DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 5.037 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 02 de maio de 2007.
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Incertezas e esperanças marcam a visita do Papa
A canonização de Frei Galvão e a abertura da V Celam são os pontos altos da visita papal
Embora imprecisas, sobretudo no campo social, as estatísticas – com toda a segurança – garantem que o Brasil continua ostentando título de maior país católico do mundo, com 130 milhões de fiéis. As mesmas estatísticas dizem que a América é o maior continente católico, com 86,5% da população. São este país e este continente que aguardam o Papa Bento XVI.
Dois são os grandes objetivos da visita. Ele vem "confirmar" a Fé dos irmãos, missão atribuída pelo próprio Jesus a Pedro (Mt 16,19). E, neste objetivo, adquire especial significado a canonização do Frei Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil. Mais do que isto, ele vem presidir a abertura da V Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe (Celam).
O catolicismo brasileiro vive um tempo de graça e de extraordinária vitalidade em que desabrocham muitos sinais do Reino. Mas também crescem algumas inquietações e incertezas, que precisam ser resolvidas em curto prazo. Peregrina na história, a Igreja – santa e pecadora – precisa sempre revisar seu caminho e sua presença profética. E neste sentido, a V Celam vai lembrar e continuar as conquistas de Medellín, Puebla e Santo Domingo, especialmente a evangélica opção pelos pobres e a inculturação.
O problema do continente não é a falta de templos, nem as maneiras de celebrar a fé. O problema da América Latina não se situa nos domingos, mas na fidelidade ao Evangelho ao longo da semana. Maior continente católico do mundo – em certos aspectos, o único – é marcado por inadmissíveis injustiças sociais. Unir fé e vida é o grande desafio. Também Aparecida dará especial atenção às chamadas religiões de mercado, facilitadoras de situações, pregadoras da teologia da prosperidade, pouco comprometidas com o Evangelho, mas que aliciam católicos desenraizados.
Há uma profecia milenar jamais desmentida: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. E as portas do inferno jamais prevalecerão. A Igreja de Roma passou, passa e passará por crises. Ela não tem compromisso com a popularidade, mas com a verdade. Ela tem a missão de caminhar na contra-mão da história do mundo. No passado cantamos: bem-vindo João de Deus! Agora proclamaremos: Bento bendito, você vem em nome de Senhor!
Palestras destacam 1º Horti Serra
Novidades agrícolas serão mostradas de 23 a 27 de maio
De 23 a 27 de maio, Caxias do Sul realiza o 1° Horti Serra Gaúcha, evento voltado à horticultura, fruticultura e vitivinicultura. Quarenta e uma palestras irão apresentar o mundo agrícola. Centralizado nos pavilhões da Festa da Uva, o evento busca a difusão das tecnologias, mercado e novidades do setor. A programação foi divulgada nesta segunda, 30 de abril, pelo prefeito José Sartori e o secretário municipal da Agricultora, Nestor Pistorello.
Entre os temas definidos na área hortícola estão "semente de alho livre de vírus", com o palestrante André Dusi, da Embrapa Hortaliças; legislação e manejo de águas na agricultura, com o secretário estadual da Irrigação, Rogério Porto; e pragas no sistema radicular de alho e cebola, com Walter Becker, da Epagri de Caçador.
No setor frutícola destacam-se as palestras "cultura da macieira – variedades com baixa exigência em frio", com Frederico Denardi, pesquisador da Epagri de Caçador; microclima, novas oportunidades, com João Fioravanço, da Fepagro/Veranópolis; e Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro, com Roberto Mourão, da Conab.
Já no segmento vitivinícola, os pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho Lucas Garrido e Umberto Camargo irão abordar novas cultivares, podridão cinzenta e morte descendente da parreira. Pequenas cantinas é assunto para José Werlang, fiscal agropecuário do Ministério da Agricultura, além do painel sobre a produção orgânica de uvas.
Promoção – A promoção é da Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria da Agricultura e Comissão da Festa da Uva. As inscrições para os seminários temáticos do evento estão abertas. Para se inscrever, o interessado deverá preencher a ficha presente no folder do evento e apresentar, na entrada, o comprovante de pagamento – o comprovante dará direito ao crachá, que servirá de ingresso. Informações (54) 3223 7155.
Projeto modifica horário da merenda nas escolas
Mais de 40 mil refeições diárias são servidas aos alunos da rede municipal de ensino de Caxias do Sul. O cardápio da merenda escolar é elaborado para suprir 15% das necessidades nutricionais das crianças e adolescentes.
Visando melhorar ainda mais as condições nutricionais dos estudantes, a Prefeitura está implementando o projeto Prato Limpo, que oferece duas refeições nas escolas, em vez de uma, e em horários mais adequados aos hábitos da sociedade brasileira. Os alunos do turno da manhã tomam café logo ao chegar na escola e almoçam às 11h30. Os da tarde almoçam quando chegam e recebem uma pré-janta às 17 horas. Assim, os alunos passam a fazer a principal refeição do dia na escola.
Inicialmente, o projeto está sendo desenvolvido em quatro escolas: Mansueto Serafini, no bairo Pioneiro II; Machado de Assis, no Reolon; Governador Roberto Silveira, no Rio Branco; e Dolaimes Stedile Angeli (CAIC), no Centenário II. As escolas foram escolhidas para contemplar quatro zoneamentos diferentes da cidade. Nessas instituições, são oferecidas 2.060 refeições diárias. A intenção é estender o projeto a outras escolas. A Prefeitura já investiu cerca de R$ 435 mil na adequação dos espaços, aquisição do material de cantina, entre outras despesas.
Hospital Pompéia trata câncer pelo SUS
Desde 1º de maio, o Hospital Pompéia está oferecendo tratamento de câncer aos pacientes do Sistema Único de Saúde. Com a recente inauguração do Instituto do Câncer (Incan), que atende a todos os requisitos exigidos pelo Ministério da Saúde, a instituição passou a integrar o sistema de alta complexidade em oncologia para a região da Serra Gaúcha, somando-se ao Hospital Geral no atendimento de pacientes em regime de tratamento quimioterápico. "O Hospital Pompéia comemora mais este importante avanço, que certamente qualificará e humanizará o atendimento à população de Caxias do Sul e região na área do câncer" declara Francisco Ferrer, superintendente-geral do Pompéia.
O Incan estava funcionando desde 15 de março, mas apenas para convênios e planos particulares. O instituto tem capacidade par atender 500 pacientes por mês, entre consultas, sessões de quimioterapia, radioterapia e outros procedimentos. Desse total, cerca de 60% poderão ser feitos pelo SUS. Para marcar atendimento no Incan, os pacientes devem primeiramente procurar a unidade básica de saúde mais próxima de sua residência, que o encaminhará ao hospital.
Cursos certificam produtores rurais
A atividade agrícola caxiense está mais qualificada. A Prefeitura, em parceria com o Sebrae e o Senar, entregou 400 certificados referentes a cursos de capacitação. Ao todo, foram 32 cursos, que incluíram temas como saneamento rural, operação com tratores, plantio direto, jardinagem e pulverizadores.
De acordo com o secretário municipal da Agricultura, Nestor Pistorello, os treinamentos aos produtores proporcionaram o aperfeiçoamento nas atividades do setor, "trazendo novas tecnologias e orientando sobre as boas práticas de manejo."
Ciência não interessa à maioria dos brasileiros
Pesquisa nacional revela que 58% têm pouco ou nenhum interesse pelo tema
Num país em que a violência ocupa o topo das preocupações, é natural supor que temas científicos não despertem muita atenção. Mas o resultado de um levantamento divulgado na quarta 25 surpreendeu pelo baixo nível de interesse do brasileiro por ciência e tecnologia. A pesquisa Percepção Pública da Ciência e Tecnologia revelou que apenas 41% têm muito interesse pelo assunto; 35% se interessam pouco e 23% não têm nenhum interesse.
O objetivo do levantamento promovido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com a Academia Brasileira de Ciência, era saber o nível de interesse e de informação, bem como atitudes e conhecimento do brasileiro sobre ciência e tecnologia. Foram ouvidas cerca de duas mil pessoas com mais de 16 anos, em 16 Estados.
Interesse da população e investimentos num setor guardam distância considerável. Mas a relação entre ambos pode explicar por que o Brasil vem caindo pelo quarto ano consecutivo no ranking mundial de tecnologia. Na avaliação sobre o nível de preparo para usar tecnologias da informação e comunicação, divulgada no último Fórum Econômico Mundial, o país ocupa a 53ª posição entre 122 países. Em 2001, era o 38º entre 75 países. Em 2002 subiu para 29º, depois não parou de descer: 39º, 46º e 52º, em 2005.
Preferências – Medicina e saúde é o tema que gera mais interesse do brasileiro (60% dos entrevistados). Em segundo lugar vêm meio ambiente e em terceiro, religião. Ciência e tecnologia ficaram na sexta posição. A pesquisa também perguntou quais são os temas sobre os quais a população mais se informa. Em primeiro lugar aparece religião, com 49%. Na seqüência vêm esportes (40%). Ciência e tecnologia aparecem em quarto lugar, com 27%.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, atribui o baixo interesse pelo pouco tempo das instituições de pesquisa brasileiras. "O Brasil começou a formar seus pesquisadores na década de 1960. Nos Estados Unidos, o primeiro físico americano, Benjamin Franklin, foi atuante em 1750. A Universidade de Harvard foi fundada em 1636. A USP, que é a mais referenciada aqui, em 1934. Então, a ciência é muito nova entre nós", afirmou Rezende, em entrevista à Agência Brasil.
Falta de entendimento sobre tema tira motivação
A falta de entendimento sobre a ciência é o principal motivo para o pouco interesse dos brasileiros a estudos relacionados à área. Esta razão fica evidente quando a pesquisa avalia os entrevistados com pouco interesse em ciência e tecnologia: dos 35% que deram essa resposta, 37% afirmaram que não entendem o assunto; 24% disseram que não têm tempo para se dedicar ao tema e 18%, que nunca pensaram sobre o assunto.
"O fator principal para mudar esse quadro é melhorar muito a educação brasileira e despertar a consciência desde o ensino fundamental. A ciência é mais que um número de informações colocadas de maneira impositiva. O ensino de ciência deve ser muito mais interessante e divertido", avalia o diretor do departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do Ministério, Ildeu de Castro.
Fontes – A pesquisa apurou ainda que a mídia é a principal fonte de informação para assuntos relacionados à ciência. Dos entrevistados, 15% afirmaram que assistem com freqüência a programas de televisão que tratam do tema e 47%, de vez em quando. Jornais e revistas aparecem em segundo lugar, com 12%. Apenas 5% declararam que escutam programas no rádio sobre ciência.
Médicos, com 43%, e jornalistas, com 42%, são os profissionais mais confiáveis quando o brasileiro deseja obter informações sobre assunto que considera importante. Na terceira posição, segundo a pesquisa, estão os cientistas de universidades. As fontes com menor credibilidade são os políticos (84%) e os militares (44%).
Mais de a metade nunca visitou museu
Qual a freqüência de visita e participação do brasileiro em eventos científicos? Ao tentar encontrar uma resposta para esta pergunta, a pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia apurou que mais de a metade (52%) dos entrevistados nunca visitou um museu, biblioteca ou evento de ciência e tecnologia. Apenas 13% dos dois mil ouvidos tinham ido a uma feira de ciências, 12% visitaram um museu de arte e 4%, um museu de ciência e tecnologia.
