existe desde 1750, mas inicialmente a sede estava localizada na atual Vila do Estreito. Em 1820, porém, a sede foi transferida para São José do Norte e 12 anos depois foi lançada a pedra fundamental da atual matriz, inaugurada em 1860. Construída em estilo colonial e barroco, tem como padroeiros São José, Nossa Senhora dos Navegantes e São Pedro. O material para a construção veio de Portugal. No interior do templo está o barco com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, que é usado todos os anos na tradicional procissão, iniciada em 1811.

 

Frei Volmir atuou quatro anos na região

 

Frei Volmir Luís Warken será ordenado padre no dia 10 de fevereiro, às 18 horas. O frade capuchinho terá como ordenante dom José Mário Ströeher, bispo de Rio Grande, em cerimônia na igreja matriz de São José do Norte. A primeira missa ocorre no dia seguinte, às 10 horas, com celebração de ação de graças pelos 25 anos de presença dos capuchinhos em São José do Norte. Frei Volmir escolheu o lema "Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz" (Is 52,7)

Frei Volmir nasceu no dia 15 de dezembro de 1968 em Rolante (RS). É filho de Cristino Hilário e Erna Bach Warken (falecida). Ingressou no seminário em 1987, na casa de formação Divino Mestre, em Santa Maria, onde realizou o pré-postulantado e postulantado e cursou filosofia. Em 1990 fez o noviciado em Marau. Após cursar teologia na Estef, retornou a Santa Maria, atuando na paróquia de Fátima.

Durante quatro anos, de 1999 a 2003, trabalhou em São José do Norte, nas comunidades e em projetos voltados à criança e ao adolescente. Foi ordenado diácono em julho de 2006. Atualmente, integra a equipe missionária dos capuchinhos.

 

Bispo do Xingu é ameaçado de morte

 

Os bispos do Regional Norte 2 da CNBB divulgaram nota oficial sobre as seguidas ameaças de morte a lideranças da Igreja nessa região do país. As mais graves são as que vêm sendo feitas ao bispo do Xingu, dom Erwin Kräutler. Há vários anos a CNBB manifesta suas apreensões e preocupações quanto ao desmatamento irracional, a destruição do meio ambiente e o desrespeito aos direitos humanos. E as dioceses vêm trabalhando a questão social há mais de duas décadas por meio das pastorais sociais.

 

O SILÊNCIO DE DEUS

Aldo Colombo

Deus se manifesta na quietude e no santuário dos corações apaixonados. Mas isso exige sensibilidade e silêncio

 

Um índio da floresta amazônica foi levado por um amigo para a cidade de São Paulo. Para ele tudo era novo e extraordinário. O índio mal conseguia acreditar na altura dos edifícios com dezenas de andares, na dureza do cimento escondendo a terra, no ritmo frenético das pessoas indo e vindo. Espantava-se com o ruído difuso de vozes humanas, de motores, de automóveis e aviões. Era também difícil compreender a pressa das pessoas, falando em voz alta e oferecendo produtos, os cartazes coloridos, os estridentes aparelhos de som.

Naquele cenário barulhento, confuso e apressado, o índio, finalmente, fez uma observação: ouço o canto de um grilo! E antes que o amigo dissesse que era impossível escutar um grilo naquela confusão, o índio tomou-o pela mão e dirigiu-se a um pequeno canteiro de plantas e lá estava o grilo. Diante do espanto do guia, o índio pediu algumas moedas. Jogou-as na calçada e, imediatamente, muita gente se voltou para o local, tentando apossar-se das moedas. E o índio explicou: escutei o grilo porque estou acostumado a esse tipo de barulho. Para muitos, é mais fácil escutar o tilintar das moedas.

Vivemos num mundo perigosamente contagiado pela pressa e pelo barulho. Os compromissos sempre superam a agenda. E milhares de mensagens de todo o tipo tentam prender nossa atenção.

Em legítima defesa, atuamos em duas frentes: cancelamos alguns compromissos e ignoramos a maioria das mensagens que nos são dirigidas. Mantemos os compromissos mais úteis e acolhemos seletivamente as mensagens que nos parecem mais interessantes. O canto do grilo se afigura sem interesse, mas o tilintar das moedas desperta nossa atenção.

