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Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.032 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 28 de março de 2007.

 

 

EDITORIAL

Gaúchos sentem na pele e no bolso os efeitos da crise

O Rio Grande do Sul sofre a herança deixada por vários governantes

 

Em menos de três meses do governo Yeda Crusius, os gaúchos sentem no seu dia-a-dia os efeitos da histórica crise financeira que atinge o Estado. Até então restritos a discursos, no máximo associados a tímidas e pífias ações na tentativa de contê-los, os números ganham visibilidade e espalham preocupação.

O atraso no pagamento de servidores que ganham acima de R$ 2,4 mil é a parte mais impactante do ponto de vista social. Mas a ausência de recursos financeiros está presente em praticamente todas as áreas que envolvem a participação do governo estadual.

A continuidade da interdição da Rota do Sol ao tráfego de veículos desde o temporal de 3 de março está relacionada à escassez de dinheiro. São necessárias obras e o órgão responsável pela execução não tem como sequer fixar uma data para realizá-las e, por conseqüência, liberar a rodovia. O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) depende de repasse de pelo menos uma parcela com valor inferior a R$ 300 mil para dar seqüência a suas atividades e não sabe quando receberá – nem se vai receber.

Exemplos semelhantes brotam em cada região do território gaúcho, dando a impressão de que os problemas sufocaram a capacidade de reação do Estado. Com um passivo bilionário e boa parte de seu orçamento (mais de 13%) comprometida com o pagamento de dívidas junto ao governo federal, a soma das receitas não consegue superar a das despesas, origem de um processo igualável a uma bola de neve.

A situação do Rio Grande do Sul é uma herança deixada por vários governantes. Nunca houve a intenção real de fechar as torneiras do cofre do Estado – e se ocorreu, faltou competência ou força política para girar as engrenagens na direção certa.

Yeda Crusius foi eleita com a proposta de um jeito diferente de governar. Dá mostras evidentes de que não tinha a dimensão exata do quadro financeiro do Estado e agora que se defronta com ele, busca formas para superá-lo. Milhões de gaúchos estão sendo afetados por medidas de contenção de gastos, situação que tende a perdurar por longo tempo. Espera-se pelo menos que o sacrifício a que grande parte da população está sendo submetida não seja em vão.

 

CAXIAS DO SUL

Especialistas de seis Estados vão participar do Horti Serra Gaúcha

Evento vai de 23 a 27 de maio nos pavilhões da Festa da Uva

 

A relação de palestrantes e painelistas ainda não está completa. Afinal, serão mais de 30 palestras e painéis em três dias dedicados a aprofundar os temas básicos do evento: vitivinicultura, fruticultura e hortaliças. Mas já foram contatados 42 nomes de especialistas nessas áreas. Entre eles estão pré-agendados experts de seis Estados: São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Distrito Federal, Ceará, além, é claro, do Rio Grande do Sul. São técnicos ligados, entre outras entidades, à Embrapa, Emater, Ministério da Agricultura, Fepagro e Sebrae.

O 1º Horti Serra Gaúcha, promoção da Prefeitura de Caxias, através da Secretaria da Agricultura, e da Comissão Comunitária da Festa da Uva, ocorre de 23 a 27 de maio, nos pavilhões da Festa da Uva. Nos três primeiros dias ocorrerão painéis ou palestras âncoras pela manhã e nove palestras à tarde, proferidas em três espaços. O cardápio de subtemas é amplo e visa atender os agricultores da região e outros municípios.

Temas – No dia 23, dentro de vitivinicultura, serão tratados subtemas como "Uva de mesa, tendências e exigências do mercado", "Sistema de condução de parreiras", "Gestão e administração" e "Uva orgânica-certificação" – este assunto será desenvolvido por Rogério Dias, do Ministério da Agricultura.

No dia 24, em fruticultura, serão abordados subtemas como "Legislação e normas, variedades" e "Condução de sistemas de frutas de caroço", "Potencial de pequenas frutas, certificação de produtos e boas práticas na agricultura", "Mercado atual e tendências para a fruticultura – genética de mercado" (será explorado por Roberto Haugge, da Clone Viveiro, do Paraná).

No dia 25, os assuntos se referem a hortaliças – entre eles "Tomate e pimentão: plantio direto, prevenção e controle de doenças", "Sementes livres de vírus no alho" (por André Dusi, da Embrapa/DF); e "Manejo, legislação e destino das águas da agricultura" – painel com técnicos do Comitê Taquari-Antas, Samae, Secretaria do Meio Ambiente-Caxias, Fepagro e Secretaria da Irrigação-RS.

"Nossa expectativa é de atrair em torno de 2.000 produtores rurais", afirma o secretário da Agricultura de Caxias, Nestor Pistorello. Esse número é multiplicado várias vezes quando se refere ao público para o 2º Shopping Rural, feira que ocorre paralelamente ao Horti Serra, e à etapa classificatória do Freio de Ouro.

Os interessados podem se inscrever na Secretaria da Agricultura, Festa da Uva, sindicatos (Rural e dos Trabalhadores Rurais), Emater e em mais de dez empresas que apóiam e/ou patrocinam o evento.

 

Assembléia gaúcha homenageia a UCS

 

O Grande Expediente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul da terça 20 foi dedicado aos 40 anos da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e do Diretório Central dos Estudantes da Instituição. A homenagem foi proposta pela deputada caxiense Marisa Formolo (PT). Em seu discurso, ela destacou dois fortes motivos para a homenagem: a distinção daqueles que contribuíram para garantir o direito ao conhecimento e a sua universalização às pessoas de todas as classes sociais da Serra gaúcha e a oportunidade de distinguir esse modelo de universidade comunitária "como alternativa institucional de ensino, pesquisa e extensão na educação brasileira".

Em aparte, manifestaram apoio os deputados Raul Pont (PT), Miki Breier (PSB), Alberto Oliveira (PMDB), Kalil Sebhe (PDT), Gilmar Sossella (PDT), Francisco Áppio (PP), Luciano Azevedo (PPS), Zilá Breitenbach (PSDB), Cassiá Carpes (PTB) e Mano Changes (PP). Ao final do evento, a deputada Marisa e o presidente da Assembléia Legislativa, Frederico Antunes, entregaram uma placa alusiva aos 40 anos da UCS para o reitor Isidoro Zorzi e para o presidente do DCE, Marcelo Souza dos Santos.

 

Câmara distingue Bar 13 e Valmor Berzaghi

 

A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul homenageou na quinta 22 os 40 anos do Bar 13 e concedeu o título de Cidadão Emérito ao seu proprietário, Valmor Berzaghi (o Cabeça). O presidente da Casa, Zoraido Silva, entregou ainda diploma especial ao fundador do bar, Sady De Carli. Autor da proposta, aprovada por unanimidade, Édio Elói Frizzo definiu o 13 como "espaço cultural da cidade". O tradicional ponto de encontro caxiense já recebeu figuras ilustres da política, como o presidente Lula e o ex-governador Leonel Brizola.

 

REPORTAGEM

Curso de Teologia anima comunidade gaúcha

CR e Estef diplomam alunos do município de Doutor Ricardo

 

A partir de um encontro de frei Bruno Glaab, coordenador do Curso de Extensão da Estef, e do pároco de Doutor Ricardo (RS), padre Alberto Tremea, surgiu a idéia de realizar a primeira diplomação coletiva de participantes do Curso de Teologia a Distância, iniciativa do Correio Riograndense em parceria com a Estef, de Porto Alegre.

O evento acabou se concretizando no sábado 24, na igreja matriz de Doutor Ricardo, com a presença dos formandos e familiares, de frei Bruno, e de frei Aldo Colombo, diretor do Correio Riograndense. Após a celebração de uma missa às 9 horas, foram entregues os certificados a 23 alunos. Também participaram cerca de 60 alunos que realizaram os cursos de 2005 e 2006.

Incentivados pelo pároco, catequistas, professoras, jovens catequisandos, donas de casa, agricultores e outras pessoas se inscreveram ao curso. Para tornar mais dinâmico o estudo das lições, publicadas pelo CR, os alunos passaram a se reunir quinzenalmente para ler os textos, discutir e debater os temas. Depois, em casa, cada um elaborava as respostas. A partir desses encontros, as atividades foram evoluindo para outras práticas, como a vivência dos temas abordados, a partilha da palavra de Deus e da amizade, a confraternização (filós), a realização do "amigo secreto"... "Graças ao curso, acabamos desenvolvendo verdadeiros filós bíblico-teológicos", salienta padre Alberto.

"Crescemos muito com esses cursos", destaca José Porto, coordenador dos encontros do curso de 2006 e idealizador de vivências práticas, como falar apenas coisas boas, elogiar, não fazer fofocas, ser persistentes. "Que pena que esse curso não tenha surgido há mais tempo", lamenta Gema Pérsico, 76 anos, zeladora da Associação Antoniana e a mais antiga aluna do curso em Doutor Ricardo. "Desenvolver os cursos em grupo nos ajudou a crescer em conhecimento, espiritualidade e amizade", revela Francisco Zanella, agricultor. "Foi emocionante a participação dos catequisandos, sempre atentos, interessados e dinâmicos", salienta a catequista Shirlei Venzo. "Sermos diplomados em nossa comunidade foi para nós um momento único", completou o jovem Giovani Sonda.

 

Nome homenageia um médico alemão

 

O município de Doutor Ricardo emancipou-se de Encantado e Anta Gorda em 1995. Dista 185 km de Porto Alegre. Colonizado por imigrantes italianos a partir de 1910, conta hoje com uma população de 2.100 habitantes. A região é essencialmente agrícola, tendo como bases de sua economia a criação de suínos e frangos, a produção de leite e o plantio de milho, fumo e erva-mate.

O nome é uma homenagem a Doutor Ernesto Ricardo Heisemann, conhecido médico alemão que no final do século XIX curou a filha de dom Pedro II e, como gratidão do imperador, ganhou as terras da região onde se situa hoje o município.Cerca de 98% da população é de origem italiana e o dialeto ainda é língua corrente, tanto que são freqüentes as missas celebradas em talian. Doutor Ricardo se orgulha de um detalhe – praticamente não há fumantes entre a população e não há um jovem sequer dado a esse vício.

