LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.023 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 24 de janeiro de 2007.

 

 

EDITORIAL

Campanha da Fraternidade 2007 destaca ecologia e evangelização

Em nome do Evangelho e do futuro é urgente rever os cuidados com a mãe-terra

 

Iniciada em 1964, a Campanha da Fraternidade, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tem trazido à opinião pública temas candentes. Inicialmente abordou a vida interna da Igreja, derivando depois para a realidade social e, sobretudo a partir de 1985, enfoca problemas existenciais. A Campanha da Fraternidade visa ultrapassar as fronteiras da Igreja católica para impactar a sociedade como um todo. Esta é, aliás, a estratégia da Igreja a partir do Vaticano II. Ela tem consciência que a evangelização passa pela vida concreta do homem. Humanizar já é evangelizar.

Neste ano, a CF que será lançada oficialmente no dia 21 de fevereiro – Quarta-Feira de Cinzas – traz para a reflexão e compromisso a Amazônia. Trata-se de uma área de 7,01 milhões de quilômetros quadrados, abrangendo sete países, sendo 59% em território brasileiro. Vida e Missão neste chão é o lema da Campanha. Este lema remete para duas frentes importantes e que não se excluem: Missão e Vida. A missão de evangelizar enfrenta obstáculos na área, especialmente pelas grandes distâncias, dificuldades de acesso, falta de recursos financeiros e reduzido número de missionários, sacerdotes e leigos. Já a vida enfoca uma das maiores tragédias ecológicas da atualidade. Última grande reserva verde do mundo, a cada ano, a Amazônia sofre as conseqüências de uma ocupação desordenada e irresponsável.

O projeto de Jesus Cristo reclama vida em abundância. Já o mandamento do amor ao próximo não é apenas uma dimensão afetiva e intelectual. O amor passa pelas instâncias concretas. A ecologia, ciência e preocupação novas, busca em Francisco de Assis sua inspiração. A reverência franciscana pela criação parte da idéia de um Deus Pai e que exige uma humanidade de irmãos e de irmãs.

Não podemos nos iludir imaginando que a Amazônia está longe e que a CF será apenas um tema acadêmico. A devastação da Amazônia repercute no quintal de nossa casa. Saber cuidar de nossa casa – a Terra – é um gesto de amor e de responsabilidade social. Aprender a cuidar da natureza é um imperativo evangélico e fraterno. É um gesto de amor a Deus e aos irmãos do mundo. É um gesto para hoje. Amanhã pode ser tarde demais.

 

CAXIAS DO SUL

Escolha de Slaviero muda Festuva

Movimentar pavilhões é meta do presidente da Comissão Comunitária

 

Com a escolha do empresário Reomar Slaviero, para presidir a Comissão Comunitária, a Festa Nacional da Uva 2008 (Festuva) já começou. A maior festa de Caxias do Sul ocorre de 21 de fevereiro a 9 de março do próximo ano. A partir de agora, a Comissão passa a responder também por todos os eventos que utilizam o Parque de Exposições Mário Bernardino Ramos.

O nome de Slaviero foi confirmado pelo prefeito José Ivo Sartori na terça-feira 16. Na ocasião, o presidente da Festuva, Gelson Palavro, já informou a captação de R$ 1,7 milhão, através da Lei Rouanet, para o corso alegórico e o evento de escolha das soberanas, programado para setembro, em dia a ser definido. "Queremos aproveitar a escolha da rainha e das princesas da Festa da Uva 2008 para divulgar o evento na região e no Estado", diz Slaviero.

As metas do novo presidente da Comissão Comunitária, com participação nas festas de 2002 e 2004, são ainda mais ousadas. "Depois da escolha bem planejada de toda a equipe, pretendemos transformar a área dos pavilhões num ambiente mais festivo e interativo, com passeios internos e muitas atrações", adianta ao CR. O objetivo principal é popularizar a maior festa do gênero do Estado e país. Além disso, Reomar Slaviero projeta um grande desfile alegórico.

As inovações implementadas por Reomar Slaviero nas festas anteriores, como o engajamento das embaixatrizes na maior divulgação do evento, deram uma nova dimensão à festa. "Gosto de trabalhar em equipe. A participação das embaixatrizes como divulgadoras está confirmada", declara. A mudança da festa já começou.

 

Cidade deve ter 86% do esgoto tratado

 

A meta da administração municipal é expandir para 86% o esgoto tratado na cidade. Hoje, 8% passam por tratamento. Para isso, já estão em construção as Estações de Tratamento de Esgotos (ETE) do Sistema Canyon, Ana Rech e a primeira etapa do Tega, recém– liberada; além da ampliação da ETE Serrano.

O prefeito José Ivo Sartori e o diretor do Samae, Marcus Vinícius Caberlon, assinaram, na quarta 17, a ordem de início das obras da primeira etapa da ETE do Arroio Tega. A estação será construída no Travessão Thompson Flores, próxima ao Viaduto da RST 453, sobre o Arroio Tega, no bairro Matioda. Mais de 100.000 caxienses serão beneficiados com a obra, que deverá ficar pronta em meados de 2008. A capacidade de vazão da primeira fase é de 220 litros de esgoto tratado por segundo e deverá duplicar a partir da conclusão da segunda etapa. O investimento é de R$ 15 milhões.

A ETE Canyon já está em fase de finalização. A previsão é concluir a obra até o final do mês de abril. A área no bairro Canyon, de 10.800 m², permite que a estação funcione através de tratamento biológico, ou seja, bactérias são usadas para eliminar o esgoto, sem a presença de agentes químicos de tratamento.

A capacidade de vazão pode chegar a 65 litros de esgoto tratado por segundo. O investimento na ETE Canyon é de mais de R$ 2 milhões. A Estação atenderá os bairros Vila Maestra, Belo Horizonte, Santa Fé e parte do Vila Ipê. A prefeitura também já tem projeto de ETE’s dos sistemas Pena Branca, Samuara, Pinhal, Belo e a segunda etapa do Tega. O investimento total nessas obras será de R$ 104,4 milhões.

 

Entidade necessita de 400 voluntários

 

A ONG Parceiros Voluntários (PV) de Caxias do Sul precisa de auxílio para ampliar sua atuação na cidade. "Neste primeiro semestre de 2007, precisamos agregar, no mínimo, 400 pessoas", afirma a coordenadora Patrícia Modesto. "Nossas principais necessidades são nas áreas de recreação, artesanato, música, informática e esportes, mas qualquer voluntário é bem-vindo", esclarece.

As reuniões de apresentação dos novos integrantes do grupo ocorrem dias 15 e 28 de fevereiro. Podem ser voluntários os maiores de 14 anos e que disponham de, no mínimo, três horas semanais para se dedicar à atividade. Hoje, a PV tem 2.152 voluntários que atuam em 62 entidades conveniadas, atendendo cerca de 20 mil pessoas. Informações: (54) 3218-8084 e www.parceiros.org.br

 

Curso ensina como aproveitar alimentos

 

A Cozinha Escola da Pastoral da Criança de Caxias do Sul promove dia 31 de janeiro curso de alimentação enriquecida e aproveitamento dos alimentos. A atividade realiza-se no Centro Diocesano de Formação Pastoral, das 8h30 às 17horas. O curso terá uma parte teórica, outra prática (40 receitas) e uma prova final. O custo por participante é de R$ 50,00, incluindo o caderno de receitas. As vagas são limitadas. Inscrições: (54) 9934-0810 ou 9112– 3363.

 

REPORTAGEM

Micropomares melhoram mesa e renda do produtor

Embrapa já instalou 300 quintais orgânicos em pequenas áreas da região Sul do Brasil

 

Introduzir e validar, em áreas urbanas e rurais, tecnologias que propiciem a implantação de quintais orgânicos de frutas, com propriedades nutricionais e medicinais, de forma a contribuir com a diminuição da fome e melhorar a qualidade de vida da população. Estes são os objetivos principais do projeto Quintais Orgânicos de Frutas da Embrapa Clima Temperado de Pelotas.

Trata-se de um trabalho pioneiro no Brasil, que tecnicamente privilegia os princípios da produção orgânica e que busca contribuir para a segurança alimentar em áreas rurais e urbanas. É voltado à produção familiar, principalmente para assentados da reforma agrária, quilombolas (descendentes de escravos), populações indígenas e escolas públicas rurais. "O projeto é simples e eficaz", resume o supervisor de projetos especiais da Embrapa, Fernando Costa Gomes

Até agora foram instalados 300 pomares em 45 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de Artigas e Rivera, no vizinho Uruguai. A meta é chegar a 500 até o final deste ano. O próximo passo é transformar a produção, incrementando a renda (leia-se agroindústria). Para tanto, a Embrapa acaba de contratar a engenheira agrônomo Ana Cristina Krolow.

Todo ano – Cada quintal tem 5 plantas de 12 espécies de frutas escolhidas pelas suas características nutricionais e medicinais e por se adaptarem bem ao clima e solo do Sul do país, totalizando 60 plantas por propriedade. A área mínima deve ter, em média, 1,2 mil metros quadrados. Entre as espécies escolhidas para cultivo estão o pêssego, figo, laranja, amora-preta, mirtilo, araçá, goiaba, caqui, pitanga, romã e limão. "São micropomares que produzem o ano todo", explica o pesquisador ao CR.

A diversidade de espécies permite o escalonamento da produção, disponibilizando frutas ao longo do ano. A safra do pêssego acontece em outubro, a colheita do mirtilo é em dezembro, a amora está madura em janeiro, o figo em fevereiro, o araçá e a pitanga em março, a laranja no começo do inverno e assim sucessivamente. "Nos quintais, as famílias rurais ou urbanas têm alimento saudável o ano inteiro e ainda podem gerar renda com o excedente, em forma de sucos, geléias, doces cristalizados ou passas", diz o supervisor de projetos especiais.

Outra meta do programa da Embrapa é transformar o pequeno produtor em empreendedor rural, com conhecimentos gerais na fruticultura.

Resgate – Além de renda e qualidade alimentar, o projeto Quintais Orgânicos de Frutas também trabalha no resgate e difusão de propriedades medicinais das frutas. "O projeto promove o resgate cultural de cultivos em quintais e recupera as receitas da vovó, como o chá de romã para dor de barriga ou o limão como fonte de ferro e vitamina C", destaca Costa Gomes. A iniciativa pode reduzir os gastos com remédios na família e mesmo entre os estudantes nas escolas atingidas pelo projeto.

De acordo com Fernando Costa Gomes, o projeto pode ser estendido a escolas e entidades em áreas urbanas, desde que esses estabelecimentos tenham disponível o espaço mínimo exigido para viabilizar a idéia: 1,2 mil m² de área.

 

Embrapa implantará 500 projetos até o final do ano

 

O trabalho do programa dos quintais de frutas começou em 2003, com a instalação de 11 quintais em diferentes municípios do Rio Grande do Sul, atendendo demanda do governo federal. Porém, o projeto ganhou fôlego em 2004/05 com o financiamento da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE). As safras das frutas começaram a ser colhidas em 2006.

