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Edição 5.038 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 09 de maio de 2007.

 

EDITORIAL

Celam indicará os caminhos da fé para os próximos 10 anos

O Continente onde vivem 500 milhões de católicos quer falar para a Igreja de todo o mundo

 

O Cristianismo surgiu na periferia do mundo, ao redor de um lago, que os habitantes da região chamavam, orgulhosamente, de Mar da Galiléia. O que parecia religião de um único e pequeno povo, sobretudo com Paulo Apóstolo, ganhou dimensões universais. E o destino da igreja de Jesus foi associado a Roma, a capital do mundo. Cerca de 300 anos após sua fundação, o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano. Na caminhada da história, esta quase identificação jamais deixou de existir. E as notas características não deixaram dúvidas: Igreja Católica, Apostólica e Romana. Sociologicamente, falava-se da civilização cristã e ocidental.

As caravelas de Colombo, significativamente, traziam estampada a imagem da cruz. Pouco depois, os navegantes portugueses percorreram os mares para propagar a Fé e o Império. O continente americano nasceu cristão. Muito mais na denominação do que nas estruturas. O catolicismo fez parte do pacote dos colonizadores.

Em Medellín, em 1968, pela primeira vez a Igreja que está na América fez ouvir sua voz profética. Os bispos "traduziram" os documentos conciliares para a nossa realidade. Contrapondo-se, de alguma maneira, ao otimismo do Concílio Vaticano II, empolgado pelo progresso, os latino-americanos mostraram um mundo sombrio de pobres e empobrecidos, na procura da Boa Nova do Evangelho. Onze anos depois, Puebla, retomando Medellín e sua evangélica opção preferencial pelos pobres, falou de uma evangelização específica para o continente. Santo Domingo, em 1992 – 500 anos da descoberta da América -, apontou a necessidade de inculturar o Evangelho. A proposta deixava evidente o desejo de um catolicismo menos romano e mais universal.

Um novo capítulo será escrito, agora, em Aparecida. Com 500 milhões de católicos, quase a metade do catolicismo mundial, a América sente-se autorizada a falar para os irmãos de todo o mundo. E neste contexto acontece a visita do papa Bento XVI. Com emoção os povos da América e do Caribe escutarão a voz do Pastor. Mas o diálogo precisa acontecer em duas mãos. O Papa também, em função de sua responsabilidade em toda a Terra, certamente escutará e entenderá os clamores proféticos e evangélicos da América.

 

CAXIAS DO SUL

Serra incentiva uso de gás natural

Centro de excelência em gás natural veicular, pleiteado há dois anos, deve sair do papel

 

Caxias do Sul sedia na quinta-feira 10 o encontro temático da RedeGasEnergia, que será realizado no auditório da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) a partir das 9 horas. No evento, será assinado o Protocolo de Intenções para a criação do Centro de Excelência em Tecnologia Automotiva a Gás Natural. Trata-se do pontapé inicial para a criação do primeiro centro de excelência do país voltado exclusivamente à promoção de tecnologias de gás natural em aplicações veiculares.

A criação deste centro de excelência vem sendo pleiteada pelo Sindicato das Indústrias Metal-Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) há pelo menos dois anos, mas pouco avançou desde então. A expectativa é que, agora, a idéia seja levada adiante. Isso beneficiará toda cadeia que trabalha com tecnologias de gás natural em aplicações veiculares, incentivando a região para parcerias e fomentando empregos.

O objetivo geral é criar condições econômicas, físicas e jurídicas para facilitar a celebração de parcerias e termos de cooperação técnica que permitam posicionar Caxias do Sul como centro de desenvolvimento e provisão de produtos, tecnologias e sistemas associados ao uso do gás natural veicular. O centro também pretende assumir papel regulatório, com a criação de condições para a certificação de sistemas, homologação de produtos e serviços ligados ao setor, além de elaboração e divulgação de normas. Finalmente, o centro terá ainda a função de captação e difusão de conhecimentos, com a realização de fóruns, feiras setoriais, seminários técnicos etc.

Em encontro com os diretores do Simecs, Oscar de Azevedo e Odacir Conte, e com o presidente da Sulgás, Artur Lorentz, a governadora do Estado, Yeda Crusius, confirmou presença no encontro temático. O evento conta também com a participação de representantes da Petrobras, Simecs, Sulgás, partícipes do Protocolo, autoridades estaduais e municipais e de empresas da região.

Após a assinatura do Protocolo, uma exposição dará ao público a oportunidade de conhecer os produtos já desenvolvidos pela indústria local para aplicações veiculares de gás natural. À tarde, painel técnico com representantes da Petrobras, que apresentarão os projetos em andamento na RedeGasEnergia e falarão das visões tecnológicas e de mercado da empresa para o segmento.

 

Inicia a despoluição do Arroio Tega

 

O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) assina no sábado 12 ordem de serviço autorizando início das obras de implantação da Rede Interceptora de Esgoto do Tega. Trata-se do primeiro passo para a despoluição do arroio. A obra, com custo estimado em R$ 8 milhões, integra um conjunto de investimentos da ordem de R$ 120 milhões destinados ao saneamento básico.

A Rede Interceptora, com sete quilômetros de extensão, é um conjunto de tubulações que servirá para coletar o esgoto atualmente jogado no arroio. O diretor geral do Samae, Marcus Vinicius Caberlon, ressalta que as obras contemplam inicialmente bairros onde as pessoas estão mais expostas a problemas de saúde gerados pela poluição. A rede inicia na rua Princesa Isabel (bairro Santa Catarina), passando pela Casa de Pedra, margeando o Arroio Tega, seguindo para os trechos que compreendem o Loteamento Vale Verde, Reolon e Mattioda, até a Estação de Tratamento de Esgoto Tega.

O prazo de execução da obra é de cerca de um ano. A segunda etapa da rede deverá começar a ser implantada ainda este ano. "A meta é que em dez anos o Tega volte a ser um arroio limpo, bonito e reintegrado à paisagem urbana; e não mais um canal de transporte de esgoto como é hoje", prevê o diretor do Samae.

 

Troféu homenageia mulheres atuantes

 

Seis mulheres atuantes em diferentes setores da comunidade caxiense recebem na quarta-feira 9 o troféu "Mulher Cidadã". A solenidade ocorre na Câmara de Vereadores, a partir das 19h30. As homenageadas (abaixo) foram indicadas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.

 

REPORTAGEM

ONU aprova o uso de biocombustíveis com ressalvas

Impactos sobre o uso da terra e o preço dos alimentos preocupam as Nações Unidas

 

O mundo tem muita pressa. Para lidar com as mudanças climáticas e com o aumento da frota de carros, os biocombustíveis ganham importância. Em meio aos debates, a Organização das Nações Unidas (ONU) acaba de sugerir que os governos dêem ênfase ao etanol para expansão de seu consumo de energia até 2020, afim de reduzir as emissões de CO2.

Porém, recomenda que o etanol seja produzido a partir de cana-de-açúcar, que teria impacto ambiental mais favorável que o uso de milho na fabricação. O documento indica que uma segunda geração de etanol, com base em celulose, deve ser disponibilizada nos próximos anos. "Isso evitaria o uso de milho, que apresenta impactos negativos no ambiente (pelo consumo de energia do plantio à colheita), no preço dos alimentos e no uso da terra para produção de combustível em vez de comida", diz a ONU.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) reconhece os benefícios das fontes alternativas de energia, mas faz um alerta: "Os biocombustíveis não apresentam qualquer risco para a segurança alimentar das nações mais pobres, desde que desenvolvidos de forma criteriosa, de acordo com a realidade de cada país".

Debates – A discussão sobre etanol ganha espaço generoso nos últimos tempos. O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, é incentivador otimista dos biocombustíveis. "O Brasil tem condições de suprir o mundo de etanol e também de alimentos", afirmou.

Já o técnico do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais, Marcos de Oliveira, avalia que o aumento da produção de biocombustíveis pode gerar concentração de terras, degradação ambiental e intensificar o êxodo. "O Brasil sempre teve um processo de valorização dos preços da terra, concentração fundiária, mudanças nas comunidades, em detrimento da agricultura que pensa na pluralidade, no respeito ao ambiente. Não há motivos para crer que vai ser diferente", argumenta.

O coordenador-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Manoel Polycarpo Castro Neto, disse que os biocombustíveis são apenas uma transição entre os combustíveis fósseis e uma nova fonte de combustível, que ainda não está definida mundialmente. "Não existe a idéia de que se poderia substituir plenamente, porque, para fazer isso, precisaríamos de uma área de quatro vezes o tamanho da Terra para plantar cana e oleaginosas", conclui.

 

Usina da Cooperbio é pioneira no país

 

A microusina de álcool, inaugurada pela Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis (Cooperbio) e Petrobras, em Redentora (RS), na quarta 2, é pioneira no país. O projeto, baseado na agricultura familiar, busca a produção de energia e alimentos simultaneamente.

A unidade faz parte de um projeto de validação tecnológica de produção de etanol a partir da agricultura familiar. De acordo com a Petrobras, ainda no primeiro semestre serão implantadas nove microusinas e uma retificadora central no Noroeste gaúcho. As unidades terão capacidade para produzir cerca de 500 litros de álcool/dia. Pelo menos 30 mil pequenos e médios agricultores serão beneficiados com a iniciativa.

A característica principal é que, diferentemente das grandes usinas de álcool que trabalham com monocultura, as microusinas gaúchas terão produção diversificada – consorciada com alimentos. Será possível produzir etanol a partir de outras matérias-primas.

 

FAO recomenda atenção dos latinos

 

Os biocombustíveis apresentam tanto oportunidades quanto riscos à segurança alimentar na América Latina e Caribe. Sua produção deve ser estudada mais a fundo, de forma a aumentar as oportunidades e diminuir os riscos. A avaliação é da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação.

O relatório da FAO considera indispensável, para a região, a implementação de políticas de desenvolvimento e ordenamento territorial, incluindo o zoneamento agroecológico, com indicação das terras disponíveis para cultivo de biocombustíveis, incentivos e penalidades para o uso de florestas, rios etc.

A FAO recomenda a adoção de políticas tecnológicas que explorem as possibilidades de matérias-primas acessíveis aos pequenos agricultores, a definição de marco regulatório sobre o uso e comercialização de biocombustíveis e a implementação de políticas para melhoria das relações contratuais entre a cadeia produtiva – da produção primária ao consumidor final, incluindo a inserção da agricultura familiar e a garantia dos direitos trabalhistas.

A organização rechaça o argumento de que a produção de matérias-primas para biocombustíveis substituiria a produção de alimentos. E menciona números para provar que não há incompatibilidade entre ambos. "A percepção generalizada é de que a terra cultivável está ocupada e que existe pouca margem para ampliar os novos cultivos. "

Terras – Na região, "a utilização de terras poderia subir de 150 milhões de hectares para 244 milhões", diz a FAO. "Parte dessa terra poderia ser utilizada para cultivos energéticos em benefício de milhões de pequenos produtores que se encontram em condição de pobreza, sem comprometer florestas nem a segurança alimentar. "

No Brasil, segundo a FAO, há 340 milhões de hectares de terras cultiváveis. Destes, cerca de 60 milhões de ha são utilizadas para cultivo, 80 milhões de ha estão disponíveis para agropecuária e 200 milhões de ha são utilizáveis como pasto ou cultivos energéticos.

 

Alga e esgoto viram combustível verde

 

Óleo de cozinha, algas e até esgoto viram matéria-prima para biodiesel. No Rio de Janeiro, a Companhia Estadual de Água mantém convênio com a Universidade Federal para a conversão de esgoto em combustível, carvão e biogás. Em Brasília, a Universidade (UnB) produz biodiesel a partir do óleo de fritura. Em Canoas (RS), a Universidade Luterana desenvolve tecnologia para reciclar e limpar o óleo usado em fritura de alimentos e reaproveitamento em biodiesel.

No Mato Grosso, funciona a primeira usina integrada do mundo de produção de biodiesel, álcool combustível e açúcar. Foi inaugurada pelo presidente Lula e o governador Blairo Maggi e produz anualmente 150 milhões de litros de álcool, 40 mil toneladas de açúcar e 57 milhões de litros de biocombustível.

