LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.031 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 21 de março de 2007.

 

 

EDITORIAL

Aliança política só será forte se inspirar confiança

Transparência das ações está na raiz do respeito ao governante

 

Independente do âmbito, todo governante precisa de uma base de sustentação política para implementar seu programa. Em nome da governabilidade, procura adesões antes ou depois de eleito. Nem sempre, porém, o caminho percorrido é o mais adequado, ou mesmo legal.

A grande mácula do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi pintada com as cores do "mensalão", uma recompensa financeira a parlamentares pelo apoio nas votações de interesse do Planalto. A história política do país reserva um espaço especial para esse episódio, que ainda não foi suficientemente esclarecido, pelo menos não ao ponto de punir os responsáveis com o rigor desejado pela opinião pública.

Às vésperas de completar três meses de seu segundo mandato, o presidente Lula começa a dar forma à equipe ministerial. A posse de três ministros na semana passada, e a de outros, aguardada para esta, fazem parte de uma montagem que tomou rumo bem diferente do primeiro governo. A fórmula, classificada como um novo jeito de fazer política no país, busca consolidar a coalizão entre os partidos da base aliada.

O PMDB, sigla de um terço dos governadores, das maiores bancadas no Congresso Nacional e de uma estrutura regional muito forte, desponta com cinco ministérios. Pode estar nascendo dessa aliança uma chapa para a eleição de 2010. Essas negociações sempre fizeram parte do cenário político. O que afronta a expectativa dos cidadãos conscientes é a falta de critérios para acomodar aliados.

O caso envolvendo a sucessão no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é emblemático. Indicado para assumir a pasta, o deputado federal Odílio Balbinotti (PMDB-PR) desistiu pressionado pela repercussão da notícia de que ele é réu em processo por falsidade ideológica no Supremo Tribunal Federal. Ficou claro que nem Planalto nem dirigentes do partido se preocuparam em investigar antes de anunciar o nome.

Por mais robusta que seja uma aliança, se ela não inspirar confiança poderá comprometer a implantação das propostas escolhidas pelo eleitor.

E essa confiança só existe com a transparência das ações. As intenções políticas futuras e as maneiras de torná-las exeqüíveis são prerrogativas de todos governantes. Desde que não ultrapassem o limite do bom senso e do respeito ao cidadão.

 

CAXIAS DO SUL

Inaugurado o Instituto do Câncer do Pompéia

Nova unidade deve realizar cerca de 400 consultas por mês

 

Já está em funcionamento o Instituto do Câncer (Incan) do Hospital Pompéia. Inaugurado no último dia 15, conta com 340 m² de área construída e exigiu um investimento de R$ 750 mil, entre recursos próprios e do projeto Amigos do Pompéia.

A nova unidade abrange diversas especialidades da área oncológica, como oncologia clínica e cirúrgica, hematologia, proctologia, urologia, neurocirurgia, ortopedia, ginecologia, mastologia, cirurgia torácica e anestesiologia. A previsão é realizar cerca de 400 consultas mensais e atender 500 pacientes por mês na quimioterapia. O câncer ocupa a segunda posição entre as causas de morbidade no Brasil, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares.

Segundo Joemerson Osório Rosado, médico técnico responsável e coordenador do Incan, a unidade oferece aos pacientes todo o apoio e acompanhamento da doença. "Fazemos a prevenção, consultas, diagnósticos, acompanhamento clínico, cirurgia e tratamento com quimioterapia", afirma. "A equipe é formada por 16 profissionais, entre oncologistas clínicos, hematologistas, cirurgiões, enfermeiros e técnicos", completa.

Outro diferencial do instituto, conforme Rosado, é que ele está interligado às UTI’s, ao bloco cirúrgico e aos serviços de diagnóstico. Os pacientes também poderão escolher se preferem fazer a quimioterapia em salas individuais ou coletivas. O Incan funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas.

 

Câmara homenageia

 

O Hospital Fátima foi homenageado em sessão solene na Câmara de Vereadores pela passagem de seus 50 anos. Na ocasião, foi destacado o trabalho assistencial da instituição.

Também foi homenageado recentemente pelo Legislativo o jornalista Luiz Carlos de Lucena. Natural de Cazuza Ferreira, Lucena recebeu o título de Cidadão Caxiense por sua contribuição na área da comunicação.

 

REPORTAGEM

Brasil cria pouco ou não registra as inovações

País tem poucas patentes. Causas são desconhecimento e alta carga tributária

 

O padre gaúcho Landell de Moura (1861-1928) transmitiu ondas radiofônicas em São Paulo, por meio de um mecanismo dotado de um microfone eletromecânico e um alto-falante telegráfico. Muitas autoridades testemunharam a engenhoca, mas o religioso só obteve a patente de sua criação em 1901, cinco anos depois do italiano Guglielmo Marconi. Landell de Moura não teve o devido reconhecimento em vida.

Mais do que uma forma de reconhecer o talento de pessoas, o número de patentes registradas é um dos indicadores de desenvolvimento de um país. Ou pelo menos que pode estimar o grau de inovação de um setor ou empresa. E nesse item o Brasil está muito mal. Segundo o IBGE, em 2002, das 72 mil empresas brasileiras, 23 mil afirmaram ter desenvolvido inovações, mas apenas 0,25% registraram as patentes. É preciso ressalvar que em alguns setores o segredo industrial é muito importante, estratégico, e por isso não faz sentido tornar público um processo de produção. Mas isso vale para todos os países.

Proporção – Relatório da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Wipo, sigla em inglês) revela que, no Brasil, são registrados 21 pedidos de patentes para cada 1 milhão de habitantes. Essa proporção é menor que a registrada na Argentina (28), bem menor que a média mundial (148) e muito menor ainda do que no campeão de patentes em 2004, o Japão (2.884 – a Coréia do Sul vem em segundo, com 2.189, e os EUA em terceiro, com 645). Esse estudo inclui patentes de todos os setores, não apenas da indústria.

Outra pesquisa divulgada pela Wipo no ano passado, com base em dados fechados até dezembro de 2004, conclui que o Brasil é um dos 20 maiores centros de concessão de patentes do mundo, mas aparece sempre abaixo da média mundial. No caso da relação do número de patentes solicitadas no Brasil, por brasileiros e por estrangeiros, isso aparece de forma nítida. O fraco desempenho do setor de inovação está retratado na relação entre patentes estrangeiras versus nacionais, que é de 3,80 (soma de todas as patentes de não residentes no Brasil dividido por todas as patentes de residentes). A média mundial desse indicador é de 0,67. A Coréia do Sul tem um índice de 0,33.

No caso nacional, os números significam que os estrangeiros estão pedindo muito mais patentes dentro do Brasil de inventos desenvolvidos lá fora do que os brasileiros. De 1995 a 2004, a taxa de pedidos de estrangeiros cresceu 212%, enquanto a dos brasileiros evoluiu apenas 44%.

Em 2004, 1,59 milhão de pedidos de patentes foram solicitadas em todo o mundo. Enquanto a taxa de crescimento média anual entre 1995 e 2004 é de 4,75%, o número de patentes solicitadas por estrangeiros cresceu em média 7,4% no período. Os brasileiros, até hoje, obtiveram apenas 700 registros lá fora desde 1995.

Causas – O cálculo do número de patentes solicitadas em relação ao tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) não melhora a situação da inovação verde e amarela. O país está no posto de número 28, com a relação de 2,8 pedidos. A Coréia do Sul é a primeira dessa lista com 116,2 pedidos, muito acima da média registrada em todo o mundo, que é de 19 pedidos por bilhão de dólares do PIB. O cálculo considerou o ano de 2000.

Qual a origem desta posição tão distante do topo? Não é falta de criatividade e nem de interesse pela inovação. Advogados especializados na área são quase unânimes em afirmar que as principais causas que levam médias, pequenas e microempresas a realizarem menos depósitos de patentes são a falta de conhecimento das leis de proteção à propriedade intelectual e a excessiva carga tributária.

 

Violar propriedade industrial dá prisão

 

Quem fabrica produto ou usa meio ou processo de fabricação patenteado; quem reproduz ou imita marca registrada; ou ainda quem altera marca em produto já colocado no mercado sem autorização do titular dos direitos sobre essa marca ou patente está sujeito a pena de detenção de três meses a um ano ou multa. A multa também é aplicada a quem usa ou imita desenho industrial registrado sem autorização do titular.

Já a pena para aquele que exporta, importa, vende, estoca, oculta ou recebe produto fabricado com violação de propriedade industrial é de um a três meses de detenção ou multa. Além das penas pelos crimes, o titular dos direitos violados pode exigir na Justiça reparação financeira pelos danos sofridos.

 

Boas idéias são perdidas ou copiadas

 

A criação de novos produtos exige, na maioria das vezes, grandes investimentos. Requerer uma patente significa proteger esse investimento, garantindo que ninguém terá o direito de explorar o esforço e a criatividade do autor da idéia sem que esse seja recompensado. Por essa razão, a Constituição brasileira prevê proteção à criação intelectual por meio dos direitos autorais, para as obras literárias e artísticas e os programas de computador, e da propriedade industrial, para invenções, modelos de utilidade, desenhos industriais e marcas.

A importância do registro aparece todos os dias nos jornais, com os debates sobre patentes de medicamentos (a questão dos genéricos e dos similares), e sobre a pirataria, por exemplo. Enquanto os países travam guerras comerciais em torno de patentes, no Brasil os números permitem imaginar que muitas e boas idéias de brasileiros podem estar se perdendo ou sendo copiadas, sem que o autor seja recompensado e sem gerar riqueza para o país. (Fonte: Jornal do Senado).

 

AGRONEGÓCIO

Mais da metade da safra da maçã é integrada

Brasil deve produzir este ano 850 mil toneladas da fruta

 

O Brasil está colhendo mais maçãs e com melhor qualidade. Serão 850 mil toneladas, 15% a mais sobre a safra do ano passado. A previsão da safra 2007 é de que sejam colhidas até 850 mil toneladas da fruta. Santa Catarina deve ser responsável por 55% desta produção, com 10 mil hectares. O Rio Grande do Sul responde por 35%, e o Paraná participa com 8% da maçã nacional.

O governador em exercício de SC, Leonel Pavan, abriu a colheita da maçã fuji na segunda 12. "Neste ano, serão 243 mil toneladas, 38 mil a mais que no ano anterior", disse. São Joaquim é o segundo maior produtor de maçãs do Brasil – o primeiro é Vacaria, no RS -, com produção estimada em 145 mil toneladas, contra 120 mil toneladas no ano anterior.

Segundo a Associação dos Produtores de Maçã do RS (Agapomi), dos 33,6 mil hectares cultivados com maçãs, mais de 18 mil hectares são ocupados pela produção integrada, reunindo aproximadamente 300 produtores/empresas. Os pomares se concentram na região Sul. "A safra brasileira de maçã no sistema PIF gira em torno de 460 mil toneladas/ano", diz ao CR o engenheiro agrônomo Márcio Bueno, da Agapomi.

Além da maçã, o Brasil tem outros projetos de produção integrada de frutas, que envolvem as seguintes espécies: manga, uva, mamão, citros, banana, pêssego, caju, melão, goiaba, figo, caqui, maracujá, coco, abacaxi e morango. "O país tem 39 projetos de produção integrada, além das frutas inclui animais e grãos", destaca Luiz Carlos Bhering Nasser, coordenador da produção integrada do Ministério da Agricultura.

História – O cultivo da macieira é uma atividade relativamente recente no Brasil. No início da década de 70, a produção anual de maçãs era de cerca de 1.000 toneladas. Com incentivos fiscais e apoio à pesquisa e extensão rural, o Sul aumentou a produção em quantidade e qualidade, fazendo com que o país passasse de importador a auto suficiente e com potencial de exportação.

