DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.034 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 11 de abril de 2007.
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O aquecimento global cria uma dupla injustiça
Pobres são os que mais sofrem os efeitos das mudanças climáticas
A segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), elaborado com base em informações apuradas por 2,5 mil cientistas de 130 países e que acaba de ser divulgada, é ainda mais alarmante que a primeira, tornada pública em fevereiro. O trabalho coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU) deixa ainda mais claras as conseqüências do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, e aponta com mais profundidade ainda as causas.
As mudanças climáticas provocarão nos próximos três anos a migração de 50 milhões de pessoas, os denominados "refugiados do clima", em busca de opção a uma realidade marcada por secas, doenças e fome. Se a temperatura média do planeta, que já aumentou 0,8 grau centígrado desde a Revolução Industrial, subir mais 1,5 grau levará à extinção de 30% das espécies no próximo século, à redução da produção agrícola, ao aumento das mortes pelo calor, à elevação do nível dos oceanos, a grandes incêndios florestais, à savanização da Amazônia, à falta generalizada de água potável no mundo.
Para evitar esses efeitos, é preciso urgentemente diminuir a emissão de gases poluentes de veículos e fábricas. Mas os maiores responsáveis pela emissão, a começar por Estados Unidos (lança 25% dos gases), China e Rússia, não concordam em ceder, sob o argumento de que se fizessem isso não teriam como manter o nível de crescimento econômico.
Nenhum movimento ambientalista quer paralisar a produção mundial, impedir a circulação de veículos ou simplesmente impor o fim de qualquer atividade poluidora. Até porque há o consenso de que isso seria impossível. Mas todos que se guiam pelo bom senso querem desacelerar o ritmo das fontes geradoras do aquecimento global, o que significa a luta pela vida.
Os interesses econômicos e políticos de algumas nações estão condenando o planeta à destruição. E quem está sofrendo e vai ser atingido com intensidade cada vez maior são as populações pobres, em geral vivendo distante dos países desenvolvidos, o que estabelece uma dupla injustiça – além de não usufruírem dos benefícios da industrialização, terão de pagar por eles, em muitos casos com a própria vida.
Definida equipe responsável por organizar a Festuva 2008
Evento ocorre de 21 de fevereiro a 9 de março
O presidente da Comissão Comunitária da Festa da Uva, Reomar Slaviero, anunciou na terça 3 os responsáveis pela organização do evento de 2008, de 21/02 a 9/03. A equipe é formada por dois vice-presidentes e 16 diretores de comissões (ao lado). "Somando a experiência de algumas pessoas com as idéias novas de outras, acredito que faremos uma bela Festa", afirmou Slaviero. Segundo ele, a principal missão do grupo é convidar a comunidade a participar do evento.
Voluntários brasileiros ajudam a reconstruir o Timor
Eleições no país, ainda marcado pela guerra, geram tensão e temor de nova onda de violência
O Timor Leste, um pequeno país da ilha do Timor, próximo da Indonésia, que já foi considerado um paraíso, vive nesta semana sob a tensão de eleições presidenciais – a votação, em primeiro turno, ocorreu na segunda-feira 9. O que muito poucos sabem é que nessa nação longínqua, no Pacífico Sul, atuam numerosos brasileiros, especialmente como voluntários, entre os quais uma caxiense, Fabiana Strada Ribas, 34 anos, bióloga, professora e adepta das causas ambientais e sociais.
A presença de brasileiros no Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa (matéria ao lado), tornou-se mais intensa a partir de 1999, quando o país viu-se livre do domínio indonésio, que durante 25 anos marcou os timorenses com impiedosas perseguições, repressão e destruição. Em 1999, a população aprovou a independência do Timor Leste através de plebiscito e os militares indonésios, inconformados, armaram milícias e promoveram massacres entre os timorenses, obrigando mais de 250 mil pessoas a abandonar suas casas e fugir para as montanhas. A situação levou tropas da ONU ao Timor para controlar a situação e obrigar os militares indonésios a deixar o país.
Reconstrução – Para a reconstrução das escolas e do país, devastado pela guerra civil, voluntários brasileiros passaram a atuar no Timor Leste, inclusive missionários (quase 90% da população é católica). A caxiense Fabiana Ribas inscreveu-se no programa de reconstrução das escolas timorenses do Ministério da Educação (MEC), foi aprovada e permaneceu no Timor de 2005 a março de 2007. Lecionou biologia e pedagogia na Universidade Nacional de Timor Lorosae ("Sol Nascente", em tetum) e foi funcionária do Ministério da Educação do Timor.
Fabiana também desenvolveu trabalhos voluntários com crianças, como teatro, jogos, brincadeiras e outras atividades lúdicas. A gaúcha cumpriu o contrato com o MEC, retornou a Caxias do Sul, mas em junho retorna ao Timor para atuar nas área ambiental. Em visita ao Correio Riograndense, a bióloga revelou que o belo país está sendo devastado pelo desmatamento e pelas queimadas. "Os timorenses desconhecem qualquer prática ambientalista", lamenta Fabiana. "Como o período de secas dura oito meses e, por causa da dependência da madeira, as derrubadas são constantes, os incêndios, provocados pelas pessoas e muitas vezes espontâneos, acabam devastando grandes áreas do país".
Folhetos gaúchos na prevenção à aids
Uma das coisas que mais emocionou Fabiana Ribas no Timor Leste foi encontrar material de divulgação e orientação sobre HIV, escrito em tetum, a língua nativa mais falada no país, impresso pela Editora São Miguel, de Caxias do Sul. Os folhetos são utilizados pelo Ministério da Saúde em todo o Timor. O material foi criado pela Casa Fonte Colombo, de Porto Alegre, mantida pela Associação Literária São Boaventura, dos capuchinhos do RS. Referência no trabalho de orientação e prevenção à aids no Brasil, o trabalho da Fonte Colombo foi enviado ao Timor Leste pela Pastoral da Aids e CRS, a Caritas norte-americana.
Fabiana destaca que o MEC vai abrir novos editais para professores no Timor Leste. "Precisamos facilitar a vida para esse povo sofrido, orientá-lo, globalizar a educação, os novos conhecimentos, as descobertas, sem desmerecer as tradições e as culturas locais". Contatos com Fabiana pelo e-mail: fa.ribas@hotmail.com.
Timorenses não aceitam as diferenças
A situação do Timor Leste, segundo Fabiana Ribas, é precária e caótica. Nas ruas, inclusive da capital, Dili, não há calçamento, luz elétrica, água tratada. "Muitos timorenses vivem ainda na Idade da Pedra, especialmente nas montanhas". No interior do país não existem fogões e a comida é preparada em fogo de chão. Quase não existem tanques para lavar a roupa e banheiros. "As pessoas não usam sabão, porque simplesmente não sabem o que é". Os timorenses desconhecem tudo em relação à higiene. Por isso há muitas doenças, causadas por bactérias, fungos e vírus. As crianças vivem nuas.
A população do Timor Leste é formada por diferentes povos e línguas, que não se aceitam mutuamente. É um povo se identidade, a auto-estima é muito baixa, não há amor próprio, a violência é freqüente e há muita corrupção.
Nas ruas, as forças da ONU são obrigadas a andar armadas até os dentes. "A gente se sente como se estivesse constantemente em guerra", destaca Fabiana. Não há armas de fogo entre a população, mas os ataques aos soldados da ONU com paus, pedras e até flechas são diários. Há seis campos de refugiados, com mais de 150 mil pessoas, que vivem desnutridas, em total falta de higiene e onde a malária é coletiva.
Violência marca eleições presidenciais
O Timor-Leste teve eleições presidenciais (primeiro turno) nesta segunda-feira 9. No sábado 7, uma juíza brasileira (do Tribunal de Justiça de Rondônia), Sandra Silvestre, que atua como observadora da eleição, foi esfaqueada diante da embaixada dos EUA no Timor. Ela recebeu mais de 50 pontos nas mãos e nos braços, mas passa bem. Brigas entre partidários deixaram dezenas de feridos nos últimos dias.
Desde a independência, muitos brasileiros trabalharam no Timor, inclusive 350 militares, que integraram as forças da ONU. O diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto no Iraque em 2003, chegou a atuar como administrador da ONU no Timor Leste.
Uma nação marcada por intensa pobreza
Independente desde 2002, o Timor-Leste é uma ex-colônia portuguesa que permaneceu de 1975 a 1999 sob o domínio da Indonésia. Junto com o Timor-Oeste (região colonizada pelos holandeses e integrada à Indonésia desde 1949), divide a ilha do Timor, no Pacífico Sul. Tem 14.609 km² e cerca de um milhão de habitantes.
É o país mais oriental da Ásia. Os primeiros habitantes, descendentes do povo malaio-polinésio, chegaram à ilha há cerca de 40 mil anos. O clima é quente, com quatro meses de chuvas torrenciais, seguidas de oito meses de seca. Há mais de 30 idiomas e os oficiais são o tetum e o português, falado por 10% da população. É um dos países mais pobres do mundo – ocupa o 140º lugar entre os 177 avaliados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Mortalidade – A esperança de vida é de 55,5 anos. A probabilidade das pessoas de não atingirem 40 anos de idade é de 25,5%. A taxa de alfabetização de adultos (acima de 15 anos) atinge 58,6%. O número de partos por mulher é de 7,9 filhos, o que explica a presença de muitos jovens e crianças – 42,5% da população tem menos de 15 anos. Mesmo assim, para cada mil crianças nascidas com vida, 124 morrem antes de completar 5 anos. Segundo Fabiana Ribas, o clima quente, a intensa umidade e a falta de saneamento favorecem a mortalidade infantil e a proliferação de doenças. Para cada cem mil habitantes, por exemplo, há 753 casos de tuberculose, um dos índices mais elevados do mundo para essa doença.
Mel terá certificação de origem
Técnica identifica o tipo de néctar e pólen utilizado pela abelha
De que é composto o mel brasileiro? Qual a florada? Que aroma possui? Essas e outras perguntas podem ser respondidas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que desenvolveu uma técnica sobre a origem e tipificação do mel. Até agora, não havia no país estudos de padrões para a caracterização da origem da florada (leia ao lado).
Com a nova metodologia, deverão acabar as dúvidas sobre a origem do produto – é comum os consumidores questionarem a pureza do mel – e facilitar as exportações, principalmente para a União Européia. O bloco econômico absorve de 70% a 80% da produção nacional, com preços mais atraentes dos que os pagos pelos Estados Unidos.
O presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), José Gomercindo Correa Cunha, acredita que com a certificação de origem o mel ganhe valor agregado. "Com a possibilidade de determinar a origem da florada, o mel será valorizado", afirma, acrescentando que o produto nacional é reconhecido pela sua qualidade, principalmente por causa da ausência de resíduos de antibióticos, já que as abelhas melíferas do país são mais resistentes.
