DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.030 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 14 de março de 2007.
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Autonomia com critérios provoca desenvolvimento
Municípios jovens dão exemplo de crescimento econômico e social
O primeiro passo para solucionar um problema é conhecê-lo. Quanto mais próximo dele estiver o administrador, melhor será para avaliá-lo e combatê-lo. Esse é um dos pilares do movimento emancipacionista, origem da criação de mais de 1.400 municípios no Brasil entre 1988 e 1996.
É preciso sempre ter em mente as intenções de grupos preocupados apenas em acomodar interesses particulares. Nessas cidades, os empregos públicos gerados, não raras vezes, acumulam despesas superiores à receita. E elas passam a depender de recursos do Estado e, principalmente, da União. Ao invés de resolver, acabam criando ainda mais dificuldades.
A onda de emancipações precisava ser contida justamente por esses maus exemplos. O dinheiro público não pode ser transformado em benefício restrito. Mesmo que seja condenável a alta concentração de receita proveniente de tributos nos cofres federais.
Ao mesmo tempo em que municípios recém instalados sobrevivem passando o chapéu, outros se destacam nas estatísticas econômicas e sociais com indicadores de dar inveja. Nesses casos, houve num primeiro plano uma análise criteriosa, e acertada, das potencialidades locais. Em segundo, seus administradores percorreram o caminho da competência e da decência política. E em terceiro, os moradores que lutaram pela emancipação permaneceram participativos e vigilantes. Não é sem motivo que a maioria dos 107 jovens municípios gaúchos mais do que dobrou a sua riqueza de 1994 a 2004.
A descentralização administrativa é cada vez mais necessária. Nem sempre é possível, porém, compensar com esse mecanismo as grandes distâncias que separam sedes de distritos. É nesse vácuo que cresce a importância das emancipações.
Uma proposta de alteração constitucional que tramita no Senado estabelece que a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios sejam feitos por lei estadual. Ela também amplia o quadro de exigências no plano territorial e populacional. Prefeituras que temem perder população e território devem trabalhar mais e melhor para conter as insatisfações. Grupos que pretendem voltar a usar as emancipações para buscar privilégios precisam ser contidos. Já os distritos e localidades que reúnem condições para avançar no ranking do desenvolvimento, esses devem ser estimulados a obter autonomia política e econômica.
Avança projeto do trem regional
Estudo vai avaliar as condições da ferrovia para buscar recursos do BNDES
Estudo encomendado pelo Ministério dos Transportes vai analisar a viabilidade da implantação do trem regional na Serra gaúcha, que visa reativar as linhas entre Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa. O estudo, que visa atualizar as condições da ferrovia, apontando restaurações e mudanças necessárias, é fundamental para justificar investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no trecho.
A confirmação do estudo foi dada pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, durante audiência em Brasília com o secretário da Cultura de Caxias do Sul, Antônio Feldmann, e representantes de Farroupilha e Bento Gonçalves. Passos garantiu a inclusão do trecho entre Caxias do Sul e Bento Gonçalves no Programa de Resgate do Transporte Ferroviário de Passageiros, que prioriza 13 linhas no Brasil.
O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Luiz Fernando de Almeida, também confirmou à Feldmann o repasse dos prédios da gare central da estação férrea à prefeitura de Caxias. A cessão dos imóveis depende da aprovação da Medida Provisória 353, que tramita no Congresso. A MP determina que todas as estações férreas consideradas de valor cultural sejam repassadas aos municípios; as demais seriam vendidas.
O deputado federal Pepe Vargas encaminhou projeto de emenda à MP 353, propondo que Estados e municípios possam parcelar o pagamento dos imóveis da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que ainda não foram privatizados e que não têm valor cultural, obtendo o mesmo tratamento dado ao setor privado. Hoje, Caxias ocupa a gare central da estação férrea graças a um convênio com a RFFSA, dona do patrimônio.
Fenavindima premia expositores de uva
A história das festas e a colonização de Flores da Cunha estão sendo evidenciadas na Festa Nacional da Vindima (Fenavindima), que encerra no próximo dia 18. A culinária, a produção colonial, música e desfiles de carros alegóricos são as atrações nos pavilhões de exposições e no centro da cidade.
Estão confirmadas as apresentações artísticas do grupo Maskavo, dia 16, 21h; Tangos e Tragédias, dia 17, 21h; Orquestra de Sopros Florentina, dia 18, 18h, além de shows, com músicas de gêneros variados durante a festa. Os shows custam R$ 5,00, valor único do ingresso, com direito à degustação de sucos e vinhos. Já os últimos dois desfiles de carros alegóricos realizam-se no dia 16, 18h, e dia 18, às 14 horas.
Numa área coberta de 1.000 m², o visitante tem estacionamento gratuito. No local, são comercializados produtos coloniais, artesanato, malhas e móveis, além da gastronomia, com o tradicional Festival da Polenta, Formaio e Vin. Na pavilhão II, estão as vinícolas, com exposição de hortifrutigranjeiros e de equipamentos antigos, utilizados no processo de fabricação de vinho.
Viagem – Nesta quinta-feira 15, ocorre o jantar de premiação dos 20 expositores de uvas selecionados, que serão contemplados com uma viagem técnica ao Vale do Rio São Francisco, em Pernambuco. Na XI Fenavindima, participam da exposição, no Parque da Vindima Eloy Kunz, 360 viticultores com mais de 30 variedades de uvas. "A premiação é um incentivo à qualificação do setor", diz o presidente do STR, Olir Schiavenin.
Festa da Colheita destaca a natureza
A Primeira Caminhada na Montanha, prevista para 18 de março, das 8h às 16h, é a principal atração da 5ª Festa da Colheita, que ocorre em São Pedro da Terceira Légua, Caxias do Sul, dias 17 e 18. Evento é organizado pela Associação de Turismo Estrada do Imigrante. O tema deste ano é "Venha se divertir com a gente".
A caminhada da natureza terá um percurso de 12 km e envolve a visita a cantinas, degustação de uvas e vinhos e passagem pela gruta Nossa Senhora de Lourdes.
A festa começa no sábado, 8h, com o Torneio de Futebol da Integração, em Santo Anton; às 10h abre a exposição vitivinícola no salão de São Pedro e às 14h, corrida de gaiola. No domingo, 8h30, missa de louvor pela safra, na igreja São Pedro e São Paulo; às 10h, Olimpíada Colonial, com corridas de cariola e de saco; bater prego, pau de sebo, amassar uva, corrida de tronco, arremesso de queijo e ovos e serrar madeira; às 11h, Come se fá polenta, grepolle e taiadelle? (aula prática em dialeto vêneto) e almoço colonial.
Já às 16h realiza-se o desfile de carretões alegóricos, com o tema: "Nossa história e nossas belezas". "Pelo menos 10 carros participam do desfile", relata irmã Teresinha Sartori, da Casa Divina Pastora. O evento se encerra com premiação dos campeões do torneio e degustação dos doces derivados da uva e vinho.
Igreja do Brasil perde um de seus maiores homens
Dom Ivo Lorscheiter destacou-se por suas posições firmes e pelo zelo evangélico
A repercussão, no Brasil inteiro, e o interesse pela notícia da morte do bispo emérito de Santa Maria, dom José Ivo Lorscheiter, atestam a importância que essa figura imponente teve para a Igreja Católica e para o país. Dom Ivo faz parte da galeria de bispos brasileiros que lideraram com coragem e determinação o combate à ditadura militar, que conduziu os destinos do país de 1964 a 1985. Desse grupo de bispos fazem parte dom Hélder Câmara; dom Paulo Evaristo Arns; dom Aloísio Lorscheider, hoje arcebispo emérito de Aparecida e primo de dom Ivo; Dom Luciano Mendes de Almeida e dom Jayme Chemello.
Dom Ivo nasceu no dia 7 de dezembro de 1927, em São José do Hortêncio, na época 2º distrito de São Sebastião do Caí (RS), filho de Francisco e Maria Mohr Lorscheiter, modestos agricultores de origem alemã. Com 11 anos, ingressou no seminário de Gravataí. Cursou filosofia em São Leopoldo e teologia em Roma, onde também concluiu doutorado, que versava sobre "Tradição e Magistério".
Foi ordenado sacerdote em Roma, no dia 20 de dezembro de 1952. Voltando ao Brasil, foi trabalhar no seminário de Gravataí e mais tarde no de Viamão. Em 1965 foi nomeado bispo auxiliar de Porto Alegre, sendo ordenado no dia 6 de março de 1966. Escolheu como lema "Nova et Vetera" (Coisas novas e velhas), inspirado no Evangelho de Mateus (Mt 13,32), de acordo com os tempos de transformação que a Igreja estava vivendo, durante a realização do Concílio Vaticano II, do qual dom Ivo participou na fase final.
CNBB – Trabalhou durante oito anos em Porto Alegre e, em 1974, assumiu a diocese de Santa Maria, que governou durante 30 anos. De 1971 a 1979, durante dois mandatos consecutivos, foi secretário-geral da CNBB e, em seguida, de 1979 a 1986, também durante dois mandatos seguidos, foi presidente da mesma CNBB. Além disso, ocupou quase sempre algum cargo importante junto a esse organismo episcopal brasileiro, destacando-se, principalmente, na dimensão do diálogo ecumênico.
Falava corretamente português, alemão, italiano, espanhol e latim e entendia e lia francês e inglês. Em 24 de março de 2004, o Papa João Paulo II aceitou o pedido de renúncia de dom Ivo como bispo de Santa Maria.
Firmeza – Audacioso, dinâmico e de muita prudência, dom Ivo tomou muitas iniciativas, quer de cunho pastoral, quer no campo da promoção humana e social. Foi um homem profundamente preocupado com as causas sociais e respeitado pela firmeza com que defendia suas posições. As inúmeras obras por ele idealizadas e implementadas atestam sua visão ampla e sua capacidade empreendedora. E os longos anos dedicados à CNBB testemunham sua competência e sua liderança no cenário da Igreja do Brasil. Esteve à frente dessa entidade nos anos de chumbo da ditadura militar e ele foi um dos poucos que ousaram criticar publicamente o regime, condenando a prática da tortura e a restrição às liberdades civis.
Dom Ivo faleceu no dia 5 de março, de falência múltipla de órgãos, aos 79 anos. Foi sepultado numa cripta, nos fundos da basílica da Medianeira, em Santa Maria, no mesmo dia em que completaria 41 anos de ordenação episcopal.
"Que o bom Deus anime e abençoe os nossos
trabalhos, dando-nos fervor, saúde e fidelidade"
Dom José Ivo Loscheiter
Dom Ivo Lorscheiter contribuiu para redemocratização do país
A morte de dom Ivo Lorscheiter repercutiu em todo o país e suscitou manifestações de autoridades dos mais diferentes segmentos. Ao receber a notícia da morte do bispo gaúcho, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, salientou que ele acompanhou todo o processo de redemocratização do país, com o qual contribuiu de maneira decisiva. "Dom Ivo foi um ser humano maravilhoso, que deixa para todos nós um exemplo de vida e de dedicação às boas causas", afirmou Lula.
"Convivi com dom Ivo na CNBB desde 1978. Tenho grande admiração por ele. É com grande pesar que falo de seu falecimento", disse dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB. "Dom Ivo muito contribuiu para a defesa das liberdades democráticas nesse país, garantindo o exercício da cidadania pelos brasileiros", salientou César Britto, presidente nacional da OAB, ao manifestar solidariedade pelo falecimento do bispo.
