DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 5.042 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 06 de junho de 2007.
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Agricultor precisa mudar hábitos para manter saúde
Desequilíbrio alimentar está na origem de muitas doenças detectadas entre produtores rurais
É no mínimo preocupante o resultado de pesquisas sobre a saúde do agricultor. Em Flores da Cunha, na Serra gaúcha, a conclusão é de que o produtor rural está se alimentando mal; já em Chapecó, no oeste catarinense, 50% deles apresentam problemas de coluna.
Penetrando no universo de dados apurados, se observa que a origem da alimentação desequilibrada está na manutenção de hábitos que a medicina condena há décadas, mas que estão ainda muito presentes na mesa do agricultor - mais como herança do que por opção. O consumo excessivo de gordura animal, para citar um dos males detectados, é uma realidade em praticamente toda a região de colonização italiana.
No caso catarinense, especialistas atribuem o elevado índice de pacientes com dores nas costas ao tipo de atividade do agricultor, mas que são severamente agravados pela má postura e movimentos executados repetidamente com equívocos - em especial o levantamento de peso. A raiz, novamente, está em seguir, quase que mecanicamente, modelos que já provocaram seqüelas na saúde de um número incalculável de pessoas.
Não se trata de simplesmente condenar exemplos de comportamento deixados por pioneiros e mantidos por gerações. Seria uma gigantesca injustiça atribuir, para ficar na Serra gaúcha, aos imigrantes italianos a razão dos males de saúde que seus descendentes sofrem hoje. E, além disso, um desestímulo à preservação da cultura, ou mesmo da culinária, que tão bem marcam esta região.
A questão está ligada à assimilação ou não de mudanças. Se, em geral, o agricultor demora a ceder ao emprego de novas técnicas de produção, não é surpresa uma resistência maior ainda à alteração de hábitos alimentares. Por isso são necessários as pesquisas e os programas de prevenção adotados pelos municípios já citados e por outros, alguns deles elencados em matéria da página central desta edição.
O agricultor, que já enfrenta tantas dificuldades para permanecer na atividade com dignidade, precisa de boa saúde para continuar a luta. Boa parte das soluções que evitam doenças depende só dele, a começar por consumir frutas e verduras normalmente à disposição. Mas pelo menos uma orientação de especialistas é importante, em muitos casos fundamental.
Agricultor endividado
Débitos, que giram em torno de R$ 100 bilhões, podem tirar produtores rurais do crédito oficial. Nova renegociação é alternativa para viabilizar o próximo plantio
Às vésperas da conclusão do plano safra 2007/2008, os agricultores estão mobilizados em todo o país e com um pacote de pedidos ao governo Lula. São três as principais reivindicações do setor: renegociação da dívida, estimada pelo Ministério do Planejamento entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões; juros mais baixos, inferiores a 8,75%, e infra-estrutura de qualidade.
Contudo, é a dívida que pode tirar os produtores rurais do crédito. Para ter uma idéia, a última renegociação das dívidas, no final de 2006, deixou 70% dos 400 mil clientes da agricultura empresarial do Banco do Brasil (que atingiram seu limite de crédito) sem condições de pleitear novos recursos, de acordo com a CNA.
As restrições não ocorrem apenas com os clientes do BB - o banco responde por 58% dos créditos ao setor. “Toda a rede bancária tende a negar crédito ao agronegócio”, observa o presidente da Comissão Nacional de Endividamento do CNA, Homero Pereira. Tanto que a entidade está orientando os produtores sobre a melhor forma de realizar a renegociação de dívidas rurais.
A situação se agrava quando se sabe que cerca de 50% dos R$ 100 bilhões tomados para custeio na safra passada vieram de empresas cujos juros aplicados são considerados exorbitantes. “Os juros controlados de 8,75% já são altos, diante da queda da taxa básica”, avalia. O desafio para o agricultor é pagar o que deve e continuar produzindo. “A dívida da agricultura brasileira é impagável”, declara Homero Pereira ao CR.
Rolagem - Descapitalizado, o agricultor foi às ruas pedir a rolagem das dívidas. “O governo precisa rever esse endividamento”, defende o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), César Ramalho. Tanto que no próximo dia 15, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi convocado pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados a dar esclarecimentos a respeito da renegociação da dívida e sobre as elevadas taxas de juros que incidem sobre o setor.
O presidente da Comissão de Endividamento aponta outro motivo. Ele está convencido de que a crise na agricultura teve motivação política. “O que quebrou o produtor foi a comida barata para viabilizar o programa Fome Zero. A fartura na mesa da população pobre foi bancada com o prejuízo do agricultor”, reforça ele.
Há ainda a questão do dólar. Para os especialistas, o problema são as oscilações do câmbio entre o momento de plantio e o de venda, que são muito grandes há três anos consecutivos e estão reduzindo cada vez mais a renda dos agricultores. “Não há como fugir de uma nova prorrogação das parcelas de investimento dos anos de 2005, 2006 e 2007”, adianta Homero Pereira.
CMN autoriza crédito a suíno e ave
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, a pedido do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as operações de Empréstimo do Governo Federal (EGF) e Linha Especial de Crédito (LEC) para avicultura e suinocultura em regime integrado. A medida também permite o financiamento para o milho destinado ao consumo de aves e suínos em regime de parceria. O CMN autorizou ainda uma linha de crédito de custeio pecuário para retenção de matrizes suínas.
A decisão, anunciada dia 30 de maio, beneficia a suinocultura, especialmente de Santa Catarina e do Paraná, avalia o coordenador-geral para Pecuária e Culturas Permanentes da Secretaria de Política Agrícola, João Antônio Fagundes Salomão. A Conab estima que haja um excedente de 60 mil toneladas de suínos no mercado. “Precisávamos enxugá-lo, o que será possível com essas medidas”, diz.
As operações poderão ser contratadas até o final de dezembro. O EGF e a LEC de suínos poderão ser feitos pelas indústrias e produtores, que darão a carcaça em garantia para receber os recursos, com taxa de 8,75% ao ano. As operações para retenção de matrizes só podem ser realizadas por produtores, com limite de crédito de R$ 100 mil por tomador, juro de 8,75% e dois anos de prazo.
Medida viabiliza nova renegociação
Produtores rurais e cooperativas contam com uma linha de crédito específica para liquidar as dívidas contraídas com fornecedores de insumos agropecuários durante as safras 2004/2005 e 2005/2006. Trata-se da MP 372, denominada Financiamento de Recebíveis do Agronegócio (FRA), que atende aos vários elos do agronegócio.
A linha conta com R$ 2,2 bilhões. O limite financiável é de até 100% do valor das dívidas, que serão renegociadas em quatro anos, com carência de dois anos. Ou seja, pagamento a partir de maio de 2009, com vencimentos anuais até 2012. Os encargos financeiros são a TJLP, acrescida de 5% ao ano.
Ano agrícola precisa de R$ 100 bilhões
A necessidade de financiamento para o próximo plantio de grãos é de R$ 100 bilhões - quase duas vezes mais que o disponibilizado pelas instituições financeiras, de R$ 60 bilhões na safra 2006/2007, de acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). O setor pleiteia a redução do juro do crédito de 8,75% para 5% anuais no plano agrícola 2007/2008.
Neste ano, o produtor vive uma situação inusitada: vai colher mais e com preços internacionais favoráveis. Porém, as dívidas e o câmbio prejudicam. E quando os bancos percebem a falta de capacidade de pagamento, inviabilizam a operação de crédito. “Os agricultores têm buscado crédito em cooperativas ou por meio de troca de mercadoria com fabricantes de insumos para garantir a safra”, revela Homero Pereira.
A assessora técnica da CNA, Rosemeire Cristina dos Santos, acrescenta que a sobra de dinheiro nos bancos decorre também do risco da atividade, influenciada tanto pelo clima quanto pela conjuntura do mercado. “O dinheiro sobra pela inadimplência do setor e pelos juros altos”, assegura o relator da subcomissão de endividamento agrícola na Câmara, deputado Luis Carlos Heinze.
Regulamentada profissão de enólogo
Atividade ganha reconhecimento no país após 16 anos
Agora é lei. Os 1.200 tecnólogos em viticultura e enologia, técnicos em viticultura e enologia e técnicos em enologia têm sua profissão regulamentada no Brasil. A Lei número 11.476 foi publicada no Diário Oficial da União, na quarta 30, após sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A luta de mais de 16 anos é conquista comemorada pela categoria, que teve atenção especial da entidade. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Dirceu Scottá, esse sonho sempre acompanhou os enólogos, que desde a criação, em 1976, vêm trabalhando para que o vinho brasileiro seja reconhecido no mundo. “Assim como as centenas de premiações obtidas em concursos nacionais e internacionais, pelo respeito e credibilidade dedicados aos nossos vinhos, bem como a conquista de novos mercados, a regulamentação da atividade é uma grande vitória. É reconhecimento do esforço do enólogo brasileiro que ganha seu devido valor”, diz Scottá.
Agora esses profissionais terão um motivo a mais para comemorar o Dia do Enólogo, em 22 de outubro. A data foi instituída pela ABE em 1977 e é alusiva à fundação da entidade.
Os primeiros técnicos em enologia a se formarem na então Escola Agrotécnica Federal Juscelino Kubitschek concluíram o curso em 1962. Já o curso superior de tecnólogo em enologia oferecido pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento Gonçalves (Cefet) formou sua primeira turma em 1998. Dos 1.040 técnicos em enologia formados pela escola, 81% estão em atividade. Entre os 160 tecnólogos em enologia graduados a partir de 1998, 94% estão exercendo a profissão.
Projeto - O projeto de lei número 6.207/2005, de autoria do senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), requerendo a regulamentação da profissão de enólogo e técnico em enologia no Brasil, contou também com o apoio do deputado federal Cezar Schirmer (PMDB/RS), relator do projeto. Ao longo desses anos também apoiaram o projeto os senadores Pedro Simon (PMDB/RS) e Paulo Paim (PT/RS) e os deputados Paulo Pimenta (PT/RS), Francisco Turra (PP/RS), Francisco Áppio (PP/RS) e José Ivo Sartori (PMDB/RS).
Jornada vitícola debate fiscalização
A 8ª Jornada da Viticultura Gaúcha, que será realizada dia 14, na comunidade de Lajeadinho, em Veranópolis, vai refletir sobre a conjuntura da vitivinicultura. Os assuntos que serão abordados irão focalizar a realidade e as perspectivas do controle e fiscalização da produção, comercialização e importações do setor vitivinícola, também tema do encontro.
Além disso, haverá apresentação das perspectivas climáticas para a safra 2008 e explanação do mercado nacional e global de vinhos, com as tendências da mercadologia para os finos. “O objetivo do encontro é promover um mercado mais equilibrado, com condições propícias para a competição com produtos nacionais e importados”, diz o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin.
A promoção é da Comissão Interestadual da Uva, Instituto Brasileiro do Vinho, Sindicato de Trabalhadores Rurais de Veranópolis e Fagundes Varela, Secretaria Municipal da Agricultura, Prefeitura e Associação das Vinícolas de Veranópolis (Aviver). Vai contar com a participação de integrantes do Mapa, Embrapa, Promotoria de Justiça e outros.