 

Gruta é maior ponto turístico da região

 

A paróquia de Doutor Ricardo tem como padroeiro São Caetano. É constituída de 14 comunidades, além da sede, e da gruta de Lourdes, localizada a três quilômetros do centro. Todos os anos, em fevereiro, muitos devotos percorrem os 173 degraus que levam à bela gruta, idealizada pelo padre Vitório Scopel e inaugurada em 1959.

Padre Alberto Tremea é pároco de Doutor Ricardo há seis anos. Natural do município (capela Menino Jesus, Linha Zanella), padre Alberto conduz a comunidade com zelo, entusiasmo e dinamismo, quase contradizendo o evangelho quando afirma que "nenhum profeta é bem aceito em sua terra". Todas as comunidades são bem estruturadas. Ao longo do ano, além da festa de Lourdes, outras três se destacam – a do Colono e do Motorista (julho); de São Caetano (outubro) e o Auto de Natal, na gruta, em dezembro.

 

Curso de Teologia 2007 começa dia 11 de abril

 

A edição 2007 do Curso de Teologia a Distância inicia dia 11 de abril e vai até 14 de novembro. Os temas são Bíblia (Cartas de Paulo), Cristologia (pessoa de Jesus) e Espiritualidade (jeito de viver a fé). Os responsáveis são freis Bruno Glaab, Luiz Carlos Susin e Aldir Crócoli, da Estef. As inscrições podem ser feitas até final de abril pelo fax (51) 3217-4567 ou, de preferência, pelo e-mail extensao@estef.edu.br ou preenchendo o cupom ao lado e remetendo-o para rua Tomaz Edson, 212, Porto Alegre-RS, CEP 90640-100.

 

AGRONEGÓCIO

Lula abre caminho para milho OGM

Transgênicos podem ser aprovados por número menor de conselheiros

 

A liberação ou não da comercialização do milho transgênico BT (liberty link), da empresa alemã Bayer, só deve ser conhecida em abril, quando a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) vai se reunir. "O próximo encontro vai ocorrer nos dias 18 e 19 de abril", adianta o presidente da comissão, Walter Colli.

A partir da publicação da lei 11.460 (Diário da União da quinta 22), sancionada pelo presidente Lula, que reduziu o quórum para aprovação de 18 para 14 dos 27 membros da CTNBio, fica mais fácil autorizar pesquisas ou o comércio de variedades de organismos geneticamente modificados. Estão na lista de espera 50 OGMs, a importação de material biológico para pesquisa e a liberação comercial do milho BT.

Já os movimentos sociais discordam da autorização para uso da nova tecnologia. Segundo eles, cerca de 8 milhões de produtores, que plantam a maior parte do milho do país, serão prejudicados. "Os transgênicos podem comprometer nossa base genética. Existem muitas dúvidas quanto aos problemas que podem trazer à saúde e ao ambiente", diz o ex-deputado gaúcho frei Sérgio Antônio Gorgen, do Movimento Pequenos Agricultores. A ele somam-se as vozes de ONGs como o Greenpeace.

Sementes – As sementes transgênicas de milho podem conter diversas características que beneficiam o plantio, entre elas tolerância a herbicidas (milho HT) e resistência a insetos e pragas (milho BT). Com o uso dessas sementes, segundo Eduardo Loureiro da Apassul, haverá redução do uso de agroquímicos nas lavouras.

De acordo com a Embrapa, as perdas agrícolas anuais das lavouras de milho atingem 19% do total da produção. Duas das variedades, a BT e a yielgard, da Monsanto, estão há quase uma década em análise pela CTNBio.

 

Grão BT é sinônimo de produtividade

 

A produtividade brasileira de milho é uma das mais baixas do mundo, entre os países que usam tecnologia: 3,7 toneladas por hectare. Para comparar, os Estados Unidos colhem 9,3 ton./ha. E os vizinhos argentinos, 7,9 ton./ha. O Paraná não faz feio, com 6,4 ton./ha e Santa Catarina com 5,3 ton./ha. Já o RS confirma a média nacional, apenas 3,8 ton./ha, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

E produtividade é o que oferece o milho transgênico BT, resistente a uma toxina que mata a lagarta-do-cartucho, a principal praga da cultura. Nas lavouras gaúchas, essa lagarta causa perdas médias de 15%. Hoje são realizadas de duas a quatro aplicações de inseticidas, que representam em torno de 10% do custo total do cultivo.

Na prática, as variedades transgênicas não produzem muito mais do que as comuns. "O que muda é a perda da produção, que passa a não ocorrer. A planta não sendo atacada e tendo menos competição, melhora o seu rendimento", explica Alda Lerayer, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

 

"Favoráveis" promovem manifestações

 

O direito de escolha no cultivo de sementes de milho transgênico é tema de manifestações em várias regiões do país. Mobilizados em um ‘tratoraço’, que percorre as ruas de cidades como Não-Me-Toque e Passo Fundo (RS) e Londrina (PR), os produtores desfilam em caravanas sob o lema "Transgênicos: vivo da terra. Sou a favor".

O movimento tem o apoio da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do RS (Apassul) e da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem).

Utilizando tratores com faixas e caminhões com espigas gigantes e mensagens de apoio ao milho transgênico, além de homens com fantasias infláveis de milho distribuindo folhetos informativos à população, a caravana pede a atenção para a importância do plantio do milho modificado para a preservação ambiental e economia brasileira.

"Nossa manifestação é um movimento justo e esclarecedor para a opinião pública. A decisão de liberar o milho transgênico não é só política e técnica, essa necessidade deve ser levada à população, pois é ela quem consome o milho", afirma Ywao Miyamoto, presidente da Abrasem.

De acordo com Miyamoto, não se pode mais retardar o desenvolvimento agrícola. Milton Casaroli, diretor do Sindicato Rural de Londrina, tem a mesma opinião: "Com a plantação de milho transgênico, haverá ganhos econômicos, já que usaremos menos agrotóxicos e ainda teremos maior produtividade", enfatiza Casaroli.

 

Pesquisa lança a goiaba serrana

Duas variedades dão impulso ao cultivo comercial da fruta

 

Duas cultivares da goiaba (Acca sellowiana), a alcântara e a helena, serão lançadas no dia 3 de abril, em São Joaquim, Santa Catarina, pela Empresa de Pesquisa Agropecuária (Epagri). A fruta é uma mirtácea nativa do Brasil, com dispersão secundária no Uruguai. O lançamento inédito coloca a goiaba serrana como a primeira dessas espécies que terá sua produção organizada no país.

Pesquisadores da Epagri e da Universidade Federal de SC desenvolveram as cultivares. Depois de observar as fases de seu crescimento na natureza e a possibilidade de incidência de doenças, os pesquisadores selecionam as melhores sementes. As duas variedades que serão lançadas variam apenas na velocidade que frutificam. "A alcântara é precoce e a helena, tardia", diz o pesquisador da Epagri Jean Pierre Ducroquet, que estuda a fruta há 20 anos. Depois que a árvore frutifica, o prazo para colheita é de três semanas.

A goiaba serrana é adaptada a regiões mais frias que ficam em torno de 1.200 metros de altitude. "Produz com sucesso em locais com altitudes elevadas, 1.200 metros em SC e em torno de 1.000 no RS", explica Ducroquet ao CR. Abaixo disso e com clima quente, a planta fica suscetível a pragas e problemas de sanidade. A mais grave é a antracnose (fungo que ocasiona a podridão dos frutos).

Popular – Por se desenvolver em regiões de serra, a goiaba ganhou popularmente o sobrenome de serrana. Os Estados brasileiros mais propícios para seu cultivo são Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A aparência lembra a goiaba que já é comercializada. Entretanto, o fruto da versão serrana tem um gosto mais ácido e silvestre de sabor único.

Ela será boa opção para quem quer experimentar novos sabores. Com a iniciativa a fruta chegará aos supermercados em 2008. Na Nova Zelândia, para onde foi levada, é possível encontrar sucos, biscoitos, geléias, óleos, champanhe, entre outros produtos feitos a partir da polpa da fruta. A Colômbia, também para onde foi exportada, vende a fruta para lojas especializadas no Brasil.

 

Planta é tão exigente quanto a macieira

 

A goiabeira serrana (Acca sellowiana) pertencente à família Myrtaceae. É espécie frutífera nativa no Sul do Brasil. Essa espécie ocorre espontaneamente em áreas com altitudes superiores a 1.000 metros, mas ainda não é cultivada comercialmente, ao contrário do que ocorre em outras partes do mundo, especialmente na Nova Zelândia, Estados Unidos e Colômbia.

A espécie apresenta porte reduzido, raramente ultrapassando 4m de altura em condições de cultivo. A goiabeira serrana é planta predominantemente alógama (fecundação cruzada), de floração tardia, que floresce de outubro a novembro, quando não há mais riscos de geada e cuja polinização é assegurada em boa parte por pássaros.

A propagação vegetativa convencional dessa espécie por estaquia apresenta baixa eficiência. A enxertia, processo atualmente utilizado para a implantação de ensaios de multiplicação, apresenta resultados aleatórios. Uma das causas é a contaminação por fungos, cujo desenvolvimento é favorecido pelo ambiente quente e úmido da casa de vegetação (onde são feitas as mudas).

O mais indicado é semear em bandejas e levar a campo. Com meio a um metro de altura, a muda deve ser enxertada no cavalo, de forma definitiva. "A goiabeira serrana é igual ou até mais exigente do que a macieira. O interessado deve buscar orientação técnica", observa Jean Pierre Ducroquet, doutor em biologia vegetal. Informações (49) 3233 0324.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Pecã floresce, mas não frutifica

Temos alguns pés de noz pecã com mais de 20 anos, enormes e florescem muito bem. Porém, menos de 1% completam o ciclo e dão frutos bons. O resto parece que não foi fecundado. Os frutos crescem, mas quando grandes, caem e estão secos. Qual o inseto que faz a polinização? Podem faltar macro ou micronutrientes no solo? As mudas são provenientes de São Sebastião do Caí e de outras propriedades que produzem bem. Agradeço se for atendido.

