DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 5.025 – Ano 98 – Caxias do Sul-RS, 07 de fevereiro de 2007.
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CARTA AO LEITOR
No rumo do futuro
Frei Aldo Colombo
Diretor de Redação
Na terça-feira, 13 de fevereiro do Ano da Graça de 2007, estaremos comemorando 98 anos de circulação. Quando circulou pela primeira vez, o jornal não tinha pretensões centenárias. Perseguia apenas o compromisso com seus objetivos e com a semana seguinte. E de semana em semana – são mais de 5.000 – o Correio Riograndense vislumbra no horizonte seu primeiro centenário. É muito tempo e muito mérito para um jornal que jamais fez concessões, jamais cortejou os poderosos ou endossou os cômodos critérios do mais fácil.
O Correio Riograndense sente um justificado orgulho por ser fiel aos seus princípios e aos seus leitores. Com estes, mantêm um vínculo de confiança mútua profundo, que pode ser avaliada por uma situação pouco comum nos anais do jornalismo: mais do que assinantes, o Correio Riograndense teve e tem "sócios". Tornou-se clássica a expressão: sou sócio do Correio Riograndense. Alguns acrescentam: desde o tempo do Staffetta. Este modo de falar e de se relacionar denota uma cumplicidade comovedora entre o jornal e seus leitores.
O Correio Riograndense nunca se atribuiu o dom da infalibilidade. Quem lida com fatos complexos como matéria-prima, e sofre a pressão exercida pela rapidez do tempo, muitas vezes paga o preço da miopia ou de uma visão desfocada da realidade. Este jornal também soube respeitar o pluralismo de opiniões, convencido de que o pensamento único sempre foi extremamente prejudicial à sociedade e à vida.
Aqui ou ali surgem críticas apontando tendências de direita ou de esquerda, de fundamentalismo ou de liberalismo. Na realidade, a sociedade humana é muito complexa e apenas o tempo sabe julgar com serenidade olímpica, acima dos enganos e modismos. Seriedade e credibilidade sempre foram preocupações deste jornal.
Nestes 98 anos, a história humana deu grandes guinadas e fatos aparentemente impossíveis tornaram-se manchetes. Nas páginas do Correio Riograndense foram estampadas as apavorantes cenas de duas guerras mundiais, mas também a primavera do Espírito Santo, anunciada pelo papa João XXIII, na abertura do Concílio Vaticano II. Através deste jornal os leitores, impressionados, acompanharam os primeiros passos do homem na superfície lunar e as primeiras batidas de um coração humano transplantado. As novidades foram cada vez mais intensas: a bomba atômica, a revolução genética, a informática...
O Brasil também caminhou com a humanidade. As florestas cederam espaço às lavouras, a urbanização avançou, acelerada pelo surgimento do asfalto, da luz elétrica e de modernos meios de comunicação. Passamos ainda por ciclos revolucionários, com intensos movimentos cívicos e grandes decepções. Nem faltaram jornadas épicas de redentoras Copas do Mundo e o sonho de que um Novo Mundo é Possível.
As páginas quase centenárias do jornal não se limitaram a isto. Por elas passaram enchentes, secas, novas doenças e novos remédios, a evolução agrícola, a expansão das estradas, as jornadas de evangelização, o cooperativismo, as romarias, movimentos sociais, a luta para preservar raízes históricas, as mudanças de comportamento da sociedade...
Com saudade, registrou o desaparecimento de muitos irmãos, através da pioneira coluna "dei nostri morti". O jornal acompanhou ainda os migrantes que partiram em busca de "colônias novas" em Santa Catarina e no Paraná – mais tarde Mato Grosso e outras fronteiras agrícolas. O Correio Riograndense, inicialmente editado em italiano, foi o pioneiro da recuperação do dialeto vêneto, dos milhares de Nanetos Pipettas que construíram, sobretudo, o Sul do Brasil.
A alegria do Correio Riograndense, nesta data, precisa ser dividida com seus assinantes e agentes. Algumas assinaturas – passando de pai para filho e para netos – também são quase centenárias. Este crédito depositado por tanto tempo é, possivelmente, a maior causa do sucesso.
A data enseja também a recordação de figuras que jamais poderão ser esquecidas: Dom Carmine Fasulo, Frei Bruno de Gillonay, Frei Arcanjo Bisotto, Frei Ambrósio Tondello, Frei Dionísio Veronese, Orestes Zoppas, para só citar alguns que morreram. Ao lado destes heróis de primeira linha, aparecem outras figuras discretas, anônimas, mas cheias de méritos. Uma grande causa uniu a todos.
Não se trata apenas de lembrar uma história bonita, mas da continuação desta história. E esta caminhada futura leva em conta os ideais e princípios do passado: a Igreja, a família, a agricultura, a ecologia, a solidariedade, a ética, o poder das minorias organizadas. Nem todas as batalhas foram ganhas, nem todos os discursos foram proferidos, nem todas as metas chegaram a bom termo, nem todas as denúncias trouxeram bons resultados...por isso precisamos continuar.
O jornal, como mercador evangélico, guarda em seu baú coisas novas e velhas. Para ser fiel à sua história mudou muito, mas nele continuam os sinais indicadores de seu compromisso e de sua missão: a Liturgia Dominical, a Teologia a distância, notícias da Igreja, análise da realidade.
Nunca foi nossa prioridade informar primeiro, mas informar com credibilidade e, de alguma maneira, ensinar a ler e a entender o crescente volume de fatos, muitas vezes, envoltos por ideologias, interesses corporativos e finalidades inconfessáveis.
Aos 98 anos, o Correio Riograndense alia experiência secular e ardor juvenil. Sabemos dos desafios que estão pela frente, cada vez maiores, mas também de nossas possibilidades e da certeza de nosso destino. Os costumes mudam, mas os princípios são permanentes. Lado a lado, este jornal e seus leitores caminham na direção do futuro.
Inicia o programa que leva água potável ao meio rural
Quinze localidades serão beneficiadas com poços artesianos
Levar água potável às famílias do interior caxiense. Como esse objetivo tem início o Programa de Saneamento Rural, que prevê a perfuração de poços artesianos e a construção de sistemas de abastecimento em comunidades rurais. A ordem de início do programa, implementado pelo Samae e Secretaria Municipal da Agricultura foi assinada na quarta 31 pelo prefeito José Ivo Sartori.
Na primeira etapa, serão perfurados 15 poços, atendendo as localidades que, segundo os técnicos, apresentam situação mais crítica de abastecimento (ao lado). Samae e Secretaria da Agricultura vão perfurar os poços, instalar bombas de recalque e reservatórios, mas a rede e a manutenção dos poços ficarão sob responsabilidade dos usuários. Inicialmente, serão beneficiadas cerca de 400 famílias. O investimento é de R$ 133.585,00 e o prazo de entrega é de 90 dias.
Segundo o diretor geral do Samae, Marcus Vinícius Caberlon, a intenção é alcançar índices de água tratada na zona rural cada vez mais próximos dos índices da área urbana. Hoje, a cidade tem 99% de sua água tratada e o interior, 95%. Para o secretário da Agricultura, Nestor Pistorello, uma das maiores preocupações é estudar a forma como a água dos poços será devolvida ao ambiente.
Inicia dia 15 elevada na rótula da RST-453
No próximo dia 15, começa a ser construída a elevada na RST-453, junto à rótula Nélson Bazei, na saída para Farroupilha. A obra, uma reivindicação antiga da comunidade, foi anunciada pelo prefeito José Ivo Sartori no último dia 1º, durante lançamento do Pacote de Obras do Orçamento Comunitário.
A elevada exigirá um investimento de R$ 9,5 milhões. O prazo de conclusão está estimado em 15 meses. A empresa vencedora da licitação é a Construtora Pelotense.
O projeto, elaborado pela equipe técnica da Secretaria de Planejamento Municipal, compreende um viaduto com cerca de 600 metros de extensão, rotatória de 36 metros de diâmetro no nível inferior e adequações viárias nas ruas laterais, além de terraplanagem, drenagem, contenções, sinalização e iluminação pública. A obra deve beneficiar cerca de 10 mil motoristas que transitam diariamente no local, em cada sentido da via. Nos momentos de pico, o tráfego em torno da rótula é de cerca de 1,5 mil veículos por hora. A ordem de início dos trabalhos será assinada pelo prefeito Sartori no dia 15 de fevereiro no próprio local da obra.
Capela com obras de Aldo Locatelli celebra 70 anos
Missa celebrada pelo padre Nivaldo Piazza, pároco de Nossa Senhora de Lourdes, abriu as comemorações dos 70 anos da capela do Santo Sepulcro. Durante o ano serão realizadas atividades religiosas e culturais para relembrar e valorizar a data. "Uma das atrações será o evento Concertos ao entardecer", diz a diretora do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural, Liliana Alberti Henrichs. O templo foi tombado pelo Patrimônio Histórico do município em 10/11/2005.
A capela do Santo Sepulcro, localizada na avenida Júlio de Castilhos, bairro N. Sra. de Lourdes, é cenário único da representação da crucificação, paixão, morte e ressurreição de Cristo, por meio de esculturas, vitrais e pintura.
Na pequena edificação de madeira erguida no final do século XIX, o imigrante italiano Benvenuto Conte instalou 10 esculturas de madeira inspiradas no templo de Jerusalém, por ele confeccionadas. Antes de falecer, em 1909, pediu à filha Genoveva uma construção em alvenaria para dar melhores condições de permanência à capela, no mesmo local.
Via-sacra – A adesão da comunidade ao trabalho liderado por Genoveva Conte Pieruccini resultou na inauguração da capela em 31 de janeiro de 1937. O projeto do arquiteto italiano Luigi Valiera dotou-a de elementos góticos e de vitrais que representam as 14 estações da via-sacra. "É uma das únicas igrejas a exibir a via-sacra em vitrais", revela Liliana ao CR.
Naquela data, a bênção e a missa foram realizadas pelo bispo Dom José Barea. Em 1952, a capela recebeu a original contribuição do artista italiano Aldo Locatelli sobre o tema, em pintura mural sobre o altar. Imagens em gesso de Nossa Senhora das Dores e de Nosso Senhor dos Passos, executadas por Michelangelo Zambelli, completam o acervo cultural.
Cai consumo de cigarros entre adolescentes
Em sete anos, índice dos que afirmaram já ter experimentado o fumo baixou de 32% pra 21%
Dois estudos realizados por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apresentam números positivos em relação ao consumo de cigarros no Brasil. Segundo as pesquisas, menos adolescentes fumam e o índice de consumo no país parou de crescer.
Um dos estudos indica que houve queda no número de estudantes com idade de 12 a 18 anos que afirmaram já ter experimentado cigarro pelo menos uma vez na vida: em 1997 eram 32,7%, caindo para 21,7% em 2004. Foram analisados estudantes matriculados em escolas públicas de dez capitais, comparando dados de 1997 (antes do fim da propaganda de cigarro), quando 15.501 alunos foram entrevistados, com os de 2004, quando foram ouvidos 21.712 estudantes. A queda foi observada em sete capitais: São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte e Belém. Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife não apresentaram melhora.
O número caiu tanto entre os meninos como entre as meninas. Nos primeiros, a queda foi de 36% (1997) para 21,9%. Entre elas passou de 31,9% para 21,3%. Entre os pré-adolescentes, de 12 a 14 anos, também houve diminuição: de 13,8% em 1997 para 8% em 2004.
A pesquisa aponta ainda a cidade de Porto Alegre com o maior percentual de mulheres que já haviam feito uso de cigarro, superando o grupo masculino. No levantamento anterior, de 1997, as meninas que tinham experimentado o cigarro eram 49,8% contra 38,7% dos meninos. Em comparação com o levantamento de 2004, houve uma queda acentuada nos dois grupos, mas mesmo assim as adolescentes se mantiveram à frente dos rapazes: 37,7% e 29,1%, respectivamente.
