DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.024 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 31 de janeiro de 2007.
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A difícil e constante luta da vitivinicultura para evoluir
O bom senso aconselha a redução dos juros sobre EGFs
Pelo segundo ano consecutivo, viticultores e proprietários de vinícolas chegam a um acordo sobre o preço mínimo da uva. O valor aprovado na semana passada pelo Conselho Monetário Nacional é resultado de um processo de aproximação dos dois mais importantes elos da cadeia de um setor que, historicamente, viveram sob o clima de conflitos. Reflete, ainda, um avanço no nível de conscientização a respeito da necessidade de unir forças, e não anulá-las por permanentes divergências e atritos.
A evolução da vitivinicultura gaúcha se deve, em boa parte, a iniciativas de empreendedores que investiram no aprimoramento da produção e administração. Desgarrados do perigoso imediatismo, pensaram longe e abriram caminhos mais seguros. Também está relacionada à pesquisa e a uma série de ações voltadas exclusivamente à qualificação – da conversão de variedades, embora incipiente, aos sistemas de cultivo; da aproximação com as mais modernas técnicas de elaboração de vinho a um posicionamento de mercado mais profissional.
Produtores de uva e de vinho fizeram a sua parte, ainda que em certas áreas parcialmente. Mas precisam mais para seguir na trilha da evolução. A começar por medidas mais abrangentes e enérgicas dos governantes para barrar o contrabando, executar uma fiscalização nacional e eficaz e dar ao produto local condições de competitividade para pelo menos se proteger da concorrência de importados.
A luta, nesse estágio, é mais difícil. Embora antigas, essas reivindicações estão longe de ser atendidas, devido ao atrelamento a decisões como a complicada redução da sufocante carga tributária, à qual governantes estadual e federal têm se mostrado insensíveis.
Há providências, no entanto, que saltam aos olhos de qualquer pessoa de bom senso. Uma delas é a redução dos juros do Empréstimo do Governo Federal (EGF), linha de financiamento para a compra de uva. No ano passado, e com grande alarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a liberação de R$ 200 milhões. Foram tomados menos de a metade. Um dos motivos: a taxa de juros de 8,75% ao ano, a mesma adotada quando a taxa Selic era superior a 25% e hoje ela se encontra em 13%. O atual governo fez muito pelo setor, e com isso concordam inclusive adversários no campo ideológico. Pode fazer mais e logo. A diminuição dos juros sobre EGFs é um exemplo.
População decide sobre construções
Povo será consultado para instalações nas zonas rural e urbana
A população caxiense vai decidir, juntamente com a Prefeitura, se deseja ou não a instalação de novos empreendimentos, tanto na zona urbana quanto na zona rural. O prefeito José Ivo Sartori sancionou a lei 6.649, que trata dos critérios para Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). A proposta, aprovada pela Câmara, é do vereador Alfredo Tatto (PT).
Município com 412 mil habitantes e densidade demográfica de 227,2 habitantes por quilômetro quadrado, bem superior à do Estado, de 37,9 hab./km², segundo o IBGE, a lei chega em boa hora. De acordo com Tatto, a lei evitaria a instalação, por exemplo, de hipermercados, como o que funciona no centro da cidade, e de prédios populares em bairros, como é o caso do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), no Desvio Rizzo.
A lei prevê que para novos empreendimentos privados ou públicos, que podem alterar os cenários histórico cultural, social, paisagístico e ambiental de uma região ou localidade, os moradores devem ser consultados. A forma e a data de ouvir a população ainda serão definidas. "A obrigatoriedade de ouvir a comunidade dá autonomia e representa respeito com a memória e a história dos antepassados", diz Tatto ao CR.
Com a sanção da lei, a própria Prefeitura precisa ouvir a população para seus projetos, como melhorias na infra-estrutura. A nova lei também estabelece proteção acústica que minimize impactos gerados pelas atividades, recuperação ambiental e preservação de elementos naturais e a criação de moradia de interesse social.
Obras melhoram parque dos Macaquinhos
O Parque Getúlio Vargas, conhecido como Parque dos Macaquinhos, está recebendo melhorias. Entre elas, destacam-se a reforma de bancos, bebedouros e lixeiras; construção de duas fontes de queda d’água; resgate de vertentes e a instalação do túnel de bouganvilles ou três marias. Até o final do ano, o túnel estará formado e florido
O secretário em exercício da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Adelino Telles, lembra a importância da conscientização da comunidade. "Recuperamos vários pontos, o que visualmente está transformando o parque. Vamos conscientizar os freqüentadores para que cuidem, pois esse espaço é de todos", argumenta.
No parque foram colocadas novas placas informativas e resgatadas antigas e novas vertentes, visando o aproveitamento de água. "A pista de skate foi pintada e será adornada pelos grafiteiros da cidade", adianta Telles.
Banco de olhos apresenta balanço
Em dez meses de atividades, o Banco de Olhos do Hospital Pompéia, em parceria com o Lions Clube São Pelegrino, foi responsável por 36 dos 98 transplantes realizados neste hospital e por 106 em outras instituições. Além disso, foram captadas 107 córneas, sendo que 72% do volume captado pelo Banco de Olhos são oriundos da própria instituição.
O Pompéia começou a transplantar córneas em 2004, mas somente em março do ano passado foi implantado o Banco de Olhos. Dezembro foi o mês que liderou a captação, atingindo índice de 16,8% do total de captações do período.
A rejeição familiar à doação preocupa a instituição. Se analisados os casos passíveis de doação, quando a pessoa cumpre todos os requisitos para que a doação seja efetivada, 50,3% não tiveram o aval da família. Entre as causas de morte dos doadores, os casos de câncer tiveram índice de 29%. Os dados foram divulgados pela Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes do Pompéia.
Fórum Social busca um novo mundo com protestos
Edição concentrada de 2008 será substituída por atos pelo mundo. Brasil se candidata a 2009
A sétima edição do Fórum Social Mundial (FSM), realizada na semana passada em Nairóbi, capital do Quênia, dividiu opiniões sobre a organização e os resultados práticos, mas manteve entre a maioria a certeza de que a sua continuidade é uma arma potente na busca de um novo e possível mundo. O FSM encerrou na quinta 25, após quatro dias de centenas de eventos, oficinas e expressões artísticas, com destaque para os debates de propostas baseadas no lema do encontro: "Outro mundo é possível".
O primeiro FSM, realizado integralmente na África, reuniu um volume de reivindicações grande e abrangente. Entre as deliberações definidas pela Assembléia dos Movimentos Sociais estão o perdão da dívida externa de países pobres, a destinação de medicamentos gratuitos para tratar da Aids entre os africanos e a indenização dos países ricos aos seus credores terceiro-mundistas. O documento pede ainda a retirada das tropas norte-americanas do Iraque e Afeganistão e a paz em Darfur (região conflagrada do Sudão). Também elogia as vitórias eleitorais da esquerda na América Latina e inclui sugestão de ações mais ofensivas para obter resultados semelhantes aos latino-americanos. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), em nome de movimentos sociais brasileiros, pediu a saída imediata das tropas da ONU do Haiti.
Perspectiva do sociólogo peruano Aníbal Quijano pode ser adotada como a síntese das manifestações ocorridas no 7º FSM: "O padrão do poder dominante é um só nos quatro cantos do mundo. E o Fórum contribuiu para reproduzir os paradoxos desse mesmo padrão de poder". Para ele, "não se produz mais emprego, mas desemprego. O capitalismo se dá com base na escravidão e na exploração servil".
Clima – "Os aspectos técnicos e organizacionais deixaram a desejar. O público foi menor. Mas pairou no ar o sonho de uma outra sociedade, onde a economia seja diferente, onde os regimes políticos sejam realmente democráticos, onde as religiões sejam irmãs, onde os direitos dos grupos e situações humanas sejam respeitados, onde haja uma convivência pacífica com a natureza", avaliou frei Aldir Crócoli, capuchinho gaúcho que participou do Fórum, inclusive apresentando uma oficina.
O público, realmente, foi inferior. Foi calculado em 60 mil pessoas – em 2005, em Porto Alegre, foram 150 mil. Um dos motivos é o custo de deslocamento. Outro, a cobrança da inscrição. Os participantes do Hemisfério Norte pagaram US$ 110, os do Sul, US$ 28 e os africanos, US$ 7. Os quenianos se sentiram excluídos e protestaram. No país, cerca de 50% da população vivem com menos de US$ 2 por dia.
2008 – O Comitê Internacional do FSM decidiu que em 2008 não haverá um evento concentrado, mas diversos encontros e manifestações pelo mundo contra o liberalismo e antiglobalização. Já está definido um dia de ação contra a guerra, marcado para 20 de março. Também está programada um ato, em junho, na Alemanha, próximo à reunião do G-8, e uma semana, de 14 a 21 de outubro, de mobilização mundial pelo cancelamento da dívida dos países pobres. Os atos iniciam em janeiro, concomitantes ao Fórum Econômico de Davos, palco mais fulgurante do liberalismo mundial.