Nos Estados Unidos, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts desenvolve experimentos usando algas para absorver o CO2. A alga é um ser vivo de apenas uma célula, que cresce muito rápido, dobrando de peso a cada duas horas, permitindo grande produção de biodiesel. "São novidades que podem virar solução", diz Mario Eugenio Saturno, pesquisador do Instituto de Pesquisas Espaciais.

Curso – A produção de álcool combustível passou da lavoura para os bancos acadêmicos. Em julho, inicia na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e Missões (URI), o curso "Tecnólogo em produção de sucroalcooleira".

Pioneiro no Estado, o curso prepara, depois de três anos e meio, profissionais para trabalhar da assessoria a produtores de cana até usinas. No Brasil, há cursos semelhantes no Nordeste, São Paulo e no Paraná.

 

AGRONEGÓCIO

Fruticultura avança em solo gaúcho

Destaque para citros, uva e para o figo, que dobrou a produção

 

O produtor gaúcho descobriu a fruticultura. A procura por mudas não deixa dúvidas que o momento é de expansão. Na Serra, por exemplo, os viveiros de mudas estão quase vazios. O destaque fica por conta dos citros e uvas. "Os produtores de grãos estão apostando na fruticultura como alternativa de renda", declara o engenheiro agrônomo Ênio Todeschini.

A maior parte das mudas é destinada para a ampliação de áreas e renovação de pomares. O cultivo de parreiras cresce, em média, 5% ao ano no Estado. Também há tendência, além dos citros e da uva, de crescimento de quivi e pêssegos. Contudo, a grande surpresa é o figo.

A safra deste ano dobrou em relação a 2006. Serão colhidas 7. 000 toneladas de figo. Grande parte fica dentro do Estado, onde estão os principais consumidores. Parte segue para São Paulo e Minas Gerais. Uma oportunidade de ganhos é a fruta cristalizada e em compota. Nesse caso, precisa de um pouco mais de tecnologia. "O investimento é recompensado pelo valor agregado", garante o técnico em fruticultura da Emater/RS, Antônio Conte.

Planalto – O plantio de figo tem se expandido nas regiões de Erechim, Passo Fundo e Pelotas. Mas é no município de Planalto que se desenvolve mais, hoje maior produtor do Estado com 200 hectares. O início foi tímido, com a implantação de dois hectares em quatro propriedades rurais no ano de 1995. "A atividade foi se destacando como nova alternativa", relata ao CR o técnico da Emater local Doraci Bedin.

Conforme Bedin, a nova cultura envolveu toda a comunidade. Desse interesse nasceram as parcerias formadas pela Secretaria Municipal da Agricultura, pelo Sindicato de Trabalhadores Rurais, comerciantes e produtores. O município conta até com uma agroindústria, formada por 20 sócios, que processam a fruta em forma de doce em calda, doce de figo em pasta e figo cristalizado. "Cerca de 90% do figo é vendido verde para atacadistas", diz Bedin.

A atividade é viável, podendo render o equivalente a R$ 6. 000 ou 300 sacas de milho por safra de figo verde/ha. O custo de produção equivale a 40% da receita bruta. O investimento fixo gira em torno de R$ 4. 500/ha. A produção média é de 4,5 toneladas/ha. A Prefeitura subsidiou 40% do valor das 30. 000 mudas que foram implantadas no ano de 2005/2006.

 

Nova Pádua é exemplo de diversificação

 

Enquanto muitos produtores trabalham no plantio de culturas tradicionais, como cebola e alho, Nova Pádua diversifica a produção com novas opções. Mesmo ocupando pequenas áreas, desponta no município o cultivo de mirtilo, erva-mate, melão, quivi e árvores para reflorestamento.

Um bom exemplo da nova realidade é o agricultor Lino Simionatto, de Travessão Bonito, que cultiva mirtilo em 0,5 hectare de sua propriedade. A fruta ocupa um espaço impróprio para outras culturas, por ser morro e pedregoso. "Foi meu filho Sidnei que se interessou pela pequena fruta", relata Simionatto. O agricultor investiu R$ 30 mil para implantar o pomar. "O investimento inicial pode ser alto, mas o retorno também. O preço no mercado interno chega a R$ 30,00 ao quilo e no externo, R$ 60,00/kg", declara.

Para a engenheira agrônoma Sandra Maria Dalmina, chefe do escritório da Emater, a diversificação tem como principal vantagem a redução dos riscos e incertezas da exploração agrícola. "Ela aumenta e garante a renda do produtor, que sentirá menos impacto em caso de frustração de safra", ensina.

 

Exportação incentiva certificação de frutas

 

Com 39 milhões de toneladas por ano, o Brasil está entre os três maiores produtores mundiais de frutas juntamente com a China e a Índia. Desse total, apenas 1% da produção de fruta in natura é destinado às exportações, o que coloca o país no 20º lugar no ranking mundial, conforme dados do Ministério da Agricultura.

Segundo o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), o valor exportado de frutas frescas nacionais foi de R$ 480 milhões no último ano, ante os R$ 440 milhões em 2005. As exportações para a União Européia representam mais de 70% do que é destinado ao mercado externo.

Como o mercado europeu é o principal comprador das frutas do Brasil, a certificação passa a ser o passaporte para os produtos brasileiros na conquista pelo mercado. Entre as exigências dos compradores (boas práticas) estão tipo e qualidade de solo, uso e armazenamento de produtos químicos, entre outros.

A base agrícola da cadeia produtiva das frutas abrange 2,3 milhões de hectares, gera 6 milhões de empregos diretos, ou seja, 27% do total da mão-de-obra agrícola ocupada no país, de acordo com o Ibraf.

 

Horti Serra mobiliza pesquisadores

Novidades na produção de frutas e hortaliças ganham mais espaço

 

O 1° Horti Serra Gaúcha, que será realizado de 23 a 27 de maio, no pavilhão 2 da Festa da Uva, em Caxias do Sul, vai exibir as novidades na fruticultura, com ênfase à viticultura, e horticultura. Serão 41 palestras com os maiores nomes do setor em todo o país.

Entre os assuntos a serem abordados merecem destaque as novas cultivares de videiras, a cargo do pesquisador da Embrapa Umberto Almeida Camargo, e o sistema de condução, com o agrônomo da Emater/RS, Antonio Conte. O pesquisador da Embrapa de Jales Marcos Conceição vai tratar da "Fertirrigação nas uvas".

Fertiirrigação e ambiente protegido nas frutas serão tratados pelo especialista Francisco Menten. Brócolis e couve-flor é assunto para o agrônomo Rui Furiatti, da Universidade Estadual de Ponta Grossa; e cenoura e beterraba com o pesquisador da Embrapa Hortaliças Ailton Reis.

Outras temas são frutas de caroço, a cargo de Gilmar Marodin da UFRGS, e adubação e nutrição do morangueiro, com Pedro Furlani, do IAC de Campinas (SP).

Invento – Num momento em que precisa economizar água, o caxiense Zalias Vicente encontrou alternativas para o cultivo de plantas em casa ou na agricultura. Ele inventou o vaso auto-irrigável e um dispositivo de irrigação e nutrição automático. Os projetos podem ser conferidos no Horti Serra. O vaso auto-irrigável deu a Zalias o prêmio talento brasileiro, na categoria inventor individual, no 10º Salão Nacional de Inventos.

 

Flores da Cunha abre concurso de vinhos

 

A prefeitura de Flores da Cunha, através da secretaria de Agricultura e Abastecimento e da secretaria de Turismo, Indústria, Comércio e Serviços, iniciou a fase de contatos com as empresas vinícolas do município para participarem da 6ª edição do Concurso os Melhores Vinhos de Flores da Cunha.

A promoção será realizada em junho com lançamento previsto para o dia 3, data em que se comemora o Dia do Vinho na Praça, no município. Também estão definidos os dias destinados às degustações das amostras inscritas que ocorrem de 12 a 15, na Escola de Gastronomia. A premiação das amostras melhor classificadas acontecerá no dia 7 de julho. Mais informações pelo telefone: 3292-1722, ramal 251.

 

Lançado milho para o produtor familiar

 

A Embrapa Milho e Sorgo está lançando a variedade BRS 4103, desenvolvida para agricultores familiares e para médios produtores rurais. A adaptação da variedade é bastante ampla.

Entre as características, destacam-se o bom potencial de produção, o ciclo precoce, as baixas estaturas de planta e de espiga, as baixas porcentagens de plantas acamadas e quebradas, além das espigas bem empalhadas e sadias e da uniformidade. O tipo de grão é semi-duro e a cor é laranja.

 

Farroupilha debate a cultura do quivizeiro

 

Cultura do quivizeiro é tema de tarde de campo que ocorre nesta sexta-feira 11, na propriedade de Miguel Silvestrin, em São Luiz, 3º distrito de Farroupilha. O encontro inicia às 14 horas. Engenheiros agrônomos de diversas instituições e produtores rurais irão abordar variedades, determinação de ponto de colheita, sistemas de poda e condução, adubação, irrigação, sistematização da área e plantio.

Entre os palestrantes estão confirmados os agrônomos Paulo Simonetto, Charles Pontaltti, Paulo Dutra de Souza, Gervásio Silvestrin, Enio Ângelo Todeschini e João Bernardi.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no local do evento. Haverá ônibus com saída às 13h, da Prefeitura de Farroupilha. À noite, às 19h30min, ocorre um jantar conferência, no restaurante Julius, em que o engenheiro agrônomo italiano Ottavio Cachioppo fará uma abordagem dos 100 anos do quivi no mundo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 3308-6020.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Besouro na videira

Um pequeno besouro está danificando os parreirais. Nós o chamamos de bicudo. Ele destrói – come – o broto da videira. Nos enxertos ele destrói o broto principal e depois rebrotam quatro ou cinco galhos, estragando o enxerto. Ele é muito resistente.

Raimundo Migon

Caxias do Sul – RS

 

O bicudo, também conhecido como cascudinho ou trombeta, é um pequeno besouro provavelmente do gênero Hyphantus da fabulosa Ordem dos Coleópteros. O engenheiro agrônomo Ênio A. Todeschini, então chefe do escritório da Emater de Nova Pádua, constatou com sua equipe a presença do inseto nos parreirais de Aldacir Menegat e outros viticultores. O referido técnico considera o bicudo praga esporádica na videira, pois o inseto tem preferência por outras plantas. Por um desequilíbrio qualquer do meio ambiente ou condições climáticas favoráveis, o bicudo se multiplicou enormemente, passando a se alimentar de plantas não preferenciais, como as videiras. Por ser praga esporádica na viticultura é pouco estudada, e reduzidos os estudos sobre a mesma. O último ataque ocorreu na safra de 2001 em Nova Pádua.

O Correio Riograndense, com o objetivo de alertar os viticultores, publicou em 18 de outubro daquele ano uma reportagem entrevistando técnicos e viticultores. Segundo os técnicos, o ataque do bicudo ocorre na época da brotação. Come as gemas e as folhas novas. Tem hábitos noturnos, sobe na planta à noite para se alimentar, e, durante o dia, esconde-se na casca da videira ou na palhada do chão. As larvas desenvolvem-se no solo. O entomologista Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho, então consultado, afirmou que o bicudo não foi constatado nos parreirais de Bento Gonçalves e Garibaldi. Disse que o problema é localizado e o inseto se multiplica na propriedade. Sugere que o produtor avalie a população do inseto para saber se realmente está causando prejuízos; faça o controle manual à noite e o manejo correto do solo. Só depois deve tomar medidas de combate químicas. Sabendo que as gemas constituem o ramo em miniatura, qualquer perfuração pode comprometer seriamente o futuro, causando prejuízos na safra vindoura.

O agrômomo Ênio Todeschini, hoje atuando na Emater Regional de Caxias do Sul, recomenda:

A) Formas de controle (medidas preventivas) – Manter galhos e troncos livres de cascas velhas. Em pomares pequenos este procedimento pode ser feito manualmente, esfregando-os com luvas de couro ou escova de aço. Em parreiras maiores, o tratamento com calda sulfocálcica a 10% durante o inverno faz esse trabalho.