Outra pesquisa, inédita, denominada 2º Levantamento Domiciliar sobre uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, envolveu as 108 maiores cidades do país e revela que o uso de cigarros se estabilizou entre 2001 (ano do primeiro estudo) e 2005. Dez mil pessoas, de 12 a 65 anos, foram ouvidas em cada um dos levantamentos. Na primeira pesquisa, 41,1% declararam já ter feito uso de cigarro, número que passou para 44% no estudo seguinte.
"Estatisticamente não há diferença, pois ela fica dentro da margem de erro da amostragem, portanto, consideramos que os dados se estabilizaram", afirmou o pesquisador da Unifesp, Elisaldo Carlini, em entrevista ao repórter José Carlos Mattedi, da Agência Brasil. O número dos que se declararam dependentes do fumo também se manteve estável, estatisticamente, pulando de 9% para 10,1%. "Isso indica que o consumo de cigarro no Brasil está estabilizado", concluiu Carlini. Além dele, trabalharam nas pesquisas: José Carlos Galduroz, Arilton Martins Fonseca e Ana Regina Noto.
De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência de fumantes no país diminuiu de 32% em 1989 para 18,8% em 2003. O Brasil ainda tem cerca de 35 milhões de fumantes. A maioria (90%) começou a fumar antes dos 19 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem no planeta cerca de 1,2 bilhão de fumantes.
Descoberto gene ligado à nicotina
Uma equipe de cientistas da Universidade de Osaka, no Japão, descobriu que o comportamento de determinados genes provoca dependência do tabaco. Tais genes poderiam ser usados em terapias genéticas que ajudem fumantes a largar o vício. Em pesquisa realizada com 300 pessoas que fumam ou deixaram de fumar, a equipe descobriu que os fumantes mais inveterados têm um gene muito ativo chamado CYP2A6, que produz enzimas capazes de decompor a nicotina e, como conseqüência, incentiva a dependência. De acordo com o estudo, entre as pessoas com o gene CYP2A6 muito ativo, 70% eram fumantes habituais e que acendiam um cigarro logo após acordarem.
Vício é vinculado a parte do cérebro
Uma parte do cérebro denominada ínsula parece estar vinculada ao vício em nicotina, razão pela qual pessoas que têm algum dano nesta área não sentem necessidade irresistível de fumar, segundo estudo americano. Pesquisadores analisaram 69 pacientes que foram fumantes e sofreram danos cerebrais, 19 deles na ínsula. Neste grupo, 13 haviam parado de fumar e 12 conseguiram fazê-lo rápida e facilmente. Provocar um dano cerebral não é válido para parar de fumar. O valor da descoberta é que ela permite visualizar e acompanhar a evolução dos tratamentos existentes, além de abrir caminho novo para uma terapia a longo prazo.
Fim da propaganda influenciou comportamento Jovem
Para o pesquisador Elisaldo Carlini (Unifesp), o bom resultado das pesquisas que indicam queda no consumo de cigarro entre jovens se deve, em parte, à proibição da propaganda de tabaco na mídia brasileira, com a Lei nº 10.167, que completou seis anos em dezembro passado. "A propaganda de cigarro era bastante insinuante, ligada ao sucesso pessoal e a fatores como status econômico. Isso influenciava, principalmente, a camada jovem", avalia Carlini. "Pode ter havido outras motivações que levaram a uma diminuição no consumo ou na sua estabilização, mas não tenho dúvidas que a proibição da propaganda foi fundamental para os resultados", enfatiza
O primeiro estudo sobre tabagismo feito pela equipe da Unifesp, em 1987, também com estudantes, mas em 27 capitais, mostrava que 22,4% haviam experimentado tabaco, número que subiu para 32,7% dez anos depois, num aumento de 50%. O resultado de 2004, de 21,7%, é menor do que o de quase 20 anos atrás.
O mundo está fechando o cerco ao tabaco. Assim como o Brasil, outros países também proibiram ou fizeram sérias restrições à propaganda do cigarro, entre eles Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Austrália, Bélgica, Noruega e Suécia. Outros quatro países, Nova Zelândia, Noruega, Finlândia e França, proibiram totalmente a propaganda do cigarro e conseguiram reduzir o consumo do produto em 21%, 26%, 37% e 14%, respectivamente. Além do controle da propaganda, muitas nações também proíbem o fumo em locais públicos fechados, exigindo a destinação de áreas específicas aos fumantes nestes lugares.
União Européia sugere proibição ao tabaco em locais públicos fechados
As autoridades da União Européia (UE) apresentaram uma proposta que proíbe o fumo em empresas, escolas, hospitais, repartições públicas, meios de transporte, hotéis, restaurantes e casas noturnas até 2009. O objetivo é fechar o cerco contra os fumantes, pelo menos em lugares públicos, nos 27 países membros do grupo.
Uma em cada três pessoas fuma na Europa (cerca de 480 milhões de pessoas), uma das taxas mais altas do mundo. Países como Irlanda, Malta, Suécia, Escócia, Espanha, Noruega, Itália, Letônia e Lituânia já adotaram atitudes semelhantes de restrição.
A França é o mais recente país a entrar neste grupo. Os estabelecimentos devem se adaptar às regras restritivas até o final do ano. Isso significa que deverão destinar áreas específicas para os fumantes. Após o prazo, quem acender um cigarro em um desses lugares proibidos poderá ser multado em 68 euros (R$188). O valor da multa para o proprietário do estabelecimento onde alguém estiver fumando é de 135 euros (R$ 373).
Na França existem cerca de 15 milhões de fumantes. Segundo dados do Ministério da Saúde daquele país, aproximadamente 66 mil pessoas morrem todos os anos por causa de doenças relacionadas ao consumo de tabaco.
Por enquanto, a proposta da União Européia é apenas uma sugestão feita pelas autoridades de saúde locais, mas os observadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) acreditam que ela está ganhando adeptos. O maior obstáculo à proposta pode vir da Alemanha, que é um dos maiores centros de produção de cigarros do mundo.
Biocombustível dá nova configuração aos grãos
A crescente produção de etanol abrirá mais espaço para o Brasil
A demanda por milho para uso energético nos Estados Unidos deve crescer 116% em cinco anos, reduzindo a disponibilidade do grão para exportações em 18% e para o uso como ração animal, em 2% neste período, segundo o Instituto de Política Agrícola e de Alimentos. Somente nas safras 2004/05 e 2006/07, de acordo com dados do Departamento de Agricultura americano, o uso do milho para produção de etanol passou de 33,6 milhões de toneladas para 54,6 milhões de toneladas.
E o que este cenário tem a ver com o Brasil? Com o discurso do presidente George Bush, em que defendeu, no Congresso americano, a redução do consumo de gasolina e o aumento do uso de biocombustíveis, abrem-se portas para os agricultores brasileiros e gaúchos, especialmente de milho e soja – em janeiro, a soja (5,34%) e o milho (4,33%) foram os únicos produtos agrícolas que tiveram alta nas bolsas internacionais.
Os norte-americanos produzem o etanol à base de milho. Isso tem elevado o preço do grão, que impacta, por sua vez, o custo das rações. Com os custos de produção onerados, os EUA passam a perder competitividade nas carnes no mercado internacional. O alojamento de aves caiu 0,6% no final de 2006, indicando que o setor deve perder força este ano.
Diretrizes – Para o Brasil, isto significa fortalecer-se nos mercados de soja e derivados e de milho. E não somente eles. "Em busca de fontes energéticas abre-se oportunidade para grãos de inverno, como canola, girassol, além do pinhão-manso, mamona e tungue", explica o engº agrº Alencar Rugeri, especialista em biocombustíveis da Emater/RS.
O ano de 2007, portanto, é um ano importante no que se refere à concretização desta nova configuração no mercado de produtos agrícolas. No momento que entrarem em operação as novas plantas produtoras de biodiesel (já são três no RS) e etanol estará confirmada a demanda pelos grãos. "A venda de soja cresceu 10% este ano em relação a 2006", diz Rugeri ao CR.
2007 será para o Brasil um ano para se estabelecer diretrizes de médio e longo prazos no que se refere aos mercados de grãos e carnes. Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o país deverá colher uma safra próxima a 45 milhões de toneladas de milho.
De acordo com a Conab, o aumento da safra de verão deve vir da maior produtividade, especialmente na região Sul (maior produtora de milho do país, o RS responde por 15% do milho nacional). A Companhia elevou a produtividade média nacional de 3.552 kg/ha para 3.575 kg/ha.
Exportação de milho deve bater recordes
O Brasil vai exportar em 2007 o maior volume de milho de sua história. Somente em janeiro, 1,8 milhão de toneladas foram contratadas. Os primeiros embarques serão para o Irã. A quantidade negociada responde por 30% das vendas programadas para o ano – nesta mesma época de 2006 eram apenas 7,5%. "É um dado novo a antecipação dessa compra", diz Leonardo Sologuren, analista da Céleres, empresa de consultoria agrícola, de Uberlândia (MG).
As estimativas iniciais de analistas são que o volume comercializado com o exterior chegue a seis milhões de toneladas. O último grande embarque ocorreu na safra 2000/01, quando foram exportadas 5,6 milhões. No entanto, de acordo com informação de especialistas, os números podem mudar, se a safrinha for maior que o estimado – a Conab prevê 10,6 milhões de toneladas.
Em 2006 – No ano passa-do, dos quatro milhões de toneladas comercializadas com o exterior, 1,7 milhão de toneladas foram para o Irã, seguido pela Coréia do Sul (798 mil toneladas) e Espanha (773 mil toneladas), segundo dados do Ministério da Agricultura.
Europa se abre ao Vale dos Vinhedos
UE reconhece a primeira indicação geográfica do Brasil
Os vinhos e espumantes que ostentam o Selo de Indicação de Procedência do Vale dos Vinhedos agora têm entrada livre nos países europeus. A União Européia (UE) acaba de reconhecer a Indicação Geográfica (IG) Vale dos Vinhedos, a primeira no Brasil. Também foi concedida a outorga aos vinhos de Napa Valley (EUA).
A boa notícia foi recebida com festa pela Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) – a entidade congrega 20 cantinas de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul e Garibaldi. "Os vinhos entrarão na Europa sem questionamentos, podendo exibir nos rótulos dados como safra, tipo de uva e localidade", declara o presidente da Aprovale, Luís Henrique Zanini.
Com os padrões de qualidade confirmados pela UE, as metas de crescimento para o mercado externo, nos próximos cinco anos, prevêem aumento de três a quatro vezes o atual volume exportado, de 500 mil litros por ano, no valor de US$ 1,2 milhão.
A expectativa do presidente da Aprovale é que, com o reconhecimento dos europeus, o vinho nacional seja valorizado no mercado interno. "O brasileiro tem preconceito com o que é de nosso país. Tanto que 65% dos vinhos finos consumidos internamente são importados", observa ao CR. "A chancela concedida ao vinho e ao espumante do Vale dos Vinhedos deverá fazer frente à enxurrada de importados com qualidade duvidosa", prevê.
O próximo passo é estruturar a região para receber os turistas. "O enoturismo deverá crescer 20% em pouco tempo", estima Zanini. Os números endossam as previsões. Antes de 2002 (ano que o selo foi concedido), o Vale dos Vinhedos recebia 12 mil visitantes por ano. Em 2006, a região acolheu 100 mil turistas, crescimento de quase dez vezes.
