DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.033 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 04 de abril de 2007.
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Em meio a sinais de morte, Páscoa é a vitória da vida
Uma utopia que jamais será varrida da consciência dos homens: a Ressurreição
Os meios de comunicação estão cheios de sinais de morte. Todos os dias somos informados sobre homens-bombas que morrem com suas vítimas. Todos os dias milhares de homens, mulheres e crianças do Terceiro Mundo morrem – inacreditavelmente – por causa da fome. Diariamente farrapos humanos removem o lixo das grandes cidades à procura de restos de comida, disputados com os animais. A todo instante, doentes são abandonados à própria sorte e crianças não têm acesso à escola. Numa civilização que se orgulha do raio lazer, da internet, das viagens espaciais, dos transplantes cardíacos, da clonagem, dois terços da humanidade são deixados à margem. Mais que explorados, são excluídos.
Num mundo globalizado, os nichos do poder ditam leis que protegem os mais fortes – homens e instituições – a custa do crescimento da miséria. O Papa João Paulo II falava do "mau rico e do pobre Lázaro" em dimensões continentais. E são os pobres que financiam os ricos através de uma dívida externa, injusta e impossível de pagar. Possivelmente por vergonha, falamos de superávit primário, o financiamento dos famintos aos supersaciados.
A Igreja, mesmo considerada por muitos na contra-mão da história, não pode silenciar. Se isto fizesse, seria infiel ao Evangelho. Ainda agora, a Campanha da Fraternidade chama a atenção sobre a cruz do sofrimento que estende sua sombra sobre a Amazônia. Esta mesma Igreja não pode calar quando um ministro da Saúde vem pleitear um plebiscito para declarar legal o que será sempre criminoso: o assassinato de inocentes pelo aborto.
É sobre este mundo, marcado pela injustiça e pelo sofrimento, que, mais uma vez, soa o Aleluia. Páscoa nos lembra a história de um menino – sinal de contradição – perseguido por Herodes, um adulto condenado e crucificado pelos poderosos por pregar a Boa Nova para todos. Porém, a história não parou na sexta-feira da morte. Ele desmentiu a morte na manhã pascal. Páscoa é a única utopia verdadeira e definitiva. O projeto do ressuscitado vive!
Dizer Feliz Páscoa é crer que este mundo de injustiça e de desesperança não vingará para sempre. Não se trata de uma saudação alienada. É a certeza do mundo novo que brota da Redenção. A morte não terá a última palavra. A última palavra será da vida, será do amor, que se revelou na ressurreição de Jesus.
Caxienses definem prioridades
Reuniões do Orçamento Comunitário se estenderão até dia 10 de junho
Iniciam na segunda 9 as reuniões do Orçamento Comunitário (OC), mecanismo adotado pela administração municipal para que o cidadão participe das definições sobre obras prioritárias a serem executadas. Os primeiros encontros serão realizados nos loteamentos ou bairros Brandalise, Gruta, São Vitor Cohab e Madureira. O calendário divulgado pela Coordenadoria de Relações Comunitárias (CRC) prevê dezenas de reuniões, durante 55 dias, até 10 de junho.
Segundo o titular da CRC, Jaison Barbosa dos Santos, 30% das obras relacionadas no OC de 2006 para serem executadas em 2007 estão em andamento. A assessoria de comunicação da Prefeitura informa ainda que desde o início do OC, em 2005 (antes, nos dois mandatos de Pepe Vargas, do PT, a denominação era Orçamento Participativo, OP), cerca de 38 mil pessoas já participaram do processo. Um dos motivos alegados por Jaison para atrair esse público "é a pronta execução da maioria das obras". Segundo ele, das 580 obras locais priorizadas pela população até 2006, 500 foram entregues ou estão sendo feitas. Para isso, foram aplicados R$ 40 milhões (em obras locais e outros R$ 30 milhões em obras regionais). Ele vai mais longe: de 1998 a 2005, período da administração Pepe Vargas, apenas 16% das obras ainda estão pendentes e todas por questões jurídicas ou técnicas. Os 14% de obras de 2006 ainda não realizadas seriam por problemas igualmente jurídicos ou técnicos.
Três dias para comprar peixe na feira
A Feira do Peixe Vivo, que iniciou na terça 3 e se estende até esta quinta 5, na Praça Dante Alighieri, tem a participação assegurada de pelo menos oito produtores – cinco de Caxias, dois de Garibaldi e um de Farroupilha. A Feira funciona nesta quarta e quinta das 9 às 18 horas. Previsão é de comercializar 40 mil kg de peixe.
Estão sendo oferecidas em Caxias cinco variedades de peixe: carpas (capim, cabeça-grande, prateada e húngara) a R$ 4,00 ao kg; jundiá a R$ 6,00 ao kg; bagre a R$ 7,90 ao kg; pintado a R$ 14,90 ao kg; e pacu a R$ 8,90 ao kg.
Estado – No Rio Grande do Sul, a previsão da Emater é de que sejam comercializadas 1.461 toneladas de peixe durante a Semana Santa deste ano, 12% a mais do que em 2006. O número de feiras no Estado em relação ao ano passado saltou de 628 para 872, distribuídas por 287 municípios (8% a mais). Somente na Grande Porto Alegre haverá 15 pontos de feira do peixe espalhados por sete municípios e a expectativa de venda supera 257 toneladas.
Inicia recadastro na Feira do Agricultor
A Secretaria Municipal da Agricultura começa a recadastrar na segunda 9 os produtores rurais que participam da Feira do Agricultor. A Feira ocorre 52 vezes por semana e há um ano tinha registrados 177 agricultores (a relação do registro vai até 269, mas como é renovada somente a cada anos, 92 desistiram). A maioria deles caxiense, apenas 23 que são de outros municípios da região.
O recadastro será feito em quatro segundas-feiras, no auditório da Secretaria da Agricultura. Cada feirante tem dia e horário marcados, conforme o registro na carteira de feirante. Os documentos necessários para a efetivação do cadastro são a carteira de feirante do titular e dos suplentes e a declaração de produção 2007 preenchida.
Fitoterapia muda a face da saúde pública
Iniciativa pioneira usa plantas bioativas nos postos de saúde de Nova Petrópolis
A tradição popular na saúde pública. Iniciativa pioneira no Rio Grande do Sul, oficializada em Nova Petrópolis, na Serra gaúcha, inclui o uso de plantas medicinais ou bioativas no Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto ganha importância no Estado porque abre alternativas na agricultura e agroindústria e passa a tratar a saúde com fitoterápicos.
Com base nos efeitos gerados em Santa Catarina e no Paraná, onde o SUS já trata doenças com plantas medicinais, a previsão da Emater é de que a iniciativa inédita na Serra gaúcha deverá provocar uma revolução na saúde pública e na economia, especialmente nas propriedades rurais familiares. "Tudo começou com a entrada em vigor em 2006 da portaria 971 do Ministério da Saúde, autorizando o uso de fitoterápicos no SUS", relata a coordenadora de bem-estar social da Emater Regional de Caxias do Sul, Maureen Spanemberg.
A Emater gaúcha vem trabalhando a questão das plantas bioativas há mais de 20 anos. "Sempre amparados pela pesquisa, o nosso papel é de resgatar, valorizar, promover e qualificar essas iniciativas", destaca a coordenadora de bem-estar social.
Legado – Os benefícios das plantas medicinais vão além de tratar a saúde humana e animal. Eles se estendem à economia, ecologia e antropologia. "Hoje, estamos validando o conhecimento popular. Recebemos um legado histórico para o uso das plantas de nossos familiares", assinala. Só na região da Serra são cinco agroindústrias produzindo fitoterápicos. Impulsionado pelo mercado e pelas necessidades das próprias famílias, esse número deve crescer.
Para o coordenador do Centro Regional de Formação Profissional de Agricultores de Nova Petrópolis (no local as plantas são produzidas e beneficiadas), o engenheiro agrônomo Arnaldo Basso, as plantas medicinais podem ser alternativa eficaz com relação a várias patologias, com um custo muito mais baixo, com menos efeitos colaterais, valorizando o arsenal de plantas da flora de cada região.
Interesse – De acordo com Basso, à medida que a aceitação e a demanda pelos fitoterápicos for crescendo, serão organizados grupos de agricultores para o fornecimento de plantas à Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar Social, além da capacitação de mão-de-obra para todo o Estado. "Nova Petrópolis usa cinco tipos de plantas com efeitos comprovados pela ciência: malva, macela, maracujá, camomila e guaco", adianta o secretário Martin Wissmann.
O modelo implantado em Nova Petrópolis, inaugurado na sexta-feira 30 pelo presidente da Emater/RS, Mário Augusto Ribas do Nascimento, despertou o interesse de outras prefeituras gaúchas, entre elas Veranópolis, São Marcos e São Francisco de Paula. "Em Ametista do Sul funciona programa semelhante, mas ainda não foi oficializado", observa ele.
OMS – A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirma a importância dos fitoterápicos. A entidade estima que 40% dos medicamentos disponíveis foram desenvolvidos direta ou indiretamente a partir de fontes naturais. Estatísticas apontam o crescimento do consumo de plantas bioativas ou medicamentos à base de ervas em todas as classes sociais. Esse mercado cresce em torno de 15% ao ano. Hoje, 80% da população mundial utilizam preparados de plantas.
O acesso seguro e o uso correto de plantas medicinais e fitoterápicos pela população estão garantidos no Brasil, país privilegiado pela flora. O presidente Lula assinou no ano passado o decreto que institui a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Mercado de ervas exige até certificação
O uso de espécies vegetais, com a finalidade de curar doenças, remonta ao início da civilização. Esta prática milenar é utilizada por grande parte da população mundial, como fonte eficaz de recursos terapêuticos. O crescimento se deve, principalmente, à tendência da busca por remédios fitoterápicos, vinculada a fatores socioeconômicos, às tradições familiares, à falência do sistema oficial da saúde e ao desenvolvimento de farmacologia natural científica e ética.
No mercado, o consumo de remédios à base de ervas bioativas aumenta dia-a-dia. Não somente porque os custos destes são menores, mas pelo seu poder de cura. Estudos estão sendo realizados com o uso de plantas medicinais voltados à cura de doenças, com excelentes resultados.
Por essas razões a importância das plantas é grande. Usar as ervas corretamente é indispensável para que tenham a eficiência esperada. Outro aspecto que tem valor é a produção para que ela seja de boa qualidade, desde a produção da muda até a colheita, secagem e armazenamento, que são fatores fundamentais. "O mercado está exigindo qualidade inclusive com a necessidade da certificação de plantio," salienta o agrônomo da Emater/PR, Cirino Corrêa Júnior.
Hortos do relógio conquistam o RS
O engenheiro agrônomo Gervásio Paulus, da Emater gaúcha, vem trabalhando na capacitação e incentivando a produção de plantas bioativas no RS. Ele defende a implementação de políticas públicas de plantas medicinais e o cultivo de hortas domésticas, comunitárias e escolares, de base agroecológica .
