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 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.041 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 30 de maio de 2007.

 

EDITORIAL

Só a ética e a honestidade podem conter a corrupção

A cada novo escândalo, o cidadão decente pergunta: quando isso vai parar?

 

Corrupção é uma palavra que sempre ocupou lugar de destaque no dicionário político e econômico brasileiro. Desde o século XVI, constatam estudiosos do assunto. Da sua existência, portanto, todo brasileiro medianamente informado tem conhecimento.

Apesar do domínio público, das aparentes reações a esta prática e de eventuais denúncias e investigações, os cofres públicos continuaram sendo lesados - uma transferência criminosa do dinheiro que deveria beneficiar a todos para o bolso de grupos restritos. A reincidência incontida acabou gerando um ciclo, muito bem exemplificado no campo político: o candidato que recebe ajuda para se eleger retribui com favores pensando na próxima eleição, na qual também contabilizará doações interesseiras... e assim por diante.

Este tipo de político avança na carreira e concentra poder, enquanto quem o financia se agiganta economicamente e espalha sem limites seus fortes e atraentes tentáculos. Ao mesmo tempo, escasseiam recursos para estradas, saúde, educação...

A relação entre corrupto e corruptor foi exposta à exaustão por centenas de operações policiais que desvendaram esquemas e apontaram suspeitos. A autoria é que permaneceu quase sempre totalmente desconhecida. Nos últimos escândalos apurados, porém, começaram a surgir nomes não apenas dos responsáveis pela intermediação, o elo fraco, mas também dos que tramam e se locupletam com isso.

Na passarela dos acusados já desfilaram parlamentares de todos os níveis, prefeitos, governadores, ministros, magistrados..., o que dá uma idéia do grau de contaminação. E a cada 15 dias uma nova quadrilha é descoberta, provocando no cidadão decente a indignação que começa a se esgotar pela ausência de respostas para a velha pergunta: quando isso vai parar?

A punição dos culpados é a melhor forma de combater a corrupção. A fiscalização e a transparência são aliadas imprescindíveis. Mas, acima de tudo, é preciso recuperar, em sua amplitude, valores como honestidade e ética. Sem isso, corruptos e corruptores encontrarão sempre terreno fértil para agir.

 

AGRONEGÓCIO

SC abre mercado brasileiro de carne

Condição de área livre de aftosa sem vacinação é inédita

 

O Brasil conseguiu mais um fato inédito. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconheceu Santa Catarina como zona livre de febre aftosa sem vacinação, durante a 75ª Assembléia Geral, em Paris. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) solicitou o reconhecimento em janeiro deste ano.

Um dos maiores benefícios será sentido pela suinocultura, que não ficará mais dependente do mercado russo para exportar, para onde vão 45% dos embarques nacionais de suínos. “Poderemos trabalhar outros mercados, como o Japão e a Coréia do Sul”, ressalta ao CR o presidente da Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora, Mário Lanznaster.

A Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Suína (Abipecs) também acredita que o status de área livre sem vacinação abrirá mercados importantes que não admitem vacinação, e outros compradores exigentes, como EUA e UE. “Isso pode significar crescimento de 40% ao ano pelos próximos cinco anos. A decisão da OIE representa poder trabalhar 80% do mercado internacional”, afirma o presidente da Abipecs, Pedro Camargo Neto.

Status - Mário Lanznaster lembra que Santa Catarina está há 15 anos sem ocorrência de aftosa e há seis anos sem vacinação, configurando status sanitário único no Brasil. Há cinco anos o Estado pedia ao Mapa a manutenção do Circuito Pecuário Sul com diferenciação de status sanitário: Santa Catarina seria declarada área livre de aftosa sem vacinação e o Rio Grande do Sul, área livre com vacinação.

Nas atuais condições, o Circuito Sul tem área territorial de 378 mil km2 e população de 14,9 milhões de bovinos, 10,6 milhões de ovinos e 6,5 milhões de suínos. Limita-se ao norte com o Paraná (zona tampão), ao Sul com a República Oriental do Uruguai, a Leste com o Oceano Atlântico e a Oeste com a República Argentina.

 

Grito da Terra Brasil amplia Pronaf

Lula promete reduzir juros e R$ 12 bilhões para a próxima safra da produção familiar

 

Dia 20 de junho. Agricultores familiares de todo o país estarão atentos a essa data, pois este foi o prazo que o presidente Lula pediu à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) para a redução dos juros dos financiamentos para a agricultura familiar, que hoje variam de 1,15% a 7,25% ao ano. “Teremos queda significativa na taxa de juros. Não vai zerar, mas vai chegar bem perto”, afirmou Lula, depois de prometer R$ 12 bilhões à safra 2007/2008.

O valor de R$ 12 bilhões em crédito para a próxima safra é 20% superior ao repassado em 2006/2007. “É um grande avanço”, reconhece o vice-presidente da Contag, Alberto Broch. A verba é destinada ao financiamento de agricultores familiares e a assentados da reforma agrária.

Desde a safra 2002/2003, os recursos do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) vêm tendo aumentos sucessivos. Em 2002/2003 foram liberados R$ 2,3 bilhões; em 2006/2007, R$ 10 bilhões; para a safra 2007/2008 estão sendo anunciados R$ 12 bilhões (veja tabela). “A liberação para a safra 2007/2008 representa aumento de 620% em relação à de 2002/2003”, calcula Broch.

Tetos - Desde o mês de abril, os integrantes da Contag estão negociando a pauta do Grito da Terra Brasil com o governo. Com 162 itens, ela contempla reivindicações na área da política agrícola e agrária e de setores como o da educação, previdência social, saúde e meio ambiente.

Além da redução de juros em todas as faixas de financiamento agrícola, há outras conquistas importantes. “O aumento do teto para empréstimos em todos os grupos e faixas e dos limites de renda para os beneficiários do Pronaf representa grande vitória do movimento”, destaca Broch.

Os tetos de financiamentos do Pronaf custeio aumentaram nos grupos “C” de R$ 4 mil para R$ 5 mil; e “D” de R$ 8 mil foi para R$ 10 mil. Já no “E” permaneceram os R$ 28 mil. Ao mesmo tempo, o limite de renda para enquadramento também cresceu: no “C” de R$ 16 mil foi para R$ 18 mil; no “D” era R$ 45 mil e ficou em R$ 50 mil e no “E” saltou de R$ 80 mil para R$ 110 mil.

 

Dívidas mantêm mobilização da Contag

 

Com o Grito da Terra, que reuniu em torno de 2.500 produtores rurais em Brasília, de 23 a 25 de maio, foram garantidos R$ 168 milhões para assistência técnica e extensão rural. Já o Programa de Aquisição de Alimentos terá seus recursos ampliados em R$ 100 milhões. Esse acréscimo viabilizará o montante de R$ 161,7 milhões para a modalidade de formação de estoques da produção familiar.

Na ocasião, o governo federal anunciou também o assentamento de 120 mil famílias ainda em 2007. “Nossa meta é assentar 1 milhão de famílias até o final do governo Lula. Só a Contag tem hoje 100 mil famílias vivendo embaixo de lonas pelo país”, declara ao CR o vice-presidente da entidade, Alberto Broch.

“Não adianta assentar 600/800 mil famílias se não tiver assistência técnica nem condições de produção. A ousadia não está no número, mas na capacidade de conciliar meta com qualidade”, afirmou o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel. “A negociação avançou na questão financeira, mas ainda precisa evoluir na questão agrária”, emenda Broch.

A Contag informou também que será constituído um grupo de trabalho integrado pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário, com a participação dos movimentos sociais para, em 30 dias, diagnosticar e apresentar soluções para o endividamento dos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. “Não sabemos quantos são e nem quanto devem”, conclui Broch.

“Precisamos de prazos longos, de modo a criar condições para o agricultor honrar seus compromissos com as instituições financeiras”, diz Itálico Cielo, coordenador da Associação Regional dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais da Grande Santa Rosa.

 

CAXIAS DO SUL

Eleitos 10 conselheiros tutelares

Número de votantes frustrou expectativa. Posse será em outubro

 

Os dez novos conselheiros tutelares de Caxias do Sul tomam posse no próximo dia 15 de outubro, para um mandato de três anos, com salário de R$ 2,1 mil. Eles foram eleitos no domingo 27, em pleito que somou 10.110 votos válidos (sem contar brancos e nulos). O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica) contava com uma participação pelo menos 30% maior da comunidade, o que acrescentaria cerca de 3.000 votos ao resultado final.

A presidente do Comdica, Rosane Ramos, atribuiu a baixa participação à não-obrigatoriedade do voto para conselheiro tutelar, ao feriado de N. Sra. de Caravaggio e ao momento político brasileiro, que desmotiva o eleitor a exercer sua cidadania.

Os dez eleitos serão divididos entre o Conselho da Zona Norte e o da Zona Sul, conforme a classificação. Seguindo a ordem crescente de votos, os cinco primeiros colocados nas posições ímpares assumem a Zona Sul e os pares, a Zona Norte. Os conselheiros devem passar ainda por um curso preparatório, sem data definida. Os oito candidatos que não foram eleitos agora são suplentes.