As indicações geográficas na produção de vinhos estão consolidadas em vários países, em particular na Europa. Muitas delas são conhecidas mundialmente, como Bordeaux, Champagne, Porto e Rioja. Hoje, verifica-se interesse crescente por indicações geográficas de produtos vinícolas, da agropecuária e agroindústria.
Na Serra, mais três regiões buscam IG
Em 22 de novembro de 2002 o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, assinou o Registro de Indicação Geográfica n° IG 200002, reconhecendo a denominação "Vale dos Vinhedos" como Indicação Geográfica, a primeira do país.
Este fato histórico assinala o reconhecimento da primeira Indicação Geográfica brasileira e marca a entrada do Brasil no círculo mundial das indicações geográficas. Esta indicação geográfica tem como titular a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale).
A qualificação e a diferenciação da produção de vinhos e espumantes estão em constante evolução no Brasil. Este processo foi iniciado nos anos 1970, com exceção da recente região vitivinícola de São Joaquim (SC). Tal diversificação amplia o leque de ecossistemas vitícolas e de vitivinicultores.
O interesse dos produtores de uvas e derivados em qualificar e diferenciar a produção de vinhos tem motivado a busca e implementação da regionalização vitivinícola. No Rio Grande do Sul, direcionam-se para futuras indicações geográficas as denominações Vinhos dos Altos Montes (Apromontes), de Flores da Cunha e Nova Pádua, com nove cantinas; Vinhedos de Monte Belo, de Monte Belo do Sul, com 13 empresas; e Vinhos de Montanha, reunindo os vinicultores de Pinto Bandeira, distrito de Bento Gonçalves, com seis vinícolas.
Academia lança o site do vinho
O site do vinho brasileiro, www.sitedovinhobrasileiro.com.br, está no ar. Ele foi lançado pela Academia do Vinho, na sexta 2, durante a Fenavinho, que segue até o dia 20 de fevereiro em Bento Gonçalves.
Iniciativa da Academia do Vinho, o projeto nasceu há nove anos como um site dedicado à informação e troca de experiências sobre o vinho.
Hoje, apresenta a história do vinho brasileiro, regiões vinícolas do Brasil, mapas, características climáticas e geológicas, viticultura, produtores, vinhos, além de uma cadeia voltada ao Enoturismo, bem como o envio de um boletim semanal com lançamentos, novidades e dicas do vinho brasileiro.
Engº. Agrº. José Zugno
Mudas de nogueira pecan
No ano passado, assisti no programa Campo e Lavoura uma reportagem sobre nogueira pecan, que produz aos três anos de idade. O programa informava que as mudas de nogueira eram produzidas pela família Pitol, do RS, mas não lembro o município. Gostaria que a coluna Vida Agrícola publicasse o endereço da granja Pitol, pois tenho interesse em adquirir mudas.
Romano Ângelo Prando
Lacerdópolis – SC
O prezado leitor quer cultivar nogueira pecan. Respondo sua pergunta fazendo considerações, bem como as exigências do cultivo da planta. Noz pecan é nome indígena que quer dizer "noz de pedra". A espécie é originária do sul dos EUA. Tem nome científico Carya illinoensis, da família das juglandácias, a mesma da "Juglans regia", a nogueira européia.
A nogueira pecan foi introduzida no Brasil por imigrantes americanos em São Paulo, no começo dos anos 1900. Daí disseminou-se para outros Estados, principalmente RS e SC, favorecida por providências governamentais, iniciativas de empresas e incentivo dos meios de comunicação, como nosso jornal Correio Riograndense, embora baseados em insuficientes informações técnicas, pois a pesquisa estava dando os primeiros passos e não havia tomado conhecimento de certos problemas que ocorrem na cultura.
A nogueira pecan é árvore de grande porte, podendo atingir 20 metros de altura ou mais. Tem raiz pivotante vigorosa, que se aprofunda no solo e dela surgem as raízes secundárias. O tronco é cilíndrico, reto, com até 1,20 metro de diâmetro e de madeira nobre.
Os ramos inclinados para cima formam uma copa alta. As folhas são compostas por número ímpar de folíolos lanceolados, são caducas (caem no inverno), rebrotam na primavera e, quando se formam as flores unissexuais, as masculinas aparecem nos ramos do ano anterior e as femininas, na extremidade dos ramos novos. A florescência ocorre nos meses de setembro e outubro (primavera) e a frutificação, nos meses de março e abril (outono). O fruto é uma "drupa", com envoltório verde que se abre quando maduro para soltar a semente (noz), de casca lenhosa que, internamente, contém a amêndoa comestível.
Frutificação – A normal acontece quando as flores masculinas e as femininas amadurecem ao mesmo tempo. Porém, isto não ocorre em todas as variedades, às vezes, umas flores amadurecem antes que outras. Se as flores femininas não recebem o pólen no momento certo, não serão fecundadas e não produzirão nozes perfeitas. Neste caso, nos intervalos da variedade principal, deve-se colocar algumas plantas de variedades polinizadoras.
Multiplicação – Pode ser por semente e por enxertia. A semente é fértil e germina facilmente, mas, em geral, não reproduz as qualidades da variedade pretendida e demora muito para iniciar a florescência. Atualmente, as sementes são utilizadas apenas para a produção de cavalos (porta-enxertos) e formação de pomar. As mudas devem ser enxertadas com enxertos retirados de plantas sadias e reconhecidamente produtivas. A enxertia pode ser efetuada por meio de borbulha no período vegetativo (primavera e verão), ou por garfagem no período hibernal (julho e agosto).
Clima e solo – O clima preferido é o temperado, com chuvas bem distribuídas durante o ano. A nogueira aceita bem os frios e as geadas fortes de inverno, pois é de folhas caducas, porém, é sensível aos frios de primavera, época de rebrotação. Para frutificar requer luz, calor e umidade no verão.
Quanto aos solos, os mais favoráveis são os de natureza arenoso-argilosos, profundos, permeáveis e com baixa acidez, com PH em torno de 6 a 6,5. Além disso, a nogueira é muito exigente em fertilizantes e irrigação, pois precisa encontrar no solo elementos como nitrogênio, fósforo, potássio e cálcio em quantidades suficientes para a renovação da folhagem, ramos, raiz etc. A produção de flores e frutos exige também certos microelementos, como magnésio e zinco. Para tanto, convém contar com análise prévia do solo. A irrigação é necessária em casos de estiagem, sobretudo na primavera e verão.
Endereço do Viveiro Pitol: Linha Dr. Carlos Barbosa, Anta Gorda – RS, distante 1 km do centro da cidade. Cep: 95980-000, telefone (54) 3956-1287 e 3956-1156.
Anta Gorda é vanguardeiro da cultura da nogueira pecan no RS. Foi seu pioneiro Armin Miotto, que importou mudas de São Paulo. Ele foi cultivador e propagandista da nogueira pecan.
Nem com uma flor...
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Há uma atitude mental e interior que condena a violência contra a mulher, mas não existe um comportamento equivalente. Uma sociedade violenta só pode produzir seres humanos igualmente violentos
O ano que passou e que já vai longe no tempo foi pródigo em episódios de violência. Entre estes, a violência contra a mulher teve lugar nada desprezível. Em novembro de 2006, inconformado pelo que chamou de traição da ex-mulher, Cristina Ribeiro, o marido abandonado André Luiz Ribeiro da Silva a manteve sob a mira de um revólver das 8h às 18h20m dentro de um ônibus. Cerca de 50 pessoas foram inicialmente mantidas reféns pelo homem, que ameaçava matá-la e suicidar-se. Felizmente tudo terminou sem mortes, mas com um horrível trauma para a Cristina e para todos os reféns, que sofreram durante horas à mercê das paixões desatadas de André.
Em dezembro, a manicura Aglais Pereira de Oliveira foi morta a facadas pelo marido, inconformado com a separação. Tendo ido queixar-se à polícia, foi oferecido a ela o abrigo municipal para mulheres vítimas de violência. Aglais preferiu dar mais uma chance ao companheiro e perdeu a vida.
Entre os casos de Cristinas e Aglais, Marias e Joanas, ainda no mês de dezembro uma clamorosa injustiça dá testemunho do machismo que reina na avaliação dos números da violência. O jornalista Pimenta Neves, réu confesso do assassinato da namorada Sandra Gomide, foi condenado mas não preso. Voltou para casa. A indignação dos familiares de Sandra e de todas as instituições que lutam contra a violência feita à mulher é compreensível. Trata-se de algo inexplicável que um homem que matou uma moça 30 anos mais nova, de forma premeditada, por motivo torpe, réu confesso, condenado pelo Tribunal do Júri, receba, seis anos depois, o benefício de continuar aguardando em liberdade o julgamento do recurso. Infelizmente, no entanto, ainda há muito que caminhar neste campo em nosso país.
No Brasil, pesquisa da Fundação Perseu Abramo revela que a cada 15 segundos uma mulher é agredida. Estima-se que mais de dois milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos ou namorados, atuais e antigos. Por outro lado, os números sobre a incidência da violência contra a mulher no país contrastam com dados de recente pesquisa, que revelam um alto grau de rejeição à violência contra as mulheres. Na pesquisa em questão, 82% dos entrevistados respondem não existir nenhuma situação que justifique a agressão do homem a uma mulher. Além disso, 91% consideram muito grave o fato de mulheres serem agredidas por companheiros e maridos. Ao mesmo tempo, o velho ditado que afirma que "em briga de marido e mulher não se mete a colher" ainda tem boa aceitação (66%), reforçando a dupla moral e a cultura machista.
Observa-se que há uma atitude mental e interior contrária à violência, mas não há um comportamento equivalente.
O processo de emancipação da mulher ainda provoca muita insegurança no homem. Como aquele ser frágil, dependente, de repente se arvora em ter idéias próprias, trabalhar fora, olhar para o lado? Esse que é um dos processos mais revolucionários da cultura contemporânea até hoje não conseguiu plena cidadania nos países latinos, entre eles no nosso.
A raiz do problema sendo social, a solução também deve sê-lo. Uma sociedade violenta só pode produzir seres humanos – homens ou mulheres – igualmente violentos. Quem usa de violência tem sua personalidade por ela configurada, quem sabe na infância, quem sabe por que tortuosos caminhos e experiências? Em um ato violento, todos percebem que a vítima precisa de ajuda, mas poucos vêem esta necessidade também no agressor. As duas partes precisam de auxílio para promover uma verdadeira transformação da relação violenta.
Não se defende aqui a impunidade e a negação do delito que deve ser sancionado. Mas, por outro lado, aparece claro que o problema é mais global do que pensamos. Enquanto não construirmos uma sociedade mais justa e pacífica em todas as suas dimensões, infelizmente não conseguiremos convencer os homens de que "em uma mulher não se bate nem com uma flor".
Frei Betto
A impunidade é uma prerrogativa de quem possui poder. Assim, o jovem se pergunta: vale a pena ser honesto? Em vez de virtude e dever, a honestidade transforma-se em vergonha e humilhação
Na América Latina, a universalização do ensino fundamental tem sido proporcional à elitização do ensino superior nos últimos anos. Isso aprofunda a desigualdade social, atrofia a capacidade de exercício da cidadania, inibe o diálogo social. Quanto mais baixo o nível de escolaridade da população, menor a sua renda. O país perdura como um vasto quintal propício à exploração de seus recursos humanos e naturais por parte do capital transnacional.
O Duque de Charolais (1700-1760), nobre francês, ao retornar da caçada viu um homem que, de sua casa, observava o movimento da rua. Talvez porque naquele dia os animais lhe tenham enganado a pontaria, Charolais comentou com o cocheiro: "Vejamos se atiro bem naquele corpo!" Apontou e matou o estranho.