"Foi um homem que viveu fielmente a sua vocação, sendo que os seus exemplos de promoção da paz, da dignidade humana e da unidade da Igreja serão sempre lembrados pelo povo brasileiro" afirmou o pastor Carlos Augusto Möller, presidente do Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), entidade da qual dom Ivo foi o primeiro presidente.
Referência – Para dom Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB, dom Ivo "teve uma liderança muito grande e soube conduzir a Igreja com muita sabedoria. É uma referência em liberdade". "Dom Ivo foi uma pessoa muito respeitada e querida no Brasil. Nos tempos difíceis, da ditadura, foi um baluarte, defendeu os mais necessitados para o reino de Deus", afirmou dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre.
A governadora gaúcha Yeda Crusius declarou luto oficial em todo o Estado durante três dias. "O país perde uma admirável personalidade e, a Igreja Católica, um de seus maiores e mais destacados líderes". Para o presidente da Conferência Nacional do Laicato do Brasil, Regional Sul 1, Antônio Geraldo de Aguiar, dom Ivo "contribuiu para o processo de consolidação do Vaticano II no país; apoiou, de maneira efetiva, a organização do laicato, e estimulou leigos e leigas a se comprometerem com a construção da sociedade justa e solidária. Viveu a radicalidade da sua fé".
Dom Hélio Rubert, bispo que sucedeu dom Ivo na direção da diocese de Santa Maria e que acompanhou os últimos instantes de sua vida, disse que ele foi um "pastor de coragem, força e mansidão; firmeza e misericórdia, equilíbrio e profecia a quem toda a Igreja e os movimentos eclesiais, sociais e ecumênicos lhe são particularmente reconhecidos".
Ditadura militar não cala a voz do bispo
Um fato ocorrido nos períodos mais duros da ditatura militar retrata o perfil firme e decidido de dom Ivo Lorscheiter. Convidado por dom Vicente Scherer, então cardeal de Porto Alegre, para fazer uma visita ao presidente Garrastazu Médici, também gaúcho, dom Ivo aceitou. Incomodado com as críticas públicas da CNBB, Médici disse a dom Ivo: "Vou pedir a vocês da CNBB que moderem as críticas ao governo. Porque se vocês não moderarem, nós vamos ter de mudar de posição. Eu, presidente, vou começar a dar catequese até que vocês mudem de posição e nos deixem fazer a nossa parte".
A resposta de dom Ivo não se fez esperar. "Senhor presidente, nós não vamos mudar nossa posição. Nós não criticamos o governo por aspectos técnicos, mas por aspectos éticos. Vocês fazem coisas moralmente injustas. Agora, se por isso o senhor começar a dar catequese, nós vamos ficar muito contentes, porque esse não é um trabalho só dos bispos, é dos leigos. O senhor tem uma família, tem netos, será uma coisa boa começar a dar catequese. Nós não vamos ficar brabos, vamos até aplaudir". Depois dessa resposta, o general ficou em silêncio.
Cidades jovens dobram participação no PIB
A maioria tem menos de 10 mil habitantes e integra as últimas emancipações do RS
Até o final de março, dezenas de municípios gaúchos, emancipados na década de 90, estarão em festa. São pequenas cidades – a maioria tem menos de 10 mil habitantes – que comemoram não somente a independência política, mas a autonomia econômica.
A maioria dos 107 municípios jovens mais que dobrou sua riqueza (PIB) de 1994 a 2004, de acordo com estudo elaborado pelo professor Luis Roque Klering, da Universidade Federal do RS. "Os municípios gaúchos emancipados desde 1981 tiveram desempenho econômico melhor do que nos anos em que eram distrito", afirma o vice-presidente da União Nacional dos Legislativos Estaduais (Unale), Alexandre Postal.
Diversificar a matriz econômica das novas áreas desmembradas é, segundo o professor Klering, o fermento da receita para crescer. "Uma gestão focada e empreendedora, a preocupação em capacitar a mão-de-obra e a definição de estratégias são outros ingredientes fundamentais", disse.
É o caso de Nova Pádua, emancipada de Flores da Cunha em 1992. Com cerca de 2.500 habitantes, é exemplo de educação infantil no Brasil. "Todas as crianças estão na escola. Além disso, amparamos, com subsídios e transporte gratuito até a porta de casa, todos os universitários", destaca o prefeito Ivo Sonda.
Quase 80% do desenvolvimento econômico de Nova Pádua vem da terra. Por isso, a Prefeitura oferece serviços gratuitos de terraplenagem e de máquinas (subsídios de 50%) para os moradores do interior. A idéia é desenvolver os novos empreendimentos.
A cultura mais representativa é a da uva. Porém, as propriedades são diversificadas com outras frutíferas, como pêssego e maçã, alho e criação de aves, suínos e bovinos de leite. "Temos várias frutas e outras culturas que recebem 100% de subsídio para expandir a produção", reforça o prefeito.
União da Serra, Picada Café, São Pedro da Serra e Porto Mauá, entre outros, seguem o mesmo caminho de Nova Pádua. O prefeito de São Pedro da Serra (emancipado de Salvador do Sul), Leonardo Luiz Muller, é otimista quando fala do futuro de seu município. "Com os investimentos, até 2010, o setor agropecuário vai responder por 60% da economia. Os 40% restantes serão da indústria e do comércio", enfatiza ao CR.
Satisfeito com os resultados também na infra-estrutura urbana, saúde e educação, o prefeito de São Pedro se mostra favorável à emancipação. "Todos os novos municípios de nossa região cresceram depois do desmembramento de suas cidades-mães", conclui Muller.
Rio Grande do Sul foi o que mais fragmentou território
Entre todos os Estados brasileiros, o Rio Grande do Sul foi aquele que mais intensamente fragmentou seu território. Quase 20% dos novos municípios brasileiros gerados após 1988 encontram-se nessa unidade da federação. Isto é, para cada cinco emancipações, uma ocorreu em terras gaúchas.
Em termos absolutos não há qualquer ocorrência semelhante entre os outros Estados do país. Minas Gerais e Tocantins, os outros Estados com maior número de casos de emancipação municipal, geraram aproximadamente a metade dos municípios criados pelo Rio Grande do Sul (ver tabela acima).
De 1988 a 1996, o país gerou 1.438 novos municípios, 25% de todos os existentes atualmente no Brasil. No mesmo período, foram criadas 253 novas cidades no RS. Mais da metade dos 496 municípios gaúchos originou-se em um período inferior a dez anos e simplesmente não existia antes das transformações institucionais decorrentes da redemocratização brasileira. A retomada emancipacionista ocorreu durante a redemocratização, tomando impulso após a promulgação da Constituição de 1988.
Em todo o século XX, somente na década de 1970 não houve a produção de leis de criação de municípios no RS. Mais precisamente, de 1964 a 1982 nenhum novo município foi criado e sete foram extintos. Nesse período, os Estados perderam a competência de regulamentar a criação de municípios – situação somente repetida, em toda história republicana, pela Emenda Constitucional nº 15/1996.
A população do RS é de 10.749.595 habitantes (estimativa IBGE 2005). A densidade demográfica é de 36,14 habitantes por km². A área é de 281.734 km², representando 48,88% da região Sul e 3,30% de todo o território brasileiro.
40 distritos gaúchos buscam emancipação
O Senado está agilizando a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 13/03) que devolve aos Estados brasileiros a competência para legislar sobre os processos de emancipação e de incorporação de áreas territoriais. Atualmente, o poder normativo sobre o tema é da União. A PEC deverá ainda ser aprovada pelo plenário do Senado em dois turnos e em outros dois pela Câmara dos Deputados.
De acordo com o vice-presidente da União Nacional dos Legislativos Estaduais (Unale), o deputado Alexandre Postal (PMDB/RS) a PEC 13, de autoria do senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), altera o artigo 18 da Constituição Federal. "Ela estabelece que a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios sejam feitos por lei estadual", explica Postal ao CR.
Pelo substitutivo, o novo município deverá ter, no mínimo, 100 km2 de extensão territorial e elaborar estudos de viabilidade. A aprovação por consulta prévia será feita somente à população da área emancipanda. Além disso, o texto aprovado prevê que a área que desejar se emancipar deverá ter população estimada superior a 3.000 habitantes (regiões Norte e Centro-Oeste) e 4.000 habitantes para as demais regiões.
A Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa do RS registra 40 distritos gaúchos interessados em sua emancipação política.
Taxa favorece a produção de leite
Antidumping beneficia 1,4 milhão de pequenas propriedades no país
A renovação da medida antidumping do Brasil em relação às importações de leite da União Européia e da Nova Zelândia, pelos próximos cinco anos, beneficia 1,4 milhão de estabelecimentos familiares diretamente ligados à produção de leite no Brasil. Eles representam 82% dos empreendimentos leiteiros do país.
A resolução estabelece que, além da alíquota normal de importação de 27% aplicada aos demais países – com exceção dos parceiros do Mercosul -, o leite oriundo da União Européia pagará alíquota adicional de 14,8%. Já o da Nova Zelândia ingressará no Brasil com alíquota adicional de 3,9%. "Só em nosso Estado, a medida beneficia 85% das 60 mil propriedades leiteiras", afirma Amauri Miotto, tesoureiro-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag).
O governo também adota mecanismos de proteção da produção local em relação ao Uruguai e à Argentina. Nesses dois casos, houve negociação e um acordo para que não ingresse leite em território brasileiro a preços abaixo dos negociados. O preço de referência da tonelada de leite em pó nesse acordo está fixado em US$ 1,8 mil.
Auto-suficiência – Em 2006, o setor do leite atingiu a auto-suficiência no país. O volume produzido chegou a 24 bilhões de litros, o mesmo consumido anualmente, em média, pela população brasileira. O aumento da produção nos últimos anos é uma das conseqüências dos investimentos do Pronaf no setor, que superam R$ 1 bilhão anualmente.
Na década de 90, o Brasil chegou a ter um déficit anual de US$ 500 milhões na balança comercial de lácteos. "Isto pode dar uma idéia da importância dessa política antidumping", afirma o chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Laudemir Müller. "No Rio Grande do Sul, por causa dos altos subsídios, o produto europeu e da Nova Zelândia entrava com preço abaixo de nosso custo de produção – hoje calculado em R$ 0,49/litro de leite, com preço de referência de R$ 0,43/l", revela Miotto ao CR.
Comércio considera a prática desleal
O dumping é a prática de preços de exportação em outros mercados inferiores aos preços praticados no próprio país de origem do produto. É, inclusive, considerada pela Organização Mundial de Comércio (OMC) uma prática desleal, já que muitas vezes o valor de venda ao país de destino é inferior até aos próprios custos de produção.
Em relação ao leite, essa prática afeta justamente uma das poucas atividades do meio rural não-atreladas à safra. Diferentemente dos outros produtos, o leite é garantia de renda diária nos estabelecimentos familiares. "Qualquer redução brusca de preço no mercado ou importação volumosa afeta centenas de milhares de famílias brasileiras que dependem do leite para o seu sustento", diz Laudemir Müller, do MDA.
Hortishow exibe avanços na olericultura
De 22 a 24 de março, Santa Rosa realiza 5° Hortishow, evento voltado à olericultura. Quinze empresas irão apresentar, em 14 parcelas demonstrativas, tecnologias voltadas ao setor de hortigranjeiros. O Hortishow busca a difusão das tecnologias e serve de campo de testes para sementes, insumos e equipamentos da área.
