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Edição 5.045 – Ano 99 – Caxias do Sul-RS, 27 de junho de 2007.

 

 

EDITORIAL

O bom exemplo do Sul no combate ao analfabetismo

Quem investe com critérios e eficiência na educação vai colher sempre bons resultados

 

O ideal sempre foi a erradicação plena do analfabetismo. Mas como essa meta em um país em desenvolvimento, que vive tropeçando em escândalos políticos e na ineficiência de governantes, está sempre longe do alcançável, é necessário reconhecer com louvor iniciativas que conseguem minimizar o grave drama dos que não sabem ler e escrever.

Na semana passada, o Ministério da Educação premiou 64 municípios brasileiros que conseguiram reduzir o índice de analfabetos para menos de 4% da população. Rio Grande do Sul, com 40 cidades na relação, e Santa Catarina, com 16, são os Estados que apresentaram os melhores resultados. Além de ocuparem 87% da lista dos premiados, divulgada na página 4 desta edição, municípios gaúchos e catarinenses provam que com investimentos e boas administrações é possível, sim, fazer com que nenhuma pessoa com 15 anos ou mais - critério adotado - fique excluída dos benefícios que ler e escrever trazem.

Em sua grande maioria, os municípios destacados na educação são de porte pequeno e médio. Essa condição permite a seus administradores detectar com mais precisão as deficiências e supri-las com maior controle e fiscalização, e, por conseqüência, com elevada eficácia. Por outro lado, são essas prefeituras também que apresentam os menores orçamentos. Na prática, fica claro que, pelo menos quando se trata de educação, as verbas públicas, cada vez mais escassas, estão sendo bem aplicadas. Ganha evidência, também, uma inversão de valores: o zelo pelo dinheiro público, a competência e a responsabilidade na sua utilização, que seriam obrigação, devido a outros exemplos tão nefastos para a sociedade brasileira, passam a ser considerados uma virtude.

A alfabetização é credencial mínima num mercado de trabalho com exigências ilimitadas. E a porta de entrada no mundo do conhecimento e da profissionalização. Sem ela perdem-se talentos, ganha-se frustração e encurta-se o horizonte de perspectivas de crianças e adolescentes. O mais importante é que a educação é componente essencial na formação de cidadãos. Por isso mesmo precisa ser sempre prioridade. Mas não apenas no papel - principalmente nas ações. Nesse campo, municípios gaúchos e catarinenses estão dando mais um bom exemplo ao país.

 

Agronegócio

Produtor pede ajuste no zoneamento

Fepam autoriza o plantio de exóticas em 2% da propriedade, agricultor pede 30%

 

A retirada de regras, consideradas muito rígidas, no plantio de árvores em território gaúcho é a principal reivindicação dos produtores familiares nas quatro audiências públicas promovidas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Os encontros serviram para debater o novo zoneamento ambiental da silvicultura do Estado.

A maioria é favorável a alterações na proposta original da Fepam. Das manifestações orais feitas durantes as audiências, 246 pediram mudanças, contra 20 declarações favoráveis. Ou seja, mais de 90% querem normas mais amenas. “O que ficou certo é que a sociedade gaúcha quer a silvicultura para o RS”, destacou a presidente da Fepam, Ana Maria Pellini.

O presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, Raimundo Bampi, confirma o interesse do agricultor pelo plantio de árvores. O problema é que a lei permite o plantio de exóticas em apenas 2% da área em propriedades de até 30 hectares. “Nós queremos até 30%”, enfatiza ao CR. Além disso, os agricultores familiares defendem o replantio.

Conforme Raimundo Bampi, a sobrevivência de muitas famílias rurais no Estado depende do plantio de exóticas. “A região de Montenegro, por exemplo, vive da extração da acácia. Essa planta é tão importante para aqueles municípios, quanto a uva é para a Serra”, compara. “Caso vigore a lei de 2%, muitas comunidades irão falir”, avisa.

Eucalipto - O plantio de eucaliptos por grandes empresas não sofre as mesmas restrições. De acordo com a Fepam, o plantio deve começar em agosto. A entidade mantém até uma equipe de plantão para avaliar os pedidos de licença de operação das empresas florestais e liberar imediatamente o que estiver de acordo com a legislação.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança está dando uma mãozinha. Ela aprovou na quinta 21 o plantio e pesquisa do eucalipto transgênico para as empresas. A decisão foi comemorada pelo setor produtivo do Estado, onde a silvicultura planeja altos investimentos.

Unidades - A proposta debatida durante as audiências dividiu o Estado em 45 unidades de paisagens homogêneas, com o objetivo de traçar regras para o plantio florestal.

Os pedidos das entidades e representantes de agricultores nas audiências públicas da Fepam serão encaminhados ao Conselho Estadual de Meio Ambiente, que poderá ou não aprovar as mudanças de zoneamento ainda neste ano.

 

Pequenas frutas são tema de seminário

 

Nos dias 4 e 5 de julho, Vacaria sedia o 4º Seminário Brasileiro sobre Pequenas Frutas (como framboesa, mirtilo e morango), no centro de eventos - mercado público municipal. O evento visa promover e contribuir para a viabilização do cultivo destas espécies no Brasil, através da capacitação, discussão, intercâmbio e difusão de informações.

Serão realizados minicursos sobre as culturas da framboesa, do mirtilo, da amora-preta e do morango semi-hidropônico A promoção é da Emater/RS, Embrapa, Secretaria de Estado da Agricultura e Prefeitura de Vacaria, com o apoio de instituições. Informações (54) 3231-2100 ou www.cnpuv.embrapa.br/eventos/peqfrutas2007

 

Assumem gerentes regionais da Emater

 

A Emater/RS mantém escritórios em 484 dos 490 municípios gaúchos. Os técnicos da empresa atendem cerca de 250 mil famílias rurais, quase que na totalidade pequenos empreendimentos voltados à agricultura e pecuária. A região de Caxias do Sul, por exemplo, que está subdividida em seis microrregiões administrativas, é composta por 55 municípios.

Para atender esse público, funcionam no Estado 10 regionais da Emater. Os novos gerentes foram escolhidos para dar andamento aos projetos desenvolvidos pela extensão rural de 2007 a 2010.

 

Caxias do Sul

Festuva tem 29 candidatas a rainha

Escolha das soberanas do evento que ocorre em 2008 será em setembro

 

O concurso que elegerá a rainha e as duas princesas da Festa da Uva 2008 (21 de fevereiro a 9 de março) tem 29 candidatas, duas a menos que no evento anterior. As soberanas da 24ª Festuva serão escolhidas em setembro, mas a data ainda não está definida pela comissão organizadora. As concorrentes serão apresentadas oficialmente à comunidade em baile marcado para o dia 6 de julho, no salão verde da sede campestre do Recreio da Juventude.

A comissão da Festa da Uva, mantendo novidade introduzida em 2000, criou um concurso para a criação da coroa da rainha. As fichas de inscrição podem ser retiradas na casa 3 da Réplica, no Parque de Exposições. É permitida a participação de pessoas de qualquer cidade. O desenho deve abordar o tema da Festa ("Uma vez imigrante, para sempre brasileiro") ou motivos relacionados ao evento. O vencedor será conhecido dia 17 de julho.

Um outro concurso, este inédito, visa escolher um esboço para o cartaz publicitário da Festa. Podem participar alunos da 5ª a 8ª séries das escolas estaduais, municipais e particulares de Caxias. As inscrições estarão abertas até 2 de julho, junto ao professor responsável de cada escola. Os desenhos também precisam abordar o tema do evento de 2008. Cada escola selecionará no máximo cinco desenhos, que serão encaminhados à 4ª CRE. O resultado será anunciado dia 12 de julho.

 

Prefeitura lança pacote de obras

 

O prefeito José Ivo Sartori anunciou na terça 19, véspera do aniversário de 117 anos de criação do município, a execução de um conjunto de 117 obras, eleitas pelo Orçamento Comunitário. A realização do pacote envolve a aplicação de R$ 8,117 milhões.

Cerca de 75% das obras relacionadas são pavimentação de ruas - novas ou continuação - e asfaltamento de estradas, beneficiando moradores urbanos e do interior. Na lista estão, por exemplo, a continuação do asfalto de Forqueta a São Valentin (Estrada do Vinho), da estrada de Sebastopol, ambas no interior, e a pavimentação de dezenas de vias ou trechos de vias. Das 87 obras de pavimentação e asfalto, a maioria (51) é comunitária, modelo que implica na participação da comunidade nos custeios. "Em algumas dessas obras os moradores pagam 10% dos custos, equivalentes à mão-de-obra", assegura Mauro Pereira, secretário de Obras.

 

Para cada ano de Caxias, 1 m de bolo

 

Uma parceria entre as rádios São Francisco Sat e Maisnova FM, a prefeitura de Caxias DO Sul, Lojas Colombo e Comitê das Padarias e Confeitarias da Serra (Codepan) levou à Praça Dante Alighieri, no centro da cidade, em frente à Catedral, um bolo com 117 metros de comprimento para ser consumido pela população. Foi na quarta 20, no encerramento da programação alusiva aos 117 anos de Caxias.

Cada uma das 28 padarias que integram o Codepan produziu oito bolos. Após o "Parabéns a você", o prefeito José Ivo Sartori, o vice-prefeito Alceu Barbosa Velho, a primeira-dama Maria Helena, o gerente das rádios São Francisco e Mais nova, Evandro Fontana, e representantes da empresa patrocinadora (Lojas Colombo) cortaram o bolo. E cada fatia foi disputada pela multidão que prestigiou a promoção.

 

Correio Sabe-Tudo

As cidades mais poluídas

Ucrânia, Índia e Rússia são os lugares urbanos mais sujos do planeta

 

Em 26 de abril de 1986, na Ucrânia, república da então União Soviética, aconteceu o pior acidente da história da humanidade. O reator da usina de Chernobyl explodiu, espalhando radiotividade por boa parte da região e forçando a remoção de 200 mil pessoas em virtude da exposição à radiação. A usina liberou para a atmosfera 400 vezes mais material radioativo do que a bomba atômica de Hiroshima.

A cidade de Prypiat, onde funcionava a usina nuclear (nome oficial é Vlademir Lênin), foi abandonada. O acidente inutilizou uma área de 140.000 quilômetros quadrados, equivalente a um Portugal e meio, por centenas de anos. Cerca de 30 mil pessoas morreram desde então por razões associadas ao acidente - 4.000 casos de câncer de tireóide.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de seis milhões de pessoas ainda vivam em áreas contaminadas com urânio, iodo radioativo e césio 137. Por tudo isso, a região de Chernobyl é a mais poluída do planeta.

Armas - Chernobyl não é a única. O lugar apenas lidera uma lista de 10 cidades entre as mais poluídas da Terra. Os resíduos de armas químicas e a mineração de chumbo são os principais responsáveis pela sujeira nesses locais.
O segundo lugar mais poluído é Ranipet, na Índia, onde são afetados 1,35 milhão de seres humanos por uma substância chamada cromo. A indústria de couro já produziu 1,5 milhão de toneladas de resíduos tóxicos. A água contaminada acabou com a agricultura e provoca feridas em quem tem contato com ela.

Dzserzinsk, na Rússia, vem em seguida. O gás sarin, o gás mostarda, entre outros, atinge 300 mil pessoas. De 1930 a 1998, quase 300 mil toneladas de lixo químico foram descartadas indevidamente, liberando gases tóxicos. Nesta cidade, a expectativa de vida é de apenas 45 anos.