No dia seguinte, o assassino rogou indulgência ao Duque de Orléans. Este o advertiu: "Senhor, a indulgência que solicitais deve-se à vossa distinção e qualidade de príncipe de sangue; ela vos será concedida pelo rei (Luís XV), mas ele a concederá ainda com maior presteza àquele que fizer o mesmo a vós."
A impunidade é uma prerrogativa de quem possui poder. Essa é uma regra brasileira. Aqui, os Duques de Charolais são reiteradamente indultados pelo mesmo Poder Judiciário que se mostra implacável com os pobres. Nossas leis foram feitas para atenuar os crimes dos Charolais; nosso sistema prisional, para castigar impiedosamente quem furta uma lata de margarina ou é suspeita de misturar cocaína na mamadeira do bebê, embora a acusação tenha sido desmentida pelo laudo pericial.
Políticos apropriam-se de recursos públicos; deputados fartam-se de emendas parlamentares; suplentes embolsam, em menos de um mês, o equivalente a 210 salários mínimos; eleitos ensinam empresas a burlarem o fisco via triangulação no exterior. Porque investidos de mandato federal, permanecem impunes até serem julgados pelo STF – que jamais mandou um deputado federal para a cadeia. Num desprezo cínico pelos eleitores, os partidos adotam uma postura conivente com os acusados, sem expulsá-los de suas fileiras e nem mesmo impedir que fossem diplomados.
O que esperar das novas gerações se um importante jornalista assume que assassinou a namorada por motivo torpe e a condenação sequer lhe restringe a liberdade? Um banqueiro dá um calote de R$ 3 bilhões em seus correntistas e a Justiça o autoriza a desfrutar de sua suntuosa mansão. Um acidente aéreo mata 154 pessoas e ninguém vai para a cadeia. Uma cratera se abre nas obras do metrô de São Paulo, engolindo várias pessoas; a barragem de uma mineração se rompe, polui rios e arrasa cidades de Minas; rodovias se esfarelam – e a culpa é das chuvas, sem que qualquer pessoa seja responsabilizada e presa!
Os exemplos poderiam se multiplicar. Bem conhecem o leitor ou a leitora outros tantos casos. A Polícia Federal faz o seu trabalho de investigação e detenção, o Ministério Público age em defesa da lei, mas o Judiciário, supremo intérprete do queijo suíço de nossa legislação penal, encontra sempre os buracos pelos quais os ratos passam impunemente. Assim, o jovem se pergunta: vale a pena ser honesto? Em vez de virtude e dever, a honestidade transforma-se em vergonha e humilhação.
Felizmente há no Judiciário muitos com senso de justiça. E bom humor. É o caso do juiz Ronaldo Tavani, da Comarca de Varginha (MG), que em Carmo da Cachoeira concedeu liberdade provisória a um homem preso em flagrante por furtar duas galinhas e perguntar ao delegado: "Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?"
Eis a sentença do magistrado:
"No dia cinco de outubro / do ano ainda fluente, / em Carmo da Cachoeira / terra de boa gente, / ocorreu um fato inédito / que me deixou descontente.
O jovem Alceu da Costa, / conhecido por "Rolinha", / aproveitando a madrugada, / resolveu sair da linha, / subtraindo de outrem / duas saborosas galinhas.
Apanhando um saco plástico / que ali mesmo encontrou, / o agente muito esperto/ escondeu o que furtou, / deixando o local do crime / da maneira como entrou.
O senhor Gabriel Osório, / homem de muito tato, / notando que havia sido / a vítima do grave ato, / procurou a autoridade / para relatar-lhe o fato.
Ante a notícia do crime, / a polícia diligente / tomou as dores de Osório / e formou seu contingente, / um cabo e dois soldados / e quem sabe até um tenente.
Assim é que o aparato / da Polícia Militar, / atendendo a ordem expressa / do delegado titular, / não pensou em outra coisa / senão em capturar. / E depois de algum trabalho / o larápio foi encontrado / num bar foi capturado. / Não esboçou reação, / sendo conduzido então / à frente do delegado.
Perguntado pelo furto/ que havia cometido, / respondeu Alceu da Costa, / bastante extrovertido: / "Desde quando furto é crime / neste Brasil de bandidos?"
Ante tão forte argumento / calou-se o delegado, / mas por dever do seu cargo / o flagrante foi lavrado, / recolhendo à cadeia / aquele pobre coitado.
E hoje passado um mês / de ocorrida a prisão, / chega-me às mãos o inquérito / que me parte o coração. / Solto ou deixo preso / esse mísero ladrão?
Soltá-lo é decisão / que a nossa lei refuta, / pois todos sabem que a lei / é pra pobre, preto e puta... / Por isso peço a Deus / que norteie minha conduta.
É muito justa a lição / do pai destas Alterosas. / Não deve ficar na prisão / quem furtou duas penosas, / se lá também não estão presas / pessoas bem mais charmosas.
Desta forma é que concedo / a esse homem da simplória, / com base no CPP, / liberdade provisória, / para que volte para casa / e passe a viver na glória.
Se virar homem honesto / e sair dessa sua trilha, / permaneça em Cachoeira / ao lado de sua família, / devendo, se ao contrário, / mudar-se para Brasília!!!"
Novo parlamento assume com antigos vícios
Maioria foi reeleita ou já ocupou cargo. Antes da posse, 14 deputados trocaram de partido
Clodovil Hernandez (PTC), em impecável terno branco, chamava atenção e distribuía sorrisos; o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), emendava entrevistas enaltecendo o seu passado político; os petistas João Paulo Cunha, Antônio Palocci e José Dirceu portavam-se com a discrição que o envolvimento em escândalos, no ano passado, exigia; o ex-presidente Fernando Collor de Mello (foi empossado senador pelo PRTB de Alagoas e no dia seguinte mudou para o PTB) arrancava aplausos de admiradores... Eles roubaram a cena no dia da posse, no Senado e na Câmara Federal, quinta 31. Mais do que isso, provocaram o surgimento de dúvidas no eleitor brasileiro, escaldado com a seqüência de escândalos em 2006 (de mensaleiros a sanguessugas): será esta a nova cara do novo Congresso Nacional?
O Congresso não é tão novo assim. No Senado, dos 81 senadores foi empossado um terço (54 foram eleitos em 2002 para um mandato de oito anos). Dos 27 eleitos no ano passado, sete foram reconduzidos ao cargo (entre eles o gaúcho Pedro Simon-PMDB), um já havia sido senador antes, 18 ocuparam algum cargo eletivo. Novo mesmo, apenas um.
Na Câmara a situação não se altera muito. Dos 513 deputados que assumiram, 278 foram reeleitos, 42 já haviam sido deputados antes e 137 já tinham ocupado algum cargo eletivo. Apenas 56, ou pouco mais de 10%, nunca tiveram cargo. Um número pode medir a insatisfação do eleitor em relação à legislatura passada: 159 deputados não conseguiram se reeleger. A taxa de renovação foi de 47,6%, bem abaixo, por exemplo, dos 61,8% de 1990.
Troca – A atual legislatura carrega a missão de tentar reverter a abalada imagem do Congresso. A julgar por um indicador, a história tende a se repetir. Nada menos do que 14 deputados federais trocaram de partido entre a eleição e a posse. Um dia após iniciar o ano legislativo já eram 20 – e mais dois senadores, Fernando Collor e Expedito Júnior, eleito pelo PPS de Rondônia, que foi para o PR (fusão de PL e Prona), da base governista.
O número de parlamentares que trocaram de sigla só é inferior na história recente do parlamento ao de 2002, quando 37 deputados foram eleitos por um partido e assumiram por outro – nessa troca já estava plantada a semente do mensalão.
Chinaglia e Renan são presidentes das Casas
O petista Arlindo Chinaglia (SP) é o presidente da Câmara dos Deputados pelos próximos dois anos. Ele superou a disputa com Aldo Rebelo (PC do B), que ocupava o cargo, por 261 votos a 243 – seis votos em branco. Chinaglia venceu com apoio de parlamentares do PSDB, que no primeiro turno da eleição para a presidência da Casa haviam apoiado o tucano Gustavo Fruet (nessa primeira votação ele fez 98 votos, contra 175 de Aldo e 236 de Chinaglia). Há quem já projete que o racha entre PSDB e PFL possa repercutir até na eleição para presidente do país de 2010.
No Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) teve poucas dificuldades para vencer Agripino Maia (PFL-RN). Com 51 votos contra 28 ele foi reeleito à presidência.
ORIGEM DA COBIÇA
Por que a presidência da Câmara dos Deputados é tão cobiçada? Eis alguns dos motivos:
– total ascendência sobre a pauta de votações da Casa
– o presidente da Câmara é o segundo na linha de sucessão presidencial (depois do vice)
– decide sobre abertura de processo de impeachment contra o presidente da República
– administra um orçamento de R$ 3 bilhões
– tem direito a casa oficial, carro oficial e motorista e ainda a um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB)
CUSTO DO DEPUTADO
Um deputado federal custa mais de R$ 100 mil por mês. Além do salário (deve passar de R$ 12,9 mil para R$ 16 mil), cada parlamentar recebe R$ 50,8 mil para gastos com pessoal e outros R$ 15 mil para gastos em seus Estados – escritório e locomoção. Ganha ainda entre R$ 4,1 mil e R$ 16,5 mil em passagens aéreas (valor que muda de acordo com o Estado de origem), R$ 4,2 mil para gastos postais e R$ 3 mil de auxílio-moradia.
PROFISSIONAL LIBERAL
Mais de a metade dos 513 deputados federais eleitos é profissional liberal. Entre os 265 assim classificados, 85 são advogados, 54 médicos, 47 engenheiros, 20 economistas e 15 administradores. Há ainda 121 empresários, 87 assalariados urbanos (professores, servidores públicos..) e 40 são agricultores ou ligados a outras atividades.
PARLAMENTARES DO RS
A exemplo dos demais estados, o Rio Grande do Sul tem três senadores. A participação gaúcha na Câmara é de 31 deputados. Desses, apenas dois são da Serra: os caxienses Gilberto Pepe Vargas (PT) e Ruy Pauletti (PSDB).
MINORIA FEMININA
Apenas 42 mulheres foram empossadas na Câmara Federal. Elas representam 8,1% das 513 cadeiras. Embora sejam maioria entre os eleitores, o número de deputadas caiu em relação à legislatura anterior, que tinha 45.
ASSEMBLÉIA GAÚCHA
Vinte dos 55 deputados estaduais gaúchos foram eleitos pela primeira vez. A região da Serra participa com sete deputados (12,7%). São eles: Alexandre Postal (PMDB, de Guaporé); Alberto Oliveira (PMDB, de Flores da Cunha); Álvaro Boessio (PMDB, de Farroupilha); Francisco Appio (PP, Vacaria); Kalil Sehbe Neto (PDT, de Caxias do Sul); e Marisa Formolo (PT, de Caxias).
UM MERGULHO NA AMAZÔNIA
A Campanha da Fraternidade 2007 pretende conhecer a realidade dos povos dessa imensa e rica região, denunciar as agressões à vida, refletir sobre o modelo de desenvolvimento e promover a solidariedade
Conhecer a realidade em que vivem os povos da Amazônia, seus valores e as agressões que sofrem devido ao atual modelo econômico e cultural; ao mesmo tempo, "lançar um chamado à conversão, à solidariedade, a um novo estilo de vida e a um projeto de desenvolvimento à luz dos valores humanos e evangélicos". Esses são os objetivos gerais da Campanha da Fraternidade 2007, que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lança no dia 21 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas.