De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Maçãs (ABPM), cerca de 2.700 produtores cultivam mais de 33 mil ha, com produção média de 800.000 toneladas. No país, os pomares de maçã são responsáveis pela geração de 130 mil empregos diretos.

A maçã brasileira conquistou os consumidores de outros países, especialmente os europeus, e de 10% a 20 % da fruta são exportados para diversos mercados, principalmente para a Europa. No ano passado, as exportações do setor somaram US$ 31,9 milhões, representando 57,1 mil toneladas.

O setor da maçã é reconhecido por todos os segmentos da fruticultura nacional, sendo apontado como exemplo pelo sucesso alcançado.

 

Com o PIF, país rastreia toda a cadeia

 

A Produção Integrada da Frutas (PIF) é um novo sistema para obtenção de produtos agropecuários mais saborosos, seguros, de qualidade, cultivados com as melhores técnicas e com controle oficial. A maçã foi a primeira fruta a ser certificada, recebendo a logomarca Produção Integrada de Maçã (PIM).

O sistema representa um conjunto de técnicas voltadas à produção de alimentos de alta qualidade, utilizando técnicas de manejo das culturas que assegurem a manutenção dos mecanismos de regulação natural da cultura e das pragas para garantir o uso mínimo de produtos agroquímicos nas frutas e que os produtos permitidos sejam os menos prejudiciais ao homem e ao meio ambiente.

Com a criação do PIF, o Brasil passou a rastrear toda a cadeia, desde as áreas de cultivo até a mesa do consumidor. No caso específico da maçã, houve uma significativa redução no uso de agrotóxicos nos pomares. O emprego de herbicidas caiu 67%, o de acaricidas, 67%; o de inseticidas, 25%; e o de fungicidas em 15%.

 

Selo PIN exibe qualidade e sanidade da fruta nacional

 

O selo de produção integrada (PIN) marcará a maçã diferenciada. O sistema integrado permite ao comprador identificar cada fase da cadeia produtiva, graças à rastreabilidade e à certificação garantida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa) e Inmetro. O projeto-piloto acaba de ser lançado para informar ao mercado interno sobre a sanidade e qualidade da maçã nacional.

O projeto será realizado inicialmente em municípios da Serra gaúcha. "Vamos mostrar aos consumidores e supermercadistas que temos um alimento seguro, de alta qualidade e saboroso, que é a nossa maçã", explica o coordenador da Produção Integrada da Cadeia Agrícola do Mapa, Luiz Nasser.

Segundo o chefe geral da Embrapa Uva e Vinho, Alexandre Hoffmann, a cadeia produtiva da maçã foi escolhida para o projeto-piloto porque há um grande volume de produção da fruta no país, cultivada em pomares que seguem as normas do PIF. "A nossa maçã é consumida dentro e fora do Brasil", declara ao CR.

O projeto-piloto iniciou no Rio Grande do Sul porque o Estado é um dos principais produtores brasileiros de maçã. "Depois de dois meses, pretendemos estender essas ações para Santa Catarina e São Paulo", assinala Nasser.

 

Pronaf obtém redução de tarifas

A inclusão beneficia mais de 1 milhão de produtores familiares

 

Com o objetivo de promover a inclusão bancária e implantar uma política pública de auxílio ao agricultor familiar, o Banco do Brasil (BB), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e com representantes da pequena produção (Contag, Fetraf e MPA), reduzirá tarifas bancárias para beneficiários do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf). O desconto será de 40% em comparação às taxas cobradas de correntistas comuns, e começa a vigorar a partir de 1º de abril.

Atualmente, de acordo com Adoniram Peraci, secretário de Agricultura Familiar do MDA, dos dois milhões de beneficiários do Pronaf, 900 mil ainda não possuem serviços bancários regulares. "Com essa redução tarifária, o banco, além de atender os atuais clientes, cria a possibilidade de conquistar 900 mil novos correntistas", observa o secretário.

A medida atinge de imediato 1,1 milhão de trabalhadores rurais atualmente beneficiários do Pronaf no país. Segundo Reinaldo Yokoyama, diretor de Agronegócios do BB, essa redução vai atender agricultores familiares que têm necessidade de utilizar serviços próprios de contas bancárias regulares, como cartões de crédito e talões de cheque. "Nosso objetivo é contribuir para a inclusão bancária. Fazer com que o agricultor familiar tenha acesso a serviços bancários comuns a correntistas urbanos", explica.

Para Adoniram Peraci, a iniciativa do banco de reduzir tarifas bancárias surgiu a partir de demandas de movimentos sociais e de agricultores familiares que, além de crédito agrícola, necessitam de serviços financeiros formalizados e de baixo custo. "A redução de tarifas significa acesso a uma economia mais controlada, à formalização dos empréstimos", afirma ele.

 

Faesc reelege José Zeferino Pedrozo

 

O líder do agronegócio José Zeferino Pedrozo acaba de ser reeleito presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) para mais um mandato de três anos. A meta de Pedrozo, natural de Campos Novos (SC), é aumentar a representação e a defesa do setor primário da economia. A federação reúne mais de 40.000 produtores rurais e integra 110 sindicatos rurais catarinenses.

Lar – O engenheiro agrônomo Irineo da Costa Rodrigues iniciou seu quinto mandato consecutivo à frente da Cooperativa Agroindustrial Lar, com sede em Medianeira (PR). Gaúcho de Canguçu, migrou para o Paraná em 1974, instalando-se em Matelândia. Em 1991 assumiu o comando da Cotrefal, hoje Lar. A cooperativa faturou R$ 972 milhões no último ano. Possui 8.348 associados e atua em 12 municípios. Conta com 14 unidades de recepção de produtos agropecuários.

 

Abracen movimenta R$ 15 bilhões por ano

 

Raul Canal, da Ceasa do Distrito Federal, é o novo presidente da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen), biênio 2007/2009. O secretário da Agricultura de Caxias do Sul, Nestor Pistorello, também diretor da Ceasa Serra, integra o conselheiro fiscal.

Abracen tem cerca de 20 anos de existência e congrega as centrais de abastecimento de todo o Brasil. A entidade tem como bandeira a manutenção da unidade no processo de comercialização dos produtos hortigranjeiros e frutas no país. A Abracen movimenta anualmente em suas dependências valores superiores a R$ 15 bilhões e cerca de 14 milhões de toneladas de produtos.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Nogueira européia

Prezado engenheiro José Zugno, sou um amante de todos os tipos de plantas, mas tenho tido muita dificuldade em encontrar mudas da nogueira européia. Gostaria de uma orientação sua sobre onde poderia encontrar tal planta, pois aqui por São Paulo estou tendo muita dificuldade em achar. Um grande abraço deste seu leitor e um muito obrigado.

Antonio Freire Napoleão

São Paulo – SP

 

Cumprimentos ao amigo pelo interesse em plantar a nogueira européia. O Brasil importa apreciável quantidade de noz européia, sobretudo por ocasião das festas de fim de ano (Natal), quando poderiam ser produzidas nas regiões altas dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. No final do ano passado era vendida nos supermercados da rede Carrefour ao preço de R$ 28,00 ao quilo.

A nogueira européia é de clima temperado, necessitando de frio no inverno, suporta temperatura muitos graus abaixo de zero. Só é prejudicada por geadas primaveris, na época da rebrotação e florescimento. Tendo nome científico Juglans regia L, é originária da Pérsia, mas muito cultivada na Europa, daí o nome de nogueira européia. Árvore grande e ampla copada, de caule cilíndrico, de madeira de lei muito preciosa, de folhas compostas, imparipenadas, flores unissexuais (monóicas), de acordo com as da família juglandáceas; as masculinas reunidas em amentilhos cilíndricos e pendentes; as femininas, em número de 1 a 4, dispostas no ápice dos ramos, ovários unilocular com um só óvulo, fruto drupa que contém a noz arredondada, de casca dura, lenhosa, protegendo a amêndoa saborosa.

No Rio Grande do Sul, a nogueira européia foi introduzida pelos imigrantes italianos. Pessoalmente conheci, nos antigos lotes da minha cidade, Caxias do Sul, belos exemplares de nogueiras européias, muito produtivas. Uma delas estava na rua Garibaldi, no quintal do meu avô Luís Dalcanalle, um dos primeiros imigrantes da região; outra – belíssimo exemplar – no jardim do Dr. Olmiro de Azevedo, na rua Sinimbu, esquina com a rua Guia Lopes; outras, muito conhecidas pela população, no lote da antiga mansão situada na rua Os 18 do Forte, esquina com a rua Alfredo Chaves. Isto para citar apenas três. Infelizmente, tais lotes arborizados deram lugar aos edifícios com o crescimento da cidade, mas no interior dos municípios da região, e nos de altitude de Santa Catarina, existe um bom número de plantas produtivas.

Em São Paulo, encontra-se a presença desta espécie de nogueiras, mas ali não houve nenhum incentivo para o seu cultivo. As autoridades preferiram conceder favores fiscais ao cultivo de outra espécie de nogueira: a nogueira pecã.

Como o amigo constatou, é muito difícil encontrar mudas desta planta. Pelo que sei o Viveiro Beto, de Farroupilha-RS, é um dos poucos que as fornece, inclusive abastecendo o mercado de São Paulo. Segue o endereço:

Viveiro Beto (a/c Sr Maioli): RS 122, Km 57 – Caixa Postal 240 – 95180-000 Farroupilha-RS. Tel.: 0xx14 54 3261.3136 e 3261.2136.

 

SAÚDE

Doenças crônicas ameaçam população brasileira

A freqüência dos fatores de risco é maior nos homens

 

Os homens brasileiros cuidam menos da saúde do que as mulheres. É o que se pode concluir pelos resultados do estudo realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. O objetivo do estudo era detectar na população fatores de risco que contribuem para o surgimento das doenças crônicas não transmissíveis, como males cardiovasculares e câncer. Para isso, foram entrevistadas, por telefone, 54 mil pessoas maiores de 18 anos, em todas as capitais brasileiras, sobre o consumo de cigarro e álcool, atividades físicas, ingestão de alimentos, hipertensão e diabetes. A quantidade de homens atingidos pelos fatores de risco é maior do que as mulheres em todos os quesitos.

Segundo a pesquisa, chamada Saúde Brasil 2006, o consumo abusivo de álcool foi admitido por 8,1% da população feminina e 16,1% da masculina. A pesquisa considerou consumo abusivo a ingestão de mais de quatro doses diárias nos últimos 30 dias, no caso das mulheres, e mais de cinco doses para os homens.

Na maioria das cidades estudadas, a freqüência do consumo de bebidas alcoólicas em excesso foi duas vezes maior em homens do que em mulheres. Em ambos os sexos, a freqüência de abuso do álcool foi maior entre os jovens, alcançando cerca de 30% dos homens e cerca de 10% das mulheres com idade entre 18 e 44 anos. A partir dos 45 anos, o excesso de álcool declina progressivamente até chegar a 5% dos homens e 1% das mulheres com 65 anos ou mais.

A freqüência de adultos na condição de completa inatividade física foi elevada em todas as cidades estudadas. Novamente os homens são mais relapsos. A inatividade física é duas vezes mais freqüente entre eles (39,8%) do que nas mulheres (20,1%). Em ambos os sexos, a freqüência da condição de inatividade física foi máxima na faixa etária de 65 ou mais: 65,4% para homens e 50,3% para mulheres. Nas demais idades, a freqüência do sedentarismo pouco variou, alcançando cerca de 40% dos homens e cerca de 15% das mulheres.

