DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.028 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 28 de fevereiro de 2007.
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Educação e trabalho, armas para combater a violência
Sem estudo, jovem reduz chances de trabalho e fica mais exposto ao mundo do crime
Pesquisa não mostra tudo é uma frase incorporada do dicionário político por pelo menos dois motivos: a vulnerabilidade dos dados à manipulação e a margem de erro. Mas a pesquisa científica bem conduzida e analisada com competência e isenção fornece um retrato normalmente fiel da realidade. E a profundidade desse raio x aumenta na medida em que os dados de estudos paralelos e/ou complementares são colocados sobre a mesa de avaliação.
Dois temas abordados nesta edição, ambos baseados em pesquisas, fornecem indícios – e evidências – para a origem do aumento da violência cometida por adolescentes. No primeiro, a constatação de que 40% do 1,7 milhão de jovens com idade entre 15 e 17 anos que abandonaram a escola em 2005 o fizeram por desmotivação. A necessidade de trabalhar é a segunda causa para desistência. No segundo, a conclusão de que 51% dos adolescentes brasileiros que cumprem medidas socioeducativas estavam fora da sala de aula quando cometeram crime. E que entre os mais de 15 mil infratores internados, 90% não completaram o ensino fundamental.
Isso não significa que todo jovem ou adolescente que não freqüenta a escola foi absorvido pelo mundo do crime. Afinal, ainda há falta de vagas e outros impeditivos ao acesso à educação para milhões de brasileiros. É certo, no entanto, que sem estudo o jovem reduz as possibilidades de conseguir trabalho; e sem trabalho, de uma maneira geral, fica mais exposto à forte atração que o crime exerce como fonte de renda.
A educação continua sendo a base e a oportunidade de emprego pavimenta o caminho para uma vida digna. É por isso que especialistas têm insistido na necessidade de investimentos em políticas públicas que permitam ao adolescente capacitação cultural e profissional para ingressar com boas chances no mercado de trabalho. De nada adianta o jovem estar preparado, porém, se esse mercado se mantiver fechado. Ou seja: a economia precisa crescer para atender essa mão-de-obra. É claro que esse processo é complexo, dificílimo. Mas se ele não se tornar objetivo permanente de ações dos governantes, os índices de violência continuarão crescendo, independente de adequações ou mudanças da legislação.
BM retira invasores sob protesto
Ação inusitada marcou reintegração de três áreas. Há mais três invadidas
A execução de ordem de reintegração de posse de três áreas particulares invadidas em Caxias do Sul mobilizou quase 350 policiais militares e mais de 100 servidores da guarda municipal. Na quinta 22, a retirada de 700 famílias do bairro Consolação e do Loteamento Santa Corona transcorreu com normalidade, sem nenhum ato de violência. No dia seguinte, por volta do meio-dia, quando expirou o prazo dado pela BM para invasores de outra área, no bairro São Victor Cohab, os policiais se depararam com uma cena inusitada: 17 pessoas estavam enterradas em pé, apenas com a cabeça fora, entre flores e cruzes (do grupo fazia parte o presidente da União das Associações de Bairros, Joaldo Nery); e outras 14 estavam amarradas a postes.
O protesto tinha o objetivo de ganhar tempo, na expectativa de obter uma liminar da Justiça que impedisse a retirada. A liminar não foi concedida, mas os invasores se tornaram conhecidos, graças à criatividade do protesto, em praticamente todo o Brasil. A maioria dos invasores retornou ao local de origem, o próprio bairro segundo o comando local da Brigada Militar; um número não especificado juntou-se a ocupantes de outras áreas.
Mais três áreas permanecem invadidas por cerca de 500 famílias, de acordo com cálculo feito pelo presidente da comissão que trata da habitação na Câmara Municipal, vereador Édio Elói Frizzo. Duas delas na 5ª Légua e uma terceira, junto ao Loteamento Vitória. Os proprietários tentam na Justiça a reintegração de posse. Enquanto não obtém decisão favorável, os invasores continuam derrubando árvores sem nenhuma reação dos órgãos ambientais.
As invasões reacenderam o debate sobre o déficit habitacional em Caxias, estimado em mais de 10 mil unidades. Mais do que isso, deixaram evidente que não existe um plano de moradia para atender as famílias mais pobres, com renda abaixo de um salário mínimo. Ao mesmo tempo, mostraram a fragilidade dos sistemas de segurança para evitar a ocupação irregular de áreas privadas, públicas, urbanas e rurais. O tema será discutido em audiência pública nesta quinta 1º na Câmara de Vereadores.
Uma visão de futuro para o agricultor
De 23 a 27 de maio, o agricultor caxiense e da região terá oportunidade de participar de pelo menos 30 palestras técnicas e de exposição de tecnologia. Durante esses cinco dias a Prefeitura Municipal, através da secretaria da Agricultura, e a Comissão Comunitária da Festa da Uva promovem o 1º Horti Serra Gaúcha e o 2º Shopping Rural.
Uma extensa programação está sendo organizada em torno de três temas básicos: viticultura, frutas e hortaliças. "Objetivo é dar uma visão de futuro, enfocando o que o mercado exige dos que querem permanecer na atividade", afirma o secretário da Agricultura Nestor Pistorello. Produção orgânica, certificação, mercado, uso da água, gestão da propriedade, higienização e boas práticas integram a relação de temas que serão aprofundados por especialistas – ainda não definidos.
O 1º Horti Serra oferecerá, dias 23, 24 e 25, painéis e palestras técnicas sobre assuntos específicos pela parte da manhã em três locais, todos no pavilhão 2 do parque da Festa da Uva. À tarde, também em três ambientes, serão proferidas nove palestras por dia sobre temas gerais. A feira tecnológica ocorre nos cinco dias. Para participar de toda a programação será cobrado ingresso de R$ 10,00. Inscrições podem ser feitas na Prefeitura, Festa da Uva e nas mais de 20 empresas e entidades que patrocinam ou apóiam o evento.
Caxias terá Etapa do Freio de Ouro
Paralelo ao Horti Serra será realizada também, pela primeira vez em Caxias, uma etapa do Freio de Ouro, principal prova da raça de cavalos crioulos, cuja final ocorre em agosto, durante a Expointer. Estão definidas ainda a 1ª exposição Morfológica Ranqueada e a Prova de Campereada. O Freio de Ouro, que está na 26ª edição, foi criado com o objetivo de selecionar cavalos crioulos que combinem funcionalidade e características de destaque da raça. Participam a cada ciclo cerca de dois mil animais – 76 são classificados para disputar o cobiçado prêmio em agosto, na Expointer, maior evento agropecuário do país.
Qualidade da educação brasileira piora em dez anos
Alunos do Ensino Médio apresentaram a maior queda no rendimento escolar
Duas avaliações sobre a qualidade do ensino brasileiro, divulgadas este ano pelo Ministério da Educação, indicam piora no desempenho dos alunos em comparação com 1995. A queda foi maior entre os estudantes do Ensino Médio.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicado em 2005 mas só agora divulgado, revela os mais baixos índices de rendimento dos alunos desde a sua primeira realização, em 1995. A nota média dos estudantes do país caiu em todas as disciplinas e séries analisadas. O Saeb testa conhecimentos de português e matemática em estudantes das 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio.
Entre os alunos da 4ª série, a nota de português caiu de 188, em 1995, para 172 dez anos depois, numa escala que vai de zero a 500. Na 8ª série, a média passou de 256 para 232 na mesma disciplina, no mesmo período. São Paulo foi o Estado onde as notas médias mais caíram nas provas da 8ª série. No Ensino Médio, o índice caiu de 290 para 257.
As provas do Saeb são aplicadas a cada dois anos para medir o desempenho dos alunos ao longo do tempo. Em 2005, foram avaliados mais de 194 mil estudantes de quase 6 mil escolas públicas e particulares. Comparando os índices divulgados recentemente com os de 2003, percebe-se queda de rendimento de 9 pontos na média de português e de 7 pontos na de matemática. Em 2005, a média da 3ª série do Ensino Médio foi 257 em português e 271 em matemática.
Enem – Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio de 2006 também indicam piora no rendimento dos estudantes deste nível, se comparado aos do ano anterior. A média das notas na prova objetiva caiu de 39,4 em 2005 para 36,9 em 2006. Na redação, a média baixou de 55,96 para 52,08. Em ambas as provas, aplicadas desde 1998, a nota máxima é 100.
Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela avaliação do Saeb, uma das justificativas para o mau rendimento do Ensino Médio é o aumento do número de alunos ocorrido no final da década de 90. "A queda do rendimento é um efeito da expansão do ensino", disse. Segundo ele, a piora pode ser notada já em 1999, quando os alunos da 4ª série apresentaram queda significativa em relação a 1997. As notas baixaram de 186 para 170 em português e de 190 para 181 em matemática.
Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, as médias dos alunos indicadas pelo Saeb ainda estão distantes dos índices dos países desenvolvidos. Segundo ele, o Plano Nacional da Educação, que deve ser apresentado em março pelo governo federal, visa alcançar, a médio prazo, esses índices. Porém, Haddad não disse quais são essas médias desejadas. "Vou anunciar só em março, junto com o plano", afirmou. O ministro também não esclareceu quais as outras medidas a serem tomadas, só disse que o plano não é exclusividade do seu ministério, mas uma política geral de educação que deve contar com medidas interministeriais.
Saeb avalia português e matemática
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica aplica apenas provas de português e matemática, tomando como base um universo de participação por amostragem, sem detalhamento para municípios ou unidades de ensino. A média nacional para alunos da 4ª série do Fundamental, da rede urbana, é de 175,52 em língua portuguesa. Entende-se que os estudantes que atingem esse índice são capazes de entender expressões com discurso indireto, narrativas de temática e vocabulário complexos, identificar marcas de gêneros de textos e a finalidade de um texto jornalístico.
Em matemática, a média nacional para a 8ª série da rede urbana de ensino foi de 239,38, segundo a última avaliação do Saeb. Essa pontuação indica que os alunos são capazes, entre outras habilidades, de localizar dados em tabelas mais complexas, identificar gráfico de colunas correspondentes a números positivos e negativos e converter medidas de peso. As médias do Saeb são apresentadas em escala que varia de zero a 500 pontos.
Alunos da 4ª série tiveram o melhor desempenho nas provas desde 1999
Ao contrário da avaliação do Ensino Médio, os alunos da 4ª série do Fundamental apresentaram em 2005 o melhor resultado no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica desde 1999. De 2003 para 2005, o aumento foi de 169 para 172 na média de português e de 177 para 182 na de matemática.
As notas do Saeb representam o conhecimento do aluno no decorrer dos anos. Dessa forma, os estudantes da 4ª série deveriam ter notas menores que os da 8ª e esses últimos menores que os da 3ª série do Ensino Médio. Porém, na prática, constata-se deficiência no atual Ensino Médio. Em 95, os alunos da 8ª série tinham média de 256,1 pontos em português. Dez anos depois, a média dos alunos do Ensino Médio na mesma disciplina é praticamente a mesma, 257,6.
Censo – O Ministério da Educação anunciou também a redução de 0,9% no número de matrículas em 2006, na comparação com o ano anterior. Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, atribui a queda à diminuição do número de repetências. Outra justificativa, segundo ele, é a "redução do tamanho das gerações".
