DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 5.040 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 23 de maio de 2007.
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Mais um bom exemplo que encontra raízes no campo
Coleta de embalagens de agrotóxicos reduz perigosa fonte de poluição
Os agrotóxicos ganharam as terras cultiváveis brasileiras nos anos 1970 como pragas avançam sobre uma lavoura. A falta de orientação e o decorrente descuido na utilização deixaram marcas profundas em um número incalculável de agricultores, ceifaram a vida de tantos outros e prejudicaram também consumidores.
Em nome do aumento da produtividade, sacrificou-se a saúde de pessoas e as seqüelas desse processo estão espalhadas principalmente pela zona rural do país. Nesse cenário favorecido pela ausência de uma legislação adequada e eficaz – que outras nações já adotavam -, empresas multinacionais festejaram a elevação acelerada de seus lucros a patamares estratosféricos.
Em uma segunda etapa, agora já sob a influência de um volume de informações capaz de pelo menos alertar sobre os riscos que esses produtos oferecem, o agricultor não tinha como dar destinação adequada às embalagens. Mais uma vez, em quantidade que jamais será plenamente conhecida, invólucros e recipientes com alto grau poluente foram enterrados ou jogados em arroios e rios, contaminando perigosamente o subsolo e mananciais de água.
Depois de estar convencido de que o "remédio" era na verdade "veneno", a maioria dos produtores rurais passou a controlar o uso e a se precaver durante a aplicação. Nova evolução veio com a fixação de normas para a destinação das embalagens, a criação de uma estrutura para a coleta e a posterior reciclagem. Hoje o Brasil é líder mundial no recolhimento de embalagens de agrotóxicos. Segundo o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, 88% dos vasilhames são devolvidos aos fabricantes. Esse percentual representou, só no ano passado, 19,6 mil toneladas de material.
O resultado da agressão provocada pelos agrotóxicos ao homem e ao meio ambiente ainda será sentido por décadas – ou séculos. A coleta e a destinação correta pelo menos reduzem essa fonte de poluição. Mas é preciso ir além, a começar por uma fiscalização mais severa na comercialização e aplicação dos agroquímicos. Mais relevante ainda é a conscientização do agricultor sobre as conseqüências para ele, seus familiares e os milhões de pessoas que ele ajuda a alimentar.
Trotes tumultuam serviços 190 e 193
Mais de 40% das ligações (14,5 mil por mês) são desperdiçadas
Marcos F., 12 anos, dirige-se a um telefone público e liga para o 190 com o objetivo de passar um trote. No mesmo momento seu pai, Alfredo, precisa informar a Brigada Militar sobre um assalto em andamento e ouve o sinal de linha ocupada. Os nomes são fictícios; a situação é cada vez mais comum em Caxias do Sul.
O número de linhas dos serviços 190 e 193 à disposição dos caxienses já é reduzido – quatro, numa mesma central, para onde convergem os apelos de mais de 400 mil habitantes. Mas essa deficiência cresce de forma preocupante pela má utilização. Levantamento do setor de comunicação social do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM), sediado em Caxias do Sul, com base nos telefonemas recebidos nos quatro primeiros meses do ano, revelou que 41% das ligações recebidas foram trotes. Isso significa que da média mensal de 35.470 ligações, 14.525 são desperdiçadas – pior do que isso, podem estar impedindo que outras pessoas, com reais necessidades de contato com a BM (190) ou Corpo de Bombeiros (193), encontrem linha disponível.
Do total de ligações recebidas, apenas 9% acabam na ação da BM e na decorrente ocorrência policial. As 51% restantes são de cidadãos que buscam informações – as mais variadas possíveis, segundo informações do 12º BPM.
A média de janeiro a abril foi de 1.182 ligações por dia. Isso significa 49 por hora. Em tese, as quatro linhas são suficientes. Mas na prática, tem crescido as reclamações de pessoas que tentam acessar os serviços e não conseguem. Os trotes podem não ser a única razão para os alegados congestionamentos, mas certamente são a mais determinante.
O maior número de trotes é passado de telefones públicos. Mas são expressivas as chamadas de aparelhos residenciais e celulares. Mesmo com reincidência, o máximo que a Brigada faz ao identificar a origem das ligações é registrar ocorrência na delegacia de Polícia Civil. Sobre o processo daí para a frente, a assessoria de comunicação não soube informar. Ressalta, no entanto, que a grande maioria dos trotes é aplicada por crianças.
UCS oferece 2.145 vagas no vestibular
A Universidade de Caxias do Sul (UCS) coloca em disputa, no vestibular de inverno 2007, 2.145 vagas. Elas estão distribuídas em mais de 20 cursos – número que quase triplica pelas opções de horários – nas unidades de Caxias, Bento Gonçalves, Canela, Farroupilha e Vale do Caí. As inscrições abriram nesta terça 22, só podem ser feitas via internet, pelo site www.ucs.br, e o prazo final é 14 de junho. As provas serão realizadas dia 1º de julho, a partir das 13 horas, na cidade onde é oferecido o curso escolhido pelo candidato.
O vestibular de inverno deste ano oferece, pela primeira vez, vagas nos cursos de Engenharia de Controle e Automação, na Cidade Universitária (Caxias), e o de Design Gráfico, no Campus da Região dos Vinhedos (Bento). Outras novidades são a alteração do nome do curso de Administração de Empresas para "Administração" e a implantação do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas no núcleo de Farroupilha.
Horti Serra abre com mais de 500 inscritos
Evento que se inicia nesta quarta 23 e vai até dia 27, no pavilhão 2 da Festa da Uva, tinha, até sexta 18, 500 inscritos, segundo a Secretaria Municipal da Agricultura. O 1º Horti Serra Gaúcha terá a participação de caxienses e de grupos de municípios da região, entre eles Bento, Vacaria, Farroupilha e Flores da Cunha. "A expectativa é de 300 pessoas por dia para conferir o que há de novo e fundamental para a agricultura", afirma o assessor técnico da Secretaria, Arno Costanzi.
Além de 41 palestras e painéis sobre vitivinicultura, fruticultura e hortaliças nos três primeiros dias, o 1º Horti Serra terá a 2ª edição do Shopping Rural e uma etapa do Freio de Ouro. Sediará, ainda, assembléia da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimentos e encontro da Amesne. Na sexta 25, a Associação dos Engenheiros Agrônomos da região homenageia o Dr. José Zugno, colunista do Correio Riograndense há 54 anos, que completa 60 anos de vida profissional.
Prefeitura entrega obra final da Perimetral Sul
José Roberto Grossi, o treinador de futebol Pastelão, caxiense conhecido em todo o país, recentemente falecido. Este é o nome dado ao largo no entroncamento da Av. São Leopoldo com a BR-116. O conjunto de obras inaugurado no sábado 19 pelo prefeito José Ivo Sartori conclui a Perimetral Sul.
O projeto final exigiu a pavimentação de 400 metros de pista dupla com canteiro central, além de rotatória com 60 metros de diâmetro no entroncamento da perimetral com a BR-116. No local foram executados ainda serviços de drenagem, aterro (37 mil metros cúbicos), pavimentação asfáltica (18 mil metros quadrados), iluminação pública, implantação de rede elétrica, sinalização viária, paisagismo e pavimentação de 250 metros de ruas secundárias. O investimento foi de cerca de R$ 2 milhões, sendo R$ 852 mil de recursos próprios da Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana (SMTM) e o restante proveniente de financiamento do BNDES.
Brasil é líder na coleta de embalagens de agrotóxicos
Em todo país, 88% dos vasilhames produzidos são devolvidos pelos produtores à indústria
Brasil é o país que mais recolhe embalagens de agrotóxicos para reciclagem no mundo inteiro. Nos quatro primeiros meses de 2007 já foram destinadas 6.362 toneladas de vasilhames vazios, número 10,3% maior se comparado com o mesmo período do ano passado, quando foram processadas 5.767 toneladas (ver tabela).Estados apresentaram crescimento acima da média, como Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) mostram que o país recolheu no ano passado 19.634 toneladas de recipientes de agrotóxicos – 17.424 toneladas foram processadas. Aumento de 9,8% no número de embalagens com destinação final em relação a 2005. Segundo o presidente do Inpev, João César Rando, o Brasil está à frente de vários países. "Das embalagens produzidas, 88% foram devolvidas em 2006, enquanto que nos Estados Unidos apenas 20% voltam aos fabricantes", diz.
De janeiro a dezembro de 2005 foram coletadas 17.881 toneladas de embalagens vazias, contra 13.933 toneladas no ano anterior, crescimento de 28%. O índice de devolução das embalagens, que coloca o Brasil como referência mundial, é possível porque foi montada a operação de logística reversa – o nome que se dá ao trabalho de retornar produtos, embalagens e outros materiais ao seu local de origem.
Reversa – O Inpev começou a montar a operação após a edição do decreto 4.074/2002, que dispõe sobre o destino final de resíduos e embalagens de agrotóxicos. A legislação estabelece que o agricultor deve entregar, em um local indicado na nota fiscal pelo revendedor, o vasilhame adequadamente lavado, no prazo de até um ano após sua utilização. Por sua vez, quem comercializa o produto tem a responsabilidade de oferecer locais para receber as embalagens vazias e gerenciar o recolhimento.
Desde 1990, alguns fatores contribuíram para que a indústria se preocupasse com o retorno de seus materiais. Além da criação de leis ambientais, houve aumento da conscientização do consumidor sobre seus direitos. Essa conjugação, aliada aos benefícios gerados pela atividade, fez com que a logística reversa se tornasse prática comum em setores como o de agroquímicos, latas de alumínio (incrível taxa de coleta de 95,7%) e garrafas pet (coleta de 47%). "A lei é inteligente, pois delega funções a todos os elos da cadeia, amarrando o processo e o tornando eficaz", opina ao CR o gerente de logística do Inpev, Mário Fujii.
Quase 100% do material é reciclado
As embalagens de agrotóxicos recolhidas no programa coordenado pelo Inpev podem ter dois destinos. As que não são laváveis (como sacos plásticos e caixas de papelão) e as que não foram adequadamente lavadas pelos agricultores são incineradas – cerca de 95% do material coletado é reciclado, enquanto o restante é incinerado.
Os demais são reciclados e viram matéria-prima atualmente para 16 produtos, como cordas, conduítes corrugados, madeira plástica, sacos plásticos para lixo hospitalar, economizadores para concreto, embalagens para óleo lubrificante, barricas de papelão e tampas para embalagens de defensivos agrícolas.