Os brasileiros que integram o Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, formado por 180 movimentos sociais, pediram no sábado 27 que o encontro de 2009 seja realizado no Brasil. Seria a volta, após quatro edições realizadas em Porto Alegre (2001, 2002, 2003 e 2005). O Paraná já se candidatou oficialmente a sediar o evento. A decisão final deverá ser tomada em junho.
A participação dos franciscanos
Além da marcha de abertura identificados com a bandeira da paz, os franciscanos participaram do Fórum em Nairóbi apresentando três oficinas: sobre "Solidariedade com os excluídos pelo HIV", "Diálogo inter-religioso" e "Os franciscanos e os desafios da ecologia e da posse de terra". O grupo era composto por 44 franciscanos e franciscanas, de 23 países. Desde o dia 11 de janeiro partilharam experiências de presença solidária junto ao povo mais necessitado, aprofundando o carisma e visitando ações de solidariedade no Quênia.
Espiritualidade para outro mundo possível
Antes do Fórum Social, Nairóbi sediou o Fórum Mundial de Teologia e Libertação. A seguir o relato e a avaliação do evento feita pelo frei capuchinho Luiz Carlos Susin, secretário-geral do FMTL.
"Mais de trezentas pessoas, a metade vinda do continente africano, participaram do segundo Fórum Mundial de Teologia e Libertação. Desta vez o fórum teve como grande tema "Espiritualidade para outro mundo possível", e aconteceu às vésperas do Fórum Social Mundial, na cidade de Nairóbi. Em meio a espaços de oração e de danças de grupos africanos, com rituais cristãos inculturados, foram realizados painéis, mesas redondas, debates, oficinas e comunicações científicas.
O primeiro dia contou com a presença marcante de François Houtart, que já foi perito do Concílio Vaticano II, renomado sociólogo. Houtart mostrou com gráficos a situação econômica e política globalizada em que nunca como hoje os ricos acumularam riquezas provindas de todas as partes do mundo liberalizado. Nessa situação ressaltou inclusive o agronegócio, que torna continentes inteiros um grande quintal de cada vez menos empresas, em detrimento da biodiversidade. Ao seu alerta, teólogos de diversos continentes reagiram com a urgência de uma espiritualidade mais integral, que abrace todas as formas de vida, que contemple a preferência de Deus pelos pobres do mundo não porque quer pobreza, mas porque é Deus de vida para todos.
Tinyko Maluleke, da África, enfatizou a forca da religião para construir ou para destruir, segundo seja bem ou mal interpretada. Jon Sobrino, da América Latina, insistiu no ponto de vista dos crucificados pela injustiça. Da Ásia, Rohan Silva sublinhou o empenho cristão para que as comunidades se mantenham fortes com sua auto-estima desde a espiritualidade asiática. Já pela Europa, trata-se de encontrar de novo uma alma que não seja de consumidor.
No segundo dia o fórum se fixou na África. Os teólogos da Uganda e do Quênia, John Lukwata e Philomena Mwaura, relacionaram a religião tradicional africana e o cristianismo mostrando a fecundidade que cada qual pode aportar ao outro. A África está muito perto da narrativa do Evangelho: chamar Jesus de Irmão Protetor, o Primogênito, é algo da cultura africana.
O terceiro dia do Fórum foi dedicado a 24 oficinas e 20 comunicações científicas, numa variedade de iniciativas vindas de todos os continentes sob o tema geral da espiritualidade. Já no último dia, o fórum foi dedicado a um diálogo com outras tradições religiosas presentes na África. O representante muçulmano sublinhou o potencial de diálogo e de convivência, assim como o hindu ressaltou aspectos de colaboração espiritual e social. Da África surgiu um grupo de mulheres da fronteira conflituosa entre o Quênia e o Sudão que apresentou, através de danças e falas, a sua experiência de convivência como mulheres muçulmanas, cristãs e de religião tradicional africana. Um painel de teólogos de diversos continentes finalmente procurou sistematizar o que pode ser uma espiritualidade para que este mundo seja melhor. A chave de ouro coube ao arcebispo Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, que levantou o fórum com freqüentes aplausos."
Otimismo marca abertura da 13ª Fenavinho
Discursos destacaram o potencial do setor e o sucesso do evento
Mais de 30 mil pessoas visitaram a Fenavinho, em Bento Gonçalves, só no primeiro final de semana do evento. A festa foi aberta oficialmente na sexta 26, com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, de autoridades locais e da região, líderes da cadeia produtiva da uva e do vinho e empresários. A solenidade foi marcada por discursos que evidenciaram o potencial empreendedor da comunidade e o esforço conjunto da iniciativa privada e do poder público para o sucesso da 13ª edição da Fenavinho.
O presidente da festa, Tarcísio Michelon, agradeceu o apoio recebido, mas também destacou dificuldades que o setor vitivinícola enfrenta. Segundo ele, o setor ainda espera a redução do IPI do vinho e a fiscalização efetiva da entrada dos produtos estrangeiros no país.
O secretário estadual de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, Nelson Proença, que representou a governadora Yeda Crusius – cujo avião não pode pousar em Caxias do Sul devido ao mau tempo -, afirmou que a Fenavinho é resultado do esforço dos imigrantes italianos em tornar a região, a maior produtora de vinhos do Brasil.
Após o desenlace da fita inaugural, os convidados visitaram os estandes da festa. A noite terminou com um jantar de comidas típicas italianas.
Na ocasião também foi assinado contrato entre a Caixa Econômica Federal e a Fundaparque, através da Prefeitura Municipal, para a construção do Centro de Eventos no Parque da Fenavinho. O investimento na obra é de R$ 1,6 milhão.
Estréia do espetáculo cênico encanta 4,5 mil pessoas
Cerca de 4,5 mil pessoas lotaram as arquibancadas do kartódromo da Fenavinho, no sábado 27, para assistir a estréia do espetáculo cênico que conta a história cultural do vinho na humanidade. Em duas horas e meia, o show surpreendeu o público com a atuação de 400 figurantes e 160 técnicos que davam vida a nove cenários e 22 alegorias de até 16 metros de altura.
O espetáculo inicia há 100 milhões de anos, com o Big Bang, teoria que explica o surgimento do universo. Em seguida, a imagem de Deus ganha movimento para criar o homem e a videira. Na passagem de Adão e Eva, uma serpente de 25 metros de comprimento encena a tentação no paraíso. A Arca de Noé desembarca no palco centenas de animais, representados por crianças. O show passa pela cultura egípcia, pela civilização grega e chega a Roma, onde o deus do vinho ganha o nome de Baco.
O espumante entra em cena a partir da Idade Média, representado por uma imensa garrafa que explode em borbulhas diante do público. No ano de 1870, a encenação ganha ares dramáticos quando uma praga, a filoxera, surge e dizima os parreirais, provocando a imigração dos povos arrasados.
Na reta final, os imigrantes chegam à antiga Colônia Dona Isabel, hoje Bento Gonçalves, trazendo mudas de videira. O encerramento do show celebra a fartura, representada pela Fenavinho, com as soberanas surgindo de dentro de pipas. Enfim, de pé, o público aplaude o espetáculo por cerca de dez minutos, demonstrando aprovação. As próximas apresentações previstas ocorrem dias 3, 10 e 17 de fevereiro, às 21 horas.
Conjunto de atrações dentro e fora do parque
A presença de quase 100 vinícolas oferece a possibilidade de o visitante conhecer o que de melhor se produz em termos de vinho na região. Os 150 estandes da agroindústria dão a dimensão da variedade e qualidade de produtos (salame, pão, queijo, cachaça, artesanato.....) que o agricultor familiar coloca à disposição. A praça de alimentação, com seu Filó Gastronômico, põe à mesa os mais tradicionais pratos da imigração italiana. Esses são alguns dos atrativos da Fenavinho Brasil 2007 no parque de eventos. Mas tem mais. O vinho encanado, no centro da cidade, é parada obrigatória. E o espetáculo cênico "A História Cultural do Vinho", imperdível. A Fenavinho 2007 vai até 20 de fevereiro, às sextas (das 14h30 às 22h30), sábados e domingos, das 10 às 22h30), segunda e terça de carnaval, das 10 às 22h30.
CMN aprova o preço mínimo da uva
Reajuste de 9,52% injeta R$ 20 milhões no setor vitivinícola gaúcho
As uvas que começam a chegar às vinícolas têm preço oficial. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o preço mínimo de R$ 0,46 por quilo da variedade isabel, de 15º glucométricos, para a safra 2007. O reajuste é de R$ 9,52% sobre o preço anterior, de R$ 0,42 e foi proposto pelo Ministério da Agricultura, após a ida a Brasília dos representantes do setor.
