DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.036 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 25 de abril de 2007.
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Censo vai revelar novo mapa agrícola do país
IBGE põe em campo 68 mil recenseadores para conhecer a nova realidade rural brasileira
Munidos de computadores, que substituem as tradicionais planilhas de papel, um exército de 68,1 mil recenseadores está empenhado na elaboração do novo mapa da realidade agrícola brasileira. Serão visitados mais de 28 milhões de domicílios na área rural de 5.414 municípios, com até 170 mil habitantes. A moderna tecnologia possibilitará a revelação dos primeiros dados, em tempo recorde, já no mês de agosto.
Alguns dados desta realidade já são conhecidos, mas politicamente ignorados pelas autoridades. Um dos dados mais significativos é o envelhecimento da população rural com a saída dos filhos para a cidade. Outro dado é a abertura de novas fronteiras agrícolas lideradas pelos latifúndios.
O Censo também mostrará, em percentuais exatos, o desencanto do homem do campo com a insuficiente recompensa do seu trabalho e com a crescente onda de violência. A tradicional tranqüilidade do interior não mais existe, obrigando os agricultores a optar por cercas elétricas e outros esquemas de segurança. Mais ainda: evitar que a casa e a propriedade fiquem, em qualquer hora do dia e da noite, sem ninguém. Paradoxalmente, muitos dos que migraram do campo para a cidade acabam integrando um novo e grave problema: os sem-terra.
Depois de anos difíceis, os organismos governamentais apontam para uma supersafra, neste ano, com mais de 132 milhões de toneladas de grãos. Isto não significará maiores lucros, sobretudo para o pequeno trabalhador rural. As estatísticas mostram que, pelo menos, uma em cada cinco safras é completamente perdida.
Resta ainda saber o que o governo fará com os dados do Censo. Já os monetaristas clássicos afirmavam que só existem duas verdadeiras profissões: o agricultor e o pecuarista. Eles – só eles – compõem a mesa. O dinheiro nunca gerou filhos, apenas cresceu pela especulação.
Um dado que o Censo irá reforçar e que os responsáveis pela política agrária não podem desprezar: com menos de 20% das terras cultiváveis, nem sempre as melhores, a agricultura familiar – leia-se minifúndio – contribui com mais de 60% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.
UCS elabora estudos ambientais para represa no Arroio Marrecas
Novo sistema poderá fornecer 900 litros de água por segundo
Em 1983, quando foi inaugurado, o Faxinal tinha capacidade para atender com sobras a demanda por água de Caxias do Sul. A previsão de técnicos era de que o sistema garantiria o abastecimento pelo menos até 2010. Três anos antes de se esgotar esse prazo, e após constatar que o número de ligações de água do Samae cresceu de 48,7 mil para 136 mil (2,8 vezes) entre 1980 e 2006, a Prefeitura começa a cumprir etapas para a construção de nova fonte de abastecimento, agora com água vinda do Arroio Marrecas, no distrito de Vila Seca.
Uma fase importante começou a ser definida na semana passada com a assinatura de convênio entre Prefeitura e Universidade de Caxias do Sul. É a realização dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) para implantação da obra. A UCS tem seis meses para desenvolver pesquisas, executar serviços e elaborar o Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (Rima), indispensável para a obtenção das licenças ambientais definitivas.
A licença prévia para o novo manancial já foi solicitada à Fepam, que aprovou termo de referência proposto pelo Samae em julho de 2006. O próximo passo para implantação da nova barragem será a contratação do projeto básico de Engenharia, previsto para o segundo semestre deste ano.
Obra – Segundo o diretor-geral do Samae, Marcus Vinicius Caberlon, a bacia do Sistema Marrecas possui 5,5 mil hectares. A barragem vai alagar 170 hectares e a vazão será de 900 litros por segundo, a partir de represa de 32 milhões de metros cúbicos (cada metro cúbico corresponde a mil litros).
O Sistema Marrecas prevê a construção de uma represa em concreto com 49 metros de altura e 304 metros de comprimento. A capacidade de reservação (represamento) de água bruta do Município passará dos atuais 39,3 milhões de metros cúbicos para 71,6 milhões – um aumento de 82%. Deverá ser implantada também uma estação de bombeamento de água bruta com capacidade para bombear 900 litros por segundo. A estação ficará próxima à represa e, pela altitude do local (cerca de 900 metros), a água poderá ser transportada por gravidade. Isto irá reduzir os gastos do Samae com energia elétrica, que hoje são de R$ 10 milhões ao ano.
Impunidade mantém violência no campo
De 1.104 conflitos com mortes, apenas 85 foram julgados e só 19 mandantes condenados
O número de conflitos por terra, de ocupações e de acampamentos em todo o país diminuiu 7,82% no ano passado, em comparação com 2005. Em 2006, foram registradas 1.212 ocorrências (761 conflitos, 384 ocupações e 67 acampamentos), enquanto em 2005 foram 1.304. Mas o total de assassinatos aumentou – 39 contra 38. Houve ainda diminuição de 10,54% no número de mortos em conseqüência dos conflitos – de 64 para 57.
Esses dados foram divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e estão detalhados na publicação Conflitos no Campo Brasil 2006. Em geral, os números são inferiores aos dos três últimos anos, embora em alguns itens mantenham a escala de ascendência. Mas mesmo os que diminuíram, encolheriam ainda mais se os responsáveis pela violência fossem punidos com rigor.
A CPT aponta a impunidade como uma das principais causas para a manutenção da violência no campo. A exemplo de crimes que ocorrem em outras esferas, em especial a política, são poucos os julgados e menos ainda os condenados. Levantamento da Comissão mostra que de 1985 a 2006 foram registrados no Brasil 1.104 conflitos com assassinatos, causando a morte de 1.464 trabalhadores. Dessas ocorrências, apenas 85 foram levadas a julgamento, com a condenação de 71 executores e somente 19 mandantes.
Distorção – Isso não significa que os condenados estão presos. Um exemplo da impunidade é o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996 (origem do Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária), quando morreram 19 sem-terra. O coronel da PM Mário Colares Pantoja foi condenado a 228 anos de prisão e o capitão José Maria Pereira, a 158 anos. Ambos aguardam julgamento de recurso em liberdade.
"Parece que a Justiça é mais rápida para penalizar pobres do que para julgar ricos", avalia Luiz Antonio Pasinato, da coordenação da CPT para a Região Sul do país. "Uma seqüência de liminares e outros recursos jurídicos beneficiam quem tem condições financeiras para acessá-los", prossegue.
Essa suposta distorção existe também no Sul. Pasinato cita casos, como o de Antonio Joceli Correia, morto por tiro desferido por policial militar em novembro de 1992, em São Miguel das Missões. "O processo foi arquivado, ninguém foi responsabilizado", afirma.
Nem sempre, entretanto, prevalece a impunidade. Em 31 de março de 1987 três sem-terra que participavam de protesto em rodovia no trevo de acesso a Sarandi (RS), entre eles Roseli Nunes da Silva e Lari Grosseli, foram atropelados e mortos. Houve julgamento e os responsáveis foram obrigados a indenizar as famílias das vítimas.
No geral, predominam os casos de violência no campo sem desfecho. Por isso a CPT nacional alerta em sua publicação: "É preciso que a sociedade brasileira exija do poder judiciário uma atuação mais rigorosa".
Seria a impunidade a única causa da continuidade da violência no campo? Antonio Caputo, secretário da Coordenação Nacional da CPT, cita outras duas, tão ou mais decisivas: concentração de terras e a propriedade da terra como valor absoluto, sem considerar a função social.
Protestos elevam clima de discórdia
O "abril vermelho" espalhou protestos pelo Brasil. O ponto alto até a semana passada foi terça 17, Dia Internacional da Luta Camponesa, para lembrar os 11 anos do massacre de Carajás. Entre as dezenas de ações organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), manifestantes bloquearam estradas gaúchas, tomaram 25 praças de pedágio no Paraná e invadiram a sede do Incra em Brasília.
O MST e outros movimentos pedem agilidade do governo federal e Poder Judiciário na reforma agrária. Em carta protocolada no Palácio do Planalto, o MST especifica as reivindicações e afirma que "pouco ou nada foi feito por uma verdadeira reforma agrária" no país.
Os números alimentam ainda mais a discórdia. Segundo o Incra, entre 2003 e 2006 foram assentadas no país 381 mil famílias – próximo à meta de 400 mil fixada pelo governo. O MST contesta e assegura que o total de famílias assentadas é bem menor.
Retórica vazia – A nota do MST provocou forte reação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. "Toda a sociedade brasileira está ficando um pouco cansada dessa retórica vazia (do MST). Todo mundo sabe que o governo federal, nos últimos quatro anos, investiu como nunca em reforma agrária e agricultura familiar", afirmou. Ele cita R$ 4 bilhões aplicados em compra de terra e a implantação de vários programas, entre eles o Luz para Todos e o que levou assistência técnica para cerca de 80% dos municípios. "Isso é nada ou é alguma coisa importante? Senão a gente não consegue conversar com seriedade", questionou Cassel.
Tendência é crescer número de conflitos
Os conflitos pela água e no campo devem aumentar em função dos projetos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A opinião é do pesquisador Carlos Walter Gonçalves, que apresentou o estudo elaborado pela CPT. Os dados mostram que o número de conflitos por água passou de 14, em 2002, para 71, em 2005, caindo para 45, no ano passado. Os envolvidos mudaram de 14,3 mil, em 2002, para 13,07 mil, em 2006.
O estudo cita a transposição de águas do Rio São Francisco como obra que não prioriza o abastecimento humano, e sim irrigação, criação de camarão e usos industriais. O coordenador do Projeto de Integração do Rio São Francisco, Rômulo de Macedo Vieira, garante que a prioridade é o consumo humano e que outras atividades só receberão água quando houver excedente.
Para Gonçalves, outro fator que pode estimular os conflitos por água e terra é o avanço da produção de cana-de-açúcar e outras culturas para a geração de biocombustíveis (leia pág. central), em substituição à pecuária. Ele prevê que a criação de gado deve avançar nas regiões de cerrado e na Amazônia. "Vai haver uma redefinição do quadro espacial brasileiro. E a tendência é pressionar essas regiões", disse.
Pará registra mais de 10% das ocorrências
Dos 1.212 conflitos por terra em 2006, 151 – mais de 10% – ocorreram no Pará. O segundo no ranking da violência agrária é São Paulo, com 134. No Sul, Paraná lidera com 76, seguido por Santa Catarina (26) e Rio Grande do Sul (21). Acre é o último da relação, com três ocorrências. Amazonas é penúltimo, com sete.
O Pará também ocupa o topo em outros itens, como número de casas destruídas (a CPT utiliza esta denominação para os acampamentos desmontados com violência) e o de pistoleiros ou seguranças contratados para proteger as propriedades ou expulsar invasores – são 5.474. O mais próximo é Pernambuco, com 833 (no PR são 764, no RS 560 e em SC, 460). No país seriam 12.263.