A venda dos artefatos reciclados ajuda a abater o custo da operação. Apesar de o prazo previsto em lei para o recolhimento das embalagens ser de um ano, no Brasil leva-se em média apenas 5,3 dias para a coleta.
Só autorizados podem receber produto
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina, por meio do decreto nº 4.074/2002, que os usuários de agrotóxicos e afins devem efetuar a devolução das embalagens vazias aos estabelecimentos em que foram adquiridos no prazo de até um ano, contado da data da compra. Como nem todos os que vendem agrotóxicos estão autorizados a receber os vasilhames, a devolução pode ser feita em qualquer posto de recebimento ou centro de recolhimento licenciado por órgão ambiental.
As centrais de recebimentos são unidades de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos licenciadas ambientalmente com no mínimo 160 m² de área construída (resolução 334 do Conama), geridas usualmente por uma associação de distribuidores/cooperativas com o co-gerenciamento do Inpev.
Elas realizam o recebimento de embalagens lavadas e não lavadas (de agricultores, postos e estabelecimentos comerciais); inspeção e classificação das embalagens entre lavadas e não lavadas; emissão de recibo confirmando a entrega; separação das embalagens por tipo (pet, metálica, papelão); compactação por tipo de material e emissão de ordem de coleta para que o Inpev providencie o transporte para o destino final (reciclagem ou incineração).
Postos – Os postos de recebimento são unidades de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos licenciadas ambientalmente com no mínimo 80m² de área construída (resolução 334 do Conama), são geridas por uma associação de distribuidores/cooperativas.
Os postos fazem os seguintes serviços: recebimento de embalagens lavadas e não lavadas; inspeção e classificação das embalagens entre lavadas e não lavadas; emissão de recibo confirmando a entrega e encaminhamento das embalagens às centrais de recebimento.
Campanhas ampliam as responsabilidades
A educação e a conscientização do agricultor a respeito da correta realização da lavagem e devolução das embalagens é uma responsabilidade tripartite que deve ser exercida pelo poder público, distribuidores e fabricantes de produtos agrícolas.
Em 2003, foi lançada a campanha para conscientização de agricultores "A natureza precisa de você", composta pelas etapas "Lave-me" e "Devolva-me", com o objetivo de educar o agricultor quanto às suas responsabilidades previstas na lei federal 9.974/00.
A etapa Lave-me foi veiculada em 2004 e a etapa Devolva-me, em 2005, numa parceria com o Ministério da Agricultura. A campanha de 2005 foi a responsável pela criação do espantalho Olímpio, símbolo da campanha.
Para dar continuidade ao processo educativo e para ampliar a conscientização de agricultores sobre os corretos procedimentos, foi lançada em 2006 a campanha "Devolução de embalagens vazias – a natureza agradece", que traz mensagens sobre os pontos de maior atenção da destinação final.
Como resultado das campanhas, o Brasil contabiliza 365 unidades de recebimento de embalagens (108 centrais e 257 postos) espalhadas por 23 Estados. Telefone: (11) 3069.4900.
Safra de uva cresce só em volume
Produção aumenta 34%, mas graduação é a mais baixa em quatro anos
O Rio Grande do Sul produziu em 2007 quase 600 milhões de quilos de uva. O dado oficial, apurado por levantamento feito pela Divisão de Enologia da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado a partir de declarações das vinícolas – refere-se, portanto, apenas à uva industrializada (destinada a vinho, suco...) -, encontrou 568.447.769 quilos. "A margem de erro é inferior a 1% para cima", afirma Plínio Manosso, chefe da Divisão de Enologia, explicando, na quinta 17, que faltavam ainda números de poucas e pequenas cantinas. Não está incluída nesse total a uva vendida in natura.
O volume da safra é 34% superior ao de 2006, quando foram colhidos 423 milhões de quilos. Do total destinado à industrialização em 2007, apenas 13% são de uvas viníferas (71,4 milhões de quilos). Entre os 87% de uvas comuns, o destaque continua sendo para as tintas: 429,7 milhões, ou 75,6% do total. E entre as tintas comuns, a predominância segue sendo da variedade isabel: 228,1 milhões de quilos – 40% do total.
Boa em quantidade, aproximando-se do ótimo resultado de 2004 (veja tabelas), a safra 2007 não repete os índices de qualidade. A graduação média (teor de açúcar) é a mais baixa em quatro anos: 14,68, quase um grau abaixo de 2005, a melhor das últimas safras. O trabalho da Divisão de Enologia, agora com informações definitivas sobre a qualidade, confirma que as variedades tardias sofreram os efeitos do excesso de chuva no período que antecedeu a colheita – fevereiro em especial. A cabernet sauvignon, que tinha alcançado 17,8 graus em 2006, não passou dos 16,4 graus neste ano. A moscato, da mesma fase, alcançou 13,05 graus na safra 2007, contra 13,74 em 2006. Já a merlot, colhida antes, atingiu 17,01 graus – um pouco aquém dos 17,31 de 2006.
"O volume surpreendeu. Esperava no máximo 20% a mais". A avaliação é de Raimundo Bampi, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul. Havia a preocupação com os efeitos da geada tardia. O problema acabou sendo o excesso de chuvas na segunda fase da colheita.
Aberto caminho ao milho transgênico
CTNBio aprova plantio do milho geneticamente modificado no país
Os transgênicos avançam no Brasil. Primeiro foi a soja roundup ready, resistente ao herbicida à base de glifosato. Depois o algodão, resistente a insetos. Agora o milho, resistente ao herbicida glufozinato de amônio. Depois de muita polêmica, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quarta-feira 16 a liberação comercial do milho transgênico libertylink, produzido pela empresa transnacional alemã Bayer.
A variedade de milho modificada aguardava avaliação desde 1998 e, apesar de as análises terem sido concluídas pelos membros da CTNBio, somente agora recebeu o parecer favorável definitivo. Com a aprovação, ela dá aval de segurança alimentar humana, animal e para o meio ambiente.
A decisão ainda precisará ser submetida ao Conselho Nacional de Biossegurança, coordenado por Dilma Rousseff, que é composto por 11 ministérios, mas já é festejada como vitória pelos setores favoráveis aos transgênicos. Do outro lado, as organizações do movimento socioambientalista prometem recorrer. "A CTNBio tem na pauta outros 11 pedidos de liberação de transgênicos", adianta o presidente da entidade, Walter Colli. O milho transgênico é cultivado em 25,2 milhões de hectares de 14 países.
O professor da Universidade Federal de Pelotas, Silmar Teichert Peske, lembra que no Brasil 65% do milho destinam-se às rações para criações de frango e porco, de extrema importância na dieta alimentar, sem falar nas exportações. "O milho é componente intrínseco de mais de 600 produtos", revela.
Ganhos anuais de US$ 192 milhões com o grão. Isso é o que espera a Associação Brasileira de Sementes e Mudas. "Começamos a competir em condições de igualdade no mercado", assegura o presidente da Abrasem, Iwao Miyamoto. "Um dos benefícios do milho aprovado é a facilidade de manejo da cultura", defende o presidente do Clube Amigos da Terra, de Tupanciretã (RS), Almir Rebelo. "Quando se fala de perdas no cultivo de milho convencional, não são só de perdas econômicas. Nessas, incluem-se os prejuízos ambientais, já que houve água desperdiçada, uso de combustível e desgaste do solo", observa Leila Oda, presidente da Anbio. De acordo com a Embrapa, as perdas anuais das lavouras de milho atingem 19% da produção do grão.
Comunidade científica aplaude decisão
O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) elogiou a decisão da CTNBio. Em nota afirmou que o milho transgênico é cultivado e consumido em diversos países. "Até hoje não foi identificado nos produtos transgênicos dano à saúde humana, animal ou ao ambiente. Esses produtos só chegaram ao campo e à mesa dos consumidores após avaliações científicas", ressalta o CIB.
O Greenpeace discorda do CIB. "Em vários países onde esse tipo de milho foi liberado para plantio, ele não está sendo usado comercialmente. Os agricultores não acham vantajosa a opção pelo transgênico, devido à rejeição do mercado internacional e por questões ambientais", declara a coordenadora da ONG no país, Gabriela Vuolo. "No Brasil, o processo está correndo desde 1998 e a Bayer nunca fez estudo de impacto ambiental", afirmou.
Já o superintendente da Abrasem, José Américo Rodrigues, comemorou a decisão. "A liberação vai influenciar no custo de produção, havendo redução no gasto com herbicidas. Isso vai ajudar na competitividade", destacou. "A liberação foi um passo importante", resumiu o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende.
Para a presidente da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), a pesquisadora Leila Oda, a comunidade científica brasileira conseguiu vencer os interesses que sempre se opuseram ao avanço da biotecnologia no Brasil. "É um alívio perceber que a biotecnologia terá campo para crescer no país. Enfim, conseguiram aprovar o primeiro milho transgênico", enfatiza Oda.
Cruzamento preocupa ONGs e agricultores
A comercialização do milho transgênico demonstra o descaso do governo com a saúde, ambiente e agricultura, alertou o Greenpeace. "A liberação foi dada sem regulamentação prévia dos processos e documentação necessários para garantir a biossegurança", diz a coordenadora da ONG, Gabriela Vuolo.
Para a Via Campesina Brasil, não há garantia de que o milho transgênico possa coexistir com as diferentes formas de agricultura (convencional, transgênica e agroecológica). "O cruzamento do milho é do tipo aberto, ou seja, o vento, tudo pode levar o pólen e contaminar as outras sementes. O risco de perda de material genético original e do direito de escolha do consumidor está seriamente comprometido", alerta a Via Campesina.
Para Gabriela, a liberação do milho vai provocar aumento do uso de agrotóxicos e o aparecimento de ervas daninhas, além de possibilitar a contaminação genética. "Vão colocar em risco todas as espécies tradicionais e o conhecimento acumulado pelos agricultores", afirma a coordenadora da ONG.
Engº. Agrº. José Zugno
Receitas com bananas
Peço, via jornal, na coluna Vida Agrícola, informações sobre a banana. Gostaria, principalmente, de obter receitas de como fazer passas, geléia, licor desta fruta.
