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Edição 5.029 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 07 de março de 2007.

 

 

EDITORIAL

Progresso com critérios para evitar desequilíbrio

A vegetação compensa o excesso de asfalto e de concreto

 

O planejador urbano perdeu a luta para os interesses econômicos. A frase, citada pelo pesquisador do INPE Carlos Nobre em entrevista que concedeu para matéria da página central desta edição, dá uma dimensão dos problemas que cercam as grandes cidades. É dessa derrota que emergem situações identificadas como deficiências crônicas, em muitos casos irreversíveis.

O exemplo de São Paulo e de outras capitais brasileiras serve também para várias cidades de médio porte. O excesso de asfalto e de concreto está impermeabilizando o solo e sufocando a população. Essa união fortalecida pela omissão e/ou conivência de políticos, e patrocinada por interesses de grupos restritos, é responsável pela elevação da temperatura, principalmente nas grandes metrópoles, em níveis superiores aos provocados pelo aquecimento global.

Asfalto e concreto são ingredientes importantes da receita do progresso. E ninguém, sob o domínio da coerência, sequer pensará em eliminá-los do mapa das cidades. Mas é fundamental que essa fonte de asfixia seja combatida pela presença, em escala cada vez maior, de vegetação. É o verde compensando a expansão do cinza, num duelo de cores, que, por anulação, conduz à harmonia.

O crescimento das cidades é necessário para abrigar uma população que não pára de aumentar. A ampliação das vias também, assim como da infra-estrutura de serviços em geral – o mínimo indispensável para que as pessoas possam ter boa qualidade de vida.

Não se trata de fomentar a estagnação ou alimentar o retrocesso. É possível, sim, estimular o avanço urbano, mas com critérios que não permitam o desequilíbrio tão prejudicial aos seres humanos. Essa bandeira deve ser empunhada pelas lideranças políticas e comunitárias, mas todos os cidadãos precisam se aliar a ela. Do contrário, o calor atingirá patamares insuportáveis, as enchentes serão avassaladoras, os temporais cada vez mais destrutivos... enfim, o homem se tornará vítima de sua própria irresponsabilidade.

 

CAXIAS DO SUL

Prefeitura vai criar lotes populares

Anúncio de 547 lotes ameniza a tensão com invasores de terras

 

Em reação à recente onda de invasões de terras por sem-teto em Caxias do Sul, o prefeito José Ivo Sartori anunciou a criação de 547 lotes para a população de baixa renda, no bairro Nossa Senhora das Graças, em área de 32 hectares cedida pelo governo do Rio Grande do Sul ainda em abril de 2005.

O anúncio foi feito justamente durante a audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores, na última quinta-feira, para discutir a situação habitacional do município, que reuniu dezenas de invasores. Três áreas ainda permanecem invadidas por cerca de 500 famílias, duas na 5ª Légua e uma na 3ª Légua.

O déficit habitacional em Caxias é estimado em mais de 10 mil moradias. Com essa iniciativa, a prefeitura deve zerar a histórica lista do Fundo da Casa Popular (Funcap), que existe desde 1993 e ainda tem 100 inscritos.

Sartori destacou que a medida marca o início de um grande Programa de Lotes Urbanizados Populares. Isso sinaliza um ajuste na política habitacional do município, que até então estava investindo em unidades habitacionais prontas, como os apartamentos do Programa de Arrendamento Residencial (PAR). Segundo a comissão responsável por elaborar o diagnóstico habitacional do município, coordenada pelo vice-prefeito Alceu Barbosa Velho, em dois anos (2005 e 2006) foram entregues 1.340 moradias populares.

Não foi estabelecido prazo para a entrega dos lotes urbanizados. Velho disse que é necessário agilizar principalmente a infra-estrutura necessária na área do bairro Nossa Senhora das Graças, como abertura de ruas, redes de esgoto, água, luz, escola, posto de saúde etc.

 

Cidade decreta situação de emergência

 

Os estragos causados pelas fortes chuvas registradas em Caxias do Sul no fim de fevereiro levaram a prefeitura a decretar situação de emergência na cidade. Conforme os relatórios da Defesa Civil e de secretarias municipais, 30 bairros foram atingidos, totalizando 80 pontos críticos, que necessitam de reparos urgentes.

O valor necessário para as obras é de cerca de R$ 10 milhões. O prefeito José Ivo Sartori já viajou a Brasília para solicitar esta verba ao Ministério das Cidades. Conforme o major Barden, da Defesa Civil, já foram tomadas as primeiras medidas para amenizar os problemas. Agora, aguarda-se que a governadora do Estado Yeda Crusius homologue a condição emergencial da cidade, com base nos relatórios encaminhados semana passada.

A situação de emergência visa agilizar os processos burocráticos para a realização de obras que amenizam ou resolvem os problemas causados pelas precipitações. "Poderemos fazer obras emergenciais sem licitação", explica o secretário da Segurança Pública e Proteção Social, Roberto Louzada.

O decreto nº 13.112 aponta a existência de situação anormal nos bairros e loteamentos Pôr-do-Sol, Cruzeiro, Garbin, Panazzolo, São Luiz, Santa Lúcia, Pio X, Vila Leon, Santa Catarina, Reolon, Marechal Floriano, Esplanada, Kaiser, Belo Horizonte, Serrano, Rio Branco, São Leopoldo, Lurdes, Desvio Rizzo, Vale da Esperança, São José, Fátima, São Caetano, Floresta, Salgado Filho, São Francisco, Jardim Itália, Centro, São Pelegrino, Cohab e Vila Ipiranga.

 

Campanha arrecada verba para hospital

 

Até 30 de março, quem quiser ajudar o Hospital Pompéia pode comprar cartelas da campanha Amizade Premiada. A verba arrecadada será aplicada na reforma do Pronto Socorro/Unidade de Urgência e Emergência. As cartelas, no valor de R$ 10, podem ser adquiridas no quiosque em frente ao hospital, na Farmácia do Pompéia e nas casas lotéricas. O sorteio ocorre dia 7 de abril pela loteria federal. Os prêmios são um automóvel Renault Clio zero Km, duas motos Honda CG 125 e dois televisores.

 

REPORTAGEM

Pequenas cidades concentram homicídios

As vítimas mais comuns são jovens, a maioria negros e do sexo masculino

 

Estudo divulgado recentemente revela que as mortes por homicídios no Brasil estão concentradas em 556 cidades, o que representa 10% do total de 5.560 municípios do país. Dos 48.345 óbitos por esta causa, ocorridos em 2004, 34.712 foram registrados nessas cidades, o que significa 71,8% do total de crimes. Esses 556 municípios abrigam 42% da população brasileira.

Elaborado com base nos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, o estudo "Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros", publicado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), ainda traz outras informações preocupantes: as principais vítimas dos homicídios são jovens, negros e do sexo masculino.

A pesquisa, que compara dados de 1994 a 2004, coloca o Brasil em 4º lugar no ranking de 84 nações mais violentas do mundo. O país registra 27 homicídios para cada 100 mil habitantes/ano e taxas de morte de 30 a 40 vezes maiores que as da Inglaterra, França, Alemanha e Japão, por exemplo.

Pequenos – Também chama a atenção o fato de os índices de homicídios estarem em alta nos municípios de pequeno porte, contrariando a histórica concentração de óbitos por causas violentas em grandes metrópoles. As mortes violentas vêm ocorrendo com maior intensidade no interior, principalmente na região Centro-Oeste. Entre as dez cidades com maior taxa de mortalidade, quatro são do Mato Grosso. Colniza é a 1ª do ranking, seguida de Juruena. São José do Xingu aparece em 5º lugar e Aripoanã em 8º. Os demais são Coronel Sapucaia (MS), em 3º; Serra (ES) em 4º, Vila Boa (GO) em 6º, Tailândia (PA) em 7º, Ilha de Itamaracá (PE) em 9º e Macaé (RJ) em 10º lugar.

A cidade mais violenta do Brasil, Colniza (MT), registrou 165,3 óbitos por 100 mil habitantes no ano de 2004. No país, a média foi de 27,2 mortos no mesmo período. A primeira capital brasileira na lista das cidades mais violentas é Recife, em 13º lugar, com registro de 91,2 pessoas mortas para cada 100 mil habitantes.

Na avaliação do Ministério da Saúde, publicações como essa são importantes porque fornecem subsídios para a implementação de políticas públicas integradas de prevenção da violência, promoção da saúde e da cultura de paz. "Tem que haver uma política integrada", disse o ministro da Saúde, Agenor Álvares.

 

Sem segurança, interior vira alvo do crime organizado

 

Desde 1999, observa-se uma estagnação dos índices de violência nos grandes centros e o deslocamento dessa realidade para o interior. Segundo o estudo, este fato explica-se pelo processo de descentralização do desenvolvimento econômico, com a emergência de novos pólos no interior dos Estados. Além disso, as verbas de segurança estão concentradas nas regiões metropolitanas, que reúnem mais recursos de combate ao crime. Sendo assim, é natural que os criminosos fujam para o interior. Outra explicação é a melhora no sistema de notificação sobre dados de mortalidade no país.

A antropóloga Alba Zaluar, coordenadora do Núcleo de Pesquisa das Violências da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em entrevista à Agência Brasil, aponta como um dos possíveis motivos do aumento da criminalidade nas pequenas cidades o uso delas como entreposto para o tráfico de drogas e de armas. "As cidades do interior são a passagem para as drogas e todas as outras formas de tráfico e, portanto, isso é um incentivo à criminalidade, na medida em que oferece à população de tal cidade uma atividade econômica ilegal. Isso acaba exigindo que todos os conflitos comerciais e pessoais sejam resolvidos violentamente", disse a antropóloga.

Das 100 cidades com maior número de homicídios, apenas três são capitais: Recife (PE), Vitória (ES) e Maceió (AL). No ranking das dez cidades com mais mortes, quatro são do Mato Grosso e uma do Mato Grosso do Sul, Estados que fazem fronteira com a Bolívia e o Paraguai – os dois países são importantes portas de entrada de drogas e de armas no Brasil, segundo a Polícia Federal. Outro motivo citado por Zaluar é o crescimento desordenado pelo qual algumas cidades passaram nos últimos anos.

Gaúchos – A redução dos homicídios nas capitais reflete-se no Estado como um todo. É o caso do Rio Grande do Sul, que caiu no ranking nacional de violência nos últimos dez anos. Os gaúchos estavam em 18º lugar em homicídios em 1994, com 29 para cada 100 mil habitantes/ano; em 2004 passaram para a 20ª posição, com 18,5 homicídios por 100 mil habitantes/ano.

 

Óbitos aumentam 64% entre jovens

 

De 1994 a 2004, os homicídios entre a população jovem cresceram de 11,33 mil para 18,59 mil, o que resulta em um aumento de 64,2%. Segundo o Mapa da Violência, as vítimas mais comuns dos homicídios são jovens, a maioria negros e do sexo masculino.

O estudo aponta que, em todas as regiões do Brasil, aumentou também o número de vítimas com idade entre 15 e 24 anos. Os índices de homicídios nessa faixa etária no país são mais de 100 vezes maiores do que em países como Áustria, Japão ou Egito.

Foz do Iguaçu aparece como campeã de ocorrências na população jovem (223,3 homicídios por 100 mil habitantes) e como 11ª colocada em ocorrências de homicídios na população em geral (94,3/100 mil habitantes). Este é o pior índice do Paraná. A Secretaria da Segurança Pública do Paraná argumentou que Foz do Iguaçu é uma cidade de tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), que recebe diariamente "milhares de pessoas de inúmeros locais, fato que por si só a diferencia de qualquer comparação simplista com outra cidade."

 

Cresce número de vítimas do trânsito

 

O número de mortes por acidentes de trânsito cresceu 20,8% no período de 1994 a 2004. Os óbitos decorrentes desta razão passaram de 29.527 para 35.674, ficando acima do crescimento populacional do país, que foi de 16,5% no mesmo período. O estudo aponta como principais causas dos óbitos por acidentes de trânsito a má conservação das estradas, falta de sinalização e alta velocidade e imprudência.

Nos dez anos compreendidos pela pesquisa, houve queda generalizada nas taxas de todas as faixas etárias, menos na dos 20 aos 30 anos. Entre as pessoas com idade de 20 a 24 anos, foi registrado crescimento de 11,1% no índice de mortes por acidentes. Na faixa de 25 a 29 anos o aumento foi de 8,9%.