A novidade apresentada pela Emater será a parcela demonstrativa de produção orgânica. "Será mostrada a possibilidade de produção, de forma orgânica, em pleno verão, a campo, e sem o cultivo protegido, com uso de adubação orgânica e controle de pragas e doenças, com produtos de origem ecológica", revela o técnico agrícola Fábio Scalco (Ler pág. central).
No final do evento ocorre a feira Colha e Pague, momento em que os produtos hortigranjeiros, apresentados durante o evento, são comercializados. Na feira, o participante colhe o que irá levar. O Hortishow é uma das atividades do Encontro Estadual do Hortigranjeiros, que ocorre anualmente no município de Santa Rosa.
Mercado destaca a produção integrada
A maçã, produzida de forma integrada, ganha espaço diferenciado em supermercados. Projeto-piloto, lançado nesta quarta 14, pela Embrapa Uva e Vinho, inicia em 16 lojas dos municípios de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Farroupilha. As frutas serão vendidas em embalagens (bandejas) com o selo de identificação do sistema PIN (produção integrada).
As maçãs comercializadas pela rede de supermercados Apolo/Cesa serão fornecidas pela Rasip Agro Pastoril, de Vacaria, uma das empresas que utiliza o PIN, sendo certificada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).
No projeto-piloto, a comercialização diferenciada de produtos com o selo PIN será ampliada, em uma fase posterior, com outros produtos agropecuários que estão adotando o sistema e também com a participação de outras redes supermercadistas e fornecedores. A meta da Embrapa é de que isto seja feito neste primeiro semestre. O sistema de produção integrada consome menos agroquímicos no processo de cultivo.
Engº. Agrº. José Zugno
Parasitismo do chupim
Gostaria de saber a respeito de um fato curioso que verificamos frequentemente: um tico-tico pequeno alimentando um chupim, um pássaro maior e bem diferente do tico-tico.
Ângelo Maschanero
Caxias do Sul – RS
Segundo o professor Rodolpho Von Ihering, em seu livro "Dicionário dos Animais do Brasil", existe o nome "chupim", em Portugal, utilizado para designar um pássaro de pequeno porte da família do pardal. Mas a origem da palavra chopim ou chupim, no Brasil, deriva da denominação primitiva "japu", e de suas alterações como japuí, jupuíra, japim, de onde surgiu o nome jopim, e daí "chopim".
Esta denominação aplica-se a vários pássaros pretos de diversas espécies da família Icterídeos. Conforme a região do Brasil, estes recebem diferentes nomes populares como "chopi", "vira", "melro", "graúna", "pássaro preto", "anum", "garibaldi", "papa arroz" e outros.
Em São Paulo, e particularmente no Rio Grande do Sul, o chupim é mais conhecido como "vira-bosta". Da espécie Molothrus bonariensis, "este pássaro, totalmente preto com reflexos brilhantes, tem duas peculiaridades: sua associação com o gado comendo no chão, perto dele, e de cujo hábito adquiriu o nome deselegante; e o seu parasitismo notório nos ninhos de outros pássaros, pois nunca constroi ninhos próprios. Ao invés, as fêmeas, que são menores do que os machos e têm plumagem cinzenta opaca, depositam indiscriminadamente os seus ovos nos ninhos de outras espécies, dependendo assim dos pais adotivos para chocá-los e criar os filhotes. Isto explica um caso comum no verão: um pequeno pássaro, muitas vezes um tico-tico, é visto com um filhotão muito maior e inteiramente diferente, correndo atrás dele e pedindo comida. O vira-bosta é um residente permanente que pode ser encontrado em qualquer parte do Estado" (do livro Aves Silvestres do Rio Grande do Sul, de William Belton e fotos de John Dunning. Editado pela Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul).
O chupim deposita os ovos não apenas nos ninhos do tico-tico, mas também nos de outros pássaros como os da pombinha-das-almas, dos sanhaços, dos papa-cupins e dos canários-da-terra. O pesquisador Alexander Wetmore encontrou num ninho de sabiá laranjeira três ovos de Molothrus bonariensis, o que comprova o tipo de parasitismo do chupim.
Segundo a enciclopédia Universo (Editora Delta – Editora Três), parasito é "termo pelo qual se designa todo ser vivo que, de maneira permanente ou temporária, deve obrigatoriamente alimentar-se a expensas de outro organismo". No caso do chupim, não ocorre exatamente assim, mas pode-se dizer que o seu parasitismo é patronal ou familiar, na medida que os seus filhotes dependem dos cuidados e alimentação de pássaros de outras espécies.
Mitos e verdades sobre o rejuvenescimento
Ciência explica o que funciona contra os sinais do tempo
A aproximação da velhice costuma despertar no ser humano uma gama variada de sentimentos. Alguns encaram esta nova fase da vida com naturalidade; outros demonstram insegurança; e há ainda os que tentam evitar o envelhecimento a qualquer custo. De um lado, inovações médicas e tecnológicas anunciam milhares de recursos para driblar os sinais do tempo. De outro, especialistas destacam que, melhor do que evitar o envelhecimento é preocupar-se em envelhecer bem.
Em época de prateleiras cheias de cosméticos que prometem o fim das rugas, pílulas que oferecem o vigor da juventude e cirurgias que esculpem corpos, homens e mulheres com expectativa de vida cada vez maior correm alto risco de se deparar com promessas infundadas.
Afinal, o que funciona na corrida pelo rejuvenescimento? A seguir, algumas respostas dadas pela ciência.
TOMATE: não funciona.
O tomate contém licopeno, uma substância antioxidante que, quando consumida regularmente, de fato contribui para a prevenção dos processos degenerativos que caracterizam o envelhecimento. Porém, seria preciso comer tomate todo dia e por muitos anos para que isso fizesse alguma diferença. Além disso, a eficiência do tomate para esse fim ainda não foi medida por estudos científicos. Manter uma dieta balanceada é uma atitude mais adequada à prevenção do envelhecimento.
VITAMINA C: depende.
Assim como outras vitaminas, a C também é antioxidante. Tomar suplemento vitamínico é indicado para alguns distúrbios, mas a ingestão isolada ou exagerada de uma única vitamina pode prejudicar o organismo. No caso da vitamina C, o excesso favorece o surgimento de cálculos renais, entre outros problemas. Já o uso tópico de vitamina C, ou seja, quando ela é aplicada diretamente sobre a pele, em forma de cosmético, de fato combate o envelhecimento cutâneo. Essa explicação vale também para as chamadas "cápsulas rejuvenescedoras". Estudos apontam que, para combater o envelhecimento da pele, a aplicação tópica de substâncias, como ácido retinóico e vitamina C, tem efeito superior ao da ingestão de remédios.
SOJA: depende.
Substâncias contidas na soja, chamadas de fito-hormônios e usadas em tratamentos dos sintomas da menopausa, têm, em geral, ação preventiva ao envelhecimento. Porém, a eficiência do consumo de soja depende da forma como o alimento faz parte da dieta. Quem come soja desde a infância, de fato se beneficia de suas propriedades, já quem decide tomar um copo diário de leite de soja a partir dos 40 anos, não verá nenhum efeito.
DORMIR BASTANTE: não funciona.
Contrariando o que muitos pensam, quem dorme muitas horas por noite não mantém a aparência mais jovem por isso. Segundo os especialistas, mais importante do que dormir bastante é dormir bem. Quem acorda várias vezes durante a noite, tem apnéia, pesadelos e costuma levantar cansado, não está dormindo bem. Assim, não adianta dormir 12 horas.
Cabelo branco não é sinal de preocupação
O ditado popular de que preocupação dá rugas e cabelos brancos não tem fundamento científico. Segundo os especialistas, não há relação direta entre o excesso de preocupação e o aparecimento precoce desses sinais. Cabelos brancos estão mais ligados à predisposição genética, e as rugas têm relação com a exposição solar e com as expressões faciais.
Por outro lado, sabe-se que o estresse leva ao envelhecimento indireto. Por isso, quem evita trabalhar de segunda a segunda protege-se do envelhecimento. O motivo é simples: essas pessoas também costumam assumir atitudes preventivas de saúde. Reservam tempo para a prática de atividade física, para o lazer, alimentam-se melhor, não se privam do sono; enfim, têm melhor qualidade de vida.
Praticar yoga melhora a mobilidade do corpo
A prática de yoga, que conquista cada vez mais adeptos, realmente traz resultados contra o envelhecimento, afirmam os especialistas. Ela aumenta a flexibilidade da coluna, que tende a ficar mais rígida com o passar do anos. O aspecto de juventude está muito ligado à mobilidade, assim, quem tem a coluna mais flexível pode continuar usando o corpo como deseja, seja para caminhar, dirigir ou vestir a própria roupa sozinho, por exemplo. As chamadas posturas inversas da yoga, feitas com a cabeça abaixo do coração, beneficiam a pele e os exercícios de respiração melhoram o humor.
Fatores ambientais aceleram o envelhecimento
A genética é um componente determinante na manifestação dos sinais do tempo, mas não é o único. Fatores ambientais contribuem com o envelhecimento do organismo.
Sol: o efeito envelhecedor da exposição excessiva à radiação solar é comprovado. Os raios solares causam alterações tão severas nas células da pele que, quando elas são examinadas no microscópio, chegam a apresentar aparência de 15 anos a mais que a idade verdadeira. Além disso, podem causar câncer de pele. Tomar sol é importante para a prevenção da osteoporose, mas para isso não é necessário expor-se por horas e sem proteção.
Cigarro: além de ser reconhecidamente cancerígeno, as inúmeras substâncias tóxicas presentes no cigarro têm elevado efeito oxidante e aceleram o envelhecimento do corpo, degradando as células e dificultando várias reações naturais do organismo. Embora fale-se muito do aspecto envelhecido da pele dos fumantes, o que é verdadeiro, os especialistas também alertam para o envelhecimento orgânico, ou seja, do interior do corpo, que é ainda mais perigoso.
Dietas calóricas: até agora, essa é uma das informações mais bem esclarecidas pela ciência em relação ao envelhecimento. Dietas pouco calóricas de fato fazem o processo de envelhecimento andar mais devagar. Descobertas recentes comprovam que o envelhecimento é um processo inflamatório microscópico das células e que o consumo elevado e contínuo de calorias leva o organismo a produzir mais substâncias inflamatórias naturais.
Sedentarismo: a partir dos 40 anos de idade, quem não pratica nenhuma atividade física começa a perder gradativamente a força muscular e a flexibilidade. Conseqüentemente, corre mais risco de desenvolver doenças como osteoporose e artrose. Mesmo para quem foi sedentário durante toda a vida, os benefícios dos exercícios são perceptíveis poucos meses após iniciados. Entre as vantagens, as articulações tornam-se mais lubrificadas e ganha-se mais mobilidade para a execução das tarefas diárias. Portanto, nunca é tarde para começar a se mexer.
Leonardo Boff
O Ibama reconhece que 70% das águas seriam para irrigação e 26% para abastecer cidades; que 75% das águas transpostas para açudes se perderiam por evaporação, que 20% dos solos que se pretendia irrigar têm limitações para uso agrícola
O governo federal, através do Ministério da Integração Nacional, declarou que "vai sair do campo da retórica" e já vai proceder a licitação das obras, orçadas nesta etapa em R$ 100 milhões, em vista da transposição do rio São Francisco. Derrubadas as liminares na Justiça, dissuadido o bispo que fez greve de fome, dom Luiz Flávio Cappio, e com o discutível aval do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. (Ibama), pretende o governo realizar agora a transposição. O argumento de base é emocional: "Não se pode negar uma caneca de água a 12 milhões de vítimas da seca".