B) Medidas curativas – Quando a população do bicudo estiver no nível de causar dano econômico, requer-se a utilização de inseticidas químicos de impacto imediato sobre a praga como o grupo dos piretróides.

 

SAÚDE

Gel é nova arma contra resfriado

Produto adere ao nariz e facilita a eliminação do vírus

 

O resfriado é a mais comum das infecções respiratórias. Os adultos têm, em média, quatro resfriados anuais; as crianças menores de cinco anos, dez. Apesar de corriqueiro, o problema ainda desafia a medicina, que não encontrou uma forma de tratá-lo. Até o momento, os remédios existentes apenas amenizam os sintomas. O que existe de mais próximo para tratamento do resfriado é um gel lançado na Europa e que está prestes a chegar ao Brasil.

Batizado de "primeira proteção" (Procter & Gamble), o produto não é um remédio propriamente dito, já que não tem substância ativa. O gel, quando inalado, adere à mucosa nasal, como se plastificasse a região, e inativa o vírus, facilitando a excreção. Segundo os estudos, o produto reduz pela metade o tempo de duração do resfriado, que é habitualmente de sete dias. Porém, o novo gel só faz efeito se for usado até, no máximo, 48 horas após o aparecimento dos primeiros sintomas.

Espirros, coriza, febre baixa e dor de garganta são os primeiros sinais do resfriado. Como os sintomas costumam ser brandos, as pessoas não lhes dão muita atenção, mas seria justamente nesta fase que o novo produto teria efeito. Quando a infecção já atingiu o período mais agudo, não há o que fazer, a não ser amenizar os sintomas com os remédios tradicionais. Porém, convém lembrar que é importante consultar um médico antes de tomar ou usar qualquer medicamento.

A dificuldade em diferenciar o resfriado da gripe é outro entrave ao tratamento. Ao contrário do resfriado, os sintomas da gripe aparecem subitamente. Uma pessoa gripada manifesta febre alta e pelo menos mais dois sinais: dor muscular, mal-estar generalizado, tosse.

A gripe é uma infecção mais perigosa. Se não tratada, pode trazer conseqüências graves, sobretudo para crianças e idosos, o que não ocorre com o resfriado. O vírus da gripe é mais agressivo, se multiplica numa velocidade superior e é mais tóxico para as células do homem, o que contribui para que os sintomas sejam mais intensos. Os remédios antigripais inibem a proliferação do vírus, impedindo-o de sair da célula onde está alojado para contaminar outras.

 

Pessoas que passam mais tempo estudando vivem mais

 

As pessoas que passam mais tempo em sala de aula vivem mais, independentemente da classe social, segundo pesquisa realizada pelas universidades Harvard e Princeton, nos Estados Unidos. Depois de cruzar informações de 200 milhões de indivíduos, os pesquisadores concluíram que cada ano a mais de estudo resulta em mais sete meses de vida.

A comparação entre um universitário e uma pessoa que não freqüentou a escola é ainda mais surpreendente: o universitário vive, em média, oito anos a mais. Segundo os dados da pesquisa, nenhum dos outros fatores que interferem na expectativa de vida, como sexo, raça, renda e violência, têm tanto impacto na longevidade quanto a educação. Isso elimina a explicação aparentemente óbvia para os resultados da pesquisa: os que mais estudam são também os mais ricos e, portanto, eles têm mais dinheiro para bancar gastos com a própria saúde.

A pesquisa revela que a escola, por si só, tem papel decisivo na formação de hábitos de vida saudável. Os mais escolarizados são os que mais pensam em prevenção, por exemplo. Estudantes do Ensino Superior têm 35% mais probabilidade de submeter-se a um check-up do que um adulto que não completou as primeiras séries do Ensino Fundamental.

Os universitários ainda têm duas características benéficas a qualquer tratamento: capacidade de compreender receitas e bulas e determinação em obedecer às recomendações médicas. Eles também mostraram-se mais habituados ao uso do cinto de segurança. A cada ano que uma pessoa permanece em sala de aula, suas chances de usar o cinto aumentam 4,5%.

A sala de aula ainda contribui para a formação de hábitos mais saudáveis em relação à dieta e à prática de atividades físicas. Quatro anos a mais na escola diminui em 20% a probabilidade de uma pessoa tornar-se obesa.

No Brasil, a Fundação Getúlio Vargas também mediu o efeito da escola na expectativa de vida da população. Conclusão: nos municípios que mais investem na escola as pessoas vivem mais. Só que, no Brasil, é mais difícil isolar educação e renda, já que os mais ricos são também os mais escolarizados.

 

Vacinação contra gripe é prorrogada

 

A Campanha de Vacinação de Idosos Contra a Gripe segue até 18 de maio em todo o Rio Grande do Sul. A Secretaria Estadual da Saúde decidiu prorrogar a campanha devido à ocorrência de casos de dengue em algumas regiões do Estado, o que alterou a rotina nos postos de saúde de áreas epidêmicas, principalmente no Norte e Noroeste.

"As pessoas com suspeita de dengue não puderam tomar a vacina porque precisam aguardar o resultado dos exames. Daí a decisão de ampliar a campanha", esclarece a coordenadora do Programa de Imunizações da secretaria, Maria Tereza Schermann.

Um dia antes da data prevista inicialmente para o encerramento da campanha de vacinação, 4 de maio, apenas 50,12% da população gaúcha com mais de 60 anos, 575. 156 idosos, tinham sido vacinados, segundo levantamento do Centro Estadual de Vigilância em Saúde. A meta é imunizar 803 mil idosos no Rio Grande do Sul.

Dengue – Até o sábado 5, eram 480 casos suspeitos de dengue na região epidêmica (Norte e Noroeste). Desses, 65 foram confirmados como autóctones, ou seja, a doença foi contraída dentro do Estado. Giruá, no Noroeste, continua sendo o município mais afetado, com 56 casos confirmados. Em 51 municípios foram encontrados focos do mosquito transmissor da doença.

Conforme o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, a situação está relativamente sob controle. "A taxa de surgimento de novos casos está diminuindo, apontando certa estabilidade. Mas isso não significa que podemos relaxar, o preço de não ter a dengue é a eterna vigilância", afirmou.

 

Esmagar comprimido pode alterar efeito

 

Estudo realizado na Inglaterra pelo laboratório farmacêutico Rosemont revela que 60% das pessoas com mais de 60 anos apresentam alguma dificuldade para engolir remédios. Devido ao tamanho ou à quantidade diária de medicação que precisam tomar, elas acabam mastigando, macerando ou dissolvendo comprimidos ou cápsulas em água. Segundo os especialistas, este hábito também é comum no Brasil.

O que poucos sabem é que essa prática aparentemente inofensiva pode causar intoxicações. Os medicamentos possuem revestimentos especiais que interferem no modo como são absorvidos pelo organismo. Quando essas camadas são destruídas, corre-se o risco de potencializar a ação da substância. Drogas para controlar a pressão arterial, por exemplo, tornam-se extremamente tóxicas ao serem amassadas. A indústria farmacêutica está estudando métodos para facilitar a vida de quem tem necessidade de amassar os remédios. A Basf, por exemplo, já desenvolveu um método que permite a fabricação de comprimidos até 60% menores do que os convencionais.

 

OPINIÃO

Bento XVI e a utopia Brasil

Leonardo Boff

A Igreja está edificada sobre duas pilastras, a de Pedro e a de Paulo. Pedro representa a instituição, a ordem. . . a continuidade. Paulo significa a criatividade. . . a ruptura. Qual destas perspectivas irá Bento XVI privilegiar em sua visita ao Brasil?

 

Dentro de pouco estará no Brasil o Papa Bento XVI. Todos estão ansiosos pela mensagem que nos irá trazer. Sabemos que todo o ponto de vista é a vista de um ponto, mesmo por mais oficial que este seja. Ele permite a visão de certas realidades mas também encobre outras, pela própria natureza do ponto de vista.

Normalmente predomina no Vaticano o ponto de vista institucional. Neste, ganha centralidade o poder sagrado, a disciplina e a ordem, necessárias a um organismo mundial como é a Igreja Católica romana. E junto vem a obediência e a vontade de adesão cordial. Mas vigora também o lado da comunidade cristã e a vida concreta dos fiéis. Aqui se crê no dinamismo intrínseco dos processos orgânicos nos quais surgem desafios que demandam respostas por parte da fé. Estas pressupõem liberdade e criatividade para que sejam adequadas e também contemporâneas. Trata-se, portanto, de um processo que vai além da lógica da disciplina e da ordem. Poderá Bento XVI assumir os dois pontos de vista e produzir um discurso de sabedoria?

Isso não é impossível porque o extraordinário na Igreja Católica é que ela se entende edificada sobre duas pilastras, a de Pedro e a de Paulo. Pedro representa a instituição, o poder das chaves, a ordem e a disciplina numa palavra, a continuidade. Paulo significa a criatividade e a coragem para o novo, numa palavra, a ruptura. A base petrina e paulina são igualmente importantes. Sabedoria é orquestrar estas duas energias de tal forma que o novo possa acontecer sem ameaçar a continuidade, ao contrário, enriquecendo-a. Há momentos em que deve prevalecer a continuidade, há outros em que deve vigorar a novidade. Qual destas perspectivas irá Bento XVI privilegiar em sua visita ao Brasil?

Na minha modesta avaliação, estamos urgentemente precisando da dimensão paulina, do carisma inovador para fazer frente aos graves problemas internos e externos que a Igreja Católica enfrenta. Internos, a emigração crescente de católicos para outras igrejas de caráter popular e carismático, derivada possivelmente da própria estrutura centralizada da Igreja. Temos 125 milhões de católicos que demandariam pelo menos 100 mil padres e existem apenas 18 mil, muitos deles estrangeiros. Cria-se necessariamente um vácuo que é preenchido por outras igrejas. Externos, é a profunda desigualdade que estigmatiza nossa sociedade. Como a fé articulada com a justiça ajuda nas transformações necessárias? Oxalá o Papa estimule esta linha de atuação.

Se das muitas palavras que o Papa nos disser, reforçar esta que nos vem de um mestre, marxista e ateu ético Oscar Niemeyer, o criador de Brasília, estaríamos mais que atendidos: "O fundamental é reconhecer que a vida é injusta e só de mãos dadas, como irmãos e irmãs, podemos vivê-la melhor". Estas palavras resumem a mensagem de amor de Jesus. Fazemos nossas as palavras de outro mestre também marxista e ateu ético, Darcy Ribeiro, nosso maior antropólogo, por ocasião da vinda de João Paulo II ao Brasil: "Venha a nós, Pastor das Gentes, para juntos construirmos o singelo paraíso em que todos comam todo dia, morem decentemente, estudem o primário completo, sejam tratados nas dores maiores, tenham um emprego permanente, por humilde que seja, e não morram no desamparo na velhice. Ouça, Santo Padre, o clamor do povo que o aclama. Bendiga, esta católica cristandade neolatina de ultramar, vestida das carnes morenas de negros e de índios. É o Povo de Deus que só pede a utopia: o singelo paraíso terrenal do Espírito Santo".

 

E A REFORMA AGRÁRIA?

Frei Betto

 

Quase a metade das terras cultiváveis do Brasil está nas mãos de apenas 26 mil pessoas. Passará à história o presidente que ousar alterar a estrutura fundiária brasileira – injusta, concentradora de terras e de renda, e socialmente excludente

 

Lula prometeu à Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), em 12 de abril, atualizar os índices de produtividade rural, defasados há 32 anos. Esta é uma antiga reivindicação dos pequenos agricultores e dos sem-terra. Esses índices, baseados no censo agropecuário, servem de base ao Incra para vistoriar imóveis rurais sujeitos à desapropriação para fins de reforma agrária.

Lula e o PT ganharam projeção política e assumiram o governo federal comprometidos com a reforma agrária. A nação espera que, agora, sejam coerentes, não troquem uma bandeira histórica por um prato de lentilhas eleitorais. Das três Américas, o Brasil é o único país que jamais mexeu em sua estrutura fundiária. Ou melhor, mexeu para saciar a cobiça do andar de cima ao ser retalhado em Capitanias Hereditárias, paradigma do latifúndio improdutivo.