Os percentuais sobem em relação a parques nacionais e zoológicos – cerca de 28% afirmaram já ter visitado essas unidades – e a bibliotecas públicas – 25% já esteve nesses locais.
Questionados pelo motivo de não terem visitado museus de ciência e tecnologia, 35% dos entrevistados responderam que não existem museus na região onde moram, 31% disseram que não têm tempo para ir a museus e 22% afirmaram não ter interesse em lugares desse tipo.
Caldas combatem mancha-angular do feijoeiro
Embrapa testou a eficiência do produto em cultivo orgânico
A mancha-angular, uma das principais doenças que atacam a lavoura de feijão, pode ser controlada de maneira simples e econômica pelo produtor. Experimentos conduzidos pela Embrapa com os feijões carioca pérola e preto BRS valente comprovam a eficácia do uso das caldas sulfocálcica e bordalesa para o controle da mancha-angular.
Nas experiências, conduzidas pelo pesquisador Wellington Pereira de Carvalho, foram avaliados quatro tipos de caldas: bordalesa, sulfocálcica, elaborada com silicato e calda elaborada com gesso agrícola, nos regimes de feijão irrigado e feijão das águas. As caldas bordalesa e sulfocálcica conseguiram melhores resultados no controle da doença.
A cultivar pérola, tratada com calda bordalesa, apresentou rendimento de 3.656 kg/ha. O mesmo feijão, tratado com calda sulfocálcica, teve rendimento de 3.573 kg/ha. "Observou-se que o lucro propiciado pelo uso da sulfocálcica atingiu R$ 958,37/ha e a lucratividade da calda bordalesa foi de R$ 743,85/ha", relata Carvalho.
Já a cultivar BRS valente, considerada mais resistente à mancha-angular, não apresentou diferença entre os tipos de caldas aplicadas. "Quando calculado o custo da aplicação durante o ciclo da cultura e o respectivo lucro que cada calda proporcionou, constatou-se que a sulfocálcica propiciou lucro de R$ 641,86 em relação à testemunha", complementa.
O experimento com feijão irrigado, no inverno, época de menor incidência da doença, indicou que, para a cultivar pérola, a calda bordalesa apresentou melhor controle da doença, proporcionando rendimento de 3.370 kg/ha – o lucro obtido foi de R$ 386,40/ha. Para a BRS valente, a calda bordalesa proporcionou rendimento de 2.772 kg/ha, e a sulfocálcica, 2.701 kg/ha. O lucro obtido com a aplicação das caldas nessa cultivar foi de R$ 573,15/ha para a calda bordalesa e R$ 464,10/ha para a sulfocálcica.
Produtos fornecem nutrientes ao solo
A calda bordalesa é conhecida desde o final do século XIX. Os agricultores dominam seu uso. É uma mistura de sulfato de cobre, cal virgem e água, simples de ser feita e de custo baixo. Já a calda sulfocálcica é um pouco mais trabalhosa na sua confecção, pois necessita de fervura no processo, mas, por ser uma mistura de enxofre em pó, cal virgem e água, também apresenta baixo custo.
Segundo o pesquisador, as caldas são fáceis de serem aplicadas podendo-se utilizar pulverizador costal manual, desde que seguidos os cuidados prescritos para o seu manuseio.
Além do controle que exercem sobre os fungos, as caldas fornecem macro e micronutrientes às plantas, ativando o processo enzimático e estimulando a proteossíntese (síntese das proteínas), o que explica o comportamento da cultivar valente, que, mesmo sendo resistente à doença, quando tratada com as caldas teve produção superior.
"As caldas feitas pelo próprio produtor, com produtos baratos e fáceis de serem encontrados, são ferramentas úteis para quem quer cultivar feijão orgânico, pois são permitidas pelas certificadoras", salienta Carvalho.
Assembléia define futuro do Ibravin
Depende dos deputados o funcionamento do Instituto e de projetos do setor
O destino do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) depende agora da Assembléia Legislativa. Depois de desarquivar o projeto de lei 508/2006, que estabelece que 25% da taxa de fiscalização recolhida pelo setor vitivinícola gaúcho ao Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis) – estimados em R$ 8 milhões a R$ 10 milhões – sejam destinados diretamente ao Ibravin, a governadora Yeda Crusius afirmou em Bento Gonçalves, na primeira interiorização de seu governo, que se empenhará para que os deputados aprovem o projeto.
O referido projeto prevê alterações nas leis 8.109/85, 8.820/89 e 10.989/97 que aperfeiçoam a sistemática de repasses dos valores conveniados, garantindo maior segurança à atuação do setor. Tal mudança garantirá ao Ibravin a continuidade do repasse de verbas para a formação e a capacitação técnica de vitivinicultores, elaboração do cadastro vitícola, entre outras atividades.
Além disso, a aprovação dos 25% ao Ibravin permitirá a continuidade de atividades pelo Laboratório de Referência em Enologia (Laren), de Caxias do Sul, que trabalha no controle de qualidade, e para a redução da adulteração e falsificação do produto, e a promoção e divulgação do vinho gaúcho.
Recursos – Na quinta-feira 26, véspera da instalação do governo Yeda Crusius em Bento Gonçalves, estréia do processo de interiorização, o Conselho Deliberativo do Ibravin recebeu correspondência da Secretaria da Agricultura do Estado. Seu conteúdo trazia uma informação, uma recomendação e um sinal velado. A informação se referia ao anúncio da liberação de R$ 50 mil para o Instituto. A recomendação: encolher ao máximo as despesas. O sinal velado: o governo do Estado está repensando a questão dos fundos.
Danilo Cavagni, presidente do Conselho, não tem dúvidas sobre a intenção do governo do Estado de estancar perdas com renúncia fiscal. Na prática, isso significa alterar o atual sistema, pelo qual as empresas recolhem para o Fundovitis conforme o volume de uva industrializada, e são ressarcidas com créditos do ICMS. As taxas deverão diminuir ou o recolhimento será parcial, de acordo com as necessidades – e não pelo total da safra. Por isso que, se o Ibravin ficar com 25% do arrecadado, conforme prevê o projeto reapresentado na Assembléia, terá recursos suficientes para implementar vários projetos importantes para a promoção do vinho gaúcho.
Por enquanto, porém, o Ibravin luta para pelo menos pagar a folha em dia – o que acontecerá com os R$ 50 mil anunciados. Mas a necessidade de reduzir despesas reacende a possibilidade de demissões.
Setor lácteo entrega suas prioridades
Defesa agropecuária, política agrícola e relações internacionais são as prioridades do setor lácteo, aprovadas pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados, presidida por Rodrigo Sant’Anna Alvim. O documento contendo as ações foi entregue ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
Na primeira, propõe a intensificação do combate à fraude nos produtos lácteos; a atualização do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitário de Produtos de Origem Animal; o equipamento da Rede Brasileira de Laboratórios de Controle de Qualidade do Leite; a operacionalização do Programa Nacional de Combate e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal e a regulamentação da lei que estabelece advertência nas embalagens dos lácteos.
Na área de política agrícola, o documento sugere a criação do prêmio de risco para aquisição de produto agropecuário; a alocação de R$ 300 milhões para EGF e a ampliação do prazo para desconto de Duplicata Rural, Nota Promissória Rural e Cédula de Produto Rural. Nas relações internacionais, reivindica o apoio à elevação da tarifa externa comum do Mercosul dos lácteos para 30%.
Engº. Agrº. José Zugno
Vida Agrícola completa 54 anos
Prezado poeta da natureza, José Zugno. A poesia é um ato de paz, o encontro do homem com a sagrada reconciliação entre o homem e a natureza. Esta é a mensagem do livro "A Matéria do Poema", que lhe ofereço, com respeito e cordialidade.
Alice Bertoli Arns
Curitiba – PR
Os livros de poesias de Alice Bertoli Arns que me foram oferecidos vieram como presente de aniversário, pois Vida Agrícola acaba de completar 54 anos de existência. Teve início no dia 29 de abril de 1953 e reproduziu-se semanalmente até os dias de hoje.
Lembro-me do convite que me fez frei Armindo de Antônio Prado, então diretor do jornal: "Escreva no jornal o mesmo que vem fazendo aos agricultores do município". Agradeci a deferência da direção, voluntariamente aceitei o convite e escrevi o meu primeiro artigo colocando-me à disposição dos agricultores para responder as perguntas que me fizerem a respeito de problemas da vida rural. Fiz referência à agricultura então praticada na colônia, direcionada apenas para o sustento da família, sem preocupações de rendimento. Muito trabalho e pouca renda. Maiores rendimentos deveria o produtor rural obter pela adoção de práticas modernas no trato das terras, no cultivo das lavouras e no cuidado das criações. Concluí o artigo dizendo que os meus escritos visavam o melhoramento da agricultura e o bem-estar das populações rurais.
Frei Armindo fez a apresentação elogiosa do novo colaborador, dizendo: "Os colonos podem confiar a ele os problemas da colônia pois, como diretor do Fomento Agrícola de Caxias do Sul, vem desenvolvendo um trabalho de notável alcance, e não deveriam ter receio de aceitar os novos métodos de cultivo".
Voltando a Alice Bertoli Arns, que me ofereceu seus dois livros de poesia: é leitora do Correio Riograndense e de Vida Agrícola. Sabe do grande amor que tenho à natureza e à agricultura, talvez por isso cometeu o exagero de me nomear "poeta da natureza".
Ela sim é poeta da natureza. Embora em Curitiba, exercendo o magistério, viveu, no entanto, na fazenda da família no cerrado mato-grossense, conhecendo a vida sertaneja: os pássaros, as aves, as plantas, os ambientes, os habitantes do sertão e suas atividades. Conhecendo estes valores, ela soube construir a exaltação dos mesmos num delicado lirismo no formato de haicais (poemas japoneses constituídos de três versos). Eis alguns:
Sons da fazenda
canta o pássaro-cinza
toda a manhã
Manhã de páscoa
beija-flor da mata
vibra no jardim
Noite de lua cheia
o contorno da ermida
no alto da colina
Vaqueiro na encosta
carrega o sal mineral
o gado acompanha
Sombras recortadas
revoada de passarinhos
sobre o arrozal
Tarde no campo
o suave pouso da
curicaca
no alto do campanário
Beira da lagoa
vicejante se estende
o arrozal do cerrado
Chuva no cerrado
no ramo volta a cantar
um sabiá-gongá
Bate o vento sul
caem desfeitos no
jardim
os caquis maduros
Terra ressecada
azulão-do-campo colhe
restos de sementes.
Parabéns à autora dos poemas e muito obrigado pelos livros que me ofertou.
Hipertensão afeta 28% dos brasileiros
Ausência de sintomas retarda diagnóstico e faz a doença progredir
A hipertensão atinge 28,5% da população brasileira, segundo estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Somente 6,5% dos pacientes hipertensos têm sua pressão controlada em níveis adequados.
O grande complicador da hipertensão é o fato de não apresentar sintomas. A ausência de sinais bem definidos retarda o diagnóstico que, muitas vezes, é feito somente quando problemas mais sérios aparecem, em órgãos afetados pela doença (coração, cérebro, rins, etc).
Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, a pressão alta é o principal fator de risco no desenvolvimento de doenças cerebrovasculares. A doença é responsável por 40% das mortes por acidente vascular cerebral (AVC) e 25% daquelas por doença coronariana.
Em geral, a hipertensão é diagnosticada em exame clínico de rotina, com a simples medida da pressão arterial. Ao contrário do que acontecia antigamente, tal diagnóstico já não acontece apenas nos idosos. Atualmente, a doença atinge em média 20% dos adultos entre 40 e 50 anos de idade, com aumento crescente também em crianças e adolescentes.
O fenômeno pode ser explicado pelos maus hábitos tão freqüentes nos dias de hoje, como a falta de atividade física e a alimentação excessivamente calórica oferecida a crianças e jovens, com aumento da obesidade. O excesso de peso é responsável pelo aumento de duas a seis vezes do risco de hipertensão.
O estresse é outro fator de risco com grande interferência na atualidade, mas fatores genéticos são os mais importantes, uma vez que a presença da doença em um ou ambos os pais, já torna o filho um candidato a se tornar hipertenso também.
Considera-se que a pessoa é hipertensa se, medindo a pressão arterial em repouso, obtêm-se valores acima de 140 x 90 mmHg. A Sociedade Brasileira de Hipertensão recomenda medir a pressão arterial regularmente, no mínimo, uma vez por ano, inclusive aqueles que não têm ou desconhecem ter a doença. A recomendação se aplica também às crianças, a partir dos três anos de idade. Já para os hipertensos, a verificação da pressão deve ser muito mais freqüente para o controle adequado da doença.
Sal é o principal inimigo da doença
Entre as influências nutricionais na hipertensão, o sal é o fator mais importante. O excesso do tempero na dieta agrava a doença e leva a uma incidência maior de hipertensão na população sadia. "Comer menos sal faz parte da prevenção e do tratamento da doença", explica a endocrinologista Ellen Paiva. Controlar o consumo de sal implica em dois cuidados básicos: não o adicionar na comida pronta e cozinhar com pouco sal.
O hipertenso também deve ser estimulado a seguir uma dieta balanceada, privilegiando frutas e verduras, carne magra, laticínios desnatados, grãos e cereais. "Porém, a dieta é só uma das medidas para controle da pressão. Ela deve ser acompanhada de outros hábitos, como: atividade física regular, abandono do tabagismo, ingestão moderada de bebida alcoólica, controle do estresse e manutenção do tratamento medicamentoso, quando houver prescrição médica", diz Ellen Paiva.
Dengue avança no Rio Grande do Sul
Os números da epidemia de dengue no Rio Grande do Sul continuam aumentando. Até a manhã de segunda-feira 30, foram registrados 371 casos suspeitos da doença, com 18 internações hospitalares, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Desse total, 17 casos foram confirmados como dengue autóctone pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, sendo 16 em Giruá e um em Erechim. Isso significa que foram contraídos dentro do Estado. Trinta e três municípios gaúchos registram casos suspeitos de dengue, a maioria nas regiões Norte e Noroeste. Na Serra gaúcha foram notificados três casos: dois em Caxias do Sul e um em São Marcos.
A governadora Yeda Crusius, acompanhada do secretário estadual da Saúde Osmar Terra, anunciou a composição de uma força-tarefa para combater a epidemia. A força-tarefa será coordenada pela diretora da Secretaria da Saúde, Neusa Kempfe, e irá integrar as secretarias de Obras e da Educação, a Defesa civil, a Brigada Militar e técnicos dos municípios com notificações da doença.
Leonardo Boff
No memorando Bush-Lula busca-se uma alternativa à matriz energética dominante, mas não uma alternativa de sociedade menos energívora e mais respeitosa com a Terra. O que ambos procuram é uma arca de Noé que possa salvar o sistema imperante
O memorando do encontro Bush-Lula, em março, acerca da produção de etanol e de biocombustíveis não deixa de causar preocupações nos meios do pensamento ecológico. O relatório do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) deixou claro que a Terra está buscando celeremente um novo equilíbrio com o aumento de sua temperatura que pode provocar um verdadeiro transtorno nos climas mundiais, uma devastação da biodiversidade e um risco de desaparecimento de milhares e milhares de seres humanos.
Esta situação alarmante está suscitando novas responsabilidades nos governos do mundo inteiro, procurando adaptações e estratégias de minoração dos efeitos nocivos. Aqui e acolá se ouvem vozes que falam da urgência de uma central mundial de poderes para enfrentar coletivamente os problemas globais e também da necessidade de uma revolução objetiva nos modos de produção e de consumo. Caso contrário, poderemos conhecer, ainda neste século, o destino dos dinossauros. Depois de reinarem, soberanos, por 133 milhões de anos sobre o planeta, desapareceram há 65 milhões de anos, incapazes de se adaptar ao estado novo da Terra, provocado pela queda de um imenso meteoro rasante, provavelmente, no Caribe.
No memorando Bush-Lula busca-se uma alternativa à matriz energética dominante, mas não uma alternativa ao tipo de sociedade menos energívora e mais respeitosa para com a Terra. O que ambos procuram é uma arca de Noé que possa salvar o sistema imperante. Ora, cabe perguntar: esse sistema pode e merece ser salvo? Não é ele que com sua voracidade de explorar de forma ilimitada todos os recursos da natureza é o principal responsável pelo aquecimento global? Sobre isso o IPCC não diz sequer uma palavra.
Minuciosos cálculos revelaram que o sistema dominante e globalizado, movido a petróleo e com uma economia de competição e não de cooperação, só funciona a contento para 1,6 bilhão de pessoas. Ocorre que somos cerca de 6,5 bilhões. Como ficam esses restantes?
Edward Wilson, o grande especialista da biodiversidade, em "O futuro da vida" deixou claro que se quiséssemos universalizar o bem-estar dos países industrializados, deveríamos contar com outras três Terras iguais a esta. Nosso modo de viver não é, pois, sustentável. Chegou agora, com as mudanças climáticas, ao seu fim, no duplo sentido de fim: realizou suas potencialidades (fim como objetivo alcançado) e também chega ao seu fim, (fim como morte) condenado a desaparecer.
O que está em jogo não é, portanto, uma alternativa à matriz energética, mas uma alternativa ao padrão de produção e consumo – numa palavra, uma alternativa de civilização.De que adianta redesenharmos todo o mapa produtivo brasileiro em função de manter o velho sistema se ele já tem os dias contados? Sobre este ponto o memorando Bush-Lula não faz sequer um aceno.
Convocados a ajudar na formulação de alternativas não são técnicos nem economistas, mas pensadores, os que vêm das ciências da vida e da Terra, os portadores de um novo sonho, capaz de construir uma arca de Noé que inclua realmente a todos e não apenas alguns. O tempo do relógio corre contra nós. Seria desejável que no governo Lula houvesse, como em outros países há, uma central para pensar a crise sistêmica e suas possíveis saídas salvadoras. Junto com tantos amantes da Terra, aqui deixamos este desafio.
Frei Betto
Creio no Deus que se faz sacramento em tudo que aproxima, atrai, enlaça, abraça e une – o amor. Todo amor é Deus e Deus é o real. Creio no Deus da fé de Jesus, Deus que se aninha no ventre vazio da mendiga e se deita na rede para descansar dos desmandos do mundo
Creio no Deus desaprisionado do Vaticano e de todas as religiões existentes e por existir. Deus que precede todos os batismos, pré-existe aos sacramentos e desborda de todas as doutrinas religiosas. Livre dos teólogos, derrama-se graciosamente no coração de todos, crentes e ateus, bons e maus, dos que se julgam salvos e dos que se crêem filhos da perdição, e dos que são indiferentes aos abismos misteriosos do pós-morte.
Creio no Deus que não tem religião, criador do Universo, doador da vida e da fé, presente em plenitude na natureza e nos seres humanos. Deus ourives em cada ínfimo elo das partículas elementares, da requintada arquitetura do cérebro humano ao sofisticado entrelaçamento do trio de quarks.
Creio no Deus que se faz sacramento em tudo que aproxima, atrai, enlaça, abraça e une – o amor. Todo amor é Deus e Deus é o real. Em se tratando de Deus, bem diz Rumî, não é o sedento que busca a água, é a água que busca o sedento. Basta manifestar sede e a água jorra.
Creio no Deus que se faz refração na história humana e resgata todas as vítimas de todo poder capaz de fazer o outro sofrer. Creio em teofanias permanentes e no espelho da alma que me faz ver um Outro que não sou eu. Creio no Deus que, como o calor do sol, sinto na pele, sem no entanto conseguir fitar ou agarrar o astro que me aquece.
Creio no Deus da fé de Jesus, Deus que se aninha no ventre vazio da mendiga e se deita na rede para descansar dos desmandos do mundo. Deus da Arca de Noé, dos cavalos de fogo de Elias, da baleia de Jonas. Deus que extrapola a nossa fé, discorda de nossos juízos e ri de nossas pretensões; enfada-se com nossos sermões moralistas e diverte-se quando o nosso destempero profere blasfêmias.
Creio no Deus que, na minha infância, plantou uma jabuticabeira em cada estrela e, na juventude, enciumou-se quando me viu beijar a primeira namorada. Deus festeiro e seresteiro, ele que criou a lua para enfeitar as noites de deleite e as auroras para emoldurar a sinfonia passarinha dos amanheceres.
Creio no Deus dos maníacos depressivos, das obsessões psicóticas, da esquizofrenia alucinada. Deus da arte que desnuda o real e faz a beleza resplandecer prenhe de densidade espiritual. Deus bailarino que, na ponta dos pés, entra em silêncio no palco do coração e, soada a música, arrebata-nos à saciedade.
Creio no Deus do estupor de Maria, da trilha laboral das formigas e do bocejo sideral dos buracos negros. Deus despojado, montado num jumento, sem pedra onde recostar a cabeça, aterrorizado pela própria fraqueza.
Creio no Deus que se esconde no avesso da razão atéia, observa o empenho dos cientistas em decifrar-lhe os jogos, encanta-se com a liturgia amorosa de corpos excretando sumos a embriagar espíritos.
Creio no Deus intangível ao ódio mais cruel, às diatribes explosivas, ao hediondo coração daqueles que se nutrem com a morte alheia. Misericordioso, Deus se agacha à nossa pequenez, suplica por um cafuné e pede colo, exausto frente à profusão de estultices humanas.
Creio sobretudo que Deus crê em mim, em cada um de nós, em todos os seres gerados pelo mistério abissal de três pessoas enlaçadas pelo amor e cuja suficiência desbordou nessa Criação sustentada, em todo o seu esplendor, pelo frágil fio de nosso ato de fé.
A HISTÓRIA DO PAPA QUE VISITA O BRASIL
De 9 a 13 de maio, Bento XVI estará no Brasil para abrir, em Aparecida
(SP), a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho.