É exatamente no afã de dar água ao triplo de vítimas da seca que se deve questionar o projeto. Baseio meus dados num artigo publicado no dia 23 de fevereiro no jornal O Estado de São Paulo do respeitável jornalista Was-hington Novaes "Um novo desfile e a mesma fantasia" e em outras fontes.
O apoio principal do projeto foi dado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, onde o governo federal, sozinho, tem a maioria dos votos. Ao contrário, grandes especialistas na área como os professores Aziz Ab’Saber e Aldo Rebouças, da Universidade de São Paulo, Abner Curado, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, mostraram que o problema no Semi-Árido é mais de gestão do que de escassez.
A Agência Nacional de Águas (ANA) mostrou que é possível abastecer os municípios sem precisar da transposição do rio. O Ibama, que deu o aval, forneceu, sem querer, argumentos contra o projeto. Reconhece que 70% da água seriam para irrigação e 26% para o abastecimento de cidades; que a maior parte da água transposta iria para açudes onde se perde até 75% por evaporação; que 20% dos solos que se pretendia irrigar "têm limitações para uso agrícola" e que "62% dos solos precisam de controle, por causa da forte tendência à erosão".
O Tribunal de Contas da União diz que o projeto não beneficiará o número de pessoas pretendido. Efetivamente, as comparações entre os projetos do governo e da ANA, feitas por Roberto Malvezzi, bom conhecedor da bacia do São Franscisco, mostraram que o do governo custaria R$ 6,6 bilhões, atenderia apenas a quatro Estados (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará), beneficiando 12 milhões de pessoas de 391 municípios, enquanto o projeto da ANA custaria 3,3 bilhões, atingindo nove Estados (Bahia, Sergipe, Piauí, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Norte de Minas), beneficiando 34 milhões de pessoas de 1.356 municípios.
O próprio Comitê de Gestão da Bacia, que conhece bem as questões do rio, foi por 44 votos a 2 contra a transposição; diz ainda que esta atende a menos de 20% do Semi-Árido e que 44% da população do meio rural continuaria sem água. São razões de grande peso.
Se o governo quiser efetivamente levar água aos sedentos do Nordeste deve reabrir a discussão pública ou então encampar o projeto da ANA. Caso não ocorrer, podemos contar com nova greve de fome do bispo. Entre o povo que não quer a transposição e as pressões de autoridades civis e eclesiásticas, ele ficará do lado do povo. E irá até o fim. Então a transposição será aquela da maldição, feita à custa da vida de um bispo santo e evangélico. Estará o governo disposto a carregar esta pecha pelo futuro afora?
O BRASIL PRECISA DESCOBRIR A AMAZÔNIA
Frei Betto
A Amazônia será um futuro Saara se, desde agora, não se evitar o crescente desmatamento, o uso de agrotóxicos e o plantio de transgênicos. Para defendê-la é preciso conhecer e debater a realidade da região e pressionar os políticos a rever concessões de terras públicas
Em fevereiro, no almoço com o presidente Correa, do Equador, no Rio, um importante empresário brasileiro, que investe na Amazônia, me disse ter visto, mais de uma vez, dois iates de Bill Gates, dotados de plataforma de pouso de helicópteros, navegando pelo rio Amazonas. O fundador da Microsoft não dá ponto sem nó. A Amazônia, que ocupa 59% do território brasileiro, é alvo de cobiça estrangeira. Quando será alvo do empenho do governo brasileiro?
Neste ano, o tema da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica é a Amazônia. Com razão alertam os bispos que "existe, ainda, muita desinformação e preconceito em relação aos povos e ao mundo da Amazônia. É preciso superar o preconceito dominante de que só é civilizado quem vive no e do mercado e quem pensa como querem os mais fortes e os mais ricos, donos inescrupulosos também dos meios de comunicação. Os povos da Amazônia não são selvagens que vivem no atraso e na ignorância. A percepção do significado histórico e simbólico da Amazônia pode levar-nos a descobrir, junto com seus povos, uma visão mais humana e generosa da vida" (pág. 12 do documento da Campanha da Fraternidade).
A Amazônia é também peruana, colombiana e equatoriana. Numa área de 7,01 milhões de km² (o Brasil todo tem 8,5 milhões de km²), corresponde a 5% da superfície da Terra e abriga 20% da água doce do mundo e 80% da disponível no Brasil. Contém 34% das reservas mundiais de florestas e uma incalculável reserva de minérios (ouro, cassiterita, tantalita etc.). Cerca de 30% de todas as espécies de fauna e flora do planeta encontram-se ali. A Amazônia brasileira possui 22 mil km de rios navegáveis e conta com 23 milhões de habitantes, dentre os quais 163 povos indígenas.
Dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) indicam que, em 2005, foram assassinados na região 43 índios; 33 sofreram tentativa de homicídio; 34, ameaças de morte; 53 sofreram lesões corporais; 18, discriminação racial; 13, violências sexuais; foram registrados 31 suicídios; 32 conflitos por terra; e 17 invasões e depredações.
Há quem considere que os povos indígenas ocupam reservas com demasiada extensão de terras. Esta é uma das tantas mentiras a respeito dos povos amazônicos. A verdade é que pouco mais de 25 mil latifundiários dominam um território equivalente ao que é ocupado pelas populações indígenas, negras e cabocla, que somam 2 milhões de pessoas!
O que fazer em defesa da Amazônia? Escolas, associações, sindicatos, ONGs e movimentos sociais devem promover debates sobre a região, para aprofundar o conhecimento de sua história, cultura, culinária, plantas medicinais etc. Há que pressionar deputados federais e senadores para que cumpram o disposto no art. 51 das disposições transitórias da Constituição – há quase 20 anos engavetado – que obriga o Congresso a rever todas as concessões de terras públicas com área superior a 3 mil hectares.
A Amazônia será um futuro Saara se, desde agora, não se evitar o crescente desmatamento, o uso de agrotóxicos e o plantio de transgênicos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a ação predatória de madeireiras, mineradoras e latifúndios do agronegócio já provocou o devastação de 70 milhões de hectares da floresta; mais de 22 milhões só nos últimos 10 anos.
A biopirataria campeia solta na Amazônia. Sua sociobiodiversidade vem sendo adulterada por cerca de 1.300 empresas de biotecnologias, a maioria com sede nos EUA. A quantidade de material genético roubado nos últimos anos chega a 20 mil exemplares/ano de diversas espécies.
Segundo os bispos, "o mesmo governo que elabora o Plano Amazônia Sustentável financia e apóia as monoculturas intensivas e extensivas de grãos, de cana-de-açúcar e de eucalipto, incentiva mineradoras e siderúrgicas, e pouco ou nada faz para combater a grilagem, adequar e atualizar os índices de produtividade dos imóveis rurais e regularizar a posse da terra das populações tradicionais da Amazônia." (p. 140 id.).
Entre europeus e estadunidenses consumidores de mercadorias brasileiras cresce o cuidado de verificar a procedência dos produtos, se a madeira foi extraída da Amazônia ou se a carne vem de pasto aberto graças ao desmatamento. O comércio justo e o consumo responsável podem reforçar a rede mundial de solidariedade em defesa da Amazônia. Isso significa defender a Terra, esse organismo vivo que os gregos chamavam de Gaia e do qual somos a expressão mais consciente e nem sempre inteligente.
Parceria sem abrir mão de interesses norte-americanos
Bush quer mais etanol, mas mantém tarifas às exportações brasileiras
O presidente norte-americano George W. Bush iniciou pelo Brasil, na quinta 9, uma visita a cinco países latino-americanos (mais Uruguai, Colômbia, Guatemala e México). Foi recebido nos quatro primeiros com protestos. Em São Paulo, única parada no país, houve até pancadaria.
A viagem de Bush tem pelo menos dois fortes motivos: um deles é político, identificado com a tentativa de reduzir a influência do venezuelano Hugo Chavez no continente; outro é econômico, que levou à assinatura de vários acordos. Esse segundo item foi a pauta mais importante no Brasil.
Os Estados Unidos querem reduzir a dependência do petróleo e vêem no etanol (álcool combustível) a opção mais conveniente – sob o ponto de vista econômico e ambiental (é bom lembrar que o país não assinou o Protocolo de Quito, que reduz a emissão de gases poluentes). Maior produtor mundial desse combustível, os EUA têm o milho como fonte principal, o que torna o produto mais caro e mais poluente que o etanol extraído da cana. Para cumprir a meta de cortar 20% do consumo de gasolina em uma década e substituir esse percentual por etanol e outros biocombustíveis, precisará importar. Hoje os EUA consomem 20 bilhões de litros de etanol por ano. Até 2017 querem consumir 132 bilhões de litros. E o Brasil é o segundo produtor do planeta, com tecnologia avançada e um programa consistente.
A questão é que no Brasil não há excedente. E mesmo que venha a ter, pelo menos até 2009 o mercado americano de etanol manterá barreiras às exportações brasileiras. Bush deixou clara essa posição diante do presidente Lula, durante visita à Transpetro, em Guarulhos (SP), e antes de assinar acordo de cooperação sobre biocombustíveis entre os dois países. O Brasil tinha como principal reivindicação a retirada de tarifas. "Isso não vai acontecer até 2009", frisou Bush.
ORGÂNICOS UMA "FILOSOFIA DE VIDA" COM MERCADO EM EXPANSÃO
Agricultura orgânica, conceito que valoriza a terra e a saúde humana, está na base de um segmento de mercado que gira US$ 40 bilhões por ano
Preservar a terra, a saúde humana e a do meio ambiente e ainda obter um rendimento que possibilite um bom nível de vida. Essa perspectiva tem levado cada vez mais produtores rurais à agricultura orgânica. A adesão se dá pela conscientização, pela oportunidade de negócios e pela alternativa à exclusão gerada pela tecnificação (precisa produzir muito para ganhar pouco) ou necessidade de produtores rurais que adquiriram doenças ao se expor a agrotóxicos usadas na agricultura convencional e querem seguir na atividade.
Esse aumento está diretamente ligado à ampliação de consumidores – obviedade imposta pela economia de mercado, onde a ausência de procura sepulta a oferta -, movidos pela compreensão de que alimento sem substâncias químicas é mais saudável. Na origem está ainda o que o enólogo Leandro Venturin, técnico do Centro Ecológico de Ipê, classifica de "filosofia de vida", principalmente quando se refere à agroecologia. Esse termo, juridicamente, é sinônimo de agricultura orgânica, mas ele envolve, além do ambiental, o social. "Quem freqüenta uma feira como a ecológica de Caxias (do Sul) não compra apenas o produto, compra uma proposta, uma filosofia. Aqui a gente se vê cara a cara, o consumidor se envolve...", explica.
Mercado – Dessa relação emergiu uma cadeia, hoje integrada também por fornecedores de insumos, técnicos e lojistas. Mais do que isso, um negócio que cresce, no Brasil e no mundo, 20% a 30% por ano.
O conceito de agricultura orgânica surgiu por volta de 1925. Chegou ao Brasil há quase três décadas. "No final dos anos 1990, havia menos de 40 famílias produzindo. Hoje são 324 (248 integradas à ONG Ecovida), temos 21 associações e três cooperativas de produtores", informa Venturin, referindo-se à área de atuação do Centro Ecológico de Ipê, pioneiro na agricultura orgânica no país – sete municípios na Serra gaúcha, cinco no Litoral Norte e dois no sul de Santa Catarina. E a tendência é de aumentar, porque a produção é insuficiente para atender a demanda. "Todos os hortigranjeiros produzidos são vendidos na região e em Porto Alegre. Se houvesse divulgação, faltaria produto", avalia o técnico.