O quarto posto é ocupado por Kabwe, na Zâmbia, onde o chumbo e o cádmio causam vômitos, diarréias, danos nos rins e outros em 250 mil pessoas. Linfen, na China, aparece em quinto. Pelo menos 200 mil sofrem com monóxido de carbono, óxido nitroso, arsênico e outros compostos devido à mineração. Muitos moradores são asfixiados pela poeira do carvão durante a noite - o carvão é o principal combustível do país.

 

As chuvas ácidas destroem plantas

As chuvas ácidas são precipitações na forma de água e neblina que contêm ácido nítrico e sulfúrico. Decorrem da queima de grandes quantidades de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão. São usados para a produção de energia nas refinarias e usinas termoelétricas, e também pelos veículos.

Durante a queima, milhares de toneladas de compostos (enxofre e óxido de nitrogênio) são lançados na atmosfera, onde sofrem reações químicas e se transformam em ácido (nítrico e sulfúrico). As conseqüências podem ser econômicas, sociais ou ambientais - afetam os sistemas respiratório e cardiovascular e contribuem para a devastação de florestas e lagos.

 

Aroma de enxofre e neve preta

 

O sexto lugar mais poluído é Norilsk, na Rússia, que abriga o maior complexo de fundição de metais pesados do mundo. Os mais de 130 mil habitantes são afetados pelo césio 137 e dióxido sulfúrico. Ali, o ar tem aroma de enxofre e a neve é preta. Em Rudnaya Pristan/Dalnegorsk, também na Rússia, 90 mil sofrem por causa do chumbo, cádmio e mercúrio de uma usina de fundição.

Deformidades - Mais de 80 mil moradores de Haina (em oitavo), na República Dominicana, apresentam deformidades, problemas neurológicos, dificuldade de aprendizado ou morrem envenenados por chumbo, liberado por uma empresa de reciclagem de baterias.

A vegetação de La Oroya, no Peru, foi dizimada pela chuva ácida (leia ao lado). Desde 1922, a cidade, que ocupa a nona posição, vem sendo contaminada por resíduos (chumbo, zinco etc) originados da fundição de metais. Hoje, afeta 35 mil pessoas.

Em Mailuu-Suu, décimo lugar mais sujo, atual Quirguistão (integrante da antiga Rússia), 23 mil moradores adoecem por causa do urânio, cianuretos e metais pesados. De 1943 a 1968, a usina local gerou mais de 10 mil toneladas de lixo radiativo.

 

 

Festival de Inverno mobiliza Vale Vêneto

 

A comunidade de Vale Vêneto, a prefeitura de São João do Polêsine e o Departamento de Música da Universidade Federal de Santa Maria lançaram a 22ª edição do Festival Internacional de Inverno, evento que ocorre paralelamente à Semana Cultural Italiana de Vale Vêneto.

Neste ano, o festival realiza-se de 29 de julho a 5 de agosto e traz para Santa Maria e Vale Vêneto professores concertistas dos Estados Unidos, Itália, Rússia, Espanha, Chile, Argentina, Venezuela e Brasil, para ministrarem 16 oficinas dos mais diversos instrumentos. O evento é tradicionalmente realizado na comunidade de Vale Vêneto, com uma ampla programação. Vale Vêneto, na região central do Rio Grande do Sul, integra a Quarta Colônia, considerada a última frente da colonização italiana no Estado.

Por ocasião do lançamento, no salão paroquial de Vale Vêneto, o vice-prefeito de São João do Polêsine, Sidinei Rosso, elogiou a qualidade dos professores e músicos que se integram para a realização do festival “no aconchego” de Vale Vêneto. Também destacou o empenho dos realizadores do evento, que formam uma rede cultural e turística que contagia a região.

 

Bovolone promove concurso aos vênetos

 

Encerra no dia 30 de junho o prazo para entrega dos trabalhos concorrentes à 11ª edição do Concurso Literário Internacional em Língua Veneta “Mario Donadoni”, do município de Bovolone, Verona, Itália. O concurso, destinado a todos os vênetos, da Itália e no mundo, se articula em quatro seções: poesia da Itália, prosa da Itália, poesia e prosa do exterior e uma exclusiva aos residentes em Bovolone. Para os participantes do exterior, o 1º lugar recebe dois mil euros. Mais informações pelo telefone 045/6995265 ou pelo e-mail: bibliotecadonadoni@bovolone.net

 

Cultura da Imigração

O italiano que está em mim

Rita Tedesco Parise

Veranópolis - RS

 

“Nasci em Veranópolis (1936). Sou a última dos oito filhos de Eugenio Sebastião Tedesco, nascido em 1894, e de Regina Chimento, casados em 1918. Os avós, Miguel Tedesco e Maria Mazzarolo, vieram de Ásolo (Treviso) para Alfredo Chaves, atual Veranópolis, em 1885. Desde a infância, sempre fui alegre e animada. Aos 10 anos, concluí a escola que só chegava até o 4° ano primário. Gostei da professora e dos colegas. Sempre me encantei com as histórias da Itália e da viagem dos antepassados à sua sonhada Alfredo Chaves, onde venceram com suor, fé e trabalho. Admiro sua coragem em deixar familiares e amigos, para nunca mais voltar.

Sempre gostei de ajudar à minha mãe nas atividades domésticas, e ao meu pai na colônia. Ao escrever estas linhas, percebi que sou melhor nas panelas do que na caneta, e espero que Frei Rovílio confira se é verdade, almoçando em nossa casa.

Cantar com os familiares sempre foi minha paixão, que ainda cultivo através do Coral Municipal Madrigal, dos cantos da Igreja e do Centro Cultural. Celebrações, terços, ladainhas e canções italianas me empolgam.

Sempre gostei de animais, especialmente do nosso cavalo, chamado Alegre. Minha alegria redobrava quando, montada no Alegre, saía da capela Nossa Senhora da Paz, onde morávamos, para ir ao moinho, ou à cidade vender frutas, frangos, ovos, queijo..., mais ainda ao irmos à missa, todos os domingos. Gostava de tratar os animais: cavalos, burros, vacas, porcos, galinhas, gansos, especialmente cachorros e gatos. Tirava penas dos gansos para vender. Todos queriam ter um travesseiro (cossin) e um acolchoado (piumin) de penas de ganso.

Lendo muito e ouvindo os pais e os avós contarem suas histórias, fui ampliando meus conhecimentos. A fé, a solidariedade e o trabalho, a exemplo dos avós, são valores básicos de minha italianidade. Os atuais recursos técnicos me ajudam a aperfeiçoar minha atividade de catequista, ministra da Eucaristia, zeladora de capelinha e animadora vocacional.

Em 1955, casei com o fotógrafo Elígio Parise. Temos os filhos Audacir, Enzo, Elígia, Laurete e Lauro; e os netos Eduardo, Patrícia, Nicole, Pedro Lucas, Fabiana, Leonardo, Marcela, Carolina e Gabriele. Nas reuniões familiares, eu e o Elígio contamos aos filhos e netos, em talian, nossas histórias, comparando nossa infância e juventude com o tempo presente. Um dia eu disse a eles:
- Quando mi zera picinina, corea par veder passar un auto o un camignon; oncó me toca corer par veder passar un caval.

Diante do consumismo atual, com ofertas de variadas mercadorias; farturas nos mercados e restaurantes; automóveis e máquinas de todo tipo; correria, cansaço e falta de tempo; contas a pagar e falta de dinheiro..., fico com saudades de quando se comprava dois vestidos por ano: um ao Natal, e outro na festa de Nossa Senhora de Lourdes, e vivíamos despreocupados.

Hoje, todos correm à busca de estudo e trabalho, não têm tempo para ler, rezar, fazer filò. Assino e leio a revista Família Cristã e o Correio Riograndense desde a infância; acompanho nossa história através das obras de Rovílio Costa, Arlindo Battistel, Luis De Boni, Darcy Luzzatto, Júlio Posenato... As histórias e estórias em talian têm sabor e graça especial. Rezar, cantar e ler são para mim pílulas de vida e saúde, nota dez, pois a 10-1-2007 completei meus alegres 71 anos, com saúde, servindo ao próximo e agradecendo a Deus.” (54) 3441.1471.

 

Rita, um dia vou pintar na tua casa para ver e provar de tuas panelas e ouvir tuas canções! Saluti. (Rovílio Costa)

 

Esporte

PAN COLOCA EM JOGO MEDALHAS E IMAGEM

Além de estabelecer recorde de medalhas, Brasil quer mostrar ao mundo que pode sediar competições maiores, como a Olimpíada. Mas exemplos de organização não são favoráveis

 

A partir de 13 de julho, 5.500 atletas de 42 países começam a corrida, no Rio de Janeiro, pelas 2.252 medalhas que serão entregues aos vencedores dos XV Jogos Pan-Americanos. As 45 modalidades de esportes, das quais 39 olímpicas (mais seis não-olímpicas), serão disputadas em 16 locais, entre eles o Complexo Maracanã, o Estádio João Havelange, a Marina da Glória e a praia de Copacabana.

O segmento com o maior número de atletas é o dos Esportes Aquáticos, com 608, seguido do Atletismo, com 562. As menores representações são do ciclismo BMX e do pentatlo moderno, com 40 atletas cada.

O Brasil, como sede, participa de todas as modalidades. Para isso, contará com a maior delegação da história esportiva do país. São 935 (número ainda extra-oficial) membros - 678 atletas (383 homens e 295 mulheres). O recorde anterior foi em Santo Domingo, em 2003, com 721 integrantes (479 atletas). O objetivo brasileiro é superar o recorde de medalhas, de 2003, com 123, sendo 29 de ouro, e subir no quadro geral em que ocupa a quinta posição (observe tabela ao lado).

Vitrine - As pretensões brasileiras, no entanto, vão além do pódium. Ao obter o direito de sediar a 15ª edição dos Jogos Pan-Americanos, após uma acirrada disputa com San Antonio (EUA), o Brasil não apenas volta a ser palco da competição 44 anos após os Jogos de São Paulo, como tenta fazer do Rio 2007 uma vitrine. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Ministério dos Esportes querem mostrar ao mundo que o país tem condições de receber competições maiores no futuro. Alvo principal: Olimpíadas de 2016. Na bagagem estão duas recentes tentativas frustradas - para os Jogos Olímpicos de 2004, realizados em Atenas, e de 2012, que ocorrerão em Londres. Na mira também está a Copa do Mundo de Futebol de 2014.

Para montar a infra-estrutura moderna do Pan-Americano 2007 estão sendo investidos bilhões de reais pelos governos federal, estadual e municipal, valor muito acima do projetado (leia ao lado). O Maracanã e o Maracanãzinho, por exemplo, foram reformados. Um complexo esportivo foi construído no Autódromo de Jacarepaguá e foi erguido um estádio para 45 mil pessoas - pode ser ampliado para 60 mil -, que leva o nome de João Havelange e o apelido de Engenhão.

Riscos - O desejo, ou a competência, foi inferior à capacidade de execução das obras. Várias delas atrasaram muito em relação ao cronograma original. Apesar da abertura total das torneiras dos cofres públicos, houve sérios riscos de parte da estrutura necessária ao Pan não sair do papel - casos do complexo esportivo de Jacarapaguá, ameaçado por uma disputa entre a Confederação Brasileira de Automobilismo e o comitê organizador, e da Marina da Glória, local das provas de vela que só foi liberado depois de muita confusão. Pelo prazo inicial, todos os locais de disputa teriam que estar concluídos em dezembro de 2006. Até o mês passado, as principais construções não estavam totalmente prontas. E o próprio ministro dos Esportes, Orlando Silva, enfatizou que os testes finais no Maracanãzinho devem ser realizados neste semana.