Ivo Peron

São João do Oeste – SC

 

Pelas informações de sua carta, as nogueiras não apresentam nenhuma moléstia e botam flores normalmente, mas as nozes caem quando estão se formando ou ficam chochas, sem conteúdo. A causa provável parece residir na falta de fecundação das flores femininas, geralmente associada a condições adversas de fatores climáticos e a deficiência de algum macro ou micronutriente no solo.

A nogueira pecã (ou pecan) é planta monóica: produz flores masculinas e femininas na mesma planta, porém em locais separados (como no caso do milho). As flores masculinas são muito numerosas e estão reunidas em inflorescências compridas e finas: chamadas amentilhos. Elas se formam na primavera, mas sobre os ramos do ano anterior. Parecem cordões pendurados. As flores femininas formam-se na extremidade dos ramos novos (broto do ano).

O normal é que o pólen produzido nas flores masculinas, geralmente levado pelo vento ou abelhas, chegue às flores femininas para a fecundação. Flor fecundada desenvolve o fruto normal que é a noz perfeita, mas freqüentemente ocorre uma diferença de tempo na maturação das flores de um tipo ou de outro e a fecundação não acontece. As nozes não se desenvolvem e caem pequeninas ou se desenvolvem, mas ficam chochas, vazias.

Existem variedades autoférteis e outras que precisam de polinização cruzada, razão pela qual se recomenda intercalar no pomar variedades polinizadoras. As condições climáticas também podem alterar o desempenho da planta, antecipando ou retardando a maturação das flores. A umidade e a temperatura elevada aceleram a maturação das flores masculinas enquanto a seca e o frio antecipam a maturação das femininas.

Outro fator decisivo para o desenvolvimento harmônico dos órgãos vegetativos e reprodutores da nogueira são os nutrientes. Nestas circunstâncias, visando obter solução para o seu problema, recomendo uma adubação oportuna com os macros e microelementos que a planta exige, correção do solo, e irrigação, principalmente no período da brotação vegetativa. É necessário partir de uma conveniente análise do solo.

A nogueira pecã exige principalmente adubo nitrogenado que pode ser obtido pela aplicação de estrumes curtidos, tortas vegetais ou mesma adubação verde. Necessita de fósforo obtido de farinha de ossos e outros adubos fosfáticos, e de potássio como as cinzas de madeira e outros. Além dos macroelementos em dosagens equilibradas, a nogueira pecã é muito sensível ao magnésio e ao zinco. O magnésio se corrige com aplicação do calcário magnesiano (ou dolomítico) com pH de 5,5 a 6,0 e o zinco, com pulverização de sulfato de zinco a 0,5% (adubação foliar) ou na terra 50 a 100 gramas deste sal para cada planta.

 

SAÚDE

Tuberculose atinge 80 mil brasileiros por ano

A meta é reduzir os casos da doença pela metade até 2015

 

Grande parte da população brasileira acredita que a tuberculose é uma doença do passado. Porém, os especialistas alertam que isso é um mito. Apesar dos avanços, o Brasil ainda registra 80 mil casos da doença por ano, com cerca de cinco mil mortes, conforme dados do Ministério da Saúde. Segundo estimativas, 35% da população está infectada pelo bacilo causador da doença. A tuberculose ainda ocorre como doença oportunista em 15% dos portadores de HIV.

A meta da Organização das Nações Unidas é reduzir pela metade os casos de tuberculose até 2015. A estimativa do Ministério da Saúde é que o Brasil consiga atingir a meta antes deste prazo, até 2010. "Depois, vamos manter a vigilância e o controle dos casos para, então, buscar a eliminação da doença", afirmou o coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Joseney Santos.

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada pe-lo bacilo de Koch. Os principais sintomas são tosse por mais de 20 dias, dor no peito, falta de apetite, emagrecimento, cansaço, suor noturno e febre baixa. A transmissão ocorre por meio das secreções respiratórias. Doentes não tratados liberam no ambiente grande quantidade de bactérias, ao tossir, espirrar ou falar. A tuberculose pulmonar é o tipo mais comum da doença, mas ela também pode atingir as meninges (meningite), rins, ossos, entre outros órgãos.

Para tratar a tuberculose é necessário tomar o medicamento indicado por seis meses ininterruptos, caso contrário a bactéria pode apresentar resistência aos remédios e o paciente entre na fase crônica da doença, com maior risco de seqüelas e até de vida. Quando o tratamento é bem feito, tem cura em 100% dos casos. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de pacientes que abandonam o tratamento caiu de 12% em 2001 para 6,9% em 2006.

 

Brasil é 15º entre os mais afetados

 

A tuberculose custa ao Brasil 74 milhões de dólares ao ano. Conforme a Organização Mundial da Saúde, estudo realizado em 2005 revela que o país é o 15º mais atingido pela doença, envolvendo 111 mil casos. A nação mais afetada é a Índia, que no mesmo período teve 827 mil casos de pessoas contaminadas, seguida da China, com 593 mil, e da Indonésia, com 240 mil.

Segundo o Ministério da Saúde, 95% dos registros da doença ocorrem nos países subdesenvolvidos. No mundo, surgem 9 milhões de novos casos de tuberculose por ano.

 

OPINIÃO

Nanotecnologia: "o pequeno Irmão?"

Leonardo Boff

 

Há grandes incertezas e riscos associados a este tipo de tecnologia, que pode interferir na agricultura, na indústria farmacêutica, na informática... Quem sabe ela poderá oferecer uma possível resposta ao clamor ecológico

 

Nos últimos anos, está ocorrendo de forma extremamente acelerada, não uma nova onda tecnológica, mas um verdadeiro tsunami tecnológico. É a nanotecnologia. Trata-se de uma tecnologia que produz elementos e coisas não presentes na natureza a partir do mais pequeno como átomos e células que são colocados em lugares desejados. Um nanômetro é um bilionésimo de metro. A Wikipédia da internet nos informa que "para se perceber o que isto significa, imagine uma praia com 1.000 km de extensão e um grão de areia de 1 mm; este grão está para esta praia como um nanômetro está para o metro". Trata-se, pois, de uma tecnologia do ínfimo, tão revolucionária que poderá tornar, em breve, a maioria das tecnologias obsoletas, especialmente aquelas aplicadas à agricultura, à indústria farmacêutica, à informática, à microeletrônica e aos computadores.

Já existem atualmente cerca de 720 produtos em nanoescala desde camisas e calças feitas com fibras à prova de amassamento e de manchas (compráveis no Shopping Eldorado de São Paulo), protetores solares, alimentos, até nanotubos de carbono substituindo o cobre e sendo dez vezes mais eficientes na condução da eletricidade.

Na nanotecnologia convergem a física, a química e a biologia, produzindo organismos ou partículas invisíveis com uma altíssima mobilidade. Por obedecerem as leis da física quântica são imprevisíveis. Especialmente a nanobiotecnologia começa a conhecer avanços insuspeitados. Criam-se, por exemplo, nanodispositivos que circulam no sangue e que podem detectar doenças ou fazer reparos em órgãos afetados. Todo o conteúdo da Biblioteca Nacional, com seus milhões de livros, pode caber num nanoaparelho do tamanho de um caramelo de doce de leite.

Há grandes incertezas e riscos associados a este tipo de tecnologia. Nanosensores que hoje controlam todo o processo da assim chamada "agricultura inteligente", podem ser usados para controlar populações e pessoas. Seria a intronização "do pequeno Irmão" que realizaria as funções do "grande Irmão", de A. Huxley. Como são aparelhos invisíveis e microscópicos, não há como defender-se deles. Por isso a urgência de se observar o princípio de precaução e de se exigir do poder público códigos regulatórios.

Se para todos os problemas sempre há uma solução adequada, quem sabe, pelo caminho da nanotecnologia não poderemos responder as três grandes questões que nos afligem: a escassez de recursos naturais, as mudanças climáticas e o aquecimento global. Com ela poder-se-iam produzir abundantíssimos alimentos, a recuperação dos solos e da natureza. Nanopartículas poderiam ser postas nas superfícies do oceano ou na estratosfera para resfriar a Terra e equilibrar os climas. No mar, entre a Nova Zelândia e a Antártica, foram espalhadas partículas de 20 nanômetros de ferro com o objetivo de produzir plancton que, por sua vez, seqüestraria o dióxido de carbono, reduzindo assim a temperatura. O efeito foi tão surpreendente e aterrador que um dos cientistas disse: "Se tivesse meio petroleiro de nanopartículas poderia causar uma nova era glacial no planeta".

Essas reflexões possuem caráter meramente inicial e fragmentário. Mas seu objetivo é despertar as pessoas para os riscos e as virtualidades que nos são oferecidas pela nanotecnologia e sua possível resposta ao clamor ecológico.

 

PÁSCOA – A VIDA COMO DOM MAIOR

Frei Betto

 

A Páscoa nos convida à interiorização, a meditar de olhos bem abertos. Não é lá no túmulo de Jerusalém que, agora, Jesus ressuscita. É em nosso coração, em nossa solidariedade, em nossa capacidade de enxergá-lo no próximo, em especial nos mais pobres

 

Celebrar a Páscoa é reafirmar a nossa fé na ressurreição de Cristo e na própria ressurreição de todos os nossos projetos de justiça. A morte é a nossa única certeza de futuro. A postura que temos diante da morte traduz o sentido que damos à vida. Temem a morte aqueles que não conseguiram ainda imprimir à vida uma direção, uma razão de ser. Ou se apegaram demasiadamente a bens e prazeres que lhes adornam o ego.

Outrora, a morte incorporava-se ao nosso cotidiano: morria-se em casa, cercado de parentes e amigos. Em Minas, havia velório com pão de queijo e cachaça, carpideiras e proclama em postes, missa de corpo presente e despedidas no cemitério, celebração de 7º dia e luto. Em suma, celebrava-se o rito de passagem.