Não há estatísticas sobre a produção geral, mas um segmento que Venturin acompanha dá a dimensão do crescimento. Em 1999, a Serra produzia 250 mil quilos de uva orgânica; atualmente colhe 2 milhões de quilos – 1,2 milhão só em Garibaldi.
No Brasil os dados seguem caminho semelhante. Levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), feito junto às empresas certificadoras, apurou que existiam no ano passado 31 mil agricultores cultivando sem agrotóxicos no país – 90% deles pequenos. A área, só com hortifrutigranjeiros, era de cerca de 800 mil hectares – três vezes mais do que dois anos antes. Considerando cana-de-açúcar, grãos e culturas extrativistas, chega a 2,2 milhões de hectares.
Pela primeira vez o Brasil calculou o valor das exportações de orgânicos: de agosto de 2006 a janeiro de 2007 foram US$ 5,56 milhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Mas pode chegar a US$ 10 milhões, "quem sabe US$ 12 milhões", conforme o secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, Mário Mugnaini.
Esse desempenho nada tem a ver com o Sul. 67,5% (US$ 3,75 milhões) do total referem-se a exportações de açúcar. A manteiga vem em segundo lugar, com 7,9%. Seguem-se café não torrado (6,8%), cacau em pó (3,4%) e mangas (3,3%). Com a recente designação de áreas de extrativismo como orgânica, provavelmente esse volume aumentará bastante. A mudança inclui, por exemplo, frutas da Amazônia e do Cerrado, como castanha, jaca, graviola e açaí.
Embora alentadoras, as exportações brasileiras são insignificantes no balcão mundial de orgânicos. Esse mercado movimenta US$ 40 bilhões por ano. Também em fase de expansão, pode ser uma boa opção para os brasileiros – desde que haja mais produção. Austrália, Itália, EUA, Argentina, Japão, Alemanha e outras nações já investem pensando em abocanhar fatias desse rico e promissor mercado.
TALENTO PARA CONSTRUIR RELAÇÕES
O ator Marcos Palmeira estranhou que trabalhadores humildes da fazenda que recém havia comprado, em Teresópolis (RJ), não tocavam nos hortigranjeiros que sobravam da colheita diária. Na segunda semana reuniu todos e informou que eles podiam levar os produtos sem nenhum ônus. A resposta: "Para casa, não senhor. Nós não vamos comer isso. Com todo veneno que colocamos...". "Foi aí que caiu a ficha", diz Palmeira, descrevendo o seu ingresso no mundo da agricultura orgânica.
O episódio fez Palmeira buscar conhecimento sobre sistemas de produção, contratar técnicos e promover uma revolução nas relações com a terra e com os empregados. A nova forma de cultivo elimina qualquer substância química e reaproveita o máximo de dentro, com reciclagem, e depende do mínimo de fora. Seus empregados ganharam casa, carteira assinada, tratamento dentário e escola para os filhos.
Dos 400 hectares da fazenda, hoje conhecida em todo o país como Vale das Palmeiras, cerca de 30 são ocupados por lavouras e criação de animais. Em sua propriedade, Palmeira implantou um sistema que produz semente orgânica, insumo e muda. Para tocar esse empreendimento, conta com o agrônomo senegalês Aly Ndyae, há 13 anos no Brasil.
A Vale das Palmeiras vende tudo o que produz no Rio de Janeiro. Para isso ajuda, também, o rosto conhecido dos telespectadores de telenovelas da Rede Globo estampado em cada embalagem. É esta fama que Marcos Palmeira também usa para disseminar a idéia de que produzir e consumir orgânicos faz bem a todos.
Palmeira e Aly estiveram em Caxias do Sul no final de fevereiro para palestras. Para cerca de 200 pessoas, disse que mais do que certificar produtos é preciso "certificar a cabeça das pessoas"; que na agricultura não há praga, e sim desequilíbrio; e que seu empenho maior é "construir relações", enaltecendo que a agricultura orgânica é muito mais do que apenas um negócio – envolve pessoas e um conceito de vida. "Esquecemos as relações e priorizamos o dinheiro. Por isso vivemos na atual situação de violência", opinou.
Palmeira conheceu um parreiral na Linha 60, interior de Flores da Cunha. Antes, concedeu a seguinte entrevista ao CR.
Correio Riograndense – O que dizer ao produtor rural que se sente inseguro para aderir à agricultura orgânica?
Marcos Palmeira – Vá em frente. Se ele está no mercado, que mantenha esse mercado no período de transição e, paralelo a isso, vá buscando outro. O universo orgânico é uma viagem sem volta, porque ele te dá uma amplitude, uma força pessoal de trabalho ligada a dignidade que é irreversível.
CR – Economicamente é viável?
Palmeira – No final das contas é.
CR – E quem não tem recursos para investir?
Palmeira – Existem financiamentos do Banco do Brasil bem compatíveis com a possibilidade do pequeno produtor, com 2% de juros ao ano.
CR – Dois por cento? É menos que o Pronaf.
Palmeira – Sim. Essa opção é pouco difundida, mas existe. O difícil é a virada, onde o cara fica inseguro de largar uma coisa com a qual está viciado e enxergar longe. Com certeza lá na frente ele terá bons frutos.
CR – Como foi a conversão na Vale das Palmeiras?
Palmeira – Eu tive mais dificuldades porque quis acelerar muito o processo. O pequeno agricultor tem uma vantagem, porque já vive o exercício da profissão e sabe que a transição tem de ser devagar.
CR – Qual foi o investimento até agora?
Palmeira – É difícil avaliar. Durante um tempo eu apliquei na fazenda tudo que ganhava. Acho que eu poderia estar hoje no mesmo lugar com menos da metade do que eu investi.
CR – Entrar nesse tipo de empreendimento sem conhecimento técnico ou orientação oferece muitos riscos?
Palmeira – Você tem de ter um contato com técnico, que vai te dar o caminho das pedras. Senão, vai ficar sempre com aquele visão ‘tô com praga’, ‘tô com praga"... e não observa que a ‘praga’ está querendo dizer é que há desequilíbrio. Aqui em Caxias do Sul há técnicos. O pessoal de Ipê está preparado.
CR – Qual a despesa e o faturamento da tua fazenda?
Palmeira – Tem um custo mensal médio de R$ 30 mil e fatura cerca de R$ 45 mil. O lucro é todo investido na fazenda.
CR – O ingresso na agricultura não prejudicou contrato de publicidade?
Palmeira. Ah! Com certeza. Já abri mão de comerciais em que eu seria obrigado a vender uma coisa na qual não acredito. Mas faço pouca publicidade, até em função de que sou rigoroso. As grandes corporações até podem tentar me contratar, mas terão de pagar muito mais caro.
CR – Até que ponto é difícil construir relações entre produtores e consumidores de orgânicos?
Palmeira – Falta publicidade, divulgação, marketing. A gente não tem marketing. Por que a gente acredita que o capitalismo deu certo, mesmo sabendo que não deu? Porque tem um mar-keting muito grande em volta. Aqui não tem nenhuma empresa por trás da gente. Monsanto, Purina, Cargil, Bayer... nenhuma está patrocinando esse encontro.
CR – E como superar essa dificuldade?
Palmeira – Encontros como este (em Caxias) são fundamentais para multiplicar as informações e pulverizar a idéia.
CR – Logicamente és contra os transgênicos.
Palmeira – Sou radicalmente contra. Uma coisa é a pesquisa genética em relação à saúde humana; outra são os alimentos geneticamente modificados, que só trazem benefício a quem tem a patente das sementes. Sou a favor das sementes crioulas. Acho que a Monsanto faz um mal enorme à humanidade. Ela vende desenvolvimento promovendo a degradação. É muito bem bolado. A gente tem de ficar muito esperto quanto a isso.
CR – Não pode nem contribuir para diminuir a fome?
Palmeira – Eles vendem o conceito de que só o transgênico, só o convencional pode acabar com a fome. Está mais que provado que o problema da fome não é falta de alimento, mas má distribuição. Como a riqueza.
CR – Passamos pela agricultura de subsistência, monocultura, diversificação. Estamos muito distantes do ciclo orgânico?
Palmeira – Estamos. Quando a gente vê o maior produtor de soja do Brasil, Blairo Maggi, ser reeleito governador (MT); quando a gente vê um presidente que não entende nada de meio ambiente, que coloca uma ministra como Marina Silva e não dá ouvidos a ela, não a valoriza; quando a gente vê o ministro da Agricultura muito mais interessado nas grandes corporações; quando a gente vê o governo que fala em fome zero oferecer bolsa-família e não se preocupar em resolver o problema efetivamente, acho que estamos muito longe.
Produtores de políticas públicas
Agrônomo responsável pela Vale das Palmeiras, o senegalês Aly Ndyae é objetivo ao falar para o agricultor em dúvida sobre cultivar orgânicos: "Em primeiro lugar ele tem de fazer um bom planejamento. Saber o que o mercado precisa, o que ele pode produzir... Não pode sair dando chute". Ele concorda que muitos projetos são inviabilizados pela falta de orientação.
Na avaliação de Ndyae, a agricultura orgânica tem quatro pilares: ecologicamente correto, socialmente justo, economicamente viável e culturalmente aceito. E nenhum funciona se todos não funcionarem. "Nós, atores da vida agrícola, precisamos estar conscientes disso", afirma.
Nesse cenário, alerta, os consumidores também são protagonistas. É da relação de produtor e consumidor que nasce a força da agricultura orgânica. E não apenas quando se trata de alimentação, mas também de cidadania. "Temos de deixar de ser consumidores de políticas públicas para sermos produtores de políticas públicas", aconselha o senegalês.
Bispos traçam rumos da evangelização
Eleitos para o Celam representam anseios das comunidades católicas
A Igreja Católica da América Latina está a dois meses da abertura da V Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe (V Celam), que será realizada em Aparecida (SP) de 13 a 31 de maio. O encontro vai reunir cerca de 300 bispos, representantes das diversas conferências episcopais do continente, que durante três semanas vão tratar sobre o futuro da Igreja. O tema principal é "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que Nele todos os povos tenham vida. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6).
Conforme o cardeal Francisco Javier Errazuriz Ossa, presidente do Celam, hoje a América Latina "está sendo desafiada por transformações religiosas, éticas e culturais que constituem as dores do parto de uma nova época". A conferência, que nos seus moldes só existe na América Latina, é um momento tão importante para o futuro do continente que o próprio Papa Bento XVI fará sua abertura oficial no dia 13.
Impulso – Ao comentar sobre a Conferência, o Papa destacou que vai participar da abertura "para reforçar a esperança que está viva no continente latino-americano". Para os bispos e lideranças católicas, a expectativa é que a conferência impulsione para um aprofundamento da vida cristã e desperte o espírito missionário em toda a América e Caribe.
Do Brasil, segundo dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB, participam 22 bispos (relação, ao alto – na realidade são 21, pois também tinha sido eleito dom Luciano Mendes de Almeida, falecido em agosto de 2006)), eleitos pela Conferência Nacional e confirmados pelo Papa. Além deles, participam os cardeais brasileiros com menos de 80 anos e bispos em função do cargo que ocupam – cardeal Geraldo Agnelo, presidente da CNBB; cardeal Eusébio Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro; e dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Vitória da Conquista (BA), um dos vice-presidentes do Celam.