As ocorrências gaúchas estão divididas em oito conflitos, oito ocupações e cinco acampamentos. O fato mais grave é a morte da menina Tauana Paola da Silva, com menos de um ano, segundo a CPT por ter sido impossibilitado acesso a recursos durante ocupação da Fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul. A Comissão apurou ainda no RS 62 manifestações, nove sem-terra ameaçados de prisão e dois conflitos por água.
Queda no consumo agrava crise na suinocultura
Embargo e preço alto do milho afetam mais criadores da região Sul
A crise que assolou a suinocultura em 2006 persiste para os criadores neste ano, em especial os da região Sul. A queda do preço da carne suína está relacionada à grande oferta do produto no mercado interno, conseqüência das barreiras levantadas por grandes países importadores. Para agravar a situação, o consumo brasileiro caiu nos últimos dois anos. Passou de 11,5 quilos per capita ano para 9,75/kg. Com a demanda menor, o preço do suíno fica ainda mais pressionado.
A Rússia mantém seu mercado fechado para Santa Catarina, o maior produtor do país, e o aumento do preço do milho tem corroído a rentabilidade da atividade. "Enfrentamos as crises de 2002 e 2003. Passamos 2006 no prejuízo e, até agora, 2007 não deu mostras de que será melhor", observa o presidente da Associação dos Criadores de Suínos do RS (Acsurs), Valdecir Folador.
O aumento dos preços do milho elevou o custo de produção para a casa dos R$ 2 o quilo do suíno vivo, enquanto os produtores recebem de R$ 1,46 a R$ 1,60. Na mesma época do ano passado, uma saca de 60 quilos milho valia cerca de R$ 10, hoje está cerca de R$ 18 no PR e no RS e R$ 19,50 em SC. O custo subiu muito no segundo semestre do ano passado, quando começou a disparada dos preços do grão, e tem se mantido praticamente igual.
O preço ao suinocultor não acompanhou a alta do milho. Apesar da crise do ano passado, o alojamento de matrizes cresceu de 7% a 8%, fazendo com que a produção aumentasse. No Rio Grande do Sul, embora o Estado seja um dos poucos a exportar carne suína para a Rússia, a crise persiste na ponta produtora. "Estamos pagando para trabalhar, tanto integrados quanto independentes", protesta o presidente da Acsurs.
As perspectivas não são animadoras, pois os produtores estão operando no vermelho. As previsões são de que o preço do milho deve subir e se manter em torno de R$ 21 a saca, apesar da produção recorde de grãos, estimada pela Conab em 131,1 milhões de toneladas. "A supersafra não tem reflexo na cadeia produtiva", reforça o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Wolmir de Souza.
Socorro – Os representantes do setor produtivo pediram ao governo federal recursos para manutenção do plantel para o produtor se manter na atividade; a continuidade da disponibilidade de milho modalidade balcão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); a implantação de política de preço mínimo com rentabilidade; renegociação das dívidas dos suinocultores; a intervenção do governo federal como regulador de estoque, tirando o excedente, e a estagnação de grandes projetos de expansão da suinocultura.
A pedido do setor, a Conab encaminhou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nota técnica em que sugere a aquisição de carne suína pelo governo, para socorrer especialmente os produtores de Santa Catarina e do Paraná que mais enfrentam problemas com o excesso do produto no mercado, por causa da queda nas exportações para países como a Rússia.
O governo analisa três possibilidades para ajudar os criadores: adquirir até 50 mil toneladas de carne a partir do próximo mês, trocar o produto por milho e incluir a suinocultura na Política de Garantia de Preços Mínimos. Esta medida depende da aprovação do Tesouro Nacional", adianta ao CR o presidente da Associação dos Criadores de Suínos do RS.
Campanha visa mudar a venda da carne
Para incentivar o consumo de carne de porco, a Associação Brasileira de Suinocultura está promovendo campanhas para tentar derrubar a barreira do preconceito contra o produto. O alvo são as crianças. O objetivo é criar uma cultura de consumo do produto, através da introdução da carne suína na merenda escolar. Várias escolas da região já estão praticando a sugestão.
A entidade está fazendo parcerias com prefeituras, oferecendo cursos de capacitação para as merendeiras e distribuindo uma revista educativa para os alunos. A meta é passar informações e desmistificar a carne de porco. "Vamos demonstrar as qualidades da carne, que tem a menor taxa de colesterol e de gordura saturada", observa o presidente da ABCS, Rubens Valentini.
Novo olhar – Já a campanha "Um novo olhar sobre a carne suína" é voltada à rede de supermercados. O foco é a reestruturação do atual modelo de comercialização da carne suína, através da maciça ampliação do número de cortes oferecidos pelos pontos de venda.
A campanha foi implementada em diferentes supermercados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Distrito Federal. Nesta semana, ela chega ao Rio Grande do Sul e em Goiânia.
"Um novo olhar" é destaque também no Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura, maior evento da cadeia produtiva de suínos do país, que inicia nesta quarta-feira 25 e prossegue até o próximo dia 27, em Cuiabá (MT).
A meta da associação é implantar a campanha em cada um dos Estados brasileiros produtores de suínos. Mais informações www.abcs.com.br
Câmara busca estruturar banco de dados
O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Rubens Valentini, acaba de assumir a presidência da Câmara Setorial de Aves e Suínos. Valentini, que também é suinocultor, substitui Dilvo Grolli, presidente da Coopavel. Gustavo Lima, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, responde pela a secretaria executiva.
O presidente da ABCS tem a missão de dar continuidade aos trabalhos. Dois dos maiores desafios são o aperfeiçoamento dos procedimentos de defesa sanitária e a necessidade de elaboração de um mecanismo de acompanhamento conjuntural da suinocultura. "Precisamos construir um sistema de informação que permita ao setor fazer análises de conjuntura. Isso nos ajudará a antever cenários, oscilações de mercado, enfim, balizar nossas ações", adianta Valentini.
Santa Clara aposta nos queijos para crescer 10%
Meta da cooperativa é faturar mais de R$ 300 milhões/ano
No ano em que comemora 95 anos de fundação, a Cooperativa Santa Clara, com sede em Carlos Barbosa (RS), aposta na fabricação de queijos nobres para aumentar em 10% o seu faturamento. A meta para este ano é ultrapassar os R$ 300 milhões. Para alcançar o objetivo vai investir R$ 8 milhões no rebanho e na ampliação da capacidade de processamento de leite.
A produção de leite saltou de 500 mil para 600 mil litros diários. Esse aumento deverá proporcionar um crescimento de 40% na produção de queijos. A expectativa é lançar três novos tipos de queijo até o final de 2007. Os planos também incluem outras áreas de atuação, como a modernização do frigorífico, dos supermercados e mercados agropecuários.
Atualmente a Santa Clara produz 280 toneladas de queijos mensais. "Vamos diversificar nossa oferta de queijos pasteurizados e maturados para incrementar a rentabilidade da cooperativa, o que reflete positivamente para os produtores associados", disse o diretor administrativo e financeiro, Alexandre Guerra.
A cooperativa tem mais de 3.000 associados, entre os quais 2.100 são produtores de leite, com um plantel de mais de 20 mil animais. Este ano vai ampliar o número de propriedades com resfriadores diretos e com a instalação de 200 novos equipamentos. Somente em 2007 a cooperativa colocou no mercado o doce em pasta com leite, manteigas e a linha de embutidos fatiados.
Engº. Agrº. José Zugno
Plantas atrativas ou repelentes das formigas
Mais uma vez venho solicitar ajuda deste excelente jornal que há muito faz parte de nossas vidas. Desta vez, preciso de informações sobre plantas (ou produtos naturais) que sirvam de atrativo ou repelente paras as formigas cortadeiras. Elas estão atacando o pomar de pêssegos e laranjas. Usamos iscas químicas, mas gostaria de ter alguma planta permanente, que nos ajude a mantê-las ocupadas, deixando as culturas a salvo.
Ivo Perón
São João do Oeste – SC
As formigas cortadeiras constituem inimigo temido pela devastação que fazem nas plantas cultivadas. No seu caso particular, além da isca tóxica ou outro formicida, aplicados nos ninhos da formiga, existem outros meios para proteger as plantas do pomar, meios de controle físico, químico e biológico.
Controle físico – Podemos relacionar o uso do cone, de cintas adesivas e material repelente. O cone, de plástico ou papelão, é fixado ao tronco da planta para dificultar o trânsito das formigas. As cintas adesivas aplicadas no tronco das plantas com graxa de rolamentos na sua face externa impedem a passagem das formigas por diversas semanas.
Controle químico – É efetuado por princípios ativos químicos sob diversas formas: pós-líquidos, fumigação, nebulização, iscas etc.
Controle biológico – É efetuado por meio de predadores, iscas orgânicas, plantas atrativas, plantas repelentes e outros meios biológicos. Predadores são animais que têm o hábito de se alimentar de formigas como pássaros, tatus, tamanduás, galinhas, principalmente a de angola. Quanto às iscas orgânicas, já existem no comércio iscas tóxicas para as formigas, produzidas a partir de extratos vegetais e ácidos orgânicos.
Com relação ao material repelente, plantas atrativas e plantas repelentes, o engenheiro agrônomo Ênio Todeschini (tel.: (54) 3223.5633), do Escritório Regional da Emater de Caxias do Sul pronuncia-se:
Material repelente – Várias substâncias, quando reduzidas a pó fino, funcionam como repelentes, protegendo as plantas. Cascas de ovos, farinha de osso, carvão vegetal, distribuídos em fina camada ou em carreiros mais adensados têm esta propriedade. Porém, é logo perdida quando umedecidos.
Plantas atrativas – Certas plantas são mais visadas pelas formigas. Constituem um meio que pode ser usado como sinalizador da presença de formigueiros ou para desviar o ataque das culturas que se quer proteger. Destacam-se: cana-de-açúcar, gergelim e mandioca brava.
Plantas repelentes/tóxicas – Há plantas que têm a capacidade de intoxicar as formigas ou o fungo de que estas se alimentam (mamona, cinamomo, gergelim); e outras são simplesmente detestadas pelas formigas (grama missioneira, cenoura, batata doce, hortelã, salsa, etc.). Estas espécies devem ser cultivadas entre as plantas ou então no entorno das árvores que se quer proteger. A colocação de folhas de mamoneira, em pedaços ou triturada ao redor da planta, protege-a por até sete dias em períodos secos. A umidade do material faz perder sua eficácia".
Produtos biológicos – O engenheiro agrônomo Edmundo Ruzzarim (tel: (54) 3223.4144) recomenda o uso de dois produtos biológicos: formifu e extermix biológico. Formifu é uma pasta aderente antiformiga, de cor azul, não miscível com água. De alta pegajosidade, a pasta já vem pronta para uso e deve ser aplicada com espátula ou pincel duro, formando um anel, em torno do tronco, de 3 cm de altura e 2 mm de espessura, o que impede a passagem das formigas por mais ou menos 8 meses. Extermix biológico é um produto extraído de essências naturais de plantas para ser pulverizado sobre o maior número possível de formigas na entrada do formigueiro. Estas o levarão até a colônia contaminando-a e dizimando-a.
