Povoadores alemães do Rio Grande do Sul (1847-1849)

O recenseamento dos moradores das Colônias São Leopoldo e Mundo Novo, Província de São Pedro do Rio Grande.

 

 

Home | E-mail

 

Povoadores alemães do Rio Grande do Sul. (1847-1849) O recenseamento dos moradores das Colônias São Leopoldo e Mundo Novo, Província de São Pedro do Rio Grande.

Otavio Augusto Boni Licht

Iniciei a transcrição do Códice C-332, pensando apenas em enriquecer meu banco de dados de genealogia do Rio Grande do Sul, com informações coletadas em uma fonte documental primária sobre os imigrantes alemães e seus descendentes. Foi uma tarefa trabalhosa, pois o Códice C-332 é um manuscrito de meados do século XIX, bastante manuseado, que já sofreu restauro, e assim com leitura relativamente difícil. À medida que o trabalho avançava, aumentava minha convicção de que se tratava de um importante documento que necessitava ter restrição de acesso e consulta visando sua preservação. Com isso, surgiu a idéia de publicá-lo na íntegra, de modo a servir ao maior número possível de pesquisadores e interessados na história e na genealogia do Rio Grande do Sul, especialmente dos imigrantes alemães que aqui chegaram no período Imperial, de 1824 até 1830. A leitura desse material me permitiu um mergulho de 155 anos no passado, na vida e nas relações familiares de milhares de indivíduos, pioneiros da colonização do Sul do Brasil, que abandonaram duras condições de sobrevivência na Europa pós-napoleônica. Desfazendo-se de suas propriedades, aventuraram-se numa travessia oceânica, que durava cerca de três meses. Chegando ao Rio de Janeiro, desembarcavam na Armação da Praia Grande e passavam por um período de algumas semanas de aclimatação aos trópicos. Daí, uma nova viagem que podia durar até dois meses, em pequeno barco costeiro até Porto Alegre e então de lanchão até o porto do rio dos Sinos, ficando então alojados no barracão que servira à Real Feitoria do Linho-Cânhamo, nas proximidades da atual cidade de São Leopoldo. Nesse galpão, destinado à função de abrigo de imigrantes pelo Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande, José Feliciano Pinheiro em 31 de março de 1824 (PMSL, 2004), as famílias e os colonos avulsos aguardavam o destino final: um lote em meio à mata onde começariam nova vida. Esse contingente humano colonizou um espaço já parcialmente ocupado por brasileiros, descendentes de portugueses e escravos africanos e seus descendentes, em conflito com as populações indígenas, nativas dos vales dos rios dos Sinos, Cadeia, Feitoria e Caí. O censo dos moradores das colônias alemãs foi feito, pouco mais de 20 anos após a chegada do primeiro grupo de imigrantes alemães a São Leopoldo, ocorrida em 25 de julho de 1824. Com isso, muitos chefes ou mães de família com nomes germânicos estão registrados como nascidos no Brasil. Esta é a primeira geração de descendentes dos imigrantes do período 1824-1830. Entretanto, a simples publicação da transcrição de documento tão importante não me pareceu satisfatória, já que vislumbrei a chance de apresentar um pequeno panorama da população das Colônias de São Leopoldo e do Mundo Novo, caracterizando-a quanto ao sexo, faixa etária, profissão, religião, origem e atividade econômica. Tão ou mais importante que isso é o privilégio de apresentar as informações extraídas dos dados censitários dos escravos, cuja documentação e registros históricos são tão raros e esparsos. Com esse trabalho, tive o prazer de realizar um mergulho no tempo, que compartilho com o leitor.

 

Home | E-mail