 

Educação ambiental no Mato Sartori

 

Depois de décadas de abandono, intercaladas apenas por ações paliativas de preservação, o Mato Sartori deve ganhar nova utilidade. A maior - e última - reserva nativa generosamente localizada no centro da cidade será o palco de um projeto de educação ambiental. Os detalhes serão divulgados no dia 5 de junho, no encerramento da Semana do Meio Ambiente, data também do Dia Mundial do Meio Ambiente.

A idéia é criar trilhas a partir da catalogação das árvores, por onde passarão alunos da rede escolar de Caxias. A princípio, todas escolas poderão participar. Com isso, os estudantes conhecerão in loco as espécies que o Mato Sartori ainda conserva.

O anúncio desse projeto é um dos momentos mais importantes da Semana do Meio Ambiente, que começa nesta quinta 31. O tema deste ano é “Meio Ambiente - preservação urgente”.

Estão programadas exposição de fotos (3º piso da Prefeitura), apresentação de peça teatral e palestras em várias escolas municipais. No dia 2, das 9 às 13 horas, haverá doação de mudas na Praça Dante Alighieri e no dia 4, no Jardim Botânico, lançamento do Projeto Repovoamento das Araucárias. Na segunda 4, também no 3º piso do prédio da Prefeitura, serão premiadas as empresas conscientes.

 

Casamento comunitário

 

Foi adiada para 8 de julho a primeira edição do RP para a Comunidade - Casamento Comunitário. Mudança, segundo os promotores (Universidade de Caxias do Sul e Secretaria de Segurança Pública e Proteção Social - Diretoria de Segurança Alimentar e Inclusão Social), é para atender exigências legais e dar condições a que casais naturais de outras cidades, mas residentes em Caxias, possam participar. O casamento comunitário, organizado pelos alunos da disciplina de Teoria e Prática de Eventos, com curso de Comunicação da UCS, será às 15 horas, na Vila Olímpica, cidade universitária da UCS.

 

Acreditação hospitalar

 

Hospital Pompéia obteve o certificado de Acreditação Hospitalar, o que o credencia a ingressar num seletíssimo grupo - em todo o país, apenas 80 hospitais conseguiram essa distinção, entre eles o Fátima, também de Caxias. A certificação só é concedida após verificados, por avaliadores do Instituto Qualisa de Gestão, de São Paulo, empresa credenciada pela Organização Nacional de Acreditação, pontos como atendimento aos princípios de segurança ocupacional, controle de infecções, respeito à legislação sanitária, além de organização de processos e práticas de gestão e qualidade.

 

CORREIO SABE-TUDO

O lixo vira luxo

Exposição apresenta uma casa construída e mobiliada com material reaproveitado

 

Pneus velhos viram cadeiras, garrafas pets transformam-se em pufes, jornais trançados dão sustentação à pia da cozinha, latas de azeite viram luminárias. Um lixão de luxo! Assim o produtor Mauricio Rubio descreve a mostra “Reciclasa - novos usos para antigos materiais”, aberta à visitação até 16 de junho, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho, em Caxias do Sul.

Na Reciclasa, materiais que aparentemente não têm mais valor transformam-se em utilidades domésticas e peças decorativas de qualidade. A exposição é composta por seis ambientes - sala, cozinha, quarto de casal, quarto de solteiro, escritório e jardim - montados para divulgar os conceitos de reciclagem, reaproveitamento e redução de resíduos. Até os revestimentos internos das paredes são feitos de uma mistura de tubos de pasta de dente, caixas de leite e fibra de coco. E não pense que a aparência dos móveis e objetos é desagradável. Ao contrário, são peças de muito bom gosto, verdadeiros objetos de luxo. São dois mil itens expostos e 17 toneladas de material.

O objetivo é mostrar às pessoas, na prática, tudo que pode ser feito com aquilo que é considerado “lixo”, conscientizando sobre a importância da destinação correta dos resíduos para a preservação do meio ambiente.

“Não imaginava que era possível fazer tanta coisa bonita e de utilidade com o lixo. Achei muito interessante os pufes de garrafas pet”, diz Isadora Ruaro, estudante da 8ª série do colégio estadual Santa Catarina, de Caxias do Sul, que visitou a Reciclasa junto com os demais colegas. O que mais impressionou Bruna Lovatel, 14 anos, foram os objetos e móveis de jornal trançado. “Apesar de serem feitos de papel, parecem bem resistentes. É impressionante”, declara.

A Reciclasa é um projeto desenvolvido pela IBM Brasil com participação da organização não-governamental (Ong) Leia Brasil, do Rio de Janeiro. A mostra itinerante vai percorrer dez cidades do país, Caxias do Sul é a única do Rio Grande do Sul a recebê-la. As peças que compõem a exposição são desenvolvidas por artistas plásticos ou Ongs que trabalham com preservação ambiental. Visitação gratuita, de segunda a sexta-feira das 9h às 18 horas e nos sábados e feriados das 15h às 19 horas, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho, em Caxias do Sul.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Carlos Atilio Todeschini

Vereador, Porto Alegre - RS

 

Carlos Atílio Todeschini, nascido em 1963, em Paraí-RS, atesta:
“Meus bisavós são originários de Maróstica (Vicenza), Pádova e Cremona. Estabeleceram-se, a partir de 1883, em Lajeadinho (Veranópolis), próximo ao rio das Antas. Bortoli, Ferri, Caron e Todeschini são sobrenomes de minha família, todos dedicados à agricultura em pequena propriedade. Meu avô, agrimensor de profissão, foi um dos responsáveis pela demarcação dos lotes destinados a imigrantes.

Na década de 1940, meu avô, Atílio Todeschini, foi um dos precursores da Fábrica de Bolas Todeschini e Dal Ponte Cia. Ltda., em Veranópolis, fabricante das Bolas Guardian. A demanda deste produto estava ligada à necessidade de atender, principalmente, as Escolas Maristas.

Na minha infância, como todas as crianças da localidade, trabalhei na colônia, plantando e cultivando trigo, milho, feijão, batata, hortaliças..., auxiliando no parreiral e na criação de porcos. Cursei o II Grau no Colégio Agrícola de Veranópolis. Em 1982, ingressei no curso de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), quando comecei a me interessar pela política. Entre os anos de 1984 e 1985, assumi a presidência do Diretório Central de Estudantes (DCE). Em 1988, já formado, fui eleito primeiro suplente de vereador pelo PT, em Pelotas, cargo que exerci como titular por oito meses. Fui também vice-presidente da Emater/RS.

Ao longo de minha carreira política, fui engenheiro-assessor do Prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, Diretor de Conservação e Diretor-Substituto do DEP e Diretor-Geral do Departamento Municipal de Água e Esgotos da Capital (DMAE). Meu trabalho, junto com os demais servidores, contribuiu para que a autarquia municipal se transformasse num exemplo mundial de gestão em saneamento, passando a ser considerado referência de gestão pública; consegui dar condições às praias de Belém Novo para banho e acelerei o processo de implementação do Programa Integrado Sócio-ambiental.

Sintonizado com os principais temas de destaque no cenário internacional, participei da Cúpula da Água (Rio + 10), na cidade de Joanesburgo (África do Sul), e como convidado da Public International Service (entidade sindical que representa mais de 20 milhões de trabalhadores no mundo), no 3º Fórum Mundial da Água, na cidade de Kioto, Japão. Em 2003, o DMAE recebeu o Prêmio Internacional de Águas e Cidades, em Cannes, França, e assumi a Vice-Presidência da Associação Nacional de Serviços de Saneamento (ASSEMAE), representando a entidade nos principais debates nacionais sobre a política de saneamento. A água entrou na minha vida através do meu amado rio das Antas.

Eleito vereador de Porto Alegre com mais de 12 mil votos, assumi uma cadeira na Câmara Municipal em 2005, onde fui membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Fui líder da bancada do Partido dos Trabalhadores e, em 2006, assumi a presidência da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (CEDECONDH).

A política surgiu em minha vida ao natural, em conseqüência de meu desejo de fazer algo pelo bem público, pôr os dons que Deus me confiou ao serviço do próximo, respeitando o pensar e as ideologias diferentes, tendo como alvo o bem comum.

De meus bisavós, avós e pais italianos, herdei o espírito de solidariedade, paixão e trabalho, aliados à fé, que dá sentido à minha vida. A política, considero-a um púlpito privilegiado, independente de resultados eleitorais, como oportunidade de falar, expressar as próprias idéias, ser ouvido e respeitado” (todeschini@camarapoa.rs.gov.br).

 

Carlos Atílio encarnou a garra do colono, enobreceu a enxada, e com a enxada na mão, em dia de calor, em torno à fonte, definiu suas intencionalidades - terra e água - como os dois pilares sobre os quais fundamenta o resgate da herança dos antepassados, aliados à amizade, solidariedade e fé. Fazer bem e fazer o bem, sem olhar a quem, definem sua trajetória cristã através da política. (Rovílio Costa)

 

ESPECIAL

Serra gaúcha homenageia Dr. Zugno

Aeane homenageia o engenheiro agrônomo pelos seus 60 anos de contribuição à agricultura

 

- Oh, saria una bela cosa! Assim se expressavam os agricultores caxienses, na década de 50, quando o jovem secretário municipal da Agricultura, o engenheiro agrônomo José Zugno, conhecido por Dr. Zugno, reunia-se nas capelas visando melhorias no meio agrícola. “Não tinham e nem esperavam auxílio para qualificar o trabalho nas lavouras e criações”, lembrou Zugno, na homenagem pelos 60 anos a serviço da Agronomia, prestada pela Associação dos Engenheiros Agrônomos da Encosta Superior do Nordeste (Aeane), na sexta 25.