Dengue chega ao Rio Grande do Sul
Pela primeira vez, vírus é transmitido em território gaúcho
O Rio Grande do Sul enfrenta uma epidemia de dengue. As análises feitas pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, confirmaram a existência de casos da doença em Giruá, município do Nororeste do Estado onde registra-se o maior número de notificações. Até a manhã de segunda, 23, Giruá tinha 130 notificações e 15 pacientes hospitalizados em estado regular.
Esta é a primeira vez na história que a contaminação ocorre em solo gaúcho. Até então, os casos registrados no Estado eram de pessoas que contraíram o vírus em outras regiões ou países. Desde o início do ano, 41 gaúchos contraíram a doença fora do Rio Grande do Sul.
Também há dezenas de suspeitas de dengue em outros oito municípios da região: Três de Maio, Santa Rosa, Tucunduva, Campina da Missões, Santo Cristo, Independência, Senador Salgado Filho e Ijuí. O prefeito de Giruá, Dari Taborda, decretou estado de emergência no município. Isso deve agilizar o processo de controle do mosquito Aedes Aegypti, já que o decreto permite à prefeitura contratar um maior efetivo e equipamentos sem processos licitatórios.
O secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, afirmou que o combate à doença deve focar-se no mosquito transmissor, pois sem ele não há contaminação. Terra também faz um apelo à população, para que contribua adotando as medidas preventivas em suas próprias casas (quadro abaixo). O Aedes aegypti está presente em 47 municípios gaúchos, com mais freqüência nas regiões Noroeste e das Missões e no entorno do rio Uruguai.
Desde a semana passada, quando já admitia-se a epidemia, os municípios da região Noroeste realizam mutirões de limpeza de aéreas e de captura de larvas do Aedes aegypti, além da aplicação de inseticida. Pelo menos uma centena de agentes de saúde, 600 militares, técnicos do Ministério da Saúde e profissionais das secretarias municipais estão trabalhando na região em medidas para evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue.
Giruá situa-se a apenas 60 quilômetros da Argentina, país que registra casos de dengue. Segundo Osmar Terra, isso pode ter facilitado o trânsito do vírus, assim como a circulação de caminhões transportadores vindos do Mato Grosso do Sul, onde houve epidemia recentemente. "O verão prolongado no Sul, com muito calor e chuvas freqüentes, também foi determinante para a proliferação do inseto", avaliou o secretário.
Conforme os especialistas, o inverno deve aliviar os riscos da dengue, mas não é solução. Com o frio, a quantidade de mosquitos diminui, mas os ovos podem sobreviver até um ano e basta esquentar um pouco para que eclodam.
Brasil tem 134 mil suspeitas da doença
Segundo o Ministério da Saúde, até 26 de março passado foram notificados no Brasil 134.909 casos suspeitos de dengue. Os Estados com maior número de casos são: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná. Em relação à dengue hemorrágica foram registrados oficialmente pelas secretarias estaduais de Saúde 124 casos, com 17 óbitos.
Na região Norte do país foram notificados 9.172 casos. O Estado do Tocantins apresenta o maior número de registros. O Nordeste tem 18.089 casos, sendo Ceará o Estado com maior número de notificações, 5.434 casos. O Sudeste registrou 30.577 suspeitas. São Paulo tem o maior número de notificações.
O Centro – Oeste notificou 51,19% dos casos (69.060) do Brasil. O elevado número deve-se ao surto pelo vírus DEN-3, que vem ocorrendo no Mato Grosso do Sul, que notificou 41,18% dos casos do país. A região Sul registrou 8.011 casos. Paraná notificou 7.806 casos. Santa Catarina continua sem transmissão autóctone de dengue, tendo sido notificados 137 casos no Estado. No Rio Grande do Sul já são dois confirmados e mais de 150 casos suspeitos.
A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde estima que entre 50 e 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue.
Expofred movimenta o Alto Uruguai
Feira integra 30 cidades da região
A Feira Comercial, Industrial e de Serviços (Expofred), que está na sua 15ª edição, abre oficialmente dia 28 de abril, em Frederico Westphalen. Porém, ela ocorrerá de 27 de abril a 1° de maio próximo, no Parque de Exposições Monsenhor Vitor Batistella.
A Expofred é considerada o maior evento do gênero na região do Médio Alto Uruguai gaúcho. Abrange mais de 30 municípios da região. "O público está estimado em mais de 100.000 visitantes", diz o presidente da feira, Nelci Afonso Bakof.
A feira neste ano estará inovando na área tecnológica, apresentando a extração de óleo biodiesel, destilação de álcool etanol, gemas de jóias e filetagem de peixe. "Nesta edição contaremos com um programa bem diversificado, iremos explorar as potencialidades da região", afirma o presidente da Expofred.
Estão programados eventos empresariais e artísticos. "Teremos shows com Zezé di Camargo & Luciano e Titãs, mas também estaremos valorizando os grupos locais da região evidenciando o lado artístico e cultural", finaliza Bakof.
Ipê realiza troca de sementes crioulas
Ipê ainda mantém um costume que já foi perdido em muitos municípios: a troca de sementes e mudas entre a população. A substituição das sementes crioulas pelas das indústrias fez com que as comunidades perdessem variedades. Visando preservar o hábito de produzir e selecionar sementes na propriedade, o município realiza dia 29 de abril a Festa das Sementes crioulas, em Vila Segredo.
Após a abertura, haverá celebração religiosa com bênção das sementes. À tarde, ocorrem relatos de experiências e troca-troca de sementes. Famílias da região participam levando mudas e sementes que cultivam para trocar com outros participantes. Haverá sementes de milho, tomate, feijão, pipoca, flores, temperos, morangas, amendoim, entre outras. O evento também possibilita a troca de informações.
A promoção é da Emater/RS local, Centro Ecológico Ipê, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Conselho das Associações dos Agricultores Ecologistas e Pastoral da Juventude.
Pinhal festeja a sua emancipação
O município de Pinhal está em festa. No dia 29 de abril, a cidade de comemora 19 anos de vida autônoma. Localizado no Médio Alto Uruguai gaúcho, era distrito de Palmeira das Missões. Possui uma área de 67,4 km² e uma população de 2.502 habitantes. Foi colonizado por descendentes de italianos, que estabeleceram as primeiras lavouras diversificadas e a criação de suínos.
A economia de Pinhal está baseada na agricultura, com destaque para os grãos; bovinocultura leiteira, suinocultura, frutas e hortaliças.
"Desde a criação os administradores têm dado exemplo de dedicação e empreendedorismo, visando a melhoria da qualidade de vida da população", relata o assessor Alcindo Frighetto. (Renato Copini, agente do CR).
Garibaldi promove as jornadas da Educação
"O mundo que queremos" é o tema das jornadas Nacional e Municipal de Educação e Saúde, que serão realizadas dias 3 e 4 de maio em Garibaldi. O evento é direcionado a professores e profissionais da saúde. Ocorre no centro de eventos Só Comer.
Os destaques são as palestras "A aprendizagem e seus limitadores", com Corina Michelon Dotti; "Drogas e violência: até onde chega o poder do professor?", com Manoel Garcia Júnior, e "Família e escola", com Isabel Parolin.
São Marcos exibe carros antigos
São aguardados 500 carros da região Sul
Conhecido nacionalmente pela grande frota de caminhões, São Marcos se prepara para mostrar os carros de décadas passadas. Trata-se do 9º Encontro de Carros Antigos, que ocorre nos dias 5 e 6 de maio, na avenida Venâncio Aires, centro da cidade. "Vamos receber cerca de 500 automóveis da região Sul e de São Paulo", diz Pablo Soldatelli, organizador e integrante do Clube Veteran, entidade promotora do evento.
De acordo com Soldatelli, os carros que mais atraem os visitantes são os das décadas de 50, 60 e 70, "pela criatividade e originalidade dos modelos fabricados nesse período", justifica ele ao CR.
Além da criatividade exibida pelos automóveis, a principal atração é o show do cantor Marcelo Nova. Outros destaques são a apresentação da banda Eliziário 63, que se exibe em cima de um ônibus antigo e a premiação para os carros que mais se destacaram.
Nem ouro nem prata
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Devolver ao ser humano sua dignidade de filho de Deus, sua capacidade de ser pensante que escolhe o rumo da própria vida e toma decisões responsáveis, essa é a razão de existir da Fazenda Esperança. Bento XVI dedicará um dia para conhecer a obra
O que vai fazer Bento XVI em sua primeira visita ao Brasil passando um dia inteiro na Fazenda Esperança? Por que o Papa, em sua apertada agenda em terras brasileiras, abriu um dia inteiro – 12 de maio – para estar junto a esta comunidade desconhecida por muitos e encravada no interior de São Paulo?
O motivo principal da vinda do Papa ao Brasil é, sem dúvida, a V Conferência do Episcopado Latino-americano, que começará dia 13 de maio em Aparecida, maior santuário mariano do país. É evento de primeira grandeza. Os bispos do continente não se reúnem oficialmente em conferência desde 1992, em Santo Domingo. Aparecida se torna, nestes dias, o objeto maior de atenção da Igreja Universal. Bento XVI fará o discurso de abertura. Por que, então, passar todo o dia anterior na Fazenda Esperança, roubando tempo a um possível e merecido descanso?
A Fazenda Esperança, como o nome mesmo o indica, é uma obra bem inserida no tempo histórico, mas com alcance transcendente e escatológico. Ali se trabalha incessante e incansavelmente para um objetivo cujos frutos muitas vezes não se vêem a curto nem a médio prazo. Ali não se mede o resultado do trabalho por sua eficácia ou pela remuneração ou lucro que gera. Ali se trabalha por uma causa quase perdida, que pela virtude da esperança e o poder da graça pode ser ganha e frutificar até o cêntuplo.
O sonho de Frei Hans Stapel, um franciscano alemão de coração ardente e voz de trovão, começou pequeno. Hoje cresceu e se encontra espalhado em vários pontos do país, começando a implantar-se inclusive em outros países. A obra vai tocar o centro do maior flagelo que assola a humanidade atualmente: a dependência química. Na Fazenda que atende pelo nome de Esperança aportam jovens e não tão jovens de ambos os sexos, que carregam sobre os ombros um fardo insuportável. Estão prisioneiros de um vício que ameaça matá-los. A dependência afetou seus corpos, suas vidas, suas famílias. A droga os escraviza e os desfigura a seus próprios olhos, mergulhando-os em abominável depressão e solidão.
O coração de Frei Hans foi movido pela compaixão diante desse drama. E breve tinha junto a ele outros homens, como Nelson Rosendo, jovem leigo consagrado, dos focolare, e mulheres que se dispunham a deixar de lado ambições e planos de futuro para consagrar-se inteiramente à recuperação dos dependentes. Dessa entrega gratuita, dessa oblação amorosa e sem retorno de várias vidas, nasceu a Fazenda Esperança. Com diuturna rotina de oração e trabalho e dedicação integral vão lentamente resgatando a saúde, a dignidade e a auto-estima daqueles e daquelas que um dia foram bater à porta da fazenda porque desejavam ver-se livres novamente.
Devolver ao ser humano sua dignidade de filho de Deus, sua capacidade de ser pensante que escolhe o rumo da própria vida e toma decisões responsáveis, essa é a razão de existir da Fazenda Esperança. Em todas as suas unidades, o esforço de recuperação é fundamentado na experiência concreta do Evangelho como caminho de mudança de mentalidade e no trabalho como fonte de comunhão e de sustento.