Conquistar o maior número de medalhas da história brasileira no Pan e até mesmo preparar a delegação para os Jogos Olímpicos do próximo ano, em Pequim, são metas que podem ser alcançadas. Já o exemplo vendido até agora ao mundo não é muito favorável ao Brasil numa concorrência para sediar as Olimpíadas.

 

A união do continente pelo esporte

 

Os Jogos Pan-Americanos são uma versão continental dos Jogos Olímpicos, incluindo os esportes do Programa Olímpico e outros sugeridos pela organização da competição e aprovados pela Organização Desportiva Pan-americana (Odepa). Disputados de quatro em quatro anos, sempre um ano antes dos Jogos Olímpicos, foram realizados pela primeira vez em 1951, em Buenos Aires (Argentina). Mas sua origem remete a 1932, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Inspirados pela realização, seis anos antes, da primeira edição do Jogos Centro-americanos, representantes latino-americanos no Comitê Olímpico Internacional (COI) propuseram a criação de uma competição que reunisse todos os países das Américas. A proposta tinha o intuito de desenvolver o esporte e promover a amizade entre os países no continente.

Os Jogos inaugurais seriam disputados em 1942, na capital argentina. Mas a II Guerra Mundial adiou o plano. Um Congresso Esportivo Pan-Americano, em Londres, nos Jogos Olímpicos de 1948, confirmou Buenos Aires como sede da primeira edição dos Pan-Americanos. A competição foi aberta no dia 25 de fevereiro de 1951 e reuniu 2.513 atletas de 21 países, com 18 esportes em disputa. Ao longo de mais de 50 anos, os Jogos Pan-Americanos jamais deixaram de ser disputados. O Brasil sedia a competição pela segunda vez - a primeira foi em 1963 na capital paulista.

 

Gastos excederam em quase 800%

 

Em 2002, quando o Rio de Janeiro conquistou o direito de sediar os XV Jogos Pan-Americanos, o orçamento apresentado pelos organizadores projetava gastos de R$ 414 milhões. A Prefeitura do Rio gastaria R$ 242 milhões, o governo federal arcaria com R$ 140 milhões e o Estado do RJ, com R$ 32 milhões. Cinco anos depois, a conta deu um salto de 793,7%.

Segundo dados oficiais liberados pelos financiadores, os Jogos Pan-Americanos do Rio já consumiram R$ 3,7 bilhões. O principal pagador é o governo federal: R$ 1,8 bilhão (13 vezes mais que o previsto e ainda emprestou dinheiro aos dois parceiros). Depois vêm a Prefeitura, com R$ 1,4 bilhão, e o Estado, com R$ 500 milhões. Esse valor é de 15 dias atrás, quando tudo indicava que ele deveria aumentar ainda mais até a abertura da competição, dia 13 de julho, no Estádio Maracanã.

Convertido para o dólar, o projeto original estipulava o montante a ser bancado em US$ 128,6 milhões, o equivalente a 72% do custo total. O restante viria da receita com ingressos, patrocínio, mídia e licenciamento de produtos. União, Estado e município defendem a elevação do custo, argumentando que o projeto de candidatura sofreu muitas alterações. O presidente Lula afirmou que o evento servirá como credencial para o Brasil sediar os Jogos Olímpicos, e que estaria sendo criado o mais moderno sistema de segurança para o país. O prefeito do Rio, César Maia, também atribuiu o salto nos valores a mudanças no projeto visando as Olimpíadas de 2016 - o Rio é candidato. Mesmo considerando as boas intenções, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro instalou uma CPI para apurar supostas irregularidades nas obras, equipamentos e contratos firmados pela Prefeitura.

 

Copa América reúne melhor futebol do continente

 

Ao entrar em campo contra o México, nesta quarta-feira 27, às 21h45, a seleção brasileira faz sua estréia na 42ª edição da Copa América, o torneio continental de seleções mais antigo do mundo. A abertura ocorreu nesta terça, com o jogo entre Uruguai e Peru, pelo grupo A. É a primeira vez, em 91 anos, que a Venezuela sedia a competição. A final da Copa América será no dia 15 de julho.

Na seleção brasileira, do técnico Dunga, não figuram alguns dos melhores jogadores brasileiros da atualidade, como Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Zé Roberto, que pediram para não participar da competição. Na relação dos 22 jogadores que estão na Venezuela, alguns nomes são pouco conhecidos, como o novato Naldo, ex-Juventude e hoje no Werder Bremen, da Alemanha; Afonso, Vagner Love, Helton, Kleber, Josué, Daniel Alves e Maicon. A surpresa da lista é uma das estrelas da seleção sub-20, o atacante gaúcho Anderson, revelado pelo Grêmio e recentemente contratado pelo Manchester United junto ao Porto, de Portugal.

A primeira disputa oficial da Copa América ocorreu em 1916, na Argentina. O Uruguai foi campeão. Nas 41 edições já realizadas, as seleções da Argentina e do Uruguai lideram com o maior número de conquistas - 14 cada uma. O Brasil sediou a Copa quatro vezes (1919, 1922, 1949 e 1989), sendo campeão em todas elas. Foi campeão ainda em 1997 (na Bolívia), em 1999 (no Paraguai) e em 2004 (no Peru).

Inicialmente, o torneio denominava-se Campeonato Sul-Americano, mas, depois de um intervalo de 8 anos, em 1975 voltou com o nome atual de Copa América e o sistema de grupos de classificação - antes jogavam todos contra todos. Desde então, são obrigatórias as presenças dos dez países filiados à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A entidade tem direito a dois convidados para completar 12 seleções - neste ano México e Estados Unidos -, mas já participaram outras seleções da América Central e até o Japão. Desde 2001, a competição ocorre a cada três anos.

 

Rota fecha ao trânsito por um mês

Obras interditam trecho na Serra do Pinto de 9 de julho a 10 de agosto

 

Mais complexa obra ainda em execução na Rota do Sol (RS-486), o Viaduto da Cascata poderá estar concluído em pouco mais de 40 dias. A partir do dia 9 de julho dois guindastes, um para 330 toneladas e outro para 550 toneladas, serão utilizados na montagem final da superestrutura ao longo dos 340 metros de extensão do viaduto. Sobre os pilares já concluídos serão colocadas 72 vigas de concreto pré-moldado. Cada peça tem 29 metros de comprimento e pesa 30 toneladas - juntas, somam 2,16 milhões de quilos.

Para realizar esse trabalho, o trecho da rodovia na Serra do Pinto ficará interrompido ao tráfego de veículos de 9 de julho a 10 de agosto. O anúncio foi feito na quinta 21, durante inspeção realizada pelo secretário estadual de Infra-Estrutura e Logística, Daniel Andrade, e pelo diretor-geral do Daer, Gilberto Cunha. “O período inicialmente previsto para interdição da Rota do Sol era três meses, mas houve reavaliação técnica e será possível terminar o trabalho de engenharia em apenas um mês”, explicou o secretário. Na ocasião também foi comunicado que até o dia 8 de julho o trânsito será permitido somente à noite, das 18 às 7 horas, para veículos leves, ônibus de linha e caminhões até 4 toneladas. Durante os bloqueios, a alternativa é pela RS/020 e RS/484, pela Serra do Umbu, passando por Maquiné.

A Rota do Sol é um sonho acalentado por moradores da Serra e do Litoral desde 1931. Sua conclusão chegou a ser anunciada como possível pelo então governador Germano Rigotto para dezembro do ano passado. Para estar pronta, além do Viaduto da Cascata faltam ainda um viaduto que liga aos túneis da Reversão, acabamentos em um desses túneis, conclusão de trecho de rodovia que liga ao Viaduto da Cascata e asfaltamento de 1,5 quilômetro.

 

O LOBO E O CORDEIRO

Aldo Colombo

Caxias do Sul - RS

 

Quando se toma uma decisão, certa ou errada, aparentemente todas as forças do universo unem-se para justificar a atitude

 

Há mais de 300 anos, o poeta francês Jean de La Fontaine, olhando a sociedade de seu tempo, escreveu a fábula do lobo e do cordeiro, uma fábula cada vez mais atual.

Um cordeiro estava bebendo água num riacho, quando foi abordado por um lobo faminto, acusando-o de estar sujando a água que ele ia beber. Com humildade, o cordeiro observou que ele não poderia estar sujando a água, pois estava bebendo vinte metros mais abaixo. O lobo refez, rapidamente, o seu argumento: sei que você andou falando mal de mim no ano passado. Mais uma vez, a resposta do cordeiro foi inquestionável: isto não pode ser; no ano passado eu não tinha nascido. Então foi seu irmão, insistiu o lobo. Mas eu sou filho único, não tenho irmãos, esclareceu o cordeiro. E o lobo antes de devorar o indefeso cordeiro, justificou-se: se não foi você, foi alguém que você conhece, seu pai, ou um dos pastores ou um dos cães que cuidam do rebanho.

A parábola de La Fontaine pode ser aplicada em muitos setores da convivência humana, não excluindo a política, o futebol e os tribunais. De um modo especial entre as nações. Já Rui Barbosa falava da força do direito e do direito da força. A prática sugere que a razão do mais forte é melhor. Já a sabedoria popular garante que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco.

A parábola do lobo e do cordeiro acontece também no interior dos países. A lei é para todos, mas sua aplicação leva em conta a força e o poder de cada um. Quase dois mil anos antes de Jean de La Fontaine, o filósofo grego Diógenes garantia que os ladrões grandes enforcavam os pequenos. Aqueles que mais receberam em educação e oportunidades - falo do caso brasileiro - são os que mais passam por cima das leis, apropriam-se do chamado dinheiro público, que na realidade é o dinheiro de todos, especialmente dos pobres.

Esse tipo de moral, imoral e injusta, acaba sendo imposta nas pequenas comunidades, nas empresas e nas famílias. Leis e decisões são tomadas em benefício próprio. E uma vez tomada, invocam-se centenas de argumentos. Na realidade, quando se toma uma decisão, certa ou errada, aparentemente todas as forças do universo unem-se para justificar a atitude.

O Evangelho, na voz vigorosa de Mateus, ameaça: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que sois semelhantes a sepulcros caiados, vistosos por fora, mas cheios de podridão e imundícies” (Mt 23,27). O mesmo Evangelho fala do mau rico e do pobre Lázaro (Lc 16,19). O pobre morreu e foi levado para o reino da felicidade, enquanto o poderoso morreu e foi sepultado.

Não basta ser bem sucedido na vida, não basta praticar algumas obras religiosas, nem mesmo é suficiente ser batizado e enquadrar-se na estrutura de uma Igreja. É necessário que fé e vida andem juntas. “Nem todos os que dizem, Senhor, Senhor, entrarão no Reino de Deus, mas apenas aqueles que fazem a vontade do Pai” (Mt 7,21).

 

DIMENSÃO HOLÍSTICA DA ÉTICA

Frei Betto

 

Nossa ética individual deve se complementar pela ética social, já que não somos um rebanho de indivíduos, mas uma sociedade que exige, à sua boa convivência, normas e leis e, sobretudo, a cooperação de uns com os outros

 

Sócrates foi condenado à morte por heresia, como Jesus. Acusaram-no de pregar aos jovens novos deuses. Tal iluminação não lhe abriu os olhos diante do céu, e sim da terra. Percebeu não poder deduzir do Olimpo uma ética para os humanos. Os deuses do Olimpo podiam explicar a origem das coisas, mas não ditar normas de conduta.