De acordo com o engº agrº, as plantas bioativas representam muito mais do que trabalhar com chás. "É uma oportunidade de geração de renda, de resgate do conhecimento popular – que precisa ser referendado pela ciência – na busca de autonomia nacional e sem esquecer o ponto estratégico deste processo, que é a preocupação com a natureza e a biodiversidade", enfatiza.
A experiência de construção do chamado Horto do Relógio do Corpo Humano, funcionando em cerca de 100 municípios, serve de exemplo. São mais de 12 mil hortos registrados no Rio Grande do Sul.
A proposta do Relógio do Corpo Humano, baseada na medicina chinesa, consiste em indicar picos de funcionamento dos órgãos, durante o dia e à noite, recomendando o uso de espécies com benefício comprovado. "Aquilo que, para uma cultura, é erva daninha, inço, para outra pode ser alimento e, para outra, remédio", opina Gervásio Paulus.
Emater/RS difunde sistema no interior
Os profissionais da Emater/RS percorrem o Estado capacitando e qualificando o trabalho dos extensionistas que agem no interior. Nos cursos, eles abordam temas como tipos de horto e suas características, clima, importância do solo, consorciação de culturas, tipos de plantas, manejo e conservação do horto, colheita, secagem, armazenagem, comercialização, entre outros conteúdos.
"As plantas medicinais podem representar excelente fonte de renda para as famílias. Mas para isso, é necessário que se leve informações qualificadas para o meio rural. Precisamos aproximar o conhecimento popular ao científico", assegura Caroline Crochemore Velloso, farmacêutica da Emater.
Durante o curso, os participantes aprendem sobre a história das plantas, os aspectos legais, métodos de montagem de um álbum herbário (que possibilita a melhor identificação e conhecimento das plantas), as técnicas de plantio, cultivo, secagem, armazenamento e comercialização, manipulação, dosagens, entre outros.
Grau médio cai nas variedades de uva tardia
Safra 2007 apresenta variedades com qualidade superior à de 2006
Avaliação da qualidade da safra de uva 2007, a partir da análise de 254 amostras (colhidas em datas e locais diferentes), remete a pelo menos duas importantes conclusões. A primeira é que as chuvas de final de fevereiro e início de março prejudicaram as variedades tardias, com destaque para a isabel e a cabernet sauvignon – ambas ficaram abaixo da graduação média de 2006 e mais abaixo ainda da de 2005, considerada de ótima qualidade. A segunda: nas variedades precoce (chardonnay) e intermediária (merlot), o grau médio (teor de açúcar) de 2007 é superior ao de 2006. Foge à regra a moscato, tardia, com grau médio também acima da safra do ano passado.
Na semana passada a Divisão de Enologia da Secretaria da Agricultura e Abastecimento-RS (SAA) chegou ao grau médio final da safra de uva 2006. A maioria das amostras é da Serra gaúcha, mas foram analisadas também de Bagé, Livramento e Encruzilhada do Sul. Amostras da fronteira ajudaram a elevar o grau médio de algumas variedades. Mas, segundo Plínio Manosso, chefe da Divisão de Enologia, de lá vieram também amostras com graduação baixa. "Tem merlot de Bagé com 20 graus, mas tem de Encruzilhada com 16", informou. Ao mesmo tempo, foi colhida cabernet sauvignon em Monte Belo do Sul com 20 graus.
Produção estimada é 20% maior que 2006
Vai demorar mais de um mês para se saber o volume de uva destinada à industrialização produzida em solo gaúcho em 2007. Estimativa é de 500 mil toneladas, 20% acima das 423 mil de 2006. Em 2005 foram 493 mil toneladas.
Excesso de chuva afetou a qualidade
A variedade isabel representa cerca de 80% da produção gaúcha de uva. As 13 amostras colhidas até a metade de fevereiro revelaram grau médio de 15,69, acima até da graduação de 2005, que foi de 15,60, conforme publicado no CR de 07 de março. Com as 40 restantes, obtidas nas últimas semanas da colheita, quando choveu bastante, o grau médio caiu para 14,44 – inferior a 2006. Conforme constatou Plínio Manosso, da Divisão da Enologia da SAA, no final da colheita chegaram a cantinas várias cargas com cachos que tinham grãos verdes e outros apodrecendo.
A isabel foi mais prejudicada pelas chuvas porque ainda é cultivada em parreirais latados, que são mais fechados. A cabernet sauvignon, com sistema em Y, sofre menos os efeitos.
Stephanes promete atenção ao pequeno
Ministro da Agricultura afirma que setor é base do desenvolvimento
O novo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, prometeu defender os interesses do setor agrícola olhando especialmente para os pequenos produtores. Ao receber o cargo do ex-ministro Luis Carlos Guedes Pinto destacou ainda como prioridades a defesa sanitária, a proteção ambiental e os financiamentos rurais. "Precisamos entender a importância do agronegócio e da propriedade familiar como base do desenvolvimento", afirmou.
Stephanes assinalou que assume o cargo num momento favorável à agricultura brasileira, com uma boa safra e, de forma geral, com bons preços. "Sei que, após as dificuldades das últimas seis safras, três de inverno e três de verão, uma safra não é suficiente para recuperar o setor", disse.
Outra prioridade do ministro são os biocombustíveis (segundo ele, o país tem grande perspectiva nesta área, pois domina a tecnologia e tem a área para produzir) e o aumento da produtividade. "Praticamente todo o crescimento da agricultura nos últimos 16 anos foi decorrente de produtividade. Crescemos, na produção de grãos em 121% e aumentamos a nossa área em 21%. É preciso impulsionar a produtividade e recuperar áreas degradadas."
Quanto à defesa sanitária, preocupação da área animal, o ministro garantiu que será objeto de melhorias. "A febre aftosa é preocupação antiga. A defesa animal precisa ser reforçada, necessita ser melhor estruturada e receber mais recursos." Em relação aos transgênicos, Stephanes reafirmou que existe a política de governo sobre a questão e que a função do ministro é cumprir o que é determinado na legislação.
A redução dos juros nos planos agrícolas é a principal reivindicação do setor em todo o país. O argumento dos produtores é que a atual taxa de 8,75%, para a agricultura comercial, foi definida em 1998. "Isso é um objetivo que iremos perseguir, porque essas taxas são de uma época em que a taxa Selic estava em mais de 20% e a inflação estava em 6% a 8%", observou.
MDA/Pesca – Reinhold Stephanes é economista, tem 67 anos e integra os quadros do PMDB. Já foi presidente do extinto Instituto Nacional de Previdência Social e ministro da Previdência por três vezes. Também foi eleito seis vezes deputado federal pelo Paraná.
Para agradar o partido do presidente Lula (PT) e à produção familiar, o gaúcho Guilherme Cassel continua à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O mesmo ocorre com o secretario Especial da Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin. Ambos são do PT.
Engº. Agrº. José Zugno
Melão de São Caetano
Remeto a foto de uma fruta fotografada em Pelotas para saber o seu nome e utilidades. Será um tipo de maracujá? Ainda está verde, mas quando madura toma cor alaranjada. Na infância a gurizada comia. Tem uns 4 a 5 cm, do tamanho de um tomate paulista pequeno.
Moacir Molon
Tramandaí – RS
A fotografia remetida é ampliada. A aparência da fruta é a do "melão-de-são-caetano". É uma planta da família das Cucurbitáceas (abóboras, melancias etc). Tem nome científico Momordica charantia L. Foi introduzida no Brasil pelos primeiros escravos africanos e plantada numa capela dedicada a São Caetano, nas proximidades de Mariana, Minas Gerais, daí o seu nome. Foi propagada por sementes a quase todas as partes habitadas do país.
A planta é herbácea, trepadeira, com folhas simples, palmadas, 5 a 7 lobadas, dotada de gavinha e caule estriado volúvel. Como todas as Cucurbitáceas, é planta monóica, tem flores masculinas e femininas separadas, mas na mesma planta. As flores masculinas são solitárias, de pecíolo longo e as femininas também de pecíolo longo, têm ovário fusiforme. O fruto é uma cápsula carnosa, amarelo quando maduro, com 3 a 15 cm. de comprimento. Suas sementes vermelhas numerosas, quando trituradas, apresentam uma certa toxicidade, como acontece com todas as Cucurbitáceas. O fruto, amargo, é comestível. Quando verde entra na composição de conservas ou picles.
Uma receita de picles: "misturar ½ litro de vinagre de vinho branco com ½ litro de água, 2 colheres de sopa de açúcar, uma colher de sobremesa de grãos de pimenta do reino inteiros, uma folha de louro, uma pitada de sal. Ferver por 5 minutos e acrescentar um kg de frutos verdes de melão-de-são-caetano. Reservar em vidros esterilizados e bem fechados. Sementes tônicas: as sementes vermelhas, muito doces, que surgem quando a baga madura se abre, podem ser comidas cruas, em saladas, ou cozidas", "As plantas da saúde", Marcos Gomes, ed. Paulinas). Em certos países obtém-se óleo para cosméticos das sementes. A polpa é muito procurada por aves silvestres. É planta medicinal.
"O chá das folhas combate cólicas, corrimentos, vermes, infecção da uretra e regulariza o fluxo menstrual. O chá da haste em infusão serve para gripes e febres intermitentes. A infusão dos frutos maduros bebe-se para hemorróidas. O rizoma é depurativo do sangue. A polpa e as sementes socadas com azeite aplicam-se em queimaduras, feridas, eczemas, micoses e doenças de pele em geral", ("Ervas e Plantas – a Medicina dos Simples", Pe. Ivacir João Franco e Prof. Vilson Luiz Fontana, ed. La Fontana).
"É tomado o chá como preventivo da gripe, contra febres; as folhas na leucorréia, cólicas dos vermes, nas menstruações; as sementes com vaselina dão um ungüento supurativo. O suco do fruto é purgativo, vermífugo e contra hemorróidas, chá das folhas combate o diabete", ("Plantas medicinais", Irmão Cirilo, ed. Grafit).
"No estado verde, o caule e as folhas trituradas servem às lavadeiras, sobretudo no norte do país, para branquear as roupas. Daí outro de seu nome popular: erva-lavadeira", ("Frutas do Brasil, Vol. V", Eurico Teixeira).
"Os escravos empregavam a planta contra febres, enfeitavam-se com as hastes, folhas e frutas nas festas típicas. Na Índia seu uso como anti-diabético é consagrado. A planta inteira é empregada nas afecções hepáticas, febrífugas, anti-helmíntica. Uso local e externo contra torções e traumas, afecções de pele e dores reumáticas", ("Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais", Reader’s Digest, Lisboa, Portugal).