No passado, muitos cristãos dirigiam-se ao deserto para ouvir a voz de Deus. Naquelas paisagens de areias infinitas, agitadas pelo vento, inundadas de luz, os apelos do mundo perdem sua importância. O deserto deixa Deus ser Deus. Mas nós não podemos fugir para o deserto. Nossa santidade deve acontecer no coração do mundo, em meios à confusão, à pressa e ao ruído desta Babel moderna. Mas esse deserto deve acontecer dentro de nós. Através da oração e da interpretação dos sinais dos tempos precisamos aprimorar a sensibilidade e a escuta de Deus.

No Livro dos Reis encontramos um exemplo clássico. Trata-se de uma epifania, isto é, irrupção de Deus na vida do homem. Deus não estava no fogo, nem na tempestade, nem no furacão, nem no terremoto... Depois soprou uma "brisa mansa" e Elias acolheu a Deus (1Reis 19,12). Deus se manifesta no silêncio e no santuário dos corações apaixonados. Deus se manifesta para quem aprende a escutá-lo. Isso exige sensibilidade e silêncio.

 

Ordenação mobiliza Poço das Antas

Futuro bispo de Osório será ordenado em sua terra natal no dia 4 de fevereiro

 

Monsenhor Jaime Pedro Kohl, membro da Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência (PSDP), nomeado pelo Papa Bento XVI para assumir a diocese gaúcha de Osório, será ordenado bispo no dia 4 de fevereiro de 2007. A cerimônia será realizada na igreja matriz da paróquia São Pedro de Poço das Antas às 9h30 e terá como ordenantes dom Thadeu Gomes Canellas, bispo emérito de Osório; dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre; e dom Ney Paulo Moretto, bispo de Caxias do Sul. Escolheu como lema "Fiat voluntas tua" (Faça-se a tua vontade).

O futuro bispo toma posse no dia 11 de março de 2007, às 10 horas, na catedral de Osório. Dom Jaime foi nomeado por Bento XVI em novembro do ano passado. Filho de Beno e Gema Agostini Kohl, nasceu em Linha Carolina, Poço das Antas, há 52 anos. Foi ordenado sacerdote no dia 2 de dezembro de 1984. Cursou filosofia na Universidade de Caxias do Sul e teologia no Instituto Teológico San Zeno, na diocese de Verona, Itália. Obteve mestrado em teologia moral no Alfonsianum, em Roma.

Exerceu seu apostolado em Angola, na África; como diretor do Centro Social Padre João Calábria, em Porto Alegre; como professor de teologia moral na PUCRS; como mestre de noviços e como delegado provincial. De 2003 até sua nomeação era mestre dos noviços da congregação no seminário apostólico de Farroupilha e professor de teologia moral no Curso de Teologia para Leigos em Caxias do Sul.

A diocese de Osório é a caçula das dioceses gaúchas. Foi criada em 1999, com áreas desmembradas da arquidiocese de Porto Alegre e da diocese de Caxias do Sul. Dom Thadeu, que encaminhou pedido de renúncia por ter atingido os 75 anos (idade que permite aos bispos pedido de afastamento), foi o primeiro bispo da diocese, formada por 21 municípios e 22 paróquias. Tem uma população permanente de 276 mil habitantes, mas na temporada de verão pode ultrapassar um milhão de pessoas.

 

Mais dois missionários gaúchos vão à África

 

A Igreja do Rio Grande do Sul vai enviar, no mês de fevereiro, mais dois missionários para o Programa Igrejas Solidárias. Seguem para atuar em Moçambique, na África, padre Roberto Heming, do clero da arquidiocese de Porto Alegre, e irmã Bernardete de Lourdes Silva, do Instituto Coração de Jesus. Eles embarcam no dia 10 para integrar-se à equipe da unidade missionária da diocese de Nampula.

Os dois missionários ficarão na África por três anos, renováveis por mais três. Atualmente, estão em Moçambique cinco missionários do projeto Igrejas Solidárias entre o Rio Grande do Sul e aquele país. Padre Agostinho Sauthier, secretário regional da CNBB, salienta que essa missão é um projeto das dioceses gaúchas de apoio à Igreja africana.