Até o final deste ano, a Embrapa Clima Temperado concluirá a implantação de 500 quintais ecológicos nos três Estados do Sul e em dois municípios do Uruguai, em Rivera e Artigas – nesses locais foram instalados em escolas. O programa já consumiu R$ 600 mil. De acordo com os técnicos da Embrapa Fernando Costa Gomes e Enilton Fick Coutinho, além da unidade CGTEE, o projeto conta com a parceria da Fundação de Apoio à Pesquisa Edmundo Gastal (Fapeg), de prefeituras, cooperativas e da Emater/RS. As mudas são produzidas na Estação Experimental Cascata, em Pelotas, e no município de Candiota, na Fronteira-Oeste do RS, na área da CGTEE.

Ligada à Eletrobrás, a Companhia de Energia Térmica custeia as mudas, os insumos e mantém a equipe técnica. Já a Fapeg se responsabiliza pela gestão de recursos.

Outras informações com Fernando Costa Gomes. E-mail: Fernando@cpact.embrapa.br Contato: (53) 3275-8212.

 

AGRONEGÓCIO

Safra da uva promete ser das melhores

Condições climáticas indicam uma vindima maior e com qualidade

 

A opinião é unânime no setor. A uva que está chegando às vinícolas deverá integrar a galeria das melhores safras da história. Apesar das peripécias do clima em 2006, quando o inverno intercalou dias quentes e gelados, o viticultor vai colher mais e melhor. Havia temor generalizado quanto à qualidade da fruta, mas o sol e a chuva propícios dos últimos dois meses surpreenderam os viticultores.

A excelência da safra é confirmada pela enóloga Geyce Salton, da Cooperativa Vinícola Aliança, em Caxias do Sul. "Estamos recebendo uva isabel precoce da região de Bento Gonçalves com elevado teor de açúcar: 17 graus babo", revela. "A uva é sã", complementa. "As uvas estão apresentando bom desenvolvimento", afirma o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Francisco Mandelli.

Para o coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, até o momento tudo indica que a safra será muito boa. "A qualidade final só depende agora do sol e da chuva", enfatiza. Em especial, é desses fatores que depende o teor de açúcar. Além de garantir vinhos melhores, o teor de açúcar é fundamental na definição do valor da uva, cujo preço mínimo está para ser confirmado pelo Conselho Monetário Nacional (leia abaixo).

De acordo com o assistente técnico em fruticultura, da Emater Regional de Caxias do Sul, o engenheiro agrônomo Enio Ângelo Todeschini, a região da Serra deve colher em torno de 10% a mais de uvas do que no ano anterior – de mais de 599 mil toneladas, na média, para cerca de 650 mil toneladas (incluida a destinada para o consumo in natura. Segundo a Secretaria da Agricultura, em 2006 foram industrializadas 424 mil toneladas). "A safra tem apresentado quadro excelente, com níveis de qualidade e sanidade muito bons", observa Todeschini ao CR.

Melhores – Satisfeitos também estão os produtores. "A safra é bastante promissora", declara Luiz Carlos Giacomin, que mantém 25 hectares em Mato Perso, 4º distrito de Flores da Cunha. Giacomin classifica a safra 2007 entre as melhores vindimas da história. Por enquanto, no mapa de momentos antológicos da produção vitivinícola gaúcha perfilam as excelentes safras de 1991, 1999, 2002, 2004, 2005 e 2006.

O fruticultor caxiense Mario Biondo, que perdeu a maior parte da colheita de pêssego e caqui por causa das geadas de 2006, mas manteve as ameixas com irrigação, está otimista e satisfeito com o comportamento das videiras. "Vamos colher mais e com mais qualidade", conclui. Agora, somente o clima poderá mudar a trajetória da vindima.

 

CMN deve confirmar o preço da uva

 

O preço mínimo do quilo da uva comum, de R$ 0,46, está praticamente garantido. Agora, só falta a confirmação do Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reúne nesta quinta-feira 25. A comissão que esteve m Brasília saiu de lá com apoio oficial dos ministros da Agricultura, Luis Carlos Guedes, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

Liderados por O-lir Schiavenin (foto), presidente da Comissão Interestadual da Uva, Ibravin e Contag, o grupo esteve ainda na Companhia Nacional de Abastecimento e nas secretarias de Política Agrícola e da Fazenda. "A receptividade foi boa, o que anima o setor vitivinícola", comenta Schiavenin.

O valor proposto pela Comissão da Uva para esta safra é 9,52% superior ao preço anterior, de R$ 0,42/kg da uva com 15 graus glucométricos. O acordo entre produtores rurais e vinícolas sobre o preço mínimo foi ratificado no dia 4 de dezembro de 2006. Também ficou estabelecido que as cantinas têm prazo até o próximo 30 de junho para pagar a uva adquirida anteriormente.

 

Cassel entrega equipamento do Laren

 

O ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel, abre a Festa Nacional do Vinho (Fenavinho 2007), dia 26, representando o presidente Lula, que estará em Davos, Suíça, no Fórum Econômico Mundial. Na ocasião, Cassel entregará o equipamento (espectrômetro de massa isotópica) para fiscalização da qualidade dos vinhos nacional e importado.

O espectrômetro, importado, é destinado à análise do oxigênio (água exógena). Trata-se de um equipamento complementar ao de análises de isótopos de carbono. Porém, mais ágil. Adquirido em parceria com o Ministério da Agricultura e MDA, custa cerca de R$ 1 milhão. Deverá chegar ao Laboratório de Referência Enológica de Caxias do Sul (Laren) nos próximos dias.

 

Setor investe na compra de espumante

 

O espumante nacional está ocupando mais espaço na mesa do brasileiro. O aumento do consumo deve-se à qualidade e ao empenho das vinícolas em divulgar o produto. O período de festas, especialmente as de final de ano, é responsável por cerca de 60% das vendas dos espumantes no país.

Dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), em 2005, indicam que foram fabricadas 5,7 milhões de garrafas, 20% a mais que no ano anterior. Até novembro último, a produção de 2006 já era 17% maior sobre a do ano anterior. O gosto pelos espumantes favorece o cultivo de uvas brancas.

A idéia das vinícolas é aproveitar o verão para atrair e "fidelizar os consumidores", diz o diretor da Vinícola Giacomin, Luiz Carlos Giacomin. A empresa é a primeira do país a produzir o moscatel espumante com uvas moscato giallo. "O setor está trabalhando para mudar o hábito do brasileiro", emenda Luiz Carlos.

O Brasil, de clima tropical, conta com mais um ponto a favor para transformar o espumante em bebida para as quatro estações: a excelência na qualidade de produção. Os vinhos brasileiros obtiveram medalhas em mais de 20 concursos internacionais, o que confirma os investimentos no setor e a qualidade das uvas.

 

Seguro cobre os desastres naturais

 

Governo também abriu o mercado para atuação de resseguradoras rurais

Prejuízos causados por desastres naturais poderão ter cobertura da União. O governo federal enviará ao Congresso Nacional projeto de lei criando o Fundo de Catástrofes. A iniciativa vem se somar à Lei Complementar 126/07, que permite a atuação de resseguradoras no país, acabando com o monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) no setor. "É a perna que está faltando ao seguro rural", diz o secretário de Política Agrícola, Edilson Guimarães.

O Fundo de Catástrofes funcionará em casos de graves fenômenos naturais que possam devastar regiões rurais, dizimando rebanhos e plantações. "Esse fundo cobrirá perdas que nem as resseguradoras conseguiriam bancar. Então, estamos criando esse fundo para nos prevenir contra as grandes catástrofes", explica.

Meta – Para o ministro da Agricultura, Luis Carlos Guedes, a abertura do mercado nacional de resseguros irá alavancar o seguro rural. "A expectativa é que a mudança facilite a atuação e impulsione investimentos de grandes empresas privadas no país, especializadas nesse nicho", avalia. O Brasil era um dos únicos países do mundo a manter monopólio estatal nesse setor.

O governo federal trabalha com a meta de destinar em torno de R$ 100 milhões para o pagamento de subvenção ao seguro rural ao longo desse ano. Os números de 2006, que ainda estão sendo contabilizados, apontam para um volume de recursos de cerca de R$ 31 milhões em subvenções, mais de 21 mil contratos e uma área assegurada em torno de 1,3 milhão de hectares.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento espera, já este ano, triplicar o número de segurados no campo, que atinge apenas 21.826 produtores, num universo estimado de 4 milhões de propriedades rurais. Elas correspondem a 1,5 milhão de hectares de área produtiva. Resseguro é o seguro feito pelas empresas seguradoras, que dividem os riscos com grupos financeiramente mais fortes.

 

SC incentiva cadeia produtiva do leite

 

O Oeste de Santa Catarina é reconhecido pela produção de carnes e de grãos. Investimentos na atividade leiteira estão transformando a região em pólo nacional de lácteos. O leite envolve 60.000 produtores rurais e está presente em 80% dos estabelecimentos com até 50 hectares. O Estado é o sexto maior produtor nacional

A importância socioeconômica dos lácteos despertou a atenção do Sebrae, que, desde 2004, está estruturando o Arranjo Produtivo Local do Leite e Derivados do Oeste Catarinense. Nos próximos três, o projeto deve receber mais de R$ 1 milhão. "O leite deixou de ser atividade secundária e passou a ser uma das principais geradoras de renda ao produtor catarinense", avalia o gestor do projeto do Sebrae, Ênio Alberto Parmeggiani.

O foco inicial é adequar o processo produtivo à legislação ambiental, agregar valor, manter o produtor no campo e melhorar o resultado econômico e financeiro da propriedade rural. "Isso significa aumentar a eficiência produtiva por área, otimizando o uso da mão-de-obra", expõe Parmeggiani.

Para atingir o nível de desempenho desejado os produtores trabalham para reduzir em 20% o custo por litro de leite, aumentar em 5% a carga animal por hectare ao ano, ampliar em 10% o faturamento, expandir em 20% a produção de leite por hectare e diminuir em 20% o número de horas trabalhadas na atividade leiteira – tudo isso até dezembro de 2009.

O projeto do Sebrae tem, nesta etapa, a parceria da Cooperitaipu, de Pinhalzinho, e da Coopercentral Aurora, de Chapecó, e a assessoria técnica e científica da Udesc. O objetivo é melhorar a competitividade e elevar o patamar tecnológico dos empreendimentos rurais produtores de leite.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Bucha ou esponja vegetal

Fiquei encantado com a bucha ou esponja que encontrei numa revista. Gostaria de saber se dá para cultivar aqui, no Sul do Brasil, e onde conseguir sementes da alongada esponja.

Nilo Bruschi

Gaurama – RS

 

A bucha que o amigo está interessado é a esponja vegetal ou esfregão, cientificamente conhecida como "Luffa cylindrica" da família das Cucurbitáceas, a mesma das abóboras, melancia, melão, pepino, chuchu e outras. É tida como de origem africana e foi introduzida no Brasil nos tempos da escravatura pelos portugueses.

Existem diversas espécies afins, referidas no artigo da revista que me enviou, dentre as quais a bucha de 1,60m, a bucha dos pescadores e a buchinha nordestina, todas de usos semelhantes, medicinal e caseiro.