Para o ministro Fernando Haddad, o Censo Escolar 2006, que indica menor índice de matrículas, também explica a queda no desempenho dos estudantes do Ensino Médio, registrado pelo Saeb e pelo Enem. Segundo ele, embora as matrículas tenham diminuído de modo geral no país, isso não ocorreu em todas as regiões nem em todas as etapas do ensino. No Nordeste as matrículas no Ensino Médio aumentaram quase 1%, no Sudeste caíram 4,5%, por exemplo. "As redes de ensino em regiões como o Nordeste são muito mais novas do que no Sudeste e não têm a mesma solidez que as antigas; isso pode explicar os resultados", afirmou.
Entretanto, para Haddad, o resultado mais importante do Saeb é a elevação do rendimento dos estudantes da 4ª série. "Já é um começo, veremos que daqui a alguns anos essa tendência será mantida na 8ª e, depois, na 3ª série do Ensino Médio", declarou.
Desmotivação é o principal motivo de abandono da escola
Cerca de 40% do 1,7 milhão de jovens com idade de 15 a 17 anos que abandonaram a escola em 2005 apontaram falta de vontade de freqüentar as aulas como motivo da desistência. Essa é uma das conclusões do estudo elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2004/2005, do IBGE.
Mais do que a falta de vagas, de transporte ou mesmo a necessidade de trabalhar, é a desmotivação que empurra os jovens para fora do sistema de ensino brasileiro. A necessidade de trabalhar é a segunda razão identificada entre aqueles que não estão em sala de aula, com índice de 17%.
Os dados sugerem que, se o ensino não for atraente para o aluno, ele vai abandoná-lo, mesmo que isso diminua suas chances no mercado de trabalho. Prova disso é que desse total de 1,7 milhão de jovens fora da escola, 43% não trabalham nem estão procurando emprego. Mesmo quando encontram o que fazer, caso de 44% dos que não estudam mais, trata-se de atividade precária, pois só 8% do total de jovens que estão fora da escola, mas trabalhando, têm carteira assinada.
O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, aponta a repetência como fator de desinteresse dos jovens pela escola. Entre os motivos citados por educadores para a desmotivação dos estudantes estão: disciplinas distantes do cotidiano dos adolescentes, escolas sem a participação dos alunos nas decisões do dia-a-dia, professores desestimulados e sistema de avaliação que termina em reprovação e desestimula o jovem.
O estudo ainda constatou que três em cada quatro desses jovens não completaram o Ensino Fundamental (75%), mas a maioria, ou 68%, chegou pelo menos até a 5ª série. Portanto, a evasão escolar concentra-se entre a 5ª e a 8ª séries. A gestação precoce também tem impacto significativo na desistência de muitas meninas. Entre as que freqüentam as aulas, apenas 1,6% é mãe, mas o índice sobe para 28,8% entre as que estão fora da escola.
Qualificação rural avança em SC
Meta é implantar rastreabilidade de aves e "qualidade total"
As cooperativas do sistema Coopercentral Aurora, na região de Chapecó, oeste de Santa Catarina, iniciaram na semana passada a implementação do maior programa de desenvolvimento coletivo de produtores rurais no Estado. O esforço de formação profissional rural envolve o Sebrae, o Senar e o Sescoop que, juntos, mobilizaram recursos da ordem de R$ 1,1 milhão de reais. O objetivo é levar para 1.188 estabelecimentos rurais em 80 municípios, ao longo de 2007, o sistema de rastreabilidade de aves e suínos e os programas ‘De Olho na Qualidade Rural’ e ‘Qualidade Total Rural’.
O projeto é o de maior alcance na Região Sul do Brasil, envolvendo produtores de suínos, aves, leite, cereais e frutas cítricas, assinala o diretor técnico do Sebrae em Santa Catarina, Anacleto Ângelo Ortigara. O presidente da Coopercentral Aurora, Mário Lanznaster, considera essas ações essenciais para enfrentar a concorrência internacional na produção de alimentos. Destaca que o projeto prevê ainda a aplicação dos modelos de gestão nas granjas de suínos e aves e atenção ao processo de rastreabilidade, uma exigência internacional.
O coordenador de treinamento da Coopercentral Aurora, Joel Pinto, explica que o foco estratégico é fortalecer o sistema cooperativo no oeste catarinense, profissionalizar a gestão das propriedades rurais, melhorar a qualidade dos produtos, elevar a qualidade de vida no campo, incentivar os jovens ao negócio rural e fortalecer a sustentabilidade da agricultura familiar no oeste catarinense.
O resultado econômico desse esforço até dezembro de 2007 será o aumento em 10% na produtividade de leite e o crescimento, também em 10%, do número de propriedades que adotaram melhorias tecnológicas nos processos produtivos. Outro objetivo é manter abaixo de 2% o índice de fechamento de propriedades rurais.
Os programas ‘De Olho na Qualidade Rural’ e ‘Qualidade Rural Total’ vem sendo implementados no grande oeste de Santa Catarina desde 1998 e, nesses oito anos, qualificaram 21.456 produtores rurais.
Ações previstas para implantar sistema
Para implantar a primeira etapa do sistema de rastreabilidade, o Sebrae dará consultoria, capacitará os técnicos das cooperativas, definirá e padronizará o processo de rastreabilidade de suínos e aves da Coopercentral Aurora. Durante o ano serão formados 42 grupos do programa ‘De Olho na Qualidade Rural’ que totalizarão 756 propriedades e 1.512 produtores. Cada propriedade receberá 28 horas de treinamento e 4,5 horas de consultoria individual. Também serão formados 24 grupos do programa QT Rural, com 432 propriedades e 864 produtores.
Será feita, ainda, a capacitação dos técnicos das cooperativas na metodologia dos programas e em auditoria. Os trabalhadores das granjas de cooperativas agropecuárias receberão 54 horas de treinamento e 12 horas de consultoria coletiva do QT Rural; e mais 20 horas de treinamento e 5 horas de consultoria para dez programas De Olho na Qualidade Rural. Para os produtores que já participaram dos dois programas serão organizados 29 Seminários da Qualidade.
Santa Catarina é área livre de aftosa
A Comissão Técnica da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) aprovou na sexta-feira 23, em Paris, o reconhecimento de Santa Catarina como Estado com área livre de aftosa sem vacinação. A decisão técnica será homologada na assembléia geral da OIE, que será realizada na capital francesa no dia 25 de maio, durante reunião anual daquele organismo internacional.
Na prática, Santa Catarina já desfruta dessa condição, mas a falta de reconhecimento oficial da instituição mundial causa prejuízos à economia catarinense, salienta o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo. "O Estado está há 14 anos sem ocorrência de aftosa e há seis anos sem vacinação, configurando um status sanitário único no Brasil", destaca o presidente.
Desde 2002, a Faesc vinha propondo ao Ministério da Agricultura a manutenção do Circuito Pecuário Sul, com diferenciação de status sanitário: Santa Catarina seria declarada área livre de aftosa sem vacinação e o Rio Grande do Sul, área livre com vacinação. Agora, a proposta foi defendida na Comissão Técnica pelo Ministério da Agricultura, a única instituição com voz e veto na OIE. Pedrozo explica que a proposta tem o mérito de preservar o Circuito Sul e, ao mesmo tempo, reconhecer a privilegiada condição catarinense.
Nas atuais condições, o Circuito Sul tem área territorial de 378 mil km2 e rebanhos de 14,9 milhões de bovinos, 10,6 milhões de ovinos e 6,5 milhões de suínos. No Rio Grande do Sul, que ainda precisa vacinar seus rebanhos contra a aftosa, 98% do gado já foi vacinado e a meta é atingir 100% nos próximos dias, revela o secretário da Agricultura, João Carlos Machado.
Alto Uruguai incrementa a fruticultura
Dando prosseguimento ao Programa de Fruticultura nos 50 municípios de abrangência da Emater/Ascar em Erechim (RS), estão sendo implantados quatro hectares com cultivo de abacaxi, principalmente na região do Vale do Rio Uruguai, onde o clima é mais propício para desenvolvimento dessa fruta de clima tropical, pois as temperaturas são mais altas e sem ocorrência de geadas.
De acordo com o assistente técnico regional da área de fruticultura, Luiz Busatta, foram adquiridas mais de 105 mil mudas de abacaxi de viveiros do norte do Paraná. Busatta ressalta que é grande a expectativa na produção, que deverá iniciar dentro de 18 a 24 meses. Um hectare, segundo o assistente técnico, pode render até 30 mil frutas.
As mudas adquiridas, da variedade Smooth Cayenne, também conhecida como abacaxi havaiano, são as mais cultivadas do mundo, correspondendo a 70% da produção mundial. Os frutos pesam entre 1,5 a 2 quilos. Na região, a Emater está incentivando o desenvolvimento de outras culturas, entre as quais videiras, citros e bananas.
Uma em cada três amostras de vinhos e coquetéis analisados está irregular
Produtos, engarrafados, foram coletados em quase dez Estados
O Laboratório de Enologia (Laren) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do RS, instalado em Caxias do Sul, analisou um lote de 128 amostras de vinhos, coquetéis e sangrias brasileiros. E o resultado deve servir de alerta ao consumidor: 43 delas (33,5%) estavam fora do padrão estabelecido por lei.
As amostras foram coletadas por fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em estabelecimentos comerciais e empresas engarrafadoras de oito Estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Espírito Santo, Bahia e Mato Grosso do Sul (curiosamente, São Paulo ficou fora). Os nomes das empresas produtoras não foram revelados. Houve casos de produtos produzidos num Estado e coletados em outro.
Todas as amostras eram de produtos engarrafados e foram submetidas à análise isotópica de oxigênio, que detecta a quantidade de água presente. "Chegamos a encontrar sangria com mais de 80% de água", afirma o chefe da Divisão de Enologia da Secretaria da Agricultura-RS, Plínio Manosso. Ou seja: muito próximos da água pura.
Os problemas maiores, segundo Manosso, foram detectados justamente nas sangrias e coquetéis. Por portaria publicada em 2005, esses produtos precisam ter no mínimo 50% de vinho. No caso do vinho, a legislação não permite a adoção de água. No laudo emitido pelo Laren consta apenas com ou sem presença de água.
O que acontecerá com as empresas que não respeitam a legislação? Segundo Manosso, os laudos vão gerar processos, que serão conduzidos pelo Ministério da Agricultura, e as punições deverão ser aplicadas caso a caso. As empresas têm direito a contraprova, que algumas já solicitaram.
Brasil apresenta propostas para reduzir plantio de fumo
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) apresenta, nesta quarta-feira 28, em Brasília, a proposta brasileira para inserir aos poucos outras culturas nas áreas atualmente ocupadas com o plantio de fumo. O projeto será apresentado durante o Seminário Internacional para Diversificação Produtiva de Fumo.
Conforme o secretário da Agricultura Familiar do MDA, Adoniram Sanches Peraci, a série de propostas apresentadas faz parte de um documento que resultou do I Seminário sobre o Programa Nacional de Diversificação Produtiva e a Convenção-Quadro (compromisso internacional pela adoção de medidas de restrição ao consumo de cigarros), realizado em Porto Alegre (RS) neste mês. Desse encontro, participaram organizações de agricultura familiar, movimentos sociais, associações de trabalhadores rurais, pastorais da terra e órgãos de extensão rural.
"Já temos 47 projetos desenvolvidos em parceria com universidades federais, como as de Santa Maria e de Santa Cruz do Sul, entidades de extensão rural e federações de agricultura", disse Peraci. O resultado são propostas de plantio, da Região Sul, das mais diferentes culturas, entre elas flores, frutas temporárias, plantas e ervas medicinais. Há até a proposta de introdução de leite orgânico entre as atividades produtivas.