Para dom Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB, os delegados eleitos "deverão ser a voz da Igreja do Brasil na V Conferência; tendo como base a experiência da vida eclesial no país, eles terão a missão de ajudar no discernimento sobre as escolhas e os rumos da evangelização na América Latina nos próximos anos".
São José dos Pinhais empossa novo bispo
No dia 19 de março, dom Ladislau Biernaski toma posse como primeiro bispo da diocese de São José dos Pinhais (PR). A cerimônia será realizada na catedral São José, no dia de São José, padroeiro da nova diocese, erigida pelo Papa Bento XVI em dezembro. Desmembrada integralmente da arquidiocese de Curitiba, é formada pelos municípios de São José dos Pinhais, Araucária, Contenda, Fazenda Rio Grande, Lapa, Mandirituba, Piraquara, Quatro Barras, Quitandinha, Tijucas do Sul, Campo do Tenente, Rio Negro e Piên. É a 18ª diocese do Paraná.
Frades celebram 60 anos em Cabo Verde
A comunidade capuchinha de Cabo Verde está preparando as celebrações dos 60 anos de presença da Ordem no arquipélago da África ocidental. De 1947 a 2007, se alternaram em Cabo Verde mais de 80 missionários capuchinhos. Uma presença que se expressou em inúmeras obras: escolas em Praia e Fogo; um hospital, que conta com a colaboração de médicos, enfermeiros e centros de saúde de diversas regiões italianas; além da Rádio Nova, cujas transmissões cobrem todo o arquipélago.
Cabo Verde é vice-província, ligada à província de Piemonte, na Itália. A região é marcada pela seca e por isso a agricultura é insipiente. Cabo Verde faz parte da região do Sael, uma das áreas mais degradadas pela desertificação na África. O país produz apenas 8% das próprias necessidades. O restante vem do exterior. Entre as iniciativas que os capuchinhos promovem está o turismo solidário, explica frei Ottavio Fasano, responsável pelo Centro de Missões Estrangeiras para as ilhas de Cabo Verde.
Para celebrar os 60 anos de presença capuchinha no arquipélago africano estão sendo preparadas algumas reportagens para a televisão nacional e dois DVDs que contam a história das missões capuchinhas em Cavo Verde.
Padre Zezinho
Quem não sabe con-viver não sabe viver
Aquele interlocutor de Jesus só queria saber qual o maior mandamento. Jesus lhe deu o maior e o segundo maior. E usou a palavra próximo, vizinho. Para Jesus, o amor a Deus subentendia o amor ao ser humano, com quem convivemos e, por extensão, todos os seres humanos, com quem dividimos este planeta (Mt 19,19).
No dicionário de Jesus a palavra "com" reveste-se de enorme importância. Quem não sabe con-viver não sabe viver. Daí a importância dos com-padres, da co-madres, dos con-temporâneos, da co-munidade, da co-munhão, dos co-legas e com-panheiros e dos que sabem viver juntos.
Daí a importância da com-preensão, da com-paixão. "Juntos" é uma palavra mais do céu do que da terra. Não há nada mais dia-bólico do que agredir e diminuir a fé, a comunidade e a família do outro, só porque o outro não crê como nós cremos. Pouca coisa é mais bonita que o sim-bólico (o que une, o que busca junto, o con-junto, o que estabelece similitudes).
O novo milênio terá que descobrir esta verdade. O caminho para o céu passa pela valorização do outro.
Romeiros fazem cavalgada pela paz
Viagem, de 1.500 km, de Brasília a Aparecida, começa dia 23 de março
A missa celebrada pelo Papa Bento XVI no dia 13 de maio, na abertura da V Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida, deverá reunir de 500 mil a um milhão de pessoas na esplanada da basílica. Romeiros de todo o Brasil e até do exterior estão se organizando para ir a Aparecida, no interior paulista, nesse dia.
As formas de como chegar até a basílica são as mais variadas – a pé, em caravanas, de ônibus, de automóvel, de bicicleta etc. No dia 23 de março, um grupo de romeiros parte rumo a Aparecida com um meio de transporte diferente – a cavalo. Sete cavaleiros de Jundiaí (SP) vão percorrer 1.500 quilômetros de Brasília a Aparecida. Os "Romeiros da Paz" deverão chegar à cidade do Vale do Paraíba entre os dias 8 e 11 de maio e vão acompanhar a missa celebrada pelo Papa no dia 13.
Um dos objetivos dessa longa cavalgada é resgatar a tradição do romeiro, sua fé e religiosidade, seus costumes e crenças. "Outra finalidade é pedir paz para os povos do mundo inteiro, dentro do contexto humilde e religioso dos romeiros", explica Marco Aurélio Chrispim, idealizador e organizador do projeto.
O grupo é formado por pessoas com muita experiência em cavalgadas e que já participaram de inúmeras romarias da região de Jundiaí para Pirapora do Bom Jesus, Bom Jesus dos Perdões, Aparecida e interior de Minas Gerais, entre outros pontos de peregrinação. Formam o grupo Romeiros da Paz, além de Marco Aurélio (bancário), o empresário Ângelo Dante Lorenção, os comerciantes Antônio Marchi e Rui Pereira Barbosa, o motorista Valdimir Falco, o dentista Paulo Marcondes, o aposentado Pedro Chrispim e a filha de Marco Aurélio, Beatriz Chrispim, de apenas três anos.
O Projeto Romeiros da Paz conta com apoio da Associação Estadual das Romarias Paulistas e Organização Social Abaçai Cultura e Arte. Em 1999 Marco Aurélio criou o Projeto Caminhos do Brasil, que prevê uma jornada de 18 mil km desde o Monte Caburaí, em Roraima, até o Chuí, no Rio Grande do Sul. A cavalgada de Brasília a Aparecida já faz parte desse projeto.
Scalabriniana emite votos perpétuos
"Eis-me aqui! Envia-me!". Esse foi o lema escolhido pela irmã missionária de São Carlos Borromeo – Scalabriniana, Sandra Zambon, que professou perpetuamente em fevereiro, na igreja Nossa Senhora de Lourdes, paróquia São João Batista, em Campos Novos (SC). A celebração, presidida por padre Jairo Guidini, scalabriniano, contou com a presença de diversas irmãs da Província Imaculada Conceição de Caxias do Sul, familiares e amigos. A consagração definitiva foi precedida de tríduo vocacional.
Irmã Sandra, filha de Camilo e Leonilda Zambon, nasceu há 28 anos em Mondaí (SC). Hoje a família reside em Campos Novos. Ingressou na congregação em Caxias do Sul, no ano de 1995. Com formação em Filosofia e Psicopedagogia, irmã Sandra exerce sua missão como supervisora pedagógica no Colégio São Carlos, em Caxias do Sul.
Bispo do Xingu palestra em Porto Alegre
O tema da Campanha da Fraternidade deste ano já ganhou repercussão internacional. O assunto está sendo abordado em razão do interesse mundial pela preservação desse patrimônio. Um dos maiores expoentes na defesa dos direitos dos povos da Amazônia estará em Porto Alegre na sexta-feira 16.
O bispo da prelazia do Xingu (onde atuava irmã Dorothi Stang, assassinada em fevereiro de 2005), dom Erwin Kräutler, fará duas palestras na capital gaúcha – às 16 horas, no Colégio Rosário, para professores e agentes de educação, e às 19 horas, no auditório da Faculdade de Direito da PUC. Constantemente ameaçado de morte por sua defesa da Amazônia, dom Erwin estará no RS a convite do Regional Sul 3 da CNBB, maristas, PUCRS e Associação de Educação Católica.
Artistas gravam CD da visita do Papa
"Um presente de Deus". Foi assim que o cantor sertanejo Daniel definiu sua participação no CD "Bendito o que vem em nome do Senhor", álbum oficial da visita do Papa Bento XVI ao Brasil, em maio. Daniel gravou na semana passada a música Mãe Aparecida, composição de Izaías Luciano, da comunidade católica Shalom.
O lançamento do CD está previsto para o dia 25 de março e o dinheiro arrecado com a venda será revertido para as obras do santuário de Aparecida. Além de Daniel, participam do disco outros artistas de destaque, como as cantoras Joana e Elba Ramalho, e a dupla Gian e Giovanni, que interpreta uma das versões do hino oficial, composto pelo capuchinho gaúcho frei Luiz Sebastião Turra. A outra versão do hino é interpretada pelos Cantores e Organistas do Santuário de Aparecida.
O CD é produzido pela gravadora Codimuc, em parceria com o Santuário de Nossa Senhora Aparecida e com aprovação da CNBB. Daniel, que na infância foi coroinha e em Brotas (SP), sua terra natal, tinha um grupo de oração, disse que é preciso se apegar a Deus e que o povo brasileiro está precisando de muita oração, muita luz e muita paz.
Aldo Colombo
Educar é ciência e arte, é razão e coração, é amor e firmeza, é compaixão e sabedoria em doses certas
No momento mais crítico do inverno, um camponês encontrou uma cobra em seu sítio. Castigada pela fome e pelo frio, a cobra parecia estar morrendo. O camponês encheu-se de compaixão, levou a cobra para sua cabana. Deu leite morno a ela, envolveu-a num pano macio e, com carinho, colocou-a a seu lado quando foi dormir. Pela manhã o camponês estava morto.
O camponês foi morto porque só agiu movido pela compaixão. Ele esquecera a sabedoria e isso foi fatal. Se você pegar uma cobra, por melhor que seja sua intenção, ela o picará. Quando encontrar um meio de salvar a cobra sem segurá-la, você conseguirá equilibrar a compaixão com a sabedoria, e ambos ficarão felizes.
Sabedoria e compaixão devem andar juntas. Ter uma sem outra é como andar com um pé só. Você conseguirá pular algumas vezes, mas acabará caindo. Vale a comparação dos dois remos. Usando apenas um deles, a barca girará, sem sair do lugar. Com equilíbrio será possível andar, com calma e tranqüilidade.
A teoria da sabedoria-compaixão vale para muitas situações. Especialmente para a educação. Muitos pais exageram no item compaixão. E porque querem bem aos filhos, tudo desculpam. Mais ainda: justificam seus atos. Porque ainda são pequenos, porque outros têm inveja deles, porque são mal entendidos. Estão andando com um só pé, remando com um único remo. Também pode-se pecar pelo excesso de justiça, no caso confundindo-a com sabedoria. Exigem demais dos filhos, fazem-lhe cobranças excessivas. É diferente querer bem a um filho e querer o bem ao filho. Querer bem é algo apenas afetivo, querer o bem é indicar-lhe o caminho.
Três palavras constituem-se em preciosa receita na arte de educar. A primeira palavra é amar. Sem amor não se educa, quando muito se domestica. Mas não se educa só com amor. A segunda palavra é firmeza, que também é uma maneira de amar. E quando os filhos estranharem o fato dos pais usarem, numa oportunidade do amor e na outra a firmeza, surge um terceiro vocábulo, o diálogo. Esse é o meio pelo qual os pais explicam ao filho o porquê das diferentes atitudes.
E se a receita não funcionar? Será necessário acrescentar outro vocábulo: o perdão. Isso significa zerar a falta e recomeçar. Mas é preciso recomeçar de novo, com amor, firmeza e diálogo. Muitos pais se perguntam: onde é que erramos? Para cada caso uma resposta individualizada. Os químicos lembram que a diferença entre o veneno e o remédio está na dosagem. Uma dosagem errada entre compaixão e sabedoria, entre o amor e a firmeza, podem explicar o fracasso. Cabeça e coração não se excluem, mas se completam.