Vera Lúcia Brandalise Main
Lajeadinho – Veranópolis – RS
Nos anos passados, por diversas vezes, a pedido dos leitores do Correio Riograndense, tenho abordado o assunto, transcrevendo receitas para o aproveitamento da banana, como as seguintes:
BANANADA – Descascam-se as bananas bem maduras, prata de preferência, esmagam-se ou passam-se na máquina de picar carne. A polpa assim obtida é cozida em igual peso ou igual volume de açúcar. Exemplo:
1 kg de polpa
1 kg de açúcar
Leva-se ao fogo com um pouco de água, pois a banana já tem em si 70% de água.
BANANADA COM MAÇÃ – Seis bananas bem maduras, cortadas em pedaços e misturadas com duas maçãs igualmente sem cascas e cortadas em fatias. Leva-se ao fogo, com água apenas que cubra o conteúdo, já tendo colocado o açúcar igual ao peso das frutas. Coloque canela e limão. Ferver durante uma hora em fogo baixo.
PANQUECA DE BANANA – Três bananas prata bem maduras, esmagadas e passadas em peneira. Junta-se 3 ovos e 3 colheres de açúcar previamente batidos.
1 copo de leite
2 colheres de sobremesa de farinha de trigo
1 pitada de sal
1 colher pequena de fermento
2 claras batidas em neve
Mistura-se tudo e leva-se à frigideira para fritar com um pouco de banha e manteiga. Pode-se, depois de pronta, colocar mel. Pulverize com açúcar e canela.
BALAS DE BANANA – Leva-se ao fogo polpa de 12 bananas maduras, passadas na peneira, com ½ kg de açúcar e uma colher de manteiga. Mexe-se até desprender-se do fundo da panela. Despeja-se numa pedra mármore untada com manteiga e enrola-se em bolinhas.
BANANAS SECAS – A conservação da banana pela desidratação, ou seja, pela secagem, é um recurso utilizado para poder conservar a fruta por longo tempo. A banana tem um elevado teor em açúcar e não é ácida.
A secagem deve ser feita pelo calor do sol. Deve-se colher a banana madura. Cortar as bananas pela metade e colocá-las em bandejas de madeiras brancas e sem cheiro. Levar as bandejas para o sol dispondo-as com inclinação, a fim de que recebam maior força dos raios solares. Durante o processo deve-se virar a fruta pelo menos uma vez ao dia para que a secagem seja correta. A noite deve-se recolher as bandejas nos galpões para que fiquem protegidas da umidade. O processo de secagem ao sol dura cerca de 3 a 5 dias ou mais, até que a fruta torne-se bem seca. Depois de secas, as bananas podem ser embaladas.
LICOR DE BANANA
6 bananas
1/2 kg de açúcar
1/2 litro de água
1/2 litro de álcool a 42°C
Podem ser bananas com cascas. Coloque tudo em um vidro de boca larga, tampe e deixe descansar por 8 dias. Depois retire o material do vidro, coloque papel, filme ou algodão para coar. Engarrafe e deixe descansar por mais 8 dias.
Alteração em um único gene eleva o risco de obesidade em até 70%
A variação genética atinge cerca de 60% da população branca de origem européia
Uma alteração em um único gene (ou gen) do organismo humano pode elevar o risco de uma pessoa se tornar obesa em até 70%. Segundo os cientistas, essa alteração genética está disseminada em boa parte da população. Uma equipe internacional, liderada pelo Centro de Genética Humana do Wellcome Trust, em Oxford, Reino Unido, fez essa descoberta durante um estudo sobre diabetes com cerca de 5.000 voluntários.
Ao analisar o gene batizado com a sigla FTO, ligado também à predisposição para o diabetes, os pesquisadores descobriram que ele está envolvido na determinação do peso das pessoas. Quem nasce com uma alteração específica do FTO sofre drástico aumento no risco de se tornar obeso após os sete anos de idade – e maior risco de diabetes também.
Quem tem uma de suas duas cópias de FTO com variação corre 30% mais risco de se tornar obeso do que o restante da população. Aqueles que possuem as duas cópias do gene com variação apresentam risco 70% maior e são, em média, três quilos mais pesados.
Após essa pesquisa, os cientistas também investigaram os dados de outros 12 estudos e reuniram informações genéticas de 39 mil pessoas brancas, de origem européia. Assim, descobriram também que 16% dessas pessoas apresentam variação nas duas cópias do gene FTO e 47% tinham variação em só uma das cópias. Isso significa que essa alteração genética não é tão rara, pois está presente em 63% da população branca de origem européia.
A pesquisa aponta para uma resposta possível à freqüente pergunta: eu como a mesmo coisa que meu amigo e faço exercícios como ele, então, por que sou mais gordo? Isso ocorre, segundo os cientistas, porque há um componente genético claro na obesidade.
Apesar de terem verificado uma relação evidente entre as variações de FTO e a obesidade, os pesquisadores ainda não sabem qual é o papel do gene no organismo. Por esse motivo também ainda não está claro o quanto a descoberta pode ajudar no estudo de tratamentos futuros contra a obesidade. Entretanto, o interesse comercial em desenvolver medicamentos deve causar uma corrida científica em torno do gene, ampliando suas aplicações. Essa descoberta também ilustra por que foi tão importante a ciência já ter seqüenciado todo o genoma humano.
Médicos testam transplante de retina
A degeneração macular é a principal causa de cegueira em pessoas com mais de 60 anos. Hoje, uma das maiores dificuldades da oftalmologia é encontrar um tratamento efetivo justamente para a degeneração macular. O transplante de retina, ainda em fase experimental, pode ser a solução.
O transplante de retina consiste na retirada de um milímetro quadrado da camada mais externa da retina do próprio paciente e o seu implante na mácula, estrutura responsável pela visão central. O objetivo é fazer com que o tecido transplantado assuma as funções das células da mácula e, assim, o paciente recupere o máximo possível sua visão. A técnica ainda é experimental. No mundo, foram realizados 40 transplantes de retina, sete no Brasil. Em 50% dos casos, a doença estabilizou-se. Em 30% houve melhoras significativas na qualidade da visão.
Ainda falta muita pesquisa para que o procedimento possa ser usado em larga escala com segurança, mas já é um grande avanço na busca por um tratamento para a degeneração macular, especialmente a do tipo seca, para a qual não há hoje nenhuma terapia de cura. Essa forma da doença representa 90% dos casos, o equivalente a 2,7 milhões de pessoas no Brasil. O outro tipo de degeneração macular é a úmida.
Ambos os tipos da doença caracterizam-se pela diminuição do aporte de oxigênio para a mácula, provocada pelo envelhecimento. Em função disso, as células da região morrem, o que leva à perda da visão central e à cegueira. Na forma úmida da doença, para tentar vencer a falta de oxigênio, o organismo cria uma rede anormal de vasos sangüíneos sob a mácula. Esses vasos são ineficientes e tendem a romper com facilidade, o que acelera a cegueira. Só para esse tipo de degeneração há algum tipo de tratamento. Porém, as terapias limitam-se a conter a proliferação dos vasos sangüíneos. Nenhum método é capaz de reparar o dano causado pela morte das células da mácula. O caminho pode ser o transplante de retina.
Lei muda embalagem de produto lácteo
A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei que retira as advertências das embalagens de produtos lácteos, suprimindo as frases que advertem sobre a necessidade de indicação expressa de médico e nutricionista para o consumo de leite por crianças. Além disso, o projeto de lei determina que se enfatize nessas embalagens a importância do aleitamento materno. As informações devem ficar dispostas no painel lateral da embalagem, e não no frontal, como hoje determina a lei.
A lei que substitui a inscrição "O Ministério da Saúde adverte" por "Aviso importante" (este produto não é recomendado como única fonte de alimento para bebês), nas embalagens de lácteos já foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite, a nova lei é importante porque a inscrição "O Ministério da Saúde adverte" imputava aos produtos lácteos uma conotação negativa, pois também aparece em bebidas alcoólicas, cigarros, agrotóxicos, medicamentos.
Os filhos de nossos filhos
Maria Clara Lucchetti Bingemer
A natureza canta, em festa. Nasceu Carol, fruto bendito do ventre de uma mulher. Deus falou de novo, eloqüentemente, definitivamente através de você. Realizou novamente de forma excelente e misteriosa aquilo que define em si mesmo: a vida.
Na madrugada fria de São Paulo, no último dia 25 de abril, levantei-me às 5h da manhã. Cruzei toda a cidade milagrosamente vazia e ainda despovoada do ritmo alucinante de seu cotidiano. Ao entrar na maternidade, enquanto procurava o quarto, olhei o berçário, vi e acreditei que era você. Não me enganei. Mexendo as perninhas e a cabecinha de um lado para o outro, redondinha e cor de rosa, te reconheci entre todos e todas. Para mim, o mundo voltava a começar. Era o dia da Nova Criação.
No Dia das Mães deste ano não tive outro assunto senão você, Maria Carolina – Carolzinha querida -, que veio alegrar nossos dias e noites. Você, de cujo rostinho estamos todos pendentes e encantados. Você, cujo ritmo do corpo vigiamos, entre carinhosos e ansiosos. Você, que com apenas horas de nascida procurou o seio materno para alimentar-se com maestria e destreza, como se nunca tivesse feito outra coisa antes. E, agora, mama e dorme, dorme e mama, dando ronquinhos e gemidinhos de prazer ao ser alimentada por sua mãe. Você que, uma vez a fome saciada, recosta a cabecinha em seu peito e dorme e sonha como uma bem-aventurada.
Sua única ocupação é essa por enquanto: viver, crescer e ser amada. Muito amada. Toda uma família, mais uma quantidade de amigos, amigas e parentes estão pendentes do seu suspiro, seu apetite, suas funções vitais. E quando seu chorinho ressoa, mansinho ou irritadamente faminto, precipitamo-nos todos para ver o que acontece. Para atender você, adivinhar os desejos que sua boquinha ainda não pode expressar e que devemos ler apenas com o coração repleto de amor: eis nossa única e prazerosa ocupação neste momento.
Você não pode produzir nada, dar-nos nada, a não ser você mesma. Mas em fazendo assim, de quanto nos salva, nos redime! Que sentido imenso e profundo dá a nossas vidas! Você, neste momento, é nosso testemunho mais eloqüente do milagre da vida. Contemplando você, criaturinha recém-saída do segredo do útero para respirar o ar do mundo conturbado e perigoso, vemos toda a seqüência da maternidade, da filiação, da procriação. A natureza canta, em festa. Nasceu Carol, fruto bendito do ventre de uma mulher. Deus falou de novo, eloqüentemente, definitivamente através de você. Realizou novamente de forma excelente e misteriosa aquilo que o define em si mesmo: a vida.