 

Irmão Ângelo Pasa falece aos 82 anos

 

O irmão marista Ângelo Pasa Neto (foto) morreu no último dia de 2006, 31/12, no Hospital São Lucas, em Porto Alegre. Contava com 82 anos de idade e 61 de dedicação à vida religiosa marista. O superior do Centro Educacional Marista de Garibaldi teve as cerimônias de sepultamento realizadas na segunda-feira, 1º/1, às 17h, no Cemitério da Província, em Viamão (RS).

Filho de Giacomo e Luiza Bet Pasa, irmão Ângelo nasceu aos 25 de fevereiro de 1924, em Nova Roma do Sul (RS). Ingressou no juvenato em 1938 e emitiu os votos perpétuos aos 2 de fevereiro de 1951, em Veranópolis (RS). Como irmão marista exerceu sua atuação apostólica em Porto Alegre, no Colégio Marista Rosário e no Colégio Marista Champagnat; em Montenegro, Farroupilha, Guaporé, Veranópolis (Divino Mestre – 1960/1963), Vacaria, Garibaldi (onde foi superior em 1978), Rio Grande (superior de 84 a 89), Lajeado, Santa Cruz do Sul e novamente em Garibaldi (2005/2006).

Licenciado em Pedagogia pela PUCRS, cursou Espiritualidade em St. Paul-Trois-Châteaux, França (1964) e Formação Permanente (Terceira Idade) em Roma/Itália (1995). Além disso, foi diretor dos colégios de Veranópolis (1960 a 1962) e Garibaldi (1965 a 1972), hoje extintos. Atuou também na área da formação dos Juvenistas, em Lajeado (RS).

 

MORO COM DEUS

Wilson João

Deus é a escada que nos ajuda a subir. Sem Ele, com certeza, pararíamos nos primeiros degraus

 

Tenho certeza que este mundo é morada de Deus. Não sou do parecer do motorista de caminhão, que vendo o mundo quebrado, escreveu no pára-choque: "Se o mundo fosse bom, o dono estaria morando nele." Pensar que Deus criou este mundo e depois se ausentou dele é ser um pessimista, mais ainda, é ser um derrotado pela maldade. Jamais a bondade perderá da maldade. Tenho certeza que noventa por cento da realidade humana são de bondade. Mas quem se deixa dirigir pelos noticiários dos meios de comunicação, tranqüilamente vai formando a opinião de que Deus perdeu a partida, de que a maldade está vencendo a bondade.

MORO COM DEUS. Ele mora comigo. Mora em minha casa. Mais ainda: sou morada de Deus. Somente quem tem um coração vestido de maldade e de egoísmo não percebe que Deus é o primeiro e eterno morador.

DEUS É MINHA ESCADA. A escada de minha casa. Ele sempre me ajuda a subir na vida. Sempre me ergue. Muitas vezes me estende a mão. Sem Deus, tenho certeza que pararia nos primeiros degraus. Degrau por degrau, Ele me faz subir na realização de meus sonhos e desejos de eternidade e de céu.

DEUS É MINHA PORTA. Ele abriu-me a porta da vida. Nem precisei pedir licença. Através de meu pai e de minha mãe, Ele me fez morar nesta casa infinita, onde cada estrela é uma porta aberta. Em alguns momentos é Ele quem bate em minha porta com os fatos da vida, em outros, sou eu que bato, por sentir-me pequeno e impotente. Ele me recebe na sala da vida.

DEUS É MINHA SALA. Ele me recebe. Me faz sentar. Sentamos juntos. Conversamos. Lembro de Jesus e Maria conversando na sala. Fazer-se sala um para o outro. Isso é viver. É estar junto. É convivência. Este mundo é a grande sala de Deus. Somente os auto-suficientes se castigam na solidão. E nos momentos de fome de vida, Ele me conduz para a cozinha.

DEUS É MINHA COZINHA. Ele me prepara a refeição da fé e da esperança. A refeição do amor, pois para o amor somente o amor é que serve de ceia. Sentamos na mesma refeição. E como se fosse numa festa universal, parece que a humanidade está sentada ao nosso lado. Assim tudo se torna janela.