Hoje, o enterro tornou-se mais um produto de consumo. Morre-se clandestinamente, num leito anônimo de hospital ou em gavetas de um necrotério, como se o falecido fosse uma presença tão incômoda quanto gato em loja de cristais. Não há choro nem vela, nem fita amarela.

Em tudo, há começo, meio e fim. No entanto, nossa racionalidade, tão equipada de conceitos, esvai-se nos limites da vida. Só a fé tem algo a dizer a respeito desta fatalidade. Se Cristo não houvesse ressuscitado, afirma São Paulo, nossa fé seria vã. Mas a vitória da vida sobre a morte arranca da injustiça o troféu da última palavra. No ocaso da existência – lá onde toda palavra humana é inútil alquimia -, Deus irrompe como um teimoso posseiro. E, como no amor, não há nada a dizer, só desfrutar.

Na América Latina, morre-se antes do tempo. De cada 1.000 crianças brasileiras nascidas vivas, 27 morrem antes de completar um ano. Aqui, a morte não é uma possibilidade remota. Ela nutre o sistema econômico. Sem privar milhares de brasileiros de possibilidades reais de vida, não seria possível entregar aos credores da dívida pública R$ 600 milhões por dia! Tira-se tudo isso dos minguados salários dos trabalhadores, através de cirurgias assassinas eufemisticamente denominadas "ajustes fiscais". Mata-se à prestação, lenta e cruelmente, como se o direito à vida fosse um luxo.

A morte é, pois, uma questão política, assim como a esperança, centrada no mistério pascal, move a nossa luta pela vida, dom maior de Deus. Ora, a ressurreição de Cristo não significa apenas que do outro lado desta vida encontraremos a inefável comunhão de Amor. Diz respeito também à vida nesta Terra. "Vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância" (João, 10, 10).

Não haverá vida em abundância senão pela via das mediações políticas, como a distribuição de renda, a reforma agrária, o investimento em educação e saúde. Minha generosidade pode oferecer, hoje, um prato de comida ao faminto. Amanhã ele terá fome. Só a política é capaz de acabar com o que ela também cria: a fome e a miséria.

Vivemos num mundo em busca de equilíbrio. Dos dois lados, Ocidente e Oriente, convivemos com fundamentalismos religiosos. Mata-se em nome de Deus. E enquanto o Ocidente sente-se no direito de ridicularizar o que o Oriente considera sagrado, o Oriente julga-se no dever de calar os profanadores pela violência. A Páscoa deve servir de momento de reflexão: que outro mundo almejamos? É possível alcançar a paz se 2/3 da humanidade vivem abaixo da linha da pobreza? O caminho da paz é a imposição das armas ou a conquista da justiça?

A Páscoa nos convida à interiorização, a meditar de olhos bem abertos. Não é lá no túmulo de Jerusalém que, agora, Jesus ressuscita. É em nosso coração, em nossa solidariedade, em nossa capacidade de enxergá-lo no próximo, em especial nos mais pobres, com quem ele se identificou (Mateus 25, 31-46). A pedra a ser retirada, para que a vida floresça, é a que pesa em nossa subjetividade, amarra-nos ao egoísmo e nos imobiliza frente aos desafios de solidariedade.

 

ESPECIAL

DITADURA DA MAGREZA

Consumo excessivo de remédios para emagrecer, anorexia e bulimia são trágicas conseqüências de uma cultura que exalta a aparência física e o corpo perfeito, que obrigatoriamente deve ser magro. As mulheres são as principais vítimas da luta contra o aumento de peso

 

O Brasil é campeão mundial no consumo de drogas estimulantes utilizadas principalmente para emagrecer. A taxa no país, de 12,5 doses diárias por mil habitantes, é quase o triplo da registrada nos Estados Unidos, onde o alto consumo dessas substâncias vêm preocupando as autoridades há algum tempo. A informação consta no relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), órgão auxiliar da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), 92% dos consumidores de remédios inibidores de apetite são mulheres. Pode-se dizer que elas são as principais vítimas da chamada ditadura da magreza, pois também respondem pela grande maioria dos casos de anorexia e bulimia.

Anorexia e bulimia são transtornos alimentares graves. Segundo a psicanalista Rosita Esteves, de Caxias do Sul, essas doenças relacionam-se intimamente com a área psicológica do organismo, mas também trazem sérios prejuízos físicos ao corpo. "Em ambos os casos a pessoa tem uma imagem distorcida do próprio corpo, embora magra enxerga-se gorda", afirma. Rosita explica que, na anorexia, a pessoa simplesmente para de se alimentar ou ingere pouquíssimas calorias. Na bulimia, ela come compulsivamente em um curto período de tempo e, para eliminar o excesso calórico e não engordar, toma medidas compensatórias, provocando o vômito e usando laxantes, diuréticos e anfetaminas.

Os transtornos alimentares ganharam mais evidência a partir do fim do ano passado, com a morte da modelo brasileira Ana Carolina Reston Macan, de 21 anos, vítima de anorexia. Mas o problema não atinge apenas o mundo da moda. De lá pra cá, foram divulgados outros três casos de jovens que também morreram em conseqüência da doença, e as passarelas não faziam parte de suas vidas.

Cultura – Os especialistas creditam o aumento dos casos de bulimia e anorexia à excessiva valorização da aparência pelas modernas culturas ocidentais, que impõem a magreza como padrão de beleza. "Socialmente, reforça-se a magreza como sinônimo de sucesso que, em última análise, vai levar o sujeito a ter visibilidade, ser bem sucedido", afirmou a doutora em psicologia Joana Moraes, em debate durante a Fashion Rio, no início deste ano.

Rosita Esteves concorda que a cultura exerce influência significativa no incremento dos quadros de transtornos alimentares, mas lembra que o problema não depende apenas dos valores sociais. O simples desejo de emagrecer também não resulta necessariamente nessas doenças. "Quem desenvolve esses transtornos alimentares tem questões da sua identidade e do seu narcisismo mau estruturadas. A pressão cultural associa-se a esses fatores internos e perturba ainda mais, podendo levar ao aparecimento das doenças", afirma Rosita.

Uma pessoa sem predisposição poderia até tentar evitar os alimentos ou induzir o vômito, mas isso lhe causaria tanto desconforto que não seria levado adiante. "A fome ou o vômito causam nas anoréxicas e bulímicas sensação de alívio, de prazer", observa Rosita.

Desafio – Descrita pela primeira vez em 1689, a anorexia ainda desafia a medicina. Sabe-se que o distúrbio tem forte componente genético, mas seus mecanismos não foram definidos com clareza. No campo psicológico, pesquisas indicam que as pacientes anoréxicas, geralmente, são perfeccionistas, competitivas e rígidas. Na família, identifica-se uma mãe possessiva, autoritária e muitas vezes com fixação na própria imagem.

Já as bulímicas costumam ser extrovertidas. Em geral, são impulsivas em vários aspectos da vida. Elas abusam da comida – depois compensam – e muitas também fazem uso excessivo de outras substâncias, como álcool.

Alguns pesquisadores afirmam que anorexia e bulimia são duas faces da mesma moeda. "Todas querem um corpo magro, anoréxico. A anoréxica seria bem sucedida na busca deste ideal, a bulimia seria o fracasso da anorexia", explica Rosita.

Segundo ela, o sentimento de insatisfação com o corpo é o primeiro passo para ingressar nessas doenças. O processo inicia com uma dieta aparentemente inocente, mas que já restringe e controla alimentos. A partir daí, a pessoa pode manter a dieta restritiva e acabar desenvolvendo anorexia ou migrar para a bulimia.

Características – Anorexia e bulimia atingem sobretudo mulheres jovens, de 12 a 25 anos. Um dos parâmetros usados para definir a anorexia é a pessoa estar com Índice de Massa Corporal abaixo de 18,5 (IMC = peso/altura²). Mas a magreza excessiva é apenas a conseqüência mais visível desta doença. As anoréxicas entram em quadro de subnutrição e todo o organismo sente.

Elas apresentam baixa pressão arterial, redução da atividade da tireóide, suspensão da menstruação, unhas e cabelos quebradiços, pele ressecada e áspera e hipotermia, em função da perda drástica da camada de gordura, que retém calor. Para se proteger do frio, o organismo pode desenvolver uma penugem (lanugo). A imunidade também baixa e algumas pacientes ficam freqüentemente doentes.

As vítimas de bulimia não apresentam redução drástica do peso. Isso camufla o doença. Podem surgir lesões na região do esôfago, em função do contato freqüente com os sucos gástricos do estômago, perda do esmalte dos doentes e aumento das veias carótidas, pelo esforço ao induzir o vômito.

Sinais – As anoréxicas que se recusam a alimentar-se, demonstram medo excessivo de engordar, preocupação exagerada com calorias, gosto por atividade física. Elas também costumam evitar encontros sociais que envolvem comida. Para disfarçar, comem muito devagar e picam os alimentos, espalhando-os no prato para dar impressão de mais volume, e usam roupas largas. As bulímicas tem compulsão alimentar e, nesses momentos, mostram preferência por carboidratos e doces. Passam bastante tempo no banheiro, especialmente depois das refeições.

O tratamento dos distúrbios alimentares exige um grupo de profissionais: endocrinologista para reparar os danos, nutricionista para readequar a dieta e psicólogo para tratar o emocional. Às vezes, o psiquiatra também é requisitado, pois é comum essas doenças estarem associadas à depressão.

 

"Tinha medo de voltar a comer"

 

"Não gostava do meu corpo, implicava com o fato de não ter cintura", conta a gaúcha Paula (nome fictício), que enfrentou a anorexia aos 13 anos. Insatisfeita com o corpo, Paula consultou um endocrinologista. "Ele me deu algumas recomendações alimentares, mas nada severo", afirma. "A partir daí, comecei a restringir os alimentos", lembra.

A situação agravou-se quando os pais de Paula viajaram por 15 dias. Ela teve a oportunidade de parar de comer sem ninguém perceber. "Passava o dia com suco de laranja e uma maçã. Também era viciada em ginástica, chegava a fazer seis horas diárias de exercícios", diz.