Mapa define novo padrão para a soja
Disciplinamento da comercialização do produto no mercado interno, na importação, podendo também ser utilizado como referência nas operações de exportação, norteia o novo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade da Soja (PIQ), divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Segundo a diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Ângela Pimenta Peres, o novo padrão de identidade e qualidade representa avanço, já que contempla aspectos relacionados às diversas destinações do produto, atendendo aos requisitos exigidos pela crescente demanda na utilização da soja, tanto na alimentação humana quanto na área agroindustrial.
Sucos e polpas têm apoio do ministério
Empreendimentos agroindustriais familiares contarão agora com mais um apoio para o desenvolvimento e o fortalecimento das pequenas e médias agroindústrias de frutas no Brasil, em especial no segmento de produção de sucos e polpas. Isso é possível graças ao termo de cooperação técnica assinado entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Instituto Brasileiro de Frutas.
O termo de cooperação promove a consolidação e o desenvolvimento do setor em vários pólos de fruticultura do Brasil, envolvendo pequenos e médios fruticultores. A meta é beneficiar mais de 3.000 empresas do setor agroindustrial, envolvendo 34 mil postos de trabalho nas atividades industriais e 118 mil no segmento agrícola.
Alta do milho afeta produtor de suínos
A perspectiva da alta do milho assusta os criadores de suínos e frangos, já que o grão, juntamente com a soja, representa 70% dos custos das rações. A relação grãos e carne é o tema da palestra do engenheiro agrônomo da Emater de Passo Fundo, Luiz Ataídes Jacobsen, no 16º Encontro de Suinocultores de Vila Maria (RS).
A promoção da Associação dos Suinocultores (Assuivima), da Emater e da Prefeitura de Vila Maria ocorre dia 29 de junho, no salão paroquial. Está confirmada a presença do presidente da Associação dos Criadores de Suínos do RS, Valdecir Luis Folador, e do prefeito, Cleci Ângelo Endrigo.
Estão programados também almoço à base de carne suína e sorteio de brindes. A presença deve ser confirmada até o próximo dia 25, pelo telefone (54) 3359 1101 ou na Emater, localizada à rua Flores da Cunha, 460 - Vila Maria (RS).
1º Horti Serra aponta tendências
Sucesso da iniciativa confirma realização do próximo encontro
O mundo vai aceitar cada vez mais produtos certificados e rastreabilizados; uso constante de novas tecnologias; o diferencial estará no bom gerenciamento, no baixo custo de produção e na comercialização eficiente. Essas são algumas das tendências para o agronegócio do futuro, apontadas pelo 1° Horti Serra Gaúcha, realizado de 23 a 27 de maio.
A promoção da Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria Municipal da Agricultura e Comissão da Festa da Uva, surpreendeu os organizadores. “O nível técnico foi excelente”, avaliou o secretário municipal da Agricultura, Nestor Pistorello. Ele confirmou a realização do 2º Horti Serra, em data a ser definida na reunião prevista para o final deste mês. “Pretendemos dar continuidade, revisando a programação”, adianta ao CR.
A mudança de paradigmas vivida pelo setor agropecuário foi o que levou Caxias do Sul a promover o encontro de pesquisadores e especialistas com os produtores rurais da região. “Novas oportunidades estão batendo à nossa porta. Precisamos vencer o desafio de gerar produção com qualidade e bons preços para atender o mercado”, diz. A agregação de valor aos alimentos está entre as novas demandas.
O secretário da Agricultura acredita que o Horti Serra atingiu seu objetivo principal, que foi discutir as interfaces do mercado e as novas tendências, focando o nível técnico. Para Pistorello, o evento possibilitou também a discussão sobre os produtos cultivados na Serra: frutas, com ênfase especial à uva e seus derivados, e hortigranjeiros.
Já para o presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais, Raimundo Bampi, o destaque do evento está no fato de levar conhecimentos aos produtores. “Foi muito bom e bastante abrangente, com participação significativa de agricultores de fora do município”, avalia Bampi.
Potencial - A Serra gaúcha responde por 1,15 milhão de toneladas de frutas e 712 mil toneladas de hortaliças. Somente Caxias do Sul produz 146.131 toneladas de frutas e 73.613 toneladas de hortaliças. São 12.412 hectares cultivados e 6.960 produtores envolvidos.
Há ainda a criação de aves e suínos e a produção de leite que compõem a economia agropecuária da região.
Título e livro homenageiam Pastelão
Câmara de Vereadores de Caxias do Sul realizou, na quinta 31, sessão solene in memoriam de João Batista Grossi, o técnico de futebol que ganhou fama nacional como Pastelão, falecido em janeiro deste ano. O título de Cidadão Emérito, proposto pelos vereadores Felipe Gremelmaier e Francisco Spiandorello, foi entregue a um dos filhos de Pastelão, Alberto Grossi. Sob forte emoção, também foi lançado no dia o livro Nome Próprio: Pastelão, escrito por José Domingos Susin, que conta a vida do técnico e a da família dele, chegada ao Brasil em 1880. A obra, da Educs, é encontrada nas livrarias Rossi e Universitária.
FSG oferece 660 vagas no vestibular
A Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) está oferecendo 660 vagas no vestibular de inverno 2007. Elas estão divididas em sete cursos: Administração (300), Ciências Contábeis (60), Educação Física, Fisioterapia, Psicologia, Design de Produto e Design Gráfico, todas com 50 vagas cada. Os cursos são no horário noturno, com exceção de Fisioterapia (diurno e vespertino) e Fisioterapia (diurno).
As inscrições podem ser feitas até 2 de julho nos postos autorizados e via internet, até as 20 horas de junho. As provas ocorrem dia 3 de julho, às 18h30, na sede da FSG (rua Os Dezoito do Forte, 2366), em Caxias do Sul. Mais informações pelo fone (54) 2101 6000.
Vida no mar da Antártida
Águas geladas revelam uma ampla variedade de espécies
Uma extraordinária gama de vida marinha foi descoberta nas águas profundas e escuras da Antártida. Cientistas encontraram mais de 700 novas espécies de criaturas em mares até então considerados hostis demais para conter tão rica biodiversidade.
Eles coletaram grupos de esponjas carnívoras, vermes, crustáceos e moluscos. As descobertas, publicadas recentemente na revista Nature, podem lançar luz sobre a evolução da vida oceânica nessas áreas.
“O que considerávamos um vazio é na verdade um ecossistema dinâmico, variável e biologicamente rico”, disse a bióloga britânica Katrin Linse, uma das autoras do estudo. “Encontrar este tesouro marinho é nosso primeiro passo para entender as relações complexas entre o oceano profundo e a distribuição da vida marinha”, completou.
A pesquisa faz parte do chamado projeto Andeep, o primeiro estudo amplo da vida marinha na Antártida. A finalidade do projeto é preencher o “vácuo de conhecimento” sobre a fauna que habita as regiões mais profundas do Oceano Antártico.
Em três expedições, que ocorreram de 2002 a 2005, uma equipe internacional de cientistas coletou dezenas de milhares de espécies dor mar de Weddell, a profundidades entre 774 metros e 6.348 metros. Mais de mil espécies foram encontradas e muitas eram completamente desconhecidas da ciência. Os pesquisadores acharam, por exemplo, 674 espécies de isópodos, uma ordem dos crustáceos, maioria dos quais nunca havia sido descrita. Também coletaram 76 esponjas, 17 das quais eram totalmente desconhecidas.
Os cientistas querem estudar as diferenças entre as criaturas encontradas na Antártida e as que habitam águas rasas, para entender como o clima e as condições em que vivem estes animais determinaram sua evolução ao longo do tempo.
Novas espécies descobertas
Outra equipe internacional de pesquisadores passou dez semanas desvendando o fundo do mar da Antártida, numa das áreas menos conhecidas do planeta. As regiões Larsen A e B passaram milhares de anos cobertas por plataformas de gelo que desapareceram há 12 e cinco anos, respectivamente, revelando pela primeira vez um habitat totalmente desconhecido.
Entre os animais revelados está o peixe gelado, considerado um exemplo extraordinário de adaptação às temperaturas extremas daquela região. O animal evoluiu de forma a não ter glóbulos vermelhos e hemoglobina, assim seu sangue flui mais livremente. O oxigênio se dissolve no sangue.
Eles
também descobriram uma estrela-do-mar, encontrada na abertura de uma
geleira, que é incomum por apresentar 12 tentáculos, em vez dos cinco
habitualmente encontrados.
O crustáceo da ordem dos amphipoda, com cerca de dez centímetros, também
é novidade. Ele é um dos maiores da região.
Aquecimento muda a região
O colapso das geleiras Larsen A e B, na península Antártica, causado pela mudança climática desde 1995, deixou a descoberto um dos ecossistemas mais virginais do planeta: 10 mil quilômetros quadrados de fundo marinho que estavam, há milênios, cobertos por uma impenetrável capa de gelo de 200 metros de espessura.
O entorno da península Antártica onde ficavam as geleiras Larsen A e B é a região da Terra que está se aquecendo mais depressa, segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, recém-divulgado. A geleira Larsen A desmoronou em 1995 e a Larsen B em 2002.
O primeiro objetivo dos pesquisadores era capturar uma cena no local antes que se perdesse para sempre. O segundo era flagrar novos habitantes, espécies que estão aproveitando a descoberta de um mundo escondido durante milhares de anos. Eles coletaram cerca de mil espécies e consideram provável, enquanto esperam análise mais detalhada, que várias sejam novas.
A austríaca que está em mim
Anelise Preussler Viero
Taquara - RS
“Nasci a 1-1-1961 em Taquara/RS, filha de José Inácio Preussler e Marlise Olga Neubarth, descendentes de austríacos e alemães, tenho 4 irmãos. Tive uma infância feliz, nunca me faltou nada: amor, carinho, surras, brigas... Não havia supermercados com refrigerantes, doces, frutas... Só havia armazéns com feijão, arroz, farinha, açúcar... Quando meu pai ia a Porto Alegre, esperávamos, ansiosos, sua volta, pois nos trazia maçãs argentinas ou chocolates Neugebauer.
Cursei o Jardim e o II Grau no Colégio Santa Teresinha, e o I Grau, na escola Rodolfo Von Ihering, onde lecionava minha mãe, que alfabetizou a mim e meus irmãos. Estudei piano por 9 anos, com a professora particular Neusa Conrado, até entrar na faculdade. Adoro música, especialmente a clássica, e, com meu filho Cristóvão, assisto o programa de Arthur da Távola, na TV Senado, sendo a frase final muito bonita: “Música é vida interior e quem tem vida interior jamais padecerá”.
Fiz vestibular na UFRGS, PUC, Unisinos. Passei na Unisinos (1979), onde me formei em Engenharia Civil (1993), quando o ditado dizia: “Mulher que faz engenharia ou é feia e inteligente, ou é bonita e burra, e está procurando marido.” Não me enquadrava nessas definições.
Casei em 1981 com Ronaldo Atílio Viero, em Taquara. Ele tinha 31 anos, e me pediu que parasse de estudar, pois queria ter filhos antes de ficar muito velho. Em dezembro de 1982, suspendi os estudos; em 19-4-1983, nasceu o Cristóvão, e em 22-10-1984, a Marina.
Em função do trabalho do marido, morei algum tempo em Porto Alegre, Minas do Butiá, Gravataí, e, por fim, voltei a Taquara, onde nasceram os filhos, e moro até hoje. Quando Marina tinha 5 anos (1989), e morava em Gravataí, retornei aos estudos, e nos dias de aula deixava os filhos com minha mãe em Taquara. Colocando a família em primeiro lugar, dividia o tempo entre os filhos e os estudos, por isto alguns de meus trabalhos de aula foram rabiscados por meus filhos antes de serem entregues aos professores. Um dia eles perguntaram:
- Mãe, podemos cortar o tapete em tirinhas? E eu, concentrada no estudo, respondi:
- Sim!
