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Religião/Igreja/ Teologia/Filosofia |
ASCENSÃO DE JESUS AO CÉU |
Urbano Zilles |
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O
historiador romano Tito Lívio, em sua grande obra de história, conta o fim
da vida de Rômulo, o primeiro rei de Roma, da seguinte maneira: “Certo dia
Rômulo realizou uma assembléia do povo diante dos muros da cidade. De
repente irrompeu uma tempestade que envolveu o rei com uma nuvem densa.
Quando a nuvem se desfez, Rômulo não mais se encontrava sobre a Terra.
Subira aos céus. Primeiro o povo ficou pasmado, mas depois alguns
começaram e todos acompanharam uma homenagem a Rômulo como o protetor da
cidade de Roma elevado ao céu”. Encontramos
outras narrativas de homens célebres, na Antiguidade, que subiram ao céu,
como no caso de Alexandre Magno, imperador, Elias, Moisés e Henoc, no
judaísmo. Tais narrativas caracterizam-se com a presença de um público que
observa. Muitas vezes, o personagem é envolvido por uma nuvem e carregado
para o alto. Às vezes, ocorre sobre uma montanha. Quase sempre é dada uma
mensagem de despedida. Portanto, há semelhanças entre a narrativa de
Lc 24, 50-53 e At 1, 4-12 e outras narrativas de ascensão ao
céu na Antiguidade. É um modelo literário disponível para narrar o fim da
vida de grandes personalidades. São modelos que expressam realidades em
imagens e símbolos, porque de outra forma seria muito
difícil. O que,
então, significa a ascensão de Jesus ao céu narrada por
Lucas? Jesus, ao
contrário dos relatos anteriores, passou pela morte. Lucas diz que o
caminho andado por Jesus acaba em Deus, sentido pleno que transcende
espaço e tempo. Jesus venceu a morte. A pergunta que hoje naturalmente se
faz é a seguinte: Tudo isso é verdade? Jesus realmente passou da noite
deste mundo para a luz eterna de Deus? Enquanto se discutem detalhes dessa
narrativa, como, por exemplo, se tal detalhe ocorreu ou não, não se capta
o essencial. Na verdade,
trata-se da meta última de nossa vida: Tem ela um sentido mais profundo ou
não? Se, com A. Camus e outros, respondermos que a vida desemboca no
absurdo, a narrativa do evangelista Lucas torna-se sem maior importância.
Do contrário, se admitimos que o dinamismo orienta o ser humano para um
sentido transcendente, a celebração da ascensão de Cristo ao céu e a
páscoa interpretam o sentido último de toda a nossa vida. Cristo passou à
glória definitiva. Agora é a vez da Igreja. Cristo chegou à plenitude. Nós
ainda estamos a caminho. Segundo a liturgia dos defuntos, a morte não tira
mas transforma a vida. É o nascimento para a vida plena em
Deus. |
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