José Zugno, colunista do Correio Riograndense há 54 anos, é sócio-fundador da Aeane, instituição criada em 28 de fevereiro de 1984. “A homenagem premia o profissionalismo e as qualidades morais do engenheiro agrônomo Jose Zugno”, resumiu o presidente da Aeane, Jorge Pontel. “É uma vida dedicada à profissão, à família, ao trabalho e ao próximo”, emendou o colega Edual João Garbin.

Já o ex-prefeito Mansueto de Castro Serafini Filho, com quem Zugno trabalhou à frente da Secretaria Municipal da Agricultura (Smag), destacou os resultados práticos da atuação do engº agrº no meio rural. “Junto com a Emater, a Smag transformou Caxias do Sul no maior produtor de hortigranjeiros do Rio Grande do Sul”, afirmou o ex-prefeito.

Continuidade - Representando a Câmara de Vereadores, o vereador Francisco de Assis Spiandorello disse que José Zugno é uma unanimidade em Caxias do Sul, um exemplo da história viva do município. “Zugno é místico, carismático e de profundo poder de convencimento”, declarou. “Poucos tiveram sua lucidez. Suas marcas deram continuidade ao seu trabalho”, acrescentou.

O atual secretário da Agricultura, Nestor Pistorello, representando o prefeito José Ivo Sartori, disse que o homenageado foi um professor também para outros Estados, onde o jornal CR circula (especialmente os da região Sul do país). “O grande trunfo de Zugno é ter acreditado numa idéia, a diversificação. Hoje, colhemos os frutos das sementes lançadas por ele”, enfatizou.

Em correspondência enviada ao homenageado, o prefeito Sartori (que não compareceu, pois estava em viagem ao exterior) lembrou do pioneirismo de José Zugno na agropecuária, de sua luta por ideais e de suas conquistas em prol do setor. Caxias do Sul é o maior fornecedor de hortigranjeiros à Ceasa de Porto Alegre, com destaque para a produção de tomates - maior produtor gaúcho dessa fruta.

 

ELES NÃO FALHARÃO

Frei Aldo Colombo

 

Quando a Boa Nova é rejeitada, o discípulo de Jesus tem a alternativa de ser sinal do Reino, fermento na massa

 

Depois de 33 anos de exílio e sofrimento na terra, que culminaram com sua morte e ressurreição, Jesus chegou ao céu. Uma grande festa marcou sua chegada, com cantos e músicas. Nem faltaram as clássicas trombetas celestiais. Quando a festa foi acabando, os anjos tiveram oportunidade de falar com o Senhor. Agora sim, observou um deles, o Reino de Deus foi implantado na terra! E, para espanto de todos, Jesus esclareceu: “O Reino apenas começou, resta agora uma tarefa imensa, difícil e que jamais será concluída”. E quem fará isso? Quis saber o anjo. Com tranqüilidade, Jesus observou: “Deixei um punhado de homens e mulheres que levarão a tarefa até o fim”. Incrédulo, o mesmo anjo quis saber: mas se eles não assumirem a tarefa com seriedade? Neste caso, admitiu, não há alternativa, o Reino não acontecerá. E para espantar os temores, Jesus declarou com segurança: “Eles não falharão!”.

Na vida de qualquer empresário existe sempre o momento de reunir seus assessores e declarar: creio que já fiz minha parte, agora a empresa é de vocês! Diante das dificuldades, ele tranqüiliza: eu continuarei com vocês. Além disso, o meu advogado vos esclarecerá tudo.

Isso acontece com a Igreja: Jesus subiu ao céu, mas continua conosco. Além disso, coloca à nossa disposição o Espírito Santo - o Advogado - que nos ajuda a entender toda a Verdade (Jo 16,13).

Nós, cristãos, somos as mãos de Deus na história. Fazemos aquilo que Deus não mais pode fazer, prolongamos seu impulso criador e redentor. Com a Ascensão de Jesus começa a maioridade cristã. Os discípulos são enviados até o fim do mundo e dos tempos, para ensinar e batizar. E isso significa também modificar uma história, cujas distorções espantam a humanidade inteira. E quando a Boa Nova é rejeitada, o discípulo tem a alternativa de ser sinal do Reino, fermento em meio à massa, luz para o mundo.

Mais que construir o Reino, temos a tarefa de acolher esse Reino. “Venha a nós o vosso Reino”, pedimos no Pai-Nosso. Essa missão acontece de muitas maneiras. Em primeiro lugar, na dimensão pessoal: “Florir no recanto onde Deus me colocou”, era a meta de Santa Terezinha. Existe ainda a dimensão comunitária e social. O cristão não pode considerar-se um autônomo. Ele faz parte de uma comunidade, é isso que significa Igreja, cuja história está intimamente ligada à história do mundo.

“Eu estarei convosco até o fim dos tempos” (Mt, 28,20). Essa a maior de todas as seguranças. Ela legitima o otimismo: eles não falharão! A presença do Senhor acontece de muitas maneiras, especialmente pela palavra, pela eucaristia e pelo amor. De resto, existe uma diferença muito grande entre as realidades terrenas e divinas. Essas últimas não dependem de plebiscitos, da aceitação da opinião pública, nem têm compromisso com o Ibope. Mesmo porque a Igreja - hoje e sempre - caminha na contramão da história do mundo. Um dia, esse mesmo mundo compreenderá que a suposta contramão era a mão verdadeira e preferencial.

 

GERAL

Flávio Lammel preside Famurs

Prefeito assume a entidade em junho

 

Fazer ligação asfáltica com todos os municípios e distribuir investimentos de forma que o Estado possa crescer como um todo são metas do novo presidente da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), Flávio Lammel (PDT), prefeito de Victor Graeff. Ele substitui Glademir Aroldi (PP), prefeito de Saldanha Marinho.

Juntamente com os outros sete membros da diretoria, entre eles os prefeitos de São Vendelino, Régis Fritzen; e de Ilópolis, Olmir Rossi, Lammel comandará a Famurs por um ano. A posse acontecerá no dia 20 de junho, durante o 27º Congresso de Municípios do RS, em Porto Alegre.

Ao anunciar o resultado oficial, na quinta 24, Aroldi agradeceu os prefeitos. “Nossa Federação é exemplo para outras entidades municipalistas”, afirmou. “Não mediremos esforços para levar adiante a defesa dos municípios”, enfatizou Lammel.

 

IGREJA

Bento promove festa ao padroeiro

Santo Antônio é reverenciado desde a chegada dos imigrantes

 

Bento Gonçalves realiza, no dia 13 de junho, o evento religioso mais importante do município. Nessa data, é celebrada a 129ª festa de Santo Antônio, padroeiro da cidade. Considerada uma das festas mais antigas da Serra gaúcha, neste ano terá como tema “Com Santo Antônio, discípulos a caminho do Pai”.

A programação religiosa inicia nesta quinta 31, com abertura da trezena e festa da visitação de Nossa Senhora, e se estende até o dia 12 de junho. No dia 13, feriado municipal em Bento Gonçalves, haverá missas no santuário de Santo Antônio às 7, 8, 9h30, 17 e 19 horas. A missa da 9h30 será campal, com procissão conduzindo a imagem do padroeiro pelas ruas do centro da cidade. Às 15h30 haverá celebração da palavra e bênção da saúde com imposição das mãos. Desde 28 de abril e durante todo mês de maio, a imagem do padroeiro percorreu as comunidades católicas e algumas instituições do município.

Tradição - A primeira festa de Santo Antônio foi realizada em Bento Gonçalves no mês de junho de 1878, apenas três anos após a chegada dos primeiros imigrantes italianos à Serra gaúcha. O evento foi crescendo, até transformar-se na maior festa da cidade. Em 1934, a matriz da paróquia Santo Antônio foi elevada à condição de santuário diocesano e, a partir de 1972, o dia 13 de junho foi decretado feriado municipal em Bento Gonçalves.

 

Irmãs de São José realizam capítulo

Assembléia elegeu o governo provincial e definiu prioridades

 

As Irmãs da Congregação de São José de Chambéry, província de Caxias do Sul, realizaram o capítulo de estudo e eleição do governo provincial. O capítulo ocorreu entre os dias 18 e 20 de maio, em Garibaldi. De um total de 185 irmãs que fazem parte da província, participaram da assembléia capitular 76. Havia representantes das 40 comunidades da província, presentes em diversas cidades do Rio Grande do Sul, e nos Estados de Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Também participaram do capítulo irmã Lorraine Marie Delaney, superiora geral da congregação; irmã Luiza Rodrigues, conselheira geral; e padre Victor Asselin, canadense, que reside e trabalha em São Luís do Maranhão. Durante a assembléia, foram votadas as prioridades e sonhos da província para o período 2007-2011, que são: vivência do carisma de comunhão, espiritualidade bíblica, ser mulher de mudança, vida comunitária e vida consagrada de Irmã de São José e abertura ao social.