O estudo considerou como inativos físicos indivíduos que não praticam qualquer atividade física no lazer, não realizam esforços físicos intensos no trabalho, não se deslocam para o trabalho a pé ou de bicicleta e não são responsáveis pela limpeza pesada de suas casas.

O tabagismo mostra-se mais disseminado entre homens em praticamente todas as cidades, com exceção de Goiânia e Rio de Janeiro, onde o índice é semelhante nos dois sexos. A capital gaúcha tem a maior freqüência de adultos fumantes.

As doenças crônicas não transmissíveis representam um dos principais desafios de saúde para o desenvolvimento global nas próximas décadas. Segundo o estudo "Saúde Brasil 2006", de 2002 a 2004 ocorreram 1.858.370 óbitos por essas doenças, representando 61,8% do total de mortes registradas no período. Desse universo, os males cardiovasculares responderam por 27,5% dos óbitos.

Cada vez mais, as doenças crônicas não transmissíveis exercem pressão sobre o sistema de saúde brasileiro. Considerando estimativas de custos de consultas, internações e cirurgias, os gastos chegam a R$ 10,9 bilhões por ano. Além disso, essas doenças têm um forte impacto na qualidade de vida dos indivíduos afetados e familiares, uma vez que causam morte prematura dos doentes.

 

43% dos brasileiros estão acima do peso

 

O levantamento também indica que 43% dos brasileiros estão com o peso acima do ideal, ou seja, com Índice de Massa Corporal superior a 25 (IMC = peso/altura2). Os obesos, com IMC acima de 30, são 11,4% da população.

Porto Alegre é a capital com o maior percentual de homens com quilos extras, 54,2%. A relação entre nível de escolaridade e peso é diferente entre homens e mulheres. No sexo masculino, o excesso de peso tende a aumentar discretamente com a escolaridade, enquanto no sexo feminino o excesso de peso diminui intensamente com a escolaridade.

Os pesquisadores acreditam que os hábitos alimentares dos brasileiros são os responsáveis pelo problema do peso. Pratos como a tradicional feijoada são ricos em gordura. Além disso, o consumo de frutas e verduras está bem abaixo do recomendado, que é de 400 gramas diárias, pelo menos cinco vezes por semana.

As mulheres consomem duas vezes mais frutas e hortaliças do que eles. Em ambos os sexos, o consumo regular desses alimentos aumenta com a idade. 11% dos homens e 18% das mulheres, com idade entre 18 e 24 anos, consomem regularmente frutas e hortaliças. Na faixa dos maiores de 64 anos, cerca de 30% da população afirmam consumir regularmente frutas, verduras e legumes.

Situação semelhante ocorre com relação ao nível de escolaridade, particularmente no caso da população masculina: 13% dos homens com até oito anos de escolaridade consomem regularmente frutas e hortaliças, contra 31% na escolaridade correspondente a doze ou mais anos de estudo.

 

Mulheres identificam hipertensão mais previamente

 

O levantamento Saúde Brasil 2006 aponta ainda que mais mulheres (24,4%) do que homens (18,4%) têm diagnóstico prévio de hipertensão arterial. Em ambos os sexos, o diagnóstico de hipertensão arterial se torna mais comum com a idade, alcançando cerca de 5% dos indivíduos entre os 18 e os 24 anos de idade e mais de 50% na faixa etária de 65 anos ou mais de idade.

Quando fala-se em diabetes, 6% das mulheres e 4,4% dos homens referem o diagnóstico médico prévio da doença. Também no caso do diabetes, em ambos os sexos, o diagnóstico da doença se torna mais comum com o avanço da idade, alcançando cerca de 1% dos indivíduos entre os 18 e os 24 anos de idade e de 17% a 20% na faixa etária de 65 anos ou mais.

Esses indicadores tendem a subestimar a freqüência real da hipertensão e do diabetes na população, na medida em que não consideram os casos não diagnosticados dessas doenças. Entretanto, fornecem informações úteis para se avaliar a demanda por cuidados de saúde originada por essas doenças.

 

OPINIÃO

Um Pastor para anos de chumbo

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Com dom Ivo à frente, a Igreja brasileira adquiriu credibilidade sem par no mundo. Jamais o vi sequer titubear. Seguia adiante apoiado apenas em sua fé, consciente de que suas palavras marcavam rumo e abriam caminho para a liberdade e a esperança de toda uma geração

 

Emocionadamente li nos jornais a notícia de sua morte. Parece mentira que aquele homem grande por fora, mas sobretudo por dentro, haja perdido a batalha para a morte. Sempre me pareceu que avançava pela vida, com seu enorme volume de vigor e bondade, imune às intempéries e aos perigos.

A Igreja do Brasil recorda e chora dom Ivo Lorscheiter, arcebispo emérito de Santa Maria, vítima de complicações resultantes de uma cirurgia no estômago. Tinha 79 anos e completaria 80 em dezembro. Sua pessoa e atuação deixaram marca indelével na história da Igreja do Brasil.

Conheci dom Ivo no ano de 1976, quando, recém-formada em comunicação social pela PUC, fui chamada pelo então padre Alfredo Novak, coordenador do setor de Meios de Comunicação Social da entidade. Impressionou-me desde o primeiro momento a magnitude de sua pessoa. Magna no tamanho, no timbre da voz pausada e forte, nos gestos comedidos e diretos realizados por mãos enormes. Magna sobretudo pela coragem decidida e serena com que enfrentava tudo e todos em nome da justiça e da solidariedade com os mais pobres.

Corriam os anos de chumbo. Os cárceres brasileiros escondiam em seus porões a sombra escura e nauseabunda da tortura, da injustiça, do terror. Em outros países vizinhos, Chile, Argentina, Uruguai, ditaduras ainda mais sangrentas davam espetáculo de horror e violência ao mundo, prendendo e torturando jovens por suas idéias e posições políticas. No Brasil, apenas uma voz podia levantar-se e ser ouvida sem risco de ser calada para sempre: a da Igreja.

Dom Ivo foi protagonista deste momento e assumiu esse papel sem titubear um só momento. A sede da CNBB servia de lugar de trânsito dos refugiados políticos que vinham de outros países latino-americanos rumo ao exílio. Ali moças grávidas e jovens rapazes foragidos encontravam abrigo, ajuda e documentos para partir rumo ao exílio e à liberdade. Como secretário-geral da CNBB priorizou em seu mandato à frente da entidade a defesa dos direitos humanos a tempo e a contratempo.

Também como secretário e depois como presidente, recebia jornalistas e denunciava injustiças, sem medo. Jamais o vi recuar diante da necessidade de tomada de posição da Igreja do Brasil frente a uma situação difícil e espinhosa. Mais: jamais o vi sequer titubear. Seguia adiante apoiado apenas em sua fé e com a graça de estado de seu ministério, consciente de que suas palavras marcavam rumo e iam lentamente abrindo caminho para a liberdade e a esperança de toda uma geração.

Protagonista de um tempo histórico em que a Igreja e o governo brasileiro seguiram sempre rumos diversos e falaram linguagens conflitantes, foi o último bispo brasileiro nomeado por Paulo VI ainda com o Concílio Vaticano II em andamento, em 1965. Mal teve tempo de respirar o vento liberalizante que vinha de Roma. A situação interna o colocou à frente da CNBB no período mais obscuro do regime militar.

Com dom Ivo Lorscheiter à frente, a Igreja brasileira adquiriu uma credibilidade sem par no mundo inteiro. Por toda parte inclinava-se o ouvido para sentir por onde ia o episcopado brasileiro traduzido pelas palavras de seu presidente. Outras latitudes e outras igrejas observavam respeitosamente essa Igreja profética, que não recuava diante do poder desmedido e cruel de uma ditadura sangrenta. Dom Ivo, firme e serenamente, conduzia a Conferência com inspirada coragem.

Hoje, o servo fiel comparece diante de seu Senhor. E com ele vai o agradecimento profundo de todo o povo de Deus que, em momentos difíceis e aflitivos, pôde sentir apoio em seus pastores. Certamente sua evangélica liderança muito contribuiu para isso. O incansável pastor agora repousa nos braços d´Aquele a quem entregou a vida. A nós que tivemos o privilégio de acompanhar um breve trecho de sua trajetória resta agradecer e aprender com seu inesquecível testemunho.

 

VOCÊ È RICO?

Frei Betto

O egoísmo (eu primeiro, depois eu e, em seguida, os demais) encontrou no capitalismo sua fértil e expansiva cultura. O que é um mal passou a ser um direito: o de acumular riqueza em detrimento da pobreza alheia

 

Quase todo mundo gostaria de ser rico. Este sonho abastece loterias, bingos e certas igrejas que, em troca do minguados recursos dos fiéis, prometem prosperidade na Terra e confortável eternidade no Céu. Pena que ser rico é, para muitos, uma questão de sorte, como nascer numa família abastada ou ganhar na mega-sena; para outros, uma questão de oportunidade, como os corruptos; para uns poucos, fruto de inteligência e trabalho, como é o caso de Bill Gates, que largou a faculdade para distrair-se com informática na garagem de casa e teve seu pedido de cartão de crédito recusado pela American Express por falta de renda suficiente.

Calcula-se que a fortuna da espécie humana, somados rendas e patrimônios, atinja, hoje, algo em torno de 133,25 trilhões de dólares. Mais da metade está em mãos de apenas 2% da população mundial, ou seja, 13 milhões de pessoas, a população da capital paulista. Na outra ponta, metade das pessoas mais pobres, que somam cerca de 4 bilhões, dispõem de apenas 1% da riqueza do mundo, o equivalente a 133,5 milhões de dólares. Os dados são do Instituto Mundial de Pesquisa Econômica do Desenvolvimento, vinculado à Universidade da ONU, que funciona na Finlândia.

Se você possui patrimônio superior a R$ 135 mil, saiba que faz parte do seleto clube dos 10% mais ricos da população mundial. Dá para chamar Bill Gates de colega, embora o patrimônio dele seja equivalente ao que o Brasil possui de reserva cambial US$ 80 bilhões (US$ 56 bi segundo a revista Forbes). Gates, contudo, integra também um outro clube, fechadíssimo, o que reúne 1% de adultos (37 milhões de pessoas) com patrimônio superior a US$ 500 mil.

Se seu patrimônio é de R$ 4,8 mil, considere-se felizardo, pois você faz parte da metade superior da escala mundial de riqueza. A riqueza mundial está de tal modo concentrada em tão poucas mãos que, se fosse equitativamente distribuída, cada habitante do planeta embolsaria US$ 20,5 mil, ou seja, algo em torno de R$ 45 mil.

Quase 90% da fortuna mundial pertencem aos habitantes dos EUA, do Canadá, da Europa, do Japão e da Austrália. Apesar de os EUA e o Canadá abrigarem apenas 6% da população adulta do mundo, ela embolsa 34% do patrimônio domiciliar total. Quase 1/3 (32,6%) da riqueza dos 10% mais ricos do mundo concentra-se nos EUA. Não é à toa que tantos miram aquele país como as caravanas do deserto enxergam oásis em cada duna de areia...

E o Brasil? Possui apenas 1,3% da riqueza mundial, embora reúna 2,8% da população da Terra. Aqui, os 10% mais ricos têm patrimônio equivalente a 1,5% do patrimônio dos 10% mais ricos do mundo. Se a comparação é feita com os 10% mais pobres do mundo, nosso país fica com 1,9% do patrimônio.