Guloseimas enriquecidas não podem substituir fontes naturais de nutrientes
Criança com dieta equilibrada não precisa de doses extras de vitaminas e minerais
Biscoitos, salgadinhos, a-chocolatados, flocos açucarados de cereais, balas, gelatinas e outras guloseimas há muito tempo são alvo de críticas de médicos e nutricionistas por serem pobres em nutrientes. Em revanche, ultimamente esses produtos estão sendo oferecidos em versões enriquecidas com vitaminas e minerais como cálcio e ferro, além de fibras. Os apelos comerciais, aliados aos desejos das crianças, muitas vezes confundem os pais. E agora, essas guloseimas contribuem com a saúde? O consumo está liberado?
Há quem diga que, já que é impossível evitar totalmente o consumo desses produtos, melhor que sejam enriquecidos. Porém, os especialistas são unânimes em afirmar que crianças que têm uma alimentação equilibrada não precisam de alimentos fortificados. Nesse caso, comer uma bolacha com ou sem vitaminas não muda nada. Para quem tem alguma carência na dieta diária, esses produtos podem ajudar, mas muito pouco. Em qualquer caso, crianças não devem ingerir tais guloseimas mais de duas vezes por semana.
Além disso, os médicos destacam que esses produtos industrializados não podem substituir outros, naturais, como fonte de vitaminas e minerais. As crianças precisam alimentar-se com grãos, carnes, laticínios, verduras, legumes e frutas. Embora não sejam proibidas, as guloseimas não devem ser rotina no lanche diário.
O problema é que, enriquecidos ou não, esses produtos têm grande quantidade de gorduras, açúcares e sódio, substâncias que consumidas em excesso podem levar ao desenvolvimento de obesidade, diabetes, hipertensão e sobrecarga dos rins na idade adulta. Ou seja, o benefício das vitaminas e minerais não compensa. Uma porção de macarrão instantâneo, por exemplo, contém 1,5 grama de sal, quantidade diária recomendada a um adulto.
É na infância que a pessoa cria seus hábitos alimentares. Se eles forem inadequados nesta fase, provavelmente resultarão em alimentação incorreta ao longo da vida. Portanto, os especialistas alertam que o consumo desse tipo de alimento não deve ser estimulado. Produtos diet e ligth também não são recomendados. O refrigerante ligth, por exemplo, tem muito sódio, que desmineraliza os dentes, deixando-os mais fracos. O ideal é que a criança adquira seus nutrientes da alimentação natural.
Acúmulo de substâncias é prejudicial
Ao consumir alimentos enriquecidos, ainda é preciso tomar cuidado para não ingerir grande quantidade de um único nutriente, o que pode ser prejudicial. Alguns nutrientes são eliminados naturalmente quando encontram-se em excesso no organismo, caso do ferro, outros não. Uma criança que come diariamente biscoito enriquecido com vitamina A, por exemplo, pode apresentar acúmulo da substância no organismo. O excesso de vitamina A pode causar dor de cabeça, descamação da pele, aumento do baço e dos rins, espessamento dos ossos e dores articulares.
Também é importante dar atenção à capacidade de o corpo absorver os nutrientes dos alimentos, chamada de biodisponibilidade. A interação entre diferentes ingredientes pode facilitar ou dificultar sua assimilação pelo organismo.
Cálcio e ferro, por exemplo, interferem na absorção um do outro. Então, quando se come um cereal enriquecido com ferro juntamente com um copo de leite, a absorção do ferro e também do cálcio, presente no leite, será menor. Se o cereal oferecer 30% das necessidades diárias de ferro, misturado com o leite, menos de 10% serão absorvidos. Portanto, consumir produtos fortificados não é garantia de boa nutrição. As fibras são outro exemplo – o excesso diminui a absorção de sais minerais como zinco e cálcio.
Já as vitaminas C e B ajudam na absorção do cálcio. Como a vitamina B é eliminada juntamente com a gordura do leite, é válido tomar leite desnatado enriquecido com ela. Esses efeitos são observados em todas as idades, mas são mais acentuados na infância.
Corpo e Sangue, mistério e amor
Maria Clara Lucchetti Bingemer
A Eucaristia faz a Igreja e é seu centro irradiante e iluminador... É o sacramento do amor. E o verdadeiro amor se dá sem medida a quem o deseja e está desejoso e disponível para recebê-lo
Acaba de ser lançada pelo Papa Bento XVI uma exortação apostólica pós-sinodal. Chama-se assim o documento que o Pontífice dá a toda a Igreja após a realização de um Sínodo, reunião de bispos com o Papa em torno de algum tema de suma importância para a Igreja. O recente Sínodo, do qual esta exortação é como que o fruto maduro, refletiu e discutiu sobre a Eucaristia.
Com o belo título de "Sacramentum Caritatis" (Sacramento do Amor), a exortação apostólica procura chamar a atenção dos católicos para o imenso tesouro que têm à sua disposição devido ao infinito e misericordioso amor de seu Deus. Trata-se do sacramento da Eucaristia, no qual, sob as espécies do pão e do vinho, estão presentes, real e sacramentalmente, o corpo e o sangue de Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, vivo, morto e ressuscitado.
Aos crentes é dada a graça de, em sua corporeidade vulnerável e mortal, comungar, ou seja, participar concreta e misteriosamente, deste sacramento maior da fé, pelo comer e o beber – atos básicos e constitutivos da humanidade – para a conservação e a plenitude da vida. Assim fazendo, os que se aproximam da mesa eucarística, professam desejar e esperar ir sendo progressivamente transformados e conformados à própria pessoa de Jesus Cristo.
Ser outro Cristo. Esta é a graça, o dom e o compromisso que a Eucaristia dá e pede àqueles e àquelas que dela se aproximam. E a exortação apostólica bem o realça ao dizer que "a Eucaristia arrasta-nos no ato oblativo de Jesus. Não é só de modo estático que recebemos o Logos encarnado, mas ficamos envolvidos na dinâmica da sua doação. Ele "arrasta-nos para dentro de Si".
Sendo algo tão sublime e ao mesmo tempo tão central para a vida da Igreja, de tal maneira que a Eucaristia faz a Igreja e é seu centro irradiante e iluminador, bem faz o Papa ao cercar a compreensão, a participação e a celebração do sacramento de infinitos cuidados. Sem temer desagradar a muitos, a exortação "Sacramentum Caritatis" dá orientações precisas e exigentes sobre vários aspectos. Assinala com que disposições e condições se deve receber a Eucaristia. Indica que cuidados se deve tomar ao preparar a celebração quanto a espaço, disposição dos objetos litúrgicos, língua a ser usada quando a celebração reúne pessoas de várias e diferentes culturas, gestos e cânticos adequados ou não, situações onde a recepção da Eucaristia não preenche os requisitos necessários.
De todas estas coisas, porém, parece-me que o mais importante a reter é o fundo mais profundo deste que é o sacramento do amor por excelência: a desmedida do amor de um Deus que não se contenta em aproximar-se do ser humano e falar-lhe na história por sinais que lhe sejam compreensíveis; em tomar carne mortal e fazer-se humano Ele também; em ser obediente até a morte de Cruz em entrega irreversível e salvífica de sua pessoa. Na Eucaristia Ele vai além. Deixa-nos ao alcance dos sentidos e do corpo sua pessoa por inteiro para ser comida e bebida, e assim permanecer para sempre conosco.
Eu jamais havia ouvido falar em nada disso quando, aos três anos de idade, acompanhava minha avó à missa no domingo. Sentava-me a seu lado e acompanhava-a à mesa da comunhão simplesmente. E recordo-me que gostava de estar ali. Um dia, o celebrante era um padre já idoso. Após dar a comunhão a minha avó, dispôs-se a dá-la a mim também. Minha avó fez-lhe que não com os olhos. O padre perguntou-lhe então por que eu estava ali. Ela respondeu que eu não gostava de ficar sozinha no banco.
Foi então que ele se voltou para mim. Olhou-me e disse, em voz alta: "Mas eu não posso negar a comunhão a esta criança". E lembro-me vivamente de seus olhos bondosos e sua voz mansa perguntando-me se eu queria receber Nosso Senhor. Ao ouvir que sim, ele deu-me a comunhão, que recebi com a inocência e a simplicidade próprias das crianças. Voltei para o banco com minha avó que, agitadíssima, chorava.
Tudo que li, refleti e estudei depois sobre a Eucaristia no curso de teologia e em muitos livros e documentos não me ensinaram tanto como esse episódio de minha infância. Ali me foi ensinado por aquele homem de coração grande e livre que a Eucaristia é realmente o sacramento do amor. E que o verdadeiro amor se dá sem medida a quem o deseja e está desejoso e disponível para recebê-lo.
Neste momento em que toda a Igreja recebe respeitosamente a última exortação pós-sinodal de Bento XVI sobre a Eucaristia como sacramento do amor, não posso deixar de recordar esse episódio que tanto me marcou. Não posso tampouco deixar de sentir que é preciso ser criança, inocente e simples, para receber um dom tão inaudito de um amor tão infinito. Os frutos virão, sob forma de compromisso, entrega e incansável doação ao serviço da construção do Reino de Deus, numa vida semelhante à d´Aquele cujo corpo e sangue comungamos.
Frei Betto
O que todo o nosso ensino precisa adotar, como tema transversal em todas as disciplinas, do ensino fundamental à universidade, são os valores éticos... O fundamento da religião é a ética. A raiz da ética é a educação
O tema do ensino religioso na rede pública retorna à pauta do MEC através da Secad (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade). Previsto na Constituição e na LDB, o ensino religioso deve ser facultativo, embora integrado ao horário normal das escolas públicas. Na rede estadual de São Paulo ele é ministrado na 8ª série, dentro da grade curricular, desde 2002. A freqüência dos alunos é facultativa.
Numa nação tão religiosa, e multi-religiosa, como o Brasil, este é um tema delicado. Daí a importância de debatê-lo com serenidade, sobretudo considerando que a LDB assegura a matrícula facultativa e exige "respeito à diversidade cultural religiosa, vedadas quaisquer formas de proselitismo." Ora, como falar de religião sem fazer proselitismo? O proselitismo – a conquista de adeptos ou fiéis – é inerente à convicção religiosa. A questão reside no modo como se faz isso. No Império Romano, o cristianismo se disseminou via pregação e testemunho; na Idade Média, via imposição e repressão; hoje, via persuasão e meios de comunicação.
As escolas confessionais têm o dever de não apenas incluir no currículo o ensino religioso como evangelizar os seus alunos. Estranha-me ver um colégio católico cuja direção não se empenha para que os alunos conheçam os fundamentos da fé cristã, participem de atos litúrgicos e, ao menos uma vez ao ano, façam retiro espiritual. Melhor seria desadjetivar-se como católico e assumir-se como laico.