Foi aquela confusão, pois, distraída, permitia que fizessem coisas absurdas. Logo que me formei, entrei em depressão pós-formatura, e perguntei:
- O que vou fazer agora?
Meio ano depois, fui convidada e trabalhei numa Prefeitura, de 1994-98; retornei em 2002, mas fui demitida em 2004, por embargar uma obra que estava sendo executada em desacordo com a licitação. A administração me impôs: ou aceitar o que estava sendo feito ou ser demitida. Mantive minha posição e fui demitida. Neste dia o secretário de planejamento me disse que acabaria com a minha vida profissional. De fato, não consegui mais trabalho nessa região.
Olhando o passado, me tenho como verdadeira austríaca, teimosa e lutadora, como meus antepassados. Nunca me imagino senão lutando, ganhando, perdendo, enfrentando as desventuras da vida. Que me chamem austríaca, tirolesa, trentina, pouco importa. Importa, sim, conservar a teimosia de lutar que herdei de meus pais e avós.A vida é feita de etapas boas e ruins. Sempre podemos recomeçar. As desventuras me remetem ao início de uma nova jornada, para o que conto com a determinação e coragem austríaca que herdei daqueles que vieram aqui começar tudo de novo. Como eles, tenho uma missão a cumprir, que só cabe a mim. Nasci austríaca e, agora, quarentona embora, vou à cata de tudo o que compõe minha identidade, o tesouro maior, que pretendo deixar a meus filhos”. pviero@tca.com.br
Pressler e Viero unem austríaco e italiano, dois paradigmas de luta, fé e trabalho. (Rovílio Costa)
Frei Aldo Colombo
A vida é uma longa caminhada, mas feita de pequenos passos. São eles que marcam o rumo
No dia 6 de junho de 1944 teve lugar um dos mais dramáticos e importantes confrontos da Segunda Guerra Mundial, a Batalha da Normandia. Cerca de 14 mil barcos, 10 mil aviões e 320 mil homens formaram as Forças Aliadas. Partindo da Inglaterra investiram contra a chamada Muralha do Atlântico, armada pelo General Rommel. Foi uma ação até certo ponto temerária. As condições do tempo não aconselhavam a batalha, mas o elemento surpresa foi decisivo. Será o mais longo dos dias, advertiu o comandante da operação, General Eisenhower. Embora a batalha se prolongasse até meados de agosto, o sucesso foi garantido nas primeiras 24 horas. A partir daí estava aberto o caminho para Berlim e selado o destino de Hitler.
Cada dia tem uma importância decisiva em nossa vida. Todos os dias merecem cuidado, mas hoje é o dia mais importante. As próximas horas serão as mais importantes de seu dia e de sua vida porque todas as suas linhas de existência serão influenciadas, em maior ou menor grau. Os telefonemas que você der, os sorrisos que distribuir, os livros que você vai ler, o encontro que marcou ou desmarcou, as dezenas de escolhas - pequenas ou grandes - que você fizer terão ressonâncias de eternidade. Amanhã ou dentro de 20 anos, vai descobrir que hoje começou a nascer uma das grandes decisões de sua vida.
Existem, em nossa vida, causas e conseqüências. A cada dia precisamos escolher e essas escolhas vão desenhando nosso perfil. A vida é uma grande caminhada, mas feita de passos. São eles que marcam o rumo. São eles que assumem um desvio. São eles que, simplesmente, colocam um ponto final numa direção. Coisas boas ou más, criadas agora, cedo ou tarde - à semelhança do bumerangue australiano -, voltarão como bênçãos ou como sofrimentos. Não sabemos quando voltarão, mas temos certeza que voltarão.
Nos processos judiciais, a prova mais consistente é aquela escrita pelo próprio acusado. Condenado e acorrentado, um preso começou a sonhar com a fuga. Um dia ele quebraria as correntes, buscando a sonhada liberdade. Mas o sonho acabou quando descobriu que fora ele mesmo, num dia qualquer do passado, a fabricar as correntes consideradas inquebrantáveis.
A vida é feita de escolhas. As escolhas bem feitas resultam em felicidade. Vale o contrário. Somos o resultado de nossas escolhas. Não se trata apenas das escolhas feitas no passado. Hoje é o dia mais importante de sua, da minha vida. Hoje é o mais longo dos dias. Você pode fazer, ou refazer, hoje suas escolhas. A sua vida pode mudar hoje.
As decisões que você tomar hoje - ou não tomar - trarão frutos amanhã. Hoje é o primeiro dia do resto da vida. Um dia, Zaqueu, depois de muitas escolhas erradas, fez uma escolha que mudou sua vida. E Jesus confirmou essa escolha: “Hoje a salvação entrou em sua casa” (Lc 19,9).
Frei Betto
Nossa sensibilidade decorre de valores assimilados. Um senhor de escravo não se incomodava com os gritos da senzala... Hoje, a indiferença é notória, agravada por uma presunçosa altivez de quem se julga feliz por ter chegado primeiro...
Cho Seng-Lui, estudante sul-coreano de 23 anos, antes de meter uma bala na própria cabeça assassinou 32 pessoas na Universidade Virgínia Tech, a 17 de abril. Não é a primeira vez que, nos EUA, estudante entra armado numa escola e dispara a esmo contra colegas. Eis o efeito deletério de uma cultura bélica. Milhões de crianças usamericanas brincam agora de assassinar bonequinhos virtuais em seus videogames, orgulhosas porque seus avôs lutaram no Vietnã e os pais no Iraque.
A mídia transformou o massacre de Virgínia numa comoção mundial. Isso é bom, educa a nossa sensibilidade para que episódios semelhantes sejam considerados hediondos. E com certeza faz refletir aqueles que, no Brasil, votaram a favor do comércio e do porte privado de armas.
Aliás, pesquisa da Clínica de Lesão Medular da Associação de Assistência à Criança Deficiente de São Paulo, entre 2002 e 2006, revela que a principal causa de lesões graves na medula, no Brasil, são armas de fogo: 41,24%. Os acidentes de carro ficaram em segundo lugar (32,68%).
Na mesma semana do massacre em Virgínia, a Justiça dos EUA soltou da prisão o terrorista Posada Carriles que, em 1976, mandou pelos ares 73 passageiros que viajavam a bordo do vôo da Cubana de Aviação, minutos após decolar do aeroporto de Barbados.
Exceto em Cuba e na Venezuela, onde Carriles perpetrou inúmeros de seus crimes, a liberação do terrorista não produziu nenhum comoção. Nem o fato de a mesma Justiça usamericana manter nos cárceres de Miami cinco cubanos, presos há 4 anos por atuarem preventivamente contra eventuais ações terroristas promovidas pelos fundamentalistas da comunidade cubana ali residente.
Posada Carriles em liberdade e os cinco cubanos antiterroristas presos fazem lembrar o paradoxo do julgamento de Jesus. Era Páscoa em Jerusalém. Conforme o costume, o governador romano deveria conceder indulto a um prisioneiro. Na Fortaleza Antônia, Pilatos expôs o dilema à claque espalhada pelo pátio: “Jesus ou Barrabás?” O aglomerado de pessoas sabia muito bem que a entrada lhe fora facultada no recinto oficial por ser confiável e não se atrever a contrariar o poder. Compunha-se desse tipo de gente que, perante autoridades, desparafusa a própria coluna vertebral e oscila qual boneco, para trás e para frente, dando seu acordo a tudo. A resposta foi uníssona: “Solte Barrabás!” O bandido ganhou liberdade. O Justo, após ser torturado, viu-se conduzido à morte na cruz.
Esperar que Bush puna Posada Carriles é querer Ali Babá à frente da repressão aos 40 ladrões! O que mais causa espanto é constatar a leniência da grande mídia, capaz de provocar comoção pela morte de 32 alunos e professores da Virgínia Tech e amenizar o impacto, na mesma semana, de 200 iraquianos assassinados pelas tropas invasoras dos EUA.
Nossa sensibilidade decorre dos valores assimilados. Um senhor de escravo não se incomodava com os gritos lancinantes emergidos da senzala, assim como nós, brasileiros, bebemos chope na calçada ocupada pelas mesas do bar sem nos sentir incomodados com o enxame de crianças de rua suplicando por esmola e comida.
Na minha infância e adolescência era inconcebível um jovem não ceder seu banco no ônibus a uma mulher ou pessoa mais idosa. Hoje, a indiferença é notória, agravada por uma presunçosa altivez de quem se julga feliz por ter chegado primeiro... É essa falta de ética que leva uma sociedade a clamar por redução da maioridade penal, em vez de aumento de vagas nas escolas e postos de trabalho. Joga-se gasolina para apagar o fogo...
No processo de incorporação de valores, a mídia exerce papel preponderante. Trata com desdém o bloqueio da Casa Branca a Cuba e, com indignação, o direito de Evo Morales e Chávez defenderem os interesses de seus países. E o silêncio cúmplice permite que os EUA mantenham Porto Rico - nação outrora soberana - anexada a seu território e transforme a base naval de Guantánamo em cárcere sem lei para supostos terroristas.
Que grau de comoção produziria a notícia de que uma base naval cubana se instalou, esta manhã, nas costas da Califórnia?
Frio de maio retorna no inverno
Estação será irregular, intercalando frio intenso com períodos de calor
O frio que atingiu o Sul do país na semana passada tende a se repetir durante o inverno. Esta é a projeção do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). “O inverno será irregular, com ondas de frio muito forte e de calor”, afirmou ao CR o assessor técnico institucional do Inmet, Francisco de Assis Diniz. Na origem desse quadro estão o fenômeno La Niña e o aquecimento global.
Diferente do ano passado, quando o El Niño provocou o frio tardio, neste ano o período será intercalado, seguindo o que ocorreu no outono, em especial no mês de maio e início de junho. Para o final do mês, a previsão é de que uma nova onda de ar frio avance sobre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Curiosamente, no entanto, devido à fase determinada por oscilações atmosféricas durar de 30 a 40 dias, é possível que o inverno comece (dia 21 de junho) com temperaturas amenas.
Recordes - A onda de massa polar que se espalhou pelo Sul nos últimos dias gerou temperaturas negativas e quebra de recordes. São Joaquim (SC), com 5 graus centígrados abaixo de zero, só enfrentou frio mais intenso no mês de maio em 1968 (no dia 22 de maio daquele ano o município registrou 6,8 graus negativos). Bom Jesus, no Rio Grande do Sul, também teve marca histórica (- 4,2ºC), o que não ocorria desde 1993. Em ambos, a sensação térmica beirou os 20 graus negativos.
Em Caxias do Sul, ainda na Serra gaúcha, a temperatura de terça 29 (-1,6ºC) é a mais baixa no mês desde 1932, quando, de acordo com os registros do Inmet, foi registrado no município 3 graus negativos no dia 26. Antes disso, o que ficou mais próximo foi maio de 1971 (0,13 negativo) e de 1979 (-0,6).