Conheça, com base no livro "Lembranças da minha vida", autobiografia parcial (Paulinas, 2006), e outras fontes, a história do 266º Papa Pe. Antonio Valentini Neto Pároco da Catedral São José, Erechim Joseph Ratzinger nasceu no dia 16 de abril de 1927, em Marktl, às margens do rio Inn. Como seu pai, também chamado Joseph, era comissário de polícia, a família passava por constantes mudanças de residência. Mas ela considera realmente sua terra a localidade de Hufschlag, entre dois rios, o Inn e o Salzach, na Baviera, Alemanha, fronteira com a Áustria.
A segunda parada da família foi Tittmoning. Antes do Natal de 1932, se mudou para Aschau, um lugarejo rural, pacato. Junto com as lembranças bucólicas e amenas, está a recordação da realidade sócio-política. Em janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler do Reich, do governo da Alemanha. Os adeptos do nazismo na localidade logo se manifestaram. A "juventude hitlerista" e a "liga de meninas alemãs" foram introduzidas e ligadas à escola. O irmão e a irmã de Joseph foram obrigados a participar de suas atividades.
Em 1933, nova mudança, agora para sua residência definitiva, na periferia de Traunstein. Em 1935, seu irmão entrou no ginásio e mais tarde no seminário arquiepiscopal do lugar. Joseph o seguiu pouco depois. Ele sentiu o desafio da escola com o estudo do latim. Mas isto o deixou grato pelo resto da vida, pois, como teólogo, não teve dificuldade de ler as fontes em latim e grego. Em 1938, o exército alemão invadiu a Áustria. O país foi anexado à Alemanha, que passou a ser chamada a Grande Alemanha.
Na Páscoa de 1939 Joseph entrou no seminário. Para o pai, com aposentadoria reduzida, significou grande sacrifício. Com o início da guerra, em 1º de setembro daquele ano, o seminário foi declarado hospital militar e os seminaristas voltaram para suas casas.
Convocação – Em 1943, "os poderosos acharam perfeitamente normal" engajar alunos, no tempo livre, na defesa antiaérea, chamada Flak. O pequeno grupo de seminaristas foi convocado para a proteção de uma fábrica da BMW, em Munique. Assim, aos 16 anos de idade, Joseph precisou "aceitar" um "internato" bem estranho.
No dia 10 de setembro de 1944, foram dispensados da Flak. Mas chegando em casa, Joseph encontrou a convocação para o treinamento básico da Infantaria Alemã. "Aquelas semanas de treinamento são, para mim, uma lembrança deprimente. Numa noite, um oficial da Gestapo (...) chamou um por um e tentou forçá-los a se alistar "voluntariamente". Joseph e os outros colegas de seminário disseram que queriam ser padres. Foram insultados, mas liberados.
Em outubro do mesmo ano, houve a convocação para o serviço militar. Ele foi para o quartel de Infantaria de Traunstein, mas não para a frente de combate. "A morte de Hitler reforçou, finalmente, a esperança de que tudo acabaria em breve" (p. 40).
A chegada dos americanos o fez viver a experiência de preso de guerra. Identificado como soldado, foi levado, com um grupo, para perto de Ulm. A alimentação diária era uma concha de sopa e um pouco de pão. Alguns sacerdotes presos celebravam missa diariamente. Em 19 de junho foi dispensado e voltou para casa.
Retomada – Joseph, seu irmão e outros "regressados" trabalharam para a restauração do Seminário, em Frisinga. Deram os primeiros passos na filosofia e na teologia. No verão de 1947, Joseph concluiu o curso de filosofia. Iniciou em seguida o de teologia, em Munique. Em seu depoimento, fala dos professores, de seu apreço pela exegese, pela liturgia.
Observa que, embora em toda a Alemanha católica, de modo geral, houvesse "aprovação do papado e sincera veneração pela grande figura de Pio XII, o clima na faculdade católica era um tanto mais frio" (p. 66). No verão de 1950, fez o exame final de teologia. Joseph assumiu o desafio de um concurso que lhe poderia abrir caminho para o doutorado: redigir uma dissertação. O aluno que ficasse em primeiro lugar recebia quantia em dinheiro e seu trabalho valia como tese de doutorado. Ganhou o concurso.
Ordenação – No dia 29 de junho de 1951 foi ordenado padre, na Catedral de Frisinga. Em 1º de agosto daquele ano, iniciou seus trabalhos pastorais numa paróquia de Munique. Em julho de 1953 recebeu o barrete de doutor. Em janeiro de 1958, foi nomeado livre-docente da Universidade de Munique e professor de Teologia Fundamental e Dogmática na Faculdade Filosófico-teológica de Frisinga. Porém, logo veio o convite para se transferir para Bonn e ser professor titular de Teologia Fundamental na Universidade. Em agosto de 1959, o pai morreu – perderia a mãe em 1963.
Quando iniciou o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962), o cardeal Frings, arcebispo de Bonn, o levou junto como seu consultor teológico. O cardeal conseguiu também que ele fosse nomeado perito do Concílio. Durante o Concílio, tornaram-se mais fortes suas divergências com o teólogo Karl Rahner. No verão de 1963, iniciou suas atividades catedráticas em Münster. Uma delas foi a recensão da tese de doutorado de Hans Küng sobre Karl Rahner. Atesta que leu o trabalho com prazer, gostou do seu estilo e chegou a respeitar o autor. Mas os caminhos entre os dois foram se afastando sempre mais.
A partir de outubro de 1966, assumiu suas atividades de professor em Tubinga. Segundo sua avaliação, o ambiente acadêmico vivia tensões fortes e faculdades teológicas tornavam-se até centro ideológico do marxismo (p. 116-117). O clima ficou mais ameno na universidade de Ratisbona, onde foi lecionar. Lá ele viveu a sensação de conseguir sempre mais uma visão teológica pessoal. A publicação do missal de Paulo VI, nessa época, com a revogação do missal antigo, o deixou "consternado".
Cardeal – Em março de 1977 foi nomeado arcebispo de Munique e Frisinga. Sua ordenação episcopal ocorreu no dia 28 de maio daquele ano. Escolheu como lema "Colaborador da Verdade", tirado da terceira carta de São João. Um mês após a ordenação episcopal, no Consistório de 27 de junho de 1977, o Papa Paulo VI o tornou cardeal. Um ano depois, em 25 e 26 de agosto de 1978, participou do Conclave para a escolha do sucessor de Paulo VI que elegeu João Paulo I. Em outubro daquele ano, participou do Conclave que elegeu João Paulo II.
Em 25 de novembro de 1981, João Paulo II nomeou o então Arcebispo de Munique e Frisinga presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão da Santa Sé para a interpretação e defesa da doutrina da Igreja. Nesta função, participou de Assembléias do Sínodo dos Bispos, foi Presidente da Comissão encarregada da redação do Catecismo da Igreja Católica, que João Paulo II promulgou em 1992.
Como professor e como Bispo, publicou diversas obras. Entre elas destacam-se os livros "Introdução ao Cristianismo", em 1968, sobre a profissão de fé apostólica, e "Dogma e Revelação", em 1973, uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.
Papa – Em 19 de abril de 2005, quatro dias após completar 78 anos, o Cardeal Joseph Ratzinger foi eleito Papa, sucedendo a João Paulo II e assumindo o nome de Bento XVI. Por ter sido colaborador direto de João Paulo II durante 23 anos, era evidente que Bento XVI daria continuidade ao trabalho dele. Assumindo o nome de Bento XVI, ele pode sugerir integrar outro elemento forte no seu Pontificado. O último Papa Bento exerceu o ministério petrino de 1914 a 1919 – na primeira guerra mundial. Empenhou-se na busca da paz. Mas Bento foi também o "pai dos monges", que fundou a ordem dos beneditinos. Viveu de 480 a 547. Tinha como grande regra monástica "ora e trabalha" – ação e contemplação. Foram os monges de São Bento que consolidaram a cultura européia. Foram eles que evangelizaram grande parte da Europa, incluindo a Alemanha de Bento XVI.
O nome que o eleito assumiu poderia sugerir que queira lembrar à Europa suas raízes cristãs e a não esquecer valores e princípios na sua atual remodelação, com a chamada União Européia. Pode também sugerir ao primeiro mundo todo que não bastam os avanços tecnológicos, mas que são indispensáveis os valores éticos fundamentais.
Em 28 de junho de 2005, promulgou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. No Natal de 2005, Bento XVI publicou sua primeira encíclica, intitulada "Deus é Amor". Empreendeu as seguintes viagens fora da Itália: Colônia, Alemanha (18-21 de agosto de 2005); Polônia (25-28 de maio de 2006); Valência, Espanha (8-9 de julho de 2006); München, Altötting e Regensburg, Alemanha, (9-14 de setembro de 2006); Turquia (28/11 a 1º/12 de 2006). O Brasil é seu sexto destino.
MISSÃO ESPIRITUAL E PASTORAL DO PAPA
Qual a importância do Papa para a Igreja Católica e para o mundo? Quais seus poderes e até onde pode aplicá-los? Estas e pelo mais 41 outras perguntas sobre o chefe supremo da Igreja Católica foram selecionadas e respondidas em trabalho desenvolvido por Manoel Augusto Santos - doutor em Teologia, professor da Faculdade de Teologia da PUC-RS e pároco do Santuário N. Sra. Aparecida, em Porto Alegre. O Correio Riograndense selecionou 14 delas, algumas de forma resumida, para publicar na semana que antecede a primeira visita de Bento XVI ao Brasil.
POR QUE A IGREJA PRECISA DE UM PAPA? A unidade da Igreja não é apenas uma grandeza administrativa, mas, sobretudo teológica. A união entre Cristo e a Igreja é muito mais que simplesmente fundacional, pois a Igreja não depende d’Ele somente no seu nascimento exterior, histórico ou social; mas provém do seu Senhor de maneira ainda mais íntima, por ser Ele quem a alimenta e edifica sem cessar. A Igreja vive constantemente de seu Senhor e para Ele que a edifica numa diversidade de dons e carismas, assegurando a graça da unidade, já que a Igreja foi fundada como una e única.
O ministério do Sucessor de Pedro (o Papa) é elemento essencial da unidade da Igreja, remonta ao próprio Jesus Cristo e foi desenvolvido com fidelidade no interior da Igreja. Estabelece-a, dando o fundamento, o centro e princípio eficiente da unidade: uma só cabeça visível suprema. Assim é dada garantia à continuidade da Igreja. E, ao mesmo tempo, dessa forma se garante também e se apresenta a unidade da Igreja em cada geração. A Igreja precisa do serviço do Papa, para que dentro da pluralidade legítima haja unidade, e que essa se torne sinal e sacramento de unidade para o mundo. O Papa é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis.
A Igreja Católica é consciente de haver conservado com fidelidade à Tradição Apostólica e à fé dos padres o ministério de Pedro e de seus sucessores. Existe efetivamente uma continuidade ao longo da história da Igreja do desenvolvimento doutrinal sobre o primado. A Igreja, desde os inícios e com crescente clareza, entendeu que, assim como existe a sucessão dos apóstolos no ministério dos bispos, também o ministério da unidade confiado a Pedro pertence à perene estrutura da Igreja de Cristo e que esta sucessão está fixada na sede de seu martírio.
O QUE É O PAPA PARA A IGREJA CATÓLICA? Resumidamente: o Papa (do grego, pai), segundo a doutrina católica, é o sucessor de Pedro no governo da Igreja e o vigário (do latim, o que está no lugar de) de Cristo na Terra.