A China não figura entre os mais ricos porque o patrimônio médio de sua população é modesto e a distribuição de renda equilibrada, segundo os padrões internacionais. Quando um país enriquece, modifica-se a maneira de sua população reter patrimônio. Nas nações emergentes, como a nossa, os ricos o preferem na forma de imóveis, terrenos e terras (haja latifúndio!). Nas de renda média, predominam a poupança e aplicações financeiras. Nos mais ricos, como EUA e Reino Unido, as fortunas são multiplicadas através de ações e aplicações financeiras sofisticadas, mantém-se o dinheiro em paraísos fiscais ou investe-se em países pobres, ansiosos por atrair capital estrangeiro. Contudo, uma boa notícia para os mais pobres: sua população é menos endividada, não por precaução das pessoas, e sim porque as instituições financeiras não costumam oferecer crédito a quem não tem renda nem patrimônio.

A pesquisa da ONU demonstra que estamos longe da justiça global. O egoísmo (eu primeiro, depois eu e, em seguida, os demais) encontrou no capitalismo sua fértil e expansiva cultura. O que é um mal passou a ser um direito: o de acumular riqueza em detrimento da pobreza alheia.

Até quando os pobres suportarão tamanha injustiça? Na América Latina a resposta começa a ser esboçada: com 40% de sua população condenada à pobreza e à miséria, os eleitores manifestaram nas urnas, este ano, que preferem presidentes eleitoralmente comprometidos com mudanças sociais. Resta saber se administrativamente haverão de corresponder às expectativas ou preferirão chocar o ovo da serpente.

 

NACIONAL

Coalizão dita perfil do ministério

Trocas buscam apoio. PMDB tem cinco ministros e Tarso assume Justiça

 

"Não é apenas uma troca de um homem por outro homem. De um partido por outro partido. O que estamos consagrando a cada ministro que eu nomeio é um novo jeito de fazer política no nosso país... É a construção de uma política de coalizão que envolve partidos, governadores e prefeitos". A declaração é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de posse, na sexta 16, dos ministros Tarso Genro (Justiça), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e José Temporão (Saúde). Antes Lula afirmou que os ministros que ganham "R$ 7 mil, R$ 8 mil por mês podem ser considerados heróis".

A nova forma de fazer política nada mais é do que oferecer cargos em troca de apoio. O PMDB foi o mais aquinhoado. Com a reforma, o partido passa de dois (Minas e Energia e Comunicações) para cinco ministérios. Agora comanda também Integração Nacional, Saúde, Agricultura, Minas e Energia e Comunicações. A dimensão das negociações políticas pode ser medida pelo ministro empossado na disputadíssima pasta da Integração, o deputado baiano Geddel Vieira Lima, até recentemente um feroz opositor ao governo Lula. Ele aderiu ao clube do neolulismo, onde foi recebido de braços abertos.

O PMDB também ficará com a Agricultura. O primeiro indicado, com influência direta do Palácio do Planalto, foi Odílio Balbinotti, gaúcho nascido em Gaurama e eleito deputado federal pelo PMDB do Paraná. Pressionado pela divulgação de que é réu em processo por falsidade ideológica no Supremo Tribunal Federal e de que teria usado "laranjas" para conseguir alongar dívida de sua empresa, entre outras irregularidades cometidas, Balbinotti desistiu. Até a segunda ao meio-dia quatro nomes disputavam o cargo.

Justiça – A posse mais concorrida foi a de Tarso Genro no Ministério da Justiça. O advogado natural de Bagé (RS) deixa a Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política do governo, para ocupar o posto que era de Márcio Thomaz Bastos. Tarso admitiu que a Justiça é um ministério muito político, "talvez o mais político de todos". Mas ele precisará também realizar um trabalho amplo na área de segurança. "Eu defendo a criação de uma Força Nacional de Segurança", afirmou. "Queremos dotar o Ministério de organismos mais fortes para combater o crime organizado", acrescentou. Sobre a redução da maioridade penal, afirmou que não é a favor.

Também tomou posse o médico José Gomes Temporão no Ministério da Saúde. Ele faz parte da cota peemedebista no governo Lula, embora seja um técnico com atuação em vários órgãos de saúde – desde 2005 chefiava a secretaria de atenção à Saúde do governo federal.

As mudanças desencadearam reação em cadeia, A pasta das Relações Institucionais, que era de Tarso, será ocupada por Walfrido Mares Guia, que estava no Turismo, provável destino da petista Marta Suplicy. Outra mudança ocorre na Previdência Social, que deve ser ocupada pelo presidente Nacional do PDT, Carlos Lupi. Luiz Furlan deixará o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Mas seu sucessor permanece indefinido. É mais um cargo que pode ser usado em nome da coalizão, caminho que Lula definiu como o melhor para a governabilidade.

 

MEIO AMBIENTE

LIDANDO COM A ESCASSEZ

Dentro de 20 anos, 60% da população da Terra terá problemas com a falta de água. Por isso, a escassez é o tema da ONU para o Dia Mundial da Água 2007

 

Dentro de 20 anos, pelo menos 60% da população mundial deverá enfrentar problemas com a escassez de água. A advertência é do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Até 2025, a FAO calcula que 1,8 bilhão de pessoas viverão em países ou regiões com drásticos problemas de acesso à água.

Os dados atuais da organização mostram que mais de 1 bilhão de pessoas já têm problemas com a falta de água potável para suas necessidades diárias. Em alguns locais do planeta, agricultores enfrentam severas disputas pelas fontes. Outras 2,6 bilhões de pessoas também não têm instalações aceitáveis de saneamento.

Além disso, o consumo de água dobrou em relação ao crescimento populacional no último século. Lembrando o Dia Mundial da Água, em 22 de março, o diretor da unidade de gerenciamento dos recursos hídricos da FAO, Pasquale Steduto, pediu mais esforços nacionais e internacionais para proteger os recursos hídricos do planeta.

"Lidando com a escassez de água" é o tema da ONU para o Dia Mundial da Água deste ano. Instituída em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco 92), no Rio de Janeiro, a data visa estimular a reflexão sobre a situação dos recursos hídricos, além de sensibilizar os diversos atores sociais para a elaboração de medidas práticas voltadas à solução de problemas.

É importante destacar que a escassez de água não se restringe às regiões semi-áridas e/ou desérticas. Há diversas áreas que apresentam abundância em termos quantitativos, mas escassez em relação à qualidade dos recursos hídricos. Para a Organização das Nações Unidas, o conceito de escassez tem a ver com o desequilíbrio entre a disponibilidade e a demanda.

De acordo com a ONU, a escassez será mais severa em locais hoje já secos, onde moram mais de dois bilhões de pessoas e metade das populações pobres, que vivem com US$ 1 ou menos por dia. Encontram-se nessa faixa a maioria dos países no Oriente Médio e no Norte da África, além de México, Paquistão, África do Sul e grandes áreas da China e da Índia.

Conforme a ONU, o consumo de água no último século cresceu duas vezes mais rápido do que o aumento da população mundial. A agricultura é o maior consumidor de água em nível mundial, utilizando 70% de toda água doce disponível em lagos, rios e reservatórios. Em alguns países em desenvolvimento, esse percentual alcança os 90%.

São necessários 15 mil litros para que seja produzido um quilo de carne cujo animal tenha sido alimentado com ração baseada em grãos. A produção de um quilo de trigo exige o consumo de 1,5 mil litros; enquanto uma pessoa precisa beber de dois a cinco litros por dia.

A FAO diz que uma das soluções para o problema da falta de água é o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas que aproveitam a água da chuva para regar as plantações e reduzir o desperdício ao irrigar as lavouras, além da mudança nos hábitos alimentares. "A comunidade global tem conhecimentos para lidar com a escassez de água. O que é necessário é agir", alerta Pasquale Steduto.

 

Sede já atinge países da Europa e América do Norte

 

A falta de água, vista como um problema dos países mais pobres, afeta cada vez mais os ricos, adverte o relatório "Países ricos, pobre água" da rede de conservação ambiental WWF. Mudanças climáticas, perda de áreas alagadas, infra-estruturas inadequadas e mau gerenciamento dos recursos transformaram a questão em "problema verdadeiramente global", disse o supervisor do levantamento, Jamie Pittock.

Riqueza econômica não se traduz em abundância de água, observa o relatório. "Escassez e poluição estão se tornando mais comuns, e a responsabilidade por encontrar soluções cabe tanto a países ricos quanto a pobres", reforça Pittock. O WWF alertou as nações em desenvolvimento para que não desperdicem a chance de "aprender com os erros do passado", cometidos pelos países ricos.

O desperdício e a escassez de água são dois lados da mesma moeda, indica o relatório. Algumas das cidades mais ricas do mundo, como Houston, no Texas (EUA), e Sidney, na Austrália, consomem mais água do que são capazes de repor. Nos Estados Unidos e no Japão, o uso diário de água per capita alcança os 350 litros, enquanto cada europeu consome 200 litros por dia.

Na África subsaariana, o consumo diário per capita é de no máximo 20 litros. Em Londres, a infra-estrutura ultrapassada gera volume de perdas equivalente a 300 piscinas olímpicas por dia (750 milhões de litros). Segundo o levantamento, regiões áridas da Europa, como a maior parte da Espanha e Portugal, devem sofrer "severamente" com a escassez de água em 2070. O relatório antecede a Semana Mundial da Água, evento que será realizado em Estocolmo, na Suécia, de 20 a 26 de agosto deste ano.

 

Carta de Princípios assinada em Itaipu

 

No Dia Mundial da Água de 2007, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, assina a Carta de Princípios Cooperativos pela Água. O evento vai ocorrer na Fundação Parque Tecnológico Itaipu, em Foz do Iguaçu, Paraná. Participam da assinatura as Nações Unidas, a Agência Nacional de Águas, a Itaipu Binacional e a Fundação Roberto Marinho.

A iniciativa busca congregar instituições governamentais formuladoras de políticas públicas, usuários de água, sociedade civil e agências da ONU, para uma reflexão sobre a gestão das águas no Brasil e, diante disto, será formulada a carta.

Caminho – Um kit educativo com o objetivo de capacitar professores e levar às escolas públicas informações sobre o uso sustentável da água foi lançado pela ANA. O kit traz informações sobre as bacias hidrográficas dos rios Doce, Piracicaba, Paraíba do Sul e São Francisco. Informações http://www.caminhoaguas.org.br

 

Ações visam a gestão dos recursos hídricos

 

Oferecer à sociedade brasileira e aos tomadores de decisão informações atuais sobre as políticas de ação, o modelo institucional, os avanços e os desafios da gestão de recursos hídricos no país é o objetivo do relatório GEO Brasil Recursos Hídricos, lançado pela Agência Nacional de Águas (ANA).

O documento traz uma série de relatórios sobre o estado e perspectivas do meio ambiente no país. Sistematiza, pela primeira vez, informações sobre a situação da água brasileira, além de traçar 91 recomendações para um futuro sustentável desse patrimônio.

O GEO Brasil Recursos Hídricos traça linhas de ação e aponta recomendações em prol da sustentabilidade da água.

Num contexto de mudanças climáticas, o Brasil tem responsabilidade especial no que concerne à gestão dos recursos hídricos, por abrigar cerca de 12% das águas doces superficiais do planeta.

Alguns dados ajudam a ilustrar a situação. A vazão média anual dos rios em território nacional é de aproximadamente 180 mil metros cúbicos por segundo. Para se ter uma dimensão real desse valor, vale uma comparação: esse volume é equivalente ao conteúdo somado de 72 piscinas olímpicas (180 milhões de litros) fluindo a cada segundo.

 

Obras de transposição do rio São Francisco começam neste mês

 

As obras de transposição do rio São Francisco devem começar, no máximo, até o fim deste mês. A previsão é do Ministério da Integração Nacional. Só falta o Ibama conceder a licença de instalação para que os trabalhos possam ser iniciados. O edital para execução da obra foi publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira, 12.