Quando seus pais voltaram, perceberam que ela tinha emagrecido um pouco. Com eles em casa, ela obrigou-se a comer um pouco mais.

A situação progrediu até que outras pessoas começaram a perceber sua magreza e chamar a atenção dos seus pais. Paula emagreceu 17 quilos, chegou a 37 quilos. Ela consultou vários médicos, sempre contrariada. "Eu odiava os médicos, resisti muito aos tratamentos", afirma.

"Chegou um ponto em que não gostava do meu corpo, as roupas não ficavam bem, eu não saía mais de casa", lembra. "Nessa época, eu até queria recuperar alguns quilos, mas tinha medo de aprender a comer novamente, perder o controle e engordar mais do que julgava necessário", conta. "No fundo, me sentia vitoriosa. Todo mundo queria perder peso e tinha dificuldade, eu conseguia, tinha controle sobre isso", declara.

A situação começou a mudar quando um nutricionista lhe disse: "Ou tu come, ou vou te internar para te alimentar a força". Como tinha pavor de ser internada, Paula começou a comer. Nessa época, ela também consultava um psiquiatra. Entre o início da doença e a aceitação do tratamento passou-se um ano.

Atualmente Paula é médica, formada há oito anos. "Quem percebe os sinais da anorexia deve insistir para que a pessoa aceite ajuda, porque sozinha ela não vai procurar. Quem tem anorexia, não percebe que precisa de ajuda, não se sente doente", conclui.

 

Autoridades prometem agir contra emagrecedores

 

O Ministério da Saúde considerou alarmantes os dados que colocam o Brasil como líder mundial no consumo de emagrecedores e prometeu dar início a uma estratégia para educar pacientes e médicos sobre os riscos dessas drogas.

Segundo dados da Coordenadoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde, o Brasil é hoje um dos maiores produtores de remédios para emagrecer e a maioria do consumo é feito com o aval de uma receita médica. Sem o chamado mercado negro ficaria mais fácil implementar medidas de controle. Porém, pesquisa realizada no ano passado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) constatou que substâncias estimulantes da perda de peso, vendidas em academias, centros estéticos e cabeleireiros, supostamente feitas à base de ervas naturais, continham emagrecedores químicos.

Outro estudo do Cebrid, feito em 2000, apontou que médicos endocrinologistas, especialidade que trata a obesidade, foram os que menos recomendaram os anorexígenos, em mais de 100 mil receitas analisadas. Boa parte era indicada por outras especialidades, como médicos do trabalho. Isso indicaria que as drogas são usadas para fins estéticos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve apresentar em breve medidas contra o alto consumo das drogas anorexígenas. O assunto começou a ser discutido no fim do ano passado, quando a agência abriu consulta pública para discutir novas regras de prescrição e comercialização desses remédios.

A proposta é que os anorexígenos só poderão ser prescritos pelo médico por meio de uma receita do tipo A (amarela), cuja distribuição é controlada pelas unidades regionais da vigilância sanitária. A legislação atual permite que essas drogas sejam prescritas na receita do tipo B (azul), que os próprios médicos podem imprimir nas gráficas, informando a vigilância sanitária sobre a quantidade produzida.

A partir das opiniões recebidas por meio da consulta pública, encerrada em fevereiro, a Anvisa está elaborando novo regulamento para o controle das receitas desses remédios. Além disso, estuda a implantação de um sistema informatizado para que a agência tenha acesso direto aos dados das farmácias, como informações sobre os médicos que prescrevem os remédios, quantidade e tipos de drogas adquiridas. O objetivo é coibir abusos na prescrição e venda desses medicamentos.

 

É possível perder peso sem remédio

 

Os remédios são coadjuvantes no tratamento da obesidade, indicados a quem não respondem bem a outros métodos. Nenhum medicamento causa perda de peso sem dieta e exercícios físicos. Se forem usados sem indicação médica, causam graves efeitos colaterais.

A endocrinologista Ellen Paiva recomenda um médico para estabelecer uma dieta saudável e compatível com a rotina de cada indivíduo. "Muitas vezes, o paciente se surpreende com a facilidade de seguir uma dieta, quando esta foi preparada para ele, respeitando suas preferências e estilo de vida. A dieta deve viabilizar a perda de peso e a boa nutrição", defende. Quando a pessoa emagrece por meio da reeducação alimentar, consegue manter o peso com mais facilidade, evitando o efeito sanfona.

 

Banalização dos medicamentos

 

Remédios indicados para o tratamento de doenças vêm sendo usados por quem deseja perder peso. A seguir, os que mais se popularizaram para este fim.

Anfetaminas: são drogas que de fato provocam redução ou perda do apetite, levando ao emagrecimento. Porém, só deveriam ser indicadas quando outros tratamentos para obesidade grave falham. As anfetaminas agem nos neurônios responsáveis pela sensação de fome, bloqueando-os. A endocrinologista Ellen Simone Paiva, do Centro Integrado de Terapia Nutricional, afirma que abolir a fome não é uma boa estratégia para perder peso. "Sem fome, não seguimos dieta alguma, simplesmente paramos de comer, principalmente os alimentos nutritivos e continuamos ingerindo guloseimas, pois não é por fome que comemos chocolate, sorvete, salgadinhos, mas porque são saborosos e gostamos", explica.

Segundo a médica, o resultado do uso de anfetaminas é um padrão alimentar extremamente restritivo, com dietas de quantidade calórica muito baixa e nutricionalmente condenáveis. O usuário perde peso rapidamente, fica desnutrido, mas jamais consegue manter o peso quando a medicação é suspensa.

O consumo inadequado desses anorexígenos causa sintomas como boca seca, dor de cabeça, perda do sono, euforia, crises de ansiedade, pânico, arritmia cardíaca, aumento da pressão arterial, agitação, tremores. Alguns desses efeitos podem matar. A longo prazo, causam dependência química e sua suspensão torna-se cada vez mais difícil.

Diuréticos e laxantes: esses remédios não emagrecem. Eles desidratam e levam à perda de peso em função da perda de água e não pela perda de gordura.

Hormônios tireoideanos: também não emagrecem. Quando levam à perda de peso é pela perda de massa magra (músculo) não de gordura. Quando ingeridos por quem não têm deficiência desses hormônios, elevam os índices normais dessas substâncias no organismo, imitando o que ocorre no hipertireoidismo. Ou seja, provocam uma doença para levar à perda de peso.

 

IGREJA

Documento favorece reforma litúrgica

Exortação apostólica valoriza a Eucaristia, centro da vida cristã

 

A exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis (Sacramento do amor), permitirá que muitos católicos se apaixonem pela Eucaristia e deverá impulsionar o ecumenismo. A constatação é do cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza, que foi o redator geral do Sínodo da Eucaristia, realizado em outubro de 2005 sob o tema "Eucaristia, fonte e ápice da vida e da missão da Igreja", cujas conclusões foram recolhidas pelo Papa Bento XVI e transformadas na exortação apostólica publicada no dia 13 de março.

O documento é constituído de 97 itens que, no seu conjunto, segundo o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, "devem constituir um novo passo para o amadurecimento da reforma litúrgica". Padre Lombardi destaca que são muitos os pontos sobre o que a "Igreja é convidada a refletir para tornar cada vez mais evidente que a liturgia é um evento vivo de comunhão da comunidade com Deus. A reforma litúrgica empreendida pelo Concílio (Vaticano II) continua assim amadurecendo em um equilíbrio sempre maior em suas dimensões, horizontal e vertical".

Algumas afirmações da exortação acabaram gerando polêmicas e repercutindo nos meios de comunicação, inclusive do Brasil. Entre esses pontos polêmicos, um acabou gerando discussões acaloradas no país. É o que se relaciona a segundas uniões matrimoniais, que seriam vistas como uma "praga" (matéria abaixo). Também gerou polêmica a sugestão da adoção do latim nas missas e a valorização do canto gregoriano.

Mas o texto da exortação, item 62, sugere claramente que o latim seja usado em algumas partes da liturgia e durante encontros internacionais, em que a adoção de uma única língua facilitaria a compreensão dos participantes de diferentes países, além de "exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja". Em nenhum momento o documento dá a entender que as línguas de cada país sejam suprimidas e que o latim volte a fazer parte da missa. O texto, inclusive, recomenda que nessas celebrações, as leituras, a homilia e a oração dos fiéis sejam feitas na língua local.

Para dom Filippo Santoro, bispo de Petrópolis (RJ) e membro da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB, alguns meios de comunicação acabaram dando destaque a essas questões como se fossem as partes centrais do texto, quando na realidade representam apenas quatro ou cinco itens num documento com 97 itens.

Para dom Filippo, o ponto central da "Sacramentum Caritatis" é o anúncio do amor de Deus presente entre nós e envolvido com nosso destino. O bispo destaca que, na vida cristã, "os sacramentos são as vias mais objetivas para experimentarmos a companhia e o amor de Deus". Entre eles, se sobressai a Eucaristia. "O documento procura explicar esse misterioso e real fundamento da Igreja e anuncia novamente a todos que é possível encontrar Deus no cotidiano, em encontros aparentemente banais, mas cheios de sentido", conclui dom Filippo.

 

Erro de tradução gera polêmica no país

 

Um cochilo ou engano de quem traduziu a exortação apostólica Sacramentum Caritatis, levou-o a confundir uma palavra italiana com uma semelhante em português, fato que abriu uma polêmica no Brasil e grande repercussão nos meios de comunicação. Trata-se da palavra "piaga", no original italiano, que foi traduzida para o português como "praga", quando o correto deveria ser "chaga". O uso indevido, na tradução, soou como ofensivo, mas não é esse seu sentido em italiano.

No item 29 do documento, que trata sobre a questão do casamento de divorciados, a frase em italiano "(...) Si tratta di un problema pastorale spinoso e complesso, una vera piaga dell’odierno contesto sociale che intacca in missura crescente gli stessi ambienti cattolici", foi traduzida para o português "(...) Trata-se dum problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contemporâneo que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos".