Média histórica - Municípios do Sul não tiveram apenas em maio a temperatura isolada mais baixa. A média do mês ficou abaixo da média histórica (calculada com base em dados de 1961 a 1990, seguindo o mesmo parâmetro adotado para a climatologia no mundo inteiro) em São Joaquim (7º neste ano contra 7,6º de média histórica) e em Bom Jesus (7,1º contra 10,8º). Outras cidades pesquisadas pelo Inmet, no entanto, mantiveram-se acima da média (Curitiba e Castro (PR), Campos do Jordão (SP)...).
A neve que caiu em alguns municípios do Sul não impressionou o assessor técnico do Inmet. “Neve em maio é comum. Ocorre com freqüência”, afirmou Francisco de Assis, após consulta a estatísticas do Instituto dos últimos 46 anos.
Ansiosamente aguardada por turistas - e pelos que atuam neste setor -, a neve deve voltar no inverno, construindo cenários de rara beleza, em especial nas serras gaúcha e catarinense. Mas o frio pode também repetir situações trágicas como a de quarta 30, na aldeia caingangue Missões, em Redentora (RS), quando um bebê de apenas 25 dias morreu por hipotermia.
Feira movimenta o inverno
Evento é realizado em Flores da Cunha
A 18ª Feira de Inverno de Flores da Cunha, uma das mais tradicionais feiras comerciais do Estado, tem data definida para a sua realização. O evento ocorre no período de 23 de junho a 22 de julho, aos sábados e domingos, no Parque da Vindima Eloy Kunz. A promoção é do Centro Empresarial.
Sob o slogan a “Feira que é moda”, a Feira de Inverno, presidida pelo empresário Vanderlei Donde, reedita a fórmula de sucesso dos eventos anteriores, apresentando os principais setores econômicos do município: malhas, confecções, móveis, vinhos e gastronomia.
Em reunião realizada junto aos expositores, foi apresentado o mapa dos espaços comerciais, o tema da campanha publicitária e os principais atrativos do evento. Os expositores interessados em participar devem entrar em contato com o Centro Empresarial pelo telefone (54) 3292-2611.
Atividades para lembrar meio ambiente
No mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, a Emater/RS, em parceria com entidades, promove ações em municípios da Serra. Em Campestre, serão realizadas palestras para os estudantes e campanha com o recolhimento de embalagens de agrotóxicos.
Em São Jorge, a programação estende-se até 14 de junho, nas escolas, com a abordagem de temas como produção de lixo, ocupação e desequilíbrio ambiental e a construção de composteira na Escola Daniel Faraco. André da Rocha encerra oficinas de educação dia 7.
Em Montauri, dia 12 haverá palestra sobre educação ambiental na escola Alexandre de Gusmão e, dias 14, 21 e 28, aulas de educação ambiental na Escola Borges de Medeiros. A natureza foi lembrada ainda nos municípios gaúchos de Ibiraiaras, Vale Real, Antônio Prado e Vista Alegre do Prata.
Cristãos do Iraque pedem por socorro
Seqüestros, agressões e mortes ameaçam presença do cristianismo no país
“Não matem os cristãos no Iraque”, diziam os cartazes de cerca de mil católicos caldeus da diáspora na semana passada, diante do Parlamento, em Estocolmo, na Suécia. A manifestação visava chamar atenção para as perseguições e violência contra os cristãos, cada vez mais intensas em Bagdá e em outras partes do Iraque, mas esquecidas pelo governo e pelos aliados.
“Realmente se esqueceram de nós. Continuamos com nosso trabalho pela paz, conscientes de que tudo é muito frágil, e tentamos edificar uma cultura do diálogo”, afirmou o arcebispo caldeu de Kirkuk, dom Louis Sako, ao Serviço de Informação Religiosa (SIR) da Conferência Episcopal Italiana. “Em Kirkuk a situação é melhor, mas em Bagdá e em Mosul os cristãos já não podem viver. Não há autoridade, não há ordem”, acrescentou.
Em meados de maio, um padre da Igreja Católica Caldéia havia sido seqüestrado depois de uma visita a um enfermo. Foi libertado no dia 21, abalado e com muitas marcas de golpes. E no domingo 3 de junho, padre Ragid Keni, pároco da igreja do Espírito Santo, em Mosul, e três diáconos foram assassinados a tiros por desconhecidos.
Em Dora, a área histórica dos cristãos de Bagdá, a maior parte das igrejas está fechada, famílias fugiram, importantes instituições católicas foram transferidas para o norte do país e, após numerosos seqüestros de sacerdotes e religiosos, o Patriarcado se vê obrigado a enviar muitos ao exterior. “É hora de dizer basta! Nosso grito não é ouvido pelo governo nem pelos aliados. Pedimos, sem êxito, postos de controle para vigiar algumas áreas da cidade onde se registram as piores violências contra os cristãos”, denuncia ao SIR dom Shlemon Warduni, bispo auxiliar caldeu de Bagdá.
Limpeza - Segundo dom Warduni, os cristãos são obrigados a converter-se ao Islã, a abandonar suas casas, a ceder suas filhas a muçulmanos, a pagar um imposto de proteção, sob pena de morte. “Antes isso não acontecia; agora estamos em grande dificuldade, sem que ninguém se oponha nem nos defenda. Estamos no Iraque há quase dois mil anos e, como cristãos, trabalhamos por esta terra, damos forças e sangue para sua unidade. Por que todo esse ódio agora?”, questiona dom Warduni.
Entidades religiosas denunciam um amplo esquema de violência e intimidação contra as comunidades cristãs de Bagdá e de outras cidades, onde terroristas e grupos integristas estão adotando uma campanha de “limpeza”, porta a porta, de bairro em bairro, aterrorizando as pessoas.
A constituição iraquiana estabelece para todas as religiões igualdade de direitos, sem similar na legislação de outros países árabes e muçulmanos. Mas a realidade é diferente. Os cristãos iraquianos são os únicos que não utilizam nem armas nem bombas, mas suas igrejas são bombardeadas e incendiadas e cruzes são retiradas das cúpulas e das fachadas dos templos.
Exílio - No país, eles formam o grupo mais vulnerável e perseguido. No ano 2000, eram mais de 1,5 milhão (3% da população). Hoje são menos de 500 mil. Segundo estimativas do governo iraquiano, metade dos cristãos deixou Bagdá e três quartos deixaram Bassora e o sul do país, para viver entre os curdos do norte, onde há uma relativa segurança, ou emigraram para outros países. Calcula-se que cerca de 700 mil se refugiaram na Síria, milhares na Jordânia, 80 mil no Egito e 40 mil no Líbano.
Santa Sé estabelece relações com Emirados
A Santa Sé e os Emirados Árabes Unidos decidiram estabelecer relações diplomáticas, segundo um comunicado conjunto. A decisão tem por objetivo “promover relações de amizade mútua e desenvolver a cooperação internacional”. Conforme o acordo, o Vaticano abrirá uma nunciatura apostólica em Abu Dhabi e os Emirados uma embaixada em Roma.
Os Emirados Árabes Unidos são uma federação constituída de sete emirados independentes com uma população de mais de quatro milhões de habitantes. Mais de 70% dessa população é constituída de trabalhadores estrangeiros. A maioria da população é muçulmana, religião do Estado, mas vive no país mais de um milhão de cristãos, em sua maioria católicos, pertencentes a mais de 100 nacionalidades.
Os Emirados fazem parte do vicariato apostólico da Arábia, que tem sua sede em Abu Dhabi e está confiado a um bispo capuchinho, dom Paul Hinder. No país há sete igrejas e nelas é celebrada missa em diversos ritos e línguas. Com o estabelecimento de relações diplomáticas, espera-se que o governo permita a construção de novas igrejas. A constituição do país afirma a liberdade religiosa.
Com os Emirados Árabes Unidos, sobem para 176 os países que mantém relações diplomáticas com a Santa Sé. Entre os que não estabeleceram relações com o Vaticano estão China, Vietnã, Coréia do Norte e Arábia Saudita.
Sínodo reflete sobre a situação iraquiana
Apesar das perseguições, a Igreja caldéia, em comunhão com Roma, convocou um Sínodo no norte do Iraque. Entre os argumentos da agenda da reunião eclesial, destacam-se o problema da segurança das comunidades cristãs no país, o futuro do seminário Babel College, única faculdade de teologia do país, transferida de Bagdá para o Curdistão, e a condição das dioceses dentro e fora do Iraque.
Apesar das difíceis condições de segurança, o Sínodo foi aberto no dia 1º de junho, perto de Mosul, como sinal de solidariedade com o povo iraquiano. O Iraque é o único país do mundo onde ainda se celebram as liturgias em aramaico, a língua de Jesus.
Gaúcho é nomeado bispo de Joinville
Dom Irineu Scherer, natural de Cerro Largo, era bispo de Garanhuns
O Papa Bento XVI nomeou como bispo da diocese de Joinville (SC), dom Irineu Roque Scherer, até agora bispo de Garanhuns (PE). Ele vai ocupar o lugar de dom Orlando Brandes, catarinense de Urubici, que há um ano foi transferido para a arquidiocese de Londrina (PR).
Dom Irineu é gaúcho de Cerro Largo. Filho de Avelino e Maria Alvina Spohr Scherer, nasceu aos 15 de dezembro de 1950. Foi ordenado sacerdote no ano de 1978, em Assis Chateaubriand (PR). Como padre, foi diretor espiritual e depois reitor do seminário São José de Cascavel; reitor do seminário Maria Mãe da Igreja de Toledo e diretor espiritual no seminário Cura D’Ars, de Quatro Pontes; pároco das paróquias de Quatro Pontes; de Vila Nova, Toledo; de Marechal Cândido Rondon; e da catedral de Toledo, onde também foi vigário geral dessa diocese paranaense.
No dia 15 de abril de 1998 foi nomeado bispo de Garanhuns e sua ordenação episcopal ocorreu no dia 20 de junho do mesmo ano, em Toledo (PR). Escolheu como lema episcopal “Fides mundum vincit” (Todo o que nasceu de Deus, vence o mundo - 1Jo 5,4). Será o 4º bispo da diocese de Joinville, que atualmente abrange 15 municípios, tem 39 paróquias, cerca de 80 padres e dezenas de religiosos. A posse será no dia 19 de agosto, durante missa de encerramento da Semana Nacional da Família.
Oratório, construído no centro de Muçum, atrai devotos
No dia 13 de junho, festa de Santo Antônio, os católicos da cidade de Muçum (RS) têm um novo local para reverenciar esse santo popular da Igreja católica - o oratório Nossa Senhora da Saúde e Santo Antônio. Localizado na entrada da cidade, o oratório, inaugurado recentemente e abençoado pelo padre José Grilli, está aberto à visitação das 7 às 19 horas, todos os dias.
A construção do pequeno templo resgata uma parte da história muçunense, pois em 1970, diante da necessidade de abrir uma rua, a prefeitura desmanchou um antigo capitel de madeira, dedicado pelos descendentes de imigrantes italianos a Santo Antônio e Nossa Senhora da Saúde. Conhecido como “Igrejinha das Chácaras”, o capitel foi demolido com a condição de que seria construído em outro local, mas por diversos fatores, só agora a prefeitura edificou a obra, com o apoio e doações de famílias, empresas e entidades locais e da região.
O oratório foi construído a cerca de uma quadra do antigo capitel, na esquina das ruas Henrique Zílio e Presidente Kennedy. No dia 21 de cada mês é celebrada missa no local e no mês de maio, grupos de pessoas se reuniram diariamente para rezar o terço, informa o agente do CR, Flávio Bassani. Dois belos vitrais retratam Nossa Senhora e Santo Antônio e as imagens que estão no interior do oratório vieram da Itália.
