DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.039 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 16 de maio de 2007.
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Sem medo da impopularidade, Papa proclama doutrina cristã
Sorridente e expansivo, Bento XVI aponta o caminho para o futuro do continente
Inserida na história dos homens, partilhando de suas alegrias e esperanças, angústias e tristezas, a Igreja não é uma instituição como as outras. A visita do Papa Bento XV deve ser analisada nesta ótica. Ele não veio procurar aplausos, mas lembrar nossa condição de discípulos de Cristo – e isto significa a aceitação de verdades reveladas. Estas não estão sujeitas à aprovação da opinião pública ou mesmo da opinião pessoal do Papa. Todas as questões precisam ser analisadas a partir de Jesus Cristo.
Mãe e mestra, a Igreja tem a obrigação de ser "sal da terra e luz do mundo" (Mt 5,13). Isto implica em apontar, sem vacilações, o ideal e, ao mesmo tempo, acenar com a dimensão da misericórdia. Humana e divina, santa e pecadora, a Igreja conhece as limitações de seus filhos e filhas e tem consciência de ser peregrina no mundo, mas conhece também a obrigação de não barganhar com a verdade. Com muitos ou poucos seguidores, ela precisa ser sinal do Reino. Não importa o pensar da opinião pública, dos meios de comunicação ou de muitos cristãos nominais, a Igreja e o Papa apontam a afirmação de Jesus: "Ouvistes o que foi dito: Eu, porém, vos digo " (Lc 6,27).
Acostumado com a figura e os gestos populares de João Paulo II, o público brasileiro encontrou alguma dificuldade em acolher afetivamente o atual Pontífice. Mas desde as primeiras horas de sua visita, ele cativou a todos. Nem de longe recordou a figura do alemão cardeal Ratzinger. Ele não foi o censor que acusou ou proibiu. Apenas mostrou o que é certo, o que é evangélico e o que é melhor para o continente. A verdade não lhe pertence, mas é do próprio Jesus, revelação do Pai.
Agora está em andamento a V Celam que, segundo o Papa, tem a missão de responder a desafios e traçar caminhos e projetos. De acordo com a tradição latino-americana, lembrou que Deus é vizinho dos pobres e dos que sofrem. Algumas palavras do Papa vão ecoar muito depois de sua partida: "Sem Cristo não há luz, não há esperança, nem amor, nem futuro".
Definido tema da Festa da Uva 2008
O tema destaca a diversidade étnica e cultural e o orgulho de ser brasileiro
"Uma vez imigrante, para sempre brasileiro". Este é tema da Festa da Uva 2008, lançado na sexta-feira 11. Segundo o secretário municipal da Cultura, Antônio Feldmann, a exemplo de 2006, o tema visa evidenciar a diversidade dos povos que formam a região. "Caxias começou italiana, mas se fez brasileira pela soma das etnias que aqui se desenvolveram", afirma.
Segundo Feldmann, o desafio era atender dois públicos, o que vive aqui e o que vem de outras regiões do país. "Os que moram aqui valorizam as origens, mas também honram a terra que hoje os abriga. Os visitantes de fora vêm em busca de uma mostra da cultura italiana, mas também da gaúcha. O tema busca satisfazer a ambos", explica.
"O tema nos remete ao orgulho pela nossa pátria. Temos origens italiana, alemã, negra e outras tantas, mas acima de tudo somos brasileiros e temos orgulho disso", completa o presidente da comissão comunitária Reomar Slaviero.
Feldmann ainda destaca que a festa deve evidenciar os valores humanos, sociais, religiosos, econômicos e políticos que os imigrantes fizeram florescer no dia-a-dia das primeiras colônias e que hoje, integrados com os de outros grupos humanos que constituem a região, expressam a forma de ser, pensar e agir do povo.
Concurso – O tradicional concurso que elege as soberanas da Festa da Uva também já começa a tomar forma. As candidatas devem se inscrever de 22 de maio a 20 de junho, no parque de exposições. A escolha ocorre em setembro, mas o dia não foi definido.
Segundo Rudimar Borghetti, presidente da comissão social, responsável pela organização do concurso, o regulamento traz novidades. Quem já participou de concursos anteriores não pode mais buscar a coroa de rainha da Festuva 2008. Também não serão aceitas candidatas que estiverem concorrendo a outros títulos similares. Elas devem ser maiores de 18 anos (ou completar até 31/12/2007) e menores de 28.
As candidatas não precisam ser caxienses, desde que sejam brasileiras e tenham domicílio em Caxias do Sul há dois anos. "Este último requisito gerava muitas dúvidas. Estabelecemos que elas devem ter domicílio na cidade, mas não necessariamente residirem aqui, pois muitas estudam em outros locais", esclarece Borghetti.
Além do presidente Rudimar Borghetti, outras 16 pessoas integram a comissão social. A Festa da Uva 2008 será realizada de 21 de fevereiro a 9 de março.
Feiras são atração da Fenachamp 2007
Um brinde aos seus melhores momentos! O slogan da Festa Nacional do Champanha (Fenachamp) motiva a divulgação do maior evento de Garibaldi, que ocorre de 19 de setembro a 7 de outubro próximo, sempre de quinta a domingo. Também incentiva as pessoas a celebrarem as coisas boas do cotidiano.
Na terça-feira 8 foi apresentado o cartaz que promove a festa. Na ocasião, o presidente da Fenachamp, Gilberto Pedrucci, destacou o trabalho que a diretoria do evento está desenvolvendo desde o ano passado e o empenho das soberanas, a rainha Veroní Girelli e as princesas Cristina Carniel e Claiana Pieta.
Junto aos pavilhões da festa, estão previstas as feiras industrial e comercial. A feira industrial vai funcionar na parte externa do evento e oferecerá máquinas e equipamentos agrícolas, devendo estar interligada ao pavilhão por meio de uma passarela coberta. "Serão oferecidos em torno de 30 espaços, em uma área total de 675 m²", diz o presidente da CIC, Isauro Itú Sartori
Já a Associação de Pequenas e Micro Empresas irá organizar a feira comercial, que será realizada no CTG. Tem como objetivo divulgar e comercializar os produtos do comércio local.
Mulheres caxienses são homenageadas
A Prefeitura de Caxias do Sul promove uma série de atividades dedicadas às mulheres caxienses. Entre os eventos, destaca-se a entrega da medalha Monumento Nacional ao Imigrante a 12 homenageadas (abaixo), no Dia da Mulher Caxiense, comemorado em 11 de maio. Elas foram homenageadas pela dedicação à comunidade e pelo trabalho voluntário que realizam no município. O Dia da Mulher Caxiense foi instituído em 1984 e lembra o aniversário da primeira vereadora da cidade, Ester Troian Benvenutti, eleita em 1959.
É POSSÍVEL REVERTER O AQUECIMENTO GLOBAL
Terceiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) conclui que o mundo dispõe de tecnologia e dinheiro para limitar a emissão de gases, mas é preciso implantar medidas com urgência
A adoção de biocombustíveis e de fontes de energia renováveis. Esta é as principal medida que precisa ser adotada imediatamente para controlar a emissão de gases que provocam o aquecimento global. A receita está no terceiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), promovido pela ONU e divulgado na sexta 4 em Bangcoc, Tailândia.
Quatrocentos delegados de 120 países chegaram a um consenso de que essas iniciativas, além de melhor aproveitamento energético, podem reduzir o impacto do desastre mundial. Há uma variedade tecnológica já disponível para conter as mudanças climáticas com um custo razoável até mesmo para os países responsáveis pelos maiores danos à natureza.
"Os esforços de atenuação nos próximos 20 a 30 anos terão um grande impacto nas possibilidades de alcançar níveis menores de estabilização das emissões de gases do efeito estufa", afirma o texto. O relatório servirá como um "manual" para que os governantes evitem o aumento da emissão de gases que causam o aquecimento, especialmente o dióxido de carbono (CO2), jogado na atmosfera por veículos e indústrias. O documento revê as últimas descobertas científicas sobre custos e formas para frear as emissões e ainda afirma que as atuais políticas ambientais são inadequadas.
O documento aprovado destaca que existe um potencial importante de redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa em todos os setores. "Há um potencial econômico substancial para a atenuação das emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas, o que poderia compensar o crescimento projetado das emissões mundiais ou reduzir as emissões para abaixo dos níveis atuais", afirma o texto.
Cenários – O IPCC é um estudo elaborado por cerca de 600 especialistas em clima de 40 países. Eles concluíram, nos dois relatórios anteriores divulgados neste ano, em primeiro lugar que o homem é o culpado pelo aquecimento global e as conseqüentes alterações climáticas. E fizeram projeções sombrias, especialmente no pior dos três cenários traçados, aquele em que a temperatura pode aumentar até 4ºC em 2100. Nesse caso, haverá tempestades e secas com maior intensidade e freqüência, o nível do mar subirá até 59 centímetros, safras serão destruídas, até 3,2 bilhões de pessoas sofrerão com a falta de água e o número de famintos crescerá de 25% a 80% até 2080. Os cientistas prevêem ainda o encolhimento do Ártico e a extinção de milhares de espécies de plantas e animais.
Em relação ao Brasil, o relatório projeta a transformação de 20% da Amazônia em cerrado e o aquecimento da área em pelo menos 3ºC. Além disso, a caatinga, no Nordeste, será substituída por vegetação típica do deserto. A crise climática também alteraria profundamente o mapa agrícola brasileiro – a área de plantio com soja, por exemplo, tende a encolher 64%. No geral, o país perderá em torno de 25% de sua produção de grãos e haverá uma migração de culturas – como o café produzido no Sul. Por tudo isso, os governantes têm de acordar e enfrentar o problema com investimento muito inferior às perdas que a omissão provocará.
O preço para salvar o planeta da catástrofe
Pela primeira vez o IPCC definiu o preço para salvar o planeta das conseqüências das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global: cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), algo em torno de US$ 862 bilhões – menos que o mundo gastava com armas no final do século passado. O estudo não aponta com clareza quem pagará mais, mas não deixa dúvidas sobre a responsabilidade maior dos países ricos pelo aquecimento. Estados Unidos, Canadá, Japão e países europeus respondem por 46% dos gases-estufa.
Embora não recomende aos governos que caminho tomar, o painel da ONU apresenta três futuros possíveis para a humanidade, na forma de cenários de redução de emissões de gases de efeito estufa, em especial o dióxido de carbono (CO2). No mais otimista, a concentração de CO2 na atmosfera é limitada a 450 ppm (partes por milhão) – o dobro do que havia no ar antes da Revolução Industrial. No mais pessimista, ela fica em 650 ppm.
Especialistas indicam que há tecnologias para estabilizar as emissões, o que falta é vontade política. Entre essas tecnologias, uma interessa especialmente ao Brasil: os biocombustíveis. O IPCC traz uma boa notícia: somados, todos os biocombustíveis – em especial o etanol de cana – poderão ocupar de 3% a 10% da matriz do setor de transportes em 2030. Isso significa um potencial de reduzir até 1,5 bilhão de toneladas anuais de gás carbônico, e isso a menos de US$ 25 por tonelada cortada (Leia pág. 4).
O painel das Nações Unidas propõe ainda investimentos em conservação e exploração sustentável de florestas – área em que o Brasil também pode se destacar. Mas os cientistas deixam claro que é preciso agir já. Se nada for feito e continuarem os atuais padrões de desmatamento e consumo de petróleo, as emissões de gases que provocam o efeito estufa podem crescer de 25% a 90% até 2030.
As conclusões do IPCC coincidem em muitos pontos com o que defende o Greenpeace. A entidade ambientalista é favorável à tese de que é possível limitar o aquecimento do planeta a 2ºC, o que não causaria muitos estragos, sem afetar o crescimento econômico. A saída proposta é um alto investimento em energias renováveis, como a solar e a eólica (ventos). A divergência está no uso de energia nuclear, que o painel recomenda para substituir parte da energia gerada hoje com a queima de óleo e carvão – embora reconheça restrições e riscos associados a esse modelo.
Comer menos – A ONU tem ainda outras sugestões que não envolvem apenas governos e indústrias para evitar o aquecimento global. Elas estão associadas ao comportamento de cada indivíduo. Ir de transporte coletivo para o trabalho, controlar o a climatização da casa e comer menos estão entre elas.
