DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.035 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 18 de abril de 2007.
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Um profundo desrespeito com a história de pessoas
Cemitério público de Caxias do Sul precisa de atenção urgente
Os problemas no Cemitério Público Municipal de Caxias do Sul são antigos. Mas foram agravados nos últimos meses, alegadamente em decorrência do roubo do zinco que cobria blocos de carneiras. À insegurança e à falta de infra-estrutura somou-se o mau cheiro, que torna desconfortável encomendações e outras celebrações e impede a freqüência normal de visitantes a algumas áreas - principalmente onde estão sepultadas as pessoas mais pobres.
O Cemitério Público presta um serviço importantíssimo, em especial aos menos favorecidos economicamente, que encontram nele a única opção para um enterro. Sem impor taxas de manutenção e ampliação e cobrando apenas quantias irrisórias por gavetas, atende às camadas mais necessitadas, que hoje predominam com larga margem na pirâmide sócio-econômica da cidade.
Porém, isso não dá à Prefeitura, responsável pela administração do cemitério, o direito de ignorar exigências mínimas inclusive de saúde pública. Quando pessoas ouvidas pelo Correio Riograndense classificam de insuportável a situação no denominado "fundão", é porque realmente está impossível permanecer no local por muito tempo.
Uma seqüência marcada pela desatenção, obras mal executadas e por remendos que nunca chegaram sequer ao patamar do paliativo afastou ainda mais a possibilidade de soluções. E elas não são complicadas, embora algumas precisem de investimentos.
Será que um município com a pujança econômica e o destaque internacional que Caxias conquistou não tem condições de adquirir uma empilhadeira para elevar os caixões a quatro ou cinco metros de altura? Será que é impossível acabar com o cenário macabro e indigno formado por milhares de ossadas amontoadas e sem identificação?
Enquanto essas perguntas aguardam respostas, cada sepultamento nas carneiras mais altas é um desafio cercado de riscos de acidente; e a cada período mais sacos plásticos com ossadas são jogados num buraco escuro - e não há nenhum exagero quando se compara esse ossário a um lixão humano. É flagrante o desrespeito com a história e a vida de pessoas - a grande parte dos 140 mil mortos que o cemitério abriga, a parentes e amigos que não conseguem render-lhes homenagens no local e aos que são obrigados, por dever de ofício, a se expor ao odor e a um quadro degradante.
Cidade quer ser capital da cultura
Título dá visibilidade e aumenta possibilidade de captar recursos
Caxias do Sul quer ser a Capital Brasileira da Cultura em 2008. O concurso é uma iniciativa da ONG Capital Brasileira da Cultura e conta com a parceria institucional dos ministérios da Cultura e do Turismo e apoio da Unesco. Qualquer cidade brasileira pode participar da escolha.
O prazo de inscrição para o concurso encerra no dia 31 de maio. Até lá, Caxias busca o apoio da população. "O número de adesões é um dos principais critérios para se definir o título", explica o secretário municipal da Cultura, Antônio Feldmann. Quem deseja engajar-se ao projeto pode assinar o termo de adesão disponível na Prefeitura, Casa da Cultura, Biblioteca Municipal, Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho, quiosque do turismo na praça Dante Alighieri e no site www.caxias.rs.gov.br.
Segundo Feldmann, as vantagens de participar da disputa já começam a partir da inscrição. "Temos que apresentar uma espécie de radiografia do circuito cultural caxiense. Assim, já tomamos conhecimento de tudo o que é realizado na cidade em termos culturais", esclarece. "Se conquistarmos o título, teremos um ano de atividades culturais envolvendo todos os segmentos da sociedade, ganharemos visibilidade nacional e maior possibilidade de captação de recursos e atração de investimentos", completa o secretário.
Feldmann informa que Olinda, a primeira cidade a conquistar o título, em 2006, recebeu R$ 600 milhões por meio de convênios entre a prefeitura e instituições estaduais, federais e iniciativa privada. Este ano, a Capital Brasileira da Cultura é São João del-Rei. A escolha é feita por um júri formado pelos ministérios da Cultura e do Turismo, Unesco, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Organização Capital Brasileira da Cultura (OCBC) e personalidades do meio cultural.
Atrações marcam 130 anos de Ana Rech
Caxias do Sul comemora este mês os 130 anos de Ana Rech, um dos mais importantes bairros do município. A programação está a cargo da Associação Amigos de Ana Rech (Samar), com o apoio da Prefeitura, por meio da Subprefeitura de Ana Rech. As atrações especiais começam na noite desta quinta 19 com apresentação de danças do Grupo Fare Amicci de Santa Bárbara e de CTGs da localidade.
O ponto alto do aniversário da também conhecida como Vila dos Presépios ocorre nos dias 20 e 21, quando o público poderá conferir palestras, conferências e apresentações artísticas na 2ª Jornada do Tropeirismo Regional. Este evento estava inicialmente previsto para 2008, mas foi antecipado em função do aniversário. "O tropeirismo confunde-se com a história de Ana Rech, antigo Travessão Leopoldina, hoje bairro de Caxias do Sul. O local servia de passagem para os tropeiros que comercializavam produtos dos Campos de Cima da Serra com os imigrantes italianos", conta Afrânio Basso, presidente da Samar.
O domingo 22 terá Missa de Ação de Graças e culmina com o Corso Alegórico "Quem Somos Nós". Uma tropeada de ovelhas, mulas, gado e cavalos encerra a programação oficial do evento neste dia.
Jornalista da São Francisco ganha prêmio
O jornalista Tales Giovani Armiliato, da Rádio São Francisco SAT e Rede Sul de Rádio, foi o primeiro colocado no Prêmio Senai de Reportagem 2006, na categoria radiojornalismo. O jornalista concorreu com a série de reportagens "Qualificar - O Programa que está ajudando jovens gaúchos a enfrentar o mercado de trabalho". Dividida em três partes e divulgada pela São Francisco em setembro do ano passado, a série falou sobre o surgimento do programa voltado à responsabilidade social e dirigido a jovens carentes. A iniciativa em Caxias do Sul é das Empresas Randon em parceria com as Unidades do Senai no município. Os vencedores do Prêmio Senai de Reportagem 2006 foram conhecidos dia 28/03 em solenidade realizada em Brasília que reuniu cerca de 500 convidados.
Em 2005, Tales Armiliato foi o primeiro jornalista do interior gaúcho a estar entre os vencedores do Prêmio - ficou em segundo lugar. Natural de Campestre da Serra, Tales, 28 anos, cursou Jornalismo na UCS e atua na São Francisco SAT desde março de 1998.
Abertas inscrições para o Horti Serra
Abriram na segunda 16 as inscrições para o 1º Horti Serra Gaúcha, promoção da Prefeitura municipal, por meio da secretaria da Agricultura, e Comissão da Festa da Uva que ocorre de 23 a 27 de maio, no pavilhão 2 da Festa da Uva, das 14 às 22 horas. Para se inscrever, o interessado deverá preencher a ficha presente no folder do evento e apresentar, na entrada, o comprovante de pagamento (R$ 10,00) que dará direito ao crachá, que servirá de ingresso para os demais dias. O folder pode ser encontrado na Secretaria da Agricultura, sindicatos rurais, na Festa da Uva e nas outras 21 entidades apoiadoras
Cada inscrição dá direito à participação em três palestras por tarde de evento, que devem ser destacadas no próprio cupom. As inscrições devem ser feitas com antecedência para garantir vaga. O Horti Serra Gaúcha oferecerá 41 palestras, terá dois dias abertos ao público geral com o Shopping Rural e uma etapa classificatória do torneio de ginetes Freio de Ouro.
Papa no Brasil valoriza caminhada da Igreja
Bento XVI abre conferência dos bispos da AL e canoniza o 1º santo nascido no Brasil
O povo brasileiro aguarda com grande expectativa a visita do Papa Bento XVI. Durante cinco dias, de 9 a 13 de maio, o Santo Padre estará em São Paulo e em Aparecida, numa visita que é um marco para a Igreja no Brasil. Em São Paulo, Bento XVI vai canonizar o primeiro santo genuinamente brasileiro, o bem-aventurado Frei Galvão e, em Aparecida, vai abrir oficialmente a V Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe.
O Vaticano divulgou, na semana passada, a programação oficial da visita do Papa ao Brasil Bento XVI chega ao Brasil às 16h30 do dia 9 de maio (no aeroporto de Guarulhos) e em seguida, de helicóptero, vai até o Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, de onde segue, em papamóvel panorâmico (aberto) até o Mosteiro de São Bento. Às 18h45 está prevista uma saudação e bênção à população, da sacada do mosteiro.
No dia seguinte o Papa cumpre extensa agenda, que inclui a visita de cortesia do presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, almoço com a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e encontro com os jovens no Estádio do Pacaembu. No dia 11, Bento XVI preside a cerimônia de canonização de Frei Galvão, em celebração que deverá reunir mais de um milhão de pessoas. No final da tarde, o Pontífice viaja a Aparecida, a 167 quilômetros da capital paulista. No santuário nacional o Pontífice abre oficialmente a V Conferência do Bispos da América Latina e às 20h15 do dia 13 volta a Roma, com chegada prevista às 12h45 do dia 14.
Em Aparecida, depois da partida do Papa, os trabalhos prosseguirão até o dia 31 de maio. A Conferência será um momento histórico para o continente e a presença de Bento XVI no início dos trabalhos deixa clara a relevância do evento para a Igreja Católica. Participam mais de 200 bispos das 22 conferências episcopais do continente e representantes dos conselhos episcopais da Europa, Ásia e África, além de religiosos, leigos, teólogos, padres e diáconos.
Bento XVI vem confirmar irmãos na fé
O arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, salienta que o Papa Bento XVI irá encontrar muitos desafios em sua vinda ao Brasil. Entre eles, o arcebispo destaca a crise das famílias, a violência diária sem discriminação em todas as grandes cidades da América Latina, a pobreza, a fé superficial e a falta de conhecimento da mesma e a proliferação das seitas.
Certamente, o Papa tem conhecimento de todos esses problemas e da importância que sua visita representa para um revigoramento da fé. "Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que, nele, nossos povos tenham vida. ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’ (Jo 14,6)". Esse é o tema da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe escolhido pelo próprio Papa Bento XVI.