Até o final do ano, todas essas experiências serão contratadas pelo MDA, totalizando investimento de R$ 5 milhões. O MDA e o Ministério da Agricultura estão investindo R$ 10 milhões no programa de diversificação agrícola em regiões produtoras de fumo.
Segundo Peraci, a tendência, nos próximos anos, é de que o consumo de tabaco caia em todo o mundo. "No Brasil, em dois anos a população consumidora de tabaco passou de 39% para 19%". Por outro lado, a produção aumentou e o país está, ao lado da China e da Índia, entre os maiores produtores do mundo. A região Sul responde por 98% da produção nacional e há 200 mil famílias envolvidas nessa atividade.
Cresce a exportação de produtor orgânicos
Produtos orgânicos, como doces e geléias de frutas raras, como umbu, suco de tangerina, polpa de açaí e cachaças envelhecidas estão gerando emprego e renda para agricultores familiares brasileiros. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), de agosto do ano passado a janeiro deste ano, o Brasil exportou cerca de 9,5 mil toneladas de produtos orgânicos. No Brasil, cerca de 20 mil agricultores trabalham com produtos orgânicos, sendo que 80% são agricultores familiares.
Engº. Agrº. José Zugno
Como usar o avelós
Tenho uma planta de avelós em casa. Plantei depois de ler sobre sua importância em Vida Agrícola. Agora preciso saber como devo usar para minha saúde? Gostaria de tomar como remédio, pois comentam que o avelós purifica o organismo. Como devo tomar, qual a dosagem e como fazer o remédio caseiro?
Oraci Correa
Caxias do Sul – RS
Por diversas vezes escrevi sobre o avelós. Todos os artigos, ou alguns deles, foram os do conhecimento do prezado leitor. Incluo nessa resposta também parte do texto contido na edição de 28/08/96. Se o amigo tomou conhecimento dele peço que releve a repetição, pois penso ser útil para outros interessados no assunto.
O avelós é uma planta originária da África e foi introduzida no Brasil há mais de 100 anos, em Pernambuco, e dali se espalhou facilmente para as zonas de clima quente e seco, sobretudo o Nordeste. A planta sofre com o frio e não resiste às geadas.
Trata-se de uma planta arbustiva ou pequena árvore (5 a 7 m. de altura), muito ramificada desde o chão, com ramos "verticilados", quer dizer, cada galho produz segmentos de 2 a 4 (roliços, espessos e sem folhas) no mesmo nó; os quais, por sua vez, se ramificam da mesma forma, produzindo segmentos cada vez de menor diâmetro, sendo que os últimos são mais finos e flexíveis. Resulta uma ramificação densa e intrincada. Os segmentos finos das extremidades produzem folhas muito pequenas que logo desaparecem, e flores amarelas ou verdes que permanecem por pouco tempo, caindo logo.
Muitos confundem o avelós com o "cactus" pela aparência de seus ramos suculentos, verdes e sem folhas. Mas ele não é cactus. É uma "Euforbiácea", família botânica a que pertencem a mandioca, a mamona, o tungue, a seringueira, a flor-de-papagaio, a coroa-de-Cristo e tantas outras. O nome científico é "Euphorbia tirucalli" e recebe nomes populares como pau-pelado, pinheirinho, dedinho, mata-verruga e outros, conforme a região. Como é comum nas Euforbiáceas, o avelós, quando feridos os seus ramos, produz um "leite" branco (látex), muito cáustico, que os animais e os homens evitam, pois dizem ser venenoso e que pode causar até cegueira quando passado nas vistas.
Irmão Cirilo, em seu livro "Plantas Medicinais", já na 48ª edição, portanto com total credibilidade, diz o seguinte sobre o avelós:
"Planta muito cotada na medicina caseira (...) Desta planta verte um suco leitoso, acre, cáustico e venenoso chamado "leite de avelós". Aplicado em verrugas as faz desaparecer. Seu leite foi testado com sucesso na cura de alguns tipos de câncer como: epiteliomas, carcinomas, cancros, tumores cancerígenos internos e externos. O leite também é calmante, purgativo e anti-sifilítico. Para uso interno, recomenda-se por num copo d’água (copo grande, de 200 ml) uma gota de leite de avelós puro e toma-se um terço do copo de manhã, outro terço ao meio-dia e o resto à noite. Isso durante uma semana. Na 2ª semana aumentar para duas gotas, na 3ª semana três gotas e na quarta semana quatro gotas. E depois voltar para 3, 2 e uma gota. E recomeçar.
Outra receita é para quem não tem a planta em casa. Coleta-se o leite do pé e logo dilui-se em um pouco de água fervida ou destilada. Em casa acrescenta-se água até ela ficar branca, quase como o leite fraco da vaca. Coa-se. Põe-se num conta-gotas e coloca-se num meio copo d’água três gotas por vez, três vezes ao dia. Na 3ª semana 9 gotas, na 4ª semana 12 gotas. E volta-se para 9, 6, 3 gotas. Esse preparado pode durar semanas em geladeira. Nunca ferver, toma-se natural. Em câncer externo passar o mesmo leite preparado que se tem em gotas, 2 a 3 vezes ao dia.
Uso inadequado de colírio provoca doenças
Automedicação pode levar ao surgimento de glaucoma e catarata
Apesar de parecer inofensivo, o colírio é um remédio como outro qualquer, o que significa que tem indicações específicas, contra-indicações e efeitos colaterais. Portanto, jamais deve ser utilizado sem prescrição médica. Só um exame oftalmológico pode indicar as verdadeiras causas de vermelhidão, irritação, inchaço, dor ou qualquer outro sintoma nos olhos. O uso indiscriminado de colírios pode desencadear doenças graves, como glaucoma e catarata precoce.
Durante o verão, a automedicação intensifica-se. Nesta época do ano, a população freqüenta mais praias e piscinas, o que favorece irritações oculares. Além disso, a conjuntivite também é mais comum nos meses quentes. Conseqüentemente, algumas pessoas abusam dos colírios na tentativa de aliviar esses desconfortos. Porém, esquecem que eles têm um princípio ativo. Grande parte da população não encara o colírio com a mesma seriedade dedicada a outros medicamentos.
Para cada problema, há um colírio certo. Olhos vermelhos podem ter diferentes causas: reação alérgica, aumento da pressão ocular, dilatação dos vasos sangüíneos devido a agentes irritantes etc. Mesmo paras as conjuntivites, que podem ter origens diversas, os colírios são diferentes em cada caso. Se ela for alérgica, é recomendado colírio antialérgico; se for bacteriana, o antibiótico; se for viral, colírio antinflamatório ou apenas lágrima artificial. Só um especialista é capaz de identificar o problema que atinge os olhos e indicar o tratamento correto.
Segundo os oftalmologistas, o uso de colírio que contém corticóide faz a pessoa sentir-se bem, pois ele elimina as reações. Porém, a utilização incorreta acelera a formação de catarata e aumenta a pressão do olho, podendo desencadear glaucoma.
O colírio anestésico também é perigoso. Na presença de um cisco no olho ou qualquer outra coisa, ele alivia completamente a dor. No entanto, o abuso pode levar até à perfuração da córnea.
Conforme Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, de São Paulo, o uso indiscriminado dos colírios antibióticos pode causar resistência aos mesmos, por bactérias mutantes, além de provocar forte alergia. Há colírios que podem desencadear irritações oculares graves, crises de asma, palpitações. Em caso de irritações oculares muito freqüentes ou crônicas, o mais prudente é procurar um oftalmologista e seguir suas orientações.
Lágrima artificial não é inofensiva
Os colírios vasoconstritores, usados para tirar a vermelhidão dos olhos, são vendidos sem receita médica e são facilmente encontrados nas farmácias caseiras. Usar esse produto sem orientação, além de camuflar o verdadeiro motivo da irritação, pode adiantar o aparecimento da catarata. Esse remédio faz com que os vasos sangüíneos, que estavam dilatados, se fechem. Porém, passado o efeito, os vasos voltam a se dilatar ainda mais.
O colírio lubrificante, chamado de lágrima artificial, também tem várias indicações, embora apresente menos efeitos colaterais. Pode ser recomendado para quem utiliza muito o computador, expõe-se ao ar-condicionado com freqüência, entre outros motivos. Mesmo esse medicamento não deve ser usado sem recomendação médica, pois contém conservantes e há risco, embora pequeno, de provocar conjuntivite alérgica.
Os especialistas ainda recomendam não compartilhar o colírio com outras pessoas, porque a contaminação é comum – muitos encostam o frasco no olho, deixam o produto aberto ou derrubam a tampa. Também deve-se jogar fora o colírio, caso haja sobra após o uso recomendado. É comum ver pacientes que guardam o produto e depois utilizam para outro fim ou emprestam para outras pessoas.
Quem usa lentes de contato precisa tomar cuidados específicos. É preciso usar colírios especiais. Se o colírio for comum, recomenda-se tirar a lente antes de aplicar e só recolocá-la após dez minutos.
Mudança climática afeta saúde humana
A saúde da população brasileira pode sofrer impactos com as mudanças climáticas globais recentemente divulgadas por pesquisadores do meio ambiente. O estudo "Mudanças do Clima", publicado pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, prevê aumento na incidência de malária, dengue, cólera e diarréia, por exemplo. O estudo considera ainda que pode haver maior suscetibilidade da população a doenças em geral, em virtude da possível redução de alimentos provocada pelo clima alterado.
O autor do capítulo sobre saúde é o pesquisador Ulisses Confaloniere, especialista em epidemologia das doenças transmissíveis. As regiões mais vulneráveis a efeitos na saúde decorrentes de tempestades e inundações, segundo o estudo, são as metropolitanas do litoral. Também a seca prolongada tem o poder de afetar a saúde humana devido aos efeitos da exposição constante à fumaça de queimadas, especialmente na região amazônica.
Sesta reduz risco de doença cardíaca
Pesquisa liderada pelo médico Androniki Naska, da Escola de Medicina da Universidade de Atenas, constatou que a sesta, aquele cochilo após o almoço, ajuda a combater o risco de doenças cardíacas. O benefício é especialmente notório nos homens que trabalham.
Após considerar uma série de fatores secundários, os pesquisadores determinaram que quem fazia a sesta ocasionalmente havia reduzido em 34% o risco de sofrer um problema cardíaco, em comparação com os que dormiam apenas à noite. Entre os que faziam uma sesta de mais de 30 minutos pelo menos três vezes por semana, o risco cardíaco era 37% menor. Entre os homens que trabalhavam e que podiam dormir alguns minutos ao meio-dia, as possibilidades de ter problemas no coração eram 64% menores.
O estudo acompanhou 23.681 pessoas, com idade entre 20 e 86 anos, que não tinham problemas cardíacos ou outra doença grave, de 1994 até 1999. No começo da pesquisa, os participantes revelaram se faziam a sesta, com que freqüência e por quanto tempo. Também informaram sobre suas atividades físicas e seus hábitos alimentares. Durante a pesquisa, 792 participantes morreram, 133 deles devido a problemas cardíacos.
Leonardo Boff
A Terra não é algo inerte, com recursos ilimitados e disponíveis ao nosso bel prazer...
