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As Feiras do Frei – O pensar e o fazer do Amigo do Livro |
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Apresentação O livro, a cultura e literatura brasileiras tiveram, em 2005, um patrono mais que merecido, Frei Rovílio Costa. Ele é editor, escritor, pesquisador. Ao ser escolhido como patrono da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, declarou-se apenas Amigo do livro. Antes de Porto Alegre, Frei Rovílio foi patrono de feiras do livro de Novo Hamburgo, Bom Jesus e Veranópolis. No Rio Grande do Sul, Frei Rovílio vem se dedicando ao resgate da vida, costumes e história das diferentes etnias que perfazem a população sul-rio-grandense, cujas idéias, ideais e propósitos ele foi revelando ao natural no curso de conferências, debates, entrevistas e atividades múltiplas. Pensei então em reunir todas estas manifestações, que traduzem a maneira de Frei Rovílio pensar e fazer cultura. Desde 11 de outubro de 2005, quando ele foi anunciado como patrono da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, dediquei-me a agendar seus compromissos resultantes deste novo encargo. E a seqüência de convites para presenças e atividades culturais diversas foi intensa em 2005 e 2006. De início, guardei o material apenas como recordação, pois o Frei é meu tio, e porque a maioria dos profissionais da comunicação que o entrevistaram são colegas de jornalismo. Mas este trabalho começou a ganhar cada vez mais forma, porque colecionei os principais pronunciamentos e escritos do Frei, relacionados à Feira. Não todos, nem de todos os veículos, ficando de fora praticamente os pronunciamentos em duas dezenas de rádios locais, do interior do Estado, do Brasil e algumas da Itália. Um dia, porém, depois de acabada a feira, o Frei como que se felicitando, disse: “Sempre detestei perguntas, porque elas constrangem a uma tomada de posição da qual nem sempre a gente está com idéias claras. Mas a feira me ajudou a identificar para mim muitas idéias que seguia na prática, sem me dar conta de seu valor e significado. Se uma pergunta demanda uma resposta, a resposta também ajuda à construção de uma convicção”. |
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Outra afirmativa dele, esta mais que a primeira, que me decidiu a colocar a público este material, foi: “Jamais teria posto a público algumas considerações que fiz durante as atividades da feira. Nunca as escreveria, pois fazem parte de definições pessoais, da minha maneira de fazer pastoral e promover o senso religioso e espiritua1”. Surpreendi-me. pois Frei Rovílio falava da feira e de seu significado cultural - local, estadual, nacional e internacional naturalmente -, projetando o significado da feira na construção de um novo futuro cultural e a afirmação de um dos pilares da identidade sul-rio-grandense e brasileira. Os entrevistadores voltaram-se muito aos temas trabalhados por Frei Rovílio, destacando-se a edição de livros e seus inusitados e definidos objetivos, o resgate de cada uma das etnias, sempre afirmando que nós estamos construindo o ideal da futura humanidade, numa primeira ceia de raças, etnias e culturas. E esta sua convicção é tão profunda que, dia e noite, pensa nos acervos de culturas e etnias, com doação média de 1.200 obras referentes à realidade gaúcha e brasileira, tendo já formado mais de vinte acervos. Disto que é tão importante, ele nunca fala, e os meios de comunicação desconhecem sua dimensão. Uma outra afirmativa despretensiosa, mas profunda, foi um dia em que ele disse: “Sempre trabalhei com objetivos, independente de recursos e meios, e isto dá muita satisfação, porque você vive e dorme em cima deles e, quando se dá conta, fez mais do que imaginava fazer. Também no campo religioso, a gente descobre os caminhos de Deus propostos pela Bíblia, mas existentes e encontráveis nas pessoas. Acreditar na pessoa de Cristo, como afirmou Pedro – “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo (Mt 16,16) - é acreditar que todos somos filhos de Deus, e a humanidade de Cristo se completa na nossa humanidade”. Colecionei o mais que pude das atividades do Frei em suas diferentes feiras, com o objetivo de tomar visíveis as idéias que orientam silenciosamente sua ação como intelectual, pesquisador, frade e padre. Fico feliz em ter prestado este trabalho à comunidade, porque tenho certeza que o próprio Frei, ao reler seu comprometido pensamento de ordem cultural, religiosa e cívica, o aprofundará mais ainda para o bem de todos. Eis, enfim, a afirmativa que marca sua vida e missão religiosa: “A palavra dita nunca vai ficar não dita, mas pode ficar mal dita. O sim é aposta no amor, o não é espaço aberto ao ódio. Deus é o sim da criação, da redenção. 'Deus é amor”. (1 Jo 4, 16)”. Não sei se bem interpretei, mas assim percebi este núcleo de seu pensamento. Fica em aberto aos amigos e leitores para enviarem suas impressões, complementações, concordâncias, ampliações e contestações. Boa Leitura e sejamos todos nós também - Amigos dos Livros. Porto Alegre, 20 de maio de 2007. Marilene Dorneles Jornalista | |