QUAIS PASSAGENS BÍBLICAS FUNDAMENTAM O PODER DE PEDRO? As passagens bíblicas de especial significado para o primado do Papa são as seguintes: Mt 16, 18s ("a promessa do primado"); Lc 22, 31s ("a oração de Cristo por Pedro e o papel com respeito aos demais"); Jo 21, 15-17 ("a entrega do primado").
A BÍBLIA SE REFERE AO PRIMADO DE PEDRO SOBRE OS OUTROS APÓSTOLOS E A IGREJA? Uma leitura dos Evangelhos interessada na situação de Pedro adverte como o conjunto dos fatos prepara e subentende a instituição do primado pontifício (a missão do Papa na Igreja, seu poder sobre os demais fiéis). São aspectos significativos: Pedro encabeça sempre a lista dos Doze Apóstolos, detendo o primeiro lugar no seio do colégio apostólico; Pedro vem a ser o porta-voz autorizado dos Doze; junto com Tiago e João, é testemunha privilegiada da ressurreição da filha de Jairo, da transfiguração, da agonia; Jesus trata Pedro como a nenhum outro apóstolo, pregando desde a sua barca, hospedando-se em sua casa, ordenando que venha a seu encontro andando sobre as águas, pedindo que pesque um peixe que contém o pagamento do imposto de ambos.
No seio do colégio apostólico aparece como protagonista: Pedro é citado 195 vezes no Evangelho de Marcos; nos outros três Evangelhos é citado 130 vezes, enquanto que João, o mais citado depois de Pedro, o é somente 29 vezes.
NO INÍCIO DO CRISTIANISMO A IGREJA DE ROMA TINHA IMPORTÂNCIA DIANTE DAS OUTRAS? A consciência de que a Igreja de Roma continua a ser a Igreja de Pedro, e que este, através de seus sucessores, continua a exercer a função de guia e centro de unidade e comunhão na genuinidade da fé, está presente na Igreja dos primeiros séculos. Certamente não se encontram textos com elaborações teológicas claras e articuladas, frutos de séculos de reflexão e de vida da Igreja.
Como em todos os dogmas, a Igreja tomou consciência do dogma do primado (o poder do Papa) vivendo-o. Pouco a pouco se chegou a uma formulação definitiva. Há convergência nos fatos e nos testemunhos e na consciência do papel da sede de Roma em relação à tutela da fé e da comunhão eclesial, e que foi progressivamente clarificando-se e encontrando expressões sempre mais precisas.
Inicialmente, o ministério de Pedro aparece como uma instância subsidiária em casos urgentes, que se manifesta quando a autoridade dos bispos ou dos patriarcas não é suficiente. Pouco a pouco se converte Roma no centro ao qual se recorre e que rege a totalidade do mundo cristão. A partir do século IV, aparecem as primeiras formulações claras. Cada vez mais, os papas falam e atuam como cabeças da Igreja, conscientes de sua responsabilidade e de seu poder específicos. E, cada vez mais, o conjunto da Igreja aceita e traduz em sua vida o primado de Roma, especialmente no freqüente recurso a Roma nas questões de maior importância no plano doutrinal e disciplinar, como nas controvérsias teológicas e nos casos de deposição de bispos ou de incerteza sobre a sua legitimidade. É a consciência cristã sobre o papel de Roma como instância de garantia da verdade e da unidade.
QUAIS OS PRINCIPAIS TESTEMUNHOS SOBRE A IMPORTÂNCIA DO BISPO DE ROMA NOS PRIMEIROS SÉCULOS DO CRISTIANISMO? Eis os principais testemunhos dos primeiros séculos até Santo Agostinho. A carta do Papa São Clemente I aos da Igreja de Corinto é uma prova inequívoca do primado da Igreja de Roma. Trata-se da primeira intervenção que se conhece na história do cristianismo, por parte de uma Igreja, nas questões de uma outra Igreja.
Santo Inácio, Bispo de Antioquia, em sua carta aos romanos, escreve com veneração à Igreja de Roma, sendo o mais antigo reconhecimento do primado romano de um escritor eclesiástico não-romano, pois a mesma carta, em seu conjunto, reconhece o lugar de honra da Igreja de Roma como algo que lhe é devido e inerente à supremacia eclesiástica universal.
Santo Ireneu, Bispo de Lião, não somente faz remontar a comunidade romana a Pedro e Paulo, senão que considera a comunhão com esta comunidade como a demonstração mais segura do fato de encontrar-se na tradição doutrinal que procede dos apóstolos. Ireneu apresenta a sucessão episcopal das principais Igrejas, citando explicitamente como a maior, a mais antiga e a mais bem conhecida por todos, a Igreja fundada e estabelecida em Roma.
Em seu período católico, Tertuliano defende a apostolicidade da Igreja e em particular a missão da Igreja de Roma contra as heresias. Esta tem um posto especial dentre as outras, porque é a Igreja de Pedro. Afirma que os apóstolos continuam a presidir das cátedras das Igrejas por eles fundadas; assim também Pedro continua a presidir da cátedra de Roma que, por isso, é exaltada sobre todas as outras.
Em sua apologia contra os arianos, Santo Atanásio, Bispo de Alexandria, apresenta a carta que o Papa Júlio escreveu, defendendo-o e colocando em riste a falta de respeito com relação ao Concílio de Nicéia e à sede de Pedro. Em sua "História Eclesiástica", Eusébio de Cesaréia explica que irá referir-se ao transcorrido nas sedes mais importantes. Dentre estas, por Roma revela um interesse particular, dela expressando seu papel na garantia da fé e como instância de apelação nas questões importantes, sejam doutrinais ou de prática eclesial.
Santo Ambrósio, Bispo de Milão, representa a Igreja pela imagem da barca de Pedro. A Igreja é conduzida por Pedro. Indica claramente o primado doutrinal de Pedro e de seus sucessores: somente Pedro pode conduzir com segurança a Igreja nas profundidades dos mistérios da fé.
Santo Agostinho, Bispo de Hipona, afirma que a garantia da promessa de Cristo à Igreja subsiste na sucessão ininterrupta na cátedra de Pedro, e que somente na comunhão com a cátedra de Pedro há a garantia de estar na Igreja Católica.
A INFABILIDADE DO PAPA EM QUESTÕES DE FÉ E MORAL. No quarto capítulo do documento do Vaticano I, sobre o Magistério infalível do Papa, afirma-se que o primado que possui o mesmo na Igreja universal, enquanto sucessor de Pedro, compreende também o poder supremo de Magistério, e que a condição primeira para a salvação é guardar a comunhão na fé ortodoxa que é conservada e pregada pela Sé Apostólica, na qual reside a plena e verdadeira solidez da religião cristã.
Pela posse do primado e autoridade suprema e plena da Igreja de Roma sobre toda a Igreja Católica, a Igreja de Roma é mais obrigada a defender a verdade da fé e, assim, as questões que surgissem a propósito da fé devem ser por ela definidas. O Papa é verdadeiro vigário de Cristo, cabeça de toda a Igreja, pai e mestre de todos os fiéis e que a ele foi confiado o pleno poder de apascentar, reger e governar a Igreja universal.
QUAL A MISSÃO DO PAPA NA IGREJA? Quando se fala da missão do Papa na Igreja, se fala de seu papel diferenciado diante de todos os fiéis, ou seja, de seu primado diante da Igreja toda. O papel próprio do Papa se relaciona com o que se acha dito sobre a Igreja, mistério de unidade interior e exterior, visível e invisível. A realidade dessa comunhão visível é o que se trata de garantir e promover.
Graças ao primado, a Igreja é exteriormente, aqui na Terra, o que ela é interior e invisivelmente: um mistério de comunhão e de unidade. Deste modo, se correspondem e harmonizam na Igreja o interior e o exterior. Assim como a Igreja tem uma só cabeça invisível, Cristo, e uma só alma, o Espírito Santo, assim também tem uma só cabeça visível, o Romano Pontífice. O Papa não apenas é seu dirigente máximo, senão que é realmente aquele em quem e por quem a Igreja-instituição manifesta e realiza o melhor possível aquilo que ela é no mundo: um sacramento de unidade.
JESUS CRISTO TEM ALGO A VER COM O PRIMADO DO PAPA? A instituição do primado é expressão da solicitude de Cristo pela unidade da Igreja e pela pregação segura da mensagem salvífica. E a relação do primado com Cristo não é apenas de origem, mas também há o aspecto de representação (Vicarius Christi). Enquanto é Cristo quem atua nas ações primaciais, o poder primacial está enraizado na sacramentalidade da Igreja. Essa consiste em que Deus, por Cristo presente na Igreja pelo Espírito Santo, na figura de sinais palpáveis e visíveis, através de homens, eventos e objetos, comunica a graça e a salvação. E não há realidade verdadeiramente eclesial que não participe da sacramentalidade da Igreja, exceto o pecado.
A Igreja é organismo visível pelo qual Cristo difunde a verdade e a graça. Então, na medida em que é Cristo quem atua nos atos primaciais, o poder papal se encontra enraizado na sacramentalidade da Igreja, superando a concepção jurídica unilateral do ministério papal. O papado é uma realidade sacramental na qual é preciso ver conjuntamente o sinal histórico externo (os sucessores na catedral de Pedro), a realidade interna, que somente pode-se captar pela fé (representantes de Cristo), e sua instituição pelo próprio Cristo (garantida pela Escritura acerca do ministério petrino para o conjunto da Igreja e dentro da imagem bíblica da mesma).
ONDE ESTÁ A PRINCIPAL DEFINIÇÃO DOGMÁTICA SOBRE O PODER DO PAPA? Foi o Concílio Vaticano I que definiu como de fé o primado do Papa sobre toda a Igreja. A Constituição Pastor Aeternus, promulgada em 18 de julho de 1870, foi intitulada como primeira constituição sobre a Igreja. É o desenvolvimento do capítulo XI do esquema prévio sobre a Igreja, apresentado ao estudo dos padres conciliares. Os três parágrafos foram convertidos em três capítulos: a instituição do primado em Pedro; a perpetuidade do primado de Pedro no Papa; a natureza do primado. Foi adicionado um quarto capítulo sobre o Magistério infalível do Papa. As influências externas determinaram que fosse tratado apenas o primado.
QUAIS SÃO OS PODERES DO PAPA NA IGREJA? O Papa tem pleno poder espiritual e jurídico, acima do qual não há autoridade alguma espiritual ou jurídica. As determinações dele não podem ser suspensas por autoridade alguma mais alta, pois esta simplesmente inexiste. Enquanto Cristo atua aqui e agora, mediante a ação do Papa, ele mesmo obriga os homens, através das ações primaciais do Papa. Tais ações, portanto, têm importância salvífica; a obediência ao Papa torna-se obediência ao Cristo. O Papa é o vigário de Cristo, de quem recebe todas as suas faculdades administrativas e magisteriais.
Na Igreja não há poder sem Cristo e fora do poder de Cristo. Sem dúvida, a autoridade do Papa é a autoridade de Cristo. A Igreja não tem duas cabeças, mas a cabeça invisível é assinalada pelo chefe visível. Por conseguinte, o Papa não é o delegado dos bispos, nem estes podem depô-lo; as suas determinações não podem ser embargadas ou suspensas por ulterior instância. Tem uma graça ministerial específica para servir à unidade de fé e de comunhão, necessárias para o cumprimento da missão salvífica da Igreja.