Não é uma questão de sacrifício, mas de mudança. "Se as pessoas comessem menos carne, elas talvez tivessem melhor saúde. E, ao mesmo tempo, contribuiriam para a redução das emissões geradas pelas criações de gado", opinou o presidente do painel, o indiano Rajendra Pachauri.
Produzir a carne, transportá-la, encaminhá-la aos açougues, tudo isso contribui para a emissão de gases do efeito estufa, afirmou Pachauri. De acordo com Jean-Marc Jancovici, cientista francês especializado em questões energéticas, um quilo de carne de boi dentro do prato corresponde a 3,7 kg de dióxido de carbono.
Preço de insumo ameaça plantio
Valores dos fertilizantes aumentaram até 70% em relação aos de 2006
O Brasil vai colher um volume recorde de 130,72 milhões de toneladas, segundo a Conab e 132,3, de acordo com o IBGE. A reanimação do setor de grãos no país e o boom canavieiro devem fazer com que o setor de máquinas agrícolas feche este ano com um aumento de até 60% nas vendas em relação a 2006, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que o setor agrícola terá um plano de aceleração do crescimento (PAC) específico para o setor. O projeto deverá ter, entre outras medidas, juro menor para os financiamentos. Hoje, a maior parte dos financiamentos é feita com juros de 8,75% ao ano. Os produtores estão pedindo redução de até 4,5% ano.
As boas notícias do campo estão sendo ofuscadas pelo aumento abusivo dos fertilizantes. Os preços poderão inviabilizar a produção agrícola brasileira, segundo alertaram os representantes do setor produtivo em audiência com a Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara. "Em alguns casos, os preços aumentaram até 70% em relação aos valores de 2006", destacou Maciel Caixeta, vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).
A alta atinge adubos como superfosfato simples e a uréia, largamente utilizados no cultivo de trigo, cevada, milho e feijão. "Os reajustes inesperados podem desencadear uma crise irreversível no agronegócio nacional", afirma Ilário Ivo Riedi, presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra). "A uréia custava US$ 220 a tonelada em 2006. Hoje o agricultor precisa desembolsar US$ 290 pela mesma quantidade", diz o analista da Emater/RS, Luiz Ataides Jacobsen.
No caso do trigo, cálculos preliminares do Departamento de Economia Agrícola do Paraná (Deral) indicam custo médio de R$ 21,24/saca para formar a lavoura em 2007, considerando a média de 40 sacas/hectare (2.400 kg/ha), ante os R$ 20,89/saca gastos em maio (mês que concentra o plantio no PR) do ano passado. "Mesmo com o recuo do dólar, o custo final pode subir mais, por causa do expressivo aumento dos fertilizantes em março e abril", aponta a agrônoma do Deral, Margareth Demarchi.
Já no RS, onde o grosso do plantio ocorre em junho, o custo para formar um hectare de trigo está em R$ 657,00. "O triticultor estava motivado, mas com o preço aquecido dos insumos deverá diminuir a área projetada inicialmente para o plantio do grão", assegura Ataides Jacobsen ao CR.
Na defesa – Os representantes dos fornecedores e distribuidores de adubos apontam fatores que, combinados, contribuem para a elevação dos preços. "A dependência do Brasil em relação ao mercado externo de fertilizantes é o principal motivo", justifica Eduardo Daher, diretor da Anda.
O país importa 65% dos fertilizantes. Com o aumento da demanda internacional (principalmente nos EUA, China e Índia), os preços subiram de maneira significativa. Daher lembrou também que os preços dos fertilizantes estão atrelados aos negócios internacionais. "O preço do nitrogênio, por exemplo, é vinculado ao petróleo e o da uréia, ao preço do gás natural. Com o aumento lá fora, os valores são majorados aqui dentro", conclui.
CNA pede R$ 90 bilhões e juros menores para a safra
A liberação de R$ 90 bilhões para o plano de safra agrícola 2007/2008, o que representaria aumento de 50% com relação aos R$ 60 bilhões disponibilizados pelo governo em 2006/2007. A proposta foi apresentada pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e por outras entidades ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
Os agricultores propõem, ainda, a redução da taxa de juros do crédito rural de 8,75% ao ano para 4,5% ao ano. E sugerem como fonte de recursos o aumento de 25% para 30% das exigibilidades bancárias, destinados à aplicação na agropecuária.
Além de mais recursos e juros mais baixos, os produtores querem a ampliação do limite de crédito e também da capacidade de empréstimo, ampliação no volume de recursos destinados à subvenção ao prêmio do seguro rural.
De acordo com Cilotér Iribarrem, diretor da Safras e Cifras, é urgente a redução dos juros do crédito rural. "Se analisarmos o endividamento apenas da cadeia orizícola gaúcha, veremos que seria necessária a produção de cinco milhões de toneladas a mais nas próximas safras para que se reduza o déficit", diz. "Não adiantará discutir endividamento depois da safra. O agricultor precisa produzir com tranqüilidade, e isso significa redução de custos", destacou o secretário estadual da Agricultura, João Carlos Machado.
Embrapa apresenta cultivares de soja
As cultivares de soja transgênica gisele RR e juliana RR e as convencionais graciosa e princesa, desenvolvidas pelo Convênio Cerrados, foram apresentadas pela Embrapa. As novas cultivares estão sendo disponibilizadas para produtores de sementes e estarão à venda em 2008 para agricultores.
Segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), menos da metade da área cultivada de soja no Brasil é plantada com sementes certificadas. Em 2000, 70% do cultivo fazia uso de sementes certificadas. "O uso de sementes piratas aumenta os riscos fitossanitários e diminui a produtividade, além de causar a desestruturação da pesquisa, evasão de impostos e perda de competitividade externa", alerta José Américo Rodrigues, superintendente da Abrasem.
Grito da Terra fortalece agricultura
Governo gaúcho atende a maioria dos pedidos e nova reunião ocorre em 15 dias
As únicas reivindicações que o Grito da Terra RS levará à capital federal, no Grito da Terra Brasil, marcado para ocorrer de 20 a 25 de maio, referem-se às mudanças da Previdência Social e ao endividamento dos produtores. Das 71 demandas apresentadas pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS) ao governo do Estado (37 referentes à agricultura), 67 foram atendidas ou estão sendo encaminhadas para uma solução.
O presidente da Fetag, Elton Weber, esteve em audiência com a governadora Yeda Crusius e o secretário estadual da Agricultura, João Carlos Machado. O tesoureiro da Federação, Nestor Bonfante, reconheceu os avanços do encontro. "Apesar de ser uma administração nova, a governadora comprometeu-se em dar continuidade às negociações. Em 15 dias haverá nova reunião", adianta.
Pedidos – Quanto ao decreto que estabeleceu a cobrança de ICMS para habitantes da área rural que consomem até 100 kWh, a governadora disse que avaliará em 15 dias a possibilidade de um ajuste na medida. Sobre a liberação de R$ 525 mil para o programa de habitação rural, direcionado a melhorias nas residências dos agricultores familiares, ela determinou a formação de um grupo de trabalho, sob a liderança da Secretaria de Habitação, além da criação de um programa permanente.
A reivindicação referente ao aporte de recursos para o programa de crédito fundiário a jovens agricultores (1º crédito) será igualmente tratada pela governadora Yeda. "A governadora considera de grande importância a manutenção dos jovens em seu meio rural", revela Bonfante.
A questão do piso salarial para os trabalhadores rurais, cujo projeto de lei em tramitação na Assembléia Legislativa prevê aumento de 3,3%, considerado insuficiente pela Fetag, também terá atenção do governo. "A governadora prometeu analisar a questão junto à Assembléia para que seja mantido o maior valor do salário mínimo", destaca o tesoureiro da Fetag ao CR. Outros pontos englobam itens como sanidade, troca-troca e biocombustíveis.
Chapecó define data da Mercoagro 2008
A segunda maior feira do segmento cárneo do mundo, Feira Internacional de Processamento e Industrialização da Carne (Mercoagro), já tem data definida. A feira está confirmada para ocorrer de 16 a 19 de setembro de 2008, no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC).
Na última edição, realizada em 2006, todas as expectativas foram superadas. Houve geração de negócios da ordem de US$ 180 milhões, mais 650 expositores em 300 estandes, que ocuparam 11.895 metros quadrados, em seis pavilhões.
A Mercoagro recebeu 30 mil compradores entre proprietários, dirigentes, engenheiros e técnicos das indústrias de processamento de alimentos. O evento é promovido pela Prefeitura e Associação Comercial e Industrial (Acic).
Ibiraiaras debate o cultivo de cebolas
Cultivares de cebola, semeadura direta, manejo, mercado e perspectivas da cultura são alguns dos temas que serão abordados no Seminário Municipal da Cultura da Cebola, que será realizado nesta quarta 16 de maio, no auditório do Sicredi, em Ibiraiaras. A promoção é da Emater/RS e Prefeitura. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no local.
O evento visa a promover o acesso dos agricultores familiares às informações e novidades acerca da cultura da cebola e sua conjuntura atual. Na última safra, 90 produtores cultivaram uma área de 120 ha no município. De acordo com a Emater local, a produtividade média foi de 25.000 kg/ha, deixando a desejar em termos de qualidade. Para essa safra, há tendência de redução de aproximadamente 10% na área plantada, devido principalmente aos baixos preços praticados na última safra.
Engº. Agrº. José Zugno
Infestação de morcegos
Há uma infestação de morcegos. Invadem paióis, estrebarias, casas abandonadas e mesmo o sótão de casas. Como acabar com estes animais? Além de tudo, fazem muita sujeira.
Mário Luiz Veinhltoz
Montenegro – RS
Os morcegos são os únicos mamíferos capazes de voar. Eles se chamam cientificamente Quirópteros, que quer dizer "asas nas mãos", palavra de origem grega (chirós = mão, e ptéris = asa). Os ossinhos dos dedos das mãos são compridíssimos e finos, parecem as varetas do guarda-chuva. O forro do "guarda-chuva" é uma membrana macia que forma, com os ossos de cada lado do corpo, uma espécie de asa que oferece um plano suficiente para sustentar no ar o corpo leve do animal. O dedo polegar é livre da asa e dotado de uma garra forte, um gancho que os morcegos usam para trepar pelas paredes, pedras e árvores. Os dedos dos membros posteriores são também dotados de garras, com as quais eles se dependuram ficando de cabeça para baixo, nos lugares escuros onde eles se escondem durante o dia.
Segundo o professor Rodolpho Von Ihering, em seu livro "Dicionário dos Animais do Brasil", dentre as 100 espécies brasileiras, uma é hematófaga (suga sangue). A maioria é insetívora (comedora de insetos) ou frugívora (comedora de frutas). A espécie brasileira de hematófagos é a Desmodus rufus, chamada de vampiro. Alimenta-se de sangue de animais, podendo transmitir a raiva, inclusive ao homem. Alojam-se em cavernas, frestas de peraus, ocos de árvores etc.
Provavelmente, os morcegos da sua região não são hematófagos, são insetívoros, principalmente, ou frugívoros.
Quando principia o escurecer nas noites quentes de verão, saem esses morcegos de seus esconderijos, voejando rapidamente, caçando mosquitos, besouros, mariposas e outros insetos. Sob este aspecto podem ser considerados úteis, pela quantidade de pragas que exterminam. Na Europa, certas fazendas criam morcegos com essa finalidade. Entretanto, na sua residência e bem como na dos vizinhos, além do susto, são também animais nojentos pelas dejeções e mau cheiro que deixam. Costumam morar nos forros das casas, fendas de paredes ou outros locais da casa. Os frugívoros e sua predileção pelas boas frutas dos pomares acarretam certos prejuízos.
Medidas de controle dos morcegos – O primeiro passo é identificar por onde entram e saem, sendo o melhor horário ao pôr-do-sol. Após, resta vedar esses pontos de entrada e saída dos morcegos. Deve-se ter o cuidado de não aprisionar nenhum morcego, pois poderá morrer de fome e exalar odores. Os morcegos não gostam de luz. Portanto, o aumento da luminosidade pela colocação de telhas translúcidas, ou através de uma lâmpada, afugenta os "inquilinos".
Outra medida que poderá ser tomada é tapar as fendas de entrada e queimar enxofre para que a fumaça atinja o esconderijo dos morcegos.