Precisamos de uma relação sinfônica com a comunidade de vida, pois como foi comprovado, Gaia já ultrapassou o seu limite de suportabilidade
O tema da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica do Brasil desta Quaresma é sobre a Amazônia. Milhões de fiéis durante as quatro semanas irão refletir sobre sua importância para nós e para o futuro da Terra.
A Amazônia abriga o maior patrimônio hídrico e genético do planeta. De um de nossos melhores estudiosos, Eneas Salati, sabemos: "Em poucos hectares da floresta amazônica existe um número de espécies de plantas e de insetos maior que em toda a flora e fauna da Europa". Mas esta floresta luxuriante é extremamente frágil, pois se ergue sobre um dos solos mais pobres e lixiviados da Terra. Se não controlarmos o desmatamento, em dezenas de anos a Amazônia pode se transformar numa imensa savana.
Ela não é terra virgem e intocável. Em milhares de anos, dezenas de povos indígenas que ali viveram e vivem, atuaram como verdadeiros ecologistas. Grande parte de toda floresta amazônica, especialmente de várzea, foi manejada pelos índios, promovendo "ilhas de recursos", criando condições favoráveis para o desenvolvimento de espécies vegetais úteis como o babaçu, a palmeira, o bambu, os bosques de castanheiras e frutas de toda espécie, plantadas ou cuidadas para si e para aqueles que, por ventura, por lá passassem. As famosas "terras pretas de índios" remetem para esse manejo.
A idéia de que o índio é genuinamente natural, representa uma ecologização errônea dele, fruto do imaginário urbano, fatigado pela artificialização da vida. Ele é um ser cultural. Como atesta o antropólogo Viveiros de Castro: "A Amazônia que vemos hoje é a que resultou de séculos de intervenção social, assim como as sociedades que ali vivem são resultado de séculos de convivência com a Amazônia". O mesmo diz em seu instrutivo livro E.E.Moraes "Quando o Amazonas corria para o Pacífico" (Vozes 2007): "Resta pouca natureza intocada e não alterada pelos humanos na Amazônia". Por 1.100 anos os tupi-guarani dominaram vastíssimo território que ia dos contrafortes andinos do rio Amazonas até as bacias do Paraguai e do Paraná.
Índio e floresta, portanto, se condicionam mutuamente. As relações não são naturais, mas culturais, numa teia intrincada de reciprocidades. Eles sentem e vêem a natureza como parte de sua sociedade e cultura, como prolongamento de seu corpo pessoal e social. Para eles a natureza é um sujeito vivo e carregado de intencionalidades. Não é como para nós modernos, algo objetal, mudo e sem espírito. A natureza fala e o indígena entende sua voz e mensagem. Por isso ele está sempre auscultando a natureza e se adequando a ela num jogo complexo de inter-retro-relações. Encontraram um sutil equilíbrio sócio-cósmico e uma integração dinâmica, embora houvesse também guerras e verdadeiros extermínios como aqueles dos sambaquieiros e de outras tribos.
Mas há sábias lições que precisamos aprender deles face às atuais ameaças ambientais. Importa entender a Terra não como algo inerte, com recursos ilimitados, disponíveis ao nosso bel prazer, mas como algo vivo, a Mãe do índio a ser respeitada em sua integridade. Se uma árvore é derrubada, faz-se um rito de desculpa para resgatar a aliança de amizade. Precisamos de uma relação sinfônica com a comunidade de vida, pois como foi comprovado, Gaia já ultrapassou seu limite de suportabilidade. Se deixarmos as coisas correrem e não fizermos nada as ameaças se tornarão devastadora realidade.
Frei Betto
A miséria reinante, as desigualdades sociais, o fluxo migratório, o modelo neoliberal de desenvolvimento, o narcotráfico, a violência urbana, os desafios da juventude e a degradação ambiental são temas que nenhum pregador do Evangelho na América Latina pode ignorar
Bento XVI fará sua primeira viagem à América Latina de 9 a 13 de maio. Virá ao Brasil inaugurar a quinta conferência, em Aparecida (SP), do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), que reúne os bispos católicos do Continente.
A assembléia estava prevista, originariamente, para o Equador. A eleição de Rafael Correa, homem de esquerda, para presidir o país, fez com que o cardeal do Chile, presidente do Celam, alegasse a inconveniência da altitude equatoriana para a saúde dos prelados e propusesse transferir o evento para Santiago do Chile.
Brios feridos, o cardeal de Buenos Aires entrou na disputa. O Vaticano apaziguou os ânimos ao escolher o Brasil, país com maior número de católicos no mundo, com um preocupante decréscimo de 20% nos últimos 20 anos.
Após uma breve visita, o Papa retorna a Roma. Prefere evitar constrangimentos aos bispos, ao contrário de João Paulo II, que participou da agenda completa da reunião de Puebla, em 1979. Não há dúvida, porém, de que Bento XVI modelará, com seus pronunciamentos, o perfil da Igreja Católica na América Latina. O quanto haverá de rejuvenescê-la ou envelhecê-la, o tempo dirá.
13 de maio é data prenhe de efemérides: dia das mães, celebração de Nossa Senhora de Fátima, comemoração da abolição da escravatura. Os vaticanistas, sempre atentos a detalhes, já devem estar quebrando a cabeça para ajustá-las todas nos sermões pontificais. Fátima é uma devoção portuguesa suplantada no Brasil pela Aparecida negra, marginal (foi achada no Rio Paraíba do Sul em 1717, e só aceita oficialmente pela Igreja em 1929) e multirracial (encontraram-na três pescadores, um branco, um negro e um pardo). Seria significativo que Bento XVI acolhesse junto ao altar as mães-pretas de nossos quilombos.
No Ano-Novo, o Papa saudou 170 diplomatas acreditados no Vaticano. Acenou positivamente ao governo Lula ao se referir às eleições de 2006. Afirmou terem mostrado que "a democracia foi chamada a levar em conta as aspirações do conjunto de cidadãos. A melhora de alguns índices econômicos; o compromisso na luta contra o tráfico de drogas e a corrupção; os distintos processos de integração; os esforços para melhorar a educação, combater o desemprego e reduzir desigualdades na distribuição de renda são índices que devemos destacar com satisfação."
Demonstrou ainda que preconceitos elitistas em relação à atual primavera democrática na América Latina sensibilizam o Vaticano. Bento XVI disse ser preciso tomar cuidado para que a democracia na região não se transforme "em ditadura do relativismo, propondo modelos antropológicos incompatíveis com a natureza e a dignidade do homem." Lástima não ter dado nomes aos bois e nem criticado, como fez João Paulo II, a ditadura do mercado e os danos que o neoliberalismo traz ao continente. Mas teve o cuidado de conclamar Cuba a se abrir para o mundo e o mundo a se abrir para Cuba.
Cuba quer se abrir ao mundo, desilhar-se do bloqueio imposto criminalmente pelo governo dos EUA e reintegrar-se nos fóruns internacionais, como a OEA. O vizinho do Norte é que não deixa. É significativo que o papa, ao referir-se à pátria de Martí, não tenha recorrido à retórica anticomunista tão ao gosto da Casa Branca.
Onde estará a cabeça de Bento XVI ao pronunciar-se no Brasil? Falará com a cabeça em Roma, trazendo-nos suas inquietações européias, ou situada na América Latina, emprestando sua voz aos que não têm voz nem vez, como fazia João Paulo II?
Corre a notícia de que o Papa reprovaria o método de fazer teologia (da libertação) a partir dos pobres. Isso seria uma antinomia, o mesmo que proibir teologizar a partir de Jesus, que pregou a todos a partir do mundo dos pobres e com eles se identificou em Mateus 25, 31-44.
A miséria reinante, as desigualdades sociais, o fluxo migratório, o narcotráfico, o modelo neoliberal de desenvolvimento, a violência urbana, os desafios à juventude, a degradação ambiental, são temas que nenhum pregador do Evangelho na América Latina pode ignorar, a menos que pretenda desencarnar o que Deus pretendeu encarnar. E muito menos o pastor universal dos católicos.
Número de adolescentes infratores internados cresce 263% em dez anos
Eram 4.245 em 1996 e chegaram a 15.426 no ano passado
Na antivéspera da reunião extraordinária em que o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) discutiria a proposta de redução da maioridade penal, marcada para segunda 26, o Brasil ficou sabendo que o número de adolescentes infratores que cumprem medida privativa de liberdade no país cresceu 263% nos últimos dez anos. No ano passado, havia 15.426 jovens em unidades de internação, enquanto em 1996 eram 4.245. Os dados fazem parte da pesquisa Política de Atendimento a Adolescentes em Conflito com a Lei, divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República.
O levantamento alerta que a privação de liberdade nem sempre tem sido usada em situação de excepcionalidade e por breve duração, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Na média nacional, há cerca de nove jovens em internação para cada adolescente em semiliberdade.
A região Nordeste foi a que registrou o maior crescimento no número de adolescentes internos, passando de 413 em 1996 para 2.815 no ano passado – aumento de 591%. Em seguida, vem a região Norte, com crescimento de 523% – passou de 207 para 1.083.
No Sudeste, o aumento foi de 349%; no Sul, de 313%; e no Centro-Oeste, de 248%. Titular da SEDH e presidente do Conanda, Carmen Oliveira afirma que os números são uma evidência de uma "maior prisionalização" dos jovens que cometeram atos infracionais.
Apenas três unidades da federação apresentaram recuo no crescimento nos últimos dois anos: Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal. O principal motivo apontado para esses resultados é o investimento na regionalização do sistema socioeducativo e em medidas de semiliberdade. A proximidade do adolescente da convivência familiar e comunitária ajuda a inclusão.
Só 10% fizeram ensino fundamental
A pesquisa divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos apurou ainda que 90% dos adolescentes em conflito com a lei sob o regime de privação de liberdade no país não completaram o ensino fundamental, embora tenham idade compatível com ensino médio. Os dados do estudo, referentes a 2002, também mostram que de um total de 9.555 jovens internados em instituições, 51% não freqüentavam a escola.
O levantamento revela ainda que, além de terem baixa escolaridade, 90% dos adolescentes internos eram do sexo masculino, 76% tinham idade entre 16 e 18 anos, mais de 60% eram negros, 80% viviam com renda familiar de até dois salários mínimos e 86% eram usuários de drogas. Em geral, são filhos de pais também com baixa escolaridade. Ao analisar os dados, o economista Francisco Sadeck, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, concluiu que os investimentos em políticas públicas são mais importantes para reduzir a violência entre os adolescentes do que mudanças na legislação. "A educação, ao lado da cultura, é uma das principais ferramentas para promover a transformação social no país", afirmou em entrevista à Agência Brasil. Já o especialista na área de segurança pública, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro José Augusto Rodrigues acredita que penas mais rigorosas poderiam acabar com a "sensação de impunidade" de adolescentes que cometem crimes.
MULHER REAGE À VIOLÊNCIA
Cresce número de registros de ocorrência nas Delegacias da Mulher e de ligações para a Central de Atendimento denunciando agressores
O dia 22 de setembro de 2006 está se transformando em um marco na luta contra a violência doméstica. Desde a entrada em vigor da Lei Maria da Penha (9.099), a mulher se sentiu mais encorajada a denunciar seus agressores. Não há estatísticas gerais, mas tanto Delegacias da Mulher como a Central de Atendimento à Mulher, através do telefone 180, registram um crescimento do número de denúncias feitas.