As capitulares também elegeram o novo governo provincial, que ficou assim constituído: irmã Gertrudes Salette Beal, reeleita superiora provincial; irmãs Apolonia Sulenta e Cecília Berno (releita), conselheiras provinciais; e irmã Maria Lucia de Oliveira, suplente.

A congregação foi fundada na França em 1650. Vive o carisma de comunhão, atuando junto às diversas pastorais, como educação, da criança e paroquial; e em projetos alternativos de geração de renda, junto às populações indígenas, assentamentos; saúde alternativa e outros. No Brasil, as pioneiras chegaram em 1858 (São Paulo) e no Rio Grande do Sul (Garibaldi) no final de 1898. Contam com cinco províncias - Caxias do Sul, Porto Alegre e Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul; em Curitiba (PR) e em São Paulo (SP), além de uma missão no Norte-Nordeste, com sede em São Luís (MA).

 

Caravaggio registra a maior romaria

Cerca de 315 mil pessoas participaram da 128ª edição

 

Dois dias de sol facilitaram a peregrinação dos milhares de romeiros que estiveram no santuário diocesano de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha (RS), nos dias 26 e 27 de maio. Segundo dados da Brigada Militar e da equipe de coordenação do santuário, 315 mil pessoas foram a Caravaggio nos dois dias da romaria, que entra para a história como a maior de todas já realizadas.

As 22 missas celebradas nos dois dias foram sempre muito concorridas e o movimento dos fiéis, no interior do santuário, especialmente para passar diante de Nossa Senhora, tocar na imagem, pagar promessas, agradecer e orar, foi constante. Segundo o assessor de comunicação do santuário, Leandro Adamatti, 230 mil pessoas estiveram em Caravaggio no sábado e 85 mil no domingo. O número de romeiros surpreendeu, pois foi muito além do previsto.

Apesar da multidão e de alguns problemas, especialmente na hora do embarque, padre Volmir Comparin, reitor do santuário, destaca o espírito de fé, o comportamento exemplar dos romeiros e a presença numerosa de jovens. “A grande maioria dos peregrinos veio ao santuário para rezar, compenetrados com a própria fé”, salienta.

No sábado, apesar dos 200 ônibus colocados à disposição dos romeiros, houve longas filas na hora do embarque para o retorno. Até o meio-dia 180 mil pessoas estiveram no santuário e os ônibus foram insuficientes para agilizar o atendimento. Essa multidão mostrou que a estrutura viária de Caravaggio precisa ser revista e já se faz necessária a busca de outras alternativas de acesso. No restante do dia e no domingo, tudo transcorreu com tranqüilidade. No trajeto entre Caxias e Caravaggio, os romeiros foram acolhidos com atenção e carinho pelas equipes de atendimento, que entregaram orações e ajudaram o Samae a distribuir cerca de 100 mil copos de água.

 

Corpus Christi a fé na eucaristia

Essa importante festa litúrgica é testemunho público de fé e devoção na presença real de Jesus Cristo na hóstia consagrada na missa

 

Os católicos celebram, no dia 7 de junho, a festa de Corpus Christi (ou Corpo de Deus), um dos eventos religiosos mais populares da Igreja. Nela é celebrado o mistério do Corpo e do Sangue de Cristo no sacramento da Eucaristia. Tornou-se tradicional celebrar essa festa com grande e solene missa, seguida de procissão pública, levando a hóstia consagrada para ser adorada fora dos recintos das igrejas, num testemunho público de fé.

Em muitos lugares, o povo católico enfeita as ruas (matéria acima) e janelas de suas casas por onde deve passar a procissão, num gesto de profunda acolhida e reverência ao Cristo Eucarístico. Em outros, fazem-se grandes concentrações, horas santas solenes e outras manifestações que expressam o amor e a fé à Eucaristia.

A celebração de Corpus Christi é uma festa móvel no calendário litúrgico. Ocorre todos os anos, na primeira quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade. Recorda a instituição da Eucaristia, na Última Ceia, quando Jesus entregou aos apóstolos o pão e o vinho, dizendo-lhes que era seu corpo e seu sangue sacrificados por eles e para os cristãos de todos os tempos, acrescentando que fizessem isso em sua memória. Desde então, esse sacramento tornou-se o centro da vida da Igreja e o ponto de união da comunidade cristã.

Origem - Ao longo da história da Igreja, porém, surgiram dúvidas quanto à presença do Cristo na Eucaristia, acentuadas principalmente no século XI pelo teólogo francês Beranger de Tours e por movimentos heréticos como os dos cátaros, valdenses e albingenses, que negavam essa presença real de Cristo na hóstia consagrada.

A reação popular não se fez esperar. Em Liége, na Bélgica, por insistência de uma religiosa agostiniana, Santa Juliana de Mont Cornillon (1192-1258), foi realizada a primeira procissão eucarística em 1230, no interior da igreja de Saint Martin. Em 1247, a festa ganhou caráter diocesano, com procissão pelas ruas de Liége.

Em 1261, Jáques Pataleón de Troyes, antigo auxiliar do bispo de Liége, foi eleito papa, adotando o nome de Urbano IV. Conhecedor dessa manifestação religiosa, em 1264 estendeu a toda a Igreja a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Santo Tomás de Aquino compôs os principais hinos da festa, como o Tantum ergo (Tão sublime sacramento), utilizado nas bênçãos com o Santíssimo até os dias de hoje. Em 1317, João XXII deu caráter obrigatório à procissão pelas vias públicas e a solenidade passou a ser realizada no mundo inteiro.

 

Tapetes multicoloridos acolhem as procissões com o Cristo Eucarístico

Para expressar a fé na presença real de Cristo no pão consagrado, católicos comemoram a festa de Corpus Christi não apenas com missas e celebrações. Em muitos lugares do país e, especialmente, em cidades da Serra gaúcha, há também manifestações simbólicas de arte e fé, como a confecção de tapetes multicoloridos, feitos com serragem, flores, sementes e outros materiais nas ruas e enfeites nas janelas das casas ao longo dos trajetos por onde passam as procissões com o Cristo Eucarístico.

Um dos mais tradicionais destaques da programação de Corpus Christi é Flores da Cunha, que há décadas confecciona tapetes nas ruas próximas à matriz. No dia 7, haverá missa solene às 9h30, seguida de procissão eucarística sobre os tapetes coloridos, que serão confeccionados nas ruas em torno da Praça da Bandeira e no largo da matriz. Na parte da tarde, ocorre a 19ª Romaria ao Frei Salvador.

Mais de 15 mil pessoas são aguardadas nos dois eventos. Quadros devocionais, representando a Santíssima Trindade, Frei Salvador, a Eucaristia, símbolos religiosos, Nossas Senhoras de Lourdes e Aparecida e até os jogos panamericanos serão confeccionados pelas 20 entidades envolvidas no evento. Os tapetes ficarão expostos até o domingo 10.

Em Caxias do Sul não serão feitos tapetes, mas haverá uma solene celebração eucarística às 15 horas, seguida de procissão com o Santíssimo, da catedral até São Pelegrino. Em Garibaldi, a festa vai envolver cerca de 600 pessoas, divididas em 14 equipes, que vão confeccionar 770 metros de tapetes, com 14 painéis, o maior, de 10 x 15 metros diante da matriz. A procissão será realizada após a missa das 9 horas, com bênção do Santíssimo.

Símbolos - A devoção à Eucaristia também é destaque em São Marcos, através de um tapete religioso com 2.208 metros de extensão e 48 grandes desenhos, em torno da praça Dante Marcucci, que permanecerão até o dia 10 de junho. São aguardadas mais de 20 mil pessoas na missa, procissão e visitação. Em Carlos Barbosa, 35 entidades e nove comunidades participam da confecção de mil metros de tapetes artísticos, reproduzindo cenas bíblicas e símbolos cristãos. A missa de Corpus Christi será celebrada às 15 horas do dia 7, seguida de procissão. Mas não é apenas na Serra que a festa ganha cores, devoção e vida. São Sebastião do Caí, Pelotas, Lajeado, Bagé, Carazinho, Passo Fundo, Barão de Cotegipe, Gaurama e outras cidades revivem essa tradição.

Romaria destaca virtudes de religioso capuchinho

Flores da Cunha celebra, junto com a Festa de Corpus Christi do dia 7 de junho, a 19ª Romaria ao Frei Salvador. A caminhada até o eremitério inicia às 13h30 e, às 15 horas, será celebrada missa, com bênção das mudas, hortaliças, ervas medicinais e sementes e também da saúde e dos pães, que serão partilhados.

Junto ao eremitério está sendo construída uma igreja. Dedicada ao Frei Salvador, a capela Nossa Senhora de Fátima está praticamente concluída e deverá ser inaugurada em breve. Moderno, bonito e espaçoso (são mais de 380 metros quadrados de área interna), o templo deverá intensificar a presença de devotos no local, que até o momento não dispõe de um lugar para abrigo, oração e reflexão dos visitantes.