Descrição sumária da planta – trata-se de uma trepadeira herbácea de até 5m de comprimento, de caule anguloso, folhas grandes, longo-pecioladas de formato de mão aberta (palmada-lobadas), ásperas nas duas páginas e de cor verde escura. As flores vistosas são de cor amarela com raias verdes, unissexuadas, sendo as masculinas numerosas, axilares, reunidas em cachos de pedúnculo comprido; as femininas são solitárias e de cabinho curto. Frutos em geral de 35 a 40cm de comprimento, alongados, cilíndricos, de casca verde, amarelos quando maduros e castanho escuros quando secos. Quando novo tem uma polpa mucilaginosa entre as fibras finas que se tornam resistentes, elásticas e macias. Contém numerosas sementes escuras e rugosas.

Clima e solo – é de clima tropical, portanto quente, ensolarado e úmido. No Norte e Nordeste até as regiões cálidas de Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, pode ser cultivada e produzida durante todo o ano, desde que não faltem as condições de umidade, mas preferencialmente no começo da estação chuvosa. No Sul, onde ocorrem geadas no inverno – altamente prejudiciais à planta -, só é possível a semeadura na primavera e colheita no verão e outono, uma vez que a planta é de ciclo curto: de 5 a 6 meses.

Quanto ao solo, a bucha é pouco exigente, mas prefere os de boa fertilidade, areno-argiloso, rico em matérias orgânicas e de baixa acidez, com pH próximo de 6,0.

Plantio – coloca-se 3 a 5 sementes por cova. Quando as plantinhas tiverem cerca de 10cm de altura faz-se o desbaste, deixando-se apenas uma ou duas por cova. A condução normalmente é feita aproveitando-se a cerca, espaldeira ou caramanchão na produção caseira de pequena escala.

Colheita e tratamento dos frutos – a bucha deve ser colhida quando o fruto estiver maduro, amarelo e deixa-se secar. O fruto seco deve ser batido para soltar a casca e eliminar as sementes, lavado em água corrente e depois posto a secar ao sol.

Utilização – é diversa, na medicina caseira, nas atividades domésticas, na alimentação e nas aplicações industriais. A polpa do fruto é utilizada popularmente como purgativo em uma infusão de 8g para um copo de água fervida. As sementes podem produzir excelente óleo comestível. Por seu valor nutritivo rico de aminoácidos, vitaminas e sais minerais, os frutos novos, os brotos e folhas, preparados com manteiga, sal e pimenta, são recomendados como alimento humano, mas no Brasil não é uso popular. A utilização mais comum da bucha vegetal, no entanto, é nos serviços domésticos: pedaços de esponjas na limpeza de pratos, louças e panelas ou nos banheiros para limpeza, higiene pessoal e massagens.

Sementes – devem ser procuradas nas casas de comércio de produtos agropecuários. É possível que as firmas do Sul não disponham de sementes, porque o uso é limitado devido ao clima, mas têm condições de informar quais as distribuidoras. Em Minas Gerais, com sede na cidade de Bom Fim, próxima de Belo Horizonte, existe a Associação dos Produtores de Bucha Vegetal que fornece sementes e orientação de cultivo. Em todo caso, poderá o amigo adquirir um fruto integral e retirar dele as sementes que deseja. Também as esponjas que se encontram no comércio costumam ter sementes que podem ser aproveitadas para o plantio.

 

SAÚDE

Acne é o problema de pele que mais leva os pacientes ao dermatologista

Entre jovens, cravos e espinhas motivam 42% das consultas

 

A acne é a principal causa das visitas ao dermatologista, segundo estudo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, baseado em dados de 55.000 pessoas atendidas em hospitais públicos e clínicas particulares em todo o país. 14% dos pacientes analisados indicaram cravos e espinhas como motivo da consulta médica. Na população de 15 a 24 anos, este problema chega a ser responsável por 42% dos atendimentos.

Muitos acreditam que a acne é causada por má higiene da pele, pela ingestão de alimentos gordurosos, como chocolate, ou por mau funcionamento do intestino. Essas são algumas das mais variadas especulações sobre este problema que atinge 80% dos adolescentes, sem distinção de sexo e raça. Porém, não há comprovação científica para esses motivos. A explicação dos especialistas gira em torno da predisposição genética e das alterações hormonais próprias da puberdade.

A acne aparece quando os hormônios estimulam o funcionamento das glândulas sebáceas. Encontradas ao lado da raiz de cada pêlo, essas glândulas produzem o chamado sebo, uma espécie de gordura que se deposita na superfície da pele para lubrificá-la. Na adolescência, as glândulas aumentam de tamanho e produzem mais sebo. Esta substância tem dificuldade de chegar à superfície da pele porque o canal que ela percorre fica obstruído. O excesso de sebo, aliado ao poro obstruído, forma o comedão, popularmente chamado de cravo.

Essa gordura ainda provoca a proliferação da bactéria Propionibacterium acnes. Ela encontra-se naturalmente na pele de todas as pessoas e alimenta-se do sebo. Porém, em excesso, sua presença ativa o sistema de defesa do organismo, que provoca no local uma inflamação, ou seja, a própria espinha.

Todo esse processo pode resultar em cicatrizes indesejáveis. Portanto, para não agravar a situação, infeccionar e deixar a entrada aberta para novas bactérias, a recomendação é nunca espremer cravos e espinhas.

A acne não é considerada um mal puramente estético. Sem tratamento, pode desencadear alterações psicológicas nos adolescentes. Como causa grande impacto na aparência, a presença de cravos e espinhas pode interferir na auto-estima, gerar agressividade, frustração, isolamento, vergonha. Tudo isso acaba comprometendo o desenvolvimento psicossocial do jovem.

A boa notícia é que o problema tem cura. A acne tende a desaparecer com a idade, por volta dos 20 anos, mas existem vários tratamentos para os casos mais resistentes: sabonetes e loções que combatem os efeitos do aumento de sebo, esfoliantes e remédios que inibem a proliferação das bactérias ou atuam contra a inflamação, entre outros. Com uma consulta ao dermatologista é possível saber o método mais indicado para cada caso.

 

Micose também preocupa brasileiros

 

O estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia também aponta as micoses como segundo motivo que mais leva pessoas ao dermatologista. Elas estão entre os três males mais freqüentes diagnosticados nos brasileiros com mais de 14 anos de idade.

As manchas são a causa de 8% das consultas e a principal preocupação da população que tem de 40 a 54 anos. As escuras podem ser causadas pelo sol, por gravidez ou pelo uso de anticoncepcionais, por isso, 92% dos pacientes que apresentam essa anomalia são mulheres.

Apenas 5% dos pacientes que procuram um dermatologista o fazem em função de lesões pré-malignas. Essas lesões, avermelhadas e ásperas, são fruto do excesso da radiação solar sobre a pele, cujos efeitos são cumulativos ao longo dos anos.

As alergias respondem por 4% das consultas ao especialista. As dermatites de contato são geralmente provocadas por substâncias como cosméticos, detergentes, borracha ou níquel.

 

OPINIÃO

Pra variar estamos em guerra...

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Guerra é guerra e quem estiver no lugar errado, no momento preciso, certamente não conseguirá salvar sua vida. A guerra é cega, é surda e cospe seu fogo sobre quem atravessa seu caminho

 

Na semana em que o Rio se espreguiçava entre a montanha e o mar, curtindo ainda os ecos do Natal e o início do Ano-Novo, a canção de Rita Lee e Roberto de Carvalho pareceu ecoar forte e ensurdecedora novamente:

Pra variar estamos em guerra

Você não imagina a loucura

O ser humano tá na maior fissura...

E bota fissura nisso, nesse desatino em que se transformou o espaço urbano brasileiro. Após o Dia das Mães regado de sangue em São Paulo, agora é a vez do Rio, com rebelião comandada de dentro dos presídios por chefes do crime organizado descontentes com as condições de vida e nomeações de diretores.

Anciãos presos em um ônibus de turismo da viação Itapemirim que não conseguiram escapar do ônibus em chamas, pegos totalmente de surpresa por bandidos frios e bárbaros, que não se contentaram em assaltá-los, mas também lhes tiraram a vida. Policiais mortos, executados nos postos de trabalho. Delegacias atacadas e varridas de balas.

E a nota triste e pungente: a morte da vendedora ambulante, mãe coragem e carinho, que com o instinto que rege o mundo desde seus começos, sentiu a cria ameaçada. Abraçou o filho pequeno de seis anos e recebeu o tiro que a matou. Trabalhava em frente ao Botafogo Praia Shop-ping ao lado da guarita da polícia. Certamente achava que ali estaria mais protegida. Não contava que a bala perdida não respeita lugar, nem pessoa, nem momento, e segue seu trajeto mortífero sem alvo preciso e atingindo quem está em seu caminho. Morreu abraçada ao filho, apenas atingido de raspão. Na vida deste menino, no entanto, está a ferida que nunca se fechará: a violência que o tangenciou e levou sua mãe aos 33 anos, quando ele, muito garoto, ainda não havia podido dar-lhe tudo que sonhava e desejava.

Espectador atônito da guerra que cresce à sua volta e chega cada vez mais perto de sua vida, seu cotidiano, sua rotina, o carioca se pergunta por que toda essa barbárie, essa violência, essa guerra que não termina e sempre recomeça com mais apetite e mais furor.

Enquanto autoridades e policiais buscam os responsáveis, muitos inocentes sairão feridos ou perderão a vida. Guerra é guerra e quem estiver no lugar errado, no momento preciso, certamente não conseguirá salvar sua vida. A guerra é cega, é surda e cospe seu fogo sobre quem atravessa seu caminho.

Pode ser um senhor de idade que apenas saía de Cachoeiro do Itapemirim (ES), para visitar um familiar em São Paulo e morre carbonizado nas chamas enlouquecidas do ônibus queimado pelos bandidos. Ou um vendedor de sapataria que arruma o estoque e sente a bala passando de raspão ao lado de sua cabeça. Ou uma mulher jovem, digna e pobre, que leva pela mão o filho de seis anos enquanto vende sorvete na porta de um shopping.

Todos poderiam não estar ali, mas estavam. Todos são inocentes e tiveram as vidas ceifadas por um conflito pelo qual não eram responsáveis e no qual não tinham interesse. Infelizmente e pra variar... estamos em guerra.

 

COALIZÃO E MOVIMENTOS SOCIAIS

Frei Betto

O Brasil não terá um futuro melhor se permanecer refém dos paradigmas neoliberais que consideram mais relevante estocar US$ 80 bilhões do que investir 6% do PIB na Educação e igual porcentagem na Saúde

 

Respaldado por 58 milhões de votos, o presidente Lula dispõe de suficiente força política para propor a coalizão entre partidos. Com exceção do PFL, todos os principais partidos aceitam, no mínimo, um entendimento com o Planalto. Isso é bom para o Brasil e ótimo para o presidente. Assegura-se, assim, a governabilidade de seu segundo mandato. Mesmo o PSDB, que disputou a Presidência, mostra-se disposto ao entendimento e ao diálogo, arrefecendo seus arroubos oposicionistas.

Uma coalizão partidária difere, e muito, de um pacto social, como o que arquitetou Felipe González na Espanha pós-franquista. No Brasil, um pacto é inviável, dada à abissal diferença de classes. Não se espera que as panelas de ferro e de barro convivam em harmonia, diz a Bíblia. Ao menor conflito, sabe-se qual delas haverá de quebrar.