A Lei Maria da Penha (nome em homenagem à cearense Maria da Penha Fernandes, 61 anos, vítima de duas tentativas de homicídio por parte do marido que ficou paraplégica) pune com mais rigor o homem agressor. Um de seus diferenciais mais expressivos é a substituição da pena pecuniária para o caso de lesão corporal, com o pagamento de cestas básicas. Agora o agressor pode ser fichado na polícia, preso, afastado de casa e encaminhado para programas de ressocialização. Outra mudança é a aplicação do flagrante, embora afiançável. Apesar de sua vigência ainda parcial, na medida em que depende de uma nova organização judiciária, desde que foi aplicada tem levado dezenas – provavelmente centenas – de agressores à cadeia.
"Vivemos no Brasil uma situação tão dramática que era necessária uma lei especial", opina Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, com sede em São Paulo e que tem se tornado uma referência nacional na luta pelo respeito aos direitos da mulher. Foi esse instituto que divulgou em novembro a mais recente pesquisa sobre o comportamento da sociedade em relação ao tema (leia na página ao lado).
Salto – Em cinco meses da nova lei, o número de registro de ocorrências na Delegacia da Mulher de Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre, aumentou 40%. "Em Porto Alegre, o percentual de crescimento é maior ainda. As mulheres tomaram coragem e estão denunciando", afirma ao CR a titular da Delegacia da Mulher de Canoas, Kátia Rheinheimer. "O número de inquéritos policiais deu um salto mais significativo ainda: se antes instaurávamos 10 por mês, hoje são 100 ou mais", acrescenta. Mas ela alerta para um problema que permanece: a renúncia. "Não basta fazer o registro. É preciso ir até o fim e o que temos observado é que muitas vezes na Justiça a mulher, entre aspas, retira a queixa". Com isso, o agressor não é processado.
Em Caxias do Sul, segundo maior e mais importante município gaúcho, as ocorrências registradas na Delegacia de Polícia para a Mulher subiram de 697 em agosto de 2006 para 843 em janeiro último. Nesse mesmo período, o número de inquéritos policiais instaurados saltou de sete para 190 em janeiro último – 27 vezes mais. Já foram feitos 16 flagrantes e mais de 10 prisões. "Observamos uma procura maior e isso é reflexo direto da nova lei", avalia Sueli de Fátima Rech, delegada substituta da DP da Mulher de Caxias.
Nem todos os inquéritos vão até o final. Mas até nisso os dados revelam uma evolução. De 12 em outubro, as desistências (retiradas da queixa) passaram para 23 em novembro, 17 em dezembro e apenas sete em janeiro. A necessidade de aplicação de medidas preventivas (desarmamento, afastamento do agressor de casa...) também diminuiu – de 84 em outubro para 49 em novembro, 45 em dezembro e nenhuma em janeiro.
A Lei Maria da Penha está acabando com a violência contra a mulher? Nenhum especialista se arrisca a responder sim. "Precisamos de mais políticas públicas, de mais debates, de mais espaço para o tema nas escolas. É importante que a educação se fixe na necessidade de respeito à mulher. A nova lei veio atende a uma necessidade que era premente, mas a violência é estrutural, complexa", analisa Jacira Melo. "De certa forma, a Lei Maria da Penha acabou trazendo um caráter preventivo. Muitos homens já pensam em não agredir a mulher porque sabem do risco de pararem no presídio", opina a delegada Kátia. Há no país cerca de 400 Delegacias da Mulher, mas 42% delas ficam em São Paulo. No momento em que forem multiplicadas e descentralizadas, a mulher vai recorrer mais e sentirá menos insegurança.
Catorze denúncias por minuto
Outro forte indicador de uma nova postura das vítimas da violência doméstica vem da Central de Atendimento à Mulher, um serviço criado em novembro de 2005 pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, vinculada à presidência da República. Para dar uma idéia da nova realidade, de 25 de novembro de 2005 a 11 de abril de 2006, o Ligue 180 recebeu 17.991 ligações. Somente em janeiro deste ano foram 635 mil. São 20.483 por dia, 853 por hora ou 14 por minuto. E isso que houve uma redução de 3% sobre o total do mês anterior.
Desde que entrou em operação, o Ligue 180 já recebeu 3.882.547 ligações. Os números dispararam a partir da nova lei. Na maioria dos casos, o motivo do telefonema é para denunciar violência contra a mulher. A predominância, com 71%, se refere a violência física. O crime mais recorrente é a lesão corporal leve, que significa ofender a integridade física ou a saúde de outra pessoa (com socos, tapas, pontapés, cortes, bofetões etc..). Um percentual expressivo busca informações regionalizadas sobre endereços e telefones das instituições que acolhem as vítimas da violência (delegacias da mulher, casas de abrigo...) e sobre leis e serviços à disposição das vítimas.
Quem procura esse serviço? A resposta está no quadro abaixo. Numa avaliação feita ainda no ano passado, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, admitia que a mulher que usava o 180 pertencia à faixa das menos instruídas, mais jovens, de menor poder aquisitivo – "justamente aquelas que precisam de mais orientação e só conseguem essa orientação do poder público", afirmou.
"O 180 é uma ajuda determinante. A mulher vítima de situação de violência vive na quase totalidade dos casos com medo, isolada e com vergonha. Esse serviço, por garantir o anonimato, está tirando a mulher do isolamento". A avaliação é de Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão. O 180 não é o companheiro ideal, nem sempre pode oferecer o acolhimento necessário – ou a solução desejada -, mas tem sido um recurso inestimável, principalmente porque, recomenda a especialista às vítimas: "Não fiquem sozinhas".
A Central orienta as mulheres em situação de risco de violência sobre seus direitos e onde buscar ajuda. Também auxilia o monitoramento da rede de atenção à mulher em todo o país. A ligação é gratuita e funciona 24 horas por dia, todos os dias, inclusive durante finais de semana e feriados.
Perfil de quem recorre ao 180
Com base nas estatísticas de janeiro, é possível traçar um perfil de quem liga para a Central de Atendimento à Mulher, o conhecido serviço Ligue 180: são mulheres casadas (44,4% – 23,7% são solteiras e 7% separadas), com ensino médio (51% – 39% têm o fundamental e 8,4% o superior), com idade entre 21 e 30 anos (32,6% – 26,7% tem de 31 a 40 anos e 8,4% até 10 anos). Esse último dado revela que também as crianças, em geral filhos de pais em conflito, estão denunciando o que presenciam – ou o que sentem. Praticamente um terço dos telefonemas parte de São Paulo. Rio de Janeiro aparece em segundo, com pouco mais de 10%, e o Rio Grande do Sul em terceiro, com quase 8%, – Santa Catarina é o 11º, com menos de 2,5%.
Tema preocupa mais a sociedade
A pesquisa Percepção e Reações da Sociedade sobre a Violência Contra a Mulher, realizada em maio de 2006 (portanto antes da Lei Maria da Penha), concluiu que a maioria da população brasileira conhece ao menos uma mulher agredida em casa. O trabalho, iniciativa do Instituto Patrícia Galvão e do Ibope, com apoio da Fundação Ford e do Unifem (Fundo das Nações Unidas), ouviu 2002 pessoas em todos os Estados.
Para 33% dos entrevistados, violência doméstica era o tema que mais preocupava. Esse percentual em 2004 era de 30% – no Sul o aumento foi de 6%. Doenças como câncer de mama e de útero ocupavam a segunda colocação.
O Ibope apurou que 51% dos entrevistados conheciam pelo menos uma mulher que era ou tinha sido agredida por seu companheiro e que para 54%, os serviços de atendimento a casos de violência contra as mulheres não funcionavam. Para 71%, a Justiça brasileira tratava a violência doméstica como um assunto pouco importante.
Outro ponto importante da pesquisa diz respeito à denúncia. Para responder à pergunta "Na sua opinião, dentre essas opções, qual é a principal razão para que as mulheres denunciem mais?", a opção que contempla mais acesso à informação foi a mais votada entre homens e mulheres entrevistados (46%); a segunda foi a que afirma que as mulheres estão mais independentes (35%).
Entre os 32% que responderam que as mulheres não estão denunciando mais, as razões apontadas foram "porque acreditam que a denúncia desagrega o casamento" (25%) e "só faz aumentar a violência em casa" (28%). 19% atribuíram à impunidade do agressor e 15%, à dependência econômica.
"A mulher está denunciando mais como conseqüência de um processo social. Primeiro surge a consciência crítica, depois a mudança de comportamento e de mentalidade", interpreta Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.
A origem da homenagem de 8 de março
A escolha do dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher deriva de um contexto histórico e amplo. A idéia mais difundida é de que a data seria uma homenagem a operárias norte-americanas que, durante uma greve, foram trancadas na fábrica onde trabalhavam e morreram queimadas em um incêndio provocado pelos patrões. Outra hipótese refere-se a uma manifestação das operárias do setor têxtil nova-iorquino ocorrida nesse dia do ano de 1857.
Entretanto, a origem do Dia Internacional da Mulher insere-se em um contexto histórico e ideológico muito concreto, cujo objetivo, em seu começo, não foi rememorar nenhuma catástrofe que vitimou um grande número de mulheres. Sua origem tem de ser compreendida em meio à ascensão das lutas operárias do final do século XIX e início do século XX, cujas discussões teóricas, no campo socialista, convocavam à participação política e em cujo contexto tomava corpo a luta pela libertação da mulher.
A partir de começos do século XX, essa batalha das socialistas se cruzou com a de um punhado de mulheres independentes, em sua maioria da classe média ou alta, que estavam em campanha pelo direito ao voto. Nos primeiros anos, o Dia Internacional da Mulher era festejado em datas diferentes, segundo os países. Em 1914, a data foi comemorada pela primeira vez em 8 de março, na Alemanha e Suécia, passando posteriormente aos demais países.
Capuchinhos iniciam missão no Haiti
Ordem já esteve atuando no país há quatrocentos anos
A Ordem dos Frades Menores Capuchinhos está preparando seu retorno ao Haiti, depois de quase 400 anos. A abertura oficial da fraternidade está prevista para o dia 25 de março. Ela será formada por quatro frades – frei Lori Vergani (gaúcho de Caxias do Sul), que está na República Dominicana desde o início do ano; freis Juan de Dios Valério e Marinito Rodriguez (dominicanos), e frei Armand Blanc, do próprio Haiti.
Frei Lori salienta que os quatro frades estiveram em Beraud, local onde instalarão a fraternidade. A localidade dista 30 km da sede da diocese de Les Cayes. Os freis foram recebidos, no início de fevereiro, pelo bispo, dom Alix Verrier, por religiosas e pelo comitê de organização da paróquia, que deverá ser criada em breve e dedicada a São Francisco de Assis.
O projeto de reimplantação da Ordem (os capuchinhos estiveram no Haiti em 1618) data de 1989, quando o então ministro geral, frei Roberto Carraro, já falava da necessidade da presença dos capuchinhos no Haiti. Frei John Corriveau, que deixou o cargo de ministro geral no ano passado, deu novo impulso à missão, que agora se concretiza. "Há muitos jovens que buscam o caminho da vida religiosa. Entretanto, é necessário um longo caminho de discernimento para a verificação das verdadeiras motivações", destaca frei Lori. Há pelo menos três anos tanto o bispo quanto o povo estão muito ansiosos pela chegada dos capuchinhos.