A escola pública é, à imagem e semelhança do Estado brasileiro, intrinsecamente laica. Não tem o direito de privilegiar esta ou aquela denominação religiosa. Porém, não pode ignorar as vertentes religiosas praticadas em nosso país. Essa é uma questão cultural. Depõe contra si a escola cujos alunos se formam sem noções elementares de cristianismo, islamismo, judaísmo e espiritismo; tradições afro-brasileiras (candomblé, umbanda etc...), indígenas (Santo Daime, União do Vegetal etc.) e orientais (budismo etc.).
Se a aula é de cultura religiosa, deveria ser obrigatória, assim como o são as de culturas histórica, geográfica, química, matemática etc. O que me parece incongruente é inserir no currículo uma disciplina facultativa centrada em denominação religiosa específica. O lugar da catequese é na família, no colégio religioso e na comunidade confessional, não na escola pública.
O que todo o nosso ensino precisa adotar, como tema transversal em todas as disciplinas, do ensino fundamental à universidade, são os valores éticos. É um dos caminhos para reduzir o número de padres pedófilos, pastores achacadores, médicos irresponsáveis, advogados cumpliciados com bandidos, políticos corruptos etc.
A Espanha acaba de inserir no currículo escolar a disciplina de Educação Cidadã. Equivale às nossas antigas Educação Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política Brasileira) sem o viés da ditadura. Como tornar religiosa uma geração educada sem os valores básicos do bem comum, da solidariedade, do cuidado do outro? Como tornar melhor uma nação sem um povo dotado de consciência cidadã e empenhado no aprimoramento da democracia?
O fundamento da religião é a ética. A raiz da ética é a educação. Resta saber se a educação quer formar cidadãos ou consumistas, pessoas íntegras ou apenas mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho.
Ministério abriga nove partidos
Aliança política dividiu pastas, mas PT mantém a maioria
Dos 33 cargos com status de ministério, o Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comanda 17. Os outros 16 estão divididos entre oito siglas. O PMDB conseguiu cinco ministérios (veja ao lado). Na seqüência, aparecem PSB, com dois, PTB, PCdoB, PP, PV, PDT e PR, cada um deles com um. Nessa relação, e também na ao lado, não constam os ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica. O quadro é completado por um técnico, um militar, um diplomata e um executivo.
Lula contemplou todos os partidos que compõem a sua base aliada no Congresso Nacional. Esta foi a estratégia usada para garantir a aprovação dos projetos que integram seu programa de governo. Mas ela pode avançar ainda mais, chegando à sucessão presidencial em 2010. Lula já admitiu que uma chapa apoiada pelos partidos que integram seu governo não precisa, necessariamente, ser liderada por um petista. Mas essa é uma posição que não encontrará respaldo entre a quase totalidade dos companheiros de sigla.
Para costurar a aliança e acomodar os aliados, o presidente demorou mais de quatro meses. Foram negociações que acabaram afastando um pouco o presidente do seu partido. Estratégia para não repetir a tragédia ética do primeiro mandato, avaliam especialistas. Mesmo assim, 17 ministros continuam em seus cargos, outros três apenas trocaram de pasta e 13 entraram no governo. Isso até a semana passada, porque a reforma ainda não estava totalmente concluída.
Golpe na infidelidade partidária
O TSE decidiu na semana passada que o mandato não pertence ao candidato eleito e sim ao partido que o elegeu. Com isso, parlamentares que trocaram de partido poderão ficar sem mandato. Quatro siglas (PPS, PDT, PSDB e DEM – ex-PFL) tentam recuperar 24 mandatos. Quem mais perdeu deputados federais com as trocas foram PPS (8), PFL (7) e PSDB (7).
Paulo uma nova orientação para o cristianismo
Pesquisa e texto de Frei Bruno fornecem subsídios para o primeiro módulo (Cartas de Paulo) do Curso de Teologia a Distância – edição 2007, que inicia na semana que vem
Frei Bruno Glaab
Coordenador de Extensão da Estef
Entender o papel de Paulo na origem do cristianismo é entender o próprio cristianismo. Em outras palavras, o cristianismo não seria o que é atualmente sem a figura singular deste grande apóstolo. Ele, melhor que os demais apóstolos, entendeu a pessoa de Jesus e também o papel da Igreja. Sem ele a Igreja teria permanecido como uma pequena seita, ou pequeno raminho dentro do judaísmo e Jesus, certamente, teria sido entendido como um reformador da Lei de Moisés (Ex 19ss). Percebemos isto ao estudar o papel dos demais apóstolos no livro dos Atos dos Apóstolos, principalmente de Tiago (At 15,13-29; At 21,17-26; Gl 2,11-14). Os outros apóstolos pensavam em ainda observar a antiga Lei. Neste caso, o que salvaria seria a antiga Lei com sua circuncisão (At 15,1-2), com o templo (At 3,1ss) etc. Paulo levou a efeito os ensinos de Santo Estêvão (At 7,48ss) e provou que a salvação vem de Jesus, ou seja, pela fé em Jesus (Gl 2,16ss) e que a Lei é ineficiente para salvar. Voltar à Lei é anular a graça de Cristo (Gl 2,21). Além disso, Paulo entendeu que o evangelho é para todos e não exclusivamente para os judeus (Gl 3,28) e por isto mesmo, ele é um dos primeiros a anunciar o evangelho fora de Israel, aos não judeus, isto é, aos gentios, ou seja, é o apóstolo da universalização da Igreja.
Bases – Temos duas bases para conhecer a pessoa de Paulo: a) O livro dos Atos dos Apóstolos (At) e as cartas paulinas. Antes de tudo, convém lembrar que nem o livro dos Atos dos Apóstolos nem as cartas são propriamente uma biografia da vida de Paulo. Além do mais, At foi escrito uns 20 anos depois de sua morte, provavelmente por um cristão paulino (Lucas) que não conhecia muito bem a teologia paulina tal qual nos é apresentada nas cartas de Paulo. b) As cartas paulinas, que na sua maioria foram escritas pelo próprio apóstolo, merecem mais crédito quando se trata de contar a história, ou melhor, alguns aspectos da história de Paulo.
Atos dos Apóstolos – O livro dos Atos dos Apóstolos (At) foi escrito pelo mesmo autor do evangelho de Lucas, como segunda parte de sua obra, por volta dos anos 80-90 (compare Lc 1,1-3 com At 1,1-2). Lucas foi, provavelmente o único escritor bíblico não-judeu, isto é, gentílico. Um dos principais objetivos do autor é apaziguar a convivência de cristãos judeus com cristãos gentílicos no seio da Igreja, ou seja, o próprio Lucas, provavelmente um grego convertido paulino, quer harmonizar a convivência de cristãos paulinos (gentios) e cristãos petrinos (judeus). Por isso mesmo, ele apresenta a figura de Paulo de uma forma tão viva. Lucas dedicou a maior parte de At ao apóstolo Paulo, embora nunca o chame de apóstolo, a não ser em At 14,4 e 14,14.
Na primeira parte do livro de Atos dos Apóstolos (At 1-12) a figura central é Pedro (cf At 1-5; 9,32-11,18; 12). Ao lado de Pedro, num outro modelo de Igreja surgem os sete diáconos, ou helenistas (At 6-8; 11,19ss), que não fazem parte do grupo dos doze apóstolos e são de cultura helênica (grega), mais abertos ao mundo. Encontramos referências um tanto genéricas ao apóstolo João (At 3; 4; 8,14ss) e ao martírio de um dos dois apóstolos de nome Tiago (At 12,2). Dos demais apóstolos não há mais relatos. Nada se sabe sobre sua missão. Portanto, nesta primeira parte do livro (At 1-12) pode-se destacar dois grupos: Pedro, João e Tiago, que representam o modelo institucional, e os sete diáconos, que representam o modelo mais carismático e aberto aos povos.
Na segunda parte do livro (At 13-28) a figura central é Paulo. Embora já na primeira parte do livro haja referências a Paulo (At 7,58ss; 9,1ss; 11,25ss), a verdadeira missão de Paulo é narrada a partir de At 13. Também nesta segunda parte encontramos pequenas referências a Pedro e a Tiago em At 15,1-35 e novamente a Tiago em At 21,17ss.
Em At 7,58-60 o futuro apóstolo Saulo/Paulo é citado como cúmplice no apedrejamento de Estêvão. A esta altura, ele é conhecido pelo nome de Saulo. Mas é em At 9,1-31 que inicia a verdadeira epopéia do futuro apóstolo. Saulo/Paulo é um fariseu ferrenho, zeloso da Lei de Moisés, preocupado com as "heresias" da nova religião (cristianismo) que estava surgindo, apela para a perseguição violenta.
Conversão – O texto de At 9 é estilizado por Lucas de acordo com Ex 19, mas o próprio apóstolo se refere ao fato de ter perseguido a Igreja (1Cor 15,9). Desta forma, Saulo, no ímpeto de manter pura a sua fé, persegue os cristãos até a morte. O texto de At 9,1-31 narra a conversão de uma forma um tanto pitoresca: uma luz se faz sentir, Saulo cai, Jesus conversa com ele e muda sua vida imediatamente. De violento perseguidor dos cristãos, torna-se o maior de todos os apóstolos. Mas é bom termos presente que os textos daquela época nem sempre têm a objetividade histórica que hoje supomos. Certamente a conversão de Saulo/Paulo foi um processo lento, doloroso motivado pelo testemunho dos cristãos que, como Santo Estêvão (At 7,54-60) morriam confiantes na salvação trazida por Jesus. Foi assim que o zeloso fariseu se transformou no zeloso apóstolo de Jesus Cristo. Toda a segurança que ele antes buscava na Lei de Moisés e nas suas próprias forças em observá-la, agora ele a busca em Cristo que, segundo suas palavras, se entregou pelos nossos pecados (1Cor 15,3 e Gl 1,4).
Em At 11,25 Saulo/Paulo é levado à missão em Antioquia por Barnabé e no capítulo 13 inicia a verdadeira missão de Saulo aos povos, juntamente com Barnabé. Em At 13,9 se muda o nome Saulo (hebraico) para o nome Paulo (romano/latino) e desde então, até o fim do livro (At 28,31) tudo gira em torno da pessoa de Paulo. Se notarmos bem, constataremos que, no livro de Atos dos Apóstolos, de 1 a 12 predomina a figura de Pedro. De 13 a 28 predomina a figura de Paulo.
As quatro viagens missionárias
Alguns estudiosos dividem a missão de Paulo em quatro viagens missionárias:
Primeira – A primeira viagem se dá por volta dos anos 46-48 da era cristã – uns 13 a 15 anos depois da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Em companhia de Barnabé e outros, entre eles João Marcos, Paulo, enviado pelo Espírito Santo e pela comunidade (At 13,1-3), se dirige à Ásia Menor, isto é, a Igreja movida pelo Espírito também vai aos povos não-judeus. O que provoca terríveis conflitos. Parte de Antioquia da Síria rumo a Salamina (At 13,4-5), depois a Pafos (At 13,6-12), a Perge, onde ocorreu a primeira ruptura interna entre os pregadores (At 13,13-14), chegando a Antioquia da Pisídia (13,14-50). Em meio às perseguições e conflitos chega a Icônio (At 14,1-5), Listra (At 14,8-10) e Derbe (At 14,19-23), retornando após para Antioquia da Síria (At 14,25ss).