A mitologia, repleta de exemplos nada edificantes, obrigou os gregos a buscar na razão os princípios normativos de nossa boa convivência social. A promiscuidade reinante no Olimpo, objeto de crença, não convinha traduzir-se em atitudes; assim, a razão conquistou autonomia frente à religião. Em busca de valores capazes de normatizar a convivência humana, Sócrates apontou a nossa caixa de Pandora: a razão.

Se a moral não decorre dos deuses, então somos nós, seres racionais, que devemos erigi-la. Em Antígona, peça de Sófocles, em nome de razões de Estado Creonte proíbe Antígona de sepultar seu irmão Polinice. Ela se recusa a obedecer “leis não escritas, imutáveis, que não datam de hoje nem de ontem, que ninguém sabe quando apareceram”. É a afirmação da consciência sobre a lei, da cidadania sobre o Estado.

Para Sócrates, a ética exige normas constantes e imutáveis. Não pode ficar na dependência da diversidade de opiniões. Platão trouxe luzes ensinando-nos a discernir realidade e ilusão. Em República, lembra que para Trasímaco a ética de uma sociedade reflete os interesses de quem ali detém o poder. Conceito retomado por Marx e aplicado à ideologia.

O que é o poder? É o direito concedido a um indivíduo ou conquistado por um partido ou classe social de impor a sua vontade à dos demais.

Aristóteles nos arranca do solipsismo ao associar felicidade e política. Mais tarde, Santo Tomás, inspirado em Aristóteles, nos dará as primícias de uma ética política, priorizando o bem comum e valorizando a soberania popular e a consciência individual como reduto indevassável. Maquiavel, na contramão, destituirá a política de toda ética, reduzindo-a ao mero jogo de poder, onde os fins justificam os meios.

Kant dirá que a grandeza do ser humano não reside na técnica, em subjugar a natureza, e sim na ética, na capacidade de se autodeterminar a partir de sua liberdade. Há em nós um senso inato do dever e não deixamos de fazer algo por ser pecado, e sim por ser injusto. E nossa ética individual deve se complementar pela ética social, já que não somos um rebanho de indivíduos, mas uma sociedade que exige, à sua boa convivência, normas e leis e, sobretudo, a cooperação de uns com os outros.

Hegel e Marx acentuarão que a nossa liberdade é sempre condicionada, relacional, pois consiste numa construção de comunhões, com a natureza e os nossos semelhantes. Porém, a injustiça torna alguns dessemelhantes.

Nas águas da ética judaico-cristã, Marx ressalta a irredutível dignidade de cada ser humano e, portanto, o direito à igualdade de oportunidades. Em outras palavras, somos tanto mais livres quanto mais construímos instituições que promovam a felicidade de todos.

A filosofia moderna fará uma distinção aparentemente avançada e que, de fato, abre novo campo de tensão ao frisar que, respeitada a lei, cada um é dono de seu nariz. A privacidade como reino da liberdade total. O problema desse enunciado é que desloca a ética da responsabilidade social (cada um deve preocupar-se com todos) para os direitos individuais (cada um que cuide de si).

Essa distinção ameaça a ética de ceder ao subjetivismo egocêntrico. Tenho direitos, prescritos numa Declaração Universal, mas e os deveres? Que obrigações tenho para com a sociedade em que vivo? O que tenho a ver com o faminto, o oprimido e o excluído? Daí a importância do conceito de cidadania. As pessoas são diferentes e, numa sociedade desigual, tratadas segundo sua importância na escala social. Já o cidadão, pobre ou rico, é um ser dotado de direitos invioláveis, e está sujeito à lei como todos os demais.

O capitalismo associa liberdade ao dinheiro, ou seja, ao consumo. A pessoa se sente livre enquanto satisfaz seus desejos de consumo e, através da técnica e da ciência, domina a natureza. A visão analítica não se pergunta pelo significado desse consumismo e pelo sentido desse domínio. E, de repente, a humanidade desperta para os efeitos nefastos de seu modo de subjugar a natureza: o aquecimento global faz soar o alarme de um novo dilúvio que, desta vez, não virá pelas águas, e sim pelo fogo, sem chances de uma nova Arca de Noé.

A recente consciência ecológica nos amplia a noção de ethos. A casa é todo o Universo. Lembre-se: não falamos de Pluriverso, mas de Universo. Há uma íntima relação entre todos os seres visíveis e invisíveis, do macro ao micro, das partículas elementares aos vulcões. Tudo nos diz respeito e toda a natureza possui a sua racionalidade imanente. Segundo Teilhard de Chardin, o princípio da ética é o respeito a todo o criado para que desperte suas potencialidades. Assim, faz sentido falar agora da dimensão holística da ética.

O ponto de partida da ética é assinalado por Sócrates: a polis, a cidade. A vida é sempre processo individual e social. A ótica neoliberal diz que cada um deve se contentar com o seu mundinho. Mas fica a pergunta de Walter Benjamin: o que dizer a milhões de vítimas de nosso egoísmo?

 

Geral

Anunciada verba para BR 470

Nordeste gaúcho pede conclusão há 100 anos

 

Pelo menos 30 municípios da região Nordeste do Estado aguardam a conclusão da rodovia BR 470, trecho Barracão-Lagoa Vermelha-Nova Prata. A falta do asfalto impede a realização de projetos para o desenvolvimento e geração de empregos. Além disso, o asfaltamento encurtaria em 200 quilômetros o acesso ao centro do país.

Na última semana, o ministro dos Transportes, Alfredo Pereira do Nascimento, prometeu a parlamentares gaúchos a liberação dos R$ 15 milhões restantes, previstos no Orçamento Geral da União de 2007. Comprometeu-se ainda, de incluir, no orçamento de 2008, o valor necessário para conclusão desta obra.

Prioritariamente, a região de André da Rocha está em campanha para viabilizar, ao menos, os 15 km que são de responsabilidade do Estado. “Há mais de 100 anos a comunidade aguarda pela conclusão desta obra. Ela é ponto-chave para o crescimento do município”, afirma ao CR o prefeito Ademir Zanotto.

Na avaliação de Zanotto, o asfalto da 470 é de grande significado, “visto tratar-se de um importante corredor de escoamento da produção do Nordeste gaúcho”, conclui.

 

País tem menor proporção de padres

Brasil precisaria 165 mil sacerdotes para igualar a média da Itália

 

O Brasil é o país com o maior número de católicos do mundo. Segundo um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas, os brasileiros que se declaram católicos são 139 milhões, número que representa 12% de todos os católicos do mundo. No entanto, entre os países católicos, o Brasil é o que tem a menor proporção de padres. Dados do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) de 2006 mostram que há no Brasil 18.685 padres, uma média de um sacerdote para mais de 10 mil habitantes.

Se esse dado for comparado com a média da Itália, onde existe um padre para cada mil habitantes, o Brasil precisaria de mais 165 mil sacerdotes para atingir a média italiana. No mundo, são mais de 400 mil sacerdotes, com uma média de um padre para cada 15.140 habitantes ou para cada 2.600 católicos.

Distorções - A média brasileira de um sacerdote para mais de 10 mil habitantes sofre distorções quando os números são analisados região por região. Essas distorções decorrem da situação geográfica e das diferenças étnicas, sociais e culturais entre as regiões. O Nordeste, por exemplo, que tem 28,1% da população brasileira, detém apenas 16,6% do total de padres do país. No Norte, a desproporção é ainda maior - a região detém 7,6% da população do país, mas concentra apenas 3,5% dos padres, segundo dados do Ceris e do IBGE.

A maior média de habitantes por sacerdote, segundo dados do Ceris, está no Regional Nordeste 2 (Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba e Alagoas) - um padre para cada 15,20 mil habitantes. Em seguida aparece o Regional Nordeste 3 (Sergipe e Bahia), com um sacerdote para cada 15,16 mil habitantes. A menor média está no Paraná, com um padre para cada 6,21 mil habitantes, seguido do Rio Grande do Sul (um para cada 6,67 mil), Santa Catarina (um para cada 7,47 mil) e Minas Gerais (um sacerdote para cada 8,5 mil).

 

Faltam sacerdotes e agentes no Amazonas

 

O Estado do Amazonas está no Regional Norte 1 da CNBB, com nove dioceses e uma área de 1,35 milhão de km². A maior diocese é a de São Gabriel da Cachoeira, com 294,6 mil km², mas tem apenas cinco padres diocesanos e 12 do clero religioso.

Na Diocese de Tefé, com uma área (264 mil km²) pouco menor que a do Rio Grande do Sul (268,8 mil km²), existem apenas 12 padres. Dom Mário Clemente Neto, bispo emérito de Tefé, destaca em matéria no jornal O São Paulo, que a diocese tem apenas 12 padres - no território gaúcho eram 1.545 em 2005. “Quase todos são temporários, vindos de projetos missionários”, revela. “Na maioria das paróquias, quem faz de pároco é quase sempre um leigo”, explica dom Mário. Na diocese de Coari, uma paróquia tem 199 comunidades e um único padre. Essa carência abre espaço para que seitas e outras Igrejas cristãs tomem conta da região.

 

Brasil pode sediar jornada dos jovens

 

Durante a 45ª Assembléia Geral da CNBB, realizada no início de maio em Itaici, os bispos aprovaram a proposta de apresentar o Brasil como candidato para acolher a Jornada Mundial da Juventude.

O país está se credenciando para sediar o evento de 2011. Presidida pelo Papa, a jornada da juventude ocorre a cada três anos, reunindo jovens de todos os continentes.

Essa atividade foi inaugurada por João Paulo II, para promover a aproximação da Igreja com os jovens do mundo inteiro. Em 2005, o evento foi realizado em Colônia, na Alemanha, e em 2008 será em Sydney, na Austrália. Durante a assembléia, foi aprovado o documento sobre “Evangelização da Juventude - Desafios e perspectivas”. O texto estava sendo estudado pelos grupos de jovens nas dioceses brasileiras há um ano.

 

Vaticano quer criar cultura do trânsito

Documento da Igreja apresenta mandamentos para os motoristas

 

A negligência nas estradas traduz-se, anualmente no mundo, em 1,2 milhão de mortos e 50 milhões de feridos. Diante desses dados alarmantes, o Vaticano deixou um pouco de lado as questões teológicas para divulgar o documento “Orientações para a Pastoral da Estrada”, organizado pelo Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, presidido pelo cardeal Renato Martino.

“Sabemos que, como conseqüência da transgressão e da negligência da disciplina na estrada, cada ano, nas vias do mundo, morre 1,2 milhão de pessoas [...], uma triste realidade e, ao mesmo tempo, um grande desafio para a sociedade, assim como para a Igreja”, advertiu o cardeal Martino ao apresentar o documento. Ele também destacou que no século XX cerca de 35 milhões de pessoas morreram vítimas do trânsito e os feridos totalizaram 1,5 bilhão. Em 2000, o número de mortos chegou a 1,2 milhão.

Estruturado em quatro partes - usuários da estrada e das ferrovias, e todos que nelas trabalham; mulheres de rua; crianças de rua; e pessoas sem teto -, o documento busca “criar uma coordenação entre todas as realidades eclesiais no mundo da estrada, e alertar as Conferências Episcopais dos países nos quais esta pastoral não existe, a fim de que se organizem”, explicou Martino.