Conforme o pároco de Flores da Cunha, frei Darci Antônio Vazatta, há um projeto futuro de transladar os restos mortais de Frei Salvador, que hoje ocupam um jazigo na igreja matriz de Flores da Cunha, para a nova capela do eremitério.

Vida e obra - Frei Salvador Pinzetta, cujo nome de batismo era Hermínio, nasceu na localidade de Evangelista, Casca (RS), aos 27 de julho de 1911. Era o segundo dos 13 filhos de Fiorentino e Izabel Romani Pinzetta, agricultores. Passou sua juventude trabalhando na roça.

Desde pequeno destacou-se pela vida de oração, pela simplicidade e pela profunda devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora. Decidiu-se pela vida religiosa aos 32 anos, ingressando no convento de Marau. Vestiu o hábito capuchinho em 1945 e fez a profissão solene em 1949. À exceção de dois anos, passou sua vida religiosa em Flores da Cunha. Dedicava longos tempos à oração e meditação, inclusive onde hoje está o eremitério; realizava os trabalhos mais simples do convento; cultivava a horta; visitava os doentes.

No dia 26 de abril de 1970, com o consentimento de dom Benedito Zorzi, tornou-se o primeiro Ministro Extraordinário da Eucaristia da diocese de Caxias do Sul. Faleceu de derrame cerebral no dia 31 de maio de 1972. Seu enterro coincidiu com a festa de Corpus Christi e a tradicional procissão eucarística foi substituída pelos funerais de Frei Salvador. Diante de sua fama de santidade, em 1979 foi formalizado o processo de beatificação do hoje Servo de Deus Frei Salvador.

 

OLHAR LONGE PARA FRENTE

Leonardo Boff

Da Comissão da Carta da Terra

 

O Brasil deve olhar para além das urgências momentâneas e mirar o novo que ele é chamado a moldar. Pode animar a elaboração de um novo paradigma civilizatório que tenha como eixo articulador a sustentação de toda a vida

 

Depois da publicação dos dados atemorizantes do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) que prevêem grandes transtornos no sistema-Terra e no sistema-vida, o Brasil está ganhando mais e mais interesse internacional. Não é para menos: é a potência mundial das águas, dotado com a maior biodiversidade do mundo, contendo em seu território as maiores florestas úmidas da Terra, com a maior área agricultável de todo o planeta, com climas para todo tipo de produção de alimentos e fibras. E ainda detém abundantíssima biomassa com tecnologia avançada, capaz de apresentar uma alternativa à matriz energética dominante de base fóssil.

Diante desta constatação, o país precisa de um olhar de águia, que vê longe para não cair num auto-engano que o fará desperdiçar uma chance histórica única de ocupar um papel importante na configuração de um novo mundo que há de vir.

O risco reside na tentação de o Brasil se contentar apenas com um olhar de galinha que vê perto, ao oferecer uma alternativa intrassistêmica de matriz energética para que a atual civilização consumista, perdulária e anti-ecológica possa continuar. Isso suporia a convicção de que ela tenha ainda futuro, possa ganhar mentes e corações para seus ideais e ser benéfica para a humanidade e para a Terra. Ora, exatamente isso ela não é. Sua vigência e prolongamento podem representar, de forma crescente, uma ameaça ao futuro comum dos humanos e do sistema-Gaia.

Não que o Brasil deixe de se valer de suas vantagens comparativas naturais e tecnológicas. Ele deve ajudar a enfrentar a crise energética mundial como passo para um patamar mais alto, visando a alcançar um novo paradigma de relação com a natureza, de produção e de consumo.

Por isso o Brasil deve olhar mais longe, para além das urgências momentâneas e mirar o novo que ele, mais que outros países, é chamado a moldar. Ele precisa de uma inteligência estratégica pós-relatório do IPCC. Pode vigorosamente animar a elaboração de um novo paradigma civilizatório que tenha como eixo articulador a sustentação de toda a vida e não a acumulação de bens materiais e de serviços.

O que está em jogo agora é Gaia e a Humanidade. Seu futuro não é mais garantido pela conjunção de energias e fatores que até agora lhes davam sustentabilidade. A humanidade só viverá se fizer um ato político coletivo de querer viver junto com toda a comunidade de vida.

Bem dizia a Carta da Terra: “A escolha a fazer é esta: ou formamos uma aliança para cuidar da Terra e uns dos outros ou então arriscar a nossa destruição e a devastação da diversidade da vida”. Temos fundado temor de que nos estratos estratégicos do governo falta esta consciência. Vejamos o que consta no atual orçamento: o Ministério do Meio Ambiente tem seus recursos cortados na ordem de 32,7%, passando de 651,2 para 438,5 milhões de reais, menos que o Esporte (643,9 milhões) e 13 vezes menos que o Ministério da Defesa, que é de 5,82 bilhões de reais.

Por que esta diferença? Não temos um inimigo externo potencial. O que temos é o real inimigo global que nos ataca por todos os lados: o aquecimento global e as mudanças climáticas. Devemos contra-atacar em todas as frentes para garantirmos um efeito global. Caso contrário, a arca de Noé afundará, carregando consigo todos os orçamentos para coisas que não são realmente decisivas.

 

PAPA FAZENDEIRO

Maria Clara Lucchetti Bingemer

A Fazenda Esperança é fruto de um desejo puro de servir - a esses que hoje são os leprosos da sociedade: os dependentes químicos. Ao visitá-la, o Papa falou simples e disse palavras alentadoras. Quando se foi, deixou a impressão de uma pessoa mais próxima e acessível

 

O Papa se foi deixando atrás de si recordações, assim como palavras e orientações a serem relidas, assimiladas e reinterpretadas. Enquanto os bispos da América Latina se reúnem em Aparecida, na V Conferência Geral do CELAM, por ele inaugurada, se fazem balanços de sua visita. Alguns destacam certas palavras, determinados gestos. Outros acentuam recados percebidos nas entrelinhas e não claramente explícitos na fala do Pontífice.

Permitimo-nos igualmente fazer o nosso. Acompanhamos de perto a visita. Desde a chegada na fria e chuvosa São Paulo até a partida no final do domingo, vindo diretamente de Aparecida para o aeroporto de Guarulhos. Vimos o Pacaembu com os jovens, o Campo de Marte com a canonização de Frei Galvão, a missa dominical na esplanada da Basílica de Aparecida. E afirmamos com toda convicção: o ponto alto da visita do Pontífice foi a visita à Fazenda Esperança.

O evento ali era menor. Sete mil pessoas apenas. O lugar não comportaria mais, além de não ser de tão fácil acesso. Encravado na serra da Mantiqueira, há que rodar uma boa quantidade de quilômetros a partir de Guaratinguetá para chegar na área da fazenda. Entretanto e talvez por isso mesmo, o ambiente que ali se respirava era de pura fraternidade e alegria. Quem enfrentou a madrugada fria para chegar a tempo de passar antes que a polícia fechasse a estrada; quem se apressou para conseguir lugar nas arquibancadas simples construídas na fazenda, experimentou algo de certas marcantes afirmações do Evangelho: “Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos” ou “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em redenção por muitos”.

A Fazenda Esperança é fruto de um desejo puro de servir. Servir a esses que hoje são os leprosos da sociedade: os dependentes químicos. Ali estão, sob os cuidados desvelados da equipe da fazenda, os considerados perdidos e sem esperança por uma sociedade inclemente e excludente. A esses, devolve-se a confiança como seres humanos e o sentido da vida. Junto a esses o Papa quis passar uma manhã inteira em sua curta visita ao Brasil.

Assim como, naquele tempo, o Filho do Homem declarava ter vindo resgatar o que estava perdido. Assim como o Bom Pastor, deixava as 99 ovelhas no aprisco, para correr atrás da que estava perdida. Assim Bento XVI quis chegar perto daqueles com os quais ninguém quer perder tempo. E com isso mostrou um outro perfil diferente do intelectual eminente e culto, do brilhante teólogo, do chefe de estado. Chegou ali com as sandálias do pescador de homens, do pastor cujo coração vibra ao ritmo das dores e angústias, esperanças e alegrias dos menores entre os filhos dos homens.

Falou simples, sorriu e disse palavras alentadoras aos jovens que ali vivem empreendendo a dura e muitas vezes dolorosa batalha de livrar-se da adicção química para retomar o sentido de suas vidas. Contribuiu materialmente com generosa quantia em dinheiro para a obra da Fazenda Esperança. Mandou duro recado aos traficantes: “Deus vai lhes exigir explicações por todo o mal que fazem”. Depois passou, desafiando a segurança e o rígido esquema que o acompanhava, entre os jovens, apertando mãos, deixando-se tocar e distribuindo sorriso e bênção.

Quando se foi, deixou-nos uma impressão nova sobre sua pessoa, que parecia mais próxima e acessível. Nos jovens internos que receberam sua ternura paterna, certamente depositou marca indelével. E seguramente saiu também marcado pelo que ali experimentou. Como cantava o coro alegre que acompanhou sua saída com música e canto, “já era Papa Fazendeiro”.