O menor valor, previsto na tabela oficial de preços mínimos, é de R$ 0,414 sobre as tintas americanas (como isabel, seibel e couderc) com apenas 13º graus Babo. O maior é de R$ 1,0925 para uvas brancas com 20º Babo, como chardonnay e riesling itálico.
Se confirmada a qualidade e a quantidade, cerca de 10% superior à da safra anterior, segundo a Emater/RS, as 16 mil famílias dos viticultores gaúchos irão embolsar de R$ 20 milhões a R$ 25 milhões a mais com a elevação de preço. O cálculo é da Comissão Interestadual da Uva, entidade que representa os produtores de uvas dos Estados do RS e SC.
Para Raimundo Bampi, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, os recursos são bem-vindos, mas o agricultor já sabe para onde irá destinar as verbas. "Além das melhorias na propriedade e nos vinhedos, parte do dinheiro será investido na segurança", explica ao CR. "As casas do interior estão sendo gradeadas, o que seria desnecessário", lamenta.
Caxias do Sul produz de 13% a 14% das uvas do Rio Grande do Sul, a maioria vira vinho, mas grande parte é comercializada in natura. "Os cerca de 2.000 viticultores do município deverão receber R$ 2 milhões a mais por conta do aumento de 9,52% sobre o preço anterior (R$ 0,42)", diz Bampi.
EGF – O governo ainda não definiu os valores do EGF (Empréstimo do Governo Federal) que serão colocados à disposição das empresas e cooperativas vinícolas para pagamento da safra. "Deverá ser o mesmo valor do ano passado, de R$ 200 milhões", adianta o assessor especial do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Herlon Almeida.
Segundo o assessor do MDA, dos R$ 200 milhões disponibilizados em 2006, pouco menos de R$ 80 milhões foram contratados pelas vinícolas. "Não irá faltar dinheiro para o custeio e comercialização da uva", afirma Almeida ao CR.
A data para o pagamento da safra 2006 será 30 de junho de 2007. O presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, disse que poucos viticultores ainda não receberam os valores da safra passada. "Acredito que as cantinas irão quitar as dívidas com os produtores antes do prazo", conclui Schiavenin.
Vinícolas querem a redução de juros
Não adianta aumentar o volume de recursos à disposição através de Empréstimos do Governo Federal (EGFs) se as taxas de juros não forem reduzidas. Esta é a opinião da maioria dos proprietários de vinícolas. "O governo mantém os 8,75% ao ano, índice que aplicava quando a taxa Selic era superior a 25%. Mas a Selic está em 13%. É natural que os juros sobre os EGFs também diminuam". A afirmação é de Danilo Cavagni, presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin.
Isso explica, pelo menos em parte, porque sobrou mais de a metade dos R$ 200 milhões anunciados pelo presidente Lula para a safra passada. Entidades do setor tentam sensibilizar o governo a reduzir a taxa. "Pela lógica, precisa encolher 50%", afirma Cavagni.
Lanznaster preside a Coopercentral
O engenheiro agrônomo Mário Lanznaster é o novo presidente da Coopercentral Cooperativa Central Oeste Catarinense (Aurora). Para um mandato de quatro anos, assume no lugar de José Zeferino Pedrozo, com 25 anos de atuação no setor cooperativista. Lanznaster, catarinense de Presidente Getúlio, é suinocultor e produtor de milho, feijão, soja e trigo.
O novo conselho de administração da Coopercentral Aurora é formado por Luiz Hilton Temp/CooperA1, Neivor Canton/Copérdia, Marcos Antônio Zordan/Cooperitaipu e Nei Mânica/Cotrijal, Décio Sonaglio/Coperio e Ari Reisdoerfer/Camisc.
A Coopercentral Aurora possui um conglomerado com mais de 11.000 empregados e receita operacional bruta superior a R$ 2 bilhões. Reúne 17 cooperativas singulares que, juntas, representam 79.000 produtores rurais de SC e do RS.
Engº. Agrº. José Zugno
As utilidades da babosa
Lendo a coluna Vida Agrícola do dia 6 de dezembro de 2006 sobre xampu de babosa, gostaria de contribuir com uma receita sobre os diversos usos da planta. Encontrei a receita no livro "Cura-se com remédios caseiros – solução para centenas de problemas", de Jaime Brüning, Cascavel (Assoeste – 1988), Paraná. Estou utilizando o produto e está sendo ótimo para o meu problema.
Carmelina Sangali
São Pedro – Jóia – RS
Publico abaixo a carta da prezada assinante Carmelina Sangali. Ela sugere uma receita de xampu de babosa, certamente útil para os nossos leitores, como para o assinante José Luís Ghinzelli, de Antônio Prado (RS), que solicitou à Vida Agrícola receita de xampu à base de babosa.
Como fazer o xampu de babosa: derreter em um litro de água um pedaço de sabão de coco, 1 maço de folha de babosa, 1 maço de salsa e 8 folhas de confrei.
Depois corta-se tudo e bate-se no liqüidificador. A seguir, ferver o conteúdo em 1 litro de água e coar. Misturar ao sabão e está feito o xampu. Agora, é só usar.
É bom lembrar que a babosa fortalece, a salsa amacia e dá brilho ao cabelo e o confrei cicatriza e evita a caspa.
O Irmão Cirilo Korbes, em seu livro "9.420 receitas botânicas – plantas medicinais", afirma que a babosa "macerada em álcool ou em cozimento, é ótimo remédio contra a caspa, crespidão e calvície. Com ela se prepara o popular xampu para os cabelos".
O padre Ivacir Franco e o professor Vilson Luiz Fontana citam no livro "Ervas e plantas – a medicina dos simples", que dentre suas propriedades, a babosa "embeleza e fortalece os cabelos".
Outras receitas da babosa contra queda de cabelos – "Pique 10 cm. de folhas, amasse-as e massageie os cabelos com essa pasta envolvendo-os com uma toalha por 12 horas. Enxágüe com água morna. Acrescente suco de maçã se os cabelos forem oleosos; ou glicerina, se forem secos". (Marcos Gomes, "As plantas da saúde")
"Das folhas frescas da babosa extrai-se o suco que tonifica e previne a queda de cabelos: aplicar o suco fresco no couro cabeludo com leves massagens, deixando agir por 1 hora, e depois enxaguar com água morna". (Moacyr Rigueiro, "Plantas que curam")
Babosa contra queda de cabelos e cascão na cabeça – "Uma folha de babosa, uma colher de borra de café. Misturar e aplicar a infusão nos cabelos. Lavar no dia seguinte". (Irmã Maria Zatta, "A farmácia da natureza").
Aloés – A babosa é conhecida como Aloe Vera ou Aloés, tem um aspecto de um cacto de cor verde, mas este pertence à família dos lírios e a sua verdadeira origem é africana. Esta planta por dentro tem um líquido viscoso e macio. A Aloe Vera é utilizada para muitos fins medicinais há muitos anos, geralmente é usada para problemas relacionados com a pele, por exemplo acne e queimaduras.
A esta planta são reconhecidas propriedades dermo-cosméticas como bactericida, cicatrizante e principalmente a capacidade de reidratar o tecido capilar ou dérmico danificado por uma queimadura.
A aloés, aplicada sobre uma queimadura, ajuda rapidamente a retirar a dor, pelo seu efeito reidratante e calmante. Pelo mesmo efeito (reidratante), lentamente, irá reparando o tecido queimado, curando desta forma a queimadura.
Se tiver aceso à planta, a sua utilização se fará da seguinte forma: corte longitudinal na folha, para queimadura: aplicação direta da folha sobre a queimadura; para tratamento de acne: retirar suavemente o líquido viscoso e utilizá-lo como pasta sobre o rosto e remover com água morna.
Filtro solar evita manchas cutâneas
Radiação ultravioleta interfere no pigmento da pele e causa lesões claras ou escuras
Grandes, pequenas, claras ou escuras, regulares ou não, as manchas de pele interferem na aparência e costumam incomodar quem as possui. Algumas são irreversíveis, outras exigem tratamento longo. Causadas em sua maioria pelo excesso de exposição ao sol, elas poderiam ser evitadas com uma medida simples: protetor solar.
Segundo os especialistas, as manchas cutâneas podem ser causadas pelo acúmulo ou pela ausência de melanina – pigmento que dá cor à pele – em um ou mais pontos. Essas alterações podem ser provocadas por fatores genéticos, exposição aos raios ultravioleta, mudanças hormonais, que são comuns durante a gestação e o uso de anticoncepcionais, e distúrbios endocrinológicos.
Entre os diversos tipos de manchas, as chamadas senis são muito comuns. Segundo o médico Lecy Marcondes Cabral, diretor da Clínica Integrada de Cirurgia Plástica São Paulo, elas são causadas pelo sol que incide sobre a pele ao longo da vida. Geralmente localizam-se nas áreas mais atingidas pela radiação, ou seja, sobre o dorso das mãos, parte externa dos antebraços e rosto. Podem apresentar diversos tamanhos, desde milímetros até poucos centímetros. As maiores, na maioria das vezes, são causadas pela confluência de diversas manchas pequenas.