Dom Odilo Scherer, nomeado recentemente arcebispo de São Paulo, para ocupar o cargo vago com a escolha de dom Cláudio Hummes como prefeito da Congregação para o Clero, afirma que a viagem do Papa tem como principal missão "confirmar os irmãos na fé" e encorajá-los a participarem da construção de uma sociedade mais justa, humana e fraterna, de acordo com a proposta cristã. "De Aparecida, Sua Santidade falará para toda a América e suas palavras indicarão os rumos para a Igreja e os católicos no exercício de suas responsabilidades em relação ao presente e ao futuro do continente", afirma dom Odilo.
Brasileiros não sabem nome do Pontífice
Apesar do destaque que a Igreja e a imprensa estão dando à visita do Papa, uma pesquisa Datafolha mostra que mais de 30% da população não sabe que Bento XVI vem ao Brasil em maio. Segundo a pesquisa, 69% responderam que sabem que o Pontífice vem ao país. Ainda conforme o Datafolha, 51% dos brasileiros não sabem o nome do atual Papa. A pesquisa ouviu 5.700 pessoas em 236 municípios de 25 Estados entre os dias 19 e 20 de março.
Questionados sobre o nome do Papa, 48% disseram Bento XVI e 1% mencionou "Ratzinger". Os demais disseram não saber ou responderam de maneira incorreta. O Sul, com 55% de respostas corretas, e o Sudeste, com 50%, são as regiões brasileiras onde mais pessoas acertaram o nome do Papa atual. Dos entrevistados, poucos sabem que Bento XVI visitará apenas São Paulo e acham que ele vai passar em mais Estados.
CD com hino oferece pôster de Bento XVI
Uma celebração com cerca de 15 mil pessoas marcou o lançamento do CD com o hino oficial da acolhida ao Papa Bento XVI, durante cerimônia realizada no santuário nacional de Nossa Senhora Aparecida, presidida por dom Raymundo Damasceno Assis. Entre os concelebrantes, frei Luiz Turra, capuchinho gaúcho e autor da letra e música do hino.
O CD contém duas versões do hino de acolhida ao Papa, uma gravada pela dupla Gian e Giovani e outra pelos organistas do santuário de Aparecida. Também participam do disco Elba Ramalho, Daniel, Joana e a Banda Anjos do Resgate, que cantam músicas a Nossa Senhora Aparecida. Faz parte do CD um pôster exclusivo do Papa. O CD, disponível nas lojas em todo o país ao preço de R$ 9,90, já vendeu mais de 100 mil cópias.
Plantas intoxicam 2.000 por ano
A cada 10 casos no país, seis são de crianças menores de nove anos
Nem todas as plantas são tão inofensivas e benéficas quanto parecem. Uma parte das ervas e flores comuns no solo brasileiro escondem venenos perigosos que, se ingeridos em demasia, podem até provocar a morte. As plantas de uso ornamental são as mais perigosas, pois atraem pela beleza e estão ao alcance fácil de qualquer pessoa, principalmente das crianças, que são as maiores vítimas de intoxicação, e dos animais domésticos.
"Os efeitos tóxicos das plantas variam com as diferentes espécies, sendo comum náuseas, vômitos, diarréia, desidratação e dores de cabeça", informa a especialista em fitoterapia Afaf Wermann, também coordenadora da unidade didática de plantas tóxicas, do Centro de Treinamento de Agricultores de Teutônia (Certa), da Emater.
Cerca de 60% dos casos de intoxicação por plantas tóxicas no Brasil ocorrem com crianças menores de nove anos - 80% destes casos são acidentais. Os dados são do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox). De acordo com o Sinitox, são registrados, em média, cerca de 2.000 casos de intoxicação humana por plantas no país.
No Rio Grande do Sul, segundo dados do Centro de Informação Toxicológica, 60% dos casos de intoxicação são sofridos por crianças de 2 a 9 anos. "As crianças são as mais afetadas porque não sabem diferenciá-las", ressalta a bióloga Maria Gorete Rossoni. "A maioria dos arbustos venenosos é usada em decoração, ou seja, é ornamental, sendo freqüente em casas e jardins, no interior e na cidade, o que aumenta o perigo de intoxicação", afirma.
Para identificar as plantas tóxicas, conhecer os princípios ativos que concentram e saber como evitar os riscos que oferecem, o Certa oferece treinamento a técnicos e interessados. Informações (51) 3762 6025.
"Grito" para valorizar a produção
Agricultores familiares querem mais verbas para a próxima safra e fortalecer a renda
Nos próximos cinco meses, a agricultura familiar estará em evidência no Brasil. As mobilizações pelo Grito da Terra, reforma na Previdência Social (leia abaixo) e plano-safra 2007/2008 estão ocorrendo em todo o país. Na última quinta-feira 12, o presidente Lula recebeu do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, a pauta de reivindicações do Grito da Terra de 2007.
Entre as principais reivindicações, estão a destinação de R$ 12 bilhões para a próxima safra, R$ 2 bilhões acima da safra 2006, e uma política de fortalecimento da renda da família rural por meio da valorização dos produtos. Outro pedido foi a ampliação de R$ 90 milhões para assistência técnica e extensão, aumento de R$ 20 mil para R$ 40 mil no limite para a concessão de financiamentos e a redução de 50% dos juros para os financiamentos do Pronaf dos grupos B, C, D e E.
"Defendemos uma política de fortalecimento da renda da agricultura familiar para que possamos sair do processo de discutir empréstimo e depois negociar as dívidas", afirma o presidente da Contag. Alguns dos pontos apresentados na pauta já estão em discussão nos ministérios. "É o caso da revisão dos índices de produtividade, que se encontra no Ministério do Desenvolvimento Agrário, adianta o presidente da Fetag/RS, Elton Webber.
Brasília - As manifestações do 12º Grito da Terra estão marcadas para ocorrer de 20 a 25 de maio, na capital federal. As pautas de cada área serão entregues, a partir desta semana, nos ministérios específicos. Depois, será marcado um período para as negociações, que deve ocorrer de 14 a 18 de maio.
O Grito da Terra Brasil é coordenado pela Contag e representa 25 milhões de agricultores familiares no país. O objetivo do movimento é reivindicar soluções para problemas emergenciais e estruturais no meio rural, desde a reforma agrária até políticas sociais para as famílias agrícolas.
Previdência Social mobiliza o país
Previdência Social pública e solidária e a garantia de direitos e melhorias do atendimento dos trabalhadores rurais nas agências do INSS irão mobilizar, no próximo dia 23, agricultores familiares, trabalhadores rurais e assentados em todo o país. De acordo com o presidente da Fetag/RS, Elton Webber, no Estado serão realizadas manifestações em vários municípios, entre eles Caxias do Sul.
O motivo é o não-atendimento imediato do trabalhador rural quando do encaminhamento de seu benefício, pois apenas é agendada uma data posterior. "No caso de aposentadoria, por exemplo, aquele que completa aniversário no dia em que vai à agência, é agendado para voltar oito meses depois para então encaminhar o benefício", diz.
Isso significa que vai receber o benefício após a conclusão do processo. A nova sistemática do INSS de agendamentos foi adotada há cerca de seis meses e tem por objetivo evitar filas.
Engº. Agrº. José Zugno
A influência da lua nos seres vivos
Gostaria de saber se a lua tem influência nas plantas e nos seres vivos. Antigamente se acreditava mais nisto, hoje, pouco ou nada.
Armindo Grillo
Pranchita - PR
A lua é o astro mais próximo da Terra. Desde os tempos antigos o ser humano é fascinado pelos astros. Desse fascínio nasceram a astronomia e a astrologia.
Astronomia é verdadeira ciência, aplica os princípios científicos para estudar a composição e os movimentos dos corpos celestes.
Astrologia não é ciência: é, antes, magia. Aproveita-se da credulidade do ser humano para dizer da influência que os astros exercem no comportamento sobre ele. Divide o universo em 12 signos, um para cada mês do ano. A astrologia se expressa por meio de horóscopo. Horóscopo é a previsão que ocorre na vida de uma pessoa por influência de certos astros na hora do nascimento da pessoa. Muitos levam o horóscopo como brincadeira ou por diversão, mas outros o levam muito a sério. Certas pessoas só compram jornal ou revista apenas pelo horóscopo do dia, e os diretores desses órgãos da imprensa sabem disso. Conheci uma professora que não saía de casa sem antes consultar o horóscopo e vivia de acordo com os dizeres do mesmo. Às vezes os horóscopos são elaborados pela esperteza e habilidade de redatores.
O que é cientificamente comprovado em relação aos astros celestes é a lei de atração das massas: o fato que um corpo celeste exerce força de atração em relação a outro astro. É o fenômeno da força da gravidade existente em todos os astros. A lua, girando em torno da terra, exerce e sofre esta atração provocando o fenômeno das marés (elevação e diminuição da altura do mar). A lua também reflete sobre a terra a luz solar fazendo com que as noites sejam menos escuras. Isto influi nos hábitos de alguns animais de vida noturna. A luminosidade da lua não interrompe totalmente o processo fotossintético das plantas. Isto a ciência confirma.
Alguns agricultores e criadores acreditam na influência da lua nas plantações e criações. Têm lua preferida para o plantio de hortaliças, podas, cortes de árvores, castração de animais e até nascimento de crias, o que a ciência ainda não confirma. Existem divergências entre eles. Quando iniciei minha atividade junto aos agricultores verifiquei em Santa Lúcia do Piaí que alguns costumavam plantar o broto da batata, faziam o plantio superficial e diziam que na lua crescente as plantas desenvolviam-se mais rapidamente. Na mesma época, em Criúva, outros agricultores, ao contrário, enterravam as sementes e preferiam a lua nova porque diziam que a brotação vinha mais rápido.
Fiz plantações experimentais nas propriedades deles, plantando nas luas preferidas, mas também noutros períodos de luas. Em ambas as localidades a produção foi abundante porque as experiências foram tecnicamente bem conduzidas. Mesmo assim tomei a discrição de respeitar suas crenças, mas nunca deixei de recomendar o uso da melhor semente, adubação adequada, rotação de culturas, curva de nível etc. Igualmente em relação às criações, procurava orientar e fazer recomendações técnicas sobre a criação e manejo dos animais domésticos. Dizia: "podem acreditar na lua preferida, mas sigam as técnicas de plantio e criação corretamente".