Leigos promovem assembléia nacional
O Conselho Nacional do Laicato do Brasil realiza, de 7 a 10 de junho, em Campinas (SP), o 5º Encontro Nacional dos Leigos. O evento, que reunirá cerca de 700 pessoas, abordará o tema “Ser cristão hoje: desafio e esperança!”. O encontro contará com a participação de especialistas para analisar a presença e o protagonismo dos leigos da Igreja Católica no Brasil.
Uma ampla análise de conjuntura social e política do país será feita por Jung Mo Sung, seguida pela análise de conjuntura da Igreja, abordada por Fernando Altemeyer. Padre Agenor Brighenti desenvolverá o tema “Os desafios para o cristianismo e para a Igreja neste novo século”. Durante o encontro, os delegados regionais irão definir as diretrizes e as linhas de ação para os leigos no Brasil nos próximos quatro anos.
Ordem aposta no carisma missionário
Definidor-geral para a América Latina visita capuchinhos gaúchos
Frei José Gislon, 50 anos, catarinense de Ibirama (hoje município de Dona Ema), no Alto Vale do Itajaí, mestre em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, foi eleito para o cargo de definidor-geral da Ordem dos Capuchinhos em setembro de 2006. Reside em Roma, mas está no Brasil pela terceira vez como representante do país no Conselho.
Durante 10 dias visitou comunidades dos freis do Rio Grande do Sul, com o objetivo de conhecer mais de perto a vida da província gaúcha e, em especial, das casas de formação, e estreitar os laços dos freis com o governo geral da Ordem. Antes de vir ao Estado, o definidor-geral realizou visita pastoral à Província de São Paulo e manteve contato com os capuchinhos de Minas Gerais, onde presidirá o capítulo provincial em outubro deste ano. No dia 12 de maio, com a presença do ministro-geral, frei Mauro Jöhri, esteve na solenidade de instalação da Custódia do Paraguai, ligada à Província dos Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina.
Ao final de 2007, frei José terá visitado cinco províncias brasileiras, onde presidirá assembléias provinciais, e duas vice-províncias, uma delas a do Brasil Oeste, ligada à província capuchinha gaúcha, que terá seu segundo capítulo, de 20 a 24 de agosto próximo.
Ação - Num mundo marcado por preocupações com a situação ambiental, por desigualdades e por conflitos, os capuchinhos não estão ausentes, segundo frei José. Recorda que a Ordem promoveu três encontros internacionais sobre etnias (o último em Nairóbi, Quênia), três encontros internacionais do Serviço de Justiça, Paz e Ecologia - o último em Porto Alegre, em março de 2006, com o tema “Fraternidade evangélica, justiça econômica e combate à pobreza” - e um sobre diálogo ecumênico, realizado na Indonésia. No futuro, estão previstas conferências sobre o tema da imigração, que diz respeito tanto a países do Primeiro quanto do Terceiro mundo.
Carisma - No Brasil, diz frei José, as frentes de atuação social são prioritárias, segundo o carisma da Ordem capuchinha, embora a pastoral paroquial ainda ocupe um espaço relevante. Mas é a questão missionária que está no centro das preocupações e que a Ordem deseja reativar como componente fundamental de seu carisma. Ação missionária dentro e fora do país. Hoje há missionários capuchinhos brasileiros no Paraguai, República Dominicana, Haiti, Cuba, México e Timor Leste.
A valorização da dimensão missionária como carisma a ser evidenciado exige projetos de preparação de missionários. As ações iniciam já na etapa de formação dos jovens, para que, explicitamente, no futuro estejam disponíveis para as missões no Brasil e no exterior.
Capuchinhos somam mais de 10 mil frades
Presentes em 103 países e com 10.500 membros, os capuchinhos são a quarta ordem mais numerosa no mundo, depois dos jesuítas, salesianos e franciscanos menores. Na Índia, África e Brasil - aqui os freis passam dos 1.100 - é onde a Ordem mais está crescendo nos últimos anos. A Itália continua como o país com mais frades (2.500) e províncias. As maiores dificuldades estão nos países europeus, onde os frades envelhecem e as vocações diminuem, em decorrência do processo de secularização da sociedade e da baixa taxa de natalidade.
Ministro-geral preside capítulo no RS
O ministro-geral, frei Mauro Jöhri, há menos de um ano no governo da Ordem, esteve em São Paulo dias 7 e 8 de maio, em visita canônica à província paulista; e na criação da custódia do Paraguai, junto com os capuchinhos paranaenses, no dia 12. Em novembro, de 13 a 15, retornará ao Brasil, juntamente com os oito definidores da Ordem, para a reunião da Conferência dos Capuchinhos do Brasil (CCB), em Manaus. Entre os objetivos do governo geral está o de conhecer de perto a realidade da Amazônia, um tema de relevância mundial.
Na primeira semana de setembro de 2008, em Garibaldi, frei Mauro irá presidir o 21º Capítulo Provincial dos capuchinhos do RS, atualmente a mais numerosa província da Ordem no mundo, com mais de 340 frades. A província gaúcha é responsável por duas vice-províncias - a do Brasil Oeste (Mato Grosso e Rondônia) e a da República Dominicana e Haiti.
Trata-se de um fato inédito que um ministro-geral presida uma assembléia capitular em uma província da Ordem no Brasil. Na oportunidade, permanecerá mais duas semanas no país visitando outras províncias, sendo que até o final de sua gestão de seis anos quer visitar todas as circunscrições da Ordem no Brasil (dez províncias e duas vice-províncias).
Leonardo Boff
Da Comissão da Carta da Terra
Não adiantou o palhaço de Kierkegaard gritar que o circo estava pegando fogo. Todos riram. Assim está acontecendo com o planeta. O aquecimento global não é uma enganação. Se deixarmos as coisas correrem como estão, estaremos indo alegremente de encontro ao fim
Depois dos alarmantes relatórios do Painel Intergovernamental sobre as Mundanças Climáticas (IPCC), o pior que nos pode acontecer é deixar as coisas correrem como estão. Então iríamos alegremente ao encontro de nosso próprio fim. Tal atitude me faz lembrar o conhecido aforismo de Sören Kierkegaard (1813-1855), famoso filósofo dinamarquês, sobre o clown, um palhaço de circo.
O fato, conta ele, é que estava ocorrendo um incêndio nas cortinas do fundo do teatro. O diretor enviou então o palhaço que já estava pronto para entrar em cena, avisar a toda a platéia do fato. Suplicava que acorressem para apagar as chamas. Como se tratava de um palhaço, todos imaginavam que era apenas um truque para fazer rir as pessoas. E estas riam que riam. Quanto mais o palhaço conclamava a todos, mais esses riam. Pôs-se sério e começou a gritar: “O fogo está queimando as cortinas, vai queimar todo o teatro e vocês vão queimar junto”. Todos acharam tudo isso muito engraçado, pois diziam que ele estava cumprindo esplendidamente seu papel.
O fato é que o fogo consumiu o palco e todo o teatro com as pessoas dentro. Termina Kierkegaard: “Assim, suponho eu, é a forma pela qual o mundo vai acabar no meio da hilariedade geral dos gozadores e galhofeiros que pensam que tudo, enfim, não passa de mera gozação”.
Essas palavras de Kierkegaard se aplicam perfeitamente a muitos cientistas, empresários, bispos e até a gente do povo que pensam ser o aquecimento global uma grande enganação ou um alarme desnecessário. Dizem que o fenômeno é, em grande parte, natural e que a Terra tem condições por si mesma de encontrar o equilíbrio ótimo para a vida. E vivem como os ricos do Titanic, rindo e se afundando.
Por outro lado, muitos são os que tomam as advertências a sério, Estados e grandes instituições, também entre nós. Sabem que se começarem agora, com apenas 2% do PIB mundial poderão equilibrar o clima global e continuar a aventura planetária com perspectivas de esperança.
O fato inegável é que estamos face a um problema global. Não afeta apenas este ou aquele ecossistema ou região, mas seu conjunto - a biosfera e o inteiro Planeta. Somos todos interdependentes e as ações de todos afetam a todos para o bem ou para o mal. Tardiamente, só a partir dos anos 70 do século passado ficou-nos claro que a Terra é um superorganismo vivo, Gaia, que regula os elementos físicos, químicos, geológicos e biológicos de tal forma que se torna benevolente para todas as formas de vida, especialmente da nossa.
Mas agora, dada a intervenção prolongada e persistente do processo produtivo mundial, ela chegou a um ponto em que não consegue, sozinha, se auto-regular. Precisa de nossa intervenção que vai muito além de apenas preservá-la e cuidá-la. Temos que efetivamente resgatá-la e curá-la. Pois, em termos cósmicos, é um planeta já velho, com recursos limitados e dificuldades de auto-regeneração.
Como somos o principal agente desestabilizador pode acontecer que ela não nos considere mais benevolentemente e queira continuar sem nós. A dinâmica do processo de produção e consumo ilimitados não consegue manter o equilíbrio do planeta. Somos obrigados a mudar na linha do que sugere a Carta da Terra: assumir um modo sustentável de vida. Este somente se alcançará mediante a cooperação mundial e a percepção espiritual de que o planeta é Terra-mátria, prolongamento de nossa própria existência terrenal.
Em 60 anos, o Brasil esvaziou o campo e inchou as cidades
Urbanização acelerada deixou apenas 1/5 da população na zona rural
O crescimento da urbanização é universal. No Brasil, porém, o processo sofreu uma aceleração peculiar e em pouco mais de meio século o país passou de rural para urbano. Em 1940, durante o Governo Getúlio Vargas, menos de um terço da população (31,3%) morava em cidades; em 2000, o percentual saltou para 81,2%. Nesse mesmo período, o contingente da população urbana, que era de 12,8 milhões, pulou para 137,9 milhões. Em números absolutos, a população rural também aumentou, de 28,2 milhões para 31,8 milhões. Mas o campo, hoje, não tem sequer um quinto dos habitantes do país.
No campo econômico, houve uma transferência de mão-de-obra do campo para a indústria, serviços e comércio. Em 1940, agricultura, pecuária e silvicultura representavam 32,6% da população ocupada. Sessenta anos depois, o índice despencou para 17,9%.
Esses dados foram divulgados pelo IBGE, responsável pelo estudo “Tendências demográficas”, uma análise da população com base nos resultados dos censos de 1940 e 2000. A pesquisa mostra que uma das conseqüências dessa urbanização é a multiplicação de municípios. Dos 1.574 contabilizados em 1940, passou para 5.507 em 2000. Dos 5.564 atuais, 4.018 (72,2%) possuem menos de 20 mil habitantes e 2.637 (47,4%) têm até 9.999 moradores. Apenas 13 ultrapassaram a barreira de um milhão de habitantes.
O IBGE detecta ainda que há 60 anos a concentração urbana era apenas nas capitais e regiões metropolitanas. Já em 2000, o crescimento foi maior para municípios de porte médio. Um exemplo é Caxias do Sul, que industrializou-se, atraiu mão-de-obra e é a segunda maior cidade gaúcha. “As pessoas saíram do campo atrás de oportunidades de emprego e melhores prestações de serviços públicos”, avalia a pesquisadora do IBGE/RS Dulce Teixeira.