É tão fácil olhar para você e sentir profundamente que Deus é amor e é o Deus da vida! Se não fosse o amor entre seus pais, você não existiria. Se não fosse a força da vida que busca expressar-se e mostrar-se, não teria havido o encontro dos corpos que faria eclodir o processo de nove meses que hoje encontra seu belo e maduro fruto em sua pessoinha inocente e linda. Mas se Deus não tivesse desejado e amado o mundo e a humanidade, não existiria nem sequer a possibilidade de tudo isso que é a maravilha da vida.
Por isso, meu presente de Dia das Mães deste ano é você, Carol. Você, que fez de mim algo que jamais tinha sido: mãe de outra mãe. Avó, dizem entre benevolentes e algo irônicos os que constatam minha emoção ao viver essa inusitada experiência. Avó é muito mais que uma figura carinhosa e anciã que faz a vontade dos netos. É algo muito mais sério. É a comprovação da cadeia milenar que desde que o mundo é mundo presenteia o cosmos com novos frutos da mais bela criação de Deus: o ser humano. É a testemunha fiel da bênção bíblica que ordena que tudo que há de bom e de belo na tradição do povo eleito seja ensinado "aos filhos de teus filhos". Que, ao querer perpetuar a experiência de um dom recebido e de uma graça alcançada, deseja que ela se prolongue "aos filhos de teus filhos".
No Dia das Mães deste ano, só cantei de gratidão porque o Senhor me deu a graça imensa de ver a filha de minha filha. E desejar a todas as mães que também vivam um dia a beleza de ver o fruto de seu ventre dar fruto por sua vez. Através de Carol, o Criador me diz que estou viva. E que seu nome é santo para sempre.
Frei Betto
Em nome de Deus, passamos indiferentes por aqueles que têm fome e sede e são imagens vivas de Cristo, conforme o evangelho de Mateus. Ora, quem dispõe de tempo para prestar atenção naquele que se encontra dependurado numa cruz? Alguma ele andou aprontando...
Em tempos de visita papal, convém fugir um pouco do shownalismo (como é chamado o jornalismo que faz da notícia espetáculo) e falar do essencial: a fé. Às vezes me pergunto se a humanidade tem mesmo avançado. Nos tempos primevos, ensina Fustel de Coulanges, cada família cultuava seus deuses domésticos. Ninguém invejava o deus do vizinho nem tinha a pretensão de impor a ele o deus de suas crenças. A menos que a filha fosse se unir em casamento ao filho do vizinho. Nesse caso, ela se via obrigada a renegar seus deuses familiares e aderir de corpo e alma aos deuses cultuados pela família do marido – que exercia também a função de sacerdote.
Como disse seu Apolônio, meu mecânico, com quem converso essas coisas enquanto o vejo limpar o carburador, "o povo antigo não tinha fé, tinha fezes." Minha avó era mais contundente ao ver minha preguiça de levantar cedo no domingo para ir à missa: "Que diabo de fé é sua?"
A coisa começou a complicar quando o politeísmo se viu ameaçado pela contra-reforma monoteísta ocorrida no Egito a partir de 1.400 anos antes da era cristã, graças ao faraó Akhenaton e ao rebelde hebreu Moisés. A antiga e tradicional democracia divina, com cada deus satisfeito com a sua respectiva cota de poder, acabou desbancada pelo monopólio da fé. Nasceu então uma divisão que jamais a humanidade conhecera antes: de um lado, os fiéis, de outro, os idólatras, que segundo os primeiros acreditavam em falsos deuses.
A humanidade ainda não tinha conhecido o fenômeno do ateísmo. Essa foi a primeira reação fundamentalista registrada pela história: o deus de uma nação, além de ser o principal, é promovido também a ser o único. Portanto, a crença em um decreta a descrença e o descrédito de todos os demais deuses. Só a única e verdadeira fé permite o acesso ao único e verdadeiro Deus.
Daí nasceu a distinção entre o verdadeiro e o falso. E em nome do verdadeiro, a religião passou a recorrer à violência, o que parece uma antinomia. Mas quem pensa nisso quando se encontra imbuído de que deve impor aos demais a verdade, ainda que a ferro e fogo? Sobretudo quando se está convencido de que autoridade e verdade é mais do que uma rima. (De fato, é uma tragédia).
A modernidade veio salvar a religião de sua presunção de ser a única depositária da verdade. Hoje, cremos muito mais na verdade científica, empírica e matematicamente comprovada, que nas verdades religiosas. Quem duvida da existência de um trio de quarks na intimidade do átomo, embora não haja telescópio que nos permita vê-lo? No entanto, nossos aparelhos eletrônicos funcionam. Para muitos, funcionam miraculosamente, como o fax, o tempo real dos @ e o celular. Mas quem tem absoluta certeza de que há vida depois da morte? Ninguém. No máximo, temos fé.
Ora, direis espantado, estaria esse heterodoxo frade da teologia da libertação reivindicando a volta do politeísmo? Nada disso. Desejo apenas a tolerância, como a que foi praticada por Jesus, que jamais criticou a fé da mulher fenícia ou a do centurião, nem impôs como condição às suas curas a prévia adesão à sua crença.
A mim o que espanta é constatar a nova modalidade de politeísmo: lá em cima, num céu abstrato, o deus no qual cremos; aqui embaixo, os deuses aos quais de fato prestamos devoção: o dinheiro, o poder, o consumismo que nos consome e consuma. E esta crença rigorosa de que fora do capitalismo não há salvação, embora 2/3 da humanidade não tenham acesso aos bens que ele oferece.
O cerne da questão é bem mais embaixo: cremos em Deus e nos bens finitos que nos etiquetam socialmente, mas não no próximo. Religião sim; amor não, exceto o que aumenta a nossa cota de satisfação e prazer.
Toda a nossa lógica sistêmica cultua o mercado, a propriedade privada, o dinheiro aplicado, o crescimento do PIB, o aumento das exportações, o rigor fiscal, sem a menor preocupação para com os sem-terra, sem-teto, sem-escola, sem-saúde e sem-identidade. Em nome de Deus, passamos indiferentes por aqueles que têm fome e têm sede e são imagens vivas de Cristo, conforme o evangelho de Mateus (25, 31-44).
Ora, quem dispõe de tempo para prestar atenção naquele que se encontra dependurado numa cruz, atrapalhando o nosso programa de domingo? Alguma ele andou aprontando...
ENERGIA QUE VEM DOS RIOS
Pequenas usinas hidrelétricas vão gerar 559,1 MW. Esse total representará 8,22% da demanda gaúcha e significa 25,4% da capacidade instalada no Estado
No atual cenário brasileiro, em que existe a necessidade de renovação da matriz energética nacional, o mercado das pequenas centrais hidrelétricas (PCH) tem crescido cada vez mais. No Rio Grande do Sul, o aproveitamento das fontes limpas de geração de energia também é cada vez maior. Mais seis PCHs acabam de ser habilitadas no Estado. Somadas, as usinas representam cerca de 110 megawatts (MW) de potência (ver tabela abaixo).
O Rio Grande do Sul tem capacidade instalada de 4.735 megawatts, sendo 63% de energia hídrica, 11% de carvão, 16,9% de gás natural e 6,2% de fontes alternativas (como a biomassa, energia dos ventos e através de pequenas centrais hidrelétricas ou hidroelétricas – PCHs e pequenas centrais termoelétricas – PCTs).
Atualmente, 24 pequenas centrais hidrelétricas, com capacidade instalada de 171 MW, estão em operação no Estado. Outras cinco unidades, com capacidade de 115,5 MW, estão em construção. Mais 32 usinas, com capacidade de 272,6 MW, se encontram em processo de viabilização e/ou outorga pela Aneel (em processo de liberação ambiental e comercial).
A maioria está sendo erguida nos rios Taquari, Antas, Guaporé, Turvo, Santa Cruz, Ijuizinho e Ivaí.
De acordo com o engenheiro Edmundo Fernandes da Silva, da Secretaria Estadual de Infra-Estrutura e Logística, o total da capacidade instalada e a ser instalada é de 559,1 MW. "Esse total representará 8,22% da demanda do Rio Grande do Sul e 25,4% da capacidade instalada no Estado", revela Fernandes da Silva.
"Hoje, o RS tem capacidade para produzir 70% da energia consumida pelos gaúchos", declara ao CR o engenheiro da Secretaria de Infra-Estrutura. No entanto, gera apenas 40%, sendo obrigado a importar o restante. Para buscar a auto-suficiência na geração é necessário agregar mais 4.500 MW ao parque gerador gaúcho até o ano de 2015, considerando-se crescimento do consumo de 3,5% ao ano.
Apesar dos investimentos, somente na área rural são 25 mil propriedades às escuras. "A maioria se encontra na região Sul do Estado, em áreas isoladas e de grandes distâncias", revela o superintendente da Federação das Cooperativas de Energia, José Zordan.
Matriz – Atualmente, os derivados de petróleo representam 58,5% da demanda total de energia, 17,3% são provenientes da lenha e derivados da biomassa, 11,7% da eletricidade e 5,2% do carvão mineral energético. Além deles, o gás natural apresentou um expressivo acréscimo de participação na matriz energética gaúcha, passando de 0,7% em 2000 para 5,2% em 2005.
O potencial energético gaúcho contempla o aproveitamento de pequenas quedas d’água e a utilização de resíduos agrícolas e florestais em PCTs, como lenha, resíduos de serrarias e casca de arroz – o RS é o maior produtor de arroz irrigado do Brasil.
Os ventos também são fonte de energia, a eólica, com o Parque Eólico de Osório, o maior da América Latina, possuindo 75 aerogeradores, para uma potência instalada de 150 MW. Em terra firme, a potência energética do Estado é de 15.840 MW, o que corresponde a 11% da potência brasileira, com ventos medidos a 50 metros de altura.
PCH Esmeralda pode abastecer 50 mil habitantes
Mais uma pequena central hidrelétrica (PCH) foi inaugurada no Estado. Trata-se da usina Esmeralda, localizada no rio Bernardo José, entre Pinhal da Serra e Barracão, no norte do Rio Grande do Sul. O empreendimento do grupo Engevix, de 22,2 MW, recebeu investimentos de R$ 71 milhões. Gera energia para abastecer 50 mil pessoas.