Segundo o Dr. Bricherl, do Instituto Butantã de São Paulo, gatos colocados no sótão, ou sob o telhado, acabam com os morcegos. Outro modo de afugentá-los é passar piche nas traves principais e paredes onde os morcegos costumam se dependurar.
Brasil registra anualmente 10 mil novos casos de câncer de boca
Diagnóstico tardio leva à morte 40% dos pacientes
O Brasil registra anualmente cerca de 10 mil novos casos de câncer de boca, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Este tumor é o oitavo mais freqüente entre os homens e o nono entre as mulheres. O dado mais alarmante é que cerca de 40% dos registros de câncer bucal acabam em morte. Isso acontece porque 70% dos diagnósticos são feitos quando a lesão já está em estágio avançado. Muitas mortes poderiam ser evitadas se a doença fosse descoberta em estágio inicial.
O câncer bucal se caracteriza por lesões, normalmente indolores, na mucosa e na parte externa dos lábios, na língua e em toda a região interna da boca. Pode-se suspeitar da existência desse câncer quando as feridas persistem por mais de 20 dias. Ulcerações superficiais, com menos de dois centímetros de diâmetro, que podem sangrar ou não; e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal são outros sintomas. Em nível avançado, o câncer de boca pode dificultar a fala, a mastigação e a deglutição, levando ao emagrecimento acentuado, à dor e à presença de ínguas no pescoço.
O consumo regular de álcool e de cigarro, a má higiene bucal, o uso de próteses dentárias mal-ajustadas e a exposição ao sol sem proteção são fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Cigarro e álcool são os principais causadores da doença. 70% dos casos estão relacionados ao consumo desses produtos. Quando álcool e cigarro são usados associadamente, o risco de desenvolver o câncer de boca aumenta mais de 100 vezes.
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, geralmente desenvolve câncer bucal o indivíduo do sexo masculino, trabalhador, com mais de 30 anos, fumante, consumidor de bebidas alcoólicas e de classe social menos favorecida. Além do uso do álcool e do fumo, o fenômeno estaria associado às más condições de vida, que alteram o sistema imunológico e tornam os pacientes mais debilitados.
Embora a doença ainda seja menos freqüente nas mulheres, a incidência vem aumentando entre elas. Na década de 90, as mulheres representavam 18% dos casos de câncer bucal, hoje são 31%. As causas deste aumento estão relacionadas 90% ao tabagismo e 80% ao consumo de álcool.
Combate à doença é lei para os gaúchos
No Rio Grande do Sul, o combate ao câncer bucal agora é lei. Proposta pelo deputado e odontologista Adroaldo Loureiro e recém sancionada pela governadora Yeda Crusius, a lei determina que o Estado promova campanhas educativas e preventivas, capacite cirurgiões dentistas da rede básica de saúde e encaminhe pacientes para tratamento em centro especializado, entre outras medidas.
Em 2006, o Estado registrou quase a metade das ocorrências de câncer bucal da região Sul do país. Dos 2.520 casos notificados, 1.020 ocorreram no RS.
"É bom que cada Estado implante essa política. Quanto mais informada a população, mais atenta ela é e mais fácil é o diagnóstico", avalia Enaldo Melo, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
Auto-exame antecipa o diagnóstico
Para prevenir o câncer bucal, a principal medida é evitar álcool e cigarro, além de não expor-se ao sol sem protetor solar nos lábios, manter boa higiene bucal e consultar o dentista pelo menos uma vez por ano. Os médicos também recomendam que as pessoas façam o auto-exame (quadro abaixo). O auto-exame é uma ferramenta eficaz na detecção precoce da doença.
Quando o câncer bucal é diagnosticado, a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia – isolada ou associada aos outros tratamentos – são os métodos usados para tratamento. Cirurgia e radioterapia são mais indicadas quando as lesões estão na fase inicial. Nesse período, o paciente tem 80% de chances de cura. Emprega-se a quimioterapia nos casos avançados. O objetivo é reduzir o tumor para permitir o tratamento posterior pela radioterapia ou cirurgia.
Epidemia de dengue começa a recuar no RS
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a epidemia de dengue que atinge o Rio Grande do Sul começa a recuar. A freqüência de novas notificações vem diminuindo. Até a sexta 11, foram notificados 540 casos suspeitos na região epidêmica (Norte e Noroeste). Os casos confirmados adquiridos dentro do próprio território somavam 94 e os importados, 21. Os demais estão em investigação.
Fora da região epidêmica, foram registrados, de 1º de abril a 11 de maio, 180 casos suspeitos, com a confirmação de 22 casos importados e seis autóctones, confirmados pelo Laboratório Central do Estado e aguardando laudo final do Adolfo Lutz (SP). 48 casos foram descartados e 104 estão em investigação. Em Caxias do Sul, os seis casos notificados foram descartados.
Laticínios ajudam parar de fumar
Estudo realizado na Universidade Duke, nos Estados Unidos, mostrou que água, leite, frutas e vegetais podem ajudar os fumantes a se livrar do cigarro. Segundo os cientistas, esses alimentos ajudam a piorar o gosto do cigarro, enquanto álcool, café e carne melhoram o sabor.
A descoberta pode indicar caminhos para o desenvolvimento de dietas contra o tabagismo, ou de soluções do tipo goma de mascar, que torne os cigarros menos palatáveis. O coordenador da pesquisa, Joseph McClernon, afirmou que consumir itens que pioram o gosto do cigarro pode ajudar significativamente a parar de fumar.
Na pesquisa, 209 fumantes enumeraram itens que pioram ou melhoram o gosto de cigarros. Os laticínios, principalmente leite e queijo, foram citados por 19% das pessoas como itens que pioram o gosto. 14% apontaram água ou suco de frutas. Vegetais e frutas foram indicados por 16% dos pesquisados.
Por outro lado, bebidas alcoólicas melhoraram o gosto do cigarro para 44% dos fumantes que participaram do estudo. Bebidas que contêm cafeína, como chás, refrigerantes de cola, energéticos e café, foram apontados por 45%. Já a carne melhora o gosto do cigarro para 11% dos fumantes. A pesquisa indicou também que os indivíduos que fumam cigarros mentolados associam menos os alimentos e as bebidas com o gosto dos cigarros.
De volta ao navio negreiro
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Ao contemplar o drama de todos que vagam pelo mundo em busca da vida que se lhes escapa entre os dedos, possamos recordar que nestes rostos angustiados e oprimidos é a face do próprio Cristo que se oferece, instigando a nossa omissão
O grande poeta brasileiro Castro Alves imortalizou-se não apenas por sua inspirada e talentosa lira, como também por seu coração libertário e abolicionista, que soube cantar como poucos o drama dos oprimidos, sobretudo dos escravos africanos trazidos ao Brasil para as senzalas que serviam à casa grande.
É conhecido no mundo inteiro o belíssimo poema "Navio Negreiro", no qual Castro Alves descreve com imagens e expressões terríveis a situação dos africanos arrancados de suas terras, separados de suas famílias, tratados como animais nos navios negreiros que os trariam para ser propriedade de senhores e trabalhar sob as ordens de cruéis feitores.
Parece que o arquipélago das Canárias, lugar aprazível e paradisíaco, onde acorrem turistas em profusão para gozar do clima ameno e das belas praias, está vendo repetir-se em suas costas uma versão atual e revisitada do navio negreiro que singrava mares rumo às costas brasileiras no século XIX. Recente reportagem nos relata o drama de mais de mil africanos que neste ano já se dirigiram a Tenerife e outros portos canários em embarcações, às vezes extremamente precárias, em busca do sonho de uma vida melhor na Europa
Na ânsia de chegar e possuídos pelo medo da guarda costeira, muitos encontram nas ondas do mar sua última morada. A Marinha já retirou vários corpos do oceano até agora acostumado a receber despreocupados turistas que ali vão banhar-se. A travessia das costas africanas até o arquipélago é chamada por funcionários da Cruz Vermelha de "roleta russa", pois são muitos os que encontram a morte ao buscar outro chão para viver, ou melhor, para sobreviver na ilegalidade, na incerteza e quase seguramente na marginalidade.
Funcionários da Cruz Vermelha e voluntários de ONGs acorrem às Canárias para auxiliar na recepção, alojamento e atendimento aos imigrantes ilegais que ali chegam em profusão. Além dos perigos da viagem enfrentada, está a tristeza da família que foi deixada para trás, a venda de todos os bens possuídos para financiar a viagem que pode ser sem volta, o risco imenso de encontrar a morte nas ondas do mar ou na repressão das autoridades.
Mas não é só nas Ilhas Canárias que explode o tráfico humano em proporções assustadoras. Em várias regiões do globo – Tijuana no México, a fronteira do Haiti com a República Dominicana, Miami na Flórida – acontece esse fenômeno que, qual nova forma de escravidão, obriga as pessoas a saírem de sua terra natal, de sua parentela, de sua cultura e tornar-se para sempre um ilegal, um "embarcado" nos modernos navios negreiros, um "errante" que nunca encontrará pouso definitivo porque este planeta e a raça humana que o habita se tornaram cruéis demais e não previram lugar para elas.
As ciências sociais estudam o fenômeno e inventam nomenclaturas para identificá-lo: "boat people" (gente que vive em embarcações) ou "people on the move" (gente que vive deslocando-se de um lugar para o outro) são algumas das expressões para designar estes e estas que, sem lugar para estar e viver, andam pelo mundo em permanente êxodo, mendigando o favor de sobreviver e, muitas vezes, morrendo nos riscos desta tentativa.
O poeta Castro Alves, em sua época, confrontado com o terrível drama do tráfico de escravos africanos para o Brasil, escreve seu poema invocando o "Senhor Deus dos desgraçados" e perguntando-lhe como permitia "tanto horror perante os céus". Ao mesmo tempo, chora de vergonha ao ver a bandeira de sua pátria tremulando ao mastro daquele palco de horrores.
Possamos nós, homens e mulheres de hoje que ainda não perdemos de todo a sensibilidade e a dignidade que implica a condição humana sentir a mesma vergonha do poeta ao ver a bandeira da humanidade cobrindo e encobrindo as indignidades cometidas contra seres humanos que reivindicam apenas um direito: o de viver.
E possamos nós, cristãos, tomar consciência de que pelo fato de o fenômeno estar longe de nós não podemos deixar de apelar diretamente à nossa sensibilidade e consciência. Possamos nós não esquecer que Jesus, o Filho do Homem, se descreveu a si próprio como alguém que "não tinha onde reclinar a cabeça".
Ao contemplar o pungente drama de todos estes e estas que vagam pelo mundo em busca da vida que se lhes escapa entre os dedos, possamos nós recordar que nestes rostos angustiados, oprimidos e aflitos, é a face do próprio Cristo que se oferece à nossa consideração, instigando a nossa omissão.
Leonardo Boff
A questão agora não é tanto o desenvolvimento sustentável, mas a continuidade da Terra e da humanidade. Os bispos, como pastores, devem se conscientizar desta nova responsabilidade
A agenda estabelecida pela Vª Conferência do CELAM, em Aparecida, gira a redor do seguimento de Jesus para que todos tenham vida. A presença solene do Papa veio avalizá-la na forma mais alta. Entretanto, nos últimos meses, fatos novos ocorreram, não previstos nos textos preparatórios ao evento, fatos que estão modificando a consciência coletiva da humanidade. Eles representam um desafio para toda a humanidade e não deixarão de afetar também a Igreja universal e continental. Tais fatos são de tal gravidade que deveriam mudar a agenda dos bispos em Aparecida.
A partir de fevereiro, viemos saber com 90% de certeza que o aquecimento global é conseqüência do modo de produção e de consumo humanos e representa um dado irreversível. Até esse momento a estratégia mundial era de preservar e cuidar da Terra com compreensão, compaixão e amor. E não deveríamos ultrapassar o limite intransponível que modificaria todo o estado da Terra. Esse limite foi transposto: estamos já dentro do aquecimento global que pode variar entre 1,4 até 6 graus Celsius, estabilizando-se possivelmente em 3 graus. As conseqüências desta ruptura deverão ser desastrosas: haverá grande degelo e o mar subirá significativamente, inundando cidades marítimas onde vivem 60% da humanidade; os climas serão dramaticamente afetados, ocorrendo grandes secas em certas regiões e incomensuráveis inundações em outras, dizimando em ambos os casos colheitas necessárias para a alimentação humana e animal; a biodiversidade será catastroficamente atingida, ocasionando o desaparecimento de milhares de espécies, rompendo o sempre frágil equilíbrio dos ecossistemas; milhões de pessoas correrão o risco de desaparecer e regiões inteiras da face da Terra se tornarão inóspitas para a habitação humana (grande parte do Brasil).