Ali chegará Bento XVI no dia 12. Celebrará a Eucaristia, partilhará com a comunidade, falará aos participantes e aos voluntários. Sua presença de pastor reforçará certamente o ânimo e a esperança de todos aqueles que anseiam por libertação e vida nova. Assim passará o Papa um dia de sua visita ao Brasil junto àqueles que, vítimas de uma cruel ditadura a eles imposta por uma sociedade doente, lutam corajosamente para dela libertar-se.
Como Pedro e João na porta do templo de Jerusalém diante do coxo de nascença, Bento XVI não traz ouro nem prata. Consigo carrega apenas sua identidade de pastor e vigário de Cristo. E um olhar compassivo e uma palavra cheia de autoridade: "Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!"
Frei Betto
A arte brasileira adianta-se ao governo e escancara os bastidores da ditadura. Ali está o estupro da mãe gentil, gigante entorpecido, o Brasil sem margens plácidas, arrancado do berço esplêndido... e resgatado à democracia pelos filhos que não temeram a própria morte
Levei dez anos para escrever "Batismo de Sangue" (editora Rocco), de 1973, ao sair de quatro anos de prisão, a 1983. Reviver toda a saga de um grupo de frades dominicanos na luta contra a ditadura militar fez-me sofrer. Revirei a memória, fiz entrevistas e pesquisas, revisitei os locais dos acontecimentos, consultei arquivos. Sim, arquivos. O governo federal, comandado por dois ex-presos políticos (Lula na Presidência e Dilma Rousseff na Casa Civil), desconsidera a memória nacional ao não abrir os arquivos das Forças Armadas. Felizmente existem arquivos fora do controle militar. Sobretudo arquivos vivos, sobreviventes da grande tribulação.
Deu-me trabalho levantar os últimos momentos do líder revolucionário Carlos Marighella e o intrincado cipoal em torno de seu assassinato pela repressão, em 4 de novembro de 1969. E doeu-me descrever em detalhes a paixão e morte de frei Tito de Alencar Lima, levado ao suicídio em 1974, aos 28 anos, em decorrência das torturas sofridas nas dependências do II Exército, em São Paulo. Queriam forçá-lo a assinar confissões falsas e delatar pessoas. Não escutaram senão o silêncio daquele religioso que sabia ser "preferível morrer do que perder a vida", como escreveu em sua Bíblia.
Um dia dei o livro a Helvécio Ratton, que também militou na resistência à ditadura e esteve exilado. Escrevi na dedicatória: "Helvécio, a vida supera a ficção". Diretor de cinema, ele tomou a si o desafio e levou às telas "Batismo de Sangue", que estreou dia 20 de abril. As cenas – ambientação precisa dos anos 60 – foram rodadas no Brasil e na França. Integram o elenco Caio Blat (no papel de Frei Tito), Ângelo Antônio (frei Oswaldo), Léo Quintão (frei Fernando), Odilon Esteves (frei Ivo), Daniel de Oliveira (que me interpreta), Marku Ribas (Carlos Marighella), Marcélia Cartaxo (Nildes), Cássio Gabus Mendes (delegado Fleury) e outros.
Filmes nem sempre retratam adequadamente os livros nos quais se inspiram. Em geral, a literatura ganha em profundidade da arte cinematográfica, obrigada a condensar-se num par de horas. O livro, traduzido para o francês e o italiano (e, em breve, para o espanhol), merecedor do mais conceituado prêmio literário do Brasil, o Jabuti, atrai o interesse dos leitores desde sua publicação há 24 anos. Falei ao Helvécio: "Livro é livro, filme é filme; não quero interferir." O máximo que solicitou, a mim e aos frades Fernando de Brito, Oswaldo Rezende e o ex-dominicano Ivo Lesbaupin, foi conversar com os atores sobre a nossa experiência na guerrilha urbana e na prisão. Li o roteiro de Dani Patarra, considerei-o excelente, mas preferi não opinar.
Em março, no Festival de Brasília, vi o filme pela primeira vez. Fiquei transtornado: arrancou-me lágrimas, reavivou-me a indignação contra o arbítrio, ativou-me as teias da emoção, enlevou-me pela trilha sonora, fez-me agradecer a Deus pertencer a uma geração que, aos 20 anos, injetava utopia nas veias. Fiquei embevecido frente à força estética das imagens produzidas pelo talento de Helvécio Ratton. O Festival de Brasília concedeu-lhe os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia (Lauro Escorel). No Festival de Tiradentes, a platéia de mais de mil pessoas, a maioria jovens, expressou a emoção em prolongadas palmas.
A arte brasileira adianta-se ao governo e escancara os bastidores da ditadura. Este é um filme a ser visto especialmente por quem não viveu os anos de chumbo. Ali está o estupro da mãe gentil, gigante entorpecido, o Brasil sem margens plácidas, arrancado do berço esplêndido, resgatado à democracia pelos filhos que, por amor e esperança, e sem temer a própria morte, não fugiram à luta.
"Batismo de Sangue" é um hino à liberdade. Nele se revela a história recente de uma nação e a fé libertária de um grupo de cristãos. Emerge, contundente, a subjetividade dos protagonistas, como frei Tito, em quem se transubstanciou a dor em amor, o sofrimento em oblação, as algemas em matéria-prima desta invencível esperança de construirmos um mundo em que a paz seja filha da justiça, e a felicidade, sinônimo de condição humana.
Previdência mobiliza produtor rural
Agricultor brasileiro quer Previdência Social pública e solidária
Os agricultores são contra a reforma da Previdência Social. As manifestações em frente a agências do INSS em vários pontos do país, na segunda 23, deixaram claro que o produtor rural, especialmente o pequeno, busca uma previdência social pública e solidária e que garanta os direitos e melhorias no atendimento aos trabalhadores rurais.
Liderados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), dirigentes sindicais e agricultores entregaram aos gerentes das agências do INSS a pauta de reivindicações. "Buscamos a aprovação do Projeto de Lei 6.852/2006 que propõe regras claras para acesso do trabalhador rural à Previdência Social", declara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Caxias do Sul, Raimundo Bampi. O mesmo documento foi entregue pela Contag ao presidente do INSS, Valdir Moyses Simão.
Representando a Serra gaúcha, cerca de 2.000 trabalhadores rurais se concentraram no centro de Caxias para manifestações. Após pronunciamentos, com a presença dos deputados federais Pepe Vargas e Ruy Pauletti e da estadual Marisa Formolo, marcharam por 11 quadras até se concentrarem em frente da agência do INSS. Lideranças entregaram ao gerente da agência um documento contendo as reivindicações dos agricultores. Além das nacionais (leia a seguir), alguns pedidos locais, como problemas com peritos, mau atendimento. A mesma mobilização ocorreu em seis outras regiões do Estado: Camaquã, Santa Maria, Lajeado, Ijuí, Santa Rosa e Venâncio Aires.
Reivindicações – A Contag, que representa 15 milhões de trabalhadores rurais, organizados em 25 federações estaduais e 3.630 sindicatos, registrou manifestações em várias cidades do país. Em Brasília, o protesto também foi contra a Emenda 3, da lei que cria a Super Receita, e a favor do veto presidencial à medida. A Contag avalia que a Emenda 3, ao retirar o poder dos fiscais do trabalho, dificultará a obtenção das aposentadorias no campo e relaxará o combate ao trabalho escravo.
As principais reivindicações do produtor rural brasileiro em relação à Previdência são agilidade nas decisões dos processos de benefícios sociais; liberação integral dos recursos orçamentários do INSS aprovados para o ano de 2007, como forma de garantir o atendimento adequado aos segurados da Previdência; a contratação urgente de mais servidores para fazer o atendimento de análise de processos de benefícios; e o acesso dos assalariados rurais que trabalham em atividades de curta duração (safras) ao direito à aposentadoria por idade mediante comprovação da atividade rural, conforme negociação feita no Grito da Terra Brasil 2006.
NO MUNDO DO BIOCOMBUSTÍVEL
A matriz energética mundial é composta por petróleo (35%), carvão (23%) e gás natural (21%). Biocombustíveis são alternativa à sobrevivência
O Brasil lidera a exportação mundial de álcool, ou etanol, com 3,4 bilhões vendidos em 2006, e ocupa o segundo lugar em produção, com 17,8 bilhões de litros gerados a partir de cana-de-açúcar. Os Estados Unidos são hoje o maior produtor, com 18,5 bilhões de litros anuais, elaborados a partir do milho (ver tabelas abaixo). Com mais de 70% da produção, os dois países dominam o mercado, que passa dos 50 bilhões de litros.
Com a implementação do Plano Nacional de Agroenergia, sendo uma das metas substituir 5% do diesel utilizado na agricultura por biodiesel até 2013 – o que corresponde a dois bilhões de litros de diesel a menos -, o país alavancou o interesse pelos biocombustíveis e começou a redesenhar o mapa agrícola brasileiro.
A visita do presidente dos Estados Unidos, George Bush, ao Brasil em março acendeu a discussão sobre os impactos para a agricultura brasileira. E o acordo dos países latino-americanos em torno do biodiesel, assinado na quinta-feira 19 (leia pág. ao lado), acelerou o plano de agroenergia desencadeado com força em 2006.
Pólo – Para o mundo, o Brasil será o grande pólo gerador de agroenergia num futuro não muito distante. "Levamos vantagem porque temos tudo: sol, terra, água e tecnologia", enfatiza o assistente técnico em bioenergia da Emater/RS, Alencar Rugeri. Tanto que investidores estrangeiros estão de olho nas produções locais e acenam com investimentos para produzir em terras brasileiras.
Para o chefe da secretaria de gestão e estratégia da Embrapa Energia, Evandro Mantovani, o quadro de líder mundial só se tornará realidade, no entanto, se houver investimento maciço em pesquisa. "Queremos fazer o aprimoramento genético de culturas para usá-las para fins energéticos", antecipa.
Mais do que descobrir novas técnicas para sair na frente dos demais países, o Brasil precisa investir em produção para estar preparado para a demanda mundial que haverá por energia quando o petróleo escassear de vez. Rugeri cita a extensão rural como fator determinante para a produção de vegetais visando o biodiesel. "A extensão não atuava porque não havia mercado, hoje declaradamente comprador", diz ao CR.
Matriz – Ao mudar a matriz energética, setores temem quanto à ocupação das terras, antes voltadas à produção de alimentos; ao desmatamento e à violência (leia pág. 4). Tanto que o presidente Lula chegou a afirmar na semana passada que "ninguém vai deixar de plantar feijão para plantar biocombustível."
Historicamente, a monocultura tem prejudicado o país. De 1992 a 2002, por exemplo, perderam-se dois milhões de empregos na agricultura por conta do modelo neoliberal. Além disso, a expansão do agronegócio trouxe poluição, devastação e violência no campo.
Ambientalistas acabam de denunciar, em Madri, que florestas tropicais estão sendo derrubadas e queimadas no Brasil, Indonésia e Malásia para dar lugar a plantações de soja e palma, destinadas a gerar biodiesel. No Brasil, um dos mais afetados é o Mato Grosso.