DEUS É MINHA JANELA. Cada realidade toma o rosto de Deus. Tudo se torna um através. Todas as coisas e todas as pessoas se tornam janela onde, retratada na menina dos olhos, vejo a presença do ausente sempre presente. E tudo se torna morada de Deus.

 

CORREIO SABE-TUDO

Computador milenar

Relíquia da Grécia é precursora da tecnologia atual

 

Quem disse que o computador, que hoje tanto facilita nossas vidas, é uma invenção recente do mundo moderno? Após um século de estudos, cientistas concluíram que um instrumento construído por volta do século II a.C., utilizado para cálculos astronômicos, era tão complexo que pode ser considerado o precursor dos atuais computadores.

O chamado mecanismo de Anticítera, resultado da engenhosidade dos gregos antigos, foi descoberto em 1900 por mergulhadores que apanhavam esponjas próximo à ilha de Anticítera, no litoral da Grécia. As peças foram retiradas de um naufrágio a 42 metros de profundidade. A data estimada do naufrágio é 65 a.C. O instrumento era capaz de fazer muito mais do que apontar astros no céu. Tratava-se de um invento tão avançado para a época que nos dez séculos seguintes não se criou nada tecnologicamente tão elaborado.

Cientistas gregos, ingleses e americanos empregaram tecnologias de imagem e de tomografia em raio X em alta resolução para estudar os fragmentos remanescentes do mecanismo. Dessa forma, eles conseguiram recriar em detalhes o complexo sistema de engrenagens que forma o mecanismo Anticítera.

Eles concluíram que o instrumento era constituído por, no mínimo, 30 engrenagens de bronze feitas a mão e organizadas de maneira a representar mecanicamente a órbita da lua e dos planetas do sistema solar. Com ele, em poucas horas, os astrônomos da época podiam prever a ocorrência de eclipses com anos de antecedência e representar a posição do sol, da lua e de planetas no céu. A complexidade do aparelho supera a dos relógios, que só iriam aparecer nas catedrais medievais mil anos mais tarde.

 

Cientistas desvendam os mistérios do oceano

 

Cerca de 500 espécies de peixes e pequenos crustáceos foram reunidos no ano passado por pesquisadores do Censo da Vida Marinha, estudo que envolve 2.000 cientistas de 80 países, incluindo o Brasil. Doze espécies são novas, ou seja, nunca tinhas sido vistas pelo olho humano. As demais tiveram sua localização geográfica ampliada. Esses animais alimentam-se de flocos de matéria orgânica, além de comer uns aos outros.

Os investigadores do censo ainda descobriram que 70% dos oceanos do mundo estão livres de tubarões. Abaixo de 3.000 metros de profundidade praticamente não existem tubarões. Embora muitos desses predadores vivam em profundidades de até 1,5 mil, eles falharam em habitar águas mais profundas, colocando-se mais facilmente dentro do alcance da área de pesca e da posição de ameaçados.

Dentre o grande número de novas espécies descobertas pelos participantes do censo durante 2006, a lagosta das rochas, que um explorador encontrou fora da zona costeira de Madagascar, pode ser a maior. Denominado Palinurus barbarae, a porção principal do corpo do animal tem meio metro.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Claudio Ganassin

Veneza, Itália

Economista pela Universidade Ca Foscari de Venezia, administrador no Porto de Veneza, casado com a diretora postalista Anna Petrone, pai de Laura, 21 anos, professora de Séries Iniciais, e de Luca (18 anos), estudante de Liceu, Cláudio expressa sua italianidade em Italiano e em Venezian:

"Me nono, che’l iera de prima del fine 800, in gióvane età gnanca el savea cosa iera esser Italian. Lu el gavaria disesto:

- Mi son Venezian.

Verso la fine del so tempo, el gavaria zontà:

- E anca Setentrional.

Pi zo del Pò, par lu, iera Àfrica, roba da gnanca parlar. Mio pare, 5ª elementare, el gavaria disesto:

- Anca se parlo Venezian, e son Véneto e Setentrional, ma si un pocheto Italian ze giusto che me senta, senò parché i ciama Itàlia la Nassional del Càlcio che tanto me piase e che tanto vinse in giro par el mondo?