A 44ª CF tem como tema "Fraternidade e Amazônia" e como lema, "Vida e Missão neste Chão". Entre suas finalidades específicas destacam-se a superação da desinformação e dos preconceitos, a denúncia de todas ações que agridem a vida, os povos e os ambientes amazônicos, a promoção da solidariedade e da partilha para opção de convivência autônoma e soberana dos povos da Amazônia.
O texto-base da CF 2007 enfoca a imensa e desconhecida região da Amazônia, suas centenas de rios, a multiplicidade de animais e aves, a gigantesca floresta – vítimas da depredação, destruição e extinção. Mas vai além do patrimônio ambiental, para penetrar na vida daquela população que hoje enfrenta problemas típicos dos grandes centros urbanos. "A CF convida-nos a considerar a Amazônia com espírito crítico para pensar, a partir dela, o modelo de desenvolvimento que se quer para todo o país", afirma padre Antonio Valentini Neto, pároco da Catedral São José, Erechim (RS). "Somos convidados a descobrir o que realmente está em jogo na Amazônia, a ter clareza sobre os interesse e a cobiça internacional sobre ela", acrescenta.
Paradoxo – Estima-se que as reservas de madeira de lei e minerais da Amazônia brasileira representem mais de R$ 7 trilhões (leia ao lado). Com a água o valor fica incalculável. São recursos mais que suficientes para uma vida de qualidade aos 23 milhões de habitantes da região. Mas a maioria da população é pobre e convive com problemas sociais encontrados nas demais regiões do país: desemprego, desigualdade, exploração, baixos índices de saúde e de educação (mais de 13% de analfabetos).
Esse quadro escancara o maior de todos os desafios. Para revertê-lo, é preciso controlar o desmatamento predatório e a comercialização da madeira, as queimadas e a exploração siderúrgica e preservar a biodiversidade contra a biopirataria, o narcotráfico e a garimpagem ilegal. Essa situação social é agravada por uma verdadeira indústria da corrupção e do desvio de dinheiro público.
Movimentos populares e solidários, como o de seringueiros, comunidades quilombolas, atingidos por barragens, quebradeiras de coco, artesãs..., estão ajudando a construir uma perspectiva melhor para a região. Mas ainda são impotentes para superar as adversidades.
Um riquíssimo e cobiçado gigante
Aprofundar-se na Amazônia é como mergulhar em águas turvas, no desconhecido, em função da dimensão da área. A Amazônia Legal brasileira (definida no artigo 2 da lei nº 5.173, de outubro de 1996) abrange dez Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, parte do Maranhão e cinco municípios de Goiás. Com extensão um pouco superior a 5 milhões de quilômetros quadrados, ela representa 59% do território nacional, ou 65% de toda a bacia amazônica, formada por 25 mil quilômetros de rios navegáveis. Nela moram 23 milhões de pessoas, das quais cerca de 270 mil são indígenas de 163 povos diferentes – que segundo alguns estudiosos vivem lá há 12 mil anos. A maioria, portanto, é constituída de migrantes (leia página 12).
Incluindo a parte da Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, soma 7,01 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a 5% da superfície da Terra e 40% da América Latina. Nessa área estão 20% da água doce não congelada do mundo e 80% da água do Brasil; 34% das reservas florestais e 30% da fauna e flora do planeta.
As reservas de madeira de lei e de metais nobres na área brasileira são avaliadas, por estimativas, em US$ 3,3 trilhões – mais de R$ 7 trilhões. A Amazônia é considerada ainda o último espaço inexplorado do planeta, com terras que podem aumentar a produção agrícola do país de 60% a 80%. Riqueza maior ainda é a água, de valor econômico estratégico incalculável, porque dela poderá depender grande parte da vida do planeta. São motivos mais do que justificáveis para atrair a cobiça internacional.
Devastação maior que todo o Sul
O ritmo de desmatamento reduziu 31% em 2005 e os dados de 2006 ainda não foram integralmente computados. Mesmo assim, a Amazônia Legal já perdeu 13,3% de sua floresta. São 655.944,80 quilômetros quadrados. A devastação equivale à soma das áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mais um terço de São Paulo – ou a quase 8% de todo o território brasileiro.
E mesmo quando houve queda foram derrubados 18,8 mil quilômetros quadrados de mata nativa. Para complicar, a diminuição não foi uniforme: em Roraima, por exemplo, houve um recuo de 51% no ritmo do desflorestamento, mas no Maranhão ocorreu aumento de 22% e no Tocantins, de 72% – devido principalmente ao cultivo de soja.
Esses dados foram divulgados no final de janeiro, quando o IBGE e o Ministério do Meio Ambiente apresentaram o novo mapeamento da Amazônia Legal (mais de 5 milhões de quilômetros quadrados), que contém informações sobre rede urbana regional, logística, fronteiras agropecuária e mineral, áreas protegidas... A coleção de dez mapas permite a elaboração de um mapa integrado de zoneamento ecológico-econômico dos Estados da Amazônia Legal, que será usado para indicar alternativas de uso sustentável dos recursos naturais. Ele estabelece, pela primeira vez, quais são as áreas da Amazônia que poderão abrigar atividades produtivas e quais deverão se manter preservadas.
O IBGE relacionou os dez municípios com maior área desmatada. São Félix do Xingu, no Pará, lidera com 13,6 mil quilômetros quadrados. Paragominas, no mesmo Estado, está em segundo, com 8,5 mil quilômetros quadrados. Dessa lista, seis municípios são paraenses. Proporcionalmente, no entanto, é Rondônia o Estado com o mais alto percentual de devastação da floresta: 28,5% do seu território.
As principais causas apontadas para o desmatamento na Amazônia são o aumento da população, conseqüência da migração incentivada pelo governo, o crescimento da indústria madeireira, aliado à ampliação da rede viária, e as queimadas realizadas para manejo de pastagens e áreas agrícolas.
A Campanha da Fraternidade 2007 é o acolhimento, pela CNBB, de um grito das igrejas e povos da Amazônia. Essa decisão significa colocar esta região no centro das atenções dos cristãos da Igreja Católica e de toda a sociedade brasileira. E é um convite para que todas pessoas com sentimentos de humanidade sejam solidáborias, e de forma bem concreta, com a Amazônia
Ivo Poletto
Sociólogo e educador popular, assessor da Cáritas Brasileira
Como é que se pode ser solidário com uma região do país? Em primeiro lugar, tomando conhecimento do que está acontecendo por lá, ouvindo os clamores dos povos e grupos sociais, assumindo suas propostas e apoiando suas iniciativas. Outra maneira de ser solidário com a Amazônia é acolher os desafios que ela lança ao Brasil e ao mundo.
Estas práticas solidárias são uma forma excelente de fazer presente na realidade do nosso tempo a libertação da vida pela qual Jesus, há dois mil anos, dedicou sua existência, foi condenado, morto na cruz e ressuscitado. Tendo isso como pano de fundo, procuremos, agora, fazer a ligação entre a Amazônia e outras regiões do Brasil e do mundo examinando a migração.
Indígenas – Houve muitas correntes migratórias para a Amazônia. A mais antiga, que começou há 12 mil anos, foi a dos povos que conhecemos como indígenas. Na verdade, eles são os povos que deram origem à história da região. Os primeiros viviam de uma economia baseada na caça, pesca e coleta, mas há 11 mil anos já introduziram a agricultura. Eles domesticaram plantas selvagens e passaram a cultivar, entre outras, o abacaxi, o amendoim, o mamão e, principalmente, a mandioca e a pupunha (1). A partir da chegada e da invasão dos colonizadores europeus, no século XVI, ocorreram diversos movimentos migratórios. O mais recente e mais numeroso foi o provocado pelos projetos de colonização da última ditadura. Antes dele, contudo, duas outras correntes migratórias marcaram a Amazônia, e as duas estiveram ligadas aos interesses internacionais pela borracha. Nas duas – no final do século XIX e nos anos 40 do século XX -, tornaram– se "soldados da borracha" homens do Nordeste, que sofriam com as secas mal enfrentadas em sua terra natal.
A longa história dos povos originários levanta muitos desafios. Vale lembrar que, quando entraram os colonizadores europeus, havia na Amazônia brasileira mais de três milhões de pessoas. Hoje, só existem 208 mil em aldeias e 62 mil espalhados pelas cidades! Como em todo o país – em que havia mais 5 milhões de pessoas e mais de 1.200 povos originários -, aconteceu um genocídio e um etnocídio: morte violenta de pessoas e extermínio de povos, com suas culturas, saberes e religiões.
Harmonia – Durante milênios, esses povos viveram na Amazônia sem destruir o que faz dela um bioma, isto é, um berço original, diferente, único, de vida vegetal, animal e humana. A chegada dos europeus, brancos e cristãos, trouxe um outro modo de relação com a terra e com a vida. O que valia, para eles, era a acumulação de riqueza e de poder. Para isso, usurparam e apropriaram-se da terra e extraíram a riqueza do solo e do subsolo para vender na Europa. Além disso, submeteram com violência as pessoas à escravidão. O resultado foi o quase extermínio dos povos que resistiram à escravidão, a importação de escravos africanos e um processo de ocupação, apropriação e exploração que, hoje, ameaça o equilíbrio do bioma Amazônia.
Nordestinos – Praticamente todas as pessoas e famílias que migraram para a Amazônia a partir do século XIX o fizeram forçadas. As duas primeiras levas foram do Nordeste para a Amazônia, empurradas pela falta de reforma agrária e de políticas adequadas à vida no Semi-Árido e envolvidas pelas promessas de dois programas de extração do látex para produzir borracha. Na mais recente, as famílias foram para a Amazônia, mais uma vez, pela falta de reforma agrária em suas regiões de origem, e partiram envolvidas pelas promessas de terra nos projetos de colonização organizados pela ditadura militar nos anos 1970 e 1980.
Nenhuma dessas iniciativas teve como base necessidades da região amazônica e nem resolver os problemas das famílias que migraram. Foram pensadas e promovidas fora da região, atendendo a interesses e necessidades de fora. A prova disso foi o abandono em que ficaram as pessoas e famílias que entraram nos dois programas da borracha e nos projetos de colonização. Quando conseguiram, no início do século XX, produzir o látex na Ásia, a partir de sementes roubadas, as empresas e o governo abandonaram os seringueiros à sua própria sorte; quando a II Guerra Mundial acabou, e os Estados Unidos não precisavam mais de tanta borracha, os "soldados da borracha" foram abandonados, e ficaram na Amazônia por falta de condições de retornar à sua terra, vivendo nas beiras dos rios e sendo seringueiros cada vez mais empobrecidos, sem terra e sem garantia do uso da floresta.
Colonos – Os "colonos" tiveram destino parecido. Em primeiro lugar, só parte das famílias que se deslocaram para a Amazônia conseguiu um lote de terra. Os que sobraram, ou se embrenharam nas matas, ocuparam terras, ou incharam as cidades que nasciam à beira das grandes rodovias, tornando-se mão-de-obra barata para os grandes projetos de mineração, agropecuária ou extração de madeira. Os que conseguiram terra, pouco ou nada tiveram de apoio. Faltou formação para desenvolver uma agricultura adequada à região, financiamento para a produção e a comercialização e a infra-estrutura de transporte – o isolamento impedia a venda dos produtos, o tratamento da saúde, o estudo dos filhos. Só não desistiram os que conseguiram organizar-se, com apoio das igrejas, da Pastoral da Terra e dos Migrantes, em cooperativas e associações, enfrentando juntos seus problemas.