Cana-de-açúcar lidera plantio no país
Desde 1975, com a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), o etanol tem se tornado importante substituto da gasolina no Brasil. O etanol ou álcool etílico é produzido a partir da cana-de-açúcar. Já nos Estados Unidos é produzido a partir do milho, o que torna os custos de produção do etanol cerca de duas vezes maiores do que o brasileiro.
Esta matéria-prima é cultivada em 452 das 540 microrregiões brasileiras, o que torna evidente a possibilidade de expansão do seu cultivo em território nacional. Estima-se que a produção de etanol pode aumentar 20 vezes, de 17, 8 bilhões para 340 bilhões de litros de etanol por ano. Segundo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, o país destina três milhões de hectares de cana para o álcool, podendo usar outros 22 milhões para o cultivo da planta.
De acordo com o ministro, o país tem 105 milhões de hectares disponíveis para a agricultura. "Se formos capazes e inteligentes o suficiente, podemos aumentar em 10% ao ano a área cultivada de forma sustentável, duplicando a produção de álcool combustível", calcula Stephanes. "Isso tudo sem provocar dano ambiental."
Usinas – A obrigatoriedade de misturar 2% de biodiesel ao óleo diesel a partir de 2008 e o crescimento das exportações – só de álcool cresceram 31% em 2006 – aceleraram os negócios do setor. "O país tem 350 usinas operando, 50 em implantação e outras 57 em projetos de construção", destacou o ministro.
De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Biodiesel, neste ano o setor usineiro deve investir R$ 1,2 bilhão no país. O dinheiro vem de diversas fontes.
Mercado incrementa culturas pouco convencionais
Um mercado global de etanol pode trazer benefícios não só para os produtores de cana-de-açúcar – hoje o país tem sete milhões de hectares ocupados com cana, cerca de 50% para o etanol e o restante para o açúcar. Culturas como milho, algodão, canola, girassol e soja também podem ter oportunidade de expandir mercados.
Para o especialista em bioenergia da Emater, Alencar Rugeri, a discussão sobre bioenergia pode funcionar como estímulo à produção, além da possibilidade de ganhos com a alta nos preços e a criação de empregos. "É uma oportunidade de valorizar a agricultura e aumentar a renda do produtor rural", assegura. "Os biocombustíveis surgem como alternativa não só mais limpa, mas também capaz de promover a justiça social", defende a ONG Núcleo dos Amigos da Terra.
De acordo com o Ministério da Agricultura, o país tem cerca de 400 milhões de terras aráveis – 222 milhões de hectares estão ocupados com pastagens e 62 milhões/ha com alimentos. Além das culturas tradicionais, pode-se optar por plantios pouco convencionais, como mamona, pinhão-manso e cambre – a planta é uma leguminosa de baixo custo, boa produtividade e opção para a biodiesel.
Mapa – A FAO, braço da ONU para agricultura e alimentação, entrou em campo e prepara estudo para identificar em cada país a área que deve ser destinada ao cultivo de grãos para biocombustíveis. "Juntamente irá averiguar as culturas que devem ser ampliadas para atender à demanda crescente por grãos para alimentação humana, diz Tito Díaz, diretor de produção e saúde do órgão.
Energia renovável une países latinos
Doze países da América do Sul defendem a união para produzir biocombustíveis. O acordo consta na declaração da Cúpula Energética da Comunidade Sul-Americana de Nações, encerrada em Isla Margarita, na Venezuela. Os dirigentes dos países querem que o biodiesel se torne instrumento de promoção do desenvolvimento social, tecnológico, agrícola e produtivo.
Na declaração, os dirigentes sul-americanos acordam "impulsionar o desenvolvimento das energias renováveis, já que cumprem papel importante na diversificação da matriz de energia primária, na segurança energética, na promoção do acesso universal à energia e na preservação do ambiente". Assinam o documento os presidentes do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Uruguai, Suriname e Venezuela.
Agroenergia impulsiona a produção agrícola em todo país, afirma IBGE
A força dos biocombustíveis está aumentando a produção agrícola brasileira. O IBGE elevou suas estimativas de produção de cana-de-açúcar para 491 milhões de toneladas, de soja para 56,9 milhões de toneladas, de milho de primeira safra para 36,3 milhões e de milho de segunda safra para 14 milhões. As revisões estão relacionadas à agroenergia.
A produção de cana deve ser 7,9% maior que em 2006 e tem uma área plantada 7% superior que no ano passado principalmente devido à motivação dos produtores pelo álcool combustível. Soja e milho representam 82% da safra de grãos recorde esperada para este ano, de 130,7 milhões de toneladas. A maior até hoje foi a safra de 2003, de 123,3 milhões de toneladas, motivada pelo clima.
Conab – A Conab considera a safra de grãos 2006/2007 recorde. "A estimativa é que sejam produzidos 131,1 milhões de toneladas", disse o gerente de avaliação de safras da Companhia, Eledon Pereira. O clima favorável é apontado como o principal fator para a supersafra. "O clima deste ano está semelhante ao da safra 2003", lembra.
De acordo com o levantamento, a produção de soja deve chegar a 58 milhões de toneladas, um aumento de 8,5% em relação à safra anterior. O milho também apresenta aumento de 15,2%, podendo alcançar 36,6 milhões de toneladas.
Indústrias resgatam a cultura do tungue
O mercado aberto pelo incentivo à produção e energias limpas e renováveis pode resgatar culturas esquecidas, como a do tungue no RS. A planta, nativa da Ásia, foi cultivada nas décadas de 1950-60 na região de Serra. Foi, posteriormente, abandonada quando a indústria substituiu o óleo de tungue por derivados de petróleo.
A empresa Oleoplan, de Veranópolis, com capacidade de esmagamento de 1.200 toneladas/dia, quer incentivar o renascimento do tungue para a produção de biodiesel. Para isso, firmou convênio com o Colégio Agrícola, que será responsável pela análise das sementes e deverá criar viveiros de mudas. "Vamos estimular o tungue, pois iremos produzir óleo a partir de qualquer vegetal", diz o diretor da indústria Domingos Costella.
Outro sinal positivo veio da Cooperbio, cooperativa de produtores familiares de Palmeira das Missões, região norte do Estado, que concordou em introduzir lavouras de tungue junto com seus cooperados.
Templo católico depois de 14 séculos
O Qatar terá 1ª igreja católica depois que foi islamizado, no século VII
Está prevista para o final deste ano a conclusão da primeira igreja católica erguida no Qatar desde o século VII. O templo, situado na zona sul da capital, Doha, não estará aberto ao público, mas se constituirá num lugar onde a comunidade católica, em sua maior parte formada por estrangeiros, poderá reunir-se para rezar junto.
"Depois de mais de 20 anos de pedidos formais, o governo concedeu às confissões cristãs os terrenos para construir suas próprias igrejas para o culto", salientou padre Tom Veneration, futuro pároco da igreja católica em Doha, à agência do Pime (Pontifício Instituto de Missões Exteriores) "AsiaNews.it". "A nós, católicos, foi dado o terreno maior, pois temos uma presença antiga no país e porque nossa comunidade, composta já por mais de 100 mil fiéis, é também a mais numerosa", acrescentou padre Tom.
O terreno foi concedido à Igreja pelo emir Amir Hamad Khalifa al-Thani, que, nos últimos anos, adotou uma política de diálogo inter-religioso, mesmo que mantendo em vigor a lei que proíbe à população, em sua maioria formada por muçulmanos, de converte-se a outra religião. "Esse é o único, mas grande limite à nossa obra pastoral, mas devemos adaptar-nos", salienta o sacerdote. Essa lei determina que os fiéis católicos do país sejam em sua maioria estrangeiros. Padre Veneration é filipino, de Manila.
O emir também doou terrenos para os anglicanos, coptos, ortodoxos e protestantes. No Qatar, a missa é celebrada em rito latino, siro-malabar e siro-malankar, e em diferentes idiomas – árabe, inglês, italiano, urdu, tagalo e tamil.
A pedra fundamental da igreja, que será dedicada a Nossa Senhora do Rosário, foi colocada no dia 8 de outubro de 2004, dia da festividade mariana. O custo da obra é calculado em US$ 15 milhões. Parte desse valor vem sendo angariado por católicos de toda a península arábica, em sua maioria indianos e filipinos. A inauguração está prevista para o final do ano.
"Até agora oramos nas casas ou em pequenas capelas dentro do campus americano e filipino de Doha", revela padre Tom. "Estou verdadeiramente feliz pela idéia de poder celebrar logo a missa em uma autêntica igreja". O futuro pároco lamenta que de nenhuma maneira será possível fazer apostolado. "Somos uma Igreja livre, mas isolada", reconhece o sacerdote, ao descrever o rosto da comunidade católica no Qatar. (Fonte: Zenit)
País depende dos poços de petróleo
Encravado em uma península do golfo Pérsico, ocupando apenas 11,4 mil km2, o Qatar tem um solo extremamente árido. Quase não há vegetação natural e as regiões mais elevadas não passam dos 40 metros de altitude. Praticamente todos os alimentos consumidos são importados e cerca de 75% de sua população, que hoje supera os 800 mil habitantes, é formada de imigrantes, uma das mais altas taxas do mundo.
O país depende de seus ricos e extensos campos petrolíferos, mas como as jazidas devem esgotar-se ainda neste século, há grandes investimentos na indústria pesada e na extração de gás natural, como alternativa ao petróleo. O Qatar estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé em 2003.
Publicação missionária denuncia perseguições na Ásia
A revista missionária Além-mar, publicada pelos missionários combonianos de Portugal, denuncia, em sua edição de abril, a situação difícil que os cristãos atravessam na Ásia, onde o cristianismo continua sendo perseguido. "Os cristãos são vítimas da violência sectária, em tempos de liberdade globalizada", denuncia o artigo, assinado pelo diretor da revista, padre Manuel Ferreira.
O artigo identifica pelo menos três situações hostis ao cristianismo – o fundamentalismo hinduísta na União Indiana, o regime comunista na China e a intolerância islâmica na Indonésia, em Bangladesh e no Paquistão, além da situação explosiva do Oriente Médio.
Na Índia, segundo o Conselho das Igrejas Cristãs, foram mais de 200 ataques sofridos pelos cristãos, só em 2006, sobretudo contra cristãos "dalits" (os sem-casta, no sistema indiano) convertidos. Na China, apesar do momento de grande esperança que vivem as denominações cristãs, elas sofrem grandes constrangimentos pelo clima de controle e perseguição que continuam se abatendo sobre o cristianismo.
Nos últimos anos, desapareceram, na China, 17 bispos e 20 sacerdotes, mantidos ainda em prisão e isolamento. Quanto ao islamismo na Ásia, a revista indica que, na Indonésia, em 2006 se intensificaram os abusos contra cristãos e diversos conflitos levaram a assassinatos e à destruição de igrejas e lugares de culto. Segundo fontes católicas, os confrontos entre muçulmanos e cristãos, de 1999 a 2002, causaram, só nas ilhas Maluku, mais de seis mil vítimas e 750 mil deslocados internos. Na Palestina, o êxodo dos cristãos é cada vez maior.