Estes dados não são fantasiosos, mas empíricos, recolhidos pelos milhares de cientistas espalhados em 130 países que compõem o organismo da ONU chamado Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC em inglês). Duas estratégias são apresentadas como urgentes: adaptar-se à nova situação e minorar os efeitos maléficos.
Este fato muda as prioridades: a questão agora não é tanto o desenvolvimento sustentável, mas a continuidade da Terra e da humanidade. A nova centralidade não poderá ser mais: como será a evangelização da Igreja na América Latina e como sustar a evasão de católicos para outras igrejas de cunho pentecostal e popular, mas: em que medida as igrejas todas, com o capital espiritual que possuem, ajudam a Terra a ser benevolente para com toda a vida e em que medida garantem um futuro comum para toda a humanidade.
Os bispos, como pastores, devem se conscientizar desta nova responsabilidade que deverão assumir: de conscientizar os fiéis e reeducá-los para a nova situação da humanidade. Estarão presentes bispos de toda a pan-Amazônia, que recobre parte de nove países latino-americanos. Sabemos que estas florestas úmidas são o fator principal de equilíbrio de todo o sistema climático da Terra, do regime dos ventos e das chuvas. A Igreja, herdeira daquele que disse "Vim trazer vida e vida em abundância", deverá se antecipar em ações responsáveis. Ela tem a vocação de ser a guardiã da vida e da salvaguarda de todo o criado. Aparecida não pode ficar aquém deste desafio, sob pena de não cumprir sua missão sagrada. E será cobrada por toda a humanidade.
UMA MENSAGEM CLARA E DIRETA
Em sua visita ao Brasil, Bento XVI transmite posições fortes contra o aborto e a corrupção na política; e defende com veemência o casamento, a castidade e a vida
O papa Bento XVI chegou ao Brasil às 16h30 de quarta 9. Mas já no avião que o trouxe de Roma, durante entrevista, deixou bem explícita a intenção de sua viagem à América Latina, a primeira de seu pontificado fora da Europa. Numa declaração que ganharia as manchetes no mundo, apoiou a excomunhão dos políticos que defendem o aborto. "Excomunhões não são uma coisa arbitrária, estão previstas no Código (de Direito Canônico)". A posição foi externada ao comentar a ameaça de punição a deputados mexicanos que apóiam o aborto. "O direito de matar um inocente, uma criança humana, é incompatível com estar em comunhão com o corpo de Cristo", afirmou.
A postura forte diante desse tema se repetiria em relação a outros igualmente polêmicos. Certamente o Papa tinha conhecimento da celeuma envolvendo o assunto no Brasil, onde o presidente Lula, com quem se encontraria no dia seguinte, havia se declarado contrário ao aborto, porém, ao mesmo tempo classificava-o como problema de saúde pública. Era uma forma de não desautorizar seu ministro da Saúde, José Temporão – e outros integrantes de seu governo -, que chegou a propor a realização de um plebiscito sobre a legalização ou não do aborto, pretensão criticada com veemência pelo então presidente da CNBB, dom Geraldo Majella, que acusou o governo de promover a promiscuidade no país.
Ainda no avião, Bento XVI disse que os defensores da Teologia da Libertação ("fáceis milenarismos, que prometem revoluções e também rápidas condições para se conseguir uma vida justa") estavam errados ("...hoje todos sabem disso"). E que a Igreja precisa reagir ao avanço das seitas. "Essa é nossa preocupação comum na conferência episcopal. O sucesso dessas seitas demonstra que existe uma sede por Deus... Nós, da Igreja Católica... temos de ser mais dinâmicos, mais missionários, para responder a essa sede de Deus", afirmou.
Se a visita de Bento XVI ao Brasil fosse um livro, estaria aí o prólogo. Até o epílogo, no domingo 13, o Papa foi incisivo em suas mensagens, mas ao mesmo tempo atencioso, terno e sorridente, desfazendo a idéia de excessivo e permanente semblante sombrio. Começou comovendo aos 15 mil fiéis que o aguardavam à frente do Mosteiro de São Bento, no centro da capital paulista. Saudou-os e abençoou-os por mais de uma dezenas de vezes. Chegou a mandar um abraço "per tutti" (para todos, em italiano).
Na quinta, depois de um encontro com o presidente Lula em que foram tratados o fortalecimento da família, programas sociais e integração regional – sem temas polêmicos, portanto -, Bento XVI emocionou os 40 mil jovens, convidados por dioceses do país, que tomaram o estádio Pacaembu. O clima de festa foi interrompido por um pronunciamento de 40 minutos em que o Papa fez apelo a valores tradicionais do catolicismo: a castidade, dentro ou fora do casamento, a valorização da vida monástica e o desapego econômico. "Não poderá haver verdadeira felicidade nos lares se, ao mesmo tempo, não houver fidelidade entre os esposos", discursou. Entre aplausos, pediu aos jovens que cuidassem da Amazônia e condenou a ambição desmedida e a corrupção na política.
Recados – Bento XVI foi mais enfático ainda na sexta, no sermão durante a canonização de Frei Galvão, diante de mais de um milhão de pessoas reunidas no Campo de Marte, na capital paulista, ao afirmar que "é preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento". Estaria se referindo às telenovelas, na avaliação do vaticanólogo Giuseppe De Carli.
A força da palavra do Papa voltaria a ser sentida na forma de recados claros a bispos e à Igreja no continente latino, onde é grande a evasão de seguidores – mesmo assim, também é onde está mais de a metade dos católicos do mundo. Bento XVI exortou os bispos a se aproximarem mais dos pobres e a aprofundar o trabalho de evangelização para estancar a perda de fiéis. Foi uma crítica interna – após criticar empresários e políticos.
O Papa provavelmente nem soube de esporádicas reações contrárias a sua visita, como as de um grupo pró-aborto e a de outro, formado por homossexuais, ambas em São Paulo. Pequenos, perderam-se entre a multidão de fiéis que acorreram às ruas e às celebrações presididas pelo sumo pontífice. Ou foram facilmente sufocadas pelo muito bem montado esquema de segurança que envolveu Polícia Federal, Exército, policiais militares e civis e até integrantes da guarda do Vaticano.
Mesmo que o Papa soubesse, não daria muita atenção. Ele estava mais preocupado com outros cenários, como o que conheceu na Fazenda Esperança, em Guaratinguetá, para recuperar jovens que têm envolvimento com drogas. "Deus exigirá satisfações dos traficantes de drogas", declarou. Aos 300 jovens atendidos no local, pediu que sejam "embaixadores da esperança".
Ideologia – A recepção calorosa de São Paulo foi repetida em Aparecida do Norte, o maior santuário mariano do país. Lá o Papa rezou o terço no sábado à noite e celebrou missa para cerca de 150 mil fiéis no domingo pela manhã. No sermão proferido durante a missa campal, disse que a fé não pode ser confundida com ideologia política, movimento social ou sistema econômico. "Queridos irmãos e irmãs, este é o rico tesouro do continente latino-americano, seu patrimônio mais valioso: a fé em Deus amor. Essa é a vossa força, que vence o mundo. Isto é o que torna a América Latina o ‘continente da esperança’".
O último compromisso de Bento XVI foi abrir a V Conferência do Episcopato Latino-americano e do Caribe, um dos pontos altos de sua visita. Mais uma vez foi direto ao criticar o aborto e ao defender o casamento, ao ressaltar que "as leis atuam contra o matrimônio e a família e liberam métodos contraceptivos e abortivos" e ao destacar que o cristianismo não foi imposto aos povos da América Latina.
A imprensa mundial considerou duro o posicionamento assumido pelo Papa no Brasil. E não faltaram comparações de público com as visitas de João Paulo II, que esteve no país em momentos e roteiros diferentes. Surpresa, mesmo, foram os apenas 150 mil fiéis na missa de Aparecida, número de peregrinos que se repete com freqüência no santuário. A diferença estava na representatividade – além de brasileiros, chilenos, uruguaios, argentinos, paraguaios, peruanos, colombianos, enfim, de todo o continente.
Antes de embarcar no avião que o levou a Roma, o Papa afirmou: "Levo todos no meu coração". Deixou muito mais do que levou. A herança desta viagem poderá ser avaliada pela absorção ou não da mensagem de Bento XVI, que envolveu a todos – de bispos ao mais humilde católico, de jovens a adultos, de empresários a políticos...
Vida cristã predomina no discurso do Papa a jovens
Castidade, respeito ao matrimônio e compromisso com a evangelização de outros jovens também predominaram no discurso de 40 minutos do Papa com os jovens brasileiros e de outros países
Interrompido diversas vezes em seu discurso, gesto típico da juventude, o Papa Bento XVI convidou os 40 mil jovens reunidos no estádio do Pacaembu (mais 20 mil do lado de fora), em São Paulo, à santidade e à participação cotidiana. "São vocês que vão traçar os rumos desta nova etapa da humanidade", afirmou, lembrando palavras de seu antecessor, João Paulo II, em sua passagem pelo Mato Grosso.
Refletindo sobre o texto de Mateus 19, 16-22 (Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres... Depois, vem e segue-me), o Pontífice garantiu aos jovens que há um compromisso, hoje, com o aqui e o agora, que deve garantir a autenticidade e, conseqüentemente, o futuro. "Jesus é o único capaz de nos dar uma resposta, porque é o único que nos pode garantir à vida eterna. Por isso, também é o único que consegue mostrar o sentido da vida e dar-lhe um conteúdo de plenitude."
O Sumo Pontífice observou que quem ama conhece a Deus, e que "A alegria do Senhor é a nossa força", lembrando que a Igreja proporciona muitas oportunidades, entre elas a catequese, para conhecer os caminhos certos. "Quem observa os mandamentos está no caminho de Deus", assegurou, complementando que "o testemunho vale mais do que a ciência."
Falando do amor, disse que o Senhor nos exige dilatar os corações para que neles caiba sempre mais amor, mais bondade, mais compreensão pelos semelhantes e pelos problemas que envolvem não só a convivência humana, mas também a efetiva preservação da natureza. "Nossos bosques têm mais vida: não deixem que se apague esta chama de esperança que o vosso Hino Nacional põe em vossos lábios. A devastação da Amazônia e as ameaças a suas populações requerem compromisso", enfatizou.
Respostas – O Papa assegurou aos jovens que só existe vida em abundância n’Ele. "Os anos que estais vivendo são os que preparam o vosso futuro. O amanhã depende muito de como estais vivendo hoje." "Diante dos olhos tendes uma vida que desejamos longa; mas é uma só, é única: não deixeis passar em vão, não a desperdiceis. Vivei com entusiasmo, com alegria, mas, sobretudo, com senso de responsabilidade", aconselhou.
Olhando para os jovens, os enviou a evangelizar outros jovens, que andam pelo mundo errantes, como ovelha sem pastor. "Sede apóstolos dos jovens, para que eles descubram os caminhos seguros dos mandamentos e por eles cheguem a Deus", convidou.
O Santo Padre garantiu que o jovem pode ser o protagonista da nova sociedade que procura, mais justa e mais fraterna. "Sede homens e mulheres livres e responsáveis; fazei da família um foco irradiador de paz e alegria; sede promotores da vida. Cumpram as obrigações frente ao Estado: respeitando as leis, não se deixando levar pelo ódio e pela violência; sendo exemplo de conduta cristã no ambiente profissional e social."
O Papa pediu grande respeito pela instituição do Sacramento do Matrimônio. "Não poderá haver verdadeira felicidade nos lares se, ao mesmo tempo, não houver fidelidade entre os esposos. Ao mesmo tempo, Deus vos chama a respeitar o namoro e o noivado. Sabeis fazer da castidade, dentro e fora do matrimônio, um baluarte das vossas esperanças futuras."