Falta beneficiar o andar de baixo. O governo traçou um Plano Nacional de Reforma Agrária que, até hoje, não saiu do papel. A Bolívia fez sua primeira reforma agrária em 1953. Promove agora a segunda, apoiada pelo Brasil. Lula aprovou-lhe um crédito de US$ 20 milhões.

Uma das reivindicações vitais para modernizar a nossa agricultura é atualizar os índices de produtividade agropecuária. O artigo 6 da Lei 8. 629/93 dá ao Executivo o poder de fixar os índices. O Planalto delegou ao Incra essa responsabilidade.

A bancada ruralista no Congresso, entretanto, pressiona no sentido contrário. O latifúndio não suporta ouvir falar disso. Os ruralistas mobilizam cerca de 200 parlamentares para que não se toque no assunto. E ameaçam boicotar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Por quê?

A atualização traria à lume o número de propriedades que não alcançam os parâmetros de eficiência e produtividade, ou seja, os latifúndios que não atingem os índices mínimos do Grau de Utilização da Terra (GUT) e do Grau de Eficiência da Exploração (GEE). Não bastariam os números para determinar a desapropriação. Esta dependeria de vistoria do poder público.

Para a CNA (Confederação Nacional da Agricultura), "o produtor é quem deve decidir sobre o quê, quando e quanto plantar diante dos fatores de produção (trabalho, tecnologia, capital e terra)". Ora, isso fere o preceito constitucional de função social da terra. E seria o mesmo que chamar a raposa para tomar conta do galinheiro.

As terras cultiváveis do Brasil estão em mãos de 5 milhões de proprietários. Quase metade (49%) sob a posse de apenas 26 mil proprietários. Gente que possui amplas extensões de terra com baixo índice de produtividade – o que tornaria suas fazendas expropriáveis para a reforma agrária.

Desde 1975 os índices de produtividade estão congelados. O IBGE já se mobiliza para um novo censo rural, felizmente. Em fevereiro de 2006 concluiu-se um ato administrativo, resultado de estudos do governo e da Unicamp, visando à atualização, mas ficou no papel. A bancada ruralista tenta revogá-lo e, sobretudo, impedir que o Executivo o assine.

No primeiro mandato de Lula, os ministros da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário – que não falavam a mesma língua – não sancionaram a medida. E o presidente não quis desagradar a bancada ruralista, sobretudo porque, na época, o agronegócio, em pânico com a crise do setor, pressionou o governo bloqueando estradas com tratores.

O latifúndio não tem função nem responsabilidade sociais. A CNA avalia que, se os novos índices forem aprovados, cerca de 100 mil propriedades rurais ficariam sujeitas à desapropriação para fins de reforma agrária. Diante disso, chovem propostas no Congresso para sabotar o ato administrativo que atualizaria os índices.

Passará à história o presidente que ousar alterar a estrutura fundiária brasileira – arcaica, injusta, concentradora de terras e de renda, e socialmente excludente. Sem reforma agrária, problemas que tanto inquietam a população brasileira – desemprego, violência urbana, favelas, fluxo migratório, trabalho escravo, desmatamento florestal e desequilíbrio ambiental – tendem a se agravar. E a perdurar a nossa posição de país periférico, distante do grau de desenvolvimento das nações socialmente menos injustas.

 

NACIONAL

STF abranda leis do desarmamento

Porte ilegal e comércio ilegal ou tráfico de arma de fogo deixam de ser crimes inafiançáveis

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou mais brandas as punições previstas no Estatuto do Desarmamento. De acordo com as mudanças anunciadas na quarta 2 deixam de ser crimes inafiançáveis o porte ilegal de armas e o disparo de armas de fogo em via pública ou local habitado. A decisão, tomada por 7 votos a 3, aceitou ação direta de inconstitucionalidade (Adin) do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). O STF garantiu também liberdade provisória à posse e porte ilegal de armas de uso exclusivo e à comercialização de armas no país, que foi objeto de plebiscito em outubro de 2005.

Na prática, isso significa que quem for preso por porte de arma sem registro poderá pagar fiança para sair da prisão. Outra alteração: quem for preso por porte ilegal, comércio ou tráfico internacional de arma de fogo (artigo 21 do Estatuto), poderá responder em liberdade ao julgamento que ainda seja possível recorrer da eventual sentença condenatória. Em ambos os casos, o juiz terá de examinar a situação específica antes de conceder ou não os benefícios previstos.

O relator da Adin, ministro Ricardo Lewandowski, afirmou que a decisão "é a garantia de que todo o restante do estatuto está mantido e de que o porte de arma estará sujeito a todos os rigores da lei". Para ele, "os requisitos para possuir ou portar uma arma ficaram bastante endurecidos" com o estatuto.

Rigor – O Estatuto do desarmamento, em vigor desde dezembro de 2003, estabeleceu regras rígidas para porte e comercialização de arma. Disparar arma de fogo em local habitado era passível de punição com dois a quatro anos de prisão; tráfico internacional de armas, de quatro a 12 anos. As punições foram mantidas, mas o STF julgou inconstitucional proibir a concessão de liberdade mediante pagamento de fiança. Derrubou ainda o artigo que proíbe liberdade provisória para suspeitos de porte ilegal de arma de uso restrito e tráfico internacional de arma de fogo. O juiz vai decidir se há necessidade de prisão provisória do acusado.

Foi mantida a idade mínima para a compra de arma de fogo em 25 anos. Para adquirir e registrar uma arma, a pessoa continua sendo obrigada a declarar necessidade, comprovar idoneidade, apresentar declaração de bons antecedentes das justiças Federal, Estadual, Militar e Eleitoral, comprovar emprego e renda. Além disso, não pode estar respondendo a inquérito ou processo criminal e terá de se submeter a testes técnicos e psicológicos.

 

Brasil fabrica e é vítima das armas

Um estudo elaborado em 2006 pela Organização dos Estados

 

 Ibero-Americanos mostrou que a arma de fogo foi a causa de 34% das mortes entre os jovens no Brasil em 2004. A pesquisa revelou ainda que o Brasil tem um dos mais altos índices de homicídios e suicídios por arma de fogo entre a população de 15 a 24 anos, com 43 casos para cada 100 mil pessoas.

Como um dos maiores produtores de armas pequenas do mundo, o Brasil se coloca em uma situação peculiar, na definição do sociólogo fluminense Antônio Rangel Bandeira, da ONG Viva Rio, que capitaneou a campanha pelo desarmamento no país, em 2004 e 2005.

"No mundo, há dois tipos de países: vítimas e algozes – estes exportam para outros lugares as armas que produzem. O Brasil se vê em ambas as situações", afirmou Bandeira em entrevista à Agência Brasil, citando casos da Alemanha e da Áustria, cujas armas que fabricam vão matar gente na América Latina. "O Brasil é o sexto maior exportador de armas pequenas do mundo e a maior vítima das armas", afirma Bandeira. Segundo o Ministério da Saúde, morreram em 2003 e 2004, 75 mil pessoas vítimas de armas de fogo no país.

 

CRIMES EXCELENTES E OUTROS MENOS

Mário Maestri

Historiador

 

No Brasil e no mundo, não é a gravidade do crime que determina que ele repercuta com intensidade ou passe batido nos grandes meios de comunicação. A manipulação do crescente sentimento de insegurança pessoal da população constitui fundamental meio de manipulação política, social e ideológica. Vejamos dois dramas criminais ocorridos no Brasil e encenados de forma radicalmente diversa pela grande mídia.

Rio de Janeiro, 6 de janeiro de 2007. Menino de seis anos morre por arrastamento, preso ao cinto de segurança do carro da mãe, roubado por cinco jovens. O triste sucesso enseja enorme campanha da grande mídia de galvanização da compaixão e da indignação públicas, focalizada quase essencialmente no fato de que, entre os assaltantes, havia um adolescente de 16 anos, judicialmente não imputável como maior, devido ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

Arrancados do anonimato pela intoxicação midiática, os pais da vítima passam rapidamente da expressão de dor pessoal dilacerante para a reiteração espetacular de narrativas mais e mais refinadas da perda pessoal e, sobretudo, das suas pretensas razões sociais.

Pernambuco, abril de 2007. A Polícia Federal anuncia ter desbaratado uma organização dirigida por policiais e empresários que literalmente industrializava a morte. Em cinco anos, o grupo teria assassinado umas mil pessoas e faturado 1,5 milhão de dólares. Os assassinatos eram contratados sobretudo por empresários.

A intervenção midiática sobre o menino-mártir seguiu o script pré-estabelecido. As interpretações propostas sobre os fatos, centradas na necessidade de punição implacável do menor, repercutiram na opinião pública e políticos profissionais retomaram propostas de endurecimento da repressão policial e legal. A recente aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, da proposta de redução para 16 anos da responsabilidade penal constitui um dos resultados desse discurso performativo. Destaque-se que, no Brasil, o menor de 18 anos não pode dirigir, casar-se, comprar imóvel etc.

Apesar de os acontecimentos de Pernambuco constituírem a literal industrialização da execução sistemática de cidadãos, os fatos tiveram cobertura de baixa intensidade e, sobretudo, praticamente sem qualquer julgamento de valor. Não houve ênfase na necessidade da punição exemplar dos assassinos, nem campanha midiática exigindo a responsabilização dos mesmos.

No Rio de Janeiro, tratava-se de menino de seis anos, branco, de classe média, morto por jovens, em geral quase brancos, de famílias pobres, mas não miseráveis. Uma paisagem social ideal para a apresentação do crime como produto não mediado da ação do mal contra o bem. Portanto, um cenário que permitia apresentar a proposta da geração da violência, devido à mercantilização e desumanização das relações sociais, no contexto da carência de educação, de saúde, de trabalho, de laços afetivos e morais sólidos etc. A repressão policial como política de combate à transgressão individual e, logicamente, social – Tolerância Zero – tornava-se assim a conclusão quase natural da narrativa maniqueísta.

A execução sistemática e maciça de cidadãos, por mais de cinco anos, produzida por policiais para consumidores endinheirados, registrava, ao contrário, os terríveis desvios societários ensejados pela liberdade de ação dos policiais na repressão da população pobre e a banalização do assassinato de desafetos.

Ao silenciar sobre eles, a grande mídia encobriu rapidamente aqueles fatos simplesmente porque registravam fenômenos dramáticos e estruturais referentes à segurança pública, sobre os quais era impossível desenvolver qualquer reflexão que não expusesse as profundas e históricas chagas sociais do Estado e da sociedade brasileira. Patologias sociais que se aprofundarão, inexoravelmente, devido ao sucesso crescente da construção de consenso sobre a necessidade da repressão-violência como forma de tratamento dos desvios comportamentais em sociedade mais e mais esgarçada por patéticas necessidades e insuficiências materiais e espirituais.

Um triste cenário que exigirá – deus não permita! -, em um futuro talvez muito próximo, que o brasileiro tenha sempre consigo, no bolso, cinco mil reais, para poder disparar antes que o seu desafeto o faça!

 

IGREJA

"A IGREJA CATÓLICA PRECISA REDESCOBRIR-SE MISSIONÁRIA"

 

Três dias antes de Bento XVI iniciar sua primeira viagem ao Brasil, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, afirmou à BBC que o Papa irá intervir para ajudar a resolver os problemas da América Latina. E o canal apropriado para isso é a V Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe, que será aberta pelo Papa no domingo 13. Sobre a V Celam, e ainda na condição de secretário-geral da CNBB, o arcebispo de São Paulo dom Odilo Scherer também acredita que a Conferência poderá contribuir muito para uma nova atitude da Igreja Católica no continente. E que isso precisa ser passado a todos os fiéis, porque é algo que não se possa resolver apenas no ambiente eclesial. Para ele, a presença de Bento XVI legitima o ato eclesial da Celam e traz indicações sobre o rumo que a Igreja deve seguir. A seguir, trechos da entrevista de dom Odilo à Agência Fides, distribuída pela assessoria de comunicação da CNBB.