Do nada – Les Cayes, no sudoeste do Haiti, está a 200 km de Porto Príncipe, a capital do país. Em Beraud, onde os freis se instalarão, há muita vegetação, água e terras razoavelmente férteis. Mas tudo é precário, desde as estradas até o atendimento de saúde. Há uma faculdade de agronomia na região, mas está sem meios para cultivar a terra. Não há tratores (o único que existe pertence às irmãs de São Francisco de Assis) e tudo é feito a boi.
"Começaremos nossa presença sem nada. Sem veículo, sem móveis, sem casa paroquial, sem igreja matriz. Por enquanto alugamos uma casa muito simples, que está praticamente vazia. Até agora conseguimos de uma Ong quatro colchões, duas mesas e algumas cadeiras. Dependemos da solidariedade para ter o mínimo necessário", relata frei Lori.
Em 2004, a província do Rio Grande do Sul assumiu a vice-província Madre del Divino Pastor, que compreende a República Dominicana e o Haiti, e que pertencia à província dos capuchinhos da Andaluzia, Espanha. O Haiti divide com a República Dominicana a grande ilha Hispaniola, no Mar do Caribe.
País vive caos econômico e político
Frei Lori Vergani relata ao Correio Riograndense que a situação no Haiti está muito difícil. A miséria está em toda a parte. Na capital, Porto Príncipe, o crescimento desordenado e a falta de infra-estrutura deixam a cidade caótica. O lixo se espalha por todas as ruas. Pequenas barracas ou simples tabuleiros colocados no chão onde vendem comida e outros produtos, dividem espaço com o lixo, crianças, porcos, cabritos e outros animais.
As estradas são, em sua maioria, lastimáveis. O transporte público é escasso, demorado e muito perigoso. Para percorrer o trajeto entre Porto Príncipe a Les Cayes (200 km) são necessárias mais de cinco horas de viagem. Algumas pontes, levadas por fortes enchentes que atingiram o país há dois ou três anos, não foram reconstruídas. "Aqui a lentidão é a ordem", diz frei Lori.
Todo o combustível utilizado no país é importado e custa muito caro. A energia elétrica é fornecida durante algumas horas. No restante da noite, é comum a utilização do velho "ciareto" a querosene. Na região de Les Cayes, o atendimento no setor de saúde é precário e em casos de urgência muita gente morre pelas dificuldades no transporte até a capital, pelo estado das estradas e pela absoluta falta de recursos médicos.
Nação é controlada por forças da ONU
O Haiti é a nação mais pobre das Américas. Foi a primeira colônia do continente a libertar os escravos negros (1794). Conquistou a independência em 1804, tornando-se a primeira república negra das Américas. Desde 2004, uma força de paz da ONU, conhecida como Minustah, controla o país. A ocupação ocorreu depois da rebelião que derrubou o presidente Jean-Bertrand Aristide em fevereiro de 2004. No dia 15 passado a ONU prorrogou a missão de paz até 15 de outubro. A Minustah, com 6.800 soldados e quase 2.000 policiais, está sob o comando do Brasil.
Padre Zezinho
Falta escola pro meu povo. Falta ler melhor o livro
Um canal depois do outro, fui vendo a televisão. Um canal depois do outro, vi bem pouco de cristão. Um canal depois do outro, percebi que a liberdade nem sempre traz conteúdo. Fala aquele que quiser, se for charmoso e bonito ou se ao grupo pertencer. E fala como quiser. Fala quem nunca estudou, mas discorre sobre o tema. Fala quem vende um produto, e há quem fale qualquer coisa.
Há quem grita e esbofeteia, quem mostra o corpo à vontade, quem vende sexo e prazer, e quem não veio dizer. Canta quem sabe e quem pode e se agradou ao canal, mesmo que o canto que canta não tenha nada de especial. Mas é amigo do dono ou do apresentador. E alguém pagou pela hora daquele novo cantor.
Fui ver a televisão e vi que tem coisas boas, mas, como tudo na vida, também tem coisas à toa. Desliguei depois de um tempo. Nenhum programa continha aquilo que eu procurava, pro meu coração cansado. Ao menos naquela hora, ninguém trazia um recado.
Assisti aos religiosos, garantindo salvação. Uns choravam e gritavam e havia os que expulsavam demônios. E o demônio, obediente, respondeu a quase tudo e sempre as mesmas respostas, sempre o mesmo conteúdo. Alguém fraco e dominado e um pregador poderoso, que manda até no demônio, que poder maravilhoso!
Falta escola pro meu povo. Falta ler melhor o livro. Nem tudo é daquele jeito. Quem lê a Bíblia direito sabe o que Jesus falou, sobre os donos da verdade e quem expulsa demônios e demonstra ter poder. E sobre quem se proclama o maior e o vencedor, o maior lugar de culto, garantias contra a dor e milagres garantidos, pela voz do pregador.
Um canal depois do outro busquei respostas serenas e conteúdo profundo, coisa que valesse a pena. Não deu certo aquela noite, mas tentarei outro dia. Há gente bem preparada, dizendo coisa que valha, mas há quem não tenha nada, e está lá por ter poder, mesmo sem ter conteúdo e sem ter o que dizer.
Mas como a TV é minha, a culpa também é minha se eu não souber escolher.
CF põe em pauta questões amazônicas
Igreja aborda o tema Amazônia a partir do enfoque da fraternidade
Neste ano, a Campanha da Fraternidade, da CNBB, aborda uma questão de grande interesse para o país – a Amazônia. O tema escolhido é "Vida e missão neste chão". Na diocese de Caxias do Sul, a abertura foi feita na Quarta-feira de Cinzas, 21, por dom Paulo Moretto. O bispo diocesano salientou que a CF não é dirigida somente aos católicos, mas a todas as pessoas de boa vontade. Para justificar essa afirmação, dom Paulo fez um resumo dos 43 anos de caminhada da CF (desde 1964), que pode ser dividida em três fases.
Na primeira fase, houve uma preocupação com a renovação interna da Igreja; na segunda, os temas se voltam para a realidade social; na terceira, refletem sobre as situações existenciais do povo brasileiro (fome, terra, moradia, juventude, família, negros, idosos, drogas, índios, portadores de deficiência, água...).
"Resolvemos todos esses problemas? Nenhum!", destacou dom Paulo, mas a Igreja realizou sua missão de convidar pessoas, entidades e órgãos governamentais a refletir e a realizar gestos concretos. Quanto à Amazônia, disse dom Paulo, o objetivo da CF é fazer a nação refletir sobre essa vasta região, rica em biodiversidade, água, minérios, madeira, flora e fauna, mas também com um povo marcado por valores sociais, religiosos e culturais próprios.
"A prioridade da CF-2007 é evangelização, mas a intenção da Igreja é também preservar e salvaguardar esse inestimável patrimônio nacional e mundial", frisou o bispo. Porém, disse dom Paulo, qualquer coisa que se faça pela Amazônia tem que ser feita a partir do ponto de vista deles, da realidade deles, da mentalidade deles. Citou como exemplo o sentido de posse da terra. Para nós, do Sul, é comum o espírito de apropriação e a expressão "essa terra é minha". Para o povo de lá, a terra tem outro sentido. Ela é chão para morar, para trabalhar, para buscar o sustento. Respeitar isso é fundamental.
Lançamento da CF foi feito em Belém
Ao escolher a Amazônia como tema da CF-2007, a Igreja quer que se conheça um pouco melhor o significado desta região para o Brasil e para o mundo. Foi o que explicou dom Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB, na Quarta-feira de Cinzas, 21 de fevereiro, durante o lançamento oficial da Campanha, em Belém (PA).
Pela primeira vez, em 43 anos de CF, o lançamento foi feito fora de Brasília. Algumas entidades nacionais, como a CPT, Pastoral do Menor e Grito dos Excluídos, criticaram essa decisão, especialmente porque teria contado com o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce, uma das principais responsáveis pela destruição ambiental na Amazônia.
Romeiros refletem sobre meio ambiente e monoculturas
"A terra, a água e a biodiversidade são vitais para todos os seres vivos. Sua preservação e acesso universal é condição básica para viver com dignidade. Preservar terra e água significa estabelecer uma relação harmoniosa entre nós e o meio ambiente". Esse é um dos itens expressos pela Carta da 30ª Romaria da Terra, realizada no dia 20 de fevereiro, em Pinheiro Bonito, São Francisco de Assis, na diocese de Uruguaiana, evento que reuniu 20 mil romeiros de todas as dioceses gaúchas.
O tema proposto pela 30ª Romaria – "Preservar Terra e Água, garantia de Vida!" – abordou uma questão básica do meio ambiente. Mas também refletiu sobre a permanência dos pequenos agricultores na terra, a agroecologia, e uma questão que vem preocupando principalmente a metade Sul do Estado – o plantio de eucaliptos, monocultura que está gerando controvérsias e temores, tanto em relação ao meio ambiente quanto à concentração de terra e renda.
No final do encontro foi anunciado o local da 31ª Romaria da Terra em 2008 – Três Passos, na diocese de Frederico Westphalen. Na ocasião, também serão comemorados os 25 anos da Pastoral da Juventude Rural no RS.
Aldo Colombo
A mentira pode resolver, aparentemente, uma situação, mas deixa um campo minado pela frente
Uma empresa norte-americana colocou à venda, via Internet, um aparelhinho útil para fornecer uma boa desculpa por telefone. Serve para interromper a ligação ou justificar alguma coisa. Chama-se Caixa de Desculpas (Excuse Box). O equipamento traz dez ruídos diferentes, pré-programados, que ajudam a montar uma desculpa acima de qualquer suspeita. Estão disponíveis: sons de trabalho de fábrica, barulho de trânsito, criança chorando, parque infantil, sirenes, atividades em uma oficina mecânica, ruídos de torcida de futebol... Há também um dispositivo carregado de estática – "não estou ouvindo, a ligação está ruim" – que possibilita desligar, livrando-se assim de um indesejado interlocutor. O aparelho está à venda por 12 dólares.
Alguém já escreveu um Tratado Geral das Desculpas. Toda a desculpa é uma tentativa de diminuir ou mesmo eliminar a culpa. Trata-se de um expediente para uso externo. É uma das tantas maneiras de mentir. A primeira desculpa já surgiu no Jardim Terreal. Adão desculpou-se e culpou Eva, esta colocou a culpa na serpente. A partir daí, a humanidade nunca mais abandonou a tentativa de desculpar-se.
O Evangelho aponta a solução: "A verdade vos fará livres" (Jo 8,32). A humanidade prefere os atalhos da desculpa e da mentira. E a pessoa torna-se refém da própria mentira. Num círculo vicioso, a mentira sempre necessita de uma outra mentira para cobrir a retaguarda.
Há pessoas que mentem tanto, que acabam enganando a si mesmas. E esta seria a pior de todas as trapalhadas. Mentir para os outros é deselegante, mentir para si mesmo é, ao mesmo tempo, trágico e ridículo.
O expediente de fingir traz conseqüências sérias. Há um desgaste muito grande em carregar duas personalidades: o que somos e o que pretendemos aparentar. Os gregos, mestres na arte teatral, inventaram a máscara. Os atores usavam máscaras de acordo com aquilo que iam representar: alegria, medo, espanto, tristeza, raiva... Terminado o espetáculo, tiravam as máscaras e voltavam a ser eles mesmos. Eles apenas representavam para os outros. O repetido gesto de representar ocasiona o maior de todos os logros: enganar a si mesmo.