O presidente da CBA, que também preside a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Mel e Produtos Apícolas, informa que há no país 21 grupos trabalhando para certificar o mel brasileiro. "O Ministério da Agricultura aplicou R$ 50 milhões no setor para credenciar laboratórios e capacitar mão-de-obra para atender as exigências da segurança alimentar", revela.
A cadeia produtiva do mel envolve um milhão de pessoas, sendo 350 mil apicultores, que respondem pela produção de 50 mil toneladas por ano – os gaúchos lideram com 7 mil toneladas/ano. O Brasil é o quinto exportador mundial e o 11º em produção.
Pesquisa analisou 20 floradas no país
Para tipificar os méis brasileiros, a Universidade de Campinas pesquisou em torno de 100 amostras, obtidas diretamente do apicultor. Cada produtor informou a florada de origem de sua amostra. "Com essa informação, isolamos componentes orgânicos voláteis, separamos e os identificamos até chegar a padrões ou peculiaridades", explicou o professor da Unicamp Fábio Augusto.
De acordo com o professor, foram avaliadas 20 floradas de todo o país, desde as plantas mais conhecidas, como eucalipto e laranjeira, até as exóticas ou menos cultivadas, como angico-de-bezerro, aroeira, assa-peixe e marmeleiro. "Os laboratórios oficiais ou certificados pelo Ministério da Agricultura terão como saber exatamente que tipo de mel o apicultor está produzindo", disse.
Na região Nordeste do Estado, por exemplo, as principais flores melíferas, ou seja, flores com pólen e néctar, são as dos eucaliptos, citros, macieiras e nativas e exóticas, como açoita-cavalo, carne-de-vaca, uva-do-japão e sete-sangrias, de acordo com informações de Luis Fernando Lima, da Associação Caxiense de Apicultores.
Expoclara destaca genética leiteira
Entre as novidades, ocorre o leilão dos animais expostos
A Cooperativa Santa Clara, sediada em Carlos Barbosa, realiza de 20 a 22 de abril a Exploclara 2007, uma das maiores exposições de gado leiteiro, máquinas e produtos agrícolas do Rio Grande do Sul. O evento ocorre no Pavilhão de Exposições da Santa Clara e faz parte do programa de incentivo ao produtor de leite da cooperativa.
Para este ano, a exposição terá novidades. A primeira é a homenagem aos 95 anos da Santa Clara, comemorados neste mês de abril. "O Túnel do Tempo, organizado em parceria com a Emater, mostrará as principais fases da Santa Clara, desde a chegada de imigrantes à região até os dias de hoje", adianta o presidente do evento, Vilí Quintino Costa.
Outra novidade da sexta edição da Expoclara é a realização de leilão de animais, inclusive dos premiados. Segundo Vilí Costa, o evento possibilita demonstrar a qualidade e o desenvolvimento da pecuária leiteira dos cooperados da Santa Clara. "Essa exposição permite aos produtores compararem o desenvolvimento e a qualidade dos seus animais, adequando assim, suas produções", diz o presidente.
Para a exposição, estão inscritos mais de 270 animais das raças jersey e holandês. A expectativa é que mais de 20 mil pessoas visitem a exposição. A Expoclara também tem atrações artísticas. Haverá mateada, apresentações variadas e show com os cantores Walther Morais e Ernesto Nunes.
A Cooperativa Santa Clara, a mais antiga do gênero no Brasil, possui 3.091 associados, dos quais 2.200 produzem leite. A empresa atua em 66 municípios gaúchos e se destaca ainda pela produção de suínos e rações, além de manter supermercados.
RS libera a entrada de carne com osso
O Rio Grande do Sul já está recebendo carne com osso dos Estados do Acre, Rondônia, Santa Catarina e de dois municípios do Amazonas (Guajará e Boca do Acre), regiões com o mesmo status sanitário que o RS – zonas livres de febre aftosa com vacinação.
De acordo com as novas regras, a empresa interessada em comprar carne com osso dos locais permitidos deverá pedir autorização ao Departamento de Proteção Animal (DPA) e monitorar (através de carimbos de inspeção) a carga até o seu destino. Fiscais da Secretaria ou do Ministério da Agricultura farão as conferências.
Embrapa vai debater o cultivo de mirtilo
O primeiro curso sobre a produção de mirtilo de baixo requerimento de frio será realizado na Embrapa Clima Temperado, em Pelotas, de 3 a 4 de maio próximo, no auditório Ailton Raseira. Estão confirmados palestrantes do Brasil, Uruguai e Argentina, que irão debater questões relacionadas ao cultivo fruta.
Os interessados podem ligar para o telefone (53) 32758208 ou solicitar informações pelo e-mail www.cpact.embrapa.br
Trigo terá seguro pela primeira vez
Pela primeira vez na história, as lavouras de trigo contarão com a cobertura de seguro agrícola a partir da safra 2007. O governo federal deverá subsidiar 60% do valor do prêmio, para garantir a adesão dos agricultores, especialmente os de pequeno porte. A União garantiu a destinação de R$ 20 milhões para subvencionar o valor do custo do serviço (prêmio). O produtor arca com o restante.
Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães, as regras de funcionamento, como enquadramento e cobertura, serão detalhadas no plano-safra de inverno, que será divulgado nas próximas semanas. Para os triticultores, a medida deverá contribuir para o processo de recuperação do setor, apesar dos preços mínimos que não terão aumento.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu manter o preço mínimo do trigo para a safra 2006/2007 em R$ 400 a tonelada para a região Sul. A cotação da saca permanecerá entre R$ 17,00 e R$ 24,00, conforme a classificação do grão. Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RS, Elton Weber, os valores definidos pelo CMN não cobrem os custos de produção, "hoje calculados pela Embrapa Trigo em R$ 26 a saca", disse.
A expectativa do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, é de que a maior parte da área plantada no país seja feita com seguro.
Engº. Agrº. José Zugno
Nogueira macadâmia
Gostaria de receber através de Vida Agrícola informações a respeito de uma planta que por aqui o pessoal chama de "macadâmia".
Valdemiro Angelo Bin
Tuparendi – RS
É planta originária da Austrália, donde disseminou-se para outros países de clima apropriado. No Brasil, foi introduzida pelo Instituto Agronômico de Campinas que mantém um pomar experimental e faz interessantes estudos sobre a macadâmia, e de onde partiram as primeiras informações sobre seu cultivo, inclusive fornecendo as primeiras mudas.
Atualmente o maior produtor de nozes da macadâmia é o Havaí.
Descrições da planta – Trata-se de uma árvore de porte médio podendo chegar a 10 m – ou pouco mais – de altura, com uma copada ramosa que pode atingir diversos metros de diâmetro. Os ramos terminais possuem 2, 3 ou 4 folhas em cada nó. Os nós estão próximos uns dos outros. As folhas são simples, espatuladas, finas, porém rijas, com 10 cm ou mais de comprimento e 3 a 4 cm de largura; são curto-pecioladas e têm margens onduladas, providas, em geral, de espinhos. As flores são pequenas, brancas e numerosas, reunidas em cachos compridos e pendentes. Cada flor tem 4 pétalas e 4 estames.
O fruto é um folículo com 2,5 cm de diâmetro, cujo envoltório (pericarpo) é carnoso e verde. Quando maduro se abre longitudinalmente, mostrando a noz bem redonda e protegida por uma casca grossa que envolve a semente branca, rica de óleo e outros componentes comestíveis e saborosos.
As nozes caem no solo e devem ser recolhidas a cada dois dias para então serem secadas com vistas à melhor conservação. A florescência ocorre na primavera, e os frutos amadurecem no outono.
Clima e solo – A planta é de clima subtropical, sofre com as geadas, é muito sensível aos ventos fortes, mas necessita de bastante luz e de chuvas regulares – 1.200 a 1.800 mm por ano, caso contrário, exige irrigação. A macadâmia é pouco exigente quanto ao solo, porém estes devem ser profundos e permeáveis. O grau de acidez ideal deve ser de pH 4,5 a 6,5.
Meios de reprodução – A macadâmia pode ser facilmente reproduzida por sementes, mas este sistema não é aconselhado, pois as plantas demoram anos para dar frutos, e produzem mudas não idênticas. As sementes servem, porém, para obtenção de porta-enxertos. O meio mais recomendado para propagar a macadâmia é a enxertia, pois assim se consegue reproduzir as características da variedade enxertada. O tipo de enxertia de garfagem, modalidade "bisel", consiste em cortes enviesados do enxerto e do porta-enxerto, que devem ser da mesma grossura. Portanto, para o plantio convém adquirir mudas devidamente enxertadas.
Utilização das nozes – As nozes deliciosas e muito nutritivas podem ser comidas cruas e também cozidas, torradas e salgadas. Em forma de pasta, após cozida, serve para o preparo de bolos e outras iguarias. Prensadas, as sementes fornecem um óleo comestível comparável ao de oliva.
Como se trata de planta de introdução relativamente recente e de pequena promoção nem todos os viveiros dispõem de mudas prontas para o plantio, porém, alguns viveiros já produzem mudas enxertadas. O pioneiro destes viveiros é a tradicional Empresa Dierberger Agrícola Ltda. Produz e oferece mudas de macadâmia de melhor qualidade, de acordo com as pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas, SP.
End.: Fazenda Citra – Rodovia SP 147 (Estrada Limeira – Piracicaba), km 147 – Telefone (19) 34511221 – CP 48 – CEP 13480-970 Limeira – SP
Hepatite C é a doença com maior crescimento de mortalidade no país
Cerca de 2 milhões de brasileiros estão infectados pelo vírus
Segundo estimativas do Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros são portadores do vírus HCV, causador da hepatite C. Porém, estimativas indicam que cerca de 90% das pessoas com HCV não sabem que estão infectadas. Isso faz da doença um dos mais sérios problemas de saúde pública, sendo a principal causa de transplante de fígado no Brasil. A hepatite C é também a doença com maior crescimento de mortalidade no país, tendo aumentado 30,6%, em média, em 2005. A enfermidade já infecta cinco vezes mais brasileiros que a Aids.
O HCV é transmitido pelo contato com sangue contaminado. Assim, todas as pessoas que receberam sangue antes de 1993 correm risco de estarem infectadas. No Brasil, antes dessa data, o material destinado às transfusões não era analisado para a detecção da doença, pois não se conhecia completamente essa forma de hepatite.
Atualmente, as formas mais comuns de contágio são o compartilhamento de agulhas e seringas entre usuários de drogas e acidentes com utensílios cortantes contaminados, como lâminas, bisturis, alicates e agulhas. Não há comprovação de contaminação por fluidos corporais, como saliva, suor, lágrimas, sêmen ou leite materno (a mãe contaminada pode amamentar). A contaminação sexual é possível, porém de ocorrência muito rara.
O HCV ataca o fígado de forma lenta e silenciosa, sem sintomas físicos para o portador. A doença pode não se manifestar por até 20 anos. Com o tempo, o vírus pode destruir o fígado da pessoa contaminada, ocasionando cirrose e câncer hepático.