Contaram com efetivo apoio governamental os grandes projetos, vistos como a melhor forma de "integrar" e levar o "desenvolvimento" para a região. Mais uma vez, propostas vindas de fora e voltadas para fora. A colonização serviu de pretexto para promover o latifúndio e os grandes projetos.(2)
Cidades – Dois movimentos deram origem ao crescimento vertiginoso da população das cidades, de modo especial as grandes, como Manaus, Belém, Santarém, Porto Velho, Rio Branco, Ji-Paraná. Sobrantes de uma colonização que procurou evitar um processo verdadeiro de reforma agrária, na Amazônia e em todo o país, e de assentamentos abandonados pelo poder público, muitos migrantes rumaram para as cidades. O fato é que, hoje, mais de 70% da população de 23 milhões vivem nas cidades. As grandes já apresentam os problemas e desafios do mundo urbanizado capitalista, tendo como carro-chefe, na fase neoliberal, o desemprego, a desocupação, a desvalorização do trabalho, as atividades ilegais, a violência.
Alternativas – Já se pode dizer que, na Amazônia, estão se enfrentando dois modos diferentes de desenvolvimento. Um deles, dominante, é o que vai repetindo o que foi feito no resto do país: desmatamento, implantação de madeireiras, de pecuária extensiva, de extensas monoculturas, especialmente de soja, de empresas mineradoras, de extração de petróleo e gás, de pesca comercial – tudo sem a mínima consideração com as características do bioma Amazônia. Não bastasse isso, nos últimos tempos tem crescido a pressão para que a água, o maior tesouro natural da região, seja privatizada, bem como aumentou a pirataria de seres vivos e o patenteamento de espécies, colocando em risco a rica biodiversidade desta região tropical.
Mas esse modelo já não reina sozinho. Os seringueiros conseguiram, a partir das lutas animadas por Chico Mendes, reservas extrativistas, que são áreas coletivas de florestas, em que vão vivendo, colhendo o látex e fazendo pequena agricultura. Os ribeirinhos já avançaram em sua organização para salvar os lagos santuários, para reprodução dos peixes, e os rios, garantindo o estilo de vida das suas comunidades. Já há provas de que, nas áreas de colonização, se pode reconstituir a floresta, só que com objetivo econômico e com plantas da Amazônia que produzem cocos, frutas, castanhas. É o que fazem, por exemplo, os membros da cooperativa RECA – Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado. Comunidades quilombolas estão conseguindo reconhecimento de seus territórios e multiplicam-se as iniciativas de economia solidária, no campo e nas cidades, gerando espaços de produção econômica e de serviços sem a marca da exploração.
Em outras palavras, sem voltar no tempo, a cada dia que passa retoma-se um jeito de viver, de organizar o trabalho, de prover o necessário para a vida que não agrida a natureza, e que, ao contrário, seja um cuidado com as condições da vida, que se combinam de uma forma única no bioma Amazônia. Convive-se com a floresta, com os rios, com os lagos, com os animais, com os insetos. Vive-se de maneira simples, preferindo a felicidade saudável à riqueza acumulada, a cooperação e a solidariedade à exploração e o egoísmo. E é nessa e para essa direção que andam as articulações que se propõem uma "outra Amazônia", um conjunto de conhecimentos e práticas que tornem possível a "convivência com a Amazônia".
(1) Neves, Eduardo Góes. Arqueologia da Amazônia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 2006, p. 34-35.
(2) Cf. Hébette, Jean. Cruzando a Fronteira. 30 anos de estudo do campesinato na Amazônia. Belém,PA Ec.Iniv. UFPA, 2004, p.75-88.
Gaúcho será beatificado em outubro
Beatificação de Adílio e Pe. González ocorre em Frederico Westphalen
Agora então é oficial, diz dom Zeno Hastenteufel, bispo de Frederico Westphalen. Neste ano, realiza-se no Brasil a canonização do frei Galvão, em São Paulo, e três cerimônias de beatificação em outubro: dia 20, em Tubarão (SC), de Albertina Berckenbrock, martirizada em 1931; dia 21, em Frederico Westphalen, do pe. Manuel Gomez González e do coroinha Adílio Daronch, martirizados em 1924. Em Salvador (BA), dia 25, ocorre a beatificação da Lindalva Justo de Oliveira, martirizada em 1993.
O dia 21 de outubro de 2007 foi solicitado por dom Zeno. Na data, está prevista missa campal, na Praça da Matriz, em frente à Catedral Santo Antônio, às 16 h. O bispo espera cerca de 50 mil pessoas da diocese e de municípios catarinenses. "É a primeira cerimônia de beatificação realizada no Rio Grande do Sul", revela.
Adílio Daronch será o primeiro coroinha canonizado da Igreja Católica no mundo "A comunidade espera por isso há 80 anos, pois no sepultamento dos mártires, em 22 de maio de 1924, sem a presença de padre, os dois foram enterrados pelos próprios colonos, no cemitério que eles deveriam ter abençoado. Escreveram em cima da cruz: ‘mártires da fé, verdadeiros santos da Igreja, assassinados a 21 de maio de 1924’", relata dom Zeno.
Em 1997, dom Bruno Maldaner, com ajuda de padre Arlindo Rubert, encaminhou o processo dos mártires, colocando o postulador da causa frei Paolo Lombardo. Em 2006, o processo foi concluído. O decreto da beatificação foi assinado pelo Papa Bento XVI, em dezembro de 2006. "No ínício de março de 2007, frei Paolo virá para a diocese e nos orientará sobre os últimos detalhes", adianta dom Zeno.
Coroinha nasceu em Dona Francisca
Padre Manuel González, espanhol, veio ao Brasil em 1913. Encaminhado ao bispo de Santa Maria, foi nomeado pároco de Soledade em janeiro de 1914. No ano seguinte foi designado pároco de Nonoai, onde desempenhou sua missão evangelizadora com grande dedicação até 1924. Nessa época, a região norte do Estado sofria com os combates entre maragatos e chimangos e padres foram duramente perseguidos.
Pe. Manuel e o coroinha Adílio Daronch, natural de Dona Francisca (RS), estavam atendendo a comunidade de colonos de Feijão Miúdo, perto de Três Passos, distante 250 km de Nonoai, quando caíram numa emboscada armada por soldados. Depois de serem agredidos, foram assassinados a tiros no dia 21 de maio de 1924 e sepultados no mesmo cemitério que iriam abençoar.
Em março de 1964, por determinação de dom João Hoffmann, então bispo de Frederico Westphalen, os restos mortais dos mártires foram exumados e percorreram paróquias e capelas da região. Foram transladados para o santuário Nossa Senhora da Luz, em Nonoai. Desde então, é celebrada anualmente a romaria penitencial ao Santuário Nossa Senhora da Luz e aos mártires. Maior evento religioso do Alto Uruguai, é realizada sempre no terceiro domingo de maio.
Padre Manuel e Adílio tam bém são reverenciados no local onde sofreram o martírio. Na comunidade de Feijão Miúdo realiza-se anualmente a Romaria ao Santuário dos Mártires do Alto Uruguai. No lugar onde foram assassinados foi construído um santuário que atrai romeiros e devotos, principalmente, do RS e SC.
Padre Zezinho
Há poder nas mãos da mãe e do pai que abençoam, em nome de Jesus
Poucos casais católicos descobriram a enorme graça de se abençoar e de abençoar seus filhos; graça que lhes vem com o matrimônio. Pensam que a única graça que possuem é a de se amarem e gerarem vidas. Esquecem a graça de abençoar-se e abençoar seus filhos (Gn 27,4-40). Era tão importante a bênção de um pai entre os hebreus, que, mesmo quando Isaac abençoou erradamente a Jacó, ao invés de abençoar Esaú, manteve a sua bênção. Mas reservou uma bênção especial para o filho prejudicado. Esaú acabou se tornando alguém e poderoso, mesmo não sendo o herdeiro. De certa forma, se deu melhor do que o irmão usurpador que viveu atormentado pelo que fizera; perdeu por muitos anos o filho José e acabou recebendo o seu perdão e a sua bênção.
Mãos de pai e de mãe são santas. Lábios de pai e mãe têm graça e sabedoria. O casal deve pedi-la, para poder dar a bênção, a palavra e o conselho certos para o filho, na hora certa e do jeito certo. Há poder nas mãos da mãe e do pai que abençoam. Muitas famílias, diante de tanta violência, em seus bairros, andam se abençoando de manhã, ao sair de casa, ao voltar e ao dormir. Filhos estão abençoando seus pais e pais abençoando os filhos.
Sou sacerdote católico e tenho o hábito de pedir aos pais e mães que me tragam seus filhos para abençoar, que ponham também suas mãos comigo sobre seus filhos. Sei que Deus está com eles e lhes dá poder sobre aquela vida que nasceu do seu amor conjugal. A minha bênção vem da Igreja e eu a dou em nome do Cristo e da Igreja. Os pais podem dá-la em nome do Cristo e da sua pequena Igreja. A grande maioria dos bispos e padres que hoje abençoam o povo, são quem são, certamente porque receberam mil bênçãos de seus pais. Pais abençoadores geram filhos missionários.
Que os pais façam uso da graça do matrimônio para abençoar seus filhos! Que os filhos abençoem seus pais! Que o casal se abençoe! Muitos se esqueceram deste dom!
Aldo Colombo
Nem todos servimos para tudo. Mas, certamente, todos servimos para alguma coisa
Num grande palco natural, cercado de árvores, todos os animais da floresta reuniram-se para uma assembléia geral. Em pauta a fundação de uma escola, espécie de Ensino Fundamental, para os bichos. Todos acharam que o projeto era interessante e necessário. O impasse aconteceu na escolha das disciplinas. O pássaro insistiu para que houvesse aulas de vôo, o coelho queria que a corrida fosse incluída no currículo da escola. O jacaré apontou a conveniência de andar no solo e saber nadar. Isso deveria fazer parte, necessariamente, do curso. Para o tatu, cavar buracos era algo que todo o animal deveria aprender; o tamanduá, preocupado com as boas maneiras, afirmou que o curso seria falho se não existisse uma disciplina que ensinasse a dar abraços.
Depois de longos debates, todas as sugestões foram aceitas e as disciplinas obrigatórias. O pássaro levou nota 10 no vôo, mas foi reprovado na corrida. O coelho foi excelente na corrida, mas não aprendeu a voar. Pior ainda: caiu de uma árvore e por algum tempo não pode nem mesmo andar. No fim do ano, alguns animais não haviam aprendido a cavar buracos, outros quase morreram afogados, muitos estavam com auto-estima muito baixa. Uns nada haviam aprendido, outros até haviam desaprendido.
A fábula pode ser aproveitada no contexto humano. A diversidade, bem aproveitada, é riqueza. Ela nos ensina, sobretudo, trabalhar em equipe. Nem todos servimos para tudo, mas todos servimos para alguma coisa. A educação deve levar em conta isso. Trazemos desde o berço algumas habilidades, alguns talentos que devem ser desenvolvidos em proveito de todos. Educar é também descobrir talentos ocultos, que podem ser desenvolvidos. E, nesse sentido, educar é ciência e arte. Cada filho, cada aluno, devem ser vistos em sua individualidade. Num passado recente, educadores não permitiam que um aluno escrevesse com a mão esquerda. Ainda hoje, existem pais que escolhem a vocação e a carreira dos filhos. E acabaram criando doutores, advogados, economistas, desiludidos e fracassados.
Em sua etimologia latina, educar é trazer para fora as possibilidades existentes em cada pessoa. Deus não se repete nunca e as individualidades devem ser respeitadas. É injusto tratar de maneira igual crianças diferentes. O que deve ser comum a todos é o respeito pela diversidade, a convivência com o diferente e a capacidade de ver a mesma situação a partir de diferentes pontos de vista. E essa diversidade precisa ser esclarecida pelo diálogo. O ponto de partida é a capacidade de conviver em harmonia, que é um jeito de amar.