Se é perigoso desculpar-se, é importante pedir desculpas. Reconhecer o próprio erro e pedir desculpas é uma demonstração de humildade e valorização do outro. É colocar a verdade em primeiro lugar. Pedir desculpas não diminui a ninguém, pelo contrário engrandece. Trata-se de se reconciliar com a verdade e esta nos faz, de novo, livres. Os santos tinham uma postura tranqüila diante dos outros: eu sou o que sou diante de Deus.
A mentira pode resolver, aparentemente, uma situação, mas deixa um campo minado pela frente. Já a verdade não tem qualquer contra-indicação e, cedo ou tarde, aparecerá. O Evangelho pede construir a vida sobre o alicerce firme da verdade. Perigoso seria construí-la sobre a areia movediça da mentira. Um dia a casa cai.
Gaúcho é superior dos scalabrinianos
Padre Sérgio Geremia, o novo superior, nasceu em Dois Lajeados
Pela primeira vez, em 117 anos de história da Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos), o superior geral não é um italiano. E o eleito, durante o XIII Capítulo Geral, realizado de 16 de janeiro a 9 de fevereiro, em Roma, é um gaúcho, natural de Dois Lajeados – padre Sérgio Olivo Geremia, até então superior provincial da Província São Pedro, com sede em Porto Alegre.
No fim de março padre Sérgio viaja a Roma para assumir o importante cargo de presidir os destinos de uma congregação que, desde a fundação, se dedica a atender os migrantes. Padre Sérgio destacou, em entrevista ao Correio Riograndense, que o Capítulo Geral, no qual foi eleito, foi um encontro com rosto multiétnico, que também escolheu uma direção multiétnica. O Conselho Geral, que vai atuar com padre Sérgio, é formado pelos padres Livio Stella (italiano), José Carmen Hernandez Angulo (mexicano), Rui M. da Silva Pedro (português) e Pietro Paolo Polo (italiano).
O lema (instrumentum laboris) para os seis anos de governo geral de padre Sérgio e seu conselho é "Fidelidade ao projeto de Deus sobre as migrações e fidelidade criativa ao carisma". Padre Sérgio revela que tem pela frente um grande desafio. No final do capítulo, ele propôs três linhas de ação: atenção e carinho à pessoa humana do religioso scalabriniano; incentivo à formação inicial e permanente dos religiosos; e empenho e fidelidade ao carisma fundacional "chamados pelo Senhor a conviver em fraternidade para ser comunidade missionária. Chamados a viver na unidade e na diversidade entre nós para ser testemunhos de comunhão para os migrantes".
A congregação, fundada na Itália há 117 anos pelo bem-aventurado João Batista Scalabrini, é constituída de 695 sacerdotes e mais de 100 religiosos não sacerdotes. Atua em 30 países dos cinco continentes e os scalabrinianos estão reunidos em sete províncias, duas das quais com sede no Brasil.
Provincial – Padre Sérgio nasceu no dia 1º de abril de 1944, filho de Pedro e Lídia Cesca Geremia. Foi ordenado sacerdote aos 29/12/1974. Atuou principalmente no setor de formação da província, como reitor, vice-mestre e mestre de postulantes e noviços. Em 2004, assumiu como ministro provincial, substituindo padre Alexandre Ruffignoni, eleito bispo auxiliar de Porto Alegre.
Bento XVI canoniza Frei Galvão durante visita ao Brasil
O Vaticano confirmou, na semana passada, que o Papa Bento XVI presidirá a canonização do bem-aventurado Frei Galvão. A cerimônia será celebrada pelo Papa durante sua estadia em São Paulo, no dia 11 de maio, no aeroporto Campo de Marte. Bento XVI visitará o Brasil de 9 a 13 de maio, quando abrirá os trabalhos da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina, que será realizado em Aparecida.
Frei Galvão se tornará o primeiro santo nascido no Brasil. Em nota divulgada na sexta-feira 23, a CNBB expressou sua satisfação ao receber a comunicação da Santa Sé confirmando que o Papa dera seu consentimento à canonização e, ao mesmo tempo, convidou todo o povo brasileiro a alegrar-se por passar a contar com o primeiro santo nascido no Brasil.
Frei Antônio de Sant’Anna Galvão nasceu em Guaratinguetá (SP) em 1739. Tornou-se frade franciscano e atuou em São Paulo até sua morte, ocorrida em 1822. Sua vida foi marcada pela fidelidade ao sacerdócio e à vida religiosa. Homem da paz e da caridade, destacou-se como confessor e na dedicação aos pobres. Fundou o "Mosteiro da Luz", do qual se originaram outros nove.
Wilson João
Viver com esperteza é escolher os melhores sonhos e projetos mais eficientes e eficazes
Escolher-se é condição de vida feliz e em paz. É condição de realização pessoal. Podemos arranjar mil desculpas para nos libertar da responsabilidade: foram os pais que nos fizeram, não pedi para nascer, não pedi para ser desta cor, desta raça, desta família, não escolhi ser homem ou mulher, não escolhi nascer nesta época da história. São desculpas para não assumir-se.
ESTOU SEMPRE ME ESCOLHENDO. Desde que tomei conciência de minha vida vou fazendo minhas escolhas. A direção da minha vida está em minhas mãos. Em todas as manhãs, em cada despertar, estou escolhendo o que desejo ser, feliz ou infeliz, realizado ou frustado. Estou escolhendo, em cada situação, superar os medos ou cultivá-los, libertar-me dos bloqueios ou promovê-los. Em cada manhã estou escolhendo ser águia ou urubu, ser beija-flor ou minhoca.
ESCOLHO MINHA SEMENTE E MINHA COLHEITA. Depende do que eu semear. Semeando acolhida e alegria, boas relações e otimismo, trabalho e progresso, colaboração e participação, terei certeza que minha colheita será dos mesmos frutos da semente que semear. E a vida é tremendamente cobradora e recompensadora. Vai devolvendo do que foi semeado. E como é gostoso o retorno positivo! Faz muito bem!
MEUS SONHOS E PROJETOS SÃO SEMENTES. Viver com esperteza é escolher os melhores sonhos e os projetos mais eficientes e eficazes. É possível vislumbrar lá na frente os frutos dos sonhos e dos projetos. Especialmente quando se escolhe uma causa muito especial para se gastar o tempo e a vida, as energias e as esperanças.
SEMPRE ESTOU EM TEMPO para ser feliz, pois ser feliz é uma maneira de viver e um projeto que vai sendo semeado e colhido; para escolher ter paz, porque a paz é semente e fruto de boas relações com as pessoas, com a vida e com todas as realidades; para escolher ter saúde, sabendo que a saúde é semente e colheita, quando se escolhe uma maneira de vida saudável; para escolher ter alegria, que é semente e colheita para quem vive de bem com a vida e faz todas as coisas com amor; para escolher prosperidade, que é semente e fruto de quem programa uma vida com objetivos e causas que conduzem à eficiência da ação; para escolher uma vida de sucesso, que é resultado de quem foi escolhendo, dia após dia, a semente sadia da vida e do amor.
BEM-VINDO ANO ESCOLAR!
Livros, cadernos, lápis, borracha, canetas, pesquisas, tarefas, trabalhos. Mais uma vez, o ano escolar está iniciando. Que tal começar a organizar os estudos desde cedo para não se sobrecarregar nas provas finais? O Correio Sabe-Tudo dá algumas dicas que podem facilitar a aprendizagem.
Organização – A psicóloga Marcia Chemello, da Secretaria Municipal da Educação de Caxias do Sul, recomenda, em primeiro lugar, que o estudante tenha um local apropriado para estudar em casa. Esse local deve ser organizado, tranqüilo e, principalmente, distante de distrações como telefone, rádio e televisão. Antes de começar, também é bom deixar todo material necessário à mão, para não precisar interromper o raciocínio e sair em busca dos utensílios escolares. Ter uma agenda ajuda a organizar o tempo e as atividades e não corre-se o risco de esquecer alguma tarefa solicitada.
Tempo – Também é fundamental estabelecer o horário das atividades, dividindo o tempo entre as tarefas escolares, a natação, o inglês, o lazer etc. O ideal é criar uma rotina. Os especialistas aconselham reservar para os estudos algumas horas do dia, quando se tem mais concentração do que à noite, começando pelos conteúdos mais difíceis.
Provas – O aluno não deve deixar para estudar somente para as provas. É fundamental acompanhar o andamento das matérias, preferencialmente estudando um pouco todos os dias. Fazer resumos é uma ótima forma de revisar os tópicos principais de cada matéria. Nas disciplinas exatas, como matemática e física, a melhor forma de estudar, segundo os especialistas, é fazendo muitos exercícios.
Professor amigo – Professor e aluno precisam desenvolver uma relação de amizade, segundo Marcia Chemello. O estudante deve sentir-se seguro e à vontade para expor suas dificuldades, esclarecer suas dúvidas. Além disso, se surgirem problemas na escola, o melhor é que professor e aluno tentem resolver a situação sozinhos, antes de solicitar interferência dos pais e da direção. Isso melhora e fortalece a relação entre os dois, evitando conflitos futuros.
Tema de casa serve para revisar os conteúdos
Afinal, fazer a lição de casa ajuda a melhorar as notas na escola? Os educadores dizem que sim. O tema tem o objetivo de revisar os conteúdos de cada dia, evitando que o estudante se sobrecarregue no período antes das provas.
Recado aos pais
Os pais podem e devem ajudar na lição de casa, caso os filhos encontrem dificuldade. Mas atenção, é ajudar, jamais fazer o tema pelo aluno. "Essa atitude não beneficia em nada os alunos, eles acabam tornando-se dependentes e não desenvolvem responsabilidades", afirma a psicóloga Marcia Chemello. "Para alunos da pré-escola e 1ª série, o ideal é que os pais fiquem por perto na hora da lição de casa, acompanhem, transmitindo segurança", explica ela. "Para os maiores, o papel dos pais é cobrar diariamente se o filho fez o tema, isso ajuda a criar o hábito do compromisso, pois o tema deve ser encarado como um compromisso diário", completa Marcia.
Além disso, a psicóloga recomenda que os pais participem das atividades da escola (reuniões, encontros, apresentações). Segundo ela, essa também é uma forma de demonstrar apoio e integração com a vida escolar dos filhos.
Trabalhos em grupo exigem concentração
Estudar ou fazer trabalhos em pequenos grupos costuma render bons resultados, desde que todos participem. "O trabalho em equipe é sempre produtivo, mas para isso deve ser bem dirigido", afirma Marcia Chemello. "A presença de um adulto é importante, não no sentido de fiscalizar o comportamento dos jovens, mas para condicionar ao estudo, garantindo que realmente se concentrem no trabalho", explica a psicóloga.
A Internet pode ser grande aliada nos estudos. O melhor é perguntar ao professor quais os melhores sites de consulta e pesquisa. Porém, a rede deve auxiliar, não vale copiar o conteúdo dos sites.
O Gatto que está em mim!
Nilmar Carlos Gatto
Frei capuchinho, Pelotas – RS
Nilmar Carlos Gatto, capuchinho, natural de Espumoso, combina gatticidade e italianidade. Diz ele:
"Seja pelo sobrenome, seja porque os italianos gostam de gatos, me sinto duplamente Gatto, e duplamente italiano. Curioso, fui saber do nono Romano o porquê de meu sobrenome, ao que me respondeu:
– Situ orbo? Vàrdame mi, e varda to noni, to pupà e to zii?! Te vedi mia che semo gente pròpio come i gati. To bisnono sempre el disea:
– Tusi, i gati sempre i cata un posto par dormir pacìfichi. Le persone anca le ze così. Bisogna catar la maniera de volerse ben con tuti, lora se pol dormir sempre pacìfichi come i gati che, anca, i ze sguelti e furbi. E capirse con tuti ze na gran furbìssia!