Muitos portadores do HCV descobrem a doença em estágio avançado. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fatores primordiais para que o paciente recupere a saúde. Cerca de 20% dos infectados eliminam o vírus espontaneamente. Dos 80% restantes, quase dois terços, quando tratados corretamente, são curados.
O portador de hepatite C pode levar uma vida normal, pois a doença não apresenta riscos de contágio na vida social. Ao contrário do que alguns pensam, viver na mesma casa, apertar a mão, abraçar ou beijar uma pessoa com o vírus não traz nenhum risco de contaminação.
O teste de detecção da doença, chamado Anti-HCV, é simples. Pode ser realizado em hospitais públicos e alguns postos de saúde. O teste também é coberto por todos os planos de saúde.
Cientistas criam sangue universal
É possível converter sangue dos tipos A, B e AB no tipo O, "doador universal". Cientistas desenvolveram um método que é uma esperança de solucionar a escassez de sangue para transfusões.
O sangue é composto por glóbulos brancos e vermelhos. Nestes últimos existem substâncias chamadas antígenos, que determinam o tipo sangüí-neo de cada pessoa (A, B ou AB). Se esses antígenos não estiverem presentes nos glóbulos vermelhos, o sangue é do tipo O. O problema é que uma pessoa com sangue A tem anticorpos que reagem contra os antígenos presentes no sangue B, e vice-versa. Quem tem sangue O reage contra os tipos A e B. Apenas quem tem sangue AB pode receber qualquer tipo sangüíneo numa transfusão, e só quem tem sangue O pode doar a qualquer pessoa.
Os pesquisadores desenvolveram uma forma de "retirar" os antígenos que definem os glóbulos vermelhos como A, B ou AB. Eles manipularam determinados genes de bactérias e obtiveram substâncias que fazem essa "limpeza".
O novo método permite a fabricação de glóbulos vermelhos universais, mas ainda são necessários testes com pacientes antes que a técnica de conversão possa ser usada em hospitais. O novo método, porém, não é capaz de converter os antígenos chamados de Rh-positivo, que também podem provocar reações. Portanto, só os tipos negativos podem ser convertidos em um novo tipo de sangue.
Em caso de transfusão sangüínea, o ideal é que a pessoa receba sangue do mesmo tipo que o seu. Em urgências, quando não há tempo para tipificar o sangue, ou quando determinado tipo está em falta, usa-se o chamado sangue universal, O negativo. Isso é uma dificuldade para os hemocentros e bancos de sangue, já que apenas 9% da população brasileira tem esse tipo sangüíneo.
Pesquisadores fazem válvula cardíaca
Cientistas britânicos desenvolveram, pela primeira vez, parte de um coração humano a partir de células-tronco. Trata-se de um marco na medicina, que sugere uma nova etapa, cujo objetivo é criar um coração humano completo em laboratório.
O cardiologista Magdi Yacoub, que liderou a pesquisa, disse que em três anos os médicos poderão estar usando partes do coração desenvolvidas artificialmente para transplantes. Ele projeta para dez anos a criação de um coração inteiro a partir de células-tronco.
Os pesquisadores extraíram células-tronco da medula óssea e as cultivaram para que se transformassem em células de válvulas do coração. Colocadas em estruturas de colágeno, formaram-se discos de tecidos de válvulas cardíacas. Até o final do ano, os discos serão implantados em animais, para verificar o desempenho.
A criação de tecido de válvulas cardíacas evitaria o uso de válvulas artificiais em transplantes. Em crianças, as válvulas artificiais devem ser substituídas conforme os pacientes vão crescendo. Nos adultos, exigem a ingestão de remédios pela vida toda, para prevenir rejeição e outras complicações.
Dom Romero: testemunha do Cordeiro
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Dom Romero é daqueles que lavaram suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Ele nos lembra que Deus é maior que qualquer coisa e que os pobres são no mundo seus filhos prediletos
Chama-se mártir em teologia cristã aquele ou aquela que para testemunhar e confessar em toda a sua radicalidade e autenticidade a fé é vítima de morte violenta. Juntamente com esta morte pode sofrer torturas, condenações, constrangimentos de toda sorte. Também são parte do seu martírio.
Na verdade, o que a Igreja quer ressaltar quando venera seus mártires é não o sofrimento em si que os atormentou, mas o porquê esse sofrimento os atingiu. Foram testemunhas fiéis até o fim, como Jesus. Não recuaram diante de nenhuma ameaça nem nenhum perigo. Preferiram perder a vida a renegar aquilo em que acreditavam do mais fundo de seu coração.
Os primeiros quatro séculos da história da Igreja foram regados pelo verter do sangue de milhares de mártires. Entre eles havia não apenas homens adultos, mas igualmente mulheres e crianças. Tratava-se de pessoas que, havendo aderido à fé cristã, recusavam-se a prestar culto ao Imperador como sendo divino e confessavam firmemente sua fé em Jesus Cristo, Senhor, Messias Salvador e Filho de Deus.
Mas não foi apenas há quase dois mil anos que o martírio acontecia e dava fecundidade à Igreja. Hoje também, perto de nós, continua acontecendo. O contexto é diferente, mas o princípio é o mesmo: confessar com a boca e com a vida que Jesus Cristo é o único Senhor e permanecer firme nessa confissão de fé até a morte, se preciso for. No dia 24 de março último, em plena Quaresma e às portas da Semana Santa, celebramos o martírio de Dom Oscar Romero, bispo de El Salvador, acontecido há 27 anos.
Oscar Arnulfo Romero y Gadamez nasceu em 15 de agosto de 1917, em Ciudad Barrios, El Salvador. Sua família era numerosa e pobre. Quando criança, sua saúde inspirava cuidados. Com apenas 13 anos entrou no seminário. Foi para Roma completar o curso de teologia com 20 anos e foi ordenado sacerdote, em 1943.
Retornou a El Salvador como pároco. Era um sacerdote generoso e atuante. Nesse tempo conheceu a miséria profunda que assolava seu pequeno país. Era um homem do povo, simples, de profunda sensibilidade para com os sofrimentos de sua gente, de firme perspicácia aliada à coragem de decisão.
Corria a década de 70 e a maioria dos países latino-americanos vivia então duras experiências de ditaduras militares. Também para o pequeno El Salvador era um período de grandes conflitos.
Em 1977, padre Oscar Romero foi nomeado arcebispo de El Salvador. Ao chegar à capital do país, as correntes eclesiais mais progressistas não ficaram muito satisfeitas. O novo arcebispo tinha fama de conservador. Porém, os acontecimentos se precipitariam, dando uma guinada decisiva em sua vida.
Em 1979, o presidente do país foi deposto por golpe militar. A ditadura se instalou e, pouco a pouco, se acirrou a violência. Reinava o caos político, econômico e institucional. De janeiro a março de 1980 foram assassinados 1.015 salvadorenhos. Os responsáveis pertenciam às forças de segurança e às organizações conservadoras do regime militar instalado no país.
Nessa ocasião, dois sacerdotes foram assassinados por defenderem os camponeses que foram pedir abrigo em suas paróquias. Um deles era o jesuíta Rutilio Grande. Diante de seu cadáver, Dom Romero experimentou profunda conversão. Deixou sua posição moderada e, com impressionante coragem, colocou-se sem medo no epicentro do conflito, falando e atuando. Sua intenção não era acirrar os ânimos, mas conscientizar as pessoas, e sobretudo os responsáveis pelo poder, de que a paz só poderia vir pela via da justiça. E que os pobres não podiam ser massacrados pela injustiça e pela violência.
No dia 24 de março de 1980, Dom Romero foi fuzilado em meio aos doentes de câncer e enfermeiros, enquanto celebrava missa na capela do Hospital da Divina Providência, na capital de El Salvador. Enterrado pelo povo dilacerado pela dor e pela orfandade, seu nome foi incluído na relação dos 1.015 salvadorenhos assassinados naquele ano.
Hoje, 27 anos depois, seu martírio é testemunho para nós. Dom Romero é daqueles dos quais diz o Apocalipse, que lavaram suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Testemunha fiel de Jesus Cristo, Cordeiro de Deus, ele nos lembra que Deus é maior do que qualquer coisa e que os pobres são no mundo seus filhos prediletos.
DO CARNAVAL AO IMENSO CANAVIAL
Frei Betto
Então o Brasil se tornará um país rico? Sim, se o governo agir com firmeza e detiver a ganância das multinacionais. Bill Gates e sua Ethanol, japoneses, franceses, holandeses e ingleses já estão de olho em terras brasileiras
O Brasil é o país do carnaval. Aqui não se vive sem os cinco efes: fé, festa, feijão, farinha e futebol. Toda essa alegria está ameaçada de se transformar numa grande tristeza nacional caso o governo federal não tome, o quanto antes, severas medidas para impedir que o país se torne um imenso canavial em mãos estrangeiras.
Estamos de volta aos ciclos de monocultura que, nos livros didáticos de minha infância, marcavam os períodos da história nacional: pau-brasil; cana-de-açúcar; ouro; borracha; café etc. Esta a razão da recente visita de Bush ao Brasil, temos a matéria-prima e a tecnologia alternativas ao petróleo, energia fóssil prestes a se esgotar. Hoje, 80% das reservas petrolíferas se encontram no conflitivo Oriente Médio. Construir usinas nucleares é dispendioso e arriscado, alvos potenciais de terroristas. A solução mais segura, barata e ecologicamente correta é a cana-de-açúcar e os óleos vegetais. Petróleo era um bom negócio quando o barril custava US$ 2. Hoje não custa menos de US$ 50. E não dá duas safras. Cana e mandioca, além de abastecer veículos e indústrias, dão quantas safras se plantar. Basta dispor da terra adequada e disto que, ao contrário dos EUA, há nos trópicos em abundância: água e sol.
De olho nessa fonte alternativa de energia, Bush veio ver para crer. O etanol extraído de nossa cana tem a metade do custo do produzido pelo milho made in USA; 1/3 do preço do etanol europeu obtido da beterraba; e é, hoje, 30% inferior ao preço da gasolina, além de não poluir a atmosfera nem se esgotar.
Então o Brasil se tornará um país rico? Sim, se o governo agir com firmeza e detiver a ganância das multinacionais. Bill Gates e sua Ethanol Pacific já estão de olho nas terras de Goiás e do Mato Grosso. Japoneses, franceses, holandeses e ingleses querem investir em usinas de álcool. Se o Planalto não tomar a defesa da soberania nacional, o imenso canavial Brasil estará produzindo combustível para os países industrializados que, na defesa de seus interesses, cuidarão da segurança de seus negócios aqui, ou seja, regressaremos ao estágio colonialista de República, não das Bananas, mas da Cana. E as próximas gerações correrão o risco de experimentar na carne o que hoje sofrem os iraquianos.