Falta aos atores da coalizão revelar em que bases ela está firmada. Há um projeto de nação? Um "outro Brasil possível"? Ou se trata de um mero arranjo, não de governabilidade, mas de empregabilidade dos correligionários dos partidos envolvidos? O povo brasileiro tem o direito de conhecer o que induz partidos como o PDT e o PV, até há pouco avessos ao governo petista, a abrirem a guarda e, seduzidos pelo canto da sereia, se atirarem nos braços de Orfeu, entregues aos encantos desse movimento transmigratório.

Não se pode excluir da coalizão a outra perna da governabilidade petista: os movimentos populares. Em dezembro, foram chamados a dialogar com o presidente e o ministro Luiz Dulci. Lula se comprometeu a manter diálogo permanente com eles. É bom lembrar que Lula e sua gestão resultam da luta dos movimentos sociais que, após derrubar a ditadura, promoveram o mobilização que resultou na Assembléia Nacional Constituinte e na Constituição de 1988.

Na audiência de dezembro, o presidente recebeu dos movimentos sociais um conjunto de documentos e reivindicações: mudanças na política econômica; cancelar as reformas previdenciária e trabalhista; promover o desenvolvimento com distribuição de renda e respeito ao meio ambiente; democratizar os meios de comunicação; efetivar a reforma agrária; pleno respeito aos povos indígenas, aos quilombolas e aos ambientalistas que defendem o desenvolvimento sustentável; regulamentar a liberação dos transgênicos com medidas de precaução e respeito aos direitos do consumidor.

Lula assinalou que o crescimento do país é a sua prioridade, observadas três exigências: controle da inflação, distribuição de renda e melhoria da infra-estrutura. Frisou que as reformas prioritárias são a tributária e a política. A da Previdência será debatida num amplo fórum com participação da sociedade civil.

Pressionado pelo paradigma neoliberal, o governo anda obcecado com os índices de crescimento do PIB. Isso é critério de desenvolvimento? Sob a ditadura, o PIB brasileiro cresceu a níveis astronômicos. Nem por isso a nação foi beneficiada, a ponto de o general Médici admitir que "a economia vai bem, mas o povo vai mal".

O mais preocupante é que, no conceito de crescimento dos abastados, importa anabolizar o dólar, incrementar as exportações e manter um rígido controle fiscal, reduzindo a capacidade de investimento do Estado, entendida como gasto. Em suma, aos vencedores, as batatas; à turba, as cinzas do braseiro.

Lula foi eleito, nos dois mandatos, por se comprometer a promover o desenvolvimento sustentável. O Brasil não terá um futuro melhor se permanecer refém dos paradigmas neoliberais que consideram mais relevante estocar US$ 80 bilhões do que investir 6% do PIB na Educação e igual porcentagem na Saúde. E o futuro não será sustentável sem preservar o meio ambiente, legalizar as terras dos quilombos, demarcar as reservas indígenas e respeitar a autonomia do Ministério Público, que vela pelo cumprimento das leis.

Temo que, sem a participação dos movimentos sociais, a coalizão resulte no neopopulismo – a linha direta entre o presidente e o grande credor de sua reeleição, os mais pobres, à revelia das instituições que os representam. Se assim for, o PT terá trocado seu propósito originário de "organizar a classe trabalhadora" por um clientelismo assistencialista que, sem dúvida, rende votos, mas não altera as estruturas arcaicas que impedem o Brasil de ser um país justo e uma nação humanamente desenvolvida.

 

NACIONAL

Plano de crescimento prevê investimentos de R$ 504 bi

Áreas prioritárias são habitação, saneamento, transporte e energia

 

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado na segunda 22 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, projeta investimentos de R$ 503,9 bilhões em infra-estrutura até 2010. Desse total, 86,5% (R$ 436 bi) virão de estatais e do setor privado – R$ 67,8 bi sairão do orçamento do governo federal. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo vai abrir mão de R$ 18,1 bilhões em impostos até 2008. Estimativa é de que o conjunto de medidas (leia ao lado) gere crescimento na economia superior a 3,5% em 2007.

Os investimentos previstos no PAC priorizarão as áreas de transporte, saneamento e habitação, recursos hídricos e energia. Mais de R$ 58 bilhões serão aplicados até 2010 em infra-estrutura logística, que engloba as rodovias, portos, ferrovias, aeroportos e hidrovias. O objetivo é facilitar o transporte de cargas e mercadorias, de forma a ter um impacto positivo no custo dos produtos. O plano prevê a construção, adequação, duplicação e recuperação de 42 mil quilômetros de estradas.

A meta é investir também R$ 40 bilhões em saneamento básico e R$ 106,3 bilhões em habitação. Somente para 2007, o governo pretende aplicar R$ 8,8 bilhões em saneamento e R$ 27,5 bilhões em habitação. O pacote prevê o fornecimento de água, esgoto tratado e destinação adequada de lixo a 23,2 milhões de domicílios até 2010. Para o setor de habitação, o objetivo é atender pelo menos quatro milhões de famílias com recursos públicos e da caderneta de poupança no mesmo período.

Os investimentos em infra-estrutura hídrica devem atingir R$ 12,6 bilhões – R$ 11,7 bi no Nordeste. Entre os programas contemplados está a integração da bacia do Rio São Francisco, os sistemas de abastecimento de água bruta e projetos de irrigação. O PAC projeta ainda investimentos de R$ 274,8 bilhões em infra-estrutura energética – R$ 65,9 bi somente em energia elétrica.

 

Governo do RS corta gastos por cem dias

 

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, decretou congelamento dos gastos do dia-a-dia das autarquias, fundações, secretarias e órgãos estaduais. Desde a última quinta 18, é proibido gastar com diárias, passagens aéreas, fazer contratos de aluguel ou prorrogar convênios.

A meta é poupar cerca de R$ 450 milhões neste período, o que representa 30% do custeio previsto no Orçamento de 2007. Outros R$ 8 milhões seriam economizados com corte de 20% nas despesas com cargos em comissão em todas as secretarias.

Em fevereiro, o secretário da Fazenda, Aod Cunha, começa a divulgar as metas de execução orçamentária mensalmente. "Serão definidas as cotas de recursos orçamentários possíveis de liberar que serão repassadas em dia", destacou o secretário. "Só gastaremos o que tivermos em caixa", reforça ele.

Outra medida é que a Fazenda deverá centralizar a negociação de dívidas com fornecedores firmadas até 31 de dezembro de 2006. Com a perspectiva de pagar em dia as novas despesas, Aod pretende reduzir em 30% o valor de novos contratos. "Iremos reconhecer, honrar e programar o pagamento das dívidas. Os cem dias não são moratória", avisa a governadora.

A dívida gaúcha é de R$ 31,5 bilhões. O Estado pagou à União R$ 1,6 bilhão no último ano, média de desembolso mensal de R$ 140 milhões.

 

MEIO AMBIENTE

CLIMA IMPIEDOSO

Os transtornos climáticos são decorrência do aumento de apenas 1 grau na temperatura média do planeta nos últimos 100 anos. Mantido ritmo atual, a temperatura poderá subir de 2 a 4,5 graus até 2050, comprometendo a vida

 

Quem acha que o mundo está ficando cada vez mais quente tem um motivo a mais para ficar preocupado. Este ano deverá ser o mais quente registrado em todo o mundo, devido ao aquecimento global e ao fenômeno climático El Niño, de acordo com o Centro Meteorológico da Grã-Bretanha. A temperatura pode subir 0,54ºC acima da média.

A combinação de fatores deverá provocar aumento nas temperaturas médias, em 2007, acima do recorde de 1998. "Esta nova informação representa outra advertência de que a mudança climática está acontecendo ao redor do mundo", diz a cientista Katie Hopkins, que representa o centro.

Nas últimas três décadas, a Terra esquentou mais do que em toda a era industrial. O aumento foi de 0,2ºC por década, uma aceleração sem precedentes na história geológica recente do planeta, que praticamente joga por terra a esperança de estabilização do clima. O alerta é de um grupo de cientistas dos EUA, liderados por James Hansen, diretor do Instituto Goddard da Nasa (agência espacial americana).

O resultado é assustador: só nos últimos 30 anos, o planeta esquentou 0,6ºC, o que eleva para 0,8ºC o total de aquecimento anormal observado no século 20. Isso faz com que a temperatura média atual seja a maior dos últimos 12 mil anos. O aquecimento de mais 1ºC seria o mais alto do último milhão de anos. "Se o aquecimento alcançar mais 2ºC ou 3ºC, provavelmente veremos mudanças que tornarão a Terra um planeta diferente do que conhecemos hoje", adverte.

Dez anos – Os 10 anos mais quentes do mundo ocorreram desde 1994, de acordo com medições de temperatura feitas ao longo de um século e meio, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A maioria dos cientistas concorda que as temperaturas subirão de 2Cº a 6Cº neste século, principalmente por causa das emissões de carbono liberadas na queima de combustíveis fósseis, para a produção de energia e no transporte.

A elevação causará derretimento nas calotas polares, aumento dos níveis do mar e mudanças nos padrões climáticos que provocarão enchentes, fome e tempestades violentas, colocando milhões de vidas em risco. O Protocolo de Kyoto, o único plano de ação global para conter as emissões de carbono, termina em 2012 e é rejeitado pelo maior poluidor do mundo, os Estados Unidos, além de não ser obrigatório para economias emergentes como a China e a Índia.

Gelo – A poluição aumentou tanto que, a menos que haja cortes drásticos na próxima década, será difícil reverter os efeitos do aquecimento global. James Hansen diz que a situação pode chegar a um ponto de o Ártico não ter mais gelo. "Isso significa, em outras palavras, grande elevação no nível do mar e a extinção de muitas espécies", explica.

Hansen lembra que metade da população do planeta vive a menos de 15 milhas da costa e que muitas das grandes cidades são costeiras. "Uma vez que o processo se inicia e continua no mesmo ritmo, é impossível de prevenir o que ocorra. É por isso que devemos lidar com a situação antes que ela fique fora de controle. Só não podemos simplesmente queimar combustíveis fosseis", alerta.

"Se fizermos isso, teremos um planeta sem nenhum gelo no Ártico e onde o aquecimento será tão grande que trará fortes efeitos para a elevação dos níveis dos oceanos e para a extinção das espécies". Se a Terra quiser alcançar cenário que mantenha a temperatura global no nível em que esteve nos últimos milhões de anos, vai precisar reduzir as emissões de CO² na atmosfera em torno de 25%.

Todos – Para Miriam Duailibi, presidente do Instituto Ecoar, o aquecimento global é cumulativo, complexo e abrangente e vem demonstrando sua força ao causar mudanças cada vez mais significativas na temperatura, o que mostra que suas conseqüências afetarão todos em todos os lugares. "Para minimizar o problema, o envolvimento e a participação popular tornam-se condição fundamental", reforça.