O Papa só pode perder seu cargo por renúncia ou caso se torne comprovadamente enfermo mental ou tenha caído em heresia.
Estar em comunhão com a Igreja importa estar em comunhão com o Papa, numa comunhão verdadeira, que exige uma forma jurídica. Evidentemente, deve-se distinguir a proposição de fé sobre o primado do exercício do mesmo, muito embora proposição e execução estejam intimamente ligadas entre si.
O PAPA PODE MUITO. DEVE USAR SEMPRE DE TANTO PODER? Os poderes do primado de jurisdição que o Papa exerce na Igreja devem ser entendidos à luz de sua missão, desde a sua missão e para cumprir a sua missão: para que o próprio episcopado fosse uno e indiviso e a multidão de todos os fiéis cristãos se conservasse na unidade da fé e da comunhão, para ser perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da fé e da comunhão. Assim, não se deve identificar a priori o que Papa "pode fazer" com o que ele "deve fazer". Este é um paradoxo: que o Papa, precisamente por ser o Papa, "não pode tudo"; "pode tudo" que seja exigido pelo serviço à unidade da fé e da comunhão. Se provém de outra razão, ainda que seja materialmente bom e possível, é um abuso no sentido teológico.
EXISTEM LIMITES PARA O PODER DO PAPA? Não se pode dizer que o poder papal careça de limites. Tem limites no direito natural e no direito divino. O próprio Concílio Vaticano I inseriu um inciso especial sobre o poder episcopal. Porém, negou-se a limitar objetivamente a prática do uso do poder primacial. Em 1871, o episcopado suíço apresentou esclarecimentos sobre o primado, de que não depende de modo algum do capricho do Papa ou de seu arbítrio fazer desta ou daquela doutrina objeto de definição dogmática. Pelo Concílio Vaticano II, o Papa deve ater-se à Revelação e a sua atividade deve estar dirigida ao bem da Igreja.
O QUE É O PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE DOS BISPOS? Significa que o bispo não é responsável apenas por sua diocese, mas também por toda a Igreja. O Vaticano II veio afirmar tal tese de forma categórica: O bispo participa da responsabilidade universal do Colégio episcopal. Pela ordenação, todo bispo é agregado ao Colégio episcopal unido ao Papa e, por isso, participa do supremo poder sobre a Igreja Universal. Claro está que o bispo não é bispo sozinho, senão que o é unicamente na comunhão católica daqueles que o foram antes dele, que o são com ele e que serão depois dele.
O QUE É O PRINCÍPIO DE SUBSIDIARIDADE? Segundo o enunciado do Papa Pio XI, na Quadragesimo Anno, e retomado pelo Papa João XXIII, na Mater et Magistra, trata-se de um princípio jurídico, baseado na justiça e inclui uma divisão de competências e uma cooperação das várias esferas de ação social e individual. Proíbe às sociedades maiores o excesso e o abuso do poder. O princípio como tal é abstrato. Portanto, as medidas de política prática podem medir-se no princípio, mas nunca se deduzir dele. As soluções concretas só podem tomar-se, partindo da própria situação. O Papa Pio XII, numa alocução consistorial, aplica o princípio também à vida eclesial. E no caso do primado pontifício, devemos levar em conta que uma coisa é a definição de fé e outra é o uso do poder primacial. Sobre este se deve levar em conta o princípio de subsidiariedade no que não é de direito divino, porém, só se podem remeter as decisões práticas em cada caso, em última análise, à discrição do Romano Pontífice.
Para maiores informações: SANTOS, Manoel Augusto. O primado pontifício. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1997; e A verdade sobre o Papa, Porto Alegre: EST, 2007 (Fone 0...51 3220.3518, Faculdade de Teologia da PUCRS).
A primeira visita – o segundo tempo
Bento XVI pode iniciar em Aparecida nova relação com latino-americanos
No próximo dia 9 o Papa Bento XVI iniciará sua primeira visita à América Latina – a primeira também além das fronteiras da Europa. Para o vaticanista Sandro Magister, a viagem poderá significar o início de um segundo tempo nas relações do Papa com o continente, onde vivem 500 milhões de católicos, quase a metade do catolicismo mundial.
Em dois anos de Pontificado, observa Magister, nem o Brasil nem a América Latina apareceram como centro das atenções de Bento XVI. Pelo contrário, alguns curtos-circuitos criaram mal-estar entre o Papa e significativa parte da igreja latino-americana.
Em relação à visita, o teólogo dominicano Frei Betto pergunta: "Onde estará a cabeça de Bento XVI ao pronunciar-se sobre o Brasil? Falará com a cabeça em Roma, trazendo-nos inquietações européias, ou situado na América Latina, emprestando sua voz aos que não tem voz nem vez, como fazia João Paulo II?".
A abertura da V Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe (Celam) é o objetivo maior da visita papal. Na organização do encontro, o Papa deixou o episcopado à vontade, sobretudo em relação ao local: "Reúnam-se em maio, eu estarei lá". Mas fez questão de alterar o lema, deslocando um pouco a ótica: "Para que todos tenham vida em abundância, em Jesus Cristo". A preparação para a Conferência foi delegada aos Cardeais Giovanni Battista Ré e Francisco Xavier Errazuriz Ossa. Em relação ao cardeal Ré, existem algumas restrições. Há anos ele é responsável pela nomeação dos novos bispos latino-americanos e o critério não agrada a muitos.
Um dos pontos contestados por Sandro Magister: a transferência do Cardeal Cláudio Hummes para uma secretaria do Vaticano, às vésperas da Conferência. Dom Cláudio é responsável pela Congregação para o Clero. E esta parece ser uma das preocupações do Papa em relação ao catolicismo do continente.
Também está sendo contestado o esquema proposto, sem maiores consultas, para a V Celam. Nos meios eclesiásticos circulam outros esquemas mais críticos e realistas. Caberá aos 266 participantes da Conferência encontrar uma saída.
É aguardado com expectativa o pronunciamento de Bento XVI na abertura da Conferência de Aparecida. Em Puebla, as palavras de João Paulo II ecoaram durante anos na Igreja e no continente, tendo como referência a Teologia da Libertação e a possível influência marxista.
Um outro ponto preocupa Roma e a hierarquia católica brasileira. Em 1980, o catolicismo detinha, quase, o monopólio, com 89% da população. O último Censo mostrou que este percentual caiu para 74%. Este decréscimo deve-se à evasão para as igrejas pentecostais. Também cresceu o número dos que se dizem ateus.
Num pronunciamento feito no dia 13 de maio de 2004, o então cardeal Ratzinger acusou os EUA de patrocinarem a "protestantização da América Latina". No entanto, no último 17 de fevereiro parece ter mudado de ótica e convidou a Igreja a interrogar a si mesma.
Para Bento XVI a questão capital para a América Latina é Jesus Cristo. Resta saber se a V Celam partirá deste ponto ou da realidade. É possível, especula Sandro Magister, que em São Paulo e Aparecia comece o ‘segundo tempo’ nas relações entre Bento XVI e o continente. É outono, conclui o vaticanista, em Aparecida o clima é ameno, mas o encontro será uma prova de fogo para Bento XVI.
Padre Zezinho
No trânsito da vida é muito bom saber que existem sinaleiras que ensinam a viver
Quem dirige pelas avenidas, becos e vielas,
Já entendeu as mães e como é que são elas.
As mães são sinaleiras, semáforos de vidas.
Tem três luzes piscando, serenas, decididas.
As luzes amarelas dizem: Filho atento!
A estrada é perigosa em todos os momentos.
A luz que está vermelha diz: "Agora não".
"Espera um pouco, filho, respeita o teu irmão".
A luz que pisca verde os manda ir em frente
"Agora é tua vez"!, dizem serenamente.
As mães são sinaleiras. São ricas de sinais.
Um beijo e uma carícia, mais beijo e mais e mais!
Mas tem o seu vermelho: "Agora é não e é não".
Depois tem amarelo: "Cuidado e atenção".
Ali no cruzamento, cuidando dos seus filhos,
As mães vivem piscando os mesmos estribilhos:
"Cuidado, vá , não vá, respeita os teus irmãos,
Aprenda a dirigir, evite a transgressão."
Eu passo pelas ruas, becos e vielas
E digo a cada passo, enquanto penso nelas:
– Benditas mães-semáforos, que sabem proibir
e que, se for preciso, não deixam de exigir.
E até aplicam multas, se isto for preciso,
Contanto que seus filhos dirijam com juízo.
No trânsito da vida, é muito bom saber
Que existem sinaleiras que ensinam a viver.
Vermelho e amarelo e verde são sinais
Que a gente já conhece, mas mãe conhece mais!
E foi de uma delas este dizer profundo:
– O "sim" e o "não" das mães seguram este mundo!
Começam as romarias a Caravaggio
São esperados 400 mil romeiros no santuário em Farroupilha em maio
A 128ª Romaria de Nossa Senhora do Caravaggio terá seu ponto culminante nos dias 26 e 27 deste mês. Mas o santuário em Farroupilha (RS) já começou a receber romeiros em eventos. No domingo 22 ocorreu pela primeira vez a Romaria dos Caminhoneiros, que reuniu 130 veículos. No domingo 6, os eventos especiais prosseguem com a 4ª Romaria dos Ciclistas. No dia 12 haverá a 14ª Cavalgada da Fé e no dia 20, a 29ª Romaria dos Motoqueiros.
O tema da 128ª Romaria é "Maria Discípula e Missionária de Jesus". "Foi inspirado no Celam", afirma o reitor do santuário, pe. Volmir Camparin, referindo-se a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, que será aberta no dia 9 pelo papa Bento XVI em Aparecida do Norte (SP). "Estamos em comunhão com a caminhada da Igreja na América Latina", reforça.
A romaria deste ano vai concentrar os fiéis nos dias 26, feriado regional, e 27. A expectativa é de que naquele final de semana 300 mil romeiros passem pelo santuário. Para atendê-los, atuarão entre 30 e 35 padres e serão celebradas 11 missas a cada dia. Durante todo o mês de maio, Pe. Volmir estima a presença de 400 mil fiéis. "No ano passado já atingimos este número", afirma.
Os números envolvendo a romaria são todos muito expressivos. Só de ônibus para transportar os romeiros que não irão a pé, serão 200 – 70 a mais que em 2006, de acordo com os responsáveis por esse item da organização. Mas os dados referentes ao santuário são maiores ainda. Estatística revelada por pe. Volmir indica que durante 2006 estiveram no santuário 1,5 milhão de fiéis. "Eles vêm de todos os Estados, de 31 países – entre eles fiéis dos vizinhos Argentina e Uruguai, do Chile, do Peru e, número cada vez maior, da Europa, principalmente Itália, Portugal e França", relaciona.
Embora esses dados sejam importantes, Pe. Volmir ressalta sua preocupação com os romeiros. "Que eles venham com bom espírito", recomenda, aconselhando também que todos tenham cuidado, se desloquem em grupos, protegidos.