Assim como Monteiro Lobato, na década de 1940, clamou pela defesa do petróleo brasileiro, dando origem à Petrobras, é hora de se exigir a criação da Biocombrás, a Companhia Brasileira de Biocombustíveis. Caso contrário, teremos nosso território agricultável retalhado pelo latifúndio associado às empresas multinacionais; a cana imperando no Sudeste; a soja e as pastagens desmatando ainda mais a Amazônia e provocando graves desequilíbrios ambientais. E é ilusão imaginar que a tecnologia de exploração da biomassa vegetal absorverá mão-de-obra. O desemprego e o subemprego (bóias-frias) serão proporcionais ao número de pés de cana plantados.
Bush não veio aqui preocupado com a miséria em que vivem milhões de brasileiros, sobretudo os migrantes expulsos do campo e amontoados nas favelas em torno das grandes cidades. Nem interessado na pequena propriedade rural e na agricultura familiar. Veio soprar nos ouvidos do presidente Lula para o Brasil dar as costas à Venezuela petrolífera de Chávez e erguer seu copo de garapa orgulhoso de sua energia vegetal, feliz porque vão chover álcooldólares na lavoura nacional. O Brasil entra com a terra, a água e o sol, e um pouco de mão-de-obra barata; eles colhem, exportam e vendem o produto via Monsanto, Cargill e congêneres, aplicando os lucros lá fora. Ficam com o verde da cana e dos dólares e, nós, com o amarelo da fome, como descrevia Carolina Maria de Jesus em Quarto de despejo.
O mínimo que se espera do presidente Lula é que siga o exemplo de Chávez e defenda os interesses nacionais. A empresa venezuelana equivalente à nossa Petrobras era a sócia minoritária na exploração do petróleo do país vizinho. Agora Chávez reverteu a equação: a partir de 1º de maio a Venezuela fica com 60% das cotas e as empresas estrangeiras com 40%.
Foi o clamor popular que, no passado, obrigou o governo a ouvir que "o petróleo é nosso". É hora de clamar pelo etanol e impedir que o imenso canavial Brasil multiplique o trabalho escravo, aumente o número de bóias-frias e devaste o que nos resta de florestas e reservas indígenas.
Brasil produz 180 milhões de quilos de lixo por dia
Maior desafio é dar destinação adequada. Reciclagem ainda é pouco explorada
O Brasil tem 186,7 milhões de habitantes (estimativa do IBGE de 1º/07/2006) e produz 180 milhões de quilos de lixo por dia. Em média, portanto, quase 1 kg de lixo por habitante/dia. Há 20 anos, quando a população era de 140 milhões de pessoas, o país tinha a média diária de 0,6 kg/habitante, o equivalente a uma montanha de 84 milhões de kg, ou seja, menos de a metade da quantidade atual.
O volume é muito menor que o de países industrializados, como os Estados Unidos – produz sete vezes mais lixo plástico que o Brasil. O problema é a destinação adequada. Nos EUA, por exemplo, 27% são reciclados, 16% incinerados e o restante enterrados – sem contar o lixo enviado a países pobres, como 80% do eletrônico. No Brasil, a maior parte se acumula em lixões.
Aproveitar o lixo significa preservar o meio ambiente e gerar renda. Mas isso nem sempre é possível, principalmente pela falta de programas específicos e de legislação. As deficiências da lei poderão ser supridas com o projeto do Executivo que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos – pronto para ser enviado ao Congresso Nacional. As outras, tendem a ser minimizadas com a aplicação no tratamento de lixo de 12 regiões metropolitanas de até R$ 4,8 bilhões – dos R$ 40 bilhões previstos para serem destinados ao saneamento pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Referência – Apesar de o Brasil ser líder no reaproveitamento de alumínio, outros materiais ainda são mal aproveitados. O Brasil é referência mundial em reciclagem de latas de alumínio. Em 2005, conforme dados da Associação Brasileira de Alumínio (Abal), 96,2% das 9,7 bilhões de latas utilizadas foram recicladas, um mercado que movimentou R$ 1,6 bilhão, envolvendo mais de 130 mil sucateiros.
O alumínio de uma lata que sai da fábrica leva aproximadamente 30 dias para voltar ao mercado como matéria-prima para uma outra lata. Nesse processo de reciclagem total da embalagem, são consumidos apenas 5% da energia elétrica necessária para a produção primária do alumínio a partir da bauxita.
Esses números refletem um mercado que se consolidou na informalidade, mas que gera benefícios inegáveis para uma massa até então desempregada, para a qualidade ambiental e para a economia. Apesar do crescimento desse mercado, os percentuais ainda não são tão expressivos quando se pensa em outros materiais. Em 2004, os índices de reciclagem de alumínio foram de 95,7% , mas os percentuais são de 47% para vidro, 45,8% para papel, 26% para aço e 16,49% para plástico.
Reciclagem atrelada ao mercado externo
No ano passado houve queda no valor do material a ser reciclado, em parte devido a variações de preço no mercado internacional. De repente as fábricas de reciclagem se depararam com a falta de matéria-prima. Isso porque os catadores guardavam os recicláveis o máximo de tempo possível à espera de melhora nos preços.
A variação do dólar permitiu ainda a entrada de produtos chineses baratos, como tecidos, empacando o mercado de reciclagem de garrafas Pet que geram a fibra de poliéster. As latas de alumínio que eram comercializadas, em média, a R$ 4 o quilo, passaram a R$ 2,50. As garrafas Pet caíram de R$ 1 para R$ 0,20. Isso desmotivou os que pensavam em abrir negócios ligados a reciclagem. O setor precisa de organização e de proteção até contra oscilações do mercado externo. (Com informações do Jornal do Senado).
ÁRVORE DA DISCÓRDIA
O eucalipto é uma árvore universal. Existem 600 espécies. É plantado em mais de 100 países. No Brasil ocupa 3,4 milhões de hectares, mas, apesar de sua importância, gera discussões entre indústria e ambientalistas
Agricultores assentados em Pedro Osório, na Zona Sul do Rio Grande do Sul, destruíram cerca de 100 hectares que estavam plantados com eucalipto. Das 24 famílias do assentamento de 540 hectares, 17 delas haviam firmado parceria com empresas de celulose. O Incra havia notificado os agricultores, orientando a eliminação dos plantios, sob pena de perderem os lotes.
O eucalipto, muito mais do que o pinus, tem sido a árvore da discórdia em várias regiões gaúchas, em outros Estados como o Espírito Santo e até em países vizinhos como o Uruguai e Sul do Chile, por conta da monocultura da planta, incentivada pelas indústrias de celulose e papel.
Por que o eucalipto motiva debates tão calorosos? Porque o plantio da árvore em grandes extensões tem sido apontado como agressivo ao ambiente nas regiões onde predomina a monocultura. O eucalipto é acusado de causar esgotamento das águas nas áreas onde é plantado e também perda da biodiversidade no local – tanto que organizações não-governamentais cunharam a expressão "deserto verde" para denominar as áreas dessa cultura.
Monocultura – Especialistas afirmam que o eucalipto em si não traz impactos ambientais, e sim o modo como é plantado. "O problema não é o eucalipto, e sim a monocultura em grande escala associada ao monopólio. É quando uma empresa planta 200 mil hectares em uma só área e não gera empregos, não movimenta a economia local", opina Ventura Barbeiro, engenheiro agrônomo do Greenpeace.
O pesquisador da Embrapa Floresta, Guilherme de Andrade, especialista em hidrologia vegetal, também questiona a monocultura. Porém, diz, o problema é recorrente tanto nas culturas de eucalipto quanto de soja ou de cana. "É esse modelo agrícola que traz impactos", afirma ao CR. Mas defende o eucalipto. "A árvore usa eficientemente a água. Para produzir um quilo de madeira, consome menos água que a cana-de-açúcar", exemplifica.
Segundo as OGNs, a cultura tem características próprias que são exacerbadas quando o modelo adotado é o do plantio em grandes áreas. Uma delas é a perda da biodiversidade – por ser uma árvore estéril (não gera frutos), não atrai animais para as áreas em que é cultivado. "O plantio próximo a cursos d’água pode levar ao esgotamento dos recursos hídricos, pois a planta consome muita água nos primeiros dois anos do seu ciclo de crescimento", diz a ativista Ana Filippini, da organização Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais.
Esforço – Diante das discussões, as empresas do setor têm se defendido, anunciando investimentos para reduzir os impactos da cultura. Aos interessados fornece mudas e insumos, e o produtor vende a madeira de volta para a empresa. Luiz Cornacchioni, gerente de recursos naturais da Suzano Papel e Celulose, garante que as empresas planejam os plantios, ao intercalar o eucalipto com matas nativas, modelo conhecido como plantio em mosaico. "Hoje 40% da área de uma propriedade destinada ao plantio de eucalipto é ocupada com áreas de preservação", revela.
Para o consultor ambiental Cláudio Guerra, as empresas avançaram no manejo do eucalipto nas áreas que são conhecidas. No entanto, o avanço da cultura em novas frentes é fator que preocupa, por replicar um modelo de plantio – em grande escala e sem cuidados – que as empresas mais preocupadas com a responsabilidade social estão banindo.
A introdução de grandes áreas de cultura de eucalipto no Pampa gaúcho está na mira do Ministério Público. O MP está avaliando o impacto e as possíveis interferências sobre a biodiversidade do local. Considerando apenas as gramíneas, a ocorrência chega a cerca de 400 espécies diferentes.
Cultivo em pequenas áreas aumenta 616%
Produtores plantaram no Brasil 627 mil hectares de florestas industriais em 2006 – o que representa um recorde histórico. Pela primeira vez, o país plantou mais de um bilhão de árvores num único ano. O levantamento foi elaborado pelo Serviço Florestal Brasileiro e pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Segundo a pesquisa, desde 2003, a área plantada vem aumentando consideravelmente, sendo 2006 o quarto ano consecutivo de crescimento e o terceiro de recorde histórico de plantio. O crescimento de 2006 em relação ao ano anterior foi de 13%; em 2005, foram plantados 553 mil hectares.
Para chegar a esse número, os técnicos cruzaram dados de todo o Brasil. A maior parte da área plantada é composta por eucalipto, pinus e teca, mas o estudo computou áreas de espécies nativas, como de seringueira em São Paulo e Espírito Santo e de paricá na região Norte.
Familiar – Outro dado importante, revelado pelo estudo, foi o crescimento da participação do pequeno e médio produtor florestal na atividade. De 2002 a 2006, o total da área por eles plantada cresceu 616%. Representavam 7,8% do total em 2002, saltando para 25% quatro anos depois.
Levantamentos preliminares apontam, inclusive, que, se forem considerados apenas os novos plantios (excluindo-se as áreas de reforma), a participação do pequeno produtor pode chegar a 40%. "Este crescimento da participação do pequeno produtor revela uma mudança no perfil social das florestas plantadas no Brasil, que tradicionalmente se concentrava em grandes plantios de empresas verticalizadas", explica Tasso Azevedo, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, órgão ligado ao MMA.