Como fim da primeira viagem missionária, Lucas coloca a Conferência de Jerusalém (At 15,1-35). O capítulo 15 é um retrato falado da Igreja que, sob influxo de Paulo, vai se abrindo aos povos, com todos os conflitos que isto acarreta, pois os doze têm outra idéia de Igreja, principalmente Tiago (At 15,13ss). Eles julgam que a salvação vem da observância da Lei. Paulo e Barnabé se opõem a tal idéia, pois entendem que a salvação vem de Jesus.
Segunda – Ocorre nos anos 49 a 52 d.C. e inicia com um conflito interno (At 15,36ss). Paulo e Barnabé se desentendem por causa da companhia de João Marcos, que os abandonara na primeira viagem (At 13,13). Provavelmente João Marcos desaprovava o método de evangelização de Paulo aos gentios. Para preservar o direito de anunciar o evangelho a todos os povos, Paulo não aceita mais a presença de João Marcos.
O capítulo 16 inicia mostrando que Paulo queria voltar às comunidades da primeira viagem (At 13-14), mas o Espírito o proibiu (At 16,6). Assim, a missão se expande a outras regiões. Passando por Derbe, Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia (At 16,1ss), sempre sob o impulso do Espírito Santo, Paulo, com Silas e Timóteo, chegam a Neápolis e Filipos (At 16,11ss). Enfim, a missão de Paulo chegou à Europa. Filipos será a primeira comunidade cristã européia, ao menos paulina. De lá Paulo e seus companheiros rumam para Tessalônica (At 17,1ss), Beréia (At 17,10), Atenas (At 17,16ss) e Corinto (At 18,1ss). Vão a Cencréia (At 18,18ss), onde embarcam para a Síria, passando por Éfeso, Cesaréia e chegando em Antioquia.
A segunda viagem de Paulo mostra que o apóstolo se dirige mais aos povos. O Espírito o moveu para que saísse dos estreitos limites de Jerusalém e do mundo judaico e levasse o evangelho a todos os povos (Gl 2,7-8).
Terceira – A terceira viagem de Paulo (por volta dos anos 53 a 57 d.C), parte novamente de Antioquia para a região anteriormente visitada, com o objetivo de confirmar os discípulos (At 18,13). As principais cidades visitadas foram Éfeso (19,1ss), Macedônia (19,21ss) e depois a Grécia (20,3ss), retornando à Macedônia, seguindo para Filipos, Trôade, Assos, Mitilene, Quio, Samos, Tróglio e Mileto. Paulo está, na realidade, retornando para Jerusalém, onde, como outrora Jesus, inicia a sua paixão (At 20,16ss). Em Mileto, já prevendo sua prisão, reúne os anciãos (líderes da Igreja) e os exorta a continuarem a missão (At 20,17ss). Dali navegam até Cós, Rodes, Pátara e Tiro. De lá Paulo sobe a Jerusalém (At 21,15-16). Esta viagem já deixa antever o que irá acontecer a Paulo em Jerusalém. Os discípulos querem impedir que ele vá, mas ele, como outrora Jesus, segue decidido ao encontro da prisão (comparar com Mc 8,27-10,52). A terceira viagem missionária é, na realidade, a última. Na quarta, o apóstolo vai preso a Roma.
Quarta – Depois de retornar da terceira viagem, Paulo vai à casa de Tiago (At 21,17ss), onde se percebe um choque com os dois modelos de evangelização. Paulo vai ao templo e acaba preso (At 21,30ss). É arrastado aos tribunais (At 21,37ss; 22,30ss; 24,1ss; 25,1ss etc.) e, como Jesus, julgado.
Os adversários de Paulo planejavam levá-lo a Jerusalém e, numa emboscada, matá-lo. Porém, como cidadão romano, Paulo apela para ser julgado em Roma (At 25,6-12). A partir de At 27,1 se narra a viagem de Paulo a Roma. Os capítulos 21-28 têm muito de teológico e nem tudo o que aqui é dito é histórico. Em primeiro lugar, Paulo tem um processo semelhante ao de Jesus. Em segundo, na viagem a Roma Paulo não parece preso – chega a dar conselhos ao capitão do navio. Uma vez na Itália, ele mesmo planeja sua viagem (At 28,14-15). Em Roma, mora em uma casa alugada (At 28,16ss). A sorte dos presos era bem outra.
O capítulo 28 termina dizendo que Paulo tentou converter os judeus para Cristo, mas como eles não aceitaram, agora a mensagem é para os gentios (At 28,25ss). O livro termina sem fazer nenhuma referência à morte de Paulo. É um tanto estranho que Lucas não fizesse nenhuma referência à morte de Paulo. O objetivo de Lucas, mais do que fazer uma narrativa histórica, é mostrar que o evangelho, a partir de Paulo, é direcionado a todos os povos. Com Paulo o evangelho chegou a Roma, que na época era o centro do mundo.
O apóstolo Paulo segundo as cartas
Paulo é o personagem do NT que mais se dá a conhecer. Seus escritos permitem conhecer sua personalidade.
a) o fariseu: nas epístolas ele se chama sempre de Paulo. Pode-se supor que fosse alguns anos mais novo do que Jesus. Era filho de hebreus (Fl 3,5). Falava hebraico (Fl 3,5) e foi formado na tradição farisaica. Era aberto ao mundo e sabia falar grego. As grandes estruturas mentais que sustentam sua construção teológica são de matriz bíblica e judaica. Era fariseu, zeloso e rigorista (Gl 1,14; Fl 3,6). Os fariseus eram irrepreensíveis, monoteístas e proselitistas (Fl 3,6-9). Praticavam uma ascese pessoal. Isto levou Paulo a agredir o cristianismo (Gl 1,13b; 1Cor 15,8-9; Fl 3,6).
Sabe-se pouco sobre seu trabalho. At 18,3 o apresenta como fabricante de tendas; 1Cor 9,1ss; 1Ts 2,9, como trabalhador. Não há certeza quanto ao seu estado civil. Em 1Cor 7,7 ele é livre. De 1Cor 9,12 poder-se-ia deduzir que tivesse abandonado a esposa, ou enviuvado.
b) o convertido: diversas vezes Paulo fala de sua conversão (1Cor 7,25; 15,8; 2Cor 4,1), mas sem detalhes (At 9). Sempre mostra a bondade e a gratuidade de Jesus que se revelou a ele. A época de sua conversão é duvidosa. Deve ter sido pelos anos 36 a 38 da era cristã. Logo, Paulo não conheceu Jesus histórico.
Sua conversão significou a passagem do fariseu radical ao fiel em Jesus Cristo; do adepto da Lei à fé total em Jesus; da auto-suficiência à confiança total no crucificado. Enfim, Paulo passou da escravidão da Lei para a liberdade dos que crêem e recebem sua salvação em Jesus Cristo.
c) o escritor: Paulo escreveu suas cartas durante a atividade pastoral, pela urgência em dar respostas a problemas das comunidades onde ele não podia estar fisicamente. As epístolas foram ditadas por Paulo a um secretário (Tércio – Rm 16,22). Talvez escrevesse o último parágrafo (1Cor 16,21; Gl 6,11). A carta a Fm parece ser toda de seu punho. Nem todas cartas atribuídas a Paulo são dele. Antiga tradição diz que o corpo paulino tem 14 cartas: 1-2Ts, 1-2Cor, Gl, Rm, Fl, Fm, Cl, Ef, 1-2Tm, Tt, Hb. Pesquisa conclui que Hb não é de Paulo. As Pastorais (1-2Tm e Tt) são tardias, refletem uma estrutura eclesial que Paulo desconhece. Devem ser da escola de Paulo, mas foram escritas quando ele já não vivia mais. Ef, Cl e 2Ts são duvidosas. 1Ts, 1-2Cor, Gl, Rm, Fl, Fm certamente são de Paulo.
Conclusão: sabemos da importância do apóstolo Paulo para a Igreja, mas não temos uma biografia exata, nem sequer conhecemos os detalhes mais íntimos de sua vida e missão.
Romaria articula trabalho e educação
Cruz Alta aguarda 20 mil pessoas para a romaria do trabalhador
Promovida pela Igreja do Rio Grande do Sul, sob a responsabilidade da Pastoral Operária – RS e da diocese de Cruz Alta, será realizada no dia 1º de maio, em Cruz Alta, a 11ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora. O evento comemora os 20 anos de realização da romaria no Estado, um dos marcos celebrativos e reivindicatórios mais importantes do Sul do país. Realizada no Parque de Exposições de Cruz Alta, a Romaria deste ano tem como tema "Trabalho e Educação para uma nova Sociedade".
Cruz Alta aguarda cerca de 20 mil pessoas, representando as 17 dioceses gaúchas. Para a coordenadora da Pastoral Operária no Rio Grande do Sul, Clarice Dal Médico, a romaria é um marco como "reflexão sobre o mundo do trabalho", e também um momento celebrativo, com um conteúdo teológico, bíblico e social. E o fato de a Igreja participar na promoção e organização do evento mostra sua preocupação com a realidade do trabalho e de milhares de trabalhadores.
Dal Médico destaca que "aprofundar a educação articulada com o trabalho é uma forma que encontramos para firmar nosso compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras. Todos têm direito à educação de qualidade e educação pública. Se o Estado cumprisse seus compromissos com a educação, muitos problemas sociais, como a violência, o êxodo rural, a desvalorização das pessoas, seriam evitados".
Cruz Alta celebra 20 anos de caminhada
A Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora é realizada a cada dois anos, sempre no dia 1º de maio. A primeira ocorreu no ano de 1987, em Canoas; a 10ª em 2005, na cidade de Caxias do Sul.
Para marcar os 20 anos dessa romaria, a coordenadora da Pastoral Operária no Rio Grande do Sul, Clarice Dal Médico, salienta que os movimentos sociais, pastorais, grupos de economia solidária, sindicatos e outras entidades poderão expor seus produtos e materiais de divulgação durante o evento, em Cruz Alta. Entidades que desejam expor alimentos devem se inscrever até o dia 10 de abril e para exposição de materiais de divulgação até o dia 20 de abril, através dos e-mails caritas@comnet.com.br ou poperariars@terra.com.br. Mais informações pelos telefones (55) 3322.6920 ou (51) 3225.8483 (CNBB/Regional Sul 3) ou (51) 9829.2453 (Clarice Dal Médico).