 

CNBB liga crimes à desigualdade social

 

A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), organismo CNBB, manifestou-se sobre a violência que assola o país. Segundo nota divulgada, fome, desigualdade e exclusão social são fatores condicionantes do crescimento da criminalidade e qualquer medida que não considere tais fatores tende a fracassar.

A nota afirma que aumentar o período de internação do adolescente infrator ou elevar as penas dos imputáveis não contribui para enfrentar a criminalidade. Conforme a CBJP, deve-se buscar as causas determinantes dos crimes, porque o homem não é intrinsecamente vocacionado para o delito.

 

AGRONEGÓCIO

RS renova interesse pelo plantio de oliveiras

Falta de tecnologia impede expansão da cultura no Estado

 

O Brasil gasta, por ano, US$ 250 milhões diretamente com importação de azeite de oliva e de azeitonas. Indiretamente, o negócio envolve mais de US$ 800 milhões, considerando aspectos de transporte, distribuição e logística. Segundo a Embrapa, o país conta não apenas com terras disponíveis, mas com solo e clima propícios para o cultivo de oliveiras, especialmente no Sul do Brasil.

O plantio de oliveiras é um antigo sonho acalentado por produtores gaúchos. No passado houve algumas experiências, existem oliveiras em quase todos os municípios do RS, mas a produção é incipiente. O cultivo tem mais finalidade religiosa que comercial, pois se resume a fornecer galhos para o Domingo de Ramos. A cultura ainda não vingou no Estado pela falta de tecnologia, mas se depender da Embrapa de Pelotas, essa deficiência está com os dias contados (veja matéria ao lado).

Em 2001, a prefeitura de Farroupilha implantou um projeto de plantio de oliveiras no município, da variedade arbequina, ideal para óleo. Conforme o atual secretário da Agricultura, Roque Colombo, mais de 100 produtores adquiriram mudas, mas muitos plantaram apenas 10 a 15 oliveiras, como experiência.

O maior olival foi feito por Orlando Radaelli, da capela Santos Anjos. "Plantei cerca de 550 mudas. No ano passado elas se cobriram de flores, mas a geada tardia queimou-as quase completamente". As oliveiras desenvolveram bem, são vigorosas, mas Orlando está preocupado. "Falta orientação técnica na poda, no tratamento e na formação das plantas. Estou desnorteado e fazendo experiências por conta", revela.

A esperança, reforçada pelo secretário Colombo, está no acompanhamento que agrônomos de Caçapava do Sul, contratados pela prefeitura de Farroupilha, passarão a dar aos produtores a partir deste ano. Em Caçapava já existe uma associação de produtores e diversos olivais em produção.

 

Embrapa estuda as melhores cultivares

 

A Embrapa Clima Temperado de Pelotas (RS) está liderando, através do pesquisador Enilton Coutinho, o projeto "Introdução e desempenho agronômico de cultivares de oliveira no RS e SC". O objetivo é testar cerca de 25 cultivares, identificando as que melhor se adaptam aos diferentes climas e solos do Sul do Brasil. Em cinco anos, deverão ser indicadas as cultivares com melhor desempenho.

O material em teste é constituído de mudas espanholas, italianas e portuguesas. Os interessados já podem acompanhar os resultados e avanços do projeto no próprio site da Embrapa. "Hoje há cultivares que começam a produzir a partir do terceiro ano (embora a estabilização ocorra a partir do sexto ano). Em um hectare é possível colher 10 mil quilos de azeitonas", salienta Coutinho.

As perspectivas são boas, pois as fronteiras agrícolas para a expansão dos olivais na Europa quase se esgotaram e o consumo de azeite estará em alta nas próximas décadas. A Embrapa firmou convênio com especialistas portugueses para ações conjuntas de cooperação e consultoria.

 

Crise volta às portas do Ibravin

Instituto depende de recursos do Estado para manter atividades

 

Com os cofres quase vazios e sem perspectiva de receber recursos do Fundovitis. Esta é a situação atual do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). O quadro é muito semelhante ao de setembro do ano passado, quando o instituto iniciou um processo de enxugamento, dispensando serviços de terceiros, para tentar sobreviver. O oxigênio salvador veio com a liberação de duas parcelas, em dezembro, no valor total de R$ 566 mil, de um convênio que deveria ter sido cumprido sete meses antes. Mas e agora?

"Se até o final do mês não recebermos mais dinheiro, teremos de reduzir a atividade ao mínimo suportável", afirmou Danilo Cavagni, presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin. O que significa "mínimo suportável" ele não quis detalhar. O quadro do Ibravin se resume a 11 pessoas, cinco delas no Laboratório de Enologia, serviço fundamental para a fiscalização do setor.

Se o Estado cumprir o convênio assinado no primeiro semestre do ano passado, terá de repassar, através do Fundovitis (fundo criado com o recolhimento de taxas sobre a produção de uva destinada à industrialização, base de sustentação financeira do Ibravin), outras três parcelas de R$ 283 mil cada (R$ 849 mil). Com esses recursos, o Ibravin se mantém durante todo o semestre. Sem ele, porém, volta a incógnita de seis meses atrás.

Caixa – Na semana passada, o caixa do Ibravin formado por recursos destinados pelo Fundovitis tinha R$ 40 mil. Estavam disponíveis outros R$ 61 mil, referentes ao pagamento adiantado, por vinícolas, de análises no Laboratório de Enologia. Cavagni tem receio sobre a legalidade da aplicação desse dinheiro e não oferece informações sobre outro fundo – a última reserva. A soma dos recursos oficialmente disponíveis é suficiente para custear as atividades do Ibravin por menos de três meses. A despesa fixa do instituto gira em torno de R$ 50 mil mensais, ou seja, se dependesse apenas do Fundovitis fecharia março no vermelho.

Mais do que nunca, o futuro do Ibravin está atrelado ao governo do Estado. Há menos de 20 dias Cavagni e outras lideranças vinícolas participaram de audiência com a governadora Yeda Crusius, que foi informada das dificuldades do instituto. Ela ouviu um relato sobre as necessidades e, ao final, disse que daria uma resposta. Mas sequer sinalizou que concordaria em liberar mais recursos e nem que retomaria o projeto de lei que destina 25% do dinheiro recolhido ao Fundovitis diretamente para o Ibravin. "Até agora não tive nenhuma posição", declarou Cavagni na quinta 1º.

 

Mudança na lei pode salvar instituto

 

Criado em 1997, no governo Antônio Britto, o Ibravin tem a função de executar as políticas para a vitivinicultura. Qualificar e promover o setor resumem a principal tarefa. O instituto deveria ser financiado pelo Fundovitis, um fundo formado por recursos recolhidos das vinícolas (R$ 42,48 por tonelada de uva processada) e administrado pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado. As vinícolas podem se ressarcir integralmente com créditos fiscais. Ou seja: o Fundovitis implica na renúncia fiscal pelo Estado.

A lei do Fundovitis diz que o Tesouro do Estado deve repassar até 75% dos recursos recolhidos. O percentual repassado raramente passou de um dígito. E o volume de dinheiro destinado ao Fundovitis (leia-se Tesouro do Estado), segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Danilo Cavagni, girou de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões por safra. Pelos cálculos de Cavagni, o Ibravin tem de receber R$ 849 mil do convênio firmado no primeiro semestre de 2006. Outro convênio, no valor aproximado de R$ 3,1 milhões, que deveria ser repassado a partir do segundo semestre, foi assinado mas não chegou a ser publicado no Diário Oficial. Logo, esse dinheiro nunca mais virá.

O Estado enfrenta a pior crise financeira pelo menos de sua recente história. O Ibravin depende do Estado para sobreviver. As lideranças vitivinícolas propuseram mudar a legislação, permitindo que 25% dos recursos recolhidos fossem canalizados diretamente ao Ibravin. O governador Rigotto enviou projeto à Assembléia no início de dezembro e, logicamente, não houve tempo para votá-lo. Agora o setor reivindica à governadora que reapresente o projeto. "Sem uma garantia de receita não dá para trabalhar", sentencia Cavagni. E hoje não há a mínima garantia. Sequer orçamento para 2007 existe.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Mandioca para consumo

De outubro a maio, aproximadamente, a mandioca, após cozida, não amolece, fica enxuta e dura. Ela continua possuindo as suas propriedades nutritivas?

 

Armindo Grillo

Pranchita – PR

 

A mandioca, de nome científico Manihot esculenta, da família das Euforbiáceas, é de origem americana meridional e segundo eminentes autores, genuína do Brasil. É planta indígena, brasileira. Os índios guaranis e outras tribos já a cultivavam antes da vinda dos colonizadores europeus. Alimento básico de milhões de brasileiros, é usada também na alimentação dos animais.

Hoje o Brasil é o maior produtor de mandioca do mundo, onde é cultivada em praticamente todos os Estados brasileiros, com exceção de algumas poucas regiões de clima muito frio no inverno, impróprio à cultura. O seu município está situado na região sudoeste do Estado do Paraná, na fronteira com a Argentina. É de clima subtropical, muito favorável ao cultivo da mandioca. O amigo não diz em sua carta qual o tipo de mandioca que cultiva. Se for mandioca brava, amarga, é própria para a industrialização de farinhas; se for mansa, ou doce, conhecida entre nós como "aipim" e pelos nordestinos como "macaxeira", será própria para consumo caseiro, cozida ou frita.

A raiz da mandioca é tuberosa, cilíndrica ou grossa, rica em amido, sua principal substância nutritiva. A raiz é revestida externamente por uma casca castanha, que envolve a parte interna, branca ou amarelada, contendo uma substância leitosa (látex), localizada principalmente logo abaixo da casca. Essa substância é venenosa, pois contém ácido cianídrico (cianureto) e se ingerido pode causar até a morte de homens ou animais. Qualquer tipo de mandioca contém o cianureto; em maior quantidade nas bravas, em menor quantidade nas mansas. Acontece, porém, que o ácido cianídrico é "volátil", quer dizer, evapora. Desprende-se quando em contato com o ar atmosférico ou quando a mandioca é submetida ao cozimento ou torrefação. Aproveitando tal propriedade é que os leiteiros de Caxias utilizam a mandioca brava na alimentação das vacas para aumentar a produção de leite. Para tanto as mandiocas são reduzidas a pequenos segmentos ou esfareladas, e então expostas ao ar ambiente antes do uso até que o ácido evapore. As vacas devem ser acostumadas com esse tipo de alimentação.

Solo – O que acontece com as mandiocas que não amolecem com o cozimento, referido em sua carta, não é normal. É devido, provavelmente, à variedade da mandioca cultivada, ao tempo e armazenamento após a colheita, ou a algum problema que pode ocorrer durante o desenvolvimento da cultura com o solo e o plantio. O solo e o plantio das estacas são importantes. O solo deve ser permeável, de consistência média, nem só arenoso ou argiloso, de boa fertilidade, bem provido de matéria orgânica, adubado, se necessário, com adubos fosfóricos ou potássicos, e corrigindo a acidez excessiva (o pH não deve ser abaixo de 5,0, nem acima de 6,0).

Colheita – A época da colheita não tem nada a ver com o fenômeno referido. O que importa é a idade da planta desde o plantio. A mandioca deve ser colhida quando as raízes estiverem completamente desenvolvidas, na época favorável, que varia conforme o mês em que se faz a plantação. Convém colher não muito tempo antes do consumo ou da industrialização, pois as raízes se conservam muito bem na terra e não resistem muito tempo fora dela. A experiência recorda que se colha a mandioca destinada ao consumo humano, de 8 a 10 meses após o plantio. Nas variedades destinadas à industrialização, a colheita deve ficar entre 18 e 20 meses após o plantio.

A mandioca mansa (aipim), cozida ou frita, fica livre de qualquer resquício do venenoso ácido cianídrico, mas nada perde dos seus principais nutrientes como a matéria feculenta (amidos) e os minerais, principalmente o cálcio, o ferro e o fósforo.

 

VITIVINICULTURA

Uva repete nível de qualidade da safra 2006

Amostragem parcial indica bom grau médio, mas inferior a 2005

 

O primeiro indicador oficial da safra da uva de 2007 revela que a qualidade é muito semelhante à de 2006, mas fica abaixo de 2005 – considerada uma das melhores da história da vitivinicultura gaúcha. A pedido do Correio Riograndense, o chefe da Divisão de Enologia da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado, Plínio Manosso, fez uma avaliação de 160 amostras de nove variedades de uvas. "O resultado é muito bom", concluiu.

As amostras foram colhidas nas vinícolas. A graduação média fornecida de variedades como chardonnay, merlot e niágara branca já é definitiva. A de outras variedades, como cabernet sauvignon, moscato e, principalmente, isabel, pode sofrer alteração. "Não acredito que haja mudanças muito significativas", opina Manosso.