Uso e abuso - O cardeal enfatizou a importância de que as vias de circulação estejam a serviço das pessoas como instrumento para facilitar a vida e o desenvolvimento integral da sociedade. Por isso, as “Orientações” diferenciam o uso e o abuso da estrada; o instinto de domínio, prepotência e poder dos motoristas quando dirigem; o uso do automóvel como objeto de ostentação.

Nesse contexto, o cardeal Martino destacou que “é de fundamental importância que o motorista tenha um comportamento responsável e de autocontrole quando dirige”. Ele destacou que a direção também tem “aspectos morais”. “A capacidade de conviver e entrar em relação com os outros pressupõe, no motorista, algumas qualidades específicas, tais como domínio de si, prudência, cortesia, um adequado espírito de serviço e o conhecimento das normas de trânsito”.

Martino advertiu sobre a distração e o uso de celulares ao volante e a perigosa direção sob os efeitos do álcool e das drogas. Também pediu que sejam evitadas atitudes como ultrapassagens perigosas, às quais o documento acrescenta a “falta de cortesia, gestos indelicados, palavrões e blasfêmias”.

Preocupado em criar uma “cultura da estrada”, como costumava recomendar o Papa João Paulo II, e em promover, com todos os meios, uma correspondente e adequada educação dos motoristas, dos que viajam e também dos pedestres, o Conselho Pontifício incluiu no documento um decálogo em analogia aos 10 Mandamentos, como exortação ao exercício das virtudes cristãs, como a prudência, a paciência e a caridade.

 

Papa agradece os franciscanos de Assis

 

Com gratidão, Bento XVI elogiou a “pronta obediência” com a qual os franciscanos de Assis acolheram as novas disposições que vinculam as basílicas de São Francisco (confiada aos conventuais) e de Santa Maria dos Anjos (sob o cuidado dos franciscanos menores) à Igreja diocesana. O Papa realizou visita pastoral a Assis, no dia 17 de junho, no contexto dos 800 anos da conversão de São Francisco e do 199º capítulo geral dos conventuais.

Em novembro de 2005, o Papa introduziu novas normas para as duas basílicas: um legado pontifício como sinal do vínculo da Sé Apostólica com Assis e a jurisdição do bispo local sobre os dois templos franciscanos para harmonizar suas atividades com a pastoral diocesana.

Desde novembro de 2005, o bispo de Assis-Nocera Úmbria-Gualdo Tadino tem a jurisdição prevista pelo direito no que concerne às atividades pastorais desenvolvidas pelas duas ordens nas duas basílicas. Como legado pontifício foi nomeado o cardeal Attilio Nicora. Na basílica de São Francisco estão os restos mortais do Poverello de Assis, e no interior da basílica de Santa Maria dos Anjos, a pequena igreja da Porciúncula.

 

Documento sublinha misericórdia divina

 

O Papa Bento XVI aprovou, recentemente, o documento “A esperança de salvação para as crianças que morrem sem o batismo”. Preparado pela Comissão Teológica Internacional, o documento trata de um assunto superado há mais de 30 anos e desfaz a concepção do limbo, lugar no qual, segundo algumas escolas teológicas, crianças que morriam não batizadas gozavam de uma felicidade natural, mas não tinham a visão de Deus. O documento sublinha a misericórdia de Deus e confirma que as crianças sem uso da razão que morrem sem o batismo têm as portas do paraíso abertas.

 

Montenegro vive clima de diocese

Projeto de criação da circunscrição aguarda aprovação do Papa

 

O vicariato de Montenegro está agilizando as atividades para a instalação da futura diocese. Diante da necessidade de criar uma nova diocese na região hoje abrangida pela arquidiocese de Porto Alegre e definida a cidade para sede, em 2003, Montenegro passou a adotar diversas ações que visam a organização pastoral e a estrutura física.

Em abril de 2006 foi protocolada, no Vaticano, a proposta definitiva de criação da diocese, com a indicação dos limites, amplitude demográfica e projeções sobre o clero e a organização das paróquias. Atualmente, o projeto está sendo avaliado pela Congregação para os Bispos, em Roma. Em breve, será encaminhado para a aprovação final do Papa Bento XVI, que, então, deverá nomear seu bispo. Com a criação da diocese de Montenegro, a 18ª do Rio Grande do Sul, a comunidade cristã poderá trabalhar em conjunto, participar, planejar e interagir através do seu próprio plano pastoral e da presença constante de seu bispo.

No momento o vicariato está empenhado na construção da cúria diocesana, um prédio de três pavimentos, que abrigará recepção, escritório de serviços de registros de batismo e casamento, salão de reuniões, sala de atendimento do bispo, setor administrativo, arquivo e tribunal eclesiástico e, no terceiro piso, a capela e a residência do bispo e do vigário geral.

O vicariato, que tem como vigário episcopal padre José Inácio Steffen, tem mais de 360 mil habitantes, 80% dos quais católicos e 19% luteranos e 60% da população é de origem germânica. Informações sobre o vicariato no site www.diocesemontenegro.com.br.

 

Capuchinhos encerram missões em São Francisco de Assis

 

A Querência do Bugio, como é conhecida a cidade de São Francisco de Assis, na diocese de Uruguaiana (RS), contou, durante 47 dias, com a presença dos missionários capuchinhos, que pregaram missões nas 39 comunidades da paróquia São Francisco de Assis. Uma multidão participou do encerramento das missões, que contou com a presença do bispo diocesano, dom Ângelo Domingos Salvador, capuchinho.

Neste ano, o município acolheu, na comunidade de Pinheiro Bonito, a 30ª Romaria da Terra do RS. Durante o período das missões houve muito frio, com chuva e lama, mas o povo mostrou sua fé e se fez presente em cada comunidade, com vibração, ânimo e alegria.

 

Religiosas celebram 80 anos de história

 

Motivadas pelo lema “Na graça das origens, com pé seguro avance”, as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida iniciaram, no domingo 24, em Porto Alegre, as celebrações dos 80 anos da congregação. Como sinal expressivo do ano jubilar, as religiosas abrem, em agosto próximo, nova Betânia missionária na Bolívia, buscando ser presença evangélica junto ao povo boliviano.

Cada irmã que integra a congregação, surgida no Rio Grande do Sul, sente-se gratificada por esses 80 anos de caminhada. A congregação também se alegra com quatro irmãs que celebram jubileu - irmã Zélia Menegat, de Segredo (RS), pelos 25 anos de vida religiosa; e as irmãs Ancila Nicolao, de Garibaldi; Geralda Pessin, de Erechim: e Dorvalina Guerra, de Nova Alvorada, pelos 50 anos de vida consagrada.

 

A GENTE SE ACOSTUMA MAS NÃO DEVIA

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

Acostumamo-nos a ser enganados, a presenciar por parte daqueles que elegemos atitudes e condutas que não combinam com a honestidade e a decência mínimas que se exigem de quem tem mandato parlamentar

 

O noticiário dos últimos tempos sobre a cena política brasileira me faz recordar uma crônica da grande Marina Colasanti. Começa assim: “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.” Acostumar-se à injustiça, ao sofrimento, à dor imerecida, segundo a escritora, vai desgastando a vida, de tanto se acostumar. Acostumar-se a ser ludibriado pela corrupção e descaso que reina entre nossos políticos também.

Quando aparece um novo escândalo de corrupção envolvendo os membros do Legislativo, Executivo e Judiciário, somos invadidos por um sentimento de revolta que já passou a ser uma rotina emocional dentro do peito arfante e fatigado. Parece que a sadia indignação vai tomar outros peitos, fazer arfar outros pulmões. E que, enfim, vai haver um movimento forte o bastante para tomar atitudes sérias e adotar medidas dignas da gravidade do caso.

Mas depois começa o de sempre, ao qual, infelizmente, estamos mais que acostumados. O corregedor do Senado afirma em alto e bom som que quer absolver o presidente da Casa, Renan Calheiros, implicado em escândalo envolvendo dinheiro ilícito, lobista, amante e filho. O relator propõe ao Conselho de Ética o arquivamento do caso sob alegação de que não há provas suficientes para incriminar o presidente.

Percebemos então que novamente a velha história vai se repetir, e todos serão inocentados. Dentro de algum tempo - pouco! - não se falará mais no caso, que passará a fazer parte da memória (fraca) nacional. E nos acostumamos um pouco mais: a ser enganados, a escutar mentiras, a presenciar por parte daqueles que elegemos atitudes e condutas que combinam com tudo, menos com a honestidade e a decência mínimas que se exigem de um cidadão que tem mandato parlamentar.

A única coisa que nos vem à mente enquanto tentamos sufocar a dor e o queixume é tentar adivinhar quando irá aparecer um novo escândalo, que deverá ser muito maior que o anterior. Tomado por esse sentimento de revolta, a cada dia que passa o povo brasileiro vai se deixando levar para uma grande armadilha antidemocrática ao chegar à conclusão de que esses Poderes, que deveriam ter todo o respeito da sociedade civil, só servem para acobertar mentiras e desonestidades.

Percebemos, mas nos acostumamos. Enxergamos a monstruosidade e o engano, mas nada fazemos. Não deveríamos, mas encolhemos nossa capacidade de indignação ética ao escolher o silêncio cansado e cúmplice. Preferimos calar, dar de ombros e administrar o amargo sabor de descrença que de nós se apossa. Não adianta mesmo. Por que se aborrecer? Não vai dar em nada mesmo...

A crônica de Marina Colasanti descreve com primor a sucessão dos sentimentos que são os nossos. E, sendo nossos, são os de todo um povo. “A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.” Sufocando dor e desalento, o Brasil vai se acostumando a mais um escândalo, a mais uma mentira, a mais uma indignidade. Enquanto isso, espera o próximo, que não se sabe quando nem em que dimensões virá. Em meio à floresta de trevas formada pela mentira, o engano, o despudor, procura abrir caminho para encontrar uma réstia de luz, de transparência, de razão para acreditar. Em não encontrando, espera. Talvez amanhã a luz se deixe encontrar.

Enquanto isso, a corrupção grassa, a responsabilidade recua, a coragem capitula, o desalento impera. Tudo porque a gente se acostuma, embora não deva. Tudo porque é melhor fingir que não viu ou não entendeu. Ou fazer de conta que não dói tanto assim. E poder continuar fingindo que a consciência está tranqüila, e a cabeça no travesseiro será imediatamente seguida do sono que não tem por que não vir. A gente realmente se acostuma. Embora saiba que não devia.

 

Nanetto Pipetta

Nanetto va cognosser el Correio Riograndense

Marcelino Carlos Dezen

Caxias do Sul - RS

 

(Retomada do texto de Marcelino Carlos Dezen, interrompido na edição de 13 de dezembro de 2006, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).

 

Al luni, Nanetto gavea combinà co mi de ndar cognósser el Correio Riograndense. El volea véder come che se fa el giornal, ndove ze nassesto le stòrie de Nanetto, a squasi otanta ani indrio. No vol dir che Nanetto gàpia 80 o pi ani. A Nanetto el Signor ghe ga dato un dono che par lu el tempo no passa mia. Per questo ze che a cada un Nanetto ga la età che ghe par. Mi, co lo vardo, me par che’l ga i so 38, 40 ani, pi o manco, e pronto!

Ma come zera drio contarve, riva luni e, co levo su, Nanetto zera belche pronto drio spetarme.

- Ndemo, che son pramosso de cognósser el giornal!

- Si, si, ma pian co le bòcie! No sta impassionarte.