Celebrações e oficinas marcam dia do evento
A 11ª Romaria do Trabalhador ocorre dia 1º de maio, mas a programação inicia ainda no dia 29 de abril, com o Acampamento da Juventude, no Parque de Exposições de Cruz Alta. No dia seguinte serão realizados debates, seminários, oficinas e atividades culturais.
No dia 1º, os jovens que participaram do acampamento acolherão as caravanas às 7 horas, no Posto da Lomba, no centro de Cruz Alta. Em seguida, haverá abertura oficial e, às 9 horas, inicia a caminhada, de 1,5 quilômetro. Às 10h30, celebração eucarística e bênção dos alimentos; ao meio-dia, partilha dos alimentos, e às 13 horas, oficinas, com temas relacionados à romaria. Às 14 horas, ato político e shows artísticos; às 15h30 lançamento da 12ª Romaria, seguido de celebração ecumênica de envio e, às 16 horas, encerramento.
Padre Zezinho
Simão ajudou alguém que sofria, ao invés de só ficar olhando de longe ou sentindo pena
Prezado Simão de Cirene, imagino que você esteja no céu e, como as provedoras ainda não sabem o que fazer para mandar e-mails para lá, jogo esta mensagem no meu site para simaocirineu@ceu.com.Deus. Imagino que os que habitam o céu conheçam essas coisas de computador e que minha carta será lida por você.
É que a Narinha, que tem seis anos, me perguntou para onde você foi quando morreu; se você se converteu a Jesus depois que o forçaram a levar a cruz dele; se seus filhos Alexandre e Rufo se tornaram catequistas e cristãos. Quis saber o que você fez depois daquele dia. Deixou a roça e foi anunciar Jesus ou voltou para lá, para cuidar dos seus bois e das sementes?
Fez umas dez perguntas e eu não soube responder senão a duas delas. Disse-lhe que não sabia muito sobre você. Só sei que você foi meio forçado a ajudar Jesus e que, de fato, Alexandre e Rufo são citados como seus filhos. Fiquei meio sem graça quando ela me disse que, já que sou padre, eu tenho obrigação de saber onde é que está um homem tão importante como você. Afinal, você aliviou os ombros de Jesus e, com sua ajuda, Jesus sofreu um pouco menos.
É isso, Simão. O que realmente aconteceu depois daquele dia? Homem do campo, a última coisa que você imaginava é que seria tirado da multidão para carregar a cruz de Jesus. Posso imaginar seus sentimentos naquela hora. Você já tinha ouvido falar dele? Tinha ouvido suas pregações? Ou ajudou alguém totalmente estranho?
Cá entre nós, não importa o que sentiu naquela hora. O importante é que ajudou. Querendo ou não, você é o oposto de Pilatos, que lavou as mãos para mostrar que não tinha nada a ver com aquele sangue inocente, mas não fez nada para defendê-lo e permitiu que o matassem. Falou bonito, mas matou Jesus. Você sujou suas mãos e seus ombros no sangue dele, não disse uma palavra, não falou bonito, não fez nenhuma cena para ganhar aplausos, mas fez alguma coisa por alguém que sofria. Querendo ou não, você ajudou e não saiu por aí dizendo o quanto você faz pelos sofredores. Fez o que tinha de fazer e calou-se para sempre.
Para não decepcionar Narinha, enviei esse e-mail para o céu. Se você vai ler, aí é que são elas. Mas aproveito para dizer que tenho pregado alguns sermões sobre você e o que fez. Você ao menos fez alguma coisa por alguém que sofria, ao invés de só ficar olhando de longe ou sentindo pena. Você entrou no drama da paixão. E a gente sabe que aquela cruz não era nada leve!
Eu acho que você se salvou porque fez alguma coisa concreta por uma pessoa torturada e perseguida. Tenho muito mais coisas a lhe dizer, mas o resto digo lá na capela, quando estiver falando com Jesus. Por ora, leia o meu e-mail. Não precisa responder, porque vou ficar meio assustado se vier uma resposta. Eu tenho a Bíblia e é lá que leio as mensagens do céu.
Vila Flores revive antiga tradição
Procissão dos ciaretti recorda Paixão de Cristo com rituais próprios
A comunidade de Linha Aimoré, no interior de Vila Flores (RS), promove, na Sexta-feira Santa, 6 de abril, a partir das 19h30, sua tradicional procissão luminosa "dei ciaretti". Trata-se de uma antiga prática religiosa trazida pelos imigrantes italianos e que se mantém viva entre os moradores da localidade, constituindo-se, pelo que se tem conhecimento, na única comunidade da região italiana que realiza a procissão com o Cristo morto por entre centenas de ciaretti (lanternas, tochas e outros materiais) afixados em estacas ou galhos de árvores.
Além do trajeto, iluminado pelos ciaretti, por onde passam os devotos com o Cristo morto, a procissão é acompanhada de orações, cânticos e ao som das ràcolas (matracas). No final da procissão, o Cristo é depositado no chão e o povo se ajoelha para beijá-lo. Neste ano, será colocado um telão na praça para que as pessoas possam acompanhar a via-sacra, rezada em português e em latim no interior da igreja.
Anta Gorda – O município gaúcho de Anta Gorda revive a Paixão de Jesus através da 7ª edição da Via-Sacra Viva, um dos mais belos espetáculos religiosos do Vale do Taquari. Encenada no Morro Girotto, a via-sacra narra 15 estações, iniciando com a pregação de Jesus, na Galiléia. Após a condenação, Jesus percorre um quilômetro de subida com a cruz nos ombros. O espetáculo encerra com a ressurreição no alto do morro, todo iluminado por fogos de artifício.
Dom Zeno é nomeado bispo da diocese de Novo Hamburgo
Até agora bispo de Frederico Westphalen (RS), dom Zeno Hastenteufel foi nomeado na semana passada, pelo Papa Bento XVI, bispo de Novo Hamburgo. A diocese do Vale do Sinos estava vacante desde o dia 7 de junho de 2006, quando o bispo titular, dom Osvino José Both, foi nomeado pelo Papa arcebispo do Ordinariato Militar do Brasil, com sede em Brasília.
Dom Zeno tinha sido nomeado bispo de Frederico West-phalen no dia 12 de dezembro de 2001 e a ordenação episcopal ocorreu no dia 8 de março do ano seguinte. O novo bispo de Novo Hamburgo nasceu há 60 anos na Linha Rodrigues da Rosa, município de Montenegro (RS). Cursou filosofia em Viamão e teologia na PUCRS. De 1981 a 1983 estudou História Eclesiástica em Roma, onde obteve o doutorado.
Foi ordenado sacerdote no dia 8 de julho de 1972. Atuou em diversas paróquias da região metropolitana de Porto Alegre, foi professor na PUC e no seminário de Viamão, diretor do Instituto de Teologia e Ciências Religiosas por dois triênios, entre outros cargos.
Otávio Rocha realiza festa de São Marcos
No dia 15 de abril, a comunidade de Otávio Rocha, distrito de Flores da Cunha (RS), celebra a festa de São Marcos. Junto com os festejos ao padroeiro, a comunidade também comemora os 125 anos da chegada dos colonizadores. Foi em abril de 1882 que os pioneiros italianos, vindos de Vicenza, se estabeleceram na antiga "Marcolina".
A festa contará com recepção festiva dos padroeiros das cinco capelas da paróquia São Marcos, tríduo, menarosto (dia 13) e missa solene, com procissão, no domingo 15. Ao meio-dia será servido almoço típico. Otávio Rocha se destaca pela produção de uvas, vinhos, moranguinhos, alho e cebola e pela expansão do turismo, com seis restaurantes, hotel e dois parques. O local faz parte da rota "Caminhos da Colônia". Ingressos e informações pelo telefone (54) 3279.1138.
Aldo Colombo
Cresce, na sociedade, o ateísmo prático. As pessoas acreditam em Deus, mas vivem como se Ele não existisse
Em data previamente marcada, reuniu-se a Conferência Mundial dos Demônios. Na agenda, o planejamento estratégico para os próximos dez anos. O tema estava sendo estudado há algum tempo. Tomando a palavra Lúcifer – o mais alto mandatário – observou: não podemos impedir os cristãos de ir à igreja, nem podemos impedir que leiam a Bíblia ou batizem os filhos. Uma onda de religiosidade varre o mundo e se não impedirmos isto, em breve estaremos quebrados.
A seguir, Lúcifer explanou seu plano ambicioso: vamos deixá-los ir à igreja, ler a Bíblia, batizar os filhos, freqüentar almoços beneficentes, ajudar – sem exageros – obras assistenciais, mas vamos roubar-lhes o tempo. E para isso vamos encher suas vidas de tantas atividades para que não mais tenham tempo para Deus e para as coisas de Deus.
Façam isso, determinou o Diabo, ocupem todos sos espaços de seu tempo, aumentem neles a ambição de bens e riquezas, criando um estilo de vida jamais saciado. Com isso terão falta de tempo para conversar e conviver com os filhos, esta fragmentação afetará os lares, que se tornarão, mais do que moradias, hotéis. É preciso ainda incentivar neles a pressa, a concorrência entre todos e o ruído. Devemos ainda colocar uma série de atividades corporais e compromissos de todo o tipo. Enfim, as 24 horas do dia devem ser completamente preenchidas. Para isso é bom semear nas casas revistas superficiais, computadores, vídeos, DVDs para os intervalos.
Após uma pausa para saborear a boa acolhida da proposta, o Diabo continuou: é interessante ainda difundir a preocupação com a forma física, tentando seguir os modelos da moda, sacrificando a saúde em nome da estética. Para o Natal e a Páscoa, precisamos incentivar o papai noel e o coelhinho, criando ainda uma necessidade de dar e receber presentes. Com isso não mais terão tempo para caminhar, para conversar, para curtir o silêncio, para cultivar seu interior. Encheremos suas vidas de tantas coisas que, simplesmente, não haverá lugar para Deus. Uma grande salva de palmas saudou a proposta e com ela a certeza de que o plano iria funcionar.
No passado, nos meios eclesiásticos existia muita preocupação com o ateísmo, a explícita negação de Deus. Hoje os ateus são muito poucos. Mas o que cresceu é o ateísmo prático. As pessoas acreditam em Deus, mas vivem como se Ele não existisse. Na escala de valores, no lugar de Deus, as pessoas colocam o dinheiro, o bem-estar, a preocupação com as coisas materiais.
De vez em quando, nas mínimas pausas permitidas pelo estilo de vida, as pessoas sentem saudade de Deus. Sentem saudade de outros tempos em que Deus tinha um lugar bem definido em suas vidas. E a desculpa é quase sempre a mesma: não tenho tempo, não sobrou tempo... E como descarga de consciência, prometem: quando sobrar tempo.