A avaliação de 21 amostras revela que a graduação média da uva bordô deste ano, 13,51 graus babo, ficou abaixo da média de 2006 e de 2005. Situação idêntica foi verificada com as variedades moscato, cabernet sauvignon, niágara branca e couderc (observe tabela). Já a isabel, por enquanto (13 amostras analisadas de um total de 50), supera a média inclusive de 2005. A merlot supera 2006 e fica próxima de 2005. Já a cabernet sauvignon, também com amostragem parcial, ficou mais de um grau babo aquém de 2006 e mais de dois graus abaixo de 2005.

Em geral, no entanto, Manosso classifica a atual safra com qualidade muito parecida com a de 2006. Isso faz com que a Serra gaúcha colha a quarta safra consecutiva de uva com boa ou muito boa qualidade. "Isso é inédito", conceitua Manosso. Sobre a quantidade, ele projeta uma safra superior a 2006, quando foram colhidas 423 mil toneladas, e um pouco inferior à de 2005, que atingiu 493 mil toneladas.

 

Miolo inaugura vinícola em Candiota

 

A Miolo ativou no mês passado a vinícola que integra o projeto Fortaleza do Seival Vineyards, em Candiota, na Campanha gaúcha. Neste ano, vai vinificar 700 mil quilos de uva procedentes dos 100 hectares de parreiras que a empresa cultiva na região e que resultarão em 550 mil litros de vinho.

Com a inauguração da vinícola, a Miolo conclui a primeira fase do projeto Fortaleza do Seival Vineyards. Em dois anos, deve vinificar um milhão de litros. A segunda etapa do projeto consistirá na ampliação da capacidade produtiva, chegando a quatro milhões de litros, quando a empresa deverá ter 400 hectares com parreiras na região. A terceira fase, que deve encerrar em 2012, prevê a construção de uma estrutura de enoturismo, como existe no Vale dos Vinhedos.

Com a cantina, considerada modelo pela empresa com sede também em Bento Gonçalves e que processa uva de quatro regiões (Serra gaúcha, Campos de Cima da Serra e Campanha, além do Vale do São Francisco), a Miolo já acumula investimento total de R$ 20 milhões no Projeto Fortaleza do Seival, de um total projetado de R$ 30 milhões.

Os recursos foram aplicados em viticultura, enologia e mercado. "Optamos por desenvolver na Campanha a viticultura de precisão, com monitoramento climático, utilização de clones específicos para cada tipo de solo e uso do conceito de arquitetura do vinhedo, visando a melhor exposição das uvas ao sol", afirma Adriano Miolo, diretor técnico.

 

Tecnologia para rastrear os vinhos

 

A nova cantina da Miolo é equipada com máquinas e processos que preservam a integridade da uva. A recepção das uvas, por exemplo, é feita por gravidade. Os vinhos serão envelhecidos em barricas de carvalho. "Desenvolvemos um estudo para a utilização correta da madeira de carvalho para cada tipo de vinho", informa Adriano Miolo. A empresa também usa um software para a rastreabilidade dos vinhos. "Será possível identificar a parcela de vinho de cada garrafa, bem como todo o manejo do vinhedo. Com essa tecnologia, poderemos fazer todas as certificações de origem possíveis", diz Miolo.

 

Vinícolas se associam para melhor competir

 

Criada em 2005, estruturada em 2006 e lançada oficialmente na sexta 2, durante a Fenavindima, a Associação Gaúcha dos Engarrafadores de Vinho (Agevin) já colhe os frutos de um modelo de rede de cooperação, a começar por uma economia que varia de 10% a 20% na compra de equipamentos e de insumos (rolha, cápsulas, garrafas) em negociações conjuntas. Reunindo 14 vinícolas de pequeno e médio portes de municípios da Serra gaúcha (entre eles Caxias do Sul, Flores da Cunha e Nova Pádua), a Agevin contabiliza também resultados como redução de custos de produção e de riscos de investimento.

"A Agevin não é mais uma associação, mas sim uma instituição que chega para dar novos rumos à produção vitivinícola do Sul do Brasil", afirma o presidente da Associação, Neimar Godinho, destacando a conquista da união entre as empresas associadas. A Agevin tem sede em Flores da Cunha e suas associadas representam 11,2% da produção nacional de vinhos de mesa e finos. Juntas, absorvem por safra toda produção de uva de 2,1 mil famílias.

Um dos principais planos da entidade é a ampliação do número de associados. Para isso conta com um forte argumento. Segundo seu presidente, os benefícios obtidos com a união das vinícolas atinge a redução de até 10% no custo final do produto. "Estamos oportunizando a essas empresas melhores condições de negociação no mercado, ampliando o leque de opções e mostrando que unidos somos mais fortes", afirma Godinho. A Agevin possui uma rede de suporte com parceiros como o Sebrae/RS, Senar, Farsul, Embrapa Uva e Vinho e Universidade de Caxias do Sul.

 

SAÚDE

Sedentarismo ameaça a sociedade moderna

70% da população mundial não praticam atividades físicas

 

A inatividade física é um dos maiores males da vida moderna. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), "o sedentarismo vem crescendo de forma alarmante no mundo inteiro, deixando de ser uma preocupação meramente estética para se transformar num problema grave de saúde pública, numa epidemia global". A preocupação é tanta que instituiu-se a data de 10 de março como Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo. O objetivo é alertar a população da importância da prática de alguma atividade física.

Segundo dados da OMS, 70% das pessoas, de todo o mundo, são sedentárias e estão sujeitas a desenvolver doenças cardíacas, diabetes e obesidade. A falta de atividade física é responsável por 54% do risco de morte por enfarto, 50% por derrame cerebral e 37% por câncer.

Ellen Simone Paiva, endocrinologista do Centro Integrado de Terapia Nutricional, de São Paulo, afirma que as inovações tecnológicas alteraram o ritmo de vida das pessoas, praticamente eliminando do cotidiano o exercício físico realizado de forma natural, tornando-as mais sedentárias. "O resultado disso é o aumento de doenças crônicas como a hipertensão arterial, a obesidade, a elevação do colesterol, o diabetes, o infarto do miocárdio", declara.

Os especialistas esclarecem que o aumento dessas doenças não está relacionado apenas à ausência de exercícios físicos, mas a todo o estilo de vida do homem moderno. Porém, a prática de atividades físicas age de maneira preventiva.

A própria Organização Mundial da Saúde recomenda que, para fugir das estatísticas do sedentarismo, o ideal é inserir a atividade física em quatro campos da rotina diária: no trabalho, no lazer, nas atividades domésticas e no transporte. Exercícios como subir escadas ao invés de utilizar elevadores, ir caminhando para o trabalho e pedalar no final do dia, por exemplo, estimulam o bem estar físico e mental, diminuindo em 50% o risco dos males ligados ao sedentarismo. "Além disso, essas atitudes simples colaboram com a redução da incidência de hipertensão, estresse e depressão", diz Ellen Paiva.

Para deixar de ser sedentário não é preciso treinar todos os dias numa academia. Essa é uma idéia equivocada que acaba afastando as pessoas das atividades físicas. Segundo os especialistas, o ideal é fazer exercícios três vezes por semana, durante uma hora. Pode ser caminhar, correr, pedalar, jogar, nadar, dançar etc.

Pouco tempo também não é desculpa, pois a atividade física ainda pode ser dividida ao longo do dia: caminhar 15 minutos pela manhã e 15 minutos ao entardecer, por exemplo, já traz benefícios ao organismo.

Aliás, desde o ano 2000 a Federação Mundial de Cardiologia determinou que fosse estimulada a simples caminhada para toda população. Ela não exige treinamento, técnica, equipamentos ou instrutores.

A atividade física deve ser adaptada à faixa etária e a outras condições do indivíduo. Portanto, antes de iniciar qualquer programa de exercício, deve ser realizado exame médico, qualquer que seja a idade da pessoa.

 

Exercício precisa respeitar a idade

 

Para jovens, recomenda-se atividade física de caráter competitivo. Em geral, quanto maior for a intensidade, em termos de duração e freqüência, maiores os benefícios cardiovasculares. Para indivíduos com mais de 35 anos, os exercícios devem ser encarados como lazer. Atividades muito intensas podem oferecer risco.

 

Carboidrato é a melhor opção antes da atividade física

 

Afinal, o que comer antes e depois dos exercícios físicos? A maior fonte de energia para o trabalho muscular, durante o exercício físico, é proveniente do carboidrato. Portanto, nada mais óbvio do que utilizá-lo antes da malhação. "A prática de exercícios sem alimentação correta pode provocar a baixa da glicose no sangue (hipoglicemia), caracterizada por mal estar, sudorese fria, palidez cutânea, tremores, palpitações", explica a médica Ellen Paiva. Os sintomas também podem ser mais sutis, como cansaço físico, baixo rendimento na ginástica e dores de cabeça.

Segundo a especialista, a melhor forma de ingerir carboidrato é aquela em que as inúmeras moléculas de glicose são ligadas entre si em uma longa cadeia, produzindo o chamado carboidrato complexo, ou amido na forma de pão. Conforme a nutricionista Amanda Epifanio, o pão é o melhor alimento para garantir glicose antes da atividade física.

Muita gente também adere à banana antes de ir para a academia. A diferença básica entre esses alimentos é que no amido, as moléculas de glicose são liberadas para o sangue de maneira lenta e gradual, garantindo um suporte energético estável e contínuo, ao passo que os carboidratos das frutas, basicamente frutose e sacarose, são de liberação rápida.

Há quem fuja dos carboidratos com medo de ganhar peso, mas nutricionistas afirmam que a ingestão de carboidratos não atrapalha os planos de quem deseja emagrecer. Amanda explica que essa crença é incentivada pelo fato de pensarmos que perdemos peso enquanto nos exercitamos, o que é um equívoco. "O que ocorre é que a prática regular de atividade física aumenta o nosso gasto calórico diário, e isso, associado a uma dieta balanceada e hipocalórica, garante a perda de peso", informa ela.

Para quem pratica atividade física simples, ela indica um lanche com duas ou três fatias de pão integral e laticínios magros, como queijo branco, ou embutidos magros, como presunto de peru. A adição desses alimentos protéicos permite que a absorção do carboidrato seja mais lenta para adequar a oferta de energia durante todo o tempo de atividade física.

 

NACIONAL

MP reduz exigência para liberação de transgênicos

Decisões da CTNBio poderão ser tomadas por maioria simples

 

A liberação comercial de organismos geneticamente modificados (transgênicos) na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) deve ser facilitada por medida provisória (MP) aprovada pelo Senado na terça 27. A MP permite que as decisões do órgão sejam tomadas por maioria simples de votos (14 dos 27 membros). Pela regra em vigor são necessários 18 votos. A matéria depende ainda da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O texto aprovado também autoriza a utilização do algodão transgênico plantado ilegalmente na safra de 2006. Esse item, assim como o que trata da CTNBio, foi incorporado pela Câmara ao texto da medida provisória encaminhado pelo governo ao Congresso. Foi, depois, mantido no Senado, causando polêmica entre os senadores.

A medida provisória veta o cultivo de transgênicos em terras indígenas e na maioria dos tipos de unidades de conservação (UCs). Permite, no entanto, nas áreas de proteção ambiental (APAs), um desses tipos de unidade de conservação, e na zona de amortecimento (faixa de proteção, cuja largura varia) das outras UCs.

De acordo com a MP, ficará a cargo do Poder Executivo estabelecer os limites para o plantio desses vegetais nas áreas que circundam essas unidades, até que seja fixada sua zona de amortecimento e aprovado seu plano de manejo, que define as atividades permitidas ali.

O Decreto 5.950, que regulamenta a medida provisória, estabelece provisoriamente a distância mínima de 500 metros para a soja modificada e de 800 metros para o algodão modificado, em relação à unidade de conservação. No caso do algodão, a distância exigida passa para 5 quilômetros caso haja variedade silvestre da planta na unidade próxima. O decreto foi publicado em novembro, quando o governo enviou a MP ao Congresso.

 

Bancada ruralista divide governo

 

As emendas feitas pela Câmara, e mantidas pelo Senado, na MP que trata dos transgênicos foram defendidas por representantes da bancada ruralista e dividiram a base governista, inclusive a bancada petista.