Para tudo, encerrou o Papa, contais com a ajuda de Jesus Cristo. "A vida de fé e de oração vos conduzirá pelos caminhos da intimidade com Deus, e de compreensão da grandeza dos planos que Ele tem para cada um." "Consagrai-vos aos elevados ideais da fé e da solidariedade humana. A Igreja precisa de vós, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo", concluiu.
Esperança na recuperação de vidas
"Vocês devem ser embaixadores da esperança!". Entre tantas frases de incentivo ditas pelo Papa Bento XVI, em seu discurso na Fazenda Esperança, em Guarantiguetá, a 30 km de São Paulo, esta vai fazer parte da vida dos que estão em fase de recuperação, bem como dos reabilitados, familiares, voluntários e benfeitores dos centros de recuperação de toxicômanos e alcoólicos espalhados pelo país.
Após saudar frei Hans Stapel, fundador da obra social Nossa Senhora da Glória, também conhecida como Fazenda Esperança, o Papa lembrou que o Brasil possui uma estatística relevante de dependentes químicos. E a América Latina não está atrás. "Por isso, digo aos que comercializam drogas e entorpecentes que pensem no mal que estão provocando a uma multidão de jovens e adultos de todos os segmentos da sociedade. Deus vai lhes exigir satisfações", enfatizou.
Na presença de cerca de 2.000 jovens, o Papa afirmou ainda que "a dignidade humana não pode ser espezinhada desta maneira. O mal provocado recebe a mesma reprovação dada por Jesus aos que escandalizavam as crianças, os preferidos de Deus (cf. Mt 18, 7-10)."
Oração – O projeto Fazenda Esperança trata depen-dentes de droga e álcool, com terapia que inclui assistência médica, psicológica e pedagógica. Abrange ainda muita oração, trabalhos manuais e disciplina. São milhares os jovens de várias partes do mundo que se livraram da dependência química e recuperaram o sentido da vida.
Bento XVI enfatiza caridade do primeiro santo brasileiro
Canonização de Frei Galvão, um frade franciscano, fortalece o catolicismo no país que, em 500 anos de história, ainda não tinha um santo genuinamente brasileiro
Uma multidão, calculada em 1,2 milhão de fiéis, acompanhou, na manhã da sexta-feira 11, no Campo de Marte, em São Paulo, a missa que deu à Igreja Católica no país o primeiro santo genuinamente brasileiro – Santo Antônio de Sant’Ana Galvão. A manhã de céu azul e clima agradável proporcionou aos presentes momentos de grande emoção junto ao papa Bento XVI, que presidiu a cerimônia de canonização de Frei Galvão, com duração de quase duas horas.
Para os brasileiros, foi um grande privilégio, pois tradicionalmente as canonizações são realizadas na Praça de São Pedro, em Roma. Na homilia de canonização, Bento XVI enfatizou a "disponibilidade" e a "caridade" do primeiro santo brasileiro, indicando aos fiéis o seguimento de seu exemplo. "Significativo é o exemplo de Frei Galvão pela sua disponibilidade para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente aos pobres e aos enfermos", disse o Papa.
Bento XVI destacou que a fama de sua imensa caridade não tinha limites. "Pessoas de toda a geografia nacional iam ver Frei Galvão, que a todos acolhia paternalmente. Eram pobres, doentes no corpo e no espírito, que lhe imploravam ajuda". O Pontífice recordou que também a ação da Igreja e dos cristãos na sociedade deve possuir essa mesma inspiração. "As pastorais sociais, se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos, levam em si mesmas este sigilo divino", salientou o Papa, ao recordar a citação do Evangelho de que "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos" (Jo 15,13).
Durante a cerimônia, o Papa recebeu relíquias do novo santo, uma delas levada por uma religiosa do Mosteiro da Luz, construído por Frei Galvão. Foram entregues a Bento XVI relíquias do corpo do santo, um cálice usado por ele, o cordão franciscano e uma colher de pedreiro, que o próprio frade usou na construção do mosteiro.
Mártires – Durante a missa, o Papa confirmou a informação de que o Brasil terá, ainda neste ano, mais cinco novos bem-aventurados, todos mártires – o coroinha gaúcho Adílio Daronch e o padre espanhol Manoel Gomez Gonzalez, mortos na região do Alto Uruguai em 1924; a menina catarinense Albertina Berkenbrock; a jovem mineira Isabel Mrad Campos; e a religiosa baiana, irmã Lindalva de Oliveira.
Pontífice defende valor da fidelidade
Bento XVI, que na quinta-feira, no encontro com os jovens no Pacaembu, defendeu a preservação da castidade, voltou a mencionar o tema na sexta-feira, durante a missa de canonização de Frei Galvão. O Papa recorreu aos votos de consagração do santo que, ao emitir o voto de castidade, escreveu: "Tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor". "São palavras fortes, de uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado ou não", disse o Sumo Pontífice.
O Santo Padre recomendou aos cristãos fidelidade, dentro e fora do matrimônio. "O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples, que rejeitem ser consideradas criaturas objeto de prazer". Também criticou de forma incisiva os meios de comunicação social que "ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento". Bento XVI salientou que "a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna" está em Nossa Senhora. E convocou os brasileiros a invocar Nossa Senhora Aparecida.
FRASES DE BENTO XVI
Casamento: "Ataca-se impunemente a santidade do matrimônio e da família, iniciando-se por fazer concessões diante de pressões capazes de incidir negativamente sobre os processos legislativos; (...) atenta-se contra a dignidade do ser humano; alastram-se as feridas dos divórcios e das uniões livres" (Catedral da Sé, 11/05).
Drogas: "Digo aos que comercializam a droga que pensem no mal que estão provocando a uma multidão de jovens e de adultos de todos os segmentos da sociedade: Deus vai-lhes exigir satisfações" (Fazenda da Esperança, 12/05).
Aborto: "(...) Justificam alguns crimes contra a vida em nome dos direitos da liberdade individual" (Catedral da Sé, 11/05).
Povo brasileiro: "O Brasil ocupa um lugar muito especial no meu coração" (Base Aérea de Guarulhos, 09/05).
Jovens: "O amanhã depende muito de como estais vivendo o hoje da juventude" (estádio do Pacaembu, 10/05).
Vida religiosa: "Quando o valor do compromisso sacerdotal é questionado como entrega total a Deus, através do celibato apostólico e como disponibilidade total para servir as almas, dando-se preferências às visões ideológicas e políticas, inclusive partidárias, à estrutura da consagração total a Deus começa a perder o seu significado mais profundo" (Catedral da Sé, 11/05).
Seitas: "As pessoas mais vulneráveis ao proselitismo agressivo da seita – que é motivo de justa preocupação -, incapazes de resistir às investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo, são geralmente os batizados, mas não suficientemente evangelizados, facilmente influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa, vascilante e ingênua, embora conservem uma religiosidade inata" (Catedral da Sé, 11/05).
Meio ambiente: "Nossos bosques têm mais vida, não deixeis que se apague esta chama de esperança que o vosso Hino Nacional põe em vossos lábios" (Pacaembu, 10/05).
Pontífice espera uma nova etapa missionária após V Conferência
Abertura da assembléia dos bispos da América Latina e do Caribe foi o momento culminante da visita de Bento XVI. O próprio Papa escolheu Aparecida para sediar encontro. No discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, o Papa Bento XVI declarou, em Aparecida, que a Igreja só é coerente e crível se se consagra a anunciar o amor de Deus em Cristo, deixando de lado a política e a ideologia. E também enfatizou a esperança de que a V Conferência inaugure uma "nova etapa" missionária para a história da evangelização do continente da esperança.
O Papa dirigiu sua palavra aos 266 participantes da assembléia, representantes da metade dos católicos do planeta, na sala de conferências do santuário nacional de Aparecida. Baseando-se no tema da Conferência, Bento XVI começou constatando que "A Igreja tem a grande tarefa de custodiar e alimentar a fé do povo de Deus, e recordar também aos fiéis deste continente que, em virtude de seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo".
Num discurso que deve indicar os rumos dos trabalhos da Conferência, o Papa assinalou a trajetória da fé na América Latina, aprofundou o tema desse importante encontro eclesial, apontou o problema das estruturas sociais e alguns desafios considerados por ele prioritários.
Fazendo uma análise da realidade na qual vive a América Latina, denunciou o que considera o grande erro da ideologia marxista, bem como dos capitalistas – "a amputação da realidade fundante e por isso decisiva, que é Deus". Para o Papa, quem exclui Deus de seu horizonte falsifica o conceito de realidade. "Só quem reconhece Deus conhece a realidade e pode responder por ela de modo adequado e realmente humano. A verdade dessa tese é evidente ante o fracasso de todos os sistemas que colocam Deus entre parênteses", disse o Papa.
Missa – Bento XVI prosseguiu explicando que somente "a fé nos liberta do isolamento do eu, porque nos leva à comunhão". Nesse sentido, o Pontífice afirmou que a opção preferencial pelos pobres está implícita "na fé cristológica desse Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com sua pobreza". Por esse motivo, propôs como prioridade para a Igreja da América Latina oferecer aos fiéis o "Plano da Palavra", que implica uma autêntica catequese, e o "Plano da Eucaristia", que implica a uma maior valorização da missa dominical.
O Papa recordou que a V Conferência, que encerra no dia 31 de maio, é uma continuidade das quatro que a precederam, no Rio de Janeiro, Medellín, Puebla e Santo Domingo, mas os bispos querem dar agora um novo impulso à evangelização, "a fim de que os povos latino-americanos continuem crescendo e amadurecendo em sua fé, para ser luz do mundo e testemunhas de Jesus Cristo com a própria vida".
Autoridade – Em seu discurso, Bento XVI recordou que a América Latina enfrenta inúmeros problemas sociais e políticos, mas salientou que o "trabalho político não é competência imediata da Igreja". "O respeito de uma sã laicidade – inclusive com a pluralidade das posições políticas – é essencial na tradição cristã autêntica". Mas destacou que "se a Igreja começa a transformar-se diretamente em sujeito político, não faria mais pelos pobres e pela justiça, mas faria menos, porque perderia sua independência e sua autoridade moral", afirmou.
Diante dessa questão, o Papa salientou que a Igreja "é advogada da justiça e dos pobres precisamente ao não se identificar com os políticos nem com os interesses de partido". Na missa campal, celebrada diante da basílica de Aparecida na manhã do domingo, o Papa já tinha advertido que a fé não pode ser confundida com ideologia política, movimento social ou sistema econômico. Para Bento XVI, só sendo independente a Igreja pode "ensinar os grandes critérios e os valores universais, orientar as consciências e oferecer uma opção de vida que vai muito além do âmbito político".
No início da noite de domingo, Bento XVI seguiu de helicóptero para o aeroporto de Guarulhos, para embarcar para Roma, depois de permanecer 101 horas no Brasil.
Papa incentiva evangelização pessoal
Deve-se buscar soluções novas e cheias do espírito cristão, afirmou o Papa Bento XVI ao dirigir-se aos 400 bispos do Brasil reunidos na Catedral da Sé, no centro de São Paulo. Em seu discurso mencionou os vários desafios que a Igreja na América Latina enfrenta. "É verdade que os tempos são difíceis para a Igreja e muitos de seus filhos estão atribulados", reconheceu.
A desigualdade social também foi tônica de seu discurso. "O povo pobre das periferias urbanas ou do campo precisa sentir a proximidade da Igreja, seja no socorro de suas necessidades mais urgentes, como na defesa de seus direitos e promoção comum de uma sociedade fundamentada na justiça e na paz." "Os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho e o bispo, modelado na imagem do Bom Pastor, deve estar atento em oferecer o divino bálsamo da fé, sem descuidar do pão material", orientou.
Além da defesa da moral, do apelo à honestidade das classes políticas e empresariais, o Papa avaliou a perda de fiéis. Ele está certo que o fenômeno, que até 2000 atingiu dimensões preocupantes no país, se deve, entre outras coisas, à falta de autêntica evangelização. Por este motivo, convidou os bispos a desenvolverem a pastoral da acolhida.
"Entre os problemas que afligem a vossa solicitude pastoral está, sem dúvida, a questão dos católicos que abandonam a vida eclesial", disse. Para o Papa, a causa principal do abandono é a falta de uma evangelização em que Cristo e a sua Igreja estejam no centro de toda a explanação. Nos últimos anos, segundo o IBGE, pela primeira vez em mais de um século, a proporção de católicos deixou de cair no Brasil.