Aldo Colombo
Fazer uma tarefa bem feita não custa mais, mas rende muito mais. Fazê-la bem significa fazê-la com amor
Tudo começou com uma pequena tenda. O proprietário vendia bananas cultivadas por ele mesmo. Aos poucos, porque a freguesia aumentava, foi acrescentando novos produtos: abacaxis, salgadinhos, água de coco... Para isso ele teve de aumentar suas instalações. Num gesto de audácia, colocou um pequeno letreiro luminoso e o faturamento crescia sempre. Mas um dia recebeu a visita do filho, formado em Economia e Administração numa das maiores universidades. Pai, você está louco? E explicou ao pai que havia uma grande crise e todos estavam se retraindo. Não era hora de esbanjar dinheiro.
O pai ficou preocupado, suspendeu as ampliações e começou a trabalhar com matérias-primas mais baratas e eliminou alguns dos ingredientes, para diminuir custos. Naturalmente os clientes começaram a reclamar e, num segundo momento, foram comprar em outras tendas. Ele não deu importância às críticas e, algum tempo depois, fechou a tenda e ainda sentiu-se agradecido ao filho doutor: ele tinha razão com relação à crise! Não foi por nada que ele estudou numa das melhores escolas.
Vivemos hoje a sociedade do saber. O mundo é governado pelos que sabem, pelos que possuem conhecimento e tecnologias. Mas nem toda a sabedoria vem das universidades e dos livros. E esses conhecimentos passam pela cabeça e pelo coração das pessoas. Todos estamos sujeitos a filtros que desfiguram a realidade. E com esses filtros facilmente nos enganamos. Um dos piores filtros se chama pessimismo. Na vida das pessoas, comunidades e empresas sempre existirão momentos difíceis. O importante é a resposta dada a esses momentos. A pessoa inteligente vê em cada desafio uma oportunidade.
Uma das bandeiras mais badaladas, hoje, é a qualidade total. E essa preocupação deve abranger a qualidade de vida. O otimismo e a preocupação com os detalhes ajudam a vencer as crises. Já o pessimismo acaba projetando seus seguidores no centro da crise, com um final quase sempre infeliz.
Há sempre novas maneiras de fazer a mesma coisa. A pessoa inteligente abre-se a experiências novas. É importante também o foco no cliente. O trabalho mal feito e com baixa qualidade espanta os clientes. Stew Leonard, um dos mais bem sucedidos empresários norte-americanos, dá a razão de seu êxito: se eu cultivar clientes felizes, eles vão voltar.
Essa norma vale para todas as situações. Vale para a tenda da beira da estrada, vale para um supermercado, vale para uma escola, vale para uma paróquia. Mas para isso, a pessoa precisa gostar daquilo que faz. E esse gosto nem sempre é espontâneo. Ele pode ser adquirido. Para isso entra também a racionalidade. Trabalhar é ajudar a Deus a acabar a criação do mundo. Também é um gesto de amor. Fazer uma tarefa bem feita não custa mais, mas rende muito mais. Além de fazer a satisfação do cliente, aumenta a felicidade pessoal. Já os antigos exortavam: faça bem o que está fazendo. Isso significa: faça com amor.
Scalabrinianas celebram 70 anos
Irmãs trabalham no Santuário de Caravaggio desde o ano de 1937
No dia 8 de maio de 2007, as Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas celebram 70 anos de missão, servindo no Santuário Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha (RS). Para atender os desafios impostos pela imigração, em 1937 as irmãs iniciaram as atividades com a abertura da Escola Nossa Senhora de Caravaggio e com a missão no santuário.
As irmãs cessaram as atividades educacionais em 27 de março de 1982, quando os alunos tiveram a oportunidade de freqüentar escolas das redes municipal e estadual. "A partir de então, houve mudança na denominação, chamando-se à escola Instituto Nossa Senhora de Caravaggio", lembra a diretora do Centro de Atendimento ao Migrante (CAM), irmã Eléia Scariot.
Para celebrar os 70 anos da missão, em Caravaggio, será celebrada missa de ação de graças no dia 8 de maio, às 17h, transmitida pela rádio Miriam. Nessa celebração estarão as irmãs do governo provincial da província Imaculada Conceição, entre elas a superiora provincial de Caxias do Sul, irmã Alda Monica Malvessi.
Romeiros – Movidas pelo amor e pela alegria de doar a própria vida ao cultivo da fé daqueles que visitam a Mãe de Caravaggio, as irmãs abrem as portas do Santuário antes das 7h e fecham às 19h. Ali, diariamente, ornamentam, limpam e organizam o Santuário e cuidam das alfaias.
Além disso, coordenam a catequese, a liturgia, as novenas de Natal e Páscoa e participam ativamente das reuniões. "Zelamos pelo Santuário como se fosse nossa própria casa", afirma irmã Orlanda Gasparotto, que há mais de 12 anos trabalha no Santuário.
Congregação chegou ao Estado em 1915
A congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas chegou ao RS em 1915 e se estabeleceu no nordeste gaúcho, que havia sido habitado por famílias italianas.
Hoje, marcam presença em 26 países. No Brasil, a Província Imaculada Conceição das Irmãs Scalabrinianas mantém comunidades em várias cidades do RS, no Ceará, Piauí e Brasília.
Wilson João
Cuidado! Há cachorros de estimação que já adquiriram mais direitos e regalias do que as pessoas
A sociedade, devido às suas carências, vai encontrando um jeito de preencher o vazio do coração e da vida. Homens mal casados, mulheres mal amadas, crianças mal queridas e outras carências à vista, fazem dos cachorros uma substituição e uma transferência para superar a solidão e a falta de companhia. Cuidado com o engano! Há uma mudança humana e cachorril à vista!
SE VOCÊ PERCEBER que há alguém a quem não lhe falta a comida, mesmo sendo a mesma comida todo o dia, e faz sua refeição tranqüilamente e sem se queixar da repetição do cardápio;
SE VOCÊ PERCEBER que há alguém que não exige refrigerante e nem um bom vinho, mas se contenta com uma água pura todo o dia;
SE VOCÊ PERCEBER que há alguém sendo acariciado e que nunca lhe faltam carícias, e que essas carícias não o levam a nenhuma cobrança;
SE VOCÊ PERCEBER que há alguém que dorme sossegadamente, sem necessidade de tranqüilizantes ou soníferos e que acorda tranqüilo e descansado;
SE VOCÊ PERCEBER que há alguém que é tomado no colo, levado a passear pelas ruas da cidade e que recebe toda a atenção e todo o tempo necessário;
SE VOCÊ PERCEBER que há alguém que tem todo o cuidado médico, sem precisar de SUS e de Unimed, mas que tem suas consultas e seus remédios garantidos e pagos em dia, sem reclamar;
SE VOCÊ PERCEBER que há um alguém que tem todo o cuidado, esse "alguém", certamente, não será um idoso, pois esse é rabugento e reclamão, esse necessita de SUS ou de Unimed. Não será um idoso que merece todo o carinho e cuidado dos filhos, pois dedicou sua vida a eles. Não será um idoso, pois ele tem a consciência e a necessidade de agir e reagir a qualquer situação. Ele pode tornar-se um incômodo.
NEM SERÁ UMA CRIANÇA, pois ela chora, reclama, quer presença. Ela atrapalha o egoísmo dos adultos. Ela é frágil e necessitada. Ela é gente. Tem coração, pensamentos e sentimentos.
Fique ligado a esse alguém e você vai perceber que não será o marido ou a mulher. Nem será o filho ou a filha. Nem será um parente ou vizinho. Muito menos será um brasileiro doente e desdentado. Nem será um desempregado e faminto. Nem será um sem-escola ou sem-teto.
ESSE ALGUÉM, que adquiriu mais direitos do que a pessoa, é o seu cachorro de estimação, que tem lugar garantido em casa, enquanto a criança está na rua; que tem lugar na mesa, enquanto filho é gritado e judiado; que tem todos os cuidados, enquanto as pessoas podem e devem esperar por um amanhã. Essa humanidade cachorril merece mesmo viver na depressão e com estresse. Merece viver na insônia, na angústia e na tentação ao suicídio. E ela está se suicidando!
MATERNIDADE ANIMAL
Entre os bichos, o filhote recebe só o necessário para começar a viver
O dia 13 de maio será dedicado às mães. Você sabia que o homem é a espécie em que o filho mais depende da mãe? E no reino animal, como é a relação entre mãe e filhotes? Ao longo da evolução, cada animal encontrou um jeito próprio de se reproduzir e de cuidar dos seus filhotes. Isso não significa que um é melhor que outro. São apenas soluções diferentes que cada um encontrou para garantir a sobrevivência da espécie. Confira!
Canguru – entre os marsupiais, cujo mais célebre representante é o canguru, o filhote nasce mas precisa completar seu desenvolvimento dentro de uma bolsa na barriga da mãe, onde mama e fica protegido. A gravidez dura de 30 a 40 dias e nasce um filhote de cada vez. Nos gambás, que também são marsupiais, o filhote fica só 13 dias na barriga da mãe, depois vai para a bolsa.
Baleia-azul – maior animal que já existiu na Terra, ela só pode ter um filhote a cada dois anos. Ele nasce com mais de duas toneladas, do tamanho de um elefante adulto. Durante os primeiros sete meses de vida, toma cerca de 380 litros de leite por dia. Nesse ritmo, engorda 90 quilos por dia.
Burro – o burro, também chamado de asno ou jegue, pode engravidar uma égua, que pertence a outra espécie. O filho dos dois é um tereiro bicho, que se chama mula. Por ser uma mistura de espécies, a mula, em geral, não pode ter filhotes.
Ornitorrinco – é um bicho muito esquisito. Tem pelos no corpo, amamenta os filhotes, mas põe ovos e tem bico de pato. A fêmea não possui mamilos e os filhotes sugam o leite por meio dos poros de sua barriga.
Abelhas e formigas – já imaginou se todo mundo na sua cidade fosse filho da sua mãe? No reino desses insetos é assim. Há uma rainha, a única que tem filhos. Os machos têm a função de engravidá-la. As outras fêmeas são as operárias, que protegem o grupo e servem de "babás".
Beija-flor – ela põe dois ovos por vez e os filhotes são pequenininhos como insetos.
Cavalo-marinho – nesse peixe, é o macho que fica "grávido". A fêmea deposita os ovos na bolsa que ele tem na barriga.
Jibóia – nascem de 8 a 49 cobrinhas de cada vez.
Tamanduá-bandeira – o filhote passa todo o tempo nas costas da mãe. Ele pesa 1,2 quilo.
Répteis e aves nascem de ovos
Entre jacarés e crocodilos, quando o filhote tem dificuldade de quebrar o ovo sozinho, a mãe dá uma mordida no ovo para ajudá-lo a nascer. Como ela sabe que é hora do filhote nascer? Ele dá uns gritinhos de dentro do ovo. Entre os répteis, jacarés e crocodilos são dos poucos que cuidam dos filhotes. O ninho é feito com gravetos e folhas. Nele, ficam cerca de 50 ovos da mesma mãe.
A ema é a maior e a mais pesada ave brasileira. Chega a 1,7 metro e passa dos 30 quilos. Nessa espécie é o macho que constrói o ninho, choca os ovos por duas semanas e cuida dos filhotes após o nascimento. O ninho da ema é coletivo: tem ovos postos por várias fêmeas, mas o pai é o mesmo. O filhote já nasce com meio quilo e, em duas semanas, alcança 50 centímetros de altura.