O relator da matéria, Delcídio Amaral (PT-MS), acatou todas as modificações feitas na Câmara. "Foi uma decisão pragmática", comentou. Já Aloizio Mercadante, também do PT (SP), afirmou que a decisão dos senadores desmoralizou a comissão técnica, criada pelo próprio Congresso Nacional. "A Câmara dos Deputados introduziu uma emenda que legaliza o que jamais poderia ser legalizado: o plantio ilegal. Isso é um desrespeito à CTNBio, que proibiu esse plantio e pediu a destruição do algodão transgênico."

 

Entidades tentam influenciar com apelos e protestos

 

A polêmica criada em torno das alterações promovidas pelo Congresso Nacional na Medida Provisória 327, que define regras para o plantio de transgênicos, não dividiu apenas os senadores. Entidades pró e contra as mudanças promovidas pela Câmara e homologadas pelos senadores mobilizaram-se para tentar fazer valer suas opiniões. Foi o caso do Greenpeace e do Conselho de Informações de Biotecnologia (CIB).

Munidos de pamonhas, polenta e bolos de milho orgânico, militantes do Greenpeace deram plantão em frente ao Palácio da Alvorada. Tentavam sensibilizar a primeira-dama Marisa Letícia a convencer o presidente Lula a vetar as emendas feitas ao texto original da MP caso fossem ratificadas pelo Senado.

"O principal problema da MP é que ela flexibiliza uma série de normas de biossegurança que já estavam determinadas no país. Fala, por exemplo, na legalização de um crime, que é essa história do plantio ilegal do algodão", afirmou a coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Gabriela Zuolo.

Já a diretora executiva do CIB, Alda Lerayer, disse que nada mudará nas avaliações feitas pela CTNBio. "A CTNBio vai avaliar com a mesma severidade as questões encaminhadas. A avaliação técnica é a mesma, a mudança não vai fazer com que ela fique mais permissiva", afirmou Alda.

 

OPINIÃO

Mães, filhos e crimes hediondos

Maria Clara Lucchetti Bingemer

É legítima a discussão sobre a diminuição da maioridade penal. Sinto a indignação que leva a gritar "basta!". Mas fazer justiça com as próprias mãos não vai impedir outros assassinatos bárbaros. Somar mais violência à violência não é solução

 

O Brasil inteiro ainda contempla o rosto macerado pela dor de Rosa Maria Vieites, "mater dolorosa" que chora a perda do filho. O lindo menino João Hélio, de apenas seis anos de idade, não enche mais a casa com suas brincadeiras, nem faz desenhos coloridos dizendo à mãe que gosta dela. Também a lousa onde traçou um coração e o contorno de sua mãozinha ficarão apenas como tributo da saudade sem remédio deixada depois que foi massacrado por uma turma de bandidos, arrastado por sete quilômetros preso ao cinto de segurança do carro de sua mãe.

A outra mãe não revelou seu nome. O jornal a identifica como M. Seu rosto não foi mostrado à mídia. É preciso imaginá-lo. Também está, seguramente, contorcido de dor, mas não pelos mesmos motivos que os de Rosa Maria. M. sente vergonha dos filhos que participaram do crime hediondo que culminou no bárbaro assassinato de João Hélio. Evangélica, culpa-se por não ter sabido educá-los e pede perdão a Rosa Maria.

As duas mães são hoje o retrato do Brasil que sofre as pavorosas conseqüências do cruel "apartheid" que criou para si mesmo. A linha divisória, sulcada pelo bisturi da injustiça e da iniqüidade social, passa pela morte infligida ou sofrida. De um lado estão famílias pobres mas dignas, que de um momento para outro vêem seus filhos entrarem no caminho sem volta do tráfico e do crime. Do outro, famílias dignas que lutam para construir um futuro melhor para seus filhos e se vêem de repente reféns da violência urbana sem quartel que açoita e dizima as capitais brasileiras.

Ambas são vítimas, embora os filhos de M., que lhe escaparam do ventre e se renderam ao crime, personalizem e encarnem tudo que rejeitamos e abominamos: a violência, o descaso pela vida humana, a frieza diante da inocência de uma criança que tem seu corpo arrastado pelas ruas e estraçalhado pelo asfalto. Seus rostos visibilizados pela mídia nos provocam asco, horror. Do fundo de nossas entranhas e corações brotam desejos de vingança que pedimos aos gritos em manifestações públicas, em abaixo-assinados, no uso da roupa preta em sinal de luto e nas marchas até Brasília para exigir uma legislação que impeça que coisas como essa voltem a acontecer.

Um dos criminosos já apareceu em sua última foto com hematomas no rosto que delatam a violência com que foi tratado pelos outros presos, igualmente indignados diante do crime que cometeu. Grupos de pessoas esperam pela saída do camburão que os leva de um lado para o outro e o clamor surdo pelo linchamento começa a crescer e tomar volume. Cartas ao leitor enchem as páginas dos jornais pedindo justiça já.

É legítima a discussão sobre a diminuição da maioridade penal. Uma vez que um cidadão de 16 anos pode votar e escolher seus governantes, pode igualmente ser responsabilizado pelos atos que comete e punido quando estes são lesivos à vida humana. Mãe de três filhos e em vésperas de ser avó, sinto em carne própria a indignação que leva a gritar: "Basta!" e a exigir uma solução eficaz no mínimo tempo possível.

Parece-me apenas que fazer justiça com as próprias mãos não vai impedir que haja outro e muitos outros meninos barbaramente assassinados. Somar mais violência à violência e à barbárie já existente não é solução. Ao lado das medidas emergenciais que devem ser impreterivelmente tomadas, há outras, de médio e longo prazo, que não podem ser proteladas. Tais como a construção de um sistema socioeconômico mais justo; uma radical reengenharia no sistema educativo do país, que situe os menores nos bancos da escola e não na errância das ruas; um repensar estrutural do sistema carcerário, transformado em especialização de bandidos e não em lugar de recuperação de infratores.

Devemos isso a Rosa Maria e a sua lancinante dor. Joãozinho não pode ser esquecido nem seu sacrifício ficar em vão. Mas devemos isso também a M. e outras como ela, que não tiveram ao seu alcance recursos para evitar que o crime se apoderasse para sempre do corpo e da alma dos filhos saídos de seu ventre.

 

ELOGIO DA CONSCIENTIZAÇÃO

Frei Betto

O modo de pensar e de agir de uma sociedade tende a refletir o modo de pensar e agir da classe que domina essa sociedade. A conscientização deve ser norteada pelo vínculo com as formas de organização dos pobres e pela promoção da vida

 

Conscientização deriva de consciência, ter ciência ou conhecimento de algo. O termo introduziu-se na linguagem dos setores progressistas da América Latina através das obras do professor Paulo Freire (1921-1997), educador brasileiro que desenvolveu a pedagogia do oprimido – método de alfabetização que favorece o aprendizado da leitura e da escrita através da contextualização das "palavras geradoras". Assim, pai está na raiz de país, pátria, abrindo à consciência do alfabetizando a percepção da conjuntura sociopolítica e econômica em que se situa.

Uma obra imprescindível, radiografia completa da vida e da pedagogia de Paulo, chega agora às livrarias: "Paulo Freire – uma história de vida" (São Paulo, Villa das Letras, 2006), assinada por Ana Maria Araújo Freire, educadora e viúva do renomado professor pernambucano. Com farta documentação, o livro esmiúça a trajetória de vida do biografado, a evolução e aplicação de seu método, os anos de exílio, bem como os efeitos de seu trabalho em vários países e as homenagens merecidas.

Impelido pelo método Paulo Freire, na década de 1970 intensificou-se, na América Latina, o "trabalho de base" com setores populares, assessorados por equipes de educação popular empenhadas em "conscientizar" camponeses, operários e pessoas de baixo poder aquisitivo. O verbo implicava tornar o educando "consciente" politicamente, ou seja, crítico ao sistema capitalista, às ditaduras, à opressão social e, ao mesmo tempo, adepto do projeto de construção de uma sociedade socialista.

Aos poucos, percebeu-se que não basta "conscientizar", dotar o militante de noções políticas de matiz crítico. A cabeça pensa onde os pés pisam. Ainda que se adquira "consciência" dos problemas sociais e desafios políticos, o risco de idealismo é superado na medida em que o militante mantém vínculos orgânicos com os movimentos sociais. Sem prática social não há teoria que transforme a realidade, ensinou Paulo Freire.

Nas últimas décadas, o "trabalho de base" ampliou o significado de conscientização. O conhecimento não deriva apenas da razão ou dos conceitos que trazemos na cabeça. Resulta também de fatores não-racionais ou transracionais, como a emoção, a intuição, o senso estético etc. Na Bíblia, conhecer é experimentar. Quando se diz que "Sara conheceu Abraão", significa mais do que ser apresentado a uma outra pessoa. É fazer a experiência daquela pessoa, tocá-la física e subjetivamente, amá-la.

Com a introdução, no trabalho político, das relações de gênero e da preservação do meio ambiente, conscientizar ganhou um significado mais amplo, articulando consciência e subjetividade, atuação efetiva e relações afetivas, prática social e solidariedade individual. Descarta-se, assim, a figura do militante maniqueísta, que advoga a transformação da sociedade sem se empenhar na mudança de si mesmo. Agora, conscientizado é o militante que conjuga, em sua atividade social e política, princípios éticos e compromisso com a causa libertadora dos pobres.

A cabeça do oprimido, reza um princípio marxista resgatado por Paulo Freire, tende a ser "hotel" de opressor. Ela hospeda idéias e atitudes inoculadas em nós através dos meios de comunicação, da cultura vigente, dos modismos. Pois o modo de pensar e agir de uma sociedade tende a refletir o modo de pensar e agir da classe que domina essa sociedade.

Conscientizar é propiciar aos oprimidos e aos militantes políticos um distanciamento crítico dessa ideologia dominante, de modo que assumam práticas inovadoras e renovadoras, rejeitando, na medida do possível, influências que possam induzi-los a – em nome de uma nova sociedade – adotar práticas típicas dos opressores, como é o caso do guerrilheiro que tortura o soldado inimigo para obter informações. Uma das causas da queda do socialismo no Leste europeu foi o descrédito de dirigentes políticos que reproduziam em seu comportamento o que era próprio de tiranos e caudilhos que haviam derrubado e tanto criticavam.

Na América Latina, o avanço dos movimentos sociais e da mobilização por mudanças estruturantes depende, hoje, da intensificação do trabalho de base. Este muitas vezes vê-se ameaçado pela síndrome do "eleitoreirismo" que contamina partidos de esquerda, mais interessados em se manter no poder do que em promover as transformações sociais, políticas e econômicas acentuadas em seus programas e reivindicadas por sua base social de apoio.

Dois critérios devem nortear, agora, essa conscientização: o vínculo pessoal e orgânico com as diferentes formas em que os pobres se mantêm organizados, e o aperfeiçoamento da democracia pelo compromisso irredutível com a promoção da vida em toda a sua amplitude, desde a defesa do meio ambiente à luta por reformas estruturantes – como a agrária -, que reduzam a desigualdade social e assegurem a todos uma existência digna e feliz.

 

MEIO AMBIENTE

CENÁRIO SUFOCANTE

Estudos mostram que a temperatura média brasileira pode subir 4ºC nos próximos 100 anos e que a elevação do mar afetará a vida de mais de 40 milhões de pessoas

 

No início de fevereiro, o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima forneceu um diagnóstico da saúde atmosférica do planeta e projetou tragédias ambientais que o aquecimento global pode provocar. Na semana passada, o brasileiro conheceu a realidade ambiental do país e o que pode acontecer com o clima nos próximos 100 anos.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentou os resultados de oito estudos de pesquisa sobre "mudanças climáticas e seus efeitos sobre a biodiversidade brasileira". No conjunto, os estudos, desenvolvidos de 2004 a 2006, analisaram cenários do clima para o período de 2010 a 2100.

As conclusões devem ser vistas como indicadores, não como fatos consumados. Mas emitem sinais de um futuro sombrio. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu a necessidade de medidas internas, mas ressaltou que nada adiantará se os países desenvolvidos, responsáveis por 80% das emissões de Dióxido de Carbono (CO2), não fizerem o mesmo. "O barco é de gelo. Ou seja, a questão precisa da contribuição de todos os países", afirmou Marina Silva.

Efeitos – A temperatura média do ar no Brasil poderá aumentar ainda neste século de 25 graus (média entre 1961 e 1990) para 28,9 graus, em um cenário de altas emissões de dióxido de carbono, e para 26,3 graus, em um cenário de poucas emissões de CO2. Na Amazônia, a elevação pode ser pior, variando de 3 a 8 graus a mais, no cenário mais pessimista possível. Devido à concentração de gases do efeito estufa, a região pode virar cerrado até final do século XXI.