As manchas senis são classificadas em melanose solar, quando a coloração é escura, e leucodermia solar, também chamada de sarda branca. Quando elas apresentam-se ásperas, são denominadas queratoses, podendo ser seborréicas (escuras, provocadas por alteração celular) ou actínicas (avermelhadas, originadas pelo sol). Geralmente, elas são assintomáticas, não causam dor ou coceira.
Independentemente da aparência, recomenda-se a procura de um especialista para fazer o diagnóstico correta das manchas, assim que elas forem percebidas, evitando complicações mais graves. Os médicos afirmam que todas as pessoas deveriam usar diariamente protetor solar como uma forma de prevenir o aparecimento das manchas senis e, conseqüentemente, do câncer de pele. Mas o conselho serve principalmente a pessoas de pele clara, que trabalham expostas ao sol e as que freqüentam bastante a praia ou a piscina.
O tratamento depende do tipo de mancha, podendo variar entre aplicação de ácidos e laser, uso de substâncias clareadoras, cauterização e cirurgia.
Após a conclusão de qualquer desses tratamentos é essencial continuar se protegendo do sol, para que as manchas não voltem a aparecer ou, pelo menos, para que sejam minimizadas.
Degeneração e envelhecimento natural do organismo inicia aos 25 anos de idade
A pele é o maior órgão do corpo, responsável por regular a temperatura do organismo e protegê-lo. Com o passar dos anos, ela torna-se frágil, sujeita às agressões do meio ambiente. O envelhecimento da cútis varia de acordo com a predisposição genética e os hábitos do indivíduo ao longo da vida. Existem dois tipos de envelhecimento da pele: intrínseco, ou cronoenvelhecimento, e extrínseco, ou fotoenvelhecimento.
O cronoenvelhecimento é a degeneração natural do organismo, que inicia a partir dos 25 anos. Caracteriza-se por perda de colágeno e elastina, as proteínas que dão firmeza e elasticidade à pele; redução de tecido gorduroso e retenção hídrica, fatores que causam o ressecamento; bem como a diminuição da estrutura óssea, normal com o avançar da idade, que ocasiona a formação de sulcos e contribui para a flacidez.
Na lista dos agentes externos que atuam como aceleradores do envelhecimento da pele, o principal culpado é o sol. Percebe-se com clareza que as partes do corpo que normalmente ficam expostas, como rosto e mãos, são mais enrugadas e manchadas do que as protegidas pelas roupas, são os efeitos da radiação solar sobre a pele.
O processo de fotoenvelhecimento varia conforme a raça e o sexo. Por terem menos melanina, as pessoas mais claras apresentam os sinais do tempo com maior rapidez em relação aos negros e orientais. Em relação aos sexos, a mulher é mais propensa ao envelhecimento, principalmente no período da menopausa. Isso ocorre devido ao declínio da produção do hormônio estrógeno, que provoca a perda de colágeno e de massa óssea.
O Corão contra "armas inteligentes"
Leonardo Boff
Todas as guerras são estúpidas. Mas especialmente estúpida é a do Iraque. O sacrifício dos que assumem corajosamente a morte mostra que é injusto e perverso ocupar e arrasar um país a pretexto de impor-lhe uma democracia que nunca foi solicitada
É inimaginável o manto de tristeza e sofrimento que se estende sobre muitos povos, vítimas de guerras como na África e no Oriente Médio. Todas as guerras são estúpidas. Mas especialmente estúpida é a guerra contra o Iraque, baseada na mentira de um presidente que manipulou a lamentada ingenuidade do povo norte-americano, do qual 80% dos adultos, segundo o National Geographic, sequer sabem onde fica no mapa o Iraque. Como disse o cineasta Michael Moore numa carta aberta ao Congresso e ao povo norte-americano: "É uma guerra perdida porque jamais teve o direito de ser vencida". O presidente Bush em sua arrogância crédula e o Pentágono em sua confiança infantil nas "armas inteligentes" asseguram que vão ganhar a guerra. Nunca a ganharão, porque contra as "armas estupidificadas" atiram-se versículos do Corão e se enviam todo dia resistentes em ataques suicidas. Vale para o Iraque o que o futurólogo Herman Kahn dizia da guerra contra o Vietnam: "Perdemos a guerra porque não dá para vencer um povo que contra tanques recita poesias". O povo iraquiano é orgulhoso de sua cultura, uma das mais antigas da humanidade. Por esta razão 71% dos iraquianos querem os EUA longe do Iraque e 61% apóiam os atentados dos resistentes.
Sempre me tenho perguntado: o que se passa no coração e na cabeça destes centenas de homens-bomba que cada dia entregam suas vidas? Deve haver aí uma "mística" poderosa que os convence a considerar a morte mais preciosa que uma vida de humilhação. Foi nesse contexto que acabei, por acaso, relendo um livro antigo do meu tempo de estudante na Alemanha, "Cartas de condenados à morte, vítimas do nazismo", com um impactante prefácio de Thomas Mann. É um comovedor testemunho da devastação hitlerista da Gestapo nos vários países em que atuou. Curioso que, independente de ser ateu ou crente, nota-se em cada condenado uma convergência notável: vê um sentido transcendente em sua condenação e revela a esperança de que esta morte violenta não será em vão. Quase ingenuamente alguns dizem: "É formoso morrer na esperança de um futuro melhor para a humanidade" ou "creio que depois desta guerra começará uma vida de felicidade para todos". Não foi isso que efetivamente veio, pois a guerra quente continuou sob a forma de guerra fria.
Especialmente ilustrativa é a carta de uma jovem belga de 24 anos: "Não há morte triste quando se tem o consolo de princípios. A causa que defendo é justa e sagrada. Digam às minhas amigas que soube aceitar meu destino com calma e que me mostrei digna até o fim. Sempre mantive minhas convicções e continuei sendo atéia". Outra companheira sua, filósofa e poetisa, deixou escrito: "Morro para dar testemunho de que se pode amar loucamente a vida e, ao mesmo tempo, aceitar uma morte necessária". Um jovem de 19 anos se despede em carta aos pais: "Estarei sempre com vocês. Sentar-me-ei com vocês no banco do jardim. De manhã com a aurora sorrirei para vocês e no ocaso acenarei com uma saudação. Que o amor e não o ódio domine o mundo".
A Terra seguramente não é a sede da felicidade e da perfeição. Mas o sacrifício dos que assumem corajosamente a morte, mostra que nem tudo vale neste mundo. Que é injusto e perverso ocupar e arrasar um país a pretexto de impor-lhe uma democracia que nunca foi solicitada.
Frei Betto
O investimento público em educação no Brasil é insignificante.Sem estudo não se consegue emprego; sem emprego não há renda; sem renda só restam e mendicância ou o crime
Na América Latina, a universalização do ensino fundamental tem sido proporcional à elitização do ensino superior nos últimos anos. Isso aprofunda a desigualdade social, atrofia a capacidade de exercício da cidadania, inibe o diálogo social. Quanto mais baixo o nível de escolaridade da população, menor a sua renda. O país perdura como um vasto quintal propício à exploração de seus recursos humanos e naturais por parte do capital transnacional.
Dados revelam que quanto maior a presença do Estado, melhor a educação. No Brasil, o investimento público em educação é insignificante. De 1995 a 2005 ficou em torno de R$ 20 bilhões/ano. Naquela década, a arrecadação da União cresceu proporcionalmente ao PIB; subiu de 16,8% para 22,8%. Nem por isso se alterou o investimento em educação. O superávit primário e o ajuste fiscal falaram mais alto.
O ano de maior recurso foi 2002, com dotação de R$ 22,1 bilhões. No governo Lula, investiram-se R$ 21 bilhões em 2003; R$ 20 bilhões em 2004; e R$ 20,4 bilhões em 2005. O Brasil investe 4,3% do PIB em educação, quando teria que dobrar. Os países asiáticos, destroçados pelas guerras das décadas de 1940/50, tornaram a educação alavanca de desenvolvimento graças à injeção de recursos, que variavam de 8 a 12% do PIB.
O Plano Nacional de Educação, aprovado pelo Congresso em 2001, fixava em 7% do PIB os gastos em ensino. Infelizmente o professor-presidente FHC vetou. E Lula ainda não derrubou essa "herança maldita". O ministro Fernando Haddad (queira Deus que o presidente Lula o conserve à frente do MEC) defende a elevação para 6% do PIB, seguindo recomendação da Unesco. Sem choque de investimento em educação, cobrado pelo Ipea, a prioridade do presidente Lula neste segundo mandato – melhorar a educação – terá igual destino da reforma agrária "priorizada" ao início do primeiro mandato...
O Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos profissionais da Educação) promete transferir, neste ano, R$ 2 bilhões de recursos federais a Estados e municípios. Em termos de PIB equivale a um pífio acréscimo de apenas 0,1% em educação. Em 2010, quando o Fundeb estiver a pleno vapor, recebendo mais de R$ 5 bilhões, ainda assim a contribuição federal ficará em 0,3% do PIB.
Mais de 90% dos recursos do Fundeb são arrecadados por governos estaduais e prefeituras. O governo federal canta loas com voz alheia. O Ipea recomenda que a verba do governo federal seja adicional, e não mero remanejamento dos recursos do MEC. Dos R$ 2 bilhões deste ano, por exemplo, R$ 800 milhões já seriam repassados normalmente a Estados e municípios. Portanto, não se trata de recursos extras. Quando a multidão de crianças e jovens brasileiros terão mais importância que os credores da dívida pública?
A violência urbana, outra prioridade do segundo mandato de Lula, resulta também do baixo nível de escolaridade de nossa população. Sem estudos não se consegue emprego. Sem emprego, não há renda. Sem renda... só restam a mendicância ou o crime. A média de escolaridade no Brasil cresce muito lentamente: 5,5 anos em 1995, e 7 anos em 2005. Nem sequer atingimos o nível de escolaridade obrigatória no país, que é de 8 anos.
No sistema ibero-americano, países como Espanha, Portugal e Cuba aumentaram de modo significativo, nos últimos 30 anos, a qualidade dos ensinos médio e superior, graças ao investimento público. Portanto, cautela frente à euforia privatizadora! Esta, além de fazer da educação uma mercadoria, anulando sua natureza de direito social, segrega todos aqueles que não dispõem de recursos suficientes para pagar uma boa escola.
As lacunas na educação aprofundam o fosso entre nações industrializadas e emergentes. Enquanto nas primeiras 85% dos jovens completam o ensino médio, na América Latina o índice é de apenas 35%. Na década de 1990, os países industrializados investiram na educação, em média, 6% do PIB; na América Latina não ultrapassou 4,1%.
Não se pode falar em educação de qualidade sem tempo integral na escola para alunos da pré-escola ao ensino médio. Quatro horas diárias de período escolar é muito pouco, sobretudo considerando que, fora da escola, muitos ficam absorvidos pelo entretenimento deseducativo da TV.
O Brasil precisa eliminar também o analfabetismo digital e introduzir na escola tecnologias de informação e comunicação, que facilitam o acesso de alunos e professores à informação atualizada, favorecem a educação a distância, tornam mais participativos os processos de aprendizado.
O analfabetismo cibernético gera menor produtividade e renda profissional; menos opções de mobilidade social; exclui do acesso à informação e a mercados; prejudica o uso eficiente do tempo; inibe a participação política, o poder de gestão, o intercâmbio comunicacional e cultural.
"Estou conectado, logo existo", diria hoje Descartes. No Brasil, o ProInfo (Programa Nacional de Informática em Educação), do MEC, precisa ser incrementado e, sobretudo, dotado de maiores recursos. No Chile, a Rede Enlances possibilita que hajam terminais interconectados em todo o sistema escolar. Na Costa Rica, o Programa de Informática Educativa permite, desde 1988, que todos os alunos do ensino fundamental e médio acessem a Web. Na Argentina, o Programa Educ.ar funciona como portal de conteúdos educativos, ferramenta de capacitação de docentes e plano de conexões. Nos EUA, de 1994 a 2000 passou-se de 14% de escolas conectadas e 3% de classes a quase 2/3 de classes e 100% das escolas, incluídas as mais pobres.
Com menos de 8% do PIB em educação o governo pode até obter índices idênticos de crescimento do PIB, mas não aprimorará o Índice de Desenvolvimento Humano e nem tornará o Brasil uma nação menos desigual e mais justa.
Abbé Pierre, "o papa dos pobres"
Fundador da Emaús era defensor incansável dos desfavorecidos
"O papa dos pobres". Assim era chamado Abbé Pierre, padre católico que renunciou à riqueza para defender os pobres e que se tornou um dos homens mais admirados da França. Ele morreu na segunda 22, aos 94 anos de idade, em um hospital de Paris, após sofrer infecção pulmonar. Seu trabalho está presente em mais de 40 países, através da comunidade Emaús, que fundou em 1953. Ele também deixa o exemplo de lutador incansável na defesa dos desfavorecidos. "A França perdeu uma imensa figura, uma consciência, um homem que personificou a bondade", declarou o presidente Jacques Chirac.
Nascido em 5 de agosto de 1912, em Lyon, Henri-Antoine Groués era o quinto filho de um comerciante de seda, mas abriu mão da vida confortável para tornar-se frade. Ele ganhou o apelido de Abbé Pierre ("abbé", abade, é um título tradicional de padres) durante a Segunda Guerra Mundial, quando forjou documentos de identidade para retirar refugiados da França.
Ele começou a defender os sem-teto em 1949 e ganhou fama em 1954, quando pediu, pelos microfones da Rádio Luxemburgo, abrigo para milhares de pessoas que dormiam na rua e estavam ameaçadas de morte pelo frio. O apelo foi plenamente atendido. Abbé Pierre iniciou na ordem franciscana e passou pela dos capuchinhos. A sua obra rendeu-lhe popularidade e respeito tão grandes que era considerado na França como um santo moderno.
O seu trabalho de assistência começou durante a Segunda Guerra Mundial, quando se dedicou a salvar pessoas perseguidas pelo nazismo. Organizou até um grupo de resistência armada no seio da Resistência Francesa. Chegou a ser preso, mas fugiu escondido num saco do correio, num avião para a Argélia que fez escala na Suíça. Recebeu numerosas honrarias, distinções e condecorações militares pelo combate em prol da França.
Com a paz, voltou a Paris e foi eleito deputado da Assembléia Nacional Francesa, que abandonou por protesto contra uma lei eleitoral que ele julgava injusta, em 1951. A partir daí dedicou-se inteiramente ao Movimento Emaús.
Exemplo espalhado pelo mundo
A comunidade Emaús, criada por Abbé Pierre em 1953, conta com 115 grupos na França e com mais de 400 espalhados por mais de 40 países. O primeiro núcleo surgiu em 1949, nos arredores de Paris, com o encontro entre o abade e um homicida desesperado que procurara o suicídio. Abbé Pierre convenceu-o a fazer o seu caminho de salvação tornando-se voluntário do movimento de ajuda aos sem-abrigo da cidade. A Emaús se baseia, fundamentalmente, na recuperação de objetos usados, que depois são vendidos para financiar o movimento. Só na França, a venda de roupa usada, rendeu, em 2005, 117,7 milhões de euros (cerca de R$ 340 milhões).
A Emaús internacional, criada em 1971, coordena 446 grupos com intervenção na agricultura, ensino, integração de crianças de rua e de comunidades de sem-abrigo e em bairros urbanos degradados. Também desenvolve trabalho entre os imigrantes e contra o tráfico de mulheres e crianças para a prostituição.
"Irmão pobre, irmão jovem"
Janeiro marca também uma grande perda para o Emaús brasileiro. Morreu no dia 3 o monsenhor Benedito Mário Calazans, que fundou em 1968 o movimento de igual nome no Brasil. Apesar da denominação igual, as áreas de atuação diferem. "O movimento de Abbé Pierre, os trapeiros (que vivem de trapos) de Emaús, tem como dimensão a descoberta de Cristo no pobre; o de Calazans, no jovem", afirma o frei capuchinho e pesquisador Rovílio Costa. Na França, e depois em mais de 40 países, a atuação prioriza o campo social; no Brasil, cursos de valores humanos e cristãos para jovens. "É o irmão pobre e o irmão jovem", sintetiza frei Rovílio.
Padre Zezinho
O supremo mandamento de Jesus é o amor e não há nada mais importante do que ele
O verbo é amar. No mundo inteiro a palavra amar supõe encontro, procura e aceitação. Também supõe persistência. Quem ama não raramente desanima. O amor mostra a melhor parte do ser humano. Quando o amor atinge uma pessoa, faz com ela como faz o escultor com uma pedra. Dá-lhe uma forma que estava lá, mas faltava um toque criador. O amor toca e retoca a pessoa. Leva-a à plenitude. É sempre qualificante e plenificante. E é sempre revolucionário. Se é amor de verdade, gera relações profundas e duradouras. Não é coisa nem de semanas nem de meses. É de uma vida.
A Bíblia, ao falar do amor de Deus, não poupa adjetivos e, até mesmo, não os encontra. Amar é, sem dúvida, o verbo mais qualificativo de todos os verbos que existem. Acrescenta sentido ao verbo viver e é a razão fundamental pela qual o ser humano foi criado e continua evoluindo. O ódio também sacode o mundo, mas deixa um rastro de destruição à sua passagem. O amor nem sempre sacode. Por mais suave que venha, deixa tudo melhor do que estava.