A grande mestra que foi Santa Catarina de Sena afirmava: "Deus não dá todas as qualidades a uma só pessoa e nem deixa a ninguém sem qualidades". E isso para que aprendamos a depender uns dos outros.
Ibiaçá terá Romaria da Consoladora
Expectativa é que mais de 100 mil fiéis participem
"Mãe Consoladora, somos discípulos e missionários de teu filho". Este é o tema da 55ª Romaria de Nossa Senhora Consoladora, em Ibiaçá, no Vale do Taquari (RS), que terá seu ponto alto dia 25 de fevereiro. O tema deste ano lembra a 5ª Conferência Episcopal Latino Americana, que ocorre em Aparecida do Norte, no próximo mês de maio. A expectativa da coordenação é reunir mais de cem mil pessoas.
A novena preparatória inicia no dia 16 de fevereiro, no Santuário. Ela termina dia 24 com a procissão luminosa e o carro andor de Nossa Senhora. As missas ocorrem nos horários 7h, 9h,14h,16h e 19h30. No dia 25, missas a partir das 5 horas, com celebração campal às 10 horas. Às 13h30, show pela vida. A Romaria termina com a benção da saúde, de objetos religiosos e do santíssimo, às 15 horas, com a procissão do carro andor de Nossa Senhora. Aproximadamente 50 padres atenderão os romeiros em confissões e bênçãos. Estarão presentes também dom Orlando Dotti, administrador Apostólico da Diocese de Vacaria, e dom Osório Bebber, bispo emérito de Joaçaba (SC).
Desde o dia 25 de junho está acontecendo no santuário a novena dos nove meses em preparação à Romaria de Nossas Senhora Consoladora. "O tema desta novena é a oração da Ave Maria", diz pe. Edson Priamo. A celebração é transmitida pela Rádio Fátima.
Itapuca festeja Nª Senhora de Lourdes
A Paróquia São José do Patrocínio de Itapuca, distrito de Anta Gorda (RS), no Vale do Taquari, realiza a 73ª Romaria à Gruta Nossa Senhora de Lourdes, dias 11 e 12 de fevereiro. O tema deste ano é "Com Maria buscamos vida sadia". As missas estão previstas para as 9h, 10h30, 13h15, 15h30 e 16h30.
A programação prevê almoço (buffet ou churrasco), diversões populares e sorteio de prêmios. "A grande atração da festa é o show do artista Lucas Poletto, às 14h30", informa Luiz Dall Orsoletta, da comissão organizadora e agente do CR
A Gruta Nossa Senhora de Lourdes é a maior caverna do Rio Grande do Sul. Possui uma extensão de 30m de largura, 3m de altura e 115m de comprimento. O distrito de Itapuca conta com igreja, salão, escola e pracinha. Anta Gorda tem 6.333 habitantes, distribuídos numa área de 240,3 km2.
Ordenação sacerdotal de Ezequiel Dal Pozzo
Dia 17 de fevereiro, na Paróquia São Brás, em Paraí (RS), realiza-se a ordenação presbiterial do diácono Ezequiel Dal Pozzo. Ele escolheu como lema "Deus é amor: quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nela" (I Jo 4:16). Para Ezequiel, o Evangelho deve ser mostrado com palavras e ações.
Natural de Paraí, é filho de João Batista e Maria Helena Rosin Dal Poz-zo. Tem duas irmãs e um irmão. Iniciou a caminhada vocacional em 1997, com o curso de propedêutico, em Farroupilha. Cursou filosofia, em Viamão, e teologia, em Porto Alegre. Exerceu o ministério diaconal na paróquia Santa Fé, em Caxias do Sul, na qual permanecerá como padre.
Irmãos menores capuchinhos reforçam missão pastoral
O testemunho de vida, como missão pastoral, é a principal prioridade dos irmãos leigos, reunidos no 1º Encontro de Irmãos Menores Capuchinhos, em Hidrolândia, Goiás. O evento serviu para troca de experiências entre os 37 participantes de 11 províncias.
As sete proposições do grupo foram aprovadas por unanimidade pelo plenário. Entre elas, sugere que os irmãos exerçam os ministérios fraternos (guardiães, formadores, ecônomos, definidores, secretários etc) de acordo com a disponibilidade e os dons de cada um, atendendo as necessidades da Província e da Ordem.
A partir do Serviço de Animação Vocacional, o grupo propõe que a formação inicial e permanente para a vida seja integral, sem distinção, sendo abordada, ainda, a dimensão laical da Ordem. E, ao mesmo tempo, favoreça a escolha do projeto de vida fraterna e preserve a identidade como irmãos menores capuchinhos.
Wilson João
A vida traz perguntas e respostas. A resposta vem da reflexão e da leitura; da da meditação e da oração
Todos gostamos de escutar rádio com um som bem nítido. É chato não conseguir a sintonia. Quando há muitas emissoras, se torna mais difícil escolher claramente o som que se deseja. Também buscamos a sintonia de uma imagem nítida na televisão. Ninguém gosta de confusão de sons e de imagens.
SINTONIZAR-SE É PERCEBER-SE. Há situações de inconsciência muito perigosas. São as situações das pessoas que chegam e lamentam: " não sei porque estou assim... estão me acontecendo situações estranhas... não me entendo mais... não entendo mais as pessoas... sinto uma angústia e não tenho motivos..." Perceber-se é o segredo. Para perceber-se é necessário sentar. Refletir. Tomar-se na mão. Infelizmente, as pessoas buscam o caminho mais fácil: trabalhar e ocupar-se para fugir de si, beber e dormir para não sentir-se. Até a juventude entrou nesse caminho. Bebe-se para esquecer os desamores imaturos cantados pelas músicas sertanejas e pelos pagodinhos da vida. O segredo é não fugir de si e das sensações. É enfrentá-las, senti-las, conversar com elas e buscar caminhos de solução. Não adianta fugir. Elas andam com a gente.
SINTONIZAR-SE É PERGUNTAR-SE. É o caminho mais difícil. Podemos sentir e negar as causas, ou não buscá-las. Tudo tem uma causa. Tudo tem uma razão. Tudo tem um começo. Não há efeito sem causa. Perguntar-se é buscar a causa. É perguntar-se: por que estou triste? Por que não estou dormindo bem? Por que estou perdendo o apetite? Por que estou ficando mais agressivo? Por que estou bebendo? Por que não estou satisfeito? Perguntar-se exige parar. Exige não fugir na atividade, na bebida e na jogatina. Em cada pergunta bem feita há em seu interior uma resposta. É preciso escutar atentamente.
SINTONIZAR-SE É RESPONDER-SE. Tudo tem uma resposta. A vida traz dentro de si perguntas e respostas. Quando não conseguimos encontrá-las claras em nós, podemos e devemos conversar com outras pessoas, que podem ter passado por experiências semelhantes e ter encontrado um caminho. Por isso é muito bom ler, porque em cada livro há experiências de pessoas que venceram. A resposta vem da reflexão e da leitura, da meditação e da oração. No final de todos os caminhos, Deus é a grande resposta. Sua palavra é a grande resposta. Mas, também, responde através dos fatos da vida e da escuta das leis da vida e da natureza. O padre Zezinho teve uma idéia feliz quando escreveu e cantou, e nos convida a cantar: "meu espírito está em sintonia com meu Deus, por isso nele repousei e me senti feliz."
CONTAGEM DO TEMPO
As horas são uma invenção do homem que facilitaram a integração das nações
Na história da humanidade, a idéia de tempo está associada à percepção da mudança das estações, à alternância entre claro e escuro determinada pelo movimento da Terra, à constatação do envelhecimento. Para contarmos o tempo: criamos o calendário, batizamos de dia e noite ao claro e ao escuro, chamamos de inverno à experiência do frio, de primavera à invasão das flores.
As horas também são invenção do homem. Tanto que é possível alterá-las, como o Brasil faz anualmente desde 1985, com o chamado horário de verão, que este ano termina no próximo dia 25, quando os relógios devem ser atrasados em uma hora.
Quando o homem sentiu a necessidade de marcar o tempo, ele inventou o relógio de sol. Tendo como principal e único referencial para a contagem do tempo a posição do sol, as localidades ajustavam seus horários considerando como meio-dia o instante em que o sol estava a pino, produzindo sombra bem embaixo dos objetos.
Assim, muitos lugares, mesmo próximos, tinham horários diferentes, o que passou a criar dificuldades à medida que essas regiões se desenvolviam e crescia a necessidade de comunicação entre elas. Para se ter uma idéia da confusão, na parte da Europa onde hoje há três fusos horários, havia 27 horas diferentes. Na América do Norte as horas eram contadas localmente de 74 modos diferentes.
Para resolver esse problema, em uma conferência realizada em 1884, com 27 países, decidiu-se dividir a Terra em 24 faixas de horário. Assim, para cada faixa, há uma hora diferente e única do Pólo Norte ao Pólo Sul. O Meridiano de Greenwich foi adotado como referência, já que a maioria das cartas geográficas da época eram feitas pelos ingleses e destacavam esse meridiano. Com o passar dos anos, outros países passaram a seguir essa convenção e atualmente, em todo o mundo, é a partir do Meridiano de Greenwich que as horas são contadas, acrescentando-se ou subtraindo-se um número inteiro de horas, para cada fuso percorrido, ao horário de Greenwich, respectivamente quando se vai para leste ou para oeste.
Rússia tem 11 fusos horários
A Rússia, maior país do mundo, conseqüentemente também tem o maior número de fusos horários. Ao todo, 11 fusos horários e mais de dez mil quilômetros separam a região oeste do extremo leste. Assim, quando é meio-dia na capital, Moscou, já são nove horas da noite nas cidades do extremo leste.
Os Estados Unidos vêm em segundo lugar, com nove fusos horários, incluindo o Havaí, outras ilhas do Pacífico e o Alasca. O Canadá é o terceiro, com seis horários diferentes. Se fosse considerada apenas a área territorial, a China deveria vir em seguida, com cinco fusos. Porém, o governo obriga que todos os relógios do país sejam ajustados em um único horário; o da capital, Pequim. Essa pode até ser uma boa estratégia para os negócios, mas para os habitantes da região oeste, que na maior parte do ano só vêem o sol nascer às 9 horas da manhã, é ruim. Esse é um exemplo de desobediência à Conferência Internacional dos Meridianos (1884), mas não há lei que impeça os países de adotar o horário que melhor lhe convier.
O Brasil possui quatro fusos horários. A hora de Brasília é a oficial do país, três horas a menos do que Greenwich. Enquanto é meio-dia em Brasília, por exemplo, no Acre são 10 horas, em Fernando de Noronha, 13 horas e no Amazonas 11 horas.
Novo roedor é encontrado na Amazônia
Pesquisadores americanos descobriram na Amazônia, próximo à Cordilheira dos Andes, uma nova espécie de roedor. O animal, que ganhou o nome científico de Isothrix barbarabrownae, tem pêlo espesso e tamanho de um esquilo (foto).
Achado em um habitat andino com altitute de cerca de 1,9 mil metros, o bicho faz parte de um grupo chamado isothrix ou torós, roedores escaladores que vivem entre árvores e trepadeiras das bacias dos rios Amazonas e Orinoco.
A descoberta faz parte de um trabalho que já tem mais de três anos. Durante esse tempo, os pesquisadores também coletaram várias novas espécies de morcegos, marsupiais e gambás, além de outros roedores.