Esses dados estão no estudo realizado pelos conceituados Centro de Previsão do tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), um dos oito divulgados. Os pesquisadores consideraram dois cenários extremos. O primeiro é totalmente pessimista, ou seja, considera que nada será feito pelo país para diminuir as causas do aquecimento global. O segundo é absolutamente otimista, ou seja, tudo será feito para melhorar o quadro.

Com base nesses parâmetros, no Nordeste, os aumentos seriam entre 4 graus e 2,2 graus; no Pantanal, 4,6 graus e 3,4 graus; e na região Sul, mais especificamente na Bacia do Prata, de 3,5 graus e 2,3 graus, respectivamente. Essas mudanças climáticas poderão alterar a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas e extinguir espécies animais e vegetais, devido a alterações das rotas migratórias (aves, por exemplo) e nas mudanças nos padrões reprodutivos das espécies.

Um outro temor expresso na pesquisa é de que a capacidade de absorção de carbono das florestas tropicais diminua com o tempo. Neste caso, florestas como a Amazônia deixariam de funcionar como eliminadoras de carbono e passariam a ser fonte de emissão de gás.

 

Cresce o risco de doenças

 

De acordo com o estudo Mudanças Climáticas e seus Efeitos sobre a Biodiversidade Brasileira, as alterações do clima tendem a aumentar o risco de incidência de doenças como malária, dengue, febre amarela e encefalite. Tais doenças teriam condições mais favoráveis para se expandir num planeta mais quente, em parte porque os insetos que as carregam (caso da malária e da dengue) teriam mais facilidade para se reproduzir. Aumentaria ainda o risco de contrair, por meio da água, salmonelose, cólera e outras doenças.

Doenças respiratórias também poderiam ser mais comuns, como conseqüência de um possível aumento na incidência de incêndios na floresta e na vegetação da Amazônia e Cerrado, devido à redução de chuva.

Além disso, teme-se que pessoas morram como conseqüência das ondas de calor, especialmente crianças e idosos. A redução de chuvas e o aumento dos incêndios florestais causariam mais doenças respiratórias e a queda da produtividade agrária também pode agravar a desnutrição, que hoje já afeta 800 milhões de pessoas globalmente.

 

Cidades viram "ilhas de calor"

 

O nível do mar vai aumentar de 40 a 50 centímetros no século, afetando cidades litorâneas onde residem 42 milhões de pessoas (25% da população do país). Esta é uma das conclusões sérias do estudo do CPTEC e INPE. Uma das cidades mais vulneráveis à elevação do nível do mar é o Rio de Janeiro, mas outras à costa do Atlântico serão atingidas – Recife, Florianópolis, Fortaleza. "Este é um quadro especulativo, ainda sem estudo detalhado sobre o que acontecerá nessas cidades", afirmou Carlos Nobre, um dos pesquisadores, ao Correio Riograndense.

Nobre vê com mais preocupação um outro problema: as ilhas urbanas de calor. O aquecimento global atinge cada metro quadrado do planeta, mas o efeito provocado pelo excesso de concreto e de asfalto é muito maior. "Em São Paulo, a temperatura subiu de 2,5ºC a 3ºC nos últimos 50 anos. O aquecimento global é responsável por 1ºC. O restante foi provocado pela aglomeração", afirma o pesquisador.

Concreto e asfalto absorvem muita radiação solar, o que modifica o microclima. A impermeabilização do solo, devido ao asfalto, prejudica ainda mais. Por fim, a falta de vegetação não retém a água no solo e ainda impede a evaporação, que esfriaria o ambiente. Resultado: calor e riscos permanentes de enchentes. "Esta é a situação de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e outras grandes cidades", diagnostica Nobre. Solução? O asfalto e o concreto precisam ser compensados com áreas maiores de vegetação. "Em área verde por habitante, estamos iguais aos níveis do Terceiro Mundo. O planejador urbano perdeu a batalha para os interesses econômicos", conclui Nobre.

 

Acesso à água

 

A combinação das alterações do clima, escassez de chuva associada a altas temperaturas e altas taxas de evaporação, pode levar a uma crise nos recursos hídricos. Os mais vulneráveis seriam os agricultores pobres de subsistência do semi-árido do Nordeste (polígono da seca), região 940 mil km2 que abrange nove Estados.

 

Outros estudos

 

Os outros seis estudos mostram os efeitos da elevação do nível do mar no litoral paulista; as conseqüências dessas mudanças na Ilha dos Marinheiros, na Laguna dos Patos (RS); um diagnóstico sobre as alterações do nível das águas em ecossistemas gaúchos por meio da análise da vegetação e de pequenos invertebrados.

 

Redução de CO2

 

Segundo a ministra Marina Silva, o Brasil está reduzindo a emissão de CO2. Ela citou a progressiva substituição de combustíveis fósseis por renováveis, como o etanol, que já alcança 45% da matriz energética brasileira; as hidrelétricas, fonte de 80% da energia elétrica consumida; e o programa de biodiesel.

 

Os resultados

 

Os 205 projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo evitaram a emissão de cerca de 25 milhões de toneladas de CO2 nos últimos sete anos. O incentivo a fontes alternativas de energia impediu mais 2,9 milhões de toneladas. A queda do desmatamento na Amazônia contribuiu com outros 430 milhões de toneladas.

 

ECONOMIA

Classe média cresce 64% no Brasil até 2015

Projeção é de que haverá 27,7 milhões de famílias

 

O número de famílias brasileiras da classe média vai saltar de 16,8 milhões, dado de 2005, para 27,7 milhões em 2015 – aumento de 64,5%. O Brasil seguirá o mesmo caminho dos principais países emergentes, que deverão ter 170 milhões de famílias de classe média em 2015, praticamente o dobro em relação a 2005. Esses dados fazem parte do estudo "Como capturar novos grupos consumidores nos mercados emergentes", do Instituto Samsung de Pesquisas Econômicas, da Coréia do Sul. Além do Brasil, foram pesquisados China, Índia, Indonésia, Rússia, África do Sul, Turquia e Vietnã.

O tamanho da classe média brasileira, em termos absolutos, deve ficar atrás somente da China e da Rússia, entre os países analisados. O instituto considera de classe média as famílias com renda líquida superior a US$ 5 mil anuais (cerca de R$ 10,4 mil).

O total de famílias nessa faixa de renda deve pular de 87 milhões, em 2005, para 171,3 milhões em 2015, depois de ter verificado uma queda de 61,7 milhões em 1990 para 47,7 milhões em 2000. A proporção da população nessa faixa de renda nos países pesquisados deve passar de 11% em 2005 para 19,7% em 2015.

 

China e Índia terão os maiores aumentos

 

A China é o país com o maior aumento proporcional previsto pelo estudo, com o número de famílias de classe média passando de 20,2 milhões em 2005 para 61,9 milhões em 2015 – diferença de 207%. A Índia vem em segundo, com 110,5%, mas deve permanecer com uma classe média pequena em números absolutos – 7,2 milhões de famílias em 2015. A Rússia terá 42,58 milhões de família nessa classificação – aumento de 81% em relação a 2005.

O estudo, que tem como objetivo orientar as empresas nos mercados emergentes, adverte, porém, que as companhias não devem esquecer os consumidores com renda inferior a US$ 5 mil por ano, hoje 89% da população dos países pesquisados. A previsão é de uma forte redução do número de famílias nas faixas mais baixas de renda. As famílias com renda inferior a US$ 1,25 mil anuais nos oito países passariam de 156 milhões (19,6% dos domicílios), em 2005, para 62,75 milhões em 2015 (7,2% do total).

 

IGREJA

Documento papal trata da Eucaristia

Exortação apostólica recolhe propostas do Sínodo dos bispos

 

Bento XVI anunciou que assinará em breve a exortação apostólica sobre a Eucaristia, relativa ao último Sínodo dos Bispos do mundo, realizado em Roma no mês de outubro de 2005, sob o tema "A Eucaristia: fonte e cume da vida e da missão da Igreja". Foi o primeiro sínodo do pontificado de Bento XVI, que, entre outras coisas, introduziu uma novidade metodológica – espaços abertos na assembléia para que os presentes tomassem livremente a palavra.

"É um documento que se apresenta à meditação", explicou o Papa ao anunciar a assinatura da exortação, no final de fevereiro. "Durante o Sínodo da Eucaristia os bispos falaram muito de suas experiências, de como se recupera nova vida nas comunidades quando se dá esta adoração e de como, deste modo, nascem também novas vocações", revelou o Pontífice.

O sínodo é, em termos gerais, uma assembléia geral de bispos que representa o episcopado de todo o mundo e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja. O documento recolhe as propostas dessa assembléia que reuniu mais de 250 bispos no Vaticano. Bento XVI teve a missão de redigir a exortação apostólica pós-sinodal, baseada nas proposições aprovadas pelos bispos durante o sínodo.

Foram 50 propostas finais, que apresentam uma série de recomendações sobre algumas das questões mais discutidas na vida da Igreja. Elas estão reunidas em três capítulos, com vários subcapítulos, que tratam do "povo de Deus educado na fé na Eucaristia", a "participação do povo de Deus na celebração eucarística" e a "missão do povo de Deus alimentado pela Eucaristia".

 

Igreja condena violência contra mulher

 

A Santa Sé denunciou nas Nações Unidas as novas formas de violência e escravidão que a mulher suporta, como o tráfico provocado pelas redes mundiais de prostituição. A intervenção foi feita na sexta-feira 2, no Conselho Econômico e Social da ONU, pelo arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé.

"A cada dia, violações dos direitos das mulheres, das adolescentes e das meninas são cometidas e até mesmo toleradas em muitos campos. As mulheres suportam o impacto da prostituição infantil mundial, do abuso sexual, da violência doméstica, do trabalho infantil e do tráfico humano", disse o representante do Papa.

Migliore afirmou que a Igreja apóia a decisão do Conselho ao escolher como tema prioritário de 2007 a eliminação de todas as formas de discriminação e violência contra as meninas. O arcebispo considera "particularmente repugnante" o comercio sexual e o tráfico de meninas e de mulheres. "É uma clara questão de direitos humanos e da necessidade de reconhecimento da igualdade e dos valores femininos".

 

Maior autoridade do Islã visita Vaticano

 

Um importante gesto de amizade e diálogo com o mundo muçulmano. Assim está sendo definido o encontro do Papa Bento XVI com o imame de Al Azhar al-Sharif, o xeque Mohamed Sayyed Tatawi, que ocorre dia 22 de março no Vaticano. Tatawi é considerado a maior autoridade espiritual de cerca de um bilhão de muçulmanos sunitas. Em 1996, foi nomeado imame da mesquita de Al Azhar, no Egito. Tatawi é grande defensor da paz entre povos e religiões e condena os extremistas como "inimigos do Islã".

 

Presidente russo tem encontro com o Papa

 

A primeira visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, a Bento XVI, pode impulsionar o diálogo entre ortodoxos e católicos. Putin se encontrará com o Papa no dia 13 de março. Um dia depois da visita ao Vaticano, o presidente viajará à cidade de Bari, no sul da Itália, onde realizará uma missão específica de caráter ecumênico. Putin deverá pedir à prefeitura de Bari a entrega da igreja russa da cidade, dedicada a São Nicolau, ao Patriarcado Ortodoxo Russo, além de uma residência anexa.

O templo e a residência foram construídos em Bari pela Igreja ortodoxa russa no ano de 1913. Os russos têm grande devoção a São Nicolau. A igreja foi comprada dos russos pela prefeitura em 1937, em circunstâncias pouco claras. Putin poderá pedir ajuda ao Vaticano para facilitar as negociações.

 

AO FENÔMENO JUVENTUDE

Padre Zezinho

 

Juventude é realmente um estado de espírito e que não depende da idade?

Há quem diga que ela é bonita, mas não volta. Há quem insista que é possível conservá-la por toda vida. E há quem lembre que ela e um fenômeno que passa. Depois, vem a idade adulta e a velhice, quer queiramos quer não. De qualquer forma, o fenômeno juventude vem desafiando a humanidade desde que o mundo é mundo.

O que realmente significa ser jovem? Estar entre os 15 e os 25 anos ? Conservar certos valores por toda a vida? Ter um corpo em desenvolvimento e uma cabeça cheia de projetos e sonhos?

Filósofos, poetas, teólogos, sociólogos e psicólogos falam e falam sem realmente chegar a um acordo. Afinal, o ser humano é jovem por quanto tempo? Quando começa a idade adulta e quando se deixa de ser jovem? Em que ajuda prolongar com frases bonitas uma juventude que não mais existe no corpo? É possível ser adulto e velho no corpo e jovem em espírito?