Conclusão - Diria que é preferível deixar de lado essas preferências pelas fases da lua na hora de plantar ou lidar com os animais. Deixem este maravilhoso astro à inspiração dos poetas, ao enlevo dos namorados e à contemplação da beleza deslumbrante que a lua cheia realiza nas paisagens, sobretudo, quando incide nos espelhos d’água, lagos, rios ou mar.
Gripe atinge 18 milhões de brasileiros por ano
Atualmente, vacina é o método mais eficaz de combate ao vírus
A Campanha Nacional de Vacinação de Idosos Contra a Gripe inicia no próximo dia 23 e segue até 4 de maio. A coordenadora do Programa Estadual de Imunizações da Saúde, a médica Maria Tereza Schermann, explica que a vacinação é uma preparação para o período de baixas temperaturas, que acabam favorecendo a contaminação pelo vírus Influenza, causador da gripe, e o surgimento de doenças conseqüentes, como infecções respiratórias e pneumonias. "Estudos mostram uma associação entre a vacinação de idosos e a redução das hospitalizações por doenças cardíacas, cerebrovasculares e pneumonias", destaca Maria Tereza.
A vacina contra a gripe, atualmente, é o método mais eficaz no combate ao vírus Influenza. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, anualmente, cerca de 18 milhões de brasileiros são infectados. Desse total, 22 mil morrem em conseqüência de doenças que se manifestam após uma gripe mal curada.
A gripe é considerada um problema de saúde pública. O clima típico de inverno, com temperaturas mais baixas e alta umidade do ar, é propício para a instauração da doença, que se não tratada corretamente pode acarretar em outras mais graves, como pneumonia, rinosinusites, infecções no ouvido (otites), inflamação nos brônquios (bronquite) e na laringe (laringite).
"A vacina não imuniza 100%, mas diminui as chances de contrair o vírus e/ou faz com que o quadro infeccioso seja mais brando e de menor duração. Como nos idosos as complicações das infecções virais respiratórias tendem a ser mais freqüentes e graves, a prevenção é importante", afirma o médico Richard Voegels, presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.
Ele faz um alerta sobre a importância de tomar a vacina antes do inverno, já que a imunidade ocorre dias após a aplicação. "A vacinação deve acontecer entre os meses de março e abril, assim o corpo estará imune no período em que o vírus mais atinge a população, entre o fim do outono e início do inverno", explica.
O objetivo do Ministério da Saúde com a campanha é vacinar pessoas com risco elevado de desenvolver as complicações da gripe. Além dos idosos a partir dos 60 anos e dos residentes em casas de repouso, a vacinação é gratuita para pessoas com doenças crônicas, insuficiência renal, anemia falciforme, imunossupressão e portadores de HIV. A vacina pode ser feita nos postos de saúde pública.
Alguns médicos defendem a imunização de crianças
As crianças sofrem mais com o vírus da gripe, já que o organismo infantil tem dificuldade maior em combatê-lo. Por esse motivo, alguns médicos defendem a vacinação de crianças. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a vacina contra gripe para crianças de seis meses a dois anos de idade.
"Enquanto nos adultos o quadro infeccioso dura de cinco a sete dias, nas crianças tende a ser mais prolongado, cerca de dez dias, e de maior intensidade. Por esse motivo, a criança é o maior transmissor da gripe", afirma a médica Isabela Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia.
Experiência feita no Japão, com a vacinação de crianças em idade escolar, reduziu, conseqüentemente, a incidência da gripe em idosos. Segundo Isabela, no idoso a vacina apresenta menor eficácia, pois a resposta de defesa do organismo é mais reduzida. Mesmo vacinados, estudos indicam que de 20% a 30% dos idosos não ficam protegidos contra a gripe. "Por isso, vacinar crianças é proteger também os idosos", complementa a médica.
Leonardo Boff
Como todo profeta, Gentileza denuncia e anuncia... Convida a todos a serem gentis e agradecidos. Anuncia um antídoto à brutalidade de nosso sistema de relações. É precursor de um novo paradigma civilizatório urgente em toda a humanidade
No dia 17 de dezembro de 1961 ocorreu um fenomenal incêndio do Circo Norte-americano em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, vitimando cerca de 500 pessoas. Tal fato, como nos tempos bíblicos, serviu de estopim para o surgimento de um profeta, o Profeta Gentileza, que no dia 11 de abril celebraria, se vivo fosse, 90 anos. José Datrino era seu nome, caminhoneiro do bairro Guadalupe no Rio de Janeiro. Seis dias após, véspera do Natal, por volta da 13 horas, enquanto descarregava um caminhão, confessou ter ouvido por três vezes uma mensagem divina: deveria abandonar os três caminhões, casa, terrenos e família e ir logo para ao local do incêndio "para ser o consolador de todos os que perderam seus entes queridos". Tomou um dos caminhões, carregou-o com duas pipas de vinho de cem litros e foi a Nitéroi para cumprir sua missão. Distribuiu vinho em copinhos de plástico sob uma condição: que todos pedissem "por gentileza" e não "por favor" e que dissessem "agradecido" em vez de "muito obrigado". Aqui está a essência de sua mensagem - "gentileza" e "agradecido".
Passou a vestir-se com uma bata branca cheia de apliques, com um bastão, um longo estandarte com suas mensagens, encimado por flores para lembrar o jardim do Eden e cataventos para arejar as mentes, como dizia. Instalou-se no local do incêndio, aplainou-o, transformando-o num jardim florido. Dormia no caminhão. Por quatro anos consolou a todos que iam ao local chorar por seus mortos dizendo-lhes: "o corpo está morto, mas o espírito deles está em Deus".
Depois de quatro anos, percorreu o Nordeste e o Norte, pregando "Gentileza" e "Agradecido". Por fim fixou-se no Rio, percorrendo a cidade com seu evangelho da gentileza, como um Dom Quixote bizarro, mas que conquistou a simpatia de todos, cantado por músicos e artistas, até morrer, em 1996, em Mirandópolis, São Paulo. Foram 35 anos de coerente missão profética. Esta figura nos sugere algumas reflexões.
O Profeta Gentileza nos confirma o fato religioso que não se inscreve no âmbito da razão analítica, mas da inteligência emocional onde ocorre "o sentimento oceânico", como dizia o romancista Romain Roland, se contrapondo a Freud. No Profeta Gentileza aparece uma mística trinitária, rara na história cristã, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele sempre acrescenta um quarto elemento feminino, a natureza ou Maria. C.G. Jung mostrou que o 3 e o 4 não devem ser vistos como números mas como arquétipos: o 3 de uma totalidade para dentro e o 4 de uma totalidade para fora. Eles dizem a Trindade cristã em si (o 3) e o Reino da Trindade que incluiu a criação (o 4).
Como todo profeta, Gentileza denuncia e anuncia. Denuncia este mundo, regido "pelo capeta capital que vende tudo e destrói tudo". Vê no circo destruído uma metáfora do ‘circomundo’, que também será destruído. Mas anuncia a "gentileza que é o remédio para todos os males". Deus é "Gentileza porque é Beleza, Perfeição, Bondade, Riqueza, a Natureza, nosso Pai Criador". Um refrão sempre volta, especialmente nas 56 pilastras com inscrições na entrada da rodoviária Novo Rio, no Caju: "Gentileza gera gentileza, amor". Convida a todos a serem gentis e agradecidos. Na verdade, anuncia um antídoto à brutalidade de nosso sistema de relações. É precursor, sob a linguagem popular e religiosa, de um novo paradigma civilizatório urgente em toda a humanidade.
O movimento Rio com Gentileza, articulado pelo prof. Guelman, visa a gestar gentileza na cidade marcada pela violência. É o que precisamos para com a natureza e para com a humanidade se quisermos que ainda tenhamos futuro.
Frei Betto
Não basta exigir ética dos políticos. É preciso criar instituições capazes de coibir os corruptos. Qualquer debate sobre ética na política que ignore a urgência de uma reforma que imprima ética à política é chover no molhado
Retornei, em fevereiro, à Universidade de Granada, onde estive em novembro de 2006. Fundada há 500 anos, hoje ela abriga 60 mil estudantes. "Ética e sociedade civil" foi o tema do novo seminário. Entre os conferencistas destacam-se Boaventura de Sousa Santos, Marciano Vidal e Juan José Tamayo.
Visitei a casa de Federico García Lorca. Formado em Direito por aquela universidade, amigo de Buñuel e Dali, em 1929 ele visita os EUA, Cuba e Argentina. Ao retornar a seu país, funda um grupo de teatro e não esconde seu homossexualismo e suas idéias socialistas. Em agosto de 1936, com o início da Guerra Civil que levaria à ditadura do general Franco, apoiada pela Igreja Católica, Lorca refugia-se em Andaluzia, sua terra. Um deputado franquista ordena a prisão do jovem poeta sob o argumento de que "ele seria mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver." Assassinado com um tiro na nuca, o corpo é jogado em algum ponto da Serra Nevada, próxima a Granada. Lorca deixou-nos, aos 38 anos, uma obra de altíssima qualidade em poesia, prosa e teatro.
Último baluarte da ocupação moura da Espanha, Granada reintegrou-se à cristandade no mesmo ano em que Colombo chegou à América. Evitou-se, durante uma década, a repressão aos vencidos, e o Palácio de Alhambra, preciosidade arquitetônica habitada pelos reis muçulmanos, foi poupado, embora as mesquitas edificadas sobre antigos templos católicos tenham servido de alicerce à construção de novas igrejas, cujos campanários substituíram os minaretes... Granada, eternizada pela bela canção de Agustín Lara, é o nome espanhol de romã - que simboliza a cidade. O nome do explosivo deriva desta fruta repleta de sementes.
Encontrei uma Espanha tensa frente às ameaças de terrorismo, às freqüentes greves de trabalhadores de setores essenciais, como transporte, e às hordas migratórias oriundas da África, atraídas pela economia mais robusta da União Européia. Morta a primeira soldado espanhola no Afeganistão, nos últimos dias de fevereiro, a Espanha se sente incomodada com as pressões da Casa Branca para colaborar com tropas de ocupação em países estrangeiros. Jovens militares engrossam a estatística de mortos e feridos por se meterem numa guerra que não é deles. É bem verdade que Zapatero já retirou do Iraque as tropas espanholas, marcando sua posição contrária à beligerância de Bush.