A PCH Esmeralda conta com altura de 15 metros, vertedouro incorporado de lâmina livre, um túnel de adução com 1,1 mil metros de comprimento e uma casa de força para abrigar as duas unidades geradoras com 11,1 MW cada.
A área do lago é de apenas 0,14 quilômetro quadrado. "O regime operacional da usina é a fio d’água, ou seja, a geração aproveita a vazão natural do rio, com baixa capacidade de acumulação de volume de água", explica o vice-presidente da Engevix, José Antunes Sobrinho.
A cerimônia também marcou a assinatura da ordem de serviço da Central Hidrelétrica Alzir dos Santos Antunes (UHE Monjolinho). O empreendimento será construído no rio Passo Fundo, entre os municípios gaúchos de Nonoai e Faxinalzinho.
A usina terá 67 MW e vai demandar investimentos de R$ 220 milhões. O empreendimento vai gerar energia suficiente para abastecer o equivalente a um município com 140 mil habitantes – uma cidade um pouco menor do que Passo Fundo. "A operação comercial deve iniciar até dezembro de 2009", diz Antunes Sobrinho.
Cooperativas de eletrificação atendem 225 mil associados em 358 municípios
Mais cinco mil propriedades rurais gaúchas deverão receber ligações de luz em 2007. As cooperativas de eletrificação, integrantes do sistema Fecoergs (Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural), estão investindo R$ 35 milhões até o final do ano. "As cooperativas deverão praticamente zerar as ligações", afirma o superintendente da Fecoergs, José Zordan.
O sistema Fecoergs é composto por 15 cooperativas de distribuição e geração de energia elétrica, atuando nas regiões de produção agropecuária do RS, na área rural de 358 municípios e 72 sedes urbanas, beneficiando a mais de um milhão de gaúchos. "As cooperativas abastecem 225 mil famílias associadas no Estado", informa Zordan.
O trabalho desenvolvido pelas cooperativas, desde 1941, proporciona qualidade de vida. Com a inclusão das cooperativas no programa "Luz Para Todos", o governo federal possibilitou que elas pudessem ampliar o número de ligações – em 2006 ligaram 8.445 propriedades.
Para atingir esta meta foram utilizados R$ 38 milhões e a construção de 3,3 mil km de redes. Deste total, 5.037 foram ligadas com recursos do governo federal. "O programa no RS tem o incentivo e recursos do governo federal, com 50% a fundo perdido e 50% bancado pelas cooperativas", explica Zordan ao CR.
O Brasil, segundo o presidente da Confederação Nacional das Cooperativas de Infra-estrutura, Jânio Vital Stefanello, conta com 70 cooperativas que beneficiam com energia elétrica 493 mil famílias, representando uma população de 2,5 milhões de pessoas.
Fepam autoriza parques eólicos
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu licenças ambientais para a instalação de mais dois parques de energia eólica no RS, ambos em Palmares do Sul. A empresa Ventos do Sul Energia recebeu licença de instalação e a Ecoprojeto, licença prévia. Com estas, são seis licenças concedidas pela Fepam para a construção de parques com aproveitamento de energia eólica no Estado.
O parque da Ventos do Sul, localizado em uma área a 25 km de Palmares do Sul, a leste da RST 101 e a oeste da lagoa do Quintão, terá capacidade para gerar 50 megawatts de energia. Já o parque da Ecoprojeto, situado na RS-40, parada 172, em Palmares do Sul, terá capacidade de gerar 9,35 megawatts.
Litoral – Em abril último a Fepam assinou a licença de instalação do parque éolico da Elebrás Projetos em Tramandaí e licença prévia para a Natenco do Brasil Energias Alternativas, em Xangri-lá. Os outros são das empresas ERB: dois em Xangri-lá e um em Osório. Desde 2003, a Fepam vem concedendo licenças para a instalação de parques eólicos no RS.
Continente enfrenta crise de valores
Encontro de Aparecida revê caminhada e busca novo rumo para Igreja
Para responder aos novos desafios que se fazem presentes na trajetória da Igreja católica na América Latina, 162 bispos e cerca de 100 convidados participam, desde o dia 13 de maio, em Aparecida (SP), da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe (V Celam). O encerramento está previsto para o dia 31 de maio. A abertura foi feita pelo próprio Papa Bento XVI, no dia 13, quando da sua visita ao Brasil, motivada especialmente pela Conferência.
O encontro dos bispos, inspirado pelo tema "Discípulos e Missionários de Jesus Cristo, para que Nele nossos povos tenham vida", deverá ser um grande acontecimento que ecoará nos rumos da Igreja no continente, na busca da identidade e a missão do católico, de sua responsabilidade na transformação da realidade à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.
Soam, hoje, como desafios para a Igreja católica do continente latino-americano, o avanço das seitas, a pobreza, a exclusão e a perda de fiéis. Também são desafios a revitalização e animação da estrutura interna da Igreja e a evangelização dos novos cidadãos que surgem da sociedade globalizada e secularizada.
Segundo o presidente da Conferência Episcopal do México, dom Carlos Aguiar Retes, há no continente uma quebra do modelo cultural vigente, que leva a uma "mudança de época" e a uma profunda crise de valores. "Isso significa que vivemos uma etapa de transição onde a transmissão geral de valores via cultura se enfraquece à medida que avança o processo de mudança". Dom Retes apontou como conseqüências negativas dessas mudanças, o relativismo moral, o enfraquecimento das instituições, o individualismo e o deterioramento da identidade social e cultural.
Diante dessa mudança de época, dom Retes entende que é necessário dar "nova valorização" à religiosidade do povo latino-americano, além de "fortalecê-la com o processo de secularização e potenciá-la como autêntica plataforma de nova evangelização".
Conferência terá um documento final
A Conferência geral de Aparecida terá um documento final. A decisão foi tomada na quinta-feira 17, pelos 162 bispos que participam da V Conferência do Celam. As decisões do encontro serão encaminhadas em junho para o Papa Bento XVI, para avaliação e aprovação. Os bispos também emitirão uma "mensagem final", com um resumo das principais idéias do documento, "já que nem todos terão acesso a ele", salienta o bispo de Londrina (PR), dom Orlando Brandes. Os bispos também enviaram uma mensagem de profunda gratidão ao Papa, por ter aberto pessoalmente a Conferência.
Bento XVI visita a cidade de Assis no dia 17 de junho
O Papa Bento XVI vai a Assis, cidade de São Francisco, que há 800 anos fundou a Ordem dos Frades Menores e, segundo uma pesquisa da conceituada revista Time, é o Santo do Milênio. A visita do Papa será no dia 17 de junho, segundo agenda do Vaticano. Bento XVI chegará à histórica cidade italiana de helicóptero às 8h50 e será acolhido pelo arcebispo de Assis, dom Domenico Sorrentino, e por outras autoridades civis e religiosas.
A seguir, o Papa viajará de carro até a igreja de São Damião (9h30) e depois à basílica de Santa Clara (9h50), para rezar privadamente. Às 10h30, o Santo Padre celebrará missa na basílica inferior de São Francisco e no final rezará o Angelus. Às 13 horas, almoçará no Sacro Convento com os bispos da região da Úmbria e com a comunidade religiosa de Assis. Bento XVI também saudará as irmãs clarissas capuchinhas alemãs.
Em seguida, o Papa vai até a catedral de São Rufino, onde terá um encontro às 16h30 com o clero da diocese e com os religiosos de Assis. A viagem pastoral de Bento XVI concluirá na basílica de Santa Maria dos Anjos, com a visita em particular à Porciúncula, a capela reformada por São Francisco, e com um encontros com os jovens na praça da basílica.
Padre Zezinho
Pôr tudo em comum. Esse era o projeto Fome Zero dos primeiros cristãos
O sinal mais bonito do Espírito Santo naquela comunidade era a unidade e a caridade que todos tinham, mesmo diante das diferenças. As línguas de fogo, a pomba – que na verdade foi usada somente uma vez pelo Espírito Santo (Mt 3,16) – e o vento não foram os maiores sinais do Espírito do Deus. Eram sinais interessantes, mas o grande sinal que a comunidade primitiva podia mostrar está no texto dos Atos dos Apóstolos, capítulo 4.
"A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava propriedade particular os dons e os bens que possuíam. Tudo era posto em comum, a serviço dos irmãos. Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus e todos eles gozavam de grande aceitação. Entre eles ninguém passava necessidade. Pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e o colocavam aos pés dos apóstolos que cuidavam para que ele fosse distribuído a cada um, conforme a sua necessidade".
Era o projeto Fome Zero dos primeiros cristãos. Sentiam-se a Igreja do pão repartido. Foi assim que um tal de José, levita nascido em Chipre – que mais tarde ganhou o apelido de Barnabé, palavra que quer dizer filho da exortação -, tornou-se um grande evangelizador. Certo dia vendeu seu campo e colocou seus bens aos pés dos apóstolos: – Ponho meus bens a serviço da comunidade.
Esse era o sinal! Eles de tal maneira acreditavam no reino de Deus que a fraternidade imperava. Havia pequenas diferenças, mas havia também respeito, unidade na caridade e na diversidade. Esse era o sinal do Espírito Santo. Um por todos e todos por um. Assim sendo, ou a Igreja é kat holos (católica), e é capaz de ter pensamentos diferentes, mas "um só sentimento e um só coração" em torno das verdades essenciais ou ela perde o seu significado por causa de um pequeno grupo – por ter poder econômico -, que se impõe sobre os demais fazendo com que todo mundo seja obrigado a falar, pensar, dançar, cuspir e rezar do jeito deles.
Quando isso acontece já não há mais Espírito Santo naquele grupo, por mais que use seu nome. Podem até falar dele, mas não é ele quem está atuando. Quem atua é a vaidade dos pregadores que nada partilham com os de fora. Mergulham na teologia da ostra e do caramujo. "Não temos nada a aprender com quem vem de fora!".
Bento Gonçalves restaura santuário
Templo é dedicado a Santo Antônio, padroeiro do município gaúcho
O santuário de Santo Antônio, em Bento Gonçalves (RS), está passando por amplas reformas. A igreja, que no dia 31 de janeiro deste ano obteve seu tombamento oficial como patrimônio histórico, está passando por inúmeras obras de restauração. Os trabalhos iniciaram em março e as obras, no templo, deverão estar concluídas em três anos.