Estava certo o General McArthur ao dizer que a juventude é um estado de espírito e que não depende da idade? Na busca dessa verdade a humanidade se perde e se reencontra. Talvez a juventude seja mesmo apenas um momento.

Das idades da vida será, talvez, a mais breve e a mais efêmera. Somos crianças e adolescentes até determinada idade, de acordo com a cultura de cada povo. Entre os antigos romanos um filho era considerado adolescente e dependente às vezes até os 28 anos. Somos jovens até os 24 ou menos. Somos adultos daí por diante e velhos por vinte ou trinta anos, até que aconteça a vida eterna. A eternidade é ausência de juventude ou de velhice. Transcende ao tempo é à idade! Diante do que seremos, juventude ou velhice são túneis. Passa-se por eles. E é preciso saber que se trata de passagem. Vai doer muito mais se não acreditarmos nisso!

 

Capuchinhos celebram vida religiosa

Em Flores da Cunha, comunidade recorda 125 anos da primeira capela

 

Três momentos importantes marcam a província dos capuchinhos do Rio Grande do Sul no mês de março – o diaconato de frei Adelar José Antonini, a profissão perpétua de frei Osvair Domingos Morgan e a celebração dos 50 anos de vida religiosa de frei Santos Carlos Coloda.

No domingo, 11 de março, na capela São João Batista do Travessão Cavour, em Flores da Cunha, frei Coloda celebra os 50 anos de vida religiosa durante um evento que engloba outras cinco comemorações importantes – o 3º encontro das famílias Colloda e Zin, os 45 anos de vida consagrada de irmã Lourdes Colloda (mana de frei Carlos), os 20 anos de sacerdócio de padre Luiz Mascarello, os 125 anos da comunidade São João Batista e o lançamento do livro "Trajetória das famílias Colloda e Zin", de Antônio, Santos Carlos e Valentin Coloda.

As famílias Colloda, Zin, Bett, Bogotto, Bordin, Bambiero, Folle, Dal’Bó, Menegon, Rizzo, entre outras, foram as primeiras a se estabelecerem no Travessão Cavour (homenagem ao estadista italiano Cavour, companheiro de Giuseppe Garibaldi na unificação da Itália). Em 1882 construíram a primeira capela, de madeira, dedicada a São João Batista e a Nossa Senhora do Rosário. A antiga igreja deu lugar à atual, em alvenaria, inaugurada em 1948. Frei Santos Carlos, filho de Luiz Colloda e Madalena Zin, descende das famílias pioneiras da comunidade.

Diaconato – Frei Adelar Antonini será ordenado diácono no dia 17 de março, durante cerimônia presidida por dom Hélio Rubert na igreja matriz Nossa Senhora de Fátima, em Santa Maria. Filho de Roberto e Hélia Minuzzi Antonini, nasceu aos 30 de julho de 1963 em Caibaté (RS). Ingressou na província dos capuchinhos em 1989 e realizou a profissão perpétua em 1997. Cursou teologia na Estef e desde 2005 atua na pastoral e no Serviço de Animação Vocacional, em Santa Maria.

Frei Osvair Morgan, filho de José e Teresa Morgan, nasceu aos 23 de abril de 1973 em Aratiba (RS). Ingressou no seminário em 1996. Cursou teologia na Estef. Atualmente é vice-mestre dos postulantes da Fraternidade Santa Fé, em Caxias do Sul, e atua na ACPMen. Assume a vida religiosa capuchinha em definitivo no dia 11 de março, às 10 horas, na comunidade Santo Antônio de Rio Azul, Aratiba.

 

Murialdina recorda 70 anos de profissão

 

Vice-postuladora da causa de beatificação do servo de Deus Padre João Schiavo, irmã Elisa Anna Rigon, da congregação das Irmãs Murialdinas, celebrou 70 anos de consagração religiosa. Uma missa de ação de graças, presidida por dom Paulo Moretto, bispo diocesano de Caxias do Sul, e concelebrada por 12 sacerdotes, marcou o jubileu, no dia 18 de fevereiro, nas igreja matriz de Fazenda Souza, da qual participaram amigos, familiares, benfeitores e convidados.

Irmã Elisa, filha de Francisco e Maria Zattera Rigon, nasceu em Garibaldi aos 6 de janeiro de 1919. Ingressou na congregação das Irmãs de São José, onde fez sua primeira profissão no dia 14 de fevereiro de 1937. Em 1957, a pedido de dom Benedito Zorzi, passou para a congregação das murialdinas, na qual desempenhou diversos cargos – formadora, superiora, professora e superiora geral durante 12 anos.

Atuou muito na educação e foi diretora do colégio Santa Maria Goretti, em Fazenda Souza, Caxias do Sul. Depois que deixou de ser superiora geral passou a dedicar-se, com muito zelo e vitalidade, à causa de beatificação do Padre João Schiavo, fundador da congregação. Escreveu dois livros sobre a vida e a espiritualidade do Padre Schiavo.

 

Centro de Pastoral promove retiros

 

O Centro de Pastoral da diocese de Caxias do Sul promove, ao longo do ano, diversos retiros espirituais destinados aos movimentos, pastorais, ministros, catequistas e outros serviços da diocese. Padre Gilnei Fronza, da Coordenação Diocesana de Pastoral, salienta que a cada mês é convidado um grupo específico, mas os retiros são abertos a todos que quiserem participar.

Os retiros são realizados no Centro de Pastoral, das 8h30 às 16 horas. Entre os retiros previstos destacam-se o destinado às equipes de liturgia e canto, no dia 25 de março; o das entidades que atuam no serviço da caridade (15/04); para os catequistas (6/05); o dos ministros da Palavra, da Eucaristia, dos Enfermos e zeladoras das capelinhas (29/07); para os jovens (30/09); o das pastorais sociais (28/10) e o retiro para movimentos de espiritualidade (2/12). Informações pelo telefone (54) 3211.5032.

 

A FRAQUEZA DA FORÇA

Aldo Colombo

 

Contrariando todas as expectativas, o perdão é muito mais forte que a vingança

 

Guerreiro famoso vivia nas montanhas e de tempos em tempos fazia incursões contra povoados vizinhos. Extremamente cruel, seu prazer era matar, destruir e roubar. Numa oportunidade, alguém percebeu a descida do guerreiro e seu exército na direção de uma pequena aldeia. Os moradores, avisados, fugiram rapidamente, levando o que podiam. O povoado deserto ficou à mercê dos bandoleiros que roubaram o que tinha algum valor, incendiaram as casas e mataram os animais que haviam ficado.

Um velhinho – mais de 90 anos – por ignorar a ameaça ou por opção, ficou em sua casa. O guerreiro, sem piedade, avisou-o que seus dias haviam chegado ao fim, mas lhe concedia um último desejo antes de passá-lo pelo fio da espada. O velhinho pensou um pouco e pediu ao guerreiro que cortasse o galho de uma cerejeira que estava em seu jardim. Trata-se de uma besteira de um velho gagá, pensou o bandoleiro e com certeiro golpe decepou um galho.

Muito bem, disse o velhinho: o senhor cortou o galho da árvore. Agora, faça o favor: coloque-o na cerejeira outra vez! Certamente, o velhinho está louco, observou o guerreiro, todos sabem que não é possível recolocar o galho na árvore.

Erguendo a cabeça, com voz firme, o ancião disse: louco é você que se julga forte porque tem a possibilidade de matar e destruir. Quem só sabe matar e destruir não é forte, mas fraco. Matar não é coragem, é covardia. Forte é aquele que sabe juntar o que foi separado. Forte é aquele que protege a vida e o inocente. Forte é aquele que sabe amar. Essa pessoa tem o verdadeiro poder, ele é forte de verdade. Ele tem um poder muito maior do que o poder da espada e do ódio. Contrariando todas as expectativas, o perdão é muito mais forte que a vingança. Aquele que se vinga prova que é fraco, forte é aquele que perdoa.

O mundo de hoje é marcado por todo tipo de violências. Todas elas se assemelham: carregam a marca da fraqueza. Do outro lado está a fraqueza aparente, mas carregada de força. E contrariando as probabilidades, a história humana é modificada, não pela força, mas pela fraqueza. Numa sexta-feira, jamais esquecida, a violência levou à cruz e à morte a Jesus de Nazaré. O sonho terminou, pensaram todos. Mas no Terceiro Dia, a violência recuou diante da vida. A partir desse instante ficou evidente que o mal e a violência não teriam a palavra final.

O apóstolo Paulo afirma com decisão: "Quando me sinto fraco, então é que sou forte" (2Cor 12, 10). O apóstolo segue a lógica do Mestre que veio para servir e não para ser servido. Paulo fez a experiência da força inútil, para, depois, render-se à fraqueza do amor.

Na escala humana o serviço é o último patamar. Na escala divina, ele ocupa o primeiro lugar. É o serviço que dá dignidade a todas as coisas, a todas as pessoas e a todas as profissões. O amor, que se traduz pelo serviço, é a maior força da história. E a violência será sempre marcada pela sua radical fraqueza.

 

Lassalistas há 100 anos no Brasil

 

Primeiros irmãos chegaram a Porto Alegre em 19 de março de 1907

A congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, mais conhecida como congregação dos Irmãos Lassalistas, está completando, em 2007, um século de presença e atuação no Brasil. A origem da instituição remonta ao ano de 1680, na França, quando João Batista de La Salle, canonizado pela Igreja em 1900, fundou as primeiras Escolas Cristãs, com o apoio de um grupo de professores leigos.

Nos dias atuais, os irmãos lassalistas estão presentes em 80 países, com mais de 1.000 instituições voltadas à educação e formação, abrangendo desde as classes iniciais até a pós-graduação em mais de 85 universidades e centros de ensino superior. No Brasil, a congregação chegou no dia 19 de março de 1907. Um grupo de nove irmãos, oriundo da França, chegou a Porto Alegre, onde foi recebido pelas autoridades eclesiásticas da capital gaúcha e deu início às primeiras escolas lassalistas no Estado e no país.

No ano seguinte, os irmãos iniciaram suas atividades também em Caxias do Sul, com a fundação do Colégio La Salle Carmo (hoje na rua Os 18 do Forte, onde também está a residência dos irmãos). Posteriormente, em 1936, foi criado o Colégio La Salle (na rua La Salle, bairro São Pelegrino). Além dos colégios, em Caxias do Sul a congregação também atua no Centro de Promoção do Menor (ACPMen), no bairro Santa Fé.

Províncias – No Brasil, os irmãos lassalistas mantém 40 centros educativos, distribuídos em duas províncias, uma com sede em Porto Alegre e outra em São Paulo, animados por 200 irmãos e um grande número de colaboradores lassalistas.

Para comemorar o centenário de presença no Brasil, diversas atividades serão desenvolvidas ao longo de 2007. Merecem destaque o encontro realizado no início de janeiro, em Veranópolis, com a presença dos irmãos do Brasil e do superior geral, e celebração de ação de graças, no dia 19 de março, em Porto Alegre, Caxias do Sul e outras localidades onde os lassalistas estão presentes.

Também estão previstos o Congresso Internacional de Educação Lassalista, de 12 a 14 de outubro, em Niterói (RJ); uma peregrinação lassalista ao santuário de Nossa Senhora Aparecida; um encontro interprovincial de jovens, em Toledo (PR), e o lançamento do selo comemorativo do centenário. Uma logomarca (em destaque, na página), foi criada para identificar todas as atividades da Rede La Salle no ano de 2007. Nos tempos atuais, fiéis às inspirações do seu fundador, os irmãos lassalistas procuram ser uma presença de Igreja, no mundo da educação, levando às crianças e aos jovens, especialmente os mais necessitados, uma educação humana e cristã de qualidade.

 

São Domingos recorda padre Carlos

 

A família Matté, de São Domingos do Sul (RS), recorda com pesar, mas também com saudade e carinho, os três anos de falecimento de padre Carlos Luiz Matté, tragicamente ocorrido no dia 18 de março de 2004, na estrada que liga Rondonópolis a Itiquira, no Mato Grosso. Missas de terceiro ano de falecimento serão celebradas no dia 17 de março, às 14h30, na capela Nossa Senhora de Fátima; e no dia 18, às 9 horas, na matriz de São Domingos do Sul.