As relações entre o governo e a hierarquia católica estão a ponto de ebulição. Temas como casamento de homossexuais (aprovado em plebiscito) e células-tronco causam tanta irritação aos bispos quanto a introdução, no currículo escolar, da disciplina Educação Cidadã, opção aos alunos que se recusam a assistir às aulas de religião.
Zapatero teme que seu futuro próximo seja o presente de Prodi, primeiro-ministro da Itália, derrubado por pressão conjunta do Vaticano e de Washington. Os EUA querem ampliar suas bases militares em território italiano, cumprindo acordo firmado com Berlusconi, chefe do governo anterior. E a Santa Sé receia que Prodi repita Zapatero e convoque um plebiscito sobre casamento de homossexuais.
Coube-me, no seminário de Granada, o tema da ética e poder. Voltei às teses expostas em meu mais recente livro, "A mosca azul" (Rocco), frisando que a primavera democrática que desponta hoje na América Latina, após décadas de ditaduras militares, comprova que o povo se cansou das velhas oligarquias políticas e, agora, vota naqueles que lhe são à imagem e semelhança. Vota na esperança de que haja mudanças em nossa estrutura social pela via democrática e pacífica. Caso os novos governos decepcionem a expectativa popular, só Deus sabe o futuro que nos aguarda.
Frisei que não basta exigir ética dos políticos. É preciso criar instituições políticas e jurídicas capazes de inibir e coibir os corruptos. Portanto, qualquer debate sobre ética na política que ignore a urgência de uma reforma que imprima ética à política é chover no molhado. No andar de cima, o Brasil precisa de reforma política; no de baixo, da reforma agrária. Fora disso, o resto é palavrório eleitoreiro, pura engabelação para iludir os incautos.
B Pronaf discrimina agricultores e aumenta a desigualdade regional
Conclusão é do Ipea, instituto vinculado ao governo federal
Agricultores familiares de baixa renda são discriminados no acesso ao crédito rural por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A conclusão consta do 13º Boletim Políticas Sociais: Acompanhamento e Análise, divulgado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que é vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
"Um problema evidente e ainda mal equacionado é que, em última instância, a lógica bancária comanda a distribuição do crédito, isto é, são preferencialmente beneficiados os agricultores com menor risco bancário, que apresentam capacidade de pagamento, resultado da melhor performance econômica", afirma a publicação, que traz um balanço dos programas e ações na área social implementadas pelo governo federal de 1995 a 2005.
No capítulo sobre desenvolvimento rural, o estudo afirma que, em 2005, à exceção do Nordeste, nas demais regiões do país a porcentagem dos recursos contratados foi superior ao percentual de contratos para a concessão de crédito. Ou seja: na região Nordeste, o valor dos financiamentos representa 25% do total brasileiro, enquanto o percentual de contratos é de quase 42%, o maior do país. O estudo explica que esse desequilíbrio significa um menor valor médio por contrato na região Nordeste, "seguramente por conta da maior concentração na região do público do grupo B".
Esse grupo B abrange os agricultores familiares que têm renda bruta anual de até R$ 3 mil. O Nordeste, de acordo com a publicação, concentra 74% dos estabelecimentos familiares que estão nessa faixa.
"O Pronaf, ao invés de contribuir para a diminuição das desigualdades regionais e sociais, pode estar levando a um acirramento destas", alertam os pesquisadores do Ipea.
O coordenador-geral de Financiamento à Produção Rural da Secretaria de Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João Luiz Guadagnin, em entrevista à Agência Brasil, reconhece que a capacidade de os agricultores familiares do Nordeste tomarem crédito é menor que a dos agricultores do Sul.
Segundo ele, a diferença está ligada principalmente ao potencial produtivo de cada região. Guadagnin também destacou que no Brasil os financiamentos rurais são "muito vinculados" ao dinamismo econômico.
Mesmo assim, desde 2001, os montantes financiados pelo programa na região Nordeste vêm aumentando, ressalta o coordenador. Em 2001, 14,8% do valor financiado em todo o país foi para agricultores familiares de estados nordestinos. Em 2005, esse índice passou para 24,8%.
Segundo Guadagnin, atualmente, 75% dos agricultores familiares do Nordeste têm acesso ao crédito rural. No Sul esse índice é de 85%. Na avaliação do coordenador, um dos pontos que precisam ser melhorados é a assistência técnica aos agricultores familiares, especialmente nas regiões Nordeste e Norte.
CEMITÉRIO É CASO DE SAÚDE PÚBLICA
Mau cheiro, líquidos escorrendo pelas paredes e pelo chão e falta de infra-estrutura tornam insuportável a permanência em áreas do Cemitério Público de Caxias do Sul. Ossário é um desrespeito à história de pessoas
Se é verdade que o cemitério reflete a cidade que o criou, Caxias do Sul precisa corrigir rumos. O Cemitério Público Municipal, um dos maiores do Estado, revela uma sociedade desigual, alimentada por contrastes econômicos e sociais, precária infra-estrutura e flagrante falta de atenção para com os menos favorecidos.
Se for possível também avaliar a cultura de uma cidade a partir do cemitério, em Caxias há um profundo desrespeito à história de pessoas. Para agravar esse quadro, mau cheiro e líquidos escorrendo são fortes indicativos de que o cemitério público de Caxias é caso de saúde pública.
Por três dias no mês passado, em semanas e horários diferentes, a reportagem do Correio Riograndense esteve no Cemitério Público Municipal - em uma delas acompanhada por um funcionário da Prefeitura, responsável pela administração. Nas três vezes percorreu todos os locais, inclusive aqueles que a quase totalidade da população desconhece. Descobriu que os roubos diminuíram, mas, por outro lado, constatou mau cheiro ao se aproximar da área que concentra as carneiras, principalmente do denominado "fundão", que reúne 16 blocos destinados a receber mortos das classes sem recursos financeiros. Em um dos dias, quando a temperatura superava 30 º C, o odor era tão forte que provocava náuseas.
Associado ao mau cheiro, a intensa presença de mosquitos e uma imagem repugnante: pelas paredes de dezenas de blocos de carneiras (são 61 ao todo) que abrigam cerca de 8.000 mortos, escorre um líquido viscoso, de cor esverdeada, que se acumula formando poças no chão. De onde vem? Um raciocínio simples, corroborado por informação dada com naturalidade por trabalhadores no local, elimina qualquer possibilidade de enigma.
"Muitas vezes, fazer enterro nas gavetas (carneiras) é insuportável. Há um cheiro horrível, mosquitos... É questão de saúde pública", afirma padre Gilnei Fronza, descrevendo a sensação de total desconforto. Ele se refere aos corredores entre os blocos de carneiras, em alguns trechos semelhantes a labirintos, que nos dias quentes sufocam. "Considero perigoso para a saúde de quem freqüenta o cemitério. Pedimos um zelo maior, no mínimo higienização", reforça.
"Somos obrigados a fazer encomendação o mais rápido possível, quatro a cinco minutos, porque não dá para agüentar mais". A afirmação é do padre Ezequiel Dalposso, da paróquia Santa Fé, que chega a fazer cinco enterros numa semana. "Algo precisa ser feito logo", acrescenta.
Padre Álvaro Pinzetta, da paróquia São José, não reclama do mau cheiro e prefere não comentar sobre a higiene em geral. Ele considera o cemitério feio, embora sua localização seja prática e, mais do que isso, por estar em área próximo ao centro da cidade, "lembra o fim último da vida, do trabalho, da economia, de tudo", declara. "O cemitério público revela a morte em tudo, não a esconde como outros", salienta.
O problema vai além do desconforto. "Simplificaram demais o sepultamento. Colocam o caixão, fecham a tampa e pronto. Gostaria que houvesse mais respeito. Pelo menos que vedassem adequadamente a sepultura", prossegue padre Gilnei.
Etapas - Essa questão remete a outra, gerada pelo crescimento acelerado da cidade. No ano passado, o antropólogo goiano Jadir de Moraes Pessoa visitou alguns cemitérios de Caxias. Adepto da teoria de que o cemitério permite uma análise da sociedade, avaliou itens como a cultura da religiosidade, o progresso e a valorização da morte. Ao padre Gilnei ele relatou a existência de quatro fases distintas em Caxias. A primeira delas é a do sepultamento requintado, nas primeiras décadas do cemitério. A segunda é caracterizada pela banalização, ou desrespeito, conseqüência do aumento de sepultamentos e da necessidade de ‘acomodar os mortos’. A terceira inicia com o Cemitério Parque, empreendimento particular que associa a morte, ou "última morada", a um jardim, ao sossego, ao paraíso. A quarta é o crematório, que recentemente começou a funcionar.
A maior parte do cemitério público vive ainda hoje sob as peculiaridades da segunda fase. Isso pode ser explicado pelo número de enterros, cada vez maior - média chega a ultrapassar três por dia de junho a agosto. A analogia brota espontaneamente: se o município não consegue resolver os problemas de sua população ativa - moradia, transporte, saúde.... -, como solucionará os dos mortos?
Água penetra nas gavetas pelo teto
Diminuíram os roubos no cemitério municipal de Caxias do Sul. Mas eles deixaram feridas irrecuperáveis. Centenas de jazigos estão despidos de molduras, maçanetas, letreiros, enfim, de todo tipo de objeto que tenha valor de revenda. Perdeu-se um pouco das referências da cultura da cidade e de sua própria história.
Uma ação criminosa em setembro do ano passado é apontada como causa para o escorrimento de líquidos. O roubo da cobertura de zinco de blocos de carneiras permitiu a penetração da água entre as lages do teto que sequer haviam sido rejuntadas com reboco - ou outro material.
A água penetra na lage e escorre, transpassando as gavetas até ganhar o solo. Na quarta 21 de março, ao levantar uma dessa lages que estavam soltas no teto, apareceu um caixão completamente submerso em água. Geneides de Lima e Silva, responsável pelos serviços do cemitério, onde trabalha há 27 anos, aponta do chão para a cobertura de um bloco que foi impermeabilizada e diz que o mesmo vai ocorrer com os demais. Mas isso só começou a ser feito seis meses após o sumiço do zinco.