QUANDO O CASAMENTO NÃO DEU CERTO
Padre Zezinho
Para a Igreja, a vida, a honra e a dignidade dos filhos e do casal são um bem precioso
A Igreja não incentiva nem apóia o divórcio. Mas não é insensível a situações insuportáveis dentro de um lar. Há casos em que a separação de um casal pode ser necessária. Nos seus livros de moral e nos seus pronunciamentos, a Igreja deixa bem claro que o matrimônio deve ser fundamentado no respeito do homem pela mulher e da mulher pelo homem, e de ambos pelos seus filhos.
Quando acontece um grave desequilíbrio em que a mulher deixa os filhos em abandono total ou o homem deixa os filhos e mulher em situação humilhante ou quando um deles é agressivo, a ponto de pôr em risco a vida do outro ou dos filhos ou quando, por desequilíbrio, um atenta contra a vida ou a honra do outro; quando os filhos correm grave risco moral, então o parceiro inocente desse matrimônio tem o direito de pedir separação de teto ou a separação matrimonial.
A Igreja não considera isso um divórcio. Ela admite que a separação, as vezes, é necessária; porque a vida é um bem maior e a honra e a dignidade dos filhos e do casal um bem precioso. Maior do que o bem da vida é o bem da honra. Então, em alguns casos a Igreja permite que o casal se separe e até aconselha. Mas não incentiva novo casamento. Este é um dos pontos de sofrimento da pessoa que foi vítima, porque, querendo construir sua vida com outra pessoa, esta sim, amorosa, compreensiva, ouve das autoridades que a Igreja não pode desfazer este vínculo.
O assunto é delicado e de tal maneira sério que a Igreja tem hoje tribunais em todas as dioceses para julgar cada caso. Em alguns casos verifica-se que a tendência ao erro já existia, e, portanto, houve engano de pessoa. Há casos em que pode haver uma segunda união porque a primeira não era um sacramento.
Essas coisas têm que ser examinadas por peritos e pessoas que entendem de comportamento humano e de leis. Se o matrimônio de determinada pessoa não foi bem e ela teve que se separar, é conveniente verificar em algum órgão diocesano ou interdiocesano que trate de assuntos matrimoniais para ver se, de repente, não há possibilidade de uma nova união. Vale a pena consultar. Muita gente nem sabia que poderia casar de novo e que sua primeira união era inválida. Consultou e descobriu que a Igreja não considera sacramento a todas as uniões. Se for este o seu caso, procure orientar-se. Se a resposta for não, pelo menos tentou saber e agora sabe porquê.
Serafina Corrêa realiza 20ª Romaria
Evento das paróquias ocorre no santuário do Rosário, dia 20 de maio
Com o lema "Maria, primeira discípula e missionária de Jesus", a paróquia de Serafina Corrêa (RS) está preparando a 20ª Romaria a realizar-se no santuário diocesano de Nossa Senhora do Rosário, no dia 20 de maio. A programação inicia no dia 16, com a abertura do tríduo, realizado sempre às 19h30. No dia 19, missa da saúde e unção dos enfermos, às 15 horas; e procissão luminosa e missa do resgate, às 19h30. No dia 20, missas às 6, 8, 10 (solene, presidida pelo bispo diocesano, dom Ercílio Simon), 14 (com procissão) e 19 horas (campal).
O pároco, padre Antônio Geraldo Dalla Costa, salienta que essa programação será precedida de uma preparação espiritual em todas as comunidades, desde o dia 1º de maio, com terço animado por grupos escolhidos e a peregrinação de uma imagem da padroeira nas principais comunidades da paróquia.
A devoção a Nossa Senhora do Rosário iniciou com a chegada dos imigrantes italianos. Já na primeira década de 1900 existia na Linha Onze uma capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Um quadro, trazido da Itália, foi a provável primeira imagem de devoção. Mais tarde, foi adquirida uma de madeira, que hoje está num capitel do interior de Serafina Corrêa. No dia 30 de abril de 1913 chegou ao município a atual imagem, proveniente da França.
Em 1983, atendendo desejo do povo serafinense, dom Urbano Allgayer promoveu a igreja matriz à dignidade de Santuário Mariano Diocesano. Por ocasião do Ano Santo Mariano (1987-88), o santuário tornou-se centro de inúmeras iniciativas em conjunto com as paróquias vizinhas de Casca, Guaporé e região. Nascia, assim, a 1ª Romaria das paróquias ao Santuário, no dia 29 de maio de 1988.
Atualmente, a paróquia está sob os cuidados dos padres scalabrinianos Antônio Dalla Costa e Giovanni Simonetto.
Cruz Alta acolhe os trabalhadores gaúchos
A cidade de Cruz Alta (RS) realiza os últimos preparativos para receber milhares de romeiros (são aguardadas 20 mil pessoas) no dia 1º de maio, para a 11ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora. A romaria é uma atividade comum da diocese, da Pastoral Operária e das 17 dioceses que constituem o Regional Sul 3 da CNBB.
A programação inicia no dia 29, com a abertura do Acampamento da Juventude. No dia 30, ocorrem rodadas de estudos, debates e seminários sobre o tema da romaria "Trabalho e Educação para uma Nova Sociedade". No dia 1º haverá recepção das caravanas a partir das 7 horas. A abertura será feita às 8h30 pelo bispo diocesano, dom Frederico Heimler, seguindo-se a caminhada celebrativa, que irá do trevo da BR 158 até o Parque de Exposições de Cruz Alta.
Às 10h30 haverá celebração eucarística e bênção dos alimentos. Na parte da tarde serão realizados shows artísticos, ato político, oficinas de economia solidária e celebração ecumênica e bênção de envio dos romeiros. O encerramento está previsto para as 16 horas.
Na cidade de Caxias do Sul estão sendo colocados ônibus à disposição dos que quiserem participar do evento. O contato é na paróquia São José. Maiores informações pelo telefone (54) 3224.1938.
Sacerdote alemão é assassinado no Pará
O padre alemão Wolfgang Johannes Hermann, de 46 anos, foi morto após um ataque a faca. O crime ocorreu na tarde da terça-feira, dia 10 de abril, em sua residência na cidade de Belém (PA). Um jovem de 18 anos foi preso em flagrante e confessou ter desferido o golpe que matou o sacerdote.
Padre Hermann era missionário "Fidei Donum". Dava aulas de línguas no seminário São Gaspar, era conselheiro espiritual de casais e participava de vários grupos religiosos. Vivia em Belém desde agosto de 2006. Segundo recentes notícias veiculadas pela imprensa, na região há vários bispos e padres "marcados" para morrer, principalmente por sua ação em defesa da Amazônia e dos povos menos favorecidos.
Aldo Colombo
Há valores que precisam ser recuperados, como a ternura, o compromisso para sempre, a solidariedade, a capacidade de partilhar
Um vestido todo branco pode ter sido o sonho das noivas do passado. Hoje, porém, muitos casamentos, sobretudo na Inglaterra e na França, considerados modernos, optam pelo verde. E isso como simbologia e realidade. O objetivo é reduzir o impacto da cerimônia sobre o meio ambiente. Algumas das inovações: o vestido da noiva é reciclado, os convidados vão à cerimônia de bicicleta ou a pé. O templo escolhido é simples e o mais perto possível da casa dos pais dos noivos. Naturalmente os convites são feitos em papel reciclado, as flores são cultivadas em casa, até o bufê é composto por comidas caseiras. Em vez da tradicional lista de presentes, os convidados têm opção de depositar certa quantia em dinheiro para causas ambientais ou éticas. Os casamentos verdes estão sendo considerados "ecochiques".
Apenas para um casamento, onde os convidados viajaram da Inglaterra para a Índia, o jornal The Independent estima que foram geradas 200 toneladas de carbono, mais do que uma família média produz em décadas. Nicolas Baird, de uma ONG ambiental, explica: "Muitas pessoas sentem, no momento em que assumem um grande compromisso uma com a outra, que também gostariam de fazer algum bem a outras pessoas".
Durante séculos houve um processo de degradação da natureza. Foram milhões de pequenos e irresponsáveis gestos que levaram o planeta à beira da falência. São necessários, agora, milhões de outros pequenos e responsáveis gestos para recuperar a Terra, a nossa casa. Cada um de nós precisa assumir uma responsabilidade pessoal no sentido de tornar a Terra um lugar habitável, o jardim que saiu das mãos de Deus. O homem recebeu a missão de cultivar, e não depredar, esse jardim.
Os casamentos verdes estão politicamente corretos, porque a família ocupa o primeiro lugar na área da educação. Os chamados comandos iniciais – os gestos vistos e praticados nos primeiros anos de vida – radicam-se nos costumes e no caráter das pessoas.
Além dessa dimensão, o casamento – para o cristão o Sacramento do matrimônio – precisa chamar também a atenção para outros importantes aspectos da vida e da ecologia. Há fatores que poluem a vida familiar: o egoísmo, a falta de tempo, a excessiva preocupação com o dinheiro, o esquecimento de Deus. Em contrapartida, há valores – podemos falar de valores verdes – que precisam ser recuperados: o compromisso para sempre, para os bons e maus momentos, a solidariedade, a ternura, o perdão, a capacidade de tudo partilhar e a presença de Deus neste maravilhoso projeto de arquitetura humana e divina.
Deus só quer, só pode, só saber amar. Seu desejo é a felicidade completa de seus filhos e filhas. E o casamento é o maravilhoso caminho para isso. Sobre os noivos cristãos, Deus coloca seu sinal sagrado, como garantia e indicativo de felicidade. E a experiência de hoje, tanto no aspecto positivo como no aspecto negativo, mostra que "aquilo que Deus uniu" é inteligente que ninguém jamais separe (Mt 19,6).
Freis celebram 50 anos de sacerdócio
Três capuchinhos recordam vida dedicada à educação e à pastoral
A província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul recorda, em abril, os 50 anos de vida sacerdotal de três frades – Leonel Santin, Eusídio Felix Deon e Arcanjo Panison. Os três foram ordenados no dia 6 de abril de 1957, em Porto Alegre, por dom Vicente Scherer. O jubileu de ouro de ordenação foi comemorado pelos freis em diferentes momentos e locais.
Frei Arcanjo foi homenageado pelo Grupo da Lareira, no dia 6 de abril, na Paróquia Imaculada Conceição, em Caxias do Sul. Frei Leonel recordou a data com uma celebração dia 31 de março, em Nicolau Vergueiro, e no dia 22 de abril, em Marau, junto com frei Eusídio Deon. Em Marau houve missa de ação de graças às 10h30, presidida por frei Eusídio e concelebrada por frei Leonel; pelo provincial, frei Álvaro Morés; e por outros confrades, com a presença dos noviços, familiares, parentes e amigos.