Se Deus é mesmo importante para nós, seremos capazes de arranjar tempo para Ele, um tempo razoável, num espaço nobre de nosso dia. Mas esse bom propósito não pode ficar para amanhã. Se é coisa importante para nós, comecemos hoje mesmo. E que se danem o Diabo e seu planejamento estratégico.
Caminhada valoriza cuidado pela vida
Evento será realizado entre os municípios de Marau e Nova Alvorada
O Serviço de Animação Vocacional da Família Franciscana do Rio Grande do Sul promove, nos dias 14 e 15 de abril, o 5º Caminho de São Francisco. Neste ano, a caminhada será realizada entre os municípios de Marau e Nova Alvorada, num percurso de aproximadamente 40 quilômetros. O evento, desde sua primeira edição, busca destacar a figura de São Francisco, o santo dos caminhos, que queria seus frades e seguidores na itinerância, atendendo o convite do evangelho (Lc 10, 1-20).
A celebração de abertura ocorre na igreja matriz Cristo Rei de Marau, no dia 14 às 7h30, coordenada pelas noviças da congregação das Irmãs Franciscanas de Maria Auxiliadora, que residem em Marau. Em seguida, os caminheiros partem em direção a Camargo, passando pelo bairro São Cristóvão e por comunidades do interior dos dois municípios.
O almoço será na comunidade São Valentim, do distrito de Veado Pardo. À tarde, a caminhada passa pelas comunidades de Santa Bárbara e Nossa Senhora da Saúde, com pernoite em Camargo, onde está marcada uma celebração na igreja matriz, às 19 horas. No dia seguinte, a caminhada prossegue até Nova Alvorada, passando pelas capelas São Roque e São Pedro. Após a chegada, missa na igreja matriz às 11 horas, almoço e encerramento.
Frei Djair Galvan, coordenador do Serviço de Animação Vocacional (SAV) da província dos capuchinhos, destaca que, em todas as comunidades por onde os caminheiros passarem, serão realizadas pequenas celebrações com os moradores e, a exemplo das edições anteriores, plantada uma árvore, "como sinal deixado pelo caminho, mas também para refletir sobre o cuidado com a natureza que São Francisco tanto amava e cuidava".
Frei Genésio Fracasso, definidor da Pastoral Vocacional da província, salienta que o 5º Caminho será feito por mais de 80 pessoas, entre religiosos, religiosas, formandos e formandas, sem contar com as pessoas da região que vão se integrando à caminhada ao longo do trajeto. "Este ano queremos rezar e refletir sobre a nossa missão no cuidado com a vida", informa frei Genésio. O tema recorda o especial cuidado com a vida de toda criação que São Francisco de Assis tinha e essa missão herdada por todos os franciscanos e franciscanas.
Ordenação sacerdotal em Pimenta Bueno
O diácono capuchinho frei Reginaldo Casinato será ordenado sacerdote no dia 21 de abril de 2007. A cerimônia será realizada às 18 horas, na comunidade Nossa Senhora de Fátima, em Pimenta Bueno (RO), presidida por dom Canisio Klaus, bispo de Diamantino (MT). Natural de Glória de Dourados (MS), frei Reginaldo é filho de Antônio Manoel (falecido) e Nercy da Silva Casinato, que reside em Pimenta Bueno. Cursou filosofia em Porto Velho e teologia na Estef, em Porto Alegre. É vice-mestre no noviciado capuchinho da vice-província do Brasil-Oeste, com sede em Cuiabá (MT).
Wilson João
A descrença é a morte de Deus no coração. Páscoa é passar para a fé no ressuscitado
O universo, desde suas origens, vai realizando sua páscoa. É a mudança, a evolução, a passagem de um estágio para outro. Dentro do tempo de bilhões de anos houve muita mudança. Bilhões de estrelas se organizaram.
A TERRA, desde suas origens, passou por grandes transformações. É a Páscoa da Terra. Tornar essa Terra sempre mais habitável. Sempre mais paraíso. Sempre mais pomar e jardim. Há uma urgência de fazermos Páscoa da Terra: passagem da destruição para o respeito, a construção de uma Terra habitável e agradável.
A HUMANIDADE, como um todo, tem que realizar sua Páscoa. Passagem de uma humanidade marcada pela fome, injustiça, desigualdade, exploração e ganância para uma humanidade de fraternidade, justiça, paz e vida para todos. Mas, para construir essa Páscoa no universo, na Terra e na humanidade, ela precisa começar no pequeno e imenso coração humano. O universo, a Terra, a humanidade como um todo, anda no ritmo do coração das pessoas. Por isso, é necessário realizar a Páscoa em mim, em você, em cada ser humano.
PASSAR DO DESÂNIMO PARA A ESPERANÇA. Há possibilidade de um outro mundo, de outro tipo de vida, de relações amáveis entre as pessoas. Acender a esperança em cada coração humano é realizar Páscoa.
PASSAR DA RAIVA PARA A SERENIDADE. Superar as palavras raivosas e violentas, as atitudes agressivas e cultivar os sentimentos de serenidade e de paz. Os mansos vão possuir a terra. Os raivosos serão eliminados. Páscoa com serenidade.
PASSAR DO ISOLAMENTO PARA A CONVIVÊNCIA. Estar junto. Gostar de conviver. Ter muitos amigos. Arranjar tempo para estar perto das pessoas. Criar relações. Sempre mais relações. Isso se chama Páscoa.
PASSAR DA DESCRENÇA À MATURIDADE DA FÉ. Crescer na fé. A descrença é a morte de Deus no coração. É o túmulo da morte. É a destruição de si. Páscoa é passar para a fé no ressuscitado. Crer no vencedor e na vitória da vida. Crer que o mundo e a vida têm conserto. Isso é celebrar a Páscoa.
PASSAR DO ÓDIO AO AMOR. Deixar de lado tudo o que promove raivas, agressividades, guerras e ódios. Revestir a vida com amor. Fazer sempre o bem. Exercitar a dedicação e a doação. Olhar para a cruz de Jesus, amor pleno. Viver no amor, com amor e por amor. Isso é celebrar a Páscoa a vida toda, o dia todo e em todas as situações.
JOGOS PAN-AMERICANOS
42 países participam das competições. O objetivo é fortalecer o esporte no continente
A 15ª edição dos Jogos Pan-Americanos será realizada no Rio de Janeiro de 13 a 29 de julho. O evento vai reunir 42 países e terá 42 modalidades esportivas, entre elas algumas pouco populares entre os brasileiros, como o softbol, o badminton e o hóquei na grama. Como país sede, o Brasil está automaticamente classificado e vai disputar todas elas.
O badminton é semelhante ao tênis, porém, no lugar da bolinha entra uma peteca. É o esporte de raquete mais rápido do mundo. Foi introduzido nos Jogos Pan-Americanos em 1995. As raquetes podem rebater a peteca a até 260 km/h, de um lado a outro da quadra, dividida por uma rede a 1,55 metro de altura do chão. O jogo é disputado preferencialmente em quadra coberta e consiste em uma melhor-de-três games de 21 pontos. Sua origem mais remota vem de um esporte disputado com os pés e uma peteca, na China, no século V antes de Cristo, o Ti Jian Zi.
O softbol apareceu entre as modalidades do Pan em 1979. É uma versão leve (soft) do beisebol. A origem do esporte remete a 1887, nos Estados Unidos, quando George Hancock inventou uma forma de se praticar o beisebol em ginásios cobertos. Em seguida, a modalidade foi para a rua e na década de 1920 ganhou seu nome atual. Mais difundido entre as mulheres, que são as únicas a participar da disputa nos Jogos Pan-Americanos, o softbol tem as mesmas regras básicas do beisebol. As principais diferenças estão nas dimensões da bola (maior) e do campo (menor) e no tempo de jogo (menor). O objetivo é marcar o maior número possível de pontos para vencer o jogo.
O mais antigo esporte de taco e bola de que se tem notícia, o hóquei é praticado desde aproximadamente 2000 a.C. Atualmente, o hóquei é jogado até sobre o gelo, mas no Pan 2007 a versão oficial é o hóquei na grama. Esta modalidade foi disputada pela primeira vez nos Jogos Pan-Americanos de 1971. As partidas são divididas em dois tempos de 35 minutos e disputadas por dois times de 11 jogadores. O objetivo é marcar o maior número de gols.
Competição ocorre há 55 anos
Os Jogos Pan-Americanos são realizados a cada quatro anos. A primeira edição ocorreu em 1951, em Buenos Aires, Argentina. Porém, sua origem remete a 1932, nas Olimpíadas de Los Angeles. Representantes de países latino-americanos no Comitê Olímpico Internacional propuseram a criação de uma competição que reunisse todos os países das Américas, com o intuito de fortalecer o esporte no continente.
Os jogos inaugurais deveriam ter sido disputados em 1942, mas foram adiados pela Guerra Mundial. Então, a primeira edição foi realizada em 1951, na Argentina. A competição reuniu 2.513 atletas de 21 países, com 18 esportes em disputa. Desde então, os jogos jamais deixaram de ser realizados.
O italiano que está em mim
Iracema Maria Bodanese Paludo
São Miguel do Oeste – SC
O sangue e o meio cultural definem a identidade ítalo-polono-brasileira de Iracema Maria. Diz ela:
Nasci em Rio Toldo (Getúlio Vargas/RS) e sou neta de trevisanos, belluneses, veroneses e trentinos. Meus pais Luiz Bodanese e Adélia Patussi eram naturais de colônias mais antigas. Os Bodanese, de Bento Gonçalves, se mudaram para a Linha XII, interior de Serafina Corrêa. Os Patussi, no início do século passado, de Garibaldi passaram para Muçum.
Como Getúlio Vargas era colônia polonesa, me alfabetizei em português e polonês. Minha mãe comentava que "dentre todas as cabecinhas brancas na sala de aula, a única de cabelos pretos era a minha." Em casa comíamos pão com banha e açúcar, hábito típico dos poloneses. Eu e meus quatro irmãos crescemos numa sinfonia de sons do talian e do polonês.
Se de um lado éramos netos de italianos, de outro não acompanhamos de perto esta herança, pela grande distância que nos separava deles. Conheci somente minhas avós, Carolina Biesuz Bodanese, de Cesiomaggiore (Belluno), e Ernesta Broll Patussi, de Rovereto (Trento). O avô paterno, Francesco Bodanese, chegou ao Brasil com sete anos, órfão de pai. O bisavô, Valentino Antonio Bodanese, de Codognè (Treviso), faleceu com 30 anos, durante a viagem de navio, e seu corpo foi jogado ao mar.
Diz o meu tio Victório Bodanese, que quando Francesco desceu do navio, ele estava tão desesperado que chorava e corria de um lado para o outro, gritando:
– "Eu quero voltar para casa, para minha terra!" Por sorte isto não aconteceu, e assim nossa família integra o povo brasileiro.