Para fazer frente às seitas, motivo de preocupação da Igreja cristã, o Papa pediu aos bispos que encaminhem a atividade apostólica como uma verdadeira missão dentro do rebanho que constitui a Igreja Católica do Brasil, "promovendo uma evangelização metódica e capilar em vista de uma adesão pessoal e comunitária de Cristo."
O Papa estimulou as iniciativas pastorais que enviam às casas das periferias seus missionários, leigos ou religiosos, procurando dialogar com todos.
REFORÇO À IDENTIDADE CRISTÃ
Luiz Carlos Susin
Capuchinho, professor, diretor do Fórum Mundial de Teologia e Libertação e editor da revista Concilium
A visita de Bento XVI foi pastoral. Simbolicamente, o ponto alto provavelmente tenha sido, ao lado da canonização de Frei Galvão, o contato com a rede que cuida das feridas causadas pelas drogas: o amor que cura a dor e transforma em embaixadores da esperança
A visita de Bento XVI ao Brasil não foi propriamente uma "festa", nem tinha intenção de sê-lo. Sua intenção foi rigorosamente de ordem pastoral, e teve nos bispos reunidos na Catedral da Sé, em São Paulo, e na abertura da Assembléia do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) os seus momentos mais claros e significativos.
Bento se mostrou realmente um Papa que, mais do que grandes gestos, é afeito a "palavras claras". Mais do que expansão e abraço a grandes multidões, está interessado em aprofundamento da fé cristã e da pertença à Igreja Católica. Mostrou-se discreto e contido até mesmo na celebração mais popular, a canonização de Frei Galvão. Mas disse tudo o que sentia seu dever dizer, sobretudo aos bispos. Não quis trazer alguma novidade, nem mesmo um sinal de que algo novo poderia acontecer nos próximos tempos. Veio afirmar e confirmar a tradição da Igreja, da doutrina, dos sacramentos, da moral cristã, da ordem no meio da confusão.
A palavra-chave é a mesma desde suas homilias às vésperas de ser eleito Papa: "identidade". Num mundo confuso, é necessário insistir na clareza e no aprofundamento da identidade cristã e católica. Mesmo num mundo pluralista que exige diálogo e abertura à verdade dos outros, é necessário ter segurança a respeito da própria verdade e da própria identidade para não aumentar a confusão. Em tempos de "relativismo" e de desagregação de valores, é necessário recuperar aquilo que é fundamental, firme e mesmo absoluto. Esta grande insistência de Bento XVI foi amplamente confirmada no Brasil, em São Paulo e em Aparecida. Clareza e aprofundamento: a clareza se consegue através da doutrina, do conhecimento, da "explanação" sobre quem é Cristo e a Igreja. E o aprofundamento se consegue pelos sacramentos e pela vida moral, desde a confissão individual, a celebração litúrgica, a obediência aos princípios morais de forma decidida e límpida, até a aplicação da doutrina social da Igreja e o socorro aos pobres em meio à missão de levar a palavra do evangelho. Um "católico não praticante" precisa se definir: ou se torna católico praticante ou não é católico. Essa situação histórica de um catolicismo cultural, que não é nem peixe e nem carne, diante do apelo de identidade clara, mostrada na prática dos sacramentos e da moral, precisa se decidir através de uma vigorosa missão da Igreja.
Como a intenção principal desta viagem foi a abertura da V Assembléia do Celam, que tem como assunto "ser discípulos e missionários de Jesus, para que, nele, nossos povos tenham vida", o discurso inaugural do Papa decide muito sobre os rumos da Assembléia. E o que ele disse aos bispos brasileiros em São Paulo foi amplificado aos bispos de toda a América Latina: permanecer na tradição da Igreja, mais uma vez aclarar e aprofundar a identidade cristã católica, ter cuidado num ecumenismo sem confusão, ter pulso firme para defender os valores cristãos a respeito da vida desde a sua concepção até a morte, ser animadores de uma evangelização sem negociações. O Papa professor de teologia não encorajou os teólogos, mas preferiu apostar com força na autoridade do magistério dos bispos e no fortalecimento da hierarquia, sobretudo de um clero bem formado e bem arraigado na doutrina da Igreja, como eixo da nova missão que ele espera que aconteça na América Latina. Ele acredita firmemente que, "para que tenham vida e vida em abundância", como veio trazer Jesus, o bom pastor, só pode se conseguir através de uma Igreja em abundância, uma Igreja disciplinada, orante, forte.
Gestos de cortesia não faltaram de ambas as partes: dos hospedeiros e do hóspede. Os jovens, selecionados de todo o Brasil, e o povo de São Paulo foram cordiais e também discretos, como este Papa gosta. Ele teve, provavelmente, o gesto mais significativo e o contato mais caloroso na visita à Fazenda Esperança, centro de uma rede de fazendas espalhadas pelo Brasil que cuidam de uma das feridas que mais doem no coração da juventude: a perda de orientação nos abismos das drogas. Provavelmente é o ponto simbolicamente mais alto, o que será mais lembrado desta viagem de Bento XVI, ao lado da canonização de Frei Galvão: o amor que cura a dor e transforma em embaixadores da esperança.
Meios de comunicação social são desafio para educação das crianças
Dia Mundial das Comunicações Sociais é celebrado em 20 de maio
A Igreja celebra no domingo 20 de maio, o 41º Dia Mundial das Comunicações Sociais. O tema escolhido para este ano é "As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação". Hoje, o fenômeno das comunicações sociais é uma grande preocupação para a Igreja, que se vê obrigada a repensar suas formas de comunicação do evangelho, para que a mensagem de Jesus possa chegar naqueles ambientes onde ele ainda está ausente ou em que é difícil anunciá-lo.
Na mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações 2007, o Papa salienta que o tema escolhido é um convite à reflexão de dois assuntos de imensa importância para a Igreja – a formação das crianças e a formação dos meios de comunicação social. "Os complexos desafios que se apresentam para a educação nos dias de hoje estão freqüentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação social no nosso mundo", afirma o Papa, destacando que os meios de comunicação modelam profundamente o ambiente cultural.
Bento XVI destaca que para algumas pessoas, a influência formativa dos meios de comunicação social concorre com a da escola, da Igreja e até do lar. "Para muitas pessoas, a realidade corresponde ao que os mass media definem como tal". Diante dessa realidade, segundo o Pontífice, é necessário considerar a educação das crianças a partir de duas perspectivas – a formação delas por parte dos meios de comunicação e a formação das crianças para que respondam apropriadamente aos mass media.
Apoio – Para o Papa, "educar as crianças para que sejam judiciosas no uso dos mass media é uma responsabilidade que cabe aos pais, à Igreja e à escola". Ele destaca o papel dos pais como primordial, mas eles também precisam contar com o apoio e a assistência das escolas e das paróquias nesse processo formativo. Bento XVI reconhece que essa é uma tarefa exigente, especialmente diante da busca insaciável das crianças por novidades.
"Essa aspiração sincera dos pais e professores de educar as crianças pelos caminhos da beleza, da verdade e da bondade somente pode ser sustentada pela indústria dos meios de comunicação social, na medida em que ela promover a dignidade humana fundamental, o valor genuíno do matrimônio e da vida familiar, e as conquistas e as finalidades positivas da humanidade", afirma a mensagem.
Banalização – O Papa reconhece que há um esforço dos meios de comunicação de realizar o que é justo e ético, mas há também uma concorrência comercial que impele os responsáveis pela indústria dos meios de comunicação social para níveis mais baixos, criando programas de entretenimento, destinados a crianças e adolescentes, que exaltam a violência, banalizam a sexualidade humana e incentivam comportamentos anti-sociais.
A mensagem encerra exortando para que a Igreja, em seus programas paroquiais e escolares, ocupe um lugar de vanguarda na educação aos mass media. "Sobretudo, a Igreja deseja compartilhar uma visão da dignidade humana que é central para toda a comunicação humana digna", conclui o Pontífice.
Padre Zezinho
Muito mais do que ter amor, Deus é o próprio amor
Deus existe, e se Ele existe, ama. É inconcebível, vai contra a lógica, é totalmente inadmissível a idéia de que Deus possa odiar. Ele não seria Deus se odiasse. E se Ele amasse, ainda que só um pouco menos, também não seria Deus. Por isso, Deus existe e ama, porque amar, para Deus, é a mesma coisa que existir, e existir, para Deus, é a mesma coisa que amar. Se Deus deixasse de amar Ele deixaria de existir.
Um ser humano pode existir e não amar, mas Deus não pode. Quando digo que Deus ama, afirmo que Deus existe. Quando afirmo que Deus existe, afirmo que Ele ama e não apenas que ele tem amor. Como São João, eu digo que muito mais do que ter amor, Deus é o próprio amor.
Porque Deus ama, eu acredito piamente que Ele se importa com toda a sua criação e com cada ser que Ele criou. Minha crença em Deus tem que passar pela certeza de que Deus ama. No primeiro momento que eu negar que Deus ama, estarei negando Deus.
Digo mais: a descoberta do amor de Deus é a verdadeira descoberta da existência de Deus. Alguém que afirmasse a existência de Deus, mas duvidasse do seu amor, não estaria acreditando na existência de Deus. Para crer que Deus existe, eu preciso crer que Ele ama. Pode até acontecer de eu não amá-lo direito, mas não posso negar que Ele me ama. Por isso, essas duas expressões devem sempre andar juntas quando falamos de Deus. Existe e ama! Não é possível uma sem a outra. Eu posso existir e não amar. Deus não pode. Ele existe porque ama e ama porque existe!
Aldo Colombo
Aquele que, um dia, descobriu a Boa Nova não pode deixar de proclamá-la de todas as maneiras
Ao anoitecer de uma sexta-feira, dois garimpeiros descobriram uma mina de diamantes. Não havia tempo útil para explorar a riqueza e por isso decidiram correr o risco e deixar para a segunda-feira. Eles prometeram, um ao outro, segredo absoluto. Nada contariam a ninguém. Nem à esposa, nem aos filhos, nem à amante... Até mesmo deixariam de andar em bares, evitando qualquer risco. E o fim de semana foi terrível. Eles não poderiam confiar a ninguém o maravilhoso segredo, que os faria felizes para sempre. As noites foram mal dormidas. Finalmente amanheceu a sonhada segunda-feira.
Já no garimpo, perceberam que todos os outros garimpeiros controlavam seus atos. Um deles teria dado com a língua nos dentes? Juraram pelo que existe de mais sagrado que não tinham falado nada a ninguém. Talvez fosse engano de percepção e por isso foram interrogar os garimpeiros: o que estavam querendo? E a resposta não deixou dúvidas: vamos explorar a mina com vocês! De onde haviam sabido, quiseram saber os dois: nós lemos nos olhos de vocês!
Há coisas impossíveis de ocultar. Aquele que ama deixa que o amor encante sua alma e seus olhos. De nada adianta disfarçar ou proibir. As autoridades do judaísmo haviam proibido a Pedro e aos demais apóstolos que pregassem o Evangelho: "Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. E, apesar disso, enchestes Jerusalém com a vossa doutrina" (Atos 5,28). Aquele que, um dia, descobriu a Boa Nova não pode deixar de proclamá-la de todas as maneiras.
Os jovens franceses, na Revolução de Maio de 1968, popularizaram seu grito de guerra: "É proibido proibir!". Existem fronteiras que não podem, não devem ser ultrapassadas em todas as áreas. Mesmo que a criança diga "é proibido proibir, você não manda em mim", mesmo assim os pais têm o dever de ajudar na escolha dos filhos. Em certo sentido, proibir é orientar para uma escolha melhor. Porém, em cada um de nós existe o maravilhoso dom da liberdade. Liberdade não significa fazer o que se quer, onde se quer, quando se quer. Liberdade é a possibilidade de escolher o bem e rejeitar o mal. Porém nunca poderemos escolher por alguém. Podemos orientar, mas a escolha é de cada um.
O mundo de hoje, a opinião pública, os meios de comunicação, em sua maioria, pretendem escolher por nós. De alguma maneira querem dirigir nossas escolhas, nosso modo de pensar, nossa própria moral. Algumas coisas são consideradas politicamente corretas ou não. Porém o cristão opta por caminhar na contramão do mundo. E nesse sentido é inútil proibir. "É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens", proclamou Pedro (At 5,29) e proclama, agora, o Papa Bento XVI.