 

Aquecimento global muda agricultura brasileira

 

O Brasil esquentou 0,7ºC nos últimos 50 anos, enquanto que o planeta inteiro aqueceu 0,6ºC em um século. "As temperaturas mínimas subiram, aproximadamente, 1ºC, e as máximas, cerca de 0,5ºC", constata o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O aquecimento da Terra deve continuar e requer tomada urgente de posição, e não apenas para tentar frear o efeito estufa. "Por causa das alterações futuras no clima do planeta, é preciso preparar-se para mudança de zoneamento agrícola, em que as culturas deverão migrar para regiões onde o cultivo possa ser sustentado", adiantam Eduardo Assad, da Embrapa Informática, e Hilton Silveira, do Cepagri/Unicamp.

Eduardo Assad defende que o atual aumento de 1 grau na temperatura do globo terrestre poderá passar, nos próximos 100 anos, para 5,8 graus. "Uma das conseqüências será a alteração da geografia da produção de café. O que não significa que o país vai deixar de ter esse produto, apenas que ele vai migrar para outras regiões", garante ao CR.

Adaptação – O Brasil deixará de ter café em Minas Gerais, São Paulo e muito fortemente no Paraná, porque o grão vai buscar temperaturas mais amenas, tendendo a ir para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e até para a Argentina e o Uruguai. "Daí a razão de começar algum tipo de modificação. Por exemplo, adaptar a planta a temperaturas mais altas", observa.

Soja, milho, arroz e feijão também vão sofrer com o aquecimento global. Uma sugestão dos pesquisadores é trabalhar a mudança genética das plantas para que elas possam, no futuro, suportar o calor. Mesmo que isso seja feito, haverá necessidade de migração dos plantios.

No caso da soja, ela sairia de zonas que já estão em risco, como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, para lugares mais altos, como o Cerrado. "Ainda assim, se pode prever uma redução de 60% na produção dessa cultura, tendo como perspectiva o aumento de 5,8 graus na temperatura", revela. Enquanto isso, é importante conter as queimadas para reduzir o efeito estufa. "Após uma queimada, são necessários 150 anos para limpar a atmosfera dos gases emitidos", assegura o professor Assad.

Migração – Um estudo do Ministério do Meio Ambiente, coordenado pelo Inpe, também afirma que o Brasil sofrerá sérias mudanças climáticas nos próximos 45 anos, se não forem reduzidos os índices de desmatamento e de liberação de gases causadores do efeito estufa. O temor é que a maior parte do país esteja mais seca e mais quente do que hoje.

O Nordeste seria gravemente afetado. O clima da região pode passar de semi-árido para árido, que se assemelha ao clima de deserto, sem chuvas. A alteração teria migração da população. É grande o risco de que parte da floresta se converta em cerrado. No Sul, deve haver mudanças na distribuição das chuvas durante o ano, o que resultaria em problemas para a agricultura.

 

Mudança afetará duramente os latinos

 

A mudança climática no planeta afetará especialmente a América Latina, por ser a região que possui os maiores recursos hídricos. De acordo com as Nações Unidas para o Meio Ambiente, a alteração ambiental também terá impacto no rendimento agrícola e criará problema de segurança alimentícia, se se considerar que a população mundial duplicará em 2050.

Nos próximos anos, há um cenário de problemas de produção de alimentos que será somado à crise energética, já que aumentará a pressão para que produtos como trigo, milho e cana-de-açúcar, entre outros, sejam utilizados na produção de combustíveis.

Entre os principais problemas que o planeta enfrentará como conseqüência da mudança climática, está a intensidade de fenômenos como El Niño, que afeta diretamente a agricultura. Além disso, a freqüência e a intensidade dos furacões aumentarão, as chuvas diminuirão em 20% e as secas e inundações na região se intensificarão.

 

O município mais chuvoso do Brasil

 

Após analisar séries históricas de chuvas em mais de 400 estações meteorológicas, o município de Calçoene, no Amapá, foi identificado como o local mais chuvoso do Brasil com precipitação média anual de 4.165 mm. A análise dos dados é do pesquisador Daniel Pereira Guimarães, da Embrapa Milho e Sorgo.

O município, de apenas sete mil habitantes, está localizado no extremo Norte do Brasil, na microrregião do Oiapoque, e abrange área de 14 mil km². Anteriormente, a literatura citava a Serra do Mar, entre Paranapiacaba e Itapanhaú, em São Paulo, com precipitação média anual de 3.600 mm, como o local mais chuvoso do país.

Segundo Guimarães, a precipitação em Calçoene é cerca de três vezes maior que a registrada na cidade de São Paulo. De janeiro a junho de 2006 foram registrados mais de 25 dias de chuvas em todos os meses, ou seja, chove quase todos os dias. No ano de 2000 caíram quase sete mil milímetros de chuva.

Conflitos – As principais atividades produtivas de Calçoene são a agropecuária, a silvicultura e o garimpo de ouro. A descoberta do ouro no rio Calçoene culminou com o surgimento de vários conflitos entre brasileiros e franceses de Caiena pela posse da terra, a qual foi, em 1900, anexada ao território brasileiro.

 

IGREJA

Terra e água como garantia de vida

Romaria da Terra do RS convida a refletir sobre a necessidade de preservar

 

Projeto do Regional Sul 3 da CNBB, realizada todos os anos numa diocese diferente do Rio Grande do Sul, a 30ª Romaria da Terra de 2007 ocorre no dia 20 de fevereiro, na comunidade Santa Bárbara, em Pinheiro Bonito, 4º distrito de São Francisco de Assis. O município pertence à diocese de Uruguaiana que, junto com a Comissão Pastoral da Terra (CPT/RS), está organizando a caminhada.

A romaria deste ano aborda um tema que preocupa cada vez mais – a preservação da terra e da água, como garantias de vida. Como caminhada, a romaria é uma manifestação de fé e de compromisso dos pequenos trabalhadores e trabalhadoras da roça e da cidade na busca por justiça e mais vida. Por isso, a cada ano é escolhido um assunto que diz respeito à própria sobrevivência e motiva para a luta na busca de direitos não atendidos aos povos indígenas, aos sem-terra, aos atingidos por barragens e às famílias de camponeses menos favorecidas.

Realizada há 30 anos, a Romaria da Terra iniciou no dia 7 de fevereiro de 1978, em Caiboaté, São Gabriel, para celebrar os 222 anos da morte de Sepé Tiaraju e milhares de índios massacrados. Nesses anos de romaria, milhares de pessoas participaram dessa caminhada profética, que hoje é realizada também em outros Estados do país.

 

Uma exceção entre grandes latifúndios

 

São Francisco de Assis é uma das 16 paróquias da diocese de Uruguaiana, que abrange um território formado por grandes propriedades, dedicadas à pecuária e à agricultura. As exceções são os municípios de Santiago e São Francisco de Assis. A paróquia de São Francisco de Assis é formada por 44 capelas ou comunidades. A população do município chega a 20,6 mil habitantes, 75% dos quais vivem no meio rural.

No município predominam as pequenas propriedades e a produção diversificada, baseada na agricultura e na pecuária. Existem 2.365 propriedades rurais, 1.073 das quais com até 20 hectares. Pinheiro Bonito é o 4º distrito de São Francisco de Assis. A comunidade tem como padroeira Santa Bárbara e é formada por cerca de 80 famílias de pequenos proprietários, muitos dos quais de origem italiana e alemã. Pinheiro Bonito está localizado a 37 km de São Francisco de Assis, a 28 km de Santiago e a 168 km de Santa Maria.

 

Caminhada renova a missão de preservar

 

A 30a Romaria da Terra será realizada na comunidade de Pinheiro Bonito, município de São Francisco de Assis, motivada pelo tema "Preservar Terra e Água: Garantia de Vida!". Frei Wilson Dallagnol, capuchinho e professor da Estef, será o pregador.

A programação prevê acolhida dos romeiros a partir das 7 horas; abertura oficial da romaria às 8h15, com a presença de dom Ângelo Domingos Salvador, bispo de Uruguaiana, e autoridades; início da caminhada às 9 horas, com apresentação de cenários vivos retratando o tema; pregação e Eucaristia às 11 horas; seguidas de almoço partilhado e momento cultural com manifestação de representantes de entidades e dos índios guaranis, trovas e show com os cantores Antonio Gringo e Roberto Malvezzi. Às 16 horas, anúncio do local da 31ª Romaria da Terra e bênção do envio.

 

MEU POVO É BONITO

Padre Zezinho

Não seremos um povo eternamente pisoteado

 

Meu povo é bonito! Muito bonito! Não importa os dentes que não tem. Nem as verrugas e manchas no rosto. Nem se manca ou se se arrasta pelas ruas.

Meu povo é bonito! Não importa se é disforme de gordo ou se é magro de doer. Nem se tem apenas 1,30 de estatura.

Também não importa se não é galã de novela, e se ninguém nunca falou com ele. Mesmo assim meu povo é bonito.

Na rua, nas esquinas, no mercado, quando fala errado, no metrô, nas filas de hospital e de banco, no ônibus, na padaria, meu povo é bonito quando ri de uma piada e esconde os dentes envergonhado.

Meu povo é bonito quando chora junto, quando treme junto de frio, quando abraça desajeitado, quando samba e canta junto, quando reparte o que mal tem.

Olho ao meu redor e vejo quanta teimosia, quanta paciência, apesar dos maus tratos. Quantos valores num único olhar.

Você brasileiro, que às vezes se acha feio, e que tem aí dentro do coração alguns pecados, na mente algumas confusões, você, meu povo, é mais bonito do que pensa!

Não fosse sua paciência e sua teimosa esperança, este país já teria pegado fogo! Povo que persegue, consegue, desde que não sossegue! Não seremos um povo eternamente pisoteado!Um dia vai valer o coração e não a pele; nem o rosto, nem o corpo, nem a conta no banco!

É por isso que o Brasil um dia vai dar certo! Os violentos fazem enormes estragos, mas ainda são a minoria. A imensa maioria ainda ama, sonha, partilha e ajuda quando e como pode! O material anda maltratado, mas é de primeira! (Poema).

 

Onze capuchinhos celebram jubileu

Frades recordam 60 e 50 anos de vida religiosa e 25 anos de sacerdócio

 

Diversos frades capuchinhos da província do Rio Grande do Sul celebram, durante o ano de 2007, jubileus de vida religiosa ou de ordenação sacerdotal. Todos são gaúchos de nascimento, atuam nos mais diversos setores da província e em diferentes regiões do Estado e inclusive fora do país.

Estão comemorando 60 anos de vida religiosa capuchinha os freis Alcides Armiliato, Durval Muraro e Hermínio Bordignon. Eles professaram no dia 6 de janeiro de 1947. Frei Alcides é natural de Campestre da Serra e hoje atua como capelão do mosteiro das clarissas de Flores da Cunha. Frei Durval nasceu em Nova Araçá e há diversos anos trabalha em Bagé, especialmente no Instituto de Menores. Frei Hermínio, natural de Paraí, atua na pastoral da saúde e do aconselhamento, na Fraternidade São Lucas, em Porto Alegre.