Frei Leonel, filho de Ângelo e Maria Piccoli Santin, nasceu aos 9 de setembro de 1932, em Marau (RS). Como sacerdote, atuou em diversas comunidades gaúchas, como professor, superior, pároco e vigário paroquial. De 1969 a 1988 manteve uma coluna no Correio Riograndense, com temas voltados para os jovens. De 1972 a 1975 foi definidor e secretário provincial, e de 1990 a 1997, secretário de dom Clóvis Frainer, inicialmente em Manaus (AM) e depois em Juiz de Fora (MG). Desde 2003 é pároco em Nicolau Vergueiro (RS). Tem publicados dois livros – Caminhos para uma vida feliz e Mistérios do amor.
Frei Eusídio Deon nasceu aos 11 de março de 1931 em Casca (RS). É filho de José e Itália Coppini Deon. Dedicou sua vida sacerdotal à educação, às atividades pastorais e às missões. Atuou em Marau, Bom Jesus, Vacaria, Coronel Bicaco, Ipê, Vila Flores, Veranópolis, Bagé, Ijuí e Santa Maria. Desde 2003 está em Marau, atuando na pastoral do aconselhamento e no atendimento aos doentes.
Frei Arcanjo Panison, filho de Adolpho e Ângela Panison, nasceu aos 8 de março de 1931, em Paim Filho (RS). Exerceu atividades ligadas à educação e, especialmente, às pastorais paroquial e do aconselhamento. Trabalhou em Ipê, Vila Flores, Marau, Flores da Cunha, Cacique Doble, Camargo, Tupanci, André da Rocha, Garibaldi, Maracajá (SC), Ijuí e Caxias do Sul. Hoje é assistente da Lareira e confessor, na paróquia de Lourdes, em Caxias do Sul. Reside na casa provincial.
Olimpíadas na UCS valorizam a unidade
Serão realizadas na Universidade de Caxias do Sul (UCS), de 28 a 30 de abril, as Olimpíadas do Movimento Juvenil pela Unidade. O evento é destinado a adolescentes de 10 a 17 anos, de várias cidades gaúchas. O objetivo é promover a cultura da paz a partir da vivência dos valores como a não-violência e a amizade.
O Movimento Juvenil Pela Unidade (MJPU) é a expressão juvenil do Movimento dos Focolares, que atua em 190 países para contribuir na construção da unidade entre as pessoas, grupos e povos, valorizando o ecumenismo e o diálogo intercultural. O MJPU tem como regra de ouro o "faze ao outro o que gostarias que fosse feito a ti, e não faças ao outro o que não gostarias que fosse feito a ti". Essa é também a regra das Olimpíadas organizadas pelo MJPU – nesta terceira edição, contando com parceria da UCS -, onde o que importa não é ganhar ou perder, mas competir. Serão disputadas sete modalidades esportivas.
Festa das padroeiras no Travessão Barra
A comunidade do Travessão Barra, de Nova Pádua (RS), promove, no dia 29 de abril, a festa das padroeiras Santa Libera e Santa Juliana. Haverá missa às 10h30, celebrada pelo pároco, padre Hilário Piazza, e logo após, benção da nova cancha de areia para a prática do jogo de bochas, onde será realizado torneio da modalidade, durante o dia. Ao meio-dia, almoço no salão comunitário, com sopa de agnolini, lesso, galeto, churrasco, saladas, pien e outros pratos, além do vinho colonial. A comunidade de Travessão Barra está localizada a seis quilômetros do centro de Nova Pádua.
Wilson João
Palmas para todas as pessoas que, no palco da vida, são sinais de amor pela vida, de felicidade, de sensibilidade pela dor humana
É preciso aplaudir quem faz o bem e silenciar diante de quem faz o mal. Nossos meios de comunicação fazem o contrário. Aplaudem e noticiam quem faz o mal e deixam totalmente de lado quem faz o bem. Ou apenas reservam, para isso, os últimos segundos da última notícia, para que os telespectadores tenham a sensação de um noticiário sadio. É preciso começar a bater palmas para as pessoas que fazem o bem.
PALMAS PARA QUEM SEMEIA VERDADES. A sociedade é um prato de mentiras. As pessoas adoram serem enganadas. O mundo dos negócios é um mundo de mentiras. A piratagem da verdade se tornou comum. Tudo tem rosto de verdade, mas apenas na aparência. No meio desta semeadura de mentiras, quem fala e vive a verdade merece as palmas e o apoio de todos. Somente a verdade não passará.
PALMAS PARA QUEM TRANSMITE ALEGRIA. Muito pior que a epidemia da dengue é a epidemia da tristeza, do estresse, da angústia e da depressão que vai picando as pessoas que se deixam envolver pela poluição da agitação e de uma vida sem sentido. Palmas para as pessoas que erguem seu olhar, mostrando a todos as estrelas e o sol e que abrem seu sorriso, que vivem a alegria da dedicação e do amor sem limites.
PALMAS PARA QUEM DEFENDE A JUSTIÇA. O mundo da política e dos negócios, vivendo a lei do mercado, semeia injustiça e faz da injustiça uma maneira de viver. Palmas para as pessoas que se organizam, saem pelas ruas, gritam nos tribunais e acreditam que, mais cedo ou mais tarde, a justiça é vencedora.
PALMAS PARA QUEM SAÚDA E ABRAÇA. No meio da frieza das relações, onde cada um vive fechado em si mesmo e em seus interesses, merecem palmas as pessoas que olham nos olhos das pessoas, as saúdam como amigas e não têm medo de dar o abraço da fraternidade e da paz.
PALMAS PARA QUEM CULTIVA A SABEDORIA. No meio de uma sociedade comodista e mentalmente preguiçosa, ousam não parar de estudar e de buscar a ciência da vida, a ciência do bem viver. Pessoas antenadas e acesas. Pessoas criativas e sábias. Merecem o aplauso, pois o mundo pertence a elas.
PALMAS PARA QUEM SE COLOCA NA DEFESA DA VIDA. Que não aceita que, em nome do progresso, se destrua o verde da vida, se matem as águas e se envenene o ar. Que não aceita, em nome de uma humanidade bonita e privilegiada, que se eliminem os pobres e doentes, que se façam leis para matar os idosos e as crianças indefesas.
PALMAS para todas as pessoas que, no palco da vida, são sinais de amor pela vida, de busca de felicidade, de sensibilidade pela dor humana, e acima de tudo, pela vivência da paz global. Que todas as pessoas de boa vontade formem o eco dos que aplaudem, sabendo que ali, ao lado, em sua casa, vizinhança, trabalho e círculo de amizade, alguém está merecendo esse aplauso.
PRÉDIOS ECOLÓGICOS
Obras projetadas para aproveitar o vento, a água da chuva e o sol ganham espaço
Os arranha-céus, cada vez mais altos e com formas ousadas, tornaram-se um dos maiores poluidores do ambiente. Pesquisas apontam que a poluição gerada pelos grandes prédios é dez vezes maior que a de todas as indústrias e 50% maior que a dos carros. No total, o que eles consomem de gás de cozinha, água e energia elétrica é responsável por 31% da emissão anual de gás carbônico na atmosfera. Nos últimos anos, diante da preocupação ambiental, um novo tipo de construção começa a ganhar espaço: são os prédios verdes, projetados para aproveitar o vento, a água da chuva e a luz natural, entre outras características.
O principal símbolo dessa nova geração de edifícios é a futura sede do Bank of America, em Nova York. A construção, com 366 metros de altura, deve ficar pronta em 2008. No topo da torre será instalado um enorme gerador movido pelo vento, que abastecerá 70% das necessidades de energia do prédio. A nova sede do banco também será capaz de armazenar e reaproveitar a água da chuva para irrigar jardins e abastecer os banheiros. O ar que entrará no prédio será purificado e devolvido à rua, tornando-o uma espécie de grande filtro num dos maiores centros urbanos do mundo.
Há muitos desses prédios já concluídos, como o Hearst Tower, de Nova York. A maior editora de revistas do mundo (Hearst) reformou a sede que ocupava desde 1928 e construiu um prédio de 46 andares. Cerca de 85% do material da demolição da obra antiga foi reciclado e reutilizado na nova. Um sistema de coleta de água da chuva supre metade da demanda de água do edifício.
O formato do 30 ST. Mary Axé, em Londres, rendeu-lhe o apelido de pepino. Seis tubos percorrem a estrutura como uma chaminé e permitem ventilação natural. Um computador checa a temperatura externa antes de abrir ou fechar as janelas, o que reduz à metade o consumo de energia.
O Swiss Re Tower, em Londres, utiliza 50% menos energia que outros similares. Possui sensores de temperatura exterior, velocidade do vento e nível de luz solar que permitem a abertura de painéis e janelas automaticamente, conforme a necessidade.
Brasil tem só uma obra verde
Hoje existem cerca de 700 prédios verdes em países como Estados Unidos, Inglaterra e Índia, reconhecidos pela única certificação aceita internacionalmente, a Leed, (Liderança em Energia e Design Ambiental).
Até agora, no Brasil, há apenas um prédio concluído que segue as recomendações Leed: o de uma agência do banco ABN Amro Real, inaugurada em janeiro em Cotia, na Grande São Paulo. Entre outras características, a agência armazena energia solar e a transforma em iluminação elétrica para as áreas de auto-atendimento à noite.
O custo de construção de um prédio verde é maior do que o de projetos convencionais, porém, o valor extra acaba se pagando pela economia gerada depois que o edifício fica pronto. O tempo médio que um projeto ecológico demora para se pagar é de apenas dois anos. A partir daí, ele começa a gerar lucro.
Homenagem ao trabalhador
O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris, França. A data foi escolhida em homenagem à greve geral ocorrida em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos na época.
Naquele dia, milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para oito horas diárias. Manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. A repressão ao movimento foi dura. Houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago e de suas reivindicações operárias, a data de 1º de maio foi instituída como Dia Mundial do Trabalho.
Alguns países comemoram o Dia do Trabalho em datas diferentes. Nos Estados Unidos, por exemplo, a homenagem ao trabalhador é feita na primeira segunda-feira de setembro, na Espanha, em 18 de julho.
O italiano que está em mim
Frei Hilário Frighetto
Paris, França
"Minha italianidade tem 59 anos. Nasceu comigo no Borghetto, em Garibaldi, RS, onde se estabeleceram, em 1896, os imigrantes Antonio Frighetto e Maria Madalena Ave. Convivi com os avós paternos e maternos e os acompanhei ao cemitério. Deles guardo boas recordações, mas também as ameaças com la scùria, el sicoto e la stropa, que serviam para parar fora i gati e le galine da grande cozinha, e lhe davam autoridade sobre a criançada, e justificavam:
– Quando la ghe vole, la ghe vole! La scùria ghe vole!
– Ma qualche volta la ghe sbrissiava e atingia inocentes.
Convivendo com descendentes de 3ª e 4ª gerações, decidi escrever pequena história de minha família e comunidade, mas terminei fazendo uma obra extensiva ao município de Garibaldi, que daria um belo filme. Juntando as experiências no Borghetto e nos encontros com parentes no Vêneto, fui me apropriando da real história dos antepassados. Para compor a história da Família Frighetto (1700-2006), visitei parentes em Cittadella (Padova) e em Marostica (Vicenza), e vi reataram-se relações interrompidas pelas guerras entre parentes cujo único relacionamento consistia em informar o falecimento de algum membro da família.