 

NANETTO PIPETTA

El museo el conta altre stòrie dei migranti

Silvino Santin

Santa Maria (RS)

 

Lora ndemo vanti, el scomìssia Giulieto. El giri ve go dito che’l museo el conta la stória dela gente, e questo de Novo Treviso el conta la stòria dei migranti taliani. Ma un museo no’l conta sol le stòrie dela gente, ma anca altre stòrie de ncora vanti, o sia dei bùlgheri.

- Ma come se pol saver la stòria se no ghe gera gente par contarla? El vol saver Nanetto.

- Eco, giusto par quel che se fa un museo. Come te lo go dito, el museo el conta stòrie sensa parola, lora prima dela stòria dei òmeni, chi conta la stòria le ze le montagne, le piante, i sassi, le bèstie e i osei.

- Stento capirla. Ghe vol massa sarvei e mi son scarseto. El se lamenta Nanetto. Ma va avanti.

- Eco, cossita che me piase, bisogna che te me scolti, pol esser che a la fin le cose le reste ciare e ti te capissi meio.

- Ze quel che speto.

- Lora, ritornemo al fil dela spiegassion. Come disea, le piante, le béstie, i sassi, le montagne, la terra e po tuto ga la so stòria. I sapienti che i stùdia cose antighe, i archeòlogi, quando i trova ossi de bèstie, che adesso no ghinè più, i sa a quanti ani ndrio i ga vivesto. O anca quando i trova piante che le ze stae sepolie e, col passar del tempo, le ze restae sassi. Par esémpio, là te la cità de Mata se ghin trova da partuto. Lora, par no mensonar altre robe, questi ossi e questi sassi de piante se pol dir che ze la stòria de Novo Treviso e de tuta la region che la ga dosento mila o, fursi, milioni de ani.

- Maria Santìsima, Santantònio! Cossa sito drio dir, Giulieto! Che spago longo la ga la to stòria, quanti rochei de fil ghe volaralo par rivar fin al scomìssio. E se ghe vol un spago de ligar salami, che’l ze tanto pi grosso, quanti fassi me tocaralo comprar?

- Ma, Nanetto, cossita no ndemo vanti. Te sì sempre drio disturbarme. Varda Genarino, la Ginoefa e i altri che i ze vegnesti qua scoltarme, come i stà atenti. Bisogna che te impari co luri come se scolta.

- Si, si, te ghè rason. Me toca domandar scusa a tuti, ma, savì, ste stòrie mi no le gavea mai sentio dir. Le me par busie de quele grosse. E par quela le me fa spissa soto la léngua.

E cossita tuti i ga ridesto insieme, parché nissuni i gavea pensà sora queste stòrie vece, ma nove par luri che i savea scriver e leder manco mal.

Dopo de Nanetto ver promesso che de lì in vanti el restea muto, Giulieto el ga seguità parlar sora l’importansa dela stòria, nò sol quela che se insegna a scola, ma la stòria dela persona, dela fameia e del posto ndove se vive. Come ze bel, el ghe dise, saver quando ze rivà i migranti qua a Novo Treviso, come i ga fato par mantègnerse?! Come i ga fato su le prime case, cossa che i piantea, cossa che i magnea. Mi me piase, credo che anca valtri, veder la maniera de vestir, le feste, i laori, le malatie, le costrussion dei capitei e dele cese e, parché nò, anca le besteme, le ciuche e le barufe.

Come vedì, el museo no’l ga de bisogno del goerno, nantri podemo far el nostro museo, ma par quel bisogna che ogniuno el meta via le robe antighe. Le case vece, particolarmente, quele fate de sassi o de matoni fati a man, nò trarle do, ma mantégnerle dela meio maniera che se pol. E, quando se laora in colònia, o se va via pai monti, o se passa rente i rii, saria bon star sempre atenti par veder se no se cata qualche roba diferente. Par esémpio, quando se ara, se pol catar pignate dei bùlgheri, o manare o altri afari de sasso fati da luri.

Par finir el nostro filò de sta note, vui dirve che’l stùdio che mi fao qua ze par scriver la parte antiga dela stòria dela Quarta Colònia.

Dopo tuta la spiegassion de Giulieto, i ga magnà due bassiade de pipoche e bevesto bei biceroti de vin. El pi importante ze stà che tuti i ze ndai dormir col propòsito de no destruger le robe vece.

Nanetto, che’l gavea ligà la léngua, el ga verto la boca par magnar pipoche e par dirghe a Giulieto che diman el podea continuar la so stòria, che anca se no’l gavesse capio tuto e el stentasse creder, ma la ghe gavea piasesto.

E bona note a tuti che mi vao dormir, el finisse Nanetto.

 

DAQUI A CINCO ANOS

Wilson João

Pessoa sem fé é água parada que apodrece, é noite permanente sem a certeza do sol que trará o amanhecer

 

Daqui a cinco anos poderei ser a mesma pessoa que sou hoje, ou pior. Daqui a cinco anos poderei ser alguém muito mais do que sou hoje. Tudo vai depender das diversas iniciativas que vou tomando no meu dia-a-dia. Vou ser o mesmo, ou serei bem diferente dependendo:

DOS LIVROS QUE VOU LER ou dos livros que vou deixar de ler. Se não tiver a iniciativa de adquirir e ler livros bons que alimentem minha mente e minhas decisões de vida, daqui a cinco anos estarei regredindo em meus pensamentos, estarei fazendo minhas coisas do mesmo jeito e repetindo as mesmas conversas. Se tiver a iniciativa de deixar de comprar coisas que posso dispensar para adquirir novos livros e lê-los, daqui a cinco anos serei outra pessoa, com novos pensamentos, novas iniciativas e nova maneira de viver. Cada livro que irei ler é uma nova pessoa que irei conhecer. É um mundo novo que colocarei dentro de mim.

DOS RELACIONAMENTOS QUE IREI SOMAR ou do isolamento que escolherei. Posso decidir viver para mim. Fechado em mim mesmo. Criando um mundo meu, vendo em cada pessoa um inimigo, um alguém desnecessário para minha vida. Viverei e morrerei pobre, com a possibilidade de não ter nem quatro pessoas para carregar meu caixão. Se tiver a iniciativa de somar e multiplicar relacionamentos, minha vida crescerá, porque cada pessoa é uma nova experiência e uma nova riqueza que vai se somando à minha experiência. Se eu caprichar nos meus relacionamentos, certamente, daqui a cinco anos serei uma pessoa muito mais rica e, por isso mesmo, muito mais útil.

DAS PESSOAS QUE ME TORNAR PRÓXIMO. Somos e vamos nos tornando semelhantes às pessoas que escolhemos para nossa companhia. Desde a esposa ou esposo até o companheiro de lazer e de oração. É velho e novo o provérbio que diz “Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és.” Se minha vida estiver rodeada de pessoas otimistas, criativas, religiosas, colaboradoras e amigas, minha personalidade vai se amoldando a esse tipo de companhia. Somos cumplicidade. Nunca e nada é isolado e sozinho. Há um permanente passar de um para outro como a seiva passa de tecido para tecido numa árvore pelo processo da osmose. O ambiente e as circunstâncias moldam nossa vida.

DA FÉ QUE ABRE O CAMINHO. Seremos nossa fé. Seremos daqui a cinco anos aquilo que acreditamos. Aquilo que impulsiona nossos sonhos. Os sonhos são alimentados pela fé. A fé nos dá a visão do amanhã. Pessoa sem fé é água parada que apodrece. É noite permanente, sem a certeza de um sol que trará um amanhecer. Diante de tudo isso lembramos: seremos o livro aberto que iremos ler, a pessoa desconhecida que iremos conhecer, Deus que será o ponto de referência de nossa fé.

 

FÁBRICA DE SANTOS

Padre Zezinho

Cultuar os santos valoriza o testemunho dos nossos heróis da fé

 

A Igreja Católica tem uma prática milenar que a caracteriza. Declara que alguns dos seus membros, com certeza são bem-aventurados ou santos, isto é, estão no céu. De fato o atual Papa valoriza muito o culto aos santos porque sente que o mundo está precisando de heróis e testemunhas da fé. A mídia conta à exaustão em verso e prosa a vida de tantos artistas e políticos, o mundo se curva quase em adoração aos ídolos da moda, da televisão, dos esportes, do cinema, da música e da política. Se houve uma Lady Diana, um Pelé, um Elvis e um John Lennon que o mundo cultivou e cultiva, porque nós católicos não devemos cultivar a memória e as virtudes de nossos heróis da fé?

De João Paulo II afirma-se que beatificou 990 pessoas, mais de a metade dos bem-aventurados da Igreja em todos os tempos. Até recentemente eram 1.797. Num único pontificado ele duplicou o número de bem-aventurados.

O que o Papa pretende dizer com isso? Que num mundo que não valoriza nem a fé nem a razão, vale a pena pensar em vidas que se voltaram totalmente para Deus e para o ser humano. Pode-se questionar até aonde a gente foi informado sobre esta ou aquela canonização. Talvez tivéssemos candidatos melhores ou mais simpáticos à nossa linha teológica, mas como não somos o Papa nem tivemos acesso aos documentos que levaram a declarar alguém santo, só podemos ficar no terreno dos palpites, que é o que o caro irmão Ricardo está fazendo. Chega a ser engraçada sua proposta de que o Papa consulte todas as igrejas evangélicas antes de declarar alguém bem-aventurado ou santo. Conheço pastores que ririam de sua proposta destrambelhada. É como consultar o PSDB sobre quem deve ser o candidato do PT ou vice-versa!