Quatro vezes - O IBGE constatou ainda que a população do país cresceu quatro vezes em 60 anos: era de 41,2 milhões em 1940 e chegou a 169,4 milhões em 2000 (hoje são cerca de 190 milhões, conforme estimativas do Instituto). Outra conclusão do estudo: o envelhecimento da população brasileira, que na faixa dos 15 aos 59 anos, passou de 53% para 61,8%. O percentual da faixa de zero a 14 anos encolheu de 42,9% (1940) para 29,6% (2000), já os brasileiros com 60 anos ou mais, que representavam 4,1% do total em 1940, hoje são 8,6%.
O estreitamento da base da pirâmide etária brasileira se deve basicamente a dois fatores: o declínio da fecundidade e a redução da taxa de mortalidade. O aumento do número de idosos está ligado à ampliação da expectativa de vida.
O IBGE apurou ainda que o Brasil conseguiu reduzir em cinco vezes a taxa de analfabetismo (de 56,8% para 12,1%) e a taxa de escolarização entre crianças de 7 a 14 anos aumentou de 30,6% para 94,5%. Já o percentual de casados cresceu de 42,2% para 49,5% e os brasileiros natos passaram de 96,6% para 99,6%. O percentual de pessoas que se auto-declararam como brancas baixou de 63,4% (1940) para 53,7% e a proporção de pretos reduziu de 14,6% para 6,2%.
A cada ano, 5,5 meses de vida a mais
Em 60 anos, os brasileiros passaram a ter uma expectativa de vida quase 30 anos maior. Segundo a pesquisa Tendências Demográficas, do IBGE, a esperança de vida da população, que era de 42,7 anos em 1940, atingiu o patamar de 70,4 anos em 2000. A diferença significa que o brasileiro ganhou a cada ano 5,5 meses de vida a mais.
Em 1940, as altas taxas de natalidade “garantiam às famílias futuros trabalhadores”, segundo o IBGE, já que a constituição de 1934 determinava que era dever do Estado “socorrer as famílias de prole numerosa”. A idéia predominante na época era de que o alto crescimento vegetativo seria fator de progresso. As mulheres entre 15 e 49 anos, em 1940 tinham em média 6,2 filhos. A natalidade somente começou a cair a partir da década de 60, de acordo com os censos demográficos feitos pelo Instituto. A consolidação dessa tendência ocorreu na década de 70.
No ano 2000, as mulheres passaram a ter em média 2,3 filhos, ou seja, pouco mais de um terço da registrada 60 anos antes. “Nas áreas urbanas, os altos custos com os filhos, englobando principalmente educação e saúde, além da busca feminina por oportunidades de trabalho, contribuíram para o declínio da fecundidade, conjugado ao acesso aos métodos anticonceptivos a partir da década de 60 e aos novos padrões de famílias pequenas”, diz o estudo.
Geringonça o Cirimbiégola. In soma, na roba storta
Silvino Santin
Santa Maria (RS)
Nanetto, come l’era el so costume, el levea su bonora. No’l se stufea de ripeter, se el sol el leva su prima de mi, ze parché son malà. Giulietto, al contràrio, el spetea che’l sol lo desmissiesse, intanto che Genarino e Nanetto i svodava na salera de simaron, e par finirla ben no ghe manchea la cichereta de cafè negro cola graspa.
Finia la colassion, Giulieto e Nanetto i se introda verso la canónica. Nanetto, pi che caminar, el se strassinava, ma anca i gera quatro giorni sarà su menando un trapel inquà nantro inlà, tegner na màchina, indrissar un cavaleto, ndar su par na scala, vegner do, ndar fora tor aqua fresca par bever. Tuti laoreti che no ocorea far forsa.
Nanetto, no se pol dir che no’l servea par secretàrio, ma dopo quatro giorni, romai el sentia fastìdio, e el segno che’l gera drio stufarse ze che’l parlea poco. Par lu, come lo ga dito dopo a Genarino, el saria ndà via par le colònie inserca de piante fate sassi, o ossi de bèstie pi vece de Matusaleme, o sassi che i bùlgheri i gavea spacai par farse manare, fache o arme. E, se’l gavesse sorte e el Signor lo giutasse, el podaria catar na pignata de soldi.
Come le ore le stentava passar, el meio zera pensar la possibilità del filò a casa de Genarino, ndove no ghe mancaria le man dela Ginoefa.
Dopo sena, ranquante persone le ze vegneste par ciacolar e sentir le spiegassion de Giulieto. Par dir la verità, anca Giulieto l’era medo stufo, no’l parea tanto disposto a parlar. Lora el ga dito, el giri note go parlà squasi mi sol.
- Bela fadiga, el dise Nanetto, mi gavaria parlà, ma ti no te me ghè assà.
- Ti te parli sempre, romai mi sò quel che te pensi e no te pensi. Mi volaria scoltar la gente del posto. Par quel che vedo, sta note tuti i ga portà qualcossa da magnar e da bever, lora anca, son sicuro, tuti i pol contar na stòria.
- Se tuti i ze d’acordo, par scomissiar, mi ve fao na domanda. De ndove vègnelo el nome de Novo Treviso? Mi go sentio dir che tel scomìssio el gavea nantro nome.
- Par quel che i conta, el dise el nonin Venturini, ben tel scomìssio, vanti rivar i migranti, i ghe ciamea Geringonça, un nome brasilian che volaria dir un bruto posto, na roba storta. Dopo, come i taliani i lo ga catà massa bruto, e come squasi tuti i migranti i vegnea dela provìncia de Treviso, i lo ga cambià par Novo Treviso.
- Giusto, dise Giulieto. Ze pròpio questa la stòria scrita nei libri dela cesa. Vui sol dontarghe due parole. El nome de Geringonça l`è vegnesto par via che’l trodo che passava par qua el traversea diverse volte el medèsimo rieto. I taliani anca i ghe ciamea de Cirimbiégola, che, in fondo, volea dir la stessa cosa.
Nanetto, quando el ga sentio la parola rieto, el ga pensà suito tei zundià. Ma el ga parà do le parole insieme coi mandolini e le patate.
La veceta Sunta, che tuti i la ciamea de nona, con pi de novanta ani, la dise: mi gavaria caro de dir do trè parolete. Fursi, tanti gnanca i lo sa. Novo Treviso el gera, ben tel scomìssio, el terso posto pi importante dela Quarta Colònia, par via dela unità de tuta la gente. No gèrimo tanti, ma se laorea tanto, se gavea tanta fede e religion. Ghemo fato su quela cesona che vedì lì su, gaveimo el coleio dele móneghe. Gaveimo el meio coro de cantori che i ndava cantar da partuto. Ghemo comprà le prime tre campane dela Quarta Colònia. Da qua ze vegnesto fora, fin al mila novessento e sincoanta, vinti preti, un vesco e pi de trenta móneghe. Par via de tuta sta religiosità, el vesco de Santa Maria la ga fato paròchia, prima de Faxinal do Soturno.
Nanetto, sta olta no l`è stà bon tègnerse e, tuto maraveià, el dise: bravìssima, nona, cossita che me piase, se ghe fusse qua me nona, che la ze restà in Itàlia, la ghin savaria tante anca ela. Ma la ze dis-tante. E come Giulieto no’l me ga bravà, mi gavaria caro de dirve che ghe volaria far qualcossa par no lassar morir dal tuto sto bel paeseto.
Tuti i ze ndai d’acordo con Nanetto. E el filò i lo ga tirà longo.
Wilson João
Somente o amor eterniza os atos e as escolhas que cada um fez na vida
O meu presente determina meu futuro. Meu futuro depende da maneira como vivo meu presente. Tudo está interligado. Não há possibilidade de viver o hoje sem pensar no amanhã. O hoje é caminho do amanhã. É fundamento e determinação do amanhã. As pessoas que vivem o hoje, desligado do amanhã, são pessoas sem perspectivas e sem esperança, pois o hoje determina o amanhã. Meu amanhã será meu legado do hoje. E qual legado estou semeando no meu hoje?
VOU DEIXANDO UM LEGADO NAS PESSOAS. Que bom poder deixar um legado de boas relações com todas as pessoas! Um legado de solidariedade e serviço, de convivência construtiva e de fraternidade. Que bom poder marcar muitos corações, milhares de corações humanos com minha presença positiva, presença de fé e de esperança, de luta e de conquistas. Cada coração humano merece ser marcado pela minha presença e minha passagem por este jardim de Deus, feito de rosas e espinhos, mas com um destino de ser somente um jardim de rosas e um pomar de frutas sadias.
VOU DEIXANDO UM LEGADO EM MINHA COMUNIDADE. Não são necessários monumentos e nem deixar o nome gravado nas ruas e praças. Não são necessárias placas de homenagem e lembrança. Mas é necessário e recompensador, que na história da comunidade, as pessoas lembrem e registrem: tal pessoa passou por aqui e foi muito útil em nossa comunidade. Tal pessoa deixou marcas pelo seu serviço, dedicação e amor pela comunidade. Aquela árvore plantada, aquela obra feita, aquela casa bem cuidada, aquela canção ou oração, aquele fato, lembram e trazem no presente o legado dessa pessoa.
VOU DEIXANDO UM LEGADO NA HUMANIDADE. Alguém ouviu falar de um monumento ou de uma rua dedicada ao nome de Hitler? Nunca ouvi falar e creio que não exista. Ele é um legado negativo para a história. Fica esquecido e rejeitado. Mas as cidades estão marcadas por monumentos e ruas para pessoas construtivas e positivas como um Gandhi, um papa João XXIII e tantas outras pessoas. Cada pessoa deve deixar um legado para a humanidade, ali onde viveu e fez sua história. Nada é isolado na história da humanidade. Quando me elevo, elevo o mundo. Quando me rebaixo, rebaixo o mundo. Meu legado deve elevar a humanidade.
VOU DEIXANDO UM LEGADO ETERNO. Nada se apaga nesta humanidade. Tudo fica registrado. Especialmente o que é feito por amor e em nome do amor. Somente cabe na bagagem do coração aquilo que fazemos em nome do amor. O amor é que eterniza os atos e as escolhas que se fez na vida. Que bom poder realizar a passagem por este mundo como alguém que não ficou esquecido no tempo, mas carregou todo o tempo para a eternidade, por causa da marca inapagável do amor.
Padre Zezinho
Escritor, compositor e intérprete
Ter grande capacidade intelectual não é o mesmo que acertar sempre
Os dogmas dos cristãos não são fáceis de explicar. O da Santíssima Trindade, que afirma que só existe um Deus, mas Ele é três pessoas, parece absurdo para outras religiões. Como elas também têm seus absurdos, estamos todos em boa companhia. E como os cientistas também tiveram e ainda têm seus absurdos, a companhia só faz crescer. Não foi o celebrado Ptolomeu que afirmou que a Terra era o centro do Universo e que o Sol, a Lua e as estrelas giravam em torno dela? Ter grande capacidade intelectual não é o mesmo que acertar sempre. Diga-se o mesmo sobre os religiosos. Erramos e podemos errar. Serve para todos nós que nos achamos incapazes de errar. Santo é uma coisa. Certo em tudo é outra.
Esses dias, tomei três velas iguais, originadas de uma só luz, e ilustrei o que dizia, falando de uma luz que está em três velas iguais. Uma delas veio para estar no meio dessas bilhões de velinhas apagadas que somos nós. Iluminou-nos com sua luz que era também do Pai porque ele, o Filho, era luz da luz. Voltou para o Pai, a luz que o enviara. De lá mandou uma luz que era luz da luz dele e do Pai e essa luz vem iluminar quem pedir porque é luz que vem da luz do Pai e do Filho.