Percebi que, de fato, os antepassados trouxeram consigo as características dos felinos: flexíveis, inteligentes e hábeis nos procedimentos e decisões, sempre evitando atritos e conflitos. Posso dizer que nossa família guarda no coração as palavras do Eclesiástico:
– Cuida do teu nome, pois ele te acompanhará mais do que mil tesouros!
Confiante nestas palavras, guardo com respeito meu sobrenome. Respeito aos antepassados, protagonistas de grandeza de espírito. De Rieze Pio X (Treviso), Marco Gatto convida sua esposa Rosa Gazolla em busca de fartura:
– Dona, ndemo in Brasile, che là ghè piante che fa salami!
Ma, dopo de un tempo che i è rivadi, i ga concluìo:
– Varda, amore, che i salami semo stai noaltri. Lora, desso, slevemo su dei bei porchi, e te vedarè che femo saltar fora anca i salami, e mandemo la misèria in malora! Pa intanto, magnemo banane che le se someia ai salami!
Zera novembre del 1885 e, co la testa piena de pensieri, sogni e speranse, dopo 40 giorni de màchina a vapore, con 4 fioi, pensierosi i riva in Mèrica, ma dopo un bel tempo i la cantava, ridendo – "Mèrica, Mèrica, cosa sarala sta Mèrica? – Mèrica, Mèrica l’è un bel massolin de’ fiori!" I se ga portà, insieme a la volontà de laorar, anca la volontà de sercar sempre el meio par lori, par i fioi e par i dissendenti. E mi, anca, come un brao Gatto de du gambe, son sempre in giro, inserca de dove posso esser meio frate, insegnarghe a la gente a catar le piante dei salami dea felissità e dea santità!
Santa Maria, Vale Vêneto-RS, enfim Nova Palma, entre suores, lágrimas, alegrias, com flexibilidade, agilidade, inteligência, trabalho e perseverança, Marco e Rosa plantaram suas esperanças. Família, respeito e dignidade, fonte de alegria e exaltação. Grande conquista: terra para plantar e viver, onde nasceram mais 8 filhos. E os nonos, extasiados, a exclamar:
– Gràssie, Signore, per tanta bontà!
Em 1900, propostas de vida melhor. Terras planas para plantar. Deixam os morros de Nova Palma, migram para Tapera e Espumoso. Bisneto desses heróis, Marco e Rosa, neto de Romano, filho de Albino Gatto e de Ana Iracema Durigon, nasci em Espumoso, o sonhado local das novas terras e conquistas. Em 1966, rumamos para Passo Fundo. Era tempo de ditadura. Esquerdistas perseguidos. O pai, brisolista de unhas e dentes, vereador perseguido, ruma novamente em busca de vida digna e sossego para si e para sua família. Tornei-me italiano de pouca fala, mas de muito coração. Persistente, flexível e ágil, como bom Gatto, vivencio sempre mais as raízes que me ligam aos antepassados através dos mais de mil espertos Gattos, descendentes de Marco e Rosa, presentes em todo o Brasil. É Gatto pra ninguém botar defeito!" (Fone (53) 3221 21 28)
A intuição e sensibilidade dos felinos é a característica de Nilmar, atento e sensível às demandas dos irmãos! (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (400)
Nanetto in Cortina d'Ampezzo e i alti Dolomiti
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba – PR
Rento l’ónibus in viaio a le montagne dolomìtiche, semo rivai al Lago Misurina, formà col aqua del degelo, al altitùdine de 1.756 metri, con gran fredo, rente la frontiera del Àustria.
– Adesso, ndemo a Cortina d’Ampezzo, na region montagnosa e sassosa, al Nord del Itàlia. I so cùlmini i ze i Dolomiti. Do-lo-mi-ti, Nanetto. Adesso ciapemo el telefèrico e ndemo su la montagna a 3.000 metri de altitùdine.
– Mama mia, a go paura, dise Nanetto! E se’l telefèrico el se rompe?
– Nanetto, ghe dise la Dòris Fabian, dove zelo el to coraio? No stà ver paura! El telefèrico el ghe ze da tanti ani, mai sucesso gnente!
Là basso se vedea un dei pi bei vali del mondo. Parea na pitura.
– Sta region, contìnua Edílson, la gera abitada pai Reti e i Nòrichi, fin el arivo dei romani, tel ano 15 prima de Cristo, tel tempo del patriarca de Aquilea, la ga godesto de qualche autonomia. In 1511, la ze passada soto el poder del Àustria. I turisti i serca sempre pi la Cortina. In 1956, la ga buo i Giughi Olìpichi de inverno.
– Si, qua su se vede un bel paesàgio, ma fa tanto fredooo! Sentì come go le man gelade, dise Nanetto.
– Eh! Nanetto, ti te vui la mussa e anca i trenta soldi, ghe dise Ely Bispo de Lima! Tuti i piaseri no i ghe stà te un saco sol.
– Ti, Nanetto, te volaria ndar tel polo sul e tel polo nord sensa sentir fredo, ghe donta la Iara Coen.
– Ben, desso ndemo dó, dise Edilson, che là basso no fa tanto fredo. Restaremo un poco in Cortina.
Ntea Comperativa de Cortina, tuti ga comprà qualcosa, semo tornai in pianura, ghemo osservà che te le bassade, in medo i Alpi, i rii i ze sechi. Lora Edilson el spiega:
– Sti rii i ze formai pal disgiasso dela neve dee montagne tela stagion calda, ntel istà. Adesso semo in primavera, lora la neve no la ga gnancora tacà dis-giassar.
Là basso ghemo cavà el polover parché romai fea caldo. De note, ntel oteI, Nanetto el se recorda che no’l gavea gnancora telefonà ala Gelina:
– Poareta, cossa pensarala de mi?! E el ghe domanda a Edilson come se fa par telefonar al Brasil. Edilson el ghe dà par scrito el DDI del Itàlia pal Brasil. Le ciàcole con la Gelina le ze stae longhe.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
El tabiel
Luiz A. Radaelli
Telefone (51) 3748.5394 – Lajeado-RS
Scoasi sempre tondo, dale olte pi longo e streto, ma sempre a posto. Davanti ndoe se lo ciapa, pi stretin, l’è ndoe ze ligà el fil nùmero sédese, con pi o meno meso metro de longhessa. Par sora se rabalta la tonda, zalda, calda e piacerosa polenta, pena fata ten parol, tegnesto alto par le catene impicade nel trepié o nel buso del fogolar.
Farina bona, sale, aqua boiente e, par smissiar, la méscola, un cavìcio longo de cabriùva lissià a caprìssio, smissiea tuto nel fratempo de scoasi un’ora, fin che cota la restea.
Parol caldo, mànego che scota, polenta cota, un strasso vècio tel orlo par la man no brusar te la ora de svodar la polenta sul tabiel e el fil par taiar, el piato a spetar na feta grossa e granda rento a cascar, el piron pronto a portar el bocon che ze par magnar. Par meio parar zo, formai, osei, salam, fortaia o scodeghin, radici coti o pissacan, puina, lardo, el galo dea caponera oramai coto a tochi in tea pignata l’è ndà, par la fame de tuti copar. Par dassar tuti contenti, òmeni, done, tusi e l’Angelin, no basta la pansa impienir, bisogna zontarghe zo un bel biceroto de vin.
Meio vansar che la pansa crepar, sempre se lo dis, ma i piati e le pignate, tel secier ze par netar, par quelo bisogna dela tola alsar e le busie fermarse da contar, parché depì che se magna, la pansa la cresse e mal se pol star. E se’l magnar l’è massa onto, tee scapoere ne toca ndar, ma bisogna no smentegar, de insieme qualche bòtolo portar, che se par mancansa de erba gaver par netar el cul che tuti lo ga.
Finisso sto discorso, par lo scriver no slongar, cossì no gavarè de v’inrabiar, ma bisogna ricordar, che go scominsià del tabiel a parlar, par dir che sensa quel, la polenta no la ze mia così bona da magnar.
Me zio, Olímpio Giovanaz, el ga passà altro che i 70 ani, e el ga ciapà de rento dela scàtola dei so ricordi sta bela mùsica trentina che’l cantea insieme del nono Gìgio. La raconta la fadiga del tempo che, nel Trentino, i ndea far el soldà, e ghe tochea star tanto tempo lontan dea fameia e dea morosa, dea dificoltà de saver quel che sucedea coi soi a casa, per mancansa de mesi de comunicassion come ghenè ncoi. Ècolo:
Giovanino
(Contribuição de Olímpio Giovanaz, Nova Bréscia – RS)
1. L’è quìndese mesi che facio ’l soldà (tre volte),
Na leterina a casa è rivà (du volte).
2. Sarà, forsi, dela mia bela (tre volte),
Che la se stira sul leto malà (du volte).
3. Se’l capitano me dà la licensa (tre volte),
Io volaria a ritornar (du volte).
4. La licensa mi si te la dago (tre volte),
Se te ritorni a fare ‘l soldà (du volte).
5. Quando son stato vicino al paeselo (tre volte)
E le campane sentiva a sonar (du volte):
6. Queste le sona per la mia bela (tre volte)
E che i la porta a sepolir (du volte).
7. Portantini che porta quel morto (tre volte),
Metelo in tera che io voglio veder (du volte):
8. Se da viva no t’ò mai baciata (tre volte),
E dopo morta ti voglio baciar (du volte).
9. Adès che ze morta la mia morosa (tre volte),
Io ritorno a fare el soldà (du volte).
Impasse no transporte perdura às vésperas do início das aulas
Indefinição pode afetar 181 mil alunos da rede estadual
As aulas na rede estadual de ensino iniciam nesta quinta 1º e dezenas de milhares de crianças gaúchas do interior terão dificuldades de chegar à escola. Até segunda 26 permanecia o impasse entre as prefeituras, que querem do Estado R$ 80 milhões, e o governo Yeda Crusius, que contrapropôs menos de a metade dessa quantia. A Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) marcou para esta terça 27 reunião com os 25 presidentes das associações regionais de municípios com o objetivo de debater o assunto.
Para movimentar os ônibus que irão transportar 181 mil estudantes gaúchos são necessários R$ 140 milhões. A Famurs concorda em participar com R$ 60 milhões, mas quer que o Estado coloque os outros R$ 80 milhões. O governo admite destinar R$ 33 milhões. Os prefeitos alegam que desde o ano passado, quando o Estado repassou apenas R$ 17 milhões dos R$ 40 milhões prometidos, estão retirando verbas de outras áreas para manter o transporte. Mais do que isso: a Famurs cobra do Estado R$ 282 milhões, envolvendo outras áreas, que estariam atrasados.
"Queremos a busca de um entendimento para este assunto. Os prefeitos não têm condições de assumir o compromisso de transportar os alunos da rede estadual, se não tiverem recursos suficientes para realizar este serviço, que é de competência do Estado", afirmou na semana passada o presidente da Famurs, Glademir Aroldi, ainda esperançoso de uma nova proposta do Estado. Até a sexta 23, 19 das 25 associações de municípios haviam tomado uma posição sobre as condições oferecidas pelo governo gaúcho para assinatura de convênio para o transporte escolar. A maioria se manifestou contrária.