Regiões Sul e Sudeste lideram plantio no país
A pesquisa do Ministério do Meio Ambiente também foi detalhada por unidades da Federação. As regiões Sul e Sudeste seguem com as maiores áreas plantadas, totalizando 72% dos plantios em 2006. Porém, houve uma ligeira queda em relação a 2004 quando representavam 76%.
Os Estados que mais plantaram eucalipto em 2006 foram Minas Gerais (145 mil hectares), São Paulo (98 mil) e Rio Grande do Sul (90 mil hectares). O território gaúcho também teve o maior crescimento proporcional em relação a 2005, ano em que foram plantados 35 mil ha. De qualquer forma, a área plantada em 2006 aumentou em todas as regiões, com destaque para as regiões Sul (36%) e Centro-Oeste (26%). O menor crescimento foi detectado no Sudeste (3%).
Os números de 2006 trazem uma novidade no que diz respeito aos Estados da região Norte. Acre, Amazonas e Rondônia ultrapassaram a barreira de 500 hectares plantados em um ano (a estimativa não incluiu unidades da Federação, cujo plantio foi menor do que 500 hectares, no período 2002-2006). Nos últimos três anos, subiram de 14 para 21 os Estados com áreas plantadas maiores que 500 ha anuais. De acordo com a Sociedade Brasileira de Silvicultura, o país cultiva hoje 3,4 milhões de ha com eucaliptos.
Carvão lidera o consumo de produtos agroflorestais
O setor florestal brasileiro conta com, aproximadamente, 530 milhões de hectares de florestas nativas, 43,5 milhões de hectares em Unidades de Conservação Federal e 4,8 milhões de hectares de florestas plantadas com pinus, eucalipto e acácia-negra. Os números são da Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS).
A exploração de áreas de florestas nativas, mais a exploração das florestas plantadas, gera mais de 2 milhões de empregos, contribui com mais de US$ 20 bilhões para o PIB, exporta mais de US$ 4 bilhões e contribui com US$ 3 bilhões em impostos, ao ano, arrecadados de 60.000 empresas. As florestas plantadas estão distribuídas estrategicamente, em sua maioria, nos Estados do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
Essas florestas plantadas visam a garantia do suprimento de matéria-prima para as indústrias de papel e celulose, siderurgia a carvão vegetal, lenha, serrados, compensados e lâminas e painéis reconstituídos (aglomerados, chapas de fibras e MDF– chapa fabricada a partir da aglutinação de fibras de madeira com resinas sintéticas e ação conjunta de temperatura e pressão).
Apesar da participação das plantações florestais estar aumentando, o setor acredita que com base nas expectativas de crescimento de demanda, haverá necessidade de plantio em torno de 630 mil hectares ao ano – número alcançado em 2006. A SBS distribui essa necessidade de plantio como sendo 170 mil ha/ano para celulose, 130 mil ha/ano para madeira sólida, 250 mil ha/ano para carvão vegetal e 80 mil ha/ano para energia.
Histórico – Vindo da Austrália, o eucalipto foi introduzido no Brasil em 1904, com o objetivo de suprir as necessidades de lenha, postes e dormentes das estradas de ferro na região Sudeste. Na década de 50 passa a ser produzido, como matéria-prima, para o abastecimento das fábricas de papel e celulose.
Apresenta-se como espécie vegetal de rápido crescimento e adaptada para as situações edafobioclimáticas brasileiras. Durante o período dos incentivos fiscais, na década de 60, sua expansão foi ampliada. Esses incentivos perduraram até meados dos anos 80. Esse período foi considerado um marco na silvicultura brasileira dado os feitos positivos que gerou.
"Hoje o eucalipto está presente no cotidiano de nossas vidas fazendo parte de inúmeros produtos como roupas, pneus, filmes, tintas, medicamentos, alimentos, componentes eletrônicos, carvão, móveis, brinquedos, remédios, produtos de higiene e limpeza, postes, em construções rurais e outros", relata o especialista em agroflorestas da Embrapa, Moacir José Sales Medrado.
País é o que mais desenvolve plantação
O Brasil é o país que mais desenvolveu a plantação de eucalipto no mundo, mesmo tendo cobertura florestal grande. O potencial de terras e as condições climáticas favoreceram esse tipo de atividade, em conjunto com a pesquisa. As maiores taxas de crescimento de eucalipto no país estão nas áreas onde há alta precipitação de chuvas e insolação abundante.
A silvicultura exerce papel importante porque tira a pressão existente sobre os remanescentes de florestas. "A sociedade precisa de madeira e seus derivados. Imagine se não tivesse o eucalipto e o pinus. Onde se supriria essa demanda? Provavelmente nas florestas nativas. Isso agravaria a situação de devastação, como a que acontece na floresta amazônica para a abertura de pastagens e plantio de grãos", relata o pesquisador Paulo Eduardo Telles dos Santos, também da Embrapa Florestas.
Santos lembra que a floresta de eucalipto é plantada e, por isso, não possui tanta diversidade quanto a floresta natural. "Mas pode diminuir esses efeitos com medidas, como preservar áreas nativas dentro da propriedade e direcionar corredores de vegetação nativa na área de plantação, o que favorece a fauna local e ajuda o conjunto a ter um melhor equilíbrio", ensina. Existe ainda preocupação sobre a presença de fauna e inimigos naturais. "O manejo é muito importante", conclui Santos.
Pesquisa defende opção pelo eucalipto
Deserto verde é uma das definições dadas por ambientalistas às florestas plantadas de eucalipto. Os órgãos de defesa do ambiente dizem que o eucalipto causa o esgotamento da água na área onde está plantado, prejudicando a biodiversidade do local. A plantação acabaria até com nascentes de rios.
Pesquisadores refutam essas teorias. Dizem que o eucalipto tem os seus benefícios e, se for plantado de maneira adequada, não causa prejuízos. A árvore tem rápido crescimento, adquirindo mais biomassa em menos tempo em relação às espécies nativas.
Para o pesquisador da Embrapa Guilherme de Andrade, existe visão distorcida que propaga prejuízos do eucalipto, em ponto de vista mais emocional do que científico. "Existem pesquisas em hidrologia que refutam o que muitas ONGs dizem. O impacto do eucalipto é pequeno em comparação às atividades da agropecuária", afirma.
A hidrologia da floresta plantada não é muito diferente da mata nativa. Como a produção de biomassa é rápida, existe consumo grande de água nos primeiros momentos, quando a árvore começa a crescer. "O arranque de crescimento faz com que o eucalipto precise de mais água. Mas, em compensação, consegue melhorar a qualidade da que chega aos lençóis subterrâneos e rios, em comparação com as áreas agrícolas", enfatiza.
Andrade também não concorda com as declarações de que o eucalipto seca nascentes. "Tudo depende de onde está localizada a nascente. Se for em área sem florestas em volta, com vegetação rasteira, o eucalipto pode afetar a produção de água porque as árvores plantadas terão biomassa maior do que a vegetação natural. Mas isso não é exclusivo do eucalipto. Qualquer espécie provocaria este efeito", ressalta.
Também desmente que as florestas plantadas causariam grandes erosões e perdas de solo. "Um fator favorável do eucalipto é que há menos perda de solo. Ele fica protegido porque são ciclos de produção maiores do que a agricultura, que trabalha com espécies anuais e usa mais agrotóxicos. A plantação florestal recobre o solo, diminuindo as chances de erosão", conclui.
Fepam zoneia atividades da silvicultura
Vinte e cinco por cento do território gaúcho é considerado zona de alta restrição para a plantação comercial de árvores, 25% é avaliado como área de média restrição e 50% classificado como área de baixa restrição à atividade. Os índices são da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), que dividiu o RS em 45 unidades.
Na região de alta restrição, o zoneamento pode impedir o cultivo de florestas comerciais ou permitir o uso em baixa escala. Os percentuais de uso para a silvicultura vão aumentando conforme baixa a recomendação de restrição do zoneamento. A Fepam estima que 30% da área do RS (cerca de 90 mil km²) possa ser aproveitada para o plantio.
Fórum recorda caminhada eclesial
Maior evento da Igreja no Rio Grande do Sul ocorre em setembro
De 20 a 23 de setembro, as 17 dioceses gaúchas realizam, na Pontifica Universidade Católica, em Porto Alegre, o Fórum da Igreja Católica no Rio Grande do Sul. O histórico evento pretende celebrar os quatro séculos de presença da Igreja no Estado e projetar a ação evangelizadora nos próximos anos.
"Queremos mostrar também a unidade da Igreja e a caminhada feita em quatro séculos de ação evangelizadora", salienta dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB Regional Sul 3. Dom Dadeus acrescentou que o Fórum quer também mostrar o rosto da Igreja no Rio Grande do Sul, como ela foi, como está atuando e como se prepara para o futuro.
O Fórum está proporcionando uma participação intensa dos fiéis na sua preparação. Para facilitar a participação, já se encontra nas secretarias das dioceses e paróquias a terceira edição da Cartilha do Fórum, atualizada e enriquecida, para ser estudada nas comunidades. Segundo o coordenador executivo do Fórum, padre Marcelino Sivinski, o texto está sendo ótimo instrumento para divulgar o evento e ajudar na preparação do encontro. A estimativa é que sejam impressas mais de 400 mil cartilhas e distribuídas amplamente em todos os recantos do Estado.
Questionário – Padre Sivinski explica que essa participação poderá ser feita através da resposta a um pequeno questionário, impresso no final da cartilha: 1– O que você pensa da Igreja Católica? 2– Para ser fiel ao evangelho de Jesus Cristo: a) que valores a Igreja precisaria manter? b) em que deveria mudar? "O questionário é a forma da Igreja ouvir das comunidades e das pessoas o que pensam sobre a Igreja e como poderiam colaborar para que ela seja mais viva, dinâmica e missionária", salienta. As respostas poderão ser enviadas para: I Fórum da Igreja Católica no RS, Prédio 41 PUCRS, Av. Ipiranga, 6681, Cep 90619-900 Porto Alegre – RS, e-mail: fcnbbrs@portoweb.com.br. Interessados também poderão acessar o site: www.forumdaigrejacatolica.org.br.
História – A presença da Igreja católica no Rio Grande do Sul iniciou em 1626, com a chegada dos padres jesuítas e a fundação das missões. A primeira foi aberta em São Nicolau do Piratini, pelos padres Roque Gonzáles e Miguel de Ampuero.
Mas além dos 381 anos da chegada dos missionários, o Fórum também vai recordar outras datas muito significativas, como os 271 anos da criação da primeira paróquia no RS, na cidade de Rio Grande, em 1736; os 251 anos da morte de Sepé Tiarajú (1756); os 159 anos da criação da diocese de Porto Alegre (1848); o centenário de criação das dioceses de Pelotas, Santa Maria e Uruguaiana e da província eclesiástica de Porto Alegre (2010); os 50 anos da Conferência dos Religiosos do Brasil no RS (1957) entre outros.
