1964

A vida 40 anos depois

Rejane Salvi

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 SUMÁRIO

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Apresentação (Sandra de Deus) / 9

 

Introdução / 11

 

Parte I

1964 – A vida 40 anos depois na história / 13

André Marenco dos Santos / 15

Décio Freitas / 21

Luiz Roberto Lopez / 27

Miguel Rojas Mix / 33

Paulo Vizentini / 38

Voltaire Shilling / 45

 

 Parte II

1964 – A vida 40 anos depois na política / 51

Jarbas Passarinho / 53

José Fogaça / 58

Kenny Braga / 64

Lauro Hagemann / 70

Luiz Alberto de Oliveira Francez / 75

Paulo Brossard de Souza Pinto / 80

Pedro Américo Leal / 84

Raul Pont / 89

 

 Parte III

1964 – A vida 40 anos depois na sociedade / 97

Pedrinho Guareschi / 99

Robson de Freitas Pereira / 105

Parte IV

1964 – A vida 40 anos depois na economia / 109

Luiz Miranda / 111

Pedro Cezar Dutra Fonseca / 120

 

Parte V

1964 – A vida 40 anos depois na cultura / 125

Hélio Nascimento / 127

Luís Augusto Fischer / 132

Sérgio Silva / 138 

 

 

 

 

 

  APRESENTAÇÃO

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Os estudiosos amantes do rádio, entre os quais me incluo, quando saem em defesa deste veículo fascinante costumam dizer que os olhos aceitam tudo, são pacientes enquanto que os ouvidos são impacientes e seletivos. Pois, sendo assim, me cabe a honrosa tarefa de dizer que as páginas que serão lidas foram antes ouvidas por seletivos ouvidos dos ouvintes da Rádio da Universidade. São memoráveis depoimentos e esclarecedoras análises sobre o Golpe Militar de 1964 que constituíram um rigoroso documentário radiofônico produzido e apresentado pela jornalista Rejane Salvi mostrando a vida 40 anos depois. O que está escrito revela primeiro a posição do jornalista como intérprete da realidade e capaz de oferecer esta interpretação para a sociedade, segundo a importância do rádio em possibilitar que 40 anos depois as vozes antes caladas possam expressar ora com o coração e ora com a razão mas sempre com a mesma firmeza um tempo nem tão distante. Muito já foi escrito sobre aquele período da história do Brasil. Porém, os textos seguintes mostram a capacidade da jornalista Rejane em retirar dos seus interlocutores o que de mais importante marcou aquele momento, portanto caracterizam-se não apenas como um documento histórico mas também como uma transgressora demonstração da essência do jornalista de interpretar a realidade e fazer com que assim se possa escrever a história.

É através do rádio que a sociedade busca suas primeiras informações, o conhecimento sem fronteiras, o serviço e a criatividade. A cada manhã em algum lugar do mundo um jornalista acorda, não importa como ele está e em que meio trabalha, (perdão pela licença), e sabe que deverá interpretar os acontecimentos de perto e de longe porque se assim não fizer não estará sendo atendida uma das mais importantes necessidades humanas: o contato com os outros em diferentes lugares de tempo e de espaço. Assim o jornalista, um profissional como qualquer outro, mas tão diferente no seu “fazer”, dá conta de dimensionar a limitada capacidade humana de não ter condições de estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Mas sempre há um jornalista presente para lembrar os distantes fatos históricos, para dar conta do acontecimento do momento, para antecipar o que pode ser o futuro. Deriva deste “fazer” comprometido com os acontecimentos a preocupação em reconstruir através de depoimentos e análises o movimento de 64. Passaram-se 40 anos e na lembrança de muitos, aqueles dias ainda estão bem próximos; para outros analisar o passado é necessário como um sinal de alerta capaz de não deixar esmorecer a luta pela liberdade, pela democracia e pelo próprio exercício do jornalismo comprometido com as lutas da sociedade.

Então está entre as competências do jornalista a luta pela liberdade, pela construção da cidadania o que o leva muitas vezes a reavivar as lembranças sejam boas ou terríveis. Foi com esta pauta, e com toda a certeza de que a Rádio da Universidade cumpriria com o seu papel de rádio universitária pública, que a Rejane fez contatos, convites e muitas gravações com alguns personagens de 64, buscou os analistas e ofereceu um documento para a história. Estes depoimentos, interpretações e lembranças que foram ouvidos em março de 2004 podem agora ser lidos. Com a transcrição das falas revela-se ainda mais poderosa a capacidade do rádio de potencializar as mensagens que passam a ser escritas para que os olhos tenham o mesmo privilégio que os ouvidos antes tiveram e para que o papel que aceita quase tudo tenha o prazer de receber o que já foi devidamente carimbado com o selo de qualidade da Rádio da Universidade. Assim aqui está um rádio para ser lido.

Sandra de Deus

Jornalista

Setembro/2004

 

 

 

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