Em certo momento, parei e comecei a rir. Que pretensão a minha! Querer explicar a Santíssima Trindade através de três velas iguais e de luzes que nos chegam delas... Foi quando um senhor muito simples, de fala errada, falou: - Não pára não, padre. Continua. Tá ficando bem mais claro. Já to sabendo, por exemplo, que é uma só luz e que Jesus é luz que veio dessa luz e que o Espírito Santo ilumina a gente com a luz do Pai e do Filho porque ele é luz como Jesus.
Rimos juntos. E concluí: Não é bem assim como estamos dizendo, mas é mais ou menos por aí. Pelo menos já entenderam que, se três velas iguais nos trazem a primeira e única luz, então três pessoas iguais na Trindade Santa podem ser uma só luz - Deus.
O difícil foi explicar o que se entende por pessoa, mas isso ficou para outra reflexão.
Celam quer Igreja mais missionária
Novo documento dos bispos deve revitalizar rumos da Igreja no continente
A V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe terminou na quinta 31 de maio convocando todos os católicos a uma grande missão continental que quer “abraçar” as populações de todo o continente “para transmitir-lhes o amor de Deus e o nosso”, como assinala a mensagem final emitida pelos participantes no final do encontro. Também foi publicado um resumo do documento final, para conhecimento dos temas tratados durante a Conferência.
O texto do documento será entregue ao Papa Bento XVI no dia 11 de junho pelo cardeal Francisco Javier Errázuriz Ossa, arcebispo de Santiago do Chile e presidente do Celam. Aguarda-se a publicação oficial do texto na íntegra para o final de julho ou agosto. “Como foi o Papa que convocou a assembléia de Aparecida, é ele que dá a aprovação final ao documento da Conferência”, destaca dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.
Após a aprovação do Pontífice e difusão do documento, o texto vai ser refletido “nas comunidades, nas dioceses, junto com o clero, com todas as organizações da Igreja, e pouco a pouco as coisas vão sendo traduzidas na prática”, complementa dom Odilo. As Conferências Episcopais de cada país estudarão a maneira de implementar as conclusões e orientações do documento.
Análise - O documento final de Aparecida é dividido em três grandes partes e dez capítulos, que seguem o método de reflexão teológico-pastoral “ver, julgar e agir”. Na primeira parte, intitulada “A vida de nossos povos”, os participantes da V Conferência fazem uma análise das grandes mudanças que estão ocorrendo no continente e no mundo e que interpelam fortemente a evangelização.
São analisados vários processos históricos complexos e em curso, nos níveis sócio-cultural, econômico, sócio-político, étnico e ecológico e são apontados os grandes desafios, como a globalização, a injustiça estrutural, a crise na transmissão da fé, as muitas situações que afetam a vida cotidiana dos povos e as dificuldades da Igreja diante dessas realidades.
Discípulos - A segunda parte, a partir do olhar sobre o hoje da América Latina e do Caribe, com o título “A vida de Jesus Cristo nos discípulos missionários”, indica a beleza da fé em Jesus como fonte de vida para todos (homens e mulheres) que se unem a Ele e percorrem o caminho do discipulado missionário. Em quatro capítulos sucessivos, são tratadas as grandes dimensões inter-relacionadas que concernem aos cristãos como discípulos missionários de Cristo.
Nessa parte é configurada a comunhão de todo o povo de Deus, os distintos membros da Igreja com suas vocações específicas, o diálogo ecumênico e inter-religioso, a catequese e a formação pastoral e, como enfoque de destaque, a revitalização da vida dos batizados para que permaneçam e caminhem no seguimento de Jesus.
Nossos povos - A última parte entra plenamente na missão atual da Igreja latino-americana e caribenha, sob o título “A vida de Jesus Cristo para nossos povos”. Sem perder o discernimento da realidade nem os fundamentos teológicos, aqui se consideram as principais ações pastorais com um dinamismo missionário. Núcleo decisivo do documento, apresenta a missão dos discípulos a serviço da vida plena. Nessa parte está uma das grandes opções da Conferência - converter a Igreja em uma comunidade mais missionária, implicando numa conversão e renovação das dioceses, comunidades eclesiais e organismos pastorais.
Na seqüência, o texto destaca algumas prioridades, como a promoção da dignidade humana, a opção preferencial pelos pobres e excluídos, a justiça e a solidariedade. Há um capítulo dedicado à família, que visa promover uma cultura do amor no matrimônio e na família; uma cultura do respeito à vida na sociedade; o acompanhamento pastoral às pessoas em suas diferentes condições - crianças, jovens, adultos, homens e mulheres -; e o cuidado do meio ambiente como casa comum.
No décimo capítulo, denominado “Nossos povos e a cultura”, são abordados os desafios pastorais da educação e a comunicação, os novos areópagos, a pastoral das grandes cidades, a presença dos cristãos na vida pública, a solidariedade com os povos indígenas e afro-descendentes, e uma opção evangelizadora que aponte caminhos de reconciliação, fraternidade e integração entre os povos latino-americanos.
Conferências ditam caminhada eclesial
As Conferências do Celam constituem uma tradição própria e única da Igreja no continente latino-americano. Elas surgiram para fortalecer a comunhão eclesial e definem a ação evangelizadora da Igreja. Até hoje foram realizadas cinco conferências. A primeira ocorreu no Rio de Janeiro, em 1955, convocada sob o tema “Vocações e instrução religiosa”. Com ela nasceu a Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), que mais tarde incluiu a Igreja do Caribe.
Medellín, na Colômbia, sediou a segunda conferência, realizada em 1968 sob o tema “A Igreja na atual transformação da América Latina, à luz do Concílio Vaticano II”. O documento de Medellín, baseado nas diretrizes reformadoras do Concílio, reforçou a identidade da Igreja na América Latina e fez a profética opção preferencial pelos pobres.
A terceira conferência ocorreu em Puebla, no México, em 1979, com o tema “A evangelização no presente e no futuro da América Latina”. Puebla confirmou a opção pelos pobres e procurou dar respostas aos novos desafios da evangelização no continente latino-americano. Propôs um modelo de Igreja de “comunhão e participação”.
Santo Domingo acolheu a quarta conferência do Celam, em 1992, por ocasião dos 500 anos de descobrimento. Refletiu sobre o tema “Nova evangelização, promoção humana e cultura cristã”. O documento apresenta a promoção humana como parte integrante da evangelização e expressa sua preocupação pelo avanço das seitas.
Continente abriga 500 milhões de fiéis
Durante 18 dias, de 13 a 31 de maio, 266 bispos e convidados participaram da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (V Celam), realizada no santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). Reunida sob o tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida”, a V Conferência foi aberta no dia 13 de maio pelo Papa Bento XVI. A Conferência de Aparecida foi o objetivo maior da visita do Papa, que esteve no Brasil durante cinco dias.
Das pessoas que participaram, em Aparecida, 162 eram bispos, representando todas as Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe; 81 eram convidados, 8 observadores e 15 peritos. A representação brasileira foi formada por 22 delegados. O Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (Celam) engloba 500 milhões de católicos, quase a metade do catolicismo mundial.
DIETA INADEQUADA ameaça agricultor
Pesquisa indica que produtor alimenta-se mal, com excesso de gordura e escassez de frutas e verduras. 70% deles têm sobrepeso
Os pequenos produtores rurais têm a sua disposição grande variedade e quantidade de frutas, verduras e legumes frescos; portanto, esses alimentos devem ser abundantes em sua alimentação diária, certo? Errado. Pesquisa realizada em nove comunidades rurais do município de Flores da Cunha (RS) indica que os agricultores estão se alimentando mal, com excesso de gordura animal e escassez de frutas e verduras. Como conseqüência dessa dieta, cerca de 70% deles estão com o peso acima do ideal e muitos correm risco de desenvolver hipertensão e diabetes.
A pesquisa, realizada pela Secretaria Municipal da Saúde de Flores da Cunha em parceria com a Emater, faz parte do programa Alô Saúde, que objetiva orientar os produtores rurais para a melhoria de sua qualidade de vida. A coordenadora administrativa do projeto, Andréia Francescato, explica que o trabalho está sendo desenvolvido em duas etapas.
“Inicialmente foram levantados os indicadores de saúde da população. Agora, uma equipe formada por psicóloga, nutricionista, enfermeira e educador físico está voltando às comunidades para trabalhar aspectos motivacionais, elaborar um cardápio equilibrado aproveitando os alimentos disponíveis nas propriedades e para repassar dicas de qualidade de vida e prevenção de doenças, incluindo a prática de atividade física”, afirma Andréia.
Além do sobrepeso, 78% deles também têm a medida da circunferência da cintura acima do considerado normal. Segundo pesquisas científicas, quem tem gordura localizada na região abdominal está mais propenso a desenvolver doenças cardiovasculares do que as pessoas que têm a gordura melhor distribuída entre abdômem, coxas e quadris. Outro fator de risco para a saúde é que 64% dos pesquisados não praticam nenhuma atividade física regular.
A pressão arterial dos produtores rurais também merece atenção, segundo a enfermeira Silvana Brondani Vargas. “Apesar da média de idade da população da amostra ser de 47 anos, 13% já apresentam resultados equivalentes a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e 10%, valores limítrofes, ou seja, se estas pessoas não mudarem seus hábitos de vida desenvolverão hipertensão futuramente”, afirma.
Em relação à taxa de glicose, 7% apresentaram valores alterados e 6% limítrofes. “São poucas pessoas com índices elevados de glicose, mesmo assim, estão expostas a outros fatores de risco, como sobrepeso e sedentarismo, que, associados, favorecem tanto o aparecimento de diabetes quanto de hipertensão e todas as complicações advindas dessas doenças”, completa Silvana.
Além do sedentarismo, a dieta inadequada também ameaça a saúde dos produtores rurais. A pesquisa constatou que eles consomem demasiadamente gordura de origem animal e saturada. “Salame, queijos amarelos e leite integral, além das carnes, são itens freqüentes na dieta dos agricultores da região, o que contribui para a elevação das taxas de colesterol e triglicerídeos”, explica a nutricionista Cristina Carminatti.
“A banha também ainda é muito usada por essa população no preparo das refeições. Esse produto é altamente prejudicial, banha serve para fazer sabão”, afirma.
Segundo Cristina, o consumo de frutas, verduras e legumes também é insuficiente. “Além de consumirem pouco, não há variedade. O produtor come os produtos da época, que estão a sua disposição, assim pode passar meses consumindo só dois ou três tipos de frutas ou verduras, quando o ideal é variar bastante, já que cada alimento tem nutrientes diferentes”, esclarece.
A pesquisa comprova ainda que alimentos tradicionais na dieta, como arroz e feijão, perderam importância enquanto o consumo de alimentos industrializados aumentou significativamente.
“Essa população tem vários fatores de risco associados, que predispõem a doenças crônicas. Eles precisam ser orientados para a prevenção”, finaliza a enfermeira Silvana Vargas.