Rivai a la Editora, Nanetto ze stà ricevesto dal frate Clemente e dal Ibanor Sartor, el capo redatore. La emossion ghe turbisse i òcii. El cor ghe bate a salti. Tuti i varda quela figura imponente - capel, braghe curte, tirache, mostaceti, la pipa inseparàbile. I lo saluda con ris-peto. Là ghe mostremo come se parécia el giornal, come se ghe mete su le fotografie, le notìssie e come se lo manda ai abonanti. Nanetto varda tuto coi òcii lustri.

- Ma varda. No gavea gnanca idea de come se fea un giornal. Pensea che cada pàgina zera fata come un sigilo (carimbo) grando che se struchea su ntela carta!

- Nò, Nanetto, el computador fa tuto. Ze più fàssile che a ani indrio, ghe spiega Ibanor.

Nanetto ga parlà con tuti quei del giornal. Dopo el ga cognossesto le impressore dela gràfica. Co’l vede la carta che va rento bianca de na banda e la va fora tuta scrita de quelaltra, el ga stentà a creder.

- Cagnera can! Che maraveia! Ma quanti ghe zelo dentro de sta màchina che i scrive su sta carta presto cossita?

- Gnanca un, Nanetto! Ze tuto òpera dela modernità, de sti computadori, che i fa tuto. I mesura le tinte, i le spaia fora ntel so posto giusto e, de sto mescolamento, vien fora sti bei laori.

E là, in meso le màchine, Nanetto vardea tuto con due òcii che squasi ghe saltea fora dela testa. Al mesogiorno, invito Nanetto a magnar insieme ai funsionari dela Editora. Nanetto ze el sentro dele atension. I lo varda, coriosi. Nanetto se sente meso perso.

- Ciò, Marcelino, come fao qua?

- Ciapa la traversa e fa tuto quel che fao mi. No te te sbalii, nò.

Minestra, fasoi, riso, patatine, un bifeto, tre quatro sorte de insalade, suco...

- Ciò, gnente de vin qua? Sensa vin no se para zo el magnar!

- Nò, gnente. Ma ghe ze suco de acerola.

- Cossa!?! Cerola! Mariavèrgine, che suco végnelo fora de cerola! Gali coraio de far suco de mudande? Mi nò no bevo quel pòcio lì!

- No stà far un scàndalo, Nanetto. Acerola ze un fruto, bon che mai. Te vedarè.

- Ah! Bon! Manco mal.

Nanetto ciapa el bicer de plàstico, intanto el tegne la traversa co na man par servirse del suco. Ma, savì, chi nasse in calente de luna sempre parécia le sue. Nanetto se volta par vardar un che lo saluda e... assidente! La traversa ghe scampa dela man e la va via par sora la testa del Panisson, del Marcos e del Tiago, sentai lì arente che i magnea. Mai visto roba compagna. Piati de na banda, scudele de quelaltra, possade, pironi, menestra, fasoi... tuto un mescolamento sora la tola, sora i cavei dele persone, la roba, in tera. Mesa ora par snetar tuto. Scusi de na banda, na ràbia da can de quelaltra. Panisson rosso come el so Colorado. Chi ride, chi coiona, chi giuta. Tuto un bordel. Mi e Nanetto, là che vardeimo come due imbambii.

- Nanetto, vai e scomìnsia tuto nantra volta, ma, par carità, stà tento de no fàrghene de peso.

Fenio magnar, Nanetto se trà soto na pianta par far un soneto. Dopo, là par le quatro, el ga fato na bona pipada insieme a Ibanor ma, come el gavea visto tuto e ghe tochea spetar fin a le sei, par ndar casa, no’l se ga tegnesto. El vede un che taia erba e el và là.

- Ciò, càteme fora un restel che te giuto, intanto passa le ore. E là el ga fato raquanti mùcii de grama che dopo lu e Valtair i ga trato rento la stua dei frati par darghe da magnar ai carpa capin. I se la ga godesta a véder bei pessoni ciuciar su l’erba fresca.

- Da Mosè i pesa diese volte depì, ma i ze bei anca questi, dise Nanetto.

Fin che mi lo go ciamà par ndar casa. Contento, sicuro.

 

O BEM EXISTE

Wilson João

 

O mal não existe. O que existe é a ausência do bem. Na medida em que o bem é feito, o mal desaparece

 

Deus criou o universo, criou a terra, nossa casa, nosso planeta, encheu-o de água, verde, pássaros, peixes, insetos de todos os tipos. Encheu-o de vida. Encheu-o de flores e frutas. Fez dele um jardim. Depois pensou: vou criar alguém bem parecido comigo. Criou o homem e a mulher. Contemplando toda sua obra de arte, viu que tudo estava perfeito. A Bíblia nos diz que Deus, depois de ter criado tudo, “viu que tudo era bom”. Nada do que sai de Deus é mau. Tudo é bom. Deus é a fonte do bem, da paz, da harmonia, do amor, da vida, da alegria e da felicidade.

A pessoa que pensa que é Deus quem faz os vendavais e os acidentes, quem cria a fome e a violência, quem cria o deficiente físico e mental, quem inventa a doença e a morte, essa pessoa é cruel e irresponsável. Coloca nos ombros e na obra de Deus aquilo que é totalmente criação nossa. Deus é bem, sumo bem, grande bem e eterno bem.

O MAL NÃO EXISTE. O que existe é a ausência do bem. Ausência de pessoas de bem e que fazem o bem. Então, o mal é como o preenchimento do vazio deixado pela ausência do bem. As pessoas más agem porque as pessoas de bem se omitem, se calam e deixam de fazer sua parte, como parceiros da obra de Deus. Na medida em que o bem é feito, o mal desaparece.

O FRIO NÃO EXISTE. Existe a ausência do calor. Na medida em que o calor vai tomando conta, o frio desaparece. Assim na medida em que as pessoas vão esquentando a sociedade com atitudes de amor e dedicação, o frio da indiferença e descrença desaparece.

A ESCURIDÃO NÃO EXISTE. Existe a ausência da luz. A noite é escura pela ausência do sol. O sol chegando faz desaparecer a escuridão. Nossa sociedade necessita de muitas pessoas que sejam luz, que iluminem com sua fé e esperança, com seu otimismo e construção do bem, e assim a escuridão da preguiça e do comodismo irão desaparecendo.

O ÓDIO NÃO EXISTE. Existe a falta do amor. Das pessoas que amam. Dos gestos de amor. O vazio do amor no coração das pessoas faz com que a negação do amor, que recebe o nome de ódio, se faça presente. E como o coração humano somente se realiza na medida do amor, é possível fazer desaparecer o ódio com a força positiva e a presença do amor.

A MORTE NÃO EXISTE. Existe a ausência da vida. A busca e o cultivo da vida é a destruição da morte. A essência de Deus é vida. Tudo é vida. Deus gera somente vida. Quem é de Deus e escolhe Deus, está envolvido de vida e a morte não tem espaço.

UM DIA HAVERÁ SOMENTE O POSITIVO. O positivo é o partido de Deus. Em Deus não há sombra de negativismo. Quem está com Deus está com a vida e o amor, com a paz e a alegria, com a felicidade e a luz, com o calor e o bem total. É a vitória da vida e do bem. A vitória de Deus sobre todos aqueles que se escolheram a si mesmos e por isso viveram na escuridão e no desamor.

 

PERDOAI NOSSAS OFENSAS

Padre Zezinho

Escritor, compositor e intérprete

 

Cristo veio nos libertar do egoísmo e nos reeducar para o amor

 

Nossa Igreja afirma que só duas pessoas escaparam do pecado: Jesus, o Ungido, o Messias. Em virtude dele, sua mãe Maria. Outras Igrejas não isentam Maria. De resto, todas as pessoas nascem com tendência ao pecado e pecam. Ninguém está livre de pecar. Por isso não devemos julgar os outros. Jesus manda a gente deixar de ser hipócrita e, ao invés de apontar o cisco no olho dos outros, cuidar do graveto que está no nosso!

No Pai-Nosso, Jesus ensina a pedir perdão por nossos pecados e a perdoar quem pecou contra nós. Cremos que Ele veio nos libertar do egoísmo que leva ao pecado e nos reeducar para o amor e para o altruísmo que certamente nos livra de muitos pecados. Mas, pecar, todos pecamos; uns mais, outros menos; uns gravemente, outros sem querer, mais por fraqueza daquela hora e daqueles dias de perda e equilíbrio, outros querendo fazer o que fizeram.

Assim o ser humano rouba, usa, ofende, ataca, fere, calunia, mata, engana, julga-se maior, usa até o nome de Deus por causa de poder, dinheiro, fama ou interesses pessoais.

O Salmo 51 diz: “Nasci no pecado, minha mãe me concebeu no pecado”. Jesus alerta os discípulos para que orem, a fim de não caírem em tentação de pecar. O tempo todo os apóstolos advertem os fiéis para que se cuidem. De mil formas o pecado se manifesta. É como lutar o tempo todo para que o rio não suje de lama o nosso pobre chão. Temos que lhe por diques e barreiras e canalizá-lo. Assim mesmo, ele às vezes transborda.

Eu amo, tu amas, ele ama. Como eu, tu e ele não amamos direito, volta e meia temos, com tristeza, que conjugar o verbo eu pequei, eu peco, tu pecaste, tu pecas, ele pecou, ele peca! Certamente ainda pecaremos, porque nosso coração é cheio de desejos e vontades teimosas. Quando menos percebemos, já fizemos ou dissemos aquilo ou pensamos naquilo que, ou é, ou leva ao pecado de mágoa, vingança, desejos carnais, ódio, sucesso às custas da mentira.

Nossa Igreja diz que só Jesus não teve tais tendências. Era puro! Maria sua mãe também. Quem quiser pregar diferente, que o faça. Nós cremos que aquela mulher e aquele ventre foram santificados por Deus para receber aquele filho. Por isso ela foi cheia de graça e sem pecado.

 

Educação da região Sul dá exemplo ao país

Dos 64 municípios que reduziram analfabetismo, 59 estão no Sul, sendo 40 em território gaúcho

 

“Casa se escreve com z ou com s”?, pergunta a menina de seis anos que mal acabara de entrar na escola. A mãe, que integra o universo de 16 milhões de brasileiros analfabetos acima de 15 anos, deixa a resposta para a professora. A história é fictícia, mas os números do IBGE, não. Eles revelam o tamanho do problema de uma nação que assiste a evasão escolar e seus efeitos negativos na sociedade.

O velho refrão de “não sabe ler e nem escrever” parece não fazer sentido para, pelo menos, 64 municípios brasileiros que receberam o selo “Cidade Livre do Analfabetismo”, na quarta 20, das mãos do presidente Lula. A premiação integra o Plano de Desenvolvimento da Educação, do Ministério da Educação e Cultura (MEC).

É da região Sul que sai o exemplo para o Brasil. Os três Estados aparecem com 92,1% do total dos municípios que reduziram o índice de analfabetismo para menos de 4% da população. O Rio Grande do Sul lidera com 40 cidades - entre os dez menores percentuais de analfabetismo, oito estão em território gaúcho. Santa Catarina, que encabeça o levantamento com São João do Oeste, conta com 16 e o Paraná surge com três cidades.

O Sudeste completa a relação do Ministério da Educação com cinco municípios. Nenhuma outra região do país conseguiu alcançar o índice estabelecido pelo IBGE.