Na realidade, a Igreja defende o matrimônio como um sacramento indissolúvel. O documento reconhece a dificuldade crescente que os casais enfrentam para viver seu relacionamento de forma estável, mas reafirma a prática já existente de não conceder a comunhão aos re-casados. Todavia, destaca que, apesar da sua situação, essas pessoas "continuam pertencendo à Igreja, que os acompanha com especial solicitude na esperança de que cultivem, quanto possível, um estilo cristão de vida, através da participação da santa missa, ainda que sem receber a comunhão, da escuta da palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária...".

 

Câmara homenageia campanha da CNBB

 

A Câmara Federal realizou sessão solene em homenagem à Campanha da Fraternidade deste ano, promovida pela CNBB, cujo tema é "Fraternidade e Amazônia" e o lema "Vida e missa neste chão". A sessão foi proposta por diversos parlamentares. Eles argumentam que o tema deste ano contribui para que "a sociedade brasileira volte os olhos para a Amazônia e tome consciência dos grandes desafios enfrentados pela região".

A escolha do tema, segundo os deputados, expressa o compromisso da Igreja com a causa ambiental e é uma oportunidade para que o país se conscientize da urgência de políticas públicas e iniciativas eficazes para evitar a devastação da região. De acordo com a CNBB, o objetivo é sensibilizar as pessoas para a preservação e o uso sustentável das florestas e o respeito pelas populações amazônicas.

 

CATEQUESE DA ESPERANÇA

Padre Zezinho

Só espera quem ama. Quem perde o amor se desespera

 

"Contra toda a esperança, Abraão esperou e acreditou. E tornou-se o pai de muitas nações" (Rm 4,18). Esperança que se vê não é esperança. Ninguém espera naquilo que já tem em mãos (Rm 8,24). A Igreja é o lugar da esperança Deveria sê-lo. Afinal, é disso que depende uma religião. Espera em Deus e espera no homem. E se não esperasse nem mereceria existir. Religiões são o lugar da esperança. Todas elas.

Porque acreditamos em Deus, porque cremos no perdão, porque cremos no céu, porque cremos no futuro da humanidade, porque cremos que um dia o mundo terá paz, porque cremos na vitória do bem, porque cremos na luz no fim do túnel, porque cremos, esperamos.

Ninguém espera, se não confia e não crê. Esperamos em alguém quando o amamos e nele confiamos. Se não confiamos, nada esperamos dele. Confiar é entregar a fé nas mãos de alguém, cum-fides, depositar fé nesse alguém. Esperar é ter paciência, dar tempo ao tempo, dar chance a uma pessoa porque ela vai chegar lá. Só espera quem ama. Quem perde o amor se desespera.

Quem não vê solução nem saída alguma, se desespera. A pessoa que tem esperança, porque tem fé, terá comportamento diferente, se presa num túnel. As outras entrarão em pânico. Ela não. Ela conta com alguém ou consigo mesma. Mesmo que isso não aconteça, terá mais força do que as outras porque permanecerá dona de si.

A parábola das duas rãs na barrica de leite elucida a esperança. Caíram lá. Uma tinha esperança, a outra não. Entrou em pânico e abandonou-se à sua sorte. A outra esperneou a noite inteira e achou forças na certeza de que se salvaria. Pela manhã, de tanto espernear, tocou em algo sólido. Salvou-se. De tanto se bater, transformara o leite em manteiga.

 

Serra gaúcha revive Paixão do Senhor

Milhares de pessoas acompanham encenações da morte e ressurreição

 

Para os católicos da Serra gaúcha, a Semana Santa é uma das datas religiosas celebradas com maior intensidade e devoção. E como já ocorre há diversos anos, em muitas cidades as celebrações são marcadas por encenações, procissões e outras manifestações religiosas que recordam solenemente a paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Em Carlos Barbosa, a encenação da Paixão e Morte envolve mais de 400 atores locais e um público estimado em 10 mil pessoas acompanha o desenrolar de dez cenas que ocorrem ao longo do percurso do centro da cidade até o Morro do Calvário, com duração de cerca de quatro horas. Neste ano, a cerimônia será realizada no dia 6 de abril, a partir das 15h30, com início na igreja matriz.

Em Flores da Cunha, a via-sacra será encenada às 15 horas. Inicia na matriz e vai até o estádio Homero Soldatelli, onde ocorre a crucificação. Cerca de 80 pessoas participam das encenações e 15 mil pessoas devem acompanhar a celebração. "Cada bairro vai formar uma estação da via-sacra, ao longo do trajeto, com um palco decorado e personagens caracterizados para a passagem do Cristo", explica a professora Zanete Montanari Oldra, responsável pelas encenações. A ressurreição será encenada no sábado à noite, na matriz.

Na cidade de São Marcos, a procissão com o Cristo morto sai da matriz às 15 horas do dia 6, passando pelas estações da via-sacra construídas ao longo do trajeto, nas encostas do Monte Calvário, e conclui junto ao monumento no alto do morro. A via-sacra e o monumento foram inaugurados no dia 27 de abril de 1952. São aguardadas mais de 15 mil pessoas.

A Paixão de Cristo também é destaque em Daltro Filho, Imigrante (RS). A encenação será realizada no dia 1º de abril, às 20 horas, no convento franciscano. Num cenário natural, cerca de 80 atores locais vão representar alguns momentos marcantes da paixão.

 

Via-Sacra mobiliza comunidade caxiense

 

Em Caxias do Sul, será reeditada a Via-Sacra Viva, nos pavilhões da Festa da Uva. O evento iniciou no ano passado, depois da inauguração do Monumento Jesus Terceiro Milênio e das estações da via-sacra, colocadas ao longo da escadaria que leva ao monumento. A Via-Sacra Viva será realizada na Sexta-feira Santa, a partir das 9 horas.

A encenação inicia no pé da escadaria e o término ocorre junto ao Monumento Jesus Terceiro Milênio. A apresentação será feita pelo grupo de jovens da paróquia São José, que também encenou a Paixão de Jesus no ano passado. O acesso do público será feito pelos portões 7 e 8 (ônibus e veículos) e os pedestres poderão entrar pelo portão principal. O ingresso aos pavilhões é gratuito. O evento conta com apoio da Secretaria do Turismo de Caxias do Sul.

 

ESTA TERRA É SANTA

Aldo Colombo

Imenso paraíso verde, a Amazônia vem sendo profanada de maneira irresponsável e crescente

 

Uma das cenas mais impressionantes do Antigo Testamento acontece com Moisés, quando apascentava seu rebanho no deserto. Ao chegar ao Horeb – a montanha de Deus – Moisés percebe uma sarça ardente e, ao aproximar-se, a voz de Deus o interpela: "Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa" (Ex 3,5). O esplendor do Horeb seria, mais tarde, ofuscado pela simplicidade da gruta de Belém. E a partir da encarnação de Jesus, tudo tornou-se sagrado. Foi essa a ótica de Francisco de Assis quando percebeu a terra inteira como uma imensa catedral, onde Deus podia ser facilmente reconhecido.

Na Campanha da Fraternidade 2007 a Igreja, no Brasil, volta seus olhos para a Amazônia, lembrando que é uma terra santa. Maior berçário do mundo, na flora e na fauna, a Amazônia foi definida pelo escritor Alberto Rangel como o Inferno Verde. Amazônia merece ser definida com uma expressão mais apropriada: Paraíso Verde.

Com mais de sete milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia pan-americana estende-se por nove países, sendo responsável por 20% da água doce disponível no mundo e 34% das reservas mundiais de florestas.

Essa terra santa vem sendo profanada de maneira irresponsável e crescente. A cada ano, cerca de 17 mil quilômetros quadrados são dizimados pelos garimpeiros na busca de ouro e diamantes, pelas derrubadas e queimadas, pelos posseiros, grileiros, mineradores, caçadores e pescadores. Uma imensa cruz estende sua sombra sobre a Amazônia. Além da "vida", a "missão" também se defronta com imensas dificuldades. Com 23 milhões de habitantes, a Amazônia brasileira acolhe cerca de 60% da população indígena do Brasil: 200 mil índios. Religiosamente, essa população é mal atendida, tendo contra si as distâncias, a pobreza e o diminuto número de agentes de pastoral.

Dados oficiais do Ministério do Meio Ambiente informam que já foram desmatados 70 milhões de hectares de florestas, sendo 22 milhões nos últimos dez anos. Mesmo acentuando a gravidade desses números, ainda sobram 85% da Amazônia. Esse é um dado positivo. Mas a devastação precisa terminar imediatamente. E se não o for, a humanidade inteira pagará o preço.

Deus não se vinga nunca, os homens às vezes, e a natureza sempre. Uma vez ferida, a natureza volta-se contra o homem. Isso não só na Amazônia, mas em toda a parte. A Terra é nossa casa e precisa ser cuidada. Todos nós somos inquilinos nesta Terra de Deus.

A Amazônia está longe, mesmo assim a reflexão se torna necessária. Porém precisamos lembrar que o Sul do Brasil também é terra santa. E todos temos responsabilidade nessa cruzada. Não podemos esconder-nos atrás da desculpa de que são pequenas coisas: um copo de plástico, uma pilha usada, uma árvore abatida, alguns litros de água desperdiçados... São elas que fazem a diferença. Nossa terra é sagrada e não pode ser profanada. Quando fazemos isso pecamos contra os dois maiores mandamentos: o amor a Deus, nosso Pai, e ao próximo, irmãos nossos.

 

Metrópoles desafiam ação eclesial

Novo arcebispo de São Paulo quer Igreja organizada nas cidades

 

"Faltam igrejas (nas cidades), faltam paróquias, faltam sacerdotes, faltam comunidades organizadas", disse dom Odilo Pedro Scherer, nomeado na semana passada pelo Papa Bento XVI para assumir a arquidiocese de São Paulo. A frase resume a maior preocupação de dom Odilo no novo cargo – elevar a presença da Igreja na maior diocese brasileira e terceira do mundo, com seis milhões de católicos. Pesou em favor da escolha de dom Odilo seu conhecimento da cidade de São Paulo, da CNBB e da hierarquia da Igreja.