O italiano que está em mim
Pe. frei Gervásio Muttoni
Franciscano, Daltro Filho (Imigrante – RS)
Frei Gervásio é o franciscano que sua mãe pediu a Deus, antes do casamento. Atesta:
"Nasci a 27-5-1926 em Medorema (Pouso Novo-RS). Como os hebreus em busca da terra prometida, os italianos partiram em busca da América. Meus pais, Jacob e Margherita Gobbi, nasceram e casaram em Casargo (Milão). Somos 11 irmãos, cinco italianos e seis brasileiros. Meu pai participou da Guerra de 1914 a 1918, cujas conseqüências se agravaram com as imposições dos senhores feudais. Informados por emigrantes anteriores, papai e dois tios partiram para Garibaldi (RS), donde, por sugestão de amigos, se dirigiram às bandas de Soledade, parando em Pouso Novo, onde o pai comprou terra e começou a desmatar, plantar e criar animais domésticos.
Depois mandou vir a esposa e os filhos. Embarcados em Gênova, após 20 dias chegavam a Santos, de lá para Porto Alegre e, pelo vapor Aliança, chegavam em Lajeado. Lá hospedavam-se no Hotel Brasil, aguardando o dia em que o Stafetta, uma carroça puxada por seis animais, os levasse até Bela Vista, atual Vila Fão. A mãe deixou no hotel um baú em fiança, pois tinha acabado o dinheiro. Em Bela Vista, papai os aguardava. Mamãe, sentada no selim de um cavalo emprestado, com o filho menor no colo, e o pai e os quatro filhos, conduzindo o animal, se dirigiram a Medorema, terra de mato, animais selvagens e raros e incultos vizinhos. Lá nasci e me criei até os 12 anos, quando papai me levou ao Seminário Seráfico São Francisco, em Taquari. No seminário encontrei um grupo de sábios frades holandeses, entre os quais havia formados em línguas, matemática, história, geografia, química, música, teatro, esporte... Os numerosos seminaristas de origem alemã do Vale de Taquari discriminavam os poucos de origem italiana, como gringos polenteiros. Sentia mal-estar por ser de origem italiana, embora em casa só falássemos italiano. Tenho orgulho dos antepassados, recordo seus hábitos, costumes e tradições. Tenho saudade das piedosas procissões de Nossa Senhora, ao redor da capela, onde quatro moças, vestidas de branco, com guirlanda na cabeça, cantavam: "Mira il tuo popolo, bella Signora, / Che pien di giubilo oggi t’onora; / Anch’io festevole corro ai tuoi pié; / O Santa Vergine, prega per me!"
Três fatos marcaram minha vida:
1. Na juventude, meus pais, que cuidavam de ovelhas, cabras e vacas em montanhas italianas, puderam se encontrar e conversar! Num grupo de jovens da Ação Católica que peregrinou à terra de São Francisco, estava a Margherita. Na Basílica de Nossa Senhora dos Anjos, participaram de missa solene celebrada por muitos freis. Margherita, emocionada, após a missa foi pedir uma bênção ao padre superior: "Se um dia eu casar, peço a graça de ter um filho padre franciscano." Eu nasci no Brasil, mas na mente de minha mãe, fui concebido em Assis, na Itália.
2. Papai fez a II Guerra. Num combate, muitos colegas morreram, outros ficaram feridos, entre os quais meu pai. Todos foram amontoados. Papai, com grande esforço, fez sinal com a mão a um vigilante que o salvou!
3. A vinda dos franciscanos ao RS se deve aos frades holandeses que já trabalhavam em Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro. Em Vila Fão, fundaram nossa paróquia-mãe na data do meu nascimento, que em 2006 completou 80 anos. É berço de muitos sacerdotes e religiosos, como os freis Isaias Borghetti, Isidoro e Silvestre Bottega, Inácio Dresch, Flávio Guerra, Antonio e Armando Mariani, Olírio P. Colombo, Jacinto Polletto, Maximino Basso, Romano Zago, Pe. João Gheno, e muitas lideranças políticas, industriais, comerciais, educacionais e comunitárias" (Daltro Filho, Convento São Boaventura, fone 51– 3754.2021).
Italiano de origem, e italiano e franciscano de espiritualidade, este é o alegre frei Gervásio. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (397)
Nanetto nel lago de Garda
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba – PR
Ndando a Sirmione e el Lago de Garda, Adilson el spiega:
– Sirmione la ze na pìcola cità tela penìsola Sud del Lago de Garda. La ze sorta tel ano 87 prima de Cristo. Tel sècolo XIII, la fameia Scala la ga costruio un grande castelo, ancó cognossesto come Castel Scalìgero, sta maraveia che desso ndemo visitar.
Nanetto el scrivea tuto e, a uno che’l ghe ga domandà parché el scrivea tanto, el risponde:
– Questo ze el me quaderno de viaio. A casa lo riscrivo e ghe lo dao a la Gelina par lèderlo, così anca ela la segue el nostro viaio e la impara tante cose del Itàlia.
– Brao, Nanetto, ma continuemo. Catulo el ga cantà Sirmione in versi. Qua ghe ze na mùcia de rovine dal tempo dei romani. El Castel Scalìgero e le Grote de Catulo ze le caraterìstiche de Sirmione. El Castel e le alte muràlie le ze stae costruide par Cangrande.
– E de che grandessa zèrelo sto can? Domanda Nanetto.
– Cangrande ze un cognome talian de na persona. Sirmione la ga fama internassional par via dele so fontane termale, con aque minerale ipertermale, che le riva a na temperatura de 69 gradi e le sorge ntel Lago de Garda, da na profondità de 19 metri e a 330 metri dala Penìsola. Adesso ndemo far un passégio de barco tel Lago e podemo tocar l’aqua.
Quando se gera a na distansa de pi o meno 30 metri, tuti ghemo metesto la man tel aqua, e la gavemo sentista ben calda, e Nanetto se sclama:
– Òstrega, come la scota! Chi ze che fa fogo là soto? E Saul Ely Bispo de Lima, par coionrlo, ghe risponde:
– Sta aqua calda la ze pal to simaron, Nanetto.
– No stà parlarme de simaron, che, na volta, in Val Véneta, i fradei del me amigo Agostin Pivetta i me lo ga dà par ciuciar. Ntea prima ciuciada, me go scotà tanto la léngua, che son coresto fora dea matonara coa boca verta, par ciapar ària fresca. Mi gera costumà a bever vin o na graspeta in Santa Teresa e in Caxias, nò aqua calda!
– Le aque calde, dise Edilson, 1e ze incanae tele case par i bagni caldi. La profondità màssima de1 Lago 1a ze de 346 metri e 1a mèdia, de 135 metri. Rente a1 Lago i se gavea stabi1io, antigamente, i Lìguri, i Euganei, i Etruschi, i Ce1ti e a1tre tribù. La so stòria la data dala stòria de Roma. Aministrativamente, el Lago de Garda el partien a tre Region: Lombardia, Véneto e Trentino, e a tre Provìnsie: Brèscia, Verona e Trento, che le forma 1a Comunità del Garda.
– Gràssie! Gràssie! Zé pròpio na gràssia, tuti i dise.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
El caval che no’l se spaventa
Silvino Santin
Santa Maria – RS
Quando se parla dei migranti taliani, se pensa che tuti i gera bona gente, ma no la ze mia vera; ghinera de quei che ghe piasea imbroiar i altri. E questa la ze capitada a me nona Giusepina Pasin, o nona Pina.
La nona Pina la ndea a messa tute le doméneghe, giorni de festa e dele volte anca via par la setimana. Queste, la disea, le ze le obligassion de tuti i boni cristiani. Ma a ela ghe piasea anca ndar a spasso trovar i parenti e le comare, quei de darente e quei de distante. Par quel ghe volea un bon caval, e dopo veciota la volea un caval ben manso. Lora la ghe ga domandà a so neodo Amadeo, che’l vendea cavai, ègue, mule e mui novi e vècii, grandi e pìcoli, de carere e de arado, mansi o pieni de morbin. Ma el gera un furbon. Bisognea mantegner le rece alte e i oci verti. La nona Pina la savea tute ste maraveie del so neodo, ma la credea che no’l gavaria coraio de imbroiar a ela, so zia.
Un giorno, dopo messa, lo ga catà vegnendo fora de la cesa, e la ghe ga dimandà se lu no’l gavea un caval ben manso che no’l gavesse paura de gnente.
– Si, si, zia, ghinò un ben come volì vu, no’l se spaventa de gnente. El camina ben piampianeto, poco depiù che na lumega. L’è pròpio par vu. El ve costa poco, dosento fiorini. Diman mando el me pion casa vostra col caval e podì pagarghe a lu.
Luni matina, ben bonoreta, come lo gavea dito Amadeo, riva el pion col caval, bel de pel cor de pignon. La nona Pina, la gera ncora drio sfregarse i oci, quando la ga visto el caval lo ga trovà tanto bel, e la ghe ga dito al tosato: – Te pol méterlo in stala e daghe un par de panoce.
Dopo fato le òrdine de la nona, el riceve i soldi e, tuto contento, el monta tel caval che’l gavea menà insieme par ritornar a casa del so paron.
El primo giorno che la nona la volea doperarlo, la manda ciapar el caval e méterghe su el selin. Ela la monta, ma el caval no’l ndea avanti. La ghe ga dato na sicotada, el ga fato do tre passi e el se ga fermà. El gera fin massa manso, ben che Amadeo el ghe gavea dito che’l se someiava na lumega, ma così no dava. Con quel caval lì, la rivaria sempre tardi a la messa.
– Go paura, la dise, che sto òrgheno del me neodo, sta volta, el me ga ciavà. Lora la ciama quei de casa par veder cosa che’l caval el gavea che squasi no’l se movea. Tuti i lo ga catà medo strànio, ma vardando così no se vedea gnente, tuto in òrdine, e par sora, el so pel l’era pròpio bel. I ga proà tirarlo, ma el fea fadiga caminar. Dopo de mena in qua, mena in là, tira in su, tira in do, i ga visto che’l gera orbo dei due oci.
La nona, suito, la ga comandà al so nipote, menarghe de volta el caval a Amadeo, e dirghe che ela la volea un caval manso e nò orbo. Se lu no’l savesse la diferensa, ela la podea spiegarghe polito.
(Texto del Santin de na stòria contada par Neuton Antonio Pasin nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria, 2003)
Cooperativismo em debate
Jovem se reúne em Jacinto Machado
A cidade de Jacinto Machado vai sediar o 10º Encontro dos Jovens Agricultores Cooperativistas Catarinenses (Ejacc). Promoção da Organização das Cooperativas do Estado de SC (Ocesc), o evento está confirmado para os dias 31 de agosto e 1º de setembro.
Mais de 800 lideranças juvenis discutirão temas relacionados ao sistema cooperativista. Os jovens fazem parte de famílias associadas às cooperativas dos ramos agropecuário, crédito rural e eletrificação rural do Estado.
O Ejacc iniciou em 1998, em Rio do Sul, na Cooperativa Regional Agropecuária do Alto Vale do Itajaí (Cravil). "A cada ano é realizado nos municípios que sediam cooperativas", conta o presidente da Ocesc, Neivor Canton. Jacinto Machado localiza-se no extremo-sul de Santa Catarina, na microrregião de Araranguá, a 254 km de Florianópolis. Tem 11.000 habitantes, com predominância das etnias italiana e polonesa.
Rufatto preside Fenakiwi pela sexta vez
Cinco vezes presidente da Festa Nacional do Kiwi (Fenakiwi) credencia Antônio Luiz Rufatto a presidir a edição 2007. A maior festa de Farroupilha será realizada de 4 a 20 de maio, durante os finais de semana. O evento é promovido pela Câmera de Indústria, Comércio e Serviços. Rufatto esteve à frente da Fenakiwi nas edições de 1995, 1996, 2004, 2005 e 2006. O Sul produz 90% do quivi do país. Farroupilha é o maior produtor.