Filho de Armando e Armida Nardi Matté, padre Carlos nasceu aos 19 de janeiro de 1958 em São Domingos do Sul. Ingressou na congregação dos claretianos e foi ordenado padre em 1988. Atuou como vigário em Londrina, promotor vocacional dos claretianos na região Sul e, a partir de 1990, em paróquias do Mato Grosso. Como os claretianos fecharam a missão em Paranatinga (MT), incardinou-se na diocese de Rondonópolis, atuando nas paróquias de Chapada dos Guimarães e Itiquira. Foi um exemplo de vida, fé, alegria e dedicação. No ano passado São Domingos do Sul homenageou padre Carlos dando seu nome a uma rua da cidade.

 

SENTIR-SE

Wilson João

 

Passamos toda uma vida como máquinas, sem nos sentir, e por isso perdemos o sentido da grandeza que somos.

Passamos a maior parte de nossa vida de uma maneira inconsciente. Em nosso corpo as funções acontecem automaticamente e não nos damos conta. Tudo acontece de uma maneira gratuita. Assim é a vida mental. Dizemos que nossa cabeça não está pensando, mas na verdade, nunca há o vazio mental. Passamos uma vida como máquinas, sem nos sentir, e por isso perdemos o sentido da grandeza que somos.

SOMOS 60 TRILHÕES DE CÉLULAS. Que maravilha! Começamos com apenas uma célula. Tudo se multiplica em nosso corpo. Tudo em nosso corpo está em movimento. O ar que respiramos chega a cada pequena célula, alimentando seu desejo de vida. Cada célula tem meu nome, minha identidade, meu destino. Há um sonho de vida eterna em cada célula que se cria e que passa a vida para frente, como uma corrente infinita.

SOMOS CORAÇÃO QUE TRABALHA DE GRAÇA. Houve um primeiro impulso. Uma primeira batida. E ele continua sem nosso comando. Em silêncio continua seu trabalho. Bate mais de cem mil vezes ao dia e não reclama. Impulsiona num só dia todo sangue num caminho de mais de 270 mil quilômetros pelas veias e artérias. Mesmo dormindo, os rios da vida se movimentam em todos os caminhos de nosso corpo.

SOMOS PULMÕES ACOLHENDO A VIDA DO AR. Houve um primeiro sopro. O sopro de Deus em Adão e Eva. Desde esse momento todos somos filhos do sopro de Deus. O sopro é vida. O ar é vida. Por isso, quem quer desistir de viver busca tirar o sopro pelo enforcamento. O ar entra e sai, e a vida se renova em cada respiração. Como é bom sentir que somos o sopro de Deus e que de tempos em tempos é bom respirar mais profundamente para perceber que somos vivos!

SOMOS OLHOS REVELANDO O MUNDO. É o colorido da terra, das flores e de todos os seres que entram em nossos olhos, e como num passe de mágica, tudo fica revelado. A fotografia da vida permanece eternamente em nós, porque nada se perde do que entra em nós. A maravilha de nossos olhos possui mais de 100 milhões de receptores, que possibilitam distinguir o dia da noite, as cores de toda beleza do universo.

SOMOS OUVIDOS QUE VIBRAM A CADA SOM. As fibras de nossos ouvidos estão atentas a cada nota musical, a cada palavra, a cada som nascido do mundo exterior. A música se torna nossa vida.

SOMOS UM CÉREBRO COM 13 BILHÕES DE CÉLULAS. Nenhum computador é tão ágil e eficiente. Cada neurônio é um minicomputador. Despertando do sono da insensibilidade começamos a nos sentir uma maravilha dentro do universo.

 

CORREIO SABE – TUDO

Ação contra o aquecimento global

 

Ultimamente você deve ter ouvido falar muito em aquecimento global. O tema está em pauta devido à recente divulgação de um estudo que prevê aumento de cerca de 4º Celsius na temperatura média do planeta em 2100. Isso provocaria o aumento dos oceanos e a conseqüente inundação de cidades, extinção de espécies, entre outros desastres naturais.

O ano de 2100 parece muito distante, mas segundo os especialistas, se quisermos evitar as catástrofes climáticas, precisamos reagir agora – aliás, já deveríamos ter começado. A emissão de gases poluentes, principalmente gás carbônico (CO2), é a principal causa do aumento da temperatura na Terra. Então, o que podemos fazer, na prática, para reduzir a geração desses vilões e deter o aquecimento do planeta?

CHUVEIRO: dar preferência a duchas rápidas e fechar o chuveiro enquanto ensaboa-se. Dois minutos de chuveiro fechado economizam de seis a 12 litros de água. Nesse caso, também há economia de energia elétrica, pois o chuveiro responde por 25% do consumo doméstico de energia.

GELADEIRA: evitar abrir a geladeira com tanta freqüência e decidir o que deseja antes de abri-la. Com a porta aberta a temperatura interna sobe, exigindo mais energia para manter a refrigeração. Não secar roupas atrás da geladeira também poupa energia.

ROUPAS: utilizar a máquina de lavar com carga máxima de roupas. Secá-las naturalmente, deixando a secadora para casos urgentes. Juntar grande quantidade de roupas para passar de uma só vez.

TORNEIRA: fechar a torneira ao escovar os dentes e ensaboar a louça.

BALDE: usar balde e vassoura para lavar calçadas, em vez da torneira aberta.

PLANTAS: regar as plantas ao amanhecer ou no final do dia. No calor, muita água evapora antes de chegar às raízes.

BICICLETA: optar por bicicleta ou transporte público. Isso reduz a quantidade de carros circulando e, conseqüentemente, a emisão do CO2.

PAPEL: revisar os textos na tela do computador, evitando desperdício de impressão em papel. Cada tonelada de papel exige o corte de 20 árvores.

Essas pequenas atitudes, que podem ser aplicadas no dia-a-dia, não resolverão o problema de todo o mundo, mas ajudam a diminuir os danos ao ambiente. É preciso começar!

 

Árvores amenizam malefícios do gás carbônico

 

A chamada neutralização é algo que está na moda quando o assunto é preservação do meio ambiente. Essa prática baseia-se na idéia de que quem polui a atmosfera pode e deve fazer alguma coisa para compensar, ou neutralizar, a agressão.

Geralmente, a compensação é feita pelo plantio de árvores. Isso porque entre todos os poluentes, o principal alvo da neutralização é o gás carbônico, que liberado na atmosfera forma uma camada que impede a dissipação do calor, é o chamado efeito estufa, que eleva a temperatura do planeta. Como as árvores consomem gás carbônico, ajudam a minimizar os danos.

A neutralização não é obrigatória, as pessoas fazem isso voluntriamente. Porém, alguns governos já exigem a neutralização do CO2 liberado durante eventos promovidos em áreas públicas. A missa que o papa Bento XVI celebrará em São Paulo em maio, por exemplo, será neutralizada, com o patrocínio da prefeitura.

Claro que iniciativas como essa, sozinhas, não vão resolver o aquecimento global, mas são parte da solução. Melhor ainda é fazer as duas coisas: reduzir os poluentes e neutralizar as emissões.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O ecumênico que está em nós

Irene Marta Petrik

Professora, Porto Alegre – RS

 

Irene, um ícone do ecumenismo, dá sentido à enfermidade através da oração, reflexão e diálogo espiritual com familiares e amigos:

"Nasci em Sapiranga-RS, nos pés do Ferrabras, em 19-3-1918, no dia de São José, a quem muito admiro, porque refletiu e aceitou os desígnios de Deus. Sou filha de Alfredo Fischer, professor, nascido em São Leopoldo, lá falecido com 51 anos, e de Marta Dohms, de Sapiranga. Sou neta paterna de Carlos Theodoro Fischer e Maria Carolina Kassel, e neta materna de Paulo Dohms, pastor luterano, e Lídia Miccus Dohms. Meu esposo, Adolfo, era tcheco, nascido em Plzen, trabalhou em Comércio interior e exterior. Ao se aposentar me pediu para eu também deixar de trabalhar, porque queria realizar seu sonho de viajar e adquirir uma casinha em Gramado. Quando chegava lá, a primeira coisa que fazia era olhar as flores e plantas por ele cultivadas. Faleceu com 83 anos. Tivemos os filhos Antonio, engenheiro químico da Borregard Celulose, que faleceu com 66 anos e deixou a esposa e a filha Helena, advogada, procuradora do Estado do RS; Rosemary, médica pneumologista, professora da UFRGS; e Ana Luiza, arquiteta. Temos cinco netos e a bisneta Maria Luiza, muito esperta, gosta de me visitar. Eu fui batizada na Igreja Luterana de Sapiranga, onde também recebi o ensino religioso. Sempre convivi bem com as diferenças cristãs. Sou luterana, mas sou principalmente cristã. A fé é um dom de Deus, precisa vivê-la e aprofundá-la a cada dia.

Meus filhos, como escoteiros e bandeirantes, foram se educando no ecumenismo, que só não é mais praticado porque é pouco conhecido e entendido. Eu acho o ecumenismo uma forma de maturidade e crescimento cristão. Vocês, irmãs Clementina e Edmê, são católicas e eu, luterana, e nos nossos encontros, sobretudo agora que eu não posso sair de casa, e vocês me dão o privilégio da visita, nos enriquecemos mutuamente pela prece e vivência da fé. Vocês rezam por mim e comigo, e eu rezo com vocês e por vocês e, na Eucaristia e na Ceia, realizamos nossa unidade no Senhor Jesus.

Continuei meus estudos em São Leopoldo, até a conclusão do 1º Grau. Depois, cursei o magistério no Colégio São José, em São Leopoldo, um bom colégio, que me preparou para continuar estudando por conta, assim estudei francês, alemão, inglês. Sinto que Deus me deu o dom da fé, que partilho com todos, independente de credo.

Aos 17 anos, já lecionava no Colégio Centenário, em São Leopoldo, a convite do seu diretor. Depois vim para Porto Alegre, e lecionei no Colégio Deutsche Hilfsvereinschule, da Sociedade Alemã de Auxílio aos Imigrantes, atual Colégio Farroupilha, completando 42 anos de magistério.

Senti em não poder participar da 9ª Assembléia Mundial de Igrejas, na Pontifícia Universidade Católica, em fevereiro de 2006, mas sei que tudo foi muito bom, bonito e de grande proveito para a unidade dos cristãos.

Gostei muito de ser professora e se pudesse estaria ainda lecionando. O encontro com as demais professoras faz com que todas se reconheçam e se enriqueçam pela troca de experiências. Às professoras de hoje, eu diria:

– Cultivem o ensino de dentro para fora. É preciso ver como e onde é necessário agir mais! Educar é um privilégio.

À minha família desejo que continue merecendo as bênçãos que temos recebido de Deus ao longo das nossas vidas. O verdadeiro desabrochar familiar é a vinda dos netos, que são a inocência total" (Fone 51 – 33110940).

Irene, obrigado pela sua luta pela unidade dos cristãos, perfazendo o desejo de Cristo – "Que todos sejam um" (Jo 17,11). (Rovílio Costa).

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (401)

Nanetto vìsita a Milano, la più rica cità italiana

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba – PR

 

Ndando a Milano, cità industriale, gran molimento de camignoni, Edilson el spiega:

– Oncó, gente, ze el ùltimo giorno in Itàlia. Doman matina bonora, imbarchemo pal Brasile. Le orìgine de Milano, conforme ga scrito Tito Lìvio, le ze cèltiche. Ma no ze stà difìssile ai romani conquistar sta cità ntel 197 prima de Cristo. Milano zera la sédia del Impero Romano del Ossidente. In 1796, la ze stà proclamada capital dea Repùblica Sisalpina. De 1815 a 1848, la ga buo un bon sgrandimento. La ga soferto tanti dani ntea II Guera Mundial. La ze na region de pianure. Milano la ze la Capital dea Lombardia. La ga 1.700.000 abitanti. La ze la cità dea moda e la pi industrialisada del Itàlia. La ze la seconda sità pi granda del Itàlia dopo Roma, ma la pi rica. Ntea cità el trànsito ze difìssile.