"O objetivo de restaurar o santuário é atender a responsabilidade com nosso patrimônio histórico. Precisamos salvaguardar a edificação, os murais dos milagres de Santo Antônio, os ricos murais cenográficos, a variedade de ladrilhos hidráulicos, o mobiliário interno e a pintura decorativa do interior da igreja", salienta o pároco, padre Isidoro Bigolin.
A igreja matriz Santo Antônio foi elevada à categoria de santuário em 1934. A paróquia abriga o santo padroeiro de Bento Gonçalves e o dia 13 de junho, festa litúrgica de Santo Antônio, é feriado municipal. A festa de Santo Antônio, de Bento, é uma das mais antigas da região. Neste ano é realizada a 129ª edição do evento religioso.
É o único santuário do Rio Grande do Sul dedicado a Santo Antônio, um dos santos mais populares do mundo. Antônio nasceu em Lisboa, mas se destacou em Pádua, na Itália, onde passou quase toda sua vida. Em Pádua, na grande basílica a ele dedicada, repousam seus restos mortais.
A empresa Reckziegel Projetos Culturais e Sociais é a responsável pelo projeto de restauro do santuário. A continuidade das obras depende de doações. Por isso, foi criada uma campanha de captação de recursos oriundos do imposto de renda de empresas e através de doações espontâneas. Para quem deseja participar, poderão ser obtidas informações pelos telefones (54) 3451.7111 ou 3451.6327.
Jubileus são destaque em Arroio do Tigre
A paróquia Sagrada Família, de Arroio do Tigre, diocese de Cachoeira do Sul (RS), festejou, no dia 6 de maio de 2007, três datas marcantes para as 28 comunidades que a constituem – os 90 anos da paróquia, os 105 anos da celebração da primeira missa na região do Centro-Serra e os 50 anos de atuação do monsenhor Benno Reis.
Para festejar as datas houve alvorada festiva, desfile de carros alegóricos, missa solene de ação de graças às 10 horas, almoço de confraternização, apresentações artísticas por escolas do município, homenagens, especialmente ao padre Benno por seu zelo pastoral, e baile com a terceira idade e comunidade, informa frei Lírio Hartmann, que há pouco assumiu a missão de ajudar na paróquia.
Tarde espiritual pela unidade dos cristãos
Dentro da programação da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, será realizada no dia 26 de maio, das 15 às 19 horas, no salão do Cpergs, em Porto Alegre, a "Tarde de Espiritualidade Ecumênica", com aprofundamento da caminhada ecumênica e como momento de fraternidade, de comunhão e de troca de experiências entre Igrejas cristãs. Será a sétima celebração importante da Semana de Oração. Durante o encontro, toma posse a nova diretoria do Conic-RS.
Aldo Colombo
Carregamos nossos defeitos às costas, por isso não os vemos. Mas vemos, muitas vezes com exagerada nitidez, os defeitos dos outros
Numa cidade do interior, um padeiro foi ao delegado e apresentou queixa contra o vendedor de açúcar que, segundo ele, estava roubando, pois vendia apenas 800 gramas de açúcar como se fosse um quilo. O delegado foi conferir e constatou a veracidade da denúncia. Mandou, então, prender o vendedor de açúcar sob a acusação de estar adulterando a balança.
Ao se apresentar ao delegado, o vendedor de açúcar admitiu que não possuía uma balança em condições em sua casa. Possuía apenas os pratos da balança, mas não o peso, mas que procurava sempre ser honesto em tudo. O delegado quis saber qual o critério para saber o peso do açúcar. E o vendedor explicou que todos os dias comprova dois pães do padeiro cada um deles pesando meio quilo. Colocava-os num dos pratos da balança e no outro prato ia colocando açúcar. Quando o fiel da balança se equilibrava, então ele sabia que tinha um quilo de açúcar. Para tirar a prova, o delegado mandou comprar dois pães na padaria do acusador e constatou que os dois pães de meio quilo não perfaziam um quilo. De acusador, o padeiro passou a ser o acusado.
Reformar o mundo é uma aspiração universal. Todos queremos mudar o mundo, mas esquecemos de começar no ponto certo: nós mesmos. Carregamos nossos defeitos às costas e por isso não os vemos, diziam nossos avós. Mas vemos com nitidez os defeitos dos outros. E sempre damos um jeito de exagerar o tamanho dos defeitos dos outros. Hipócrita, declara o Evangelho, tira primeiro a trave que está em teu olho. E a linha evangélica continua: "Com a mesma medida que medirdes, sereis medidos" (Marcos 4,24 ). No Pai-Nosso fazemos uma proposta a Deus, que pode tornar-se perigosa: perdoai-nos assim como nós perdoamos.
Criticar é fácil. E muitos exercem a crítica sem nenhuma autoridade moral. Criticar é cômodo, porque transfere a responsabilidade para os outros. Mais ainda: o crítico assume ares superiores. Ele é juiz e seu critério é único, acima de suspeitas. Isso até que alguém descobre que seu quilo pesa apenas 800 gramas. Ou menos.
Um nobre inglês mandou escrever em seu túmulo uma pequena história: a história de sua vida. Quando era jovem pretendia reformar a Inglaterra, com o tempo reduziu sua pretensão a uma Província. Nada mudou. A partir daí tentou modificar sua família, mas essa continuou igual. Ele deu-se conta – tarde demais – do seu erro. Se ele tivesse mudado a si mesmo, a família teria sentido a influência e, pelo menos, um pouco teria mudado a Província e a própria Inglaterra.
Não deixa de ter alguma sabedoria a afirmação: dize-me o que criticas e dir-te-ei o que és. Uma afirmação do futebol – nem sempre eficiente – ajuda a entender esta perspectiva: a melhor defesa é o ataque. Há um perigo: partindo para o ataque, a defesa fica vulnerável. De resto é perigoso acusar os outros com o dedo sujo.
Caravaggio espera mais de 200 mil
Maior concentração de romeiros será nos dias 26 e 27 de maio
No próximo final de semana, a Serra gaúcha vive um dos momentos religiosos mais importantes do Sul do país – a 128ª Romaria ao Santuário de Caravaggio, em Farroupilha (RS). A romaria dos dias 26 e 27 de maio é a culminância de um evento que iniciou no dia 6 de maio, com a 4ª romaria dos ciclistas, prosseguiu no dia 12, com a 14ª Cavalgada da Fé, que reuniu 1.300 cavalarianos; e no dia 20, com a 29ª procissão dos motoqueiros, que neste ano reuniu um número recorde de motos – cerca de 20 mil, segundo a Brigada Militar.
Uma multidão de fiéis é aguardada no final de semana – o dia 26 é feriado em Caxias do Sul e Farroupilha. No santuário, os romeiros contarão com o atendimento permanente de mais de 30 sacerdotes, que se revezarão na capela das confissões e na celebração de 11 missas no dia 26 e 11 no dia 27 (campais às 9, 10h30 e 15 horas). Após cada missa haverá bênção de objetos de devoção, das crianças e da saúde.
Para evitar a longa espera dos peregrinos na hora de deixar o santuário, neste ano foi aperfeiçoado o sistema de transporte coletivo, com a venda antecipada de passagens e com o aumento da frota de ônibus. Serão 200 coletivos de 10 empresas, sob a coordenação da Oselame Turismo, que ligarão Caravaggio com as cidades de Caxias, Farroupilha e Bento Gonçalves.
As passagens para o retorno poderão ser adquiridas antecipadamente pelos romeiros nas agências do Banrisul e nas rodoviárias de Caxias do Sul, Farroupilha e Bento Gonçalves. O preço da passagem entre o santuário e Caxias e Caravaggio e Bento Gonçalves é o mesmo – R$ 5,00.
Pastoral e Samae atendem os romeiros
Os peregrinos que saírem a pé de Caxias do Sul rumo a Caravaggio, contarão, no trajeto de 18 quilômetros até o santuário, com os serviços oferecidos pela Pastoral da Acolhida, pelo Samae e pela Codeca. A coordenadora da Pastoral da Acolhida da região de Caxias do Sul, Ofélia Quissini Salib, destaca que serão dois postos de acolhimento, um no início da estrada de chão, logo após a travessia da RS 122, e outro na Busa (Capela de Todos os Santos), antes de chegar ao santuário.
"Distribuiremos santinhos com a oração de Nossa Senhora de Caravaggio – que será rezada no final de cada missa no santuário, e que também indica os passos para uma boa romaria -, e vamos desejar uma boa caminhada aos romeiros", salienta Ofélia. Os postos vão atender das 5 às 17 horas, no sábado 26, e das 5 às 13 horas, no domingo. As cerca de 120 pessoas da Pastoral da Acolhida que vão prestar esse serviço, também auxiliarão os funcionários do Samae na distribuição de água, e a Codeca na coleta do lixo. Os romeiros contarão ainda com os serviços da Convias e nos dois postos haverá uma ambulância para atender qualquer emergência.
Linha Alcântara reverencia a padroeira
No dia 26 de maio, Nossa Senhora de Caravaggio também é reverenciada na comunidade de Linha Alcântara, de Monte Belo do Sul (RS). Localizada a sete km da sede do município, a comunidade realiza a festa de Caravaggio há mais de 120 anos. A celebração teve início em torno de um capitel, que abrigava uma gravura de Nossa Senhora de Caravaggio, trazida pelos imigrantes do norte da Itália.
Em 1902 foi dada a bênção da primeira capela e a atual igreja foi inaugurada "com muita festa", em 1953, conforme descrição do padre José Ferlin, pároco de Monte Belo. A atual imagem foi solenemente benta no dia 4 de junho de 1953. Um fato marcante é que, desde os primórdios, a festa é realizada no dia 26 de maio, dia dedicado a Caravaggio. Nesse dia Monte Belo faz feriado municipal.
A programação conta com tríduo, dias 22, 23 e 24, às 19h30, e no dia 26 haverá missa às 10 horas, com procissão levando a imagem da padroeira. Ao meio dia almoço e, às 15h30, bênção solene aos fiéis, informa Jorge Benvenutti, um dos coordenadores da festa.
Devoção é intensa na região serrana
A devoção a Nossa Senhora de Caravaggio foi trazida para a Serra gaúcha pelos imigrantes do norte da Itália. No dia 26 de maio de 1432, Nossa Senhora apareceu a um camponesa, Joaneta, na localidade de Caravaggio, nos limites dos então estados de Milão e Veneza. Ao emigrarem para o Brasil, os colonizadores trouxeram na bagagem quadros da Virgem e no coração uma profunda devoção.