E solo dopo la guera, coi primi schei, el gavaria orgoliosamente disesto:

- Che beo esser diventà anca mi tuto Italian. Mi che naso ntel butiro e, co

tuto pronto e fàssile, fasso el salto definitivo e digo:

- Ma, securo, che son Italian! Cosa dovaria esser se nò?

Chi sbàlia, o chi ga rason nei tre casi?

- Nessun! Semo tuti fioli del nostro tempo. Che un filo fin e sconto gàbia nei sècoi tacà e dà na parvenza de identità ai abitanti del Stival ze vero, ma solo a livelo de classe alte e studiae. Par el contadino, solo el paese e campanil iera la pàtria, al màssimo come a Venezia la gente se identificava con la sità rica e potente, mai col Itàlia. Vui bandonar le sòlite cose dite e ridite, come quela de che esser Italian vol dir bon gusto, furbìssia, indipendensa, bona cosina, fameia... Fursi i Tedeschi, Francesi e Àrabi no i ze cusì anca lori? E vui dir cosa me par bea ai me oci sto assioma:

- Me sento Italian in particolar modo in casa mia, tra le abitù imparade da gióvane e trasmesse ai tosati tra le pìcole robe, a volte mìsere, fissade nela mente, par el tram-tram quotidiano, par aver leto o sentio, par un sforso anca culturale de veder le robe, sensa meraviliarme massa, in particolar quando vae al èstero e vedo qualche baraca che luri spàcia par reperto archeològico, o sensa farme impressionar dale robe che i ne ruina dosso, ràdio e tv vàrie, par i me bei stùdii che tanto me piasea, par el Latinorum come dise i suconi, imparà con fadiga e dedission, arogansa, suponensa fursi? Ma son o no son Italian anca mi? E lora vanti sensa paura, co la schena drita e coi oci che varda drito. Continuando coi raionamenti, visto che la stòria ze na roda, quando finalmente se verìfica le speranse del Cavour che’l disea:

- Bene, abbiamo fatto l’Italia, ora cominciamo a fare gli Italiani– me vien sùbito fora un sospeto. E se me nono gavesse avudo rason, quea vècia volpe de venezian che gnanca pi nei musei desso se ghe’n cata fora? Magari raionava in pìcolo lu. Adesso i ne spense a raionar in grando, pissando un po fora dal bocal. Se penso ai me pronipoti futuri, osservo che a luri i ghe stà preparando un bel scherso da preti, e un bel lavaio de neuroni. Digo cusì parché i scomìssia co cambiar i schei, i contìnua co altre retòriche, e come finisse la stòria? Mi penso che la domanda:

- Esser Italian cosa vol dir?

Luri dirà:

- Italian? Wath is this? I am E uropean...

E cusì sarà el trionfo de me nono che, almanco, el parlava come el cagava. Sbàlio mi? Ma no son miga tanto convinto! Steme ben, compari, e un strucon a tuti. Saria secante che i nostri dissendenti fasesse la fine dei Panda, dopo tanta fadiga par trovar na identità" (c.ganassin@libero.it).

Eis, somos diferentes e iguais. Diferentes em tudo, mas iguais na diferença! (Rovilio Costa).

 

LEITURA

A fé necessita de certo atrevimento

Autores gaúchos abordam temas bíblicos, pensamento medieval e felicidade

 

HISTÓRIA SAGRADA DO ANTIGO TESTAMENTO– (EST Edições, 189 páginas). Nesta obra, o professor e escritor vacariense José Pagno, de formação e vivência franciscanas, desenvolve, de forma clara e fundamentada, a "História da salvação", seguindo os "caminhos bíblicos da Promessa", feita no paraíso terrestre a Adão e Eva, quando, amaldiçoando a serpente, Javé disse: "Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dele. Ela te esmagará a cabeça". O livro é um seguro estudo bíblico do Antigo Testamento, base e alicerce para a compreensão do Novo Testamento.

NOS CAMINHOS DA PROMESSA– (EST Edições, 156 págs.). O livro reúne reflexões pessoais do mesmo autor de História Sagrada do Antigo Testamento, tendo como espinha dorsal o estudo da Bíblia da criação do mundo ou da criação de Adão e Eva até a chegada de Jesus Cristo. Pagno expressa com liberdade conceitos seus que, às vezes, podem parecer ousados e, até, à margem da doutrina tradicional, embora não o sejam. A leitura de Nos caminhos da promessa é de muito proveito para quem aprecia a Bíblia e pretende aprofundar seus conhecimentos.