Nono Francesco integrou a primeira banda de Vila Jansen (Bento Gonçalves). Em 1903, se mudou com a família para a Linha XII, em Serafina Corrêa, onde montou sortida casa comercial, vendendo de tudo. Meu pai foi carroceiro dele, antes de conhecer e casar com minha mãe, Adélia Patussi. Encontraram-se em Muçum, onde meu avô materno, Paschoal Patussi, de Salizzole (Verona), tinha um hotel. Meu pai, quando levava banha, marmelo, queijos e cereais para serem embarcados nas gasolinas (pequenos barcos) com destino a Porto Alegre, parava no hotel Patussi para comer e descansar. Destes encontros surgiu nova família.
Em fins de 1920, Luiz e Adélia se mudaram para Rio Toldo e, em 1939, fomos para Chapecó/SC, dita terra de futuro. Começar tudo de novo, trabalhar de sol a sol. Alguns meses depois, montamos o primeiro moinho colonial de Fazenda Zandavalli (Chapecó), no caminho para Caxambu, Guatambu, Sede Patussi (Nova Itaberaba), Alto da Serra e Linha Battistella. Concluí os estudos na escola local e, em 1948, fui nomeada professora municipal de Fazenda Zandavalli e do Alto da Serra. Casei no ano seguinte com Gemy José Paludo, e algum tempo depois montamos duas casas de comércio em sociedade com o irmão de Gemy, Laurindo Amilcare. Ali construímos nossa família de seis filhos, sob as bênçãos de Santo Antônio, padroeiro local.
Hoje (2007), moro em São Miguel do Oeste/SC. Prestes a completar 78 anos, trabalho todos os dias em minha cozinha, entre bolos confeitados, lazanhas e regatones que preparo com amor e dedicação aos meus familiares e amigos.
Sinto-me feliz em dizer que sou italiana, pelo sangue que herdei dos meus antepassados; polonesa, pela convivência com tantos deles desde a infância; brasileira, pois o Brasil é a terra onde nasci, minha pátria que muito amo. Não seria capaz de preferir uma às outras, porque as três etnias me encantam e me sinto delas participante". (tel 49 3622-0184).
Iracema, logo que controlar a diabete, testarei pão com banha e açúcar! (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (405)
Son belche morto e zelo qua el paradiso?
Eduardo Grigolo
Professor, Jundiaí – SP
Nanetto sempre ghe piasea contarla. Lu no’l fea serimònia. Se gera un mùcio de tosatei, tose o, anca, veci e vece, lu el se fea avanti e, prima de saver se i volea scoltarlo o nò, lu el scominsiea a ciacolar. Ghe piasea, anca, coionar i altri, solche par véderli pèrder la tramontana.
Na volta, in Jundiaì-SP, Nanetto el ga ciapà na bruta tómbola che se no’l ga squasi crepà, ze stà par voluntà de Dio e anca la dedicassion de na tosa, na bela ragassa, che la lo ga aiutà, fin restar bon, par intiero. In tea cità, su par un monte, vea na scala, fata de semento e maton. Seguramente la vea on 500 scalini. Nanetto el vegnea do par quela scala e el gera drio vardar par banda, parché el vea visto na bela tosa, con someiansa dela Gelina e lu, con malinconia dela so morosa, el se ga smentegà de vardar ndove pestar e ghe ga mancà poco par no coparse. El ga sbrissià col pié sinistro e do a gambe alte scala infondo. Solche el se ga fermà quando se ga finio i scalini. El ze stà stirà, come morto, par almanco tre ore. La bela ragassa la ga visto che lu la osservea e la ga sentio na colpa per quela tómbola. Alora la ga ciamà el Corpo dei Bombieri e lori i lo ga portà al ospedal. La tosa, che se ciamava Margarete, no la lo ga assà sol, gnanca per un secondo. La ze ndata insieme coi Bombieri e la ghe tegnea la man par véderghe la pulsassion. E la ghe parlea parole de stìmolo:
– Caro amico. No stà morir, parché mi no me perdonaria maipì. Vui cognósserlo e par quelo, bisogna che te stai bon. Vao far tuto quel che stà in mio arivo, per assarlo meio che vanti.
E la ghe basea le man, imòbile intrà le sue. Anca là ghe passea na man in tea fàcia e la sevitea a pregar, basseto, magari.
Rivai al ospedal, la ghe ga parlà al dotor che gera na persona dele sue relassion e molto cara. Parea che la gera familiarisà coi dotori e anca con le infermiere. La ghe dea órdine e tute quante ghe obedia sensa dir un "a". La ga providensà un quarto de quei riservadi a le persone importante dea cità. E meio ancora. Tuto sensa costar gnente. Come Nanetto el vea perso i sentimenti e el gera lu sol, la lo ga internà come "Amico dea Margarete". Là el ze restà internà per due longhi mesi. Dopo due giorni el ga recuperà i sentimenti. Quando el ga verto i oci, la bela tosa la gera darente, e lu el ghe domanda:
– Àngelo dal celo, son belche morto e zelo qua el paradiso?
– Prima dime come te ciami?
– Nanetto! Nanetto Pipetta! A propòsito, ndove zelo la me inseparàbile pipa?
– La ze rento tea scarsela dele to braghe.
Alora, el se palpa e el vede che’l ze tuto nudo, vestio con una roba del ospedal, come se fusse un ves-tito. Tuto spaventà el ghe domanda nantra volta.
– Bela tosa. Me recordo che te go vis-to co gere drio ndar do per quela scalona, de tanti scalini. Como te ciami?
– Io me ciamo Margarete. Molto piacere, Nanetto! Come me sento colpà per to tómbola, ghe go racomandà ai dotori che i te fae restar bon, presto! Setu?
– Te sè molto bela, belìssima!
– Gràssie! Posso esser to amica?
– Amica? Solche amica?
– Par intanto si! E ti de ndove vègnitu, situ maridà?
– Son drio sbrindolar. Fa cìnque mesi che son partio de Porto Alegre, dea casa de Rovìlio e Battistel e son drio ndar a sbrindolar per questo Brasil. Credo che le so benedission le ze colpà per catar un àngelo come ti.
– Gràssie, Nanetto! No stà parlar così, senò te me fa restar rossa de vergogna.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Aseo e sucro
Geraldo Sostizzo
Cascavel – PR
I tempi de sapar mìlio e riso, i gera sempre i giorni pi caldi del ano. A la matina gera pi fresco, lora no ocorea bever tanta aqua. Dopo che gaveimo magnà al meso giorno, vanti ndar via de casa par sapar, ciapeimo la boraceta, ghe meteimo aqua fin squasi piena, dopo un bicer de aseo rento tel aqua e par fenir, due cicare de sucro. Sgorleimo ben e ndeimo in colònia.
Quando riveimo tel posto de sapar, cateimo fora un posto con na ombria, feimo un buso co la sapa e meteimo rento la boràcia, parché la restesse freda. Te quei tempi là no se gavea el frigorìfico, par gelar le cose o far el gelo.
Scomisieimo sapar e delà na ora, vegnea la voia de bever sta aqua. Se fermeimo e beveimo un paro de sboconade de aqua dolse e aseo e el copea anca la sen.
Pi tardi se fermeimo, parché sempre porteimo via qualche cosa de magnar. Se senteimo soto el ombria, magneimo e beveimo questa aqua miracolosa e bona, anca la giutea parar zo le patate o anca pan meso seco. Ghemo fato così tanti ani, par quel che semo stai conservai, dopo de tanto aseo.
El miel de ave
Na volta son passà darente un cristian che vendea pìcoli biscoti e el disea: Vardè qua i biscotini pena fati, podé comprarli che i ze fati col miel de ave puro. Lo go scoltà na s-cianta e son rivà pi darente e lu me ga oferto un e el me ga dito:
– Proelo, puì star securo che’l ze fato col miel de ave puro.
Lora a ghe go dito:
– Scolta, el mio dotore me ga racomandà che no magnasse gnente col miel de ave, sol nantro miel.
Lu che no’l gera mia bauco el me dise:
– Ma tuto el miel el ze fato sol par le ave.
Ghe go domandà:
– No ghe ze mia nantro miel?
– Securo che nò. Lora mi ghe go dito:
– Se no ghe ze pi nessuni che fa miel no ocor che te disi che i biscotini i ze fati de miel de ave, se tuti sa che sol le ave fa miel.
L’è stà fermo na s-cianta, el me ga vardà e el dise:
– Te ghè raion, ma proa questo biscoto fato de miel.
E ghemo dato na bela ridada. Questa stòria la ze vera, come ze vero anca che tanti dispetusi i fea e ancora i fa miel de sucro e altri potaci.
Squasi tuti i coloni i gavea un paro de casse de ave par cavar miel. Due o tre volte al ano, vardeimo tute le casse e se le gera piene ghe caveimo el miel, ma sol tel veron, quando gera caldo, parché quando gera fredo le ave no podea laorar e bisognea dassàrghelo parché le magnasse anca ele, senò le moria de fame e anca no ghe gera fiuri tel inverno.
Col miel se fea tante cose: passar tel pan, dolsir el café quando no ghe gera sucro, far mandolati, sià quando se ga el rafredore e anca magnarlo puro, che el va ben fin ancoi. Chi no gavea soldi par comprar sucro i sa el valor dele ave e del miel.
Bisogna star atenti quando se compra miel de cristiani che no se ga mai visto. I ghe mete na s-cianta de miel sora e anca un paro de ave in meso el miel e i imbroia meso mondo. Domandeghe a la Dulce, me fémena...
Prefeitos rumam a Brasília
Cerca de 3 mil prefeitos marcham pedindo a reforma federativa
A reforma federativa é o tema central da X Marcha a Brasília, no período de 10 a 12 de abril. Promovida pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), a marcha vai apresentar a pauta de reivindicação dos municípios e cobrar os compromissos do governo federal que ainda não foram cumpridos. "Nas duas últimas décadas ocorreu o repasse de cada vez maior de atribuições, sem a devida contrapartida financeira", diz o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
Cinco painéis simultâneos estão previstos, abordando temas relativos à saúde, educação, saneamento, habitação e consórcio. Grupos se reunirão para analisar a atual situação do Fundeb, da gestão da saúde pública, o papel dos legislativos municipais e reformas tributária e política.
O presidente da CNM quer mostrar a força do municipalismo. A Marcha em Defesa dos Municípios deve ter a participação de 300 prefeitos gaúchos. "Cerca de 3.000 integrantes do movimento se deslocam de vários pontos do país em direção ao Distrito Federal", adianta.
Paraná – Os prefeitos paranaenses vão atender o chamamento da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e devem comparecer em número expressivo. O presidente da AMP, prefeito de Nova Olímpia, Luiz Lázaro Sorvos, disse que a prioridade de seu Estado será a discussão das perdas das 399 prefeituras, calculadas em R$ 236 milhões.