Nos Evangelhos, percebe-se que a razão fundamental da ação de Cristo foi a de ensinar o ser humano a conviver com Deus, consigo mesmo e com os outros. Conviver já é um passo decisivo que vem do amor e leva ao verbo amar. Tolerar alguém pode não ser um ato de amor, mas conviver é. João define o amor como convivência ao dizer que "Deus amou tanto este mundo, que enviou a ele o Seu Filho". O Filho veio conviver conosco. Isso de Deus querer viver conosco e ser um dos nossos seria a coisa mais impensável de qualquer teologia. Pois os cristãos, ousadamente, pensaram e ensinam isso. Jesus deixa ainda mais claro, quando diz que veio para isso e um dia nos levaria a conviver com Deus e em Deus.
O supremo mandamento de Jesus é o amor e não há nada mais importante do que ele. Até nossas ofertas devem ficar esperando lá no altar se alguém estiver precisando de nosso diálogo e de nossa paz. Fácil não é, nem nunca foi, porque muita gente mais atrapalha do que ajuda o ato de amar. Mas quem ama, continua! Faz como o riacho diante das barreiras. Cresce e continua!
Frades comemoram jubileu de prata
Oito capuchinhos recordam 25 anos de vida religiosa
Durante o ano de 2007, 28 frades da província dos capuchinhos do Rio Grande do Sul comemoram jubileu de ordenação sacerdotal ou de vida religiosa. Nesta quarta-feira, 31 de janeiro, oito capuchinhos celebram 25 anos de vida religiosa.
Os capuchinhos que emitiram os primeiros votos em Marau (RS), no dia 31 de janeiro de 1982, são os freis Antério Parise, natural de Veranópolis (RS), que há anos integra a equipe de missionários da província; Darci Antônio Vazatta, natural de Segredo, Ipê (RS), atualmente pároco e vice-mestre dos formandos de iniciação, em Flores da Cunha (RS); Francisco Pressi, que nasceu em Marau (RS), irmão religioso, que trabalha na pastoral da saúde e como horticultor.
Também recordam 25 anos de vida religiosa na mesma data os freis Geraldo Paludo, natural de Paraí (RS), que atua como mestre dos aspirantes em Veranópolis e na pastoral; Irineu Trentin, de Marau (RS), pároco em Matias Velho, Canoas (RS), e professor da Estef; Jaime João Bettega, de Caxias do Sul, pároco da paróquia Imaculada Conceição, de Caxias do Sul, e professor da UCS; Sérgio Sartori, nascido em Flores da Cunha (RS), que integra a vice-província do Brasil-Oeste e é pároco em Campo Novo do Parecis (MT); e frei Zelmar Antonio Guiotto, natural de Sananduva (RS), procurador da província, juiz do Tribunal Eclesiástico Regional Sul 03-II Instância, e com atuação também na paróquia Santo Antônio do Partenon, em Porto Alegre.
Aldo Colombo
O mundo anda mal, mas ningupem acha que tenha resposabilidade nisso. Os outros, sempre, são os culpados
Eram quatro irmãos com nomes bem estranhos: Qualquer Um, Ninguém, Alguém e Todos. A casa deles não ia bem. Alguém reclamou porque uma tarefa rotineira, que Qualquer Um poderia fazer, não fora feita por Ninguém e isso incomodou a Todos. A desordem suscitou murmurações e protestos e Todos estava de acordo que Alguém deveria fazer a tarefa – coisa relativamente fácil – e Qualquer Um poderia fazê-la, mas Ninguém fez. Naturalmente, Todos colocou a culpa em Alguém, mas Ninguém assumiu a responsabilidade por algo que Qualquer Um poderia fazer.
No dia-a-dia, esse tipo de coisas é muito comum. Você, certamente, já ouviu, ou mesmo já disse, estas frases: eles deveriam tomar uma providência, ou, "eles" sãos os responsáveis. A culpa é sempre atribuída a "eles". Mas quem são "eles"? Eles são eles. Outras vezes apela-se para o nós: "nós" deveríamos ter feito ou "nós" jogamos mal... Outros, ainda mais espertos, garantem: a "gente" sabe, a "gente" quer ou mesmo a "gente" deveria ter feito determinada tarefa.
A culpa, ao perder o emprego, é sempre do chefe, nunca da falta de interesse e empenho do funcionário. A culpa, por não ir bem na aula, é dos professores, nunca do aluno. A culpa pela violência e pela corrupção é dos outros. A culpa, pela falta de cuidado em relação às ruas e praças, é dos outros. Os problemas da casa, da comunidade, do Brasil e do mundo são sempre responsabilidade dos outros. E fingimos que nada tem a ver conosco. A "gente" não tem culpa nenhuma. Ou, pelo menos, socializamos a culpa.
Até certa idade, se justifica a mentira infantil. A realidade é falseada para não assumir a responsabilidade. Provavelmente já passamos dos sete anos. Está na hora de usar o pronome da primeira pessoa: eu fiz, eu deixei de fazer, eu errei... Aliás, as primeiras desculpas da humanidade começaram no jardim Terreal. Adão culpou Eva e esta deu a culpa à serpente. Provavelmente, Adão tenha admitido: "a gente" começou mal.
No dia-a-dia, o pai reclama da esposa, a esposa reclama da filha, esta reclama do irmão menor e este põe a culpa no cachorro.
O Evangelho garante: "A verdade vos libertará". Somente assumindo a nossa verdade, ainda que dolorosa, poderemos superá-la. Já Santo Agostinho recomendava: aceita aquilo que és, para um dia, quem sabe, tornar-te o que desejas". O mundo está cheio de crimes, sem que haja criminosos; o Brasil está cheio de corrupção, mas não há corruptos; o mundo anda mal, mas ninguém acha que tenha responsabilidade nisso: eles são os culpados.
E assim os quatro irmãos – Alguém, Ninguém, Qualquer Um e Todos – passam a culpa um para o outro. Quem sabe, algum dia a gente melhora. Qualquer um irá fazer a tarefa que é de todos.
Romaria Votiva destaca as vocações
Dia 2 de fevereiro, o Santuário de Caravaggio recebe fiéis da região
"Maria reúne os seus filhos" é o lema que motiva a 107ª Romaria Votiva ao Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha, dia 2 de fevereiro. Está confirmada a presença do bispo dom Paulo Moretto e de padres da região. "A romaria 2007 vai enfatizar as vocações nascidas em Caravaggio", revela o assessor do Santuário, Leandro Adamatti.
As missas estão programadas para diversos horários. Após cada uma, haverá bênção de objetos de devoção, das crianças e da saúde. A missa campal, celebrada por dom Paulo, ocorre às 10 horas.
Logo após a missa campal, inicia a procissão motorizada, que sai da esplanada do Santuário e percorre a avenida Dom José Baréa. À frente, segue o andor com a imagem de Caravaggio. "Dependendo do número de máquinas, a procissão deve demorar em torno de 40 minutos", diz Adamatti ao CR.
Na romaria de 2006, mais de 3.000 mil produtores rurais, com cerca de 300 máquinas e equipamentos, participaram. Para este ano, a previsão é receber o mesmo número de pessoas.
Antecipando a romaria, está sendo realizada a novena preparatória, com a presença de representantes das paróquias da região. A novena encerra dia 1º de fevereiro, a cargo das pastorais rurais.
O reitor do Santuário, padre Volmir Camparin, pede que os romeiros levem frutas ou outros produtos agrícolas para ornamentar o altar. Também sugere que contribuam com alimentos, que serão distribuídos à Apae e à casa Lar Padre Oscar Bertholdo, de Farroupilha.
História – A Romaria Votiva lembra o ano de 1899, quando, após seis meses de seca devastadora, os agricultores daquela época realizaram a primeira romaria e receberam a graça da chuva no mesmo dia.
Região de Porto Mauá prepara 76ª Festa dos Navegantes
Missa com procissão luminosa, nesta quarta-feira 31, marca o início da 76ª Festa dos Navegantes de Porto Mauá e região. No dia 2 de fevereiro, data da festa, às 6h, haverá alvorada festiva; às 7h30, café com mondongo, vinho e pão. A procissão da imagen de Navegantes sairá da igreja às 8h30. Às 10h30 será realizada a Procissão Pluvial, sobre as águas do rio Uruguai.
Já à tarde, 14h, haverá bênção da saúde; às 15h, inicia o show de bandas; às 19h, será a vez do sorteio da "Ação entre amigos", sendo que o primeiro prêmio é uma moto. Às 23 horas, realiza-se o baile com a ban-da Pasarela.
Durante todo o dia estará funcionado a copa, com bebidas, peixe frito e outros alimentos, bem como tendas com artigos religiosos. O almoço começa a ser servido às 11h30, com o seguinte cardápio: churrasco, salsichão, massas, arroz à grega, saladas, pão, cucas e sobremesas. "O balanço da festa do ano passado apresentou lucro líquido de R$ 23,13 mil", informa Wilson Winkler.