Até o ano de 2010, só na revitalização do rio, serão investidos cerca de R$ 1,3 bilhão. "Para este ano são R$ 247 milhões em obras de saneamento básico, desassoreamento, revitalização de nascentes e para dar aos ribeirinhos a condição de água tratada que eles ainda não têm hoje", anunciou o então ministro Pedro Brito (substituído no cargo por Geddel Vieira na sexta 16, leia pág. 9).

A primeira etapa da obra está dividida em 14 lotes para permitir que as empresas que ganharem a concorrência "possam atacar simultaneamente a todos os lotes e concluir a obra até 2010". As águas do São Francisco serão transferidas de uma bacia a outra por meio de um sistema de bombeamento.

A própria ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, defendeu a obra. "A concessão da licença prévia para transpor o rio São Francisco obedeceu a normas técnicas", justificou. O Ibama garantiu a viabilidade da transposição, desde que respeitadas alterações como a redução da retirada de água, de 146 m³/s para 26 m³/s. "Estamos respeitando a legislação ambiental brasileira", disse.

Movimentos – Os movimentos sociais são contrários à transposição e propõem a revitalização. Na sexta 16, entraram com nova ação judicial no Supremo Tribunal Federal contra a transposição. Acampados na capital federal, pressionam o governo para o fim do projeto. Um dos coordenadores do projeto São Francisco Vivo (de organizações da sociedade civil), Alexandre Gonçalves, diz que a integração não vai resolver o problema da seca. "Ela irá estimular o desenvolvimento predatório da região Nordeste, que beneficiará empresários e industriais", afirma.

Conforme Gonçalves, apenas 4% das águas vão para população difusa, para os agricultores que vivem no sertão. "Grande parte dessa água, mais de 70%, está indo para o projeto de irrigação, grandes perímetros irrigados, e para criação de camarão, para o pólo siderúrgico", destaca.

O sociólogo Rubem Siqueira, que esteve em Brasília, concorda. Ele disse que com "a verdadeira" recuperação do rio existirá água para consumo humano e desenvolvimento sustentável do Nordeste. "A transposição é para irrigação, para produção e exportação de frutas e camarão. Não é água para o que dizem que é", garante.

 

Projeto foi concebido na época de Dom Pedro II

 

A transposição do rio São Francisco é uma discussão antiga no Brasil. Ainda na época do Império, durante o reinado de Dom Pedro II, foi concebido o primeiro projeto de transposição do São Francisco, visando minimizar os efeitos do clima (leia-se seca) semi-árido no sertão nordestino.

De lá para cá, outros projetos se sucederam, mas nunca foram implementados. Contudo, agora, parece que esse objetivo está sendo levado a sério. E o governo federal se mobiliza para iniciar o que seria, juntamente com a Itaipu e a Transamazônica, as maiores obras de engenharia desse país.

Mas a idéia da transposição está longe de ser unanimidade. Se, para o governo, a obra é inadiável, por outro lado não faltam opiniões contrárias. O principal nome da oposição é o bispo de Barra (BA), Luiz Flávio Cappio, que esteve em greve de fome de 26 de setembro a 6 de outubro de 2006, como forma de protesto à realização da obra. Entre as alternativas à transposição, estão o melhor gerenciamento dos recursos hídricos e a construção de uma cultura de convivência com a problemática da seca.

O São Francisco possui 2.800 km de extensão e drena uma área de 641.000 km². O rio nasce em Minas Gerais, na Serra da Canastra, desemboca no Atlântico. O Velho Chico atinge ainda Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará.

 

Movimento debate modelo energético

 

O 14 de março é, todos os anos, um dia de atos e protestos mundiais contra a construção de barragens, em defesa da vida e da natureza e pelos direitos dos atingidos pelas barragens.

Este ano, no Brasil, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) lançou a campanha "o preço da luz é um roubo" nas principais capitais do país.

Segundo a Comissão Mundial de Barragens (CMB), órgão ligado à ONU, no mundo existem 80 milhões de pessoas atingidas diretamente, ou seja, deslocadas fisicamente pela construção de barragens.

Os impactos ambientais também são grandes. De acordo com o relatório da CMB, 60% dos rios foram degradados ou fragmentados por causa das barragens, muitos em território brasileiro.

 

Iniciativa é tapeação, diz dom Balduíno

 

Os problemas de distribuição e abastecimento de água no Semi-Árido brasileiro, que afetam cerca de 9 milhões de pessoas, podem ser evitados com a "verdadeira" revitalização do rio São Francisco. Dessa forma, a transposição não seria necessária. A avaliação é do conselheiro da Comissão Pastoral da Terra, dom Tomás Balduíno.

Dom Balduíno disse que o projeto de recuperação proposto pelo governo federal é "tapeação" e só servirá para antecipar as obras da transposição. O projeto de transposição do rio pretende construir dois canais (700 km), norte e leste, para levar águas do São Francisco em direção ao chamado Nordeste Setentrional.

Contudo, de acordo com dom Tomás Balduíno, o projeto vai beneficiar apenas a "indústria da seca". "As empreiteiras vão ganhar. Como não têm mais o que fazer em termos de açude, já esgotou a capacidade de fazer açudes no Nordeste, descobriram a mina de ouro de bilhões que é a transposição", denunciou.

Para o representante da igreja Católica propostas alternativas poderiam recuperar o rio e levar água a quem realmente precisa. Entre elas, cita o Atlas da Agência Nacional de Águas (ANA), publicação que reúne 530 propostas de obras de armazenamento, manejo e distribuição. "As obras da ANA atingem nove Estados, enquanto que no projeto de transposição do Velho Chico do governo federal estão previstos para apenas quatro", concluiu.

 

IGREJA

Frei Galvão representa povo brasileiro

Primeiro santo nascido no Brasil será canonizado no dia 11 de maio

 

A confirmação da canonização do bem-aventurado frei Antonio de Sant’Ana Galvão, no dia 11 de maio, em São Paulo, foi recebida com grande alegria pelos brasileiros. Finalmente, o país com o maior número de católicos do mundo (125 milhões) vai ter seu primeiro santo nascido em solo pátrio. E o evento se reveste de grande significado porque, normalmente, as canonizações são feitas no Vaticano, mas desta vez, o Papa Bento XVI vai presidir a cerimônia na missa que celebrará no Campo de Marte, em São Paulo, durante sua visita ao Brasil.

Para a postuladora da causa de canonização de Frei Galvão, irmã Célia Cadorin, da Congregação da Imaculada Conceição, o frade franciscano é uma figura extraordinária, sobretudo "porque representa o nosso povo brasileiro". Irmã Célia, que também coordenou a causa de beatificação e canonização de Madre Paulina, venerada como primeira santa do Brasil, mas que nasceu na Itália, salienta que ele já é muito invocado no Brasil e tem alcançado muitas graças. Torná-lo santo cria um momento positivo para todos os católicos do país e também amplia sua veneração para toda a Igreja Católica e universal.

A postuladora destaca que Frei Galvão foi uma pessoa de intensa delicadeza, ternura e bondade, sendo por isso declarado "santo" da paz e da caridade. Irmã Célia o define como "a ternura de Deus", por seu coração compassivo em favor dos mais pobres e necessitados. Por outro lado, ele deverá ser venerado como patrono da construção civil (dos pedreiros, carpinteiros, marceneiros, pintores, serralheiros etc), título que lhe foi concedido pelo Papa João Paulo II no ano 2000. João Paulo II o beatificou no dia 25 de outubro de 1998, dia oficial de sua veneração litúrgica.

Franciscano – O primeiro santo genuinamente brasileiro nasceu em Guaratinguetá (SP), no ano de 1739. Foi ordenado sacerdote franciscano em 1762. Consagrou-se a Nossa Senhora da Imaculada Conceição. São de sua inspiração as "pílulas de Frei Galvão", pequenos papéis com invocação de Nossa Senhora, procuradas pelos devotos em momentos de angústia e doença. Faleceu em São Paulo no ano de 1822, com fama de santidade. Seu corpo repousa na capela do Mosteiro da Luz, construído por ele.

 

Milagres salvaram vida de duas crianças

 

Para a canonização, é necessário o reconhecimento de dois milagres. No caso de Frei Galvão, o primeiro, aprovado pelo Vaticano, foi a cura de uma criança de quatro anos, Daniela Cristina da Silva, de São Paulo. Em 1990, Daniela permaneceu diversos dias em coma, com insuficiência hepática fulminante. No fim desse período teve parada cardiorespiratória e quase morreu. Foi aí que a família e amigos invocaram Frei Galvão e, milagrosamente, a menina se curou.

O segundo milagre ocorreu em uma gravidez de altíssimo risco, da química paulistana Sandra Grossi de Almeida. Com má formação do útero (pequeno demais para que um feto crescesse e se formasse), Sandra já tinha passado por três abortos espontâneos. Na quarta tentativa, em 1999, apesar dos prognósticos de que a gravidez não pudesse ir até o fim, a gestação evoluiu normalmente e Sandra realizou parto cesariano no dia 11 de dezembro, sem complicações.

A criança nasceu com sérios problemas respiratórios, mas, para surpresa dos médicos, no dia seguinte desapareceram todos os sinais da doença de Enzo de Almeida Galafassi, hoje um saudável garoto de sete anos. Pessoa de fé, Sandra tomava regularmente as pílulas de Frei Galvão, pequenas tiras de papel de arroz contendo uma oração do frade, que são distribuídas no Mosteiro da Luz, em São Paulo. O caso foi considerado pelos peritos médicos da Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano sem uma explicação humana.

 

Novos santos para a Igreja em junho

 

No Consistório ordinário público, realizado em fevereiro, que autorizou a canonização de frei Antônio de Sant’Ana Galvão, o Papa Bento XVI também anunciou a canonização de outros quatro bem-aventurados.

Os futuros santos, que serão canonizados dia 3 de junho de 2007, em Roma, são o sacerdote maltês, Jorge Preca, fundador da Sociedade da Doutrina Cristã; frei Simão de Lipnica, da Ordem dos Frades Menores; Carlos de Santo André (João André Houben), sacerdote holandês da Congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo; e Maria Eugênia de Jesus (Ana Eugênia Milleret de Brou), francesa, fundadora do Instituto das Irmãs da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria.

 

ELE A DESMANCHOU

Padre Zezinho

Os holofotes da paixão podem cegar o coração para outras realidades da vida

 

Ele se dizia sócio de um desmanche, palavra delicada para expressar o que ele realmente fazia. Roubava carros e os levava a um desmanche. Vivia do alheio. Intocável na cidade porque, afinal, havia gente do outro lado que ao invés de reprimi-lo participava da "empresa".

Quando pôs os olhos na menina linda, graciosa e também descabeçada, disse-lhe: "quero você". Dali em diante não houve como evitar aquela relação. Nem pai, nem mãe, nem irmão, nem padre, ninguém conseguiu convencê-la de que ele não servia para ela. Aos 18 anos, lá foi ela morar com aquele moço ‘maravilhoso’ que andava de moto, tinha dinheiro sem trabalhar e, além disso, era um grande líder, de gangue, mas líder.

Para ela valiam os passeios de moto, as viagens, o tempo com ele. Foi mudando de comportamento, foi trocando os trajes e tornando-se cada dia mais algoz. Não houve jeito, acabou saindo de casa, porque perdera o respeito por si mesma e pelos pais. Foi morar com ele. Três anos depois, a notícia. Ele morrera num acidente, empurrado para fora da estrada e todos garantem que foi "queima de arquivo". Ela se descobriu, por causa da droga, com Aids. Voltou para casa, onde os pais acolheram a filha pródiga, que em seis meses estava no leito de morte.