 

Nesta V Conferência Geral do Celam, quais são os desafios e as prioridades pastorais mais urgentes diante das atuais mudanças sócio-políticas e culturais no continente latino-americano?

Dom Odilo Scherer – Antes de tudo, devo esclarecer que não se trata de uma Conferência "do Celam", mas do Episcopado da América Latina e do Caribe; o sujeito da Conferência são as 22 Conferências Episcopais do Continente. Depois da IV Conferência, em Santo Domingo (1992), aconteceram e ainda continuam a acontecer muitas mudanças no continente, em vários sentidos. Os desafios dizem respeito à realização adequada da missão da Igreja nesse mundo em mudança; a Igreja quer anunciar o Evangelho, como "boa nova", nestas novas situações, que são a pobreza e a exclusão social persistente e até acentuada; a violência que se alastra por toda parte; as migrações de tanto povo latino-americano para os países ricos do Hemisfério Norte, as decorrências da globalização econômica e cultural, as mudanças religiosas, a migração de fiéis de nossas Igrejas para outras Igrejas e grupos cristãos, a mercantilização do sagrado, segundo certa concepção de "mercado religioso", os novos problemas éticos. . . Desafios grandes também são a missão da Igreja nas grandes metrópoles urbanas, o aprofundamento na fé e o cultivo de um renovado senso de pertença dos católicos à Igreja num ambiente cultural marcado pela mobilidade, a precariedade e a instabilidade das relações e compromissos humanos com as instituições tradicionais.

 

Estes desafios são iguais em todas as regiões da América Latina?

Dom Odilo – Com algumas diferenças e nuances próprias para cada país, esses desafios se apresentam em todas as regiões do continente. Claramente, são especialmente sentidos nas grandes áreas urbanas.

 

Por que o tema "discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele tenhamos vida?"

Dom Odilo – O tema foi sugerido ao Papa Bento XVI depois de muita reflexão na América Latina. E o Papa o aprovou, com algum acréscimo de sua iniciativa. O tema tem três núcleos: a identidade cristã e católica ("discípulos e missionários de Jesus Cristo"); a missão ("missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida"); e o sentido da presença e atuação dos cristãos e da Igreja no meio dos nossos povos ("para que nele nossos povos tenham vida"). A reflexão e uma nova consciência sobre quem somos e o que temos a propor hoje ao mundo são necessárias, pois disso depende a nossa maneira qualificada de exercer a missão da Igreja. Nas grandes mudanças culturais poderia ficar diluída ou descaracterizada a genuinidade da proposta cristã para a "vida do mundo". É preciso voltar a Jesus Cristo e ao seu Evangelho e ver o que ele significa para os nossos povos. Por sua vez, os desafios do tempo presente requerem uma nova postura missionária de toda a Igreja. Não podemos mais supor que todos já estão evangelizados e que bastaria apenas conservar e manter aquilo que já foi realizado. Nossos países, dioceses e paróquias, nossas famílias católicas estão sendo atingidas cada dia por inúmeras "outras" propostas de vida e de religião; a Igreja católica precisa redescobrir-se missionária em cada uma de suas comunidades e organizações, em cada católico. Não se trata de concorrência, mas de realizar bem a nossa missão.

 

O tema, então, não está distante da realidade do povo?

Dom Odilo – Não creio que o tema da V Conferência se afaste da vida do povo e dos seus interesses mais reais; ou o evangelho não interessa mais ao povo?! O terceiro núcleo do tema ("para que nele nossos povos tenham vida") está, justamente, voltado para as realidades da vida dos nossos povos: seus sofrimentos e lutas diárias, suas cruzes históricas, suas esperanças e anseios por liberdade, dignidade e felicidade. E a Igreja quer continuar a ser uma presença significativa nas realidades sociais e históricas, políticas, econômicas e culturais dos nossos povos. Nada se perde de toda a "dimensão social" do agir da Igreja, pelo contrário. Mas a Igreja na América Latina tem algo de próprio para dizer aos povos, suas organizações e sua cultura, ou seja: a vida dos povos segundo os desígnios de Deus e de seu reino, não de acordo com alguma ideologia, ou teoria econômica ou partido político, "para que nele nossos povos tenham vida".

 

Quais são as expectativas e as esperanças desta V Conferência para o Brasil e para todo o continente?

Dom Odilo – Temos a esperança que as palavras do papa Bento XVI, na abertura dos trabalhos da V Conferência, e as diretrizes emanadas da Conferência possam ajudar a Igreja na América Latina a ver claro por onde a missão deve continuar e quais são os modos mais adequados de enfrentar os atuais desafios postos à missão da Igreja no Brasil e em todo o continente. Espero que tenhamos um grande incentivo à ação e ao dinamismo missionário; por outro lado, que os católicos sejam ajudados a sentirem mais profundamente a alegria de crer e de estarem unidos à Igreja católica; que os leigos possam ser ajudados a desempenhar sua missão própria na Igreja e, sobretudo, no mundo, com dinamismo e competência. E que os frutos, para a vida dos povos, possam aparecer e ser abundantes, com o passar do tempo.

 

O senhor acredita que esta Conferência poderá ajudar a recuperar a identidade cristã de tantos fiéis envolvidos pelo relativismo atual da sociedade, o avanço das seitas e tantos outros desafios que interpelam hoje os cristãos?

Dom Odilo – Eu espero que sim, mas não tenho dúvidas de que isso requer muito trabalho missionário da Igreja, muita paciência e perseverança; a Conferência poderá ajudar muito para uma nova atitude da Igreja católica no continente. E isso precisa ser passado a todos os fiéis e a todas as organizações da Igreja. Não é algo que se possa resolver apenas no ambiente eclesial. Vivemos uma situação cultural ampla e difusa, que favorece a pouca identificação com a fé católica e com a Igreja. Penso que seja necessário ajudar os católicos a terem consciência clara de sua identidade cristã, católica e eclesial; quem não tem identidade, é como folha seca que o vento leva para todos os lados. . . E a formação da identidade passa pela formação cristã de base, pela intensa ação evangelizadora, pela catequese e a formação mística, pelo testemunho positivo da presença e da ação da Igreja na vida das pessoas e da sociedade. É preciso redescobrir a "alegria de crer", como Bento XVI tem repetido com freqüência.

 

Quais são as principais atividades do Papa no Brasil?

Dom Odilo – O Papa vem ao Brasil, antes de tudo, para fazer a abertura da V Conferência Geral. Bento XVI dá legitimidade ao grande ato eclesial da Conferência de Aparecida e traz indicações importantes sobre o rumo que a Igreja deve seguir no meio de nossos povos, para ser fiel à missão recebida de Cristo.

O Papa terá encontros com o presidente da República, com a juventude e com os bispos do Brasil. Também celebrará missa com o povo, durante a qual fará a canonização do beato Antônio de Sant’Ana Galvão, primeiro santo nascido no Brasil. Em Aparecida, dia 13, celebrará a missa de abertura dos trabalhos da V Celam, e presidirá a sessão inaugural.

 

QUAL É O PAPA QUE NOS VISITA?

Frei Luiz Turra

Capuchinho, assessor da música litúrgica da CNBB e autor do hino de acolhida a Bento XVI

 

Há uma curiosidade normal que o imaginário popular experimenta com a visita do Papa. Afinal, ele é o referencial da unidade da Igreja Católica no mundo inteiro e um líder da humanidade. Por 27 anos criamos uma familiaridade afetiva com João Paulo II. Sempre foi forte o contágio de comunhão, simpatia e admiração. Mesmo que sua mensagem fosse tradicional, sua figura atraía as multidões, especialmente a juventude, como comprovaram os Encontros mundiais dos jovens.

Pelo fato de ter composto o hino de acolhida do Papa, muitos comunicadores me perguntavam: como será agora a relação do povo com Bento XIV? Haverá o mesmo entusiasmo e o calor da acolhida? O certo é que o Papa é outro e os tempos são outros, bem como nós somos outros. Há um provérbio que diz: "Quando você passa por um rio pela segunda vez, o rio não é mais o mesmo e nem você". Portanto, é difícil prever o grau de sintonia que se estabelecerá nos encontros. Quando compus o Hino de Acolhida, fiz com a intenção de favorecer o clima de empatia, pois um hino carrega consigo uma forte linguagem simbólica favorável.

Uma coisa é certa: o povo brasileiro é notoriamente acolhedor; tem raízes de reverência e respeito com as autoridades e, em se tratando do Papa, há uma relação mística muito forte, sabendo a quem ele representa: "Bento, bendito o que vem em nome do Senhor". Pelos comentários de Sandro Magister, especialista em política da Igreja na Itália: "Bento XVI tem carisma e clareza no discurso suficientes para dar o recado católico compreendido por pessoas de todas as classes. Ele congrega um público maior e tem discurso mais claro que o do seu antecessor". As estatísticas indicam que as audiências de quarta-feira e o Ângelus que o Papa Bento XVI pronuncia aos Domingos contam com uma presença duas vezes maior que em outros tempos.

O grande diferencial desta vinda do Papa ao Brasil é marcado por dois acontecimentos inéditos, não só para o presente, mas também para o futuro da Igreja. O primeiro e mais decisivo é a abertura da V Celam, em Aparecida, no dia 13. A partir deste acontecimento, Aparecida registrará um documento histórico que iluminará a caminhada pastoral da Igreja na América Latina, assim como foi Medellin, Puebla, Santo Domingo. O segundo acontecimento que marcará a história do Brasil é a canonização do primeiro Santo Brasileiro, no dia 11 de maio, no Campo de Marte em São Paulo: o Frei Galvão.

Brasil – Com a fama de ser o país mais Católico do mundo, o Brasil vive, na atualidade, um processo flutuante, também na sua paisagem religiosa. As angustiantes situações existenciais, sociais, culturais, econômicas etc. . . com facilidade levam o povo a migrar em busca de soluções imediatas, em outras denominações religiosas e também em outras formas de expressão, mesmo na Igreja Católica. Com a ajuda da mídia, não faltam os mestres dos milagres fáceis e os que exploram o emocional para despertar fanatismos e cultivar fundamentalismos.

Nesta hora, a tendência individualista da pós-modernidade, e mesmo o fechamento de grupos religiosos com visões diferentes, vai criando expectativas diversas em relação ao discurso do Papa. Há quem deseja ouvir um discurso revolucionário; outros, conservador; e outros, "de panos quentes" e conciliador etc. . . O certo é que Bento XVI, como pastor universal, diante da complexidade de nossos tempos, deverá ser um provocador em todas as direções. Com a clareza do referencial básico da revelação, do magistério e da teologia, o Papa poderá indicar opções e cuidados preferenciais, mas, certamente, não fechará seu discurso em reducionismos. Como discípulos e missionários de Jesus Cristo temos a urgência do Reino e os sofrimentos humanos que deverão nos motivar a "não nos cansar de fazer o bem" e investir tudo para promover a justiça, a solidariedade e a paz.

Dom Lyrio assume CNBB e mantém diálogo, com a liberdade de discordar

Com 225 votos (2% do total), dom Geraldo Lyrio Rocha foi eleito o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para os próximos quatro anos. Na escolha, ocorrida na quinta 3 durante a 45ª Assembléia Geral da CNBB, em Indaiatuba (SP), o cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, que deixa o cargo, recebeu seis votos e houve 21 abstenções. Dom Geraldo Lyrio Rocha tem 65 anos, foi recém nomeado arcebispo de Mariana (MG) pelo Papa Bento XVI e é conhecido como um dos expoentes da ala moderada da CNBB, entidade mais apegada às questões sociais.

O nome de dom Geraldo começou a ganhar força na disputa a partir do momento em que o cardeal Odilo Scherer, que era secretário-geral da CNBB, assumiu a arquidiocese de São Paulo. Sua eleição, por isso, não foi surpresa. "A minha primeira palavra é dirigir um grande pedido a Deus, porque tenho muita consciência de que a responsabilidade colocada sobre os meus ombros é imensa, é quase sem limites, mas confio muito na graça de Deus", afirmou em entrevista logo após ser eleito. "Assumir a presidência da CNBB não é assumir um cargo, um poder, é assumir um serviço à Igreja, ao Reino de Deus, ao Evangelho, aos irmãos e irmãs, aos que crêem e aos que não crêem, aos pequenos, aos pobres, aos que sofrem, aos que estão caídos no meio do caminho, aos excluídos do banquete da vida", prosseguiu.