Em 98 anos, 140 mil sepultamentos
O primeiro sepultamento no Cemitério Público Municipal ocorreu em 30 de março de 1909 - antes o cemitério ficava na hoje esquina das ruas La Salle e Bento Gonçalves. Os primeiros dois lotes foram comprados por Francisco Balem e pelo então intendente Francisco de Paula Leite. O ato de cedência, pelo Estado, da área pertencente ao atual bairro Beltrão de Queiroz foi assinado em 5 de dezembro de 1911. Mas foi somente a partir de 1933 que os sepultamentos começaram a ser registrados.
O setor da Secretaria de Serviços Públicos e Urbanos responsável pelo cemitério calcula que 140 mil pessoas tenham sido enterradas lá. E que há ossadas pelo menos desde 1925. A área total, hoje próximo do centro da cidade, é de 42.196 m². Ela está cercada por muros com altura que varia de quatro a cinco metros e quase totalmente ocupada por 5.250 lotes (capelas e jazigos) e 61 blocos de carneiras, com 8.300 vagas. Há um terreno interno (quadra 9) desapropriado para a construção de mais um bloco com 1.600 carneiras, mas a reação de famílias vizinhas obstruiu a execução do projeto.
A Prefeitura investe mais de R$ 1 milhão por ano para manter o cemitério. Nesse total estão incluídos os salários de 17 funcionários e os gastos com segurança, feita pela guarda municipal - dois a três guardas durante o dia e um à noite. O cemitério público é a única alternativa para sepultamento de boa parte da população, por isso a procura tem crescido nos últimos anos.
Há mais 31 cemitérios com registros em Caxias, mas na Secretaria de Serviços Públicos e Urbanos a estimativa é de que esse número seja bem maior. Muitas comunidades, ou mesmo propriedades rurais, têm cemitérios particulares, alguns familiares.
Milhares de ossadas amontoadas
O Cemitério Público de Caxias do Sul possui dois ossários. Em um deles há centenas de pequenas caixas empilhadas, cada uma delas com a identificação do morto, em ambiente relativamente arejado. Este é o mais novo. Está organizado de tal forma que permite encontrar com facilidade ossadas, diante de eventual pedido de familiar. Seus registros estão no computador que serve à parte administrativa do cemitério, instalada num cubículo à esquerda da entrada que avança sob a principal escadaria.
O outro ossário expõe um cenário macabro e degradante. Um portão trancado com corrente reforçada impede o acesso, só liberado com autorização expressa. E há motivos para esconder essa área. O principal é o estado em que se encontram milhares de ossadas - ninguém sabe exatamente quantas são, mas todos ouvidos pelo CR concordam que ultrapassem três mil.
Duas pesadas tampas de concreto separam o mundo externo de uma espécie de porão. Ao removê-las, a visão é impactante: ossos humanos amontoados, dividindo espaço com pedaços de panos, sacos plásticos e teias de aranha, muitas teias de aranha.
Empilhadas, as ossadas não têm nenhuma identificação. Algumas delas estão lá, de acordo com funcionários da Prefeitura, provavelmente desde o início do século passado. Foram se acumulando pela necessidade de traslado, de carneiras ou túmulos cujos prazos venceram e familiares não demonstraram interesse em renová-los.
De acordo com funcionária da Secretaria de Serviços Públicos e Urbanos, responsável pela administração do Cemitério Público Municipal, há cerca de três anos foi solicitada autorização para incinerar as ossadas sem identificação, mas a Justiça negou.
Aluguel - A Prefeitura não cobra nenhuma taxa, mas fixa valores para carneiras - para jazigos não há mais lotes disponíveis. Eles vão de R$ 243,75 a R$ 284,37, dependendo da fila (ou andar), para gavetas perpétuas e de R$ 48,75 (4º andar) a R$ 16,25 (8º) para carneiras temporárias. Nesse último caso, após três anos é preciso haver renovação. Se após o envio de correspondência e da publicação de dois editais ninguém procurar a Prefeitura para novo contrato, em 30 dias a ossada é recolhida em encaminhada ao ossário - se a causa da morte for por doença infecto-contagiosa, a remoção não é feita antes de cinco anos.
Prefeitura admite problemas e anuncia providências para tentar solucioná-los
"Não tiro a razão dos que reclamam. Concordo que o caso é de saúde pública". A posição é de José Altamiro Paim, o Zecão, titular da Secretaria de Serviços Públicos e Urbanos, pasta da Prefeitura responsável pelo Cemitério Público Municipal. Foi externada logo após ser indagado sobre providências para acabar com o mau cheiro, o acúmulo de líquidos e a falta de infra-estrutura no local.
Paim atribui a origem do problema ao roubo da cobertura de zinco dos blocos de carneiras, ocorrido em setembro do ano passado (leia acima). "Existia antes", afirma, "mas foi agravado", reconhece. Ele diz que algumas medidas foram tomadas. "Em dois blocos já há o rejunte entre as lages. Além disso, vamos aplicar uma camada de asfalto, que a Codeca (Companhia de Desenvolvimento de Caxias) vai fornecer, para impermeabilizar melhor. Em 60 dias estará resolvido", assegura, ressalvando que a presença de mosquitos continuará.
O secretário municipal também informa que foi liberada verba para a compra de uma talha para substituir o andaime usado para erguer os caixões até os andares superiores de carneiras. Mas ressalta que o ideal seria a aquisição de uma empilhadeira. "Penso em comprar, porém não tenho nem idéia de preço", afirma.
Sobre o ossário, revela que o prefeito José Ivo Sartori está em tratativas com o crematório instalado na cidade para uma solução, mas não sabe quando ela poderá vir e nem se a Justiça autorizará desta vez. Por fim, lembra a instalação do queimador de velas, obra importante, e faz questão de destacar que o cemitério público de Caxias "é o único no país que não cobra sequer um centavo de taxa de manutenção ou ampliação".
UMA AFRONTA À GRANDEZA DE CAXIAS
Frei Aldo Colombo
Vigário da Imaculada Conceição
Na última semana de janeiro deste ano, um acidente vitimou uma senhora na BR 116. A família estava em Caxias do Sul há pouco tempo. Diante da tragédia, optou por adquirir uma gaveta no Cemitério Municipal. À dor da perda somou-se, no dia seguinte, o espanto diante das péssimas condições oferecidas pelo cemitério. Após uma noite insone, a família voltou à funerária e o corpo foi transladado para o Cemitério Parque.
O cemitério público municipal não corresponde à situação de Caxias do Sul, o segundo pólo econômico do Estado. Também não corresponde à cultura religiosa da população para quem uma sepultura decente é questão de honra. A zona do "fundão" do cemitério só pode ser definida como revoltante e deprimente. É o "bairro" dos miseráveis e excluídos. Até os que costumam roubar as sepulturas evitam esta área. O sentimento estético e o olfato são duramente atingidos. Além do inegável mau odor, um limo de origem suspeita desce das sepulturas para os úmidos e estreitos corredores. Um enxame de mosquitos encontra ali seu ambiente preferido. A colocação do féretro na gaveta - onde os familiares são convocados a participar - é algo grotesco, perigoso até, sobretudo quando esta se situa no sétimo ou oitavo andar.
Os organismos de saúde pública precisam tomar medidas urgentes. Por outro lado, os poderes públicos devem continuar a favorecer as camadas mais pobres da população, oferecendo gavetas baratas, mas dignas aos nossos mortos.
Bispos elegem presidência da CNBB
A 45ª Assembléia Geral será realizada de 1º a 9 de maio
Em maio, a Igreja Católica no Brasil vive alguns de seus momentos mais marcantes. De 9 a 13 de maio, contará com a presença do Papa Bento XVI, que virá ao país para presidir a abertura oficial da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe e para canonizar o primeiro santo nascido no Brasil, o bem-aventurado franciscano frei Galvão.
A V Conferência, que reunirá bispos e representantes das 22 conferências episcopais da América Latina, será realizada em Aparecida (SP), de 13 a 31 de maio. Mas antes de todos esses eventos, será realizada na Vila Kostka, em Itaici, Indaiatuba (SP), a 45ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), motivada pelo tema central "Rumo à Conferência de Aparecida". A assembléia, que seria realizada em abril, foi transferida para o período de 1º a 9 de maio, para juntar-se diretamente à visita do Papa e à Conferência do Celam.
Vários temas prioritários estão na pauta da 45ª Assembléia. Entre eles, avaliação e definição das Comissões Episcopais Pastorais para o próximo quadriênio; assuntos de liturgia; votação do documento sobre a evangelização da juventude; alteração no Estatuto Civil da CNBB, relativa à possibilidade de criação de entidades filiais, como as Edições CNBB.
Outro assunto importante que fará parte da 45ª Assembléia é a eleição para os cargos da presidência da CNBB - hoje exercida pelo cardeal arcebispo de Salvador (BA) Geraldo Majella Agnelo, presidente; por dom Antônio Celso de Queirós, bispo de Catanduva (SP), vice-presidente; e pelo secretário-geral, dom Odilo Pedro Scherer, nomeado recentemente arcebispo de São Paulo e que toma posse no dia 29 de abril - e presidentes das Comissões Episcopais Pastorais.
Legado - Também integra a programação um dia de retiro para os bispos, pregado por dom Luiz Soares Vieira, arcebispo de Manaus (AM). Durante o encontro, a assembléia emitirá declarações e notas sobre o momento político nacional, sobre o dia do trabalhador, sobre a Amazônia e nota de apreço a Francisco Whitaker, Prêmio Nobel Alternativo. Haverá ainda uma sessão especial sobre o legado de dois ex-presidentes da CNBB - dom Luciano Mendes de Almeida, falecido em agosto de 2006, e dom Ivo Lorscheiter, falecido em março de 2007.
Evento reúne todos os bispos do Brasil
Segundo o Estatuto Canônico da CNBB, a Assembléia Geral é realizada, ordinariamente, uma vez por ano e, extraordinariamente, quando sua convocação for requerida por algum motivo urgente. São convocados a participar todos os membros da CNBB. Também podem ser convidados os bispos eméritos e bispos que não são membros da CNBB, de qualquer rito, em comunhão com a Santa Sé e que tenham domicílio canônico no Brasil.