Diferenças - O que diferencia o Sul das demais regiões? A resposta pode estar na afirmação da secretária da Educação do RS, Mariza Abreu: “A imigração européia, no século XIX, que priorizou a educação ao longo de todo o período de colonização e o fortalecimento da educação nas décadas de 50 e 60.” No caso gaúcho, um item a mais: a construção de 6.300 escolas no interior, as chamadas brizoletas, naquele período. Já no Sudeste, a supremacia deve-se ao fator econômico.

 

Reportagem

Todos professores são pós-graduados

 

São João do Oeste é um daqueles municípios onde igreja e escola são os primeiros prédios a serem erguidos, e o alemão é o segundo idioma oficial. Localizado no extremo-oeste de Santa Catarina, mantém as raízes, tradições e festas típicas germânicas.

A receita do sucesso está nos investimentos em educação e saúde desde sua instalação em 1993. “No ano passado, a Prefeitura destinou 30% do orçamento à educação, 5% a mais do que determina a lei, e 19% em saúde, 4% a mais do que prevê a Constituição”, relata o secretário municipal da Educação, Denílson Grasel.

A aposta das administrações municipais passa pela participação da comunidade no sistema educacional, envolvimento dos alunos e capacitação dos professores. “Todos os professores efetivos têm pós-graduação”, destaca Grasel ao CR. É com essa bagagem que eles vão às salas de aula.

Outro diferencial do município, que tem na agropecuária o seu principal pilar econômico, é a alfabetização de adultos. De uma população com cerca de 6.000 moradores, apenas 10 ainda não sabem ler e escrever - todos adultos.

 

Morro Reuter é o primeiro no Estado

 

Morro Reuter, na região do Vale do Rio dos Sinos, confirma a importância que a imigração alemã deu à educação. Com cerca de 6.000 habitantes, o município é o primeiro do Rio Grande do Sul com menos analfabetos adultos e crianças. E aparece em segundo lugar no ranking nacional.

A receita de Morro Reuter é simples. O município mantém escolas funcionando no interior ou longe do centro da cidade. Dos sete estabelecimentos de ensino, apenas um funciona na parte central da área urbana. Além disso, agentes identificam possíveis analfabetos, e que são convidados a participarem de grupos. “Hoje tem dois grupos funcionando, um na Linha Cristo Rei e outro na Biblioteca Pública”, diz a secretária municipal da Educação, Ana Maria Gonçalves Ferreira.

Entre as primeiras 20 cidades com menos analfabetos estão municípios pequenos, com no máximo 30 mil habitantes. Dos contemplados com o selo do Ministério da Educação 11 deles estão na Serra gaúcha, colonizada principalmente por imigrantes italianos. Caxias do Sul é exceção na região. Com 420 mil moradores, é o 51º no país no ranking do MEC.

 

RS ocupa terceira colocação no Ideb

 

No Brasil, a aprendizagem das crianças no Ensino Fundamental tem média 3,8. É o que revelou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) por escola. A meta é que, até 2021, a nota chegue a 6 para os anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 para os finais e 5,2 para o ensino médio, equivalente à média dos países pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos.

As redes públicas estadual e municipal do Rio Grande do Sul estão na terceira colocação no ranking nacional do Ideb, lançado em abril pelo Ministério da Educação. Porém, nenhuma escola do Estado ficou entre as 10 melhores do país. O Ideb tem escala de 0 a 10, e é calculado apenas nas escolas da zona urbana.

Entre os Estados com melhor média do Ideb, a rede pública de ensino do Rio Grande do Sul ainda não alcançou a nota cinco, assim como nenhuma outra unidade da federação.

Já no Ensino Médio, o Rio Grande do Sul ficou empatado com Santa Catarina e Minas Gerais, com média 3,5. No ranking do Ideb para as 5ª a 8ª séries, o Estado ficou na terceira colocação, com nota 3,6, enquanto Santa Catarina teve nota 4,1.

 

Saúde

Prato vazio

Na esperança de ver o filho com fome de leão, mãe recorre até a fortificantes para estimular o apetite

 

Em plena era da obesidade, muitos pais se queixam que seus filhos não comem, que estão abaixo do peso, que estão pálidos e por aí vai. Isso ocorre mesmo quando as crianças são saudáveis. “Costumo dizer que as mães, mais até do que os pais, têm um olhar emagrecedor”, comenta o pediatra Ruy Pupo, em seu livro “Como educar seus filhos”.

O problema é quando as mães recorrem a fortificantes para estimular o apetite dos filhos. Segundo os especialistas, estes só funcionam se a causa da inapetência for alguma deficiência de nutrientes. Crianças anêmicas, por exemplo, podem se beneficiar. A ingestão de ferro corrige o problema e, como conseqüência, o apetite volta.

Foi o que aconteceu com o caxiense Pedro Lucas Andelieri Pelisser, hoje com quatro anos. Com cerca de três anos, a mãe, Stela Maris, tentou fazer com que ele ficasse na escolinha. “Aí, ele deixou de comer e ficou abaixo do peso. Porém, manteve a média de crescimento”, relata ao CR.

A pediatra analisou a situação e receitou um composto de ferro e vitaminas. Um mês depois e fora da escola, Pedro Lucas parecia outra criança. “Passou a demonstrar apetite, além de comer uma maior quantidade de alimentos”, afirma Stela. Aliás, segundo a mãe, o menino “come de tudo.”

De tudo - Como fazer para a criança rapar o prato? “Oferecer alimentos coloridos e reforçar o hábito de consumir verduras e frutas”, responde a técnica em nutrição e dietética Monique Meneguzzi. Além de ofertar vitaminas e sais minerais diversos, o colorido, emenda, chama a atenção da criança.

O comportamento das crianças à mesa também passa pela educação alimentar. “Os pais precisam ensinar, impor regras e evitar, por exemplo, refrigerantes e outros produtos pouco nutritivos”, enfatiza Monique.

Na esperança de ver os filhos “limparem o prato”, as mães podem ofertar sopas. Apetitosas no inverno e muito nutritivas, as sopas “escondem” verduras (que podem ser liquidificadas), que nem sempre são bem-vindas. A injustiçada cebola, porém benéfica, parece ocupar o topo da lista.

 

Cálcio desaparece da dieta de jovens

 

Especialistas prevêem epidemia de ossos fracos num futuro bem próximo, visto que a baixa ingestão do mineral na juventude aumenta em 20% o risco de osteoporose na idade adulta. Na verdade, o cálcio está desaparecendo na dieta das crianças e adolescentes.

A situação preocupa. Mais de 90% de todo o cálcio usado ao longo da vida são estocados pelo organismo até o final da adolescência. “Depois disso, o tecido ósseo não absorve mais o mineral com a mesma eficiência”, observa a endocrinologista Marise Lazaretti Castro, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Para garantir a saúde dos ossos é necessário ingerir, dos 10 aos 18 anos, 1.300 mg de cálcio todos os dias, o equivalente a cinco copos de leite. A média das crianças e adolescentes é de apenas 600 mg. Alguns médicos, inclusive, indicam a suplementação do mineral para seus pacientes, especialmente meninas, a partir dos 10 anos.

A falta de cálcio na dieta dos jovens é conseqüência da mudança de hábitos alimentares. De 1987 a 2003, segundo o IBGE, o consumo de leite caiu 34%. O de refrigerante, no mesmo período, cresceu 65%. O cálcio também saiu das mesas brasileiras quando os grãos e verduras perderam espaço para os salgadinhos e lanches.

 

Padrão é determinado pela genética e pelos hábitos alimentares da família

 

Pais ansiosos precisam rever seu conceito de apetite. A medida de “não come” é dada subjetivamente pelos pais e endossada pelas avós, tias, vizinhos... e não pela necessidade real da criança. “É preciso analisar a evolução do crescimento e o ganho de peso individualmente, com o auxílio de tabelas e gráficos, para avaliar se a queixa está realmente repercutindo no desenvolvimento”, ensina o pediatra Roberto Bittar, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, à revista Saúde.

Na verdade, pode ser que a criança esteja até ingerindo uma quantidade de alimentos mais do que suficiente para o padrão dele, o que é determinado pela genética e pelos hábitos alimentares da família. Além disso, há outras variantes a considerar.

O apetite infantil, assim como o de adultos, muda de acordo com o clima e pode diminuir bastante em função de resfriados, gripes e infecções. “Esses eventos, quando acarretam perda de peso, são seguidos por um período de recuperação”, explica o médico.

Há que levar em conta a faixa etária da criança. Dos dois anos até a puberdade, o crescimento não é tão acelerado quanto no primeiro ano de vida, o que leva a uma redução natural do apetite. O quadro é agravado pela falta de interesse pelo alimento, já que, nesse período, a criança só quer saber de explorar o mundo ao redor e a comida tem importância secundária.

Baixinhos - Criança baixa? Nem sempre! Antes de concluir que a criança é baixa não se esqueça da herança familiar, pois sua altura pode ser normal para o padrão da família. Outra possibilidade é o atraso puberal, que deve ser avaliado pelo pediatra. É importante que os pais informem se eles próprios atingiram a adolescência de maneira rápida ou não.

Quando se tratar de uma criança pequena desde o nascimento, é conveniente cuidar para que ela não ganhe proporcionalmente mais peso do que altura, evitando assim o risco.

 

Peso e altura devem ser acompanhados

 

Se o pai ou a mãe notar que o filho é muito menor do que as crianças da mesma idade, deve levá-lo ao pediatra para acompanhar o ganho de peso e a altura. Ao observar sonolência, palidez e pouca disposição, os pais devem investigar porque esses sintomas podem indicar falta de nutrientes importantes, como ferro, zinco, vitaminas, cálcio e sais minerais.

O motivo da falta de apetite pode ser emocional, como o caso do caxiense Pedro Lucas. Conforme os especialistas, as crianças se recusam a comer como forma de protesto. Se for o caso, deve-se procurar a causa.

Já as alterações bruscas de apetite por períodos prolongados podem ter causas orgânicas mais graves, como problemas digestivos ou de mastigação, doenças infecciosas mais sérias e alguns tipos de câncer.

 

Vida Agrícola

60 anos de agronomia

José Zugno

Engº. Agrº., Caxias do Sul - RS

 

Envio ao amigo, professor engenheiro agrônomo José Zugno, minhas mais efusivas congratulações pela efeméride dos 60 anos de jubilosa profissão. Permito-me sugerir ao Dr. Zugno registrar, na coluna Vida Agrícola, como foi a merecida homenagem promovida recentemente pela Aeane, a qual, infelizmente não me foi possível comparecer.

Antônio P. Denicol - Secretaria Municipal do Meio Ambiente

 Porto Alegre - RS

 

Respondo a sua carta generosa e a outras manifestações de apreço de leitores, deixando de lado a modéstia ao escrever no singular, mas agradeço, penhorado, as manifestações.

O colega Ênio Todeschini transmitiu-me a decisão unânime da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Nordeste do RS (Aeane) de homenagear-me pelos meus 60 anos de vida profissional. Recebi a homenagem sem pensar se tenho ou não méritos, mas convicto de ter sido fiel à minha profissão, me realizado nela e colhendo, hoje, os frutos saborosos desta fidelidade. Eu era ginasiano da 1ª série, em 1937, quando decidi ser agrônomo como o Francisco da Cunha Rangel, diretor da Estação Experimental de Viticultura e Enologia de Caxias do Sul, que substituíra o grande mestre da viticultura nacional, Dr. Celeste Gobbato. O Dr. Rangel ampliara e organizara os vinhedos da estação, tinha grande prestígio na cidade e no interior, principalmente junto aos agricultores da Associação dos Plantadores de Viníferas da 9ª Légua; gostava de cavalos como o meu pai, de quem era amigo. Tratei então de estudar, conclui em 1941 o curso ginasial, então de 5 anos, no Colégio do Carmo; cursei o pré-universitário técnico no Colégio Rosário de Porto Alegre; fiz vestibular para agronomia na UFRGS, na 1ª quinzena de 1944, e de História Natural da PUC na 2ª quinzena do mesmo mês.