Indagado sobre a posição que a Igreja deve assumir, dom Lyrio declarou ainda que a Igreja tem de manter sua linha de atuação, que se baseia na fidelidade e proposta de Jesus. "Aquilo que confere com os ideais evangélicos deve sempre receber nosso apoio. Aquilo que não está de acordo deve receber nossa crítica. A posição da Igreja tem sido esta: de manter a sua legítima autonomia, para que possa exercer com liberdade a sua missão e não omitir compromissos", declarou.

Continuidade – Sobre a relação da CNBB com o governo, dom Lyrio disse que estará sempre disponível para conversar com todos. "Não fecho as portas a ninguém. Estou sempre pronto para acolher. Também tenho simplicidade para dizer sim e para dizer não. Sem dúvida, vai ser um diálogo aberto, respeitoso, construtivo, livre, para acolher críticas e pra criticar também, quando for preciso. A gente não precisa ficar de espírito armado para ser contra ou favor. Vai ser uma continuidade do que a CNBB tem feito ao longo de sua história, até mesmo nos momentos mais difíceis, como a ditadura militar. A CNBB manteve sua total liberdade para discordar, apresentar propostas alternativas".

A primeira missão religiosa de dom Lyrio será receber Bento XVI, que visita o Brasil de 9 a 13 deste mês. Ele será anfitrião do Papa também durante a V Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe, que o pontífice abre no domingo 13 em Aparecida (SP).

 

Perfil do presidente

 

Dom Geraldo Lyrio Rocha nasceu no dia 14 de março de 1942, em Fundão (ES). Foi ordenado sacerdote em 15 de agosto de 1967, em Fundão, e bispo, em 31 de maio de 1984, em Vitória (ES).

Formado em Filosofia pelo Seminário Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte (MG), estudou Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Tem mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino e especialização em Liturgia, pelo Pontifício Ateneo Santo Anselmo, ambos em Roma.

Antes do episcopado, foi, entre outros cargos, coordenador de pastoral da arquidiocese de Vitória (BA). Ele foi bispo auxiliar de Vitória do Espírito Santo, bispo de Colatina (ES) e esteve à frente da arquidiocese de Vitória da Conquista (BA) até agosto do ano passado. Em 23 de junho assume a arquidiocese de Mariana (MG).

 

Secretário-geral e vice

 

Dom Dimas Lara Barbosa, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, é o novo secretário-geral da CNBB. O cargo que exige mais exposição e participação será exercido por um mineiro nascido em 1º de abril de 1956, ordenado sacerdote em dezembro de 1988 e ordenado bispo em agosto de 2003. Formado em Filosofia pelo Instituto São Bento (SP) e em Teologia pelo Instituto Sagrado Coração de Jesus, de Taubaté (SP), dom Dimas fez doutorado em Teologia Sistemática pela Universidade Gregoriana de Roma. Antes do sacerdócio formou-se em Engenharia Eletrônica pelo Instituto de Aeronáutica (ITA) e atuou no Instituto de Atividades Espaciais e na Ercikson do Brasil

O vice-presidente eleito é dom Luiz Soares Vieira, arcebispo de Manaus. Nasceu em Conchas (SP) em 1937 e foi nomeado arcebispo em novembro de 1991.

 

Brasil tem 139 milhões de católicos

Percentual estabilizou, mas em números absolutos, contingente aumentou

 

Depois de mais de um século de encolhimento contínuo – desde 1872, ano dos primeiros registro censitários -, acelerado principalmente na década de 1990, o número de católicos no Brasil parou de cair. A pesquisa "Economia das Religiões: Mudanças Recentes", divulgada na quarta 2 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), constatou que de 2000 a 2003 o percentual de brasileiros católicos permaneceu nos 73,8%. Como nesse período a população do país aumentou, significa que também cresceu o número absoluto de seguidores do Papa. De acordo com o estudo da FGV, existem atualmente no Brasil 139,2 milhões de católicos – o que equivale a mais de 12% dos católicos do mundo.

O mapa da religiosidade brasileira indica que os evangélicos continuam crescendo. Eram 5,2% da população em 1970, passaram para 9% em 1991, 16,2% em 2000 e chegaram a 17,9% em 2003 (ou 33,7 milhões, 12,5% de pentecostais e 5,4% de evangélicos tradicionais). Os brasileiros identificados com outras religiões ou com nenhuma somam 8,3%. A taxa dos sem credo reduziu de 7,4% para 5,1%. Eles teriam migrado, em sua quase totalidade, para os evangélicos, o que explicaria o crescimento.

O coordenador da pesquisa, economista Marcelo Negri, atribui a estabilização do número de católicos, em boa parte, à redução da pobreza no Brasil. Segundo ele, os evangélicos pentecostais cresciam sobre as áreas mais carentes das grandes cidades e os mais pobres "trocavam de credo por desespero, como forma de mexer num cotidiano que só piorava. . . e a Igreja se movia muito devagar".

Gaúchos – Segundo a FGV, 75,14% dos gaúchos são católicos – Caxias do Sul tem 86,42%. O índice não é muito elevado, mas o Estado tem nove dos 10 municípios mais católicos do país. E os quatro primeiros colocados estão em regiões de colonização italiana, a começar por Nova Roma do Sul.

 

OS INTÉRPRETES DO CÉU

Padre Zezinho

O mundo está cheio de intérpretes do céu, que se acham os únicos, os legítimos, os melhores

 

Se você é dado a leituras, experimente um dia ler algum livro sobre as origens, o desenvolvimento, as doutrinas e as práticas das religiões. Vai descobrir coisas lindas, mas vai descobrir muito erro e muita crueldade. Vai descobrir muitas semelhanças, muita discordância. . . Descobrirá o porquê dos locais de culto, dos objetos de culto, das roupas; da certeza de que eles estão com a última palavra, e que foi a eles e não aos outros que Deus confiou a verdade verdadeira.

Descobrirá o porquê dos seus livros sagrados, das suas pedras sagradas; das suas arcas e tendas, dos seus ícones, dos seus fundadores e profetas, dos seus mártires e modelos. Descobrirá porque alguns se ajoelham, outros se arrastam ou se dobram; alguns se flagelam, outros se jogam água, outros se cobrem até os pés e outros ficam nus. Descobrirá mãos para o alto, para baixo, em concha, punhos fechados; as repetições infindáveis da mesma palavra ou da mesma súplica, do mesmo louvor ou da mesma passagem do seu livro.

Descobrirá os sacrifícios, de sangue ou de suor, as renúncias e as privações; os suspiros, as lágrimas, as revelações e a última palavra de ordem. As religiões são muito parecidas no bem e no mal; nas suas afirmações absolutas e no seu dogmatismo; nas suas práticas e nas suas condenações; na sua certeza de que são as únicas e verdadeiras intérpretes do céu.

Sempre acham um defeito na outra e uma qualidade a mais na sua. Gostam muito de apontar os pecados das outras e as virtudes da sua. Fazem questão de não saber o lado bom das outras. Pensam que multidão sincera e milagres só acontecem nos seus locais de culto.

Os intérpretes do céu costumam ser radicais. Se for preciso, alguns deles matam e mandam matar em nome do autor da vida. Quando se acha o único com direito de interpretar o céu, derrama sangue. É só chegar ao poder que ele impõe suas leis a ferro e fogo. Tudo em nome dos direitos de Deus, que na verdade são sua sede de um dia governar o mundo e fazer todo mundo pensar, orar e viver como seu grupo.

O mundo está cheio de intérpretes do céu. Na sua maioria eles se acham os únicos, legítimos e, modéstia a parte, os melhores. Excesso de fé ou falta de humildade?

 

CRB/RS promove Congresso Bíblico

Evento ocorre de 25 a 27 de maio em Porto Alegre

 

A presença solidária e profética na caminhada dos 50 anos da Conferência dos Religiosos no Rio Grande do Sul (CRB/RS) vai marcar o 3º Congresso Bíblico da CRB/RS. O encontro realiza-se de 25 a 27 de maio, na Universidade Pontifícia do RS, em Porto Alegre.

O tema está dividido entre êxodo de Israel, êxodo do servo-exílio e o êxodo de Jesus. O congresso destina-se a formandos, religiosos, leigos, comprometidos e apaixonados pela Palavra de Deus e pelo povo, que se colocam a serviço do Projeto de Libertação.

O congresso tem três grandes objetivos. O primeiro é celebrar, com júbilo de gratidão, a memória dos 50 anos de fundação da CRB/RS, glorificando a Deus pela força de sua Palavra, que iluminou e sustentou o caminho das pessoas consagradas, que doaram sua vida, em favor do povo local e além fronteiras.

O segundo busca revigorar a mística a serviço da vida, aprofundando o Projeto do Deus do Êxodo, para que, com a ousadia da fé no Deus libertador, lutemos por um mundo novo, como discípulos e discípulas de Jesus de Nazaré.

O terceiro visa a comunhão com a CRB Nacional, vivenciar a quinta prioridade: "Cultivar a mística enraizada na Palavra de Deus como fonte de coragem parar responder aos desafios atuais", assumindo o êxodo de "nós mesmos", colocando o Carisma a serviço do anúncio do Evangelho. Inscrições: R$ 30,00. Informações: CRB/RS – Travessa Francisco Leonardo Truda, 98/sala 23/25– CEP 900010-050 – Porto Alegre – RS. Telefones (51) 3221 0050 ou 3221 0277.

 

Igreja traça diretrizes conjuntas contra aids

 

A igreja está mobilizada contra a aids. Carta entregue à Assembléia Geral da Conferência Episcopal Latino-Americana, resultado do II Simpósio Latino-Americano e Caribenho – Ação da Igreja Católica no Mundo da Aids, realizado na Argentina, reflete sobre a atuação da igreja contra a doença.

O documento pretende contribuir para as novas diretrizes da igreja na região. Busca também criar a Rede Latino-Americana e Caribenha que favoreça a articulação das ações de prevenção e assistência existentes na igreja.

Outro destaque do simpósio foi o lançamento do curso "Políticas públicas em HIV e aids, Saúde Sexual e Reprodutiva", uma iniciativa da Universidade Ibero-Americana e do Centro Internacional de Cooperação, com o apoio do Fundo de Populações das Nações Unidas.

De acordo com o diretor regional do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/AIDS (Unaids), Cesar Nuñez, existem na América Latina cerca de 1,7 milhão de pessoas vivendo com aids. No Caribe, este número chega a 250 mil. O III Simpósio será realizado em 2009, em Lima, capital do Peru.

 

Morre frei Irineu Della Libera

 

Aos 50 anos, morre frei Irineu Della Libera, da Província dos Frades Menores Capuchinhos do Rio Grande do Sul. O falecimento ocorreu em 4 de maio, no Hospital Regina de Novo Hamburgo (RS). Sofria de problemas hepáticos e mal da gota, com sucessivas internações. Foi sepultado em Santa Bárbara do Sul, sua terra natal. O corpo foi velado na capela do Convento São Lourenço de Bríndisi, em Porto Alegre, onde foi celebrada missa de corpo presente.

Frei Irineu nasceu no dia 10 de novembro de 1956. Era filho de Lindo Della Libera e Angelina Baldo. Entrou na Ordem Capuchinha em 1981 e recebeu a ordenação sacerdotal em 1985. A serviço da Província atuou na Paróquia São Judas Tadeu, em Porto Alegre, e na Paróquia Navegantes, em Tramandaí, Litoral gaúcho. Desde o ano 2000 esteve a serviço de várias dioceses do Rio Grande do Sul.