As assembléias tratam de assuntos pastorais de ordem espiritual e de ordem temporal e dos problemas emergentes da vida das pessoas e da sociedade, na perspectiva da evangelização. A cada quatro anos, é eleita a nova presidência da CNBB e de todas as Comissões Episcopais de Pastorais. A presidência permanece no cargo apenas por dois mandatos consecutivos.
Padre Zezinho
Para a Igreja o amor matrimonial é para a eternidade
Indissolubilidade é o que não pode ser dissolvido ou desatado. Por causa dessa palavra a Igreja Católica já escutou os maiores desaforos e vai escutá-los por muito tempo. Reis já romperam com ela, católicos já mudaram de Igreja por causa da severidade da doutrina católica sobre os laços do matrimônio. É que, para a Igreja, a indissolubilidade é fundamental quando se trata de relações matrimoniais.
A Igreja encara com tamanha seriedade a idéia de um homem e uma mulher construírem juntos uma família, que declara indissolúvel a união dos dois, caso tenha sido fundamentada numa promessa feita com liberdade. Da mesma forma, o amor entre Deus e a humanidade é indissolúvel, porque Deus não deixa nunca de amar e a humanidade deve considerar o seu amor por Deus, também indissolúvel. Em tese, nunca deveríamos deixar de amar Deus. Se o deixarmos, estaremos nos desviando do seu propósito.
Para a Igreja o amor matrimonial precisa ter este projeto. É para a eternidade. A Igreja encara esse sacramento fundamental, que, segundo Paulo, lembra a união de Cristo com a Igreja, de Deus com a humanidade, de um humano com uma humana, mas com profundidade tal que os dois não devem nem se quer pensar em quebrar esse vínculo.
Como outros grupos são mais abertos dão mais chance aos seus fiéis para uma nova relação, a Igreja Católica, e com ela umas poucas Igrejas cristãs, é vista como extremamente conservadora, por se apegar demais ao vínculo matrimonial e, tendo havido vínculo e liberdade, não permitir segunda chance. O divórcio não é aceito pela Igreja Católica. Em alguns casos, ela admite a separação, mas sem novo casamento, a não ser que se prove que o primeiro casamento foi falho, vicioso e por isso, inválido. Todas as vezes que um homem e uma mulher, católicos, contraírem casamento, deverão pensar neste fato: para a Igreja Católica, casar é para sempre. O vínculo é indissolúvel.
Matriz de Fazenda Souza faz 50 anos
Jubileu será celebrado dia 5 de maio com missa e encontro de corais
Fazenda Souza, distrito de Caxias do Sul, comemora, no dia 5 de maio, os 50 anos de inauguração da atual matriz. Para celebrar o jubileu de ouro do belo templo, a comunidade programou três eventos para o sábado, 5 de maio: apresentação de corais às 17 horas; missa solene, com a participação dos corais, às 18 horas; e, em seguida, confraternização no salão de festas da igreja.
Antes da atual matriz, Fazenda Souza contava com uma igreja feita de madeira, doada pelos moradores. No dia 21 de novembro de 1949, por ocasião da festa de Nossa Senhora da Saúde, foi benta e colocada a pedra fundamental da nova igreja, inaugurada no dia 5 de maio de 1957. Na época, Fazenda Souza era capela da paróquia de Ana Rech, cujo pároco era padre Antônio Tomiello.
Atendendo as necessidades espirituais da população local, no dia 25 de dezembro de 1959, o bispo diocesano, dom Benedito Zorzi, criou a paróquia Nossa Senhora da Saúde, desmembrada da paróquia de Ana Rech, e a colocou aos cuidados dos padres josefinos de Murialdo, que permanecem até hoje. Padre Rafael De Lorenzi tomou posse como primeiro pároco.
Depois de padre Rafael passaram pela paróquia de Fazenda Souza os padres Felix Bridi, Romano Lenzi, Miguel Modelski, Antônio Idary Mattiuz, Miguel Trez, Nebrídio Bolcatto e Renato Fantin. No dia 20 de fevereiro de 2005 tomou posse o atual pároco, padre Sestino Serafino Sacco. Seis comunidades, além da sede, fazem parte da paróquia - Nossa Senhora de Fátima (Apanhador), Nossa Senhora de Caravaggio (Zona Lize), São Roque, São Jorge (Cará Piaí), São Braz e São Leonardo Murialdo (Bevilacqua).
Imagem do padroeiro visita as comunidades
A paróquia São Pedro, de Garibaldi (RS), através da equipe administrativa, freis e festeiros de São Pedro, lançou um site na internet com as informações sobre a festa de 2007 do padroeiro. O endereço é www.festasaopedro.com.br. No site podem ser acessadas informações como a programação social e religiosa, fotos das festas dos últimos três anos, a história de São Pedro, dados sobre a matriz e a paróquia de Garibaldi.
A festa de São Pedro será realizada de 28 de junho a 1º de julho, com marcante programação religiosa e social. Entre os eventos religiosos destaque para o tríduo na matriz, a procissão motorizada (dia 29 de junho) e a solene missa festiva, dia 1º, às 10 horas.
Visando envolver todas as áreas da paróquia para a festa, motivar as pessoas a participarem e divulgar o evento, no dia 31 de março iniciaram as tradicionais visitas da imagem do padroeiro às 29 comunidades/bairros de Garibaldi. As visitas iniciaram pelos bairros Fenachamp e Cairu e prosseguem até dia 22 de junho, uma semana antes do dia de São Pedro. A paróquia está sob os cuidados dos freis Antoninho Pasqualon (pároco), Avelino Bernardi e Agenor Pitt (vigários paroquiais).
Diocese de Caxias tem 96 seminaristas
A formação dos futuros sacerdotes sempre é um desafio e preocupação de toda a Igreja diocesana. Em Caxias do Sul não é diferente. Neste ano, há um bom número de seminaristas nas diversas etapas de formação. No Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias, são 49 alunos. No Curso Propedêutico, em Caravaggio, Farroupilha, há 10 seminaristas. No Seminário Maior São José (Caxias), há 21 seminaristas e três realizando estágio. E no Seminário Maior São Lucas, em Viamão, há 11 seminaristas e dois fazendo estágio.
Aldo Colombo
Os cristãos não devem se impressionar por supostas revelações sobre Jesus. O importante é ser testemunhas da sua Ressurreição
Mesmo antes da estréia, o filme italiano "Sete quilômetros de Jerusalém" enfrenta polêmicas e ações judiciais. O diretor Cláudio Malaponti conta a história de um publicitário que está repensando a vida, depois de perder seu emprego e seu casamento. Viaja para Jerusalém, onde se encontra com Jesus. Ele oferece ao Cristo, que voltou, uma lata de Coca-Cola. Ao ver Jesus bebendo o conhecido refrigerante, pensa: "que propaganda!". Nem a multinacional aceitou o fato. Enviou uma carta legal forçando a eliminação da cena, classificada como inaceitável.
Além de inaceitável, a cena nem mesmo tem o privilégio da criatividade. Não faz muito, o cineasta James Cameron pretendeu "descobrir" a tumba de Jesus e de sua família. Dan Brown ganhou rios de dinheiro com o livro Código da Vinci, uma espécie de 007 teológico, ao pretender revelar que Jesus casou com Maria Madalena e teve uma filha, que prolongou a divindade de Jesus até hoje. Antes dele, na Última Tentação de Jesus, Scorcese explora o tema do suposto casamento de Jesus com Madalena. Até mesmo no setor religioso uma seita - a dos mórmons - defende a idéia que Jesus, depois da Ressurreição, viajou para os Estados Unidos, deixando a Boa Nova no Estado de Utah.
Todos esses deveriam pagar os direitos autorais aos sumos sacerdotes e fariseus que, no dia da Ressurreição, subornaram os soldados que guardavam o túmulo de Jesus: "Dizei que, vindo a noite, os discípulos roubaram o corpo, enquanto dormíeis" (Mt 28,13). Já Santo Agostinho ironizava os autores da proposta: invocaram o testemunho de pessoas que estavam dormindo.
Oito dias após seu nascimento, o velho e sábio Simeão profetizou que o Menino seria sinal de contradição, para uns seria ruína, para outros, salvação. E isso vem acontecendo ao longo dos séculos. Jesus, seu projeto e a comunidade cristã, diariamente são acusados. Por muito menos, por algumas charges envolvendo Maomé, os muçulmanos fizeram passeatas e provocaram incêndios e mortes. Indiferente a isso a Igreja - santa e pecadora - continua sua trajetória balizando o caminho da humanidade.
O escritor italiano Giovanni Papini fala dos "bichos roedores da árvore da cruz". Todos eles têm algo em comum: a tentativa de ganhar dinheiro com escândalo. É a repetição da velha fórmula de Judas: quanto me dareis por Ele? São as trinta moedas do escândalo. Nada disso afeta a fé dos cristãos. E como as versões anteriores, esses novos escândalos terão curta duração.
Os discípulos de Jesus nunca se deixarão impressionar por essas supostas revelações. O importante é ser testemunha da Ressurreição. Isto significa, na própria vida, hoje, apresentar sinais da Ressurreição de Jesus. Escândalo seria não fazer isso. De resto, Ele deixou tranqüilidade aos seus: Não tenham medo! "Estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28,20).
Scalabrinianas aprofundam própria identidade religiosa
Encontro também foi preparativo ao capítulo geral da congregação
Durante três dias, 50 religiosas da congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas, integrantes da Província Imaculada Conceição, com sede em Caxias do Sul, participaram do XVII Capítulo Provincial. Objetivo do capítulo foi aprofundar o tema "Identidade da irmã missionária de São Carlos Borromeo Scalabriniana" e rever aspectos da vida e missão da província em preparação ao XII Capítulo Geral.
A abertura do capítulo foi feita pela superiora provincial, irmã Alda Monica Malvessi. Irmã Marileda Baggio, doutora em eclesiologia, abordou a temática da identidade da irmã scalabriniana. As capitulares também refletiram sobre o projeto de reestruturação das obras, presenças e atividades apostólico-missionárias das scalabrinianas que havia sido trabalhado na assembléia provincial de 2006.
Durante o encontro, realizado de 30 de março a 1º de abril, no Instituto São Carlos, em Caxias do Sul, também foram eleitas as delegadas e suplentes da província caxiense que vão participar do XII Capítulo Geral da congregação, que será realizado em Roma, Itália, ainda neste ano. As eleitas são as irmãs Marileda Baggio, Rosita Milesi e Marilúcia Bresolin. Como suplentes ficaram as irmãs Lúcia Boniatti, Valdéres Bergozza e Vitorina Gema Costa. A atual superior geral da congregação é uma irmã caxiense - Maria do Rosário Onzi.