O italiano que está em você
Lonis Stallivieri
Advogado, Caxias do Sul
Quando Deus fez o homem, foi tirando os noves-fora das semelhanças e diferenças para fazer o italiano à sua semelhança, como os demais homens, mas à diferença de todos os demais humanos. Lonis Stallivieri apresenta assim sua roupagem italiana:
"Desde criança vivo em ambiente italiano e, talvez, por minhas atividades e obstinada dedicação à cultura italiana, sempre fui tido como um típico italiano.
Eva, minha avó materna, me ensinou desde pequeno a tomar vinho tinto. Dizia: "Bevi un pò de vin, tosàt, par far sangue e gambe forte. Na s-cianta de vin no fa mal a nessun." Aos domingos, quando nos reuníamos em família à mesa, à cabeceira sentava meu avô Alvoredo Pellini – "nonno Ledo" – e, ao redor, os filhos, netos, noras, genros, amigos... Cantávamos as inesquecíveis canções italianas, enquanto rolava amendoim, pinhão, batata-doce, fregolà, gróstoli, biscoitos, ... tudo acompanhado do tradicional vinho tinto. Assim foi até o advento do tal progresso e da modernidade, que trouxeram conforto em nossas casas, mas nos forçaram a abandonar o convívio familiar, substituindo os filòs por esdrúxulos programas de televisão.
Meu passado ainda não se apagou de minha memória, e isto me faz fortalecer os laços para com a origem de meus antepassados, pois carrego dentro de mim um amor fraternal por todos eles, que largaram o pouco que tinham na Itália para se aventurarem numa terra desconhecida, com promessas de "rios de vinho e árvores de salame", e assim mesmo, reconhecendo o engodo a que foram submetidos, jamais esmoreceram e se lamentaram, pois que arregaçaram as mangas e lutaram para desbravar esta região que orgulha o Brasil e também a Itália de hoje. Não posso desprezar este país que acolheu nossos antepassados italianos, por isto me intitulo cidadão ítalo-brasileiro, com o sentimento de sangue italiano, mas brasileiro de coração. E posso também dizer que, mais que ítalo-brasileiro, sou ítalo-gaúcho.
Meus avós semearam em mim este sentimento de italianidade, demonstrando, também, que nunca esqueceram o país que deixaram – meus pais cultivaram com muita ênfase a italianidade, principalmente na manutenção do Talian, falado diariamente entre eles. E eu passo a acreditar que esta afeição já faz parte do meu gens, pois vejo nos meus filhos este mesmo orgulho por terem sangue italiano, já que falam, também, a língua italiana, adoram um bom vinho nas refeições, babam diante de um prato de spaghetti, de uma sopa de agnolini..., e quem não gosta?
Se prestarmos atenção, a italianidade anda correndo solta, principalmente no modo de falar, sem que muitas pessoas percebam. Procurem escutar com detalhes os cinqüentões de origem italiana pronunciando algumas palavras, como: Randon, caminhão, pão..., vocês escutarão: Randão, caminhon, pon... Eu também sou assim, com orgulho" (e-mail lucas@cidadaoitaliano.com.br).
Lonis é isto: a espontaneidade feita pessoa. Ser italiano, claro, é a origem, mas ser brasileiro é a possibilidade da vivência de nossas origens para 25 milhões de ítalo-brasileiros. Temos um coração cada um, mas duas pátrias. O perigo é morrer de enfarto por excesso de brasilidade e de italianidade. Somos ítalo-brasileiros para o mundo. Uma proposta nova com que o destino nos brindou. Parabéns, Lonis, por aquilo que você é e faz pela identidade italiana e brasileira.
Lônis, tua avó Eva, para mim, mentiu, pois ela manda beber vinho para fazer sangue e pernas fortes, e eu mais vinho bebo, mais fraco fico. "Pi che ghen bevo, pi fiaco resto! E lora?" (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (409)
La batàlia mondiale
Mário Gardelin
Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul - RS
Pègaso, con Nanetto, Professor Meo Zìlio, Generale Osório, i se alsa ben alti da dove se vedea i bàrbari, montai su muleti cei de coe longhe, formando sòlide division de cavalaria. Nanetto el domanda al Lastron:
– Quanti nemici ghe zeo in campo de batàlia?
– I sarà un 500.000.
– Guerieri del Sacro Impero Romano Germànico, osa Nanetto, pareceve par combater, ma vardè che no semo banditi, gnente sangue! Meté le vostre lance in fila, e, al órdine del Barão do Triunfo, feve vanti e che’l vostro grido de vitòria sia – Santo Enrico, a noi! E i sinquessento mila cavalieri i ga sguainà le spade, e i cavalariani ga messo le lance una insieme l’altra. Nanetto ga domandà al Imperatore órdine par cominciar la batàlia.
– Determino l’inìssio dela batàlia che salvarà l’umanità, dise seco l’Imperatore. O vitòria o morte!’
I batalioni i fea na pìcola corsa, dopo i se alsava un drio l’altro, a sinquanta metri de altessa, e i vegnea do come gràndine, e i ndava al ataco, portando avanti òmeni, muleti e tuto. Sti soldai e i so muleti magri, de rece grande e coa longa, i se metea in pié, e i bàrbari i ghe saltava dosso, e meia volta! I tornea indrio, e i sbatea coi altri guerieri, fando muci e muci de gente. In quela, i nostri i sbassava, e via nantra càrica. Al rebalton de prima se giuntava el novo, e se li sentia urlar:
– El diàvolo! El diàvolo!
I bàrbari i alsava i oci e, quando i ga visto i 500.000 guerieri del Sacro Impero Romano Germànico, i se ga voltà par scapar. E lora ze capità nantro scontron. I bàrbari i mola i mui e i se mete a corer in tute le diression, fin catar na tana par scónderse, ma lì la tigre li sbranava, e la vegnea fora con tochi de carne in boca.
Tuti sti bàrbari, coi so muleti, i fava un mùcio spaventoso. E in celo se ga visto un gran nùmero de àngeli, con in medo un vecioto meravilioso. I cavalariani del Barão do Triunfo i lo ga riconossuo de bota, e i osava:
– É o Patrão da Estância de São Pedro do Rio Grande do Sul!
El Barão do Triunfo el ga molà do osade, e i so cavalariani, in gran forma, i ga presentà le armi a San Piero, gridando:
– Viva o Patrão Grande do Rio Grande do Sul!
San Piero el smonta dela carossa selestiale, e el assiste la sfilata dei nostri. Ogni tanto, el disea a San Michele:
– La meio cavalaria del mondo ze quela de Rio Pardo.
San Michele el concorda, e poco dopo el ghe dise a San Piero:
– E se invitàssimo sti gauchi a dar na càrica su i diàvoli che i fa tante stupidità?
– Ben pensà. Spetemo l’ocasion oportuna! Dise San Piero ridendo!
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
La fionda de tire de borassa
Geraldo Sostizzo
Agente consular italiano, Cascavel – PR
Due tire de borassa larghe un sentìmetro e longhe 35 sentìmetri. Un toco de coro molo, mesurando sinque sentìmetri de larghessa per diese de longhessa, con due busi tele ponte. Na forchìia de legno con le due gambe compagne e el mànego drito. Quatro tire de borassa ben fine par far un laoro ben fato e de gente bianca come diseimo.
Scominsieimo con le due tire de borassa de càmera de penei de camignon, o meio ancora de bicicleta. Queste, squasi sempre robae tel vissin che gavea un camignon. La forchìia la sercheimo sempre che se ndea pescar o cassar e anca laorar tea colònia, gaveimo sempre in mente de star atenti. La taieimo e dopo la dasseimo secar tel ombria parché no la se stordesse. El toco de coro lo taieimo de stivai veci o qualche sinela de coro che no se doperea pi. Le tirete fine par ligar, le taieimo dela stessa càmera de borassa.Tuto in man, scominsieimo ligar ben ciuso le tire tela forchìia e dopo tel coro, par far questo dopereimo le quatro tire fine de borassa. Eco la fionda pronta. Un bon copador de osei, ndea cassar sempre con due fionde.
Par cassar con la fionda no basta mia sol ela, ghe vol anca i sassi e questi li cateimo in due posti: tela strada parché gera sempre pi fàcile e anca darente el rieto che de tanto ndar a tómboli, i sassi diventea tondi e quanto pi tondi pi driti i ndea.
Le prime volte noantri porteimo i sassi tele scarsele. Robe de perder le braghe e quante scarsele sbuse e sempre piene de pólver. Dopo ghemo inventà na bissaca de coro o de lona, picada tel col e podeimo portàrghene anca depì. Dopo ghemo modernisà na s-cianta, feimo balete de fango tela olaria e le dasseimo secar tel sol. Queste le ndea drite come na s-ciopetada.
Noantri no porteimo la fionda sol in due posti: tea cesa e tela scola. Ma tei altri posti, la fionda gera sempre insieme, podeimo ndar via sensa capel ma nò sensa fionda.
La fionda gera anca un motivo de competission tra i amici, par veder quela che gera meio fata e la trea el sasso pi distante. Co la fionda copeimo osei, columbi, gati, papagai, tordi, galine, polastrini e po tuto quel che vegnea davanti. Spacheimo anca quele cicarete tei palanchi de luce, fate de porselana.
Mi na volta go dato na sfiondada te un vedel che lo go squasi copà, lo go rabaltà in tera e no ghe vegnea pi el fià, son squasi morto insieme, de là na s-cianta el ga scominsià caminar, ghe go dato un baso tela fàcia e un pugno te na culata.
Quanti magnari ghemo fato, copando osei cola fionda. El giorno de ancoi se vedo un tosatel con la fionda, mi ghe bróntolo e resto cativo:
– Parché copar i pìcoli osei? ghe digo.
Centros técnicos impulsionam ensino
Das 150 escolas, 10 serão erguidas no RS
O governo federal pretende investir, em quatro anos, R$ 750 milhões na construção de 150 Institutos Federais de Educação Tecnológica (Ifets), instituições de ensino superior especializadas em educação profissional e tecnológica. O RS receberá R$ 50 milhões, para construir 10 unidades.
O anúncio feito pelo presidente Lula, integra o Plano de Desenvolvimento da Educação. A prioridade dos Ifets será a oferta de cursos profissionalizantes de nível médio. A única contrapartida exigida às prefeituras é a doação do terreno, cuja área terá em média 20 mil m2.
No Estado, os Ifets vão atender um universo de até 18 mil estudantes. O plano também definiu as cidades-pólo que vão receber unidades educacionais. No caso de Caxias do Sul, o prefeito José Ivo Sartori está buscando uma área para a implantação da escola, denominada Escola Técnica Federal de Metalurgia, esperada pelos caxienses há 20 anos.
Serra – A confirmação da escola técnica repercutiu positivamente no setor metalmecânico da Serra gaúcha. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), Jones Francisco Mariani, disse que a escola atende ao anseio quanto à formação de um complexo de excelência juntamente com escolas de mecatrônica e autotrônica. "A escola vai atender a uma demanda profissional do meio de campo, entre o engenheiro e o chão de fábrica," salienta Mariani.