Igreja lança agência de notícias em abril
A Igreja Católica deverá contar com uma nova agência de notícias em abril. O Vaticano apóia a criação da agência de notícias H2O-News, criada para fornecer notícias aos canais televisivos e sites católicos.
A idéia é apresentar um serviço para as televisões e sites, procurando "responder às exigências dos canais católicos", disse o porta-voz do Vaticano, padre Frederico Lombardi.
O serviço, em estudo, vai fornecer informação em seis línguas, incluindo o árabe, com estréia marcada para a Páscoa. A H2O pretende ter, dentro de dois anos, "pelo menos 20 milhões de utilizadores, por vídeo, internet ou telefone portátil".
Wilson João
Temos o privilégio de almoçar com Deus. De estarmos sentados com Ele na refeição da vida
Tenho pena das pessoas que fazem as refeições sozinhas. Apenas comem. Apenas alimentam o corpo. Refeição é alimentar a vida global: corpo, mente e espírito. Comendo o alimento para o corpo, não posso deixar de estar fazendo a refeição das pessoas e de Deus. Comer é comemorar. Beber é bebemorar. Engolir não é engolir-se. É engolir a vida e a companhia. Quem somente se almoça e não tem o privilégio de almoçar pessoas, está a caminho da doença e da solidão.
DEUS É MEU ALIMENTO. Já dizia o próprio Jesus: "Meu alimento é fazer a vontade de meu Pai." Quer dizer: alimentar-se é muito mais do que engolir proteínas e vitaminas. Somente Deus é o alimento do coração humano. Num corpo cheio de saúde e bem alimentado, pode habitar uma alma com sede de paz e alegria. É a sabedoria de Santo Agostinho, que tendo alimentado seu corpo e sua mente de uma maneira plena, mesmo assim se expressa: "Nosso coração é insatisfeito até que não repousa em Deus."
DEUS É MEU FEIJÃO E ARROZ. É o alimento de todo o dia. Não é somente da oração dos domingos ou dos momentos de necessidades. É o alimento de todos os dias e de todas as horas. Ele é o feijão e arroz de cada criatura, que satisfaz todas as fomes humanas. Ele não é comida difícil de se ter e de se adquirir. É o feijão e arroz de todo dia.
DEUS É MEU PÃO. Alimento que dá vida. "Eu sou o pão... quem come deste pão tem vida eterna". Ele se fez pão para lembrar que todas as vezes que sentamos em nossas mesas para a refeição do pão temos que nos lembrar Dele. Ele é a grande lição do pão: alimento, partilha, fraternidade, unidade, comunhão. Ele se fez pão para que pudéssemos dizer: eu sou o pão de Deus.
DEUS É MEU VINHO. Vinho bebida e vinho alimento. Bebida sagrada, tão sagrada que somente o vinho é bebido com arte. Ele se fez vinho para que nós nos tornássemos o vinho de Deus. Somos o vinho de Deus. Somos uva esmagada pelo sofrimento e pela dedicação para nos tornarmos o saboroso vinho da salvação.
DEUS É MUITO MAIS. É minha vitamina, minha proteína, minha glicose. Ele é o sal de todos os sabores e o açúcar em todas as amarguras. Tenho o privilégio de almoçar com Deus. De fazer de Deus o meu alimento. De estar sentado com Ele na refeição da vida. Somente assim terei o privilégio de sentar-me com bilhões de convidados na mesa do banquete do Reino dos céus.
NA ONDA DO SURF
Primeiro registro do esporte surgiu há mais de 200 anos
Sol, calor, verão, mar, ondas e surf. Em época de praia, quem já não se admirou com a agilidade dos surfistas sobre as ondas? E quem já não se arriscou a pegar uma onda, mesmo deitado e em prancha de isopor? O fato é que as manobras deste esporte radical encantam pessoas de todas as idades. Mas de onde vêm o hábito de deslizar sobre as ondas?
Os primeiros relatos do surf dizem que ele foi introduzido no Havaí pelo rei polinésio Tahito. Sabe-se que os ancestrais dos polinésios, primeiros habitantes do Pacífico, foram grandes marinheiros, exímios pescadores e mergulhadores e habilidosos na construção de seus barcos. Conseqüentemente, a necessidade de viver e trabalhar com o mar fez com que eles conseguissem driblar as adversidades, independentemente de como o mar se apresentasse. Logo, eles desenvolveram embarcações que pudessem trazê-los de volta à terra firme.
Porém, oficialmente, o primeiro fato concreto que revelou a existência do surf foi feito em 1778 pelo navegador James Cook, que descobriu o arquipélago do Havaí e viu os primeiros surfistas em ação.
Cook considerou o surf uma atividade relaxante, mas diversos missionários protestantes que habitavam o local não tiveram a mesma opinião e durante todo o século 18 desestimularam a prática do esporte.
Até o início do século 20, o mundo não tinha idéia do que era o Havaí, muito menos o surf, mas só até conhecer Duke Paoa Kahanamoku.
Nas olimpíadas de 1912, em Estocolmo, Duke ganhou uma medalha de ouro na natação. Em entrevista, o atleta disse ser um surfista e passou a ser o maior divulgador do esporte no mundo. Com isso, o Havaí e o surf passaram a serem reconhecidos internacionalmente.
Após, Duke introduziu o esporte nos Estados Unidos, em 1913, e na Austrália, em 1915. Graças à sua posição de campeão olímpico, seus esforços não foram em vão. Daí veio o embasamento do que seria o surf na era moderna. O sucesso do esporte foi tão grande que hoje em dia é um dos mais praticados em todo o mundo. Duke morreu em 1986, aos 94 anos, mas até hoje ele é lembrado como o pai do surf moderno.
Populações de aves aquáticas estão em queda
Quase a metade das espécies de aves aquáticas do mundo estão com suas populações em declínio. A culpa é do desenvolvimento econômico acelerado e do aquecimento global. As conclusões são da Estimativa Populacional de Aves Aquáticas, relatório publicado anualmente desde 2004.
Segundo o documento, 44% das 900 espécies avaliadas estão sofrendo redução populacional, 34% estão estáveis e 17% estão aumentando. Os piores cenários observados estão na Ásia, onde 62% das populações desses animais se reduziram ou se extinguiram.
De acordo com a Wetlands Internacional, organização não-governamental que coordenou a pesquisa, os principais problemas nas zonas úmidas habitadas por esses animais são ligados a atividades humanas. Ao mesmo tempo em que o crescimento econômico faz com que cidades e fazendas invadam ecossistemas, a mudança climática intensifica as secas, que prejudicam as aves aquáticas.
O italiano que está em mim
Vitalino Dal Pai
Professor, São Paulo – SP
Nasci em Porto Mauá, RS, a 16-1-1945. Meus pais, Emílio e Maria Bedin, eram de Veranópolis, os avós paternos, Mássimo e Tereza Carbonera, de Asolo, TV, e os maternos, Federico e Maria Vitali, de Vicenza. Da família herdei a fé cristã, a retidão e o amor ao trabalho. Recém-casados, e viajando em carroça puxada por mulas, meus pais migraram para Porto Mauá, RS, em 1927. Na colônia de mata virgem, sem recursos, com persistência, suor e lágrimas, viram realizados seus sonhos – o lar, as colheitas, os amigos! Em meio a intempéries, animais, insetos, doenças, criaram 11 filhos, dos quais sou o 10º. Grandes e pequenos, todos trabalhávamos. A oração nos unia com Deus, e a polenta nos unia em família. Só falávamos Talian. A comunidade foi se organizando, surgiu a capela, o salão, a escola... Aos domingos, havia terço, catecismo, baralho, mora, bocha, leilões, cantos, estórias, vinho, graspa, cachaça... Abnegadas professoras se sucediam na árdua tarefa da alfabetização, mas, como os coloninhos pouco entendíamos o brasilian, com freqüência se demitiam, e mais um ano se perdia. Era proibido falar o italiano. Como fiscais, além da professora, o marido e os filhos.
Eu não levava jeito para a roça. Aos 13 anos, fui estudar no colégio Lassalista de Carazinho, RS. A adaptação foi rápida. Sempre imbuído pela dureza da vida em família, segui estudando em Canoas, Flores da Cunha e Botucatu, SP, onde completei o 2º Grau e me graduei em Ciências Biomédicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Sou casado com Francisca de Lima. Os filhos: Alexandre é físico; o Emílio é engenheiro químico e o Enzo, agrônomo. Iniciei a vida profissional como prof. de Ciências e Biologia, em 1967. Em 1974, como prof. Assistente, passei a integrar a disciplina de Histologia da Unesp. Com dedicação exclusiva, além da pesquisa e do ensino, concluí o curso de Pós-Graduação em Histologia no ICB/USP, percorri as demais etapas universitárias: Doutorado, Livre Docência, Adjunto, Titular. Além das aulas dos cursos de Medicina Humana, Veterinária, Biologia e Zootecnia, orientava alunos em Iniciação Científica, mestres e doutores, com apresentação de 132 resumos de pesquisas em congressos nacionais e internacionais, 42 pesquisas publicadas no Brasil e 48 no exterior. Freqüentei cursos e estágios em Buenos Aires, Pádua, Bologna e Paris.