Educar é ciência e arte, é razão e coração, é amor e firmeza, é compaixão e sabedoria em doses certas.
Crescente violência preocupa CNBB
Nota repudia agressões e apela para defesa dos direitos de todos
Diante da crescente violência que se alastra em várias regiões do Brasil, os bispos da Igreja Católica manifestam sua preocupação e, através de nota da CNBB, expressam veemente repúdio a toda a forma de violência planejada e praticada no país. Os bispos recordam que já por ocasião da 44ª Assembléia Geral, no ano passado, lamentavam a triste situação de muitos brasileiros que não têm seus direitos humanos respeitados.
Depois de recordar atos de violência que ocorrem em muitos Estados, particularmente agravados em São Paulo, no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pará e outros, os bispos salientam que a "população encontra-se desprotegida diante das agressões de setores organizados". Destacam as agressões decorrentes da exploração agrícola e de recursos hídricos e minerais. "Tal situação se agrava, sobretudo, pela ausência de políticas fundiárias e urbanas, mas também pela falta de atuação adequada dos poderes constituídos, causando o recrudescimento dos problemas sociais".
A nota lamenta a prática freqüente e desumana de despejos, queima de casas, destruição de quintais e roças de famílias que moram e trabalham nas suas terras há várias gerações e denuncia o uso indiscriminado de medidas liminares que prejudicam a população com menos recursos que vive no campo e que, pelo tempo de posse da terra, já teria garantido o direito de usucapião.
A nota, emitida depois de reunião ordinária do Conselho Permanente da CNBB, também constata que há freqüentes calúnias e ameaças de morte a pessoas da e ligadas à Igreja, inclusive bispos (é o caso do bispo prelado do Xingu, dom Erwin Kräutler), padres, religiosos e religiosas, além de lideranças dos movimentos populares e de trabalhadores.
"Apelamos às autoridades competentes para que tomem as devidas providências, salvaguardando a vida das pessoas feridas e ameaçadas, e garantindo a defesa dos direitos de todos. Confiamos no diálogo e na coerência dos sistemas de Justiça e Segurança para a mediação dos conflitos e a solução das questões judiciais pendentes. Em memória dos que deram a vida por fidelidade ao Evangelho, clamamos por justiça", afirma a nota.
Para a Igreja, a solução passa pela criação urgente de projetos de desenvolvimento econômico, social e cultural que respeitem os ecossistemas e a população de cada região brasileira, respeitando suas características e diferenças. A nota conclui: "Reafirmamos nosso repúdio a todas as ameaças de morte e violência (...) porquanto acreditamos na força maior da verdade, da justiça e do amor, mais fortes que todo medo, dúvida e mentira".
Wilson João
Educar é dar forma. É como fazer surgir de uma pedra bruta um rosto de anjo
É bonito contemplar a meninada num começo de março. Todos com suas sacolas pesadas, caminhando na direção da escola. Sacolas cheias de material e cabeças vazias. Mentira! Não há cabeças vazias. Não há pessoas vazias. Nem é missão da escola encher a cabeça das pessoas. Como também não é missão da família e de nenhuma organização educativa encher as cabeças das pessoas. Se essa fosse a missão da escola e da educação, seria muito cômodo e fácil. Seria como encher um balde de água. Seria como encher um buraco de terra e sentir-se realizado. Surge a grande pergunta: O que é educar?
É LIBERAR A PESSOA. Ao contrário do que se faz em muitas ocasiões: reprimir. O gesto de dar a chupeta à criança desde pequena retrata o gesto de reprimir. É impedir a criança de se expressar no choro. Educar é libertar a pessoa de todo o lixo social, de todos os preconceitos históricos, e fazer saltar de dentro tudo o que está preso. É abrir as portas e as janelas da personalidade e permitir que expresse, de seu jeito, todas as suas potencialidades.
É FAZER BROTAR A VIDA. Não é imprimir. Imprimir é um gesto de fora para dentro. É muito mais dar calor, umidade, luz e energia para que a vida e toda a sabedoria da vida desabrochem como uma semente. Não é imprimir flores e frutos que a humanidade colheu em seu passado. É permitir que floresça e produza seus próprios frutos.
É ESCULTURAR A PERSONALIDADE. Ela já existe desde a concepção. Apenas está sufocada por entulhos e forma bruta. Educar é dar forma. É como fazer nascer de uma pedra um rosto de anjo. É como descobrir que dentro de uma madeira já está presente um Cristo. Educar é fazer aparecer esse Cristo escondido.
É TRAZER À VISTA O ESCONDIDO. É extrair. É fazer aparecer os sonhos e os desejos. É dar forma aos grandes sonhos de vida e de trabalho. É fornecer instrumentos para cavar de dentro de si a vida e a felicidade, a alegria da vida e a razão do existir.
É FAZER SALTAR O CEM POR CENTO. Somos muito mais do que os seis a dez por cento que as pessoas revelam no quotidiano. Porém, como institucionalizamos, desde o nascimento, uma educação repressora, castradora, formadora e impositora, só possibilitamos que desabroche o comum de todas as pessoas. As grandes potencialidades seguem preguiçosamente para o túmulo.
É FAZER O DIVINO GLORIFICAR O HUMANO. O divino está no humano. Não há necessidade de empurrar Deus goela abaixo. Ele já está no coração de cada pessoa. Em muitas pessoas está escondido sob o lixo da cultura, da tradição, ou de uma ideologia egoísta e auto-suficiente, que sufoca aquele que já está no centro do coração humano.
Continuo olhando as crianças que vão em direção às escolas e fico torcendo para que lá encontrem luz, calor, umidade para desabrochar.
HOMENS X CACHORROS
Nos lares do mundo inteiro, sempre houve espaço para os animais. As espécies geralmente variam entre cães, gatos, aves e peixes. Porém, com nenhuma outra espécie o homem mantém laços afetivos tão fortes quanto com os cachorros.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação, há hoje no Brasil quase 29 milhões de cães de estimação. A concorrência dos gatos é grande. Eles já são maioria nas casas americanas e sua população vem crescendo também entre os brasileiros, embora ainda não chegue nem a metade do número de cachorros.
De onde vem o carinho pelos cães? Segundo os especialistas, o segredo está na comunicação. Animais de natureza social, os cães são capazes de se comunicar de maneira muito efetiva com seus donos. Mas o entendimento entre as duas espécies levou milhares de anos para se aprimorar.
A evidência arqueológica mais antiga da amizade entre homens e cães, uma mulher enterrada junto de seu cão, encontrada em Israel, data de 12 mil anos. Porém, sabe-se que a domesticação do animal iniciou bem antes, há mais de 100 mil anos, quando os ancestrais do homem começaram a dar abrigo aos filhotes de lobos que rondavam os acampamentos.
Inicialmente, a relação era de necessidade: o animal ajudava na caça e na proteção em troca de comida. Os animais que se adaptavam melhor ao convívio humano tinham mais chance de sobreviver e gerar descendentes. Assim, pode-se dizer que o homem foi criando cães cada vez mais apropriados a suas necessidades.
Os laços afetivos entre as duas espécies também foram depurados ao longo da evolução. A comunicação já foi facilitada pela semelhança entre a estrutura social do homem e a dos caninos. Segundo os pesquisadores, assim como nas sociedades humanas, a matilha é regida pela hierarquia e cada um dos indivíduos que faz parte do grupo precisa saber decodificar as emoções de seus companheiros.
Além dessa característica social em comum, estudiosos acreditam que os homens davam preferência não só aos cães que atendiam suas necessidades, mas também aos que tinham um comportamento que facilitava a mútua compreensão. Assim, se refinou a capacidade de ambas as espécies interpretarem o humor e as reações uma da outra.
Cão faz "pedidos" ao dono
Cães e lobos são geneticamente muito semelhantes, tanto que não seria impossível uma reprodução entre eles, mas as diferenças no comportamento de ambos são grandes.
Em uma pesquisa coordenada pelo húngaro Ádám Miklósi, uma das maiores autoridades mundiais em comportamento canino, filhotes de cachorros e lobos foram criados por pessoas em condições idênticas. Após, testadas em uma série de situações, as duas espécies mostraram comportamentos diferentes. A capacidade de ambas é semelhante quando trata-se de interpretar sinais visuais dados pelo homem, como, por exemplo, o dedo apontado para um prato de comida. Porém, só os cães fazem "pedidos" ao homem.
Quando a comida estava escondida em uma caixa, os lobos limitavam-se a roer a caixa insistentemente. Já os cachorros tentavam chamar a atenção dos donos com latidos e olhares. Aliás, esta é outra constatação da pesquisa: o cachorro faz mais contato visual com homem. Os lobos também não sabem fazer um sinal muito conhecido por qualquer dono de cachorro; sacudir a cauda.
Entenda seu cachorro
Apesar da comunicação entre homens e cães ser considerada muito eficiente, ainda há mal entendidos na relação. A seguir, algumas dicas.
O abraço é um gesto típico dos primatas, como homens e macacos. Alguns cachorros, acostumados com a convivência humana, até toleram um abraço, mas não apreciam. Para demonstrar afeto, o melhor é fazer carinho atrás da orelha ou na barriga. Por outro lado, os cachorros demonstram carinho pelo dono lambendo seu rosto, gesto nem sempre aceito.
Cães não têm memória do que fazem certo ou errado. Portanto, se você chegar em casa e encontrar o sofá destruído, não adianta repreender o cachorro, ele não vai entender o motivo. O costume de esfregar o focinho do cachorro no xixi que ele fez em local errado também não resolve. Só adianta repreender o cão quando ele for pego no ato.
O italiano que está em você
Regina Cristófoli Mezzaroba
Vespasiano Correa – RS
Regina mora na Capela São Roque da Linha Ernesto Alves, em Vespasiano Corrêa. Dia 24 de junho de 2006 completou 106 anos, com missa, festa e muita gente. Declara ela:
"Tirando la sapa, go fato la me vita, che desso tuti i la cata importante. Fin el Padre Anselmo Cristófori, del Guaporé, e giornalisti del Guaporé e de Porto Alegre (2004), i ze vegnesti intervistarme. La memòria fin desso la ze bona, go tuto in mente, son restada védova in 1982, de José Antonio Mezzaroba. El pupà el ze vegnesto del Itàlia. Steino in Faria Lemos, rente a la Alcântara, in diression a Bento Gonçalves. Lu el ze morto con 34 ani, in 1904, ma me mama la ze rivada ai 101 ani. La me ga insegnà cantar, pregar e laorar in casa e in colônia – spassar, taiar legna, catar su ovi, lavar zo, far da magnar, postar i leti, snetar la casa, laorar tel giardin, sapar, tirar do mìlio, bater i fasoi, taiar formento, rossar, arar, piantar de tuto...
Laorar ze stà la me vita. E no son pentia. Laorar e stufar el corpo se magna meio, manco idee in testa, e anca se riposa meio. In paese, a feste e messe ze tempo che no vao, el padre vien confessarme qua casa, e portarme la comunion. Par mi el padre ze sempre stà la persona pi importante, scoìsta da Gesù. Malada, son stada solo ai sei o sete ani, tre mesi col tifo, i ze ndai tor el dotor in Bento Gonçalves. Col tifo mi, me mama e me fradel. I credea che moriva. Ma, gràssia a Dio, son restada meio. Dopo go passà anca la palmonia. Ma dopo de quel no me ricordo gnanca pi de esser stada malada, a no esser un qualche rafredore. Desso parlo in potoghese che lora tuti i pol capir.