Com 11 anos, saí do Borghetto para o seminário dos capuchinhos, em Vila Flores. Durante os estudos, vivi em 8 cidades, quase todas tipicamente italianas. Sem nunca imaginar de sair do Rio Grande do Sul, vivi 11 anos em Roma, e este é o 4º na França, em Clermont-Ferrand e, desde 2005, em Paris. Em toda parte sou considerado estrangeiro. Na França, é inútil apresentar-me como brasileiro. Todos me reconhecem pelo sotaque. Então eu digo:
– Sou italiano, nascido no Brasil.
De certa forma, sou estrangeiro também no Borghetto, pois quando eu tinha 8 meses, meus pais deixaram a casa paterna onde viviam duas famílias e os avós (19 pessoas), e fomos morar na divisa de Garibaldi: última família da capela e da cidade. Nossas relações se deslocaram à cidade: escola, missa, catequese e per portar el late a le fameie, serviço que eu não gostava e que, indiretamente, contribuiu na escolha da vida religiosa. Na capela do Borghetto, nossa família participava das festas, das celebrações, enterros e das amplas relações parentais. Os avós maternos queriam ver seus 11 filhos e suas famílias na casa deles todos os domingos à tarde, após o catecismo. Não raro havia mais gente na casa dos avós do que na comunidade, fato que deu origem, ali, a uma nova comunidade.
Nossa família e a do tio, tínhamos tudo em comum. Trabalhávamos e rezávamos juntos enquanto se tratava os animais, se preparava a mesa e se fazia fila para lavar os pés na única mastela. Alcides, meu irmão mais velho, afirma:
– Eu tive duas mães – a biológica e a tia.
Uma das duas cuidava dos avós, das crianças e fazia comida para os 19 membros da família; a outra participava dos trabalhos agrícolas.
Ser colono nunca foi título ambicionado. Até no seminário, onde 98% dos 300 seminaristas éramos da colônia, os garotinhos zombavam de nós. Em 1973, fiquei surpreso quando uma criança de um bairro de Porto Alegre, onde eu lecionava, perguntou:
– Por que você fala assim?
Não se referia a algum erro gramatical, mas ao sotaque. Desde então, independente de falar talian, português, italiano ou francês, comecei a me orgulhar em ser e em me apresentar italiano de marca. Em 1983, um mês após trocar Garibaldi por Roma, fui celebrar o Natal em Vicenza. No ônibus, todos falavam o talian de nossa família e do Borghetto. Senti-me em casa, sem o constrangimento dos velhos tempos do s-ciufeto e dele braghe curte, e com a coragem de quem aprendeu a enfrentar os problemas com o otimismo da expressão: se da um zeito, típico exemplo para mostrar que as realizações valem mais do que as palavras." frighetto.hilario@wanadoo.fr
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (408)
Invasion dei bàrbari e i soldai dela cavalaria gaussa
Mário Gardelin
Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul – RS
Par infrentar l’invasion dei bàrbari, dopo sentir el Pègaso, Marco Polo el domanda:
– Dove catar soldai de cavalaria?
– Dale nostre parte i caté, dise Nanetto, tel Rio Grande do Sul, spèssie in Rio Pardo, tera del Barão do Triunfo, Andrade Neves, e de Joaquim Pedro Lisboa, pupà dela Festa da Uva de Caxias, vero Pègaso?
– Giusto, Merlin, su coi to incantésimi!
Pègaso el ze scompario come un lampo, e sinque minuti dopo, el siel de Venèssia l’era pien de cavai magnìfici, e seissento riopardensi i se ga presentà con bele falde, a la gaussa. Andrade Neves se ga presentà, el ga fato continensa ai presenti, e el ga messo la forsa in posission de batàlia. El ga sbainà la spada davanti i soldai, e el ga comandà:
– Al ataco!
El batalion ga fato un salto, e el ga sfilà par ària, fin al orisonte. El ga manovrà e el ze vegnes-to al so posto, con grande aplauso de tuti. Dise Marco Polo:
– Seissento òmeni no i pol tegner fermi sentinaia de bàrbari. Bisogna depì gente.
– Desso ve li domando mi, dise Nanetto, pregando:
– Santo Enrico, imperatore del Sacro Impero Romano Germànico, con fidùcia ve domando 60 mila cavalieri teotónici; 60 mila templari; 60 mila del Órdine de Cristo, 60 mila del Órdine de Santo Umberto; 60 mila del Órdine del Toson de Oro; 60 mila del Órdine de Santo Stèfano; 60.000 del Órdine de Santiago de Compostela e altri 60.000 del Órdine dei Cavalieri de Alcàntara, e tuti quei che podì del vostro impero.
L’Imperatore ga fato un segno. E sentinaia de miliaia de guerieri se ga fato visìbili. E Nanetto lora ga dontà:
– Guerieri vàlidi de tuti i Centros Gaúchos de Tradições, vegnì anca valtri. La domanda ze stà eseguia da tuto el Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Brasil, América do Sul e Mundo.
No se pol dir quanti i gera. In pochi minuti tuto ze stà pronto. El comando generale nominale zera del imperatore. In quela, riva Anca Giuseppe Garibaldi, co la so bela falda col poncho gaùcho. El gavea pi de sinquanta mila combatenti, vegnui dal Uruguai. In medo a questi, ghe zera Salvatore Càndido, de Roma, Luigi Rossetti, Carlos Reverbel, Clóvis Pinheiro e Joaquim Pedro Lisboa. De questi ve parlo pi avanti.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Sensa la soada
Silvino Santin
Santa Maria – RS
Questa la go vista mi. La nona la gera sentada, drio giustar le robete del so nipotin, fiol de so fiol pi gióveno, che’l gera de star con ela, come i costumea nei primi tempi. Rente ela ghe gera na cagneta che la disturbava, la proea ciaparghe el rochel del fil, o le ponte dele robete che la giustava. Ela la parava via, la cagneta la ndea un poco inlà, ma suito la tornea ndrio, e la sevitea disturbar la nona. Mì gera sentà lì rente magnando patate dolse, proea darghe qualche scorseta a la cagneta, ma ela ghe piasea depì el fil e el rochel dela nona.
Là par le tante, la nona la se ga inrabià, la ciapa el spècio picà te la parede e ghe lo mola su par la testa. El viero el se destaca e la soada la resta picada tel col dela cagneta, che la scampa via scainando come na disperada. La nona la ze restada col viero del spècio in man, e, sensa molarlo, svelta, la core drio a la cagneta par ricuperar la soada, parché la gera un bel ricordo del Itàlia. Suito fora de casa la cata el vissin che’l vegnea casa, e la ghe domanda se’l gavea visto la cagneta co la soada. Lu el ghe risponde:
– Si, ghinò visto una, ma sensa soada!
El oio dela confusion
A casa de na fameia de coloni taliani, el pupà el ciama so fiol Gigin e lo manda tor oio de màndola parché la mama la gavea mal de pansa. Bisognea ónderghe la pansa. Par dir la verità, la gera so maregna, parché so mare l’era morta insieme con so soreleta quando la ze nassesta. Lora Gigin el va corendo fin a la casa de negòssio de Telvino, che par mancansa de dotore e de farmassista, el fea anca sti laori, e ben fati. La casa de negòssio no la gera tanto distante, in mesa ora, a pié, dava par ndar e vegner. Gigin, el va de tuta corsa, parché so pare el ghe gavea dimandà de far presto.
In manco de diese minuti, Gigin el riva, tuto sudà e squasi sensa fià, e el ghe dise a Telvino:
– El pupà el me ga mandà tor un viero de oio de pansa par ónderghe la màndola dea mama.
Ma Telvino el ga capio lo stesso. Gigin el ciapa el viero e el core casa. Quando l’è rivà, so pare el ghe ga dito:
– Vien veder che bela soreleta che te ghè.
Sicuro, so pare lo ga mandà tor el oio de màndola, parché no`l vedesse quando la tatina la nassesse! (Testi scriti de Silvino Santin, stòrie contade par Neuton Antonio Pasin nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria).
Inscrições para o Curso de Teologia vão até 10 de maio
Inscrição pode ser feita por e-mail, fax ou correio
O grande volume de inscrições para a edição 2007 do Curso de Teologia a Distância registrado nas últimas semanas – mais de 50 por dia – fez com que a Estef e o Correio Riograndense prorrogassem o prazo, fixado para o final de abril, até 10 de maio. Os interessados poderão se inscrever através do e-mail extensao@estef.edu.br, por correio (Rua Tomaz Edson, 212, CEP 90640-100, Porto Alegre-RS) ou por fax (51 3217-4567).
Frei Bruno Glaab, coordenação de Extensão da Estef, alerta para a necessidade de preenchimento correto dos dados, tanto na inscrição como no posterior envio das respostas. A inscrição é gratuita para assinantes do Correio Riograndense. Quem fizer assinatura para participar do curso receberá as edições do jornal com as primeiras lições.
Campeonato de Quatrilho agita Flores da Cunha
Inscrições abertas até dia 17 de maio
Em comemoração aos seus 83 anos de emancipação política, o município de Flores da Cunha promove o 1º Campeonato Aberto de Quatrilho. A competição será realizada nos dias 19 e 20 de maio no restaurante Parque da Vindima.
A expectativa dos organizadores é reunir jogadores de toda a região. As inscrições custam R$ 30,00 e podem ser feitas até o dia 17 de maio no Departamento da Cultura ou na Secretaria Municipal de Turismo.
Os cinco jogadores que somarem o maior número de pontos positivos serão considerados campeões. Eles ganharão um troféu do campeonato e prêmio em dinheiro, no total de R$ 3.000,00. O regulamento completo está disponível no site www.floresdacunha.com.br
Irrigação é a prioridade para a população da bacia do Caí
Bacia envolve 750 mil pessoas de 42 cidades
Irrigação, abastecimento público e geração de energia. Esse é o desejo da população para as águas da Bacia do Rio Caí. As prioridades foram definidas pelos 750 mil moradores dos 42 municípios que integram a bacia. A opinião foi manifestada em audiências públicas realizadas em Gramado, Caxias do Sul, Dois Irmãos e São Sebastião do Caí. Além dessas, os moradores priorizaram a recreação, pesca e proteção das espécies aquáticas.
O Comitê Caí realiza em maio reuniões temáticas, para saber quais os usos que entidades ligadas à indústria, agricultura e turismo, entre outros setores, desejam priorizar. Até novembro, nova rodada de consultas públicas será realizada. "Elas servirão para projetar cenários futuros para as águas, de acordo com os usos escolhidos", explica o presidente do Comitê de Gerenciamento, Sebastião Teixeira Corrêa.
O objetivo do processo é envolver a sociedade na construção de uma proposta de enquadramento das águas da bacia, que irá estabelecer metas de qualidade e ações. "Quando aprovado pelo Comitê Caí, o Plano de Bacia fornecerá diretrizes para licenciamentos ambientais, outorga e cobrança pelo uso da água na região", relata.
Mapa – Localizada no nordeste gaúcho, a Bacia do Caí ocupa uma área de 5.000 km2. Abrange parte da Serra gaúcha e da região Metropolitana de Porto Alegre. Informações no site www.comitecai.org.br