Sempre mantive profundo apreço, amor e gratidão pelos migrantes delle terre vecchie, que, trabalhando, sacrificaram suas vidas em prol das nossas vidas. Para resgatar a história e manter viva a memória desses heróis, decidi prestar-lhes uma homenagem, em 1998, através de uma placa com seus 58 nomes, com a inscrição: A questi bravi migranti, oriundi delle terre vecchie, per il suo lavoro nella costruzione di questa comunità, la gratitudine della sua gente. Em grande festa na comunidade de Sete de Setembro, com presença do povo, das autoridades e do pároco, a placa foi colocada na Praça dos Imigrantes, com emocionante homenagem aos pioneiros, seguida de solene e fervorosa Missa. O prefeito Manico Dinon, o ex-prefeito José Grando assim se dirigiram a mim: "Em sua vida, você fez muitas coisas importantes, para muita gente. No entanto, a homenagem aqui e agora prestada a estes cidadãos, terá sido com certeza, o feito mais importante de sua vida, do qual você deve se orgulhar para sempre".
Vitalino saiu da colônia para a cidade e para a universidade, mas levou consigo a italianidade que, a cada dia, vai lhe dando mais vitalidade. (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (396)
Nanetto nea cità de Romeo e Giulieta
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba – PR
(Retomada do texto de Rafael Baldissera, interrompido na edição de 26 de julho de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).
– Adesso ndemo a Verona, informa Edílson, na cità ben antica. Tel 148 prima de Cristo i romani i gavea trassià la Via Postùmia. Pi tardi i ga catà na iscrission del 49 prima de Cristo. Fra i ani 40 e 70 dopo Cristo, la ga buo grande progresso. Ntel sècolo IV del Cristianésimo la ga buo na grande spansion. Fra i ani 489 e 526, Teodorico el ga costruio la Arena, compagna al Coliseo de Roma, ma un poco pi pìcola.
Semo sbarcai in sità, davanti l acesa e el nostro guida el spiega:
– Questa ze la Basìlica de San Zeno, del 1136. Ndemo rento, e vedarè come la ze bela.
Rento, ogniun ga fato le so orassion, ga vardà tuto polito e co semo ndai fora, Edilson el ga spiegà le muràlie dea cità:
– In 1814, i Austriachi i ga raforsà le muràlie de na maniera che le podea assar passar carete sora, e i ga fato de Verona na cità militar.
– Cossa zei vegnesti far qua i Austriachi? Domanda Nanetto.
– Ti no te sa che la Àustria la fa lìmite col Itàlia qua tel nordest? E in quel tempo valea la lege del pi forte, e la Àustria la ga invaso l’Itàlia arquante volte. Oncó ze diferente, parché gavemo la ONU, che la stà atenta che tuti i paesi i se rispeti.
– Ma, cossa zelo sto uno?
– O-N-U, Nanetto, nò uno. ONU vol dir: Organisassion dele Nassion Unide. Ze la union dele nassion del mondo par – mantégner la passe internassional; svilupar le relassion de micìssia fra le nassion, con base nei prinsìpii de igualità de diriti e de autodeterminassion dei pòpoli; miliorar le condission de vita de tute le nassion. Ma vardemo la cità. Verona la ze na cità rica: i so marciapié i ze de marmo. Qua ze sucedesto la stòria romàntica de Romeo e Giulieta, de Sheakespeare. Desso ndemo veder la casa e la stàtoa de Giulieta. Qua in Verona i conta che, chi fa na foto cola man sora el seno de Giulieta el gavarà sorte ntel matrimònio.
– Lora mi vui far na foto coe due man sora i seni de Giulieta, par ver sorte se me marido un di con la Gelina! Risponde Nanetto!
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Un osel soto el capel
Geraldo Sostizzo
Agente Consular Italiano, Cascabel – PR
Gèrimo drio copar osei con la fionda. E via sfiondae tele forbesete, ciuti, cinciorinci, spinei, cèreghe e cereghete, ciùcia-fiori, oseline (passarine). Ogniuno soto na pianta. Son rivà darente me fradel Arnito e ghe go dito:
– Dame el tuo capel na s-cianta.
Lu meso desconfià me lo ga dato, ma sensa voia. Me go incucià zo e go dato na bruta de na cagada, intanto me fradel gera pi distante. Dopo go messo el capel ben giusto sora, e insieme con lu, ghemo ciamà Nìsio, che el gera soto nantra pianta, parché el vegnesse presto par aiutarme a tor su i osei.
Quando l’è rivà darente, ghe go dito:
– Ciapa quel osel che ze lì soto el capel, ma no dassarlo scapar. Strùcheghe na ala par farlo sigar, che lora vien tuti queialtri osei. Va pimpian parché no’l te scape.
Lu el ga metesto a man ben pimpianeto soto el capel e el ga sentio na roba mesa calda, ma el ga mia desconfià. El ga mestesto a man giusta in meso e pimpianeto el ga tirà via el capel, el gavea na sbrancada de merda in man.
El se ga sentà zo te na banda. Quando el se ga voltà, par ciaparme, noantri gèrimo belche duecento metri distante.
Arnito ga perso el capel, tuto a tochi, ma ghemo ridesto pi de due ore. Par sei misi no se ghemo pi catai, e nissuni no ga pi dato el capel ai altri. Mi no gera mia dispetoso, sol me piasea rider!
La prima ciuca
Gavea darente ai nove ani de età. Te questo giorno gavemo laorà fin note in colònia, sapar mìlio. El sol gera belche ndà zo, o se gavea belche sconto, quando ghemo dassà de laorar e semo ndai casa. Mi gavea fame e na sen de morir. Son ndado in cosina, go ciapà na caneca de alumìnio e son ndà drito te na sécia de aqua de quele picae via tel seciaro.
Dopo de bever mesa sécia de aqua, me ga dato na idea e go ciapà la garafa de caciassa, mesa cìcara de sucro e go messo tuto rento tea caneca e go smissià polito. Co la sen che gavea, go bevesto tuta sta caciassa e no la gera mia trista col sucro rento nò. De là na s-cianta no sentia gnente, ma me parea de ver le ale, tuto gera fàcile. Me sorela Ida la me vardea e la ridea, sensa saver cosa gavea fato.
Son ndato sora el seciaro, me go sentà rento tea mastela e mia contento, son ndato sora el querto dela casa e de là rento tea cassa del aqua. Tuti vedea quei afari lì, ma no i savea mia cosa gavea e gnanca parché fea tuti quei sesti.
Par fenirla, dopo che son vegnesto zo, go dato na bruta gomitada e son ndato dormir sensa magnar, ma anca sensa ciaparle. La mama me ga fato bever na caneca piena de sià de bomaistro, el gera pi tristo che a ciuca. Par vinti giorni, tuti me coionea e i me disea se volea bever aqua tea caneca e me tochea restar fermo e no dirghe gnente.
Transporte escolar preocupa
Mais de R$ 282 milhões é a dívida do Estado com os municípios
Mais de cinco milhões de alunos da rede pública dependem do transporte escolar no Brasil. Mais de 180 mil são gaúchos da rede estadual. Destes, 178 mil estão na zona rural de 480 municípios. De acordo com a Federação das Associações de Municípios (Famurs), 94.552 são do ensino fundamental (1ª a 8ª série), 61.949 do ensino médio e 24.922 recebem passagens escolares. O número de veículos/linhas utilizados soma 5.828, resultando em 813.281 km/dia.
Conforme dados da Famurs, o valor gasto pelos municípios com os alunos do Estado totaliza R$ 140 milhões. O presidente da entidade, Glademir Aroldi, está cobrando do governo gaúcho R$ 23 milhões, que estão computados na dívida total do Estado com as prefeituras, que soma mais de R$ 280 milhões.
O Estado recebe recursos do Fundef para realizar o transporte dos seus alunos. Em 2006, o valor do Fundef por aluno/ano foi de R$ 1.610,89 para os alunos da 1ª a 4ª séries e de R$ 1.701,95 para os alunos da 5ª a 8ª séries e educação especial. "Cada aluno custa R$ 1,71 por dia", diz Aroldi.
A Famurs propõe o pagamento de, no mínimo, R$ 80 milhões para os municípios efetuarem o transporte dos alunos do Estado. Quanto à dívida de R$ 282 milhões, a entidade propõe o parcelamento em 48 vezes, sendo R$ 8 milhões mensais. A governadora Yeda Crusius marcou reunião com a entidade para o dia 15 de fevereiro.