Médico e sacerdote assume vida jesuíta
Padre Ernani Miguel Lacerda Wetternick, 48 anos, atualmente superior da pequena comunidade de jesuítas de Pelotas (RS), professor na Universidade Católica e colaborador do Santuário da Adoração, emitiu os últimos votos solenes de professo, ligando-se definitivamente à Companhia de Jesus. A celebração, realizada dia 25 de março em Pelotas, foi presidida pelo provincial dos jesuítas, padre João Geraldo Kolling.
Padre Miguel nasceu em Porto Alegre e é formado em medicina pela PUCRS. Foi ordenado padre em 1998 no santuário de Nossa Senhora do Rosário de Porto Alegre, paróquia à qual pertencia. Foi a primeira ordenação sacerdotal de um paroquiano nos seus 166 anos de existência. Como sacerdote, já trabalhou em Cuiabá (MT) e em São Leopoldo. Estudou bioética na Espanha, fazendo depois o mestrado na mesma matéria na PUCRS.
Xanxerê não esquece padre Adriano Dotti
No dia 24 de abril, os familiares de padre Adriano Roque Dotti, parentes, amigos e a paróquia de Xanxerê (SC) recordam com saudade os quatro meses de seu falecimento, ocorrido tragicamente no dia 24 de janeiro de 2007. Ordenado sacerdote em 2004, padre Adriano estava atuando como vigário paroquial em Xanxerê, dedicando seu apostolado especialmente às classes mais desfavorecidas.
Filho de Felix e Carmen Mozzelle Dotti, Adriano nasceu aos 19 de novembro de 1974, em Descanso (SC). Seu avô, Maurílio Dotti, casado com Maurília Dotti, é irmão de frei Arnaldo Dotti, capuchinho, e primo de dom Orlando Dotti, bispo de Vacaria, e frei Clemente Dotti, diretor geral da Editora São Miguel.
Padre Adriano estava retornando de uma reunião em Curitiba quando, próximo a Xanxerê, envolveu-se em um acidente automobilístico, que lhe causou a morte. Foi sepultado no cemitério de Santa Helena, de Linha Liberdade, perto de Descanso, depois de missa de corpo presente presidida pelo bispo de Chapecó, dom Manoel João Francisco, e concelebrada por 39 sacerdotes.
Wilson João
Creio no Deus escondido em cada coração humano e em cada igreja que segue a pessoa de Jesus
Crer está se tornando uma decisão sempre mais difícil. É muito compreensível o número crescente das pessoas que não crêem ou que se dizem indiferentes. Diante dos fatos, idéias e explorações que as religiões e igrejas estão fazendo, quem tem cabeça equilibrada fica frio ou indiferente. Se Deus fosse o deus apresentado pelas igrejas milagreiras que estão enchendo os espaços da televisão e enchendo a paciência dos telespectadores, eu seria o primeiro a declarar-me descrente e partiria para a busca de um Deus muito pessoal.
NÃO CREIO NO DEUS DOS ENGRAVATADOS que se apresentam como os salvadores e como solução para todas as misérias e limitações humanas. Nem Jesus Cristo deu um jeito com todos os problemas de sua época e agora aparecem salvadores com pretensões de superdeuses. Os engravatados dão aparência de fariseus cheios de faixas, dizendo-se doutores nas Sagradas Escrituras, que Jesus condenou como hipócritas e nunca lhes estendeu a mão.
NÃO CREIO NO DEUS DO DINHEIRO. Como crer em pessoas, igrejas e organizações que adquirem televisões, edifícios, rádios, do dia para a noite, como se possuíssem fontes de dinheiro que jorram de Deus, de um Deus que pregam como sendo o Deus que favorece a riqueza material e a exploração econômica? Quem está do lado de Deus: um São Francisco de Assis, pobre e pequeno, ou um Edir Macedo, poderoso e conquistador de todos os espaços divinos? Onde ficam as palavras de Jesus "Felizes os pobres..." e "Ricos não entram no Reino dos céus"?
NÃO CREIO EM IGREJAS E RELIGIÕES que inventam demônios, anjos maus, espíritos maus, doenças e misérias humanas como fruto da encarnação desses seres sobrenaturais. Onde está a liberdade humana? Um deus que cria demônios para brincar de expulsá-los depois e reconquistá-los para si é um deus que brinca demais com seus filhos e filhas. E, pior ainda, reconquistando essas pessoas com o dízimo e a oferta. Deus será o Deus dos desesperados e que o buscam à custa de gritos, choros e danças ou será o Deus da serenidade e da paz?
MAS HÁ UM DEUS PARA CRER. É o Deus da pequenez. O Deus da gruta de Belém. O Deus da cruz. O Deus da redenção e da ressurreição. Creio, sinto, vejo e aposto no Deus das pessoas pequenas e serviçais. No Deus presente nas pequenas comunidades e grupos que se amam e se ajudam. Creio no Deus da comunidade de Fátima, de Santa Rita, de São Luiz. Creio no grupo que se reúne na casa para rezar e meditar. Creio no Deus escondido em cada coração humano e em cada pequena igreja de seguidores da pessoa de Jesus que fazem o bem, à semelhança daquele que "passou sobre esta terra fazendo o bem".
ESQUISITOS E AMEAÇADOS
Projeto vai proteger mamíferos raros em risco de extinção
Em todo o mundo, instituições investem na preservação de diferentes animais ameaçados de extinção. Geralmente, as espécies contempladas são aquelas que despertam encantamento por sua beleza, como os pandas; pelo porte monumental, como os rinocerontes; ou pela simpatia, como as tartarugas marinhas. São raros os que se importam com o futuro de animais de aparência feia, esquisita ou que causam repulsa.
Contrariando a maioria, a Sociedade Zoológica de Londres elaborou uma lista de 100 espécies de mamíferos raros em risco de extinção. O objetivo é chamar a atenção dos programas de preservação para os bichos esquisitos. As espécies foram selecionadas de acordo com sua história evolucionária incomum e seu risco de extinção.
A lista é composta por animais bem conhecidos, como elefantes, e outros completamente estranhos à maioria das pessoas. Esse é o caso do aye-aye, um primata que vive na ilha de Madagascar, na África. Ele está ameaçado de extinção, mas os moradores da ilha não pensam em salvá-lo, ao contrário, querem exterminá-lo. Entre os nativos, o bicho tem a fama de atrair maus presságios e é morto sempre que aparece.
Também estão na lista o golfinho yangtze, o cetáceo mais raro do mundo; o morcego-abelha, o menor mamífero do planeta; e o hipopótamo-pigmeu, já quase extinto da Nigéria. Segundo os pesquisadores, essas espécies têm poucos parentes próximos e representam milhões de anos de evolução independente. Elas precisam ser preservadas porque sua extinção resultaria em perda de toda sua história genética, o que significa o colapso de um galho inteiro da árvore evolucionária dos mamíferos, além de perda da diversidade animal.
Espécies têm história evolucionária incomum
Os cientistas identificaram 564 espécies com história evolucionária incomum e em risco real de extinção, mas inicialmente o programa da Sociedade Zoológica de Londres vai se concentrar nos primeiros 100 animais da lista. A instituição pretende implementar estratégias de preservação para todas essas espécies nos próximos cinco anos, por meio de parcerias com cientistas de países onde vivem os animais. Estudantes de nações em desenvolvimento também serão treinados para monitorar e proteger os bichos ameaçados.
O slender loris será um dos primeiros a se beneficiar da iniciativa. Trata-se de um pequeno primata, com hábitos noturnos, que vive no Sri Lanka e se alimenta principalmente de insetos. Ele ocupa a 22ª posição da lista.
O morcego-abelha é o 15º no ranking da Sociedade Zoológica de Londres. Ele é o menor mamífero do mundo, com cerca de 15 centímetros. Acredita-se que ele seja o único membro da família de morcegos Craseonycterudae, e que o último ancestral que ele compartilhou com outra espécie foi há cerca de 43 milhões de anos.
Desde que foi identificada pela primeira vez, em 1974, a pequena criatura foi perturbada pelo interesse de colecionadores e turistas. A principal ameaça ao morcego é a queimada em florestas perto de seu habitat de cavernas no oeste da Tailândia e sudeste da Birmânia.
Romai go pràtica de èsser talian
Antônio Costa
Agricultor, Veranópolis - RS
Para Antônio, nascido em 28 de outubro de 1928, italiano e terra se confundem:
"Quel che no’l ama la tera, no1’l ze talian. Go scominsià laorar con 6 ani. Ai 10, arava. Se dughea coi careti a la doménega e feste. Cassar no se ndea, parché el pupà ghea paùra che se féssimo male. Par ciapar colombi, saracure e osei se metea do tràpole. A la doménega feimo 7 chilòmetri a pié par ndar a messa. Me nono Dalmàzio Maurìlio, de Cremona, el ze ndà star in San Giòrgio, e quando me pupà se ga maridà, el ghe ga comprà qua rente el rio Retiro, par ver sempre aqua.
Ai 12 ani, go fato a prima comunion. A scola son ndà fin a seleta. I genitori i catea che bastava saver leder, scrìver e far conte. La professora zera la Paulina Lacerda, na brasiliana. Lora go capio che i taliani i parlea Talian e i laorea in colònia, e i brasiliani i parlea Brasilian e i ndea vender robe, potaci, come i tropieri che i se fermava casa nostra. Chi comandava in casa zera el pupà e la mama, e tea capela ghe zera i fabrissieri e el prete de scapoera, e in tea Lìnia ghe zera el sotocoa, par risòlver i guai tra persone e fameie.
Taliani sensa vin no se capia. Feimo vin, graspa e aseo. Col vin dolso e farina de formento se fea el sugo. Co se ciapea piova o rafredori, se bevea vin coto prima de ndar dormir. Par far el vin novo, se svodava le bote. El vin vècio se lo metea parte tel aseo, se ghen dea a quei che no i ghenavea, o se lo molava fora, e qua de noantri el ndea do par el rio e el inciuchia i pessi.