JESUS CRISTO– "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (EST Edições, 120 págs.). "Tive o atrevimento de entrar no Novo Testamento e buscar assuntos para um novo trabalho", salienta José Pagno a respeito do livro Jesus Cristo. "Pagno confirma que a fé é uma resposta humana que também conta com certo atrevimento. Como o garimpeiro que se atreve na busca do tesouro, sem ter certeza do que encontrará, assim é a pessoa na fé que se põe a caminho, seguro, sem ter segurança", salienta o capuchinho frei Luiz Turra, na apresentação do livro.

FILOSOFIA MEDIEVAL– Textos (Edipucrs, 431 págs.). 2ª edição, revisada e ampliada, do professor e pesquisador de Bom Jesus, Luis Alberto De Boni, Filosofia Medieval tem o objetivo didático de possibilitar aos alunos o contato direto com os textos de alguns dos principais pensadores medievais, como Pedro Abelardo, Averróis, Avicena, Alberto Magno, Rogério Bacon, Tomás de Aquino, Duns Scotus e Guilherme Ockham. Cada texto é acompanhado de uma pequena biografia e as principais obras de cada autor.

(MAIS) QUE PALAVRAS– (Amme, 77 págs.). "Nossa felicidade completa está na felicidade e no sorriso do outro ser humano", salienta o autor de + Que Palavras, do professor caxiense Samuel Ribeiro de Avilla. A obra aborda assuntos que levam o leitor a uma profunda reflexão e apresenta motivações que pretendem apontar caminhos para uma vida mais feliz e melhor qualidade de vida.

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (394)

Nanetto e el mal de denti che ghe sgionfa la fàcia

 

Luiz Bavaresco

Nova Prata - RS

 

Dopo de tratar le bèstie, Nanetto, medo stufo, ga magnà calcossa, se ga lavà i pié tel aqua calda e l’è ndà butarse zo. Se ga indormensà suito. Dopo mesa note, se ga desmissià con un maladeto mal de denti. Ma l’era tanto dolor, che ghe vegnea voia de scainar. El se ga ramegolà tel leto che’l ga fato un mùcio con le querte.

Come l’era lu sol a star in te quela caseta, no’l gavea come domandar aiuto e, lora, l’è levà su e ndato in cosina, ntel scuro, el ga ciapà na garafeta de caciassa, la ga verta e el ga impienio la boca. La ga tegnesta in boca, menàndola de na banda par altra par vedar se ghe passava quel maladeto mal de denti. Quando la caciassa la scaldava, la spuava fora, e impienia nantra volta la boca de caciassa freda, che ghe parea che lo iutasse.

La note la ze passada e la matina la s-ciara drio i monti e el sol taca levar su, e Nanetto no’l gavea voia de far gnente. El passa la man in fàcia, banda sanca, e el sente che l’era calda e sgionfa. El ze ndà tor el speceto e el se ga vardà.

- Santantoni, par fin che go na naransa intiera in boca. E desso, cosa fao! E el mal l’era più forte ancora.

Medo mato del dolor, se ga ligà su per la fàcia un fassoleto bianco, metesto el capel de paia, impià la pipeta che l’era piena de fumo del altro giorno, e el ga dito:

- Chi sa che’l fumo me tol via el dolor!

Star casa no’l podea e, lora, el ze ndà fin casa de Matia che, quando lo vede, el ghe dise:

- O que foi, gringo?

- Un maladeto mal de denti, Matia. Cosa fao adesso?

- Passa aqui dentro, que vô te benzê.

- Intanto che stae ben, che’l me benedissa. Pensa Nanetto.

El ze ndà rento, se ga sentà te un scagneto, e Matia el taca dir:

- Malvada dor, sem vergonha, pra trás, vai embora, deixa o moço em paz.

Intanto el ghe passava na erba in fàcia. Nanetto lo vardava coi oci spalancai, e Matia el ghe dise de novo:

- Pode ir pra casa, que amanhã tá bom.