Destacou-se no cultivo das tradições gaúchas e celebração de missas crioulas. Recebeu o título de "Cidadão de Porto Alegre" (Câmara de Vereadores, em 1992) e assumiu como titular da Secretaria Municipal de Turismo de Tramandaí sendo pároco de Tramandaí-Imbé, fato que motivou sua remoção da Paróquia Navegantes pelo arcebispo Dom Altamiro Rossato.

Em março de 2000, a serviço da diocese de Uruguaiana, assume a Paróquia Santo Antônio, em Santo Antônio das Missões. Em 2001 é titular da Paróquia N. Sra. Conquistadora, em Alegrete; e, em 2002, já na diocese de Novo Hamburgo, foi pároco de Nova Hartz.

 

A IGREJA DO SIM

Aldo Colombo

Os discípulos de Jesus precisam caracterizar-se pelo sim da ternura e do perdão

 

Viajando com um grupo de cavaleiros, um rei chegou às margens de um rio que havia transbordado devido a uma enchente. A velha ponte de madeira fora arrastada pelas águas. Com isso, cada cavaleiro viu-se forçado a atravessar o rio a cavalo, lutando contra a forte correnteza. Qualquer descuido poderia significar a morte. Um viajante, que não fazia parte do grupo, ficou observando a coragem daqueles cavaleiros. Depois de alguns terem chegado à outra margem, o viajante perguntou a um deles se poderia transportá-lo para outra margem. O pedido foi aceito imediatamente. Quando o viajante chegou à outra margem, um cavaleiro quis saber porque o viajante escolhera o rei para a travessia. Ele explicou: eu não sabia que ele era o rei, tudo o que eu sei é que no rosto de alguns de vocês estava escrita a palavra "não" e no de outros a palavra "sim".

São duas filosofias de vida, que aparecem nas pessoas e mesmo nas instituições. Em muitas fisionomias, o "não" é permanente. A pessoa é contra, sem mesmo examinar o mérito de uma questão. Em outras, felizmente, brilha a palavra "sim". Os primeiros são negativos e pessimistas. Desconfiam das pessoas, desconfiam dos projetos novos, desconfiam de tudo. Já o outro grupo, sem ser ingênuo, acolhe favoravelmente e tenta ajudar e entender o ponto de vista dos demais.

Existem pais que fazem do "não" seu projeto educacional. São duros nas críticas e dificilmente elogiam. O sorriso é uma raridade. Esses não educam, quando muito domesticam. Felizmente existem pais que encorajam seus filhos, sabem desculpar os erros e travessuras, sabem perdoar e dão sempre uma segunda chance. O não e o sim são perfeitamente percebidos também em professores, funcionários públicos, balconistas. . .

O não é particularmente prejudicial quando estampado no rosto dos líderes religiosos. O Concílio Vaticano II tentou mudar a estratégia pastoral da Igreja, substituindo o "não" pelo "sim". Não se trata de uma atitude permissiva e sem convicção. É, antes, tentativa de seguir o ensinamento do Mestre, o Bom Pastor. Naturalmente, Jesus pede aos seus uma definição entre o sim e o não. Ele não quer a ambigüidade morna do mais-ou-menos (Mt 5,36). Em sua prática, Ele sempre privilegiou o sim da bondade e do perdão.

Os discípulos de Jesus precisam caracterizar-se pelo sim da ternura e do perdão, porque o Mestre esclareceu que ele veio, não para condenar, mas para salvar. O não, quando dito com amor, assume o brilho do sim. Maria, a mãe de Jesus, fez do sim seu projeto de vida. A chamada pastoral da amargura já fez estragos demais na Igreja e na sociedade.

A Igreja de Jesus é a Igreja da simpatia, da acolhida, da compreensão e do perdão. É a Igreja do Sim. E essa pequena palavra precisa estar escrita no rosto de todos os batizados. É a linguagem do amor, que pode ser exigente, mas é sempre sim.

 

Romarias lembram os Mártires da Fé

Beatificação mobiliza Três Passos e Nonoai e todo interior do Estado

 

As romarias dos Mártires da Fé, em Três Passos e Nonoai, irão ficar na história das regiões da Produção e do Celeiro gaúcho. O Vaticano confirmou a beatificação do padre espanhol Manuel Gomes Gonzales e do coroinha gaúcho Adílio Daronch para o dia 21 de outubro próximo, na Diocese de Frederico Westphalen. É a primeira beatificação que ocorre no Estado e o primeiro gaúcho a ser beatificado na história da igreja.

O município de Nonoai espera este ano 60 mil fiéis para a 43ª Romaria Diocesana ao santuário de Nossa Senhora da Luz e aos Servos de Deus, que ocorre no terceiro domingo de maio. Padre Gonzales era muito querido na região. Na cidade fundou a primeira escola e construiu uma olaria para servir aos mais necessitados, entre outras obras comunitárias.

Em Três Passos, a programação é mais intensa. Inicia dia 16 com a saída da Cavalgada dos Mártires do município a Nonoai. Dia 21, dia do martírio do padre e do coroinha, haverá celebrações em todas as comunidades. Dia 24, começa o tríduo no Santuário dos Mártires. Dia 26, ocorre a Moto Romaria do Alto Uruguai, na localidade de Feijão Miúdo, onde os religiosos foram assassinados.

Já no domingo 27, a romaria sai em frente à Igreja Matriz Santa Inês; 10h, missa campal no local do martírio; almoço e tribuna livre; às 13h30, teatro sobre a vida do pe Gonzales e de Adílio Daronch; ação de graças; bênção das sementes, sal e água; da saúde e envio dos romeiros. "A próxima romaria será realizada em 25 de maio de 2008", informa o pároco padre Helio Luiz Welter.

História – Padre Manuel Gomes Gonzales nasceu em 29 de maio de 1877, em São José de Riberteme, na Espanha. Foi ordenado sacerdote em 24 de maio de 1902. Passou por Portugal e, devido à perseguição religiosa neste país, veio ao Brasil em 1913. Foi encaminhado para a recém-criada Diocese de Santa Maria. Trabalhou em Soledade e, em 1915, foi nomeado pároco de Nonoai.

O coroinha Adílio Daronch nasceu em Dona Francisca, em 25 de outubro de 1908, filho do italiano Pedro Daronch e de Judite Segabinazzi. A família de Pedro era caridosa e religiosa. Ao mudar-se para Nonoai, colaborava com padre Gonzales, que exercia também a função de professor. Adilio era coroinha e auxiliar nos serviços do altar e da paróquia. Acompanhava o pároco no serviço externo de pastoral. A caminho de Três Passos, em Feijão Miúdo, foram amarrados em árvores e fuzilados por anticlericais e inimigos da igreja em 1924. Estão sepultados em Nonoai.

Desde 1996 o processo de beatificação está tramitando na secretaria do Vaticano.

 

Ipê festeja mães e Fátima no dia 13

 

No próximo dia 13 de maio, a Paróquia São Luiz Rei de Ipê estará celebrando a Festa de Nossa Senhora de Fátima e homenageando as mães de Ipê e do município de Antônio Prado. A festa será precedida por tríduo. Dia 10, com o tema "Mãe que transmite vida"; dia 11, com o tema "Mãe que transmite fé" e dia 12, "Mãe que orienta a vocação dos filhos".

Na noite de sábado, 12, será prestada homenagem à irmã Elsa Poletto e ao frei Antoninho Zandoná, que estarão celebrando seu Jubileu de Ouro. Dia 13, às 10h30, realiza-se missa festiva com a participação do coral Flor de Ipê. "A missa homenageia as mães de Antônio Prado e Ipê, e é feita um ano em cada paróquia", relata o pároco, frei Germano Miorando. "O lema é ‘Mãe de Fátima nos leva a Jesus’", acrescenta ao CR.

Após a missa, haverá almoço comunitário, seguido de torneio esportivo e variado programa social. "Agradecemos os festeiros, à equipe administrativa da paróquia e aos colaboradores", destaca frei Raul Suzin, vigário paroquial de Ipê.

 

Gravataí sediará Romaria do Trabalhador

 

Gravataí, na região Metropolitana de Porto Alegre, vai sediar no dia 1º de maio de 2008 a 12ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora. O evento é organizado pela CNBB S3, Pastoral Operária e Diocese da região. A data foi definida durante a 11ª edição, realizada no parque de eventos de Cruz Alta, no Alto Jacuí.

"Trabalho e educação para uma nova sociedade" foi o tema e "A vida gerada e cuidada pela mão de Deus e pela mão do trabalhador e da trabalhadora", o lema da romaria deste ano, que contou com cerca de 5. 000 pessoas. "Da região da Serra, participaram cerca de 200 pessoas", relata padre Gilnei Fronza, representante da Diocese de Caxias do Sul. "A romaria repensa o conceito de trabalho", emenda ao CR.

A luta dos trabalhadores por mais dignidade foi destacada pelo bispo José Mário Stroeher, de Rio Grande. Na pregação, ele fez referência aos Mártires da Fé e às encíclicas papais. Destacaram-se, ainda, a caminhada celebrativa, a celebração eucarística e a bênção e a partilha dos alimentos, além das oficinas de trabalho.

 

MEU PSICÓLOGO

Wilson João

Esperamos demais pelos outros. Que os outros nos apontem a solução. Meu caminho sou eu que vou traçando e abrindo

 

A vida vai ensinando. Na medida em que aceitamos ser alunos permanentes da vida, ela se coloca à disposição para nos ensinar. Estou aprendendo que os mestres podem ajudar a abrir as portas e janelas da vida. Que os psicólogos e psiquiatras podem indicar o caminho. Que as benzedeiras e conselheiros podem acariciar as dores e os problemas, mas que somente eu posso entrar em mim mesmo. Que somente eu tenho o poder de abrir as janelas e as portas. Que somente eu tenho o poder de acolher a bênção e de fazer o caminho da vida. Ninguém faz por mim. Estou aprendendo que o caminho a fazer depende somente de mim. Que a solução está em mim.

SOMENTE EU SEI DE MINHAS EMOÇÕES. A dor está dentro de mim. Dificilmente alguém pode senti-la. Somente eu sei a intensidade das dores das minhas feridas e machucaduras. Os sentimentos de perdas e rejeições somente eu sei medir. Ninguém consegue entrar em meus medos e incertezas. A dor é somente minha. É experiência pessoal, e ninguém, por mais santo e sábio que seja, por mais sensível e poderoso que seja, consegue tirar minha dor e meus problemas.

DEVO TOMAR-ME NA MÃO. A solução está em mim. Amigos e psicólogos podem indicar-me o caminho, mas o trabalho é meu. Tomar-me na mão é não entregar a outras pessoas a solução de meus problemas. É não delegar ninguém. Mesmo porque ninguém vai ser a solução para mim. Por isso é ridículo ver multidões em busca de soluções fora de si mesmas. São palhaçadas todas as tentativas de curar através de bênçãos e benzeduras. Os grandes milagreiros que reúnem multidões e se colocam em lugar de cada um, fazendo-se salvadores e solucionadores dos problemas de todos, são enganadores do povo. Fosse isso verdade e solução, não haveria mais doentes em nossa sociedade. O Brasil continua sendo um imenso hospital, mesmo com curadores e milagreiros de todos os tipos. É tudo enganação. Muitas pessoas podem indicar caminhos, mas não podem colocar-se no lugar dos outros. Nem Jesus Cristo fez isso. Responsabilizou cada um por seus erros e problemas. A solução parte de dentro. De dentro para fora e não de fora para dentro.

DEVO FALAR COMIGO. Sou psicólogo de mim mesmo. Em vez de falar com alguém, a quem entrego a responsabilidade de meus problemas, devo sentar-me e falar muito comigo mesmo. Tomar-me na mão. Falar de mim para mim mesmo. Fazer-me amigo. Tornar-me amigo de meus problemas. O caminho é longo e perto. Está dentro de mim.

DEVO TOMAR MINHAS DECISÕES. Esperamos demais pelos outros. Que os outros nos apontem a solução. Que os outros decidam por nós. O exercício da liberdade é um privilégio, mas se reveste do medo. Medo de tomar decisões. Mas elas são somente minhas. Pouco ou nada valem as decisões vindas de fora. Meu caminho sou eu que vou traçando e abrindo. Não sendo assim, corro o perigo de ficar sempre no ponto de partida.