Na região de Farroupilha, o marco das romarias, que neste ano chegam à 128ª edição, foi o ano de 1879, com a inauguração de uma pequena capela. A devoção não se restringiu apenas a Farroupilha. Com o passar dos anos foram surgindo capelas e paróquias dedicadas a Caravaggio em diversos municípios da Serra gaúcha e de outras regiões.
Hoje, somente na diocese de Caxias do Sul, existem três paróquias e 40 comunidades dedicadas a Caravaggio. Em Paim Filho ocorre, dias 26 e 27, a 56ª romaria a Caravaggio, com procissão luminosa (dia 26) e a acolhida de 60 mil peregrinos. Também há procissões e romarias no Parque Saiqui, em Canela; em Antônio Prado, Carlos Barbosa, Monte Belo do Sul (matéria ao lado) e outros municípios.
Wilson João
O "se" é linguagem dos incompetentes e dos que não descobriram o sentido do verbo amar
Como se pensa, se fala e se vive. A boca fala do que o coração está cheio. As palavras refletem e traduzem nossos pensamentos. Escuta-se demais maneiras negativas de falar, expressões que manifestam vida parada e fatalista. Quem não ouve quase todos os dias: "Eu sou assim mesmo e pronto...". "Meu marido me deixa louca, mas não tenho o que fazer...". "Não posso fazer de outra maneira, aprendi assim...". "Ah! se tivesse estudado mais..." e outras expressões semelhantes? É possível tomar consciência de nossa linguagem e começar a reagir perante os fatos e a vida de uma maneira mais positiva, encontrando saídas. Eis algumas sugestões de mudança de linguagem:
NÃO HÁ NADA QUE SE POSSA FAZER... vou mudar por "vou encontrar novas alternativas para esse fato.Vou abrir outras janelas e portas e as soluções vão aparecendo".
SOU ASSIM MESMO E PRONTO... vou mudar por "posso tomar outras atitudes.Vou refletir sobre mim mesmo e novas perspectivas irão aparecer para minha vida".
ELES NUNCA VÃO ACEITAR ISSO... vou mudar por "vou criar novas maneiras de apresentar a sugestão e acima de tudo vou mostrar os resultados que se pode obter".
TENHO QUE FAZER ISSO... vou mudar por "é possível que haja outras formas de fazer.Vou abrir o leque das possibilidades e vou livremente escolher a melhor maneira de fazer, entre as muitas que vão se apresentando".
NÃO POSSO ASSUMIR ESSE COMPROMISSO... vou mudar por "pretendo medir meu tempo, minhas tarefas.Vou me organizar melhor e creio que será possível assumir mais uma atividade. Vou escolhendo o mais importante, e se esse novo compromisso aparecer como importante, estarei somando mais essa missão".
NÃO PRECISO DISSO... vou mudar por "farei uma seleção de minhas necessidades e vou selecionar o que mais preciso para o meu dia-a-dia. É possível que escolha essa sugestão que você me apresenta".
AH! SE EU PUDESSE... vou mudar por "eu vou fazer, eu vou assumir. Conte comigo. Sou seu parceiro. Na minha vida não existe o "se". O "se" é linguagem dos incompetentes e dos que não descobriram o sentido do verbo amar. Quem ama não usa o "se".
É PRECISO CUIDAR DA LINGUAGEM. Ela revela nosso mundo interior. Revela nosso passado, nosso presente e o que vamos ser. A linguagem revela, mas também constrói. Começando a falar de uma maneira positiva e construtiva vamos fazendo um caminho conforme nossa linguagem. A experiência mostra que é assim que acontece. É unindo pensamentos, linguagem e ação que vamos construindo nosso hoje e nosso amanhã. Serei daqui a cinco anos aquilo que penso, falo, projeto e construo no dia de hoje.
TESOURO ARQUEOLÓGICO
Descoberta em Israel a tumba de Herodes, a mais cobiçada relíquia da região
O arqueólogo israelense Ehud Netzer, da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirma ter encontrado o túmulo do rei Herodes, o lendário construtor da cidade antiga de Jerusalém, local sagrado das três maiores religiões do mundo; o cristianismo, o judaísmo e o islamismo.
O túmulo de Herodes, que governou a Judéia sob ocupação romana, foi encontrado na região conhecida como Herodium. O local é uma colina em meio ao deserto da Judéia, onde o rei construiu seu palácio, distante 12 quilômetros de Jerusalém.
A tumba do rei era um dos tesouros arqueológicos mais disputados na região. Após mais de 30 anos de investigações, a equipe do professor israelita Ehud Netzer encontrou finalmente a estrutura fúnebre. Eles fazem escavações regulares na região desde 1972.
A descoberta começou com a localização de uma antiga escada, de 6,5 metros, construída para a procissão fúnebre do rei, detalhadamente descrita há cerca de dois mil anos por um historiador romano. Quando localizada, a escada conduziu rapidamente os arqueólogos ao túmulo, que estava protegido por uma muralha dupla construída em uma colina artificial.
No local, eles encontraram um sarcófago em calcário, praticamente destruído. Vários fragmentos do sarcófago estavam espalhados pelo local.
Nas suas medidas originais, o sarcófago, em formato retangular, teria 2,5 metros de comprimento, com um teto em forma de triângulo, segundo as conclusões dos pesquisadores a partir dos restos achados.
Porém, não havia ossos na urna, "mas o local do sarcófago e a qualidade das peças achadas desfazem qualquer dúvida sobre o dono da sepultura", garantiu Netzer, pesquisador de prestígio internacional especializado no período Herodiano. Yaako Kalman, arqueólogo que também participou das escavações, disse que a equipe se convenceu de que se tratava da tumba de Herodes pela descrição deixada pelo historiador judeu do século I Flavius Josefus.
Netzer acredita que o mausoléu foi destruído, e os restos mortais retirados do túmulo, em um gesto de ira contra Herodes, durante a grande revolta judaica contra o Império Romano, entre os anos 66 e 72 d.C.
Agora, peritos escavarão a região em busca dos restos mortais do rei. Acreditava-se que o túmulo de Herodes estava em outro complexo palaciano, construído em meio ao deserto. Essa é uma das razões pelas quais o túmulo permaneceu tanto tempo fora do alcance dos arqueólogos.
Herodes foi rei dos judeus
Herodes nasceu em 73 a.C., no povoado de Ashkelon, atualmente localizado ao sul de Tel-Aviv. Declarou-se judeu mesmo sem ser filho de judeus.
Ele foi nomeado governador da Judéia aos 25 anos de idade. Mais tarde, em 40 a.C., foi declarado "rei dos judeus" pelo Senado romano. Reinou entre os 34 e os 40 anos, segundo diferentes registros. Ele ampliou o templo de Jerusalém e construiu as muralhas da cidade e a fortaleza de Masada, foco de resistência de rebeldes judeus em 73 d.C. Acredita-se que ele tenha morrido no ano 4 ou 5 a.C.
No Novo Testamento, Herodes é retratado como o responsável pelo chamado Massacre dos Inocentes, de acordo com relato bíblico de Mateus. O rei teria mandado matar todos os meninos com menos de dois anos de idade em Belém e arredores por volta da época do nascimento de Jesus, devido à profecia de que perderia o trono para o "novo rei dos judeus". De acordo com o Novo Testamento, o pai de Jesus, José, foi alertado para uma ameaça em um sonho e fugiu com a mulher e a criança para o Egito.
O italiano que está em mim
Aldo Natalino Comerlatto
Advogado, Caxias do Sul – RS
"Nasci no Natal de 25-12-1924 em Galópolis (RS), para nós Galópoli, sem o s, que se usava só quando se falasse ‘brasileiro’. O Lanifício São Pedro dava trabalho à maioria, entre os quais ao tio Bepi, ao nono Checo Bomba, o mecânico do lanifício. Meu pai tinha parreiral, mas cuidava da hidroelétrica, lá na cascata (zo te la cassoera). O lanifício construiu casas para operários ao redor do campo de futebol, que é a atual praça, algumas de tijolos sem reboco, parecidas com casas que vi em Londres. Os habitantes eram italianos, exceto umas famílias de alemães e brasileiros.
Em Valli del Pasubio (Vicenza), terra dos avós Comerlatto, encontrei sobrenomes iguais aos de Galópolis – Sbabbo, Dal Pra, Busellatto, Pozzer, Filippi, Fabris...
Até os 11 anos, eu só falava talian, como os demais, em casa, na comunidade e na Igreja. A catequista, dona Gema, e o padre Ângelo Donato explicavam o catecismo em talian. A prédica dominical era em talian. Fui alfabetizado por meu pai, com a Cartilha de João de Deus, sem aprender a língua portuguesa. Lia, mas não entendia. Na lição do comemcaiem, líamos: "comem, caiem, ardem, fumem, temem, lêem, compararem..."
Galópolis faria bela figura nos Pré-Alpes italianos, com sua Igreja e torre de pedra-basalto, com dois sinos, repicados juntos, todos os domingos, ao terceiro sinal da missa última, às 10 horas. Mas, essa Igreja foi demolida sem necessidade, pois a nova foi construída em outro local. Assim como a antiga, a nova é dedicada a Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Sim, do rosário, que nós rezávamos todas as noites, puxado pela nona.
O tempo foi passando. Fui seminarista. Fiz o Tiro de Guerra (E.I.M. 418) em São Leopoldo. Estudei. Trabalhei. Fui professor primário e secundário. Cursei Direito na UFRGS. Fui juiz nas comarcas de Piratini, Canela, Taquara. Sentia-me feliz em ser brasileiro de origem italiana.
Em 1976, estava em Santa Maria. Com minha esposa Milena Schmitt, realizei meu sonho de conhecer a Europa (4-1-1976). Adquirimos o eurail-pass. Visitamos, em trem de primeira classe, Lisboa e Fátima; Madri e Barcelona; Mônaco; Milão, Roma, Florença, Veneza e Vicenza; Hamburgo, Colônia e Trier; Paris, Toulouse e Lourdes; Andorra, Irum, San Sebastian. De Madri, retornamos ao Brasil, depois de 36 dias. Em Valli del Pasubio, na contrada Comerlatto, ninguém se recordava dos Comerlatto emigrados. O pároco, padre Giovanni Biasi, recebeu-nos gentilmente, e percebeu meu desgosto ao me dizer que não tinha nenhum livro de registro dos antepassados, e perguntou:
– Dica come si chiama, che poi le scriverò!