Sucessor de Pedro – e de Cristo – o Papa nos lembra o inadiável dever de proclamar a Boa Nova nesta nossa América. É proibido proibir! Mesmo que se tornasse impossível pregar pela palavra e pela ação, nossos olhos proclamariam a Boa Nova.
Freis pregam missões na fronteira
Missionários visitam as 36 comunidades de São Francisco de Assis
Até o dia 17 de junho, a equipe dos missionários capuchinhos do Rio Grande do Sul estará pregando missões em São Francisco de Assis (RS). O município acolheu, no dia 20 de fevereiro passado, a 30ª Romaria da Terra do RS. A paróquia pertence à diocese de Uruguaiana, que tem como bispo dom Ângelo Domingos Salvador, frade capuchinho. A paróquia de São Francisco de Assis é antiga. Foi criada no dia 17 de fevereiro de 1859.
As missões iniciaram no dia 11 de maio e seis dos nove missionários capuchinhos estão percorrendo as 36 comunidades católicas da paróquia. Junto às comunidades, os freis desenvolvem temas ligados ao meio ambiente, à pessoa humana, à experiência de Deus e Jesus Cristo na vida da comunidade eclesial e outros assuntos ligados à realidade sócio-econômico-política. São Francisco de Assis tem cerca de 20 mil habitantes que se dedicam ao cultivo de fumo, feijão, batata-doce e mandioca; à criação de gado e ao comércio. Padres Diniz Lavarda e Cristiano Mattana, do clero diocesano, são responsáveis pelos trabalhos pastorais da paróquia.
Boqueirão – Dois missionários – freis Eudes Capellari e Claudecir Fantini – realizam pré-missão em Campinas do Sul (RS), de 16 a 19 de maio, e em Garopaba (SC), de 22 a 27 de maio. No dia 5 de maio houve o encerramento das missões em Boqueirão do Leão (RS). Mais de 4,5 mil pessoas participaram da missa, representando as 19 comunidades católicas. As missões tinham iniciado no dia 14 de abril. Concelebraram com os missionários os padres Pedro Rockemback, administrador da paróquia, e Roque Hammes, coordenador diocesano de pastoral da diocese de Santa Cruz do Sul, que na ocasião representou o bispo, dom Sinésio Bohn. Os cursos da pós-missão em Boqueirão do Leão será ministrados entre os dias 4 e 6 de junho, na matriz.
Brasileiro freqüenta serviços religiosos
Mais da metade dos brasileiros freqüenta serviços religiosos como missas e cultos no mínimo uma vez por mês e 11% afirmam ter mais de uma religião, revela uma pesquisa feita pelas universidades federais de São Paulo (Unifesp) e de Juiz de Fora (UFJF). O estudo confirma que 83% da população consideram a religião "muito importante" e apenas 6% mostraram-se indiferentes ou acham que ela não tem importância. A pesquisa foi feita com 3.007 pessoas de todo país. Entre os consultados, 37% declararam que vão a serviços religiosos uma vez por semana ou mais e 18%, uma a duas vezes por mês.
Lideranças participam de fórum em Erechim
A diocese de Erechim (RS) realiza, no dia 20 de maio, das 8h30 às 16 horas, o Fórum Diocesano da Igreja Católica. O evento ocorre no ginásio de esportes da paróquia São Pedro. O encontro servirá para fazer um resgate da história da diocese, para responder as perguntas em preparação ao Fórum Estadual, que será realizado em Porto Alegre de 20 a 23 de setembro de 2007, para visitação das tendas ligadas às pastorais e movimentos e celebração.
Vigília recorda os mortos pela Aids
A Vigília pelos Mortos da Aids é um movimento mundial que pretende, todos os anos, sensibilizar e mobilizar a sociedade para a realidade dessa grave epidemia. Neste ano é celebrada, no dia 20 de maio, a 25ª Vigília, com o tema "Indicando caminhos para um mundo sem Aids", que visa levar as pessoas a refletir sobre que caminhos seguir para reduzir o impacto dessa perigosa doença.
Em Porto Alegre, a Vigília em memória das pessoas que faleceram em conseqüência da Aids será celebrada a partir das 19 horas, nas dependências da Casa Fonte Colombo (rua Hoffmann, 499, bairro Floresta), mantida pela Associação Literária São Boaventura, dos capuchinhos do RS.
A Aids não pode ser tratada somente como doença física. Ela tem suas implicações sociais e quem vive com o vírus HIV tem o direito a medicamentos, prevenção, cuidado e, acima de tudo, inclusão social. A Casa Fonte Colombo e a Pastoral da Aids empenham-se para indicar e construir caminhos para um mundo livre dessa epidemia através da defesa da vida acima de qualquer outro interesse, da minimização dos efeitos da doença, da luta contra o preconceito e a discriminação, do favorecimento da acolhida e da solidariedade.
Hoje, estima-se em 650 mil os brasileiros portadores do vírus HIV. Apesar dos avanços nas pesquisas e nos tratamentos, a aids ainda não tem cura.
Colinas se orgulha de mais um sacerdote
Sérgio Luiz Endler, natural de Colinas (RS), foi ordenado sacerdote no dia 28 de abril. Sérgio teve como ordenante o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings. A cerimônia foi realizada na igreja matriz da paróquia São José, em Roca Sales, com a presença do pároco, padre Blásio Henz, de familiares, religiosos, parentes e amigos. No domingo 29, padre Sérgio rezou sua primeira missa na comunidade Sagrado Coração de Jesus, de Colinas.
Filho de Luis e Emeida Endler, Sérgio nasceu há 28 anos na Linha 31 de Outubro. Ingressou no seminário em 1992 e concluiu a teologia em 2005. Foi ordenado diácono no dia 19 de novembro de 2006. Adotou como lema de ordenação "Reviva o dom de Deus que há em ti" (2Tm 1,6). "Sérgio é o segundo padre do pequeno município de Colinas. O primeiro é o padre Álvaro Noschang", informa o agente do CR em Roca Sales, Lauro Stormowski.
Wilson João
No meio de tantas confusões e propostas duvidosas, o melhor é seguir aquele que disse que é o Caminho, a Verdade e a Vida
Os sonhos nascem de desejos misturados com os fatos. Nascem de problemas, medos e traumas, mas também se tecem durante o sono, através de desejos que se quer ver realizados. Os sonhos durante o sono, em geral são enigmáticos e também são reveladores de tendências e buscas. Muitos sonhos da noite são reveladores dos sonhos do dia. Sonhamos acordados, e esses mesmos sonhos se refazem, de maneira confusa, durante o sono. Vendo, escutando e refletindo os noticiários que os meios de comunicação apresentam sobre a visita do Papa em nosso Brasil, sonhei, acordado e dormindo, diversos desejos.
SONHEI COM O PAPA APRESENTANDO UM ROSTO DE CRISTO. Era um pôster lindo! Um rosto de luz e um Jesus vestindo um traje branco. Apenas uma túnica. Olhando para esse rosto o Papa falou: Irmãos e irmãs! Este é que devemos seguir. Este é o nosso Deus. Nossa Igreja tem como objetivo conhecer, amar e seguir o mestre Jesus. Convido a todos os brasileiros para que conheçam mais Jesus e vivam do jeito dele. Vivam os mandamento do amor e da fraternidade, da paz e da mansidão, da justiça e da igualdade, da convivência e da alegria. No meio de tantas confusões e propostas duvidosas, sigam aquele que disse que é a Verdade e o Caminho certo. Amem a Jesus!
SONHEI COM O PAPA ERGUENDO A PALAVRA DE DEUS. Era uma bíblia aberta e muito grande. Mesmo assim conseguiu erguê-la com a força de uma mão. Fez uma convocação: Irmãos e irmãs! A bíblia é a fonte de toda a espiritualidade da Igreja. Fora dela é difícil manter a fé. A palavra de Deus é nossa força! Que todos os batizados leiam e pratiquem a Palavra de Deus. Que todas as comunidades cristãs estudem, leiam e vivam a Palavra de Deus. Disse mais: vejam como tantos irmãos e irmãs de outras igrejas também amam a Palavra de Deus. É nosso ponto de união. A Palavra de Deus nos une e faz esquecer tantas diferenças que estragam e enfeiam o rosto de Cristo. A Palavra de Deus nos diz que todos somos Povo de Deus. E todo povo bateu palmas.
SONHEI COM O PAPA ANDANDO NAS RUAS. Sem proteção e sem seguranças. Do jeito de Jesus na entrada em Jerusalém. Sem medo de inimigos e sem medo de povo. Andava saudando e abraçando. No caminho alguém tirou de sua cabeça o gorro, e ele apenas sorriu. Andava rápido, com uma túnica simples, semelhante à de Jesus, e como Ele, também dizia: "Amai-vos, amai-vos, amai-vos...". E o povo todo esqueceu daquilo que a mídia toda falava: de cadeiras, camas, pratos, comidas, vinhos, cálices, altares para o Papa. E a esperança renasceu!
SUPERTERRA
Imagem simula novo planeta descoberto. Maior que a Terra, ele tem características que permitiriam a vida, como água e temperatura amena
O homem observa o céu, há milhões de anos, tentando compreender melhor a si mesmo e ao planeta que habita. Porém, a pergunta que mais aguça a curiosidade humana continua sem resposta: somos os únicos habitantes do universo?
A recente descoberta de um planeta semelhante à Terra, fora do sistema solar, é considerada o maior passo já dado na busca de vida extraterrestre. Até então, nenhum dos planetas extra-solares já estudados tinham ambiente adequado para o surgimento da vida como a conhecemos.
A descoberta do GL 581c muda tudo. Nos últimos dez anos, mais de 200 planetas foram encontrados fora do sistema solar, mas ele é o primeiro que pode ser considerado "irmão" da Terra. O planeta reúne muitas das características que, na Terra, permitiram o nascimento de seres vivos e o surgimento de espécies diversificadas.
Os cientistas acreditam que, pelo tamanho e pela massa do planeta, é possível que ele contenha água em estado líquido. As temperaturas devem variar de 0 a 40 graus – na Terra variam de 88 graus negativos nos pólos até 58 graus positivos nos desertos equatoriais.
Apesar de ser muito mais maciço, o novo planeta tem força de gravidade compatível com a estrutura óssea e muscular do homem. Se um homem caminhasse no GL 581c, ele se locomoveria com um pouco mais de dificuldade do que na Terra, como se carregasse uma mochila cheia de pedras.
Há vida no novo planeta? Nenhum cientista arrisca-se a responder com segurança. Porém, o maior avanço trazido pela descoberta da Superterra não depende dessa resposta. Seu valor é estatístico.
Até pouco tempo, nenhum cientista acreditava na existência de outros sistemas solares estáveis o suficiente para ter planetas sólidos em sua volta. Até meados da década de 80, não foi registrada a descoberta de nenhum planeta fora do sistema solar. Com o avanço da tecnologia e da ciência, esses planetas foram surgindo e hoje chegam a 210.
Novo planeta é muito distante
O fato de o recém descoberto planeta ser parecido com a Terra possibilita que, um dia, ele seja alternativa de abrigo ao homem? Por enquanto, essa é só uma possibilidade teórica.
O GL 581c está situado a 20,5 anos-luz da Terra. Para se ter uma idéia mais clara do que isso significa, pode-se comparar com o Sol. A luz solar leva oito minutos para chegar à Terra. Para atingir o novo planeta, uma nave terrestre, viajando na velocidade da luz, levaria 20 anos. As atuais naves conseguem atingir ínfimas frações da velocidade da luz.
O veículo espacial mais rápido já contruído é a New Horizons, da Nasa, que hoje se dirige a Plutão. Ele levaria 400 mil anos para chegar o GL 581c. O grande desafio da humanidade na conquista do espaço é, portanto, desenvolver equipamentos mais velozes, e isso já está sendo estudado.
Como se forma um planeta?
A teoria mais aceita é que eles surgem da concentração de discos de gás e poeira cósmica resultantes da formação de estrelas. Com o tempo, a massa de poeira e gás se aglutina em pequenas rochas. Isso ocorre até que o planeta tenha massa suficiente para gerar sua própria gravidade e se manter coeso. Em geral, o processo pára quando o planeta atinge massa semelhante à da Terra. Alguns continuam atraindo gás e viram gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno.