O Fórum terá uma extensa programação, que inclui desde celebrações litúrgicas a conferências, tendas, oficinas, apresentações artístico-culturais, das quais todos estão convidados a participar, inclusive de outras religiões.
Diocese de Caxias envolve lideranças
O Fórum da Igreja Católica no RS está sendo precedido, nas dioceses e paróquias, de encontros de estudo, reflexão e debates. Em todas as dioceses estão sendo organizados fóruns locais, para os quais são propostas algumas questões que lançam um olhar sobre o passado trilhado pela Igreja, sobre o presente (nossa identidade) e sobre o futuro (a missão).
Em Caxias do Sul, o Fórum local será realizado no dia 5 de maio, no Centro Diocesano de Pastoral. Diversos padres da diocese vão assessorar o encontro. Padre Osmar Possamai vai abordar a formação dos povos da Serra gaúcha; padre Álvaro Pinzetta, a história da diocese; padre Vital Corbelini, o âmbito teológico; padre Júlio Giordani, o cuidado com os pobres e a questão da terra; padre João Panazzolo, a missionariedade.
Após o Fórum, serão realizadas, de maio a julho, assembléias nas sete regiões pastorais da diocese e nas seis áreas pastorais de Caxias do Sul, visando envolver as lideranças. As conclusões serão enviadas para o I Fórum da Igreja Católica.
Passo Fundo promove nove eventos regionais
Na diocese de Passo Fundo, não será realizado grande fórum local, mas nove minifóruns regionais, que ocorrem nas sedes das áreas pastorais. Em Passo Fundo, durante quatro dias (5 a 8 de julho), será realizado o Expofórum, também comemorativo aos 150 anos da cidade. Entre os minifóruns, destaque para os realizados em Marau (5/5), Casca (30/6), Tapejara (7/7), David Canabarro (14/7) e Guaporé (4/8). Participam as lideranças locais, que vão refletir sobre a caminhada da Igreja nas regiões.
Padre Zezinho
A Amazônia lembra hoje uma terra invadida por hordas de bárbaros
Amazônia, Amazônia, é proibido queimar! Amazônia, Amazônia, é proibido matar! Se os evangélicos e irmãos de outra fé quiserem caminhar conosco sejam bem vindos, mas a Campanha da Fraternidade deste ano continua conclamando os católicos a olharem para o norte do Brasil. Por que para a Amazônia?
Falo como católico que já foi lá inúmeras vezes, mas não conhece nem um centésimo daquela realidade. Já vi irmãos indígenas abandonados, os que perderam familiares para a violência da selva, túmulos de mártires da terra e da floresta, gente com medo, gente com ódio, aventureiros, povo santo e simples e bom, rios 12 metros abaixo do nível, desmatamento irresponsável, extensas áreas queimadas e devastadas, animais covardemente abatidos.
Há uma guerra acontecendo no meio daquele verde e daquelas águas. Há quem queira a Amazônia para si, os que a querem para o mundo e os que a querem viva, preservada e rendendo para o Brasil. Quem a quer para si e a vê como terra de ninguém não tem a menor intenção de desistir das suas conquistas, da mesma forma que os "conquistadores" do século XVI não tinham a menor intenção de respeitar qualquer tribo e qualquer tratado. Era terra verde, cheia de riquezas e dos nativos é que não seria. Eles nem eram levados em conta na partilha da terra onde já moravam havia séculos.
A Amazônia lembra hoje uma terra invadida por hordas de bárbaros que prometem uma coisa, mas fazem outra: desmatam e devastam o que encontram pela frente. Em alguns casos é destruição intencional e sistemática. O governo não chega lá. Há quem finja não ver, quem veja e não tenha como reagir e há quem não fale e fuja, porque os invasores o marcaram para morrer. E há os mártires que ficam e, se preciso, dão a vida pelo povo e pelo chão. Entre eles há centenas de católicos, a mais recente: irmã Dorothy.
Nosso olhar pela Amazônia é solidário. Trata-se de uma região presumida e consumida. Nós a queremos assumida. Se nos próximos vinte anos 50 a 100 mil jovens de lá e os que para lá se dirigirem forem com uma visão de quem mais dá do que tira daquela terra, esta Campanha da Fraternidade terá valido a pena. Amazônia, Amazônia! É proibido arrasar!
Centro Técnico comemora 60 anos
Obra dos josefinos atende adolescentes e crianças de baixa renda
No dia 23 de abril de 2007, o Murialdo Centro Técnico Social, de Caxias do Sul, comemora 60 anos dedicados ao cuidado e à educação de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade pessoal e social, segundo o carisma da Congregação dos Josefinos de Murialdo, responsáveis pela obra desde sua fundação.
O Centro Técnico Social compreende uma gráfica, o Colégio Murialdo, a Paróquia São Leonardo Murialdo e três programas sociais, mantidos pelos josefinos. Um dos programas é o Centro Educativo, que atende 120 meninos e meninas dos 6 aos 14 anos, no turno oposto ao da escola. O centro oferece lazer, esporte, música, alimentação, apoio escolar, atendimento odontológico e psicossocial, entre outros. A maioria dessas crianças estuda no Colégio Murialdo, de forma gratuita.
Outro programa é o Centro de Formação Profissional, que oferece a cerca de 120 adolescentes aprendizes três cursos profissionalizantes. O terceiro é a Casa Família Murialdo, que garante abrigo permanente a 13 crianças.
Para celebrar a data, no dia 21 a instituição traz a Caxias do Sul o jornalista Caco Barcellos, antigo aluno dos josefinos, que ministra a palestra com o tema "Educação cidadã – um outro mundo é possível". O evento ocorre no Restaurante Sica (junto à CIC), das 8h30 às 10h30, e o ingresso é um quilo de alimento não perecível.
No dia 22, às 18 horas, uma missa de ação de graças recorda os 60 anos do Centro Técnico Social. No dia 23, na Praça de Alimentação do Colégio Murialdo, será apresentada a revista "E a semente foi lançada...", publicação que relembra a trajetória do Centro Técnico Social, até hoje conhecido por muitos como Abrigo de Menores São José, fundado em 1947.
Superior dos josefinos visita o Brasil
Durante o mês de março e primeira semana de abril, o superior geral da Congregação dos Josefinos de Murialdo, padre Mario Aldegani, visitou o Brasil para conhecer de perto os mais de 90 religiosos (padres e irmãos), que atuam em 19 obras josefinas espalhadas pelo país. Aldegani foi eleito superior geral em junho do ano passado durante o Capítulo Geral, realizado em Fazenda Souza, Caxias do Sul. Foi a primeira vez que o capítulo ocorreu fora da Itália, desde a fundação da congregação no ano de 1873, em Turim.
Desde sua eleição, padre Mario iniciou a visita aos quatro continentes onde os josefinos estão presentes. Em maio próximo, o superior geral e seu conselho reunirão, em Roma, os provinciais e encarregados da formação de todos os países para avaliar o encaminhamento das diretrizes, nascidas no 21º Capítulo Geral. Do Brasil, participam o provincial, padre Raimundo Pauletti, e padre Geraldo Boniatti, ex-provincial.
Missões reanimam a paróquia de Caseiros
Quase duas mil pessoas, representando as 18 comunidades da paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, de Caseiros (RS), participaram do encerramento das missões, pregadas pela equipe dos freis capuchinhos do RS. No mês de março, durante 20 dias, os missionários percorreram as comunidades da paróquia que abrange, além de Caseiros, parte dos municípios de Ibiaçá, Ibiraiaras e Muliterno.
A paróquia de Caseiros pertence à diocese de Vacaria e tem como pároco o frei capuchinho Nadir Segala. Na comunidade, há também uma casa das Irmãs Angélicas. Caseiros foi a primeira comunidade missionada pelos capuchinhos neste ano. No dia 14 de abril, as atividades da equipe prosseguem com início das missões em Boqueirão do Leão (RS). Encerramento ocorre no dia 6 de maio.
Aldo Colombo
Na vida, ninguém é definitivamente derrotado, a não ser que ele admita, como definitivo, o fracasso
Negro, mendigo, pai solteiro carregando um filho pequeno para os abrigos dos sem-teto, bancos de jardins e até banheiros públicos. Seu pai, alcoólatra e violento, o expulsou de casa e sua mulher o abandonou com o filho de dois anos. Assim era a vida do norte-americano Chris Gardner, na década de 80. Seu tesouro era constituído por 25 dólares, quantia insuficiente para começar a beber. Devia ao Estado mais de 1.200 dólares de multas, de um tempo em que tinha um velho carro. Hoje ele possui mais de 600 milhões de dólares. Sua história originou um livro de sucesso e, agora, virou filme.
Gardner jamais aceitou seu fracasso e tinha certeza de que seu destino poderia mudar. Até mesmo usou uma comparação que para muitos pode parecer de mau gosto: um monte de estrume. Depende da ótica como é visto. Para uns – com perdão da palavra – trata-se de merda; para outros, boa quantidade de fertilizantes. Com essa idéia na cabeça, saiu às ruas em busca do seu monte.
Desocupado, ofereceu-se para conseguir uma vaga no estacionamento para uma Ferrari e quis saber de seu dono: o que você faz? Sou corretor da Bolsa de Valores, respondeu ele. Chris Gardner saiu à procura da sede da Bolsa de Valores. Naturalmente não conseguiu emprego, pois não tinha qualificação.
Ele não desistiu: matriculou-se num curso grátis e, algum tempo depois, conseguiu um pequeno bico prestando serviço, lá onde ele queria, na Bolsa de Valores. Ele se havia colocado na linha da sorte. Meses depois foi efetivado no emprego e começaram a chegar os primeiros dólares de uma conta, hoje, milionária.
Na vida podemos perder quase tudo, mas não podemos perder a esperança. Há pessoas que se lamentam: o mundo me tratou mal. Outras acham uma explicação: não tenho sorte. Outro grupo se conforma: é meu destino. Essas pessoas são derrotadas, não pelas dificuldades, mas por elas mesmas, que chamam a derrota. Ninguém é definitivamente derrotado, a não ser que ele admita, como definitivo, o fracasso. É preciso cultivar a teimosia contra as dificuldades e apostar no futuro. É bom ter claro que o futuro não é um lugar para onde vamos, mas um lugar que estamos construindo.
A vida não vai ajudar a ninguém se ele mesmo não se ajuda. Para uns, a dificuldade é um convite para parar; para outros, trata-se de um desafio. É a ambigüidade do monte de estrume. Nossa maior aliada é a determinação de lutar. Precisamos ter a certeza interna de que a última palavra não foi dita. Lutar corresponde à dignidade humana.
Podemos não conseguir tudo o que pretendemos, mas certamente poderemos conseguir muito. Henry Ford costumava dizer: "Se você acha que pode ou se você acha que não pode, sempre terá razão". Sua biografia não está completa. Ela pode mudar.