Ao padre que a visitou no hospital, pediu desculpas e disse: "Eu não quis ouvir ninguém. Estava enfeitiçada por ele. Não posso dizer que não fui avisada. Se Deus tiver pena de mim e, apesar do que fiz, me deixar ir para o céu, passarei a eternidade rezando para que minha filha não cometa o erro que cometi. Gostaria que ela vivesse pelo menos uns 80 anos. Eu estou morrendo aos 22!". Sete pessoas foram ao enterro.

Droga, banditismo, marginalidade, prostituição a levaram muitos anos antes do programado. Deus não quis aquilo, foi ela quem escolheu. Os holofotes da paixão cegaram seu olhos e seu coração para as outras realidades da vida.

 

Paróquias celebram 70 anos de criação

Comunidades de Evangelista e Montauri foram erigidas em 1957

 

Duas paróquias da diocese de Passo Fundo estão completando 70 anos de história em 2007 – a paróquia Santo Antônio, de Evangelista, Casca; e a paróquia São José, de Montauri. Em Evangelista, a data será comemorada no dia 25 de março, com celebração de ação de graças e grandes festejos. Em Montauri, os 70 anos foram comemorados no domingo, 18 de março, com festa e presença do atual pároco, padre Adroaldo Ciapparini, e diversos dos 12 párocos que atuaram na paróquia desde sua criação.

Em Evangelista, o jubileu será comemorado com missa festiva, às 10 horas, com a presença dos padres que trabalharam na paróquia, do bispo, religiosos e convidados, especialmente os que nasceram na comunidade e hoje vivem espalhados pelo Estado e país. Ao meio dia haverá almoço de confraternização e, na parte da tarde, diversas atrações.

A paróquia de Evangelista foi criada no dia 20 de janeiro de 1937, por dom João Becker, arcebispo de Porto Alegre. No dia 7 de março do mesmo ano houve a posse do primeiro pároco, padre Alexandre Studzinski, que esteve à frente da comunidade por 30 anos. Em 1944 foi inaugurada a atual matriz.

Atuaram em Evangelista, além de padre Alexandre, outros 14 sacerdotes. Padre Dalci Debastiani é o atual pároco. Hoje, a comunidade conta com cerca de 600 famílias, distribuídas em 14 comunidades organizadas, incluída a da matriz. A região foi marcada pelo êxodo rural e muitas pessoas que nasceram na paróquia hoje vivem em outras cidades. Segundo padre Dalci, mais de três mil convites foram distribuídos para a festa dos 70 anos.

Montauri – A paróquia de Montauri foi criada no dia 25 de janeiro de 1957, também por dom João Becker. Padre Marcos Bampi foi nomeado seu primeiro pároco. A paróquia tem 14 comunidades, formadas em sua maioria por descendentes de italianos. Uma peculiaridade marca a paróquia de Montauri. Ela é formada por comunidades que estão localizadas em quatro municípios – Montauri, Serafina Corrêa, Vila Maria e Casca.

 

CNBB repudia matéria da Veja contra Dom Ivo

 

Em nota assinada por sua presidência, a CNBB manifestou seu firme repúdio a acusações infundadas da Revista Veja feitas contra dom Ivo Lorscheiter, falecido no dia 5 de março em Santa Maria. O manifesto condena matéria da revista (edição de 14 de março, pág. 84) por algumas afirmações injustas e maldosas, como a de que dom Ivo "politizou o Evangelho para o bem e para o mal".

Também condena a acusação de que o bispo teria apoiado a "criação de bandos armados que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, deram origem ao MST". A nota salienta que dom Ivo, que por 16 anos foi secretário-geral e presidente da CNBB, em plena ditadura militar, "foi a pessoa certa para a defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa; seu testemunho de vida confirmou a certeza evangélica de que o maior é aquele que serve". O repúdio da CNBB ganhou o apoio de diversas entidades nacionais, inclusive de outras religiões, como a Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná.

 

REMÉDIO OU VENENO

Aldo Colombo

A língua humana é marcada pela ambigüidade. Ela pode matar e também salvar. Ela revela aquilo que vai no coração

 

Um rico mercador grego havia convidado alguns amigos para um jantar. E para isso deu algumas orientações ao cozinheiro para que o banquete fosse inesquecível. O prato principal deveria ser o mais delicioso possível. Ele não devia preocupar-se com o preço. Um pouco antes do jantar, o mercador foi à cozinha para apreciar o famoso prato e ficou decepcionado. Tratava-se de um prato comum de línguas. Então esse é o prato mais delicioso, quis saber?

E o empregado justificou sua opção. É com a língua que pedimos água, louvamos a Deus, dizemos o doce nome de mamãe. É com a língua que fazemos amigos, pedimos perdão, damos bons conselhos, consolamos, elogiamos as virtudes dos companheiros. É com ela que pronunciamos a frase mais maravilhosa possível: eu te amo.

Passado algum tempo, o mercador – um tanto curioso – mandou o cozinheiro preparar outro prato de comida. Desta vez queria o pior alimento. E mais uma vez, o prato escolhido foi língua. E para isso havia uma explicação lógica. É com a língua que enganamos o próximo, mentimos, amaldiçoamos, semeamos a discórdia e a malícia. Por causa da língua muitas famílias e comunidades foram divididas para sempre. Até guerras tiveram seu início com a palavra.

A língua humana é uma mediação, capaz do pior e do melhor. Nada é melhor, nada é pior. Foi com apenas uma frase que Maria deu o sinal verde para a Redenção. Porém, outras vezes, a palavra foi o rastilho de pólvora que originou todo tipo de crises que afetaram pessoas, comunidades e povos. A língua humana é marcada pela ambigüidade. Ela pode matar, mas pode também salvar. É veneno ou remédio. Ela revela aquilo que vai no coração. O próprio Jesus garantiu: "A boca fala daquilo que o coração está cheio" (Mt 12,34).

O apóstolo São Tiago escreveu um texto clássico sobre a língua e chega a afirmar: aquele que não peca pela língua é perfeito. É ainda esse apóstolo que diz: "Pomos o freio na boca dos cavalos para que nos obedeçam e assim lhes governamos todo o corpo. Vede também os navios: por grandes que sejam e mesmo agitados por ventos impetuosos, um pequeno leme os governa, segundo a vontade do piloto. Assim também a língua é um membro pequeno, mas se gloria de grandes coisas. Vede como uma pequena chama basta para incendiar uma grande floresta" (Tg 3).

No dia-a-dia, a palavra serve, algumas vezes, para revelar o pensamento, outras para ocultar os verdadeiros objetivos. Na vida religiosa monástica o silêncio é constante. Mesmo assim, São Bento esclarecia: faça silêncio ou diga algo melhor que o silêncio. Já Santa Clara não instituiu o silêncio rígido em seus mosteiros: "A palavra é um meio para manifestar o amor ao próximo", dizia ela. Superando todas as ambigüidades, resta a imutável e redentora Palavra de Deus.

 

Frei Marcos dedicou vida à pastoral

Capuchinho era um dos frades mais velhos da província gaúcha

 

Vitimado por câncer no intestino, frei Marcos Facchinelli (Elídio), capuchinho da província do Rio Grande do Sul, morreu na quarta-feira 14, no Hospital Pompéia, em Caxias do Sul. Contava com 87 anos de idade e em dezembro celebraria 60 anos de vida sacerdotal.

Filho de Emilio e Isabel Segato Facchinelli, nasceu aos 5 de abril de 1919 em Garibaldi (RS). Ingressou no seminário diocesano de Caxias do Sul em 1939, no tempo em que o seminário era dirigido pelos capuchinhos, e realizou o noviciado em Flores da Cunha dois anos depois. Dom José Barea, bispo de Caxias do Sul, lhe conferiu a ordem do sacerdócio no dia 21 de dezembro de 1947, na matriz de Garibaldi.

Dedicou sua vida à educação e à pastoral, tendo sido, sucessivamente, professor do seminário diocesano e capelão da igreja do Santo Sepulcro, em Caxias do Sul; pároco e professor de história eclesiástica, em Garibaldi; pároco em Pelotas; mestre de noviços em Flores da Cunha; capelão do Colégio São José de Garibaldi e capelão do Sanatório Belém Velho, em Porto Alegre.

Em 1966 viajou a Roma para realizar um estágio entre os monges cartuxos. De volta ao Brasil atuou em Camargo, como vigário paroquial; em Fontoura Xavier, como pároco; depois, capelão no Hospital Parque Belém, em Porto Alegre; e, nos últimos anos, trabalhou como confessor e na pastoral do aconselhamento, em Flores da Cunha. Estava em tratamento de saúde na Casa São Frei Pio, em Caxias do Sul, quando veio a falecer.

Pobreza franciscana, espírito de oração, trabalho e dedicação pastoral foram as marcas da vida e ação de frei Marcos. Foi sepultado em Garibaldi.

 

Maringá dá adeus a padre Pedro Dapper

 

Vítima de acidente vascular-cerebral, padre Pedro Canísio Dapper, vigário paroquial da paróquia Santo Antônio de Pádua, de Maringá (PR), faleceu no dia 24 de janeiro de 2007, aos 73 anos. Filho de Pedro Gottlieb e Filomena Jung Dapper, nasceu em Campina das Missões (RS) no dia 17 de junho de 1932.

Ordenado presbítero por dom Vicente Scherer, arcebispo de Porto Alegre, aos 25 de agosto de 1957, atuou como formador nos seminários menores de Uruguaiana e Cerro Largo e ainda no pré-seminário de Campina das Missões. De 1965 a 1972 foi pároco em Alecrim. No mesmo ano deixou o Rio Grande do Sul para atuar na diocese de Maringá. Trabalhou 28 anos na paróquia de Itambé. Em 2001 assumiu a paróquia de Bom Sucesso e desde 2004 estava em Maringá, onde também era capelão do noviciado das Missionárias do Santo Nome de Maria.

 

Frei Isidoro Bianchi falece aos 85 anos

 

Faleceu na Casa de Misericórdia de Campo Grande (MS), no dia 14 de março de 2007, o capuchinho frei Isidoro (Autichiano) Bianchi (foto). Contava com 85 anos e pertencia à Província do Brasil Central, fundada pelos capuchinhos do Rio Grande do Sul. Natural de São João da Urtiga (RS), nasceu no dia 1º de junho de 1921, filho de Francisco e Ema Martini Bianchi.

Ingressou no seminário de Veranópolis em 1934 e foi ordenado sacerdote no dia 13 de julho de 1947, em Garibaldi, por dom José Barea. Trabalhou na província gaúcha de 1948 a 1975, exercendo, entre outras atividades, a de professor, formador, capelão e vigário paroquial nas cidades de Lagoa Vermelha, Ipê, Caxias do Sul (seminário diocesano), Veranópolis, Garibaldi, Flores da Cunha e São Bento Baixo (SC).

No início de 1976 passou a atuar no Brasil Central, em Rio Verde (GO), como superior e pároco. Junto com ele também trabalhavam seus irmãos, freis Rodolpho e Guilherme Bianchi, ambos sacerdotes capuchinhos. De 1977 em diante passou a atuar no Mato Grosso do Sul, inicialmente como vigário cooperador na paróquia São José em Coxim e mais tarde como pároco de Costa Rica, Camapuã. Em seguida atuou em Sidrolândia e Alcinópolis e, em 1999, voltou a Coxim, para trabalhar na paróquia São Francisco das Chagas.

Em 2002, afetado pelo Mal de Alzheimer, foi transferido para a fraternidade de Campo Grande, onde permaneceu até a morte. Dedicado, fraterno, simples e homem de oração, havia completado 66 anos de vida religiosa e 59 de sacerdócio. Está sepultado em Campo Grande.