Outros seis capuchinhos recordam 50 anos de vida religiosa nesta quinta-feira 25. São os freis Augusto Denardi, natural de Dois Lajeados, que está em Santo Domingo, na República Dominicana; frei Antonino Zandoná, de Veranópolis, religioso, atua em Ipê, em serviços fraternos e horticultura. Frei Osébio Borghetti, de Lajeado, atua no escritório central e junto às emissoras de rádio da Província; frei Romoaldo Breda, de União da Serra, é guardião em Garibaldi e consultor técnico das emissoras de rádio. Frei Santos Carlos Coloda, de Flores da Cunha, é capelão do Hospital São Lucas, em Porto Alegre; e frei Vergelino Richetti, natural de Paraí, é pároco em Itapuca (RS).

Também em janeiro, dois capuchinhos completaram 25 anos de ordenação sacerdotal – no dia 17, frei Antônio Pilatti, natural de Nova Pádua, atualmente pároco da paróquia Santo Antônio, de Lagoa Vermelha; e no dia 23, frei Agenor Euclides Pitt, natural de Ipê, que atua como vigário paroquial em Garibaldi.

 

Pastoral acompanha 63 mil idosos no país

 

Com pouco mais de dois anos de fundação, a Pastoral da Pessoa Idosa já acompanha mais de 63 mil idosos em todo o Brasil. O trabalho é semelhante ao desenvolvido pela Pastoral da Criança, com visitas permanentes e acompanhamento constante. No segundo semestre do ano passado foram acompanhadas 50,5 mil famílias que incluem idosos.

Os líderes comunitários verificam as condições de saúde, o atendimento dos direitos previdenciários e envolvem os idosos em ações de orientação, convivência e lazer. No ano passado, o trabalho estava organizado em 1.947 comunidades de 555 paróquias. Observando a organização administrativa da Igreja, a Pastoral da Pessoa Idosa está presente em 126 dioceses de 23 Estados. A atividade é monitorada com o auxílio de mais de sete mil líderes comunitários. Zilda Arns Neumann é a coordenadora nacional.

 

Aparecidinhas emitem primeiros votos

 

A congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, de fundação gaúcha, com sede em Porto Alegre, acolhe cinco jovens que ingressam no noviciado no dia 10 de fevereiro de 2007, e seis irmãs que concluíram o noviciado e emitem os primeiros votos, no dia 4 de fevereiro.

Fazem sua primeira profissão religiosa as irmãs Maristela Körbes, de Serranópolis do Iguaçu (PR); Laura Alves Andrade, de Campo Grande (MS); Lidiane de Cezaro Cavaler, de São Gabriel do Oeste (MS); Ellen Patrícia da Fonseca, de São Gabriel do Oeste (MS); Adriana Dorneles, de Soledade (RS); e Eliane Afonso, de Rondon (PR).

Para ampliar e fortificar a atuação missionária, a congregação está enviando mais religiosas à Bolívia, na abertura de uma nova casa, e a Guiné-Bissau, na África Ocidental.

 

DEIXE-SE AJUDAR

Aldo Colombo

Só depois de fazer tudo o que está ao nosso alcance temos direito de pedir a ajuda de Deus

 

Um homem, muito piedoso, recebeu um dia um aviso de Deus. Dentro de algumas semanas haveria uma grande enchente, mas ele poderia ficar tranqüilo, pois apesar dos perigos, sua vida seria poupada. Semanas depois, começou de fato a chover forte e o homem lembrou-se de Deus e de sua promessa. A chuva continuou, os regatos transformaram-se em rios. E os rios deixaram seus leitos e suas águas barrentas carregaram todo o tipo de destroços.

As autoridades pediram à população que abandonasse suas casas e procurasse lugares mais seguros, mas o nosso homem não seguiu o conselho, esclarecendo que Deus iria salvá-lo. E as águas continuaram subindo e ele foi obrigado a subir para o segundo andar da casa. Os bombeiros encostaram um barco na janela, mas ele recusou a oferta, pois confiava em Deus. As águas cresceram e ele teve de subir no telhado da moradia. Veio um helicóptero para resgatá-lo, mas ele foi inflexível: que fossem socorrer os que corriam perigo, pois não era este seu caso.

Naquela mesma noite morreu afogado. Porque era uma pessoa de bem, foi acolhido no céu. Embora feliz, reclamou de Deus: o Senhor não havia prometido me salvar? E Deus respondeu: por três vezes tentei salvá-lo. No início mandei as autoridades, depois os bombeiros, até mesmo lancei mão de um helicóptero, mas você foi inflexível, recusou todos eles.

Essa história se repete na vida real, com duas derivações: os auto-suficientes, que recusam a ajuda dos outros, e os ingênuos, que pretendem que Deus faça o que eles mesmos deveriam fazer.

O auto-suficiente imagina-se iluminado, possuidor de todas as qualidades e iniciativas. Para que perder tempo com os outros? Baseado nos sucessos do passado, baseado em seus diplomas, age de forma individualista e rejeita qualquer sugestão. Até mesmo sugestões que lhe parecem boas, ele as deixa de lado. Seria humilhante fazer o que os outros sugeriram. Em relação às críticas, ele é ainda mais radical: são invejosos e incompetentes, melhor ignorá-los.

A outra categoria é constituída de pessoas piedosas, mas de profunda miopia religiosa. Rezam muito, pedem a Deus, mas esquecem de fazer sua obrigação. Deus não é desculpa para preguiçosos. Só depois de fazer tudo o que está ao nosso alcance, temos direito de pedir a Deus. O auxílio divino vem depois que nossas forças terminam.

O modo de agir de Deus passa pelas pessoas. De alguma maneira, os outros são anjos enviados por Deus para nos auxiliar, corrigir e indicar o caminho. A vocação cristã é comunitária. E na comunidade os dons de Deus estão distribuídos. E, quase sempre, os outros enxergam melhor nossos problemas e as possíveis soluções. Trabalhar em equipe é também uma prova de maturidade e inteligência. O povo costuma lembrar que quatro olhos enxergam melhor do que dois. O amor providente de Deus, quase sempre, passa pelos irmãos.

 

Dom Orlando Dotti toma posse como administrador apostólico de Vacaria

Bispo assume lugar de dom Pedro Sbalchiero, incapacitado pela doença

 

Bispo emérito de Vacaria desde novembro de 2003, dom Orlando Dotti, OFMCap, volta a conduzir a diocese. Em decorrência do estado de saúde do bispo diocesano, dom Pedro Sbalchiero Neto, dom Orlando foi nomeado pela Santa Sé administrador apostólico da diocese de Vacaria. Ele tomou posse na quarta-feira, 17 de janeiro, durante celebração eucarística na catedral de Nossa Senhora da Oliveira.

Em casos assim, quando há impossibilidade do bispo continuar dirigindo sua diocese, a nomeação é prescrita pelo Direito Canônico. Dom Orlando foi acolhido e legalmente empossado, "sede plena" e "ad nutum sanctae sedis " (de acordo com a vontade da Santa Sé) como administrador apostólico da diocese, com todos os direitos, ofícios e faculdades próprias dos bispos diocesanos.

Vacância – Até a nomeação, dom Orlando era vigário geral da diocese. É a terceira vez que Vacaria tem um administrador apostólico. A primeira vez ocorreu quando foi criada a diocese, assumindo como administrador o arcebispo de Porto Alegre, dom João Becker. A segunda vez aconteceu quando a prelazia foi elevada à condição de diocese. Dom Cláudio Colling, que era bispo de Passo Fundo, também acumulou o cargo de administrador apostólico de Vacaria.

Dom Orlando explica que, no caso de vacância de uma diocese (por morte, ausência do bispo titular e, acima de tudo, por transferência), o colégio de consultores da referida diocese (formado por 7 a 9 membros) escolhe um administrador apostólico para conduzi-la, até que o papa nomeie um bispo. No caso de Vacaria, que tem seu bispo, mas a doença o impossibilita de conduzir os rumos da diocese, o administrador não é escolhido pelo colégio, mas pela própria Sé Apostólica (daí, apostólico), que normalmente indica um bispo. Se não há um bispo na diocese, geralmente é escolhido o bispo de uma diocese vizinha.

Para dom Orlando Dotti, que atuou como bispo durante 20 anos em Vacaria, o novo cargo passa a ser aceito com humildade e zelo. "Pretendo levar adiante o Plano Diocesano de Pastoral e trabalhar em conjunto com os padres e lideranças da diocese. Mas também desejo acelerar a nomeação de um bispo coadjutor, para que ele possa assumir o quanto antes, mesmo sabendo que esse é um processo que demora muito", salienta.

Mas também não se descarta a volta de dom Pedro Sbalchiero. Apesar do grave problema de saúde (matéria abaixo), dom Pedro dá sinais de melhora e em caso de recuperação plena, pode voltar normalmente ao cargo que exercia.

 

Bispo dinâmico, disciplinado e piedoso

 

Dom Pedro Sbalchiero foi nomeado bispo coadjutor de Vacaria em janeiro de 2003. Em abril do mesmo ano foi sagrado bispo e no final de 2003, com o pedido de renúncia de dom Orlando Dotti, assumiu como titular da diocese, mostrando desde o início ser um bispo dinâmico, organizado, disciplinado e piedoso.

Filho de Valentim e Maria Miolla Sbalchiero, dom Pedro nasceu em Sananduva (RS) aos 14 de dezembro de 1953. Pouco tempo depois de assumir como bispo, começou a lutar contra um grave tumor no cérebro. Apesar das cirurgias realizadas em Curitiba, a doença afetou seriamente sua saúde. Como não há mais o que fazer, há mais de um mês os médicos o liberaram para voltar a Vacaria, onde é atendido pelos padres, enfermeiros e por um médico que o acompanha regularmente. Seu estado de saúde é estável.

 

Murialdinos recordam 40 anos da morte de Padre Schiavo

 

No dia 27 de janeiro a família de Murialdo e as comunidades católicas de Caxias do Sul e da Serra gaúcha recordam os 40 anos da morte do Servo de Deus, Padre João Schiavo. A data será comemorada com uma missa às 18 horas, na igreja matriz de Fazenda Souza, seguida de romaria ao túmulo onde Padre Schiavo está sepultado.

"Padre João Schiavo, sacerdote murialdino, foi um líder espiritual que marcou profeticamente a história da vida religiosa da Serra gaúcha e da Província Brasileira do Imaculado Coração de Maria dos padres josefinos", salienta padre Bruno Barbieri, pároco de Ana Rech. Italiano de Vicenza, padre Schiavo chegou ao Brasil em 1931. Exerceu um fecundo apostolado no Sul do país até sua morte, ocorrida no dia 27 de janeiro de 1967, aos 64 anos.

Homem piedoso, de oração e de inúmeras virtudes, sempre foi movido por um grande espírito de iniciativa, liderança e trabalho. Foi o primeiro provincial dos josefinos no Brasil, escolhido em 1946, cargo que exerceu por três triênios. Deixou inúmeras fundações, entre as quais o seminário josefino de Fazenda Souza (1941), a Escola Normal Rural de Ana Rech (1942) e o Abrigo de Menores São José, hoje Centro Técnico Social (1947), em Caxias do Sul, que em abril completará 60 anos de atividades.

Organizou a província conforme o carisma do fundador, São Leonardo Murialdo, com um trabalho intenso junto aos órfãos e crianças menos favorecidas. Em 1954 fundou a Congregação das Irmãs Murialdinas de São José, que hoje atua em diversos Estados. Está sepultado em Fazenda Souza e seu túmulo atrai muitos devotos e peregrinações. No dia 27 de cada mês é rezado o terço no local, às 17 horas no horário de verão, e às 16 horas, durante o ano. Em outubro de 2001 foi instalado solenemente o Tribunal Eclesiástico da Causa de Beatificação e Canonização do Servo de Deus Padre João Schiavo.