Nanetto lo ga ringrassià e l’è ndà casa con la testa pi granda dela banda sanca. Vanti ndar via, Matia ghe ga dato na garafa de caciassa, parché la metesse in boca fin che’l gavesse dolor e così el ga fato. Là per la meda sera, se ga sentio meio e anca se ga tacà desgionfar la fàcia. Darente note el stea ben e, lora, ghe ze vegnesto voia de ndar vedar la Gelina, ma l’era massa tardi e el se ga nicorto che’l gavea un maladeto fià, che spussava par via dela fìstola che se gavea roto soto el dente malà. El ga impienio nantra volta la boca de caciassa, sol che, sta volta, la ga parada zo e dopo nantra sboconada e nantra, fin che’l vede tuto ndar a torno, e così se ga butà zo tel paion de scartossi, e el ga dormio come un re.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La vècia toyota carga de bagasso

Frei Renato Zanolla

Caxias do Sul– RS

 

Un giorno son ndà a Vila Flores che, par quei che no i sa, resta tra Veranòpolis e Nova Prata. Dopo del rio dea Zanta, su verso Monte Bèrico, vedo che el trànsito el ze pegro e pesante. A metà strada, su par el monte, suito me vedo drio un vècio jeep de colònia, na mescolansa de Toyota con Ford-50, sonti mi, cargo de bagasso de cana. Tuti i sa che te le recoste del rio dea Zanta se tira zo i meio fruti dea region, sora tuto la cana-de-sùcaro, che i la dòpera para far melado, rapadure e caciassa. E quei che i pianta vigne, dopo fato el vin, i dòpera le graspe par far la graspa, quela che i noni e i dissendenti dei imigranti italiani no i la dispensa fin i giorni d’oncó de méterla ntel cafesigno dopo el disnar, sora tuto ntei giorni de fredo. I garante che la ze na vitamina, quela che dà coraio e forsa. E, convinti dela tècnica che romai la dura sècoli, i spiega che la "gras-pa legìtima" ze quela che vien del lambico.

Dela banda de Bento Gonçalves, co se taca ndar zo per el monte dea Zanta, ghe ze fin na pousada che se ciama Alambique. Ntele recoste dea Zanta ghe ze raquanti lambichi, che i fa la graspa, la caciassa, come quei de Marin, tel Passo Velho, del Olinto Zafffari, in fondo de Barros Cassal, e del Collao, ben arente el ponte.

Ma, ritornando a la vècia Toyota, la ndea su pal monte intrà sighi e un buio da can, molando un fumo negro par tute le bande. A pian, squasi fermando! Na provassion de passiensa ai motoristi che i ndea pena drio. E mi intesteva la fila. De scomìssio, meso contrarià, come tuti quei che i ndea te quela pegra procission. Ma dopo, me go considerà un privilegià parché, intanto che ndea squasi tacà te quela "geringonça", me la go cavada de rìder, parché quela Toyota la se someiea pi a na careta vècia, carga de bagasso de cana e de erba par le bèstie, che parea fin che la se sbarossea; sensa corde che lighea la carga, cada pochetin na sbranca de fien caschea ntel asfalto. E te quel cenàrio ridìcolo, ntel para-urtoni (pára-choque) ghe zera scrito, ben legìbile:

- Portar in schena ze pedo!

Go ridesto, fin sul monte! Che sapiensa! El sofero dea Toyota, co ghe go passà via, go visto che’l zera un vecieto, gordo, sinele de deo, capel tondo..., ma contento. El me ga fato ricordar un’altra frase, scrita te un Fuscheta che romai el caschea a tochi:

- Vècio si, ma meio che ndar a pié!

Son rivà a la conclusion che i ga rason pròpio quei che i ghe ciama a Veranòpolis Tera dea Longevità: i noneti de là i contìnua schersoni, de ben cola vita, e laorando pacìfichi!