Eu nasci a 24 de julho de 1900, sou viúva desde 1982, tivemos nove filhos, dois já falecidos, 23 netos, 42 bisnetos e dois trinetos. Aqui na Linha Ernesto Alves, moro com meu filho Genuíno e minha nora Zenaide, e minha filha Colorinda, de 76 anos, que não casou.
Todos me perguntam qual é o segredo de viver tanto? Eu não sei outro senão que precisa rezar, rezar bastante. Eu peço graças a Nosso Senhor, a Nossa Senhora, rezo o terço todos as noites e, de dia, quando estou sozinha, também rezo para todos os santos. "Quando zera pi dóvena, pregava anca du ore in sèguito, indenociada." Aos filhos e netos, sempre ensinei que precisa a gente se dar bem com todos.
Gosto de tomar chimarrão, e vinho também. Não gosto de café, mas tomo bastante chimarrão. No café, como pão, queijo e marmelada. Ao meio-dia, sopa, carne, polenta, queijo, salame... e meio copo de vinho; outro meio copo tomo na janta. Na comida, não boto azeite, uso somente banha de porco. Gosto muito de frutas – laranja, bergamota, uva, maçã e banana. Vou dormir às 20 horas, e levanto às 6 horas, acendo o fogão de lenha, arrumo a mesa para o café, lavo as louças, vou fazendo os trabalhos de casa, ajudo a fazer o almoço...
As orações, eu aprendi de minha mãe, em italiano, português, latim, tudo misturado. A Salve Regina eu rezo em português. O Gloria Patri, rezo assim: "Gloria Patri et Filio, et Spiritui Sancto. / Sicut erat in principio et nunc et semper et in saecula saeculorum. Amen." A Ave Maria é a oração que mais eu rezo, em italiano: "Dio ti salvi, ò Maria, piena di grazia; il Signore è teco; tu sei benedetta fra le donne e benedetto è il fruto del tuo ventre Gesù! / Santa Maria, Madre di Dio, prega per noi peccatori adesso, e nell’ora della nostra morte. Cosi sia!" Eu rezo pela minha família, vizinhos, amigos, doentes, necessitados e para as plantações. Quando chega a capelinha em casa é uma festa. Para os doentes e para todos, peço que tenham força e coragem, confiem em Deus e não se deixem dominar pela tristeza" (e-mail cibai@terra.com.br; fone (51) 32268800).
Regina é centenária em plenitude de vida, trabalho, coragem, testemunho e fé! (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (402)
Nanetto e la Gelina i se cata in Santa Teresa
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba – PR
Un di fredo, bonora, tel aeroporto Malpensa, de Milano, semo imbarcai par São Paulo e dopo Curitiba. Nanetto romai gavea pràtica de ndar de rioplano. El savea che no se pol verder le fenestrine; che le toalete le ze in fondo del aeroplan; che bisogna strender la sìntola quando el rioplano el decola o el se sbassa; che la tosa che tende i passageri ze la aerogarsoneta e nò geramossa. Infati, un viaio pacìfico. Rivadi a Curitiba, Nanetto el saluda el grupo, el ringràsia Edilson del bel viaio, el ciapa l’ónibus par Santa Teresa. La Gelina la gera là tea Stassion Rodoviària, spetàndolo. Co i se cata, la Gelina la core e la se pica tel col de Nanetto, che’l ga dovesto molar la mala par no cascar in tera tuti due. Ze stà un momento de scàmbio de basi e de struconi.
La Gelina lo invita a vegner a casa sua, parché la ga parecià i grùstoli col cafè. Nanetto, rivando a casa dea Gelina, el verde a mala e el ciapa i presenti. Par la Gelina: due bele colane e un brosse; par la Catina: na bela colana, e par Àndolo: na sìntola de corame talian e na pipa. Tuti contenti i se basa e abrassa. Tuti i volea saver de Nanetto come l’è stà el viaio in Itàlia, se’l ga visto el Papa, se l’è stà in Venèssia, se’l ga catà i sui. A sta domanda, Nanetto ze restà sèrio e el ga inrugà la fronte e el ga dito che a casa dei genitori no’l ga catà nissuni; sol qualchedun dei so cusini. I ga volesto che’l restasse par la sena, parché le vegnaria, dopo sena, arquante persone par saludarlo, che i vegnaria anca i giugadori de futibol dea squadra rossa, e che’l dormisse là par riposar del viaio.
In fati, la Gelina la gavea parecià tuto par far un filò: grùstoli, frìtole, patate dolse, mandolini sapecai, formaio, salame e la gasosa. Dopo sena, scomìnsia rivar i invitai, ze tuto un saludar, na strucada de man, un sorider e tante ciàcole. Àndolo, la Catina e la Gelina i li fa sentar. Oviamente, le ciàcole le ze sora el viaio de Nanetto in Val Véneta e in Itàlia. Tuti i volea saver come l’è stà el viaio, soratuto in Itàlia: se’l gavea visto el Papa, se no’l gavea paura de ndar de rioplano. Infati, tuti i volea farghe na domanda. Nanetto a tuti el rispondea. Intanto la Catina e la Gelina le metea tuto in tola. Insoma, la Catina e la Gelina le invita tuti a ndar in tola. Àndolo el ga visto che ghe manchea el vin par i òmini: l’è ndà suito providensiarlo. La Catina e la Gelina le porta in tola par ùltimo tocheti de polenta rostia e calda. No manchea pi gnente. Ciàcole animade.
A meda note, le visite le saluda i paroni, Nanetto el se retira, ringrassiando l’invito, contento del filò e dei magnari.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
I laori, i giorni e le note (II)
Bruno Jorge Bergamin
Professor, Porto Alegre – RS
(La stòria del Gigante e de Gioanin Sensa Paura)
Finio da senar.
– Gràssie a Dio, gavemo magnà anca ancoi. Femo che doman?
– Ben! Ghe saria de scominsiar a tirar zo el mìlio. Basta de ndar a sestoni. Ghe vol farina pai porchi e anca par la polenta.
– E la brina?
– Ben, ben, gaveo paura dela brina? Suito, suito, vien fora el sol e el scaldarà un poco.
– Pupai, conté la stòria del gigante!
– Dopo el rosàrio.
– Nò, dopo vien sono. Desso, desso.
– Contéghela, va! No te vedi che i ghe piase, dise la nona, intanto che lavemo i piati, cónteghe la stòria.
El ciareto el fa un fil negro de fum che’l se finisse tel sofito. Co la fiama se move, la fa dele brute figure su par le tole incarbonade dela cosina. La nona e la mama le lava zo i piati. El pupai el beve na ùltima sboconada de vin. El dà na ridestina e intanto che’l se fa su el sìgaro el scomìnsia:
– Ben, questa ze la stòria del...
– Del gigante e Gioanin Sensa Paura, tuti i osa insieme.
Tante volte che i la ga sentida, ma la è sempre nova.
– Zera na volta un gigante grando, grando così...
El pai el se leva su e el fa i estri, el buta fora fum dela boca, coi brassi alti... L’ombria del ciareto fa el gigante ncora pi grando su par le parede. La pìcola Nena la se sconde drio la tola, sol coi oci de fora.
– E alora el gigante el osea e el urlea che el zera el pi forte del mondo e uhhh, uhhhh... Ma, assa star che Gioanin, picenin ma furbetin, el ga sentio el gigante urlar. – Gavaralo che quel spaventà!?
El varda. El gigante el ze là che’l trà sassade tel mar e el osa: – via banda de là del mar se no volé morir... che ciapè sassade!
E via sassi grossi.
Gioanin curi casa, el va tela gàbia e el tol na poiana che la slevea par bel, la mete in tela sacheta e el va là col gigante. E el gigante ancora: – via banda de là del mar che ve copo a sassade!
Gioanin el vedea che le sassade le ndea distante, distante, ma le caschea... E, alora, el sevitea a spissigarghe el cul dela poiana in tela sacheta, così: grech, grech.... (El pai el ghe fea i moti soto la toaia e tuti i ridea).
– Gigante, gigaaaanteeee... el osa Gioanin. Giughemo ché che mi trao sassade pi distante de ti?
– Ché? Va giugar ché, ti, co le to scarsele sbuse?!
– Alora varda qua.
El fa finta de aver un sasso in man e lo tira con tuta forsa.
– Varda el sasso come el va!
– E zera la poiana.... i osa i tosatei !
– Eco, el gigante, bauco, el pensea che l’era un sasso, ah! E la poiana via, via, viaaaa distante! El gigante el vardea, el vardea, el fea i oci fini, pi visto el sasso.
– E alora, alora?
– Alora, el gigante con questa el ze restà stufo e el ga invità Gioanin Sensa Paura a sbregar soche de piante cola manera.
– Ndemo, el ga dito Gioanin. – Picenin e furbetin, i dise i tosatei -Vedemo chi ga pi forsa!
I ze rivai tel mato e i ga catà na bora grossa, grossa così, de calcerana, che el gigante el gavea trato zo par farse la casa. El gigante el ghe dà na smanerada così, la soca se ga sbregà, la se ga verto fora un toco. Gioanin el core e el ghe urta zo un cugno in tel sbrego e el gigante el tira fora la manera. (Continua).
GP da Austrália abre temporada 2007 de Fórmula 1
Brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, está entre os favoritos
Para os aficionados em velocidade, as emoções estarão de volta a partir do dia 18 de março. A data marca o início da temporada 2007 da Fórmula 1, o mais tradicional, famoso e competitivo campeonato de automobilismo do mundo. O Grande Prêmio da Austrália abre a temporada, que encerra no dia 21 de outubro, com o GP do Brasil, no circuito de Interlagos.
Ao longo do ano serão 17 provas, disputadas por 11 equipes e 22 pilotos (tabelas ao lado). Neste ano, além da mudança nas cores da maioria das equipes (por causa dos patrocinadores), também houve a troca de diversos pilotos. O espanhol Fernando Alonso, campeão de 2006, trocou a Renault pela McLaren. O finlandês Kimi Raikkonen, deixou a McLaren para substituir o heptacampeão Michael Schumacher, que se retirou das pistas. Raikkonen será o companheiro de Felipe Massa, piloto brasileiro apontado como um dos favoritos ao título da temporada.
Neste ano estarão nas pistas alguns veteranos, como David Couthard, da Red Bull; o brasileiro Rubens Barrichello (Honda) e Giancarlo Fisichella (Renault) e diversos pilotos novatos, mas apenas um campeão (ou bi) – Fernando Alonso. Entre os favoritos ao título, além de Massa, estão Alonso e Raikkonen. Para Barrichello, a equipe mais bem preparada é a Ferrari, mas ele não descarta uma boa disputa da escuderia italiana com a McLaren, a Renault e a BMW.
Pontuação – Neste ano, a Bridgestone voltou a ser a fornecedora exclusiva de pneus. Haverá treinos livres na sexta-feira e no sábado. O horário de classificação ocorre sempre às 14 horas do sábado e as corridas sempre às 14 horas (horário local) do domingo. Os critérios de pontuação deste ano seguem os mesmos da última temporada, com os oito melhores somando pontos. O vencedor soma dez; o segundo, oito; o terceiro, 6; o quarto, 5; o quinto, 4; o sexto, 3; o sétimo, 2; e o oitavo, 1.