 

SAÚDE E DINHEIRO

Wilson João

Uma vida plena é soma de trabalho, espiritualidade, lazer, estudo, convivência, presente e futuro

 

Ter saúde é uma beleza! Nada de dores. Nada de remédios. Nada de dependência de médicos. Sempre disposição. Sempre de bem com a vida. Comer e beber sem dietas. Dormir tranqüilo. Presença total no trabalho. Quem não deseja uma vida assim?

Ter dinheiro é uma beleza! Nada medir. Ter dinheiro para a comida que se quer. Dispor de dinheiro para ter a casa e o carro que se quer. Dispor de dinheiro para roupas, viagens e férias que se planeja. Não ficar medindo o dinheiro para comprar o que se precisa, e até dar-se o luxo de caprichos pessoais, é uma liberdade que o dinheiro pode dar. Mas... existe sempre um "mas", que pode estragar toda essa tranqüilidade e combinação de saúde e dinheiro.

É COMUM PERDER A SAÚDE PARA TER DINHEIRO. Trabalha-se para amontoar dinheiro. Dispensa-se o descanso. Força-se o corpo e a mente. Toma-se como lema: "a vida é trabalhar." Para esse tipo de gente o que importa é ganhar dinheiro. O final de semana é sacrificado. Uma fruteira é suficiente para se viver bem. Mas a ganância faz adquirir outra e mais outra. Já não se dorme bem. Já não se faz as refeições com tranqüilidade. É preciso correr. É preciso dar conta. É preciso ser eficiente. Em nome da eficiência, da necessidade de produzir, sacrifica-se o bem-estar e a saúde. Perde-se a saúde para ter dinheiro, conta bancária, bens desnecessários. Mas é preciso trabalhar! E vêm os problemas. Vem o cansaço, o esgotamento, a depressão e a doença. E para que serve o dinheiro?

É COMUM GASTAR O DINHEIRO PARA TER SAÚDE. Na verdade, é uma ignorância, mas é o que acontece. Quantas pessoas dedicam tempo e saúde, simplesmente, para o progresso econômico. E no final da vida, ou mesmo em situações de doenças inesperadas, surge o triste sentimento de mágoa que se expressa nessa frase: " Eu só trabalhei, trabalhei, e vejam em que estado me encontro!" E como um condutor de água de uma represa, lá vai sendo gasto todo o dinheiro que se ganhou, gastando a saúde. A sabedoria da vida vem sussurando ao ouvido da gente, como uma lembrança não escutada: "não perca a saúde para fazer dinheiro, para depois não perder o dinheiro para ter saúde."

É PRECISO GLOBALIZAR A VIDA. A vida não é só trabalho e nem só vagabundagem. Somos mais que uma máquina de produção para amontoar dinheiro. A decepção das pessoas ricas é perceber que são tão pobres que somente têm dinheiro. A vida é soma de trabalho, lazer, espiritualidade, estudo, convivência, presente e futuro. Chegar ao final da vida e poder dizer "estou realizado" é a sensação de quem não passou em vão por este mundo, porque pisou na terra olhando o céu.

 

CORREIO SABE-TUDO

PRA QUE SERVE O GENOMA?

Estudo dos genes de várias espécies ajuda a entender a evolução

 

Diversos organismos já tiveram seus genomas mapeados. Entre eles, chimpanzé, cachorro, galinha, abelha. Hoje, mais de 70 ainda estão sendo seqüenciados. Mas qual a utilidade de mapear animais que pouco se parecem com o homem? A importância reside justamente nas diferenças. Quanto mais dados de outros organismos puderem ser comparados aos do homem, mais fácil identificar as características que nos tornam humanos.

A comparação entre o material genético de humanos e de animais também é útil aos cientistas que buscam desvendar o processo evolutivo que há por trás do DNA, a molécula que carrega os genes e as informações para o desenvolvimento dos seres vivos. Graças a essas comparações, sabe-se que o homem não é tão diferente dos comundongos ou do peixe baiacu. 80% dos genes do camundongo têm equivalentes quase idênticos no Homo sapiens. Com o baiacu compartilhamos cerca mil genes.

Uma das principais aplicações dos genomas mapeados está na medicina. Se um trecho de DNA muda pouco na história da evolução, os pesquisadores acreditam que deve conter um gene crucial para a sobrevivência dos organismos. Por isso, mutações em trechos assim são mais propensas a causar doenças.

Exemplificando: decifrando o genoma do baiacu, é possível entender características do gene da coluna vertebral, presente tanto nesse peixe quanto nos homens. Porém, como o ser humano é geneticamente mais evoluído, este gene está mais mascarado nos homens. Estudando o gene em organismos mais simples é possível entender melhor o começo do desenvolvimento humano e perceber algumas doenças que se manifestam na coluna vertebral.

 

Descoberta uma nova espécie de leopardo

 

Leopardos Nebulosos encontrados nas ilhas de Bornéu e Sumatra representam uma nova espécie. Até então, acreditava-se que eles faziam parte de uma mesma espécie (Neofelis nebulosa) que vive no sudeste da Ásia continental. Porém, segundo cientistas, as duas espécies se distanciaram há mais de um milhão de anos e vêm evoluindo separadamente.

A separação das espécies foi descoberta por cientistas dos Estados Unidos, por meio de exames genéticos, que apontaram cerca de 40 diferenças entre elas. O leopardo de Bornéu (foto) tem a pele cinza e escura, com duas listras nas costas. O da Ásia é de um tom marrom-amarelado. Estima-se que existam entre cinco mil e 11 mil animais em Bornéu. Já Sumatra teria entre três e sete mil exemplares.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

La nonna-giornalista che stà in me

Anna M. Zampieri Pan

Jornalista, Vancouver, Canadá

 

Nata a Vicenza nel 1933, sono primogenita degli 8 figli di Giuseppe Zampieri e Maria Giovanna Toniolo. Papà aveva 18 anni più di mamma e 40 più di me. Scomparso nel 1976 – lei gli è sopravissuta fino al settembre 2006 – papà continua ad essere per me guida e maestro di vita. Riservato e generoso, schietto nell’esprimere idee e opinioni. I suoi genitori, ambedue insegnanti, erano Luigi Zampieri, vicentino, e Giuseppina Maurin, trevisana. Aveva due sorelle, Rina, mia madrina di battesimo, e Maria. I nonni materni erano Ampelio Toniolo, vicentino, e Ernesta Visentin, veneziana. Non ho conosciuto i due nonni; a 6 anni ho perduto nonna Giuseppina, ma ho goduto per lunghi anni dell’affetto di nonna Ernesta, sempre presente ad aiutare la nostra famiglia, specialmente nel periodo della II Guerra, quando eravamo sfollati, e papà viveva clandestinamente, perseguitato dai fascisti.

Attivo nel movimento cattolico e nella San Vincenzo de’ Paoli, impegnato con il Partito Popolare di don Sturzo, combattente della I Guerra, ferito e decorato al valore, laureato in giurisprudenza, notaio, Giuseppe Zampieri fece parte della Democrazia Cristiana. Fu sindaco di Vicenza (1948-58) e senatore (1958-68). Studioso dei classici latini e greci, e dei testi biblici (ha tradotto in versi i Salmi), negli ultimi anni si era allontanato dalla DC, diventata balena bianca a causa della corruzione e dei compromessi operati da coloro che ne avevano tradito l’anima democratica e cristiana destinata al bene comune. Papà ha sempre lavorato tra i giovani e li ha amati molto.

Come nonna-comunicatrice, il mio lavoro di giornalista, vocazione manifestatasi in me fin dalla scuola secondaria (ho fatto il mio primo giornale in seconda liceo classico), va in parallelo e si combina con le altre scelte. La militanza nelle associazioni cattoliche e nel movimento studentesco prima, politico democratico poi, e il volontariato comunitario mi hanno sempre attratta. Trentenne, ho sposato Mario Pan, libero imprenditore ed esploratore del mondo.

Negli anni delle Brigate Rosse e di tangentopoli l’attività di mio marito è entrata in crisi. Costretti ad andarcene dall’Italia, con i figli adolescenti – Ida Maria, Davide e Marta – siamo emigrati a Vancouver (1980), ricominciando tutto daccapo. Ho ricevuto dagli Scalabriniani un’offerta di lavoro al loro settimanale L’Eco d’Italia, che ho diretto-redatto fino al 1990. Da allora ho continuato come freelance, collaborando a giornali, riviste, agenzie di stampa. Da oltre 25 anni scrivo storie di italiani nel mondo e loro incroci con altre etnie.

Orgogliosa di essere canadese, ho riacquistato la cittadinanza italiana, ma mi considero più veneta che italiana, o ítalo-canadese. Dopo la immersione a Nova Pádua (RS), tra i componenti della famiglia Pan, mi posso dire Taliana, perché ne avverto il significato: il dolore e la gioia, la fatica e la speranza, la concezione di vita e la continuità culturale, i legami familiari e la solidarietà, la libertà e la religiosità.

E vengo alla nonna-comunicatrice. I miei 4 nipoti canadesi sono, per me e nonno Mario, ispirazione e continuità, come noi lo siamo dei nostri antenati. Sono l’espressione del mondo multietnico e multiculturale: Etienne, 16 anni, italiano e francese; Samuele e Paolo, 10 e 6 anni, italiani e giamaicani; Luca, 4 anni, greco e italiano. Parlano l’inglese e l’italiano, e si esprimono anche in veneto (amzpan@dccnet.com).

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (403)

Su la nave, sensa passaporto e sensa libertà

Eduardo Grigolo

Professor, Jundiaí – SP

 

(Retomada do texto de Eduardo Grigolo, interrompido na edição de 30 de agosto de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).

 

– Co son rivà al Porto de Venèzia, dopo levar su bonora e assar tuti in tea casa de Vicenzo a dormir, go visto che no saria difìcile imbarcar. Intanto che’l Ufissiale el zaminava i passaporti dei viaianti, mi go sbrissià par soto le gambe e rento la nave. Là me go sconto in meso le casse dei bagagli, ma un can el me ga catà. La sorte ze stà che se iera in mar alt e no dea par ritornar. Alora i me ga metesto in preson e là son restà fin finir el viaio: 36 giorni sensa veder el sol. La preson la mesurea 3 par 3 metri, de altessa 2,20m e la vea una finestrela de legno, giusto in tea metà. Per sorte i marinari i vea smentegà in te un canton na sata de beco. Presto, presto la go sconta soto el paion. A propòsito, questo el gera tuto ingropà. Parea vanti una strada piena de busi e de sassi. La coertina la gera pìcola, tan pìcola, che par starghe soto, bisognea intorciarse tuto, come fa i can par dormir. Par magnar i me dea, de matina, una cìcara de late e un pan che parea làstico. Al mesodì i me dea un piato de minestra e lo stesso de note. De le volte i me dea un biscoto e un bicer de vin.

– Ma come te ghè fato par soraviver tanti giorni così?