Zera el 30 de maio, e la Iara la ga fato compleano. Ghe gavemo cantà le congratulassion. Nanetto la saluda e el ghe dise:

– Te sì restada pi veciona, te si restada! – E la Iara, comossa, la ne ga ringrassià. E Edilson el ne ga menà al Castel Sforzesco:

– Sto Castelo ze el pi grando del Itàlia, fato in 1368. El so paron el zera Francesco Sforza. El ga, atorno, un longo e fondo fosso, che, in quel tempo, i lo impienia de aqua; grandi e alti portoni de fero; muri de due metri de larghessa, na vera fortesse con sei torioni. Con la invasion del Àustria l’è stà trasformà in quartel austrìaco. Adesso el ze un museo. El ze ancora ben conservà. Davanti, el ga un gran giardin de 1.000 metri de longhessa. Dadrio, el ga sie palassi che i gera dei nòbili. Ma adesso ndemo veder la grandiosa Catedral. La ga scominsià la so costrussion in 1387, e ghe ga volesto sinque sècoli par finirla. La ze tuta de màrmo bianco de Carrara. La so faciada la ga sinque porte de bronzo con stòrie bìbliche in altorelevo. La ze cossì granda che rento la ga sinque nave. La ga le pi grande vetrate del Itàlia. Anca el so interno el ze de marmo; el se ga scurio par via dele candele. La ga 52 colone gigantesche sora na base de 12 metri de sircunferensa. La ga 158 metri de longhessa; 93 de larghessa; 108 de altessa; 2.000 stàtoe e 2.000 colone. In 1943, la ga soferto bombardamenti aèrii, ma la ze stà ristaurada. La so patrona ze la Madona Bambina.

Ghemo profità el dopomesdì par far dele foto davanti el Duomo de Milano. E el nostro sofero, che’l se ciamea Piero, el ne ga menà de ritorno al otel, e Nanetto el ghe ga fato sto scherso, che lo ga fato rider volentiera:

– Piero, co le gambe de viero; Piero, co le gambe de stopa; Piero el se copa su te na soca!

Semo tornai tuti contenti, ringrassiando Edilson del bel viaio!

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

I laori, i giorni e le note (I)

Bruno Jorge Bergamin

Professor, Porto Alegre-RS

 

Ze romai drio scurir. El cel sensa na nùvola. I pin i fa un bel veder col sol che’l va via.

– Rosso de sera, bon tempo se spera. Gheto capio, Geio? Impara coi pi veci. Te vedarè doman che bianca che la è. Vardè la luna che vien su. Vardè, tosatei, che granda!

– El pore nono el disea che la era un un bel taier de polenta.

El brondo tel fogo fa na bela fumera: suche, patate dolse, farina de mìlio..., el bevaron pai porchi l’è quasi pronto. Dopo ze sol giuntarghe le sémole de formento e tràrghelo in tel lebo. Ze mia tanto bel sentir quel sigamento de porchi. I par morti de fame!

I tosatei a torno. Su bacheti tel fogo, e paia, e legna. I è là che i para torno un bachetin con na bronsa rossa, la fa tuti i estri che se vol.

– Tenti, é, chi giuga col fogo, pissa in leto.

– Geio, varda i nòtoli (barbasttìi) che i zola! Ciapa quela steca là. Gìrela in préssia par ària. A torno!

– Pupai, pupai, vardè, vardè... i nòtoli i va torno la steca! Tuf! Eco, ghinò ciapà un, ghinò ciapà u...un!

– Pòrtelo qua darente el fogo.

– Varda che bruta bèstia, un osel cole rece, e cole sgrinfe! Ghe lo portemo in cosina a farghe paura ala Nena. Varda le ale! Ze el diàaaaooolo! Bùtelo tel fogo. He, he, he!...Ze el diàolo, lu no’l se brusa, è!

– Pore bèstia, àsselo star. Ratatuie, via de qua, presto ndar dentro de casa, ze note romai, ndé lavarve.

 

(La nona Catina la smìssia la polenta)

 

– Ve gaveo lavà i pié ?

– Fa massa fredo, nona! Ze fredo, ai che mal! I pié i ze pieni de crepi, trrr, trrr..., che fredo!

– No stà gratar, mo! Varda che fa sangue romai, no te vedi, bauco!

– Buteghe aqua calda in tela mastela! Laveve ben polito, mo, sporcacioni che sé, tut al di sensa gnente ai pié, con quel fredo, sò anca mi... Vegné lamentarve adesso! Sté chieti e laveve, nò butar aqua fora dela mastela. Ti, va tor el strasson de sugarse i pié e sugheve ben, è, lora i crepi i guarisse, ga da èsserghe un toco de seo de piégora tel quartin. Laveve ben. Vanti dormir lo passemo... E i tamanchi par ndar a scola doman, èli neti? Vardé, è, no stè mia spetar par vostra mare, nò, la ghinà stesso ela de far. Ti, pi vècio, móvete, làveghe i pié ala Nena, poareeeeta la nostra picinina!

– Nona, Geio me ga urtáaaa!

– Varda che boca! Piandi che te vien bel! Chieti, è, ve go dito, vardè la méscola, è! – Elo rivà to pare?

– El pupai l’era là che’l ghe dea bevaron ai porchi, dopo, el ga dito, che el ndea taiarghe palme ale mule. Mi volea giutarghe, ma el me ga mandà vegner dentro parché zera fredo.

– Senti che tosse! E l’è là che’l vien. E vostra mare, la vegnarà col late?!

– Mama, impisseme el feral che vò in cantina tor un salame e vin.

– Tò, Nani, porta su na pessa de formaio de quel fresco. Tira fora tre quatro ovi dela calsina, che femo na fortaia.

– Siiiih... Cuf, cuf! Signor, che tosse, deme qua la graspa, par veder se la me passa! Che bona che la ze.

Greeeeeenccc..., la porta dela cantina. La nona la sèvita comandar:

– Ti, pi vècio, va fora giutar to mare portar dentro el late.

El feral, la bote, la impìria, el litro, el ciodo, la spina, el vin... Che bel bicer. E che bon!

– Maaamaaaa!

– Uuuuuu!

– Qual èlo el formaio de portar su? Quel pi mol o quel pi duro?

– Te go dito: quel pi fresco! Quel che ze là tel canton, quel de gerilaaaltro!... (Par fin che i fae a posta, no i ghe vede dove i ga el naso). Meti ancora su aqua calda che to pare el vol lavarse i pié.

I ovi tel capel, el salame, el formaio, el vin, el feral..., cuf, cuf...,e la luna, un formaion che vien su. Dopo el vin, sò anca mi che la luna la resta bela.

– Che tosse, è, omo? Vien dentro presto, mo.

(Dopo un tempo)

– A tola, tosatei.

– Ave, Maria, gràssia plena domino steco, benedita tu intro mulieribo....In nome de patri, de fìlio, de spìrito santo ame.

– E la mai?

– Assa, che to mare la vien ela.

Polenta, radici, codeghin, fortaia salame e vin. Che magnada!

Na bela rutada!

 

GERAL

Temporais destroem e matam no Sul

Litoral Norte gaúcho foi o mais atingido. Rota do Sol está interditada

 

Dentro de uma semana o Daer terá um diagnóstico definitivo sobre os efeitos das chuvas na Rota do Sol e quando a rodovia poderá ser liberada ao tráfego de veículos (leia abaixo). O trânsito na rodovia entre Itati e Tainhas foi interrompido no sábado à noite, depois de oito deslizamentos de terra provocados pelas fortes chuvas que caíram no Litoral Norte gaúcho e sul de Santa Catarina. A área mais prejudicada fica na Serra, entre o inacabado Viaduto da Cascata e os túneis da Reversão – um deles inaugurado no final do ano passado.

Desde a manhã de domingo, técnicos do Daer e das construtoras Toniollo, Busnello, Sultepa e Camargo Correa, as empreiteiras que realizam obras na Rota do Sol, tentavam remover os materiais que tomavam a pista da rodovia. Mas até equipamentos pesados, como tratores de esteira, enfrentavam dificuldades. Na segunda, sete caminhões que desciam a Rota no sábado, desobedecendo determinação do Daer, permaneciam retidos no trecho.

As intensas chuvas interromperam por mais de nove horas o trânsito também na BR 101 e provocaram outras ocorrências em rodovias da Serra – Na RS/110, próximo a Alziro Ramos, e na RST/285, entre Bom Jesus e São José dos Ausentes, as pistas ficaram obstruídas. Na RS/484 (Serra do Umbu), também houve deslizamentos no trecho que seria de alternativa à Rota do Sol. Na mesma estrada, em Barra do Ouro, as águas passaram sobre a pista.

Vítimas – Os estragos nas rodovias foram expressivos, mas não houve vítimas. Em outras áreas da região, casas foram inundadas, algumas arrastadas pela força dos rios que transbordaram, deixando muitos desabrigados. Maquiné, Itati, Três Forquilhas, Morrinhos do Sul e Mampituba foram os municípios mais atingidos. Em Morrinhos do Sul, Walter Ross Stelter, 60 anos, morreu de mal súbito durante o temporal. Em São João do Sul, Santa Catarina, o menino Alan Lourenço, 6 anos, morreu afogado dentro de casa. Em Erechim, município de outra região gaúcha, houve mais duas mortes provocadas pelo excesso de chuvas.

 

Daer depende de avaliação técnica para liberar Rota do Sol

 

Vistoria realizada por técnicos do Daer na segunda 5 pela manhã constatou que os deslizamentos causaram danos muito significativos ao trecho da Rota do Sol na Serra do Pinto. "O ponto mais crítico é no Viaduto da Cascata, onde o desmoronamento veio praticamente do topo", revelou ao Correio Riograndense o diretor-geral do Daer Gilberto Cunha.

A presença de água em grande quantidade impediu uma avaliação melhor, em especial dos geólogos, sobre a pista no local, que era provisória desde a entrega, em 28 de dezembro passado. Cunha trabalha com a meta de em uma semana limpar todos os trechos atingidos pelos deslizamentos para, numa segunda etapa, ser feita uma análise mais segura. Há o temor de novos deslizamentos. "Se as encostas oferecerem perigo, a rodovia não será liberada. Temos de trabalhar com prevenção", afirmou Cunha.

Sem saber o nível de comprometimento da pista da rodovia, o Daer prefere usar de cautela. "Se for constatado que não há mais riscos, a rodovia poderá ser liberada dentro de uma semana", declarou o diretor-geral do departamento. Mas não está descartada a possibilidade de interdição por 15 dias ou mais. "Não podemos brincar com a segurança dos usuários", sentenciou Cunha.

 

Fenavindima: mais dois fins de semana

 

Cerca de 15 mil pessoas, segundo os promotores, participaram das atrações do segundo final de semana da XI Fenavindima, evento realizado em Flores da Cunha, na Serra gaúcha, que prossegue – sempre de sexta à noite a domingo -, até 18 de março. Na sexta à noite, a banda Nenhum de Nós reuniu três mil pessoas no parque de exposições. Apresentações de corais e outros grupos musicais, no sábado e domingo, igualmente alegraram e encantaram os visitantes.

O desfile alegórico, com centenas de figurantes, que segue o tema Retratos de Nossa História, voltou a concentrar bom público – estimado em cinco mil pessoas – no centro da cidade e a interagir com ele através da distribuição de uva e vinho doce. A próxima edição do corso está programada para domingo 11, a partir das 14 horas.

A programação da XI Fenavindima prossegue na sexta 9 com vários shows no palco de 1.000 metros quadrados, degustação de vinhos e sucos (custo de R$ 5,00, valor do ingresso), exposição e comercialização de produtos coloniais, feira de artesanato, malhas e móveis. O estacionamento é gratuito.

 

População gaúcha começa a diminuir em duas décadas

A partir de 2024, mortes vão superar nascimentos

 

O estudo "A Saúde da População do Estado do Rio Grande do Sul", realizado pela Secretaria Estadual da Saúde e divulgado na semana passada, surpreendeu até os autores ao concluir que a partir de 2024 a população gaúcha começará a encolher. Se essa projeção se concretizar, o Estado vai chegar quatro décadas antes ao ponto de inversão do crescimento populacional previsto pelo IBGE para o Brasil para 2062.

O trabalho se baseia nos patamares de nascimentos e de óbitos das duas últimas décadas. Conforme o IBGE, em 1985 nasceram no Rio Grande do Sul 175.395 crianças. Em 2005, os registros de nascimentos caíram para 144.393 – 17,7%.

Para que se confirme a tendência de diminuição populacional no Estado é necessário que os dados recentes se mantenham por muito mais tempo. Mas colaboram com a projeção os baixos índices de fecundidade das gaúchas em relação ao resto do país. Essa diminuição da fecundidade é mais forte entre as famílias mais miseráveis, onde a mortalidade infantil costuma ser maior.

Em 40 anos o Rio Grande do Sul dobrou a sua população. Tinha 5.366.720 habitantes em 1960 e chegou a 2000 com 10.187.798, segundo o Censo do IBGE. Em 1º de julho de 2006, de acordo com estimativa do IBGE, viviam no Estado 10.963.219 pessoas. Com pouco mais de 3% do território brasileiro, o RS abriga 6% da população do país.