Como não tive acesso àqueles estudos prefiro respeitar a decisão do Papa. Mas entendo porque ele tem dado tanto valor aos testemunhos de fé. Não há mal nenhum em valorizar os bons seguidores de Jesus.

Quanto a orar ou não orar, falar ou não falar com eles, a Igreja não o obriga a isso. Já é uma grande coisa se um cristão fala sempre com Jesus. A devoção aos santos quase sempre nos leva a adorar melhor o Jesus que os fez santos. O senhor pulou essa etapa ou já a superou. Que bom! Mas é bom lembrar que há muita gente que ainda precisa da oração dos outros irmãos daqui da terra e de lá do céu. Eu também falo muito mais com Jesus do que com os santos, mas eles sabem do meu respeito por eles. Não vi esse respeito na sua carta cheia de ironias contra João XXIII, Pio IX e São Francisco. Discorde, mas não perca o respeito! É o meu conselho.

 

REPORTAGEM

Brasil paga muito caro pela corrupção

Além do desfalque aos cofres públicos, afeta a estabilidade política e a eficiência econômica

 

A corrupção consome R$ 9,8 bilhões por ano do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ou quase a metade dos R$ 20 bilhões previstos para investimentos no orçamento federal de 2006. Se esta estimativa, do professor Marcos Fernandes Gonçalves da Silva - coordenador da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) -, estiver correta, o Brasil contribui com menos de meio por cento do volume total que é gasto no mundo com subornos - US$ 1 trilhão, segundo o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (Undoc).

Percentualmente, a participação brasileira no balcão global da corrupção pode até ser classificada de pequena, mas em valores absolutos ela é gigantesca, especialmente quando relacionada ao que poderia gerar. Com os R$ 9,8 bilhões retirados dos cofres públicos municipais, estaduais e federais poderiam ser construídas 538 mil casas populares, abrigando 2,1 milhões de pessoas - dados também do economista da FGV.

Como evitar que dinheiro público seja desviado para os bolsos de grupos? O primeiro passo é saber o quanto o país gasta com a corrupção. O custo mais fácil de ser compreendido é aquele associado à realidade de cada cidadão: cada real roubado deixa de ser investido em obras públicas - na saúde, em educação... O exemplo prático acima dá uma dimensão dos prejuízos causados à população: ao invés de moradia para 2,1 milhões, algumas centenas de mansões.

Mas a corrupção acarreta outros tipos de custos, estes difíceis de calcular. A instabilidade política e institucional é um deles, a perda da eficiência e da competitividade na atividade econômica é outro.

O economista Stephen Kanitz escreveu recentemente: “O Brasil não é um país intrinsecamente corrupto...”, mas “um país onde a corrupção, pública e privada, é detectada somente quando chega a milhões de dólares” e porque alguém - muitas vezes parente - resolve denunciar. A falha, para ele, começa pela escassez de auditores e fiscais. Pelos padrões de países com baixo índice de corrupção (Finlândia, Suécia, Islândia e Cingapura lideram esse grupo), o Brasil precisaria de 160 mil auditores - tem apenas 12.800. Nesse mesmo ranking, o Brasil é o 70º colocado, vizinho de nações inexpressivas no cenário econômico mundial, como Sri Lanka, Letônia, Belize e Peru.

Cultural - O economista Marcos Fernandes, também autor do livro “A economia política da corrupção no Brasil”, ao avaliar o aspecto sociológico do problema, concluiu que a desigualdade e não a igualdade é o princípio básico da sociedade brasileira. Fica claro, portanto, que o combate à corrupção e a luta por uma sociedade mais justa dependem de mudança cultural e de mentalidade.

Pesquisa do Ibope, divulgada no ano passado, dá respaldo ao especialista e mostra que a questão está muito mais enraizada na sociedade do que se presumia. Há falta de transparência nos contratos, um contínuo desrespeito à legislação, fraudes e negociatas tramadas nos altos escalões do poder político e econômico. Mas o cidadão comum, por vezes, também demonstra desprezo a valores como honestidade e ética.

Ao investigar se o eleitor seria vítima ou cúmplice dos políticos acusados de corruptos, o Ibope descobriu que 69% dos entrevistados haviam transgredido alguma lei ou não cumprido regra contratual sabendo do que fazia. Mais: 75% praticariam pelo menos um dos 13 atos de corrupção indicados pela pesquisa. Entre os 2.002 eleitores ouvidos em 143 municípios, 59% afirmaram que, se ocupassem cargo público com poder, contratariam parentes ou amigos.

A seqüência de escândalos desvendados pela Polícia Federal nos últimos anos clareou um pouco mais o obscuro horizonte da corrupção no país. Centenas de operações e milhares de prisões confirmaram que esse mal está presente em quase todas as instâncias de poder. Mas a dimensão do roubo para os cofres públicos nunca será plenamente conhecida e, pior do que isso, fica a impressão de que apesar de consistentes indícios contra os suspeitos, prevalece a impunidade - situação que serve de estímulo aos que têm dúvidas em aderir ao clube freqüentado por quem quer levar vantagens.

 

Envolvidos em todos escalões de poder

 

A Operação Navalha, deflagrada na quinta 17, deteve 46 pessoas em nove Estados e no Distrito Federal, todas suspeitas de participar de um esquema de desvio de recursos federais por meio de fraudes e licitações. Entre os detidos, prefeitos (Camaçari-BA e Sinop-MT), secretários de Estados e municípios, e até o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB).

Em sete meses de investigações foi descoberto um esquema que tinha três etapas: primeiro, garantia o direcionamento de verbas públicas para obras de interesse da quadrilha; segundo, obtinha a vitória das empresas envolvidas nas licitações para executar as obras; por fim, assegurava a liberação de pagamentos de obras superfaturadas, irregulares ou até inexistentes.

O grupo era organizado em três níveis. No primeiro, atuavam pessoas diretamente ligadas à construtora Gautama, do empresário Zuleido Veras (detido). No segundo, estavam auxiliares e intermediários, em especial os responsáveis pelos pagamentos das propinas. No último, havia autoridades públicas que tinham a função de remover obstáculos à atuação da organização criminosa. Cálculo preliminar de suborno pago: RS 2,1 milhões.

Uma semana após as detenções, 38 haviam deixado a prisão da PF em Brasília. A Navalha atingiu o poder central: acusado de receber R$ 100 mil de propina, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau (PMDB e apadrinhado do senador José Sarney), foi forçado a deixar o cargo.

Renan - Oito dias depois da Navalha, novo escândalo: a revista Veja acusa o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, de ter despesas pessoais pagas pela construtora Mendes Júnior. O lobista Cláudio Gontijo pagaria pensão extrajudicial de R$ 12 mil à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem um filho, e mais aluguel de um apartamento, no valor de R$ 4,5 mil. Renan obrigou-se a dar explicações, que serão aceitas ou não pela opinião pública.

Desde 2003, a Polícia Federal realizou 350 operações de combate a quadrilhas que lesam os cofres públicos e prendeu cinco mil pessoas. Destas, cerca de mil são servidores e ex-servidores públicos suspeitos de corrupção: parlamentares, magistrados, procuradores e funcionários do Executivo federal, estadual e municipal, incluindo prefeitos e governadores. 2006 foi o ano com o maior número de operações: 167, que levaram 2,5 mil pessoas à cadeia. Nos quase cinco meses de 2007 já houve 61 operações e 880 prisões, número que tendem a crescer.

 

SAÚDE

Ar frio e seco eleva casos de infecções respiratórias

Essas doenças são a segunda causa de internação hospitalar no Rio Grande do Sul

 

Rinite, sinusite, faringite, bronquite, pneumonia, asma etc. O inverno começa oficialmente dia 21 de junho, mas já está aberta a temporada das doenças respiratórias. Consultórios médicos, hospitais e postos de saúde começam a ficar lotados de vítimas de males típicos do ar frio, poluído e seco.

No Rio Grande do Sul, as internações hospitalares por infecções respiratórias aumentam nos meses de inverno. No ano passado, aproximadamente 30 mil crianças foram internadas no Estado por esta causa, 80% delas nos meses de junho a agosto. Entre os idosos com 60 anos ou mais, foram 14 mil internações, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. As doenças respiratórias representam a segunda causa de internação hospitalar no Rio Grande do Sul, perdendo apenas para parto, e têm como principais causas a pneumonia, a asma e as doenças obstrutivas crônicas (bronquite e enfisema pulmonar).

Ar seco, poluído e frio, essa é a trinca responsável pelo aumento da incidência de infecções respiratórias no inverno. O ar seco impede que o catarro seja fluído e expelido. Ao ficar espesso e preso, favorece as infecções.