Estrelas nascem de nuvens de gás e poeira cósmica. O brilho resulta da queima de elementos como hidrogênio e hélio, presentes em seu núcleo.
O italiano e franciscano que está em mim
Zoé Amador Rech
Carpinteiro e pedreiro, São Miguel do Iguaçu – PR
Zoé Amador, nascido em Galópolis (RS), casado há 43 anos com Líbera Ghelere, pai de Eulália, médica no Canadá, revela sua italianidade franciscana:
"A fé e a italianidade, recebi-as dos antepassados. Sou descendente dos Rech, de Valle di Seren (Seren del Grappa, Belluno); dos Cassini, de Mântova; dos Sartor, de Onigo (Treviso). Meus pais pertenciam à Fraternidade da Ordem Franciscana Secular, fundada por Frei Tiago Lucchese, em Galópolis, por isto sempre estive ligado aos Capuchinhos. Em 1943, o Coral de Iomerê (SC) cantava a missa Imaculata, do Frei Exupério de la Compôte, do Convento de Flores da Cunha, onde, em 1962, por três meses, estudei a vida capuchinha que me atraía. Subi com outro irmão, no campanário de pedra, de 50 metros, para dar corda ao relógio. Convivi com os freis Tomás Grison, e Afonso Lazzaretti, este de longa barba branca. O convento produziu 13 mil litros de vinho. Conheci Frei Salvador, que é venerado como santo. Sou primo de Dom Frei Agostinho Sartori, ex-provincial dos capuchinhos do Paraná e Santa Catarina, e bispo de Palmas e Francisco Beltrão. Minhas raízes italianas partem de meus avós e pais, sepultados na capela de Nossa Senhora da Maternidade, na V Légua de Caxias do Sul.
Meu avô Giovanni Rech veio de Valle di Seren com 20 anos, trabalhou em Pelotas abrindo valos e nas estradas de ferro. Depois veio para Caxias onde estavam outros parentes, comprou uma colônia e fez sua casinha no meio do mato. Casou com Maria Sartor e tiveram 14 filhos, sete mortos na infância. Mas antes trabalhou no alambique da Família Fetter, perto do Rio Caí. Como meu avô também falava alemão, a família Fetter quis que ele trabalhasse com eles para negociar com os colonos italianos que iam comprar fumo e cachaça para tropeiros e carreteiros. Da Itália, ele ia cortar feno na Alemanha. Nos primeiros anos, os imigrantes tiveram que comprar terras, abrir estradas, construir casas, escola, igreja... Por falta de médicos, hospitais e farmácias, meu bisavô materno, Giuseppe Cassini, da Capela São Victor, que entendia de medicina doméstica, passava de casa em casa para tratar dor de dentes, picadas de cobra, contraturas, fraturas, partos... O pai dele, que morreu no navio e foi jogado ao mar, era de Mântova. Eu sou da 2ª geração, votei nas últimas eleições italianas, pois sou cidadão italiano.
Por três picadas se subia a serra do rio Caí: por Carlos Barbosa e Garibaldi; ou por Nova Milano, para Farroupilha; ou por Bom Princípio e São Luiz até São Pedro da III Légua, onde há uma grande gruta, que em 1950 foi destinada ao culto. Eu ajudei a carregar a imagem de Nossa Senhora, descendo os 150 degraus. Em 1947, me associei ao Apostolado da Oração de Galópolis; em 1950, à Ação Católica de São Pelegrino, de Caxias, onde era maestro do coral o Dr. Pancrácio Scopel. Conheci o Dr. José Zugno e seu pai, Guerino Zugno, presidente do PTB. Em 1953, ajudei a formar a Congregação Mariana no Santuário do Sagrado Coração de Jesus nos Campos Elíseos, em São Paulo. Faz 30 anos que Fidélis Dalcin Barbosa escreveu a biografia da santinha Maria Elisabete de Oliveira, minha prima – Uma estrela no Céu -, morta atropelada a 28-11-1965 e sepultada no Cemitério Vera Cruz de Passo Fundo. Contam-se muitas curas por sua intercessão. É neta de Carolina Cassini, prima de minha mãe, Carolina Ida Cassini" (Zoé Amador Rech, rua Aurora 930, fone 45 – 3565 1496 / 85877-000 São Miguel do Iguaçu-PR; e-mail luizanette@bol.com.br).
Zoé Amador reencontrou o Poverello ao ler a Vida de São Francisco, de frei Inácio Larañga. Como São Francisco, contempla a Deus na criação e em cada um e todos os irmãos! (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (411)
Ancora el gran prèmio e l'incontro coi turchi
Mário Gardelin
Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul – RS
In sèvito, i ze ndai a Madrid, onde i ga saludà el re e la regina. Che bela còpia. E suito i è zoladi al Escurial, na cesona... E là i ga ricordà i Filipo I, II e III, che i ze stai Re de Spagna e del Brasil. Un mùcio de done se ga messo a balar e le gavea in man scatolete. Quei de Rio Pardo le ga saludà: Castelhanas! Le done le ga ringrassià. Meda dùsia dei riopardensi i ga scominsià a sercar palanchi de serca, par ligar i cavai. El comandante no’l ga spetà:
– Tuti fermi, al so posto. I ga obedio.
Suito dopo, i se ga catai in Parigi, capitale dela Frància. I ga fato diverse volte in torno a la Tore Eifel. E un caval, col so omo in schena, se ga impetolà su la tore. Le ridate le ze stae stragrande. In viaio a Roma, i ga passà sora el Regno de Mónaco. Pìcolo, ma bel. Co i se ga catai in Roma, Nanetto el ga comandà: tuti a la tomba de Anita Garibaldi. Rivai, i se ga indenocià. Nanetto ga gridà:
– Anita, nostra cara sorela! El Rio Grande e l’Uruguai i te saluda.
Ai pié dela stàtoa ghe ze na targa de bronzo, che la dise:
– Terra de Farrapos!
Dopo i volea ndar a Atene, capitale dela Grèssia. Ma, i ga fato un sbàlio. I ga zolà a Istambul, la vècia Costantinopola. E i ze ndai indrio nel tempo, de modo che i ze tornadi al tempo dei sultani e, pensando che’l palasso del re del posto el fusse na bela stala par i cavai, i se ga fermà sul lastricato.
Quelo che ze sucesso, ze da spaventar. Voaltri savì che i sultani i gavea tante done. Solimano II el ghenavea 5.000. Parché tante done, nessun lo spiega, parché fioi li ga avudo cola sultana, so dona. Le done, co le ga visto quei bei cavai e i nostri vestiti da gaussi, le se ga trate fora e le ga scominsià a strucar de òcio a la gente. Le guàrdie, co le so grosse spadone, ze vegneste a meter órdine e qualche rio-pardense el ga sguainà la spada e i ga duelà. Poco dopo che’l primo el ga scominsià a barufar, diese o dódese i duelava. Soldai e done i faseva rode e i scometea su la vitòria de questo o quelo. Quele che le fava pi s-ciasso zera le done.
Quando i nostri i ga visto che i zera ndà indrio cul in tel tempo e che i zera in medo ai turchi, e de quei pi bres-posi, i ga saltà in gropa ai so bei cavai e via de corsa. Là soto, i urlava. I fava segni. Solo el professor Giovanni Meo Zìlio capia quel urlamento. I volea i cavai. E se spiega: àrabi e turchi i ze pi mati par bei cavai che par done, anca se in queste i ze tanto ben fornidi.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
La mama
Ary Vidal
Agricultor e poeta, Lapa – PR
Mia fassil a tuto tempo par la mama.
Le mame le laora con na ciara finalità,
Ghe ocor menar bei conseti a la fameia,
Assar tanti mestieri belche parecià.
La rincura a tuti sensa nissun spartir,
La ghe tende ai fioi e sui familiare,
La ghe fa el magnar par i sui co amor,
Intanto che la tende del so casolare
Una mama virtuosa ga tanto valor.
Ai cei la bisogna dotrinar
Par le mame dar valor!
I laori che na mama fa
non dà gnanca par numerar
I sui fioi la ghe tende co tanto amor!
La mama porta i fioi in cesa,
Drio insegnar i cei a pregar,
Dir su la corona a Madona
Par così vanti meio ndar.
Na mama la ga na mùcia de laori,
La ga ntel cuor na gran afabilità,
Dele olte la laora squasi de stracarse.
Tuti i zorni le fa massa mestieri.
A tute le mame a ghemo de ringrassiare.
Formento miracoloso
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba – PR
La racolta la gera stada tanto bona. El bon tempo el gavea iutà i due fradei. Uno, maridà, el vivea coa fameia. L’altro, scàpolo, el gavea na caseta li a so fianco. La division dea benedeta segatura la obedia la règola del medo a medo: in parte compagne. Ogniun el ga rancurà la so metà tel so granaio.
Contenti, i se ga saludà pal riposo dea note. El cossin inquanto el sono no’l vien, el possibilita la meditassion, come se’l dialogasse co noantri. E el fradel sèlibe el ga pensà: "me fradel l’è maridà, el ga due fioi, la sposa... Naturalmente la so necessità la ze pi granda dea mia". El se ga levà su, l’è ndà al granaro, el ga impienio un saco de formento e, sotoman, l’è ndà reversarlo tel mùcio de so fradel.
El maridà, suito dopo butarse do, el ga parlà co so fémena e ambidue i ga concluso che’l scàpolo el gavea laorà depì parché el gera lìbero de afari domèstichi e de fameia e, ncora, el dovea pareciarse para formar na fameia. Suito el se leva su del leto e el va al granaio, impiene un saco de formento e lo reversa tel mùcio de formento de so fradel. Cossita el ga assà el casal pi felisse.
Durante arquante note sto laoro l’è stà repetio. Ogniun el se sentia ben, perché el so mùcio no’l sminuìa. Muci miracolosi? O saria el formento che’l cressea?
Na note, i se cata: i oràrii i ga coinsidio. A metà strada, ambidue col saco de formento sule spale, i se ga incontrà. I se ga sbrassà e alora i ga resolvesto far dei due mucii un sol.
L’amor fraternal ancora el ze bon de maraveiosi miràcoli.
Capela São Gotardo completa 75 anos
Todas as 16 famílias da localidade assinam o Correio Riograndense
A capela São Gotardo, interior de Veranópolis, na Serra gaúcha, está festejando 75 anos de fundação. Para lembrar a data, a população local realizou festa dia 6 de maio, com missa solene, almoço e presença de grande público.
As primeiras famílias se instalaram na comunidade em 1920. Os pioneiros foram os Mazzarollo e os Dal Pizzol. Junto com eles, chegou o jornal Staffetta, atual Correio Riograndense.
Atualmente, 16 famílias vivem e trabalham em São Gotardo. A produção de uva, vinho e leite é o destaque da economia. "Além disso, eles criam aves e suínos e cultivam milho e muitas frutas", relata frei Domingos Collet. De acordo com frei Collet, todas as famílias da localidade assinam o Correio Riograndense.
Cotiporã festeja 25 anos de emancipação
Cotiporã comemora 25 anos de emancipação. Desmembrado de Veranópolis, em 12 de maio de 1982, conta com população de 12 mil habitantes e economia estruturada na produção agropecuária e turismo. O plebiscito para a emancipação foi realizado em 9 de maio de 1982, obtendo a aprovação da população com 92,17% dos eleitores.
Os emancipacionistas foram Henrique Bergamin (presidente), Vitorino Dalmolin (vice), Eraldo Fellini (1º prefeito) e Dalmo Scussel, além de Norberto David Paludo, Ozeno Lazzarotto, Luiz Sbardelotto, Alfredo Faraco Cioffi, Leonel Paludo, Orfeu Merlo, Vilmar da Rosa, Sauro Guindani, Júlio Guindani, Gentil Lunardi, Adolfo Dalmolin, Ivo Breda, Edir Fellini, Albino Cendron, Aldo Scarton, Alceu Zechin, Nilo Tonial, Adalberto Zardo, Leonir Zardo, Fiorindo Bortoncello, Antonio Gallina e o pe. Marcelino Rizzon. (Silvio Girardi, agente CR).