 

DER FRIEDOLIN

Zukunsftsplän (Fortsetzung)

Lucildo Ahlert

Capef (Centro de Apoio a Pesquisas e Encontros Familiares)– Lajeado– RS

 

Michael R. Schauren erzählt weiter in seiner saftigen hunsrücker Mundart:

Noh dem ernste Abschnitt aus dem Lewe von uhsem Fritzche, wolle mir uns wierer dem Samuel zuwenne. Weil de strenge Patt wärklich wollt, dat de Schlingel,, wie er so oft sahd, ebbes orrentliches lerne sollt, lässt er’en aach nochmool in die Schul gehn. Dat Fritzche duht morjens un aach mittags seinem Schullehrer in de Schul helfe un sucht sich dodebei selwer immer noch voran ze schaffe. De Samuel studiert aach fleissig, er will net zerück bleiwe, doch hin un wierer kimmt’m die Lust, en Dummheit orre en dolle Streich ze mache.

Et is im Monat Mai, wo alljährlich die Kerb in de Grossbachpikad stattfinne duht. Gleich druff komme die drei Bittage (3 dias de preces). Wer kann, geht an dene Dage in die Aandacht, die wo in de Kerch gehall werd. Schul is aan de Bittage kähn. Aach dat Fritzche, dat Nickche, de Samuel un de Lenhard, gehn in die Aandacht. Unnerwegs begehn se dem Pikadevendemann sei Muletropp, met Säck un hohe Lichtrohrkörb belaad.

"Wat möchte die gelad honn?" määnt dat Fritzche.

"Oh, dat werr ich gleich gewahr", sähd de Samuel: "ich frohe mool die Vendemanns Elli, die vorneweg reit".

Wie dat Mädche langst die Buwe kommt, frähd de Samuel:

"Sah mool, Elli, wat hat dir do gelad? Wat is in de Säck un in de Körb?"

Statt aller Antwort macht dat Mädche dem Samuel en Schnutche un reit weiter.

"Potz Blitz un en aangeraucht Scharutt nochmoool! Is dat Elliche heit awwer spruck!" määnt de Samuel.

"Eetsch!" macht dat Fritzche, "du bist awwer doch arig schlecht aangeschribb bei dem Mädche! Ich wette, wenn ich et gefroht hätt, mich hätt’s net so schimperlich ablaafe geloss, weil ich honn’em in de Schul schon öfters geholf, die Rechunung mache!"

"Busche! Dat griwwelt mich awwer meckerlich! Et sieht jo wärklich aus, wie wenn mich dat Mädche net leide könnt! (Fortsetzung folg)

Nota: Para informações sobre genealogia consultar o site www.genealogiacapef.com.br. Contatos e sugestões de textos a serem inseridos nesta coluna, enviar e.mail para: genealogiacapef@ig.com.br ou mandar via correios para o seguinte endereço: Lucildo Ahlert, Rua Esperanto, 400– Bairro Alto do Parque– 95900-000– Lajeado– RS

 

GERAL

Educação indígena cresce 50%

Ensino para índios está presente em 24 Estados do país

 

O número de alunos e escolas indígenas cresceu quase 50% nos últimos quatro anos. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), em 2002, cerca de 117 mil índios estudavam em 1.706 instituições de ensino no país. Hoje, são 172.256 alunos em 2.415 escolas. Essas instituições oferecem da educação infantil ao ensino médio e estão presentes em 24 Estados– Piauí, Rio Grande do Norte e Distrito Federal são as exceções.

No caso do ensino médio, o número de escolas indígenas que oferecem vagas passou de 18 instituições, em 2002, para 91, em 2006. Já o número de alunos (1.187 naquele ano) chegou a 7.556 no ano passado. "Cada escola indígena abriga, em média, 70 alunos, quatro professores e pelo menos um funcionário da comunidade", revela o coordenador de Educação Indígena do MEC, Kleber Gesteira.

Somente o RS possui 50 escolas indígenas. Só na reserva do Guarita, com 23,4 mil hectares e 7.000 caingangues e 150 guaranis, estão 12 escolas indígenas, totalizando 1.843 alunos. "O número de alunos índios cresce 10% ao ano no Estado", diz ao CR a coordenadora do Espaço da Diversidade da Secretaria da Educação, Sonia Lopes dos Santos.

Harmonia– Ao entrar na escola o índio é alfabetizado em sua língua materna, além do português. O currículo das escolas busca harmonizar o conteúdo regular com a cultura local e com o projeto de crescimento da tribo. Até 1988, o Estado trabalhava para que o índio se tornasse cidadão depois de deixar seus códigos lingüísticos, culturais, sociais.