– De matina, mi disea su un paternoster, na avemaria e un glòria-patri e, de note, disea su la corona, vanti dormir. Con quelo, giutava la me ànima chietarse. Un di, vea pena desmissià e scolto uno, due, tre supioti stridenti. Vanti meter su le braghe son ndato a la finestra. Go visto che se vea rivà. Se gera distante due chilòmetri dal Porto, ma se vedea un mùcio de gente che i se movea de na banda a l’ltra. I parea indemonià, parché i se mostrea i pugni, i se sgorlea, ghe zera anca chi se s-ciafea la fàcia, la schena, pròpio de gente sensa educassion. La nave se vea fermà in quela distansa, go idea che la spetea autorisassion par aportar. De sùbito scolto, banda de fora del me quartin, un parlatòrio e, al medèsimo tempo, i sfrugnea in tea porta, come se i discoresse sora el me destin. Alora, sensa spetar che i verdesse la porta, go ciapà la sata de beco e pif e paf, due bastonade in tea finestra e la se ga fato in tochi. Quei banda de fora i ga scoltà e, con quelo, el bordel el se ga fato più forte. Quando i ga verto la porta, mi gera drio saltar al mare. Go noà con tute le forse che gavea. Gere belche distante cento metri dea nave e me go voltà par véderli. Tre marinari in tea finestra i osea e i me mostrea i pugni, parché mi ghe vea "passà la gamba". Se vedea che i gera rossi de ràbia. Fora del aqua me go imbregnà rento pal bosco e me go fermà, solche dopo sertificarme che gere a salvo. Na fameia de taliani i me a ospità e i me ga invità par laorar con lori. Come no savea ancora cosa far e con paùra de patir fame, go acetà. Go scominsià laorar de madrignero, ma, a la prima oportunità, son scampà via. Mi no savea distìnguer un freno de un sotocoa.

– Poareto! E ndove situ ndato?

– Son ndà a sbrìndolo, come fao oncó. Par quelo son stà spaventà dai simioti, go spacà na gamba, son stà impirà su i corni del Bragado rabioso, na morenota, bona ànima, la me ga ospità e la me ga fato guarir dea gamba rota, ma intanto che gere in leto due mori con facon i ga volesto carniarme, come un porco. Ma ela e i so can li ga paradi via. E dopo tante scramussade, go laorà come stradin, go imparà cangar i bo e a méterli soto el arado o tirar la caretina. Go imparà taiar legna co la manara e segarla col segat. Go imparà trar do capoera col roncon, scartossar panoce co la brìtola del nono Moretti. La Dona Giùlia la me ga insegnà far la polentina mericana; la Maria, a molder le vache; la Nega, a palpar galine.

– Quanto tempo ghetu guastà par imparar tuto pulito? Sarà che no te sì drio tacarne na peta?

 

VITA STÒRIA E FROTÒLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

I laori, i giorni e le note (final)

Bruno Jorge Bergamin

Professor, Porto Alegre – RS

 

Gioanin Sensa Paura e el gigante i zera là che i sbreghea na bora. Gioanin el ghe dise:

– Vedemo se te sì pròpio forte come te dis. Para rento le man in tela sfesa dela soca e sbrega fora la soca con le man. Giughemo ché, che no te sè mia bon?

– Vutu giugar ché, stronset, scarsela sbusa,va, va!...

El gigante el pianta le man in tela sfesa del sbrego dela soca e el scomìnsia a tirar. Gioanin el ghe osa: – Peta, peta, che te giuto. In te quel el ghe dà na paca al cugno, che’l salta fora, e alora se ga sentio sol un urlo: – uuuuui, uuuuui...i osa i tosatei. El gigante l’è restà con le man impegnade in tel sbrego dela bora.

– Te ciapo, fiol dun can! Giuta qua, giuta qua.... – Ai, ai, ui, ui...i, osea i tosatei.

Gioanin el ga piantà là sto poro gigante con le so man impegnade. E scampa, caro da Dio, e curi, parché, co’l gigante se mola, el te masena. E Gioanin el se ga metesto a corer de tuta carera via par le strade parché el savea che’l gigante, co’l se molea, el vegnea drio come na tigre... El ga coresto, el ga coresto fin che’l ze rivà in te na casa che ghe zera un paron che’l gavea piégore drio la strada.

– Mi son Gioanin Sensa Paura.

E el ghe ga contà al paron che’l zera drio scampar del gigante parché quela bruta bèstia volea coparlo. E alora, Gioanin ghe ga domandà se el paron no’l volea mia vénderghe na piégora, parché la piégora la saria la salvassion dela so vita.

– Ma, Signor, se ze par salvarte, mi te la dao, ocore mia che me la paghi, nò. Ma fetu ché?

– Ben, alora, femo così, dise Gioanin. Copemo la piégora qua. Vu restè cola lana e cola carne, e mi cole budele.

– Ma come così? Ti cole budele? Fetu ché cole budele?

Fato el laoro. Gioanin Sensa Paura el ga picà le budele dela piégora te un palanco dela serca e el ghe ga dito al paron: quando el gigante el passa qua e el domanda se no’l ga mia visto Gioanin passar via par la strada, vu diseghe che Gioanin corea come un mato parché el gavea paura del gigante. E che el gigante, se lo catesse, lo masenaria. E che el ga dito che par corer depì e esser pi levian, el se ga cavà le budele e le ga meteste insima el palanco dela serca. E mi vao, sinò el me ciapa, e diseghe è! E gràssie!

Gioanin el ga coresto nantro poco e el se ga sconto sol par veder cosa che fea el gigante. El vede el gigante che’l vien supiando de ràbia, trunc, trunc, trunc...– i fa i tosatei con estri. – Con quei passoni de ciapar mesa strada, i dise i tosatei...

El gigante el se ferma a parlar col paron dea piégora. Gheto visto Gioanin? Èlo scampà par questa strada? El paron el ghe dise:

– Gioanin el ze passà qua, si, sol che par corer depì e esser pi levian, el se ga verto la pansa, el ga tirà fora le budele e le ga meteste lì sora el palanco. Vardele lì, el sangue l’è ancora lì.

El gigante el ghe domanda la faca al paron e el ghe dise: – anca mi vui corer depì e vui ciaparlo si, fiol d’un can. Dame qua! E el gigante, zep, el se fa un pi bruto taio in tuta la pansa par tirarse fora le budele. E le budelone le ze saltade fora come quele de’n porco.

I tosatei i se ga metesto le man in fàcia par stropar i oci.

E el gigante el ga dato un urlo e el ze cascà morto con le budele sporche de tera.

– Béeeeeeee! I osa i tosatei.

– Eco. Finio la stòria.

– Stòria memòria, caval dela vitòria.

– E Gioanin Sensa Paura se la godea, sconto drio na pianta. Gigante bauco.

– Ben, adesso, dise la mama, disemo su el rosàrio.

 

GERAL

Rádio Veranense completa 50 anos

Emissora fundada em 24/03 presta serviços a Veranópolis e região

 

A Rádio Veranense AM completa 50 anos de fundação no sábado 24. Instalada em Veranópolis, na Serra gaúcha, a emissora presta serviços à comunidade local, como peça fundamental da engrenagem que move o município conhecido pela longevidade de seus habitantes, e à região.

A história da Veranense AM começou a ser escrita em setembro de 1955, quando foi constituída a empresa Rádio Emissora Veranense Ltda com o objetivo de receber a concessão de uma emissora AM. Em 24 de março de 1957 foi inaugurada a nova emissora, operando então com apenas 100 wts de potência. Para a cidade, no entanto, constituiu-se um fato extraordinário. Veranópolis vibrou com a chegada da emissora, mesmo que seu sinal mal conseguisse dar cobertura à área da cidade.

O primeiro endereço foi o edifício Dom Vital, no centro. Em 1964, mudou-se para as dependências do Seminário Seráfico São José, onde se encontra até hoje.

Durante quase 25 anos, a emissora pertenceu à empresa Rádio Emissora Veranense Ltda. Em 1975, por decisão de seus sócios-cotistas, a emissora foi transformada numa fundação, recebendo o nome de Fundação Educacional União da Serra, entidade à qual pertence até hoje e que tem como presidente frei Jaime João Bettega.

Potência – Seguindo escala evolutiva, em 1990, iniciou as operações com 5kwts, trocando sua freqüência com a Rádio Difusora Garibaldi Ltda, permitindo desta forma que as duas emissoras operassem com mais potência para melhor servir às respectivas comunidades.

Por cinco décadas, a Rádio Veranense foi conquistando espaço com sua programação, tipicamente regional. O programa mais antigo e mais tradicional é a Ave Maria, uma mensagem religiosa, que vai ao ar todos os dias, às 18 horas, deste a fundação da emissora. Atualmente, a programação da emissora é de jornalismo, entretenimento, esportes e música, com destaque para cobertura de eventos da região.

A emissora opera com modernos equipamentos. O estúdio é digitalizado e o sistema de informatização permite operar automaticamente por longos períodos. A ligação entre estúdios e transmissores é feita por links digitais. O parque transmissor está instalado na Linha República, com nova e moderna antena e sistema monopolo dobrado, equipado com gerador de energia elétrica automatizado.

Além de Veranópolis, a emissora atinge uma extensa área da Serra gaúcha, abrangendo, entre outros municípios, Vila Flores, Fagundes Varela, Cotiporã, Nova Prata e Bento Gonçalves.

Desde 1999, a emissora integra a Rede Sul de Rádio, que tem como coordenadora e geradora de programas a Rádio São Francisco AM, de Caxias do Sul, que opera por satélite, através de um canal da COMSAT. Além da programação local, que ocupa a maior parte dos horários, a emissora forma rede para retransmitir programas da Rede Sul de Rádio ou da Rede Milícia, de São Paulo.

Atualmente a emissora é dirigida por frei Edilio José Soliman, como superintendente. O gerente executivo é José Alberto Salla.

 

Acordo garante transporte escolar de alunos gaúchos

Prefeituras transportam 141 mil estudantes do Estado diariamente

 

Pais, alunos e professores gaúchos podem respirar mais aliviados. A Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) aceitou a proposta do governo do Estado para o transporte escolar. A decisão foi tomada na assembléia realizada na sexta-feira 16 por 18 dos 25 presidentes das associações regionais.

Dos 140 milhões pedidos pela Famurs, o Estado se compromete a repassar R$ 41 milhões neste ano, em 10 parcelas, para custear o transporte dos alunos do Estado. "Apesar de aceitarem a proposta, os municípios terão um prejuízo de R$ 100 milhões neste ano", afirmou o presidente da entidade, Glademir Aroldi.

Desde o início do ano letivo, no final de fevereiro, muitos estudantes deixaram de ir à escola ou improvisaram seu transporte, porque os municípios e o governo estadual divergiam sobre o preço de cada aluno transportado. A primeira proposta do governo, encaminhada à Famurs, previa o repasse de apenas R$ 13 milhões.

Agora, a nova proposta prevê o repasse do governo aos municípios de R$ 1,42 por aluno a cada dia no primeiro semestre de 2006, tendo como base o cálculo de 141 mil alunos. No segundo semestre, o valor passará a R$ 1,50 por aluno/dia, com base no Censo Escolar 2007, que será realizado até abril. Isso totaliza R$ 41 milhões para este ano, sendo R$ 34 milhões do caixa do Estado e os R$ 7 milhões restantes oriundos do governo federal.

 

Fenavindima retoma o sentido de festa

 

Resgatar o sentido de festa foi, para o presidente da Festa Nacional da Vindima (Fenavindima), Eusébio De Bastiani, a grande conquista da Fenavindima 2007. "Cumpriu-se a meta de reiterar o conceito de festa e não de feira, oportunizando diversos shows e espetáculos", destacou.

Com o tema "Retratos da nossa História", a XI Fenavindima encerrou com 80 mil visitantes, 30 mil só no último final de semana, de acordo com os organizadores do evento. As maiores atrações foram os desfiles de carros alegóricos e os shows. No desfile de encerramento, no domingo 18, foram homenageados os ex-prefeitos da cidade e os ex-presidentes e ex-soberanas das edições anteriores da festa.

Viagem – A Fenavindima premiou 20 viticultores com uma viagem a Petrolina, que vai ocorrer de 16 a 23 de abril. Foram contemplados produtores de Nova Pádua, Linhas 100, 80, 60 e 40; de Monte Bérico, Otávio Rocha, Sete de Setembro, Carvalho, Rondelli e São Vitor.