Santo Expedito promove 7ª romaria ao padroeiro
Evento atrai pessoas de diversas regiões
A paróquia de Santo Expedido do Sul (RS) realiza, no dia 29 de abril, a 7ª Romaria em louvor a Santo Expedito. Todas as semanas, o santuário recebe pessoas de muitos municípios da região e até de outros Estados, que vão louvar o santo das "causas impossíveis" por graças alcançadas ou para pedir graças. Segundo o pároco, padre Argemiro Gusso, são aguardadas mais de 20 mil pessoas no dia da romaria.
A programação religiosa e social prevê tríduo, nos dias 26, 27 e 28, sempre com início das celebrações às 19h30. No dia 28 haverá procissão luminosa. No dia da romaria, missa no santuário às 7 horas, acolhida aos romeiros e imposição das mãos às 8 horas, missa campal na praça do santuário às 10h30, almoço às 12 horas e, às 14h30, procissão com a imagem de Santo Expedito, bênção aos romeiros e queima de fogos de artifício. Mais informações pelo telefone (54) 3396.1063 ou pelo site www.santoexpeditors.com.br.
Irmã Helena Rossetti morre aos 67 anos
Religiosa da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry, irmã Helena Terezinha Rossetti (foto) morreu no dia 30 de março, vítima de infarto fulminante, aos 67 anos. Filha de Baptista e Olympia Scalabrin Rossetti, nasceu no dia 7 de agosto de 1939, em Caxias do Sul. Perdeu a mãe, ainda pequenina. Baptista contraiu novas núpcias e, por parte de pai, irmã Helena (Edith Hermínia) teve 14 irmãos. Também teve três tios capuchinhos – freis Ivo, Elói e Zeferino Rossetti.
Emitiu os votos religiosos em 1959 e no dia 29 de janeiro de 1965 ingressou em definitivo na congregação, através dos votos perpétuos. Exerceu suas atividades profissionais e apostólicas em São Francisco de Paula, Veranópolis, São José do Norte, São Jorge, Guaíba e Montenegro. Dedicou grande parte de sua vida à pastoral vocacional, integrando equipes vocacionais diocesanas e a equipe vocacional da província, e à pastoral paroquial. Em Veranópolis, fundou a associação das mães que rezam pelos sacerdotes.
Junto com frei Raul Suzin, em 1973, em uma iniciativa pioneira, começou a promover lideranças leigas para atuarem na pastoral vocacional. O coração de Irmã Helena pulsava em sintonia com o coração dos jovens. Dedicou-se, com gratuidade e amor, ao povo simples e pobre, às crianças e jovens, aos grupos de mulheres e aos agricultores.
Ordenação sacerdotal em Fagundes Varela
No dia 21 de abril, o diácono Vitor Cittolin será ordenado sacerdote. A cerimônia será às 9h30 na igreja matriz de Fagundes Varela (RS), terra natal do novo sacerdote. Dom Paulo Moretto será o bispo ordenante. Vitor atua na paróquia Santa Catarina de Caxias do Sul, onde continuará trabalhando após a ordenação. Em 2006, atuou na paróquia de Monte Belo do Sul.
Vitor é o mais novo dos cinco filhos de Luiz (falecido) e de Diva Terezinha Fabriz Cittolin. A mãe e os irmãos Airton, Nestor e Elda residem em Cascavel (PR) e a mana Maria, em Lajeado (RS). Vitor escolheu como lema de ordenação "Se tu me amas, cuida das minhas ovelhas".
Rede Vida apresenta os mártires rio-grandenses
No dia 21 de outubro, a Igreja do RS viverá um dos maiores fatos de seus quatro séculos de presença no Estado. Em Frederico Westphalen serão beatificados os mártires Padre Manuel González e o coroinha Adílio Daronch, com a presença do presidente da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Saraiva Martins. Para divulgar a vida dos futuros bem-aventurados gaúchos a todo país, a Redevida de Televisão apresenta, diariamente, o minuto dos mártires, nos seguintes horários: segunda (20h), terça (22h), quarta (8h), quinta (11h), sexta (12h), sábado (15h) e domingo (18h).
Wilson João
Só a humildade permite reconhecer na outra pessoa o direito de ser diferente, de ver a diferença como riqueza
Como seria triste e chato se todas as pessoas fossem da cor branca! Muita gente gostaria que assim fosse. Há um bom grupo que despreza as outras raças. Como seria chato se todos fossem torcedores do Palmeiras. Mas os palmeirenses acham todos os outros errados. Como seria chato se todos fossem do PMDB! Mas os fanáticos do PMDB tratam os outros partidos como inimigos. Como seria triste se todos fossem evangélicos! Mas os evangélicos se acham os únicos certos. As brigas, as guerras, as confusões nascem dessa ignorância. Eliminar quem pensa diferente ou quem é diferente.
O RESPEITO A CADA SER HUMANO. Ninguém nasce limpinho. Cada ser humano, desde o nascimento, traz consigo uma cultura, uma fé, uma visão das coisas, emoções do pai e da mãe e até dos antepassados. Traz consigo a carga biológica, emocional e social. Não há dois seres humanos iguais. Cada um é fruto do seu tempo, das circunstâncias e da bagagem familiar. Nasce marcado e, em parte, condicionado. Devido a essa bagagem que cada um traz, também a visão da vida, do mundo, da fé e do sentido da vida varia. Esse respeito à visão de cada um é que faz levar a uma convivência sadia. Diante do mesmo fato, diante de cada realidade, cada ser humano tem sua visão. Aceitar essa visão é fruto da compreensão e do amor pela pessoa. Isso se chama respeito.
A RIQUEZA DA DIFERENÇA. Há uma tentação de igualar tudo. De colocar todos num denominador comum. A escola tem essa grande tentação. Que todos os alunos se comportem do mesmo jeito e que façam as coisas do mesmo jeito. Quando um aluno se sobressai, ou tem reações diferentes, não é muito aceito.
Os gênios da humanidade nunca se adaptaram a um sistema escolar que iguala. Como não há dois seres nesse mundo que se igualam, nem mesmo duas folhas de uma mesma árvore, também deve haver o acatamento e o respeito pelas diferenças em cada pessoa. Ver a diferença como uma riqueza. Para isso é necessária a humildade de ser diferente e reconhecer na outra pessoa o direito de ser diferente.
DEUS TEM MUITAS FACES. Muçulmanos, budistas, cristãos e todas as religiões do mundo têm uma visão diferente de Deus. Em sua grandeza, Deus se apresenta com muitas faces para que cada criatura humana possa vê-lo, senti-lo, amá-lo e chegar a Ele. Dentro da mesma fé cristã há uma variedade de faces de Deus. Ninguém pode afirmar que a sua face de Deus é única e verdadeira. Deus é tão imenso que se apresenta com uma face de amor a cada ser humano.
NOVA TEORIA EXPLICA CONSTRUÇÃO DE PIRÂMIDE
Arquiteto afirma que Quéops foi erguida de dentro para fora por 4 mil homens
O arquiteto francês Jean Pierre Houdin afirmou na semana passada ter desvendado o mistério que há 4.500 anos cerca a Grande Pirâmide do Egito. Segundo ele, a pirâmide Quéops, localizada em Gizé, próximo ao Cairo, foi construída de dentro para fora.
Teorias anteriores acreditavam que o túmulo do faraó Khufu, a última das sete grandes maravilhas do mundo antigo que ainda sobrevive, tinha sido levantado usando-se uma enorme rampa frontal ou então uma rampa em forma de espiral ao redor da parte externa da pirâmide, para carregar as pedras até o topo.
Houdin apresentou diversas fases da construção. Segundo sua teoria, a obra iniciou com uma rampa frontal externa. Porém, para chegar à parte mais alta, foi usada uma rampa em espiral, no sentido anti-horário, no interior da obra, composta por uma sucessão de 21 galerias paralelas às paredes da pirâmide. Isso permitiu chegar ao topo da construção. Esta rampa estaria entre 10 e 15 metros abaixo da camada externa, formando uma pirâmide dentro da pirâmide. A nova teoria apresentada por Houdin sugere que a pirâmide foi erguida por cerca de 4.000 pessoas, e não 100 mil, como até então acreditava-se.
Para provar seu argumento, Houdin formou uma parceria com a empresa francesa de informática Dassault Systèmes. A empresa pôs 14 engenheiros para trabalhar sobre o projeto por dois anos.
Agora, uma equipe internacional está sendo montada para sondar a pirâmide, usando radares e câmeras de detecção de calor. O arquiteto afirma que, se foi utilizada uma rampa interna, ela continua lá. Segundo ele, trata-se de um túnel que faz parte da estrutura da pirâmide e não existiria razão para destruí-lo. Para investigar a pirâmide, o grupo aguarda apenas a aprovação das autoridades egípcias.
Há oito anos a família Houdin pesquisa o tema. Em 1999, o pai, Henri Houdin, divulgou as primeiras idéias a respeito da rampa. O filho Jean Pierre decidiu avançar na mesma pista.
Depois de abandonar seu escritório de arquitetura, Houdin escreveu dois livros sobre o tema. Em 2005, conseguiu desenvolver um programa de informática que permitiu elaborar uma simulação em três dimensões de sua hipótese.
Tapetes de folhas cobrem o solo no outono
Outono é sinônimo de árvores despidas devido à queda das folhas, que cobrem o solo e o fertilizam naturalmente. Afinal, por que as folhas caem? As plantas produzem seu próprio alimento a partir da fotossíntese, que ocorre na presença da luz solar. No outono, diminui a intensidade de luz sobre as folhas, pois há redução gradativa de tempo de exposição solar, até o inverno. As árvores economizam energia, retirando nutrientes das folhas. Logo, ocorre queda na produção de clorofila, que é a principal causa da mudança das cores nas folhas. Quando a primavera chegar e a temperatura voltar a subir, a energia armazenada no caule será usada para gerar novas folhas, flores e frutos. Contribuição de Giordana Tigre, bióloga de Bento Gonçalves.
Os sonhos e as esperanças que estão em mim
Silvio Bregalda
Professor, Paraí (RS)
Sílvio Bregalda, viajando em nave imaginária, destaca suas origens italianas:
"Faço um retrocesso de 132 anos no tempo e no espaço. Chego a 1875, marco inicial da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul.
Buscar novas terras na América era imperiosa alternativa. A Itália, com território pouco maior que o Rio Grande do Sul, com numerosa população, vivendo do cultivo da terra, com pequena área cultivável e com tecnologia primitiva e sem indústrias. As conseqüências não se fizeram esperar. Miséria e fome geral, sobretudo no norte. Todos ansiavam por uma solução, quando lhes chega a notícia de oferta de terras na longínqua América.
O sonho de uma vida melhor, mais digna e humana, é obsessão da gente italiana. Muitos se tornam atores de dramático, cruel e doloroso êxodo.
Os meus antepassados com seus colegas emigrantes se reuniram, depois de juntar seus míseros pertences, e se puseram em alto-mar. Sinto-me, também, neles, um aventureiro, lançado no escuro, contando apenas com a coragem de minha própria aventura.