Dediquei-me com afinco a esses cursos. Formei-me engº. agrônomo em 17 de dezembro de 1947, numa solenidade realizada no salão nobre da universidade. Escolhido orador da turma, proferi caprichado discurso na despedida dos colegas e da vida universitária lembrando o amor agigantado que dedicamos à nobre profissão agronômica: “Forjadores da Fartura! Vencedores da Fome! Construtores da Felicidade! Obreiros da Paz! Filhos lídimos da Pátria! Praticantes do Bem!”

Após, retornei à minha cidade passando a exercer atividades junto à população rural, procurando por em prática os propósitos assumidos na solenidade de formatura.

A homenagem da Aeane realizou-se dia 25 de maio de 2007, no parque da Festa da Uva, com a presença de grande número de colegas com suas esposas, autoridades e amigos, dentre os quais o Ibanor, Marcelino e Maria de Fátima, editor e redatores do CR, no qual a coluna Vida Agrícola, de responsabilidade do homenageado, completou 54 anos.

De acordo com o princípio de vida que adotei desde a mocidade, “Viver o presente, com as boas experiências do passado, para o futuro promissor”, eu vivi intensamente a homenagem. O colega Tadeu Senise, empunhando o microfone, comandou a intervenção dos oradores. O primeiro, Jorge Pontel, presidente da Aeane, relatou a participação do homenageado na vida da associação, da qual fui um dos fundadores. Não deixou de mencionar a participação de minha esposa Zélia em inúmeras atividades como nas excursões organizadas pela entidade, com programações técnicas e turísticas ao interior do país e ao exterior, como Itália, Argentina, Chile e Uruguai. Nestas ocasiões, a presença das esposas com os maridos tornaram muito mais proveitosas as excursões. Ao ser citada, Zelita, recebeu calorosos aplausos.

O segundo orador foi o colega Edual Garbim que fez referências às atividades profissionais do homenageado. Em seguida, o Dr. Mansueto Serafini Filho, ex-prefeito de Caxias do Sul, então chefe do homenageado, salientou ser o município, o maior produtor de hortaliças do Estado, graças à liderança de seu secretário e atuação dos colegas da Emater. Após, o vereador Francisco Spiandorello, da Câmara de Vereadores, fez elogios às qualidades e virtudes do homenageado. O secretário da Agricultura, Nestor Pistorello, afirmou que hoje colhe os frutos das sementes lançadas por ele e entregou carta do prefeito José Ivo Sartori, em viagem ao exterior, lembrando o pioneirismo na conquista do progresso da agropecuária do município.

O maestro da Banda Santa Cecília, de Nova Pádua, que abrilhantou a solenidade, cumprimentou o homenageado juntamente com o prefeito daquela cidade. O eng. agº Onofre Pimentel, em nome da entidade, entregou-me um expressivo troféu comemorativo. Ricardo, filho do homenageado, projetou dezenas de fotos da vida e atividade do progenitor.

Muito emocionado, falei que não tinha palavras suficientes para agradecer tanta consideração e aplausos nunca antes recebidos, inesquecíveis. Sou imensamente grato a todos os colegas e amigos. A solenidade encerrou-se com bela confraternização, num jantar festivo.

 

Vita Stòria e Fròtole

El bocal

Geraldo Sostizzo

Agente Consular Italiano Cascavel - PR

 

 

El bocal gera un mestier che fea parte dea dota dea tosa vanti de maridarse. Quando le tose, dopo tanti ani de inamoro, le volea, intese col moroso, maridarse, le scominsiea farse la dota. Le fea su toaie de piati, toaie de tola e anca quele de sugarse dopo el bagno e lavarse el muso, vestiti, braghete, corpigni, ninsoi, straponte, cussini, e po, tuto quel che ghe ocorea rento casa.

Ma ghe gera cose che bisognea comprarle tel magasino o tela venda, come màchina de cosir, lampioni, ciariti, pignate, el pignataro, dove se pichea le pignate, menestri, cassarole, salere, tamisi, querci, buli e el saco del cafè. E nantra cosa che bisognea comprar tel magasino gera el bocal. No ghenera tanti tipi par scoier. Mi ghinò cognossesto sol un tipo. El gavea un mànego par tégnerlo e el gera tuto smaltà con fioriti intorno. Se te lo dassassi cascar in tera, prima el se sboldea e dopo saltea via el smalto tuto a tochiti.

Questo zera un mestier importante par quei che se maridea e ogni quarto gavea el suo. Quando se gavea voia de pissar, par no ndar fora de note e ciapar na malatia o un rafredore, se pissea rento tel bocal. Bisognea ver na certa pràtica, par no pissar fora: na man tel pissarol e nantra tel mànego par tégnerlo ciuso. Tante volte dormìimo in tre o quatro te un quarto e se lo impienia suito, maginàrsela quando magneimo na spansada de naranse o de ingùrie.

Quante volte ndeimo dormir e chi gera ndato prima, dassea el bocal meso fora del piombo del leto. Riveimo là scuro e ghe pianteimo via na peada che lo urteimo par quelaltra banda del leto e se’l gavesse rento qualcosa, sicuramente mesa la saltea fora. Quando gaveimo mal de pansa o voia de cagar, me tochea ndar la fora tea patente, podea esser fredo, piova o brina, tel bocal se podea sol pissar. Dopo tanti ani, rento tei bocai ghemo piantà fiuri o qualche pié de scarlogne e così se ga fenio anca i bocai.

 

El feral

 

Quaranta ani indrio, poche fameie gavea la luce elètrica. E fin incoi ghe ze fameie che no ga luce. Lora come far? Le fameie pi ben de vita, quele che gavea depì soldi, le ga dassà i ciariti e i se ga comprà i lampiuni. I ciariti i gavea sol un strasso moio tel petròlio e i brusea, ma anca i fea fumassa compagno un gropo de pin. Invesse i lampiuni i gera pi moderni. I gavea un pìcolo depòsito, in fondo, de petròlio, fato de viero grosso e de lata. Sora questo depòsito vegnea un viero tondo, dove se intachea la fiama de strasso, moia tel petròlio.

Come la fiama la brusea rento tel viero, la fea ciaro par diese ciariti. Anca el lampion gavea la rodeta, par far la fiama pi alta o pi bassa, pi grossa o pi fina. Intorno sto viero ghe gera raquanti feri, par far la protession al viero e anca i tegnea el gàncio par picarlo.

Ghe gera fameie che doperea 3 o 4 lampiuni. Noantri ndeimo tela stala, monzeimo le vache, scartosseimo mìlio, ndeimo in cantina tor salami, vin e anca codeghini e anca se ndea al filò co na strissa de ferai. Tei primi tempi se ndea con na sbranca de steche intacae, quando riveimo tel destin le smorseimo e quando gera ora de tornar a casa le intacheimo nantra volta. Dopo che ze vegnesto la luce, tuti i ga butà via i ferai e anca i ciariti. Ancoi no ghinavemo gnanca par mostrarghe ai fioi.

Quando se intachea el feral, tochea sarar le finestre, parché, senò, se impienia de paveie e bai. Luri ghe piasea el ciaro e noantri anca, ma sensa bissi e sensa paveie.

 

Vitivinicultura

Produtor quer ampliar área de uva orgânica

Setor cresce, mas esbarra na falta de pesquisa e recursos

 

Um programa governamental para a reconversão de parreirais do sistema convencional para o orgânico. Esse é o sonho de produtores de uvas da Serra gaúcha. Hoje, o Rio Grande do Sul tem 150 hectares cultivados nesses moldes. A atividade envolve 170 produtores, que respondem por mais de dois milhões de quilos de uvas anualmente.

Garibaldi é o maior produtor de uva orgânica do Estado, com 50 hectares. Porém, os cultivos se espalham pelos municípios de Ipê, Antônio Prado, Monte Alegre dos Campos, Farroupilha e Bento Gonçalves. “As principais variedades são as americanas como isabel e bordô, cujo destino principal é o suco”, diz Luís Carlos Rupp, engenheiro agrônomo do Centro Ecológico Ipê.

O cultivo orgânico de uva tem aumentado. O crescimento pode ser constatado pelo número de cantinas ou agroindústrias em funcionamento na Serra. “Atualmente são 20”, relata Rupp ao CR. O processamento de uva despertou a atenção também das cooperativas. É o caso da Aliança, de Caxias do Sul, e da Garibaldi, de Garibaldi. “As cooperativas estão incentivando os agricultores”, adianta o agrônomo da Emater caxiense Luciano Ilha.

O produtor Moacir Giacomet, de São Gotardo, interior caxiense, é um dos que está trabalhando para transformar seu parreiral de uvas bordô em cultivo limpo. “A meta de Giacomet é certificar as uvas, marmelo e figo-da-índia, que planta em sua propriedade”, informa Ilha.

Para o assistente técnico em fruticultura, da Emater Regional de Caxias do Sul, Enio Angelo Todeschini, a opção pelos orgânicos é uma forma de produzir alimentos mais seguros para o agricultor e consumidor, “além de evitar os riscos de contaminação ao meio ambiente”, destaca.

Entraves - A expansão do cultivo orgânico (ou ecológico) esbarra na falta de verbas oficiais e de pesquisa e problemas com a legislação. “A cadeia produtiva precisa de linhas de crédito específicas e facilitadas”, enfatiza Rupp, que estará no Seminário Regional de Uva Orgânica de Garibaldi.

Outro desafio é o combate e controle de doenças fúngicas (foliares e de solo) e adubação adequada. O míldio, doença bastante comum das videiras, vem sendo combatido com calda bordalesa. “Porém, nos parreirais antigos, enfrentamos problema pelo excesso de cobre - o cobre é a principal substância da calda. Aí é que entra a pesquisa”, declara Rupp.

Nos estudos do professor Marcial Stadnik, da Universidade Federal de Santa Catarina, poderá estar uma das respostas. Ele pesquisa a ação de algas no controle de doenças foliares nas videiras.

 

Garibaldi vai sediar seminário regional

 

Garibaldi é o que possui o maior número de produtores de uva orgânica da América Latina. Dos 150 hectares cultivados no Rio Grande do Sul, 50 hectares se encontram no município da Serra, trabalhados por 60 viticultores. Por esse motivo, irá sediar, no dia 11 de julho, o III Seminário Regional da Uva Orgânica, nos pavilhões da Fenachamp.

O encontro reúne pesquisadores e especialistas, como os agrônomos João Wordell, da Epagri, e Marcial Stadnik, da Universidade Federal de SC, que irão falar sobre o uso eficiente da calda bordalesa e de extratos de algas no combate a doenças foliares na videira. Já o agrº Antônio Conte, da Emater, vai abordar o míldio.

Também estão confirmadas as presenças da doutora Mara Regina Calliari Martin, que vai tratar dos efeitos dos agrotóxicos nos agricultores, e do médico Emílio Moriguchi, que irá falar sobre vida saudável.

A promoção é da Emater, Centro Ecológico Ipê, Sindicato de Trabalhadores Rurais e Prefeitura. Tem apoio da Rádio Garibaldi, Cooperativa Garibaldi e entidades locais. Informações (54) 3462-1602.