 

NOS PASSOS DE DEUS

Wilson João

Somente Deus ajuda a contruir as pontes da fé e da esperança, as pontes da vida e da certeza da ressurreição

 

A história da humanidade se divide em dois grandes blocos: o bloco dos que aceitam Deus em sua história pessoal, e o bloco dos que dispensam sua companhia. A história da humanidade e de cada pessoa está marcada por este dilema: aceitar ou recusar Deus na vida. É a história de Adão e Eva, de Caim e Abel, dos profetas e reis do povo de Deus. É a história do próprio povo de Deus, que em alguns momentos aceita Deus para sua vida, e em outros o rejeita. Essa mesma história se repete em cada nação e em cada comunidade humana. Refletindo essa realidade sinto que Deus anda nos meus passos e eu nos Dele.

DEUS É MINHA ESTRADA. Como guia e mestre vai sempre na minha frente. Ele é condutor. Ele é a estrada. Sempre vai convidando a cada ser humano: "a vida e o amor, a paz e a alegria, a felicidade e a realização é por aqui. Venham comigo." Nosso coração sabe o caminho. Mas, teimosamente, quer fazer o seu caminho. Independentemente. E acaba nos becos sem saída.

DEUS É MINHA ESTRADA RETA E CURVA. Nenhuma pessoa tem o previlégio de andar sempre numa estrada reta. A vida é feita de curvas. São as cruzes, as doenças, as dificuldades e contrariedades. E Deus passou por esses trechos. Sabe como vencê-los. Por isso sua companhia é indispensável.

DEUS É MINHA SUBIDA E DESCIDA. Não há como fugir. Por mais que João Batista tenha gritado "encham os vales e derrubem as montanhas", elas permanecem. Não foi em vão que Jesus subiu ao monte Tabor e ao monte Calvário. Não foi em vão que Ele convidou Pedro, Tiago e João para descerem do monte. A vida é subir e descer. O final de nossa caminhada deve ser num monte. Jesus terminou no monte Cálvario. Quem está com Ele finaliza a vida na montanha da paz e da vida, da realização e do sucesso.

DEUS É MINHA PONTE. Como passar pelos abismos do sofrimento e da morte? Como atravessar os vales e os rios das perdas e da solidão? Somente Deus me ajuda a construir as pontes da fé e da esperança, as pontes da vida e da certeza de ressurreição. Ele é minha ponte em cada situação de necessitado.

DEUS É MEU ASFALTO. É o final da história. Sucesso absoluto. Vida sem perdas e sem miséria, sem luto e sem morte. Deus me prepara um caminho todo asfaltado. É o reino dos céus. O reino da vida e do amor, da paz e da felicidade.

Posso dizer com alegria: fiz minha caminhada nos passos de Deus.

 

CORREIO SABE-TUDO

BICHOS DA PRAIA

 

São tantos os animais que habitam os oceanos que, sem pensar muito, é possível citar pelo menos uma dezena deles. Estrela, siri, água viva, caranguejo, marisco, tatuíra, bolacha-do-mar, caramujo, lagosta, camarão. Alguns são comumente vistos em nossas praias, como o marisco, outros são menos freqüentes, caso do caranguejo. Não sabemos muito a respeito desses animais, e exatamente por isso eles costumam chamar nossa atenção. A humanidade ainda tem muito a descobrir sobre o fundo dos oceanos, enquanto isso, o Correio Sabe-Tudo revela algumas curiosidades da vida marinha...

Siri e caranguejo: muita gente confunde siri com caranguejo. A principal diferença entre esses dois crustáceos é que o último par de pernas do siri termina em uma espécie de nadadeira, enquanto que o do caranguejo termina em forma de unha. Além disso, o siri possui espinhos longos e bem afiados em cada um dos lados da carapaça. Já o caranguejo é mais arredondado nas laterais do corpo.

Ambos são carnívoros: Eles usam as garras para pegar um peixe e levá-lo à boca. São capazes de quebrar a concha de um mexilhão para comê-lo. Vivem andando pelas rochas da praia, escondendo-se em frestas. Podem também viver no mangue, onde o rio desemboca no mar, enterrados em buracos na lama ou trepados nas árvores típicas dos manguezais. Alguns vivem entre pedras e plantas, no fundo dos rios.

Marisco: Também conhecido como mexilhão. Pertence ao grupo dos moluscos. Seu corpo mole é protegido por uma concha calcária dividida em duas partes (valvas). Por incrível que pareça, o mexilhão possui coração. Ele é bem pequeno e está situado no lado de cima, perto da dobradiça que liga as duas valvas. O mexilhão é um fruto do mar bastante apreciado. É cultivado no mar, em cordas suspensas, em várias regiões do Brasil.

Caramujo marinho: ele carrega uma concha torcida em espiral. Quando retirado da água, ou quando toca-se nele, imediatamente encolhe a cabeça e o pé, ficando todo dentro da concha, cobrindo inclusive a abertura dela com uma tampinha chamada opérculo. Na cabeça do caramujo marinho, existe um par de tentáculos, dois olhos e a boca. Na boca, há uma fita com vários dentinhos, lembrando uma serrinha, chamada rádula. Os caramujos marinhos comem ostras, mexilhões, outros caramujos e até peixes. Também raspam algas das rochas para comer.

Estrela-do-mar: de um braço partido nasce um novo organismo. Algumas espécies são capazes de regenerar-se. Então, se um dos braços é separado do corpo, ele é substituído, enquanto um novo organismo completo crescerá do braço isolado. Há quase 2 mil espécies de estrelas-do-mar, a maioria com cinco braços idênticos.

Ela não possui cabeça nem cauda; seu corpo consiste de duas partes: o disco central, com a boca e o ânus; e os braços, que têm carreiras de pequenos pés tubulares capazes de movimentá-la.

Este animal carnívoro tem um modo especial de devorar os moluscos. Envolve a vítima com seu corpo e abre a concha com os braços. Então introduz o próprio estômago na concha entreaberta e come a presa. Quando a refeição acaba, o estômago da estrela-do-mar se retrai e a concha vazia, completamente limpa, é abandonada. Seu tamanho varia entre alguns centímetros e um metro de diâmetro.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em mim

Prof. Valdemir Guzzo

Antônio Prado-RS

 

Valdemir, depois de 30 anos, trocou o Banco do Brasil pela Universidade; atua no Departamento de Educação da Universidade de Caxias do Sul; cursa doutorado em Educação na Unisinos. Com simplicidade e espontaneidade assim expressa sua italianidade:

"Nasci em Veranópolis por entre vales, parreirais e montanhas verdejantes. Tomo o mote que a Rádio Veranense utilizou por muitos anos, fonte principal de minhas informações. Venho de uma família pequena: meu pai Ovídio (falecido), minha mãe Dona Emma e minhas irmãs Valda e Vaneci.

Meus avós paternos (Valentin e Carolina) residiam próximos de casa, e os maternos (Casemiro e Tereza Benatto), a uma distância que percorríamos quase todos os domingos em pouco mais de uma hora de caminhada.

Ali, no interior, a vida não era a mesma. Entre outras coisas, falava-se diferente, uma linguagem que muito depois aprendi a valorizar. Na escola, nos livros, nas trocas com os amiguinhos da infância e adolescência, esse falar diverso não aparecia em momento algum. Havia, sim, uma declarada antipatia ao modo de ser, agir e falar do interiorano. As causas? Talvez a extrema valoração ao citadino, o que atribuo, hoje, ao individualismo para o qual se encaminhava a vida na cidade.

Com as festividades do Biênio da Imigração e Colonização (1974-1975) afloraram muitas histórias, e alguns abnegados, como o frei Rovílio Costa, tomaram a si contar e redescobrir essa cultura. Em 1975, assumi cargo no Banco do Brasil, e pude conhecer um pouco mais algumas regiões do nosso Estado. Nomeado, depois, Fiscal da então Carteira Agrícola do mesmo Banco, vim a descobrir o que é a vida do homem do interior. Aquele que na cidade era chamado de colono, tinha uma vida e uma história que representavam a construção de uma comunidade.

De mãos calejadas, de fisionomias às vezes cansadas e quase que abandonados em seus projetos maiores de uma vida melhor, encontrei, ainda assim, naqueles olhares, a alegria de não perder a esperança, fazendo com que eu percebesse com outros olhos a trajetória dessa gente.

Preservar a história é também ter um olhar diferente sobre o que imaginamos conhecer. Mais do que conservar a língua, documentos ou fotos, reconhecer o quanto esses povos, de todas as etnias, foram importantes para estabelecer esses marcos de colonização talvez seja nosso maior tributo de agradecimento.

Resido há vinte e um anos em Antônio Prado, cidade também nascida a partir especialmente da imigração italiana e tombada recentemente pelo Patrimônio Histórico Nacional em razão do acervo de suas construções em madeira. Chegamos aqui à época do tombamento: minha esposa Dirce Brambatti Guzzo, natural de Sananduva, meu filho Guilherme, então com três anos, e tivemos a felicidade de receber em nosso convívio a caçula Natália logo depois.

Creio que conhecer nossa região, verificar o trabalho de resgate de toda essa história muito bem documentada por inúmeras pesquisas, e expressa em farta literatura, da qual cito o ícone Nanetto Pipetta, de Frei Paulino de Caxias (Aquiles Bernardi) como um dos livros que me fez rir e chorar, é uma forma de vivenciar a saga dos desbravadores que aqui aportaram. Dando continuidade à sua história de lutas, trabalho e fé, me sinto feliz com minha família em dar continuidade à sonhada América que nos legaram com as marcas de seus sonhos, utopias e crenças" (e-mail vguzzo@ucs.br)

Lindo! Valdemir, na administração da Carteira Agrícola, além de administrar os frutos do trabalho dos antepassados, afirmou os compromissos com sua italianidade e de sua família, que a expressam em todas as modalidades.

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (395)

Nanetto el cata che'l ga pescà el diaoleto

Luiz Bavaresco

Nova Prata - RS

 

Tuti i ani, quando el tolea su i mandolini, Nanetto el passava mal. I gavea bel molà zo le foie de mauri. Piantadi in te la terra bona, i gavea na carga de mandolini mai visto. Quel giorno, Nanetto ze levà su bonora e el ze ndà cavar i mandolini in te un quadreto in meso el mìlio de na banda dea fontana. Intanto che i cavava, i metea coi mandolini par sora, parché el sol li secasse, durante due o tre giorni. Con quela bondansa de mandolini, se ga ricordà nantra volta de so mama e de so fradei che i zera in Pagnano, Treviso, tel Véneto. El zera lì, coi so pensieri, e ghe ze vegnesto in mente che, na volta, dopo de cavar i mandolini, in Itàlia, lu e so fradei, el ze rivà casa sporco e pien de rogna che so mare ga tocà lavarghe i pié e le gambe con un bòtolo e saon, fato casa coi rotami del porco che i copea uno al ano. In quel tempo, i butea tel brondo, con la soda, anca la testa, ma i denti no i deventava saon, e i restava lì, in meso el saon, bianchi come el marfin. Varda ti, el ga pensà:

– O la soda la ze fiaca, o i denti e ze massa forti, dale due una.