Ai 17 ani go giutà far la cesa de San Francesco, in 13 fameie: Santo Sartori, Fiorelo Lampugnani, Pedro Andregheto, Albino Frainer, Milchare Costa, me pare, Avelino Fracasso, José Zago, Arciso Pessin, Domingos Zandoná, Adriano Bernardi, Pio Zandoná, Justo Zago e João Gasparin. Come zera tempo de piantar mìlio, quei che i volea piantar mìlio del bonora no i ga giutà, ma noantri che lo ghemo piantà tardi, par laorar tea cesa, lo ghemo catà su meio. El Signor el ga vardà indó.
Go scominsià ndar a morose dea Ermelinda Sottile, ai 21 ani, ma stea la pi parte del tempo a ciacolar con so pupà, e ela la giutea so mama a far el magnar e i mestieri. Ma mi volea inamorar ela, e nò so pare. A quel tempo el inamoro l’era solo par modo de dir, de catarse fin che rivea el tempo del matrimònio. Se ghemo maridai in Fagundes Varela. La festa ze stada casa nostra, con 60 invitai. Semo stai coi genitori fin che i ze morti, parché me fradel Rovílio, el pi dóveno, el ze ndà a frate, e mi, el penùltimo, son stà incaricà de rincurarli, in nome de me fradei: Maurílio, Regina, Rosália, Fiorelo, José e Rovílio.
Se ndea in colònia a matina bonora. Quando me mama portea el disnar in colònia, se tornea note scuro. Co ghe zera formento da taiar, se laorea anca fin mesa note, al ciaro dea luna. El magnar zera: polenta, salame, formaio, radici consai e coti, séole in aseo, menestra de fasoi co e taiadele, siarca in ùmedo e polenta, risoto de siarca... A mama a ga imparà dei trupieri negri che i se fermava casa nostra a far siarca. La fea anca siarca de pessi, par quando vegnea a nona Angela Simioni, che ghe piasea pessi rostii e polenta.
Se piantava mìlio, riso, fasoi, mangioca, mandolini, formento, fava, cana, lente, suche, patate... Se vendea fin i 200 sachi de mìlio al ano. Laorar, pregar e volerse ben ze quel che go imparà dei genitori. Se ghesse de nàssser naltra volta, volaria nasser ancora talian, parché romai go ciapà pràtica."
Toni, sempre scalso, ze el omo dea tera, bèstie e piante! (Fone 54 34371008). (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (407)
Marco Polo se desmìssia dopo un sono de sècoli
Mário Gardelin
Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul
(Retomada do texto de Mario Gardelin, interrompido na edição de 4 de outubro de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).
Marco Polo el ze sepelio te na cesa. Nanetto e i so compagni i ze ndai a la so tomba, e i trova Merlin, el stregon dela Tàola Tonda, che, inchinà su la tomba, el dise:
- Caro Marco Polo, svéiete! E Marco Polo el stira i brassi e le gambe e li saluda:
- Son ancora stracoto, go dormio tanto, ma son pronto a far nantro sono de almanco 300 ani.
- Caro Marco Polo, dise Nanetto, mi vegno de Caxias, sità fata dai imigranti véneti, dove ghe ze el Monumento Nacional ao Imigrante e na fàbrica de autobus, col motor a gasolina, che i porta 40 persone, e i va a 120 chilòmetri al ora.
- Gasolina? Motor? Chilòmetri? Mai sentio dir!
- Caro Marco Polo, dise Tonin, intanto vu dormivi un sono de sècoli, el mondo ze ndà vanti. E savio che i ga dà a sta fàbrica el vostro nome? El nome del gran Marco Polo?!
- Nanetto, no stà contarme bale. Votu che creda a carosse che porta 40 òmini, sensa cavai? - In quel, Marco Polo el mete na man drio na récia, come se’l scoltesse na vose de distante, e el dise:
- Tusi, vegné qua. Go idea che qualchedun el vol domandarme aiuto.
Nanetto el cata che bisogna sgrandir sta vose, parché tuti i scolte, lora el comanda:
- Lastron, fate vanti, fa pi potente la voce che Marco Polo el scolta. E tuti i ga sentio un parlar forte, che solo Marco Polo e el professor Giovanni Meo Zìlio i ga capio. Ve resumo el afar: El Gran-Kan dei tàrtari, amico personal de Marco Polo, l’era in perìcolo. I bàrbari i gavea invaso, el gran impero. El domandava aiuto. Marco Polo el proava rispóndere, ma, vecioto, no’l ndava vanti. Nanetto ciapa el Lastron, mételo insieme al professor e a Marco Polo, e comanda che’l fassa contato col gran Re. I bàrbari gavea sfondà la frontiera, butà do tuti i forti, e i se pareciava par ndar vanti.
Suito, i presenti i ga fato reunion del stato magiore. In pochi minuti, tuti i savea tuto. Lora Nanetto, ciaro e tondo, el dise:
- Cari, qua ghe vol na cavaleria potente, velocìssima.
- Onde catarla? Domanda Marco Polo.
Cavai in Itàlia ghin ze pochi. Ma Pègaso, el caval vegnesto dale stele, el se fa vanti e el dise:
- Son un caval che zola. Quando gavé dele necessità, sol parlar. Là su, tel me regno, go sentinaia de miliaia de belìssimi cavai, me fioi. Se necessàrio, posso far vegner in minuti quanti che volì.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Zera rane o rospi
Setembrino Rubbo
Construtor, Pinto Bandeira - RS
Là par el 1935, ze rivà i primi pessi carpa. Le prime tre fameie che ga fato le stue ze stato Ambròsio Sonàglio, Vangelista Sonàglio e Pedro Passarin. Mi gavea na gran voia de far sta rosta par meter criassion de sti pessi, ghe dimando a me pare:
- Pupà, mi fò na rosta, dopo compremo i pessi?
- Nò, no stà mia, parché no go mia soldi par comprar sti carpa.
- Ma mi la fò istesso. Così un poco al di, sempre fora de ora, la go fata, più meno de vinti metri quadrati.
Alora, co’l pupà la ga vista piena de aqua, la ghe ga piases-to.
- Risolvesto, el dise, compremo i pessi.
La doménega, el va inteso con Vangelista par el di drio ndar torli. Al lunedì semo ndai inà a pié co na lata e un baston, zera distante cinque chilòmetri.
Contento, ndava tuto ben, ndava tuti i di portarghe un tocheto de polenta, la metea in tela ponta de un bacheto, luri vegnea a magnar, parea quei dela stòria de Sant’ Antoni.
Sti pessi i cressea ben, i ga fato anca criassion, ma se ga fato anca na criassion de rane insieme.
Dopo, là de un ano e meso, ciapemo e sughemo la stua. Ghenera pessi anca de un chilo, ma ghe zera na mùcia de rane. Far che con quele rane, che el nono Matio el ga dito che le zera parente dei rospi, e le podea esser velenose. No dà par magnarle, che le pol far mal.
Ze vegnesto el visin, Joani Tarso, a giutarme drio sta stua e el pupà ghe domanda:
- Femo che co ste rane?
- Se valtri no ghe dè valor, le porto casa mi.
- Si, si, te pol portàrtele.
Meteste rento in te un sacheto de sal, le zera sessanta rane. Joani Tarso e la so fameia i ga fato na festa. E nantri, poareti, con poco magnar, dàrghele al visin!
Per guadagnar un sorbeto
A setanta ani indrio, quando ze rivà le prime màchine de far el giasso e i sorbeti, ze stà na maraveia. In te le feste grande vegnea de Dona Isabel a la Pinta (Pinto Bandeira) un omo, ciamà Cogorni. Insima la Lìnia el portea la so mastela coi sorbeti. Li vendea a cinquecento réi al bicereto.
Noantri, tosatei de diese o ùndese ani, se stea là intorno, co na gola de conósserli. Ma soldi no ghenera, spetaimo fin l’ora de ndar via. Finii sti sorbeti, sto omo el rabaltea la mastela sora l’erba, vansea tochi de giasso. Far cossa? Noantri se ciapea un toco de giasso cadaun, e via lecando sto giasso, che l’era ben insalà.
Là de un par de ani, i ga messo na lìnia che fea tre di per stimana. El sofero el zera Giàcomo Bigatto. Par guadagnar qualche cosa depì, el ga vu la vision de far sti sorbeti. Così, el ga comprà la mastela cola màchina de far sti sorbeti. Portava su de Bento el gelo e i so ingredienti, al sabo, par a la doménega far sti prodoti. Sta màchina la gavea na manivela che tochea pararla a man, e l’era stufante. Cosita el me ga contratà tute le doméneghe de matina par menar sta manivela. Gèrimo in tre - mi, Enos Pèrico e Èlio Biazus. El nostro prémio el zera un sorbeto cada un. Se fea sto laoro in cantina de Toni Luzatto, so pupà de Darcy, fin l’ora che i vegnea fora de messa, là per le diese.
Pronto, sto Giàcomo el ciapa la so cariola, cola so mastela insima, el urta in su, fin in piassa. El scomìnsia a osar in alta ose:
- Questi ze i ùltimi! El disea così, parché i fesse presto, ma no’l ghenavea ancora vendesto gnanca uno.
GERAL
Prefeitos garantem aumento do FPM
Resultado da pressão em Brasília, valor pode chegar a R$ 1,8 bilhão
A garantia do presidente Lula de aumentar o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de 22,5% para 23,5% foi a maior conquista dos 3.000 prefeitos que participaram da X Marcha a Brasília. O percentual de 1% significa incremento de receita, ainda neste ano, de R$ 1,5 bilhão aos cofres municipais, mas pode chegar a R$ 1,8 bilhão ao ano.
O presidente prometeu ainda a redução das contrapartidas dos municípios para financiamentos de projetos de saneamento e habitação dos atuais 20% para até 0,1%, a abertura de uma linha de financiamento à compra de máquinas e a ampliação da assistência técnica para projetos de saneamento e habitação popular. Também anunciou a liberação de R$ 1 bilhão para regularizar a situação dos agentes de saúde.
Para o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, a Marcha 2007 foi a que reuniu o maior número de autoridades. "Ficaram pendentes temas como a garantia de recursos para financiar o transporte de alunos da rede pública e a negociação dos precatórios - a dívida dos municípios com precatórios chega a R$ 70 bilhões", ressaltou.