Sinto-me como um filho emigrante que se despede de seus pais, parentes e amigos, com a única certeza de jamais tornar a vê-los. As lágrimas rolam do meu rosto, regando este solo que os meus, para o conquistarem para mim, tiveram que misturar suas lágrimas às águas salgadas dos mares, durante os 36 amargos dias de viagem di macchina a vapore. A pátria amada, que eles deixaram lá bem longe, mais longe ainda está de mim, como um enigma do que seria eu, hoje, se lá tivesse ficado, ou se lá tivesse nascido e depois emigrado?!
Deixaram tudo, levando consigo apenas a vontade de vencer e a fé em Deus, bases do mundo que aqui construíram e nos legaram. Estremeço ao pensar de ter nascido na América de seus sonhos que, do nada, com o suor de suas faces, construíram para mim. Sem casa para morar, de caça e pesca vão se alimentar.
Imagino-me neles, arregaçando as mangas, com tudo por fazer, começando por achar um abrigo sob a copa das árvores para, refeitas as forças, uma rústica moradia levantar. Derrubar árvores, fazer toras, desbastar, serrar tábuas, calejando as mãos, suor escorrendo, lágrimas vertendo, nostalgias de familiares e pátria distante pungindo, devagar tudo por eles fomos conseguindo.
Cada dia, com meus antepassados, busco o adormecer para, com novo sonho, alvorecer. Paulatinamente, os problemas começam a diminuir, a mata se desbrava, o milho, o trigo e o feijão são lançados ao fértil novo chão. Chegam as primeiras colheitas, e a mesa se cobre de pão. Logo mais brota a parreira, que se cobre de uvas, e o filó traz os amigos para o novo e primeiro vinho.
Um santo, um terço, uma prece, um capitel, uma capela, um monjolo, um pilão, um moinho, uma ferraria, uma venda, tudo, tudo recordo com alegria.
Quem é Deus? Quem é Jesus? Quem é Maria?... foi-se aprendendo de noite para o dia. A fé que os antepassados trouxeram foi base da educação que me deram. Por isto eu, por eles e com eles, continuo a rezar e para as novas gerações, uma nova América sonhar.
Hoje, 132 anos decorridos, a semente germinou, cresceu, floresceu e deu frutos com a fertilidade dos sonhos, da coragem, do trabalho e da fé dos meus, que considero o melhor legado seu. Dizer imigrante é dizer herói, trabalhador, do progresso propulsor. O imigrante é a raiz da minha luta para fazer desta terra o meu país.
Aqui, você, imigrante, fixou raízes! Aqui você coloriu a paisagem com novos matizes, e nos fez a todos mais felizes. Se hoje somos o que somos, se temos o que temos, a sós não o fizemos, pois somos a grande herança de nossos pais e avós!" (Fone: (54) 3477-1612)
Sim, Sílvio, depois de construir a América através da Educação, que é sua atual profissão, você nos deixa a todos uma grande lição! (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (406)
Ogniuno per lu solo e Dio per tuti
Eduardo Grigolo
Professor, Jundiaí – SP
– Se te resta rossa, ze parché mi te smìssio coi sentimenti. No stà ver paura, secondo i me genitori, mi non posso maridarme, mi non posso ndar in preson, mi non posso fare malegràssie... Mi son personaio de na stòria, scrita squasi un sècolo indrio, per Achiles Bernardi, un capucino. Lu el volea mantegner la fiama viva dei imigranti italiani che i vea assà so pàtria, l’Itàlia, e vegnuo al Brasil, con una man davanti e nantra dadrio. Ogniuno per lu solo e Dio per tuti.
– Nanetto, te digo na cosa, mi te voio tanto ben, ma solo come amico, na persona tanto cara che te sé per me. Sò anca mi che te sì inserca de catar la Gelina, la to morosa. Alora, ze par ela che te ghè bisogno de dir quele robe bele e sentimentale. Mi son ancora massa gióvana par pensar in catar moroso. Bisogna finir i me stùdii vanti.
– Va bene! Gere drio coionar co la me salvatora. Me fa ben divertirme co le persone che me serca. E come te sè na ragassa piena de vita e de spìrito legro, ze granda la voia de schersar co ti.
– Alora, mi te perdono, sètu! Ma su co le rece, senò te dao, anca mi, due o tre spunciade co la chiave e te sbuso i oci, capìssitu?
– Capisso tuto. Ma no bisogna esser tan dramática. Mi maipì te faria qualche mal. Ti te sè la persona che me ga salvà de na tómbola mirabolante. Podaria esser morto in questo momento. Alora, te ringrassiarò sempre, per tuta la me vita.
– No bisogna! No bisogna! Mi te go fato quel laoro, sensa spetar riconossimento. La me personalità no me dà permesso par voler ringrassiamento de tute le me òpere. Come dise la prèdica e mi son d’acordo: "Che no sàpia la man sinistra, quel che fa la destra". Vero?
– Te me par na mónega! Se te fusse omo, diria che te gera prete!
– Manco, Nanetto! Son na persona normal, sensa "mónega" e manco ancora "prete", in meso.
– Dime na cosa. Te sè tanto gióvana par pensar così. Ndove ghetu imparà?
– Son ancora gióvana, ma go caminà on poc in questa vita. Go imparà coi me genitori a rispetar i altri, a no far malegràssie a qualche persona, sia vècia o gióvana, póvera o rica, alta o bassa, magra o grassa, etessètera, etessètera ... E fin qua son drio a far così e più importante, son contenta de esser come son.
– Brava! Brava! E io son molto contento de esser tuo amico e de averte cognossuo. Ma dime nantra cosa. No te sì mia massa severa con ti stessa?
– Dele volte, si. Me go costumà far tuto, secondo ricomanda la rason, vanti far come saria fando el Cuore Capitano dela Nave, che ze la nostra vita. E de questa maniera son contenta, no go intension de cambiar.
– Brava! Brava! Nantra volta. Son veramente impressionà co la to maniera de infaciar la vita. Te sè na fémena diversa de tute le altre. In vita mia, go imparà a domar bèstie selvàdeghe, ma no vea visto gnancora na roba così. Nò che te sia na bèstia e manco ancora che te podarissi esser selvàdega, ma, te sè na tosa straordinària e molto speciale. Te podaria esser presidente del Brasil, se te volesse. Le fémene de na maniera general, le patisse del mal de voler esser come i òmeni. Sensa ciapar le diferense anatómiche, i òmeni i ga dindolin e le done le ga ciciarola, ghenà nantra granda diferensa tra lori: la so personalità. Intanto che par el omo basta portar la fémena al leto e farghe "fichefoche", par ela, quel mistier signìfica na assion più sublime: esser mama. Questa ze una, ghinè altretante.
– Adesso, mi te digo: Te me par un prete.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Ninna nanna ninna nanna
Adeodato Piazza Nicolai
Padova, Italia
Vuoi che sia felice del mio piccolo paese
che dorme da più di quarant’anni
senza ancora risvegliarsi? Ebbene, lo sarò.
Mentre il mondo corre e cambia, Vigo russa
come un bimbo a pancia piena, ignorante
del casino quotidiano. Se ne frega della Cina
come pure della lotta tra la destra e la sinistra,
tanto i soldi non arrivano in Cadore.
Chi ha bisogno del turismo quando tutti
se ne vanno a lavorare oltreconfine?
Non parliamo degli appena laureati
che abbandonano i paesi di montagna
come rondini a Sorrento, per non essere
travolti dal locale malcontento.
Ma noi bravi oltrepiavesi siamo duri,
sani e sordi. Non temiamo le bufere,
la pellagra, il malumore. Basta
un piatto di minestra, la polenta
appena calda, un pezzetto di formaggio,
un maiale da far fuori e qualche bar
che ci propone una palanca e quattro
sedie per la briscola o la scopa.
Finita la partita andiamo a nanna
se riusciamo ad evitare i grandi buchi
che traforano le strade del paese.
Basta fare un passo falso per svegliarsi
nel presente poi trovarsi a tasche vuote.
Meglio stare ad occhi chiusi per i prossimi
cent’anni: aprendoli saremo inorriditi.
Per non sentirmi un alieno
Ieri ho parlato con il saggio di Soligo
e siamo rimasti daccordo che la saggezza
sul nostro pianeta rimane un mito-poesia.
Abbiamo cercato di sviscerare con nostalgia
con nevralgia la malattia che non si risana
che non ci guarisce ma che marcisce
senza se e senza ma. Ci fosse qui Lazzaro
ad insegnarci la resurrezione in questa invasione
d’infetti infedeli lemmings maiali che vanno
a braccetto verso chissà che bufera, quale tramonto.
Spontaneamente mi sono fermato a Treponti
per comperare tre etti di Piave (formaggio).
Quel fiume sacro al paese almeno una volta
ora rispecchia nella sua secca la cronistoria:
dighe al contrario di bighe sono prigioni che
non ammettono né soluzioni né trasmigrazioni.
Ho telefonato a Soligo per non sentirmi del tutto
isolato e forse ho capito che tutti tessiamo le palafitte
sopra il torrente come una volta facevano i Catubrini
su questi anfratti che schiacciano i nostri coglioni.
Purtroppo la piena morde, ci allaga, cancella
ogni traccia della minaccia: la miccia umana...
Novo presidente da Amesne quer regionalizar a entidade
Ação será centralizada em Bento Gonçalves
Caracterizar a Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) como uma entidade regional, com sede em Bento Gonçalves, é meta do novo presidente da Amesne e prefeito de Camargo, Juarez Lodi. "Vamos centralizar as ações da Amesne na Serra e não mais em Porto Alegre, junto à Famurs", diz.
Outras prioridades são a valorização dos prefeitos, a troca de experiências e a gestão municipal. Já o maior desafio é a relação com o governo do Estado. "Buscamos os recursos prometidos para a saúde e educação e os garantidos na consulta popular", destaca Lodi ao CR.
O prefeito Juarez Lodi assumiu em 30 de março para o mandato de um ano. A nova diretoria tem como vice-presidente o prefeito de Vila Flores, Gessi Brandalise; 2º vice, Demetrio Lazzareti, de São Marcos; secretário, Cleci Ângelo Endrigo, de Vila Maria; 2º secretário, Adenir Dallé, de Monte Belo do Sul; tesoureiro, Valcir Reginatto, de Serafina Corrêa.
O conselho fiscal é formado pelos prefeitos Bolívar Pasqual, de Farroupilha; Marcos Scopel, de Antônio Prado; Eriberto Didó, de David Canabarro. Os suplentes são os prefeitos Ivo Sonda, de Nova Pádua; Alcindo Gabrieli, de Bento Gonçalves; e Luizinho Zardo, de Fagundes Varela.
A Amesne integra 42 municípios. "É a maior associação entre as 25 do Estado e, talvez, a mais importante", conclui.