 

CORREIO SABE-TUDO

REFORMA ORTOGRÁFICA

Países de língua portuguesa querem unificar sua escrita

 

"A frequência com que os passageiros leem durante os voos é baixa".

Pelas atuais regras da nossa língua portuguesa, a frase acima tem pelo menos três erros de ortografia: a palavra "frequência" sem o trema e as palavras "leem" e "voos" sem o acento circunflexo na primeira vogal. Porém, quando entrar em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, a frase estará correta.

A unificação da escrita entre os países de língua portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – nunca esteve tão próxima. Para que seja extinto o trema, suprimido o acento circunflexo de palavras como voo e leem, incluídas as letras k, w e y no alfabeto, entre outras dezenas de transformações, basta que Portugal assine o acordo, o que deve ocorrer até o fim deste ano. A mudança influenciaria a vida de 188 milhões de brasileiros.

Pare entender melhor as transformações propostas, é preciso voltar no tempo. Em 1990, os oito países que formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa firmaram o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O documento final teria que ser aprovado por pelo menos cinco dessas nações para que entrasse em vigor. Porém, só três o assinaram: Brasil, Portugal e Cabo Verde.

Então, a comunidade decidiu mudar o documento e reduzir para três o número de países signatários. Mas, dessa vez, só Brasil e Cabo Verde reafirmaram sua decisão. No fim do ano passado, São Tomé e Príncipe assinou o documento. Com isso, a unificação da escrita já poderia ter ocorrido nos três países, mas a presença de Portugal, um dos mais representativos países de língua portuguesa, é considerada fundamental.

Assim que as regras forem incorporadas ao idioma, inicia-se o chamado período de transição, para que ministérios da educação, associações e academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos recebam as novas regras ortográficas e possam, gradativamente, reimprimir livros, dicionários etc.

 

Mudanças dividem opiniões

 

A unificação da escrita entre os países de língua portuguesa divide opiniões. Alguns apontam que ter ortografias diferentes atrapalha a divulgação do idioma e sua prática em eventos internacionais e defendem, portanto, a aprovação do acordo. Outros afirmam que a reforma ortográfica é um desperdício, já que livros, dicionários e outros materiais teriam que ser reimpressos.

O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O talian que está em mim

Nestor Luiz Morgan

Professor, Francisco Beltrão – PR

 

O passado, vivido e falado, é, para o Prof. de História, Filosofia e de Ensino Religioso, Nestor Luiz, contínuo aprendizado. Relata ele:

 

"Con la gràssia de Dio e dela Madona, ze pi de 40 ani che son talian. Ze de quando go sentio el primo odor de polenta e late e, dopo ingrassar le culate, son rivà fin oncó, col vin in posto del late. "

Meu pai e minha mãe, em casa, falavam pouco o talian. Nossa alegria, porém, era, nas férias, ir na casa do tio Luiz Bonkoski e da tia Pina Baroni, onde só se falava talian, e tudo transpirava italianidade: "Se dormia sora un paion de scartossi, se ridea, e inocentemente anca se bestemava. . . La casa del zio Luigi e dela zia Pina la zera um toco del paradiso!"

Meu pai, Cirillo Antônio Morgan, conta que a nona Lúcia Carbonera Morgan passava o dia conversando com sua vizinha polonesa: uma falava em talian, e a outra, em Polonês, e se entendiam, mas nenhuma falava o Português. O Talian dominava a conversa ao natural. Minha mãe, Fiorinda Baroni Morgan, conta que o nono Domício Baroni falava um tipo de Talian, e a nona Antônia Fachinello Baroni, outro, o que gerava algum conflito, expresso em frases como esta:

– Va, va, bauca, ti sì gnanca bona parlar Talian!

Assim foi se formando o atual vencedor Talian que percebo sempre mais espontâneo em minha vida, e com o original gosto da primeira polenta e late!

O talian da infância toma conta de mim ao natural. Para diferenciá-lo do chamado gramatical, fiz um Curso de Italiano, participo do Gruppo Musicanti, e me divirto, cantando músicas folclóricas e clássicas italianas, em casamentos, festas de famílias, sagras de igrejas, datas municipais e outros eventos. Minha paixão atual são os dois programas radiofônicos em Talian de que participo em Francisco Beltrão: o Ricordi d’Itàlia, na Rádio Comunitária Anawin FM, e Stòria e Cansione, na Rádio Educadora AM, com meu mestre Vivaldino Pessatto, que em 1967 começou um programa radiofônico em Talian. No Encontro Brasileiro de Locutores do Talian, em Serafina Correa, RS, 2005, Pessatto foi homenageado como o locutor mais antigo de programa Talian do Brasil.

A cada dia, a cultura dos antepassados cresce e se firma em mim, através do talian que falo em casa e nas escolas, onde trabalho, e na comunidade em geral. Todos me entendem e, assim, me sinto mais próximo e familiar às pessoas, especialmente aos amigos. Lendo Polenta e Liberdade, de frei Arlindo Batistel, saquei da memória tantas histórias que meu pai foi me contando, e minha italianidade se tornou mais viva do que nunca. O talian sempre mais me alegra e surpreende. Por ele, conheci esses personagens que denomino Renascentistas do Talian Brasileiro, da grandeza de Honório Tonial, frei Rovílio Costa, Darcy Loss Luzzatto, Clair Seganfredo, Sérgio Ângelo Grando, Paulo Massolini, Júlio Posenato, Marcelino Dezen, Pedro Parenti, Mário Gardelin, Luiz Bavaresco, Silvino Santin, Rafael Baldissera, Geraldo Sostisso entre outros. "Go perso tuta la vergogna de parlar talian, parché la mente pensa e el cuore sente tuto in talian. Co parlo con le persone e con Dio in talian, son pròpio mi fetivo, fiol de me pupà e de me mama. Lora vui dir a tuti: ‘Parlemo e preghemo in Talian, parché così i nostri antenati i ne capisse, e i pol intercéder al Signor par noaltri. In Talian ghemo magnà el primo pan!" (nluizmorgan@yahoo. com. br)

Pela língua operacional se definem os fazeres; pela língua familiar se traduzem os viveres. ‘Parlar Talian ze bon e bel oncó e anca doman. ’ (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (410)

El gran prèmio

Mário Gardelin

Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul

 

Nanetto se ga presentà al Stato Magiore e el ga fato na osservassion:

– Dopo un combatimento come questo, secondo el me parere, bisognaria darghe ai guerieri un prèmio spessiale. Posso darve na idea?

– Sta giornada de glòria la ze anca tua, Nanetto. Cossa racomàndito?

– Poca roba. Roba da gnente. Invitemo sti bravi guerieri a far na passegiata fin al Regno de Pègaso. I ze tuta gente de campo. I me ga dito che lassù ghe ze tera a balochi.

El bel caval el ga snetà la gola, e el ga parlà seco come un ciodo:

– Ve invito. Ndemo, compagni! Son sicuro che restarè contenti. Fao, in tuto caso, na domanda. Ques– to sarà na grande ocorensa. Bisogna che sia scrita. Invitemo el Professor Giovanni Meo Zilio, che’l ze un grande stòrico.

Diversi i ze partidi par catarlo. I lo ga trovà al laoro, sentà al taolin. El gavea belche scrito sinque libri. L’ùltimo el saria un gran poema, de modo a meter in scarsela Omero, Virgìlio, Milton e tuti i altrii. A un órdine de Pègaso, in pochi minuti i scomparia e con na velossità stupenda i se catava in medo a le stele. San Piero, che’l gavea assunto el comando supremo, el ga dito a Santo Enrico:

– Femo na manifestassion al mondo. Che tuti i nostri guerieri i se meta in órdine e zolemo su l’Europa, molando la nostra luce bianca. Sarà el segno dela vitòria.

Dito e fato. Pi de sinquessento guerieri se ga messo in órdine. E, formando na imensa nùvola bianca, i ga passà diverse volte su tute le nassion oropee.

La gente vegnea fora par veder sto fenómeno. E quando i ga capio che bàrbari par mila ani no ghen saria, i se ga convinti che no ghe saria pi disòrdini. Lora i se ga messi a gridare Viva San Piero! La grande sfilata se ga trasformà in una bianca nùvola.

Par primo, i ze ndai a Lisbona, capitale del Portogallo. I portoghesi, co i ga visto tanti bei cavai, che i zolava par ària, i ga pensà che scominsiava el mondo dele meravìlie. El Prof. Meo Zìlio el ga spiegà che da quel posto ze partio le navi de Vasco da Gama e de Pedro Álvares Cabral, par la scoperta del Brasil. El nostro letore deve ricordar che el Brasil no’l zera coerto con un piumin. E che bastava squèrderlo. No’l zera conossuo. I pi contenti ze stai quei de Rio Pardo. Patriotismo ze patriotismo!

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Mama

Geraldo Sostizzo

Agente Consolare Italiano, Cascavel, PR

Mama mia!

Mama tua!

Mama sua!

E la mama de tuti

che Maria se ciama.

Mama dea preghiera,

dea sberla o sinelada,

che data sempre tea ora giusta,

no ocorea dotori o

pissicóloghi

par insegnar la

educassion.

Mama dei tanti basi

che sol adesso capimo,

in brasso o tea cona,

magnar, gera sempre el primo.

Mama dele robe, dea salute

de tante note col ciareto intacà,

par farme bever na ciùcia de siá,

e la fievra spaventar.

Mama dele cuche, del pan, dei biscoti,

dea polenta de tute le sere,

ora che desmentegava fin i dispeti

gnanca sempre, tuti fati a posta.

Mama che dea tuto quel che podea,

e de truco gnente volea,

soltanto un fiol de rispeto

e che portasse sul peto,

el nome onorèvole dea fameia.

Mama dea messa de tute le doméneghe,

che guai se rivàssimo dopo a prèdica,

e al rivar casa sempre ocorea,

racontarghe cosa el

Vangelo disea.

Mama dea corona de tute le sere,

dopo sena e stufi par ndar in leto,

ela portava suito un

ciareto

e tuti indenociai torno a tola,

scominssiava col Padre Nostro,

e se qualchedun, stufo se indornensea,

a man sora a testa ghe passea

e rispónderghe bisognea.

Mama dea carestia,

che poco de tuto ghe

manchea,

mai polenta, radici e

formnaio che ela lo fea,

e fursi pan, quando el

formento vegnea.

Mama che nei so fioi no vedea difeti,

parché li vardea coi oci del core,

e guai se un mensonasse de far el dotore,

o de studiar tea scola dei preti,

corea contàrghelo suito al vigàrio,

e la benedission

racomandar.

Mama che sempre me ga menà par la man,

quando nò, securamente gérimo in brasso,

par capir che ocorea

caminar da solo,

par la vita infrontar.

I ani ze passai tanto presto,

e grandi semo diventai,

bauchi! no ghemo

ringrassià mai

a quela che tuto meritea.

Adesso, Pupà o Mama semo diventai,

de tante cose me go

ricordà,

ma la prima e pì

importante:

tuto quelo che la Mama

me ga insegnà.

 

GERAL

RS lidera licenciamentos

Das 250 habilitadas, 159 são cidades gaúchas

 

Dos 5. 561 municípios brasileiros, apenas 250 estão habilitados para o licenciamento ambiental. Destes, 159 são gaúchos e outros 70 estão em processo de habilitação. Os dados foram apresentados durante o Encontro dos Dirigentes Municipais de Meio Ambiente do RS, promovido pela Famurs.

O licenciamento ambiental é um dos mais importantes instrumentos de gestão constituído pela Lei da Política Nacional do Meio Ambiente. Ela estabelece que, cabe aos municípios o licenciamento dos empreendimentos e atividades consideradas de impacto. Entre os benefícios está a agilidade nos processos e recursos para os cofres municipais, já que são estes que vão emitir as licenças.

O coordenador do Siga, Niro Afonso Pieper, disse que os municípios interessados na habilitação podem acessar o site www. sema. rs. gov. br Para se habilitar a prefeitura deve ter Fundo e o Conselho Municipal de Meio Ambiente.