Dom Odilo sucede dom Cláudio Hummes, que no dia 30 de outubro do ano passado foi nomeado pelo Papa como prefeito da Congregação para o Clero. Gaúcho de Cerro Largo, 57 anos, dom Odilo foi ordenado sacerdote em 1976, em Quatro Pontes, diocese de Toledo PR). No final de 2001 foi nomeado bispo auxiliar de São Paulo. Em 2003 foi eleito secretário-geral da CNBB, cargo ao qual poderá ser reeleito no início de maio, na Assembléia Geral da entidade. Dom Odilo tomará posse no dia 29 de abril.

Parceria – Criada diocese em dezembro de 1745 e elevada à condição de arquidiocese em junho de 1906, a arquidiocese de São Paulo é dividida em seis regiões episcopais – Sé, Belém, Ipiranga, Santana, Lapa e Brasilândia. Desde dom Bernardo Rodrigues Nogueira, que comandou a arquidiocese de 1745 a 1748, São Paulo teve 13 bispos e seis arcebispos.

Entre os desafios que dom Odilo se propõe está o de colocar a Igreja de forma adequada no contexto da metrópole urbana. "Nós ainda não conseguimos arrumar nossa posição, nossa situação dentro dos mundos complexos da grande cidade", disse dom Odilo. Segundo ele, a Igreja não conseguiu acompanhar as transformações provocadas pelo êxodo rural. Acrescentou que a Igreja deve organizar sua presença nas periferias urbanas, que também pode ser feita por leigos. Em São Paulo, bispos próximos ao novo arcebispo também defenderam a ampliação da presença da Igreja nos bairros mais afastados.

Quanto às questões sociais, ele disse que a pobreza, a miséria, a violência não são unicamente missão da Igreja. "É o governo o principal responsável. A Igreja não tem competência decisória, mas é parceira das ações de melhorias sociais". Dom Odilo também pretende seguir a obra de recuperação da Pontifícia Universidade Católica (PUC), iniciada por seu antecessor, dom Cláudio Hummes. "Foi um trabalho importantíssimo. A PUC deve continuar sendo referência da educação em São Paulo", disse o novo arcebispo.

À frente da arquidiocese de São Paulo, dom Odilo Scherer terá a tarefa de cuidar da organização e acolhida de Bento XVI na visita que o Papa fará ao Brasil entre 9 e 13 de maio. Na capital paulista, Bento XVI vai presidir a cerimônia de canonização de Frei Galvão.

 

QUEM EU TENHO?

Wilson João

Muito mais do que lutar por coisas, por preservar o que se tem, é preciso cuidar para não perder as pessoas

 

Neste exato momento com quem eu posso contar para me ajudar a encontrar uma saída para meu problema econômico? Neste exato instante com quem eu posso contar para desabafar minha situação de decepção e abandono? Neste exato momento com quem eu posso contar para um abraço de companheirismo e um aperto de mão de presença e apoio? Nesse instante com quem eu posso contar para ser meu apoio na velhice e na minha necessidade?

O QUE SE TEM É VALIOSO E IMPORTANTE. Mas não é tudo. O mais valioso não é o que se tem na vida. Geralmente as pessoas falam muito mais do que têm. "Tenho casa, tenho carro, tenho terra, tenho empresa...". Mas pouco se fala "tenho família, tenho amigos, tenho meu grupo de festa...". Infelizmente, as pessoas buscam a segurança nas coisas, no que possuem.

As coisas são muito frágeis. Um vento destrói, uma enchente leva, um incêndio faz virar cinzas, um ladrão pode levar tudo. Ter o necessário é importante, e Deus quer isso. Ele nos entregou o mundo para que fizéssemos bom uso dele. Mas todas as coisas – terra, dinheiro, instrumentos de trabalho, comunicação e tudo o que é fruto da ação humana -, devem ser instrumento para ligar as pessoas. As coisas, isoladamente, perdem o valor. Elas adquirem o valor na medida em que são como janelas abertas que conduzem para a humanidade, a sociedade e o bem-estar de todos.

QUEM SE TEM É MAIS VALIOSO. Pessoa que não tem ninguém para amar e ser amado vale pouco. Torna-se coisa. Somos coração, sentimentos, emoção. Somos sonhos de vida e eternidade, de convivência e festa. Quem se encontra na situação de ter que dizer "estou sozinho, não tenho ninguém por mim", vive um inferno, pois inferno nada mais é do que a solidão total e a ausência do amar e ser amado. Por isso, muito mais do que lutar por coisas, por aquilo que se tem, é preciso cuidar para não perder as pessoas. A grandeza da vida não se mede por aquilo que se tem, mas pela quantidade de pessoas que guardamos no coração. E o coração humano é infinito. Dentro dele cabe a humanidade.

TUDO É LIGAÇÃO. Esse é o segredo de harmonizar coisas e pessoas. Tudo deve ligar. As coisas devem ligar às pessoas. As pessoas devem ligar à vida. A vida deve ligar a Deus. Na medida em que se encontra o segredo de ligar, a solidão desaparece e tudo adquire um sentido.

 

CORREIO SABE-TUDO

RIOS AMEAÇAM SECAR

 

Poluição, retirada exagerada de água, mudanças climáticas e desenvolvimento predatório estão matando alguns dos rios mais famosos do mundo. A constatação é do grupo de conservação ambiental WWF, que lançou recentemente o relatório global "Os 10 principais rios do mundo em risco".

Entre os ameaçados estão o rio Yangtsé, na China; o Ganges, na Índia; o Nilo, no Egito; o Rio Grande, nos Estados Unidos; o Mekong, o Salween e o Indus, na Ásia; o Danúbio, na Europa; o Prata, na América do Sul; e o australiano Murray-Darling. Se estes rios morrerem, milhões de pessoas perderão o sustento, a biodiversidade será destruída em grande escala, haverá menos água e produção agrícola, resultando em menos segurança alimentar.

A bacia do Yangtsé é uma das mais poluídas do mundo devido a décadas de industrialização, construção de represas e sedimentação em decorrência do uso da terra. O Yangtsé é o mais longo rio da China e o terceiro maior do mundo, com comprimento de 6.380 quilômetros.

As chamadas Três Gargantas do Yangtsé são famosas pela beleza da paisagem à sua volta. Nessa região, está sendo construída outra represa. A obra iniciou em 1993 e deve ser concluída só em 2009. Depois de pronta, esta será a maior represa do mundo em potência, superando Itaipu.

A elevação da temperatura do planeta também traz conseqüências devastadoras para a pesca, o fornecimento de água e a segurança política na árida bacia do Nilo. O rio tem 6.671 quilômetros de comprimento. Ao longo de suas margens, desenvolve-se a agricultura dos países por ele cortados.

A bacia do Ganges representa quase um terço de toda a superfície da Índia e uma em cada 12 pessoas do mundo depende desse rio para pescar e praticar agricultura. O Ganges, com 2.507 quilômetros de extensão, é sagrado para os hindus. O WWF alerta que os afluentes do Ganges estão morrendo por causa de barragens que desviam grande quantidade de água para irrigação.

Barragens ao longo do rio Danúbio já destruíram 80% das áreas inundáveis e áreas úmidas da bacia. O rio Indus enfrenta escassez devida à exploração de suas águas para agricultura. As populações de peixes também estão ameaçadas.

 

Barragens colocam Bacia do Prata em risco

 

A bacia do Prata é a segunda maior da América do Sul. É formada pelos rios Paraguai, Paraná e Uruguai, que juntos drenam uma área correspondente a 10,5% do território brasileiro, com 3,2 milhões de quilômetros quadrados. A bacia atravessa cinco países: Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Cerca de 100 milhões de pessoas moram na região.

Ao longo da bacia, já foram construídas 27 grandes barragens. O Prata é um dos rios mais ameaçados do mundo pelo grau de fragmentação que sofreu. A conseqüência é o rompimento do equilíbrio ecológico dos rios e o impacto social em função do deslocamento de milhares de pessoas.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Walter Luiz Rigotti

Consultor Ambiental, Curitiba – PR

 

Walter Luiz, nascido em Erechim-RS (1946), filho de Luiz Rigotti e Alda Donadel Forcelini, casado com Leda Terezinha Cararo – pais de Débora das Graças e Rachel Tereza, avós de Sophie e Gabriela -, fez sua América como funileiro (1963-64); bancário (1965-74); funcionário da Companhia de Petróleo Ipiranga (1975-2005). Atuou em cinco cidades catarinenses (Concórdia, Itajaí, Florianópolis, Blumenau, Lages); nove do Paraná (Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel, Londrina, Maringá, Rossana, Paranaguá, Guarapuava e Araucária); em seis de Rondônia, mais quatro do Amazonas, duas do Pará, sete de São Paulo, três de Minas, entre outras. Diz ele:

"Aposentei-me em 2005, aos 41 anos de carteira assinada. Hoje sou Consultor Autônomo na Área Ambiental. Meu objetivo é compor a história da família. Até 1999, chegava até o avô Giovanni Rigotti, não sabia que os bisavós Abramo Rigotti e Verônica Ferro com os filhos Bôrtolo e Giovanna vieram da Itália, nem da avó materna Rachel Boldori.

Meu pai nasceu em Lagoa Vermelha, mas não possuía certidão de casamento. Em 1998, fomos a Lagoa Vermelha, em busca desta certidão, quando o cartorário informou: "Os Rigotti foram registrados aqui", mas nasceram em Ibiraiaras, Guabiju ou André da Rocha. Lá fomos nós. Nada em Ibiraiaras e Guabiju. Em André da Rocha localizamos certidão de casamento do meu avô (6-1-1914). Percorri 6.000 kms, visitando igrejas em Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Veranópolis, Nova Prata, Nova Bassano, Fagundes Varella, Vila Flores, André da Rocha, Nova Araçá... Na certidão de casamento dos avós JOÃO RIGOTTI, filho de Abrahan Rigotti e Verônica Ferro, e de RACHEL BOLDORI, filha de Santo Boldori e Assunta Delvo, consta serem italianos, residentes em Alfredo Chaves. Não sabia que vieram da Itália. Em 1999, em Nova Araçá, localizamos os registros dos seus 13 filhos.