Quea volta, so mare, dopo de netarlo col bòtolo, ghe ga dato na vardada te le rece, e la ga dito:

– Saria ora che te imparassi netar le rece, daromai te ghè età par ndar a morosa!

Fenio cavar i mandolini, el se ga sentà te na soca de sotacaval, el ga impienio el capeleto de mandolini e el ga tacà magnarli. Ghe ga tocà molar el spago che tegnea su le braghe de brin diamantino. In tera ze restà un mùcio de scorse. Ma sto ano, come tuti i ani, ghe ze capità un bruto mal de pansa, no zera pròpio la pansa, zera tuto intorno, e soto le costele. Ghe fea mal anca el figà. Le buele le fea un buio straordinàrio. Vanti rivar casa ghe ga tocà corer in scapoera, parché ghe parea che’l gavea voia, ma no ze vegnesto fora gnente. El gavea anca voia de trar indrio. Infati, l’è rivà casa con quel mal-esser, e el ga fato un sià de bonmaistro, ben forte e caldo e, pimpianeto, lo ga bevesto. Dopo arquante ore, el stava ben, el ga dito:

– L’ano che vien no vui gnanca saver de magnar mandolini verdi.

A la doménega, el gavea combinà col stradin Nani Giacomet, che rente sera i ndaria pescar tel rio da Zanta. Nani Giacomet el zera anca lu de Pagnano, e prima de rivar a Lajeadinho, el zera stà cuoco due ani in Porto Alegro. El zera maridà, e el gavea un toseto, de nome Primo, parché zera el primo nassis-to. Nanetto ga ciapà i lambi e le mignoche e el ze ndà verso casa de Nani, che’l gera drio spetarlo.

– Bona note! El ga dito.

– Bona note! Risponde Nani. Gera drio spetarte.

– Lora, ndemo.

E là i se mete ndar verso el rio in te un posto che i ciapava le piave, e anca doradi e tanti altri pessi. Quela note, ga scurio bonora par via che ghe zera nùvole, e el tempo el zera de piova. I ga ciapà na mùcia de pessi, intanto sboconava la caciassa che i ga comprà de Bepi del Trenta. La note, daromai, se fea avanti, e luri lì che i pescava come mati. Vegnea su pessi che parea la pesca milagrosa dei apòstoli tel mar dea Galileia. Alora Nanetto ga metesto na mignoca nova tel lambo, e quando el ze ndato butar el lambo tel aqua, par ària el ga ciapà un barbastrio. Invense de ndar tel aqua, el lambo se ga messo a zolar. Quando el ze vegnesto in Mèrica, el ga sentio dir che tel mare ghe zera pessi che i zolava, ma tel rio da Zanta ga mai sentio dir. L’era lì imbambio, fin che’l tira el lambo fin la man e el ga molà na osada che se ga sentio a chilòmetri.

– Santo Dio, Nani, go ciapà el diaoleto, varda qua! El sàngoe ghe ze vegnesto su fin i cavei. Ghe ga dato na tremarola, e se Nani no lo tegnesse, el saria ndato zo tel aqua profonda del rio da Zanta, e el se gavaria negà nantra volta.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Silencia a voz da emigração

Frei Rovílio Costa

Historiador, pesquisador e escritor, Porto Alegre – RS

 

Deliso Villa, autor de Storia Dimenticata, faleceu no dia 25 de setembro de 2006, em Romano d’Ezzelino, província de Vicenza, Itália, onde residia. Nascido em Piacenza em 1923, dedicou toda sua vida aos emigrantes, a serviço dos quais trabalhou como missionário durante 22 anos na França, Bélgica e Luxemburgo; 15 anos em Paris, onde dirigiu o Semanário L’Eco d’Italia, que então era o jornal da emigração mais difundido na Europa.

Retornando à Itália, no final da década de 1980, decidiu escrever um livro, e, seduzido pela sua própria experiência, escreveu um outro. Diz: "Non pensavo all’emigrazione. Volevo semplicemente parlare di un vescovo, monsignor Scalabrini, per illuminare meglio la sua straordinaria grandezza... Scalabrini era poco conosciuto dagli italiani perché l’emigrazione era, a sua volta, poco conosciuta... Quella che doveva essere la storia di un grande vescovo era diventata – per forza delle cose – la storia dell’emigrazione italiana".

Nos últimos anos, embora limitado pela enfermidade, continuava a lutar para divulgar no mundo sua Storia Dimenticata, publicada no Brasil em edição bilingue por EST Edições (2002, fone (51) 33361166, e-mail: freirovilio@esteditora.com.br), considerada a obra referencial e clássica da emigração italiana.

Storia dimenticata é a única obra sobre a emigração da Itália para o mundo que situa a vida, história, economia, política e religião da Itália no momento do grande êxodo, a partir da documentação oficial e da experiência do autor, o que dá ao livro um aspecto histórico-antropológico. Storia Dimenticata não agradou à Itália, tanto assim que várias editoras rejeitaram sua edição, alegando que o tema emigração não interessava ao país. É que, no pensar de Villa, a Itália tem medo de divulgar o que aconteceu com seus filhos, obrigados a vagar pelo mundo em busca de sonhadas américas.

Para conhecer a dimensão da imigração, necessário se faz conhecer o fenômeno da emigração, fenômeno esse quase exclusivamente tratado de forma exaustiva e completa por Deliso. Longe 131 anos dos primórdios da emigração e da imigração, vamos às fontes para entender e nos entendermos dentro desta grande história.

 

Italia Bela

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba – PR

 

Tel 1899, i taliani i cantea la cansion "Italia bela, mòstrate gentile", originària dala pìcola cità de Porciano, te la region dea Toscana, da ndove i ze vegnesti tanti taliani a la Mèrica. La cansion la gera questa:

"Italia bela, mòstrate gentile/ e i to fioi no i te bandonarà/ Senò, i va tuti al Brasile,/ e no i se ricordarà de ritornar./ Qua stesso se gavaria dove laorar/ sensa bisognar a la Mèrica emigrar./ El sècolo presente suito el ne lassa,/ El mila e novessento el se visina./ La fame la ze stampada te la nostra fàcia/ e par guarirla remèdio no ghe ze./ A ogni ora se scolta dir:/ Mi vao là, dove ghe ze la racolta del cafè".

 

GERAL

Erechim realiza a Festa di Bacco

Programação inclui jantares, jogos e venda de produtos

 

Erechim celebra a uva e o vinho do município na 6ª edição da chamada Festa di Bacco. A abertura das atividades ocorre em 27 de janeiro, a partir das 14 horas, no Seminário Nossa Senhora de Fátima. Haverá jogos e comercialização de uva, vinho e derivados, além de artesanato. Às 19 horas, missa da uva na capela do seminário. A comercialização dos produtos segue pelos dias 28 e 31 de janeiro; dias 03, 07, 10, 14 e 17 de fevereiro, sempre das 14 às 20 horas.

A tradicional cavalgada está marcada para o dia 4 de fevereiro. Os participantes saem do Parque Frinape, de Erechim, às 7h30, em direção a Linha São Brás, onde serão recebidos com missa, às 10 horas, seguida de almoço.

Entre 27 de janeiro e 4 de fevereiro estão agendados vários passeios turísticos pelo Vale dos Parreirais e jantares típicos nas propriedades de produtores. Informações e reservas pelos telefones (54) 3522-3822 (Castelinho) e (54) 3522-1352 (Emater).

A comissão organizadora da Festa Di Bacco foi recebida, na terça 16, pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Fabiano Pereira. A comitiva foi divulgar a festa e convidar os deputados a participarem do evento.

Realizada pela primeira vez em 2001, a Festa Di Bacco recupera uma tradição cultural do município de Erechim bastante expressiva nas décadas de 20, 30 e 40, período em que a vitivinicultura era um braço forte da economia da região. O cultivo da uva reiniciou em 1997, após o crescimento da cultura da soja. Hoje, aproximadamente 50 famílias de pequenos agricultores dedicam-se à produção do vinho em quatro grandes cantinas, alcançando 1.800 toneladas/ano de uva.

 

Barão do Triunfo terá Festa da Uva

 

A Paróquia Nossa Senhora do Rosário, com apoio da Emater/RS-Ascar e prefeitura de Barão do Triunfo, realiza no próximo dia 28 a 72ª Festa da Uva. O evento ocorre a partir das 10 horas, na praça central. Missa, almoço, sorteio e show baile fazem parte da programação. Durante todo o dia, haverá feira de produtos coloniais e artesanato e parque de diversões.

O cultivo da uva em Barão do Triunfo é uma das atividades agrícolas mais antigas. Atualmente, 60 toneladas de uvas colhidas anualmente são utilizadas para o consumo familiar e para produção de vinho colonial, geléias e doces, comercializados nas propriedades.

A Festa da Uva é parte da história do município, que até os anos 70 tinha na vitivinicultura sua principal base econômica. Atualmente, apesar de a maioria dos produtores dedicar-se ao cultivo do fumo, o escritório municipal da Emater/RS-Ascar incentiva a produção de outras culturas e busca fortalecer a retomada da produção de uva e vinho como forma de agregar renda.

 

Parque do Iguaçu ganha certificação

 

O Parque Nacional do Iguaçu deve ser o primeiro do mundo a receber a certificação de eficiência ambiental ISO14001. A previsão é de que o certificado seja concedido em março deste ano. Resultado de convênio assinado em 2003, entre o Ministério do Meio Ambiente e o Sebrae/DF, a certificação comprova a implementação das normas do Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

A ISO 14001 garante o cumprimento de uma série de normas que visam minimizar os impactos ambientais causados pela atividade humana. A intenção é uniformizar, registrar e monitorar os procedimentos com rigor. Os requisitos são reavaliados anualmente.

O Parque Nacional do Iguaçu abrange a área da tríplice fronteira Brasil, Paraguai e Argentina. No ano passado, o local recebeu 954.039 visitantes. Desse total, 386.475 eram brasileiros. Os estrangeiros somam 567.564. Depois do Brasil, o país com maior número de visitas ao parque é Argentina com 171.102. Em 2005, mais de um milhão de pessoas visitaram o parque.

 

Telefone fixo muda em março

 

A partir de 1º de março de 2007, os usuários da telefonia fixa do país terão novas regras de tarifação para as suas ligações. A forma de cobrança dos serviços locais passará de pulsos para minutos. Essa modalidade envolve um universo de 5 bilhões de ligações por mês, somente entre telefones fixos. O maior movimento é das 11h às 12h, com fluxo de 1 bilhão de minutos por mês neste horário. Os números são da Associação Brasileira de Serviço Telefônico Fixo (Abrafix).

Agora, as concessionárias terão de oferecer dois tipos de planos. O básico, com franquia mensal de 200 minutos para telefones residenciais, é indicado para quem faz ligações curtas, de até três minutos. Já o plano alternativo, com franquia de 400 minutos, é ideal para quem faz chamadas longas e para quem usa o telefone para se conectar à internet.