Dor nas costas é inerente à atividade rural
Os males ortopédicos também fazem parte da rotina do produtor rural, sendo a dor nas costas a queixa mais comum. Essa avaliação é resultado de vinte anos de observação clínica do ortopedista e traumatologista Joaquim Reichmann, de Chapecó (SC). A Clínica Reichmann atende cerca de 1.000 pacientes por mês. Metade desses pacientes são produtores rurais e 50% deles têm problemas de coluna dolorosos, o que inclui artrose, degeneração discal, hérnia de disco. Os males do joelho aparecem em segundo lugar (30%).
“Em razão da natureza do trabalho no campo, o produtor assume uma postura errada e faz movimentos repetitivos que forçam predominantemente a coluna, e não as pernas, como deveria ser”, afirma Reichmann. “Os movimentos mais prejudiciais às costas são rotação e inclinação do tronco e carregamento de peso”, completa. Reichmann afirma que esses problemas são freqüentes em todos os pequenos produtores rurais, e não apenas nos do oeste de Santa Catarina, onde ele atua, devido às características do trabalho que exercem.
Projeto desenvolvido pela Secretaria da Saúde em Flores da Cunha confirma o problema. “Em setembro de 2006, formamos o Grupo da Coluna, voltado principalmente ao trabalhador da área urbana, para orientar sobre posturas adequadas à coluna e estimular a prática de atividade física”, explica Andréia Francescato, coordenadora administrativa. “A procura por pacientes do meio rural foi tão grande que este ano resolvemos levar o projeto até eles”, afirma. Periodicamente, duas fisioterapeutas vão até as comunidades rurais de Flores da Cunha e orientam os agricultores, ensinando a melhor maneira de se posicionar para realizar as atividades diárias, dando dicas para aliviar a dor, estimulando a prática de exercícios físicos.
Altivo Bombardelli, 46 anos, de Travessão Carvalho, começou a participar do Grupo da Coluna recentemente. Ele afirma que sente dor nas costas desde os 15 anos. “Levantei da cama com dor e desde então ela me acompanha; dia sim, dia não”, conta Bombardelli. “Há três anos, numa crise forte, consultei um médico e ele constatou um problema na coluna. Ele recomendou que eu procurasse um especialista, mas não fui mais atrás”, relata.
Bombardelli sente dor na coluna cervical e na lombar. “Quando vou pulverizar, sinto principalmente a região do pescoço. Ao levantar peso, dói bem embaixo, na região dos rins”, esclarece. “Ao sentir dor, o melhor a fazer é procurar ajuda especializada, para que o problema não evolua”, afirma o ortopedista Joaquim Reichmann.
Municípios investem em prevenção
Diferentes municípios gaúchos atuam junto às comunidades visando orientar para uma melhor qualidade de vida. O projeto “Nosso Bairro Nossa Casa”, desenvolvido pela prefeitura de Encantado (RS), percorre as comunidades com ações em saúde, educação, esportes e inclusão social. O projeto disponibiliza exames preventivos de câncer de mama e útero, taxa de glicose, pressão arterial e avaliação nutricional, além de palestras e confecção de carteira de trabalho.
Nova Pádua, em conjunto com a Emater-RS/Ascar, está promovendo encontros voltados à saúde da mulher no meio rural. Nos meses de junho e julho, uma equipe formada por uma extensionista da Emater, uma enfermeira e uma psicóloga realizarão palestras no interior, abordando temas como menopausa, alimentação saudável, auto-estima etc.
Resgatar a cultura do tungue
Eng°. Agrº. José Zugno
Reportando-me à notícia publicada pelo Correio Riograndense em data de 25-04-07, a respeito de empresa produtora de óleo de soja, localizada no município de Veranópolis, a qual pretende “resgatar a cultura do tungue”, considerei que no Brasil poucos técnicos têm o conhecimento e vivência profissional em relação ao cultivo e industrialização do tungue. Assim, diante do entusiasmo que despertam os biocombustíveis e o biodiesel, num mundo justamente alarmado com as agressões ao meio ambiente, parece-me que, neste momento, para o bem da agricultura nacional e a economia gaúcha, suas ponderações e subsídios técnicos podem representar para o agronegócio dos óleos vegetais importantíssima bandeira e alavanca para o soerguimento do complexo do tungue. Com minha admiração pelo seu relevante trabalho de divulgação rural e agronômica desenvolvido nesse jornal, receba minhas cordiais saudações.
Eng° Agr°. Miguel A. Pons
Caxias do Sul - RS
Agradeço ao prezado colega as boas referências que fez em sua carta. Na edição passada abordei o mesmo assunto, principalmente tratando da história da introdução do tungue no Rio Grande do Sul, em 1938 e 1939, tendo como grande incentivador o sr. Silvio Toigo, que se tornou o grande fundador da Cooperativa dos Plantadores de Tungue Paulo Monteiro de Barros, em 1949, e foi seu primeiro e incansável presidente até 1964 quando ocorreu seu falecimento. Silvio Toigo dizia: “Abandonei minha arte de arquiteto-construtor para me dedicar ao tungue.”
A partir de 1964, tratei da cooperativa que progredia, modernizou-se, produzindo excelente óleo e garantia à produção dos plantadores associados, verdadeiros amigos e colaboradores da sua entidade. Como um dos fundadores da cooperativa e seu presidente por quase 30 anos sucedendo Silvio Toigo, foi com extremo pesar que recebi a notícia da dissolução da cooperativa, motivada principalmente pela introdução do óleo de tungue através do Paraguai. Quebrou a cooperativa deixando muitos plantadores sem possibilidade de colocar a produção. Alguns entregaram o tungue a uma pequena fábrica de óleo existente no município de Fagundes Varela, a qualquer preço.
Usos do óleo de tungue - O óleo de tungue é excelente para tintas, vernizes e resinas, como foi dito, mas ainda para outras finalidades como linóleos, oleados, esmaltes e revestimento interno das latas de compotas e outros usos. O óleo de tungue é ótima matéria para a produção de biodiesel, de grande importância na atualidade, incentivada e favorecida pelo governo federal.
Cultivo do tungue - O tungue é de clima temperado e pode ser cultivado em todas as regiões do Rio Grande de Sul. A cooperativa tinha associados em mais de 30 municípios sendo os maiores produtores Veranópolis e Cotiporã.
Trata-se de uma árvore de pequeno e médio porte, muito ramificada. As folhas são grandes, simples, verde-escuras, lustrosas, de cabinho longo, cordiforme, às vezes com três pontas. No outono amarelam e caem. Na primavera, na ponta dos ramos, surge uma infinidade de belíssimas flores brancas, riscadas de vermelho rosa e laranja. É de uma beleza deslumbrante. A grande maioria das flores é masculina. Apenas 4 a 5 por cento são femininas e, portanto, produtoras de frutos. O cultivo da muda, geralmente obtida de semente, é muito fácil. Já no 2º e 3º ano inicia a produção de flores e não exige tratamentos fito-sanitários, a não ser controle da formiga cortadeira. É recomendável a enxertia a partir de enxertos obtidos em plantas produtivas, assim produzirá exemplares igualmente produtivos. Os frutos, quando maduros, são avermelhados e caem no solo, espontaneamente, sem se estragarem.
Quando seco, o fruto é marrom-escuro. Parece uma noz que consta de duas membranas, a externa de natureza orgânica, a segunda membrana lenhosa. No interior da noz, a semente é revestida por uma casca dura contendo no seu interior uma amêndoa branca, oleaginosa. A cooperativa criou um modelo de máquina capaz de separar as membranas da semente. A membrana externa serve como adubo e a segunda membrana lenhosa, como combustível. O rendimento do óleo em relação ao fruto é de 18%, e de 30% na semente.
A notícia de que uma fábrica de óleo para resgatar a cultura do tungue está para ser instalada em Veranópolis é alvissareira, pois dará oportunidade aos plantadores de colocarem a sua produção. Poderá haver um novo grande incentivo à cultura do tungue no Estado. Os plantadores deverão reunir-se para tomar decisões e garantirem preços compensadores.
A decisão da Emater Regional ao designar um engenheiro agrônomo de sua equipe para fazer um levantamento das plantações remanescentes de tungue na região é de grande importância.
Due tempi de una stòria d’amore
Silvino Santin
Santa Maria - RS
Sempre che se scolta parlar dei viaii dei migranti taliani vegnesti al Rio Grande del Sud, squasi sempre se mensiona le dificoltà, le tribulassion, le misèrie, le disgràssie, in soma, se parla solche de malegràssie, no vol dir che no la sia vera, ma anca ghe ze sucedesto bele stòrie de amicìssie, de aiuto, de fede e d’amore. Questa stòria che ve contarò, la ze na bela stòria d’amore, che la podaria esser un sinema. Mi la batedo col nome de “Due tempi de una stòria d’amore”.
La scomìssia cossì: Angelina e Donato, due zovenoti, ela più zoveneta che lu, ma i due pieni de salute e de sogni par far l’Amèrica ensieme le so fameie. I vegnea de paeseti diversi del Véneto, i se ga cognossesto solche pal viaio, dopo imbarcai intel vapore che li menea al Brasile. No se sa quante volte i se ga trovà, gnanca se i se ga parlà, parché le regole le gera severe. Ma questo l’è poco importante par la me stòria.
El punto final dele due fameie, che come tute le vegnea in serca de tera par laorar e farse na vita meio, l’è stà la Quarta Colònia, Silveira Martins, distante 30 km de Santa Maria. L’è pròpio in questo momento che la fortuna dei due zovenoti, fursi passionai, la ghe ze cascada zo come na gràssia del cielo. Le fameie de Donato e de la Angelina i ga ciapà ognuna la so colònia, una tacà l’altra. No la podea esser meio par i nostri zóveni. Pena rivai, come tute le fameie le fea, i ga scomissià trar zo le piante par far le so piantaion, e farse su na caseta de tole spacae a manara. El scomìssio l’era cossì, no ghe gera altro da far.
Con questa visinansa, Donato e la Angelina i ze passai dele ociade, a diventar morosi fin rivar a esser promessi sposi, squasi col giorno marcà dele nosse. Ma el sogno l’è ndà in malora. So pupà dela Angelina, ncora intel scomìssio, no l’era tanto d’acordo. Par lu ghe parea che la so fioleta la gera massa zóvena par maridarse e esser na bona sposa e mama. Si che la gera na bona tosata e la savea far tuti i mistieri de casa, ma ghe manchea esser brava in tei laori dela colònia come so sorele più vece.
Ela, sempre obidiente, l’è vero che la ga piandesto tanto, la ga acetà la racomandassion de so pare. Donato, anca lu, nò tanto a volintiera, el se ga rassegnà, el gavea paura che ndarghe contra la volontà dei genitori podea capitar qualche bruta disgràssia, come tuti i lo disea.
Qua finisse el primo tempo de questa stòria d’amore, che me nona la me ga contà, e che, secondo la me ga dito, la gavea na gran amissìssia co le due fameie, pròpio come gente de casa.
Donato e la Angelina no i se ga disperà, i ga pensà che la vita no la podea finirse qua. Star lì lamentàndose anca no se va a nessun posto. Lora bisognea ndar avanti, catar nantra strada che li menesse a nantro amore. E nantra volta el destin li ga giutai e menai par la medèsima diression.
Donato, passà poco tempo, come el gavea un poco più de età, el trova la Marieta, fiola de na fameia che no la stea tanto distante, e, poco più de un ano e meso dopo, el se marida. La Marieta la ghe dà quatro bei fioleti. Lu l’era contento che mai. (Continua ntela pròssima edission).
(Testo de Silvino Santin stòria contada par Maria Toaldo Agostini nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria, 2003).