Vivi meus primeiros 27 anos com meus pais, avós e bisavós. Só falávamos Talian. Comer polenta, queijo, salame, pão, massas, assados, galinha ao molho, risotos, pão ensopado no vinho no café da manhã... era meu cardápio. Fui coroinha em Concórdia por 12 anos. Viajei com meu pai ao Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro. Em Jacutinga, a 15 km de Concórdia-SC, dormia em colchão de palha de milho e travesseiro de penas, na casa da nona Rachel e chupei muita uva na casa do Sr. Malaganio. Enchi muitos litros de vinho para meu pai levar a São Paulo e trocar por cerveja com o Affonso Micocchie, que tinha bar no Brás, e torcia pelo Palmeiras. Tomei porres só com o cheiro do vinho, ao encher litros.

Meu pai, com um Chevrolet 54, transportava produtos da Sadia, de Concórdia para São Paulo e Rio de Janeiro. Aos oito anos, ganhei dele um cavaquinho. A nona materna, Tereza Forcelini, morava conosco, rabiosa que só vendo. A mãe viajava com o pai e a gente ficava com a nona. Um dia tentei tocar cavaquinho, mas só fazia barulho. A nona, boa costureira, estava na cozinha costurando. Incomodada, gritou: "Fermo Walter, fermo Walter..." Eu não atendi, então ela veio, pegou o cavaquinho, foi à cozinha, com o joelho sobre a caixa da lenha, bateu o cavaquinho no canto da caixa e o reduziu em gravetos. Aos 14 anos, meu pai me deu uma gaita de 80 baixos, da Somenzi, que está na casa paterna.

Nossa casa era grande. Na parte superior estava a Rádio Rural de Concórdia, do Atílio Fontana, diretor e fundador da Sadia; na frente, havia a relojoaria Pazzini e uma loja de tecidos; no fundo, quatro peças alugadas. Um dia, em visita aos parentes em Jacutinga, brincamos no barro e, ao voltarmos sujos, a mãe pediu que nos lavássemos debaixo de uma bomba Marumby, dentro de um gamelão. O sabão caiu no fosso, e corri a pegá-lo, sem saber que era um poço desativado. Sorte que tio José percebeu e me salvou. (wl.rigotti@uol.com.br)

Depois de salvar-se do poço e percorrer o Brasil, realizando seus sonhos, Walter salvou a história de sua família. Parabéns! (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (404)

No´l sa destinguer un freno de un sotocoa

Eduardo Grigolo

Professor, Jundiaí – SP

 

– Come ve go dita vanti, mi no savea distìnguer un freno de un sotocoa. Tuti i laori bisogna che se l’impare, ma mi zera massa "matungo" per capire. E come el disea ai me genitori el prete che me ga batedà: "Me par che ghe manca sal in suca!" E el vea rason! Co son stà in tea casa de Ilia Grìgolo, go imparà far tante cose, ma, anca impararle me ga costà altro che voia de far tuto pulito. Go ciapà becade de gal, scornade de boi, sgrafade de gatini e altre robe che se pol mainar. Vao contarve una che la me par tanto interessante. De matina, dopo la colassion, gera costume ndar al punaro palpar le galine, par veder se le vea ovo. Assarle serade tute insieme gera pericoloso, perché, quele che no vea ovo, co la fame, le podaria sbeconar i ovi metesti do per quelaltre. Alora, quel mistier gera incàrico dela Nega. Come i savea che mi volaria imparar de tuto, na matina la Nega la me ga invità dopo domandarme:

– Nanetto, setu palpar galine?

– Cossa zelo quel mistier?

– Se no te sa, mi te insegno! Me ga dita la Nega.

– Ah! se ze necessàrio, alora te pol insegnarme che mi imparo.

– Alora, ndemo al punaro!

– Nega, son tuto oci e rece! Te pol dirme che mi fasso, con piasser! La nega la ciapea na galina drio l’altra, la ghe alsea la coa e, o la butea rento de un seston, o sinò fora par la porta del punaro, a sbrindolar per el curtivo. Alora ghe go domandà: "Parché una te la buti fora e nantra te la seri su?"

– Quela che ga el ovo, la pianto tel seston par no meter do el ovo in qualche canton, e quela che no ga ovo, la pol ndar gratarse e fárselo anca ela.

– Ma come te sè? Ghe go domandà.

– Varda, Nanetto, prima te ciapi la galina par le ale, con na man e con quelaltra te ghe alsa su la coa e al medèsimo tempo te ghe impianta tre sentìmetri de deo in tel cul. Se l’è duro, la ghenà ovo, alora, rento dal seston. Se l’è molo, alora te pol butarla fora del punaro, parché el ovo no’l ze pronto ancora. Ghetu capio?

– Si, si e più che svelto go ciapà na galinona, de quele ben grande. La pesea i so sìnque chili. Ghe go intorcià le ale e con na man le go tegneste sicure. Con quelaltra, lìbera, ghe go fato de moto par alsarghe la coda. No vea gnancora catà el buset e la me ga molà na sùbita sbeconada, che par poco no la me assa orbo, e la me ga taià el naso, che gera na sanguera par tute le bande. "Aiuto, Nega, che la vol coparme!" E la Nega la gera rossa de tanto rìder. "Bruta bèstia!" Ghe go dita mi. "Parché te ride?"

– Nanetto, Nanetto, chià, chià, chià! Vense de ciapar na galina, par sbàlio, te ghè ciapà un gal. E gai no se li palpa, Nanetto! Lori no i ga ovo, almanco de quei de Galina, sètu?

– Nega, mi sò che i maschi i ga sachet e le fémene le ga la ciciarola, e ze par quel che se fa distinsion tra màschi e fémene. Un toro el ga sachet, na vaca la ga ciciarola, lo stesso sucede con un can e na cagna, un porco e na porca, etessètera… Ma, ndove zelo el sachet de gal? O sinò, la ciciarola dele galine?

– Nanetto, i gai i ga la cresta alta, i ze più garbosi e quando i canta i fa chechereché! Le galine le ze più bassete, ben tonde e le ga la cresta ben pìcola e le fa còcòcòcò! E te pol veder che in tel curtivo ghe ze un gal e intorno, na meda dùsia de galine. Sol de vardarli te sa quel che ze gal e quel che ze galina! Ghetu capio?

– Si, carìssima! Ma vanti proar, se go imparà, par carità fame un curativo in tel naso!

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La Pàscoa

Ary Vidal

Agricultor, Lapa – PR

La quarèsima la ga arivà,

Gesù mena la salvessa,

Ze rivà el amor e la libertà

On tempo de tanta penitensa.

 

Tante condenassione Gesù ga passà,

Tanto patir par via dei pecaduri,

La redension el ga consegnà,

Ga dato la so vita par via de noantri,

El gaveva gran amor par la umanità.

 

El vero fiol del Signore Dio

Ga patio tanto in quel tempo.

El ga passà par un grando tormento:

I sensa pietà ntela crose lo ga messo.

 

La Madona, drio vardar, patia e pianzeva

A fitar so fiol ntela crose belche inciodato,

Dopo de tanto patir, Gesù ga sospirà

E insieme de Signore Dio el ze ndato.

 

Ma par via dela nostra salvassion

Ntel terso zorno el ga ressussità,

Cossita con fede e orassion

Semo arivà a la Pàscoa.

 

Ze drio comandar i so fradei,

El paron el mena la salvassion,

Gesù el ze co noaltri tuti i dì,

Dio no fa mia distinsion.

 

No bisogna far la guera,

No giova mia tanta richessa,

Gesù tanto amor ga samenà,

La Pàscoa el ze on tempo de

samenar a tuti la contentessa.

 

PÁSCOA, FONDAMETA DELA FEDE

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba – PR

 

La Pàscoa, nte la època prè-mosaica, la gera la festa dela primavera dei pastori nòmadi. Anca la gera la festa del pòpolo ebreo, trasformada in memorial dela so partensa dal Egito. Ma, par i cristiani, la ze la festa anuale che ricorda la ressuression de Gesù Cristo, e la ze celebrada ntela prima doménega dopo la luna piena del echinòssio (ponto dela òrbita dela Tera dove se registra na egual durassion del di e dela note, che sucede ntei di 21 de marso e 23 de setembre) de marso.

El ze el fato centrale de tuta la stòria; tuto converge ntela vita de Gesù. El ze questo el ponto colminante dela vita dela Cesa. La ressuression del Salvador el ze el fato pi glorioso dela so esistensa, la prova pi luminosa dela so divinità e la fondamenta dela nostra fede.

 

GERAL

População decide o futuro da água da bacia do rio Caí

Consultas ocorrem em março e abril

 

O futuro das águas da Bacia Hidrográfica do Rio Caí, que abrange 42 municípios gaúchos, será definido pela população da região. Serão realizadas quadro consultas públicas em Caxias do Sul, Gramado, São Sebastião do Caí e Dois Irmãos. Os resultados serão divulgados em abril.

"Cada habitante desses municípios terá a oportunidade de dizer quais os usos que deseja fazer das águas", diz o presidente do Comitê Caí, Sebastião Correa. Hoje, a população da bacia destina a água para diferentes usos, tais como abastecimento público, irrigação, diluição de esgotos, geração de energia, indústria, navegação e pesca.

Os dados levantados serão mostrados à população durante as consultas, para que possam escolher quais usos da água desejam manter, intensificar, reduzir ou vetar no futuro, de acordo com suas necessidades e com a qualidade da água desejada. Quando terminado e aprovado pelo Comitê Caí, o plano fornecerá diretrizes para licenciamentos ambientais, outorga e cobrança pelo uso da água na região.

Bacia – Localizada no nordeste do Rio Grande do Sul, a Bacia Hidrográfica do Rio Caí ocupa uma área de aproximadamente 5 mil km2. Abrange parte das regiões da Serra e Metropolitana de Porto Alegre. Faz divisa com as bacias do Rio Taquari Antas, do Baixo Rio Jacuí e do Rio dos Sinos. Estima-se que mais de 750 mil habitantes vivem na bacia.