Além do clima seco característico do inverno, que dificulta a dispersão dos poluentes, é cada vez mais freqüente o aquecimento de ambientes internos, o que também deixa o ar mais seco e, muitas vezes, poluído por alérgenos como poeira, pêlos de animais, fumaça de cigarro, entre outros. A inalação de poluentes também altera as funções protetoras da mucosa e dos cílios nasais, encarregados de impedir a entrada da sujeira. Com o comprometimento desses mecanismos, bactérias e vírus penetram mais facilmente pelas vias respiratórias. Uma das recomendações médicas é evitar a prática de exercícios físicos em locais poluídos ou em lugares fechados onde há pessoas gripadas. Durante os exercícios, a pessoa inala mais ar e, com ele, maior carga de poluentes e vírus.

As infecções respiratórias, se não tratadas de forma adequada, podem se prolongar, tornando-se crônicas, ou causar complicações mais sérias. Como têm causas distintas, exigem tratamentos específicos. Portanto, ao perceber os sintomas, o melhor a fazer é procurar um médico, evitando a automedicação.

 

VIDA AGRÍCOLA

Plantas de tungue em Nova Bassano

Gostaria que o senhor comentasse em sua coluna o assunto que exponho a seguir. Sou natural de Nova Bassano (RS) e sempre que viajo para lá fico impressionado com a quantidade de frutos que continuam produzindo alguns pés de tungue, remanescentes de antigas plantações e agora completamente abandonados pelos agricultores. Pergunto: 1) Por que o plantio de tungue foi abandonado quando a árvore havia se adaptado tão bem ao clima do Rio Grande do Sul? 2) Não poderia o tungue ser uma planta interessante do ponto de vista de produção do biodiesel?

Pe. Rovílio Guizzardi

Rio de Janeiro - RJ

 

Interessante conhecer a origem do tungue e sua introdução no Rio Grande do Sul. O tungue de nome científico Aleorites fordii, da família das euforbiáceas, é planta leguminosa originária da China. Em 1905 o tungue foi introduzido nos Estados Unidos, nas regiões da Geórgia e Flórida, de onde vieram as primeiras sementes e mudas para o Brasil na região de Limeira, São Paulo, e estudadas no Instituto Agronômico de Campinas, que definiu as principais variedades, posteriormente cultivadas no norte do Paraná e em algumas regiões de Santa Catarina. Em 1930 as províncias de Corrientes e Missiones da Argentina e do Paraguai começaram a plantar o tungue. No Rio Grande do Sul, por volta de 1939, já em tempo da 2ª Guerra Mundial, aconteceu o grande interesse pela cultura do tungue.

Dentre os líderes que incentivaram o plantio de tungue destacou-se a extraordinária figura de Sílvio Toigo, italiano de nascimento, que veio para o Brasil depois da 1ª Grande Guerra, da qual participou, radicando-se em Caxias do Sul. Arquiteto de profissão, em 1922 erigiu um monumento ao centenário da Independência do Brasil situado na Praça Central de Caxias do Sul, construiu o Clube Juvenil, a sede antiga do Clube Juventude, o Teatro Apolo, o prédio da Metalúrgica Eberle, outros prédios e colégios na cidade e na região nordeste do Estado. Sua última obra foi a construção do monumento Nacional da Imigração Italiana, inaugurado em 1954. Gostava de dizer aos amigos: “Abandonei minha arte para me dedicar ao tungue.”

Realmente se deixou empolgar por essa cultura de quem foi grande propagador e sustentáculo. Com notável decisão e energia, soube congregar os que tinham se tornado plantadores de tungue por sua influência, cujas produções iniciais não tinham preço. Toigo soube congregar os plantadores e organizar uma cooperativa que salvou os tungais em 22 de maio de 1949, fundada com a presença de 34 plantadores. Aprovado o estatuto, subscreviam-se as cotas sociais. Foi adquirido o terreno, instalou-se a primeira construção, as primeiras prensas, primeiro filtro e contratou-se o primeiro técnico. Iniciou-se a produção de óleo. A inauguração da fábrica ocorreu no dia 12 de novembro de 1949. O conceito do óleo de tungue começou a firmar-se sendo exportado para os Estados Unidos, Espanha, Inglaterra e outros países. Toigo, apesar de certas dificuldades, soube vencê-las, ampliar e aperfeiçoar a fábrica e dar grande prestígio à cooperativa, atuando como presidente até o seu falecimento em abril de 1964, com 75 anos.

Substituiu-o na presidência um dos seus fundadores, exatamente o que escreve esta nota, que tratou de manter bem vivo o espírito cooperativista reinante. A cooperativa progredia, modernizou maquinários, tinha colocação certa do excelente óleo e garantiu a produção dos associados a preços compensadores. Infelizmente, por grave motivo de saúde, fui obrigado a desistir da nova reeleição em 1995. Elegeu-se nova diretoria aprovada em assembléia.

Nesta época a cooperativa sofreu profundo golpe quando o governo federal permitiu a importação do óleo de tungue via Paraguai a 40% mais barato do que o custo de óleo da cooperativa. As firmas compradoras, mesmo considerando o óleo da cooperativa de melhor qualidade, exigiam a equiparação de preços do óleo importado. A nova diretoria, diante das graves dificuldades, não teve a força do espírito cooperativista para lutar pela manutenção da cooperativa e optou pelo caminho mais fácil que foi a dissolução da entidade, o que levou muitos plantadores a desistirem do cultivo do tungue ou não saberem onde colocar a produção. É este, provavelmente, o caso do produtor de Nova Bassano.

O óleo de tungue possui qualidades próprias que o torna excelente na indústria de tintas, vernizes, resinas e outros materiais e pode ser interessante na produção de óleo diesel, hoje tão em voga com incentivos governamentais. Consta que a Emater Regional de Caxias do Sul está interessada na situação dos produtores de tungue e para tanto designou o eng. agrº. Mario L. Lamberdhal para entrar em contato com eles e propor as soluções possíveis.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Come go catà la me tedesca

Aldo Natalino Comerlatto

Advogado, Caxias do Sul - RS 

 

Vui spiegar al frate Rovìlio Costa e ai letori come ze stà che mi, on talian, me son maridà co na tedesca, e con ela go vissuo 46 ani e go buo sinque fioi. Tuto ze sucedesto così:

Go lassà el seminàrio con 27 ani, e el ùnico laoro che savea zera far el maestro. A consìlio de un compagno, me son presentà a la Secretaria de Educação, e così go scominsià a far scola nel Ginásio Estadual Noturno de São Leopoldo. Dopo de un ano, el professor Hipólito Kuntz, superintendente del Ensino Secundário do Estado, el me ciama, e el me dise:

- Va a Sapiranga, e meti su el Ginásio Estadual, come primo diretore.

Sapiranga, on distrito de São Leopoldo, pena fato municìpio, zera na sitadina dei so sinque mila abitanti, con arquante fàbriche de scarpe, due o tre metalùrgiche, case de negòssio, de Secos e Molhados, come se disea.

E là, tei primi giorni de marso del 1956, in treno, che a quei tempi el nasea fin Canela, dopo due ore de viaio, passando par São Leopoldo, Novo Hamburgo e Campo Bom, son rivà in Sapiranga.

Scàpolo, con 32 ani, deciso de far le cose pulito, me son stabilio in Sapiranga, t’un póvero otel, che funsionava te na casa vècia, adatà a la malendretena, tanto che le stanse de dormir le zera sul sofito. Tel primo piano, la cosina e la sala par magnar. Par ndar al cesso e al bagno, che i era fora, se piovea, bisognava tor su l’ombrela. Ma, gióvane e con salute, catava tuto bel e bon...

Sapiranga zera on posto de tedeschi, e pochi giorni dopo che zera là, ghe zera un Kerp, con tre note de balo te la società pi importante. Ze rivà un invito ai maestri del novo Ginásio Estadual, ma lori i stava tuti in Porto Alegre, e son ndà mi solo al balo. E così ze stà fàssile inamorarme dela Milena Schmitt, con la quale me son sposà ai 18 gennaio 1958 e ghemo buo sinque fioi: Elisa Maria, Henrique, Carlos Francisco, Denise Maria e Fábio José. Gavea conossuo la Milena nela Prefetura, dove spesso ndava par via dei afari del Ginásio.

Tuto ze rivà al so tempo, na cosa dopo l’altra: laoro, kerp, morosa, fameia...

 

Par crepar de rìder

(Contribuission del professor Rafael Baldissera, de Curitiba - PR)

 

La tosse - Un omo el va ala farmàssia e el domanda un remèdio par na bruta tosse che el gavea intorno, ma, par un sbàlio del atendente, el riceve un purgante violento. Ma, dopo, quando el ga visto quel che el gavea fato, el farmassista el telefona al so freghéis:

- Scùseme la ligassion, ma te go fato una de storta. Te go dà el remèdio sbalià!

- A go deromai indovinà! Ma el ga giovà contra la tosse! Mi son qua due ore sensa tossir, parché se tusso, ti te sè cossa me sucede...

El comìssio - Un omo el va al supermercà e el compra tuti i ovi e i pomi e pomidori smarsi che’l cata. Nte l’ora de pagar, la tosa la ghe domanda:

- Fursi, vetu al comìssio del prefeto?

- Tasi su ti! Son mi el prefeto!