– Comerlatto Aldo Natalino, respondi, ao que retrucou:
– Tedesco (alemão) anche questo?
– Quase desmaiei! Eu fora um talian muito feliz, depois um satisfeitíssimo brasileiro e, agora, alemão, como?
– É uma longa história. Escrever-lhe-ei. E o fez, mostrando que essa região, outrora, foi colonizada por germânicos. Os avós maternos, Francesco Dalpan e Giovanna Moret, vieram de Santa Giustina (Belluno),
Seja qual for a minha origem, agradeço a Deus por meus antepassados terem escolhido o Brasil, e nos terem dado oportunidades que não tiveram os que ficaram na Itália, legando-nos os valores da fé, da família e do trabalho" (Fone 0...54.32214957; e-mail comitt@verbonet.com.br).
Aldo partilha sua italianidade com os filhos: Elisa Maria, Henrique, Carlos Francisco, Denise Maria e Fábio José; os netos Anthony, Alexis, Philippe, Nicole, Jean Pierre, Alexandra, Selena, Luíza e Gabriel; a bisneta Ana Elisa. Parabéns! (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (412)
Prima dei taliani el fil dela stòria va tanto indrio
Silvino Santin
Santa Maria (RS)
(Retomada do texto de Silvino Santin, interrompido na edição de 8 de novembro de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).
Giulieto e Nanetto i ga passà tuto el santo di rento el museo. I se ga fermà giusto meda oreta par disnar. Ma, no ocorea tanta inteligensa par veder che Nanetto no’l gavea el sesto par laorar sarà su, manco ncora te un museo. No’l vedea la ora che rivesse la note par finir la prima giornada. Quando el pensea che, fursi, ghe tochea star lì na stimana intiera, ghe vegnea i sudori. Ma co la so bona voia, el se la tirea fora come che’l podea. El manco Giulieto el parea contento col so secretàrio.
Pena fora del museo, Nanetto el parea un oseleto fora dela gàbia. Genarino li spetea col simaron. Nanetto el ghenà bevesto do tre cuie sensa lamentarse se’l ghe broea el palasso.
Dopo sena e dopo el rosàrio, Nanetto, suito el ghe dimanda, squasi na òrdine – adesso, Giulieto, te toca continuar la spiegassion promessa del museo.
– Sicuro, e con tanto gusto. Se sentemo là fora che ze pi fresco. Ma prima de scomissiar, me piasaria saver se Genarino e la Ginoefa i vol scoltarme anca luri.
– No ocor gnanca dimandar, dise suito la Ginoefa. Gavemo pròpio tanto gusto. Sarà la prima volta che na persona studiada la me spiega el valor del nostro museo.
– Eco, gràssie. E par scomissiar lì go el registrator par registrar tuto, parché, dopo, le nostre ciàcole le pol servir par el me laoro.
– Scomissiemo parlando dela gente. Ciapemo i migranti taliani come el punto de guida. Lora sento ani prima dei taliani, qua in torno ghe gera rivà i brasilani, ma luri i ze restai tel campo, ndove i slevea boi e vache. Qua rente, tela Colònia Santo Àngelo, adesso la se ciama Agudo, ghe gera rivà i alemani.
– Ah! si, i alemani, el salta fora Nanetto, anca luri, come i ze stà brai, ma par mi, poareti, i gavaria un difeto, i parla par roerso, come se fusse de vanti indrio. No son bon de capirli.
– Ma, Nanetto, romai te lo go spiegà. No stà scomissiar nantra olta.
– Nò, nò, par le ànime de tuti i morti, no vui barufar. Ma dìmelo, prima dei brisiliani, alemani e taliani, ghe gèrelo gente qua?
– Si, ghe gera i bùlgheri. Ma i migtranti, particolarmente i brasiliani, li ga paradi via, tanti i ze stai copai, altri fati schiavi, come i gavea fato coi negri. Ghenè restà qualchedun perso lì in volta.
La Ginoefa, mesa sensa coraio, la ghe dise: te ghè rason, zo drio el rieto ghe ze el bùlghero Cosme. So bisnono l’era un cassiche, tra noantri ghe ciamarìino presidente. El ze na persona bonìssima, ma poco se lo vede. Né par che ghe piase restar sconto, ma tuti i ghe vol ben. Diman o dopo podemo ndar catarlo. Scuseme, Giulieto, de verme intromesso.
– Al contràrio, te ringràssio. Qua tuti i pol parlar.
– Si, ma mi vui saver come e quando i ze rivai i bùlgheri? El dimanda Nanetto.
– Ben questo ze difìcile dìrtelo. Bisogna slongar el spago dela stòria indrio, ben indrio.
– Prima de rivar i taliani? El ritorna Nanetto.
– Si, si, tantìssimi ani indrio. Secondo stùdii fati da poco, se pol pensar che i sia rivai oto o diese mila ani indrio. Ze tanto indrio, che se femo na comparassion, el proa spiegarghe Giulieto, i taliani i saria rivai come se fusse sta matina. Lora, te vedi, el museo el ne giuta par vardar indrio. Tuto quel che ghe ze rento un museo ze come se fusse el fil dela stòria.
– Maria Vérgine, Signore Benedeto, giuteme, el sclama Nanetto, come far par tirarme tanto tempo indrio. Cossa sito drio dir, Giulieto! Ma lora i ze pi veci che Matusaleme, quel dela Scritura? Mi go sempre savesto che lu el zera el pi vècio de tuti i òmeni. Mi, con tuta la me forsa, fao ora rivar sol fin el nono in Itàlia. El fil dela to stòria, Giulieto, el ze massa longo, me go perso. Go paura che go perso el fil e anca el rochel.
Tuti i ga impiantà na pi bruta ridada. E Nanetto medo invergognà, el dimanda: – parché ridè, garonti dito da stupidità?
– Nò, nò, Nanetto, la dise la Ginoefa, gavemo ridesto dela to fianchessa. Mi anca no son bona farme na idea de tuti sti ani, ma par mi basta saver che i ze stai tanti ani indrio e, quel che me despiase depì, póveri bùlgheri, ze che i li ga parai via o copai, e i ghe ga tolto la tera. E, el pedo, go paura che nantri gavemo un poco de colpa.
– Ben, par no far tanta confusion, dise Giulieto, ze meio che se fermemo qua. Diman ze nantro giorno e podemo continuar.
E tuti i ze ndai a leto.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Omaggio ai Emigranti Italiani in Brasile
Ludovico Adami
Rodeio – SC
Nelle pubblicazioni commemorative ai 130 anni dell’Emigrazione Italiana in Brasile, troviamo una poesia in trentino, di Ludovico Adami, nipote d’emigranti trentini. Tutti si possono riconoscere nelle situazioni e nei sentimenti descritti e al nome di Rodeio (SC), terra di Ludovico, nell’ultima riga, ognuno può sostituire quella della propria città (Domingos Laner Ghisleni, discendente di trentini, Espumoso – RS).
D’ogni tant me pensieri spaventadi
Sgola for come ‘n osel dela cabiota,
Per nar veder nossi pori antepassadi
Che vegniva ‘n queste tere sensa rota.
Trenta giorni sora l’aqua, nei vapori,
L’è stà ‘l prèmio de promesse del governo
Sensa robe, sensa soldi, coi dolori
Via lontan lascieva il ciel per nar al inferno.
Riva al port, e scomìnsia naltra aventura
Confinadi soto grandi baraconi,
Van spetar che la picada sia sicura,
Per snisiar un viàs più brut su i caretoni
Do stimane de stremide e sofrimenti,
Atravers el fiume grand e la montagna
Resta ‘n drio le pestolade e i sentimenti
Per trovar sto paradìs dela cucagna.
Dio Signore, ma saralo pròprio vera?
L’è sol monti, boschi e bèstie tut in torno,
No se vede case e zent in questa tera,
Cosa far, ne toca star, no ghè ritorno!
Fata su de legni e paia, la casota,
Con vergogna, se scondeva tra le piante,
La polenta no i l’ha mai trovada cota!
E per cóserla i n’ha fat altro che tante!
I segoni e le manare scantineva
Per netar sta tera bruta e far cultura
Dopo cena la corona se pregava,
Che le tigre e i bulgheri fea paura!...
Strachità e malatie rovineva
La salute de sti bravi laoratori.
Ma, la fede e la speransa che arlevava
Sogni mati de ‘n bel di tornarsi siori.
Con le làcrime e sudori dei emigranti,
S’ha formà bele cità nei paesini,
Dove noi sen sti moderni abitanti,
Fortunati discendenti dei trentini!
Verzo i oci, vedo ‘n mondo diferente
De qual vist dai nossi noni ani ‘ndrio.
Larghe strade, bele case, tanta zente...
La stòria dei taliani de Espumoso!
Merenda valoriza agricultura
Meta é adquirir produtos de agricultor familiar para 50 milhões de alunos
Ampliar o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e a aquisição de alimentos de produtores familiares locais vão dominar os debates na Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O evento será realizado de 3 a 6 de julho, em Fortaleza (CE). Outro tema é a extensão da merenda escolar para o ensino médio.
O objetivo é valorizar a produção e o desenvolvimento local", defende o presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Chico Menezes.
Hoje, o programa atende cerca de 40 milhões de alunos de creches, pré-escolares e do ensino fundamental. O Pnae está presente em 5.412 dos 5.561 municípios brasileiros. Com a ampliação para o ensino médio e os cursos de alfabetização de jovens e adultos, beneficiaria outros oito milhões de estudantes.
Dívidas – Ao mesmo tempo em que o Ministério da Educação trabalha para assistir um número maior de jovens, escolas públicas de 377 cidades podem ficar sem dinheiro para comprar merenda, pois as prefeituras não prestaram contas dos recursos destinados a esse fim no ano passado, de acordo com o Programa de Alimentação Escolar.
Por isso, os repasses são suspensos – 310 são de pequenas cidades. "Elas não comprovaram o destino de cerca de R$ 30 milhões", alerta a coordenadora do Pnae, Albaneide Peixinho. A suspensão dos repasses pode interromper o programa porque, nessas prefeituras, ele é 100% financiado pela União.